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10 mar. 2002.
BARAKAT, Saad el Din. Econ...
· GODOY, Marcelo, Policia faz nova pericia no caso do liban~s morto. 0 Estad6 de
Sao Paulo, 26 jun. 2003. p. 38.
______ . ...
LOPES, Roberto. Ciudad del Este pode virar alvo. Jomal do Br~il, Rio de Janeiro,
8 set. 2002. '. • .
. .  . . .'
LUXNER, J...
SANTOS, Fulgencio Tomas. La obra del siglo: Ciudad Presidente Stroessner.
Asuncion: Editorial El Foro, 1983.
SOUZA, Andrea...
. . Di~it6s reservados11: . ".' •
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  1. 1. 12'Arabes e mu~ulmanosemFoz do Igua~u'eCiudad del Este: notas para .uma re~interpretadio. . . Se existe urn espa<;ona America Latina no q~al a1?areceminscritos os , retratos da violencia vinculados aos conflitos do mundo arabe e islamico, esse e a Triplce Fronteira: a area de confluencia dos limites internacionais do' Brasil, Argentina e Paraguai. Seguindo osmeios de cpmunica<;aoregio- nais e ~nternacionais. a.area parece ter-se transformado em urn dos espa<;os do globo que condensa todos os problemas deseguran<;a contemporaneos: 'c terrorismo e mafias tninsnacionais, pirataria, contrabando, lavagem de di- nheiro e de artigo'Sroubados, narcotrafico e trafico de armas. As denuncias sobre terrorismoislamico na regiao foram fundamentais na constitui<;aoe consolida<;aodesse retrato. Partindo da imagem de ilegali- dade, a grande maioria das materias jornalisticas e dos trabalhos produzidos sobre a regiab profCurademonstrar apresen<;a ou,ausencia de terrorismo ali ou de financiamento de grupos terroristas que operam em outras latitudes. Quem escrevesabre aregiao parece condenado ao dilema de Hamlet objeti- vado na interpela<;aoa comunidade arabe da fronteira: san ou nao san terra- ristas?As respostas negativas articuladas poralguns jornalistas e membros da comunidaae questionando a afirma<;aoda existencia de terrorismo na regiao ratificam,sem querer, a aliena<;aodo dilema de Hamlet colocado d:terna- mente. A diferen<;ade Hamlet, que se pergunta a si m~smo pela condi~ao de f .suaexistencia, ,no caso dos arabes'da fronteir~, essa resposta e rea<;aoa uma pergunta qu~ nao e propria. Esse fato produz a condi<;aoalienada na qu;l, frente a cada nova suspeita ou apa~i<;abde evidencias na regiao vinculadas
  2. 2. ao unlv~rso politico do Oriente M~dio e do mundo islamico, a verdade da nega<;ao ve-se questionada, ficando-se enta~ na impossibilidade de poder discutir 0 que se revela nesse instante como problema anterior: quais san os criterios de definicao da discussao. . . opresente ~rabalho e urn inte-nto, precisamente, de estabeleceJoutras narrativas a partir das quais se possa discutir a presen<;a arabe e mu<;ulmana . ria·regiao. 0 regi~tro hist6rico no qual 0 trabalho se insCrevenos permitira vislumbrar 0 desenvolvimento 'da regiao e conhecer 0 lugar que nele ocupa- ram 6s imigrantes de origem arabe. As experiencias migrat6rias, comerciais e de exilio nos permitiram ordenar urn material geralmente ausente nas dis-, cuss6es sobre a Triplice Fronteira, colocando-nos em urn terreno diferente daque1e cenario maniqueista estruturado a partir da discussao sobre -apre- senca ou ausencia de terrorismo na regiao. Partindo de algumas trajet6rias, .- ,. . individuais, articula<;oes comunitarias e prati~as politicas, 0 trabalho tentara aport:'!.relementos para construir o'utras narrativas sobre aque1es que, che- gados do Oriente Medio, fizeram suas vidas em Foz do ~gua<;ue Ciudad del Este. Os limites internacionais de Brasil,Paraguai e Argentina se encon- tram na conflu~ncia dos rios onde eles estao tra<;ados: 0 rio Parana e 0 rio 19ua<;u.Nas margen's, a! cidades, e sobre os rios, as conex6es. A cidade para- guaia d~ Ciudad del Este esta separada pe10 rio Parana da cidade brasileira de Foz do 19ua<;u,ambas unidas pe1a Ponte da Amizade. Frente a Foz do ' 19uayu e do outro lado do rio 19uayu, esm localizada' a cidade argentina de Puerto 19uazu,cidades estas unidas pela ponte Tancredo Neves. , . . As cidades guardam lugares bem diferentes na dinamica de cada pais. Ciudad'de1 Este e a capital do estado de Alto Parana - urn dos 17 estados do Paraguai - e e a segunda cidilde do pais em impottancia. demografica e . economioa. Com uma populayaode 222.274 habitantes em. 2002,2 a cidade se desenvolveu no extrema leste do pais durante asegunda metade do seculo' I 2 Se agregarmos apopula,ao dos dtstritos que se encontram articulados na dinamica urbana de Ciudad del Este, tais como Hernandarias (63.248), Minga Guazu (48.006) e Presidente Franco (52.826), 0 conjunto apresenta uma popula- ,ao de 386.354 pessoas (DoEEC, 2002, p. 102 et seq.).
  3. 3. XX,emergindo cOmo uma alternativa dinamica a secular importancia da. , capital, Assun<;ao. Com jomais locais, universida?es, urn aeroporto interna- . , cional e uma importanteinfra-estrutur~ urbana (ainda que precaria e desi- gual), Ciudad del Este e fundamental no Paraguai contemporaneo. Comq Ciudad del Este, Fez do 19ua<;uteve nas ultimas decadas urn desenvolvimento significativo e, em muitos aspectos, mais acabado que a cidade paraguaia; pelo menos no que diz respeito a midia, a infra-estrutura urbana e mesmo a~brangencia do acesso a determinados bens e infra-estru- tura. 0 lugar de Foz do 19ua<;u,contudo, e bem menos signifiCativo para a dinamica estadual e nacional brasileira. Com uma popula<;ao de 258.543 habitantes no ana 2000, era a quinta cidac'le do estado do Parana; urn dos 26 estados que compoem 0 Brasil. I . Comparada com as anteriores, a cidade argentina de Puerto 19uazu e uma pequena cidade com pouca ou nenhuma autonomia em termos de prodti<;ao ou reprodu<;a,o de uma esf¢ra publica local. Com 31.515 nabitan- tes em 2001, era a quarta cidade em termos demograficos da provincia de Mislones - urn dos 2.1 estados da Argentina. . As cidadeJs de Puerto 19uazue Foz do 19ua<;usao 0 destino obrigat6- rio para visitar as Cataratas do 19ua<;u,importante ponto turistico dentro .da America Latina.3 A dinamica econ6mica de Puerto 19uazu gravita em. torno do llirismo e do comer~io vinculado a ele. 0 turismo tambem ocupa urn lugar·fundamental na dinamica econ6mica de Foz do 19ua<;u,onde, no entanto, outrasduas atividades sac fundamentais: 0 comercio de produtos brasileiros para os paises vizinhos (principalmente, para 0 Paraguai) e a pro- , du<;ao de energia eletrka. Se a importancia que tern 0 turismo para 0 lad~" argentino e brasileiro deriva de compartilhar urn atrattvo natural, Foz do . - 19ua<;ue Ciudad del Este compartilham outras duasatividades - comercio e energia - cuja existencia dependeu de apostas politicas e des~nvolvimyntos governamentais e, fundamentalmente, dos fazeres de mHhares de ,.pessoas que realizaram esses desenv~lvimentos. Eles foram os imigranteschegados do Paraguai e do Brasil que ajudaram a levantar ~ hjdreletrica e que trans- forma:cam, junto aos imigrantes de diversas partes do mundo, Os mercados - localizados nas cabeceiras da ponte que une ambas as cidades em u;m dos 3 Hoje em dia, Foz do 19ua~u e 0 sexto destino dentto .do Brasil do turismo intemacional (EMBRATUR, 2004, p. 141), porem, cinco anos atras, era 0 terc.eiro deStino dos turistas que visitavam 0 Brasil.
  4. 4. espa<;oscbmerciais mais din~micos do continente. Aqui e onde nossa hist6- ria come<;a. Apresen<;aarabe, tal como a de o.utros imigrantc;;sna fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, s6 e compreensivel a luz da dinamica comercial da regia-o.-Paraabord~r essa dinamfca, contudo, e neeessario-conhecer os tempos eas formas de ocupa<;aodesse espa<;o. Pormalmellte incorporada nos dominibs territoriais americanos das, corba,sporttiguesas e espanholas e nos Estados que as sucederam, a regiao " ," " / ;; da confluencia dos rios Igua<;ue Parana permaneceu fora de uma ocupa<;ao estatal efetiva ate finais do seculo XIX. CO:t;ltudo,aquele nao era urn espa- <;0des~bitado: a' popula<;ij.6indigena que dc~pava a matai subtropical que conformava 0 territ6rio, somavam-se ocupantes particularesde diferentes origens estabelecidos nas margens dos rios, assim como grup~s de extra<;ao de erva-mate emadeira que se internavam, nas matas abrtndo trilhas e pas- sagens.4 , A partir de 1876, astertas localizadas no Paraguai foram entregues em qmcessao a uma empresa privada para explora<;aode erva-matee Il).adeira; o assento da empresa, Tacuru PUCll(atual Hernandarias, 20 km ao norte da atual Ciudad del Este), foi 0 primeiro assentamento regular na regiao. Em 1889, a fim de garantiruma pres~n<;aestatal na fronteira, 0 exercito brasilei- to fundou a colonia militar de Poz do Igua<;u.Do outro lado do rio Igua<;u,' no lado argentino, come<;oua se formar urn poyo;do que seria c~nhecido como Puerto Aguirre (mais tarde, Puerto Iguazu), 0 qual receberia diversas institui<;6espublicas n,aprimefra decada do seculo XX. -Ate a decada de 60, as rela<;6esleritre Foz do 19ua<;u(BR) e Puerto Iguazu(AR) fbram as que estrutlraram 0 movimento daguela regiao, envol- ) 4 A pluralidade de origens da 'popula~ao que ocupava a regiao aparece no relato de urn dos participantes da funda~ao da Colonia Militar da Fo' do 19ua~u, De aconlo com Brito, "(Plor ocasiao'da descoberta da Fo' do 19ua~u 9 territ6rio br~ileiro ja era habitado. Existiam no ltlesmo 324 almas, assimd"escritas: Brasileiros, 9; rranceses, 5; hespanhoes, 2; • argentinos, 95; paraguayos, 212; inglesL" (BRITO,(1937J, p, 13),5e somarmos as pessoas que a comissao encarregada da I funda~ao foi encontrando a caminho do seu destino, tambem aparecem holandeses, alemaes ~,uruguaios.
  5. 5. vendo diversos produtos e esquemas de eircula<;ao.5 Por:em, logo depoisque corri.e<;oua se concretizar 0 corredor que ia ligar 0 centro do Paraguai com os portos brasileiros no litoral atlantico, 0 eixo que movimentara aquela regiao come<;ou a mudar de sentido. A funda<;ao de Puerto Presidente Stroessner, 'em 1957, na margem direita do Rid Parana, frentea brasileira Foz do Igua~u, enquadra-se nesse empreendimento, 0 qual se consolida com a inauguta<;ao da Ponte de Amizade, em 1965.6 Na decada de 70, a constru<;ao da represa de Itaipu, entre Brasil e Paraguai, alguns quil6metros ao -norte de ambas as eidades, produziu urn salt<?demografico e de infra-estrutura que fez distan- eiar, em term os de 'escala, ambas as eidades de Puerto 19uazu.7 A procura de novas possibilidades comereiais foi 0 atrativo que levou muitos comereiantes.a fronteira. Atraidos poresse novo espa<;ode possibilidades e realizadores das mesmas, 'os primeiros comereiantes que tiveram urn papel fundamental na mudan<;:ado eixo que movimentava a regiao foram aqueles que levaram produtos brasileiros ao Paraguai. Tant6~nas hist6rias que recolhemos como naquelas que encontra- mos na midia local" ~ chega.da dos pr~eiros migrantes arabes esta relaeio- ,nada com esse comereio. No inieio, ievaram a produ<;ao industrial brasiieira ate os ultimos confins do oeste do Parana, onde Foz do Igua<;uet'a urn ponto a mais nessa cartografia em movimento. Depois, com 0 acordo qssinado em 1956 para a constru<;ao da ponte que uniria 0 Brasil com 0 Paraguai e a fun- da<;aode Puerto Presidente Stroessner no ana seguil1te, alguns desses comer- 50s produtos tradicionais que ocuparam urn lugar importanteno desenvolvimento daquela regi:io foramaerva ..mate e a madeira. Gutres pl:odutos tiveram um~ imporrnocia contextual: tal como 0 fluxo de poeus do Brasil aArgentina duran~ te a Se~nda Guerra Mundial, escapando dos controles a produ<;ao e cometcializa<;ao de ,caucho imposta pelos EUA. 6A funda'rao de Puerto' Presidente Stroessner estiestritamente vinculada a constrw:;ao desse corredor entre 0 centro do Paraguai e os portos brasileiros, nos quais 0 govemo paraguaio tinha· ganhado facilidades para suas ~6rta'r6es e importa<;6es (Sanros, e~ 1941, ~Paranagua, em 1956). A elei<;ao do local p"ra a funda<;ao esteve dererminada pelo lugar ond~ ia se construir C ponte q!Je atravessaria 0 Parana. 1 Elementospara uma hist6ria daquele espa<;o fronteiri.;o pod,;m ser encongados em Klienke etal. (1997), Ferradas (1998), Barakat (1999), Duarte (1999). Sugamosto (1999}, Souza (2000), Ribeiro (2001, especialmenre. capitulo 2). 0 relato dafunda<;ao de Foz do 19ua<;u estil em Brito ([1937J 1995). Urn livro sobre a hist6ria deFoz do 19ua<;unarrada por urn protagonista e Lima (2001). Outros relatos locais que agregam elementos interessantes sao Lima (1998) e Muller (1998). Sobre a funda<;ao e desenvolvimento de.Ciudad del Este ver Santos (1983) e Ynsfran (1990). A partir de relatos de participantes das fundat;6es e de viajantes, tentamos produzir outra narrativa sobre as hist6rias de cada cidade em Rabossi (2000). Exploramos 0 desenvolvimento de Ciudad del Este a luz do comercio em Rabossi (2004, espedalmente, " capitulo 5). ,
  6. 6. "ciantes se estabeleceram em ~oz do 19ua<;utendo em vista a perspectiva do comercio com 0 Paraguai, um mercado virgem para os produtos brasileiros. Os primeiros migrantes arabes que se estabeleceram na regHio 0 fize- ram na cidade brasileira de Fozdo 19ua<;u.8Se 0 desenvolvim~nto de Jardim Jupira e Vila Portes - os bairros pr6ximos a Ponte da Amizade - e a mostra espacial do cresc.imento de Foz do 19ua<;ucomo centro comercial exportador de produto& brasileiro.s.para 0 Paraguai, a importank presen<;a arabe' nesses . bairros e a manifesta<;~o do papel que eles tiveram nesse cresci?1ento. Atrai- dos pelo movimento comercial ou seguindo referencias e nomes de parentes ou conhecidos, novos imigrantes continuaram a chegar. A primeira marca institucional 'dessa presen<;a em Foz do 19ua~u sera 0 Clube Uniao Arabe, fundado em 1962. Quem san eSSesimigrantes? Em sua maiorhr sao originarios do Li- bano. Alguns ja tinham rodado'~lo interior do Parana e Sao Paulo e inclu- sive tinham ~e estabeleddo em outras cidades antes de mudar-se para Foz do 19ua<;u.Outros eram recem-chegados aoBrasil. Consideremos, tres casos dessesprimeiros imigrantes que se transformariam em importantes comer- ciantes e empresatios da cidade. Numa reportagem na midia local sobte a trajet6ria de Ahmad Ha- mad Rahal, lemos "Como quase todos os atabes que migrarampara 0 Bra- s'il e outros paises, Hamad Rahal deixou 0 Libano .com pouco ou nenhum recurso, tendo que come<;ar tudo praticamente da estaca zero :...e 0 come<;o ' invari~vel nao poderia ser outro setiao a dese dedicat a velha' profissao de mascate, equivalente ao conhecido vendedor ambulante que hoje inunda as ddades brasileiras."9 Hamad chegou (ao 'Brasil em 1951, com 20 anos. Arribou a Sao Paulo 'onde come<;ou a trabalhar no comercio. Dois anos mais tarde decidiu tentar a sorte no centro e oeste do Parana vt;ndendo mer~, cadorias que carregava em suas malas, principalmenie r-bupas que trazia de Sao Paulo. Percorria incipientes cidades como Guarapuava, Cascavel, Foz do ,19ua<;u,Mar~chal Candido Rondon, Toledo e Guaira. "Em.suas andan<;as de mascate, Rahal chegou a Foz do 19uacu no come co da decada de 50 e aqui, 'f.( • , t 8 Conti~uando, de fat';, urn padroo que caracterizou a irnigrac;ao arabe desde final do seculo XIX, no qual a Integra~ na dinamica social e economica no Brasil foi atravesdo comercio, em termos gerais, e da pI3tica do rnasc~tear, em particular. Ver Knowlton (1960), Safady. (1966), Truzzi (1992), Lesser (2002) .• • Nosso Tempoj 1989a.
  7. 7. I '. Ca15ltulo 12 ja encontrou tres familias ?e migrantes arabes." Quando chegou ao e.xtreino oeste do Parana, come<;:oua trabalhar nos povoados que -se estendiam ao longo do rio Parana entre Foz do 19ua<;:ue Guaira. Finalmente, em 1958 ter- minou se fixando em Foz do Igua<;:u,com a abertura de urn estabelecimento comercial no centro da cidade. Outro importante e~presario de Foz do 19ua<;:u,Mohamed Osman, chegou em 1952, proveniente' do Libano, e sedirigiu para onde morava seu irmao, na cidade,de Jataizinho (Parana). Nas suas palavras, se~ prJmeiro neg6do foLI]lascatear com uma maleta cheia de roupas dadas por outro pa- tricio. "Eu vendia nossitios, nas fazendas e nos cafezais da regiao." Abriu seu primeiro bazar em Assai, depois mudou para Ivatilva, onde tinha l>arenteS,e entrou no ramo da compra e venda de cafe e cereais. Em 1962 se estabeleceu em Foz do Igua<;:u,onde realizou uma carreira comerdal importante, sendo dono,da Textil Osm:;J.ne representante exclusivo da empresa Kraft Suchard, , cujos produtos sac exportados para o'ParaguaLlO Abdul Rahal, libanes, chegou ao Brasil em 1959, com 22 anos, e fez ~. ." a percurso que tantos outros arabes dedicados ao comercio fizer-am:Santos (porto de chegada), Sao Paulo (cidade dos inicios) e 0 interior dos estados de Sao Paulo e Parana (territ6rio de circula<;:aoe capitaliza<;:ao).J,m 1961, localizado em ~oz do 19ua<;:u,come<;:oua levar prodUt08 ao ParaguaL Abdul consig.era-se urn dos primeiros a abrir 0 mercado paraguaio para os produtes Qrasileiros, ateentiio dominadopelos produtos argenti~QS. A escolhade Foz nao foi por acaso, Abdul tinha urn primo em Foz dO,Igua<;:u.Seu irmao, que tinha chegado ao Brasil em 1954, estava vivendo na Argentina junto a sua mulher. Depoig, de algum tempo, eles tambem se instalararn emFoz do 19u'acuY• I As hist6rias dos imigrantes arabes que, se estabeleceramern Foz do 19uacu sac semelhantes as descritas para periodos anteriores no Brasil. Va-• . t . _, . • mos nos ,deter, contudo, 'em uma ex.perienda que nos perrnitira compre- ender melhor 0 lugar que ocupou Foz do 19ua<;:u/Ciudad del Este para os imigrantes de origem arabe. A pesqui~a de Denise J~rdim sobre os palestinos que se estabe'teceram no Chui,na fronteira com Uruguai, permite tra~ar 10 Classe 10. 1996a. II Entreyistll realizada pel.;kutor em,outubro de 2001. U1Ia ajlresentac;ao de Abdul Rahal na midia estll em Classe 10, 1996a, p. 12-13.
  8. 8. paralelos significativos com as trajet6rias daqueles que seestabeteceram em Foz do 19ua<;u.A cronologia e si}Ililar:rtra.ta-se de pessoas que chegam na dedada de 50 e inicios de 60. 0 percurso antes de se estabelecerem no Chui e 0 mesmo que no caso deFoz do 19ua<;u:~.portd de Santos como lugar de 'chegada- e Sao Paulo como a cidade dos inicios e 0 ponto de articula- <;aodasprimeiras rela<;6escomOutroS patricios (parentes 6u, si'mplesmente, contatos ou conhecidos)j depois uma grande mobilidade por circuitos que intluem varias cidades brasileiras antes de se instalar no Chui. A 16giC'apor 'trasda mobilid'llde e da locaHza<;aotambem e similar: uma mobilidade que permite vislumbrar uma 16gicaespacial baseada nos "contatos pessoais com p~tticios, parentes e infotmantes que indicam os lugares onde 'esm born' . para 0 ~ofIlercio." QARDIM, 2000; p. 110). Assim como no caso do Chui, muitos dos que se dedicaram ao co- mercio em Foz do 19ua<;ue Ciudad del Este.nao tinham uma experiencia co- . i . mercial nos seus lugares de origem. 12 As razoes para essa inser<;ao no comer- cio SaG varias. Par Urn lado; atraves deparentes, conheeidos ou por contatos ocasionais com outros patricios, nasua chegada ~o Brasil ingressaram numa ' rede de rela.<;6escom aque1es ja estabelecido~_que tinham 0 comercio como sua atividade central. Por outro lado, para aquelesque chegaram sem capital, o.comercio foi uma atividade que abria a pos~ibilidade de urn rapido retor- no e que permitia vislumbrar urn caminhb para poder acumular e investir em nQvas po~sibilidades. A reali,za<;aodessas possibilidades - acumula<;ao e inversao - esteve vinculada com 0 tipo de inser<;ao no comercio, geralmente atraves de uma pratica especifica: 0 'rila.scatear'. Saircom Ii ~ercadoria ~araI ','. ' vender de porta em porta,;percorrendo ba.irJ:Ose cidadesY Assim, deixa-se 12 earacteristicatambem liSsinalada p')r Knawltan para as imigrantes sfrio-libaneses que ,cbegaram na Brasil na primeira tt,et~de da secula XX (KNOWLTON,2002, p. 299). De fata, uma caracteristica tecarrente das imigrantes libatieses em muitas _()q.tras partes do mundo. 13 Se na camercia a tnobilida.de, e um recursa dis{lanivel par •• todos, as candi~6es para poder ~roveitar-se dele de- pendem de yariosfatores, como rer 0 di~heiro au as relac;6es para poder mover.-se, por exemplo. Conceber_a ideia de maver-se, cantuda, depende do tipo de rela~iia estabelecida cam a lugar. Para a irni~ante recern-chegada, a lugar ~ urn, arbitnirio reLativoque n~o rem _a densidade hist6tica, simb6lica e reLacional que tempara as l::Iuenasceram aiL Neste 'sentido, as possibilidades abertas pelo mc;>vimentonem sempre' estao no registro do concebivel para uma pess~a que / ,1, ' . nasceu e,cresceu num lugar'sem nunca ter sa1do dati.
  9. 9. a grande cidade dosprimeirospassos e se cOn;lec:;aurn periplopelo interior, levando-se as novidades a povoados e fazendas.14 o momento da chegada de muitos desses migrantes (decadas dos de 50 e 60) ~ fundamental para compreendero exito cbmercial que consegui- ram, pois coincide com a expansao da produc:;aobrasileira de artigos indus- trializados, particularmente no setor texti!' Em urn primeiro momento, os mascates tornaram-se pec:;as-chaveno processo de distribuic:;aodessa produ- yao para 0 inteJ,'iordo Brasil e mais tarde, com sua insdllayao em cidades fronteiriyas, para os paises limitrofes. Nesse deambular, 0 desejo de querer se estabelecer vai se concretizar nos espayos o'nde se encontra utn s6cio ja estabelecido (os lugares com outros patricios) ou nos lugares que,apreseqtam boas possibilidades para 0 comercio. Tanto Foz do 19uayucomo 0 Chui san exemplos disto. Numa formulayao interessante par~ pensar 0 lugar que ocupatn essas ! cidades de fronteiranesse movimento, Jardim sugere que "Na trajet6ria dos migral)tes de origem arabe, 0 Chui pode ser entendido como uma fronteira . de expansao dos mascates." (JARDIM, 2000, p. 125). Essa descriyao bem se aplica aos migrantes de origem' arabe que se estabeleceram em Foz do Igua- yUjno entanto, as diferenyas entre dois os casos iluminam a singularidade que comeyou a adquirir a fronteir£ com 0 Paraguai para os imigr~ntes arabes' , e 0 tipo de movimento comercial que se foi desenvolvendb na regiao - algo que aparecera claramente na se<;aoseguinte. As cidades de fronteiras sempre tern sido lugares onde e possivelapro- veitar os diferendais derivados da continuidade de distintos espayos nacio- nais com seus diferentes produtos, cargas tributarias e precos. Fronteiras, -' , , estatais san fronteirlls de mercados nacionais: lugares nos quais os neg6cios e as oporrunidades podem se multiplicar, mas nero sempre podem ser apro- .•veitados, p~is essas fronteiras tambem marcam 0 espayo das alfandegas e dos controles. • 14 Essa said~'ao interior; no entanto, naD e unicamente. uma estrategia parachegar aDS lugares com menos concorren~ cia, .mas tambem uma forma de se manter a dist:1ncia das fiscaliza<;6es em SaD Paulo, as quais apresentavam 0 perigo de deten<;iio e de perda da mereadoria.
  10. 10. Muitas cidades de fmnteira tem-se tornado importantes mercados e 'nelas e possivel encontrar recorrentemente grupC!sdedicados ao comercio. Alguns dos arabes que chegaram a America Latinae pmcuraram as oportu- - I nidades abertas no comercio instalaram-se em diversas cidades fronteiric;:as, como 0 Chui e Foz do 19uac;:uno Brasil; Encarnacion e Ciudad del Este no Paraguai, ou Maicao na fmnteira entre Colombia e Venezuela. Nas cidades _ brasileiras mepcionadas, vamos encontra-los vendendo' a produc;:ao brasilei- ra. Nos outms casos, vao aparecer vendenda' pmdutos importados. A tom- binac;:ao'de ambos os fluxos e precisamente 0 que distiilgue Foz de 19uac;:ur e Ciudad del Estee 0 que constituiu 0 grande atrativo para os ittligrantes .. . arabes quecontinuaram chegando a America Latina na decada de 70 e 80. Com a fundac;:aode Puerto Presidente Stroessner, em 1957, e a inau- gurac;:aoda Ponte da Amizade, em 1965, a margem paragur-ia do rio Parana ganhou uma nova vida. Os primeiros comercios abertos na saida da ponte foram de paraguaiosj mas, logo em seguida, foram se estabelecendo putros comerciantes que tinham comec;:adoa trabalhar do outro lado do rio. Desde finais dos anos 60, ~lguns comerciantes de origem arabe ja estabelecidos em Foz do 19uacu abriram s'uas lojas e· importadoras na eme~gente cidade'- ., . . paraguaia.15 I Claro que, para poder estabelecer-se do lado) paraguaib, tinham que ter as possibilidades legais ecomerciais para faze-lo. Ambas as questoes fa- rampossiveis pelo incentivo do regime de Stroessner ao comercio baseado na .importac;:aode produtos estrangeiros para a venda na faixa de -fmnteira e pelas "facilidades" dadas aos comerciantes para poderem seestabelecer.16 , As expectativas abertas .pelo fluxo de 'produtos difet:entes (imp6rtados de ter- ceiros p~ise's)e_.orientado aoutro publico (os turistas brasileiros e de outras p~rtes que chegassem para comprar em Puerto Presidente Stroessner), junto as facilidades para poder Se estabelecer, foram os elementos que atrairam e possibilitaram 0 es,tahelecimento de migrantes arabes no outro lado da fronteira, 15 A resposta de Abdul Rahal a pergunta sobre como era Puerto Presidente Sttoessner no momento em que ele chegou em Foz do 19ua~u-(1959) apresentaesse movimento: "Pocas casas de madera, allado del rio. No tinha hotel... ni Cidade del Este, Ciudad del Este, ela c~menz6en 1968. Ad abri6 el finado Ramirez, mi primo Alej dnha a Rahal alia, y Arne- . ricana despues vinieron. Y nosottos abrimos. deSpues, 1969, Continental SRL... y comenz6 a crecer." 16Por'facilidades' nos referimos tanto a rneeanismos de facilita~ode trarnites para conseguir habilit&«;:6eS assim como a mita de exigencla de alguns dos requisitos .necessarios au a ex~ncia de 'arreglos' particulares com autoridades. , .
  11. 11. No ~ecorrer do temRo, junto a esses comercios e as casas de impor- ta<;ao que abriram em Puerto Presidente Stroessner, aqueles ja instalados em Foz, ou~os imigrantesarabes fizeram suas apostas diretamente do outro, '.. . lado do rio. Urn caso exemplar e 0 dos irmaos Mannah~ Originarios da vila de Baaloul, no Vale de Bekaa, os irmaos Mohamad Said Mannah e A,tefSaid Mannah chegaram em Puerto Presidente Stro~ssneJ; em 1972,onde abriram a Ioja New YbrkY Com 0 tempo, Os neg6cios'se expandiram .e hoje sao ( proprietarios de tres lojas de produtos importados que estao entre as mais importantes da ddade: La Petisquera, Frontier e Mannah.18 Outro caso sintomatico desse novo padrao de imigra<;ao e 0 caso de Faisal Hammoud, originari6 do Libano,. que estabeleceu no inicio dos anos 70 uma Ioja que !se ~xpandiu ate transformarrse em urn dos grupos comerciais mais importantes da cidade: 0 Grupo Monalisa. 0 crescimento e impa:etanre: escrit6rios em Nova York na decada de 80, escrit6rios em Miami e Sab Paulo nos anos 90, butiques nos shoppings de Assun<;ao e u~a diversifica<;ao alem da cbmercializa<;ao de produtos importados que permite' vislumbrar a amplitude dos neg6cios: turismo,educa<;:ao, Internet e, inclusi- ve, uma fabrica de m6veis para exposi<;ao.t9 Os filhos de Faisal Hammoud, Shariff e Sadek, nasceram no Libano, mas cresceram no Paraguai. Eles'serao figuras-chave no desenvolvimento 'do' grupo. Quando em 1975 come<;aa guerra no Libano, a presen<;a de comer- ciantes arabes na fronteira estava c0tlsolidada. Alguns delestrabalhavam em Foz do Igua<;u, QutrQs em Puerto Presidente Stroessner,. e outros operavam em ambos os lados. Esse espa<;ode rela<;6ese oportunidades se transformara l em urn lugar atrativopara muitos liban~ses, palestinos e Qlltras pessoas do Oriente Medio que emigraram pelos conflitos na regiao. Urn ca;o ilustrativo des~a nova fase e 0 caso de Samir Jebai, que em 2001 era presidentede umas das camaras empresariais da cidade. Ele chegou do Libano em 1977 fugindo da guerra civil e se estabeleceu em Puerto Presidente Stroessner, onde tinh~ parentes que sededicavam ao comercio. Com vontade de continuar seus • I 18Muitos dos que se tom.aram grandes comerciantes na entao President l Sttoes~er vao ser repre~ent!lntes de marcas intemacionais. 19 Urn hist6rico do grupo pode ser consult.do no website d. empresa: <http://www.monalis •. com.py>. Ver tambem Classe 10, 1996. e 1996b. ( j
  12. 12. estudos, mas com a limita<;aode uma lingua desconhecida alias, vari;~ linguas, se considerarmos 0 guarani e oportugues -, come<;oua trabalhar no comercio, no qual continua ate hoje.20 _?e, ate metade dos anos 70, a regiao ti~ha se transformado em urn de.stino atrativo para os comerciantes de.origem arabe, Idesde entao a fron- teira meridional entre Brasil ~ Paraguai se tran~fbrmou num safe haven com boas oportunidades para trabalhar; algo ql.,le,por sua vez, atraiu. muitas pes- soas que simplesmente deixaram 0 Oriente Medio e~ procura de urn futuro melhor. A expansao comercial,na decada de 80 - pela consolida<;aode Foz do 19ua<;ucomo centro expo~tador de produtos brasileiros e de Ciudacl del Este como etIlP6rio de produtos importados de diversas partes do mundo - sera 0 marco de inser<;aodesses novos imigrantes. Analisar as causas oesse crescimento comercial esta alem deste trabalhoP.lnteressa-nos, no entanto, 4escreversucintamente osfluxqs comerciais quese intersecam em Ciudad del Este e que permite~ ter uma ideia das conex6~s internacionais que ali se estabeleceram. Ate Ifinais dos anos 80, os produtos europeus ou estadunidenses chegavam dos lugares de origem, enquanto se aprodu<;ao era asiatica - nos primeiros mbmentos do }apao, depois de Taiwan e Coreia e logo da China - passavapor 'portos' de triangula<;ao.Miami era 0 principal porto de trian- g~la<;aode produtos rumo a Puerto Presidente Stroessner. Em urn pr6cesso q~e come<;a.na decada de SO e que se aprofunda na decada de 90, os cir~ cuitos comerciais mudam de rota. Miami continuarci sendo urn importante 20 0 Jebai Centet, inaugurado em 1977 POt parentes e d!, qual ele se tornaria s.odo, foi a proimeita grande galetia co- mercial de Puerto Presidente Stroessner e ainda hoje e urn dos principais pontos comerciais da ddade. Trata--se(deurn .lcomplexo que ocupa urn quarteirao inteiro - ein desnivel - composto por vArias andares de galerias e dais edificiQ$ de apartamentos c6nectados por urn corredor~ponte em seu 'ultimo andar. 21 A expansiio da of",rta de atrigos importados em Ciudad del Este ~ paralela ao crescimento do mercado de consumo popular e de alguns proltutos part~culares no Brasil (video, computa~iio, eletrQnicos, telefonia celular). Ja a <lIpansiio da.oferta de artigos brasileiros em Foz do 19ua~u esta vinculada ao lugar dominanre que passaram a ter os produtos brasileiros no mercado interior.-paragmiio. Questoes mais abrangentes sac fundamentais para compreencler esses desen· volvimentos, tais como a politica de importa~6es do governo paraguaio ou a politica de boa vizinhan~a do Brasil em fun<;ao de qutros interesses (a constr~ll;ao de Itaipu ou a abertura do teste paraguaio a coloniza¢o agricola); estratigias empresariais praticadas no Brasil, tais como exportar para reingtessar as mercadorias com 0 objetivo de se beneficiar de incentivos au beneficios fiscais ou de vender as mercadorias no mercado interno por preos menoreSj ou politicas com efeitos colaterais, como os dep6sitos .compuls6rios para as saidas ao exterior irnplementadas peIn governo brasileiro. a elemento que mudou de forma radical ambas as{idades e que teveuma influencia fundamental na multiplica~iio das transa~6es foi a constru~iio da hidreletrica de ltaipu a partir de metade da decada de 70. .
  13. 13. local de' provi~aopara Ciudad del Este; no entanto a posi~aoVqu~Qstentava , se vera completamente eclipsada pelos cresc~ntes vinculQs'diretos com 0 su- deste asiatico e'comoutros p.ortos de triangulitcao, com..o Panama; vinculos.' . ( -, - que tamb~m multiplicaram a ptesen~a da imigra~ao chi~esa, quese'tornara o grupo comercial majoritario.zz Assim como as rotascomerciais mudaram, tambem °fizeram os p~rceiroscomerdais e os contatos.) , . . o marco deste ~xpansivo universo comercial e.onde a grande migra- ~ <;aoarabe dos anos 80,e 90 se insere '- migra<;aoe presen<;aque, seguindo esse ~esmo movimento comercial,sofreia Umaretra~ao a partird~ segun.~a. . r£!.etade.dosanos 90. Para se ter uma ideia da importancia comercial daS pessoas de origem arabe nO'coinercio desenvolvido emCiudad del Este e interessante considerar os dados levantados em estudo realizadopelo Banco Central do Paraguai e1l1 1998, segundo 0 qual a distribui<;ao'pela. origem ~dosdonos das lojas era: paraguaio 28%, oriental 27%, arabe 24%, brasileiro 1!%, outros nao especificados 10%,23sendo que a cifra estimada d~stabe- lecimentoscomerdais em funcionamento, em 1998, era de 7.000 - cetca de , 1.680 e:stabelecimentos estavam em maos de come,rciantes ou ~mportadores I . , atabes.. Ate a decada d~ 80, nas publica<r6eslocais e nos escrjtos ocasionais'" - I _'( de viajantes ou jornalistas, asref~rencias aosarabes estavam centradasno comercio, seja a partir do simples registro da sUa presen<;aou a partir cia informa~a6.de inaugUra~6es-ou empreendimentos. AlgUns imigrantc;s co- me9aram a t~r'uma participa<;ao na dinamic~ geml de ,Foz do Igua~u. 0 comerciante e empresario Fouad~Fakih,por exemplo,24na metade' da ciecada .pe 70 tornou-se president~ da ASsocia~~oCome'rcial de Comercio -de Foz 22 Ate a decada de 90, Ii imigra.,ao chinesa e proveniente de Taiwan, depois sera da China. Segundo uma materia sobrt acomunidade chinesa de CiudaiPresidente $troessn';' publicada pela r"';ista taiwanesa Sinorama' em 1988, 0 primeiro, . "..... <,...... - ! .. chines de ~aiwat instalou"e cOl1o comercianie em 1970 junto a sua familia. No niom~nto da realiza.,ao da materia, havia na cidade mais de 3.000 chineses . . " Estudo re~lizado pel" Departamento de Econqmia Internacional de la Gerencia de E~tudios I'con6micos del Banco Central del Paraguay, ~m 1998. 0 universo analisadd e pequeno, mas serve para se ter uma ideia da distribui.,ao por .origem dos come~iantes. '" Nascido no Libano, chegou a6Brasii com 8 anos de idade nos finais.da decada de 50.
  14. 14. do Iguayu (entre 1974 e'1980). Desd'e entao, outras pes~oas de origem arabe passam a ocupar posiyoes importantes na cena publica, Alguns participam na politica local e estadual concorrendoem eleiy6es para cargos de vereador, deputado estadual e feder;:l.l.Outros setornatn membros destacadosde con- selhos comunais e diversas instituiyoes locais. A partir dos anos 80, os arabes·da fronteira aparecem com urn novo rosto, peln metios n,9 que diz respeito a sua inscriyao nos meios jornalisticos. Em especial, 6 peri6dico Nossorempo de Foz do Iguayu com~ya'a veicular itiformayao sobre 'a tomunidadearabe da' fronteira, isto. e, sabre as ativida- ges, as associayoes, as,trildiyoes e os posicionamentospoHticos de alguns clos ~eus membros.25 Nos iniciosCflosanos 80, a populayao arabe da fronteira parece haver alcancado urn numero consider.avel, levando-se em conta sua~ -.. , recente chegada naregiao.Em uma materia de 1982, le-se que "Mais de mil pessoas compoem acomunidade arabe residente emFoz do Iguayu e Ciudad Presidente Stroessner, Cerca de 80 por t:;Jntosap originarios do Libano e se dedicam quase que exClusivamente ao cOIl.lerciO..."26 Em 1981 vaiser funda- do 0 Centro CultutalBenefi<:ente Isla~ico de Foz do Iguas:u, 0 qual vai ter uma presenya fundamental na dinamica da 'familia islamica' na fronteira27 no que se refere aos esforyos tanto reHgiosos quanto educativos. 0 curso de arabe, espedalmente dirigido aos filhos dos imigrantes, sera oferecido pelo Centro Beneficente depois da conclusao da.mesquita num edificio que fica dentro do recinto da mesma,-a escola Ali Bern Abi Taleb, hole a Escola Ara- be-Brasil~ira. . / A mesquita foi oresultado do esforyo coletivo canalizado pelo Cen- tro Beneficente. Em 20 de maryode 1983 foi lan~ada a pedra fu~damental da mdquita em um ate publico q~e contou com apresenya de diversos em- baixa?ores de paises do Qriente Medio e representantes das comunidades is- 2S Interessante que, senda 0 meio que mais i~formas:ao apresenta sobre a comunidade, nem por i{;sodeixa de ser critieo " especialmente ha pluma do seu diretor - em relac;ao a oertas posi~o!'S qu~ marcaram mai' ,,/'rente os desenvolvimento no mundo arabe, partkularmente a partir da,islamiza¢o da 'pglitica na cet).ainternacional. 26Nosso Tempo, 1982. 27Utilizando'a formula do proprio centro para caraeterizar.o destinatilrio dos seus vot~s no final do Ramadam de 1989 (N~ Tempo, 1989b). " . . . .
  15. 15. liimicas de distintas cidades brasileiras.28 Ja.em 1987 .,.em uma nota sobre os trabalhos.da mesquita - fala-se de "aproximadamente dois mil mu<;ulmanos, mtlitos com mais de vinte anos de residencia na regUia..."29 Ainda sem estar terminada,.a mesquita ja abriga as cerimonias dassextas-feiras.Em outubro de 1988, depois de mais de cinco anos. de ttaf,alho, a mesquita Gmar Ibn Al-Khatab foi oficialmente inaugurada.30 Diversasassocia<;oes ,se desenvolveram durante esses anos, .algumas orientadas a representa<;ao de determinados grupos com ma,tizes mais teul- turais, politicos ou religiosos. Algumas delas foram a ~socia<;ao Cultural Sirio-Brasileira, 0 Centro Cultural Arabe-Brasileiro, a Sociedade Arabe Pa- lestina-Brasile'ira, a Associa<;ao Cultural Sanaud, a A$socia<;ao dos Jovens Mu<;ulmanos de F~z do 19ua<;u. Em Ciudad' del Este, a diniimica associativa teve outras caracteristi- cas. Apresen<;a de imigrantes arabes na dire<;ao das R$socia<;oescomerciais da cidade indica ? lugarde 4estaque que des tiveram na ativi~ade. PeIo men,os ate 2001, Ali Abou Saleh era presidente da Camara de Comers:ioI . . . . de Ciudad del Este; Shariff Hamoud .era presiclente do Centro de Impor- tadores e Comerciantes do Alto Parana; e Samir Jebai era presidente da Uniaode, Ciimaras eAssociacoes de CiudaCl del.Este. Todos eles, libaneses,- de nascimento. Porem, nenhuma dessas assqcia<;oestem 0 grau de represen- tatividade d~ associa<;aocomercial de Foz do 19ua<;u.De fato, e,mCiudad del Este, existe uma pluralidade de associa<;oesque, antes ge representar uma categoria deterinitlada"con~ituem,se ao redor'de figurasQU'grupos particu- lates. Mesmo as ciimaras de comercio estruturadas a partir de identidades ou nacionalidad~~, tal como ~ Camara de Comer~io Paraguaio-Arabe" tem essa caracteristica. 28 0 cerimonial foi cc;mduzido pelo secrerario geral assisrente da ICSAC. Kamal Osman" importante empresario local fez as sauda~6es ofidais e apresentou os objetivos do Centro Is~'micoe da consm,;~.o da mesquita. Presentes no ato estiVe- ram os embaixadores do Kuwait, !raque, Anibia Saudita, Libia, Libano e Liga dos 'Estados Aiabes. Tambem, os sheiks de Sao Paulo, do Rio de Janeiro~ de Curitiba, .de I'aranagua, 0 presidente da Confedera~o de Sociedades Islamicas do Brasil e a presidente do Centro IsI'mico de Foz do 19ua'iU' (Noow Tempo, 1983). Z9 No ano anterior, n<l marco da visit. do Embaixador da OrganUa~ao'Para Liberta~ao da Palestina para America Latin~, uma outIa publica~ao local fala de uma popu~ao "qlie s6 aqui em Foz gira ern tomo de quatro a cinco mil familias.» A !eferenci~ e as pessoas de origem arabe etn geral e naa sO aos islamicos. Porern, 0 mimero parece exagerado s6 para Foz do igua'iU e ainda para as duas cidades (Tres Poderes, 1986) .• 10 Na inaugura~ao estiveram presentes representantes deS colonias arabes do Pat;lna e Brasil, 0 secretario geral adjunto da Liga Islamica M,ndial, os embaixadore; no B'I'"il do Iraql., da Arabia Saudita, d' Libano, 0 representant. d~ .mb~ixada da Libia • diversas autoridades.
  16. 16. o desenvolvimento de outras estruturas alem daquelas vinculadas ao comercio teve igualmente caracteristicasdiferenciais em Ciudad del Este, sendo tambem de cara~rmais privado e individual. Exemplo disso foi a construyao da mesquita do Profeta Mohammed, inaugurada na metade .dos anos 90, cujos esforyos para a construyao foram organizados por urn comer- " cia~te local.-31Oa mesma forma 'foi/ormada~ pequena mesquita vinculada ao Centro Arabe Islamico Paraguaio. Passada a metade d~rdecada de 90, 0 numero da populayao de origem arabe apontado na midia era seis vezesmaior. Numareportagem publicada ,~ em 1996, segJ.indoinformayoes proporcionadas por pessoas da comunida- ,1 de, 0 numerode arabes instalados em Foz do .Jgu:ayue Ciudad del Este era. .~ de 12.000. Oeles, Sd% vieram do Libano (grande parte proveniente do suI' do Libano, particularmente do Vale de Bekaa), 15%tinham origem pales- tina eos 5% testantes vieram da Siria, Egito e outros paises do Oriente Medio. Segundo a mesma matel'ia, 95% eram rriu<;ulmanos(40% sunitas e 50% xiitas).32 Os dados ofkiais oferecern informayao parcial que -nao ~a conta da ( totalidade de imigrantes Mabes. Por exemplo, segundo 0 Sistema Nacional de Estrangeiros da Policia Federal do Brasil, em 1999,0 total de esu-angeiros residentes em Foz do 19uayuera de 9,17S, sendo os libaneses 0 grupo ma- joritario, co~ 2.939 pessoas.33Porem, cleve-selevar ern conra que 'esta cifra somenteinclui aqueles estrangeiros em regime de residencia - seja perma- nente, temponiria, fronteiriya ou pro~is6ria -, nao incluindo naturalizados, tutistas ou ressoas em situayao irregular. Incorporando estes ultimos, os imigrantes de outros paises atabes e a populayao residente em Ciudad del 'Este,a cifra de 12.000 nao parece exagerada. Essacifra vai ser repetida poste- I riormente tanto na midia cono porpessoas da.comunidade. 31 O:predio cnde esti. localizada a mesquita do Profeta Mohammed tern qJase 20 andares/suas paredes externas estao pintadas d~ verde e no topo os vertices possuem pequenas cupulas brancas, rematadqs pOT uma meia~lua dourada. A mesquita estava vinculada a lidetes religiosos shiiras do LibanoJ n Realizada por Jackson Lima, urn jomalista local bastante bem informado sobre a comunidade arabe da fronteira. As estimativas colocadas em numeros corresponderiam a 9.600 libaneses, 1.800 palestinos e 600 pessoas chegadas da Siria, Egito e outros paises do Oriente Med,io (Classe 10, 1996a). No (1)esmo ano, nuina reportagem da revista Isto e, b nume- roassinalado pelo jomalista Mar{o Chimanovitch era de 60 mil pessoas de origem libanesa e paTestina (lsto e, 1996). 33 Outros grupos importantes numericamente eram 65 paraguaios (1.770) e as chineses (1.709), conforme info;mac;ao coletada na base de dados da Policia Federal em Foz do Igua~u, em agosto de 1999.
  17. 17. Entretanto, aq~ilo qu~ valia para 0 final dos anos""90 nao necessaria- mente vale para lioje,espedalmente c.onsiderando-se 0 dedinio comercial da regiao e a conseqiiente dispersao de muitos comerdantes. Por exemplo, de acordocom Mohamed Hassan, presidente da Sotiedade Arahe Palestina- .. Brasileira, no ana 200! havia cerca de 50 familias palestinas na froriteira ,(nao mais'de 300 pessoas), nutnero que contrastava marcadamente com as . ~.800 pessoasde origem palestinareportadas para metade dos anos 90. Depois do '11 de setemhro nao foram poucos os que assinalaram que ~ milhares ·de pessoas de origem arahe tern aeixado a regiao. Por exemplo, 0 atual prefeito de Ciudaddel Este, ohservou recentemente que pelo me~os ( " , 20 ffiilarahes moravam na ddade, "perodespues de los atentados Mlll de septiembre etnumero descendi6 a men;s dela mitad'~4 Por~m, essadfra parec;- pertencer ao universo da impredsijo p6s-11/09: os numeros apontados na midia variam tanto quanto as acusa<;:6es.Entre as 30.000 pessoas de ori~em , arahe apontadas par alguns meios,35e as10.000'indicadas por outros,36qua- se todas as dfras-intermediarias tern si:'doapontadas em algum attigo apared- .- do nos meIos de cOn:lunica<;:aonadonais e internadonais. Mesmo dentro da mesma reportagem, as cifras podem variarentre 10 mil e 30 mil imigrantes arahes.37A impredsao e tao gra.nde que nao e-difidl encontrar descri<;:6es que apresentam nUll1eroscom vatia<;:6esd,elOO% oumais.38 . Hist6ria e pQlitica: a n~cessidadede' outras nariativ~ Come<;:amosfalando no inido dest~ textodo lugar privilegiado que' ocupa, na America Latina, a regiao da confluendadbs limites entre Para- guai, Brasil e Argentina nos retratos da violenda vinculaClosaos conflitos do m~ndo arahe eislamico. Uma compara<;:aocomoutr~parte do mundo nos ajudara a dialogar com es~esretratos. Analisando a muclan<;:anos estere6ti- "NMI,2003: 3~Jornal do Brasil, 2002. 36CNN,200L 37Reuters, 2001.- 38Por exemplo, num informe r~alizado pelos USA,,; possiveller: "Estimates of the size of the Arab community oUm- . migrants of the TBA (mainly in Ciudaci del Este ~nd Foz'do 19ua,u) range from 10;000 to 30,000, with rqost residing in Foz'dq 19ua,u. Of these gen~ral figures, Foz do 19ua,u Arab population accoUfts for 10,000 to 21,000 Ar~bs ~f Palestin- ian and Lebanese descent." (HUDSON, 2003, p. 9).
  18. 18. pos que os franceses tinham dos libaneses na Costa do Marfim, Didier Bigo assinala que "the image of the Lebanese community in Abidjan was once' , that of an appendage to colonization, symbolized in the figures of the Ma- ronite Christian, the good tradesman or the civil war refugee; in little time this has changed into the supposed haven of anti-western terrorist lackeys'Of) Hizbollah; usually Shi'l and Arabic speaking." (BIGO,2002, p. 509). Se essa ultima imagem e a mesma que aquela utilizada para falar cia Triplice Fron- ' teira, 0 retrato nesse caso nem sequer tern a possibilidade do contraste com uma representa<;}io anterior, porqoe a: presen9a arabe parece ter florescido" junto as atividacles ilegais que caracterizariam aquela fronteira. Contudo, a partir <:10 material ate aqui apresentado, dois elementos rrierecerri ser subHnhados. 0 primeiro e a continuidade que existe entre a imigJ;a<;aoarabe no Brasil retratada nos trabalhos que a estudam ate meados do seculo XX e os imigrantes que se localizaram em Foz do 19ua<;u.A mobi- lidade espacial e a,inser<;ao ocupacional se traduzem no mesmo parametro: ter sido pe<;as-chavena ,provisao de rnercadorias em urn mercado ,cujos ca- ' nais de distribui<;ao estavam em forma<;ao:O segundo elemento destacave1e que aloe,alizacao nafronteira e a possibilidade de poder operar no Paraguai. . comerciando outro tipo de mercadorias criou as bases para a transforma<;ao da regiao num espa<;ocom urn dinamismo que continuou atraindo novos imigrantes. Esse dinamismo foi 0 motive pelo qual se estabelecerarn la aque-) , ' les que escaparam dos conflitos no Libano e no Oriente Medio a partir d<;>s ~nos 70. Compreender a continoidade assinalada como primeiro elementQ e necessario pararestabelecer as.conex6es hist6ricas que nos permitem en- ~' tender apresetJ.<;aarabe na fronteira. As mudan<;as produzidas a partir dessa ,] continuidade possibilitam abordar 0 que tern de singular aquele espa<;opara' a imigra<;aoarabe no final do seculo XX. Para isso e fundamental nao repro-{ duzir 0 jog~ de estere6tipos apontado por Didier Bigo - the good tradesman ,);;, I . vs. the anti-western terrorist - e, sim, incorporar as dimens6es que dao prei- nancia a esses estere6tipos: a hist6ria e apolitica que dotam de sentido a pre- sen<;aarabe na regiao e que deve,m perrriitir-nos outras leituras dos processos ( politicos no Oriente Mediofora do maniqueismo das narrativas do terror .. Assim como entre tantos outJ;DSgrupos morando fora dos' seus lp.- gares de origem atra~essados por conflitos, os libaneses e arabes localizados
  19. 19. na fronteira continuaram conectados a eles.39Por urn lado, atraves das dis- cussoes sobre os conflitos que come<;aram com a guerra civil no Libano e que se acirraram com a invasao israelense,- discussQesque se transformaram. num den~o campo de posicionamentos. Na,da singular a fronteira em ques- tao, senao uma dinamica que tern. caracterizado os libaneses ao longo do mundo, como bem aponta Michael Humphrey.40 Por butro lado, ~traves das discussoes sobre os alinhamento's pr6prios daqueles anos, isto e, as diversas discussoes sobre socialismo" ar:abismo e islamismo' e·todas as combinacoes, possiveis e suas r~-significa<;oesnos conte}(tos locais. f Como em tantas cidades do inundo, as mas de Fozdo Igua<;uassisti- ram a passeatas, protestos ou foram palcos de comemora<;oes.~lAssimC'omo em tantos outros paises, 0 governo do pais de.moradia recebeupedidos para ~ que se posicionasse em rela<;1ioos conflitos instaurados nos paises de ori- gemY A importanda da comunidade arabe na fronteira pode ser avaliada pela visita de lideres e representantes de diversos paises e organiza<;6es, tais como a visita do Einbaixador da Organiza<;ao para Liberta<;ao daPalestina na America Latina (outubro de 1986) e de OUtrOSrepresenta~tes da organiza<;ao mais tarde (mar<;ode 1989),43do presidente da Sociedade Divulgadora do Isla no Mundo - uma e~pecie de ministeriode assuntos religiQsos da Libia (dezembro de 1987) - ou do deputadp libanes Abdalla Kassir do HezboUah 39 Olhando para 0 material que fomos encontrando sobte os arabes da frontei,ra dos anos 80 nao pudemos deixat de achar si~ilitudes· nas fOImas das disc~6est ac;oes e organiza=oes que apareceram em noMa pesquisa de mestrado sobre organiza~6es de exilados / migrantes chilenos na Suecia (RABOSSl,1999), "" ·War in -ebanon over the last decade has had reverberations in Lebanese immigrant communities around the world. The political and ideological currents of contemporary Lebanon have often become part of the culture and politics of these immigrant communities.' (HUMPHREY,1986" p. 445). " Passeatas de protesto como as realizadas contra a invasao do Libano e a ,ocupa~:' da Palestina por Israel (1982) ou pelos massacres de Sabra e Shatila (1981), atos de solidariedade como 0 realizado com rela~o it Libia depois dos ataques e a pressao estadunidense (1987) e comemora<;6es como 0 lQo aniversario da Revolu~o Libia (1987) ou a pro- clama~<! do Estadb Palestino (1989), Durante os ano~ 80, 0 Centro Cultural Arabe-Br!'sileiro foi particularrnente ativo na organiza~o de atividades e,posicionamentos a respeito dos conflitos no Oriente Medio e nos paises magrebinos, particularrnente a Libia. "Por exemplo, 0 pedido ao govemo brasileiro re:riizado por assoc'ia~oes e representa~oes de partidc,. politicos de Foz do 19ua~u e diversas associa~~~s arabes solicitando' que intercedesse junto ao govemo de Israel para que fosse concedido 0 indulto presidencial a jovem brasileira Lamia MarufHassan, de 21 anos, condenada it prisao perpetua por urn tribunal militar israelense Pela sua suposta ~umplicidade com a a~ao que resultou na morte de urn soldado daquele pais (1987). 43 Vale lenibrar que 0 Brasi~ mantinha tela~oes com a OLP desde 1975, ano em que .tal entidade instalou sua represen- taerao ,'no pais. /
  20. 20. ( (maio de 200l),entre tantas outras. Tbdas estas fbram visitas pubTicasfapre-, ., .. ~ sentadas na midia, e que 'contaram com a presen<;ade autoridadese tepre- ! . sentantes locais alem de m~mbros da comunidade. ' Longe de confi~mar as suspeitas sobre terrorismo, a' i~portanda de destacar essas presenyas e essas dinamicas 'e simplesmente colocar Foz do 19uayue Ciudad del Este como lugares que formalll p~rte, por um lado, d~dhispora libanesa e arabe em tetmos gerais e,por outro lado, do espayo regional transnational no qualessa diaspofa foi-sein~crevend<hOs arabes da fronteira constituem uma comunidade alem~mar,nao de UlllEstado-Nayao particular, mas de urn territ6rioregionaldefinido porcriterios em competi- yao:em termosgeogiafico$ (Oriente Medio), em termos h~manos (arabes),~ em termos religiosos (Isl~).Pehsar o'desenvol~imentodesses processos a luz ,"< da comunidad~. arabe localizada tla fi;onteira entre Brasil, Paraguai e Argen- ! ' tina poderia. ilumin~r. de forma exempla~ as possibilidades exploradas, e os,/ .' -c_.,- _. .-:.. • __ , caminhostrllha'!os l'elosj,migr~ntes a~bes neste lado do mundo. o questionamento das narrativas estruturadas a partir do terroris- mo parte da con(irma<;aoda inconsistenda das dehu~cias' ou da sua depen- dencia de cont¢xtos especific;s,~lgoque leva a questionar 0 problema do terrorism'o com~'uma questao cUj~esoluyao passa por demonstrar sua pre~! senca ou ausenda e nos coloca no plano de uma discussao mais ampla sobre os~arc~s de representac;ao que estao por trasde~ses retrat<'>s.Uma s~rie de elementos permitemcorrobor~r essas dependendas e inconsistencias. Em ('; primeiro lugar,Q material e as suspeitas que sus~ent~m as denunCiassobre ' terrotismo estavam pres~ntes faz tempO) porem, nunca levaram a retratar aque1aarea como urn ninho de terrorismo ;te a,decada de 90.44 Em segundo lugar, eventos violentos ocorridos' em outras ddades latino-americal1;asdire.., tamente'vinculados aos copflitos de Oriente Medio nunta ganharam 0 lugar 44 Por exemplo, em maid de 1970, a secret.ria da 'Embaixada de Israel em Assun~ao sofreu um atentado perpettado - se- gundo urn documento confidencial da Delegacia de Ordem Politica e Soci~l do Parana - por dois homet:'" identific~dos , como membros da organiza,~o AJ...Fatah, os quais ~a,o somepte teriam ingressadGem tetrit6rio paraguaio por Foz do " 19ua~u, mas teriam compradonessa cidade as armM'Utilizadas no atentado e recebido a colabora~o de 'elementosda , colonia .rabe'(ver MOLLER, 1998, p. 33 e a materia publicada n~ jomal VQZArabe, 2001, p. 6). 19uais a muitas das de- nuncias de hoje, aquelas tambem~ficaraml~oat' sem nenhum tipo de prova que comprometesse as pessoas que tinham sido denunciadas. O.interessante do assunto' e que a imagem da Triplice Fronteira sendQ attavessada pelo terrorismo bas~ia .•e em dados semelHantes. A pe;guntae: por que um eVe';to desse tipo naQ foi interpretadb da forma que hoje se ! interpretaria? Pt~cisamente~ porque estarnos· em outro· momento e - nao· ~o6bvio, talvez - em oUt.ro mundo.
  21. 21. que qualquer conexao entre a fronteira e 0 universo politico do Oriente, Medio ainda consegueter para fazerdaquele eSp3.<;oo,hotspot do terrorismo no continent~.45 As raz6es por tras da rela<;adentre aquelaarea 6as denuncias eo' impressionante movimento comercial desenvolvido naquele espa<;o,movi- mento que usufrui'de diversos ilegalismos'e inoperandas institucionais.46 Porem, sua considera<;aocomo urn grande buraco de'ilegalidade tambem e urn retrato contextual dependente das agendas do momento. Por exemplo, ei~teressante ler uma das primeiras descri<;6esque aparecem na midia in- ternacional sobre Ciudad del Este na, revista britanica The Economist em inicios dos anos 90: "The city, founded 20 years ago, lies where Paraguay me- ets both Argentina and Brazil. The commodities it deals in are desk-top computers, Scotch whisky, aut,hentic Levis, children's toys, even cars. The customers are Brazi~ ian a!1dArgentines who canno~ buy s~ch things at home b~cause their governments have for decades 'protected' ,them from good cheap imports in favor of bad, expensive home products" Y Oito anos depois, n'a mesma revista, uma materia analisa as possibilidades do Mercosul se transfoqnar numa uniao aduaneira tal como fqi decidido pelos presfdentes do bloco. Nesse movimento deaprofunda- mento do funciona~ento do mercado, a regiao ja tern mudado de carater. "One tli0rry is the lawless area around Ciudad del Este, where Paraguay borders both i Argentina and Brazil, 'Its neighbours ~ and the United States - .suspect this to be a , haunt not only of drugs and arms-traffickers but Islamist terrorists".48Na agenda do livre-mercado, a fronteira entre Paraguaie Brasil era, ).10 iniciodos anos 90, urn ponto na vangUarda do mercado livre e competitivo. Na agenda da luta .~ontra 0 terror, a fronteira passou l ser urn dos cenarios onde aliap<;aseali- 45 0 assassinato de Mikhael Youssef Nassar e sua mulher, no di!,'7 de marc;o de 2002 em Silo Paulo, e urn exemplo disto. Integr~nte do conselho superior das F~r~as Lib;jnesas - a milicia crisfil maronita - durante a guerra civil e intimamente ligado a Elie Hobeika - urn dos seus chefes ", nem oassassinato de Nassar ~ell a movimenta~o da financeira dele e da familia (0 tio de Nassar era Antoine Lah'd, chefe da milicia prO-Israel, Exercito do SuI do Libano, atualmente exilado em Isra~1) ;olocaram, Silo Paulo em' nenhuma agenda de seguran~a. Ver: A N.Aicia, 2002; The Independent, 2<l02; 0 Estado de Silo Paulo, Z003a e 2Q03b. '" Para um~ descri~iio do desenvolvimento daquele espa~o comercial e da diniimica dos'i1egalismos, ver Rabossi (2004). 17 The Economist, 1990. :'"The Economist, 1998.
  22. 22. nhamentos sac realizados e proinovidos e onde a boa vontade internacional pode ser expressada e testada.49 Questionar 0 terrorismo com6 0 elemento estruturador das narra- tivas sobre os arabes da fronteira e sobre a fronteira em geral nao significa considerar tudo aquilo que e enunciado ou denunchido como mentira. 0 questionamento leva'a compreender melhor a natureza da rela<;aoentre de- termirtados supostos, eveptos e situa<;oese 0 que as {ormas de falar sobre eles produzem. Porque antes que ser verdadeiro ou falso, 0 terrorismo na frontei- ra e um discurso produtivo e a sJJaprodutividade pode ser avaliada a partir dos efeitos que tem para definir os elementos da agenda, que imp6e. Em primeiro lugar, estabelece os parametros da discussao ao definir os termos sob'os quais ela pode ser estabelecida: a existencia ou ausencia-de terrorismo na fronteira. 'Em segundo lugar, ~stabelece uma tempa'ralidade que produz uma hist6ria especifica: aq.iela que se i~augura com os atos terroristas que colocaram a aten<;ao naquela area. Assim como, durante a decada de 70, aqueles latino-americanos exilados ou migrantes em outros paises engajados com os acontecimentos nos selis lugares de origem eram retratados como comunistas ou pr6-guer; rilheiros, hoje em dia os arabes e mu<;ulmanos 'espalhados pelo mundo s6 podem set: terroristas e fundamentalistas ..Retratos qu'e ontem como hoje simplesmente tornam opaco um quadro cheio de nuan<;as e diferen<;as, ho- mogeneizando um mundo em efervescencia e discussoes e'transformando as possibilidades abertas nessas diferen<;as nas limita<;oes impostas pela radica:- liza<;aodos' conflitos. Precisamente, a re-inscri<;aoda discussao em um terr~ no hist6rico e pollticoe fundamental para criar alternativas aos caminhos cla radicaliza<;ao.50 Os.arabes da fronteira entre Brasil e Paraguai tambem tem que ser parte desse esfor<;o. .••As politicas anti·terrorista~ e 0 lugar que nelas tern ocupado a regiao de fronteita foram uma importante pe~a na politica de alinhamento aos Estados Unidos por parte da Argentina durante 0 governo do Pres!dente Carlos Menem e nos governos posteriores. Para 0 governo paraguaio, a realizac;ao de operac;6es na frQnteira tern servido de palco para demonsttar aos EUA, 0 compromisso com 0 combate a:terror. Uma analise desras dinamicas, contudo, mereceria Jrn artigo a parte. 50Acreditamos que 56 reconhecendo 0 caratei- politicC? das Iutas travadas no Oriente Media e nao transfonnando alguns de sellS atores Como exteriores as mesas de discu:ssao ~ que as conflitos poderao 3Ssumir autras farmas diferentes das qu~ hoje estao prevalecendo.
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