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Figura 4: Gráfico: Pirâmides Etárias da População do Paraná e da Mesorregião Oeste do Paraná -
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Fonte: Censos Demográficos do...
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Em 1991, o número de municípios subira para 36. Dentre estes, doze apresentaram um
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Figura 7: Mapa do Grau de Urbanização dos municípios da Mesorregião Oeste do Paraná - 2010
Fonte: IPARDES, 2011
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A distribuição populacional das microrregiões é homogênea, todavia, apenas três municípios
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Neste quadro de grandes diferenças sociais, os desafios para a maioria dos municípios, com
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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
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  1. 1. 1 CONSIDERAÇÕES SOBRE OS PROCESSOS DE OCUPAÇÃO E DE URBANIZAÇÃO E A DINÂMICA POPULACIONAL DA MESORREGIÃO OESTE DO PARANÁ1 MORIGI, Josimari de Brito 2 TÖWS, Ricardo Luiz 3 RESUMO O presente artigo tem como objetivo compreender e analisar os processos de ocupação e de urbanização e a dinâmica populacional da Mesorregião Oeste do Paraná. Discutindo de que forma os fluxos migratórios contribuíram nas transformações das estruturas econômicas e sociais dessa mesorregião. Atentando também para a tendência crescente de sua urbanização. A ocupação da Mesorregião Oeste do Paraná foi marcada pela intensa atuação das Companhias argentinas que exploravam a erva-mate nativa e a madeira. Porém, a colonização dessa região por “brasileiros” só veio a deslanchar a partir da década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas. Para reforçar ainda mais a colonização dessa região, nesse período fora deflagrado o movimento denominado “Marcha para o Oeste”. Conforme demonstram os indicadores demográficos, nas últimas décadas esta mesorregião vem alcançando elevadas taxas de urbanização, alcançando inclusive, patamar superior ao do próprio Estado do Paraná. A metodologia de pesquisa utilizada consta em levantamento de referencial teórico específico sobre a temática e a obtenção e análise de dados socioeconômicos, bem como a confecção de mapas, tabelas e gráficos. Palavras-chave: Urbanização; Dinâmica Populacional; Mesorregião Oeste Paranaense; Migrações. RESUMEN Este artículo tiene como objetivo comprender y analizar los procesos de ocupación y de la urbanización y la dinámica de la población de la Región Oeste Mayor de Paraná. Hablar de cómo la migración ha contribuido en las transformaciones de las estructuras económicas y sociales de meso. También se considera la evidencia de la creciente urbanización. La ocupación del Oeste de Paraná mesorregión estuvo marcado por una intensa actividad de las empresas argentinas que explotan el nativo de la yerba mate y madera. Sin embargo, la colonización de esta región como "brasileños", sólo llegó a despegar desde la década de 1930, durante el gobierno de Getulio Vargas. Para mejorar aún más la colonización de esta región, este período se desencadenó el movimiento denominado 1 EIXO TEMÁTICO: Territórios e representações: o espaço urbano. 2 Acadêmica do curso de Geografia da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (FECILCAM); Integrante do Grupo de Pesquisa Cultura e Relações de Poder, josimorigi@gmail.com 3 Doutorando em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (PGE/UEM); Membro do Grupo de Estudos Urbanos (GEUR/UEM), pesquisador do Grupo de Urbanos da Fecilcam (GEURB/FECILCAM) e do Observatório das Metrópoles (Núcleo R.M.M. / UEM). Professor do Departamento de Geografia da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão, ricardotows@gmail.com
  2. 2. 2 "Marcha hacia el Oeste". Como se muestra en los indicadores demográficos de las últimas décadas esta mesorregión ha alcanzado altos niveles de urbanización, llegando incluso más alto que el nivel del Estado de Paraná. La metodología de investigación utilizada incluye un estudio de los teóricos y específicos sobre el tema y la obtención y análisis de datos socioeconómicos, así como la elaboración de mapas, tablas y gráficos. Palabras-clave: Urbanización; Dinámica de la Población; Mesorregión Oeste; Migraciones. 1- INTRODUÇÃO As migrações acompanham a trajetória humana desde os princípios da civilização. Os momentos históricos exprimem a dinâmica populacional sobre o espaço, a (re)construção de novos lugares que foram projetados e elaborados por meio das ações humanas. Ademais, as migrações não têm as mesmas características, uma vez que, são diversos os fatores que levam as pessoas a migrarem. A organização espacial de todo território paranaense está intimamente relacionada aos processos migratórios, pois ressaltamos que um dos fatores que influenciam fortemente na distribuição populacional são as migrações. Neste sentido, podemos dizer que a transformação dos espaços neste território sempre esteve relacionada com as migrações e as reconfigurações do espaço por elas utilizado. Os indicadores demográficos mostram um rápido processo de ocupação da Mesorregião Oeste do Paraná, uma vez que, essa mesorregião vem alcançando nos últimos anos um contínuo e intenso crescimento populacional e um grau de urbanização muito elevado, inclusive, em patamar superior ao do próprio Estado do Paraná. Tendo presente este entendimento, é importante ressaltarmos que o estudo das migrações, da dinâmica populacional e da urbanização da Meserregião Oeste Paranaense é imprescindível para a compreensão da organização do espaço. Portanto, o presente artigo tem por objetivo central compreender as questões que abrangem as migrações, a ocupação territorial, a urbanização e a dinâmica populacional da mesorregião em questão. Para a realização de tal estudo foi imprescindível o levantamento de dados socioeconômicos fornecidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), pelo IPARDES (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) e pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), bem como a subsequente organização e interpretação desses dados através da confecção de tabelas, mapas e gráficos e por meio da análise interpretativa dos mesmos.
  3. 3. 3 2- O PROCESSO DE OCUPAÇÃO DA MESORREGIÃO OESTE PARANAENSE A Mesorregião Oeste Paranaense (Figura 1) está localizada no Terceiro Planalto Paranaense e abrange uma área de aproximadamente 22.811.242 km², que corresponde à cerca de 11,5% do território paranaense. E apresenta limites fronteiriços com a Mesorregião Sudoeste, com a Mesorregião Centro-Ocidental, com a Mesorregião Noroeste, com o Estado do Mato Grosso do Sul e com os países vizinhos: Paraguai e Argentina. Lembrando que, a Mesorregião Oeste do Paraná possui como principais divisas os rios Piquiri, Paraná e Iguaçu. a Figura 1: Mapa da Divisão Político – Administrativa da Mesorregião Oeste do Paraná Fonte: IBGE/ IPARDES. 2011 Adaptado e Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito, 2011
  4. 4. 4 É importante ressaltarmos que os cinquenta municípios que compõem a mesorregião em questão, se encontram agrupados em três microrregiões geográficas (Tabela 1), a Microrregião Geográfica de Toledo, com 21 municípios, a Microrregião Geográfica de Cascavel, com 18 municípios e a Microrregião Geográfica de Foz do Iguaçu, com 11 municípios. Juntas, as três microrregiões constituem uma das três áreas de maior importância econômica do Estado do Paraná. Lembrando que, a população total da Mesorregião Oeste Paranaense é de 1.219.389 habitantes (IBGE, 2010). Tabela 1: Municípios que compõem as Microrregiões Geográficas da Mesorregião Oeste Paranaense Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011. Historicamente, a Mesorregião Oeste do Paraná constituiu a última fronteira de ocupação do Estado, integrando-se à dinâmica estadual apenas a partir dos anos 1970. Sua localização muito distante da porção leste do território, por onde se iniciou o povoamento do Paraná, e a quase total inexistência de infra-estrutura e de comunicação interligando-a ao restante do Estado, foram fatores decisivos que a mantiveram, por tanto tempo, isolada e com baixas densidades populacionais. (IPARDES, 2003).
  5. 5. 5 No início do século XX foram dados os primeiros passos para a colonização da Mesorregião Oeste paranaense. Segundo Gregory (2008), a colonização desta região do Estado se iniciou na década de 1920 com o estabelecimento de pequenas propriedades, adquiridas principalmente por migrantes gaúchos e catarinenses. Todavia, conforme salienta Yokoo (2002), somente a partir da década de 1940 a Mesorregião Oeste paranaense passa a ser ocupada de maneira intensiva. Segundo Magalhães Filho (1999), a partir da década de 1940 ocorrera diversas iniciativas governamentais, como por exemplo: a criação do Território Federal do Iguaçu em 1942, que logo foi extinto em 1946, e a subsequente criação do Departamento Administrativo do Oeste contribuiu para que ocorressem os primeiros impulsos de ocupação e de exploração econômica na região. Neste processo de ocupação podemos destacar duas frentes migratórias. Uma formada basicamente por colonos descendentes de alemães e italianos provenientes dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. E a outra formada principalmente por fluxos populacionais liberados da área de cultivo café à medida que este passou a ser progressivamente substituído por outras culturas ou pela pecuária. Porém, é importante enfatizarmos que muito antes da chegada dos primeiros migrantes, já haviam sido iniciados os “esforços” para a ocupação desta região. Na verdade, estes “esforços” iniciaram ainda no século XIX, durante o regime monárquico. Cabe ainda a ressalva de que neste período havia sido criada a região das colônias militares com o intuito de promover o povoamento e também assegurar a posse territorial desta região. Entretanto, não podemos esquecer que a atual Mesorregião Oeste Paranaense já havia sido desbravada por indígenas, aventureiros e principalmente pelos obrageros4 argentinos e paraguaios que atuavam fortemente na região extraindo erva mate nativa e a madeira desde o final do século XIX. (SBARDELOTTO, 2007). Em seu livro, Wachowicz (2002), discorre que no final do século XIX, apesar da existência da atividade de criação de gado, a principal atividade econômica da Mesorregião Oeste Paranaense era a extração da erva-mate e sua exportação para o Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai, representando a principal fonte de riqueza para a elite paranaense que se encontrava no poder. Ainda segundo Wachowicz (2002), por volta de 1881, os argentinos começaram a explorar erva-mate na região de Misiones. Não levou muito tempo para que os obrageros argentinos 4 Proprietários das obrages, tipo de propriedades de exploração de erva-mate e madeira, típicas de áreas de matas subtropicais. As obrages se desenvolveram no Paraguai e Argentina e no final do século XIX, tal tipo de exploração também se iniciou no Estado do Paraná. A mão-de-obra utilizada nestas obrages era denominada de mensus, termo que vem do espanhol e quer dizer mensual, ou seja, estes eram os peões, todos guaranis modernos que trabalhavam para os obrageros e recebiam minguados salários mensais.
  6. 6. 6 chegassem ao Oeste paranaense, atraídos pela erva-mate da região. Esta erva-mate saía do Paraná como contrabando, pois não havia naquele período nenhuma fiscalização governamental na região para cobrar as taxas aduaneiras de exportação devidas. Já a atividade de extração da madeira nessa região se desenvolveu significativamente somente no final do século XIX, no momento em que fora iniciada as construções das estradas de ferro que ligava Curitiba à Paranaguá e as regiões de mata de araucária aos portos paranaenses e a São Paulo. Destarte, acompanhando as ferrovias e serrarias os novos moradores brasileiros iam ocupando o interior paranaense até o município de Guarapuava. Segundo Sbardelotto (2007), os obrageros argentinos adentravam o território paranaense das seguintes maneiras: organizando espécies de firmas e também por meio da compra de terras junto ao governo paranaense ou ilegalmente, o que acontecia com maior freqüência. E para o trabalho os obrageros recrutavam peões também chamados de mensus, em sua maioria índios paraguaios que por meio de uma antecipação salarial acabavam se endividando nos armazéns dos obrageros, e chantageados por causa das dívidas eram então obrigados a exercer longas e árduas jornadas de trabalho enfrentando frequentes e severas ameaças de morte. Todo este sistema das obrages, tão bem estruturado à custa da mão-de-obra barata paraguaia e matéria-prima brasileira contrabandeada, não efetuavam qualquer pagamento de impostos ao governo paranaense, conforme supramencionamos. Isto foi responsável pela ocupação argentina e paraguaia na costa oeste paranaense, através dos diversos povoados que surgiam com a fixação dos mensus na região onde estavam situadas as obrages. Das Sete Quedas até a foz do Iguaçu, vários portos foram instalados, por onde os vapores embarcavam e desembarcavam os mensus e se abasteciam das riquezas paranaenses para levarem para a Argentina (WACHOWICZ, 2002). Era muito difícil para os brasileiros o acesso por terra à Mesorregião Oeste do Paraná até o final da década de 1920, só se podia chegar ao oeste do Estado, de maneira segura, através do rio Paraná, via Buenos Aires. Por isso, esta região paranaense, por um longo tempo manteve-se “isolada”. No entanto, os argentinos e paraguaios tinham grandes facilidades para chegar até o oeste paranaense e explorar este território, através dos rios Paraná e Paraguai. De acordo com Wachowicz (2002), as principais obrages que legalmente se estruturaram na costa oeste paranaense eram: Braviaco, a Compañia de Maderas del Alto Paraná, a Lopeí, a Companhia Paranaense de Colonização Espéria Ltda e a Mate Laranjeiras. Na década de 1930, as obrages já totalizavam 10.000 habitantes estrangeiros. Ainda segundo Wachowicz (2002), nas primeiras décadas do século XX, a erva-mate ainda
  7. 7. 7 era a principal fonte da economia nas obrages. Contudo, na década de 1930, as exportações diminuíram muito, em decorrência da política de auto-abastecimento da Argentina, através das plantações artificiais de erva-mate nas Misiones. Todavia, alguns obrageros encontraram uma forma de manter em suas obrages a intensificação da exploração das madeiras de lei, o que acabou por devastar cerca de 100 quilômetros nas margens do rio Paraná. Conforme discorre Gregory (2002), a história da Mesorregião Oeste do Paraná está fortemente atrelada ao movimento político-econômico nacional denominado “Marcha para o Oeste”, deflagrado no início da década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas. De acordo com Lopes (2002), a ideologia da “Marcha para o Oeste” era formada por um conjunto de ações governamentais bastante variadas, que ia desde a implantação de colônias agrícolas, passando pela abertura de novas estradas, até obras de saneamento rural e de construção de hospitais. Esta política nacionalista/expansionista visava à integração nacional simultaneamente à organização dos territórios, garantindo, desse modo, não somente a segurança da efetiva posse, mas também a exploração de imensas regiões fronteiriças praticamente inabitadas, em prol da organização administrativa, do desenvolvimento socioeconômico e da ocupação de espaços até então considerados “vazios demográficos”. Para que houvesse a efetiva colonização e a inserção produtiva da região Oeste paranaense, o Estado resolveu unir forças com as companhias colonizadoras particulares e definir alguns critérios para que o empreendimento tivesse êxito. Dentre estes critérios estava a conformação fundiária, sendo que prevaleceriam os minifúndios, os quais, muito embora não fossem tão eficientes para a grande produção, era a melhor maneira de consolidar o incremento populacional e concomitantemente promoveria o abastecimento do mercado através da produção diversificada de excedentes. Outro detalhe seria o tipo de elemento humano que seria atraído, predominantemente o de origem gaúcha e catarinense e descendente de italianos e alemães, tidos como “modelo ideal de trabalhador”. Não podemos esquecer que outra leva de migrantes (paulistas e mineiros), penetrou a região Oeste a partir da vasta área cafeeira do Norte paranaense e foi formada, principalmente, por fluxos populacionais liberados das plantações de café à medida que estas iam progressivamente sendo substituídas por outras culturas ou pela pecuária, conforme supramencionamos. Porém, é importante destacarmos que conforme discorre Schneider (2008), estes descendentes de portugueses e espanhóis tinham objetivos diferentes dos colonizadores de origem italiana e alemã, pois não ocupavam a terra na condição de proprietários, mas como trabalhadores sazonais.
  8. 8. 8 Outro quesito que também deve ser enfatizado é o fato de que as características geográficas, as condições climáticas, a fertilidade do solo, a vastidão das fronteiras e as belezas naturais, aumentaram a confiabilidade no empreendimento colonizador nas terras da Mesorregião Oeste do Paraná. Segundo Magalhães (2003), somente no final da década de 1950 que a integração e dinamização do Oeste deslancharam, estimuladas pelos primeiros esforços efetivos para implantação de um sistema viário que viabilizou e impulsionou a produção de excedentes para comercialização. Desse modo, a atividade agrícola da região, fundamentada na boa qualidade dos solos e numa considerável capacidade técnica dos produtores, ampliou-se rapidamente, proporcionando incrementos de renda e expansão dinâmica do comércio. Destarte, não apenas as áreas rurais sofreram acréscimos substantivos de população, ao longo desse período, mas também inúmeros núcleos urbanos foram sendo formados para dar suporte à agricultura em expansão. Diante desse contexto da aceleração do crescimento populacional, a Mesorregião Oeste Paranaense tornou-se no início da década de 1970, uma das regiões mais populosas do Estado concentrando cerca de 750 mil habitantes, particularmente em termos rurais. Ressaltamos, ainda, que a partir da década de 1970 a região integra-se rapidamente ao acentuado movimento de expansão da agricultura moderna que se instaura no Paraná, caracterizado pela implantação acirrada no campo das mais modernas e avançadas tecnologias de cultivo, pela substituição de culturas alimentares pela produção de commodities e pelas alterações radicais que ocorreram nas relações de trabalho. Todos estes elementos contribuíram fortemente para a redução da utilização de mão-de-obra no campo. Desse modo, a região rapidamente experimentou um processo intenso de urbanização, pois como o campo não oferecia mais tantas oportunidades de empregos, as pessoas passaram a procurar empregos nas cidades. Sem sombra de dúvidas, o componente migratório, possui neste cenário demográfico, um papel significativo. Pois, o meio rural desta mesorregião apresentou no transcorrer das últimas décadas do século XX, um dos saldos migratórios negativos mais expressivos do Estado. Conforme podemos observar na figura 2. De acordo com o IPARDES (2003), muito embora, o ganho populacional das áreas urbanas tenha sido significativo no final do século XX, o cálculo geral da mesorregião denota que o saldo e a taxa líquida de migração se mantém negativos. Isto demonstra claramente os deslocamentos populacionais desta mesorregião para outras regiões.
  9. 9. 9 Figura 2: Gráfico das Taxas Líquidas Migratórias Estimadas, segundo Situação de Domicílio- Mesorregiões Geográficas- Paraná-1990-2000 Fonte: IPARDES, 2003 Adaptado e Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011 De acordo com o IPARDES (2003), a construção do mega-projeto da Usina Hidrelétrica de Itaipu estimulou ainda mais a intensa atração migratória e a mobilidade espacial da população. Destarte, durante as décadas de 1970 e 1980 a população rural do Oeste decaiu, enquanto que o ritmo de crescimento da população urbana atingiu 12,5% ao ano, considerado o mais elevado dentre as mesorregiões do Estado e o dobro da média paranaense, conforme a Figura 3. Ainda de acordo com o IPARDES (2003), nas décadas seguintes, continuou acirrada a perda de população rural e o incremento do meio urbano da região permaneceu superior aos níveis estaduais. O grau de urbanização, que entre as décadas de 1970 e 1980 havia saltado de 20% para 50%, prosseguiu aumentando aceleradamente, atingindo 71,7% em 1991 e quase 82% em 2000. Mesmo assim, a Mesorregião Oeste, naquele ano, ainda abrigava uma das mais elevadas proporções de população rural do Paraná.
  10. 10. 10 Figura 3: Gráfico das Taxas Médias Geométricas de Crescimento Anual da População, Segundo Situação de Domicílio- Paraná e Mesorregião Oeste-1970-2000 Fonte: IPARDES, 2003 Adaptado e Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011 É importante ressaltar que a partir de meados da década de 1960, várias regiões brasileiras entraram numa trajetória firme e continuada de declínio da taxa de fecundidade, inserindo o país em um quadro irreversível de transição demográfica. A população do Paraná acompanhou simultaneamente esse processo. A partir da década de 1990 o número de nascimentos decresceu ainda mais. Ademais, durante esse período a população masculina e feminina do Estado, exibia índices de expectativa de vida ao nascer de 65 anos e de 72 anos, respectivamente, níveis similares àqueles evidenciados pela população da Mesorregião Oeste. Segundo o IPARDES (2003), todas essas mudanças imprimiram uma nova conformação à estrutura etária e por sexo da população regional, acompanhando a tendência estadual. Se até o início dos anos 1970 as pirâmides etárias representativas da população, tanto da Mesorregião Oeste, quanto do Paraná, apresentavam formato acentuadamente triangular de base larga, típico de populações que experimentam historicamente elevados níveis de fecundidade e de mortalidade. A
  11. 11. 11 partir do final dos anos 1990 os padrões etários revelam um processo gradativo de envelhecimento, com redução do peso dos grupos de idade mais jovens e com aumento, por outro lado, das proporções das idades adultas e idosas. Como podemos observar no (Gráfico 4). Ainda de acordo com o IPARDES (2003), no período 1991-2000, o conjunto da população da Mesorregião Oeste sofreu um acréscimo de 1,3%, entretanto, os grupos etários mais jovens sofreram decréscimos em seus contingentes, ao passo que os segmentos em idade adulta, e particularmente os idosos, cresceram à taxas expressivas. A despeito desse processo, o grau de envelhecimento da população da região Oeste, medido por meio do índice de idosos, situa-se entre os mais baixos do Estado, comparativamente aos índices apresentados pelas demais mesorregiões paranaenses, em 2000. No que diz respeito à composição por sexo da população dos distintos grupos etários, a Mesorregião Oeste, a exemplo das demais mesorregiões paranaenses, demonstra uma predominância masculina no segmento de crianças e jovens (abaixo de quinze anos) residentes na área, condizente com o padrão em geral percebido na maior parte das estruturas demográficas conhecidas. Já as faixas de idade intermediária e superior da população regional apresentam, em média, um predomínio numérico feminino, oriundo dos efeitos da seletividade migratória por sexo e idade combinados àqueles provenientes da sobremortalidade masculina, usualmente observados particularmente entre os idosos. (IPARDES, 2003). Ainda de acordo com o IPARDES (2003), entre as décadas de 1970 e 1980, o crescimento da população total de alguns dos municípios dessa mesorregião estabeleceu-se entre os mais altos do Estado, como Foz do Iguaçu (13,9% a.a.) e Cascavel (4,6% a.a.). Esses municípios continuaram crescendo, nas décadas seguintes, a taxas bem superiores à média do Estado e da própria região, tanto que, em 2000, concentravam, em conjunto, 44,3% do total da população regional. Esse crescimento se deu por vários fatores: pelas significativas taxas de crescimento dos municípios limítrofes, pelo acentuado esvaziamento rural, pelos intensos movimentos migratórios, pela alta taxa de fecundidade, pela queda na taxa de mortalidade, etc. Em contrapartida, observa-se que, alguns municípios situados ao norte desta mesorregião, como por exemplo: Terra Roxa, Assis Chateaubriand, Jesuítas, Formosa do Oeste, dentre outros, que apresentam índices demográficos elevados, vêm apresentando expressivas perdas populacionais nas últimas décadas, entretanto, estes municípios vêm apresentando índices mais elevados de idosos.
  12. 12. 12 Figura 4: Gráfico: Pirâmides Etárias da População do Paraná e da Mesorregião Oeste do Paraná - 1970 a 2010 Fonte: IBGE, 2011. IPARDES, 2003 Adaptado e Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011
  13. 13. 13 Conforme pudemos observar nas pirâmides etárias, a partir do ano 2000 houve uma pequena predominância da população masculina, principalmente no segmento de crianças e jovens (abaixo de 19 anos). Nota-se, no entanto, que a população feminina é superior à masculina nas faixas etárias de população em idade adulta e idosa, isto se dá em decorrência da expectativa de vida da mulher ser comumente mais elevada do que a do homem. Também cabe salientarmos que de acordo com o último censo demográfico do IBGE realizado em 2010, a população masculina total da Mesorregião Oeste é de 598.885, enquanto que a população feminina total desta mesorregião é de 620.673. Ou seja, na somatória total da população desta mesorregião as mulheres também representam a grande maioria. 3 - REDE DE CIDADES Convém ressaltar, conforme o IPARDES (2003), que a urbanização da Mesorregião Oeste Paranaense ocorreu brutalmente, desenvolvendo uma trajetória ainda mais renomada que a do próprio Estado do Paraná. Como podemos observar no gráfico a seguir. Figura 5: Gráfico da Evolução do Grau de Urbanização- Paraná e Mesorregião Oeste- 1970-2010 Fonte: IPARDES, 2003; IBGE, 2010 Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011
  14. 14. 14 Na década de 1970, esta mesorregião possuía apenas 19,9% da população residente nas áreas urbanas, sendo considerada, desse modo, uma das mesorregiões menos urbanizadas do Paraná, com um grau bem inferior ao do Estado, então de 36,1%. Em 2000, essa proporção nivelava-se à média estadual (81,4%), alcançando 81,6% da população nas áreas urbanas. Foz do Iguaçu, o município do Oeste mais urbanizado no início do período em foco, já evidenciava um grau de urbanização superior a 59%, Cascavel tinha apenas 38,9%, seguido por Guaíra, com 34,1%. Já, em 2010 a Mesorregião Oeste Paranaense atingiu um grau de urbanização de 85,6%, enquanto que o grau de urbanização do estado neste mesmo ano foi de 85,3% Ou seja, manteve-se nivelada à média estadual. Todavia, cabe a ressalva de que os municípios mais urbanizados do Oeste paranaense, ainda são justamente: Foz do Iguaçu (99,2%), Cascavel (94,3%) e Guaíra (91,8%). Seguidos pelo município de Toledo (90,7%). Conforme podemos observar nos dados apresentados na (Tabela 2), os três pólos regionais vinham apresentando nos transcorrer do tempo um acréscimo significativo de população. Porém, em 2007, o município de Foz do Iguaçu passou por uma expressiva perda populacional, enquanto que os municípios de Toledo e Cascavel tiveram um acréscimo considerável de população. Também podemos perceber nesta tabela que a grande maioria dos principais municípios que compõe esta mesorregião apresentaram nas últimas décadas índices significativos de perda de população. Tabela 2: Dados populacionais dos principais municípios da Mesorregião Oeste do Paraná – 1950/2010 Censos 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2007 2010 Municípios População População População População População População População População Foz do Iguaçu 12.010 28.212 28.060 124.789 190.115 258.543 311.336 256.081 Cascavel 4.411 39.598 83.209 122.584 192.884 245.369 285.784 286.172 Toledo - 24.959 55.607 73.253 94.857 98.200 109.857 119.353 Marechal C. Rondon - - 43.776 56.210 49.341 41.007 44.562 46.799 Medianeira - - 21.043 36.770 38.629 37.827 38.397 41.830 Assis Chateaubriand - - 64.280 44.528 39.700 33.317 32.226 33.028 Guaíra - 21.486 32.875 29.169 29.971 28.659 28.683 30.669 Palotina - - 43.005 28.248 30.610 25.771 27.545 28.692 São Miguel Iguaçu - - 25.242 34.247 24.838 24.432 25.341 25.755 Santa Helena - - 26.834 25.246 18.850 20.491 22.794 23.425 Terra Roxa - - 38.237 25.215 19.806 16.300 16.208 16.763 Corbélia - - 39.672 28.717 22.803 15.803 15.428 16.302 Capitão L. Marques - - 17.495 30.020 17.825 14.377 13.616 14.936 Matelândia - - 24.561 25.495 17.332 14.344 15.404 16.077 Nova Aurora - - 30.588 18.389 15.486 13.641 11.753 11.871 Céu Azul - - 12.940 11.500 10.573 10.445 10.914 11.032 Formosa do Oeste - - 44.278 36.000 15.143 8.755 7.532 7.543 Fonte: IBGE, 2011. Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011.
  15. 15. 15 Acompanhando o padrão médio do Estado, até 1970 mais de 90% dos municípios desta mesorregião registravam proporções superiores a 50% da população vivendo no meio rural, reduzindo, em 2000, para 26% (29% no Estado). Por outro lado, em 2000, 4% dos municípios do Oeste apresentavam mais de 90% da população no meio urbano, enquanto que no Paraná essa proporção já atingia 9,3%. Metade dos municípios da Mesorregião Oeste apresentava, naquele ano, graus de urbanização entre 50% e 75%. (IPARDES, 2003). De acordo com os censos demográficos realizados pelo IBGE entre as décadas de 1960 e 2000 houve um aumento expressivo no quantitativo populacional da Mesorregião Oeste do Paraná. Em 1960 a população total desta mesorregião era de 135.677 habitantes, enquanto que em 2000 a população total passou para 1.138.582 habitantes. Neste período, houve também um aumento significativo nas taxas de urbanização desta mesorregião paranaense. Conforme nos mostra a Figura 6. Cabe ressaltar que em 1950, a região conhecida atualmente como Mesorregião Oeste do Paraná era composta por apenas um município: Foz do Iguaçu, do qual faziam parte os distritos de Cascavel, Catanduvas, Guaíra, Santa Helena, Toledo, Medianeira e Matelândia. No final da década de 1950 houve a emancipação de quatro distritos: Cascavel, Toledo, Guaíra e Guaraniaçu. Em 1960 esta mesorregião ainda contava com apenas cinco municípios e o grau de urbanização era considerado baixo, pois somente três municípios apresentaram um grau de urbanização mais considerável, são eles: Foz do Iguaçu, Toledo e Guaíra, com destaque para Guaíra, que apresentou naquele período um grau de urbanização mais significativo. Já em 1970, notamos que houve novos desmembramentos e a mesorregião já contava com 19 municípios. O grau de urbanização ainda era considerado baixo, pois somente cinco municípios apresentaram um grau de urbanização mais elevado, sendo eles: Guaíra, Toledo, Cascavel, Medianeira e Foz de Iguaçu, com destaque maior para o último, que apresentou naquele período grau de urbanização mais significante. Em 1980, esta mesorregião totalizava 20 municípios e de modo geral houve um aumento no grau de urbanização dos mesmos. Com destaque para os municípios de Terra Roxa, Palotina, Assis Chateaubriand, Marechal Cândido Rondon, Toledo, Céu Azul, Medianeira, Cascavel, Foz do Iguaçu e Guaíra. Lembrando que os municípios de Cascavel, Foz do Iguaçu e Guaíra apresentaram uma urbanização maior do que os demais.
  16. 16. 16 Figura 6: Mapa da Urbanização dos municípios da Mesorregião Oeste do Paraná - (1960-2000) Fonte: Censos Demográficos do IBGE (1960-1970-1980-1991-2000) Adaptado e Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011
  17. 17. 17 Em 1991, o número de municípios subira para 36. Dentre estes, doze apresentaram um aumento mais expressivo no grau de urbanização: Guaíra, Palotina, Assis Chateaubriand, Cascavel, Santa Tereza do Itaipu, Foz de Iguaçu, Tupãssi, Toledo, Cafelândia, Corbélia, Ibema e Medianeira. Com destaque, sobretudo, para Cascavel, Santa Tereza de Itaipu e Foz do Iguaçu, pois estes apresentaram uma urbanização mais elevada que os demais. Outro município que também se destacou neste período foi Lindoeste, criado em 1989, este, ao contrário dos demais municípios de destaque, se sobressaiu por apresentar um grau de urbanização bem baixo. Em 2000, a Mesorregião Oeste já era composta por 50 municípios. Neste período, os municípios de Cascavel, Foz do Iguaçu e Santa Tereza do Itaipu mantiveram-se com taxas de urbanização bem elevadas. E os municípios de Toledo, Guaíra, Palotina, Assis Chateaubriand e Medianeira que já vinham ostentando altas taxas de urbanização, apresentaram uma urbanização ainda maior. Também cabe ressaltar que os municípios de Mercedes, Maripá, São Pedro do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu, Anahy e Iguatu, criados na década 1990, apresentaram redução nas suas taxas de urbanização. Em relação aos demais municípios, alguns apresentaram uma pequena elevação no seu grau de urbanização, enquanto que outros, como por exemplo, Formosa do Oeste, São Miguel do Iguaçu, dentre outros. Simplesmente mantiveram-se com nível de urbanização similar ao apresentado em 1991. Como podemos observar na (Figura 7), em 2010 os municípios de Foz do Iguaçu, Santa Terezinha do Itaipu, Medianeira, Guaíra, Palotina, Toledo, Assis Chateaubriand, Corbélia e Cascavel continuaram ostentando altíssimas taxas de urbanização. Ademais, houve um aumento no grau de urbanização da grande maioria dos demais municípios, com exceção de Itaipulândia que segundo os dados do (IBGE, 2010) apresentou um leve decréscimo na sua taxa de urbanização que era de 54,9% em 2000 e caiu para 52,5% em 2010. E o município de Foz do Iguaçu que em 2000 apresentou taxa de urbanização de 99,2% e Diamante do Oeste que naquele mesmo ano apresentou taxa de urbanização de 50,9%. Mantiveram em 2010 as mesmas taxas de urbanização apresentadas em 2000. O processo de urbanização, além de ter provocado grande transformação na distribuição geográfica da população da Mesorregião Oeste, gerou intensos impactos na estrutura urbana e nas condições de gestão das cidades, que passaram a administrar um súbito crescimento das demandas.
  18. 18. 18 Figura 7: Mapa do Grau de Urbanização dos municípios da Mesorregião Oeste do Paraná - 2010 Fonte: IPARDES, 2011 Adaptado e Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011 Cada uma das microrregiões que compõe a Mesorregião Oeste do Paraná possui características individualizadas, que as diferenciam. As principais características destas microrregiões são as seguintes: Tabela 3: Dados Populacionais e Área das Microrregiões do Oeste do Paraná Microrregião População (IBGE- 2010) Àrea (KM²) Pop. Urbana (%) média Pop. Rural (%) média Toledo 377. 799 8.755 81, 1 18, 9 Cascavel 436. 381 8. 516 84, 7 15, 3 Foz do Iguaçu 408. 785 5. 580 90, 0 10, 0 Fonte: IBGE, 2011; IPARDES, 2011. Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011.
  19. 19. 19 A distribuição populacional das microrregiões é homogênea, todavia, apenas três municípios juntos (Foz do Iguaçu, Cascavel e Toledo) abrangem ao todo 661.606 habitantes, de acordo com os dados do último censo do IBGE. Ou seja, mais da metade da população total desta mesorregião. Ademais, não podemos esquecer que a extensão territorial torna-se um diferencial, em especial para a microrregião de Foz do Iguaçu, que possui a menor área. Além do mais, é importante destacarmos que, muito embora a divisão territorial se dê de forma heterogênea entre as microrregiões, esta heterogeneidade não se aplica aos municípios. Pois, a microrregião de Foz do Iguaçu tem a menor área, mas também tem um menor número de municípios. Conforme supramencionamos a rede de cidades da Mesorregião Oeste articula um conjunto de cinquenta centros. Dentre estes, apenas dois, Foz do Iguaçu e Cascavel, apresentam índices de população urbana e total superior a 200 mil habitantes, e um, Toledo, na classe subsequente, com 119.353 mil habitantes de acordo com o censo do IBGE de 2010. Juntos estes municípios concentram 54,2% da população total e 61,0% da população urbana mesorregional. Do restante da população, 45,8% localiza-se em municípios com índice populacional inferior a 50 mil habitantes. Ademais, é importante ressaltarmos que 78% da população total desta mesorregião se encontram distribuída em municípios com menos de 20 mil habitantes. Dentre esses municípios, Iguatu apresenta o menor índice populacional desta mesorregião, concentrando 2.233 habitantes de acordocom o censo do IBGE do ano de 2010. De acordo com o IPARDES (2003), entre os anos 1970 e 1980, Foz do Iguaçu e Cascavel passaram a apresentar uma população urbana superior a 50 mil habitantes, fazendo-se acompanhar por Toledo, a partir dos anos 1990. Em 2010 os municípios de Cascavel e Foz do Iguaçu apresentaram uma população urbana superior a 250 mil habitantes, enquanto que o município de Toledo apresentou neste mesmo ano uma população urbana superior a 100 mil habitantes. Ademais, a grande maioria dos municípios que compõem essa mesorregião ainda possui menos de 10 mil habitantes nas áreas urbanas, sendo Diamante do Sul o menor com 1.405 habitantes urbanos, de acordo com o censo demográfico de 2010. Como podemos observar na (Figura 8), as setas indicam o nível de hierarquia dos municípios da Mesorregião Oeste do Paraná. Nota-se que existe nesta mesorregião um complexo urbano articulando as aglomerações polarizadas principalmente por Cascavel, e reúne mais seis municípios e também Foz do Iguaçu, cujo qual, polariza um fluxo de relações internacionais,
  20. 20. 20 destacando-se pelo acúmulo das funções comerciais e de serviços, intensificadas pela presença do comércio fronteiriço e também pelas Cataratas do Iguaçu, considerada um dos mais importantes pólos turísticos nacionais. Conforme explana Reolon (2007), historicamente, o município de Cascavel e o município de Toledo têm disputado em termos econômicos e políticos o prestígio regional. Entretanto, conforme destaca o IPARDES (2003), a hierarquia da rede regional já se encontra atualmente bem definida, com destaque para o município de Cascavel como principal pólo regional, seguido pelo município de Foz do Iguaçu. Figura 8: Mapa do Nível de Hierarquia dos Municípios da Mesorregião Oeste Paranaense – 2000 Fonte: IPEA, 2000 Adaptado e Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011 Também não podemos esquecer que o município de Cascavel é considerado um pólo regional muito forte, pois este município se encontra estrategicamente acessível às fronteiras internacionais, comandando um subsistema urbano, cujo qual, se encontra estreitamente articulado
  21. 21. 21 ao principal pólo estadual: Curitiba. E também se encontra fortemente articulado às cidades da própria mesorregião, como também às cidades das mesorregiões vizinhas e a centros do Estado do Mato Grosso do Sul. A partir de Foz do Iguaçu, compõem ainda intensas articulações com cidades fronteiriças do Paraguai e da Argentina. Como pudemos observar na (Figura 8), o município de Medianeira também se destaca como um importante centro, em virtude de sua intensa articulação com municípios mais próximos e também com Foz do Iguaçu. Em suma, a Mesorregião Oeste Paranaense pode ser caracterizada como área de convivência de espacialidades de concentração e espacialidades de forte esvaziamento, uma vez que, muitos de seus municípios vivem o êxodo rural e até mesmo urbano. 4- DESENVOLVIMENTO HUMANO A redistribuição populacional que aglomera ou esvazia determinadas áreas ou regiões, acompanhando de modo geral, a dinâmica das atividades produtivas que se desorganizam ou se reestruturam, tem representado um movimento que busca não somente oportunidade de trabalho e renda, mas também a possibilidade de a população poder usufruir de serviços básicos como educação e saúde. Entretanto, a condição de esvaziamento ou de grande concentração populacional não tem contribuído para o equacionamento dessas demandas, nem tampouco para a redução das desigualdades sociais. Os atendimentos nas áreas da saúde e da educação, que concentram os maiores esforços governamentais, ainda estão muito longe de suprir as carências básicas da população. Em termos do IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano-Municipal) que é composto por: esperança de vida ao nascer, taxa de alfabetização de adultos, taxa de freqüência escolar (pessoas de 7 a 22 anos de idade) e renda per capita, a Mesorregião Oeste Paranaense, se comparada às demais, apresenta o maior número de municípios em melhores posições. Contudo, a variação entre o patamar mínimo e máximo do IDH-M é bastante expressiva. Há um conjunto significativo de 11 municípios que sobressaem por apresentar IDH-M superior a (0, 800), classificado como padrão de alto desenvolvimento humano. Obtendo assim, posição de destaque, igualmente, no âmbito estadual. São eles: Quatro Pontes, Entre Rios do Oeste, Maripá, Palotina, Marechal Cândido Rondon, Toledo, Pato Bragado, Mercedes, Cascavel, Tupãssi e Nova Santa Rosa. De modo geral,
  22. 22. 22 esses municípios encontram-se na extensão Oeste da mesorregião, conformando um alinhamento contínuo, enquanto que nas porções Leste e Sul desta mesorregião, estão situados os municípios que apresentam uma situação mais crítica. Excetuando-se os municípios supracitados, que apresentam condições de alto desenvolvimento humano, apenas outros 12 municípios paranaenses, distribuídos em distintas áreas do Estado, registram IDH-M nesse patamar. Também merecem destaque, por se situarem acima da média estadual (0, 787), outros cinco municípios, dentre os quais Foz do Iguaçu. Já em relação ao conjunto de municípios da mesorregião com baixo IDH-M destacam-se oito, entre os que ocupam as posições mais baixas do ranking estadual. São eles: Diamante do Sul, Campo Bonito, Boa Vista da Aparecida, Ramilândia, Iracema do Oeste, Iguatu e Braganey. Destarte, as variações constatadas nesses indicadores apontam grandes distâncias nas condições sociais dos municípios e sinalizam a extensa trajetória a ser percorrida por muitos deles para atingir patamares mais favoráveis. O grau de desigualdade social dos municípios dessa mesorregião também pode ser evidenciado de modo mais direto, por meio da mensuração do número de famílias pobres e na obtenção do indicador taxa de pobreza. De acordo com o IPARDES (2003), na Mesorregião Oeste encontram-se 71 mil famílias pobres, o terceiro maior contingente desse segmento, representando 12,0% no Estado. Conforme denota a (Figura 9). Todavia, comparativamente com as demais mesorregiões paranaenses, a Oeste desfruta de uma melhor posição quanto ao indicador taxa de pobreza, uma vez que, detém proporcionalmente, menor número de famílias em patamar de renda muito baixo (21,4%), proporção apenas superior à verificada para as mesorregiões do Norte Central e Metropolitana de Curitiba. Conforme o (Gráfico 10). Ainda de acordo com O IPARDES (2003), se cada um dos 50 municípios que compõem esta mesorregião for analisado separadamente, fica mais evidente a amplitude do grau de desigualdade. Dentre os 50 centros, 13 se destacam por apresentar uma proporção de famílias pobres abaixo da média regional, com destaque maior para o pequeno município de Quatro Pontes com apenas 7,9%. Já os grandes municípios como Foz do Iguaçu, Cascavel e Toledo, também integram este conjunto, embora diante da sua proporção populacional neles concentre-se o maior número de famílias pobres (30 mil). Ou seja, 42% do total da mesorregião. Ao contrário destes, se sobressaem, com taxas de pobreza superiores a 40%, os municípios de Braganey, Campo Bonito, Catanduvas, Diamante d’Oeste, Diamante do Sul, Lindoeste, Ibema, Ramilândia e Três Barras do Paraná.
  23. 23. 23 Neste quadro de grandes diferenças sociais, os desafios para a maioria dos municípios, com relação à redução da pobreza, e consequentemente, quanto a melhoras no IDH-M tem suas possibilidades fortemente interligadas a investimentos por parte do poder público, principalmente nas áreas da saúde e educação. Figura 9: Gráfico da Participação das Mesorregiões Geográficas no Total de Famílias Pobres-Paraná-2000 Fonte: IPARDES, 2003 Adaptado e Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011 Figura 10: Gráfico da Taxa de Pobreza-Mesorregiões Geográficas-Paraná-2000 Fonte: IPARDES, 2003 Adaptado e Organizado por: MORIGI, Josimari de Brito. 2011
  24. 24. 24 5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir da discussão estabelecida neste artigo, procuramos identificar e analisar algumas transformações que ocorreram na Mesorregião Oeste do Paraná desde o início de sua ocupação até os dias de hoje, de uma forma breve, mas procurando destacar as principais transformações econômicas e sociais, bem como a maneira como isso influenciou a vida dos habitantes dessa mesorregião ao longo do tempo. Como podemos perceber, a Mesorregião Oeste do Paraná vem alcançando nas últimas décadas um rápido processo de urbanização, sobretudo, nos três municípios considerados pólos regionais, são eles: Foz do Iguaçu, Cascavel e Toledo. É importante frisar que todo processo de urbanização requer uma atenção especial, uma vez que a urbanização implica não somente a dinâmica da organização do espaço urbano, como também a condição de vida dos citadinos. Ou seja, investimentos em políticas públicas de infra-estrutura urbana e regional, serviços de saneamento básico, educação, saúde, transporte público, etç. De forma a garantir um crescimento sustentável e menos suscetível das cidades ao longo-prazo. REFERÊNCIAS BELUSSO, Diane; SERRA, Elpídio. Caracterização Sócio-espacial da Agricultura no Oeste Paranaense: um estudo de caso em Palotina-PR. Disponível em: http://www.geografia.fflch.usp.br/revistaagraria/revistas/4/texto_2_belusso_d_e_serra_e.pdf Acesso em: 02 de fevereiro de 2011. BERNARDES, Nilo. Expansão do Povoamento no Estado do Paraná. In: Revista Brasileira de Geografia. IBGE: Rio de Janeiro. v 14, nº4, p. 427- 456, out./ dez., 1952. COLODEL, José Augusto. Obrages e Companhias Colonizadoras: Santa Helena na História do Oeste Paranaense até 1960. Santa Helena: Educativa, 1988. DAMIANI, Amélia Luisa. População e Geografia. 7ª ed. São Paulo: Contexto, 2002. GEORGE. P. Geografia da população. Rio de Janeiro: Difel, 1974. GREGORY, Valdir. Os Euro-Brasileiros e o Espaço Colonial: a Dinâmica da Colonização no Oeste do Paraná nas Décadas de 1940 a 1970. Cascavel: Editora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, 2002. IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br> Acesso em: 22 de janeiro de 2011.
  25. 25. 25 IPARDES. Leituras Regionais: Mesorregião Geográfica Oeste Paranaense. Curitiba,2003. IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Disponível em:< http://www.ipea.gov.br/portal/> Acesso em: 20 de maio de 2011. LOPES, S. O Território do Iguaçu no contexto da “Marcha para Oeste”. Cascavel: Editora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, 2002. MAGALHÃES FILHO, Francisco de B. B. de. Região da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná – AMOP: características e perspectivas de desenvolvimento. Curitiba: PARANACIDADE, 1999. MAGALHÃES, Marisa Valle. Projeção da População do Paraná: tendências e desafios. Revista Paranaense de Desenvolvimento. Curitiba, 2003. PADIS, Pedro Calil. Formação de uma economia periférica: o caso do Paraná. São Paulo: HUCITEC, 1981. PIFFER, Moacir. A dinâmica do Oeste Paranaense: sua inserção na economia nacional. Curitiba: UFPR, 1997. SBARDELOTTO, Denise Kloeckner. História da Criação do Colégio Estadual Bartolomeu Mitre, o Primeiro Grupo Escolar do Oeste do Paraná: contexto histórico (1889 a 1930). 2007. 76 f. Monografia (Especialização em História da Educação Brasileira). UNIOESTE, Cascavel, 2007. SCHNEIDER, Iara Elisa. Movimentos migratórios: a inserção sócio-econômica dos migrantes dentro das fronteiras agrícolas. In: Anais do XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais As Desigualdades Sócio-Demográficas e os Direitos Humanos no Brasil Caxambu, 2008. Disponível em: < http://www.abep.org.br/usuario/GerenciaNavegacao.php?caderno_id=801&nivel=3> Acesso em 03 de jun. de 2011. SERRA, Elpídio. Processos de ocupação e a luta pela terra agrícola no Paraná. 1991. 361 f. Tese (Doutorado) – Instituto de Geociências e Ciências Exatas. Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Rio Claro, 1991. WACHOWICZ, R. C. Obrageros, mensus e colonos: História do oeste paranaense. Curitiba: Editora Vicentina, 1987(b). ________________. História do Paraná. 10ª ed. Curitiba: Imprensa Oficial, (Brasil Diferente), 2002. YOKOO, Edson Noriyuki. Terra de negócio: estudo da colonização no Oeste Paranaense. 2002. 176 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2002.

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