Poemas do tempo slides

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Poemas do tempo slides

  1. 1. i-' f: _ Í ' ' l' Ninfa Parreiras i' " g_ . ' j, . ^ . ' J : f x __ . . . dg_ __ . Poemas cão Tempo
  2. 2. j», 3Í l* 'O 3í R' l' 9 3' Ninfa Parreiras , v 4,0 _a x. . l 4. 6 Rio ° . ,7l6 ? lo 5_ ? ix/ z e' , ;"i"ii/ ¡'2“7 , (wir ' ; '10 , jm Hi0 1¡ s) us 3. l. 9 t9/ 3 . :› 3. _a3 _' 4 ! ll-S q( 4 Í.8 4 '/76 5_ _7r . ilustrações Mariana Massarani
  3. 3. Tempo das coisas que não voltam A noite de ontem. A praia do domingo. A formatura do pré-escolar. O primeiro dia de aula. A pescaria da semana atrasada. . ._ O dente de leite caído. 0 abraço do dia dos pais. O aniversário do ano passado. O tombo que quebrou o dedo. A poeira do acampamento. O braço da boneca. A roda do carrinho. D das coisas que SãO 0 tempo das coisas que não voltam amarrota o coração. s que fazem castelos. : e de caixas, pequenas e grandes. IS no desfile de moda. ie caminhões. Ia no pão com manteiga. esfolado. ite de Natal. Jma banana madura. 1m copo d'água fresca. os pensamentos livres e leves. ça. uma almofada macia. das coisas que são faz dos olhos dois lagos. s cintilantes.
  4. 4. o das coisas que vão chegar ia Páscoa. que mora longe. . l de sorvete. io Mundo. io de lápis. .. ietas coloridas. Ia novinha em folha. álbum de figurinhas. Je vem. 2 que vai ser lançado. L. e volta do trabalho. ; diferentes para o tempo das coisas que vão chegar. i i i . a Tempo da gente Um menino e o amigo. Diversão e amizade. Tardes empurrando carrinhos. Encaixando legos. Manhãs jogando uma pelada. Super-heróis, piratas, fazendeiros O menino sabe o tempo. De abrir os potes. De desenhar. de jogar. Sabe o encontro, o amigo. A brincadeira, os pulos do coraçãn Ele sabe o tempo da gente.
  5. 5. Tempo dos desentendimentos Um beiiscão no irmão mais novo. A discussão do pai e da mãe. Um empurrão no colega da rua. Um gol contra. 0 bate-boca no supermercado. Os passos duros do vizinho irritado. Tempo das descobertas A nota baixa. 0 ralo do banheiro com o desconhecido. A A calça rasgada. 0 elevador com 0 Sobe e desce- É-. O suco derramado no tapete. A areia da praia grudada na pele. Um furo no bolo recheado. 0 umbigo com a cicatriz no meio da barriga. o te| efone fora do gancho_ 0 que corta e recorta, com duas asas. Paciência e calma. .. O que desenha, escreve, rabisca, solta tinta. .. Para o tempo dos desentendimentos. Aquilo que sai do nariz. Os sapatos do pai. Acomodam os pés com meias, sem meias. .. O milho com o pulo e a pipoca_ O achocolatado dissolvido no leite. 0 motor da geladeira. 0 tempo das descobertas atrai o dedo, o olho, o ouvido, o nariz, a boca. o pe.
  6. 6. 10 Tempo da água que escorre dos olhos A menina adora o espelho. De frente, de lado. de costas. .. Coloca os tamancos da mãe. As pulseiras e os colares. Os brincos e o batom. .. O relógio do pai. Ela se transforma com os apetrechos. Uma princesa. .. Uma boneca grande. .. A personagem da novela. a mãe, o pai. .. A Cinderela. Chega alguém para dizer não. É tempo da água que escorre dos olhos. Tempo dos ponteiros Uma menina coleciona relógios. De papel, de plástico. de louça, de bronze, de madeira. Relógios de antes e de agora. Relógios grandes e pequenos. Relógios de brincar e de usar. De pulso. de bolso, de mesa, de parede. Ela gosta também de recortar relógios das revistas. Brinca com os ponteiros. Guarda um relógio que foi do bisavô. Os ponteiros pararam. Não andam mais. Ela não conheceu o bisavô. A menina conhece o tempo dos ponteiros.
  7. 7. Tempo da luminária do dia 0 menino do povoado vai à escola a pé. Segue pela estrada de chão. Ele sai de casa. Curvas, morros. trilhas. O sol ilumina as casas. .. Os cascalhos da estrada. Ilumina a cabeça do garoto. Ele sente o calor. .. A claridade das horas. O suor, o dia pintado de branco. Ele nem vê a própria sombra. Sabe que é meio-dia. O menino conhece o tempo da luminária do dia. Tempo dos dias sem escola Catar conchinhas na praia é a diversão da menina. Seu colega anda a cavalo na fazenda do avô. Seu irmão apronta com os colegas vizinhos. Jogam dardos. Chutam latas. Tacam pedras. É assim o tempo sem escola. Um tempo de improvisação, De desconserto. .. De não fazer nada: exercícios, deveres de casa. De fazer tudo: brincar. jogar, correr. O tempo dos dias sem escola desliza. .. Qnltn p Inu: :
  8. 8. Tempo da mochila Dentro da mochila a gente põe as miniaturas. .. As bolas. os robôs. A gente guarda os jogos. As cartas. as fichas. A coleção de revistinhas. E de figurinhas. A agenda, o diário. O lanche, os segredos. A toalha, os desenhos. O tempo da mochila é o tempo do que a gente quer levar. E guardar. o da esco| a Na mochila cabe tudo. Até o tempo. o corpo pesado de manhã. . r o corpo mole depois do almoço. pasta. orpo. tira. ezes, o corpo chega à escola sem o material. ezes, o material va¡ sem o corpo. Ie obrigação, eiras, eres, ntro com os colegas. acompanha o tempo da escola.
  9. 9. Tempo das coisas que a gente sente Olhos arregalados para uma surpresa. Dor na barriga quando vê o namorado. Coração disparado para o encontro com o melhor amigo. Rosto suado de tanto discutir no campeonato. Peito artando depois de uma briga. Pernas bambas de subir uma escada. Bochechas vermelhas de passar frio. Cabelos arrepiados de susto. Nariz inchado de alergia. Mãos trêmulas na hora do aperto. Branco para responder uma pergunta da professora. 0 corpo preguiçoso para se levantar cedo. É plástico o tempo das coisas que a gente sente. Tempo dos abraços 0 abraço na bola do goleiro - conquista. O abraço na árvore - amizade. O abraço no primo que mora longe ~ paixão. 0 abraço no cão ~ acolhimento. O abraço no travesseiro - solidão. O abraço no livro - companhia. 0 abraço na mochila - cansaço. 0 abraço na boneca ~ brincadeira. O abraço na janela - bom dial O abraço na mãe - colo. Um amasso dos braços. Um traço dos abraços. É tempo dos abraços.
  10. 10. Tempo da água que cai do céu A menina do apartamento mora com a mãe. Ajanela é sua vitrine da vida. _ Ela admira o movimento da rua. os carros, as pessoas, os caes. Observa o sol chegar. E a sombra que o carrega de tarde. O que mais gosta é do espetáculo da chuva. Cheiro molhado. Ruidos no asfalto. Choro das árvores. O coro da ventania. A queda e a dança. .. Das gotas e dos pingos. O tempo da água que cai do céu molha os olhos da menina. 1.a Tempo das despedidas O pai da menina trabalha em outra cidade. Sai toda segunda. E só volta na sexta. Ela não gosta da saída do pai. Esconde-se debaixo da cama. Brinca de noiva com a cortina. Finge de estátua atrás da porta. Embola-se debaixo dos lençóis. Também se esconde quando o pa¡ volta. Vira um cisco dentro de casa. A menina não gosta mesmo é de saber que o pa¡ se afasta. E desaparece. Ela não gosta da explosão no peito, o tempo das despedidas.
  11. 11. Tempo das pessoas que se foram Certa menina sabe das pessoas que foram embora. D avô, a tia do interior. As crianças desaparecidas no acidente. Sabe também das pessoas que moram longe. Os amigos lá no Norte. As primas da praia. E sabe das pessoas que viajam. .. Desaparecem ou se mudam. Conhece os sentimentos que chegam. .. Com a partida das pessoas. A menina reconhece o desejo enorme de rever. .. Quem não está perto. Ela vive o tempo das pessoas que se foram. Tempo da mancha escura no chão Uma menina observa seu corpo refletido no chão. Ele vai junto com ela. Ela sabe que não está só. Seu corpo é acompanhado por uma mancha escura. De noite. De dia. A mancha varia de tamanho. Pela manhã seu corpo fica esticado. Ao meio-dia seu corpo é um bolo apertado. .i7 De tarde surge um corpo comprido. .. E arrastado. _f De noite um corpo em busca da luz. kfL§Íf-'_*_, . A menina descobre o tempo da . l h h" 4" ” manc a escura no c ao.
  12. 12. Tempo do sorvete derretido Uma menina adora os doces. as balas. .. Os sorvetes. Sabe que os pais oferecem guloseimas depois do almoço. E do jantar. Sábado de manhã. Ela pede sorvete. Chora, berra, grita. esperneia. .. Ganha uma taça do de flocos. Espera depois do almoço. Uma espera demorada! Toma o sorvete liquido. Descobre que o sorvete não espera. A menina conhece o tempo do sorvete derretido. Tempo do brinquedo perdido Uma menina gosta de esconder seus brinquedos do ínnão menor. Esconde. acha, esconde, acha. .. Guarda bolinhas debaixo da almofada do sofá da sala. Empilha os livros debaixo da cama. Coloca as bonecas para dormir nas gavetas de roupa. Esconde tampinhas pela casa. Deixa o balde no banheiro. Atira para fora da janela as panelas e os copinhos. Os brinquedos jogados pela janela não voltam. Nem são encontrados. Eles vão embora. Brinquedos guardados do lado de fora. .. São do tempo do brinquedo perdido.
  13. 13. Tempo da mágica Um menino adora ver o tio do interior fazer mágica. É o primeiro a se sentar numa almofada. Apertar os dedos. .. E esperar as transformações. Não desgruda os olhos do mágico. Observa os objetos e os movimentos. Os chapéus, os lenços. as cartas. .. A cartola e o coelho. _ N Ele se encanta com as mágicas e trapaças. , Abaixa a cabeça. inclina o corpo. " _g 21.0". , J '_ Olha de lado, vê por cima. .. TemPO das Cores "* Qi: : 'J u E nunca descobre os segredos daquele tio. No dia em que descobrir, não será mais tempo da mágica. Um certo menino fica azul quando está contente. Um outro menino. quando se irrita muito, fica roxo. Há um que amarela. .. Quando a mãe o descobre comendo doce escondido. Um menino de tão branco, quando adoece, ñca verde. Há menino que tem uma luz na hora da prova. E outro que sente a luz se apagar. Há outro que fica cinza depois da partida de tênis. E há um que fica vermelho de vergonha. O tempo das cores serve para colorir os sentimentos. Os que ficam lá no fundo. Os segredos de cada um. Os sentimentos ficam pintados de cores diferentes. 25
  14. 14. Tempo de dentro Dentro da gente moram muitas coisas. O coração, o pulmão. o estômago. .. Moram também nossos sentimentos. A dor, a dúvida, a incerteza, o medo. .. As palavras engasgadas. As conversas atravessadas. Os apertos e desacertos. Coisas que a gente não quer falar. .. A gente deixa lá dentro. E ficam. .. _ ~ Sem hora para sair. 'O daqUllÓ QUÊ 3. gente n30 C0nheCe Só a gente sabe a hora de falar uma coisa guardada. No tempo de dentro. lino coleciona coisas que não conhece. juardando coisas para ver e tocar. de um álbum. abisca. enhos, registra. com objetos que não estão na casa dele. V_ por lugares que nunca visitou. 1.34' 'O a. .. pessoas que nunca viu. t” a 1a. .. figuras diferentes. le escreve as coisas que chegam. ; onho. › daquilo que a gente não conhece.
  15. 15. Tempo de fora A gente vê as luzes dos carros. As luzes das casas. As luzes do céu. A gente sente o dia se abrindo. O dia se espreguiçando. .. Acordando as pessoas e as ruas. São as coisas de fora. Da manhã, da tarde, da noite. Coisas que a gente fotografa com o olhar. Coisas em que a gente esbarra. Coisas que a gente toca e encosta. Acaricia, contempla. .. O tempo de fora. / . Tempo do que desaparecn . rx» Para onde vai a fumaça dos carros? Para onde vai a badalada dos sinos? A teia de aranha? E o lixo? Os raios? E as palavras que falamos, pensamos. escrevemos, para onde v E as lágrimas que escorrem? E os vizinhos que se mudam? Os cães que vão embora? E os Cometas? Tem um tempo para cada coisa. Até o tempo do que deraaparecc.
  16. 16. Tempo do que acabou Um menino ouve a mãe de noite: "Acabou a brincadeiral Está na hora de dormir". Ouve a professora nos dias de aula: “Acabou a aula, por hoje é só". Ele ouve o pai gritando na frente da TV: "Acabou o jogo! 0 Brasil venceu! ". E os avós dizerem: "Mais uma semana se foi. Acabou o domingo". E a empregada: "Acabou o leitel". E o colega: "O chocolate acaboul". Sua barriga: "Acabou a fome". 0 tempo do que acabou coloca um ponto final nas coisas. E nos sentimentos. E pronto. ' E ponto. ¡_-›_-_ 3,_ d) _ Acabou. -. §;; ;.'j_3:_ p¡ 'ç O tempo do que acabou. Tempo do infinito Um certo menino pergunta à mãe se os números acabam no mil. A resposta é que os números continuam mais ainda. Ele quer saber até quanto. Perguntas e perguntas. Os números são infinitos. .. Não têm fim. A gente não consegue chegar ao fim dos números. Então. infinito um, infinito dois, infinito três. .. Infinito mil e quatro. ..? infinito infinito? Mais curiosidade do menino. infinitas são as perguntas das pessoas. É infinito o tempo do inñnito.
  17. 17. u I~ / f! ) v: Í. ) s› . f ; ç 'kmpodomnmo ›3%íg4- O que nasce, vive. morre. V? O que desaparece, anoitece, amolece. .. Vai embora, se transforma, renasce. m . › z O que passa, o que chega. o que vem. .. 0 53/ 3 ~ Os dias. as semanas, os anos, as séries. .. 3 4 As doenças, as contas, os apuros. f/ 'cí › Os sustos. :T O tempo dá conta de carregar as horas e as páginas. j ¡ j: l As saudades, as alegrias, as pessoas, as mágoas, as perdas. .. m -_› ~ Só o tempo dá conta do tempo. ç A. , ç 1,' 3_ Da tempo ao tempo. a _Ii 7 Tempo do tempo. '/96 r; Tempo. ' r ' r , 'l/ IL' f ' [0 »y 1.5 i . f) Is' - ,3 Á 4. .7'6 -"›'. ' IL' "m H 2 ' g 9 . '4- .3 1 4. . Í/"ts r. ' ' 12 ' ii) H j! 2 ' f) “ÀS 3 - .3 J 4. . W6 Q _ t- ll '^ j “ai”, u m" nz' ll' v3' . =› 3 -9 3- -9 í* 8 _í. »_8 í 17, .8111 "/ . ' 73;; _Í/ 'ts ã, / * ? D7 - 5 hi' J/ É *m H u g' m” 'N' 'J r : l 3a/ 3: r 9 i9/ 3: H b' 3 Í/ 4. .8_f 4- ›3.4,.7- . 7,6 5. WS_ _/ PL. , . ›_ -ll* lui ”H/5/ -ml/ 'Ill 'i0 / fll ft *fã/ Á . WI. - f) 17/ 5)- f" s" 3 ' . r .8 Ã 4. -3 Â -i7 ' yüçá ' / Riã 757' ie _ ›* . ,“; ' ix . HI1 N'~/ _ vo” .52 '10 'N' fa' 5) »s/ Br 9 6)/ 3 f) f” A 3 _r 4 , a . x x. . -= 4. ' 7ü;5 ' . W6 5 “”6 ' -DÊ- lí _THE .7””¡'Ãg vo” 12' V0 Í! . f? 3¡ . f) 3 ' 9 3 f j' 4 . õ 4- V4 . r/; G l . jtô f): /MIS n_ ? i3Ív i'iÉ . UHE 7o“I"Ão- vo” nz' 7” / fz' . 5') @f 3- _- 9 1o/ 3- '9 j” 3 (3 / 4 ; s 1 4. . Sax sf ', w; 5 .7u; Q¡ Hoje

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