Culpa e arrependimento.

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Culpa e arrependimento.

  1. 1. 20/05/2013
  2. 2. O que deve fazer aquele que, no último momento, na horada morte, reconhece as suas faltas, mas não tem tempopara repará-las? É suficiente arrepender-se, nesse caso?Resposta dos Espíritos — O arrependimento apressa asua reabilitação, mas não o absolve. Não tem ele o futuropela frente, que jamais se lhe fecha?Texto retirado do „Livro dos Espíritos‟(Livro Quarto – Cap. 2 – Item VI)
  3. 3. Jean-Jacques Rousseau, um dos grandes nomes doiluminismo, nasceu em Genebra, no ano de 1712. Nãoconheceu sua mãe, pois devido a complicações do parto,veio a falecer dias após seu nascimento. Quando completoudez anos de idade, seu pai envolveu-se em uma discussãocom pessoa importante da cidade, e, com receio derepresálias, fugiu, deixando o filho para ser educado por umtio. Segundo seus biógrafos, o fato de Rousseau não ter
  4. 4. Tornou-se, na vida adulta,compositor auto-didata, teóricopolítico, filósofo e escritor.Contribuiu amplamente para asgrandes reformas ocorridas naAmérica e na Europa, no séculoXIX, com seus ideais de liberdade,igualdade e fraternidade, sendoainda um dos colaboradores dafamosa Enciclopedie, de Diderot eD´Alembert. Escreveu vários livros,influenciando diversas culturas egerações. Foi um daqueles homensque não passam despercebidos,pois possuía conhecimentosbastante avançados para suaépoca – visões que romperam comos paradigmas vigentes, trazendo
  5. 5. Um de seus escritos, deestrondoso sucesso, chama-se„Emílio, ou Da Educação‟. Nestaobra, Rousseau cria umpersonagem fictício, de nomeEmilio e vai, no transcorrer deseus escritos, contando ao leitorsobre a forma como ele educaeste personagem. O objetivo deEmílio é “formar um homemlivre; e o verdadeiro amor pelascrianças…”.Hoje esta obra évista não apenas como umareferência obrigatória paratodos os educadores [pais,professores, etc], mas, acimade tudo, como uma lição devida.
  6. 6. Entretanto, Rousseau, este mesmo homem, filósofo, escritor, teve seus cincofilhos. E os abandonou, a todos, em orfanatos.No prefácio de sua obra, o tradutor assim comenta:“Como levar a sério um livro sobre a educação escrito por um homem queabandonou os cinco filhos que teve com Thérese Levasseur? Esta questãoprévia, repetida pelos jovens leitores de ontem e de hoje, deve ser colocada,não para ser ela própria levada a sério, mas para que nos desvencilhemosdela de uma vez por todas. Rousseau é daqueles que acham que não hácovardia pior do que o abandono dos filhos que se teve o prazer de fazer.Escreveu Rousseau em sua obra Emilio: “Um pai, quando gera e sustentafilhos, só realiza com isso um terço de sua tarefa. Ele deve homens à suaespécie, deve à sociedade homens sociáveis, deve cidadãos ao Estado.Todo homem que pode pagar essa dívida tríplice e não paga é culpado, etalvez ainda mais culpado quando só paga pela metade. Quem não podecumprir os deveres de pai não tem direito de tornar-se pai. Não há pobreza,trabalhos nem respeito humanos que os dispensem de sustentar seus filhose de educá-los ele próprio.Leitores, podeis acreditar do que digo. Para quemquer que tenha entranhas e desdenhe tão santos deveres, prevejo que pormuito tempo derramará por sua culpa lágrimas amargas e jamais se
  7. 7. Foi justamente por sentir-se culpado que Rousseauescreveu Emilio (de 1757 a 1762). Não podemospretender que o livro não tenha nada para nos ensinarporque seu autor não o colocou em prática. Para isso,seria necessário inverter a cronologia e proibir a Rousseautoda a oportunidade de um arrependimento sincero quebusca a reparação.Afirmou o autor de Emílio:“Não escrevo para desculpar meus erros, mas paraimpedir meus leitores de os imitar”.
  8. 8. Jean-Jacques influenciou sobremaneira alguns pensadores,tais como Johann Pestalozzi, fundador da escola de Yverdun,na Suiça, mestre de Allan Kardec. Portanto, podemos dizerque Rousseau é o avô espiritual de Kardec nas questões daeducação. Levando-se em conta de que o codificador daDoutrina Espírita [assim como Pestalozzi] era pedagogo, logopercebemos o quanto a obra Emílio foi importante para todosos três e tantos outros. E se Rousseau influenciousobremaneira Kardec, nós outros, daqui deste lado doPlaneta, 155 anos após Kardec, somos também influenciadospor suas idéias fantásticas de educação através do amor e daliberdade.Sabemos ainda, através dos escritos do final da vida de Jean-Jacques Rousseau, que ele tentou resgatar todos os seusfilhos dos orfanatos, porém não teve sucesso. Portanto, deseu arrependimento e expiação vemos surgir a busca pelareparação, se não diretamente aos prejudicados, através
  9. 9. O escritor Catullo daPaixão Cearense, emseu poema “A Dor e aAlegria” afirma que “ador é como umrelâmpago; no escuroassusta a gente, masalumeia oscaminhos.” Rousseauaprendeu o verdadeirosentido desta frase,trezentos anos antes deser pronunciada porCatullo.
  10. 10. Na atualidade, enfrentamos muitos dilemas quandoanalisamos a questão da culpa.Cada vez mais tomamos consciência de como as teoriasindividualistas ocidentais estão equivocadas no que serefere à realidade do ser. Tanto através da lente Espírita,como das ciências dita humanas, temos tido contato comoutra realidade: a de que pertencemos ao todo, influenciandoe sendo influenciados, num mar de experiências, onde tudose modifica, continuamente, através das relações. Não épossível explicar o ser em separado do meio onde ele atua.Não podemos deixar de considerar o tempo histórico e acultura onde está inserido, sob risco de cometermos erroscrassos, subtraindo influências importantes e, pior, nãoreconhecendo sua real essência neste meio.
  11. 11. Com isso, já percebemos a urgência de um olhar maisholístico, vislumbrando o sujeito com todas as suas faces.O ser como sendo um sujeito bio-psico-sócio-espiritual,pois é o que somos, sendo que o Espírito, o ser imortal,criado simples e ignorante, com potencialidades deperfeição relativa e que vai, através de vidas sucessivasevoluindo, é sua essência, o seu verdadeiro eu, com oqual atua no mundo, através de sua porção biológica,com mecanismos psicológicos característicos, dentro deuma sociedade, em determinada cultura e emdeterminado tempo histórico.Quando ampliamos este nosso olhar, vamosaproximando da realidade, e, com isso, podemosmelhorar nossoentendimento, conseguindo, refletir melhor sobrenossas ações e implicações destasem nossas vidas e no meio onde atuamos.
  12. 12. Na cultura judaico-cristã, o medo dos fiéis alimentou, por séculos, o poder dealguns, através do mecanismo da culpa. Neste contexto, já nascíamosculpados, afinal somos descendentes de um erro imperdoável: nossosancestrais Adão e Eva que, num ato de muita insensatez, (pela visão religiosatradicional) abdicaram do maior presente de Deus – o paraíso na Terra -trocando-o pelo fruto da árvore da sabedoria. Somos culpados por desejarmosalgo saber. Sendo assim, a ignorância seria o melhor remédio, aceitandodogmas irrevogáveis e, inquestionáveis. Talvez aí pudéssemos fazer aspazes com Deus, por determinado tempo, desde que ainda contribuíssemoscom algo, de preferência material, pela „Causa de Deus na Terra‟.Mas a nossa história com a culpa não pára por aí. Mulheres judias nascemimpuras, afinal, menstruam e sequer podem orar como os homens, nostemplos. Depois do ano 234 dC, quando criou-se a instituição católica, a culpacontinuaria presente. Homens deveriam lutar nas „guerras santas‟, trazendoouro para a igreja e diminuindo o número de „infiéis‟, através da espada. Seassim fizessem, poderiam dormir com a consciência tranqüila, pois estariamquites com Deus.Hoje, a questão da culpa tornou-se ainda mais abrangente, de acordocom a ideologia vigente. No capitalismo, somos culpados se não juntamoscapital. O fracasso consiste em não ser sucesso em seus negócios, nosestudos, na empresa, no consumo. Para as mulheres, mais que isso:fracassadas são as que não conseguem manter o padrão de beleza das
  13. 13. Jean-Yeves Leloup, o padre francês, autor dolivro Normose, a Patologia da Normalidade,criou um conceito bastante interessante paradefinir o contexto atual. Chamou de “normose”tudo o que é aceito socialmente como sendoalgo normal, mas que, porém, causa sofrimento,patologias e até mesmo a morte. As relaçõesfluidas, o consumo exacerbado, a busca pelopadrão de beleza ideal, pelo sucesso, pelopoder, etc., faz com que boa parcela dapopulação sofra, gerando sintomas de difícilsolução. Somos culpados por nãoconseguirmos atingir a meta proposta, dentrodeste padrão de normose atual. E, buscandoencobrir a culpa, usamos máscaras sociaisque nos fazem parecer. Parecemos não errar,parecemos ter, parecemos ser. Mas sóparecemos. Todos erramos, nada possuímos[uma vez que tudo pertence a Deus e podenos ser retirado a qualquer momento] e,
  14. 14. Salientamos ainda que, se por um lado temos aquestão da culpa como produto social, não é menosverdadeiro que temos tido contato, há mais de doismil anos, com outras formas de pensamento que nostrazem reflexões sobre a situação do apego àmatéria e o descaso com as questões do Espírito.Portanto, embora mergulhados numa ideologiamarcante e opressora, não nos faltam opçõesfilosóficas e religiosas neste contexto para quepossamos analisar nosso modo de ser e agir nomundo e suas possíveis conseqüências.
  15. 15. Culpa é a consciência de um erro cometido através de umato que provocou algum prejuízo [seja material ou moral] asi mesmo ou a outrem. A consciência do erro traz-nossofrimento.E tal sentimento pode ser vivenciado de duas formas:saudável ou patologicamente.Chamaremos de culpa saudável aquela que nos leva aoarrependimento sincero e que, embora revestido de dor,impulsiona o ser à reparação.Na origem da palavra, arrependimento quer dizer mudançade atitude, ou seja, atitude contrária, ou oposta, àquelatomada anteriormente. Ela origina-se do grego - Metanóia(Meta=Mudança, Nóia=Mente) - Arrependimento quer dizer,portanto, mudança de mentalidade.
  16. 16. Pessoas que se mantém com a consciência adormecida,ao acordarem resgatam dores maiores, acumuladas devidoà cegueira espiritual em que se comprazem. Importanteressaltar que nenhum filho está às margens do Amor doPai Celestial. Todos temos, em diversas oportunidades eem variados contextos, contato com as verdades do MundoMaior. Preciso é que a boa vontade surja no cenário, sobrisco de ficarmos derrapando na estrada evolutiva além donecessário, colhendo dores tardias. É preciso que exista oarrependimento sincero. Ou seja, a mudança dementalidade.Diagnosticamos o erro e não desejamos mais praticá-lo-arrependimento. Porém, não ficaremos apenas na luta pelanão repetição do mal cometido, sentindo a dor da expiação[a dor sentida pela dor causada]. Iremos além: no terceiro[e imprescindível] passo, seguiremos em direção à
  17. 17. Allan Kardec, no livro O Céu e oInferno, no código penal da vidafutura, afirma que "oarrependimento, conquanto sejao primeiro passo para aregeneração, não basta por sisó; são precisas a expiação e areparação. (...)Arrependimento, expiação ereparação constituem,portanto, as três condiçõesnecessárias para apagar ostraços de uma falta e suasconseqüências".
  18. 18. Na culpa patológica temos, como resultado, apenas oremorso, num pensamento em circuito fechado, no qual o seracredita [erroneamente] que, ao sentir a dor repetida estápagando pelo mal cometido, resgatando seus débitos. Tristeilusão, em que a pessoa que sofre mantem-se nummonodeísmo, autoflagelando-se, sem conseguir libertar-se ouevoluir. Trata-se, aqui de um processo de congelamentoevolutivo, uma trava psicológica que leva a sérias patologiasda mente e do corpo se não percebidas e alteradas em poucotempo.No remorso o sujeito enclausura-se em sua dor, lamentando-se, acreditando não ser merecedor de nada bom, desistindode lutar, de reparar para libertar-se. Não consegue perceber afunção do erro e da dor na evolução de si próprio, estagnandoem águas tormentosas, num continuo sofrer sem sentido. Oremorso o faz sofrer, porém, não o liberta. Está acomodado naqueixa e na lamentação. Mais amadurecido psicologicamente
  19. 19. Com o advento da Doutrina Espírita, adquirimos conhecimentosimportantes, tais como o da reencarnação. Aprendemos, atravésdela, que vivemos vidas sucessivas, num continuum evolutivo,onde as experiências surgem como ferramentas preciosas,impulsionando o ser à melhoria constante. Neste processo, a dorpode ser comparada com o advento da febre no vaso orgânico,que assinala algum problema infeccioso que deverá serdiagnosticado para que possa ser tratado. Na alma, a dor tem oimportante papel de nos alertar sobre algo moral que não vaibem.Precisamos sair da postura persecutória em quefreqüentemente nos alojamos, analisando a dor como umainimiga. Muito ao contrário, ela deve ser vista comooportunidade de conhecimento, de entendimento de nósmesmos, para uma possível melhoria íntima real.O que acontece é que, viciados neste „mal sofrer‟, seguimosacumulando remorsos, distante ainda do objetivo maior, que é o
  20. 20. A Doutrina Espírita auxilia-nos sobremaneira na compreensão de todo esseprocesso, pois nos revela a anterioridade do Ser, onde muitas vezes está agênese dos desequilíbrios do hoje.Passamos a nos compreender como senhores de nossas ações etendemos, portanto, à mudança, libertando-nos do remorso patológico,aprendendo a viver com mais responsabilidade.Outro ponto que gostaríamos de citar é sobre os novatos, os que chegam àDoutrina Espírita e começam a beber em suas fontes. Logo percebem agrandiosidade da Mensagem reveladora e em muitos casos, assustam-se ese esquivam de saber mais, amedrontados com a possibilidade de nuncaconseguirem realizar seus ensinamentos.Outros, que persistem um pouco mais, porém que ainda nãocompreenderam a Mensagem em toda a sua extensão, iniciam um processoautopunitivo complexo, sofrendo demasiadamente a dor oriunda de seupassado complicado.Um exemplo: pessoas que fazem uso de drogas [mesmo as chamadaslicitas], ao aprenderem o que ocorre com o corpo espiritual [perispírito],podem passar a sentir tremendas dificuldades intimas.É preciso que se saiba que não importa o tamanho do problema ou do erro,mas nosso empenho sadio nas escolhas do hoje que redundarão num futuro
  21. 21. Não temos mais controle sobre o que já fizemos. Isso é passado. Maspodemos controlar o nosso próprio futuro e isso realmente dependede nós.Os erros nos ajudam sobremaneira na compreensão sobre os novoscaminhos que devem ser trilhados. São importantíssimos para nossaevolução. Não fará sentido para nós determinadas escolhas se nãosoubermos o porque decidi-las. A fé precisa ser raciocinada.Devemos saber por que precisamos mudar, como mudar e quandomudar.E mesmo que não consigamos nos reformar em determinadosaspectos, o que aprendemos é que precisamos tornar a tentar, tornara tentar e tornar a tentar... setenta vezes sete vezes, se preciso for...E se não tivermos a oportunidade de reparar o mal que fizemos comdeterminada pessoa, diretamente? Busquemos não repetir o erro eamemos muito.Disse o apóstolo que “O amor cobre uma multidão de pecados”. (I
  22. 22. Uma outra história, mais antiga que a de Rousseau, mas queinspira nossos corações sobremaneira, fala sobre uma mulhernascida em uma época difícil, na cidade de Magdala. Chamava-seMaria. Contam-nos alguns evangelistas que carregava em seupsiquismo a presença de sete demônios, tendo sido curada porJesus. Hoje, através da Doutrina Espírita, aprendemos que tais„demônios‟ eram, na verdade, Espíritos ainda ignorantes, voltadostemporariamente ao mal.Afastaram-se de Maria sob a imposição Moral do Mestre, entretantocabe-nos salientar que, se não voltaram a importuná-la, foi devidoaos méritos que ela acumulou, através de sua reforma interior.Humberto de Campos, no livro Boa Nova, conta-nos, de formaemocionante, a história do encontro entre Maria e Jesus. Ela,curvada pelo peso de sua culpa, carregando no íntimo muitas doresnascidas do remorso constante, abre seu coração atormentado.Jesus, o Grande Sábio, aponta novos caminhos: “Ame, Maria. Amemuito. Ame os filhos de outras mães... escolha a porta estreita...”.
  23. 23. Nada de acusações. Apenas um pedido: que amasse muito, sem nadaesperar de volta. Foi o que fez.Após a crucificação de Jesus, decidiu seguir os discípulos na divulgação daBoa Nova. Entretanto, aqueles homens encharcados de preconceitos,negaram-lhe a companhia. Teve de ficar às margens do Tiberíades, emlágrimas, cheia de saudades e dor.Foi quando viu chegarem na cidade diversos leprosos, em busca doMestre. Não sabiam que Ele já não pertencia àquele mundo, queriam ouvirSua voz, ouvir Seus ensinamentos e, quem sabe, conseguir a tão almejadacura.Maria não hesitou. Buscou-os e, em todas as tardes passou a divulgar osensinamentos que houvera aprendido com o amigo nazareno. Porém, empouco tempo aquelas pessoas foram expulsas de Cafarnaum e ela, com omelhor sentimento de que dispunha, acompanhou-os para longe dali.Seguiu seus dias cuidando, diuturnamente, dos doentes, amparando-os,tentando minimizar suas dores, sua fome, sua tristeza.Entretanto, depois de algum tempo percebeu manchas róseas em suapele. Estava com hanseníase, também.
  24. 24. Sentindo que o final se abeirava,decidiu procurar pela mãe de Jesus,Maria, e por João - seus amigosdiletos. Seguiu para Éfeso, mas nãoconseguiu adentrar a cidade, caindopouco antes de sua entrada.Logo após seu desencarne, viu-senovamente às margens do Mar daGalileia, encostada em uma grandeárvore. Ao longe, aproxima-se Jesus,com os braços abertos, a dizer-lhe:“Maria, já passaste a portaestreita!...Amaste muito! Vem! Eu teespero aqui!”.Disse o apóstolo que “O amorcobre uma multidão de pecados”.

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