XXIV Jornada de Física Teórica


                MINI-CURSO:
Tópicos Especiais de Dinâmica da Atmosfera


                     Professor:
 Carlos Frederico Mendonça Raupp (IFT-UNESP)
            E-mail: raupp@ift.unesp.br
Introdução

 Atmosfera: constitui um invólucro fluido em torno do planeta que está
em incessante movimento devido, em última instância, ao aquecimento
diferenciado pelo sol sobre a Terra;

 Escoamento atmosférico: caracterizado por movimentos que
estendem-se desde escalas milimétricas até às escalas comparáveis com
o próprio tamanho do planeta ⇒ movimentos de escala planetária;

 Fluidos geofísicos: escoamento é significativamente afetado pela
rotação do planeta;

 Movimentos na atmosfera: devem ser descritos por um conjunto
acoplado de equações que representam as leis da hidrodinâmica e da
termodinâmica; ⇒ Hipótese do Contínuo
Perfil vertical idealizado de temperatura de acordo com a atmosfera padrão. Fonte: Wallace e
Hobbs (1977).
MODELO DE ÁGUA-RASA COM ROTAÇÃO

 Para os movimentos de grande-escala na atmosfera tem-se que L >>
H, sendo L a escala típica de comprimento horizontal dos movimentos e
H a escala de altura típica da troposfera;

 Para esses movimentos, em primeira aproximação, a equação da
                                        
continuidade pode ser escrita como div( v ) = 0 , enquanto a equação do
movimento vertical pode ser aproximada pelo balanço hidrostático;

 Dessa forma, vários “ingredientes dinâmicos” desses movimentos
podem ser descritos por um modelo de uma camada de fluido
homogêneo e hidrostático ⇒ modelo de água-rasa;
Equações de Navier-Stokes para uma camada de fluido homogêneo
(densidade constante), hidrostático e sobre a Terra em rotação:
∂u    ∂u    ∂u    ∂u          1 ∂p               (1a)
   +u    +v    +w    − fv = −
∂t    ∂x    ∂y    ∂z          ρ ∂x
∂v    ∂v    ∂v    ∂v          1 ∂p               (1b)
   +u    +v    +w    + fu = −
∂t    ∂x    ∂y    ∂z          ρ ∂y
∂p
   = ρ
     −g                                          (1c)
∂z
∂u  ∂v  ∂w                                       (1d)
   +   +    =0
∂x  ∂y   ∂z
Onde V = (u, v, w)T ⇒ vetor velocidade
    p ⇒ pressão hidrostática; ρ ⇒ densidade (constante)
    g ⇒ aceleração efetiva da gravidade e f ⇒ parâmetro de Coriolis
Fig. 1: Representação esquemática do modelo de água rasa aplicado à
atmosfera. (Fonte: Matsuno, 1966)
Se ρ = const (fluido homogêneo, tomando a derivada em x ou em y
da equação hidrostática, tem-se que:

          ∂∂ p                                       ∂ ∂p
               =0                                         =0                        (1.2)
          ∂ ∂
           z x                                       ∂ ∂
                                                      z y

                        Logo, u e v também não dependem de z.

H +h               H +h
       ∂w                  ∂u ∂v                                                   ∂u ∂v 
 ∫
 0
       ∂z
          dz = −    ∫
                    0
                          
                          
                              +   dz ⇒ w( x, y, z = H + h, t ) − w( x, y,0, t ) = −
                           ∂x ∂y 
                                  
                                                                                     ∂x + ∂y ( H + h)
                                                                                    
                                                                                              
                                                                                              
                                                                                                (1.3)
Condições de fronteira: (i) w(x,y,0,t) = 0 (sem topografia)
                                 dh    ∂ h     ∂ h ∂h
          (ii) w( z = h +H ) = dt = ∂ +u ∂ +v ∂
                                         t       x  y
∂h    ∂h    ∂h      ∂u ∂v        ∂u ∂v 
   +u    +v    +H  ∂x + ∂y  + h ∂x + ∂y  = 0
                                                (1.4)
∂t    ∂x    ∂y                           
Integrando a equação hidrostática em uma coluna de altura ∆h, tem-se:

∂p                                        ∆p      ∆ h lim ∆x → 0 ∂p      ∂h
   = ρ
    −g                      ∆p = ρg∆h →    ÷ ∆x
                                             = ρg      →         = ρg
∂z                                        ∆x      ∆x             ∂x      ∂x
                                                    ∆p      ∆h lim ∆y →0 ∂p      ∂h
                           ∆p = ρg∆h →    ÷ ∆y
                                                       = ρg     →        = ρg
                                                    ∆y      ∆y           ∂y      ∂y
                                                                          (1.5a,b)
Substituindo nas equações (1.a,b), obtém-se:
∂u      ∂ u     ∂ u         ∂φ
     +u        +v        − fv +        =0               (1.6a)
∂t        ∂x        ∂y            ∂x
∂v    ∂v    ∂v        ∂φ                                (1.6b)
   +u    +v    + fu +    =0
∂t    ∂x    ∂y        ∂y
∂φ    ∂φ  ∂φ  2  ∂u ∂v   ∂u ∂v 
   + u + v + c  +  + φ +  = 0
                 ∂x ∂y   ∂x ∂y                      (1.6c)
∂t    ∂x  ∂y                   
φ = gh ⇒ perturbação do geopotencial
c=     gH                   Velocidade das ondas de gravidade puras
Simular o efeito da convecção térmica ⇒ inclusão de uma fonte de
massa Fφ na equação da continuidade (1.6c) ⇒ pode também representar
o efeito do aquecimento associado à liberação de calor latente na
atmosfera:

∂u        ∂φ     ∂u     ∂u 
∂t
   − fv +
          ∂x     ∂x + v ∂y  −κu
             = −u                                     (1.7a)
                           

∂v        ∂φ     ∂v     ∂v 
∂t
   + fu +
          ∂y     ∂x + v ∂y  −κv
             = −u                                     (1.7b)
                           

∂φ 2  ∂u ∂v        ∂φ   ∂φ   ∂u ∂v 
   +c  + =
       ∂x ∂y    −  u + v  − φ  +  + Fφ − κφ
                     ∂x                                (1.7c)
∂t                      ∂y   ∂x ∂y 
                                      


onde κ é o coeficiente de dissipação do tipo “Rayleigh” e de
resfriamento Newtoniano
Linearizando em relação a um estado básico em repouso:

  ∂u       ∂ φ
     − fv +      κ
               =− u                            (1.8a)
  ∂t        ∂x

   ∂v        ∂φ
      + fu +      κ
                =− v                           (1.8b)
   ∂t        ∂y

∂φ      ∂u  ∂ 
              v
   +c 2 
        ∂  +    =Fφ − φ
                      κ                       (1.8c)
∂t       x  ∂ 
              y



onde κ é o coeficiente de dissipação do tipo “Rayleigh” e de
resfriamento Newtoniano
DERIVAÇÃO DO MODELO DE ÁGUA RASA VIA SOLUÇÃO
DO MODELO DE EQUAÇÕES PRIMITIVAS POR SEPARAÇÃO
                 DE VARIÁVEIS
Modelo de equações primitivas linearizado em relação a um estado
básico em repouso usando a pressão como coordenada vertical:

             ∂u
                −fv +
                     ∂φ=
             ∂t      ∂x
                        0                    (1.9a)

             ∂v       ∂ φ
                + fu +    =0                 (1.9b)
             ∂t        ∂y

             ∂u  ∂v  ∂ω                       (1.9c)
                +   +    =0
             ∂x  ∂y   ∂p

           ∂  ∂φ            R J
               ∂p  + σω = − P C
                                               (1.9d)
           ∂t     
                                 p
Onde: φ ⇒ geopotencial
      ω ⇒ velocidade vertical em coordenada-p
      J ⇒ termo de aquecimento/resfriamento diabático
     R ⇒ constante dos gases para o ar seco
     Cp ⇒ calor específico a pressão constante

      R  RT dT 
    σ=       −         ⇒ Parâmetro de estabilidade estática do estado
      p  pC p dp 
                        básico

       T = T (p) ⇒ temperatura do estado básico
Fazendo 1/ σ ∂ / ∂p (1.9d), obtém-se:

∂ ∂  1 ∂φ   ∂u ∂v            R ∂ J 
      
       σ ∂p  −  ∂x + ∂y  = − C ∂p  p 
                                                 (1.10)
∂t ∂p                         p    

Supor inicialmente o caso adiabático, i.e., J ≡ 0 (analisar os modos
normais do sistema):

∂u       ∂ φ
   − fv +    =0                            (1.11a)
∂t        ∂x

∂v       ∂ φ                               (1.11b)
   + fu +    =0
∂t        ∂y
         φ
∂ ∂  1 ∂  ∂  u   ∂ 
                     v                      (1.11c)
           −
     σ ∂   ∂   +     =0
∂ ∂ 
 t p     p  x     ∂ 
                     y
Fazendo a seguinte separação de variáveis:

  u   u ( x, y , t ) 
           ˆ
                     
  v  =  v(x, y, t) G ( p )
           ˆ                                           (1.12)
 φ  φ( x, y , t ) 
           ˆ
                     


   ∂
   
      ˆ
      u      ∂ˆ 
               φ                            (1.13a)
    ∂ − fv + ∂  =0
          ˆ      G
    t         x

  ∂
  
    ˆ
    v         φ
            ∂ˆ                              (1.13b)
  ∂  + fu +
         ˆ
                 =0
                 G
   t        ∂ 
              y

  ∂ ˆ d  1 dG   ∂ˆ
   φ                u  ∂ˆ 
                        v
        
        σ dp  − ∂ + ∂ G = 0 (1.13c)
                 x
  ∂ dp 
   t                  y
De (1.13c), segue que:

       ∂φˆ
       ∂t            G
               =            = −c 2                    (1.14)
    ∂u ∂v 
      ˆ    ˆ     d  1 dG 
   
    ∂x + ∂y  dp  σ dp 
                        
                       

c ⇒ constante de separação (tem dimensão de velocidade)
    Logo, a estrutura horizontal é governada por:
     ∂uˆ
          −fv + ˆ
                       ∂ φ=
                          ˆ
                                 0          (1.15a)
     ∂ t               ∂ x
      ∂ˆ
       v
         +fu +
           ˆ
              ∂φ=
               ˆ
                 0                          (1.15b)
      ∂t      ∂y
       ˆ
      ∂φ   2  ∂ˆ
                u ∂v 
                     ˆ
         +c  ∂x + ∂y  = 0
                                           (1.15c)
      ∂t              
Equação da Estrutura Vertical
De (1.14) segue que a estrutura vertical é governada pela seguinte
equação:
   d  1 dG  1
      
       σ dp  + c 2 G = 0
                                                  (1.16)
   dp       

Supondo como condições de fronteira para o sistema (1.9) ω = 0 em p =
0 (topo)e em p = p0 (superfície), tais condições são escritas como:

    dG / dp = 0 em p = 0                              (1.17a)
   dG / dp = 0 em p = p0                              (1.17b)


  A eq. (1.16) com as condições de fronteira (1.17a,b) constitui um
problema de Sturm-Liouville.
Supondo ainda que σ é constante com a pressão, tem-se que (1.16) torna-
se:
      d 2G σ
            2
                +       2
                            G=0
       dp           c
Equação Característica:
               σ
          λ2 + 2 = 0                                          (1.18)
               c

                 σ
            λ =±   i                                           (1.19)
                 c

Solução Geral:
                                  σ                  σ
                                      ip         −       ip
       G ( p ) =Ae                c
                                           +Be       c             (1.20)
Aplicando a condição de fronteira (1.17a) em p = 0, tem-se que A = B.
Aplicando a condição de fronteira (1.17b) em p = p0, tem-se:

 σ 
   
           i
               σ
                   p0        −i
                                  σ
                                       p0   
                                             =0
     i e       c
                        −e        c
 c                                         
                                           

                                      σ                        σ
                                     
                                  sin   p0  = 0    ou            p 0 = mπ     (1.21)
                                            
                                      c                        c
                                                          m = 0, 1, 2, 3, ...
Logo:

cm =   p0
                   σ
                                      (1.22)        Autovalores
    mπ

                σ 
G m ( p ) = cos
               c  p  (1.23)
                                                   Autofunções
                m   
Tabela .11: Autovalores cm da equação da estrutura vertical (1.16) com
as condições de fronteira (1.17a,b) para p0 = 1000hPa e σ = 1,6 x 10-6 m4
s2 Kg-2.
                          m
                                       cm (ms-1)

                       0
                                       ∞
                          1
                                       40,02
                       2
                                       20,2
                      3
                                       13,5
                      4
                                       10,1
Soluções de Ondas Lineares das Equações da Água Rasa
Vamos considerar caso do plano β-equatorial:
                            f = βy                      (2.1)
Onde β = 2Ω/a ⇒ Parâmetro de Rossby

     ∂u       ∂ φ
        −β v +
          y       =0                           (2.2a)
     ∂t        ∂x
     ∂v        ∂φ
        +β +
          yu      =0                           (2.2b)
     ∂t        ∂y
      ∂φ   2∂ u ∂v 
         +c 
             ∂x + ∂y  = 0
                                              (2.2c)
      ∂t             
É conveniente transformar as equações para a forma adimensional,
utilizando as escalas:
                   1                        1

     [L ] = c
                           [T ] = 1   
                   2                        2
           
             
                                                    (2.3)
            β                     cβ
                                      




Fig. 2.1: Número de unidades de tempo adimensionais por dia (escala da
esquerda) ou escala de tempo [T] em dias (escala da direita) como
função de c = (gH)1/2. (Fonte: Silva Dias e Schubert, 1979)
Fig. 2.2: Número de unidades de comprimento adimensionais por
1000Km (escala da esquerda) ou escala de comprimento [L] em
quilômetros (escala da direita) como função de c = (gH)1/2. (Fonte: Silva
Dias e Schubert, 1979)
Usando c como escala para u e v e c2 = gH como escala de φ, tem-se:


  ∂
  u
    −v +
     y
        ∂
           =0
                            φ                                (2.4a)
  ∂
  t     ∂x
   ∂
   v
      +yu +
           ∂φ=0                                               (2.4b)
   ∂t      ∂y

   φ ∂ +v =
   ∂
      +
        u ∂
            0                                                 (2.4c)
   ∂t  ∂x ∂
          y
                            u                  u 
Condições de fronteira:                         
                             v ( x , y , t ) =  v ( x + L x , y , t )   (2.5a)
                            φ                  φ 
                                                
                                  
                                  u
                                  
                             lim v  x, y , t ) =0 (2.5b)
                                     (
                             y →∞
                                  
                                  φ
                                  
Buscando soluções na forma de ondas planas (Ansatz de ondas planas):

           k 
         u   u
              ikx + k t
                       iω
          =v
         v  k 
                e                                     (2.6)
         φ k 
          
           φ
     iω u k −yv k + φ =0
       k           ik k                            (2.7a)

                             dφ
     iω k +
       k v yu k             +   k
                                  =0               (2.7b)
                              dy

                    dv k
      iω φ +iku k +
        k k              =0                        (2.7c)
                     dy
Na forma vetorial:
            (iωkI + Ωk)ξk = 0                     (2.8)

k ⇒ número de onda zonal
ξk = [uk, vk, φk]T ⇒ autovetor

   ωk ⇒ freqüência temporal (autovalor)

                                   
         0            −y        ik 
                                   
                                 d 
      Ω =y             0                 (2.9)
       k
                                dy 
                      d                         Operador linear (anti-
         ik                      0              hermitiano)
         
                      dy           
                                    
É possível reduzir o sistema (2.7) a uma única equação diferencial
ordinária em vk, dada por
     d 2vk
        ˆ    2      k     2 
           +ω - k +
             k
                  2
                        - y v k = 0
                             ˆ
      dy 2
                    ωk      
            vk → 0 quando |y| → ∞

Solução:
                         y2
                       −
        v k ( y) = e     2
                              H n ( y)

 Desde que seja satisfeita a relação de dispersão abaixo:

                   k
   ω -k2
    2
               +         = n+
                          2  1           , n = 0, 1, 2, ....   (2.10)
    k
                 ωk
Fig. 2.3: Diagrama de dispersão de algumas ondas lineares permitidas
pelo modelo (2.5). (Fonte: Silva Dias e Schubert, 1979).
Fig. 2.4: Diagrama da velocidade de grupo das ondas lineares permitidas
pelo modelo (2.5). (Fonte: Silva Dias e Schubert, 1979).
As autofunções são dadas por:

               i                                                      
               − 2 (ω k,n,r − k)H n +1 (y) − in(ω k,n,r + k)H n −1 (y) y 2
              
ξ k,n,r (y) =                (        2
                                             )
                                ω k,n,r − k H n (y)
                                             2                          −2
                                                                       e
                                                                               (2.11)
               i                                                      
               − 2 (ω k,n,r − k)H n +1 (y) + in(ω k,n,r + k)H n −1 (y)
                                                                             Para n > 0



                H 0 (y) y 2
                 0 e − 2
   ξ k, − (y) =                                                    (2.12)
         1,3            
                H 0 (y)
                                                           Para n = -1 (Kelvin)

Estas autofunções formam um conjunto ortogonal e completo no espaço
das funções de quadrado integrável em (-∞, +∞ ).
Fig. 2.5: Estrutura espacial dos campos do vento e do geopotencial
associada às ondas de Rossby para n = 1. (Adaptado de Raupp, 2002.)
Fig. 2.6: Estrutura espacial dos campos do vento e do geopotencial
associada às ondas de gravidade-inerciais para n = 1. (Adaptado de
Raupp, 2002.)
Fig. 2.7: Estrutura espacial dos campos do vento e do geopotencial
associada às ondas mistas de Rossby-gravidade (n = 0). (Adaptado de
Raupp, 2002.)
Fig. 2.8: Estrutura espacial dos campos do vento e do geopotencial
associada à onda de Kelvin (n = -1). (Adaptado de Raupp, 2002.)
Solução Geral das Equações da Água Rasa Através do Método
                           Espectral
Modelo de equações primitivas forçado por um perfil de aquecimento
diabático dado por J(x,y,p,t).

    ∂u       ∂ φ
       −β v +
         y         κ
                 =− u                                  (3.1a)
    ∂t        ∂x

    ∂v        ∂φ
       +β u +
         y         κ
                 =− v                                  (3.1b)
    ∂t        ∂y
    ∂ ∂  1 ∂φ   ∂u ∂v     1 ∂  J      ∂  ∂φ 
                − +  = −
           σ ∂p   ∂x ∂y           +κ
                                     σp              (3.1c)
    ∂t ∂p                c p ∂p      ∂p  ∂p 
                                               



κ ⇒ coeficiente de dissipação de momento e de resfriamento
Newtoniano.
Dado que a equação da estrutura vertical (1.16), com C.F. (1.17a,b)
constitui um problema de Sturm-Liouville:
                      J                                                   J
u ( x, y, p, t ) = ∑ u j ( x, y, t )G j ( p)       v( x, y , p, t ) = ∑v j ( x, y, t )G j ( p )
                      j =1                                                j =1
                                                                                             (3.2)
                                                   ∂  J     J

                                                      pσ  = ∑q j ( x, y, t )G j ( p )
                          J
φ( x, y, p, t ) = ∑φ j ( x, y, t )G j ( p )              
                          j =1
                                                  ∂p      j =1


Onde os coeficientes de expansão são dados por:

                 p0                                                  p0

u j ( x, y, t ) = ∫ u ( x, y, p, t )G ( p )dp   v j ( x, y , t ) =   ∫ v( x, y, p, t )G ( p)dp
                  0                                                  0

                                                                                             (3.3)
                  p0                                                 p0
                                                                     ∂ J 
φ j ( x, y, t ) = ∫ φ ( x, y, p, t )G ( p )dp   q j ( x, y , t ) = ∫    
                                                                         pσ  ( p ) dp
                                                                             G
                  0                                                0
                                                                     ∂ 
                                                                      p      
Substituindo (3.2) em (3.1), multiplicando as equações resultantes por
Gm(p), usando a equação da estrutura vertical (1.16) para cada um dos
modos verticais, integrando as equações resultantes no intervalo [0,p0] e
usando a ortogonalidade das autofunções Gj(p) obtém-se:

    ∂u j               ∂φ j
           − βyv j +          = −κu j                   (3.4a)
     ∂t                ∂x

   ∂ j
    v                    φ
                        ∂ j
           +β j +
             yu                  κ
                               =− v j                   (3.4b)
    ∂t                   ∂y

   ∂φ j    ∂u j ∂v j 
       +c  2
           ∂x
            j   +      = c 2 ( q j − κφ j )
                           j                            (3.4c)
    ∂t           ∂y 
Escrevendo na forma adimensional, usando as mesmas escalas usadas
anteriormente:

              ∂ξ
                 +Ω = F −κ
                   ξ      ξ                (3.5)
              ∂t
Onde ξ = [u(x,y,t), v(x,y,t), φ(x,y,t)]T

                                 ∂
                0         −y        
                                 ∂x 
                                  ∂
             Ω=  y         0                (3.6)
                                 ∂y 
                ∂         ∂         
                                 0 
                ∂x
                          ∂y        
                                     

F = [0, 0, Fφ]T com Fφ = q (c5β)-1/2         (3.7)
Dado que as autofunções ξk,n,r(y) formam um conjunto ortogonal e
completo em (-∞<y<∞)e que as funções trigonométricas complexas eikx
formam um conjunto ortogonal e completo no intervalo [-Lx,Lx]:

                                   +∞          ∞        3
G ( x, y , t ) =                   ∑∑∑g k , n , r (t )ξk , n , r ( y )e ikx
                              k =− n =− r =
                                  ∞    1   1
                                                      /                                                                                     (3.8)


          gk,n,r(t) = < Gk(y,t) • ξk,n,r(y)>                                                            (3.9) , onde

                                   +∞
G k ( y, t ) • ξ k ,n ,r ( y ) =   ∫ (g
                                   −∞
                                          1k                                                                                                                )
                                             ( y, t )u k*,n,r ( y ) + g 2 k ( y, t ) v k ,n,r ( y ) + g1k ( y, t )u k*,n,r ( y ) + g 3k ( y, t )φ k*,n,r ( y ) dy

                                                                                                                                                   (3.10)
                                        Lx
                  1
    Gk ( y, t ) =
                  Lx                     ∫ G ( x, y, t )e −ikx dx
                                        −L x
                                                                                            (3.11)
Dessa forma, as variáveis de estado e a forçante podem ser expressas por
suas respectivas expansões em série:

                                       +∞ ∞ 3
               ξ(x,y,t) =               ∑  ∑ ∑ ck,n,r(t) ξk,n,r(y)eikx
                                     k =−∞n=−1r =1
                                                                                     (3.12)
                                      +∞ ∞ 3
                  F(x,y,t) =           ∑ ∑ ∑ fk,n,r(t) ξk,n,r(y)eikx
                                    k =−∞ n=−1r =1

 Substituindo a equação (3.12) em (3.5), multiplicando escalarmente por
ξ*s,m,l(y)e-isx , integrando a expressão obtida no domínio todo e usando a
relação (2.8) e a ortogonalidade das autofunções ξk,n,r(y)eikx no domínio
[-Lx,Lx] X (-∞<y<∞):
     dck ,n ,r (t )
                      − iωk ,n ,r ck ,n ,r (t ) = f k ,n ,r (t ) − κck ,n ,r (t )   (3.13)
          dt

     para cada k, n, r.
A solução geral é dada por:

                                                                            t
                                                                    + ∫ f k ,n ,r ( s)e
                                           ( i ω k , n , r −κ ) t                                   − ( iω k , n , r −κ )( s − t )
  c k ,n ,r (t ) = c k ,n ,r (0)e                                                                                                    ds      (3.14)
                                                                            0




                    Previsão de tempo                                                 Previsão climática


No caso de uma forçante estacionária, a solução é dada por:


     ck ,n ,r (t ) = ck ,n ,r (0)e
                                     ( iωk ,n ,r −κ ) t
                                                          +
                                                                    f k ,n,r
                                                              [iω k ,n ,r   −κ]
                                                                                [e   ( iω k ,n , r − κ ) t
                                                                                                             −1]                          (3.15)
Para κ = 0, ocorre ressonância com os modos geostróficos zonalmente
simétricos (k = 0 e ω = 0):

                                             −iω k,n,1t
                            f k,n,1 (1 − e                )
  c0,n ,1 (t ) = lim                                          = tf 0,n ,1           (3.16a)
              ωk ,n ,1 →0           iω k,n,1
                                                 − iω k,-1,3 t
                               f k,-1,3 (1 − e                   )
  c0, −1,3 (t ) = lim                                                = tf 0, −1,3   (3.16b)
              ω k , −1, 3 →0          iωk,-1,3


                Um dos mecanismos que mantém a circulação média
                zonal da atmosfera
No caso de uma forçante explosiva, i.e., cresce inicialmente, atinge um
máximo e passa a decrescer com o tempo

                                       ˆ α 3 t 2 e −αt
                    f k , n , r (t ) = f k , n , r                                            (3.17)




A solução é dada, na ausência de dissipação (κ=0), por:

                      α3              ˆ e iω k , n , r 1 − 1 + (α + iω ) t + 1 (α + iω ) 2 t 2  e − ( α + iω k , n , r ) t 
c k ,n ,r (t ) =                      f k ,n,r                                                                              
                 ( α + iω k , n , r )                   
                                                                        k ,n,r
                                                                               2
                                                                                        k ,n ,r  
                                                                                                                             

                                                                                                             (3.18)
Referências
MAJDA, A. J. Introduction to PDEs and Waves for the Atmosphere and Ocean.
Volume 9. American Mathematical Society, 2003. ISBN: 0-8218-2954-8.

HOLTON, J. An introduction to dynamic meteorology. 4th Edition. Elsevier Academic
Press, 2004.

A. E. GILL. Atmosphere-Ocean Dynamics. Volume 30. International Geophysics Series.
Editora: Academic Press (1982). ISBN: 0-12-283520-4

J. PEDLOSKY. Geophysical Fluid Dynamics – Second Edition. Editora: Springer. ISBN:
0-387-96387-1. ISBN: 3-540-96387-1.

 LEMES, M. A. M.; A. D. MOURA. Fundamentos de dinâmica aplicados à
Meteorologia e Oceanografia. 2ª Edição. Holos Editora Ltda-ME, 2002. ISBN: 85-86699-
33-0.

HALTINER, G. J.; R. T. WILLIAMS. Numerical prediction and dynamic meteorology.
Second Edition, 1980. Editora: Wiley. ISBN: 0471059714, 477 pp.
SILVA DIAS, P.L.; W. H. SCHUBERT. The dynamics of equatorial mass-flow
adjustment. Atmospheric Science Paper No. 312 (Department of Atmospheric Science
Colorado State University), Fort Collins, Colorado, USA, 1979.

 RAUPP, C. F. M. (2002). Efeitos de processos não lineares na influência inter-
hemisférica de fontes de calor. São Paulo, 2002. p. [Dissertação de Mestrado. Instituto de
Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas/Universidade de São Paulo].

 MATSUNO, T. Quasi-geostrophic motions in the equatorial area. J. Meteor. Soc.
Japan, 44, 25-43, 1966.

 John M. Wallace & Peter V. Hobbs. Atmospheric Science. First Edition: An
Introductory Survey, Editora: Academic Press, 1a edição (1977)

Xxivjft raupp

  • 1.
    XXIV Jornada deFísica Teórica MINI-CURSO: Tópicos Especiais de Dinâmica da Atmosfera Professor: Carlos Frederico Mendonça Raupp (IFT-UNESP) E-mail: raupp@ift.unesp.br
  • 2.
    Introdução  Atmosfera: constituium invólucro fluido em torno do planeta que está em incessante movimento devido, em última instância, ao aquecimento diferenciado pelo sol sobre a Terra;  Escoamento atmosférico: caracterizado por movimentos que estendem-se desde escalas milimétricas até às escalas comparáveis com o próprio tamanho do planeta ⇒ movimentos de escala planetária;  Fluidos geofísicos: escoamento é significativamente afetado pela rotação do planeta;  Movimentos na atmosfera: devem ser descritos por um conjunto acoplado de equações que representam as leis da hidrodinâmica e da termodinâmica; ⇒ Hipótese do Contínuo
  • 3.
    Perfil vertical idealizadode temperatura de acordo com a atmosfera padrão. Fonte: Wallace e Hobbs (1977).
  • 4.
    MODELO DE ÁGUA-RASACOM ROTAÇÃO  Para os movimentos de grande-escala na atmosfera tem-se que L >> H, sendo L a escala típica de comprimento horizontal dos movimentos e H a escala de altura típica da troposfera;  Para esses movimentos, em primeira aproximação, a equação da  continuidade pode ser escrita como div( v ) = 0 , enquanto a equação do movimento vertical pode ser aproximada pelo balanço hidrostático;  Dessa forma, vários “ingredientes dinâmicos” desses movimentos podem ser descritos por um modelo de uma camada de fluido homogêneo e hidrostático ⇒ modelo de água-rasa;
  • 5.
    Equações de Navier-Stokespara uma camada de fluido homogêneo (densidade constante), hidrostático e sobre a Terra em rotação: ∂u ∂u ∂u ∂u 1 ∂p (1a) +u +v +w − fv = − ∂t ∂x ∂y ∂z ρ ∂x ∂v ∂v ∂v ∂v 1 ∂p (1b) +u +v +w + fu = − ∂t ∂x ∂y ∂z ρ ∂y ∂p = ρ −g (1c) ∂z ∂u ∂v ∂w (1d) + + =0 ∂x ∂y ∂z Onde V = (u, v, w)T ⇒ vetor velocidade p ⇒ pressão hidrostática; ρ ⇒ densidade (constante) g ⇒ aceleração efetiva da gravidade e f ⇒ parâmetro de Coriolis
  • 6.
    Fig. 1: Representaçãoesquemática do modelo de água rasa aplicado à atmosfera. (Fonte: Matsuno, 1966)
  • 7.
    Se ρ =const (fluido homogêneo, tomando a derivada em x ou em y da equação hidrostática, tem-se que: ∂∂ p ∂ ∂p =0 =0 (1.2) ∂ ∂ z x ∂ ∂ z y Logo, u e v também não dependem de z. H +h H +h ∂w  ∂u ∂v   ∂u ∂v  ∫ 0 ∂z dz = − ∫ 0   + dz ⇒ w( x, y, z = H + h, t ) − w( x, y,0, t ) = −  ∂x ∂y    ∂x + ∂y ( H + h)    (1.3) Condições de fronteira: (i) w(x,y,0,t) = 0 (sem topografia) dh ∂ h ∂ h ∂h (ii) w( z = h +H ) = dt = ∂ +u ∂ +v ∂ t x y ∂h ∂h ∂h  ∂u ∂v   ∂u ∂v  +u +v +H  ∂x + ∂y  + h ∂x + ∂y  = 0    (1.4) ∂t ∂x ∂y    
  • 8.
    Integrando a equaçãohidrostática em uma coluna de altura ∆h, tem-se: ∂p ∆p ∆ h lim ∆x → 0 ∂p ∂h = ρ −g ∆p = ρg∆h → ÷ ∆x = ρg   → = ρg ∂z ∆x ∆x ∂x ∂x ∆p ∆h lim ∆y →0 ∂p ∂h ∆p = ρg∆h → ÷ ∆y = ρg  → = ρg ∆y ∆y ∂y ∂y (1.5a,b) Substituindo nas equações (1.a,b), obtém-se: ∂u ∂ u ∂ u ∂φ +u +v − fv + =0 (1.6a) ∂t ∂x ∂y ∂x ∂v ∂v ∂v ∂φ (1.6b) +u +v + fu + =0 ∂t ∂x ∂y ∂y ∂φ ∂φ ∂φ 2  ∂u ∂v   ∂u ∂v  + u + v + c  +  + φ +  = 0  ∂x ∂y   ∂x ∂y  (1.6c) ∂t ∂x ∂y     φ = gh ⇒ perturbação do geopotencial c= gH Velocidade das ondas de gravidade puras
  • 9.
    Simular o efeitoda convecção térmica ⇒ inclusão de uma fonte de massa Fφ na equação da continuidade (1.6c) ⇒ pode também representar o efeito do aquecimento associado à liberação de calor latente na atmosfera: ∂u ∂φ  ∂u ∂u  ∂t − fv + ∂x  ∂x + v ∂y  −κu = −u  (1.7a)   ∂v ∂φ  ∂v ∂v  ∂t + fu + ∂y  ∂x + v ∂y  −κv = −u  (1.7b)   ∂φ 2  ∂u ∂v   ∂φ ∂φ   ∂u ∂v  +c  + =  ∂x ∂y  −  u + v  − φ  +  + Fφ − κφ  ∂x (1.7c) ∂t    ∂y   ∂x ∂y     onde κ é o coeficiente de dissipação do tipo “Rayleigh” e de resfriamento Newtoniano
  • 10.
    Linearizando em relaçãoa um estado básico em repouso: ∂u ∂ φ − fv + κ =− u (1.8a) ∂t ∂x ∂v ∂φ + fu + κ =− v (1.8b) ∂t ∂y ∂φ ∂u ∂  v +c 2  ∂ +  =Fφ − φ  κ (1.8c) ∂t  x ∂  y onde κ é o coeficiente de dissipação do tipo “Rayleigh” e de resfriamento Newtoniano
  • 11.
    DERIVAÇÃO DO MODELODE ÁGUA RASA VIA SOLUÇÃO DO MODELO DE EQUAÇÕES PRIMITIVAS POR SEPARAÇÃO DE VARIÁVEIS Modelo de equações primitivas linearizado em relação a um estado básico em repouso usando a pressão como coordenada vertical: ∂u −fv + ∂φ= ∂t ∂x 0 (1.9a) ∂v ∂ φ + fu + =0 (1.9b) ∂t ∂y ∂u ∂v ∂ω (1.9c) + + =0 ∂x ∂y ∂p ∂  ∂φ  R J  ∂p  + σω = − P C  (1.9d) ∂t    p
  • 12.
    Onde: φ ⇒geopotencial ω ⇒ velocidade vertical em coordenada-p J ⇒ termo de aquecimento/resfriamento diabático R ⇒ constante dos gases para o ar seco Cp ⇒ calor específico a pressão constante R  RT dT  σ=  −  ⇒ Parâmetro de estabilidade estática do estado p  pC p dp    básico T = T (p) ⇒ temperatura do estado básico
  • 13.
    Fazendo 1/ σ∂ / ∂p (1.9d), obtém-se: ∂ ∂  1 ∂φ   ∂u ∂v  R ∂ J    σ ∂p  −  ∂x + ∂y  = − C ∂p  p       (1.10) ∂t ∂p     p   Supor inicialmente o caso adiabático, i.e., J ≡ 0 (analisar os modos normais do sistema): ∂u ∂ φ − fv + =0 (1.11a) ∂t ∂x ∂v ∂ φ (1.11b) + fu + =0 ∂t ∂y φ ∂ ∂  1 ∂  ∂ u ∂  v (1.11c)   − σ ∂   ∂ +  =0 ∂ ∂  t p p  x ∂  y
  • 14.
    Fazendo a seguinteseparação de variáveis:  u   u ( x, y , t )  ˆ      v  =  v(x, y, t) G ( p ) ˆ (1.12) φ  φ( x, y , t )  ˆ     ∂  ˆ u ∂ˆ  φ (1.13a)  ∂ − fv + ∂  =0 ˆ G  t x ∂  ˆ v φ ∂ˆ  (1.13b) ∂ + fu + ˆ  =0 G  t ∂  y ∂ ˆ d  1 dG   ∂ˆ φ u ∂ˆ  v  σ dp  − ∂ + ∂ G = 0 (1.13c)   x ∂ dp  t   y
  • 15.
    De (1.13c), segueque: ∂φˆ ∂t G = = −c 2 (1.14)  ∂u ∂v  ˆ ˆ d  1 dG    ∂x + ∂y  dp  σ dp         c ⇒ constante de separação (tem dimensão de velocidade) Logo, a estrutura horizontal é governada por: ∂uˆ −fv + ˆ ∂ φ= ˆ 0 (1.15a) ∂ t ∂ x ∂ˆ v +fu + ˆ ∂φ= ˆ 0 (1.15b) ∂t ∂y ˆ ∂φ 2  ∂ˆ u ∂v  ˆ +c  ∂x + ∂y  = 0  (1.15c) ∂t  
  • 16.
    Equação da EstruturaVertical De (1.14) segue que a estrutura vertical é governada pela seguinte equação: d  1 dG  1   σ dp  + c 2 G = 0  (1.16) dp   Supondo como condições de fronteira para o sistema (1.9) ω = 0 em p = 0 (topo)e em p = p0 (superfície), tais condições são escritas como: dG / dp = 0 em p = 0 (1.17a) dG / dp = 0 em p = p0 (1.17b) A eq. (1.16) com as condições de fronteira (1.17a,b) constitui um problema de Sturm-Liouville.
  • 17.
    Supondo ainda queσ é constante com a pressão, tem-se que (1.16) torna- se: d 2G σ 2 + 2 G=0 dp c Equação Característica: σ λ2 + 2 = 0 (1.18) c σ λ =± i (1.19) c Solução Geral: σ σ ip − ip G ( p ) =Ae c +Be c (1.20)
  • 18.
    Aplicando a condiçãode fronteira (1.17a) em p = 0, tem-se que A = B. Aplicando a condição de fronteira (1.17b) em p = p0, tem-se: σ   i σ p0 −i σ p0   =0 i e c −e c c      σ  σ  sin p0  = 0 ou p 0 = mπ (1.21)   c  c m = 0, 1, 2, 3, ... Logo: cm = p0 σ (1.22) Autovalores mπ  σ  G m ( p ) = cos c p  (1.23)  Autofunções  m 
  • 19.
    Tabela .11: Autovalorescm da equação da estrutura vertical (1.16) com as condições de fronteira (1.17a,b) para p0 = 1000hPa e σ = 1,6 x 10-6 m4 s2 Kg-2. m cm (ms-1) 0 ∞ 1 40,02 2 20,2 3 13,5 4 10,1
  • 21.
    Soluções de OndasLineares das Equações da Água Rasa Vamos considerar caso do plano β-equatorial: f = βy (2.1) Onde β = 2Ω/a ⇒ Parâmetro de Rossby ∂u ∂ φ −β v + y =0 (2.2a) ∂t ∂x ∂v ∂φ +β + yu =0 (2.2b) ∂t ∂y ∂φ 2∂ u ∂v  +c   ∂x + ∂y  = 0  (2.2c) ∂t  
  • 22.
    É conveniente transformaras equações para a forma adimensional, utilizando as escalas: 1 1 [L ] = c [T ] = 1  2 2       (2.3) β  cβ   Fig. 2.1: Número de unidades de tempo adimensionais por dia (escala da esquerda) ou escala de tempo [T] em dias (escala da direita) como função de c = (gH)1/2. (Fonte: Silva Dias e Schubert, 1979)
  • 23.
    Fig. 2.2: Númerode unidades de comprimento adimensionais por 1000Km (escala da esquerda) ou escala de comprimento [L] em quilômetros (escala da direita) como função de c = (gH)1/2. (Fonte: Silva Dias e Schubert, 1979)
  • 24.
    Usando c comoescala para u e v e c2 = gH como escala de φ, tem-se: ∂ u −v + y ∂ =0 φ (2.4a) ∂ t ∂x ∂ v +yu + ∂φ=0 (2.4b) ∂t ∂y φ ∂ +v = ∂ + u ∂ 0 (2.4c) ∂t ∂x ∂ y u  u  Condições de fronteira:      v ( x , y , t ) =  v ( x + L x , y , t ) (2.5a) φ  φ        u   lim v  x, y , t ) =0 (2.5b) ( y →∞   φ  
  • 25.
    Buscando soluções naforma de ondas planas (Ansatz de ondas planas):    k  u u     ikx + k t iω  =v v  k  e (2.6) φ k       φ iω u k −yv k + φ =0 k ik k (2.7a) dφ iω k + k v yu k + k =0 (2.7b) dy dv k iω φ +iku k + k k =0 (2.7c) dy
  • 26.
    Na forma vetorial: (iωkI + Ωk)ξk = 0 (2.8) k ⇒ número de onda zonal ξk = [uk, vk, φk]T ⇒ autovetor ωk ⇒ freqüência temporal (autovalor)   0 −y ik    d  Ω =y 0 (2.9) k  dy   d  Operador linear (anti- ik 0  hermitiano)   dy  
  • 27.
    É possível reduziro sistema (2.7) a uma única equação diferencial ordinária em vk, dada por d 2vk ˆ  2 k 2  +ω - k +  k 2 - y v k = 0 ˆ dy 2  ωk  vk → 0 quando |y| → ∞ Solução: y2 − v k ( y) = e 2 H n ( y) Desde que seja satisfeita a relação de dispersão abaixo: k ω -k2 2 + = n+ 2 1 , n = 0, 1, 2, .... (2.10) k ωk
  • 28.
    Fig. 2.3: Diagramade dispersão de algumas ondas lineares permitidas pelo modelo (2.5). (Fonte: Silva Dias e Schubert, 1979).
  • 29.
    Fig. 2.4: Diagramada velocidade de grupo das ondas lineares permitidas pelo modelo (2.5). (Fonte: Silva Dias e Schubert, 1979).
  • 30.
    As autofunções sãodadas por:  i   − 2 (ω k,n,r − k)H n +1 (y) − in(ω k,n,r + k)H n −1 (y) y 2  ξ k,n,r (y) =  ( 2 ) ω k,n,r − k H n (y) 2  −2 e (2.11)  i   − 2 (ω k,n,r − k)H n +1 (y) + in(ω k,n,r + k)H n −1 (y)   Para n > 0 H 0 (y) y 2  0 e − 2 ξ k, − (y) =  (2.12) 1,3  H 0 (y)   Para n = -1 (Kelvin) Estas autofunções formam um conjunto ortogonal e completo no espaço das funções de quadrado integrável em (-∞, +∞ ).
  • 31.
    Fig. 2.5: Estruturaespacial dos campos do vento e do geopotencial associada às ondas de Rossby para n = 1. (Adaptado de Raupp, 2002.)
  • 32.
    Fig. 2.6: Estruturaespacial dos campos do vento e do geopotencial associada às ondas de gravidade-inerciais para n = 1. (Adaptado de Raupp, 2002.)
  • 33.
    Fig. 2.7: Estruturaespacial dos campos do vento e do geopotencial associada às ondas mistas de Rossby-gravidade (n = 0). (Adaptado de Raupp, 2002.)
  • 34.
    Fig. 2.8: Estruturaespacial dos campos do vento e do geopotencial associada à onda de Kelvin (n = -1). (Adaptado de Raupp, 2002.)
  • 35.
    Solução Geral dasEquações da Água Rasa Através do Método Espectral Modelo de equações primitivas forçado por um perfil de aquecimento diabático dado por J(x,y,p,t). ∂u ∂ φ −β v + y κ =− u (3.1a) ∂t ∂x ∂v ∂φ +β u + y κ =− v (3.1b) ∂t ∂y ∂ ∂  1 ∂φ   ∂u ∂v  1 ∂  J  ∂  ∂φ   − +  = −  σ ∂p   ∂x ∂y    +κ  σp    (3.1c) ∂t ∂p     c p ∂p   ∂p  ∂p    κ ⇒ coeficiente de dissipação de momento e de resfriamento Newtoniano.
  • 36.
    Dado que aequação da estrutura vertical (1.16), com C.F. (1.17a,b) constitui um problema de Sturm-Liouville: J J u ( x, y, p, t ) = ∑ u j ( x, y, t )G j ( p) v( x, y , p, t ) = ∑v j ( x, y, t )G j ( p ) j =1 j =1 (3.2) ∂  J  J  pσ  = ∑q j ( x, y, t )G j ( p ) J φ( x, y, p, t ) = ∑φ j ( x, y, t )G j ( p )   j =1 ∂p   j =1 Onde os coeficientes de expansão são dados por: p0 p0 u j ( x, y, t ) = ∫ u ( x, y, p, t )G ( p )dp v j ( x, y , t ) = ∫ v( x, y, p, t )G ( p)dp 0 0 (3.3) p0 p0 ∂ J  φ j ( x, y, t ) = ∫ φ ( x, y, p, t )G ( p )dp q j ( x, y , t ) = ∫   pσ  ( p ) dp G 0 0 ∂  p 
  • 37.
    Substituindo (3.2) em(3.1), multiplicando as equações resultantes por Gm(p), usando a equação da estrutura vertical (1.16) para cada um dos modos verticais, integrando as equações resultantes no intervalo [0,p0] e usando a ortogonalidade das autofunções Gj(p) obtém-se: ∂u j ∂φ j − βyv j + = −κu j (3.4a) ∂t ∂x ∂ j v φ ∂ j +β j + yu κ =− v j (3.4b) ∂t ∂y ∂φ j  ∂u j ∂v j  +c  2  ∂x j +  = c 2 ( q j − κφ j )  j (3.4c) ∂t  ∂y 
  • 38.
    Escrevendo na formaadimensional, usando as mesmas escalas usadas anteriormente: ∂ξ +Ω = F −κ ξ ξ (3.5) ∂t Onde ξ = [u(x,y,t), v(x,y,t), φ(x,y,t)]T  ∂ 0 −y   ∂x  ∂ Ω=  y 0 (3.6)  ∂y  ∂ ∂   0  ∂x  ∂y   F = [0, 0, Fφ]T com Fφ = q (c5β)-1/2 (3.7)
  • 39.
    Dado que asautofunções ξk,n,r(y) formam um conjunto ortogonal e completo em (-∞<y<∞)e que as funções trigonométricas complexas eikx formam um conjunto ortogonal e completo no intervalo [-Lx,Lx]: +∞ ∞ 3 G ( x, y , t ) = ∑∑∑g k , n , r (t )ξk , n , r ( y )e ikx k =− n =− r = ∞ 1 1 / (3.8) gk,n,r(t) = < Gk(y,t) • ξk,n,r(y)> (3.9) , onde +∞ G k ( y, t ) • ξ k ,n ,r ( y ) = ∫ (g −∞ 1k ) ( y, t )u k*,n,r ( y ) + g 2 k ( y, t ) v k ,n,r ( y ) + g1k ( y, t )u k*,n,r ( y ) + g 3k ( y, t )φ k*,n,r ( y ) dy (3.10) Lx 1 Gk ( y, t ) = Lx ∫ G ( x, y, t )e −ikx dx −L x (3.11)
  • 40.
    Dessa forma, asvariáveis de estado e a forçante podem ser expressas por suas respectivas expansões em série: +∞ ∞ 3 ξ(x,y,t) = ∑ ∑ ∑ ck,n,r(t) ξk,n,r(y)eikx k =−∞n=−1r =1 (3.12) +∞ ∞ 3 F(x,y,t) = ∑ ∑ ∑ fk,n,r(t) ξk,n,r(y)eikx k =−∞ n=−1r =1 Substituindo a equação (3.12) em (3.5), multiplicando escalarmente por ξ*s,m,l(y)e-isx , integrando a expressão obtida no domínio todo e usando a relação (2.8) e a ortogonalidade das autofunções ξk,n,r(y)eikx no domínio [-Lx,Lx] X (-∞<y<∞): dck ,n ,r (t ) − iωk ,n ,r ck ,n ,r (t ) = f k ,n ,r (t ) − κck ,n ,r (t ) (3.13) dt para cada k, n, r.
  • 41.
    A solução geralé dada por: t + ∫ f k ,n ,r ( s)e ( i ω k , n , r −κ ) t − ( iω k , n , r −κ )( s − t ) c k ,n ,r (t ) = c k ,n ,r (0)e ds (3.14) 0 Previsão de tempo Previsão climática No caso de uma forçante estacionária, a solução é dada por: ck ,n ,r (t ) = ck ,n ,r (0)e ( iωk ,n ,r −κ ) t + f k ,n,r [iω k ,n ,r −κ] [e ( iω k ,n , r − κ ) t −1] (3.15)
  • 42.
    Para κ =0, ocorre ressonância com os modos geostróficos zonalmente simétricos (k = 0 e ω = 0): −iω k,n,1t f k,n,1 (1 − e ) c0,n ,1 (t ) = lim = tf 0,n ,1 (3.16a) ωk ,n ,1 →0 iω k,n,1 − iω k,-1,3 t f k,-1,3 (1 − e ) c0, −1,3 (t ) = lim = tf 0, −1,3 (3.16b) ω k , −1, 3 →0 iωk,-1,3 Um dos mecanismos que mantém a circulação média zonal da atmosfera
  • 43.
    No caso deuma forçante explosiva, i.e., cresce inicialmente, atinge um máximo e passa a decrescer com o tempo ˆ α 3 t 2 e −αt f k , n , r (t ) = f k , n , r (3.17) A solução é dada, na ausência de dissipação (κ=0), por: α3 ˆ e iω k , n , r 1 − 1 + (α + iω ) t + 1 (α + iω ) 2 t 2  e − ( α + iω k , n , r ) t  c k ,n ,r (t ) = f k ,n,r    ( α + iω k , n , r )   k ,n,r 2 k ,n ,r    (3.18)
  • 51.
    Referências MAJDA, A. J.Introduction to PDEs and Waves for the Atmosphere and Ocean. Volume 9. American Mathematical Society, 2003. ISBN: 0-8218-2954-8. HOLTON, J. An introduction to dynamic meteorology. 4th Edition. Elsevier Academic Press, 2004. A. E. GILL. Atmosphere-Ocean Dynamics. Volume 30. International Geophysics Series. Editora: Academic Press (1982). ISBN: 0-12-283520-4 J. PEDLOSKY. Geophysical Fluid Dynamics – Second Edition. Editora: Springer. ISBN: 0-387-96387-1. ISBN: 3-540-96387-1.  LEMES, M. A. M.; A. D. MOURA. Fundamentos de dinâmica aplicados à Meteorologia e Oceanografia. 2ª Edição. Holos Editora Ltda-ME, 2002. ISBN: 85-86699- 33-0. HALTINER, G. J.; R. T. WILLIAMS. Numerical prediction and dynamic meteorology. Second Edition, 1980. Editora: Wiley. ISBN: 0471059714, 477 pp.
  • 52.
    SILVA DIAS, P.L.;W. H. SCHUBERT. The dynamics of equatorial mass-flow adjustment. Atmospheric Science Paper No. 312 (Department of Atmospheric Science Colorado State University), Fort Collins, Colorado, USA, 1979.  RAUPP, C. F. M. (2002). Efeitos de processos não lineares na influência inter- hemisférica de fontes de calor. São Paulo, 2002. p. [Dissertação de Mestrado. Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas/Universidade de São Paulo].  MATSUNO, T. Quasi-geostrophic motions in the equatorial area. J. Meteor. Soc. Japan, 44, 25-43, 1966.  John M. Wallace & Peter V. Hobbs. Atmospheric Science. First Edition: An Introductory Survey, Editora: Academic Press, 1a edição (1977)