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Primeira página do diário de Anne

                                                 15 de julho de 1944
“Vejo o mundo a ser lentamente transformado num
deserto (..), sinto o sofrimento de milhões de pessoas.
E contudo, quando ergo os olhos para o céu, tenho a
sensação de que tudo vai mudar para melhor, de que
esta crueldade acabará também, de que a paz e a
tranquilidade regressarão novamente.”
                                             Anne Frank
“A nossa primavera"

A primavera está nas árvores, nos campos, nas florestas,
Mas aqui, no gueto, é outono e tudo é frio,
Mas aqui, no gueto, tudo está triste e gélido,
Como uma casa enlutada – em sofrimento


Primavera! Lá fora, os campos foram semeados,
Aqui, à nossa volta, só o desespero foi plantado,
Aqui, à nossa volta, crescem paredes defensivas,
Vigiados como numa prisão, durante a longa noite.


A Primavera, já chegou! Em breve maio chega,
Mas aqui, o ar cheira a pólvora e a chumbo.
O carrasco arou com a sua espada sangrenta
Um cemitério gigante – a terra.

                                                           Soldados alemães interrogam judeus capturados
                           Mordecai Gebirtig, 1942             durante a revolta do gueto de Varsóvia.
                                                                       Polónia, maio de 1943.
O que foi o Holocausto?
“Porque aconteceu?           Como foi possível?




Quem foi responsável?   Quais as consequências?”
Iremos agora conhecer a
                                               história de uma
                                               família, os seus
                                              rostos, sonhos e
                                          esperanças, que viu a sua
                                           vida interrompida pelo
                                           maior dos sofrimentos.



Fotografia da família
Frank,Merwedeplein, Amesterdão, maio de
Uma visita virtual ao Museu
          Anne Frank, Amesterdão
   Convidamos-te a fazer uma visita virtual ao Museu Anne Frank, a casa onde esta
 adolescente alemã se escondeu das forças Nazis, com a família e amigos, durante 25
 meses, entre 1942 e 1944. Foi neste Anexo Secreto que a jovem judia escreveu o seu
  diário, a que deu o nome de Kitty, contando a sua vida enquanto refugiada. Após a
publicação do diário (1947), um dos livros mais traduzidos no mundo, o Anexo secreto
                              tornou-se num famoso museu.
  Anne Frank morreu aos 15 anos no campo de concentração de Bergen-Belsen, com
              febre tifóide, e tornou-se num dos símbolos do holocausto.
A história de
                                                                 Anne Frank


 A vida de Anne Frank
    A vida na Alemanha
    A emigração para a Holanda
    O esconderijo
    A Detenção
Anne Frank a escrever na mesa do seu quarto, no apartamento de
Merwedeplein, Amesterdão.
A história de Anne Frank




A vida de Anne Frank
  A vida na Alemanha
Os judeus corriam perigo crescente
Vida na Alemanha            na Alemanha. Em março de
1925                        1933, quando Anne tinha quatro
                            anos, os seus pais decidiram
                            emigrar para a Holanda.

                   Otto Frank e Edith Holländer casaram-
                   se em Aachen, a 12 de maio de
                   1925. Depois da lua de mel na
                   Itália, foram viver para Frankfurt am
                   Main.
                   A 16 de fevereiro de 1926, nasceu a
                   primeira filha: Margot Betti. Um mês
                   depois,         mudaram-se           para
                   Marbachweg, uma casa grande num
                   bairro tranquilo na periferia da
                   cidade, onde havia muitas famílias com
                   diferentes       crenças       religiosas:
                   judaica, católica e protestante. Annelies
Judeus             Marie Frank nasceu a 12 de junho de
                   1929        em        Frankfurt        am
Os primeiros anos de casamento foram
               muito felizes, mas a crise económica levou
               Hitler ao poder em 1933. Otto e Edith Frank
               ficaram profundamente preocupados e
               procuravam sair do país.


               Judeus e alemães
               A família Frank era judia e alemã. Os Frank
               e os Holländer viviam na Alemanha há
               séculos. A família de Otto Frank vivia em
               Frankfurt am Main durante gerações. A
               família de Edith era oriunda de
               Aachen, perto da fronteira holandesa.



Anos felizes
A crise estimula
                 sentimentos
                 radicais




A ascensão dos
Nazis
Na década de 1920, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores
Alemães (NSDAP), de Adolf Hitler, era constituído um pequeno grupo
de dissidentes políticos. Mas a escalada da crise atraía cada vez mais
pessoas para os partidos radicais.


Hitler e o seu partido eram antissemitas, o que significa que
odiavam os judeus. Segundo eles, caso se livrassem dos
judeus, resolveriam todos os problemas da Alemanha. O NSDAP de
Hitler foi crescendo e tornou-se o maior partido político do país em
1932.
Crise e
antissemitismo
A economia alemã estava em crise. Os judeus eram culpados por isso. A
   situação ficava cada vez pior, por isso, Otto e Edith Frank estavam
   profundamente preocupados.


Principais preocupações
Para além do clima económico, também existiam problemas políticos no país. Os apoiantes do
partido de Hitler estavam a aumentar. Em julho de 1932, o NSDAP tornou-se o maior
partido, com 37% dos votos. Os membros das SA (tropas de assalto) marchavam pelas ruas
cantando músicas antissemitas. O judeus na Alemanha eram acusados ​de todos os problemas do
país.




        Procissão de velas com membros da SA, Berlim, 30 de janeiro de 1933.
“Lembro-me que já em 1932, grupos de tropas de choque
    marchavam, cantando: "Quando sangue judeu respingar da faca.”
                                                        Otto Frank




                     Adolf Hitler (à esquerda) tornou-se chanceler em 30 de janeiro de 1933. A
                     Alemanha democrática transformou-se numa ditadura


Sem palavras e atordoado
Quando Hitler se tornou chefe do governo alemão, em 30 de janeiro de 1933, Otto e Edith
Frank estavam em casa de amigos. Otto descreveu esse momento: “Estávamos sentados à
mesa a ouvir rádio. Então veio a notícia de que Hitler se tinha tornado chanceler. Seguiu-se
um relato da procissão em Berlim em que podíamos ouvir gritos e aplausos. Hitler terminou o
seu discurso com as palavras: "Deem-me quatro anos." O nosso anfitrião, em seguida, disse
com entusiasmo: "Vamos ver o que o homem pode fazer!" Eu fiquei sem palavras e a minha
esposa atordoada. "
Otto e Edith Frank procuravam
              uma forma de sair da
              Alemanha. No início de março
              1933, tomaram uma decisão: por
              intermédio do cunhado Erich
              Elias, Otto teve oportunidade de
              criar uma empresa na Holanda.




Planos para
emigrarem
Otto Frank escreveu numa carta depois da
   guerra: "Como muitos dos meus compatriotas
   alemães se foram transformando em hordas de
   nacionalistas, cruéis, antissemitas
   criminosos, eu tive que enfrentar as
   consequências, e isso magoou-me
   profundamente. Percebi que a Alemanha não
   era o mundo e deixei o meu país para sempre. "
     Fonte: Cara Weiss Wilson, "Dear Cara: Cartas de Otto Frank, p. 45.




Foto de passaporte
10 de março de 1933
A história de Anne Frank




A vida de Anne Frank
  Emigração para a Holanda
Em maio de
                                                                   1934, Anne começou
                                                                   a frequentar o jardim
                                                                   de infância
                                                                   Montessori.


Novo Lar

 Otto Frank conseguiu montar um negócio em Amesterdão. Edith, Margot e Anne
 seguiram-no para a Holanda. Foram viver em Merwedeplein. Os Frank sentiram-se
 seguros e livres de novo. As crianças foram para a escola, Otto trabalhava arduamente no
 seu negócio e Edith cuidava da casa.
Ameaça de Guerra

Através de amigos e conhecidos, a família Frank tinha conhecimento da situação na
Alemanha nazi. A discriminação contra os judeus continuava a aumentar. Haviam-se
tornado cidadãos de segunda classe no seu próprio país. Professores e funcionários
públicos judeus foram demitidos dos seus empregos, os casamentos entre judeus e não-
judeus foram proibido, e os judeus já não podiam ter os seus próprios negócios.
Kristallnacht (Noite de Cristal)
                                                Durante a noite de 9 de novembro de
                                                1938, os nazis organizaram uma onda de
                                                violência contra a judeus. Mais de 100 judeus
                                                foram assassinados durante a "Kristallnacht".
                                                Centenas de sinagogas e lojas judaicas foram
                                                destruídas, milhares de homens judeus presos
                                                em campos de concentração e prisões. Os
                                                nazis também prenderam dois irmãos de
                                                Edith, Julius e Walter Holländer. Como Júlio
                                                combateu no exército alemão durante a I
                                                Guerra Mundial, foi libertado quase
                                                imediatamente. Walter foi libertado a 1 de
Kristallnacht (Noite de Cristal)                dezembro.
Durante a Kristallnacht a sinagoga de
Aachen, onde Otto e Edith Frank se casaram, é
Walter foi para a Holanda e acabou num
                campo de refugiados. Júlio ficou em
                Aachen, até conseguir um visto para os
                Estados Unidos. Partiu em abril de
                1939, seguido por Walter em Dezembro. A
                mãe de Edith também não quis ficar na
                Alemanha. Em março de 1939, foi
                autorizada a partir para a Holanda, mas
                obrigada a deixar todos os seus bens. Foi
                morar com a família Frank .




Oma Holländer
A Guerra Eclode

                                Em 1939, a ameaça de guerra
                                continuava a aumentar. A Alemanha
                                nazi havia criado um enorme exército
                                que, no dia 1 de setembro de
                                1939, atacou a Polónia, marcando o
                                início da Segunda Guerra Mundial. A
                                população holandesa e os refugiados da
                                Alemanha esperavam que o país se
                                mantivesse neutro, tal como acontecera
Exército alemão em Grebbeberg
                                durante a Primeira Guerra Mundial
A história de Anne Frank
                           A 10 de maio de 1940, a Alemanha invade a
                           Holanda. A família Frank está novamente em
                           perigo.




A vida de Anne Frank
  A invasão Alemã
A Holanda é ocupada
                                                                              Anne escreveu:
                                                                              "Depois de maio de 1940 os
                                                                              bons tempos foram poucos e
                                                                              distantes entre si: primeiro
                                                                              houve a guerra, depois a
                                                                              capitulação e a seguir a
                                                                              chegada dos alemães, altura
                                                                              em que começaram os
                                                                              problemas para os judeus.”

                                                            O que era temido por todos, aconteceu em 10
                                                            de maio de 1940: o exército alemão atacou a
                                                            Holanda. Após quatro dias de combate, os
                                                            aviões alemães bombardearam o centro de
                                                            Roterdão. Quando o alto comando alemão
                                                            ameaçou bombardear outras cidades, o
                                                            exército holandês rendeu-se. A ocupação dos
                                                            Países Baixos começou a 15 de maio de 1940.
O centro de Roterdão foi bombardeado e destruído em 1940.
A Alemanha invade a Holanda
1940
                                                As medidas
                                                antissemitas impostas
                                                pelas forças de
                                                ocupação eram cada
                                                vez mais restritivas para
                                                Anne. Para além de ser
                                                obrigada a mudar-se
                                                para uma escola
                                                judaica, a piscina, o
                                                cinema e o eléctrico
Ocupada                                         também foram
                                                proibidos aos judeus.
Com a Holanda já ocupada, a vida muda para
a família Frank. As restrições não têm apenas
efeitos individuais, mas também para as
empresas de Otto. Quando Margot foi
chamada para ser enviada para um campo de
trabalho alemão, Otto e Edith consideraram
que os perigos se haviam tornado demasiado
grandes e decidiram esconder-se.
Anne escreveu:
                                                              “Não se podia fazer isso e
Medidas                                                       não se podia fazer
                                                              aquilo, mas a vida
                                                              continuava. Jacque
antissemitas                                                  costumava dizer-me: ‘Já
                                                              não me atrevo a fazer seja
No início da ocupação, os judeus não foram impedidos de       o que for, pois tenho medo
terem o seu próprio negócio. Mas em outubro de 1940           de que seja proibido'."
tudo se alterou. Os funcionários públicos foram obrigados a
assinar uma declaração oficial expressando se eram ou não
judeus. Tal como já havia sido feito na Alemanha, os
funcionários e professores judeus foram demitidos. No
início de 1941, tiveram de se registar. Desta forma, o
ocupante, sabia exactamente onde viviam.
É proibido ter o próprio negócio.
A partir de outubro de 1940, os judeus deixaram de poder ter a sua própria empresa. De
forma inteligente, Otto Frank conseguiu manter a Opekta e a Pectacon fora das mãos dos
alemães. Este acordo também permitiu que permanecesse ativo no negócio, mas por trás
dos bastidores. Poucos meses depois, a empresa instalou-se em Prinsengracht.

Só é possível frequentar escolas judaicas
Após o verão de 1941, Margot e Anne foram obrigadas a frequentar a Escola judaica. Os
Alemães proíbiram os estudantes judeus de frequentarem as mesmas escolas do que as
crianças não-judias.Esta foi a primeira vez que as irmãs Frank frequentam a mesma
escola.
                                    A estrela judaica
                                    Para além disso, no início de maio de 1942, foram
                                    forçados a usar uma estrela amarela com a palavra
                                    "judeu".
                                    No dia 12 junho de 1942, Anne Frank fez 13 anos e
                                    recebeu um presente dos seus pais: um diário. De
                                    imediato começou a escrever nele.
Decretos antissemitas

 Anne, no seu diário, escreveu uma lista de coisas que deixaram de ser permitidas aos
judeus:
                                                          SÁBADO, 20 DE JUNHO DE 1942

"A nossa liberdade foi severamente restringida por uma série de decretos antissemitas: os
judeus tinham de usar uma estrela amarela; os judeus tinham de entregar as suas
bicicletas; os judeus estavam proibidos de usar os elétricos; os judeus estavam proibidos
de andar de carro, mesmo no seu próprio carro; os judeus tinham de fazer as suas
compras entre as 3 e as 5 da tarde; os judeus tinham apenas de frequentar barbearias e
cabeleireiras de propriedade judaica; os judeus estavam proibidos de andar na rua entre
as 8 da noite e as 6 da manhã; os judeus estavam proibidos de ir aos teatros, cinemas ou
qualquer outra forma de entretenimento; os judeus estavam proibidos de usar
piscinas, campos de ténis, campos de hóquei ou quaisquer outros campos desportivos;
(…) os judeus estavam proibidos de se sentarem nos seus jardins ou nos jardins dos seus
amigos depois das 8 da noite; os judeus estavam proibidos de visitar as casas de cristãos;
os judeus tinham de frequentar escolas judaicas, etc. “
Na placa pode ler-se “Proibido a Judeus”
Tudo parecia correr bem...

                  ...mas depois chegou uma carta


            Naquela tarde, Anne estava deitada
            ao sol a ler. A campainha tocou às 3
            da tarde. Era o carteiro com uma
            carta registada para Margot: uma
            convocatória oficial. Margot tinha de
            apresentar-se. Iria ser enviada para
            um campo de trabalho nazi na
            Alemanha. Esta convocatória não foi
            uma completa surpresa. Há semanas
            que se ouviam rumores sobre tal
            decreto. Se Margot não se
            apresentasse, toda a família seria
            presa.
Margot é
convocada
Anne escreveu:


“Eu fiquei atordoada. Uma
convocatória: toda a gente sabe o que
isso significa. Visões de campos de
concentração e células solitárias
passaram-me pela mente. "
Preparações para
ir para o esconderijo
Otto e Edith Frank estavam preparados. Tinham encontrado um
esconderijo secreto onde planeavam esconder-se a 16 de julho. Devido
à convocatória de Margot, a data prevista foi antecipada.
O esconderijo Secreto
O esconderijo secreto estava quase pronto. Não
apenas para a família Frank, mas também para
os Van Pels: Hermann, Auguste e o filho
Peter. Hermann van Pels era sócio de Otto na
empresa.
No dia seguinte, a família Frank foi para o
esconderijo, carregada de
sacos. Naturalmente, Anne levava o seu
diário. Muito mais tarde, escreveu: “A
despreocupação dos dias de escola desapareceu
para sempre."
A parte vazia das instalações
O esconderijo localizava-se nas traseiras do
edifício de escritórios de Otto Frank, no
número 263 de Prinengracht.
Enquanto que a empresa, localizada na parte
frontal do edifício, continuava com o
negócio, as pessoas ficariam escondidas no
Anexo Secreto, na parte de trás.
Noite agitada
A noite de 5 de julho é
extremamente agitada.
Os membros do pessoal de
Otto, que conheciam o              Anne escreveu:
plano, ajudaram a levar os bens    “...estávamos embrulhados em tantas
                                   camadas de roupa que parecia que íamos
pessoais da família para o         passar a noite num frigorífico, e tudo
esconderijo. Na manhã              apenas para conseguirmos levar mais
seguinte, bem cedo, Margot foi a   roupa connosco. Nenhum judeu na nossa
                                   situação se atreveria a sair de casa com
primeira a sair de casa. Foi de    uma mala de viagem cheia de roupa. Eu
bicicleta com Miep. Meia hora      trazia duas camisolas interiores, três
mais tarde, Otto, Edith e Anne     pares de calcinhas, um vestido, e por
                                   cima, uma saia, um casaco e uma
partiram. Caminharam para o        gabardina, dois pares de meias, sapatos
esconderijo em baixo de chuva.     pesados, um boné, um cachecol e muito
                                   mais.”
A história de Anne Frank




 A vida de Anne Frank
       O esconderijo




Anne Frank a escrever na mesa do seu quarto no apartamento de
Merwedeplein, Amesterdão.
O esconderijo
 1942
                                                               Prinsengracht situava-se
                                                               numa área onde se
                                                               localizavam muitas
                                                               pequenas empresas. À
                                                               esquerda existia uma
                                                               empresa de chá e à direita
                                                               uma de mobiliário. Esta
                                                               localização era favorável
                                                               para as pessoas
                                                               escondidas, porque
  A ida para o                                                 ninguém daria conta do
                                                               fumo que sairia da

  esconderijo                                                  chaminé aos fins de
                                                               semana.

O esconderijo em Prinsengracht era relativamente espaçoso. Havia espaço suficiente para
duas famílias. Isso era invulgar, uma vez que pais e filhos que iam para esconderijos eram
frequentemente separados. A maioria tratava-se de pequenos espaços em caves húmidas
ou sótãos empoeirados. As pessoas que se escondiam nas aldeias, por vezes conseguiam ir
para o exterior, mas apenas se não houvesse perigo de serem descobertas.
Anne escreve:
                                                                  "O anexo é um lugar ideal
                                                                  para nos escondermos.
                                                                  Pode ser húmido e
                                                                  torto, mas provavelmente
                                                                  não haverá esconderijo
                                                                  mais confortável em
                                                                  Amesterdão. Não, em toda
O esconderijo                                                     a Holanda."



"Agora o nosso Anexo Secreto tornou-se verdadeiramente secreto... o Sr. Kugler achou que
seria melhor construir uma estante em frente da entrada do nosso esconderijo. Gira sobre
dobradiças, e abre-se como uma porta. Sr. Voskuijl fez o trabalho de carpintaria. (Sr. Voskuijl
foi informado de estávamos sete pessoas aqui escondidas e tem sido muito prestável.)
Anne escreveu:
                     "Não poder sair irrita-
                     me mais do aquilo
                     que eu posso dizer, e
                     estou apavorada. Se
                     o esconderijo for
                     descoberto seremos
                     fuzilados."
Na clandestinidade
Para além da família Frank, havia mais quatro judeus no Anexo Secreto: Hermann e
Auguste van Pels, o filho Peter e Fritz Pfeffer. Quatro funcionários de Otto ajudavam-
nos. Viviam todos com o medo constante de serem descobertos. E certamente não seria
fácil para oito pessoas viverem tão perto.

A família Van Pels chegou ao Anexo Secreto       uma semana depois. Anne ficou feliz
porque agora existiam mais pessoas para conversar.

Em julho de 1942, não sabiam que iriam passar mais de dois anos no Anexo
Secreto. Durante esse tempo, não puderam sair e tiveram de compartilhar a escuridão e a
humidade do esconderijo, sempre com medo de serem descobertos...


Fritz Pfeffer, em novembro
de 1942, foi a oitava pessoa a
juntar-se no esconderijo. Era
dentista e um conhecido das
famílias Frank e Van Pels.
Margot começou a dormir no
quarto dos pais e Anne passava a
partilhar com ele o seu quarto.



                                     Quarto de Anne e Fritz Pfeffer
Muito cuidado
                                                        Não podiam sair do esconderijo. Era
                                                        muito perigoso. As cortinas do Anexo
                                                        Secreto também não podiam ser
                                                        aberta durante o dia, caso
                                                        contrário, podiam ser vistos pelos
                                                        vizinhos. A pequena janela no sótão
                                                        era a única hipótese para obter uma
                                                        lufada de ar fresco. À noite, outras
                                                        janelas eram ocasionalmente
                                                        abertas, mas apenas uma pequena
Sótão, onde Anne pode ver o castanheiro
                                                        fresta.
Desejos
A 23 de julho de 1943, Anne escreveu os desejos de todos: "Margot e o Sr. Van Pels
desejam, acima de tudo, tomar um banho quente, numa banheira cheia até à borda, onde
possam ficar mais de meia hora. a Sra. Van Pels gostaria de comer um bolo, Pfeffer não
pensa em mais nada, senão em ver a sua Charlotte, e a Mamã está a morrer por uma
chávena de café a sério. O Papá gostaria de visitar o Sr. Voskuijl, Peter quer ir ao centro da
cidade, e quanto a mim, ficaria tão excitada que nem saberia por onde começar. Acima de
tudo anseio por termos a nossa própria casa, por poder andar livremente de um lado para o
outro e por ter alguém que me ajude com os meus trabalhos de casa, por fim! Por outras
palavras, voltar à escola!"
As pessoas do
                                                                    esconderijo eram
                                                                    ajudadas
                                                                    por quatro
                                                                    colaboradores de
                                                                    Otto Frank: Miep
                                                                    Gies , Johannes
                                                                    Kleiman, Victor
                                                                    Kugler e Bep
                                                                    Voskuijl.

                                                                    Providenciavam
                                                                    alimentos, roupas, l
                                                                    ivros e todo tipo de
Os ajudantes                                                        outras
                                                                    necessidades. Para
                                                                    além
"Eles vêm cá cima todos os dias falar com os homens sobre os        disso, mantinham-
negócios e política, com as mulheres sobre os alimentos e as        nos atualizados
dificuldades em tempo de guerra e com as crianças sobre livros e    com as notícia do
jornais. Trazem sempre uma expressão alegre, trazem flores e        conflito, sobretudo
presentes nos aniversários e feriados e estão sempre prontos para   as que transmitiam
fazer o que puderem. " Anne Frank                                   esperança.
Anne escreveu:
                                                                       "Será que este ano de
                                                                       1944 nos trará a vitória?
                                                                       De
A Guerra continua                                                      momento, continuamos
                                                                       sem saber nada, mas a
                                                                       esperança mantém-nos
Rusga em Merwedeplein - Uma incursão, no verão de 1943, no bairro de
Merwedeplein, onde a família Frank viveu antes de se esconderem.       vivos, dá-nos coragem
                                                                       para suportar as múltiplas
"Hoje só tenho notícias tristes e deprimentes para relatar. Muitos     angústias, privações e
dos nossos amigos e conhecidos judeus estão a ser levados em           sofrimentos, trata-se de
massa ... transportados em vagões de gado para Westerbork, um          manter a calma e a
enorme campo de concentração em Drenthe, para onde estão a             perseverança, mais vale
ser enviando todos os judeus. Miep contou-nos a história de            enterrar as unhas na
alguém que tinha conseguido escapar de lá. Westerbork deve ser         carne do que gritar!"
terrível .”
Notícias através dos ajudantes

Muitas vezes, durante a pausa para o almoço, e depois dos empregados do armazém
terem ido para casa, os ajudantes subiam ao Anexo Secreto para almoçar com as
pessoas do esconderijo. A situação da cidade era frequentemente discutida. Havia
muitos razias. Os judeus que não se entregassem voluntariamente eram apanhados
e enviados para o campo de trânsito (campos de concentração onde mantinham os
prisioneiros antes de os deportarem para outro campo de concentração ou de
extermínio) em Westerbork. Quase todas as semanas, um comboio saia de lá rumo a
destinos desconhecidos no leste da Europa. As pessoas do esconderijo já estavam
tão ansiosas e deprimidas, por isso os ajudantes omitiam muitas das coisas que
aconteciam no mundo exterior.
Quando estavam escondidos há quase dois anos no Anexo Secreto, surgiu uma notícia
fantástica: um desembarque maciço dos Aliados nas praias da Normandia. Será que os
países ocupados serão libertados em breve? Anne esperava voltar para a escola em
setembro ou outubro ...




      Mapa da Normandia
      Depois do Dia D, Otto Frank começou a marcar o progresso das forças aliadas.
"Só com uma
                     determinada
                     distribuição do
                     tempo, definida desde
                     o início, no sentido de
                     cada um ter as suas
                     próprias
                     tarefas, poderíamos
                     ter esperança de
                     suportar aquela
                     situação.
                     Acima de tudo, as
                     crianças tinham de ter
                     bastante livros para ler
                     e aprender. Nenhum
                     de nós queria pensar
                     [sobre] quanto tempo
                     duraria esta prisão
                     voluntária. "
                                    Otto Frank

Atividades diárias
O tempo no “Anexo Secreto”
                                                           é passado a comer, a
                                                           dormir, a estudar e a ler. Em
                                                           16 de maio de
                                                           1944, Anne, no seu diário, fez
                                                           uma longa lista daquilo que
                                                           estão a estudar e a ler.




O estudo e a leitura
Otto en Edith Frank, como pensaram que iam permanecer no
                                                              Anne escreveu:
esconderijo por um longo período de tempo, levaram os
                                                              “Odeio
livros escolares das filhas.
                                                              álgebra, geometria e
                                                              aritmética. Gosto de
                                                              todas as outras
                                                              disciplinas, mas a história
                                                              é a minha preferida!"
Não foram apenas os
                   judeus que tiveram de ir para
                   um esconderijo. A vida de
                   outras pessoas também
                   estava em risco. Tal como os
                   judeus, precisavam
                   igualmente de encontrar
                   lugares para se esconder.
                   Algumas pessoas
                   esconderam-se em
                   cidades, outras no campo. O
                   Esconderijos podia ser grande
                   ou pequeno. Algumas tiveram
                   de ficar dentro de casa o dia
Outros também se   todo, enquanto outras
                   podiam andar livremente fora

esconderam         porque tinham documentos
                   falsos.
A decisão de se esconder
Segundo estimativas, na Holanda
esconderam-se cerca de 300 000
pessoas, seja por um período de tempo
curto ou longo. Para
a resistência, (pessoas que lutavam
contra os nazis de várias formas:
destruíam os registos da população;
criavam identificações e senhas de
comida falsas; ajudavam as pessoas que
se encontravam escondidas, realizavam
ataques, sabotavam vias de
comunicação, distribuíam jornais
clandestinos e informavam os aliados) a
questão de "se esconder ou não se
esconder?", na realidade, era uma falsa   Uma entrada secreta, através de uma casa de banho, para um esconderijo

questão. Se não queriam acabar na
prisão, tinham de se esconder. Muitas
famílias judias perguntavam-se porque
razão tinham de se esconder se não
haviam feito nada de errado? E os
campos talvez não fossem assim tão
maus...
crianças na clandestinidade
Alguns pais judeus enfrentaram uma decisão difícil durante a guerra. Por vezes, era mais
fácil esconder uma criança sozinha numa família. Para os pais, isso significava deixar o seu
filho para trás num esconderijo por conta própria.
Alguns ajudantes estavam dispostos a arriscar e ficar com uma criança. Para os adultos, era
mais difícil encontrar um bom esconderijo. As crianças judias ocultas dessa forma
tornavam-se simplesmente um membro da família. Os anfitriões poderiam alegar que a
criança tinha vindo de Roterdão, onde muitos registos se perderam durante os
bombardeamentos.


Denúncias
Dos 25 000 judeus que passaram a esconder-se, 8 000 foram descobertos. Muitas vezes
eram denunciados. Os detidos em esconderijos acabavam em campos de
concentração. Para os auxiliares, o resultado variava. Às vezes, só os que estavam
escondidos eram presos e os ajudantes escapavam. Outras vezes os ajudantes também
eram presos. Em teoria, havia penas pesadas para quem fosse apanhado a ajudar um
judeu, mas, na prática, isso nem sempre acontecia.
A história de Anne Frank




A vida de Anne Frank
   A detenção
A Prisão
1944




              Anne é presa juntamente com
              os restantes habitantes do
              Anexo. No campo de
              concentração de
              Auschwitz, Anne, Margot e a
              mãe ficam juntas. Mais
              tarde, Anne e Margot são
Denunciados   levadas para Bergen-Belsen.
              Morre em março de
              1945, com 15 anos.
No dia 4 de agosto de 1944, Os habitantes do Anexo Secreto foram presos. Alguém os
denunciara. Primeiro foram deportados para o campo de trânsito de Westerbork e
depois para Auschwitz. Otto Frank foi a única pessoa do Anexo Secreto a
sobreviver. Todos os restantes morreram. Hermann van Pels foi morto nas câmaras de
gás e Auguste lançada à frente de um comboio durante um transporte. Os outros
morreram de doença e exaustão. Nunca se chegou a saber quem tinha denunciado
os clandestinos à polícia.
Num dia quente
                  de agosto de
                  1944, concretizou
                  -se o principal
                  medo dos
                  habitantes do
                  Anexo: foram
                  descobertos e
                  presos.




O dia da prisão
4 de agosto de 1944, um dia lindo e
              soalheiro. O telefone tocou na sede da
              Polícia. Era uma denúncia anónima
              O oficial no comando, Julius
              Deetman, atendeu a chamada e ordenou ao
              oficial de serviço das SS, Karl
              Silberbauer, para se deslocar a
              Prinsengracht. Com ele foram quatro
              holandeses nazis.

              Silberbauer e alguns dos seus homens foram
              ao armazém, no piso térreo do edifício.
              Aproximaram-se de Van Maaren, empregado
              do armazém, que apontou em
              silêncio, indicando o andar de
              cima. Entraram no prédio e foram
              diretamente para o escritório. Victor Kugler
              foi obrigado a escoltá-los até ao Anexo
              Secreto. Os habitantes do esconderijo
Descobertos   haviam sido denunciados...
“Fiquem sentados!”
Os funcionários do escritório estavam a trabalhar no segundo andar, quando a porta se
abriu de repente. Miep, mais tarde, descreveu este momento: "A porta abriu-se e
entrou um homem pequeno. Apontou-me a arma e disse: "Fiquem sentados! Não se
mexam! " Victor Kugler, que estava no escritório ao lado, ouviu o barulho e foi ver o que
estava a acontecer. Victor Kugler: "Eu vi quatro polícias, um deles usava o uniforme da
Gestapo”. Um dos polícias apontou-lhe a pistola e obrigou-o a mostrar o
caminho. Seguiram todos na direção da estante móvel e entraram no Anexo Secreto, com
as pistolas em punho.”

Apanhados de surpresa
Foram apanhados completamente desprevenidos. Viveram os últimos dois anos com a
ansiedade de serem descobertos e esse momento chegou. Otto Frank descreveu-o: "Foi
por volta de 10 e 30. Eu estava lá em cima, no quarto dos van Pels, a ajudar o Peter
com os trabalhos escolares... De repente, ouvimos alguém subir as escadas... então a
porta abriu-se e um homem estava parado, de frente para nós, apontando-nos uma
arma... A minha esposa, as minhas filhas e os Van Pels suavam com as mãos
levantadas". Poucos minutos depois, Fritz Pfeffer também foi escoltado até a sala.
Os objetos de valor
 As pessoas escondidas tinham de
entregar todos os seus objetos de
valor. Silberbauer pegou na pasta que
continha as folhas e o diário de Anne e
despejou-a para poder levar os objetos
de valor que recolhia. As páginas do
diário de Anne caíram ao chão.
Otto Frank: "Então disse: Despachem-
se. Têm de estar aqui em cinco
minutos’". Miep Gies: "Mais tarde, ouvi –
os a descer as escadas, muito
lentamente."
Após a detenção, foram levados num
                                            Páginas do diário de Anne espalhadas pelo chão.
camião fechado com os dois ajudantes
do sexo masculino, Victor Kugler e
Johannes Kleiman, que também foram
presos.
As pessoas do esconderijo e os dois
                  ajudantes do sexo masculino foram
                  presos e levados para interrogatório
                  numa prisão dirigida por alemães. Os dois
                  ajudantes posteriormente foram
                  transferidos para outra prisão da
                  cidade. Miep Gies e Bep Voskuijl são
                  deixadas para trás na Prinsengracht e
                  salvaram o diário de Anne Frank.




Enviados para a
prisão
Interrogatório
As oito pessoas do esconderijo foram levadas para uma prisão em Euterpestraat e
colocadas num espaço grande, com outras pessoas que também haviam sido presas. Mais
tarde, foram interrogados individualmente. A polícia tentava descobrir se conheciam
endereços onde outras pessoas podiam estar escondidas. Johannes Kleiman e Victor
Kugler recusaram-se a responder. Otto respondeu a essa pergunta dizendo que perderam
o contato com todos os amigos e conhecidos, porque estavam isolados há vinte e cinco
meses.


Separação
Após os interrogatórios, foram separados uns dos outros. Johannes Kleiman e Victor
Kugler foram levados para a cadeia da cidade vizinha de Amstelveenseweg, e as oito
pessoas do esconderijo para um centro de detenção em Weteringschans, no centro de
Amesterdão.

Bep e Miep encontram o diário de Anne
Miep Gies explicou: "Mais tarde, Bep e eu subimos para o quarto dos Frank. E lá
encontramos o diário de Anne deitado no chão. Vamos buscá-lo, disse eu. Bep estava
aturdida. Eu disse: Apanha-o, apanha-o, e vamos sair daqui! Estávamos com tanto
medo! Descemos e lá estávamos nós. E agora Bep? Então ela disse: ‘tu és mais velha. Fica
com ele‘."
A Deportação para
os campos
"Claro que todos nós tivemos de trabalhar no campo, mas à noite
éramos livres e podíamos ficar juntos. Para as
crianças, especialmente, foi um certo alívio. Já não estavam presas
dentro de casa e podiam falar com outras pessoas. No
entanto, nós, adultos, temíamos ser deportados para os célebres
campos na Polónia. " Otto Frank
O campo de
Westerbork
                                                     A abrir baterias no campo de Westerbork.

A 8 de agosto de 1944, os oito prisioneiros foram levados de comboio para o campo de
Westerbork. Como não se entregaram voluntariamente, foram para os blocos de punição.
Havia barracas para homens e para mulheres.
Os prisioneiros tinham de trabalhar durante todo o dia a partir pilhas velhas. Ainda que
fosse um trabalho sujo e insalubre, podiam conversar entre si.
A deportação para
Auschwitz
Os comboios partiam com regularidade de Westerbork para campos de
concentração mais a leste. No sábado, dia 2 de setembro de 1944, os
nomes dos prisioneiros que partiriam no dia seguinte foram lidos em voz
alta. Os oito habitantes do Anexo Secreto estavam incluídos entre os
1019 nomes referidos
O comboio de mercadorias
Na manhã seguinte, um enorme comboio de mercadorias estava à espera. Cerca de
setenta presos eram empurrados para cada
vagão. Homens, mulheres, crianças, jovens, velhos, saudáveis, doentes. A maioria dos
presos teve de ficar. A família Frank conseguiu manter-se junta.
Lenie de Jong van Naarden também estava no comboio e recorda: "Muitas
pessoas, também as meninas Frank, dormiam encostadas à mãe ou o pai. Estávamos
todos morto de cansaço."




                Transporte de Westerbork – Auschwitz
Exaustos

A viagem de comboio durou três dias. No vagão, um balde servia de sanita. Dentro
de pouco tempo o cheiro tornou-se insuportável. Os prisioneiros mal conseguiam
respirar.
Janny Brilleslijper: "Se, por acaso, viajássemos junto a alguma fresta por onde
entrasse ar fresco, teríamos algum alívio com o cheiro, mas poderíamos apanhar
uma constipação.

Rosa de Winter-Levy disse que “depois de dois dias, estávamos todos exaustos, um
homem morreu, e havia uma senhora idosa e crianças a chorar porque não
aguentavam mais.
Na
                                                                plataforma, em Auschwitz
                                                                 -Birkenau, os homens e
                                                                mulheres eram
                                                                separados. O médicos
                                                                nazis determinavam quais
                                                                os prisioneiros que seriam
                                                                imediatamente mortos.

A Chegada a
Auschwitz
A separação
O comboio parou subitamente na terceira noite, por volta das 2 horas e as portas foram
abertas. Homens de roupas listadas gritavam em
alemão Aussteigen, schnell, Schneller (Saiam, rápido, rápido). Os recém-chegados tinham de
deixar a bagagem no comboio. Os prisioneiros de Auschwitz eram os responsáveis ​por tirarem
as pessoas do comboio. Havia soldados alemães das SS, desfilando para cima e para baixo da
plataforma, com cães e chicotes nas mãos. O brilho desagradável dos Holofotes iluminava a
plataforma. Os homens tinham de alinhar-se num lado e as mulheres no outro. Esta foi a última
Os médicos das SS avaliavam os
                                                                      prisioneiros. As crianças, os idosos e
                                                                      os doentes eram enviados para um
                                                                      lado, os restantes presos para o
                                                                      outro.
                                                                      Rosa de Winter-Levy recorda: "O
                                                                      polícia olhava para nós com um
                                                                      olhar severo, não dizia nada, apenas
                                                                      apontava para a direita... Todos os
                                                                      que foram na outra direção, como
                                                                      as pessoas mais velhas, todas as
                                                                      crianças e as respetivas
                                                                      mães, nunca mais foram vistos.
                                                                      Foram imediatamente levados para
                                                                      a câmara de gás. "As oito pessoas
Seleção de prisioneiros na plataforma em Auschwitz-Birkenau. Os       do Anexo Secreto foram todas para
médicos nazis decidiam que presos deveriam ser imediatamente mortos   o lado direito.
O destino dos                             Cada homem e cada mulher recebia
habitantes do                             um número, que era tatuado no
                                          braço. As cabeças eram rapadas
                                          e recebiam as roupas do campo. Os
Anexo                                     homens eram colocados numa parte do
                                          acampamento, as mulheres noutra.




Portão de entrada do campo de Auschwitz
Otto Frank, Fritz
                                              Pfeffer, Hermann e Peter van
                                              Pels conseguiram ficar juntos. A
                                              maioria dos presos tinha de
                                              executar um trabalho pesado a
                                              cavar trincheiras​​. Peter teve mais
                                              sorte: foi para os correios do
                                              campo. Guardas e não-
                                              judeus podiam receber
                                              correspondência. Peter, como
O destino dos                                 lidava com os pacotes que
                                              chegavam, por
Homens                                        vezes, conseguia"arranjar" um
                                              pouco de comida extra.
        Hermann van Pels
        Todos os dias havia seleções: os prisioneiros que estavam muito doentes
        ou fracos para trabalhar eram enviados diretamente para a câmara de
        gás para serem mortos. Poucas semanas após a sua chegada, Hermann
        van Pels, exausto, já não era capaz de trabalhar, por isso também foi
        gaseado. Otto Frank e Peter van Pels testemunharam isso: "Eu nunca irei
        esquecer aquele momento em que eu e Peter van Pels vimos um grupo de
        homens selecionados. O pai de Peter estava entre eles. Foram levados
        embora e, duas horas depois, passou um carrinho com suas roupas. “
Fritz Pfeffe foi deportado para o campo de
concentração de Neuengamme, em outubro de
1944. Milhares de prisioneiros morreram devido a
uma combinação de trabalho pesado, falta de
alimentos e más condições sanitárias. Fritz Pfeffer
estava entre eles. Morreu doente a 20 de
dezembro de 1944, com 55 anos.



Peter van Pels
Pouco antes da libertação do campo de
Neuengamme, o nazis evacuaram-no. Os presos que
ainda podiam andar foram com eles, nas chamadas
“marchas da morte” (longas caminhadas forçadas
que saiam dos campos de concentração, sob uma
guarda tirânica e condições absolutamente
degradantes).
Peter van Pels estava entre os prisioneiros. Chegou
ao campo de concentração de Mathausen, na
Áustria, no final de janeiro. Os prisioneiros tinham
de realizar um trabalho pesado. Peter van Pels
morreu de esgotamento a 5 de maio de 1945.
Otto Frank foi o único sobrevivente.
Em 27 de janeiro de 1945, os soldados
russos libertaram Auschwitz. Otto
Frank era um dos 7 650 prisioneiros
que ainda estavam vivos. Pesava
menos de 52 kg, enquanto que no
Anexo Secreto pesava mais de 68. Otto
lembrava-se dos uniformes branco
como a neve que os soldados russos
usavam e mais tarde disse: “Eram bons
homens. Não nos importávamos que
fossem comunistas. Não estávamos
preocupados com a sua
política, estávamos interessados ​em
ser libertados."
O destino das
Mulheres




Após a seleção, Edith, Margot e Anne ficaram no mesmo
alojamento. Auguste van Pels provavelmente foi enviada para
uma parte diferente do campo. Durante o dia, as mulheres
executavam um trabalho muito duro, tinham de carregar
pedras pesadas. Passavam horas a fio no exterior, mesmo sob
condições meteorológicas adversas.
Edith Frank
No inverno de 1944, o Exército russo estava a
avançar. Os nazis decidiram levar o maior
número possível de prisioneiros, os que ainda
eram capazes de trabalhar, de volta à Alemanha.
A saúde das mulheres presas era um fator
primordial. Edith não pode ir. Margot e Anne
foram deslocadas.
Rosa de Winter-Levy testemunha: “Depois foi a
vez das duas meninas ... E, por momentos, lá
ficaram elas, nuas e carecas. Anne olhou para
nós com os olhos inocentes, e depois foram
embora. Não sabemos o que lhes aconteceu
depois. Ouvimos a Sra. Frank gritar: "As
crianças! Oh Deus...“ Margot e Anne Frank foram
amontoados num comboio de mercadorias
lotado com destino ao campo de
concentração de Bergen-Belsen. Edith
Frank ficou em Auschwitz. Adoeceu e morreu a
6 de janeiro de 1945.
Margot e Anne em Bergen–Belsen
Após uma terrível viagem de comboio de três dias, Margot e Anne chegaram a Bergen-
Belsen. Cada vez mais prisioneiros estavam a ser transferidos de outros campos de
concentração para este. Como o campo já estava muito cheio quando o comboio
chegou, foram colocadas em tendas que, poucos dias depois, foram destruídas por uma
forte tempestade. As prisioneiras tinham de encontrar espaço numa das barracas já
superlotadas.
Margot e Anne morreram no inverno de 1944-1945, quando a situação em Bergen-
Belsen se deteriora. A comida escasseava e as condições sanitárias eram terríveis. Muitos
dos prisioneiros acabaram por adoecer. Margot e Anne Frank morreram com tifo apenas
algumas semanas antes do acampamento ser libertado.
Auguste van Pels
No final de novembro de 1944, outro comboio de
prisioneiros de Auschwitz chegou a Bergen-
Belsen. Auguste van Pels estava entre os
prisioneiros, juntando-se a Margot e Anne. Alguns
meses depois, deixava Bergen-Belsen e era
transportada para Raguhn, que fazia parte do
campo de concentração de Buchenwald. De
Raguhn foi enviada para o campo de
Theresienstadt. Durante esse percurso, entre 9 de
abril e 8 de maio de 1945, Auguste van Pels foi
assassinada.
O regresso de Otto Frank
1945                       Depois de Auschwitz ter sido
                           libertado, Otto regressou a
                           Amesterdão. No caminho de
                           volta, ficou a saber da morte
                           de Edith.
                           Quando chegou, foi visitar
                           Miep e Jan Gies. Ainda
                           esperava que Anne e Margot
                           estivessem vivas, mas depois
                           descobriu que nenhuma delas
                           tinha sobrevivido.
                           Miep deu-lhe o diário de
                           Anne.

O único                    Anne queria que fosse
                           publicado após a guerra, e
                           seu desejo acabaria por se
                           tornar realidade.
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Visita virtual A Casa de Anne Frank

  • 1. Primeira página do diário de Anne 15 de julho de 1944 “Vejo o mundo a ser lentamente transformado num deserto (..), sinto o sofrimento de milhões de pessoas. E contudo, quando ergo os olhos para o céu, tenho a sensação de que tudo vai mudar para melhor, de que esta crueldade acabará também, de que a paz e a tranquilidade regressarão novamente.” Anne Frank
  • 2. “A nossa primavera" A primavera está nas árvores, nos campos, nas florestas, Mas aqui, no gueto, é outono e tudo é frio, Mas aqui, no gueto, tudo está triste e gélido, Como uma casa enlutada – em sofrimento Primavera! Lá fora, os campos foram semeados, Aqui, à nossa volta, só o desespero foi plantado, Aqui, à nossa volta, crescem paredes defensivas, Vigiados como numa prisão, durante a longa noite. A Primavera, já chegou! Em breve maio chega, Mas aqui, o ar cheira a pólvora e a chumbo. O carrasco arou com a sua espada sangrenta Um cemitério gigante – a terra. Soldados alemães interrogam judeus capturados Mordecai Gebirtig, 1942 durante a revolta do gueto de Varsóvia. Polónia, maio de 1943.
  • 3. O que foi o Holocausto?
  • 4. “Porque aconteceu? Como foi possível? Quem foi responsável? Quais as consequências?”
  • 5. Iremos agora conhecer a história de uma família, os seus rostos, sonhos e esperanças, que viu a sua vida interrompida pelo maior dos sofrimentos. Fotografia da família Frank,Merwedeplein, Amesterdão, maio de
  • 6. Uma visita virtual ao Museu Anne Frank, Amesterdão Convidamos-te a fazer uma visita virtual ao Museu Anne Frank, a casa onde esta adolescente alemã se escondeu das forças Nazis, com a família e amigos, durante 25 meses, entre 1942 e 1944. Foi neste Anexo Secreto que a jovem judia escreveu o seu diário, a que deu o nome de Kitty, contando a sua vida enquanto refugiada. Após a publicação do diário (1947), um dos livros mais traduzidos no mundo, o Anexo secreto tornou-se num famoso museu. Anne Frank morreu aos 15 anos no campo de concentração de Bergen-Belsen, com febre tifóide, e tornou-se num dos símbolos do holocausto.
  • 7. A história de Anne Frank A vida de Anne Frank  A vida na Alemanha  A emigração para a Holanda  O esconderijo  A Detenção Anne Frank a escrever na mesa do seu quarto, no apartamento de Merwedeplein, Amesterdão.
  • 8. A história de Anne Frank A vida de Anne Frank A vida na Alemanha
  • 9. Os judeus corriam perigo crescente Vida na Alemanha na Alemanha. Em março de 1925 1933, quando Anne tinha quatro anos, os seus pais decidiram emigrar para a Holanda. Otto Frank e Edith Holländer casaram- se em Aachen, a 12 de maio de 1925. Depois da lua de mel na Itália, foram viver para Frankfurt am Main. A 16 de fevereiro de 1926, nasceu a primeira filha: Margot Betti. Um mês depois, mudaram-se para Marbachweg, uma casa grande num bairro tranquilo na periferia da cidade, onde havia muitas famílias com diferentes crenças religiosas: judaica, católica e protestante. Annelies Judeus Marie Frank nasceu a 12 de junho de 1929 em Frankfurt am
  • 10. Os primeiros anos de casamento foram muito felizes, mas a crise económica levou Hitler ao poder em 1933. Otto e Edith Frank ficaram profundamente preocupados e procuravam sair do país. Judeus e alemães A família Frank era judia e alemã. Os Frank e os Holländer viviam na Alemanha há séculos. A família de Otto Frank vivia em Frankfurt am Main durante gerações. A família de Edith era oriunda de Aachen, perto da fronteira holandesa. Anos felizes
  • 11. A crise estimula sentimentos radicais A ascensão dos Nazis
  • 12. Na década de 1920, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), de Adolf Hitler, era constituído um pequeno grupo de dissidentes políticos. Mas a escalada da crise atraía cada vez mais pessoas para os partidos radicais. Hitler e o seu partido eram antissemitas, o que significa que odiavam os judeus. Segundo eles, caso se livrassem dos judeus, resolveriam todos os problemas da Alemanha. O NSDAP de Hitler foi crescendo e tornou-se o maior partido político do país em 1932.
  • 14. A economia alemã estava em crise. Os judeus eram culpados por isso. A situação ficava cada vez pior, por isso, Otto e Edith Frank estavam profundamente preocupados. Principais preocupações Para além do clima económico, também existiam problemas políticos no país. Os apoiantes do partido de Hitler estavam a aumentar. Em julho de 1932, o NSDAP tornou-se o maior partido, com 37% dos votos. Os membros das SA (tropas de assalto) marchavam pelas ruas cantando músicas antissemitas. O judeus na Alemanha eram acusados ​de todos os problemas do país. Procissão de velas com membros da SA, Berlim, 30 de janeiro de 1933.
  • 15. “Lembro-me que já em 1932, grupos de tropas de choque marchavam, cantando: "Quando sangue judeu respingar da faca.” Otto Frank Adolf Hitler (à esquerda) tornou-se chanceler em 30 de janeiro de 1933. A Alemanha democrática transformou-se numa ditadura Sem palavras e atordoado Quando Hitler se tornou chefe do governo alemão, em 30 de janeiro de 1933, Otto e Edith Frank estavam em casa de amigos. Otto descreveu esse momento: “Estávamos sentados à mesa a ouvir rádio. Então veio a notícia de que Hitler se tinha tornado chanceler. Seguiu-se um relato da procissão em Berlim em que podíamos ouvir gritos e aplausos. Hitler terminou o seu discurso com as palavras: "Deem-me quatro anos." O nosso anfitrião, em seguida, disse com entusiasmo: "Vamos ver o que o homem pode fazer!" Eu fiquei sem palavras e a minha esposa atordoada. "
  • 16. Otto e Edith Frank procuravam uma forma de sair da Alemanha. No início de março 1933, tomaram uma decisão: por intermédio do cunhado Erich Elias, Otto teve oportunidade de criar uma empresa na Holanda. Planos para emigrarem
  • 17. Otto Frank escreveu numa carta depois da guerra: "Como muitos dos meus compatriotas alemães se foram transformando em hordas de nacionalistas, cruéis, antissemitas criminosos, eu tive que enfrentar as consequências, e isso magoou-me profundamente. Percebi que a Alemanha não era o mundo e deixei o meu país para sempre. " Fonte: Cara Weiss Wilson, "Dear Cara: Cartas de Otto Frank, p. 45. Foto de passaporte 10 de março de 1933
  • 18. A história de Anne Frank A vida de Anne Frank Emigração para a Holanda
  • 19. Em maio de 1934, Anne começou a frequentar o jardim de infância Montessori. Novo Lar Otto Frank conseguiu montar um negócio em Amesterdão. Edith, Margot e Anne seguiram-no para a Holanda. Foram viver em Merwedeplein. Os Frank sentiram-se seguros e livres de novo. As crianças foram para a escola, Otto trabalhava arduamente no seu negócio e Edith cuidava da casa.
  • 20. Ameaça de Guerra Através de amigos e conhecidos, a família Frank tinha conhecimento da situação na Alemanha nazi. A discriminação contra os judeus continuava a aumentar. Haviam-se tornado cidadãos de segunda classe no seu próprio país. Professores e funcionários públicos judeus foram demitidos dos seus empregos, os casamentos entre judeus e não- judeus foram proibido, e os judeus já não podiam ter os seus próprios negócios.
  • 21. Kristallnacht (Noite de Cristal) Durante a noite de 9 de novembro de 1938, os nazis organizaram uma onda de violência contra a judeus. Mais de 100 judeus foram assassinados durante a "Kristallnacht". Centenas de sinagogas e lojas judaicas foram destruídas, milhares de homens judeus presos em campos de concentração e prisões. Os nazis também prenderam dois irmãos de Edith, Julius e Walter Holländer. Como Júlio combateu no exército alemão durante a I Guerra Mundial, foi libertado quase imediatamente. Walter foi libertado a 1 de Kristallnacht (Noite de Cristal) dezembro. Durante a Kristallnacht a sinagoga de Aachen, onde Otto e Edith Frank se casaram, é
  • 22. Walter foi para a Holanda e acabou num campo de refugiados. Júlio ficou em Aachen, até conseguir um visto para os Estados Unidos. Partiu em abril de 1939, seguido por Walter em Dezembro. A mãe de Edith também não quis ficar na Alemanha. Em março de 1939, foi autorizada a partir para a Holanda, mas obrigada a deixar todos os seus bens. Foi morar com a família Frank . Oma Holländer
  • 23. A Guerra Eclode Em 1939, a ameaça de guerra continuava a aumentar. A Alemanha nazi havia criado um enorme exército que, no dia 1 de setembro de 1939, atacou a Polónia, marcando o início da Segunda Guerra Mundial. A população holandesa e os refugiados da Alemanha esperavam que o país se mantivesse neutro, tal como acontecera Exército alemão em Grebbeberg durante a Primeira Guerra Mundial
  • 24. A história de Anne Frank A 10 de maio de 1940, a Alemanha invade a Holanda. A família Frank está novamente em perigo. A vida de Anne Frank A invasão Alemã
  • 25. A Holanda é ocupada Anne escreveu: "Depois de maio de 1940 os bons tempos foram poucos e distantes entre si: primeiro houve a guerra, depois a capitulação e a seguir a chegada dos alemães, altura em que começaram os problemas para os judeus.” O que era temido por todos, aconteceu em 10 de maio de 1940: o exército alemão atacou a Holanda. Após quatro dias de combate, os aviões alemães bombardearam o centro de Roterdão. Quando o alto comando alemão ameaçou bombardear outras cidades, o exército holandês rendeu-se. A ocupação dos Países Baixos começou a 15 de maio de 1940. O centro de Roterdão foi bombardeado e destruído em 1940.
  • 26. A Alemanha invade a Holanda 1940 As medidas antissemitas impostas pelas forças de ocupação eram cada vez mais restritivas para Anne. Para além de ser obrigada a mudar-se para uma escola judaica, a piscina, o cinema e o eléctrico Ocupada também foram proibidos aos judeus. Com a Holanda já ocupada, a vida muda para a família Frank. As restrições não têm apenas efeitos individuais, mas também para as empresas de Otto. Quando Margot foi chamada para ser enviada para um campo de trabalho alemão, Otto e Edith consideraram que os perigos se haviam tornado demasiado grandes e decidiram esconder-se.
  • 27. Anne escreveu: “Não se podia fazer isso e Medidas não se podia fazer aquilo, mas a vida continuava. Jacque antissemitas costumava dizer-me: ‘Já não me atrevo a fazer seja No início da ocupação, os judeus não foram impedidos de o que for, pois tenho medo terem o seu próprio negócio. Mas em outubro de 1940 de que seja proibido'." tudo se alterou. Os funcionários públicos foram obrigados a assinar uma declaração oficial expressando se eram ou não judeus. Tal como já havia sido feito na Alemanha, os funcionários e professores judeus foram demitidos. No início de 1941, tiveram de se registar. Desta forma, o ocupante, sabia exactamente onde viviam.
  • 28. É proibido ter o próprio negócio. A partir de outubro de 1940, os judeus deixaram de poder ter a sua própria empresa. De forma inteligente, Otto Frank conseguiu manter a Opekta e a Pectacon fora das mãos dos alemães. Este acordo também permitiu que permanecesse ativo no negócio, mas por trás dos bastidores. Poucos meses depois, a empresa instalou-se em Prinsengracht. Só é possível frequentar escolas judaicas Após o verão de 1941, Margot e Anne foram obrigadas a frequentar a Escola judaica. Os Alemães proíbiram os estudantes judeus de frequentarem as mesmas escolas do que as crianças não-judias.Esta foi a primeira vez que as irmãs Frank frequentam a mesma escola. A estrela judaica Para além disso, no início de maio de 1942, foram forçados a usar uma estrela amarela com a palavra "judeu". No dia 12 junho de 1942, Anne Frank fez 13 anos e recebeu um presente dos seus pais: um diário. De imediato começou a escrever nele.
  • 29. Decretos antissemitas Anne, no seu diário, escreveu uma lista de coisas que deixaram de ser permitidas aos judeus: SÁBADO, 20 DE JUNHO DE 1942 "A nossa liberdade foi severamente restringida por uma série de decretos antissemitas: os judeus tinham de usar uma estrela amarela; os judeus tinham de entregar as suas bicicletas; os judeus estavam proibidos de usar os elétricos; os judeus estavam proibidos de andar de carro, mesmo no seu próprio carro; os judeus tinham de fazer as suas compras entre as 3 e as 5 da tarde; os judeus tinham apenas de frequentar barbearias e cabeleireiras de propriedade judaica; os judeus estavam proibidos de andar na rua entre as 8 da noite e as 6 da manhã; os judeus estavam proibidos de ir aos teatros, cinemas ou qualquer outra forma de entretenimento; os judeus estavam proibidos de usar piscinas, campos de ténis, campos de hóquei ou quaisquer outros campos desportivos; (…) os judeus estavam proibidos de se sentarem nos seus jardins ou nos jardins dos seus amigos depois das 8 da noite; os judeus estavam proibidos de visitar as casas de cristãos; os judeus tinham de frequentar escolas judaicas, etc. “
  • 30. Na placa pode ler-se “Proibido a Judeus”
  • 31. Tudo parecia correr bem... ...mas depois chegou uma carta Naquela tarde, Anne estava deitada ao sol a ler. A campainha tocou às 3 da tarde. Era o carteiro com uma carta registada para Margot: uma convocatória oficial. Margot tinha de apresentar-se. Iria ser enviada para um campo de trabalho nazi na Alemanha. Esta convocatória não foi uma completa surpresa. Há semanas que se ouviam rumores sobre tal decreto. Se Margot não se apresentasse, toda a família seria presa. Margot é convocada
  • 32. Anne escreveu: “Eu fiquei atordoada. Uma convocatória: toda a gente sabe o que isso significa. Visões de campos de concentração e células solitárias passaram-me pela mente. "
  • 33. Preparações para ir para o esconderijo Otto e Edith Frank estavam preparados. Tinham encontrado um esconderijo secreto onde planeavam esconder-se a 16 de julho. Devido à convocatória de Margot, a data prevista foi antecipada.
  • 34. O esconderijo Secreto O esconderijo secreto estava quase pronto. Não apenas para a família Frank, mas também para os Van Pels: Hermann, Auguste e o filho Peter. Hermann van Pels era sócio de Otto na empresa. No dia seguinte, a família Frank foi para o esconderijo, carregada de sacos. Naturalmente, Anne levava o seu diário. Muito mais tarde, escreveu: “A despreocupação dos dias de escola desapareceu para sempre." A parte vazia das instalações O esconderijo localizava-se nas traseiras do edifício de escritórios de Otto Frank, no número 263 de Prinengracht. Enquanto que a empresa, localizada na parte frontal do edifício, continuava com o negócio, as pessoas ficariam escondidas no Anexo Secreto, na parte de trás.
  • 35. Noite agitada A noite de 5 de julho é extremamente agitada. Os membros do pessoal de Otto, que conheciam o Anne escreveu: plano, ajudaram a levar os bens “...estávamos embrulhados em tantas camadas de roupa que parecia que íamos pessoais da família para o passar a noite num frigorífico, e tudo esconderijo. Na manhã apenas para conseguirmos levar mais seguinte, bem cedo, Margot foi a roupa connosco. Nenhum judeu na nossa situação se atreveria a sair de casa com primeira a sair de casa. Foi de uma mala de viagem cheia de roupa. Eu bicicleta com Miep. Meia hora trazia duas camisolas interiores, três mais tarde, Otto, Edith e Anne pares de calcinhas, um vestido, e por cima, uma saia, um casaco e uma partiram. Caminharam para o gabardina, dois pares de meias, sapatos esconderijo em baixo de chuva. pesados, um boné, um cachecol e muito mais.”
  • 36. A história de Anne Frank A vida de Anne Frank  O esconderijo Anne Frank a escrever na mesa do seu quarto no apartamento de Merwedeplein, Amesterdão.
  • 37. O esconderijo 1942 Prinsengracht situava-se numa área onde se localizavam muitas pequenas empresas. À esquerda existia uma empresa de chá e à direita uma de mobiliário. Esta localização era favorável para as pessoas escondidas, porque A ida para o ninguém daria conta do fumo que sairia da esconderijo chaminé aos fins de semana. O esconderijo em Prinsengracht era relativamente espaçoso. Havia espaço suficiente para duas famílias. Isso era invulgar, uma vez que pais e filhos que iam para esconderijos eram frequentemente separados. A maioria tratava-se de pequenos espaços em caves húmidas ou sótãos empoeirados. As pessoas que se escondiam nas aldeias, por vezes conseguiam ir para o exterior, mas apenas se não houvesse perigo de serem descobertas.
  • 38. Anne escreve: "O anexo é um lugar ideal para nos escondermos. Pode ser húmido e torto, mas provavelmente não haverá esconderijo mais confortável em Amesterdão. Não, em toda O esconderijo a Holanda." "Agora o nosso Anexo Secreto tornou-se verdadeiramente secreto... o Sr. Kugler achou que seria melhor construir uma estante em frente da entrada do nosso esconderijo. Gira sobre dobradiças, e abre-se como uma porta. Sr. Voskuijl fez o trabalho de carpintaria. (Sr. Voskuijl foi informado de estávamos sete pessoas aqui escondidas e tem sido muito prestável.)
  • 39. Anne escreveu: "Não poder sair irrita- me mais do aquilo que eu posso dizer, e estou apavorada. Se o esconderijo for descoberto seremos fuzilados." Na clandestinidade
  • 40. Para além da família Frank, havia mais quatro judeus no Anexo Secreto: Hermann e Auguste van Pels, o filho Peter e Fritz Pfeffer. Quatro funcionários de Otto ajudavam- nos. Viviam todos com o medo constante de serem descobertos. E certamente não seria fácil para oito pessoas viverem tão perto. A família Van Pels chegou ao Anexo Secreto uma semana depois. Anne ficou feliz porque agora existiam mais pessoas para conversar. Em julho de 1942, não sabiam que iriam passar mais de dois anos no Anexo Secreto. Durante esse tempo, não puderam sair e tiveram de compartilhar a escuridão e a humidade do esconderijo, sempre com medo de serem descobertos... Fritz Pfeffer, em novembro de 1942, foi a oitava pessoa a juntar-se no esconderijo. Era dentista e um conhecido das famílias Frank e Van Pels. Margot começou a dormir no quarto dos pais e Anne passava a partilhar com ele o seu quarto. Quarto de Anne e Fritz Pfeffer
  • 41. Muito cuidado Não podiam sair do esconderijo. Era muito perigoso. As cortinas do Anexo Secreto também não podiam ser aberta durante o dia, caso contrário, podiam ser vistos pelos vizinhos. A pequena janela no sótão era a única hipótese para obter uma lufada de ar fresco. À noite, outras janelas eram ocasionalmente abertas, mas apenas uma pequena Sótão, onde Anne pode ver o castanheiro fresta. Desejos A 23 de julho de 1943, Anne escreveu os desejos de todos: "Margot e o Sr. Van Pels desejam, acima de tudo, tomar um banho quente, numa banheira cheia até à borda, onde possam ficar mais de meia hora. a Sra. Van Pels gostaria de comer um bolo, Pfeffer não pensa em mais nada, senão em ver a sua Charlotte, e a Mamã está a morrer por uma chávena de café a sério. O Papá gostaria de visitar o Sr. Voskuijl, Peter quer ir ao centro da cidade, e quanto a mim, ficaria tão excitada que nem saberia por onde começar. Acima de tudo anseio por termos a nossa própria casa, por poder andar livremente de um lado para o outro e por ter alguém que me ajude com os meus trabalhos de casa, por fim! Por outras palavras, voltar à escola!"
  • 42. As pessoas do esconderijo eram ajudadas por quatro colaboradores de Otto Frank: Miep Gies , Johannes Kleiman, Victor Kugler e Bep Voskuijl. Providenciavam alimentos, roupas, l ivros e todo tipo de Os ajudantes outras necessidades. Para além "Eles vêm cá cima todos os dias falar com os homens sobre os disso, mantinham- negócios e política, com as mulheres sobre os alimentos e as nos atualizados dificuldades em tempo de guerra e com as crianças sobre livros e com as notícia do jornais. Trazem sempre uma expressão alegre, trazem flores e conflito, sobretudo presentes nos aniversários e feriados e estão sempre prontos para as que transmitiam fazer o que puderem. " Anne Frank esperança.
  • 43. Anne escreveu: "Será que este ano de 1944 nos trará a vitória? De A Guerra continua momento, continuamos sem saber nada, mas a esperança mantém-nos Rusga em Merwedeplein - Uma incursão, no verão de 1943, no bairro de Merwedeplein, onde a família Frank viveu antes de se esconderem. vivos, dá-nos coragem para suportar as múltiplas "Hoje só tenho notícias tristes e deprimentes para relatar. Muitos angústias, privações e dos nossos amigos e conhecidos judeus estão a ser levados em sofrimentos, trata-se de massa ... transportados em vagões de gado para Westerbork, um manter a calma e a enorme campo de concentração em Drenthe, para onde estão a perseverança, mais vale ser enviando todos os judeus. Miep contou-nos a história de enterrar as unhas na alguém que tinha conseguido escapar de lá. Westerbork deve ser carne do que gritar!" terrível .”
  • 44. Notícias através dos ajudantes Muitas vezes, durante a pausa para o almoço, e depois dos empregados do armazém terem ido para casa, os ajudantes subiam ao Anexo Secreto para almoçar com as pessoas do esconderijo. A situação da cidade era frequentemente discutida. Havia muitos razias. Os judeus que não se entregassem voluntariamente eram apanhados e enviados para o campo de trânsito (campos de concentração onde mantinham os prisioneiros antes de os deportarem para outro campo de concentração ou de extermínio) em Westerbork. Quase todas as semanas, um comboio saia de lá rumo a destinos desconhecidos no leste da Europa. As pessoas do esconderijo já estavam tão ansiosas e deprimidas, por isso os ajudantes omitiam muitas das coisas que aconteciam no mundo exterior.
  • 45. Quando estavam escondidos há quase dois anos no Anexo Secreto, surgiu uma notícia fantástica: um desembarque maciço dos Aliados nas praias da Normandia. Será que os países ocupados serão libertados em breve? Anne esperava voltar para a escola em setembro ou outubro ... Mapa da Normandia Depois do Dia D, Otto Frank começou a marcar o progresso das forças aliadas.
  • 46. "Só com uma determinada distribuição do tempo, definida desde o início, no sentido de cada um ter as suas próprias tarefas, poderíamos ter esperança de suportar aquela situação. Acima de tudo, as crianças tinham de ter bastante livros para ler e aprender. Nenhum de nós queria pensar [sobre] quanto tempo duraria esta prisão voluntária. " Otto Frank Atividades diárias
  • 47. O tempo no “Anexo Secreto” é passado a comer, a dormir, a estudar e a ler. Em 16 de maio de 1944, Anne, no seu diário, fez uma longa lista daquilo que estão a estudar e a ler. O estudo e a leitura Otto en Edith Frank, como pensaram que iam permanecer no Anne escreveu: esconderijo por um longo período de tempo, levaram os “Odeio livros escolares das filhas. álgebra, geometria e aritmética. Gosto de todas as outras disciplinas, mas a história é a minha preferida!"
  • 48. Não foram apenas os judeus que tiveram de ir para um esconderijo. A vida de outras pessoas também estava em risco. Tal como os judeus, precisavam igualmente de encontrar lugares para se esconder. Algumas pessoas esconderam-se em cidades, outras no campo. O Esconderijos podia ser grande ou pequeno. Algumas tiveram de ficar dentro de casa o dia Outros também se todo, enquanto outras podiam andar livremente fora esconderam porque tinham documentos falsos.
  • 49. A decisão de se esconder Segundo estimativas, na Holanda esconderam-se cerca de 300 000 pessoas, seja por um período de tempo curto ou longo. Para a resistência, (pessoas que lutavam contra os nazis de várias formas: destruíam os registos da população; criavam identificações e senhas de comida falsas; ajudavam as pessoas que se encontravam escondidas, realizavam ataques, sabotavam vias de comunicação, distribuíam jornais clandestinos e informavam os aliados) a questão de "se esconder ou não se esconder?", na realidade, era uma falsa Uma entrada secreta, através de uma casa de banho, para um esconderijo questão. Se não queriam acabar na prisão, tinham de se esconder. Muitas famílias judias perguntavam-se porque razão tinham de se esconder se não haviam feito nada de errado? E os campos talvez não fossem assim tão maus...
  • 50. crianças na clandestinidade Alguns pais judeus enfrentaram uma decisão difícil durante a guerra. Por vezes, era mais fácil esconder uma criança sozinha numa família. Para os pais, isso significava deixar o seu filho para trás num esconderijo por conta própria. Alguns ajudantes estavam dispostos a arriscar e ficar com uma criança. Para os adultos, era mais difícil encontrar um bom esconderijo. As crianças judias ocultas dessa forma tornavam-se simplesmente um membro da família. Os anfitriões poderiam alegar que a criança tinha vindo de Roterdão, onde muitos registos se perderam durante os bombardeamentos. Denúncias Dos 25 000 judeus que passaram a esconder-se, 8 000 foram descobertos. Muitas vezes eram denunciados. Os detidos em esconderijos acabavam em campos de concentração. Para os auxiliares, o resultado variava. Às vezes, só os que estavam escondidos eram presos e os ajudantes escapavam. Outras vezes os ajudantes também eram presos. Em teoria, havia penas pesadas para quem fosse apanhado a ajudar um judeu, mas, na prática, isso nem sempre acontecia.
  • 51. A história de Anne Frank A vida de Anne Frank  A detenção
  • 52. A Prisão 1944 Anne é presa juntamente com os restantes habitantes do Anexo. No campo de concentração de Auschwitz, Anne, Margot e a mãe ficam juntas. Mais tarde, Anne e Margot são Denunciados levadas para Bergen-Belsen. Morre em março de 1945, com 15 anos.
  • 53. No dia 4 de agosto de 1944, Os habitantes do Anexo Secreto foram presos. Alguém os denunciara. Primeiro foram deportados para o campo de trânsito de Westerbork e depois para Auschwitz. Otto Frank foi a única pessoa do Anexo Secreto a sobreviver. Todos os restantes morreram. Hermann van Pels foi morto nas câmaras de gás e Auguste lançada à frente de um comboio durante um transporte. Os outros morreram de doença e exaustão. Nunca se chegou a saber quem tinha denunciado os clandestinos à polícia.
  • 54. Num dia quente de agosto de 1944, concretizou -se o principal medo dos habitantes do Anexo: foram descobertos e presos. O dia da prisão
  • 55. 4 de agosto de 1944, um dia lindo e soalheiro. O telefone tocou na sede da Polícia. Era uma denúncia anónima O oficial no comando, Julius Deetman, atendeu a chamada e ordenou ao oficial de serviço das SS, Karl Silberbauer, para se deslocar a Prinsengracht. Com ele foram quatro holandeses nazis. Silberbauer e alguns dos seus homens foram ao armazém, no piso térreo do edifício. Aproximaram-se de Van Maaren, empregado do armazém, que apontou em silêncio, indicando o andar de cima. Entraram no prédio e foram diretamente para o escritório. Victor Kugler foi obrigado a escoltá-los até ao Anexo Secreto. Os habitantes do esconderijo Descobertos haviam sido denunciados...
  • 56. “Fiquem sentados!” Os funcionários do escritório estavam a trabalhar no segundo andar, quando a porta se abriu de repente. Miep, mais tarde, descreveu este momento: "A porta abriu-se e entrou um homem pequeno. Apontou-me a arma e disse: "Fiquem sentados! Não se mexam! " Victor Kugler, que estava no escritório ao lado, ouviu o barulho e foi ver o que estava a acontecer. Victor Kugler: "Eu vi quatro polícias, um deles usava o uniforme da Gestapo”. Um dos polícias apontou-lhe a pistola e obrigou-o a mostrar o caminho. Seguiram todos na direção da estante móvel e entraram no Anexo Secreto, com as pistolas em punho.” Apanhados de surpresa Foram apanhados completamente desprevenidos. Viveram os últimos dois anos com a ansiedade de serem descobertos e esse momento chegou. Otto Frank descreveu-o: "Foi por volta de 10 e 30. Eu estava lá em cima, no quarto dos van Pels, a ajudar o Peter com os trabalhos escolares... De repente, ouvimos alguém subir as escadas... então a porta abriu-se e um homem estava parado, de frente para nós, apontando-nos uma arma... A minha esposa, as minhas filhas e os Van Pels suavam com as mãos levantadas". Poucos minutos depois, Fritz Pfeffer também foi escoltado até a sala.
  • 57. Os objetos de valor As pessoas escondidas tinham de entregar todos os seus objetos de valor. Silberbauer pegou na pasta que continha as folhas e o diário de Anne e despejou-a para poder levar os objetos de valor que recolhia. As páginas do diário de Anne caíram ao chão. Otto Frank: "Então disse: Despachem- se. Têm de estar aqui em cinco minutos’". Miep Gies: "Mais tarde, ouvi – os a descer as escadas, muito lentamente." Após a detenção, foram levados num Páginas do diário de Anne espalhadas pelo chão. camião fechado com os dois ajudantes do sexo masculino, Victor Kugler e Johannes Kleiman, que também foram presos.
  • 58. As pessoas do esconderijo e os dois ajudantes do sexo masculino foram presos e levados para interrogatório numa prisão dirigida por alemães. Os dois ajudantes posteriormente foram transferidos para outra prisão da cidade. Miep Gies e Bep Voskuijl são deixadas para trás na Prinsengracht e salvaram o diário de Anne Frank. Enviados para a prisão
  • 59. Interrogatório As oito pessoas do esconderijo foram levadas para uma prisão em Euterpestraat e colocadas num espaço grande, com outras pessoas que também haviam sido presas. Mais tarde, foram interrogados individualmente. A polícia tentava descobrir se conheciam endereços onde outras pessoas podiam estar escondidas. Johannes Kleiman e Victor Kugler recusaram-se a responder. Otto respondeu a essa pergunta dizendo que perderam o contato com todos os amigos e conhecidos, porque estavam isolados há vinte e cinco meses. Separação Após os interrogatórios, foram separados uns dos outros. Johannes Kleiman e Victor Kugler foram levados para a cadeia da cidade vizinha de Amstelveenseweg, e as oito pessoas do esconderijo para um centro de detenção em Weteringschans, no centro de Amesterdão. Bep e Miep encontram o diário de Anne Miep Gies explicou: "Mais tarde, Bep e eu subimos para o quarto dos Frank. E lá encontramos o diário de Anne deitado no chão. Vamos buscá-lo, disse eu. Bep estava aturdida. Eu disse: Apanha-o, apanha-o, e vamos sair daqui! Estávamos com tanto medo! Descemos e lá estávamos nós. E agora Bep? Então ela disse: ‘tu és mais velha. Fica com ele‘."
  • 60. A Deportação para os campos "Claro que todos nós tivemos de trabalhar no campo, mas à noite éramos livres e podíamos ficar juntos. Para as crianças, especialmente, foi um certo alívio. Já não estavam presas dentro de casa e podiam falar com outras pessoas. No entanto, nós, adultos, temíamos ser deportados para os célebres campos na Polónia. " Otto Frank
  • 61. O campo de Westerbork A abrir baterias no campo de Westerbork. A 8 de agosto de 1944, os oito prisioneiros foram levados de comboio para o campo de Westerbork. Como não se entregaram voluntariamente, foram para os blocos de punição. Havia barracas para homens e para mulheres. Os prisioneiros tinham de trabalhar durante todo o dia a partir pilhas velhas. Ainda que fosse um trabalho sujo e insalubre, podiam conversar entre si.
  • 62. A deportação para Auschwitz Os comboios partiam com regularidade de Westerbork para campos de concentração mais a leste. No sábado, dia 2 de setembro de 1944, os nomes dos prisioneiros que partiriam no dia seguinte foram lidos em voz alta. Os oito habitantes do Anexo Secreto estavam incluídos entre os 1019 nomes referidos
  • 63. O comboio de mercadorias Na manhã seguinte, um enorme comboio de mercadorias estava à espera. Cerca de setenta presos eram empurrados para cada vagão. Homens, mulheres, crianças, jovens, velhos, saudáveis, doentes. A maioria dos presos teve de ficar. A família Frank conseguiu manter-se junta. Lenie de Jong van Naarden também estava no comboio e recorda: "Muitas pessoas, também as meninas Frank, dormiam encostadas à mãe ou o pai. Estávamos todos morto de cansaço." Transporte de Westerbork – Auschwitz
  • 64. Exaustos A viagem de comboio durou três dias. No vagão, um balde servia de sanita. Dentro de pouco tempo o cheiro tornou-se insuportável. Os prisioneiros mal conseguiam respirar. Janny Brilleslijper: "Se, por acaso, viajássemos junto a alguma fresta por onde entrasse ar fresco, teríamos algum alívio com o cheiro, mas poderíamos apanhar uma constipação. Rosa de Winter-Levy disse que “depois de dois dias, estávamos todos exaustos, um homem morreu, e havia uma senhora idosa e crianças a chorar porque não aguentavam mais.
  • 65. Na plataforma, em Auschwitz -Birkenau, os homens e mulheres eram separados. O médicos nazis determinavam quais os prisioneiros que seriam imediatamente mortos. A Chegada a Auschwitz A separação O comboio parou subitamente na terceira noite, por volta das 2 horas e as portas foram abertas. Homens de roupas listadas gritavam em alemão Aussteigen, schnell, Schneller (Saiam, rápido, rápido). Os recém-chegados tinham de deixar a bagagem no comboio. Os prisioneiros de Auschwitz eram os responsáveis ​por tirarem as pessoas do comboio. Havia soldados alemães das SS, desfilando para cima e para baixo da plataforma, com cães e chicotes nas mãos. O brilho desagradável dos Holofotes iluminava a plataforma. Os homens tinham de alinhar-se num lado e as mulheres no outro. Esta foi a última
  • 66. Os médicos das SS avaliavam os prisioneiros. As crianças, os idosos e os doentes eram enviados para um lado, os restantes presos para o outro. Rosa de Winter-Levy recorda: "O polícia olhava para nós com um olhar severo, não dizia nada, apenas apontava para a direita... Todos os que foram na outra direção, como as pessoas mais velhas, todas as crianças e as respetivas mães, nunca mais foram vistos. Foram imediatamente levados para a câmara de gás. "As oito pessoas Seleção de prisioneiros na plataforma em Auschwitz-Birkenau. Os do Anexo Secreto foram todas para médicos nazis decidiam que presos deveriam ser imediatamente mortos o lado direito.
  • 67. O destino dos Cada homem e cada mulher recebia habitantes do um número, que era tatuado no braço. As cabeças eram rapadas e recebiam as roupas do campo. Os Anexo homens eram colocados numa parte do acampamento, as mulheres noutra. Portão de entrada do campo de Auschwitz
  • 68. Otto Frank, Fritz Pfeffer, Hermann e Peter van Pels conseguiram ficar juntos. A maioria dos presos tinha de executar um trabalho pesado a cavar trincheiras​​. Peter teve mais sorte: foi para os correios do campo. Guardas e não- judeus podiam receber correspondência. Peter, como O destino dos lidava com os pacotes que chegavam, por Homens vezes, conseguia"arranjar" um pouco de comida extra. Hermann van Pels Todos os dias havia seleções: os prisioneiros que estavam muito doentes ou fracos para trabalhar eram enviados diretamente para a câmara de gás para serem mortos. Poucas semanas após a sua chegada, Hermann van Pels, exausto, já não era capaz de trabalhar, por isso também foi gaseado. Otto Frank e Peter van Pels testemunharam isso: "Eu nunca irei esquecer aquele momento em que eu e Peter van Pels vimos um grupo de homens selecionados. O pai de Peter estava entre eles. Foram levados embora e, duas horas depois, passou um carrinho com suas roupas. “
  • 69. Fritz Pfeffe foi deportado para o campo de concentração de Neuengamme, em outubro de 1944. Milhares de prisioneiros morreram devido a uma combinação de trabalho pesado, falta de alimentos e más condições sanitárias. Fritz Pfeffer estava entre eles. Morreu doente a 20 de dezembro de 1944, com 55 anos. Peter van Pels Pouco antes da libertação do campo de Neuengamme, o nazis evacuaram-no. Os presos que ainda podiam andar foram com eles, nas chamadas “marchas da morte” (longas caminhadas forçadas que saiam dos campos de concentração, sob uma guarda tirânica e condições absolutamente degradantes). Peter van Pels estava entre os prisioneiros. Chegou ao campo de concentração de Mathausen, na Áustria, no final de janeiro. Os prisioneiros tinham de realizar um trabalho pesado. Peter van Pels morreu de esgotamento a 5 de maio de 1945.
  • 70. Otto Frank foi o único sobrevivente. Em 27 de janeiro de 1945, os soldados russos libertaram Auschwitz. Otto Frank era um dos 7 650 prisioneiros que ainda estavam vivos. Pesava menos de 52 kg, enquanto que no Anexo Secreto pesava mais de 68. Otto lembrava-se dos uniformes branco como a neve que os soldados russos usavam e mais tarde disse: “Eram bons homens. Não nos importávamos que fossem comunistas. Não estávamos preocupados com a sua política, estávamos interessados ​em ser libertados."
  • 71. O destino das Mulheres Após a seleção, Edith, Margot e Anne ficaram no mesmo alojamento. Auguste van Pels provavelmente foi enviada para uma parte diferente do campo. Durante o dia, as mulheres executavam um trabalho muito duro, tinham de carregar pedras pesadas. Passavam horas a fio no exterior, mesmo sob condições meteorológicas adversas.
  • 72. Edith Frank No inverno de 1944, o Exército russo estava a avançar. Os nazis decidiram levar o maior número possível de prisioneiros, os que ainda eram capazes de trabalhar, de volta à Alemanha. A saúde das mulheres presas era um fator primordial. Edith não pode ir. Margot e Anne foram deslocadas. Rosa de Winter-Levy testemunha: “Depois foi a vez das duas meninas ... E, por momentos, lá ficaram elas, nuas e carecas. Anne olhou para nós com os olhos inocentes, e depois foram embora. Não sabemos o que lhes aconteceu depois. Ouvimos a Sra. Frank gritar: "As crianças! Oh Deus...“ Margot e Anne Frank foram amontoados num comboio de mercadorias lotado com destino ao campo de concentração de Bergen-Belsen. Edith Frank ficou em Auschwitz. Adoeceu e morreu a 6 de janeiro de 1945.
  • 73. Margot e Anne em Bergen–Belsen Após uma terrível viagem de comboio de três dias, Margot e Anne chegaram a Bergen- Belsen. Cada vez mais prisioneiros estavam a ser transferidos de outros campos de concentração para este. Como o campo já estava muito cheio quando o comboio chegou, foram colocadas em tendas que, poucos dias depois, foram destruídas por uma forte tempestade. As prisioneiras tinham de encontrar espaço numa das barracas já superlotadas. Margot e Anne morreram no inverno de 1944-1945, quando a situação em Bergen- Belsen se deteriora. A comida escasseava e as condições sanitárias eram terríveis. Muitos dos prisioneiros acabaram por adoecer. Margot e Anne Frank morreram com tifo apenas algumas semanas antes do acampamento ser libertado.
  • 74. Auguste van Pels No final de novembro de 1944, outro comboio de prisioneiros de Auschwitz chegou a Bergen- Belsen. Auguste van Pels estava entre os prisioneiros, juntando-se a Margot e Anne. Alguns meses depois, deixava Bergen-Belsen e era transportada para Raguhn, que fazia parte do campo de concentração de Buchenwald. De Raguhn foi enviada para o campo de Theresienstadt. Durante esse percurso, entre 9 de abril e 8 de maio de 1945, Auguste van Pels foi assassinada.
  • 75. O regresso de Otto Frank 1945 Depois de Auschwitz ter sido libertado, Otto regressou a Amesterdão. No caminho de volta, ficou a saber da morte de Edith. Quando chegou, foi visitar Miep e Jan Gies. Ainda esperava que Anne e Margot estivessem vivas, mas depois descobriu que nenhuma delas tinha sobrevivido. Miep deu-lhe o diário de Anne. O único Anne queria que fosse publicado após a guerra, e seu desejo acabaria por se tornar realidade.
  • 76. Fim

Notas do Editor

  1. Antes da Guerra existiam cerca de 9,5 milhões de judeus na Europa. A maioria dos judeus vivia na Europa Oriental, principalmente na União Soviética e na Polónia.O Holocausto foi a perseguição sistemática e assassinato de cerca de seis milhões de judeus pelo regime nazista e seus colaboradores."Holocausto" é uma palavra de origem grega que significa "sacrifício pelo fogo".Os nazis, que chegaram ao poder na Alemanha em janeiro de 1933, acreditavam que os alemães eram "racialmente superiores" e que os judeus, considerado uma raça "inferior", eram uma ameaça.Durante o Holocausto, as autoridades alemãs também perseguiram outros grupos: os ciganos, os deficientes, e alguns dos povos eslavos ( polacos , russos e outros). Outros grupos foram perseguidos por razões políticas, ideológicas e comportamentais, entre eles os comunistas, os socialistas, as Testemunhas de Jeová e os homossexuais .Em 1933, a população judaica da Europaascendia os nove milhões. A maioria vivia em países que a Alemanha ocupou dirante a guerra. Em 1945, os nazis haviam matado quase dois em cada três judeus europeus, como parte da "Solução Final ", a política nazi de assassinar judeus. Embora estes tenham sido as principais vítimas, também morreram cerca de 200 000 ciganos e, pelo menos, outros tantos doentes mentais ou com deficiência física, principalmente alemães, que viviam em ambientes institucionais, e que foram assassinados no chamado Programa de Eutanásia .
  2. Responder às duas primeiras questões do Guião da Visita de Estudo Virtual