MADSON BRUNO DOS SANTOS APODI
       PAULO SÉRGIO SILVA PESSOA




VALORESDOBRASIL
 A BRASILIDADE APLICADA AO MERCADO
             FINANCEIRO.




                                     1
             NATAL/RN, 2011.
ROTEIRO
VALORESDOBRASIL
MADSON BRUNO DOS SANTOS APODI   2
PAULO SÉRGIO SILVA PESSOA
ROTEIRO
VALORESDOBRASIL                                            MADSON BRUNO DOS SANTOS APODI
                                                           PAULO SÉRGIO SILVA PESSOA
A BRASILIDADE APLICADA AO MERCADO FINANCEIRO.




1  INTRODUÇÃO
   Breve introdução ao conteúdo, explanando sobre as particularidades do tema.




2  O VALOR DO BRANDING
    Embasamento teórico e conceitual de Branding. Explicando a diferença entre Branding
    e comunicação isolada.




3
    BRAND EQUITY
    Embasamento teórico e conceitual de Brand Equity. Ressaltando a importância dessa
    prática como uma prática da estratégia do Oceano Azul.




4  O CRESCIMENTO DO SETOR
   Ilustrar como números, gráficos e informações toda a realidade promissora do setor de
   serviço, destacando aí os serviços financeiros.


   OS NOVO VALORES
5  Como o uso de pesquisas de opinião pública levaram as empresas do setor a mudar os
   estereótipos de brasilidade e utiliza-la em seus projetos de branding e comunicação
   integrada.




6
   AS NOVAS AÇÕES
   Como os bancos brasileiros tornaram sua comunicação mais emocional, e seus
   diferencias comparados aos bancos estrangeiros.




7
    CONSIDERAÇÕES
    Compreender como a cidadania corporativa da brasilidade se tornou como elemento
    catalisador desse processo de fortalecimento das marcas nacionais e que está deixando
    de ser um diferencial em nossa sociedade e caminhando para se tornar um ponto
    obrigatório para a sobrevivência das empresas no mercado




                                                                                 3
ARTIGO
VALORESDOBRASIL
MADSON BRUNO DOS SANTOS APODI   4
PAULO SÉRGIO SILVA PESSOA
Valores do Brasil: a brasilidade aplicada ao mercado financeiro.1

                               Madson Bruno dos Santos APODI2
                                 Paulo Sérgio Silva PESSOA 3

                         Aryovaldo de Castro AZEVEDO JUNIOR4
                          Luis Roberto Rossi DEL CARRATORE5
                            Maria Aparecida Ramos da SILVA 6
                        Universidade Federal do Rio Grande do Norte

RESUMO

Este artigo tem como objetivo analisar a forma como o conceito de marca Brasil vem
sendo utilizado, de forma bastante particular, por empresas do mercado financeiro no
Brasil. Observando não apenas a relevância e o crescimento do setor no últimos anos,
mas principalmente a forma como essas empresas vem substituindo ações típicas do
modelo de marketing tradicional por ações planejadas, integradas, inovadoras e
contínuas de branding. Norteados por estudos e pesquisas de opinião, essas marcas
quebram os já desgastados estereótipos, e fazem uso de novos valores de brasilidade
mais abstratos e positivos enquanto elementos influenciadores da percepção do
consumidor e agentes agregadores de valor. Resultando assim no fortalecimento do
brand equity das marcas nesse setor.

PALAVRAS-CHAVE: brasilidade; branding; mercado financeiro; bancos; brand
equity; comunicação.




1Trabalho integrado submetido aos componentes COM0321 - PROJETO DE PESQUISA II, COM0316 -
EMPREENDEDORISMO E PUBLICIDADE E PROPAGANDA e COM0038 - COMUNICACAO E OPINIAO
PUBLICA, como parte da avaliação da Unidade 3.
2 Aluno líder do grupo e graduando do 5º. Semestre do Curso de Comunicação Social com habilitação em
Publicidade e Propaganda da UFRN.
3Graduando do 5º. Semestre do Curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda da
UFRN.
4Orientador do trabalho. Doutor em Multimeios (IAR/UNICAMP), professor adjunto do curso de Comunicação
Social da UFRN. Integrante das bases de pesquisa Nielp (USP) e Pragma (UFRN).
5Orientador do trabalho. Doutor em Comunicação Publicitária (UNESP), professor adjunto do CCHLA (Centro de
Ciências Humanas, Letras e Artes), do curso de Comunicação Social.
6Orientadora do trabalho.Doutoranda em Ciências Sociais (UFRN), professora adjunta do CCHLA (Centro de
Ciências Humanas, Letras e Artes), do curso de Comunicação Social.



                                                                                                             5
INTRODUÇÃO
Em um mercado cada dia mais globalizado, tem se observado que as marcas tem
assumido um papel ainda mais relevante junto ao consumidor, tendo em vista a grande
quantidade e diversidade de produtos e serviços disponíveis no mercado. Contudo, com
o avanço tecnológico incessante dos meios produção as diferenças técnicas entre os
produtos e serviços tendem a serem menores a cada dia. Assim, “a medida que as
economias evoluem, uma proporção cada vez maior de suas atividades se concentra
na produção de serviços [...]. Muitas ofertas ao mercado consistem em um mix variável
de bens e serviços.” (KOTLER, 2000) o que torna o setor de serviços ainda mais
complicado de se tangenciar em relação aos produtos, já que eles não possuem tantos
componentes técnicos e materiais que justifiquem a diferença de valores entre eles.
Fazendo assim, com que os valores simbólicos atribuídos passem a ser bem mais
valorizados.
Atualmente a expressão consumir não se aplica apenas ao consumo físico ou material,
muito pelo contrário. Consumir um produto passa, antes de qualquer coisa, pelo
consumo das idéias que o envolvem. A partir de então expressões como branding,
marketing, brand equity e tantas outras, que outrora soariam estranhas no meio de uma
conversa, hoje passaram a ser extremamente corriqueiras para os profissionais da
comunicação, sobretudo os de publicidade e propaganda.
No mundo, o setor de serviços é um dos setores que mais cresce, especialmente o setor
financeiro. Nessa área as marcas atuam como um importante patrimônio dessas
instituições. Marcas que representam tradição, competência, grandeza e diversos
atributos materiais que estimulam o consumidor a investir nesta ou naquela instituição.
Contudo, nos últimos anos com a crise internacional, essas empresas sofreram grandes
perdas nos valores de suas marcas. O sentimento de instabilidade difundido pelo
momento de crise, se tornou exatamente o oposto a estabilidade e confiança que estas
instituições procuram passar com suas marcas. Com isso tornou-se inevitável o desgaste
e, consequentemente, a desvalorização destas marcas.
Na contra-mão dos efeitos que a crise causou a este setor, as marcas financeiras
brasileiras surpreenderam ao conseguirem excelentes resultados. Na verdade os
melhores já alcançados por elas. Mas como pode as marcas líderes em mercado e
investimento perderem valor de marca, em um momento de crise, enquanto as empresas


                                                                                          6
locais de um país latino-americano em desenvolvimento obterem significantes aumentos
nos valores de suas marcas? O que mudou no mercado global? Ou melhor, o que mudou
no consumidor, neste caso especificamente, o brasileiro?
Foi exatamente sob este enfoque que este artigo foi desenvolvido. É objetivo dele
compreender e discutir sobre como as empresas nacionais do setor financeiro
conseguiram fazer da brasilidade um importante elemento influenciador da percepção
do consumidor e um indispensável agente agregador de valor.


O VALOR DO BRANDING
Se existe um ativo valorizado nas empresas do setor financeiro hoje, esse ativo é a
marca. E se existe um responsável pela manutenção do sucesso de uma marca esse é,
em grande parte, o branding.
Entretanto existe um pensamento generalizado e equivocado de muitas empresas,
sobretudo no Brasil, sobre o que é branding. Costuma-se a resumi-lo apenas como
mudanças no design e na identidade visual da empresa. Quando na verdade é uma
gestão planejada e integrada da marca pensada sob vários aspectos, desde de ações no
campo do design e comunicação até ações de relações públicas, marketing, arquitetura,
paisagismo, moda e administração interna da empresa. Enfim, é tudo o que está
relacionado a forma como o consumidor percebe a imagem, as idéias e a comunicação
daquele produto, serviço ou mesmo daquela marca e empresa (ver complexidade no
organograma A).




                                                                                    7
ar àquilo que é      fato, ou fica esquecida nos relatórios
se processo, muitas   anuais, relegada ao plano do discurso.
comenda” de
dania corporativa
 promessas de
messa tem que
 forma de marca.”
 ezes é isso que
 acaba se tornando                                        EXPERIÊNCIA
                                                          EXPERIÊNCIA
 to sem muita
 u à prática de
s.
                                                           ESTRATÉGIA
                                                           ESTRATÉGIA
                                                            DA MARCA
                                                            DA MARCA




                                                        ESTRATÉGIA
                                                         ESTRATÉGIA
                                                         DO NEGÓCIO
                                                        DO NEGÓCIO




                                                          ESTRATÉGIA
                                                         DA CIDADANIA
                                                         CORPORATIVA



                                                         ENGAJAMENTO
                                                          ENGAJAMENTO




                       Organograma A – A estrutura do branding.
                       Fonte: Interbrand, 2011.
                      Inspirados por esta ideia e embasados pela prática
                      de nosso trabalho, reunimos aqui 12 insights
                      para ajudar as empresasrefere a apenas construir do design da empresa. Assim
                       Portanto, branding não se brasileiras a uma questão
                      cidadania corporativa no dia a dia, a direcionar é o mesmo que anúncio isolado
                       como uma campanha de comunicação integrada não
                      a escolha do consumidor e, no fechamento
                       num jornal mas que usou a mesma arte de outro anúncio veiculado numa mídia externa.
                      do ciclo, aumentar o valor de suas marcas.
                       Branding significa dotar produtos e serviços com o poder de uma marca (KOTLER E
                       KELLER, 2006).


                       BRAND EQUITY                                     A nova era da cidadania corporativa


                       Estabelecer valores a produtos é certamente um tarefa bem menos complexa do que
                       determinar os valores de um serviço, até pela natureza material do primeiro. Portanto,
                       no serviço financeiro a marca passa assumir um valor maior ainda do que assumiria em
                       um produto. Tendo em vista que os consumidores não estabelecem os valores de um
                       serviço de forma tão clara e objetiva objetiva. Eles estabelecem conforme a percepção
                       que possuem da marca. E a construção destes valores associados à marca é conhecido
                       como brand equity.(AZEVEDO Jr., 2005)
                       Diversos autores já trabalharam inúmeros conceitos de brand equity, porém todos
                       mantém a mesma essência. Observe o quadro comparativo na Figura 1.


                                                                                                              8
Figura 1 – Conceitos de brand equity na visão de vários autores.
Fonte: MARTINS, 2006



Mesmo percorrendo quase um década de conceitos e dezena de teóricos, percebe-se a
essência do conceito de brand equity e o quão relevante ele é para as intituições
financeiras enquanto marcas. Será exatamente esse valor fruto desse processo que irá
diferenciar essas empresas e determinar os preços dos serviços que elas oferecem em
relação a concorrência.
Além disso, essa experiência entre a empresa e o consumidor criará um relação mais
próximas entre eles. Estabelecendo assim, um vínculo que resultará num nível maior de
credibilidade, confiança e fidelidade. Quanto mais forte for o laço entre o banco e seu
cliente, menor será a possiblidade deste última troca-lo por um concorrente. Ou seja, o
investimento nessa relação evita o confronto direto entre rivais pelos clientes, evita o
chamado “oceano vermelho”. Ora, o que seria mais prático para um banco do que



                                                                                      9
anular seus concorrentes de forma silenciosa e eficiente? É a estratégia do Oceano Azul:
Não concorra com os rivais — torne-os irrelevantes. (CHAN KIN, 2005)


O CRESCIMENTO DO SETOR
É inquestionável a relevância e o crescimento do setor de serviço para a economia
global. A participação desse setor no PIB mundial não para de crescer e em 2009 já
atingia 55%, como pode ser observado abaixo no gráfico da Figura 1.




Figura 1 – Percentual de participação – PIB Mundial.

Fonte: Site IBGE / BARRETO, 2009.



No Brasil, o setor de serviços é hoje não apenas o mais promissor, como também o que
mais emprega e cresce em todas as regiões. Isso porque a execução de um serviço pode
estar ou não ligada a um produto concreto (KOTLER E KELLER, 2006). O que
possibilita inúmeras oportunidades de negócios em um país que vive um excelente
momento de crescimento e fortalecimento de sua economia.          Com isso o setor de
serviços vem numa constante crescente nas últimas décadas, portanto as previsões para
o crescimento desse setor, são as melhores possíveis, como é possível analisar na Figura
2.




                                                                                     10
As 25 marcas mais
       valiosas do Brasil 2011
      Figura 2 – Evolução dos Serviços no Brasil.

      Fonte: BARRETO, 2009.



      O destaque nesse setor vai para os serviços financeiros. Para se ter uma idéia, das
      quatro marcas mais valiosas do país, segundo o Interbrand, três são bancos (Ver Figura
      3).
       Valores em R$ milhões




       01             +18%
                                Itaú
                                R$ 24,296
                                Setor: Financeiro




       02             +10%
                                Bradesco
                                R$ 13,633
                                Setor: Financeiro      03       +7%
                                                                        Petrobras
                                                                        R$ 11,608
                                                                        Setor: Energia     04   +8%
                                                                                                       Banco
                                                                                                       do Brasil
                                                                                                       R$ 11,309
                                                                                                       Setor: Financeiro




      Figura 3 – Marcas brasileira mais valiosas 2011.


       05              Skol
      Fonte: Interbrand, Junho 2011.
                      +10%
                                R$ 7,277
                                Setor: Alimentos
                                e Bebidas
                                                       06       +22%
                                                                        Natura
                                                                        R$ 5,666
                                                                        Setor: Cosmético   07   +21%
                                                                                                       Brahma
                                                                                                       R$ 4,351
                                                                                                       Setor: Alimentos
                                                                                                       e Bebidas




       Legenda

            Aumento no valor                Queda no valor em   Estreia
                                                                                                                           11
            em relação a 2010               relação a 2010      no ranking 2011

10.
Além disso, dois bancos brasileiros (Itaú e Bradesco) figuram entre as únicas três
marcas nacionais presentes no ranking; de acordo com a pesquisa "As Marcas Mais
Valiosas do Brasil em 2011", realizada em parceria pela Revista Dinheiro e pela
BrandAnalytics/Millward Brown. Isso sem falar no domínio das marcas brasileiras no
ranking de marcas mais valiosas da América Latina.Ver Figura 4.



        LATAM

   #    Brand                                    Brand Value   Brand          Brand
                                                 $M            Contribution   Momentum


   1                                                           4              9
   2                                                           1              8
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Figura 4 – Marcas mais valiosas da América Latina.
Fonte: Millward Brown (com informações da BrandZ, Datamonitor e Bloomberg), 2010.



Um dado muito relevante, se levarmos em consideração que o Brasil é um país de

     Key Takeout
grandes empresas, porém sem o histórico em presenças de rankings deste gênero.
Em contrapartida ao brand to the BRICs das marcas financeiras estrangeiras
    Adapt your analisarmos o desempenho
percebe-se que não houve o mesmo crescimento, e em alguns casos ocorreu ainda uma
queda de posições e valores das marcas desse setor. Para enfatizar e comprovar o
excelente desempenho do setor financeiro no país basta observar a marca espanhola
Santander que foi um dos raros casos de empresas estrangeiras que cresceu o valor de
sua marca no ranking da Interbrand, contudo após iniciar as atividades aqui no país.




                                                                                         12
OS NOVOS VALORES

O fator brasilidade, junto ao bom momento econômico do país frente a crise
internacional, entrou como um forte aliado dos bancos que atuam no país. Entretanto,
quando se ouve falar em brasilidade é natural e corriqueiro vincular a imagem do país
aos já fadados e cansativos estereótipos criados em torno do país. Algo como as belezas
naturais, corpos esculturais, futebol, música, cores, calor e curvas. Na sociedade
contemporânea as pessoas são obrigadas a tomar decisões diariamente sobre uma série
de assuntos sobre o qual não possuem qualquer conhecimento (LIPPMANN, 2008). Em
virtude da urgência da necessidade de se tomar uma decisão, e na falta das informações
completas, elas acabam sustentando suas decisões em um arsenal de imagens
cristalizadas e crenças compartilhadas amplamente pela sociedade, sobretudo pelos
veículos de comunicação em massa. Contudo, o estereótipo em nada combinam com a
comunicação corporativa de instituições financeiras, tendo em vista que ele não só
censura o muito que precisa ser levado em conta, mas quando o estereótipo for abalado,
provavelmente o que apropriadamente foi levado em conta afunda com ele.
(LIPPMANN, 2008)

Desta forma, foi de profunda relevância para o seguimento desse estudo analisar uma
pesquisa de opinião pública intitulada “Projeto brasilidade de identidade nacional e
autoestima, realizada pela República” - uma empresa especializada em pesquisas de
opinião específicas deste gênero. Verificando assim que o conceito de marca país e
brasilidade vai muito além de questões tangíveis ou estéticas determinadas pelos
estereótipos já desgastados pela mídia e pela sociedade. A pesquisa revela um brasileiro
sempre ligado a valores abstratos e positivos. Um brasileiro mais humano que média
das pessoas de outras nacionalidades. Ver gráfico na Figura 5.




                                                                                     13
Figura 5 – A Autoimagem do Brasileiro.
Fonte: Projeto brasilidade de identidade nacional e autoestima - República, 2010.




A pesquisa também passa pelos valores intangíveis da sociedade. "Na pesquisa,
destacam-se aspectos na brasilidade que apontam para a questão da cordialidade
(HOLANDA) e da capacidade de conciliação (FREYRE) - “Conviver bem com todo
tipo de gente”, “adorar conviver com os amigos”, se emocionar e vibrar com
facilidade."” (RIBEIRO, 2010). A pesquisa mostra que o brasileiro se vê como mais
batalhador, mais alegre, mais solidário, mais prestativo, mais justo e ligados aos
sentimentos mais humanos.

Outra característica a ser levada em consideração é o estudo realizao pela Millward
Brown Brasil, instituto de pesquisas do grupo Ibope especializado em metodologias
para auxiliar na construção e manutenção de marcas, chamado "Comunicação Global -
Como as diferenças culturais impactam a performance da propaganda" e que foi
apresentado no 3º Congresso Brasileiro de Pesquisa, em 2008. A pesquisa, realizada em
dez países (Brasil, Argentina, México, Chile, Inglaterra, Espanha, África do Sul, China,
Índia e EUA), identificou que o apelo emocional nas campanhas publicitárias brasileira
é maior do que no resto do mundo, igualando-se apenas a Espanha e México.
Diferentemente do teor utilizado com freqüência em campanhas publicitárias de outros



                                                                                     14
países próximos como Argentina e Chile, onde se observa um teor “mais crítico e
politizado” nas campanhas. “O impacto da mensagem depende não só do que é dito,
mas também de como é dito. Alguns anúncios visam a uma posicionamento racional e
outros, a um posicionamento emocional.” (KOTLER, 2000).


AS NOVAS AÇÕES

Analisando todas informações já discutidas apresentadas até o momento; observa-se que
os bancos locais tem cada vez mais investido em comunicação, sobretudo em uma
comunicação mais pessoal e informal. Fortalecendo assim não apenas as suas marcas,
mas também utilizando-as como instrumento capaz de agregar valores a um setor tão
intangível como o de serviços. O mais puro brand equity.

Enquanto os bancos de outros países não apenas deixam de utilizar o apelo emocional,
mas como também caminha em linha exatamente oposta ressaltando a racionalidade e
os resultados (ver Imagem 6). As instituições financeiras no Brasil descobriram, através
de traços de brasilidade, a força do apelo emocional no público brasileiro. Partiram
então para uma publicidade mais emocional, ou seja "voltada para a tomada de decisão
do consumidor através da sensibilização afetiva e passional do
consumidor" (AZEVEDO JR, 2005).




Figura 6 – Os bancos estrangeiros destacam os resultados e a ausência do fator emocional.

Fonte: Peças publicitárias veiculadas pelos bancos Barclays e AVA.



Basta analisar as peças recentes dessas instituições. Nelas é possível compreender como
a comunicação dos bancos se tornaram mais humanas, emocionais, informais e até


                                                                                            15
íntimas do cliente; em detrimento da comunicação formal típica de intituições
financeiras pelo mundo a fora. O Banco do Brasil agora é banco “Todo Seu”, o Itaú foi
“Feito Pra Você”, e o Bradesco outrora conhecido pela imagem de estabilidade e
“Presença” este ano mudou a linha de comunicação enfatizando que “Presença é estar
lado a lado”. Até mesmo o estrangeiro Santander mudou seu conhecido slogan
internacional “Valorizando Idéias” e acrescentou “Valorizando Idéias por uma vida
melhor” quando iniciou suas atividades no país.




Figura 7 – Os bancos brasileiros agora estão mais íntimos e humanos em seu branding.
Fonte: Ações publicitárias veiculadas pelo Bradesco(2011) e Banco do Brasil(2007).



Mesmo no caso de compras e fusões os bancos aprenderam a ser menos comerciais e
mais emocionais. Para o Santander ele não comprou o Real, agora eles fazem tudo
“Juntos”. O Itaú e o Unibanco também fizeram uso de uma comunicação bem emotiva
ao anunciarem a “fusão”.

Taxas, valores ou mesmos benefícios financeiros agora praticamente inexistem na
comunicação das empresas desse setor. Atualmente, os clientes esperam sempre por
algo em troca nessa relação. E os bancos oferecem serviços prime, políticas de
responsabilidade ambiental, assistência social e uma série de outros benefícios que
mostre para consumidor que o banco tem sempre algo mais a oferecer para ele. Já não
basta simplesmente satisfazer clientes. É preciso encantá-los. (KOTLER, 2000).




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CONSIDERAÇÕES
Com esse vínculo de encantamento com os clientes, o bancos brasileiros consegue
cobrar R$ 1,7 bilhão por mês em tarifas, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada, Censo 2010 e Banco Central. E ainda assim melhoram a cada ano
não apenas o seu faturamento, mas como também o seu ativo de maior valor: suas
marcas.
Outrossim apesar da ressalva de que "a crença na importância maior dos benefícios
emocionais não representa, em absoluto, o descuido das funções operacionais do
negócio" (MARTINS, 2006); essa nova forma plural e completamente distinta dos
estereótipos consolidados do mercado mostram que é possível obter grandes resultados
através do uso de uma brasilidade mais abstrata e repleta de pluralidade. Abrindo assim,
caminho para que o mundo comece a pensar em fortes marcas financeiras globais de
origem brasileira.
Quem sabe assim, as empresas nacionais de outro setores possam vir a descobrir que já
não basta ter os melhores produtos ou serviços. É preciso ter a melhor relação com o
cliente. É fundamental compreender a cidadania corporativa da brasilidade como
elemento catalisador desse processo de fortalecimento das marcas nacionais e que está
deixando de ser um diferencial em nossa sociedade e caminhando para se tornar um
ponto obrigatório para a sobrevivência das empresas no mercado. E quando fala-se em
cidadania corporativa da brasilidade não significa campanhas de comunicação isoladas,
mas sim um forte investimento e planejamento em um sólido trabalho de branding
contribuindo para que essas ações possam vir a ter um impacto positivo real tanto no
fortalecimento do ativos e da estrutura econômica dessas empresas, quanto na vida de
seus consumidores. Tudo isso imerso profundamente nos melhores valores do Brasil.




                                                                                     17
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



AAKER, David A. Criando e administrando marcas de sucesso. São Paulo: Futura,
1996.

AZEVEDO Jr., Aryovaldo de Castro. Imagem mundo. Campinas: IAR/Unicamp, 2005.
Tese de doutorado.


BARRETO, Márcio. A importância das marcas para as empresas de serviços. 2009.


AZEVEDO JUNIOR, Aryovaldo de Castro; RETT, Lucimara. O Glocal e a
Construção de Marcas: o case do restaurante Mangai. Intercom, 2010.

CARNEIRO, Levi. Marca corporativa: um universo em expansão. Grupo Troiano de
Branding, 2011.

CHAN KIN, W, MAUBORGNE, Reené. A Estratégia do Oceano Azul. Editora
Campus, 2005.

HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da esfera pública – Investigação quanto
a uma categoria da sociedade burguesa. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984.

KOTLER, Philip, SOMKID Jatusripitak, and SUVIT Maesincee (1997), The
Marketing of Nations: A Strategic Approach to Building National Wealth. New
York: The Free Press.

KOTLER, Philip, KELLER, Kevin Lane. Administração de Marketing. Tradução
Mônica Rosemberg, Claudio Freire e Brasil Ramos. São Paulo: Pearson, 2006.

LIPPMANN, Walter. Opinião Pública. Petrópolis: Vozes, 2008.

LUPETTI, Marcélia. Administração em Publicidade e Propaganda. São Paulo:
Futura, 2004.

MARTINS, José Roberto. Branding: Um manual para você criar, avaliar e
gerenciar marcas. São Paulo: Global Brands, 2006.

SANT’ANNA, A. Propaganda: teoria, técnica e prática. São Paulo: Pioneira, 2007.

Site IBGE. Disponível em: http://www.ibge.com.br Acessado em: 26 de Maio de 2011,
13h12min.

Site INTERBRAND. Disponível em: http://www.interbrand.com Acessado em: em 09
de Junho de 2011, 23h14min.


                                                                                  18

Valores do Brasil (Artigo)

  • 1.
    MADSON BRUNO DOSSANTOS APODI PAULO SÉRGIO SILVA PESSOA VALORESDOBRASIL A BRASILIDADE APLICADA AO MERCADO FINANCEIRO. 1 NATAL/RN, 2011.
  • 2.
    ROTEIRO VALORESDOBRASIL MADSON BRUNO DOSSANTOS APODI 2 PAULO SÉRGIO SILVA PESSOA
  • 3.
    ROTEIRO VALORESDOBRASIL MADSON BRUNO DOS SANTOS APODI PAULO SÉRGIO SILVA PESSOA A BRASILIDADE APLICADA AO MERCADO FINANCEIRO. 1 INTRODUÇÃO Breve introdução ao conteúdo, explanando sobre as particularidades do tema. 2 O VALOR DO BRANDING Embasamento teórico e conceitual de Branding. Explicando a diferença entre Branding e comunicação isolada. 3 BRAND EQUITY Embasamento teórico e conceitual de Brand Equity. Ressaltando a importância dessa prática como uma prática da estratégia do Oceano Azul. 4 O CRESCIMENTO DO SETOR Ilustrar como números, gráficos e informações toda a realidade promissora do setor de serviço, destacando aí os serviços financeiros. OS NOVO VALORES 5 Como o uso de pesquisas de opinião pública levaram as empresas do setor a mudar os estereótipos de brasilidade e utiliza-la em seus projetos de branding e comunicação integrada. 6 AS NOVAS AÇÕES Como os bancos brasileiros tornaram sua comunicação mais emocional, e seus diferencias comparados aos bancos estrangeiros. 7 CONSIDERAÇÕES Compreender como a cidadania corporativa da brasilidade se tornou como elemento catalisador desse processo de fortalecimento das marcas nacionais e que está deixando de ser um diferencial em nossa sociedade e caminhando para se tornar um ponto obrigatório para a sobrevivência das empresas no mercado 3
  • 4.
    ARTIGO VALORESDOBRASIL MADSON BRUNO DOSSANTOS APODI 4 PAULO SÉRGIO SILVA PESSOA
  • 5.
    Valores do Brasil:a brasilidade aplicada ao mercado financeiro.1 Madson Bruno dos Santos APODI2 Paulo Sérgio Silva PESSOA 3 Aryovaldo de Castro AZEVEDO JUNIOR4 Luis Roberto Rossi DEL CARRATORE5 Maria Aparecida Ramos da SILVA 6 Universidade Federal do Rio Grande do Norte RESUMO Este artigo tem como objetivo analisar a forma como o conceito de marca Brasil vem sendo utilizado, de forma bastante particular, por empresas do mercado financeiro no Brasil. Observando não apenas a relevância e o crescimento do setor no últimos anos, mas principalmente a forma como essas empresas vem substituindo ações típicas do modelo de marketing tradicional por ações planejadas, integradas, inovadoras e contínuas de branding. Norteados por estudos e pesquisas de opinião, essas marcas quebram os já desgastados estereótipos, e fazem uso de novos valores de brasilidade mais abstratos e positivos enquanto elementos influenciadores da percepção do consumidor e agentes agregadores de valor. Resultando assim no fortalecimento do brand equity das marcas nesse setor. PALAVRAS-CHAVE: brasilidade; branding; mercado financeiro; bancos; brand equity; comunicação. 1Trabalho integrado submetido aos componentes COM0321 - PROJETO DE PESQUISA II, COM0316 - EMPREENDEDORISMO E PUBLICIDADE E PROPAGANDA e COM0038 - COMUNICACAO E OPINIAO PUBLICA, como parte da avaliação da Unidade 3. 2 Aluno líder do grupo e graduando do 5º. Semestre do Curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda da UFRN. 3Graduando do 5º. Semestre do Curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda da UFRN. 4Orientador do trabalho. Doutor em Multimeios (IAR/UNICAMP), professor adjunto do curso de Comunicação Social da UFRN. Integrante das bases de pesquisa Nielp (USP) e Pragma (UFRN). 5Orientador do trabalho. Doutor em Comunicação Publicitária (UNESP), professor adjunto do CCHLA (Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes), do curso de Comunicação Social. 6Orientadora do trabalho.Doutoranda em Ciências Sociais (UFRN), professora adjunta do CCHLA (Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes), do curso de Comunicação Social. 5
  • 6.
    INTRODUÇÃO Em um mercadocada dia mais globalizado, tem se observado que as marcas tem assumido um papel ainda mais relevante junto ao consumidor, tendo em vista a grande quantidade e diversidade de produtos e serviços disponíveis no mercado. Contudo, com o avanço tecnológico incessante dos meios produção as diferenças técnicas entre os produtos e serviços tendem a serem menores a cada dia. Assim, “a medida que as economias evoluem, uma proporção cada vez maior de suas atividades se concentra na produção de serviços [...]. Muitas ofertas ao mercado consistem em um mix variável de bens e serviços.” (KOTLER, 2000) o que torna o setor de serviços ainda mais complicado de se tangenciar em relação aos produtos, já que eles não possuem tantos componentes técnicos e materiais que justifiquem a diferença de valores entre eles. Fazendo assim, com que os valores simbólicos atribuídos passem a ser bem mais valorizados. Atualmente a expressão consumir não se aplica apenas ao consumo físico ou material, muito pelo contrário. Consumir um produto passa, antes de qualquer coisa, pelo consumo das idéias que o envolvem. A partir de então expressões como branding, marketing, brand equity e tantas outras, que outrora soariam estranhas no meio de uma conversa, hoje passaram a ser extremamente corriqueiras para os profissionais da comunicação, sobretudo os de publicidade e propaganda. No mundo, o setor de serviços é um dos setores que mais cresce, especialmente o setor financeiro. Nessa área as marcas atuam como um importante patrimônio dessas instituições. Marcas que representam tradição, competência, grandeza e diversos atributos materiais que estimulam o consumidor a investir nesta ou naquela instituição. Contudo, nos últimos anos com a crise internacional, essas empresas sofreram grandes perdas nos valores de suas marcas. O sentimento de instabilidade difundido pelo momento de crise, se tornou exatamente o oposto a estabilidade e confiança que estas instituições procuram passar com suas marcas. Com isso tornou-se inevitável o desgaste e, consequentemente, a desvalorização destas marcas. Na contra-mão dos efeitos que a crise causou a este setor, as marcas financeiras brasileiras surpreenderam ao conseguirem excelentes resultados. Na verdade os melhores já alcançados por elas. Mas como pode as marcas líderes em mercado e investimento perderem valor de marca, em um momento de crise, enquanto as empresas 6
  • 7.
    locais de umpaís latino-americano em desenvolvimento obterem significantes aumentos nos valores de suas marcas? O que mudou no mercado global? Ou melhor, o que mudou no consumidor, neste caso especificamente, o brasileiro? Foi exatamente sob este enfoque que este artigo foi desenvolvido. É objetivo dele compreender e discutir sobre como as empresas nacionais do setor financeiro conseguiram fazer da brasilidade um importante elemento influenciador da percepção do consumidor e um indispensável agente agregador de valor. O VALOR DO BRANDING Se existe um ativo valorizado nas empresas do setor financeiro hoje, esse ativo é a marca. E se existe um responsável pela manutenção do sucesso de uma marca esse é, em grande parte, o branding. Entretanto existe um pensamento generalizado e equivocado de muitas empresas, sobretudo no Brasil, sobre o que é branding. Costuma-se a resumi-lo apenas como mudanças no design e na identidade visual da empresa. Quando na verdade é uma gestão planejada e integrada da marca pensada sob vários aspectos, desde de ações no campo do design e comunicação até ações de relações públicas, marketing, arquitetura, paisagismo, moda e administração interna da empresa. Enfim, é tudo o que está relacionado a forma como o consumidor percebe a imagem, as idéias e a comunicação daquele produto, serviço ou mesmo daquela marca e empresa (ver complexidade no organograma A). 7
  • 8.
    ar àquilo queé fato, ou fica esquecida nos relatórios se processo, muitas anuais, relegada ao plano do discurso. comenda” de dania corporativa promessas de messa tem que forma de marca.” ezes é isso que acaba se tornando EXPERIÊNCIA EXPERIÊNCIA to sem muita u à prática de s. ESTRATÉGIA ESTRATÉGIA DA MARCA DA MARCA ESTRATÉGIA ESTRATÉGIA DO NEGÓCIO DO NEGÓCIO ESTRATÉGIA DA CIDADANIA CORPORATIVA ENGAJAMENTO ENGAJAMENTO Organograma A – A estrutura do branding. Fonte: Interbrand, 2011. Inspirados por esta ideia e embasados pela prática de nosso trabalho, reunimos aqui 12 insights para ajudar as empresasrefere a apenas construir do design da empresa. Assim Portanto, branding não se brasileiras a uma questão cidadania corporativa no dia a dia, a direcionar é o mesmo que anúncio isolado como uma campanha de comunicação integrada não a escolha do consumidor e, no fechamento num jornal mas que usou a mesma arte de outro anúncio veiculado numa mídia externa. do ciclo, aumentar o valor de suas marcas. Branding significa dotar produtos e serviços com o poder de uma marca (KOTLER E KELLER, 2006). BRAND EQUITY A nova era da cidadania corporativa Estabelecer valores a produtos é certamente um tarefa bem menos complexa do que determinar os valores de um serviço, até pela natureza material do primeiro. Portanto, no serviço financeiro a marca passa assumir um valor maior ainda do que assumiria em um produto. Tendo em vista que os consumidores não estabelecem os valores de um serviço de forma tão clara e objetiva objetiva. Eles estabelecem conforme a percepção que possuem da marca. E a construção destes valores associados à marca é conhecido como brand equity.(AZEVEDO Jr., 2005) Diversos autores já trabalharam inúmeros conceitos de brand equity, porém todos mantém a mesma essência. Observe o quadro comparativo na Figura 1. 8
  • 9.
    Figura 1 –Conceitos de brand equity na visão de vários autores. Fonte: MARTINS, 2006 Mesmo percorrendo quase um década de conceitos e dezena de teóricos, percebe-se a essência do conceito de brand equity e o quão relevante ele é para as intituições financeiras enquanto marcas. Será exatamente esse valor fruto desse processo que irá diferenciar essas empresas e determinar os preços dos serviços que elas oferecem em relação a concorrência. Além disso, essa experiência entre a empresa e o consumidor criará um relação mais próximas entre eles. Estabelecendo assim, um vínculo que resultará num nível maior de credibilidade, confiança e fidelidade. Quanto mais forte for o laço entre o banco e seu cliente, menor será a possiblidade deste última troca-lo por um concorrente. Ou seja, o investimento nessa relação evita o confronto direto entre rivais pelos clientes, evita o chamado “oceano vermelho”. Ora, o que seria mais prático para um banco do que 9
  • 10.
    anular seus concorrentesde forma silenciosa e eficiente? É a estratégia do Oceano Azul: Não concorra com os rivais — torne-os irrelevantes. (CHAN KIN, 2005) O CRESCIMENTO DO SETOR É inquestionável a relevância e o crescimento do setor de serviço para a economia global. A participação desse setor no PIB mundial não para de crescer e em 2009 já atingia 55%, como pode ser observado abaixo no gráfico da Figura 1. Figura 1 – Percentual de participação – PIB Mundial. Fonte: Site IBGE / BARRETO, 2009. No Brasil, o setor de serviços é hoje não apenas o mais promissor, como também o que mais emprega e cresce em todas as regiões. Isso porque a execução de um serviço pode estar ou não ligada a um produto concreto (KOTLER E KELLER, 2006). O que possibilita inúmeras oportunidades de negócios em um país que vive um excelente momento de crescimento e fortalecimento de sua economia. Com isso o setor de serviços vem numa constante crescente nas últimas décadas, portanto as previsões para o crescimento desse setor, são as melhores possíveis, como é possível analisar na Figura 2. 10
  • 11.
    As 25 marcasmais valiosas do Brasil 2011 Figura 2 – Evolução dos Serviços no Brasil. Fonte: BARRETO, 2009. O destaque nesse setor vai para os serviços financeiros. Para se ter uma idéia, das quatro marcas mais valiosas do país, segundo o Interbrand, três são bancos (Ver Figura 3). Valores em R$ milhões 01 +18% Itaú R$ 24,296 Setor: Financeiro 02 +10% Bradesco R$ 13,633 Setor: Financeiro 03 +7% Petrobras R$ 11,608 Setor: Energia 04 +8% Banco do Brasil R$ 11,309 Setor: Financeiro Figura 3 – Marcas brasileira mais valiosas 2011. 05 Skol Fonte: Interbrand, Junho 2011. +10% R$ 7,277 Setor: Alimentos e Bebidas 06 +22% Natura R$ 5,666 Setor: Cosmético 07 +21% Brahma R$ 4,351 Setor: Alimentos e Bebidas Legenda Aumento no valor Queda no valor em Estreia 11 em relação a 2010 relação a 2010 no ranking 2011 10.
  • 12.
    Além disso, doisbancos brasileiros (Itaú e Bradesco) figuram entre as únicas três marcas nacionais presentes no ranking; de acordo com a pesquisa "As Marcas Mais Valiosas do Brasil em 2011", realizada em parceria pela Revista Dinheiro e pela BrandAnalytics/Millward Brown. Isso sem falar no domínio das marcas brasileiras no ranking de marcas mais valiosas da América Latina.Ver Figura 4. LATAM # Brand Brand Value Brand Brand $M Contribution Momentum 1 4 9 2 1 8 2 9 4 2 9 2 9 6 8 7 1 9 Figura 4 – Marcas mais valiosas da América Latina. Fonte: Millward Brown (com informações da BrandZ, Datamonitor e Bloomberg), 2010. Um dado muito relevante, se levarmos em consideração que o Brasil é um país de Key Takeout grandes empresas, porém sem o histórico em presenças de rankings deste gênero. Em contrapartida ao brand to the BRICs das marcas financeiras estrangeiras Adapt your analisarmos o desempenho percebe-se que não houve o mesmo crescimento, e em alguns casos ocorreu ainda uma queda de posições e valores das marcas desse setor. Para enfatizar e comprovar o excelente desempenho do setor financeiro no país basta observar a marca espanhola Santander que foi um dos raros casos de empresas estrangeiras que cresceu o valor de sua marca no ranking da Interbrand, contudo após iniciar as atividades aqui no país. 12
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    OS NOVOS VALORES Ofator brasilidade, junto ao bom momento econômico do país frente a crise internacional, entrou como um forte aliado dos bancos que atuam no país. Entretanto, quando se ouve falar em brasilidade é natural e corriqueiro vincular a imagem do país aos já fadados e cansativos estereótipos criados em torno do país. Algo como as belezas naturais, corpos esculturais, futebol, música, cores, calor e curvas. Na sociedade contemporânea as pessoas são obrigadas a tomar decisões diariamente sobre uma série de assuntos sobre o qual não possuem qualquer conhecimento (LIPPMANN, 2008). Em virtude da urgência da necessidade de se tomar uma decisão, e na falta das informações completas, elas acabam sustentando suas decisões em um arsenal de imagens cristalizadas e crenças compartilhadas amplamente pela sociedade, sobretudo pelos veículos de comunicação em massa. Contudo, o estereótipo em nada combinam com a comunicação corporativa de instituições financeiras, tendo em vista que ele não só censura o muito que precisa ser levado em conta, mas quando o estereótipo for abalado, provavelmente o que apropriadamente foi levado em conta afunda com ele. (LIPPMANN, 2008) Desta forma, foi de profunda relevância para o seguimento desse estudo analisar uma pesquisa de opinião pública intitulada “Projeto brasilidade de identidade nacional e autoestima, realizada pela República” - uma empresa especializada em pesquisas de opinião específicas deste gênero. Verificando assim que o conceito de marca país e brasilidade vai muito além de questões tangíveis ou estéticas determinadas pelos estereótipos já desgastados pela mídia e pela sociedade. A pesquisa revela um brasileiro sempre ligado a valores abstratos e positivos. Um brasileiro mais humano que média das pessoas de outras nacionalidades. Ver gráfico na Figura 5. 13
  • 14.
    Figura 5 –A Autoimagem do Brasileiro. Fonte: Projeto brasilidade de identidade nacional e autoestima - República, 2010. A pesquisa também passa pelos valores intangíveis da sociedade. "Na pesquisa, destacam-se aspectos na brasilidade que apontam para a questão da cordialidade (HOLANDA) e da capacidade de conciliação (FREYRE) - “Conviver bem com todo tipo de gente”, “adorar conviver com os amigos”, se emocionar e vibrar com facilidade."” (RIBEIRO, 2010). A pesquisa mostra que o brasileiro se vê como mais batalhador, mais alegre, mais solidário, mais prestativo, mais justo e ligados aos sentimentos mais humanos. Outra característica a ser levada em consideração é o estudo realizao pela Millward Brown Brasil, instituto de pesquisas do grupo Ibope especializado em metodologias para auxiliar na construção e manutenção de marcas, chamado "Comunicação Global - Como as diferenças culturais impactam a performance da propaganda" e que foi apresentado no 3º Congresso Brasileiro de Pesquisa, em 2008. A pesquisa, realizada em dez países (Brasil, Argentina, México, Chile, Inglaterra, Espanha, África do Sul, China, Índia e EUA), identificou que o apelo emocional nas campanhas publicitárias brasileira é maior do que no resto do mundo, igualando-se apenas a Espanha e México. Diferentemente do teor utilizado com freqüência em campanhas publicitárias de outros 14
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    países próximos comoArgentina e Chile, onde se observa um teor “mais crítico e politizado” nas campanhas. “O impacto da mensagem depende não só do que é dito, mas também de como é dito. Alguns anúncios visam a uma posicionamento racional e outros, a um posicionamento emocional.” (KOTLER, 2000). AS NOVAS AÇÕES Analisando todas informações já discutidas apresentadas até o momento; observa-se que os bancos locais tem cada vez mais investido em comunicação, sobretudo em uma comunicação mais pessoal e informal. Fortalecendo assim não apenas as suas marcas, mas também utilizando-as como instrumento capaz de agregar valores a um setor tão intangível como o de serviços. O mais puro brand equity. Enquanto os bancos de outros países não apenas deixam de utilizar o apelo emocional, mas como também caminha em linha exatamente oposta ressaltando a racionalidade e os resultados (ver Imagem 6). As instituições financeiras no Brasil descobriram, através de traços de brasilidade, a força do apelo emocional no público brasileiro. Partiram então para uma publicidade mais emocional, ou seja "voltada para a tomada de decisão do consumidor através da sensibilização afetiva e passional do consumidor" (AZEVEDO JR, 2005). Figura 6 – Os bancos estrangeiros destacam os resultados e a ausência do fator emocional. Fonte: Peças publicitárias veiculadas pelos bancos Barclays e AVA. Basta analisar as peças recentes dessas instituições. Nelas é possível compreender como a comunicação dos bancos se tornaram mais humanas, emocionais, informais e até 15
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    íntimas do cliente;em detrimento da comunicação formal típica de intituições financeiras pelo mundo a fora. O Banco do Brasil agora é banco “Todo Seu”, o Itaú foi “Feito Pra Você”, e o Bradesco outrora conhecido pela imagem de estabilidade e “Presença” este ano mudou a linha de comunicação enfatizando que “Presença é estar lado a lado”. Até mesmo o estrangeiro Santander mudou seu conhecido slogan internacional “Valorizando Idéias” e acrescentou “Valorizando Idéias por uma vida melhor” quando iniciou suas atividades no país. Figura 7 – Os bancos brasileiros agora estão mais íntimos e humanos em seu branding. Fonte: Ações publicitárias veiculadas pelo Bradesco(2011) e Banco do Brasil(2007). Mesmo no caso de compras e fusões os bancos aprenderam a ser menos comerciais e mais emocionais. Para o Santander ele não comprou o Real, agora eles fazem tudo “Juntos”. O Itaú e o Unibanco também fizeram uso de uma comunicação bem emotiva ao anunciarem a “fusão”. Taxas, valores ou mesmos benefícios financeiros agora praticamente inexistem na comunicação das empresas desse setor. Atualmente, os clientes esperam sempre por algo em troca nessa relação. E os bancos oferecem serviços prime, políticas de responsabilidade ambiental, assistência social e uma série de outros benefícios que mostre para consumidor que o banco tem sempre algo mais a oferecer para ele. Já não basta simplesmente satisfazer clientes. É preciso encantá-los. (KOTLER, 2000). 16
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    CONSIDERAÇÕES Com esse vínculode encantamento com os clientes, o bancos brasileiros consegue cobrar R$ 1,7 bilhão por mês em tarifas, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Censo 2010 e Banco Central. E ainda assim melhoram a cada ano não apenas o seu faturamento, mas como também o seu ativo de maior valor: suas marcas. Outrossim apesar da ressalva de que "a crença na importância maior dos benefícios emocionais não representa, em absoluto, o descuido das funções operacionais do negócio" (MARTINS, 2006); essa nova forma plural e completamente distinta dos estereótipos consolidados do mercado mostram que é possível obter grandes resultados através do uso de uma brasilidade mais abstrata e repleta de pluralidade. Abrindo assim, caminho para que o mundo comece a pensar em fortes marcas financeiras globais de origem brasileira. Quem sabe assim, as empresas nacionais de outro setores possam vir a descobrir que já não basta ter os melhores produtos ou serviços. É preciso ter a melhor relação com o cliente. É fundamental compreender a cidadania corporativa da brasilidade como elemento catalisador desse processo de fortalecimento das marcas nacionais e que está deixando de ser um diferencial em nossa sociedade e caminhando para se tornar um ponto obrigatório para a sobrevivência das empresas no mercado. E quando fala-se em cidadania corporativa da brasilidade não significa campanhas de comunicação isoladas, mas sim um forte investimento e planejamento em um sólido trabalho de branding contribuindo para que essas ações possam vir a ter um impacto positivo real tanto no fortalecimento do ativos e da estrutura econômica dessas empresas, quanto na vida de seus consumidores. Tudo isso imerso profundamente nos melhores valores do Brasil. 17
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    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AAKER, DavidA. Criando e administrando marcas de sucesso. São Paulo: Futura, 1996. AZEVEDO Jr., Aryovaldo de Castro. Imagem mundo. Campinas: IAR/Unicamp, 2005. Tese de doutorado. BARRETO, Márcio. A importância das marcas para as empresas de serviços. 2009. AZEVEDO JUNIOR, Aryovaldo de Castro; RETT, Lucimara. O Glocal e a Construção de Marcas: o case do restaurante Mangai. Intercom, 2010. CARNEIRO, Levi. Marca corporativa: um universo em expansão. Grupo Troiano de Branding, 2011. CHAN KIN, W, MAUBORGNE, Reené. A Estratégia do Oceano Azul. Editora Campus, 2005. HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da esfera pública – Investigação quanto a uma categoria da sociedade burguesa. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984. KOTLER, Philip, SOMKID Jatusripitak, and SUVIT Maesincee (1997), The Marketing of Nations: A Strategic Approach to Building National Wealth. New York: The Free Press. KOTLER, Philip, KELLER, Kevin Lane. Administração de Marketing. Tradução Mônica Rosemberg, Claudio Freire e Brasil Ramos. São Paulo: Pearson, 2006. LIPPMANN, Walter. Opinião Pública. Petrópolis: Vozes, 2008. LUPETTI, Marcélia. Administração em Publicidade e Propaganda. São Paulo: Futura, 2004. MARTINS, José Roberto. Branding: Um manual para você criar, avaliar e gerenciar marcas. São Paulo: Global Brands, 2006. SANT’ANNA, A. Propaganda: teoria, técnica e prática. São Paulo: Pioneira, 2007. Site IBGE. Disponível em: http://www.ibge.com.br Acessado em: 26 de Maio de 2011, 13h12min. Site INTERBRAND. Disponível em: http://www.interbrand.com Acessado em: em 09 de Junho de 2011, 23h14min. 18