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1. INTRODUÇÃO

      Até a década de 1980 a seleção obtinha resultados que variavam entre
os décimo-quinto e quinto lugares, e o voleibol era um esporte com pouco
charme para o brasileiro.

      A partir de década de oitenta, com a chamada Geração de Prata, o vôlei
brasileiro começou a obter resultados importantes, como a medalha de prata
das Olimpíadas de Los Angeles, o Campeonato Sul-americano de Voleibol
Masculino de 1983. Esses resultados, aliados a investimentos de marketing e
formação de base, melhoraram sensivelmente o nível do voleibol nacional.

      A partir da criação da Liga Mundial de Voleibol, a seleção brasileira foi
obtendo resultados cada vez mais consistentes, que resultaram no ouro nas
Olimpíadas de Barcelona.

      A partir dessa época, o Brasil começou a ter equipes fortes e também a
exportar jogadores para todo o mundo. A década de 1990, porém, seria
dominada pela seleção italiana (embora as Olimpíadas de 1992 tenham sido
vencidas pelo Brasil, em uma final contra os Países Baixos, que viria a ser
campeão em 1996 contra a Itália).

      Mas os melhores resultados ainda estavam por vir. No início do século
XXI, sob o comando do treinador Bernardinho, a seleção tornou-se
praticamente invencível. De 2001 a 2006, a seleção disputou 20 títulos,
obtendo 16 primeiros lugares, 3 segundos lugares e 1 terceiro lugar. Os
primeiros lugares incluíram dois campeonatos mundiais, cinco títulos da liga
mundial, uma copa do mundo, uma copa dos campeões e uma olimpíada.
Entre 2007 e 2009, a seleção ainda conquistou mais dois títulos da liga
mundial, uma copa do mundo e uma copa dos campeões.

      A seqüência de resultados positivos é certamente fruto de uma
administração de qualidade, que conseguiu transformar o voleibol no segundo
esporte no coração dos brasileiros, e que conseguiu ótimos resultados também
no vôlei de praia. Os resultados de 2001 a 2006 são, por muitos, atribuídos à
grande qualidade da equipe, mas principalmente à capacidade do técnico
Bernardinho de obter resultados.
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Inspirado pela leitura de biografias de líderes históricos como Churchill e
de grandes esportistas e treinadores como Vince Lombardi, Bernardinho foi
amadurecendo um olhar próprio sobre a sua atividade. Isso o levou a formular
uma ferramenta de trabalho que denominou de ”Roda da Excelência” e que é
um dos principais temas do seu livro “Transformando suor em ouro”.

       A essência do sucesso de Bernardinho nas quadras é a crença numa
equação simples que nada tem de matemática: TRABALHO + TALENTO =
SUCESSO. Não por acaso o TRABALHO vem antes do TALENTO. Para
Bernardinho, a ordem desses fatores altera o produto. Apoiado no seu próprio
exemplo como jogador, ele aposta no esforço e na perseverança, na disciplina
e na obstinação.

       Bernardinho conta que quando tinha entre 14 e 15 anos, jogava no
Infanto-Juvenil do Fluminense e o treinador do time adulto era o Feitosa, e que
um dia ele lhe convidou para participar de amistosos fora do Rio Janeiro com o
time adulto.

       É claro que ele foi, porque o sonho do todo atleta jovem é estar um
degrau acima, eles querem jogar no meio de gente grande, e mais ainda, ser
convidado pelo treinador do time adulto vibra na mente do atleta jovem como
prestígio, valorização, etc.

       Porém, ao aceitar o convite de ir jogar com o time adulto é obvio que ele
desfalcou o time dele, o Infanto-Juvenil, e quando se reapresentou ao seu
treinador, o Bené, não foi poupado. Bené disse-lhe:

       - Bernardo, como Líder e capitão do nosso time, você não foi verdadeiro!
Você falhou, abandonou seus companheiros justamente quando eles mais
precisavam de você, só para jogar uns amistosos com os adultos. Você foi
ajudar os outros que não são seus companheiros e não precisavam de você
naquele momento.

       Bernardinho disse que nunca mais esqueceu a lição que aprendeu com
o seu treinador, o Bené, que com meia dúzia de palavras duras e claras disse-
lhe como deveria conduzir sua vida pessoal e profissional dali para frente, e
que assim descobriu um dos GRANDES SEGREDOS DA LIDERANÇA

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VERDADEIRA.




              3
2. DADOS BIOGRÁFICOS

       Bernardo Rocha de Rezende, conhecido como Bernardinho, (Rio de
Janeiro, 25 de agosto de 1959) é um ex-jogador de voleibol brasileiro e, desde
2001, é o técnico da seleção brasileira de voleibol masculino.

       Passou a infância no Rio de Janeiro e estudou no Colégio Andrews.
Estudou lá desde o antigo primário até o vestibular.

       Bernardinho nasceu em Copacabana, no Rio de Janeiro, numa família
de classe média alta. Por influência dos pais praticou vários esportes, entre
eles o judô, no qual foi vice campeão carioca infanto-juvenil. Foi no judô que
ele adquiriu a disciplina como atleta. Descobriu o voleibol na praia onde ele
jogava junto com o irmão e uma turma de amigos.

       Começou a jogar vôlei aos 11 anos. Tinha um vizinho um pouco mais
velho que jogava no Fluminense. Ele e seus irmãos foram levados pelo tal
vizinho para fazer uma aula experimental no clube. Lá, conheceram o seu
primeiro treinador, o Bené. Foi um tremendo professor e uma pessoa que fez
uma diferença enorme em sua vida. Bené foi o primeiro treinador de muitos dos
jogadores da geração de prata, como Bernard, Badá, Fernandão. Além de
descobridor de talentos, ele era um grande motivador de pessoas de uma
forma geral, um cara fantástico. Foi lá que ele adquiriu seus primeiros
ensinamentos da carreira como a disciplina, as primeiras noções de liderança,
a importância de fazer parte de uma equipe, de tratar todos segundo os
mesmos valores, mas não necessariamente da mesma forma, além de jogar o
voleibol.

       Depois, se formou na faculdade de Economia na PUC-RJ, em 1984, que
também foi muito importante para a sua formação, depois de desistir da
faculdade de engenharia. Fluente em quatro idiomas, já tinha feito um estágio
no banco Garantia quando ainda era estudante. No mesmo ano em quase
formou, pediu uma força aos professores para cobrir suas faltas, já que
acompanharia a Seleção Brasileira de Vôlei nos Jogos Olímpicos de Los
Angeles. Voltou da viagem com a medalha de prata e uma dúvida: devia seguir
ou não a carreira de economista? "Sempre gostei de economia e meu objetivo

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era trabalhar no mercado financeiro", diz Rezende, o Bernardinho, que durante
sete anos foi levantador da seleção e há algumas semanas comandou a equipe
brasileira rumo à conquista do Mundial, na Argentina.

      Bernardinho jogou voleibol de 1979 até 1986, defendendo times do Rio
de Janeiro. Em 1988 parou de jogar e começou a carreira de treinador como
assistente técnico de Bebeto de Freitas, nas Olimpíadas de Seul. Dois anos
depois, treinou a equipe feminina do Peruggia, na Itália, onde ficou até 1992.
Bernardinho diz ter encontrado sua verdadeira vocação quando aceitou um
convite para dirigir o time do Perugia, na Itália. "Só então abandonei de vez a
idéia de ser economista", diz. "E abracei a carreira de treinador." Enquanto o
Perugia conquistava títulos nas copas da Itália e européia, Bernardinho se
destacava como técnico.

      No ano seguinte, dirigiu a equipe masculina do Modena. Em seguida,
Bernardinho retornou ao Brasil e, em 1994, assumiu o comando da seleção
feminina brasileira adulta, até 2000.

      O êxito nas quadras fez do técnico um conferencista requisitado.
Inspirado pela "Pirâmide do Sucesso", criação do treinador John Wooden, mito
do basquete universitário estadunidense e que usa a figura geométrica para
ensinar o passo-a-passo do sucesso, Bernardinho desenvolveu a "Roda da
Excelência". Nela, dispõe valores como trabalho em equipe, liderança,
motivação, perseverança e outros conceitos comuns a manuais de recursos
humanos.

      Bernardinho é casado com a ex-jogadora de voleibol Fernanda Venturini.
Casaram-se em 1999 e hoje tem uma filha juntos chamada Julia. Antes, foi
casado com a ex-jogadora de voleibol Vera Mossa, com quem teve Bruno
Mossa de Rezende, o Bruninho, que é levantador da seleção brasileira
masculina de vôlei.

      Em 2001, assumiu a seleção masculina, quando começaram a chover as
medalhas de ouro. Além de cinco títulos mundiais, o Brasil, sob sua gestão, foi,
em 2004, campeão das Olimpíadas de Atenas. Cunhou-se o termo “A Era
Bernardinho”, para definir o período áureo da seleção, de vitórias sucessivas.


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Bernardinho é o idealizador do Instituto Compartilhar, que foi criado no
Rio de Janeiro em março de 2003 e que em julho de 2004 abriu uma sede em
Curitiba. O Instituto utiliza a prática esportiva como principal ferramenta para
inserir os jovens de maneira produtiva na sociedade.

       Foi escolhido o melhor treinador da Super Liga Feminina 2007/2008. E
pelo Comitê Olímpico Brasileiro por quatro anos consecutivos o melhor
treinador do Brasil.

       É autor dos livros: "Bernardinho - Cartas a um jovem atleta -
Determinação e Talento: O caminho da Vitória" (ISBN 8535220712) e
"Transformando Suor em Ouro" (ISBN 8575422421).




       - Títulos conquistados

       Como jogador

       1981 - Campeão sul-americano

       1981 - Bronze na Copa do Mundo de Voleibol de 1981

       1982 - Campeão do Mundialito

       1982 - Prata no Mundial de 1982

       1983 - Bicampeão sul-americano

       1983 - Ouro no Pan-americano de Caracas

       1984 - Prata na Olimpíada de Los Angeles

       1985 - Tricampeão sul-americano




       Como técnico

       Na seleção feminina


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1994 - Vice-campeão no Mundial de Voleibol Feminino

1994 - Ouro no Grand Prix de Voleibol

1996 - Bronze na Olimpíada de Atlanta

1996 - Ouro no Grand Prix de Voleibol

1998 - Campeão sul-americano de voleibol

1998 - Bronze na Copa dos Campeões

1999 - Ouro no Pan-americano de Winnipeg

1999 - Prata no Grand Prix

1999 - Ouro no Sul-Americano

1999 - Prata na Copa do Mundo de Voleibol

2000 - Bronze no Grand Prix de Voleibol

2000 - Bronze na Olimpíada de Sydney

Na seleção masculina

2001 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol

2001 - Campeão sul-americano

2001 - Campeão do Torneio Ponte di Legno

2001 - Campeão do Torneio Consorzio Metano de Vellecamonica

2002 - Vice-campeão da Liga Mundial de Voleibol

2002 - Campeão Mundial na Argentina

2002 - Campeão do Torneio Sei Nazioni

2003 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol

2003 - Campeão sul-americano

2003 - Campeão da Copa do Mundo de Voleibol, no Japão

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2003 - Bronze no Pan-americano de Santo Domingo

2004 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol

2004 - Ouro na Olimpíada de Atenas

2005 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol

2005 - Vice-campeão da Copa América

2006 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol

2006 - Campeão Mundial no Japão

2007 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol

2007 - Ouro no Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro

2007 - Vice-campeão da Copa América

2007 - Campeão da Copa do Mundo de Voleibol, no Japão.

2008 - Quarto colocado da Liga Mundial, no Rio de Janeiro.

2008 - Prata nas Olimpíadas de Pequim, na China

2008 - Vice-campeão da Copa América

2009 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol (Sérvia)

2010 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol (Argentina)




                                                             8
3. COMPETÊNCIAS          FUNDAMENTAIS          PARA     O    EXERCÍCIO       DA
LIDERANÇA.



      CAPACIDADE EM CRIAR, COMPARTILHAR UMA ESTRATÉGIA
(UMA IMAGEM CLARA DO SUCESSO), CRIAR CONDIÇÕES PARA TORNÁ-
LA REALIDADE E HUMILDADE PARA EXECUTAR CORREÇÕES DE
RUMO, SE NECESSÁRIAS;

      1º) “Bernardinho é fanático por vídeos e estatísticas. Durante as
competições, a auxiliar Roberta Giglio passa noites em claro levantando dados
dos adversários. O técnico pede videoteipes dos jogos dos rivais e elabora
diagramas que mostram os setores da quadra em que os jogadores
adversários mais atuam e suas principais características. A estratégia é
montada jogo a jogo. Durante os jogos, quatro auxiliares, em pontos diferentes
da quadra, ficam ligados a Bernardinho por um ponto eletrônico, prontos para
alertar sobre qualquer mudança de tática dos adversários.

      - A gente precisa saber a parte tática da equipe, como eles estão
jogando. Por exemplo, dependendo de onde e em que condições que a bola
chega para o levantador deles, a gente precisa armar rapidamente uma
estratégia contra a ofensiva – conta Roberta Giglio – Auxiliar”. (Você S/A.
Disponível             em:               http://vocesa.abril.com.br/blog/ricardo-
nakai/2010/02/19/lideranca-esportiva/)




      De acordo com este texto, podemos perceber que Bernardinho possui
uma grande capacidade em criar e passar as estratégias para a equipe; ele
traça suas estratégias, após um estudo minucioso do adversário, através de
vídeos dos jogos das equipes oponentes. E durante os jogos ele executa
correções em sua estratégia, caso o adversário mude sua tática.




                                                                                9
2°) “É fácil dizer que esse time é do Bernardinho, mas não é. Sou só um
deles. Às vezes tenho de pressioná-los, às vezes acalmá-los. Estou aqui para
dar-lhes os meios para as vitórias e questioná-los sobre como continuar
melhorando. Esse é meu principal papel.” (Entrevista de Bernardinho para
Você         S/A.    Disponível     em:      http://vocesa.abril.com.br/blog/ricardo-
nakai/2010/02/19/lideranca-esportiva/)




          Nesta entrevista, podemos perceber que Bernardinho cria meios para
tornar a estratégia possível, alcançando, desta forma, os objetivos da equipe,
que é a vitória.




          3°) “Queria treinar assim que chegássemos, não importava o quanto
estivéssemos cansados pela viagem. Entramos no ônibus que nos levaria ao
hotel. O programa era mudarmos de roupa e irmos imediatamente para a
quadra. O funcionário da Federação Holandesa, muito educadamente, avisou
que não poderia haver treino naquele dia.

          - Como não? – Protestei. Lembrei-lhe que tinha acertado tudo antes de
viajar.

          - Hoje, 30 de abril, é feriado, aniversário de coroação da rainha Beatriz.
Está tudo fechado, menos os bares para o pessoal comemorar.

          Ainda tentei de todas as formas convencer o homem a abrir o ginásio,
mas não houve jeito. Os jogadores adoraram. Não haveria treino. Quer dizer,
isso é o que eles pensaram. Chegando ao hotel, um prédio de três andares na
periferia de Amsterdã, vi que existia um estacionamento ao lado. Ao vê-lo
vazio, com um asfalto bonito, lisinho, pensei: “É aqui mesmo”. Ao descer do
ônibus, virei-me para os jogadores e disse:

          - Subam, mudem de roupa e desçam que vamos treinar no

                                                                                   10
estacionamento.” (Fonte: Transformando Suor em Ouro – Livro escrito por
Bernardinho)




      Bernardinho sempre se mostrou bastante preocupado com a preparação
do time, colocando os treinamentos sempre em primeiro plano, fazendo sempre
de tudo para não deixar de realizar o treinamento planejado. A capacidade
técnica dele também é vista na preparação tática do time, sendo esta feita com
base em uma quantidade enorme de fontes de informações da equipe
adversária.




      4º) “A primeira coisa é avaliar o próprio desempenho, porque líderes têm
que ser auto-críticos, mais do que com as outras pessoas. Eles devem se
perguntar “até que ponto eu fui capaz de prepará-los?” O bom líder aprende
com as derrotas, entende onde está a falha, inclusive porque essa é a única
chance de não sucumbir à frustração e ter fôlego para tentar de forma
diferente. Superação é ter a humildade de aprender com o passado e investir
no futuro. O que me mantém vivo é a possibilidade de tentar novamente no dia
seguinte. Por isso os líderes estão sempre observando e aprendendo com os
outros. Isso é melhor ainda, porque ajuda a evitar o erro. Buscar exemplos de
sucesso é fundamental também, além de promover a capacitação constante.”
(Entrevista    de   Bernardinho   para   a   Empregos.com.br.   Disponível   em:
http://carreiras.empregos.com.br/comunidades/executivos/fique_por_dentro/07
0305-forum_performance_hsm.shtm)




      Neste trecho observa-se como Bernardinho procura observar a sua
equipe e como faz para solucionar seus problemas. Repare que ele ressalta a
importância de um líder ter humildade suficiente para reconhecer seus erros e
para aprender com os outros.

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ENTUSIASMO (AUTOMOTIVAÇÃO) E CAPACIDADE EM ENERGIZAR
/ MOBILIZAR OUTRAS PESSOAS, OBTENDO A CUMPLICIDADE DOS
MEMBROS DA SUA EQUIPE E O COMPROMETIMENTO COM OS
OBJETIVOS PROPOSTOS;

      1º) “Bernardinho é um líder vibrante!! Sofre nos erros, nas jogadas que
não dão certo, faz cara feia, chuta o banco de reservas, chegando até a
contundir-se em uma partida, dirigindo um time. Quando o time acerta, ele
vibra, comemora, joga com o time!! Ergue as mãos no erro do time adversário,
chegando até a influenciar na arbitragem.” (Dill Casella – Consultor empresarial
e palestrante em liderança e motivação. Disponível em: http://www.artigos.com/
artigos/sociais/administracao/recursos-humanos/bernardinho)




      De acordo com o texto, fica claro que Bernardinho é um líder
entusiasmado, que vibra com os acertos da equipe e que sofre com os erros da
mesma.




      2º) “Algumas coisas são essenciais. Têm de permanecer porque eu não
aceitaria se não fosse dessa forma. Por exemplo: quem não tenha total
envolvimento. Dos jogadores mais antigos, eles dão tudo no treino, como se
fosse o primeiro deles na seleção. Não preciso nem cobrar dos mais novos,
porque para eles mesmos seria constrangedor não treinar da mesma forma.
Eles vêm exemplos, sabem que têm de dar tudo ali, porque os resultados vêm
do trabalho de muitos, de gerações anteriores. É um afluxo de jovens, que
empurram a fila. Mas sempre existem aqueles que são as molas propulsoras,

                                                                              12
as molas propulsoras de sonhos desses mais novos.” (Entrevista de
Bernardinho    ao     R7.   Disponível   em:   http://esportes.r7.com/esportes-
olimpicos/noticias)




      Pelo exposto no texto, podemos perceber que Bernardinho obtém total
envolvimento e cumplicidade dos membros da equipe, pois só desta maneira,
obterá os resultados pretendidos.




      3°) Atento às características e ao estado emocional de seus jogadores,
Bernardinho delega a função de técnico quando necessário. "Às vezes, é mais
eficiente chamar um jogador para levantar o moral do colega do que eu mesmo
fazer isso", diz. "Se eu faço, cai na normalidade, porque é parte da função do
chefe dar bronca ou chamar a atenção." (Portal Exame – 30/10/2002)




      4°) ”Aquela reunião também foi importante porque, sem que os
jogadores soubessem, nossa estatística Roberta Giglio teve o cuidado de
filmar depoimentos das mulheres      e das crianças para mostrar a eles em
Atenas. ... Dada a importância da partida, exibimos na véspera o vídeo que
Roberta Giglio tinha produzido em Saquarema: mulheres e filhos dirigindo
carinhosas mensagens aos maridos e pais. Foi uma surpresa para os
jogadores, que ajudou a lembrar-lhes como eram queridos, amados e que não
podiam ser lembrados somente pelo número de vitórias ou derrota nas
quadras. Emoção geral.”




      Bernardinho é famoso pelo seu temperamento como técnico, sempre
brigando com o time, vibrando com o jogo. Porém fora das quadras ele se
mostra capaz de motivar e comprometer a equipe através de ações que

                                                                             13
ficariam despercebidas olhando-se somente para o jogo.




       5º) “Precisamos de paixão, de intensidade máxima naquilo que
fazemos.”                           (Disponível                         em:
http://carreiras.empregos.com.br/comunidades/executivos/fique_por_dentro/07
0305-forum_performance_hsm.shtm)




       Nesta entrevista Bernardinho destaca, do seu ponto de vista, que o
entusiasmo é um dos componentes necessários para formar uma equipe
vitoriosa.




       PROFICIÊNCIA EM HABILIDADES TÉCNICAS PROFISSIONAIS,
INTERPESSOAIS;

       1°) “Você sabe por que o Bernardinho está à frente da Seleção
Brasileira Masculina de vôlei desde 2001, apresentando os melhores
resultados e tornando-se uma organização praticamente invencível até hoje,
agosto de 2007, onde disputou 23 competições, obtendo 19 primeiros lugares,
3 segundos lugares e 1 terceiro lugar?

       Simplesmente pelo fato de ser um LÍDER VERDADEIRO e, assim agir
dentro da sua organização com Honestidade, Humildade, Paciência,
Educação, Comprometimento, Respeito, Abnegação, Perdão, pois são estes
comportamentos que resistem ao desgaste permanente causado pela rotina do
dia-a-dia. Isto é que é Liderança Verdadeira exercida ao longo dos anos,
submetida à prova permanente do tempo.” (Artigo de: Carlos Wendell

                                                                          14
Pozzobon. Disponível em: http://www.rhportal.com.br/artigos)




      De acordo com o texto, vemos que Bernardinho permanece no comando
da Seleção Brasileira de Vôlei, devido ao seu comprometimento com a seleção,
sua competência técnica profissional, sua integridade ética e aos resultados
alcançados.




      2°) “Liderança, competência e obstinação são traços marcantes na
carreira de Bernardinho, um profissional com ambição constante pela vitória. É
uma pessoa extremamente estudiosa, dedicada e apaixonada pelo que faz.
Essas características o tornam um dos melhores técnicos da história do
voleibol mundial ” (Carlos Arthur Nuzman - Presidente do Comitê Olímpico
Brasileiro. Fonte: Transformando Suor em Ouro – Livro escrito por
Bernardinho)




      Pela frase acima, do Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro,
Bernardinho se destaca devido a sua competência, destacando que tudo que
ele está conquistando é fruto de muito estudo, dedicação e paixão pelo que faz.
Demonstrando sua proficiência em habilidades técnicas profissionais.




      3°) “Imagine se eu, que brigo, grito e faço cara feia durante as partidas

                                                                             15
não aceitasse que um jogador fosse se sentar no banco emburrado, por ter
sido substituído. Tenho que aceitar. Não o fazendo, achando-me com mais
direito que o outro, terei sido vencido pelo meu próprio ego e perdido para
sempre a capacidade de dialogar de igual para igual com o jogador.”

      Ele foi uma pessoa que me ajudou muito nesse ponto, de como encarar
as críticas.(Entrevista Ricardinho – Jornal Matéria Prima – 05MAI2004)




      O técnico mostra uma habilidade interpessoal elevada, sabendo se por
no lugar dos seus subordinados e entender os problemas que eles passam ou
dificuldades a serem enfrentadas.




      HABILIDADE EM CRIAR CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA A
MANIFESTAÇÃO DO TALENTO LATENTE EM CADA MEMBRO DA
EQUIPE.

      1°) “Todas as pessoas têm um determinado talento e cabe a nós
descobri-lo e desenvolvê-lo.” (Bernardo Rezende – Bernardinho. Disponível
em: http://www.canalrh.com.br)




      Desta frase do técnico da Seleção Brasileira de Voleibol, Bernardinho,
nós percebemos a sua preocupação em descobrir e facilitar a manifestação do
talento dos jogadores da sua equipe.




      2º) “Coaching é uma relação de parceria que revela e liberta o potencial
das pessoas de forma a maximizar seu desempenho.” (Bernardo Rezende –


                                                                            16
Bernardinho. Disponível em: http://www.netfrases.com/frases-bernardinho/)




      Bernardinho, nesta frase, afirma que através do treino, das instruções
recebidas é que se manifesta o potencial das pessoas, e que cabe ao líder ter
esta habilidade de percepção do talento existente em cada um dos seus
liderados.




      3°)“É importante criar dificuldades para os que têm talento. As
facilidades os limitam.” (Bernardo Rezende – Bernardinho. Disponível em:
http://www.netfrases.com/frases-bernardinho/)




      Nesta frase, Bernardinho, afirma que o líder tem que cobrar mais de
quem tem mais para oferecer, e que cabe ao líder ter esta percepção do talento
de cada liderado, para saber como contribuir para que este talento se
manifeste em prol da equipe.




      4º) “Talvez o grande craque tenha a percepção de que tudo é fácil. Eu
vivi a sensação de que era tudo tão difícil que hoje eu acredito que todos têm
que trabalhar muito para se desenvolver, mesmo aqueles que têm um talento
maior.”.     (Entrevista de Bernardinho para a revista Veja. Disponível em:
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/131206/entrevista_bernardinho.html)




      Bernardinho destaca que, mesmo uma pessoa que já possua talento,
tem que trabalhar para que possa se desenvolver.


                                                                               17
INTEGRIDADE ÉTICA;

        1º) “Veja - Foi difícil cortar da seleção seu próprio filho, o levantador
Bruno?
Bernardinho - Com ele não foi difícil. Ele sabia o porquê das minhas decisões.
O grupo reconheceu não só o garoto esforçado que é, mas também o jogador
de talento que pode vir a fazer parte do grupo brevemente. Não foi das maiores
dificuldades, foi senso de justiça.”      (Entrevista de Bernardinho para a revista
Veja.                                   Disponível                               em:
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/131206/entrevista_bernardinho.html)




        Bernardinho poderia, convenientemente, ter deixado seu filho na seleção
brasileira. Entretanto, como a convocação de seu filho não era prioridade para
complementar a equipe, Bernardinho o cortou para que outro jogador que
possuísse as características necessárias pudesse ser convocado.




        2º)   “Profissionais    que,    diante   de   um   fracasso,   transferem   a
responsabilidade para os outros estão sendo injustos. Tenho profunda aversão
a isso. Não adianta ser apenas o mais bem preparado, eficiente e competente
se não for capaz de reconhecer as próprias falhas. No meu caso, sempre que
acontece uma derrota, acho que a culpa foi minha por não ter sido capaz de
motivar o time como deveria. “.          (Entrevista de Bernardinho para a revista
SEBRAE.       Disponível       em   :   http://www.feirasdobrasil.com.br/revista.asp?
area=entrevistas&codigo=331)



                                                                                    18
Bernardinho assume a culpa pelas falhas de sua equipe ao invés de
procurar culpados e se eximir da derrota.




      CREDIBILIDADE/INSPIRA CONFIANÇA;

      1º) “O técnico de vôlei Bernardinho, que inúmeras vezes levou as
seleções masculina e feminina ao podium em competições internacionais, é o
único palestrante brasileiro presente no Fórum Mundial de Alta Performance.
“Além de colocar um componente nacional, o objetivo de ouvir o Bernardinho é
saber por que mesmo com as mudanças nas equipes, a vitória permanece. Ao
mesmo tempo, nem sempre uma equipe talentosa leva o primeiro lugar. Então,
qual é o segredo? É isso que queremos ouvir dele”.”.(Disponível em:
http://carreiras.empregos.com.br/comunidades/executivos/fique_por_dentro/07
0305-forum_performance_hsm.shtm)




      O fórum utiliza da imagem de Bernardinho para se promover além de
promover sua credibilidade devido ao alto desempenho de Bernardinho e sua
equipe nos últimos anos.




      2º) “As pessoas precisam saber quem você é e o que pretende. Um líder
tem que criar um clima de confiança absoluta, o que não significa dizer
harmonia constante, sem que haja qualquer atrito. Para se chegar a um nível
de excelência, é preciso muita cobrança, comprometimento e aprimoramento
técnico. Na forma, todos nós podemos errar, mas ninguém da equipe pode
duvidar das intenções de quem está à frente do projeto. A quebra de confiança


                                                                           19
é muito grave e dificilmente pode ser revertida.” (Entrevista de Bernardinho
para          a        revista        SEBRAE.            Disponível          em:
http://www.feirasdobrasil.com.br/revista.asp?area=entrevistas&codigo=331)




       Bernardinho revela que a confiança que a equipe lhe deposita é
determinante para que a mesma siga suas ordens à risca. Ordens essas que
ele considera imprescindíveis para alcançar seu objetivo.




       3°) Wallace elogia o treinador. "Tudo o que o Bernardo fala, funciona.
Não tem como não confiar nele. Ele é sensacional. Tenho de estar sempre
preparado, caso precise me utilizar. Por isso, não se pode relaxar.
Independentemente de estar ou não entre os 12, é preciso manter o foco e não
deixar cair o ritmo nos treinamentos". (Entrevista Wallace – Voleibrasil.org.br –
18MAI2010).




       Seu histórico como técnico é tão impressionante que seria natural que
ele tenha uma grande credibilidade, isso é comprovado nas falas dos próprios
jogadores da equipe.

       O Bernardinho é um técnico que, tanto a imprensa como a torcida sabe
que, o que faz é correto. Ele tem seu valor, muito crédito nas decisões, por
isso, quando fez a substituição ficaram todos esperando para ver.

4. JANELA DE JOHARI

       Bernardinho apesar de seu temperamento forte, certas vezes agressivos
em quadra, sempre buscou uma relação de cumplicidade com seus jogadores,
com o objetivo de não deixar que seus problemas pessoais atrapalhassem no
preparo para os jogos e por conseqüência nas próprias disputas. Tal

                                                                               20
cumplicidade só é conquistada com uma relação aberta e de confiança,
características essas que podem ser vistas nas entrevistas de jogadoras que
atuaram com o técnico na seleção brasileira feminina de vôlei.

         “É um grande amigo. Temos uma relação de pai e filha. Sinto por ele um
enorme respeito e muita confiança. É uma pessoa com quem posso contar nos
momentos bons e ruins. Ele sempre me diz para economizar energia para
gastar no momento certo. Agora, mais experiente, entendo bem essa frase.”
(Entrevista Erika – www.esportesite.com.br – 30JAN2010)

         “Não, nunca. Desentendimento não atrapalha, o que atrapalha é a
falsidade. Eu odeio falsidade, prefiro que a pessoa chegue a mim e diga o que
pensa do que fale por trás. Preferia que a menina me xingasse a falar pelas
costas. Não suporto conversinha, fofoca. Tem que falar na cara da pessoa,
nem que seja pra depois sair na porrada. Melhor falar “na lata” e resolver ali,
na hora, do que ficar fazendo intriga. Tudo era dito abertamente e tudo era
superado, pois acima de tudo éramos uma grande equipe e tínhamos um
grande chefe que sabia lidar com isso muito bem, o grande Bernardinho.”
(Entrevista Marcia Fu – Melhor do Volei – 11FEV2008)

         Pensando também no Bernardinho como pessoa pública e que
recentemente lançou um livro sobre a sua vida, mostrando impressões
pessoais sobre as várias situações vividas na carreira é plausível pensar em
uma janela de Johari com uma Arena Pública grande. Um exemplo é quando
ele admite ser de temperamento explosivo dentro de quadra, mostrando mais
uma característica conhecida pelo “eu” e pelos “outros”, contribuindo assim
para o aumento dessa área:

         “Eu era excessivamente intenso, muitas vezes deixei que minha emoção
tomasse conta, que meu excesso de vontade me prejudicasse”

         Em seu livro o técnico também demonstra sua preocupação com o
feedback dos jogadores, de modo a cobrá-los uma participação mais efetiva
nas reuniões da equipe, o que pode ser comprovado pelo seguinte texto:

         “Algo que passou a me incomodar nas reuniões táticas que tínhamos no
início   de   2002   foi   a   pouca   participação   dos   jogadores.   Senti-me

                                                                               21
protagonizando monólogos. Eu falava e eles ouviam, sem retrucar ou dar
sequer uma opinião. Isso me deixava com a sensação de que havia alguma
coisa mal resolvida.

      Não foi por outra razão que, em João Pessoa, durante a primeira partida
contra Portugal pela Liga Mundial, incomodou-me ver o time jogando tão mal e
os jogadores calados, como se nada estivesse acontecendo. Era como se eles
dissessem: ”Se estamos vencendo, para que falar alguma coisa?” Irritado com
essa postura, pedi tempo. E soltei os bichos em cima deles. Chamei-os de
amadores, acomodados, irresponsáveis. Aposto que pensaram: ”O cara
enlouqueceu.” À noite, durante a reunião para análise do vídeo em que
deveríamos discutir as estratégias para a partida seguinte, os jogadores, enfim,
resolveram dar suas opiniões.

      - Agora vocês querem falar? - perguntei em tom provocativo. – Vocês
estão há um ano calados.

      Pela primeira vez me contestaram. Gostei das reclamações que fizeram
sobre a bronca aparentemente gratuita que lhes dera. Eu vivia me
perguntando: ”Será que eles pensam que eu nunca estou errado?” Temia estar
ali o silêncio do comodismo, o distanciamento do não-envolvimento e da não-
cumplicidade. É a típica situação em que, se ganharem, eles dizem: ”Está tudo
bem, ótimo, deu certo, era isso mesmo”, mas, se perderem, esquivam-se,
alegando terem se limitado a cumprir ordens.”




                                                                              22
23
5. BASES DA LIDERANÇA

       Um líder surge em meio a uma situação em que se deseja atingir um
objetivo e necessita-se de alguém para conduzir o grupo em direção do
mesmo. Não existe o chamado “vácuo de liderança”. Com Bernardinho não foi
diferente, as meninas da seleção feminina de vôlei tinham acabado de perder o
Campeonato sul-americano e, com isso, a classificação para a Copa dos
Campeões. O ambiente entre elas não era nada tranqüilo. Crises de
relacionamento abateram-nas. Bernardinho foi chamado para treinar a seleção
nessas condições, onde era necessário um líder que viesse a motivá-las
novamente e fazê-las trabalhar em prol de muitos outros títulos que estariam
por vir.

       AUTORIDADE ORGANIZACIONAL: CONSISTE NO DIREITO LEGAL
E FUNCIONAL EM EXERCER O MANDO

       A Autoridade Organizacional se manifesta quando uma pessoa recebe
um cargo ou uma função e com isso autoridade para agir e liderar. No caso do
Bernardinho, isso aconteceu quando ele foi nomeado técnico da seleção
feminina de vôlei e depois da seleção masculina também.




       “O que deveriam ser férias tranqüilas se transformou num novo desafio.
Lá estava eu, em outubro de 1993, na casa de meus pais, em Copacabana,
quando Carlos Arthur Nuzman, então presidente da CBV, hoje à frente do
Comitê Olímpico Brasileiro (COB), telefonou convidando-me para dirigir a
seleção feminina. Aceitei. Quem não gostaria de dirigir uma seleção brasileira?
Não pensei duas vezes.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág.77)




           “Pouco depois dos Jogos Olímpicos de 2000, nova mudança de vida.
Convidado por Ary Graça Filho, à frente da CBV desde 1996, quando Nuzman
assumiu o Comitê Olímpico Brasileiro, transferi-me da seleção feminina para a
masculina.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág.125)



                                                                             24
AUTORIDADE MORAL: DERIVA DO COMPORTAMENTO DO LÍDER
E DA COMUNHÃO ENTRE ELE E OS SEUS SEGUIDORES NO QUE DIZ
RESPEITO A: VALORES, CRENÇAS, IDÉIAS, OBJETIVOS E METAS A
ATINGIR

      Um líder deve ter uma conduta ética e moral apreciada por seus
seguidores. Seus valores influenciam e fortalecem sua relação com eles, todos
sabem que tudo que é proposto pelo líder é para o bem do grupo e para que
alcancem seus objetivos. Bernardinho possui todas essas qualidades:




      ” Bernardinho é um vencedor por colocar no seu trabalho valores e
princípios que tanto apreciamos liderança, determinação, competência para
treinar e motivar equipes e capacidade de levar crescimento pessoal e alegria
aos jovens ” (Vinícius Priantí, PRESIDENTE DA UNILEVER BRASIL, Trecho
do livro: Transformando Suor em Ouro)




      O exemplo é um do meios mais eficazes para se fortalecer a autoridade
moral de um líder. Bernardinho em todos os momentos se utiliza desse recurso
para conduzir o grupo. O caso do lago Léman, descrito no livro “Transformando
Suor em Ouro”, pode ser citado como exemplo disso. Na ocasião, a seleção
feminina de vôlei havia perdido o primeiro jogo do BCV Cup, um torneio
importante que reunia oito das maiores seleções femininas do mundo.
Bernardinho precisava motivá-las e lançou o desafio: “Se vocês forem
campeãs, eu me atiro naquele lago.”. Era final do inverno, fazia frio e as águas
do lago Léman estavam super geladas. A seleção começou a vencer. Treinava,
jogava, foi superando uma adversária após outra até que venceu a final. Como
exemplo de sacrifício (o mesmo que elas tiveram que fazer para se superar e
vencer o campeonato), Bernardinho cumpriu sua promessa, e não só ele como
toda a comissão técnica se atiraram no gelado lago.




                                                                             25
“Se você é um líder realmente duro e exigente, seu próprio sacrifício
serve como fonte de motivação, pois demonstrará que a equipe não está
sozinha.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág.82)




      Em 2003, semanas após conquistar mais uma Liga Mundial de Vôlei,
batendo na final a poderosa seleção italiana em seu próprio território pela
margem mínima de 2 pontos no tie-break (conquista com nuances
psicologicamente épicas), o selecionado brasileiro passou por duro golpe no
torneio seguinte, o Pan-Americano de 2003 de Santo Domingo, na Republica
Dominicana. Disperso, sem foco ou vibração, o Brasil foi derrotado por uma
equipe considerada tecnicamente inferior pela mídia especializada, a
Venezuela, ficando “apenas” com o Bronze neste torneio. Quando questionado
pela imprensa pela derrota, Bernardinho chamou para si a responsabilidade da
derrota, pois como descreve em seu livro, ele como líder “não tinha sido
suficientemente convincente para que eles fizessem aquilo que eu havia
proposto”, e portanto houvera acontecido erro de planejamento de sua parte ao
não preparar a equipe adequadamente para duas competições importantes
separadas por curto espaço de tempo. Esta postura já constitui exemplo de
valor e crença que sustenta sua autoridade moral de líder perante o grupo. No
entanto, essa autoridade moral viria a ser posta em prova no dia seguinte,
quando um site noticiou que Bernardinho teria culpado os jogadores pela
derrota. Em seu livro, ele conta que embora mentirosa, essa noticiou levou a
equipe a interpelá-lo. Bernardinho então reuniu os jogadores e taxou: se ao
menos um membro da equipe acreditasse nessa notícia, poderia arrumar as
malas e ir embora da seleção, mas se a equipe pensasse dessa forma, ele
próprio iria embora, consciente de que haveria perdido a capacidade de liderá-
los, sem sua confiança. Ninguém se manifestou e a autoridade moral de
Bernardinho e sua comunhão com o grupo, houvera passado no teste.

      Situações onde se verifica o comportamento ético do líder, reforçam sua
autoridade moral e sua comunhão com seus seguidores. Isto pôde ser
verificado quando ao regressar das Olimpíadas de Atenas em 2004,
Bernardinho solicitou da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) que as


                                                                            26
viagens intercontinentais, por serem longas e cansativas, fossem realizadas na
classe executiva, entendendo que se tratava, não de luxo ou privilégio, mas sim
de necessidade, pois os jogadores eram duramente testados nos treinamentos.
A CBV atendeu ao pedido de Bernardinho, que determinou que somente os
jogadores viajariam na classe executiva, e não a comissão técnica, pois “são
os jogadores quem entram na quadra para treinar”. Por meio desse exemplo,
além de demonstrar para a equipe seu empenho para com suas necessidades
de conforto, cria crédito de confiança para com seus jogadores, pois como
mesmo justifica adiante: “nem sempre conseguimos prover as condições
desejadas” e então: “usamos as condições precárias ou desfavoráveis a nosso
favor, como desafio e fonte de motivação”. Portanto, Bernardinho exemplifica
que pelo exemplo de interesse sincero às necessidades de seus liderados
(líder servidor) e pelo exemplo de ética (não obtendo vantagem acessória
dessa necessidade de conforto para os membros da comissão técnica), é
possível criar comunhão na equipe, capaz de transformar adversidades em
desafios a serem superados e consequentemente transformar a desvantagem
competitiva      em   vantagem,    pelo   emprego    das    virtudes    de    coragem,
comprometimento        e     superação.   Esse   episódio      é   descrito   no   livro
“Transformando Suor em Ouro”.




         “O Bernardinho é um técnico que, tanto a imprensa como a torcida sabe
que, o que faz é correto. Ele tem seu valor, muito crédito nas decisões, por
isso, quando fez a substituição (tirou Maurício para colocar Ricardinho) ficaram
todos esperando para ver. Ele foi uma pessoa que me ajudou muito nesse
ponto,      de        como      encarar    as     críticas.”       (Disponível     em:
www.jornalmateriaprima.jex.com.br_entrevista_ricardo+ber.pdf)




         Observando os exemplos relacionados, pode-se concluir que o líder
estudado possui a autoridade moral, que é uma das bases de liderança, uma
vez que Bernardinho aplica em seu trabalho valores e princípios morais para
liderar seus comandados.


                                                                                     27
COMPETÊNCIA TÉCNICA: CONHECIMENTO A RESPEITO DO
ASSUNTO OU TEMA SOBRE O QUAL DÁ ORDENS. É FUNDAMENTAL
PARA CONQUISTAR A CONFIANÇA DOS LIDERADOS.

      ”Liderança, competência e obstinação são traços marcantes na carreira
de Bernardinho, um profissional com ambição constante pela vitória É uma
pessoa extremamente estudiosa, dedicada e apaixonada pelo que faz Essas
características o tornam um dos melhores técnicos da história do voleibol
mundial ” (Carlos Arthur Nuzman, PRESIDENTE DO COMITÊ OLÍMPICO
BRASILEIRO, Retirado do livro: Transformando Suor em Ouro)




      “Bernardinho é o divisor de águas num país que precisa aprender a
importância da cooperação, da solidariedade e do trabalho em equipe. Diga
que seus jogadores são baixos e Bernardinho os fará saltar mais alto. Diga que
são fracos no bloqueio e ele irá torná-los os melhores do mundo. Diga que a
seleção de vôlei do Brasil é deficiente na defesa e ele fará dos seus
comandados defensores imbatíveis.” (Trecho do livro Transformando Suor em
Ouro, escrito por JOÃO PEDRO PAES LEME)




      “ (...) Resumindo: competência e seriedade são as duas qualidades
sempre presentes no trabalho de Bernardinho. ” (Antônio Ermírio de Moraes,
PRESIDENTE DO GRUPO VOTORANTIN, Retirado do livro: Transformando
Suor em Ouro)




      Por esses comentários acima fica comprovada a competência técnica de
Bernardinho, o que o torna um líder com respaldo para passar seus
conhecimentos a seus liderados não só para os atletas, mas também para os
gestores de uma maneira geral. Sua competência técnica é reconhecida
mundialmente por jogadores, comentaristas e treinadores de vôlei. Basta ver o
currículo de numerosos títulos no esporte dirigindo as seleções masculinas e

                                                                            28
femininas do Brasil nos diversos torneios disputados.




      CARISMA: IDENTIFICAÇÃO DOS LIDERADOS COM OS TRAÇOS DE
PERSONALIDADE DO LÍDER QUE ELES GOSTARIAM DE TER. O
CARISMA EM ALTO GRAU É MAGNÉTICO E HIPNÓTICO

      “... O Bernardinho é um palestrante muito carismático, tem uma energia
contagiante e sua palestra cresce assim como ele evoluiu em seu trabalho nos
últimos anos como palestrante. Consegue prender a atenção de todos, mesmo
sendo a segunda apresentação para o público da DIRECTV. Os exemplos
utilizados são muito elucidativos, embora alguns já fossem conhecidos. É
simpático, gentil e acessível a todos. Enfim, Bernardinho é um sucesso
garantido e unanimidade nacional...” (Liliane Blondel, DIRECTV)




      "A palestra do Bernardinho na Convenção da Essilor foi um sucesso,
todos adoraram! Foi super motivacional, empolgante e ele é uma figura muito
bacana.

      Não se negou a tirar fotos,...Valeu todo o estresse que tivemos!
Obrigada por sua super ajuda também durante todo o processo." (Kharine
Castro. Rio 360 Comunicação)




      “...A palestra foi ótima, Nota 10 , super interessante, o Bernardinho é
muito simpático, humilde, comunicativo, transmite com clareza o recado enfim
foi um evento ótimo, o auditório estava lotado e todos saíram muito satisfeitos
com a palestra. Vocês da galeria de esportes também são muito atenciosos,
enfim gostei muito de trabalhar com vocês, espero que tenhamos novas
oportunidades...” (Mariza Medeiros, PETROBRAS/REVAP/GERÊNCIA DE
COMUNICAÇÃO)

                                                                             29
“... a palestra foi um sucesso, o Bernardo é extremamente simpático e
carismático, tivemos    um     público   maravilhoso   (330   pessoas),   o   que
surpreendeu, inclusive, a organização do evento, que nos cedeu os auditórios.
Durante toda a noite, os comentários que ouvi sobre a palestra foram os
melhores possíveis, saímos entusiasmados e confiantes nos conceitos
transmitidos por ele.” (Izabelle,INATEL)




      Por meio dos depoimentos acima, pode-se notar que Bernardinho é
muito querido e carismático.

      De todas as bases de liderança citadas acima, a sua autoridade moral
foi fundamental para o papel de motivação e transformação dos seus liderados,
dando assim uma base sólida para que seus liderados pudessem atingir as
metas e objetivos traçados. Bernardinho em seu livro fala que para que os
atletas consigam atingir um nível elevado no voleibol, os jogadores deveriam
seguir uma dura rotina de treino alinhado com uma disciplina tanto dentro de
quadra quanto fora dela. Modificar os maus hábitos alimentares e vícios como
a bebida e fumo seriam necessários, pois comprometem o desempenho dos
jogadores dentro de quadra.

      Não resta dúvidas que com isso, Bernardinho passava a seus liderados
idéias e valores para conscientizar os jogadores de que eles deveriam querem
estar na seleção brasileira e representar o país da melhor maneira possível.




6. LIDERANÇA TRANSACIONAL OU TRANSFORMACIONAL

      O processo de liderança mais utilizado foi o transformacional. Isso fica

                                                                               30
bem claro desde o início da sua carreira como jogador da Seleção Brasileira.
Tanto por parte dele, Bernardinho, quanto pelos seus liderados.




       LIDERANÇA TRANSFORMACIONAL

       Na liderança transformacional o líder reconhece as necessidades do
seguidor, o influencia e o transforma, além de se deixar influenciar e
transformar, a fim de conseguir maior eficácia no desempenho. Não obstante,
consegue liberar o potencial motivacional dos seguidores, fazendo com que os
seguidores atinjam desempenhos mais elevados (BURNS, 1979 apud
BERGAMINI, 2005).

       Para Marques et al. (2007), a liderança transformacional envolve uma
influência excepcional sobre os seguidores, os fazendo cumprir mais do que o
esperado, transcendendo seus próprios interesses em favor da organização. O
líder possui carisma, metas idealizadas e tem grande compromisso pessoal
para alcançá-la, além disso, são modelos para seus seguidores que percebem
seus   líderes   como   tendo    capacidades    heróicas   e   sendo   pessoas
extraordinárias. Estes líderes têm alto padrão de moral e conduta ética,
respeitam e confiam profundamente nos seus seguidores e tem como fator
denominador a motivação inspiracional, que segundo Rowe (2002 apud
Marques et al. 2007) é como liderança visionária, pois os líderes inspiram,
motivam e são comprometidos com a visão compartilhada da organização e
com o espírito de equipe.

       Stefano e Filho (2003) relatam que esse tipo de liderança desperta uma
maior motivação e satisfação por parte dos seguidores em realizarem suas
tarefas, pelo simples fato de gostarem de seus lideres.




       “Nunca me esqueci das palavras claras e duras de meu treinador


                                                                            31
naquele dia. A vaidade de ter feito alguns amistosos com o time adulto tinha
tomado conta de mim e me induzido a agir errado com todo o grupo. com meia
dúzia de palavras, Bené me mostrou quanto vale ser parte de uma equipe.
Como o ”nós” é sempre mais importante do que o ”eu”.”. ( Bernardinho,
Transformando Suor em Ouro, Pág. 31)




        Foi utilizada liderança transformacional porque Bernardinho percebe
através das palavras de seu técnico que tomou uma decisão errada e com isso
muda sua atitude em relação a equipe.




        “- Amanhã faremos dois treinos, um pela manhã e outro à tarde.

        Pude perceber o espanto, quase pavor, nos olhos daquelas italianas.
Dois treinos por dia? Nunca tinham ouvido falar em nada parecido. Para ser
honesto, nem eu mesmo sei por que tomei aquela decisão. É possível que
quisesse apenas mudar alguma coisa, provocar uma mexida no que elas
vinham fazendo até então. Tinha plena convicção de que mudar era
importante. Afinal, ”estratégias iguais nos levariam a resultados iguais”. Ou
seja,   era   preciso   mudar   o   método   de   preparação.””.   (Bernardinho,
Transformando Suor em Ouro, Pág. 60)




        Existe uma mudança no estilo de treinamento das jogadoras e com isso
elas passam a ter um melhor crescimento e desenvolvimento. O estilo de
liderança transformacional foi adequado nessa situação porque ele estava
querendo uma mudança na atitude das jogadoras.




        “Nosso começo até que foi promissor. Treinamos na sexta-feira,


                                                                              32
jogamos no sábado e ganhamos. Na segunda-feira, reiniciamos o trabalho: um
circuito físico e técnico. A cada etapa cumprida, enquanto parávamos para
recuperar o fôlego, Cristina pedia para ir ao banheiro, voltando minutos depois
com um ar abatido. A cada pausa para descanso, lá ia Cristina para o
banheiro. ”Deve estar passando mal”, pensei. De fato, estava. O motivo de
suas freqüentes idas ao banheiro é que, fisicamente limitada, Cristina era tão
consumida pelo ritmo do treinamento que vomitava nos intervalos. Passava
mal,   saía,   voltava   enfraquecida,    mas   não   desistia.”   (Bernardinho,
Transformando Suor em Ouro, Pág. 62)




       A liderança transformacional fica explicita pela dedicação da atleta em
relação aos treinamentos ao ponto de chegar a passar mal.




       “- Hoje ela não pode treinar.

       - Como não? Ela treinou ontem...

       - É que hoje ela está ”naqueles dias”.




       Aí é que perdi a paciência de vez. Imagine um dia em que três ou mais
jogadoras estejam ”nos seus dias” e por causa disso não haja um time para
treinar ou jogar. Fiz que a atleta mudasse de roupa e voltasse à quadra, sem
saber que, no caso dela, aquele era de fato um período difícil, de dores
intensas e muito desconforto.

       Essa história ilustra duas coisas: primeiro, o meu distanciamento de
minhas jogadoras, que as impedia de ter comigo uma relação franca e direta.
Não havíamos construído ainda um elo de confiança significativo. A segunda
coisa foi constatar o meu desconhecimento em relação ao universo feminino,
que agora estava sob minha responsabilidade. “(Bernardinho, Transformando
Suor em Ouro, Pág. 63)

                                                                              33
A partir daí Bernardinho percebe que precisa muda seu comportamento
e entender melhor o mudo das mulheres para que elas possam ter melhores
rendimentos durante os treinos e competições.




       “ Qual é o objetivo do Bernardinho para esse Pan? Fora vencer, é claro.

       Rodrigão - Eu acho que o maior objetivo dele é que antes de vencer
temos conseguir que todos os atletas rendam o máximo em duas competições
seguidas, isso com certeza vai ser o grande desafio dele pois, quando você
termina uma competição, há uma perda natural de preparo físico. Sem contar
que estamos há um mês fora do Brasil, o que também prejudica. E após um
mês fora todos querem ir ao menos um dia em casa, e vamos chegar direto pra
estrear no Pan. Não vai ser fácil manter a galera num bom preparo, mas ele vai
conseguir      e       nós        vamos      ajudar.”        (Disponível     em:
http://tvtribuna.globo.com/colunas/colunas_ver.asp?
idColunista=18&idColuna=149)




       “O bom profissional é aquele que nunca acha que o que conquistou é o
bastante, que sempre quer algo mais que está disposto a sacrifícios individuais
em nome de um objetivo coletivo. E o bom líder é aquele que consegue incutir
esse    questionamento       em   seus    colaboradores.”.     (Disponível   em:
http://musclemassablog.site.br.com/?p=256)




       “O que motiva e o que desmotiva um grupo?



Minha forma de motivar é treinando, desafiando, trabalhando a auto-estima,
buscando constantemente a melhoria da equipe. Muitas pessoas criticam
minha forma de cobrar e ser exigente, mas essa é uma forma de incentivar o

                                                                              34
grupo,               colocá-lo            para            a             frente.


O que desmotiva é fazer com que a pessoa não se sinta parte importante do
grupo. Inevitavelmente, alguns jogadores vão estar no banco de reservas,
assim como alguns empregados vão estar em cargos mais baixos. Mas a
qualquer momento podem entrar na quadra. Eles são tão fundamentais para a
equipe quanto os titulares, porque, num grupo, ninguém é melhor do que
ninguém.”     (Disponível   em:   http://www.cartaderh.com.br/website/text.asp?
txtCode=20095&txtDate=20060929000000)




         LIDERANÇA TRANSACIONAL

         O estilo transacional ocorre quando uma pessoa toma a iniciativa de
estabelecer contato com outras através da troca de bens de valor e é delineado
pelo líder padrões de desempenho a serem cumpridos através de recompensa
ou punições. Segundo Burns (1979 apud Bergamini, 2005) e Marques et al.
(2007), na liderança transacional os subordinados escutam feedback do líder
apenas quando falham ou quando ocorrem problemas.

         Limongi–França e Aurellano (2002) acrescentam que no estilo
transacional, o líder guia seus seguidores na direção das metas e esclarece as
exigências de papel e tarefa.Neste estilo de liderança existe um interesse
recíproco, o qual Marques et al. (2007), denominou de recompensa
contingente, que baseia-se nas trocas entre líderes e seguidores, no qual o
esforço dos seguidores é trocado por recompensas específicas, existindo um
interesse recíproco.

         Bergamini (2006), afirma também que o líder transacional toma a
iniciativa de delinear para cada seguidor padrões de desempenho a serem
cumpridos, um tipo de relacionamento condicionante, uma vez que é facultado
ao líder recompensar ou punir a resposta comportamental do seguidor.




         “Quando assumimos a seleção, Virna foi franca:


                                                                             35
- Bernardinho, eu não sei passar.

       De fato, ela jogava no fundo da quadra, quase escondida, como se não
quisesse correr riscos. Evitava fazer a recepção (passar), fundamento
importante para sua função.

       - Mas por que você não passa? - perguntei.

       - Porque meu antigo técnico me disse que eu não tenho capacidade pra
isso, que eu sou lenta e limitada.

       Não perdi tempo:

       - Foi Só isso que ele disse? Mais nada? Então, filha, Deus a ajude,
porque você não vai jogar comigo se não passar.

       Virna estava tão desmotivada, tão ”pra baixo”, que realmente se sentia
incapaz de cumprir um dos fundamentos do vôlei. Criamos um regime intensivo
de treinamento de passes, deixando claro que, se não se esforçasse, não teria
chance. Em pouco tempo, ela saltou da condição de 13.” para 7.* da equipe. E,
depois de três anos, tornou-se titular e uma das principais jogadoras do país.”
(Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 86)




       Exemplo de liderança transacional porque existe o interesse de Virna em
uma vaga na seleção brasileira e caso ela não corrigisse sua deficiência no
passe, ficaria fora do time.




       “Tecnicamente, ela era ótima, mas onde estavam a vontade e a
motivação que eu tanto buscava. Em vezes anteriores, como me relataram na
experiência de Barcelona, em 1992, Leila se acomodara no banco, aceitara
sem lutar a condição de reserva, e isso não me servia.

       No ano seguinte chamei-a de volta e ela, com outra postura, revelou-se
uma jogadora muito importante Mas em 1999 seu rendimento caiu novamente

                                                                             36
em função de um problema pessoal, a doença da mãe.

      Resolvi, então, ter uma longa conversa com ela: ”Creio que seus
problemas são dois, Leila. O mais sério, infelizmente, não depende de você. O
outro, sim. Como é que você pode dar carinho, apoio e assistência à sua mãe
quando ela percebe que você não está bem, não está feliz? Como toda mãe
quer o melhor para a filha, se ela perceber que seu estado de espírito está
afetando seu desempenho profissional, isso pode acabar prejudicando a
recuperação dela.”

      Como palavras, só, não adiantam, tentei de tudo para reaver o que o
voleibol de Leila tinha de melhor. Por ”tudo” entenda-se uma única palavra:
desafio.

      Seria sua melhor atuação numa competição internacional. Ali estava, de
volta à condição de titular, uma Leila que, desafiada e incentivada por isso,
parecia ter se superado. Nunca tive dúvida de que o lugar ainda seria seu.
Uma de suas grandes motivações para jogar bem era dedicar a medalha à sua
mãe.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 87)




      Exemplo de transformação transacional porque Leila consegue vencer
os problemas pessoais e recuperar sua motivação para jogar e ser titular da
Seleção Brasileira. A liderança transacional é obtida através de uma troca
psicológica que Bernardinho incentiva: a de a jogadora melhorar sua
performance   a      tal   ponto   que   seja   perceptível   para   a   sua   mãe.
Consequentemente, vendo que sua filha não está sofrendo por sua causa, a
mãe da Leila melhoraria mais facilmente. Com isso a equipe não perde
performance com uma jogadora por estar desmotivada e a jogadora, mesmo
com seus problemas pessoais, consegue superá-los em troca de uma
compensação psicológica.




                                                                                 37
7. ESTILOS DE LIDERANÇA

      Bernardinho utiliza os alguns estilos de liderança de acordo com a
situação, com as pessoas e com a tarefa a ser executada. Ele tanto manda
cumprir ordens, como sugere aos subordinados a realização de tarefas, como
ainda consulta os subordinados antes de tomar alguma decisão. Ele utiliza
coerentemente os estilos de liderança.
                                                                        38
Com sua Comissão Técnica, normalmente, ele utiliza a Liderança
Delegativa, tendendo para a Liderança Participativa, pois são profissionais
experientes, com um vasto conhecimento nas suas áreas de atuação, dando
assim uma maior liberdade de decisão para eles. Bernardinho, antes de tomar
alguma decisão tática consulta a sua equipe. Utilizando a curva de Hersey e
Blanchard abaixo, a liderança de Bernardinho, nesse caso, pode ser situada
entre as regiões E3 (Liderança Participativa) e E4 (Liderança Delegativa),
levando-se em conta a alta maturidade profissional e psicológica da comissão.




      Assim, Bernardinho, delega algumas competências para seus liderados,
alguns deveres, responsabilidades e autoridade. Vejamos nos exemplos
abaixo:

      “Comecei então a construir a ”Equipe Bernardinho”. José Inácio Sales
Neto tinha trabalhado no voleibol feminino, era um estudioso de formação
acadêmica sólida, sempre atento às novidades. Um profissional tão preparado
que acumularia suas tarefas com a de manager da seleção.” (Bernardinho,
Transformando Suor em Ouro, Pág. 80)




                                                                            39
“Ricardo Tabach era meu assistente técnico, especialista em recepção e
defesa. Sua principal atribuição era, portanto, o desenvolvimento técnico das
atletas. Em 1999, José Francisco dos Santos, o Chico, assumiria a
responsabilidade pelo treinamento de bloqueio e passaria a dividir comigo as
questões táticas, revelando-se um excepcional estrategista”. (Bernardinho,
Transformando Suor em Ouro, Pág. 80)




      “Como médicos tivemos Serafim Ferreira Borges e Carlos Moura e, mais
recentemente, Álvaro Chamecki e Ney Pecegueiro do Amaral. O responsável
pela fisioterapia era Guilherme Tenius, o Fiapo, e na função cada vez mais
importante de estatística tivemos Maria Auxiliadora Castanheira, a Dora, e, a
partir de 1998, Roberta Giglio. Formamos, assim, um time multidisciplinar de
talentos complementares.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág.
80)

      Nos exemplos acima, nós podemos observar como Bernardinho formou
sua equipe técnica, quando começou a treinar a Seleção Feminina de Vôlei em
outubro de 1993; vimos, também, a delegação de competência dada aos seus
liderados.

      Com os atletas de sua equipe, Bernardinho, também, demonstra utilizar
alguns Estilos de Liderança, de acordo com a situação, com as pessoas e com
a tarefa a ser executada. Ele impõe ordens, sugere aos subordinados a
realização de tarefas, como ainda consulta os subordinados antes de tomar
alguma decisão. Normalmente, ele utiliza a Liderança Autocrática, tendendo
para Liderança Participativa. Há alguns momentos que ele é muito
disciplinador, exercendo uma contínua pressão nos jogadores, com o objetivo
de atingir os objetivos do grupo, como demonstrado no primeiro texto abaixo.
Em outros momentos, mostra-se como um educador, treinador da equipe,
encoraja a participação e aceita sugestões da equipe, como podemos perceber
no segundo texto abaixo:




       “Pressionava-a nos treinos, exigia mais dela, impunha-lhe sacrifícios,

                                                                           40
animado pela esperança de que se transformasse numa verdadeira líder:
aquela que, além de jogar bem, faz toda a equipe jogar melhor. Foi na China,
dias antes de estrearmos no Grand Prix, que Fernanda se rendeu. Já não
suportava aquela pressão. Talvez tenha se conscientizado de que ninguém é
excepcional o bastante para fazer sozinho o que deve ser feito em equipe.”
(Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Págs. 92 e 93)




       “Algo que passou a me incomodar nas reuniões táticas que tínhamos
no início de 2002 foi a pouca participação dos jogadores. Senti-me
protagonizando monólogos. Eu falava e eles ouviam, sem retrucar ou dar
sequer uma opinião. Isso me deixava com a sensação de que havia alguma
coisa mal resolvida.

      À noite, durante a reunião para análise do vídeo em que deveríamos
discutir as estratégias para a partida seguinte, os jogadores, enfim, resolveram
dar suas opiniões.

      - Agora vocês querem falar? - perguntei em tom provocativo. - Vocês
estão há um ano calados.

      Pela primeira vez me contestaram. Gostei das reclamações que fizeram
sobre a bronca aparentemente gratuita que lhes dera. Eu vivia me
perguntando: ”Será que eles pensam que eu nunca estou errado?” Temia estar
ali o silêncio do comodismo, o distanciamento do não-envolvimento e da não-
cumplicidade.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Págs. 134 e 135)




      Em outros momentos, Bernardinho era autocrático, dando ordens para
que o grupo alcançasse seu objetivo. No terceiro exemplo pode-se perceber
isso no momento que ele proíbe as jogadoras de darem entrevistas. Seu
objetivo era que elas não fossem influenciadas pelo assédio da mídia e pela
fama, no entanto percebe-se em Bernardinho a preocupação didática para com
o grupo, ao explicar seus motivos para os liderados, mesmo nos casos de
ordens que não admitiam ponderação.


                                                                              41
“Foi quando o incômodo deu lugar a preocupação. Achei que era hora
de falar com elas: “De agora em diante e até que o Campeonato termine vocês
estão proibidas de dar entrevistas que não sejam sobre vôlei. ” (...) Expliquei-
lhes que minha obrigação era protegê-las de qualquer influência externa que
pudesse desviá-las de sua meta. No caso, o Campeonato Mundial. ”
(Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 84)




             Para    demonstrar    essa    situacionalidade    da   liderança   de
Bernardinho, importante trazer também um exemplo de atuação delegativa e
educativa para com os atletas, inclusive em situações de conflito, como durante
a campanha da Liga Mundial de Volley de 2004 na Italia, quando Bernardinho
precisou recorrer a esses estilos para contornar problemas com Ricardinho,
seu levantador titular e destaque da seleção à época:

       “ (...) passou a não se dedicar e a não se empenhar da mesma forma
nos treinos. (...) Discutimos na frente de todo o time (...) Foi um momento de
tensão. Aquele era o levantador titular, um dos líderes do time, um jogador
imprescindível aos nossos planos. Não podia perdê-lo. Pedi a Giba que falasse
com ele e a conversa não deu resultado. Outros jogadores tentaram e nada. Vi
que o melhor seria eu mesmo lidar com o problema. Depois de uma longa e
acalorada discussão debaixo de chuva, que imaginei que fosse nos levar a
uma ruptura definitiva, ele humildemente reconheceu que havia errado e
agradeceu    minha   preocupação     e    minha   orientação   (...)”(Bernardinho,
Transformando Suor em Ouro, Pág. 154)




                                                                                42
8. PROCESSO DE INFLUENCIAÇÃO

      O principal processo de influenciação utilizado foi a motivação, apesar
de também utilizar sugestões através de exemplos.




      Motivação

      “SE VOCÊ É UM LÍDER REALMENTE DURO E EXIGENTE, SEU
PRÓPRIO SACRIFÍCIO SERVE COMO FONTE DE MOTIVAÇÃO, POIS
DEMONSTRARÁ QUE A EQUIPE NÃO ESTÁ SOZINHA.” (Bernardinho,
Transformando Suor em Ouro, Pág. 82).


                                                                           43
“Jamais desconsiderei o talento de qualquer um desses excepcionais
atletas, embora, para mim, sejam astros cuja luminosidade se torna mais
acentuada quando formam uma constelação. Os rapazes que enfrentarão os
italianos daqui a algumas horas estão unidos, determinados, confiantes,
movidos pela mesma paixão e convencidos de que não teriam chegado até
aqui se não fossem o que são: uma equipe.” (Bernardinho, Transformando
Suor em Ouro, Pág. 25).




      “Não se monta o melhor time sem grandes jogadores, não se constrói
uma máquina sem as peças certas, não se chega ao todo sem que as partes
se completem. Motivo pelo qual jamais desconsiderei o brilho individual dos 12
homens sob meu comando. Na realidade,13, se contarmos com Henrique,
tristemente cortado uma semana antes de chegarmos aqui. Se os
regulamentos limitam as equipes a 12 atletas, não quer dizer que Henrique não
ocupe, sempre, a mente e o coração de todos nós.” (Bernardinho,
Transformando Suor em Ouro, Pág. 22).




      Apesar do corte do atleta, Bernardinho enfatiza que a equipe é composta
por 13 jogadores e que todos são peças fundamentais de uma máquina
chamada Seleção Brasileira




      “E o talento de Dante, para quem um dia enviei um e-mail dizendo ”Não
me faça desistir de você”? Ele foi à luta e provou ter força suficiente para
carregar o peso de substituir o aparentemente insubstituível Nalbert. Grande
jogador, espero que Dante se torne um líder para as novas gerações,
transmitindo tudo o que aprendeu com esta.” (Bernardinho, Transformando
Suor em Ouro, Pág. 24).



                                                                            44
Valoriza o trabalho mostrando a importância do liderado e sua
significação para o time.




      “Quando assumimos a seleção, Virna foi franca:

      - Bernardinho, eu não sei passar.

      De fato, ela jogava no fundo da quadra, quase escondida, como se não
quisesse correr riscos. Evitava fazer a recepção (passar), fundamento
importante para sua função.

      - Mas por que você não passa? - perguntei.

      - Porque meu antigo técnico me disse que eu não tenho capacidade pra
isso, que eu sou lenta e limitada.

      Não perdi tempo:

      - Foi Só isso que ele disse? Mais nada? Então, filha, Deus a ajude,
porque você não vai jogar comigo se não passar.

      Virna estava tão desmotivada, tão ”pra baixo”, que realmente se sentia
incapaz de cumprir um dos fundamentos do vôlei. Criamos um regime intensivo
de treinamento de passes, deixando claro que, se não se esforçasse, não teria
chance. Em pouco tempo, ela saltou da condição de 13º para 7º da equipe. E,
depois de três anos, tornou-se titular e uma das principais jogadoras do país.”
(Bernardinho, Transformando Suor em Our).




      Exemplo

      “Em 1980 fui convocado novamente e dessa vez fiquei entre os 12
jogadores que iriam disputar os Jogos Olímpicos de Moscou. Era a realização
da ambição de todo atleta. Logo após os amistosos preparatórios, três meses
antes das Olimpíadas, estourei o menisco do joelho esquerdo e tive de ser


                                                                            45
operado. Diante de tamanha falta de sorte, todo mundo me viu fora da seleção.
Todo mundo menos eu.

           Muitas vezes dormia durante o dia em um colchonete, no Fluminense,
para aproveitar melhor o tempo. Nadava, malhava, caminhava, alongava e
combinava à fisioterapia treinos com bola: sentava-me no chão e ficava
jogando vôlei com a parede. O resultado é que reapresentei-me à seleção e
voltei a jogar em tempo recorde: 28 dias” (Bernardinho, Transformando Suor
em Ouro, Pág. 43).

           Através do que ocorreu com Bernardinho, podemos perceber que ele é
um grande exemplo de superação, determinação a ser seguido. Num curto
período de tempo ele conseguiu se recuperar de uma lesão grave.




           “Lembro-me de um amistoso entre Atlântica Boavista e Fuji Film, do
Japão. Reclamei o tempo todo dos meus companheiros de time que, por
alguma razão, estavam desmotivados. Eu gritava e xingava tanto que Bebeto
de Freitas me substituiu.

           - Por que me tirou? - perguntei no vestiário depois de perdermos a
partida.

           - Porque você ia acabar brigando com o time inteiro - respondeu Bebeto.
- Você era o único com vontade de jogar.” (Bernardinho, Transformando Suor
em Ouro, Pág. 42)




           Mesmo como jogador, Bernardinho já mostrava suas características de
líder em quadra. Sempre motivado e na busca do resultado, ele procurava
inspirar os jogadores a vencerem as dificuldades em quadra para ganharem os
títulos.




                                                                                46
Efeito de atmosfera ou ambiente

         “Foi quando o incômodo deu lugar a preocupação Achei que era hora de
falar com elas ”De agora em diante e até que o Campeonato termine vocês
estão proibidas de dar entrevistas que não sejam sobre vôlei ””

         Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 84




         O ambiente interno da seleção é modificado pelas determinações de
Bernadinho que visa evitar que as jogadoras da seleção percam a
concentração por causa do excesso de vaidade durante as entrevistas
coletivas. Existe uma mudança de ambiente porque Bernardinho proíbe as
entrevistas coletivas..




         "Domingo, 15 de agosto, a estréia. No vestiário, antes de trocar de
roupa, André Nascimento tirou da bolsa a camisa numero 5, a camisa de
Henrique.           Em               voz         baixa,           me          perguntou:
-Posso?
-Jogar     com   ela,   não      -   respondi.   -   Você   foi   inscrito   com    a   9.
-Não, não, o que eu quero saber é se posso pendurá-la ali. Era evidente que
sim. A partir daquele dia e até que os Jogos Olímpicos chegassem ao fim, a
camisa de Henrique ficaria presa por dois ganchos, aberta, no vestiário
brasileiro, como se a marcar presença numa equipe que também era sua."
(Transformando            Suor         em        Ouro       ,       pg       168)



         Após o corte de Henrique (a lista de convocação para as Olimpíadas de
Atenas deveria listar 12 jogadores e a seleção continha 13), o grupo ficou triste
como um todo, externalizando o sentimento de família que unia aquele grupo e,
a partir da iniciativa acima, Bernardinho incentivou a criação do efeito de
atmosfera relativo a presença de um jogador que era querido por todos e que
havia contribuído com a seleção até aquele instante, motivando o grupo desde

                                                                                        47
os vestiários.




       Argumentação

       “A medição de forças com as cubanas marcou nossos anos à frente da
seleção feminina. Os cinco confrontos que tivemos no primeiro ano nos deram
a certeza de que o poderoso voleibol de Cuba cruzaria nosso caminho nos
anos subsequentes, sempre como principal obstáculo à pretensão de
chegarmos ao degrau mais alto do pódio. De fato, foram 27 jogos em sete
anos: 13 vitórias para nós, 14 para elas.” (Bernardinho, Transformando Suor
em Ouro, Pág. 97)




       Nesta passagem observa-se que Bernardinho analisa a tradicional
rivalidade BrasilxCuba através de dados históricos que pautam o equilíbrio
existente entre essas duas seleções.




       “As atividades foram relativamente menores em 1997 Ficamos em
primeiro lugar no Campeonato sul-americano e no torneio de classificação para
o Campeonato Mundial A não ser pelo segundo set contra as peruanas na
casa delas - um apertado 15-13 — , todos os outros 30 sets foram ganhos,
como se dizia antigamente, ”no capote”, com o dobro de pontos ou mais sobre
as adversárias Já no Japão, não fomos além de um terceiro lugar na Copa dos
Campeões” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 101)




       Bernardinho analisa a seleção brasileira sob duas ópticas: a 1ª óptica
relaciona a seleção contra adversários próximos, onde consegue vitórias

                                                                           48
fáceis, dando a impressão de que a seleção está preparada para torneios mais
disputados. Entretanto, pela 2ª óptica percebe-se que no contexto mundial o
Brasil não passa de um terceiro lugar. Demonstrando com isso que a
preparação da equipe deveria visar adversários mais fortes que os habituais.




       " Nossa estatística, Roberta Giglio, é responsável pelos dois programas
que utilizamos. (...) O segundo programa, denominado técnico, diz respeito ao
nosso rendimento. Ele mostra como cada jogador se comportou em cada
fundamento e qual foi o seu aproveitamento final.(...) Todas essas ações são
convertidas em números e os desempenhos são descritos em tabelas com
percentuais de acertos e erros. Os jogadores são informados dos resultados,
que passam a orientar os treinamentos. A referência é a média histórica, e o
objetivo,                  claro,                   é                  elevá-la.
A estatística acabou com avaliações do tipo: ”Eu acho que você...” O treinador
agora tem acesso a dados que lhe permitem dizer: ”Você fez isso ou aquilo e
precisa...” Embora os números não mintam, eles não dão todas as respostas. A
observação do treinador continua sendo muito importante, pois completa a
percepção     objetiva    do    desempenho     da       pessoa    em   foco"
(Transformando           Suor       em        Ouro           pg        185-187)



       No trecho acima Bernardinho mostra utilizar-se de softwares de
acompanhamento que geram dados de performance dos atletas nas partidas e
oferecem base de comparação de desempenho para orientar os jogadores,
caracterizando perfeito exemplo de influenciação por meio de argumentação
baseada em dados numéricos e estatísticas.




                                                                               49
9. CONCLUSÃO

      Bernardinho sempre teve como objetivos principais a busca pelo melhor
preparo técnico de seus jogadores, a disciplina e a entrega total da sua equipe.
São objetivos éticos pois estão totalmente a favor do bom relacionamento
humano dentro da sociedade.

      Os resultados apresentados para a Confederação Brasileira de Vôlei na
“Era Bernardinho” foram tão importantes que trouxeram de volta o interesse
pelo esporte por parte da juventude brasileira e projetaram o vôlei nacional
para o mundo. Tais conquistas mostram como sua liderança é positiva para
esta instituição, são constantes resultados de alto nível, revelando o imenso
poder de uma liderança positiva.

      Líder transparente e pedagógico, compartilha sua visão e experiências
em grande densidade de feedback com a publicação de sua autobiografia

                                                                             50
“Transformando Suor em Ouro”. Trocadilhos a parte, forma em conjunto com
outras     bibliografias   citadas,   verdadeira      pedra    filosofal    da    liderança
contemporânea.

         Valoriza a transparência de princípios, critérios e condutas que o líder
deve seguir. Adapta-se com facilidade ao cenário dinâmico e global da nova
era. Era esta já cunhada por alguns como `Era da Informação’ e que carateriza-
se: por ser emergente do advento tecnológico; por formar redes de indivíduos
conectados entre si em tempo real, compartilhando trabalho, experiência e
conhecimento; por trazer consigo impacto social, cultural e econômico em
todos os campos do conhecimento; e, principalmente, por permitir que a
condução adequada de grupos sociais (aqui vistos como `equipes de trabalho’)
orientados para a consecução de objetivos comuns, seja um elemento
catalisador na evolução desses campos de conhecimento.

         Dessa forma, em coerência com essa visão, não `esconde o jogo` de
sua receita de sucesso. A velha idéia competitiva de segregar o conhecimento
como bem patrimonial restrito, no intuito de manter vantagem competitiva não
mais prevalece no cenário global. Bernardinho confia na troca sinérgica do
trabalho de equipe como valor agregado. Pois, ao reparar o mundo
contemporâneo         em   ritmo   cada   vez   mais     acelerado         de    mudanças,
aprimoramentos e evoluções emergentes das redes globais de processos
criativos, percebe que conhecimento aprisionado possui valor agregado volátil.
Portanto, o paradigma competitivo dessa `Era da Informação` passa a ser o de
uma competição transparente, aberta e colaborativa, que pode ser cunhada
como a Coopetição (Colaboração Competitiva ou Competição pelo Alto
Nivelamento).     A    Coopetição     carateriza-se    pelos    indivíduos       adquirirem
consciência de que melhor será seu desempenho e realização de metas
pessoais, conquanto for o desempenho global dos indivíduos do grupo a que
pertence, MESMO que em competição com esses próprios indivíduos.

         Trata-se de um exemplo de aplicação do `Equilibrio de Nash` para a
Teoria dos Jogos, estudo que concedeu ao brilhante matemático John Nash o
Nobel de Matemática. A Teoria dos Jogos procura encontrar estratégias
racionais em situações em que o resultado depende não só da estratégia


                                                                                         51
própria de um agente e das condições de mercado, mas também das
estratégias escolhidas por outros agentes que possivelmente têm estratégias
diferentes ou objetivos comuns.

      Na economia (formação de Bernardinho), a teoria dos jogos tem sido
usada para examinar a concorrência e a cooperação dentro de pequenos
grupos de empresas. A partir daí delineia-se a estratégia.       Adam Smith,
pioneiro da economia, havia identificado como motor da história a capacidade
do homem de agir motivado por seus interesses pessoais, ainda que também
destacasse a existência de sentimentos morais em nossa psique.

      Com o passar dos séculos economistas continuaram a apostar no
pensamento calculista para explicar e prever a colaboração entre pessoas. O
desenvolvimento da teoria dos jogos, criada em 1928 pelo matemático húngaro
John Von Neumann, sofisticou ainda mais essa idéia ao usar a matemática
para mostrar que, no final das contas, as pessoas ajudam às outras porque
ganham com isso.

      Todavia, a Teoria dos Jogos ganhou grande contribuição a partir dos
estudos desenvolvidos pelo matemático norte-americano John Nash, que
aprofundou os estudos de equilíbrio entre os agentes econômicos, no que
tange à aplicação desta teoria em ambientes não cooperativos. Ao contrário de
Adam Smith, para quem os melhores resultados surgem quando cada um no
grupo olhar pelos seus próprios interesses, Nash defendeu que "O melhor
resultado ocorre quando as partes procuram a opção que simultaneamente
atenda seus anseios pessoais e o do grupo".

      Nota-se portanto que as estratégias apresentadas por Bernardinho em
sua biografia estão cientificamente embasadas sob o aspecto econômico e
sociológico. Podem ser consideradas como estudos de casos que exemplificam
o `Equilibrio de Nash` aplicado ao contexto extremamente competitivo do
ambiente esportivo e de modo mais amplo, ao ambiente competitivo das
corporações.

      Ao perceber a necessidade de elevar todo o grupo para elevar-se mais,
o participante de uma equipe consegue melhor domar o egocentrismo e


                                                                           52
vaidades que acompanham o sucesso e realizações. Para Bernardinho estes
são os perigos que rondam o sucesso e a forma consciente escolhida por ele
para driblar esses perigos é buscar conscientemente uma `zona de
desconforto`. Ou seja, nunca se contentar com o que já se conseguiu, desejar
sempre uma nova meta, abraçar a realização de um novo sonho
imediatamente após a concretização de outro. Nunca se contentar com menos
ou `eterna insatisfação`.

      Ambicioso e consciente de que é um projeto/estilo de vida sem
finalização que implica em amar mais a preparação do que a vitória (a auto-
realização deverá advir do caminho e não do destino), exige de si mesmo
comprometimento estratégico com a realização contínua por meio de extremo
estudo e planejamento minucioso objetivando sucessiva superação de
barreiras.

      Este é o vetor da estratégia meticulosamente delineada por Bernardinho
e cunhada de `Roda da Excelência`, base do seu estilo de liderança e
influenciado pelos conceitos de `Líder Servidor`. Termo este cunhado por
Leonard Hoffman em seu best-seller `The Great Paradox: To Lead You Must
Serve` (O grande paradoxo: Para liderar você deve servir). Os grupos que
adquirem essa consciência, tornam-se equipes, adquirem cumplicidade e
comprometimento, tornam-se verdadeiras famílias.




                                                                          53
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:



         [Bernardinho] Transformando Suor em Ouro

         [HOFFMAN,Leonard] The Great Paradox: To Lead you must Serve

      [HUNTER, James C.] Como se tornar um Lider Servidor

      Nash Equilibrium : http://www.iscid.org/encyclopedia/Nash_Equilibrium

      Nash, John (1950), "Equilibrium points in n-person games", Proceedings
of the National Academy of Sciences of the United States of America 36 (1):
48–49,                        doi:10.1073/pnas.36.1.48,



      von Neumann, John (1928), "Zur Theorie der Gesellschaftspiele"
Mathematische Annalen 100 (1): 295–320,

      von Neumann, John; Morgenstern, Oskar (1944), Theory of games and
economic behavior, Princeton University Press

      http://en.wikipedia.org/wiki/Invisible_hand



      "Adam Smith and the Invisible Hand" From Metaphor to Myth" article by
Gavin Kennedy, May 2009

      http://www.artigos.com/artigos/sociais/administracao/recursos-humanos/
bernardinho:-um-dos-mais-conceituados-lideres-da-atualidade-1117/artigo/

      http://www.possibilidades.com.br/lideranca/bernardinho.asp

      http://www.rhportal.com.br/artigos/wmview.php?idc_cad=x7zc0s83a

      http://www.parlante.com.br/palestrasepalestrantes/palestrante.asp?
c=47&nome=Bernardinho

      http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?
sid=66249653612520554269348574&nitem=1809757


                                                                               54
http://pe360graus.globo.com/esportes/esportes/volei/2009/08/31/NWS,4
97290,6,109,ESPORTES,751-BERNARDINHO-FALA-SOBRE-LIDERANCA-
MOTIVACAO-PALESTRA-RECIFE.aspx

       http://oslideres.blogspot.com/2009/08/bernardinho-um-verdadeiro-
lider.html

       http://www.baixinho.net/selecao-brasileira-de-volei-crise-bernardinho-e-
ricardinho/

       http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Volei/0,,MUL87702-4435,00.h
tml

       http://pan2007.globo.com/PAN/Noticias/0,,MUL76837-3882,00.html

       http://pan2007.globo.com/PAN/Noticias/0,,MUL76428-3882,00.html

       http://pan2007.globo.com/PAN/Noticias/0,,MUL74892-3882,00.html

       http://pan2007.globo.com/PAN/Noticias/0,,MUL74872-3882,00.html

       www.qualidadecom.com/sala_int.php?id=282

       http://pt.wikipedia.org/wiki/Bernardo_Rocha_de_Rezende

       http://educarparacrescer.abril.com.br/amigos-educar/entrevista-
bernardinho-550325.shtml

       http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0778/gestao/m004
3334.html

       http://www.portaldovoluntariohsbc.com.br/site/pagina.php?
idconteudo=1471

       Revista Você S/A. Disponível em: http://vocesa.abril.com.br/blog/ricardo-
nakai/2010/02/19/lideranca-esportiva/

       Entrevista de Bernardinho para a Empregos.com.br. Disponível em:
http://carreiras.empregos.com.br/comunidades/executivos/fique_por_dentro/07
0305-forum_performance_hsm.shtm



                                                                              55
Dill Casella – Consultor empresarial e palestrante em liderança e
motivação.         Disponível            em:         http://www.artigos.com/artigos/
sociais/administracao/recursos-humanos/bernardinho


      Entrevista de Bernardinho ao R7. Disponível em: http://esportes.r7.com/
esportes-olimpicos/noticias


      Portal Exame – 30/10/2002


      Artigo     de:     Carlos      Wendell       Pozzobon.     Disponível     em:
http://www.rhportal.com.br/artigos


      Entrevista Ricardinho – Jornal Matéria Prima – 05MAI2004


      Bernardo         Rezende       –         Bernardinho.     Disponível      em:
http://www.canalrh.com.br


      Bernardo         Rezende       –         Bernardinho.     Disponível      em:
http://www.netfrases.com/frases-bernardinho/)


      Entrevista de Bernardinho para a revista Veja. Disponível em:
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/131206/entrevista_bernardinho.html


      Entrevista de Bernardinho para a revista SEBRAE. Disponível em : http://
www.feirasdobrasil.com.br/revista.asp?area=entrevistas&codigo=331


      Entrevista Wallace – Voleibrasil.org.br – 18MAI2010.




                                                                                 56

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Liderança (Estudo de Caso) : Bernardinho

  • 1. 1. INTRODUÇÃO Até a década de 1980 a seleção obtinha resultados que variavam entre os décimo-quinto e quinto lugares, e o voleibol era um esporte com pouco charme para o brasileiro. A partir de década de oitenta, com a chamada Geração de Prata, o vôlei brasileiro começou a obter resultados importantes, como a medalha de prata das Olimpíadas de Los Angeles, o Campeonato Sul-americano de Voleibol Masculino de 1983. Esses resultados, aliados a investimentos de marketing e formação de base, melhoraram sensivelmente o nível do voleibol nacional. A partir da criação da Liga Mundial de Voleibol, a seleção brasileira foi obtendo resultados cada vez mais consistentes, que resultaram no ouro nas Olimpíadas de Barcelona. A partir dessa época, o Brasil começou a ter equipes fortes e também a exportar jogadores para todo o mundo. A década de 1990, porém, seria dominada pela seleção italiana (embora as Olimpíadas de 1992 tenham sido vencidas pelo Brasil, em uma final contra os Países Baixos, que viria a ser campeão em 1996 contra a Itália). Mas os melhores resultados ainda estavam por vir. No início do século XXI, sob o comando do treinador Bernardinho, a seleção tornou-se praticamente invencível. De 2001 a 2006, a seleção disputou 20 títulos, obtendo 16 primeiros lugares, 3 segundos lugares e 1 terceiro lugar. Os primeiros lugares incluíram dois campeonatos mundiais, cinco títulos da liga mundial, uma copa do mundo, uma copa dos campeões e uma olimpíada. Entre 2007 e 2009, a seleção ainda conquistou mais dois títulos da liga mundial, uma copa do mundo e uma copa dos campeões. A seqüência de resultados positivos é certamente fruto de uma administração de qualidade, que conseguiu transformar o voleibol no segundo esporte no coração dos brasileiros, e que conseguiu ótimos resultados também no vôlei de praia. Os resultados de 2001 a 2006 são, por muitos, atribuídos à grande qualidade da equipe, mas principalmente à capacidade do técnico Bernardinho de obter resultados. 1
  • 2. Inspirado pela leitura de biografias de líderes históricos como Churchill e de grandes esportistas e treinadores como Vince Lombardi, Bernardinho foi amadurecendo um olhar próprio sobre a sua atividade. Isso o levou a formular uma ferramenta de trabalho que denominou de ”Roda da Excelência” e que é um dos principais temas do seu livro “Transformando suor em ouro”. A essência do sucesso de Bernardinho nas quadras é a crença numa equação simples que nada tem de matemática: TRABALHO + TALENTO = SUCESSO. Não por acaso o TRABALHO vem antes do TALENTO. Para Bernardinho, a ordem desses fatores altera o produto. Apoiado no seu próprio exemplo como jogador, ele aposta no esforço e na perseverança, na disciplina e na obstinação. Bernardinho conta que quando tinha entre 14 e 15 anos, jogava no Infanto-Juvenil do Fluminense e o treinador do time adulto era o Feitosa, e que um dia ele lhe convidou para participar de amistosos fora do Rio Janeiro com o time adulto. É claro que ele foi, porque o sonho do todo atleta jovem é estar um degrau acima, eles querem jogar no meio de gente grande, e mais ainda, ser convidado pelo treinador do time adulto vibra na mente do atleta jovem como prestígio, valorização, etc. Porém, ao aceitar o convite de ir jogar com o time adulto é obvio que ele desfalcou o time dele, o Infanto-Juvenil, e quando se reapresentou ao seu treinador, o Bené, não foi poupado. Bené disse-lhe: - Bernardo, como Líder e capitão do nosso time, você não foi verdadeiro! Você falhou, abandonou seus companheiros justamente quando eles mais precisavam de você, só para jogar uns amistosos com os adultos. Você foi ajudar os outros que não são seus companheiros e não precisavam de você naquele momento. Bernardinho disse que nunca mais esqueceu a lição que aprendeu com o seu treinador, o Bené, que com meia dúzia de palavras duras e claras disse- lhe como deveria conduzir sua vida pessoal e profissional dali para frente, e que assim descobriu um dos GRANDES SEGREDOS DA LIDERANÇA 2
  • 4. 2. DADOS BIOGRÁFICOS Bernardo Rocha de Rezende, conhecido como Bernardinho, (Rio de Janeiro, 25 de agosto de 1959) é um ex-jogador de voleibol brasileiro e, desde 2001, é o técnico da seleção brasileira de voleibol masculino. Passou a infância no Rio de Janeiro e estudou no Colégio Andrews. Estudou lá desde o antigo primário até o vestibular. Bernardinho nasceu em Copacabana, no Rio de Janeiro, numa família de classe média alta. Por influência dos pais praticou vários esportes, entre eles o judô, no qual foi vice campeão carioca infanto-juvenil. Foi no judô que ele adquiriu a disciplina como atleta. Descobriu o voleibol na praia onde ele jogava junto com o irmão e uma turma de amigos. Começou a jogar vôlei aos 11 anos. Tinha um vizinho um pouco mais velho que jogava no Fluminense. Ele e seus irmãos foram levados pelo tal vizinho para fazer uma aula experimental no clube. Lá, conheceram o seu primeiro treinador, o Bené. Foi um tremendo professor e uma pessoa que fez uma diferença enorme em sua vida. Bené foi o primeiro treinador de muitos dos jogadores da geração de prata, como Bernard, Badá, Fernandão. Além de descobridor de talentos, ele era um grande motivador de pessoas de uma forma geral, um cara fantástico. Foi lá que ele adquiriu seus primeiros ensinamentos da carreira como a disciplina, as primeiras noções de liderança, a importância de fazer parte de uma equipe, de tratar todos segundo os mesmos valores, mas não necessariamente da mesma forma, além de jogar o voleibol. Depois, se formou na faculdade de Economia na PUC-RJ, em 1984, que também foi muito importante para a sua formação, depois de desistir da faculdade de engenharia. Fluente em quatro idiomas, já tinha feito um estágio no banco Garantia quando ainda era estudante. No mesmo ano em quase formou, pediu uma força aos professores para cobrir suas faltas, já que acompanharia a Seleção Brasileira de Vôlei nos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Voltou da viagem com a medalha de prata e uma dúvida: devia seguir ou não a carreira de economista? "Sempre gostei de economia e meu objetivo 4
  • 5. era trabalhar no mercado financeiro", diz Rezende, o Bernardinho, que durante sete anos foi levantador da seleção e há algumas semanas comandou a equipe brasileira rumo à conquista do Mundial, na Argentina. Bernardinho jogou voleibol de 1979 até 1986, defendendo times do Rio de Janeiro. Em 1988 parou de jogar e começou a carreira de treinador como assistente técnico de Bebeto de Freitas, nas Olimpíadas de Seul. Dois anos depois, treinou a equipe feminina do Peruggia, na Itália, onde ficou até 1992. Bernardinho diz ter encontrado sua verdadeira vocação quando aceitou um convite para dirigir o time do Perugia, na Itália. "Só então abandonei de vez a idéia de ser economista", diz. "E abracei a carreira de treinador." Enquanto o Perugia conquistava títulos nas copas da Itália e européia, Bernardinho se destacava como técnico. No ano seguinte, dirigiu a equipe masculina do Modena. Em seguida, Bernardinho retornou ao Brasil e, em 1994, assumiu o comando da seleção feminina brasileira adulta, até 2000. O êxito nas quadras fez do técnico um conferencista requisitado. Inspirado pela "Pirâmide do Sucesso", criação do treinador John Wooden, mito do basquete universitário estadunidense e que usa a figura geométrica para ensinar o passo-a-passo do sucesso, Bernardinho desenvolveu a "Roda da Excelência". Nela, dispõe valores como trabalho em equipe, liderança, motivação, perseverança e outros conceitos comuns a manuais de recursos humanos. Bernardinho é casado com a ex-jogadora de voleibol Fernanda Venturini. Casaram-se em 1999 e hoje tem uma filha juntos chamada Julia. Antes, foi casado com a ex-jogadora de voleibol Vera Mossa, com quem teve Bruno Mossa de Rezende, o Bruninho, que é levantador da seleção brasileira masculina de vôlei. Em 2001, assumiu a seleção masculina, quando começaram a chover as medalhas de ouro. Além de cinco títulos mundiais, o Brasil, sob sua gestão, foi, em 2004, campeão das Olimpíadas de Atenas. Cunhou-se o termo “A Era Bernardinho”, para definir o período áureo da seleção, de vitórias sucessivas. 5
  • 6. Bernardinho é o idealizador do Instituto Compartilhar, que foi criado no Rio de Janeiro em março de 2003 e que em julho de 2004 abriu uma sede em Curitiba. O Instituto utiliza a prática esportiva como principal ferramenta para inserir os jovens de maneira produtiva na sociedade. Foi escolhido o melhor treinador da Super Liga Feminina 2007/2008. E pelo Comitê Olímpico Brasileiro por quatro anos consecutivos o melhor treinador do Brasil. É autor dos livros: "Bernardinho - Cartas a um jovem atleta - Determinação e Talento: O caminho da Vitória" (ISBN 8535220712) e "Transformando Suor em Ouro" (ISBN 8575422421). - Títulos conquistados Como jogador 1981 - Campeão sul-americano 1981 - Bronze na Copa do Mundo de Voleibol de 1981 1982 - Campeão do Mundialito 1982 - Prata no Mundial de 1982 1983 - Bicampeão sul-americano 1983 - Ouro no Pan-americano de Caracas 1984 - Prata na Olimpíada de Los Angeles 1985 - Tricampeão sul-americano Como técnico Na seleção feminina 6
  • 7. 1994 - Vice-campeão no Mundial de Voleibol Feminino 1994 - Ouro no Grand Prix de Voleibol 1996 - Bronze na Olimpíada de Atlanta 1996 - Ouro no Grand Prix de Voleibol 1998 - Campeão sul-americano de voleibol 1998 - Bronze na Copa dos Campeões 1999 - Ouro no Pan-americano de Winnipeg 1999 - Prata no Grand Prix 1999 - Ouro no Sul-Americano 1999 - Prata na Copa do Mundo de Voleibol 2000 - Bronze no Grand Prix de Voleibol 2000 - Bronze na Olimpíada de Sydney Na seleção masculina 2001 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol 2001 - Campeão sul-americano 2001 - Campeão do Torneio Ponte di Legno 2001 - Campeão do Torneio Consorzio Metano de Vellecamonica 2002 - Vice-campeão da Liga Mundial de Voleibol 2002 - Campeão Mundial na Argentina 2002 - Campeão do Torneio Sei Nazioni 2003 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol 2003 - Campeão sul-americano 2003 - Campeão da Copa do Mundo de Voleibol, no Japão 7
  • 8. 2003 - Bronze no Pan-americano de Santo Domingo 2004 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol 2004 - Ouro na Olimpíada de Atenas 2005 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol 2005 - Vice-campeão da Copa América 2006 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol 2006 - Campeão Mundial no Japão 2007 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol 2007 - Ouro no Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro 2007 - Vice-campeão da Copa América 2007 - Campeão da Copa do Mundo de Voleibol, no Japão. 2008 - Quarto colocado da Liga Mundial, no Rio de Janeiro. 2008 - Prata nas Olimpíadas de Pequim, na China 2008 - Vice-campeão da Copa América 2009 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol (Sérvia) 2010 - Campeão da Liga Mundial de Voleibol (Argentina) 8
  • 9. 3. COMPETÊNCIAS FUNDAMENTAIS PARA O EXERCÍCIO DA LIDERANÇA. CAPACIDADE EM CRIAR, COMPARTILHAR UMA ESTRATÉGIA (UMA IMAGEM CLARA DO SUCESSO), CRIAR CONDIÇÕES PARA TORNÁ- LA REALIDADE E HUMILDADE PARA EXECUTAR CORREÇÕES DE RUMO, SE NECESSÁRIAS; 1º) “Bernardinho é fanático por vídeos e estatísticas. Durante as competições, a auxiliar Roberta Giglio passa noites em claro levantando dados dos adversários. O técnico pede videoteipes dos jogos dos rivais e elabora diagramas que mostram os setores da quadra em que os jogadores adversários mais atuam e suas principais características. A estratégia é montada jogo a jogo. Durante os jogos, quatro auxiliares, em pontos diferentes da quadra, ficam ligados a Bernardinho por um ponto eletrônico, prontos para alertar sobre qualquer mudança de tática dos adversários. - A gente precisa saber a parte tática da equipe, como eles estão jogando. Por exemplo, dependendo de onde e em que condições que a bola chega para o levantador deles, a gente precisa armar rapidamente uma estratégia contra a ofensiva – conta Roberta Giglio – Auxiliar”. (Você S/A. Disponível em: http://vocesa.abril.com.br/blog/ricardo- nakai/2010/02/19/lideranca-esportiva/) De acordo com este texto, podemos perceber que Bernardinho possui uma grande capacidade em criar e passar as estratégias para a equipe; ele traça suas estratégias, após um estudo minucioso do adversário, através de vídeos dos jogos das equipes oponentes. E durante os jogos ele executa correções em sua estratégia, caso o adversário mude sua tática. 9
  • 10. 2°) “É fácil dizer que esse time é do Bernardinho, mas não é. Sou só um deles. Às vezes tenho de pressioná-los, às vezes acalmá-los. Estou aqui para dar-lhes os meios para as vitórias e questioná-los sobre como continuar melhorando. Esse é meu principal papel.” (Entrevista de Bernardinho para Você S/A. Disponível em: http://vocesa.abril.com.br/blog/ricardo- nakai/2010/02/19/lideranca-esportiva/) Nesta entrevista, podemos perceber que Bernardinho cria meios para tornar a estratégia possível, alcançando, desta forma, os objetivos da equipe, que é a vitória. 3°) “Queria treinar assim que chegássemos, não importava o quanto estivéssemos cansados pela viagem. Entramos no ônibus que nos levaria ao hotel. O programa era mudarmos de roupa e irmos imediatamente para a quadra. O funcionário da Federação Holandesa, muito educadamente, avisou que não poderia haver treino naquele dia. - Como não? – Protestei. Lembrei-lhe que tinha acertado tudo antes de viajar. - Hoje, 30 de abril, é feriado, aniversário de coroação da rainha Beatriz. Está tudo fechado, menos os bares para o pessoal comemorar. Ainda tentei de todas as formas convencer o homem a abrir o ginásio, mas não houve jeito. Os jogadores adoraram. Não haveria treino. Quer dizer, isso é o que eles pensaram. Chegando ao hotel, um prédio de três andares na periferia de Amsterdã, vi que existia um estacionamento ao lado. Ao vê-lo vazio, com um asfalto bonito, lisinho, pensei: “É aqui mesmo”. Ao descer do ônibus, virei-me para os jogadores e disse: - Subam, mudem de roupa e desçam que vamos treinar no 10
  • 11. estacionamento.” (Fonte: Transformando Suor em Ouro – Livro escrito por Bernardinho) Bernardinho sempre se mostrou bastante preocupado com a preparação do time, colocando os treinamentos sempre em primeiro plano, fazendo sempre de tudo para não deixar de realizar o treinamento planejado. A capacidade técnica dele também é vista na preparação tática do time, sendo esta feita com base em uma quantidade enorme de fontes de informações da equipe adversária. 4º) “A primeira coisa é avaliar o próprio desempenho, porque líderes têm que ser auto-críticos, mais do que com as outras pessoas. Eles devem se perguntar “até que ponto eu fui capaz de prepará-los?” O bom líder aprende com as derrotas, entende onde está a falha, inclusive porque essa é a única chance de não sucumbir à frustração e ter fôlego para tentar de forma diferente. Superação é ter a humildade de aprender com o passado e investir no futuro. O que me mantém vivo é a possibilidade de tentar novamente no dia seguinte. Por isso os líderes estão sempre observando e aprendendo com os outros. Isso é melhor ainda, porque ajuda a evitar o erro. Buscar exemplos de sucesso é fundamental também, além de promover a capacitação constante.” (Entrevista de Bernardinho para a Empregos.com.br. Disponível em: http://carreiras.empregos.com.br/comunidades/executivos/fique_por_dentro/07 0305-forum_performance_hsm.shtm) Neste trecho observa-se como Bernardinho procura observar a sua equipe e como faz para solucionar seus problemas. Repare que ele ressalta a importância de um líder ter humildade suficiente para reconhecer seus erros e para aprender com os outros. 11
  • 12. ENTUSIASMO (AUTOMOTIVAÇÃO) E CAPACIDADE EM ENERGIZAR / MOBILIZAR OUTRAS PESSOAS, OBTENDO A CUMPLICIDADE DOS MEMBROS DA SUA EQUIPE E O COMPROMETIMENTO COM OS OBJETIVOS PROPOSTOS; 1º) “Bernardinho é um líder vibrante!! Sofre nos erros, nas jogadas que não dão certo, faz cara feia, chuta o banco de reservas, chegando até a contundir-se em uma partida, dirigindo um time. Quando o time acerta, ele vibra, comemora, joga com o time!! Ergue as mãos no erro do time adversário, chegando até a influenciar na arbitragem.” (Dill Casella – Consultor empresarial e palestrante em liderança e motivação. Disponível em: http://www.artigos.com/ artigos/sociais/administracao/recursos-humanos/bernardinho) De acordo com o texto, fica claro que Bernardinho é um líder entusiasmado, que vibra com os acertos da equipe e que sofre com os erros da mesma. 2º) “Algumas coisas são essenciais. Têm de permanecer porque eu não aceitaria se não fosse dessa forma. Por exemplo: quem não tenha total envolvimento. Dos jogadores mais antigos, eles dão tudo no treino, como se fosse o primeiro deles na seleção. Não preciso nem cobrar dos mais novos, porque para eles mesmos seria constrangedor não treinar da mesma forma. Eles vêm exemplos, sabem que têm de dar tudo ali, porque os resultados vêm do trabalho de muitos, de gerações anteriores. É um afluxo de jovens, que empurram a fila. Mas sempre existem aqueles que são as molas propulsoras, 12
  • 13. as molas propulsoras de sonhos desses mais novos.” (Entrevista de Bernardinho ao R7. Disponível em: http://esportes.r7.com/esportes- olimpicos/noticias) Pelo exposto no texto, podemos perceber que Bernardinho obtém total envolvimento e cumplicidade dos membros da equipe, pois só desta maneira, obterá os resultados pretendidos. 3°) Atento às características e ao estado emocional de seus jogadores, Bernardinho delega a função de técnico quando necessário. "Às vezes, é mais eficiente chamar um jogador para levantar o moral do colega do que eu mesmo fazer isso", diz. "Se eu faço, cai na normalidade, porque é parte da função do chefe dar bronca ou chamar a atenção." (Portal Exame – 30/10/2002) 4°) ”Aquela reunião também foi importante porque, sem que os jogadores soubessem, nossa estatística Roberta Giglio teve o cuidado de filmar depoimentos das mulheres e das crianças para mostrar a eles em Atenas. ... Dada a importância da partida, exibimos na véspera o vídeo que Roberta Giglio tinha produzido em Saquarema: mulheres e filhos dirigindo carinhosas mensagens aos maridos e pais. Foi uma surpresa para os jogadores, que ajudou a lembrar-lhes como eram queridos, amados e que não podiam ser lembrados somente pelo número de vitórias ou derrota nas quadras. Emoção geral.” Bernardinho é famoso pelo seu temperamento como técnico, sempre brigando com o time, vibrando com o jogo. Porém fora das quadras ele se mostra capaz de motivar e comprometer a equipe através de ações que 13
  • 14. ficariam despercebidas olhando-se somente para o jogo. 5º) “Precisamos de paixão, de intensidade máxima naquilo que fazemos.” (Disponível em: http://carreiras.empregos.com.br/comunidades/executivos/fique_por_dentro/07 0305-forum_performance_hsm.shtm) Nesta entrevista Bernardinho destaca, do seu ponto de vista, que o entusiasmo é um dos componentes necessários para formar uma equipe vitoriosa. PROFICIÊNCIA EM HABILIDADES TÉCNICAS PROFISSIONAIS, INTERPESSOAIS; 1°) “Você sabe por que o Bernardinho está à frente da Seleção Brasileira Masculina de vôlei desde 2001, apresentando os melhores resultados e tornando-se uma organização praticamente invencível até hoje, agosto de 2007, onde disputou 23 competições, obtendo 19 primeiros lugares, 3 segundos lugares e 1 terceiro lugar? Simplesmente pelo fato de ser um LÍDER VERDADEIRO e, assim agir dentro da sua organização com Honestidade, Humildade, Paciência, Educação, Comprometimento, Respeito, Abnegação, Perdão, pois são estes comportamentos que resistem ao desgaste permanente causado pela rotina do dia-a-dia. Isto é que é Liderança Verdadeira exercida ao longo dos anos, submetida à prova permanente do tempo.” (Artigo de: Carlos Wendell 14
  • 15. Pozzobon. Disponível em: http://www.rhportal.com.br/artigos) De acordo com o texto, vemos que Bernardinho permanece no comando da Seleção Brasileira de Vôlei, devido ao seu comprometimento com a seleção, sua competência técnica profissional, sua integridade ética e aos resultados alcançados. 2°) “Liderança, competência e obstinação são traços marcantes na carreira de Bernardinho, um profissional com ambição constante pela vitória. É uma pessoa extremamente estudiosa, dedicada e apaixonada pelo que faz. Essas características o tornam um dos melhores técnicos da história do voleibol mundial ” (Carlos Arthur Nuzman - Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. Fonte: Transformando Suor em Ouro – Livro escrito por Bernardinho) Pela frase acima, do Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Bernardinho se destaca devido a sua competência, destacando que tudo que ele está conquistando é fruto de muito estudo, dedicação e paixão pelo que faz. Demonstrando sua proficiência em habilidades técnicas profissionais. 3°) “Imagine se eu, que brigo, grito e faço cara feia durante as partidas 15
  • 16. não aceitasse que um jogador fosse se sentar no banco emburrado, por ter sido substituído. Tenho que aceitar. Não o fazendo, achando-me com mais direito que o outro, terei sido vencido pelo meu próprio ego e perdido para sempre a capacidade de dialogar de igual para igual com o jogador.” Ele foi uma pessoa que me ajudou muito nesse ponto, de como encarar as críticas.(Entrevista Ricardinho – Jornal Matéria Prima – 05MAI2004) O técnico mostra uma habilidade interpessoal elevada, sabendo se por no lugar dos seus subordinados e entender os problemas que eles passam ou dificuldades a serem enfrentadas. HABILIDADE EM CRIAR CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA A MANIFESTAÇÃO DO TALENTO LATENTE EM CADA MEMBRO DA EQUIPE. 1°) “Todas as pessoas têm um determinado talento e cabe a nós descobri-lo e desenvolvê-lo.” (Bernardo Rezende – Bernardinho. Disponível em: http://www.canalrh.com.br) Desta frase do técnico da Seleção Brasileira de Voleibol, Bernardinho, nós percebemos a sua preocupação em descobrir e facilitar a manifestação do talento dos jogadores da sua equipe. 2º) “Coaching é uma relação de parceria que revela e liberta o potencial das pessoas de forma a maximizar seu desempenho.” (Bernardo Rezende – 16
  • 17. Bernardinho. Disponível em: http://www.netfrases.com/frases-bernardinho/) Bernardinho, nesta frase, afirma que através do treino, das instruções recebidas é que se manifesta o potencial das pessoas, e que cabe ao líder ter esta habilidade de percepção do talento existente em cada um dos seus liderados. 3°)“É importante criar dificuldades para os que têm talento. As facilidades os limitam.” (Bernardo Rezende – Bernardinho. Disponível em: http://www.netfrases.com/frases-bernardinho/) Nesta frase, Bernardinho, afirma que o líder tem que cobrar mais de quem tem mais para oferecer, e que cabe ao líder ter esta percepção do talento de cada liderado, para saber como contribuir para que este talento se manifeste em prol da equipe. 4º) “Talvez o grande craque tenha a percepção de que tudo é fácil. Eu vivi a sensação de que era tudo tão difícil que hoje eu acredito que todos têm que trabalhar muito para se desenvolver, mesmo aqueles que têm um talento maior.”. (Entrevista de Bernardinho para a revista Veja. Disponível em: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/131206/entrevista_bernardinho.html) Bernardinho destaca que, mesmo uma pessoa que já possua talento, tem que trabalhar para que possa se desenvolver. 17
  • 18. INTEGRIDADE ÉTICA; 1º) “Veja - Foi difícil cortar da seleção seu próprio filho, o levantador Bruno? Bernardinho - Com ele não foi difícil. Ele sabia o porquê das minhas decisões. O grupo reconheceu não só o garoto esforçado que é, mas também o jogador de talento que pode vir a fazer parte do grupo brevemente. Não foi das maiores dificuldades, foi senso de justiça.” (Entrevista de Bernardinho para a revista Veja. Disponível em: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/131206/entrevista_bernardinho.html) Bernardinho poderia, convenientemente, ter deixado seu filho na seleção brasileira. Entretanto, como a convocação de seu filho não era prioridade para complementar a equipe, Bernardinho o cortou para que outro jogador que possuísse as características necessárias pudesse ser convocado. 2º) “Profissionais que, diante de um fracasso, transferem a responsabilidade para os outros estão sendo injustos. Tenho profunda aversão a isso. Não adianta ser apenas o mais bem preparado, eficiente e competente se não for capaz de reconhecer as próprias falhas. No meu caso, sempre que acontece uma derrota, acho que a culpa foi minha por não ter sido capaz de motivar o time como deveria. “. (Entrevista de Bernardinho para a revista SEBRAE. Disponível em : http://www.feirasdobrasil.com.br/revista.asp? area=entrevistas&codigo=331) 18
  • 19. Bernardinho assume a culpa pelas falhas de sua equipe ao invés de procurar culpados e se eximir da derrota. CREDIBILIDADE/INSPIRA CONFIANÇA; 1º) “O técnico de vôlei Bernardinho, que inúmeras vezes levou as seleções masculina e feminina ao podium em competições internacionais, é o único palestrante brasileiro presente no Fórum Mundial de Alta Performance. “Além de colocar um componente nacional, o objetivo de ouvir o Bernardinho é saber por que mesmo com as mudanças nas equipes, a vitória permanece. Ao mesmo tempo, nem sempre uma equipe talentosa leva o primeiro lugar. Então, qual é o segredo? É isso que queremos ouvir dele”.”.(Disponível em: http://carreiras.empregos.com.br/comunidades/executivos/fique_por_dentro/07 0305-forum_performance_hsm.shtm) O fórum utiliza da imagem de Bernardinho para se promover além de promover sua credibilidade devido ao alto desempenho de Bernardinho e sua equipe nos últimos anos. 2º) “As pessoas precisam saber quem você é e o que pretende. Um líder tem que criar um clima de confiança absoluta, o que não significa dizer harmonia constante, sem que haja qualquer atrito. Para se chegar a um nível de excelência, é preciso muita cobrança, comprometimento e aprimoramento técnico. Na forma, todos nós podemos errar, mas ninguém da equipe pode duvidar das intenções de quem está à frente do projeto. A quebra de confiança 19
  • 20. é muito grave e dificilmente pode ser revertida.” (Entrevista de Bernardinho para a revista SEBRAE. Disponível em: http://www.feirasdobrasil.com.br/revista.asp?area=entrevistas&codigo=331) Bernardinho revela que a confiança que a equipe lhe deposita é determinante para que a mesma siga suas ordens à risca. Ordens essas que ele considera imprescindíveis para alcançar seu objetivo. 3°) Wallace elogia o treinador. "Tudo o que o Bernardo fala, funciona. Não tem como não confiar nele. Ele é sensacional. Tenho de estar sempre preparado, caso precise me utilizar. Por isso, não se pode relaxar. Independentemente de estar ou não entre os 12, é preciso manter o foco e não deixar cair o ritmo nos treinamentos". (Entrevista Wallace – Voleibrasil.org.br – 18MAI2010). Seu histórico como técnico é tão impressionante que seria natural que ele tenha uma grande credibilidade, isso é comprovado nas falas dos próprios jogadores da equipe. O Bernardinho é um técnico que, tanto a imprensa como a torcida sabe que, o que faz é correto. Ele tem seu valor, muito crédito nas decisões, por isso, quando fez a substituição ficaram todos esperando para ver. 4. JANELA DE JOHARI Bernardinho apesar de seu temperamento forte, certas vezes agressivos em quadra, sempre buscou uma relação de cumplicidade com seus jogadores, com o objetivo de não deixar que seus problemas pessoais atrapalhassem no preparo para os jogos e por conseqüência nas próprias disputas. Tal 20
  • 21. cumplicidade só é conquistada com uma relação aberta e de confiança, características essas que podem ser vistas nas entrevistas de jogadoras que atuaram com o técnico na seleção brasileira feminina de vôlei. “É um grande amigo. Temos uma relação de pai e filha. Sinto por ele um enorme respeito e muita confiança. É uma pessoa com quem posso contar nos momentos bons e ruins. Ele sempre me diz para economizar energia para gastar no momento certo. Agora, mais experiente, entendo bem essa frase.” (Entrevista Erika – www.esportesite.com.br – 30JAN2010) “Não, nunca. Desentendimento não atrapalha, o que atrapalha é a falsidade. Eu odeio falsidade, prefiro que a pessoa chegue a mim e diga o que pensa do que fale por trás. Preferia que a menina me xingasse a falar pelas costas. Não suporto conversinha, fofoca. Tem que falar na cara da pessoa, nem que seja pra depois sair na porrada. Melhor falar “na lata” e resolver ali, na hora, do que ficar fazendo intriga. Tudo era dito abertamente e tudo era superado, pois acima de tudo éramos uma grande equipe e tínhamos um grande chefe que sabia lidar com isso muito bem, o grande Bernardinho.” (Entrevista Marcia Fu – Melhor do Volei – 11FEV2008) Pensando também no Bernardinho como pessoa pública e que recentemente lançou um livro sobre a sua vida, mostrando impressões pessoais sobre as várias situações vividas na carreira é plausível pensar em uma janela de Johari com uma Arena Pública grande. Um exemplo é quando ele admite ser de temperamento explosivo dentro de quadra, mostrando mais uma característica conhecida pelo “eu” e pelos “outros”, contribuindo assim para o aumento dessa área: “Eu era excessivamente intenso, muitas vezes deixei que minha emoção tomasse conta, que meu excesso de vontade me prejudicasse” Em seu livro o técnico também demonstra sua preocupação com o feedback dos jogadores, de modo a cobrá-los uma participação mais efetiva nas reuniões da equipe, o que pode ser comprovado pelo seguinte texto: “Algo que passou a me incomodar nas reuniões táticas que tínhamos no início de 2002 foi a pouca participação dos jogadores. Senti-me 21
  • 22. protagonizando monólogos. Eu falava e eles ouviam, sem retrucar ou dar sequer uma opinião. Isso me deixava com a sensação de que havia alguma coisa mal resolvida. Não foi por outra razão que, em João Pessoa, durante a primeira partida contra Portugal pela Liga Mundial, incomodou-me ver o time jogando tão mal e os jogadores calados, como se nada estivesse acontecendo. Era como se eles dissessem: ”Se estamos vencendo, para que falar alguma coisa?” Irritado com essa postura, pedi tempo. E soltei os bichos em cima deles. Chamei-os de amadores, acomodados, irresponsáveis. Aposto que pensaram: ”O cara enlouqueceu.” À noite, durante a reunião para análise do vídeo em que deveríamos discutir as estratégias para a partida seguinte, os jogadores, enfim, resolveram dar suas opiniões. - Agora vocês querem falar? - perguntei em tom provocativo. – Vocês estão há um ano calados. Pela primeira vez me contestaram. Gostei das reclamações que fizeram sobre a bronca aparentemente gratuita que lhes dera. Eu vivia me perguntando: ”Será que eles pensam que eu nunca estou errado?” Temia estar ali o silêncio do comodismo, o distanciamento do não-envolvimento e da não- cumplicidade. É a típica situação em que, se ganharem, eles dizem: ”Está tudo bem, ótimo, deu certo, era isso mesmo”, mas, se perderem, esquivam-se, alegando terem se limitado a cumprir ordens.” 22
  • 23. 23
  • 24. 5. BASES DA LIDERANÇA Um líder surge em meio a uma situação em que se deseja atingir um objetivo e necessita-se de alguém para conduzir o grupo em direção do mesmo. Não existe o chamado “vácuo de liderança”. Com Bernardinho não foi diferente, as meninas da seleção feminina de vôlei tinham acabado de perder o Campeonato sul-americano e, com isso, a classificação para a Copa dos Campeões. O ambiente entre elas não era nada tranqüilo. Crises de relacionamento abateram-nas. Bernardinho foi chamado para treinar a seleção nessas condições, onde era necessário um líder que viesse a motivá-las novamente e fazê-las trabalhar em prol de muitos outros títulos que estariam por vir. AUTORIDADE ORGANIZACIONAL: CONSISTE NO DIREITO LEGAL E FUNCIONAL EM EXERCER O MANDO A Autoridade Organizacional se manifesta quando uma pessoa recebe um cargo ou uma função e com isso autoridade para agir e liderar. No caso do Bernardinho, isso aconteceu quando ele foi nomeado técnico da seleção feminina de vôlei e depois da seleção masculina também. “O que deveriam ser férias tranqüilas se transformou num novo desafio. Lá estava eu, em outubro de 1993, na casa de meus pais, em Copacabana, quando Carlos Arthur Nuzman, então presidente da CBV, hoje à frente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), telefonou convidando-me para dirigir a seleção feminina. Aceitei. Quem não gostaria de dirigir uma seleção brasileira? Não pensei duas vezes.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág.77) “Pouco depois dos Jogos Olímpicos de 2000, nova mudança de vida. Convidado por Ary Graça Filho, à frente da CBV desde 1996, quando Nuzman assumiu o Comitê Olímpico Brasileiro, transferi-me da seleção feminina para a masculina.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág.125) 24
  • 25. AUTORIDADE MORAL: DERIVA DO COMPORTAMENTO DO LÍDER E DA COMUNHÃO ENTRE ELE E OS SEUS SEGUIDORES NO QUE DIZ RESPEITO A: VALORES, CRENÇAS, IDÉIAS, OBJETIVOS E METAS A ATINGIR Um líder deve ter uma conduta ética e moral apreciada por seus seguidores. Seus valores influenciam e fortalecem sua relação com eles, todos sabem que tudo que é proposto pelo líder é para o bem do grupo e para que alcancem seus objetivos. Bernardinho possui todas essas qualidades: ” Bernardinho é um vencedor por colocar no seu trabalho valores e princípios que tanto apreciamos liderança, determinação, competência para treinar e motivar equipes e capacidade de levar crescimento pessoal e alegria aos jovens ” (Vinícius Priantí, PRESIDENTE DA UNILEVER BRASIL, Trecho do livro: Transformando Suor em Ouro) O exemplo é um do meios mais eficazes para se fortalecer a autoridade moral de um líder. Bernardinho em todos os momentos se utiliza desse recurso para conduzir o grupo. O caso do lago Léman, descrito no livro “Transformando Suor em Ouro”, pode ser citado como exemplo disso. Na ocasião, a seleção feminina de vôlei havia perdido o primeiro jogo do BCV Cup, um torneio importante que reunia oito das maiores seleções femininas do mundo. Bernardinho precisava motivá-las e lançou o desafio: “Se vocês forem campeãs, eu me atiro naquele lago.”. Era final do inverno, fazia frio e as águas do lago Léman estavam super geladas. A seleção começou a vencer. Treinava, jogava, foi superando uma adversária após outra até que venceu a final. Como exemplo de sacrifício (o mesmo que elas tiveram que fazer para se superar e vencer o campeonato), Bernardinho cumpriu sua promessa, e não só ele como toda a comissão técnica se atiraram no gelado lago. 25
  • 26. “Se você é um líder realmente duro e exigente, seu próprio sacrifício serve como fonte de motivação, pois demonstrará que a equipe não está sozinha.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág.82) Em 2003, semanas após conquistar mais uma Liga Mundial de Vôlei, batendo na final a poderosa seleção italiana em seu próprio território pela margem mínima de 2 pontos no tie-break (conquista com nuances psicologicamente épicas), o selecionado brasileiro passou por duro golpe no torneio seguinte, o Pan-Americano de 2003 de Santo Domingo, na Republica Dominicana. Disperso, sem foco ou vibração, o Brasil foi derrotado por uma equipe considerada tecnicamente inferior pela mídia especializada, a Venezuela, ficando “apenas” com o Bronze neste torneio. Quando questionado pela imprensa pela derrota, Bernardinho chamou para si a responsabilidade da derrota, pois como descreve em seu livro, ele como líder “não tinha sido suficientemente convincente para que eles fizessem aquilo que eu havia proposto”, e portanto houvera acontecido erro de planejamento de sua parte ao não preparar a equipe adequadamente para duas competições importantes separadas por curto espaço de tempo. Esta postura já constitui exemplo de valor e crença que sustenta sua autoridade moral de líder perante o grupo. No entanto, essa autoridade moral viria a ser posta em prova no dia seguinte, quando um site noticiou que Bernardinho teria culpado os jogadores pela derrota. Em seu livro, ele conta que embora mentirosa, essa noticiou levou a equipe a interpelá-lo. Bernardinho então reuniu os jogadores e taxou: se ao menos um membro da equipe acreditasse nessa notícia, poderia arrumar as malas e ir embora da seleção, mas se a equipe pensasse dessa forma, ele próprio iria embora, consciente de que haveria perdido a capacidade de liderá- los, sem sua confiança. Ninguém se manifestou e a autoridade moral de Bernardinho e sua comunhão com o grupo, houvera passado no teste. Situações onde se verifica o comportamento ético do líder, reforçam sua autoridade moral e sua comunhão com seus seguidores. Isto pôde ser verificado quando ao regressar das Olimpíadas de Atenas em 2004, Bernardinho solicitou da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) que as 26
  • 27. viagens intercontinentais, por serem longas e cansativas, fossem realizadas na classe executiva, entendendo que se tratava, não de luxo ou privilégio, mas sim de necessidade, pois os jogadores eram duramente testados nos treinamentos. A CBV atendeu ao pedido de Bernardinho, que determinou que somente os jogadores viajariam na classe executiva, e não a comissão técnica, pois “são os jogadores quem entram na quadra para treinar”. Por meio desse exemplo, além de demonstrar para a equipe seu empenho para com suas necessidades de conforto, cria crédito de confiança para com seus jogadores, pois como mesmo justifica adiante: “nem sempre conseguimos prover as condições desejadas” e então: “usamos as condições precárias ou desfavoráveis a nosso favor, como desafio e fonte de motivação”. Portanto, Bernardinho exemplifica que pelo exemplo de interesse sincero às necessidades de seus liderados (líder servidor) e pelo exemplo de ética (não obtendo vantagem acessória dessa necessidade de conforto para os membros da comissão técnica), é possível criar comunhão na equipe, capaz de transformar adversidades em desafios a serem superados e consequentemente transformar a desvantagem competitiva em vantagem, pelo emprego das virtudes de coragem, comprometimento e superação. Esse episódio é descrito no livro “Transformando Suor em Ouro”. “O Bernardinho é um técnico que, tanto a imprensa como a torcida sabe que, o que faz é correto. Ele tem seu valor, muito crédito nas decisões, por isso, quando fez a substituição (tirou Maurício para colocar Ricardinho) ficaram todos esperando para ver. Ele foi uma pessoa que me ajudou muito nesse ponto, de como encarar as críticas.” (Disponível em: www.jornalmateriaprima.jex.com.br_entrevista_ricardo+ber.pdf) Observando os exemplos relacionados, pode-se concluir que o líder estudado possui a autoridade moral, que é uma das bases de liderança, uma vez que Bernardinho aplica em seu trabalho valores e princípios morais para liderar seus comandados. 27
  • 28. COMPETÊNCIA TÉCNICA: CONHECIMENTO A RESPEITO DO ASSUNTO OU TEMA SOBRE O QUAL DÁ ORDENS. É FUNDAMENTAL PARA CONQUISTAR A CONFIANÇA DOS LIDERADOS. ”Liderança, competência e obstinação são traços marcantes na carreira de Bernardinho, um profissional com ambição constante pela vitória É uma pessoa extremamente estudiosa, dedicada e apaixonada pelo que faz Essas características o tornam um dos melhores técnicos da história do voleibol mundial ” (Carlos Arthur Nuzman, PRESIDENTE DO COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO, Retirado do livro: Transformando Suor em Ouro) “Bernardinho é o divisor de águas num país que precisa aprender a importância da cooperação, da solidariedade e do trabalho em equipe. Diga que seus jogadores são baixos e Bernardinho os fará saltar mais alto. Diga que são fracos no bloqueio e ele irá torná-los os melhores do mundo. Diga que a seleção de vôlei do Brasil é deficiente na defesa e ele fará dos seus comandados defensores imbatíveis.” (Trecho do livro Transformando Suor em Ouro, escrito por JOÃO PEDRO PAES LEME) “ (...) Resumindo: competência e seriedade são as duas qualidades sempre presentes no trabalho de Bernardinho. ” (Antônio Ermírio de Moraes, PRESIDENTE DO GRUPO VOTORANTIN, Retirado do livro: Transformando Suor em Ouro) Por esses comentários acima fica comprovada a competência técnica de Bernardinho, o que o torna um líder com respaldo para passar seus conhecimentos a seus liderados não só para os atletas, mas também para os gestores de uma maneira geral. Sua competência técnica é reconhecida mundialmente por jogadores, comentaristas e treinadores de vôlei. Basta ver o currículo de numerosos títulos no esporte dirigindo as seleções masculinas e 28
  • 29. femininas do Brasil nos diversos torneios disputados. CARISMA: IDENTIFICAÇÃO DOS LIDERADOS COM OS TRAÇOS DE PERSONALIDADE DO LÍDER QUE ELES GOSTARIAM DE TER. O CARISMA EM ALTO GRAU É MAGNÉTICO E HIPNÓTICO “... O Bernardinho é um palestrante muito carismático, tem uma energia contagiante e sua palestra cresce assim como ele evoluiu em seu trabalho nos últimos anos como palestrante. Consegue prender a atenção de todos, mesmo sendo a segunda apresentação para o público da DIRECTV. Os exemplos utilizados são muito elucidativos, embora alguns já fossem conhecidos. É simpático, gentil e acessível a todos. Enfim, Bernardinho é um sucesso garantido e unanimidade nacional...” (Liliane Blondel, DIRECTV) "A palestra do Bernardinho na Convenção da Essilor foi um sucesso, todos adoraram! Foi super motivacional, empolgante e ele é uma figura muito bacana. Não se negou a tirar fotos,...Valeu todo o estresse que tivemos! Obrigada por sua super ajuda também durante todo o processo." (Kharine Castro. Rio 360 Comunicação) “...A palestra foi ótima, Nota 10 , super interessante, o Bernardinho é muito simpático, humilde, comunicativo, transmite com clareza o recado enfim foi um evento ótimo, o auditório estava lotado e todos saíram muito satisfeitos com a palestra. Vocês da galeria de esportes também são muito atenciosos, enfim gostei muito de trabalhar com vocês, espero que tenhamos novas oportunidades...” (Mariza Medeiros, PETROBRAS/REVAP/GERÊNCIA DE COMUNICAÇÃO) 29
  • 30. “... a palestra foi um sucesso, o Bernardo é extremamente simpático e carismático, tivemos um público maravilhoso (330 pessoas), o que surpreendeu, inclusive, a organização do evento, que nos cedeu os auditórios. Durante toda a noite, os comentários que ouvi sobre a palestra foram os melhores possíveis, saímos entusiasmados e confiantes nos conceitos transmitidos por ele.” (Izabelle,INATEL) Por meio dos depoimentos acima, pode-se notar que Bernardinho é muito querido e carismático. De todas as bases de liderança citadas acima, a sua autoridade moral foi fundamental para o papel de motivação e transformação dos seus liderados, dando assim uma base sólida para que seus liderados pudessem atingir as metas e objetivos traçados. Bernardinho em seu livro fala que para que os atletas consigam atingir um nível elevado no voleibol, os jogadores deveriam seguir uma dura rotina de treino alinhado com uma disciplina tanto dentro de quadra quanto fora dela. Modificar os maus hábitos alimentares e vícios como a bebida e fumo seriam necessários, pois comprometem o desempenho dos jogadores dentro de quadra. Não resta dúvidas que com isso, Bernardinho passava a seus liderados idéias e valores para conscientizar os jogadores de que eles deveriam querem estar na seleção brasileira e representar o país da melhor maneira possível. 6. LIDERANÇA TRANSACIONAL OU TRANSFORMACIONAL O processo de liderança mais utilizado foi o transformacional. Isso fica 30
  • 31. bem claro desde o início da sua carreira como jogador da Seleção Brasileira. Tanto por parte dele, Bernardinho, quanto pelos seus liderados. LIDERANÇA TRANSFORMACIONAL Na liderança transformacional o líder reconhece as necessidades do seguidor, o influencia e o transforma, além de se deixar influenciar e transformar, a fim de conseguir maior eficácia no desempenho. Não obstante, consegue liberar o potencial motivacional dos seguidores, fazendo com que os seguidores atinjam desempenhos mais elevados (BURNS, 1979 apud BERGAMINI, 2005). Para Marques et al. (2007), a liderança transformacional envolve uma influência excepcional sobre os seguidores, os fazendo cumprir mais do que o esperado, transcendendo seus próprios interesses em favor da organização. O líder possui carisma, metas idealizadas e tem grande compromisso pessoal para alcançá-la, além disso, são modelos para seus seguidores que percebem seus líderes como tendo capacidades heróicas e sendo pessoas extraordinárias. Estes líderes têm alto padrão de moral e conduta ética, respeitam e confiam profundamente nos seus seguidores e tem como fator denominador a motivação inspiracional, que segundo Rowe (2002 apud Marques et al. 2007) é como liderança visionária, pois os líderes inspiram, motivam e são comprometidos com a visão compartilhada da organização e com o espírito de equipe. Stefano e Filho (2003) relatam que esse tipo de liderança desperta uma maior motivação e satisfação por parte dos seguidores em realizarem suas tarefas, pelo simples fato de gostarem de seus lideres. “Nunca me esqueci das palavras claras e duras de meu treinador 31
  • 32. naquele dia. A vaidade de ter feito alguns amistosos com o time adulto tinha tomado conta de mim e me induzido a agir errado com todo o grupo. com meia dúzia de palavras, Bené me mostrou quanto vale ser parte de uma equipe. Como o ”nós” é sempre mais importante do que o ”eu”.”. ( Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 31) Foi utilizada liderança transformacional porque Bernardinho percebe através das palavras de seu técnico que tomou uma decisão errada e com isso muda sua atitude em relação a equipe. “- Amanhã faremos dois treinos, um pela manhã e outro à tarde. Pude perceber o espanto, quase pavor, nos olhos daquelas italianas. Dois treinos por dia? Nunca tinham ouvido falar em nada parecido. Para ser honesto, nem eu mesmo sei por que tomei aquela decisão. É possível que quisesse apenas mudar alguma coisa, provocar uma mexida no que elas vinham fazendo até então. Tinha plena convicção de que mudar era importante. Afinal, ”estratégias iguais nos levariam a resultados iguais”. Ou seja, era preciso mudar o método de preparação.””. (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 60) Existe uma mudança no estilo de treinamento das jogadoras e com isso elas passam a ter um melhor crescimento e desenvolvimento. O estilo de liderança transformacional foi adequado nessa situação porque ele estava querendo uma mudança na atitude das jogadoras. “Nosso começo até que foi promissor. Treinamos na sexta-feira, 32
  • 33. jogamos no sábado e ganhamos. Na segunda-feira, reiniciamos o trabalho: um circuito físico e técnico. A cada etapa cumprida, enquanto parávamos para recuperar o fôlego, Cristina pedia para ir ao banheiro, voltando minutos depois com um ar abatido. A cada pausa para descanso, lá ia Cristina para o banheiro. ”Deve estar passando mal”, pensei. De fato, estava. O motivo de suas freqüentes idas ao banheiro é que, fisicamente limitada, Cristina era tão consumida pelo ritmo do treinamento que vomitava nos intervalos. Passava mal, saía, voltava enfraquecida, mas não desistia.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 62) A liderança transformacional fica explicita pela dedicação da atleta em relação aos treinamentos ao ponto de chegar a passar mal. “- Hoje ela não pode treinar. - Como não? Ela treinou ontem... - É que hoje ela está ”naqueles dias”. Aí é que perdi a paciência de vez. Imagine um dia em que três ou mais jogadoras estejam ”nos seus dias” e por causa disso não haja um time para treinar ou jogar. Fiz que a atleta mudasse de roupa e voltasse à quadra, sem saber que, no caso dela, aquele era de fato um período difícil, de dores intensas e muito desconforto. Essa história ilustra duas coisas: primeiro, o meu distanciamento de minhas jogadoras, que as impedia de ter comigo uma relação franca e direta. Não havíamos construído ainda um elo de confiança significativo. A segunda coisa foi constatar o meu desconhecimento em relação ao universo feminino, que agora estava sob minha responsabilidade. “(Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 63) 33
  • 34. A partir daí Bernardinho percebe que precisa muda seu comportamento e entender melhor o mudo das mulheres para que elas possam ter melhores rendimentos durante os treinos e competições. “ Qual é o objetivo do Bernardinho para esse Pan? Fora vencer, é claro. Rodrigão - Eu acho que o maior objetivo dele é que antes de vencer temos conseguir que todos os atletas rendam o máximo em duas competições seguidas, isso com certeza vai ser o grande desafio dele pois, quando você termina uma competição, há uma perda natural de preparo físico. Sem contar que estamos há um mês fora do Brasil, o que também prejudica. E após um mês fora todos querem ir ao menos um dia em casa, e vamos chegar direto pra estrear no Pan. Não vai ser fácil manter a galera num bom preparo, mas ele vai conseguir e nós vamos ajudar.” (Disponível em: http://tvtribuna.globo.com/colunas/colunas_ver.asp? idColunista=18&idColuna=149) “O bom profissional é aquele que nunca acha que o que conquistou é o bastante, que sempre quer algo mais que está disposto a sacrifícios individuais em nome de um objetivo coletivo. E o bom líder é aquele que consegue incutir esse questionamento em seus colaboradores.”. (Disponível em: http://musclemassablog.site.br.com/?p=256) “O que motiva e o que desmotiva um grupo? Minha forma de motivar é treinando, desafiando, trabalhando a auto-estima, buscando constantemente a melhoria da equipe. Muitas pessoas criticam minha forma de cobrar e ser exigente, mas essa é uma forma de incentivar o 34
  • 35. grupo, colocá-lo para a frente. O que desmotiva é fazer com que a pessoa não se sinta parte importante do grupo. Inevitavelmente, alguns jogadores vão estar no banco de reservas, assim como alguns empregados vão estar em cargos mais baixos. Mas a qualquer momento podem entrar na quadra. Eles são tão fundamentais para a equipe quanto os titulares, porque, num grupo, ninguém é melhor do que ninguém.” (Disponível em: http://www.cartaderh.com.br/website/text.asp? txtCode=20095&txtDate=20060929000000) LIDERANÇA TRANSACIONAL O estilo transacional ocorre quando uma pessoa toma a iniciativa de estabelecer contato com outras através da troca de bens de valor e é delineado pelo líder padrões de desempenho a serem cumpridos através de recompensa ou punições. Segundo Burns (1979 apud Bergamini, 2005) e Marques et al. (2007), na liderança transacional os subordinados escutam feedback do líder apenas quando falham ou quando ocorrem problemas. Limongi–França e Aurellano (2002) acrescentam que no estilo transacional, o líder guia seus seguidores na direção das metas e esclarece as exigências de papel e tarefa.Neste estilo de liderança existe um interesse recíproco, o qual Marques et al. (2007), denominou de recompensa contingente, que baseia-se nas trocas entre líderes e seguidores, no qual o esforço dos seguidores é trocado por recompensas específicas, existindo um interesse recíproco. Bergamini (2006), afirma também que o líder transacional toma a iniciativa de delinear para cada seguidor padrões de desempenho a serem cumpridos, um tipo de relacionamento condicionante, uma vez que é facultado ao líder recompensar ou punir a resposta comportamental do seguidor. “Quando assumimos a seleção, Virna foi franca: 35
  • 36. - Bernardinho, eu não sei passar. De fato, ela jogava no fundo da quadra, quase escondida, como se não quisesse correr riscos. Evitava fazer a recepção (passar), fundamento importante para sua função. - Mas por que você não passa? - perguntei. - Porque meu antigo técnico me disse que eu não tenho capacidade pra isso, que eu sou lenta e limitada. Não perdi tempo: - Foi Só isso que ele disse? Mais nada? Então, filha, Deus a ajude, porque você não vai jogar comigo se não passar. Virna estava tão desmotivada, tão ”pra baixo”, que realmente se sentia incapaz de cumprir um dos fundamentos do vôlei. Criamos um regime intensivo de treinamento de passes, deixando claro que, se não se esforçasse, não teria chance. Em pouco tempo, ela saltou da condição de 13.” para 7.* da equipe. E, depois de três anos, tornou-se titular e uma das principais jogadoras do país.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 86) Exemplo de liderança transacional porque existe o interesse de Virna em uma vaga na seleção brasileira e caso ela não corrigisse sua deficiência no passe, ficaria fora do time. “Tecnicamente, ela era ótima, mas onde estavam a vontade e a motivação que eu tanto buscava. Em vezes anteriores, como me relataram na experiência de Barcelona, em 1992, Leila se acomodara no banco, aceitara sem lutar a condição de reserva, e isso não me servia. No ano seguinte chamei-a de volta e ela, com outra postura, revelou-se uma jogadora muito importante Mas em 1999 seu rendimento caiu novamente 36
  • 37. em função de um problema pessoal, a doença da mãe. Resolvi, então, ter uma longa conversa com ela: ”Creio que seus problemas são dois, Leila. O mais sério, infelizmente, não depende de você. O outro, sim. Como é que você pode dar carinho, apoio e assistência à sua mãe quando ela percebe que você não está bem, não está feliz? Como toda mãe quer o melhor para a filha, se ela perceber que seu estado de espírito está afetando seu desempenho profissional, isso pode acabar prejudicando a recuperação dela.” Como palavras, só, não adiantam, tentei de tudo para reaver o que o voleibol de Leila tinha de melhor. Por ”tudo” entenda-se uma única palavra: desafio. Seria sua melhor atuação numa competição internacional. Ali estava, de volta à condição de titular, uma Leila que, desafiada e incentivada por isso, parecia ter se superado. Nunca tive dúvida de que o lugar ainda seria seu. Uma de suas grandes motivações para jogar bem era dedicar a medalha à sua mãe.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 87) Exemplo de transformação transacional porque Leila consegue vencer os problemas pessoais e recuperar sua motivação para jogar e ser titular da Seleção Brasileira. A liderança transacional é obtida através de uma troca psicológica que Bernardinho incentiva: a de a jogadora melhorar sua performance a tal ponto que seja perceptível para a sua mãe. Consequentemente, vendo que sua filha não está sofrendo por sua causa, a mãe da Leila melhoraria mais facilmente. Com isso a equipe não perde performance com uma jogadora por estar desmotivada e a jogadora, mesmo com seus problemas pessoais, consegue superá-los em troca de uma compensação psicológica. 37
  • 38. 7. ESTILOS DE LIDERANÇA Bernardinho utiliza os alguns estilos de liderança de acordo com a situação, com as pessoas e com a tarefa a ser executada. Ele tanto manda cumprir ordens, como sugere aos subordinados a realização de tarefas, como ainda consulta os subordinados antes de tomar alguma decisão. Ele utiliza coerentemente os estilos de liderança. 38
  • 39. Com sua Comissão Técnica, normalmente, ele utiliza a Liderança Delegativa, tendendo para a Liderança Participativa, pois são profissionais experientes, com um vasto conhecimento nas suas áreas de atuação, dando assim uma maior liberdade de decisão para eles. Bernardinho, antes de tomar alguma decisão tática consulta a sua equipe. Utilizando a curva de Hersey e Blanchard abaixo, a liderança de Bernardinho, nesse caso, pode ser situada entre as regiões E3 (Liderança Participativa) e E4 (Liderança Delegativa), levando-se em conta a alta maturidade profissional e psicológica da comissão. Assim, Bernardinho, delega algumas competências para seus liderados, alguns deveres, responsabilidades e autoridade. Vejamos nos exemplos abaixo: “Comecei então a construir a ”Equipe Bernardinho”. José Inácio Sales Neto tinha trabalhado no voleibol feminino, era um estudioso de formação acadêmica sólida, sempre atento às novidades. Um profissional tão preparado que acumularia suas tarefas com a de manager da seleção.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 80) 39
  • 40. “Ricardo Tabach era meu assistente técnico, especialista em recepção e defesa. Sua principal atribuição era, portanto, o desenvolvimento técnico das atletas. Em 1999, José Francisco dos Santos, o Chico, assumiria a responsabilidade pelo treinamento de bloqueio e passaria a dividir comigo as questões táticas, revelando-se um excepcional estrategista”. (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 80) “Como médicos tivemos Serafim Ferreira Borges e Carlos Moura e, mais recentemente, Álvaro Chamecki e Ney Pecegueiro do Amaral. O responsável pela fisioterapia era Guilherme Tenius, o Fiapo, e na função cada vez mais importante de estatística tivemos Maria Auxiliadora Castanheira, a Dora, e, a partir de 1998, Roberta Giglio. Formamos, assim, um time multidisciplinar de talentos complementares.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 80) Nos exemplos acima, nós podemos observar como Bernardinho formou sua equipe técnica, quando começou a treinar a Seleção Feminina de Vôlei em outubro de 1993; vimos, também, a delegação de competência dada aos seus liderados. Com os atletas de sua equipe, Bernardinho, também, demonstra utilizar alguns Estilos de Liderança, de acordo com a situação, com as pessoas e com a tarefa a ser executada. Ele impõe ordens, sugere aos subordinados a realização de tarefas, como ainda consulta os subordinados antes de tomar alguma decisão. Normalmente, ele utiliza a Liderança Autocrática, tendendo para Liderança Participativa. Há alguns momentos que ele é muito disciplinador, exercendo uma contínua pressão nos jogadores, com o objetivo de atingir os objetivos do grupo, como demonstrado no primeiro texto abaixo. Em outros momentos, mostra-se como um educador, treinador da equipe, encoraja a participação e aceita sugestões da equipe, como podemos perceber no segundo texto abaixo: “Pressionava-a nos treinos, exigia mais dela, impunha-lhe sacrifícios, 40
  • 41. animado pela esperança de que se transformasse numa verdadeira líder: aquela que, além de jogar bem, faz toda a equipe jogar melhor. Foi na China, dias antes de estrearmos no Grand Prix, que Fernanda se rendeu. Já não suportava aquela pressão. Talvez tenha se conscientizado de que ninguém é excepcional o bastante para fazer sozinho o que deve ser feito em equipe.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Págs. 92 e 93) “Algo que passou a me incomodar nas reuniões táticas que tínhamos no início de 2002 foi a pouca participação dos jogadores. Senti-me protagonizando monólogos. Eu falava e eles ouviam, sem retrucar ou dar sequer uma opinião. Isso me deixava com a sensação de que havia alguma coisa mal resolvida. À noite, durante a reunião para análise do vídeo em que deveríamos discutir as estratégias para a partida seguinte, os jogadores, enfim, resolveram dar suas opiniões. - Agora vocês querem falar? - perguntei em tom provocativo. - Vocês estão há um ano calados. Pela primeira vez me contestaram. Gostei das reclamações que fizeram sobre a bronca aparentemente gratuita que lhes dera. Eu vivia me perguntando: ”Será que eles pensam que eu nunca estou errado?” Temia estar ali o silêncio do comodismo, o distanciamento do não-envolvimento e da não- cumplicidade.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Págs. 134 e 135) Em outros momentos, Bernardinho era autocrático, dando ordens para que o grupo alcançasse seu objetivo. No terceiro exemplo pode-se perceber isso no momento que ele proíbe as jogadoras de darem entrevistas. Seu objetivo era que elas não fossem influenciadas pelo assédio da mídia e pela fama, no entanto percebe-se em Bernardinho a preocupação didática para com o grupo, ao explicar seus motivos para os liderados, mesmo nos casos de ordens que não admitiam ponderação. 41
  • 42. “Foi quando o incômodo deu lugar a preocupação. Achei que era hora de falar com elas: “De agora em diante e até que o Campeonato termine vocês estão proibidas de dar entrevistas que não sejam sobre vôlei. ” (...) Expliquei- lhes que minha obrigação era protegê-las de qualquer influência externa que pudesse desviá-las de sua meta. No caso, o Campeonato Mundial. ” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 84) Para demonstrar essa situacionalidade da liderança de Bernardinho, importante trazer também um exemplo de atuação delegativa e educativa para com os atletas, inclusive em situações de conflito, como durante a campanha da Liga Mundial de Volley de 2004 na Italia, quando Bernardinho precisou recorrer a esses estilos para contornar problemas com Ricardinho, seu levantador titular e destaque da seleção à época: “ (...) passou a não se dedicar e a não se empenhar da mesma forma nos treinos. (...) Discutimos na frente de todo o time (...) Foi um momento de tensão. Aquele era o levantador titular, um dos líderes do time, um jogador imprescindível aos nossos planos. Não podia perdê-lo. Pedi a Giba que falasse com ele e a conversa não deu resultado. Outros jogadores tentaram e nada. Vi que o melhor seria eu mesmo lidar com o problema. Depois de uma longa e acalorada discussão debaixo de chuva, que imaginei que fosse nos levar a uma ruptura definitiva, ele humildemente reconheceu que havia errado e agradeceu minha preocupação e minha orientação (...)”(Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 154) 42
  • 43. 8. PROCESSO DE INFLUENCIAÇÃO O principal processo de influenciação utilizado foi a motivação, apesar de também utilizar sugestões através de exemplos. Motivação “SE VOCÊ É UM LÍDER REALMENTE DURO E EXIGENTE, SEU PRÓPRIO SACRIFÍCIO SERVE COMO FONTE DE MOTIVAÇÃO, POIS DEMONSTRARÁ QUE A EQUIPE NÃO ESTÁ SOZINHA.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 82). 43
  • 44. “Jamais desconsiderei o talento de qualquer um desses excepcionais atletas, embora, para mim, sejam astros cuja luminosidade se torna mais acentuada quando formam uma constelação. Os rapazes que enfrentarão os italianos daqui a algumas horas estão unidos, determinados, confiantes, movidos pela mesma paixão e convencidos de que não teriam chegado até aqui se não fossem o que são: uma equipe.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 25). “Não se monta o melhor time sem grandes jogadores, não se constrói uma máquina sem as peças certas, não se chega ao todo sem que as partes se completem. Motivo pelo qual jamais desconsiderei o brilho individual dos 12 homens sob meu comando. Na realidade,13, se contarmos com Henrique, tristemente cortado uma semana antes de chegarmos aqui. Se os regulamentos limitam as equipes a 12 atletas, não quer dizer que Henrique não ocupe, sempre, a mente e o coração de todos nós.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 22). Apesar do corte do atleta, Bernardinho enfatiza que a equipe é composta por 13 jogadores e que todos são peças fundamentais de uma máquina chamada Seleção Brasileira “E o talento de Dante, para quem um dia enviei um e-mail dizendo ”Não me faça desistir de você”? Ele foi à luta e provou ter força suficiente para carregar o peso de substituir o aparentemente insubstituível Nalbert. Grande jogador, espero que Dante se torne um líder para as novas gerações, transmitindo tudo o que aprendeu com esta.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 24). 44
  • 45. Valoriza o trabalho mostrando a importância do liderado e sua significação para o time. “Quando assumimos a seleção, Virna foi franca: - Bernardinho, eu não sei passar. De fato, ela jogava no fundo da quadra, quase escondida, como se não quisesse correr riscos. Evitava fazer a recepção (passar), fundamento importante para sua função. - Mas por que você não passa? - perguntei. - Porque meu antigo técnico me disse que eu não tenho capacidade pra isso, que eu sou lenta e limitada. Não perdi tempo: - Foi Só isso que ele disse? Mais nada? Então, filha, Deus a ajude, porque você não vai jogar comigo se não passar. Virna estava tão desmotivada, tão ”pra baixo”, que realmente se sentia incapaz de cumprir um dos fundamentos do vôlei. Criamos um regime intensivo de treinamento de passes, deixando claro que, se não se esforçasse, não teria chance. Em pouco tempo, ela saltou da condição de 13º para 7º da equipe. E, depois de três anos, tornou-se titular e uma das principais jogadoras do país.” (Bernardinho, Transformando Suor em Our). Exemplo “Em 1980 fui convocado novamente e dessa vez fiquei entre os 12 jogadores que iriam disputar os Jogos Olímpicos de Moscou. Era a realização da ambição de todo atleta. Logo após os amistosos preparatórios, três meses antes das Olimpíadas, estourei o menisco do joelho esquerdo e tive de ser 45
  • 46. operado. Diante de tamanha falta de sorte, todo mundo me viu fora da seleção. Todo mundo menos eu. Muitas vezes dormia durante o dia em um colchonete, no Fluminense, para aproveitar melhor o tempo. Nadava, malhava, caminhava, alongava e combinava à fisioterapia treinos com bola: sentava-me no chão e ficava jogando vôlei com a parede. O resultado é que reapresentei-me à seleção e voltei a jogar em tempo recorde: 28 dias” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 43). Através do que ocorreu com Bernardinho, podemos perceber que ele é um grande exemplo de superação, determinação a ser seguido. Num curto período de tempo ele conseguiu se recuperar de uma lesão grave. “Lembro-me de um amistoso entre Atlântica Boavista e Fuji Film, do Japão. Reclamei o tempo todo dos meus companheiros de time que, por alguma razão, estavam desmotivados. Eu gritava e xingava tanto que Bebeto de Freitas me substituiu. - Por que me tirou? - perguntei no vestiário depois de perdermos a partida. - Porque você ia acabar brigando com o time inteiro - respondeu Bebeto. - Você era o único com vontade de jogar.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 42) Mesmo como jogador, Bernardinho já mostrava suas características de líder em quadra. Sempre motivado e na busca do resultado, ele procurava inspirar os jogadores a vencerem as dificuldades em quadra para ganharem os títulos. 46
  • 47. Efeito de atmosfera ou ambiente “Foi quando o incômodo deu lugar a preocupação Achei que era hora de falar com elas ”De agora em diante e até que o Campeonato termine vocês estão proibidas de dar entrevistas que não sejam sobre vôlei ”” Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 84 O ambiente interno da seleção é modificado pelas determinações de Bernadinho que visa evitar que as jogadoras da seleção percam a concentração por causa do excesso de vaidade durante as entrevistas coletivas. Existe uma mudança de ambiente porque Bernardinho proíbe as entrevistas coletivas.. "Domingo, 15 de agosto, a estréia. No vestiário, antes de trocar de roupa, André Nascimento tirou da bolsa a camisa numero 5, a camisa de Henrique. Em voz baixa, me perguntou: -Posso? -Jogar com ela, não - respondi. - Você foi inscrito com a 9. -Não, não, o que eu quero saber é se posso pendurá-la ali. Era evidente que sim. A partir daquele dia e até que os Jogos Olímpicos chegassem ao fim, a camisa de Henrique ficaria presa por dois ganchos, aberta, no vestiário brasileiro, como se a marcar presença numa equipe que também era sua." (Transformando Suor em Ouro , pg 168) Após o corte de Henrique (a lista de convocação para as Olimpíadas de Atenas deveria listar 12 jogadores e a seleção continha 13), o grupo ficou triste como um todo, externalizando o sentimento de família que unia aquele grupo e, a partir da iniciativa acima, Bernardinho incentivou a criação do efeito de atmosfera relativo a presença de um jogador que era querido por todos e que havia contribuído com a seleção até aquele instante, motivando o grupo desde 47
  • 48. os vestiários. Argumentação “A medição de forças com as cubanas marcou nossos anos à frente da seleção feminina. Os cinco confrontos que tivemos no primeiro ano nos deram a certeza de que o poderoso voleibol de Cuba cruzaria nosso caminho nos anos subsequentes, sempre como principal obstáculo à pretensão de chegarmos ao degrau mais alto do pódio. De fato, foram 27 jogos em sete anos: 13 vitórias para nós, 14 para elas.” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 97) Nesta passagem observa-se que Bernardinho analisa a tradicional rivalidade BrasilxCuba através de dados históricos que pautam o equilíbrio existente entre essas duas seleções. “As atividades foram relativamente menores em 1997 Ficamos em primeiro lugar no Campeonato sul-americano e no torneio de classificação para o Campeonato Mundial A não ser pelo segundo set contra as peruanas na casa delas - um apertado 15-13 — , todos os outros 30 sets foram ganhos, como se dizia antigamente, ”no capote”, com o dobro de pontos ou mais sobre as adversárias Já no Japão, não fomos além de um terceiro lugar na Copa dos Campeões” (Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, Pág. 101) Bernardinho analisa a seleção brasileira sob duas ópticas: a 1ª óptica relaciona a seleção contra adversários próximos, onde consegue vitórias 48
  • 49. fáceis, dando a impressão de que a seleção está preparada para torneios mais disputados. Entretanto, pela 2ª óptica percebe-se que no contexto mundial o Brasil não passa de um terceiro lugar. Demonstrando com isso que a preparação da equipe deveria visar adversários mais fortes que os habituais. " Nossa estatística, Roberta Giglio, é responsável pelos dois programas que utilizamos. (...) O segundo programa, denominado técnico, diz respeito ao nosso rendimento. Ele mostra como cada jogador se comportou em cada fundamento e qual foi o seu aproveitamento final.(...) Todas essas ações são convertidas em números e os desempenhos são descritos em tabelas com percentuais de acertos e erros. Os jogadores são informados dos resultados, que passam a orientar os treinamentos. A referência é a média histórica, e o objetivo, claro, é elevá-la. A estatística acabou com avaliações do tipo: ”Eu acho que você...” O treinador agora tem acesso a dados que lhe permitem dizer: ”Você fez isso ou aquilo e precisa...” Embora os números não mintam, eles não dão todas as respostas. A observação do treinador continua sendo muito importante, pois completa a percepção objetiva do desempenho da pessoa em foco" (Transformando Suor em Ouro pg 185-187) No trecho acima Bernardinho mostra utilizar-se de softwares de acompanhamento que geram dados de performance dos atletas nas partidas e oferecem base de comparação de desempenho para orientar os jogadores, caracterizando perfeito exemplo de influenciação por meio de argumentação baseada em dados numéricos e estatísticas. 49
  • 50. 9. CONCLUSÃO Bernardinho sempre teve como objetivos principais a busca pelo melhor preparo técnico de seus jogadores, a disciplina e a entrega total da sua equipe. São objetivos éticos pois estão totalmente a favor do bom relacionamento humano dentro da sociedade. Os resultados apresentados para a Confederação Brasileira de Vôlei na “Era Bernardinho” foram tão importantes que trouxeram de volta o interesse pelo esporte por parte da juventude brasileira e projetaram o vôlei nacional para o mundo. Tais conquistas mostram como sua liderança é positiva para esta instituição, são constantes resultados de alto nível, revelando o imenso poder de uma liderança positiva. Líder transparente e pedagógico, compartilha sua visão e experiências em grande densidade de feedback com a publicação de sua autobiografia 50
  • 51. “Transformando Suor em Ouro”. Trocadilhos a parte, forma em conjunto com outras bibliografias citadas, verdadeira pedra filosofal da liderança contemporânea. Valoriza a transparência de princípios, critérios e condutas que o líder deve seguir. Adapta-se com facilidade ao cenário dinâmico e global da nova era. Era esta já cunhada por alguns como `Era da Informação’ e que carateriza- se: por ser emergente do advento tecnológico; por formar redes de indivíduos conectados entre si em tempo real, compartilhando trabalho, experiência e conhecimento; por trazer consigo impacto social, cultural e econômico em todos os campos do conhecimento; e, principalmente, por permitir que a condução adequada de grupos sociais (aqui vistos como `equipes de trabalho’) orientados para a consecução de objetivos comuns, seja um elemento catalisador na evolução desses campos de conhecimento. Dessa forma, em coerência com essa visão, não `esconde o jogo` de sua receita de sucesso. A velha idéia competitiva de segregar o conhecimento como bem patrimonial restrito, no intuito de manter vantagem competitiva não mais prevalece no cenário global. Bernardinho confia na troca sinérgica do trabalho de equipe como valor agregado. Pois, ao reparar o mundo contemporâneo em ritmo cada vez mais acelerado de mudanças, aprimoramentos e evoluções emergentes das redes globais de processos criativos, percebe que conhecimento aprisionado possui valor agregado volátil. Portanto, o paradigma competitivo dessa `Era da Informação` passa a ser o de uma competição transparente, aberta e colaborativa, que pode ser cunhada como a Coopetição (Colaboração Competitiva ou Competição pelo Alto Nivelamento). A Coopetição carateriza-se pelos indivíduos adquirirem consciência de que melhor será seu desempenho e realização de metas pessoais, conquanto for o desempenho global dos indivíduos do grupo a que pertence, MESMO que em competição com esses próprios indivíduos. Trata-se de um exemplo de aplicação do `Equilibrio de Nash` para a Teoria dos Jogos, estudo que concedeu ao brilhante matemático John Nash o Nobel de Matemática. A Teoria dos Jogos procura encontrar estratégias racionais em situações em que o resultado depende não só da estratégia 51
  • 52. própria de um agente e das condições de mercado, mas também das estratégias escolhidas por outros agentes que possivelmente têm estratégias diferentes ou objetivos comuns. Na economia (formação de Bernardinho), a teoria dos jogos tem sido usada para examinar a concorrência e a cooperação dentro de pequenos grupos de empresas. A partir daí delineia-se a estratégia. Adam Smith, pioneiro da economia, havia identificado como motor da história a capacidade do homem de agir motivado por seus interesses pessoais, ainda que também destacasse a existência de sentimentos morais em nossa psique. Com o passar dos séculos economistas continuaram a apostar no pensamento calculista para explicar e prever a colaboração entre pessoas. O desenvolvimento da teoria dos jogos, criada em 1928 pelo matemático húngaro John Von Neumann, sofisticou ainda mais essa idéia ao usar a matemática para mostrar que, no final das contas, as pessoas ajudam às outras porque ganham com isso. Todavia, a Teoria dos Jogos ganhou grande contribuição a partir dos estudos desenvolvidos pelo matemático norte-americano John Nash, que aprofundou os estudos de equilíbrio entre os agentes econômicos, no que tange à aplicação desta teoria em ambientes não cooperativos. Ao contrário de Adam Smith, para quem os melhores resultados surgem quando cada um no grupo olhar pelos seus próprios interesses, Nash defendeu que "O melhor resultado ocorre quando as partes procuram a opção que simultaneamente atenda seus anseios pessoais e o do grupo". Nota-se portanto que as estratégias apresentadas por Bernardinho em sua biografia estão cientificamente embasadas sob o aspecto econômico e sociológico. Podem ser consideradas como estudos de casos que exemplificam o `Equilibrio de Nash` aplicado ao contexto extremamente competitivo do ambiente esportivo e de modo mais amplo, ao ambiente competitivo das corporações. Ao perceber a necessidade de elevar todo o grupo para elevar-se mais, o participante de uma equipe consegue melhor domar o egocentrismo e 52
  • 53. vaidades que acompanham o sucesso e realizações. Para Bernardinho estes são os perigos que rondam o sucesso e a forma consciente escolhida por ele para driblar esses perigos é buscar conscientemente uma `zona de desconforto`. Ou seja, nunca se contentar com o que já se conseguiu, desejar sempre uma nova meta, abraçar a realização de um novo sonho imediatamente após a concretização de outro. Nunca se contentar com menos ou `eterna insatisfação`. Ambicioso e consciente de que é um projeto/estilo de vida sem finalização que implica em amar mais a preparação do que a vitória (a auto- realização deverá advir do caminho e não do destino), exige de si mesmo comprometimento estratégico com a realização contínua por meio de extremo estudo e planejamento minucioso objetivando sucessiva superação de barreiras. Este é o vetor da estratégia meticulosamente delineada por Bernardinho e cunhada de `Roda da Excelência`, base do seu estilo de liderança e influenciado pelos conceitos de `Líder Servidor`. Termo este cunhado por Leonard Hoffman em seu best-seller `The Great Paradox: To Lead You Must Serve` (O grande paradoxo: Para liderar você deve servir). Os grupos que adquirem essa consciência, tornam-se equipes, adquirem cumplicidade e comprometimento, tornam-se verdadeiras famílias. 53
  • 54. 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: [Bernardinho] Transformando Suor em Ouro [HOFFMAN,Leonard] The Great Paradox: To Lead you must Serve [HUNTER, James C.] Como se tornar um Lider Servidor Nash Equilibrium : http://www.iscid.org/encyclopedia/Nash_Equilibrium Nash, John (1950), "Equilibrium points in n-person games", Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 36 (1): 48–49, doi:10.1073/pnas.36.1.48, von Neumann, John (1928), "Zur Theorie der Gesellschaftspiele" Mathematische Annalen 100 (1): 295–320, von Neumann, John; Morgenstern, Oskar (1944), Theory of games and economic behavior, Princeton University Press http://en.wikipedia.org/wiki/Invisible_hand "Adam Smith and the Invisible Hand" From Metaphor to Myth" article by Gavin Kennedy, May 2009 http://www.artigos.com/artigos/sociais/administracao/recursos-humanos/ bernardinho:-um-dos-mais-conceituados-lideres-da-atualidade-1117/artigo/ http://www.possibilidades.com.br/lideranca/bernardinho.asp http://www.rhportal.com.br/artigos/wmview.php?idc_cad=x7zc0s83a http://www.parlante.com.br/palestrasepalestrantes/palestrante.asp? c=47&nome=Bernardinho http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp? sid=66249653612520554269348574&nitem=1809757 54
  • 55. http://pe360graus.globo.com/esportes/esportes/volei/2009/08/31/NWS,4 97290,6,109,ESPORTES,751-BERNARDINHO-FALA-SOBRE-LIDERANCA- MOTIVACAO-PALESTRA-RECIFE.aspx http://oslideres.blogspot.com/2009/08/bernardinho-um-verdadeiro- lider.html http://www.baixinho.net/selecao-brasileira-de-volei-crise-bernardinho-e- ricardinho/ http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Volei/0,,MUL87702-4435,00.h tml http://pan2007.globo.com/PAN/Noticias/0,,MUL76837-3882,00.html http://pan2007.globo.com/PAN/Noticias/0,,MUL76428-3882,00.html http://pan2007.globo.com/PAN/Noticias/0,,MUL74892-3882,00.html http://pan2007.globo.com/PAN/Noticias/0,,MUL74872-3882,00.html www.qualidadecom.com/sala_int.php?id=282 http://pt.wikipedia.org/wiki/Bernardo_Rocha_de_Rezende http://educarparacrescer.abril.com.br/amigos-educar/entrevista- bernardinho-550325.shtml http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0778/gestao/m004 3334.html http://www.portaldovoluntariohsbc.com.br/site/pagina.php? idconteudo=1471 Revista Você S/A. Disponível em: http://vocesa.abril.com.br/blog/ricardo- nakai/2010/02/19/lideranca-esportiva/ Entrevista de Bernardinho para a Empregos.com.br. Disponível em: http://carreiras.empregos.com.br/comunidades/executivos/fique_por_dentro/07 0305-forum_performance_hsm.shtm 55
  • 56. Dill Casella – Consultor empresarial e palestrante em liderança e motivação. Disponível em: http://www.artigos.com/artigos/ sociais/administracao/recursos-humanos/bernardinho Entrevista de Bernardinho ao R7. Disponível em: http://esportes.r7.com/ esportes-olimpicos/noticias Portal Exame – 30/10/2002 Artigo de: Carlos Wendell Pozzobon. Disponível em: http://www.rhportal.com.br/artigos Entrevista Ricardinho – Jornal Matéria Prima – 05MAI2004 Bernardo Rezende – Bernardinho. Disponível em: http://www.canalrh.com.br Bernardo Rezende – Bernardinho. Disponível em: http://www.netfrases.com/frases-bernardinho/) Entrevista de Bernardinho para a revista Veja. Disponível em: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/131206/entrevista_bernardinho.html Entrevista de Bernardinho para a revista SEBRAE. Disponível em : http:// www.feirasdobrasil.com.br/revista.asp?area=entrevistas&codigo=331 Entrevista Wallace – Voleibrasil.org.br – 18MAI2010. 56