PALESTRANTE:
DOROTEIA MURCIA SOUZA
PSICÓLOGA
 Definição:O suicídio é por
definição o ato voluntário de
tirar a própria vida.
 A palavra suicídio deriva do latim
e significa: sui = si mesmo e
caedes = ação de matar, isto é, a
morte de si mesmo.
 Existem diversos motivos que levam um
indivíduo a decidir pela morte.
 Os atos suicidas são definidos como:
Comportamentos autolesivos com evidência
de que a pessoa pretendia se matar.
 O resultado de um ato suicida pode variar
desde a não ocorrência de lesão até a
morte.
 São subdivididos:
 Em tentativas de suicídio e suicídio (completo
ou exitoso).
 As tentativas de suicídio são classificadas
como sendo com ou sem lesão.
 O cuidado com pessoas que almejam
se matar é de extrema importância, já
que a cada dia essa população cresce.
Segundo dados da OMS (2012, p. 05),
“a cada ano, praticamente um milhão
de pessoas morrem por suicídio em
todo mundo”
 Sendo a maioria jovens entre 15 e 29
anos ou idosos acima de 70 anos.
 suicídio é uma morte em que o sujeito é, ao
mesmo tempo, o agente passivo e ativo.
 A vítima: o desejo de morrer e o desejo de
ser morto.
 O assassino: o desejo de matar.
 Na intencionalidade do comportamento
suicida deve-se levar em conta:
 1. A possibilidade ou impossibilidade de
reversão do método empregado para morrer;
 2. As providências que tornam possíveis a
ação de terceiros;
 3. Quando esta intervenção ocorre e pode-se
inferir que a intencionalidade seja mínima.
 O grau de intenção suicida de
uma pessoa deve ser considerado
como um ponto num continum:
de um lado está a certeza
absoluta de matar-se e no outro
extremo está a intenção de seguir
vivendo.
 Avaliar o grau de gravidade de uma tentativa
de suicídio pode ser uma tarefa bastante
difícil, pois são atos intencionais de auto-
agressão que não resultam em morte, desde
atos discretos e velados de ameaça a própria
vida.
 Alguns deles talvez com o objetivo de ganhar
atenção, até situações graves que necessitam
de atendimento médico hospitalar.
 CONDUTAS AUTODESTRUTIVAS:
 O comportamento autodestrutivo pode ser:
 Direto ou
 Indireto.
 O comportamento autodestrutivo indireto implica
na participação, geralmente de modo repetido,
em atividades perigosas sem que exista uma
intenção consciente de morrer.
Os exemplos de comportamento autodestrutivo
indireto incluem o consumo excessivo de bebidas
alcoólicas, o uso de qualquer tipo de droga, o
consumo de cigarros, a ingestão de quantidades
enormes de alimentos, o consumo de alimentos
prejudiciais à vida, a negligência com a própria
saúde, a automutilação, a condução imprudente de
um automóvel entre muitas outras coisas.
Costuma-se dizer que os indivíduos que
apresentam esse tipo de comportamento têm
“vontade de morrer”, mas, geralmente, existem
muitas razões para esse comportamento (MANUAL
MERCK, 2009).
 Tanto o suicídio direto como o suicídio
indireto e mais amplamente as condutas
consideradas autodestrutivas possuem
inúmeras formas de interpretação e análise,
porém todas elas, na busca de suas
significações e motivações, não se podem
afastar dos Aspectos Sócio-Culturais de cada
sociedade. Ou seja, a influência que nossa
sociedade exerce sobre os sujeitos, induz a
uma prática diária de condutas
autodestrutivas.
 O Suicídio, escrito pelo sociólogo francês Emile Durkheim,
em 1897, foi um livro inovador no campo da sociologia.
 Durkheim foi o primeiro a argumentar que as causas do
suicídio eram encontradas em fatores sociais e
personalidades não individuais.
 Observando a variação de tempo e lugar, Durkheim olhou
para causas ligadas a estes outros fatores de estresse
emocional.
 Ele olhou para o grau em que as pessoas se sentem
integradas na estrutura da sociedade e em seu meio social
como fatores sociais produtores do fenômeno, e
argumentou que as taxas de suicídio são afetadas pelos
diferentes contextos sociais nos quais eles emergem.
 O Suicídio anômico é bem representado em
situações de anomia social, ou ausência de
regras que mantinham a coesão social. O caos
provocado por grandes mudanças em uma
sociedade, como por exemplo uma crise
econômica, pode provocar o aumento do número
de suicídios, muitas vezes motivados por
desemprego e perda de poder aquisitivo. Então
esse tipo de suicídio acontece quando as forças
desagregadoras da sociedade fazem com que os
indivíduos se sintam perdidos ou sozinhos.
 Ocorre quando há excesso de
regulamentação dos indivíduos pelas forças
sociais. Um exemplo é alguém que comete
suicídio por causa de uma causa política ou
religiosa, como os sequestradores dos aviões
que se chocaram com o World Trade Center,
o Pentágono e um campo na Pensilvânia em
9/11/2001. As pessoas que cometem
suicídio altruísta subordinam-se às
expectativas coletivas, mesmo quando a
morte é o resultado.
 Acontece quando as pessoas se sentem
totalmente separadas da
sociedade.Normalmente, as pessoas estão
integradas na sociedade por papéis de
trabalho, laços com a família e comunidade, e
outras obrigações sociais. Quando esses
laços são enfraquecidos através de
aposentadoria ou perda de familiares e
amigos, a probabilidade de ocorrência
aumenta. Os idosos que perdem estes laços
são os mais suscetíveis ao suicídio egoísta.
 Para a Psicanálise, o suicídio está relacionado
ao desejo do individuo, à angústia e a fatores
psíquicos associados.
 Freud, em sua obra Luto e Melancolia (1990),
afirmou que um indivíduo só seria capaz de
atentar contra a própria vida, caso
renunciasse à auto-preservação, e que o
narcisismo deveria ser considerado como um
dos fatores desencadeantes de tal ato.
 Freud concebeu a existência de apenas dois
instintos básicos:
 Eros (instinto de vida, do amor)
 Tanatos (instinto de morte, destrutivo)
 A finalidade do Eros é estabelecer unidades cada
vez mais extensas e preservá-las, ou seja, uni-las.
 A finalidade doTanatos é romper vínculos e,
assim, destruir coisas, ou seja, levar o que é vivo
a um estado inorgânico.
 Freud (1990), a pessoa desde o momento em que nasce
até seu “último suspiro” vivencia perdas, e isso pode
induzir ao luto e à melancolia. Supõe que, para o
suicida, as reações consigo mesmo ou com o mundo
externo frente a essas perdas se deram em aspecto de
maneira errônea.
 Freud afirma que a maior expressão da pulsão de morte
seria a agressividade; quando esta não é dirigida ao
meio pode voltar-se contra o sujeito e culminar no ato
suicida.
 O ser humano é capaz de abster-se da auto-
conservação para privilegiar a (narcisismo). Outro
aspecto considerável seria o caso do sujeito se
encontrar em posição de desprestígio, sentindo-se com
sua auto-estima rebaixada. Em ambas as ocorrências,
seria possível que o ato suicida viesse a ocorrer.
 Através da teoria freudiana, pode-se perceber que
tanto no luto quanto na melancolia o Ego adquire a
função de preservar o objeto perdido, inicialmente
identificando-se com ele e logo após o incorporando.
 No luto normal há uma percepção gradual da não
existência do objeto amado na realidade e isto é
compensado através da instituição de um novo
objeto amoroso (re-investimento).
 Já na melancolia (luto patológico), existe a presença
de culpa e hostilidade muito intensas de forma que o
objeto torna-se fantasioso, morto pelo indivíduo.
 Desta forma, o objeto torna-se um perseguidor
interno que exige vingança.
 Menninger (1970) enxerga que todo ato
agressivo ou destrutivo contra a própria
vida é uma manifestação do instinto de
morte contra o Eu. Para ele, a prática
suicida pode ter origem em diversos
temas,inclusive aqueles que se referem
ao meio ambiente, ou seja, a não
elaboração interna de algumas
percepções e vivências. Este é inclusive o
fator mais relevante para desencadear o
comportamento suicida.
 Outra hipótese, ainda formulada por Freud,
é de que existe um instinto de morte em
que a meta é levar o indivíduo para um
estado de calma ou serenidade,
caracterizado pela não-existência. Quando
este instinto torna-se mais forte que o
instinto de vida, pode levar ao ato suicida,
sendo, o equilíbrio entre os dois impulsos
que mantém o controle da vida. (HOLMES,
2001).
 Alguns fatores de risco para o suicídio
 • transtornos mentais;
 • sóciodemográficos;
 • psicológicos;
 • condições clínicas incapacitantes
 • transtornos do humor (ex.: depressão);
 • transtornos mentais e de comportamento decorrentes do
uso de substâncias
 psicoativas (ex.: alcoolismo);
 • transtornos de personalidade (principalmente
borderline,narcisista e anti-social);
 • esquizofrenia;
 • transtornos de ansiedade;
 • comorbidade potencializa riscos (ex.: alcoolismo +
depressão)
 • sexo masculino;
 • faixas etárias entre 15 e 35 anos e acima de 75
anos;
 •dificuldades financeiras
 • residentes em áreas urbanas;
 • desempregados (principalmente perda recente
do emprego);
 • aposentados;
 • isolamento social;
 • solteiros ou separados;
 • migrantes.
 • perdas recentes;
 • perdas de figuras parentais na infância;
 • dinâmica familiar conturbada;
 • datas importantes;
 • reações de aniversário;
 • personalidade com traços significativos
de impulsividade,agressividade, humor
lábil;
 • doenças orgânicas incapacitantes
 • dor crônica;
 • lesões desfigurantes perenes;
 • epilepsia;
 • trauma medular;
 • neoplasias malignas;
 • Aids.
 A intenção suicida genuína é freqüentemente ambivalente em
relação a morte e a firmeza do propósito pode ser variável.
 Esses pacientes têm humor disfórico (Tristeza, angústia,
melancolia, pessimismo),com sentimento de inutilidade, falta de
esperança, perda da auto-estima e desejo de morrer.
 Há o sentimento dos três “is”: intolerável (não suportar),
inescapável (sem saída) e interminável (sem fim).
 Suicidas potenciais podem se arrepender e procurar ajuda após o
ato.
 O alívio, após a tentativa, faz a pessoa refletir sobre seu ato.
 Através do exame clínico usual, devem ser investigados
os recursos do paciente:
 avaliar a capacidade de elaboração, de resolução de
problemas,
 os recursos materiais, moradia e alimentação,
 o suporte familiar (família próxima ou confiável),
 O suporte social,profissional e de instituições, e os
eventos precipitantes:
 levantar todas as circunstâncias e motivações que
deflagraram o ato.
São “sinais para procurar na história de vida e no comportamento das pessoas”
(ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS), 2000) para que possam representar
ou não riscos reais da presença de um comportamento suicida. Estes são:
1. Comportamento retraído, inabilidade para se relacionar com a família e
amigos
2. Doença psiquiátrica
3. Alcoolismo
4. Ansiedade ou pânico
5. Mudança na personalidade, irritabilidade, pessimismo, depressão ou apatia
6. Mudança no hábito alimentar e de sono
7. Tentativa de suicídio anterior
8. Odiar-se. Sentimento de culpa, de se sentir sem valor ou com vergonha
9. Uma perda recente importante – morte, divórcio, separação, etc.
10. História familiar de suicídio
11. Desejo súbito de concluir os afazeres pessoais, organizar os documentos,
escrever um testamento, etc.
12. Sentimentos de solidão, impotência, desesperança
13. Cartas de despedida
14. Doença física
15. Menção repetida de morte ou suicídio (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE
(OMS), 2000).
 Para o Terapeuta clínico, este conhecimento também
pode auxiliar no trabalho preventivo, já que “a
elaboração de estratégias preventivas eficazes
depende do detalhado conhecimento dos fatores de
risco, determinantes da morte por suicídio” (VOLPE;
CORRÊA; BARRERO, 2006, p. 12).
 No momento em que o profissional desconfia de que
algo possa estar acontecendo, o cliente poderá ser
abordado, surgindo a possibilidade do paciente falar
de si mesmo, coisa que muitas vezes ele não
consegue em seu cotidiano. Nesse diálogo, é
importante que o ouvinte observe atentamente
alguns aspectos do outro, tais como:
 Estado mental atual e pensamentos sobre
morte e suicídio;
 Plano suicida atual – quão preparada a
pessoa está, e quão cedo o ato está para ser
realizado;
 Sistema de apoio social da pessoa (família,
amigos, etc.) (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE
SAÚDE (OMS), 2000).
 Frases que refletem pensamentos e sentimentos suicidas
devem ser analisados e podem ser iguais ou parecidas
com as seguintes:
 "A vida não tem sentido e não vale a pena".
 "Vocês (amigos, parentes, etc.) ficariam melhor sem mim."
 "Não se preocupe, não estarei aqui para me importar com
isso."
 "Você sentirá minha falta quando eu morrer."
 "Eu não ficarei em seu caminho por muito mais tempo."
 "Eu não consigo e nem quero lidar com tudo isso. De que
adiantaria?"
 "Eu deixarei de ser um peso em breve."
 "Eu não posso fazer nada para mudar as coisas."
 "Eu queria estar morto."
 "Eu sinto que não há uma saída."
 "Eu nunca deveria ter nascido".
 Aconselhe-o a fazer terapia. Conversar com
um terapeuta regularmente sobre
sentimentos, pensamentos suicidas e gatilhos
pode ajudar a prevenir eventuais tentativas
de suicídio. Além disso, para indivíduos que
já tentaram se matar antes, o risco de
tentativas posteriores pode ser reduzido em
50%
 Eis algumas perguntas que podem ser feitas
para iniciar a conversa:
 "Como você tem lidado com o que aconteceu
em sua vida?"
 "você pensa em desistir?"
 "Você pensa na morte com freqüência?"
 "Você tem sentido vontade de se machucar?"
 "Você tem pensado em suicídio?"
 "Você já tentou se machucar antes?"
 O apoio emocional é uma das melhores armas
contra o suicídio. Mostre para seu paciente que
ele é amado, lembrado de uma parte importante
de sua vida.
 Tenha uma atitude de respeito e amor durante
toda a conversa.
 Aproveite essa chance para mostrar seu ponto de
vista.
 Diga que o suicídio é uma decisão definitiva para
um problema que tem solução, deixando claro
que você e outras pessoas farão o que for
possível para ajudá-lo a encontrar outras saídas.
 vigilância deve ser providenciada com o intuito de garantir a segurança do
paciente:
 1. Retirar da casa medicamentos potencialmente letais, armas brancas e
armas de fogo;
 2. Manter abstinência de álcool e drogas que possuem efeitos desinibitórios;
 3. Evitar locais elevados e sem proteção, pelo risco de se jogar;
 4. Evitar que o paciente fique sozinho, ou trancado em um recinto.
 5.Pode ser realizado um contrato de "não-suicídio"(verbal ou escrito), que
consiste em o paciente concordar em não realizar ato auto-agressão
 6. Relatar a um familiar se tiver desejos suicidas.
 7. Não hesite em ligar para o CVV e para o SAMU. Quando ligar para o CVV, informe-se
sobre cursos de assistência ao suicida.
 Prevenção: Dirigem-se à melhora da
assistência clínica ao indivíduo que já luta
contra idéias suicidas ou ao indivíduo que
precise de atendimento médico por tentativa
de suicídio;
 e abordagens que possam reduzir a
probabilidade do suicídio antes que
indivíduos vulneráveis alcancem o ponto de
perigo.
 “Prevenir é melhor que remediar”.
 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Ação de saúde pública para a prevenção de suicídio: uma estrutura.
Geneva, 2012.
 Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio, Ministério da Saúde; Organização Pan-Americana de Saúde;
Universidade Estadual de Campinas. Prevenção de suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde
mental. Campinas (Brasil). Ministério da Saúde, 2006.
 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Prevenção do suicídio: um manual para profissionais de saúde em
atenção primária. Genebra, 2000.
 VOLPE, F.M.; CORRÊA, H.; BARRERO, S. P. Epidemiologia do suicídio. In: Ed(s) CORRÊA, H.; BARRERO, S. P.
Suicídio: uma morte evitável. São Paulo: Editora Atheneu, 2006.
 HOLMES, D. S. Psicologia dos transtornos mentais. Porto Alegre Artmed, 2001.
 MElLEIRO,S.A.M.A. SUICÍDIO: Identificar, tratar e prevenir
 MENNINGER, K. Eros e Tanatos: o homem contra si próprio. Tradução: Aydano Arruda. São Paulo: Ed. Ibrasa,
1970.
 DURKHEIM, E; O Suicídio, Estudo Sociológico. Editorial Presença, 7ª edição; 2001.
 FREUD, Sigmund. Luto e melancolia, 1990.

Tema: Suicídio: Identificar Tratar e Previnir

  • 1.
  • 2.
     Definição:O suicídioé por definição o ato voluntário de tirar a própria vida.  A palavra suicídio deriva do latim e significa: sui = si mesmo e caedes = ação de matar, isto é, a morte de si mesmo.
  • 3.
     Existem diversosmotivos que levam um indivíduo a decidir pela morte.  Os atos suicidas são definidos como: Comportamentos autolesivos com evidência de que a pessoa pretendia se matar.  O resultado de um ato suicida pode variar desde a não ocorrência de lesão até a morte.
  • 4.
     São subdivididos: Em tentativas de suicídio e suicídio (completo ou exitoso).  As tentativas de suicídio são classificadas como sendo com ou sem lesão.
  • 5.
     O cuidadocom pessoas que almejam se matar é de extrema importância, já que a cada dia essa população cresce. Segundo dados da OMS (2012, p. 05), “a cada ano, praticamente um milhão de pessoas morrem por suicídio em todo mundo”  Sendo a maioria jovens entre 15 e 29 anos ou idosos acima de 70 anos.
  • 6.
     suicídio éuma morte em que o sujeito é, ao mesmo tempo, o agente passivo e ativo.  A vítima: o desejo de morrer e o desejo de ser morto.  O assassino: o desejo de matar.
  • 7.
     Na intencionalidadedo comportamento suicida deve-se levar em conta:  1. A possibilidade ou impossibilidade de reversão do método empregado para morrer;  2. As providências que tornam possíveis a ação de terceiros;  3. Quando esta intervenção ocorre e pode-se inferir que a intencionalidade seja mínima.
  • 8.
     O graude intenção suicida de uma pessoa deve ser considerado como um ponto num continum: de um lado está a certeza absoluta de matar-se e no outro extremo está a intenção de seguir vivendo.
  • 9.
     Avaliar ograu de gravidade de uma tentativa de suicídio pode ser uma tarefa bastante difícil, pois são atos intencionais de auto- agressão que não resultam em morte, desde atos discretos e velados de ameaça a própria vida.  Alguns deles talvez com o objetivo de ganhar atenção, até situações graves que necessitam de atendimento médico hospitalar.
  • 10.
     CONDUTAS AUTODESTRUTIVAS: O comportamento autodestrutivo pode ser:  Direto ou  Indireto.  O comportamento autodestrutivo indireto implica na participação, geralmente de modo repetido, em atividades perigosas sem que exista uma intenção consciente de morrer.
  • 11.
    Os exemplos decomportamento autodestrutivo indireto incluem o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o uso de qualquer tipo de droga, o consumo de cigarros, a ingestão de quantidades enormes de alimentos, o consumo de alimentos prejudiciais à vida, a negligência com a própria saúde, a automutilação, a condução imprudente de um automóvel entre muitas outras coisas. Costuma-se dizer que os indivíduos que apresentam esse tipo de comportamento têm “vontade de morrer”, mas, geralmente, existem muitas razões para esse comportamento (MANUAL MERCK, 2009).
  • 12.
     Tanto osuicídio direto como o suicídio indireto e mais amplamente as condutas consideradas autodestrutivas possuem inúmeras formas de interpretação e análise, porém todas elas, na busca de suas significações e motivações, não se podem afastar dos Aspectos Sócio-Culturais de cada sociedade. Ou seja, a influência que nossa sociedade exerce sobre os sujeitos, induz a uma prática diária de condutas autodestrutivas.
  • 13.
     O Suicídio,escrito pelo sociólogo francês Emile Durkheim, em 1897, foi um livro inovador no campo da sociologia.  Durkheim foi o primeiro a argumentar que as causas do suicídio eram encontradas em fatores sociais e personalidades não individuais.  Observando a variação de tempo e lugar, Durkheim olhou para causas ligadas a estes outros fatores de estresse emocional.  Ele olhou para o grau em que as pessoas se sentem integradas na estrutura da sociedade e em seu meio social como fatores sociais produtores do fenômeno, e argumentou que as taxas de suicídio são afetadas pelos diferentes contextos sociais nos quais eles emergem.
  • 14.
     O Suicídioanômico é bem representado em situações de anomia social, ou ausência de regras que mantinham a coesão social. O caos provocado por grandes mudanças em uma sociedade, como por exemplo uma crise econômica, pode provocar o aumento do número de suicídios, muitas vezes motivados por desemprego e perda de poder aquisitivo. Então esse tipo de suicídio acontece quando as forças desagregadoras da sociedade fazem com que os indivíduos se sintam perdidos ou sozinhos.
  • 15.
     Ocorre quandohá excesso de regulamentação dos indivíduos pelas forças sociais. Um exemplo é alguém que comete suicídio por causa de uma causa política ou religiosa, como os sequestradores dos aviões que se chocaram com o World Trade Center, o Pentágono e um campo na Pensilvânia em 9/11/2001. As pessoas que cometem suicídio altruísta subordinam-se às expectativas coletivas, mesmo quando a morte é o resultado.
  • 16.
     Acontece quandoas pessoas se sentem totalmente separadas da sociedade.Normalmente, as pessoas estão integradas na sociedade por papéis de trabalho, laços com a família e comunidade, e outras obrigações sociais. Quando esses laços são enfraquecidos através de aposentadoria ou perda de familiares e amigos, a probabilidade de ocorrência aumenta. Os idosos que perdem estes laços são os mais suscetíveis ao suicídio egoísta.
  • 17.
     Para aPsicanálise, o suicídio está relacionado ao desejo do individuo, à angústia e a fatores psíquicos associados.  Freud, em sua obra Luto e Melancolia (1990), afirmou que um indivíduo só seria capaz de atentar contra a própria vida, caso renunciasse à auto-preservação, e que o narcisismo deveria ser considerado como um dos fatores desencadeantes de tal ato.
  • 18.
     Freud concebeua existência de apenas dois instintos básicos:  Eros (instinto de vida, do amor)  Tanatos (instinto de morte, destrutivo)  A finalidade do Eros é estabelecer unidades cada vez mais extensas e preservá-las, ou seja, uni-las.  A finalidade doTanatos é romper vínculos e, assim, destruir coisas, ou seja, levar o que é vivo a um estado inorgânico.
  • 19.
     Freud (1990),a pessoa desde o momento em que nasce até seu “último suspiro” vivencia perdas, e isso pode induzir ao luto e à melancolia. Supõe que, para o suicida, as reações consigo mesmo ou com o mundo externo frente a essas perdas se deram em aspecto de maneira errônea.  Freud afirma que a maior expressão da pulsão de morte seria a agressividade; quando esta não é dirigida ao meio pode voltar-se contra o sujeito e culminar no ato suicida.  O ser humano é capaz de abster-se da auto- conservação para privilegiar a (narcisismo). Outro aspecto considerável seria o caso do sujeito se encontrar em posição de desprestígio, sentindo-se com sua auto-estima rebaixada. Em ambas as ocorrências, seria possível que o ato suicida viesse a ocorrer.
  • 20.
     Através dateoria freudiana, pode-se perceber que tanto no luto quanto na melancolia o Ego adquire a função de preservar o objeto perdido, inicialmente identificando-se com ele e logo após o incorporando.  No luto normal há uma percepção gradual da não existência do objeto amado na realidade e isto é compensado através da instituição de um novo objeto amoroso (re-investimento).  Já na melancolia (luto patológico), existe a presença de culpa e hostilidade muito intensas de forma que o objeto torna-se fantasioso, morto pelo indivíduo.  Desta forma, o objeto torna-se um perseguidor interno que exige vingança.
  • 21.
     Menninger (1970)enxerga que todo ato agressivo ou destrutivo contra a própria vida é uma manifestação do instinto de morte contra o Eu. Para ele, a prática suicida pode ter origem em diversos temas,inclusive aqueles que se referem ao meio ambiente, ou seja, a não elaboração interna de algumas percepções e vivências. Este é inclusive o fator mais relevante para desencadear o comportamento suicida.
  • 22.
     Outra hipótese,ainda formulada por Freud, é de que existe um instinto de morte em que a meta é levar o indivíduo para um estado de calma ou serenidade, caracterizado pela não-existência. Quando este instinto torna-se mais forte que o instinto de vida, pode levar ao ato suicida, sendo, o equilíbrio entre os dois impulsos que mantém o controle da vida. (HOLMES, 2001).
  • 23.
     Alguns fatoresde risco para o suicídio  • transtornos mentais;  • sóciodemográficos;  • psicológicos;  • condições clínicas incapacitantes
  • 24.
     • transtornosdo humor (ex.: depressão);  • transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias  psicoativas (ex.: alcoolismo);  • transtornos de personalidade (principalmente borderline,narcisista e anti-social);  • esquizofrenia;  • transtornos de ansiedade;  • comorbidade potencializa riscos (ex.: alcoolismo + depressão)
  • 25.
     • sexomasculino;  • faixas etárias entre 15 e 35 anos e acima de 75 anos;  •dificuldades financeiras  • residentes em áreas urbanas;  • desempregados (principalmente perda recente do emprego);  • aposentados;  • isolamento social;  • solteiros ou separados;  • migrantes.
  • 26.
     • perdasrecentes;  • perdas de figuras parentais na infância;  • dinâmica familiar conturbada;  • datas importantes;  • reações de aniversário;  • personalidade com traços significativos de impulsividade,agressividade, humor lábil;
  • 27.
     • doençasorgânicas incapacitantes  • dor crônica;  • lesões desfigurantes perenes;  • epilepsia;  • trauma medular;  • neoplasias malignas;  • Aids.
  • 28.
     A intençãosuicida genuína é freqüentemente ambivalente em relação a morte e a firmeza do propósito pode ser variável.  Esses pacientes têm humor disfórico (Tristeza, angústia, melancolia, pessimismo),com sentimento de inutilidade, falta de esperança, perda da auto-estima e desejo de morrer.  Há o sentimento dos três “is”: intolerável (não suportar), inescapável (sem saída) e interminável (sem fim).  Suicidas potenciais podem se arrepender e procurar ajuda após o ato.  O alívio, após a tentativa, faz a pessoa refletir sobre seu ato.
  • 29.
     Através doexame clínico usual, devem ser investigados os recursos do paciente:  avaliar a capacidade de elaboração, de resolução de problemas,  os recursos materiais, moradia e alimentação,  o suporte familiar (família próxima ou confiável),  O suporte social,profissional e de instituições, e os eventos precipitantes:  levantar todas as circunstâncias e motivações que deflagraram o ato.
  • 30.
    São “sinais paraprocurar na história de vida e no comportamento das pessoas” (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS), 2000) para que possam representar ou não riscos reais da presença de um comportamento suicida. Estes são: 1. Comportamento retraído, inabilidade para se relacionar com a família e amigos 2. Doença psiquiátrica 3. Alcoolismo 4. Ansiedade ou pânico 5. Mudança na personalidade, irritabilidade, pessimismo, depressão ou apatia 6. Mudança no hábito alimentar e de sono 7. Tentativa de suicídio anterior 8. Odiar-se. Sentimento de culpa, de se sentir sem valor ou com vergonha 9. Uma perda recente importante – morte, divórcio, separação, etc. 10. História familiar de suicídio 11. Desejo súbito de concluir os afazeres pessoais, organizar os documentos, escrever um testamento, etc. 12. Sentimentos de solidão, impotência, desesperança 13. Cartas de despedida 14. Doença física 15. Menção repetida de morte ou suicídio (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS), 2000).
  • 31.
     Para oTerapeuta clínico, este conhecimento também pode auxiliar no trabalho preventivo, já que “a elaboração de estratégias preventivas eficazes depende do detalhado conhecimento dos fatores de risco, determinantes da morte por suicídio” (VOLPE; CORRÊA; BARRERO, 2006, p. 12).  No momento em que o profissional desconfia de que algo possa estar acontecendo, o cliente poderá ser abordado, surgindo a possibilidade do paciente falar de si mesmo, coisa que muitas vezes ele não consegue em seu cotidiano. Nesse diálogo, é importante que o ouvinte observe atentamente alguns aspectos do outro, tais como:
  • 32.
     Estado mentalatual e pensamentos sobre morte e suicídio;  Plano suicida atual – quão preparada a pessoa está, e quão cedo o ato está para ser realizado;  Sistema de apoio social da pessoa (família, amigos, etc.) (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS), 2000).
  • 33.
     Frases querefletem pensamentos e sentimentos suicidas devem ser analisados e podem ser iguais ou parecidas com as seguintes:  "A vida não tem sentido e não vale a pena".  "Vocês (amigos, parentes, etc.) ficariam melhor sem mim."  "Não se preocupe, não estarei aqui para me importar com isso."  "Você sentirá minha falta quando eu morrer."  "Eu não ficarei em seu caminho por muito mais tempo."  "Eu não consigo e nem quero lidar com tudo isso. De que adiantaria?"  "Eu deixarei de ser um peso em breve."  "Eu não posso fazer nada para mudar as coisas."  "Eu queria estar morto."  "Eu sinto que não há uma saída."  "Eu nunca deveria ter nascido".
  • 34.
     Aconselhe-o afazer terapia. Conversar com um terapeuta regularmente sobre sentimentos, pensamentos suicidas e gatilhos pode ajudar a prevenir eventuais tentativas de suicídio. Além disso, para indivíduos que já tentaram se matar antes, o risco de tentativas posteriores pode ser reduzido em 50%
  • 35.
     Eis algumasperguntas que podem ser feitas para iniciar a conversa:  "Como você tem lidado com o que aconteceu em sua vida?"  "você pensa em desistir?"  "Você pensa na morte com freqüência?"  "Você tem sentido vontade de se machucar?"  "Você tem pensado em suicídio?"  "Você já tentou se machucar antes?"
  • 36.
     O apoioemocional é uma das melhores armas contra o suicídio. Mostre para seu paciente que ele é amado, lembrado de uma parte importante de sua vida.  Tenha uma atitude de respeito e amor durante toda a conversa.  Aproveite essa chance para mostrar seu ponto de vista.  Diga que o suicídio é uma decisão definitiva para um problema que tem solução, deixando claro que você e outras pessoas farão o que for possível para ajudá-lo a encontrar outras saídas.
  • 37.
     vigilância deveser providenciada com o intuito de garantir a segurança do paciente:  1. Retirar da casa medicamentos potencialmente letais, armas brancas e armas de fogo;  2. Manter abstinência de álcool e drogas que possuem efeitos desinibitórios;  3. Evitar locais elevados e sem proteção, pelo risco de se jogar;  4. Evitar que o paciente fique sozinho, ou trancado em um recinto.  5.Pode ser realizado um contrato de "não-suicídio"(verbal ou escrito), que consiste em o paciente concordar em não realizar ato auto-agressão  6. Relatar a um familiar se tiver desejos suicidas.  7. Não hesite em ligar para o CVV e para o SAMU. Quando ligar para o CVV, informe-se sobre cursos de assistência ao suicida.
  • 38.
     Prevenção: Dirigem-seà melhora da assistência clínica ao indivíduo que já luta contra idéias suicidas ou ao indivíduo que precise de atendimento médico por tentativa de suicídio;  e abordagens que possam reduzir a probabilidade do suicídio antes que indivíduos vulneráveis alcancem o ponto de perigo.  “Prevenir é melhor que remediar”.
  • 39.
     ORGANIZAÇÃO MUNDIALDE SAÚDE (OMS). Ação de saúde pública para a prevenção de suicídio: uma estrutura. Geneva, 2012.  Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio, Ministério da Saúde; Organização Pan-Americana de Saúde; Universidade Estadual de Campinas. Prevenção de suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental. Campinas (Brasil). Ministério da Saúde, 2006.  ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Prevenção do suicídio: um manual para profissionais de saúde em atenção primária. Genebra, 2000.  VOLPE, F.M.; CORRÊA, H.; BARRERO, S. P. Epidemiologia do suicídio. In: Ed(s) CORRÊA, H.; BARRERO, S. P. Suicídio: uma morte evitável. São Paulo: Editora Atheneu, 2006.  HOLMES, D. S. Psicologia dos transtornos mentais. Porto Alegre Artmed, 2001.  MElLEIRO,S.A.M.A. SUICÍDIO: Identificar, tratar e prevenir  MENNINGER, K. Eros e Tanatos: o homem contra si próprio. Tradução: Aydano Arruda. São Paulo: Ed. Ibrasa, 1970.  DURKHEIM, E; O Suicídio, Estudo Sociológico. Editorial Presença, 7ª edição; 2001.  FREUD, Sigmund. Luto e melancolia, 1990.