SlideShare uma empresa Scribd logo
Tecelagem Plana
Conceito: Tecelagem é o ato de tecer, entrelaçar fios de trama (transversal) e urdume, ou
urdidura, (longitudinal) formando tecido plano.
De acordo com a DuPont (1991, p. 5), "os fios no sentido do comprimento são conhecidos como
fios de urdume, enquanto que os fios na direção da largura são conhecidos por fios de trama.
As bordas do tecido no comprimento são as ourelas, que são facilmente distinguíveis do resto
do material".
Esta etapa corresponde ao processo em que os fios são entrelaçados para formarem os
tecidos, que podem ser feitos com fibras naturais (algodão), artificiais (viscose), sintéticas
(poliéster) ou com a mistura de fibras. Cada tipo de tecido determina um processo de
tecelagem orientado para essa especificidade, que se denomina Padronagem do Tecido. Após
o preparo do urdume ele é reunido e engomado para que o fio adquira maior resistência à
abrasão inerente à tecelagem, conforme artigo "Preparação à Tecelagem - Engoamgem".
Após o processo de urdição e engomagem, o rolo de urdume pode ir diretamente para o tear
onde deverá ser emendado através de uma máquina denominada Atadora de Urdume, ou
poderá passar por um processo deRemeteção.
Remeteção
A remeteção é o passamento dos fios de urdume nas lamelas, liços e pente. Pode ser feita
manualmente por pessoal especializado chamado remetina ou passamaneiro e é um processo
que demanda muito tempo e passível de erro humano. A remeteção pode ser realizada
automaticamente, quando o fio do rolo de urdume é passado diretamente nos liços, lamelas e
pente, com uma velocidade de até 200 fios/min, a maior vantagem da remeteção automática é
a flexibilidade.
Padronagem do Tecido
As construções básicas, ou melhor, ligamentos dos tecidos, termo mais usados no meio têxtil,
são a tela(tafetá), a sarja e o cetim. Tecidos do tipo jacquard são entrelaçados fio a fio, um
processo trabalhado no qual é possível fazer desenhos. O que determina os tipos de
entrelaçamento do fio é chamado de padronagem, e é realizada pela seleção dos fios de
urdume que sobem ou que descem para a formação da cala.
Trama
A trama é constituída de fios individuais que são colocados nos teares tranversalmente entre
os fios do urdume, um de cada vez, formando o tecido. O tear conforma o tecido no padrão
determinado e, no final, o tecido cru passa por inspeção e classificação para depois seguir para
a tinturaria e acabamento, onde o tecido poderá ser tingido e/ou estampado.
Atadora de Urdume
A atadora de urdume é um equipamento utilizado para se efetuar a emenda do rolo de
urdume que irá entrar no tear. Este processo é efetuado quando no tear tem o término do rolo
de urdume e se dará continuidade no mesmo artigo ou diferente que esta sendo produzido, ou
com características bem próximas, com mesmo numero de fios. As marcas existentes no
mercado são: USTER,USTERMATIC,USTER TOPMATIC, STAUBLI, MAGMA e CASTILHO.
Conclusão
O processo de tecer pode ser resumido em três operações:
1) Abertura da cala: operação para selecionar os fios de urdume formando uma manta de fios
mais baixa e uma manta mais alta;
2) Inserção da trama;
3) Batida do pente.
A Tecelagem pode ser artesanal (tecelagem manual), ou em processo industrial, com teares
automáticos onde há diversos tipos como: Tear de Lançadeira, Tear Jato de Ar, Tear a Pinça
entre outros. Detalharemos esses nos próximos artigos.
Abaixo segue um modelo do esqueleto de um tear. Por mais que haja diferença entre tipos de
teares, o princípio de funcionamento basicamente igual para todos, exceto para o tear a rotor.
Aqui segue uma e-book (resumido) do processo de tecelagem plana bem como alguns tipos de
ligamentos e sua construção. "Resumo Tecelagem.rar"
Fonte:|metodologiasufrjmar.wordpress.com|
ROSANA ANDREIA, ROSÂNIA NUNES E MÁRCIA PAZ
O QUE É UM TEAR?
Objeto que serve para fabricar tecido através do cruzamento de fios.
COMO FUNCIONA UM TEAR?
Cruzam-se fios verticais (urdidura ou teia), que estão presos entre os órgãos do tear com os
fios horizontais (trama) que são transportados pela lançadeira (ou navete) que vai
entrelaçando este fio com a teia.
O ATO DE TECER
A evolução da humanidade está diretamente atrelada ao uso e desenvolvimento de técnicas.
No começo, o homem primitivo teve a idéia de vestir-se com peles de animais, quando então
aprendeu a costurá-las utilizando tendões, tiras da própria pele ou tripas. No dia em que as
pesadas peles foram substituídas por materiais feitos com fios muito apertados e
entrecruzados, estava inventado o tecido. A cestaria que data da mesma época, era realizada
trançando talos, cipós e outros vegetais. Parece impossível, entretanto o tear foi inventado há
mais ou menos 6.000 anos permitindo ao homem aplicar as técnicas aprendidas com a cestaria
ao usar as fibras flexíveis como o algodão, o linho, a lã e a seda. Exceto a seda, todas as outras
fibras deviam primeiro ser fiadas. Assim o homem, esticando estes fios, amarrados entre uma
árvore e o próprio corpo, alternando a trama, improvisou o tear.
Conhecidos das antigas pinturas gregas, os teares de Circe e Penélope nos dão a ideia da
utilização da tecelagem nos tempos da Guerra de Tróia. Penélope tecia durante o dia e à noite
desmanchava a trama; com isto ganhava tempo junto a seu pai que aguardava o término da
confecção para casá-la novamente. Estratégias como esta emolduraram a história do Homem,
pois foram nos períodos de longas crises e de beligerância que surgiram técnicas que
proporcionaram a sobrevivência não só do homem comum como também dos grandes
estadistas, como ressalta Lynn White Jr. ao analisar a evolução da técnica na Idade Média.
Uma das mais antigas formas de trabalho humano é a fiação e tecelagem, sendo que a
evolução da técnica da produção de tecidos liga-se fundamentalmente à evolução das
sociedades. A grandiosidade e exuberância da tecelagem que se vê, por exemplo, no Antigo
Egito, pode parecer difícil de entender dada a simplicidade dos instrumentos que se utilizavam
então. No entanto, o tear antigo, manual, já continha primitivamente estágios das técnicas
empregadas pelas máquinas automáticas de nossos dias. Por outro lado, a obtenção da
matéria prima e sua produção era de grande dificuldade. Na Antigüidade já se nota, porém,
variado cultivo de fibras, ressaltando-se o linho e o algodão, no campo vegetal, e a seda e a lã,
no campo animal.
O que vem a ser técnica e tecnologia? Que relação há entre a técnica e a tecnologia?
Constituiriam, ambas, uma ciência? Em que medida a história da humanidade está
emblematicamente condicionada à evolução da técnica? Em que momento o homem passa a
desenvolver uma habilidade técnica, uma tecnologia ?
A técnica consiste num procedimento que engloba métodos elaborados para um fim específico
advindos das necessidades do homem. Poder-se-ia dizer que a história da técnica está
intimamente relacionada à sobrevivência. Ela é consciente, reflexiva, inventiva, teórica,
individual por estar atrelada ao desenvolvimento de uma habilidade. No processo histórico do
desenvolvimento científico-tecnológico, muita coisa foi produzida visando a melhoria da
qualidade de vida das pessoas. Para Lynn White Jr, tecnologia é a maneira pela qual as pessoas
fazem coisas, não havendo fronteiras cronológicas ou geográficas ao se estudar a evolução de
uma técnica.
Engels, em sua obra A origem da família, da propriedade privada e do Estado relaciona os
estágios de desenvolvimento da humanidade com os períodos aos quais foram ampliadas as
fontes de existência. Tais períodos só foram possíveis pelo desenvolvimento de técnicas que
possibilitaram ao homem domar a própria natureza, fazendo do desconhecido fator positivo à
sua sobrevivência. Resumidamente, os três estágios citados por Engels são compilações de um
estudo de Morgan, que os denominou de estado selvagem, caracterizado pelo predomínio da
apropriação de produtos da natureza, prontos para ser utilizados pelo homem através de
técnicas artificiais produzidas por ele; o estado da barbárie, caracterizado pela criação do gado
e da agricultura e pelo incremento da produção da natureza por meio do trabalho humano; e o
estado da civilização, que consistiria no “período em que o homem continua aprendendo a
elaborar os produtos naturais, período da indústria propriamente dita e da arte”. Localiza
ainda o autor, na fase superior do estado selvagem, a utilização do tecido a mão para a
vestimenta humana; não existindo ainda o tear.
Uma das mais antigas formas de trabalho é a fiação e a tecelagem, sendo que a evolução da
técnica da produção de tecidos liga-se fundamentalmente à evolução das sociedades. A
história das relações do homem com o meio demonstra que sempre houve um jeito peculiar
de se apropriar de bens naturais que garantissem a sobrevivência humana, num primeiro
momento, evoluindo, num estágio posterior, para a acumulação. Embora a história oficial
tenha registrado os grandes feitos heróicos realizados pelos grandes homens, pelos grandes
estadistas, uma outra história vem sendo investigada por alguns historiadores, fundamentada
no fazer diário dos pequenos artesãos, do fazer do homem simples, do servo, do homem
escravizado.
A Revolução Industrial anunciou uma nova era para a civilização. O renascimento cultural
criara novas condições sociais, econômicas e políticas para a realização de avanços em ciência
e tecnologia. As melhorias subseqüentes na tecnologia possibilitaram grandes combinações de
recursos físicos e humanos e levaram o sistema fabril a substituir o sistema doméstico de
produção.
Desde que a humanidade começou a melhorar seus métodos de cultivar o solo, fabricar armas
e tecer panos, houve avanços na tecnologia, arte e ciência aplicada à confecção e uso de
ferramentas e equipamentos. A tecnologia tem evoluído e avançado durante milhares de anos,
mas na Inglaterra do final do século XVIII ocorreu uma revolução que marcou o início de um
progresso mais rápido do que jamais houvera antes. A essência dessa revolução foi a
substituição da força humana, animal, do vento, da água e de outras fontes naturais pela
energia mecânica.
A invenção da lançadeira volante, por John Kay, em 1733, aumentou a capacidade de
tecelagem. Os fios começaram a escassear. James Hargeaves criou, em 1764, a Spinining
Jenny, aumentando a produção de fios. Esta máquina era uma roca de fiar que fazia vários fios
ao mesmo tempo, mas eles eram quebradiços, e isso dificultava a tecelagem. A water frame,
de Richard Arkwright, construída em 1779, produzia fios grossos; o fato de ser movida a água
tornava-a mais econômica. A spinning jenny e a water frame foram combinadas em 1779 por
Samuel Crompton em uma única máquina, a mule, que fabricava fios finos e resistentes. Novo
desequilíbrio foi criado: sobravam fios, que as tecedoras não conseguiam fiar. Ocorreram
então tentativas de aumentar a capacidade de tecer. Edmund Cartwright, em 1785, inventou o
tear mecânico . O cronograma histórico do tear ficou assim:
1733: Invenção da lançadeira volante, por John Kay.
1760-1850: 1ª etapa da Revolução Industrial.
1764: Invenção da spinning Jenny, por Jeames Hargreaves.
1768: James Watt inventa a máquina a vapor.
1769: Invenção da water frame, por Richard Arkwright.
1779: Invenção da mule, por Samuel Crompton.
1785: Edmund Cartwright inventa o tear mecânico.
1850-1900: 2ª etapa da Revolução Industrial.
1900: 3ª etapa da Revolução Industrial.
Depois da máquina a vapor, vieram os teares elétricos.A indústria têxtil também foi pioneira
em criação de dispositivos binários, através de cartões perfurados usados nos teares de
Jacquard. Todos com a mesma estrutura inicial, e a mesma movimentação para que ocorra
produção :
1º – A abertura da Cala;
2º – A inserção da trama;
3º A batida do pente.
Um dos teares mais modernos do séc XX foi produzido pela Toyota,antes Toyoda, inventado
por Kichiro Toyoda em 1924. A Toyota Faz 70 anos em 2009.
Os teares elétricos produzem hoje até 1500 fios de trama por minuto, a velocidade deles é
variável através de inversor, sua carreteira é idealizada para trabalhar com 24 carretéis, tem
um sistema de lubrificação através de bomba mecânica e sua fonte de alimentação vai do
motor monofásico, bifásico ao trifásico. As infinitas correias e roldanas que caracterizavam as
oficinas de tecelagem do século XX foram a partir de 1920 substituídos por teares individuais
movidos a motores elétricos. Os teares ficaram mais longos e largos buscando cada vez mais a
elevação constante da velocidade na entrada do fio da trama. Ou seja, todos os teares são
mecânicos, o que mudou, ao longo de sua história, foram o processos para se produzir mais
rápido, aumentando assim a produção para os que estavam interessados em se aprimorar na
técnica de tecer,porque a técnica sobreviveu.
BIBLIOGRAFIA:
ARRUDA, José, Jobson, de Andrade. HISTÓRIA MODERNA E CONTEMPORÂNEA; Editora Ática,
12ª edição. São Paulo,1980.
FRIEDRICH, Engels; Mark,Karl.OBRAS ESCOLHIDAS 3.Editora Alfa- Omega, São Paulo.
GAMA, Ruy.HISTÓRIA DA TÉCNICA E DA TECNOLOGIA;EDUSP;São Pailo,1985.
O que é
O tecido é um material à base de fios de fibra natural, artificial ou sintética, que compostos de
diversas formas tornam-se coberturas de diversos tipos formando roupas e outras vestimentas
e
coberturas de diversos usos, como cobertura para o frio, cobertura de mesa, limpeza, uso
medicinal
(como faixas e curativos), entre outros.
I. Tipos de Tecidos
Tecidos Planos: são resultantes do entrelaçamento de dois conjuntos de fios que se cruzam em
ângulo reto. Os fios dispostos no sentido horizontal são chamados de fios de trama e os fios
dispostos no sentido vertical são chamados de fios de urdume.
Tecido Plano: é uma estrutura produzida pelo entrelaçamento de um conjunto de fios de
urdume e
outro conjunto de fios de trama, formando ângulo de (ou próximo) a 90º.
• Urdume: Conjunto de fios dispostos na direção longitudinal (comprimento) do tecido.
• Trama: Conjunto de fios dispostos na direção transversal (largura) do tecido.
Tecido Malha : A laçada é o elemento fundamental deste tipo de tecido, constitui-se de uma
cabeça,
duas pernas e dois pés. A carreira de malhas é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido
da
largura do tecido. Já a coluna de malha é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido do
comprimento do tecido.
Tecido Nãotecido: Conforme a norma NBR – 13370, não-tecido é uma estrutura plana, flexível
e
porosa, constituída de véu ou manta de fibras, ou filamentos, orientados direcionalmente ou
ao
acaso, consolidados por processos: mecânico (fricção) e/ou químico (adesão) e/ou térmico
(coesão)
ou combinação destes.
As ilustrações a seguir representam estruturas dos têxteis citados acima:
Ilustração 30: Tecido Plano. Ilustração 31: Tecido de
Malha.
Ilustração 32: Tecido Não
Tecido
2
O Tecido de Malha e a Tecnologia da Malharia
I. Características dos Artigos de Malha
A estrutura e geometria dos artigos de malha diferenciam-se substancialmente dos tecidos de
tecelagem, em que os fios de trama e urdume entrelaçam-se formando uma armação bastante
rígida.
Na malha, ao contrário, um fio assume a forma de laçadas as quais passam por dentro das
laçadas
de outro fio e assim sucessivamente.
Ilustração 33: Diferença entre os Entrelaçamentos de Tecido Plano e Tecido de Malha.
Essas laçadas (ou malhas) de formato senoidal sustentam-se entre si e são livres para
moverem-se
umas sobre as outras quando submetidas à tensão, seja no sentido da largura ou no sentido do
comprimento do artigo. Essa propriedade caracteriza a “flexibilidade” ou a “capacidade de
modelagem” dos artigos de malha, os quais podem, dessa forma, abraçar as mais complexas
formas
do corpo humano.
Além disso, os artigos de malha apresentam certa capacidade de “recuperação elástica”, ou
seja,
uma vez retirada do corpo, a solicitação recupera o seu formato inicial, total ou parcialmente.
Entretanto, deve-se notar que, se de um lado as características de flexibilidade e recuperação
elástica são altamente interessantes na aplicação em determinados artigos, trazem
implicitamente
uma conseqüência bastante negativa em alguns casos que se reflete em “deformação” e
problemas
de “estabilidade dimensional”, o que torna difícil a aplicação de malhas em artigos em que a
rigidez, a não deformação e o bom caimento são importantes (ilustração 34).
Normal Esticado no Comprimento Esticado na Largura
Ilustração 34: Propriedades dos Tecidos de Malha.
Outra característica importante dos artigos de malha é a “porosidade” que está diretamente
relacionada com conforto fisiológico térmico. 3
Em temperaturas elevadas, a transpiração é facilitada, permitindo ao suor o evaporamento
pelos
espaços existente no artigo. Em baixas temperaturas, a porosidade aliada ao aspecto
volumoso com
que são constituídos os produtos de malha para inverno, permite formar dentro do artigo, um
colchão de ar que atua como isolante térmico, dificultando a perda do calor do corpo para o
meio
ambiente.
Observando o esquema abaixo podemos ter uma noção mais completa da interação dos
tecidos de
malha com o meio:
Artigos de Malha
Ambiente Quente Ambiente Frio
A temperatura do corpo
aumenta
A temperatura do corpo
diminui
O suor evapora refrescando
a pele O ar, baixo condutor
térmico, atua como isolante
evitando a perda de calor
A porosidade da malha
transporta ao meio o suor
evaporado
A porosidade da malha
forma um colchão de ar,
este é o isolante térmico
Aumenta o
resfriamento
Quando submetidos
à ventilação
Renova-se o ar dentro
da malha
O corpo fica seco e a
temperatura constante
Desenho 6: Interação dos Tecidos de Malha com o Meio.
A ausência de um ponto de ligação firme tem por conseqüência uma estabilidade
relativamente
fraca, ocasionando variações dimensionais no tecido. 4
Além disso, o tecido crú mantém na sua estrutura um estado de tensões provenientes do
processo de
formação do tecido. O relaxamento dessas tensões dá lugar a uma contração da malha, que é
chamada de contração de relaxamento.
No entanto, todas as propriedades citadas variam de acordo com alguns parâmetros:
A fibra utilizada;
O fio utilizado (título, torção, fiação, texturização);
O tipo de contextura da malha;
A máquina utilizada.
II. Vantagens e Desvantagens dos Artigos de Malha
a) Vantagens:
Elasticidade e Flexibilidade: os artigos de malha adaptam-se ao movimento do
corpo: collant, meias, roupas de banho, artigos esportivos, roupas íntimas;
Facilidade de Fabricação: com exceção da malharia de urdume, não necessita de
urdideira; com poucos conicais pode-se testar um fio ou uma nova contextura.
Adapta-se muito facilmente à moda;
Variedade de Contexturas: pode-se obter facilmente, variadas contexturas de
características bem diferentes uma das outras, muitas vezes com pequenas
alterações;
Conforto fisiológico: Conforme o esquema apresentado.
b) Desvantagens:
Deformação: A flexibilidade característica essencial da malha, pode ocasionar,
quando mal controlada, encolhimentos ou alargamentos do tecido;
Enrolamento: Alguns tecidos, devido à sua contextura, apresentam uma tendência a
enrolar-se nas bordas, fenômeno que é prejudicial na confecção. Tal propriedade só é
possível de ser corrigida recorrendo-se a técnicas como a termofixação ou
encolhimento;
Estrutura Helicoidal: As máquinas de malharia circular de grande diâmetro, podem
apresentar uma estrutura em forma de espiral, o que facilita a distorção da malha
quando submetida a lavagem ocasionando instabilidade;
Emprego Limitado: As malhas, algumas vezes, não se adaptam a certos tipos de
aplicação em que requer tecidos de grande consistência. 5
III. Conceitos de Malharia
O primeiro conceito é o que se entende por tricotagem.
Pode-se dizer que tricotagem é o processo de se obter tecido a partir de fios que formam
aquilo que
se chama de laçadas de fio e que são a seguir entrelaçadas com outras de configuração
semelhante,
abertas ou fechadas, numa de duas direções: horizontal ou vertical.
A técnica de malharia pode ser classificada em:
MALHARIA
TRAMA URDUME
CIRCULAR RETILÍNEA
Desenho 7: Classificação da Malharia.
Chama-se malha de trama a todo o tecido produzido por processos de fabricação dos quais
pelo
menos um fio de trama é transformado em malha. Durante o processo de tricotagem, o fio da
trama
é frisado de maneira a formar uma linha horizontal de laçadas a que se dá o nome de fileira.
Cada
fileira interlaça-se com a fileira inferior e com a superior, resultando no tecido de malhas de
trama.
Malha de Trama Malha de Urdume
Ilustração 35: Estruturas dos Tecidos de Malha de Trama e Malha de Urdume.
Chama-se malha de urdume a todo o tecido produzido por processos de fabricação dos quais
os fios
provenientes de pelo menos um urdume são transformados em tecido de malha. Durante o
processo
de tricotagem cada um dos fios do urdume é frisado de maneira a formar uma linha vertical ou
diagonal de laçadas a que se dá o nome de coluna. Cada coluna interlaça-se com outras
colunas
adjacentes para formar o tecido. A diferença fundamental entre os dois métodos de
tricotagem é que 6
para produzir malha de urdume, cada uma das agulhas do tear é alimentada pelo seu próprio
fio
(pelo menos um) enquanto que para produzir malha de trama basta um só fio para alimentar
todas
as agulhas do tear.
IV. A Malharia de Trama
A malharia de trama é um método de converter o fio em malhas através de entrelaçamento
que
tomam forma com a ajuda de agulhas. Os tecidos de malha de trama são obtidos a partir de
um
único fio que faz evoluções em diversas agulhas formando uma carreira de sucessivas laçadas
que
irão se entrelaçar com as laçadas da carreira seguinte. Assim, um tecido de malha de trama,
seja
feito à mão ou em máquinas industriais, é constituído através do entrelaçamento de uma série
de
laçadas (malhas). As laçadas (em inglês: stitches) são entrelaçadas utilizando-se uma agulha
para
segurar as laçadas já existentes, enquanto uma nova laçada é formada.
Nesse processo é utilizado apenas um tipo de fio, denominado fio de malharia, que é mais fino
e tem maior resistência mecânica. Os equipamentos empregados para a realização desse
trabalho
denominam-se teares circulares ou retilíneos. Os teares circulares são responsáveis pela
produção da parte principal das malhas, enquanto os teares retilíneos produzem as partes
acessórias, como golas e punhos, dentre outras.
Teares Retilíneos: produzem um tecido de malhas aberto, onde o sistema de pedras
movimenta-se
através de um carro e o conjunto de agulhas fica parado. Possui fácil programação e acesso
aos
cones, que na grande parte das vezes é em número inferior do que nas máquinas circulares. A
princípio, cada máquina necessita de um operador para a movimentação do carro, porém
atualmente, equipamentos modernos são totalmente automatizados.
Teares Circulares: produz um tecido tubular, cujo diâmetro varia em função do número de
agulhas
da máquina, podendo-se encontrar máquinas de pequeno e grande diâmetro. Os cones de fios
são
colocados em um chapéu situado sobre a máquina ou ainda em uma gaiola lateral. As
máquinas
circulares podem ser de uma ou duas fronturas (conjuntos de agulhas) para produção de
malhas
duplas.
i. Formação dos Tecidos de Malha de Trama
Como já vimos antes, os tecidos de malha, em malharia de trama, são obtidos a partir de um
único
fio que faz evoluções em diversas agulhas formando uma carreira de sucessivas laçadas que
irão se
entrelaçar com as laçadas da carreira seguinte.
Partes da Malha
Ilustração 36: Malha Unitária.
7
A ilustração 36 apresenta uma malha ou ponto (em inglês = stitch), mantida na sua forma
pelos
pontos de retorno superiores e inferiores, por outras malhas.
Cada malha consiste de uma cabeça, duas pernas e dois pés. No local onde as pernas se
transformam em pés, há dois pontos de contato com a malha anterior. Estes são denominados
pontos de ligação.
Ilustração 37: Pontos de Ligação da Malha.
Se os pés das malhas se situam por cima dos pontos de ligação e, correspondentemente, as
pernas
por baixo deles, então tecnicamente, este é o dorso da malha ou avesso do tecido.
Ilustração 38: Dorso da Malha (Avesso).
Se ao contrário, os pés estão por baixo, e as pernas por cima, nos seus pontos de ligação,
então,
tecnicamente, tem-se a face frontal da malha ou lado direito do tecido.
Ilustração 39: Face da Malha (Direito).
Se os tecidos de malhas têm uma face constituída somente de faces frontais de malhas, e a
outra
face do tecido, somente de dorsos de malhas, então se diz que o tecido é de face única (single
face),
e foi produzido em máquinas monofronturas (com um só conjunto de agulhas).
Na construção do tecido observamos dois elementos distintos:
A carreira de malhas: é uma série de laçadas sucessivas do mesmo fio, que cruzam o tecido
transversalmente. Todas as laçadas (malhas) de uma carreira são formadas pelo mesmo fio. 8
Ilustração 40: Carreira de Malhas (Curso).
A coluna de malhas: é uma série de laçadas de fios diferentes, que se situam na direção do
comprimento do tecido. Todas as malhas de uma mesma coluna são formadas numa mesma
agulha e o número de colunas influencia na determinação da largura do tecido.
Ilustração 41: Coluna de Malhas.
O mecanismo de tricotagem consiste na formação de laçadas de fios, com a ajuda de agulhas
finas e
pontiagudas. Quando novas laçadas são formadas, elas são puxadas através de outras laçadas
formadas anteriormente. O entrelaçamento e a formação contínua de novas laçadas
produzem o
tecido de malhas.
Se puxarmos um fio da última carreira as laçadas irão se desfazer, e o tecido poderá ser
desmalhado
com facilidade.
Ilustração 42: Desmalhagem do Tecido de Malha. 9
ii. Características dos Fios para Malharia
O fio empregado na produção de malhas é basicamente o mesmo utilizado na tecelagem
plana,
diferindo apenas por exigir um menor grau de torção.
Quanto maior a torção do fio, mais rígido e menos flexível será o fio, esta rigidez e falta de
flexibilidade em um fio, acarreta quebra de agulhas e muitos outros defeitos no processo,
chegando
a ser impossível de ser trabalhado em malharia. A faixa ideal para o coeficiente de torção (∝),
num
fio utilizado para malharia é de 2,75 a 3,8 com uma variação de 5%, sendo que em tecelagem
plana
os fios de urdume chegam a ter um coeficiente de torção (∝) 50. Isso demonstra que
realmente os
fios utilizados em malharia possuem muito menos torção do que os fios empregados na
tecelagem
plana. Um bom fio para malharia deve ter, segundo a ordem de sua relativa importância, as
seguintes características:
Uniformidade;
Flexibilidade;
Elasticidade;
Resistência.
a) Uniformidade:
Um bom fio para malharia deve ter um diâmetro tão uniforme quanto for possível. Um tecido
de
malha revela mais as variações de diâmetro do fio do que qualquer outro tipo de tecido. Isto
se deve
ao fato de que a malha coloca um maior comprimento de fio dentro de um espaço
relativamente
pequeno de tecido. Nestas condições, uma irregularidade no diâmetro do fio é mais facilmente
percebida no tecido. A posição paralela dos fios no tecido plano tende a contrabalançar estas
variações, dando uma aparência mais uniforme.
Observe a ilustração 43:
Ilustração 43: Defeitos Devido à Falta de Uniformidade do
Fio. Fonte Guia de Defeitos Industriais Têxteis - APT. 10
O defeito apresentado na ilustração 43 demonstra os efeitos de um fio irregular em um tecido
de
malha por trama. O defeito é a aparente a olho nu e causa uma aparência não muito agradável
no
tecido. Com defeitos assim, o artigo perde em qualidade e em lucro.
b) Flexibilidade:
A flexibilidade é necessária em um fio para malharia, para que as malhas sejam prontamente
formadas. Um fio rígido resiste à formação da malha e não é, portanto, um bom fio para
malharia.
Uma torção fraca dada aos fios para malharia aumenta sua flexibilidade.
c) Elasticidade:
A elasticidade não é característica realmente necessária em um fio para malharia, mas
melhora o
tecimento.
Elasticidade não deve ser confundida com alongamento. O alongamento é a propriedade de
tornar-
se mais longo, mesmo depois de cessada a tensão. A elasticidade é a propriedade que faz com
que o
fio retorne ao seu comprimento original quando cessa a ação da tensão desde que não tenha
sido
esticado além do seu limite máximo de elasticidade. A tendência que o fio tem de voltar ao seu
comprimento original, faz com que o fio proceda da mesma forma durante o tecimento.
d) Resistência:
A resistência tem menor importância em um fio para malharia do que as características que
foram
vistas anteriormente. O fio mesmo fraco, porém com bastante uniformidade e flexibilidade,
será
tecido facilmente. A resistência do fio terá, porém, influência na resistência do tecido.
V. Elementos Formadores do Tecido de Malha
i. Agulhas
O principal elemento no processo de tricotagem é sem dúvida a agulha. Na verdade tudo se
cria em
torno da agulha, tome-se como exemplo o próprio tear, que foi concebido com o intuito de
acondicionar a agulha e de promover os movimentos mecânicos necessários, para que ela
busque o
fio e possa entrelaçá-lo em uma laçada formada anteriormente, de forma rápida e o mais
preciso
quanto possível.
Existem milhares de espécies de agulhas diferentes para utilização em teares de malha. Tal
variedade deve-se não somente ao grande número de tipos de teares de malhas existentes,
mas
também às diferenças existentes na concepção dos teares do mesmo tipo. Existem por
exemplo:
teares retilíneos e circulares. Estes teares ainda podem ser subdivididos em duas outras
categorias,
como:
Teares Monofrontura;
Teares Duplafrontura 11
Uma agulha para malharia possui um gancho em uma das extremidades que serve para
apanhar o
fio alimentado, um sistema de fechamento deste gancho para prender o fio durante a
tricotagem,
uma haste para segurar as malhas que já foram feitas e um pé (talão) para gerar o movimento
de
formação da malha. Para efeitos de classificação, as agulhas para teares podem ser divididas
em 3
grupos fundamentais:
Agulhas de prensa;
Agulhas de lingüeta;
Agulhas compostas.
Agulhas de Prensa
A agulha de prensa, também conhecida como agulha de mola, foi inventada pelo reverendo
William
Lee, em 1589, sendo conseqüentemente a primeira agulha de malharia a ser inventada. É
também a
agulha mais simples e a mais barata.
Esta agulha de prensa é um elemento de formação de malhas das máquinas de malharia, ainda
muito utilizada no processo de malharia de urdume. É uma haste de metal delgada, dobrada
em uma das extremidades sob a forma de bico que necessita de um elemento externo para
fechar o
bico da agulha. A agulha de prensa é formada
por 05 partes distintas: Cabeça, Mola ou Gancho, Ranhura, Haste e Base.
Ilustração 44: Agulha de Prensa.
Este tipo de agulha pode ser utilizado em formação mais cerrada que os outros tipos de
agulha,
podendo ter posição fixa, atuando até 50 agulhas por polegada, e sendo cada uma delas
independente, consegue-se até 40 agulhas por polegada. Podem ser usadas em qualquer
posição e
qualquer ângulo e são muito simples e baratas para serem produzidas.
Sua desvantagem, porém, é ter que fechar a mola mecanicamente, no ato de soltar a laçada
feita, por
ação de uma prensa, denominada platina, nos teares de mola de Lee. Estas agulhas requerem
um 12
cuidado extra durante a sua utilização. A prensa é um dos componentes das máquinas que
utilizam
este tipo de agulhas. A prensa é uma faca colocada longitudinalmente à maquina, com
movimento
excêntrico que a faz atuar simultaneamente sobre todas as agulhas no momento da descida
destas, a
fim de fechar-lhe o bico, de modo que a malha anterior passe por cima da cabeça da agulha.
Agulhas de Lingüeta
A agulha de lingüeta foi inventada por Matthew Townsend em 1849 e desde então substitui as
agulhas de prensa nas máquinas de malharia. As agulhas de lingüeta são mais caras de se
fabricar do
que as agulhas de prensa é muito mais propensa a marcar o tecido durante a tricotagem,
porém
possuem a vantagem de serem auto-suficientes para formar a laçada, ou seja, não necessitam
de
nenhum mecanismo externo para fechar o gancho. Por esta razão, é a agulha mais utilizada na
malharia de trama, sendo às vezes chamada de agulha automática.
Em suma, a agulha de lingüeta é um elemento das máquinas de malharia para os processos de
malharia de trama e malharia de urdume (utilizadas em máquinas retilíneas, circulares e
Raschel)
que tem a finalidade de formar malha. É uma haste de metal delgada, com um gancho em uma
das
extremidades e uma lingüeta para fechar e abrir a cabeça da agulha. Esta agulha constitui-se
de 6
partes: gancho, lâmina da lingüeta, colher da lingüeta, haste, pé e cauda.
Ilustração 45: Agulha de Lingüeta.
A principal vantagem da agulha de lingüeta sobre a agulha de mola é não precisar prensar para
produzir laçadas, fato que contribuiu para o aparecimento de teares mais rápidos e menos
complexos.
A agulha de lingüeta também é a mais difícil de ser construída, fazendo com que sua espessura
seja
mais grossa. O jogo mais fino de agulha de lingüeta que normalmente é fabricado é de 36
agulhas
por polegada, neste caso a espessura é de 0,36mm cada agulha, havendo ainda a necessidade
de
fazer uma ranhura de 0,13mm para introduzir a lingüeta. Conseqüentemente a agulha de
lingüeta
necessita de mais um processo para a sua produção tornando essas operações um tanto
delicadas e
resultando num número mais elevado de agulhas com defeitos. 13
Agulhas Compostas
Ilustração 46: Vista Interior da Agulha de
Lingüeta.
A primeira patente para uma agulha composta foi concedida em 1856 a Jeacock de Leicester. A
agulha composta consiste em uma haste delgada de metal com um gancho numa das
extremidades e
um elemento de fechamento do gancho. Ambas as peças necessitam ser controladas
independentemente, por isso essa nova agulha foi nomeada “agulha composta”.
Existem dois tipos de agulha composta nos dias de hoje:
• Agulha composta tubular;
• Agulha composta com ranhura.
Vários tipos de agulhas compostas de duas peças foram inventados há algumas décadas atrás,
com o
objetivo de ultrapassarem as desvantagens das agulhas de mola e das agulhas de lingüeta.
A agulha composta foi criada para suplantar todas as outras. É uma haste delgada de metal
com um
gancho em uma das extremidades, e necessita de um elemento externo para fechar a cabeça
da
agulha. As agulhas compostas têm sido utilizadas em muitas áreas de tecnologia de formação
da
malha, sendo hoje empregadas, sobretudo, em teares retilíneos, teares de malharia de
urdume e
teares de fitas.
Ilustração 47: Agulha
Composta Tubular.
Ilustração 48: Agulha
Composta com Ranhura.
De forma genérica, pode-se afirmar que a agulha de prensa é normalmente utilizada para
malhas
finas e fechadas. As agulhas compostas são largamente utilizadas em malharia de urdume e de
fitas
e, por fim a agulha de lingüeta é freqüentemente encontrada em máquinas de malharia de
trama
(circulares ou retilíneas). 14
ii. Platinas
As platinas são lâminas de aço finas, fixas ou móveis que atuam entre duas agulhas adjacentes.
No
tear original de Lee as platinas movimentavam-se com o objetivo de segurar o tecido quando
da
subida das agulhas e frizar o fio entre duas agulhas adjacentes para formarem as laçadas. Nos
dias
atuais, porém, existe uma grande diversificação de tecnologias e para estas diferentes
tecnologias
existe também uma vasta gama de tipos de platinas.
Ilustração 49: Platinas.
As Platinas compõem-se de:
1. Nariz;
2. Canal;
3. Pé;
4. Plano de Formação.
Ilustração 50: Partes da Platina.
São as platinas que realizam três trabalhos específicos:
1. Fazer a retenção do tecido (seguram o tecido);
2. Atuam como plano de formação da malha;
3. Igualação. 15
Ilustração 51: Retenção do
Tecido de Malha.
Ilustração 52: Plano de
Formação.
Um tecido sem igualação possui a seguinte aparência:
Ilustração 53: Diferença de Igualação de Tecidos de Malha.
iii. Guia-Fios
O guia-fio é um elemento básico no percurso a ser obedecido pelo fio do cone até as agulhas,
levando-o a uma posição em que as agulhas possam recolhe-lo. Apesar de ser esta a função
primordial do guia-fio, ele também executa outras, de apoio, ou também garantem o correto
16
processo de formação da malha.
Ilustração 54: Guia-Fios de Teares
Circulares de Malha de Trama.
São as seguintes as funções dos guia-fios:
Fornecer o fio que vai ser tecido;
Proteger as lingüetas quando as malhas estiverem no corpo das agulhas;
1º Função (Fornecer o fio que vai ser tecido):
Observe atentamente a Ilustração 55. Ela mostra claramente um fio que passa pelo furo do
guia-fio.
Esse fio será deixado pelo guia-fio numa posição em que poderá ser facilmente recolhido pela
agulha. É nesse ponto que o guia-fio exerce sua primeira função, que é a de fornecer fio numa
determinada posição que facilite o trabalho da agulha.
Ilustração 55: 1°
Função.
2º Função (Proteger as lingüetas quando as malhas estiverem no corpo das agulhas):
Observe agora, na Ilustração 56, que a distância existente entre o guia-fio e a lingüeta da
agulha não
é suficiente para que a lingüeta possa fechar. Essa função se faz necessária porque a malha, ao
sair
de cima da lingüeta, está descontrolada, podendo fechar. Caso a lingüeta feche, a agulha não
pode
recolher o fio, prejudicando assim o processo de formação das malhas. 17
Ilustração 56: 2° Função.
Em teares de malha de trama deve existir pelo menos um guia-fio por alimentador. A função
de
abrir e fechar lingüetas semi-abertas só é exercida quando existe uma falha no processo de
formação das malhas, se a lingüeta estiver totalmente aberta ou fechada, o guia-fio não
conseguirá
exercer esta função.
iv. Fronturas
As agulhas são alojadas dentro de canais em um suporte metálico denominado frontura.
Dentro de
seus canais as agulhas são mantidas paralelas podendo fazer seu movimento de avanço e
retrocesso.
A forma de frontura varia conforme o tipo de máquina (retilínea ou circular).
Ilustração 57: Frontura Retilínea. Ilustração 58: Frontura Circular.
Nas máquinas retilíneas a frontura caracteriza-se por uma placa plana, enquanto em máquinas
circulares apresenta-se em forma de cilindro.
As fronturas são os portadores das agulhas. No cilindro, as agulhas ficam dispostas na vertical,
e no
disco, ficam dispostas radialmente, na horizontal. As máquinas que possuem apenas cilindro
são
chamadas mono frontura, e as máquinas que possuem cilindro e disco são chamados de dupla
frontura.
Cada agulha é colocada em uma ranhura que a mantém em sua posição (ranhuras
selecionadas
podem, às vezes, serem deixadas vazias, sem agulhas para fazer certos tipos de tecidos). O
número
de ranhuras ou canaletas por polegada em uma máquina de malharia é fixo, mas existem
diferentes 18
máquinas, tendo distintas quantidades. Este número é chamado de galga ou finura da
máquina.
Quanto maior for este número, mais próximas as malhas serão formadas, pois quanto maior o
número de fileiras, maior será o número de agulhas por polegadas. Uma agulha representa
uma
fileira ou uma coluna de malha.
O cilindro contém as ranhuras que por sua vez acomodam as agulhas. O cilindro, dependendo
do
diâmetro, tem velocidades constantes de rotação que podem chegar até 50 rpm.
v. Blocos de Pedras
Para que possamos formar uma malha é necessário que as agulhas tenham dois movimentos:
avanço
e retrocesso, ou de modo geral, subida e descida.
Ilustração 59: Pedras (Cames).
Tais movimentos são conseguidos através de um conjunto de blocos onde estão dispostas as
pedras.
Estas pedras são peças de aço que comandam o movimento das agulhas.
O movimento circular do cilindro atua no sistema de pedras que é, na maioria das vezes,
estacionárias. Estas pedras ou camos como também são chamadas, estão fixas em um
conjunto de
blocos. Este sistema de pedras é o que promove a ação de subida das agulhas, preparando-a
para a
captura de um novo fio. A subida e a descida da agulha se dão em virtude de a agulha possuir
um pé
ou talão, e é no ponto de descida máxima que se dá a formação da laçada.
Ilustração 60: Comando nos Blocos de Pedras. 19
Os tipos básicos de pedra para subida de agulhas são:
Ilustração 61:
Malha.
Ilustração 62:
Fang.
Ilustração 63:
Não Trabalha.
Ilustração 64: Blocos de Pedras do Tear Circular.
VI. Etapas da Formação dos Tecidos de Malha
Analisando o processo de formação de malhas podemos notar que, para fabricar um tecido
necessitamos de:
a) Um certo número de agulhas consecutivas, paralelas, dirigidas num mesmo sentido e num
mesmo plano;
b) Um sistema que imprima às agulhas seu movimento de avanço e retrocesso e;
c) Um dispositivo para fornecer fio às agulhas.
Ilustração 65: Conjunto de Tricotagem. 20
Ilustração 66: Sistema com
Elementos Consecutivos.
i. Pontos Fundamentais da Malharia de Trama
Malha
A malha é o ponto básico de todas as ligações de malha.
Ilustração 67: Ponto de Malha e Pedra de Malha.
CICLO DE FORMAÇÃO DA MALHA
Na Ilustração 68, encontramos o início do ciclo de formação de malhas. A agulha está na
posição de
repouso, ou seja, com a cabeça na linha da borda superior do cilindro. A malha que se
encontra
dentro da cabeça da agulha foi formada pelo ciclo realizado no sistema de alimentação
anterior. As
platinas acionadas pela sua pedra iniciam o avanço.
Ilustração 68: 1° Posição - Repouso.
Na figura 69, observamos que a agulha, impulsionada pela pedra de subida, começa o
movimento
de avanço, enquanto as platinas, já acionadas por suas próprias pedras, se apresentam
totalmente 21
avançadas e exercendo duas de suas três finalidades básicas, ou seja, (a) reter o tecido
(através do
canal) e (b) igualar a malha, evitando que apresente distorções. Esta é a posição conhecida
como
posição de ponto carregado pelo fato de, nesse exato momento, a malha se encontrar situada
sobre
a lingüeta da agulha.
Ilustração 69: 2° Posição - Ponto Carregado.
Na figura 70, encontramos a agulha na posição máxima de subida, que se obtém pelo
acionamento
da pedra de subida. As platinas continuam totalmente avançadas e retendo o tecido, fato este
que
também ajuda o descarregamento da malha para o corpo da agulha.
Ilustração 70: 3° Posição - Subida
Máxima.
Na figura 71, encontramos a posição de descida. A agulha, acionada pela pedra de descida,
começa
a descer para que possa recolher um novo fio, enquanto as platinas, acionadas pelas suas
próprias
pedras iniciam seu segundo movimento, isto é, começam a recuar. 22
Ilustração 71: 4° Posição - Descida.
Na Ilustração 72, encontramos a agulha na posição de recolhimento do fio. A agulha, ainda
acionada
pela pedra, continua descendo. A malha que estava no corpo da agulha começa a movimentar
e a
fechar a lingüeta, ao mesmo tempo em que o novo fio é recolhido e retido no gancho da
agulha.
Esta operação simultânea garante que o fio recolhido não saia do gancho da agulha. As
platinas,
acionadas por suas pedras, se encontram na posição máxima de recuo.
Ilustração 72: 5° Posição - Posição
de Recolhimento do Fio.
Na Ilustração 73, encontramos a posição de formação da malha. Nesta última posição a malha
já foi
formada e a platina exerce sua terceira função básica, qual seja a de formar o plano de
desprendimento para que a malha seja descarregada suavemente da agulha sobre o novo fio.
O
tamanho da malha ou tamanho do ponto depende da profundidade até onde a agulha desce.
Quanto
mais a agulha for puxada para o interior do cilindro, maior será a malha (ou ponto). Em caso
contrário, menor ela será. 23
Ilustração 73: 6° Posição - Posição de Formação da Malha.
Observe que durante todo este processo, a lingüeta permite abrir ou fechar o gancho, tendo a
vantagem de ser manipulada pelo próprio fio para que realize este movimento, não
necessitando de
nenhum dispositivo adicional para a formação da laçada.
COMPRIMENTO DO PONTO
Chamamos o tamanho da malha de comprimento de ponto. O comprimento de ponto
caracteriza
entre outras coisas a compacticidade do tecido. Se as malhas são grandes, o tecido será mais
aberto,
se as malhas são pequenas, o tecido será mais fechado. A regulagem do ponto é obtida de
acordo
com a posição das pedras de descida. Com a pedra de descida mais alta a agulha descerá
menos,
consumirá menos fio e formará uma malha de menor tamanho. Com a pedra mais baixa, a
agulha
descerá mais, consumirá mais fio e formará uma malha maior.
Ilustração 74: Comprimento de Ponto. 24
Fang
O fang é um processo utilizado em malharia no qual o fio é alimentado às agulhas, porém, não
faz a
malha, ou seja, não forma a laçada. Assim, podemos de dizer, que o fang é uma alça presa
pelos pés
da malha seguinte e esta alça é formada pelo não descarregamento da malha anterior.
Ilustração 75: Ponto de Fang e Pedra de Fang.
Existem dois processos para se conseguir o fang:
Fang sobre lingüeta (meia descida):
a) Uma malha acaba de ser feita e a lingüeta está fechada;
b) A agulha sobe e pega o fio de alimentação;
c) A agulha desce somente o suficiente para a antiga malha fechar a lingüeta;
d) A agulha sobe. A malha antiga e o fang estão atrás da lingüeta e processa-se uma
nova alimentação de fio.
e) A agulha desce completamente formando assim uma nova malha sobre a malha
antiga, ficando o fang entre elas.
Ilustração 76: Fang sobre Lingüeta.
Fang sob lingüeta (meia subida):
É o processo mais utilizado. O princípio é o seguinte:
a) Uma malha acaba de ser feita. A lingüeta está fechada;
b) A agulha sobe, porém apenas o suficiente para que seja alimentada, sem, no entanto
permitir que a malha antiga ultrapasse a lingüeta; 25
c) A agulha desce totalmente, a lingüeta permanece aberta;
d) A agulha sobe totalmente, a malha antiga e o fang ultrapassam a lingüeta, um novo fio
alimenta as agulhas;
e) A agulha desce completamente e forma uma nova malha sobre a malha antiga, ficando o
fang colocado entre elas.
Ilustração 77: Fang Sob Lingüeta.
É possível produzir o fang segundo estes dois métodos. O primeiro método é conseguido
através da
regulagem da pedra de descida para uma posição mais alta e o segundo método recorre a uma
pedra
diferente conhecida como pedra de fang.
Não-trabalha ou flutuante
O flutuante (também chamado de não-trabalha ou não-tece) é um trecho de fio na horizontal
formado pela não subida da agulha, e é limitado lateralmente por malhas ou fangs.
Ilustração 78: Ponto de Não-Trabalha e Pedra de Não-Trabalha.
Para a formação de determinadas contexturas de tecidos pode ser necessário que temos
agulhas sem
trabalhar. Quando uma ou mais agulhas nunca farão malha num determinado tecido,
podemos
simplesmente tirar essas agulhas da máquina ou colocá-las num nível em que seus pés não
sofram a
ação das pedras de subida. Esse caso aplica-se especialmente aos tecidos sanfonados ou
desagulhados.
Quando uma ou mais agulhas ficarão fora de ação somente durante algumas carreiras e
trabalharão
em outras, podemos então utilizar as pedras de Não-Trabalha nas carreiras em que as agulhas
não
irão trabalhar. 26
VII. Malharia Circular
Os teares circulares são as máquinas mais comuns da malharia de trama, caracterizando-se por
possuírem um grande número de alimentadores dispostos em círculo, produzindo um tecido
tubular
contínuo. São máquinas de altíssimo rendimento, capazes de produzir tecidos com as mais
diferentes características.
Os teares circulares são sub-categorizados em:
Grande Diâmetro: que incluem as mono-fronturas, voltadas para a produção de jerseys ou
meia-malha; as circulares dupla-frontura, próprias para a produção de malhas duplas e;
Pequeno Diâmetro: próprias para a produção de meias masculinas e femininas. As meias saem
das
máquinas praticamente prontas, faltando apenas a costura para fechar a ponta do pé.
Ilustração 79: Cilindro de Pequeno Diâmetro.
i. Malharia Circular Mono-Frontura de Grande Diâmetro
a) Estrutura
A estrutura das máquinas circulares atuais é formada por base, pés, manta do cilindro e
colunas (em
máquinas dupla-frontura). 27
Ilustração 80: Estrutura dos Teares Circulares de Grande
Diâmetro.
Da qualidade da estrutura dependem um bom funcionamento da máquina e a qualidade dos
artigos
produzidos. As solicitações à estrutura estão ficando cada vez maiores em conseqüência do
aumento
da velocidade das máquinas.
A aceleração não apresenta maiores problemas, pois atualmente esta etapa do funcionamento
é
controlada eletronicamente, assegurando uma partida suave. A parada é a etapa de
funcionamento
mais crítica para a estrutura. Devido às velocidades maiores, as forças de frenagem tiveram
que ser
aumentadas para assegurar paradas tão curtas quanto antes. Em conseqüência, as torções que
agem
sobre a estrutura aumentara significativamente. A centralização entre cilindro e disco também
depende da qualidade da estrutura. Como a estrutura também aloja o acionamento, é
importante não
haver folga entre os acionamentos do cilindro e disco.
Em alguns casos, é do desejo do cliente produzir rolos de grande diâmetro. Neste caso, faz-se
necessário o uso de uma estrutura especial, mais elevada, capaz de abrigar rolos maiores. Este
tipo
de estrutura é chamado de estrutura industrial ou elevada.
b) Acionamento
Compreende o motor com respectivas transmissões e freio da máquina. Assim como a
estrutura, o
acionamento tem grande importância num funcionamento sem irregularidades de uma
máquina
circular. De acordo com a aplicação na máquina circular, a velocidade pode ser variada
continuamente ou em estágios. Para máquinas de altíssima velocidade e pouca versatilidade
quanto
a troca de artigos geralmente se faz o ajuste da velocidade através de troca de polia. Para
máquinas
menos específicas, que tenham maiores possibilidades de troca de artigo, utilizam-se
inversores de
freqüência para adequar a velocidade da máquina aos mais diversos artigos. 28
c) Puxamento do Tecido
Após ser tecida, a malha precisa passar da forma tubular para uma forma plana, para que
possa ser
enrolada. Para isto, utiliza-se um dispositivo chamado alargador. Ele precisa assegurar uma
entrega
da malha sem distorções e sem dobras para o puxador/enrolador de tecido.
Ilustração 81: Alargador.
Fonte: Memminger - IRO.
Ilustração 82: Alargador. Fonte:
Memminger - IRO.
O puxador/enrolador deve tensionar o tecido de malha de modo a assegurar um bom
tecimento e
enrolá-lo regularmente, sem que danifique a superfície do tecido ou forme vincos nas
extremidades.
Uma tensão excessiva de puxamento pode desgastar os elementos de formação das malhas
(pedras,
agulhas, platinas, cilindro, etc.) e ocasionar buracos no tecido de malha. Uma tensão
insuficiente
pode causar malhas duplas ou até quebra das agulhas.
Ilustração 83: Esquema do Puxador/ Enrolador. 29
d) Fornecimento de Fio - Gaiolas
Inicialmente, os cones de fios eram colocados em suportes colocados num anel em cima da
própria
máquina, formando uma gaiola superior, também chamada de chapéu. Com o aumento do
número
de sistemas e do peso dos cones, este tipo de gaiola caiu em desuso. Atualmente são utilizadas
principalmente gaiolas apoiadas no chão, que podem ser circulares ou laterais. A vantagem da
gaiola lateral é que ela permite maior versatilidade quanto ao tipo de fio colocado. A gaiola
circular,
por sua vez, ocupa uma área menor e racionaliza o fluxo de material (pelo corredor de um lado
da
máquina, circulam apenas cones de fio e pelo corredor do outro lado, apenas rolos de malha).
Na gaiola circular, os fios devem passar obrigatoriamente por dentro de tubos. Este tipo de
gaiola é
utilizado somente quando a máquina trabalha apenas com fios de algodão.
Ilustração 84: Gaiola Circular.
Fonte: Memminger - IRO.
Na gaiola lateral, existe a opção de colocar ou não tubos para a condução dos fios. Com fios
sintéticos, utiliza-se sempre a configuração de gaiola lateral sem tubos, por causa da estática
que
eles causam.
Ilustração 85: Gaiola Lateral. Fonte:
Memminger - IRO. 30
Ilustração 86: Tear Circular com Gaiola Lateral.
Apenas nas máquinas equipadas com listradores há a opção de utilizar a gaiola superior, por
facilitar o carregamento dos cones na seqüência correta de cores.
Ilustração 87: Gaiola Superior.
e) Alimentadores de Fios
Alimentadores positivos
A alimentação positiva tem como finalidade básica alimentar uma quantidade de fio por
unidade de
comprimento. Durante cada volta da máquina, as agulhas recebem uma quantidade correta de
fio,
que nunca pode variar, decorrente do movimento sincronizado do sistema de alimentação
positiva
com o cilindro da máquina, o que assegura uma quantidade constante de fio alimentado.
Assim, os alimentadores positivos são aparelhos que fornecem às agulhas quantidades
constantes de
fio. Consistem de uma a quatro polias acionadas por uma fita dentada, um carrinho para
enrolamento do fio e uma sentinela para quebra de fio e variação de tensão.
A velocidade da fita dentada irá determinar a velocidade do carrinho e, conseqüentemente, o
consumo de fio. Esta velocidade pode ser modificada através de uma polia expansível,
conhecida
como roda de qualidade. A quantidade de fitas irá determinar quantos consumos de fio a
máquina
pode ter.
Exemplificando, uma máquina com 4 fitas poderá trabalhar com artigos que tenham 4
evoluções
diferentes de fio. Por este motivo, este tipo de alimentação é utilizado geralmente em
máquinas 31
mecânicas com comando direto de agulhas, que oferecem possibilidades limitadas de
desenho.
Ilustração 88: Alimentador Positivo. Fonte:
Trevizan Malmegrim.
Alimentadores por acúmulo (Alimentação Negativa)
Neste sistema, as próprias agulhas puxam a quantidade de fio necessária para formação de
malha ou
fang. O aparelho alimentador de fio se encarrega apenas de apresentar o fio numa tensão mais
baixa
e regular possível. O alimentador é comandado por um micro-processador que faz desenrolar
o fio
do cone que está na gaiola, armazenando-o, isto é, ele desenrola uma quantidade
predeterminada de
fio do conical e armazena na polia. O fio é desenrolado a partir deste ponto quando solicitado
pelas
agulhas ou outros elementos.
À medida que o fio é consumido, a polia entra em ação e desenrola fio dos conicais até que a
quantidade de voltas predeterminadas seja alcançada novamente. Os alimentadores por
acúmulo
atuais possuem motores individuais que permitem um funcionamento independente uns dos
outros.
Nas máquinas jacquard e mini-jacquard o uso dos alimentadores por acúmulo quase sempre é
indispensável, por causa dos consumos de fio diferentes em todos os sistemas.
Ilustração 89: Alimentador por
Acúmulo (Alimentação Negativa).
Fonte: Memminger - IRO. 32
f) Ventiladores
O sistema de ventiladores é um sistema de ventilação flexível, para manter limpo de resíduos
todo o
percurso do fio e do tear. A ventilação deve atingir todos os cones e bobinas de fio, os
sensores e
disparadores, alimentadores e elementos tricotadores, para evitar o acúmulo de fibras soltas
(no
caso de fios fiados) e poeira nesses pontos. Dessa maneira é reduzida ao mínimo a produção
de
tecidos defeituosos e as paragens da máquina quando embuxadas por acúmulos.
Mais especificamente podemos dizer que o sistema de ventilação é necessário para evitar
esvoaços
na área dos guia-fios e das partes tricotadoras dos teares circulares. Como é do conhecimento
geral,
acumula-se nestas áreas, no caso de um trabalho com fios fiados, muita sujidade. Ao longo do
trabalho, esta sujidade é apanhada pelas agulhas e platinas, ou pelo próprio fio, misturando-se
dentro da malha. Isto resulta numa malha defeituosa com laçadas irregulares e mais espessas,
buracos na malha, guia-fios entupidos, quebras de fios e agulhas danificadas.
Ilustração 90: Ventilador. Fonte:
Memminger - IRO.
VIII. A Formação do Tecido da Malha em Teares Circulares Monofrontura
Já sabemos que a malharia por trama é um processo de construção do tecido através da
formação de
laçadas do fio no sentido da largura ou ao redor de um círculo; cada fio é alimentado em um
ângulo
mais ou menos reto em relação à direção na qual o tecido é formado. O termo trama é tirado
da
tecnologia de tecelagem e refere-se ao sentido horizontal ou transversal do tecido. Nesses
tecidos,
todas as malhas de uma mesma carreira são formadas pelo mesmo fio; já as malhas de uma
mesma
coluna são formadas pela mesma agulha.
A maior parte dos tecidos de malha por trama é obtida em máquinas que possuem agulhas
dispostas
em círculos e, dessa maneira, formam um tubo de tecido que pode ser usado dessa forma ou
aberto
através de um corte longitudinal. Outras máquinas de tricotar são retilíneas, produzindo
tecidos já
abertos.
O princípio de formação do tecido tubular das máquinas circulares utiliza alimentação múltipla
e o
tecido é tricotado sob a forma de um tubo contínuo, cujo comprimento é obtido pela
quantidade de
fios e a largura por diversos fatores, como o diâmetro do cilindro, o número de agulhas nele
contido, o tamanho dos ganchos das agulhas, o título do fio em trabalho, a quantidade de
tensão
aplicada ao tecido, etc. 33
Teoricamente, enquanto o cilindro gira, a máquina tece uma “fita” contínua de malha em
tantas
carreiras quantas alimentações existirem nesta máquina, sendo as margens da fita unidas, a
cada
revolução, o que dá origem a uma fita contínua de tecido. Para visualizar esta construção,
imagine
uma máquina com 32 alimentadores, dos quais 31 estão alimentados com fio branco e apenas
uma
com fio preto e, em seguida, em sentido ascendente, ao longo de uma coluna até o curso
preto
seguinte, a direção em que o “dente cortante” (“cutting tooth”) aponta é aquela na qual o
sentido
está se movendo ou sendo formado, como mostra a figura abaixo:
Ilustração 91: Formação Tubular do Tecido de Malha.
Tecelagem plana
Ilustração 92: Formação no Tear. 34
O Tecido Plano e a Tecnologia da Tecelagem
O tecido plano é o produto final do processo de tecelagem. É classificado de acordo com:
a) A matéria-prima empregada (natural, sintética ou mista);
b) A forma de entrelaçamento dos fios (tafetá, sarja e cetim);
c) o número de fios por centímetro quadrado;
d) o peso por metro quadrado.
O tecido plano é obtido pelo entrelaçamento de conjuntos de fios em ângulos retos, ou seja,
fios no
sentido longitudinal (chamados de URDUME) e fios no sentido transversal (chamados de
TRAMA), realizados por um equipamento chamado tear.
De acordo com a DuPont (1991, p. 5), “os fios no sentido do comprimento são conhecidos
como
fios de urdume, enquanto que os fios na direção da largura são conhecidos por fios de trama.
As
bordas do tecido no comprimento são as ourelas, que são facilmente distinguíveis do resto do
material”.
Ilustração 93: Fios de Trama, Fios de Urdume e Ourela.
Antes que os fios sejam entrelaçados nos teares, é necessária a realização de operações
preliminares
de preparação destes fios para sua utilização no processo de tecelagem, tanto para os fios de
urdume
quanto para os fios de trama, por métodos adequados, tais como o processo de urdimento e o
processo de engomagem oriundos ao setor de preparação à tecelagem.
O entrelaçamento é o fato de passar uma ou vários fios de urdume por cima ou por baixo de
um ou
vários fios de trama. O entrelaçamento mais simples entre estas duas direções de fios é a tela
ou
tafetá. A evolução dos fios de urdume poderá ser feita nas mais diversas formas obtendo-se
assim,
os mais complicados tipos de ligamentos. Os mais conhecidos são:
Tela ou tafetá;
Sarja;
Cetim ou raso. 35
Ilustração 94:
Tela ou Tafetá.
Ilustração 95:
Sarja.
Ilustração 96:
Cetim ou Raso.
Os tecidos são processados em máquinas chamadas de teares, e os principais componentes de
um
tear são:
Rolo de Urdume: que contém os fios de urdimento;
Quadros de Liços: o urdimento passa pelo olhal dos liços, que se acham dispostos em
quadros responsáveis pela formação da cala (abertura formada por duas camadas de fios de
urdume);
Pente: depois dos quadros de liços, os fios passam por um pente que é responsável pelo
remate da trama e que nos teares de lançadeira servem como guia para a mesma;
Rolo de Tecido: para enrolar o tecido pronto.
Ilustração 97: Componentes de um Tear.
Para conseguir-se a passagem da trama entre os fios de urdume (cala), utiliza-se o elemento
chamado porta-tramas, dentre os quais o mais conhecido é a lançadeira.
Ilustração 98: Lançadeira. 36
Os movimentos básicos do tear são:
A formação da cala;
A inserção da trama;
O batida do pente.
Formação da Cala: a abertura triangular de duas camadas de fios de urdume com auxílio de
alavancas e cordéis amarrados aos quadros de liços onde os fios estão inseridos;
Ilustração 99: Formação da Cala.
Inserção da Trama: introdução dos fios de trama por meio de lançadeira, pinças, projétil, jato
de ar
ou jato de água.
Ilustração 100: Inserção da Trama. 37
Batida do Pente: o pente está preso à frente e tem movimento de vaivém. Quando ele vem à
frente,
encosta a última trama inserida no remate e quando recua propicia a inserção da trama
seguinte.
Ilustração 101: Batida do Pente.
I. Preparação à Tecelagem
Como já visto anteriormente, na tecelagem, os fios antes de serem processados no tear
passam por
uma série de operações denominadas PREPARAÇÃO À TECELAGEM, como segue:
Fio de Urdume Fio de Trama
Urdimento Direto Urdimento Seccional Espulagem
Engomagem Engomagem
Engomagem
Engrupagem ou
Remetição
Engrupagem ou
Remetição
Desenho 8: Fluxograma do Processo de Tecelagem.
com
lançadeira
TEAR
sem
lançadeira
38
i. O Urdimento
O urdimento é a operação de preparação à tecelagem, que consiste na passagem dos fios que
formarão o urdume do tecido, transferindo-os de seus suportes iniciais (cones, bobinas, cops,
etc.)
para o rolete do tear. Este rolete compõe-se de um tubo rosqueado em suas extremidades,
onde são
posicionados 2 discos denominados flanges que determinam a largura sobre a qual serão
enrolados
os fios de urdume.
Ilustração 102: Rolete de Urdume.
O número de fios a ser urdido é função da largura do tecido a ser produzido, do número de
fios por
centímetro, do título do fio entre outros dados. Portanto, este número é muito variável
dependendo
de cada artigo a ser produzido.
A repassagem de todos os fios para o rolete do tear não é processada diretamente, pois nesse
caso,
seria necessária uma quantidade de suportes igual ao número de fios do urdume. Na prática
isto é
inviável, devido ao tamanho da estrutura que seria necessário para conter os suportes e
principalmente devido às dificuldades operacionais que acarretaria este trabalho com elevado
número de suportes. Para superar esta dificuldade foram idealizadas duas técnicas de
processamento, denominadas URDIMENTO SECCIONAL e URDIMENTO CONTÍNUO ou
DIRETO. Apesar de estas duas técnicas resultarem num mesmo produto final (o rolete de
urdume),
as diferenças existentes ao processamento implicam em certas vantagens de utilização de
acordo
com o artigo a ser produzido, o qual definirá qual dos dois sistemas de urdimento apresenta
melhor
rendimento operacional.
A URDIDEIRA
Qualquer que seja o tipo de urdimento, o equipamento necessário compreende:
A Gaiola;
O Pente Encruz;
O Pente de Distribuição;
A Urdideira (órgão motor).
Ilustração 103: Partes da Urdideira. 39
A GAIOLA
A gaiola é o conjunto que sustenta os suportes de fios que alimentam a urdideira. Sua
capacidade é
igual ao número de suportes que ela pode conter.
Ilustração 104: Gaiola.
A função da gaiola é de sustentar os suportes e assegurar a regularidade da tensão dos fios,
além de,
é claro assegurar o controle destes fios. A altura da gaiola deve ser tal que o operador possa
ter
acesso à fileira superior de suportes (aproximadamente 190 a 200 cm). Admite-se em geral,
que a
gaiola não pode ultrapassar de 12 metros de comprimento (profundidade). Com metragens
além
desse valor, considera-se que as diferenças de tensão entre as bobinas da frente e as de trás
tornam-
se muito altas. A eficiência do operador também sofre influência negativa, devido aos longos
deslocamentos.
Os principais componentes da gaiola são:
Suportes;
Tensores;
Guia-Fios;
Sistema de Parada Automática.
Suportes: são pinos de ferro ou de aço, dispostos em uma estrutura (quadro) para manter os
suportes
de fios em posição de desenrolamento, havendo entre estes distâncias regulares,
determinadas por
escartamentos eqüidistantes em suas quatro direções;
Ilustração 105: Suportes. 40
Tensores: o tensor mais comum é chamado “universal”, compõe-se de 1 a 3 pares de discos
metálicos, por entre as quais passa o fio, originando-se uma maior ou menor tensão, conforme
a
quantidade de discos de carga colocados sobre o disco superior. Destacam-se também os
tensores
eletrônicos entre outros;
Guia-Fios: são olhais de cerâmica por onde passam os fios;
Ilustração 106: Tensores e Guia-fios.
Sistema de Parada Automática: consiste num sensor de rupturas de fios. Para evitar a
ocorrência de
fios rompidos no rolo de urdume, a gaiola deve possuir na sua parte frontal um sistema
elétrico
(guarda-fio) que detectando a ruptura de um fio, aciona o freio da urdideira, para impedir que
a sua
extremidade seja recoberta no rolo pelas espiras vizinhas. Por isso, o sensor é colocado na
gaiola,
ou seja, o mais longe possível da urdideira a fim de detectar a ruptura do fio o quanto antes.
Ilustração 107: Sistema de Parada Automática.
Existem diferentes concepções de construção de gaiolas, podendo-se citar os modelos mais
conhecidos:
a) Gaiola Comum;
b) Gaiola com Carrinhos;
c) Gaiolas Contínuas que podem ser: 41
Gaiola em V;
Gaiola de Alimentação Dupla;
Gaiola Magazine;
d) Gaiola Automática.
a) Gaiola Comum: esta gaiola é a mais simples e a menos prática. Os suportes são fixados nas 2
faces de um quadro fixo. Os operadores devem substituir os suportes de fios vazios por outros
cheios e depois emendar os fios, o que leva um tempo considerável.
Ilustração 108: Gaiola Comum. Fonte: Karl Mayer.
b) Gaiola com Carrinhos: é a mais utilizada. O quadro de suportes é substituído por uma série
de
carinhos onde os suportes de fios são dispostos. Estes carrinhos se deslocam no centro da
gaiola
possibilitando assim uma preparação prévia de sucessivas partidas, com um menor tempo.
Ilustração 109: Gaiola com Carrinhos. Fonte: Karl
Mayer.
Basta substituir os carrinhos com suportes de fios vazios por outros carrinhos previamente
repletos
de suportes de fios cheios. O tempo de montagem sofre uma grande redução.
c) Gaiolas Contínuas:
Gaiola em V: A gaiola em V possui 2 quadros de suportes paralelos e que são móveis
(num sentido rotacional). Neste tipo de gaiola a disposição em V permite que o operador
coloque as bobinas cheias no quadro interno e posteriormente, quando deve-se fazer a 42
troca de suportes de fios vazios por outros cheios, o operador aciona um sistema que
rotaciona os quadros substituindo o quadro vazio pelo cheio.
Ilustração 110: Gaiola em V. Fonte: Karl Mayer.
Gaiola de Alimentação Dupla: os eixos dos pinos que sustentam os suportes de fios deste
tipo de gaiola convergem para um mesmo guia-fio de saída. As duas bobinas
correspondentes são emendadas de forma que o desenrolamento se faz sem interrupção.
Trata-se de um desenrolamento verdadeiramente contínuo, sem tempo morto na
montagem dos suportes na gaiola.
Ilustração 111: Gaiola de Alimentação Dupla. Fonte: Karl Mayer.
Gaiola Magazine: compõe-se de dois quadros de suportes paralelos. Enquanto os
suportes da parte externa estão em trabalho, isso durante o urdimento, o operador
carrega os suportes da parte interna. Após esvaziarem-se os suportes externos, rotaciona-
se os quadros substituindo o quadro com suportes de fios vazios pelo quadro com outros
cheios.
Ilustração 112: Gaiola Magazine. Fonte: Karl Mayer. 43
d) Gaiola Automática: trata-se de uma gaiola com carrinhos na qual a emenda se faz
automaticamente por dispositivos móveis, contendo um dispositivo em cada fileira de
suportes de
fios. A montagem completa da gaiola é assegurada por uma grade móvel e um carrinho que
transporta os fios até o pente da urdideira. O tempo de imobilidade para uma montagem
completa é
de cerca de 1/20 do tempo de parada para uma gaiola convencional de carrinhos.
Ilustração 113: Gaiola Automática. Fonte: Karl Mayer.
O PENTE ENCRUZ
Encruz é a passagem dos fios por entre 2 barras ou cordões, de modo que cada fio tenha uma
seqüência inversa de seu adjacente, formando assim 2 planos ou sistemas de fios, podendo-se
separar a seqüência dos fios em pares e impares.
Ilustração 114: Pente Encruz.
A finalidade do encruz é:
Manter os fios na mesma seqüência evitando o embaraçamento com fios adjacentes;
Propiciar as operações de engrupagem, remetição e passamento;
Facilitar a localização dos fios no caso de ruptura no tear. 44
Para a formação do encruz usam-se pentes cujos espaços entre as puas estejam
alternadamente
distribuídos por uma solda. O pente completa-se por um jogo de barras que permitem que
seja
efetuada a separação ou a condensação das camadas provenientes dos diferentes estágios da
gaiola.
PENTE DE DISTRIBUIÇÃO
A finalidade deste pente é distribuir os fios em uma determinada densidade (fios/cm), a qual é
função do número de fios, seja da fita ou do rolo primário.
É necessário verificar o correto ajuste desta largura, pois sua soma não poderá ultrapassar a
largura
prevista entre as flanges do rolete de urdume.
Quanto aos tipos de pentes utilizados, estes podem ser classificados em:
Pente Fixo;
Pente Tapezoidal;
Pente Flexível V;
Pente Extensível.
Pente fixo: neste caso utiliza-se um pente que tenha uma densidade de puas igual ou próxima
do
pente a ser utilizado no tear, necessitando-se de um pente para cada artigo a ser produzido;
Ilustração 115: Pente Fixo.
Pente Trapezoidal: neste tipo de pente a densidade é determinada pela altura em que é
posicionado
o conjunto de fios.
Ilustração 116: Pente Trapezoidal.
Pente Flexível V: neste tipo de pente a densidade de puas é fixa, sendo a densidade obtida nos
fios
em função do ângulo formado entre as duas metades do pente.
Ilustração 117: Pente Flexível V. 45
Pente Extensível: neste pente as puas apóiam-se numa base extensível tipo sanfona, que
permite o
ajuste da densidade desejada.
Ilustração 118: Pente Extensível.
URDIDEIRA (ÓRGÃO MOTOR)
É onde são enrolados os fios de urdume. Este sistema de enrolamento pode ser seccional ou
direto.
URDIMENTO SECCIONAL
Este tipo de urdimento é apropriado para a produção de urdume com pequenas metragens e
para a
produção de urdumes com fios retorcidos, pois o rolo que sai desta urdideira contém todos os
fios
de urdume.
Gaiola
Rolo de Urdume
Cilindro Intermediário
Seccional
Ilustração 119: Urdideira Seccional. Fonte: Karl Mayer.
Também é utilizada para produzir urdumes que necessitam ser engomados, porém, neste caso
deve-
se utilizar um pente encruz apropriado. Neste tipo de urdideira, conforme o próprio nome já
diz, o
urdume é produzido por seções que são chamadas de fitas. Os suportes de fios a serem
urdidos são
dispostos na gaiola e são enrolados sobre um suporte intermediário (tambor) em diversas fitas
uma
ao lado da outra.
Ilustração 120: Tambor Intermediário. 46
Para explicar melhor o urdimento seccional, temos o seguinte exemplo:
Desejamos produzir um urdume para um artigo que terá 2348 fios. A urdideira a ser utilizada
possui
uma gaiola com capacidade máxima de 400 cones. Isto quer dizer que cada fita terá no
máximo 400
fios.
Para fazer o urdume desejado teremos:
Nº de fitas = 2348/400 = aproximadamente 6 fitas
Ou melhor:
5. 4 fitas com 391 fios cada e
6. 2 fitas com 392.
O tambor da urdideira seccional possui um conjunto de esquadros, também chamados de
facas,
formando um cone. A primeira fita será enrolada no tambor sobre o cone, começando seu
desenrolamento no início dos esquadros e, dependendo do comprimento do urdume,
terminará em
um ponto diferente, sobre os esquadros.
Para orientar a posição de enrolamento da fita sobre o tambor o pente de distribuição, que é
deslocado automaticamente, em direção ao final do cone, à medida que o urdume vai sendo
enrolado. Com este deslocamento automático, um lado da fita “monta” sobre o cone do
tambor e o
outro lado, forma um cone igual ao do tambor. O ângulo formado pelos esquadros (ângulo do
cone)
é alterado em função da densidade da fita e do título do fio.
Ilustração 121: Enrolamento das Fitas no Tambor
Intermediário. Fonte: Karl Mayer.
O pente de distribuição, além de orientar o enrolamento das fitas sobre o tambor, também é o
responsável pela largura das fitas. Após completada a primeira fita, de acordo com o
comprimento
passamos para o enrolamento da segunda fita. A segunda fita começa a ser enrolada ao lado
do
início da primeira fita e, à medida que vai sendo enrolada, o pente de distribuição vai se
deslocando
na direção da primeira, montando a segunda fita sobre o cone formado pela primeira.
Como as quatro primeiras fitas possuem 391 fios cada, neste ponto do urdimento, já teremos
enrolado sobre o tambor 782 fios do nosso urdume, lado a lado, e com o mesmo
comprimento.
O restante das fitas com 392 fios cada, continuam sendo enrolados, lado a lado, começando
sempre
ao lado do início da última fita produzida e assim por diante. Ao final do enrolamento da sexta
fita 47
teremos o rolo com o total de fios desejado.
Ilustração 122: Final do Enrolamento.
A próxima etapa será a repassagem destes fios para o rolete do tear, chamada de
descarregamento
ou pliagem.
DESCARREGAMENTO OU PLIAGEM
Após o urdimento da última fita, obtém-se sobre o tambor a quantidade de fios, em número e
metragem, prevista para o rolete do tear. Deve-se obter a máxima uniformidade ao distribuir
as fitas
sobre o rolete do tear, tanto quanto a tensão aplicada.
Ilustração 123: Descarregamento ou Pliagem.
O rolete do tear deve estar alinhado com o conjunto de fios e a distância entre flanges
corretamente
ajustada, de modo a não haver a ocorrência de acúmulo ou queda de fios junto às flanges.
Um dado importante no urdimento é a largura total do urdume, ou seja, a largura que o total
de fitas
terá sobre o tambor, que é igual à “largura do rolo de urdume”.
URDIMENTO CONTÍNUO OU DIRETO
No urdimento seccional os fios são primeiramente enrolados sobre o tambor da urdideira em
seções
em número tal a fornecer a quantidade de fios desejada no rolo de urdume.
No urdimento contínuo, também chamado direto, este enrolamento intermediário é efetuado
48
diretamente sobre rolos, denominados rolos primários, devendo-se então urdir um número de
rolos
primários, cujo número de fios somados forneça o número total de fios do rolo de urdume. O
urdimento contínuo é apropriado para grandes metragens, seja de fio singelo ou de fio
retorcido.
Neste tipo de urdimento teremos que produzir vários rolos, cada um com uma fração do total
de fios
do urdume e reuni-los na engomadeira ou na reunideira, para formar o urdume total.
Gaiolas
Rolo de Urdume
Ilustração 124: Urdideira Direta. Fonte: Karl Mayer.
A metragem de urdume que se pode enrolar em um rolo de urdideira contínua é variável de
acordo
com a quantidade de fios, o título do fio, a largura do rolo e o diâmetro das flanges. Como
exemplo
temos um urdume de 2348 fios, título Ne 30. O número máximo de fios que podemos colocar
em
um rolo, dependerá da capacidade máxima da urdideira.
Nº de rolos = total de fios urdume/capacidade máxima da gaiola
Considerando que uma urdideira cuja gaiola tenha uma capacidade para um máximo de 500
cones,
temos:
Nº de rolos = 2348/500 = aproximadamente 5 rolos.
Como teremos que produzir 5 rolos na urdideira, para depois reuni-los, cada rolo deve ter o
mesmo
número de fios ou diferença de apenas 1 fio.
Logo:
Fios/rolo = total de fios do urdume/ nº de rolos = 2348/5 = 469 + 3 fios
Para este exemplo teremos que produzir 2 rolos com 469 fios e 3 rolos com 470 fios.
O processo para o urdimento contínuo é bem mais simples que o processo seccional.
Colocamos os
cones na gaiola da urdideira e cada fio será passado por um tensor, guia-fios, dispositivos de
parada
automática, etc até ser enrolado no rolo primário. Após todos os rolos primários para formar o
rolo
de urdume desejado estiverem prontos, estes vão para a engomadeira ou reunideira de
acordo com o
previsto. 49
Ilustração 125: Processo de Urdimento Direto.
O sistema de urdimento contínuo, pelas suas características é mais utilizado na produção de
tecidos
simples, em linhas com pouca variedade de artigos, mas com grande escala de produção. A
questão,
portanto, de se definir qual o processo mais rentável (contínuo ou seccional), está
basicamente
relacionada com a metragem a ser produzida.
Nas produções de tecido cru, em geral, as metragens são suficientes para tornar rentável o
processo
de preparação de urdimento contínuo, principalmente no caso de se trabalhar com fios
singelos, os
quais necessitam de engomagem. Como em geral os tecidos listados e com efeitos de
desenhos são
processados em menor escala (moda) para estes artigos torna-se mais vantajosa a utilização
do
urdimento seccional.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Fundamentos de malharia - Estudo do fator de elasticidade
Fundamentos de malharia - Estudo do fator de elasticidadeFundamentos de malharia - Estudo do fator de elasticidade
Fundamentos de malharia - Estudo do fator de elasticidade
Débora Cseri
 
Materiais e tecnologia têxtil III
Materiais e tecnologia têxtil IIIMateriais e tecnologia têxtil III
Materiais e tecnologia têxtil III
Fernanda
 
Tecnologia Textil - Apostilha tecnica
Tecnologia Textil - Apostilha tecnica Tecnologia Textil - Apostilha tecnica
Tecnologia Textil - Apostilha tecnica
Consultor em negócios de moda mineira
 
Aula teórica fiação e Titulação
Aula teórica fiação e TitulaçãoAula teórica fiação e Titulação
Aula teórica fiação e Titulação
Marcel Jefferson Gonçalves
 
Materiais e Processos Têxteis
Materiais e Processos TêxteisMateriais e Processos Têxteis
Materiais e Processos Têxteis
José Carlos de Castro
 
TECNOLOGIA TÊXTIL (Antonio Bacelar)
TECNOLOGIA TÊXTIL (Antonio Bacelar)TECNOLOGIA TÊXTIL (Antonio Bacelar)
TECNOLOGIA TÊXTIL (Antonio Bacelar)
Antonio Bacelar
 
Controle do processo Fiação (passador I, passador II e maçaroqueira)
Controle do processo Fiação (passador I, passador II e maçaroqueira)Controle do processo Fiação (passador I, passador II e maçaroqueira)
Controle do processo Fiação (passador I, passador II e maçaroqueira)
Fabio Cerqueira
 
Tecnologia do beneficiamento têxtil
Tecnologia do beneficiamento têxtilTecnologia do beneficiamento têxtil
Tecnologia do beneficiamento têxtil
tcredu
 
Fibras relação estrutura - props - usos
Fibras   relação estrutura - props - usosFibras   relação estrutura - props - usos
Fibras relação estrutura - props - usos
felins
 
Malharia retilínea
Malharia retilínea Malharia retilínea
Malharia retilínea
Barbara Allexia
 
Tecnologia Textil-basica
Tecnologia Textil-basicaTecnologia Textil-basica
Tecnologia Textil-basica
José Carlos de Castro
 
O nãotecido e a tecnologia dos nãotecidos (tnt)
O nãotecido e a tecnologia dos nãotecidos (tnt)O nãotecido e a tecnologia dos nãotecidos (tnt)
O nãotecido e a tecnologia dos nãotecidos (tnt)
tcredu
 
Apostila beneficiamentosprimriosaseco
Apostila beneficiamentosprimriosasecoApostila beneficiamentosprimriosaseco
Apostila beneficiamentosprimriosaseco
Leandro
 
Analise tecidos planos e controlo da qualidade
Analise tecidos planos e controlo da qualidadeAnalise tecidos planos e controlo da qualidade
Analise tecidos planos e controlo da qualidade
Constantino Monteiro Alves
 
Padronagem de tecidos planos
Padronagem de tecidos planosPadronagem de tecidos planos
Padronagem de tecidos planos
tcredu
 
Processos formadores de tecidos
Processos formadores de tecidosProcessos formadores de tecidos
Processos formadores de tecidos
Augusto Junior
 
Testes Fisicos De Controle De Qualidade Da Fibra E Fio De Algodao
Testes Fisicos De Controle De Qualidade Da Fibra E Fio De AlgodaoTestes Fisicos De Controle De Qualidade Da Fibra E Fio De Algodao
Testes Fisicos De Controle De Qualidade Da Fibra E Fio De Algodao
PEDRO PACHECO
 
Apostila engomagemumprocessointerativo
Apostila engomagemumprocessointerativoApostila engomagemumprocessointerativo
Apostila engomagemumprocessointerativo
Leandro
 
Controlo qualidade e processos de fiações de fios para malhas
Controlo qualidade e processos de fiações de fios para malhasControlo qualidade e processos de fiações de fios para malhas
Controlo qualidade e processos de fiações de fios para malhas
Constantino Monteiro Alves
 
Aula teórica Fibras têxteis (rm)
Aula teórica Fibras têxteis (rm)Aula teórica Fibras têxteis (rm)
Aula teórica Fibras têxteis (rm)
Marcel Jefferson Gonçalves
 

Mais procurados (20)

Fundamentos de malharia - Estudo do fator de elasticidade
Fundamentos de malharia - Estudo do fator de elasticidadeFundamentos de malharia - Estudo do fator de elasticidade
Fundamentos de malharia - Estudo do fator de elasticidade
 
Materiais e tecnologia têxtil III
Materiais e tecnologia têxtil IIIMateriais e tecnologia têxtil III
Materiais e tecnologia têxtil III
 
Tecnologia Textil - Apostilha tecnica
Tecnologia Textil - Apostilha tecnica Tecnologia Textil - Apostilha tecnica
Tecnologia Textil - Apostilha tecnica
 
Aula teórica fiação e Titulação
Aula teórica fiação e TitulaçãoAula teórica fiação e Titulação
Aula teórica fiação e Titulação
 
Materiais e Processos Têxteis
Materiais e Processos TêxteisMateriais e Processos Têxteis
Materiais e Processos Têxteis
 
TECNOLOGIA TÊXTIL (Antonio Bacelar)
TECNOLOGIA TÊXTIL (Antonio Bacelar)TECNOLOGIA TÊXTIL (Antonio Bacelar)
TECNOLOGIA TÊXTIL (Antonio Bacelar)
 
Controle do processo Fiação (passador I, passador II e maçaroqueira)
Controle do processo Fiação (passador I, passador II e maçaroqueira)Controle do processo Fiação (passador I, passador II e maçaroqueira)
Controle do processo Fiação (passador I, passador II e maçaroqueira)
 
Tecnologia do beneficiamento têxtil
Tecnologia do beneficiamento têxtilTecnologia do beneficiamento têxtil
Tecnologia do beneficiamento têxtil
 
Fibras relação estrutura - props - usos
Fibras   relação estrutura - props - usosFibras   relação estrutura - props - usos
Fibras relação estrutura - props - usos
 
Malharia retilínea
Malharia retilínea Malharia retilínea
Malharia retilínea
 
Tecnologia Textil-basica
Tecnologia Textil-basicaTecnologia Textil-basica
Tecnologia Textil-basica
 
O nãotecido e a tecnologia dos nãotecidos (tnt)
O nãotecido e a tecnologia dos nãotecidos (tnt)O nãotecido e a tecnologia dos nãotecidos (tnt)
O nãotecido e a tecnologia dos nãotecidos (tnt)
 
Apostila beneficiamentosprimriosaseco
Apostila beneficiamentosprimriosasecoApostila beneficiamentosprimriosaseco
Apostila beneficiamentosprimriosaseco
 
Analise tecidos planos e controlo da qualidade
Analise tecidos planos e controlo da qualidadeAnalise tecidos planos e controlo da qualidade
Analise tecidos planos e controlo da qualidade
 
Padronagem de tecidos planos
Padronagem de tecidos planosPadronagem de tecidos planos
Padronagem de tecidos planos
 
Processos formadores de tecidos
Processos formadores de tecidosProcessos formadores de tecidos
Processos formadores de tecidos
 
Testes Fisicos De Controle De Qualidade Da Fibra E Fio De Algodao
Testes Fisicos De Controle De Qualidade Da Fibra E Fio De AlgodaoTestes Fisicos De Controle De Qualidade Da Fibra E Fio De Algodao
Testes Fisicos De Controle De Qualidade Da Fibra E Fio De Algodao
 
Apostila engomagemumprocessointerativo
Apostila engomagemumprocessointerativoApostila engomagemumprocessointerativo
Apostila engomagemumprocessointerativo
 
Controlo qualidade e processos de fiações de fios para malhas
Controlo qualidade e processos de fiações de fios para malhasControlo qualidade e processos de fiações de fios para malhas
Controlo qualidade e processos de fiações de fios para malhas
 
Aula teórica Fibras têxteis (rm)
Aula teórica Fibras têxteis (rm)Aula teórica Fibras têxteis (rm)
Aula teórica Fibras têxteis (rm)
 

Destaque

Mostruário de tecidos
Mostruário de tecidosMostruário de tecidos
Mostruário de tecidos
Barbara Allexia
 
Apostila ppcp textil
Apostila ppcp textilApostila ppcp textil
Apostila ppcp textil
sollavanderias
 
Apostila inovaestecnolgicasdapreparaoedatecelagemplana
Apostila inovaestecnolgicasdapreparaoedatecelagemplanaApostila inovaestecnolgicasdapreparaoedatecelagemplana
Apostila inovaestecnolgicasdapreparaoedatecelagemplana
Leandro
 
Fiação do algodão – tipos de algodões e processos de fabrico
Fiação do algodão – tipos de algodões e processos de fabricoFiação do algodão – tipos de algodões e processos de fabrico
Fiação do algodão – tipos de algodões e processos de fabrico
Constantino Monteiro Alves
 
Fibras texteis
Fibras texteisFibras texteis
Apostila introdução a tecnologia têxtil 0314 1o bim
Apostila introdução a tecnologia têxtil 0314 1o bimApostila introdução a tecnologia têxtil 0314 1o bim
Apostila introdução a tecnologia têxtil 0314 1o bim
Limafabiana
 
Classificação+dos+tecidos+planos
Classificação+dos+tecidos+planosClassificação+dos+tecidos+planos
Classificação+dos+tecidos+planos
Miriam Granda
 
Apostila modagospeldiversidadereligiosaopoetunidadeparavesturio
Apostila modagospeldiversidadereligiosaopoetunidadeparavesturioApostila modagospeldiversidadereligiosaopoetunidadeparavesturio
Apostila modagospeldiversidadereligiosaopoetunidadeparavesturio
Leandro
 
Urdimento 5
Urdimento 5Urdimento 5
Urdimento 5
Ariane Mafra
 
Apostila corantestxteis
Apostila corantestxteisApostila corantestxteis
Apostila corantestxteis
Leandro
 
Apostilha tcnica
Apostilha tcnicaApostilha tcnica
Apostilha tcnica
Marcelo Silva
 
03 bauhaus
03 bauhaus03 bauhaus
03 bauhaus
Monique Araripe
 
Poluição Ambiental - Tema Indústrias
Poluição Ambiental - Tema IndústriasPoluição Ambiental - Tema Indústrias
Poluição Ambiental - Tema Indústrias
Lukas Lima
 
Consultextil - Tecelagem
Consultextil - TecelagemConsultextil - Tecelagem
Consultextil - Tecelagem
consultextil
 
Inovação e Competitividade na Indústria Têxtil Brasileira
Inovação e Competitividade na Indústria Têxtil BrasileiraInovação e Competitividade na Indústria Têxtil Brasileira
Inovação e Competitividade na Indústria Têxtil Brasileira
Sinditêxtil-SP
 

Destaque (16)

Mostruário de tecidos
Mostruário de tecidosMostruário de tecidos
Mostruário de tecidos
 
Apostila ppcp textil
Apostila ppcp textilApostila ppcp textil
Apostila ppcp textil
 
Apostila inovaestecnolgicasdapreparaoedatecelagemplana
Apostila inovaestecnolgicasdapreparaoedatecelagemplanaApostila inovaestecnolgicasdapreparaoedatecelagemplana
Apostila inovaestecnolgicasdapreparaoedatecelagemplana
 
Fiação do algodão – tipos de algodões e processos de fabrico
Fiação do algodão – tipos de algodões e processos de fabricoFiação do algodão – tipos de algodões e processos de fabrico
Fiação do algodão – tipos de algodões e processos de fabrico
 
Fibras texteis
Fibras texteisFibras texteis
Fibras texteis
 
Apostila introdução a tecnologia têxtil 0314 1o bim
Apostila introdução a tecnologia têxtil 0314 1o bimApostila introdução a tecnologia têxtil 0314 1o bim
Apostila introdução a tecnologia têxtil 0314 1o bim
 
Classificação+dos+tecidos+planos
Classificação+dos+tecidos+planosClassificação+dos+tecidos+planos
Classificação+dos+tecidos+planos
 
Apostila modagospeldiversidadereligiosaopoetunidadeparavesturio
Apostila modagospeldiversidadereligiosaopoetunidadeparavesturioApostila modagospeldiversidadereligiosaopoetunidadeparavesturio
Apostila modagospeldiversidadereligiosaopoetunidadeparavesturio
 
Urdimento 5
Urdimento 5Urdimento 5
Urdimento 5
 
Apostila corantestxteis
Apostila corantestxteisApostila corantestxteis
Apostila corantestxteis
 
Apostilha tcnica
Apostilha tcnicaApostilha tcnica
Apostilha tcnica
 
Tecelagem
TecelagemTecelagem
Tecelagem
 
03 bauhaus
03 bauhaus03 bauhaus
03 bauhaus
 
Poluição Ambiental - Tema Indústrias
Poluição Ambiental - Tema IndústriasPoluição Ambiental - Tema Indústrias
Poluição Ambiental - Tema Indústrias
 
Consultextil - Tecelagem
Consultextil - TecelagemConsultextil - Tecelagem
Consultextil - Tecelagem
 
Inovação e Competitividade na Indústria Têxtil Brasileira
Inovação e Competitividade na Indústria Têxtil BrasileiraInovação e Competitividade na Indústria Têxtil Brasileira
Inovação e Competitividade na Indústria Têxtil Brasileira
 

Semelhante a Tecelagem plana

Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
Claudia Luzz
 
Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
Jaqueline Kuhn
 
Maria Carolina Usp Maios
Maria Carolina Usp MaiosMaria Carolina Usp Maios
Maria Carolina Usp Maios
PEDRO PACHECO
 
Apostila de corte e costura.
Apostila de corte e costura.Apostila de corte e costura.
Apostila de corte e costura.
Adequin
 
Aline Usp Defeitos Tecidos Planos
Aline Usp Defeitos Tecidos PlanosAline Usp Defeitos Tecidos Planos
Aline Usp Defeitos Tecidos Planos
PEDRO PACHECO
 
Costura
CosturaCostura
Analise tecidos planos toalhas de felpo e malhas de trama f
Analise tecidos planos toalhas de felpo e malhas de trama fAnalise tecidos planos toalhas de felpo e malhas de trama f
Analise tecidos planos toalhas de felpo e malhas de trama f
Constantino Monteiro Alves
 
Introduçã..[1]
Introduçã..[1]Introduçã..[1]
Introduçã..[1]
PEDRO PACHECO
 
A P O N T A M E N T O S P A R A O E S T U D O D A TÉ C N I C A E D A
A P O N T A M E N T O S  P A R A  O  E S T U D O  D A  TÉ C N I C A  E  D AA P O N T A M E N T O S  P A R A  O  E S T U D O  D A  TÉ C N I C A  E  D A
A P O N T A M E N T O S P A R A O E S T U D O D A TÉ C N I C A E D A
Luiz Carlos Wessler
 
Universo da Costura
Universo da CosturaUniverso da Costura
Universo da Costura
Nilzeth Gusmao
 
Template Harry Potter de rivas.pptx
Template Harry Potter de rivas.pptxTemplate Harry Potter de rivas.pptx
Template Harry Potter de rivas.pptx
DaniSantana26
 
Grupo 01
Grupo 01Grupo 01
Corte e Costura Moda Infantil
Corte e Costura Moda InfantilCorte e Costura Moda Infantil
Corte e Costura Moda Infantil
MariGiopato
 
Corteecostura nvelbsicomodainfantil-150312205124-conversion-gate01
Corteecostura nvelbsicomodainfantil-150312205124-conversion-gate01Corteecostura nvelbsicomodainfantil-150312205124-conversion-gate01
Corteecostura nvelbsicomodainfantil-150312205124-conversion-gate01
Denise Rodrigues
 
Inter3
Inter3Inter3
Inter3
Paola Trebbi
 

Semelhante a Tecelagem plana (15)

Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
 
Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
Apostiladecorteecostura 121220045441-phpapp01
 
Maria Carolina Usp Maios
Maria Carolina Usp MaiosMaria Carolina Usp Maios
Maria Carolina Usp Maios
 
Apostila de corte e costura.
Apostila de corte e costura.Apostila de corte e costura.
Apostila de corte e costura.
 
Aline Usp Defeitos Tecidos Planos
Aline Usp Defeitos Tecidos PlanosAline Usp Defeitos Tecidos Planos
Aline Usp Defeitos Tecidos Planos
 
Costura
CosturaCostura
Costura
 
Analise tecidos planos toalhas de felpo e malhas de trama f
Analise tecidos planos toalhas de felpo e malhas de trama fAnalise tecidos planos toalhas de felpo e malhas de trama f
Analise tecidos planos toalhas de felpo e malhas de trama f
 
Introduçã..[1]
Introduçã..[1]Introduçã..[1]
Introduçã..[1]
 
A P O N T A M E N T O S P A R A O E S T U D O D A TÉ C N I C A E D A
A P O N T A M E N T O S  P A R A  O  E S T U D O  D A  TÉ C N I C A  E  D AA P O N T A M E N T O S  P A R A  O  E S T U D O  D A  TÉ C N I C A  E  D A
A P O N T A M E N T O S P A R A O E S T U D O D A TÉ C N I C A E D A
 
Universo da Costura
Universo da CosturaUniverso da Costura
Universo da Costura
 
Template Harry Potter de rivas.pptx
Template Harry Potter de rivas.pptxTemplate Harry Potter de rivas.pptx
Template Harry Potter de rivas.pptx
 
Grupo 01
Grupo 01Grupo 01
Grupo 01
 
Corte e Costura Moda Infantil
Corte e Costura Moda InfantilCorte e Costura Moda Infantil
Corte e Costura Moda Infantil
 
Corteecostura nvelbsicomodainfantil-150312205124-conversion-gate01
Corteecostura nvelbsicomodainfantil-150312205124-conversion-gate01Corteecostura nvelbsicomodainfantil-150312205124-conversion-gate01
Corteecostura nvelbsicomodainfantil-150312205124-conversion-gate01
 
Inter3
Inter3Inter3
Inter3
 

Tecelagem plana

  • 1. Tecelagem Plana Conceito: Tecelagem é o ato de tecer, entrelaçar fios de trama (transversal) e urdume, ou urdidura, (longitudinal) formando tecido plano. De acordo com a DuPont (1991, p. 5), "os fios no sentido do comprimento são conhecidos como fios de urdume, enquanto que os fios na direção da largura são conhecidos por fios de trama. As bordas do tecido no comprimento são as ourelas, que são facilmente distinguíveis do resto do material". Esta etapa corresponde ao processo em que os fios são entrelaçados para formarem os tecidos, que podem ser feitos com fibras naturais (algodão), artificiais (viscose), sintéticas (poliéster) ou com a mistura de fibras. Cada tipo de tecido determina um processo de tecelagem orientado para essa especificidade, que se denomina Padronagem do Tecido. Após o preparo do urdume ele é reunido e engomado para que o fio adquira maior resistência à abrasão inerente à tecelagem, conforme artigo "Preparação à Tecelagem - Engoamgem". Após o processo de urdição e engomagem, o rolo de urdume pode ir diretamente para o tear onde deverá ser emendado através de uma máquina denominada Atadora de Urdume, ou poderá passar por um processo deRemeteção. Remeteção A remeteção é o passamento dos fios de urdume nas lamelas, liços e pente. Pode ser feita manualmente por pessoal especializado chamado remetina ou passamaneiro e é um processo que demanda muito tempo e passível de erro humano. A remeteção pode ser realizada automaticamente, quando o fio do rolo de urdume é passado diretamente nos liços, lamelas e pente, com uma velocidade de até 200 fios/min, a maior vantagem da remeteção automática é a flexibilidade. Padronagem do Tecido As construções básicas, ou melhor, ligamentos dos tecidos, termo mais usados no meio têxtil, são a tela(tafetá), a sarja e o cetim. Tecidos do tipo jacquard são entrelaçados fio a fio, um processo trabalhado no qual é possível fazer desenhos. O que determina os tipos de entrelaçamento do fio é chamado de padronagem, e é realizada pela seleção dos fios de urdume que sobem ou que descem para a formação da cala. Trama A trama é constituída de fios individuais que são colocados nos teares tranversalmente entre os fios do urdume, um de cada vez, formando o tecido. O tear conforma o tecido no padrão determinado e, no final, o tecido cru passa por inspeção e classificação para depois seguir para a tinturaria e acabamento, onde o tecido poderá ser tingido e/ou estampado.
  • 2. Atadora de Urdume A atadora de urdume é um equipamento utilizado para se efetuar a emenda do rolo de urdume que irá entrar no tear. Este processo é efetuado quando no tear tem o término do rolo de urdume e se dará continuidade no mesmo artigo ou diferente que esta sendo produzido, ou com características bem próximas, com mesmo numero de fios. As marcas existentes no mercado são: USTER,USTERMATIC,USTER TOPMATIC, STAUBLI, MAGMA e CASTILHO. Conclusão O processo de tecer pode ser resumido em três operações: 1) Abertura da cala: operação para selecionar os fios de urdume formando uma manta de fios mais baixa e uma manta mais alta; 2) Inserção da trama; 3) Batida do pente. A Tecelagem pode ser artesanal (tecelagem manual), ou em processo industrial, com teares automáticos onde há diversos tipos como: Tear de Lançadeira, Tear Jato de Ar, Tear a Pinça entre outros. Detalharemos esses nos próximos artigos. Abaixo segue um modelo do esqueleto de um tear. Por mais que haja diferença entre tipos de teares, o princípio de funcionamento basicamente igual para todos, exceto para o tear a rotor. Aqui segue uma e-book (resumido) do processo de tecelagem plana bem como alguns tipos de ligamentos e sua construção. "Resumo Tecelagem.rar" Fonte:|metodologiasufrjmar.wordpress.com| ROSANA ANDREIA, ROSÂNIA NUNES E MÁRCIA PAZ
  • 3. O QUE É UM TEAR? Objeto que serve para fabricar tecido através do cruzamento de fios. COMO FUNCIONA UM TEAR? Cruzam-se fios verticais (urdidura ou teia), que estão presos entre os órgãos do tear com os fios horizontais (trama) que são transportados pela lançadeira (ou navete) que vai entrelaçando este fio com a teia. O ATO DE TECER A evolução da humanidade está diretamente atrelada ao uso e desenvolvimento de técnicas. No começo, o homem primitivo teve a idéia de vestir-se com peles de animais, quando então aprendeu a costurá-las utilizando tendões, tiras da própria pele ou tripas. No dia em que as pesadas peles foram substituídas por materiais feitos com fios muito apertados e entrecruzados, estava inventado o tecido. A cestaria que data da mesma época, era realizada trançando talos, cipós e outros vegetais. Parece impossível, entretanto o tear foi inventado há mais ou menos 6.000 anos permitindo ao homem aplicar as técnicas aprendidas com a cestaria ao usar as fibras flexíveis como o algodão, o linho, a lã e a seda. Exceto a seda, todas as outras fibras deviam primeiro ser fiadas. Assim o homem, esticando estes fios, amarrados entre uma árvore e o próprio corpo, alternando a trama, improvisou o tear. Conhecidos das antigas pinturas gregas, os teares de Circe e Penélope nos dão a ideia da utilização da tecelagem nos tempos da Guerra de Tróia. Penélope tecia durante o dia e à noite desmanchava a trama; com isto ganhava tempo junto a seu pai que aguardava o término da confecção para casá-la novamente. Estratégias como esta emolduraram a história do Homem, pois foram nos períodos de longas crises e de beligerância que surgiram técnicas que proporcionaram a sobrevivência não só do homem comum como também dos grandes estadistas, como ressalta Lynn White Jr. ao analisar a evolução da técnica na Idade Média. Uma das mais antigas formas de trabalho humano é a fiação e tecelagem, sendo que a evolução da técnica da produção de tecidos liga-se fundamentalmente à evolução das sociedades. A grandiosidade e exuberância da tecelagem que se vê, por exemplo, no Antigo Egito, pode parecer difícil de entender dada a simplicidade dos instrumentos que se utilizavam então. No entanto, o tear antigo, manual, já continha primitivamente estágios das técnicas empregadas pelas máquinas automáticas de nossos dias. Por outro lado, a obtenção da matéria prima e sua produção era de grande dificuldade. Na Antigüidade já se nota, porém, variado cultivo de fibras, ressaltando-se o linho e o algodão, no campo vegetal, e a seda e a lã, no campo animal. O que vem a ser técnica e tecnologia? Que relação há entre a técnica e a tecnologia? Constituiriam, ambas, uma ciência? Em que medida a história da humanidade está emblematicamente condicionada à evolução da técnica? Em que momento o homem passa a desenvolver uma habilidade técnica, uma tecnologia ?
  • 4. A técnica consiste num procedimento que engloba métodos elaborados para um fim específico advindos das necessidades do homem. Poder-se-ia dizer que a história da técnica está intimamente relacionada à sobrevivência. Ela é consciente, reflexiva, inventiva, teórica, individual por estar atrelada ao desenvolvimento de uma habilidade. No processo histórico do desenvolvimento científico-tecnológico, muita coisa foi produzida visando a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Para Lynn White Jr, tecnologia é a maneira pela qual as pessoas fazem coisas, não havendo fronteiras cronológicas ou geográficas ao se estudar a evolução de uma técnica. Engels, em sua obra A origem da família, da propriedade privada e do Estado relaciona os estágios de desenvolvimento da humanidade com os períodos aos quais foram ampliadas as fontes de existência. Tais períodos só foram possíveis pelo desenvolvimento de técnicas que possibilitaram ao homem domar a própria natureza, fazendo do desconhecido fator positivo à sua sobrevivência. Resumidamente, os três estágios citados por Engels são compilações de um estudo de Morgan, que os denominou de estado selvagem, caracterizado pelo predomínio da apropriação de produtos da natureza, prontos para ser utilizados pelo homem através de técnicas artificiais produzidas por ele; o estado da barbárie, caracterizado pela criação do gado e da agricultura e pelo incremento da produção da natureza por meio do trabalho humano; e o estado da civilização, que consistiria no “período em que o homem continua aprendendo a elaborar os produtos naturais, período da indústria propriamente dita e da arte”. Localiza ainda o autor, na fase superior do estado selvagem, a utilização do tecido a mão para a vestimenta humana; não existindo ainda o tear. Uma das mais antigas formas de trabalho é a fiação e a tecelagem, sendo que a evolução da técnica da produção de tecidos liga-se fundamentalmente à evolução das sociedades. A história das relações do homem com o meio demonstra que sempre houve um jeito peculiar de se apropriar de bens naturais que garantissem a sobrevivência humana, num primeiro momento, evoluindo, num estágio posterior, para a acumulação. Embora a história oficial tenha registrado os grandes feitos heróicos realizados pelos grandes homens, pelos grandes estadistas, uma outra história vem sendo investigada por alguns historiadores, fundamentada no fazer diário dos pequenos artesãos, do fazer do homem simples, do servo, do homem escravizado. A Revolução Industrial anunciou uma nova era para a civilização. O renascimento cultural criara novas condições sociais, econômicas e políticas para a realização de avanços em ciência e tecnologia. As melhorias subseqüentes na tecnologia possibilitaram grandes combinações de recursos físicos e humanos e levaram o sistema fabril a substituir o sistema doméstico de produção. Desde que a humanidade começou a melhorar seus métodos de cultivar o solo, fabricar armas e tecer panos, houve avanços na tecnologia, arte e ciência aplicada à confecção e uso de ferramentas e equipamentos. A tecnologia tem evoluído e avançado durante milhares de anos, mas na Inglaterra do final do século XVIII ocorreu uma revolução que marcou o início de um progresso mais rápido do que jamais houvera antes. A essência dessa revolução foi a substituição da força humana, animal, do vento, da água e de outras fontes naturais pela
  • 5. energia mecânica. A invenção da lançadeira volante, por John Kay, em 1733, aumentou a capacidade de tecelagem. Os fios começaram a escassear. James Hargeaves criou, em 1764, a Spinining Jenny, aumentando a produção de fios. Esta máquina era uma roca de fiar que fazia vários fios ao mesmo tempo, mas eles eram quebradiços, e isso dificultava a tecelagem. A water frame, de Richard Arkwright, construída em 1779, produzia fios grossos; o fato de ser movida a água tornava-a mais econômica. A spinning jenny e a water frame foram combinadas em 1779 por Samuel Crompton em uma única máquina, a mule, que fabricava fios finos e resistentes. Novo desequilíbrio foi criado: sobravam fios, que as tecedoras não conseguiam fiar. Ocorreram então tentativas de aumentar a capacidade de tecer. Edmund Cartwright, em 1785, inventou o tear mecânico . O cronograma histórico do tear ficou assim: 1733: Invenção da lançadeira volante, por John Kay. 1760-1850: 1ª etapa da Revolução Industrial. 1764: Invenção da spinning Jenny, por Jeames Hargreaves. 1768: James Watt inventa a máquina a vapor. 1769: Invenção da water frame, por Richard Arkwright. 1779: Invenção da mule, por Samuel Crompton. 1785: Edmund Cartwright inventa o tear mecânico. 1850-1900: 2ª etapa da Revolução Industrial. 1900: 3ª etapa da Revolução Industrial. Depois da máquina a vapor, vieram os teares elétricos.A indústria têxtil também foi pioneira em criação de dispositivos binários, através de cartões perfurados usados nos teares de Jacquard. Todos com a mesma estrutura inicial, e a mesma movimentação para que ocorra produção : 1º – A abertura da Cala; 2º – A inserção da trama; 3º A batida do pente. Um dos teares mais modernos do séc XX foi produzido pela Toyota,antes Toyoda, inventado por Kichiro Toyoda em 1924. A Toyota Faz 70 anos em 2009.
  • 6. Os teares elétricos produzem hoje até 1500 fios de trama por minuto, a velocidade deles é variável através de inversor, sua carreteira é idealizada para trabalhar com 24 carretéis, tem um sistema de lubrificação através de bomba mecânica e sua fonte de alimentação vai do motor monofásico, bifásico ao trifásico. As infinitas correias e roldanas que caracterizavam as oficinas de tecelagem do século XX foram a partir de 1920 substituídos por teares individuais movidos a motores elétricos. Os teares ficaram mais longos e largos buscando cada vez mais a elevação constante da velocidade na entrada do fio da trama. Ou seja, todos os teares são mecânicos, o que mudou, ao longo de sua história, foram o processos para se produzir mais rápido, aumentando assim a produção para os que estavam interessados em se aprimorar na técnica de tecer,porque a técnica sobreviveu. BIBLIOGRAFIA: ARRUDA, José, Jobson, de Andrade. HISTÓRIA MODERNA E CONTEMPORÂNEA; Editora Ática, 12ª edição. São Paulo,1980. FRIEDRICH, Engels; Mark,Karl.OBRAS ESCOLHIDAS 3.Editora Alfa- Omega, São Paulo. GAMA, Ruy.HISTÓRIA DA TÉCNICA E DA TECNOLOGIA;EDUSP;São Pailo,1985. O que é O tecido é um material à base de fios de fibra natural, artificial ou sintética, que compostos de diversas formas tornam-se coberturas de diversos tipos formando roupas e outras vestimentas e coberturas de diversos usos, como cobertura para o frio, cobertura de mesa, limpeza, uso medicinal (como faixas e curativos), entre outros. I. Tipos de Tecidos
  • 7. Tecidos Planos: são resultantes do entrelaçamento de dois conjuntos de fios que se cruzam em ângulo reto. Os fios dispostos no sentido horizontal são chamados de fios de trama e os fios dispostos no sentido vertical são chamados de fios de urdume. Tecido Plano: é uma estrutura produzida pelo entrelaçamento de um conjunto de fios de urdume e outro conjunto de fios de trama, formando ângulo de (ou próximo) a 90º. • Urdume: Conjunto de fios dispostos na direção longitudinal (comprimento) do tecido. • Trama: Conjunto de fios dispostos na direção transversal (largura) do tecido. Tecido Malha : A laçada é o elemento fundamental deste tipo de tecido, constitui-se de uma cabeça, duas pernas e dois pés. A carreira de malhas é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido da largura do tecido. Já a coluna de malha é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido do comprimento do tecido. Tecido Nãotecido: Conforme a norma NBR – 13370, não-tecido é uma estrutura plana, flexível e porosa, constituída de véu ou manta de fibras, ou filamentos, orientados direcionalmente ou ao acaso, consolidados por processos: mecânico (fricção) e/ou químico (adesão) e/ou térmico (coesão) ou combinação destes. As ilustrações a seguir representam estruturas dos têxteis citados acima:
  • 8. Ilustração 30: Tecido Plano. Ilustração 31: Tecido de Malha. Ilustração 32: Tecido Não Tecido 2 O Tecido de Malha e a Tecnologia da Malharia I. Características dos Artigos de Malha A estrutura e geometria dos artigos de malha diferenciam-se substancialmente dos tecidos de tecelagem, em que os fios de trama e urdume entrelaçam-se formando uma armação bastante rígida. Na malha, ao contrário, um fio assume a forma de laçadas as quais passam por dentro das laçadas de outro fio e assim sucessivamente. Ilustração 33: Diferença entre os Entrelaçamentos de Tecido Plano e Tecido de Malha. Essas laçadas (ou malhas) de formato senoidal sustentam-se entre si e são livres para moverem-se
  • 9. umas sobre as outras quando submetidas à tensão, seja no sentido da largura ou no sentido do comprimento do artigo. Essa propriedade caracteriza a “flexibilidade” ou a “capacidade de modelagem” dos artigos de malha, os quais podem, dessa forma, abraçar as mais complexas formas do corpo humano. Além disso, os artigos de malha apresentam certa capacidade de “recuperação elástica”, ou seja, uma vez retirada do corpo, a solicitação recupera o seu formato inicial, total ou parcialmente. Entretanto, deve-se notar que, se de um lado as características de flexibilidade e recuperação elástica são altamente interessantes na aplicação em determinados artigos, trazem implicitamente uma conseqüência bastante negativa em alguns casos que se reflete em “deformação” e problemas de “estabilidade dimensional”, o que torna difícil a aplicação de malhas em artigos em que a rigidez, a não deformação e o bom caimento são importantes (ilustração 34). Normal Esticado no Comprimento Esticado na Largura Ilustração 34: Propriedades dos Tecidos de Malha.
  • 10. Outra característica importante dos artigos de malha é a “porosidade” que está diretamente relacionada com conforto fisiológico térmico. 3 Em temperaturas elevadas, a transpiração é facilitada, permitindo ao suor o evaporamento pelos espaços existente no artigo. Em baixas temperaturas, a porosidade aliada ao aspecto volumoso com que são constituídos os produtos de malha para inverno, permite formar dentro do artigo, um colchão de ar que atua como isolante térmico, dificultando a perda do calor do corpo para o meio ambiente. Observando o esquema abaixo podemos ter uma noção mais completa da interação dos tecidos de malha com o meio: Artigos de Malha Ambiente Quente Ambiente Frio
  • 11. A temperatura do corpo aumenta A temperatura do corpo diminui O suor evapora refrescando a pele O ar, baixo condutor térmico, atua como isolante evitando a perda de calor A porosidade da malha transporta ao meio o suor evaporado A porosidade da malha forma um colchão de ar, este é o isolante térmico
  • 12. Aumenta o resfriamento Quando submetidos à ventilação Renova-se o ar dentro da malha O corpo fica seco e a temperatura constante Desenho 6: Interação dos Tecidos de Malha com o Meio. A ausência de um ponto de ligação firme tem por conseqüência uma estabilidade relativamente fraca, ocasionando variações dimensionais no tecido. 4 Além disso, o tecido crú mantém na sua estrutura um estado de tensões provenientes do processo de formação do tecido. O relaxamento dessas tensões dá lugar a uma contração da malha, que é chamada de contração de relaxamento.
  • 13. No entanto, todas as propriedades citadas variam de acordo com alguns parâmetros: A fibra utilizada; O fio utilizado (título, torção, fiação, texturização); O tipo de contextura da malha; A máquina utilizada. II. Vantagens e Desvantagens dos Artigos de Malha a) Vantagens: Elasticidade e Flexibilidade: os artigos de malha adaptam-se ao movimento do corpo: collant, meias, roupas de banho, artigos esportivos, roupas íntimas;
  • 14. Facilidade de Fabricação: com exceção da malharia de urdume, não necessita de urdideira; com poucos conicais pode-se testar um fio ou uma nova contextura. Adapta-se muito facilmente à moda; Variedade de Contexturas: pode-se obter facilmente, variadas contexturas de características bem diferentes uma das outras, muitas vezes com pequenas alterações; Conforto fisiológico: Conforme o esquema apresentado. b) Desvantagens: Deformação: A flexibilidade característica essencial da malha, pode ocasionar, quando mal controlada, encolhimentos ou alargamentos do tecido; Enrolamento: Alguns tecidos, devido à sua contextura, apresentam uma tendência a enrolar-se nas bordas, fenômeno que é prejudicial na confecção. Tal propriedade só é possível de ser corrigida recorrendo-se a técnicas como a termofixação ou encolhimento; Estrutura Helicoidal: As máquinas de malharia circular de grande diâmetro, podem apresentar uma estrutura em forma de espiral, o que facilita a distorção da malha quando submetida a lavagem ocasionando instabilidade;
  • 15. Emprego Limitado: As malhas, algumas vezes, não se adaptam a certos tipos de aplicação em que requer tecidos de grande consistência. 5 III. Conceitos de Malharia O primeiro conceito é o que se entende por tricotagem. Pode-se dizer que tricotagem é o processo de se obter tecido a partir de fios que formam aquilo que se chama de laçadas de fio e que são a seguir entrelaçadas com outras de configuração semelhante, abertas ou fechadas, numa de duas direções: horizontal ou vertical. A técnica de malharia pode ser classificada em: MALHARIA TRAMA URDUME
  • 16. CIRCULAR RETILÍNEA Desenho 7: Classificação da Malharia. Chama-se malha de trama a todo o tecido produzido por processos de fabricação dos quais pelo menos um fio de trama é transformado em malha. Durante o processo de tricotagem, o fio da trama é frisado de maneira a formar uma linha horizontal de laçadas a que se dá o nome de fileira. Cada fileira interlaça-se com a fileira inferior e com a superior, resultando no tecido de malhas de trama. Malha de Trama Malha de Urdume Ilustração 35: Estruturas dos Tecidos de Malha de Trama e Malha de Urdume. Chama-se malha de urdume a todo o tecido produzido por processos de fabricação dos quais os fios provenientes de pelo menos um urdume são transformados em tecido de malha. Durante o processo de tricotagem cada um dos fios do urdume é frisado de maneira a formar uma linha vertical ou
  • 17. diagonal de laçadas a que se dá o nome de coluna. Cada coluna interlaça-se com outras colunas adjacentes para formar o tecido. A diferença fundamental entre os dois métodos de tricotagem é que 6 para produzir malha de urdume, cada uma das agulhas do tear é alimentada pelo seu próprio fio (pelo menos um) enquanto que para produzir malha de trama basta um só fio para alimentar todas as agulhas do tear. IV. A Malharia de Trama A malharia de trama é um método de converter o fio em malhas através de entrelaçamento que tomam forma com a ajuda de agulhas. Os tecidos de malha de trama são obtidos a partir de um único fio que faz evoluções em diversas agulhas formando uma carreira de sucessivas laçadas que irão se entrelaçar com as laçadas da carreira seguinte. Assim, um tecido de malha de trama, seja feito à mão ou em máquinas industriais, é constituído através do entrelaçamento de uma série de laçadas (malhas). As laçadas (em inglês: stitches) são entrelaçadas utilizando-se uma agulha para segurar as laçadas já existentes, enquanto uma nova laçada é formada. Nesse processo é utilizado apenas um tipo de fio, denominado fio de malharia, que é mais fino e tem maior resistência mecânica. Os equipamentos empregados para a realização desse trabalho
  • 18. denominam-se teares circulares ou retilíneos. Os teares circulares são responsáveis pela produção da parte principal das malhas, enquanto os teares retilíneos produzem as partes acessórias, como golas e punhos, dentre outras. Teares Retilíneos: produzem um tecido de malhas aberto, onde o sistema de pedras movimenta-se através de um carro e o conjunto de agulhas fica parado. Possui fácil programação e acesso aos cones, que na grande parte das vezes é em número inferior do que nas máquinas circulares. A princípio, cada máquina necessita de um operador para a movimentação do carro, porém atualmente, equipamentos modernos são totalmente automatizados. Teares Circulares: produz um tecido tubular, cujo diâmetro varia em função do número de agulhas da máquina, podendo-se encontrar máquinas de pequeno e grande diâmetro. Os cones de fios são colocados em um chapéu situado sobre a máquina ou ainda em uma gaiola lateral. As máquinas circulares podem ser de uma ou duas fronturas (conjuntos de agulhas) para produção de malhas duplas. i. Formação dos Tecidos de Malha de Trama Como já vimos antes, os tecidos de malha, em malharia de trama, são obtidos a partir de um único fio que faz evoluções em diversas agulhas formando uma carreira de sucessivas laçadas que irão se entrelaçar com as laçadas da carreira seguinte.
  • 19. Partes da Malha Ilustração 36: Malha Unitária. 7 A ilustração 36 apresenta uma malha ou ponto (em inglês = stitch), mantida na sua forma pelos pontos de retorno superiores e inferiores, por outras malhas. Cada malha consiste de uma cabeça, duas pernas e dois pés. No local onde as pernas se transformam em pés, há dois pontos de contato com a malha anterior. Estes são denominados pontos de ligação.
  • 20. Ilustração 37: Pontos de Ligação da Malha. Se os pés das malhas se situam por cima dos pontos de ligação e, correspondentemente, as pernas por baixo deles, então tecnicamente, este é o dorso da malha ou avesso do tecido. Ilustração 38: Dorso da Malha (Avesso). Se ao contrário, os pés estão por baixo, e as pernas por cima, nos seus pontos de ligação, então,
  • 21. tecnicamente, tem-se a face frontal da malha ou lado direito do tecido. Ilustração 39: Face da Malha (Direito). Se os tecidos de malhas têm uma face constituída somente de faces frontais de malhas, e a outra face do tecido, somente de dorsos de malhas, então se diz que o tecido é de face única (single face), e foi produzido em máquinas monofronturas (com um só conjunto de agulhas). Na construção do tecido observamos dois elementos distintos: A carreira de malhas: é uma série de laçadas sucessivas do mesmo fio, que cruzam o tecido transversalmente. Todas as laçadas (malhas) de uma carreira são formadas pelo mesmo fio. 8
  • 22. Ilustração 40: Carreira de Malhas (Curso). A coluna de malhas: é uma série de laçadas de fios diferentes, que se situam na direção do comprimento do tecido. Todas as malhas de uma mesma coluna são formadas numa mesma agulha e o número de colunas influencia na determinação da largura do tecido. Ilustração 41: Coluna de Malhas. O mecanismo de tricotagem consiste na formação de laçadas de fios, com a ajuda de agulhas finas e pontiagudas. Quando novas laçadas são formadas, elas são puxadas através de outras laçadas formadas anteriormente. O entrelaçamento e a formação contínua de novas laçadas produzem o tecido de malhas. Se puxarmos um fio da última carreira as laçadas irão se desfazer, e o tecido poderá ser desmalhado com facilidade.
  • 23. Ilustração 42: Desmalhagem do Tecido de Malha. 9 ii. Características dos Fios para Malharia O fio empregado na produção de malhas é basicamente o mesmo utilizado na tecelagem plana, diferindo apenas por exigir um menor grau de torção. Quanto maior a torção do fio, mais rígido e menos flexível será o fio, esta rigidez e falta de flexibilidade em um fio, acarreta quebra de agulhas e muitos outros defeitos no processo, chegando a ser impossível de ser trabalhado em malharia. A faixa ideal para o coeficiente de torção (∝), num fio utilizado para malharia é de 2,75 a 3,8 com uma variação de 5%, sendo que em tecelagem plana os fios de urdume chegam a ter um coeficiente de torção (∝) 50. Isso demonstra que realmente os fios utilizados em malharia possuem muito menos torção do que os fios empregados na tecelagem plana. Um bom fio para malharia deve ter, segundo a ordem de sua relativa importância, as seguintes características:
  • 24. Uniformidade; Flexibilidade; Elasticidade; Resistência. a) Uniformidade: Um bom fio para malharia deve ter um diâmetro tão uniforme quanto for possível. Um tecido de malha revela mais as variações de diâmetro do fio do que qualquer outro tipo de tecido. Isto se deve ao fato de que a malha coloca um maior comprimento de fio dentro de um espaço relativamente pequeno de tecido. Nestas condições, uma irregularidade no diâmetro do fio é mais facilmente percebida no tecido. A posição paralela dos fios no tecido plano tende a contrabalançar estas variações, dando uma aparência mais uniforme. Observe a ilustração 43:
  • 25. Ilustração 43: Defeitos Devido à Falta de Uniformidade do Fio. Fonte Guia de Defeitos Industriais Têxteis - APT. 10 O defeito apresentado na ilustração 43 demonstra os efeitos de um fio irregular em um tecido de malha por trama. O defeito é a aparente a olho nu e causa uma aparência não muito agradável no tecido. Com defeitos assim, o artigo perde em qualidade e em lucro. b) Flexibilidade: A flexibilidade é necessária em um fio para malharia, para que as malhas sejam prontamente formadas. Um fio rígido resiste à formação da malha e não é, portanto, um bom fio para malharia. Uma torção fraca dada aos fios para malharia aumenta sua flexibilidade. c) Elasticidade: A elasticidade não é característica realmente necessária em um fio para malharia, mas melhora o tecimento.
  • 26. Elasticidade não deve ser confundida com alongamento. O alongamento é a propriedade de tornar- se mais longo, mesmo depois de cessada a tensão. A elasticidade é a propriedade que faz com que o fio retorne ao seu comprimento original quando cessa a ação da tensão desde que não tenha sido esticado além do seu limite máximo de elasticidade. A tendência que o fio tem de voltar ao seu comprimento original, faz com que o fio proceda da mesma forma durante o tecimento. d) Resistência: A resistência tem menor importância em um fio para malharia do que as características que foram vistas anteriormente. O fio mesmo fraco, porém com bastante uniformidade e flexibilidade, será tecido facilmente. A resistência do fio terá, porém, influência na resistência do tecido. V. Elementos Formadores do Tecido de Malha i. Agulhas O principal elemento no processo de tricotagem é sem dúvida a agulha. Na verdade tudo se cria em
  • 27. torno da agulha, tome-se como exemplo o próprio tear, que foi concebido com o intuito de acondicionar a agulha e de promover os movimentos mecânicos necessários, para que ela busque o fio e possa entrelaçá-lo em uma laçada formada anteriormente, de forma rápida e o mais preciso quanto possível. Existem milhares de espécies de agulhas diferentes para utilização em teares de malha. Tal variedade deve-se não somente ao grande número de tipos de teares de malhas existentes, mas também às diferenças existentes na concepção dos teares do mesmo tipo. Existem por exemplo: teares retilíneos e circulares. Estes teares ainda podem ser subdivididos em duas outras categorias, como: Teares Monofrontura; Teares Duplafrontura 11 Uma agulha para malharia possui um gancho em uma das extremidades que serve para apanhar o fio alimentado, um sistema de fechamento deste gancho para prender o fio durante a tricotagem, uma haste para segurar as malhas que já foram feitas e um pé (talão) para gerar o movimento de formação da malha. Para efeitos de classificação, as agulhas para teares podem ser divididas em 3
  • 28. grupos fundamentais: Agulhas de prensa; Agulhas de lingüeta; Agulhas compostas. Agulhas de Prensa A agulha de prensa, também conhecida como agulha de mola, foi inventada pelo reverendo William Lee, em 1589, sendo conseqüentemente a primeira agulha de malharia a ser inventada. É também a agulha mais simples e a mais barata. Esta agulha de prensa é um elemento de formação de malhas das máquinas de malharia, ainda muito utilizada no processo de malharia de urdume. É uma haste de metal delgada, dobrada em uma das extremidades sob a forma de bico que necessita de um elemento externo para fechar o bico da agulha. A agulha de prensa é formada por 05 partes distintas: Cabeça, Mola ou Gancho, Ranhura, Haste e Base. Ilustração 44: Agulha de Prensa.
  • 29. Este tipo de agulha pode ser utilizado em formação mais cerrada que os outros tipos de agulha, podendo ter posição fixa, atuando até 50 agulhas por polegada, e sendo cada uma delas independente, consegue-se até 40 agulhas por polegada. Podem ser usadas em qualquer posição e qualquer ângulo e são muito simples e baratas para serem produzidas. Sua desvantagem, porém, é ter que fechar a mola mecanicamente, no ato de soltar a laçada feita, por ação de uma prensa, denominada platina, nos teares de mola de Lee. Estas agulhas requerem um 12 cuidado extra durante a sua utilização. A prensa é um dos componentes das máquinas que utilizam este tipo de agulhas. A prensa é uma faca colocada longitudinalmente à maquina, com movimento excêntrico que a faz atuar simultaneamente sobre todas as agulhas no momento da descida destas, a fim de fechar-lhe o bico, de modo que a malha anterior passe por cima da cabeça da agulha. Agulhas de Lingüeta A agulha de lingüeta foi inventada por Matthew Townsend em 1849 e desde então substitui as agulhas de prensa nas máquinas de malharia. As agulhas de lingüeta são mais caras de se fabricar do que as agulhas de prensa é muito mais propensa a marcar o tecido durante a tricotagem, porém possuem a vantagem de serem auto-suficientes para formar a laçada, ou seja, não necessitam de nenhum mecanismo externo para fechar o gancho. Por esta razão, é a agulha mais utilizada na malharia de trama, sendo às vezes chamada de agulha automática.
  • 30. Em suma, a agulha de lingüeta é um elemento das máquinas de malharia para os processos de malharia de trama e malharia de urdume (utilizadas em máquinas retilíneas, circulares e Raschel) que tem a finalidade de formar malha. É uma haste de metal delgada, com um gancho em uma das extremidades e uma lingüeta para fechar e abrir a cabeça da agulha. Esta agulha constitui-se de 6 partes: gancho, lâmina da lingüeta, colher da lingüeta, haste, pé e cauda. Ilustração 45: Agulha de Lingüeta. A principal vantagem da agulha de lingüeta sobre a agulha de mola é não precisar prensar para produzir laçadas, fato que contribuiu para o aparecimento de teares mais rápidos e menos complexos. A agulha de lingüeta também é a mais difícil de ser construída, fazendo com que sua espessura seja mais grossa. O jogo mais fino de agulha de lingüeta que normalmente é fabricado é de 36 agulhas por polegada, neste caso a espessura é de 0,36mm cada agulha, havendo ainda a necessidade de fazer uma ranhura de 0,13mm para introduzir a lingüeta. Conseqüentemente a agulha de lingüeta necessita de mais um processo para a sua produção tornando essas operações um tanto delicadas e resultando num número mais elevado de agulhas com defeitos. 13
  • 31. Agulhas Compostas Ilustração 46: Vista Interior da Agulha de Lingüeta. A primeira patente para uma agulha composta foi concedida em 1856 a Jeacock de Leicester. A agulha composta consiste em uma haste delgada de metal com um gancho numa das extremidades e um elemento de fechamento do gancho. Ambas as peças necessitam ser controladas independentemente, por isso essa nova agulha foi nomeada “agulha composta”. Existem dois tipos de agulha composta nos dias de hoje: • Agulha composta tubular; • Agulha composta com ranhura. Vários tipos de agulhas compostas de duas peças foram inventados há algumas décadas atrás, com o objetivo de ultrapassarem as desvantagens das agulhas de mola e das agulhas de lingüeta. A agulha composta foi criada para suplantar todas as outras. É uma haste delgada de metal com um gancho em uma das extremidades, e necessita de um elemento externo para fechar a cabeça da agulha. As agulhas compostas têm sido utilizadas em muitas áreas de tecnologia de formação da malha, sendo hoje empregadas, sobretudo, em teares retilíneos, teares de malharia de urdume e
  • 32. teares de fitas. Ilustração 47: Agulha Composta Tubular. Ilustração 48: Agulha Composta com Ranhura. De forma genérica, pode-se afirmar que a agulha de prensa é normalmente utilizada para malhas finas e fechadas. As agulhas compostas são largamente utilizadas em malharia de urdume e de fitas e, por fim a agulha de lingüeta é freqüentemente encontrada em máquinas de malharia de trama (circulares ou retilíneas). 14 ii. Platinas As platinas são lâminas de aço finas, fixas ou móveis que atuam entre duas agulhas adjacentes. No tear original de Lee as platinas movimentavam-se com o objetivo de segurar o tecido quando da subida das agulhas e frizar o fio entre duas agulhas adjacentes para formarem as laçadas. Nos dias atuais, porém, existe uma grande diversificação de tecnologias e para estas diferentes tecnologias existe também uma vasta gama de tipos de platinas.
  • 33. Ilustração 49: Platinas. As Platinas compõem-se de: 1. Nariz; 2. Canal; 3. Pé; 4. Plano de Formação. Ilustração 50: Partes da Platina. São as platinas que realizam três trabalhos específicos: 1. Fazer a retenção do tecido (seguram o tecido); 2. Atuam como plano de formação da malha; 3. Igualação. 15
  • 34. Ilustração 51: Retenção do Tecido de Malha. Ilustração 52: Plano de Formação. Um tecido sem igualação possui a seguinte aparência:
  • 35. Ilustração 53: Diferença de Igualação de Tecidos de Malha. iii. Guia-Fios O guia-fio é um elemento básico no percurso a ser obedecido pelo fio do cone até as agulhas, levando-o a uma posição em que as agulhas possam recolhe-lo. Apesar de ser esta a função primordial do guia-fio, ele também executa outras, de apoio, ou também garantem o correto 16 processo de formação da malha.
  • 36. Ilustração 54: Guia-Fios de Teares Circulares de Malha de Trama. São as seguintes as funções dos guia-fios: Fornecer o fio que vai ser tecido; Proteger as lingüetas quando as malhas estiverem no corpo das agulhas; 1º Função (Fornecer o fio que vai ser tecido): Observe atentamente a Ilustração 55. Ela mostra claramente um fio que passa pelo furo do guia-fio. Esse fio será deixado pelo guia-fio numa posição em que poderá ser facilmente recolhido pela agulha. É nesse ponto que o guia-fio exerce sua primeira função, que é a de fornecer fio numa
  • 37. determinada posição que facilite o trabalho da agulha. Ilustração 55: 1° Função. 2º Função (Proteger as lingüetas quando as malhas estiverem no corpo das agulhas): Observe agora, na Ilustração 56, que a distância existente entre o guia-fio e a lingüeta da agulha não é suficiente para que a lingüeta possa fechar. Essa função se faz necessária porque a malha, ao sair de cima da lingüeta, está descontrolada, podendo fechar. Caso a lingüeta feche, a agulha não pode recolher o fio, prejudicando assim o processo de formação das malhas. 17 Ilustração 56: 2° Função. Em teares de malha de trama deve existir pelo menos um guia-fio por alimentador. A função de abrir e fechar lingüetas semi-abertas só é exercida quando existe uma falha no processo de formação das malhas, se a lingüeta estiver totalmente aberta ou fechada, o guia-fio não conseguirá exercer esta função. iv. Fronturas
  • 38. As agulhas são alojadas dentro de canais em um suporte metálico denominado frontura. Dentro de seus canais as agulhas são mantidas paralelas podendo fazer seu movimento de avanço e retrocesso. A forma de frontura varia conforme o tipo de máquina (retilínea ou circular). Ilustração 57: Frontura Retilínea. Ilustração 58: Frontura Circular. Nas máquinas retilíneas a frontura caracteriza-se por uma placa plana, enquanto em máquinas circulares apresenta-se em forma de cilindro.
  • 39. As fronturas são os portadores das agulhas. No cilindro, as agulhas ficam dispostas na vertical, e no disco, ficam dispostas radialmente, na horizontal. As máquinas que possuem apenas cilindro são chamadas mono frontura, e as máquinas que possuem cilindro e disco são chamados de dupla frontura. Cada agulha é colocada em uma ranhura que a mantém em sua posição (ranhuras selecionadas podem, às vezes, serem deixadas vazias, sem agulhas para fazer certos tipos de tecidos). O número de ranhuras ou canaletas por polegada em uma máquina de malharia é fixo, mas existem diferentes 18 máquinas, tendo distintas quantidades. Este número é chamado de galga ou finura da máquina. Quanto maior for este número, mais próximas as malhas serão formadas, pois quanto maior o número de fileiras, maior será o número de agulhas por polegadas. Uma agulha representa uma fileira ou uma coluna de malha. O cilindro contém as ranhuras que por sua vez acomodam as agulhas. O cilindro, dependendo do diâmetro, tem velocidades constantes de rotação que podem chegar até 50 rpm. v. Blocos de Pedras
  • 40. Para que possamos formar uma malha é necessário que as agulhas tenham dois movimentos: avanço e retrocesso, ou de modo geral, subida e descida. Ilustração 59: Pedras (Cames). Tais movimentos são conseguidos através de um conjunto de blocos onde estão dispostas as pedras. Estas pedras são peças de aço que comandam o movimento das agulhas. O movimento circular do cilindro atua no sistema de pedras que é, na maioria das vezes, estacionárias. Estas pedras ou camos como também são chamadas, estão fixas em um conjunto de blocos. Este sistema de pedras é o que promove a ação de subida das agulhas, preparando-a para a
  • 41. captura de um novo fio. A subida e a descida da agulha se dão em virtude de a agulha possuir um pé ou talão, e é no ponto de descida máxima que se dá a formação da laçada. Ilustração 60: Comando nos Blocos de Pedras. 19 Os tipos básicos de pedra para subida de agulhas são:
  • 42. Ilustração 61: Malha. Ilustração 62: Fang. Ilustração 63: Não Trabalha. Ilustração 64: Blocos de Pedras do Tear Circular. VI. Etapas da Formação dos Tecidos de Malha Analisando o processo de formação de malhas podemos notar que, para fabricar um tecido necessitamos de: a) Um certo número de agulhas consecutivas, paralelas, dirigidas num mesmo sentido e num mesmo plano; b) Um sistema que imprima às agulhas seu movimento de avanço e retrocesso e; c) Um dispositivo para fornecer fio às agulhas.
  • 43. Ilustração 65: Conjunto de Tricotagem. 20 Ilustração 66: Sistema com Elementos Consecutivos. i. Pontos Fundamentais da Malharia de Trama Malha A malha é o ponto básico de todas as ligações de malha.
  • 44. Ilustração 67: Ponto de Malha e Pedra de Malha. CICLO DE FORMAÇÃO DA MALHA Na Ilustração 68, encontramos o início do ciclo de formação de malhas. A agulha está na posição de repouso, ou seja, com a cabeça na linha da borda superior do cilindro. A malha que se encontra dentro da cabeça da agulha foi formada pelo ciclo realizado no sistema de alimentação anterior. As platinas acionadas pela sua pedra iniciam o avanço.
  • 45. Ilustração 68: 1° Posição - Repouso. Na figura 69, observamos que a agulha, impulsionada pela pedra de subida, começa o movimento de avanço, enquanto as platinas, já acionadas por suas próprias pedras, se apresentam totalmente 21 avançadas e exercendo duas de suas três finalidades básicas, ou seja, (a) reter o tecido (através do canal) e (b) igualar a malha, evitando que apresente distorções. Esta é a posição conhecida como posição de ponto carregado pelo fato de, nesse exato momento, a malha se encontrar situada sobre a lingüeta da agulha.
  • 46. Ilustração 69: 2° Posição - Ponto Carregado. Na figura 70, encontramos a agulha na posição máxima de subida, que se obtém pelo acionamento da pedra de subida. As platinas continuam totalmente avançadas e retendo o tecido, fato este que também ajuda o descarregamento da malha para o corpo da agulha.
  • 47. Ilustração 70: 3° Posição - Subida Máxima. Na figura 71, encontramos a posição de descida. A agulha, acionada pela pedra de descida, começa a descer para que possa recolher um novo fio, enquanto as platinas, acionadas pelas suas próprias pedras iniciam seu segundo movimento, isto é, começam a recuar. 22 Ilustração 71: 4° Posição - Descida. Na Ilustração 72, encontramos a agulha na posição de recolhimento do fio. A agulha, ainda acionada pela pedra, continua descendo. A malha que estava no corpo da agulha começa a movimentar e a fechar a lingüeta, ao mesmo tempo em que o novo fio é recolhido e retido no gancho da agulha.
  • 48. Esta operação simultânea garante que o fio recolhido não saia do gancho da agulha. As platinas, acionadas por suas pedras, se encontram na posição máxima de recuo. Ilustração 72: 5° Posição - Posição
  • 49. de Recolhimento do Fio. Na Ilustração 73, encontramos a posição de formação da malha. Nesta última posição a malha já foi formada e a platina exerce sua terceira função básica, qual seja a de formar o plano de desprendimento para que a malha seja descarregada suavemente da agulha sobre o novo fio. O tamanho da malha ou tamanho do ponto depende da profundidade até onde a agulha desce. Quanto mais a agulha for puxada para o interior do cilindro, maior será a malha (ou ponto). Em caso contrário, menor ela será. 23 Ilustração 73: 6° Posição - Posição de Formação da Malha. Observe que durante todo este processo, a lingüeta permite abrir ou fechar o gancho, tendo a vantagem de ser manipulada pelo próprio fio para que realize este movimento, não necessitando de nenhum dispositivo adicional para a formação da laçada. COMPRIMENTO DO PONTO Chamamos o tamanho da malha de comprimento de ponto. O comprimento de ponto caracteriza entre outras coisas a compacticidade do tecido. Se as malhas são grandes, o tecido será mais aberto,
  • 50. se as malhas são pequenas, o tecido será mais fechado. A regulagem do ponto é obtida de acordo com a posição das pedras de descida. Com a pedra de descida mais alta a agulha descerá menos, consumirá menos fio e formará uma malha de menor tamanho. Com a pedra mais baixa, a agulha descerá mais, consumirá mais fio e formará uma malha maior.
  • 51. Ilustração 74: Comprimento de Ponto. 24 Fang O fang é um processo utilizado em malharia no qual o fio é alimentado às agulhas, porém, não faz a malha, ou seja, não forma a laçada. Assim, podemos de dizer, que o fang é uma alça presa pelos pés da malha seguinte e esta alça é formada pelo não descarregamento da malha anterior. Ilustração 75: Ponto de Fang e Pedra de Fang. Existem dois processos para se conseguir o fang: Fang sobre lingüeta (meia descida): a) Uma malha acaba de ser feita e a lingüeta está fechada; b) A agulha sobe e pega o fio de alimentação; c) A agulha desce somente o suficiente para a antiga malha fechar a lingüeta; d) A agulha sobe. A malha antiga e o fang estão atrás da lingüeta e processa-se uma
  • 52. nova alimentação de fio. e) A agulha desce completamente formando assim uma nova malha sobre a malha antiga, ficando o fang entre elas. Ilustração 76: Fang sobre Lingüeta. Fang sob lingüeta (meia subida): É o processo mais utilizado. O princípio é o seguinte: a) Uma malha acaba de ser feita. A lingüeta está fechada;
  • 53. b) A agulha sobe, porém apenas o suficiente para que seja alimentada, sem, no entanto permitir que a malha antiga ultrapasse a lingüeta; 25 c) A agulha desce totalmente, a lingüeta permanece aberta; d) A agulha sobe totalmente, a malha antiga e o fang ultrapassam a lingüeta, um novo fio alimenta as agulhas; e) A agulha desce completamente e forma uma nova malha sobre a malha antiga, ficando o fang colocado entre elas. Ilustração 77: Fang Sob Lingüeta.
  • 54. É possível produzir o fang segundo estes dois métodos. O primeiro método é conseguido através da regulagem da pedra de descida para uma posição mais alta e o segundo método recorre a uma pedra diferente conhecida como pedra de fang. Não-trabalha ou flutuante O flutuante (também chamado de não-trabalha ou não-tece) é um trecho de fio na horizontal formado pela não subida da agulha, e é limitado lateralmente por malhas ou fangs. Ilustração 78: Ponto de Não-Trabalha e Pedra de Não-Trabalha. Para a formação de determinadas contexturas de tecidos pode ser necessário que temos agulhas sem trabalhar. Quando uma ou mais agulhas nunca farão malha num determinado tecido, podemos simplesmente tirar essas agulhas da máquina ou colocá-las num nível em que seus pés não sofram a ação das pedras de subida. Esse caso aplica-se especialmente aos tecidos sanfonados ou desagulhados.
  • 55. Quando uma ou mais agulhas ficarão fora de ação somente durante algumas carreiras e trabalharão em outras, podemos então utilizar as pedras de Não-Trabalha nas carreiras em que as agulhas não irão trabalhar. 26 VII. Malharia Circular Os teares circulares são as máquinas mais comuns da malharia de trama, caracterizando-se por possuírem um grande número de alimentadores dispostos em círculo, produzindo um tecido tubular contínuo. São máquinas de altíssimo rendimento, capazes de produzir tecidos com as mais diferentes características. Os teares circulares são sub-categorizados em: Grande Diâmetro: que incluem as mono-fronturas, voltadas para a produção de jerseys ou meia-malha; as circulares dupla-frontura, próprias para a produção de malhas duplas e; Pequeno Diâmetro: próprias para a produção de meias masculinas e femininas. As meias saem das máquinas praticamente prontas, faltando apenas a costura para fechar a ponta do pé.
  • 56. Ilustração 79: Cilindro de Pequeno Diâmetro. i. Malharia Circular Mono-Frontura de Grande Diâmetro a) Estrutura A estrutura das máquinas circulares atuais é formada por base, pés, manta do cilindro e colunas (em máquinas dupla-frontura). 27
  • 57. Ilustração 80: Estrutura dos Teares Circulares de Grande Diâmetro. Da qualidade da estrutura dependem um bom funcionamento da máquina e a qualidade dos artigos produzidos. As solicitações à estrutura estão ficando cada vez maiores em conseqüência do aumento da velocidade das máquinas. A aceleração não apresenta maiores problemas, pois atualmente esta etapa do funcionamento é controlada eletronicamente, assegurando uma partida suave. A parada é a etapa de funcionamento mais crítica para a estrutura. Devido às velocidades maiores, as forças de frenagem tiveram que ser aumentadas para assegurar paradas tão curtas quanto antes. Em conseqüência, as torções que agem sobre a estrutura aumentara significativamente. A centralização entre cilindro e disco também depende da qualidade da estrutura. Como a estrutura também aloja o acionamento, é importante não haver folga entre os acionamentos do cilindro e disco. Em alguns casos, é do desejo do cliente produzir rolos de grande diâmetro. Neste caso, faz-se necessário o uso de uma estrutura especial, mais elevada, capaz de abrigar rolos maiores. Este tipo de estrutura é chamado de estrutura industrial ou elevada. b) Acionamento
  • 58. Compreende o motor com respectivas transmissões e freio da máquina. Assim como a estrutura, o acionamento tem grande importância num funcionamento sem irregularidades de uma máquina circular. De acordo com a aplicação na máquina circular, a velocidade pode ser variada continuamente ou em estágios. Para máquinas de altíssima velocidade e pouca versatilidade quanto a troca de artigos geralmente se faz o ajuste da velocidade através de troca de polia. Para máquinas menos específicas, que tenham maiores possibilidades de troca de artigo, utilizam-se inversores de freqüência para adequar a velocidade da máquina aos mais diversos artigos. 28 c) Puxamento do Tecido Após ser tecida, a malha precisa passar da forma tubular para uma forma plana, para que possa ser enrolada. Para isto, utiliza-se um dispositivo chamado alargador. Ele precisa assegurar uma entrega da malha sem distorções e sem dobras para o puxador/enrolador de tecido.
  • 59. Ilustração 81: Alargador. Fonte: Memminger - IRO. Ilustração 82: Alargador. Fonte: Memminger - IRO.
  • 60. O puxador/enrolador deve tensionar o tecido de malha de modo a assegurar um bom tecimento e enrolá-lo regularmente, sem que danifique a superfície do tecido ou forme vincos nas extremidades. Uma tensão excessiva de puxamento pode desgastar os elementos de formação das malhas (pedras, agulhas, platinas, cilindro, etc.) e ocasionar buracos no tecido de malha. Uma tensão insuficiente pode causar malhas duplas ou até quebra das agulhas. Ilustração 83: Esquema do Puxador/ Enrolador. 29 d) Fornecimento de Fio - Gaiolas Inicialmente, os cones de fios eram colocados em suportes colocados num anel em cima da própria máquina, formando uma gaiola superior, também chamada de chapéu. Com o aumento do número de sistemas e do peso dos cones, este tipo de gaiola caiu em desuso. Atualmente são utilizadas principalmente gaiolas apoiadas no chão, que podem ser circulares ou laterais. A vantagem da gaiola lateral é que ela permite maior versatilidade quanto ao tipo de fio colocado. A gaiola circular, por sua vez, ocupa uma área menor e racionaliza o fluxo de material (pelo corredor de um lado da máquina, circulam apenas cones de fio e pelo corredor do outro lado, apenas rolos de malha). Na gaiola circular, os fios devem passar obrigatoriamente por dentro de tubos. Este tipo de gaiola é
  • 61. utilizado somente quando a máquina trabalha apenas com fios de algodão. Ilustração 84: Gaiola Circular. Fonte: Memminger - IRO. Na gaiola lateral, existe a opção de colocar ou não tubos para a condução dos fios. Com fios sintéticos, utiliza-se sempre a configuração de gaiola lateral sem tubos, por causa da estática que eles causam.
  • 62. Ilustração 85: Gaiola Lateral. Fonte: Memminger - IRO. 30 Ilustração 86: Tear Circular com Gaiola Lateral.
  • 63. Apenas nas máquinas equipadas com listradores há a opção de utilizar a gaiola superior, por facilitar o carregamento dos cones na seqüência correta de cores. Ilustração 87: Gaiola Superior. e) Alimentadores de Fios Alimentadores positivos A alimentação positiva tem como finalidade básica alimentar uma quantidade de fio por unidade de comprimento. Durante cada volta da máquina, as agulhas recebem uma quantidade correta de fio,
  • 64. que nunca pode variar, decorrente do movimento sincronizado do sistema de alimentação positiva com o cilindro da máquina, o que assegura uma quantidade constante de fio alimentado. Assim, os alimentadores positivos são aparelhos que fornecem às agulhas quantidades constantes de fio. Consistem de uma a quatro polias acionadas por uma fita dentada, um carrinho para enrolamento do fio e uma sentinela para quebra de fio e variação de tensão. A velocidade da fita dentada irá determinar a velocidade do carrinho e, conseqüentemente, o consumo de fio. Esta velocidade pode ser modificada através de uma polia expansível, conhecida como roda de qualidade. A quantidade de fitas irá determinar quantos consumos de fio a máquina pode ter. Exemplificando, uma máquina com 4 fitas poderá trabalhar com artigos que tenham 4 evoluções diferentes de fio. Por este motivo, este tipo de alimentação é utilizado geralmente em máquinas 31 mecânicas com comando direto de agulhas, que oferecem possibilidades limitadas de desenho.
  • 65. Ilustração 88: Alimentador Positivo. Fonte: Trevizan Malmegrim. Alimentadores por acúmulo (Alimentação Negativa) Neste sistema, as próprias agulhas puxam a quantidade de fio necessária para formação de malha ou fang. O aparelho alimentador de fio se encarrega apenas de apresentar o fio numa tensão mais baixa e regular possível. O alimentador é comandado por um micro-processador que faz desenrolar o fio do cone que está na gaiola, armazenando-o, isto é, ele desenrola uma quantidade predeterminada de fio do conical e armazena na polia. O fio é desenrolado a partir deste ponto quando solicitado pelas agulhas ou outros elementos.
  • 66. À medida que o fio é consumido, a polia entra em ação e desenrola fio dos conicais até que a quantidade de voltas predeterminadas seja alcançada novamente. Os alimentadores por acúmulo atuais possuem motores individuais que permitem um funcionamento independente uns dos outros. Nas máquinas jacquard e mini-jacquard o uso dos alimentadores por acúmulo quase sempre é indispensável, por causa dos consumos de fio diferentes em todos os sistemas. Ilustração 89: Alimentador por Acúmulo (Alimentação Negativa).
  • 67. Fonte: Memminger - IRO. 32 f) Ventiladores O sistema de ventiladores é um sistema de ventilação flexível, para manter limpo de resíduos todo o percurso do fio e do tear. A ventilação deve atingir todos os cones e bobinas de fio, os sensores e disparadores, alimentadores e elementos tricotadores, para evitar o acúmulo de fibras soltas (no caso de fios fiados) e poeira nesses pontos. Dessa maneira é reduzida ao mínimo a produção de tecidos defeituosos e as paragens da máquina quando embuxadas por acúmulos. Mais especificamente podemos dizer que o sistema de ventilação é necessário para evitar esvoaços na área dos guia-fios e das partes tricotadoras dos teares circulares. Como é do conhecimento geral, acumula-se nestas áreas, no caso de um trabalho com fios fiados, muita sujidade. Ao longo do trabalho, esta sujidade é apanhada pelas agulhas e platinas, ou pelo próprio fio, misturando-se dentro da malha. Isto resulta numa malha defeituosa com laçadas irregulares e mais espessas, buracos na malha, guia-fios entupidos, quebras de fios e agulhas danificadas.
  • 68. Ilustração 90: Ventilador. Fonte: Memminger - IRO. VIII. A Formação do Tecido da Malha em Teares Circulares Monofrontura Já sabemos que a malharia por trama é um processo de construção do tecido através da formação de laçadas do fio no sentido da largura ou ao redor de um círculo; cada fio é alimentado em um ângulo mais ou menos reto em relação à direção na qual o tecido é formado. O termo trama é tirado da tecnologia de tecelagem e refere-se ao sentido horizontal ou transversal do tecido. Nesses tecidos, todas as malhas de uma mesma carreira são formadas pelo mesmo fio; já as malhas de uma mesma coluna são formadas pela mesma agulha.
  • 69. A maior parte dos tecidos de malha por trama é obtida em máquinas que possuem agulhas dispostas em círculos e, dessa maneira, formam um tubo de tecido que pode ser usado dessa forma ou aberto através de um corte longitudinal. Outras máquinas de tricotar são retilíneas, produzindo tecidos já abertos. O princípio de formação do tecido tubular das máquinas circulares utiliza alimentação múltipla e o tecido é tricotado sob a forma de um tubo contínuo, cujo comprimento é obtido pela quantidade de fios e a largura por diversos fatores, como o diâmetro do cilindro, o número de agulhas nele contido, o tamanho dos ganchos das agulhas, o título do fio em trabalho, a quantidade de tensão aplicada ao tecido, etc. 33 Teoricamente, enquanto o cilindro gira, a máquina tece uma “fita” contínua de malha em tantas carreiras quantas alimentações existirem nesta máquina, sendo as margens da fita unidas, a cada revolução, o que dá origem a uma fita contínua de tecido. Para visualizar esta construção, imagine uma máquina com 32 alimentadores, dos quais 31 estão alimentados com fio branco e apenas uma com fio preto e, em seguida, em sentido ascendente, ao longo de uma coluna até o curso preto seguinte, a direção em que o “dente cortante” (“cutting tooth”) aponta é aquela na qual o sentido está se movendo ou sendo formado, como mostra a figura abaixo:
  • 70. Ilustração 91: Formação Tubular do Tecido de Malha.
  • 72. Ilustração 92: Formação no Tear. 34 O Tecido Plano e a Tecnologia da Tecelagem O tecido plano é o produto final do processo de tecelagem. É classificado de acordo com: a) A matéria-prima empregada (natural, sintética ou mista); b) A forma de entrelaçamento dos fios (tafetá, sarja e cetim); c) o número de fios por centímetro quadrado; d) o peso por metro quadrado. O tecido plano é obtido pelo entrelaçamento de conjuntos de fios em ângulos retos, ou seja, fios no sentido longitudinal (chamados de URDUME) e fios no sentido transversal (chamados de TRAMA), realizados por um equipamento chamado tear. De acordo com a DuPont (1991, p. 5), “os fios no sentido do comprimento são conhecidos como fios de urdume, enquanto que os fios na direção da largura são conhecidos por fios de trama. As bordas do tecido no comprimento são as ourelas, que são facilmente distinguíveis do resto do material”. Ilustração 93: Fios de Trama, Fios de Urdume e Ourela.
  • 73. Antes que os fios sejam entrelaçados nos teares, é necessária a realização de operações preliminares de preparação destes fios para sua utilização no processo de tecelagem, tanto para os fios de urdume quanto para os fios de trama, por métodos adequados, tais como o processo de urdimento e o processo de engomagem oriundos ao setor de preparação à tecelagem. O entrelaçamento é o fato de passar uma ou vários fios de urdume por cima ou por baixo de um ou vários fios de trama. O entrelaçamento mais simples entre estas duas direções de fios é a tela ou tafetá. A evolução dos fios de urdume poderá ser feita nas mais diversas formas obtendo-se assim, os mais complicados tipos de ligamentos. Os mais conhecidos são: Tela ou tafetá; Sarja; Cetim ou raso. 35 Ilustração 94: Tela ou Tafetá. Ilustração 95: Sarja. Ilustração 96: Cetim ou Raso.
  • 74. Os tecidos são processados em máquinas chamadas de teares, e os principais componentes de um tear são: Rolo de Urdume: que contém os fios de urdimento; Quadros de Liços: o urdimento passa pelo olhal dos liços, que se acham dispostos em quadros responsáveis pela formação da cala (abertura formada por duas camadas de fios de urdume); Pente: depois dos quadros de liços, os fios passam por um pente que é responsável pelo remate da trama e que nos teares de lançadeira servem como guia para a mesma; Rolo de Tecido: para enrolar o tecido pronto. Ilustração 97: Componentes de um Tear. Para conseguir-se a passagem da trama entre os fios de urdume (cala), utiliza-se o elemento chamado porta-tramas, dentre os quais o mais conhecido é a lançadeira. Ilustração 98: Lançadeira. 36 Os movimentos básicos do tear são:
  • 75. A formação da cala; A inserção da trama; O batida do pente. Formação da Cala: a abertura triangular de duas camadas de fios de urdume com auxílio de alavancas e cordéis amarrados aos quadros de liços onde os fios estão inseridos;
  • 76. Ilustração 99: Formação da Cala. Inserção da Trama: introdução dos fios de trama por meio de lançadeira, pinças, projétil, jato de ar ou jato de água. Ilustração 100: Inserção da Trama. 37 Batida do Pente: o pente está preso à frente e tem movimento de vaivém. Quando ele vem à frente, encosta a última trama inserida no remate e quando recua propicia a inserção da trama seguinte.
  • 77. Ilustração 101: Batida do Pente. I. Preparação à Tecelagem Como já visto anteriormente, na tecelagem, os fios antes de serem processados no tear passam por uma série de operações denominadas PREPARAÇÃO À TECELAGEM, como segue: Fio de Urdume Fio de Trama
  • 78. Urdimento Direto Urdimento Seccional Espulagem Engomagem Engomagem Engomagem Engrupagem ou Remetição Engrupagem ou Remetição Desenho 8: Fluxograma do Processo de Tecelagem. com lançadeira TEAR sem
  • 79. lançadeira 38 i. O Urdimento O urdimento é a operação de preparação à tecelagem, que consiste na passagem dos fios que formarão o urdume do tecido, transferindo-os de seus suportes iniciais (cones, bobinas, cops, etc.) para o rolete do tear. Este rolete compõe-se de um tubo rosqueado em suas extremidades, onde são posicionados 2 discos denominados flanges que determinam a largura sobre a qual serão enrolados os fios de urdume. Ilustração 102: Rolete de Urdume. O número de fios a ser urdido é função da largura do tecido a ser produzido, do número de fios por centímetro, do título do fio entre outros dados. Portanto, este número é muito variável dependendo de cada artigo a ser produzido.
  • 80. A repassagem de todos os fios para o rolete do tear não é processada diretamente, pois nesse caso, seria necessária uma quantidade de suportes igual ao número de fios do urdume. Na prática isto é inviável, devido ao tamanho da estrutura que seria necessário para conter os suportes e principalmente devido às dificuldades operacionais que acarretaria este trabalho com elevado número de suportes. Para superar esta dificuldade foram idealizadas duas técnicas de processamento, denominadas URDIMENTO SECCIONAL e URDIMENTO CONTÍNUO ou DIRETO. Apesar de estas duas técnicas resultarem num mesmo produto final (o rolete de urdume), as diferenças existentes ao processamento implicam em certas vantagens de utilização de acordo com o artigo a ser produzido, o qual definirá qual dos dois sistemas de urdimento apresenta melhor rendimento operacional. A URDIDEIRA Qualquer que seja o tipo de urdimento, o equipamento necessário compreende: A Gaiola; O Pente Encruz; O Pente de Distribuição; A Urdideira (órgão motor).
  • 81. Ilustração 103: Partes da Urdideira. 39 A GAIOLA A gaiola é o conjunto que sustenta os suportes de fios que alimentam a urdideira. Sua capacidade é igual ao número de suportes que ela pode conter. Ilustração 104: Gaiola. A função da gaiola é de sustentar os suportes e assegurar a regularidade da tensão dos fios, além de, é claro assegurar o controle destes fios. A altura da gaiola deve ser tal que o operador possa ter acesso à fileira superior de suportes (aproximadamente 190 a 200 cm). Admite-se em geral, que a
  • 82. gaiola não pode ultrapassar de 12 metros de comprimento (profundidade). Com metragens além desse valor, considera-se que as diferenças de tensão entre as bobinas da frente e as de trás tornam- se muito altas. A eficiência do operador também sofre influência negativa, devido aos longos deslocamentos. Os principais componentes da gaiola são: Suportes; Tensores; Guia-Fios; Sistema de Parada Automática. Suportes: são pinos de ferro ou de aço, dispostos em uma estrutura (quadro) para manter os suportes de fios em posição de desenrolamento, havendo entre estes distâncias regulares, determinadas por escartamentos eqüidistantes em suas quatro direções; Ilustração 105: Suportes. 40 Tensores: o tensor mais comum é chamado “universal”, compõe-se de 1 a 3 pares de discos metálicos, por entre as quais passa o fio, originando-se uma maior ou menor tensão, conforme a quantidade de discos de carga colocados sobre o disco superior. Destacam-se também os tensores eletrônicos entre outros;
  • 83. Guia-Fios: são olhais de cerâmica por onde passam os fios; Ilustração 106: Tensores e Guia-fios. Sistema de Parada Automática: consiste num sensor de rupturas de fios. Para evitar a ocorrência de fios rompidos no rolo de urdume, a gaiola deve possuir na sua parte frontal um sistema elétrico (guarda-fio) que detectando a ruptura de um fio, aciona o freio da urdideira, para impedir que a sua extremidade seja recoberta no rolo pelas espiras vizinhas. Por isso, o sensor é colocado na gaiola, ou seja, o mais longe possível da urdideira a fim de detectar a ruptura do fio o quanto antes.
  • 84. Ilustração 107: Sistema de Parada Automática. Existem diferentes concepções de construção de gaiolas, podendo-se citar os modelos mais conhecidos: a) Gaiola Comum; b) Gaiola com Carrinhos; c) Gaiolas Contínuas que podem ser: 41 Gaiola em V; Gaiola de Alimentação Dupla; Gaiola Magazine; d) Gaiola Automática. a) Gaiola Comum: esta gaiola é a mais simples e a menos prática. Os suportes são fixados nas 2 faces de um quadro fixo. Os operadores devem substituir os suportes de fios vazios por outros cheios e depois emendar os fios, o que leva um tempo considerável. Ilustração 108: Gaiola Comum. Fonte: Karl Mayer.
  • 85. b) Gaiola com Carrinhos: é a mais utilizada. O quadro de suportes é substituído por uma série de carinhos onde os suportes de fios são dispostos. Estes carrinhos se deslocam no centro da gaiola possibilitando assim uma preparação prévia de sucessivas partidas, com um menor tempo. Ilustração 109: Gaiola com Carrinhos. Fonte: Karl Mayer.
  • 86. Basta substituir os carrinhos com suportes de fios vazios por outros carrinhos previamente repletos de suportes de fios cheios. O tempo de montagem sofre uma grande redução. c) Gaiolas Contínuas: Gaiola em V: A gaiola em V possui 2 quadros de suportes paralelos e que são móveis (num sentido rotacional). Neste tipo de gaiola a disposição em V permite que o operador coloque as bobinas cheias no quadro interno e posteriormente, quando deve-se fazer a 42 troca de suportes de fios vazios por outros cheios, o operador aciona um sistema que rotaciona os quadros substituindo o quadro vazio pelo cheio.
  • 87. Ilustração 110: Gaiola em V. Fonte: Karl Mayer. Gaiola de Alimentação Dupla: os eixos dos pinos que sustentam os suportes de fios deste tipo de gaiola convergem para um mesmo guia-fio de saída. As duas bobinas correspondentes são emendadas de forma que o desenrolamento se faz sem interrupção. Trata-se de um desenrolamento verdadeiramente contínuo, sem tempo morto na montagem dos suportes na gaiola. Ilustração 111: Gaiola de Alimentação Dupla. Fonte: Karl Mayer. Gaiola Magazine: compõe-se de dois quadros de suportes paralelos. Enquanto os
  • 88. suportes da parte externa estão em trabalho, isso durante o urdimento, o operador carrega os suportes da parte interna. Após esvaziarem-se os suportes externos, rotaciona- se os quadros substituindo o quadro com suportes de fios vazios pelo quadro com outros cheios. Ilustração 112: Gaiola Magazine. Fonte: Karl Mayer. 43 d) Gaiola Automática: trata-se de uma gaiola com carrinhos na qual a emenda se faz automaticamente por dispositivos móveis, contendo um dispositivo em cada fileira de suportes de fios. A montagem completa da gaiola é assegurada por uma grade móvel e um carrinho que transporta os fios até o pente da urdideira. O tempo de imobilidade para uma montagem completa é de cerca de 1/20 do tempo de parada para uma gaiola convencional de carrinhos.
  • 89. Ilustração 113: Gaiola Automática. Fonte: Karl Mayer. O PENTE ENCRUZ
  • 90. Encruz é a passagem dos fios por entre 2 barras ou cordões, de modo que cada fio tenha uma seqüência inversa de seu adjacente, formando assim 2 planos ou sistemas de fios, podendo-se separar a seqüência dos fios em pares e impares. Ilustração 114: Pente Encruz. A finalidade do encruz é: Manter os fios na mesma seqüência evitando o embaraçamento com fios adjacentes; Propiciar as operações de engrupagem, remetição e passamento; Facilitar a localização dos fios no caso de ruptura no tear. 44 Para a formação do encruz usam-se pentes cujos espaços entre as puas estejam alternadamente distribuídos por uma solda. O pente completa-se por um jogo de barras que permitem que seja efetuada a separação ou a condensação das camadas provenientes dos diferentes estágios da gaiola. PENTE DE DISTRIBUIÇÃO A finalidade deste pente é distribuir os fios em uma determinada densidade (fios/cm), a qual é função do número de fios, seja da fita ou do rolo primário. É necessário verificar o correto ajuste desta largura, pois sua soma não poderá ultrapassar a largura prevista entre as flanges do rolete de urdume.
  • 91. Quanto aos tipos de pentes utilizados, estes podem ser classificados em: Pente Fixo; Pente Tapezoidal; Pente Flexível V; Pente Extensível. Pente fixo: neste caso utiliza-se um pente que tenha uma densidade de puas igual ou próxima do pente a ser utilizado no tear, necessitando-se de um pente para cada artigo a ser produzido; Ilustração 115: Pente Fixo. Pente Trapezoidal: neste tipo de pente a densidade é determinada pela altura em que é posicionado o conjunto de fios.
  • 92. Ilustração 116: Pente Trapezoidal. Pente Flexível V: neste tipo de pente a densidade de puas é fixa, sendo a densidade obtida nos fios em função do ângulo formado entre as duas metades do pente. Ilustração 117: Pente Flexível V. 45 Pente Extensível: neste pente as puas apóiam-se numa base extensível tipo sanfona, que permite o ajuste da densidade desejada.
  • 93. Ilustração 118: Pente Extensível. URDIDEIRA (ÓRGÃO MOTOR) É onde são enrolados os fios de urdume. Este sistema de enrolamento pode ser seccional ou direto. URDIMENTO SECCIONAL Este tipo de urdimento é apropriado para a produção de urdume com pequenas metragens e para a produção de urdumes com fios retorcidos, pois o rolo que sai desta urdideira contém todos os fios de urdume. Gaiola
  • 94. Rolo de Urdume Cilindro Intermediário Seccional Ilustração 119: Urdideira Seccional. Fonte: Karl Mayer. Também é utilizada para produzir urdumes que necessitam ser engomados, porém, neste caso deve- se utilizar um pente encruz apropriado. Neste tipo de urdideira, conforme o próprio nome já diz, o urdume é produzido por seções que são chamadas de fitas. Os suportes de fios a serem urdidos são dispostos na gaiola e são enrolados sobre um suporte intermediário (tambor) em diversas fitas uma ao lado da outra.
  • 95. Ilustração 120: Tambor Intermediário. 46 Para explicar melhor o urdimento seccional, temos o seguinte exemplo: Desejamos produzir um urdume para um artigo que terá 2348 fios. A urdideira a ser utilizada possui uma gaiola com capacidade máxima de 400 cones. Isto quer dizer que cada fita terá no máximo 400 fios. Para fazer o urdume desejado teremos: Nº de fitas = 2348/400 = aproximadamente 6 fitas Ou melhor: 5. 4 fitas com 391 fios cada e 6. 2 fitas com 392. O tambor da urdideira seccional possui um conjunto de esquadros, também chamados de facas, formando um cone. A primeira fita será enrolada no tambor sobre o cone, começando seu desenrolamento no início dos esquadros e, dependendo do comprimento do urdume, terminará em um ponto diferente, sobre os esquadros. Para orientar a posição de enrolamento da fita sobre o tambor o pente de distribuição, que é deslocado automaticamente, em direção ao final do cone, à medida que o urdume vai sendo enrolado. Com este deslocamento automático, um lado da fita “monta” sobre o cone do tambor e o outro lado, forma um cone igual ao do tambor. O ângulo formado pelos esquadros (ângulo do cone)
  • 96. é alterado em função da densidade da fita e do título do fio. Ilustração 121: Enrolamento das Fitas no Tambor Intermediário. Fonte: Karl Mayer. O pente de distribuição, além de orientar o enrolamento das fitas sobre o tambor, também é o responsável pela largura das fitas. Após completada a primeira fita, de acordo com o comprimento passamos para o enrolamento da segunda fita. A segunda fita começa a ser enrolada ao lado do início da primeira fita e, à medida que vai sendo enrolada, o pente de distribuição vai se deslocando na direção da primeira, montando a segunda fita sobre o cone formado pela primeira. Como as quatro primeiras fitas possuem 391 fios cada, neste ponto do urdimento, já teremos enrolado sobre o tambor 782 fios do nosso urdume, lado a lado, e com o mesmo comprimento. O restante das fitas com 392 fios cada, continuam sendo enrolados, lado a lado, começando sempre ao lado do início da última fita produzida e assim por diante. Ao final do enrolamento da sexta fita 47 teremos o rolo com o total de fios desejado. Ilustração 122: Final do Enrolamento.
  • 97. A próxima etapa será a repassagem destes fios para o rolete do tear, chamada de descarregamento ou pliagem. DESCARREGAMENTO OU PLIAGEM Após o urdimento da última fita, obtém-se sobre o tambor a quantidade de fios, em número e metragem, prevista para o rolete do tear. Deve-se obter a máxima uniformidade ao distribuir as fitas sobre o rolete do tear, tanto quanto a tensão aplicada. Ilustração 123: Descarregamento ou Pliagem. O rolete do tear deve estar alinhado com o conjunto de fios e a distância entre flanges corretamente ajustada, de modo a não haver a ocorrência de acúmulo ou queda de fios junto às flanges. Um dado importante no urdimento é a largura total do urdume, ou seja, a largura que o total de fitas terá sobre o tambor, que é igual à “largura do rolo de urdume”. URDIMENTO CONTÍNUO OU DIRETO No urdimento seccional os fios são primeiramente enrolados sobre o tambor da urdideira em seções em número tal a fornecer a quantidade de fios desejada no rolo de urdume.
  • 98. No urdimento contínuo, também chamado direto, este enrolamento intermediário é efetuado 48 diretamente sobre rolos, denominados rolos primários, devendo-se então urdir um número de rolos primários, cujo número de fios somados forneça o número total de fios do rolo de urdume. O urdimento contínuo é apropriado para grandes metragens, seja de fio singelo ou de fio retorcido. Neste tipo de urdimento teremos que produzir vários rolos, cada um com uma fração do total de fios do urdume e reuni-los na engomadeira ou na reunideira, para formar o urdume total. Gaiolas Rolo de Urdume
  • 99. Ilustração 124: Urdideira Direta. Fonte: Karl Mayer. A metragem de urdume que se pode enrolar em um rolo de urdideira contínua é variável de acordo com a quantidade de fios, o título do fio, a largura do rolo e o diâmetro das flanges. Como exemplo temos um urdume de 2348 fios, título Ne 30. O número máximo de fios que podemos colocar em um rolo, dependerá da capacidade máxima da urdideira. Nº de rolos = total de fios urdume/capacidade máxima da gaiola Considerando que uma urdideira cuja gaiola tenha uma capacidade para um máximo de 500 cones, temos: Nº de rolos = 2348/500 = aproximadamente 5 rolos. Como teremos que produzir 5 rolos na urdideira, para depois reuni-los, cada rolo deve ter o mesmo número de fios ou diferença de apenas 1 fio.
  • 100. Logo: Fios/rolo = total de fios do urdume/ nº de rolos = 2348/5 = 469 + 3 fios Para este exemplo teremos que produzir 2 rolos com 469 fios e 3 rolos com 470 fios. O processo para o urdimento contínuo é bem mais simples que o processo seccional. Colocamos os cones na gaiola da urdideira e cada fio será passado por um tensor, guia-fios, dispositivos de parada automática, etc até ser enrolado no rolo primário. Após todos os rolos primários para formar o rolo de urdume desejado estiverem prontos, estes vão para a engomadeira ou reunideira de acordo com o previsto. 49 Ilustração 125: Processo de Urdimento Direto. O sistema de urdimento contínuo, pelas suas características é mais utilizado na produção de tecidos simples, em linhas com pouca variedade de artigos, mas com grande escala de produção. A questão, portanto, de se definir qual o processo mais rentável (contínuo ou seccional), está basicamente relacionada com a metragem a ser produzida. Nas produções de tecido cru, em geral, as metragens são suficientes para tornar rentável o processo de preparação de urdimento contínuo, principalmente no caso de se trabalhar com fios singelos, os
  • 101. quais necessitam de engomagem. Como em geral os tecidos listados e com efeitos de desenhos são processados em menor escala (moda) para estes artigos torna-se mais vantajosa a utilização do urdimento seccional.