ESTUDO SOBRE TECIDOS
PLANOS
E
MALHAS DE TRAMA
Por: Constantino Monteiro Alves, Eng. Têxtil Ano 2013
Estudo sobre Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 1 de 86
INDICE
1 TÍTULO 3
2 OBJECTIVO 3
3 INTRODUÇÃO TEÓRICA 3
3.1 – Tecelagem 3
3.2 - Aspectos técnicos da Tecelagem 3
3.3 – Classificação e Tipos de Teares 4
3.3.1 – Teares de Lançadeira 5
3.3.2 – Teares de Lançadeira de Pinças 6
3.3.3 – Teares de Projéctil 6
3.3.4 - Teares de Pinças Unilateral 6
3.3.5 – Teares de Pinças Bilateral com Transferência 6
3.3.6 – Teares Jacto de Ar 7
3.3.7 - Teares Jacto de Água 7
3.3.8 – Teares Bifásico 7
3.4 - O que é um Tecido? 7
3.4.1 - Tipos de Tecidos 8
3.4.2 – Obtenção de Tecidos 8
3.4.2.1 – Sistema de obtenção de Tecidos 8
3.4.2.2 – Classificação de Tecidos 9
3.4.2.2.1 – Quanto à Estrutura 9
3.4.2.2.2 – Quanto à Coloração 10
3.4.3 – Tecidos Planos 10
3.4.4 – Principais componentes de um Tear 12
3.5 – Padronagem 13
3.5.1 – Representação das Evoluções 14
3.5.2 – Desenho da Evolução da Teia e Representação no Papel Técnico 14
3.5.3 - Base da Evolução 14
3.6 - Estruturas Básicas 14
3.6.1 – O Ligamento Tela 14
3.6.2.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Tela 15
3.6.2.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Tela 15
3.6.2 – O Ligamento Sarja 16
3.6.2.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Sarja 16
3.6.2.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Sarja 16
3.6.3 – O Ligamento Cetim 17
3.6.3.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Cetim 17
3.6.3.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Cetim 18
4 OUTRAS CARACTERÍSTICAS /TIPOS DE TECIDOS 18
5 OBTENÇÃO DE: 19
5.1- Tecidos Planos 19
5.1.1 - Geometria e Propriedades dos Tecidos 19
5.1.2 - Processo de Tecer 20
5.1.3 – Propriedades Físicas de um Tecido 21
5.1.4 – Gramagem 22
5.1.5 – A Ondulação e Contracção dos Fios da Teia 22
5.1.6 – A Importância da Contracção e da Ondulação 23
5.1.7 – Factor de cobertura de u Tecido e ou Toalha de Felpo 24
6 ESTRUTURAS FUNDAMENTAIS - DEBUXOS 25
6.1 – Representação Gráfica de um DEIXA 25
6.2 – Alinhavo de Teia 26
6.3 – Alinhavo de Trama 26
6.4 – Avanço ou Afastamento à Teia 27
Estudo sobre Tecidos Planos e Malhas de Trama
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6.5 – Avanço ou Afastamento à Trama 27
6.6 - Representação Numérica de Estruturas 28
6.7- Construção dos Debuxos 29
6.8 - Representação numéricas compostas 31
6.9 – Classificação dos Tecidos 31
6.10 – Os Tafetás 32
6.10.1 – Derivados do Tafetá 32
6.11- As Sarjas 33
6.11.1 – Sarjas Leves 33
6.10.1 – Sarjas Neutras 34
6.10.1 – Sarjas Pesadas 34
6.12 – Os Cetins 34
6.12.1 – Debuxos Fundamentais para um Cetim 35
7 COEFICIENTE DE LIGAÇÃO MÉDIO - CLM 36
8 ESTUDO LABORATORIAL (Exemplo de uma análise a efectuar no Tecido) 37
8.1 – Recolha das amostras para a análise laboratorial 37
8.1.1 – Análise da Gramagem de um Tecido 37
8.1.2 – Provetes 37
8.1.3 – Recolha dos provestes 37
8.1.4 – Atmosfera Padrão 38
8.1.5 – Equilíbrio Higrométrico 38
8.1.6 – Procedimento 39
8.1.7 – Ensaios que normalmente devem ser efectuados na análise de um tecido 39
8.1.7.1 – Ligação do Tecido 39
8.2 – Determinação da Contracção e da Ondulação 40
8.2.1 – Desvio de Trama 41
8.3 – Densidade 44
8.4 – Largura do Tecido 44
8.5 – Titulação dos Fios de um Tecido 45
8.5.1 – Sistema directo de Titulação 45
8.5.2 – Sistema Indirecto de Titulação 45
8.6 – Determinação do Título obtido numa amostra reduzida 46
8.7 -Recolha dos Provetes 46
8.8 – Selecção de Provetes de um Lote 50
9 MALHAS DE TRAMA 51
9.1 - Classificação 51
9.2 – Geometria e propriedades 52
9.3 – Estruturas básicas das Malhas de Trama 52
9.3.1 – Jersey (Tecido de uma Face) 52
9.3.2 – Meia Malha 53
9.3.2.1 – Meia Malha Simples 53
9.3.2.2 – Meia Malha Riscador horizontal 53
9.3.3 – Piqué 53
9.3.3.1 – Piqué Lacoste Simples 53
9.3.3.2 – Piqué Lacoste Duplo 53
9.3.3.3 – Molletom ou Felpa Americana 53
9.3.3.4 – Molletom (Felpa) 3x1 – Trama desfasada 53
9.3.3.5 – Molletom (Felpa) 3x1 – 2 Tramas desfasadas 54
11 COMPRIMENTO MÉDIO DO FIO ABSORVIDO (L.F.A.)
ANEXOS 55
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1 – TÍTULO
Análise de Tecidos Planos – Tecelagem e Malhas de Trama – Tricotagem
2 – OBJECTIVO
O presente estudo tendo como base as normas específicas para o sector têxtil, tem como objectivo dissertar sobre
os ligamentos (debuxos), a gramagem, a densidade e a largura dos tecidos, bem como dar indicações sobre como
realizar os ensaios de títulos dos fios, contracção/ondulação e desvio da Trama num tecido plano e factor de
cobertura de um tecido.
Para as malhas de Trama como realizar ensaios da gramagem, título em amostras reduzidas, determinar o comprimento
médio do fio que foi absorvido (LFA) e controle da regularidade de absorção de fios.
3 - INTRODUÇÃO TEÓRICA
3.1 - A TECELAGEM
Sobre o conceito tecelagem, poder-se-á dizer que é, grosso modo, o cruzamento dos fios da teia com os da trama.
Trata-se de uma das mais antigas manifestações da inteligência do Homem, conjuntamente com o domínio do fogo
e a invenção da roda.
O cruzamento de elementos vegetais ou de tiras de peles de animais para produzir objectos novos principalmente
para protecção do corpo, está provavelmente na origem da invenção da tecelagem.
Já os tecidos achados nos túmulos egípcios, datados de entre 3000 a 2000 antes de Cristo permitem-nos concluir a
existência de uma avançada técnica de fiação e tecelagem do linho e do algodão. Outro resto de tecidos
encontrados na América do Sul e no Norte da Escandinávia fornece-nos indicações sobre a utilização primitiva de
pêlos de animais, entre eles a lã.
Também na China a descoberta da seda, proveniente do bicho-da-seda, (Bombix Mori) datam de 2000 anos antes
de Cristo.
Imagina-se que a tecelagem começou por ser feita com o auxílio de alguns paus colocados no chão.
A noção de tear é historicamente muito recente. No entanto poder-se-á dizer que do "tear de chão" se passou para o
"tear vertical", colocando verticalmente a armação que suporta a teia. A inserção da trama passou também a ser
feita com o auxílio de réguas assim como o batimento de cada passagem.
Desta forma, estava iniciada a evolução da tecelagem que iria demorar vários milénios passando por várias
melhorias. No entanto, o tear manual em que a energia provém do esforço de um homem ou de uma mulher através
dos seus braços e pernas apenas virá a ser usado até ao século XVIII quando entre 1786 e 1792 " Edmund
Cartwright " aperfeiçoa um sistema que após várias tentativas consegue atingir o desejado processo de tecer
mecanizado, pelo que regista sob patente o processo e dá origem ao tear mecânico, em que a energia provém de
uma roda hidráulica, onde é transmitida por veios de transmissão e por sistemas de correias que accionam os teares
que realizam mecanicamente os movimentos necessários para fabricação de um tecido.
3.2. Aspectos Técnicos da Tecelagem
A tecelagem compreende dois sectores: (1) preparação à tecelagem e (2) tecelagem propriamente dita.
1 - A preparação à tecelagem consiste em uma série de operações, nomeadamente a preparação da Teia através
do processo de URDISSAGEM, que pode ser DIRECTA ou SECCIONAL, ENCOLAGEM ou ENGOMAGEM,
REMETER e PICAR e finalmente ATAR, de forma que os fios fiquem em condições de sofrerem o processo de
tecer.
2 - A tecelagem propriamente dita é a transformação do fio em tecido, através de operações de tecer.
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Figura nº 1 – Fios da TRAMA, Fios da TEIA e OURELA
3.3 - Classificação e Tipos de Teares
O entrelaçamento da Teia com a Trama é feito no tear (onde o fio da Teia se costuma designar simplesmente por
fio e o fio de Trama por passagem). No processo de Tecer são necessárias três OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS:
A FORMAÇÃO DA CALA: que consiste na separação dos fios da teia em duas folhas, formando um túnel
conhecido por cala.
A INSERÇÃO DE TRAMA: que consiste na passagem do fio de trama no interior da cala, ao longo da largura do
tecido.
O BATIMENTO DO PENTE: que consiste em empurrar a passagem inserida contra o tecido já formado, até um
ponto designado por “frente do tecido”.
Estas funções primárias devem encontrar-se sincronizadas, de modo que as operações ocorram na sequência
correcta, não interferindo umas com as outras. Os teares podem ser diferenciados pelos seus sistemas de inserção
da trama e pelos seus sistema de abertura da cala.
Teares manuais: actualmente são utilizados quase que exclusivamente para artesanato ou para a produção de
novos artigos ou amostra não colocados na linha de produção.
Teares mecânicos não automáticos: São teares que não possuem determinados mecanismos de auxílio para o
tecelão, tais como guarda Teias (teia: conjunto de vários fios que entram no tear no sentido longitudinal), paragem
por falta de Trama e troca de bobines ou lançadeiras.
Teares mecânicos semi-automáticos: são teares não automáticos que sofrem adaptações de mecanismos (guarda
Teias) que auxiliam o tecelão e possibilita a produção de produtos (tecidos) com melhor qualidade.
Teares automáticos: podem ser divididos em:
a) - Teares convencionais: quando a alimentação da trama (trama: conjunto de vários fios que entram no tear no
sentido transversal) é feita automaticamente por mecanismos especiais, nomeadamente o mecanismo que efectua a
troca da canela no interior da lançadeira quando o fio esta prestes a terminar e o mecanismo que efectua a troca
da lançadeira quando a canela do fio esta prestes a chegar ao fim.
 sem lançadeira;
 de Projéctil – também chamado de lançadeira de pinças. Trata-se de uma pequena peça que arrasta
a trama através da cala (cala: abertura formada por duas camadas de Teia);
 de Pinças rígidas – a trama é introduzida na cala por uma espécie de agulha;
Nota: Existem teares com uma única pinça ou com duas.
 de Pinças flexíveis – possuem duas cintas flexíveis de aço, uma em cada lado;
 Jato de ar – a trama do fio recebe um jacto de ar e é jogada através da cala.
 Jato d’água – a trama do fio recebe um jacto d’água e é jogada através da cala.
 Cala ondulante – neste sistema são inseridos 16 tramas ao mesmo tempo, equivalendo a cerca de
2.000 m por minuto.
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b) - Teares especiais são em sua maioria automáticos, e providos de mecanismos especiais para tecer
determinados tipos de tecidos, tal como os teares de Maquineta Jacquard, que fazem tecidos com grandes desenhos,
podendo mesmo reproduzir figuras humanas em sombreado com relevo.
Deste tipo podemos considerar o
 O Tear triaxial que produz tecidos com estabilidade em todas as direcções, seja na horizontal ou
na vertical. Os fios da Teia são enrolados em oito pequenos rolos e a trama é inserida por meio de
pinças rígidas.
 O tear para felpas que possui mecanismos especiais, e são alimentados por no mínimo, dois rolos
de Teias, um para o tecido básico e o outro para o tecido de felpa inteira (toalha) ou felpa cortada
(veludo).
3.3.1 - TEARES DE LANÇADEIRA (máquinas bastante antigas e praticamente em desuso):
Neste sistema de inserção, a trama é conduzida de um lado a outro, através da lançadeira que se constitui de um
dispositivo de madeira resistente onde se acomodam as canelas com os fios de trama.
A lançadeira desliza sobre a camada inferior dos fios da cala, sobre a mesa batente. Este contacto pode causar
problemas de rupturas. A lançadeira é acomodada em cada extremo num dispositivo chamado CAIXA DE
LANÇADEIRAS onde ela é travada e simultaneamente presa após cada inserção.
A lançadeira recebe o impulso para atravessar a cala através do TACO, que está ligado à extremidade superior da
ESPADA.
Este movimento para inserção da lançadeira apresenta sua origem num excêntrico que trabalha contra uma roldana
fixa com batente que recebendo o movimento, transfere-o à espada e consequentemente ao taco, impulsionando a
lançadeira através da cala.
Na inserção das tramas de distintas cores, necessita-se de mais de uma caixa de lançadeiras (CAIXA MÓVEL).
Notar, que apesar de ser uma máquina antiga e já em desuso a máquina de tecer de lançadeiras é dita automática
porque efectua a troca das canelas vazias por canelas cheias sem a acção directa do tecelão.
Esta troca pode ser feita por:
TROCA DE LANÇADEIRA: onde ocorre a troca da lançadeira com canela vazia, por outra com canela cheia de
fio.
TROCA DE CANELA: onde faz-se a troca somente da canela vazia, por outra canela cheia de fio.
O sistema de troca automática das canelas é feito por um dispositivo chamado magazine que apresenta as seguintes
variáveis:
MAGAZINE CIRCULAR: apropriado para teares com apenas uma cor de trama;
MAGAZINE VERTICAL: para teares de 4 cores de trama.
Todos os teares com troca automática de canelas necessitam de um detector do fim da canela em trabalho para que
a canela em trabalho não fique totalmente vazia. Este elemento é o chamado DETECTOR DE TRAMA ou
APALPADOR.
Existem três tipos de detectores de trama:
MECÂNICO: onde a detecção é realizada com o apalpador, pulsando no diâmetro externo da canela no momento
em que a lançadeira se encontra estacionada na caixa de lançadeira.
ELÉTRICO: onde pontas metalizadas tocam suavemente a superfície da canela recoberta por uma lâmina
metálica, ou de pintura metalizada.
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OPTICO: onde produz-se um fino raio de luz que é reflectido por uma cinta especial alojada no núcleo da canela.
Esta cinta devolve o raio de luz que é captado por uma célula que desencadeia o processo de troca da canela.
3.3.2 - TEARES DE LANÇADEIRAS DE PINÇAS
Trata-se de uma evolução do antigo tear de lançadeira. É parecido com o tear de lançadeira, porém, no lugar da
lançadeira convencional utiliza-se uma pinça que possui uma menor massa e não carrega consigo uma canela. A
trama neste sistema vem directamente dos cones que alimentam a trama dos dois lados do tear. A cada batida do
pente é inserida uma trama, ora da direita ora da esquerda.
O comprimento da trama, necessário para cada inserção, é medido por cilindros de onde a trama é entregue à
lançadeira. As pontas de trama são cortadas por uma tesoura e eliminadas por um canal de aspiração.
As vantagens deste processo sobre o tear de lançadeiras são:
Eliminação do processo de caneleira;
Não há variação da massa da pinça (pois não há canela cheia nem vazia);
Redução de defeitos como barramento e falta de trama.
3.3.3 - TEARES DE PROJÉCTIL
Estes teares começaram a ser produzidos pela empresa suíça Sulzer nos anos 50. O nome projéctil vem da
acentuada redução de massa do porta-trama (de 400g (lançadeira) para 40g (projéctil).
A inserção da trama ocorre apenas de um lado da máquina (lado esquerdo) e existem vários projécteis em uso
durante a operação de tecer.
No interior do projéctil existe uma pequena pinça que prende a ponta da trama que foi apresentada.
O percurso do projéctil é orientado por alguns guias metálicos solidários à mesa batente. O pequeno distanciamento
entre as sucessivas guias assegura que o projéctil seja sempre guiado por vários deles.
Durante o movimento de batida do pente, os guias recuam posicionando-se abaixo dos fios da teia para dar espaço
para a batida do pente.
Após cada inserção, os fios de trama são cortados e as suas extremidades são inseridas na cala e tecidas com o fio
de trama seguinte, resultando daí, ourelas sólidas, capazes de resistir a todas as solicitações mecânicas.
Se até os anos 50, as máquinas de tecer de lançadeira produziam movimento do pente por mecanismo de biela e
virabrequim, uma novidade importante foi o movimento do pente por meio de excêntrico. Isto permite que o pente
fique em repouso durante um centro número de graus de rotação.
Este sistema de excêntrico tem um conceito tecnológico muito importante. É constituído por duas levas
conjugadas. A oscilação da mesa batente é produzida com dois excêntricos que trabalham alternados, sendo que um
provoca o retrocesso da mesa batente e o outro, o avanço.
3.3.4 - TEARES DE PINÇA UNILATERAL
Também conhecidos como teares de pinça rígida unilateral, estes teares possuem uma única pinça que fica do lado
oposto da entrada da trama na cala.
O princípio de funcionamento deste tear é simples e seguro, a pinça atravessa a cala e busca a trama que é
apresentada no lado oposto. Pinçada a trama, a pinça retorna, depositando a trama na cala.
Uma tesoura corta a trama rente à ourela.
Este tear pode tecer tramas grossas, irregulares ou com fio fantasia, sendo assim recomendado para tecidos cuja
velocidade de produção não é importante, pois a velocidade de inserção é reduzida porque a pinça realiza metade
de seu trajecto em vazio.
3.3.5 - TEARES DE PINÇA BILATERAL COM TRANSFERÊNCIA
É também conhecido apenas por tear de pinças. Neste tipo de tear as pinças podem receber seu movimento de
hastes rígidas ou cintas flexíveis.
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A trama é levada por uma das pinças até o meio da cala, onde é transferida para a outra pinça que fará o restante do
percurso da trama. A velocidade de produção é muito maior que o sistema unilateral visto que não há inserção
vazia.
A pinçagem da trama pode ser positiva ou negativa:
Na pinçagem positiva, a pinça é dotada de duas lâminas pressionadas elasticamente que agem conforme a trama
chega à pinça, isto é, a acção da pinçagem é orientada pela trama.
Na pinçagem negativa, a trama e a pinça são governadas por mecanismos externos, independentes da trama.
A vantagem da pinçagem negativa é a possibilidade de um aumento da velocidade do tear.
As cintas que conduzem as pinças são flexíveis e podem ser lisas ou perfuradas. No caso das cintas perfuradas,
estas são movidas por rodas dentadas que se encaixam na cinta. Nas cintas lisas este movimento é executado
devido ao atrito da cinta com uma roda lisa. Quando as cintas são recolhidas da cala após cada inserção, estas ficam
em baixo da mesa do batente.
3.3.6 - TEARES JACTO DE AR
Neste tipo de tecnologia a trama é inserida através de um jacto de ar que é expelido pela cala. Este ar deverá ser
isento de partículas de poeira, óleo, humidade e estar na temperatura ambiente. Convém que a instalação de ar
comprimido possua compressores em “stand-by” para eventuais manutenções.
Numa tecelagem com teares jacto de ar, uma boa climatização é muito mais importante que nas outras tecnologias
acima citadas, atendendo que em cada inserção é jogado ar seco na sala, que precisa ser climatizado com uma certa
humidade relativa, caso contrário, o andamento das máquinas pode ser severamente prejudicado.
Notar que o valor da humidade relativa na tecelagem deve rondar os 80%.
Existem teares a jacto de ar com uma saída e com várias saídas (multi-jatos de ar), que possibilitam tecer com mais
cores e diferentes títulos de trama.
O que direcciona o fluxo de ar com a trama na cala são os condutores, que podem ser externos ao pente ou
perfilados ao pente. Normalmente os bicos de ar são montados na mesa batente, o que lhes proporciona o
movimento de vaivém e a possibilidade de efectuar uma regulação mais precisa no momento da inserção, variando
em função do tipo de fio (com pouca pilosidade – fios compacto; ou com normal ou muita pilosidade – fios
normais) e também em função do título da trama.
Fios mais grossos necessitam de maior pressão e consumo de ar.
3.3.7 - TEARES JACTO DE ÁGUA
Neste tipo de tecnologia a trama é inserida através de um jacto de água que é expelido pela cala.
3.3.8 - TEAR BIFÁSICO
O tear bifásico é nada mais do que dois teares (A,B) desfasados em 180º, unidos por um conjunto central que
contém os elementos de inserção. A inserção é realizada por uma haste rígida que contém uma pinça em cada uma
das extremidades. Quando a pinça está totalmente inserida no lado (A) que está com a cala aberta, do outro lado
(B) estará fora da cala e o tear estará batendo a trama anteriormente inserida. Logo após, a pinça retorna da cala (A)
e começa a inserção em (B) e assim sucessivamente.
3.4 - O QUE É UM TECIDO?
Um tecido é um material à base de fios de fibra natural, artificial ou sintética, que compostos de diversas formas
tornam-se coberturas de diversos tipos formando roupas e outros tipos de vestuário e coberturas de diversos usos,
como cobertura para o frio, cobertura de mesa, limpeza, uso medicinal (como faixas e curativos), entre outros.
3.4.1 - Tipos de Tecidos
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Tecidos Planos: são resultantes do entrelaçamento de dois conjuntos de fios que se cruzam em ângulo recto. Os
fios dispostos no sentido horizontal são chamados de fios de Trama e os fios dispostos no sentido vertical são
chamados de fios de Teia.
Tecido Plano: é uma estrutura produzida pelo entrelaçamento de um conjunto de fios de Teia e outro conjunto de
fios de Trama, formando ângulo de (ou próximo) a 90º.
• Teia: Conjunto de fios dispostos na direcção longitudinal (comprimento) do tecido.
• Trama: Conjunto de fios dispostos na direcção transversal (largura) do tecido.
Tecido Malha: A laçada é o elemento fundamental deste tipo de tecido, constitui-se de uma cabeça, duas pernas e
dois pés. A carreira de malhas é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido da largura do tecido. Já a coluna de
malha é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido do comprimento do tecido.
Tecido Não Tecido: Conforme as normas ISO, não-tecido é uma estrutura plana, flexível e porosa, constituída de
véu ou manta de fibras, ou filamentos, orientados direccionalmente ou ao acaso, consolidados por processos:
mecânico (fricção) e/ou químico (adesão) e/ou térmico (coesão) ou a combinação destes.
As ilustrações a seguir representam estruturas dos têxteis citados acima:
Figura nº 2 - Tecido Plano Figura nº 3 – Tecido de Malha Figura nº 4 – Tecido Não-Tecido
3.4.2 - OBTENÇÃO DE TECIDOS
São diversos os métodos utilizados para a obtenção de tecidos. Os mais comuns são:
- Pelo entrelaçamento de um fio consigo mesmo e ou com outros conjuntos de fios, caso em que o tecido é
conhecido como de malha;
- Pelo entrelaçamento de dois conjuntos de fios conhecidos por teias e trama, caso em que o tecido é conhecido por
plano;
- Por métodos menos convencionais como, por exemplo, o não tecido, que pode ser obtido por diversas maneiras:
resinagem, agulhagem, fundição, etc.
Grosso modo o Tecido é um produto manufacturado, em forma de lâmina flexível, resultante do entrelaçamento, de
forma ordenada ou desordenada, de fios ou fibras têxteis.
3.4.2.1 - Sistema de Obtenção de Tecidos
Para que um tecido se forme é necessário entrelaçar fios ou fibras a fim de que seja mantida uma estrutura
dimensional. Para manutenção dessa estrutura utilizamos alguns processos e até mesmo combinações.
Considerando o processo de entrelaçamento de fios, os tecidos se dividem em:
a) Tecidos Comuns: quando o entrelaçamento das duas camadas de fio processa-se no sentido perpendicular. A
camada longitudinal é denominada como já se disse de TEIA e a transversal é a chamada de TRAMA.
b) Malha: existem os tecidos de malha por trama e por teia (Ketten). Como exemplo para malhas trama, temos o
jersey, as felpas, americana e italiana, os ribs, os inlerlock, os jersey piqué, os interlock piqué, ou turcos entre
outros.
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Para as malhas teia, temos a chamada malha Ketten, muito usada na produção de robes.
c) Laçada: este é um processo conjugado que agrega o processo de tecidos comuns ao de malha. Porém, em
determinadas situações, a malha fecha-se formando laçadas ou nós. Como exemplo temos a renda.
d) Processo de entrelaçamento de fibras: neste caso, as fibras são dispostas em camadas e entrelaçadas por
agentes mecânicos. São também adicionados produtos químicos para completar a feltragem. Como exemplo temos
os não-tecidos, feltros de lã e outros.
e) Processo de Acção de Adesivos ou Fusão de Fibras consiste apenas na união de fibras por processo químico.
Como exemplo temos os não-tecidos, folheado e o denominado “Perfex”(marca comercial existente no mercado).
3.4.2.2 – Classificação dos tecidos
3.4.2.2.1 - Quanto à Estrutura (formação):
a) Tecidos Comuns ou Planos: são aqueles resultantes do entrelaçamento de dois conjuntos de fios que se cruzam
em ângulo recto e podem se dividir em:
 Tecidos simples - Formados por um conjunto de fios da teia por um ou mais fios de trama;
 Tecidos compostos - Formados por mais de um conjunto de fios de urdimento por um ou mais fios
de trama;
 Tecidos felpudos - São tecidos compostos, cuja superfície apresenta felpas salientes, inteiras ou
cortadas. Exemplo: Tecidos veludos;
 Tecidos lenos - São em geral muito porosos e cujos fios da teia se entrelaçam com as tramas e
também com outros fios da Teia. Exemplo: Tecido gaze
 Tecidos jacquard - São tecidos simples ou compostos, que apresentam grandes desenhos obtidos
por efeito de entrelaçamento ou por efeito de combinação do entrelaçamento com coloração do fio:
Exemplo: Tecidos colcha.
b) Tecidos de Malha: resulta da formação de laços que se interpenetram e se apoiam lateral e verticalmente,
provenientes de um ou mais fios. Existem as:
 Malhas de Trama - Trata-se de tecidos obtidos a partir do entrelaçamento de um único fio,
podendo desse processo resultar um tecido aberto ou circular.
 Malhas de Teia - São tecidos obtidos a partir de um ou mais conjuntos de fios, colocados lado a
lado, à semelhança dos fios de Teia utilizados na tecelagem comum.
 Malhas mistas – São tecidos de malha Teia ou malha Trama com inserção periódica de um fio de
trama, tendo como objectivo dar melhor estabilidade dimensional ao tecido.
Exemplos: malhas jersey, malha tricô, malhas Ketten entre outros.
c) Tecidos de Laçada: são obtidos por processos de entrelaçamento que se aproximam da malha e do tecido
comum, diferenciando-se pelo fato de os fios, em determinadas situações, realizarem laçadas completas (nós) que
formam a base da amarração. Exemplo: rendas, cobertores e outros.
d) Não-Tecidos: são obtidos directamente de camadas de fibras que se prendem umas às outras por meios físicos
e/ou químicos, formando uma folha contínua.
Exemplos:
 Feltro - São tecidos resultantes do entrelaçamento de fibras de lã ou similares, através da acção
combinada de agentes mecânicos e produtos químicos que actuam sobre os mesmos.
 Folheado - São tecidos feitos a partir de um véu de fibras têxteis, não feltrantes, mantidas juntas por
meio de um adesivo ou por fusão de fibras termoplásticas. Apresenta três sub-tipos: com fibras
orientadas, com fibras cruzadas e com fibras dispostas ao acaso.
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 10 de 86
e) Tecidos Especiais: são aqueles obtidos por processos dos quais resulta uma estrutura mista de tecido comum,
malha e não-tecido ou ainda, como resultante de soluções de polímero de fibras aplicadas ao tecido.
Exemplos:
 Laminados -São estruturas obtidas pela colagem de dois tecidos diferentes ou pela simples
aplicação de um impermeabilizante químico a um tecido qualquer.
 Malinos - É uma estrutura obtida pela sobreposição, sem entrelaçamento, da camada de Teia sobre a
camada de trama e cuja ligação é obtida por uma cadeia de pontos de malha.
 Filmes - São estruturas têxteis, aproximando-se mais da textura do papel. São produzidos a partir de
soluções de fibras têxteis, mais frequentemente de nylon. Podem aparecer isolados ou laminados
com outro tecido.
3.4.2.2.2 - Quanto à Coloração:
a) Tecidos Crus: são tecidos que não sofrem acabamento a húmido após o tecimento. Apresentam-se como saíram
das máquinas de tecer.
b) Tecidos Alvejados: são aqueles submetidos ao processo de alvejamento/branqueamento.
Alguns fios coloridos presentes (tecidos listrados ou de xadrez) permanecem na sua cor original.
c) Tecidos Tintos: são tecidos que por meio de processos a húmido, recebem uma coloração única em toda sua
extensão.
d) Tecidos Mesclados: são obtidos pela mistura de fibras ou de fios de diferentes colorações dispostos de forma
irregular e sem formar padrões definidos.
e) Tecidos Listrados: podem ser listrados (às riscas) somente por processo de preparação da Teia ou somente pela
utilização de fios trama de diferentes tonalidades ou obtidos pela combinação dos dois (xadrez).
f) Tecidos Estampados: são aqueles que apresentam desenhos obtidos por meio da aplicação de corantes em áreas
específicas.
3.4.3 - TECIDOS PLANOS
a) Tecidos Planos: são tecidos formados pelo entrelaçamento de dois fios que se cruzam perpendicularmente
b) Estrutura do Tecido Plano:
A estrutura de um tecido plano é formada por:
- Um Fio transversal, no sentido da largura, que forma a TRAMA.
e
- Um Fio longitudinal, no sentido do comprimento, que forma a TEIA ou o órgão da urdissagem.
O arremate lateral, no sentido do comprimento, é chamado OURELA.
Os fios de Teia por serem os que sofrem maior tensão, tanto nas operações de tecer, como nas que antecedem e,
também no acabamento devem ser de melhor qualidade, ou seja, mais resistentes, mais elásticos e mais lisos.
Estas exigências de boa qualidade são necessárias ao bom desempenho dos fios de Teia e está directamente ligadas
ao tipo de matéria-prima, os processos de obtenção, ao valor da torção, às condições ambientais e a engomagem do
fio.
Existem vários tipos de entrelaçamentos (armações), o que dá origem a tecidos portadores de aspectos diferentes. A
identificação dos diversos tecidos planos é feita através de uma classificação técnica.
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Tabela nº 1 – Classificação Técnica dos Tecidos Planos
TECIDOS PLANOS
Fundamentais
TÁFETÁ
Gorgurão
Naté
Reps
SARJA
Fantasia
Quebrada
Interrompida
Batávia
Diagonal
Entrelaçada
Reps diagonal
CETIM
Simples
Fundo aplicado
Múltiplos
Granité
Adamascado
Derivados diversos
Gaufré ou Ninho de Abelha
Mock Leno
Crepes
Fantasia
Compostos
Dupla face
Duplos ou tubulares
Triplos
Fustões
Piqués
Matelasses
Brocados
Especiais
Esponjosos
Peludos
Gazes (Lenos)
Jacquard
Não-tecidos ("Non-Wovens")
Existe também uma classificação comercial, que se baseia mais na aparência do tecido, do que, propriamente, no
entrelaçamento de seus fios.
Caracteriza-se pelo entrelaçamento de dois conjuntos de fios efectuando aproximadamente um ângulo de 90º. Um
desses conjuntos fica disposto no sentido longitudinal do tecido e é conhecido por teia, enquanto o outro fica
disposto no sentido transversal (perpendicular às teias) e é conhecido por trama.
Esse entrelaçamento é obtido em equipamento apropriado conhecido por tear.
As ligações ou cruzamentos dos fios de teias com os fios de trama nos tecidos é chamada de padronagem.
Cada construção dentro de uma certa ordem de cruzamento é denominada de ligação ou desenho.
As possibilidades das ligações ou desenhos são enormes, mas elas sempre derivam de uma ligação considerada
fundamental. Essas ligações fundamentais são construídas regularmente, mas diferem das umas das outras.
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 12 de 86
Os fios de Teia por serem os que sofrem maior tensão, tanto nas operações de tecer como nas que antecedem e,
também no acabamento devem ser de melhor qualidade, ou seja, mais resistentes, mais elásticos e mais lisos.
Estas exigências de boa qualidade são necessárias ao bom desempenho dos fios de Teia e está directamente ligadas
ao tipo de matéria-prima, os processos de obtenção, ao valor da torção, às condições ambientais e a engomagem do
fio.
Existem vários tipos de entrelaçamentos (armações), o que dá origem a tecidos portadores de aspectos diferentes. A
identificação dos diversos tecidos planos é feita através de uma classificação técnica. Existe também uma
classificação comercial, que se baseia mais na aparência do tecido, do que, propriamente, no entrelaçamento de
seus fios.
3.4.4 – PRINCIPAIS COMPONENTES DE UM TEAR
Como já sabemos, os tecidos são processados em máquinas chamadas de teares, e os principais componentes de um
tear são:
Rolos da Teia: são os que contêm os fios de Teia e que são, nada mais nada menos que rolos de fios paralelos;
Quadros de Liços: os Fios da Teia passam pelo olhal dos liços, que se acham dispostos em quadros responsáveis
pela formação da cala (abertura formada por duas camadas de fios da Teia);
Pente: depois dos quadros de liços, os fios passam por um pente que determina a largura e a densidade da Teia e é
responsável pelo remate da trama. Nos teares de lançadeira ou pinças servem como guia para a mesma;
Rolo de Tecido: para enrolar o tecido pronto.
Figura nº 5 – Componentes de um tear
Notar que, para conseguirmos a passagem da trama entre os fios da teia (cala), utiliza-se o elemento que se chama
“porta-tramas”, dentre os quais os mais conhecidos são: a lançadeira, a pinça e o projéctil.
No que se refere aos movimentos básicos do tear podemos considerar:
1º - A formação da cala;
2º - A inserção da trama;
3º - A batida do pente.
Formação da Cala: a abertura triangular de duas camadas de fios da teia com auxílio de alavancas e cordéis ou
fios de aço amarrados aos quadros de liços onde os fios estão inseridos;
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Figura nº 6 - Formação da CALA
Inserção da Trama: introdução dos fios de trama por meio de lançadeira, pinças, projéctil, jacto de ar ou jacto de
água.
Figura nº 7 – Inserção da TRAMA
Batida do Pente: o pente está preso à frente e tem movimento de vaivém. Quando ele vem à frente, encosta a
última trama inserida no remate e quando recua propicia a inserção da trama seguinte.
Figura nº 8 – Batido do PENTE
3.5 - NOÇÕES DE PADRONAGEM
Como já se disse, os equipamentos que produzem tecidos planos são os chamados teares.
Papel Técnico: Já é sabido que todo tecido plano é formado por uma camada de fios paralelos (teias), camada essa
que se entrelaça com outra também de fios paralelos denominados Trama. Esse entrelaçamento está relacionado
com as evoluções que cada fio e cada trama realizam entre si.
Evolução - É o caminho percorrido por cada fio ou trama ao se entrelaçar.
O papel técnico é um papel quadriculado, próprio para a representação do desenho têxtil. Essa representação
obedece a algumas convenções, que passaremos a examinar à medida que formos avançando com o nosso estudo.
1. Representação dos fios da Teia: no papel quadriculado, os fios da Teia são representados pelo espaço
compreendido entre duas linhas verticais. A numeração dos fios é feita da esquerda para a direita, como a seguir se
indica – 1, 2, 3.
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2. Representação dos fios de trama: Os fios de trama são representados, no papel quadriculado, pelo espaço
compreendido entre duas linhas horizontais e sua numeração processa-se de baixo para cima, como mostramos
abaixo:
3_________
2_________
1_________
O cruzamento das linhas verticais com as horizontais forma quadrículas. No papel técnico cada quadrícula
representa o cruzamento de um fio da teia com um fio de trama.
A quadrícula marcada recebe o nome de PONTO TOMADO (PICA).
A quadrícula vazia recebe o nome de PONTO DEIXADO (DEIXA).
Os fios que se entrelaçam com as tramas passarão ora por cima, ora por baixo das mesmas. O nosso objectivo,
utilizando o papel técnico, é representar nele a passagem do fio da Teia por cima ou por baixo da Trama.
Quando o fio estiver por cima da trama, deve-se marcar a quadrícula e essa marcação é feita, indiferentemente, das
seguintes formas:
Colocando um X na quadrícula correspondente
ou
Pintando com uma cor determinada essa quadrícula.
3.5.1 - Representação das Evoluções:
Podemos representar graficamente as evoluções, utilizando o papel técnico e obedecendo às convenções
normalmente utilizadas e internacionalmente aceites.
3.5.2 - Desenho da evolução do fio e representação no papel técnico:
4 4
3 3
2 2
1 1
3.5.3 - Base da Evolução: Chama-se Base da Evolução à evolução que se repete.
Notar que os padrões são desenvolvidos conforme a aparência, a finalidade, e também o grau de durabilidade
desejado.
Uma construção simples necessita de apenas dois quadros de liços, uma vez que a trama entrelaça-se com o teias
cruzando-as um fio por cima e um fio por baixo, sucessivamente.
Cada vez que o padrão vai ficando mais complexo, maior é a quantidade de quadros de liços necessária.
3.6 - AS ESTRUTURAS BÁSICAS: Existem três ligamentos (ou padrões) básicos, que são a origem dos mais
complexos: a tela ou tafetá, a sarja e o cetim.
3.6.1. - O LIGAMENTO TELA: É o ligamento de construção mais simples existente e, por consequência a que
utiliza menos quadros e a que são produzidos nos teares mais simples.
Também é conhecido por ligamento tafetá, porém não se pode confundir o nome do ligamento com o do tecido.
O fio de trama, nesta construção, cruza-se com o fio da teia, um fio por cima e um fio por baixo, sucessivamente.
No retorno o fio da teia que estava por cima passa a ficar por baixo e vice-versa. Se os fios tiverem espessura
adequada e estiverem próximos entre si, o tecido será firme e terá características para vestuário.
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Figura nº 9 – Estrutura Tela ou Tafetá
3.6.1.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Tela
O ligamento tela é o mais simples dos ligamentos e é, também o que possibilita maiores contracções de teia e
trama. Em média essa contracção normalmente ronda os 12%, podendo alcançar até um pouco mais (cerca de 20%)
nos casos de tecidos de estrutura fechada.
Notar que nas estruturas abertas essas contracções são menores.
Não obstante esta particularidade, é o ligamento utilizado nos tecidos mais leves, uma vez que o entrelaçamento
prende bem os fios, ainda que os factores de cobertura da teia e da trama sejam baixos.
Tecidos em ligamento tela são utilizados nas mais diversas finalidades, desde vestuário, até uso técnico e industrial,
podendo ser cru, estampado, tinto em peça ou produzido utilizando fio tingido.
3.6.1.2 - Tipos de Tecidos com ligamento tela:
Cambraia: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, sendo também
bastante apreciada a cambraia produzida com fio de linho. Normalmente são utilizados na produção de camisas
masculinas e blusas femininas.
Organdi: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, podendo
também ser utilizada a poliamida, a viscose e o acetato, sendo bastante apreciado o organdi de seda. Normalmente
é utilizado, em roupas femininas.
Voile: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, sendo também
utilizadas misturas de algodão com poliéster para artigos mais baratos. É principalmente utilizado na produção de
camisas masculinas e blusas femininas.
Gaze Cirúrgica: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), sempre em algodão puro, e que leva
tratamento especial para dar-lhe características hidrófilas.
Tricoline: Tecido fino, também leve (inferior a 135 g/m2), em algodão puro. É utilizado na produção, de camisas
masculinas, blusas femininas, vestidos e saias.
Popelina: São tecidos leves ou médios quanto à densidade superficial (pode ser tecidos com gramagem inferior a
135 g/m2, no entanto pode ir até 270 g/m2), sempre com estrutura fechada, em algodão puro, ou em misturas dessa
fibra com poliéster. Os fios são normalmente cardados, sendo utilizados os penteados para artigos de melhor
qualidade. Usado principalmente para vestuário.
Flanela: Tecido leve (inferior a 135 g/m2), em algodão puro. Utiliza-se normalmente um fio da trama com um
título aproximadamente o dobro do fio da Teia. O uso da trama mais grossa justifica-se pelo acabamento que lhe
será dado, onde os pêlos serão levantados no processo de acabamento através da cardação.
Normalmente produzido com fios tingidos são utilizados em vestuário, nomeadamente camisas masculinas para
inverno, por exemplo.
Notar que quando tingido em peça é normalmente produzido com fios de baixa qualidade atendendo que a sua
aplicação é para panos de limpeza e polimento.
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3.6.2 - O LIGAMENTO SARJA: Esta estrutura distingue-se por sua diagonal bem definida.
Uma inversão dessa diagonal possibilita um aspecto em ziguezague, conhecido por espinha de peixe. Outros efeitos
visuais podem ser obtidos por variações da diagonal e/ou das cores dos fios.
O entrelaçamento em diagonal possibilita maleabilidade e resiliência aos tecidos. O tecido em ligamento sarja é
normalmente mais firme que o tecido em ligamento tela, tendo menos tendência a se sujar, apesar de ser de
lavagem mais difícil.
Figura nº 10 – Estrutura Sarja
3.6.2.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Sarja
O ligamento sarja é o primeiro mais complexo depois do ligamento tela. Os tecidos em ligamento sarja são
principalmente utilizados para vestuário, particularmente em roupas profissionais, como macacão, avental e em
outros tecidos onde uma construção forte é fundamental. Destaca-se a sua utilização em jeans sendo actualmente é
um importante artigo da moda.
É frequentemente mais firme que o tecido em ligamento tela, tendo menor tendência a sujar-se, apesar de ser de
limpeza mais difícil na lavagem. Normalmente o tecido é tinto em peça, excepção ao tecido denim (onde o fio da
teia é tingido e a trama é de fio cru). Poderá ser estampado se porventura se desejar, embora não seja muito
comum.
3.6.2.2 - Tipos de Tecidos com ligamento Sarja:
Brim: Tecido bastante popular, de densidade superficial média, (entre 136 e 270 g/m2), normalmente em algodão
puro ou em misturas desta fibra com viscose e ou com poliéster. É normalmente utilizado na produção de calças e
roupas profissionais. O ligamento utilizado é a sarja 2/1, geralmente com diagonal à esquerda conforme a figura
abaixo:
Figura nº 11 – Estrutura de ligamento BRIM
Sarja 1/3: Tecido de densidade superficial leve (até 135 g/m2), nas estruturas relacionadas a seguir, pode
entretanto, ser também de densidade superficial média, normalmente em algodão puro, ou em misturas de algodão
com viscose e ou poliéster.
Os fios são cardados podendo ter grande variedade de títulos. É um tecido pouco produzido, para uso,
principalmente, em vestuário.
Figura nº 12 – Estrutura de ligamento SARJA 1/3
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Sarja 3/1: Tecido bastante popular, de densidade superficial média ou pesada, (entre 136 e 270 e superior a 271
g/m2), normalmente em algodão puro, ou misturado com viscose e ou com poliéster. Utiliza-se principalmente na
produção de roupas para desporto e ou para uso profissional.
Figura nº 13 – Estrutura de ligamento SARJA 3/1
Denim: Provavelmente será o tecido mais popular actualmente. Trata-se de um tipo especial de brim, onde o fio da
teia é tingido (geralmente em azul índigo) e a trama crua. A densidade superficial é média ou pesada (entre 136 e
270 e em alguns casos superior a 271 g/m2), sempre em algodão puro. É utilizado, principalmente, na confecção de
roupas para desposto, lazer e ou para uso profissional.
Figura nº 14 – Estrutura de ligamento DENIM
3.6.3 - O LIGAMENTO CETIM: É similar à sarja, porém é geralmente utilizada em repetições de cinco a doze
fios de Teia e de Trama. A principal diferença entre os dois ligamentos é que a diagonal não é claramente visível
no cetim. Ela é intencionalmente interrompida a fim de contribuir para uma superfície lisa e lustrosa.
A textura não é tão visível do lado direito, por que os fios que o compõe são, geralmente, mais finos e em maior
quantidade do que os que formam o avesso.
Figura nº 15 – Estrutura Cetim
3.6.3.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Cetim
O ligamento cetim: trata-se do mais complexo dos ligamentos fundamentais. Os tecidos em ligamento cetim são
principalmente utilizados para vestuário (particularmente para roupas de noite) para forros de casacos e para
decoração, estando frequentemente ligado à ideia de artigo de luxo.
É normalmente menos firme que o tecido em ligamento tela ou em sarja. O reflexo de luz dos fios flutuantes
possibilita ao tecido o brilho que aparece na direcção dos fios de maior cobertura. Tem melhor caimento que os
tecidos em tela e em sarja. Tem menos tendência a sujar-se, sendo de limpeza mais fácil na lavagem. Quanto mais
quadros de liços tiver a repetição, maior será a cobertura da Teia. Normalmente, o tecido é tinto em peça. Nada
impede que seja estampado, no entanto é muito pouco frequente e mesmo muito raro a estampagem destes tipos de
tecidos.
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 18 de 86
3.6.3.2 - Tipos de Tecidos com ligamento Cetim:
Cetim de 5 à TEIA: Tecido sempre fechado, de densidade superficial leve ou média, (inferior a 135 e até 270
g/m2), normalmente em algodão puro, ou em mistura com viscose e ou poliéster. Os fios podem ser cardados ou
penteados.
Figura nº 16 – Estrutura de ligamento Cetim 5 à TEIA
Cetim de 5 à TRAMA: Tecido sempre fechado, de densidade superficial leve, (inferior a 135 g/m2), normalmente
em algodão puro, ou em mistura com viscose e ou poliéster. Os fios podem ser cardados ou penteados.
Figura nº 17 – Estrutura de ligamento Cetim 5 à TRAMA
3.7 – Coeficientes de Ligação dos Elementos
Os Coeficientes de ligação dos elementos são de grande importância para podermos medir a magnitude dos
ligamentos e possibilitar a elaboração das cartas de forma correcta e simultaneamente possibilitar a sua utilização
para futuros cálculos de fabricação.
Para termos uma ideia clara da dita magnitude, será necessário encontrar o COEFICIENTE que corresponde a cada
ligamento (Tramas e Teias). Este coeficiente obtém-se pelo quociente da divisão do total de pontos de ligação por
Teia ou por Trama, pelo total de quadrados da carta (número de fios e número de tramas.
Assim, cada debuxo terá dois coeficientes de ligação, um de teia e ou outro de trama.
Se representarmos por CTE e CTR os coeficientes de ligação por Teia e por Trama, respectivamente, temos as
fórmulas de cálculo seguintes:
Pontos de ligação por fio na teia Pontos de ligação por trama
CTE = -----------------------------------------; CTR = ----------------------------------------
Total de quadrados da carta Total de quadrados da carta.
Em seguida vamos apresentar como exemplo algum exemplo prático que facilitará a compreensão de como se
determina os coeficientes de ligação de um tecido simples.
Considerando, por exemplo, um Tafetá simples, o coeficiente é igual à unidade, tanto na Trama como na Teia. Isto
é, o primeiro (1º) fio passa por cima da primeira (1ª) trama e por debaixo da segunda (2ª), o que é igual a dois
ligamentos; o 2º fio passa por baixo da 1ª trama e por cima da 2ª, também tem dois ligamentos. Assim, temos na
Teia 4 ligamentos numa carta de 4 quadrados, isto é:
4
CTE = ------------ = 1
4
Por outro lado, a 1ª trama passa por baixo do 1º fio e por cima do 2º, logo tem 2 ligamentos; a 2ª trama passa por
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cima do 1ª fio e por baixo do 2ª, logo também tem 2 ligamentos. Neste caso, a Trama também tem 4 ligamentos na
mesma carta de 4 quadrados, isto é:
4
CTR = ------------ = 1
4
Lembro que o Tafetá é portanto o ponto que mais liga, com um coeficiente médio de ligação de 1.
Todos os outros pontos têm um valor inferior à unidade.
Como novo exemplo, agora para 2 fios e 8 passagens, teremos 16 quadrados. Os fios com as suas flutuações, têm 2
ligamentos cada um:
Logo:
4
CTE =---------------- = 0,25
16
A trama faz trabalho de tafetá e tem 2 ligamentos em cada uma:
16
CTR = -------------------- = 1
16
Assim, o coeficiente de ligação médio será de: (0,25+1)/2 = 0,625
Classificação dos ligamentos segundo o Coeficiente de Ligação Médio:
Muito Ligados 1,00 a 0,66 de Coeficiente Médio
Normal 0,66 a 0,40 de Coeficiente Médio
Pouco Ligados 0,40 a 0,20 de Coeficiente Médio
Muito Leve 0,20 a 0,10 de Coeficiente Médio
4 – OUTRAS CARACTERÍSTICAS / TIPOS DE TECIDOS
Alguns tecidos têm origem há muitos anos, em alguns casos datam da era AC. A maior parte teve a sua estrutura
alterada com o tempo. A seguir estão relacionados por ordem alfabética alguns dos mais conhecidos tecidos
produzidos até aos dias de hoje.
4.1 - CHIFFON (Origem: França): origina-se na palavra francesa que significa trapo. Trata-se de um tecido de
seda produzido com fio bastante torcido e resistente. É um tecido aberto, o que lhe dá transparência. Utilizam-se
fios retorcidos, usualmente dispostos de forma alternada, um fio com torção no sentido S e outro em sentido Z,
tanto nas Teias como nas Tramas.
A palavra Chiffon utilizada em conexão com o nome de outros tecidos indica-nos que se trata de um tecido mais
leve que o original, por exemplo: crepe chiffon, tafetá chiffon, veludo chiffon, etc.
4.2 - CREPE (Origem: França): originário da palavra crepe que significa ondulado, crespo. Pode ser obtido de
diversas formas, conjugando-se um ligamento apropriado a fios retorcidos, possibilitando um efeito granulado e
rugoso – notar que, para se conseguir este tipo de produto é necessário que os fios utilizados no processo de tecer
possuam um alfa de torção bastante elevado (a rondar os 6 e 7 de alfa da torção – dependendo do título do fio: mais
pesado – alfa menor; mais leve – alfa mais elevado).
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4.3 - CREPE da China (Origem: China): tecido de seda muito fino e leve, obtido por ligamento crepe e utilizando
na teia fios com pouca torção e na trama fios retorcidos (torção crepe) dispostos alternadamente em dois fios com
torção no sentido S e dois fios sentido Z. Normalmente este tipo de tecido é tingido tinto em peça ou estampado.
4.4 - CREPE Georgette (Origem: Reino Unido): neste tipo de artigo, são utilizados tanto na teia como na trama,
fios retorcidos (torção crepe) dispostos dois fios com torção no sentido S e dois no sentido Z. Trata-se de uma
musseline mais pesada, porém ainda transparente. Quando apenas um sentido de torção é utilizado na teia e na
trama, é mais conhecido como CREPE Suzette.
4.5 - CREPE Romain (Origem: Itália): tecido de seda similar ao CREPE Georgette, porém com ligamento panamá
de 2. Por essa razão o tecido é mais fechado e a granulação mais acentuada. Utiliza fios retorcidos (torção crepe)
tanto na teia como na trama, sendo dispostos alternadamente de dois em dois fios com torção em sentido S depois
Z.
4.6 - CREPE Marocain (Origem: Marrocos): tecido de seda similar ao CREPE da China, porém mais pesado e
com granulação mais acentuada.
4.7 - CREPE de Lã: tecido de lã penteada. Utiliza fios retorcidos (torção crepe) tanto na teia como na trama.
4.8 - DAMASCO (Origem: Ásia Menor): trata-se de um tecido de seda ricamente decorado, trazido para o
ocidente por Marco Polo no século XIII nas suas viagens ao oriente. O nome teve origem na cidade de Damasco
que era o centro mais importante que situado entre o oriente e o ocidente e emprestou o seu nome a esse tecido
luxuoso. O ligamento é geralmente o cetim. Os melhores damascos em linho têm 50% mais batidas/cm do que
fios/cm. Os damascos, brocados e outros tecidos similares têm características diferentes actualmente, porém eram
produzidos pelos princípios gerais do damasco, naquela época. Hoje são obtidos em teares com Maquineta
Jacquard.
4.9 - GABARDINE (Origem: Espanha): Tem origem na Idade Média, conhecida por gabardina, que significa
protecção contra fenómeno atmosféricos - é um tecido bem estruturado, com textura aparente de sarja 2/1, 3/1 ou
múltipla, em ângulo de 45º. Adequado para sobretudos, casacos, entre outras peças. É produzido actualmente com
praticamente todos os tipos de matéria-prima.
4.10 - JACQUARD (Origem: França): Tecido que apresenta grandes desenhos geométricos ou artísticos e deve o
seu nome a Joseph Marie Jacquard (1752 - 1834) que aperfeiçoou a maquineta que possibilita a obtenção mecânica
desses tecidos.
4.11 - MUSSELINE (Origem: Mesopotâmia, actualmente Iraque e parte da Turquia): Tecido produzido
originalmente na cidade de Mawsil pelo povo turco. É um tecido muito leve e transparente produzido com fios de
seda com torção elevada. Pode também ser produzido em acetato, viscose, lã ou algodão.
4.12 - ORGANDI (Origem: França): Tecido leve tipo musseline, com acabamento engomado. Recebe esse nome
porque a palavra francesa organdi significa musseline de algodão fino e macio.
4.13 - SHANTUNG (Origem: China): Originário da província desse nome. Possui diversos tipos de imperfeições
naturais sendo produzido por fios bastante irregulares, características que são transferidas ao tecido. Utilizado para
trajes masculinos e vestuário feminino em geral.
4.14 - TAFETÁ (Origem: Pérsia/Irão): É um dos mais antigos tecidos conhecidos pelo homem. Feito
originalmente em seda, tem superfície lisa, textura regular e uma leve nervura no sentido da trama.
Tem origem na palavra persa taftah que significa tecer. É frequente o efeito de acabamento moiré.
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5 - OBTENÇÃO DE:
5.1 – Tecidos Planos
5.1.1- Geometria e propriedade dos tecidos planos:
Os materiais têxteis possuem propriedades mecânicas quase únicas, tais como, flexibilidade e resistência, que os
tornam extremamente importantes para a maior parte das finalidades em que são utilizados. Estas propriedades
devem-se não somente às propriedades das fibras utilizadas mas também a estrutura do aglomerado fibroso.
É possível estudar-se a geometria dos tecidos a dois níveis nomeadamente, o descritivo e o mecânico. O primeiro
apenas tenta descrever a geometria de determinado tecido. A maneira mais fácil de o fazer é descrever a posição do fio em
determinado tecido através das coordenadas do eixo do fio à medida que este progride no módulo de repetição da
estrutura. Devido à estrutura e à dificuldade de se obter este tipo de descrição na prática, mesmo a partir de
microfotografias da estrutura, métodos mais simplificados são geralmente utilizados. Estes consistem normalmente em
conceber um modelo geométrico hipotético da estrutura, que pode intuitivamente ser visto como possuindo muitas das
particularidades visíveis na estrutura real. A partir das equações de geometria assim assumida, é possível analisar o
efeito de forças e binários no modelo. A concepção mecanística, por outro lado, tenta descobrir as razões pelas quais os
elementos do tecido possuem determinada geometria.
As três áreas mais importantes na aplicação da geometria dos “tecidos” são as seguintes:
 A análise das propriedades mecânicas dos tecidos;
 O cálculo das dimensões a partir de parâmetros utilizados para a afinação das máquinas e o inverso, isto é, o
cálculo dos parâmetros de acerto das máquinas a utilizar a fim de produzir determinado tecido;
 As variações dimensionais dos tecidos durante sua produção e utilização.
As características de um tecido dependem essencialmente:
 Do tipo da ligação (Tela, Sarja, Cetim, etc.);
 Do espaçamento de fios (inverso de densidade de fios);
 Das propriedades do fio utilizado.
O estudo da geometria dos tecidos têm por objectivo investigar a interacção entre esses factores e a sua influência
nas propriedades dos tecidos tais como:
 Cobertura do tecido;
 O comportamento à flexão do tecido.
5.1.2 – Processo de Tecer
O processo de tecer é uma das artes mais antigas. Como muitas outras artes passaram-se séculos sendo realizados
de uma mesma maneira e suas melhorias eram muito lentas, tão lentas que uma mesma geração não conseguia
notar qualquer modificação.
Porém, hoje porém vivemos num século de grandes modificações e aperfeiçoamentos tecnológicos, de tal maneira
que uma melhoria poderá deixar de ter interesse em pouco anos após o seu “ nascimento”.
Todos sabemos que o produto produzido pelas máquinas de tecer é denominado tecido plano, que é formado a
partir do entrelaçamento de um conjunto de fios paralelos, no sentido longitudinal dos tecidos chamados Teia, com outros
fios situados transversalmente ao tecido, chamados Trama.
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Abaixo temos, indicado pelas setas, o sentido da Trama e da Teia:
Tecido
TEIA
TRAMA
Figura nº 18 – Tecido: Direcção da Teia e da Trama
Notar que numa análise visual de um tecido, os fios Teia ficam sempre paralelos às ourelas.
No caso de numa análise de uma amostra que não contenha a ourela, então podemos considerar que os fios
Teia situam-se no sentido onde há maior densidade de fios por cm ou por polegada.
5.1.3 - Propriedades Físicas de um Tecido:
A maneira como as matérias-primas utilizadas e a própria geometria dos tecidos influencia as suas propriedades
físicas, são factores de grande importância no que diz respeito à concepção dos têxteis e ao seu comportamento
durante o processamento e a sua utilização.
As razões que levam ao ensaio de tecidos para avaliar as suas propriedades são variáveis, sendo as mais comuns:
 Verificar se o “tecido” se encontra de acordo com as especificações, normalmente considerando as normas
NP EN IS 1049 – 1 e 2; ISO/DIS 2323; NP ISO 675-2013- Variações Dimensionais; NP ISO 9867- 2013
Avaliação do Desenrugamento dos Tecidos;
 Analisar o efeito de modificações na estrutura;
 Analisar o efeito de tratamentos físicos e químicos;
 Obter informações quanto ao comportamento durante a sua utilização;
 Investigar falhas e reclamações de clientes;
 Estudar a interacção entre as propriedades das fibras, dos fios e dos tecidos.
Notar que a escolha dos instrumentos de análise laboratorial mais apropriada depende do tipo de informação
pretendida.
Em alguns casos não existe equipamento que permita efectuar os ensaios e nesse caso torna-se necessário conceber
aparelhos especiais.
O chamado entrelaçamento não é mais do que o processo de passar um ou vários fios de Teia por cima ou por
baixo de um ou vários fios de Trama. O entrelaçamento mais simples entre estas duas direcções de fios dá origem
às chamadas telas ou Tafetá.
No que se refere ao desenvolvimento e evolução dos fios de Teia esta poderá ser feita nas mais diversas formas
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obtendo assim os mais complicados tipos de ligamentos.
Como já foi explicado na rubrica estruturas básicas, os tipos de ligamentos mais conhecidos são:
 - Tela ou tafetá;
 - Sarja;
 - Cetim ou raso
Para conseguir-se a passagem da Trama entre os fios de Teia (cala), utiliza-se o elemento chamado transporte de Tramas, que
pode ser, dependendo do tipo de máquina, denominado, a/o
 - Lançadeira;
 - Projéctil;
 - Jacto de ar;
 - Jacto de água
Sabemos que dentre estes os mais conhecidos são a Lançadeira e o Projéctil embora hoje em dia seja muito usual a utilização
do jacto de ar e o jacto de água.
No que se refere aos movimentos básicos para o processamento da Tecelagem podemos considerar:
 1 - Abertura da cala;
 2 - Inserção da Trama;
 3 - Batida do pente
Para formar um tecido no tear, é necessário formar uma cala. Para conseguirmos inserir a Trama é necessário, através de
liços, excêntricos e outros meios, dividir os fios de Teia e, conforme o desenho, criar a ligação. Os fios de Teia que
sobem são denominados cala de cima e os fios que descem, cala de baixo. Dentro desta cala procede-se à
introdução do fio de Trama através do sistema de inserção utilizado e que transporta o fio, seja através de uma
canela (sistema praticamente em desuso, salvo em máquinas muito antigas) ou fio de uma ou mais bobines
dependendo, do tipo de sistema de transporte utilizado.
Este maquinismo de transporte para efectuar a inserção vai de um lado para o outro atravessando a cala e deposita aí a
Trama. Posteriormente esta Trama é empurrada pelo pente para frente encostando-a no tecido já formado. Após
cada Trama lançada forma-se uma nova cala.
Conforme o desenho (debuxo) definido, haverá fios que sobem e fios que descem numa dada inserção.
Nos retornos do mecanismo de inserção que se desloca de um para outro lado, as ourelas seguram a Trama.
Geralmente são feitas com o dobro das densidades do que o próprio fundo do tecido ou fios retorcidos. Estas
ourelas servem, também, no acabamento do tecido quando o mesmo é passado na râmola, onde este é segurado
pelas ourelas, por isto a largura das ourelas deve ser de aproximadamente 1 cm, especialmente quando se trata de
tecido médio ou pesado.
Uma boa ourela indica a qualidade do trabalho na tecelagem e é vista como um indicador de qualidade.
Muitas vezes colocam-se, também, alguns fios coloridos!
A densidade de um tecido representa o número de fios (Teia) ou Tramas por unidade de comprimento.
Notar que varia em função da fase de seu processamento:
 - Densidade no tear.
 - Tecido cru.
 -Tecido acabado.
5.1.4 - Gramagem:
Gramagem é a massa por unidade de superfície. A unidade de medida é gramas por metro quadrado. O tecido pode
ser avaliado através da gramagem conforme a tabela nº 1.
Tabela nº 02 - Classificação da Gramagem
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Gramagem (g/m2) AVALIAÇÃO DO TECIDO
 140 LEVE
140  250 MÉDIO
 250 PESADO
5.1.5 - A ondulação e a contracção dos fios do tecido:
Ondulação é a relação entre a diferença do comprimento do fio esticado e o comprimento do fio contraído,
enquanto a contracção (ou encolhimento) é a relação dessa diferença com o fio esticado. Podem ser obtidas pelas
fórmulas:
Ond % = l – p x100
P
Onde: Ond % = percentagem de ondulação;
l = comprimento do fio esticado;
P = comprimento do fio contraído.
A contracção do fio pode ser provocada pela torção, dada a formação em hélice fornecida às fibras, ou seja, pelo efeito da
torção o fio passa a ter um comprimento menor do que tinha quando com zero torções.
A contracção faz, portanto, com que um fio modifique seu comprimento, mantendo inalterada sua massa, modificando, assim
sua densidade linear. Desta maneira, a percentagem de contracção deve ser considerada quando se deseja um determinado
título.
A percentagem de contracção pode ser dada por:
Otr % = l – p x100
P
Onde: Otr % = percentagem de contracção;
l = comprimento do fio esticado;
P = comprimento do fio contraído
5.1.6 - A importância da contracção e da ondulação
Observa-se que, a partir das mesmas variáveis obtém-se valores diferentes entre a ondulação e a contracção.
Alguns técnicos preferem trabalhar com a percentagem de ondulação, enquanto outros optam pela percentagem de
contracção. Ambos os valores são precisos, desde que aplicados correctamente.
Como as variáveis são as mesmas, os conceitos a seguir são válidos tanto para a contracção (ou encolhimento)
como para a ondulação, apesar de apenas a primeira a ser citada.
A contracção sofrida pelo fio tem importância, principalmente, para cálculos de previsão de consumo de material.
Notar que é de extrema importância, a determinação das várias outras características do tecido, nomeadamente:
- a resistência à tensão;
- a rigidez;
- a permeabilidade ao ar;
- etc.
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Quaisquer destes valores são de difícil previsão e por isso a sua precisão nunca pode ser muito elevada.
Por isso, temos de considerar os valores teoricamente. Um valor com alguma precisão somente pode ser obtido através de um
controlo estatístico sistemático que, evidentemente é impossível de se ter quando do desenvolvimento de um novo
produto.
Todos os tecidos contraem-se durante o acabamento, bem como no processo de Tecelagem e a montante, isto é
durante o processo de preparação para a tecelagem. Estes são influenciados por diversos factores.
Podemos considerar entre esses factores que influenciam a contracção, a matéria-prima utilizada, a humidade e a
temperatura do ambiente antes e durante o processo de Tecelagem.
Outros factores são o tipo e a afinação do tempereiro utilizado, a tensão aplicada durante o processo de Tecelagem e
a engomagem efectuada.
Assim, podemos afirmar que, afectam a contracção da Trama dos tecidos com ligamento tela e, consequentemente, a
largura do tecido:
- alta densidade de Teia (1) com Trama grossa reduzem a contracção;
- alta densidade de Trama (2) contrai mais do que baixa densidade.
Isto é influenciado também pelo diâmetro da Trama; por outro lado, quanto mais grosso for o fio da Teia, maior será
a contracção.
Notar ainda que a contracção do Teia é afectada e, portanto, o comprimento do tecido quanto:
- maior for a densidade de Teia (1), maior será a contracção;
- maior for a densidade de Trama (2), maior será a contracção;
- mais grossa for a Trama, maior será a contracção.
Um outro importante parâmetro de um modelo geométrico do tecido é o deslocamento vertical máximo dos fios de
Teia e da Trama. A curvatura mútua é obtida no entrelaçamento dos fios, dando-lhes uma forma ondulada.
Comparando-se os deslocamentos a partir do eixo do Teia com o do eixo da Trama, observa-se que há diferença
entre os deslocamentos a partir do plano do tecido.
A ondulação (Ond%) e a contracção da Trama (Ctr%) são maiores que a ondulação (Ond%) e a contracção da
Teia (Ctr%).Os valores das curvaturas dos fios são caracterizados pelas formas dos eixos dos fios quando no
tecido.
Existe também uma certa relação entre o deslocamento do Teia e o deslocamento da Trama. O deslocamento do
Teia diminui, enquanto o deslocamento da Trama aumenta, e vice-versa. A soma dos deslocamentos do Teia e da
Trama é constante para um certo tecido e é igual à soma dos diâmetros desses fios.
5.1.7 - Factor de Cobertura de um Tecido ou Toalha de Felpo:
Conforme já foi dito na alínea 3.7 – Coeficientes de Ligação dos Elementos, o factor de cobertura está intimamente
ligado com o cálculo para a determinação dos Coeficientes dos Elementos, Trama e Teia.
Como sabemos, o número e tamanho dos espaços entre fios de um tecido ou toalha de felpo, dependem da
densidade de fios da Teia no caso dos tecidos planos, e das Teias, no caso de Toalhas de Felpo e, ainda do número
de passagens e do diâmetro dos mesmos.
Quando a trama e a teia se encontram perfeita e uniformemente espaçadas, a área de cada espaço (parte não coberta
pelo fio) é dada por:
(p1 – d1) x (p2 – d2) (cm2) (*)
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Sendo que o número de espaços é dado pelo produto:
N1 x N2
Tabela nº 3 - Nomenclatura
PARÂMETRO DO FIO TEIA TRAMA
Diâmetro do fio d1 d2
Densidade linear ou tex do fio Tex1 Tex2
Frisado C1 C2
Cobertura Kcob1 Kcob2
Factor de cobertura K1 K2
Densidade de fios ou número de fios/cm N1 N2
Espaçamento entre fios P1 P2
Comprimento modular I1 I2
PARÂMETRO TECIDO
Massa por unidade de superfície M
Cobertura Kcob
Factor de cobertura K
Comprimento da peça Q
Largura L
Espessura T
Notar que o tamanho de cada espaço individualizado depende da uniformidade das densidades dos fios e dos
diâmetros dos mesmos.
O diâmetro do fio é, como se compreende, um problema da fiação, dependendo entre outros factores da torção do
fio e do valor micronaire das fibras utilizadas na produção do fio.
No entanto, temos de ter em consideração que a uniformidade da densidade dos fios e das passagens é determinada
no processo de tecelagem. Quando o espaçamento entre fios é irregular, é possível que os espaços maiores possuam
uma área várias vezes superior à média obtida na fórmula dada em (*) acima indicada.
A COBERTURA DA TEIA é definida por:
d1 TC d1 TB
Kcob1 TC = ---------------, e Kcob1 TB = ---------------------
p1 TC p1 TB
sendo, TC e TB – Teia de cima e Teia de Baixo respectivamente.
Por outro lado, a COBERTURA DA TRAMA é dada por;
d2
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Kcob1 = ---------------
p2
Assim, o factor de COBERTURA TOTAL DE UM TECIDO DE FELPO, será:
p2 x d1 + p1 x d2 – d1 x d2
Kcob Total = -------------------------------------------------------
p1 x p2
Notar que segundo GROSBERG o valor de d = 4,44 x 10-³ x (Tex do fio /massa especifica da fibra (mm)).
Como é difícil determinar o diâmetro dos fios utilizado num processo de tecelagem, há uma forma mais expedita
que será determinar o seu inverso, isto é:
p1 = 1/ N1; p2 = 1/ N2
Por substituição na fórmula anterior, teremos:
Kcob1 = 4,44 x 10-³ x (tex 1/ p fibra) x N1 = 4,44 x 10-³ x p fibra -½ x tex 1 x N1
Como exemplo:
Considerando uma toalha de felpo em estrutura tafetá e de acordo com as seguintes especificações:
Teia de Cima – 12 fios/cm; tex do fio 24,58/2 = 49,17/1 = 12.00/1 Ne
Teia de Baixo - 12 fios/cm; tex do fio 24,58/2 = 49,17/1 = 12.00/1 Ne
Trama - 16 passagens /cm; tex do fio 42,1/1 = 14.01/1 Ne
O FACTOR DE COBERTURA DA TOALHA SERÁ:
K1 Teia Cima = 49,17 x 12 fios = 84,14
K1 Teia Base = 49,17 x 12 fios = 84,14
K2 Trama = 42,1 x 16 passagens = 106,8
Logo: K1 TC + K1 TB + K2 Trama = 84,14+84,14+106,80 = 275,0
Exemplos
Considerando:
Na Teia de Cima
Ne do Fio - 24/2 = 12/1 = 49,17 tex
Fios/cm 5 10 15 20 EXP: 12,0
K1 Factor de Cobertura 3,1 7,0 10,5 14,0 EXP: 16,8
Na Teia Base
Ne do Fio - 24/2 = 12/1 = 49,17 tex
Fios/cm 5 10 15 20 EXP: 12,0
K1 Factor de Cobertura 3,1 7,0 10,5 14,0 EXP: 16,8
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Calculo:
Considerando:
Na Trama
Ne do Fio - 14/1 = 42,1 tex
Inserções/cm 5 10 15 20 EXP: 16,0
K2 Factor de Cobertura 3,2 6,5 9,7 13,0 EXP: 10,4
Factor de Cobertura Total 9,4 20,5 30,7 41,0 EXP: 27,2
Para um Tecido Plano:
Considerando
Na Teia
Ne do Fio - 40.00/2 = 20,00/1 = 29,50 tex
Fios/cm 5 10 15 20 25 30 EXP: 25,0
K1 Factor de Cobertura 2,7 5,4 8,2 10,9 13,6 16,3 EXP: 13,6
Considerando
Na Trama
Ne do Fio - 40,00/1 = 14,75 tex
Inserções/cm 5 10 15 20 25 30 EXP: 25,0
K2 Factor de Cobertura 1,9 3,8 5,8 7,7 9,6 11,5 EXP: 9,6
Factor de Cobertura Total 4,6 9,2 14.0 18,6 23,2 27,8 EXP: 23,2
Outros exemplos:
Na Trama:
Para Ne 16/1 - FCT: 35,1
Para Ne 18/1 – FCT: 34,0
Para Teia 24/2 = 12/1
Fios /cm – 16
K1 – 11,2
Para Trama - Ne 16/1
Passagens/cm – 30
K2 – 18,2
NOTAR QUE:
UM FACTOR DE COBERTURA TOTAL (KTotal ) = 29,4 ( É CONSIDERADO ELEVADO)
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6 - Estruturas fundamentais: DEBUXOS
Tendo em conta as estruturas fundamentais consideradas e já descritas, vamos fazer de seguida uma
abordagem às estruturas fundamentais de onde derivaram os debuxos dos tecidos para o nosso estudo.
O DEBUXO ou PONTO de um tecido é o termo utilizado para indicar tecnicamente o modo como se
efectua o entrelaçamento dos fios de TRAMA com os fios de TEIA a fim de se conseguir produzir o
dado TECIDO.
Notar que os cruzamentos segundo os quais os fios de TRAMA e TEIA se combinam são ilimitados.
A representação gráfica é efectuada em papel quadriculado – chamado o PAPEL DE DEBUXO – sendo
os fios de TEIA representados pelo espaço entre as linhas verticais, e os fios de TRAMA pelo espaço
entre as linhas horizontais. Cada quadrado no papel representa a intersecção de um fio TEIA – FIO –
com um fio de TRAMA – PASSAGEM.
A pintura do debuxo deve-se iniciar-se pelo quadrado situado no canto inferior esquerdo do papel.
Cada quadrado pintado indica que, no tecido, o fio de TEIA passa sobre o fio de TRAMA – (chamado
PICA). Cada quadrado em branco indica que o fio de TRAMA passa sobre o fio de TEIA – (chamado
DEIXA).
A
Passagem
O O
Fio
Representação Gráfica de um PICA
B
O O Passagem
Fio
6.1 - Representação Gráfica de um DEIXA
O MODELO ou o chamado módulo de repetição é o menor número de fios e de passagens necessárias
para efectuar um debuxo. A repetição sucessiva deste módulo no sentido da TEIA e da TRAMA produz
o padrão do tecido.
O PICA ou o DEIXA base é o PICA ou o DEIXA situado no canto inferior esquerdo, a partir do qual se
inicia a construção do MODELO.
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Figura nº 19 - Exemplo de um Modelo
6.1 - ALINHAVO DE TEIA:
Trata-se do número de passagens sucessivas sobre (ou sob) as quais passa um fio de TEIA.
Fig. nº 20 – Alinhavo de 3 à TEIA
6.3 - ALINHAVO DE TRAMA:
É o número de fios sucessivos sobre (ou sob) os quais passa um fio de TRAMA.
Fig. nº 21 – Alinhavo de 3 à TRAMA
Os alinhavos de TEIA pelo direito contam-se em quadrados pintados na vertical, e os alinhavos
de TRAMA pelo direito contam-se em quadrados em branco na horizontal. No avesso do tecido,
quadrados brancos na vertical correspondem a alinhavos de Teia e quadrados pintados na
horizontal correspondem a alinhavos de TRAMA.
6.4 - AVANÇO OU AFASTAMENTO À TEIA:
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Trata-se do deslocamento vertical dos picas (ou dos deixas) entre dois fios de teia consecutivos. O
seu valor é igual ao número de passagens consecutivas, a contar de baixo no sentido vertical,
entre um pica (ou deixa) base de um fio de teia e o pica (ou deixa) mais próximo do fio de teia
seguinte.
3
2
1
Fig. nº 22 – Avanço de 3 à TEIA
6.5 – AVANÇO OU AFASTAMENTO À TRAMA:
Podemos considerar que é o deslocamento horizontal dos picas (ou dos deixas) entre duas
passagens consecutivas. O seu valor é igual ao número de fios de teia consecutivos, a contar da
esquerda no sentido horizontal, entre um pica (ou deixa) base de uma passagem e o pica (ou
deixa) mais próximo da passagem seguinte.
1 2 3
Fig. nº 23 – Avanço de 3 à TRAMA
Assim, analisando os debuxos da Figura abaixo podemos constatar que os modelos têm o mesmo
tamanho e alinhavos iguais, mas o avanço é diferente, o que logo vai resultar em estruturas muito
diferentes. Por isso, pode-se concluir que a noção de avanço se reveste de uma importância
fundamental para o estudo das estruturas dos tecidos.
Fig. nº 24 - Estruturas com avanços diferentes.
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6.6 – REPRESENTAÇÃO NUMÉRICA DE ESTRUTURAS
Existem vários métodos de representação numérica de estruturas.
O método e a simbologia mais utilizada e que tem demonstrado ser mais eficiente e de maior utilidade
prática é o que a seguir se indica
1 – A ORDEM DE TECELAGEM:
Constituída por um traço horizontal, contendo números na parte superior (PICAS) e na inferior
(DEIXAS).
2 – A DIRECÇÃO DO AVANÇO:
É indicado pela utilização de um “A” colocado à frente da ordem de tecelagem.
“A” – representa um avanço à teia;
“»” - representa um avanço à trama
3 – O valor do AVANÇO é representado por um índice numérico de “A”
A fórmula geral é a seguinte:
a) – No caso de o avanço ser na direcção da TEIA:
m
Ak
n
Sendo:
m = número de picas em cada fio
n = número de deixas em cada fio
A = avanço à teia
K = valor numérico do avanço
b) – No caso do avanço ser na direcção da TRAMA:
m
»k
n
Sendo:
m = número de picas em cada passagem
n = número de deixas em cada passagem
» = avanço à trama
K = valor numérico do avanço
Quando o AVANÇO é COMPOSTO, o índice K não é apenas um número, mas antes um conjunto de
números ligados pelos sinais mais ou menos (+/-).
Cada número corresponde ao avanço de um fio (ou passagem)
Uma vez introduzidos todos os avanços, repete-se a mesma sequência até que seja encontrado o
modelo.
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6.7 - Construção dos debuxos
Vários são os tipos de debuxos que podemos criar e utilizar na produção dos nossos tecidos.
Como exemplo mais simples, podemos citar os cetins, podem ser regulares ou irregulares.
Os regulares obedecem a determinadas regras:
a) Os modelos são sempre quadrados;
b) Em cada fio e em cada passagem apenas existe um ponto de ligamento;
c) Não podem existir pontos de ligamento em posições contíguas;
d) O avanço é constante.
A sequência sistematizada para a construção dos debuxos a partir da sua representação numérica é a
seguinte:
1) – Verificar se o avanço é à TEIA ou à TRAMA;
2) – Somar os números que compõem a ordem de tecelagem;
2.1 – Se o avanço for à teia, o resultado da soma é igual ao número de passagens do modelo;
2.2 – Se o avanço dor à trama, o resultado da soma é igual ao número de fios do modelo.
3) – A partir de um PONTO BASE (primeiro pica do fio ou passagem inicial) colocado no canto inferior
esquerdo, marcam-se os outros pontos base dos fios ou das passagens, conforme o avanço é à teia ou à
trama. Esses avanços vão-se marcando até se encontrar o modelo;
4) – A ordem de tecelagem é introduzida a partir dos pontos base. Se o avanço for à teia, a ordem é
introduzida em cada fio; se o avanço for à trama a ordem é introduzida em cada passagem.
Fig. nº 25 - Estrutura com avanços SIMPLES
3 1
A1
2 2
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Fig. nº 26 - Estrutura com avanços SIMPLES
3 1
»3
2 2
Fig. nº 27 - Estrutura com avanços COMPOSTO
4 4 1
Ao+2
3 2 2
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Fig. nº 28 - Estrutura com avanços COMPOSTO
3 1
» 1+2
2 2
6.8 – Representações numéricas compostas
Quando a estrutura só pode ser representada numericamente por duas ou mais ordens de tecelagem, a
cada ordem de tecelagem deverá corresponder um avanço.
Para um número de passagens ou de fios de um modelo (avanço à teia ou à trama respectivamente) é
dado pelo menor múltiplo comum entre as somas dos números que compõem cada uma das ordens de
tecelagem individualmente.
Quando existe apenas um avanço e diversas ordens de tecelagem, isto significa que o avanço é o mesmo
para todas elas.
6.9 – CLASSIFICAÇÃO DOS TECIDOS
A classificação dos tecidos baseia-se no número de TEIAS e TRAMAS utilizado.
1 – TECIDOS SIMPLES – apresentam uma teia e uma trama
2 – TECIDOS MÚLTIPLOS – são formados por duas ou mais teias ou por duas ou mais tramas,
ou então as duas coisas conjuntamente. Podem-se subdividir-se em:
a) – FORRADOS POR TRAMA – uma teia e duas tramas
b) – FORRADOS POR TEIA – duas teias e uma trama
c) – DUPLOS – duas teias e duas tramas
d) – TRIPLOS – três teias e três tramas
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Como já foi afirmado no ponto 3.6 existem três estruturas fundamentais:
TAFETÁ – tecido com aspecto granulado;
SARJA – tecido com cordões oblíquos;
CETIM – tecido liso e brilhante.
A maioria dos tecidos utilizados na fabricação de vestuário é produzida nos debuxos
fundamentais. As diferenças entre eles podem ser devidas:
 - ao debuxo ou à estrutura em si;
 - à matéria prima utilizada;
 - à geometria (tipo de fiação), títulos e torções dos fios utilizados.
 - à densidade das teias e das tramas dos tecidos;
 - ao tipo de acabamento utilizado
6.10 – Os Tafetás
O tafetá (fig. 3.7) é o debuxo mais simples e o mais difundido. Os tecidos que se obtêm são leves e
com uma aparência lisa. A leveza resulta do alinhavo de um que impede que se teça com um
número elevado de fios e passagens por centímetro (12).
Fig. nº 29 - Tafetá _1_
1
6.10.1 -Derivados do tafetá
Os derivados do tafetá resultam da ampliação dos alinhavos de um, tanto no sentido da teia (fig.
3.8 e 3.9), como no sentido da trama (fig. 3.10 e 3.11) ou simultaneamente em ambos os sentidos
(fig. 3.12 e 3.13). Em cada uma destas três categorias existem os debuxos regulares e os
irregulares. Nos primeiros, a ampliação é feita com alinhavos sempre do mesmo tamanho. O
mesmo não acontece nos debuxos irregulares em que a ampliação é realizada com alinhavos
diferentes.
Fig. nº 30 - Ampliado à teia regular
Fig. nº 31 - Ampliado à teia irregular
Fig. nº 32 - Ampliado à trama regular
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
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Fig. nº 33 - Ampliado à trama irregular
Fig. nº 34 - Ampliado à teia e trama regular
Fig. nº 35 - Ampliado à teia e trama irregular
6.11 – As Sarjas
A sarja caracteriza-se por aplicar avanço 1 a qualquer ordem de tecelagem, apresentando, desta forma,
um cordão bem nítido cuja inclinação depende do número de fios e de passagens por centímetro. Se o
número de fios do tecido for igual ao número de passagens, o cordão terá uma inclinação a 45 graus.
Essa inclinação será superior a 45 graus se o tecido tiver mais fios que passagens por centímetro, e
inferior a 45 graus se tiver menos fios que passagens (12).
As sarjas simples podem ser leves, pesadas ou neutras.
Figura nº 36 – Ponto de Sarja 3/1
6.11.1 - Sarjas leves
As sarjas simples são leves, se no lado direito do tecido o número de picas for inferior ao número de
deixas (fig. 3.4).
1
Fig. nº 37 – Sarja Leve ------- A1
2
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6.11.2 - Sarjas neutras:
Nas sarjas neutras, também designadas de batávias, o número de picas e deixas é igual (fig 3.5).
Fig. nº 38 - Sarja leve _2_ A 1
2
6.11.3 - Sarjas pesadas:
As sarjas simples são pesadas, se no lado direito do tecido o número de picas for superior ao
número de deixas (fig. 3.6)
Fig. nº 39 - Sarja pesada _4_ A 1
2
6.12 – Os Cetins
Como já se afirmou, os cetins são tecidos que apresentam, pelo seu direito, uma superfície lisa formada
predominantemente pela teia ou pela trama. Se a predominância no direito do tecido for da teia
relativamente à trama, os cetins são designados de cetins efeito teia (fig. 3.14).
Caso contrário, os cetins serão designados de cetins efeito trama (fig. 3.15).
Fig. nº 40 - Cetim efeito teia
Fig. nº41 - Cetim efeito trama
Normalmente designam-se por cetins irregulares os que não obedecem a uma ou mais regras dos cetins
regulares, sendo necessário, contudo, que se observe sempre o cumprimento da terceira regra para que
não se produzam tecidos defeituosos (12).
De todos os cetins regulares, os mais utilizados são os cetins de 5, 7 e 8 (ver figs. 3.16 a 3.18), porque
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permitem produzir tecidos com um peso dentro do normal.
No que diz respeito aos cetins irregulares, o mais usado é o cetim de 6 que é construído com os avanços
4+4+3+2+2+3
6.12.1 - Debuxos fundamentais para um CETIM
Fig. nº 42 – Cetins de 5
Fig. nº 43 – Cetins de 7
Fig. nº 44 – Cetins de 7 (continuação) Fig. nº 45 – Cetins de 8
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7 - Coeficiente de ligação médio – CLM
Definidas as estruturas em estudo e para um melhor conhecimento das mesmas, considerou-se ser
importante verificar a capacidade de ligação de cada uma, determinando o seu coeficiente de ligação
médio – CLM.
Para determinar o coeficiente de ligação das estruturas, ou seja, o coeficiente que divide o total de
pontos de ligamento por teia e por trama pelo número total de pontos de ligamento possíveis, utilizam-
se as fórmulas 3.1 e 3.2
Coeficiente de ligação da Teia:
CLTE = total de pontos de ligação por teia (3.1)
nº de fios X nº de passagens
Coeficiente de ligação da Trama:
CLTR = total de pontos de ligação por trama (3.2)
nº de fios X nº de passagens
Através da média dos coeficientes da teia e da trama, é obtido o coeficiente de ligação médio de cada
uma das estruturas, como se pode observar na Tabela nº 3.2 como já foi afirmado na pag. nº 26
Tabela nº 04
Classificação das estruturas segundo o seu coeficiente de ligação médio
Classificação Coeficiente de
ligação médio
Muito ligada 1 – 0,66
Normalmente ligada 0,66 – 0,4
Pouco ligada 0,4 – 0,2
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8 - Estudo Laboratorial (Exemplo de uma análise a efectuar num tecido)
8.1 - Recolha das amostras para a análise laboratorial
Considerar uma zona seleccionada de um tecido, tida como representativa e destinada a fornecer dados
para a avaliação da qualidade.
8.1.1 – Análise da Gramagem de um Tecido.
Análise laboratorial Segundo a Norma ASTM D 3776-96 – Standard Test Method for Mass Per Unit
Area (Weight) of Fabric.
Para a realização de uma análise laboratorial podemos considerar várias opções:
Opção A - Amostra representativa do tecido com o desenho Completo, seja em Rolo ou Cortado;
Opção B - Amostra com a Largura Completa do tecido para análise;
Opção C - Pequena amostra representada por um Pedaço de Tecido;
Opção D – Amostra de Tecidos Estreitos;
Opção E - Amostra de um Pequeno Pedaço de Tecido que se pretende controlar.
Este procedimento é aplicável quando um pequeno pedaço de tecido é mandado para o laboratório para
ser usado como corpo de prova. Os resultados são considerados para serem aplicáveis na amostra e não
necessariamente para o lote do qual a amostra foi retirada. As medições por este método não incluem
ourela e deve ser informada dessa maneira, a menos que uma ourela seja especificada.
Os critérios para a recolha das amostras terá de ter em consideração o tipo de tecido a ser analisado e os
ensaios a realizar.
Notar que determinados requisitos deverão ser tidos em consideração para que haja representatividade e
cumpra as exigências internacionais, nomeadamente considerando:
- Toda a largura do tecido;
- Comprimento mínimo de 1 m.
- Distância inferior a 3 m (início/fim).
- Não tenha irregularidades ou deformações visíveis.
As amostras devem ser acondicionadas antes de se efectuar os respectivos ensaios, por isso, o
laboratório deve dispor de um sistema de ar condicionado, para que haja um equilíbrio higrométrico
que cumpra os requisitos normativos. Antes de se submeter as amostras a ensaio, deve ser retirado do
tecido, logo dos fios, os produtos utlizados no processo de preparação para a tecelagem (gomas) e as
resinas que possam ter sido utilizados nos acabamentos. Se tal não for efectuado vai com toda a certeza
influenciar o resultado dos ensaios efectuados.
8.1.2 - Provetes:
Deverão ser recolhidas uma ou mais unidades retiradas da amostra, sobre as quais serão processados
testes ou medições.
A opção C é usada só quando há disponível um tecido limitado e não deve ser usado para teste de
aceitação. Neste caso, pode ser considerado um pedaço de tecido para recolha das amostras.
8.1.3 - Recolha dos provetes:
Os critérios para a recolha dos provetes são variáveis, conforme o tipo de têxtil a ser analisado, e o tipo
de ensaio aplicado a este produto. Para a recolha de provetes em tecidos plano deverão ser cumpridos
os seguintes requisitos:
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
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 - Não retirar a uma distância inferior a 1/10 da largura em relação à ourela.
 - Não devem conter os mesmos fios de Teia ou Trama (retirar em diagonal).
 - Dimensão deverá ser a suficiente de modo que os resultados obtidos sejam
representativo do tecido que se pretende controlar.
 - Identificar o sentido da Teia e da Trama e numerar cada um dos provetes.
Como boa norma, a área onde se deve efectuar a recolha das amostras deverá ser de pelo menos 130
cm2 ou então as amostras poderão ter uma área menor, mas deverão ser retiradas em diferentes partes
do tecido de amostra e deverá ter uma área total de pelo menos 130 cm2.
Não retirar as amostras para análise numa zona do tecido que fique perto das ourelas ou dos extremos
do tecido. Conforme se afirmou acima, devem ser considerados a uma distância mínima de um décimo
(1/10) da largura do tecido da ourela ou do corte caso não haja ourela. Se o tecido for insuficiente então
deverá ser anotado no relatório da análise esta informação.
Retira-se da peça de um tecido de dois metros, 5 provetes de 10 cm x 10 cm.
Notar que devem ser retirados na diagonal, de maneira que os fios de teia e de trama não sejam os
mesmos em nenhuma das amostras.
A recolha das amostras deverá seguir conforme o esquema apresentado abaixo:
Fig. nº 46 – Sugestão para recolha de amostras num dado tecido amostra.
Em seguida efectuar a pesagem das 10 amostras com dimensões de 10 cm x 10 cm numa balança
analítica obtendo amassa (M) em gramas de cada um.
8.1.4 - Atmosfera padrão:
Atmosfera condicionada e mantida no estado higrométrico conforme requisitos nas normas
internacionais:
-Temperatura: 21ºC  2ºC ; = 70º F
-Humidade Relativa: 65%  2%.
8.1.5 - Equilíbrio Higrométrico:
Estado onde não há troca sensível de humidade entre a amostra e a atmosfera ambiente.
Observações:
O Equilíbrio Higrométrico deve ser alcançado a partir de um estado mais seco (absorção de
humidade).
Para um “pré-acondicionamento”, considerar:
- 10%-25% HR (humidade relativa),
- Temperatura maior que 50ºC.
- Tempo de acondicionamento: 24 horas com livre circulação de ar.
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- Equilíbrio Higrométrico (E.H.) = Pesagem a cada duas horas.
- Não apresentar diferença de massa superior às exigências das normas (0,25% - AFNOR)
8.1.6 - Procedimento:
Após a recolha das amostras, deveremos determinar a área da (s) amostra (s) representativa (s). Para
uma dada amostra cortada, a área dada é normalmente informada. Para definir o número de amostras a
recolher, multiplique o comprimento pela largura.
O peso da (s) amostra (s) deverá ser ± 0,1% de massa (peso) que a balança pode pesar. As amostras
recolhidas de um tecido podem ser pesadas juntos.
8.1.7 – Ensaios que normalmente devem ser efectuados na análise de um TECIDO PLANO:
8.1.7.1 - Ligação do tecido:
Tabela nº 04
Ourela Tecido
Ligação da ourela: Reps
Ligação do tecido: Tela
As dimensões e a massa podem ser determinadas nas unidades SI (Sistema Internacional) e calculadas
usando as seguintes equações:
Calcular a área da amostra (em m2);
Pesar a amostra;
Efectuar cálculo usando a fórmula abaixo:
Peso
g /m2= --------------
Área
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Tabela nº 05: Gramagem (um exemplo)
Amostra nº Peso (g) 100 cm2 Peso (g) 1 m2
1 0,9236 92,36
2 0,8787 87,87
3 0,8667 86,67
4 0,8923 89,23
5 0,8849 88,49
Média 0,8892 88,92
Desvio Padrão 0,0214 2,1377
Nota: para os cálculos foi utilizada a fórmula g/m2 = M x 100; para a conversão da
gramagem de g/cm2 para g/m2, onde M é massa em g de 100 cm2.
Considerando, por exemplo o valor da gramagem média obtida g/m2
= 277, podemos classificar um
dado tecido como sendo um tecido pesado de acordo com a tabela 01 apresentada na introdução teórica:
Como norma a utilizar como referência para a realização do ensaio poderemos considerar as normas:
AFNOR NFG 07-1`50
NP ISO 675 - 2013 - Variações Dimensionais
NP ISO 9867 - 2013 - Desenrugamento Tecidos
Que impõe que as amostras a submeter a ensaio tenham de ter um mínimo de 100 cm2
(10 cm x 10cm).
8.2 – Determinação da Contracção e da Ondulação:
Referência: ASTM D 3883 - 99
Para realizar a análise de um tecido, é comum tomar uma amostra sem deformação, e marcar dois
traços paralelos A e B numa direcção perpendicular aos fios a serem analisados, distanciados em 250
mm (conforme a norma ASTM acima indicada).
Ter-se-á de ter o cuidado para que as marcas das rectas permaneçam visíveis nos fios após estes serem
retirados do tecido.
Em seguida deve-se executar, paralelamente aos traços A e B, dois cortes distanciados de 450 mm, de
modo que os traços fiquem equidistantes dos cortes, conforme representado no esquema abaixo.
Figura nº 47 – Determinação da Contracção e Ondulação de um Tecido
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Posteriormente retira-se 10 fios para a análise.
Através do comprimento inicial de 25 cm e a média dos comprimentos obtidos com a pré-tensão (já
calculada anteriormente para os fios de Teia e para os fios de trama) calcula-se a contracção e a
ondulação dos fios. Através das fórmulas:
C% = L – L0 x 100
L
O% = L – L0 x 100
L
Onde: L = comprimento do fio esticado sob tensão.
L0 = comprimento inicial do fio.
Obs: O teste deve realizado com dois provetes, um no sentido do Teia e o outro no sentido da Trama.
8.2.1 - Desvio de trama
Retira-se um fio de trama por toda largura do tecido.
Traça-se uma recta perpendicular ao comprimento do tecido, por toda a largura do mesmo.
a) Mede-se a maior distância entre a recta e o defeito causado pela retirada do fio de trama, e desta
forma obtêm-se os resultados referentes ao Arco da Trama (ver figura nº 45) e Inclinação da Trama (ver
figura nº 46).
Arco da Trama
A = (d / AC) x 100
Figura nº 48
Tabela nº 06 – Calculo do Desvio da Trama
Amostra Deformação máxima A-B d(cm)
1 5,4
2 5,4
3 5,3
4 5,3
5 5,4
Total 26,8
Média 5,36
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Para melhor compreensão podemos calcular o valor da inclinação do tecido:
AB x 100
I = -------------------
AC
(sendo AC = 83,5 cm)
Assim:
Para AB1 = 5,40cm: 5,40 x 100
I1 = ------------------ = 6,47 %
83,5
Para AB2 = 5,40cm:
5,40 x 100
I1 = ------------------ = 6,47 %
83,5
Para AB3 = 5,30cm:
5,30 x 100
I1 = ------------------ = 6,35 %
83,5
Para AB4 = 5,30cm:
5,30 x 100
I1 = ------------------ = 6,35 %
83,5
Para AB5 = 5,30cm:
5,40 x 100
I1 = ------------------ = 6,47 %
83,5
O valor médio da Inclinação da Trama será: 6,42 %
Inclinação de Trama:
I = (AB / AC) x 100
Figura nº 49
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Tabela nº 07 – Determinação do Comprimento Inicial (L0) e Final (L) dos Fios da Teia
Amostras da TRAMA Comprimento Inicial (cm) L0 Comprimento Final (cm) - L
1 25 26,6
2 25 26,8
3 25 26,5
4 25 26,5
5 25 26,8
6 25 26,5
7 25 26,4
8 25 26,6
9 25 26,5
10 25 26,7
Média 26,59
Desvio Padrão 0,137
C.V.% 0,515
Tabela nº 08 – Determinação do Comprimento Inicial (L0) e Final (L) dos Fios da Trama
Amostras da TRAMA Comprimento Inicial (cm) L0 Comprimento Final (cm) - L
1 25 27,8
2 25 28,2
3 25 27,8
4 25 28,3
5 25 27,9
6 25 27,8
7 25 27,8
8 25 28,3
9 25 28,4
10 25 27,6
Média 27,99
Desvio Padrão 0,280
C.V.% 1,000
Para os cálculos da contracção e ondulação podemos considerar a mesma pré-tensão utilizada no
cálculo do título dos fios, será:
Pré-tensão (gf) = 0,25 cN / Tex x Tex
A título de exemplo prático, considerando o Título Tex 20,29 para o fio Teia e 27,12 para os fios da
Trama, os valores obtidos serão:
 - Para a Teia 5,07 gf
 - Para a Trama 6,78 gf
Desta forma, os valores de contracção serão, considerando o valor médio:
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(L - L0) x 100 (26,59 - 25) x 100
C% Teia = ----------------- = -------------------------- = 5,97 %
L 26,59
(L - L0) x 100 = (27,99 - 25) x 100
C% Trama = ----------------- = ----------------------- = 10,68 %
L 27,99
Para os valores de ondulação serão, considerando o valor médio:
(L - L0) x 100 = (26,59 - 25) x 100
O% Teia = -------------------=----------------------= 6,36 %
L0 25
(L - L0) x 100 = (27,99 - 25) x 100
O% Trama = ------------------= ------------------------ = 11,96 %
L0 25
Tabela 09 - Resumo dos resultados dos ensaios em tecido plano:
8.3 – Densidade
Efectua-se a contagem dos fios no sentido da Teia e da Trama em 2,54 cm (1 polegada) obtendo assim
a densidade de fios. A contagem deverá ser efectuada cinco vezes em diferentes zonas do tecido, tendo
o cuidado de seguir o que se afirma anteriormente – na diagonal – de forma a não efectuar leituras nos
mesmos fios da Teia e de Trama.
Densidade de fios e contextura (um exemplo)
Tabela 10 - Densidade dos fios (um exemplo)
Amostra Teia (fios/cm) Trama (fios/cm)
1 24 16
2 24 16
3 24 16
Média 24 16
A título de exemplo, poderemos utilizar como referencia para realização do ensaio a norma:
NP EN 1049-2 1995_Tecidos Construção
ASTM D 3775-96
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Tabela 11 – Dimensão a utilizar para contagem dos fios
Densidade (fios /cm) d (cm)
<10 2,5
> 10 7.5
Para a determinação da densidade de fios na Teia e na Trama deveremos ter em conta o número de
fios/cm para a teia e o número de passagens para a trama de forma que a amostra a ser submetida a
ensaio seja representativa.
Exemplo: Considerando que a densidade na Teia e na Trama seja maior que 10 fios/cm, então a
dimensão a utilizar para a contagem dos fios deverá ser um mínimo de 2,5 cm, não esquecendo de que
deverá ser efectuada um mínimo de 10 medições.
8.4 - Largura do tecido:
Referência: ASTM D 3774- 96
Com uma fita métrica calibrada procede-se à medição desde uma ourela à outra de forma a poder
determinar a largura do tecido.
Como exemplo, vamos considerar os valores abaixo indicados.
Largura do tecido:
x1 = 83,4cm
x2 = 83,5cm
x3 = 83,4cm AC= x= 83,5cm
x4 = 83,6cm
Média: = 83,6cm
CV% = 0,11
8.5 - Titulação dos fios:
O título de um fio é a relação entre a massa (m) e o comprimento (c) ou a relação inversa onde,
dependendo do sistema, um deles (m ou c) é fixo e o outro variável. Os sistemas de titulagem são classificados
em sistema directo e indirecto.
8.5.1 - Sistema Directo de Titulação:
Este sistema determina a massa (em gramas) por comprimento (em metros) de fio, e é directamente
proporcional à sua “espessura”, ou seja, pode-se afirmar que quanto maior é a massa por comprimento
de fio, mais “espesso” ele é, e por isto são conhecidos por sistemas directos de titulação, o que não
significa que o título seja directamente proporcional ao seu diâmetro.
Apesar dos sistemas Denier e dtex serem os mais conhecidos não são os únicos directos. O dtex é um
submúltiplo do sistema Tex que, evidentemente, também é um sistema directo de titulação.
Este sistema foi desenvolvido pelo The Textile Institute (em Manchester, Inglaterra), com a finalidade
de ser utilizado mundialmente, apesar da maior parte dos países terem criado normas nacionais considerando o
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sistema Tex como oficial. Isto ocorre, em alguns casos em Portugal, porém apenas as empresas produtoras de
fibras químicas adoptaram plenamente o sistema utilizando o dtex para titulação das fibras contínuas e
descontínuas.
O Tex é um sistema bastante simples de se trabalhar, admitindo-se submúltiplos como o decitex (ou,
dtex), cuja base é 1 grama por 10 000 metros, sendo utilizado principalmente em filamentos.
O cálculo de títulos para o sistema directo pode ser calculado através da fórmula que segue:
T = KxP
C
Onde :
T = título do fio
P = peso;
C = comprimento;
K = constante do sistema.
8.5.2 - Sistema Indirecto de Titulação:
O sistema indirecto de titulação toma como base à massa fixa e o comprimento variável. Neste caso o
número do fio é indirectamente proporcional à sua “espessura”.
Observemos que há uma distinção entre título e número. O título, que também pode ser denominado do
fio, é obtido por sistema directo, enquanto o número é obtido por sistema indirecto.
Os sistemas de numeração mais conhecidos são:
 Número inglês (“Nec”, para fios fiados em Fiação de fibra curta), estabelecido em meadas de
840 jardas (768,1m) cada, para se obter 1 libra (453,6g) de fio.
 Número métrico (“Nm”, para fios fiados em processo de fibra longa) estabelecido pela
quantidade de meadas de 1 000 metros cada para se obter 1 000 gramas de fio.
O título é calculado por:
T = KxC
P
Onde :
T = título do fio
C é o comprimento,
P é o peso,
K é a constante do sistema;
A fórmula para o cálculo de título será sempre a mesma, o que irá mudar de um sistema para outro será
o valor da constante K. No caso do algodão com título no sistema inglês os valores da constante serão:
K = 0,59 g/m ; K = 0,54 gramas/jardas ; K = 8,33 gramas/jardas ; K = 9,11 g/m.
São inúmeros os sistemas de titulação e de numeração, no entanto os mais utilizados são:
Denier, dtex, tex, ktex e os números: Nec e Nm.
NOTA: Para determinar o número de um fio é necessário que existam dispositivos que permitam medir
com precisão, tanto o comprimento de fios como o peso destes. Os métodos utilizados têm que ser adaptados à
forma em que se o fio se encontra que pode ser em bobinas ou mesmo como Trama e Teia num tecido.
Quando um fio se encontra num tecido ou malha é necessário retirá-los das amostras por desfiamento.
Seguidamente as pequenas porções de fio devem ser medidas com o frisado removido em dispositivos
apropriados.
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8.6 – Determinação do Título obtido numa amostra reduzida
Referência: ASTM D 1059- 87
Antes de se proceder à recolha das amostras para análise, deve-se eliminar antecipadamente a goma e a
resina que poderão estar presentes no tecido a ser avaliado.
8.7 - Recolha de Provetes
Referência: ASTM D 1059- 87 (ver norma em anexo)
Retirar uma amostra de fio com um mínimo de 500mm no sentido do Teia, aplicando-se sobre o mesmo
uma certa tensão no momento em que se efectua a mediação do seu comprimento.
Determinação do título em Ne e ou Tex:
Referência: ASTM D 1059
Pesa-se o provete e através da fórmula abaixo indicada determina-se o título do fio na unidade Tex.
Peso (g) x 1000
Tex = -----------------------------
Comprimento (m)
Para obter o título em Ne, considerar:
590,548
Título (Ne) = ---------------
Título (Tex)
Através do título em Tex, calcula-se a carga necessária para a eliminação da ondulação, com base na
carga mínima de pré-tensão (conforme a norma ASTM D 3883) de 0.25gf/Tex, pela fórmula:
Titulo (Tex) x 0,25 gf/Tex = X gramas forças
Com resultado obtido, é possível determinar a carga necessária a ser aplicada no fio, a fim de que as
amostras retiradas não sofram influência de diferentes cargas de tensões.
Tabela nº 12 - Carga mínima para o Calculo da Pré-Tensão
MATERIAL TÍTULO PRÉ-TENSÃO (Centinewtons)
Algodão Inferior ou igual a 7 0.75 x Título Tex
Superior a 7 0.2 x Título Tex+ 4
Lã Penteada 15 a 60 0.2 x Título + 4
60 a 300 0.07 x Título + 7
Filamentos ou Sintéticos Todos os valores 1.5x Título Tex.
Aplicando-se a carga estipulada, retira-se nova amostra de fio, pesa-se e compara-se este valor com o
valor do peso da primeira amostra, a diferença entre os valores não deve ser maior que 5%. Caso seja
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maior, deve-se efectuar nova medição da primeira amostra de fio, aplicando uma tensão maior ou
menor conforme o valor da diferença encontrada.
Se o valor da diferença entre os pesos for menor que 5% então poder-se-á avançar para a medição de
mais 9 amostras aplicando a tensão determinada aquando da medição do comprimento das mesmas.
Em seguida, calcula-se os títulos referentes às 10 amostras em Ne e ou Tex, a media dos títulos e o
respectivo coeficiente de variação (CV%).
Este procedimento deve ser repetido para a determinação do título dos fios da Trama.
Exemplo para o fio de trama:
Tomando como exemplo, para a recolha do primeiro provete deve-se utilizar uma pré-tensão
desconhecida. Sendo o peso dessa amostra de fio de trama de 0,0127g., então o título em Tex será:
Titulo (Tex) = 0,0127 x 1000 = 25,4 (Tex)
0,5
Fez-se então o cálculo para carga a ser aplicada:
25,4 x 0,25 = 6,35gf
Para efeito de confirmação dos resultados acima, deve-se efectuar novo teste, porém, com uma nova
amostra e aplicando-se a tenção calculada.
Titulo (Tex) = 0,0134 x 1000 = 26,8 (Tex)
0,5
Sendo a diferença entre os dois pesos encontrados menor que 10%, deve-se prosseguir a recolha de
mais 9 amostras, aplicando-se a carga e posteriormente pesar as mesmas.
Exemplo para o fio de Teia:
Para a retirada do primeiro provete utiliza-se uma pré-tensão desconhecida. Considerando o peso dessa
amostra de fio de trama de, por exemplo, 0,096g, o titulo em Tex será:
Titulo (Tex) = 0,0099 x 1000 = 19,8 (Tex)
0,5
Efectuando então o cálculo para carga a aplicar:
19,2 x 0,25 = 4,95gf
Para efeito de confirmação dos resultados acima, deve-se efectuar novo teste, porém, com uma nova
amostra e aplicando-se a tensão calculada.
Titulo (Tex) = 0,0101 x 1000 = 20,2 (Tex)
0,5
Sendo a diferença entre os dois pesos encontrados menor que 10%, deve-se prosseguir a recolha de
mais 9 amostras, aplicando-se a carga encontrada, e posteriormente pesar as mesmas.
Estas pré-tensão têm, por finalidade, retirar toda e qualquer ondulação e contracção do fio, para que se
possa obter o título real do fio.
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Tabela 13 – Tabela de Pesos de Fios (um exemplo)
Amostras Peso (g) dos fios Comprimento (m)
Teia Trama
1 0,01010 0,0134 0,5
2 0,00996 0,0132 0,5
3 0,01060 0,0129 0,5
4 0,00990 0,0143 0,5
5 0,00980 0,0142 0,5
6 0,01020 0,0134 0,5
7 0,01030 0,0137 0,5
8 0,01000 0,0135 0,5
9 0,00970 0,0136 0,5
10 0,01090 0,0134 0,5
Média 0,010146 0,01356
Desvio Padrão 0,0003070 0,000425
C.V.% 3,6561 3,6561
Notar que as diferenças entre os valores obtidos no sentido da Teia deverão ser muito próximos
aos obtidos no sentido da Trama para que haja um equilíbrio e um aspecto óptimo do tecido.
Tabela 14 – Títulos dos fios Trama e Teia em Tex e Ne
Amostra
nº
Sentido da Teia Sentido da Trama
Tex Ne Tex Ne
1 20,20 29,21 26,80 22,01
2 19,92 29,62 26,40 22,35
3 21,20 27,83 25,80 22,87
4 19,80 29,80 28,60 20,63
5 19,60 30,10 28,40 20,77
6 20,40 28,92 27,40 21,53
7 20,60 28,64 27,40 21,85
8 20,00 29,50 27,00 21,85
9 19,40 30,41 27,20 21,69
10 21,80 27,06 26,80 22,01
Média 20,29 29,14 27,12 21,79
D.P. n-1 0,74 1,05 0,85 0,67
C.V.% 3,65 3,65 2,34 2,34
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Gráfico 01-Títulos (Ne) dos fios da Teia e respectiva variação, em relação do título médio.
Gráfico 02-Títulos (Ne) dos fios da Teia e respectiva variação, em relação do título médio.
8.8 - Selecção de Provetes de um Lote:
Tabela 15 - Selecção de provetes num lote
Número de Peças no Lote Número de Provetes para Controle
<3 1
4 a 10 2
11 a 30 3
31 a 75 4
> 67 5
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9 – Malhas de Trama
Malhas são “tecidos” produzidos com base em métodos de formação de laçadas. Embora se desconheça
a data da descoberta do método manual de fazer malha ou tricotar, recentes descobertas de “tecidos” de
malha no Egipto, provam que este método já era conhecido no século V a.C. É de notar no entanto que
o 1º tear de malha surgiu nas Inglaterra em 1589.
Chama-se malha de Trama a todo o tecido produzido por processos de fabricação nos quais pelo menos
um fio de Trama é transformado em malha. Durante o processo de tricotagem, o fio de Trama é frisado
da maneira a formar uma linha horizontal de laçadas a que se dá o nome de fileira. Cada fileira
interlaça-se com a fileira superior (posteriormente formada) resultando num tecido de malha um que
cada fileira, à excepção da primeira e da última, se encontram interlaçadas com a fileira superior e inferior.
9.1- Classificação:
Os tecidos de malha são geralmente classificados em dois grupos: malhas de Trama e malhas de Teia.
Na tricotagem de malha de Trama, o “tecido” pode formar-se em aberto ou tubular a partir de um ou
mais fios de Trama. O “tecido” produzido em aberto por meios mecânicos corresponde ao que se
produz em tricotagem manual com duas agulhas, enquanto o “tecido” produzido em tubular ou manga
por meios mecânicos corresponde ao produzido em tricotagem manual, com três ou mais agulhas.
Em tricotagem de malha de teia, o “tecido” pode também se formar em aberto ou tubular.
Neste caso, utiliza-se um conjunto de fios de teia que se interlaçam entre si, no sentido longitudinal e lateral. O
“tecido” produzido corresponde aquele que se produz em “croché” manual com apenas um fio e no
qual as laçadas se formam predominantemente na direcção longitudinal mas por vezes lateralmente.
Estes dois tipos fundamentais de malha podem encontrar-se em combinações de vários tipos, podendo
citar-se a título exemplificativo a introdução de fios de teia em malha de Trama por meio de bordadores
ou riscadores verticais, e a introdução de Tramas em malha de teia através de dispositivos de inserção
de Trama.
Quando apenas são utilizados fios de Trama é possível desfiar a malha lateral, circular ou na espiral
Contudo, quando fios de teia são utilizados, é normalmente impossível desfiá-lo, podendo em alguns
casos desmanchar-se uma coluna longitudinal laçada a laçada.
A laçada é o elemento fundamental de um “tecido” de malha, normalmente formada por flexão do fio.
Os principais tipos de laçada são: a laçada normal, a laçada carregada e a laçada flutuante.
O termo “fileira” é utilizado para designar uma linha horizontal de laçadas, enquanto que o termo “coluna”
utiliza-se para designar uma linha vertical de laçadas.
A menor unidade repetitiva de uma estrutura de malha é conhecida por módulo de repetição ou célula estrutural
do ponto. Os seus desenvolvimentos no sentido vertical e horizontal formam o “tecido”.
Malhas são estruturas complexas, difíceis de descrever. Neste contexto a sua representação gráfica
assume elevada importância.
Quando as estruturas são produzidas por apenas um sistema de agulhas, a face da frente (direito) é sempre
diferente da parte de trás (avesso). Neste caso, devido à diferença de tensões existentes entre as duas
faces as bordas do tecido enrolam.
A variação estrutural é normalmente obtida por combinação dos três principais tipos de laçadas: normal,
carregada e flutuante, que pode ser completada e enriquecida pela utilização de técnicas de fabricação
especiais.
Para a formação do tecido de malha devemos ter um certo número de agulhas. Estas devem ser
consecutivas e estarem dispostas num mesmo plano. As agulhas não se movem sozinhas tornando-se
necessário que exista um sistema que as obrigue a fazer os movimentos de vai-e-vem. Deve ainda
existir um dispositivo que forneça fios às agulhas, formando desta maneira o tecido de malha.
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Quando as estruturas são produzidas com dois sistemas de agulhas, a face da frente pode ser igual à
face da trás e há equilibro das tensões, produzindo desta forma, malha mais estável às estruturas
produzidas com dois sistemas de agulhas que dependem da disposição da relativa das agulhas nos dois
sistemas:
 Interlock (quando opostas)
 Rib (quando alternadas).
9.2- Geometria e propriedades
A estrutura e a geometria dos tecidos de malha diferenciam-se substancialmente dos tecidos tradicionais de
tecelagem, onde a Trama e o Teia entrelaçam-se formando uma armação rígida que resulta em produto
final especialmente resistente.
A malha ao contrário, não nasce de uma armação Trama-Teia, mas é feita com um só fio que corre em
forma de espiral horizontalmente (malhas de Trama) ou de vários fios longitudinais, um por agulha
(malhas de Teia).
Em ambos os casos o fio assume a forma de laçada, sendo que cada laçada passa por dentro da laçada
anterior sem que exista algum ponto de ligamento fixo entre elas.
Essas laçadas ou malhas assumem um aspecto de fios em forma senoidal que se sustentam entre si e que
são livres para mover-se quando submetidas a alguma tensão, o que caracteriza a flexibilidade dos tecidos de
malha, os quais podem, dessa forma, abraçar as mais complexas formas do corpo humano.
O tecido de malha é ainda elástico porque as laçadas podem escorregar umas sobre as outras, quando
sob tensão e retornar a posição inicial quando se cessa a solicitação.
Outra propriedade das malhas é a porosidade, o que proporciona um conforto fisiológico notável.
9.3 -Estruturas básicas das Malhas de Trama
No campo das malhas por Trama encontramos três estruturas que nos dão o fundamento para a
produção de tecidos de malhas, seja em base linear ou circular, seja por peça dimensionada ou, ainda,
por peça tubular. Essas três estruturas são as seguintes, por ordem de simplicidade:
- Jersey
- Rib
- Ponto reverso (link).
9.3.1 - JERSEY (tecido de uma face).
O tecido de jersey possui uma única face, ao passo que o tecido "rib" e o de ponto reverso (links)
possuem duas, apresentando a mesma aparência em qualquer deles, ou seja, tanto do direito, como do
avesso, ainda que suas estruturas sejam completamente diferentes uma das outras.
Como pode ser notado, é característica do tecido de jersey repousar ao entrelaçamento de pontos na
mesma direcção, no lado direito, ao passo que no avesso notamos as laçadas produzidas de forma
semicircular. A produção de tecido de jersey é feita em máquinas que possuem um único conjunto de
agulhas (uma fileira ou face simples). No entanto, também podemos tecê-lo em máquinas que
disponham de dois conjuntos de agulhas (dupla face), onde naturalmente só se verificará a tricotagem num dos
conjuntos da agulha (fileira simples).
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9.3.2 -MEIA MALHA
9.3.2.1 - Meia malha Simples:
É a contextura básica das máquinas de uma fileira simples. Por isso esses equipamentos são chamados
também de máquinas de meia malha. A produção é igual ao número total de sistemas em trabalho. No
lado direito da malha aparecem pernas, enquanto aparece no lado avesso: pés e cabeças.
9.3.2.2 - Meia malha Riscador horizontal:
O aspecto é idêntico ao da meia malha simples. A única diferença tem a ver com o facto de trabalhar a
malha com mais de uma cor. A produção fica em função do ” rapport” do listado. Seria igual ao número
de sistemas em trabalho, portanto deve-se primeiro verificar quantos sistema pode trabalhar para que o
“rapport” encaixe completamente.
9.3.2.3 - Meia malha vanisada:
Consiste em artigo dupla fase, onde teremos um fio no lado direito e outro no avesso. Para que isso
ocorra é necessários termos dois fios no mesmo alimentador, com altura dos furos diferentes, com
tensões diferentes, de maneira que esses fios formam malhas em paralelos. Deve-se cuidar na escolha
dos títulos, pois é a somatória dos dois fios que deve ser levado em conta na escolha no jogo da
máquina. O normal é uma composição com o fio de filamento no lado externo e fio fiado no lado
interno. A produção é igual ao número total de sistema em trabalho.
9.3.3 – PIQUÉ
9.3.3.1 - Piqué lacoste simples:
No pique lacoste simples temos a introdução de carreiras de meia malha.
O lacoste original é realizado com a contextura em circular J-20 agulhas/pol, com algodão Ne 40/2 ou
45/2. A produção é 3/4 do número de sistema em trabalho.
9.3.3.2 - Piqué lacoste duplo:
Neste caso, a maioria das máquinas são de jogo 24 e 28 agulhas/pol. Se utilizarmos fios muito finos
será necessário realizar algumas modificações na contextura desde que seja utilizado o mesmo jogo.
9.3.3.3 - Felpa Americana:
A contextura da Felpa Americana é uma das mais utilizadas nas malhas circulares, principalmente nas
estações outono-inverno. Ela é baseada no princípio de existir um fio grosso flutuando no lado avesso, e um
fio (de título adequado ao jogo da máquina) tricotando a meia malha.
Esse fio grosso no lado do avesso proporciona toque mais agradável aos artigos e melhor isolamento térmico.
O fio grosso utilizado no avesso é normalmente de título Ne 8/1,10/1,12/1,16/1 em função da
gramagem e aplicação. Normalmente utiliza-se máquinas com jogo 18,20 ou 24 agulhas/pol.
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9.3.3.4 - Molletom (Felpa) 3 x 1 – Trama desfasada:
É a contextura mais utilizada e que é chamada apenas de Molletom ou Felpa. O 3 x 1 significa que o fio
grosso salta 3 agulhas e é amarrado em Excêntrico de retenção (Fang) na quarta. O 1 significa que para cada
carreira de meia malha teremos um fio grosso e sua ligação é alternada.
9.3.3.5 - Molletom (Felpa) 3 x 1 – 2 Tramas desfasadas:
Nessa contextura teremos dois fios grossos para cada carreira de meia malha.
Trata-se de um artigo mais pesado, com maior poder de cobertura e isolante térmico, sendo recomendado para
molletom felpa. Actualmente não é muito utilizado pelo seu custo mais elevado.
10 – Comprimento médio do fio absorvido e controlo da regularidade de absorção
de fios de um tecido de malha:
O comprimento de fio absorvido (L.F.A) permite caracterizar facilmente uma malha, além da
regularidade de absorção do fio entre carreiras de malhas constitui um elemento essencial da
regularidade de aspecto da malha acabada.
O interesse principal do método descrito reside na grande precisão com que nos permite apreciar estas
duas características importantes da tricotagem: comprimento do fio absorvido e a regularidade de absorção do
fio.
Geralmente, como título indicativo, considera-se que uma malha está qualitativamente bem fabricada,
desde que o LFA conserve uma boa regularidade.
Notar que tendo em conta este parâmetro, podemos classificar como em óptimas condições uma malha
que apresente uma diferença de LFA obtido nas várias fileiras inferior a 1% em relação ao seu valor
médio, muito embora haja técnicos que aponta para limites de mais ou menos 3% em relação ao LFA
médio.
Além disso, na avaliação de uma malha, consideramos malha “sem defeito de tricotagem”, quando os
valores individuais medidos do L.F.A estiverem entre os limites de mais ou menos 1,5% em todos as
fileiras.
A determinação o LFA tem como objectivo, avaliar a medida do comprimento médio de fio absorvido
por ponto de uma malha e o controle da regularidade de absorção de fio entre fileiras de malhas.
O valor do comprimento médio de fio absorvido retirado e avaliado nas fileiras corresponde ao
comprimento médio do fio, dividido pelo número de colunas destinadas ao teste.
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11 - Formulas utilizadas em Cálculos na Tecelagem
11.1 - Volume específico de fios (V)
100
Ve = ----------
p x e
Onde:
Ve = volume específico do fio, em cm3/g;
p = densidade da fibra, em g/cm3;
e = aperto do fio, em %.
11.2 - Volume específico (V) de fios com misturas de fibras
Onde:
Vm = volume específico médio do fio, em cm3/g;
Vi= volume específico do fio da i-ésima fibra, em cm3/g;
fi = percentagem da i-ésima fibra na composição do fio, em %.
11.3 - Diâmetro do fio
Onde:
d = diâmetro do fio, em mm;
V = volume específico do fio, em cm3/g;
tt = densidade linear do fio, em tex
.
11.4 - Largura da Teia no pente
11.4.1 - Largura da Teia no pente pela largura do tecido cru e contracção da trama
Onde:
Lup = largura da Teia no pente, em cm;
Ltc = largura do tecido cru, em cm;
Ctr%2 = contracção da trama no tecido cru, em %.
11.5 - Cálculo de pente
11.5.1 - Número do Pente tendo em conta a quantidade de fios/cm
n c1
Rc = ------------------
p
Onde:
Rc = redução (número) do pente, em puas/cm;
nc1 = fios/cm no pente;
p = fios/pua.
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11.6 – Número do Pente obtido tendo em conta a quantidade total de fios da Teia
Onde:
Rc = número do pente, em puas/cm;
nt1 = total de fios da Teia no tecido;
p = fios/pua;
Lup = largura da Teia no pente, em cm.
11.7 - Quantidade de fios por puas
p = e ; ou múltiplo de e (sempre que possível)
Onde:
p = fios/pua;
e = fios/repetição.
11.8 - Relação da passagem
Onde:
Ep = percentagem do espaço entre puas, em %;
V = volume específico do fio, em cm3/g;
tt = densidade linear do fio, em TEX;
Rc = número (nº) do pente, em puas/cm;
p = fios/puas.
11.9 - Massa de fios no tecido
11.9.1 - Massa da Teia
Onde:
m1 = massa da Teia, em g/m;
nc1 = fios/cm no pente;
Lup = largura da Teia no pente, em cm;
tt1 = densidade linear do fio da teia, em tex;
Ctr%1 = contracção da teia no tecido cru, em %.
11.9.2 - Massa da trama
Onde:
m2 = massa da trama, em g/m;
nc2 = batidas/cm no tear;
Lup = largura da teia no pente, em cm;
tt2 = densidade linear do fio da Teia, em tex.
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11.10 - Massa do tecido
Mt = m1 + m2
Onde:
mt = massa do tecido, em g/m.
m1 = massa da teia , em g/m;
m2 = massa da trama, em g/m.
11.11 - Densidade superficial do tecido
Onde:
Dt = densidade superficial do tecido, em g/m2 ;
mt = massa do tecido, em g/m2 ;
Ltc = largura do tecido cru, em mm.
12.1 - Fórmula para cálculo do factor de cobertura
12.1.1 - Factor de cobertura da Teia
Onde:
K1 = factor de cobertura da Teia;
n1= fios/cm no tecido cru;
t t1= densidade linear do fio da Teia, em tex.
12.1.2 - Factor de cobertura da trama
Onde:
K2 = factor de cobertura da trama;
n2 = passagens/cm no tecido cru;
tt2 = densidade linear do fio da trama, em tex.
12.1.3 - Factor de cobertura do tecido para a determinação dos limites de Tecelagem
Kt = K1+K2
Onde:
Kt = factor de cobertura do tecido;
K1 = factor de cobertura da Teia;
K2 = factor de cobertura da trama
12.1.4 - Factor de cobertura do tecido pelo sistema inglês para limites de Tecelagem
KtNe = 1,046 x Kt
Onde:
KtNe = factor de cobertura do tecido no sistema inglês;
Kt = factor de cobertura do tecido no sistema internacional (SI).
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Noções Básicas de Qualidade
1 - Introdução:
Qualquer que seja a actividade a que uma empresa se dedique, ela traduz-se pelo fornecimento de um
produto ou serviço tal, que o cliente/utilizador ao adquiri-lo, espera encontrar nele a satisfação das suas
necessidades.
Assim, a empresa vê-se “obrigada” a que os seus produtos ou serviços apresentem:
 O melhor conjunto de características funcionais (economicamente o mais elevado);
 O melhor preço (economicamente o mais baixo);
 O melhor prazo (economicamente o mais curto);
1.1 - A Importância da Qualidade – Estratégia vital para a sobrevivência das empresas
A globalização da economia trouxe a necessidade das empresas estarem aptas a produzir produtos e
serviços com qualidade, de forma a satisfazerem os consumidores actuais e a competirem com os
produtos importados para os seus mercados alvo.
Esta competitividade está interligada à busca pela produtividade e capacidade de garantir a
qualidade dos produtos, visando principalmente assegurar a lucratividade através da diminuição dos
custos de produção e dos custos de não qualidade.
Ou seja, o que está em causa não é somente o produto perante o cliente/utilizador, é também o custo
da sua realização e este será tanto menor quanto menor for a não qualidade.
Os defeitos originam custos que oneram o produto final e, num mundo de competitividade, como este
em que se vive, é necessário saber minimizá-los!
Por tudo isto, a qualidade influencia a vida da empresa.
A Qualidade Total é a implicação de todas as funções da Empresa na obtenção da Qualidade do
produto ou serviço, e a participação de cada um, individual ou colectivamente na procura da qualidade
na sua actividade.
2 - Que Qualidade?
Assim, a Qualidade consegue-se a partir de:
 Uma clara e objectiva IDENTIFICAÇÃO das necessidades do cliente como ponto de
partida;
Um produto de qualidade é aquele que apresenta características que determinam a sua aptidão para
satisfazer uma dada necessidade.
Assim, essas características devem ser suficientes, para que ele possa ser considerado adequado à
finalidade para que foi previamente concebido.
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Ex: Desenho desejado, Cor, Peso, Dimensão, “Corpo”, Toque, Boa absorção…
A concretização das necessidades do cliente/utilizador deve ser feita através da descrição por escrito,
dos requisitos a que o produto tem de obedecer.
Ex: Especificações de Dimensão; Gramagem; Contextura, Desenho, Cor;
Absorção, Solidez das cores, Aspecto após lavagem, Encolhimentos.
 A correcta e precisa DEFINIÇÃO TÉCNICA do produto;
A escolha das matérias-primas mais convenientes (qualidade e preço), bem como do processo de
fabrico ajustado, passando pela utilização das máquinas adequadas e não esquecendo a competência,
consciência e formação profissional dos meios humanos postos em jogo, desempenham, por isso, um
papel decisivo.
 A sua REALIZAÇÃO, não para receber “medalhas” mas, e tão só, para a necessária
satisfação do cliente/consumidor.
O produto realizado deve reflectir as exigências do cliente. Esta adequação das características do
produto às especificações do cliente caracteriza a qualidade de conformidade, definida como o grau
de fidelidade do produto com os requisitos especificados.
Ora, isto só é possível através do envolvimento de:
- Todas as funções da empresa (Comercial, Estudo/Desenvolvimento, Compras,
Aprovisionamento, Fabricação, Recursos Humanos, Contabilidade, Manutenção, Controlo de
Qualidade, Expedição, …)
- Todos, de cima para baixo e, em cada nível, com saliência para a Alta Direcção.
Deste modo, a Qualidade, terá de ser:
- Preocupação de todos;
- Acção concertada de todos
- Responsabilidade de todos.
O conceito de responsabilidade cliente-fornecedor no interior da Empresa deve estar sempre
presente, isto é:
 Ninguém passa ao seguinte, sem que previamente se assegure de que o que executou está correcto;
 Do mesmo modo, e sempre que se detecte qualquer anomalia com origem em fases anteriores, não se
dá seguimento e reclama-se a quem lhe forneceu.
3 - Custos da Qualidade e Custos da Não Qualidade
É pressuposto de base, que um produto estará qualitativamente correcto se a sua realização, pela
Fabricação, estiver conforme com as especificações técnicas e funcionais, tendo em atenção a
necessidade de satisfação do consumidor.
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Sempre que haja não conformidade é porque há defeitos – Não Qualidade – e estes acarretam custos,
os custos de não qualidade, onde se incluem:
 Custos das Falhas Internas, isto é, defeitos (perdas de valor do produto) ou reprocessamentos
(correcções, retoques, reparações, reacondicionamentos);
 Custos de Falhas Externas, isto é, devoluções de clientes, reclamações e indemnizações;
 Outros custos de quantificação mais difícil, como perdas de prestígio e de clientes, ausência ou
insuficiência de produto no mercado, tempo em diálogo e reuniões diversas para analisar causas de
defeitos e soluções a adoptar, …
Por outro lado, para que qualquer empresa possa ter segurança de que coloca no mercado, produtos
qualitativamente correctos e visa, constantemente, melhorar a qualidade dos seus produtos, necessita
que o Departamento de Controlo da Qualidade e o Sistema de Gestão da Qualidade sejam eficazes.
Tudo isto acarreta alguns meios materiais e humanos que se traduzem nos custos da qualidade onde
se incluem:
 Custos de Prevenção;
 Custos de Detecção (Inspecção).
4 - Os Defeitos na Tecelagem
É verdade que não existe Tecelagem sem defeitos, mas também é verdade que a empresa
espera que este valor seja o mais próximo possível do zero.
É importante que todas as pessoas relacionadas com o processo de Tecelagem, conheçam os motivos
que levam a que haja peças que mensalmente sejam segregadas, destinadas para defeito, e desta forma
entenderem a importância deste custo e a possibilidade de poupança inerente.
As peças defeituosas provocadas na Tecelagem, e o respectivo custo de não qualidade, é originado pela
perda no:
 preço de venda (diferença entre o preço/Kg de 1ª qualidade e 2ª qualidade)
 custo de reposição (nova produção) e perda de capacidade produtiva,
 e possível indemnização pelo atraso na entrega da encomenda,
motiva a formação nas boas práticas de trabalho numa tecelagem e sensibilização dos funcionários
para a necessidade de mudança comportamental que conduz à diminuição de produtos não
conformes.
Tecelagem Tecelagem
Felpo
Americano
Tecelagem
Felpo
Jacquard
Nº peças
Nº kg
% Defeito (kg)
Perda por venda como
2ª qualidade
À qual ainda teremos de adicionar, outras perdas possíveis…
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4.1 - Causas dos Defeitos
Os defeitos na Tecelagem podem ser provocados por:
 Problemas com as características do fio / matéria-prima;
Fraca preparação à tecelagem;
 Má afinação dos teares ou má manutenção dos teares;
 Erros humanos.
Os principais motivos que normalmente tem origem na NÃO QUALIDADE, são:
Descrição Felpa Americana Quant. (pçs) % Imp.
1. Falha na direcção trama –
grande extensão
2. Falha na direcção teia
3. Manchas castanhas/pretas
4. Falha na direcção trama –
pequena extensão
5. Barra com desenho mal
….. Outros
Descrição Felpa Jaquard Quant. (pçs) % Imp.
1. Falha na direcção trama –
grande extensão
2. Falha na direcção teia
3. Barra com desenho mal
4. Falha na direcção trama –
pequena extensão
5. Manchas castanhas/pretas
6. Barra com “pulga” – Teia
visível em pontos
….. Outros
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5 - A Preparação à Tecelagem
Para garantir alta produtividade, eficiência numa tecelagem e qualidade uma boa preparação das
teias é indispensável.
Para atingir o nível de quebras/paragens requerido hoje em dia e paralelamente a diminuição dos
defeitos relacionados com as mesmas, a preparação das teias e da trama devem entregar à Tecelagem,
teias e bobines com elevado nível de qualidade.
Não é uma atitude realista, assumir que uma teia com elevada qualidade pode ser produzida utilizando
fio de inferior qualidade.
Por outro lado, é possível produzir uma teia de inferior qualidade a partir de fio de alta qualidade, e
para evitar que isto aconteça, um número importante de pontos deve ser lembrado quando as estamos a
urdir.
5.1 - Urdissagem: Órgãos Perfeitos – A base para um bom andamento da teia
Quando iniciamos a urdissagem de um novo conjunto de bobines de fios, damos também
 Início à avaliação da qualidade do mesmo, baseado no registo das quebras. Este procedimento é
importante pois além de caracterizar a qualidade do fio, permite a recolha de informação necessária
para a reclamação ao nosso fornecedor em caso de entrega de fio abaixo dos requisitos especificados
pela empresa.
Considera-se que para a obtenção de boa urdissagem e operações posteriores, os seguintes valores
deviam ser alcançados:
Secção Felpa Jacquard:
Ex. 24/2 normal cor PC
Urdideira Seccional
N.º Fios – 4878; N.º metros – 1250;
N.º Fitas - 12
Aceitável –< 8 quebras em 12 fitas
Ex. 16/1 RS 15 Voltas (TC)
Urdideira directa
N.º Fios – 2560; N.º metros – 36000;
N.º Rolos - 6
Aceitável –< 6 quebras por rolo
Secção Felpa Americana:
Ex. 16/1 Penteado Malhas
Urdideira directa
N.º Fios – 2560; N.º metros – 14600;
N.º Rolos - 6
Aceitável –< 5 quebras por rolo
Algumas medidas que se devam tomar para minimizar as paragens são:
 Prevenção dos voaços através de limpeza regular
Para que não haja paragem dos teares causados por voaços “colados” ao fio após engomagem; Não se
deve limpar o pente da urdideira em andamento
 Colocação das bobines cilíndricas de modo a permitir o desbobinar do fio na mesma direcção
Garantir a mesma direcção de desbobinagem evita a colisão dos “balões” gerados.
 Evitar a perda de fios
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Garante-se assim a minimização das paragens da engomadeira e/ou o aparecimento de faltas de fio nos
teares.
Este objectivo consegue-se através de:
 Bom treino dos operadores das máquinas e não abandono da máquina e de;
 Uma boa manutenção das mesmas.
Paralelamente, a Preparação à Tecelagem sabe que:
 Um nó na tecelagem pode causar uma paragem e possivelmente um defeito.
Por esta razão, um nó de tecelão em vez do nó de pescador deve ser usado para cada quebra de fio.
Muita atenção às pontas do nó!
 Quando se urde a “folha” de fios para o órgão, deve-se garantir a distribuição uniforme dos fios.
O órgão não deve apresentar zonas mais altas ou baixas. Deve ser completamente cilíndrico.
Todos os rolos devem ser enrolados à mesma velocidade
Só assim se assegurará que na engomagem e/ou tecelagem todos os fios apresentem a mesma
tensão.
Há dois tipos de defeitos de urdissagem: os que são imputados às afinações da máquina e os imputados
ao trabalho do urdidor.
Imputados às afinações do material:
 A urdideira não pára quando um fio parte (verificar o funcionamento dos quebra-fios)
 A embraiagem não pára rapidamente (verificar o estado do travão)
 A urdideira embraia bruscamente
 O contador não pára rigorosamente no comprimento desejado
 Os órgãos de urdissagem estão defeituosos por:
1. Pratos empenados (origina mau enrolamento prejudicando as ourelas; os órgãos devem ser
imediatamente rectificados)
2. Colocação dos órgãos (não os lançar uns sobre os outros, porque origina o empenamento dos
pratos)
Imputados ao urdidor
 Cumprir com as ordens do responsável da Preparação no que respeita à utilização do fio
respeitando as datas de entrega;
 Nunca utilizar, misturando bobines de Ne diferente, rama (lote ou remessa) diferente, sem ordem
do responsável,
 Mau entrelaçamento (deve-se dar uma boa tensão aos fios quando se faz a cruz);
 Fios cruzados na teia;
 Tensão desigual na largura do órgão;
 Desigualdade de comprimento de fio de órgãos da mesma carga (diferenças de tensão dos órgãos
urdidos; Este defeito origina um desperdício importante de fio!
Notar:
Certos defeitos produzidos na urdissagem vão mais tarde aparecer no tecido em riscas ou quebras de
fio. Estes defeitos produzem-se quando certos fios são submetidos a uma estiragem diferente
(alongamento) e/ou posteriormente quando têm de acompanhar as solicitações dos seus vizinhos.
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 68 de 86
5.2 - Encolagem: Bem engomado – Meio “tecido”
A engomagem dá à teia a resistência necessária para garantir um bom funcionamento na tecelagem. Se
a engomadeira está a funcionar correctamente e o encolante a aplicar foi correctamente escolhido, a
resistência do fio será melhorada e a sua pilosidade reduzida.
Contudo, ao mesmo tempo o processo de engomagem reduz a elasticidade do fio, o que tem um forte
impacto na frequência de paragens durante o processo de tecelagem.
No caso de fio convencional e do fio open end, esta redução de elasticidade não deve ser superior a
1.5% logo deve-se,
 Controlar o alongamento e não ultrapassar 1.5%, desde que não interfira com a boa preparação da
teia.
 Correcta preparação dos banhos de encolagem. Nos banhos mais concentrados, pode implicar
uma diluição do banho tal que dificulte a tecelagem da artigos de gramagens altas.
 Irregularidade do nível de lubrificante na ensimagem. É necessário a vigia para assegurar que
esta aplicação é constante.
 Irregularidade de aplicação da goma:
1) - Um movimento excêntrico dos cilindros espremedores da engomadeira produz pressões irregulares
na folha engomada, a quantidade de goma absorvida pelos fios é irregular;
2) - Quando partem um ou mais fios com a engomadeira em andamento, o cilindro espremedor fica
com esses fios colados – cadilho - e a sua acumulação faz com que o trabalho do cilindro nesse local
deixe de ser efectuado convenientemente.
3) - Depois de uma paragem prolongada e a encarreirar uma teia – mais na teia de baixo - a parte
superior dos cilindros fica seca e com goma, e quando se põe de novo a engomadeira em marcha, esta
zona em contacto com os fios, arrasta uma película de goma em excesso.
 Fios/faixas coladas
Os fios atam-se aos fios vizinhos e colam-se aos mesmos; se não foi vigiado e refeito nas puas do
pente, seguem para a tecelagem faixas de fios colados que provocam quebras inevitáveis.
 Fios partidos e fios em falta
A ruptura dos fios produz-se em geral, quer entre os cilindros espremedores e os cilindros
engomadores, quer nos cilindros secadores.
O fio partido enrola-se em volta dos tambores e forma uma fita. Isto acontece também quando um fio
que partiu na urdissagem e foi mal reparado se cruza com o fio vizinho.
 Constante patrulha e vigilância na respectiva zona da máquina por parte do titular e do ajudante da
máquina;
 Avisar anomalias das máquinas o mais rapidamente possível e insistir se não virem o problema
solucionado;
Na Tecelagem os principais defeitos que têm origem na Preparação são conhecidos por “chocas”, fios
colados, fios brandos e faltas.
Junto se incluem algumas fotos tiradas na tecelagem de teias com problemas.
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5.4 - Imagens de possíveis defeitos com origem na Preparação
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Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 71 de 86
Defeitos com origem na Matéria-Prima:
Tipo de Defeito:
Fio c/ zonas com tonalidade cinzenta
Fio cru com contaminações coloridas
Fio tingido com contaminações com cor diferente do original
Rotura do fio Trama após inserção e batimento do pente (ver também tecelagem)
Rotura do fio Teia Base ao sair do órgão alimentador
Teia de Cima - Fios torcidos: Fios com muita ou pouca torção
Teia de Base – Fios com “borboleta” – Rotura por ½ resistência base
Falhas na Teia (inclui "T") (ver também Tecelagem)
Zonas de Fio diferente ou Fio diferente
Presença de Tapulhos, Grossuras ou Finuras
Aberturas na Teia (ver também Tecelagem)
Defeitos com origem na Tinturaria de Bobines:
Tipo de Defeito:
Falha Trama Pequena por problemas de atrito (fios tingidos) (ver também tecelagem)
Falha Trama Grandes por problemas de atrito (fios tingidos) (ver também tecelagem)
Pontos Fracos - Baixa Resistência nos fios Branqueados e ou Tingidos
Defeitos com origem na Preparação para a Tecelagem – Urdissagem:
Tipo de Defeito:
Pontos sem Argola e ou Argola mais pequena
Fios com muita tensão – puxados
Fios “brandos” com pouca tensão – ondulações
Faltas
Fio diferente – mal remetido na esquinadeira
Aspecto não conforme da teia de Cima – Zonas com ondulação na Teia de cima analisadas à
saída da Tecelagem.
Encolhimento longitudinal fora dos padrões devido a tensões mal definidas na urdissagem.
NOTAS:
Duas informações complementares importantes:
1 - Defeitos que podem ser imputados às afinações da Máquina/Órgãos:
 A urdideira não pára quando um fio parte (verificar o funcionamento dos quebra-fios
 A embraiagem não pára rapidamente (verificar o estado do travão)
 A urdideira embraia bruscamente
 O contador não pára rigorosamente no comprimento desejado
 Os órgãos de urdissagem estão defeituosos por:
i. Pratos empenados (origina mau enrolamento prejudicando as ourelas; os
órgãos devem ser imediatamente rectificados)
ii. Colocação dos órgãos (não os lançar uns sobre os outros, porque origina o
empenamento dos pratos)
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 72 de 86
2 - Defeitos que podem ser imputados ao Urdidor
 Cumprir com as ordens do responsável da Preparação no que respeita à utilização do fio
respeitando as datas de entrega;
 Nunca utilizar, misturando bobines de Ne diferente, rama (lote ou remessa) diferente, sem
ordem do responsável
 Mau entrelaçamento (deve-se dar uma boa tensão aos fios quando se faz a cruz)
 Fios cruzados na teia
 Tensão desigual na largura do órgão
 Desigualdade de comprimento de fio de órgãos da mesma carga (diferenças de tensão dos
órgãos urdidos - Este defeito origina um desperdício importante de fio).
Notar que alguns dos defeitos produzidos na urdissagem, vão mais tarde aparecer no tecido em riscas
ou quebras de fio. Estes defeitos produzem-se quando certos fios são submetidos a uma estiragem
diferente (alongamento) e/ou posteriormente quando têm de acompanhar as solicitações dos fios
vizinhos.
NOTA FINAL:
Algumas medidas que se devem tomar para minimizar as paragens são:
 Prevenção dos voaços através de limpeza regular.
 Para que não haja paragem dos teares causados por voaços “colados” ao fio após engomagem;
Não se deve limpar o pente da urdideira em andamento.
 No caso de utilização de bobines cilíndricas e que não tenham topo marcado, efectuar a sua
colocação de modo a permitir o desbobinar do fio na mesma direcção (todas com rotação do
desbobinar no sentido dos ponteiros do relógio ou todas no sentido contrário aos ponteiros do
relógio).
Nota: Ao garantir a mesma direcção de desbobinagem evita a colisão dos “balões” gerados.
 Evitar a perda de fios
Garante-se assim a minimização das paragens da engomadeira e/ou o aparecimento de faltas de fio nos
teares.
Paralelamente, a Preparação à Tecelagem deve saber que:
 Um nó na tecelagem pode causar uma paragem e possivelmente um defeito.
 Por esta razão, um nó de tecelão em vez do nó de pescador deve ser usado para cada quebra
de fio. Muita atenção às pontas do nó!
 Quando se urde a “folha” de fios para o órgão, deve-se garantir a distribuição uniforme dos
fios.
 O órgão não deve apresentar zonas mais altas ou baixas. Deve ser completamente cilíndrico.
 Todos os rolos devem ser enrolados à mesma velocidade
Só assim se assegurará que na engomagem e/ou tecelagem todos os fios apresentem a mesma tensão.
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 73 de 86
Defeitos com origem na Preparação para a Tecelagem – Engomagem:
Tipo de Defeito:
Fios da TEIA engomada colados e emaranhados
Acumulações nos liços dos teares de resíduos de goma.
Encolhimento longitudinal das toalhas fora dos padrões devido a tensões / estiragens mal
definidas e ou por falta de controlo.
Teia engomada com elevado teor de Goma e ou com elevado atrito provocando no Tear
problemas no comportamento do processo de tecer.
Irregularidades na aplicação da Goma:
Cadilhos - Quando partem um ou mais fios com a engomadeira em andamento, o cilindro
espremedor fica com esses fios colados.
Película com Excesso de goma no princípio da Teia – após paragem prolongada.
Irregularidade do movimento dos cilindros.
Fios / Faixas Coladas
“Chocas”
Informação Importantes para o processo de Engomar:
Teia com fios partidos e ou em falta:
A ruptura dos fios produz-se em geral, quer entre os cilindros espremedores e os cilindros
engomadores, quer nos cilindros secadores.
O fio partido enrola-se em volta dos tambores e forma uma fita. Isto acontece também quando
um fio que partiu na urdissagem e foi mal reparado se cruza com o fio vizinho.
Estiragens:
No caso de fio convencional esta redução de elasticidade não deve ser superior a 1.5%; no
caso de fios Open End poderá ser ligeiramente superior, mas nunca superior a 1.8%, logo
deve-se:
 Controlar o alongamento e não ultrapassar 1.5%, desde que não interfira com a boa
preparação da teia.
 Correcta preparação dos banhos de encolagem. Nos banhos mais concentrados, pode
implicar uma diluição do banho tal que dificulte a tecelagem dos artigos de gramagens
altas.
 Irregularidade do nível de lubrificante na ensimagem. É necessário a vigia para
assegurar que esta aplicação é constante.
 Irregularidade de aplicação da goma:
2) Um movimento excêntrico dos cilindros espremedores da engomadeira produz
pressões irregulares na folha engomada, a quantidade de goma absorvida pelos
fios é irregular;
3) Quando partem um ou mais fios com a engomadeira em andamento, o cilindro
espremedor fica com esses fios colados – cadilho - e a sua acumulação faz com
que o trabalho do cilindro nesse local deixe de ser efectuado convenientemente.
4) Depois de uma paragem prolongada e a encarreirar uma teia – mais na teia de
baixo - a parte superior dos cilindros fica seca e com goma, e quando se põe de
novo a engomadeira em marcha, esta zona em contacto com os fios, arrasta uma
película de goma em excesso.
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 74 de 86
Informações importantes para o processo de Engomar (continuação)
Fios/faixas coladas:
Os fios atam-se aos fios vizinhos e colam-se aos mesmos; se não foi vigiado e refeito nas puas
do pente, seguem para a tecelagem faixas de fios colados que provocam quebras inevitáveis.
 Fios partidos e fios em falta
A ruptura dos fios produz-se em geral, quer entre os cilindros espremedores e os cilindros
engomadores, quer nos cilindros secadores.
O fio partido enrola-se em volta dos tambores e forma uma fita. Isto acontece também quando
um fio que partiu na urdissagem e foi mal reparado se cruza com o fio vizinho.
Notar ainda que é uma boa prática:
 Uma constante patrulha e vigilância na respectiva zona da máquina por parte do
titular e do ajudante da máquina;
 Avisar anomalias das máquinas o mais rapidamente possível e insistir se não virem o
problema solucionado;
OBS:
Na Tecelagem os principais defeitos que têm origem na Preparação são, nomeadamente:
 “Chocas”,
 Fios colados,
 Fios brandos
 Faltas.
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 75 de 86
Defeitos com origem na Tecelagem:
Tipo de Defeito:
Falhas Trama Pequenas (Problemas na afinação dos tensores –acumuladores de trama) – Afinação do Tear
Falhas Trama Grandes (Problemas na afinação dos tensores –acumuladores de trama) – Afinação do Tear
Fio da Trama a faltar ao longo de toda a largura da remeteção
Trama reintroduzida
Trama diferente – nas Barras – Riscas na direcção da trama
Rotura da Trama durante o processo de inserção
Rotura da Trama após batimento do Pente
Trama reintroduzida de forma irregular
Falta de passagem/falta de fio na Trama ou trama partida.
Falhas Teia (inclui "T")
Piolho (Argola direito / avesso)
Pontos sem Argola e ou Argola mais pequena
Aberturas na Teia
Fio diferente ou mal remetido
Barra com desenho errado
Tramas afastadas (Barra/Felpo/Teia)
Ourela defeituosa (quebra na estrutura básica da ourela) - Ourelas desfeitas ou pouco presas.
Rasgo na ourela (rasgo pelo aumento de tensão, ao “emoldurá-la”).
Fiapos na ourela (pontas de fio de trama que se estendem na ourela);
Manchas óleo
Presença tapulhos (verificados durante o processo de Tecer)
Zona c/ trama dupla ou +
Rampa de argolas
Distribuição das Cores erradas (teia/trama)
Gramagem errada – Peso não conforme
Falha Comprimento na Teia
Medidas não conforme
Aspecto não conforme
Marcas do tempereiro - (pequenos furos ou marcas juntos à ourela, pelo deslizamento de fios da
Teia sobre a trama)
Marca devido à paragem da máquina (Rareira na largura do tecido originado pela paragem do
tear)
Raleira (barra no sentido pela diminuição do número de batidos do pente)
Elevado número de roturas na Teia de Baixo gomada
Chocas – Argola deitada ou amarrotada junto à Teia de Base
Riscas na Argola da Teia de Cima
Outros (fios puxados, fora medida)
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 76 de 86
Defeitos com origem nos Acabamentos:
Tipo de Defeito:
Artigo Vincado (Barra/Felpo/Ourelas)
Artigo Enviesado
Fora de Tom
Manchas Coloridas
Manchas mais Claras / Brancas
Manchado Barra à Largura
Manchado nas ourelas
Felpo cor manchada
Toque Não Conforme
Aspecto Não Conforme (argolas onduladas)
Ourelas abertas ou rasgadas
Manchas tom amarelado/castanho/cinza
Marca de grampo (para não dobrar a ourela)
Dobra por enrolamento
Dobra por compactação
Contaminação por branco óptico
Outros Defeitos
Marca de grampo (usado para não dobrar a ourela);
Dobra por enrolamento
Dobra por compactação – defeito processado na Râmola
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 77 de 86
Defeitos com origem na Confecção:
Tipo de Defeito:
Tira sobre ou afastada do felpo
Tira fiapada
Tira com cortes
Tira com zonas não cozida
Topo sobre ou afastado do Felpo
Topo com cortes
Mal bordado ou danificado
Artigo sujo
Fios puxados – com origem nas máquinas longitudinais
Manchas com origem na confecção
Peças mal cortadas
Fios cortados nas Tiras ou nos Topos
NOTA IMPORTANTE:
Na opção tomada para aquisição das linhas de cozer, será importante efectuar uma análise à
resistência dos mesmos antes de decisão para possibilitar a escolha do melhor tipo de fio.
Nesta na análise ter em atenção:
 A resistência do Fio em RKM;
 Variação da Resistência;
 Elasticidade do fio;
 Variação da Elasticidade;
 Tipo de fiação;
 Aspecto geral do fio;
 Avaliação do comportamento na Máquina de costura.
Conclusão:
Pretende-se que todos os funcionários tenham uma mentalidade participativa, crítica, não
conformista e dinâmica.
Que tenham consciência que a qualidade é responsabilidade de todos.
Que durante o seu trabalho, devem informar as anomalias detectadas ao seu superior hierárquico e ao
Responsável da Qualidade.
Que errar não pode ser permitido, e mais ainda - não controlar é um erro de enorme gravidade!
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 78 de 86
ESTUDO SOBRE A ALTERAÇÃO DIMENSIONAL DE UM ARTIGO TÊXTIL
TOALHA DE FELPO
Alteração Dimensional:
Na produção dos tecidos de Toalhas de Felpos e nos seus diferentes processos de beneficiamento,
surgem alterações dimensionais devido a acções mecânicas, térmicas e químicas que, na maioria dos
casos, se manifestam posteriormente, por um encurtamento na direcção longitudinal e eventualmente
na direcção transversal. Este fenómeno é geralmente, referido como encolhimento. O valor do
encolhimento de um tecido depende principalmente de duas influências: do material e das condições
de produção, nomeadamente no que diz respeito ao meio em que o tecido – felpo é beneficiado (água,
vapor, calor, seco, etc.), bem como temperatura e os esforços mecânicos, aos quais ele é submetido.
O mecanismo do encolhimento pode, parcialmente, ser explicado pelo alívio de tensões internas
introduzidas nos fios durante os processos de fiação e tecelagem.
Pela actuação de água, ar quente ou vapor, as tensões latentes podem ser aliviadas. Os Tecidos -
Toalhas de Felpo - tendem então a atingir um estado estável nas suas dimensões, e o tempo necessário
para isto vai depender do tipo da fibra, do tipo e condições de tratamentos aplicados.
Nos tratamentos hidrotérmicos, o encolhimento não é linear com o aumento da temperatura. Isto
serve de alerta na escolha das condições de lavagem pois, diferenças de temperatura
relativamente pequenas podem ocasionar grandes encolhimentos.
No tratamento em ar quente, há uma relação linear entre a temperatura e o encolhimento.
Encolhimento:
O Encolhimento de Tecidos de Toalhas de Felpo devido à lavagem, secagem, vaporização e pressão,
acontecem devido a três níveis do material.
 Nível de tecido
 Nível de fio
 Nível de fibra
O encolhimento total pode ser observado de acordo com o encolhimento nestes três níveis.
A contribuição de cada um para o valor total depende do tecido de felpo e da estrutura do fio, como
também a natureza da fibra.
Por exemplo, um tecido de felpo de algodão pode encolher cerca de 10% mesmo quando submetido a
condições que normalmente originam apenas 2% de encolhimento nas fibras e fios que compõem o
artigo em questão.
Em tecidos de algodão o encolhimento acontece principalmente ao nível de tecido. É por isso que
tecidos de algodão são primeiramente tratados através de processo mecânico como a Sanforização.
Por outro lado, tecidos de rayon exibem a maioria dos encolhimentos ao nível dos fios e das fibras.
Notar que o encolhimento de um artigo pode acontecer quando este passa por um ou mais dos
processos seguintes:
Lavagem - Principalmente relaxamento e encolhimento por dilatação.
Lavagem a seco - Principalmente relaxamento e encolhimento por dilatação.
Vaporização - Encolhimento de contracção no caso de tecidos sintéticos.
Pressão - Encolhimento de contracção no caso de tecidos sintéticos.
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 79 de 86
A figura 1 apresentada a seguir nos dá uma visão simplificada do encolhimento de um tecido plano de
algodão, por exemplo.
Figura 1 – Mecanismo do encolhimento de tecidos
1 – Após a lavagem
2 – Após a lavagem, ainda molhado
3 – Após a lavagem, já seco.
Causas que pode ter origem e ser designado o encolhimento:
1 - Encolhimento de Relaxamento:
Quando os fios são tecidos, eles são sujeitos a tensões consideráveis, particularmente na direcção do
Teia, entretanto os fios de trama também são estirados. Nas operações de calandragem esta “extensão”
pode ser aumentada mais adiante e temporariamente perdida no tecido. O tecido está então num estado
de instabilidade dimensional, e quando está completamente molhado tende a recuperar a estabilidade
dimensional que resulta numa contracção de fios determinada para o que é denominado por “Termed”
(encolhimento de relaxamento).
A contracção na direcção da trama é normalmente considerada menor, no entanto terá de haver o
máximo cuidado na afinação do processo da inserção da trama, nomeadamente:
- Efectuar o fecho da CALA antes dos 355º.
Notar que o fio trama inserido pode sofrer um ”esticamento” na cala quando fechada demasiado cedo
(longas pontas de fios do lado da recepção).
Para minimizar e ou mesmo evitar este problema, devo efectuar o fecho da CALA um pouco mais
atrasado – entre ao 10 a 15º, o que actuando desta forma o tecido é:
a) Menos susceptível às faixas dos dentes de guia;
b) O fio da TRAMA fica menos comprido devido à cala dianteira cruzada deslocada, sendo possível
desta forma impedir o rebentamento da mesma;
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 80 de 86
c) Notar que desta forma formam-se menos encarrapitamentos atrás do pente;
d) O fio da Trama perde um pouco da sua tensão, e por isso o tecido vai ter um menor encolhimento.
Como sugestão o fecho da CALA deverá rondar os 15º.
Entretanto em alguns tecidos, na direcção do Teia o encolhimento pode ser elevado, podendo mesmo
originar reclamações a menos que sejam levados passos para minimizar e ou mesmo evitar o problema.
2 - Encolhimento Inchado:
Trata-se do Encolhimento que é resultado do inchar e desinchar das fibras por causa da absorção e
perda de água. Num tecido leve o efeito desta inchação dos fios é maior que num tecido pesado, desde
que haja uma maior liberdade de movimento.
3 - Encolhimento de Feltragem:
Neste cado, o Encolhimento é o resultado principalmente das propriedades de feltragem das fibras dos
componentes que são obrigadas a migrar dentro da estrutura dos tecidos/fios. Notar que normalmente
só é considerado importante e significante para as fibras que tem escamas na superfície, como a lã.
4 - Encolhimento de Contracção:
Esta é a diminuição que acontece em fios/tecidos sintéticos quando eles são expostos a temperaturas
mais elevadas que 70ºF. A tendência de tecidos sintéticos para encolhimento de contracção pode ser
eliminada pelo calor que fixa os fios. Fios sintéticos que não são fixados por calor, antes ou depois que
eles sejam convertidos num tecido, tendem a encolher devido à vaporização e pressão durante a
fabricação.
Influência do tempo de exposição, no encolhimento:
Há uma outra variável na determinação do encolhimento: o tempo de tratamento.
Outra influência que deve ser levada em consideração na fixação de um método de ensaio é o tempo de
relaxação. É preciso fixar o tempo entre o final do tratamento e o momento das medidas de
comprimento, porque a variação do comprimento se compõem: de uma variação reversível,
dependente do tempo, e de um componente irreversível. Quanto mais elevada a temperatura do
tratamento, mais elevados são os componentes de encolhimento; porém, o encolhimento
irreversível aumenta mais do que o reversível.
No resultado do ensaio de alteração dimensional, dá-se o sinal de menos (-), quando se constata
encolhimento, e o sinal de mais (+) quando o tecido se alongou após o ensaio.
Na determinação da alteração dimensional de tecidos, existe mais um factor que influi no
resultado, que é a solicitação mecânica, especialmente quando se usa a máquina de lavar. Neste
caso, o encolhimento costuma ser maior.
Determinações sucessivas de alteração dimensional de um mesmo corpo-de-prova demonstram que,
nas primeiras determinações observa-se grandes alterações, que vão diminuindo nas determinações
posteriores. O material tende a se estabilizar. Nos tecidos de malha, geralmente há um maior
encolhimento na direcção longitudinal, nos primeiros ensaios de alteração dimensional. Em
determinações posteriores, este encolhimento se estabiliza, mas passa-se a observar um maior
encolhimento na direcção transversal.
Técnicas de encolhimento compressivo de tecidos e o quanto este se difere do encolhimento por
lavagem:
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 81 de 86
Quando encolhemos um tecido, estamos simplesmente dando a este artigo uma nova memória
dimensional. Normalmente é efectuada a lavagem de uma amostra de tecido de acordo com
determinado padrão que assegure a repetibilidade de resultados. O tecido é pré-encolhido na mesma
proporção do encolhimento causado pela lavagem. É necessário observar que o encolhimento
compressivo ocorre no Teia e/ou no sentido da Trama, antes ou durante o processo de pré-
encolhimento compressivo.
Há uma grande diferença entre encolhimento por lavagem natural e encolhimento compressivo
controlado. Tanto os tecidos de algodão e de outras fibras de celulose como os mistos de algodão com
outras fibras encolhem quando lavados, porque as tensões introduzidas nos fios e nos tecidos durante
os vários processos que os tornam comercialmente aceitáveis produzem uma alteração dimensional no
tecido. Quando tais tecidos são imersos em água, ocorre um relaxamento daquelas tensões e dos fios.
O tecido procura o seu ponto de equilíbrio, provocando sua mudança.
No caso do encolhimento mecânico ou compressivo, os fios são aproximados mecanicamente, o que
faz com que o tecido seja encolhido na direcção do Teia na mesma proporção que o tecido deverá se
encolher quando lavado.
Encolhimento compressivo é portanto um processo executado no sentido do Teia. Para controlar o
encolhimento dos fios transversais, deve-se estirar o tecido em sua largura numa râmola caso o tecido
seja mais estreito do que a largura da amostra lavada, ou estirar o artigo na direcção do comprimento
para reduzir sua largura, se o mesmo for mais largo do que a amostra lavada. Em ambos os casos, isto
é normalmente feito durante o processo de humidificação, antes de pré-encolher os tecidos, embora
alguns ajustamentos relativamente pequenos de largura sejam possíveis de se obter na máquina de pré-
encolhimento compressivo.
O encolhimento mecânico ou compressivo não é tão estável quanto o encolhimento natural e é, apesar
de tudo, somente um estado temporário.
Quando um tecido ou um artigo já confeccionado de tecido pré-encolhido é lavado, o encolhimento
obtido mecanicamente irá regredir e será substituído na mesma proporção dimensional pelo
encolhimento natural com água. Nenhuma alteração dimensional será constatada no tecido se o
encolhimento compressivo tiver sido adequadamente controlado.
O Encolhimento Compressivo:
Existem quatro factores ou condições importantes que possibilitam o pré-encolhimento mecânico de
tecidos: humidade, temperatura, pressão e duração de pressão.
Para se encolher tecidos com a máxima velocidade e para que os mesmos encolhimentos possam
permanecer razoavelmente estáveis na sua dimensão até o momento de serem lavados, deve-se atentar
para o comprimento simultâneo dos quatro factores que são considerados ideais.
1 - Humidade:
O montante ideal de humidade, quando e aonde esta deve ser aplicada, irá depender do tipo de tecido e
de seu acabamento. Alguns tecidos, como o denim, 100% algodão, tinto, podem normalmente ser
encolhidos no tecido. Esse nível ideal pode ser alcançado de formas diversas. Já os tecidos leves,
contendo fibras de viscose, são muito sensíveis e frequentemente devem ser pré-encolhidos sem
qualquer aplicação de humidade.
Alcançar tanto a forma de aplicação quanto o montante, em níveis ideais, representa na verdade uma
questão de bom senso e de experiência individual.
A humidade no tecido é talvez a condição mais crítica dentre as demais, pois para se alcançar bons
resultados ela deve ser uniforme em todo o tecido, incluindo o seu comprimento, largura e
profundidade.
2 - Temperatura:
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 82 de 86
A temperatura é uma condição um tanto menos crítica para a maioria dos tecidos, entretanto representa
um dos factores mais importantes para determinar a vida útil da manta de borracha.
Assim com a humidade, os níveis de temperatura ideais somente podem ser determinados pelo bom
senso e pela experiência individual. A variação de temperatura mais significativa dá-se no cilindro a
vapor da manta de borracha.
A temperatura de superfície desse cilindro deve ser regulada normalmente entre 220 e 285 graus F
(120 e 140 graus C), mas a média típica de temperatura de trabalho é de 245 graus F (120 graus C).
Em alguns casos, a temperatura também é ajustada pelo uso do cilindro aquecido, o qual precede a
unidade da manta de borracha em muitos equipamentos.
Altas velocidades de produção frequentemente irão requerer temperaturas mais elevadas de trabalho,
para se conseguir um encolhimento adequado de um determinado tecido.
3 - Pressão:
Refere-se à compressão da manta de borracha. Existe uma relação próxima, porém indirecta, entre
compressão da manta e compactação no sentido da Teia do tecido. A maioria dos tecidos pode ser
encolhida com uma compressão máxima de 25% da espessura da manta.
Certos tecidos, com alto potencial de encolhimento, podem requerer compressão de até 40%.
Obviamente, quanto maior for a compressão, mais estará a manta de borracha sujeita a sofrer redução
de sua vida útil. Somente deve ser aplicada a compressão necessária na manta para se encolher
determinados tecidos.
Sobre-encolhimento – e subsequente estiragem do tecido entre a manta de borracha e a unidade de
Palmer – não é um processo recomendado, pois causa uma estabilidade diferenciada no tecido pré-
encolhido.
A compressão dada à manta de borracha é também crítica para se obter o pré-encolhimento, e
igualmente crítica para se alcançar maior ou menor vida útil da manta.
4 - Duração de pressão:
Isto significa velocidade de trabalho da máquina. Quanto maior a velocidade, menor será o tempo em
que o tecido estará sujeito às importantes forças exercidas pela manta de borracha no momento de
compactar o tecido.
Todos os tecidos têm uma velocidade máxima com a qual eles podem ser pré-encolhidos
compressivamente ao seu nível zero.
A preparação do tecido e o ajuste correto das outras três condições (humidade, temperatura e pressão),
irão definitivamente afectar na velocidade máxima com a qual qualquer tecido pode ser encolhido e
permanecer assim dimensionalmente estável.
A velocidade de trabalho é muito crítica com relação ao encolhimento de tecidos, muito embora pouco
pode afectar na vida útil da manta de borracha. Deve-se levar em consideração que cada tecido
apresenta uma velocidade máxima relacionada a um nível de encolhimento residual específico.
Algumas vezes, procura-se trabalhar um determinado tecido com velocidades muito elevadas e, neste
caso, podem ser usadas tanto as compressões da manta como a temperatura de forma mais excessiva,
também para compensar, o que não é muito correcto.
Vale observar que essas duas condições sozinhas deverão propiciar uma velocidade mais rápida do que
a velocidade máxima teórica. Em alguns casos, temperatura mais elevada e maior compressão da
manta podem, na verdade, fazer com que seja necessário reduzir a velocidade de encolhimento da
máquina para se evitar que o tecido deslize contra a superfície da manta, perdendo o efeito de sua
retracção no ponto de compressão.
Preparação do Tecido:
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 83 de 86
Com respeito à preparação do tecido, em bom exemplo é observado entre os equipamentos de
encolhimento integral e convencional. Neste último, a humidade é aplicada no tecido através de spray
ou vapor na unidade de encolhimento. Já o equipamento integral humedece o tecido completamente e
seca parcialmente ao seu nível ideal para o pré-encolhimento. Ao se pré-encolher tecidos denim de
algodão de 14,75 onças, em equipamentos convencionais, mesmo com o uso de lubrificantes e
acabamentos compatíveis, a velocidade para encolhê-lo a um residual de 1% é de cerca de 30 metros
por minuto. Por outro lado, o mesmo tecido pode frequentemente ser pré-encolhido ao mesmo 1% de
residual com a máquina integrada a uma velocidade de 45 metros por minuto. Isto se deve à aplicação
mais uniforme de humidade em níveis ideais, particularmente com relação à penetração da própria
humidade.
A máquina de encolhimento convencional aplica uma humidade que nem sempre penetra.
A máquina de encolhimento convencional aplica uma humidade que nem sempre penetra totalmente
no interior dos fios em velocidades acima de 35 m/min. Muito embora possa ser possível pré-encolher
o tecido sob tais condições, as porções dos fios, secas internamente tendem a desestabilizar a memória
dimensional, causando alongamento de tecido após o pré-encolhimento. Logo, concluímos que uma
máxima velocidade de encolhimento da máquina é através da boa preparação do tecido.
Geralmente, muitos tecidos absorvem humidade. Os tecidos com humidade de 3 a 4% irão facilmente
absorvê-la adicionalmente. Certos acabamentos no tecido podem causar dificuldade de pré-
encolhimento, tais como PVA, resinas repelentes. Há também certos tipos de tecidos que são
normalmente mais difíceis de ser encolhidos e por isto precisam de um tratamento prévio especial.
Outro ponto muito importante é a humidade do tecido após o encolhimento.
Determina-se que o tecido, ao deixar a unidade do PALMER, deva ter entre 3 a 4% de humidade. Isto
é crítico. Tecidos demasiado secos podem alongar-se após ganhar a humidade ambiental normal.
Tecidos muito húmidos quase sempre irão se alongar no sentido da Teia ou se alargar no sentido da
Trama.
O alongamento do tecido após o pré-encolhimento também poderá ocorrer se a humidade aplicada
nele, antes do encolhimento, não penetrar por completo nos fios. O encolhimento compressivo
propriamente significa dar ao tecido uma nova memória dimensional igual àquela que ele teria após o
encolhimento natural. Se o interior dos fios estiver com um nível de humidade inferior ao da superfície
do tecido, com o tempo os fios tenderão a regredir à condição dimensional anterior causando o
alongamento do tecido.
Notar que, falta de uniformidade de humidade no tecido também pode provocar o surgimento de
defeitos nas ourelas. Esse problema pode ser causado por um ou mais factores associados. O mais
comum dá-se quando tecidos muito largos para a manta em uso são processados. Após a saída do
PALMER, as ourelas do tecido estão com um conteúdo maior de humidade do que o corpo do tecido.
A solução mais simples para esse tipo de problema é aumentar a tensão da manta de borracha durante a
rectificação e, desta forma, a espessura da manta nas extremidades não será desproporcionalmente
reduzida pelo acto da rectificação.
Os rolos espremedores de água não conseguem retirar a água de refrigeração ao longo de toda a largura
da manta se a espessura desta não estiver uniforme. Em situações mais graves, pode ser necessária a
instalação de jactos de ar logo acima do ponto onde o tecido entra em contacto com a manta de
borracha. Colocados uns em cada lateral da manta, são direccionados de forma a soprar o excesso de
água para fora das bordas da manta. Esses jactos de ar são normalmente instalados entre quatro a seis
polegadas das bordas da manta, para eliminação do excesso de água de refrigeração nesses pontos.
Outro detalhe importante que devemos comentar é a tensão longitudinal da manta. Tensão insuficiente
resultará em enrugamento no tecido e poderá também limitar a capacidade de pré-encolhimento da
manta de borracha.
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 84 de 86
ANEXO 1:
Documento para utilização no Controlo da Qualidade
Referência: Cliente:
FELPO TEIA DE CIMA TEIA DE BAIXO TRAMA
Mistura
Título ( Ne )
Nº de fios do Rolo da Urdissagem
Quebras na Urdissagem ( 106
m )
Dureza do Rolo ( º Shore )
Estiragem na Engomadeira ( % )
Nº de Fios do Rolo
Concentração da Solução ( g/l )
% de Matéria Seca
Viscosidade
Temperatura do Banho ( º C )
Temperatura Secagem ( º C )
 T
TEAR Nº
Roturas / 1000 passagens
Contextura :
Fios / polegada
Passagens / polegada
Contracções ( % )
Disposição
Dimensão do Tear ( cm )
Peso / Peça ( g )
Peso da Carga ( Kg )
Dimensões da Carga
Início
Meio
Fim
Relação Teia de Baixo/Teia de Cima ( % )
BARRA
Matéria Prima Poliester Viscose Poliamida Algodão
Fervido
Algodão
Mercerizado
Tipo
Título ( Ne )
( dTex )
Composição
Contração
Crimp
Contextura
Outro
OBS
Data / / Responsável
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 85 de 86
ANEXO 2:
Normas utilizadas nos testes laboratoriais:
Especificação Normalizadas para as Máquinas de Testes de Resistência para os Têxteis:
Norma ASTM D 76 – 99
(Standard Specification for Tensile Testing Machines for Textiles)
Método de Teste Normalizado para o Controlo do Número dos Fios Baseado em Pequenas
Amostras:
Norma ASTM D 1059 – 98
(Standard Test Method for Yarn Number Based on Short-Length Specimens)
Prática Normalizada para a Designação do Fio de um dado Tecido:
Norma ASTM D 1244 – 96
Standard Practice for Designation of Yarn Construction
Método de Teste Normalizado para a Determinação da Torção de um Fio Singelo
(Método Destorção/Retorção):
Norma ASTM D 1422- 99
(Standard Test Method for Twist in Single Yarns by Untwist-Retwist Method)
Método do Teste Normalizado para a Determinação da Torção de Fios por Contagem Directa:
Norma ASTM D1423 – 99
(Standard Test Method for Twist in Yarn by Direct-Counting)
Método do Teste Normalizado para a Determinação da Densidade Linear de Fibras Têxteis:
Norma ASTM D 1577 – 96
(Standard Test Method for Linear Density of Textile Fibers)
Prática Normalizada para o Condicionamento e Teste de Têxteis:
Norma ASTM D 1776 – 98
(Standard Practice for Conditioning and Testing Textiles)
Método do Teste Normalizado para a Determinação das Grossuras do Material Têxtil:
Norma ASTM D 1777 – 96
(Standard Test Method for Thickness of Textile Material)
Método do Teste Normalizado para a Determinação das Propriedades da Resistência dos Fios
(Método do Fio Singelo):
Norma ASTM D 2256 – 97
(Standard Test Method for Tensile Properties of Yarns by the Single-Strand Method)
Prática Normalizada para Amostragem de Fios para Teste:
Análise em Tecidos Planos e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 86 de 86
Norma ASTM D 2258 – 99
(Standard Practice for Sampling Yarn for Testing)
Tabela Normalizada de Factores de Conversão e Números de Fios Equivalentes Medidos em
Diferentes Sistemas de Numeração:
Norma ASTM D 2260 – 96
(Standard Tables of Conversion Factors and Equivalent Yarn Numbers Measured in Various
Numbering Systems)
Método de Teste Normalizado para a Determinação da Humidade do Algodão na Secagem em
Forno:
Norma ASTM D 2495 – 93
(Standard Test Method for Moisture in Cotton by Oven-Drying)
Método de Teste Normalizado para Largura de Tecido:
Norma ASTM D 3774 – 96
(Standard Test Method for Width of Textile Fabric)
Método de Teste Normalizado para o Número dos Fios dos Tecidos:
Norma ASTM D 3775 – 98
(Standard Test Method for Fabric Count of Woven Fabric)
Método de Teste Normalizado para o Controlo da Massa por unidade de Área de um Tecido:
Norma ASTM D 3776 – 96
(Standard Test Method for Mass Per Unit Area (Weight) of Fabric)
Método de Teste Normalizado para a determinação do Arco e Inclinação em Tecidos Planos e Malhas:
Norma ASTM D 3882 – 99
(Standard Test Method for Bow and Skew in Woven and Knitted Fabrics)
Método de Teste Normalizado para a Determinação do Crimp de um fio retirado de um Tecido:
Norma ASTM 3883 – 99
(Standard Test Method for Yarn Crimp or Yarn Take-up in Woven Fabrics)

Analise tecidos planos e controlo da qualidade

  • 1.
    ESTUDO SOBRE TECIDOS PLANOS E MALHASDE TRAMA Por: Constantino Monteiro Alves, Eng. Têxtil Ano 2013
  • 2.
    Estudo sobre TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 1 de 86 INDICE 1 TÍTULO 3 2 OBJECTIVO 3 3 INTRODUÇÃO TEÓRICA 3 3.1 – Tecelagem 3 3.2 - Aspectos técnicos da Tecelagem 3 3.3 – Classificação e Tipos de Teares 4 3.3.1 – Teares de Lançadeira 5 3.3.2 – Teares de Lançadeira de Pinças 6 3.3.3 – Teares de Projéctil 6 3.3.4 - Teares de Pinças Unilateral 6 3.3.5 – Teares de Pinças Bilateral com Transferência 6 3.3.6 – Teares Jacto de Ar 7 3.3.7 - Teares Jacto de Água 7 3.3.8 – Teares Bifásico 7 3.4 - O que é um Tecido? 7 3.4.1 - Tipos de Tecidos 8 3.4.2 – Obtenção de Tecidos 8 3.4.2.1 – Sistema de obtenção de Tecidos 8 3.4.2.2 – Classificação de Tecidos 9 3.4.2.2.1 – Quanto à Estrutura 9 3.4.2.2.2 – Quanto à Coloração 10 3.4.3 – Tecidos Planos 10 3.4.4 – Principais componentes de um Tear 12 3.5 – Padronagem 13 3.5.1 – Representação das Evoluções 14 3.5.2 – Desenho da Evolução da Teia e Representação no Papel Técnico 14 3.5.3 - Base da Evolução 14 3.6 - Estruturas Básicas 14 3.6.1 – O Ligamento Tela 14 3.6.2.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Tela 15 3.6.2.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Tela 15 3.6.2 – O Ligamento Sarja 16 3.6.2.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Sarja 16 3.6.2.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Sarja 16 3.6.3 – O Ligamento Cetim 17 3.6.3.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Cetim 17 3.6.3.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Cetim 18 4 OUTRAS CARACTERÍSTICAS /TIPOS DE TECIDOS 18 5 OBTENÇÃO DE: 19 5.1- Tecidos Planos 19 5.1.1 - Geometria e Propriedades dos Tecidos 19 5.1.2 - Processo de Tecer 20 5.1.3 – Propriedades Físicas de um Tecido 21 5.1.4 – Gramagem 22 5.1.5 – A Ondulação e Contracção dos Fios da Teia 22 5.1.6 – A Importância da Contracção e da Ondulação 23 5.1.7 – Factor de cobertura de u Tecido e ou Toalha de Felpo 24 6 ESTRUTURAS FUNDAMENTAIS - DEBUXOS 25 6.1 – Representação Gráfica de um DEIXA 25 6.2 – Alinhavo de Teia 26 6.3 – Alinhavo de Trama 26 6.4 – Avanço ou Afastamento à Teia 27
  • 3.
    Estudo sobre TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 2 de 86 6.5 – Avanço ou Afastamento à Trama 27 6.6 - Representação Numérica de Estruturas 28 6.7- Construção dos Debuxos 29 6.8 - Representação numéricas compostas 31 6.9 – Classificação dos Tecidos 31 6.10 – Os Tafetás 32 6.10.1 – Derivados do Tafetá 32 6.11- As Sarjas 33 6.11.1 – Sarjas Leves 33 6.10.1 – Sarjas Neutras 34 6.10.1 – Sarjas Pesadas 34 6.12 – Os Cetins 34 6.12.1 – Debuxos Fundamentais para um Cetim 35 7 COEFICIENTE DE LIGAÇÃO MÉDIO - CLM 36 8 ESTUDO LABORATORIAL (Exemplo de uma análise a efectuar no Tecido) 37 8.1 – Recolha das amostras para a análise laboratorial 37 8.1.1 – Análise da Gramagem de um Tecido 37 8.1.2 – Provetes 37 8.1.3 – Recolha dos provestes 37 8.1.4 – Atmosfera Padrão 38 8.1.5 – Equilíbrio Higrométrico 38 8.1.6 – Procedimento 39 8.1.7 – Ensaios que normalmente devem ser efectuados na análise de um tecido 39 8.1.7.1 – Ligação do Tecido 39 8.2 – Determinação da Contracção e da Ondulação 40 8.2.1 – Desvio de Trama 41 8.3 – Densidade 44 8.4 – Largura do Tecido 44 8.5 – Titulação dos Fios de um Tecido 45 8.5.1 – Sistema directo de Titulação 45 8.5.2 – Sistema Indirecto de Titulação 45 8.6 – Determinação do Título obtido numa amostra reduzida 46 8.7 -Recolha dos Provetes 46 8.8 – Selecção de Provetes de um Lote 50 9 MALHAS DE TRAMA 51 9.1 - Classificação 51 9.2 – Geometria e propriedades 52 9.3 – Estruturas básicas das Malhas de Trama 52 9.3.1 – Jersey (Tecido de uma Face) 52 9.3.2 – Meia Malha 53 9.3.2.1 – Meia Malha Simples 53 9.3.2.2 – Meia Malha Riscador horizontal 53 9.3.3 – Piqué 53 9.3.3.1 – Piqué Lacoste Simples 53 9.3.3.2 – Piqué Lacoste Duplo 53 9.3.3.3 – Molletom ou Felpa Americana 53 9.3.3.4 – Molletom (Felpa) 3x1 – Trama desfasada 53 9.3.3.5 – Molletom (Felpa) 3x1 – 2 Tramas desfasadas 54 11 COMPRIMENTO MÉDIO DO FIO ABSORVIDO (L.F.A.) ANEXOS 55
  • 4.
    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 3 de 86 1 – TÍTULO Análise de Tecidos Planos – Tecelagem e Malhas de Trama – Tricotagem 2 – OBJECTIVO O presente estudo tendo como base as normas específicas para o sector têxtil, tem como objectivo dissertar sobre os ligamentos (debuxos), a gramagem, a densidade e a largura dos tecidos, bem como dar indicações sobre como realizar os ensaios de títulos dos fios, contracção/ondulação e desvio da Trama num tecido plano e factor de cobertura de um tecido. Para as malhas de Trama como realizar ensaios da gramagem, título em amostras reduzidas, determinar o comprimento médio do fio que foi absorvido (LFA) e controle da regularidade de absorção de fios. 3 - INTRODUÇÃO TEÓRICA 3.1 - A TECELAGEM Sobre o conceito tecelagem, poder-se-á dizer que é, grosso modo, o cruzamento dos fios da teia com os da trama. Trata-se de uma das mais antigas manifestações da inteligência do Homem, conjuntamente com o domínio do fogo e a invenção da roda. O cruzamento de elementos vegetais ou de tiras de peles de animais para produzir objectos novos principalmente para protecção do corpo, está provavelmente na origem da invenção da tecelagem. Já os tecidos achados nos túmulos egípcios, datados de entre 3000 a 2000 antes de Cristo permitem-nos concluir a existência de uma avançada técnica de fiação e tecelagem do linho e do algodão. Outro resto de tecidos encontrados na América do Sul e no Norte da Escandinávia fornece-nos indicações sobre a utilização primitiva de pêlos de animais, entre eles a lã. Também na China a descoberta da seda, proveniente do bicho-da-seda, (Bombix Mori) datam de 2000 anos antes de Cristo. Imagina-se que a tecelagem começou por ser feita com o auxílio de alguns paus colocados no chão. A noção de tear é historicamente muito recente. No entanto poder-se-á dizer que do "tear de chão" se passou para o "tear vertical", colocando verticalmente a armação que suporta a teia. A inserção da trama passou também a ser feita com o auxílio de réguas assim como o batimento de cada passagem. Desta forma, estava iniciada a evolução da tecelagem que iria demorar vários milénios passando por várias melhorias. No entanto, o tear manual em que a energia provém do esforço de um homem ou de uma mulher através dos seus braços e pernas apenas virá a ser usado até ao século XVIII quando entre 1786 e 1792 " Edmund Cartwright " aperfeiçoa um sistema que após várias tentativas consegue atingir o desejado processo de tecer mecanizado, pelo que regista sob patente o processo e dá origem ao tear mecânico, em que a energia provém de uma roda hidráulica, onde é transmitida por veios de transmissão e por sistemas de correias que accionam os teares que realizam mecanicamente os movimentos necessários para fabricação de um tecido. 3.2. Aspectos Técnicos da Tecelagem A tecelagem compreende dois sectores: (1) preparação à tecelagem e (2) tecelagem propriamente dita. 1 - A preparação à tecelagem consiste em uma série de operações, nomeadamente a preparação da Teia através do processo de URDISSAGEM, que pode ser DIRECTA ou SECCIONAL, ENCOLAGEM ou ENGOMAGEM, REMETER e PICAR e finalmente ATAR, de forma que os fios fiquem em condições de sofrerem o processo de tecer. 2 - A tecelagem propriamente dita é a transformação do fio em tecido, através de operações de tecer.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 4 de 86 Figura nº 1 – Fios da TRAMA, Fios da TEIA e OURELA 3.3 - Classificação e Tipos de Teares O entrelaçamento da Teia com a Trama é feito no tear (onde o fio da Teia se costuma designar simplesmente por fio e o fio de Trama por passagem). No processo de Tecer são necessárias três OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS: A FORMAÇÃO DA CALA: que consiste na separação dos fios da teia em duas folhas, formando um túnel conhecido por cala. A INSERÇÃO DE TRAMA: que consiste na passagem do fio de trama no interior da cala, ao longo da largura do tecido. O BATIMENTO DO PENTE: que consiste em empurrar a passagem inserida contra o tecido já formado, até um ponto designado por “frente do tecido”. Estas funções primárias devem encontrar-se sincronizadas, de modo que as operações ocorram na sequência correcta, não interferindo umas com as outras. Os teares podem ser diferenciados pelos seus sistemas de inserção da trama e pelos seus sistema de abertura da cala. Teares manuais: actualmente são utilizados quase que exclusivamente para artesanato ou para a produção de novos artigos ou amostra não colocados na linha de produção. Teares mecânicos não automáticos: São teares que não possuem determinados mecanismos de auxílio para o tecelão, tais como guarda Teias (teia: conjunto de vários fios que entram no tear no sentido longitudinal), paragem por falta de Trama e troca de bobines ou lançadeiras. Teares mecânicos semi-automáticos: são teares não automáticos que sofrem adaptações de mecanismos (guarda Teias) que auxiliam o tecelão e possibilita a produção de produtos (tecidos) com melhor qualidade. Teares automáticos: podem ser divididos em: a) - Teares convencionais: quando a alimentação da trama (trama: conjunto de vários fios que entram no tear no sentido transversal) é feita automaticamente por mecanismos especiais, nomeadamente o mecanismo que efectua a troca da canela no interior da lançadeira quando o fio esta prestes a terminar e o mecanismo que efectua a troca da lançadeira quando a canela do fio esta prestes a chegar ao fim.  sem lançadeira;  de Projéctil – também chamado de lançadeira de pinças. Trata-se de uma pequena peça que arrasta a trama através da cala (cala: abertura formada por duas camadas de Teia);  de Pinças rígidas – a trama é introduzida na cala por uma espécie de agulha; Nota: Existem teares com uma única pinça ou com duas.  de Pinças flexíveis – possuem duas cintas flexíveis de aço, uma em cada lado;  Jato de ar – a trama do fio recebe um jacto de ar e é jogada através da cala.  Jato d’água – a trama do fio recebe um jacto d’água e é jogada através da cala.  Cala ondulante – neste sistema são inseridos 16 tramas ao mesmo tempo, equivalendo a cerca de 2.000 m por minuto.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 5 de 86 b) - Teares especiais são em sua maioria automáticos, e providos de mecanismos especiais para tecer determinados tipos de tecidos, tal como os teares de Maquineta Jacquard, que fazem tecidos com grandes desenhos, podendo mesmo reproduzir figuras humanas em sombreado com relevo. Deste tipo podemos considerar o  O Tear triaxial que produz tecidos com estabilidade em todas as direcções, seja na horizontal ou na vertical. Os fios da Teia são enrolados em oito pequenos rolos e a trama é inserida por meio de pinças rígidas.  O tear para felpas que possui mecanismos especiais, e são alimentados por no mínimo, dois rolos de Teias, um para o tecido básico e o outro para o tecido de felpa inteira (toalha) ou felpa cortada (veludo). 3.3.1 - TEARES DE LANÇADEIRA (máquinas bastante antigas e praticamente em desuso): Neste sistema de inserção, a trama é conduzida de um lado a outro, através da lançadeira que se constitui de um dispositivo de madeira resistente onde se acomodam as canelas com os fios de trama. A lançadeira desliza sobre a camada inferior dos fios da cala, sobre a mesa batente. Este contacto pode causar problemas de rupturas. A lançadeira é acomodada em cada extremo num dispositivo chamado CAIXA DE LANÇADEIRAS onde ela é travada e simultaneamente presa após cada inserção. A lançadeira recebe o impulso para atravessar a cala através do TACO, que está ligado à extremidade superior da ESPADA. Este movimento para inserção da lançadeira apresenta sua origem num excêntrico que trabalha contra uma roldana fixa com batente que recebendo o movimento, transfere-o à espada e consequentemente ao taco, impulsionando a lançadeira através da cala. Na inserção das tramas de distintas cores, necessita-se de mais de uma caixa de lançadeiras (CAIXA MÓVEL). Notar, que apesar de ser uma máquina antiga e já em desuso a máquina de tecer de lançadeiras é dita automática porque efectua a troca das canelas vazias por canelas cheias sem a acção directa do tecelão. Esta troca pode ser feita por: TROCA DE LANÇADEIRA: onde ocorre a troca da lançadeira com canela vazia, por outra com canela cheia de fio. TROCA DE CANELA: onde faz-se a troca somente da canela vazia, por outra canela cheia de fio. O sistema de troca automática das canelas é feito por um dispositivo chamado magazine que apresenta as seguintes variáveis: MAGAZINE CIRCULAR: apropriado para teares com apenas uma cor de trama; MAGAZINE VERTICAL: para teares de 4 cores de trama. Todos os teares com troca automática de canelas necessitam de um detector do fim da canela em trabalho para que a canela em trabalho não fique totalmente vazia. Este elemento é o chamado DETECTOR DE TRAMA ou APALPADOR. Existem três tipos de detectores de trama: MECÂNICO: onde a detecção é realizada com o apalpador, pulsando no diâmetro externo da canela no momento em que a lançadeira se encontra estacionada na caixa de lançadeira. ELÉTRICO: onde pontas metalizadas tocam suavemente a superfície da canela recoberta por uma lâmina metálica, ou de pintura metalizada.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 6 de 86 OPTICO: onde produz-se um fino raio de luz que é reflectido por uma cinta especial alojada no núcleo da canela. Esta cinta devolve o raio de luz que é captado por uma célula que desencadeia o processo de troca da canela. 3.3.2 - TEARES DE LANÇADEIRAS DE PINÇAS Trata-se de uma evolução do antigo tear de lançadeira. É parecido com o tear de lançadeira, porém, no lugar da lançadeira convencional utiliza-se uma pinça que possui uma menor massa e não carrega consigo uma canela. A trama neste sistema vem directamente dos cones que alimentam a trama dos dois lados do tear. A cada batida do pente é inserida uma trama, ora da direita ora da esquerda. O comprimento da trama, necessário para cada inserção, é medido por cilindros de onde a trama é entregue à lançadeira. As pontas de trama são cortadas por uma tesoura e eliminadas por um canal de aspiração. As vantagens deste processo sobre o tear de lançadeiras são: Eliminação do processo de caneleira; Não há variação da massa da pinça (pois não há canela cheia nem vazia); Redução de defeitos como barramento e falta de trama. 3.3.3 - TEARES DE PROJÉCTIL Estes teares começaram a ser produzidos pela empresa suíça Sulzer nos anos 50. O nome projéctil vem da acentuada redução de massa do porta-trama (de 400g (lançadeira) para 40g (projéctil). A inserção da trama ocorre apenas de um lado da máquina (lado esquerdo) e existem vários projécteis em uso durante a operação de tecer. No interior do projéctil existe uma pequena pinça que prende a ponta da trama que foi apresentada. O percurso do projéctil é orientado por alguns guias metálicos solidários à mesa batente. O pequeno distanciamento entre as sucessivas guias assegura que o projéctil seja sempre guiado por vários deles. Durante o movimento de batida do pente, os guias recuam posicionando-se abaixo dos fios da teia para dar espaço para a batida do pente. Após cada inserção, os fios de trama são cortados e as suas extremidades são inseridas na cala e tecidas com o fio de trama seguinte, resultando daí, ourelas sólidas, capazes de resistir a todas as solicitações mecânicas. Se até os anos 50, as máquinas de tecer de lançadeira produziam movimento do pente por mecanismo de biela e virabrequim, uma novidade importante foi o movimento do pente por meio de excêntrico. Isto permite que o pente fique em repouso durante um centro número de graus de rotação. Este sistema de excêntrico tem um conceito tecnológico muito importante. É constituído por duas levas conjugadas. A oscilação da mesa batente é produzida com dois excêntricos que trabalham alternados, sendo que um provoca o retrocesso da mesa batente e o outro, o avanço. 3.3.4 - TEARES DE PINÇA UNILATERAL Também conhecidos como teares de pinça rígida unilateral, estes teares possuem uma única pinça que fica do lado oposto da entrada da trama na cala. O princípio de funcionamento deste tear é simples e seguro, a pinça atravessa a cala e busca a trama que é apresentada no lado oposto. Pinçada a trama, a pinça retorna, depositando a trama na cala. Uma tesoura corta a trama rente à ourela. Este tear pode tecer tramas grossas, irregulares ou com fio fantasia, sendo assim recomendado para tecidos cuja velocidade de produção não é importante, pois a velocidade de inserção é reduzida porque a pinça realiza metade de seu trajecto em vazio. 3.3.5 - TEARES DE PINÇA BILATERAL COM TRANSFERÊNCIA É também conhecido apenas por tear de pinças. Neste tipo de tear as pinças podem receber seu movimento de hastes rígidas ou cintas flexíveis.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 7 de 86 A trama é levada por uma das pinças até o meio da cala, onde é transferida para a outra pinça que fará o restante do percurso da trama. A velocidade de produção é muito maior que o sistema unilateral visto que não há inserção vazia. A pinçagem da trama pode ser positiva ou negativa: Na pinçagem positiva, a pinça é dotada de duas lâminas pressionadas elasticamente que agem conforme a trama chega à pinça, isto é, a acção da pinçagem é orientada pela trama. Na pinçagem negativa, a trama e a pinça são governadas por mecanismos externos, independentes da trama. A vantagem da pinçagem negativa é a possibilidade de um aumento da velocidade do tear. As cintas que conduzem as pinças são flexíveis e podem ser lisas ou perfuradas. No caso das cintas perfuradas, estas são movidas por rodas dentadas que se encaixam na cinta. Nas cintas lisas este movimento é executado devido ao atrito da cinta com uma roda lisa. Quando as cintas são recolhidas da cala após cada inserção, estas ficam em baixo da mesa do batente. 3.3.6 - TEARES JACTO DE AR Neste tipo de tecnologia a trama é inserida através de um jacto de ar que é expelido pela cala. Este ar deverá ser isento de partículas de poeira, óleo, humidade e estar na temperatura ambiente. Convém que a instalação de ar comprimido possua compressores em “stand-by” para eventuais manutenções. Numa tecelagem com teares jacto de ar, uma boa climatização é muito mais importante que nas outras tecnologias acima citadas, atendendo que em cada inserção é jogado ar seco na sala, que precisa ser climatizado com uma certa humidade relativa, caso contrário, o andamento das máquinas pode ser severamente prejudicado. Notar que o valor da humidade relativa na tecelagem deve rondar os 80%. Existem teares a jacto de ar com uma saída e com várias saídas (multi-jatos de ar), que possibilitam tecer com mais cores e diferentes títulos de trama. O que direcciona o fluxo de ar com a trama na cala são os condutores, que podem ser externos ao pente ou perfilados ao pente. Normalmente os bicos de ar são montados na mesa batente, o que lhes proporciona o movimento de vaivém e a possibilidade de efectuar uma regulação mais precisa no momento da inserção, variando em função do tipo de fio (com pouca pilosidade – fios compacto; ou com normal ou muita pilosidade – fios normais) e também em função do título da trama. Fios mais grossos necessitam de maior pressão e consumo de ar. 3.3.7 - TEARES JACTO DE ÁGUA Neste tipo de tecnologia a trama é inserida através de um jacto de água que é expelido pela cala. 3.3.8 - TEAR BIFÁSICO O tear bifásico é nada mais do que dois teares (A,B) desfasados em 180º, unidos por um conjunto central que contém os elementos de inserção. A inserção é realizada por uma haste rígida que contém uma pinça em cada uma das extremidades. Quando a pinça está totalmente inserida no lado (A) que está com a cala aberta, do outro lado (B) estará fora da cala e o tear estará batendo a trama anteriormente inserida. Logo após, a pinça retorna da cala (A) e começa a inserção em (B) e assim sucessivamente. 3.4 - O QUE É UM TECIDO? Um tecido é um material à base de fios de fibra natural, artificial ou sintética, que compostos de diversas formas tornam-se coberturas de diversos tipos formando roupas e outros tipos de vestuário e coberturas de diversos usos, como cobertura para o frio, cobertura de mesa, limpeza, uso medicinal (como faixas e curativos), entre outros. 3.4.1 - Tipos de Tecidos
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 8 de 86 Tecidos Planos: são resultantes do entrelaçamento de dois conjuntos de fios que se cruzam em ângulo recto. Os fios dispostos no sentido horizontal são chamados de fios de Trama e os fios dispostos no sentido vertical são chamados de fios de Teia. Tecido Plano: é uma estrutura produzida pelo entrelaçamento de um conjunto de fios de Teia e outro conjunto de fios de Trama, formando ângulo de (ou próximo) a 90º. • Teia: Conjunto de fios dispostos na direcção longitudinal (comprimento) do tecido. • Trama: Conjunto de fios dispostos na direcção transversal (largura) do tecido. Tecido Malha: A laçada é o elemento fundamental deste tipo de tecido, constitui-se de uma cabeça, duas pernas e dois pés. A carreira de malhas é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido da largura do tecido. Já a coluna de malha é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido do comprimento do tecido. Tecido Não Tecido: Conforme as normas ISO, não-tecido é uma estrutura plana, flexível e porosa, constituída de véu ou manta de fibras, ou filamentos, orientados direccionalmente ou ao acaso, consolidados por processos: mecânico (fricção) e/ou químico (adesão) e/ou térmico (coesão) ou a combinação destes. As ilustrações a seguir representam estruturas dos têxteis citados acima: Figura nº 2 - Tecido Plano Figura nº 3 – Tecido de Malha Figura nº 4 – Tecido Não-Tecido 3.4.2 - OBTENÇÃO DE TECIDOS São diversos os métodos utilizados para a obtenção de tecidos. Os mais comuns são: - Pelo entrelaçamento de um fio consigo mesmo e ou com outros conjuntos de fios, caso em que o tecido é conhecido como de malha; - Pelo entrelaçamento de dois conjuntos de fios conhecidos por teias e trama, caso em que o tecido é conhecido por plano; - Por métodos menos convencionais como, por exemplo, o não tecido, que pode ser obtido por diversas maneiras: resinagem, agulhagem, fundição, etc. Grosso modo o Tecido é um produto manufacturado, em forma de lâmina flexível, resultante do entrelaçamento, de forma ordenada ou desordenada, de fios ou fibras têxteis. 3.4.2.1 - Sistema de Obtenção de Tecidos Para que um tecido se forme é necessário entrelaçar fios ou fibras a fim de que seja mantida uma estrutura dimensional. Para manutenção dessa estrutura utilizamos alguns processos e até mesmo combinações. Considerando o processo de entrelaçamento de fios, os tecidos se dividem em: a) Tecidos Comuns: quando o entrelaçamento das duas camadas de fio processa-se no sentido perpendicular. A camada longitudinal é denominada como já se disse de TEIA e a transversal é a chamada de TRAMA. b) Malha: existem os tecidos de malha por trama e por teia (Ketten). Como exemplo para malhas trama, temos o jersey, as felpas, americana e italiana, os ribs, os inlerlock, os jersey piqué, os interlock piqué, ou turcos entre outros.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 9 de 86 Para as malhas teia, temos a chamada malha Ketten, muito usada na produção de robes. c) Laçada: este é um processo conjugado que agrega o processo de tecidos comuns ao de malha. Porém, em determinadas situações, a malha fecha-se formando laçadas ou nós. Como exemplo temos a renda. d) Processo de entrelaçamento de fibras: neste caso, as fibras são dispostas em camadas e entrelaçadas por agentes mecânicos. São também adicionados produtos químicos para completar a feltragem. Como exemplo temos os não-tecidos, feltros de lã e outros. e) Processo de Acção de Adesivos ou Fusão de Fibras consiste apenas na união de fibras por processo químico. Como exemplo temos os não-tecidos, folheado e o denominado “Perfex”(marca comercial existente no mercado). 3.4.2.2 – Classificação dos tecidos 3.4.2.2.1 - Quanto à Estrutura (formação): a) Tecidos Comuns ou Planos: são aqueles resultantes do entrelaçamento de dois conjuntos de fios que se cruzam em ângulo recto e podem se dividir em:  Tecidos simples - Formados por um conjunto de fios da teia por um ou mais fios de trama;  Tecidos compostos - Formados por mais de um conjunto de fios de urdimento por um ou mais fios de trama;  Tecidos felpudos - São tecidos compostos, cuja superfície apresenta felpas salientes, inteiras ou cortadas. Exemplo: Tecidos veludos;  Tecidos lenos - São em geral muito porosos e cujos fios da teia se entrelaçam com as tramas e também com outros fios da Teia. Exemplo: Tecido gaze  Tecidos jacquard - São tecidos simples ou compostos, que apresentam grandes desenhos obtidos por efeito de entrelaçamento ou por efeito de combinação do entrelaçamento com coloração do fio: Exemplo: Tecidos colcha. b) Tecidos de Malha: resulta da formação de laços que se interpenetram e se apoiam lateral e verticalmente, provenientes de um ou mais fios. Existem as:  Malhas de Trama - Trata-se de tecidos obtidos a partir do entrelaçamento de um único fio, podendo desse processo resultar um tecido aberto ou circular.  Malhas de Teia - São tecidos obtidos a partir de um ou mais conjuntos de fios, colocados lado a lado, à semelhança dos fios de Teia utilizados na tecelagem comum.  Malhas mistas – São tecidos de malha Teia ou malha Trama com inserção periódica de um fio de trama, tendo como objectivo dar melhor estabilidade dimensional ao tecido. Exemplos: malhas jersey, malha tricô, malhas Ketten entre outros. c) Tecidos de Laçada: são obtidos por processos de entrelaçamento que se aproximam da malha e do tecido comum, diferenciando-se pelo fato de os fios, em determinadas situações, realizarem laçadas completas (nós) que formam a base da amarração. Exemplo: rendas, cobertores e outros. d) Não-Tecidos: são obtidos directamente de camadas de fibras que se prendem umas às outras por meios físicos e/ou químicos, formando uma folha contínua. Exemplos:  Feltro - São tecidos resultantes do entrelaçamento de fibras de lã ou similares, através da acção combinada de agentes mecânicos e produtos químicos que actuam sobre os mesmos.  Folheado - São tecidos feitos a partir de um véu de fibras têxteis, não feltrantes, mantidas juntas por meio de um adesivo ou por fusão de fibras termoplásticas. Apresenta três sub-tipos: com fibras orientadas, com fibras cruzadas e com fibras dispostas ao acaso.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 10 de 86 e) Tecidos Especiais: são aqueles obtidos por processos dos quais resulta uma estrutura mista de tecido comum, malha e não-tecido ou ainda, como resultante de soluções de polímero de fibras aplicadas ao tecido. Exemplos:  Laminados -São estruturas obtidas pela colagem de dois tecidos diferentes ou pela simples aplicação de um impermeabilizante químico a um tecido qualquer.  Malinos - É uma estrutura obtida pela sobreposição, sem entrelaçamento, da camada de Teia sobre a camada de trama e cuja ligação é obtida por uma cadeia de pontos de malha.  Filmes - São estruturas têxteis, aproximando-se mais da textura do papel. São produzidos a partir de soluções de fibras têxteis, mais frequentemente de nylon. Podem aparecer isolados ou laminados com outro tecido. 3.4.2.2.2 - Quanto à Coloração: a) Tecidos Crus: são tecidos que não sofrem acabamento a húmido após o tecimento. Apresentam-se como saíram das máquinas de tecer. b) Tecidos Alvejados: são aqueles submetidos ao processo de alvejamento/branqueamento. Alguns fios coloridos presentes (tecidos listrados ou de xadrez) permanecem na sua cor original. c) Tecidos Tintos: são tecidos que por meio de processos a húmido, recebem uma coloração única em toda sua extensão. d) Tecidos Mesclados: são obtidos pela mistura de fibras ou de fios de diferentes colorações dispostos de forma irregular e sem formar padrões definidos. e) Tecidos Listrados: podem ser listrados (às riscas) somente por processo de preparação da Teia ou somente pela utilização de fios trama de diferentes tonalidades ou obtidos pela combinação dos dois (xadrez). f) Tecidos Estampados: são aqueles que apresentam desenhos obtidos por meio da aplicação de corantes em áreas específicas. 3.4.3 - TECIDOS PLANOS a) Tecidos Planos: são tecidos formados pelo entrelaçamento de dois fios que se cruzam perpendicularmente b) Estrutura do Tecido Plano: A estrutura de um tecido plano é formada por: - Um Fio transversal, no sentido da largura, que forma a TRAMA. e - Um Fio longitudinal, no sentido do comprimento, que forma a TEIA ou o órgão da urdissagem. O arremate lateral, no sentido do comprimento, é chamado OURELA. Os fios de Teia por serem os que sofrem maior tensão, tanto nas operações de tecer, como nas que antecedem e, também no acabamento devem ser de melhor qualidade, ou seja, mais resistentes, mais elásticos e mais lisos. Estas exigências de boa qualidade são necessárias ao bom desempenho dos fios de Teia e está directamente ligadas ao tipo de matéria-prima, os processos de obtenção, ao valor da torção, às condições ambientais e a engomagem do fio. Existem vários tipos de entrelaçamentos (armações), o que dá origem a tecidos portadores de aspectos diferentes. A identificação dos diversos tecidos planos é feita através de uma classificação técnica.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 11 de 86 Tabela nº 1 – Classificação Técnica dos Tecidos Planos TECIDOS PLANOS Fundamentais TÁFETÁ Gorgurão Naté Reps SARJA Fantasia Quebrada Interrompida Batávia Diagonal Entrelaçada Reps diagonal CETIM Simples Fundo aplicado Múltiplos Granité Adamascado Derivados diversos Gaufré ou Ninho de Abelha Mock Leno Crepes Fantasia Compostos Dupla face Duplos ou tubulares Triplos Fustões Piqués Matelasses Brocados Especiais Esponjosos Peludos Gazes (Lenos) Jacquard Não-tecidos ("Non-Wovens") Existe também uma classificação comercial, que se baseia mais na aparência do tecido, do que, propriamente, no entrelaçamento de seus fios. Caracteriza-se pelo entrelaçamento de dois conjuntos de fios efectuando aproximadamente um ângulo de 90º. Um desses conjuntos fica disposto no sentido longitudinal do tecido e é conhecido por teia, enquanto o outro fica disposto no sentido transversal (perpendicular às teias) e é conhecido por trama. Esse entrelaçamento é obtido em equipamento apropriado conhecido por tear. As ligações ou cruzamentos dos fios de teias com os fios de trama nos tecidos é chamada de padronagem. Cada construção dentro de uma certa ordem de cruzamento é denominada de ligação ou desenho. As possibilidades das ligações ou desenhos são enormes, mas elas sempre derivam de uma ligação considerada fundamental. Essas ligações fundamentais são construídas regularmente, mas diferem das umas das outras.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 12 de 86 Os fios de Teia por serem os que sofrem maior tensão, tanto nas operações de tecer como nas que antecedem e, também no acabamento devem ser de melhor qualidade, ou seja, mais resistentes, mais elásticos e mais lisos. Estas exigências de boa qualidade são necessárias ao bom desempenho dos fios de Teia e está directamente ligadas ao tipo de matéria-prima, os processos de obtenção, ao valor da torção, às condições ambientais e a engomagem do fio. Existem vários tipos de entrelaçamentos (armações), o que dá origem a tecidos portadores de aspectos diferentes. A identificação dos diversos tecidos planos é feita através de uma classificação técnica. Existe também uma classificação comercial, que se baseia mais na aparência do tecido, do que, propriamente, no entrelaçamento de seus fios. 3.4.4 – PRINCIPAIS COMPONENTES DE UM TEAR Como já sabemos, os tecidos são processados em máquinas chamadas de teares, e os principais componentes de um tear são: Rolos da Teia: são os que contêm os fios de Teia e que são, nada mais nada menos que rolos de fios paralelos; Quadros de Liços: os Fios da Teia passam pelo olhal dos liços, que se acham dispostos em quadros responsáveis pela formação da cala (abertura formada por duas camadas de fios da Teia); Pente: depois dos quadros de liços, os fios passam por um pente que determina a largura e a densidade da Teia e é responsável pelo remate da trama. Nos teares de lançadeira ou pinças servem como guia para a mesma; Rolo de Tecido: para enrolar o tecido pronto. Figura nº 5 – Componentes de um tear Notar que, para conseguirmos a passagem da trama entre os fios da teia (cala), utiliza-se o elemento que se chama “porta-tramas”, dentre os quais os mais conhecidos são: a lançadeira, a pinça e o projéctil. No que se refere aos movimentos básicos do tear podemos considerar: 1º - A formação da cala; 2º - A inserção da trama; 3º - A batida do pente. Formação da Cala: a abertura triangular de duas camadas de fios da teia com auxílio de alavancas e cordéis ou fios de aço amarrados aos quadros de liços onde os fios estão inseridos;
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 13 de 86 Figura nº 6 - Formação da CALA Inserção da Trama: introdução dos fios de trama por meio de lançadeira, pinças, projéctil, jacto de ar ou jacto de água. Figura nº 7 – Inserção da TRAMA Batida do Pente: o pente está preso à frente e tem movimento de vaivém. Quando ele vem à frente, encosta a última trama inserida no remate e quando recua propicia a inserção da trama seguinte. Figura nº 8 – Batido do PENTE 3.5 - NOÇÕES DE PADRONAGEM Como já se disse, os equipamentos que produzem tecidos planos são os chamados teares. Papel Técnico: Já é sabido que todo tecido plano é formado por uma camada de fios paralelos (teias), camada essa que se entrelaça com outra também de fios paralelos denominados Trama. Esse entrelaçamento está relacionado com as evoluções que cada fio e cada trama realizam entre si. Evolução - É o caminho percorrido por cada fio ou trama ao se entrelaçar. O papel técnico é um papel quadriculado, próprio para a representação do desenho têxtil. Essa representação obedece a algumas convenções, que passaremos a examinar à medida que formos avançando com o nosso estudo. 1. Representação dos fios da Teia: no papel quadriculado, os fios da Teia são representados pelo espaço compreendido entre duas linhas verticais. A numeração dos fios é feita da esquerda para a direita, como a seguir se indica – 1, 2, 3.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 14 de 86 2. Representação dos fios de trama: Os fios de trama são representados, no papel quadriculado, pelo espaço compreendido entre duas linhas horizontais e sua numeração processa-se de baixo para cima, como mostramos abaixo: 3_________ 2_________ 1_________ O cruzamento das linhas verticais com as horizontais forma quadrículas. No papel técnico cada quadrícula representa o cruzamento de um fio da teia com um fio de trama. A quadrícula marcada recebe o nome de PONTO TOMADO (PICA). A quadrícula vazia recebe o nome de PONTO DEIXADO (DEIXA). Os fios que se entrelaçam com as tramas passarão ora por cima, ora por baixo das mesmas. O nosso objectivo, utilizando o papel técnico, é representar nele a passagem do fio da Teia por cima ou por baixo da Trama. Quando o fio estiver por cima da trama, deve-se marcar a quadrícula e essa marcação é feita, indiferentemente, das seguintes formas: Colocando um X na quadrícula correspondente ou Pintando com uma cor determinada essa quadrícula. 3.5.1 - Representação das Evoluções: Podemos representar graficamente as evoluções, utilizando o papel técnico e obedecendo às convenções normalmente utilizadas e internacionalmente aceites. 3.5.2 - Desenho da evolução do fio e representação no papel técnico: 4 4 3 3 2 2 1 1 3.5.3 - Base da Evolução: Chama-se Base da Evolução à evolução que se repete. Notar que os padrões são desenvolvidos conforme a aparência, a finalidade, e também o grau de durabilidade desejado. Uma construção simples necessita de apenas dois quadros de liços, uma vez que a trama entrelaça-se com o teias cruzando-as um fio por cima e um fio por baixo, sucessivamente. Cada vez que o padrão vai ficando mais complexo, maior é a quantidade de quadros de liços necessária. 3.6 - AS ESTRUTURAS BÁSICAS: Existem três ligamentos (ou padrões) básicos, que são a origem dos mais complexos: a tela ou tafetá, a sarja e o cetim. 3.6.1. - O LIGAMENTO TELA: É o ligamento de construção mais simples existente e, por consequência a que utiliza menos quadros e a que são produzidos nos teares mais simples. Também é conhecido por ligamento tafetá, porém não se pode confundir o nome do ligamento com o do tecido. O fio de trama, nesta construção, cruza-se com o fio da teia, um fio por cima e um fio por baixo, sucessivamente. No retorno o fio da teia que estava por cima passa a ficar por baixo e vice-versa. Se os fios tiverem espessura adequada e estiverem próximos entre si, o tecido será firme e terá características para vestuário.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 15 de 86 Figura nº 9 – Estrutura Tela ou Tafetá 3.6.1.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Tela O ligamento tela é o mais simples dos ligamentos e é, também o que possibilita maiores contracções de teia e trama. Em média essa contracção normalmente ronda os 12%, podendo alcançar até um pouco mais (cerca de 20%) nos casos de tecidos de estrutura fechada. Notar que nas estruturas abertas essas contracções são menores. Não obstante esta particularidade, é o ligamento utilizado nos tecidos mais leves, uma vez que o entrelaçamento prende bem os fios, ainda que os factores de cobertura da teia e da trama sejam baixos. Tecidos em ligamento tela são utilizados nas mais diversas finalidades, desde vestuário, até uso técnico e industrial, podendo ser cru, estampado, tinto em peça ou produzido utilizando fio tingido. 3.6.1.2 - Tipos de Tecidos com ligamento tela: Cambraia: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, sendo também bastante apreciada a cambraia produzida com fio de linho. Normalmente são utilizados na produção de camisas masculinas e blusas femininas. Organdi: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, podendo também ser utilizada a poliamida, a viscose e o acetato, sendo bastante apreciado o organdi de seda. Normalmente é utilizado, em roupas femininas. Voile: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, sendo também utilizadas misturas de algodão com poliéster para artigos mais baratos. É principalmente utilizado na produção de camisas masculinas e blusas femininas. Gaze Cirúrgica: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), sempre em algodão puro, e que leva tratamento especial para dar-lhe características hidrófilas. Tricoline: Tecido fino, também leve (inferior a 135 g/m2), em algodão puro. É utilizado na produção, de camisas masculinas, blusas femininas, vestidos e saias. Popelina: São tecidos leves ou médios quanto à densidade superficial (pode ser tecidos com gramagem inferior a 135 g/m2, no entanto pode ir até 270 g/m2), sempre com estrutura fechada, em algodão puro, ou em misturas dessa fibra com poliéster. Os fios são normalmente cardados, sendo utilizados os penteados para artigos de melhor qualidade. Usado principalmente para vestuário. Flanela: Tecido leve (inferior a 135 g/m2), em algodão puro. Utiliza-se normalmente um fio da trama com um título aproximadamente o dobro do fio da Teia. O uso da trama mais grossa justifica-se pelo acabamento que lhe será dado, onde os pêlos serão levantados no processo de acabamento através da cardação. Normalmente produzido com fios tingidos são utilizados em vestuário, nomeadamente camisas masculinas para inverno, por exemplo. Notar que quando tingido em peça é normalmente produzido com fios de baixa qualidade atendendo que a sua aplicação é para panos de limpeza e polimento.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 16 de 86 3.6.2 - O LIGAMENTO SARJA: Esta estrutura distingue-se por sua diagonal bem definida. Uma inversão dessa diagonal possibilita um aspecto em ziguezague, conhecido por espinha de peixe. Outros efeitos visuais podem ser obtidos por variações da diagonal e/ou das cores dos fios. O entrelaçamento em diagonal possibilita maleabilidade e resiliência aos tecidos. O tecido em ligamento sarja é normalmente mais firme que o tecido em ligamento tela, tendo menos tendência a se sujar, apesar de ser de lavagem mais difícil. Figura nº 10 – Estrutura Sarja 3.6.2.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Sarja O ligamento sarja é o primeiro mais complexo depois do ligamento tela. Os tecidos em ligamento sarja são principalmente utilizados para vestuário, particularmente em roupas profissionais, como macacão, avental e em outros tecidos onde uma construção forte é fundamental. Destaca-se a sua utilização em jeans sendo actualmente é um importante artigo da moda. É frequentemente mais firme que o tecido em ligamento tela, tendo menor tendência a sujar-se, apesar de ser de limpeza mais difícil na lavagem. Normalmente o tecido é tinto em peça, excepção ao tecido denim (onde o fio da teia é tingido e a trama é de fio cru). Poderá ser estampado se porventura se desejar, embora não seja muito comum. 3.6.2.2 - Tipos de Tecidos com ligamento Sarja: Brim: Tecido bastante popular, de densidade superficial média, (entre 136 e 270 g/m2), normalmente em algodão puro ou em misturas desta fibra com viscose e ou com poliéster. É normalmente utilizado na produção de calças e roupas profissionais. O ligamento utilizado é a sarja 2/1, geralmente com diagonal à esquerda conforme a figura abaixo: Figura nº 11 – Estrutura de ligamento BRIM Sarja 1/3: Tecido de densidade superficial leve (até 135 g/m2), nas estruturas relacionadas a seguir, pode entretanto, ser também de densidade superficial média, normalmente em algodão puro, ou em misturas de algodão com viscose e ou poliéster. Os fios são cardados podendo ter grande variedade de títulos. É um tecido pouco produzido, para uso, principalmente, em vestuário. Figura nº 12 – Estrutura de ligamento SARJA 1/3
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 17 de 86 Sarja 3/1: Tecido bastante popular, de densidade superficial média ou pesada, (entre 136 e 270 e superior a 271 g/m2), normalmente em algodão puro, ou misturado com viscose e ou com poliéster. Utiliza-se principalmente na produção de roupas para desporto e ou para uso profissional. Figura nº 13 – Estrutura de ligamento SARJA 3/1 Denim: Provavelmente será o tecido mais popular actualmente. Trata-se de um tipo especial de brim, onde o fio da teia é tingido (geralmente em azul índigo) e a trama crua. A densidade superficial é média ou pesada (entre 136 e 270 e em alguns casos superior a 271 g/m2), sempre em algodão puro. É utilizado, principalmente, na confecção de roupas para desposto, lazer e ou para uso profissional. Figura nº 14 – Estrutura de ligamento DENIM 3.6.3 - O LIGAMENTO CETIM: É similar à sarja, porém é geralmente utilizada em repetições de cinco a doze fios de Teia e de Trama. A principal diferença entre os dois ligamentos é que a diagonal não é claramente visível no cetim. Ela é intencionalmente interrompida a fim de contribuir para uma superfície lisa e lustrosa. A textura não é tão visível do lado direito, por que os fios que o compõe são, geralmente, mais finos e em maior quantidade do que os que formam o avesso. Figura nº 15 – Estrutura Cetim 3.6.3.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Cetim O ligamento cetim: trata-se do mais complexo dos ligamentos fundamentais. Os tecidos em ligamento cetim são principalmente utilizados para vestuário (particularmente para roupas de noite) para forros de casacos e para decoração, estando frequentemente ligado à ideia de artigo de luxo. É normalmente menos firme que o tecido em ligamento tela ou em sarja. O reflexo de luz dos fios flutuantes possibilita ao tecido o brilho que aparece na direcção dos fios de maior cobertura. Tem melhor caimento que os tecidos em tela e em sarja. Tem menos tendência a sujar-se, sendo de limpeza mais fácil na lavagem. Quanto mais quadros de liços tiver a repetição, maior será a cobertura da Teia. Normalmente, o tecido é tinto em peça. Nada impede que seja estampado, no entanto é muito pouco frequente e mesmo muito raro a estampagem destes tipos de tecidos.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 18 de 86 3.6.3.2 - Tipos de Tecidos com ligamento Cetim: Cetim de 5 à TEIA: Tecido sempre fechado, de densidade superficial leve ou média, (inferior a 135 e até 270 g/m2), normalmente em algodão puro, ou em mistura com viscose e ou poliéster. Os fios podem ser cardados ou penteados. Figura nº 16 – Estrutura de ligamento Cetim 5 à TEIA Cetim de 5 à TRAMA: Tecido sempre fechado, de densidade superficial leve, (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, ou em mistura com viscose e ou poliéster. Os fios podem ser cardados ou penteados. Figura nº 17 – Estrutura de ligamento Cetim 5 à TRAMA 3.7 – Coeficientes de Ligação dos Elementos Os Coeficientes de ligação dos elementos são de grande importância para podermos medir a magnitude dos ligamentos e possibilitar a elaboração das cartas de forma correcta e simultaneamente possibilitar a sua utilização para futuros cálculos de fabricação. Para termos uma ideia clara da dita magnitude, será necessário encontrar o COEFICIENTE que corresponde a cada ligamento (Tramas e Teias). Este coeficiente obtém-se pelo quociente da divisão do total de pontos de ligação por Teia ou por Trama, pelo total de quadrados da carta (número de fios e número de tramas. Assim, cada debuxo terá dois coeficientes de ligação, um de teia e ou outro de trama. Se representarmos por CTE e CTR os coeficientes de ligação por Teia e por Trama, respectivamente, temos as fórmulas de cálculo seguintes: Pontos de ligação por fio na teia Pontos de ligação por trama CTE = -----------------------------------------; CTR = ---------------------------------------- Total de quadrados da carta Total de quadrados da carta. Em seguida vamos apresentar como exemplo algum exemplo prático que facilitará a compreensão de como se determina os coeficientes de ligação de um tecido simples. Considerando, por exemplo, um Tafetá simples, o coeficiente é igual à unidade, tanto na Trama como na Teia. Isto é, o primeiro (1º) fio passa por cima da primeira (1ª) trama e por debaixo da segunda (2ª), o que é igual a dois ligamentos; o 2º fio passa por baixo da 1ª trama e por cima da 2ª, também tem dois ligamentos. Assim, temos na Teia 4 ligamentos numa carta de 4 quadrados, isto é: 4 CTE = ------------ = 1 4 Por outro lado, a 1ª trama passa por baixo do 1º fio e por cima do 2º, logo tem 2 ligamentos; a 2ª trama passa por
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 19 de 86 cima do 1ª fio e por baixo do 2ª, logo também tem 2 ligamentos. Neste caso, a Trama também tem 4 ligamentos na mesma carta de 4 quadrados, isto é: 4 CTR = ------------ = 1 4 Lembro que o Tafetá é portanto o ponto que mais liga, com um coeficiente médio de ligação de 1. Todos os outros pontos têm um valor inferior à unidade. Como novo exemplo, agora para 2 fios e 8 passagens, teremos 16 quadrados. Os fios com as suas flutuações, têm 2 ligamentos cada um: Logo: 4 CTE =---------------- = 0,25 16 A trama faz trabalho de tafetá e tem 2 ligamentos em cada uma: 16 CTR = -------------------- = 1 16 Assim, o coeficiente de ligação médio será de: (0,25+1)/2 = 0,625 Classificação dos ligamentos segundo o Coeficiente de Ligação Médio: Muito Ligados 1,00 a 0,66 de Coeficiente Médio Normal 0,66 a 0,40 de Coeficiente Médio Pouco Ligados 0,40 a 0,20 de Coeficiente Médio Muito Leve 0,20 a 0,10 de Coeficiente Médio 4 – OUTRAS CARACTERÍSTICAS / TIPOS DE TECIDOS Alguns tecidos têm origem há muitos anos, em alguns casos datam da era AC. A maior parte teve a sua estrutura alterada com o tempo. A seguir estão relacionados por ordem alfabética alguns dos mais conhecidos tecidos produzidos até aos dias de hoje. 4.1 - CHIFFON (Origem: França): origina-se na palavra francesa que significa trapo. Trata-se de um tecido de seda produzido com fio bastante torcido e resistente. É um tecido aberto, o que lhe dá transparência. Utilizam-se fios retorcidos, usualmente dispostos de forma alternada, um fio com torção no sentido S e outro em sentido Z, tanto nas Teias como nas Tramas. A palavra Chiffon utilizada em conexão com o nome de outros tecidos indica-nos que se trata de um tecido mais leve que o original, por exemplo: crepe chiffon, tafetá chiffon, veludo chiffon, etc. 4.2 - CREPE (Origem: França): originário da palavra crepe que significa ondulado, crespo. Pode ser obtido de diversas formas, conjugando-se um ligamento apropriado a fios retorcidos, possibilitando um efeito granulado e rugoso – notar que, para se conseguir este tipo de produto é necessário que os fios utilizados no processo de tecer possuam um alfa de torção bastante elevado (a rondar os 6 e 7 de alfa da torção – dependendo do título do fio: mais pesado – alfa menor; mais leve – alfa mais elevado).
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 20 de 86 4.3 - CREPE da China (Origem: China): tecido de seda muito fino e leve, obtido por ligamento crepe e utilizando na teia fios com pouca torção e na trama fios retorcidos (torção crepe) dispostos alternadamente em dois fios com torção no sentido S e dois fios sentido Z. Normalmente este tipo de tecido é tingido tinto em peça ou estampado. 4.4 - CREPE Georgette (Origem: Reino Unido): neste tipo de artigo, são utilizados tanto na teia como na trama, fios retorcidos (torção crepe) dispostos dois fios com torção no sentido S e dois no sentido Z. Trata-se de uma musseline mais pesada, porém ainda transparente. Quando apenas um sentido de torção é utilizado na teia e na trama, é mais conhecido como CREPE Suzette. 4.5 - CREPE Romain (Origem: Itália): tecido de seda similar ao CREPE Georgette, porém com ligamento panamá de 2. Por essa razão o tecido é mais fechado e a granulação mais acentuada. Utiliza fios retorcidos (torção crepe) tanto na teia como na trama, sendo dispostos alternadamente de dois em dois fios com torção em sentido S depois Z. 4.6 - CREPE Marocain (Origem: Marrocos): tecido de seda similar ao CREPE da China, porém mais pesado e com granulação mais acentuada. 4.7 - CREPE de Lã: tecido de lã penteada. Utiliza fios retorcidos (torção crepe) tanto na teia como na trama. 4.8 - DAMASCO (Origem: Ásia Menor): trata-se de um tecido de seda ricamente decorado, trazido para o ocidente por Marco Polo no século XIII nas suas viagens ao oriente. O nome teve origem na cidade de Damasco que era o centro mais importante que situado entre o oriente e o ocidente e emprestou o seu nome a esse tecido luxuoso. O ligamento é geralmente o cetim. Os melhores damascos em linho têm 50% mais batidas/cm do que fios/cm. Os damascos, brocados e outros tecidos similares têm características diferentes actualmente, porém eram produzidos pelos princípios gerais do damasco, naquela época. Hoje são obtidos em teares com Maquineta Jacquard. 4.9 - GABARDINE (Origem: Espanha): Tem origem na Idade Média, conhecida por gabardina, que significa protecção contra fenómeno atmosféricos - é um tecido bem estruturado, com textura aparente de sarja 2/1, 3/1 ou múltipla, em ângulo de 45º. Adequado para sobretudos, casacos, entre outras peças. É produzido actualmente com praticamente todos os tipos de matéria-prima. 4.10 - JACQUARD (Origem: França): Tecido que apresenta grandes desenhos geométricos ou artísticos e deve o seu nome a Joseph Marie Jacquard (1752 - 1834) que aperfeiçoou a maquineta que possibilita a obtenção mecânica desses tecidos. 4.11 - MUSSELINE (Origem: Mesopotâmia, actualmente Iraque e parte da Turquia): Tecido produzido originalmente na cidade de Mawsil pelo povo turco. É um tecido muito leve e transparente produzido com fios de seda com torção elevada. Pode também ser produzido em acetato, viscose, lã ou algodão. 4.12 - ORGANDI (Origem: França): Tecido leve tipo musseline, com acabamento engomado. Recebe esse nome porque a palavra francesa organdi significa musseline de algodão fino e macio. 4.13 - SHANTUNG (Origem: China): Originário da província desse nome. Possui diversos tipos de imperfeições naturais sendo produzido por fios bastante irregulares, características que são transferidas ao tecido. Utilizado para trajes masculinos e vestuário feminino em geral. 4.14 - TAFETÁ (Origem: Pérsia/Irão): É um dos mais antigos tecidos conhecidos pelo homem. Feito originalmente em seda, tem superfície lisa, textura regular e uma leve nervura no sentido da trama. Tem origem na palavra persa taftah que significa tecer. É frequente o efeito de acabamento moiré.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 21 de 86 5 - OBTENÇÃO DE: 5.1 – Tecidos Planos 5.1.1- Geometria e propriedade dos tecidos planos: Os materiais têxteis possuem propriedades mecânicas quase únicas, tais como, flexibilidade e resistência, que os tornam extremamente importantes para a maior parte das finalidades em que são utilizados. Estas propriedades devem-se não somente às propriedades das fibras utilizadas mas também a estrutura do aglomerado fibroso. É possível estudar-se a geometria dos tecidos a dois níveis nomeadamente, o descritivo e o mecânico. O primeiro apenas tenta descrever a geometria de determinado tecido. A maneira mais fácil de o fazer é descrever a posição do fio em determinado tecido através das coordenadas do eixo do fio à medida que este progride no módulo de repetição da estrutura. Devido à estrutura e à dificuldade de se obter este tipo de descrição na prática, mesmo a partir de microfotografias da estrutura, métodos mais simplificados são geralmente utilizados. Estes consistem normalmente em conceber um modelo geométrico hipotético da estrutura, que pode intuitivamente ser visto como possuindo muitas das particularidades visíveis na estrutura real. A partir das equações de geometria assim assumida, é possível analisar o efeito de forças e binários no modelo. A concepção mecanística, por outro lado, tenta descobrir as razões pelas quais os elementos do tecido possuem determinada geometria. As três áreas mais importantes na aplicação da geometria dos “tecidos” são as seguintes:  A análise das propriedades mecânicas dos tecidos;  O cálculo das dimensões a partir de parâmetros utilizados para a afinação das máquinas e o inverso, isto é, o cálculo dos parâmetros de acerto das máquinas a utilizar a fim de produzir determinado tecido;  As variações dimensionais dos tecidos durante sua produção e utilização. As características de um tecido dependem essencialmente:  Do tipo da ligação (Tela, Sarja, Cetim, etc.);  Do espaçamento de fios (inverso de densidade de fios);  Das propriedades do fio utilizado. O estudo da geometria dos tecidos têm por objectivo investigar a interacção entre esses factores e a sua influência nas propriedades dos tecidos tais como:  Cobertura do tecido;  O comportamento à flexão do tecido. 5.1.2 – Processo de Tecer O processo de tecer é uma das artes mais antigas. Como muitas outras artes passaram-se séculos sendo realizados de uma mesma maneira e suas melhorias eram muito lentas, tão lentas que uma mesma geração não conseguia notar qualquer modificação. Porém, hoje porém vivemos num século de grandes modificações e aperfeiçoamentos tecnológicos, de tal maneira que uma melhoria poderá deixar de ter interesse em pouco anos após o seu “ nascimento”. Todos sabemos que o produto produzido pelas máquinas de tecer é denominado tecido plano, que é formado a partir do entrelaçamento de um conjunto de fios paralelos, no sentido longitudinal dos tecidos chamados Teia, com outros fios situados transversalmente ao tecido, chamados Trama.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 22 de 86 Abaixo temos, indicado pelas setas, o sentido da Trama e da Teia: Tecido TEIA TRAMA Figura nº 18 – Tecido: Direcção da Teia e da Trama Notar que numa análise visual de um tecido, os fios Teia ficam sempre paralelos às ourelas. No caso de numa análise de uma amostra que não contenha a ourela, então podemos considerar que os fios Teia situam-se no sentido onde há maior densidade de fios por cm ou por polegada. 5.1.3 - Propriedades Físicas de um Tecido: A maneira como as matérias-primas utilizadas e a própria geometria dos tecidos influencia as suas propriedades físicas, são factores de grande importância no que diz respeito à concepção dos têxteis e ao seu comportamento durante o processamento e a sua utilização. As razões que levam ao ensaio de tecidos para avaliar as suas propriedades são variáveis, sendo as mais comuns:  Verificar se o “tecido” se encontra de acordo com as especificações, normalmente considerando as normas NP EN IS 1049 – 1 e 2; ISO/DIS 2323; NP ISO 675-2013- Variações Dimensionais; NP ISO 9867- 2013 Avaliação do Desenrugamento dos Tecidos;  Analisar o efeito de modificações na estrutura;  Analisar o efeito de tratamentos físicos e químicos;  Obter informações quanto ao comportamento durante a sua utilização;  Investigar falhas e reclamações de clientes;  Estudar a interacção entre as propriedades das fibras, dos fios e dos tecidos. Notar que a escolha dos instrumentos de análise laboratorial mais apropriada depende do tipo de informação pretendida. Em alguns casos não existe equipamento que permita efectuar os ensaios e nesse caso torna-se necessário conceber aparelhos especiais. O chamado entrelaçamento não é mais do que o processo de passar um ou vários fios de Teia por cima ou por baixo de um ou vários fios de Trama. O entrelaçamento mais simples entre estas duas direcções de fios dá origem às chamadas telas ou Tafetá. No que se refere ao desenvolvimento e evolução dos fios de Teia esta poderá ser feita nas mais diversas formas
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 23 de 86 obtendo assim os mais complicados tipos de ligamentos. Como já foi explicado na rubrica estruturas básicas, os tipos de ligamentos mais conhecidos são:  - Tela ou tafetá;  - Sarja;  - Cetim ou raso Para conseguir-se a passagem da Trama entre os fios de Teia (cala), utiliza-se o elemento chamado transporte de Tramas, que pode ser, dependendo do tipo de máquina, denominado, a/o  - Lançadeira;  - Projéctil;  - Jacto de ar;  - Jacto de água Sabemos que dentre estes os mais conhecidos são a Lançadeira e o Projéctil embora hoje em dia seja muito usual a utilização do jacto de ar e o jacto de água. No que se refere aos movimentos básicos para o processamento da Tecelagem podemos considerar:  1 - Abertura da cala;  2 - Inserção da Trama;  3 - Batida do pente Para formar um tecido no tear, é necessário formar uma cala. Para conseguirmos inserir a Trama é necessário, através de liços, excêntricos e outros meios, dividir os fios de Teia e, conforme o desenho, criar a ligação. Os fios de Teia que sobem são denominados cala de cima e os fios que descem, cala de baixo. Dentro desta cala procede-se à introdução do fio de Trama através do sistema de inserção utilizado e que transporta o fio, seja através de uma canela (sistema praticamente em desuso, salvo em máquinas muito antigas) ou fio de uma ou mais bobines dependendo, do tipo de sistema de transporte utilizado. Este maquinismo de transporte para efectuar a inserção vai de um lado para o outro atravessando a cala e deposita aí a Trama. Posteriormente esta Trama é empurrada pelo pente para frente encostando-a no tecido já formado. Após cada Trama lançada forma-se uma nova cala. Conforme o desenho (debuxo) definido, haverá fios que sobem e fios que descem numa dada inserção. Nos retornos do mecanismo de inserção que se desloca de um para outro lado, as ourelas seguram a Trama. Geralmente são feitas com o dobro das densidades do que o próprio fundo do tecido ou fios retorcidos. Estas ourelas servem, também, no acabamento do tecido quando o mesmo é passado na râmola, onde este é segurado pelas ourelas, por isto a largura das ourelas deve ser de aproximadamente 1 cm, especialmente quando se trata de tecido médio ou pesado. Uma boa ourela indica a qualidade do trabalho na tecelagem e é vista como um indicador de qualidade. Muitas vezes colocam-se, também, alguns fios coloridos! A densidade de um tecido representa o número de fios (Teia) ou Tramas por unidade de comprimento. Notar que varia em função da fase de seu processamento:  - Densidade no tear.  - Tecido cru.  -Tecido acabado. 5.1.4 - Gramagem: Gramagem é a massa por unidade de superfície. A unidade de medida é gramas por metro quadrado. O tecido pode ser avaliado através da gramagem conforme a tabela nº 1. Tabela nº 02 - Classificação da Gramagem
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 24 de 86 Gramagem (g/m2) AVALIAÇÃO DO TECIDO  140 LEVE 140  250 MÉDIO  250 PESADO 5.1.5 - A ondulação e a contracção dos fios do tecido: Ondulação é a relação entre a diferença do comprimento do fio esticado e o comprimento do fio contraído, enquanto a contracção (ou encolhimento) é a relação dessa diferença com o fio esticado. Podem ser obtidas pelas fórmulas: Ond % = l – p x100 P Onde: Ond % = percentagem de ondulação; l = comprimento do fio esticado; P = comprimento do fio contraído. A contracção do fio pode ser provocada pela torção, dada a formação em hélice fornecida às fibras, ou seja, pelo efeito da torção o fio passa a ter um comprimento menor do que tinha quando com zero torções. A contracção faz, portanto, com que um fio modifique seu comprimento, mantendo inalterada sua massa, modificando, assim sua densidade linear. Desta maneira, a percentagem de contracção deve ser considerada quando se deseja um determinado título. A percentagem de contracção pode ser dada por: Otr % = l – p x100 P Onde: Otr % = percentagem de contracção; l = comprimento do fio esticado; P = comprimento do fio contraído 5.1.6 - A importância da contracção e da ondulação Observa-se que, a partir das mesmas variáveis obtém-se valores diferentes entre a ondulação e a contracção. Alguns técnicos preferem trabalhar com a percentagem de ondulação, enquanto outros optam pela percentagem de contracção. Ambos os valores são precisos, desde que aplicados correctamente. Como as variáveis são as mesmas, os conceitos a seguir são válidos tanto para a contracção (ou encolhimento) como para a ondulação, apesar de apenas a primeira a ser citada. A contracção sofrida pelo fio tem importância, principalmente, para cálculos de previsão de consumo de material. Notar que é de extrema importância, a determinação das várias outras características do tecido, nomeadamente: - a resistência à tensão; - a rigidez; - a permeabilidade ao ar; - etc.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 25 de 86 Quaisquer destes valores são de difícil previsão e por isso a sua precisão nunca pode ser muito elevada. Por isso, temos de considerar os valores teoricamente. Um valor com alguma precisão somente pode ser obtido através de um controlo estatístico sistemático que, evidentemente é impossível de se ter quando do desenvolvimento de um novo produto. Todos os tecidos contraem-se durante o acabamento, bem como no processo de Tecelagem e a montante, isto é durante o processo de preparação para a tecelagem. Estes são influenciados por diversos factores. Podemos considerar entre esses factores que influenciam a contracção, a matéria-prima utilizada, a humidade e a temperatura do ambiente antes e durante o processo de Tecelagem. Outros factores são o tipo e a afinação do tempereiro utilizado, a tensão aplicada durante o processo de Tecelagem e a engomagem efectuada. Assim, podemos afirmar que, afectam a contracção da Trama dos tecidos com ligamento tela e, consequentemente, a largura do tecido: - alta densidade de Teia (1) com Trama grossa reduzem a contracção; - alta densidade de Trama (2) contrai mais do que baixa densidade. Isto é influenciado também pelo diâmetro da Trama; por outro lado, quanto mais grosso for o fio da Teia, maior será a contracção. Notar ainda que a contracção do Teia é afectada e, portanto, o comprimento do tecido quanto: - maior for a densidade de Teia (1), maior será a contracção; - maior for a densidade de Trama (2), maior será a contracção; - mais grossa for a Trama, maior será a contracção. Um outro importante parâmetro de um modelo geométrico do tecido é o deslocamento vertical máximo dos fios de Teia e da Trama. A curvatura mútua é obtida no entrelaçamento dos fios, dando-lhes uma forma ondulada. Comparando-se os deslocamentos a partir do eixo do Teia com o do eixo da Trama, observa-se que há diferença entre os deslocamentos a partir do plano do tecido. A ondulação (Ond%) e a contracção da Trama (Ctr%) são maiores que a ondulação (Ond%) e a contracção da Teia (Ctr%).Os valores das curvaturas dos fios são caracterizados pelas formas dos eixos dos fios quando no tecido. Existe também uma certa relação entre o deslocamento do Teia e o deslocamento da Trama. O deslocamento do Teia diminui, enquanto o deslocamento da Trama aumenta, e vice-versa. A soma dos deslocamentos do Teia e da Trama é constante para um certo tecido e é igual à soma dos diâmetros desses fios. 5.1.7 - Factor de Cobertura de um Tecido ou Toalha de Felpo: Conforme já foi dito na alínea 3.7 – Coeficientes de Ligação dos Elementos, o factor de cobertura está intimamente ligado com o cálculo para a determinação dos Coeficientes dos Elementos, Trama e Teia. Como sabemos, o número e tamanho dos espaços entre fios de um tecido ou toalha de felpo, dependem da densidade de fios da Teia no caso dos tecidos planos, e das Teias, no caso de Toalhas de Felpo e, ainda do número de passagens e do diâmetro dos mesmos. Quando a trama e a teia se encontram perfeita e uniformemente espaçadas, a área de cada espaço (parte não coberta pelo fio) é dada por: (p1 – d1) x (p2 – d2) (cm2) (*)
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 26 de 86 Sendo que o número de espaços é dado pelo produto: N1 x N2 Tabela nº 3 - Nomenclatura PARÂMETRO DO FIO TEIA TRAMA Diâmetro do fio d1 d2 Densidade linear ou tex do fio Tex1 Tex2 Frisado C1 C2 Cobertura Kcob1 Kcob2 Factor de cobertura K1 K2 Densidade de fios ou número de fios/cm N1 N2 Espaçamento entre fios P1 P2 Comprimento modular I1 I2 PARÂMETRO TECIDO Massa por unidade de superfície M Cobertura Kcob Factor de cobertura K Comprimento da peça Q Largura L Espessura T Notar que o tamanho de cada espaço individualizado depende da uniformidade das densidades dos fios e dos diâmetros dos mesmos. O diâmetro do fio é, como se compreende, um problema da fiação, dependendo entre outros factores da torção do fio e do valor micronaire das fibras utilizadas na produção do fio. No entanto, temos de ter em consideração que a uniformidade da densidade dos fios e das passagens é determinada no processo de tecelagem. Quando o espaçamento entre fios é irregular, é possível que os espaços maiores possuam uma área várias vezes superior à média obtida na fórmula dada em (*) acima indicada. A COBERTURA DA TEIA é definida por: d1 TC d1 TB Kcob1 TC = ---------------, e Kcob1 TB = --------------------- p1 TC p1 TB sendo, TC e TB – Teia de cima e Teia de Baixo respectivamente. Por outro lado, a COBERTURA DA TRAMA é dada por; d2
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 27 de 86 Kcob1 = --------------- p2 Assim, o factor de COBERTURA TOTAL DE UM TECIDO DE FELPO, será: p2 x d1 + p1 x d2 – d1 x d2 Kcob Total = ------------------------------------------------------- p1 x p2 Notar que segundo GROSBERG o valor de d = 4,44 x 10-³ x (Tex do fio /massa especifica da fibra (mm)). Como é difícil determinar o diâmetro dos fios utilizado num processo de tecelagem, há uma forma mais expedita que será determinar o seu inverso, isto é: p1 = 1/ N1; p2 = 1/ N2 Por substituição na fórmula anterior, teremos: Kcob1 = 4,44 x 10-³ x (tex 1/ p fibra) x N1 = 4,44 x 10-³ x p fibra -½ x tex 1 x N1 Como exemplo: Considerando uma toalha de felpo em estrutura tafetá e de acordo com as seguintes especificações: Teia de Cima – 12 fios/cm; tex do fio 24,58/2 = 49,17/1 = 12.00/1 Ne Teia de Baixo - 12 fios/cm; tex do fio 24,58/2 = 49,17/1 = 12.00/1 Ne Trama - 16 passagens /cm; tex do fio 42,1/1 = 14.01/1 Ne O FACTOR DE COBERTURA DA TOALHA SERÁ: K1 Teia Cima = 49,17 x 12 fios = 84,14 K1 Teia Base = 49,17 x 12 fios = 84,14 K2 Trama = 42,1 x 16 passagens = 106,8 Logo: K1 TC + K1 TB + K2 Trama = 84,14+84,14+106,80 = 275,0 Exemplos Considerando: Na Teia de Cima Ne do Fio - 24/2 = 12/1 = 49,17 tex Fios/cm 5 10 15 20 EXP: 12,0 K1 Factor de Cobertura 3,1 7,0 10,5 14,0 EXP: 16,8 Na Teia Base Ne do Fio - 24/2 = 12/1 = 49,17 tex Fios/cm 5 10 15 20 EXP: 12,0 K1 Factor de Cobertura 3,1 7,0 10,5 14,0 EXP: 16,8
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 28 de 86 Calculo: Considerando: Na Trama Ne do Fio - 14/1 = 42,1 tex Inserções/cm 5 10 15 20 EXP: 16,0 K2 Factor de Cobertura 3,2 6,5 9,7 13,0 EXP: 10,4 Factor de Cobertura Total 9,4 20,5 30,7 41,0 EXP: 27,2 Para um Tecido Plano: Considerando Na Teia Ne do Fio - 40.00/2 = 20,00/1 = 29,50 tex Fios/cm 5 10 15 20 25 30 EXP: 25,0 K1 Factor de Cobertura 2,7 5,4 8,2 10,9 13,6 16,3 EXP: 13,6 Considerando Na Trama Ne do Fio - 40,00/1 = 14,75 tex Inserções/cm 5 10 15 20 25 30 EXP: 25,0 K2 Factor de Cobertura 1,9 3,8 5,8 7,7 9,6 11,5 EXP: 9,6 Factor de Cobertura Total 4,6 9,2 14.0 18,6 23,2 27,8 EXP: 23,2 Outros exemplos: Na Trama: Para Ne 16/1 - FCT: 35,1 Para Ne 18/1 – FCT: 34,0 Para Teia 24/2 = 12/1 Fios /cm – 16 K1 – 11,2 Para Trama - Ne 16/1 Passagens/cm – 30 K2 – 18,2 NOTAR QUE: UM FACTOR DE COBERTURA TOTAL (KTotal ) = 29,4 ( É CONSIDERADO ELEVADO)
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 29 de 86 6 - Estruturas fundamentais: DEBUXOS Tendo em conta as estruturas fundamentais consideradas e já descritas, vamos fazer de seguida uma abordagem às estruturas fundamentais de onde derivaram os debuxos dos tecidos para o nosso estudo. O DEBUXO ou PONTO de um tecido é o termo utilizado para indicar tecnicamente o modo como se efectua o entrelaçamento dos fios de TRAMA com os fios de TEIA a fim de se conseguir produzir o dado TECIDO. Notar que os cruzamentos segundo os quais os fios de TRAMA e TEIA se combinam são ilimitados. A representação gráfica é efectuada em papel quadriculado – chamado o PAPEL DE DEBUXO – sendo os fios de TEIA representados pelo espaço entre as linhas verticais, e os fios de TRAMA pelo espaço entre as linhas horizontais. Cada quadrado no papel representa a intersecção de um fio TEIA – FIO – com um fio de TRAMA – PASSAGEM. A pintura do debuxo deve-se iniciar-se pelo quadrado situado no canto inferior esquerdo do papel. Cada quadrado pintado indica que, no tecido, o fio de TEIA passa sobre o fio de TRAMA – (chamado PICA). Cada quadrado em branco indica que o fio de TRAMA passa sobre o fio de TEIA – (chamado DEIXA). A Passagem O O Fio Representação Gráfica de um PICA B O O Passagem Fio 6.1 - Representação Gráfica de um DEIXA O MODELO ou o chamado módulo de repetição é o menor número de fios e de passagens necessárias para efectuar um debuxo. A repetição sucessiva deste módulo no sentido da TEIA e da TRAMA produz o padrão do tecido. O PICA ou o DEIXA base é o PICA ou o DEIXA situado no canto inferior esquerdo, a partir do qual se inicia a construção do MODELO.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 30 de 86 Figura nº 19 - Exemplo de um Modelo 6.1 - ALINHAVO DE TEIA: Trata-se do número de passagens sucessivas sobre (ou sob) as quais passa um fio de TEIA. Fig. nº 20 – Alinhavo de 3 à TEIA 6.3 - ALINHAVO DE TRAMA: É o número de fios sucessivos sobre (ou sob) os quais passa um fio de TRAMA. Fig. nº 21 – Alinhavo de 3 à TRAMA Os alinhavos de TEIA pelo direito contam-se em quadrados pintados na vertical, e os alinhavos de TRAMA pelo direito contam-se em quadrados em branco na horizontal. No avesso do tecido, quadrados brancos na vertical correspondem a alinhavos de Teia e quadrados pintados na horizontal correspondem a alinhavos de TRAMA. 6.4 - AVANÇO OU AFASTAMENTO À TEIA:
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 31 de 86 Trata-se do deslocamento vertical dos picas (ou dos deixas) entre dois fios de teia consecutivos. O seu valor é igual ao número de passagens consecutivas, a contar de baixo no sentido vertical, entre um pica (ou deixa) base de um fio de teia e o pica (ou deixa) mais próximo do fio de teia seguinte. 3 2 1 Fig. nº 22 – Avanço de 3 à TEIA 6.5 – AVANÇO OU AFASTAMENTO À TRAMA: Podemos considerar que é o deslocamento horizontal dos picas (ou dos deixas) entre duas passagens consecutivas. O seu valor é igual ao número de fios de teia consecutivos, a contar da esquerda no sentido horizontal, entre um pica (ou deixa) base de uma passagem e o pica (ou deixa) mais próximo da passagem seguinte. 1 2 3 Fig. nº 23 – Avanço de 3 à TRAMA Assim, analisando os debuxos da Figura abaixo podemos constatar que os modelos têm o mesmo tamanho e alinhavos iguais, mas o avanço é diferente, o que logo vai resultar em estruturas muito diferentes. Por isso, pode-se concluir que a noção de avanço se reveste de uma importância fundamental para o estudo das estruturas dos tecidos. Fig. nº 24 - Estruturas com avanços diferentes.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 32 de 86 6.6 – REPRESENTAÇÃO NUMÉRICA DE ESTRUTURAS Existem vários métodos de representação numérica de estruturas. O método e a simbologia mais utilizada e que tem demonstrado ser mais eficiente e de maior utilidade prática é o que a seguir se indica 1 – A ORDEM DE TECELAGEM: Constituída por um traço horizontal, contendo números na parte superior (PICAS) e na inferior (DEIXAS). 2 – A DIRECÇÃO DO AVANÇO: É indicado pela utilização de um “A” colocado à frente da ordem de tecelagem. “A” – representa um avanço à teia; “»” - representa um avanço à trama 3 – O valor do AVANÇO é representado por um índice numérico de “A” A fórmula geral é a seguinte: a) – No caso de o avanço ser na direcção da TEIA: m Ak n Sendo: m = número de picas em cada fio n = número de deixas em cada fio A = avanço à teia K = valor numérico do avanço b) – No caso do avanço ser na direcção da TRAMA: m »k n Sendo: m = número de picas em cada passagem n = número de deixas em cada passagem » = avanço à trama K = valor numérico do avanço Quando o AVANÇO é COMPOSTO, o índice K não é apenas um número, mas antes um conjunto de números ligados pelos sinais mais ou menos (+/-). Cada número corresponde ao avanço de um fio (ou passagem) Uma vez introduzidos todos os avanços, repete-se a mesma sequência até que seja encontrado o modelo.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 33 de 86 6.7 - Construção dos debuxos Vários são os tipos de debuxos que podemos criar e utilizar na produção dos nossos tecidos. Como exemplo mais simples, podemos citar os cetins, podem ser regulares ou irregulares. Os regulares obedecem a determinadas regras: a) Os modelos são sempre quadrados; b) Em cada fio e em cada passagem apenas existe um ponto de ligamento; c) Não podem existir pontos de ligamento em posições contíguas; d) O avanço é constante. A sequência sistematizada para a construção dos debuxos a partir da sua representação numérica é a seguinte: 1) – Verificar se o avanço é à TEIA ou à TRAMA; 2) – Somar os números que compõem a ordem de tecelagem; 2.1 – Se o avanço for à teia, o resultado da soma é igual ao número de passagens do modelo; 2.2 – Se o avanço dor à trama, o resultado da soma é igual ao número de fios do modelo. 3) – A partir de um PONTO BASE (primeiro pica do fio ou passagem inicial) colocado no canto inferior esquerdo, marcam-se os outros pontos base dos fios ou das passagens, conforme o avanço é à teia ou à trama. Esses avanços vão-se marcando até se encontrar o modelo; 4) – A ordem de tecelagem é introduzida a partir dos pontos base. Se o avanço for à teia, a ordem é introduzida em cada fio; se o avanço for à trama a ordem é introduzida em cada passagem. Fig. nº 25 - Estrutura com avanços SIMPLES 3 1 A1 2 2
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 34 de 86 Fig. nº 26 - Estrutura com avanços SIMPLES 3 1 »3 2 2 Fig. nº 27 - Estrutura com avanços COMPOSTO 4 4 1 Ao+2 3 2 2
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 35 de 86 Fig. nº 28 - Estrutura com avanços COMPOSTO 3 1 » 1+2 2 2 6.8 – Representações numéricas compostas Quando a estrutura só pode ser representada numericamente por duas ou mais ordens de tecelagem, a cada ordem de tecelagem deverá corresponder um avanço. Para um número de passagens ou de fios de um modelo (avanço à teia ou à trama respectivamente) é dado pelo menor múltiplo comum entre as somas dos números que compõem cada uma das ordens de tecelagem individualmente. Quando existe apenas um avanço e diversas ordens de tecelagem, isto significa que o avanço é o mesmo para todas elas. 6.9 – CLASSIFICAÇÃO DOS TECIDOS A classificação dos tecidos baseia-se no número de TEIAS e TRAMAS utilizado. 1 – TECIDOS SIMPLES – apresentam uma teia e uma trama 2 – TECIDOS MÚLTIPLOS – são formados por duas ou mais teias ou por duas ou mais tramas, ou então as duas coisas conjuntamente. Podem-se subdividir-se em: a) – FORRADOS POR TRAMA – uma teia e duas tramas b) – FORRADOS POR TEIA – duas teias e uma trama c) – DUPLOS – duas teias e duas tramas d) – TRIPLOS – três teias e três tramas
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 36 de 86 Como já foi afirmado no ponto 3.6 existem três estruturas fundamentais: TAFETÁ – tecido com aspecto granulado; SARJA – tecido com cordões oblíquos; CETIM – tecido liso e brilhante. A maioria dos tecidos utilizados na fabricação de vestuário é produzida nos debuxos fundamentais. As diferenças entre eles podem ser devidas:  - ao debuxo ou à estrutura em si;  - à matéria prima utilizada;  - à geometria (tipo de fiação), títulos e torções dos fios utilizados.  - à densidade das teias e das tramas dos tecidos;  - ao tipo de acabamento utilizado 6.10 – Os Tafetás O tafetá (fig. 3.7) é o debuxo mais simples e o mais difundido. Os tecidos que se obtêm são leves e com uma aparência lisa. A leveza resulta do alinhavo de um que impede que se teça com um número elevado de fios e passagens por centímetro (12). Fig. nº 29 - Tafetá _1_ 1 6.10.1 -Derivados do tafetá Os derivados do tafetá resultam da ampliação dos alinhavos de um, tanto no sentido da teia (fig. 3.8 e 3.9), como no sentido da trama (fig. 3.10 e 3.11) ou simultaneamente em ambos os sentidos (fig. 3.12 e 3.13). Em cada uma destas três categorias existem os debuxos regulares e os irregulares. Nos primeiros, a ampliação é feita com alinhavos sempre do mesmo tamanho. O mesmo não acontece nos debuxos irregulares em que a ampliação é realizada com alinhavos diferentes. Fig. nº 30 - Ampliado à teia regular Fig. nº 31 - Ampliado à teia irregular Fig. nº 32 - Ampliado à trama regular
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 37 de 86 Fig. nº 33 - Ampliado à trama irregular Fig. nº 34 - Ampliado à teia e trama regular Fig. nº 35 - Ampliado à teia e trama irregular 6.11 – As Sarjas A sarja caracteriza-se por aplicar avanço 1 a qualquer ordem de tecelagem, apresentando, desta forma, um cordão bem nítido cuja inclinação depende do número de fios e de passagens por centímetro. Se o número de fios do tecido for igual ao número de passagens, o cordão terá uma inclinação a 45 graus. Essa inclinação será superior a 45 graus se o tecido tiver mais fios que passagens por centímetro, e inferior a 45 graus se tiver menos fios que passagens (12). As sarjas simples podem ser leves, pesadas ou neutras. Figura nº 36 – Ponto de Sarja 3/1 6.11.1 - Sarjas leves As sarjas simples são leves, se no lado direito do tecido o número de picas for inferior ao número de deixas (fig. 3.4). 1 Fig. nº 37 – Sarja Leve ------- A1 2
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 38 de 86 6.11.2 - Sarjas neutras: Nas sarjas neutras, também designadas de batávias, o número de picas e deixas é igual (fig 3.5). Fig. nº 38 - Sarja leve _2_ A 1 2 6.11.3 - Sarjas pesadas: As sarjas simples são pesadas, se no lado direito do tecido o número de picas for superior ao número de deixas (fig. 3.6) Fig. nº 39 - Sarja pesada _4_ A 1 2 6.12 – Os Cetins Como já se afirmou, os cetins são tecidos que apresentam, pelo seu direito, uma superfície lisa formada predominantemente pela teia ou pela trama. Se a predominância no direito do tecido for da teia relativamente à trama, os cetins são designados de cetins efeito teia (fig. 3.14). Caso contrário, os cetins serão designados de cetins efeito trama (fig. 3.15). Fig. nº 40 - Cetim efeito teia Fig. nº41 - Cetim efeito trama Normalmente designam-se por cetins irregulares os que não obedecem a uma ou mais regras dos cetins regulares, sendo necessário, contudo, que se observe sempre o cumprimento da terceira regra para que não se produzam tecidos defeituosos (12). De todos os cetins regulares, os mais utilizados são os cetins de 5, 7 e 8 (ver figs. 3.16 a 3.18), porque
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 39 de 86 permitem produzir tecidos com um peso dentro do normal. No que diz respeito aos cetins irregulares, o mais usado é o cetim de 6 que é construído com os avanços 4+4+3+2+2+3 6.12.1 - Debuxos fundamentais para um CETIM Fig. nº 42 – Cetins de 5 Fig. nº 43 – Cetins de 7 Fig. nº 44 – Cetins de 7 (continuação) Fig. nº 45 – Cetins de 8
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 40 de 86 7 - Coeficiente de ligação médio – CLM Definidas as estruturas em estudo e para um melhor conhecimento das mesmas, considerou-se ser importante verificar a capacidade de ligação de cada uma, determinando o seu coeficiente de ligação médio – CLM. Para determinar o coeficiente de ligação das estruturas, ou seja, o coeficiente que divide o total de pontos de ligamento por teia e por trama pelo número total de pontos de ligamento possíveis, utilizam- se as fórmulas 3.1 e 3.2 Coeficiente de ligação da Teia: CLTE = total de pontos de ligação por teia (3.1) nº de fios X nº de passagens Coeficiente de ligação da Trama: CLTR = total de pontos de ligação por trama (3.2) nº de fios X nº de passagens Através da média dos coeficientes da teia e da trama, é obtido o coeficiente de ligação médio de cada uma das estruturas, como se pode observar na Tabela nº 3.2 como já foi afirmado na pag. nº 26 Tabela nº 04 Classificação das estruturas segundo o seu coeficiente de ligação médio Classificação Coeficiente de ligação médio Muito ligada 1 – 0,66 Normalmente ligada 0,66 – 0,4 Pouco ligada 0,4 – 0,2
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 41 de 86 8 - Estudo Laboratorial (Exemplo de uma análise a efectuar num tecido) 8.1 - Recolha das amostras para a análise laboratorial Considerar uma zona seleccionada de um tecido, tida como representativa e destinada a fornecer dados para a avaliação da qualidade. 8.1.1 – Análise da Gramagem de um Tecido. Análise laboratorial Segundo a Norma ASTM D 3776-96 – Standard Test Method for Mass Per Unit Area (Weight) of Fabric. Para a realização de uma análise laboratorial podemos considerar várias opções: Opção A - Amostra representativa do tecido com o desenho Completo, seja em Rolo ou Cortado; Opção B - Amostra com a Largura Completa do tecido para análise; Opção C - Pequena amostra representada por um Pedaço de Tecido; Opção D – Amostra de Tecidos Estreitos; Opção E - Amostra de um Pequeno Pedaço de Tecido que se pretende controlar. Este procedimento é aplicável quando um pequeno pedaço de tecido é mandado para o laboratório para ser usado como corpo de prova. Os resultados são considerados para serem aplicáveis na amostra e não necessariamente para o lote do qual a amostra foi retirada. As medições por este método não incluem ourela e deve ser informada dessa maneira, a menos que uma ourela seja especificada. Os critérios para a recolha das amostras terá de ter em consideração o tipo de tecido a ser analisado e os ensaios a realizar. Notar que determinados requisitos deverão ser tidos em consideração para que haja representatividade e cumpra as exigências internacionais, nomeadamente considerando: - Toda a largura do tecido; - Comprimento mínimo de 1 m. - Distância inferior a 3 m (início/fim). - Não tenha irregularidades ou deformações visíveis. As amostras devem ser acondicionadas antes de se efectuar os respectivos ensaios, por isso, o laboratório deve dispor de um sistema de ar condicionado, para que haja um equilíbrio higrométrico que cumpra os requisitos normativos. Antes de se submeter as amostras a ensaio, deve ser retirado do tecido, logo dos fios, os produtos utlizados no processo de preparação para a tecelagem (gomas) e as resinas que possam ter sido utilizados nos acabamentos. Se tal não for efectuado vai com toda a certeza influenciar o resultado dos ensaios efectuados. 8.1.2 - Provetes: Deverão ser recolhidas uma ou mais unidades retiradas da amostra, sobre as quais serão processados testes ou medições. A opção C é usada só quando há disponível um tecido limitado e não deve ser usado para teste de aceitação. Neste caso, pode ser considerado um pedaço de tecido para recolha das amostras. 8.1.3 - Recolha dos provetes: Os critérios para a recolha dos provetes são variáveis, conforme o tipo de têxtil a ser analisado, e o tipo de ensaio aplicado a este produto. Para a recolha de provetes em tecidos plano deverão ser cumpridos os seguintes requisitos:
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 42 de 86  - Não retirar a uma distância inferior a 1/10 da largura em relação à ourela.  - Não devem conter os mesmos fios de Teia ou Trama (retirar em diagonal).  - Dimensão deverá ser a suficiente de modo que os resultados obtidos sejam representativo do tecido que se pretende controlar.  - Identificar o sentido da Teia e da Trama e numerar cada um dos provetes. Como boa norma, a área onde se deve efectuar a recolha das amostras deverá ser de pelo menos 130 cm2 ou então as amostras poderão ter uma área menor, mas deverão ser retiradas em diferentes partes do tecido de amostra e deverá ter uma área total de pelo menos 130 cm2. Não retirar as amostras para análise numa zona do tecido que fique perto das ourelas ou dos extremos do tecido. Conforme se afirmou acima, devem ser considerados a uma distância mínima de um décimo (1/10) da largura do tecido da ourela ou do corte caso não haja ourela. Se o tecido for insuficiente então deverá ser anotado no relatório da análise esta informação. Retira-se da peça de um tecido de dois metros, 5 provetes de 10 cm x 10 cm. Notar que devem ser retirados na diagonal, de maneira que os fios de teia e de trama não sejam os mesmos em nenhuma das amostras. A recolha das amostras deverá seguir conforme o esquema apresentado abaixo: Fig. nº 46 – Sugestão para recolha de amostras num dado tecido amostra. Em seguida efectuar a pesagem das 10 amostras com dimensões de 10 cm x 10 cm numa balança analítica obtendo amassa (M) em gramas de cada um. 8.1.4 - Atmosfera padrão: Atmosfera condicionada e mantida no estado higrométrico conforme requisitos nas normas internacionais: -Temperatura: 21ºC  2ºC ; = 70º F -Humidade Relativa: 65%  2%. 8.1.5 - Equilíbrio Higrométrico: Estado onde não há troca sensível de humidade entre a amostra e a atmosfera ambiente. Observações: O Equilíbrio Higrométrico deve ser alcançado a partir de um estado mais seco (absorção de humidade). Para um “pré-acondicionamento”, considerar: - 10%-25% HR (humidade relativa), - Temperatura maior que 50ºC. - Tempo de acondicionamento: 24 horas com livre circulação de ar.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 43 de 86 - Equilíbrio Higrométrico (E.H.) = Pesagem a cada duas horas. - Não apresentar diferença de massa superior às exigências das normas (0,25% - AFNOR) 8.1.6 - Procedimento: Após a recolha das amostras, deveremos determinar a área da (s) amostra (s) representativa (s). Para uma dada amostra cortada, a área dada é normalmente informada. Para definir o número de amostras a recolher, multiplique o comprimento pela largura. O peso da (s) amostra (s) deverá ser ± 0,1% de massa (peso) que a balança pode pesar. As amostras recolhidas de um tecido podem ser pesadas juntos. 8.1.7 – Ensaios que normalmente devem ser efectuados na análise de um TECIDO PLANO: 8.1.7.1 - Ligação do tecido: Tabela nº 04 Ourela Tecido Ligação da ourela: Reps Ligação do tecido: Tela As dimensões e a massa podem ser determinadas nas unidades SI (Sistema Internacional) e calculadas usando as seguintes equações: Calcular a área da amostra (em m2); Pesar a amostra; Efectuar cálculo usando a fórmula abaixo: Peso g /m2= -------------- Área
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 44 de 86 Tabela nº 05: Gramagem (um exemplo) Amostra nº Peso (g) 100 cm2 Peso (g) 1 m2 1 0,9236 92,36 2 0,8787 87,87 3 0,8667 86,67 4 0,8923 89,23 5 0,8849 88,49 Média 0,8892 88,92 Desvio Padrão 0,0214 2,1377 Nota: para os cálculos foi utilizada a fórmula g/m2 = M x 100; para a conversão da gramagem de g/cm2 para g/m2, onde M é massa em g de 100 cm2. Considerando, por exemplo o valor da gramagem média obtida g/m2 = 277, podemos classificar um dado tecido como sendo um tecido pesado de acordo com a tabela 01 apresentada na introdução teórica: Como norma a utilizar como referência para a realização do ensaio poderemos considerar as normas: AFNOR NFG 07-1`50 NP ISO 675 - 2013 - Variações Dimensionais NP ISO 9867 - 2013 - Desenrugamento Tecidos Que impõe que as amostras a submeter a ensaio tenham de ter um mínimo de 100 cm2 (10 cm x 10cm). 8.2 – Determinação da Contracção e da Ondulação: Referência: ASTM D 3883 - 99 Para realizar a análise de um tecido, é comum tomar uma amostra sem deformação, e marcar dois traços paralelos A e B numa direcção perpendicular aos fios a serem analisados, distanciados em 250 mm (conforme a norma ASTM acima indicada). Ter-se-á de ter o cuidado para que as marcas das rectas permaneçam visíveis nos fios após estes serem retirados do tecido. Em seguida deve-se executar, paralelamente aos traços A e B, dois cortes distanciados de 450 mm, de modo que os traços fiquem equidistantes dos cortes, conforme representado no esquema abaixo. Figura nº 47 – Determinação da Contracção e Ondulação de um Tecido
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 45 de 86 Posteriormente retira-se 10 fios para a análise. Através do comprimento inicial de 25 cm e a média dos comprimentos obtidos com a pré-tensão (já calculada anteriormente para os fios de Teia e para os fios de trama) calcula-se a contracção e a ondulação dos fios. Através das fórmulas: C% = L – L0 x 100 L O% = L – L0 x 100 L Onde: L = comprimento do fio esticado sob tensão. L0 = comprimento inicial do fio. Obs: O teste deve realizado com dois provetes, um no sentido do Teia e o outro no sentido da Trama. 8.2.1 - Desvio de trama Retira-se um fio de trama por toda largura do tecido. Traça-se uma recta perpendicular ao comprimento do tecido, por toda a largura do mesmo. a) Mede-se a maior distância entre a recta e o defeito causado pela retirada do fio de trama, e desta forma obtêm-se os resultados referentes ao Arco da Trama (ver figura nº 45) e Inclinação da Trama (ver figura nº 46). Arco da Trama A = (d / AC) x 100 Figura nº 48 Tabela nº 06 – Calculo do Desvio da Trama Amostra Deformação máxima A-B d(cm) 1 5,4 2 5,4 3 5,3 4 5,3 5 5,4 Total 26,8 Média 5,36
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 46 de 86 Para melhor compreensão podemos calcular o valor da inclinação do tecido: AB x 100 I = ------------------- AC (sendo AC = 83,5 cm) Assim: Para AB1 = 5,40cm: 5,40 x 100 I1 = ------------------ = 6,47 % 83,5 Para AB2 = 5,40cm: 5,40 x 100 I1 = ------------------ = 6,47 % 83,5 Para AB3 = 5,30cm: 5,30 x 100 I1 = ------------------ = 6,35 % 83,5 Para AB4 = 5,30cm: 5,30 x 100 I1 = ------------------ = 6,35 % 83,5 Para AB5 = 5,30cm: 5,40 x 100 I1 = ------------------ = 6,47 % 83,5 O valor médio da Inclinação da Trama será: 6,42 % Inclinação de Trama: I = (AB / AC) x 100 Figura nº 49
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 47 de 86 Tabela nº 07 – Determinação do Comprimento Inicial (L0) e Final (L) dos Fios da Teia Amostras da TRAMA Comprimento Inicial (cm) L0 Comprimento Final (cm) - L 1 25 26,6 2 25 26,8 3 25 26,5 4 25 26,5 5 25 26,8 6 25 26,5 7 25 26,4 8 25 26,6 9 25 26,5 10 25 26,7 Média 26,59 Desvio Padrão 0,137 C.V.% 0,515 Tabela nº 08 – Determinação do Comprimento Inicial (L0) e Final (L) dos Fios da Trama Amostras da TRAMA Comprimento Inicial (cm) L0 Comprimento Final (cm) - L 1 25 27,8 2 25 28,2 3 25 27,8 4 25 28,3 5 25 27,9 6 25 27,8 7 25 27,8 8 25 28,3 9 25 28,4 10 25 27,6 Média 27,99 Desvio Padrão 0,280 C.V.% 1,000 Para os cálculos da contracção e ondulação podemos considerar a mesma pré-tensão utilizada no cálculo do título dos fios, será: Pré-tensão (gf) = 0,25 cN / Tex x Tex A título de exemplo prático, considerando o Título Tex 20,29 para o fio Teia e 27,12 para os fios da Trama, os valores obtidos serão:  - Para a Teia 5,07 gf  - Para a Trama 6,78 gf Desta forma, os valores de contracção serão, considerando o valor médio:
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 48 de 86 (L - L0) x 100 (26,59 - 25) x 100 C% Teia = ----------------- = -------------------------- = 5,97 % L 26,59 (L - L0) x 100 = (27,99 - 25) x 100 C% Trama = ----------------- = ----------------------- = 10,68 % L 27,99 Para os valores de ondulação serão, considerando o valor médio: (L - L0) x 100 = (26,59 - 25) x 100 O% Teia = -------------------=----------------------= 6,36 % L0 25 (L - L0) x 100 = (27,99 - 25) x 100 O% Trama = ------------------= ------------------------ = 11,96 % L0 25 Tabela 09 - Resumo dos resultados dos ensaios em tecido plano: 8.3 – Densidade Efectua-se a contagem dos fios no sentido da Teia e da Trama em 2,54 cm (1 polegada) obtendo assim a densidade de fios. A contagem deverá ser efectuada cinco vezes em diferentes zonas do tecido, tendo o cuidado de seguir o que se afirma anteriormente – na diagonal – de forma a não efectuar leituras nos mesmos fios da Teia e de Trama. Densidade de fios e contextura (um exemplo) Tabela 10 - Densidade dos fios (um exemplo) Amostra Teia (fios/cm) Trama (fios/cm) 1 24 16 2 24 16 3 24 16 Média 24 16 A título de exemplo, poderemos utilizar como referencia para realização do ensaio a norma: NP EN 1049-2 1995_Tecidos Construção ASTM D 3775-96
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 49 de 86 Tabela 11 – Dimensão a utilizar para contagem dos fios Densidade (fios /cm) d (cm) <10 2,5 > 10 7.5 Para a determinação da densidade de fios na Teia e na Trama deveremos ter em conta o número de fios/cm para a teia e o número de passagens para a trama de forma que a amostra a ser submetida a ensaio seja representativa. Exemplo: Considerando que a densidade na Teia e na Trama seja maior que 10 fios/cm, então a dimensão a utilizar para a contagem dos fios deverá ser um mínimo de 2,5 cm, não esquecendo de que deverá ser efectuada um mínimo de 10 medições. 8.4 - Largura do tecido: Referência: ASTM D 3774- 96 Com uma fita métrica calibrada procede-se à medição desde uma ourela à outra de forma a poder determinar a largura do tecido. Como exemplo, vamos considerar os valores abaixo indicados. Largura do tecido: x1 = 83,4cm x2 = 83,5cm x3 = 83,4cm AC= x= 83,5cm x4 = 83,6cm Média: = 83,6cm CV% = 0,11 8.5 - Titulação dos fios: O título de um fio é a relação entre a massa (m) e o comprimento (c) ou a relação inversa onde, dependendo do sistema, um deles (m ou c) é fixo e o outro variável. Os sistemas de titulagem são classificados em sistema directo e indirecto. 8.5.1 - Sistema Directo de Titulação: Este sistema determina a massa (em gramas) por comprimento (em metros) de fio, e é directamente proporcional à sua “espessura”, ou seja, pode-se afirmar que quanto maior é a massa por comprimento de fio, mais “espesso” ele é, e por isto são conhecidos por sistemas directos de titulação, o que não significa que o título seja directamente proporcional ao seu diâmetro. Apesar dos sistemas Denier e dtex serem os mais conhecidos não são os únicos directos. O dtex é um submúltiplo do sistema Tex que, evidentemente, também é um sistema directo de titulação. Este sistema foi desenvolvido pelo The Textile Institute (em Manchester, Inglaterra), com a finalidade de ser utilizado mundialmente, apesar da maior parte dos países terem criado normas nacionais considerando o
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 50 de 86 sistema Tex como oficial. Isto ocorre, em alguns casos em Portugal, porém apenas as empresas produtoras de fibras químicas adoptaram plenamente o sistema utilizando o dtex para titulação das fibras contínuas e descontínuas. O Tex é um sistema bastante simples de se trabalhar, admitindo-se submúltiplos como o decitex (ou, dtex), cuja base é 1 grama por 10 000 metros, sendo utilizado principalmente em filamentos. O cálculo de títulos para o sistema directo pode ser calculado através da fórmula que segue: T = KxP C Onde : T = título do fio P = peso; C = comprimento; K = constante do sistema. 8.5.2 - Sistema Indirecto de Titulação: O sistema indirecto de titulação toma como base à massa fixa e o comprimento variável. Neste caso o número do fio é indirectamente proporcional à sua “espessura”. Observemos que há uma distinção entre título e número. O título, que também pode ser denominado do fio, é obtido por sistema directo, enquanto o número é obtido por sistema indirecto. Os sistemas de numeração mais conhecidos são:  Número inglês (“Nec”, para fios fiados em Fiação de fibra curta), estabelecido em meadas de 840 jardas (768,1m) cada, para se obter 1 libra (453,6g) de fio.  Número métrico (“Nm”, para fios fiados em processo de fibra longa) estabelecido pela quantidade de meadas de 1 000 metros cada para se obter 1 000 gramas de fio. O título é calculado por: T = KxC P Onde : T = título do fio C é o comprimento, P é o peso, K é a constante do sistema; A fórmula para o cálculo de título será sempre a mesma, o que irá mudar de um sistema para outro será o valor da constante K. No caso do algodão com título no sistema inglês os valores da constante serão: K = 0,59 g/m ; K = 0,54 gramas/jardas ; K = 8,33 gramas/jardas ; K = 9,11 g/m. São inúmeros os sistemas de titulação e de numeração, no entanto os mais utilizados são: Denier, dtex, tex, ktex e os números: Nec e Nm. NOTA: Para determinar o número de um fio é necessário que existam dispositivos que permitam medir com precisão, tanto o comprimento de fios como o peso destes. Os métodos utilizados têm que ser adaptados à forma em que se o fio se encontra que pode ser em bobinas ou mesmo como Trama e Teia num tecido. Quando um fio se encontra num tecido ou malha é necessário retirá-los das amostras por desfiamento. Seguidamente as pequenas porções de fio devem ser medidas com o frisado removido em dispositivos apropriados.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 51 de 86 8.6 – Determinação do Título obtido numa amostra reduzida Referência: ASTM D 1059- 87 Antes de se proceder à recolha das amostras para análise, deve-se eliminar antecipadamente a goma e a resina que poderão estar presentes no tecido a ser avaliado. 8.7 - Recolha de Provetes Referência: ASTM D 1059- 87 (ver norma em anexo) Retirar uma amostra de fio com um mínimo de 500mm no sentido do Teia, aplicando-se sobre o mesmo uma certa tensão no momento em que se efectua a mediação do seu comprimento. Determinação do título em Ne e ou Tex: Referência: ASTM D 1059 Pesa-se o provete e através da fórmula abaixo indicada determina-se o título do fio na unidade Tex. Peso (g) x 1000 Tex = ----------------------------- Comprimento (m) Para obter o título em Ne, considerar: 590,548 Título (Ne) = --------------- Título (Tex) Através do título em Tex, calcula-se a carga necessária para a eliminação da ondulação, com base na carga mínima de pré-tensão (conforme a norma ASTM D 3883) de 0.25gf/Tex, pela fórmula: Titulo (Tex) x 0,25 gf/Tex = X gramas forças Com resultado obtido, é possível determinar a carga necessária a ser aplicada no fio, a fim de que as amostras retiradas não sofram influência de diferentes cargas de tensões. Tabela nº 12 - Carga mínima para o Calculo da Pré-Tensão MATERIAL TÍTULO PRÉ-TENSÃO (Centinewtons) Algodão Inferior ou igual a 7 0.75 x Título Tex Superior a 7 0.2 x Título Tex+ 4 Lã Penteada 15 a 60 0.2 x Título + 4 60 a 300 0.07 x Título + 7 Filamentos ou Sintéticos Todos os valores 1.5x Título Tex. Aplicando-se a carga estipulada, retira-se nova amostra de fio, pesa-se e compara-se este valor com o valor do peso da primeira amostra, a diferença entre os valores não deve ser maior que 5%. Caso seja
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 52 de 86 maior, deve-se efectuar nova medição da primeira amostra de fio, aplicando uma tensão maior ou menor conforme o valor da diferença encontrada. Se o valor da diferença entre os pesos for menor que 5% então poder-se-á avançar para a medição de mais 9 amostras aplicando a tensão determinada aquando da medição do comprimento das mesmas. Em seguida, calcula-se os títulos referentes às 10 amostras em Ne e ou Tex, a media dos títulos e o respectivo coeficiente de variação (CV%). Este procedimento deve ser repetido para a determinação do título dos fios da Trama. Exemplo para o fio de trama: Tomando como exemplo, para a recolha do primeiro provete deve-se utilizar uma pré-tensão desconhecida. Sendo o peso dessa amostra de fio de trama de 0,0127g., então o título em Tex será: Titulo (Tex) = 0,0127 x 1000 = 25,4 (Tex) 0,5 Fez-se então o cálculo para carga a ser aplicada: 25,4 x 0,25 = 6,35gf Para efeito de confirmação dos resultados acima, deve-se efectuar novo teste, porém, com uma nova amostra e aplicando-se a tenção calculada. Titulo (Tex) = 0,0134 x 1000 = 26,8 (Tex) 0,5 Sendo a diferença entre os dois pesos encontrados menor que 10%, deve-se prosseguir a recolha de mais 9 amostras, aplicando-se a carga e posteriormente pesar as mesmas. Exemplo para o fio de Teia: Para a retirada do primeiro provete utiliza-se uma pré-tensão desconhecida. Considerando o peso dessa amostra de fio de trama de, por exemplo, 0,096g, o titulo em Tex será: Titulo (Tex) = 0,0099 x 1000 = 19,8 (Tex) 0,5 Efectuando então o cálculo para carga a aplicar: 19,2 x 0,25 = 4,95gf Para efeito de confirmação dos resultados acima, deve-se efectuar novo teste, porém, com uma nova amostra e aplicando-se a tensão calculada. Titulo (Tex) = 0,0101 x 1000 = 20,2 (Tex) 0,5 Sendo a diferença entre os dois pesos encontrados menor que 10%, deve-se prosseguir a recolha de mais 9 amostras, aplicando-se a carga encontrada, e posteriormente pesar as mesmas. Estas pré-tensão têm, por finalidade, retirar toda e qualquer ondulação e contracção do fio, para que se possa obter o título real do fio.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 53 de 86 Tabela 13 – Tabela de Pesos de Fios (um exemplo) Amostras Peso (g) dos fios Comprimento (m) Teia Trama 1 0,01010 0,0134 0,5 2 0,00996 0,0132 0,5 3 0,01060 0,0129 0,5 4 0,00990 0,0143 0,5 5 0,00980 0,0142 0,5 6 0,01020 0,0134 0,5 7 0,01030 0,0137 0,5 8 0,01000 0,0135 0,5 9 0,00970 0,0136 0,5 10 0,01090 0,0134 0,5 Média 0,010146 0,01356 Desvio Padrão 0,0003070 0,000425 C.V.% 3,6561 3,6561 Notar que as diferenças entre os valores obtidos no sentido da Teia deverão ser muito próximos aos obtidos no sentido da Trama para que haja um equilíbrio e um aspecto óptimo do tecido. Tabela 14 – Títulos dos fios Trama e Teia em Tex e Ne Amostra nº Sentido da Teia Sentido da Trama Tex Ne Tex Ne 1 20,20 29,21 26,80 22,01 2 19,92 29,62 26,40 22,35 3 21,20 27,83 25,80 22,87 4 19,80 29,80 28,60 20,63 5 19,60 30,10 28,40 20,77 6 20,40 28,92 27,40 21,53 7 20,60 28,64 27,40 21,85 8 20,00 29,50 27,00 21,85 9 19,40 30,41 27,20 21,69 10 21,80 27,06 26,80 22,01 Média 20,29 29,14 27,12 21,79 D.P. n-1 0,74 1,05 0,85 0,67 C.V.% 3,65 3,65 2,34 2,34
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 54 de 86 Gráfico 01-Títulos (Ne) dos fios da Teia e respectiva variação, em relação do título médio. Gráfico 02-Títulos (Ne) dos fios da Teia e respectiva variação, em relação do título médio. 8.8 - Selecção de Provetes de um Lote: Tabela 15 - Selecção de provetes num lote Número de Peças no Lote Número de Provetes para Controle <3 1 4 a 10 2 11 a 30 3 31 a 75 4 > 67 5
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 55 de 86 9 – Malhas de Trama Malhas são “tecidos” produzidos com base em métodos de formação de laçadas. Embora se desconheça a data da descoberta do método manual de fazer malha ou tricotar, recentes descobertas de “tecidos” de malha no Egipto, provam que este método já era conhecido no século V a.C. É de notar no entanto que o 1º tear de malha surgiu nas Inglaterra em 1589. Chama-se malha de Trama a todo o tecido produzido por processos de fabricação nos quais pelo menos um fio de Trama é transformado em malha. Durante o processo de tricotagem, o fio de Trama é frisado da maneira a formar uma linha horizontal de laçadas a que se dá o nome de fileira. Cada fileira interlaça-se com a fileira superior (posteriormente formada) resultando num tecido de malha um que cada fileira, à excepção da primeira e da última, se encontram interlaçadas com a fileira superior e inferior. 9.1- Classificação: Os tecidos de malha são geralmente classificados em dois grupos: malhas de Trama e malhas de Teia. Na tricotagem de malha de Trama, o “tecido” pode formar-se em aberto ou tubular a partir de um ou mais fios de Trama. O “tecido” produzido em aberto por meios mecânicos corresponde ao que se produz em tricotagem manual com duas agulhas, enquanto o “tecido” produzido em tubular ou manga por meios mecânicos corresponde ao produzido em tricotagem manual, com três ou mais agulhas. Em tricotagem de malha de teia, o “tecido” pode também se formar em aberto ou tubular. Neste caso, utiliza-se um conjunto de fios de teia que se interlaçam entre si, no sentido longitudinal e lateral. O “tecido” produzido corresponde aquele que se produz em “croché” manual com apenas um fio e no qual as laçadas se formam predominantemente na direcção longitudinal mas por vezes lateralmente. Estes dois tipos fundamentais de malha podem encontrar-se em combinações de vários tipos, podendo citar-se a título exemplificativo a introdução de fios de teia em malha de Trama por meio de bordadores ou riscadores verticais, e a introdução de Tramas em malha de teia através de dispositivos de inserção de Trama. Quando apenas são utilizados fios de Trama é possível desfiar a malha lateral, circular ou na espiral Contudo, quando fios de teia são utilizados, é normalmente impossível desfiá-lo, podendo em alguns casos desmanchar-se uma coluna longitudinal laçada a laçada. A laçada é o elemento fundamental de um “tecido” de malha, normalmente formada por flexão do fio. Os principais tipos de laçada são: a laçada normal, a laçada carregada e a laçada flutuante. O termo “fileira” é utilizado para designar uma linha horizontal de laçadas, enquanto que o termo “coluna” utiliza-se para designar uma linha vertical de laçadas. A menor unidade repetitiva de uma estrutura de malha é conhecida por módulo de repetição ou célula estrutural do ponto. Os seus desenvolvimentos no sentido vertical e horizontal formam o “tecido”. Malhas são estruturas complexas, difíceis de descrever. Neste contexto a sua representação gráfica assume elevada importância. Quando as estruturas são produzidas por apenas um sistema de agulhas, a face da frente (direito) é sempre diferente da parte de trás (avesso). Neste caso, devido à diferença de tensões existentes entre as duas faces as bordas do tecido enrolam. A variação estrutural é normalmente obtida por combinação dos três principais tipos de laçadas: normal, carregada e flutuante, que pode ser completada e enriquecida pela utilização de técnicas de fabricação especiais. Para a formação do tecido de malha devemos ter um certo número de agulhas. Estas devem ser consecutivas e estarem dispostas num mesmo plano. As agulhas não se movem sozinhas tornando-se necessário que exista um sistema que as obrigue a fazer os movimentos de vai-e-vem. Deve ainda existir um dispositivo que forneça fios às agulhas, formando desta maneira o tecido de malha.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 56 de 86 Quando as estruturas são produzidas com dois sistemas de agulhas, a face da frente pode ser igual à face da trás e há equilibro das tensões, produzindo desta forma, malha mais estável às estruturas produzidas com dois sistemas de agulhas que dependem da disposição da relativa das agulhas nos dois sistemas:  Interlock (quando opostas)  Rib (quando alternadas). 9.2- Geometria e propriedades A estrutura e a geometria dos tecidos de malha diferenciam-se substancialmente dos tecidos tradicionais de tecelagem, onde a Trama e o Teia entrelaçam-se formando uma armação rígida que resulta em produto final especialmente resistente. A malha ao contrário, não nasce de uma armação Trama-Teia, mas é feita com um só fio que corre em forma de espiral horizontalmente (malhas de Trama) ou de vários fios longitudinais, um por agulha (malhas de Teia). Em ambos os casos o fio assume a forma de laçada, sendo que cada laçada passa por dentro da laçada anterior sem que exista algum ponto de ligamento fixo entre elas. Essas laçadas ou malhas assumem um aspecto de fios em forma senoidal que se sustentam entre si e que são livres para mover-se quando submetidas a alguma tensão, o que caracteriza a flexibilidade dos tecidos de malha, os quais podem, dessa forma, abraçar as mais complexas formas do corpo humano. O tecido de malha é ainda elástico porque as laçadas podem escorregar umas sobre as outras, quando sob tensão e retornar a posição inicial quando se cessa a solicitação. Outra propriedade das malhas é a porosidade, o que proporciona um conforto fisiológico notável. 9.3 -Estruturas básicas das Malhas de Trama No campo das malhas por Trama encontramos três estruturas que nos dão o fundamento para a produção de tecidos de malhas, seja em base linear ou circular, seja por peça dimensionada ou, ainda, por peça tubular. Essas três estruturas são as seguintes, por ordem de simplicidade: - Jersey - Rib - Ponto reverso (link). 9.3.1 - JERSEY (tecido de uma face). O tecido de jersey possui uma única face, ao passo que o tecido "rib" e o de ponto reverso (links) possuem duas, apresentando a mesma aparência em qualquer deles, ou seja, tanto do direito, como do avesso, ainda que suas estruturas sejam completamente diferentes uma das outras. Como pode ser notado, é característica do tecido de jersey repousar ao entrelaçamento de pontos na mesma direcção, no lado direito, ao passo que no avesso notamos as laçadas produzidas de forma semicircular. A produção de tecido de jersey é feita em máquinas que possuem um único conjunto de agulhas (uma fileira ou face simples). No entanto, também podemos tecê-lo em máquinas que disponham de dois conjuntos de agulhas (dupla face), onde naturalmente só se verificará a tricotagem num dos conjuntos da agulha (fileira simples).
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 57 de 86 9.3.2 -MEIA MALHA 9.3.2.1 - Meia malha Simples: É a contextura básica das máquinas de uma fileira simples. Por isso esses equipamentos são chamados também de máquinas de meia malha. A produção é igual ao número total de sistemas em trabalho. No lado direito da malha aparecem pernas, enquanto aparece no lado avesso: pés e cabeças. 9.3.2.2 - Meia malha Riscador horizontal: O aspecto é idêntico ao da meia malha simples. A única diferença tem a ver com o facto de trabalhar a malha com mais de uma cor. A produção fica em função do ” rapport” do listado. Seria igual ao número de sistemas em trabalho, portanto deve-se primeiro verificar quantos sistema pode trabalhar para que o “rapport” encaixe completamente. 9.3.2.3 - Meia malha vanisada: Consiste em artigo dupla fase, onde teremos um fio no lado direito e outro no avesso. Para que isso ocorra é necessários termos dois fios no mesmo alimentador, com altura dos furos diferentes, com tensões diferentes, de maneira que esses fios formam malhas em paralelos. Deve-se cuidar na escolha dos títulos, pois é a somatória dos dois fios que deve ser levado em conta na escolha no jogo da máquina. O normal é uma composição com o fio de filamento no lado externo e fio fiado no lado interno. A produção é igual ao número total de sistema em trabalho. 9.3.3 – PIQUÉ 9.3.3.1 - Piqué lacoste simples: No pique lacoste simples temos a introdução de carreiras de meia malha. O lacoste original é realizado com a contextura em circular J-20 agulhas/pol, com algodão Ne 40/2 ou 45/2. A produção é 3/4 do número de sistema em trabalho. 9.3.3.2 - Piqué lacoste duplo: Neste caso, a maioria das máquinas são de jogo 24 e 28 agulhas/pol. Se utilizarmos fios muito finos será necessário realizar algumas modificações na contextura desde que seja utilizado o mesmo jogo. 9.3.3.3 - Felpa Americana: A contextura da Felpa Americana é uma das mais utilizadas nas malhas circulares, principalmente nas estações outono-inverno. Ela é baseada no princípio de existir um fio grosso flutuando no lado avesso, e um fio (de título adequado ao jogo da máquina) tricotando a meia malha. Esse fio grosso no lado do avesso proporciona toque mais agradável aos artigos e melhor isolamento térmico. O fio grosso utilizado no avesso é normalmente de título Ne 8/1,10/1,12/1,16/1 em função da gramagem e aplicação. Normalmente utiliza-se máquinas com jogo 18,20 ou 24 agulhas/pol.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 58 de 86 9.3.3.4 - Molletom (Felpa) 3 x 1 – Trama desfasada: É a contextura mais utilizada e que é chamada apenas de Molletom ou Felpa. O 3 x 1 significa que o fio grosso salta 3 agulhas e é amarrado em Excêntrico de retenção (Fang) na quarta. O 1 significa que para cada carreira de meia malha teremos um fio grosso e sua ligação é alternada. 9.3.3.5 - Molletom (Felpa) 3 x 1 – 2 Tramas desfasadas: Nessa contextura teremos dois fios grossos para cada carreira de meia malha. Trata-se de um artigo mais pesado, com maior poder de cobertura e isolante térmico, sendo recomendado para molletom felpa. Actualmente não é muito utilizado pelo seu custo mais elevado. 10 – Comprimento médio do fio absorvido e controlo da regularidade de absorção de fios de um tecido de malha: O comprimento de fio absorvido (L.F.A) permite caracterizar facilmente uma malha, além da regularidade de absorção do fio entre carreiras de malhas constitui um elemento essencial da regularidade de aspecto da malha acabada. O interesse principal do método descrito reside na grande precisão com que nos permite apreciar estas duas características importantes da tricotagem: comprimento do fio absorvido e a regularidade de absorção do fio. Geralmente, como título indicativo, considera-se que uma malha está qualitativamente bem fabricada, desde que o LFA conserve uma boa regularidade. Notar que tendo em conta este parâmetro, podemos classificar como em óptimas condições uma malha que apresente uma diferença de LFA obtido nas várias fileiras inferior a 1% em relação ao seu valor médio, muito embora haja técnicos que aponta para limites de mais ou menos 3% em relação ao LFA médio. Além disso, na avaliação de uma malha, consideramos malha “sem defeito de tricotagem”, quando os valores individuais medidos do L.F.A estiverem entre os limites de mais ou menos 1,5% em todos as fileiras. A determinação o LFA tem como objectivo, avaliar a medida do comprimento médio de fio absorvido por ponto de uma malha e o controle da regularidade de absorção de fio entre fileiras de malhas. O valor do comprimento médio de fio absorvido retirado e avaliado nas fileiras corresponde ao comprimento médio do fio, dividido pelo número de colunas destinadas ao teste.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 59 de 86 11 - Formulas utilizadas em Cálculos na Tecelagem 11.1 - Volume específico de fios (V) 100 Ve = ---------- p x e Onde: Ve = volume específico do fio, em cm3/g; p = densidade da fibra, em g/cm3; e = aperto do fio, em %. 11.2 - Volume específico (V) de fios com misturas de fibras Onde: Vm = volume específico médio do fio, em cm3/g; Vi= volume específico do fio da i-ésima fibra, em cm3/g; fi = percentagem da i-ésima fibra na composição do fio, em %. 11.3 - Diâmetro do fio Onde: d = diâmetro do fio, em mm; V = volume específico do fio, em cm3/g; tt = densidade linear do fio, em tex . 11.4 - Largura da Teia no pente 11.4.1 - Largura da Teia no pente pela largura do tecido cru e contracção da trama Onde: Lup = largura da Teia no pente, em cm; Ltc = largura do tecido cru, em cm; Ctr%2 = contracção da trama no tecido cru, em %. 11.5 - Cálculo de pente 11.5.1 - Número do Pente tendo em conta a quantidade de fios/cm n c1 Rc = ------------------ p Onde: Rc = redução (número) do pente, em puas/cm; nc1 = fios/cm no pente; p = fios/pua.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 60 de 86 11.6 – Número do Pente obtido tendo em conta a quantidade total de fios da Teia Onde: Rc = número do pente, em puas/cm; nt1 = total de fios da Teia no tecido; p = fios/pua; Lup = largura da Teia no pente, em cm. 11.7 - Quantidade de fios por puas p = e ; ou múltiplo de e (sempre que possível) Onde: p = fios/pua; e = fios/repetição. 11.8 - Relação da passagem Onde: Ep = percentagem do espaço entre puas, em %; V = volume específico do fio, em cm3/g; tt = densidade linear do fio, em TEX; Rc = número (nº) do pente, em puas/cm; p = fios/puas. 11.9 - Massa de fios no tecido 11.9.1 - Massa da Teia Onde: m1 = massa da Teia, em g/m; nc1 = fios/cm no pente; Lup = largura da Teia no pente, em cm; tt1 = densidade linear do fio da teia, em tex; Ctr%1 = contracção da teia no tecido cru, em %. 11.9.2 - Massa da trama Onde: m2 = massa da trama, em g/m; nc2 = batidas/cm no tear; Lup = largura da teia no pente, em cm; tt2 = densidade linear do fio da Teia, em tex.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 61 de 86 11.10 - Massa do tecido Mt = m1 + m2 Onde: mt = massa do tecido, em g/m. m1 = massa da teia , em g/m; m2 = massa da trama, em g/m. 11.11 - Densidade superficial do tecido Onde: Dt = densidade superficial do tecido, em g/m2 ; mt = massa do tecido, em g/m2 ; Ltc = largura do tecido cru, em mm. 12.1 - Fórmula para cálculo do factor de cobertura 12.1.1 - Factor de cobertura da Teia Onde: K1 = factor de cobertura da Teia; n1= fios/cm no tecido cru; t t1= densidade linear do fio da Teia, em tex. 12.1.2 - Factor de cobertura da trama Onde: K2 = factor de cobertura da trama; n2 = passagens/cm no tecido cru; tt2 = densidade linear do fio da trama, em tex. 12.1.3 - Factor de cobertura do tecido para a determinação dos limites de Tecelagem Kt = K1+K2 Onde: Kt = factor de cobertura do tecido; K1 = factor de cobertura da Teia; K2 = factor de cobertura da trama 12.1.4 - Factor de cobertura do tecido pelo sistema inglês para limites de Tecelagem KtNe = 1,046 x Kt Onde: KtNe = factor de cobertura do tecido no sistema inglês; Kt = factor de cobertura do tecido no sistema internacional (SI).
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 62 de 86 Noções Básicas de Qualidade 1 - Introdução: Qualquer que seja a actividade a que uma empresa se dedique, ela traduz-se pelo fornecimento de um produto ou serviço tal, que o cliente/utilizador ao adquiri-lo, espera encontrar nele a satisfação das suas necessidades. Assim, a empresa vê-se “obrigada” a que os seus produtos ou serviços apresentem:  O melhor conjunto de características funcionais (economicamente o mais elevado);  O melhor preço (economicamente o mais baixo);  O melhor prazo (economicamente o mais curto); 1.1 - A Importância da Qualidade – Estratégia vital para a sobrevivência das empresas A globalização da economia trouxe a necessidade das empresas estarem aptas a produzir produtos e serviços com qualidade, de forma a satisfazerem os consumidores actuais e a competirem com os produtos importados para os seus mercados alvo. Esta competitividade está interligada à busca pela produtividade e capacidade de garantir a qualidade dos produtos, visando principalmente assegurar a lucratividade através da diminuição dos custos de produção e dos custos de não qualidade. Ou seja, o que está em causa não é somente o produto perante o cliente/utilizador, é também o custo da sua realização e este será tanto menor quanto menor for a não qualidade. Os defeitos originam custos que oneram o produto final e, num mundo de competitividade, como este em que se vive, é necessário saber minimizá-los! Por tudo isto, a qualidade influencia a vida da empresa. A Qualidade Total é a implicação de todas as funções da Empresa na obtenção da Qualidade do produto ou serviço, e a participação de cada um, individual ou colectivamente na procura da qualidade na sua actividade. 2 - Que Qualidade? Assim, a Qualidade consegue-se a partir de:  Uma clara e objectiva IDENTIFICAÇÃO das necessidades do cliente como ponto de partida; Um produto de qualidade é aquele que apresenta características que determinam a sua aptidão para satisfazer uma dada necessidade. Assim, essas características devem ser suficientes, para que ele possa ser considerado adequado à finalidade para que foi previamente concebido.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 63 de 86 Ex: Desenho desejado, Cor, Peso, Dimensão, “Corpo”, Toque, Boa absorção… A concretização das necessidades do cliente/utilizador deve ser feita através da descrição por escrito, dos requisitos a que o produto tem de obedecer. Ex: Especificações de Dimensão; Gramagem; Contextura, Desenho, Cor; Absorção, Solidez das cores, Aspecto após lavagem, Encolhimentos.  A correcta e precisa DEFINIÇÃO TÉCNICA do produto; A escolha das matérias-primas mais convenientes (qualidade e preço), bem como do processo de fabrico ajustado, passando pela utilização das máquinas adequadas e não esquecendo a competência, consciência e formação profissional dos meios humanos postos em jogo, desempenham, por isso, um papel decisivo.  A sua REALIZAÇÃO, não para receber “medalhas” mas, e tão só, para a necessária satisfação do cliente/consumidor. O produto realizado deve reflectir as exigências do cliente. Esta adequação das características do produto às especificações do cliente caracteriza a qualidade de conformidade, definida como o grau de fidelidade do produto com os requisitos especificados. Ora, isto só é possível através do envolvimento de: - Todas as funções da empresa (Comercial, Estudo/Desenvolvimento, Compras, Aprovisionamento, Fabricação, Recursos Humanos, Contabilidade, Manutenção, Controlo de Qualidade, Expedição, …) - Todos, de cima para baixo e, em cada nível, com saliência para a Alta Direcção. Deste modo, a Qualidade, terá de ser: - Preocupação de todos; - Acção concertada de todos - Responsabilidade de todos. O conceito de responsabilidade cliente-fornecedor no interior da Empresa deve estar sempre presente, isto é:  Ninguém passa ao seguinte, sem que previamente se assegure de que o que executou está correcto;  Do mesmo modo, e sempre que se detecte qualquer anomalia com origem em fases anteriores, não se dá seguimento e reclama-se a quem lhe forneceu. 3 - Custos da Qualidade e Custos da Não Qualidade É pressuposto de base, que um produto estará qualitativamente correcto se a sua realização, pela Fabricação, estiver conforme com as especificações técnicas e funcionais, tendo em atenção a necessidade de satisfação do consumidor.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 64 de 86 Sempre que haja não conformidade é porque há defeitos – Não Qualidade – e estes acarretam custos, os custos de não qualidade, onde se incluem:  Custos das Falhas Internas, isto é, defeitos (perdas de valor do produto) ou reprocessamentos (correcções, retoques, reparações, reacondicionamentos);  Custos de Falhas Externas, isto é, devoluções de clientes, reclamações e indemnizações;  Outros custos de quantificação mais difícil, como perdas de prestígio e de clientes, ausência ou insuficiência de produto no mercado, tempo em diálogo e reuniões diversas para analisar causas de defeitos e soluções a adoptar, … Por outro lado, para que qualquer empresa possa ter segurança de que coloca no mercado, produtos qualitativamente correctos e visa, constantemente, melhorar a qualidade dos seus produtos, necessita que o Departamento de Controlo da Qualidade e o Sistema de Gestão da Qualidade sejam eficazes. Tudo isto acarreta alguns meios materiais e humanos que se traduzem nos custos da qualidade onde se incluem:  Custos de Prevenção;  Custos de Detecção (Inspecção). 4 - Os Defeitos na Tecelagem É verdade que não existe Tecelagem sem defeitos, mas também é verdade que a empresa espera que este valor seja o mais próximo possível do zero. É importante que todas as pessoas relacionadas com o processo de Tecelagem, conheçam os motivos que levam a que haja peças que mensalmente sejam segregadas, destinadas para defeito, e desta forma entenderem a importância deste custo e a possibilidade de poupança inerente. As peças defeituosas provocadas na Tecelagem, e o respectivo custo de não qualidade, é originado pela perda no:  preço de venda (diferença entre o preço/Kg de 1ª qualidade e 2ª qualidade)  custo de reposição (nova produção) e perda de capacidade produtiva,  e possível indemnização pelo atraso na entrega da encomenda, motiva a formação nas boas práticas de trabalho numa tecelagem e sensibilização dos funcionários para a necessidade de mudança comportamental que conduz à diminuição de produtos não conformes. Tecelagem Tecelagem Felpo Americano Tecelagem Felpo Jacquard Nº peças Nº kg % Defeito (kg) Perda por venda como 2ª qualidade À qual ainda teremos de adicionar, outras perdas possíveis…
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 65 de 86 4.1 - Causas dos Defeitos Os defeitos na Tecelagem podem ser provocados por:  Problemas com as características do fio / matéria-prima; Fraca preparação à tecelagem;  Má afinação dos teares ou má manutenção dos teares;  Erros humanos. Os principais motivos que normalmente tem origem na NÃO QUALIDADE, são: Descrição Felpa Americana Quant. (pçs) % Imp. 1. Falha na direcção trama – grande extensão 2. Falha na direcção teia 3. Manchas castanhas/pretas 4. Falha na direcção trama – pequena extensão 5. Barra com desenho mal ….. Outros Descrição Felpa Jaquard Quant. (pçs) % Imp. 1. Falha na direcção trama – grande extensão 2. Falha na direcção teia 3. Barra com desenho mal 4. Falha na direcção trama – pequena extensão 5. Manchas castanhas/pretas 6. Barra com “pulga” – Teia visível em pontos ….. Outros
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 66 de 86 5 - A Preparação à Tecelagem Para garantir alta produtividade, eficiência numa tecelagem e qualidade uma boa preparação das teias é indispensável. Para atingir o nível de quebras/paragens requerido hoje em dia e paralelamente a diminuição dos defeitos relacionados com as mesmas, a preparação das teias e da trama devem entregar à Tecelagem, teias e bobines com elevado nível de qualidade. Não é uma atitude realista, assumir que uma teia com elevada qualidade pode ser produzida utilizando fio de inferior qualidade. Por outro lado, é possível produzir uma teia de inferior qualidade a partir de fio de alta qualidade, e para evitar que isto aconteça, um número importante de pontos deve ser lembrado quando as estamos a urdir. 5.1 - Urdissagem: Órgãos Perfeitos – A base para um bom andamento da teia Quando iniciamos a urdissagem de um novo conjunto de bobines de fios, damos também  Início à avaliação da qualidade do mesmo, baseado no registo das quebras. Este procedimento é importante pois além de caracterizar a qualidade do fio, permite a recolha de informação necessária para a reclamação ao nosso fornecedor em caso de entrega de fio abaixo dos requisitos especificados pela empresa. Considera-se que para a obtenção de boa urdissagem e operações posteriores, os seguintes valores deviam ser alcançados: Secção Felpa Jacquard: Ex. 24/2 normal cor PC Urdideira Seccional N.º Fios – 4878; N.º metros – 1250; N.º Fitas - 12 Aceitável –< 8 quebras em 12 fitas Ex. 16/1 RS 15 Voltas (TC) Urdideira directa N.º Fios – 2560; N.º metros – 36000; N.º Rolos - 6 Aceitável –< 6 quebras por rolo Secção Felpa Americana: Ex. 16/1 Penteado Malhas Urdideira directa N.º Fios – 2560; N.º metros – 14600; N.º Rolos - 6 Aceitável –< 5 quebras por rolo Algumas medidas que se devam tomar para minimizar as paragens são:  Prevenção dos voaços através de limpeza regular Para que não haja paragem dos teares causados por voaços “colados” ao fio após engomagem; Não se deve limpar o pente da urdideira em andamento  Colocação das bobines cilíndricas de modo a permitir o desbobinar do fio na mesma direcção Garantir a mesma direcção de desbobinagem evita a colisão dos “balões” gerados.  Evitar a perda de fios
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 67 de 86 Garante-se assim a minimização das paragens da engomadeira e/ou o aparecimento de faltas de fio nos teares. Este objectivo consegue-se através de:  Bom treino dos operadores das máquinas e não abandono da máquina e de;  Uma boa manutenção das mesmas. Paralelamente, a Preparação à Tecelagem sabe que:  Um nó na tecelagem pode causar uma paragem e possivelmente um defeito. Por esta razão, um nó de tecelão em vez do nó de pescador deve ser usado para cada quebra de fio. Muita atenção às pontas do nó!  Quando se urde a “folha” de fios para o órgão, deve-se garantir a distribuição uniforme dos fios. O órgão não deve apresentar zonas mais altas ou baixas. Deve ser completamente cilíndrico. Todos os rolos devem ser enrolados à mesma velocidade Só assim se assegurará que na engomagem e/ou tecelagem todos os fios apresentem a mesma tensão. Há dois tipos de defeitos de urdissagem: os que são imputados às afinações da máquina e os imputados ao trabalho do urdidor. Imputados às afinações do material:  A urdideira não pára quando um fio parte (verificar o funcionamento dos quebra-fios)  A embraiagem não pára rapidamente (verificar o estado do travão)  A urdideira embraia bruscamente  O contador não pára rigorosamente no comprimento desejado  Os órgãos de urdissagem estão defeituosos por: 1. Pratos empenados (origina mau enrolamento prejudicando as ourelas; os órgãos devem ser imediatamente rectificados) 2. Colocação dos órgãos (não os lançar uns sobre os outros, porque origina o empenamento dos pratos) Imputados ao urdidor  Cumprir com as ordens do responsável da Preparação no que respeita à utilização do fio respeitando as datas de entrega;  Nunca utilizar, misturando bobines de Ne diferente, rama (lote ou remessa) diferente, sem ordem do responsável,  Mau entrelaçamento (deve-se dar uma boa tensão aos fios quando se faz a cruz);  Fios cruzados na teia;  Tensão desigual na largura do órgão;  Desigualdade de comprimento de fio de órgãos da mesma carga (diferenças de tensão dos órgãos urdidos; Este defeito origina um desperdício importante de fio! Notar: Certos defeitos produzidos na urdissagem vão mais tarde aparecer no tecido em riscas ou quebras de fio. Estes defeitos produzem-se quando certos fios são submetidos a uma estiragem diferente (alongamento) e/ou posteriormente quando têm de acompanhar as solicitações dos seus vizinhos.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 68 de 86 5.2 - Encolagem: Bem engomado – Meio “tecido” A engomagem dá à teia a resistência necessária para garantir um bom funcionamento na tecelagem. Se a engomadeira está a funcionar correctamente e o encolante a aplicar foi correctamente escolhido, a resistência do fio será melhorada e a sua pilosidade reduzida. Contudo, ao mesmo tempo o processo de engomagem reduz a elasticidade do fio, o que tem um forte impacto na frequência de paragens durante o processo de tecelagem. No caso de fio convencional e do fio open end, esta redução de elasticidade não deve ser superior a 1.5% logo deve-se,  Controlar o alongamento e não ultrapassar 1.5%, desde que não interfira com a boa preparação da teia.  Correcta preparação dos banhos de encolagem. Nos banhos mais concentrados, pode implicar uma diluição do banho tal que dificulte a tecelagem da artigos de gramagens altas.  Irregularidade do nível de lubrificante na ensimagem. É necessário a vigia para assegurar que esta aplicação é constante.  Irregularidade de aplicação da goma: 1) - Um movimento excêntrico dos cilindros espremedores da engomadeira produz pressões irregulares na folha engomada, a quantidade de goma absorvida pelos fios é irregular; 2) - Quando partem um ou mais fios com a engomadeira em andamento, o cilindro espremedor fica com esses fios colados – cadilho - e a sua acumulação faz com que o trabalho do cilindro nesse local deixe de ser efectuado convenientemente. 3) - Depois de uma paragem prolongada e a encarreirar uma teia – mais na teia de baixo - a parte superior dos cilindros fica seca e com goma, e quando se põe de novo a engomadeira em marcha, esta zona em contacto com os fios, arrasta uma película de goma em excesso.  Fios/faixas coladas Os fios atam-se aos fios vizinhos e colam-se aos mesmos; se não foi vigiado e refeito nas puas do pente, seguem para a tecelagem faixas de fios colados que provocam quebras inevitáveis.  Fios partidos e fios em falta A ruptura dos fios produz-se em geral, quer entre os cilindros espremedores e os cilindros engomadores, quer nos cilindros secadores. O fio partido enrola-se em volta dos tambores e forma uma fita. Isto acontece também quando um fio que partiu na urdissagem e foi mal reparado se cruza com o fio vizinho.  Constante patrulha e vigilância na respectiva zona da máquina por parte do titular e do ajudante da máquina;  Avisar anomalias das máquinas o mais rapidamente possível e insistir se não virem o problema solucionado; Na Tecelagem os principais defeitos que têm origem na Preparação são conhecidos por “chocas”, fios colados, fios brandos e faltas. Junto se incluem algumas fotos tiradas na tecelagem de teias com problemas.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 69 de 86 5.4 - Imagens de possíveis defeitos com origem na Preparação
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 70 de 86
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 71 de 86 Defeitos com origem na Matéria-Prima: Tipo de Defeito: Fio c/ zonas com tonalidade cinzenta Fio cru com contaminações coloridas Fio tingido com contaminações com cor diferente do original Rotura do fio Trama após inserção e batimento do pente (ver também tecelagem) Rotura do fio Teia Base ao sair do órgão alimentador Teia de Cima - Fios torcidos: Fios com muita ou pouca torção Teia de Base – Fios com “borboleta” – Rotura por ½ resistência base Falhas na Teia (inclui "T") (ver também Tecelagem) Zonas de Fio diferente ou Fio diferente Presença de Tapulhos, Grossuras ou Finuras Aberturas na Teia (ver também Tecelagem) Defeitos com origem na Tinturaria de Bobines: Tipo de Defeito: Falha Trama Pequena por problemas de atrito (fios tingidos) (ver também tecelagem) Falha Trama Grandes por problemas de atrito (fios tingidos) (ver também tecelagem) Pontos Fracos - Baixa Resistência nos fios Branqueados e ou Tingidos Defeitos com origem na Preparação para a Tecelagem – Urdissagem: Tipo de Defeito: Pontos sem Argola e ou Argola mais pequena Fios com muita tensão – puxados Fios “brandos” com pouca tensão – ondulações Faltas Fio diferente – mal remetido na esquinadeira Aspecto não conforme da teia de Cima – Zonas com ondulação na Teia de cima analisadas à saída da Tecelagem. Encolhimento longitudinal fora dos padrões devido a tensões mal definidas na urdissagem. NOTAS: Duas informações complementares importantes: 1 - Defeitos que podem ser imputados às afinações da Máquina/Órgãos:  A urdideira não pára quando um fio parte (verificar o funcionamento dos quebra-fios  A embraiagem não pára rapidamente (verificar o estado do travão)  A urdideira embraia bruscamente  O contador não pára rigorosamente no comprimento desejado  Os órgãos de urdissagem estão defeituosos por: i. Pratos empenados (origina mau enrolamento prejudicando as ourelas; os órgãos devem ser imediatamente rectificados) ii. Colocação dos órgãos (não os lançar uns sobre os outros, porque origina o empenamento dos pratos)
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 72 de 86 2 - Defeitos que podem ser imputados ao Urdidor  Cumprir com as ordens do responsável da Preparação no que respeita à utilização do fio respeitando as datas de entrega;  Nunca utilizar, misturando bobines de Ne diferente, rama (lote ou remessa) diferente, sem ordem do responsável  Mau entrelaçamento (deve-se dar uma boa tensão aos fios quando se faz a cruz)  Fios cruzados na teia  Tensão desigual na largura do órgão  Desigualdade de comprimento de fio de órgãos da mesma carga (diferenças de tensão dos órgãos urdidos - Este defeito origina um desperdício importante de fio). Notar que alguns dos defeitos produzidos na urdissagem, vão mais tarde aparecer no tecido em riscas ou quebras de fio. Estes defeitos produzem-se quando certos fios são submetidos a uma estiragem diferente (alongamento) e/ou posteriormente quando têm de acompanhar as solicitações dos fios vizinhos. NOTA FINAL: Algumas medidas que se devem tomar para minimizar as paragens são:  Prevenção dos voaços através de limpeza regular.  Para que não haja paragem dos teares causados por voaços “colados” ao fio após engomagem; Não se deve limpar o pente da urdideira em andamento.  No caso de utilização de bobines cilíndricas e que não tenham topo marcado, efectuar a sua colocação de modo a permitir o desbobinar do fio na mesma direcção (todas com rotação do desbobinar no sentido dos ponteiros do relógio ou todas no sentido contrário aos ponteiros do relógio). Nota: Ao garantir a mesma direcção de desbobinagem evita a colisão dos “balões” gerados.  Evitar a perda de fios Garante-se assim a minimização das paragens da engomadeira e/ou o aparecimento de faltas de fio nos teares. Paralelamente, a Preparação à Tecelagem deve saber que:  Um nó na tecelagem pode causar uma paragem e possivelmente um defeito.  Por esta razão, um nó de tecelão em vez do nó de pescador deve ser usado para cada quebra de fio. Muita atenção às pontas do nó!  Quando se urde a “folha” de fios para o órgão, deve-se garantir a distribuição uniforme dos fios.  O órgão não deve apresentar zonas mais altas ou baixas. Deve ser completamente cilíndrico.  Todos os rolos devem ser enrolados à mesma velocidade Só assim se assegurará que na engomagem e/ou tecelagem todos os fios apresentem a mesma tensão.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 73 de 86 Defeitos com origem na Preparação para a Tecelagem – Engomagem: Tipo de Defeito: Fios da TEIA engomada colados e emaranhados Acumulações nos liços dos teares de resíduos de goma. Encolhimento longitudinal das toalhas fora dos padrões devido a tensões / estiragens mal definidas e ou por falta de controlo. Teia engomada com elevado teor de Goma e ou com elevado atrito provocando no Tear problemas no comportamento do processo de tecer. Irregularidades na aplicação da Goma: Cadilhos - Quando partem um ou mais fios com a engomadeira em andamento, o cilindro espremedor fica com esses fios colados. Película com Excesso de goma no princípio da Teia – após paragem prolongada. Irregularidade do movimento dos cilindros. Fios / Faixas Coladas “Chocas” Informação Importantes para o processo de Engomar: Teia com fios partidos e ou em falta: A ruptura dos fios produz-se em geral, quer entre os cilindros espremedores e os cilindros engomadores, quer nos cilindros secadores. O fio partido enrola-se em volta dos tambores e forma uma fita. Isto acontece também quando um fio que partiu na urdissagem e foi mal reparado se cruza com o fio vizinho. Estiragens: No caso de fio convencional esta redução de elasticidade não deve ser superior a 1.5%; no caso de fios Open End poderá ser ligeiramente superior, mas nunca superior a 1.8%, logo deve-se:  Controlar o alongamento e não ultrapassar 1.5%, desde que não interfira com a boa preparação da teia.  Correcta preparação dos banhos de encolagem. Nos banhos mais concentrados, pode implicar uma diluição do banho tal que dificulte a tecelagem dos artigos de gramagens altas.  Irregularidade do nível de lubrificante na ensimagem. É necessário a vigia para assegurar que esta aplicação é constante.  Irregularidade de aplicação da goma: 2) Um movimento excêntrico dos cilindros espremedores da engomadeira produz pressões irregulares na folha engomada, a quantidade de goma absorvida pelos fios é irregular; 3) Quando partem um ou mais fios com a engomadeira em andamento, o cilindro espremedor fica com esses fios colados – cadilho - e a sua acumulação faz com que o trabalho do cilindro nesse local deixe de ser efectuado convenientemente. 4) Depois de uma paragem prolongada e a encarreirar uma teia – mais na teia de baixo - a parte superior dos cilindros fica seca e com goma, e quando se põe de novo a engomadeira em marcha, esta zona em contacto com os fios, arrasta uma película de goma em excesso.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 74 de 86 Informações importantes para o processo de Engomar (continuação) Fios/faixas coladas: Os fios atam-se aos fios vizinhos e colam-se aos mesmos; se não foi vigiado e refeito nas puas do pente, seguem para a tecelagem faixas de fios colados que provocam quebras inevitáveis.  Fios partidos e fios em falta A ruptura dos fios produz-se em geral, quer entre os cilindros espremedores e os cilindros engomadores, quer nos cilindros secadores. O fio partido enrola-se em volta dos tambores e forma uma fita. Isto acontece também quando um fio que partiu na urdissagem e foi mal reparado se cruza com o fio vizinho. Notar ainda que é uma boa prática:  Uma constante patrulha e vigilância na respectiva zona da máquina por parte do titular e do ajudante da máquina;  Avisar anomalias das máquinas o mais rapidamente possível e insistir se não virem o problema solucionado; OBS: Na Tecelagem os principais defeitos que têm origem na Preparação são, nomeadamente:  “Chocas”,  Fios colados,  Fios brandos  Faltas.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 75 de 86 Defeitos com origem na Tecelagem: Tipo de Defeito: Falhas Trama Pequenas (Problemas na afinação dos tensores –acumuladores de trama) – Afinação do Tear Falhas Trama Grandes (Problemas na afinação dos tensores –acumuladores de trama) – Afinação do Tear Fio da Trama a faltar ao longo de toda a largura da remeteção Trama reintroduzida Trama diferente – nas Barras – Riscas na direcção da trama Rotura da Trama durante o processo de inserção Rotura da Trama após batimento do Pente Trama reintroduzida de forma irregular Falta de passagem/falta de fio na Trama ou trama partida. Falhas Teia (inclui "T") Piolho (Argola direito / avesso) Pontos sem Argola e ou Argola mais pequena Aberturas na Teia Fio diferente ou mal remetido Barra com desenho errado Tramas afastadas (Barra/Felpo/Teia) Ourela defeituosa (quebra na estrutura básica da ourela) - Ourelas desfeitas ou pouco presas. Rasgo na ourela (rasgo pelo aumento de tensão, ao “emoldurá-la”). Fiapos na ourela (pontas de fio de trama que se estendem na ourela); Manchas óleo Presença tapulhos (verificados durante o processo de Tecer) Zona c/ trama dupla ou + Rampa de argolas Distribuição das Cores erradas (teia/trama) Gramagem errada – Peso não conforme Falha Comprimento na Teia Medidas não conforme Aspecto não conforme Marcas do tempereiro - (pequenos furos ou marcas juntos à ourela, pelo deslizamento de fios da Teia sobre a trama) Marca devido à paragem da máquina (Rareira na largura do tecido originado pela paragem do tear) Raleira (barra no sentido pela diminuição do número de batidos do pente) Elevado número de roturas na Teia de Baixo gomada Chocas – Argola deitada ou amarrotada junto à Teia de Base Riscas na Argola da Teia de Cima Outros (fios puxados, fora medida)
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 76 de 86 Defeitos com origem nos Acabamentos: Tipo de Defeito: Artigo Vincado (Barra/Felpo/Ourelas) Artigo Enviesado Fora de Tom Manchas Coloridas Manchas mais Claras / Brancas Manchado Barra à Largura Manchado nas ourelas Felpo cor manchada Toque Não Conforme Aspecto Não Conforme (argolas onduladas) Ourelas abertas ou rasgadas Manchas tom amarelado/castanho/cinza Marca de grampo (para não dobrar a ourela) Dobra por enrolamento Dobra por compactação Contaminação por branco óptico Outros Defeitos Marca de grampo (usado para não dobrar a ourela); Dobra por enrolamento Dobra por compactação – defeito processado na Râmola
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 77 de 86 Defeitos com origem na Confecção: Tipo de Defeito: Tira sobre ou afastada do felpo Tira fiapada Tira com cortes Tira com zonas não cozida Topo sobre ou afastado do Felpo Topo com cortes Mal bordado ou danificado Artigo sujo Fios puxados – com origem nas máquinas longitudinais Manchas com origem na confecção Peças mal cortadas Fios cortados nas Tiras ou nos Topos NOTA IMPORTANTE: Na opção tomada para aquisição das linhas de cozer, será importante efectuar uma análise à resistência dos mesmos antes de decisão para possibilitar a escolha do melhor tipo de fio. Nesta na análise ter em atenção:  A resistência do Fio em RKM;  Variação da Resistência;  Elasticidade do fio;  Variação da Elasticidade;  Tipo de fiação;  Aspecto geral do fio;  Avaliação do comportamento na Máquina de costura. Conclusão: Pretende-se que todos os funcionários tenham uma mentalidade participativa, crítica, não conformista e dinâmica. Que tenham consciência que a qualidade é responsabilidade de todos. Que durante o seu trabalho, devem informar as anomalias detectadas ao seu superior hierárquico e ao Responsável da Qualidade. Que errar não pode ser permitido, e mais ainda - não controlar é um erro de enorme gravidade!
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 78 de 86 ESTUDO SOBRE A ALTERAÇÃO DIMENSIONAL DE UM ARTIGO TÊXTIL TOALHA DE FELPO Alteração Dimensional: Na produção dos tecidos de Toalhas de Felpos e nos seus diferentes processos de beneficiamento, surgem alterações dimensionais devido a acções mecânicas, térmicas e químicas que, na maioria dos casos, se manifestam posteriormente, por um encurtamento na direcção longitudinal e eventualmente na direcção transversal. Este fenómeno é geralmente, referido como encolhimento. O valor do encolhimento de um tecido depende principalmente de duas influências: do material e das condições de produção, nomeadamente no que diz respeito ao meio em que o tecido – felpo é beneficiado (água, vapor, calor, seco, etc.), bem como temperatura e os esforços mecânicos, aos quais ele é submetido. O mecanismo do encolhimento pode, parcialmente, ser explicado pelo alívio de tensões internas introduzidas nos fios durante os processos de fiação e tecelagem. Pela actuação de água, ar quente ou vapor, as tensões latentes podem ser aliviadas. Os Tecidos - Toalhas de Felpo - tendem então a atingir um estado estável nas suas dimensões, e o tempo necessário para isto vai depender do tipo da fibra, do tipo e condições de tratamentos aplicados. Nos tratamentos hidrotérmicos, o encolhimento não é linear com o aumento da temperatura. Isto serve de alerta na escolha das condições de lavagem pois, diferenças de temperatura relativamente pequenas podem ocasionar grandes encolhimentos. No tratamento em ar quente, há uma relação linear entre a temperatura e o encolhimento. Encolhimento: O Encolhimento de Tecidos de Toalhas de Felpo devido à lavagem, secagem, vaporização e pressão, acontecem devido a três níveis do material.  Nível de tecido  Nível de fio  Nível de fibra O encolhimento total pode ser observado de acordo com o encolhimento nestes três níveis. A contribuição de cada um para o valor total depende do tecido de felpo e da estrutura do fio, como também a natureza da fibra. Por exemplo, um tecido de felpo de algodão pode encolher cerca de 10% mesmo quando submetido a condições que normalmente originam apenas 2% de encolhimento nas fibras e fios que compõem o artigo em questão. Em tecidos de algodão o encolhimento acontece principalmente ao nível de tecido. É por isso que tecidos de algodão são primeiramente tratados através de processo mecânico como a Sanforização. Por outro lado, tecidos de rayon exibem a maioria dos encolhimentos ao nível dos fios e das fibras. Notar que o encolhimento de um artigo pode acontecer quando este passa por um ou mais dos processos seguintes: Lavagem - Principalmente relaxamento e encolhimento por dilatação. Lavagem a seco - Principalmente relaxamento e encolhimento por dilatação. Vaporização - Encolhimento de contracção no caso de tecidos sintéticos. Pressão - Encolhimento de contracção no caso de tecidos sintéticos.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 79 de 86 A figura 1 apresentada a seguir nos dá uma visão simplificada do encolhimento de um tecido plano de algodão, por exemplo. Figura 1 – Mecanismo do encolhimento de tecidos 1 – Após a lavagem 2 – Após a lavagem, ainda molhado 3 – Após a lavagem, já seco. Causas que pode ter origem e ser designado o encolhimento: 1 - Encolhimento de Relaxamento: Quando os fios são tecidos, eles são sujeitos a tensões consideráveis, particularmente na direcção do Teia, entretanto os fios de trama também são estirados. Nas operações de calandragem esta “extensão” pode ser aumentada mais adiante e temporariamente perdida no tecido. O tecido está então num estado de instabilidade dimensional, e quando está completamente molhado tende a recuperar a estabilidade dimensional que resulta numa contracção de fios determinada para o que é denominado por “Termed” (encolhimento de relaxamento). A contracção na direcção da trama é normalmente considerada menor, no entanto terá de haver o máximo cuidado na afinação do processo da inserção da trama, nomeadamente: - Efectuar o fecho da CALA antes dos 355º. Notar que o fio trama inserido pode sofrer um ”esticamento” na cala quando fechada demasiado cedo (longas pontas de fios do lado da recepção). Para minimizar e ou mesmo evitar este problema, devo efectuar o fecho da CALA um pouco mais atrasado – entre ao 10 a 15º, o que actuando desta forma o tecido é: a) Menos susceptível às faixas dos dentes de guia; b) O fio da TRAMA fica menos comprido devido à cala dianteira cruzada deslocada, sendo possível desta forma impedir o rebentamento da mesma;
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 80 de 86 c) Notar que desta forma formam-se menos encarrapitamentos atrás do pente; d) O fio da Trama perde um pouco da sua tensão, e por isso o tecido vai ter um menor encolhimento. Como sugestão o fecho da CALA deverá rondar os 15º. Entretanto em alguns tecidos, na direcção do Teia o encolhimento pode ser elevado, podendo mesmo originar reclamações a menos que sejam levados passos para minimizar e ou mesmo evitar o problema. 2 - Encolhimento Inchado: Trata-se do Encolhimento que é resultado do inchar e desinchar das fibras por causa da absorção e perda de água. Num tecido leve o efeito desta inchação dos fios é maior que num tecido pesado, desde que haja uma maior liberdade de movimento. 3 - Encolhimento de Feltragem: Neste cado, o Encolhimento é o resultado principalmente das propriedades de feltragem das fibras dos componentes que são obrigadas a migrar dentro da estrutura dos tecidos/fios. Notar que normalmente só é considerado importante e significante para as fibras que tem escamas na superfície, como a lã. 4 - Encolhimento de Contracção: Esta é a diminuição que acontece em fios/tecidos sintéticos quando eles são expostos a temperaturas mais elevadas que 70ºF. A tendência de tecidos sintéticos para encolhimento de contracção pode ser eliminada pelo calor que fixa os fios. Fios sintéticos que não são fixados por calor, antes ou depois que eles sejam convertidos num tecido, tendem a encolher devido à vaporização e pressão durante a fabricação. Influência do tempo de exposição, no encolhimento: Há uma outra variável na determinação do encolhimento: o tempo de tratamento. Outra influência que deve ser levada em consideração na fixação de um método de ensaio é o tempo de relaxação. É preciso fixar o tempo entre o final do tratamento e o momento das medidas de comprimento, porque a variação do comprimento se compõem: de uma variação reversível, dependente do tempo, e de um componente irreversível. Quanto mais elevada a temperatura do tratamento, mais elevados são os componentes de encolhimento; porém, o encolhimento irreversível aumenta mais do que o reversível. No resultado do ensaio de alteração dimensional, dá-se o sinal de menos (-), quando se constata encolhimento, e o sinal de mais (+) quando o tecido se alongou após o ensaio. Na determinação da alteração dimensional de tecidos, existe mais um factor que influi no resultado, que é a solicitação mecânica, especialmente quando se usa a máquina de lavar. Neste caso, o encolhimento costuma ser maior. Determinações sucessivas de alteração dimensional de um mesmo corpo-de-prova demonstram que, nas primeiras determinações observa-se grandes alterações, que vão diminuindo nas determinações posteriores. O material tende a se estabilizar. Nos tecidos de malha, geralmente há um maior encolhimento na direcção longitudinal, nos primeiros ensaios de alteração dimensional. Em determinações posteriores, este encolhimento se estabiliza, mas passa-se a observar um maior encolhimento na direcção transversal. Técnicas de encolhimento compressivo de tecidos e o quanto este se difere do encolhimento por lavagem:
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 81 de 86 Quando encolhemos um tecido, estamos simplesmente dando a este artigo uma nova memória dimensional. Normalmente é efectuada a lavagem de uma amostra de tecido de acordo com determinado padrão que assegure a repetibilidade de resultados. O tecido é pré-encolhido na mesma proporção do encolhimento causado pela lavagem. É necessário observar que o encolhimento compressivo ocorre no Teia e/ou no sentido da Trama, antes ou durante o processo de pré- encolhimento compressivo. Há uma grande diferença entre encolhimento por lavagem natural e encolhimento compressivo controlado. Tanto os tecidos de algodão e de outras fibras de celulose como os mistos de algodão com outras fibras encolhem quando lavados, porque as tensões introduzidas nos fios e nos tecidos durante os vários processos que os tornam comercialmente aceitáveis produzem uma alteração dimensional no tecido. Quando tais tecidos são imersos em água, ocorre um relaxamento daquelas tensões e dos fios. O tecido procura o seu ponto de equilíbrio, provocando sua mudança. No caso do encolhimento mecânico ou compressivo, os fios são aproximados mecanicamente, o que faz com que o tecido seja encolhido na direcção do Teia na mesma proporção que o tecido deverá se encolher quando lavado. Encolhimento compressivo é portanto um processo executado no sentido do Teia. Para controlar o encolhimento dos fios transversais, deve-se estirar o tecido em sua largura numa râmola caso o tecido seja mais estreito do que a largura da amostra lavada, ou estirar o artigo na direcção do comprimento para reduzir sua largura, se o mesmo for mais largo do que a amostra lavada. Em ambos os casos, isto é normalmente feito durante o processo de humidificação, antes de pré-encolher os tecidos, embora alguns ajustamentos relativamente pequenos de largura sejam possíveis de se obter na máquina de pré- encolhimento compressivo. O encolhimento mecânico ou compressivo não é tão estável quanto o encolhimento natural e é, apesar de tudo, somente um estado temporário. Quando um tecido ou um artigo já confeccionado de tecido pré-encolhido é lavado, o encolhimento obtido mecanicamente irá regredir e será substituído na mesma proporção dimensional pelo encolhimento natural com água. Nenhuma alteração dimensional será constatada no tecido se o encolhimento compressivo tiver sido adequadamente controlado. O Encolhimento Compressivo: Existem quatro factores ou condições importantes que possibilitam o pré-encolhimento mecânico de tecidos: humidade, temperatura, pressão e duração de pressão. Para se encolher tecidos com a máxima velocidade e para que os mesmos encolhimentos possam permanecer razoavelmente estáveis na sua dimensão até o momento de serem lavados, deve-se atentar para o comprimento simultâneo dos quatro factores que são considerados ideais. 1 - Humidade: O montante ideal de humidade, quando e aonde esta deve ser aplicada, irá depender do tipo de tecido e de seu acabamento. Alguns tecidos, como o denim, 100% algodão, tinto, podem normalmente ser encolhidos no tecido. Esse nível ideal pode ser alcançado de formas diversas. Já os tecidos leves, contendo fibras de viscose, são muito sensíveis e frequentemente devem ser pré-encolhidos sem qualquer aplicação de humidade. Alcançar tanto a forma de aplicação quanto o montante, em níveis ideais, representa na verdade uma questão de bom senso e de experiência individual. A humidade no tecido é talvez a condição mais crítica dentre as demais, pois para se alcançar bons resultados ela deve ser uniforme em todo o tecido, incluindo o seu comprimento, largura e profundidade. 2 - Temperatura:
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 82 de 86 A temperatura é uma condição um tanto menos crítica para a maioria dos tecidos, entretanto representa um dos factores mais importantes para determinar a vida útil da manta de borracha. Assim com a humidade, os níveis de temperatura ideais somente podem ser determinados pelo bom senso e pela experiência individual. A variação de temperatura mais significativa dá-se no cilindro a vapor da manta de borracha. A temperatura de superfície desse cilindro deve ser regulada normalmente entre 220 e 285 graus F (120 e 140 graus C), mas a média típica de temperatura de trabalho é de 245 graus F (120 graus C). Em alguns casos, a temperatura também é ajustada pelo uso do cilindro aquecido, o qual precede a unidade da manta de borracha em muitos equipamentos. Altas velocidades de produção frequentemente irão requerer temperaturas mais elevadas de trabalho, para se conseguir um encolhimento adequado de um determinado tecido. 3 - Pressão: Refere-se à compressão da manta de borracha. Existe uma relação próxima, porém indirecta, entre compressão da manta e compactação no sentido da Teia do tecido. A maioria dos tecidos pode ser encolhida com uma compressão máxima de 25% da espessura da manta. Certos tecidos, com alto potencial de encolhimento, podem requerer compressão de até 40%. Obviamente, quanto maior for a compressão, mais estará a manta de borracha sujeita a sofrer redução de sua vida útil. Somente deve ser aplicada a compressão necessária na manta para se encolher determinados tecidos. Sobre-encolhimento – e subsequente estiragem do tecido entre a manta de borracha e a unidade de Palmer – não é um processo recomendado, pois causa uma estabilidade diferenciada no tecido pré- encolhido. A compressão dada à manta de borracha é também crítica para se obter o pré-encolhimento, e igualmente crítica para se alcançar maior ou menor vida útil da manta. 4 - Duração de pressão: Isto significa velocidade de trabalho da máquina. Quanto maior a velocidade, menor será o tempo em que o tecido estará sujeito às importantes forças exercidas pela manta de borracha no momento de compactar o tecido. Todos os tecidos têm uma velocidade máxima com a qual eles podem ser pré-encolhidos compressivamente ao seu nível zero. A preparação do tecido e o ajuste correto das outras três condições (humidade, temperatura e pressão), irão definitivamente afectar na velocidade máxima com a qual qualquer tecido pode ser encolhido e permanecer assim dimensionalmente estável. A velocidade de trabalho é muito crítica com relação ao encolhimento de tecidos, muito embora pouco pode afectar na vida útil da manta de borracha. Deve-se levar em consideração que cada tecido apresenta uma velocidade máxima relacionada a um nível de encolhimento residual específico. Algumas vezes, procura-se trabalhar um determinado tecido com velocidades muito elevadas e, neste caso, podem ser usadas tanto as compressões da manta como a temperatura de forma mais excessiva, também para compensar, o que não é muito correcto. Vale observar que essas duas condições sozinhas deverão propiciar uma velocidade mais rápida do que a velocidade máxima teórica. Em alguns casos, temperatura mais elevada e maior compressão da manta podem, na verdade, fazer com que seja necessário reduzir a velocidade de encolhimento da máquina para se evitar que o tecido deslize contra a superfície da manta, perdendo o efeito de sua retracção no ponto de compressão. Preparação do Tecido:
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 83 de 86 Com respeito à preparação do tecido, em bom exemplo é observado entre os equipamentos de encolhimento integral e convencional. Neste último, a humidade é aplicada no tecido através de spray ou vapor na unidade de encolhimento. Já o equipamento integral humedece o tecido completamente e seca parcialmente ao seu nível ideal para o pré-encolhimento. Ao se pré-encolher tecidos denim de algodão de 14,75 onças, em equipamentos convencionais, mesmo com o uso de lubrificantes e acabamentos compatíveis, a velocidade para encolhê-lo a um residual de 1% é de cerca de 30 metros por minuto. Por outro lado, o mesmo tecido pode frequentemente ser pré-encolhido ao mesmo 1% de residual com a máquina integrada a uma velocidade de 45 metros por minuto. Isto se deve à aplicação mais uniforme de humidade em níveis ideais, particularmente com relação à penetração da própria humidade. A máquina de encolhimento convencional aplica uma humidade que nem sempre penetra. A máquina de encolhimento convencional aplica uma humidade que nem sempre penetra totalmente no interior dos fios em velocidades acima de 35 m/min. Muito embora possa ser possível pré-encolher o tecido sob tais condições, as porções dos fios, secas internamente tendem a desestabilizar a memória dimensional, causando alongamento de tecido após o pré-encolhimento. Logo, concluímos que uma máxima velocidade de encolhimento da máquina é através da boa preparação do tecido. Geralmente, muitos tecidos absorvem humidade. Os tecidos com humidade de 3 a 4% irão facilmente absorvê-la adicionalmente. Certos acabamentos no tecido podem causar dificuldade de pré- encolhimento, tais como PVA, resinas repelentes. Há também certos tipos de tecidos que são normalmente mais difíceis de ser encolhidos e por isto precisam de um tratamento prévio especial. Outro ponto muito importante é a humidade do tecido após o encolhimento. Determina-se que o tecido, ao deixar a unidade do PALMER, deva ter entre 3 a 4% de humidade. Isto é crítico. Tecidos demasiado secos podem alongar-se após ganhar a humidade ambiental normal. Tecidos muito húmidos quase sempre irão se alongar no sentido da Teia ou se alargar no sentido da Trama. O alongamento do tecido após o pré-encolhimento também poderá ocorrer se a humidade aplicada nele, antes do encolhimento, não penetrar por completo nos fios. O encolhimento compressivo propriamente significa dar ao tecido uma nova memória dimensional igual àquela que ele teria após o encolhimento natural. Se o interior dos fios estiver com um nível de humidade inferior ao da superfície do tecido, com o tempo os fios tenderão a regredir à condição dimensional anterior causando o alongamento do tecido. Notar que, falta de uniformidade de humidade no tecido também pode provocar o surgimento de defeitos nas ourelas. Esse problema pode ser causado por um ou mais factores associados. O mais comum dá-se quando tecidos muito largos para a manta em uso são processados. Após a saída do PALMER, as ourelas do tecido estão com um conteúdo maior de humidade do que o corpo do tecido. A solução mais simples para esse tipo de problema é aumentar a tensão da manta de borracha durante a rectificação e, desta forma, a espessura da manta nas extremidades não será desproporcionalmente reduzida pelo acto da rectificação. Os rolos espremedores de água não conseguem retirar a água de refrigeração ao longo de toda a largura da manta se a espessura desta não estiver uniforme. Em situações mais graves, pode ser necessária a instalação de jactos de ar logo acima do ponto onde o tecido entra em contacto com a manta de borracha. Colocados uns em cada lateral da manta, são direccionados de forma a soprar o excesso de água para fora das bordas da manta. Esses jactos de ar são normalmente instalados entre quatro a seis polegadas das bordas da manta, para eliminação do excesso de água de refrigeração nesses pontos. Outro detalhe importante que devemos comentar é a tensão longitudinal da manta. Tensão insuficiente resultará em enrugamento no tecido e poderá também limitar a capacidade de pré-encolhimento da manta de borracha.
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 84 de 86 ANEXO 1: Documento para utilização no Controlo da Qualidade Referência: Cliente: FELPO TEIA DE CIMA TEIA DE BAIXO TRAMA Mistura Título ( Ne ) Nº de fios do Rolo da Urdissagem Quebras na Urdissagem ( 106 m ) Dureza do Rolo ( º Shore ) Estiragem na Engomadeira ( % ) Nº de Fios do Rolo Concentração da Solução ( g/l ) % de Matéria Seca Viscosidade Temperatura do Banho ( º C ) Temperatura Secagem ( º C )  T TEAR Nº Roturas / 1000 passagens Contextura : Fios / polegada Passagens / polegada Contracções ( % ) Disposição Dimensão do Tear ( cm ) Peso / Peça ( g ) Peso da Carga ( Kg ) Dimensões da Carga Início Meio Fim Relação Teia de Baixo/Teia de Cima ( % ) BARRA Matéria Prima Poliester Viscose Poliamida Algodão Fervido Algodão Mercerizado Tipo Título ( Ne ) ( dTex ) Composição Contração Crimp Contextura Outro OBS Data / / Responsável
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 85 de 86 ANEXO 2: Normas utilizadas nos testes laboratoriais: Especificação Normalizadas para as Máquinas de Testes de Resistência para os Têxteis: Norma ASTM D 76 – 99 (Standard Specification for Tensile Testing Machines for Textiles) Método de Teste Normalizado para o Controlo do Número dos Fios Baseado em Pequenas Amostras: Norma ASTM D 1059 – 98 (Standard Test Method for Yarn Number Based on Short-Length Specimens) Prática Normalizada para a Designação do Fio de um dado Tecido: Norma ASTM D 1244 – 96 Standard Practice for Designation of Yarn Construction Método de Teste Normalizado para a Determinação da Torção de um Fio Singelo (Método Destorção/Retorção): Norma ASTM D 1422- 99 (Standard Test Method for Twist in Single Yarns by Untwist-Retwist Method) Método do Teste Normalizado para a Determinação da Torção de Fios por Contagem Directa: Norma ASTM D1423 – 99 (Standard Test Method for Twist in Yarn by Direct-Counting) Método do Teste Normalizado para a Determinação da Densidade Linear de Fibras Têxteis: Norma ASTM D 1577 – 96 (Standard Test Method for Linear Density of Textile Fibers) Prática Normalizada para o Condicionamento e Teste de Têxteis: Norma ASTM D 1776 – 98 (Standard Practice for Conditioning and Testing Textiles) Método do Teste Normalizado para a Determinação das Grossuras do Material Têxtil: Norma ASTM D 1777 – 96 (Standard Test Method for Thickness of Textile Material) Método do Teste Normalizado para a Determinação das Propriedades da Resistência dos Fios (Método do Fio Singelo): Norma ASTM D 2256 – 97 (Standard Test Method for Tensile Properties of Yarns by the Single-Strand Method) Prática Normalizada para Amostragem de Fios para Teste:
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    Análise em TecidosPlanos e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2015 Pag. nº 86 de 86 Norma ASTM D 2258 – 99 (Standard Practice for Sampling Yarn for Testing) Tabela Normalizada de Factores de Conversão e Números de Fios Equivalentes Medidos em Diferentes Sistemas de Numeração: Norma ASTM D 2260 – 96 (Standard Tables of Conversion Factors and Equivalent Yarn Numbers Measured in Various Numbering Systems) Método de Teste Normalizado para a Determinação da Humidade do Algodão na Secagem em Forno: Norma ASTM D 2495 – 93 (Standard Test Method for Moisture in Cotton by Oven-Drying) Método de Teste Normalizado para Largura de Tecido: Norma ASTM D 3774 – 96 (Standard Test Method for Width of Textile Fabric) Método de Teste Normalizado para o Número dos Fios dos Tecidos: Norma ASTM D 3775 – 98 (Standard Test Method for Fabric Count of Woven Fabric) Método de Teste Normalizado para o Controlo da Massa por unidade de Área de um Tecido: Norma ASTM D 3776 – 96 (Standard Test Method for Mass Per Unit Area (Weight) of Fabric) Método de Teste Normalizado para a determinação do Arco e Inclinação em Tecidos Planos e Malhas: Norma ASTM D 3882 – 99 (Standard Test Method for Bow and Skew in Woven and Knitted Fabrics) Método de Teste Normalizado para a Determinação do Crimp de um fio retirado de um Tecido: Norma ASTM 3883 – 99 (Standard Test Method for Yarn Crimp or Yarn Take-up in Woven Fabrics)