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ESTUDO SOBRE TECIDOS
PLANOS
TOALHAS DE FELPO
E
MALHAS DE TRAMA
Por: Constantino Monteiro Alves, Eng. Têxtil Ano 2014
Estudo sobre Tecidos Plano, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 1 de 95
INDICE
1 TÍTULO 4
2 OBJECTIVO 4
3 INTRODUÇÃO TEÓRICA 4
3.1 – Tecelagem 4
3.2 - Aspectos técnicos da Tecelagem 4
3.3 – Classificação e Tipos de Teares 5
3.3.1 – Teares de Lançadeira 6
3.3.2 – Teares de Lançadeira de Pinças 7
3.3.3 – Teares de Projéctil 7
3.3.4 - Teares de Pinças Unilateral 7
3.3.5 – Teares de Pinças Bilateral com Transferência 7
3.3.6 – Teares Jacto de Ar 8
3.3.7 - Teares Jacto de Água 8
3.3.8 – Teares Bifásico 8
3.4 - O que é um Tecido? 8
3.4.1 - Tipos de Tecidos 9
3.4.2 – Obtenção de Tecidos 9
3.4.2.1 – Sistema de obtenção de Tecidos 9
3.4.2.2 – Classificação de Tecidos 10
3.4.2.2.1 – Quanto à Estrutura 10
3.4.2.2.2 – Quanto à Coloração 11
3.4.3 – Tecidos Planos 11
3.4.4 – Principais componentes de um Tear 13
3.5 – Padronagem 14
3.5.1 – Representação das Evoluções 15
3.5.2 – Desenho da Evolução da Teia e Representação no Papel Técnico 15
3.5.3 - Base da Evolução 15
3.6 - Estruturas Básicas 15
3.6.1 – O Ligamento Tela 15
3.6.2.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Tela 16
3.6.2.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Tela 16
3.6.2 – O Ligamento Sarja 17
3.6.2.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Sarja 17
3.6.2.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Sarja 17
3.6.3 – O Ligamento Cetim 18
3.6.3.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Cetim 18
3.6.3.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Cetim 19
4 OUTRAS CARACTERÍSTICAS /TIPOS DE TECIDOS 19
5 OBTENÇÃO DE: 20
5.1- Tecidos Planos 20
5.1.1 - Geometria e Propriedades dos Tecidos 20
5.1.2 - Processo de Tecer 21
5.1.3 – Propriedades Físicas de um Tecido 22
5.1.4 – Gramagem 23
5.1.5 – A Ondulação e Contracção dos Fios da Teia 23
5.1.6 – A Importância da Contracção e da Ondulação 24
5.1.7 – Factor de cobertura de um Tecido e ou Toalha de Felpo 26
6 ESTRUTURAS FUNDAMENTAIS - DEBUXOS 31
6.1 – Representação Gráfica de um DEIXA 32
6.2 – Alinhavo de Teia 33
Estudo sobre Tecidos Plano, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 2 de 95
6.3 – Alinhavo de Trama 33
6.4 – Avanço ou Afastamento à Teia 34
6.5 – Avanço ou Afastamento à Trama 34
6.6 - Representação Numérica de Estruturas 35
6.7- Construção dos Debuxos 36
6.8 - Representação numéricas compostas 37
6.9 – Classificação dos Tecidos 37
6.10 – Os Tafetás 38
6.10.1 – Derivados do Tafetá 38
6.11- As Sarjas 39
6.11.1 – Sarjas Leves 39
6.10.1 – Sarjas Neutras 40
6.10.1 – Sarjas Pesadas 40
6.12 – Os Cetins 40
6.12.1 – Debuxos Fundamentais para um Cetim 41
7 COEFICIENTE DE LIGAÇÃO MÉDIO - CLM 42
8 ESTUDO LABORATORIAL (Exemplo de uma análise a efectuar no Tecido) 43
8.1 – Recolha das amostras para a análise laboratorial 43
8.1.1 – Análise da Gramagem de um Tecido 43
8.1.2 – Provetes 43
8.1.3 – Recolha dos provestes 43
8.1.4 – Atmosfera Padrão 44
8.1.5 – Equilíbrio Higrométrico 44
8.1.6 – Procedimento 45
8.1.7 – Ensaios que normalmente devem ser efectuados na análise de um tecido 45
8.1.7.1 – Ligação do Tecido 45
8.2 – Determinação da Contracção e da Ondulação 46
8.2.1 – Desvio de Trama 47
8.3 – Densidade 50
8.4 – Largura do Tecido 50
8.5 – Titulação dos Fios de um Tecido 51
8.5.1 – Sistema directo de Titulação 51
8.5.2 – Sistema Indirecto de Titulação 51
8.6 – Determinação do Título obtido numa amostra reduzida 52
8.7 -Recolha dos Provetes 52
8.8 – Selecção de Provetes de um Lote 56
9 MALHAS DE TRAMA 56
9.1 - Classificação 56
9.2 – Geometria e propriedades 57
9.3 – Estruturas básicas das Malhas de Trama 58
9.3.1 – Jersey (Tecido de uma Face) 58
9.3.2 – Meia Malha 59
9.3.2.1 – Meia Malha Simples 59
9.3.2.2 – Meia Malha Riscador horizontal 59
9.3.3 – Piqué 59
9.3.3.1 – Piqué Lacoste Simples 59
9.3.3.2 – Piqué Lacoste Duplo 59
9.3.3.3 – Molletom ou Felpa Americana 59
9.3.3.4 – Molletom (Felpa) 3x1 – Trama desfasada 59
9.3.3.5 – Molletom (Felpa) 3x1 – 2 Tramas desfasadas 60
10 Comprimento médio do fio absorvido e controlo da regularidade de absorção
de fios de um tecido de malha (L.F.A.)
60
11 Formulas utilizadas em Cálculos na Tecelagem 61
12 Noções Básicas de Qualidade 63
Estudo sobre Tecidos Plano, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 3 de 95
12.3 - Custos da Qualidade e Custos da Não Qualidade 64
12.4 - Os Defeitos na Tecelagem 65
12.4.1 - Causas dos Defeitos 65
12.6 – Toalhas de Felpo – defeitos e sua origem 72
13 Estudo sobre as alterações dimensionais de um artigo têxtil – Tecido Plano e Toalha de
Felpo
79
14 ANEXOS 85
Anexo 1 - Documento para utilização no Controlo da Qualidade 85
Anexo 2 – Estruturas Fundamentais – ALGUNS DEBUXOS 86
Anexo 3 - Normas utilizadas nos testes laboratoriais: 90
Bibliografia 92
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 4 de 95
1 – TÍTULO
Análise de Tecidos Planos – Tecelagem e Malhas de Trama – Tricotagem
2 – OBJECTIVO
O presente estudo tendo como base as normas específicas para o sector têxtil, tem como objectivo
dissertar sobre os ligamentos (debuxos), a gramagem, a densidade e a largura dos tecidos, bem como
dar indicações sobre como realizar os ensaios de títulos e qualidade dos fios utilizados, bem como dos
artigos produzidos mediante a avaliação da, contração/ondulação, desvio da Trama num tecido plano e
factor de cobertura de um tecido e defeitos usuais nos processos.
Para as malhas de Trama como realizar ensaios da gramagem, título em amostras reduzidas, determinar o
comprimento médio do fio que foi absorvido (LFA) e controle da regularidade de absorção de fios.
3 - INTRODUÇÃO TEÓRICA
3.1 - A TECELAGEM
Sobre o conceito tecelagem, poder-se-á dizer que é, grosso modo, o cruzamento dos fios da teia com os
da trama. Trata-se de uma das mais antigas manifestações da inteligência do Homem, conjuntamente
com o domínio do fogo e a invenção da roda.
O cruzamento de elementos vegetais ou de tiras de peles de animais para produzir objectos novos
principalmente para protecção do corpo, está provavelmente na origem da invenção da tecelagem.
Já os tecidos achados nos túmulos egípcios, datados de entre 3000 a 2000 antes de Cristo permitem-
nos concluir a existência de uma avançada técnica de fiação e tecelagem do linho e do algodão. Outros
restos de tecidos encontrados na América do Sul e no Norte da Escandinávia fornece-nos indicações
sobre a utilização primitiva de pêlos de animais, entre eles a lã.
Também na China a descoberta da seda, proveniente do bicho-da-seda, (Bombix Mori) datam de 2000
anos antes de Cristo.
Imagina-se que a tecelagem começou por ser feita com o auxílio de alguns paus colocados no chão.
A noção de tear é historicamente muito recente. No entanto poder-se-á dizer que do "tear de chão" se
passou para o "tear vertical", colocando verticalmente a armação que suporta a teia. A inserção da
trama passou também a ser feita com o auxílio de réguas assim como o batimento de cada passagem.
Desta forma, estava iniciada a evolução da tecelagem que iria demorar vários milénios passando por
várias melhorias. No entanto, o tear manual em que a energia provém do esforço de um homem ou de
uma mulher através dos seus braços e pernas apenas virá a ser usado até no século XVIII quando entre
1786 e 1792 " Edmund Cartwright " aperfeiçoa um sistema que após várias tentativas consegue atingir
o desejado processo de tecer mecanizado, pelo que regista sob patente o processo e dá origem ao tear
mecânico, em que a energia provém de uma roda hidráulica, onde é transmitida por veios de
transmissão e por sistemas de correias que accionam os teares que realizam mecanicamente os
movimentos necessários para fabricação de um tecido.
3.2. Aspectos Técnicos da Tecelagem
A tecelagem compreende dois sectores: (1) preparação à tecelagem e (2) tecelagem propriamente dita.
1 - A preparação à tecelagem consiste em uma série de operações, nomeadamente a preparação da
Teia através do processo de URDISSAGEM, que pode ser DIRECTA ou SECCIONAL,
ENCOLAGEM ou ENGOMAGEM, REMETER e PICAR e finalmente ATAR, de forma que os fios
fiquem em condições de sofrerem o processo de tecer.
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2 - A tecelagem propriamente dita é a transformação do fio em tecido, através de operações de tecer.
Figura nº 1 – Fios da TRAMA, Fios da TEIA e OURELA
3.3 - Classificação e Tipos de Teares
O entrelaçamento da Teia com a Trama é feito no tear (onde o fio da Teia se costuma designar
simplesmente por fio e o fio de Trama por passagem). No processo de Tecer são necessárias três
OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS:
A FORMAÇÃO DA CALA: que consiste na separação dos fios da teia em duas folhas, formando um
túnel conhecido por cala.
A INSERÇÃO DE TRAMA: que consiste na passagem do fio de trama no interior da cala, ao longo
da largura do tecido.
O BATIMENTO DO PENTE: que consiste em empurrar a passagem inserida contra o tecido já
formado, até um ponto designado por “frente do tecido”.
Estas funções primárias devem encontrar-se sincronizadas, de modo que as operações ocorram na
sequência correcta, não interferindo umas com as outras. Os teares podem ser diferenciados pelos seus
sistemas de inserção da trama e pelos seus sistema de abertura da cala.
Teares manuais: actualmente são utilizados quase que exclusivamente para artesanato ou para a
produção de novos artigos ou amostra não colocados na linha de produção.
Teares mecânicos não automáticos: São teares que não possuem determinados mecanismos de
auxílio para o tecelão, tais como guarda Teias (teia: conjunto de vários fios que entram no tear no
sentido longitudinal), paragem por falta de Trama e troca de bobines ou lançadeiras.
Teares mecânicos semi-automáticos: são teares não automáticos que sofrem adaptações de
mecanismos (guarda Teias) que auxiliam o tecelão e possibilita a produção de produtos (tecidos) com
melhor qualidade.
Teares automáticos: podem ser divididos em:
a) - Teares convencionais: quando a alimentação da trama (trama: conjunto de vários fios que entram
no tear no sentido transversal) é feita automaticamente por mecanismos especiais, nomeadamente o
mecanismo que efectua a mudança da Bobine quando o fio está prestes a terminar e o mecanismo que
efectua a troca do projéctil quando a bobine do fio esta prestes a chegar ao fim.
Na inserção da trama temos:
 sem lançadeira;
 de Projéctil – também chamado de lançadeira de pinças. Trata-se de uma pequena
peça que arrasta a trama através da cala (cala: abertura formada por duas camadas de
Teia);
 de Pinças rígidas – a trama é introduzida na cala por uma espécie de agulha;
Nota: Existem teares com uma única pinça ou com duas.
 de Pinças flexíveis – possuem duas cintas flexíveis de aço, uma em cada lado;
 Jato de ar – a trama do fio recebe um jacto de ar e é jogada através da cala.
 Jato d’água – a trama do fio recebe um jacto d’água e é jogada através da cala.
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 Cala ondulante – neste sistema são inseridos 16 tramas ao mesmo tempo,
equivalendo a cerca de 2.000 m por minuto.
b) - Teares especiais são em sua maioria automáticos, e providos de mecanismos especiais para tecer
determinados tipos de tecidos, tal como os teares de Maquineta Jacquard, que fazem tecidos com
grandes desenhos, podendo mesmo reproduzir figuras humanas em sombreado com relevo.
Deste tipo podemos considerar:
 O Tear triaxial que produz tecidos com estabilidade em todas as direcções, seja na
horizontal ou na vertical. Os fios da Teia são enrolados em oito pequenos rolos e a
trama é inserida por meio de pinças rígidas.
 O tear para Felpas que possui mecanismos especiais, e são alimentados por no
mínimo, dois rolos de Teias, um para o tecido básico e o outro para o tecido de felpa
inteira (toalha) ou felpa cortada (veludo).
3.3.1 - TEARES DE LANÇADEIRA (máquinas bastante antigas e praticamente em desuso):
Neste sistema de inserção, a trama é conduzida de um lado a outro, através da lançadeira que se
constitui de um dispositivo de madeira resistente onde se acomodam as canelas com os fios de trama.
A lançadeira desliza sobre a camada inferior dos fios da cala, sobre a mesa batente. Este contacto pode
causar problemas de roturas. A lançadeira é acomodada em cada extremo num dispositivo chamado
CAIXA DE LANÇADEIRAS onde ela é travada e simultaneamente presa após cada inserção.
A lançadeira recebe o impulso para atravessar a cala através do TACO, que está ligado à extremidade
superior da ESPADA.
Este movimento para inserção da lançadeira apresenta sua origem num excêntrico que trabalha contra
uma roldana fixa com batente que recebendo o movimento, transfere-o à espada e consequentemente
ao taco, impulsionando a lançadeira através da cala.
Na inserção das tramas de distintas cores, necessita-se de mais de uma caixa de lançadeiras (CAIXA
MÓVEL).
Notar, que apesar de ser uma máquina antiga e já em desuso a máquina de tecer de lançadeiras é dita
automática porque efectua a troca das canelas vazias por canelas cheias sem a acção directa do tecelão.
Esta troca pode ser feita por:
TROCA DE LANÇADEIRA: onde ocorre a troca da lançadeira com canela vazia, por outra com
canela cheia de fio.
TROCA DE CANELA: onde faz-se a troca somente da canela vazia, por outra canela cheia de fio.
O sistema de troca automática das canelas é feito por um dispositivo chamado magazine que apresenta
as seguintes variáveis:
MAGAZINE CIRCULAR: apropriado para teares com apenas uma cor de trama;
MAGAZINE VERTICAL: para teares de 4 cores de trama.
Destes hoje é possível produzir artigos com 6 cores e mesmo com 8 cores.
Todos os teares com troca automática de canelas necessitam de um detector do fim da canela em
trabalho para que a canela em trabalho não fique totalmente vazia. Este elemento é o chamado
DETECTOR DE TRAMA ou APALPADOR.
Existem três tipos de detectores de trama:
MECÂNICO: onde a detecção é realizada com o apalpador, pulsando no diâmetro externo da canela
no momento em que a lançadeira se encontra estacionada na caixa de lançadeira.
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ELÉTRICO: onde pontas metalizadas tocam suavemente a superfície da canela recoberta por uma
lâmina metálica, ou de pintura metalizada.
OPTICO: onde produz-se um fino raio de luz que é reflectido por uma cinta especial alojada no
núcleo da canela. Esta cinta devolve o raio de luz que é captado por uma célula que desencadeia o
processo de troca da canela.
3.3.2 - TEARES DE LANÇADEIRAS DE PINÇAS
Trata-se de uma evolução do antigo tear de lançadeira. É parecido com o tear de lançadeira, porém, no
lugar da lançadeira convencional utiliza-se uma pinça que possui uma menor massa e não carrega
consigo uma canela. A trama neste sistema vem directamente dos cones que alimentam a trama dos
dois lados do tear. A cada batida do pente é inserida uma trama, ora da direita ora da esquerda.
O comprimento da trama, necessário para cada inserção, é medido por cilindros de onde a trama é
entregue à lançadeira. As pontas de trama são cortadas por uma tesoura e eliminadas por um canal de
aspiração.
As vantagens deste processo sobre o tear de lançadeiras são:
Eliminação do processo de caneleira;
Não há variação da massa da pinça (pois não há canela cheia nem vazia);
Redução de defeitos como barramento e falta de trama.
3.3.3 - TEARES DE PROJÉCTIL
Estes teares começaram a ser produzidos pela empresa suíça Sulzer nos anos 50. O nome projéctil vem
da acentuada redução de massa do porta-trama (de 400g (lançadeira) para 40g (projéctil).
A inserção da trama ocorre apenas de um lado da máquina (lado esquerdo) e existem vários projécteis
em uso durante a operação de tecer.
No interior do projéctil existe uma pequena pinça que prende a ponta da trama que foi apresentada.
O percurso do projéctil é orientado por alguns guias metálicos solidários à mesa batente. O pequeno
distanciamento entre as sucessivas guias assegura que o projéctil seja sempre guiado por vários deles.
Durante o movimento de batida do pente, os guias recuam posicionando-se abaixo dos fios da teia para
dar espaço para a batida do pente.
Após cada inserção, os fios de trama são cortados e as suas extremidades são inseridas na cala e
tecidas com o fio de trama seguinte, resultando daí, ourelas sólidas, capazes de resistir a todas as
solicitações mecânicas.
Se até os anos 50, as máquinas de tecer de lançadeira produziam movimento do pente por mecanismo
de biela e virabrequim, uma novidade importante foi o movimento do pente por meio de excêntrico.
Isto permite que o pente fique em repouso durante um centro número de graus de rotação.
Este sistema de excêntrico tem um conceito tecnológico muito importante. É constituído por duas
levas conjugadas. A oscilação da mesa batente é produzida com dois excêntricos que trabalham
alternados, sendo que um provoca o retrocesso da mesa batente e o outro, o avanço.
3.3.4 - TEARES DE PINÇA UNILATERAL
Também conhecidos como teares de pinça rígida unilateral, estes teares possuem uma única pinça que
fica do lado oposto da entrada da trama na cala.
O princípio de funcionamento deste tear é simples e seguro, a pinça atravessa a cala e busca a trama
que é apresentada no lado oposto. Pinçada a trama, a pinça retorna, depositando a trama na cala.
Uma tesoura corta a trama rente à ourela.
Este tear pode tecer tramas grossas, irregulares ou com fio fantasia, sendo assim recomendado para
tecidos cuja velocidade de produção não é importante, pois a velocidade de inserção é reduzida
porque a pinça realiza metade de seu trajecto em vazio.
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3.3.5 - TEARES DE PINÇA BILATERAL COM TRANSFERÊNCIA
É também conhecido apenas por tear de pinças. Neste tipo de tear as pinças podem receber seu
movimento de hastes rígidas ou cintas flexíveis.
A trama é levada por uma das pinças até o meio da cala, onde é transferida para a outra pinça que fará
o restante do percurso da trama. A velocidade de produção é muito maior que o sistema unilateral visto
que não há inserção vazia.
A pinçagem da trama pode ser positiva ou negativa:
Na pinçagem positiva, a pinça é dotada de duas lâminas pressionadas elasticamente que agem
conforme a trama chega à pinça, isto é, a acção da pinçagem é orientada pela trama.
Na pinçagem negativa, a trama e a pinça são governadas por mecanismos externos, independentes da
trama.
A vantagem da pinçagem negativa é a possibilidade de um aumento da velocidade do tear.
As cintas que conduzem as pinças são flexíveis e podem ser lisas ou perfuradas. No caso das cintas
perfuradas, estas são movidas por rodas dentadas que se encaixam na cinta. Nas cintas lisas este
movimento é executado devido ao atrito da cinta com uma roda lisa. Quando as cintas são recolhidas
da cala após cada inserção, estas ficam em baixo da mesa do batente.
3.3.6 - TEARES JACTO DE AR
Neste tipo de tecnologia a trama é inserida através de um jacto de ar que é expelido pela cala. Este ar
deverá ser isento de partículas de poeira, óleo, humidade e estar na temperatura ambiente. Convém que
a instalação de ar comprimido possua compressores em “stand by” para eventuais manutenções.
Numa tecelagem com teares jacto de ar, uma boa climatização é muito mais importante que nas outras
tecnologias acima citadas, atendendo que em cada inserção é jogado ar seco na sala, que precisa ser
climatizado com uma certa humidade relativa, caso contrário, o andamento das máquinas pode ser
severamente prejudicado.
Notar que o valor da humidade relativa na tecelagem deve rondar os 80%.
Existem teares a jacto de ar com uma saída e com várias saídas (multi-jatos de ar), que possibilitam
tecer com mais cores e diferentes títulos de trama.
O que direcciona o fluxo de ar com a trama na cala são os condutores, que podem ser externos ao
pente ou perfilados ao pente. Normalmente os bicos de ar são montados na mesa batente, o que lhes
proporciona o movimento de vai-vém e a possibilidade de efectuar uma regulação mais precisa no
momento da inserção, variando em função do tipo de fio (com pouca pilosidade – fios compact; ou
com normal ou muita pilosidade – fios normais) e também em função do título da trama.
Fios mais grossos necessitam de maior pressão e consumo de ar.
3.3.7 - TEARES JACTO DE ÁGUA
Neste tipo de tecnologia a trama é inserida através de um jacto de água que é expelido pela cala.
3.3.8 - TEAR BIFÁSICO
O tear bifásico é nada mais do que dois teares (A,B) desfasados em 180º, unidos por um conjunto
central que contém os elementos de inserção. A inserção é realizada por uma haste rígida que contém
uma pinça em cada uma das extremidades. Quando a pinça está totalmente inserida no lado (A) que
está com a cala aberta, do outro lado (B) estará fora da cala e o tear estará batendo a trama
anteriormente inserida. Logo após, a pinça retorna da cala (A) e começa a inserção em (B) e assim
sucessivamente.
3.4 - O QUE É UM TECIDO?
Um tecido é um material à base de fios de fibra natural, artificial ou sintética, que compostos de
diversas formas tornam-se coberturas de diversos tipos formando roupas e outras vestimentas e
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 9 de 95
coberturas de diversos usos, como cobertura para o frio, cobertura de mesa, limpeza, uso medicinal
(como faixas e curativos), entre outros.
3.4.1 - Tipos de Tecidos
Tecidos Planos: são resultantes do entrelaçamento de dois conjuntos de fios que se cruzam em ângulo
recto. Os fios dispostos no sentido horizontal são chamados de fios de Trama e os fios dispostos no
sentido vertical são chamados de fios de Teia.
Tecido Plano: é uma estrutura produzida pelo entrelaçamento de um conjunto de fios de Teia e outro
conjunto de fios de Trama, formando ângulo de (ou próximo) a 90º.
• Teia: Conjunto de fios dispostos na direcção longitudinal (comprimento) do tecido.
• Trama: Conjunto de fios dispostos na direcção transversal (largura) do tecido.
Tecido Malha : A laçada é o elemento fundamental deste tipo de tecido, constitui-se de uma cabeça,
duas pernas e dois pés. A carreira de malhas é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido da largura
do tecido. Já a coluna de malha é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido do comprimento do
tecido.
Tecido Não Tecido: Conforme as normas ISO, não-tecido é uma estrutura plana, flexível e porosa,
constituída de véu ou manta de fibras, ou filamentos, orientados direccionalmente ou ao acaso,
consolidados por processos: mecânico (fricção) e/ou químico (adesão) e/ou térmico (coesão) ou a
combinação destes.
As ilustrações a seguir representam estruturas dos têxteis citados acima:
Figura nº 2 - Tecido Plano Figura nº 3 – Tecido de Malha Figura nº 4 – Tecido Não-Tecido
3.4.2 - OBTENÇÃO DE TECIDOS
São diversos os métodos utilizados para a obtenção de tecidos. Os mais comuns são:
- Pelo entrelaçamento de um fio consigo mesmo e ou com outros conjuntos de fios, caso em que o
tecido é conhecido como de malha;
- Pelo entrelaçamento de dois conjuntos de fios conhecidos por teias e trama, caso em que o tecido é
conhecido por plano;
- Por métodos menos convencionais como, por exemplo, o não tecido, que pode ser obtido por diversas
maneiras: resinagem, agulhagem, fundição, etc.
Grosso modo o Tecido é um produto manufacturado, em forma de lâmina flexível, resultante do
entrelaçamento, de forma ordenada ou desordenada, de fios ou fibras têxteis.
3.4.2.1 - Sistema de Obtenção de Tecidos
Para que um tecido se forme é necessário entrelaçar fios ou fibras a fim de que seja mantida uma
estrutura dimensional. Para manutenção dessa estrutura utilizamos alguns processos e até mesmo
combinações.
Considerando o processo de entrelaçamento de fios, os tecidos se dividem em:
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
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a) Tecidos Comuns: quando o entrelaçamento das duas camadas de fio processa-se no sentido
perpendicular. A camada longitudinal é denominada como já se disse de TEIA e a transversal é a
chamada de TRAMA.
b) Malha: existem os tecidos de malha por trama e por teia (Ketten). Como exemplo para malhas
trama, temos o jersey, as felpas americana e italiana, os ribs, os inlerlock, os jersey piqué, os interlock
piqué, ou turcos entre outros.
Para as malhas teia, temos a chamada malha Ketten, muito usada na produção de robes.
c) Laçada: este é um processo conjugado que agrega o processo de tecidos comuns ao de malha.
Porém, em determinadas situações, a malha fecha-se formando laçadas ou nós. Como exemplo temos a
renda.
d) Processo de entrelaçamento de fibras: neste caso, as fibras são dispostas em camadas e
entrelaçadas por agentes mecânicos. São também adicionados produtos químicos para completar a
feltragem. Como exemplo temos os não-tecidos, feltros de lã e outros.
e) Processo de Acção de Adesivos ou Fusão de Fibras consiste apenas na união de fibras por
processo químico. Como exemplo temos os não-tecidos, folheado e o denominado “Perfex”(marca
comercial existente no mercado).
3.4.2.2 – Classificação dos tecidos
3.4.2.2.1 - Quanto à Estrutura (formação):
a) Tecidos Comuns ou Planos: são aqueles resultantes do entrelaçamento de dois conjuntos de fios
que se cruzam em ângulo recto e podem se dividir em:
 tecidos simples - Formados por um conjunto de fios da teia por um ou mais fios de
trama;
 tecidos compostos - Formados por mais de um conjunto de fios de urdimento por um ou
mais fios de trama;
 tecidos felpudos - São tecidos compostos, cuja superfície apresenta felpas salientes,
inteiras ou cortadas. Exemplo: Tecidos veludos;
 tecidos lenos - São em geral muito porosos e cujos fios da teia se entrelaçam com as
tramas e também com outros fios da Teia. Exemplo: Tecido gaze
 tecidos jacquard - São tecidos simples ou compostos, que apresentam grandes
desenhos obtidos por efeito de entrelaçamento ou por efeito de combinação do
entrelaçamento com coloração do fio: Exemplo: Tecidos colcha.
b) Tecidos de Malha: resulta da formação de laços que se interpenetram e se apoiam lateral e
verticalmente, provenientes de um ou mais fios. Existem as:
 Malhas de Trama - Trata-se de tecidos obtidos a partir do entrelaçamento de um único
fio, podendo desse processo resultar um tecido aberto ou circular.
 Malhas de Teia - São tecidos obtidos a partir de um ou mais conjuntos de fios,
colocados lado a lado, à semelhança dos fios de Teia utilizados na tecelagem comum.
 Malhas mistas – São tecidos de malha Teia ou malha Trama com inserção periódica de
um fio de trama, tendo como objectivo dar melhor estabilidade dimensional ao tecido.
Exemplos: malhas jersey, malha tricô, malhas Ketten entre outros.
c) Tecidos de Laçada: são obtidos por processos de entrelaçamento que se aproximam da malha e do
tecido comum, diferenciando-se pelo fato de os fios, em determinadas situações, realizarem laçadas
completas (nós) que formam a base da amarração. Exemplo: rendas, cobertores e outros.
d) Não-Tecidos: são obtidos directamente de camadas de fibras que se prendem umas às outras por
meios físicos e/ou químicos, formando uma folha contínua.
Exemplos:
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 11 de 95
 Feltro - São tecidos resultantes do entrelaçamento de fibras de lã ou similares, através
da acção combinada de agentes mecânicos e produtos químicos que actuam sobre os
mesmos.
 Folheado - São tecidos feitos a partir de um véu de fibras têxteis, não feltrantes,
mantidas juntas por meio de um adesivo ou por fusão de fibras termoplásticas.
Apresenta três sub-tipos: com fibras orientadas, com fibras cruzadas e com fibras
dispostas ao acaso.
e) Tecidos Especiais: são aqueles obtidos por processos dos quais resulta uma estrutura mista de
tecido comum, malha e não-tecido ou ainda, como resultante de soluções de polímero de fibras
aplicadas ao tecido.
Exemplos:
 Laminados -São estruturas obtidas pela colagem de dois tecidos diferentes ou pela
simples aplicação de um impermeabilizante químico a um tecido qualquer.
 Malinos - É uma estrutura obtida pela sobreposição, sem entrelaçamento, da camada de
Teia sobre a camada de trama e cuja ligação é obtida por uma cadeia de pontos de
malha.
 Filmes - São estruturas têxteis, aproximando-se mais da textura do papel. São
produzidos a partir de soluções de fibras têxteis, mais frequentemente de nylon. Podem
aparecer isolados ou laminados com outro tecido.
3.4.2.2.2 - Quanto à Coloração:
a) Tecidos Crus: são tecidos que não sofrem acabamento a húmido após o tecimento. Apresentam-se
como saíram das máquinas de tecer.
b) Tecidos Alvejados: são aqueles submetidos ao processo de alvejamento/branqueamento.
Alguns fios coloridos presentes (tecidos listrados ou de xadrez) permanecem na sua cor original.
c) Tecidos Tintos: são tecidos que por meio de processos a húmido, recebem uma coloração única em
toda sua extensão.
d) Tecidos Mesclados: são obtidos pela mistura de fibras ou de fios de diferentes colorações dispostos
de forma irregular e sem formar padrões definidos.
e) Tecidos Listrados: podem ser listrados (às riscas) somente por processo de preparação da Teia ou
somente pela utilização de fios trama de diferentes tonalidades ou obtidos pela combinação dos dois
(xadrez).
f) Tecidos Estampados: são aqueles que apresentam desenhos obtidos por meio da aplicação de
corantes em áreas específicas.
3.4.3 - TECIDOS PLANOS
a) Tecidos Planos: são tecidos formados pelo entrelaçamento de dois fios que se cruzam
perpendicularmente
b) Estrutura do Tecido Plano:
A estrutura de um tecido plano é formada por:
- Um Fio transversal, no sentido da largura, que forma a TRAMA.
e
- Um Fio longitudinal, no sentido do comprimento, que forma a TEIA ou o órgão da urdissagem.
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 12 de 95
O arremate lateral, no sentido do comprimento, é chamado OURELA.
Os fios de Teia por serem os que sofrem maior tensão, tanto nas operações de tecer, como nas que
antecedem e, também no acabamento, devem ser de melhor qualidade, ou seja, mais resistentes, mais
elásticos e mais lisos.
Estas exigências de boa qualidade são necessárias ao bom desempenho dos fios de Teia e está
directamente ligadas ao tipo de matéria-prima, os processos de obtenção, ao valor da torção, às
condições ambientais e a engomagem do fio.
Existem vários tipos de entrelaçamentos (armações), o que dá origem a tecidos portadores de aspectos
diferentes. A identificação dos diversos tecidos planos é feita através de uma classificação técnica.
Tabela nº 1 – Classificação Técnica dos Tecidos Planos
TECIDOS PLANOS
Fundamentais
TÁFETÁ
Gorgurão
Naté
Reps
SARJA
Fantasia
Quebrada
Interrompida
Batávia
Diagonal
Entrelaçada
Reps diagonal
CETIM
Simples
Fundo aplicado
Múltiplos
Granité
Adamascado
Derivados diversos
Gaufré ou Ninho de Abelha
Mock Leno
Crepes
Fantasia
Compostos
Dupla face
Duplos ou tubulares
Triplos
Fustões
Piqués
Matelasses
Brocados
Especiais
Esponjosos
Peludos
Gazes (Lenos)
Jacquard
Não-tecidos ("Non-Wovens")
Existe também uma classificação comercial, que se baseia mais na aparência do tecido, do que,
propriamente, no entrelaçamento de seus fios.
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 13 de 95
Caracteriza-se pelo entrelaçamento de dois conjuntos de fios efectuando aproximadamente um ângulo
de 90º. Um desses conjuntos fica disposto no sentido longitudinal do tecido e é conhecido por teia,
enquanto o outro fica disposto no sentido transversal (perpendicular às teias) e é conhecido por trama.
Esse entrelaçamento é obtido em equipamento apropriado conhecido por tear.
As ligações ou cruzamentos dos fios de teias com os fios de trama nos tecidos é chamada de
padronagem.
Cada construção dentro de uma certa ordem de cruzamento é denominada de ligação ou desenho.
As possibilidades das ligações ou desenhos são enormes, mas elas sempre derivam de uma ligação
considerada fundamental. Essas ligações fundamentais são construídas regularmente, mas diferem das
umas das outras.
Os fios de Teia por serem os que sofrem maior tensão, tanto nas operações de tecer, como nas que
antecedem e, também no acabamento, devem ser de melhor qualidade, ou seja, mais resistentes, mais
elásticos e mais lisos.
Estas exigências de boa qualidade são necessárias ao bom desempenho dos fios de Teia e está
directamente ligadas ao tipo de matéria-prima, os processos de obtenção, ao valor da torção, às
condições ambientais e a engomagem do fio.
Existem vários tipos de entrelaçamentos (armações), o que dá origem a tecidos portadores de aspectos
diferentes. A identificação dos diversos tecidos planos é feita através de uma classificação técnica.
Existe também uma classificação comercial, que se baseia mais na aparência do tecido, do que,
propriamente, no entrelaçamento de seus fios.
3.4.4 – PRINCIPAIS COMPONENTES DE UM TEAR
Como já sabemos, os tecidos são processados em máquinas chamadas de teares, e os principais
componentes de um tear são:
Rolos da Teia: são os que contêm os fios de Teia e que são, nada mais nada menos que rolos de fios
paralelos;
Quadros de Liços: os Fios da Teia passam pelo olhal dos liços, que se acham dispostos em quadros
responsáveis pela formação da cala (abertura formada por duas camadas de fios da Teia);
Pente: depois dos quadros de liços, os fios passam por um pente que determina a largura e a densidade
da Teia e é responsável pelo remate da trama. Nos teares de lançadeira ou pinças servem como guia
para a mesma;
Rolo de Tecido: para enrolar o tecido pronto.
Figura nº 5 – Componentes de um tear
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 14 de 95
Notar que, para conseguirmos a passagem da trama entre os fios da teia (cala), utiliza-se o elemento
que se chama “porta-tramas”, dentre os quais os mais conhecidos são: a lançadeira, a pinça e o
projéctil.
No que se refere aos movimentos básicos do tear podemos considerar:
1º - A formação da cala;
2º - A inserção da trama;
3º - A batida do pente.
Formação da Cala: a abertura triangular de duas camadas de fios da teia com auxílio de alavancas e
cordéis ou fios de aço amarrados aos quadros de liços onde os fios estão inseridos;
Figura nº 6 - Formação da CALA
Inserção da Trama: introdução dos fios de trama por meio de lançadeira, pinças, projéctil, jacto de ar
ou jacto de água.
Figura nº 7 – Inserção da TRAMA
Batida do Pente: o pente está preso à frente e tem movimento de vaivém. Quando ele vem à frente,
encosta a última trama inserida no remate e quando recua propicia a inserção da trama seguinte.
Figura nº 8 – Batido do PENTE
3.5 - NOÇÕES DE PADRONAGEM
Como já se disse, os equipamentos que produzem tecidos planos são os chamados teares.
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 15 de 95
Papel Técnico: Já é sabido que todo tecido plano é formado por uma camada de fios paralelos (teias),
camada essa que se entrelaça com outra também de fios paralelos denominados Trama. Esse
entrelaçamento está relacionado com as evoluções que cada fio e cada trama realizam entre si.
Evolução - É o caminho percorrido por cada fio ou trama ao se entrelaçar.
O papel técnico é um papel quadriculado, próprio para a representação do desenho têxtil. Essa
representação obedece a algumas convenções, que passaremos a examinar à medida que formos
avançando com o nosso estudo.
1. Representação dos fios da Teia: no papel quadriculado, os fios da Teia são representados pelo
espaço compreendido entre duas linhas verticais. A numeração dos fios é feita da esquerda para a
direita, como a seguir se indica – 1 2 3.
2. Representação dos fios de trama: Os fios de trama são representados, no papel quadriculado, pelo
espaço compreendido entre duas linhas horizontais e sua numeração processa-se de baixo para cima,
como mostramos abaixo:
3_________
2_________
1_________
O cruzamento das linhas verticais com as horizontais forma quadrículas. No papel técnico cada
quadrícula representa o cruzamento de um fio da teia com um fio de trama.
A quadrícula marcada recebe o nome de PONTO TOMADO (PICA).
A quadrícula vazia recebe o nome de PONTO DEIXADO (DEIXA).
Os fios que se entrelaçam com as tramas passarão ora por cima, ora por baixo das mesmas. O nosso
objectivo, utilizando o papel técnico, é representar nele a passagem do fio da Teia por cima ou por
baixo da Trama.
Quando o fio estiver por cima da trama, deve-se marcar a quadrícula e essa marcação é feita,
indiferentemente, das seguintes formas:
Colocando um X na quadrícula correspondente
ou
Pintando com uma cor determinada essa quadrícula.
3.5.1 - Representação das Evoluções:
Podemos representar graficamente as evoluções, utilizando o papel técnico e obedecendo às
convenções normalmente utilizadas e internacionalmente aceites.
3.5.2 - Desenho da evolução do fio e representação no papel técnico:
4 4
3 3
2 2
1 1
3.5.3 - Base da Evolução: Chama-se Base da Evolução à evolução que se repete.
Notar que os padrões são desenvolvidos conforme a aparência, a finalidade, e também o grau de
durabilidade desejado.
Uma construção simples necessita de apenas dois quadros de liços, uma vez que a trama entrelaça-se
com o teias cruzando-as um fio por cima e um fio por baixo, sucessivamente.
Cada vez que o padrão vai ficando mais complexo, maior é a quantidade de quadros de liços
necessária.
3.6 - AS ESTRUTURAS BÁSICAS: Existem três ligamentos (ou padrões) básicos, que são a origem
dos mais complexos: a tela ou tafetá, a sarja e o cetim.
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 16 de 95
3.6.1. - O LIGAMENTO TELA: É o ligamento de construção mais simples existente e, por
consequência a que utiliza menos quadros e a que são produzidos nos teares mais simples.
Também é conhecido por ligamento tafetá, porém não se pode confundir o nome do ligamento com o
do tecido.
O fio de trama, nesta construção, cruza-se com o fio da teia, um fio por cima e um fio por baixo,
sucessivamente. No retorno o fio da teia que estava por cima passa a ficar por baixo e vice-versa. Se os
fios tiverem espessura adequada e estiverem próximos entre si, o tecido será firme e terá características
para vestuário.
Figura nº 9 – Estrutura Tela ou Tafetá
3.6.1.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Tela
O ligamento tela é o mais simples dos ligamentos e é, também o que possibilita maiores contracções de
teia e trama. Em média essa contracção normalmente ronda os 12%, podendo alcançar até um pouco
mais (cerca de 20% ) nos casos de tecidos de estrutura fechada.
Notar que nas estruturas abertas essas contracções são menores.
Não obstante esta particularidade, é o ligamento utilizado nos tecidos mais leves, uma vez que o
entrelaçamento prende bem os fios, ainda que os factores de cobertura da teia e da trama sejam baixos.
Tecidos em ligamento tela são utilizados nas mais diversas finalidades, desde vestuário, até uso técnico
e industrial, podendo ser cru, estampado, tinto em peça ou produzido utilizando fio tingido.
3.6.1.2 - Tipos de Tecidos com ligamento tela:
Cambraia: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro,
sendo também bastante apreciada a cambraia produzida com fio de linho. Normalmente são utilizados
na produção de camisas masculinas e blusas femininas.
Organdi: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro,
podendo também ser utilizada a poliamida, a viscose e o acetato, sendo bastante apreciado o organdi
de seda. Normalmente é utilizado, em roupas femininas.
Voile: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, sendo
também utilizadas misturas de algodão com poliéster para artigos mais baratos. É principalmente
utilizado na produção de camisas masculinas e blusas femininas.
Gaze Cirúrgica: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), sempre em algodão puro, e
que leva tratamento especial para dar-lhe características hidrófilas.
Tricoline: Tecido fino, também leve (inferior a 135 g/m2), em algodão puro. É utilizado na produção,
de camisas masculinas, blusas femininas, vestidos e saias.
Popelina: São tecidos leves ou médios quanto à densidade superficial (pode ser tecidos com
gramagem inferior a 135 g/m2, no entanto pode ir até 270 g/m2), sempre com estrutura fechada, em
algodão puro, ou em misturas dessa fibra com poliéster. Os fios são normalmente cardados, sendo
utilizados os penteados para artigos de melhor qualidade. Usado principalmente para vestuário.
Flanela: Tecido leve (inferior a 135 g/m2), em algodão puro. Utiliza-se normalmente um fio da trama
com um título aproximadamente o dobro do fio da Teia. O uso da trama mais grossa justifica-se pelo
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 17 de 95
acabamento que lhe será dado, onde os pêlos serão levantados no processo de acabamento através da
cardação.
Normalmente produzido com fios tingidos, são utilizados em vestuário, nomeadamente camisas
masculinas para inverno, por exemplo.
Notar que quando tingido em peça é normalmente produzido com fios de baixa qualidade atendendo
que a sua aplicação é para panos de limpeza e polimento.
3.6.2 - O LIGAMENTO SARJA: Esta estrutura distingue-se por sua diagonal bem definida.
Uma inversão dessa diagonal possibilita um aspecto em zigue-zague, conhecido por espinha de peixe.
Outros efeitos visuais podem ser obtidos por variações da diagonal e/ou das cores dos fios.
O entrelaçamento em diagonal possibilita maleabilidade e resiliência aos tecidos. O tecido em
ligamento sarja é normalmente mais firme que o tecido em ligamento tela, tendo menos tendência a se
sujar, apesar de ser de lavagem mais difícil.
Figura nº 10 – Estrutura de uma Sarja
Figura nº 11 – Estruturas de Sarjas Simples de 3
NOTA: As Sarjas Simples podem ser Leves, Neutras ou Batavias e Pesadas.
Consideram-se:
 LEVES quando do lado direito do tecido predomina a TRAMA em relação à TEIA;
 No caso INVERSO consideram-se PESADAS;
 No caso de o número de PICAS forem iguais ao número de DEIXAS, então considera-se
uma SARJA NEUTRA.
3.6.2.1 - ESTRUTURAS DE DEBUXOS.
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 18 de 95
Figura nº 12 - Exemplo de uma Sarja em espinha com oposição.
Figura nº 13 - Sarja em Xadrez com oposição Figura nº 14 - Sarja Encanastrada
3.6.2.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Sarja
O ligamento sarja é o primeiro mais complexo depois do ligamento tela. Os tecidos em ligamento
sarja são principalmente utilizados para vestuário, particularmente em roupas profissionais, como
macacão, avental e em outros tecidos onde uma construção forte é fundamental. Destaca-se a sua
utilização em jeans sendo actualmente é um importante artigo da moda.
É frequentemente mais firme que o tecido em ligamento tela, tendo menor tendência a sujar-se, apesar
de ser de limpeza mais difícil na lavagem. Normalmente o tecido é tinto em peça, excepção ao tecido
denim (onde o fio da teia é tingido e a trama é de fio cru). Poderá ser estampado se porventura se
desejar, embora não seja muito comum.
3.6.2.2 - Tipos de Tecidos com ligamento Sarja:
Brim: Tecido bastante popular, de densidade superficial média, (entre 136 e 270 g/m2), normalmente
em algodão puro ou em misturas desta fibra com viscose e ou com poliéster. É normalmente utilizado
na produção de calças e roupas profissionais. O ligamento utilizado é a sarja 2/1, geralmente com
diagonal à esquerda conforme a figura abaixo:
Figura nº 15 – Estrutura de ligamento BRIM
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 19 de 95
Sarja 1/3: Tecido de densidade superficial leve (até 135 g/m2), nas estruturas relacionadas a seguir,
pode entretanto, ser também de densidade superficial média, normalmente em algodão puro, ou em
misturas de algodão com viscose e ou poliéster.
Os fios são cardados podendo ter grande variedade de títulos. É um tecido pouco produzido, para uso,
principalmente, em vestuário.
Figura nº 16 – Estrutura de ligamento SARJA 1/3
Sarja 3/1: Tecido bastante popular, de densidade superficial média ou pesada, (entre 136 e 270 e
superior a 271 g/m2), normalmente em algodão puro, ou misturado com viscose e ou com poliéster.
Utiliza-se principalmente na produção de roupas para desporto e ou para uso profissional.
Figura nº 17 – Estrutura de ligamento SARJA 3/1
Denim: Provavelmente será o tecido mais popular actualmente. Trata-se de um tipo especial de brim,
onde o fio da teia é tingido (geralmente em azul índigo) e a trama crua. A densidade superficial é
média ou pesada (entre 136 e 270 e em alguns casos superior a 271 g/m2), sempre em algodão puro. É
utilizado, principalmente, na confecção de roupas para desposto, lazer e ou para uso profissional.
Figura nº 18 – Estrutura de ligamento DENIM
3.6.3 - O LIGAMENTO CETIM: É similar à sarja, porém é geralmente utilizada em repetições de
cinco a doze fios de Teia e de Trama. A principal diferença entre os dois ligamentos é que a diagonal
não é claramente visível no cetim. Ela é intencionalmente interrompida a fim de contribuir para uma
superfície lisa e lustrosa.
A textura não é tão visível do lado direito, por que os fios que o compõe são, geralmente, mais finos e
em maior quantidade do que os que formam o avesso.
Figura nº 19 – Estrutura Cetim
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 20 de 95
Figura nº 20 - Estruturas de debuxo e aspecto de um CETIM por TEIA.
3.6.3.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Cetim
O ligamento cetim: trata-se do mais complexo dos ligamentos fundamentais. Os tecidos em ligamento
cetim são principalmente utilizados para vestuário (particularmente para roupas de noite) para forros
de casacos e para decoração, estando frequentemente ligado à ideia de artigo de luxo.
É normalmente menos firme que o tecido em ligamento tela ou em sarja. O reflexo de luz dos fios
flutuantes possibilita ao tecido o brilho que aparece na direcção dos fios de maior cobertura. Tem
melhor caimento que os tecidos em tela e em sarja. Tem menos tendência a sujar-se, sendo de limpeza
mais fácil na lavagem. Quanto mais quadros de liços tiver a repetição, maior será a cobertura da Teia.
Normalmente, o tecido é tinto em peça. Nada impede que seja estampado, no entanto é muito pouco
frequente e mesmo muito raro a estampagem destes tipos de tecidos.
3.6.3.2 - Tipos de Tecidos com ligamento Cetim:
Cetim de 5 à TEIA: Tecido sempre fechado, de densidade superficial leve ou média, (inferior a 135 e
até 270 g/m2), normalmente em algodão puro, ou em mistura com viscose e ou poliéster. Os fios
podem ser cardados ou penteados.
Figura nº 16 – Estrutura de ligamento Cetim 5 à TEIA
Cetim de 5 à TRAMA: Tecido sempre fechado, de densidade superficial leve, (inferior a 135 g/m2),
normalmente em algodão puro, ou em mistura com viscose e ou poliéster. Os fios podem ser cardados
ou penteados.
Figura nº 17 – Estrutura de ligamento Cetim 5 à TRAMA
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 21 de 95
Figura nº 18 – Estrutura do Debuxo e aspecto de um CETIM por TRAMA
Nota: Os CETINS por TEIA apresentam uma ordem de tecelagem do tipo:
Nº de PICAS
------------------------- A (x)
1
Por outro lado, para os CETINS por TRAMA a ordem de tecelagem é do tipo:
1
------------------------- A (x)
Nº de LARGAS
Notar que existem CETINS REGULARES e CETISN IRREGULARES:
Os REGULARES obedecem às seguintes regras:
1 Os modelos são quadrados;
2 Em cada fio de Teia e em cada fio de Trama existe apenas um ponto de ligação
3 Não pode haver pontos de ligação em posições contíguas
4 E finalmente o AVANÇO é constante.
Os IRREGULARES são os que NÃO cumprem uma ou mais regras dos CETINS REGULARES
Exemplos de CETINS de 5
A1 A2 A3 A4 A5
Sendo:
A1 – Uma SARJA;
A2 – Um CETIM que cumpre as quatro (4) regras de construção acima citadas;
A3 – Um CETIM que também cumpre as quatro (4) regras de construção acima citadas;
A4 – Uma SARJA - o cordão a correr ao contrário;
A5 – Como é evidente NÃO DÁ TECIDO!
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 22 de 95
Exemplos de CETINS de 8
A1 A2 A3 A4
A5 A6 A7 A8
Sendo:
A1 – Uma SARJA;
A2 – Não dá debuxo;
A3 – Um CETIM;
A4 – Não dá debuxo;
A5 – Um CETIM
A6 – Não dá debuxo;
A7 – Uma SARJA com o cordão a correr ao contrário;
A8 – Não dá TECIDO!
NOTA:
Como regra geral, para encontrar os avanços do CETIM, de um dado tamanho, escrevem-se
algarismos por ordem aritmética desde 1 até ao tamanho do CETIM, inclusivé, sabendo que:
 O avanço 1 dá SARJA;
 O último avanço, ou seja, o do tamanho do CETIM, não dá debuxo;
 O penúltimo avanço dá SARJA invertida;
 Nos avanços restantes, eliminamos todo aquele que tem um divisor comum com o
tamanho do modelo.
3.6.3.3 - CETINS COMPLEMENTARES:
 Dois CETINS cujos avanços somados dão o número de fios e passagens de um modelo.
Exemplo:
 CETIM de 7: os CETINS complementares tem A2 e A5 ou A3 e A4;
3.6.3.4 - CETINS IRREGULARES:
 Consideram-se CETINS irregulares os que não obedecem a uma ou mais regras dos CETINS
regulares
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 23 de 95
Exemplo:
Cetim Irregular de 4 Cetim Irregular de 6
A 1+2 +3 A 4 + 4 + 3 + 2 + 2 + 3
NOTAS:
 Como informação complementar, sabemos que os derivados dos Cetins, obtém-se a partir do
debuxo fundamental (Cetim)
 As características típicas dos Cetins, mantem-se sempre inalterável.
3.6.3.5 - DERIVADOS DOS CETINS:
Consideram-se derivados dos Cetins:
 POR AMPLIAÇÃO: à TEIA, à TRAMA, DIAGONAIS, CANELADOS OBLÍQUOS E
SOMBREADOS À TEIA OU À TRAMA.
 COM MOTIVOS: derivados regulares com um só motivo, granitados, e ou derivados
irregulares com motivos diversos.
 POR COMPOSIÇÃO: damascos, adamascados.
3.6.3.6 – DERIVADOSDOS CETINS POR AMPLIAÇÃO:
 Qualquer CETIM regular pode ser ampliado;
 Se o Cetim for por trama, os alinhados de 1 da Teia podem ser aumentados para 2, 3 ou 4,
conforme desejarmos
 A ampliação pode ser feita no sentido da Teia ou no sentido da Trama
3.6.3.7 – DIAGONAIS:
 A representação numérica é formada por um ou mais alinhavos de Teia dominantes e que
tem avanços sempre superiores a 1, originando cordões nítidos com ângulos superiores a 45º
 Os avanços mais habituais são de 2 e de 3.
3.6.3.8 – FELPO DE 4
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
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3.7 – Coeficientes de Ligação dos Elementos
Os Coeficientes de ligação dos elementos são de grande importância para podermos medir a magnitude
dos ligamentos e possibilitar a elaboração das cartas de forma correcta e simultaneamente possibilitar a
sua utilização para futuros cálculos de fabricação.
Para termos uma ideia clara da dita magnitude, será necessário encontrar o COEFICIENTE que
corresponde a cada ligamento (Tramas e Teias). Este coeficiente obtém-se pelo quociente da divisão
do total de pontos de ligação por Teia ou por Trama, pelo total de quadrados da carta (número de fios e
número de tramas.
Assim, cada debuxo terá dois coeficientes de ligação, um de teia e ou outro de trama.
Se representarmos por CTE e CTR os coeficientes de ligação por Teia e por Trama, respectivamente,
temos as fórmulas de cálculo seguintes:
Pontos de ligação por fio na teia Pontos de ligação por trama
CTE = -----------------------------------------; CTR = ----------------------------------------
Total de quadrados da carta Total de quadrados da carta.
Em seguida vamos apresentar como exemplo algum exemplo prático que facilitará a compreensão de
como se determina os coeficientes de ligação de um tecido simples.
Considerando, por exemplo, um Tafetá simples, o coeficiente é igual à unidade, tanto na Trama como
na Teia. Isto é, o primeiro (1º) fio passa por cima da primeira (1ª) trama e por debaixo da segunda (2ª),
o que é igual a dois ligamentos; o 2º fio passa por baixo da 1ª trama e por cima da 2ª, também tem
dois ligamentos. Assim, temos na Teia 4 ligamentos numa carta de 4 quadrados, isto é:
4
CTE = ------------ = 1
4
Por outro lado, a 1ª trama passa por baixo do 1º fio e por cima do 2º, logo tem 2 ligamentos; a 2ª trama
passa por cima do 1ª fio e por baixo do 2ª, logo também tem 2 ligamentos. Neste caso, a Trama
também tem 4 ligamentos na mesma carta de 4 quadrados, isto é:
4
CTR = ------------ = 1
4
Lembro que o Tafetá é portanto o ponto que mais liga, com um coeficiente médio de ligação de 1.
Todos os outros pontos têm um valor inferior à unidade.
Como novo exemplo, agora para 2 fios e 8 passagens, teremos 16 quadrados. Os fios com as suas
flutuações, têm 2 ligamentos cada um:
Logo:
4
CTE =---------------- = 0,25
16
A trama faz trabalho de tafetá e tem 2 ligamentos em cada uma:
16
CTR = -------------------- = 1
16
Assim, o coeficiente de ligação médio será de: (0,25+1)/2 = 0,625
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Tabela nº 2 - Classificação dos ligamentos segundo o Coeficiente de Ligação Médio:
Muito Ligados 1,00 a 0,66 de Coeficiente Médio
Normal 0,66 a 0,40 de Coeficiente Médio
Pouco Ligados 0,40 a 0,20 de Coeficiente Médio
Muito Leve 0,20 a 0,10 de Coeficiente Médio
4 – OUTRAS CARACTERÍSTICAS/TIPOS DE TECIDOS
Alguns tecidos têm origem há muitos anos, em alguns casos datam da era AC. A maior parte teve a sua
estrutura alterada com o tempo. A seguir estão relacionados por ordem alfabética alguns dos mais
conhecidos tecidos produzidos até aos dias de hoje.
4.1 - CHIFFON (Origem: França): origina-se na palavra francesa que significa trapo. Trata-se de um
tecido de seda produzido com fio bastante torcido e resistente. É um tecido aberto, o que lhe dá
transparência. Utilizam-se fios retorcidos, usualmente dispostos de forma alternada, um fio com torção
no sentido S e outro em sentido Z, tanto nas Teias como nas Tramas.
A palavra Chiffon utilizada em conexão com o nome de outros tecidos indica-nos que se trata de um
tecido mais leve que o original, por exemplo: crepe chiffon, tafetá chiffon, veludo chiffon, etc.
4.2 - CREPE (Origem: França): originário da palavra crepe que significa ondulado, crespo. Pode ser
obtido de diversas formas, conjugando-se um ligamento apropriado a fios retorcidos, possibilitando um
efeito granulado e rugoso – notar que, para se conseguir este tipo de produto é necessário que os fios
utilizados no processo de tecer possuam um alfa de torção bastante elevado ( a rondar os 6 e 7 de alfa
da torção – dependendo do título do fio: mais pesado – alfa menor; mais leve – alfa mais elevado).
4.3 - CREPE da China (Origem: China): tecido de seda muito fino e leve, obtido por ligamento crepe
e utilizando na teia fios com pouca torção e na trama fios retorcidos (torção crepe) dispostos
alternadamente em dois fios com torção no sentido S e dois fios sentido Z. Normalmente este tipo de
tecido é tingido tinto em peça ou estampado.
4.4 - CREPE Georgette (Origem: Reino Unido): neste tipo de artigo, são utilizados tanto na teia como
na trama, fios retorcidos (torção crepe) dispostos dois fios com torção no sentido S e dois no sentido Z.
Trata-se de uma musseline mais pesada, porém ainda transparente. Quando apenas um sentido de
torção é utilizado na teia e na trama, é mais conhecido como CREPE Suzette.
4.5 - CREPE Romain (Origem: Itália): tecido de seda similar ao CREPE Georgette, porém com
ligamento panamá de 2. Por essa razão o tecido é mais fechado e a granulação mais acentuada. Utiliza
fios retorcidos (torção crepe) tanto na teia como na trama, sendo dispostos alternadamente de dois em
dois fios com torção em sentido S depois Z.
4.6 - CREPE Marocain (Origem: Marrocos): tecido de seda similar ao CREPE da China, porém mais
pesado e com granulação mais acentuada.
4.7 - CREPE de Lã: tecido de lã penteada. Utiliza fios retorcidos (torção crepe) tanto na teia como na
trama.
4.8 - DAMASCO (Origem: Ásia Menor): trata-se de um tecido de seda ricamente decorado, trazido
para o ocidente por Marco Polo no século XIII nas suas viagens ao oriente. O nome teve origem na
cidade de Damasco que era o centro mais importante que situado entre o oriente e o ocidente e
emprestou o seu nome a esse tecido luxuoso. O ligamento é geralmente o cetim. Os melhores
damascos em linho têm 50% mais batidas/cm do que fios/cm. Os damascos, brocados e outros tecidos
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similares têm características diferentes actualmente, porém eram produzidos pelos princípios gerais do
damasco, naquela época. Hoje são obtidos em teares com Maquineta Jacquard.
4.9 - GABARDINE (Origem: Espanha): Tem origem na Idade Média, conhecida por gabardina, que
significa protecção contra fenómeno atmosféricos - é um tecido bem estruturado, com textura aparente
de sarja 2/1, 3/1 ou múltipla, em ângulo de 45º. Adequado para sobretudos, casacos, entre outras peças.
É produzido actualmente com praticamente todos os tipos de matéria-prima.
4.10 - JACQUARD (Origem: França): Tecido que apresenta grandes desenhos geométricos ou
artísticos e deve o seu nome a Joseph Marie Jacquard (1752 - 1834) que aperfeiçoou a maquineta que
possibilita a obtenção mecânica desses tecidos.
4.11 - MUSSELINE (Origem: Mesopotâmia, actualmente Iraque e parte da Turquia): Tecido
produzido originalmente na cidade de Mawsil pelo povo turco. É um tecido muito leve e transparente
produzido com fios de seda com torção elevada. Pode também ser produzido em acetato, viscose, lã ou
algodão.
4.12 - ORGANDI (Origem: França): Tecido leve tipo musseline, com acabamento engomado. Recebe
esse nome porque a palavra francesa organdi significa musseline de algodão fino e macio.
4.13 - SHANTUNG (Origem: China): Originário da província desse nome. Possui diversos tipos de
imperfeições naturais sendo produzido por fios bastante irregulares, características que são transferidas
ao tecido. Utilizado para trajes masculinos e vestuário feminino em geral.
4.14 - TAFETÁ (Origem: Pérsia/Irão): É um dos mais antigos tecidos conhecidos pelo homem. Feito
originalmente em seda, tem superfície lisa, textura regular e uma leve nervura no sentido da trama.
Tem origem na palavra persa taftah que significa tecer. É frequente o efeito de acabamento moiré.
5 - OBTENÇÃO DE:
5.1 – Tecidos Planos
5.1.1- Geometria e propriedade dos tecidos planos:
Os materiais têxteis possuem propriedades mecânicas quase únicas, tais como, flexibilidade e
resistência, que os tornam extremamente importantes para a maior parte das finalidades em que são
utilizados. Estas propriedades devem-se não somente às propriedades das fibras utilizadas mas também
a estrutura do aglomerado fibroso.
É possível estudar-se a geometria dos tecidos a dois níveis nomeadamente, o descritivo e o mecânico. O
primeiro apenas tenta descrever a geometria de determinado tecido. A maneira mais fácil de o fazer é descrever
a posição do fio em determinado tecido através das coordenadas do eixo do fio à medida que este
progride no módulo de repetição da estrutura. Devido à estrutura e à dificuldade de se obter este tipo
de descrição na prática, mesmo a partir de microfotografias da estrutura, métodos mais simplificados são
geralmente utilizados. Estes consistem normalmente em conceber um modelo geométrico hipotético da
estrutura, que pode intuitivamente ser visto como possuindo muitas das particularidades visíveis na estrutura
real. A partir das equações de geometria assim assumida, é possível analisar o efeito de forças e binários
no modelo. A concepção mecanística, por outro lado, tenta descobrir as razões pelas quais os elementos do
tecido possuem determinada geometria.
As três áreas mais importantes na aplicação da geometria dos “tecidos” são as seguintes:
 A análise das propriedades mecânicas dos tecidos;
 O cálculo das dimensões a partir de parâmetros utilizados para a afinação das máquinas e o
inverso, isto é, o cálculo dos parâmetros de acerto das máquinas a utilizar a fim de produzir
determinado tecido;
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 As variações dimensionais dos tecidos durante sua produção e utilização.
As características de um tecido dependem essencialmente:
 Do tipo da ligação (Tela, Sarja, Cetim, etc.);
 Do espaçamento de fios (inverso de densidade de fios);
 Das propriedades do fio utilizado.
O estudo da geometria dos tecidos têm por objectivo investigar a interacção entre esses factores e a sua
influência nas propriedades dos tecidos tais como:
 Cobertura do tecido;
 O comportamento à flexão do tecido
.
5.1.2 – Processo de Tecer
O processo de tecer é uma das artes mais antigas. Como muitas outras artes passaram-se séculos sendo
realizados de uma mesma maneira e suas melhorias eram muito lentas, tão lentas que uma mesma
geração não conseguia notar qualquer modificação.
Porém, hoje porém vivemos num século de grandes modificações e aperfeiçoamentos tecnológicos, de
tal maneira que uma melhoria poderá deixar de ter interesse em pouco anos após o seu “ nascimento”.
Todos sabemos que o produto produzido pelas máquinas de tecer é denominado tecido plano, que é
formado a partir do entrelaçamento de um conjunto de fios paralelos, no sentido longitudinal dos tecidos
chamados Teia, com outros fios situados transversalmente ao tecido, chamados Trama.
Abaixo temos, indicado pelas setas, o sentido da Trama e da Teia :
Tecido
TEIA
TRAMA
Figura nº 18 – Tecido: Direcção da Teia e da Trama
Notar que numa análise visual de um tecido, os fios Teia ficam sempre paralelos às ourelas.
No caso de numa análise de uma amostra que não contenha a ourela, então podemos considerar
que os fios Teia situam-se no sentido onde há maior densidade de fios por cm ou por polegada.
5.1.3 - Propriedades Físicas de um Tecido:
A maneira como as matérias primas utilizadas e a própria geometria dos tecidos influencia as suas
propriedades físicas, são factores de grande importância no que diz respeito à concepção dos têxteis e
ao seu comportamento durante o processamento e a sua utilização.
As razões que levam ao ensaio de tecidos para avaliar as suas propriedades são variáveis, sendo as
mais comuns:
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 Verificar se o “tecido” se encontra de acordo com as especificações, normalmente
considerando as normas NP EN IS 1049 – 1 e 2; ISO/DIS 2323; NP ISO 675-2013- Variações
Dimensionais; NP ISO 9867_2013 Avaliação do Desenrugamento dos Tecidos;
 Analisar o efeito de modificações na estrutura;
 Analisar o efeito de tratamentos físicos e químicos;
 Obter informações quanto ao comportamento durante a sua utilização;
 Investigar falhas e reclamações de clientes;
 Estudar a interacção entre as propriedades das fibras, dos fios e dos tecidos.
Notar que a escolha dos instrumentos de análise laboratorial mais apropriada depende do tipo de
informação pretendida.
Em alguns casos não existe equipamento que permita efectuar os ensaios e nesse caso torna-se
necessário conceber aparelhos especiais.
O chamado entrelaçamento não é mais do que o processo de passar um ou vários fios de Teia por cima
ou por baixo de um ou vários fios de Trama. O entrelaçamento mais simples entre estas duas direcções
de fios dá origem às chamadas telas ou Tafetá.
No que se refere ao desenvolvimento e evolução dos fios de Teia esta poderá ser feita nas mais
diversas formas obtendo assim os mais complicados tipos de ligamentos.
Como já foi explicado na rubrica estruturas básicas, os tipos de ligamentos mais conhecidos são:
 - Tela ou tafetá;
 - Sarja;
 - Cetim ou raso
Para conseguir-se a passagem da Trama entre os fios de Teia (cala), utiliza-se o elemento chamado transporte de
Tramas, que pode ser, dependendo do tipo de máquina, denominado, a/o
 - Lançadeira;
 - Projéctil;
 - Jacto de ar;
 - Jacto de água
Sabemos que dentre estes os mais conhecidos são a Lançadeira e o Projéctil embora hoje em dia seja muito
usual a utilização do jacto de ar e o jacto de água.
No que se refere aos movimentos básicos para o processamento da Tecelagem podemos considerar:
 1 - Abertura da cala;
 2 - Inserção da Trama;
 3 - Batida do pente
Para formar um tecido no tear, é necessário formar uma cala. Para conseguirmos inserir a Trama é necessário,
através de liços, excêntricos e outros meios, dividir os fios de Teia e, conforme o desenho, criar a
ligação. Os fios de Teia que sobem são denominados cala de cima e os fios que descem, cala de baixo.
Dentro desta cala procede-se à introdução do fio de Trama através do sistema de inserção utilizado e
que transporta o fio, seja através de uma canela (sistema praticamente em desuso, salvo em máquinas
muito antigas) ou fio de uma ou mais bobines dependendo, do tipo de sistema de transporte utilizado.
Este maquinismo de transporte para efectuar a inserção vai de um lado para o outro atravessando a cala e
deposita aí a Trama. Posteriormente esta Trama é empurrada pelo pente para frente encostando-a no
tecido já formado. Após cada Trama lançada forma-se uma nova cala.
Conforme o desenho (debuxo) definido, haverá fios que sobem e fios que descem numa dada inserção.
Nos retornos do mecanismo de inserção que se desloca de um para outro lado, as ourelas seguram a
Trama. Geralmente são feitas com o dobro das densidades do que o próprio fundo do tecido ou fios
retorcidos. Estas ourelas servem, também, no acabamento do tecido quando o mesmo é passado na
râmula, onde este é segurado pelas ourelas, por isto a largura das ourelas deve ser de aproximadamente
1 cm, especialmente quando se trata de tecido médio ou pesado.
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Uma boa ourela indica a qualidade do trabalho na tecelagem e é vista como um indicador de qualidade.
Muitas vezes colocam-se, também, alguns fios coloridos!
A densidade de um tecido representa o número de fios (Teia) ou Tramas por unidade de comprimento.
Notar que varia em função da fase de seu processamento:
 - Densidade no tear.
 - Tecido cru.
 -Tecido acabado.
5.1.4 - Gramagem:
Gramagem é a massa por unidade de superfície. A unidade de medida é gramas por metro quadrado. O
tecido pode ser avaliado através da gramagem conforme a tabela nº 1.
Tabela nº 03 - Classificação da Gramagem
Gramagem (g/m2) AVALIAÇÃO DO TECIDO
 140 LEVE
140  250 MÉDIO
 250 PESADO
5.1.5 - A ondulação e a contracção dos fios do tecido (CRIMP):
Ondulação é a relação entre a diferença do comprimento do fio esticado e o comprimento do fio
contraído, enquanto a contracção (ou encolhimento) é a relação dessa diferença com o fio esticado.
Podem ser obtidas pelas fórmulas:
Ond % = l – p x100
P
Onde: Ond % = percentagem de ondulação;
l = comprimento do fio esticado;
P = comprimento do fio contraído.
A contracção do fio pode ser provocada pela torção, dada a formação em hélice fornecida às fibras, ou seja, pelo
efeito da torção o fio passa a ter um comprimento menor do que tinha quando com zero torção.
A contracção faz, portanto, com que um fio modifique seu comprimento, mantendo inalterada sua massa,
modificando, assim sua densidade linear. Desta maneira, a percentagem de contracção deve ser considerada
quando se deseja um determinado título.
A percentagem de contracção pode ser dada por:
Otr % = l – p x100
P
Onde: Otr % = percentagem de contracção;
l = comprimento do fio esticado;
P = comprimento do fio contraído
5.1.6 - A importância da contracção e da ondulação
Observa-se que, a partir das mesmas variáveis obtém-se valores diferentes entre a ondulação e a
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contracção.
Alguns técnicos preferem trabalhar com a percentagem de ondulação, enquanto outros optam pelo
percentagem de contracção. Ambos os valores são precisos, desde que aplicados correctamente.
Como as variáveis são as mesmas, os conceitos a seguir são válidos tanto para a contracção (ou
encolhimento) como para a ondulação, apesar de apenas a primeira a ser citada.
A contracção sofrida pelo fio, tem importância, principalmente, para cálculos de previsão de consumo de
material.
Notar que é de extrema importância, a determinação das várias outras características do tecido,
nomeadamente:
- a resistência à tensão;
- a rigidez;
- a permeabilidade ao ar;
- etc.
Quaisquer destes valores são de difícil previsão e por isso a sua precisão nunca pode ser muito elevada.
Por isso, temos de considerar os valores teoricamente. Um valor preciso somente pode ser obtido por um
controlo estatístico sistemático que, evidentemente, é impossível de se ter quando do desenvolvimento de
um novo produto.
Todos os tecidos contraem-se durante o acabamento, bem como no processo de Tecelagem e a
montante, isto é durante o processo de preparação para a tecelagem. Estes são influenciados por diversos
factores.
Podemos considerar entre esses factores que influenciam a contracção, a matéria-prima utilizada, a
humidade e a temperatura do ambiente antes e durante o processo de Tecelagem.
Outros factores são o tipo e a afinação do tempereiro utilizado, a tensão aplicada durante o processo de
Tecelagem e a engomagem efectuada.
Assim, podemos afirmar que, afectam a contracção da Trama dos tecidos com ligamento tela e,
consequentemente, a largura do tecido:
- alta densidade de Teia (1) com Trama grossa reduzem a contracção;
- alta densidade de Trama (2) contrai mais do que baixa densidade.
Isto é influenciado também pelo diâmetro da Trama; por outro lado, quanto mais grosso for o fio da
Teia, maior será a contracção.
Notar ainda que a contracção do Teia é afectada e, portanto, o comprimento do tecido quanto:
- maior for a densidade de Teia (1), maior será a contracção;
- maior for a densidade de Trama (2), maior será a contracção;
- mais grossa for a Trama, maior será a contracção.
Um outro importante parâmetro de um modelo geométrico do tecido é o deslocamento vertical
máximo dos fios de Teia e da Trama. A curvatura mútua é obtida no entrelaçamento dos fios, dando-
lhes uma forma ondulada. Comparando-se os deslocamentos a partir do eixo do Teia com o do eixo da
Trama, observa-se que há diferença entre os deslocamentos a partir do plano do tecido.
A ondulação (Ond%) e a contracção da Trama (Ctr%) são maiores que a ondulação (Ond%) e a
contracção da Teia (Ctr%).Os valores das curvaturas dos fios são caracterizados pelas formas dos
eixos dos fios quando no tecido. fios quando no tecido.
Existe também uma certa relação entre o deslocamento do Teia e o deslocamento da Trama. O
deslocamento do Teia diminui, enquanto o deslocamento da Trama aumenta, e vice-versa. A soma dos
deslocamentos do Teia e da Trama é constante para um certo tecido e é igual à soma dos diâmetros
desses fios.
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5.1.7 - Factor de Cobertura de um Tecido ou Toalha de Felpo:
Conforme já foi dito na alínea 3.7 – Coeficientes de Ligação dos Elementos, o factor de cobertura está
intimamente ligado com o cálculo para a determinação dos Coeficientes dos Elementos, Trama e Teia.
Como sabemos, o número e tamanho dos espaços entre fios de um tecido ou toalha de felpo, dependem
da densidade de fios da Teia no caso dos tecidos planos, e das Teias de Cima e de Baixo no caso de
Toalhas de Felpo e, ainda do número de passagens na Trama e do diâmetro dos fios utilizados.
Quando a trama e a teia se encontram perfeita e uniformemente espaçadas, a área de cada espaço (parte
não coberta pelo fio) é dada por:
(P1 – d1) x ((P2 – d2) (cm2) (*)
sendo que o número de espaços é dado pelo produto:
N1 x N2
Tabelaº 4 - Nomenclatura
PARÂMETRO DO FIO TEIA TRAMA
Diâmetro do fio d1 d2
Densidade linear ou tex do fio Tex1 Tex2
Frisado C1 C2
Cobertura Kcob1 Kcob2
Factor de cobertura K1 K2
Densidade de fios ou número de fios/cm N1 N2
Espaçamento entre fios P1 P2
Comprimento modular I1 I2
PARÂMETRO TECIDO
Massa por unidade de superfície M
Cobertura Kcob
Factor de cobertura K
Comprimento da peça Q
Largura L
Espessura T
Notar que o tamanho de cada espaço individualizado depende da uniformidade das densidades dos fios
e dos diâmetros dos mesmos.
O diâmetro do fio é, como se compreende, um problema da fiação, dependendo entre outros factores
da torção do fio e do valor micronaire das fibras utilizadas na produção do fio. Quanto maior for o
factor de torção utilizado, menor será o diâmetro do fio. Por outro lado, quanto mais baixo for o valor
micronaire de um dado fio maior será o número de fibras por secção e logo afectará também o
diâmetro do mesmo.
No entanto, temos de ter em consideração que a uniformidade da densidade dos fios e das passagens é
determinada no processo de tecelagem. Quando o espaçamento entre fios é irregular, é possível que os
espaços maiores possuam uma área várias vezes superior à média obtida na fórmula dada acima (ver *)
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A COBERTURA DA TEIA é definida por:
d1 TC d1 TB
Kcob1 TC = ---------------, e Kcob1 TB = ---------------------
p1 TC p1 TB
sendo, TC e TB – Teia de cima e Teia de Baixo respectivamente.
Por outro lado, a COBERTURA DA TRAMA é dada por;
d2
Kcob1 = ---------------
p2
Por outro lado, o factor de COBERTURA TOTAL DE UM TECIDO DE FELPO, será:
p2 x d1 + p1 x d2 – d1 x d2
Kcob Total = -------------------------------------------------------
p1 x p2
Notar que segundo GROSBERG o valor do diâmetro do fio (d) = 4,44 x 10-³ x
√𝒕𝒆𝒙 𝒅𝒐 𝒇𝒊𝒐/𝒎𝒂𝒔𝒔𝒂 𝒆𝒔𝒑𝒆𝒄𝒊𝒇𝒊𝒄𝒂 (𝒎𝒎)
Como é difícil determinar o diâmetro dos fios utilizado num processo de tecelagem, há uma forma
mais expedita que será determinar o seu inverso, isto é:
p1 = 1/ N1; p2 = 1/ N2
Por substituição na fórmula anterior, teremos:
Kcob1 = 4,44 x 10-³ x (tex 1/ p fibra) x N1 = 4,44 x 10-³ x p fibra -½ x √𝒕𝒆𝒙𝟏 x N1
Como exemplo:
Considerando uma toalha de felpo em estrutura tafetá e de acordo com as seguintes especificações:
Teia de Cima – 12 fios/cm; Ne do fio = 24/2 = 12/1
Teia de Baixo - 12 fios/cm; Ne do fio =24/2 = 12/1
Trama - 16 passagens /cm; Ne do fio = 14,1/1
Calculo: Factor de Cobertura à Teia =
𝑭𝒊𝒐𝒔 /𝒄𝒎
√𝑻𝒊𝒕𝒖𝒍𝒐𝒅𝒐 𝒇𝒊𝒐 (𝑵𝒆)
/𝑭𝒂𝒄𝒕𝒐𝒓 𝒄𝒐𝒓𝒓𝒆𝒄çã𝒐
Sendo factor de correcção = 0,41
Assim, temos;
Teia de Baixo com 12 fios/cm e Ne 24/2 (12/1), temos:
𝟏𝟐
√𝟏𝟐
/𝟎, 𝟒𝟏 = 8,4
Teia de Cima com 12 fios/cm e Ne 24/2 (12/1), temos:
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𝟏𝟐
√𝟏𝟐
/𝟎, 𝟒𝟏 = 8,4
Calculo: Factor de Cobertura à Trama =
𝑭𝒊𝒐𝒔 /𝒄𝒎
√𝑻𝒊𝒕𝒖𝒍𝒐𝒅𝒐 𝒇𝒊𝒐 (𝑵𝒆)
/𝑭𝒂𝒄𝒕𝒐𝒓 𝒄𝒐𝒓𝒓𝒆𝒄çã𝒐
Sendo factor de correcção = 2,61
Trama com 30 passagens e Ne 14/1, temos:
𝟑𝟎
√𝟏𝟒
𝒙𝟐, 𝟒𝟐 = 19,4
Factor de Cobertura Total = 8,4+8,4+19,4 = 36,2
Tabela nº 5 - Factores de Cobertura para um dado Tecido ou Felpo em função do número de fios
e número de passagens:
Teia Ne 12/1
Fios/cm
Factor cobertura
Teia K1
Trama Ne 14/1
Passagens/cm
Factor cobertura
Teia K2
Factor de
Cobertura
TOTAL
5 3,1 5 3,2 6,3
10 7,0 10 6,5 13,5
15 10,5 15 9,7 20,2
20 14,0 20 13,0 27,0
25 17,5 25 16,2 33,7
30 21,0 30 19,5 40,4
35 24,6 35 22,7 47,3
40 28,2 40 26,0 54,2
41 28,8 41 28,8 57,6
NOTA: Limites para o Factor de Cobertura:
≤ 22,5 – Factor de Cobertura Normal
> 22,5; <28 – Factor de Cobertura Aceitável
≥ 28 – Factor de Cobertura Elevada (não aceitável)
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6 - Estruturas fundamentais: DEBUXOS
Tendo em conta as estruturas fundamentais consideradas e já descritas, vamos fazer de seguida uma
abordagem às estruturas fundamentais de onde derivaram os debuxos dos tecidos para o nosso estudo.
O DEBUXO ou PONTO de um tecido é o termo utilizado para indicar tecnicamente o modo como se
efectua o entrelaçamento dos fios de TRAMA com os fios de TEIA a fim de se conseguir produzir o
dado TECIDO.
Notar que os cruzamentos segundo os quais os fios de TRAMA e TEIA se combinam são ilimitados.
A representação gráfica é efectuada em papel quadriculado – chamado o PAPEL DE DEBUXO – sendo
os fios de TEIA representados pelo espaço entre as linhas verticais, e os fios de TRAMA pelo espaço
entre as linhas horizontais. Cada quadrado no papel representa a intersecção de um fio TEIA – FIO –
com um fio de TRAMA – PASSAGEM.
A pintura do debuxo deve-se iniciar-se pelo quadrado situado no canto inferior esquerdo do papel.
Cada quadrado pintado indica que, no tecido, o fio de TEIA passa sobre o fio de TRAMA – (chamado
PICA). Cada quadrado em branco indica que o fio de TRAMA passa sobre o fio de TEIA – (chamado
DEIXA).
A
Passagem
O O
Fio
Representação Gráfica de um PICA
B
O O Passagem
Fio
6.1 - Representação Gráfica de um DEIXA
O MODELO ou o chamado módulo de repetição é o menor número de fios e de passagens necessárias
para efectuar um debuxo. A repetição sucessiva deste módulo no sentido da TEIA e da TRAMA produz
o padrão do tecido.
O PICA ou o DEIXA base é o PICA ou o DEIXA situado no canto inferior esquerdo, a partir do qual se
inicia a construção do MODELO.
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Figura nº 19 - Exemplo de um Modelo
6.1 - ALINHAVO DE TEIA:
Trata-se do número de passagens sucessivas sobre (ou sob) as quais passa um fio de TEIA.
Fig. nº 20 – Alinhavo de 3 à TEIA
6.3 - ALINHAVO DE TRAMA:
É o número de fios sucessivos sobre (ou sob) os quais passa um fio de TRAMA.
Fig. nº 21 – Alinhavo de 3 à TRAMA
Os alinhavos de TEIA pelo direito contam-se em quadrados pintados na vertical, e os alinhavos
de TRAMA pelo direito contam-se em quadrados em branco na horizontal. No avesso do tecido,
quadrados brancos na vertical correspondem a alinhavos de Teia e quadrados pintados na
horizontal correspondem a alinhavos de TRAMA.
6.4 - AVANÇO OU AFASTAMENTO À TEIA:
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 36 de 95
Trata-se do deslocamento vertical dos picas (ou dos deixas) entre dois fios de teia consecutivos. O
seu valor é igual ao número de passagens consecutivas, a contar de baixo no sentido vertical,
entre um pica (ou deixa) base de um fio de teia e o pica (ou deixa) mais próximo do fio de teia
seguinte.
3
2
1
Fig. nº 22 – Avanço de 3 à TEIA
6.5 – AVANÇO OU AFASTAMENTO À TRAMA:
Podemos considerar que é o deslocamento horizontal dos picas (ou dos deixas) entre duas
passagens consecutivas. O seu valor é igual ao número de fios de teia consecutivos, a contar da
esquerda no sentido horizontal, entre um pica (ou deixa) base de uma passagem e o pica (ou
deixa) mais próximo da passagem seguinte.
1 2 3
Fig. nº 23 – Avanço de 3 à TRAMA
Assim, analisando os debuxos da Figura abaixo podemos constatar que os modelos têm o mesmo
tamanho e alinhavos iguais, mas o avanço é diferente, o que logo vai resultar em estruturas muito
diferentes. Por isso, pode-se concluir que a noção de avanço se reveste de uma importância
fundamental para o estudo das estruturas dos tecidos.
Fig. nº 24 - Estruturas com avanços diferentes.
6.6 – REPRESENTAÇÃO NUMÉRICA DE ESTRUTURAS
Existem vários métodos de representação numérica de estruturas.
O método e a simbologia mais utilizada e que tem demonstrado ser mais eficiente e de maior utilidade
prática é o que a seguir se indica
Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama
Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 37 de 95
1 – A ORDEM DE TECELAGEM:
Constituída por um traço horizontal, contendo números na parte superior (PICAS) e na inferior
(DEIXAS).
2 – A DIRECÇÃO DO AVANÇO:
É indicado pela utilização de um “A” colocado à frente da ordem de tecelagem.
“A” – representa um avanço à teia;
“»” - representa um avanço à trama
3 – O valor do AVANÇO é representado por um índice numérico de “A”
A fórmula geral é a seguinte:
a) – No caso de o avanço ser na direcção da TEIA:
m
Ak
n
Sendo:
m = número de picas em cada fio
n = número de deixas em cada fio
A = avanço à teia
K = valor numérico do avanço
b) – No caso do avanço ser na direcção da TRAMA:
m
»k
n
Sendo:
m = número de picas em cada passagem
n = número de deixas em cada passagem
» = avanço à trama
K = valor numérico do avanço
Quando o AVANÇO é COMPOSTO, o índice K não é apenas um número, mas antes um conjunto de
números ligados pelos sinais mais ou menos (+/-).
Cada número corresponde ao avanço de um fio (ou passagem)
Uma vez introduzidos todos os avanços, repete-se a mesma sequência até que seja encontrado o
modelo.
6.7 - Construção dos debuxos
Vários são os tipos de debuxos que podemos criar e utilizar na produção dos nossos tecidos.
Como exemplo mais simples, podemos citar os cetins, podem ser regulares ou irregulares.
Os regulares obedecem a determinadas regras:
a) Os modelos são sempre quadrados;
b) Em cada fio e em cada passagem apenas existe um ponto de ligamento;
c) Não podem existir pontos de ligamento em posições contíguas;
d) O avanço é constante.
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 38 de 95
A sequência sistematizada para a construção dos debuxos a partir da sua representação numérica é a
seguinte:
1) – Verificar se o avanço é à TEIA ou à TRAMA;
2) – Somar os números que compõem a ordem de tecelagem;
2.1 – Se o avanço for à teia, o resultado da soma é igual ao número de passagens do modelo;
2.2 – Se o avanço dor à trama, o resultado da soma é igual ao número de fios do modelo.
3) – A partir de um PONTO BASE (primeiro pica do fio ou passagem inicial) colocado no canto inferior
esquerdo, marcam-se os outros pontos base dos fios ou das passagens, conforme o avanço é à teia ou à
trama. Esses avanços vão-se marcando até se encontrar o modelo;
4) – A ordem de tecelagem é introduzida a partir dos pontos base. Se o avanço for à teia, a ordem é
introduzida em cada fio; se o avanço for à trama a ordem é introduzida em cada passagem.
Fig. nº 25 - Estrutura com avanços SIMPLES
3 1
A1
2 2
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 39 de 95
Fig. nº 26 - Estrutura com avanços SIMPLES
3 1
»3
2 2
Fig. nº 27 - Estrutura com avanços COMPOSTO
4 4 1
Ao+2
3 2 2
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 40 de 95
Fig. nº 28 - Estrutura com avanços COMPOSTO
3 1
» 1+2
2 2
6.8 – Representações numéricas compostas
Quando a estrutura só pode ser representada numericamente por duas ou mais ordens de tecelagem, a
cada ordem de tecelagem deverá corresponder um avanço.
Para um número de passagens ou de fios de um modelo (avanço à teia ou à trama respectivamente) é
dado pelo menor múltiplo comum entre as somas dos números que compõem cada uma das ordens de
tecelagem individualmente.
Quando existe apenas um avanço e diversas ordens de tecelagem, isto significa que o avanço é o mesmo
para todas elas.
6.9 – CLASSIFICAÇÃO DOS TECIDOS
A classificação dos tecidos baseia-se no número de TEIAS e TRAMAS utilizado.
1 – TECIDOS SIMPLES – apresentam uma teia e uma trama
2 – TECIDOS MÚLTIPLOS – são formados por duas ou mais teias ou por duas ou mais tramas,
ou então as duas coisas conjuntamente. Podem-se subdividir-se em:
a) – FORRADOS POR TRAMA – uma teia e duas tramas
b) – FORRADOS POR TEIA – duas teias e uma trama
c) – DUPLOS – duas teias e duas tramas
d) – TRIPLOS – três teias e três tramas
Como já foi afirmado no ponto 3.6 existem três estruturas fundamentais:
 TAFETÁ – tecido com aspecto granulado;
 SARJA – tecido com cordões oblíquos;
 CETIM – tecido liso e brilhante.
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 41 de 95
A maioria dos tecidos utilizados na fabricação de vestuário é produzida nos debuxos
fundamentais. As diferenças entre eles podem ser devidas:
 - ao debuxo ou à estrutura em si;
 - à matéria prima utilizada;
 - à geometria (tipo de fiação), títulos e torções dos fios utilizados.
 - à densidade das teias e das tramas dos tecidos;
 - ao tipo de acabamento utilizado
6.10 – Os Tafetás
O tafetá (fig. 3.7) é o debuxo mais simples e o mais difundido. Os tecidos que se obtêm são leves e
com uma aparência lisa. A leveza resulta do alinhavo de um que impede que se teça com um
número elevado de fios e passagens por centímetro (12).
Fig. nº 29 - Tafetá _1_
1
6.10.1 -Derivados do tafetá
Os derivados do tafetá resultam da ampliação dos alinhavos de um, tanto no sentido da teia (fig.
3.8 e 3.9), como no sentido da trama (fig. 3.10 e 3.11) ou simultaneamente em ambos os sentidos
(fig. 3.12 e 3.13). Em cada uma destas três categorias existem os debuxos regulares e os
irregulares. Nos primeiros, a ampliação é feita com alinhavos sempre do mesmo tamanho. O
mesmo não acontece nos debuxos irregulares em que a ampliação é realizada com alinhavos
diferentes.
Fig. nº 30 - Ampliado à teia regular
Fig. nº 31 - Ampliado à teia irregular
Fig. nº 32 - Ampliado à trama regular
Fig. nº 33 - Ampliado à trama irregular
Fig. nº 34 - Ampliado à teia e trama regular
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 42 de 95
Fig. nº 35 - Ampliado à teia e trama irregular
6.11 – As Sarjas
A sarja caracteriza-se por aplicar avanço 1 a qualquer ordem de tecelagem, apresentando, desta forma,
um cordão bem nítido cuja inclinação depende do número de fios e de passagens por centímetro. Se o
número de fios do tecido for igual ao número de passagens, o cordão terá uma inclinação a 45 graus.
Essa inclinação será superior a 45 graus se o tecido tiver mais fios que passagens por centímetro, e
inferior a 45 graus se tiver menos fios que passagens (12).
As sarjas simples podem ser leves, pesadas ou neutras.
Figura nº 36 – Ponto de Sarja 3/1
6.11.1 - Sarjas leves
As sarjas simples são leves, se no lado direito do tecido o número de picas for inferior ao número de
deixas (fig. 3.4).
1
Fig. nº 37 – Sarja Leve ------- A1
2
6.11.2 - Sarjas neutras:
Nas sarjas neutras, também designadas de batávias, o número de picas e deixas é igual (fig 3.5).
Fig. nº 38 - Sarja leve _2_ A 1
2
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6.11.3 - Sarjas pesadas:
As sarjas simples são pesadas, se no lado direito do tecido o número de picas for superior ao
número de deixas (fig. 3.6)
Fig. nº 39 - Sarja pesada _4_ A 1
2
6.12 – Os Cetins
Como já se afirmou, os cetins são tecidos que apresentam, pelo seu direito, uma superfície lisa formada
predominantemente pela teia ou pela trama. Se a predominância no direito do tecido for da teia
relativamente à trama, os cetins são designados de cetins efeito teia (fig. 3.14).
Caso contrário, os cetins serão designados de cetins efeito trama (fig. 3.15).
Fig. nº 40 - Cetim efeito teia
Fig. nº41 - Cetim efeito trama
Normalmente designam-se por cetins irregulares os que não obedecem a uma ou mais regras dos cetins
regulares, sendo necessário, contudo, que se observe sempre o cumprimento da terceira regra para que
não se produzam tecidos defeituosos (12).
De todos os cetins regulares, os mais utilizados são os cetins de 5, 7 e 8 (ver figs. 3.16 a 3.18), porque
permitem produzir tecidos com um peso dentro do normal.
No que diz respeito aos cetins irregulares, o mais usado é o cetim de 6 que é construído com os avanços
4+4+3+2+2+3
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 44 de 95
6.12.1 - Debuxos fundamentais para um CETIM
Fig. nº 42 – Cetins de 5
Fig. nº 43 – Cetins de 7
Fig. nº 44 – Cetins de 7 (continuação) Fig. nº 45 – Cetins de 8
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 45 de 95
7 - Coeficiente de ligação médio – CLM
Definidas as estruturas em estudo e para um melhor conhecimento das mesmas, considerou-se ser
importante verificar a capacidade de ligação de cada uma, determinando o seu coeficiente de ligação
médio – CLM.
Para determinar o coeficiente de ligação das estruturas, ou seja, o coeficiente que divide o total de
pontos de ligamento por teia e por trama pelo número total de pontos de ligamento possíveis, utilizam-
se as fórmulas 3.1 e 3.2
Coeficiente de ligação da Teia:
CLTE = total de pontos de ligação por teia (3.1)
nº de fios X nº de passagens
Coeficiente de ligação da Trama:
CLTR = total de pontos de ligação por trama (3.2)
nº de fios X nº de passagens
Através da média dos coeficientes da teia e da trama, é obtido o coeficiente de ligação médio de cada
uma das estruturas, como se pode observar na Tabela nº 3.2 como já foi afirmado nas paginas 18 e 19.
Tabela nº 6
Classificação das estruturas segundo o seu coeficiente de ligação médio
Classificação Coeficiente de
ligação médio
Muito ligada 1 – 0,66
Normalmente ligada 0,66 – 0,4
Pouco ligada 0,4 – 0,2
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 46 de 95
8 - Estudo Laboratorial (Exemplo de uma análise a efectuar no tecido)
8.1 - Recolha das amostras para a análise laboratorial
Considerar uma zona seleccionada de um tecido, tida como representativa e destinada a fornecer dados
para a avaliação da qualidade.
8.1.1 – Análise da Gramagem de um Tecido.
Análise laboratorial Segundo a Norma ASTM D 3776-96 – Standard Test Method for Mass Per Unit
Area (Weight) of Fabric.
Para a realização de uma análise laboratorial podemos considerar várias opções:
Opção A - Amostra representativa do tecido com o desenho Completo, seja em Rolo ou Cortado;
Opção B - Amostra com a Largura Completa do tecido para análise;
Opção C - Pequena amostra representada por um Pedaço de Tecido;
Opção D – Amostra de Tecidos Estreitos;
Opção E - Amostra de um Pequeno Pedaço de Tecido que se pretende controlar.
Este procedimento é aplicável quando um pequeno pedaço de tecido é mandado para o laboratório para
ser usado como corpo de prova. Os resultados são considerados para serem aplicáveis na amostra e não
necessariamente para o lote do qual a amostra foi retirada. As medições por este método não incluem
ourela e deve ser informada dessa maneira, a menos que uma ourela seja especificada.
Os critérios para a recolha das amostras terá de ter em consideração o tipo de tecido a ser analisado e os
ensaios a realizar.
Notar que determinados requisitos deverão ser tidos em consideração para que haja representatividade e
cumpra as exigências internacionais, nomeadamente considerando:
- Toda a largura do tecido;
- Comprimento mínimo de 1 m.
- Distância inferior a 3 m (início/fim).
- Não tenha irregularidades ou deformações visíveis.
As amostras devem ser acondicionadas antes de se efectuar os respectivos ensaios, por isso, o
laboratório deve dispor de um sistema de ar condicionado, para que haja um equilíbrio higrométrico
que cumpra os requisitos normativos. Antes de se submeter as amostras a ensaio, deve ser retirado do
tecido, logo dos fios, os produtos utlizados no processo de preparação para a tecelagem (gomas) e as
resinas que possam ter sido utilizados nos acabamentos. Se tal não for efectuado vai com toda a certeza
influenciar o resultado dos ensaios efectuados.
8.1.2 - Provetes:
Deverão ser recolhidas uma ou mais unidades retiradas da amostra, sobre as quais serão processados
testes ou medições.
A opção C é usada só quando há disponível um tecido limitado e não deve ser usado para teste de
aceitação. Neste caso, pode ser considerado um pedaço de tecido para recolha das amostras.
8.1.3 - Recolha dos provetes:
Os critérios para a recolha dos provetes são variáveis, conforme o tipo de têxtil a ser analisado, e o tipo
de ensaio aplicado a este produto. Para a recolha de provetes em tecidos plano deverão ser cumpridos
os seguintes requisitos:
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Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 47 de 95
 - Não retirar a uma distância inferior a 1/10 da largura em relação à ourela.
 - Não devem conter os mesmos fios de Teia ou Trama (retirar em diagonal).
 - Dimensão deverá ser a suficiente de modo que os resultados obtidos sejam
representativo do tecido que se pretende controlar
 - Identificar o sentido da Teia e da Trama e numerar cada um dos provetes.
Como boa norma, a área onde se deve efectuar a recolha das amostras deverá ser de pelo menos 130
cm2 ou então as amostras poderão ter uma área menor, mas deverão ser retiradas em diferentes partes
do tecido de amostra e deverá ter uma área total de pelo menos 130 cm2.
Não retirar as amostras para análise numa zona do tecido que fique perto das ourelas ou dos extremos
do tecido. Conforme se afirmou acima, devem ser considerados a uma distância mínima de um décimo
(1/10) da largura do tecido da ourela ou do corte caso não haja ourela. Se o tecido for insuficiente então
deverá ser anotado no relatório da análise esta informação.
Retira-se da peça de um tecido de dois metros, 5 provetes de 10 cm x 10 cm.
Notar que devem ser retirados na diagonal, de maneira que os fios de teia e de trama não sejam os
mesmos em nenhuma das amostras.
A recolha das amostras deverá seguir conforme o esquema apresentado abaixo:
Fig. nº 46 – Sugestão para recolha de amostras num dado tecido amostra.
Em seguida efectuar a pesagem das 10 amostras com dimensões de 10 cm x 10 cm numa balança
analítica obtendo amassa (M) em gramas de cada um.
8.1.4 - Atmosfera padrão:
Atmosfera condicionada e mantida no estado higrométrico conforme requisitos nas normas
internacionais:
-Temperatura: 21ºC  2ºC ; = 70º F
-Humidade Relativa: 65%  2%.
8.1.5 - Equilíbrio Higrométrico:
Estado onde não há troca sensível de humidade entre a amostra e a atmosfera ambiente.
Observações:
O Equilíbrio Higrométrico deve ser alcançado a partir de um estado mais seco (absorção de
humidade).
Para um “pré-acondicionamento”, considerar:
- 10%-25% HR (humidade relativa),
- Temperatura maior que 50ºC.
- Tempo de acondicionamento : 24 horas com livre circulação de ar.
- Equilíbrio Higrométrico (E.H.) = Pesagem a cada duas horas.
- Não apresentar diferença de massa superior às exigências das normas (0,25% - AFNOR)
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  • 1. ESTUDO SOBRE TECIDOS PLANOS TOALHAS DE FELPO E MALHAS DE TRAMA Por: Constantino Monteiro Alves, Eng. Têxtil Ano 2014
  • 2. Estudo sobre Tecidos Plano, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 1 de 95 INDICE 1 TÍTULO 4 2 OBJECTIVO 4 3 INTRODUÇÃO TEÓRICA 4 3.1 – Tecelagem 4 3.2 - Aspectos técnicos da Tecelagem 4 3.3 – Classificação e Tipos de Teares 5 3.3.1 – Teares de Lançadeira 6 3.3.2 – Teares de Lançadeira de Pinças 7 3.3.3 – Teares de Projéctil 7 3.3.4 - Teares de Pinças Unilateral 7 3.3.5 – Teares de Pinças Bilateral com Transferência 7 3.3.6 – Teares Jacto de Ar 8 3.3.7 - Teares Jacto de Água 8 3.3.8 – Teares Bifásico 8 3.4 - O que é um Tecido? 8 3.4.1 - Tipos de Tecidos 9 3.4.2 – Obtenção de Tecidos 9 3.4.2.1 – Sistema de obtenção de Tecidos 9 3.4.2.2 – Classificação de Tecidos 10 3.4.2.2.1 – Quanto à Estrutura 10 3.4.2.2.2 – Quanto à Coloração 11 3.4.3 – Tecidos Planos 11 3.4.4 – Principais componentes de um Tear 13 3.5 – Padronagem 14 3.5.1 – Representação das Evoluções 15 3.5.2 – Desenho da Evolução da Teia e Representação no Papel Técnico 15 3.5.3 - Base da Evolução 15 3.6 - Estruturas Básicas 15 3.6.1 – O Ligamento Tela 15 3.6.2.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Tela 16 3.6.2.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Tela 16 3.6.2 – O Ligamento Sarja 17 3.6.2.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Sarja 17 3.6.2.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Sarja 17 3.6.3 – O Ligamento Cetim 18 3.6.3.1 – Estruturas Típicas em Ligamento Cetim 18 3.6.3.2 – Tipos de Tecidos com Ligamento Cetim 19 4 OUTRAS CARACTERÍSTICAS /TIPOS DE TECIDOS 19 5 OBTENÇÃO DE: 20 5.1- Tecidos Planos 20 5.1.1 - Geometria e Propriedades dos Tecidos 20 5.1.2 - Processo de Tecer 21 5.1.3 – Propriedades Físicas de um Tecido 22 5.1.4 – Gramagem 23 5.1.5 – A Ondulação e Contracção dos Fios da Teia 23 5.1.6 – A Importância da Contracção e da Ondulação 24 5.1.7 – Factor de cobertura de um Tecido e ou Toalha de Felpo 26 6 ESTRUTURAS FUNDAMENTAIS - DEBUXOS 31 6.1 – Representação Gráfica de um DEIXA 32 6.2 – Alinhavo de Teia 33
  • 3. Estudo sobre Tecidos Plano, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 2 de 95 6.3 – Alinhavo de Trama 33 6.4 – Avanço ou Afastamento à Teia 34 6.5 – Avanço ou Afastamento à Trama 34 6.6 - Representação Numérica de Estruturas 35 6.7- Construção dos Debuxos 36 6.8 - Representação numéricas compostas 37 6.9 – Classificação dos Tecidos 37 6.10 – Os Tafetás 38 6.10.1 – Derivados do Tafetá 38 6.11- As Sarjas 39 6.11.1 – Sarjas Leves 39 6.10.1 – Sarjas Neutras 40 6.10.1 – Sarjas Pesadas 40 6.12 – Os Cetins 40 6.12.1 – Debuxos Fundamentais para um Cetim 41 7 COEFICIENTE DE LIGAÇÃO MÉDIO - CLM 42 8 ESTUDO LABORATORIAL (Exemplo de uma análise a efectuar no Tecido) 43 8.1 – Recolha das amostras para a análise laboratorial 43 8.1.1 – Análise da Gramagem de um Tecido 43 8.1.2 – Provetes 43 8.1.3 – Recolha dos provestes 43 8.1.4 – Atmosfera Padrão 44 8.1.5 – Equilíbrio Higrométrico 44 8.1.6 – Procedimento 45 8.1.7 – Ensaios que normalmente devem ser efectuados na análise de um tecido 45 8.1.7.1 – Ligação do Tecido 45 8.2 – Determinação da Contracção e da Ondulação 46 8.2.1 – Desvio de Trama 47 8.3 – Densidade 50 8.4 – Largura do Tecido 50 8.5 – Titulação dos Fios de um Tecido 51 8.5.1 – Sistema directo de Titulação 51 8.5.2 – Sistema Indirecto de Titulação 51 8.6 – Determinação do Título obtido numa amostra reduzida 52 8.7 -Recolha dos Provetes 52 8.8 – Selecção de Provetes de um Lote 56 9 MALHAS DE TRAMA 56 9.1 - Classificação 56 9.2 – Geometria e propriedades 57 9.3 – Estruturas básicas das Malhas de Trama 58 9.3.1 – Jersey (Tecido de uma Face) 58 9.3.2 – Meia Malha 59 9.3.2.1 – Meia Malha Simples 59 9.3.2.2 – Meia Malha Riscador horizontal 59 9.3.3 – Piqué 59 9.3.3.1 – Piqué Lacoste Simples 59 9.3.3.2 – Piqué Lacoste Duplo 59 9.3.3.3 – Molletom ou Felpa Americana 59 9.3.3.4 – Molletom (Felpa) 3x1 – Trama desfasada 59 9.3.3.5 – Molletom (Felpa) 3x1 – 2 Tramas desfasadas 60 10 Comprimento médio do fio absorvido e controlo da regularidade de absorção de fios de um tecido de malha (L.F.A.) 60 11 Formulas utilizadas em Cálculos na Tecelagem 61 12 Noções Básicas de Qualidade 63
  • 4. Estudo sobre Tecidos Plano, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 3 de 95 12.3 - Custos da Qualidade e Custos da Não Qualidade 64 12.4 - Os Defeitos na Tecelagem 65 12.4.1 - Causas dos Defeitos 65 12.6 – Toalhas de Felpo – defeitos e sua origem 72 13 Estudo sobre as alterações dimensionais de um artigo têxtil – Tecido Plano e Toalha de Felpo 79 14 ANEXOS 85 Anexo 1 - Documento para utilização no Controlo da Qualidade 85 Anexo 2 – Estruturas Fundamentais – ALGUNS DEBUXOS 86 Anexo 3 - Normas utilizadas nos testes laboratoriais: 90 Bibliografia 92
  • 5. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 4 de 95 1 – TÍTULO Análise de Tecidos Planos – Tecelagem e Malhas de Trama – Tricotagem 2 – OBJECTIVO O presente estudo tendo como base as normas específicas para o sector têxtil, tem como objectivo dissertar sobre os ligamentos (debuxos), a gramagem, a densidade e a largura dos tecidos, bem como dar indicações sobre como realizar os ensaios de títulos e qualidade dos fios utilizados, bem como dos artigos produzidos mediante a avaliação da, contração/ondulação, desvio da Trama num tecido plano e factor de cobertura de um tecido e defeitos usuais nos processos. Para as malhas de Trama como realizar ensaios da gramagem, título em amostras reduzidas, determinar o comprimento médio do fio que foi absorvido (LFA) e controle da regularidade de absorção de fios. 3 - INTRODUÇÃO TEÓRICA 3.1 - A TECELAGEM Sobre o conceito tecelagem, poder-se-á dizer que é, grosso modo, o cruzamento dos fios da teia com os da trama. Trata-se de uma das mais antigas manifestações da inteligência do Homem, conjuntamente com o domínio do fogo e a invenção da roda. O cruzamento de elementos vegetais ou de tiras de peles de animais para produzir objectos novos principalmente para protecção do corpo, está provavelmente na origem da invenção da tecelagem. Já os tecidos achados nos túmulos egípcios, datados de entre 3000 a 2000 antes de Cristo permitem- nos concluir a existência de uma avançada técnica de fiação e tecelagem do linho e do algodão. Outros restos de tecidos encontrados na América do Sul e no Norte da Escandinávia fornece-nos indicações sobre a utilização primitiva de pêlos de animais, entre eles a lã. Também na China a descoberta da seda, proveniente do bicho-da-seda, (Bombix Mori) datam de 2000 anos antes de Cristo. Imagina-se que a tecelagem começou por ser feita com o auxílio de alguns paus colocados no chão. A noção de tear é historicamente muito recente. No entanto poder-se-á dizer que do "tear de chão" se passou para o "tear vertical", colocando verticalmente a armação que suporta a teia. A inserção da trama passou também a ser feita com o auxílio de réguas assim como o batimento de cada passagem. Desta forma, estava iniciada a evolução da tecelagem que iria demorar vários milénios passando por várias melhorias. No entanto, o tear manual em que a energia provém do esforço de um homem ou de uma mulher através dos seus braços e pernas apenas virá a ser usado até no século XVIII quando entre 1786 e 1792 " Edmund Cartwright " aperfeiçoa um sistema que após várias tentativas consegue atingir o desejado processo de tecer mecanizado, pelo que regista sob patente o processo e dá origem ao tear mecânico, em que a energia provém de uma roda hidráulica, onde é transmitida por veios de transmissão e por sistemas de correias que accionam os teares que realizam mecanicamente os movimentos necessários para fabricação de um tecido. 3.2. Aspectos Técnicos da Tecelagem A tecelagem compreende dois sectores: (1) preparação à tecelagem e (2) tecelagem propriamente dita. 1 - A preparação à tecelagem consiste em uma série de operações, nomeadamente a preparação da Teia através do processo de URDISSAGEM, que pode ser DIRECTA ou SECCIONAL, ENCOLAGEM ou ENGOMAGEM, REMETER e PICAR e finalmente ATAR, de forma que os fios fiquem em condições de sofrerem o processo de tecer.
  • 6. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 5 de 95 2 - A tecelagem propriamente dita é a transformação do fio em tecido, através de operações de tecer. Figura nº 1 – Fios da TRAMA, Fios da TEIA e OURELA 3.3 - Classificação e Tipos de Teares O entrelaçamento da Teia com a Trama é feito no tear (onde o fio da Teia se costuma designar simplesmente por fio e o fio de Trama por passagem). No processo de Tecer são necessárias três OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS: A FORMAÇÃO DA CALA: que consiste na separação dos fios da teia em duas folhas, formando um túnel conhecido por cala. A INSERÇÃO DE TRAMA: que consiste na passagem do fio de trama no interior da cala, ao longo da largura do tecido. O BATIMENTO DO PENTE: que consiste em empurrar a passagem inserida contra o tecido já formado, até um ponto designado por “frente do tecido”. Estas funções primárias devem encontrar-se sincronizadas, de modo que as operações ocorram na sequência correcta, não interferindo umas com as outras. Os teares podem ser diferenciados pelos seus sistemas de inserção da trama e pelos seus sistema de abertura da cala. Teares manuais: actualmente são utilizados quase que exclusivamente para artesanato ou para a produção de novos artigos ou amostra não colocados na linha de produção. Teares mecânicos não automáticos: São teares que não possuem determinados mecanismos de auxílio para o tecelão, tais como guarda Teias (teia: conjunto de vários fios que entram no tear no sentido longitudinal), paragem por falta de Trama e troca de bobines ou lançadeiras. Teares mecânicos semi-automáticos: são teares não automáticos que sofrem adaptações de mecanismos (guarda Teias) que auxiliam o tecelão e possibilita a produção de produtos (tecidos) com melhor qualidade. Teares automáticos: podem ser divididos em: a) - Teares convencionais: quando a alimentação da trama (trama: conjunto de vários fios que entram no tear no sentido transversal) é feita automaticamente por mecanismos especiais, nomeadamente o mecanismo que efectua a mudança da Bobine quando o fio está prestes a terminar e o mecanismo que efectua a troca do projéctil quando a bobine do fio esta prestes a chegar ao fim. Na inserção da trama temos:  sem lançadeira;  de Projéctil – também chamado de lançadeira de pinças. Trata-se de uma pequena peça que arrasta a trama através da cala (cala: abertura formada por duas camadas de Teia);  de Pinças rígidas – a trama é introduzida na cala por uma espécie de agulha; Nota: Existem teares com uma única pinça ou com duas.  de Pinças flexíveis – possuem duas cintas flexíveis de aço, uma em cada lado;  Jato de ar – a trama do fio recebe um jacto de ar e é jogada através da cala.  Jato d’água – a trama do fio recebe um jacto d’água e é jogada através da cala.
  • 7. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 6 de 95  Cala ondulante – neste sistema são inseridos 16 tramas ao mesmo tempo, equivalendo a cerca de 2.000 m por minuto. b) - Teares especiais são em sua maioria automáticos, e providos de mecanismos especiais para tecer determinados tipos de tecidos, tal como os teares de Maquineta Jacquard, que fazem tecidos com grandes desenhos, podendo mesmo reproduzir figuras humanas em sombreado com relevo. Deste tipo podemos considerar:  O Tear triaxial que produz tecidos com estabilidade em todas as direcções, seja na horizontal ou na vertical. Os fios da Teia são enrolados em oito pequenos rolos e a trama é inserida por meio de pinças rígidas.  O tear para Felpas que possui mecanismos especiais, e são alimentados por no mínimo, dois rolos de Teias, um para o tecido básico e o outro para o tecido de felpa inteira (toalha) ou felpa cortada (veludo). 3.3.1 - TEARES DE LANÇADEIRA (máquinas bastante antigas e praticamente em desuso): Neste sistema de inserção, a trama é conduzida de um lado a outro, através da lançadeira que se constitui de um dispositivo de madeira resistente onde se acomodam as canelas com os fios de trama. A lançadeira desliza sobre a camada inferior dos fios da cala, sobre a mesa batente. Este contacto pode causar problemas de roturas. A lançadeira é acomodada em cada extremo num dispositivo chamado CAIXA DE LANÇADEIRAS onde ela é travada e simultaneamente presa após cada inserção. A lançadeira recebe o impulso para atravessar a cala através do TACO, que está ligado à extremidade superior da ESPADA. Este movimento para inserção da lançadeira apresenta sua origem num excêntrico que trabalha contra uma roldana fixa com batente que recebendo o movimento, transfere-o à espada e consequentemente ao taco, impulsionando a lançadeira através da cala. Na inserção das tramas de distintas cores, necessita-se de mais de uma caixa de lançadeiras (CAIXA MÓVEL). Notar, que apesar de ser uma máquina antiga e já em desuso a máquina de tecer de lançadeiras é dita automática porque efectua a troca das canelas vazias por canelas cheias sem a acção directa do tecelão. Esta troca pode ser feita por: TROCA DE LANÇADEIRA: onde ocorre a troca da lançadeira com canela vazia, por outra com canela cheia de fio. TROCA DE CANELA: onde faz-se a troca somente da canela vazia, por outra canela cheia de fio. O sistema de troca automática das canelas é feito por um dispositivo chamado magazine que apresenta as seguintes variáveis: MAGAZINE CIRCULAR: apropriado para teares com apenas uma cor de trama; MAGAZINE VERTICAL: para teares de 4 cores de trama. Destes hoje é possível produzir artigos com 6 cores e mesmo com 8 cores. Todos os teares com troca automática de canelas necessitam de um detector do fim da canela em trabalho para que a canela em trabalho não fique totalmente vazia. Este elemento é o chamado DETECTOR DE TRAMA ou APALPADOR. Existem três tipos de detectores de trama: MECÂNICO: onde a detecção é realizada com o apalpador, pulsando no diâmetro externo da canela no momento em que a lançadeira se encontra estacionada na caixa de lançadeira.
  • 8. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 7 de 95 ELÉTRICO: onde pontas metalizadas tocam suavemente a superfície da canela recoberta por uma lâmina metálica, ou de pintura metalizada. OPTICO: onde produz-se um fino raio de luz que é reflectido por uma cinta especial alojada no núcleo da canela. Esta cinta devolve o raio de luz que é captado por uma célula que desencadeia o processo de troca da canela. 3.3.2 - TEARES DE LANÇADEIRAS DE PINÇAS Trata-se de uma evolução do antigo tear de lançadeira. É parecido com o tear de lançadeira, porém, no lugar da lançadeira convencional utiliza-se uma pinça que possui uma menor massa e não carrega consigo uma canela. A trama neste sistema vem directamente dos cones que alimentam a trama dos dois lados do tear. A cada batida do pente é inserida uma trama, ora da direita ora da esquerda. O comprimento da trama, necessário para cada inserção, é medido por cilindros de onde a trama é entregue à lançadeira. As pontas de trama são cortadas por uma tesoura e eliminadas por um canal de aspiração. As vantagens deste processo sobre o tear de lançadeiras são: Eliminação do processo de caneleira; Não há variação da massa da pinça (pois não há canela cheia nem vazia); Redução de defeitos como barramento e falta de trama. 3.3.3 - TEARES DE PROJÉCTIL Estes teares começaram a ser produzidos pela empresa suíça Sulzer nos anos 50. O nome projéctil vem da acentuada redução de massa do porta-trama (de 400g (lançadeira) para 40g (projéctil). A inserção da trama ocorre apenas de um lado da máquina (lado esquerdo) e existem vários projécteis em uso durante a operação de tecer. No interior do projéctil existe uma pequena pinça que prende a ponta da trama que foi apresentada. O percurso do projéctil é orientado por alguns guias metálicos solidários à mesa batente. O pequeno distanciamento entre as sucessivas guias assegura que o projéctil seja sempre guiado por vários deles. Durante o movimento de batida do pente, os guias recuam posicionando-se abaixo dos fios da teia para dar espaço para a batida do pente. Após cada inserção, os fios de trama são cortados e as suas extremidades são inseridas na cala e tecidas com o fio de trama seguinte, resultando daí, ourelas sólidas, capazes de resistir a todas as solicitações mecânicas. Se até os anos 50, as máquinas de tecer de lançadeira produziam movimento do pente por mecanismo de biela e virabrequim, uma novidade importante foi o movimento do pente por meio de excêntrico. Isto permite que o pente fique em repouso durante um centro número de graus de rotação. Este sistema de excêntrico tem um conceito tecnológico muito importante. É constituído por duas levas conjugadas. A oscilação da mesa batente é produzida com dois excêntricos que trabalham alternados, sendo que um provoca o retrocesso da mesa batente e o outro, o avanço. 3.3.4 - TEARES DE PINÇA UNILATERAL Também conhecidos como teares de pinça rígida unilateral, estes teares possuem uma única pinça que fica do lado oposto da entrada da trama na cala. O princípio de funcionamento deste tear é simples e seguro, a pinça atravessa a cala e busca a trama que é apresentada no lado oposto. Pinçada a trama, a pinça retorna, depositando a trama na cala. Uma tesoura corta a trama rente à ourela. Este tear pode tecer tramas grossas, irregulares ou com fio fantasia, sendo assim recomendado para tecidos cuja velocidade de produção não é importante, pois a velocidade de inserção é reduzida porque a pinça realiza metade de seu trajecto em vazio.
  • 9. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 8 de 95 3.3.5 - TEARES DE PINÇA BILATERAL COM TRANSFERÊNCIA É também conhecido apenas por tear de pinças. Neste tipo de tear as pinças podem receber seu movimento de hastes rígidas ou cintas flexíveis. A trama é levada por uma das pinças até o meio da cala, onde é transferida para a outra pinça que fará o restante do percurso da trama. A velocidade de produção é muito maior que o sistema unilateral visto que não há inserção vazia. A pinçagem da trama pode ser positiva ou negativa: Na pinçagem positiva, a pinça é dotada de duas lâminas pressionadas elasticamente que agem conforme a trama chega à pinça, isto é, a acção da pinçagem é orientada pela trama. Na pinçagem negativa, a trama e a pinça são governadas por mecanismos externos, independentes da trama. A vantagem da pinçagem negativa é a possibilidade de um aumento da velocidade do tear. As cintas que conduzem as pinças são flexíveis e podem ser lisas ou perfuradas. No caso das cintas perfuradas, estas são movidas por rodas dentadas que se encaixam na cinta. Nas cintas lisas este movimento é executado devido ao atrito da cinta com uma roda lisa. Quando as cintas são recolhidas da cala após cada inserção, estas ficam em baixo da mesa do batente. 3.3.6 - TEARES JACTO DE AR Neste tipo de tecnologia a trama é inserida através de um jacto de ar que é expelido pela cala. Este ar deverá ser isento de partículas de poeira, óleo, humidade e estar na temperatura ambiente. Convém que a instalação de ar comprimido possua compressores em “stand by” para eventuais manutenções. Numa tecelagem com teares jacto de ar, uma boa climatização é muito mais importante que nas outras tecnologias acima citadas, atendendo que em cada inserção é jogado ar seco na sala, que precisa ser climatizado com uma certa humidade relativa, caso contrário, o andamento das máquinas pode ser severamente prejudicado. Notar que o valor da humidade relativa na tecelagem deve rondar os 80%. Existem teares a jacto de ar com uma saída e com várias saídas (multi-jatos de ar), que possibilitam tecer com mais cores e diferentes títulos de trama. O que direcciona o fluxo de ar com a trama na cala são os condutores, que podem ser externos ao pente ou perfilados ao pente. Normalmente os bicos de ar são montados na mesa batente, o que lhes proporciona o movimento de vai-vém e a possibilidade de efectuar uma regulação mais precisa no momento da inserção, variando em função do tipo de fio (com pouca pilosidade – fios compact; ou com normal ou muita pilosidade – fios normais) e também em função do título da trama. Fios mais grossos necessitam de maior pressão e consumo de ar. 3.3.7 - TEARES JACTO DE ÁGUA Neste tipo de tecnologia a trama é inserida através de um jacto de água que é expelido pela cala. 3.3.8 - TEAR BIFÁSICO O tear bifásico é nada mais do que dois teares (A,B) desfasados em 180º, unidos por um conjunto central que contém os elementos de inserção. A inserção é realizada por uma haste rígida que contém uma pinça em cada uma das extremidades. Quando a pinça está totalmente inserida no lado (A) que está com a cala aberta, do outro lado (B) estará fora da cala e o tear estará batendo a trama anteriormente inserida. Logo após, a pinça retorna da cala (A) e começa a inserção em (B) e assim sucessivamente. 3.4 - O QUE É UM TECIDO? Um tecido é um material à base de fios de fibra natural, artificial ou sintética, que compostos de diversas formas tornam-se coberturas de diversos tipos formando roupas e outras vestimentas e
  • 10. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 9 de 95 coberturas de diversos usos, como cobertura para o frio, cobertura de mesa, limpeza, uso medicinal (como faixas e curativos), entre outros. 3.4.1 - Tipos de Tecidos Tecidos Planos: são resultantes do entrelaçamento de dois conjuntos de fios que se cruzam em ângulo recto. Os fios dispostos no sentido horizontal são chamados de fios de Trama e os fios dispostos no sentido vertical são chamados de fios de Teia. Tecido Plano: é uma estrutura produzida pelo entrelaçamento de um conjunto de fios de Teia e outro conjunto de fios de Trama, formando ângulo de (ou próximo) a 90º. • Teia: Conjunto de fios dispostos na direcção longitudinal (comprimento) do tecido. • Trama: Conjunto de fios dispostos na direcção transversal (largura) do tecido. Tecido Malha : A laçada é o elemento fundamental deste tipo de tecido, constitui-se de uma cabeça, duas pernas e dois pés. A carreira de malhas é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido da largura do tecido. Já a coluna de malha é a sucessão de laçadas consecutivas no sentido do comprimento do tecido. Tecido Não Tecido: Conforme as normas ISO, não-tecido é uma estrutura plana, flexível e porosa, constituída de véu ou manta de fibras, ou filamentos, orientados direccionalmente ou ao acaso, consolidados por processos: mecânico (fricção) e/ou químico (adesão) e/ou térmico (coesão) ou a combinação destes. As ilustrações a seguir representam estruturas dos têxteis citados acima: Figura nº 2 - Tecido Plano Figura nº 3 – Tecido de Malha Figura nº 4 – Tecido Não-Tecido 3.4.2 - OBTENÇÃO DE TECIDOS São diversos os métodos utilizados para a obtenção de tecidos. Os mais comuns são: - Pelo entrelaçamento de um fio consigo mesmo e ou com outros conjuntos de fios, caso em que o tecido é conhecido como de malha; - Pelo entrelaçamento de dois conjuntos de fios conhecidos por teias e trama, caso em que o tecido é conhecido por plano; - Por métodos menos convencionais como, por exemplo, o não tecido, que pode ser obtido por diversas maneiras: resinagem, agulhagem, fundição, etc. Grosso modo o Tecido é um produto manufacturado, em forma de lâmina flexível, resultante do entrelaçamento, de forma ordenada ou desordenada, de fios ou fibras têxteis. 3.4.2.1 - Sistema de Obtenção de Tecidos Para que um tecido se forme é necessário entrelaçar fios ou fibras a fim de que seja mantida uma estrutura dimensional. Para manutenção dessa estrutura utilizamos alguns processos e até mesmo combinações. Considerando o processo de entrelaçamento de fios, os tecidos se dividem em:
  • 11. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 10 de 95 a) Tecidos Comuns: quando o entrelaçamento das duas camadas de fio processa-se no sentido perpendicular. A camada longitudinal é denominada como já se disse de TEIA e a transversal é a chamada de TRAMA. b) Malha: existem os tecidos de malha por trama e por teia (Ketten). Como exemplo para malhas trama, temos o jersey, as felpas americana e italiana, os ribs, os inlerlock, os jersey piqué, os interlock piqué, ou turcos entre outros. Para as malhas teia, temos a chamada malha Ketten, muito usada na produção de robes. c) Laçada: este é um processo conjugado que agrega o processo de tecidos comuns ao de malha. Porém, em determinadas situações, a malha fecha-se formando laçadas ou nós. Como exemplo temos a renda. d) Processo de entrelaçamento de fibras: neste caso, as fibras são dispostas em camadas e entrelaçadas por agentes mecânicos. São também adicionados produtos químicos para completar a feltragem. Como exemplo temos os não-tecidos, feltros de lã e outros. e) Processo de Acção de Adesivos ou Fusão de Fibras consiste apenas na união de fibras por processo químico. Como exemplo temos os não-tecidos, folheado e o denominado “Perfex”(marca comercial existente no mercado). 3.4.2.2 – Classificação dos tecidos 3.4.2.2.1 - Quanto à Estrutura (formação): a) Tecidos Comuns ou Planos: são aqueles resultantes do entrelaçamento de dois conjuntos de fios que se cruzam em ângulo recto e podem se dividir em:  tecidos simples - Formados por um conjunto de fios da teia por um ou mais fios de trama;  tecidos compostos - Formados por mais de um conjunto de fios de urdimento por um ou mais fios de trama;  tecidos felpudos - São tecidos compostos, cuja superfície apresenta felpas salientes, inteiras ou cortadas. Exemplo: Tecidos veludos;  tecidos lenos - São em geral muito porosos e cujos fios da teia se entrelaçam com as tramas e também com outros fios da Teia. Exemplo: Tecido gaze  tecidos jacquard - São tecidos simples ou compostos, que apresentam grandes desenhos obtidos por efeito de entrelaçamento ou por efeito de combinação do entrelaçamento com coloração do fio: Exemplo: Tecidos colcha. b) Tecidos de Malha: resulta da formação de laços que se interpenetram e se apoiam lateral e verticalmente, provenientes de um ou mais fios. Existem as:  Malhas de Trama - Trata-se de tecidos obtidos a partir do entrelaçamento de um único fio, podendo desse processo resultar um tecido aberto ou circular.  Malhas de Teia - São tecidos obtidos a partir de um ou mais conjuntos de fios, colocados lado a lado, à semelhança dos fios de Teia utilizados na tecelagem comum.  Malhas mistas – São tecidos de malha Teia ou malha Trama com inserção periódica de um fio de trama, tendo como objectivo dar melhor estabilidade dimensional ao tecido. Exemplos: malhas jersey, malha tricô, malhas Ketten entre outros. c) Tecidos de Laçada: são obtidos por processos de entrelaçamento que se aproximam da malha e do tecido comum, diferenciando-se pelo fato de os fios, em determinadas situações, realizarem laçadas completas (nós) que formam a base da amarração. Exemplo: rendas, cobertores e outros. d) Não-Tecidos: são obtidos directamente de camadas de fibras que se prendem umas às outras por meios físicos e/ou químicos, formando uma folha contínua. Exemplos:
  • 12. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 11 de 95  Feltro - São tecidos resultantes do entrelaçamento de fibras de lã ou similares, através da acção combinada de agentes mecânicos e produtos químicos que actuam sobre os mesmos.  Folheado - São tecidos feitos a partir de um véu de fibras têxteis, não feltrantes, mantidas juntas por meio de um adesivo ou por fusão de fibras termoplásticas. Apresenta três sub-tipos: com fibras orientadas, com fibras cruzadas e com fibras dispostas ao acaso. e) Tecidos Especiais: são aqueles obtidos por processos dos quais resulta uma estrutura mista de tecido comum, malha e não-tecido ou ainda, como resultante de soluções de polímero de fibras aplicadas ao tecido. Exemplos:  Laminados -São estruturas obtidas pela colagem de dois tecidos diferentes ou pela simples aplicação de um impermeabilizante químico a um tecido qualquer.  Malinos - É uma estrutura obtida pela sobreposição, sem entrelaçamento, da camada de Teia sobre a camada de trama e cuja ligação é obtida por uma cadeia de pontos de malha.  Filmes - São estruturas têxteis, aproximando-se mais da textura do papel. São produzidos a partir de soluções de fibras têxteis, mais frequentemente de nylon. Podem aparecer isolados ou laminados com outro tecido. 3.4.2.2.2 - Quanto à Coloração: a) Tecidos Crus: são tecidos que não sofrem acabamento a húmido após o tecimento. Apresentam-se como saíram das máquinas de tecer. b) Tecidos Alvejados: são aqueles submetidos ao processo de alvejamento/branqueamento. Alguns fios coloridos presentes (tecidos listrados ou de xadrez) permanecem na sua cor original. c) Tecidos Tintos: são tecidos que por meio de processos a húmido, recebem uma coloração única em toda sua extensão. d) Tecidos Mesclados: são obtidos pela mistura de fibras ou de fios de diferentes colorações dispostos de forma irregular e sem formar padrões definidos. e) Tecidos Listrados: podem ser listrados (às riscas) somente por processo de preparação da Teia ou somente pela utilização de fios trama de diferentes tonalidades ou obtidos pela combinação dos dois (xadrez). f) Tecidos Estampados: são aqueles que apresentam desenhos obtidos por meio da aplicação de corantes em áreas específicas. 3.4.3 - TECIDOS PLANOS a) Tecidos Planos: são tecidos formados pelo entrelaçamento de dois fios que se cruzam perpendicularmente b) Estrutura do Tecido Plano: A estrutura de um tecido plano é formada por: - Um Fio transversal, no sentido da largura, que forma a TRAMA. e - Um Fio longitudinal, no sentido do comprimento, que forma a TEIA ou o órgão da urdissagem.
  • 13. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 12 de 95 O arremate lateral, no sentido do comprimento, é chamado OURELA. Os fios de Teia por serem os que sofrem maior tensão, tanto nas operações de tecer, como nas que antecedem e, também no acabamento, devem ser de melhor qualidade, ou seja, mais resistentes, mais elásticos e mais lisos. Estas exigências de boa qualidade são necessárias ao bom desempenho dos fios de Teia e está directamente ligadas ao tipo de matéria-prima, os processos de obtenção, ao valor da torção, às condições ambientais e a engomagem do fio. Existem vários tipos de entrelaçamentos (armações), o que dá origem a tecidos portadores de aspectos diferentes. A identificação dos diversos tecidos planos é feita através de uma classificação técnica. Tabela nº 1 – Classificação Técnica dos Tecidos Planos TECIDOS PLANOS Fundamentais TÁFETÁ Gorgurão Naté Reps SARJA Fantasia Quebrada Interrompida Batávia Diagonal Entrelaçada Reps diagonal CETIM Simples Fundo aplicado Múltiplos Granité Adamascado Derivados diversos Gaufré ou Ninho de Abelha Mock Leno Crepes Fantasia Compostos Dupla face Duplos ou tubulares Triplos Fustões Piqués Matelasses Brocados Especiais Esponjosos Peludos Gazes (Lenos) Jacquard Não-tecidos ("Non-Wovens") Existe também uma classificação comercial, que se baseia mais na aparência do tecido, do que, propriamente, no entrelaçamento de seus fios.
  • 14. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 13 de 95 Caracteriza-se pelo entrelaçamento de dois conjuntos de fios efectuando aproximadamente um ângulo de 90º. Um desses conjuntos fica disposto no sentido longitudinal do tecido e é conhecido por teia, enquanto o outro fica disposto no sentido transversal (perpendicular às teias) e é conhecido por trama. Esse entrelaçamento é obtido em equipamento apropriado conhecido por tear. As ligações ou cruzamentos dos fios de teias com os fios de trama nos tecidos é chamada de padronagem. Cada construção dentro de uma certa ordem de cruzamento é denominada de ligação ou desenho. As possibilidades das ligações ou desenhos são enormes, mas elas sempre derivam de uma ligação considerada fundamental. Essas ligações fundamentais são construídas regularmente, mas diferem das umas das outras. Os fios de Teia por serem os que sofrem maior tensão, tanto nas operações de tecer, como nas que antecedem e, também no acabamento, devem ser de melhor qualidade, ou seja, mais resistentes, mais elásticos e mais lisos. Estas exigências de boa qualidade são necessárias ao bom desempenho dos fios de Teia e está directamente ligadas ao tipo de matéria-prima, os processos de obtenção, ao valor da torção, às condições ambientais e a engomagem do fio. Existem vários tipos de entrelaçamentos (armações), o que dá origem a tecidos portadores de aspectos diferentes. A identificação dos diversos tecidos planos é feita através de uma classificação técnica. Existe também uma classificação comercial, que se baseia mais na aparência do tecido, do que, propriamente, no entrelaçamento de seus fios. 3.4.4 – PRINCIPAIS COMPONENTES DE UM TEAR Como já sabemos, os tecidos são processados em máquinas chamadas de teares, e os principais componentes de um tear são: Rolos da Teia: são os que contêm os fios de Teia e que são, nada mais nada menos que rolos de fios paralelos; Quadros de Liços: os Fios da Teia passam pelo olhal dos liços, que se acham dispostos em quadros responsáveis pela formação da cala (abertura formada por duas camadas de fios da Teia); Pente: depois dos quadros de liços, os fios passam por um pente que determina a largura e a densidade da Teia e é responsável pelo remate da trama. Nos teares de lançadeira ou pinças servem como guia para a mesma; Rolo de Tecido: para enrolar o tecido pronto. Figura nº 5 – Componentes de um tear
  • 15. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 14 de 95 Notar que, para conseguirmos a passagem da trama entre os fios da teia (cala), utiliza-se o elemento que se chama “porta-tramas”, dentre os quais os mais conhecidos são: a lançadeira, a pinça e o projéctil. No que se refere aos movimentos básicos do tear podemos considerar: 1º - A formação da cala; 2º - A inserção da trama; 3º - A batida do pente. Formação da Cala: a abertura triangular de duas camadas de fios da teia com auxílio de alavancas e cordéis ou fios de aço amarrados aos quadros de liços onde os fios estão inseridos; Figura nº 6 - Formação da CALA Inserção da Trama: introdução dos fios de trama por meio de lançadeira, pinças, projéctil, jacto de ar ou jacto de água. Figura nº 7 – Inserção da TRAMA Batida do Pente: o pente está preso à frente e tem movimento de vaivém. Quando ele vem à frente, encosta a última trama inserida no remate e quando recua propicia a inserção da trama seguinte. Figura nº 8 – Batido do PENTE 3.5 - NOÇÕES DE PADRONAGEM Como já se disse, os equipamentos que produzem tecidos planos são os chamados teares.
  • 16. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 15 de 95 Papel Técnico: Já é sabido que todo tecido plano é formado por uma camada de fios paralelos (teias), camada essa que se entrelaça com outra também de fios paralelos denominados Trama. Esse entrelaçamento está relacionado com as evoluções que cada fio e cada trama realizam entre si. Evolução - É o caminho percorrido por cada fio ou trama ao se entrelaçar. O papel técnico é um papel quadriculado, próprio para a representação do desenho têxtil. Essa representação obedece a algumas convenções, que passaremos a examinar à medida que formos avançando com o nosso estudo. 1. Representação dos fios da Teia: no papel quadriculado, os fios da Teia são representados pelo espaço compreendido entre duas linhas verticais. A numeração dos fios é feita da esquerda para a direita, como a seguir se indica – 1 2 3. 2. Representação dos fios de trama: Os fios de trama são representados, no papel quadriculado, pelo espaço compreendido entre duas linhas horizontais e sua numeração processa-se de baixo para cima, como mostramos abaixo: 3_________ 2_________ 1_________ O cruzamento das linhas verticais com as horizontais forma quadrículas. No papel técnico cada quadrícula representa o cruzamento de um fio da teia com um fio de trama. A quadrícula marcada recebe o nome de PONTO TOMADO (PICA). A quadrícula vazia recebe o nome de PONTO DEIXADO (DEIXA). Os fios que se entrelaçam com as tramas passarão ora por cima, ora por baixo das mesmas. O nosso objectivo, utilizando o papel técnico, é representar nele a passagem do fio da Teia por cima ou por baixo da Trama. Quando o fio estiver por cima da trama, deve-se marcar a quadrícula e essa marcação é feita, indiferentemente, das seguintes formas: Colocando um X na quadrícula correspondente ou Pintando com uma cor determinada essa quadrícula. 3.5.1 - Representação das Evoluções: Podemos representar graficamente as evoluções, utilizando o papel técnico e obedecendo às convenções normalmente utilizadas e internacionalmente aceites. 3.5.2 - Desenho da evolução do fio e representação no papel técnico: 4 4 3 3 2 2 1 1 3.5.3 - Base da Evolução: Chama-se Base da Evolução à evolução que se repete. Notar que os padrões são desenvolvidos conforme a aparência, a finalidade, e também o grau de durabilidade desejado. Uma construção simples necessita de apenas dois quadros de liços, uma vez que a trama entrelaça-se com o teias cruzando-as um fio por cima e um fio por baixo, sucessivamente. Cada vez que o padrão vai ficando mais complexo, maior é a quantidade de quadros de liços necessária. 3.6 - AS ESTRUTURAS BÁSICAS: Existem três ligamentos (ou padrões) básicos, que são a origem dos mais complexos: a tela ou tafetá, a sarja e o cetim.
  • 17. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 16 de 95 3.6.1. - O LIGAMENTO TELA: É o ligamento de construção mais simples existente e, por consequência a que utiliza menos quadros e a que são produzidos nos teares mais simples. Também é conhecido por ligamento tafetá, porém não se pode confundir o nome do ligamento com o do tecido. O fio de trama, nesta construção, cruza-se com o fio da teia, um fio por cima e um fio por baixo, sucessivamente. No retorno o fio da teia que estava por cima passa a ficar por baixo e vice-versa. Se os fios tiverem espessura adequada e estiverem próximos entre si, o tecido será firme e terá características para vestuário. Figura nº 9 – Estrutura Tela ou Tafetá 3.6.1.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Tela O ligamento tela é o mais simples dos ligamentos e é, também o que possibilita maiores contracções de teia e trama. Em média essa contracção normalmente ronda os 12%, podendo alcançar até um pouco mais (cerca de 20% ) nos casos de tecidos de estrutura fechada. Notar que nas estruturas abertas essas contracções são menores. Não obstante esta particularidade, é o ligamento utilizado nos tecidos mais leves, uma vez que o entrelaçamento prende bem os fios, ainda que os factores de cobertura da teia e da trama sejam baixos. Tecidos em ligamento tela são utilizados nas mais diversas finalidades, desde vestuário, até uso técnico e industrial, podendo ser cru, estampado, tinto em peça ou produzido utilizando fio tingido. 3.6.1.2 - Tipos de Tecidos com ligamento tela: Cambraia: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, sendo também bastante apreciada a cambraia produzida com fio de linho. Normalmente são utilizados na produção de camisas masculinas e blusas femininas. Organdi: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, podendo também ser utilizada a poliamida, a viscose e o acetato, sendo bastante apreciado o organdi de seda. Normalmente é utilizado, em roupas femininas. Voile: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, sendo também utilizadas misturas de algodão com poliéster para artigos mais baratos. É principalmente utilizado na produção de camisas masculinas e blusas femininas. Gaze Cirúrgica: Tecido bastante fino, sempre leve (inferior a 135 g/m2), sempre em algodão puro, e que leva tratamento especial para dar-lhe características hidrófilas. Tricoline: Tecido fino, também leve (inferior a 135 g/m2), em algodão puro. É utilizado na produção, de camisas masculinas, blusas femininas, vestidos e saias. Popelina: São tecidos leves ou médios quanto à densidade superficial (pode ser tecidos com gramagem inferior a 135 g/m2, no entanto pode ir até 270 g/m2), sempre com estrutura fechada, em algodão puro, ou em misturas dessa fibra com poliéster. Os fios são normalmente cardados, sendo utilizados os penteados para artigos de melhor qualidade. Usado principalmente para vestuário. Flanela: Tecido leve (inferior a 135 g/m2), em algodão puro. Utiliza-se normalmente um fio da trama com um título aproximadamente o dobro do fio da Teia. O uso da trama mais grossa justifica-se pelo
  • 18. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 17 de 95 acabamento que lhe será dado, onde os pêlos serão levantados no processo de acabamento através da cardação. Normalmente produzido com fios tingidos, são utilizados em vestuário, nomeadamente camisas masculinas para inverno, por exemplo. Notar que quando tingido em peça é normalmente produzido com fios de baixa qualidade atendendo que a sua aplicação é para panos de limpeza e polimento. 3.6.2 - O LIGAMENTO SARJA: Esta estrutura distingue-se por sua diagonal bem definida. Uma inversão dessa diagonal possibilita um aspecto em zigue-zague, conhecido por espinha de peixe. Outros efeitos visuais podem ser obtidos por variações da diagonal e/ou das cores dos fios. O entrelaçamento em diagonal possibilita maleabilidade e resiliência aos tecidos. O tecido em ligamento sarja é normalmente mais firme que o tecido em ligamento tela, tendo menos tendência a se sujar, apesar de ser de lavagem mais difícil. Figura nº 10 – Estrutura de uma Sarja Figura nº 11 – Estruturas de Sarjas Simples de 3 NOTA: As Sarjas Simples podem ser Leves, Neutras ou Batavias e Pesadas. Consideram-se:  LEVES quando do lado direito do tecido predomina a TRAMA em relação à TEIA;  No caso INVERSO consideram-se PESADAS;  No caso de o número de PICAS forem iguais ao número de DEIXAS, então considera-se uma SARJA NEUTRA. 3.6.2.1 - ESTRUTURAS DE DEBUXOS.
  • 19. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 18 de 95 Figura nº 12 - Exemplo de uma Sarja em espinha com oposição. Figura nº 13 - Sarja em Xadrez com oposição Figura nº 14 - Sarja Encanastrada 3.6.2.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Sarja O ligamento sarja é o primeiro mais complexo depois do ligamento tela. Os tecidos em ligamento sarja são principalmente utilizados para vestuário, particularmente em roupas profissionais, como macacão, avental e em outros tecidos onde uma construção forte é fundamental. Destaca-se a sua utilização em jeans sendo actualmente é um importante artigo da moda. É frequentemente mais firme que o tecido em ligamento tela, tendo menor tendência a sujar-se, apesar de ser de limpeza mais difícil na lavagem. Normalmente o tecido é tinto em peça, excepção ao tecido denim (onde o fio da teia é tingido e a trama é de fio cru). Poderá ser estampado se porventura se desejar, embora não seja muito comum. 3.6.2.2 - Tipos de Tecidos com ligamento Sarja: Brim: Tecido bastante popular, de densidade superficial média, (entre 136 e 270 g/m2), normalmente em algodão puro ou em misturas desta fibra com viscose e ou com poliéster. É normalmente utilizado na produção de calças e roupas profissionais. O ligamento utilizado é a sarja 2/1, geralmente com diagonal à esquerda conforme a figura abaixo: Figura nº 15 – Estrutura de ligamento BRIM
  • 20. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 19 de 95 Sarja 1/3: Tecido de densidade superficial leve (até 135 g/m2), nas estruturas relacionadas a seguir, pode entretanto, ser também de densidade superficial média, normalmente em algodão puro, ou em misturas de algodão com viscose e ou poliéster. Os fios são cardados podendo ter grande variedade de títulos. É um tecido pouco produzido, para uso, principalmente, em vestuário. Figura nº 16 – Estrutura de ligamento SARJA 1/3 Sarja 3/1: Tecido bastante popular, de densidade superficial média ou pesada, (entre 136 e 270 e superior a 271 g/m2), normalmente em algodão puro, ou misturado com viscose e ou com poliéster. Utiliza-se principalmente na produção de roupas para desporto e ou para uso profissional. Figura nº 17 – Estrutura de ligamento SARJA 3/1 Denim: Provavelmente será o tecido mais popular actualmente. Trata-se de um tipo especial de brim, onde o fio da teia é tingido (geralmente em azul índigo) e a trama crua. A densidade superficial é média ou pesada (entre 136 e 270 e em alguns casos superior a 271 g/m2), sempre em algodão puro. É utilizado, principalmente, na confecção de roupas para desposto, lazer e ou para uso profissional. Figura nº 18 – Estrutura de ligamento DENIM 3.6.3 - O LIGAMENTO CETIM: É similar à sarja, porém é geralmente utilizada em repetições de cinco a doze fios de Teia e de Trama. A principal diferença entre os dois ligamentos é que a diagonal não é claramente visível no cetim. Ela é intencionalmente interrompida a fim de contribuir para uma superfície lisa e lustrosa. A textura não é tão visível do lado direito, por que os fios que o compõe são, geralmente, mais finos e em maior quantidade do que os que formam o avesso. Figura nº 19 – Estrutura Cetim
  • 21. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 20 de 95 Figura nº 20 - Estruturas de debuxo e aspecto de um CETIM por TEIA. 3.6.3.1 - Estruturas Típicas em Ligamento Cetim O ligamento cetim: trata-se do mais complexo dos ligamentos fundamentais. Os tecidos em ligamento cetim são principalmente utilizados para vestuário (particularmente para roupas de noite) para forros de casacos e para decoração, estando frequentemente ligado à ideia de artigo de luxo. É normalmente menos firme que o tecido em ligamento tela ou em sarja. O reflexo de luz dos fios flutuantes possibilita ao tecido o brilho que aparece na direcção dos fios de maior cobertura. Tem melhor caimento que os tecidos em tela e em sarja. Tem menos tendência a sujar-se, sendo de limpeza mais fácil na lavagem. Quanto mais quadros de liços tiver a repetição, maior será a cobertura da Teia. Normalmente, o tecido é tinto em peça. Nada impede que seja estampado, no entanto é muito pouco frequente e mesmo muito raro a estampagem destes tipos de tecidos. 3.6.3.2 - Tipos de Tecidos com ligamento Cetim: Cetim de 5 à TEIA: Tecido sempre fechado, de densidade superficial leve ou média, (inferior a 135 e até 270 g/m2), normalmente em algodão puro, ou em mistura com viscose e ou poliéster. Os fios podem ser cardados ou penteados. Figura nº 16 – Estrutura de ligamento Cetim 5 à TEIA Cetim de 5 à TRAMA: Tecido sempre fechado, de densidade superficial leve, (inferior a 135 g/m2), normalmente em algodão puro, ou em mistura com viscose e ou poliéster. Os fios podem ser cardados ou penteados. Figura nº 17 – Estrutura de ligamento Cetim 5 à TRAMA
  • 22. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 21 de 95 Figura nº 18 – Estrutura do Debuxo e aspecto de um CETIM por TRAMA Nota: Os CETINS por TEIA apresentam uma ordem de tecelagem do tipo: Nº de PICAS ------------------------- A (x) 1 Por outro lado, para os CETINS por TRAMA a ordem de tecelagem é do tipo: 1 ------------------------- A (x) Nº de LARGAS Notar que existem CETINS REGULARES e CETISN IRREGULARES: Os REGULARES obedecem às seguintes regras: 1 Os modelos são quadrados; 2 Em cada fio de Teia e em cada fio de Trama existe apenas um ponto de ligação 3 Não pode haver pontos de ligação em posições contíguas 4 E finalmente o AVANÇO é constante. Os IRREGULARES são os que NÃO cumprem uma ou mais regras dos CETINS REGULARES Exemplos de CETINS de 5 A1 A2 A3 A4 A5 Sendo: A1 – Uma SARJA; A2 – Um CETIM que cumpre as quatro (4) regras de construção acima citadas; A3 – Um CETIM que também cumpre as quatro (4) regras de construção acima citadas; A4 – Uma SARJA - o cordão a correr ao contrário; A5 – Como é evidente NÃO DÁ TECIDO!
  • 23. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 22 de 95 Exemplos de CETINS de 8 A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 Sendo: A1 – Uma SARJA; A2 – Não dá debuxo; A3 – Um CETIM; A4 – Não dá debuxo; A5 – Um CETIM A6 – Não dá debuxo; A7 – Uma SARJA com o cordão a correr ao contrário; A8 – Não dá TECIDO! NOTA: Como regra geral, para encontrar os avanços do CETIM, de um dado tamanho, escrevem-se algarismos por ordem aritmética desde 1 até ao tamanho do CETIM, inclusivé, sabendo que:  O avanço 1 dá SARJA;  O último avanço, ou seja, o do tamanho do CETIM, não dá debuxo;  O penúltimo avanço dá SARJA invertida;  Nos avanços restantes, eliminamos todo aquele que tem um divisor comum com o tamanho do modelo. 3.6.3.3 - CETINS COMPLEMENTARES:  Dois CETINS cujos avanços somados dão o número de fios e passagens de um modelo. Exemplo:  CETIM de 7: os CETINS complementares tem A2 e A5 ou A3 e A4; 3.6.3.4 - CETINS IRREGULARES:  Consideram-se CETINS irregulares os que não obedecem a uma ou mais regras dos CETINS regulares
  • 24. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 23 de 95 Exemplo: Cetim Irregular de 4 Cetim Irregular de 6 A 1+2 +3 A 4 + 4 + 3 + 2 + 2 + 3 NOTAS:  Como informação complementar, sabemos que os derivados dos Cetins, obtém-se a partir do debuxo fundamental (Cetim)  As características típicas dos Cetins, mantem-se sempre inalterável. 3.6.3.5 - DERIVADOS DOS CETINS: Consideram-se derivados dos Cetins:  POR AMPLIAÇÃO: à TEIA, à TRAMA, DIAGONAIS, CANELADOS OBLÍQUOS E SOMBREADOS À TEIA OU À TRAMA.  COM MOTIVOS: derivados regulares com um só motivo, granitados, e ou derivados irregulares com motivos diversos.  POR COMPOSIÇÃO: damascos, adamascados. 3.6.3.6 – DERIVADOSDOS CETINS POR AMPLIAÇÃO:  Qualquer CETIM regular pode ser ampliado;  Se o Cetim for por trama, os alinhados de 1 da Teia podem ser aumentados para 2, 3 ou 4, conforme desejarmos  A ampliação pode ser feita no sentido da Teia ou no sentido da Trama 3.6.3.7 – DIAGONAIS:  A representação numérica é formada por um ou mais alinhavos de Teia dominantes e que tem avanços sempre superiores a 1, originando cordões nítidos com ângulos superiores a 45º  Os avanços mais habituais são de 2 e de 3. 3.6.3.8 – FELPO DE 4
  • 25. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 24 de 95 3.7 – Coeficientes de Ligação dos Elementos Os Coeficientes de ligação dos elementos são de grande importância para podermos medir a magnitude dos ligamentos e possibilitar a elaboração das cartas de forma correcta e simultaneamente possibilitar a sua utilização para futuros cálculos de fabricação. Para termos uma ideia clara da dita magnitude, será necessário encontrar o COEFICIENTE que corresponde a cada ligamento (Tramas e Teias). Este coeficiente obtém-se pelo quociente da divisão do total de pontos de ligação por Teia ou por Trama, pelo total de quadrados da carta (número de fios e número de tramas. Assim, cada debuxo terá dois coeficientes de ligação, um de teia e ou outro de trama. Se representarmos por CTE e CTR os coeficientes de ligação por Teia e por Trama, respectivamente, temos as fórmulas de cálculo seguintes: Pontos de ligação por fio na teia Pontos de ligação por trama CTE = -----------------------------------------; CTR = ---------------------------------------- Total de quadrados da carta Total de quadrados da carta. Em seguida vamos apresentar como exemplo algum exemplo prático que facilitará a compreensão de como se determina os coeficientes de ligação de um tecido simples. Considerando, por exemplo, um Tafetá simples, o coeficiente é igual à unidade, tanto na Trama como na Teia. Isto é, o primeiro (1º) fio passa por cima da primeira (1ª) trama e por debaixo da segunda (2ª), o que é igual a dois ligamentos; o 2º fio passa por baixo da 1ª trama e por cima da 2ª, também tem dois ligamentos. Assim, temos na Teia 4 ligamentos numa carta de 4 quadrados, isto é: 4 CTE = ------------ = 1 4 Por outro lado, a 1ª trama passa por baixo do 1º fio e por cima do 2º, logo tem 2 ligamentos; a 2ª trama passa por cima do 1ª fio e por baixo do 2ª, logo também tem 2 ligamentos. Neste caso, a Trama também tem 4 ligamentos na mesma carta de 4 quadrados, isto é: 4 CTR = ------------ = 1 4 Lembro que o Tafetá é portanto o ponto que mais liga, com um coeficiente médio de ligação de 1. Todos os outros pontos têm um valor inferior à unidade. Como novo exemplo, agora para 2 fios e 8 passagens, teremos 16 quadrados. Os fios com as suas flutuações, têm 2 ligamentos cada um: Logo: 4 CTE =---------------- = 0,25 16 A trama faz trabalho de tafetá e tem 2 ligamentos em cada uma: 16 CTR = -------------------- = 1 16 Assim, o coeficiente de ligação médio será de: (0,25+1)/2 = 0,625
  • 26. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 25 de 95 Tabela nº 2 - Classificação dos ligamentos segundo o Coeficiente de Ligação Médio: Muito Ligados 1,00 a 0,66 de Coeficiente Médio Normal 0,66 a 0,40 de Coeficiente Médio Pouco Ligados 0,40 a 0,20 de Coeficiente Médio Muito Leve 0,20 a 0,10 de Coeficiente Médio 4 – OUTRAS CARACTERÍSTICAS/TIPOS DE TECIDOS Alguns tecidos têm origem há muitos anos, em alguns casos datam da era AC. A maior parte teve a sua estrutura alterada com o tempo. A seguir estão relacionados por ordem alfabética alguns dos mais conhecidos tecidos produzidos até aos dias de hoje. 4.1 - CHIFFON (Origem: França): origina-se na palavra francesa que significa trapo. Trata-se de um tecido de seda produzido com fio bastante torcido e resistente. É um tecido aberto, o que lhe dá transparência. Utilizam-se fios retorcidos, usualmente dispostos de forma alternada, um fio com torção no sentido S e outro em sentido Z, tanto nas Teias como nas Tramas. A palavra Chiffon utilizada em conexão com o nome de outros tecidos indica-nos que se trata de um tecido mais leve que o original, por exemplo: crepe chiffon, tafetá chiffon, veludo chiffon, etc. 4.2 - CREPE (Origem: França): originário da palavra crepe que significa ondulado, crespo. Pode ser obtido de diversas formas, conjugando-se um ligamento apropriado a fios retorcidos, possibilitando um efeito granulado e rugoso – notar que, para se conseguir este tipo de produto é necessário que os fios utilizados no processo de tecer possuam um alfa de torção bastante elevado ( a rondar os 6 e 7 de alfa da torção – dependendo do título do fio: mais pesado – alfa menor; mais leve – alfa mais elevado). 4.3 - CREPE da China (Origem: China): tecido de seda muito fino e leve, obtido por ligamento crepe e utilizando na teia fios com pouca torção e na trama fios retorcidos (torção crepe) dispostos alternadamente em dois fios com torção no sentido S e dois fios sentido Z. Normalmente este tipo de tecido é tingido tinto em peça ou estampado. 4.4 - CREPE Georgette (Origem: Reino Unido): neste tipo de artigo, são utilizados tanto na teia como na trama, fios retorcidos (torção crepe) dispostos dois fios com torção no sentido S e dois no sentido Z. Trata-se de uma musseline mais pesada, porém ainda transparente. Quando apenas um sentido de torção é utilizado na teia e na trama, é mais conhecido como CREPE Suzette. 4.5 - CREPE Romain (Origem: Itália): tecido de seda similar ao CREPE Georgette, porém com ligamento panamá de 2. Por essa razão o tecido é mais fechado e a granulação mais acentuada. Utiliza fios retorcidos (torção crepe) tanto na teia como na trama, sendo dispostos alternadamente de dois em dois fios com torção em sentido S depois Z. 4.6 - CREPE Marocain (Origem: Marrocos): tecido de seda similar ao CREPE da China, porém mais pesado e com granulação mais acentuada. 4.7 - CREPE de Lã: tecido de lã penteada. Utiliza fios retorcidos (torção crepe) tanto na teia como na trama. 4.8 - DAMASCO (Origem: Ásia Menor): trata-se de um tecido de seda ricamente decorado, trazido para o ocidente por Marco Polo no século XIII nas suas viagens ao oriente. O nome teve origem na cidade de Damasco que era o centro mais importante que situado entre o oriente e o ocidente e emprestou o seu nome a esse tecido luxuoso. O ligamento é geralmente o cetim. Os melhores damascos em linho têm 50% mais batidas/cm do que fios/cm. Os damascos, brocados e outros tecidos
  • 27. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 26 de 95 similares têm características diferentes actualmente, porém eram produzidos pelos princípios gerais do damasco, naquela época. Hoje são obtidos em teares com Maquineta Jacquard. 4.9 - GABARDINE (Origem: Espanha): Tem origem na Idade Média, conhecida por gabardina, que significa protecção contra fenómeno atmosféricos - é um tecido bem estruturado, com textura aparente de sarja 2/1, 3/1 ou múltipla, em ângulo de 45º. Adequado para sobretudos, casacos, entre outras peças. É produzido actualmente com praticamente todos os tipos de matéria-prima. 4.10 - JACQUARD (Origem: França): Tecido que apresenta grandes desenhos geométricos ou artísticos e deve o seu nome a Joseph Marie Jacquard (1752 - 1834) que aperfeiçoou a maquineta que possibilita a obtenção mecânica desses tecidos. 4.11 - MUSSELINE (Origem: Mesopotâmia, actualmente Iraque e parte da Turquia): Tecido produzido originalmente na cidade de Mawsil pelo povo turco. É um tecido muito leve e transparente produzido com fios de seda com torção elevada. Pode também ser produzido em acetato, viscose, lã ou algodão. 4.12 - ORGANDI (Origem: França): Tecido leve tipo musseline, com acabamento engomado. Recebe esse nome porque a palavra francesa organdi significa musseline de algodão fino e macio. 4.13 - SHANTUNG (Origem: China): Originário da província desse nome. Possui diversos tipos de imperfeições naturais sendo produzido por fios bastante irregulares, características que são transferidas ao tecido. Utilizado para trajes masculinos e vestuário feminino em geral. 4.14 - TAFETÁ (Origem: Pérsia/Irão): É um dos mais antigos tecidos conhecidos pelo homem. Feito originalmente em seda, tem superfície lisa, textura regular e uma leve nervura no sentido da trama. Tem origem na palavra persa taftah que significa tecer. É frequente o efeito de acabamento moiré. 5 - OBTENÇÃO DE: 5.1 – Tecidos Planos 5.1.1- Geometria e propriedade dos tecidos planos: Os materiais têxteis possuem propriedades mecânicas quase únicas, tais como, flexibilidade e resistência, que os tornam extremamente importantes para a maior parte das finalidades em que são utilizados. Estas propriedades devem-se não somente às propriedades das fibras utilizadas mas também a estrutura do aglomerado fibroso. É possível estudar-se a geometria dos tecidos a dois níveis nomeadamente, o descritivo e o mecânico. O primeiro apenas tenta descrever a geometria de determinado tecido. A maneira mais fácil de o fazer é descrever a posição do fio em determinado tecido através das coordenadas do eixo do fio à medida que este progride no módulo de repetição da estrutura. Devido à estrutura e à dificuldade de se obter este tipo de descrição na prática, mesmo a partir de microfotografias da estrutura, métodos mais simplificados são geralmente utilizados. Estes consistem normalmente em conceber um modelo geométrico hipotético da estrutura, que pode intuitivamente ser visto como possuindo muitas das particularidades visíveis na estrutura real. A partir das equações de geometria assim assumida, é possível analisar o efeito de forças e binários no modelo. A concepção mecanística, por outro lado, tenta descobrir as razões pelas quais os elementos do tecido possuem determinada geometria. As três áreas mais importantes na aplicação da geometria dos “tecidos” são as seguintes:  A análise das propriedades mecânicas dos tecidos;  O cálculo das dimensões a partir de parâmetros utilizados para a afinação das máquinas e o inverso, isto é, o cálculo dos parâmetros de acerto das máquinas a utilizar a fim de produzir determinado tecido;
  • 28. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 27 de 95  As variações dimensionais dos tecidos durante sua produção e utilização. As características de um tecido dependem essencialmente:  Do tipo da ligação (Tela, Sarja, Cetim, etc.);  Do espaçamento de fios (inverso de densidade de fios);  Das propriedades do fio utilizado. O estudo da geometria dos tecidos têm por objectivo investigar a interacção entre esses factores e a sua influência nas propriedades dos tecidos tais como:  Cobertura do tecido;  O comportamento à flexão do tecido . 5.1.2 – Processo de Tecer O processo de tecer é uma das artes mais antigas. Como muitas outras artes passaram-se séculos sendo realizados de uma mesma maneira e suas melhorias eram muito lentas, tão lentas que uma mesma geração não conseguia notar qualquer modificação. Porém, hoje porém vivemos num século de grandes modificações e aperfeiçoamentos tecnológicos, de tal maneira que uma melhoria poderá deixar de ter interesse em pouco anos após o seu “ nascimento”. Todos sabemos que o produto produzido pelas máquinas de tecer é denominado tecido plano, que é formado a partir do entrelaçamento de um conjunto de fios paralelos, no sentido longitudinal dos tecidos chamados Teia, com outros fios situados transversalmente ao tecido, chamados Trama. Abaixo temos, indicado pelas setas, o sentido da Trama e da Teia : Tecido TEIA TRAMA Figura nº 18 – Tecido: Direcção da Teia e da Trama Notar que numa análise visual de um tecido, os fios Teia ficam sempre paralelos às ourelas. No caso de numa análise de uma amostra que não contenha a ourela, então podemos considerar que os fios Teia situam-se no sentido onde há maior densidade de fios por cm ou por polegada. 5.1.3 - Propriedades Físicas de um Tecido: A maneira como as matérias primas utilizadas e a própria geometria dos tecidos influencia as suas propriedades físicas, são factores de grande importância no que diz respeito à concepção dos têxteis e ao seu comportamento durante o processamento e a sua utilização. As razões que levam ao ensaio de tecidos para avaliar as suas propriedades são variáveis, sendo as mais comuns:
  • 29. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 28 de 95  Verificar se o “tecido” se encontra de acordo com as especificações, normalmente considerando as normas NP EN IS 1049 – 1 e 2; ISO/DIS 2323; NP ISO 675-2013- Variações Dimensionais; NP ISO 9867_2013 Avaliação do Desenrugamento dos Tecidos;  Analisar o efeito de modificações na estrutura;  Analisar o efeito de tratamentos físicos e químicos;  Obter informações quanto ao comportamento durante a sua utilização;  Investigar falhas e reclamações de clientes;  Estudar a interacção entre as propriedades das fibras, dos fios e dos tecidos. Notar que a escolha dos instrumentos de análise laboratorial mais apropriada depende do tipo de informação pretendida. Em alguns casos não existe equipamento que permita efectuar os ensaios e nesse caso torna-se necessário conceber aparelhos especiais. O chamado entrelaçamento não é mais do que o processo de passar um ou vários fios de Teia por cima ou por baixo de um ou vários fios de Trama. O entrelaçamento mais simples entre estas duas direcções de fios dá origem às chamadas telas ou Tafetá. No que se refere ao desenvolvimento e evolução dos fios de Teia esta poderá ser feita nas mais diversas formas obtendo assim os mais complicados tipos de ligamentos. Como já foi explicado na rubrica estruturas básicas, os tipos de ligamentos mais conhecidos são:  - Tela ou tafetá;  - Sarja;  - Cetim ou raso Para conseguir-se a passagem da Trama entre os fios de Teia (cala), utiliza-se o elemento chamado transporte de Tramas, que pode ser, dependendo do tipo de máquina, denominado, a/o  - Lançadeira;  - Projéctil;  - Jacto de ar;  - Jacto de água Sabemos que dentre estes os mais conhecidos são a Lançadeira e o Projéctil embora hoje em dia seja muito usual a utilização do jacto de ar e o jacto de água. No que se refere aos movimentos básicos para o processamento da Tecelagem podemos considerar:  1 - Abertura da cala;  2 - Inserção da Trama;  3 - Batida do pente Para formar um tecido no tear, é necessário formar uma cala. Para conseguirmos inserir a Trama é necessário, através de liços, excêntricos e outros meios, dividir os fios de Teia e, conforme o desenho, criar a ligação. Os fios de Teia que sobem são denominados cala de cima e os fios que descem, cala de baixo. Dentro desta cala procede-se à introdução do fio de Trama através do sistema de inserção utilizado e que transporta o fio, seja através de uma canela (sistema praticamente em desuso, salvo em máquinas muito antigas) ou fio de uma ou mais bobines dependendo, do tipo de sistema de transporte utilizado. Este maquinismo de transporte para efectuar a inserção vai de um lado para o outro atravessando a cala e deposita aí a Trama. Posteriormente esta Trama é empurrada pelo pente para frente encostando-a no tecido já formado. Após cada Trama lançada forma-se uma nova cala. Conforme o desenho (debuxo) definido, haverá fios que sobem e fios que descem numa dada inserção. Nos retornos do mecanismo de inserção que se desloca de um para outro lado, as ourelas seguram a Trama. Geralmente são feitas com o dobro das densidades do que o próprio fundo do tecido ou fios retorcidos. Estas ourelas servem, também, no acabamento do tecido quando o mesmo é passado na râmula, onde este é segurado pelas ourelas, por isto a largura das ourelas deve ser de aproximadamente 1 cm, especialmente quando se trata de tecido médio ou pesado.
  • 30. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 29 de 95 Uma boa ourela indica a qualidade do trabalho na tecelagem e é vista como um indicador de qualidade. Muitas vezes colocam-se, também, alguns fios coloridos! A densidade de um tecido representa o número de fios (Teia) ou Tramas por unidade de comprimento. Notar que varia em função da fase de seu processamento:  - Densidade no tear.  - Tecido cru.  -Tecido acabado. 5.1.4 - Gramagem: Gramagem é a massa por unidade de superfície. A unidade de medida é gramas por metro quadrado. O tecido pode ser avaliado através da gramagem conforme a tabela nº 1. Tabela nº 03 - Classificação da Gramagem Gramagem (g/m2) AVALIAÇÃO DO TECIDO  140 LEVE 140  250 MÉDIO  250 PESADO 5.1.5 - A ondulação e a contracção dos fios do tecido (CRIMP): Ondulação é a relação entre a diferença do comprimento do fio esticado e o comprimento do fio contraído, enquanto a contracção (ou encolhimento) é a relação dessa diferença com o fio esticado. Podem ser obtidas pelas fórmulas: Ond % = l – p x100 P Onde: Ond % = percentagem de ondulação; l = comprimento do fio esticado; P = comprimento do fio contraído. A contracção do fio pode ser provocada pela torção, dada a formação em hélice fornecida às fibras, ou seja, pelo efeito da torção o fio passa a ter um comprimento menor do que tinha quando com zero torção. A contracção faz, portanto, com que um fio modifique seu comprimento, mantendo inalterada sua massa, modificando, assim sua densidade linear. Desta maneira, a percentagem de contracção deve ser considerada quando se deseja um determinado título. A percentagem de contracção pode ser dada por: Otr % = l – p x100 P Onde: Otr % = percentagem de contracção; l = comprimento do fio esticado; P = comprimento do fio contraído 5.1.6 - A importância da contracção e da ondulação Observa-se que, a partir das mesmas variáveis obtém-se valores diferentes entre a ondulação e a
  • 31. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 30 de 95 contracção. Alguns técnicos preferem trabalhar com a percentagem de ondulação, enquanto outros optam pelo percentagem de contracção. Ambos os valores são precisos, desde que aplicados correctamente. Como as variáveis são as mesmas, os conceitos a seguir são válidos tanto para a contracção (ou encolhimento) como para a ondulação, apesar de apenas a primeira a ser citada. A contracção sofrida pelo fio, tem importância, principalmente, para cálculos de previsão de consumo de material. Notar que é de extrema importância, a determinação das várias outras características do tecido, nomeadamente: - a resistência à tensão; - a rigidez; - a permeabilidade ao ar; - etc. Quaisquer destes valores são de difícil previsão e por isso a sua precisão nunca pode ser muito elevada. Por isso, temos de considerar os valores teoricamente. Um valor preciso somente pode ser obtido por um controlo estatístico sistemático que, evidentemente, é impossível de se ter quando do desenvolvimento de um novo produto. Todos os tecidos contraem-se durante o acabamento, bem como no processo de Tecelagem e a montante, isto é durante o processo de preparação para a tecelagem. Estes são influenciados por diversos factores. Podemos considerar entre esses factores que influenciam a contracção, a matéria-prima utilizada, a humidade e a temperatura do ambiente antes e durante o processo de Tecelagem. Outros factores são o tipo e a afinação do tempereiro utilizado, a tensão aplicada durante o processo de Tecelagem e a engomagem efectuada. Assim, podemos afirmar que, afectam a contracção da Trama dos tecidos com ligamento tela e, consequentemente, a largura do tecido: - alta densidade de Teia (1) com Trama grossa reduzem a contracção; - alta densidade de Trama (2) contrai mais do que baixa densidade. Isto é influenciado também pelo diâmetro da Trama; por outro lado, quanto mais grosso for o fio da Teia, maior será a contracção. Notar ainda que a contracção do Teia é afectada e, portanto, o comprimento do tecido quanto: - maior for a densidade de Teia (1), maior será a contracção; - maior for a densidade de Trama (2), maior será a contracção; - mais grossa for a Trama, maior será a contracção. Um outro importante parâmetro de um modelo geométrico do tecido é o deslocamento vertical máximo dos fios de Teia e da Trama. A curvatura mútua é obtida no entrelaçamento dos fios, dando- lhes uma forma ondulada. Comparando-se os deslocamentos a partir do eixo do Teia com o do eixo da Trama, observa-se que há diferença entre os deslocamentos a partir do plano do tecido. A ondulação (Ond%) e a contracção da Trama (Ctr%) são maiores que a ondulação (Ond%) e a contracção da Teia (Ctr%).Os valores das curvaturas dos fios são caracterizados pelas formas dos eixos dos fios quando no tecido. fios quando no tecido. Existe também uma certa relação entre o deslocamento do Teia e o deslocamento da Trama. O deslocamento do Teia diminui, enquanto o deslocamento da Trama aumenta, e vice-versa. A soma dos deslocamentos do Teia e da Trama é constante para um certo tecido e é igual à soma dos diâmetros desses fios.
  • 32. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 31 de 95 5.1.7 - Factor de Cobertura de um Tecido ou Toalha de Felpo: Conforme já foi dito na alínea 3.7 – Coeficientes de Ligação dos Elementos, o factor de cobertura está intimamente ligado com o cálculo para a determinação dos Coeficientes dos Elementos, Trama e Teia. Como sabemos, o número e tamanho dos espaços entre fios de um tecido ou toalha de felpo, dependem da densidade de fios da Teia no caso dos tecidos planos, e das Teias de Cima e de Baixo no caso de Toalhas de Felpo e, ainda do número de passagens na Trama e do diâmetro dos fios utilizados. Quando a trama e a teia se encontram perfeita e uniformemente espaçadas, a área de cada espaço (parte não coberta pelo fio) é dada por: (P1 – d1) x ((P2 – d2) (cm2) (*) sendo que o número de espaços é dado pelo produto: N1 x N2 Tabelaº 4 - Nomenclatura PARÂMETRO DO FIO TEIA TRAMA Diâmetro do fio d1 d2 Densidade linear ou tex do fio Tex1 Tex2 Frisado C1 C2 Cobertura Kcob1 Kcob2 Factor de cobertura K1 K2 Densidade de fios ou número de fios/cm N1 N2 Espaçamento entre fios P1 P2 Comprimento modular I1 I2 PARÂMETRO TECIDO Massa por unidade de superfície M Cobertura Kcob Factor de cobertura K Comprimento da peça Q Largura L Espessura T Notar que o tamanho de cada espaço individualizado depende da uniformidade das densidades dos fios e dos diâmetros dos mesmos. O diâmetro do fio é, como se compreende, um problema da fiação, dependendo entre outros factores da torção do fio e do valor micronaire das fibras utilizadas na produção do fio. Quanto maior for o factor de torção utilizado, menor será o diâmetro do fio. Por outro lado, quanto mais baixo for o valor micronaire de um dado fio maior será o número de fibras por secção e logo afectará também o diâmetro do mesmo. No entanto, temos de ter em consideração que a uniformidade da densidade dos fios e das passagens é determinada no processo de tecelagem. Quando o espaçamento entre fios é irregular, é possível que os espaços maiores possuam uma área várias vezes superior à média obtida na fórmula dada acima (ver *)
  • 33. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 32 de 95 A COBERTURA DA TEIA é definida por: d1 TC d1 TB Kcob1 TC = ---------------, e Kcob1 TB = --------------------- p1 TC p1 TB sendo, TC e TB – Teia de cima e Teia de Baixo respectivamente. Por outro lado, a COBERTURA DA TRAMA é dada por; d2 Kcob1 = --------------- p2 Por outro lado, o factor de COBERTURA TOTAL DE UM TECIDO DE FELPO, será: p2 x d1 + p1 x d2 – d1 x d2 Kcob Total = ------------------------------------------------------- p1 x p2 Notar que segundo GROSBERG o valor do diâmetro do fio (d) = 4,44 x 10-³ x √𝒕𝒆𝒙 𝒅𝒐 𝒇𝒊𝒐/𝒎𝒂𝒔𝒔𝒂 𝒆𝒔𝒑𝒆𝒄𝒊𝒇𝒊𝒄𝒂 (𝒎𝒎) Como é difícil determinar o diâmetro dos fios utilizado num processo de tecelagem, há uma forma mais expedita que será determinar o seu inverso, isto é: p1 = 1/ N1; p2 = 1/ N2 Por substituição na fórmula anterior, teremos: Kcob1 = 4,44 x 10-³ x (tex 1/ p fibra) x N1 = 4,44 x 10-³ x p fibra -½ x √𝒕𝒆𝒙𝟏 x N1 Como exemplo: Considerando uma toalha de felpo em estrutura tafetá e de acordo com as seguintes especificações: Teia de Cima – 12 fios/cm; Ne do fio = 24/2 = 12/1 Teia de Baixo - 12 fios/cm; Ne do fio =24/2 = 12/1 Trama - 16 passagens /cm; Ne do fio = 14,1/1 Calculo: Factor de Cobertura à Teia = 𝑭𝒊𝒐𝒔 /𝒄𝒎 √𝑻𝒊𝒕𝒖𝒍𝒐𝒅𝒐 𝒇𝒊𝒐 (𝑵𝒆) /𝑭𝒂𝒄𝒕𝒐𝒓 𝒄𝒐𝒓𝒓𝒆𝒄çã𝒐 Sendo factor de correcção = 0,41 Assim, temos; Teia de Baixo com 12 fios/cm e Ne 24/2 (12/1), temos: 𝟏𝟐 √𝟏𝟐 /𝟎, 𝟒𝟏 = 8,4 Teia de Cima com 12 fios/cm e Ne 24/2 (12/1), temos:
  • 34. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 33 de 95 𝟏𝟐 √𝟏𝟐 /𝟎, 𝟒𝟏 = 8,4 Calculo: Factor de Cobertura à Trama = 𝑭𝒊𝒐𝒔 /𝒄𝒎 √𝑻𝒊𝒕𝒖𝒍𝒐𝒅𝒐 𝒇𝒊𝒐 (𝑵𝒆) /𝑭𝒂𝒄𝒕𝒐𝒓 𝒄𝒐𝒓𝒓𝒆𝒄çã𝒐 Sendo factor de correcção = 2,61 Trama com 30 passagens e Ne 14/1, temos: 𝟑𝟎 √𝟏𝟒 𝒙𝟐, 𝟒𝟐 = 19,4 Factor de Cobertura Total = 8,4+8,4+19,4 = 36,2 Tabela nº 5 - Factores de Cobertura para um dado Tecido ou Felpo em função do número de fios e número de passagens: Teia Ne 12/1 Fios/cm Factor cobertura Teia K1 Trama Ne 14/1 Passagens/cm Factor cobertura Teia K2 Factor de Cobertura TOTAL 5 3,1 5 3,2 6,3 10 7,0 10 6,5 13,5 15 10,5 15 9,7 20,2 20 14,0 20 13,0 27,0 25 17,5 25 16,2 33,7 30 21,0 30 19,5 40,4 35 24,6 35 22,7 47,3 40 28,2 40 26,0 54,2 41 28,8 41 28,8 57,6 NOTA: Limites para o Factor de Cobertura: ≤ 22,5 – Factor de Cobertura Normal > 22,5; <28 – Factor de Cobertura Aceitável ≥ 28 – Factor de Cobertura Elevada (não aceitável)
  • 35. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 34 de 95 6 - Estruturas fundamentais: DEBUXOS Tendo em conta as estruturas fundamentais consideradas e já descritas, vamos fazer de seguida uma abordagem às estruturas fundamentais de onde derivaram os debuxos dos tecidos para o nosso estudo. O DEBUXO ou PONTO de um tecido é o termo utilizado para indicar tecnicamente o modo como se efectua o entrelaçamento dos fios de TRAMA com os fios de TEIA a fim de se conseguir produzir o dado TECIDO. Notar que os cruzamentos segundo os quais os fios de TRAMA e TEIA se combinam são ilimitados. A representação gráfica é efectuada em papel quadriculado – chamado o PAPEL DE DEBUXO – sendo os fios de TEIA representados pelo espaço entre as linhas verticais, e os fios de TRAMA pelo espaço entre as linhas horizontais. Cada quadrado no papel representa a intersecção de um fio TEIA – FIO – com um fio de TRAMA – PASSAGEM. A pintura do debuxo deve-se iniciar-se pelo quadrado situado no canto inferior esquerdo do papel. Cada quadrado pintado indica que, no tecido, o fio de TEIA passa sobre o fio de TRAMA – (chamado PICA). Cada quadrado em branco indica que o fio de TRAMA passa sobre o fio de TEIA – (chamado DEIXA). A Passagem O O Fio Representação Gráfica de um PICA B O O Passagem Fio 6.1 - Representação Gráfica de um DEIXA O MODELO ou o chamado módulo de repetição é o menor número de fios e de passagens necessárias para efectuar um debuxo. A repetição sucessiva deste módulo no sentido da TEIA e da TRAMA produz o padrão do tecido. O PICA ou o DEIXA base é o PICA ou o DEIXA situado no canto inferior esquerdo, a partir do qual se inicia a construção do MODELO.
  • 36. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 35 de 95 Figura nº 19 - Exemplo de um Modelo 6.1 - ALINHAVO DE TEIA: Trata-se do número de passagens sucessivas sobre (ou sob) as quais passa um fio de TEIA. Fig. nº 20 – Alinhavo de 3 à TEIA 6.3 - ALINHAVO DE TRAMA: É o número de fios sucessivos sobre (ou sob) os quais passa um fio de TRAMA. Fig. nº 21 – Alinhavo de 3 à TRAMA Os alinhavos de TEIA pelo direito contam-se em quadrados pintados na vertical, e os alinhavos de TRAMA pelo direito contam-se em quadrados em branco na horizontal. No avesso do tecido, quadrados brancos na vertical correspondem a alinhavos de Teia e quadrados pintados na horizontal correspondem a alinhavos de TRAMA. 6.4 - AVANÇO OU AFASTAMENTO À TEIA:
  • 37. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 36 de 95 Trata-se do deslocamento vertical dos picas (ou dos deixas) entre dois fios de teia consecutivos. O seu valor é igual ao número de passagens consecutivas, a contar de baixo no sentido vertical, entre um pica (ou deixa) base de um fio de teia e o pica (ou deixa) mais próximo do fio de teia seguinte. 3 2 1 Fig. nº 22 – Avanço de 3 à TEIA 6.5 – AVANÇO OU AFASTAMENTO À TRAMA: Podemos considerar que é o deslocamento horizontal dos picas (ou dos deixas) entre duas passagens consecutivas. O seu valor é igual ao número de fios de teia consecutivos, a contar da esquerda no sentido horizontal, entre um pica (ou deixa) base de uma passagem e o pica (ou deixa) mais próximo da passagem seguinte. 1 2 3 Fig. nº 23 – Avanço de 3 à TRAMA Assim, analisando os debuxos da Figura abaixo podemos constatar que os modelos têm o mesmo tamanho e alinhavos iguais, mas o avanço é diferente, o que logo vai resultar em estruturas muito diferentes. Por isso, pode-se concluir que a noção de avanço se reveste de uma importância fundamental para o estudo das estruturas dos tecidos. Fig. nº 24 - Estruturas com avanços diferentes. 6.6 – REPRESENTAÇÃO NUMÉRICA DE ESTRUTURAS Existem vários métodos de representação numérica de estruturas. O método e a simbologia mais utilizada e que tem demonstrado ser mais eficiente e de maior utilidade prática é o que a seguir se indica
  • 38. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 37 de 95 1 – A ORDEM DE TECELAGEM: Constituída por um traço horizontal, contendo números na parte superior (PICAS) e na inferior (DEIXAS). 2 – A DIRECÇÃO DO AVANÇO: É indicado pela utilização de um “A” colocado à frente da ordem de tecelagem. “A” – representa um avanço à teia; “»” - representa um avanço à trama 3 – O valor do AVANÇO é representado por um índice numérico de “A” A fórmula geral é a seguinte: a) – No caso de o avanço ser na direcção da TEIA: m Ak n Sendo: m = número de picas em cada fio n = número de deixas em cada fio A = avanço à teia K = valor numérico do avanço b) – No caso do avanço ser na direcção da TRAMA: m »k n Sendo: m = número de picas em cada passagem n = número de deixas em cada passagem » = avanço à trama K = valor numérico do avanço Quando o AVANÇO é COMPOSTO, o índice K não é apenas um número, mas antes um conjunto de números ligados pelos sinais mais ou menos (+/-). Cada número corresponde ao avanço de um fio (ou passagem) Uma vez introduzidos todos os avanços, repete-se a mesma sequência até que seja encontrado o modelo. 6.7 - Construção dos debuxos Vários são os tipos de debuxos que podemos criar e utilizar na produção dos nossos tecidos. Como exemplo mais simples, podemos citar os cetins, podem ser regulares ou irregulares. Os regulares obedecem a determinadas regras: a) Os modelos são sempre quadrados; b) Em cada fio e em cada passagem apenas existe um ponto de ligamento; c) Não podem existir pontos de ligamento em posições contíguas; d) O avanço é constante.
  • 39. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 38 de 95 A sequência sistematizada para a construção dos debuxos a partir da sua representação numérica é a seguinte: 1) – Verificar se o avanço é à TEIA ou à TRAMA; 2) – Somar os números que compõem a ordem de tecelagem; 2.1 – Se o avanço for à teia, o resultado da soma é igual ao número de passagens do modelo; 2.2 – Se o avanço dor à trama, o resultado da soma é igual ao número de fios do modelo. 3) – A partir de um PONTO BASE (primeiro pica do fio ou passagem inicial) colocado no canto inferior esquerdo, marcam-se os outros pontos base dos fios ou das passagens, conforme o avanço é à teia ou à trama. Esses avanços vão-se marcando até se encontrar o modelo; 4) – A ordem de tecelagem é introduzida a partir dos pontos base. Se o avanço for à teia, a ordem é introduzida em cada fio; se o avanço for à trama a ordem é introduzida em cada passagem. Fig. nº 25 - Estrutura com avanços SIMPLES 3 1 A1 2 2
  • 40. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 39 de 95 Fig. nº 26 - Estrutura com avanços SIMPLES 3 1 »3 2 2 Fig. nº 27 - Estrutura com avanços COMPOSTO 4 4 1 Ao+2 3 2 2
  • 41. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 40 de 95 Fig. nº 28 - Estrutura com avanços COMPOSTO 3 1 » 1+2 2 2 6.8 – Representações numéricas compostas Quando a estrutura só pode ser representada numericamente por duas ou mais ordens de tecelagem, a cada ordem de tecelagem deverá corresponder um avanço. Para um número de passagens ou de fios de um modelo (avanço à teia ou à trama respectivamente) é dado pelo menor múltiplo comum entre as somas dos números que compõem cada uma das ordens de tecelagem individualmente. Quando existe apenas um avanço e diversas ordens de tecelagem, isto significa que o avanço é o mesmo para todas elas. 6.9 – CLASSIFICAÇÃO DOS TECIDOS A classificação dos tecidos baseia-se no número de TEIAS e TRAMAS utilizado. 1 – TECIDOS SIMPLES – apresentam uma teia e uma trama 2 – TECIDOS MÚLTIPLOS – são formados por duas ou mais teias ou por duas ou mais tramas, ou então as duas coisas conjuntamente. Podem-se subdividir-se em: a) – FORRADOS POR TRAMA – uma teia e duas tramas b) – FORRADOS POR TEIA – duas teias e uma trama c) – DUPLOS – duas teias e duas tramas d) – TRIPLOS – três teias e três tramas Como já foi afirmado no ponto 3.6 existem três estruturas fundamentais:  TAFETÁ – tecido com aspecto granulado;  SARJA – tecido com cordões oblíquos;  CETIM – tecido liso e brilhante.
  • 42. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 41 de 95 A maioria dos tecidos utilizados na fabricação de vestuário é produzida nos debuxos fundamentais. As diferenças entre eles podem ser devidas:  - ao debuxo ou à estrutura em si;  - à matéria prima utilizada;  - à geometria (tipo de fiação), títulos e torções dos fios utilizados.  - à densidade das teias e das tramas dos tecidos;  - ao tipo de acabamento utilizado 6.10 – Os Tafetás O tafetá (fig. 3.7) é o debuxo mais simples e o mais difundido. Os tecidos que se obtêm são leves e com uma aparência lisa. A leveza resulta do alinhavo de um que impede que se teça com um número elevado de fios e passagens por centímetro (12). Fig. nº 29 - Tafetá _1_ 1 6.10.1 -Derivados do tafetá Os derivados do tafetá resultam da ampliação dos alinhavos de um, tanto no sentido da teia (fig. 3.8 e 3.9), como no sentido da trama (fig. 3.10 e 3.11) ou simultaneamente em ambos os sentidos (fig. 3.12 e 3.13). Em cada uma destas três categorias existem os debuxos regulares e os irregulares. Nos primeiros, a ampliação é feita com alinhavos sempre do mesmo tamanho. O mesmo não acontece nos debuxos irregulares em que a ampliação é realizada com alinhavos diferentes. Fig. nº 30 - Ampliado à teia regular Fig. nº 31 - Ampliado à teia irregular Fig. nº 32 - Ampliado à trama regular Fig. nº 33 - Ampliado à trama irregular Fig. nº 34 - Ampliado à teia e trama regular
  • 43. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 42 de 95 Fig. nº 35 - Ampliado à teia e trama irregular 6.11 – As Sarjas A sarja caracteriza-se por aplicar avanço 1 a qualquer ordem de tecelagem, apresentando, desta forma, um cordão bem nítido cuja inclinação depende do número de fios e de passagens por centímetro. Se o número de fios do tecido for igual ao número de passagens, o cordão terá uma inclinação a 45 graus. Essa inclinação será superior a 45 graus se o tecido tiver mais fios que passagens por centímetro, e inferior a 45 graus se tiver menos fios que passagens (12). As sarjas simples podem ser leves, pesadas ou neutras. Figura nº 36 – Ponto de Sarja 3/1 6.11.1 - Sarjas leves As sarjas simples são leves, se no lado direito do tecido o número de picas for inferior ao número de deixas (fig. 3.4). 1 Fig. nº 37 – Sarja Leve ------- A1 2 6.11.2 - Sarjas neutras: Nas sarjas neutras, também designadas de batávias, o número de picas e deixas é igual (fig 3.5). Fig. nº 38 - Sarja leve _2_ A 1 2
  • 44. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 43 de 95 6.11.3 - Sarjas pesadas: As sarjas simples são pesadas, se no lado direito do tecido o número de picas for superior ao número de deixas (fig. 3.6) Fig. nº 39 - Sarja pesada _4_ A 1 2 6.12 – Os Cetins Como já se afirmou, os cetins são tecidos que apresentam, pelo seu direito, uma superfície lisa formada predominantemente pela teia ou pela trama. Se a predominância no direito do tecido for da teia relativamente à trama, os cetins são designados de cetins efeito teia (fig. 3.14). Caso contrário, os cetins serão designados de cetins efeito trama (fig. 3.15). Fig. nº 40 - Cetim efeito teia Fig. nº41 - Cetim efeito trama Normalmente designam-se por cetins irregulares os que não obedecem a uma ou mais regras dos cetins regulares, sendo necessário, contudo, que se observe sempre o cumprimento da terceira regra para que não se produzam tecidos defeituosos (12). De todos os cetins regulares, os mais utilizados são os cetins de 5, 7 e 8 (ver figs. 3.16 a 3.18), porque permitem produzir tecidos com um peso dentro do normal. No que diz respeito aos cetins irregulares, o mais usado é o cetim de 6 que é construído com os avanços 4+4+3+2+2+3
  • 45. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 44 de 95 6.12.1 - Debuxos fundamentais para um CETIM Fig. nº 42 – Cetins de 5 Fig. nº 43 – Cetins de 7 Fig. nº 44 – Cetins de 7 (continuação) Fig. nº 45 – Cetins de 8
  • 46. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 45 de 95 7 - Coeficiente de ligação médio – CLM Definidas as estruturas em estudo e para um melhor conhecimento das mesmas, considerou-se ser importante verificar a capacidade de ligação de cada uma, determinando o seu coeficiente de ligação médio – CLM. Para determinar o coeficiente de ligação das estruturas, ou seja, o coeficiente que divide o total de pontos de ligamento por teia e por trama pelo número total de pontos de ligamento possíveis, utilizam- se as fórmulas 3.1 e 3.2 Coeficiente de ligação da Teia: CLTE = total de pontos de ligação por teia (3.1) nº de fios X nº de passagens Coeficiente de ligação da Trama: CLTR = total de pontos de ligação por trama (3.2) nº de fios X nº de passagens Através da média dos coeficientes da teia e da trama, é obtido o coeficiente de ligação médio de cada uma das estruturas, como se pode observar na Tabela nº 3.2 como já foi afirmado nas paginas 18 e 19. Tabela nº 6 Classificação das estruturas segundo o seu coeficiente de ligação médio Classificação Coeficiente de ligação médio Muito ligada 1 – 0,66 Normalmente ligada 0,66 – 0,4 Pouco ligada 0,4 – 0,2
  • 47. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 46 de 95 8 - Estudo Laboratorial (Exemplo de uma análise a efectuar no tecido) 8.1 - Recolha das amostras para a análise laboratorial Considerar uma zona seleccionada de um tecido, tida como representativa e destinada a fornecer dados para a avaliação da qualidade. 8.1.1 – Análise da Gramagem de um Tecido. Análise laboratorial Segundo a Norma ASTM D 3776-96 – Standard Test Method for Mass Per Unit Area (Weight) of Fabric. Para a realização de uma análise laboratorial podemos considerar várias opções: Opção A - Amostra representativa do tecido com o desenho Completo, seja em Rolo ou Cortado; Opção B - Amostra com a Largura Completa do tecido para análise; Opção C - Pequena amostra representada por um Pedaço de Tecido; Opção D – Amostra de Tecidos Estreitos; Opção E - Amostra de um Pequeno Pedaço de Tecido que se pretende controlar. Este procedimento é aplicável quando um pequeno pedaço de tecido é mandado para o laboratório para ser usado como corpo de prova. Os resultados são considerados para serem aplicáveis na amostra e não necessariamente para o lote do qual a amostra foi retirada. As medições por este método não incluem ourela e deve ser informada dessa maneira, a menos que uma ourela seja especificada. Os critérios para a recolha das amostras terá de ter em consideração o tipo de tecido a ser analisado e os ensaios a realizar. Notar que determinados requisitos deverão ser tidos em consideração para que haja representatividade e cumpra as exigências internacionais, nomeadamente considerando: - Toda a largura do tecido; - Comprimento mínimo de 1 m. - Distância inferior a 3 m (início/fim). - Não tenha irregularidades ou deformações visíveis. As amostras devem ser acondicionadas antes de se efectuar os respectivos ensaios, por isso, o laboratório deve dispor de um sistema de ar condicionado, para que haja um equilíbrio higrométrico que cumpra os requisitos normativos. Antes de se submeter as amostras a ensaio, deve ser retirado do tecido, logo dos fios, os produtos utlizados no processo de preparação para a tecelagem (gomas) e as resinas que possam ter sido utilizados nos acabamentos. Se tal não for efectuado vai com toda a certeza influenciar o resultado dos ensaios efectuados. 8.1.2 - Provetes: Deverão ser recolhidas uma ou mais unidades retiradas da amostra, sobre as quais serão processados testes ou medições. A opção C é usada só quando há disponível um tecido limitado e não deve ser usado para teste de aceitação. Neste caso, pode ser considerado um pedaço de tecido para recolha das amostras. 8.1.3 - Recolha dos provetes: Os critérios para a recolha dos provetes são variáveis, conforme o tipo de têxtil a ser analisado, e o tipo de ensaio aplicado a este produto. Para a recolha de provetes em tecidos plano deverão ser cumpridos os seguintes requisitos:
  • 48. Análise em Tecidos Planos, Toalhas de Felpo e Malhas de Trama Documento produzido por: Constantino Monteiro Alves, Engº Têxtil Ano 2014 Pag. nº 47 de 95  - Não retirar a uma distância inferior a 1/10 da largura em relação à ourela.  - Não devem conter os mesmos fios de Teia ou Trama (retirar em diagonal).  - Dimensão deverá ser a suficiente de modo que os resultados obtidos sejam representativo do tecido que se pretende controlar  - Identificar o sentido da Teia e da Trama e numerar cada um dos provetes. Como boa norma, a área onde se deve efectuar a recolha das amostras deverá ser de pelo menos 130 cm2 ou então as amostras poderão ter uma área menor, mas deverão ser retiradas em diferentes partes do tecido de amostra e deverá ter uma área total de pelo menos 130 cm2. Não retirar as amostras para análise numa zona do tecido que fique perto das ourelas ou dos extremos do tecido. Conforme se afirmou acima, devem ser considerados a uma distância mínima de um décimo (1/10) da largura do tecido da ourela ou do corte caso não haja ourela. Se o tecido for insuficiente então deverá ser anotado no relatório da análise esta informação. Retira-se da peça de um tecido de dois metros, 5 provetes de 10 cm x 10 cm. Notar que devem ser retirados na diagonal, de maneira que os fios de teia e de trama não sejam os mesmos em nenhuma das amostras. A recolha das amostras deverá seguir conforme o esquema apresentado abaixo: Fig. nº 46 – Sugestão para recolha de amostras num dado tecido amostra. Em seguida efectuar a pesagem das 10 amostras com dimensões de 10 cm x 10 cm numa balança analítica obtendo amassa (M) em gramas de cada um. 8.1.4 - Atmosfera padrão: Atmosfera condicionada e mantida no estado higrométrico conforme requisitos nas normas internacionais: -Temperatura: 21ºC  2ºC ; = 70º F -Humidade Relativa: 65%  2%. 8.1.5 - Equilíbrio Higrométrico: Estado onde não há troca sensível de humidade entre a amostra e a atmosfera ambiente. Observações: O Equilíbrio Higrométrico deve ser alcançado a partir de um estado mais seco (absorção de humidade). Para um “pré-acondicionamento”, considerar: - 10%-25% HR (humidade relativa), - Temperatura maior que 50ºC. - Tempo de acondicionamento : 24 horas com livre circulação de ar. - Equilíbrio Higrométrico (E.H.) = Pesagem a cada duas horas. - Não apresentar diferença de massa superior às exigências das normas (0,25% - AFNOR)