Seminário de Investigação em Museologia dos Países de Língua Portuguesa e EspanholaSeminario de InvestigaciónenMuseología de los Países de Habla Portuguesa e EspañolaMuseus, Cidades e ComunicaçãoRicardo RochaFaculdade de Arquitetura e UrbanismoUniversidade Federal de PelotasMestrado em Patrimônio Cultural Universidade Federal de Santa Maria
neste trabalho são discutidos alguns aspectos dos projetos de Lucio Costa para o Museu das Missões em São Miguel (iniciado em 1937) e de Álvaro Siza para a sede da Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre (terminado em 2008), ambos construídos no estado brasileiro do Rio Grande do Sul
São Miguel é um lugarejo próximo a Santo Ângelo Porto Alegreé a capital do Estadoo Rio Grande do Sul é o estado mais ao sul do Brasil, na fronteira com o Uruguai e a Argentina
São Miguel é conhecida pelas ruínas  da redução jesuítica de mesmo nome (tombadas pela  UNESCO), hoje em territóriobrasileiro, mas originalmente (século XVIII) em terras  da coroa espanhola ruínas de São MiguelPorto Alegre
o Museu das Missões“Também eu detesto os museus. Vou lá para ver e não para sentir. Tirar as coisas do seu ambiente é fazer-lhes perder a alma”Izabel de S. Gião – do livro Ressurreiçãode Manuel Ribeiro
concluído em 1941, o Museu das Missões é reconhecido como solução exemplar de inserção de construção moderna em sítio histórico, integrando o novo ao antigo pela implantação estudada e pela sábia utilização dos materiais
	a implantação do edifício em um dos cantos da antiga praça da redução jesuítica serve de referência para se ter uma idéia de suas dimensões
o material das próprias ruínas é utilizado, em uma referência às casas dos índios do antigo povoadoatravés dos espaços transparentes do museu, as peças são expostas ao olhar do visitantede certa distância, é possível ver o perfil das ruínas da igreja por detrás do alpendre do museu
	esse é, de fato, um dos pontos fundamentais da proposta: através da transparência do edifício na direção norte-sul, o olhar do visitante projetaas peças expostas no museu-pavilhão sobre o pano de fundo da ruína, fazendo com que seus vestígios a tornem tão animada como quando “aquela porção de índios se juntava de manhãzinha na igreja”
outro dos aspectos principais da obra é a manutenção das peças de arte missioneira encontradas, recolhidas ou doadas em seu habitat
a nova sede da Fundação Iberê Camargo (FIC)
já em Porto Alegre, a necessidade de uma obra que conferisse visibilidade à produção de Iberê Camargo, aliada ao desejo de reforçar a inserção da cidade no circuito mundial das artes, conduziram a uma solução de efeitoIberê Camargo
Solidão1994200 x 400 cm Óleo sobre telaColeção Maria Coussirat Camargo | Fundação Iberê Camargo | Porto Alegre
a fluidez da circulação nas rampas e seu cadenciar silencioso colocam-se em franco contraste com a tensão plástico-formal que provocam na visão externa do conjunto e com suas reverberações no espaço interno
a intenção de Siza parece ser menos impressionar o visitante e muito mais oferecer a ele condições para apreciar as obras expostas
as rampas-galerias da FIC permitem que, entre um andar e outro, mergulhemos um pouco em nós mesmos, reflitamos a impressão causada por uma obra. Olhemos o desenho de luz produzido por uma clarabóia; paremos para contemplar a paisagem, com Porto Alegre ao fundo
71 anos separam o projeto do museu missioneiro da inauguração da Fundação Iberê Camargoevidentemente, nos dias de hoje, o Museu das Missões está longe de atender a as exigências técnicas relativas a conservação de obras de arte – aspecto em relação ao qual a obra da FIC é exemplar
no filme-instalação Dédale, feito pelo artista francês Pierre Coulibeuf na própria FIC, o prédio concebido por Siza é comparado a um labirinto, no qual oscilamos entre as obras expostas e as precisas aberturas para o exterior
ambos os museus, portanto, funcionam como membranas, comunicando as obras em seu interior com a paisagem e a cidade, através dos olhos dos visitantes“Os motivos de meus quadros são visões do cotidiano que transporto para o mundo das lembranças sob a inspiração da fantasia””fim.
Ricardo Rocha

Ricardo Rocha

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    Seminário de Investigaçãoem Museologia dos Países de Língua Portuguesa e EspanholaSeminario de InvestigaciónenMuseología de los Países de Habla Portuguesa e EspañolaMuseus, Cidades e ComunicaçãoRicardo RochaFaculdade de Arquitetura e UrbanismoUniversidade Federal de PelotasMestrado em Patrimônio Cultural Universidade Federal de Santa Maria
  • 2.
    neste trabalho sãodiscutidos alguns aspectos dos projetos de Lucio Costa para o Museu das Missões em São Miguel (iniciado em 1937) e de Álvaro Siza para a sede da Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre (terminado em 2008), ambos construídos no estado brasileiro do Rio Grande do Sul
  • 3.
    São Miguel éum lugarejo próximo a Santo Ângelo Porto Alegreé a capital do Estadoo Rio Grande do Sul é o estado mais ao sul do Brasil, na fronteira com o Uruguai e a Argentina
  • 4.
    São Miguel éconhecida pelas ruínas da redução jesuítica de mesmo nome (tombadas pela UNESCO), hoje em territóriobrasileiro, mas originalmente (século XVIII) em terras da coroa espanhola ruínas de São MiguelPorto Alegre
  • 5.
    o Museu dasMissões“Também eu detesto os museus. Vou lá para ver e não para sentir. Tirar as coisas do seu ambiente é fazer-lhes perder a alma”Izabel de S. Gião – do livro Ressurreiçãode Manuel Ribeiro
  • 6.
    concluído em 1941,o Museu das Missões é reconhecido como solução exemplar de inserção de construção moderna em sítio histórico, integrando o novo ao antigo pela implantação estudada e pela sábia utilização dos materiais
  • 7.
    a implantação doedifício em um dos cantos da antiga praça da redução jesuítica serve de referência para se ter uma idéia de suas dimensões
  • 8.
    o material daspróprias ruínas é utilizado, em uma referência às casas dos índios do antigo povoadoatravés dos espaços transparentes do museu, as peças são expostas ao olhar do visitantede certa distância, é possível ver o perfil das ruínas da igreja por detrás do alpendre do museu
  • 9.
    esse é, defato, um dos pontos fundamentais da proposta: através da transparência do edifício na direção norte-sul, o olhar do visitante projetaas peças expostas no museu-pavilhão sobre o pano de fundo da ruína, fazendo com que seus vestígios a tornem tão animada como quando “aquela porção de índios se juntava de manhãzinha na igreja”
  • 10.
    outro dos aspectosprincipais da obra é a manutenção das peças de arte missioneira encontradas, recolhidas ou doadas em seu habitat
  • 12.
    a nova sededa Fundação Iberê Camargo (FIC)
  • 13.
    já em PortoAlegre, a necessidade de uma obra que conferisse visibilidade à produção de Iberê Camargo, aliada ao desejo de reforçar a inserção da cidade no circuito mundial das artes, conduziram a uma solução de efeitoIberê Camargo
  • 15.
    Solidão1994200 x 400cm Óleo sobre telaColeção Maria Coussirat Camargo | Fundação Iberê Camargo | Porto Alegre
  • 16.
    a fluidez dacirculação nas rampas e seu cadenciar silencioso colocam-se em franco contraste com a tensão plástico-formal que provocam na visão externa do conjunto e com suas reverberações no espaço interno
  • 17.
    a intenção deSiza parece ser menos impressionar o visitante e muito mais oferecer a ele condições para apreciar as obras expostas
  • 18.
    as rampas-galerias daFIC permitem que, entre um andar e outro, mergulhemos um pouco em nós mesmos, reflitamos a impressão causada por uma obra. Olhemos o desenho de luz produzido por uma clarabóia; paremos para contemplar a paisagem, com Porto Alegre ao fundo
  • 19.
    71 anos separamo projeto do museu missioneiro da inauguração da Fundação Iberê Camargoevidentemente, nos dias de hoje, o Museu das Missões está longe de atender a as exigências técnicas relativas a conservação de obras de arte – aspecto em relação ao qual a obra da FIC é exemplar
  • 20.
    no filme-instalação Dédale,feito pelo artista francês Pierre Coulibeuf na própria FIC, o prédio concebido por Siza é comparado a um labirinto, no qual oscilamos entre as obras expostas e as precisas aberturas para o exterior
  • 21.
    ambos os museus,portanto, funcionam como membranas, comunicando as obras em seu interior com a paisagem e a cidade, através dos olhos dos visitantes“Os motivos de meus quadros são visões do cotidiano que transporto para o mundo das lembranças sob a inspiração da fantasia””fim.