RESUMO


O presente trabalho surgiu da reflexão da pesquisadora, psicóloga de um
ambulatório da rede estadual de saúde, sobre o excessivo encaminhamento de alunos
considerados portadores de distúrbios de aprendizagem, fenômeno que pode ser
considerado como resultante do processo chamado comumente de “medicalização”
ou “patologização” do fracasso escolar. O objetivo principal deste estudo, de tipo
analítico - descritivo, foi a investigação das possibilidades de integração do trabalho
do psicólogo e de professores, profissionais de saúde e de educação, através da
análise das concepções dos sujeitos (quatro profissionais de saúde, nove professores,
nove alunos e suas mães), acerca de conceitos-chave como “distúrbio de
aprendizagem”, “fracasso escolar” e “integração saúde-educação”. As principais
fontes de dados utilizadas foram o questionário e a entrevista semi-estruturada; as
respostas foram classificadas e analisadas de acordo com focos de análise baseados
no referencial teórico que sustenta o estudo. Os resultados indicaram existir uma
tendência, entre professores e mães de alunos, de atribuição do fracasso acadêmico a
fatores de ordem física e/ou emocional centrados na criança e parecem possuir uma
visão “mágica” sobre a capacidade dos profissionais de saúde em solucionar
problemas de aprendizagem. Estes, por sua vez, destacam o sistema educacional e a
formação docente como causas principais do fracasso escolar. A integração saúde-
educação foi considerada relevante e necessária para o entrosamento das áreas e,
conseqüentemente, a busca de alternativas para o atendimento de escolares.
Concluiu-se, portanto, haver boa disposição, por parte dos profissionais de saúde e
educação, em relação à proposta de integração da atuação entre as duas áreas;
possíveis sugestões de modalidades de ação para se concretizar a integração
necessitam ainda de um maior aprofundamento.
ABSTRACT


           The present investigation emerged from the researchers’ inquiries, as a
state - health - clinic psychologist, on the execessive number of school - sent
students, designated as carriers of learning disabilities. Consider this phenomenon
the result of a process known as “the medical treatment alternative” for dealing with
school failure.
           The purpose of this analytical - descriptive study was investigate the
possibility of integrating efforts on behalf of psychologists, teachers and experts in
health and education by analyzing the viewpoints of four health professionals, nine
teachers, nine students and their mothers, on basic concepts such as “learning
disabilities”, “school failure” and “the integrating of health with education”.
           Data was obtained through questionairus and semi - structured
interviews; the answers were classified and analyzed according to analytical points
based on the theoretical evidence supporting this study.
           The results show a tendency among parents and teachers in associating
school failure to physical and emotional disorders. Moreover, they seemingly confer
“magical” powers to health professionals in solving learning problems. Although,
the latter blame the education system and teacher training for school failure.
Integrating health and education was considered relevant and necessary in linking
both fields and, consequently, in finding alternatives for meeting students’ needs.
           Therefore, there’s goodwill on behalf of both health and education
professionals in making ends meet. Possible means of action for such a joint venture
depends on a more - detailed studies.

Resumo

  • 1.
    RESUMO O presente trabalhosurgiu da reflexão da pesquisadora, psicóloga de um ambulatório da rede estadual de saúde, sobre o excessivo encaminhamento de alunos considerados portadores de distúrbios de aprendizagem, fenômeno que pode ser considerado como resultante do processo chamado comumente de “medicalização” ou “patologização” do fracasso escolar. O objetivo principal deste estudo, de tipo analítico - descritivo, foi a investigação das possibilidades de integração do trabalho do psicólogo e de professores, profissionais de saúde e de educação, através da análise das concepções dos sujeitos (quatro profissionais de saúde, nove professores, nove alunos e suas mães), acerca de conceitos-chave como “distúrbio de aprendizagem”, “fracasso escolar” e “integração saúde-educação”. As principais fontes de dados utilizadas foram o questionário e a entrevista semi-estruturada; as respostas foram classificadas e analisadas de acordo com focos de análise baseados no referencial teórico que sustenta o estudo. Os resultados indicaram existir uma tendência, entre professores e mães de alunos, de atribuição do fracasso acadêmico a fatores de ordem física e/ou emocional centrados na criança e parecem possuir uma visão “mágica” sobre a capacidade dos profissionais de saúde em solucionar problemas de aprendizagem. Estes, por sua vez, destacam o sistema educacional e a formação docente como causas principais do fracasso escolar. A integração saúde- educação foi considerada relevante e necessária para o entrosamento das áreas e, conseqüentemente, a busca de alternativas para o atendimento de escolares. Concluiu-se, portanto, haver boa disposição, por parte dos profissionais de saúde e educação, em relação à proposta de integração da atuação entre as duas áreas; possíveis sugestões de modalidades de ação para se concretizar a integração necessitam ainda de um maior aprofundamento.
  • 2.
    ABSTRACT The present investigation emerged from the researchers’ inquiries, as a state - health - clinic psychologist, on the execessive number of school - sent students, designated as carriers of learning disabilities. Consider this phenomenon the result of a process known as “the medical treatment alternative” for dealing with school failure. The purpose of this analytical - descriptive study was investigate the possibility of integrating efforts on behalf of psychologists, teachers and experts in health and education by analyzing the viewpoints of four health professionals, nine teachers, nine students and their mothers, on basic concepts such as “learning disabilities”, “school failure” and “the integrating of health with education”. Data was obtained through questionairus and semi - structured interviews; the answers were classified and analyzed according to analytical points based on the theoretical evidence supporting this study. The results show a tendency among parents and teachers in associating school failure to physical and emotional disorders. Moreover, they seemingly confer “magical” powers to health professionals in solving learning problems. Although, the latter blame the education system and teacher training for school failure. Integrating health and education was considered relevant and necessary in linking both fields and, consequently, in finding alternatives for meeting students’ needs. Therefore, there’s goodwill on behalf of both health and education professionals in making ends meet. Possible means of action for such a joint venture depends on a more - detailed studies.