Preconceito Linguístico
o que é , como se faz.
Marcos Bagno.
 Mitos nº 4,5,6,7 e 8.
 Equipe: Cleudiane Andrade
 Itamara Lima
 Wander Salgado
“As pessoas sem instrução falam tudo
errado”
 O preconceito contra a fala de determinadas
classes socias e falas características de certas
regiões do Brasil.
 O preconceito linguistico se baseia na crença de que só
existe uma única língua portuguesa digna deste nome e
que seria a língua ensinada nas escolas, explicada nas
gramáticas e catalogada nos dicionários.
Essa atitude representa uma
forma de marginalização e
exclusão.
 Exemplo:
 O modo como a fala nordestina é retratada nas novelas
de televisão, principalmente na globo.
“O lugar onde melhor se fala português é o
Maranhão.”
 Esse mito nasceu, mais uma vez, da velha posição de
subserviência em relação ao português de Portugal.
 No Maranhão ainda se usa com grande regularidade
pronome tu, seguido das formas verbais clássicas, com
a terminação em -s característica da segunda pessoa:
tu vais, tu queres, tu dizes, tu comias, tu cantavas e etc.
 Por essa conservação de um único aspecto da linguagem
clássica literária, que coincide com a língua falada em
Portugal ainda hoje, e que se perpetua o mito de que o
Maranhão e o lugar “onde melhor se fala o português” no
Brasil.
 Isso acontece porque nessas regiões aconteceu, no
período colonial, uma forte imigração de açorianos,
cujo dialeto especifico influenciou a variedade de
português brasileiro falado naqueles locais.
 E preciso abandonar essa ânsia de tentar atribuir a um
único local ou a uma única comunidade de falantes o
“melhor” ou o “pior” português e passar a respeitar
igualmente todas as variedades da língua, que
constituem um tesouro precioso de nossa cultura.
“O certo é falar assim porque se escreve assim”
 Infelizmente, existe uma tendência muito forte no
ensino da língua de querer obrigar o aluno a
pronunciar “do jeito que se escreve”, como se essa fosse
a única maneira “certa” de falar português. (Imagine se
alguém fosse falar inglês ou Frances do jeito que se
escreve!)
 Muitas gramáticas e livros didáticos chegam ao cumulo
de aconselhar o professor a “corrigir” quem fala
muleque, bejo, minino, bisoro, como se isso pudesse
anular o fenômeno da variação, tão natural e tão antigo
na historia das línguas.
 E claro que e preciso ensinar a escrever de acordo com
a ortografia oficial, mas não se pode fazer isso
tentando criar uma língua falada “artificial” e
reprovando como “erradas” as pronuncias que são
resultado natural das forças internas que governam o
idioma.
 A gramática tradicional despreza os fenômenos da
língua oral,e quer impor a ferro e fogo a língua literária
como a única forma legitima de falar e escrever, como a
única manifestação linguística que merece ser
estudada.
“É preciso saber gramática para falar e escrever
bem”.”
 Por que aquela declaração e um mito? Porque, como
nos diz Mario Perini em Sofrendo a gramática,“não
existe um grão de evidencia em favor disso; toda a
evidencia disponível e em contrario”. Afinal, se fosse
assim, todos os gramáticos seriam grandes escritores.
 O que aconteceu, ao longo do tempo, foi uma inversão
da realidade histórica. As gramáticas foram escritas
precisamente para descrever e fixar como “regras” e
“padrões” as manifestações lingüísticas usadas
espontaneamente pelos escritores considerados dignos
de admiração, modelos a ser imitados.
Como a gramática, porem, passou a ser um
instrumento de poder e de controle, surgiu essa
concepção de que os falantes e escritores da língua e
que precisam da gramática, como se ela fosse uma
espécie de fonte mística invisível da qual emana a
língua “bonita”, “correta” e “pura”.
 Necessitamos hoje no Brasil da descrição detalhada e
objetiva para que ela sirva de base ao ensino e
aprendizagem na escola, e não como uma norma
fictícia que se inspira em um ideal linguistico
inatingível.
 Não é a gramática normativa que vai “garantir a
existência de um padrão linguistico uniforme”,pois
existe na sociedade, independentemente de haver ou
não livros que o descrevam.
“O domínio da norma culta é um instrumento de
ascensão social”
 Se o domínio da norma culta fosse realmente um
instrumento de ascensão na sociedade, os professores
de português ocupariam o topo da pirâmide social,
econômica e política do pais.
 O domínio da norma culta de nada vai adiantar a uma
pessoa que não tenha todos os dentes, que não tenha
casa decente para morar, água encanada, luz elétrica e
rede de esgoto. O domínio da norma culta de nada vai
servir a uma pessoa que não tenha acesso aos
empregos bem remunerados, a participação ativa e
consciente nas decisões políticas que afetam sua vida.
 Achar que basta ensinar a norma culta a uma criança
pobre para que ela “suba na vida” e o mesmo que achar
que e preciso aumentar o numero de policiais na rua e
de vagas nas penitenciarias para resolver o problema
da violência urbana.
 E preciso favorecer esse reconhecimento, mas também
garantir o acesso a educação em seu sentido mais
amplo, aos bens culturais, a saúde e a habitação, ao
transporte de boa qualidade, a vida digna de cidadão
merecedor de todo respeito.
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  • 1.
    Preconceito Linguístico o queé , como se faz. Marcos Bagno.  Mitos nº 4,5,6,7 e 8.  Equipe: Cleudiane Andrade  Itamara Lima  Wander Salgado
  • 2.
    “As pessoas seminstrução falam tudo errado”
  • 3.
     O preconceitocontra a fala de determinadas classes socias e falas características de certas regiões do Brasil.
  • 4.
     O preconceitolinguistico se baseia na crença de que só existe uma única língua portuguesa digna deste nome e que seria a língua ensinada nas escolas, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários.
  • 5.
    Essa atitude representauma forma de marginalização e exclusão.  Exemplo:  O modo como a fala nordestina é retratada nas novelas de televisão, principalmente na globo.
  • 6.
    “O lugar ondemelhor se fala português é o Maranhão.”
  • 7.
     Esse mitonasceu, mais uma vez, da velha posição de subserviência em relação ao português de Portugal.
  • 8.
     No Maranhãoainda se usa com grande regularidade pronome tu, seguido das formas verbais clássicas, com a terminação em -s característica da segunda pessoa: tu vais, tu queres, tu dizes, tu comias, tu cantavas e etc.
  • 9.
     Por essaconservação de um único aspecto da linguagem clássica literária, que coincide com a língua falada em Portugal ainda hoje, e que se perpetua o mito de que o Maranhão e o lugar “onde melhor se fala o português” no Brasil.
  • 10.
     Isso aconteceporque nessas regiões aconteceu, no período colonial, uma forte imigração de açorianos, cujo dialeto especifico influenciou a variedade de português brasileiro falado naqueles locais.
  • 11.
     E precisoabandonar essa ânsia de tentar atribuir a um único local ou a uma única comunidade de falantes o “melhor” ou o “pior” português e passar a respeitar igualmente todas as variedades da língua, que constituem um tesouro precioso de nossa cultura.
  • 12.
    “O certo éfalar assim porque se escreve assim”
  • 13.
     Infelizmente, existeuma tendência muito forte no ensino da língua de querer obrigar o aluno a pronunciar “do jeito que se escreve”, como se essa fosse a única maneira “certa” de falar português. (Imagine se alguém fosse falar inglês ou Frances do jeito que se escreve!)
  • 14.
     Muitas gramáticase livros didáticos chegam ao cumulo de aconselhar o professor a “corrigir” quem fala muleque, bejo, minino, bisoro, como se isso pudesse anular o fenômeno da variação, tão natural e tão antigo na historia das línguas.
  • 15.
     E claroque e preciso ensinar a escrever de acordo com a ortografia oficial, mas não se pode fazer isso tentando criar uma língua falada “artificial” e reprovando como “erradas” as pronuncias que são resultado natural das forças internas que governam o idioma.
  • 16.
     A gramáticatradicional despreza os fenômenos da língua oral,e quer impor a ferro e fogo a língua literária como a única forma legitima de falar e escrever, como a única manifestação linguística que merece ser estudada.
  • 17.
    “É preciso sabergramática para falar e escrever bem”.”
  • 18.
     Por queaquela declaração e um mito? Porque, como nos diz Mario Perini em Sofrendo a gramática,“não existe um grão de evidencia em favor disso; toda a evidencia disponível e em contrario”. Afinal, se fosse assim, todos os gramáticos seriam grandes escritores.
  • 19.
     O queaconteceu, ao longo do tempo, foi uma inversão da realidade histórica. As gramáticas foram escritas precisamente para descrever e fixar como “regras” e “padrões” as manifestações lingüísticas usadas espontaneamente pelos escritores considerados dignos de admiração, modelos a ser imitados.
  • 20.
    Como a gramática,porem, passou a ser um instrumento de poder e de controle, surgiu essa concepção de que os falantes e escritores da língua e que precisam da gramática, como se ela fosse uma espécie de fonte mística invisível da qual emana a língua “bonita”, “correta” e “pura”.
  • 21.
     Necessitamos hojeno Brasil da descrição detalhada e objetiva para que ela sirva de base ao ensino e aprendizagem na escola, e não como uma norma fictícia que se inspira em um ideal linguistico inatingível.
  • 22.
     Não éa gramática normativa que vai “garantir a existência de um padrão linguistico uniforme”,pois existe na sociedade, independentemente de haver ou não livros que o descrevam.
  • 23.
    “O domínio danorma culta é um instrumento de ascensão social”
  • 24.
     Se odomínio da norma culta fosse realmente um instrumento de ascensão na sociedade, os professores de português ocupariam o topo da pirâmide social, econômica e política do pais.
  • 25.
     O domínioda norma culta de nada vai adiantar a uma pessoa que não tenha todos os dentes, que não tenha casa decente para morar, água encanada, luz elétrica e rede de esgoto. O domínio da norma culta de nada vai servir a uma pessoa que não tenha acesso aos empregos bem remunerados, a participação ativa e consciente nas decisões políticas que afetam sua vida.
  • 26.
     Achar quebasta ensinar a norma culta a uma criança pobre para que ela “suba na vida” e o mesmo que achar que e preciso aumentar o numero de policiais na rua e de vagas nas penitenciarias para resolver o problema da violência urbana.
  • 27.
     E precisofavorecer esse reconhecimento, mas também garantir o acesso a educação em seu sentido mais amplo, aos bens culturais, a saúde e a habitação, ao transporte de boa qualidade, a vida digna de cidadão merecedor de todo respeito.