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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
SANEAMENTO E MEIO AMBIENTE
POLUIÇÃO DO AR
São Cristóvão
2016
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
SANEAMENTO E MEIO AMBIENTE
POLUIÇÃO DO AR
Professor Dr. Daniel Moureira Fontes Lima.
Alunos: Alan de Gois Barbosa;
André Luiz Delmondes Pereira Filho;
Luiz Pereira de Aguiar Neto;
Matheus Lopes Peres;
Renério Pereira Neto.
São Cristóvão
2016
Sumário
1. Introdução...............................................................................................................5
1.1 Histórico. .............................................................................................................5
1.2 Definição e principais fontes poluidoras...........................................................6
1.3 Principais Poluentes Atmosféricos:...................................................................7
1.4 Efeitos da poluição do ar....................................................................................8
2. Lixões e Aterros: Impactos na Poluição Atmosférica.......................................11
2.1 Poluição Atmosférica. ........................................................................................12
2.2 Saúde Humana....................................................................................................13
2.3 Controle ..............................................................................................................14
3. Queimadas.............................................................................................................14
4. Indústria do Cimento...........................................................................................15
4.1 Impactos ambientais – Poluição do ar. ...............................................................16
5. Poluição atmosférica na produção siderúrgica. ................................................20
5.1 Poluentes atmosféricos. ......................................................................................21
5.2 Fontes de emissão, controle e prevenção de poluição atmosférica. ...................21
6. Estudos de Caso....................................................................................................25
6.1 Cubatão...............................................................................................................25
6.2 Cidade do México...............................................................................................26
6.3 Pequim................................................................................................................28
6.4 Stuttgart. .............................................................................................................28
6.5 Emissões Globais................................................................................................29
7. Danos à Saúde.......................................................................................................30
7.1 Ação dos poluentes no sistema respiratório. ......................................................31
7.2 Efeitos da Poluição do ar na gravidez. ...............................................................31
7.3 Efeitos sobre o Sistema Respiratório..................................................................32
7.4 Poluição do ar e mortalidade. .............................................................................36
7.5 Poluição do ar e exercícios Físicos.....................................................................36
8. Conclusão..............................................................................................................37
9. Referências............................................................................................................39
Resumo
A poluição do ar é um problema que está diretamente relacionado ao crescimento econômico da
população, pois são os diversos tipos de indústrias e de automóveis, quando não pensados de maneira
sustentável, que mais poluem a atmosfera. As implicações desse problema são, principalmente,
alterações climáticas e prejuízos para a saúde da população. No presente trabalho, será abordado os
aspectos que mais se relacionam com a engenharia civil e suas particularidades, bem como serão feitos
estudos de casos de cidades que sofrem ou sofreram com a poluição do ar.
1. Introdução.
Desde que o ser humano deixou de ser nômade, ele começou a modificar e assim a
agredir com mais intensidade o meio ao seu redor, seja o solo, a água ou o ar. Suas moradias,
culturas ou modo de vida acabam sempre gerando impacto no ambiente ao seu redor.
Neste trabalho será enfatizado o impacto dos seres humanos na atmosfera do planeta,
assim como os principais meios poluidores do ar. Também serão abordadas ideias para se
amenizar a poluição ou até reverter em um produto que possa ser aproveitado para sequer
atividade. Não deixando de fora estudos de casos específicos que têm alguma relação com a
Engenharia Sanitária.
1.1 Histórico.
O problema da poluição atmosférica não é um problema da modernidade, há dois mil
anos, em Roma, já se tem registros de reclamações a respeito da qualidade do ar. Durante a
idade média, como o carvão e a lenha eram as principais fontes de calor nos tempos de
inverno, há também registro de queixas sobre a qualidade do ar. Já na Inglaterra, tem-se
registro até de leis que impõem uso de carvões com baixo teor de enxofre no século XIII e
que proíbem a sua queima durante as sessões do parlamento por causa do cheiro e da fumaça.
Havia existência de pequenas indústrias, principalmente as que praticavam a metalurgia e
cerâmica, que, mesmo em pequena proporção, já lançavam resíduos gasosos no meio
ambiente. Já a partir da revolução industrial, como mostrado no gráfico a seguir, quando os
combustíveis fósseis passaram a ser queimados para alimentar as máquinas a vapor, foi que se
intensificou a poluição a atmosfera e os problemas ambientais e para a saúde do ser humano.
É importante observar que a máquina à vapor foi criada em 1784, já as primeiras leis
destinadas ao controle da “fumaça” só foram surgir em 1853.
Figura 1 – Evolução da concentração de CO2
No século XX, já se percebeu um considerável aumento da poluição do ar devido ao
crescimento das cidades e das indústrias. Em 1911 e em 1952 ocorreram graves acidentes com
mortes de 1150 e 4000 pessoas, respectivamente. Mas é importante ressaltar que foi também
nessa época em que os governos começaram a se preocupar com a qualidade do ar, realizando
conferências mundiais com intuito de controlar as emissões e, principalmente, as fontes
emissoras.
1.2 Definição e principais fontes poluidoras.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a poluição do ar pode ser definida como
qualquer forma de matéria ou energia com intensidade, concentração, tempo ou características
que possam tornar o ar impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar
público, danoso aos materiais, à fauna e à flora ou prejudicial a segurança, ao uso e gozo da
propriedade e à qualidade de vida da comunidade.
Atualmente, podemos dividir as fontes de poluição atmosférica em duas esferas:
 A esfera natural, que inclui os vulcões, aerossóis marinhos, decomposição
biológica, dentre outros mais;
 A esfera antropogênica, ou seja, gerada pelo homem e, consequentemente, pela
modernidade. Essa esfera inclui os motores de combustão interna; fornos
industriais e indústrias em geral e as queimadas juntamente com o
desmatamento.
1.3 Principais Poluentes Atmosféricos:
O conhecimento e a tecnologia desenvolvidos pela humanidade só aumentam, mas, por
abranger diversas áreas, o desenvolvimento também polui a atmosfera com diversas
substâncias cujas podemos destacar:
1.3.1 Monóxido de carbono (CO).
É um composto gerado pelos processos de combustão incompleta dos combustíveis
fósseis ou de qualquer outro material inflamável que seja constituído por carbono. É perigoso
para o ser humano por juntar-se à hemoglobina e inutilizá-la, ocasionando diminuição da
capacidade respiratória.
1.3.2 Dióxido de Carbono (CO2).
É o principal composto resultante dos processos de combustão completa de
combustíveis fósseis ou de qualquer outro material inflamável que contenha carbono, além de
ser produzido por algumas reações químicas em determinados segmentos industriais, por
exemplo, pela indústria de cimento. Uma das principais substâncias que vêm agravando o
efeito estufa no planeta.
1.3.3 Óxidos de Enxofre (SO2 e SO3).
São produzidos por processos de combustão de materiais que contenham enxofre em
sua composição, por exemplo, pneus. Também gerado por processos biogênicos naturais,
tanto no solo como na água. É um dos principais agentes causadores da chuva ácida.
1.3.4 Óxidos de Nitrogênio (NOx).
Como o principal constituinte da atmosfera é o nitrogênio, ao se realizar uma combustão
em contato com a atmosfera, esses óxidos podem ser gerados. Também ocorre sua formação
em descargas elétricas na atmosfera.
1.3.5 Hidrocarbonetos.
Os hidrocarbonetos são resultantes da combustão incompleta dos combustíveis, além da
evaporação de solventes ou de combustíveis.
1.3.6 Material Particulado (MP).
Entende-se por material particulado todas as partículas sólidas ou líquidas capazes de
permanecer em suspensão, por exemplo, a poeira, fuligem e do pólen. Essas partículas podem
ter origem em processos de combustão, ou em processos específicos de algumas indústrias ou
até por razões naturais.
1.3.7 Asbestos (amianto).
É um subtipo de Material Particulado, mas requer enfoque especial. É produzido no
processo de extração e beneficiamento do amianto e sua presença traz graves problemas de
saúde, como câncer de pulmão.
1.3.8 Metais.
É também um subtipo de Material Particulado, é liberado em processos de mineração,
combustão e processos siderúrgicos, sua presença podem trazer sérios problemas para o ser
humano.
1.3.9 Gás Fluorídrico (HF).
Composto gerado nos processos de produção de alumínio e de fertilizantes, também em
refinarias de petróleo.
1.3.10 Amônia (NH3).
As principais fontes de amônia são as indústrias de fertilizantes e químicas,
principalmente aquelas à base de nitrogênio. Também gerada por processos biológicos
naturais na água e no solo.
1.3.11 Calor.
O calor geralmente é liberado junto a processos de combustão ou junto com gases
quentes resultantes de processos industriais. Se em grande quantidade pode aumentar a
temperatura ambiente e mudando o clima da região em que é liberado.
1.4 Efeitos da poluição do ar.
Como consequência dessas mudanças na atmosfera, a humanidade acaba sofrendo. A
saúde do ser humano acaba sendo afetada, principalmente por doenças respiratórias como
bronquite, rinite alérgica, além de irritações na pele, lacrimação exagerada, infecção nos
olhos. Esses efeitos podem ainda ter mais destaque em dias secos e serão abordados com mais
detalhes ao decorrer do texto.
Além da humanidade, o planeta acaba sofrendo também, a intensificação do efeito
estufa pode trazer muitos malefícios, além da destruição da camada de ozônio e da chuva
ácida.
1.4.1 O efeito Estufa
O efeito estufa é um dos principais fatores que contribuem para a vida no planeta Terra.
Pode-se descrevê-lo como uma camada de determinados gases que funciona como uma
barreira para o calor, ou seja, essa barreira mantém o planeta aquecido a cerca de 15°C.
O grande problema do efeito estuda é seu aumento, já que com a modernização da
humanidade, passou-se a liberar cada vez mais gases que intensificam seu poder, sejam eles o
CO2, metano, óxido nitroso e até clorofluorcarbonos CFCs. O metano é o gás que está mais
intimamente relacionado com o aumento da temperatura terrestre, estudos indicam que o
metano contribuiu 25% a mais que a concentração de CO2 para as alterações da temperatura
entre os anos 8.000a.C. e 10.000a.C.
Devido ao aumento da concentração dos gases estufa, a tendência da temperatura global
é aumentar, causando derretimento das calotas polares e com isso a elevação nível dos mares.
Além disso, podem ocorrer mudanças climáticas sérias, com consequências inimagináveis
para a humanidade. De acordo com a World Meteorological Organization (WMO),
temperaturas de inverno, em altas e médias latitudes, poderão crescer mais que duas vezes a
média mundial, enquanto as temperaturas de verão não irão se alterar muito.
O controle do efeito estufa se dá direto nas fontes emissoras dos gases estufa. Portanto é
necessário que se diminua as emissões de metano e CO2 na atmosfera utilizando fontes
alternativas de combustível e melhorando o sistema de transporte coletivo. Como a vegetação
acaba absorvendo o gás carbônico em seu processo de crescimento, os países deveriam
controlar cada vez mais o desmatamento e incentivar o reflorestamento.
1.4.2 Destruição da Camada de Ozônio.
Na estratosfera, entre 15 e 50 km da superfície, existe uma concentração de gás ozônio
(O3) responsável por bloquear certas faixas de radiações solares, principalmente a ultravioleta,
impedindo que se atinjam níveis excessivos na superfície, essa concentração é chamada de
camada de ozônio.
O ozônio presente na atmosfera atenua as radiações por usá-las em seu processo de
formação e deterioração. A radiação em excesso na superfície pode aumentar a incidência de
câncer de pele, reduzir as safras agrícolas e destruir ou inibir o crescimento de determinadas
espécies vegetais, além de causar danos aos materiais plásticos.
O lançamento de CFCs na atmosfera pelas indústrias de refrigeração, aerossóis e de
plásticos causa a destruição do ozônio, por ser uma molécula bastante estável, o
clorofluorcarbono pode ficar na atmosfera por cerca de 100 anos. Uma molécula de cloro
pode destruir até dez mil moléculas de ozônio. A imagem a seguir mostra a evolução do
buraco que se formou na camada de ozônio sobre a Antártica.
Tratados feitos por os países desenvolvidos e em desenvolvimento á cerca de 25 anos (
Protocolo de Montreal) conseguiram reverter a situação. Atualmente o buraco voltou a
diminuir de tamanho, e as previsões para o futuro são positivas.
Figura 2 – Evolução do Buraco na camada de ozônio. Fonte: Terra Notícias.
1.4.3 Chuva Ácida
A chuva, por sua natureza, já apresenta um caráter levemente ácido. Isso vem das
reações do CO2 presente na atmosfera com os vapores de água, que geram ácido carbônico
(um ácido bastante instável). As regiões densamente industrializadas liberam várias toneladas
de gases sulfurosos e nitrogenados para a atmosfera, esses gases, ao reagirem com o vapor de
água, formam ácidos fortes, que podem tornar as chuvas com caráter bastante ácido, com pH
por volta de 3,0.
As perdas para a agricultura são enormes, já que os solos acabam se tornando ácidos e
inadequados para determinadas culturas. Além das florestas e peixes que também sofrem pela
exposição à ácidos fortes. Além disso, a acidez pode destruir bens feitos á base de concreto,
desde usinas hidroelétricas até monumentos históricos. Estima-se que as ruínas de Atenas
sofreram nos últimos 40 anos uma deterioração comparada aos últimos dois mil anos.
O controle da chuva ácida se dá pelo controle na emissão dos óxidos nitrosos e
sulfurosos, utilizando filtros em usinas e controlando a emissão pelos veículos.
2. Lixões e Aterros: Impactos na Poluição Atmosférica.
Atualmente, a disposição dos resíduos sólidos desde o âmbito doméstico ao industrial
tem sido uma questão bastante discutida por sua relação intima com a poluição do ambiente
no qual vivemos. O descarte impróprio desses resíduos (domiciliares, químicos, hospitalares,
etc.) é uma preocupação, pois além de contaminarem a região na qual são despejados, também
são nocivos às pessoas que entram em contato com estes e, indiretamente, a todos nós.
Os destinos mais conhecidos para os resíduos sólidos podem ser divididos em duas
classes: lixões e aterros. Os aterros, por sua vez, podem ser do tipo controlado ou sanitário. Os
lixões são áreas de despejo sem nenhuma preparação prévia da área, ou seja, sem
manipulação do solo e sem sistema de tratamento de efluentes, permitindo que o chorume
infiltre, contaminando o solo e o lençol freático. Esses locais são frequentados por diversos
animais (urubus, ratos) e por catadores de materiais recicláveis, de crianças a adultos, que
ficam expostos à doenças, tornando os lixões desagradáveis não apenas ecologicamente, mas
também socialmente.
Figura 3 – Lixão a céu aberto.
Os aterros controlados apresentam condições intermediárias entre os lixões e os aterros
sanitários. É uma célula adjacente a um lixão já coberto por argila e grama, com sistema de
captação, recirculação e queima de chorume e gás metano, causando uma menor
contaminação do solo e do lençol freático. Esta célula é preparada para receber o lixo e tem
uma operação para a cobertura deste (idealmente, uma manta impermeável).
Figura 4 – Esquema de aterro controlado.
Já os aterros sanitários são a disposição adequada dos resíduos. Nestes casos, o terreno
é preparado previamente, a base é selada com argila e mantas de PVC resistentes. Desta
forma, o lençol freático não é contaminado pelo chorume, que é coletado através de drenos de
e encaminhados para um poço de acumulação de onde, nos seis primeiros meses de operação
é recirculado sobre a massa de lixo aterrada. Depois desses seis meses, o chorume acumulado
é encaminhado para a estação de tratamento de efluentes (ETE). No aterro sanitário, assim
como no aterro controlado, acontece a cobertura diária do lixo, não ocorrendo mau cheiro,
proliferação de vetores e poluição visual.
Figura 5 – Esquema Simplificado de Aterro Sanitário.
2.1 Poluição Atmosférica.
Esclarecidas as diferenças entre lixões e aterros e seus respectivos funcionamentos, se
torna fácil a percepção das consequências negativas que estes trazem ao ambiente, não
somente ao solo e à água, como foi visto, mas também ao ar. Lixões, principalmente, são
responsáveis por parte da poluição atmosférica, pelos seguintes fatores:
 Espalhamento de partículas e materiais leves através do vento;
 Liberação de gases e odores decorrente da decomposição da matéria orgânica
presente no lixo, entre estes os gases metano (inflamável) e sulfídrico;
 Queima de resíduos ao ar livre.
O processo de decomposição dos resíduos sólidos por meio da ação dos micro-
organismos produz o biogás que é composto por hidrogênio, nitrogênio, gás sulfídrico,
dióxido de carbono e metano, citado acima. Este último é altamente inflamável e junto com o
ar pode formar uma mistura explosiva; sendo comum a combustão espontânea do lixo em
vazadouros a céu aberto. Cabe ressaltar que o metano e o dióxido de carbono contribuem para
a intensificação do Efeito Estufa.
No caso de aterros, parte do metano produzido no é drenado e depois queimado, sendo
obtido como produto desse processo o gás carbônico. Também é realizada nesses locais a
incineração irregular dos resíduos sólidos, que lança na atmosfera material particulado
composto por poluentes orgânicos e inorgânicos prejudiciais à saúde humana e ao equilíbrio
do ambiente. Além disso, o monitoramento da qualidade do ar em aterros é quase inexistente
no Brasil.
2.2 Saúde Humana.
No Brasil, tanto aterros quanto lixões são o meio de sobrevivência para milhares de
catadores individuais entre homens, mulheres e crianças. Essas pessoas são submetidas a
condições precárias de subsistência e a riscos diversos devido ao contato direto com o lixo,
além de conviverem com os elevados índices de violência nessas áreas.
A importância desta coleta informal de materiais recicláveis realizadas por catadores é
indiscutível, haja vista que estes, mesmo que involuntariamente, contribuem para reintroduzir
no processo industrial os resíduos que seriam desperdiçados em aterros ou lixões. Porém, as
condições ambientais destes locais representa um problema bastante grave do ponto de vista
social, sobretudo pela exposição a uma situação de extremo risco. Nesse contexto, estudos
epidemiológicos têm associado o aparecimento de doenças respiratórias crônicas, asma,
bronquite e enfisema pulmonar à atividade da coleta.
É importante destacar que o metano é apontado como um poluente prejudicial ao
homem, podendo, em alguns casos, provocar câncer, náusea, sonolência ou irritação nas
narinas e olhos. Além de ocasionar a liberação de gases tóxicos que são inalados pelas
pessoas que residem ou trabalham na área, a disposição inadequada dos resíduos sólidos
contribui para a proliferação de vetores como moscas, baratas e ratos.
2.3 Controle
Os estudos que têm como meta avaliar tais fenômenos nesses locais tornam-se
extremamente importantes, principalmente, quando os aterros/lixões se situam em áreas
urbanas. Assim, o monitoramento de fontes poluidoras e o controle da qualidade do ar devem
ser programas permanentes na operação destes.
Tornam-se necessárias também a efetivação da fiscalização para combater as queimas
irregulares e implantação de um suporte para criação e/ou fortalecimento das cooperativas de
resíduos sólidos atuantes na região e capacitação dos catadores para diminuir os riscos de
contaminação e eventuais acidentes. Outra alternativa, é a criação e operação de um sistema
de compostagem, que venha a aproveitar parte do material orgânico presente na área.
É viável ainda a adoção de procedimentos que permitam a separação dos resíduos
sólidos nas fontes geradoras, por meio de um programa de coleta seletiva, com fiscalização
atuante. Além disso, deve-se ter uma fiscalização quanto à deposição dos resíduos em aterros
para evitar que resíduos perigosos, como os hospitalares, sejam lançados no local. Em suma, é
ideal a construção de um aterro sanitário dentro dos padrões estabelecidos na legislação.
3. Queimadas.
Via de regra, os gases reagem de maneira diferente à radiação eletromagnética de
diferentes comprimentos de onda. No caso da terra, a atmosfera é relativamente transparente à
radiação solar, e opaca à radiação emitida pela Terra, ou seja, parte da radiação solar é
absorvida pela superfície do planeta, mas a emissão da mesma é absorvida pela atmosfera.
Isto significa dizer que a superfície terrestre é aquecida pela radiação solar direta e também
pela radiação secundária da atmosfera. Este processo causa um aquecimento adicional da
superfície, conhecido como Efeito Estufa.
Dos gases que incrementam o efeito estufa, o dióxido de carbono (CO2), é o principal
contribuinte diretamente influenciado pelas atividades humanas, juntamente com os
clorofluorcarbonos (CFCs), metano (CH4) e outros.
A colaboração relativa destes gases, para o efeito estufa, vem mudando ao longo dos
anos. A concentração de CO2 na atmosfera, por exemplo, aumentou cerca de 26% em 240
anos (Sarmiento e Sundquist, 1992). A causa fundamental do aumento da concentração deste
gás na atmosfera nos últimos anos, é a queima de combustíveis fósseis e através do
processamento de rocha calcária para produção de cimento.
Também os desmatamentos e queimadas de florestas com propósitos industriais ou
agrícolas, liberaram para a atmosfera uma quantidade de 1,0 - 2,6 Gt ( kg) de
dióxido de carbono ao decorrer do ano de 1980, sendo a parte majoritária referente a
queimadas nas regiões tropicais (Houghton et al., 1987).
As queimadas que acompanham o desmatamento determinam o volume de gases
emitidos, não somente da biomassa que queima, mas também da parte que não queima.
Quando ocorre uma queimada, além da liberação do dióxido de carbono, são liberados
também gases-traço como metano, monóxido de carbono e nitroso de oxigênio. A biomassa
que não queima na queimada inicial, com chamas, também será oxidada. Isto ocorre, em
parte, por processos de decomposição e parte pelas requeimadas, de temperaturas reduzidas,
com formação de brasas e maiores emissões de gases.
A quantidade de gases de efeito estufa liberada pelo desmatamento são de grande
importância, tanto em termos do impacto presente, quanto do potencial para colaboração em
longo prazo com a continuação do desmatamento das áreas próximas às que aconteceram
queimadas.
4. Indústria do Cimento.
O cimento, assim como o aço e o petróleo, é uma das mercadorias vitais para o
crescimento da economia mundial. Nenhum outro material é tão versátil quanto este, ao se
tratar de construções prediais e obras de infraestrutura. Em um panorama mundial, a indústria
de cimento alcançou no ano de 2013 uma produção em torno de 4000 Mton, destacando se
países como China, Índia, Estados Unidos, Irã e Brasil como os principais produtores neste
respectivo ano.
Em contraste ao grande avanço da indústria de cimento, há os fortes impactos
ambientais que ela traz consigo, e o consequente dano à saúde humana. Com enfoque à
poluição do ar, se tem muitas críticas a essa atividade fabril, sendo uma das principais fontes
emissoras de atualmente, além de outros contaminantes atmosféricos, e, devido à
demanda econômica, é um setor em pleno crescimento na sua produção.
4.1 Impactos ambientais – Poluição do ar.
4.1.1 Material particulado:
Os materiais particulados (MP) são determinados pelo conjunto de partículas muito
finas de sólidos ou líquidos suspensos no ar, na qual, suas dimensões variam entre 0,001 a 500
𝜇m. Essas partículas geram grandes danos ao trato respiratório superior humano, e quanto
menor forem suas dimensões, maior seu potencial de atingir os pulmões e se alojarem no
mesmo.
Além dos sérios riscos à saúde humana, a emissão de MP na atmosfera traz consigo
fortes impactos ambientais, aumentando suas taxas de reações, redução de visibilidade e dos
níveis de radiação solar, alterando a temperatura e interferindo no crescimento da flora.
Um das grandes inquietações da indústria cimenteira se deve a esse fato. Desde a etapa
de mineração, a obtenção do produto – manipulação, moagem e mistura, e manuseio –
empacotamento, transporte e armazenamento, há a fuga de materiais particulados, na qual,
afeta tanto a saúde de morados no entorno da planta fabril quanto às condições ambientais ali
presentes. Críticos afirmam a necessidade de maiores estudos quanto aos impactos causados
pela emissão de , e metais pesados presentes nos MP, além dos fenômenos de
inversão térmica, os quais agravam os efeitos da poluição atmosférica.
Existem, contudo, tecnologias para o controle da emissão de MP na atmosfera, entre
elas, podem citar os precipitadores eletrostáticos, filtros de manga e lavadores. As tecnologias
de maior eficiência são os precipitadores eletrostáticos e os filtros de manga, chegando a
alcançar uma eficiência de despoeiramento de 99,9% e 99,8% respectivamente.
A emissão de gases de exaustão carrega consigo o material particulado. Os filtros de
manga possui um procedimento funcional bastante simples. É utilizado um tecido filtrante, no
qual, as partículas maiores dos MP ficam retidas, torando-se, rapidamente, um tapete de
poeira que irá funcionar de forma eficiente para reter as partículas menores. A Figura 6
apresenta um modelo de filtro de manga utilizado na indústria cimenteira.
Figura 6 – filtro de manga.
Já os precipitadores eletrostáticos, tem como principio funcional, a utilização de forças
eletrostáticas. Os gases de exaustão são carregados negativamente por um eletrodo de
descarga e posteriormente, são atraídos por um eletrodo de coleta carregado positivamente.
Após essa coleta, as partículas são recolhidas através de batidas no coletor. A Figura 7
apresenta um modelo de precipitador eletrostático utilizado na indústria cimenteira.
Figura 7 – precipitador eletrostático.
Estudos afirmam que essas tecnologias não são consideradas de alto custo. Além
disso, medidas adicionais podem ser inseridas para o controle da emissão de MP na
atmosfera. Como exemplo, podemos citar o bom planejamento das atividades de carga e
descarga e ações durante o processo de produção.
4.1.2 Óxidos de nitrogênio:
Os óxidos de nitrogênio ( ) são compostos que apresentam em sua ligação
molecular, átomos de nitrogênio e oxigênio. Este grupo é constituído por sete compostos,
porém, apenas dois deles são considerados impurezas relevantes à poluição atmosférica, o
dióxido de nitrogênio ( ) e o óxido de nítrico (NO), exercendo grande influência na
degradação da camada e ozônio e formação da chuva ácida.
A presença desses gases na atmosfera apresentam bastantes riscos à saúde
humana. Em contato com o , há a provocação de lesões celulares (ardência nos olhos,
nariz e mucosas em geral), além dos revestimentos pulmonares das vias respiratórias, indo
desde o nariz até os alvéolos pulmonares. Em casos críticos, ainda pode causar hemorragia,
insuficiência respiratória e até morte. O óxido nítrico tende a se oxidar na atmosfera,
formando o dióxido de nitrogênio, e, da mesma forma, contribui para o desequilíbrio do efeito
estufa.
Na indústria cimenteira, a formação dos óxidos de nitrogênio ( ) é devida às altas
temperaturas e a atmosfera oxidante dentro dos fornos rotativos de clínquer. O controle das
emissões de na atmosfera não depende apenas da instalação de equipamentos, além
disso, é preciso analisar etapas da produção, principalmente ligadas à queima.
4.1.3 Óxidos de enxofre:
Os óxidos de enxofre ( ) englobam uma série de óxidos em que apresentam na sua
ligação molecular átomos de enxofre e oxigênio. Entretanto, apenas dois destes apresentam
relevância quanto à poluição atmosférica, o dióxido de enxofre ( ) e o trióxido de enxofre
( ).
O contato com o dióxido de enxofre causa sérios riscos à saúde humana, entre eles,
podemos citar irritação e aumento da produção de muco, desconforto na respiração e
agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares. Além disso, estudos apontam que
o permanece na atmosfera em forma de gotículas ou retorna para a terra no processo de
oxidação e reação, a forma de chuva ácida. Além disso, pode-se reagir com outros compostos
na atmosfera, formando material particulado.
O contato com o trióxido de enxofre também traz risco à saúde humana, podendo
causar complicações respiratórias, como bronquites e enfisema pulmonar, além de doenças
cardiovasculares. Pode trazer ainda prejuízos ambientais, como a acidificação da água dos
rios e lagos e o equilíbrio químico do solo.
A principal fonte de enxofre na indústria cimenteira são os sulfatos e sulfetos
presentes na composição da farinha e do enxofre presente nos combustíveis. Durante a
obtenção do clínquer, grande parte do enxofre é absorvido, incorporando-se ao clínquer ou
emitido na forma de material particulado.
Uma primeira medida para diminuir a emissão de se da pela adoção de medidas
que venham a diminuir a formação de , podendo utilizar combustíveis e/ou matérias-
primas que contenham teores baixos de enxofre na sua composição química, além de medidas
adicionais.
4.1.4 Monóxido de carbono:
O monóxido de carbono (CO) emitido durante a produção de cimento Portland tem
como fontes principais o carbono orgânico presente na matéria prima e a combustão
incompleta no pré-calcinador ou no forno rotativo de clínquer. A contaminação com o CO
pode ocasionar efeitos tóxicos cumulativos, como insônia, fadiga, vômitos, doenças
respiratórias, entre outras.
A fim de reduzir a emissão de CO proveniente da combustão incompleta dos
combustíveis, é importante que exista um excesso de ar durante a queima dos mesmos no
forno rotativo de clínquer.
4.1.5 Dióxido de carbono:
O dióxido de carbono ( ) é um gás essencial à vida no planeta por ser um dos
principais compostos para a fotossíntese, no entanto, a grande preocupação se deve à alta
concentração em que se encontra na atmosfera, sendo considerado o maior contribuinte para o
efeito estufa. Como já citado, a alta concentração de dióxido de carbono leva à poluição do ar,
formação da chuva ácida e desequilíbrio do efeito estufa, além de doenças respiratórias e
cardiovasculares.
A produção de cimento Portland é uma grande fonte geradora de . Estudos
apontam que cerca de 5% do liberado de fonte antrópica atualmente na atmosfera e de
responsabilidade desse setor. No processo de queima da farinha, algumas reações que
ocorrem no forno rotativo de clínquer com a mistura de matérias-primas têm como um dos
seus produtos finais o dióxido de carbono.
Outra reação que libera é a calcinação, que consiste na decomposição do calcário
em óxido de cálcio. Essa reação é responsável por cerca de 50% do liberado na atmosfera
durante a produção do clínquer. A queima dos combustíveis no forno de clínquer é outra fonte
de liberação de , que ocorre através da reação do carbono presente nos mesmos com o
oxigênio presente no forno. Essa fonte é responsável por 40% das emissões de CO2 durante a
fabricação do cimento Portland.
A diminuição da liberação de durante o processo de fabricação do cimento é feita
atualmente pela indústria brasileira através do uso do coprocessamento, da diminuição do
clínquer na composição final do cimento e da melhoria da eficiência energética do parque
industrial.
5. Poluição atmosférica na produção siderúrgica.
Estima-se que o minério de ferro foi descoberto a 5000 a.C., porém foi por volta de
1200 a.C. que a se iniciou a idade do ferro na Europa e no Oriente médio e por volta de 600
a.C. que se iniciou na China. Período este que muitos utensílios e armas passaram a ser
fabricadas em ferro e posteriormente em aço, o que possibilitou a expansão de diversos povos.
Porém, foi com a revolução industrial que o consumo de ferro e do aço sofreu acentuado
crescimento, principalmente pela sua aplicabilidade na indústria de base como construção
civil, transportes, construção naval, máquinas e equipamentos diversos, mineração e indústria
ligada à produção de energia.
Deve-se perceber que a atividade siderúrgica está diretamente ligada ao
desenvolvimento econômico de um país, o que torna os países em desenvolvimento um dos
principais causadores do consumo do aço e, por conseguinte, do aumento da poluição do ar
causada pela siderurgia.
Em 1950, a produção de aço bruta foi de 200 Mt e atingiu a marca de 1512,2 em 2011,
com a expectativa de crescimento anual entre 3% e 5% impulsionada pela demanda em países
emergentes onde a siderurgia deve crescer de 8% a 10%. Junto a esse dado deve acrescentar-
se que para cada tonelada de aço produzida, em média, são emitidas 1,7 toneladas de dióxido
de carbono. Portanto, a Agência internacional de Energia (AIE) estimar que a indústria
siderúrgica seja responsável por 4% a 5% das emissões de dióxido de carbono no mundo, está
coerente com os dados citados anteriormente.
É devido a estes dados que o estudo dos poluentes liberados em cada etapa da produção
do aço pode impactar na poluição atmosférica bem como os mecanismos para diminuir os
impactos são de grande importância para o desenvolvimento sustentável.
5.1 Poluentes atmosféricos.
O nível de poluição do ar é medido pela quantificação de alguns poluentes em função da
sua importância aos efeitos provocados. A poluição supõe o aumento ou a diminuição de
certos componentes naturais da atmosfera causados por alguma atividade humana. De forma
geral os principais indicadores de poluição são o monóxido de carbono, o dióxido de enxofre,
o dióxido de nitrogênio, o ozônio e as partículas em suspensão. Essas substâncias podem
ainda piorar a poluição atmosférica, também, ao atingir a vegetação, pois aderem à superfície
e dificultam o processo de fotossíntese.
As partículas em suspensão é o poluente mais frequente nas siderurgias sejam em
emissões difusas ou em emissões pontuais, como em chaminés de dutos de exaustão de
processos de combustão e de sistemas de controle ambiental. Foi por sua presença nos
processos produtivos que este foi o primeiro indicador a ter sua emissão e produção
controlada nas siderurgias.
Os processos de combustão que utilizam combustíveis sólidos, líquidos ou gasosos são
responsáveis pela emissão de dióxido de enxofre, que está relacionado aos processos que
utilizam carvão mineral como matéria prima, de óxidos de nitrogênio e de monóxido de
carbono, que também está relacionado aos processos de redução de alto forno (produção do
ferro gusa) e produção do aço na aciaria (redução do teor de carbono com sopro de oxigênio).
Podem ainda ser emitidos compostos orgânicos na produção do coque, onde são emitidas
frações de voláteis existentes no carvão mineral e n queima incompleta de combustíveis.
5.2 Fontes de emissão, controle e prevenção de poluição atmosférica.
Nas indústrias siderúrgicas, as principais fontes de emissão atmosférica são o transporte
e a estocagem de matéria prima, e, no setor produtivo, a preparação do carvão na coqueria, a
sinterização, o alto forno, a aciaria, o lingotamento e a central termoelétrica. Para o
abatimento da poluição na produção do aço podem ser utilizados alguns equipamentos como
ciclones, precipitadores eletrostáticos, lavadores de gases e filtros de manga.
Os ciclones são equipamentos onde a força centrífuga, separa partículas do gás de
exaustão, porém podem separar partículas maiores apresentando assim, menor eficiência de
remoção. Os Precipitadores eletrostáticos são equipamento que aplicam uma carga elétrica
em partículas presentes nos gases, permitindo que elas sejam atraídas e coletadas por um
eletrodo, apresentando eficiência de 90% de remoção, baixo consumo de energia, porém são
inadequados para partículas de alta resistividade. Os lavadores de gases utilizam aspersão de
água para separar uma ampla faixa de poluentes, apresentam, também, 90% de eficiência,
porém com gasto de energia são maiores se comparados aos precipitadores e, além disso, são
necessários sistemas de tratamento para que o efluente líquido ou a lama formada possam
retornar ao sistema. De forma mais limitada de atuação, o filtro de manga separa as partículas
do gás de exaustão por intermédio de um material poroso permitindo alta eficiência de
remoção, porém com alto consumo de energia e com atuação em limitada faixa de
temperatura e umidade dos gases.
Esses equipamentos de limpeza de emissões são geralmente utilizados em conjunto,
sendo necessários ainda dispositivos de coleta para as partículas retidas. É importante lembrar
que a sua utilização não diminui a produção de poluentes, mas sim a sua quantidade nas
emissões.
Portanto, para prevenir a produção de poluentes podem-se fazer modificações
tecnológicas, como novos equipamentos, automação e layout, mudanças ou reduções de
insumos, acarretando aumento da eficiência energética, e reciclagens internas dos materiais
retornáveis ao processo produtivo.
5.2.1 Pelotização
A pelotização é o processo de aglomeração de minério de ferro que produz pequenas
esferas cristalinas. Nesse processo são liberados óxidos de nitrogênio, basicamente óxido
nítrico e dióxido de nitrogênio devido à queima pela reação do nitrogênio com o oxigênio. A
formação dos óxidos de nitrogênio é significativa devido às altas temperaturas e
disponibilidade de oxigênio, podendo diminuir a produção desse poluente pela redução da
temperatura e pelo excesso de oxigênio no ar de combustão. A redução pode ser feita ainda
pela substituição do óleo e carvão por combustíveis gasosos como propano e butano o que
também diminuiria a produção de dióxido de enxofre e dióxido de carbono.
5.2.2 Sinterização
A sinterização é um processo de aglomeração de finos de do minério de ferro e de
fundentes e finos de coque para carga de alto forno. Esta etapa é caracterizada pela sua
capacidade de permitir a reutilização dos resíduos metálicos. As emissões são significativas
nesse processo sendo emitidas poeiras, e substancias policloradas que são cancerígenas e
podem permanecer na atmosfera por muito tempo, estando listados na convenção de
Estocolmo e necessitam ser monitorados e reduzidos drasticamente.
5.2.3 Coqueificação
É um processo com grande impacto ambiental, onde alguns gases podem ser
recuperados, porém a perda é inevitável. Para reduzir as emissões, é possível substituir de
25% a 40% do coque no alto forno pelo gás natural ou óleo, ou ainda utilizar a redução direta
do óxido de ferro ou injetar finos de carvão mineral.
5.2.4 Produção do Ferro Gusa
É a separação do metal contido no minério, por meio de redução. O Gás gerado nesse
processo, após limpo, podem ser aproveitados na sinterização ou ainda na geração de energia
elétrica. As emissões podem ser reduzidas pela injeção de finos de carvão e as emissões de
dióxido de enxofre são significativas sendo importante a qualidade do processo de
dessulfuração, é ainda emitido óxido de nitrogênio nesse processo.
5.2.5 Lingotamento
O lingotamento contínuo difere do convencional por dispensar reaquecimento e assim
reduzir o consumo de energia, acarretando assim uma diminuição indireta nas emissões de
poluentes, já que de forma geral, quanto maior o consumo de energia maior a emissão de
poluentes.
5.2.6 Redução direta
A redução direta produz ferro primário sólido, o ferro esponja. Nesse processo a
emissão de poluentes é baixa e facilmente coletada. A utilização de gás natural gera menores
emissões de dióxido de carbono comparadas com utilização de carvão. Contudo, o ferro
esponja tem maior consumo de energia elétrica nos fornos elétricos a arco.
5.2.7 Utilização de sucata
A utilização de sucatas é importante para o crescimento sustentável pela reutilização de
matéria prima e pela redução dos impactos devido a sua extração. Contudo, existe emissões
de poluentes relacionadas à sua utilização, sendo principalmente no processo de transporte e
de preparação para a carga nas siderurgias. Utilizando a tecnologia de pré-aquecimento de
sucata, permitindo a redução de consumo de energia, ocorrem emissões de dioxina e furanos
que merecem ser controladas.
5.2.8 Melhores Práticas
O avanço tecnológico que o mundo vem sofrendo nos últimos anos também contribui
para a diminuição da emissão de poluentes pelas siderurgias. Nos Estados Unidos, por
exemplo, desenvolve-se tecnologia para a produção de aço com base na não utilização de
carbono. Na Europa está sendo desenvolvido o projeto Ultra Low CO2 Steelmaking, que visa
diminuir as emissões de dióxido de carbono de 1,9 toneladas para cada tonelada de ferro gusa
para 0,1 toneladas para cada tonelada de ferro gusa até 2020.
Já os projetos que mantém o carbono como redutor levam em consideração a possível
utilização da biomassa nas suas estratégias. Enquanto que no Japão, para diminuir as
emissões, privilegia-se a captura e o sequestro de carbono.
O sequestro de carbono é feito através da descarbonização dos gases de alto-forno antes
de utiliza-los como combustível. A absorção é a mais adequada para fazer o sequestro de
carbono graças às baixas pressões de dióxido de carbono nos gases de alto-forno. Ressalta-se
que o dióxido de carbono sequestrado não poderá ser utilizado no processo siderúrgico e
deverá ser utilizado em outra aplicação ou estocado.
De forma geral, nas usinas integradas, 70% das emissões de dióxido de carbono é
proveniente da produção de ferro-gusa no alto-forno, 12% na laminação e acabamento de
produtos, 12% na preparação do minério e 7% na produção de energia elétrica e oxigênio.
Enquanto, que nas usinas semi-integradas baseadas em sucata a distribuição de emissões é a
seguinte: 45% proveniente do forno elétrico a arco, 36% da laminação e acabamento e 16%
da produção de oxigênio e energia elétrica. Observa-se na Figura 8, de forma resumida, as
etapas da produção siderúrgica, facilitando a compreensão das porcentagens de emissões de
dióxido de carbono.
Figura 8 – Fluxo Simplificado da produção em aço. Fonte: Instituto Aço Brasil.
6. Estudos de Caso.
6.1 Cubatão.
Cubatão é uma cidade estrategicamente localizada entre as cidades de São Paulo, maior
berço econômico do país, e Santos, que possui o maior porto da américa latina. Devido a isso,
que no período de industrialização do Brasil, Cubatão teve sua indústria bastante
desenvolvida, porém sem nenhuma preocupação com os recursos naturais e a sua poluição.
O município representava 2% das exportações do país, contudo, no início dos anos 80,
possuía ar denso com cheiro e cor. Entre outubro de 1981 e abril de 1982, cerca 1.800
crianças nasceram na cidade, destas, 37 já nasceram mortas, outras apresentavam graves
problemas neurológicos e anencefalia. Cubatão era líder em casos de problemas respiratórios
no país e era apontado pela ONU como exemplo a não ser seguido.
Com tantos problemas de saúde na sua população, o governo iniciou medidas de
intervencionistas. A partir de 1983 foi implantado um plano de recuperação ambiental e em
1989 as 320 fontes poluentes que existiam na época já estavam controladas.
O plano de controle ambiental foi feito com medições constantes das emissões de
poluentes no ar e do controle da despoluição dos rios, com gerenciamento por conta do estado
e com investimento em maquinário moderno por conta das indústrias. Além do controle das
emissões de poluentes, também foram feitos planos de recuperação da Mata Atlântica com o
replantio da vegetação nativa.
Conceitualmente, Cubatão utilizou a Agenda 21, que consiste em um método de
planejamento que visa construir sociedades sustentáveis, mesclando a proteção ambiental, a
justiça social e eficiência econômica, para recuperar a qualidade de vida socioambiental
perdida com a poluição causada pelo polo industrial.
Já em 1992, durante a Eco 92, Cubatão foi apontada pela ONU como Símbolo de
Recuperação Ambiental, tendo 98% do nível de poluentes controlados, e passou a ser
exemplo em todo o mundo como a cidade que renasceu das sombras da poluição. Dessa
forma, atualmente, livre da poluição, Cubatão consegue manter uma linha de produção
acentuada e que gera milhões de reais todos os anos, apresentando 100% de controle de
poluentes em 2011.
6.2 Cidade do México.
Capital de um país em desenvolvimento, A Cidade do México apresenta problemas de
poluição do ar graças a sua grande frota de automóveis, que em 2010 era de 10 milhões. A
capital do México possui ainda como agravante da sua poluição a sua posição geográfica.
Localizada em uma planície a mais de 2000 metros de altitude na cratera de um antigo
vulcão e cercada por montanhas que retém as emissões, a cidade do México apresenta ar
rarefeito, o que diminui a eficiência dos motores dos carros aumentando, assim, as emissões
de gazes efeito estufa. Além disso, o ar quente acima do vale, chamada de camada de
inversão, ajuda a reter a poluição.
Em 1992, o governo do México adotou uma abordagem abrangente chamada ProAire,
compreendendo programas sucessivos que reduziram o dióxido de carbono e outros poluentes
de maneira significativa.
Durante o ProAire já foi feita a ampliação do transporte público, a introdução de
conversores catalíticos e gasolina sem chumbo para reduzir as emissões. Além disso, o
controle bianual das emissões veiculares se tornou obrigatório, uma refinaria da Pemex foi
fechada.
Outro Programa que tem funcionado, pelo menos até o aumento da frota de veículos é o
“Hoy no circula”, que limita as viagens de carro um dia por semana.
No que diz respeito à engenharia civil e a arquitetura, a construção de um hospital na
Cidade do México cuja fachada revestida de dióxido de titânio que cria uma reação química
quando exposta à luz do sol, tornando os poluentes menos malignos, é um símbolo da
intenção de crescimento sustentável que a cidade aspira.
Figura 9 – Fachada sustentável de hospital na cidade do México.
O resultado dos programas implantados é positivo e já pode ser percebido na cidade.
Segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Nacional Autônoma do México,
durante os anos de 2006 e 2008, as emissões de ozônio diminuíram em 24%, mesmo com o
aumento em 35% da frota de veículos. Além disso, a quantidade de ozônio, que era de
404 partes por bilhão (ppb) em 1991, chegou a 282 em 2000.
Os esforços da Cidade do México lhe renderam o prêmio de qualidade do ar 2013
do Grupo C40 de Liderança Climática das Cidades. O grupo é uma rede internacional de 75
megacidades que enfrentam problemas ambientais semelhantes e colaboram em soluções.
Ainda assim, o estudo demonstra que, mesmo com a diminuição nas emissões de
ozônio, entre os anos de 2006 e 2008, a qualidade do ar não chegou ao nível ideal de 110 ppb
em 42% dos dias. Em 2009, a cidade teve 185 dias com qualidade do ar aceitável e, no início
de 2010, o número chegou a 50 dos primeiros 60 dias do ano. A meta estabelecida pela cidade
é de apenas um dia por ano sem qualidade do ar aceitável.
Para atingir a meta, as novas estratégias do ProAire vão até 2020 e incluem o aumento
das frotas verdes do transporte municipal, com um novo Metrobús e o programa “Ecobici” de
bicicletas compartilhadas, que juntos ao reflorestamento, à criação de áreas verdes e ao uso
de energia renovável, ajudarão a limpar o ar da Cidade do México. Além disso, no âmbito da
construção civil e do urbanismo, também é importante que a cidade tente uma reestruturação
para que as pessoas morem mais perto de onde trabalham.
6.3 Pequim.
No último século, a China é o país que mais cresce economicamente no mundo, e tal
crescimento não é acompanhado de uma preocupação ambiental no que diz respeito as
emissões atmosféricas. É nesse cenário que, em 2006, a China ultrapassou os Estados Unidos,
como o país que mais emiti dióxido de carbono no mundo. Contudo, cabe ressaltar que em
termos de emissão/per capta, os Estados Unidos apresenta números mais preocupantes do que
a china que possui a maior população do mundo.
A poluição do ar é tanta na cidade de Pequim, que para as Olimpíadas de 2008 houve
uma preocupação geral dos atletas quanto ao desempenho e do Comitê Olímpico
Internacional quanto à saúde dos atletas. Tais preocupações fizeram com que medidas
emergenciais, como a redução das emissões industriais naquele período, fossem tomadas,
contudo, passado o evento, a cidade retornou ao seu ritmo normal.
O ano de 2015 começou com níveis inéditos de poluição, Culminando na emissão do
alerta vermelho em dezembro, que significa que a concentração de pelo menos 200
microgramas de por metro cúbico das chamadas partículas PM 2,5 - as mais prejudiciais à
saúde, por pelo menos três dias.
Devido ao alerta vermelho, o governo tomou algumas medidas como: suspender as
obras ao ar livre e a atividade das indústrias mais poluentes, além de proibir a circulação de
veículos pesados, de reduzir em 30% o uso de carros oficiais e de iniciar uma espécie de
rodízio para os automóveis particulares. O governo também recomendou que escolas e outros
institutos de ensino permanecessem fechados durante os dias de alerta, esperando que as
chuvas ajudassem a dissipar a poluição.
A emissão do primeiro alerta vermelho mostra que novo programa para reduzir os
níveis de poluição no final de maio de 2015, substituindo outro lançado em 2013, não vem
apresentando êxito.
6.4 Stuttgart.
Stuttgart é conhecida como a cidade do carro alemã, mas ultimamente ele ganhou outro
título, o de “Capital alemã da poluição atmosférica”. Tal título faz alusão ao fato de ser a
cidade alemã onde a concentração de partículas finas no ar excede o limite legal durante mais
dias por ano, em 2014, foram 64 dias. E de acordo com a legislação da União Europeia, as
cidades não podem exceder o limite de 40 microgramas por metro cúbico mais de 35 vezes ao
ano.
A qualidade do ar se tornou tão perigosa para a população que em janeiro de 2016 as
autoridades locais lançaram o primeiro alerta de poluição já emitido no país, com a orientação
de deixar o carro em casa e usar caronas ou transporte público. Porém vários críticos
ambientalistas, como Jürgen Resch não concordam com medidas tão brandas, e acreditam que
veículos a diesel deveriam ser banidos da cidade – com apenas algumas exceções, como os
ônibus que cumprem rigorosamente os limites de emissão chamados de "Euro 6" – que são
obrigatórios em alguns países, mas não na Alemanha.
E de fato a medida tomada pelo governo ainda não mostrou resultado, e se permanecer
assim, em 2018, poderá ser introduzida restrições de circulações para os automóveis.
Como Stuttgart é uma cidade com muitos trabalhadores que vivem em cidades vizinhas
e fazendo o percurso diário para o trabalho de carro, e visando diminuir as emissões de
poluentes pelos automóveis, foi instalado um enorme estacionamento nos arredores de
Stuttgart, com ônibus que seguem em direção ao centro da cidade. Porém tal medida aparenta
ter piorado a situação, pois os estacionamentos ficam vazios e a emissão de poluição dos
ônibus da linha estacionamento-centro tem se somado as emissões dos demais veículos que
circulam pela cidade.
6.5 Emissões Globais.
Como já dito anteriormente, a china é o maior emissor de dióxido de carbono, seguida
pelos Estados Unidos, União Europeia, Rússia, Índia e Japão. Portanto a China e outros países
em desenvolvimento prometem colaborar nos esforços globais contra o aquecimento, mas tem
dificuldades em relação a limites à emissão de CO2, já que o uso intensivo da energia é
essencial para ajudar a tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza.
É nesse contexto que os países em desenvolvimento defendem que a iniciativa parta
das nações que têm as maiores emissões per capita, enquanto que os Estados Unidos afirma
que a China e outros grandes países em desenvolvimento precisam se empenhar mais.
O fato é que em 2014 as emissões de dióxido de carbono pararam de subir em 2015
pela primeira vez em 40 anos, mantendo o crescimento da economia global e que a China ter
tido uma maior geração de eletricidade a partir de fontes renováveis, como energia hidráulica,
solar e eólica, e menos queima de carvão em 2014 contribuiu que as emissões não
apresentassem crescimento. Em 1992 e 2009 as emissões não apresentaram crescimento,
porém nesses anos ocorreram crises econômicas.
De forma geral, tal acontecimento, tem valor simbólico, por mostrar que a economia
global pode crescer de forma sustentável. Porém não se deve contentar com o não aumento
das emissões e sim cada país manter os esforços para a diminuição dessa taxa.
7. Danos à Saúde.
Nos subcampos da saúde ambiental e mais especificamente da toxicologia, estudos
apontam que os efeitos da poluição do ar manifestam-se geralmente sob forma de doenças
crônicas, prejudicando a qualidade de vida das populações afetadas, ou podem, em situações
extremas, levar ao aumento da mortalidade nas regiões de maior concentração de poluentes.
O principal poluente do ar que levam as vias respiratórias à lesão, nas sociedades
urbanas contemporâneas, é o fumo. Os trabalhos de Doll & Hill (1954) comprovam a
importância do cigarro no aumento dos casos de câncer de pulmão. Mais tardiamente,
percebeu-se que o fumo, além de prejudicar o próprio fumante, também afeta os não
fumantes, através do que se convencionou chamar "fumo passivo". Além do cigarro, outros
agentes podem poluir o ar que se respira em casa. São eles a fumaça produzida pela
combustão de biomassa, os produtos gerados pela combustão do gás de cozinha, pesticidas e
solventes empregados para limpeza, etc. Estes poluentes tornam-se tão mais importantes
quanto mais diferentes é o ambiente doméstico com relação ao ar externo.
Em 1977, especialistas de todo o mundo, num simpósio em Porto Rico, sistematizaram
conhecimentos disponíveis até a data para discutir os efeitos das partículas em suspensão na
saúde humana. Define-se como "partículas em suspensão" todas as partículas sólidas ou
líquidas contidas no ar, de dimensão suficientemente reduzida para não se depositar
rapidamente por gravidade na superfície terrestre. As partículas maiores são conhecidas como
"poeiras ou grãos sedimentáveis", enquanto que as menores, também denominadas "fumo" ou
"fumaça", possuem velocidade desprezível e podem ser inaladas com facilidade, sendo esta
mais relevante na etiologia de problemas respiratórios.
Alguns fatores básicos afetam a concentração destas partículas no ar: a taxa de
emissão do poluente, as condições meteorológicas e a topografia local. As condições
meteorológicas são particularmente importantes, na medida em que os ventos turbulentos
ajudam a dispersar os poluentes. Estes também são depositados pelas chuvas, que "lavam" o
ar. A combinação da estabilidade atmosférica com ausência de chuvas torna-se, assim,
profundamente desfavorável à dispersão dos poluentes.
7.1 Ação dos poluentes no sistema respiratório.
Diversos mecanismos têm sido sugeridos para explicar os efeitos adversos dos
poluentes aéreos. A explicação mais consistente e mais aceita é a de que altas concentrações
de oxidantes e pró-oxidantes contidos nos poluentes ambientais, como material particulado
(MP) de diversos tamanhos e composição, e nos gases, como O3 e óxidos de nitrogênio, em
contato com o epitélio respiratório, provocam a formação de radicais livres de oxigênio e de
nitrogênio que, por sua vez, induzem o estresse oxidativo nas vias aéreas. Isto é, um aumento
da presença de radicais livres que não foram neutralizados pelas defesas antioxidantes inicia
uma resposta inflamatória com a liberação de células e mediadores inflamatórios que atingem
a circulação sistêmica, levando a uma inflamação subclínica com repercussão não somente no
sistema respiratório, mas também causando efeitos sistêmicos.
7.2 Efeitos da Poluição do ar na gravidez.
A exposição a poluentes do ar durante a gestação pode comprometer o
desenvolvimento fetal e ser causa de retardo de crescimento intrauterino, prematuridade,
baixo peso ao nascerem, anomalias congênitas e, nos casos mais extremos, óbito intrauterino
ou perinatal.
Os mecanismos biológicos dos efeitos dos poluentes aéreos durante a gestação não
estão bem esclarecidos. A intensão proliferação celular, a imaturidade fisiológica, o acelerado
desenvolvimento dos órgãos e as mudanças no metabolismo aumentam a suscetibilidade do
feto à inalação dos poluentes aéreos pela mãe, e essa, por sua vez, pode ter seu sistema
respiratório comprometido pela ação dos poluentes e, com isso, afetar o transporte de
oxigênio e glicose através da placenta.
7.3 Efeitos sobre o Sistema Respiratório.
7.3.1 Doenças:
Há várias doenças que podem ser relacionadas à poluição do ar. De acordo com o
National Institute of Environmental Health Sciences, uma divisão do National Institutes of
Health, longa exposição aos poluentes do ar aumentam os riscos de enfermidades. O instituto
notou que crianças e idosos são especialmente vulneráveis aos efeitos prejudiciais do ozono,
partículas finas e outros tóxicos carregados pelo ar.
Estudos epidemiológicos mostram que a exposição a poluentes gasosos e materiais
particulados está associada a maior incidência de sintomas das vias aéreas superiores, como
rinorreia, obstrução nasal, tosse, laringoespasmo e disfunção de cordas vocais, e das vias
aéreas inferiores, como tosse, dispneia e sibilância, especialmente em crianças.
7.3.1.1 Asma Brônquica
De acordo com o Natural Resources Defense Council (NRDC), um grupo de defesa
ambiental sem fins lucrativo com base em Nova York, a asma é uma doença crônica
inflamatória, debilitante das vias aéreas que podem ser causados pela poluição atmosférica
provocada por automóveis, fábricas ou usinas de energia. O NRDC afirma que os seguintes
poluentes atmosféricos são gatilhos comuns da asma: o ozono troposférico, dióxido de
enxofre, material particulado fino e óxido de nitrogênio. Os Centros para Controle e
Prevenção de Doenças ou CDC afirmam que outro gatilho importante para ataques de asma é
o fumo do tabaco. O CDC sugere que os pais, amigos e parentes de crianças com asma devem
tentar parar de fumar e nunca deve fumar na proximidade de uma criança ou uma pessoa com
asma, pois isso pode causar um ataque asmático.
A prevalência da asma tem aumentado em todo o planeta, particularmente em regiões
urbanas densamente industrializadas. Estudos sugerem que a exposição aos poluentes aéreos
leve ao desenvolvimento de novos casos de asma. Pode-se exemplificar com o grande
aumento da incidência de asma na China após o desenvolvimento industrial e, em
consequência, o grande aumento da concentração dos poluentes.
 Efeitos associados à exposição aguda
Uma associação entre o aumento do nível de poluentes e internações por asma foi
observada em Araraquara, Brasil, cidade localizada no centro da região canavieira do estado
de São Paulo. Durante o período de colheita da safra, quando a maior fonte de emissão de
poluentes é a queima da palha da cana-de-açúcar, as admissões hospitalares por asma foram
50% maiores do que aquelas no período sem queima. O aumento de 10 µg/m³ de material
particulado com até 30 µm de diâmetro foi associado a um aumento de 11,6% nas internações
hospitalares com defasagem de 1 dia em relação à exposição.
 Efeitos associados à exposição crônica
Em um estudo feito em 12 comunidades da Califórnia, EUA, com diferentes níveis de
concentração de ozônio, foram acompanhados 3545 escolares, sem histórico de asma, por 5
anos. Durante o estudo, 265 crianças desenvolveram asma. Nas comunidades que
apresentavam altas concentrações de ozônio, o risco das crianças que praticavam três ou mais
esportes em desenvolver asma era 3,3 vezes maior em comparação com o risco daquelas que
não praticavam esportes. Nas áreas com baixas concentrações de ozônio, a quantidade de
esportes praticados não se mostrou um fator de risco para o desenvolvimento de asma. O
mesmo comportamento foi observado para o tempo de permanência em ambientes externos,
que, apenas nas áreas de maior concentração de ozônio, se mostrou como fator de risco
diretamente associado ao desenvolvimento da asma.
7.3.1.2 Doença Pulmonar Obstrutiva (DPOC).
O U.S. National Library of Medicine e o National Institutes of Health dizem que, com
a DPOC, as vias aéreas da pessoa e os alvéolos perdem sua forma e tornam-se distendidos e
frouxos, e a bronquite crônica e a enfisema são comuns em pacientes com esta doença. De
acordo com a American Lung Association (ALA), exposição a longo prazo a poluição do ar,
especialmente exaustores dos automóveis, aumentam os riscos das mulheres de disfunção
pulmonar, DPOC e morte prematura. Caminhoneiros, ferroviários, entre outros, podem ser
mais suscetíveis a câncer de pulmão ou outras doenças pulmonares, devido à exposição
crônica a emissões de diesel, enquanto no trabalho. O ALA observa também que, mesmo
níveis baixos de ozônio e partículas finas, aumentam o risco de uma pessoa ser hospitalizada
por pneumonia e DPOC.
Os pacientes portadores de DPOC são particularmente vulneráveis ao estresse
adicional em vias respiratórias causadas por diferentes agentes agressores. O tabagismo é
reconhecido como o mais importante fator para o desenvolvimento da DPOC, principalmente
nos países desenvolvidos.
 Efeitos associados à exposição aguda
Um estudo envolvendo 36 cidades americanas entre 1986 e 1999 mostrou que o
aumento de 5 ppb (partes por bilhão) nos níveis de O3 e 10 µg/m³ nos de material particulado
estava associado a um aumento de, respectivamente, 0,27% e de 1,5% no número de
admissões hospitalares por DPOC. O uso de ar condicionado central reduzia os efeitos
adversos da poluição do ar.
Outro estudo realizado em São Paulo, Brasil, avaliando 1769 pacientes com idade
acima de 40 anos entre 2001 e 2003 mostrou um aumento no número de atendimentos por
DPOC em associação a aumento nas concentrações atmosféricas de MP e de SO2. Variações
nas concentrações destes foram associadas a um aumento cumulativo em 6 dias de 19% e
16% de consultas por DPOC.
 Efeitos associados à exposição crônica
Na Dinamarca, um estudo acompanhou 57.053 indivíduos entre 1993 e 2004 e
mostrou que 1786 pessoas (3,4%) desenvolveram DPOC. Houve uma associação positiva
entre DPOC e exposição aos poluentes gerados pelo tráfego após o controle dos fatores de
confusão, tabagismo inclusive.
Schikowski et al. acompanharam 4.757 mulheres entre 54 e 55 anos na Alemanha,
utilizando critérios diagnósticos do Global Initiative for Chronic Obstrutive Lung Disease.
Houve uma prevalência de 4,5% de DPOC. O aumento de 7 µg/m³ na concentração média de
material particulado durante 5 anos estava associado a OR ("odds ratios", ou "razão de
possibilidades" em português) de 1,33 no desenvolvimento de DPOC e a um declínio de VEF1
(volume expiratório forçado no primeiro segundo) em 5,1%. Mulheres que moravam a menos
de 100 m de vias com grande tráfego apresentavam maior risco de desenvolver a doença em
relação àquelas que moravam a uma distância maior. Os autores sugerem que a exposição
crônica ao MP proveniente do tráfego aumenta o risco de desenvolver DPOC e acelera a
perda de função pulmonar.
7.3.1.3 Infecção Respiratória Aguda.
A infecção aguda do trato respiratório inferior é a mais importante causa de morte em
crianças até 5 anos. Nessa faixa etária, esse tipo de infecção causa 2 milhões de mortes anuais.
Metade dessas mortes é atribuída à exposição a poluentes em ambientes internos provenientes
da queima de combustíveis sólidos. Uma meta-análise avaliando 24 estudos mostrou que a
exposição à queima de biomassa em ambientes internos aumenta o risco de pneumonia em
crianças. Em concordância, em uma outra meta-análise avaliando 25 estudos, encontrou-se
uma significante e robusta associação entre queima de biomassa em ambientes internos e
infecção respiratória aguda em crianças
 Efeitos associados à exposição aguda
Belleudi et al. avaliaram os efeitos do MP sobre as internações por pneumonia de
indivíduos com mais de 35 anos em cinco hospitais romanos entre 2001 e 2005. Um aumento
de 10 µg/m³ na concentração de MP2,5 (MP originado da queima de combustíveis fósseis e de
biomassa, termelétricas, etc.) foi associado a um aumento de 2,8% do número de internações
hospitalares por pneumonia, com defasagem de 2 dias.
 Efeitos associados à exposição crônica
Neupane et al. conduziram um estudo caso controle no Canadá, entre 2003 e 2005,
avaliando a exposição em longo prazo a NO2, MP2,5 e SO2 e o risco de hospitalização por
pneumonia em indivíduos maiores de 65 anos de idade. Foram avaliados 365 idosos com
pneumonia adquirida na comunidade, confirmada radiologicamente, e 494 indivíduos
controles. Os grupos foram comparados tomando como base a exposição individual a NO2,
MP e SO2 no ano prévio.
A exposição de longo prazo a altos níveis de concentração de NO2 e MP, por ao
menos 1 ano, foi significativamente associada à hospitalização por pneumonia adquirida na
comunidade.
Um estudo de corte conduzido nos EUA mostrou um aumento no risco de óbitos por
pneumonia e influenza em não fumantes da ordem de 20% em associação ao aumento de 10
µg/m³ na concentração de MP2,5.
7.3.1.4 Câncer de Pulmão.
O câncer do pulmão é uma doença que pode ser causada pela poluição do ar. De
acordo com LungCancer.org, o câncer do pulmão é caracterizada pelo crescimento
descontrolado de células anormais em um ou ambos os pulmões. Ao longo do tempo, as
células anormais podem desenvolver-se em tumores e prejudicar a função primária do
pulmão: fornecer ao sangue, e, por conseguinte ao corpo, o oxigênio. LungCancer.org afirma
que existem dois tipos principais de câncer de pulmão: câncer do pulmão de células não
pequenas (NSCLC, sigla em inglês) e câncer do pulmão de células pequenas (SCLC, sigla em
inglês). De acordo com um estudo de 2002 por C. Arden Pope III, Ph.D. e seus colegas
publicaram no "The Journal of the American Medical Association" que a exposição a longo
prazo a material particulado fino gerado por combustão representa um risco significativo para
a mortalidade por câncer de pulmão. Um estudo de 2000 por Fredrik Nyberg e colegas
publicado na revista "Epidemiology" conclui que a poluição do ar urbano aumenta o risco de
câncer de pulmão, e que as emissões de veículos a motor podem ser particularmente
problemáticas.
A organização Mundial da Saúde estima que no ano de 2008 houve 12,7 milhões
novos casos de câncer em todo o planeta que ocasionaram 7,6 milhões de óbitos, sendo 1,61
milhões e 1,18 milhões os casos novos e número de óbitos por câncer de pulmão. Estudos têm
evidenciado os efeitos da exposição a poluentes e o desenvolvimento de câncer de pulmão,
atribuídos tanto à ação direta dos cancerígenos presentes na poluição, como à inflamação
crônica induzida pelos mesmos.
Um estudo prospectivo envolvendo 500.00 adultos de 50 estados dos EUA mostrou
um aumento de 14% na incidência de câncer de pulmão, associado à elevação em 10 µg/m³ na
concentração do MP2,5. Em estudo realizado em países europeus, atribuiu-se que 5% e 7% dos
diversos tipos de câncer de pulmão, respectivamente, em não fumantes e ex-fumantes são
causados pelos efeitos da poluição.
7.4 Poluição do ar e mortalidade.
Os principais estudos sobre os efeitos crônicos na mortalidade realizados nos EUA
estimam um aumento entre 6% e 17% na mortalidade cardiopulmonar associado à elevação de
10 µg/m³ de MP2,5. O maior impacto na mortalidade é em crianças abaixo de 5 anos e em
idosos para cada elevação de 10 µg/m³ na concentração de MP10 (MP originado de fontes
antropogênicas: poeira da rua e de estradas, atividades agrícolas e de construções; e fontes
naturais: sal marinho, pólen, esporos, etc.).
7.5 Poluição do ar e exercícios Físicos.
Durante a realização de exercícios aeróbicos, o ar inspirado penetra nas vias aéreas,
preferencialmente pela boca, sendo maiores o volume minuto e capacidade de difusão,
facilitando a penetração dos poluentes.
A quantidade de partículas ultrafinas que se deposita no trato respiratório enquanto se
realiza exercícios moderados é maior quanto menor for o tamanho das partículas e é cerca de
cinco vezes superior quando comparado se está em repouso.
A realização de exercícios próximos a vias de tráfego intenso aumenta os níveis de
carboxihemoglobina e reduz o desempenho aeróbio de atletas.
As principais recomendações das sociedades de medicina esportiva não incluem a
precaução da realização de exercícios em ambientes poluídos, mas a recende declaração da
American Heart Association sobre efeitos da poluição recomenda que se evitem exercícios
intensos na presença de ar com qualidade insatisfatória.
8. Conclusão.
Já se tem base científica para afirmar que a poluição do ar tem efeitos negativos para a
saúde humana. Os impactos decorrentes dos gases emitidos pela combustão de biomassa
ainda não foram bem avaliados, mas afetam um número significativo de pessoas, sobretudo
nos países em desenvolvimento, onde a queimada constitui uma prática agrícola bastante
difundida. Além disso, incêndios em florestas ou em cerrado são constantes durante os meses
de inverno, quando a reduzida precipitação leva à perda de umidade da massa vegetal,
propiciando a ocorrência de queimadas involuntárias que fogem ao controle.
Esse conhecimento é importante para a definição de políticas de controle e de
estabelecimento de padrões de qualidade do ar específicos para o caso das queimadas. O
monitoramento e o estabelecimento de padrões de qualidade do ar, muito usados para avaliar
e controlar a qualidade do ar urbano mostra-se inadequado para avaliar a poluição causada por
queimadas e não levam em consideração a exposição a concentrações extremamente elevadas
em curto prazo.
Inúmeras questões permanecem, enquanto expressivos contingentes populacionais
continuam expostos a níveis de poluição que apresentam riscos adversos à sua saúde. Além
disso, há dúvidas quanto aos padrões de qualidade do ar estabelecidos nos diferentes países
para poluentes urbanos serem realmente eficazes na proteção da saúde de suas populações
como um todo, ou se eles foram estabelecidos considerando-se apenas as pessoas saudáveis.
Quais os impactos da poluição do ar à saúde daqueles já prejudicados por alguma
doença, pela idade ou por condições socioeconômicas? Esta parece ser uma questão a ser
respondida pelas pesquisas, para que seja garantido o direito universal ao ar limpo.
Como as situações são muito dinâmicas, os estudos precisam avaliar os riscos de novos
agentes e de novas situações. A avaliação das rápidas e constantes mudanças na atmosfera
constitui um desafio para futuras pesquisas. Outro aspecto importante é a maior inclusão do
mundo não desenvolvido e em desenvolvimento nesses estudos.
Finalmente, estudos sobre outros efeitos da poluição do ar para a saúde, não só a saúde
respiratória, são raros e preliminares. Muitos de seus resultados são evidências não
conclusivas. No futuro, há urgência na realização de estudos mais amplos, envolvendo ainda
mais profissionais, de diferentes áreas.
9. Referências.
 BESEN, G. R. Coleta seletiva com inclusão de catadores: construção
participativa de indicadores e índices de sustentabilidade. São Paulo, 2011.
Tese (Doutorado) - Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo.
 BERVIQUE, J. M. Estudo dos Impactos Ambientais causados pelo Antigo
Lixão, no Jardim Juliana A e Jardim das Palmeiras II. Universidade de
Ribeirão Preto, 2008. (Dissertação de Mestrado).
 Lixão X Aterro. Disponível em:
http://www.lixo.com.br/content/view/144/251/
 Análise socioambiental dos lixões: problemas e propostas. Disponível em:
http://www.senado.leg.br/comissoes/cma/ap/AP_20070627_ABES_Analise_S
ocio_Ambiental_Lixoes.pdf
 DUCHIADE, M. P. Air Pollution and Respiratory Diseases: A Review.
Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 8 (3): 311-330, jul/set, 1992.
 ARBEX, Marcos Abdo; SANTOS, Ubiratan de Paula; MARTINS, Lourdes
Conceição; SALDIVA, Paulo Hilário; PEREIRA, Luiz Alberto; BRAGA,
Alfésio Luis. Air pollution and the respiratory system, São Paulo, 22 de
agosto de 2012.
 CANÇADO, José Eduardo; BRAGA, Alfesio; PEREIRA, Luiz Alberto;
ARBEX, Marcos Abdo; SALDIVA, Paulo Hilário; SANTOS, Ubiratan de
Paula. Clinical repercussions of exposure to atmospheric pollution, São
Paulo, 2006.
 PAVÃO, H.G. O gás carbônico atmosférico: variações e influência das
queimadas em várias regiões do Brasil. São José dos Campos: INPE, 1994.
111p.
 RIBEIRO, Helena and ASSUNCAO, João Vicente de. Efeitos das
queimadas na saúde humana. Estud. av. [online]. 2002, vol.16, n.44 [cited
2016-02-21], pp. 125-148
 ANDRE, Paulo Afonso de et al. Environmental epidemiology applied to
urban atmospheric pollution: a contribution from the Experimental Air
Pollution Laboratory (LPAE). Cad. Saúde Pública [online]. 2000, vol.16, n.3
[cited 2016-02-21], pp. 619-628
 PEITER, Paulo and TOBAR, Carlos. Poluição do ar e condições de vida:
uma análise geográfica de riscos à saúde em Volta Redonda, Rio de
Janeiro, Brasil. Cad. Saúde Pública [online]. 1998, vol.14, n.3 [cited 2016-
02-21], pp. 473-485
 ECYLE: NOx: o que são e quais os impactos dos óxidos de nitrogênio.
Disponível em: <
http://www.ecycle.com.br/component/content/article/63/3052-nox-os-oxidos-
de-nitrogenio-tipos-o-que-sao-onde-estao-causas-consequencias-aquecimento-
global-efeito-estuda-nitrico-nitroso-dioxido-de-nitrogenio-fontes-emissoras-
compostos-impactos-como-evitar-acoes-dicas.html>. Acesso em: 18 de Fev.
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 ECYCLE: Dióxido de enxofre é um dos poluentes do ar mais perigosos.
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http://www.ecycle.com.br/component/content/article/63/2409-dioxido-de-
enxofre-e-um-dos-poluentes-do-ar-mais-perigosos.html>. Acesso em: 18 de
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 ECYCLE: Monóxido de carbono: conheça origem, usos, efeitos e como evitar
intoxicação. Disponível em: <
http://www.ecycle.com.br/component/content/article/63-meio-ambiente/2350-
o-que-e-monoxido-de-carbono-co-origem-formacao-natureza-homem-vocs-
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http://www.ecycle.com.br/component/content/article/63/2375-dioxido-de-
carbono-co2-essencial-prejudicial-composto-gasoso-fotossintese-respiracao-
noturno-fontes-usos-industria-decomposicao-erupcoes-atividade-humana-
efeito-estufa-excesso-poluicao-sumidoros-sequestradores-doencas-
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Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica,
Universidade Federal do Itajubá – UNIFEI, Itajubá, 2013, 171 p.
 <http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/qualidade-do-ar#>, acesso em
Fevereiro de 2016;
 <http://rede.novaescolaclube.org.br/planos-de-aula/os-desafios-para-diminuir-
poluicao-e-conter-o-efeito-estufa>, acesso em Fevereiro de 2016;
 <http://www.estudopratico.com.br/poluicao-do-ar-causas-consequencias-e-o-
que-fazer/>, acesso em Fevereiro de 2016;
 <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloI).pdf>, acesso em
Fevereiro de 2016;
 Introdução à engenharia ambiental – 2ª edição – vários autores, 2005.
 CALVACANTI, P. P. S. Gestão Ambiental na indústria siderúrgica –
aspectos relacionados às emissões atmosféricas. Projeto de Graduação.
Curso de Engenharia metalúrgica, Escola Politécnica da Universidade Federal
do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012, 54 p.
 Emissões de CO2 param de subir no mundo pela primeira vez em 40 anos.
Disponível em: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2015/03/emissoes-de-co2-
param-de-subir-no-mundo-pela-primeira-vez-em-40-anos.html, acesso
12/02/2016.
 Emissão global de CO2 parou de crescer, num bom sinal para o clima.
Disponível em: http://www.ghgprotocolbrasil.com.br/emissao-global-de-co2-
parou-de-crescer-num-bom-sinal-para-o-clima?locale=pt-br, acesso
12/02/2016.
 Quais são os países que mais emitem gases do efeito estufa? Disponível em:
http://www.aquecimento.cnpm.embrapa.br/conteudo/historico_aq_paises.htm,
acesso 12/02/2016.
 A história da poluição em Cubatão e como a cidade deixou de ser o "Vale
da Morte". Disponível em:
http://www.pensamentoverde.com.br/atitude/historia-poluicao-cubatao-cidade-
deixou-vale-morte/, acesso 03/02/2016.
 Com diversas medidas, Cidade do México conseguiu amenizar poluição do
ar. Disponível em:
http://www.ecycle.com.br/component/content/article/38/1309-cidade-do-
mexico-conseguiu-se-livrar-da-poluicao-do-ar.html, acesso 16/02/2016.
 Cidade do México enfrenta desafio da qualidade do ar. Disponível em:
https://share.america.gov/pt-br/cidade-do-mexico-enfrenta-desafio-da-
qualidade-do-ar/, acesso 10/02/2016.
 Sustentabilidade: Mau exemplo: Alemanha tem grande poluição
atmosférica: 57% das regiões analisadas apresentam excessivos níveis de
dióxido de nitrogênio e em 42% foram registrados altos níveis de
partículas poluentes. Disponível em:
http://www.altosestudos.com.br/?p=49187, acesso 16/02/2016.
 Stuttgart, a Pequim da Alemanha. Disponível em:
http://noticias.terra.com.br/stuttgart-a-pequim-da-
alemanha,faa3684f33cfe7597c7a7a0223af0c22e5o8zzir.html, acesso
16/02/2016.
 Pequim emite primeiro alerta vermelho da história por poluição.
Disponível em: http://noticias.terra.com.br/ciencia/sustentabilidade/pequim-
emite-primeiro-alerta-vermelho-da-historia-por-
poluicao,c9c6a01f5adc21eefb6eb3c7395057b4ltyl9swk.html, acesso
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Poluição do ar visão geral, alguns causadores, doenças e estudos de caso

  • 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL SANEAMENTO E MEIO AMBIENTE POLUIÇÃO DO AR São Cristóvão 2016
  • 2. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL SANEAMENTO E MEIO AMBIENTE POLUIÇÃO DO AR Professor Dr. Daniel Moureira Fontes Lima. Alunos: Alan de Gois Barbosa; André Luiz Delmondes Pereira Filho; Luiz Pereira de Aguiar Neto; Matheus Lopes Peres; Renério Pereira Neto. São Cristóvão 2016
  • 3. Sumário 1. Introdução...............................................................................................................5 1.1 Histórico. .............................................................................................................5 1.2 Definição e principais fontes poluidoras...........................................................6 1.3 Principais Poluentes Atmosféricos:...................................................................7 1.4 Efeitos da poluição do ar....................................................................................8 2. Lixões e Aterros: Impactos na Poluição Atmosférica.......................................11 2.1 Poluição Atmosférica. ........................................................................................12 2.2 Saúde Humana....................................................................................................13 2.3 Controle ..............................................................................................................14 3. Queimadas.............................................................................................................14 4. Indústria do Cimento...........................................................................................15 4.1 Impactos ambientais – Poluição do ar. ...............................................................16 5. Poluição atmosférica na produção siderúrgica. ................................................20 5.1 Poluentes atmosféricos. ......................................................................................21 5.2 Fontes de emissão, controle e prevenção de poluição atmosférica. ...................21 6. Estudos de Caso....................................................................................................25 6.1 Cubatão...............................................................................................................25 6.2 Cidade do México...............................................................................................26 6.3 Pequim................................................................................................................28 6.4 Stuttgart. .............................................................................................................28 6.5 Emissões Globais................................................................................................29 7. Danos à Saúde.......................................................................................................30 7.1 Ação dos poluentes no sistema respiratório. ......................................................31 7.2 Efeitos da Poluição do ar na gravidez. ...............................................................31 7.3 Efeitos sobre o Sistema Respiratório..................................................................32 7.4 Poluição do ar e mortalidade. .............................................................................36
  • 4. 7.5 Poluição do ar e exercícios Físicos.....................................................................36 8. Conclusão..............................................................................................................37 9. Referências............................................................................................................39
  • 5. Resumo A poluição do ar é um problema que está diretamente relacionado ao crescimento econômico da população, pois são os diversos tipos de indústrias e de automóveis, quando não pensados de maneira sustentável, que mais poluem a atmosfera. As implicações desse problema são, principalmente, alterações climáticas e prejuízos para a saúde da população. No presente trabalho, será abordado os aspectos que mais se relacionam com a engenharia civil e suas particularidades, bem como serão feitos estudos de casos de cidades que sofrem ou sofreram com a poluição do ar. 1. Introdução. Desde que o ser humano deixou de ser nômade, ele começou a modificar e assim a agredir com mais intensidade o meio ao seu redor, seja o solo, a água ou o ar. Suas moradias, culturas ou modo de vida acabam sempre gerando impacto no ambiente ao seu redor. Neste trabalho será enfatizado o impacto dos seres humanos na atmosfera do planeta, assim como os principais meios poluidores do ar. Também serão abordadas ideias para se amenizar a poluição ou até reverter em um produto que possa ser aproveitado para sequer atividade. Não deixando de fora estudos de casos específicos que têm alguma relação com a Engenharia Sanitária. 1.1 Histórico. O problema da poluição atmosférica não é um problema da modernidade, há dois mil anos, em Roma, já se tem registros de reclamações a respeito da qualidade do ar. Durante a idade média, como o carvão e a lenha eram as principais fontes de calor nos tempos de inverno, há também registro de queixas sobre a qualidade do ar. Já na Inglaterra, tem-se registro até de leis que impõem uso de carvões com baixo teor de enxofre no século XIII e que proíbem a sua queima durante as sessões do parlamento por causa do cheiro e da fumaça. Havia existência de pequenas indústrias, principalmente as que praticavam a metalurgia e cerâmica, que, mesmo em pequena proporção, já lançavam resíduos gasosos no meio ambiente. Já a partir da revolução industrial, como mostrado no gráfico a seguir, quando os combustíveis fósseis passaram a ser queimados para alimentar as máquinas a vapor, foi que se intensificou a poluição a atmosfera e os problemas ambientais e para a saúde do ser humano. É importante observar que a máquina à vapor foi criada em 1784, já as primeiras leis destinadas ao controle da “fumaça” só foram surgir em 1853.
  • 6. Figura 1 – Evolução da concentração de CO2 No século XX, já se percebeu um considerável aumento da poluição do ar devido ao crescimento das cidades e das indústrias. Em 1911 e em 1952 ocorreram graves acidentes com mortes de 1150 e 4000 pessoas, respectivamente. Mas é importante ressaltar que foi também nessa época em que os governos começaram a se preocupar com a qualidade do ar, realizando conferências mundiais com intuito de controlar as emissões e, principalmente, as fontes emissoras. 1.2 Definição e principais fontes poluidoras. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a poluição do ar pode ser definida como qualquer forma de matéria ou energia com intensidade, concentração, tempo ou características que possam tornar o ar impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos materiais, à fauna e à flora ou prejudicial a segurança, ao uso e gozo da propriedade e à qualidade de vida da comunidade. Atualmente, podemos dividir as fontes de poluição atmosférica em duas esferas:  A esfera natural, que inclui os vulcões, aerossóis marinhos, decomposição biológica, dentre outros mais;  A esfera antropogênica, ou seja, gerada pelo homem e, consequentemente, pela modernidade. Essa esfera inclui os motores de combustão interna; fornos industriais e indústrias em geral e as queimadas juntamente com o desmatamento.
  • 7. 1.3 Principais Poluentes Atmosféricos: O conhecimento e a tecnologia desenvolvidos pela humanidade só aumentam, mas, por abranger diversas áreas, o desenvolvimento também polui a atmosfera com diversas substâncias cujas podemos destacar: 1.3.1 Monóxido de carbono (CO). É um composto gerado pelos processos de combustão incompleta dos combustíveis fósseis ou de qualquer outro material inflamável que seja constituído por carbono. É perigoso para o ser humano por juntar-se à hemoglobina e inutilizá-la, ocasionando diminuição da capacidade respiratória. 1.3.2 Dióxido de Carbono (CO2). É o principal composto resultante dos processos de combustão completa de combustíveis fósseis ou de qualquer outro material inflamável que contenha carbono, além de ser produzido por algumas reações químicas em determinados segmentos industriais, por exemplo, pela indústria de cimento. Uma das principais substâncias que vêm agravando o efeito estufa no planeta. 1.3.3 Óxidos de Enxofre (SO2 e SO3). São produzidos por processos de combustão de materiais que contenham enxofre em sua composição, por exemplo, pneus. Também gerado por processos biogênicos naturais, tanto no solo como na água. É um dos principais agentes causadores da chuva ácida. 1.3.4 Óxidos de Nitrogênio (NOx). Como o principal constituinte da atmosfera é o nitrogênio, ao se realizar uma combustão em contato com a atmosfera, esses óxidos podem ser gerados. Também ocorre sua formação em descargas elétricas na atmosfera. 1.3.5 Hidrocarbonetos. Os hidrocarbonetos são resultantes da combustão incompleta dos combustíveis, além da evaporação de solventes ou de combustíveis. 1.3.6 Material Particulado (MP). Entende-se por material particulado todas as partículas sólidas ou líquidas capazes de permanecer em suspensão, por exemplo, a poeira, fuligem e do pólen. Essas partículas podem
  • 8. ter origem em processos de combustão, ou em processos específicos de algumas indústrias ou até por razões naturais. 1.3.7 Asbestos (amianto). É um subtipo de Material Particulado, mas requer enfoque especial. É produzido no processo de extração e beneficiamento do amianto e sua presença traz graves problemas de saúde, como câncer de pulmão. 1.3.8 Metais. É também um subtipo de Material Particulado, é liberado em processos de mineração, combustão e processos siderúrgicos, sua presença podem trazer sérios problemas para o ser humano. 1.3.9 Gás Fluorídrico (HF). Composto gerado nos processos de produção de alumínio e de fertilizantes, também em refinarias de petróleo. 1.3.10 Amônia (NH3). As principais fontes de amônia são as indústrias de fertilizantes e químicas, principalmente aquelas à base de nitrogênio. Também gerada por processos biológicos naturais na água e no solo. 1.3.11 Calor. O calor geralmente é liberado junto a processos de combustão ou junto com gases quentes resultantes de processos industriais. Se em grande quantidade pode aumentar a temperatura ambiente e mudando o clima da região em que é liberado. 1.4 Efeitos da poluição do ar. Como consequência dessas mudanças na atmosfera, a humanidade acaba sofrendo. A saúde do ser humano acaba sendo afetada, principalmente por doenças respiratórias como bronquite, rinite alérgica, além de irritações na pele, lacrimação exagerada, infecção nos olhos. Esses efeitos podem ainda ter mais destaque em dias secos e serão abordados com mais detalhes ao decorrer do texto.
  • 9. Além da humanidade, o planeta acaba sofrendo também, a intensificação do efeito estufa pode trazer muitos malefícios, além da destruição da camada de ozônio e da chuva ácida. 1.4.1 O efeito Estufa O efeito estufa é um dos principais fatores que contribuem para a vida no planeta Terra. Pode-se descrevê-lo como uma camada de determinados gases que funciona como uma barreira para o calor, ou seja, essa barreira mantém o planeta aquecido a cerca de 15°C. O grande problema do efeito estuda é seu aumento, já que com a modernização da humanidade, passou-se a liberar cada vez mais gases que intensificam seu poder, sejam eles o CO2, metano, óxido nitroso e até clorofluorcarbonos CFCs. O metano é o gás que está mais intimamente relacionado com o aumento da temperatura terrestre, estudos indicam que o metano contribuiu 25% a mais que a concentração de CO2 para as alterações da temperatura entre os anos 8.000a.C. e 10.000a.C. Devido ao aumento da concentração dos gases estufa, a tendência da temperatura global é aumentar, causando derretimento das calotas polares e com isso a elevação nível dos mares. Além disso, podem ocorrer mudanças climáticas sérias, com consequências inimagináveis para a humanidade. De acordo com a World Meteorological Organization (WMO), temperaturas de inverno, em altas e médias latitudes, poderão crescer mais que duas vezes a média mundial, enquanto as temperaturas de verão não irão se alterar muito. O controle do efeito estufa se dá direto nas fontes emissoras dos gases estufa. Portanto é necessário que se diminua as emissões de metano e CO2 na atmosfera utilizando fontes alternativas de combustível e melhorando o sistema de transporte coletivo. Como a vegetação acaba absorvendo o gás carbônico em seu processo de crescimento, os países deveriam controlar cada vez mais o desmatamento e incentivar o reflorestamento. 1.4.2 Destruição da Camada de Ozônio. Na estratosfera, entre 15 e 50 km da superfície, existe uma concentração de gás ozônio (O3) responsável por bloquear certas faixas de radiações solares, principalmente a ultravioleta, impedindo que se atinjam níveis excessivos na superfície, essa concentração é chamada de camada de ozônio.
  • 10. O ozônio presente na atmosfera atenua as radiações por usá-las em seu processo de formação e deterioração. A radiação em excesso na superfície pode aumentar a incidência de câncer de pele, reduzir as safras agrícolas e destruir ou inibir o crescimento de determinadas espécies vegetais, além de causar danos aos materiais plásticos. O lançamento de CFCs na atmosfera pelas indústrias de refrigeração, aerossóis e de plásticos causa a destruição do ozônio, por ser uma molécula bastante estável, o clorofluorcarbono pode ficar na atmosfera por cerca de 100 anos. Uma molécula de cloro pode destruir até dez mil moléculas de ozônio. A imagem a seguir mostra a evolução do buraco que se formou na camada de ozônio sobre a Antártica. Tratados feitos por os países desenvolvidos e em desenvolvimento á cerca de 25 anos ( Protocolo de Montreal) conseguiram reverter a situação. Atualmente o buraco voltou a diminuir de tamanho, e as previsões para o futuro são positivas. Figura 2 – Evolução do Buraco na camada de ozônio. Fonte: Terra Notícias. 1.4.3 Chuva Ácida A chuva, por sua natureza, já apresenta um caráter levemente ácido. Isso vem das reações do CO2 presente na atmosfera com os vapores de água, que geram ácido carbônico (um ácido bastante instável). As regiões densamente industrializadas liberam várias toneladas de gases sulfurosos e nitrogenados para a atmosfera, esses gases, ao reagirem com o vapor de água, formam ácidos fortes, que podem tornar as chuvas com caráter bastante ácido, com pH por volta de 3,0. As perdas para a agricultura são enormes, já que os solos acabam se tornando ácidos e inadequados para determinadas culturas. Além das florestas e peixes que também sofrem pela exposição à ácidos fortes. Além disso, a acidez pode destruir bens feitos á base de concreto,
  • 11. desde usinas hidroelétricas até monumentos históricos. Estima-se que as ruínas de Atenas sofreram nos últimos 40 anos uma deterioração comparada aos últimos dois mil anos. O controle da chuva ácida se dá pelo controle na emissão dos óxidos nitrosos e sulfurosos, utilizando filtros em usinas e controlando a emissão pelos veículos. 2. Lixões e Aterros: Impactos na Poluição Atmosférica. Atualmente, a disposição dos resíduos sólidos desde o âmbito doméstico ao industrial tem sido uma questão bastante discutida por sua relação intima com a poluição do ambiente no qual vivemos. O descarte impróprio desses resíduos (domiciliares, químicos, hospitalares, etc.) é uma preocupação, pois além de contaminarem a região na qual são despejados, também são nocivos às pessoas que entram em contato com estes e, indiretamente, a todos nós. Os destinos mais conhecidos para os resíduos sólidos podem ser divididos em duas classes: lixões e aterros. Os aterros, por sua vez, podem ser do tipo controlado ou sanitário. Os lixões são áreas de despejo sem nenhuma preparação prévia da área, ou seja, sem manipulação do solo e sem sistema de tratamento de efluentes, permitindo que o chorume infiltre, contaminando o solo e o lençol freático. Esses locais são frequentados por diversos animais (urubus, ratos) e por catadores de materiais recicláveis, de crianças a adultos, que ficam expostos à doenças, tornando os lixões desagradáveis não apenas ecologicamente, mas também socialmente. Figura 3 – Lixão a céu aberto. Os aterros controlados apresentam condições intermediárias entre os lixões e os aterros sanitários. É uma célula adjacente a um lixão já coberto por argila e grama, com sistema de captação, recirculação e queima de chorume e gás metano, causando uma menor contaminação do solo e do lençol freático. Esta célula é preparada para receber o lixo e tem uma operação para a cobertura deste (idealmente, uma manta impermeável).
  • 12. Figura 4 – Esquema de aterro controlado. Já os aterros sanitários são a disposição adequada dos resíduos. Nestes casos, o terreno é preparado previamente, a base é selada com argila e mantas de PVC resistentes. Desta forma, o lençol freático não é contaminado pelo chorume, que é coletado através de drenos de e encaminhados para um poço de acumulação de onde, nos seis primeiros meses de operação é recirculado sobre a massa de lixo aterrada. Depois desses seis meses, o chorume acumulado é encaminhado para a estação de tratamento de efluentes (ETE). No aterro sanitário, assim como no aterro controlado, acontece a cobertura diária do lixo, não ocorrendo mau cheiro, proliferação de vetores e poluição visual. Figura 5 – Esquema Simplificado de Aterro Sanitário. 2.1 Poluição Atmosférica. Esclarecidas as diferenças entre lixões e aterros e seus respectivos funcionamentos, se torna fácil a percepção das consequências negativas que estes trazem ao ambiente, não
  • 13. somente ao solo e à água, como foi visto, mas também ao ar. Lixões, principalmente, são responsáveis por parte da poluição atmosférica, pelos seguintes fatores:  Espalhamento de partículas e materiais leves através do vento;  Liberação de gases e odores decorrente da decomposição da matéria orgânica presente no lixo, entre estes os gases metano (inflamável) e sulfídrico;  Queima de resíduos ao ar livre. O processo de decomposição dos resíduos sólidos por meio da ação dos micro- organismos produz o biogás que é composto por hidrogênio, nitrogênio, gás sulfídrico, dióxido de carbono e metano, citado acima. Este último é altamente inflamável e junto com o ar pode formar uma mistura explosiva; sendo comum a combustão espontânea do lixo em vazadouros a céu aberto. Cabe ressaltar que o metano e o dióxido de carbono contribuem para a intensificação do Efeito Estufa. No caso de aterros, parte do metano produzido no é drenado e depois queimado, sendo obtido como produto desse processo o gás carbônico. Também é realizada nesses locais a incineração irregular dos resíduos sólidos, que lança na atmosfera material particulado composto por poluentes orgânicos e inorgânicos prejudiciais à saúde humana e ao equilíbrio do ambiente. Além disso, o monitoramento da qualidade do ar em aterros é quase inexistente no Brasil. 2.2 Saúde Humana. No Brasil, tanto aterros quanto lixões são o meio de sobrevivência para milhares de catadores individuais entre homens, mulheres e crianças. Essas pessoas são submetidas a condições precárias de subsistência e a riscos diversos devido ao contato direto com o lixo, além de conviverem com os elevados índices de violência nessas áreas. A importância desta coleta informal de materiais recicláveis realizadas por catadores é indiscutível, haja vista que estes, mesmo que involuntariamente, contribuem para reintroduzir no processo industrial os resíduos que seriam desperdiçados em aterros ou lixões. Porém, as condições ambientais destes locais representa um problema bastante grave do ponto de vista social, sobretudo pela exposição a uma situação de extremo risco. Nesse contexto, estudos epidemiológicos têm associado o aparecimento de doenças respiratórias crônicas, asma, bronquite e enfisema pulmonar à atividade da coleta.
  • 14. É importante destacar que o metano é apontado como um poluente prejudicial ao homem, podendo, em alguns casos, provocar câncer, náusea, sonolência ou irritação nas narinas e olhos. Além de ocasionar a liberação de gases tóxicos que são inalados pelas pessoas que residem ou trabalham na área, a disposição inadequada dos resíduos sólidos contribui para a proliferação de vetores como moscas, baratas e ratos. 2.3 Controle Os estudos que têm como meta avaliar tais fenômenos nesses locais tornam-se extremamente importantes, principalmente, quando os aterros/lixões se situam em áreas urbanas. Assim, o monitoramento de fontes poluidoras e o controle da qualidade do ar devem ser programas permanentes na operação destes. Tornam-se necessárias também a efetivação da fiscalização para combater as queimas irregulares e implantação de um suporte para criação e/ou fortalecimento das cooperativas de resíduos sólidos atuantes na região e capacitação dos catadores para diminuir os riscos de contaminação e eventuais acidentes. Outra alternativa, é a criação e operação de um sistema de compostagem, que venha a aproveitar parte do material orgânico presente na área. É viável ainda a adoção de procedimentos que permitam a separação dos resíduos sólidos nas fontes geradoras, por meio de um programa de coleta seletiva, com fiscalização atuante. Além disso, deve-se ter uma fiscalização quanto à deposição dos resíduos em aterros para evitar que resíduos perigosos, como os hospitalares, sejam lançados no local. Em suma, é ideal a construção de um aterro sanitário dentro dos padrões estabelecidos na legislação. 3. Queimadas. Via de regra, os gases reagem de maneira diferente à radiação eletromagnética de diferentes comprimentos de onda. No caso da terra, a atmosfera é relativamente transparente à radiação solar, e opaca à radiação emitida pela Terra, ou seja, parte da radiação solar é absorvida pela superfície do planeta, mas a emissão da mesma é absorvida pela atmosfera. Isto significa dizer que a superfície terrestre é aquecida pela radiação solar direta e também pela radiação secundária da atmosfera. Este processo causa um aquecimento adicional da superfície, conhecido como Efeito Estufa.
  • 15. Dos gases que incrementam o efeito estufa, o dióxido de carbono (CO2), é o principal contribuinte diretamente influenciado pelas atividades humanas, juntamente com os clorofluorcarbonos (CFCs), metano (CH4) e outros. A colaboração relativa destes gases, para o efeito estufa, vem mudando ao longo dos anos. A concentração de CO2 na atmosfera, por exemplo, aumentou cerca de 26% em 240 anos (Sarmiento e Sundquist, 1992). A causa fundamental do aumento da concentração deste gás na atmosfera nos últimos anos, é a queima de combustíveis fósseis e através do processamento de rocha calcária para produção de cimento. Também os desmatamentos e queimadas de florestas com propósitos industriais ou agrícolas, liberaram para a atmosfera uma quantidade de 1,0 - 2,6 Gt ( kg) de dióxido de carbono ao decorrer do ano de 1980, sendo a parte majoritária referente a queimadas nas regiões tropicais (Houghton et al., 1987). As queimadas que acompanham o desmatamento determinam o volume de gases emitidos, não somente da biomassa que queima, mas também da parte que não queima. Quando ocorre uma queimada, além da liberação do dióxido de carbono, são liberados também gases-traço como metano, monóxido de carbono e nitroso de oxigênio. A biomassa que não queima na queimada inicial, com chamas, também será oxidada. Isto ocorre, em parte, por processos de decomposição e parte pelas requeimadas, de temperaturas reduzidas, com formação de brasas e maiores emissões de gases. A quantidade de gases de efeito estufa liberada pelo desmatamento são de grande importância, tanto em termos do impacto presente, quanto do potencial para colaboração em longo prazo com a continuação do desmatamento das áreas próximas às que aconteceram queimadas. 4. Indústria do Cimento. O cimento, assim como o aço e o petróleo, é uma das mercadorias vitais para o crescimento da economia mundial. Nenhum outro material é tão versátil quanto este, ao se tratar de construções prediais e obras de infraestrutura. Em um panorama mundial, a indústria de cimento alcançou no ano de 2013 uma produção em torno de 4000 Mton, destacando se países como China, Índia, Estados Unidos, Irã e Brasil como os principais produtores neste respectivo ano.
  • 16. Em contraste ao grande avanço da indústria de cimento, há os fortes impactos ambientais que ela traz consigo, e o consequente dano à saúde humana. Com enfoque à poluição do ar, se tem muitas críticas a essa atividade fabril, sendo uma das principais fontes emissoras de atualmente, além de outros contaminantes atmosféricos, e, devido à demanda econômica, é um setor em pleno crescimento na sua produção. 4.1 Impactos ambientais – Poluição do ar. 4.1.1 Material particulado: Os materiais particulados (MP) são determinados pelo conjunto de partículas muito finas de sólidos ou líquidos suspensos no ar, na qual, suas dimensões variam entre 0,001 a 500 𝜇m. Essas partículas geram grandes danos ao trato respiratório superior humano, e quanto menor forem suas dimensões, maior seu potencial de atingir os pulmões e se alojarem no mesmo. Além dos sérios riscos à saúde humana, a emissão de MP na atmosfera traz consigo fortes impactos ambientais, aumentando suas taxas de reações, redução de visibilidade e dos níveis de radiação solar, alterando a temperatura e interferindo no crescimento da flora. Um das grandes inquietações da indústria cimenteira se deve a esse fato. Desde a etapa de mineração, a obtenção do produto – manipulação, moagem e mistura, e manuseio – empacotamento, transporte e armazenamento, há a fuga de materiais particulados, na qual, afeta tanto a saúde de morados no entorno da planta fabril quanto às condições ambientais ali presentes. Críticos afirmam a necessidade de maiores estudos quanto aos impactos causados pela emissão de , e metais pesados presentes nos MP, além dos fenômenos de inversão térmica, os quais agravam os efeitos da poluição atmosférica. Existem, contudo, tecnologias para o controle da emissão de MP na atmosfera, entre elas, podem citar os precipitadores eletrostáticos, filtros de manga e lavadores. As tecnologias de maior eficiência são os precipitadores eletrostáticos e os filtros de manga, chegando a alcançar uma eficiência de despoeiramento de 99,9% e 99,8% respectivamente. A emissão de gases de exaustão carrega consigo o material particulado. Os filtros de manga possui um procedimento funcional bastante simples. É utilizado um tecido filtrante, no qual, as partículas maiores dos MP ficam retidas, torando-se, rapidamente, um tapete de poeira que irá funcionar de forma eficiente para reter as partículas menores. A Figura 6 apresenta um modelo de filtro de manga utilizado na indústria cimenteira.
  • 17. Figura 6 – filtro de manga. Já os precipitadores eletrostáticos, tem como principio funcional, a utilização de forças eletrostáticas. Os gases de exaustão são carregados negativamente por um eletrodo de descarga e posteriormente, são atraídos por um eletrodo de coleta carregado positivamente. Após essa coleta, as partículas são recolhidas através de batidas no coletor. A Figura 7 apresenta um modelo de precipitador eletrostático utilizado na indústria cimenteira. Figura 7 – precipitador eletrostático. Estudos afirmam que essas tecnologias não são consideradas de alto custo. Além disso, medidas adicionais podem ser inseridas para o controle da emissão de MP na atmosfera. Como exemplo, podemos citar o bom planejamento das atividades de carga e descarga e ações durante o processo de produção.
  • 18. 4.1.2 Óxidos de nitrogênio: Os óxidos de nitrogênio ( ) são compostos que apresentam em sua ligação molecular, átomos de nitrogênio e oxigênio. Este grupo é constituído por sete compostos, porém, apenas dois deles são considerados impurezas relevantes à poluição atmosférica, o dióxido de nitrogênio ( ) e o óxido de nítrico (NO), exercendo grande influência na degradação da camada e ozônio e formação da chuva ácida. A presença desses gases na atmosfera apresentam bastantes riscos à saúde humana. Em contato com o , há a provocação de lesões celulares (ardência nos olhos, nariz e mucosas em geral), além dos revestimentos pulmonares das vias respiratórias, indo desde o nariz até os alvéolos pulmonares. Em casos críticos, ainda pode causar hemorragia, insuficiência respiratória e até morte. O óxido nítrico tende a se oxidar na atmosfera, formando o dióxido de nitrogênio, e, da mesma forma, contribui para o desequilíbrio do efeito estufa. Na indústria cimenteira, a formação dos óxidos de nitrogênio ( ) é devida às altas temperaturas e a atmosfera oxidante dentro dos fornos rotativos de clínquer. O controle das emissões de na atmosfera não depende apenas da instalação de equipamentos, além disso, é preciso analisar etapas da produção, principalmente ligadas à queima. 4.1.3 Óxidos de enxofre: Os óxidos de enxofre ( ) englobam uma série de óxidos em que apresentam na sua ligação molecular átomos de enxofre e oxigênio. Entretanto, apenas dois destes apresentam relevância quanto à poluição atmosférica, o dióxido de enxofre ( ) e o trióxido de enxofre ( ). O contato com o dióxido de enxofre causa sérios riscos à saúde humana, entre eles, podemos citar irritação e aumento da produção de muco, desconforto na respiração e agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares. Além disso, estudos apontam que o permanece na atmosfera em forma de gotículas ou retorna para a terra no processo de oxidação e reação, a forma de chuva ácida. Além disso, pode-se reagir com outros compostos na atmosfera, formando material particulado. O contato com o trióxido de enxofre também traz risco à saúde humana, podendo causar complicações respiratórias, como bronquites e enfisema pulmonar, além de doenças
  • 19. cardiovasculares. Pode trazer ainda prejuízos ambientais, como a acidificação da água dos rios e lagos e o equilíbrio químico do solo. A principal fonte de enxofre na indústria cimenteira são os sulfatos e sulfetos presentes na composição da farinha e do enxofre presente nos combustíveis. Durante a obtenção do clínquer, grande parte do enxofre é absorvido, incorporando-se ao clínquer ou emitido na forma de material particulado. Uma primeira medida para diminuir a emissão de se da pela adoção de medidas que venham a diminuir a formação de , podendo utilizar combustíveis e/ou matérias- primas que contenham teores baixos de enxofre na sua composição química, além de medidas adicionais. 4.1.4 Monóxido de carbono: O monóxido de carbono (CO) emitido durante a produção de cimento Portland tem como fontes principais o carbono orgânico presente na matéria prima e a combustão incompleta no pré-calcinador ou no forno rotativo de clínquer. A contaminação com o CO pode ocasionar efeitos tóxicos cumulativos, como insônia, fadiga, vômitos, doenças respiratórias, entre outras. A fim de reduzir a emissão de CO proveniente da combustão incompleta dos combustíveis, é importante que exista um excesso de ar durante a queima dos mesmos no forno rotativo de clínquer. 4.1.5 Dióxido de carbono: O dióxido de carbono ( ) é um gás essencial à vida no planeta por ser um dos principais compostos para a fotossíntese, no entanto, a grande preocupação se deve à alta concentração em que se encontra na atmosfera, sendo considerado o maior contribuinte para o efeito estufa. Como já citado, a alta concentração de dióxido de carbono leva à poluição do ar, formação da chuva ácida e desequilíbrio do efeito estufa, além de doenças respiratórias e cardiovasculares. A produção de cimento Portland é uma grande fonte geradora de . Estudos apontam que cerca de 5% do liberado de fonte antrópica atualmente na atmosfera e de responsabilidade desse setor. No processo de queima da farinha, algumas reações que
  • 20. ocorrem no forno rotativo de clínquer com a mistura de matérias-primas têm como um dos seus produtos finais o dióxido de carbono. Outra reação que libera é a calcinação, que consiste na decomposição do calcário em óxido de cálcio. Essa reação é responsável por cerca de 50% do liberado na atmosfera durante a produção do clínquer. A queima dos combustíveis no forno de clínquer é outra fonte de liberação de , que ocorre através da reação do carbono presente nos mesmos com o oxigênio presente no forno. Essa fonte é responsável por 40% das emissões de CO2 durante a fabricação do cimento Portland. A diminuição da liberação de durante o processo de fabricação do cimento é feita atualmente pela indústria brasileira através do uso do coprocessamento, da diminuição do clínquer na composição final do cimento e da melhoria da eficiência energética do parque industrial. 5. Poluição atmosférica na produção siderúrgica. Estima-se que o minério de ferro foi descoberto a 5000 a.C., porém foi por volta de 1200 a.C. que a se iniciou a idade do ferro na Europa e no Oriente médio e por volta de 600 a.C. que se iniciou na China. Período este que muitos utensílios e armas passaram a ser fabricadas em ferro e posteriormente em aço, o que possibilitou a expansão de diversos povos. Porém, foi com a revolução industrial que o consumo de ferro e do aço sofreu acentuado crescimento, principalmente pela sua aplicabilidade na indústria de base como construção civil, transportes, construção naval, máquinas e equipamentos diversos, mineração e indústria ligada à produção de energia. Deve-se perceber que a atividade siderúrgica está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico de um país, o que torna os países em desenvolvimento um dos principais causadores do consumo do aço e, por conseguinte, do aumento da poluição do ar causada pela siderurgia. Em 1950, a produção de aço bruta foi de 200 Mt e atingiu a marca de 1512,2 em 2011, com a expectativa de crescimento anual entre 3% e 5% impulsionada pela demanda em países emergentes onde a siderurgia deve crescer de 8% a 10%. Junto a esse dado deve acrescentar- se que para cada tonelada de aço produzida, em média, são emitidas 1,7 toneladas de dióxido de carbono. Portanto, a Agência internacional de Energia (AIE) estimar que a indústria
  • 21. siderúrgica seja responsável por 4% a 5% das emissões de dióxido de carbono no mundo, está coerente com os dados citados anteriormente. É devido a estes dados que o estudo dos poluentes liberados em cada etapa da produção do aço pode impactar na poluição atmosférica bem como os mecanismos para diminuir os impactos são de grande importância para o desenvolvimento sustentável. 5.1 Poluentes atmosféricos. O nível de poluição do ar é medido pela quantificação de alguns poluentes em função da sua importância aos efeitos provocados. A poluição supõe o aumento ou a diminuição de certos componentes naturais da atmosfera causados por alguma atividade humana. De forma geral os principais indicadores de poluição são o monóxido de carbono, o dióxido de enxofre, o dióxido de nitrogênio, o ozônio e as partículas em suspensão. Essas substâncias podem ainda piorar a poluição atmosférica, também, ao atingir a vegetação, pois aderem à superfície e dificultam o processo de fotossíntese. As partículas em suspensão é o poluente mais frequente nas siderurgias sejam em emissões difusas ou em emissões pontuais, como em chaminés de dutos de exaustão de processos de combustão e de sistemas de controle ambiental. Foi por sua presença nos processos produtivos que este foi o primeiro indicador a ter sua emissão e produção controlada nas siderurgias. Os processos de combustão que utilizam combustíveis sólidos, líquidos ou gasosos são responsáveis pela emissão de dióxido de enxofre, que está relacionado aos processos que utilizam carvão mineral como matéria prima, de óxidos de nitrogênio e de monóxido de carbono, que também está relacionado aos processos de redução de alto forno (produção do ferro gusa) e produção do aço na aciaria (redução do teor de carbono com sopro de oxigênio). Podem ainda ser emitidos compostos orgânicos na produção do coque, onde são emitidas frações de voláteis existentes no carvão mineral e n queima incompleta de combustíveis. 5.2 Fontes de emissão, controle e prevenção de poluição atmosférica. Nas indústrias siderúrgicas, as principais fontes de emissão atmosférica são o transporte e a estocagem de matéria prima, e, no setor produtivo, a preparação do carvão na coqueria, a sinterização, o alto forno, a aciaria, o lingotamento e a central termoelétrica. Para o abatimento da poluição na produção do aço podem ser utilizados alguns equipamentos como ciclones, precipitadores eletrostáticos, lavadores de gases e filtros de manga.
  • 22. Os ciclones são equipamentos onde a força centrífuga, separa partículas do gás de exaustão, porém podem separar partículas maiores apresentando assim, menor eficiência de remoção. Os Precipitadores eletrostáticos são equipamento que aplicam uma carga elétrica em partículas presentes nos gases, permitindo que elas sejam atraídas e coletadas por um eletrodo, apresentando eficiência de 90% de remoção, baixo consumo de energia, porém são inadequados para partículas de alta resistividade. Os lavadores de gases utilizam aspersão de água para separar uma ampla faixa de poluentes, apresentam, também, 90% de eficiência, porém com gasto de energia são maiores se comparados aos precipitadores e, além disso, são necessários sistemas de tratamento para que o efluente líquido ou a lama formada possam retornar ao sistema. De forma mais limitada de atuação, o filtro de manga separa as partículas do gás de exaustão por intermédio de um material poroso permitindo alta eficiência de remoção, porém com alto consumo de energia e com atuação em limitada faixa de temperatura e umidade dos gases. Esses equipamentos de limpeza de emissões são geralmente utilizados em conjunto, sendo necessários ainda dispositivos de coleta para as partículas retidas. É importante lembrar que a sua utilização não diminui a produção de poluentes, mas sim a sua quantidade nas emissões. Portanto, para prevenir a produção de poluentes podem-se fazer modificações tecnológicas, como novos equipamentos, automação e layout, mudanças ou reduções de insumos, acarretando aumento da eficiência energética, e reciclagens internas dos materiais retornáveis ao processo produtivo. 5.2.1 Pelotização A pelotização é o processo de aglomeração de minério de ferro que produz pequenas esferas cristalinas. Nesse processo são liberados óxidos de nitrogênio, basicamente óxido nítrico e dióxido de nitrogênio devido à queima pela reação do nitrogênio com o oxigênio. A formação dos óxidos de nitrogênio é significativa devido às altas temperaturas e disponibilidade de oxigênio, podendo diminuir a produção desse poluente pela redução da temperatura e pelo excesso de oxigênio no ar de combustão. A redução pode ser feita ainda pela substituição do óleo e carvão por combustíveis gasosos como propano e butano o que também diminuiria a produção de dióxido de enxofre e dióxido de carbono.
  • 23. 5.2.2 Sinterização A sinterização é um processo de aglomeração de finos de do minério de ferro e de fundentes e finos de coque para carga de alto forno. Esta etapa é caracterizada pela sua capacidade de permitir a reutilização dos resíduos metálicos. As emissões são significativas nesse processo sendo emitidas poeiras, e substancias policloradas que são cancerígenas e podem permanecer na atmosfera por muito tempo, estando listados na convenção de Estocolmo e necessitam ser monitorados e reduzidos drasticamente. 5.2.3 Coqueificação É um processo com grande impacto ambiental, onde alguns gases podem ser recuperados, porém a perda é inevitável. Para reduzir as emissões, é possível substituir de 25% a 40% do coque no alto forno pelo gás natural ou óleo, ou ainda utilizar a redução direta do óxido de ferro ou injetar finos de carvão mineral. 5.2.4 Produção do Ferro Gusa É a separação do metal contido no minério, por meio de redução. O Gás gerado nesse processo, após limpo, podem ser aproveitados na sinterização ou ainda na geração de energia elétrica. As emissões podem ser reduzidas pela injeção de finos de carvão e as emissões de dióxido de enxofre são significativas sendo importante a qualidade do processo de dessulfuração, é ainda emitido óxido de nitrogênio nesse processo. 5.2.5 Lingotamento O lingotamento contínuo difere do convencional por dispensar reaquecimento e assim reduzir o consumo de energia, acarretando assim uma diminuição indireta nas emissões de poluentes, já que de forma geral, quanto maior o consumo de energia maior a emissão de poluentes. 5.2.6 Redução direta A redução direta produz ferro primário sólido, o ferro esponja. Nesse processo a emissão de poluentes é baixa e facilmente coletada. A utilização de gás natural gera menores emissões de dióxido de carbono comparadas com utilização de carvão. Contudo, o ferro esponja tem maior consumo de energia elétrica nos fornos elétricos a arco. 5.2.7 Utilização de sucata A utilização de sucatas é importante para o crescimento sustentável pela reutilização de matéria prima e pela redução dos impactos devido a sua extração. Contudo, existe emissões
  • 24. de poluentes relacionadas à sua utilização, sendo principalmente no processo de transporte e de preparação para a carga nas siderurgias. Utilizando a tecnologia de pré-aquecimento de sucata, permitindo a redução de consumo de energia, ocorrem emissões de dioxina e furanos que merecem ser controladas. 5.2.8 Melhores Práticas O avanço tecnológico que o mundo vem sofrendo nos últimos anos também contribui para a diminuição da emissão de poluentes pelas siderurgias. Nos Estados Unidos, por exemplo, desenvolve-se tecnologia para a produção de aço com base na não utilização de carbono. Na Europa está sendo desenvolvido o projeto Ultra Low CO2 Steelmaking, que visa diminuir as emissões de dióxido de carbono de 1,9 toneladas para cada tonelada de ferro gusa para 0,1 toneladas para cada tonelada de ferro gusa até 2020. Já os projetos que mantém o carbono como redutor levam em consideração a possível utilização da biomassa nas suas estratégias. Enquanto que no Japão, para diminuir as emissões, privilegia-se a captura e o sequestro de carbono. O sequestro de carbono é feito através da descarbonização dos gases de alto-forno antes de utiliza-los como combustível. A absorção é a mais adequada para fazer o sequestro de carbono graças às baixas pressões de dióxido de carbono nos gases de alto-forno. Ressalta-se que o dióxido de carbono sequestrado não poderá ser utilizado no processo siderúrgico e deverá ser utilizado em outra aplicação ou estocado. De forma geral, nas usinas integradas, 70% das emissões de dióxido de carbono é proveniente da produção de ferro-gusa no alto-forno, 12% na laminação e acabamento de produtos, 12% na preparação do minério e 7% na produção de energia elétrica e oxigênio. Enquanto, que nas usinas semi-integradas baseadas em sucata a distribuição de emissões é a seguinte: 45% proveniente do forno elétrico a arco, 36% da laminação e acabamento e 16% da produção de oxigênio e energia elétrica. Observa-se na Figura 8, de forma resumida, as etapas da produção siderúrgica, facilitando a compreensão das porcentagens de emissões de dióxido de carbono.
  • 25. Figura 8 – Fluxo Simplificado da produção em aço. Fonte: Instituto Aço Brasil. 6. Estudos de Caso. 6.1 Cubatão. Cubatão é uma cidade estrategicamente localizada entre as cidades de São Paulo, maior berço econômico do país, e Santos, que possui o maior porto da américa latina. Devido a isso, que no período de industrialização do Brasil, Cubatão teve sua indústria bastante desenvolvida, porém sem nenhuma preocupação com os recursos naturais e a sua poluição. O município representava 2% das exportações do país, contudo, no início dos anos 80, possuía ar denso com cheiro e cor. Entre outubro de 1981 e abril de 1982, cerca 1.800 crianças nasceram na cidade, destas, 37 já nasceram mortas, outras apresentavam graves problemas neurológicos e anencefalia. Cubatão era líder em casos de problemas respiratórios no país e era apontado pela ONU como exemplo a não ser seguido. Com tantos problemas de saúde na sua população, o governo iniciou medidas de intervencionistas. A partir de 1983 foi implantado um plano de recuperação ambiental e em 1989 as 320 fontes poluentes que existiam na época já estavam controladas. O plano de controle ambiental foi feito com medições constantes das emissões de poluentes no ar e do controle da despoluição dos rios, com gerenciamento por conta do estado e com investimento em maquinário moderno por conta das indústrias. Além do controle das emissões de poluentes, também foram feitos planos de recuperação da Mata Atlântica com o replantio da vegetação nativa.
  • 26. Conceitualmente, Cubatão utilizou a Agenda 21, que consiste em um método de planejamento que visa construir sociedades sustentáveis, mesclando a proteção ambiental, a justiça social e eficiência econômica, para recuperar a qualidade de vida socioambiental perdida com a poluição causada pelo polo industrial. Já em 1992, durante a Eco 92, Cubatão foi apontada pela ONU como Símbolo de Recuperação Ambiental, tendo 98% do nível de poluentes controlados, e passou a ser exemplo em todo o mundo como a cidade que renasceu das sombras da poluição. Dessa forma, atualmente, livre da poluição, Cubatão consegue manter uma linha de produção acentuada e que gera milhões de reais todos os anos, apresentando 100% de controle de poluentes em 2011. 6.2 Cidade do México. Capital de um país em desenvolvimento, A Cidade do México apresenta problemas de poluição do ar graças a sua grande frota de automóveis, que em 2010 era de 10 milhões. A capital do México possui ainda como agravante da sua poluição a sua posição geográfica. Localizada em uma planície a mais de 2000 metros de altitude na cratera de um antigo vulcão e cercada por montanhas que retém as emissões, a cidade do México apresenta ar rarefeito, o que diminui a eficiência dos motores dos carros aumentando, assim, as emissões de gazes efeito estufa. Além disso, o ar quente acima do vale, chamada de camada de inversão, ajuda a reter a poluição. Em 1992, o governo do México adotou uma abordagem abrangente chamada ProAire, compreendendo programas sucessivos que reduziram o dióxido de carbono e outros poluentes de maneira significativa. Durante o ProAire já foi feita a ampliação do transporte público, a introdução de conversores catalíticos e gasolina sem chumbo para reduzir as emissões. Além disso, o controle bianual das emissões veiculares se tornou obrigatório, uma refinaria da Pemex foi fechada. Outro Programa que tem funcionado, pelo menos até o aumento da frota de veículos é o “Hoy no circula”, que limita as viagens de carro um dia por semana. No que diz respeito à engenharia civil e a arquitetura, a construção de um hospital na Cidade do México cuja fachada revestida de dióxido de titânio que cria uma reação química
  • 27. quando exposta à luz do sol, tornando os poluentes menos malignos, é um símbolo da intenção de crescimento sustentável que a cidade aspira. Figura 9 – Fachada sustentável de hospital na cidade do México. O resultado dos programas implantados é positivo e já pode ser percebido na cidade. Segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Nacional Autônoma do México, durante os anos de 2006 e 2008, as emissões de ozônio diminuíram em 24%, mesmo com o aumento em 35% da frota de veículos. Além disso, a quantidade de ozônio, que era de 404 partes por bilhão (ppb) em 1991, chegou a 282 em 2000. Os esforços da Cidade do México lhe renderam o prêmio de qualidade do ar 2013 do Grupo C40 de Liderança Climática das Cidades. O grupo é uma rede internacional de 75 megacidades que enfrentam problemas ambientais semelhantes e colaboram em soluções. Ainda assim, o estudo demonstra que, mesmo com a diminuição nas emissões de ozônio, entre os anos de 2006 e 2008, a qualidade do ar não chegou ao nível ideal de 110 ppb em 42% dos dias. Em 2009, a cidade teve 185 dias com qualidade do ar aceitável e, no início de 2010, o número chegou a 50 dos primeiros 60 dias do ano. A meta estabelecida pela cidade é de apenas um dia por ano sem qualidade do ar aceitável. Para atingir a meta, as novas estratégias do ProAire vão até 2020 e incluem o aumento das frotas verdes do transporte municipal, com um novo Metrobús e o programa “Ecobici” de bicicletas compartilhadas, que juntos ao reflorestamento, à criação de áreas verdes e ao uso de energia renovável, ajudarão a limpar o ar da Cidade do México. Além disso, no âmbito da construção civil e do urbanismo, também é importante que a cidade tente uma reestruturação para que as pessoas morem mais perto de onde trabalham.
  • 28. 6.3 Pequim. No último século, a China é o país que mais cresce economicamente no mundo, e tal crescimento não é acompanhado de uma preocupação ambiental no que diz respeito as emissões atmosféricas. É nesse cenário que, em 2006, a China ultrapassou os Estados Unidos, como o país que mais emiti dióxido de carbono no mundo. Contudo, cabe ressaltar que em termos de emissão/per capta, os Estados Unidos apresenta números mais preocupantes do que a china que possui a maior população do mundo. A poluição do ar é tanta na cidade de Pequim, que para as Olimpíadas de 2008 houve uma preocupação geral dos atletas quanto ao desempenho e do Comitê Olímpico Internacional quanto à saúde dos atletas. Tais preocupações fizeram com que medidas emergenciais, como a redução das emissões industriais naquele período, fossem tomadas, contudo, passado o evento, a cidade retornou ao seu ritmo normal. O ano de 2015 começou com níveis inéditos de poluição, Culminando na emissão do alerta vermelho em dezembro, que significa que a concentração de pelo menos 200 microgramas de por metro cúbico das chamadas partículas PM 2,5 - as mais prejudiciais à saúde, por pelo menos três dias. Devido ao alerta vermelho, o governo tomou algumas medidas como: suspender as obras ao ar livre e a atividade das indústrias mais poluentes, além de proibir a circulação de veículos pesados, de reduzir em 30% o uso de carros oficiais e de iniciar uma espécie de rodízio para os automóveis particulares. O governo também recomendou que escolas e outros institutos de ensino permanecessem fechados durante os dias de alerta, esperando que as chuvas ajudassem a dissipar a poluição. A emissão do primeiro alerta vermelho mostra que novo programa para reduzir os níveis de poluição no final de maio de 2015, substituindo outro lançado em 2013, não vem apresentando êxito. 6.4 Stuttgart. Stuttgart é conhecida como a cidade do carro alemã, mas ultimamente ele ganhou outro título, o de “Capital alemã da poluição atmosférica”. Tal título faz alusão ao fato de ser a cidade alemã onde a concentração de partículas finas no ar excede o limite legal durante mais dias por ano, em 2014, foram 64 dias. E de acordo com a legislação da União Europeia, as
  • 29. cidades não podem exceder o limite de 40 microgramas por metro cúbico mais de 35 vezes ao ano. A qualidade do ar se tornou tão perigosa para a população que em janeiro de 2016 as autoridades locais lançaram o primeiro alerta de poluição já emitido no país, com a orientação de deixar o carro em casa e usar caronas ou transporte público. Porém vários críticos ambientalistas, como Jürgen Resch não concordam com medidas tão brandas, e acreditam que veículos a diesel deveriam ser banidos da cidade – com apenas algumas exceções, como os ônibus que cumprem rigorosamente os limites de emissão chamados de "Euro 6" – que são obrigatórios em alguns países, mas não na Alemanha. E de fato a medida tomada pelo governo ainda não mostrou resultado, e se permanecer assim, em 2018, poderá ser introduzida restrições de circulações para os automóveis. Como Stuttgart é uma cidade com muitos trabalhadores que vivem em cidades vizinhas e fazendo o percurso diário para o trabalho de carro, e visando diminuir as emissões de poluentes pelos automóveis, foi instalado um enorme estacionamento nos arredores de Stuttgart, com ônibus que seguem em direção ao centro da cidade. Porém tal medida aparenta ter piorado a situação, pois os estacionamentos ficam vazios e a emissão de poluição dos ônibus da linha estacionamento-centro tem se somado as emissões dos demais veículos que circulam pela cidade. 6.5 Emissões Globais. Como já dito anteriormente, a china é o maior emissor de dióxido de carbono, seguida pelos Estados Unidos, União Europeia, Rússia, Índia e Japão. Portanto a China e outros países em desenvolvimento prometem colaborar nos esforços globais contra o aquecimento, mas tem dificuldades em relação a limites à emissão de CO2, já que o uso intensivo da energia é essencial para ajudar a tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza. É nesse contexto que os países em desenvolvimento defendem que a iniciativa parta das nações que têm as maiores emissões per capita, enquanto que os Estados Unidos afirma que a China e outros grandes países em desenvolvimento precisam se empenhar mais. O fato é que em 2014 as emissões de dióxido de carbono pararam de subir em 2015 pela primeira vez em 40 anos, mantendo o crescimento da economia global e que a China ter tido uma maior geração de eletricidade a partir de fontes renováveis, como energia hidráulica,
  • 30. solar e eólica, e menos queima de carvão em 2014 contribuiu que as emissões não apresentassem crescimento. Em 1992 e 2009 as emissões não apresentaram crescimento, porém nesses anos ocorreram crises econômicas. De forma geral, tal acontecimento, tem valor simbólico, por mostrar que a economia global pode crescer de forma sustentável. Porém não se deve contentar com o não aumento das emissões e sim cada país manter os esforços para a diminuição dessa taxa. 7. Danos à Saúde. Nos subcampos da saúde ambiental e mais especificamente da toxicologia, estudos apontam que os efeitos da poluição do ar manifestam-se geralmente sob forma de doenças crônicas, prejudicando a qualidade de vida das populações afetadas, ou podem, em situações extremas, levar ao aumento da mortalidade nas regiões de maior concentração de poluentes. O principal poluente do ar que levam as vias respiratórias à lesão, nas sociedades urbanas contemporâneas, é o fumo. Os trabalhos de Doll & Hill (1954) comprovam a importância do cigarro no aumento dos casos de câncer de pulmão. Mais tardiamente, percebeu-se que o fumo, além de prejudicar o próprio fumante, também afeta os não fumantes, através do que se convencionou chamar "fumo passivo". Além do cigarro, outros agentes podem poluir o ar que se respira em casa. São eles a fumaça produzida pela combustão de biomassa, os produtos gerados pela combustão do gás de cozinha, pesticidas e solventes empregados para limpeza, etc. Estes poluentes tornam-se tão mais importantes quanto mais diferentes é o ambiente doméstico com relação ao ar externo. Em 1977, especialistas de todo o mundo, num simpósio em Porto Rico, sistematizaram conhecimentos disponíveis até a data para discutir os efeitos das partículas em suspensão na saúde humana. Define-se como "partículas em suspensão" todas as partículas sólidas ou líquidas contidas no ar, de dimensão suficientemente reduzida para não se depositar rapidamente por gravidade na superfície terrestre. As partículas maiores são conhecidas como "poeiras ou grãos sedimentáveis", enquanto que as menores, também denominadas "fumo" ou "fumaça", possuem velocidade desprezível e podem ser inaladas com facilidade, sendo esta mais relevante na etiologia de problemas respiratórios.
  • 31. Alguns fatores básicos afetam a concentração destas partículas no ar: a taxa de emissão do poluente, as condições meteorológicas e a topografia local. As condições meteorológicas são particularmente importantes, na medida em que os ventos turbulentos ajudam a dispersar os poluentes. Estes também são depositados pelas chuvas, que "lavam" o ar. A combinação da estabilidade atmosférica com ausência de chuvas torna-se, assim, profundamente desfavorável à dispersão dos poluentes. 7.1 Ação dos poluentes no sistema respiratório. Diversos mecanismos têm sido sugeridos para explicar os efeitos adversos dos poluentes aéreos. A explicação mais consistente e mais aceita é a de que altas concentrações de oxidantes e pró-oxidantes contidos nos poluentes ambientais, como material particulado (MP) de diversos tamanhos e composição, e nos gases, como O3 e óxidos de nitrogênio, em contato com o epitélio respiratório, provocam a formação de radicais livres de oxigênio e de nitrogênio que, por sua vez, induzem o estresse oxidativo nas vias aéreas. Isto é, um aumento da presença de radicais livres que não foram neutralizados pelas defesas antioxidantes inicia uma resposta inflamatória com a liberação de células e mediadores inflamatórios que atingem a circulação sistêmica, levando a uma inflamação subclínica com repercussão não somente no sistema respiratório, mas também causando efeitos sistêmicos. 7.2 Efeitos da Poluição do ar na gravidez. A exposição a poluentes do ar durante a gestação pode comprometer o desenvolvimento fetal e ser causa de retardo de crescimento intrauterino, prematuridade, baixo peso ao nascerem, anomalias congênitas e, nos casos mais extremos, óbito intrauterino ou perinatal. Os mecanismos biológicos dos efeitos dos poluentes aéreos durante a gestação não estão bem esclarecidos. A intensão proliferação celular, a imaturidade fisiológica, o acelerado desenvolvimento dos órgãos e as mudanças no metabolismo aumentam a suscetibilidade do feto à inalação dos poluentes aéreos pela mãe, e essa, por sua vez, pode ter seu sistema respiratório comprometido pela ação dos poluentes e, com isso, afetar o transporte de oxigênio e glicose através da placenta.
  • 32. 7.3 Efeitos sobre o Sistema Respiratório. 7.3.1 Doenças: Há várias doenças que podem ser relacionadas à poluição do ar. De acordo com o National Institute of Environmental Health Sciences, uma divisão do National Institutes of Health, longa exposição aos poluentes do ar aumentam os riscos de enfermidades. O instituto notou que crianças e idosos são especialmente vulneráveis aos efeitos prejudiciais do ozono, partículas finas e outros tóxicos carregados pelo ar. Estudos epidemiológicos mostram que a exposição a poluentes gasosos e materiais particulados está associada a maior incidência de sintomas das vias aéreas superiores, como rinorreia, obstrução nasal, tosse, laringoespasmo e disfunção de cordas vocais, e das vias aéreas inferiores, como tosse, dispneia e sibilância, especialmente em crianças. 7.3.1.1 Asma Brônquica De acordo com o Natural Resources Defense Council (NRDC), um grupo de defesa ambiental sem fins lucrativo com base em Nova York, a asma é uma doença crônica inflamatória, debilitante das vias aéreas que podem ser causados pela poluição atmosférica provocada por automóveis, fábricas ou usinas de energia. O NRDC afirma que os seguintes poluentes atmosféricos são gatilhos comuns da asma: o ozono troposférico, dióxido de enxofre, material particulado fino e óxido de nitrogênio. Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças ou CDC afirmam que outro gatilho importante para ataques de asma é o fumo do tabaco. O CDC sugere que os pais, amigos e parentes de crianças com asma devem tentar parar de fumar e nunca deve fumar na proximidade de uma criança ou uma pessoa com asma, pois isso pode causar um ataque asmático. A prevalência da asma tem aumentado em todo o planeta, particularmente em regiões urbanas densamente industrializadas. Estudos sugerem que a exposição aos poluentes aéreos leve ao desenvolvimento de novos casos de asma. Pode-se exemplificar com o grande aumento da incidência de asma na China após o desenvolvimento industrial e, em consequência, o grande aumento da concentração dos poluentes.  Efeitos associados à exposição aguda Uma associação entre o aumento do nível de poluentes e internações por asma foi observada em Araraquara, Brasil, cidade localizada no centro da região canavieira do estado de São Paulo. Durante o período de colheita da safra, quando a maior fonte de emissão de
  • 33. poluentes é a queima da palha da cana-de-açúcar, as admissões hospitalares por asma foram 50% maiores do que aquelas no período sem queima. O aumento de 10 µg/m³ de material particulado com até 30 µm de diâmetro foi associado a um aumento de 11,6% nas internações hospitalares com defasagem de 1 dia em relação à exposição.  Efeitos associados à exposição crônica Em um estudo feito em 12 comunidades da Califórnia, EUA, com diferentes níveis de concentração de ozônio, foram acompanhados 3545 escolares, sem histórico de asma, por 5 anos. Durante o estudo, 265 crianças desenvolveram asma. Nas comunidades que apresentavam altas concentrações de ozônio, o risco das crianças que praticavam três ou mais esportes em desenvolver asma era 3,3 vezes maior em comparação com o risco daquelas que não praticavam esportes. Nas áreas com baixas concentrações de ozônio, a quantidade de esportes praticados não se mostrou um fator de risco para o desenvolvimento de asma. O mesmo comportamento foi observado para o tempo de permanência em ambientes externos, que, apenas nas áreas de maior concentração de ozônio, se mostrou como fator de risco diretamente associado ao desenvolvimento da asma. 7.3.1.2 Doença Pulmonar Obstrutiva (DPOC). O U.S. National Library of Medicine e o National Institutes of Health dizem que, com a DPOC, as vias aéreas da pessoa e os alvéolos perdem sua forma e tornam-se distendidos e frouxos, e a bronquite crônica e a enfisema são comuns em pacientes com esta doença. De acordo com a American Lung Association (ALA), exposição a longo prazo a poluição do ar, especialmente exaustores dos automóveis, aumentam os riscos das mulheres de disfunção pulmonar, DPOC e morte prematura. Caminhoneiros, ferroviários, entre outros, podem ser mais suscetíveis a câncer de pulmão ou outras doenças pulmonares, devido à exposição crônica a emissões de diesel, enquanto no trabalho. O ALA observa também que, mesmo níveis baixos de ozônio e partículas finas, aumentam o risco de uma pessoa ser hospitalizada por pneumonia e DPOC. Os pacientes portadores de DPOC são particularmente vulneráveis ao estresse adicional em vias respiratórias causadas por diferentes agentes agressores. O tabagismo é reconhecido como o mais importante fator para o desenvolvimento da DPOC, principalmente nos países desenvolvidos.  Efeitos associados à exposição aguda
  • 34. Um estudo envolvendo 36 cidades americanas entre 1986 e 1999 mostrou que o aumento de 5 ppb (partes por bilhão) nos níveis de O3 e 10 µg/m³ nos de material particulado estava associado a um aumento de, respectivamente, 0,27% e de 1,5% no número de admissões hospitalares por DPOC. O uso de ar condicionado central reduzia os efeitos adversos da poluição do ar. Outro estudo realizado em São Paulo, Brasil, avaliando 1769 pacientes com idade acima de 40 anos entre 2001 e 2003 mostrou um aumento no número de atendimentos por DPOC em associação a aumento nas concentrações atmosféricas de MP e de SO2. Variações nas concentrações destes foram associadas a um aumento cumulativo em 6 dias de 19% e 16% de consultas por DPOC.  Efeitos associados à exposição crônica Na Dinamarca, um estudo acompanhou 57.053 indivíduos entre 1993 e 2004 e mostrou que 1786 pessoas (3,4%) desenvolveram DPOC. Houve uma associação positiva entre DPOC e exposição aos poluentes gerados pelo tráfego após o controle dos fatores de confusão, tabagismo inclusive. Schikowski et al. acompanharam 4.757 mulheres entre 54 e 55 anos na Alemanha, utilizando critérios diagnósticos do Global Initiative for Chronic Obstrutive Lung Disease. Houve uma prevalência de 4,5% de DPOC. O aumento de 7 µg/m³ na concentração média de material particulado durante 5 anos estava associado a OR ("odds ratios", ou "razão de possibilidades" em português) de 1,33 no desenvolvimento de DPOC e a um declínio de VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) em 5,1%. Mulheres que moravam a menos de 100 m de vias com grande tráfego apresentavam maior risco de desenvolver a doença em relação àquelas que moravam a uma distância maior. Os autores sugerem que a exposição crônica ao MP proveniente do tráfego aumenta o risco de desenvolver DPOC e acelera a perda de função pulmonar. 7.3.1.3 Infecção Respiratória Aguda. A infecção aguda do trato respiratório inferior é a mais importante causa de morte em crianças até 5 anos. Nessa faixa etária, esse tipo de infecção causa 2 milhões de mortes anuais. Metade dessas mortes é atribuída à exposição a poluentes em ambientes internos provenientes da queima de combustíveis sólidos. Uma meta-análise avaliando 24 estudos mostrou que a exposição à queima de biomassa em ambientes internos aumenta o risco de pneumonia em
  • 35. crianças. Em concordância, em uma outra meta-análise avaliando 25 estudos, encontrou-se uma significante e robusta associação entre queima de biomassa em ambientes internos e infecção respiratória aguda em crianças  Efeitos associados à exposição aguda Belleudi et al. avaliaram os efeitos do MP sobre as internações por pneumonia de indivíduos com mais de 35 anos em cinco hospitais romanos entre 2001 e 2005. Um aumento de 10 µg/m³ na concentração de MP2,5 (MP originado da queima de combustíveis fósseis e de biomassa, termelétricas, etc.) foi associado a um aumento de 2,8% do número de internações hospitalares por pneumonia, com defasagem de 2 dias.  Efeitos associados à exposição crônica Neupane et al. conduziram um estudo caso controle no Canadá, entre 2003 e 2005, avaliando a exposição em longo prazo a NO2, MP2,5 e SO2 e o risco de hospitalização por pneumonia em indivíduos maiores de 65 anos de idade. Foram avaliados 365 idosos com pneumonia adquirida na comunidade, confirmada radiologicamente, e 494 indivíduos controles. Os grupos foram comparados tomando como base a exposição individual a NO2, MP e SO2 no ano prévio. A exposição de longo prazo a altos níveis de concentração de NO2 e MP, por ao menos 1 ano, foi significativamente associada à hospitalização por pneumonia adquirida na comunidade. Um estudo de corte conduzido nos EUA mostrou um aumento no risco de óbitos por pneumonia e influenza em não fumantes da ordem de 20% em associação ao aumento de 10 µg/m³ na concentração de MP2,5. 7.3.1.4 Câncer de Pulmão. O câncer do pulmão é uma doença que pode ser causada pela poluição do ar. De acordo com LungCancer.org, o câncer do pulmão é caracterizada pelo crescimento descontrolado de células anormais em um ou ambos os pulmões. Ao longo do tempo, as células anormais podem desenvolver-se em tumores e prejudicar a função primária do pulmão: fornecer ao sangue, e, por conseguinte ao corpo, o oxigênio. LungCancer.org afirma que existem dois tipos principais de câncer de pulmão: câncer do pulmão de células não pequenas (NSCLC, sigla em inglês) e câncer do pulmão de células pequenas (SCLC, sigla em
  • 36. inglês). De acordo com um estudo de 2002 por C. Arden Pope III, Ph.D. e seus colegas publicaram no "The Journal of the American Medical Association" que a exposição a longo prazo a material particulado fino gerado por combustão representa um risco significativo para a mortalidade por câncer de pulmão. Um estudo de 2000 por Fredrik Nyberg e colegas publicado na revista "Epidemiology" conclui que a poluição do ar urbano aumenta o risco de câncer de pulmão, e que as emissões de veículos a motor podem ser particularmente problemáticas. A organização Mundial da Saúde estima que no ano de 2008 houve 12,7 milhões novos casos de câncer em todo o planeta que ocasionaram 7,6 milhões de óbitos, sendo 1,61 milhões e 1,18 milhões os casos novos e número de óbitos por câncer de pulmão. Estudos têm evidenciado os efeitos da exposição a poluentes e o desenvolvimento de câncer de pulmão, atribuídos tanto à ação direta dos cancerígenos presentes na poluição, como à inflamação crônica induzida pelos mesmos. Um estudo prospectivo envolvendo 500.00 adultos de 50 estados dos EUA mostrou um aumento de 14% na incidência de câncer de pulmão, associado à elevação em 10 µg/m³ na concentração do MP2,5. Em estudo realizado em países europeus, atribuiu-se que 5% e 7% dos diversos tipos de câncer de pulmão, respectivamente, em não fumantes e ex-fumantes são causados pelos efeitos da poluição. 7.4 Poluição do ar e mortalidade. Os principais estudos sobre os efeitos crônicos na mortalidade realizados nos EUA estimam um aumento entre 6% e 17% na mortalidade cardiopulmonar associado à elevação de 10 µg/m³ de MP2,5. O maior impacto na mortalidade é em crianças abaixo de 5 anos e em idosos para cada elevação de 10 µg/m³ na concentração de MP10 (MP originado de fontes antropogênicas: poeira da rua e de estradas, atividades agrícolas e de construções; e fontes naturais: sal marinho, pólen, esporos, etc.). 7.5 Poluição do ar e exercícios Físicos. Durante a realização de exercícios aeróbicos, o ar inspirado penetra nas vias aéreas, preferencialmente pela boca, sendo maiores o volume minuto e capacidade de difusão, facilitando a penetração dos poluentes.
  • 37. A quantidade de partículas ultrafinas que se deposita no trato respiratório enquanto se realiza exercícios moderados é maior quanto menor for o tamanho das partículas e é cerca de cinco vezes superior quando comparado se está em repouso. A realização de exercícios próximos a vias de tráfego intenso aumenta os níveis de carboxihemoglobina e reduz o desempenho aeróbio de atletas. As principais recomendações das sociedades de medicina esportiva não incluem a precaução da realização de exercícios em ambientes poluídos, mas a recende declaração da American Heart Association sobre efeitos da poluição recomenda que se evitem exercícios intensos na presença de ar com qualidade insatisfatória. 8. Conclusão. Já se tem base científica para afirmar que a poluição do ar tem efeitos negativos para a saúde humana. Os impactos decorrentes dos gases emitidos pela combustão de biomassa ainda não foram bem avaliados, mas afetam um número significativo de pessoas, sobretudo nos países em desenvolvimento, onde a queimada constitui uma prática agrícola bastante difundida. Além disso, incêndios em florestas ou em cerrado são constantes durante os meses de inverno, quando a reduzida precipitação leva à perda de umidade da massa vegetal, propiciando a ocorrência de queimadas involuntárias que fogem ao controle. Esse conhecimento é importante para a definição de políticas de controle e de estabelecimento de padrões de qualidade do ar específicos para o caso das queimadas. O monitoramento e o estabelecimento de padrões de qualidade do ar, muito usados para avaliar e controlar a qualidade do ar urbano mostra-se inadequado para avaliar a poluição causada por queimadas e não levam em consideração a exposição a concentrações extremamente elevadas em curto prazo. Inúmeras questões permanecem, enquanto expressivos contingentes populacionais continuam expostos a níveis de poluição que apresentam riscos adversos à sua saúde. Além disso, há dúvidas quanto aos padrões de qualidade do ar estabelecidos nos diferentes países para poluentes urbanos serem realmente eficazes na proteção da saúde de suas populações como um todo, ou se eles foram estabelecidos considerando-se apenas as pessoas saudáveis.
  • 38. Quais os impactos da poluição do ar à saúde daqueles já prejudicados por alguma doença, pela idade ou por condições socioeconômicas? Esta parece ser uma questão a ser respondida pelas pesquisas, para que seja garantido o direito universal ao ar limpo. Como as situações são muito dinâmicas, os estudos precisam avaliar os riscos de novos agentes e de novas situações. A avaliação das rápidas e constantes mudanças na atmosfera constitui um desafio para futuras pesquisas. Outro aspecto importante é a maior inclusão do mundo não desenvolvido e em desenvolvimento nesses estudos. Finalmente, estudos sobre outros efeitos da poluição do ar para a saúde, não só a saúde respiratória, são raros e preliminares. Muitos de seus resultados são evidências não conclusivas. No futuro, há urgência na realização de estudos mais amplos, envolvendo ainda mais profissionais, de diferentes áreas.
  • 39. 9. Referências.  BESEN, G. R. Coleta seletiva com inclusão de catadores: construção participativa de indicadores e índices de sustentabilidade. São Paulo, 2011. Tese (Doutorado) - Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo.  BERVIQUE, J. M. Estudo dos Impactos Ambientais causados pelo Antigo Lixão, no Jardim Juliana A e Jardim das Palmeiras II. Universidade de Ribeirão Preto, 2008. (Dissertação de Mestrado).  Lixão X Aterro. Disponível em: http://www.lixo.com.br/content/view/144/251/  Análise socioambiental dos lixões: problemas e propostas. Disponível em: http://www.senado.leg.br/comissoes/cma/ap/AP_20070627_ABES_Analise_S ocio_Ambiental_Lixoes.pdf  DUCHIADE, M. P. Air Pollution and Respiratory Diseases: A Review. Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 8 (3): 311-330, jul/set, 1992.  ARBEX, Marcos Abdo; SANTOS, Ubiratan de Paula; MARTINS, Lourdes Conceição; SALDIVA, Paulo Hilário; PEREIRA, Luiz Alberto; BRAGA, Alfésio Luis. Air pollution and the respiratory system, São Paulo, 22 de agosto de 2012.  CANÇADO, José Eduardo; BRAGA, Alfesio; PEREIRA, Luiz Alberto; ARBEX, Marcos Abdo; SALDIVA, Paulo Hilário; SANTOS, Ubiratan de Paula. Clinical repercussions of exposure to atmospheric pollution, São Paulo, 2006.  PAVÃO, H.G. O gás carbônico atmosférico: variações e influência das queimadas em várias regiões do Brasil. São José dos Campos: INPE, 1994. 111p.  RIBEIRO, Helena and ASSUNCAO, João Vicente de. Efeitos das queimadas na saúde humana. Estud. av. [online]. 2002, vol.16, n.44 [cited 2016-02-21], pp. 125-148  ANDRE, Paulo Afonso de et al. Environmental epidemiology applied to urban atmospheric pollution: a contribution from the Experimental Air Pollution Laboratory (LPAE). Cad. Saúde Pública [online]. 2000, vol.16, n.3 [cited 2016-02-21], pp. 619-628  PEITER, Paulo and TOBAR, Carlos. Poluição do ar e condições de vida: uma análise geográfica de riscos à saúde em Volta Redonda, Rio de Janeiro, Brasil. Cad. Saúde Pública [online]. 1998, vol.14, n.3 [cited 2016- 02-21], pp. 473-485  ECYLE: NOx: o que são e quais os impactos dos óxidos de nitrogênio. Disponível em: < http://www.ecycle.com.br/component/content/article/63/3052-nox-os-oxidos-
  • 40. de-nitrogenio-tipos-o-que-sao-onde-estao-causas-consequencias-aquecimento- global-efeito-estuda-nitrico-nitroso-dioxido-de-nitrogenio-fontes-emissoras- compostos-impactos-como-evitar-acoes-dicas.html>. Acesso em: 18 de Fev. 2016.  ECYCLE: Dióxido de enxofre é um dos poluentes do ar mais perigosos. Disponível em: < http://www.ecycle.com.br/component/content/article/63/2409-dioxido-de- enxofre-e-um-dos-poluentes-do-ar-mais-perigosos.html>. Acesso em: 18 de Fev. 2016.  ECYCLE: Monóxido de carbono: conheça origem, usos, efeitos e como evitar intoxicação. Disponível em: < http://www.ecycle.com.br/component/content/article/63-meio-ambiente/2350- o-que-e-monoxido-de-carbono-co-origem-formacao-natureza-homem-vocs- micro-organismos-compostos-fonte-de-energia-utilizacao-acido-metanol- guerra-toxicidade-o2-hemoglobina-efeitos-exposicao-cronica-intoxicacao- desmaio-cefaleia-infarto-como-evitar.html>. Acesso em: 17 de Fev. 2016.  ECYCLE: Dióxido de carbono: Essencial por um lado, prejudicial por outro. Disponível em: < http://www.ecycle.com.br/component/content/article/63/2375-dioxido-de- carbono-co2-essencial-prejudicial-composto-gasoso-fotossintese-respiracao- noturno-fontes-usos-industria-decomposicao-erupcoes-atividade-humana- efeito-estufa-excesso-poluicao-sumidoros-sequestradores-doencas- aquecimento-global-alternativas.html>. Acesso em: 17 de Fev. 2016.  CIMENTO.ORG: Cimento no mundo. Disponível em: <http://cimento.org/cimento-no-mundo/>. Acesso em: 20 de Fev. 2016.  ABCP: A indústria de cimento e o desenvolvimento do brasil. Disponível em: <http://www.abcp.org.br/conteudo/imprensa/a-industria-do-cimento-e-o- desenvolvimento-do-brasil>. Acesso em: 20 de Fev. de 2016.  BELATO, M. N. Análise da geração de poluentes na produção de cimento Portland com o coprocessamento de resíduos industriais. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica, Universidade Federal do Itajubá – UNIFEI, Itajubá, 2013, 171 p.  <http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/qualidade-do-ar#>, acesso em Fevereiro de 2016;  <http://rede.novaescolaclube.org.br/planos-de-aula/os-desafios-para-diminuir- poluicao-e-conter-o-efeito-estufa>, acesso em Fevereiro de 2016;  <http://www.estudopratico.com.br/poluicao-do-ar-causas-consequencias-e-o- que-fazer/>, acesso em Fevereiro de 2016;  <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloI).pdf>, acesso em Fevereiro de 2016;  Introdução à engenharia ambiental – 2ª edição – vários autores, 2005.  CALVACANTI, P. P. S. Gestão Ambiental na indústria siderúrgica – aspectos relacionados às emissões atmosféricas. Projeto de Graduação.
  • 41. Curso de Engenharia metalúrgica, Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012, 54 p.  Emissões de CO2 param de subir no mundo pela primeira vez em 40 anos. Disponível em: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2015/03/emissoes-de-co2- param-de-subir-no-mundo-pela-primeira-vez-em-40-anos.html, acesso 12/02/2016.  Emissão global de CO2 parou de crescer, num bom sinal para o clima. Disponível em: http://www.ghgprotocolbrasil.com.br/emissao-global-de-co2- parou-de-crescer-num-bom-sinal-para-o-clima?locale=pt-br, acesso 12/02/2016.  Quais são os países que mais emitem gases do efeito estufa? Disponível em: http://www.aquecimento.cnpm.embrapa.br/conteudo/historico_aq_paises.htm, acesso 12/02/2016.  A história da poluição em Cubatão e como a cidade deixou de ser o "Vale da Morte". Disponível em: http://www.pensamentoverde.com.br/atitude/historia-poluicao-cubatao-cidade- deixou-vale-morte/, acesso 03/02/2016.  Com diversas medidas, Cidade do México conseguiu amenizar poluição do ar. Disponível em: http://www.ecycle.com.br/component/content/article/38/1309-cidade-do- mexico-conseguiu-se-livrar-da-poluicao-do-ar.html, acesso 16/02/2016.  Cidade do México enfrenta desafio da qualidade do ar. Disponível em: https://share.america.gov/pt-br/cidade-do-mexico-enfrenta-desafio-da- qualidade-do-ar/, acesso 10/02/2016.  Sustentabilidade: Mau exemplo: Alemanha tem grande poluição atmosférica: 57% das regiões analisadas apresentam excessivos níveis de dióxido de nitrogênio e em 42% foram registrados altos níveis de partículas poluentes. Disponível em: http://www.altosestudos.com.br/?p=49187, acesso 16/02/2016.  Stuttgart, a Pequim da Alemanha. Disponível em: http://noticias.terra.com.br/stuttgart-a-pequim-da- alemanha,faa3684f33cfe7597c7a7a0223af0c22e5o8zzir.html, acesso 16/02/2016.  Pequim emite primeiro alerta vermelho da história por poluição. Disponível em: http://noticias.terra.com.br/ciencia/sustentabilidade/pequim- emite-primeiro-alerta-vermelho-da-historia-por- poluicao,c9c6a01f5adc21eefb6eb3c7395057b4ltyl9swk.html, acesso 16/02/2016.