Oficina de Criação de HAI-KAIS Fórum Cultural Mundial – Mostra Artística SESC
cinco sílabas sete sílabas cinco sílabas ESTRUTURA DE UM HAICAI
imagem visual fuga do "eu" referência a natureza PRINCÍPIOS ORIENTADORES
no muro o caracol se derrete nos rabiscos da assinatura prateada Dalton Trevisan
na tarde chuvosa sozinho, despreocupado, um pardal molhado Edson Kenji Iura
todos aos abrigos: a avó de novo com o mata-moscas Elizabeth St. Jacques
neste bosque urbano árvore feita em concreto – meu corpo estremece Eolo Yberê Libera
na noite sem lua o mar todo negro se oferece em espuma Eugénia Tabosa
com cartas brancas,  senhor cônsul solta pombos de papel Érico Veríssimo
ai como grita ao pisar o gato a velha aflita Eugénia Tabosa
voar sempre, cansa – por isso ela corre em passo de dança Eugénia Tabosa
extático vôo borboletas de asas abertas alfinetes nas costas Eunice Arruda
a noite esporeia suas negras ancas cravando-se estrelas Federico Garcia Lorca
e um vaga-lume lanterneiro que riscou um psiu de luz Guimarães Rosa
o coqueiro coqueirando as manobras do vermelho no branqueado do azul Guimarães Rosa
em cima do túmulo, cai uma folha após outra. lágrimas também... Masuda Goda
tão longa a jornada! e a gente cai, de repente, no abismo do nada Helena Kolody
é quase noitinha o céu entorna no poente um copo de vinho Humberto del Maestro
a lua da montanha gentilmente ilumina o ladrão de flores Issa
inútil, inútil a forte chuva mergulha no mar Jack Kerouac
era uma vez... (nada consta) minha intimidez Jandira Mingarelli
a lua de lingerie ao longe ri de mim Joca Reiners Terron
longe um trinado o rouxinol não sabe que te consola Aníbal Beça
foi ao toalete e cortou os sonhos, a gilete Leila Míccolis
sem rodeios: nos chats, os fins justificam os mails... Leila Míccolis
na multidão bundobolinas trafegam na contramão Levi Bucalem Ferrari
minhas mãos te olham estranha fotografia onde meus olhos te tocam Lisa Carducci
toma nota, rapaz: haicai é a captura de um momento fugaz Lubell
que outra lua anda mais lua do que a nua lua de Luanda? Luciano Maia
ainda que morrendo o canto das cigarras nada revela! Matsuo Bashô
extingue-se o dia mas não o canto da cotovia Matsuo Bashô
silêncio: cigarras escutam o canto das rochas Matsuo Bashô
velha lagoa um sapo mergulha barulho d‘água Matsuo Bashô
é meu conforto: da vida só me tiram morto Millôr Fernandes
a girafa, calada, lá de cima vê tudo e não diz nada Millôr Fernandes
as nuvens, meu irmão, são leviandades da criação Millôr Fernandes
coisa rara: teu espelho tem minha cara Millôr Fernandes
com pó e mistério a mulher ao espelho retoca o adultério Millôr Fernandes
esnobar é exigir café fervendo e deixar esfriar Millôr Fernandes
goze quem sabe essa é a última dose? Millôr Fernandes
maravilha sem par a televisão só falta não falar Millôr Fernandes
o pato, menina, é um animal com buzina Millôr Fernandes
como fede no verão a bosta fresca pisada no chão Olívia d'Iceberg
lá fora o luar continua e o trem divide o Brasil como um meridiano Oswald de Andrade
manhã de frio se fosse menino escrevia meu nome no vidro Paulo Francchetti
acordei e me olhei no espelho ainda a tempo de ver meu sonho virar pesadelo Paulo Leminski
o mar o azul o sábado liguei pro céu mas dava sempre ocupado Paulo Leminski
nuvens brancas passam em brancas nuvens Paulo Leminski
vazio agudo ando meio cheio de tudo Paulo Leminski
a aranha prepara a sua casa – mosca vem para o jantar Rosa Clement
vida repensada noite de insônia – manhã cansada Zezé Pina
no despenhadeiro a sombra da pedra cai primeiro Carlos Seabra
o vento afaga o cabelo das velas que apaga Carlos Seabra
folhas no quintal dançam ao vento com as roupas do varal Carlos Seabra
velho jornal levado pelo vento prevê temporal Carlos Seabra
patins no gelo – riscos que se cruzam como novelo Carlos Seabra
casa quieta – cochila o avô e dorme a neta Carlos Seabra
cuco dá horas mas não conta por que demoras Carlos Seabra
pardal no fio ouve o telefone mas não dá um pio Carlos Seabra
chora poeta – musa obesa pensa só em dieta Carlos Seabra
louco desafio: comer fubá e cantar o sole mio! Carlos Seabra
sossego acaba – chegou a pamonha de Piracicaba Carlos Seabra
travou meu micro todo dia Bill Gates fica mais rico Carlos Seabra
dia de eleição primeiro o seu voto depois a traição Carlos Seabra
deu no jornal: economia vai bem o povo vai mal Carlos Seabra
crianças mortas – mundo que escreve mal por linhas tortas Carlos Seabra
ágil pivete brinca como se fosse zero zero sete Carlos Seabra
ao te adorar não sei mais se tens corpo ou altar... Carlos Seabra
sonho colorido o sol dança com a lua você comigo Carlos Seabra
nuvem parada beijada pela brisa fica molhada Carlos Seabra
Agora vamos todos compor de um a três haicais cada um! E depois eles serão discutidos e publicados na Internet

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