O Perfil Conceitual e a
Compreensão de Conceitos
Físicos


   Renato P. dos Santos
Conceitos Físicos
massa, força, luz, eletricidade, etc.
apesar de quotidianos, não são simples
têm longa evolução histórica,
ontológica e epistemológica
identificadas muitas concepções
alternativas associadas a cada um
deles
Mudança conceitual?
concepções espontâneas não
‘evoluem’ para o conhecimento
científico através da ‘mudança
conceitual’ de Posner et al. (1982)
são estáveis, resistem à mudança e
coexistem com outras representações,
inclusive com as do mundo científico
O Perfil Conceitual
Mortimer (1995): a partir do Perfil
Epistemológico de Bachelard (1940)
útil para compreender a coexistência
simultânea dessas diferentes visões da
realidade num mesmo indivíduo
instrumento para acompanhar a evolução
conceitual dos alunos em sala de aula
a consciência por parte do estudante do seu
próprio perfil conceitual é relevante para que
possa utilizar as suas diferentes visões de
realidade nos contextos adequados
O Perfil Epistemológico
      (Bachelard)
   uma única doutrina filosófica não é suficiente
   conceito é sujeito a processo de evolução
    filosófica
   abcissas: as diversas filosofias:
        realismo ingênuo
        empirismo claro e positivista
        racionalismo newtoniano ou kantiano
        racionalismo completo
        racionalismo dialético)
   ordenadas (alturas das zonas do perfil):
    importância relativa ou freqüência de utilização
    efetiva da noção
O Perfil Epistemológico
de Massa de Bachelard
Comparação
Semelhanças:
   as pessoas têm formas diferentes de ver e
    representar a realidade à sua volta
   as zonas contém categorias de análise com
    poder explanatório crescente


Diferença fundamental:
   para além das características epistemológicas, as
    zonas do perfil conceitual distinguem-se também
    por características ontológicas,
Perfis já construídos
Química: reações químicas, átomo,
estados físicos dos materiais, calor,
espontaneidade, transformação e
energia
Bioquímica: energia
Matemática: função
Física: periodicidade, radiação, massa
e força
Metodologia
estudo da evolução histórica e
epistemológica do conceito
levantamento bibliográfico das
concepções alternativas
reinterpretação à luz da noção de perfil
identificação das categorias do perfil
pesquisa prática: validação do perfil
Formação histórica dos
   conceitos físicos
 Os conceitos do pensamento pré-científico
 comum são, eles mesmos, o resultado do
 desmembramento arbitrário do coerente e
 contínuo substrato da experiência sensória. A
 Ciência como uma atividade técnica nunca tenta,
 propositadamente, separar-se a si própria das
 concepções formadas pela experiência cotidiana.
 Ao contrário, concepções cientificas, embora
 freqüentemente resultado da intuição espontânea,
 tendem a ser moldadas, tanto quanto possível,
 em analogia com as concepções da experiência
 diária. (JAMMER, 1957)
Matriz Epistemológica
   Bachelard         Jammer          Piaget & Garcia Doménech et al.


realismo        Antiguidade:         I: massa           ontológica:
ingênuo: massa massa é               indistinta de      materiae,
como quantidade conceito             peso; uso da       propriedade
                inexistente; peso    palavra ‘peso’     geral da matéria,
                como                 em referência à    centrada na
                propriedade dos      quantidade de      definição de
                corpos               matéria; peso      quantidade de
                Neoplatonistas:      como qualidade     matéria, pré-
                matéria possui       dos corpos, não    teórica, sem
                inércia, por razão   se conservando     relação com
                da sua extensão      por alteração na   referencial
                                     forma ou na        teórico
                                     velocidade
Perfil conceitual de
            massa
I: noção vaga, sensorial, indiferenciada de volume, pré-teórica,
sem relação com referencial teórico, indistinta de peso; peso
como propriedade geral da matéria, usado também como
medida grosseira de quantidade de matéria, embora como
quantidade não conservada;
II: início da distinção entre peso e massa; massa como
conceito realista, mais empírico que lógico, medida pela
balança, medida da quantidade de matéria; identificação de
massa com outras quantidades; inércia, impetus, calor, frio e
secura proporcionais ao peso ou à quantidade de matéria;
falsas relações entre o peso do corpo e seu tempo de queda;
Perfil conceitual de
            massa
III: massa distinta de peso mas proporcional a este e fonte do
fluxo de força gravitacional; massa definida em termos da
densidade e correlacionada à força e à aceleração; definições
relacionais entre grandezas massa, peso, força e aceleração,
estruturadas num “sistema nocional”;
IV: : massa relativística, não mais absoluta mas dependente da
velocidade, congênere a energia;
V: massa dualista na Mecânica Quântica Relativística, com a
antimatéria;
VI: massa como singularidade na métrica do espaço-tempo,
relacionada à curvatura do espaço e definida a partir dos
tensores momento-energia e de curvatura; massa inercial igual
à massa gravitacional.
Pesquisa Prática
Aplicação de instrumento de teste: questões abertas
– validação das categorias da proposta de perfil
conceitual – público alvo: alunos de Física I, da
Ulbra, Canoas.
Objetivo: visão das representações dos estudantes
sobre o conceito físico, relacionadas ao seu
cotidiano.
Análise dos dados: participação de ontologias dos
alunos, sobre o conceito, comparadas às zonas
(categorias) do perfil do conceito da Matriz
Epistemológica, identificadas pela pesquisa
bibliográfica.
Exemplos de perfis
      individuais
alunos da cadeira
de Física I
(engenharias e
licenciaturas) da
ULBRA/Canoas
Construção do Perfil
    Conceitual de força
Identificação de zonas representativas do conceito
de força nas seguintes fontes:
   Jammer (1957): histórico-epistemológica;
   Piaget (1973): psicogenético-epistemológica;
   Bachelard (1940): filosófico-epistemológica;
   Literatura sobre concepções alternativas do conceito de
    força.
Matriz Epistemológica:
   correlação das visões epistemológicas identificadas nessas
    fontes
   montagem da Matriz Epistemológica –
   construção do ‘perfil conceitual’ do conceito de força
Formação histórica do
  conceito de força
Tomado originalmente em analogia com o poder
humano de vontade, influência espiritual ou esforço
muscular, o conceito de força foi projetado nos
objetos inanimados como um poder residindo em
coisas físicas. [...] O conceito de força tornou-se
instrumental para a definição de ‘massa’, que por sua
vez deu origem à definição de ‘momento’.
Subseqüentemente, a Mecânica Clássica redefiniu o
conceito de força como a taxa de variação temporal
da mudança do momento, excluindo portanto todos
os vestígios animísticos das definições anteriores.
Finalmente, ‘força’ tornou-se uma noção puramente
relacional, quase pronta para ser eliminada de toda a
construção conceitual. (JAMMER, 1957)
Perfil conceitual de
          força
I: noção de força originada da
percepção de nosso esforço físico,
muscular; indistinta de energia, esforço,
trabalho, potência, poder e movimento;
antropomórfica, animista.
II: força dual (opostos em conflito),
reguladora, de origem divina, inerente à
matéria, atuando por contato;
Perfil conceitual de
          força
III: força como ‘simpatia’ (atração dos
semelhantes), corpórea, inerente ao objeto,
de natureza ou origem divina, agindo à
distância. Resistência ao movimento do
objeto como força (vis resistiva).
IV: força de ordem imaterial, passível de
formalização matemática. Força como
seqüência de impulsos instantâneos,
externos, que se somam. Força centrífuga,
real, como reguladora do movimento circular
dos corpos.
Perfil conceitual de
           força
V: força como conceito apriorístico na Mecânica
Clássica. Força como propriedade de resistência
inerente à matéria (inércia) ou como força impressa
por ação externa, esta vetorial, componível segundo
a regra do paralelogramo, agente causal da
aceleração, agindo em pares ação e reação,
possivelmente à distância mas através de espíritos
etéreos, formando um ‘campo de forças’.
VI: forças como trocas de partículas virtuais (píon,
fóton, W/Z e gráviton), na Teoria Quântica de
Campos.
Perfil conceitual de
          força
VII: força na Relatividade Restrita análoga à
força newtoniana, relacionando-se, porém
com a massa relativística, dependente da
velocidade, e não a massa inercial, de
repouso. No entanto, a aceleração não é, em
geral, codirecional à força e a ação à
distância não é instantânea, mas propaga-se
limitada pela velocidade da luz.
VIII: Força associada ao desvio do corpo de
seu percurso natural (geodésica) no espaço-
tempo, na Relatividade Geral.
Conclusões
A noção de força e a evolução do
homem – Formas sinônimas (esforço,
trabalho, energia) – Fortalecimento das
idéias prévias dos estudantes.
Análise histórica: Identificação das
zonas representativas do perfil
conceitual de força (etapa prévia).
Conclusões
Perfil conceitual: instrumento para aceder
representações dos alunos sobre conceitos
em ciências – estratégias de ensino para
que os alunos evoluam para uma noção
conceitual científica.
Importância da tomada de consciência pelo
estudante de seu perfil conceitual e o
domínio do significado de conceitos em
ciências, por profissionais da área.
Tais aspectos fortalecem nossa visão quanto
à relevância deste trabalho.
Bibliografia
BACHELARD, Gaston. La Philosophie du
Non, PUF, Paris, 1940 (trad. Port.: A Filosofia
do Não: O Novo Espírito Científico, Lisboa:
Presença, 1991).
JAMMER, Max. Concepts of Force: A Study
in the Foundations of Dynamics. Mineola, NY:
Dover Publications Inc., 1999 (orig. ed. 1957).
PIAGET, JEAN et al.. La Formation de La
Notion de Force, Études d’Épistémologie
Génétique XXIX. Paris: PUF. 1973.
Bibliografia
MORTIMER, Eduardo Fleury. Conceptual
Change or Conceptual Profile Change?
Science & Education, vol. 4, n. 3,
pp. 265‑287, 1995.
PIAGET, Jean; GARCIA, Rolando.
Psychogenèse et Histoire des Sciences,
Paris: Flammarion, 1983 (ed. portug.
Psicogénese e História das Ciências,
Lisboa:Dom Quixote, 1987).
Bibliografia
MORTIMER, Eduardo Fleury &
AMARAL, Edenia Maria Ribeiro. Uma
Proposta de Perfil Conceitual para o
Conceito de Calor. Revista Brasileira de
Pesquisa em Educação em Ciências, v.
1, n. 3, pp. 5-18, 2001.
Bibliografia
AMARAL, Edenia Maria Ribeiro &
MORTIMER, Eduardo Fleury,
Conceptual profile of spontaneinity and
the teaching of Thermochemistry. in 6th
European Conference on Research in
Chemical Education e 2nd European
Conference on Chemical Education,
Aveiro, 2001.
Bibliografia
SCHNETZLER, Roseli Pacheco;
ROSA, M. I. P. S., Perfil epistemológico
de Bachelard e a noção de perfil
conceitual para transformação química,
in 20ª Reunião Anual da SBQ, 1997,
Poços de Caldas. v.3. p.3, 1997
Bibliografia
MICHINEL, José Luís, ALMEIDA, Maria
José Pereira Monteiro, O
Funcionamento da Leitura de Textos
Divergentes Referentes a Energia:
Perfil conceitual de Estudantes de
Física. in VII Encontro de Pesquisa em
Ensino de Física, 2000, Florianópolis -
SC. São Paulo:SBF, 2000.
Biliografia
OLIVEIRA, Gabriel Aguiar; SOUSA,
Cristiane R.; DA POIAN, Andrea T. &
LUZ, Mauricio Roberto Motta Pinto,
Students' misconceptions on Energy
Yielding Metabolism: Glucose as the
sole metabolic fuel. Advances in
Physiology Education. v. 1, 2003.
Bibliografia
CARRIÃO, A., A aquisição do conceito
de função: perfil das imagens
produzidas pelos alunos. in: II Encontro
Brasileiro de Estudantes de Pós-
Graduação em Educação Matemática,
1998, Rio Claro, 1998, p. 99-103
Bibliografia
COUTINHO, Francisco Ângelo. O Perfil
Conceitual do Conceito de Vida. Tese de
Doutorado (Educação) - Universidade
Federal de Minas Gerais, 2002.
GOBARA, Shirley Takeco, Profil conceptuel
et Situation-problème. Une contribuition à
l'analyse de l'apprentissage de la périodicité
en Physique, Tese de Doutorado, Université
Claude Bernarde Lyon I, LYON I, Lyon,
França, 1999.
Bibliografia
ZAÏANE, Najoua, Conceptual profile of
pupils and students of the radiation,
Proceedings of the 4th ESERA
Conference, Noordwijkerhout, Holanda,
2003.
Bibliografia
SANTOS, Renato P. dos. Uma Proposta para
o Perfil Conceitual do Conceito de Massa na
Física. Atas do IX EPEF – Encontro de
Pesquisa em Ensino de Ciências,
Jaboticatubas, MG, SBF, 26 a 29 de outubro
de 2004.
RADÉ, Tane & SANTOS, Renato P. dos.
Uma Proposta de Perfil Conceitual para o
Conceito de Força. Atas do Simpósio Sul-
Brasileiro de Ensino de Ciências, Canoas,
RS, 8 a 10 de novembro de 2004.

O perfil conceitual e a compreensão de conceitos físicos

  • 1.
    O Perfil Conceituale a Compreensão de Conceitos Físicos Renato P. dos Santos
  • 2.
    Conceitos Físicos massa, força,luz, eletricidade, etc. apesar de quotidianos, não são simples têm longa evolução histórica, ontológica e epistemológica identificadas muitas concepções alternativas associadas a cada um deles
  • 3.
    Mudança conceitual? concepções espontâneasnão ‘evoluem’ para o conhecimento científico através da ‘mudança conceitual’ de Posner et al. (1982) são estáveis, resistem à mudança e coexistem com outras representações, inclusive com as do mundo científico
  • 4.
    O Perfil Conceitual Mortimer(1995): a partir do Perfil Epistemológico de Bachelard (1940) útil para compreender a coexistência simultânea dessas diferentes visões da realidade num mesmo indivíduo instrumento para acompanhar a evolução conceitual dos alunos em sala de aula a consciência por parte do estudante do seu próprio perfil conceitual é relevante para que possa utilizar as suas diferentes visões de realidade nos contextos adequados
  • 5.
    O Perfil Epistemológico (Bachelard)  uma única doutrina filosófica não é suficiente  conceito é sujeito a processo de evolução filosófica  abcissas: as diversas filosofias:  realismo ingênuo  empirismo claro e positivista  racionalismo newtoniano ou kantiano  racionalismo completo  racionalismo dialético)  ordenadas (alturas das zonas do perfil): importância relativa ou freqüência de utilização efetiva da noção
  • 6.
    O Perfil Epistemológico deMassa de Bachelard
  • 7.
    Comparação Semelhanças:  as pessoas têm formas diferentes de ver e representar a realidade à sua volta  as zonas contém categorias de análise com poder explanatório crescente Diferença fundamental:  para além das características epistemológicas, as zonas do perfil conceitual distinguem-se também por características ontológicas,
  • 8.
    Perfis já construídos Química:reações químicas, átomo, estados físicos dos materiais, calor, espontaneidade, transformação e energia Bioquímica: energia Matemática: função Física: periodicidade, radiação, massa e força
  • 9.
    Metodologia estudo da evoluçãohistórica e epistemológica do conceito levantamento bibliográfico das concepções alternativas reinterpretação à luz da noção de perfil identificação das categorias do perfil pesquisa prática: validação do perfil
  • 10.
    Formação histórica dos conceitos físicos Os conceitos do pensamento pré-científico comum são, eles mesmos, o resultado do desmembramento arbitrário do coerente e contínuo substrato da experiência sensória. A Ciência como uma atividade técnica nunca tenta, propositadamente, separar-se a si própria das concepções formadas pela experiência cotidiana. Ao contrário, concepções cientificas, embora freqüentemente resultado da intuição espontânea, tendem a ser moldadas, tanto quanto possível, em analogia com as concepções da experiência diária. (JAMMER, 1957)
  • 11.
    Matriz Epistemológica Bachelard Jammer Piaget & Garcia Doménech et al. realismo Antiguidade: I: massa ontológica: ingênuo: massa massa é indistinta de materiae, como quantidade conceito peso; uso da propriedade inexistente; peso palavra ‘peso’ geral da matéria, como em referência à centrada na propriedade dos quantidade de definição de corpos matéria; peso quantidade de Neoplatonistas: como qualidade matéria, pré- matéria possui dos corpos, não teórica, sem inércia, por razão se conservando relação com da sua extensão por alteração na referencial forma ou na teórico velocidade
  • 12.
    Perfil conceitual de massa I: noção vaga, sensorial, indiferenciada de volume, pré-teórica, sem relação com referencial teórico, indistinta de peso; peso como propriedade geral da matéria, usado também como medida grosseira de quantidade de matéria, embora como quantidade não conservada; II: início da distinção entre peso e massa; massa como conceito realista, mais empírico que lógico, medida pela balança, medida da quantidade de matéria; identificação de massa com outras quantidades; inércia, impetus, calor, frio e secura proporcionais ao peso ou à quantidade de matéria; falsas relações entre o peso do corpo e seu tempo de queda;
  • 13.
    Perfil conceitual de massa III: massa distinta de peso mas proporcional a este e fonte do fluxo de força gravitacional; massa definida em termos da densidade e correlacionada à força e à aceleração; definições relacionais entre grandezas massa, peso, força e aceleração, estruturadas num “sistema nocional”; IV: : massa relativística, não mais absoluta mas dependente da velocidade, congênere a energia; V: massa dualista na Mecânica Quântica Relativística, com a antimatéria; VI: massa como singularidade na métrica do espaço-tempo, relacionada à curvatura do espaço e definida a partir dos tensores momento-energia e de curvatura; massa inercial igual à massa gravitacional.
  • 14.
    Pesquisa Prática Aplicação deinstrumento de teste: questões abertas – validação das categorias da proposta de perfil conceitual – público alvo: alunos de Física I, da Ulbra, Canoas. Objetivo: visão das representações dos estudantes sobre o conceito físico, relacionadas ao seu cotidiano. Análise dos dados: participação de ontologias dos alunos, sobre o conceito, comparadas às zonas (categorias) do perfil do conceito da Matriz Epistemológica, identificadas pela pesquisa bibliográfica.
  • 15.
    Exemplos de perfis individuais alunos da cadeira de Física I (engenharias e licenciaturas) da ULBRA/Canoas
  • 16.
    Construção do Perfil Conceitual de força Identificação de zonas representativas do conceito de força nas seguintes fontes:  Jammer (1957): histórico-epistemológica;  Piaget (1973): psicogenético-epistemológica;  Bachelard (1940): filosófico-epistemológica;  Literatura sobre concepções alternativas do conceito de força. Matriz Epistemológica:  correlação das visões epistemológicas identificadas nessas fontes  montagem da Matriz Epistemológica –  construção do ‘perfil conceitual’ do conceito de força
  • 17.
    Formação histórica do conceito de força Tomado originalmente em analogia com o poder humano de vontade, influência espiritual ou esforço muscular, o conceito de força foi projetado nos objetos inanimados como um poder residindo em coisas físicas. [...] O conceito de força tornou-se instrumental para a definição de ‘massa’, que por sua vez deu origem à definição de ‘momento’. Subseqüentemente, a Mecânica Clássica redefiniu o conceito de força como a taxa de variação temporal da mudança do momento, excluindo portanto todos os vestígios animísticos das definições anteriores. Finalmente, ‘força’ tornou-se uma noção puramente relacional, quase pronta para ser eliminada de toda a construção conceitual. (JAMMER, 1957)
  • 18.
    Perfil conceitual de força I: noção de força originada da percepção de nosso esforço físico, muscular; indistinta de energia, esforço, trabalho, potência, poder e movimento; antropomórfica, animista. II: força dual (opostos em conflito), reguladora, de origem divina, inerente à matéria, atuando por contato;
  • 19.
    Perfil conceitual de força III: força como ‘simpatia’ (atração dos semelhantes), corpórea, inerente ao objeto, de natureza ou origem divina, agindo à distância. Resistência ao movimento do objeto como força (vis resistiva). IV: força de ordem imaterial, passível de formalização matemática. Força como seqüência de impulsos instantâneos, externos, que se somam. Força centrífuga, real, como reguladora do movimento circular dos corpos.
  • 20.
    Perfil conceitual de força V: força como conceito apriorístico na Mecânica Clássica. Força como propriedade de resistência inerente à matéria (inércia) ou como força impressa por ação externa, esta vetorial, componível segundo a regra do paralelogramo, agente causal da aceleração, agindo em pares ação e reação, possivelmente à distância mas através de espíritos etéreos, formando um ‘campo de forças’. VI: forças como trocas de partículas virtuais (píon, fóton, W/Z e gráviton), na Teoria Quântica de Campos.
  • 21.
    Perfil conceitual de força VII: força na Relatividade Restrita análoga à força newtoniana, relacionando-se, porém com a massa relativística, dependente da velocidade, e não a massa inercial, de repouso. No entanto, a aceleração não é, em geral, codirecional à força e a ação à distância não é instantânea, mas propaga-se limitada pela velocidade da luz. VIII: Força associada ao desvio do corpo de seu percurso natural (geodésica) no espaço- tempo, na Relatividade Geral.
  • 22.
    Conclusões A noção deforça e a evolução do homem – Formas sinônimas (esforço, trabalho, energia) – Fortalecimento das idéias prévias dos estudantes. Análise histórica: Identificação das zonas representativas do perfil conceitual de força (etapa prévia).
  • 23.
    Conclusões Perfil conceitual: instrumentopara aceder representações dos alunos sobre conceitos em ciências – estratégias de ensino para que os alunos evoluam para uma noção conceitual científica. Importância da tomada de consciência pelo estudante de seu perfil conceitual e o domínio do significado de conceitos em ciências, por profissionais da área. Tais aspectos fortalecem nossa visão quanto à relevância deste trabalho.
  • 24.
    Bibliografia BACHELARD, Gaston. LaPhilosophie du Non, PUF, Paris, 1940 (trad. Port.: A Filosofia do Não: O Novo Espírito Científico, Lisboa: Presença, 1991). JAMMER, Max. Concepts of Force: A Study in the Foundations of Dynamics. Mineola, NY: Dover Publications Inc., 1999 (orig. ed. 1957). PIAGET, JEAN et al.. La Formation de La Notion de Force, Études d’Épistémologie Génétique XXIX. Paris: PUF. 1973.
  • 25.
    Bibliografia MORTIMER, Eduardo Fleury.Conceptual Change or Conceptual Profile Change? Science & Education, vol. 4, n. 3, pp. 265‑287, 1995. PIAGET, Jean; GARCIA, Rolando. Psychogenèse et Histoire des Sciences, Paris: Flammarion, 1983 (ed. portug. Psicogénese e História das Ciências, Lisboa:Dom Quixote, 1987).
  • 26.
    Bibliografia MORTIMER, Eduardo Fleury& AMARAL, Edenia Maria Ribeiro. Uma Proposta de Perfil Conceitual para o Conceito de Calor. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, v. 1, n. 3, pp. 5-18, 2001.
  • 27.
    Bibliografia AMARAL, Edenia MariaRibeiro & MORTIMER, Eduardo Fleury, Conceptual profile of spontaneinity and the teaching of Thermochemistry. in 6th European Conference on Research in Chemical Education e 2nd European Conference on Chemical Education, Aveiro, 2001.
  • 28.
    Bibliografia SCHNETZLER, Roseli Pacheco; ROSA,M. I. P. S., Perfil epistemológico de Bachelard e a noção de perfil conceitual para transformação química, in 20ª Reunião Anual da SBQ, 1997, Poços de Caldas. v.3. p.3, 1997
  • 29.
    Bibliografia MICHINEL, José Luís,ALMEIDA, Maria José Pereira Monteiro, O Funcionamento da Leitura de Textos Divergentes Referentes a Energia: Perfil conceitual de Estudantes de Física. in VII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2000, Florianópolis - SC. São Paulo:SBF, 2000.
  • 30.
    Biliografia OLIVEIRA, Gabriel Aguiar;SOUSA, Cristiane R.; DA POIAN, Andrea T. & LUZ, Mauricio Roberto Motta Pinto, Students' misconceptions on Energy Yielding Metabolism: Glucose as the sole metabolic fuel. Advances in Physiology Education. v. 1, 2003.
  • 31.
    Bibliografia CARRIÃO, A., Aaquisição do conceito de função: perfil das imagens produzidas pelos alunos. in: II Encontro Brasileiro de Estudantes de Pós- Graduação em Educação Matemática, 1998, Rio Claro, 1998, p. 99-103
  • 32.
    Bibliografia COUTINHO, Francisco Ângelo.O Perfil Conceitual do Conceito de Vida. Tese de Doutorado (Educação) - Universidade Federal de Minas Gerais, 2002. GOBARA, Shirley Takeco, Profil conceptuel et Situation-problème. Une contribuition à l'analyse de l'apprentissage de la périodicité en Physique, Tese de Doutorado, Université Claude Bernarde Lyon I, LYON I, Lyon, França, 1999.
  • 33.
    Bibliografia ZAÏANE, Najoua, Conceptualprofile of pupils and students of the radiation, Proceedings of the 4th ESERA Conference, Noordwijkerhout, Holanda, 2003.
  • 34.
    Bibliografia SANTOS, Renato P.dos. Uma Proposta para o Perfil Conceitual do Conceito de Massa na Física. Atas do IX EPEF – Encontro de Pesquisa em Ensino de Ciências, Jaboticatubas, MG, SBF, 26 a 29 de outubro de 2004. RADÉ, Tane & SANTOS, Renato P. dos. Uma Proposta de Perfil Conceitual para o Conceito de Força. Atas do Simpósio Sul- Brasileiro de Ensino de Ciências, Canoas, RS, 8 a 10 de novembro de 2004.