LIXO URBANO DOMÉSTICO – DOS PROBLEMAS À SOLUÇÃO
Por Paulo & Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE
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MAR DE LIXO - Foto Fernando Zornitta
Um humano consome cerca de 200 a 300 toneladas de alimento
durante a sua vida e um brasileiro gera mais de 17 toneladas
só de lixo sólido em média. Numa população mundial que se
aproxima de 7,5 bilhões de almas, é possível quantificar o
problema, sendo que em países como os EUA e o Japão com seus
hábitos de produção e consumo, produzem muito mais dejetos e a
quantidade de lixo é quase o dobro.
Mas não é só o individuo que, além de gerar lixo, polui de
diversas formas pelo estilo de vida que desenvolve. O planeta
suporta o lixo industrial, o “lixo tecnológico”, o lixo
hospitalar e muitos outros difíceis de controlar, como o
nuclear - lembrando de Iroshima e Nagazaki; de Chernobil, de
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Fukoshima e de outros. Geramos esgotos domésticos, urbanos,
dos empreendimentos industriais os quais não são tratados e
condenamos a vida aquática, a saúde humana e todos os
mananciais de água das urbes e do entorno delas, enquanto
aquíferos subterrâneos já estão sendo contaminados por
agrotóxicos e os oceanos recebem cada vez mais lixo e esgotos;
transformamos os mares, rios e lagos em latrinas.
Pg. 158 do Livro multisensorial GRANDE É A ARTE, GRANDE PODE SER A VIDA - Paulo &
Fernando Zornitta, GREEN WAVE Ed. Porto Alegre, 2000.
Temos processos produtivos e estilos de vida incongruentes com
um planeta que tem recursos e estrutura limitada para atender
a demanda cada vez mais crescente e as agressões que sofre.
Hoje, precisaríamos de 1,6 planetas para equilibrar
ecologicamente e deixa-lo regenerar-se, mas continuamos
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fazendo de conta que temos recursos inesgotáveis e
transformando a Terra num grande depositório de lixo.
Pg. 92 do Livro multisensorial GRANDE É A ARTE, GRANDE PODE SER A VIDA - Paulo &
Fernando Zornitta, GREEN WAVE Ed. Porto Alegre, 2000.
O Lixo Urbano Doméstico
Neste texto o que nos importa é a abordagem do tema do “lixo
doméstico” e a forma inconsequente com que ele aparece e é
destinado no meio ambiente e urbano. Dependendo da região e do
país, de 40 a 65% do lixo urbano vai parar nos lixões a céu
aberto e temos no Brasil Estados que só destinam corretamente
10% do seu lixo e cidades que não coletam e nem tratam seus
esgotos.
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Raríssimas cidades têm políticas corretas de coleta, manuseio
e destinação do lixo, principalmente do lixo doméstico, que
seria de fácil solução se as administrações municipais
desenvolvessem estratégias para fazer com que a população
colaborasse no acondicionamento, no armazenamento e na
colocando o seu lixo à disposição para a coleta e, se depois
fosse também feita a correta coleta e destinação pelos
serviços das prefeituras em aterros sanitários.
Prefeitos assumem as gestões e prometem acabar com o lixo sem
darem-se conta que os sistemas vigentes estão errados e que o
lixo exposto nas ruas é o efeito e não a causa; que a causa
está na falta de políticas corretas e de educação da população
para contribuírem quando lhes é oferecida uma dinâmica
adequada – coisa que efetivamente não é.
Pg. 184 do Livro multisensorial GRANDE É A ARTE, GRANDE PODE SER A VIDA - Paulo &
Fernando Zornitta, GREEN WAVE Ed. Porto Alegre, 2000.
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Alguns gestores nos seus discursos de campanha e no início das
suas gestões se comprometem a faxinas nas cidades e procedem a
limpeza e coleta do lixo que é depositado de forma errada pela
população e fica exposto a céu aberto e sem mudarem as
políticas públicas para um sistema mais adequado de coleta, de
campanhas educativas e de conscientização e, depois de
tentarem resolver sozinhos, cansam-se, pois o poder público
com essa política e sem mudar as posturas arraigadas e
descompromissadas com a cidade, nada muda mesmo se dando um
bom exemplo, tentando limpar o que todo mundo deposita de
forma irregular pelas ruas e, como sempre, tudo volta a ser
como dantes; continuamos a ver montes de lixo nas calçadas e
nas vias públicas em sacos ou fora deles – abertos por animais
ou catadores; repletos de moscas, baratas, ratos e outros
insetos; favorecendo a transmissão de doenças (lembrando que
saneamento ambiental representa saúde e economia para o
atendimento de saúde).
Esse tipo de prática remete à idade média, ao atraso – além de
ser insano e inadmissível em uma cidade que se proponha a ter
urbanidade, entendendo-se urbanidade como “o senso de
corresponsabilidade, o cuidado e o carinho que devemos ter
para com o ambiente que vivemos e que nos envolve; é o esforço
que empreendemos para fazer dele um ambiente saudável para
todos; é o respeito ao direito do outro e de todos – o direito
universal – é um principio de bem viver coletivamente nas
cidades” (definição nossa do que entendemos por “urbanidade” –
que remete à “civilidade”).
A incapacidade do atendimento de um serviço básico à população
urbana, como a da coleta e destinação correta do lixo ou do
esgotos, condena o presente e o futuro das atuais e das
próximas gerações.
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Pg. 47 do Livro multisensorial GRANDE É A ARTE, GRANDE PODE SER A VIDA - Paulo &
Fernando Zornitta, com ilustração de Rubens Ygua.
A Caminho da Solução
Vemos no Brasil campanhas para tudo – contra o álcool e
direção, contra as drogas; para o uso de camisinha e prevenção
da AIDS; para o uso de capacete e evitar mortes aos condutores
e passageiros nas motocicletas; campanha contra a Dengue e
Chikungunia e outras, mas não vemos programas, campanhas e nem
projetos adequados para a coleta, armazenamento e destino
correto do lixo urbano, especialmente do doméstico. Isso é uma
clara omissão e atestado de incompetência que se espalha pelo
país.
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Situação que é incompreensível e paradoxal para localidades
turísticas, pois o visitante esclarecido e que vem de
sociedades desenvolvidas, não aceita e rejeita estar em
lugares e ambientes sem higiene – com padrões e referências
nos seus países de origem (lembrando que a “qualidade” do
destino é fundamental para a eficiência do turismo).
A palavra chave para uma perspectiva de um bom sistema de
coleta, armazenamento e destinação do lixo doméstico urbano é
“solidariedade” para com o problema – o que significa integrar
esforços de todos – do poder público e a população solidária
para com os problemas, fazer a sua parte e ajudar as
instituições – no caso as prefeituras, encarregadas deste
serviço público básico.
A fórmula para tornar efetiva essa solidariedade, pode estar
em um programa público, que convide a todos a ajudarem a
resolver os problemas que dizem respeito a todos os cidadãos –
como um programa público que idealizamos e intitulamos de
“SOLIDARIZE-SE”, o qual se propõe a resolver não só o problema
do lixo urbano, mas diversos outros nas cidades, como o da
eliminação de barreiras arquitetônicas e urbanísticas e a
promoção da acessibilidade, o da habitação para populações
carentes; o problema das pessoas em situação de rua, dentre
inúmeros outros.
No caso específico do lixo urbano, as prefeituras devem
começar com a adequação das suas leis à legislação federal já
vigente, especialmente ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos,
Lei aprovada em 2010 e que entrou em vigor no final de 2014,
prazo que os municípios tinham para eliminarem os lixões e
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substituíssem por aterros sanitários - o que não está sendo
aplicado pela grande maioria das cidades brasileiras, tendo
sido prorrogadas pelo Senado Federal até 31 de julho de 2018
nas regiões metropolitanas e nas capitais. Esta Lei também
prevê a coleta seletiva nos municípios, a reciclagem, o
tratamento, o reuso, a compostagem do lixo – dentre outras
medidas.
Os municípios devem ter suas leis e código de posturas
vigentes na sintonia daquelas das esferas superiores e uma
fiscalização constante, aplicando quando cabível as sanções
pelo descumprimento. Mas devem ter também adequações tais como
a de um sistema que funcione e que tenha início nos lares,
onde a separação do lixo sólido e orgânico já chegue em sacos
ou recipientes apropriados aos containers, que poderiam ser
disponibilizados obrigatoriamente nos condomínios e
armazenados em locais próprios dentro dos mesmos e não só nas
vias públicas – como é hoje - e, onde as prefeituras através
dos seus prestadores de serviços ou empresas, fariam a coleta
e destinação para os aterros sanitários e não mais para os
lixões a céu aberto, como são na grande maioria das cidades
brasileiras - o que contraria todo o bom senso e inteligência
humana, gerando diversos outros problemas.
Com um sistema adequado armazenamento, coleta e destinação, a
reciclagem do lixo urbano pode ser viabilizada e ajudar no
processo de saneamento ambiental; além de gerar recursos aos
próprios geradores dos resíduos e aos recicladores.
Esse processo de adequação deve começar com um bom projeto,
como começa toda boa obra em arquitetura, engenharia ou
urbanismo; deve ter amparo legal e ter um amplo trabalho de
conscientização e educação da população para a mudança de
postura; tal que culmine num trabalho conjunto – poder público
e sociedade – para a solução e perfeito funcionamento deste
serviço público essencial.
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A solidariedade de todos é um princípio fundamental e em vista
disso é que idealizamos o projeto com esse título de
“SOLIDARIZE-SE”, que indicamos como um remédio adequado para
qualquer cidade atacar e resolver os seus problemas, inclusive
esse do lixo urbano. Ele é composto de uma série de ações que
tem como meta a perfeita sintonia do poder público com a
comunidade, a eficiência e funcionalidade da metodologia para
atender e resolver este e os demais problemas de uma cidade.
Paulo Zornitta / Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE
● Fica autorizada a publicação e divulgação do presente texto como foi
escrito e com a devida citação da autoria.
PAULO ZORNITTA, Ambientalista, Artista Plástico, Técnico Projetista e Designer
(Sistemas de Preservação Ambiental e Tecnologias Limpas; Sistemas Eletroeletrônicos;
Fontes Alternativas de Energia e de Segurança). Técnico em Transações Imobiliárias e
Produtor Cultural nas áreas de literatura fotografia, cinema e vídeo e atividade
literária – livro e textos publicados. Estudante da Metafísica e terapêutica com mais
de 30 cursos, alguns na UNIPAZ, FEU, PONTE PARA A LIBERDADE. É co-idealizador e sócio
fundador de ONGs atuantes nas áreas de meio-ambiente, da Associação dos Escritores
Independentes e da Associação dos Inventores do Estado do Rio Grande do Sul – dentre
outras. Foi membro do GTMA (Grupo de Trabalho de Meio Ambiente do CREA-CE) e membro do
GTPA (Grupo de Trabalho em Planejamento da Acessibilidade do CREA-CE) de 2007 a 2014 e
é membro do Fórum do Idoso e da Pessoa com Deficiência há mais de 5 anos. Tem produção
literária – livro e artigos publicados. Cidadania brasileira e italiana.
FERNANDO ZORNITTA, Ambientalista, Arquiteto e Urbanista; Especialista em Lazer e
Recreação (Escola Superior de Educação Física UFRGS / Porto Alegre / BR); Especialista
em Turismo (UNU-WTO / Governo Italiano-Ministero Degli Affari Esteri / SIST-Roma /IT).
Estágio de Aperfeiçoamento em Planejamento Turístico no Laboratório de Geografia
Econômica da Universidade de Messina / IT. Período presencial do Curso de Doutorado em
Planejamento Regional e Desenvolvimento junto à Universidade de Barcelona / ES (foco em
turismo e projeto de pesquisa na América Latina e no Caribe). Curso Técnico Audiovisual
do (Instituto Dragão do Mar / FAT-Ministério do Trabalho e Emprego). Desenvolve
atividades como artista plástico e designer; tem produção literária – livro e artigos
técnicos publicados. É co-criador e co-fundador de ONGs com atividades nas áreas de
meio ambiente, cinema e vídeo, esporte e lazer – dentre outras. Foi membro durante oito
anos do Grupo de Trabalho de Meio Ambiente do CREA-CE – Conselho Regional de
Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Ceará e do GTPA – Grupo de Trabalho em
Planejamento da Acessibilidade, também do CREA-CE. Membro do FID - Fórum do Idoso e da
Pessoa com Deficiência desde 2006. Nascido em Porto Alegre, residente no Ceará, Brasil.
Contato com os autores através dos e-mails: przornitta@gmail.com e
fzornitta@yahoo.com.br ou pelo fones/Wapp: 85 985333898 e 85 99480120

O lixo urbano 1.1

  • 1.
    LIXO URBANO DOMÉSTICO– DOS PROBLEMAS À SOLUÇÃO Por Paulo & Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE 1 MAR DE LIXO - Foto Fernando Zornitta Um humano consome cerca de 200 a 300 toneladas de alimento durante a sua vida e um brasileiro gera mais de 17 toneladas só de lixo sólido em média. Numa população mundial que se aproxima de 7,5 bilhões de almas, é possível quantificar o problema, sendo que em países como os EUA e o Japão com seus hábitos de produção e consumo, produzem muito mais dejetos e a quantidade de lixo é quase o dobro. Mas não é só o individuo que, além de gerar lixo, polui de diversas formas pelo estilo de vida que desenvolve. O planeta suporta o lixo industrial, o “lixo tecnológico”, o lixo hospitalar e muitos outros difíceis de controlar, como o nuclear - lembrando de Iroshima e Nagazaki; de Chernobil, de
  • 2.
    LIXO URBANO DOMÉSTICO– DOS PROBLEMAS À SOLUÇÃO Por Paulo & Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE 2 Fukoshima e de outros. Geramos esgotos domésticos, urbanos, dos empreendimentos industriais os quais não são tratados e condenamos a vida aquática, a saúde humana e todos os mananciais de água das urbes e do entorno delas, enquanto aquíferos subterrâneos já estão sendo contaminados por agrotóxicos e os oceanos recebem cada vez mais lixo e esgotos; transformamos os mares, rios e lagos em latrinas. Pg. 158 do Livro multisensorial GRANDE É A ARTE, GRANDE PODE SER A VIDA - Paulo & Fernando Zornitta, GREEN WAVE Ed. Porto Alegre, 2000. Temos processos produtivos e estilos de vida incongruentes com um planeta que tem recursos e estrutura limitada para atender a demanda cada vez mais crescente e as agressões que sofre. Hoje, precisaríamos de 1,6 planetas para equilibrar ecologicamente e deixa-lo regenerar-se, mas continuamos
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    LIXO URBANO DOMÉSTICO– DOS PROBLEMAS À SOLUÇÃO Por Paulo & Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE 3 fazendo de conta que temos recursos inesgotáveis e transformando a Terra num grande depositório de lixo. Pg. 92 do Livro multisensorial GRANDE É A ARTE, GRANDE PODE SER A VIDA - Paulo & Fernando Zornitta, GREEN WAVE Ed. Porto Alegre, 2000. O Lixo Urbano Doméstico Neste texto o que nos importa é a abordagem do tema do “lixo doméstico” e a forma inconsequente com que ele aparece e é destinado no meio ambiente e urbano. Dependendo da região e do país, de 40 a 65% do lixo urbano vai parar nos lixões a céu aberto e temos no Brasil Estados que só destinam corretamente 10% do seu lixo e cidades que não coletam e nem tratam seus esgotos.
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    LIXO URBANO DOMÉSTICO– DOS PROBLEMAS À SOLUÇÃO Por Paulo & Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE 4 Raríssimas cidades têm políticas corretas de coleta, manuseio e destinação do lixo, principalmente do lixo doméstico, que seria de fácil solução se as administrações municipais desenvolvessem estratégias para fazer com que a população colaborasse no acondicionamento, no armazenamento e na colocando o seu lixo à disposição para a coleta e, se depois fosse também feita a correta coleta e destinação pelos serviços das prefeituras em aterros sanitários. Prefeitos assumem as gestões e prometem acabar com o lixo sem darem-se conta que os sistemas vigentes estão errados e que o lixo exposto nas ruas é o efeito e não a causa; que a causa está na falta de políticas corretas e de educação da população para contribuírem quando lhes é oferecida uma dinâmica adequada – coisa que efetivamente não é. Pg. 184 do Livro multisensorial GRANDE É A ARTE, GRANDE PODE SER A VIDA - Paulo & Fernando Zornitta, GREEN WAVE Ed. Porto Alegre, 2000.
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    LIXO URBANO DOMÉSTICO– DOS PROBLEMAS À SOLUÇÃO Por Paulo & Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE 5 Alguns gestores nos seus discursos de campanha e no início das suas gestões se comprometem a faxinas nas cidades e procedem a limpeza e coleta do lixo que é depositado de forma errada pela população e fica exposto a céu aberto e sem mudarem as políticas públicas para um sistema mais adequado de coleta, de campanhas educativas e de conscientização e, depois de tentarem resolver sozinhos, cansam-se, pois o poder público com essa política e sem mudar as posturas arraigadas e descompromissadas com a cidade, nada muda mesmo se dando um bom exemplo, tentando limpar o que todo mundo deposita de forma irregular pelas ruas e, como sempre, tudo volta a ser como dantes; continuamos a ver montes de lixo nas calçadas e nas vias públicas em sacos ou fora deles – abertos por animais ou catadores; repletos de moscas, baratas, ratos e outros insetos; favorecendo a transmissão de doenças (lembrando que saneamento ambiental representa saúde e economia para o atendimento de saúde). Esse tipo de prática remete à idade média, ao atraso – além de ser insano e inadmissível em uma cidade que se proponha a ter urbanidade, entendendo-se urbanidade como “o senso de corresponsabilidade, o cuidado e o carinho que devemos ter para com o ambiente que vivemos e que nos envolve; é o esforço que empreendemos para fazer dele um ambiente saudável para todos; é o respeito ao direito do outro e de todos – o direito universal – é um principio de bem viver coletivamente nas cidades” (definição nossa do que entendemos por “urbanidade” – que remete à “civilidade”). A incapacidade do atendimento de um serviço básico à população urbana, como a da coleta e destinação correta do lixo ou do esgotos, condena o presente e o futuro das atuais e das próximas gerações.
  • 6.
    LIXO URBANO DOMÉSTICO– DOS PROBLEMAS À SOLUÇÃO Por Paulo & Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE 6 Pg. 47 do Livro multisensorial GRANDE É A ARTE, GRANDE PODE SER A VIDA - Paulo & Fernando Zornitta, com ilustração de Rubens Ygua. A Caminho da Solução Vemos no Brasil campanhas para tudo – contra o álcool e direção, contra as drogas; para o uso de camisinha e prevenção da AIDS; para o uso de capacete e evitar mortes aos condutores e passageiros nas motocicletas; campanha contra a Dengue e Chikungunia e outras, mas não vemos programas, campanhas e nem projetos adequados para a coleta, armazenamento e destino correto do lixo urbano, especialmente do doméstico. Isso é uma clara omissão e atestado de incompetência que se espalha pelo país.
  • 7.
    LIXO URBANO DOMÉSTICO– DOS PROBLEMAS À SOLUÇÃO Por Paulo & Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE 7 Situação que é incompreensível e paradoxal para localidades turísticas, pois o visitante esclarecido e que vem de sociedades desenvolvidas, não aceita e rejeita estar em lugares e ambientes sem higiene – com padrões e referências nos seus países de origem (lembrando que a “qualidade” do destino é fundamental para a eficiência do turismo). A palavra chave para uma perspectiva de um bom sistema de coleta, armazenamento e destinação do lixo doméstico urbano é “solidariedade” para com o problema – o que significa integrar esforços de todos – do poder público e a população solidária para com os problemas, fazer a sua parte e ajudar as instituições – no caso as prefeituras, encarregadas deste serviço público básico. A fórmula para tornar efetiva essa solidariedade, pode estar em um programa público, que convide a todos a ajudarem a resolver os problemas que dizem respeito a todos os cidadãos – como um programa público que idealizamos e intitulamos de “SOLIDARIZE-SE”, o qual se propõe a resolver não só o problema do lixo urbano, mas diversos outros nas cidades, como o da eliminação de barreiras arquitetônicas e urbanísticas e a promoção da acessibilidade, o da habitação para populações carentes; o problema das pessoas em situação de rua, dentre inúmeros outros. No caso específico do lixo urbano, as prefeituras devem começar com a adequação das suas leis à legislação federal já vigente, especialmente ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos, Lei aprovada em 2010 e que entrou em vigor no final de 2014, prazo que os municípios tinham para eliminarem os lixões e
  • 8.
    LIXO URBANO DOMÉSTICO– DOS PROBLEMAS À SOLUÇÃO Por Paulo & Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE 8 substituíssem por aterros sanitários - o que não está sendo aplicado pela grande maioria das cidades brasileiras, tendo sido prorrogadas pelo Senado Federal até 31 de julho de 2018 nas regiões metropolitanas e nas capitais. Esta Lei também prevê a coleta seletiva nos municípios, a reciclagem, o tratamento, o reuso, a compostagem do lixo – dentre outras medidas. Os municípios devem ter suas leis e código de posturas vigentes na sintonia daquelas das esferas superiores e uma fiscalização constante, aplicando quando cabível as sanções pelo descumprimento. Mas devem ter também adequações tais como a de um sistema que funcione e que tenha início nos lares, onde a separação do lixo sólido e orgânico já chegue em sacos ou recipientes apropriados aos containers, que poderiam ser disponibilizados obrigatoriamente nos condomínios e armazenados em locais próprios dentro dos mesmos e não só nas vias públicas – como é hoje - e, onde as prefeituras através dos seus prestadores de serviços ou empresas, fariam a coleta e destinação para os aterros sanitários e não mais para os lixões a céu aberto, como são na grande maioria das cidades brasileiras - o que contraria todo o bom senso e inteligência humana, gerando diversos outros problemas. Com um sistema adequado armazenamento, coleta e destinação, a reciclagem do lixo urbano pode ser viabilizada e ajudar no processo de saneamento ambiental; além de gerar recursos aos próprios geradores dos resíduos e aos recicladores. Esse processo de adequação deve começar com um bom projeto, como começa toda boa obra em arquitetura, engenharia ou urbanismo; deve ter amparo legal e ter um amplo trabalho de conscientização e educação da população para a mudança de postura; tal que culmine num trabalho conjunto – poder público e sociedade – para a solução e perfeito funcionamento deste serviço público essencial.
  • 9.
    LIXO URBANO DOMÉSTICO– DOS PROBLEMAS À SOLUÇÃO Por Paulo & Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE 9 A solidariedade de todos é um princípio fundamental e em vista disso é que idealizamos o projeto com esse título de “SOLIDARIZE-SE”, que indicamos como um remédio adequado para qualquer cidade atacar e resolver os seus problemas, inclusive esse do lixo urbano. Ele é composto de uma série de ações que tem como meta a perfeita sintonia do poder público com a comunidade, a eficiência e funcionalidade da metodologia para atender e resolver este e os demais problemas de uma cidade. Paulo Zornitta / Fernando Zornitta – Studio GREEN WAVE ● Fica autorizada a publicação e divulgação do presente texto como foi escrito e com a devida citação da autoria. PAULO ZORNITTA, Ambientalista, Artista Plástico, Técnico Projetista e Designer (Sistemas de Preservação Ambiental e Tecnologias Limpas; Sistemas Eletroeletrônicos; Fontes Alternativas de Energia e de Segurança). Técnico em Transações Imobiliárias e Produtor Cultural nas áreas de literatura fotografia, cinema e vídeo e atividade literária – livro e textos publicados. Estudante da Metafísica e terapêutica com mais de 30 cursos, alguns na UNIPAZ, FEU, PONTE PARA A LIBERDADE. É co-idealizador e sócio fundador de ONGs atuantes nas áreas de meio-ambiente, da Associação dos Escritores Independentes e da Associação dos Inventores do Estado do Rio Grande do Sul – dentre outras. Foi membro do GTMA (Grupo de Trabalho de Meio Ambiente do CREA-CE) e membro do GTPA (Grupo de Trabalho em Planejamento da Acessibilidade do CREA-CE) de 2007 a 2014 e é membro do Fórum do Idoso e da Pessoa com Deficiência há mais de 5 anos. Tem produção literária – livro e artigos publicados. Cidadania brasileira e italiana. FERNANDO ZORNITTA, Ambientalista, Arquiteto e Urbanista; Especialista em Lazer e Recreação (Escola Superior de Educação Física UFRGS / Porto Alegre / BR); Especialista em Turismo (UNU-WTO / Governo Italiano-Ministero Degli Affari Esteri / SIST-Roma /IT). Estágio de Aperfeiçoamento em Planejamento Turístico no Laboratório de Geografia Econômica da Universidade de Messina / IT. Período presencial do Curso de Doutorado em Planejamento Regional e Desenvolvimento junto à Universidade de Barcelona / ES (foco em turismo e projeto de pesquisa na América Latina e no Caribe). Curso Técnico Audiovisual do (Instituto Dragão do Mar / FAT-Ministério do Trabalho e Emprego). Desenvolve atividades como artista plástico e designer; tem produção literária – livro e artigos técnicos publicados. É co-criador e co-fundador de ONGs com atividades nas áreas de meio ambiente, cinema e vídeo, esporte e lazer – dentre outras. Foi membro durante oito anos do Grupo de Trabalho de Meio Ambiente do CREA-CE – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Ceará e do GTPA – Grupo de Trabalho em Planejamento da Acessibilidade, também do CREA-CE. Membro do FID - Fórum do Idoso e da Pessoa com Deficiência desde 2006. Nascido em Porto Alegre, residente no Ceará, Brasil. Contato com os autores através dos e-mails: przornitta@gmail.com e fzornitta@yahoo.com.br ou pelo fones/Wapp: 85 985333898 e 85 99480120