As classificações médias dos exames da
primeira chamada dos 6.º e 9.º anos, em
Português e Matemática, em alunos in-
ternos, desceram, entre “os cinco e 10
pontos percentuais”, em relação às mé-
dias do ano lectivo anterior.
Os dados divulgados pelo Ministério da
Educação referem que as “classificações
evidenciam uma descida, em compara-
ção com os resultados do ano anterior,
observando-se variações cuja amplitude
se situa entre cinco e 10 pontos percen-
tuais”.
Em Matemática do 9.º ano, a descida foi
de cinco pontos percentuais, “resultado
igual ao observado em 2011, havendo
uma descida de cinco pontos percentuais na classifica-
ção média da prova do 2.º ciclo (6.º ano)”. Em Portu-
guês, as descidas “foram de sete pontos percentuais”
no 6.º ano e “de seis”, no 9.º ano.
Na disciplina de Português, a média da classificação foi
de 52% (6.º ano) e de 48% (9.º ano). Em Matemática, as
classificações médias foram de 49% (6º ano) e de 44%
(9º ano). Os dados dizem respeito a alunos internos -
alunos da escola onde fizeram exame.
No 6.º ano, realizaram-se 224.368 exames, no total,
enquanto no 9.º o número se fixou em 196.841 exames.
Os exames dos 6.º ano realizaram-se em 1.126 escolas
de Portugal Continental, regiões autónomas dos Açores
e da Madeira, e em estabelecimentos de ensino no es-
trangeiro com a disciplina curricular de Português. No
9.º ano, as provas finais ocorreram em 1.284 escolas.
Pais questionam critérios
A Confederação Nacional da Associação de Pais (CON-
FAP) considera que os maus resultados dos exames de
Matemática e Português estão relacionados com a ela-
boração das provas.
“É necessário haver um trabalho de algum ajuste entre
o que é desenvolvido durante o ano e a forma como
as questões estão a ser elaboradas e os próprios crité-
rios de correcção. Jovens com excelentes novas, com
médias de 18 e 19, obtiveram negativa ou notas muito
baixas. Alguma coisa está mal”, afirma o presidente da
CONFAP, Jorge Ascensão, à Renascença.
“Custa a crer que seja o nível de conhecimento e de
capacidade que os nossos jovens têm e do trabalho que
foi feito durante o ano lectivo. Há aqui questões que
não são propriamente de avaliação do conhecimento
e que implicaram um resultado muito negativo”, sus-
tenta.
Já o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemáti-
ca, Miguel Abreu, mostra-se surpreendido e considera
ser necessário estudar mais.
“Não são tanto os exames que devem ir ao encontro
do que os alunos estão a saber, baixando o seu nível
de dificuldade, mas desempenhar esse papel de puxar,
para que os alunos saibam que têm de ir um bocadinho
mais além, têm de saber mais, aprender mais e melhor
a Matemática, para depois terem os resultados que es-
perariam, tendo em conta as notas que têm durante o
ano lectivo”, defende.
Por sua vez, o presidente da Associação de Professores
de Português, Edviges Ferreira, sustenta os resultados
são reflexo da instabilidade vivida no sector da edu-
cação.
“Tem de ser visto o facto de este ano ter sido muito
conturbado a todos os níveis e o facto de as turmas,
desde o ano passado, terem aumentado consideravel-
mente o número de alunos. A exigência do ministério é
um número enorme por turma e os objectivos do pro-
grama e o desenvolvimento de algumas competências
não se coaduna, minimamente, com 30 alunos por tur-
ma”, critica.
Ministro “não sabe do que está a falar”
O ministro da Educação, Nuno Crato, já se mostrou
insatisfeito com os resultados e diz que mostram ha-
ver dificuldades persistentes nas duas disciplinas que é
preciso ultrapassar.
A presidente da Associação dos Professores de Matemá-
tica Lurdes Figueiral, reage, afirmando que Nuno Crato
não sabe, mas devia saber, do que está a falar.
“Nuno Crato deveria conhecer melhor o sistema educa-
tivo que governa, devia conhecer melhor as realidades
das escolas portuguesas, os professores e os alunos.
Nuno Crato, quando fala assim, não sabe do que está a
falar. E acho que todos os professores e pais se deve-
riam sentir indignados diante de declarações dessas”,
diz à Renascença.
Esta manhã, realizaram exame da segunda fase os alu-
nos do 2.º e 3.º ciclos, e também os do secundário.
Esta fase serve, na prática, para melhorar a nota da
primeira.
DESTAQUE
PÁG.
02
Educação
Médias desceram nos exames de Português e Matemática
As classificações médias dos exames da primeira chamada dos 6.º e 9.º anos, em Português e
Matemática, desceram entre cinco e 10 pontos percentuais. Perante os resultados, o minis-
tro da Educação assinalou a urgência de ultrapassar “as dificuldades persistentes em Portu-
guês e Matemática, num número muito elevado de alunos”.
r/com renascença comunicação multimédia, 2013

Médias exames2013

  • 1.
    As classificações médiasdos exames da primeira chamada dos 6.º e 9.º anos, em Português e Matemática, em alunos in- ternos, desceram, entre “os cinco e 10 pontos percentuais”, em relação às mé- dias do ano lectivo anterior. Os dados divulgados pelo Ministério da Educação referem que as “classificações evidenciam uma descida, em compara- ção com os resultados do ano anterior, observando-se variações cuja amplitude se situa entre cinco e 10 pontos percen- tuais”. Em Matemática do 9.º ano, a descida foi de cinco pontos percentuais, “resultado igual ao observado em 2011, havendo uma descida de cinco pontos percentuais na classifica- ção média da prova do 2.º ciclo (6.º ano)”. Em Portu- guês, as descidas “foram de sete pontos percentuais” no 6.º ano e “de seis”, no 9.º ano. Na disciplina de Português, a média da classificação foi de 52% (6.º ano) e de 48% (9.º ano). Em Matemática, as classificações médias foram de 49% (6º ano) e de 44% (9º ano). Os dados dizem respeito a alunos internos - alunos da escola onde fizeram exame. No 6.º ano, realizaram-se 224.368 exames, no total, enquanto no 9.º o número se fixou em 196.841 exames. Os exames dos 6.º ano realizaram-se em 1.126 escolas de Portugal Continental, regiões autónomas dos Açores e da Madeira, e em estabelecimentos de ensino no es- trangeiro com a disciplina curricular de Português. No 9.º ano, as provas finais ocorreram em 1.284 escolas. Pais questionam critérios A Confederação Nacional da Associação de Pais (CON- FAP) considera que os maus resultados dos exames de Matemática e Português estão relacionados com a ela- boração das provas. “É necessário haver um trabalho de algum ajuste entre o que é desenvolvido durante o ano e a forma como as questões estão a ser elaboradas e os próprios crité- rios de correcção. Jovens com excelentes novas, com médias de 18 e 19, obtiveram negativa ou notas muito baixas. Alguma coisa está mal”, afirma o presidente da CONFAP, Jorge Ascensão, à Renascença. “Custa a crer que seja o nível de conhecimento e de capacidade que os nossos jovens têm e do trabalho que foi feito durante o ano lectivo. Há aqui questões que não são propriamente de avaliação do conhecimento e que implicaram um resultado muito negativo”, sus- tenta. Já o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemáti- ca, Miguel Abreu, mostra-se surpreendido e considera ser necessário estudar mais. “Não são tanto os exames que devem ir ao encontro do que os alunos estão a saber, baixando o seu nível de dificuldade, mas desempenhar esse papel de puxar, para que os alunos saibam que têm de ir um bocadinho mais além, têm de saber mais, aprender mais e melhor a Matemática, para depois terem os resultados que es- perariam, tendo em conta as notas que têm durante o ano lectivo”, defende. Por sua vez, o presidente da Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira, sustenta os resultados são reflexo da instabilidade vivida no sector da edu- cação. “Tem de ser visto o facto de este ano ter sido muito conturbado a todos os níveis e o facto de as turmas, desde o ano passado, terem aumentado consideravel- mente o número de alunos. A exigência do ministério é um número enorme por turma e os objectivos do pro- grama e o desenvolvimento de algumas competências não se coaduna, minimamente, com 30 alunos por tur- ma”, critica. Ministro “não sabe do que está a falar” O ministro da Educação, Nuno Crato, já se mostrou insatisfeito com os resultados e diz que mostram ha- ver dificuldades persistentes nas duas disciplinas que é preciso ultrapassar. A presidente da Associação dos Professores de Matemá- tica Lurdes Figueiral, reage, afirmando que Nuno Crato não sabe, mas devia saber, do que está a falar. “Nuno Crato deveria conhecer melhor o sistema educa- tivo que governa, devia conhecer melhor as realidades das escolas portuguesas, os professores e os alunos. Nuno Crato, quando fala assim, não sabe do que está a falar. E acho que todos os professores e pais se deve- riam sentir indignados diante de declarações dessas”, diz à Renascença. Esta manhã, realizaram exame da segunda fase os alu- nos do 2.º e 3.º ciclos, e também os do secundário. Esta fase serve, na prática, para melhorar a nota da primeira. DESTAQUE PÁG. 02 Educação Médias desceram nos exames de Português e Matemática As classificações médias dos exames da primeira chamada dos 6.º e 9.º anos, em Português e Matemática, desceram entre cinco e 10 pontos percentuais. Perante os resultados, o minis- tro da Educação assinalou a urgência de ultrapassar “as dificuldades persistentes em Portu- guês e Matemática, num número muito elevado de alunos”. r/com renascença comunicação multimédia, 2013