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Informe Técnico
Cigarrinha Sogata
Conhecimentos para o Manejo Integrado de Pragas
Eduardo Rodrigues Hickel
2020
2
Cigarrinhas
As cigarrinhas são pequenos insetos sugadores, fusiformes e aparentados aos
percevejos. Dessa maneira, apresentam aparelho bucal sugador, com estiletes curtos,
que são usados para perfurar o tecido vegetal e sugar a seiva da planta. Ao contrário
dos percevejos porém, as cigarrinhas não têm força para regular o fluxo de seiva que
ingerem. Assim, desenvolveram um aparelho digestivo filtrador, que permite excretar
sem digestão o excesso de seiva ingerido - o melato ou “honeydew” [6]. Caindo e se
acumulando sobre as folhas, o melato propicia o desenvolvimento de fungos de cor
preta, que acabam conferindo às folhas um aspecto esfumaçado (fumagina).
Várias cigarrinhas podem aparecer nas lavouras de arroz irrigado, pois inúmeras
são as espécies na fauna nativa e muitas delas adaptadas às gramíneas. Não
obstante, apenas uma, em particular, tem incidido recentemente de forma avassaladora
e causando grande perocupação entre os produtores catarinenses. Trata-se da sogata,
uma espécie nativa da América do Sul que, embora seja uma das principais pragas do
arroz na América Tropical, nunca foi assim tratada no Brasil [2, 9, 16].
Dada a situação inédita da ocorrência da sogata em Santa Catarina, os
produtores devem ficar atentos e empregar corretamente as medidas de manejo
integrado para manter sob controle as populações dessa cigarrinha.
1 Sogata
Tagosodes orizicolus (Muir)
Hemiptera: Delphacidae
A sogata, como praga, é relativamente recente nas lavouras catarinenses. O
primeiro surto foi noticiado no final da safra 2018/19, no município de Garuva. Esse
surto também estava alastrado nos municípios do Sul Paranaense, notadamente em
Guaratuba, na divisa com Santa Catarina. Antes de chegar ao sul do Paraná, houve
registro do inseto atacando lavouras em Querência do Norte, PR, cerca de 700km à
noroeste. Na safra seguinte (2019/20) a sogata se espalhou para todas as regiões
catarinenses produtoras de arroz irrigado.
Pelo pouco tempo de convivência com a praga, ainda faltam muitos estudos
ecológicos e de manejo em nível local e regional. Assim, várias informações e medidas
de controle, relatadas a seguir, são originárias ou foram adaptadas da Colômbia,
Venezuela e Cuba, onde a sogata é importante praga há mais tempo.
3
1.1 Descrição e biologia
Os adultos são pequenas cigarrinhas com acentuado dimorfismo sexual,
parecendo até espécies distintas numa primeira impressão. As fêmeas medem de 3 a
4mm de comprimento e são de coloração castanho-amarelada. Os machos são
menores (2 a 3mm de comprimento) e de coloração preta (Figura 1). Em ambos os
sexos, uma faixa mediana de cor clara percorre o dorso, da cabeça ao final do abdome.
Figura 1. Fêmeas aladas e braquípteras e macho de sogata em folha de arroz.
Fonte: FLAR.
As sogatas diferem de outras cigarrinhas, das famílias Cicadellidae e Cercopidae,
por apresentarem antenas espessas e um grande esporão apical nas tíbias do terceiro
par de pernas. Ambas as estruturas são facilmente visíveis com uma lupa de bolso.
Um aspecto muito peculiar na morfologia da sogata é a existência de fêmeas
aladas e fêmeas braquípteras, ou seja, fêmeas com asas rudimentares. As fêmeas
aladas possibilitam a dispersão espacial da espécie, porém ao custo de uma menor
capacidade reprodutiva. Já as fêmeas braquípteras são as “parideiras”, que muito
contribuem para o aumento populacional da espécie. Essas fêmeas, por não
dispenderem energia em dispersão, põem até duas vezes mais ovos que as fêmeas
4
aladas [12, 14, 15].
O acasalamento ocorre 2 dias após a muda para o estágio adulto e as fêmeas
iniciam a postura 3 a 5 dias após, colocando cerca de 10 ovos por dia, num total de 160
ovos (fêmeas aladas) ou até 350 ovos (fêmeas braquípteras) [12]. Os ovos são postos
em grupos de 7 a 21 no interior da nervura principal e incubam por 4 a 8 dias (Figura
2). Entretanto, esse período de incubação depende da temperatura, sendo de 7 dias a
27°C e de 14 dias a 18°C [12].
As ninfas são branco-amareladas, ápteras e com duas faixas escuras dorso-
longitudinais (Figura 2). A fase ninfal varia de 15 a 18 dias, sucedendo-se as gerações
em cerca de 20 dias. Os adultos vivem por 20 a 30 dias [3, 12, 15].
Figura 2. Nervura da folha aberta, mostrando uma postura (esq.) e ninfa de sogata (dir.).
Fonte: University of Georgia e University of Delaware.
Com um ciclo de vida completando-se em menos de um mês, duas a três
gerações se sucedem numa lavoura de arroz. O eventual cultivo da soca, possibilita
mais gerações e um aumento ainda maior da população de sogata.
Nas regiões tropicais de ocorrência da espécie, a sogata não tem diapausa
(hibernação) como estratégia de sobrevivência a períodos com condições ambientais
adversas. A gama de hospedeiros alternativos possibilita a sobrevivência dos
indivíduos nesses períodos, de modo que a falta sazonal de plantas de arroz não é
impeditiva para a sucessão de gerações da cigarrinha [12, 15]. Contudo, as cigarrinhas
Delphacidae, que incidem em arroz na Asia, apesar de não terem diapausa nas regiões
tropicais, hibernam quando vivem em regiões temperadas [15, 17].
Nas regiões subtropicais, onde a sogata também ocorre, os períodos de mais
baixa temperatura são transpassados no estágio de ovo, que entra em rápida diapausa
no final do inverno [1]. Esses ovos em diapausa normalmente ocorrem nas gramíneas
hospedeiras alternativas, para onde migram as populações que ocorrem no final do

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5
ciclo do arroz. Quando a temperatura primaveril aumenta, a incubação desses ovos
prossegue e eclodem as ninfas nessas gramíneas [15].
Adultos de sogata podem sobreviver por 24h sob temperatura de -6°C no campo
[1], porém a temperatura limiar para o inseto manter as atividades é de 8°C [15]. Essa
temperatura é suficiente para a sogata sobreviver ao inverno no litoral catarinense. Não
obstante, ainda faltam estudos sobre a possibilidade de diapausa na espécie em Santa
Catarina.
1.2 Hospedeiros e dispersão
Embora o arroz seja um hospedeiro preferencial, a sogata pode se desenvolver
em várias outras gramíneas, especialmente naquelas dos gêneros Echinochloa (capim-
arroz), Leptochloa, Digitaria, Panicum, Paspalum e Leercia. Gramíneas cultivadas
como: milho, aveia, trigo, cevada, centeio, sorgo, teosinto, cevadilha e azevém também
podem servir de hospedeiros para a sogata [8, 10, 12, 18, 20].
As sogatas podem surgir nas lavouras a partir do perfilhamento, atingindo altas
populações no verão. Os adultos chegam voando de áreas vizinhas e se instalam
inicialmente nas bordas das lavouras. Com o incremento populacional, adentram as
lavouras e formam grandes reboleiras, onde surgem depois os sintomas [15].
Fêmeas aladas se dispersam durante o período de pré-oviposição, alçando voo
ao entardecer de dias quentes e úmidos [15]. As cigarrinhas da família Delphacidae
têm grande capacidade de voo, podendo percorrer distâncias superiores a 1.000 km
sem pousar [12]. Porém, a distância de voo está em função da proximidade das áreas
de refúgio com as áreas de lavoura, ficando a maioria da dispersão restrita a umas
poucas centenas de metros [12, 17].
Fêmeas, ninfas e machos recém-emergidos normalmente se localizam nas partes
baixas das plantas, ao passo que machos de mais idade tendem a ficar mais alto nas
folhas. Com o amadurecimento do arroz, os indivíduos alados tendem a se dispersar
para outras lavouras em estágios anteriores [12].
Durante a entressafra do arroz, a sogata migra para as pastagens próximas às
lavouras, ou para outras áreas vizinhas onde grassam gramíneas em abundância [12, 15].
1.3 Reconhecimento dos danos
A sogata suga a seiva do arroz, nas folhas, talos e panículas. Isso causa o
amarelecimento e posterior seca das partes verdes da planta (Figura 3), com perdas
6
significativas na produção em caso de infestação severa. A excreção do excesso de
seiva sugada leva ao desenvolvimento de fumagina nas folhas (Figura 3) e atrai uma
miríade de mosquinhas.
Figura 3. Aspecto de lavoura infestada (esq.) e fumagina nas folhas (dir.).
As puncturas de alimentação e de postura possibilitam a infecção das plantas por
fungos e bactérias [15], sendo muito comum áreas infestadas por sogata apresentarem
muitas plantas com queima das bainhas.
A importância da sogata não reside apenas no dano direto que o inseto pode
causar, mas também pela transmissão do vírus da folha branca (HBV), doença que
ainda não foi diagnosticada no Brasil [3]. Incidindo nos estágios iniciais da lavoura, o
vírus da folha branca compromete gravemente o desenvolvimento e posterior floração
das plantas atacadas [12, 13, 18].
O HBV tem ocorrido de forma cíclica no norte da América do Sul desde 1935,
causando perdas de rendimento de 25 a 100% [3, 12]. Isso acontece porque o virus
também afeta o inseto, reduzindo a taxa reprodutiva e sobrevivência dos indivíduos
infectados [7]. Quando a virose se alastra na população da sogata, ocorre um colapso
desta e um ciclo de pouca incidência de HBV se inicia [12, 14]. Nos anos de baixa
incidência de HBV, menos de 2% das cigarrinhas são vetores; contudo, quando
ocorrem surtos de HBV, os vetores alcançam de 15 a 25% da população [3, 19].
Nas regiões de incidência do HBV, muitas gramíneas nativas podem apresentar
os mesmos sintomas e o capim-arroz, E. colona, é um dos principais reservatórios do
vírus nos períodos de entressafra [12].
1.4 Ocorrência e monitoramento
Anual: de outubro a abril. Crítico: verão.
Lavoura: do perfilhamento à colheita.
7
Figura 4. Fenologia estimada da ocorrência da sogata na lavoura de arroz em Santa Catarina.
  fenologia adaptável ao ciclo da lavoura. Faixas: amarela – início de ocorrência ou de
danos na lavoura; laranja – possível ocorrer alta incidência ou danos à lavoura; vermelha – alta
ocorrência ou danos à lavoura.
A sogata é uma importante praga do arroz no norte da America do Sul (Colômbia,
Venezuela e Peru) e no Caribe (Cuba) e, embora a espécie não seja exótica no Brasil,
não era considerada praga importante no país [2, 9, 16]. Sujeita à forte pressão de
controle biológico natural, essa cigarrinha não formava altas populações nas lavouras
brasileiras [3].
As causas que levaram aos surtos de grandes proporções nas últimas safras
podem ser diversas, porém de âmbito macrorregional. A reprodução da sogata é
favorecida por tempo seco e quente e verões secos têm se sucedido [12]. Há que se
supor também alguma quebra do controle biológico natural, quer devido ao tempo seco
ou a outros fatores. Os principais agentes de controle biológico são os fungos
entomopatogênicos, as vespinhas parasitoides e as aranhas [12, 14]. Epizootias
fúngicas são desfavorecidas em tempo seco e o excesso de aplicação de inseticidas,
pode ter levado ao colapso das populações de vespinhas e aranhas. Nuvens
migratórias, originadas nos países vizinhos, também não podem ser descartadas,
tendo em vista o rápido alastramento da espécie no Brasil. Por fim, pode haver
contribuição da alteração da grade de agortóxicos registrada na cultura do arroz, com
substituição total dos inseticidas fosforados e carbamatos por inseticidas piretroides,
notadamente eficazes em eliminar os artrópodes benéficos das lavouras [12; 14, 17].
Para as condições catarinenses, ainda não se dispõe de estudos de dinâmica
populacional da sogata. Em Piracicaba, SP, na safra 1965/66, o inseto foi coletado
durante o ano todo, em armadilhas luminosas instaladas em área de pastagem. Os
picos populacionais ocorreram em setembro e dezembro e, no período entre novembro
e janeiro, a população de sogata esteve alta, com um remanescente de indivíduos
8
entre março e maio. No período de baixas temperaturas, entre junho e agosto poucos
indivíduos foram capturados (Figura 5) [4]. Já em Santo Antônio de Goiás, GO,
mediante amostragens com rede de varredura em lavoura, o pico populacional de
adultos e ninfas da sogata ocorreu na segunda metade do ciclo das plantas, entre
janeiro e março [5].
Figura 5. Flutuação populacional da sogata em agroecossitema de pastagem em Piracicaba,
SP, na safra 1965/66. Fonte: Ferreira & Silveira Neto, 1979.
A população da sogata aumenta com a idade das plantas e atinge o máximo
durante o período de florescimento e formação dos grãos. Contudo, o ataque torna-se
crítico a partir do emborrachamento até o estágio de grão leitoso. Em Santa Catarina,
as maiores populações de sogata têm ocorrido no verão, durante a fase reprodutiva do
arroz. Isso aparentemente denota um crescimento populacional contínuo, com
sobreposição de gerações, que teve início ainda no perfilhamento. Na América
Tropical, os surtos de sogata já ocorrem no início do perfilhamento do arroz e lavouras
submetidas a altas doses de nitrogênio ou a pulverizações frequentes de inseticidas
são mais infestadas [12, 14, 18]. Períodos de estiagem e alta temperatura também são
favoráveis ao incremento populacional da sogata [15].
Tendo em vista a manutenção do estatus de praga da sogata, o monitoramento
03/mai 15/jun 27/jul 06/set 18/out 29/nov 10/jan 21/fev 04/abr
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insetos-pragasentomología
9
das lavouras passa a ser fundamental para estabelecer as estratégias de controle
populacional. Esse monitoramento deve ser iniciado a partir do perfilhamento (estágio
V5), intensificando as amostragens de dezembro em diante, para constatar os
primeiros focos de infestação.
O monitoramento expedito envolve a amostragem de presença/ausência, com
inspeção visual das plantas de arroz, usando um pedaço de taquara para afastá-las e
verificando a quantidade de cigarrinhas nos colmos e folhas (Figura 6). Observa-se
também a superfície da água, pois a sogata salta quando molestada e eventualmente
cai na água. Esse monitoramento, apesar de menos preciso, tem a vantagem da rápida
execução, sendo possível obter uma maior abrangência, pela inspeção de mais pontos
de amostragem nas lavouras.
O monitoramento convencional envolve a retirada de amostras com rede de
varredura (30cm de diâmetro). Para tal, cinco pontos de amostragem são
estabelecidos, em lavouras de até 5ha, e nestes se efetuam 20 golpes pendulares de
rede, raspando energicamente sobre as plantas de arroz [14, 18, 20]. O número de
cigarrinhas capturadas é contado, para estabelecer o nível populacional. Esse
procedimento permite amostrar aproximadamente 6m2
de lavoura a cada execução.
Por isso, confere maior precisão ao levantamento populacional, porém demanda mais
tempo para execução.
Figura 6. Infestação severa de sogata em lavoura de arroz. Fonte: Louisiana State University.
10
1.5 Manejo integrado
A resistência varietal é a principal estratégia de controle nos programas de
manejo integrado da sogata, quer seja resistência ao inseto em si, ao vírus ou a ambos
[12, 14, 18]. Na América Tropical e em Cuba, diversos cultivares já foram lançados com
esta característica, destacando-se recentemente na Colômbia a “Fedearroz 2000” com
dupla resistência, e a “Fedearroz 50” resistente ao inseto. Porém, para os cultivares
hoje disponíveis aos produtores catarinenses, nenhum deles é resistente, pois não
foram melhorados para essa característica. Vários anos ainda serão necessários para
a obtenção de cultivares resistentes adaptados às condições de cultivo em Santa
Catarina.
Face à inexistência de cultivares resistentes e a não ocorrência do HBV no
Estado, as medidas de manejo integrado deverão estar voltadas unicamente a suprimir
as infestações de sogata, com as seguintes medidas [12, 14, 18]:
 Preservação e incremento do controle biológico, evitando pulverizações
desnecessárias de fungicidas e inseticidas. O controle biológio da sogata é um
importante fator de contenção das populações no campo. Na Colômbia, em cultivo
orgânico de arroz, a ação de parasitoides e predadores reduz em até 70% a
população de sogata [14].
 Empregar inseticidas microbiológicos, especialmente aqueles formulados com
metarrízio, no início das infestações. Na Colômbia, sob condições propícias de
umidade, o controle com metarrízio pode chegar a 80% de eficácia em 12 dias [18].
 Destruição de restos culturais após a colheita, evitando sistematicamente o cultivo
da soca em áreas previamente infestadas [12].
 No manejo de entressafra, fazer a roçada freqüente de capins nas taipas, valas e
arredores das lavouras, para limitar a procrição da sogata em hospedeiros
alternativos.
1.5.1 Controle químico
O controle químico da sogata deve ser adotado com extrema cautela, pois tem
grande chance de eliminar os agentes de controle biológico e promover ciclos de
ressurgência da praga, principalmente quando se emprega produtos de largo espectro
de ação [10, 14]. Por esse motivo, os inseticidas somente devem ser aplicados quando
se atinge o nível de ação, fixado em 120 cigarrinhas por amostra de rede de varredura
[10, 14, 20]. No caso do monitoramento de presença/ausência, quando a maioria das
11
amostras revelar a presença das cigarrinhas.
No cálculo do nível de ação, deve ser descontado o número de aranhas
capturado, na proporção de menos três cigarrinhas para cada aranha coletada [14]. Por
exemplo, para uma amostra com captura de 130 sogatas e 5 aranhas a contagem
corrigida deve ser de 115 sogatas.
Embora a sogata já esteja prevista como praga do arroz no Agrofit1
(delfacídeo-
do-arroz), ainda não há inseticidas registrados para seu controle na cultura. Isso advém
da irrelevância que o inseto tinha até então e deverá ser revisto em breve.
Nos países da América Tropical, o controle químico é feito com inseticidas
sistêmicos ou de contato, procurando selecionar aqueles ingredientes ativos menos
tóxicos aos inimigos naturais [10, 11, 18]. Após a fase de grão leitoso, não se
recomenda mais a pulverização de inseticidas.
Nos casos de alta infestação, que venha a ser controlada com inseticidas,
normalmente são necessárias duas aplicações seqüenciais, espaçadas de 12 a 15
dias. Essa sequência deve ser adotada, pois muitos ovos, protegidos dentro das
nervuras das folhas, permitem a reinfestação por ninfas após o período de proteção
dos produtos [17].
1.6 Referências bibliográficas
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Johns Hopkins Press, 1967. p.111-116.
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p.207-215, 1979.
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1994.
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2008. 440p.
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pathology, v.61, p.142-143, 1971.
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blanca del arroz” (HBV) en la República Argentina (Homoptera-Delphacidae). Revista de la Facul-
tad de Agronomía, v.104, n.2, p.151-156, 2000/2001.
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VICTORIA, F., SANINT, L.R.; RAMÍREZ, A.; TASCÓN, E.; GARCIA, E. MIP en arroz: manejo inte-
grado de plagas - artrópodos, enfermedades y malezas. Cali: Ciat, 1999a. p.11-29. (Ciat. Publica-
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FISCHER, A.; CORREA-VICTORIA, F., SANINT, L.R.; RAMÍREZ, A.; TASCÓN, E.; GARCIA, E. MIP
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germinado. Florianópolis, 2002. 273p.
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BARRION, A.T. Illustrated guide to integrated pest management in rice in tropical Asia. Los
Baños: IRRI, 1986. 410p.
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grado de sogata (Tagosodes orizicolus) Muir em el cultivo de arroz em los Llanos Orientales.
Villavicencio: Fedearroz, 1999. s.p. Disponível em: <http://bibliotecadigital.agronet.gov.co/bitstream/
11348/6456/1/Manejo%20integrado%20de%20sogata%20muir%20en%20el%20cultivo%20de%20ar
roz.pdf>. Acesso em: 01.jun.2020.
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tos plaga, invertebrados y vertebrados que atacan el cultivo del arroz en Ecuador. Revista Científi-
ca Agroecosistemas, v.6, n.1, p.95-107, 2018. Disponível em: https://aes.ucf.edu.cu/ in-
dex.php/aes. Acesso em: 01.jun.2020.
20. VIVAS C., L.E.; CASTILLO, P.R. Manejo de plagas. Insectos. In: PÁEZ, O. (org.). El cultivo del
arroz en Venezuela. Maracay: Instituto Nacional de Investigaciones Agrícolas. 2004. p.138-152.
(INIA. Manuales de Cultivo, 1).

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  • 1. 1 Informe Técnico Cigarrinha Sogata Conhecimentos para o Manejo Integrado de Pragas Eduardo Rodrigues Hickel 2020
  • 2. 2 Cigarrinhas As cigarrinhas são pequenos insetos sugadores, fusiformes e aparentados aos percevejos. Dessa maneira, apresentam aparelho bucal sugador, com estiletes curtos, que são usados para perfurar o tecido vegetal e sugar a seiva da planta. Ao contrário dos percevejos porém, as cigarrinhas não têm força para regular o fluxo de seiva que ingerem. Assim, desenvolveram um aparelho digestivo filtrador, que permite excretar sem digestão o excesso de seiva ingerido - o melato ou “honeydew” [6]. Caindo e se acumulando sobre as folhas, o melato propicia o desenvolvimento de fungos de cor preta, que acabam conferindo às folhas um aspecto esfumaçado (fumagina). Várias cigarrinhas podem aparecer nas lavouras de arroz irrigado, pois inúmeras são as espécies na fauna nativa e muitas delas adaptadas às gramíneas. Não obstante, apenas uma, em particular, tem incidido recentemente de forma avassaladora e causando grande perocupação entre os produtores catarinenses. Trata-se da sogata, uma espécie nativa da América do Sul que, embora seja uma das principais pragas do arroz na América Tropical, nunca foi assim tratada no Brasil [2, 9, 16]. Dada a situação inédita da ocorrência da sogata em Santa Catarina, os produtores devem ficar atentos e empregar corretamente as medidas de manejo integrado para manter sob controle as populações dessa cigarrinha. 1 Sogata Tagosodes orizicolus (Muir) Hemiptera: Delphacidae A sogata, como praga, é relativamente recente nas lavouras catarinenses. O primeiro surto foi noticiado no final da safra 2018/19, no município de Garuva. Esse surto também estava alastrado nos municípios do Sul Paranaense, notadamente em Guaratuba, na divisa com Santa Catarina. Antes de chegar ao sul do Paraná, houve registro do inseto atacando lavouras em Querência do Norte, PR, cerca de 700km à noroeste. Na safra seguinte (2019/20) a sogata se espalhou para todas as regiões catarinenses produtoras de arroz irrigado. Pelo pouco tempo de convivência com a praga, ainda faltam muitos estudos ecológicos e de manejo em nível local e regional. Assim, várias informações e medidas de controle, relatadas a seguir, são originárias ou foram adaptadas da Colômbia, Venezuela e Cuba, onde a sogata é importante praga há mais tempo.
  • 3. 3 1.1 Descrição e biologia Os adultos são pequenas cigarrinhas com acentuado dimorfismo sexual, parecendo até espécies distintas numa primeira impressão. As fêmeas medem de 3 a 4mm de comprimento e são de coloração castanho-amarelada. Os machos são menores (2 a 3mm de comprimento) e de coloração preta (Figura 1). Em ambos os sexos, uma faixa mediana de cor clara percorre o dorso, da cabeça ao final do abdome. Figura 1. Fêmeas aladas e braquípteras e macho de sogata em folha de arroz. Fonte: FLAR. As sogatas diferem de outras cigarrinhas, das famílias Cicadellidae e Cercopidae, por apresentarem antenas espessas e um grande esporão apical nas tíbias do terceiro par de pernas. Ambas as estruturas são facilmente visíveis com uma lupa de bolso. Um aspecto muito peculiar na morfologia da sogata é a existência de fêmeas aladas e fêmeas braquípteras, ou seja, fêmeas com asas rudimentares. As fêmeas aladas possibilitam a dispersão espacial da espécie, porém ao custo de uma menor capacidade reprodutiva. Já as fêmeas braquípteras são as “parideiras”, que muito contribuem para o aumento populacional da espécie. Essas fêmeas, por não dispenderem energia em dispersão, põem até duas vezes mais ovos que as fêmeas
  • 4. 4 aladas [12, 14, 15]. O acasalamento ocorre 2 dias após a muda para o estágio adulto e as fêmeas iniciam a postura 3 a 5 dias após, colocando cerca de 10 ovos por dia, num total de 160 ovos (fêmeas aladas) ou até 350 ovos (fêmeas braquípteras) [12]. Os ovos são postos em grupos de 7 a 21 no interior da nervura principal e incubam por 4 a 8 dias (Figura 2). Entretanto, esse período de incubação depende da temperatura, sendo de 7 dias a 27°C e de 14 dias a 18°C [12]. As ninfas são branco-amareladas, ápteras e com duas faixas escuras dorso- longitudinais (Figura 2). A fase ninfal varia de 15 a 18 dias, sucedendo-se as gerações em cerca de 20 dias. Os adultos vivem por 20 a 30 dias [3, 12, 15]. Figura 2. Nervura da folha aberta, mostrando uma postura (esq.) e ninfa de sogata (dir.). Fonte: University of Georgia e University of Delaware. Com um ciclo de vida completando-se em menos de um mês, duas a três gerações se sucedem numa lavoura de arroz. O eventual cultivo da soca, possibilita mais gerações e um aumento ainda maior da população de sogata. Nas regiões tropicais de ocorrência da espécie, a sogata não tem diapausa (hibernação) como estratégia de sobrevivência a períodos com condições ambientais adversas. A gama de hospedeiros alternativos possibilita a sobrevivência dos indivíduos nesses períodos, de modo que a falta sazonal de plantas de arroz não é impeditiva para a sucessão de gerações da cigarrinha [12, 15]. Contudo, as cigarrinhas Delphacidae, que incidem em arroz na Asia, apesar de não terem diapausa nas regiões tropicais, hibernam quando vivem em regiões temperadas [15, 17]. Nas regiões subtropicais, onde a sogata também ocorre, os períodos de mais baixa temperatura são transpassados no estágio de ovo, que entra em rápida diapausa no final do inverno [1]. Esses ovos em diapausa normalmente ocorrem nas gramíneas hospedeiras alternativas, para onde migram as populações que ocorrem no final do
  • 5. 5 ciclo do arroz. Quando a temperatura primaveril aumenta, a incubação desses ovos prossegue e eclodem as ninfas nessas gramíneas [15]. Adultos de sogata podem sobreviver por 24h sob temperatura de -6°C no campo [1], porém a temperatura limiar para o inseto manter as atividades é de 8°C [15]. Essa temperatura é suficiente para a sogata sobreviver ao inverno no litoral catarinense. Não obstante, ainda faltam estudos sobre a possibilidade de diapausa na espécie em Santa Catarina. 1.2 Hospedeiros e dispersão Embora o arroz seja um hospedeiro preferencial, a sogata pode se desenvolver em várias outras gramíneas, especialmente naquelas dos gêneros Echinochloa (capim- arroz), Leptochloa, Digitaria, Panicum, Paspalum e Leercia. Gramíneas cultivadas como: milho, aveia, trigo, cevada, centeio, sorgo, teosinto, cevadilha e azevém também podem servir de hospedeiros para a sogata [8, 10, 12, 18, 20]. As sogatas podem surgir nas lavouras a partir do perfilhamento, atingindo altas populações no verão. Os adultos chegam voando de áreas vizinhas e se instalam inicialmente nas bordas das lavouras. Com o incremento populacional, adentram as lavouras e formam grandes reboleiras, onde surgem depois os sintomas [15]. Fêmeas aladas se dispersam durante o período de pré-oviposição, alçando voo ao entardecer de dias quentes e úmidos [15]. As cigarrinhas da família Delphacidae têm grande capacidade de voo, podendo percorrer distâncias superiores a 1.000 km sem pousar [12]. Porém, a distância de voo está em função da proximidade das áreas de refúgio com as áreas de lavoura, ficando a maioria da dispersão restrita a umas poucas centenas de metros [12, 17]. Fêmeas, ninfas e machos recém-emergidos normalmente se localizam nas partes baixas das plantas, ao passo que machos de mais idade tendem a ficar mais alto nas folhas. Com o amadurecimento do arroz, os indivíduos alados tendem a se dispersar para outras lavouras em estágios anteriores [12]. Durante a entressafra do arroz, a sogata migra para as pastagens próximas às lavouras, ou para outras áreas vizinhas onde grassam gramíneas em abundância [12, 15]. 1.3 Reconhecimento dos danos A sogata suga a seiva do arroz, nas folhas, talos e panículas. Isso causa o amarelecimento e posterior seca das partes verdes da planta (Figura 3), com perdas
  • 6. 6 significativas na produção em caso de infestação severa. A excreção do excesso de seiva sugada leva ao desenvolvimento de fumagina nas folhas (Figura 3) e atrai uma miríade de mosquinhas. Figura 3. Aspecto de lavoura infestada (esq.) e fumagina nas folhas (dir.). As puncturas de alimentação e de postura possibilitam a infecção das plantas por fungos e bactérias [15], sendo muito comum áreas infestadas por sogata apresentarem muitas plantas com queima das bainhas. A importância da sogata não reside apenas no dano direto que o inseto pode causar, mas também pela transmissão do vírus da folha branca (HBV), doença que ainda não foi diagnosticada no Brasil [3]. Incidindo nos estágios iniciais da lavoura, o vírus da folha branca compromete gravemente o desenvolvimento e posterior floração das plantas atacadas [12, 13, 18]. O HBV tem ocorrido de forma cíclica no norte da América do Sul desde 1935, causando perdas de rendimento de 25 a 100% [3, 12]. Isso acontece porque o virus também afeta o inseto, reduzindo a taxa reprodutiva e sobrevivência dos indivíduos infectados [7]. Quando a virose se alastra na população da sogata, ocorre um colapso desta e um ciclo de pouca incidência de HBV se inicia [12, 14]. Nos anos de baixa incidência de HBV, menos de 2% das cigarrinhas são vetores; contudo, quando ocorrem surtos de HBV, os vetores alcançam de 15 a 25% da população [3, 19]. Nas regiões de incidência do HBV, muitas gramíneas nativas podem apresentar os mesmos sintomas e o capim-arroz, E. colona, é um dos principais reservatórios do vírus nos períodos de entressafra [12]. 1.4 Ocorrência e monitoramento Anual: de outubro a abril. Crítico: verão. Lavoura: do perfilhamento à colheita.
  • 7. 7 Figura 4. Fenologia estimada da ocorrência da sogata na lavoura de arroz em Santa Catarina.   fenologia adaptável ao ciclo da lavoura. Faixas: amarela – início de ocorrência ou de danos na lavoura; laranja – possível ocorrer alta incidência ou danos à lavoura; vermelha – alta ocorrência ou danos à lavoura. A sogata é uma importante praga do arroz no norte da America do Sul (Colômbia, Venezuela e Peru) e no Caribe (Cuba) e, embora a espécie não seja exótica no Brasil, não era considerada praga importante no país [2, 9, 16]. Sujeita à forte pressão de controle biológico natural, essa cigarrinha não formava altas populações nas lavouras brasileiras [3]. As causas que levaram aos surtos de grandes proporções nas últimas safras podem ser diversas, porém de âmbito macrorregional. A reprodução da sogata é favorecida por tempo seco e quente e verões secos têm se sucedido [12]. Há que se supor também alguma quebra do controle biológico natural, quer devido ao tempo seco ou a outros fatores. Os principais agentes de controle biológico são os fungos entomopatogênicos, as vespinhas parasitoides e as aranhas [12, 14]. Epizootias fúngicas são desfavorecidas em tempo seco e o excesso de aplicação de inseticidas, pode ter levado ao colapso das populações de vespinhas e aranhas. Nuvens migratórias, originadas nos países vizinhos, também não podem ser descartadas, tendo em vista o rápido alastramento da espécie no Brasil. Por fim, pode haver contribuição da alteração da grade de agortóxicos registrada na cultura do arroz, com substituição total dos inseticidas fosforados e carbamatos por inseticidas piretroides, notadamente eficazes em eliminar os artrópodes benéficos das lavouras [12; 14, 17]. Para as condições catarinenses, ainda não se dispõe de estudos de dinâmica populacional da sogata. Em Piracicaba, SP, na safra 1965/66, o inseto foi coletado durante o ano todo, em armadilhas luminosas instaladas em área de pastagem. Os picos populacionais ocorreram em setembro e dezembro e, no período entre novembro e janeiro, a população de sogata esteve alta, com um remanescente de indivíduos
  • 8. 8 entre março e maio. No período de baixas temperaturas, entre junho e agosto poucos indivíduos foram capturados (Figura 5) [4]. Já em Santo Antônio de Goiás, GO, mediante amostragens com rede de varredura em lavoura, o pico populacional de adultos e ninfas da sogata ocorreu na segunda metade do ciclo das plantas, entre janeiro e março [5]. Figura 5. Flutuação populacional da sogata em agroecossitema de pastagem em Piracicaba, SP, na safra 1965/66. Fonte: Ferreira & Silveira Neto, 1979. A população da sogata aumenta com a idade das plantas e atinge o máximo durante o período de florescimento e formação dos grãos. Contudo, o ataque torna-se crítico a partir do emborrachamento até o estágio de grão leitoso. Em Santa Catarina, as maiores populações de sogata têm ocorrido no verão, durante a fase reprodutiva do arroz. Isso aparentemente denota um crescimento populacional contínuo, com sobreposição de gerações, que teve início ainda no perfilhamento. Na América Tropical, os surtos de sogata já ocorrem no início do perfilhamento do arroz e lavouras submetidas a altas doses de nitrogênio ou a pulverizações frequentes de inseticidas são mais infestadas [12, 14, 18]. Períodos de estiagem e alta temperatura também são favoráveis ao incremento populacional da sogata [15]. Tendo em vista a manutenção do estatus de praga da sogata, o monitoramento 03/mai 15/jun 27/jul 06/set 18/out 29/nov 10/jan 21/fev 04/abr 0 20 40 60 80 100 120 Insetos(n o ) Tempo (dia)
  • 9. 9 das lavouras passa a ser fundamental para estabelecer as estratégias de controle populacional. Esse monitoramento deve ser iniciado a partir do perfilhamento (estágio V5), intensificando as amostragens de dezembro em diante, para constatar os primeiros focos de infestação. O monitoramento expedito envolve a amostragem de presença/ausência, com inspeção visual das plantas de arroz, usando um pedaço de taquara para afastá-las e verificando a quantidade de cigarrinhas nos colmos e folhas (Figura 6). Observa-se também a superfície da água, pois a sogata salta quando molestada e eventualmente cai na água. Esse monitoramento, apesar de menos preciso, tem a vantagem da rápida execução, sendo possível obter uma maior abrangência, pela inspeção de mais pontos de amostragem nas lavouras. O monitoramento convencional envolve a retirada de amostras com rede de varredura (30cm de diâmetro). Para tal, cinco pontos de amostragem são estabelecidos, em lavouras de até 5ha, e nestes se efetuam 20 golpes pendulares de rede, raspando energicamente sobre as plantas de arroz [14, 18, 20]. O número de cigarrinhas capturadas é contado, para estabelecer o nível populacional. Esse procedimento permite amostrar aproximadamente 6m2 de lavoura a cada execução. Por isso, confere maior precisão ao levantamento populacional, porém demanda mais tempo para execução. Figura 6. Infestação severa de sogata em lavoura de arroz. Fonte: Louisiana State University.
  • 10. 10 1.5 Manejo integrado A resistência varietal é a principal estratégia de controle nos programas de manejo integrado da sogata, quer seja resistência ao inseto em si, ao vírus ou a ambos [12, 14, 18]. Na América Tropical e em Cuba, diversos cultivares já foram lançados com esta característica, destacando-se recentemente na Colômbia a “Fedearroz 2000” com dupla resistência, e a “Fedearroz 50” resistente ao inseto. Porém, para os cultivares hoje disponíveis aos produtores catarinenses, nenhum deles é resistente, pois não foram melhorados para essa característica. Vários anos ainda serão necessários para a obtenção de cultivares resistentes adaptados às condições de cultivo em Santa Catarina. Face à inexistência de cultivares resistentes e a não ocorrência do HBV no Estado, as medidas de manejo integrado deverão estar voltadas unicamente a suprimir as infestações de sogata, com as seguintes medidas [12, 14, 18]:  Preservação e incremento do controle biológico, evitando pulverizações desnecessárias de fungicidas e inseticidas. O controle biológio da sogata é um importante fator de contenção das populações no campo. Na Colômbia, em cultivo orgânico de arroz, a ação de parasitoides e predadores reduz em até 70% a população de sogata [14].  Empregar inseticidas microbiológicos, especialmente aqueles formulados com metarrízio, no início das infestações. Na Colômbia, sob condições propícias de umidade, o controle com metarrízio pode chegar a 80% de eficácia em 12 dias [18].  Destruição de restos culturais após a colheita, evitando sistematicamente o cultivo da soca em áreas previamente infestadas [12].  No manejo de entressafra, fazer a roçada freqüente de capins nas taipas, valas e arredores das lavouras, para limitar a procrição da sogata em hospedeiros alternativos. 1.5.1 Controle químico O controle químico da sogata deve ser adotado com extrema cautela, pois tem grande chance de eliminar os agentes de controle biológico e promover ciclos de ressurgência da praga, principalmente quando se emprega produtos de largo espectro de ação [10, 14]. Por esse motivo, os inseticidas somente devem ser aplicados quando se atinge o nível de ação, fixado em 120 cigarrinhas por amostra de rede de varredura [10, 14, 20]. No caso do monitoramento de presença/ausência, quando a maioria das
  • 11. 11 amostras revelar a presença das cigarrinhas. No cálculo do nível de ação, deve ser descontado o número de aranhas capturado, na proporção de menos três cigarrinhas para cada aranha coletada [14]. Por exemplo, para uma amostra com captura de 130 sogatas e 5 aranhas a contagem corrigida deve ser de 115 sogatas. Embora a sogata já esteja prevista como praga do arroz no Agrofit1 (delfacídeo- do-arroz), ainda não há inseticidas registrados para seu controle na cultura. Isso advém da irrelevância que o inseto tinha até então e deverá ser revisto em breve. Nos países da América Tropical, o controle químico é feito com inseticidas sistêmicos ou de contato, procurando selecionar aqueles ingredientes ativos menos tóxicos aos inimigos naturais [10, 11, 18]. Após a fase de grão leitoso, não se recomenda mais a pulverização de inseticidas. Nos casos de alta infestação, que venha a ser controlada com inseticidas, normalmente são necessárias duas aplicações seqüenciais, espaçadas de 12 a 15 dias. Essa sequência deve ser adotada, pois muitos ovos, protegidos dentro das nervuras das folhas, permitem a reinfestação por ninfas após o período de proteção dos produtos [17]. 1.6 Referências bibliográficas 1. EVERETT, T.R. Vectors of Hoja Blanca Virus. In: The virus diseases of the rice plant. Baltimore: Johns Hopkins Press, 1967. p.111-116. 2. FERREIRA, E. Fauna prejudicial. In: Santos, A.B.; Stone, L.F.; Vieira, N.R.A. (eds). A cultura do arroz no Brasil. Santo Antônio de Goias: Embrapa Arroz e Feijão, 2006. 1.000p. 3. FERREIRA, E.; BARRIGOSSI, J.A.F.; CASTRO, E.M.. Homópteros associados ao arroz. Santo Antônio de Goias: Embrapa Arroz e Feijão, 2003. (Embrapa Arroz e Feijão. Documentos, 152). 4. FERREIRA, E.; SILVEIRA NETO, S. Flutuação populacional de Sogatodes orizicola (Muir, 1926) em Piracicaba-SP. (Homoptera, Delphacidae). Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, v.8, n.2, p.207-215, 1979. 5. FERREIRA, E.; ZIMMERMANN, F. J. P.; MARTINS, J. F. da S. Infestação, dano e controle de inse- tos prejudiciais ao arroz de sequeiro. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.29, n.12, p.1860-1876, 1994. 6. GULLAN, P.J.; CRANSTON, P.S. Os insetos: um resumo de entomologia. 3 ed. São Paulo: Rocca, 2008. 440p. 7. JENNINGS, P.R.; PINEDA, A. El efecto del virus de la Hoja Blanca sobre su insecto vetor. Phyto- pathology, v.61, p.142-143, 1971. 8. MARIANI, R.; LENICOV, A.M.M.R. Tagosodes orizicolus (Muir, 1926), vector del “virus de la hoja blanca del arroz” (HBV) en la República Argentina (Homoptera-Delphacidae). Revista de la Facul- tad de Agronomía, v.104, n.2, p.151-156, 2000/2001. 9. MARTINS, J.F.S; GRÜTZMACHER, A.D.; CUNHA, U.S. Descrição e manejo integrado de insetos- pragas em arroz irrigado. In: Gomes, A.S.; Magalhães Jr., A.M. (eds.). Arroz irrigado no Sul do Brasil. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2004. 899p. 10. MENESES C., R.; CLAVERT, L.; GUTIERRES Y., A.; GÓMEZ S., J.; HERNÁNDEZ C., J. Manejo integrado de los principales insectos y ácaros plagas del arroz. La Habana: Instituto de Investi- gaciones del Arroz, 2008. 121p. 1 http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/ principal_agrofit_cons
  • 12. 12 11. MENESES C., R.; GUTIÉRREZ Y., A.; GARCIA R., A.; ANTIGUA P., G.; GÓMEZ S., J.; CORREA V., F.; CALVERT, L. Guía para el trabajo de campo en el manejo integrado de plagas del arroz. Cali: CIAT/FLAR, 2001. 71p. 12. MORALES, J.F.; JENNINGS, P.R. Rice hoja blanca: a complex plant–virus–vector pathosystem. CAB Reviews: Perspectives in Agriculture, Veterinary Science, Nutrition and Natural Re- sources, v.5, n.43, p.1-16, 2010. 13. PANTOJA, A. Manejo integrado de artrópodos plaga. In: PANTOJA, A.; FISCHER, A.; CORREA- VICTORIA, F., SANINT, L.R.; RAMÍREZ, A.; TASCÓN, E.; GARCIA, E. MIP en arroz: manejo inte- grado de plagas - artrópodos, enfermedades y malezas. Cali: Ciat, 1999a. p.11-29. (Ciat. Publica- ción, 292). 14. PANTOJA, A. Artrópodos plaga relacionados con el arroz em America Latina. In: PANTOJA, A.; FISCHER, A.; CORREA-VICTORIA, F., SANINT, L.R.; RAMÍREZ, A.; TASCÓN, E.; GARCIA, E. MIP en arroz: manejo integrado de plagas - artrópodos, enfermedades y malezas. Cali: Ciat, 1999b. p.60-98. (Ciat. Publicación, 292). 15. PATHAK, M.D.; KHAN, Z.R. Insect pests of rice. Manila: IRRI, 1994. 89p. 16. PRANDO, H.F. Manejo de pragas em arroz irrigado. In: Epagri. A cultura do arroz irrigado pré- germinado. Florianópolis, 2002. 273p. 17. REISSIG, W.H.; HEINRICHS, E.A.; LITSINGER, J.A.; MOODY, K.; FIEDLER, L.; MEW, T.W.; BARRION, A.T. Illustrated guide to integrated pest management in rice in tropical Asia. Los Baños: IRRI, 1986. 410p. 18. RINCON, V.H.P.; ACOSTA, O.L.H.; BASTIDAS, H.; HERNANDEZ, P.; REYES, L.A. Manejo inte- grado de sogata (Tagosodes orizicolus) Muir em el cultivo de arroz em los Llanos Orientales. Villavicencio: Fedearroz, 1999. s.p. Disponível em: <http://bibliotecadigital.agronet.gov.co/bitstream/ 11348/6456/1/Manejo%20integrado%20de%20sogata%20muir%20en%20el%20cultivo%20de%20ar roz.pdf>. Acesso em: 01.jun.2020. 19. RODRÍGUEZ DELGADO, I.; PÉREZ IGLESIAS, H.I.; SOCORRO CASTRO, A.R. Principales insec- tos plaga, invertebrados y vertebrados que atacan el cultivo del arroz en Ecuador. Revista Científi- ca Agroecosistemas, v.6, n.1, p.95-107, 2018. Disponível em: https://aes.ucf.edu.cu/ in- dex.php/aes. Acesso em: 01.jun.2020. 20. VIVAS C., L.E.; CASTILLO, P.R. Manejo de plagas. Insectos. In: PÁEZ, O. (org.). El cultivo del arroz en Venezuela. Maracay: Instituto Nacional de Investigaciones Agrícolas. 2004. p.138-152. (INIA. Manuales de Cultivo, 1).