O documento discute a realização do XXIV Congresso da SOBRAMES em outubro de 2012 em Curitiba, Paraná. Também inclui poemas, citações, anedotas e uma história sobre uma entrevista fictícia com o presidente Obama.
E D I Ç Ã O V E R Ã O 2 0 0 9
o
FAMÍLIa Silva
GRALHA AZUL
GRALHA AZUL
BOLETIM MENSAL - No. 19 - JANEIRO - 2012 - SOCIEDADE BRASILEIRA DE MÉDICOS ESCRITORES - SOBRAMES - PR
XXIV CONGRESSO DA SOBRAMES
Foto da VI Jornada da Sobrames em São Luis do Maranhão, entre amigos, Paulo Camelo, Sérgio
Pitaki, Walter Miranda, Josemar Alvarenga e José Maria Chaves comemorando o lançamento do
primeiro cartaz do XXIV Congresso da Sobrames, que será realizado entre os dias 11-13 de Outubro de
2012 em Curitiba, Paraná.
Naquela querida capital do Estado do Maranhão foram oficializados vários pontos importantes
para a realização do XXIV Congresso. Tive a satisfação de apresentar os prólogos do Congresso por
quase uma hora, dentro da programação da Jornada, a convite do caríssimo Michel Herbert. Sugeri
nesta oportunidade eleger entre os presentes, sobramistas ativos e desejosos de colaborar com a
divulgação nacional do evento e foram os escolhidos: Paulo Camelo de Pernambuco, José Carlos Serufo
de Minas Gerais , Hélio Begliomini de São Paulo e eu do Paraná, como presidente do Congresso. Essa é
a comissão nacional para assuntos estratégicos, entre estes, congregar o maior número de confrades e
confreiras para participarem ativamente deste evento. A comissão local, composta pelos confrades Fahed
Daher, Sonia Braga, Ari Jurkievicz, Hélio Germiniani e Mário Stival.
O Hotel Bourbon, no centro de Curitiba foi escolhido para a abertura e realização do evento, a
pedidos, o jantar em Santa Felicidade será no Restaurante Don Antônio e o encerramento festivo com
jantar e premiação seraá no Salão Ruby do Círculo Militar do Paraná.
Todos serão muito bem-vindos.
Sérgio Pitaki
2.
Oração Ao Tempo
Caetano Veloso ! TEMPO
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho ! O tempo é parceiro. Pode ser. O tempo é inimigo.
Tempo tempo tempo tempo Pode ser. Tento entendê-lo.
Vou te fazer um pedido
Compositor de destinos ! Há dois anos deixei de usar relógios de pulso.
Aposentei-os. O tempo parece igual. Eu é que mudei.
Tambor de todos os rítmos
Mudo todos os dias. Ele não. Continua voraz. Inexorável.
Entro num acordo contigo
Contundente. Às vezes, feroz.
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo ! Drumond, na sua poesia descreve como gênio, o
És um dos deuses mais lindos ser humano que dissecou o tempo e o dividiu. Criou o
Que sejas ainda mais vivo começo, meio e fim. Com direito a renovação e a um novo
No som do meu estribilho início, chamado Esperança.
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo ! Tento imaginar como Castro Alves pensava sobre o
tempo. Viveu. Lutou. Brilhou. E jovem, morreu. Mas vive
Peço-te o prazer legítimo
para nós. Sua vida é um colossal templo ao tempo.
E o movimento preciso
Mostra-nos ou melhor ensina-nos que há muito para fazer
Quando o tempo for propício em pouco tempo. Ainda há ouvidos para a poesia. Há
De modo que o meu espírito corações para o melhor da humanidade.
Ganhe um brilho definido
E eu espalhe benefícios ! O que fazer com o novo tempo chamado 2012?
O que usaremos prá isso Não uso relógio. Sigo meu coração, minhas paixões,
Fica guardado em sigilo determinacões. Aprendo em Drumond a criar a Esperança
e usá-la como Antônio Frederico de Castro Alves em seus
Apenas contigo e comigo
apenas 24 anos.
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo ! Caetano negocia com o Tempo. Pede-lhe o “prazer
Não serei nem terás sido legítimo e o movimento preciso”, e que seu “espírito
Ainda assim acredito ganhe um brilho definido e espalhe benefícios”. É um
Ser possível reunirmo-nos poeta com poesia e ação. Demonstra musicalmente a
Num outro nível de vínculo humildade em pedir ao Tempo, desde que ele é o
Portanto peço-te aquilo “compositor de destinos” e “tambor de todos os ritmos”.
E te ofereço elogios
Vamos usar o tempo sem que ele nos use. Vamos cheirar,
Nas rimas do meu estilo
vestir, investir, engravidar o tempo, e que seja pródigo na
Tempo tempo tempo tempo...
sua prole. Que nos suporte até a sensação final de termos
OUÇA EM:
http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/
bem vivido, bem dividido, bem sonhado, bem feito o bem,
até “sairmos para fora do teu círculo” - Tempo.
! ! ! ! ! ! SPitaki
“Cortar o tempo
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra
vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”
Carlos Drummond de Andrade
BOLETIM MENSAL - SOBRAMES PARANÁ - GRALHA AZUL No 19 - JANEIRO 2012 2
3.
Confúcio
“Mil dias nãobastam para aprender o bem; mas Mil dias não bastam para aprender o bem;
mas para aprender o mal, uma hora é demais.”
Marquês de Maricá
“Nenhum tempo e nenhum lugar nos agrada tanto como o tempo que não existe, e o lugar em
que não estamos.”
Confúcio
“O mestre disse: Quem chega aos quarenta anos sem ser estimado, não o será nunca mais.”
Herbert Spencer
“Tempo é aquilo que o homem está sempre tentando matar, mas que no fim acaba matando-o.”
Honoré de Balzac
“O tempo é o único capital das pessoas que têm como fortuna apenas a sua inteligência.”
Oscar Wilde
“Cada um de nós para o tempo em busca do segredo da vida. O segredo da vida está na arte.”
Mário Quintana
“Tempo
Coisa que acaba de deixar a querida leitora um pouco mais velha ao chegar ao fim desta linha.”
ANEDOTÁRIO:
SPitaki
Luis de
O.V.N.I.
Camões
Suspeito
objeto
voador
não
iden2ficado
De
Norte
ao
Sul,
vagueia
pelo
Brasil
e
De
Leste
a
Oeste
é
deslocado
No
firmamento,
vê-‐se
a
mil
E
FAC
K
Objeto
iden2ficado
na
sociedade
com
BOO
Alterna2vos
preceitos,
No mundo quis um tempo que se achasse
ora
verso,
ora
prosa,
ora
ação
o bem que por acerto ou sorte vinha;
Preenche
nossas
páginas
com
felicidade
e, por experimentar que dita tinha,
Sempre
contente
e
sempre
prosa
quis que a Fortuna em mim se experimentasse.
Ficamos
a
mercê
da
alegria
Mas por que meu destino me mostrasse
Amizade,
peito
aberto.
que nem ter esperanças me convinha,
Ao
longe,
nas
Minas
nunca nesta tão longa vida minha
cousa me deixou ver que desejasse.
Acima,
o
céu
azul
anil
Com
nuvens
e
estrelas
Mudando andei costume, terra e estado,
Como
é
bom
o
ser
U.F.O.
(*)
por ver se se mudava a sorte dura; Dr. José Carlos Serufo
a vida pus nas mãos de um leve lenho. Professor adjunto da FM-UFMG
Membro titular da Academia Mineira de Medicina
(Cad. 67)
Mas (segundo o que o Céu me tem mostrado) Membro titular da ABRAMES (Cad.10) e da Sobrames
já sei que deste meu buscar ventura, Membro titular da Arcádia de Minas Gerais
Membro associado do IGHMG (Cad. 44)
achado tenho já, que não a tenho.
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4.
Eberth Vencio -Sobrames GO
“Engulam: os Estados Unidos mandaram o homem à lua, e nós enviamos o nosso
Revista Bula
homem para falar com o Obama!”. Foi com estas palavras, sentado em sua cadeira reclinável
de tecido puído, com os pés cruzados sobre a mesa, os cantos da boca espumando como um
cão raivoso, que o editor da Revista Bula provocava um concorrente da imprensa,
vangloriando-se pela entrevista que Obama concedera a mim em Nova Iorque.
Quando a gente conta, o povo nem acredita: “Como assim, você e o... Obama?!”.
Como diria Katilaine Suellen (cujo nome no érre-ge é Maria Aparecida da Silva), estriper da
gaiola de número 3 do Buraco Azul Entretenimentos: “A vida é feita de contatos, tigrão.
Relacionamento é tudo. Com uma agendinha azul nas mãos se vai longe, gracinha”. É de
fazer muitos deputados federais tremerem nas bases.
Nova Iorque é realmente uma metrópole incrível, por mais que ativistas antiamericanos queimem bandeiras ianques e jurem o
contrário. Ela cheira à modernidade. Multidões entopem as calçadas falando dialetos do mundo inteiro. Uma mescla de cultura, alta
tecnologia e consumismo desmedido.
“O que mais te impressionou em Nova Iorque?”, foi a segunda pergunta que me fez o editor quando retornei ao Brasil (a primeira
foi: “sobrou algum dólar, meu chapa?”). Há tempos eu ansiava conhecer Nova Iorque, única cidade estadunidense que apetecia o meu apetite
turístico. Cético não curto diversão e fantasia. Portanto, cassinos e disneilandias jamais frequentaram a minha lista de destinos prováveis.
Para subir na vida é necessário nascer rico, usar uma escada ou participar de algum esquema mensalão. Tem um jeito muito mais
custoso no qual se depende muito da sorte: trabalhar duro. Então, quebrando alguns porquinhos de porcelana e vendendo rifas honestas para
os amigos e familiares durante todo o ano de 2011, a Revista Bula conseguiu arrematar um pacote de três noites, a ser pago em doze parcelas,
para este abnegado cronista.
Por que Obama falaria com a gente? Por que, então, a entrevista não foi concedida em Washington-di-ci? Por que a imprensa
brasileira não repercutiu amplamente um encontro de tamanha envergadura? Por que eu penso que vocês vão mesmo acreditar numa estória
como desta? Bem, por uma questão de honra e segurança nacional, nós prometemos a CIA que não entraríamos em maiores detalhes com os
leitores e os despeitados. Portanto, prossigamos.
Ficou acertado entre as partes que a entrevista seria concedida no Central Parque, em Nova Iorque, para despistar terroristas de
plantão e deixar esta crônica ainda menos factível. O encontro foi marcado para um domingo, às 5 horas ei-eme (o Presidente acorda cedo
barbaridade), no calçadão defronte o Dakota, edifício onde morava e foi assassinado o bítou John Lennon. Eu deveria comparecer ao mórbido
local combinado sem atraso, devidamente paramentado com o vestuário de mendigo que me fora entregue no Mércuri Rotéu dentro de uma
caixa de presentes das Loja Meices.
Fissurados com a segurança do homem mais importante do planeta (depois dos doutores Abimael e Aristoclides, respectivamente,
meu proctologista e meu psiquiatra), o plano era que nós nos passássemos por reles moradores de rua. Tá pensando o quê? A bigue-épou
também tem lá os seus miseráveis. Na verdade, o mundo é uma selva só. Pra mim seria mole vestir o sapeca-negrinho. Agora, praquela
autoridade crioula... (Por favor, chatos de plantão, não me levem tão a sério ao ponto de me acusarem de racista! Visitem a Bahia!).
Então fizemos o nosso teatrinho diplomático, monitorizados à distância por dezenas de agentes da Inteligência disfarçados de seres
desinteligentes, como bêbados, estátuas, esquilos e turistas endinheirados sem cultura.
Enquanto caminhávamos pela paisagem cinza e friorenta do Central Parque, tomando um copão de café ralo e sem sabor, sapequei
algumas perguntas:
Bula — Quem é afinal o homem Obama?
Oba — I was born in Honolulu. I liked surffing. So I smoked hashish when I was younger. My father was black, my mother was
white, my stepfather was asiatic and the sky is so gray today.
Bula — Durante uma entrevista coletiva, a Presidenta Cristina Kirchner fez uma piadinha propondo a criação de uma organização
composta por presidentes e ex-presidentes pitimbados pelo câncer (Lula, Fernando Lugo, Dilma, Chávez, Quico e o Senhor Madruga). Como
anda a saúde do senhor?
Oba — Only the strong survive (risos). I have my body closed. President Cristina was just kidding. Her “personal cancer” was a joke
too. She looks very nice, doesn’t she?!
Bula — O Presidente Chávez insinuou que a suposta praga cancerígena que atormenta a cúpula latino-americana seria resultado de
mau olhado, ou mesmo, um misterioso e secreto envenenamento dos EUA...
Oba — You know that Chávez doesn’t like me. I don`t like his TV program too. It’s not funny. I prefer The Chapolim Colorado.
You see: if macumba could win games, the Bahia Soccer Championship wouldn`t never have a winner... (risos, again).
Bula — O senhor ficou chateado com o Presidente Lula por ter perdido a concorrência como país sede da Copa do Mundo de
Futebol de 2014?
Oba — Oh, no… Lula was the man. Dilma is the woman. George Michael is the gay. And I am the walrus. (aqui ele fez uma clara
referência à antiga canção “I am the walrus”, de Lennon e McCartney).
Bula — Com tanta interferência bélica no planeta, não pareceu meio cínico e provocador que o senhor recebesse o Prêmio Nobel da
Paz em 2009?
Oba — Why not?! After all, in your country, Ivo Pitanguy, Paul Rabbit and Joseph Sarney are members of the Brazilian Literature
Academy. That’s much more strange and funny.
Bula — Quem o senhor considera o nome mais influente hoje no planeta?
Oba — Michel Teló, of course! (Neste momento da entrevista, Obama faz uma pausa em nossa caminhada pelo parque ainda
escuro, requebra e canta bastante desafinado) “Wow, wow, this way you’re going to kill me / Wow if I catch you, wow my god, if I catch you /
Delicious, Delicious, this way you’re going to kill me…” (gargalhamos até doer o baço; até um cara disfarçado de coruja caiu da árvore).
Bula — Durante a campanha, o senhor prometeu que desativaria o presídio de Guantánamo. E aí?! É pra quando?!
Oba — Would you please lend me Capitão Nascimento, my friend? (laughing).
Bula — Ei, Presidente! Aquela japonesa velhinha ali na frente é a Yoko Ono?! Eu não posso acreditar no que meus olhos veem...
Oba — Yes, baby. That’s Yoko. Let’s talk to her right now!
Assim interrompemos a nossa descontraída entrevista para participarmos do solitário ritual da viúva de John Lennon junto ao Monumento
Strawberry Fields, construído em sua memória dentro do Central Parque. Dia 8 de dezembro de 2011 completaram-se 31 anos da morte do
John. Abraçados e profundamente condoídos, nós cantamos “Imagine”, bem baixinho. E eu lhes garanto que vi uma lágrima rolar pelo rosto
do simpático Obama.
P.S. — Se você não lê inglês, e ficou puto-da-vida comigo, faça como eu: use o gugou tradutor ou pergunte a sua irmã caçula, a sua filhinha ou
a sua neta. Mexa-se! Afinal, a Copa do Mundo e as Olimpíadas vêm aí!
EXPEDIENTE: Editor Responsável e Presidente Sobrames Paraná: Sérgio Pitaki ;Vice-Presidentes: Fahed Daher e
Sonia Braga; Secretários: Paulo Maurício Piá de Adrade e Maurício Norberto Friedrich; Tesoureiros: Maria Fernanda
Caboclo Ribeiro e Edival Perrini. contacto: sergiopitaki@gmail.com , fones:41-30131133; 41-99691233
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