FILIGRANA POÉTICA
Marco Aurélio Bicalho de Abreu
Chagas
Nossa Casinha
Nasceu de um subsolo.
Erguida com carinho,
nela estamos felizes,
é ela o nosso ninho.
Tem ela uma salinha,
o seu quarto é de amor,
possui uma cozinha.
Toda ela é calor.
***
A ÁRVORE
Em certo dia se deu
um encontro engraçado,
da árvore lá do asfalto,
com a árvore do cerrado.
Aquela tão assustada,
disse pra esta, surpresa,
-você tem o tronco claro
e o meu tronco é todo preto!
A árvore lá do cerrado,
com sutil delicadeza,
-você mudou pra cidade,
e perdeu sua pureza.
A CHUVA
A chuva cai,
cai a chuva, vai
molhando, molhando
o chão molhado.
Na cidade, lava, limpa,
suja, destrói;
no campo fertiliza a terra.
Na cidade impede o tráfego,
dificultando tudo.
No campo é sinal de fartura.
Cai, no solo, cai
a chuva.
ELIZABETH
Envolvendo um doce aroma,
Leve, suave e feliz;
Isento de olor estranho,
Zainfe, manto de amor,
Afagando um sentimento,
Belo aos olhos de quem ama,
Elevado ao que é vulgar,
Tecido com todo afeto,
Havido só de ternura.
***
A Natureza
O contato com a natureza nos emociona frente
à maravilha e simplicidade do que ela nos
apresenta. O equilíbrio se manifesta das mais
diversas formas, permitindo, assim, a existência
harmoniosa da Criação, dos vegetais e do pró-
prio homem, como elemento ativo e componen-
te da mesma.
O instinto animal externado no relacionamento
entre o animal e seu filhote,
aos olhos humanos é enternecedor, pois dá
mostras do calor materno impregnado na mesma
Criação, que é fonte de afeto.
Nasceu o dia na roça,
o gado muge feliz,
o sol reflete na choça.
O galo canta bem alto,
galinha cisca o terreiro.
É conduzido ao curral
O belo gado leiteiro.
A M A R
AMAR palavra harmoniosamente composta de quatro
letras, combinadas:
Admiração, afeto conjugados com a
Modéstia, a mesura e a moderação, vinculadas ao
Acatamento e aconchego, que fazem
Rir e chorar unidos até o final dos tempos.
***
UNIVERSAL HARMONIA
Se o sol brilha no espaço,
se a água corre pro mar,
existe algo grandioso,
ninguém pode olvidar.
REFLEXÃO
"Meio de vida que
consome a própria vida."
Consome, some
denigre.
A sociedade
o agride.
Para, caminha
e finge
viver a vida
já finda.
Modus vivendi,
e sente
ser consumida
A DERROTA
Não perdoo os insensatos,
detesto os desprevenidos,
amaldiçoo os ingratos,
temo todos os destemidos.
Dentre as belezas que vi,
na Obra do Criador,
foi a que em seus olhos li,
que me dizia de AMOR.
O UNIVERSO
Na vermelhidão do poente
estampa-se a grandeza universal.
Nesta incomensurável beleza
os problemas que nos assolam
deixam de abarcar nossa vida
e caem no vazio.
Perdem o tamanho que aparentam ter
e se esvaem na pequenez.
***
SILHUETA
Uma silhueta num quadro natural,
rajada de azul e amarelo
sepulcral.
Espalha a candura do entardecer,
com sombras negras,
caindo ao solo
e refletindo
nas elevações.
O negro invade as cores
e projeta
na tela visual
contornos opacos,
criando novas formas
e surge a silhueta
de um coqueiro
bailando
ao vento.
***
PARALELO
VIDA DA CIDADE VIDA DO CAMPO
Monstros erguidos Montes com ondulados
em concreto; suaves;
asfalto causticante; verde agreste;
céu cinzento e céu azulado e
poluído transparente
onde a vida onde a vida
é é
ARTIFICIAL. NATURAL.
HARMONIA
Partitura solta ao ar.
Violino repousando na mesa,
projetando nela
as sombras de seu talhe,
graças à luz
suave de um abajur.
Uma arco apoiado
em mil folhas musicais.
Um “pisa-papéis”.
Tudo, harmonicamente,
compondo um quadro
Os Quatro Cavaleiros do
Apocalipse no Mundo Atual
"O planeta continua a navegar num mar
de hipótese."
Quatro cavaleiros andam,
vagando por entre os vales
e montanhas deste mundo.
Ora gritam, gemem, cantam...
Cantam, contando as histórias
de um futuro sem certeza,
anunciando as mazelas
de um caminho sem firmeza.
São voadores incansáveis,
andarilhos sem temor,
semeando onde passam
mil vinganças, desamor.
Em suas roupas vê-se a cor,
de um passado obscuro.
em suas faces vive a dor,
de uma vida sem futuro.
Empunham suas armas brancas,
como triunfais troféus
apontadas para os homens,
camufladas em seus véus.
Precursores de conflitos,
arrastam consigo a guerra.
Alimentam-se de gritos,
com temores e querelas.
Seus nomes definem bem
os perfis desses sinistros
personagens em quarteto,
imunes e detratores.
INFLAÇÃO é o primeiro,
segue o DEFICIT em ação.
É o TERRORISMO o terceiro,
finda o PETRÓLEO em jorrão.
R I O Rio,
riacho,
ribeirão,
rompendo
por entre
as várzeas,
dando exemplo
de juventude.
Renovando
constantemente
suas águas
num
dinamismo
heróico.
É a natureza
dando exemplo
ao homem
de sua infinita
e eterna sabedoria.
O MUNDO ATÔMICO
Vida eclodindo da fonte,
vibrando como uma partícula
Da eterna essência universal,
eclodindo em infinitas
manifestações de energia,
dando provas
da eternidade
da existência.
Eclosão de movimento
dentro da própria dinâmica
que caracteriza a vida universal.
Síntese das sínteses.
Negação da morte;
índice de transformação
e
afirmação do eterno.
O MUNDO ATÔMICO, INFINITO MUNDO DOS MUNDOS.
PENSAMENTO - NOTÍCIA
Corre ligeiro o pensamento,
dando aqui e ali
notícias fantásticas... mas reais.
Ora da guerra no Oriente,
ora do conflito dentro da gente,
ora do nascimento de uma semente,
que cai ao solo e germina,
e sente,
e geme,
anunciando vida.
Corre ligeiro o pensamento,
dando aqui e ali
Ora falando de paz,
ora exortando a guerra,
ora convencendo às gentes
de que a terra está cheia.
E o sangue corre na veia
de um recém-nascido.
Corre ligeiro o pensamento,
dando aqui e ali
notícias fantásticas... mas reais.
Ora cantando amor,
ora orando a Deus,
ora chorando a dor,
ora adorando a flor.
E uma bomba explode
Corre ligeiro o pensamento,
dando aqui e ali
notícias fantásticas... mas reais.
Ora convidando a todos,
para um concílio de fé.
Ora anunciando
a vinda de um embaixador
seja lá quem for.
Ora, como manchete:
o PETRÓLEO ACABOU.
E a morte no Oriente
reiniciou.
Corre ligeiro o pensamento,
dando aqui e ali
Ora gritando: TRÉGUA!
ora erguendo ídolos,
ora soterrando outros,
ora em gritos roucos,
lamentando o futuro.
E a notícia de um eclipse
que escurece o mundo.
A VOZ HUMANA
Em meio à hecatombe da guerra uma voz ecoa pelos céus
enfumaçados:
-CHEGA DE BARBÁRIE!
Era a voz humana cansada de tanta selvageria.
Era a voz humana iluminada pela Razão Superior.
Era a voz humana gritando através do espírito.
Era a voz humana esbravejando inspirada na sensibilidade.
Era a voz humana exaltada pelo sentimento de humanidade.
Era a voz humana tomando contato consigo mesma.
Era a voz humana exigindo humanismo da espécime que leva
o seu nome.
Era a voz humana sendo ouvida novamente depois de ter sido,
durante tanto tempo, eclipsada pelas vozes roucas e surdas
das metralhadoras, bombas e canhões.
UMA QUESTÃO DE OPÇÃO
O consumo por uma sociedade
consumível e consumida.
O homem se distanciando de si mesmo
e se confundindo
com a sua criação numa luta infernal.
Fui criado para isto?
Para isso existo?
A matéria é para ele
um monstro devorador.
E o mental,
O que não é matéria?
O que ainda não se materializou?
Posso continuar a ser um animal
ou
caminhar para ser um homem.
É uma questão de opção.
A BUSCA DE UM PORQUÊ
Imóvel.
Inamovível.
Estático
estava ele aos pés da Criação.
Nada entendia.
Por quê?
Eram ele e a Criação.
Ele como parte dela,
Mas não a entendia.
POR QUÊ?
Queria entendê-la.
Queria transcender ao comum.
Queria, enfim, algo mais.
Queria mover-se.
Queria deixar de ser o que era,
para ser aquilo que queria ser.
Queria ser livre.
COMO?
UMA CANÇÃO
Uma canção
que fale de amor
numa canção
que fale de paz
uma canção que não fale de dor
é uma canção e muito mais.
Ao levantar pelas manhãs
sinto a alegria de viver
toda a ventura que vibra em mim
traz a grandeza de um renascer.
A vida é linda.
A natureza.
É lindo o sol.
É lindo o luar.
É linda a chuva.
É lindo o mar.
Por que a tristeza?
Por que essa dor?
É linda a vida,
É linda a flor.
Por isso eu quero
viver a vida
e não gastá-la em vão.
Por isso eu quero
viver contente
R E F L E X Õ E S
A vida não é só tristeza.
A vida não é só saudade.
É formada de partículas,
“pouquitos” de felicidade.
O mundo não é um caos.
Não é feito de ódios.
O mundo também possui
muito amor e afeto
que se demonstram
em singelo gesto:
um cumprimento...
um até logo...
O mundo não é só guerras.
O que são as guerras?
São as irreflexões humanas.
São decisões sem razão.
São um cantar sem canção.
Os pensamentos,
Muitos maus no mundo há,
que o ser humano
delicia-se em criar.
A vida é repleta de coisas belas
que o homem não sabe aproveitar
ele só quer ver as coisas
que o fazem chorar.
Chorar de tristeza,
de amargura e vazio
tal como um condenado
Existe DEUS?
Muito jovem se inquieta,
muito homem se interroga.
Basta olhar para si mesmo
para a natureza, enfim,
e verá que é concebível
a existência de DEUS.
Se isso não convém
pode o homem
só pelas palavras
convencer a um cético,
que é o mais crente dos crentes,
Ó crenças, ó sois vós
as que fizestes ao homem
tornar-se um não sei quê,
impedindo-o de pensar, de refletir
de usar suas faculdades.
Só lhe ordenastes : - CREIA!
SAUDADE!
Saudade da vida,
saudade do amor que se foi.
Saudade da vida que passou.
Saudade da saudade.
Saudade dos momentos felizes
que só regressam em nossa recordação,
tendo como fundo uma melodiosa canção.
Mescla de tristeza e alegria.
Saudade, vontade de viver novamente o vivido.
Vontade de retroceder no tempo e reviver
todo o passado no presente.
Saudade é algo que a gente
sente lá dentro do peito
e que muita vez se extravasa
ESPERANÇA
Havendo vida, há amor,
havendo amor, há paz,
havendo paz, há harmonia,
havendo harmonia, há felicidade,
havendo felicidade, há alegria,
alegria de viver, de amar e sorrir.
Alegria de cantar, de realizar,
de fazer algo pela vida.
É TEMPO.
É tempo
de mostrar ao mundo
uma nova forma de viver.
Viver de amor,
amor consciente,
vinculados
coração e mente.
Viver de felicidade.
Viver de alegria.
Valorizar a saudade.
Esquecer a tristeza
e não sofrer de nostalgia.
Viver uma nova era.
Viver uma nova vida.
Deixar aquela sofrida
e compreender a essência
de uma linda
e superior existência.
Pense no importante que é
ser consciente da vida
e vivê-la com amplidão
senti-la, vivê-la
e amá-la com gratidão.
Gratidão ao amanhecer,
ao luar, ao anoitecer,
ao mar.
Gratidão a quem tudo isso nos deu.
Como é bom saber viver,
viver para a vida
para uma caminhada
sem se preocupar com o fim.
Não estar ansiosos pela chegada,
nem sofrer pela partida.
Como é bom viver a vida!
VOAR...VOAR...VOAR.....
Sem prender-me a qualquer coisa
e voando como um falcão
vou aos montes, desço à relva
e me encontro em solidão.
Quisera saber por quê
há o Universo infinito
a desafiar-me assim:
vou aos montes, desço à relva
e não me encontrei em mim.
UM SER OCULTO
Neblina...
Ofuscação...
Tudo em fumaça,
formas não definidas,
sombras, sombras infindas,
um vulto opaco.
Não se lhe via a face
nem sequer a forma.
Era apenas um vulto.
O sol, a luz diáfana,
não penetrava nessa alcova
sombria e profana
onde imperava a escuridão
E um vulto indefinido...
Mas eis que se abre uma fresta
e um raio de luz penetra,
uma luz radiante.
Uma luz enérgica e estimulante
que iluminou do vulto
o semblante.
Vislumbrei-me com sua face
que com um estimulante passe
abri mais aquela fresta
que dera passagem à luz
e pude ver bem mais claro,
na escuridão delineado,
o meu ser interno.
R O S A
Bela,
meiga e formosa
é você amiga rosa.
Suas pétalas,
seu perfume encantador
que exala
pela natureza em flor
rosa, você é
a expressão
mais sublime
do amor.
Ó rosa, símbolo do afeto
que simboliza
o mais sublime gesto
do pensamento humano
não permita que lhe utilizem
para um fim profano.
Rosa, você que é
portadora de um pensamento terno
de uma recordação feliz
de um sofrimento angustiante
em cada gota de orvalho
que brota de suas pétalas
o raio de sol radiante
imprime em cada gota
as cores da aquarela.

Filigrana poetica

  • 1.
    FILIGRANA POÉTICA Marco AurélioBicalho de Abreu Chagas
  • 2.
    Nossa Casinha Nasceu deum subsolo. Erguida com carinho, nela estamos felizes, é ela o nosso ninho. Tem ela uma salinha, o seu quarto é de amor, possui uma cozinha. Toda ela é calor. ***
  • 3.
    A ÁRVORE Em certodia se deu um encontro engraçado, da árvore lá do asfalto, com a árvore do cerrado. Aquela tão assustada, disse pra esta, surpresa, -você tem o tronco claro e o meu tronco é todo preto! A árvore lá do cerrado, com sutil delicadeza, -você mudou pra cidade, e perdeu sua pureza.
  • 4.
    A CHUVA A chuvacai, cai a chuva, vai molhando, molhando o chão molhado. Na cidade, lava, limpa, suja, destrói; no campo fertiliza a terra. Na cidade impede o tráfego, dificultando tudo. No campo é sinal de fartura. Cai, no solo, cai a chuva.
  • 5.
    ELIZABETH Envolvendo um docearoma, Leve, suave e feliz; Isento de olor estranho, Zainfe, manto de amor, Afagando um sentimento, Belo aos olhos de quem ama, Elevado ao que é vulgar, Tecido com todo afeto, Havido só de ternura. ***
  • 6.
    A Natureza O contatocom a natureza nos emociona frente à maravilha e simplicidade do que ela nos apresenta. O equilíbrio se manifesta das mais diversas formas, permitindo, assim, a existência harmoniosa da Criação, dos vegetais e do pró- prio homem, como elemento ativo e componen- te da mesma. O instinto animal externado no relacionamento entre o animal e seu filhote, aos olhos humanos é enternecedor, pois dá mostras do calor materno impregnado na mesma Criação, que é fonte de afeto.
  • 7.
    Nasceu o diana roça, o gado muge feliz, o sol reflete na choça. O galo canta bem alto, galinha cisca o terreiro. É conduzido ao curral O belo gado leiteiro.
  • 8.
    A M AR AMAR palavra harmoniosamente composta de quatro letras, combinadas: Admiração, afeto conjugados com a Modéstia, a mesura e a moderação, vinculadas ao Acatamento e aconchego, que fazem Rir e chorar unidos até o final dos tempos. ***
  • 9.
    UNIVERSAL HARMONIA Se osol brilha no espaço, se a água corre pro mar, existe algo grandioso, ninguém pode olvidar.
  • 10.
    REFLEXÃO "Meio de vidaque consome a própria vida." Consome, some denigre. A sociedade o agride. Para, caminha e finge viver a vida já finda. Modus vivendi, e sente ser consumida
  • 11.
    A DERROTA Não perdooos insensatos, detesto os desprevenidos, amaldiçoo os ingratos, temo todos os destemidos.
  • 12.
    Dentre as belezasque vi, na Obra do Criador, foi a que em seus olhos li, que me dizia de AMOR.
  • 13.
    O UNIVERSO Na vermelhidãodo poente estampa-se a grandeza universal. Nesta incomensurável beleza os problemas que nos assolam deixam de abarcar nossa vida e caem no vazio. Perdem o tamanho que aparentam ter e se esvaem na pequenez. ***
  • 14.
    SILHUETA Uma silhueta numquadro natural, rajada de azul e amarelo sepulcral. Espalha a candura do entardecer, com sombras negras, caindo ao solo e refletindo nas elevações.
  • 15.
    O negro invadeas cores e projeta na tela visual contornos opacos, criando novas formas e surge a silhueta de um coqueiro bailando ao vento. ***
  • 16.
    PARALELO VIDA DA CIDADEVIDA DO CAMPO Monstros erguidos Montes com ondulados em concreto; suaves; asfalto causticante; verde agreste; céu cinzento e céu azulado e poluído transparente onde a vida onde a vida é é ARTIFICIAL. NATURAL.
  • 17.
    HARMONIA Partitura solta aoar. Violino repousando na mesa, projetando nela as sombras de seu talhe, graças à luz suave de um abajur. Uma arco apoiado em mil folhas musicais. Um “pisa-papéis”. Tudo, harmonicamente, compondo um quadro
  • 18.
    Os Quatro Cavaleirosdo Apocalipse no Mundo Atual "O planeta continua a navegar num mar de hipótese." Quatro cavaleiros andam, vagando por entre os vales e montanhas deste mundo. Ora gritam, gemem, cantam... Cantam, contando as histórias de um futuro sem certeza, anunciando as mazelas de um caminho sem firmeza.
  • 19.
    São voadores incansáveis, andarilhossem temor, semeando onde passam mil vinganças, desamor. Em suas roupas vê-se a cor, de um passado obscuro. em suas faces vive a dor, de uma vida sem futuro. Empunham suas armas brancas, como triunfais troféus apontadas para os homens, camufladas em seus véus.
  • 20.
    Precursores de conflitos, arrastamconsigo a guerra. Alimentam-se de gritos, com temores e querelas. Seus nomes definem bem os perfis desses sinistros personagens em quarteto, imunes e detratores. INFLAÇÃO é o primeiro, segue o DEFICIT em ação. É o TERRORISMO o terceiro, finda o PETRÓLEO em jorrão.
  • 21.
    R I ORio, riacho, ribeirão, rompendo por entre as várzeas, dando exemplo de juventude. Renovando constantemente suas águas num dinamismo heróico.
  • 22.
    É a natureza dandoexemplo ao homem de sua infinita e eterna sabedoria.
  • 23.
    O MUNDO ATÔMICO Vidaeclodindo da fonte, vibrando como uma partícula Da eterna essência universal, eclodindo em infinitas manifestações de energia, dando provas da eternidade da existência. Eclosão de movimento dentro da própria dinâmica que caracteriza a vida universal.
  • 24.
    Síntese das sínteses. Negaçãoda morte; índice de transformação e afirmação do eterno. O MUNDO ATÔMICO, INFINITO MUNDO DOS MUNDOS.
  • 25.
    PENSAMENTO - NOTÍCIA Correligeiro o pensamento, dando aqui e ali notícias fantásticas... mas reais. Ora da guerra no Oriente, ora do conflito dentro da gente, ora do nascimento de uma semente, que cai ao solo e germina, e sente, e geme, anunciando vida. Corre ligeiro o pensamento, dando aqui e ali
  • 26.
    Ora falando depaz, ora exortando a guerra, ora convencendo às gentes de que a terra está cheia. E o sangue corre na veia de um recém-nascido. Corre ligeiro o pensamento, dando aqui e ali notícias fantásticas... mas reais. Ora cantando amor, ora orando a Deus, ora chorando a dor, ora adorando a flor. E uma bomba explode
  • 27.
    Corre ligeiro opensamento, dando aqui e ali notícias fantásticas... mas reais. Ora convidando a todos, para um concílio de fé. Ora anunciando a vinda de um embaixador seja lá quem for. Ora, como manchete: o PETRÓLEO ACABOU. E a morte no Oriente reiniciou. Corre ligeiro o pensamento, dando aqui e ali
  • 28.
    Ora gritando: TRÉGUA! oraerguendo ídolos, ora soterrando outros, ora em gritos roucos, lamentando o futuro. E a notícia de um eclipse que escurece o mundo.
  • 29.
    A VOZ HUMANA Emmeio à hecatombe da guerra uma voz ecoa pelos céus enfumaçados: -CHEGA DE BARBÁRIE! Era a voz humana cansada de tanta selvageria. Era a voz humana iluminada pela Razão Superior. Era a voz humana gritando através do espírito. Era a voz humana esbravejando inspirada na sensibilidade. Era a voz humana exaltada pelo sentimento de humanidade. Era a voz humana tomando contato consigo mesma. Era a voz humana exigindo humanismo da espécime que leva o seu nome. Era a voz humana sendo ouvida novamente depois de ter sido, durante tanto tempo, eclipsada pelas vozes roucas e surdas das metralhadoras, bombas e canhões.
  • 30.
    UMA QUESTÃO DEOPÇÃO O consumo por uma sociedade consumível e consumida. O homem se distanciando de si mesmo e se confundindo com a sua criação numa luta infernal. Fui criado para isto? Para isso existo?
  • 31.
    A matéria épara ele um monstro devorador. E o mental, O que não é matéria? O que ainda não se materializou? Posso continuar a ser um animal ou caminhar para ser um homem. É uma questão de opção.
  • 32.
    A BUSCA DEUM PORQUÊ Imóvel. Inamovível. Estático estava ele aos pés da Criação. Nada entendia. Por quê? Eram ele e a Criação. Ele como parte dela, Mas não a entendia. POR QUÊ?
  • 33.
    Queria entendê-la. Queria transcenderao comum. Queria, enfim, algo mais. Queria mover-se. Queria deixar de ser o que era, para ser aquilo que queria ser. Queria ser livre. COMO?
  • 34.
    UMA CANÇÃO Uma canção quefale de amor numa canção que fale de paz uma canção que não fale de dor é uma canção e muito mais. Ao levantar pelas manhãs sinto a alegria de viver toda a ventura que vibra em mim traz a grandeza de um renascer.
  • 35.
    A vida élinda. A natureza. É lindo o sol. É lindo o luar. É linda a chuva. É lindo o mar. Por que a tristeza? Por que essa dor? É linda a vida, É linda a flor. Por isso eu quero viver a vida e não gastá-la em vão. Por isso eu quero viver contente
  • 36.
    R E FL E X Õ E S A vida não é só tristeza. A vida não é só saudade. É formada de partículas, “pouquitos” de felicidade. O mundo não é um caos. Não é feito de ódios. O mundo também possui muito amor e afeto que se demonstram em singelo gesto: um cumprimento... um até logo...
  • 37.
    O mundo nãoé só guerras. O que são as guerras? São as irreflexões humanas. São decisões sem razão. São um cantar sem canção. Os pensamentos, Muitos maus no mundo há, que o ser humano delicia-se em criar. A vida é repleta de coisas belas que o homem não sabe aproveitar ele só quer ver as coisas que o fazem chorar. Chorar de tristeza, de amargura e vazio tal como um condenado
  • 38.
    Existe DEUS? Muito jovemse inquieta, muito homem se interroga. Basta olhar para si mesmo para a natureza, enfim, e verá que é concebível a existência de DEUS. Se isso não convém pode o homem só pelas palavras convencer a um cético, que é o mais crente dos crentes,
  • 39.
    Ó crenças, ósois vós as que fizestes ao homem tornar-se um não sei quê, impedindo-o de pensar, de refletir de usar suas faculdades. Só lhe ordenastes : - CREIA!
  • 40.
    SAUDADE! Saudade da vida, saudadedo amor que se foi. Saudade da vida que passou. Saudade da saudade. Saudade dos momentos felizes que só regressam em nossa recordação, tendo como fundo uma melodiosa canção. Mescla de tristeza e alegria. Saudade, vontade de viver novamente o vivido. Vontade de retroceder no tempo e reviver todo o passado no presente. Saudade é algo que a gente sente lá dentro do peito e que muita vez se extravasa
  • 41.
    ESPERANÇA Havendo vida, háamor, havendo amor, há paz, havendo paz, há harmonia, havendo harmonia, há felicidade, havendo felicidade, há alegria, alegria de viver, de amar e sorrir. Alegria de cantar, de realizar, de fazer algo pela vida.
  • 42.
    É TEMPO. É tempo demostrar ao mundo uma nova forma de viver. Viver de amor, amor consciente, vinculados coração e mente. Viver de felicidade. Viver de alegria. Valorizar a saudade. Esquecer a tristeza e não sofrer de nostalgia.
  • 43.
    Viver uma novaera. Viver uma nova vida. Deixar aquela sofrida e compreender a essência de uma linda e superior existência. Pense no importante que é ser consciente da vida e vivê-la com amplidão senti-la, vivê-la e amá-la com gratidão.
  • 44.
    Gratidão ao amanhecer, aoluar, ao anoitecer, ao mar. Gratidão a quem tudo isso nos deu. Como é bom saber viver, viver para a vida para uma caminhada sem se preocupar com o fim. Não estar ansiosos pela chegada, nem sofrer pela partida. Como é bom viver a vida!
  • 45.
    VOAR...VOAR...VOAR..... Sem prender-me aqualquer coisa e voando como um falcão vou aos montes, desço à relva e me encontro em solidão. Quisera saber por quê há o Universo infinito a desafiar-me assim: vou aos montes, desço à relva e não me encontrei em mim.
  • 46.
    UM SER OCULTO Neblina... Ofuscação... Tudoem fumaça, formas não definidas, sombras, sombras infindas, um vulto opaco. Não se lhe via a face nem sequer a forma. Era apenas um vulto. O sol, a luz diáfana, não penetrava nessa alcova sombria e profana onde imperava a escuridão E um vulto indefinido...
  • 47.
    Mas eis quese abre uma fresta e um raio de luz penetra, uma luz radiante. Uma luz enérgica e estimulante que iluminou do vulto o semblante. Vislumbrei-me com sua face que com um estimulante passe abri mais aquela fresta que dera passagem à luz e pude ver bem mais claro, na escuridão delineado, o meu ser interno.
  • 48.
    R O SA Bela, meiga e formosa é você amiga rosa. Suas pétalas, seu perfume encantador que exala pela natureza em flor rosa, você é a expressão mais sublime do amor.
  • 49.
    Ó rosa, símbolodo afeto que simboliza o mais sublime gesto do pensamento humano não permita que lhe utilizem para um fim profano. Rosa, você que é portadora de um pensamento terno de uma recordação feliz de um sofrimento angustiante em cada gota de orvalho que brota de suas pétalas o raio de sol radiante imprime em cada gota as cores da aquarela.