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          GESTÃO ESCOLAR INCLUSIVA




                                 Dra. Relma Urel Carbone Carneiro                  FAAG - Faculdade de
                                                                                   Agudos

                                     Dra. Enicéia Gonçalves Mendes                 UFSCar - Universidade
                                                                                   Federal de São Carlos




                                                                                                              Tema Destaque / Subject Stands out
Resumo
Vivemos em um contexto de uma so-         como aspecto fundamental para a ga-
ciedade globalizada em que mudanças       rantia de transformação que a escola
são exigidas em todos os âmbitos na       necessita, e a pesquisa nacional sobre
busca da melhoria da qualidade de         inclusão escolar tem atentado para o
vida das pessoas. Paralelamente au-       problema da formação e atuação de
menta a parcela dos excluídos e com       professores. Entretanto, é preciso
isso o discurso da inclusão social toma   considerar que um papel de liderança
conta dos debates políticos e educa-      por parte do diretor escolar tem sido
cionais. A escola, como um segmento       identificado como um fator primordial
da sociedade, também tem se depara-       na construção de escolas que sejam
do com a tarefa de oferecer uma edu-      cada vez mais inclusivas. Consid-
cação de melhor qualidade a todas as      erando, portanto, que este papel do
crianças. No caso específico da edu-      diretor requer novos conhecimentos,
cação de crianças com necessidades        atitudes e habilidades para lidar com
educacionais especiais o debate tam-      as condições atuais e as tendências
bém vem sendo inserido neste novo         emergentes na educação geral e espe-
conceito de escola inclusiva, que seja    cial, o presente artigo tem como ob-
                                                                                           Palavras-chave:
mais aberta às diferenças. Diante das     jetivo discutir as questões referentes        Educação Especial;
demandas atuais aponta-se a melho-        à gestão escolar e sua influência na            Inclusão Escolar;
ria na qualificação da equipe escolar     construção de escolas inclusivas.                 Gestão Escolar.

FAAG - Faculdade de Agudos
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                                           Introdução
                                           Estamos no século XXI. Vivemos em              tentando se modificar, a exemplo de
                                           um contexto de uma sociedade global-           outros países, partindo das instituições
                                           izada, em que mudanças são exigidas            especializadas que em sua maioria
                                           em todos os âmbitos na busca da mel-           tinham objetivos predominantemente
                                           horia da qualidade de vida das pes-            terapêuticos ou assistencialistas (que
                                           soas. Discutimos mundialmente sobre            ainda subsistem) e, caminhando para
                                           a preservação do meio ambiente, o              uma forma de atendimento educacio-
                                           desenvolvimento sustentável, políti-           nal que se afina com as propostas de
                                           cas econômicas, sociais, de saúde etc.         uma escola única para todos, que seja
                                           Discutimos também como fazer políti-           aberta às diferenças e que as entenda
                                           cas educacionais mais justas. Enfim,           como forma de enriquecimento cole-
                                           no mundo todo discute-se uma forma             tivo (Carneiro, 2006).
                                           de organização da sociedade em que
                                           seus cidadãos possam viver plena-              Estamos vivendo um momento de
                                           mente sua cidadania, com todos os              transição na tentativa de deixar o
                                           deveres e direitos que tal plenitude           paradigma da integração, fracassado
                                           abarca.                                        principalmente por centrar no defi-
                                                                                          ciente as dificuldades, e por pressupor
                                           Dentro deste contexto, o discurso da           a sua reinserção na estrutura normal
                                           inclusão social tomou conta dos de-            da sociedade após um período de nor-
                                           bates políticos e educacionais. Como           malização e, começando a criar o par-
                                           desenvolver e manter esta sociedade            adigma da inclusão, que pressupõe a
                                           globalizada e igualitária consideran-          inclusão de todos, independentemente
                                           do tantas minorias diferenciadas e             de seu talento, deficiência, origem só-
                                           desigualdades sociais que a compõe?            cio-econômica ou origem cultural em
                                                                                          ambientes comuns nos quais terão to-
                                           Neste artigo vamos nos ater à dis-             das as suas necessidades satisfeitas
                                           cussão da inclusão no âmbito escolar,          (Aranha, 2001, Stainback e Stainback,
                                           entendendo que este é apenas um dos            1999).
                                           caminhos que leva a grande meta da
                                           inclusão social. No entanto, este é um         Conforme aponta Prieto (2002), com a
                                           caminho essencial a ser trilhado, pois         promulgação da Constituição Federal,
                                           na escola podemos desfazer mitos               em 1988, foi reafirmado na legislação
                                           e construir imagens, de forma con-             maior do país o direito dos portadores
                                           sciente e consistente.                         de deficiência à educação, preferen-
Revista SER - Saber, Educação e Reflexão




                                                                                          cialmente na rede regular de ensino e
                                           Fazendo mais um recorte, vamos dis-            a garantia do atendimento educacio-
                                           cutir mais detalhadamente a inclusão           nal especializado (Artigo 201, Inciso
                                           de crianças com deficiência na es-             III da CF/88).
                                           cola, entendendo também que este
                                           é apenas um dos grupos minoritários            Ao tratar da educação especial, a nova
                                           que compõem esta grande sociedade.             LDB (BRASIL, 1996) em seu artigo 59
                                           Porém, um grupo que ainda tem pou-             assegura aos educandos com necessi-
                                           ca voz e muita urgência.                       dades especiais, currículos, métodos,
                                                                                          técnicas, recursos educativos e orga-
                                           Na atualidade constatamos que a edu-           nização específica, para atender às
                                           cação de crianças com deficiência vive         suas necessidades educacionais.
                                           um momento polêmico, tanto no que
                                           se refere às melhores estratégias met-         Podemos perceber a partir de então,
                                           odológicas como também sobre qual              que entre outros aspectos, é crucial
                                           a melhor modalidade de ensino a ser            o papel do diretor da unidade escolar
                                           utilizada com eles - se ensino regular         no estabelecimento de adequações,
                                           ou ensino especial.                            visando à inclusão de alunos com de-
                                                                                          ficiência.
                                           De forma global discute-se a necessi-
                                           dade de se construir uma sociedade             A escola do ensino regular já vem re-
                                           inclusiva, em que entre outros, o dire-        cebendo alunos com deficiência, mas
                                           ito à educação seja garantido a todos,         muitas questões precisam ser coloca-
                                           deficientes ou não.                            das sobre a efetividade do processo
                                                                                          ensino-aprendizagem, pois a inclusão
                                           A educação especial brasileira está            vai além da mera inserção para pro-

                                                   Revista Científica SER - Saber, Educação e Reflexão, Agudos/SP, v.1, n.1, Jan-Jun/2008
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duzir socialização. Ela pressupõe mod-    nas mais variadas áreas de ação políti-
ificações na dinâmica escolar para que    ca, social e educacional.
as necessidades de todos os alunos
sejam satisfeitas.                        Na administração da educação, surgiu
                                          um novo conceito associado à idéia
Nas Diretrizes Nacionais para a Edu-      de democratização do ensino, que é
cação Especial na Educação Básica         a gestão escolar. Com esse novo con-
(BRASIL, 2001, p.40), encontramos         ceito, que é extensivo a todos os seg-
a seguinte definição de escola inclu-     mentos do sistema educacional, en-
siva:                                     tende-se o papel do diretor, não como
                                          responsável único pelas decisões que
        O conceito de escola inclusiva    envolvem a escola, mas como um ar-
        implica uma nova postura da       ticulador que envolve toda a equipe
        escola comum, que propõe no       escolar em busca da melhoria do pro-
        projeto pedagógico – no cur-      cesso educacional. Assim,
        rículo, na metodologia de ensi-
        no, na avaliação e na atitude            O termo gestão democráti-
        dos educadores – ações que               ca ganhou destaque no con-
        favoreçam a interação social             texto educacional brasileiro
        e sua opção por práticas het-            por intermédio da nova LDB
        erogêneas. A escola capacita             (Lei de Diretrizes e Bases da
        seus professores, prepara-se,            Educação Nacional – Lei no.
        organiza-se e adapta-se para             9394/96). Quando se fala em
        oferecer educação de quali-              gestão, não se trata apenas
        dade para todos, inclusive para          de controlar recursos, coorde-
        os educandos que apresentem              nar funcionários e assegurar o
        necessidades especiais. In-              cumprimento dos dias letivos
        clusão, portanto, não significa          e horas-aula. O conceito de
        simplesmente matricular todos            gestão está associado ao for-
        os educandos com necessi-                talecimento da democratização
        dades educacionais especiais             do processo pedagógico, à par-
        na classe comum, ignorando               ticipação responsável de todos
        suas necessidades específicas,           nas decisões necessárias e na
        mas significa dar ao professor           sua efetivação mediante um
        e à escola o suporte necessário          compromisso coletivo com re-
        a sua ação pedagógica.                   sultados educacionais cada vez
                                                 mais positivos e significativos.
Ao se discutir a inclusão escolar é              (VIEIRA E GARCEZ, 2004).




                                                                                     Tema Destaque / Subject Stands out
necessário considerar, entre outros el-
ementos, a formação de recursos hu-       Essa concepção de gestão engloba
manos, políticas públicas, a necessi-     vários aspectos do processo educa-
dade de uma mudança importante nos        tivo, permeando as questões políticas
sistemas, etc. Considerando a forma-      e pedagógicas.
ção de recursos humanos, observamos
a partir da pesquisa bibliográfica na     Conforme autores como Romão e
literatura nacional, uma maior preocu-    Padilha (2001), muitas vezes a ad-
pação com a formação dos professores      ministração escolar se envolve muito
(CARVALHO, 2000, PRIETO, 2003,            mais com os aspectos burocráticos da
CAPELLINE, 2004, ZANATA, 2004) e          escola e acaba se distanciando das
poucos estudos envolvendo o diretor       questões educacionais.
(TEZANI, 2004, BITES, 2005, BITAR,
2006) nesses estudos embora citado,       A afirmação de que é difícil adminis-
o diretor não era o foco do estudo.       trar a escola sozinho, feita por muitos
Stainback & Stainback (1999), falam       diretores denuncia o isolamento do di-
da ambigüidade da expectativa dos         rigente escolar enquanto responsável
diretores escolares, porque embora        único e último pela instituição educati-
se espere que eles liderem o processo     va, o que, muitas vezes, independe de
de mudança, também se espera que          sua vontade, mas não de seu cargo.
mantenham a estabilidade dos siste-       Este formato de administração levou
mas.                                      ao distanciamento as questões propri-
                                          amente administrativas das pedagógi-
A sociedade brasileira, a exemplo de      cas, e os diretores administradores a
outras sociedades, está vivendo uma       se distanciarem da função primordial
mudança de paradigmas existentes          da escola, a saber, o processo de ensi-

FAAG - Faculdade de Agudos
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                                           no/aprendizagem. Neste sentido:                 pedagógica. Em sua gestão, deve ser
                                                                                           um articulador dos diferentes seg-
                                                  Se o administrador da educação           mentos escolares em torno do projeto
                                                  já não se identifica necessari-          político-pedagógico da escola. Quan-
                                                  amente com a própria condição            to maior for essa articulação, melhor
                                                  de educador, ou seja, se ele é           poderão ser desempenhadas as suas
                                                  “da administração” e não “da             próprias tarefas, seja no aspecto or-
                                                  educação”, suas decisões não             ganizacional da escola, seja em rela-
                                                  serão inspiradas nem pela                ção à responsabilidade social daquela
                                                  “ciência prática da educação”,           com sua comunidade.
                                                  que desconhece, e nem pela               Falar, portanto, na construção de uma
                                                  “práxis educacional”, em que             escola inclusiva significa considerar
                                                  não se reconhece. Não haverá             todos esses aspectos e sua relevância,
                                                  como concretizar em sua es-              e traçar novos caminhos de busca.
                                                  cola a dialética da Pedagogia e
                                                  da Educação, se ele como “ad-            A construção da escola inclusiva en-
                                                  ministrador” não dominar os              globa uma variedade de vertentes.
                                                  elementos do “par dialético” a           Vários aspectos precisam ser consid-
                                                  partir do qual deveria orientar          erados. Conforme Aranha (2001), a
                                                  sua ação administrativa. (SIL-           inclusão é o processo de garantia do
                                                  VA JÚNIOR, 1990).                        acesso imediato e contínuo da pessoa
                                                                                           com necessidades especiais ao espaço
                                           Este modelo de administração passa              comum na vida em sociedade, inde-
                                           a ser questionado com o surgimento              pendente do tipo de deficiência e do
                                           do movimento de crítica política ao             grau de comprometimento apresen-
                                           sistema educacional e à escola, por             tado. Ela amplia tal conceito consid-
                                           entender que desta forma a escola               erando que este processo tem que es-
                                           estaria reproduzindo as relações so-            tar fundamentado no reconhecimento
                                           ciais capitalistas. Em contraste a esta         e aceitação da diversidade na vida em
                                           forma de administração escolar, surge           sociedade e na garantia do acesso a
                                           o período de busca da transformação             todas as oportunidades.
                                           desta forma de administração em uma
                                           gestão participativa e democrática da           Mendes (2002), ressalta que uma
                                           educação.                                       tomada de posição consciente diante
                                                                                           da várias possibilidades deve começar
                                           Ao comentar a proposta de gestão                pelo entendimento que se tem so-
                                           participativa e democrática como um             bre educação inclusiva, pois diante
                                           princípio assegurado pela LDB, Lima             do contexto da educação esse termo
Revista SER - Saber, Educação e Reflexão




                                           (2005) complementa:                             “educação inclusiva” pode admitir sig-
                                                                                           nificados diversos, que vão desde a
                                                  A proposta da Lei é a de que             manutenção do que já existe, até uma
                                                  a gestão da escola esteja a              reorganização geral do sistema edu-
                                                  serviço do trabalho pedagógi-            cacional.
                                                  co, e não o contrário. Assim,
                                                  as funções administrativas               Para Tezani (2004), a inclusão escolar
                                                  passam a servir como subsídio            é a aceitação da diversidade em sala
                                                  para que a escola invista na             de aula, mas isso só ocorrerá mediante
                                                  qualidade do processo educa-             a reestruturação pedagógica e admin-
                                                  tivo.                                    istrativa da escola. A falta de uma pro-
                                                                                           posta pedagógica e administrativa que
                                           O termo gestão participativa, como a            realmente priorize a inclusão é um dos
                                           palavra já diz, significa a participação        obstáculos com que se depara e que
                                           de todos os envolvidos no gerencia-             dificultam a implementação qualita-
                                           mento do processo. Na escola significa          tiva deste princípio.
                                           dizer, que o gerenciamento é função
                                           não só do diretor, mas dos profes-              Mendes (2002, p. 71), fala de alguns
                                           sores, funcionários, alunos, pais de            aspectos importantes para a con-
                                           alunos e comunidade.                            strução da escola inclusiva tais como
                                                                                           :
                                           O diretor de escola é, antes de tudo,
                                           um educador. Enquanto tal possui uma                    Os caminhos cabíveis que
                                           função primordialmente pedagógica e                     sejam trilhados para a con-
                                           social, que lhe exige o desenvolvimen-                  strução da escola inclusiva per-
                                           to de competência técnica, política e                   passam pelas adaptações cur-

                                                    Revista Científica SER - Saber, Educação e Reflexão, Agudos/SP, v.1, n.1, Jan-Jun/2008
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        riculares, pela gestão escolar,     essa implementação. Um movimento
        pelos princípios norteadores        sistemático em direção à inclusão de
        desse paradigma educacional e       crianças com necessidades educacion-
        com a construção da sua pro-        ais especiais na escola comum requer
        posta pedagógica. A escola in-      atenção às necessidades dos diretores
        clusiva requer a efetivação de      de escolas. Os autores salientam ain-
        currículos adequados (adapta-       da que o diretor pouco tem sido re-
        dos ou modificados, quando          sponsável por fornecer os apoios que
        necessário) e uma prática ped-      as crianças precisam. Para tal reforma
        agógica flexível com arranjos       da escola, a liderança do diretor é vis-
        e adaptações que favoreçam          ta como fator chave para o sucesso.
        tanto o bom aproveitamento          Entretanto, para garantir o sucesso
        quanto o ajuste socioeducacio-      da inclusão, é importante que o dire-
        nal do indivíduo com necessi-       tor apresente conhecimentos e ha-
        dades educacionais especiais.       bilidades que favoreçam a integração,
                                            aceitação, e sucesso de estudantes
O alcance de todos esses aspectos en-       com necessidades educacionais es-
globará a participação de todos os en-      peciais em classes comuns de escolas
volvidos no processo educacional.           regulares. Como um líder da escola, o
                                            diretor influencia diretamente na “alo-
O professor enquanto um dos mem-            cação de recursos, equipes, estrutu-
bros da equipe escolar é fundamental        ras, fluxo de informação, e a operação
sim, mas não único agente respon-           de processos que determina o que de-
sável, pois o diretor escolar, dentro de    veria e o que não deveria ser feito pela
uma perspectiva de gestão participati-      organização”. (NANUS, 1992).
va, tem um importante papel a desem-
penhar nessa construção das escolas         Devido a sua posição de liderança, a
inclusivas. Conforme apontado na leg-       atitude do diretor acerca da inclusão
islação brasileira (BRASIL, 2000) cabe      poderá resultar em aumento de opor-
à Direção das Unidades Escolares, a         tunidades para estudantes na classe
responsabilidade de:                        comum ou para limitar a segrega-
                                            ção em serviços de ensino especial.
        1- Permitir e prover suporte        Entretanto, para a inclusão ser bem
        administrativo, técnico e cientí-   sucedida primeiro, e antes de tudo, o
        fico para a flexibilização do       diretor escolar deve mostrar confiança
        processo de ensino, de modo a       e atitude positiva frente ao princípio
        atender à diversidade;              da inclusão escolar.
        2- Adotar propostas curricu-




                                                                                       Tema Destaque / Subject Stands out
        lares diversificadas e abertas,     Vários caminhos são possíveis e
        em vez de adotar concepções         necessários no trabalho escolar bus-
        rígidas e homogeneizadoras do       cando a construção de um modelo
        currículo;                          inclusivo. Em outros países, temos
        3- Flexibilizar a organização e     acompanhado o estudo e a prática
        o funcionamento da escola, de       de formas de colaboração dentro da
        forma a atender à demanda di-       escola, com o objetivo de unir o tra-
        versificada dos alunos;             balho já existente que chamamos de
        4- Viabilizar a atuação de pro-     comum, ao trabalho específico, que
        fessores especializados e de        chamamos de especial, a fim de ga-
        serviços de apoio para favore-      rantir a inclusão, a permanência e o
        cer o processo educacional.         sucesso de alunos com necessidades
                                            educacionais especiais na escola.
Portanto, a inclusão escolar só se
efetivará com qualidade, se medidas         Conforme aponta Maia (2000), para
administrativas e pedagógicas forem         que a participação em grupo traga
tomadas pela equipe de gestão do            benefícios para a escola, é imprescind-
sistema e da escola.                        ível a presença de um líder que mobi-
                                            lize os agentes da organização nesse
Brotherson et al (2001), discutem que       sentido, que suscite o bom relaciona-
a falta de atenção do contexto sócio-       mento entre eles e que esteja direta-
político tem sido um problema central       mente envolvido com o processo em
na implementação de programas in-           busca da qualidade de ensino.
clusivos. Para estes autores os dire-
tores escolares são peças-chave no          Vários autores têm discutido que o
contexto sócio-político para garantir       apoio administrativo é o maior fator

FAAG - Faculdade de Agudos
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                                           para o sucesso de programas inclusi-            amente pela ação do gerenciamento
                                           vos nos quais a colaboração é alme-             da mesma. Esse gerenciamento esco-
                                           jada. (RIPLEY, 1997).                           lar diferente só acontecerá através de
                                                                                           práticas reais diferenciadas.
                                           Conforme aponta Boscardin (2004),
                                           o papel do administrador em intro-              Este papel de agente de modifica-
                                           duzir, guiar, selecionar e apoiar o uso         ção de uma escola tradicionalmente
                                           de intervenções apropriadas é impor-            excludente, não vai ser assumido de
                                           tante para o sucesso de estudantes              forma tranqüila pelo diretor escolar e
                                           com necessidades educacionais es-               sua equipe de gestão. As mudanças
                                           peciais na aprendizagem. Embora                 necessárias não são simples nem fá-
                                           freqüentemente se pense que esta                ceis, é preciso que haja interesse pes-
                                           área de domínio é exclusiva dos pro-            soal e coletivo em mudar o rumo e
                                           fessores, os administradores precisam           seguir para o desconhecido.
                                           ser instrumentalizados para apoiar a
                                           implementação de práticas instrucion-           A escola inclusiva que se pretende criar
                                           ais científicas de professores para que         não tem metas e padrões previamente
                                           melhorem os resultados educacionais             estabelecidos como acontece na esco-
                                           dos alunos. No entanto, transformar o           la tradicional. Ela tem clareza do que
                                           papel administrativo de forma que ele           precisa ser eliminado, como qualquer
                                           se torne um apoio à inclusão escolar            tipo de discriminação que impeça um
                                           não será fácil e irá requerer o uso de          aluno de ter sucesso, no entanto, suas
                                           diferentes estratégias.                         metas e objetivos específicos precisam
                                                                                           ser construídos paulatinamente dentro
                                           A autora aponta dois caminhos de                de cada unidade escolar, considerando
                                           transformação do papel administrativo.          suas características e especificidades
                                           Um deles considera a importância de             únicas.
                                           incluir em legislação futura o conheci-
                                           mento do papel dos administradores              Estamos no momento de criar projetos
                                           na reforma escolar. O outro focaliza            novos de trabalho escolar, implemen-
                                           o estabelecimento de uma agenda de              tá-los e avaliá-los, para aos poucos ir-
                                           pesquisas nacionais tratando da lider-          mos descobrindo os caminhos a serem
                                           ança e educação especial. Estas duas            seguidos e os caminhos a serem aban-
                                           vertentes, segundo a autora, poderão            donados.
                                           ajudar a identificar e melhor entender
                                           o uso de evidência baseada em práti-            O trabalho com alunos com necessi-
                                           cas administrativas em educação es-             dades educacionais especiais na escola
                                           pecial que devem melhorar os resul-             regular é algo que podemos considerar
Revista SER - Saber, Educação e Reflexão




                                           tados educacionais de estudantes com            relativamente novo, se considerarmos
                                           necessidades educacionais especiais             o longo período de exclusão escolar
                                           através da melhoria das habilidades             que tais indivíduos viveram durante
                                           do professor e da transformação na              séculos. No Brasil, falamos de inclusão
                                           missão de liderança.                            escolar há pouco mais de dez anos,
                                                                                           mais especificamente após a Declara-
                                           De acordo com Lashley e Boscardin               ção de Salamanca, o que nos retrata
                                           (2003), o desafio do administrador              um tempo curto para as grandes mu-
                                           será promover colaboração entre pro-            danças conceituais que tal perspectiva
                                           fessores de educação especial e geral           requer.
                                           e, administradores para garantir que
                                           programas de educação de alta quali-            O profissional da educação capacitado
                                           dade sejam acessíveis a todos os estu-          para gerenciar tal realidade não se faz
                                           dantes. O que precisa na prática é que          de uma hora para outra, nem do dia
                                           diretores escolares comecem a pensar            para a noite, nem tão pouco sozinho.
                                           como líderes instrucionais de todos os          A vivência de um cotidiano escolar in-
                                           estudantes, incluindo os com necessi-           clusivo, as trocas com os colegas, às
                                           dades educacionais especiais, e não             informações e sugestões advindas da
                                           somente como diretores da educação              busca de soluções, a observação de
                                           geral.                                          outros modelos, enfim, vários são os
                                                                                           caminhos que deverão ser trilhados.
                                           A transformação da nossa escola em
                                           uma escola inclusiva ou a criação de            Carregamos uma carga sócio-cultural
                                           uma nova escola que seja inclusiva,             diante da diferença, que justifica ati-
                                           que aceite a diversidade e a entenda            tudes de incoerência entre o discurso
                                           como fator positivo, passa obrigatori-          e a prática, fruto de uma concepção

                                                    Revista Científica SER - Saber, Educação e Reflexão, Agudos/SP, v.1, n.1, Jan-Jun/2008
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equivocada. Em tese é fácil adotar o     neos integrando conhecimentos de
discurso do direito à educação para      educação especial, habilidades e dis-
todos, porém na prática acreditamos      posições em seus currículos.
não ser possível fazer, pois nos falta
a segurança que achamos que temos        Delors (2003), afirma que um dos
que ter.                                 principais fatores de eficácia escolar,
                                         conforme apontam as pesquisas e ob-
Práticas escolares rotineiras não se     servações empíricas, é a direção dos
transformam num passe de mágica.         estabelecimentos de ensino. Um bom
É preciso que a equipe escolar reflita   administrador capaz de trabalhar em
sobre essa nova condição, de trans-      equipe, competente e aberto, conseg-
formação da escola em inclusiva, de      ue introduzir grandes melhorias nas
como esse processo vem acontecendo,      escolas. Para tanto, é preciso confiar
e onde queremos chegar. Neste ponto      a direção das escolas a profissionais
temos que falar de formação inicial e    qualificados, com formação específica,
também em serviço e não dá para se       sobretudo em matéria de gestão. Esta
pensar na construção da escola inclu-    qualificação deve conferir maior pod-
siva sem pensar em instrumentalizar      er de decisão e melhor remuneração,
seus construtores.                       valorizando assim essa que é de muita
                                         responsabilidade.
Temos uma legislação que contempla
avanços nesta área, porém não ga-        No material instrucional publicado pelo
rante o entendimento de seu signifi-     MEC (BRASIL, 1997, p.333), aparece
cado à população interessada. Faz-se     o depoimento do diretor de uma es-
necessária a preparação dos líderes      cola com alunos surdos em classes
escolares para lidar com as mudanças     comuns, que diz que considera esse
necessárias.                             período como o mais gratificante em
                                         sua vida profissional, embora tenha
A liderança firme por parte do dire-     sido também o período de maiores di-
tor escolar tem sido identificada como   ficuldades. Ao finalizar seu depoimento
um fator crítico para apoiar progra-     o diretor afirma que o maior problema
mas educacionais efetivos. O papel do    que a educação enfrenta é a falta de
diretor requer novos conhecimentos,      formação profissional adequada dos
atitudes e habilidades para lidar com    diretores e professores, e conclui: “se
as condições atuais e as tendências      eu tivesse mais informações poderia
emergentes na educação especial e        ter realizado um trabalho melhor”.
geral e, para conduzir a continuidade
da melhoria educacional para todos os    Entendemos que a formação em




                                                                                   Tema Destaque / Subject Stands out
estudantes.                              serviço do diretor escolar é fator fun-
                                         damental e urgente no nosso cenário
Entretanto, o conhecimento sobre as      educacional. A liderança firme e desa-
características do aluno, as necessi-    fiadora que a literatura aponta como
dades específicas de aprendizagem,       necessária para o diretor da escola in-
as técnicas instrucionais, e o apoio     clusiva, requer investigação.
requerido por educadores especiais
pode direcionar ações de administra-     A educação brasileira está anunciando
dores para serem mais efetivas.          reformas, e a exemplo de muitos out-
                                         ros países, tem buscado no princípio
O papel do diretor tem evoluído nos      da educação inclusiva a proposta de
últimos 30 anos, e a liderança instru-   uma escola para todos, que respeite e
cional tem emergido como um compo-       esteja aberta às diferenças, entendida
nente essencial de seu papel. Dentro     como forma de enriquecimento tanto
da demanda atual de responsabilidade     do coletivo da escola como fundamen-
educacional, a preparação de líderes     tal para a construção de uma socie-
instrucionais para trabalhar com pop-    dade democrática.
ulações escolares academicamente di-
versas é um imperativo.                  A transformação necessária se apre-
                                         senta como algo processual e que
As instituições de educação e os         deve abranger diferentes segmentos
órgãos públicos educacionais têm pa-     ligados à escola. Não é algo simples,
péis chave na preparação de diretores    nem rápido, pois requer primeiramente
para tais complexas responsabilidades    mudança de concepção de sociedade,
e devem preparar futuros administra-     de pessoa, de escola, de direito etc.
dores para seus papéis contemporâ-       Lima (2005, p. 90), comenta que esta

FAAG - Faculdade de Agudos
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                                           dificuldade de transformação da escola          Praisner (2003) realizou uma pesquisa
                                           que está aí, em uma escola inclusiva,           com 408 diretores de escolas elemen-
                                           pode ser comparada a uma conexão                tares para investigar a relação entre
                                           no meio de uma viagem. No entanto,              atitudes frente à inclusão, e variáveis
                                           não é como descer de um avião com               tais como treinamento e experiência
                                           destino certo e entrar num segundo              e percepção sobre colocação de alu-
                                           avião com outro destino definido, mas           nos com necessidades educacionais
                                           sim uma alteração de rota dentro do             especiais. Os resultados indicaram
                                           mesmo avião, com a mesma tripula-               que cerca de um em cada cinco dire-
                                           ção, mas sem que a torre de controle            tores tinham atitudes positivas a re-
                                           possa dar indicações claras e precisas          speito da inclusão, embora a maioria
                                           para onde se deve seguir.                       manifestasse também incerteza sobre
                                                                                           essa política. Experiências positivas
                                           Entretanto, se há a figura de um                com estudantes com deficiências e
                                           gestor da escola, que é o principal             exposição anterior a conceitos de edu-
                                           elemento de articulação entre a es-             cação especial apareceram associados
                                           cola e o sistema, seria esperado, con-          com atitudes mais positivas a respeito
                                           forme apontam Stainback e Stainback             da inclusão. Além disso, diretores com
                                           (1999), que ele liderasse os processos          mais experiências e/ou atitudes posi-
                                           de mudança, e talvez esteja no papel            tivas são mais prováveis de colocar
                                           e na função deste profissional uma das          estudantes em ambientes inclusivos.
                                           estratégias para alavancar a transfor-
                                           mação pretendida.                               A fala de uma diretora de escola apon-
                                                                                           ta a importância da convivência com
                                           O que a literatura sobre gestão esco-           alunos com necessidades especiais
                                           lar vem apontando é a necessidade de            para se buscar novos caminhos e a
                                           consolidar a autonomia da escola e de           necessidade de interlocução da equipe
                                           qualificar diretores tanto para desem-          escolar com profissionais especializa-
                                           penhar uma forte e efetiva liderança,           dos:
                                           quanto para dividir o poder de decisão
                                           sobre os assuntos escolares com pro-                    Na verdade o ideal era que es-
                                           fessores, funcionários, pais de alunos,                 tivesse tudo pronto, mas se
                                           alunos e comunidade escolar, criando                    a criança não chega a gente
                                           e estimulando a participação de todos                   não sabe nem o que deve es-
                                           nas instâncias da unidade (por exem-                    tar pronto, então é importante
                                           plo, conselhos ou comitês represen-                     o que a gente já sabe de an-
                                           tativos de pais, professores, alunos,                   temão que é necessário tem
                                           comunidade, etc.) (ver, por exemplo,                    que estar, porque é difícil se é
Revista SER - Saber, Educação e Reflexão




                                           LIBÂNEO, 2004; DOURADO, 2004;                           uma criança por exemplo que
                                           BITES, 2005).                                           usa cadeira de rodas, ou algu-
                                                                                                   ma coisa assim então precisa
                                           No âmbito da escola a estratégia para                   ter adaptação de rampa e tudo
                                           se construir o planejamento partici-                    mais, mas tem outras que tem
                                           pativo e democrático, mais defendi-                     que acontecer para a gente es-
                                           da, tem sido a construção coletiva do                   tar sentindo.
                                           projeto político pedagógico da escola,
                                           entendido como um elemento de or-               Tradicionalmente a educação especial
                                           ganização e integração da atividade             não tem sido enfatizada em programas
                                           prática da instituição neste processo           de preparação de diretores (SIROTNIK
                                           de transformação (BARROSO, 1995;                E KIMBALL, 1994), mas diante da per-
                                           MARÇAL, 2001; SILVA JÚNIOR, 2002.               spectiva da inclusão escolar a prepa-
                                           VASCONCELLOS, 2005).                            ração de gestores para trabalhar com
                                                                                           populações escolares academicamente
                                           Entretanto, a construção coletiva               diversas vem se tornando um impera-
                                           deste projeto não é suficiente, pois            tivo e deve ser assunto para muitas
                                           será necessário colocá-lo em práti-             outras pesquisas no futuro.
                                           ca consolidando assim a prática de
                                           gestão participativa e democrática na           Ao iniciarmos este artigo falamos so-
                                           escola, a autonomia da equipe esco-             bre a necessidade de se construir uma
                                           lar e a oportunidade permanente de              sociedade, em que todos os seus ci-
                                           desenvolvimento profissional dos pro-           dadãos tenham direito a exercer sua
                                           fessores (SILVA JR, 2002; LIBÂNEO,              cidadania plenamente com todos os
                                           2004; TEZANI, 2004).                            direitos e deveres que tal plenitude
                                                                                           abarca.

                                                    Revista Científica SER - Saber, Educação e Reflexão, Agudos/SP, v.1, n.1, Jan-Jun/2008
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Observamos, no entanto, que o cum-         la. Apesar de um recente discurso de
primento de tais metas está muito além     escola inclusiva, aberta a todos, sejam
da nossa realidade. Uma sociedade ig-      quais forem suas características, o que
ualitária tem que garantir eqüidade,       temos na verdade é uma escola de-
pois a igualdade tem que aparecer nas      spreparada para assumir essa trans-
oportunidades de acesso, mesmo que         formação, a começar pela sua gestão.
para isto tenhamos que diferenciar os      A nós parece evidente que a construção
caminhos.                                  da escola inclusiva tem que investir na
                                           consolidação de uma outra cultura,
Discutir a construção de uma socie-        capaz de incutir na clientela escolar,
dade inclusiva, que aceita e respeita as   desde a mais tenra idade, a aceitação
diferenças, abrange uma enormidade         e valorização da pessoa humana, in-
de aspectos, nem sempre visíveis,          dependente de qualquer diferença.
nem sempre sentidos, nem sempre            Essa construção, não simples, deve
desejados, pois temos arraigada uma        ser o objetivo primeiro das institu-
cultura que valoriza a competitividade,    ições escolares na busca da melhoria
a dominação, o mais forte.                 da qualidade de ensino-aprendizagem
                                           para todos, transformando a escola
Como um segmento desta sociedade           para que cumpra verdadeiramente
está a escola que se obriga a repro-       seu papel social.
duzir esta cultura, de forma a mantê-


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spectiva de Gestores e Professores em      cial. Projeto Escola Viva - Garantindo
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Dissertação (Mestrado) - Centro Uni-       alunos na escola- Alunos com necessi-
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                                           CARVALHO, R. E. Removendo barrei-
                                           ras para a aprendizagem. Porto alegre:          NANUS, B. (1992). Visionary leader-
                                           Editora Mediação, 2000.                         ship: Creating a compelling sense of
                                                                                           directions for your organization. San
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                                           na educação infantil. Dissertação de
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                                                                                           com necessidades educacionais es-
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                                           Contexto atual, gestão e qualidade de           como local de trabalho. São Paulo:
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                                           Escolar: questões para o novo milênio.          SILVA JUNIOR, C. A. O espaço da ad-
                                           São Paulo: Pioneira, 2000. cap. 6.              ministração no tempo da gestão. In:
                                                                                           MACHADO, Lourdes M. e FERREIRA,
                                           MARÇAL, J. C. Progestão: Como pro-              Naura Syria C. (Orgs.). Política e
                                           mover a construção coletiva do pro-             gestão da educação: dois olhares. Rio
                                           jeto pedagógico da escola? Módulo III.          de janeiro: DP&A/ANPAE, p. 199-211,

                                                    Revista Científica SER - Saber, Educação e Reflexão, Agudos/SP, v.1, n.1, Jan-Jun/2008
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                                                                                   Tema Destaque / Subject Stands out




FAAG - Faculdade de Agudos

Gestao

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    7 GESTÃO ESCOLAR INCLUSIVA Dra. Relma Urel Carbone Carneiro FAAG - Faculdade de Agudos Dra. Enicéia Gonçalves Mendes UFSCar - Universidade Federal de São Carlos Tema Destaque / Subject Stands out Resumo Vivemos em um contexto de uma so- como aspecto fundamental para a ga- ciedade globalizada em que mudanças rantia de transformação que a escola são exigidas em todos os âmbitos na necessita, e a pesquisa nacional sobre busca da melhoria da qualidade de inclusão escolar tem atentado para o vida das pessoas. Paralelamente au- problema da formação e atuação de menta a parcela dos excluídos e com professores. Entretanto, é preciso isso o discurso da inclusão social toma considerar que um papel de liderança conta dos debates políticos e educa- por parte do diretor escolar tem sido cionais. A escola, como um segmento identificado como um fator primordial da sociedade, também tem se depara- na construção de escolas que sejam do com a tarefa de oferecer uma edu- cada vez mais inclusivas. Consid- cação de melhor qualidade a todas as erando, portanto, que este papel do crianças. No caso específico da edu- diretor requer novos conhecimentos, cação de crianças com necessidades atitudes e habilidades para lidar com educacionais especiais o debate tam- as condições atuais e as tendências bém vem sendo inserido neste novo emergentes na educação geral e espe- conceito de escola inclusiva, que seja cial, o presente artigo tem como ob- Palavras-chave: mais aberta às diferenças. Diante das jetivo discutir as questões referentes Educação Especial; demandas atuais aponta-se a melho- à gestão escolar e sua influência na Inclusão Escolar; ria na qualificação da equipe escolar construção de escolas inclusivas. Gestão Escolar. FAAG - Faculdade de Agudos
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    8 Introdução Estamos no século XXI. Vivemos em tentando se modificar, a exemplo de um contexto de uma sociedade global- outros países, partindo das instituições izada, em que mudanças são exigidas especializadas que em sua maioria em todos os âmbitos na busca da mel- tinham objetivos predominantemente horia da qualidade de vida das pes- terapêuticos ou assistencialistas (que soas. Discutimos mundialmente sobre ainda subsistem) e, caminhando para a preservação do meio ambiente, o uma forma de atendimento educacio- desenvolvimento sustentável, políti- nal que se afina com as propostas de cas econômicas, sociais, de saúde etc. uma escola única para todos, que seja Discutimos também como fazer políti- aberta às diferenças e que as entenda cas educacionais mais justas. Enfim, como forma de enriquecimento cole- no mundo todo discute-se uma forma tivo (Carneiro, 2006). de organização da sociedade em que seus cidadãos possam viver plena- Estamos vivendo um momento de mente sua cidadania, com todos os transição na tentativa de deixar o deveres e direitos que tal plenitude paradigma da integração, fracassado abarca. principalmente por centrar no defi- ciente as dificuldades, e por pressupor Dentro deste contexto, o discurso da a sua reinserção na estrutura normal inclusão social tomou conta dos de- da sociedade após um período de nor- bates políticos e educacionais. Como malização e, começando a criar o par- desenvolver e manter esta sociedade adigma da inclusão, que pressupõe a globalizada e igualitária consideran- inclusão de todos, independentemente do tantas minorias diferenciadas e de seu talento, deficiência, origem só- desigualdades sociais que a compõe? cio-econômica ou origem cultural em ambientes comuns nos quais terão to- Neste artigo vamos nos ater à dis- das as suas necessidades satisfeitas cussão da inclusão no âmbito escolar, (Aranha, 2001, Stainback e Stainback, entendendo que este é apenas um dos 1999). caminhos que leva a grande meta da inclusão social. No entanto, este é um Conforme aponta Prieto (2002), com a caminho essencial a ser trilhado, pois promulgação da Constituição Federal, na escola podemos desfazer mitos em 1988, foi reafirmado na legislação e construir imagens, de forma con- maior do país o direito dos portadores sciente e consistente. de deficiência à educação, preferen- Revista SER - Saber, Educação e Reflexão cialmente na rede regular de ensino e Fazendo mais um recorte, vamos dis- a garantia do atendimento educacio- cutir mais detalhadamente a inclusão nal especializado (Artigo 201, Inciso de crianças com deficiência na es- III da CF/88). cola, entendendo também que este é apenas um dos grupos minoritários Ao tratar da educação especial, a nova que compõem esta grande sociedade. LDB (BRASIL, 1996) em seu artigo 59 Porém, um grupo que ainda tem pou- assegura aos educandos com necessi- ca voz e muita urgência. dades especiais, currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e orga- Na atualidade constatamos que a edu- nização específica, para atender às cação de crianças com deficiência vive suas necessidades educacionais. um momento polêmico, tanto no que se refere às melhores estratégias met- Podemos perceber a partir de então, odológicas como também sobre qual que entre outros aspectos, é crucial a melhor modalidade de ensino a ser o papel do diretor da unidade escolar utilizada com eles - se ensino regular no estabelecimento de adequações, ou ensino especial. visando à inclusão de alunos com de- ficiência. De forma global discute-se a necessi- dade de se construir uma sociedade A escola do ensino regular já vem re- inclusiva, em que entre outros, o dire- cebendo alunos com deficiência, mas ito à educação seja garantido a todos, muitas questões precisam ser coloca- deficientes ou não. das sobre a efetividade do processo ensino-aprendizagem, pois a inclusão A educação especial brasileira está vai além da mera inserção para pro- Revista Científica SER - Saber, Educação e Reflexão, Agudos/SP, v.1, n.1, Jan-Jun/2008
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    9 duzir socialização. Elapressupõe mod- nas mais variadas áreas de ação políti- ificações na dinâmica escolar para que ca, social e educacional. as necessidades de todos os alunos sejam satisfeitas. Na administração da educação, surgiu um novo conceito associado à idéia Nas Diretrizes Nacionais para a Edu- de democratização do ensino, que é cação Especial na Educação Básica a gestão escolar. Com esse novo con- (BRASIL, 2001, p.40), encontramos ceito, que é extensivo a todos os seg- a seguinte definição de escola inclu- mentos do sistema educacional, en- siva: tende-se o papel do diretor, não como responsável único pelas decisões que O conceito de escola inclusiva envolvem a escola, mas como um ar- implica uma nova postura da ticulador que envolve toda a equipe escola comum, que propõe no escolar em busca da melhoria do pro- projeto pedagógico – no cur- cesso educacional. Assim, rículo, na metodologia de ensi- no, na avaliação e na atitude O termo gestão democráti- dos educadores – ações que ca ganhou destaque no con- favoreçam a interação social texto educacional brasileiro e sua opção por práticas het- por intermédio da nova LDB erogêneas. A escola capacita (Lei de Diretrizes e Bases da seus professores, prepara-se, Educação Nacional – Lei no. organiza-se e adapta-se para 9394/96). Quando se fala em oferecer educação de quali- gestão, não se trata apenas dade para todos, inclusive para de controlar recursos, coorde- os educandos que apresentem nar funcionários e assegurar o necessidades especiais. In- cumprimento dos dias letivos clusão, portanto, não significa e horas-aula. O conceito de simplesmente matricular todos gestão está associado ao for- os educandos com necessi- talecimento da democratização dades educacionais especiais do processo pedagógico, à par- na classe comum, ignorando ticipação responsável de todos suas necessidades específicas, nas decisões necessárias e na mas significa dar ao professor sua efetivação mediante um e à escola o suporte necessário compromisso coletivo com re- a sua ação pedagógica. sultados educacionais cada vez mais positivos e significativos. Ao se discutir a inclusão escolar é (VIEIRA E GARCEZ, 2004). Tema Destaque / Subject Stands out necessário considerar, entre outros el- ementos, a formação de recursos hu- Essa concepção de gestão engloba manos, políticas públicas, a necessi- vários aspectos do processo educa- dade de uma mudança importante nos tivo, permeando as questões políticas sistemas, etc. Considerando a forma- e pedagógicas. ção de recursos humanos, observamos a partir da pesquisa bibliográfica na Conforme autores como Romão e literatura nacional, uma maior preocu- Padilha (2001), muitas vezes a ad- pação com a formação dos professores ministração escolar se envolve muito (CARVALHO, 2000, PRIETO, 2003, mais com os aspectos burocráticos da CAPELLINE, 2004, ZANATA, 2004) e escola e acaba se distanciando das poucos estudos envolvendo o diretor questões educacionais. (TEZANI, 2004, BITES, 2005, BITAR, 2006) nesses estudos embora citado, A afirmação de que é difícil adminis- o diretor não era o foco do estudo. trar a escola sozinho, feita por muitos Stainback & Stainback (1999), falam diretores denuncia o isolamento do di- da ambigüidade da expectativa dos rigente escolar enquanto responsável diretores escolares, porque embora único e último pela instituição educati- se espere que eles liderem o processo va, o que, muitas vezes, independe de de mudança, também se espera que sua vontade, mas não de seu cargo. mantenham a estabilidade dos siste- Este formato de administração levou mas. ao distanciamento as questões propri- amente administrativas das pedagógi- A sociedade brasileira, a exemplo de cas, e os diretores administradores a outras sociedades, está vivendo uma se distanciarem da função primordial mudança de paradigmas existentes da escola, a saber, o processo de ensi- FAAG - Faculdade de Agudos
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    10 no/aprendizagem. Neste sentido: pedagógica. Em sua gestão, deve ser um articulador dos diferentes seg- Se o administrador da educação mentos escolares em torno do projeto já não se identifica necessari- político-pedagógico da escola. Quan- amente com a própria condição to maior for essa articulação, melhor de educador, ou seja, se ele é poderão ser desempenhadas as suas “da administração” e não “da próprias tarefas, seja no aspecto or- educação”, suas decisões não ganizacional da escola, seja em rela- serão inspiradas nem pela ção à responsabilidade social daquela “ciência prática da educação”, com sua comunidade. que desconhece, e nem pela Falar, portanto, na construção de uma “práxis educacional”, em que escola inclusiva significa considerar não se reconhece. Não haverá todos esses aspectos e sua relevância, como concretizar em sua es- e traçar novos caminhos de busca. cola a dialética da Pedagogia e da Educação, se ele como “ad- A construção da escola inclusiva en- ministrador” não dominar os globa uma variedade de vertentes. elementos do “par dialético” a Vários aspectos precisam ser consid- partir do qual deveria orientar erados. Conforme Aranha (2001), a sua ação administrativa. (SIL- inclusão é o processo de garantia do VA JÚNIOR, 1990). acesso imediato e contínuo da pessoa com necessidades especiais ao espaço Este modelo de administração passa comum na vida em sociedade, inde- a ser questionado com o surgimento pendente do tipo de deficiência e do do movimento de crítica política ao grau de comprometimento apresen- sistema educacional e à escola, por tado. Ela amplia tal conceito consid- entender que desta forma a escola erando que este processo tem que es- estaria reproduzindo as relações so- tar fundamentado no reconhecimento ciais capitalistas. Em contraste a esta e aceitação da diversidade na vida em forma de administração escolar, surge sociedade e na garantia do acesso a o período de busca da transformação todas as oportunidades. desta forma de administração em uma gestão participativa e democrática da Mendes (2002), ressalta que uma educação. tomada de posição consciente diante da várias possibilidades deve começar Ao comentar a proposta de gestão pelo entendimento que se tem so- participativa e democrática como um bre educação inclusiva, pois diante princípio assegurado pela LDB, Lima do contexto da educação esse termo Revista SER - Saber, Educação e Reflexão (2005) complementa: “educação inclusiva” pode admitir sig- nificados diversos, que vão desde a A proposta da Lei é a de que manutenção do que já existe, até uma a gestão da escola esteja a reorganização geral do sistema edu- serviço do trabalho pedagógi- cacional. co, e não o contrário. Assim, as funções administrativas Para Tezani (2004), a inclusão escolar passam a servir como subsídio é a aceitação da diversidade em sala para que a escola invista na de aula, mas isso só ocorrerá mediante qualidade do processo educa- a reestruturação pedagógica e admin- tivo. istrativa da escola. A falta de uma pro- posta pedagógica e administrativa que O termo gestão participativa, como a realmente priorize a inclusão é um dos palavra já diz, significa a participação obstáculos com que se depara e que de todos os envolvidos no gerencia- dificultam a implementação qualita- mento do processo. Na escola significa tiva deste princípio. dizer, que o gerenciamento é função não só do diretor, mas dos profes- Mendes (2002, p. 71), fala de alguns sores, funcionários, alunos, pais de aspectos importantes para a con- alunos e comunidade. strução da escola inclusiva tais como : O diretor de escola é, antes de tudo, um educador. Enquanto tal possui uma Os caminhos cabíveis que função primordialmente pedagógica e sejam trilhados para a con- social, que lhe exige o desenvolvimen- strução da escola inclusiva per- to de competência técnica, política e passam pelas adaptações cur- Revista Científica SER - Saber, Educação e Reflexão, Agudos/SP, v.1, n.1, Jan-Jun/2008
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    11 riculares, pela gestão escolar, essa implementação. Um movimento pelos princípios norteadores sistemático em direção à inclusão de desse paradigma educacional e crianças com necessidades educacion- com a construção da sua pro- ais especiais na escola comum requer posta pedagógica. A escola in- atenção às necessidades dos diretores clusiva requer a efetivação de de escolas. Os autores salientam ain- currículos adequados (adapta- da que o diretor pouco tem sido re- dos ou modificados, quando sponsável por fornecer os apoios que necessário) e uma prática ped- as crianças precisam. Para tal reforma agógica flexível com arranjos da escola, a liderança do diretor é vis- e adaptações que favoreçam ta como fator chave para o sucesso. tanto o bom aproveitamento Entretanto, para garantir o sucesso quanto o ajuste socioeducacio- da inclusão, é importante que o dire- nal do indivíduo com necessi- tor apresente conhecimentos e ha- dades educacionais especiais. bilidades que favoreçam a integração, aceitação, e sucesso de estudantes O alcance de todos esses aspectos en- com necessidades educacionais es- globará a participação de todos os en- peciais em classes comuns de escolas volvidos no processo educacional. regulares. Como um líder da escola, o diretor influencia diretamente na “alo- O professor enquanto um dos mem- cação de recursos, equipes, estrutu- bros da equipe escolar é fundamental ras, fluxo de informação, e a operação sim, mas não único agente respon- de processos que determina o que de- sável, pois o diretor escolar, dentro de veria e o que não deveria ser feito pela uma perspectiva de gestão participati- organização”. (NANUS, 1992). va, tem um importante papel a desem- penhar nessa construção das escolas Devido a sua posição de liderança, a inclusivas. Conforme apontado na leg- atitude do diretor acerca da inclusão islação brasileira (BRASIL, 2000) cabe poderá resultar em aumento de opor- à Direção das Unidades Escolares, a tunidades para estudantes na classe responsabilidade de: comum ou para limitar a segrega- ção em serviços de ensino especial. 1- Permitir e prover suporte Entretanto, para a inclusão ser bem administrativo, técnico e cientí- sucedida primeiro, e antes de tudo, o fico para a flexibilização do diretor escolar deve mostrar confiança processo de ensino, de modo a e atitude positiva frente ao princípio atender à diversidade; da inclusão escolar. 2- Adotar propostas curricu- Tema Destaque / Subject Stands out lares diversificadas e abertas, Vários caminhos são possíveis e em vez de adotar concepções necessários no trabalho escolar bus- rígidas e homogeneizadoras do cando a construção de um modelo currículo; inclusivo. Em outros países, temos 3- Flexibilizar a organização e acompanhado o estudo e a prática o funcionamento da escola, de de formas de colaboração dentro da forma a atender à demanda di- escola, com o objetivo de unir o tra- versificada dos alunos; balho já existente que chamamos de 4- Viabilizar a atuação de pro- comum, ao trabalho específico, que fessores especializados e de chamamos de especial, a fim de ga- serviços de apoio para favore- rantir a inclusão, a permanência e o cer o processo educacional. sucesso de alunos com necessidades educacionais especiais na escola. Portanto, a inclusão escolar só se efetivará com qualidade, se medidas Conforme aponta Maia (2000), para administrativas e pedagógicas forem que a participação em grupo traga tomadas pela equipe de gestão do benefícios para a escola, é imprescind- sistema e da escola. ível a presença de um líder que mobi- lize os agentes da organização nesse Brotherson et al (2001), discutem que sentido, que suscite o bom relaciona- a falta de atenção do contexto sócio- mento entre eles e que esteja direta- político tem sido um problema central mente envolvido com o processo em na implementação de programas in- busca da qualidade de ensino. clusivos. Para estes autores os dire- tores escolares são peças-chave no Vários autores têm discutido que o contexto sócio-político para garantir apoio administrativo é o maior fator FAAG - Faculdade de Agudos
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    12 para o sucesso de programas inclusi- amente pela ação do gerenciamento vos nos quais a colaboração é alme- da mesma. Esse gerenciamento esco- jada. (RIPLEY, 1997). lar diferente só acontecerá através de práticas reais diferenciadas. Conforme aponta Boscardin (2004), o papel do administrador em intro- Este papel de agente de modifica- duzir, guiar, selecionar e apoiar o uso ção de uma escola tradicionalmente de intervenções apropriadas é impor- excludente, não vai ser assumido de tante para o sucesso de estudantes forma tranqüila pelo diretor escolar e com necessidades educacionais es- sua equipe de gestão. As mudanças peciais na aprendizagem. Embora necessárias não são simples nem fá- freqüentemente se pense que esta ceis, é preciso que haja interesse pes- área de domínio é exclusiva dos pro- soal e coletivo em mudar o rumo e fessores, os administradores precisam seguir para o desconhecido. ser instrumentalizados para apoiar a implementação de práticas instrucion- A escola inclusiva que se pretende criar ais científicas de professores para que não tem metas e padrões previamente melhorem os resultados educacionais estabelecidos como acontece na esco- dos alunos. No entanto, transformar o la tradicional. Ela tem clareza do que papel administrativo de forma que ele precisa ser eliminado, como qualquer se torne um apoio à inclusão escolar tipo de discriminação que impeça um não será fácil e irá requerer o uso de aluno de ter sucesso, no entanto, suas diferentes estratégias. metas e objetivos específicos precisam ser construídos paulatinamente dentro A autora aponta dois caminhos de de cada unidade escolar, considerando transformação do papel administrativo. suas características e especificidades Um deles considera a importância de únicas. incluir em legislação futura o conheci- mento do papel dos administradores Estamos no momento de criar projetos na reforma escolar. O outro focaliza novos de trabalho escolar, implemen- o estabelecimento de uma agenda de tá-los e avaliá-los, para aos poucos ir- pesquisas nacionais tratando da lider- mos descobrindo os caminhos a serem ança e educação especial. Estas duas seguidos e os caminhos a serem aban- vertentes, segundo a autora, poderão donados. ajudar a identificar e melhor entender o uso de evidência baseada em práti- O trabalho com alunos com necessi- cas administrativas em educação es- dades educacionais especiais na escola pecial que devem melhorar os resul- regular é algo que podemos considerar Revista SER - Saber, Educação e Reflexão tados educacionais de estudantes com relativamente novo, se considerarmos necessidades educacionais especiais o longo período de exclusão escolar através da melhoria das habilidades que tais indivíduos viveram durante do professor e da transformação na séculos. No Brasil, falamos de inclusão missão de liderança. escolar há pouco mais de dez anos, mais especificamente após a Declara- De acordo com Lashley e Boscardin ção de Salamanca, o que nos retrata (2003), o desafio do administrador um tempo curto para as grandes mu- será promover colaboração entre pro- danças conceituais que tal perspectiva fessores de educação especial e geral requer. e, administradores para garantir que programas de educação de alta quali- O profissional da educação capacitado dade sejam acessíveis a todos os estu- para gerenciar tal realidade não se faz dantes. O que precisa na prática é que de uma hora para outra, nem do dia diretores escolares comecem a pensar para a noite, nem tão pouco sozinho. como líderes instrucionais de todos os A vivência de um cotidiano escolar in- estudantes, incluindo os com necessi- clusivo, as trocas com os colegas, às dades educacionais especiais, e não informações e sugestões advindas da somente como diretores da educação busca de soluções, a observação de geral. outros modelos, enfim, vários são os caminhos que deverão ser trilhados. A transformação da nossa escola em uma escola inclusiva ou a criação de Carregamos uma carga sócio-cultural uma nova escola que seja inclusiva, diante da diferença, que justifica ati- que aceite a diversidade e a entenda tudes de incoerência entre o discurso como fator positivo, passa obrigatori- e a prática, fruto de uma concepção Revista Científica SER - Saber, Educação e Reflexão, Agudos/SP, v.1, n.1, Jan-Jun/2008
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    13 equivocada. Em teseé fácil adotar o neos integrando conhecimentos de discurso do direito à educação para educação especial, habilidades e dis- todos, porém na prática acreditamos posições em seus currículos. não ser possível fazer, pois nos falta a segurança que achamos que temos Delors (2003), afirma que um dos que ter. principais fatores de eficácia escolar, conforme apontam as pesquisas e ob- Práticas escolares rotineiras não se servações empíricas, é a direção dos transformam num passe de mágica. estabelecimentos de ensino. Um bom É preciso que a equipe escolar reflita administrador capaz de trabalhar em sobre essa nova condição, de trans- equipe, competente e aberto, conseg- formação da escola em inclusiva, de ue introduzir grandes melhorias nas como esse processo vem acontecendo, escolas. Para tanto, é preciso confiar e onde queremos chegar. Neste ponto a direção das escolas a profissionais temos que falar de formação inicial e qualificados, com formação específica, também em serviço e não dá para se sobretudo em matéria de gestão. Esta pensar na construção da escola inclu- qualificação deve conferir maior pod- siva sem pensar em instrumentalizar er de decisão e melhor remuneração, seus construtores. valorizando assim essa que é de muita responsabilidade. Temos uma legislação que contempla avanços nesta área, porém não ga- No material instrucional publicado pelo rante o entendimento de seu signifi- MEC (BRASIL, 1997, p.333), aparece cado à população interessada. Faz-se o depoimento do diretor de uma es- necessária a preparação dos líderes cola com alunos surdos em classes escolares para lidar com as mudanças comuns, que diz que considera esse necessárias. período como o mais gratificante em sua vida profissional, embora tenha A liderança firme por parte do dire- sido também o período de maiores di- tor escolar tem sido identificada como ficuldades. Ao finalizar seu depoimento um fator crítico para apoiar progra- o diretor afirma que o maior problema mas educacionais efetivos. O papel do que a educação enfrenta é a falta de diretor requer novos conhecimentos, formação profissional adequada dos atitudes e habilidades para lidar com diretores e professores, e conclui: “se as condições atuais e as tendências eu tivesse mais informações poderia emergentes na educação especial e ter realizado um trabalho melhor”. geral e, para conduzir a continuidade da melhoria educacional para todos os Entendemos que a formação em Tema Destaque / Subject Stands out estudantes. serviço do diretor escolar é fator fun- damental e urgente no nosso cenário Entretanto, o conhecimento sobre as educacional. A liderança firme e desa- características do aluno, as necessi- fiadora que a literatura aponta como dades específicas de aprendizagem, necessária para o diretor da escola in- as técnicas instrucionais, e o apoio clusiva, requer investigação. requerido por educadores especiais pode direcionar ações de administra- A educação brasileira está anunciando dores para serem mais efetivas. reformas, e a exemplo de muitos out- ros países, tem buscado no princípio O papel do diretor tem evoluído nos da educação inclusiva a proposta de últimos 30 anos, e a liderança instru- uma escola para todos, que respeite e cional tem emergido como um compo- esteja aberta às diferenças, entendida nente essencial de seu papel. Dentro como forma de enriquecimento tanto da demanda atual de responsabilidade do coletivo da escola como fundamen- educacional, a preparação de líderes tal para a construção de uma socie- instrucionais para trabalhar com pop- dade democrática. ulações escolares academicamente di- versas é um imperativo. A transformação necessária se apre- senta como algo processual e que As instituições de educação e os deve abranger diferentes segmentos órgãos públicos educacionais têm pa- ligados à escola. Não é algo simples, péis chave na preparação de diretores nem rápido, pois requer primeiramente para tais complexas responsabilidades mudança de concepção de sociedade, e devem preparar futuros administra- de pessoa, de escola, de direito etc. dores para seus papéis contemporâ- Lima (2005, p. 90), comenta que esta FAAG - Faculdade de Agudos
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    14 dificuldade de transformação da escola Praisner (2003) realizou uma pesquisa que está aí, em uma escola inclusiva, com 408 diretores de escolas elemen- pode ser comparada a uma conexão tares para investigar a relação entre no meio de uma viagem. No entanto, atitudes frente à inclusão, e variáveis não é como descer de um avião com tais como treinamento e experiência destino certo e entrar num segundo e percepção sobre colocação de alu- avião com outro destino definido, mas nos com necessidades educacionais sim uma alteração de rota dentro do especiais. Os resultados indicaram mesmo avião, com a mesma tripula- que cerca de um em cada cinco dire- ção, mas sem que a torre de controle tores tinham atitudes positivas a re- possa dar indicações claras e precisas speito da inclusão, embora a maioria para onde se deve seguir. manifestasse também incerteza sobre essa política. Experiências positivas Entretanto, se há a figura de um com estudantes com deficiências e gestor da escola, que é o principal exposição anterior a conceitos de edu- elemento de articulação entre a es- cação especial apareceram associados cola e o sistema, seria esperado, con- com atitudes mais positivas a respeito forme apontam Stainback e Stainback da inclusão. Além disso, diretores com (1999), que ele liderasse os processos mais experiências e/ou atitudes posi- de mudança, e talvez esteja no papel tivas são mais prováveis de colocar e na função deste profissional uma das estudantes em ambientes inclusivos. estratégias para alavancar a transfor- mação pretendida. A fala de uma diretora de escola apon- ta a importância da convivência com O que a literatura sobre gestão esco- alunos com necessidades especiais lar vem apontando é a necessidade de para se buscar novos caminhos e a consolidar a autonomia da escola e de necessidade de interlocução da equipe qualificar diretores tanto para desem- escolar com profissionais especializa- penhar uma forte e efetiva liderança, dos: quanto para dividir o poder de decisão sobre os assuntos escolares com pro- Na verdade o ideal era que es- fessores, funcionários, pais de alunos, tivesse tudo pronto, mas se alunos e comunidade escolar, criando a criança não chega a gente e estimulando a participação de todos não sabe nem o que deve es- nas instâncias da unidade (por exem- tar pronto, então é importante plo, conselhos ou comitês represen- o que a gente já sabe de an- tativos de pais, professores, alunos, temão que é necessário tem comunidade, etc.) (ver, por exemplo, que estar, porque é difícil se é Revista SER - Saber, Educação e Reflexão LIBÂNEO, 2004; DOURADO, 2004; uma criança por exemplo que BITES, 2005). usa cadeira de rodas, ou algu- ma coisa assim então precisa No âmbito da escola a estratégia para ter adaptação de rampa e tudo se construir o planejamento partici- mais, mas tem outras que tem pativo e democrático, mais defendi- que acontecer para a gente es- da, tem sido a construção coletiva do tar sentindo. projeto político pedagógico da escola, entendido como um elemento de or- Tradicionalmente a educação especial ganização e integração da atividade não tem sido enfatizada em programas prática da instituição neste processo de preparação de diretores (SIROTNIK de transformação (BARROSO, 1995; E KIMBALL, 1994), mas diante da per- MARÇAL, 2001; SILVA JÚNIOR, 2002. spectiva da inclusão escolar a prepa- VASCONCELLOS, 2005). ração de gestores para trabalhar com populações escolares academicamente Entretanto, a construção coletiva diversas vem se tornando um impera- deste projeto não é suficiente, pois tivo e deve ser assunto para muitas será necessário colocá-lo em práti- outras pesquisas no futuro. ca consolidando assim a prática de gestão participativa e democrática na Ao iniciarmos este artigo falamos so- escola, a autonomia da equipe esco- bre a necessidade de se construir uma lar e a oportunidade permanente de sociedade, em que todos os seus ci- desenvolvimento profissional dos pro- dadãos tenham direito a exercer sua fessores (SILVA JR, 2002; LIBÂNEO, cidadania plenamente com todos os 2004; TEZANI, 2004). direitos e deveres que tal plenitude abarca. Revista Científica SER - Saber, Educação e Reflexão, Agudos/SP, v.1, n.1, Jan-Jun/2008
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    15 Observamos, no entanto,que o cum- la. Apesar de um recente discurso de primento de tais metas está muito além escola inclusiva, aberta a todos, sejam da nossa realidade. Uma sociedade ig- quais forem suas características, o que ualitária tem que garantir eqüidade, temos na verdade é uma escola de- pois a igualdade tem que aparecer nas spreparada para assumir essa trans- oportunidades de acesso, mesmo que formação, a começar pela sua gestão. para isto tenhamos que diferenciar os A nós parece evidente que a construção caminhos. da escola inclusiva tem que investir na consolidação de uma outra cultura, Discutir a construção de uma socie- capaz de incutir na clientela escolar, dade inclusiva, que aceita e respeita as desde a mais tenra idade, a aceitação diferenças, abrange uma enormidade e valorização da pessoa humana, in- de aspectos, nem sempre visíveis, dependente de qualquer diferença. nem sempre sentidos, nem sempre Essa construção, não simples, deve desejados, pois temos arraigada uma ser o objetivo primeiro das institu- cultura que valoriza a competitividade, ições escolares na busca da melhoria a dominação, o mais forte. da qualidade de ensino-aprendizagem para todos, transformando a escola Como um segmento desta sociedade para que cumpra verdadeiramente está a escola que se obriga a repro- seu papel social. duzir esta cultura, de forma a mantê- Referências Bibliográficas ARANHA, M. S. F. Inclusão Social e a Integração da Pessoa Portadora de Municipalização. In: Novas Diretrizes Deficiência (CORDE). Declaração de da Educação especial. São Paulo: Sec- Salamanca e Linha de Ação sobre Ne- retaria Estadual de Educação, 2001. cessidades Educativas Especiais. Bra- sília, 1994. BARROSO, J. Para uma abordagem teórica da reforma da administração BRASIL. Secretaria de Educação Espe- escolar: a distinção entre direcção e cial- Deficiência Auditiva/ organizado gestão. In: Revista Portuguesa de por Giuseppe Rinaldi et al. – Brasília: Educação. Portugal: Universidade do SEESP, 1997. V.II. – (Série Atualidades Minho, v. 8, n.1, p. 33-56, 1995 Pedagógicas; n.4). BITAR, J. A. Inclusão Escolar na Per- BRASIL. Secretaria de Educação Espe- Tema Destaque / Subject Stands out spectiva de Gestores e Professores em cial. Projeto Escola Viva - Garantindo uma Diretoria Regional Paulista. 2006. o acesso e permanência de todos os Dissertação (Mestrado) - Centro Uni- alunos na escola- Alunos com necessi- versitário Moura Lacerda, Programa dades educacionais especiais. Brasília, de Pós-Graduação em Educação, Ri- c327, 2000. beirão Preto. 2006. BOSCARDIN, M. L. Transforming Ad- BITES, M. F. S. C. Participação dos ministration to Support Science in the professores na política educacional de Schoolhouse for Students with Dis- inclusão em Goiás. 2005. Tese (Dou- abilities. Journal of Learning Disabili- torado). Faculdade de Ciências Huma- ties. v. 37, no.3, p. 262-269, May/ nas da Universidade Metodista de Pi- June 2004. racicaba. 2005. BROTHERSON, M. J., SHERIFF, G., BRASIL. Lei no. 9.394, de 20 de MILBURN, P., & SCHERTZ, M. Elemen- dezembro de 1996. Estabelece as tary school principals and their needs Diretrizes e Bases da Educação Nacio- for inclusive early childhood programs. nal. Diário Oficial da União. Brasília. Topics in Early Childhood Special Edu- 23 dez. 1996. p. 27.833-27.841. cation, v. 21, p. 31-45, 2001. BRASIL. Ministério da Educação. Dire- CAPELLINE, V. L. M. F. Possibilidades trizes Nacionais para Educação Es- da colaboração entre professores do pecial na Educação Básica. Brasília: ensino comum e especial para o pro- MEC/SEESP, 2001a. cesso de inclusão escolar. 2004. Tese (doutorado). Universidade Federal de BRASIL. Coordenadoria Nacional para São Carlos. 2004. FAAG - Faculdade de Agudos
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