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                          O GATO QUE ENSINOU A GAIVOTA A VOAR



                                    1º Capítulo – “Mar do Norte”

(Kengah era uma gaivota de penas cor de prata que ia numa viagem em direcção a Hamburgo,

em que já viajava há mais de 6 horas. As gaivotas voavam sobre o Rio Elba, no Mar do Norte,

aproveitando para pescar arenques.)

gaivota 1Kengah- As dificuldades que os humanos têm! Nós, gaivotas, ao menos grasnamos o

mesmo em todo o mundo!

Todas esvoaçavam descontraidamente quando Kengah uma gaivota de penas cor de prata, ao

mergulhar , umas das gaivotas não ouve e quando Kengah tirou a cabeça da água viu-se sozinha

na imensidade do oceano. Kengah, em plena viagem é engolida por uma maré negra. Ela tinha

perdido as suas colegas de vista. O petróleo colava-lhe as asas ao corpo, mas Kengah tinha uma

enorme força de vontade, conseguiu voar, e sem mais força caiu na varanda de um gato.)



                                    3º Capítulo “Hamburgo à vista”

Kengah- Socorro, socorro…! ... Tirem-me daqui!...

…Não me consigo mexer e tenho um ovo para chocar!! !...Ai a minha vida! Isto só acontece graças aos

humanos! Não pensam nos animais, só pensam neles, amaldiçoados sejam!

É que...muitas vezes é lá no alto, onde grandes barcos petroleiros atiram ao mar milhares de litros de

uma substância espessa que é afastada pelas ondas…

 (Depois de tanto lutar pela vida esvoaçando muito cansada reconheceu uma grande torre que

ostentava um cata-vento de ouro.)

gaivota 1Kengah- São Miguel!...Eu conheço a torre desta igreja!

                                  4º Capitulo “ O fim de um voo ”

(Zorbas, um gato grande, preto e gordo estava a apanhar sol na varanda e derrepente Kengah

cai na varanda de Zorbas. Desesperada procura ajuda, mas antes de Zorbas ir pedir ajuda ela

suplicou-lhe 3 coisas:

1º; para guardar o último ovo que ela iria pôr

2º; tomar conta da gaivotinha

3º ensiná-la a voar)

gato Zorbas - Não foi uma aterragem muito elegante!!!

gaivota 1Kengah- Desculpa. Não pude evitar…

gato Zorbas- Olha lá, gaivota; até tens um aspeto desgraçado!!!. Que é isso que tens no corpo ? …E

que mal que cheiras !

gaivota 1Kengah: Fui apanhada por uma maré negra…. A maldição dos mares...

A peste negra… Ai que vou morrer…. Ó meu Deus socorro!!!
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Gato Zorbas- …morrer????...não digas isso!!!...estás cansada e é só isso!...porque não voas até ao

jardim zoológico?! Não é longe daqui e lá há veterinários que te poderão ajudar!

gaivota 1Kengah- …não posso!...foi o meu voo final…

gato Zorbas- …não morras…! Descansa um bocado e verás que recuperas! Tens fome? Olha: eu trago-

te um pouco da minha comida, mas não morras!!!

…Deixa-me ver como como está a tua respiração….Oh…mas a tua respiração está mesmo muito

fraquinha…

Olha amiga; eu quero ajudar-te mas não sei como…Agora procura descansar, enquanto eu vou pedir

conselho sobre o que se deve fazer com uma gaivota doente. Estás a entender?

gaivota 1Kengah- Olha apesar das poucas forças ainda vou pôr um ovo. Sabes amigo gato; vê-se que és

um animal bom e de nobres sentimentos e por isso, vou pedir-te que me faças três promessas. Fazes?!

gato Zorbas- …Sim prometo aquilo que tu quiseres !...mas agora descansa!

gaivota 1Kengah- Agora não tenho tempo de descansar….Promete-me que não me comes o ovo?

gato Zorbas- …Sim prometo que não te como o ovo!

gaivota 1Kengah- Promete-me que cuidas dele até que nasça a gaivotinha?

gato Zorbas- …Sim prometo que cuido dele até nascer a gaivotinha.

gaivota 1Kengah- Promete-me que a ensinas a voar?

gato Zorbas- aparte(…oh meu Deus!!!...como esta gaivota está infeliz…além de estar a delirar está

também completamente louca,,,)

…Sim prometo que vou ensiná-la a voar! Agora descansa que vou procurar ajuda.

gaivota 1Kengah- Oh meu Deus! Olho para o céu e agradeço a todos os bons ventos que me

acompanharam.

                       5ºCapítulo – “Em busca de conselho”

(O gato Zorbas retomou o seu caminho até chegar diante da porta do restaurante.)

Gato Zorbas- miau, miau, miau…

Gato 4 Secretário – (aproxima-se de Zorbas dizendo)

… Temos muita pena, mas se não fez reserva não podemos atendê-lo…. Estamos à cunha…

(Zorbas não o deixa acabar de falar dizendo)

Gato Zorbas- Preciso de miar com o Colonello. É urgente!

Gato 4 Secretário-… Urgente, urgente e mais urgente, sempre com urgências de ultima hora! …Vou

ver o que posso fazer, mas só porque se trata de uma urgência! (disse regressando ao interior do

restaurante)

Narrador- (Secretário volta depois de uma longa conversa com Colonello. Colonello era uma

autoridade de todo o tamanho entre os gatos do porto.)

Gato4-Secretário-     Segue-me!     A     título      excepcional,   o   Colonello   vai   receber-te!

(Zorbas segue o secretário e entram no gabinete de Colonello)

Gato Colonello- Porca miséria! Os ratos roeram as rolhas do melhor champanhe da casa.
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      Olá Zorbas! …Meu Caro amigo!

      Gato Zorbas- Desculpa incomodar-te em pleno trabalho, mas tenho um grave problema e preciso dos

      teus conselhos.

      Gato Colonello- Estou às tuas ordens, Caro amico

      Gato Zorbas- …obrigado!! Agora vou contar-lhe da acidentada chegada da gaivota…coitada se visse o

      seu estado lastimável e as promessas que se viu obrigada a fazer-me…!… nem você calcula!!! (conta em

      voz baixa o sucedido)

      Gato Colonello-… Porca miséria!... É preciso ajudar essa pobre gaivota para que possa continuar o seu

      voo.

      Gato Zorbas- Sim, mas como?

      Gato Secretário- O melhor é consultar o Sabetudo!

      Gato Colonello- Era exactamente o que eu ia sugerir. Porque é que há-de estar sempre a tirar-me as

      miadelas da boca?...oh! …mas que maçada!!!

      Gato Zorbas- É isso mesmo! Vou ter com o Sabetudo.

      Gato Colonello- Vamos todos! Os problemas de um gato do porto, são os problemas de todos os gatos!



                                         6º Capitulo “Um lugar curioso”

      Narrador - Sabetudo vivia num lugar bastante difícil de descrever.

       O lugar chamava se HARRY – BAZAR DO PORTO, e o seu dono era um velho lobo-do-mar, que

      navegou cinquenta anos pelos sete mares dedicou-se a coleccionar toda a espécie de objectos

      das centenas de poros que conheceu ao longo da sua vida no mar. Quando começou a envelhecer

      decidiu trocar a sua vida de navegante pela vida de marinheiro e abriu um bazar com todos os

      objectos reunidos.

      Para visitar o bazar havia de pagar uma entrada e, uma vez lá dentro, o visitante precisava de

      um grande sentido de orientação para não se perder no seu labirinto de salas sem janelas,

      grandes corredores e escadas estreitas.

       O Harry tinha duas mascotes. Uma era Matias, um chimpanzé que tinha a função de bilheteiro

      e vigilante de segurança. A outra mascote era Sabetudo, um gato cinzento, pequeno e magro

      que dedicava a maior parte do tempo ao estudo dos milhares de livros. Colonello, Sabetudo e

      Zorbas entraram no Bazar de rabos muito empinados e lamentaram não ver Harry atrás da

      bilheteira.

      Chimpanzé Matias: - Um momento, ó seus sacos de pulgas! Esquecem-se de pagar a entrada????.

      Secretário:- Desde quando é que os gatos pagam?

      Chimpanzé Matias: -O aviso da porta diz: «entrada: dois marcos». Não está escrito em parte nenhuma

      que os gatos entram de graça!!!.... Oito marcos, ou então põem-se a mexer daqui.

      Secretário: -Senhor macaco, receio bem que a matemática não seja o seu forte. …!

Colonello: -Era exactamente o que eu ia dizer. Lá está você mais uma vez a tirar-me os miados da boca.
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Chimpanzé Matias: -Bla, bla, bla! Ou pagam ou põem-se a mexer!!!

(…Zorbas saltou para o outro lado da bilheteira e olhou fixamente para Matias até ele lacrimejar…)

Chimpanzé Matias: -…Bem; realmente são seis marcos. Um erro, qualquer um tem.

Chimpanzé Matias:-Por esta vez faço vista grossa! …Vá lá!...Podem passar!!!

Capitulo7 ”Um gato que sabe tudo”

Narrador- Aconteceu qualquer coisa terrível, miando o gato Sabetudo quando os viu chegar.

(Sabetudo): Terrível! Terrível!... Eu estou verdadeiramente desconsolado.

(Gato Secretário): Que se passou?

(Gato Colonello): Era exactamente o que eu ia perguntar. Parece que me anda a tirar os miados da boca!!!

(Gato Zorbas): Vamos. Não há-de ser assim tão grave…o que se passa?

(Sabetudo): Esses malditos ratos comeram uma página inteira do atlas.

O mapa de Madagáscar desapareceu . É terrível !

( Colonello ) : Secretário , lembre-me de que tenho de organizar uma batida contra esses devoradores de

Madáscar … Magáscar … , enfim , já sabe ao que me estou a referir .

( Secretário ) : Não se pronuncia assim ! A palavra correta é Madagáscar !

( Colonello ) : Continua a tirar-me os miados da boca .Porca miséria !

( Zorbas ) : A gente dá-te uma maõzinha ,Sabetudo , mas agora estamos aqui porque temos um grande

problema e , como tu sabes tanto , talvez nos possas ajudar .Vou contar-lhe a história da gaivota, escuta

com atenção .

( Zorbas ) : E assim a deixei muito mal há um bocadinho…

- Terrível história! Terrível! Deixem-me pensar: gaivota … petróleo … petróleo … gaivota …

É isso! Temos que consultar a enciclopédia!

(Gatos) : A quê ?

(Sabetudo) : A en..ci..clo..pé..di ..a . O livro do saber .

(Colonelio ) : Ora vejamos essa emplicopé …. Ora bem !

( Secretário ) : En-ci-clo-pé-di-a .

( Colonello ) : Era o que eu ia dizer ! Verifico mais uma vez que não consegue resistir á tentação de me tirar

os miados da boca .

( Narrador ) : Sabetudo trepou a um enorme móvel onde estavam vários livros e depois de procurar

nas lombadas a letra “G” e “P” , fez cair os livros. Desceu do móvel e de tanto observar os livros foi

passando as páginas .

( Sabetudo ) : Oiçam isto meus amigos: Parece que vamos no bom caminho. Que interessante! Gaivagem,

gaivão, também se chama gaivinha. Interessante!

(Secretário): Não nos interessa o que diz aí da gaivina. Estamos aqui por causa de uma gaivota.

(Sabetudo):…Desculpem! É que a enciclopédia é para mim uma coisa irresistível.

(Narrador): Mas o que a enciclopédia dizia das gaivotas não serviu de grande ajuda. Souberam que a

gaivota que os preocupava pertencia à espécie das gaivotas devido a cor prata das penas.
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(Zorbas): Pelos picos do ouriço! Estamos na mesma…!

(Sabetudo): É terrível! Foi a primeira vez que a enciclopédia me desiludiu…

(Colonello) E nessa empliclopé…. Enfim, bem sabes o que eu quero, não há maneiras de tirar as nódoas do

petróleo?

(Sabetudo): genial! Devíamos ter começado por ai! Já vos trago o volume vinte de letra D de tirar nódoas.

(colonello): Está a ver secretário? Se você evitasse de me tirar os miados da boca já saberíamos o que

tínhamos de fazer!

(Sabetudo): aqui encontra-se a maneira de como limpar as nódoas de petróleo. Limpa-se a nódoa com um pano

húmido com benzina! ... E cá temos a solução!

(Zorbas): Onde diabo é que vamos buscar a benzina?

(Colonello): oh secretário já sabes o que tens a fazer não sabes? Temos um boião com pincéis mergulhados

em benzina.

(Secretário): desculpa mas não estou a entender a tua ideia…

(Colonello):É muito simples! Molhas o rabo com benzina e depois vamos logo tratar dessa pobre gaivota.

Secretário- Ah! … não! Isso e que não! Nem pensar!

Colonello- Lembro-te que a ementa desta tarde e uma dupla ração de fígado com natas.

Secretário- Meter o rabo em benzina! ... mas isso nem pensar!!! Ah! …falaste em fígado com natas????

 Colonello, Secretário e Zorbas- …Olha; nós vamos de saída, Sabetudo.Sabetudo- …E eu acompanho-os até à

                           Capitulo 8 – “zorbas começa a cumprir o prometido”

(os 4 gatos descem do telhado para a varanda olham para a gaivota morta)

Colonello-Oh…coitada como está a pobre gaivota…

Sabetudo-…está mesmo sem vida…

Zorbas- …como é triste morrer…

Colonello – oh…acho que devemos juntar lhe as asas… É o que se faz nestes casos….

(descobrem o ovinho branco com pintas azuis)

Zorbas – …o ovinho! Chegou a pôr o ovo!

Colonello – meteste-te numa boa embrulhada, caro amico!!!... Numa boa embrulhada!

Zorbas- (aflito) o que vou fazer com o ovo?

Secretario- como um ovo podem fazer-se muitas coisas.

Sabetudo- ah, sim! O Zorbas prometeu a essa pobre gaivota que cuidaria do ovo e da gaivotinha. Uma

promessa de honra contraída por um gato do porto obriga todos os gatos do porto, e por isso o ovo diz -nos

respeito.

Zorbas – mas eu não sei tratar de um ovo! Até agora nunca tive um ovo ao meu cuidado.

Sabetudo – tenho de consultar a enciclopédia. De certeza que esta lá tudo o que temos de saber a cerca do

ovo.!!!

Secretario – ou seja; deitar-se junto ao ovo, mas sem o partir.
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Colonello – era exactamente o que eu ia sugerir. Zorbas, ficas junto do ovo e nós vamos ver o que nos diz a

sua encimopé…, enfim, já sabes ao que me refiro. Voltamos a noite com novidades e damos sepultura a essa

pobre gaivota.

Zorbas –(pensando) sinto-me ridículo…! Os gatos maus vão todos fazer troça de mim, mas tenho que os

enfrentar se os vir …mas eu estou decidido a criar esta gaivotinha!

                                      Capítulo 9º ”Uma noite triste”

Narrador:- À luz da lua, Secretário, Sabetudo, Colonello e Zorbas cavaram um buraco ao pé do

castanheiro. Procuraram não ser vistos por humanos e atiraram a gaivota morta da varanda para o

pátio interior. Depositaram-na na cova e cobriram-na de terra.

Gato Secretário -…Companheiros gatos;. Muito pouco sabemos da gaivota, mas o que importa é que chegou

moribunda até casa de Zorbas, e depositou nele toda a sua confiança.

Gato Sabetudo- É exactamente o que o senhor Colonello ia dizer!

Gato Secretário-Não lhe tires os miados da boca. … São promessas difíceis de cumprir. Mas sabemos que

um gato de porto cumpre sempre os seus miados. Para o ajudar a conseguir, ordeno que o companheiro

Zorbas não abandone o ovo até a gaivotinha nascer e que Sabetudo consulte a sua encimópé… , enfim,

aqueles livros…!

Gato Colonello- …E agora digamos adeus a esta gaivota vitima da desgraça provocada pelos humanos.

Olhemos para a lua e miemos a canção do adeus.

Gato e a gaivota part i

  • 1.
    1 O GATO QUE ENSINOU A GAIVOTA A VOAR 1º Capítulo – “Mar do Norte” (Kengah era uma gaivota de penas cor de prata que ia numa viagem em direcção a Hamburgo, em que já viajava há mais de 6 horas. As gaivotas voavam sobre o Rio Elba, no Mar do Norte, aproveitando para pescar arenques.) gaivota 1Kengah- As dificuldades que os humanos têm! Nós, gaivotas, ao menos grasnamos o mesmo em todo o mundo! Todas esvoaçavam descontraidamente quando Kengah uma gaivota de penas cor de prata, ao mergulhar , umas das gaivotas não ouve e quando Kengah tirou a cabeça da água viu-se sozinha na imensidade do oceano. Kengah, em plena viagem é engolida por uma maré negra. Ela tinha perdido as suas colegas de vista. O petróleo colava-lhe as asas ao corpo, mas Kengah tinha uma enorme força de vontade, conseguiu voar, e sem mais força caiu na varanda de um gato.) 3º Capítulo “Hamburgo à vista” Kengah- Socorro, socorro…! ... Tirem-me daqui!... …Não me consigo mexer e tenho um ovo para chocar!! !...Ai a minha vida! Isto só acontece graças aos humanos! Não pensam nos animais, só pensam neles, amaldiçoados sejam! É que...muitas vezes é lá no alto, onde grandes barcos petroleiros atiram ao mar milhares de litros de uma substância espessa que é afastada pelas ondas… (Depois de tanto lutar pela vida esvoaçando muito cansada reconheceu uma grande torre que ostentava um cata-vento de ouro.) gaivota 1Kengah- São Miguel!...Eu conheço a torre desta igreja! 4º Capitulo “ O fim de um voo ” (Zorbas, um gato grande, preto e gordo estava a apanhar sol na varanda e derrepente Kengah cai na varanda de Zorbas. Desesperada procura ajuda, mas antes de Zorbas ir pedir ajuda ela suplicou-lhe 3 coisas: 1º; para guardar o último ovo que ela iria pôr 2º; tomar conta da gaivotinha 3º ensiná-la a voar) gato Zorbas - Não foi uma aterragem muito elegante!!! gaivota 1Kengah- Desculpa. Não pude evitar… gato Zorbas- Olha lá, gaivota; até tens um aspeto desgraçado!!!. Que é isso que tens no corpo ? …E que mal que cheiras ! gaivota 1Kengah: Fui apanhada por uma maré negra…. A maldição dos mares... A peste negra… Ai que vou morrer…. Ó meu Deus socorro!!!
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    2 Gato Zorbas- …morrer????...nãodigas isso!!!...estás cansada e é só isso!...porque não voas até ao jardim zoológico?! Não é longe daqui e lá há veterinários que te poderão ajudar! gaivota 1Kengah- …não posso!...foi o meu voo final… gato Zorbas- …não morras…! Descansa um bocado e verás que recuperas! Tens fome? Olha: eu trago- te um pouco da minha comida, mas não morras!!! …Deixa-me ver como como está a tua respiração….Oh…mas a tua respiração está mesmo muito fraquinha… Olha amiga; eu quero ajudar-te mas não sei como…Agora procura descansar, enquanto eu vou pedir conselho sobre o que se deve fazer com uma gaivota doente. Estás a entender? gaivota 1Kengah- Olha apesar das poucas forças ainda vou pôr um ovo. Sabes amigo gato; vê-se que és um animal bom e de nobres sentimentos e por isso, vou pedir-te que me faças três promessas. Fazes?! gato Zorbas- …Sim prometo aquilo que tu quiseres !...mas agora descansa! gaivota 1Kengah- Agora não tenho tempo de descansar….Promete-me que não me comes o ovo? gato Zorbas- …Sim prometo que não te como o ovo! gaivota 1Kengah- Promete-me que cuidas dele até que nasça a gaivotinha? gato Zorbas- …Sim prometo que cuido dele até nascer a gaivotinha. gaivota 1Kengah- Promete-me que a ensinas a voar? gato Zorbas- aparte(…oh meu Deus!!!...como esta gaivota está infeliz…além de estar a delirar está também completamente louca,,,) …Sim prometo que vou ensiná-la a voar! Agora descansa que vou procurar ajuda. gaivota 1Kengah- Oh meu Deus! Olho para o céu e agradeço a todos os bons ventos que me acompanharam. 5ºCapítulo – “Em busca de conselho” (O gato Zorbas retomou o seu caminho até chegar diante da porta do restaurante.) Gato Zorbas- miau, miau, miau… Gato 4 Secretário – (aproxima-se de Zorbas dizendo) … Temos muita pena, mas se não fez reserva não podemos atendê-lo…. Estamos à cunha… (Zorbas não o deixa acabar de falar dizendo) Gato Zorbas- Preciso de miar com o Colonello. É urgente! Gato 4 Secretário-… Urgente, urgente e mais urgente, sempre com urgências de ultima hora! …Vou ver o que posso fazer, mas só porque se trata de uma urgência! (disse regressando ao interior do restaurante) Narrador- (Secretário volta depois de uma longa conversa com Colonello. Colonello era uma autoridade de todo o tamanho entre os gatos do porto.) Gato4-Secretário- Segue-me! A título excepcional, o Colonello vai receber-te! (Zorbas segue o secretário e entram no gabinete de Colonello) Gato Colonello- Porca miséria! Os ratos roeram as rolhas do melhor champanhe da casa.
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    3 Olá Zorbas! …Meu Caro amigo! Gato Zorbas- Desculpa incomodar-te em pleno trabalho, mas tenho um grave problema e preciso dos teus conselhos. Gato Colonello- Estou às tuas ordens, Caro amico Gato Zorbas- …obrigado!! Agora vou contar-lhe da acidentada chegada da gaivota…coitada se visse o seu estado lastimável e as promessas que se viu obrigada a fazer-me…!… nem você calcula!!! (conta em voz baixa o sucedido) Gato Colonello-… Porca miséria!... É preciso ajudar essa pobre gaivota para que possa continuar o seu voo. Gato Zorbas- Sim, mas como? Gato Secretário- O melhor é consultar o Sabetudo! Gato Colonello- Era exactamente o que eu ia sugerir. Porque é que há-de estar sempre a tirar-me as miadelas da boca?...oh! …mas que maçada!!! Gato Zorbas- É isso mesmo! Vou ter com o Sabetudo. Gato Colonello- Vamos todos! Os problemas de um gato do porto, são os problemas de todos os gatos! 6º Capitulo “Um lugar curioso” Narrador - Sabetudo vivia num lugar bastante difícil de descrever. O lugar chamava se HARRY – BAZAR DO PORTO, e o seu dono era um velho lobo-do-mar, que navegou cinquenta anos pelos sete mares dedicou-se a coleccionar toda a espécie de objectos das centenas de poros que conheceu ao longo da sua vida no mar. Quando começou a envelhecer decidiu trocar a sua vida de navegante pela vida de marinheiro e abriu um bazar com todos os objectos reunidos. Para visitar o bazar havia de pagar uma entrada e, uma vez lá dentro, o visitante precisava de um grande sentido de orientação para não se perder no seu labirinto de salas sem janelas, grandes corredores e escadas estreitas. O Harry tinha duas mascotes. Uma era Matias, um chimpanzé que tinha a função de bilheteiro e vigilante de segurança. A outra mascote era Sabetudo, um gato cinzento, pequeno e magro que dedicava a maior parte do tempo ao estudo dos milhares de livros. Colonello, Sabetudo e Zorbas entraram no Bazar de rabos muito empinados e lamentaram não ver Harry atrás da bilheteira. Chimpanzé Matias: - Um momento, ó seus sacos de pulgas! Esquecem-se de pagar a entrada????. Secretário:- Desde quando é que os gatos pagam? Chimpanzé Matias: -O aviso da porta diz: «entrada: dois marcos». Não está escrito em parte nenhuma que os gatos entram de graça!!!.... Oito marcos, ou então põem-se a mexer daqui. Secretário: -Senhor macaco, receio bem que a matemática não seja o seu forte. …! Colonello: -Era exactamente o que eu ia dizer. Lá está você mais uma vez a tirar-me os miados da boca.
  • 4.
    4 Chimpanzé Matias: -Bla,bla, bla! Ou pagam ou põem-se a mexer!!! (…Zorbas saltou para o outro lado da bilheteira e olhou fixamente para Matias até ele lacrimejar…) Chimpanzé Matias: -…Bem; realmente são seis marcos. Um erro, qualquer um tem. Chimpanzé Matias:-Por esta vez faço vista grossa! …Vá lá!...Podem passar!!! Capitulo7 ”Um gato que sabe tudo” Narrador- Aconteceu qualquer coisa terrível, miando o gato Sabetudo quando os viu chegar. (Sabetudo): Terrível! Terrível!... Eu estou verdadeiramente desconsolado. (Gato Secretário): Que se passou? (Gato Colonello): Era exactamente o que eu ia perguntar. Parece que me anda a tirar os miados da boca!!! (Gato Zorbas): Vamos. Não há-de ser assim tão grave…o que se passa? (Sabetudo): Esses malditos ratos comeram uma página inteira do atlas. O mapa de Madagáscar desapareceu . É terrível ! ( Colonello ) : Secretário , lembre-me de que tenho de organizar uma batida contra esses devoradores de Madáscar … Magáscar … , enfim , já sabe ao que me estou a referir . ( Secretário ) : Não se pronuncia assim ! A palavra correta é Madagáscar ! ( Colonello ) : Continua a tirar-me os miados da boca .Porca miséria ! ( Zorbas ) : A gente dá-te uma maõzinha ,Sabetudo , mas agora estamos aqui porque temos um grande problema e , como tu sabes tanto , talvez nos possas ajudar .Vou contar-lhe a história da gaivota, escuta com atenção . ( Zorbas ) : E assim a deixei muito mal há um bocadinho… - Terrível história! Terrível! Deixem-me pensar: gaivota … petróleo … petróleo … gaivota … É isso! Temos que consultar a enciclopédia! (Gatos) : A quê ? (Sabetudo) : A en..ci..clo..pé..di ..a . O livro do saber . (Colonelio ) : Ora vejamos essa emplicopé …. Ora bem ! ( Secretário ) : En-ci-clo-pé-di-a . ( Colonello ) : Era o que eu ia dizer ! Verifico mais uma vez que não consegue resistir á tentação de me tirar os miados da boca . ( Narrador ) : Sabetudo trepou a um enorme móvel onde estavam vários livros e depois de procurar nas lombadas a letra “G” e “P” , fez cair os livros. Desceu do móvel e de tanto observar os livros foi passando as páginas . ( Sabetudo ) : Oiçam isto meus amigos: Parece que vamos no bom caminho. Que interessante! Gaivagem, gaivão, também se chama gaivinha. Interessante! (Secretário): Não nos interessa o que diz aí da gaivina. Estamos aqui por causa de uma gaivota. (Sabetudo):…Desculpem! É que a enciclopédia é para mim uma coisa irresistível. (Narrador): Mas o que a enciclopédia dizia das gaivotas não serviu de grande ajuda. Souberam que a gaivota que os preocupava pertencia à espécie das gaivotas devido a cor prata das penas.
  • 5.
    5 (Zorbas): Pelos picosdo ouriço! Estamos na mesma…! (Sabetudo): É terrível! Foi a primeira vez que a enciclopédia me desiludiu… (Colonello) E nessa empliclopé…. Enfim, bem sabes o que eu quero, não há maneiras de tirar as nódoas do petróleo? (Sabetudo): genial! Devíamos ter começado por ai! Já vos trago o volume vinte de letra D de tirar nódoas. (colonello): Está a ver secretário? Se você evitasse de me tirar os miados da boca já saberíamos o que tínhamos de fazer! (Sabetudo): aqui encontra-se a maneira de como limpar as nódoas de petróleo. Limpa-se a nódoa com um pano húmido com benzina! ... E cá temos a solução! (Zorbas): Onde diabo é que vamos buscar a benzina? (Colonello): oh secretário já sabes o que tens a fazer não sabes? Temos um boião com pincéis mergulhados em benzina. (Secretário): desculpa mas não estou a entender a tua ideia… (Colonello):É muito simples! Molhas o rabo com benzina e depois vamos logo tratar dessa pobre gaivota. Secretário- Ah! … não! Isso e que não! Nem pensar! Colonello- Lembro-te que a ementa desta tarde e uma dupla ração de fígado com natas. Secretário- Meter o rabo em benzina! ... mas isso nem pensar!!! Ah! …falaste em fígado com natas???? Colonello, Secretário e Zorbas- …Olha; nós vamos de saída, Sabetudo.Sabetudo- …E eu acompanho-os até à Capitulo 8 – “zorbas começa a cumprir o prometido” (os 4 gatos descem do telhado para a varanda olham para a gaivota morta) Colonello-Oh…coitada como está a pobre gaivota… Sabetudo-…está mesmo sem vida… Zorbas- …como é triste morrer… Colonello – oh…acho que devemos juntar lhe as asas… É o que se faz nestes casos…. (descobrem o ovinho branco com pintas azuis) Zorbas – …o ovinho! Chegou a pôr o ovo! Colonello – meteste-te numa boa embrulhada, caro amico!!!... Numa boa embrulhada! Zorbas- (aflito) o que vou fazer com o ovo? Secretario- como um ovo podem fazer-se muitas coisas. Sabetudo- ah, sim! O Zorbas prometeu a essa pobre gaivota que cuidaria do ovo e da gaivotinha. Uma promessa de honra contraída por um gato do porto obriga todos os gatos do porto, e por isso o ovo diz -nos respeito. Zorbas – mas eu não sei tratar de um ovo! Até agora nunca tive um ovo ao meu cuidado. Sabetudo – tenho de consultar a enciclopédia. De certeza que esta lá tudo o que temos de saber a cerca do ovo.!!! Secretario – ou seja; deitar-se junto ao ovo, mas sem o partir.
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    6 Colonello – eraexactamente o que eu ia sugerir. Zorbas, ficas junto do ovo e nós vamos ver o que nos diz a sua encimopé…, enfim, já sabes ao que me refiro. Voltamos a noite com novidades e damos sepultura a essa pobre gaivota. Zorbas –(pensando) sinto-me ridículo…! Os gatos maus vão todos fazer troça de mim, mas tenho que os enfrentar se os vir …mas eu estou decidido a criar esta gaivotinha! Capítulo 9º ”Uma noite triste” Narrador:- À luz da lua, Secretário, Sabetudo, Colonello e Zorbas cavaram um buraco ao pé do castanheiro. Procuraram não ser vistos por humanos e atiraram a gaivota morta da varanda para o pátio interior. Depositaram-na na cova e cobriram-na de terra. Gato Secretário -…Companheiros gatos;. Muito pouco sabemos da gaivota, mas o que importa é que chegou moribunda até casa de Zorbas, e depositou nele toda a sua confiança. Gato Sabetudo- É exactamente o que o senhor Colonello ia dizer! Gato Secretário-Não lhe tires os miados da boca. … São promessas difíceis de cumprir. Mas sabemos que um gato de porto cumpre sempre os seus miados. Para o ajudar a conseguir, ordeno que o companheiro Zorbas não abandone o ovo até a gaivotinha nascer e que Sabetudo consulte a sua encimópé… , enfim, aqueles livros…! Gato Colonello- …E agora digamos adeus a esta gaivota vitima da desgraça provocada pelos humanos. Olhemos para a lua e miemos a canção do adeus.