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I Simpósio Internacional de Mídia e Tecnologia
Ficção Científica e Realidade da Coleta de Dados em Redes Sociais
Online: análise de um episódio do seriado Black Mirror
Dr. Ricardo César Gonçalves Sant’Ana
UNESP – Universidade Estadual Paulista
ricardo.santana@unesp.br
http://dadosabertos.info
Dr. Fernando de Assis Rodrigues
UNESP – Universidade Estadual Paulista
fernando.assis@unesp.br
http://rodrigues.pro.br
2
I Simpósio Internacional de Mídia e Tecnologia
RODRIGUES, F. A.; SANT’ANA, R. C. G. Ficção Científica e Realidade da
Coleta de Dados em Redes Sociais Online: análise de um episódio do seriado
Black Mirror. In: MORAES, J. A.; RODRIGUES, F. A.; PANTALEÃO, N.;
PILAN, F. C. (Org.) Pensamento e Tecnologia: Discussões Contemporâneas em
Filosofia da Mente e da Informação. São Paulo: Editora FiloCzar, 2019. No
prelo.
3
A ficção como ato ou efeito de inventar algo a partir da
imaginação, de fingir e de criar com a imaginação.
– Mistura de elementos do real e irreal.
– Manifestações, como a obra de arte.
(MIKKONEN, 2013; MERRIAM-WEBSTER, 2018)
http://mentalfloss.com/article/63976/origi
nal-war-worlds-illustrations-auction
4
A obra de arte:
– Aproveita-se do suporte, e de suas características, para
transmitir a mensagem.
– Passa por processos estruturalistas e de
sistematizações (e.g., classificação, categorização por
aplicação de taxonomias).
(SHANNON; WEAVER, 1975; NOGUEIRA, 2010)
https://en.wikipedia
.org/wiki/A_Trip_to
_the_Moon#/media/
File:Le_Voyage_da
ns_la_lune.jpg
https://en.wikipedia.org/wiki/Sci
ence_fiction_film
https://www.imdb.com/search/title?
&genres=sci_fi&explore=title_type,genres
5
Ficção Científica:
– Gênero identificado no contexto literário, musical e o
cinematográfico.
(MIKKONEN, 2013)
“[…] ramo da literatura que lida com as reações dos seres humanos
às mudanças em ciências e na tecnologia” (ASIMOV, 1975, n. p.).
6
Ficção Científica:
– ~1950 década de ouro de obras cinematográficas do gênero.
– ~2010 destaque na indústria cultural, principalmente nos serviços de
streaming e salas de cinemas.
(NOGUEIRA, 2010; DUTRA, 2012; AMPERE ANALYSIS, 2018)
https://en.wikipedia.org/wiki/File:Black
MirrorTitleCard.jpg
7
Ficção Científica:
– TIC - Tecnologias de Informação e Comunicação
– SRSO – Serviços de Redes Sociais Online
(NOGUEIRA, 2010; DUTRA, 2012; AMPERE ANALYSIS, 2018)
Temas Abordados
https://25yearslatersite.com
/2018/04/02/black-mirror-
nosedive/
8
SRSO – Serviços de Redes Sociais Online:
– Utilizados em ambientes pessoais ou profissionais.
– Modificaram a forma de ação dos indivíduos:
● Consumo
● Lazer
● Relacionamentos
● Trabalho
● ...
(RODRIGUES, 2017; RODRIGUES, SANT’ANA, 2017)
9
SRSO – Serviços de Redes Sociais Online:
– Operação → Sistemas de Informação + Bancos de
Dados.
(RODRIGUES, 2017; RODRIGUES, SANT’ANA, 2017)
Coletar, armazenar, processar e
disponibilizar DADOS em formatos
variados e de forma constante.
10
O objetivo deste estudo foi relacionar o cenário proposto em uma
narrativa de ficção científica com o contexto atual de Coleta de
Dados em SRSO, visando a construção de uma percepção de
aderência entre o imaginado e o concreto.
11
Materiais e Métodos
Quanto ao fenômeno
Investigação dos cenários das SRSO existentes e da narrativa de um episódio de um
seriado do gênero de ficção científica.
Quanto à natureza
Pesquisa de caráter quali-quantitativo.
Quanto aos fins
(i) Análise exploratória de processos de coleta de dados pessoais de SRSO existentes
(ii) Análise descritiva da forma de coleta de dados pessoais na narrativa de uma produção
audiovisual.
12
Materiais e Métodos
Quanto aos meios
Exploração das interfaces de coleta de dados por APIs - Application
Programming Interfaces das SRSO.
Decupagem de unidades lógicas da produção audiovisual: sequências.
Quanto aos métodos
Sistematização e parametrização de coleta de dados sobre SRSO e da
decupagem de sequências.
13
Universo de Pesquisa
SRSO:
– Facebook, Graph API
– Twitter, REST API
– LinkedIn, REST API
14
Amostra
Seriado Black Mirror – Nosedive
https://popcultura.com.br/2016/11/08/app-black-mirror-rate/
“Uma mulher desesperada para
aumentar sua pontuação na
mídia social ganha o prêmio
máximo quando é convidada
para um casamento chique, mas
a viagem não acontece como
planejado”.
https://www.imdb.com/title/tt5497778/
Tradução nossa.
15
Resultados
SRSO existentes:
– Instituições de capital privado.
– Auxiliar processos de comunicação e interrelacionamento de indivíduos
● Pessoas, grupos, instituições.
– Acesso via interfaces:
● e.g., websites e aplicativos.
– Acesso a dados:
● Interfaces para coleta de dados por agentes externos:
– Humanos e/ou máquinas.
16
Resultados
SRSO existentes:
– Operação requer:
I. Sistemas de Informação:
– Algoritmos com as regras de acesso.
– Coleta, armazenamento, recuperação e descarte dos dados circulantes na
rede.
– Acesso aos dados.
II.Bancos de dados:
– Modelo Entidade-Relacionamento (MER) → regras, estruturas e sintaxes para
representar dados de entidades, atributos e suas relações.
17
Resultados
SRSO existentes:
– Dados dos participantes → armazenados em um
Banco de Dados:
● Atributos.
● Relações com outros participantes e demais conteúdos.
18
Resultados
SRSO existentes:
– Dados dos participantes → armazenados em um
Banco de Dados:
● Atributos identificadores.
19
Resultados
SRSO existentes:
– Mesmo indivíduos não participantes podem ser referenciados.
●
e.g., um indivíduo que não possui registro em um SRSO pode aparecer em fotografias de
terceiros e, posteriormente, um algoritmo pode reconhecer padrões de seu rosto para agrupar
estes resultados.
20
Resultados
SRSO existentes:
– Agentes externos: coletam de dados via APIs para
instrumentalizar aplicativos e outros recursos
tecnológicos que utilizam dados de referenciados de
SRSO.
– Detentoras de SRSO: desenvolvem camadas de
abstração para ocultar parcialmente os dados de
referenciados dos agentes externos.
21
Resultados
SRSO existentes:
– APIs: aplica a Teoria dos Grafos para representar dos
dados na coleta por agentes externos ← Sociograma
ID: 1
Type: Profile
Name: Fernando
...
ID: 2
Type: Book
Title: Game of Thrones
...LikeAresta
Vértice
Vértice
22
Resultados
SRSO existentes:
– APIs: aplicado a Teoria dos Grafos para representar
dos dados na coleta por agentes externos
● Linguagem de Marcação JSON:
{
”ID” : 1,
”Type” : “Profile”,
”Name” : “Fernando”,
”Like” : [{
”ID” : 2,
”Type” : “Book”,
”Title” : “Game of
Thrones”
}]
23
Resultados
Nas SRSO existentes as APIs:
– Utilizam protocolos já existentes para instrumentalizar a coleta de dados:
● Requisição de coleta de dados = REQUEST HTTP
– Utilizam linguagens de marcação para manifestar suas estruturas de dados, no
momento da coleta: JSON, XML e, em menor incidência, o CSV.
– Utilizam Teoria dos Grafos como estrutura de dados, para coleta por agentes
externos.
– O controle de acesso é realizado por chaves de acesso e controle de permissões.
24
Resultados
Efeitos do uso de SRSO, suscitam preocupações:
– Variedade de tipos de vértices, de atributos e de
arestas disponíveis.
– Velocidade na geração de dados, em função da
quantidade de referenciados.
– Volume de dados disponível em cada tipo de vértice,
de atributo e de aresta.
25
Resultados
Nosedive:
– Todos os indivíduos da sociedade possuem um perfil no
SRSO.
– Avaliação de perfis e conteúdos (1 a 5 estrelas):
● SRSO é responsável por coletar, armazenar, processar e
disponibilizar os dados da avaliação → de forma pública.
● Sociedade utiliza estes dados no processo de
autorização de acesso a atividades, serviços e locais,
inclusive serviços de saúde e de educação, locais de
recreação, de moradia e de trabalho.
http://uk.businessinsider.com/psychology-black-
mirror-nosedive-social-media-2016-10
Você não.
26
Resultados
Nosedive:
– Narrativa sob a perspectiva de Lacei (personagem
principal).
– Na decupagem:
● Identificado 32 sequências, sendo que duas (28ª e 29ª
seq.) utilizaram montagens paralelas (dialéticas).
● Montadas em ordem cronológica.
27
Resultados
Nosedive:
– 27 sequências apresentaram atividade relacionada a
coleta de dados pessoais:
● Parte dos dados pessoais são considerados públicos
(fotografia, nome e média da avaliação).
– 12 sequências apresentaram coleta estendida aos
conteúdos produzidos e interações dos indivíduos:
● e.g., fotografias, estado civil e relações de amizade.
28
Resultados
Nosedive:
– Duas formas de coleta estendida de dados:
● Visualização, via linha do tempo (feed).
● Coleta por agentes externos → Sequências com o
consultor de imagem.
https://socialmediaexplorer.com/content-
sections/cases-and-causes/black-mirror-explores-
horrors-social-media/
4 a cada 10
sequências
29
Resultados
Nosedive:
– 3 tipos de dispositivos de coleta e de visualização de dados:
● Similares aos dispositivos móveis existentes
– Ferramenta de visualização de dados de indivíduos. Ponto de acesso para a
coleta de dados sobre o seu detentor
● Oculares de realidade aumentada
– Uma extensão das funcionalidades dos dispositivos móveis. Utilizado como
visualização de informações sobre os indivíduos (nome e avaliação).
● Similares aos computadores de mesa
– Identificado em 5 sequências → todas em ambientes profissionais.
30
Resultados
Nosedive:
– 3 formas de acesso:
I. Por proximidade entre os
indivíduos.
II.Por resultado do uso de serviços
disponíveis pela RSO..
III.Por resultado do uso de serviços
que coletam dados pessoais.
https://www.thewrap.com/13-black-
mirror-episodes-ranked-from-least-to-
most-terrifying-photos/
II
http://www.upcpodcast.com/blackmirrorblog/2017/11/14/no
sedive-social-mirroring-the-phony-instagram-lifestyle
III
I
https://www.yello
wtale.com/black-
mirror
31
Resultados
Todas as sequências que apresentaram coleta de dados
https://www.thewrap.com/13-black-
mirror-episodes-ranked-from-least-to-
most-terrifying-photos/
II
I
https://www.yello
wtale.com/black-
mirror
E/OU
http://www.upcpodcast.com/blackmirrorblog/2017/11/14/no
sedive-social-mirroring-the-phony-instagram-lifestyle
III
4 sequências que
apresentaram
coleta de dados
32
Discussão
Ambos os contextos:
– RSO se manifestaram como serviços de informação
para auxiliar a comunicação e o relacionamento de
referenciados.
– Disponibilizam formas para produção e
compartilhamento de conteúdos produzidos em formato
variado, passíveis de avaliação por parte dos
referenciados.
33
Discussão
Ambos os contextos:
– Processos de coleta de dados são autorizados a
agentes externos.
– Possuem dados para geo-localizar o referenciado e
dados sobre proximidade de seus relacionamentos.
Diferenças na coleta de dados por proximidade.
34
Discussão
Ambos os contextos:
– Utilizam Sistemas de Informação para operacionalizar
a coleta, o armazenamento e a recuperação de dados.
– Elaboram interfaces para acesso e visualização de
dados em diferentes dispositivos.
35
Discussão
Ambos os contextos:
– Parte dos dados pessoais são considerados públicos.
Diferenças na disponibilidade de avaliação:
– Referenciados institucionais podem tornar públicos dados de
sua avaliação. e.g., páginas de estabelecimentos comerciais,
e de produtos e serviços.
– Referenciados do tipo “Perfil Pessoal” ainda não podem ser
avaliados de forma objetiva. Somente o conteúdo produzido.
36
Discussão
Apesar de que em ambos os contextos as RSO utilizam
identificadores para dar unicidade a um referenciado, não foi
possível verificar características do tipo de identificador
adotado no episódio Nosedive.
A concessão ao acesso da coleta de dados dos referenciados são
similares: conhecendo o seu identificador, pode ser recuperado
atributos de sua entidade, e de suas relações.
37
Discussão
A estrutura de dados, no momento da coleta de dados, é
desconhecida na RSO do episódio Nosedive.
Nota: Uso da Teoria dos Grafos para representação visual de
dados pessoais da personagem principal, identificada nas
sequências contendo interação com consultor de imagem.
38
Discussão
Não foi possível verificar o formato em que os dados estão
disponíveis, bem como os Termos de Uso aplicados aos agentes
externos, a partir das sequências do episódio Nosedive.
39
Considerações Finais
Os SRSO analisados apresentaram similaridades:
(i) ao utilizar Sistemas de Informação para operacionalização.
(ii) ao considerar dados públicos parte dos dados de referenciados.
(iii) ao possibilitar a coleta de dados pessoais por agentes externos, incluindo seus atributos e suas relações.
(iv) ao utilizar sistemas de autenticação para controlar permissões e níveis de acesso aos dados
(v) ao ocultar parte dos dados pessoais para agentes externos.
(vi) ao aplicar o sociograma nas estruturas de dados, no momento de obtenção destes por agentes externos.
(vii) ao adotar o uso de identificadores para estabelecer unicidade aos conjuntos de dados.
40
Considerações Finais
Os contextos ainda se diferem por não oferecer a avaliação de referenciados.
Entretanto, as SRSO existentes já possuem estrutura tecnológica implementada para perfis de
referenciados institucionais. Esta estrutura pode ser base para o desenvolvimento de estrutura similar
aos referenciados de outras tipologias.
Conclui-se que as similaridades encontradas nas características dos processos de coleta de dados
reforça a percepção sobre o potencial do gênero de ficção científica em influenciar e ser influenciada
pelas tecnologias. Incluindo o contexto de uso de RSO e o compartilhamento de dados pessoais.
41
Referências
AMPERE ANALYSIS. Profile: Growing Preference for Sci-Fi is More than Fantasy. Estados Unidos da América: Ampere
Analysis, 2 maio 2018. Disponível em: <https://www.ampereanalysis.com/products/ao/92e6db43-8204-4c72-9405-
69bd3a38f4bd>. Acesso em: 22 maio. 2018.
ASIMOV, I. How Easy to See the Future! Natural History, v. LXXXIV, n. 1, p. 92–96, 1975.
AUMONT, J. et al. Dicionário teórico e crítico de cinema. Campinas: Papirus, 2007.
BARRETO, J. S. Desafios e avanços na recuperação automática da informação audiovisual. Ciência da Informação, v. 36, n.
3, p. 17–28, set./dez 2007.
BIGGS, N.; LLOYD, E. K.; WILSON, R. J. Graph theory, 1736-1936. Oxford [Oxfordshire] ; New York: Clarendon Press, 
1986.
BROOKER, C. Black MirrorBlack MirrorReino UnidoEndemol UK/Netflix, , 2011.
DUTRA, D. I. A influência da literatura de ficção-científica na técnica cinematográfica: uma análise de O Homem Invisível
de H. G. Wells e sua transposição fílmica homônima. Baleia na Rede, v. 1, n. 9, p. 209–221, 2012.
42
Referências
FACEBOOK INC. Graph API Overview. [s.l: s.n.].
LINKEDIN CORP. LinkedIn Developers - Docs. [s.l.] LinkedIn Corp., 2017.
MERRIAM-WEBSTER. Fiction | Definition of Fiction by Merriam-Webster. [s.l.] Merriam-Webster, 2018.
Disponível em: <https://www.merriam-webster.com/dictionary/fiction>. Acesso em: 22 maio. 2018
MIKKONEN, J. The cognitive value of philosophical fiction. London ; New York: Bloomsbury Academic, 2013. 
MORENO, J. L. Who Shall Survive?: Foundations of Sociometry, Group Psychotherapy, and Sociodrama. Nova
Iorque: Beacon House, 1955. v. 58
NOGUEIRA, L. Manuais de Cinema II: Géneros Cinematográficos. Lisboa, Portugal: Livros LabCom, 2010.
RODRIGUES, F. DE A. Coleta de dados em redes sociais: privacidade de dados pessoais no acesso via
Application Programming Interface. Tese—Marília, Brasil: Universidade Estadual Paulista, 3 mar. 2017.
RODRIGUES, F. DE A.; SANT’ANA, R. C. G. Use of Taxonomy of Privacy to Identify Activities Found in
Social Network’s Terms of Use. Knowledge Organization, v. 43, n. 4, p. 285–295, 2016.
43
Referências
RODRIGUES, F. DE A.; SANT’ANA, R. C. G. Contextualização de conceitos teóricos no processo de coleta de dados de Redes Sociais
Online. Colóquio de Dados, Metadados e Web Semântica. Anais... In: COLÓQUIO DE DADOS, METADADOS E WEB SEMÂNTICA.
São Carlos: Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), 2017Disponível em:
<https://cdmws.isci.com.br/ocs/index.php/cdmws/home/paper/view/9>. Acesso em: 26 jan. 2018
SANT’ANA, R. C. G. Ciclo de vida dos dados: uma perspectiva a partir da ciência da informação. Informação & Informação, v. 21, n. 2, p.
116, 20 dez. 2016.
SANTOS, P. L. V. A. DA C.; SANT’ANA, R. C. G. Dado e Granularidade na perspectiva da Informação e Tecnologia: uma interpretação
pela Ciência da Informação. Ciência da Informação, v. 42, n. 2, p. 11, maio 2015.
SHANNON, C. E. A Mathematical Theory of Communication. p. 55, [s.d.].
SHANNON, C. E.; WEAVER, W. A teoria matemática da comunicação. Traducao Orlando Agueda. São Paulo; Rio de Janeiro: Difel, 1975.
TWITTER INC. API Overview. [s.l.] Twitter Inc., 2016.
WRIGHT, J. et al. Black MirrorBlack MirrorReino UnidoEndemol UK/Netflix, , 2016.
WRIGHT, J. Nosedive, 21 out. 2016a. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt5497778/>. Acesso em: 15 jun. 2018
WRIGHT, J. Black Mirror, 21 out. 2016b. Disponível em: <https://www.imdb.com/title/tt2085059>. Acesso em: 15 jun. 2018
44
fernando.assis@unesp.br
ricardo.santana@unesp.br

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Ficção Científica e Realidade da Coleta de Dados em Redes Sociais Online: análise de um episódio do seriado Black Mirror

  • 1. I Simpósio Internacional de Mídia e Tecnologia Ficção Científica e Realidade da Coleta de Dados em Redes Sociais Online: análise de um episódio do seriado Black Mirror Dr. Ricardo César Gonçalves Sant’Ana UNESP – Universidade Estadual Paulista ricardo.santana@unesp.br http://dadosabertos.info Dr. Fernando de Assis Rodrigues UNESP – Universidade Estadual Paulista fernando.assis@unesp.br http://rodrigues.pro.br
  • 2. 2 I Simpósio Internacional de Mídia e Tecnologia RODRIGUES, F. A.; SANT’ANA, R. C. G. Ficção Científica e Realidade da Coleta de Dados em Redes Sociais Online: análise de um episódio do seriado Black Mirror. In: MORAES, J. A.; RODRIGUES, F. A.; PANTALEÃO, N.; PILAN, F. C. (Org.) Pensamento e Tecnologia: Discussões Contemporâneas em Filosofia da Mente e da Informação. São Paulo: Editora FiloCzar, 2019. No prelo.
  • 3. 3 A ficção como ato ou efeito de inventar algo a partir da imaginação, de fingir e de criar com a imaginação. – Mistura de elementos do real e irreal. – Manifestações, como a obra de arte. (MIKKONEN, 2013; MERRIAM-WEBSTER, 2018) http://mentalfloss.com/article/63976/origi nal-war-worlds-illustrations-auction
  • 4. 4 A obra de arte: – Aproveita-se do suporte, e de suas características, para transmitir a mensagem. – Passa por processos estruturalistas e de sistematizações (e.g., classificação, categorização por aplicação de taxonomias). (SHANNON; WEAVER, 1975; NOGUEIRA, 2010) https://en.wikipedia .org/wiki/A_Trip_to _the_Moon#/media/ File:Le_Voyage_da ns_la_lune.jpg https://en.wikipedia.org/wiki/Sci ence_fiction_film https://www.imdb.com/search/title? &genres=sci_fi&explore=title_type,genres
  • 5. 5 Ficção Científica: – Gênero identificado no contexto literário, musical e o cinematográfico. (MIKKONEN, 2013) “[…] ramo da literatura que lida com as reações dos seres humanos às mudanças em ciências e na tecnologia” (ASIMOV, 1975, n. p.).
  • 6. 6 Ficção Científica: – ~1950 década de ouro de obras cinematográficas do gênero. – ~2010 destaque na indústria cultural, principalmente nos serviços de streaming e salas de cinemas. (NOGUEIRA, 2010; DUTRA, 2012; AMPERE ANALYSIS, 2018) https://en.wikipedia.org/wiki/File:Black MirrorTitleCard.jpg
  • 7. 7 Ficção Científica: – TIC - Tecnologias de Informação e Comunicação – SRSO – Serviços de Redes Sociais Online (NOGUEIRA, 2010; DUTRA, 2012; AMPERE ANALYSIS, 2018) Temas Abordados https://25yearslatersite.com /2018/04/02/black-mirror- nosedive/
  • 8. 8 SRSO – Serviços de Redes Sociais Online: – Utilizados em ambientes pessoais ou profissionais. – Modificaram a forma de ação dos indivíduos: ● Consumo ● Lazer ● Relacionamentos ● Trabalho ● ... (RODRIGUES, 2017; RODRIGUES, SANT’ANA, 2017)
  • 9. 9 SRSO – Serviços de Redes Sociais Online: – Operação → Sistemas de Informação + Bancos de Dados. (RODRIGUES, 2017; RODRIGUES, SANT’ANA, 2017) Coletar, armazenar, processar e disponibilizar DADOS em formatos variados e de forma constante.
  • 10. 10 O objetivo deste estudo foi relacionar o cenário proposto em uma narrativa de ficção científica com o contexto atual de Coleta de Dados em SRSO, visando a construção de uma percepção de aderência entre o imaginado e o concreto.
  • 11. 11 Materiais e Métodos Quanto ao fenômeno Investigação dos cenários das SRSO existentes e da narrativa de um episódio de um seriado do gênero de ficção científica. Quanto à natureza Pesquisa de caráter quali-quantitativo. Quanto aos fins (i) Análise exploratória de processos de coleta de dados pessoais de SRSO existentes (ii) Análise descritiva da forma de coleta de dados pessoais na narrativa de uma produção audiovisual.
  • 12. 12 Materiais e Métodos Quanto aos meios Exploração das interfaces de coleta de dados por APIs - Application Programming Interfaces das SRSO. Decupagem de unidades lógicas da produção audiovisual: sequências. Quanto aos métodos Sistematização e parametrização de coleta de dados sobre SRSO e da decupagem de sequências.
  • 13. 13 Universo de Pesquisa SRSO: – Facebook, Graph API – Twitter, REST API – LinkedIn, REST API
  • 14. 14 Amostra Seriado Black Mirror – Nosedive https://popcultura.com.br/2016/11/08/app-black-mirror-rate/ “Uma mulher desesperada para aumentar sua pontuação na mídia social ganha o prêmio máximo quando é convidada para um casamento chique, mas a viagem não acontece como planejado”. https://www.imdb.com/title/tt5497778/ Tradução nossa.
  • 15. 15 Resultados SRSO existentes: – Instituições de capital privado. – Auxiliar processos de comunicação e interrelacionamento de indivíduos ● Pessoas, grupos, instituições. – Acesso via interfaces: ● e.g., websites e aplicativos. – Acesso a dados: ● Interfaces para coleta de dados por agentes externos: – Humanos e/ou máquinas.
  • 16. 16 Resultados SRSO existentes: – Operação requer: I. Sistemas de Informação: – Algoritmos com as regras de acesso. – Coleta, armazenamento, recuperação e descarte dos dados circulantes na rede. – Acesso aos dados. II.Bancos de dados: – Modelo Entidade-Relacionamento (MER) → regras, estruturas e sintaxes para representar dados de entidades, atributos e suas relações.
  • 17. 17 Resultados SRSO existentes: – Dados dos participantes → armazenados em um Banco de Dados: ● Atributos. ● Relações com outros participantes e demais conteúdos.
  • 18. 18 Resultados SRSO existentes: – Dados dos participantes → armazenados em um Banco de Dados: ● Atributos identificadores.
  • 19. 19 Resultados SRSO existentes: – Mesmo indivíduos não participantes podem ser referenciados. ● e.g., um indivíduo que não possui registro em um SRSO pode aparecer em fotografias de terceiros e, posteriormente, um algoritmo pode reconhecer padrões de seu rosto para agrupar estes resultados.
  • 20. 20 Resultados SRSO existentes: – Agentes externos: coletam de dados via APIs para instrumentalizar aplicativos e outros recursos tecnológicos que utilizam dados de referenciados de SRSO. – Detentoras de SRSO: desenvolvem camadas de abstração para ocultar parcialmente os dados de referenciados dos agentes externos.
  • 21. 21 Resultados SRSO existentes: – APIs: aplica a Teoria dos Grafos para representar dos dados na coleta por agentes externos ← Sociograma ID: 1 Type: Profile Name: Fernando ... ID: 2 Type: Book Title: Game of Thrones ...LikeAresta Vértice Vértice
  • 22. 22 Resultados SRSO existentes: – APIs: aplicado a Teoria dos Grafos para representar dos dados na coleta por agentes externos ● Linguagem de Marcação JSON: { ”ID” : 1, ”Type” : “Profile”, ”Name” : “Fernando”, ”Like” : [{ ”ID” : 2, ”Type” : “Book”, ”Title” : “Game of Thrones” }]
  • 23. 23 Resultados Nas SRSO existentes as APIs: – Utilizam protocolos já existentes para instrumentalizar a coleta de dados: ● Requisição de coleta de dados = REQUEST HTTP – Utilizam linguagens de marcação para manifestar suas estruturas de dados, no momento da coleta: JSON, XML e, em menor incidência, o CSV. – Utilizam Teoria dos Grafos como estrutura de dados, para coleta por agentes externos. – O controle de acesso é realizado por chaves de acesso e controle de permissões.
  • 24. 24 Resultados Efeitos do uso de SRSO, suscitam preocupações: – Variedade de tipos de vértices, de atributos e de arestas disponíveis. – Velocidade na geração de dados, em função da quantidade de referenciados. – Volume de dados disponível em cada tipo de vértice, de atributo e de aresta.
  • 25. 25 Resultados Nosedive: – Todos os indivíduos da sociedade possuem um perfil no SRSO. – Avaliação de perfis e conteúdos (1 a 5 estrelas): ● SRSO é responsável por coletar, armazenar, processar e disponibilizar os dados da avaliação → de forma pública. ● Sociedade utiliza estes dados no processo de autorização de acesso a atividades, serviços e locais, inclusive serviços de saúde e de educação, locais de recreação, de moradia e de trabalho. http://uk.businessinsider.com/psychology-black- mirror-nosedive-social-media-2016-10 Você não.
  • 26. 26 Resultados Nosedive: – Narrativa sob a perspectiva de Lacei (personagem principal). – Na decupagem: ● Identificado 32 sequências, sendo que duas (28ª e 29ª seq.) utilizaram montagens paralelas (dialéticas). ● Montadas em ordem cronológica.
  • 27. 27 Resultados Nosedive: – 27 sequências apresentaram atividade relacionada a coleta de dados pessoais: ● Parte dos dados pessoais são considerados públicos (fotografia, nome e média da avaliação). – 12 sequências apresentaram coleta estendida aos conteúdos produzidos e interações dos indivíduos: ● e.g., fotografias, estado civil e relações de amizade.
  • 28. 28 Resultados Nosedive: – Duas formas de coleta estendida de dados: ● Visualização, via linha do tempo (feed). ● Coleta por agentes externos → Sequências com o consultor de imagem. https://socialmediaexplorer.com/content- sections/cases-and-causes/black-mirror-explores- horrors-social-media/ 4 a cada 10 sequências
  • 29. 29 Resultados Nosedive: – 3 tipos de dispositivos de coleta e de visualização de dados: ● Similares aos dispositivos móveis existentes – Ferramenta de visualização de dados de indivíduos. Ponto de acesso para a coleta de dados sobre o seu detentor ● Oculares de realidade aumentada – Uma extensão das funcionalidades dos dispositivos móveis. Utilizado como visualização de informações sobre os indivíduos (nome e avaliação). ● Similares aos computadores de mesa – Identificado em 5 sequências → todas em ambientes profissionais.
  • 30. 30 Resultados Nosedive: – 3 formas de acesso: I. Por proximidade entre os indivíduos. II.Por resultado do uso de serviços disponíveis pela RSO.. III.Por resultado do uso de serviços que coletam dados pessoais. https://www.thewrap.com/13-black- mirror-episodes-ranked-from-least-to- most-terrifying-photos/ II http://www.upcpodcast.com/blackmirrorblog/2017/11/14/no sedive-social-mirroring-the-phony-instagram-lifestyle III I https://www.yello wtale.com/black- mirror
  • 31. 31 Resultados Todas as sequências que apresentaram coleta de dados https://www.thewrap.com/13-black- mirror-episodes-ranked-from-least-to- most-terrifying-photos/ II I https://www.yello wtale.com/black- mirror E/OU http://www.upcpodcast.com/blackmirrorblog/2017/11/14/no sedive-social-mirroring-the-phony-instagram-lifestyle III 4 sequências que apresentaram coleta de dados
  • 32. 32 Discussão Ambos os contextos: – RSO se manifestaram como serviços de informação para auxiliar a comunicação e o relacionamento de referenciados. – Disponibilizam formas para produção e compartilhamento de conteúdos produzidos em formato variado, passíveis de avaliação por parte dos referenciados.
  • 33. 33 Discussão Ambos os contextos: – Processos de coleta de dados são autorizados a agentes externos. – Possuem dados para geo-localizar o referenciado e dados sobre proximidade de seus relacionamentos. Diferenças na coleta de dados por proximidade.
  • 34. 34 Discussão Ambos os contextos: – Utilizam Sistemas de Informação para operacionalizar a coleta, o armazenamento e a recuperação de dados. – Elaboram interfaces para acesso e visualização de dados em diferentes dispositivos.
  • 35. 35 Discussão Ambos os contextos: – Parte dos dados pessoais são considerados públicos. Diferenças na disponibilidade de avaliação: – Referenciados institucionais podem tornar públicos dados de sua avaliação. e.g., páginas de estabelecimentos comerciais, e de produtos e serviços. – Referenciados do tipo “Perfil Pessoal” ainda não podem ser avaliados de forma objetiva. Somente o conteúdo produzido.
  • 36. 36 Discussão Apesar de que em ambos os contextos as RSO utilizam identificadores para dar unicidade a um referenciado, não foi possível verificar características do tipo de identificador adotado no episódio Nosedive. A concessão ao acesso da coleta de dados dos referenciados são similares: conhecendo o seu identificador, pode ser recuperado atributos de sua entidade, e de suas relações.
  • 37. 37 Discussão A estrutura de dados, no momento da coleta de dados, é desconhecida na RSO do episódio Nosedive. Nota: Uso da Teoria dos Grafos para representação visual de dados pessoais da personagem principal, identificada nas sequências contendo interação com consultor de imagem.
  • 38. 38 Discussão Não foi possível verificar o formato em que os dados estão disponíveis, bem como os Termos de Uso aplicados aos agentes externos, a partir das sequências do episódio Nosedive.
  • 39. 39 Considerações Finais Os SRSO analisados apresentaram similaridades: (i) ao utilizar Sistemas de Informação para operacionalização. (ii) ao considerar dados públicos parte dos dados de referenciados. (iii) ao possibilitar a coleta de dados pessoais por agentes externos, incluindo seus atributos e suas relações. (iv) ao utilizar sistemas de autenticação para controlar permissões e níveis de acesso aos dados (v) ao ocultar parte dos dados pessoais para agentes externos. (vi) ao aplicar o sociograma nas estruturas de dados, no momento de obtenção destes por agentes externos. (vii) ao adotar o uso de identificadores para estabelecer unicidade aos conjuntos de dados.
  • 40. 40 Considerações Finais Os contextos ainda se diferem por não oferecer a avaliação de referenciados. Entretanto, as SRSO existentes já possuem estrutura tecnológica implementada para perfis de referenciados institucionais. Esta estrutura pode ser base para o desenvolvimento de estrutura similar aos referenciados de outras tipologias. Conclui-se que as similaridades encontradas nas características dos processos de coleta de dados reforça a percepção sobre o potencial do gênero de ficção científica em influenciar e ser influenciada pelas tecnologias. Incluindo o contexto de uso de RSO e o compartilhamento de dados pessoais.
  • 41. 41 Referências AMPERE ANALYSIS. Profile: Growing Preference for Sci-Fi is More than Fantasy. Estados Unidos da América: Ampere Analysis, 2 maio 2018. Disponível em: <https://www.ampereanalysis.com/products/ao/92e6db43-8204-4c72-9405- 69bd3a38f4bd>. Acesso em: 22 maio. 2018. ASIMOV, I. How Easy to See the Future! Natural History, v. LXXXIV, n. 1, p. 92–96, 1975. AUMONT, J. et al. Dicionário teórico e crítico de cinema. Campinas: Papirus, 2007. BARRETO, J. S. Desafios e avanços na recuperação automática da informação audiovisual. Ciência da Informação, v. 36, n. 3, p. 17–28, set./dez 2007. BIGGS, N.; LLOYD, E. K.; WILSON, R. J. Graph theory, 1736-1936. Oxford [Oxfordshire] ; New York: Clarendon Press,  1986. BROOKER, C. Black MirrorBlack MirrorReino UnidoEndemol UK/Netflix, , 2011. DUTRA, D. I. A influência da literatura de ficção-científica na técnica cinematográfica: uma análise de O Homem Invisível de H. G. Wells e sua transposição fílmica homônima. Baleia na Rede, v. 1, n. 9, p. 209–221, 2012.
  • 42. 42 Referências FACEBOOK INC. Graph API Overview. [s.l: s.n.]. LINKEDIN CORP. LinkedIn Developers - Docs. [s.l.] LinkedIn Corp., 2017. MERRIAM-WEBSTER. Fiction | Definition of Fiction by Merriam-Webster. [s.l.] Merriam-Webster, 2018. Disponível em: <https://www.merriam-webster.com/dictionary/fiction>. Acesso em: 22 maio. 2018 MIKKONEN, J. The cognitive value of philosophical fiction. London ; New York: Bloomsbury Academic, 2013.  MORENO, J. L. Who Shall Survive?: Foundations of Sociometry, Group Psychotherapy, and Sociodrama. Nova Iorque: Beacon House, 1955. v. 58 NOGUEIRA, L. Manuais de Cinema II: Géneros Cinematográficos. Lisboa, Portugal: Livros LabCom, 2010. RODRIGUES, F. DE A. Coleta de dados em redes sociais: privacidade de dados pessoais no acesso via Application Programming Interface. Tese—Marília, Brasil: Universidade Estadual Paulista, 3 mar. 2017. RODRIGUES, F. DE A.; SANT’ANA, R. C. G. Use of Taxonomy of Privacy to Identify Activities Found in Social Network’s Terms of Use. Knowledge Organization, v. 43, n. 4, p. 285–295, 2016.
  • 43. 43 Referências RODRIGUES, F. DE A.; SANT’ANA, R. C. G. Contextualização de conceitos teóricos no processo de coleta de dados de Redes Sociais Online. Colóquio de Dados, Metadados e Web Semântica. Anais... In: COLÓQUIO DE DADOS, METADADOS E WEB SEMÂNTICA. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), 2017Disponível em: <https://cdmws.isci.com.br/ocs/index.php/cdmws/home/paper/view/9>. Acesso em: 26 jan. 2018 SANT’ANA, R. C. G. Ciclo de vida dos dados: uma perspectiva a partir da ciência da informação. Informação & Informação, v. 21, n. 2, p. 116, 20 dez. 2016. SANTOS, P. L. V. A. DA C.; SANT’ANA, R. C. G. Dado e Granularidade na perspectiva da Informação e Tecnologia: uma interpretação pela Ciência da Informação. Ciência da Informação, v. 42, n. 2, p. 11, maio 2015. SHANNON, C. E. A Mathematical Theory of Communication. p. 55, [s.d.]. SHANNON, C. E.; WEAVER, W. A teoria matemática da comunicação. Traducao Orlando Agueda. São Paulo; Rio de Janeiro: Difel, 1975. TWITTER INC. API Overview. [s.l.] Twitter Inc., 2016. WRIGHT, J. et al. Black MirrorBlack MirrorReino UnidoEndemol UK/Netflix, , 2016. WRIGHT, J. Nosedive, 21 out. 2016a. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt5497778/>. Acesso em: 15 jun. 2018 WRIGHT, J. Black Mirror, 21 out. 2016b. Disponível em: <https://www.imdb.com/title/tt2085059>. Acesso em: 15 jun. 2018