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EUCARISTIA/MISSA
PARTIR-REPARTIR-UNIR
«Só se pode perceber a missa com o coração, isto é,
quando se começa a ficar afeiçoado a ela.»
«O afeto é o sentimento forte e persistente que liga
pela confiança reconhecida e retribuída.»
Ouvimos dizer muitas vezes – sobretudo aos jovens:
«Eu ia à missa, mas não percebo grande coisa do que
lá se passa, para não dizer que não percebo nada».
e é muitas vezes a tradução exata de algo muito
preciso.
Sabe-se pouco no que se refere à missa.
E não admira.
Pensemos nos discípulos de Emaús.
 Não tinham todos os requisitos necessários para
reconhecer Jesus na fração do pão?
A sua memória ainda estava fresca pela recordação de
tudo o que tinha acontecido a Jesus na semana anterior;
tinham toda a sua cultura judaica;
 mas, sobretudo, eram grandes a sua fé, a sua esperança, a
sua caridade.
E, contudo, também eles precisaram de tempo para
perceber; tiveram de fazer perguntas ao estranho que
encontraram no caminho; escutaram, hesitaram,
ofereceram a hospitalidade insistiram e, só no fim,
reconheceram.
Será de admirar que isto nos pareça mais difícil a
nós?
No entanto, não é impossível, e é esta a razão de ser
desta «Palavra de vida» a respeito da missa
dominical.
A abordagem da missa pode fazer-se pela inteligência;
podemos fazer perguntas intelectuais:
-Como se desenrola a missa?
- Qual é a missa?
- Qual é a sua origem?
- Que significam os ritos e os textos da missa?
Estas são perguntas que se referem ao «como» da
missa e, são perfeitamente justificadas..
Todavia, mesmo se todas as perguntas deste tipo tivessem
tido uma resposta concludente, isso não seria garantia de
que se tivesse percebido a missa.
Só se pode perceber a missa com o coração isto é
quando se começa a ficar afeiçoado a ela.
A parte do «como», há o «porquê» da missa.
A resposta aqui é ao mesmo tempo simples e difícil:
-A missa existe porque Deus nos ama e, por
conseguinte, quer habitar entre nós, e encontrar-nos
no Seu Filho crucificado, morto e ressuscitado.
- A Eucaristia é o mistério do amor de Deus por nós,
o mistério da sua Aliança ultima e definitiva
Esta Aliança de amor (e de perdão) começou há
muito tempo entre Deus e os homens.
Deus já tinha concluído desde logo uma aliança
com Noé;
mais tarde, com Abraão;
depois, com Moisés no Sinai.
Mas continuamente o homem voltava aos seus
compromissos terrenos e tornava-se infiel, mas
sonhavam com uma aliança que já não fosse
inscrita em tábuas de pedra, mas sim no coração,
uma aliança que não pudesse ser quebrada.
Na Última Ceia, Jesus declara que essa Aliança
indissolúvel está doravante presente no seu Sangue
derramado na cruz.
É o que ouvimos em todas as missas na consagração
do vinho. Podemos reunir um grande número de
informações sobre a Eucaristia, dissecar toda a
liturgia da missa, preparar celebrações soberbas,
torná-las transparentes, atender aos pormenores mais
ínfimos que, ainda assim a verdadeira
compreensão da missa não viria
automaticamente, porque é do domínio do
coração:
- só se percebe a missa se se a amar.
O que torna a missa cativante deve ser procurado
mais deste lado do altar, nomeadamente no nosso
coração, mais do que do outro lado da própria
liturgia.
Não se produz nada de especial nalgumas
celebrações que, no entanto, são entusiasmantes,
intensas, cheias de calor. Isto tem a ver não com a
estrutura externa das cerimónias, mas com a
estrutura interna
da assembleia reunida.
Se há coisa evidente na Bíblia é que Deus não Se
apressa a vir:
- Ele não Se precipita nem faz tudo ao mesmo
tempo.
O tempo é o aliado fiel de Deus. Deus faz-se
desejar, alias, é característica de todos os tipos
de amor servirem-se do tempo como aliado e
pedagogo.
O mesmo se passa com a missa, que prossegue
calmamente até ao seu apogeu.
Poderíamos muito bem imaginar a priori
que muito simplesmente nos reuníamos,
consagrávamos imediatamente o pão e o vinho,
íamos comungar e acabávamos com uma breve
ação de graças.
Teríamos o essencial, não é verdade?
É claro que sim, mas a missa não é um self-
service para gente apressada deste género
O caminho para o cume tem quatro etapas a
transpor.
A primeira é a do primeiro encontro:
- O homem apresenta-se cheio de hesitações
diante de Deus, tomando consciência de quem é, e
de quem é Deus.
-
- A liturgia de abertura, uma aproximação
hesitante, uma troca de confiança «cativa-me!»,
dizia a raposa ao Principezinho:«Posso ir para o pé
de ti?».
Vem então o momento do confronto e do face a
face.
- Na liturgia da Palavra, Deus interpela o
homem através da sua palavra: expõe as suas
exigências e dá a conhecer as suas promessas.
Pede também uma resposta. E a Igreja dá-
Lhe essa resposta no:
- salmo e na oração universal.
O terceiro momento é o da conversa coração
a coração, a oração eucarística.
Aqui já não se prega, já não se ensina; aqui já
não há palavra nem resposta. Já não há senão a
linguagem de amor da oração, do coração a
coração.
Já não há meditação; aqui uma única coisa:
encontrar boa conexão e manter-se em
sintonia.
O último momento é o auge do encontro:
- A comunhão, poderia intitular-se «boca a
boca» ou mesmo «corpo a corpo».
Porque aqui tocamos no próprio Corpo do Senhor
e Ele próprio toca no nosso: comemos o seu
Corpo
A missa segue simplesmente o caminho do amor:
- conhecer-se;
- confrontar-se;
- falar coração a coração;
«tornar-se uma só carne».
A MISSA:
CAMINHO DE AMOR
Escuta:
Os sinos «chamam».
À sua maneira, dizem que não somos nós que
decidimos reunir-nos.
É Outro quem nos chama.
Vamos à missa porque somos convidados .
Porque não fomos nós que amámos Deus — foi Ele
que nos amou primeiro quando não fazíamos a
menor ideia disso (cf. 1 Jo 4, 10).
A regra dos mosteiros estipulava que «quando o sino toca, abandona-
se tudo e vai-se...».
Para chegar a tempo? Certamente.
Mas ainda mais para se exercitar várias vezes ao dia
naquilo que constitui o cerne de qualquer vocação:
«Deixando logo as redes, seguiram-n’O» (Mc 1, 18).
A missa começa pelo sinal da cruz: todos juntos,
fazemo-lo sobre todo o nosso corpo. Da cabeça ao
coração e de um ombro ao outro.
É significativo que a missa começa assim, sob o sinal
da cruz, e consagramo-nos ao Pai, ao Filho e ao
Espírito Santo.
Isto quer dizer que a nossa reunião eucarística não é
uma reunião amigável qualquer; nem tem por objetivo
recarregar as nossas baterias.
Significa antes de mais, receber, deixar-nos revestir de
Cristo: «Toda a nossa glória está na cruz de Nosso
Senhor Jesus Cristo. N’Ele está a nossa salvação, vida e
ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres»
Assim, o céu entreabre-se e nós movemo-nos na alegria e
na ternura do Batismo de Jesus: «Tu és o meu Filho muito
amado». O que o Pai dizia então a Jesus, di-lo também a
cada um de nós.
CELEBRANTECELEBRANTE não é um animador vulgar, um animador
mais ou menos competente e talentoso.
É CRISTOÉ CRISTO que Se cinge com a toalha para circular entre
nós e para nos servir, como Jesus na Última Ceia.
Assim, o tom é dado logo a partir do início da celebração.
Pelo sinal da cruz diálogo de abertura
- Trata-se do diálogo de amor entre Deus e o homem,
diálogo que se enceta lentamente, mas com toda a clareza:
Deus vem até nós para nos elevar até SiDeus vem até nós para nos elevar até Si..
«Para celebrarmos dignamente os santos
mistérios, reconheçamos que somos pecadores
». Que palavra desencorajadora para quem acaba
de entrar na igreja!
-Estará bem situada nesta fase dos primeiros
contactos, de exploração hesitante do
terreno?
-Sem dúvida. Primeiro, porque não está isolada;
- É logo seguida de uma palavra de perdão e
misericórdia.
- O objetivo é, aliás, preparamo--nos «para
celebrarmos dignamente os santos mistérios».
Neste momento é nos, assegurado que Deus não nos vai
deixar muito tempo no nosso pecado:
- Descobre-nos logo o horizonte na celebração dos seus
mistérios.
- Há uma saída do túnel da culpa para a luz dos «santos
mistérios». Além disso, é uma questão de verdade:
- Porque é verdade que somos pecadores e que Deus é
santo.
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- É por isso que a missa começa assim com o abrir doÉ por isso que a missa começa assim com o abrir do
coração para confessar a culpa, pedir perdão e receber ocoração para confessar a culpa, pedir perdão e receber o
perdãoperdão!
De repente, a atmosfera de penitência dá lugar
a uma alegria exuberante, com «Glória a
Deus».
Tudo parece sofrer uma reviravolta.
Recordemos que no final de todas as parábolas
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«Haverá mais alegria no Céu por um só
pecador que se converte do que por
noventa e nove justos que não necessitam
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O «Glória» da missa faz as vezes de «canto
de reconciliação». Ele celebra a aproximação
entre o céu e a terra («nas alturas [...] na terra »),
entre Deus e o homem («Glória a Deus [...] paz
aos homens»).
O hino começa com o motivo da
«complacência de Deus», do seu amor terno e
da sua misericórdia para com todos os homens.
No centro, há o hino a Cristo-Redentor: «Vós,
que tirais o pecado do mundo, tende piedade
de nós; Vós, que tirais o pecado do mundo,
acolhei a nossa súplica
[…] Só Vós sois o Santo […]».
A oração coleta fecha a fase de «primeira atitude
de contacto», em jeito de síntese. É o que significa
alias o nome dessa oração da coleta, isto é, oração-
recolha. Na coleta «recolhe-se».
Como?
Trata-se antes de mais de cada fiel da sua igreja
unificar o seu coração para Deus e em Deus;
Porque, para progredir no caminho do diálogo
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Continua IN: Revista Mensagem 420

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Eucaristia - repartir unir

  • 2. «Só se pode perceber a missa com o coração, isto é, quando se começa a ficar afeiçoado a ela.» «O afeto é o sentimento forte e persistente que liga pela confiança reconhecida e retribuída.» Ouvimos dizer muitas vezes – sobretudo aos jovens: «Eu ia à missa, mas não percebo grande coisa do que lá se passa, para não dizer que não percebo nada». e é muitas vezes a tradução exata de algo muito preciso. Sabe-se pouco no que se refere à missa. E não admira.
  • 3. Pensemos nos discípulos de Emaús.  Não tinham todos os requisitos necessários para reconhecer Jesus na fração do pão? A sua memória ainda estava fresca pela recordação de tudo o que tinha acontecido a Jesus na semana anterior; tinham toda a sua cultura judaica;  mas, sobretudo, eram grandes a sua fé, a sua esperança, a sua caridade. E, contudo, também eles precisaram de tempo para perceber; tiveram de fazer perguntas ao estranho que encontraram no caminho; escutaram, hesitaram, ofereceram a hospitalidade insistiram e, só no fim, reconheceram.
  • 4. Será de admirar que isto nos pareça mais difícil a nós? No entanto, não é impossível, e é esta a razão de ser desta «Palavra de vida» a respeito da missa dominical. A abordagem da missa pode fazer-se pela inteligência; podemos fazer perguntas intelectuais: -Como se desenrola a missa? - Qual é a missa? - Qual é a sua origem? - Que significam os ritos e os textos da missa? Estas são perguntas que se referem ao «como» da missa e, são perfeitamente justificadas..
  • 5. Todavia, mesmo se todas as perguntas deste tipo tivessem tido uma resposta concludente, isso não seria garantia de que se tivesse percebido a missa. Só se pode perceber a missa com o coração isto é quando se começa a ficar afeiçoado a ela. A parte do «como», há o «porquê» da missa. A resposta aqui é ao mesmo tempo simples e difícil: -A missa existe porque Deus nos ama e, por conseguinte, quer habitar entre nós, e encontrar-nos no Seu Filho crucificado, morto e ressuscitado. - A Eucaristia é o mistério do amor de Deus por nós, o mistério da sua Aliança ultima e definitiva
  • 6. Esta Aliança de amor (e de perdão) começou há muito tempo entre Deus e os homens. Deus já tinha concluído desde logo uma aliança com Noé; mais tarde, com Abraão; depois, com Moisés no Sinai. Mas continuamente o homem voltava aos seus compromissos terrenos e tornava-se infiel, mas sonhavam com uma aliança que já não fosse inscrita em tábuas de pedra, mas sim no coração, uma aliança que não pudesse ser quebrada.
  • 7. Na Última Ceia, Jesus declara que essa Aliança indissolúvel está doravante presente no seu Sangue derramado na cruz. É o que ouvimos em todas as missas na consagração do vinho. Podemos reunir um grande número de informações sobre a Eucaristia, dissecar toda a liturgia da missa, preparar celebrações soberbas, torná-las transparentes, atender aos pormenores mais ínfimos que, ainda assim a verdadeira compreensão da missa não viria automaticamente, porque é do domínio do coração: - só se percebe a missa se se a amar.
  • 8. O que torna a missa cativante deve ser procurado mais deste lado do altar, nomeadamente no nosso coração, mais do que do outro lado da própria liturgia. Não se produz nada de especial nalgumas celebrações que, no entanto, são entusiasmantes, intensas, cheias de calor. Isto tem a ver não com a estrutura externa das cerimónias, mas com a estrutura interna da assembleia reunida.
  • 9. Se há coisa evidente na Bíblia é que Deus não Se apressa a vir: - Ele não Se precipita nem faz tudo ao mesmo tempo. O tempo é o aliado fiel de Deus. Deus faz-se desejar, alias, é característica de todos os tipos de amor servirem-se do tempo como aliado e pedagogo. O mesmo se passa com a missa, que prossegue calmamente até ao seu apogeu.
  • 10. Poderíamos muito bem imaginar a priori que muito simplesmente nos reuníamos, consagrávamos imediatamente o pão e o vinho, íamos comungar e acabávamos com uma breve ação de graças. Teríamos o essencial, não é verdade? É claro que sim, mas a missa não é um self- service para gente apressada deste género
  • 11. O caminho para o cume tem quatro etapas a transpor. A primeira é a do primeiro encontro: - O homem apresenta-se cheio de hesitações diante de Deus, tomando consciência de quem é, e de quem é Deus. - - A liturgia de abertura, uma aproximação hesitante, uma troca de confiança «cativa-me!», dizia a raposa ao Principezinho:«Posso ir para o pé de ti?».
  • 12. Vem então o momento do confronto e do face a face. - Na liturgia da Palavra, Deus interpela o homem através da sua palavra: expõe as suas exigências e dá a conhecer as suas promessas. Pede também uma resposta. E a Igreja dá- Lhe essa resposta no: - salmo e na oração universal.
  • 13. O terceiro momento é o da conversa coração a coração, a oração eucarística. Aqui já não se prega, já não se ensina; aqui já não há palavra nem resposta. Já não há senão a linguagem de amor da oração, do coração a coração. Já não há meditação; aqui uma única coisa: encontrar boa conexão e manter-se em sintonia.
  • 14. O último momento é o auge do encontro: - A comunhão, poderia intitular-se «boca a boca» ou mesmo «corpo a corpo». Porque aqui tocamos no próprio Corpo do Senhor e Ele próprio toca no nosso: comemos o seu Corpo A missa segue simplesmente o caminho do amor: - conhecer-se; - confrontar-se; - falar coração a coração; «tornar-se uma só carne».
  • 15. A MISSA: CAMINHO DE AMOR Escuta:
  • 16. Os sinos «chamam». À sua maneira, dizem que não somos nós que decidimos reunir-nos. É Outro quem nos chama. Vamos à missa porque somos convidados . Porque não fomos nós que amámos Deus — foi Ele que nos amou primeiro quando não fazíamos a menor ideia disso (cf. 1 Jo 4, 10). A regra dos mosteiros estipulava que «quando o sino toca, abandona- se tudo e vai-se...». Para chegar a tempo? Certamente. Mas ainda mais para se exercitar várias vezes ao dia naquilo que constitui o cerne de qualquer vocação: «Deixando logo as redes, seguiram-n’O» (Mc 1, 18).
  • 17. A missa começa pelo sinal da cruz: todos juntos, fazemo-lo sobre todo o nosso corpo. Da cabeça ao coração e de um ombro ao outro. É significativo que a missa começa assim, sob o sinal da cruz, e consagramo-nos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Isto quer dizer que a nossa reunião eucarística não é uma reunião amigável qualquer; nem tem por objetivo recarregar as nossas baterias. Significa antes de mais, receber, deixar-nos revestir de Cristo: «Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N’Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres»
  • 18. Assim, o céu entreabre-se e nós movemo-nos na alegria e na ternura do Batismo de Jesus: «Tu és o meu Filho muito amado». O que o Pai dizia então a Jesus, di-lo também a cada um de nós. CELEBRANTECELEBRANTE não é um animador vulgar, um animador mais ou menos competente e talentoso. É CRISTOÉ CRISTO que Se cinge com a toalha para circular entre nós e para nos servir, como Jesus na Última Ceia. Assim, o tom é dado logo a partir do início da celebração. Pelo sinal da cruz diálogo de abertura - Trata-se do diálogo de amor entre Deus e o homem, diálogo que se enceta lentamente, mas com toda a clareza: Deus vem até nós para nos elevar até SiDeus vem até nós para nos elevar até Si..
  • 19. «Para celebrarmos dignamente os santos mistérios, reconheçamos que somos pecadores ». Que palavra desencorajadora para quem acaba de entrar na igreja! -Estará bem situada nesta fase dos primeiros contactos, de exploração hesitante do terreno? -Sem dúvida. Primeiro, porque não está isolada; - É logo seguida de uma palavra de perdão e misericórdia. - O objetivo é, aliás, preparamo--nos «para celebrarmos dignamente os santos mistérios».
  • 20. Neste momento é nos, assegurado que Deus não nos vai deixar muito tempo no nosso pecado: - Descobre-nos logo o horizonte na celebração dos seus mistérios. - Há uma saída do túnel da culpa para a luz dos «santos mistérios». Além disso, é uma questão de verdade: - Porque é verdade que somos pecadores e que Deus é santo. - Um diálogo de amor, deve sempre partir da verdade. - Estar ancorado na verdade é a atitude fundamental de toda a vida cristã. - É por isso que a missa começa assim com o abrir doÉ por isso que a missa começa assim com o abrir do coração para confessar a culpa, pedir perdão e receber ocoração para confessar a culpa, pedir perdão e receber o perdãoperdão!
  • 21. De repente, a atmosfera de penitência dá lugar a uma alegria exuberante, com «Glória a Deus». Tudo parece sofrer uma reviravolta. Recordemos que no final de todas as parábolas da misericórdia de Lucas, aparece este refrão: «Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento»
  • 22. O «Glória» da missa faz as vezes de «canto de reconciliação». Ele celebra a aproximação entre o céu e a terra («nas alturas [...] na terra »), entre Deus e o homem («Glória a Deus [...] paz aos homens»). O hino começa com o motivo da «complacência de Deus», do seu amor terno e da sua misericórdia para com todos os homens. No centro, há o hino a Cristo-Redentor: «Vós, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós; Vós, que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica […] Só Vós sois o Santo […]».
  • 23. A oração coleta fecha a fase de «primeira atitude de contacto», em jeito de síntese. É o que significa alias o nome dessa oração da coleta, isto é, oração- recolha. Na coleta «recolhe-se». Como? Trata-se antes de mais de cada fiel da sua igreja unificar o seu coração para Deus e em Deus; Porque, para progredir no caminho do diálogo e do amor, devemos ser levados à unidade no interior de nós mesmos. Continua IN: Revista Mensagem 420