DO ADVENTO DA INTERNET À CATALAXIA DO
CIBERESPAÇO:
como a técnicas digitais aproximam negócios,
consumo e pessoas
TATIANA CIONI COUTO – PPGMC UFF
O artigo
O presente artigo tem como objetivo abordar o comércio virtual e suas
extensões nas práticas cotidianas do sujeito cartesiano em rede (BAUMAN,
2008). Para tal estudo, irá ser feito um retrato da evolução da Internet
(CASTELLS, 1999) até a formação da catalaxia (SODRÉ, 2002), nesse espaço onde
o ordenamento mercadológico cria diversas maneiras de promover o consumo,
aproveitando-se do potencial de colaboração dos usuários na Web 2.0
(ANTOUN, 2008) para aproximar negócios e pessoas. Para tanto será feita uma
análise netnográfica de modelos de comércio on-line diversos.
INTERNET
Ligação de computadores em rede;
Conexão entre pessoas e empresas;
Surgimento comércio eletrônico alavancado pelo fluxo
de negócios em rede (CASTELLS,1999, p.233) ,
Empresas virtuais e construção da esfera de negócios: a
catalaxia (SODRÉ, 2013).
O QUARTO BIOS
Formação do quarto bios , o bios midiático (SODRE,
2002): Modos tradicionais de sociabilização mudando
com a tecnologia e as interações;
Tecnocultura – constituída por mercado e meios de
comunicação (SODRE, 2002);
Novas maneiras de promover o consumo por meio das
interações e participações dos usuários,
Empresas que utilizam das interações on-line para
vender produtos e serviços na internet (SIBILIA, 2008,
p.21).
E-commerce
Segundo números da pesquisa do IAB Brasil (Interactive
Adversing Bureau) de 2013: 84% dos usuários
brasileiros de internet já compraram on-line, seja a
partir do computador ou de celulares. Os números
mostram como os negócios virtuais se diversificam para
atingir o maior número possível de internautas.
Tipos de e-commerce
Shoppings eletrônicos - E-Tayler, ou seja, um varejista eletrônico (FIORE, 2001,
p.10), onde o cliente não precisa sair de casa e encontre todo tipo de produto
disponível .
Compras coletivas - Permitem juntar um, dois, três cupons de desconto para
adquirir mercadorias, estimulando o ter pelo ter, como explica Lindstrom (2009,
p.95) .
Leilões virtuais - Estabelecem preços on-line em verdadeiras “disputas” pelas
mercadorias. No ambiente, uma pessoa cadastrada pode vender ou comprar
mercadorias estabelecendo o preço.
Comércio e Cultura da participação
Sites para comparar preços e serviços. São os “buscadores de mercadoria”
(COUTO, 2013): detalhes do produto, avaliações dos consumidores com
comentários.
Sistemas de agendamento de serviços on-line. Há a honesta recomendação
crítica dos usuários (ANTOUN, 2008, p.19). O usuário não é mais um internauta
e sim um consumidor que pode participar pelos comentários e colaborar com a
construção de um ranking das melhores empresas. Exemplo: e-destinos.
Site para fazer uma “vaquinha on-line” - A pessoa escolhe uma mercadoria e
vira “pedinte virtual” (COUTO, 2013), ao compartilhar com os amigos e querer
colaborações em dinheiro para comprar o objeto.
A conversa e a compra
O comércio on-line para atrair mais compradores integra as opiniões e
avaliações para conseguir vender mais;
Tudo é estipulado no mercado on-line, desde preços até o processo final da
compra;
O “capital informação” também é o da conversa que gira na Internet: dados,
estatísticas, comentários, avaliações, interações são usados a cada clique ,
É possível comprar, acumular e desfazer-se de mercadorias; comparar preços;
pesquisar produtos; conversar com outros compradores e decidir como realizar
e efetuar a compra.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os usuários das redes são promotores das mercadorias e o mercado se
remodela diante das novas experiências de consumo, para obter mais exposição
e atrair novos clientes;
A conversa fornece um mapa para “pensar” o consumo,
O poder integrador da Web 2.0 permite que os usuários circulem suas opiniões
,partilhem atividades e realizem interações por meio das recomendações
(ANTOUN, 2008, p.11), mas que principalmente expandam a esfera dos
negócios.
Referências bibliográficas
ANTOUN, Henrique. De uma teia à outra: a explosão do comum e o surgimento da vigilância
participativa. IN: Web 2.0: participação e vigilância na era da comunicação distribuída. ANTOUN,
Henrique (Org). Rio de Janeiro: Maud X, 2008.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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telemáticos. In: Comunicação e sociabilidade. CAIAFA, Janice; ELLAJI, Mohammed. Rio de Janeiro:
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CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
COUTO, Tatiana Cioni. Do advento da internet à catalaxia do ciberespaço: como a técnicas digitais
aproximam negócios, consumo e pessoas. Artigo apresentado na XVII Jornada do PPGA-UFF (2013).
DOUGLAS, Mary e ISHERWOOD, Baron. O mundo dos bens: para uma antropologia do consumo. Rio de
Janeiro: Ed. UFRJ, 2006.
FIORE, Frank. E-marketing estratégico. SP: Makron Books, 2001.
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estratégias. SP: Esfera, 2008.
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Acesso em:26/06/2013.
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LESSA, Jillynes ; GRANERO, Arlete Eni . O conceito da cauda longa aplicado ao consumidor Y.
Lumina (Juiz de Fora) (Cessou em 2006. Cont. ISSN 1981-4070 Lumina (Juiz de Fora. Online)), v.
5, p. 9, 2012.
LINDSTROM, Martin. A lógica do consumo: verdades e mentiras por que compramos. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 2009.
MORAES, Dênis de. O concreto e o virtual. RJ: DP&A,2001.
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na internet . Porto Alegre: Sulina, 2012.
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Vozes, 2013.
TAPSCOTT, Don; TICOLL, David; LOWY, Alex. Economia digital: dominando o poder das redes de
negócios. São Paulo: Makron Books, 2001.

Do advento da internet à catalaxia do ciberespaço

  • 1.
    DO ADVENTO DAINTERNET À CATALAXIA DO CIBERESPAÇO: como a técnicas digitais aproximam negócios, consumo e pessoas TATIANA CIONI COUTO – PPGMC UFF
  • 2.
    O artigo O presenteartigo tem como objetivo abordar o comércio virtual e suas extensões nas práticas cotidianas do sujeito cartesiano em rede (BAUMAN, 2008). Para tal estudo, irá ser feito um retrato da evolução da Internet (CASTELLS, 1999) até a formação da catalaxia (SODRÉ, 2002), nesse espaço onde o ordenamento mercadológico cria diversas maneiras de promover o consumo, aproveitando-se do potencial de colaboração dos usuários na Web 2.0 (ANTOUN, 2008) para aproximar negócios e pessoas. Para tanto será feita uma análise netnográfica de modelos de comércio on-line diversos.
  • 3.
    INTERNET Ligação de computadoresem rede; Conexão entre pessoas e empresas; Surgimento comércio eletrônico alavancado pelo fluxo de negócios em rede (CASTELLS,1999, p.233) , Empresas virtuais e construção da esfera de negócios: a catalaxia (SODRÉ, 2013).
  • 4.
    O QUARTO BIOS Formaçãodo quarto bios , o bios midiático (SODRE, 2002): Modos tradicionais de sociabilização mudando com a tecnologia e as interações; Tecnocultura – constituída por mercado e meios de comunicação (SODRE, 2002); Novas maneiras de promover o consumo por meio das interações e participações dos usuários, Empresas que utilizam das interações on-line para vender produtos e serviços na internet (SIBILIA, 2008, p.21).
  • 5.
    E-commerce Segundo números dapesquisa do IAB Brasil (Interactive Adversing Bureau) de 2013: 84% dos usuários brasileiros de internet já compraram on-line, seja a partir do computador ou de celulares. Os números mostram como os negócios virtuais se diversificam para atingir o maior número possível de internautas.
  • 6.
    Tipos de e-commerce Shoppingseletrônicos - E-Tayler, ou seja, um varejista eletrônico (FIORE, 2001, p.10), onde o cliente não precisa sair de casa e encontre todo tipo de produto disponível . Compras coletivas - Permitem juntar um, dois, três cupons de desconto para adquirir mercadorias, estimulando o ter pelo ter, como explica Lindstrom (2009, p.95) . Leilões virtuais - Estabelecem preços on-line em verdadeiras “disputas” pelas mercadorias. No ambiente, uma pessoa cadastrada pode vender ou comprar mercadorias estabelecendo o preço.
  • 7.
    Comércio e Culturada participação Sites para comparar preços e serviços. São os “buscadores de mercadoria” (COUTO, 2013): detalhes do produto, avaliações dos consumidores com comentários. Sistemas de agendamento de serviços on-line. Há a honesta recomendação crítica dos usuários (ANTOUN, 2008, p.19). O usuário não é mais um internauta e sim um consumidor que pode participar pelos comentários e colaborar com a construção de um ranking das melhores empresas. Exemplo: e-destinos. Site para fazer uma “vaquinha on-line” - A pessoa escolhe uma mercadoria e vira “pedinte virtual” (COUTO, 2013), ao compartilhar com os amigos e querer colaborações em dinheiro para comprar o objeto.
  • 8.
    A conversa ea compra O comércio on-line para atrair mais compradores integra as opiniões e avaliações para conseguir vender mais; Tudo é estipulado no mercado on-line, desde preços até o processo final da compra; O “capital informação” também é o da conversa que gira na Internet: dados, estatísticas, comentários, avaliações, interações são usados a cada clique , É possível comprar, acumular e desfazer-se de mercadorias; comparar preços; pesquisar produtos; conversar com outros compradores e decidir como realizar e efetuar a compra.
  • 9.
    CONSIDERAÇÕES FINAIS Os usuáriosdas redes são promotores das mercadorias e o mercado se remodela diante das novas experiências de consumo, para obter mais exposição e atrair novos clientes; A conversa fornece um mapa para “pensar” o consumo, O poder integrador da Web 2.0 permite que os usuários circulem suas opiniões ,partilhem atividades e realizem interações por meio das recomendações (ANTOUN, 2008, p.11), mas que principalmente expandam a esfera dos negócios.
  • 10.
    Referências bibliográficas ANTOUN, Henrique.De uma teia à outra: a explosão do comum e o surgimento da vigilância participativa. IN: Web 2.0: participação e vigilância na era da comunicação distribuída. ANTOUN, Henrique (Org). Rio de Janeiro: Maud X, 2008. ATEM, Guilherme Nery. A lógica social da forma-consumo. ALCEU - v. 12 - n.23 - p. 100 a 111 jul./dez. 2011. BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1998 BAUMAN, Zygmunt. Vida para o consumo. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. _______.IDEM. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
  • 11.
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRETA, BEATRIZ.A expansão do eu na vida cotidiana: a construção da subjetividade em territórios telemáticos. In: Comunicação e sociabilidade. CAIAFA, Janice; ELLAJI, Mohammed. Rio de Janeiro: Maud X, 2007. CANCLINI, Néstor García. Consumidores e cidadãos. RJ: Ed. UFRJ, 2006. CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. COUTO, Tatiana Cioni. Do advento da internet à catalaxia do ciberespaço: como a técnicas digitais aproximam negócios, consumo e pessoas. Artigo apresentado na XVII Jornada do PPGA-UFF (2013). DOUGLAS, Mary e ISHERWOOD, Baron. O mundo dos bens: para uma antropologia do consumo. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2006. FIORE, Frank. E-marketing estratégico. SP: Makron Books, 2001. GABRIEL, Martha Carrer Cruz. Marketing de otimização de buscas na Web: conceitos, técnicas e estratégias. SP: Esfera, 2008.
  • 12.
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS HAUG, WolfangFritz. Crítica da Estética da Mercadoria. São Paulo: Fundação editora da UNESP, 1997. IAB Brasil – Disponível em http://iabbrasil.net/portal/institucional-iab/indicadores-mercado/ Acesso em:26/06/2013. IBOPE. Disponível em: < http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/Paginas/Compras %20coletivas%20crescem%20na%20internet.aspx> Acesso em:26/06/2013. LESSA, Jillynes ; GRANERO, Arlete Eni . O conceito da cauda longa aplicado ao consumidor Y. Lumina (Juiz de Fora) (Cessou em 2006. Cont. ISSN 1981-4070 Lumina (Juiz de Fora. Online)), v. 5, p. 9, 2012.
  • 13.
    LINDSTROM, Martin. Alógica do consumo: verdades e mentiras por que compramos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. MORAES, Dênis de. O concreto e o virtual. RJ: DP&A,2001. RECUERO. Raquel. A conversação em rede: comunicação mediada pelo computador e as redes sociais na internet . Porto Alegre: Sulina, 2012. SIBILIA, Paula. O show do Eu: a intimidade como espetáculo. RJ: Nova Fronteira, 2008. SODRÉ, Sodré. Antropológica do espelho: uma teoria da comunicação linear e em rede. Petropólis: Vozes, 2013. TAPSCOTT, Don; TICOLL, David; LOWY, Alex. Economia digital: dominando o poder das redes de negócios. São Paulo: Makron Books, 2001.