PRIMEIROS SOCORROS
Básico
Sumário
1. Introdução....................................................................................................................................... 8
2 Primeiros Socorros: Importância, Legislação e Conceitos............................................................... 9
2.1 Introdução.............................................................................................................................. 9
2.2 Importância dos Primeiros Socorros ................................................................................. 9
2.3 Conceitos Básicos.............................................................................................................. 10
2.3.1 O que é primeiros socorros? .................................................................................... 10
2.3.2 Socorrista ou socorrista leigo? ................................................................................. 11
2.4 Legislação............................................................................................................................ 11
2.4.1 Lei 2848/40.................................................................................................................. 12
2.4.2 Lei abandono de incapazes...................................................................................... 12
3 Corpo Humano .............................................................................................................................. 13
3.1 Introdução............................................................................................................................ 13
3.2 Constituição do Corpo Humano....................................................................................... 13
3.3 Divisão do Corpo Humano................................................................................................ 14
3.4 Sistemas do Corpo Humano............................................................................................. 15
3.4.1 Cardiovascular ............................................................................................................ 15
3.4.2 Respiratório ................................................................................................................. 16
3.4.3 Digestório..................................................................................................................... 17
3.4.4 Nervoso........................................................................................................................ 18
3.4.5 Sensorial ...................................................................................................................... 19
3.4.6 Endócrino..................................................................................................................... 20
3.4.7 Excretor........................................................................................................................ 20
3.4.8 Urinário......................................................................................................................... 21
3.4.9 Reprodutor................................................................................................................... 21
3.4.10 Esquelético .................................................................................................................. 22
3.4.11 Muscular....................................................................................................................... 23
3.4.12 Imunológico ................................................................................................................. 24
3.4.13 Linfático........................................................................................................................ 25
3.4.14 Tegumentar.................................................................................................................. 26
4 Caixa de Primeiros Socorros...........................................................................................................27
4.1 Introdução.............................................................................................................................27
5 Etapas Básicas de Primeiros Socorros ........................................................................................... 29
5.1 Introdução............................................................................................................................ 29
5.2 Avaliação da Cena ............................................................................................................. 29
5.2.1 Segurança.................................................................................................................... 30
5.2.2 Cinemática................................................................................................................... 30
5.2.3 Bioproteção.................................................................................................................. 30
5.2.4 Apoio............................................................................................................................. 31
5.3 Avaliação da Vítima............................................................................................................ 31
5.3.1 Cabeça e pescoço...................................................................................................... 32
5.3.2 Coluna Dorsal.............................................................................................................. 32
5.3.3 Tórax e Membros........................................................................................................ 32
5.3.4 Exame do acidentado inconsciente......................................................................... 33
6 Funções, Sinais Vitais e de Apoio.................................................................................................. 34
6.1 Introdução............................................................................................................................ 34
6.2 Funções vitais ..................................................................................................................... 34
6.3 Sinais Vitais ......................................................................................................................... 35
6.3.1 Temperatura corporal................................................................................................. 36
6.3.2 Pulso............................................................................................................................. 38
6.3.3 Respiração................................................................................................................... 39
6.3.4 Pressão Arterial........................................................................................................... 41
6.4 Sinais de Apoio ................................................................................................................... 41
6.4.1 Dilatação e reatividade das pupilas......................................................................... 42
6.4.2 Cor e umidade da pele .............................................................................................. 42
6.4.3 Estado de consciência............................................................................................... 43
6.4.4 Motilidade e sensibilidade do corpo......................................................................... 44
7 Asfixia .............................................................................................................................................47
7.1 Introdução.............................................................................................................................47
7.2 Causa ....................................................................................................................................47
7.3 Primeiros Socorros............................................................................................................. 48
7.4 Manobra de Heimlich......................................................................................................... 49
8 Ressuscitação Cardiopulmonar ..................................................................................................... 51
8.1 Introdução............................................................................................................................ 51
9 Estado de Choque.......................................................................................................................... 52
9.1 Introdução............................................................................................................................ 52
9.2 Causas ................................................................................................................................. 53
9.3 Sintomas.............................................................................................................................. 54
9.4 Prevenção do Choque....................................................................................................... 55
10 Emergências Clínicas ..................................................................................................................57
10.1 Introdução.............................................................................................................................57
10.2 Infarto ou Ataque Cardíaco ................................................................................................57
10.2.1 Sintomas ...................................................................................................................... 58
10.2.2 Primeiros socorros...................................................................................................... 59
10.3 Insolação.............................................................................................................................. 60
10.4 Exaustão pelo Calor........................................................................................................... 62
10.4.1 Sintomas ...................................................................................................................... 62
10.4.2 Primeiros Socorros..................................................................................................... 63
10.5 Cãibras de Calor................................................................................................................. 64
10.5.1 Sintomas ...................................................................................................................... 64
10.5.2 Primeiros Socorros..................................................................................................... 65
10.6 Desmaio............................................................................................................................... 65
10.6.1 Sintomas ...................................................................................................................... 66
10.6.2 Primeiros Socorros..................................................................................................... 66
10.7 Convulsão............................................................................................................................ 67
10.7.1 Sintomas ...................................................................................................................... 68
10.7.2 Primeiros socorros...................................................................................................... 69
10.8 Choque Elétrico .................................................................................................................. 70
10.8.1 Causas principais ....................................................................................................... 71
10.8.2 Sintomas .......................................................................................................................72
10.8.3 Primeiros socorros...................................................................................................... 73
10.8.4 Eletrocussão.................................................................................................................74
11 Emergências Traumáticas...........................................................................................................76
11.1 Introdução.............................................................................................................................76
11.2 Avaliação da Vítima de Trauma ........................................................................................76
11.2.1 Via aérea com controle da coluna cervical............................................................. 77
11.2.2 Respiração................................................................................................................... 77
11.2.3 Circulação.................................................................................................................... 77
12 Ferimentos ................................................................................................................................ 78
12.1 Introdução............................................................................................................................ 78
12.2 Ferimentos Fechados ........................................................................................................ 79
12.2.1 Primeiros socorros...................................................................................................... 80
12.3 Ferimentos Abertos ............................................................................................................ 80
12.3.1 Primeiros Socorros..................................................................................................... 82
13 Amputação de Membros........................................................................................................... 84
13.1 Introdução............................................................................................................................ 84
13.2 Primeiros Socorros............................................................................................................. 84
13.3 Como prevenir..................................................................................................................... 85
14 Lesões Traumato-Ortopédicas................................................................................................... 86
14.1 Introdução............................................................................................................................ 86
14.2 Entorse................................................................................................................................. 86
14.2.1 Primeiros socorros.......................................................................................................87
14.3 Luxação................................................................................................................................ 88
14.3.1 Sinais e sintomas........................................................................................................ 88
14.3.2 Primeiros socorros...................................................................................................... 89
14.4 Fraturas................................................................................................................................ 89
14.4.1 Primeiros socorros...................................................................................................... 90
15 Esmagamentos de Membros..................................................................................................... 92
15.1 Introdução............................................................................................................................ 92
16 Queimaduras............................................................................................................................. 94
16.1 Introdução............................................................................................................................ 94
16.2 Profundidade da queimadura ........................................................................................... 95
16.2.1 Queimaduras de primeiro grau................................................................................. 95
16.2.2 Segundo grau.............................................................................................................. 95
16.2.3 Terceiro grau................................................................................................................ 95
16.2.4 Análise do grau da queimadura ............................................................................... 96
16.3 Estimativa de Extensão..................................................................................................... 96
16.4 Níveis de Gravidade........................................................................................................... 98
16.4.1 Graves.......................................................................................................................... 98
16.4.2 Moderadas................................................................................................................... 98
16.4.3 Leves ............................................................................................................................ 98
16.5 Primeiros Socorros............................................................................................................. 98
16.5.1 Primeiros socorros em queimaduras térmicas....................................................... 99
16.5.2 Primeiros socorros em queimaduras químicas, ácidos e bases....................... 101
16.5.3 Queimaduras por eletricidade ................................................................................ 103
16.5.4 Queimaduras por frio ou geladuras ....................................................................... 105
17 Hemorragias: Interna e Externas............................................................................................. 108
17.1 Introdução.......................................................................................................................... 108
17.2 Tipos de Hemorragias...................................................................................................... 108
17.2.1 Hemorragia externa.................................................................................................. 108
17.2.2 Hemorragia interna................................................................................................... 109
17.3 Sintomas da Hemorragia................................................................................................. 109
17.4 Primeiros Socorros........................................................................................................... 110
18 Picadas e Ferroadas de Animais Peçonhentos ........................................................................ 112
18.1 Introdução.......................................................................................................................... 112
18.2 Acidentes Causados por Serpentes.............................................................................. 112
18.2.1 Tipos de serpentes................................................................................................... 113
18.2.2 Primeiros socorros.................................................................................................... 117
18.3 Acidentes causados por Aranhas e escorpiões........................................................... 119
18.3.1 Tipos de Aranhas e Escorpiões.............................................................................. 119
18.3.2 Primeiros socorros.................................................................................................... 123
18.4 Acidentes causados por Lagartas Venenosas............................................................. 124
18.4.1 Primeiros socorros.................................................................................................... 124
18.5 Acidentes causados por Abelhas, Vespas e Formigas............................................... 125
18.5.1 Sintomas .................................................................................................................... 126
18.5.2 Primeiros socorros.....................................................................................................127
19 Intoxicação ou Envenenamento.............................................................................................. 129
19.1 Introdução.......................................................................................................................... 129
19.2 Substâncias comuns nas intoxicações ......................................................................... 129
19.3 Sintomas............................................................................................................................ 131
19.4 Primeiros Socorros........................................................................................................... 132
19.4.1 Inalação...................................................................................................................... 132
19.4.2 Contato com a pele .................................................................................................. 133
19.4.3 Ingestão ..................................................................................................................... 134
20 Movimentação e Remoção de Vítima ......................................................................................137
20.1 Introdução...........................................................................................................................137
21 Telefone Úteis.......................................................................................................................... 139
21.1 Introdução.......................................................................................................................... 139
21.2 Corpo de bombeiros – 193.............................................................................................. 139
21.3 Polícia Militar – 190.......................................................................................................... 140
21.4 SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) – 192...................................... 140
21.5 Polícia Rodoviária Federal – 191................................................................................... 140
21.6 Defesa Civil – 199 ............................................................................................................ 141
21.7 Disque Intoxicação (ANVISA) – 0800-722-6001 ......................................................... 141
22 Referências.............................................................................................................................. 143
22.1 Bibliografia......................................................................................................................... 143
1. Introdução
O curso de primeiros socorros, tem como objetivo, promover a capacitação
profissional para a execução dos primeiros socorros básicos. Primeiros socorros é
toda a intervenção imediata e provisória, feita ainda no local do fato, às vítimas de
acidentes; mal súbito ou enfermidades agudas e imprevistas, antes da chegada de
profissionais especializados, ou remoção da vítima para um atendimento
especializado.
O curso abordará conceitos; importância e legislação dos primeiros socorros,
kit de primeiros socorros; anatomia humana; avaliação e procedimentos adequados
às situações de emergência.
As instrumentações são baseadas em informações de médicos; profissionais
e outros, porém, não substituem os aconselhamentos dos mesmos, presentes no
momento da execução de qualquer procedimento.
2 Primeiros Socorros: Importância, Legislação e
Conceitos
2.1Introdução
Para iniciar os estudos, se faz necessário conhecer os conceitos; importância
e a legislação de primeiros socorros, para que assim, possa-se desenvolver bons
atendimentos e de forma adequada.
2.2Importância dos Primeiros Socorros
É de essencial importância a prestação de atendimentos emergenciais. É
importante ter a consciência de que a prestação dos primeiros socorros, não elimina
a importância de uma equipe especializada para o atendimento.
É importante manter a calma e verificar se há condições, seguras o bastante,
para a prestação do socorro sem riscos para você. Não se esqueça que um
atendimento de emergência mal feito, pode comprometer, ainda mais, a saúde da
vítima. Entretanto, a pessoa que chama por socorro especializado, por exemplo, já
está prestando e providenciando o socorro.
Os momentos após um acidente, principalmente as duas primeiras horas, são
os mais importantes, para se garantir a recuperação ou a sobrevivência das pessoas
feridas.
2.3Conceitos Básicos
2.3.1 O que é primeiros socorros?
Segundo Hafen; Karren e Frandsen (2014), primeiros socorros refere-se ao
atendimento temporário e imediato de uma pessoa que está ferida ou que adoece
repentinamente. Os primeiros socorros incluem: reconhecer condições que põem a
vida em risco; e tomar as atitudes necessárias para manter a vítima viva e na melhor
condição possível, até que se obtenha atendimento médico.
Os principais objetivos dos primeiros socorros são:
● Reconhecer situações que ponham a vida em risco;
● Aplicar respiração e circulação artificiais, quando necessário;
● Controlar sangramentos;
● Tratar de outras condições que ponham a vida em risco;
● Minimizar o risco de outras lesões e complicações;
● Evitar infecções;
● Deixar a vítima o mais confortável possível;
● Providenciar a assistência médica e transporte.
2.3.2 Socorrista ou socorrista leigo?
Socorrista é o profissional que está habilitado a praticar os primeiros socorros,
utilizando-se dos conhecimentos básicos e treinamentos técnicos, que o capacitaram
para esse desempenho.
Portanto, uma pessoa que possui apenas o curso básico de primeiros
socorros, se chama socorrista leigo.
Atendimento especializado, pode ser solicitado através do Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência – SAMU.
2.4Legislação
A legislação é muito clara sobre a prestação e omissão de primeiros socorros,
conforme pode ser visto nas leis abaixo:
2.4.1 Lei 2848/40
Lei de Omissão de Socorro – Artigo 135 do Código Penal Brasileiro – Decreto-
Lei 2848/40.
Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco
pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao
desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da
autoridade pública:
Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo Único – A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta
lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
2.4.2 Lei abandono de incapazes
Lei abandono de incapazes – Artigo 133 do Código Penal Brasileiro.
Art. 133. Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou
autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do
abandono:
Pena — detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos.
§1º. Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena — reclusão, de 1(um) a 5 (cinco) anos.
§ 2º. Se resulta a morte:
Pena — reclusão de 4 (quatro) a 12(doze) anos.
§ 3º. As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço:
I — se o abandono ocorre em lugar ermo;
II — se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou
curador da vítima.
III — se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos (inciso introduzido pela Lei n°
10.161, de 1° de outubro de 2003).
3 Corpo Humano
3.1Introdução
Os primeiros socorros estão ligados aos nossos sistemas, ou seja, são
intercorrências que acontecem por algum motivo, fazendo o nosso organismo
funcionar de modo inadequado ou por fatores externos, culminando na mesma
reação.
3.2Constituição do Corpo Humano
Fonte: http://www.anatomiaresumida.com/o-corpo-humano/
Da menor até a maior dimensão de seus componentes, seis níveis de
organização são relevantes, para a compreensão da anatomia e fisiologia: átomos e
moléculas; células; tecidos; órgãos; sistemas e organismo.
Átomos e moléculas: inclui os átomos (menores unidades de matéria que
participam de reações químicas) e as moléculas (dois ou mais átomos ligados entre
si).
Células: a união das moléculas forma as células. As células são as unidades
básicas; estruturais e funcionais do corpo humano.
Tecidos: os tecidos são grupos de células e materiais em torno delas, que
trabalham juntos, para realizar uma determinada função celular. Existem quatro tipos
básicos de tecidos em seu corpo: tecido epitelial; conjuntivo; muscular e nervoso.
Órgãos: os órgãos são estruturas compostas por dois ou mais tipos de
tecidos diferentes. Eles têm funções específicas e, usualmente, têm formas
reconhecíveis.
Sistema: um sistema consiste em órgãos relacionados que têm a mesma
função.
Organismo: é o maior nível organizacional. O organismo é um indivíduo vivo.
Todas as partes do corpo, funcionando umas com as outras, constituem o organismo
total – uma pessoa viva.
3.3Divisão do Corpo Humano
Fonte: http://sanbiomedica.blogspot.com.br
Classicamente, o corpo humano é dividido em: cabeça; pescoço; tronco e
membros.
● Cabeça: crânio e face;
● Pescoço: pescoço;
● Tronco: tórax, abdome e pelve;
● Membros (membros superiores): ombro; braço; antebraço e mão;
● Membros (membros inferiores): quadril; coxa; perna e pé.
3.4Sistemas do Corpo Humano
O corpo humano é formado pelos sistemas: cardiovascular; respiratório;
digestório; nervoso; sensorial; endócrino; excretor; urinário; reprodutor; esquelético;
muscular; imunológico; linfático e tegumentar. Cada um deles envolve órgãos, que
atuam, para a realização das funções vitais do organismo.
3.4.1 Cardiovascular
Este sistema é responsável pelo transporte dos nutrientes e gases pelo corpo,
através do sangue.
O sistema cardiovascular consiste no sangue; no coração e nos vasos
sanguíneos. Para que o sangue possa atingir as células corporais e trocar materiais
com elas, ele deve ser, constantemente, propelido ao longo dos vasos sanguíneos.
O coração é a bomba que promove a circulação do sangue, por cerca de 100 mil
quilômetros de vasos sanguíneos.
3.4.2 Respiratório
O sistema respiratório realiza a troca de gases entre o sangue e o ar; absorve
oxigênio e elimina gás carbônico.
Este sistema é constituído pelos tratos (vias) respiratórios superior e inferior.
O trato respiratório superior, é formado por órgãos localizados fora da caixa
torácica: nariz externo; cavidade nasal; faringe; laringe e parte superior da traqueia.
O trato respiratório inferior, consiste em órgãos localizados na cavidade
torácica: parte inferior da traqueia; brônquios; bronquíolos; alvéolos e pulmões. As
camadas das pleuras e os músculos que formam a cavidade torácica, também
fazem parte do trato respiratório inferior. O intercâmbio dos gases, faz-se ao nível
dos pulmões, mas para atingi-los, o ar deve percorrer diversas porções de um tubo
irregular, que recebe o nome de conjunto de vias aeríferas.
3.4.3 Digestório
O sistema digestório envolve ingestão e quebra dos alimentos; absorção dos
nutrientes e eliminação dos resíduos.
O trato digestório e os órgãos anexos, constituem o sistema digestório. O
trato digestório é um tubo oco, que se estende da cavidade bucal ao ânus, sendo
também chamado de canal alimentar ou trato gastrointestinal. As estruturas do trato
digestório incluem: boca; faringe; esôfago; estômago; intestino delgado; intestino
grosso; reto e ânus.
3.4.4 Nervoso
O sistema nervoso estabelece comunicação entre as diversas partes do
corpo, elaborando respostas aos estímulos.
O sistema nervoso está dividido em duas partes fundamentais: sistema
nervoso central e sistema nervoso periférico.
O sistema nervoso central é constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal,
ambos envolvidos e protegidos por três membranas, denominadas meninges.
O sistema nervoso periférico é formado por nervos, que se originam no
encéfalo e na medula espinhal. Sua função é conectar o sistema nervoso central ao
resto do corpo. Importante destacar que existem dois tipos de nervos: os cranianos e
os raquidianos.
3.4.5 Sensorial
O sistema sensorial é responsável por captar estímulos do ambiente e enviar
ao sistema nervoso, que produz resposta imediata.
O corpo humano é composto de cinco sentidos, a saber: a visão; o olfato; o
paladar; a audição e o tato, que fazem parte do sistema sensorial, responsável por
enviar as informações obtidas, para o sistema nervoso central, que por sua vez,
analisa e processa a informação recebida.
Não obstante, essas capacidades estão relacionadas com órgãos ou partes
do corpo humano (olhos; nariz; boca; ouvidos; mãos) e correspondem às
percepções dos homens no mundo, realizadas por meio do processo de tradução;
análise e processamento das informações sensoriais, o que muitas vezes,
determinou a sobrevivência dos seres humanos, bem como dos animais no planeta
terra.
3.4.6 Endócrino
O sistema endócrino produz os hormônios (nas glândulas) que atuam sobre
as células do corpo, regulando seu funcionamento.
O sistema endócrino coordena todas as funções do nosso corpo. As glândulas
endócrinas estão localizadas em diferentes partes do corpo: hipófise; tireoide e
paratireoides; timo; supra renais; pâncreas e glândulas sexuais.
3.4.7 Excretor
O sistema excretor elimina as excretas – substâncias indesejáveis ao corpo –
produzidas no metabolismo.
3.4.8 Urinário
O sistema urinário participa do processo de excreção, eliminando,
principalmente ureia, através da urina.
O sistema urinário é composto por dois rins e pelas vias urinárias, formadas
por dois ureteres: a bexiga urinária e a uretra.
3.4.9 Reprodutor
O sistema reprodutor permite a continuação da espécie, através do processo
reprodutivo, que envolve hormônios e sexualidade.
O sistema reprodutor feminino é formado pelos seguintes órgãos: ovários;
tubas uterinas; útero e vagina.
3.4.10 Esquelético
O sistema esquelético é constituído de ossos e cartilagens, além dos
ligamentos e tendões. O esqueleto sustenta e dá forma ao corpo, além de proteger
os órgãos internos, e atua em conjunto com os sistemas muscular e articular, para
permitir o movimento. Outras funções são a produção de células sanguíneas na
medula óssea, e armazenamento de sais minerais, como o cálcio. O osso é uma
estrutura viva, muito resistente e dinâmica, pois tem a capacidade de se regenerar,
quando sofre uma fratura.
3.4.11 Muscular
O sistema muscular atua na locomoção do corpo e nos movimentos
involuntários de alguns órgãos.
São estruturas individualizadas, que cruzam uma ou mais articulações, e pela
sua contração, são capazes de transmitir-lhes movimento. Este é efetuado por
células especializadas, denominadas fibras musculares, cuja energia latente é, ou
pode ser controlada pelo sistema nervoso. Os músculos são capazes de transformar
energia química em energia mecânica.
O músculo vivo é de cor vermelha. Essa coloração avermelhada das fibras
musculares, se deve à mioglobina, proteína semelhante à hemoglobina presente nos
glóbulos vermelhos, que cumpre o papel de conservar algum O2, proveniente da
circulação, para o metabolismo oxidativo.
Os músculos representam cerca de 40-50% do peso corporal total.
3.4.12 Imunológico
O sistema imunológico, atua por meio de células de defesa e órgãos
imunitários, para proteger o corpo de patógenos.
O sistema imunológico é mesmo uma proteção; um escudo ou uma barreira,
que nos protege de seres indesejáveis (os chamados patógenos), que tentam invadir
o nosso corpo, e assim, esse sistema tem a função, não só de impedir essa invasão,
como também exerce a função de combate e destruição destes patógenos.
Trata-se de um sistema complexo, composto por diversas partes, entre
células e órgãos, cada qual com uma função específica, agindo como um exército.
3.4.13 Linfático
O sistema linfático defende o organismo de infecções, detectando agentes
invasores e toxinas na linfa.
O sistema linfático é o principal sistema de defesa do organismo, constituído
pelos nódulos linfáticos (linfonodos), ou seja, uma rede complexa de vasos,
responsável por transportar a linfa, dos tecidos para o sistema circulatório. Além
disso, o sistema linfático possui outras funções, a saber: proteção de células imunes
(atua junto ao sistema imunológico); absorção dos ácidos graxos; e, equilíbrio dos
fluídos (líquidos) nos tecidos.
3.4.14 Tegumentar
O sistema tegumentar, ou seja, a pele, atua como barreira e proteção;
também controla a temperatura corporal, e tem papel sensorial.
A pele é o maior órgão do nosso corpo; reveste e assegura grande parte das
relações entre o meio interno e o externo. Além disso, atua na defesa e colabora
com outros órgãos, para o bom funcionamento do organismo, como no controle da
temperatura corporal e na elaboração de metabólitos. É constituída de derme e
epiderme, tecidos intimamente unidos, que atuam de forma harmônica e
cooperativa.
4 Caixa de Primeiros Socorros
4.1Introdução
A caixa de primeiros socorros deve ser de plástico, com uma tampa segura e
que feche bem, para poder ser usada em viagens, ou pode ser do tipo necessaire
com fecho, devendo ser constituída por:
Itens da caixa de primeiros socorros
Instrumentos
Termômetro
Tesoura
Pinça
Conta-gotas
Material para curativo
Algodão hidrófilo
Gaze esterilizada
Esparadrapo
Ataduras de crepe
Caixa de curativo adesivo
Antissépticos
Água oxigenada – 10 volumes
Álcool
Medicamentos Soro fisiológico
Equipamento de proteção Luvas cirúrgicas
Fonte: Fundação Oswaldo Cruz Fiocruz (2016)
Apesar do kit de primeiros socorros ser essencial em casos de emergências,
é necessário ir ao hospital, para o médico fazer uma avaliação, diagnóstico e
tratamento de qualquer tipo de ferimento.
5 Etapas Básicas de Primeiros Socorros
5.1Introdução
Inicialmente, deve-se ter em mente, que quem presta socorro, deve avaliar a
cena; manter a segurança da área; avaliar o estado da vítima; administrar socorro de
emergência e chamar por socorro.
5.2Avaliação da Cena
A primeira atitude a ser tomada no local do acidente, é a avaliação dos riscos
que possam colocar em perigo a pessoa prestadora dos primeiros socorros. Se
houver algum perigo em potencial, deve-se aguardar a chegada do socorro
especializado.
Neste período, verifica-se também as prováveis causas do acidente; o número
de vítimas; a provável gravidade de suas lesões; e outras informações que possam
ser úteis para a notificação do acidente. É imprescindível a utilização de
equipamentos de proteção individual como: máscaras; luvas; ou óculos, no
atendimento da vítima.
A fim de se isolar os riscos, e promover um socorro efetivo, até a chegada de
profissionais, a avaliação da cena é dividida em quatro fases:
● Segurança – verificar se a cena é segura para ser abordada;
● Cinemática do trauma – verificar como se deu o acidente ou sinistro;
● Bioproteção;
● Triagem/Nr de vítimas.
5.2.1 Segurança
É necessário verificar se a cena é segura para ser abordada, e assim, procure
tornar o ambiente adequado para o atendimento prévio. Por exemplo, no caso de
acidentes de trânsito, deve-se procurar improvisar um espaço para desviar o fluxo de
veículos, sinalizando aos carros que vêm no sentido do problema ocorrido.
5.2.2 Cinemática
Verificar como se deu o acidente ou mal sofrido pela vítima, perguntando a
ela, se estiver plenamente consciente, ou às pessoas próximas, que testemunharam
o ocorrido. Na carência das duas hipóteses, deve-se adotar procedimentos que
serão abordados mais adiante.
5.2.3 Bioproteção
Deve-se procurar maneiras de evitar possíveis infecções, que podem ocorrer,
através do contato direto com o sangue das vítimas, usando luvas cirúrgicas, se
possível. Em situações adversas, não deve-se abortar os procedimentos por falta de
instrumentos.
5.2.4 Apoio
Procure o auxílio de pessoas próximas da cena para: ajudar a dar o espaço
necessário para o atendimento prévio; chamar imediatamente o socorro
especializado; desviar o trânsito de veículos; manter a ordem e a calma entre as
outras pessoas; etc. No caso de não ter pessoas por perto, isso deve ser feito com o
máximo de agilidade e tranquilidade, pela própria pessoa que presta o socorro
inicial.
5.3Avaliação da Vítima
A avaliação e exame do estado geral de um acidentado de emergência clínica
ou traumática, é a segunda etapa básica, na prestação dos primeiros socorros. Ela
deve ser realizada ao mesmo tempo, ou rapidamente, logo após a avaliação do
acidente e proteção do acidentado.
O exame deve ser rápido e sistemático, observando as seguintes prioridades:
● Estado de consciência: avaliação de respostas lógicas (nome, idade, etc.);
● Respiração: movimentos torácicos e abdominais, com entrada e saída de ar,
normalmente, pelas narinas ou boca;
● Hemorragia: avaliar a quantidade, o volume e a qualidade do sangue que se
perde. Se é arterial ou venoso;
● Pupilas: verificar o estado de dilatação e simetria (igualdade entre as pupilas);
● Temperatura do corpo: observação e sensação de tato na face e
extremidades.
Deve-se ter sempre uma ideia bem clara do que se vai fazer, para não expor,
desnecessariamente, o acidentado, verificando se há ferimento, com o cuidado de
não movimentá-lo excessivamente.
Em seguida, proceder a um exame rápido das diversas partes do corpo.
Se o acidentado está consciente, perguntar por áreas dolorosas no corpo e
incapacidades funcionais de mobilização. Pedir para apontar onde é a dor; pedir
para movimentar as mãos; braços; etc.
5.3.1 Cabeça e pescoço
Sempre verificando o estado de consciência e a respiração do acidentado,
apalpar com cuidado o crânio, à procura de fratura; hemorragia ou depressão óssea.
Proceder da mesma forma para o pescoço, procurando verificar o pulso na
artéria carótida (pescoço), observando frequência; ritmo e amplitude; correr os
dedos pela coluna cervical, desde a base do crânio até os ombros, procurando
alguma irregularidade. Solicitar que o acidentado movimente lentamente o pescoço;
verificar se há dor nessa região. Movimentar lenta e suavemente o pescoço,
movendo-o de um lado para o outro. Em caso de dor, pare qualquer mobilização
desnecessária.
Perguntar a natureza do acidente; sobre a sensibilidade e a capacidade de
movimentação dos membros, visando confirmar suspeita de fratura na coluna
cervical.
5.3.2 Coluna Dorsal
Perguntar ao acidentado se sente dor. Na coluna dorsal, correr a mão pela
espinha do acidentado, desde a nuca até o sacro. A presença de dor pode indicar
lesão na coluna dorsal.
5.3.3 Tórax e Membros
Verificar se há lesão no tórax, se há dor quando respira ou se há dor quando
o tórax é levemente comprimido.
Solicitar ao acidentado que movimente, de leve, os braços e verificar a
existência de dor ou incapacidade funcional. Localizar o local da dor e procurar
deformação; edema e marcas de injeções. Verificar se há dor no abdome e procurar
todo tipo de ferimento, mesmo pequeno.
Apertar cuidadosamente ambos os lados da bacia, para verificar se há lesões.
Solicitar à vítima que tente mover as pernas, e verificar se há dor ou incapacidade
funcional.
Não permitir que o acidentado de choque elétrico ou traumatismo violento,
tente levantar-se prontamente, achando que nada sofreu. Ele deve ser mantido
imóvel, pelo menos para um rápido exame, nas áreas que sofreram alguma lesão. O
acidentado deve ficar deitado de costas, ou na posição que mais conforto lhe
ofereça.
5.3.4 Exame do acidentado inconsciente
O acidentado inconsciente é uma preocupação, pois além de se ter poucas
informações sobre o seu estado, podem surgir complicações, devido à
inconsciência.
O primeiro cuidado é manter as vias respiratórias superiores desimpedidas,
fazendo a extensão da cabeça, ou mantê-la em posição lateral, para evitar aspiração
de vômito. Limpar a cavidade bucal.
O exame do acidentado inconsciente, deve ser igual ao do acidentado
consciente, só que com cuidados redobrados, pois os parâmetros de força e
capacidade funcional, não poderão ser verificados. O mesmo ocorrendo com
respostas a estímulos dolorosos.
As observações das seguintes alterações, deve ter prioridade, acima de
qualquer outra iniciativa. Elas podem salvar uma vida:
● Falta de respiração;
● Falta de circulação (pulso ausente);
● Hemorragia abundante;
● Perda dos sentidos (ausência de consciência);
● Envenenamento.
6 Funções, Sinais Vitais e de Apoio
6.1Introdução
A atividade de primeiros socorros, implica no conhecimento dos sinais que o
corpo emite, e servem como informação para a determinação do seu estado físico.
Alguns detalhes importantes sobre as funções vitais e os sinais vitais do corpo
humano, precisam ser compreendidos.
6.2Funções vitais
Algumas funções são vitais, para que o ser humano permaneça vivo.
São vitais as funções exercidas pelo cérebro e pelo coração.
As funções vitais do corpo humano são controladas pelo Sistema Nervoso
Central, que é estruturado por células muito especializadas, organizadas em alto
grau de complexidade estrutural e funcional. Estas células são muito sensíveis à
falta de oxigênio, cuja ausência provoca alterações funcionais. Conforme será
advertido outras vezes nesta apostila, chamamos a atenção para que se perceba
que:
O prolongamento da hipóxia (falta de ar) cerebral determina a morte do
Sistema Nervoso Central, e com isso, a falência generalizada de todos os
mecanismos da vida, em um tempo de aproximadamente três minutos.
Para poder determinar em nível de primeiro socorro, como leigo, o
funcionamento satisfatório dos controles centrais dos mecanismos da vida, é
necessário compreender os sinais indicadores, chamados de sinais vitais.
6.3Sinais Vitais
Sinais vitais são aqueles que indicam a existência de vida. São reflexos ou
indícios, que permitem concluir sobre o estado geral de uma pessoa. Os sinais sobre
o funcionamento do corpo humano, que devem ser compreendidos e conhecidos
são:
● Temperatura;
● Pulso;
● Respiração;
● Pressão arterial.
Os sinais vitais podem ser facilmente percebidos, deduzindo-se assim, que na
ausência deles, existem alterações nas funções vitais do corpo.
6.3.1 Temperatura corporal
A temperatura corporal é a medida do calor do corpo: é o equilíbrio entre o
calor produzido e o calor perdido.
Nosso corpo tem uma temperatura média normal, que varia de 35,9 a 37,2 ºC.
A avaliação da temperatura é uma das maneiras de identificar o estado de uma
pessoa, pois em algumas emergências, a temperatura muda muito.
Abaixo será apresentada a variação de temperatura do corpo, de acordo com
o estado térmico e a temperatura.
● Subnormal – 34 a 36° C;
● Normal – 36 a 37° C;
● Estado febril – 37 a 38° C;
● Febre – 38 a 39° C;
● Febre alta (pirexia) – 39 a 40° C;
● Febre muito alta (hiperpirexia) – 40 a 41° C.
Verificação da temperatura
Oral ou bucal – Temperatura média varia de 36,2 a 37º C. O termômetro
deve ficar por cerca de três minutos, sob a língua, com o paciente sentado; semi-
sentado (reclinado) ou deitado.
Não se verifica a temperatura de vítimas inconscientes; crianças depois de
ingerirem líquidos (frios ou quentes); após a extração dentária ou inflamação na
cavidade oral.
Axilar – Temperatura média varia de 36 a 36,8º C. A via axilar é a mais sujeita
a fatores externos. O termômetro deve ser mantido sob a axila seca, por 3 a 5
minutos, com o acidentado sentado; semi-sentado (reclinado) ou deitado. Não se
verifica temperatura em vítimas de queimaduras no tórax; processos inflamatórios na
axila ou fratura dos membros superiores.
O acidentado com febre muito alta e prolongada, pode ter lesão cerebral
irreversível. A temperatura corporal abaixo do normal, pode acontecer após
depressão de função circulatória ou choque.
Perda de calor
O corpo humano perde calor, através de vários processos, que podem ser
classificados da seguinte maneira:
 Eliminação - fezes, urina, saliva, respiração;
 Evaporação - a evaporação pela pele (perda passiva), associada à
eliminação, permitirá a perda de calor em elevadas temperaturas;
 Condução - é a troca de calor entre o sangue e o ambiente. Quanto
maior é a quantidade de sangue que circula sob a pele, maior é a troca de calor com
o meio. O aumento da circulação, explica o avermelhamento da pele (hiperemia)
quando estamos com febre.
Febre
A febre é a elevação da temperatura do corpo acima da média normal. Ela
ocorre quando a produção de calor do corpo excede a perda.
Tumores; infecções; acidentes vasculares ou traumatismos, podem afetar
diretamente o hipotálamo, e com isso, perturbar o mecanismo de regulagem de calor
do corpo. Portanto, a febre deve ser vista, também, como um sinal que o organismo
emite. Um sinal de defesa.
Devemos lembrar que pessoas imunodeprimidas podem ter infecções graves
e não apresentar febre.
A vítima de febre apresenta a seguinte sintomatologia:
● Inapetência (perda de apetite);
● Mal estar;
● Pulso rápido;
● Sudorese;
● Temperatura acima de 40 graus Celsius;
● Respiração rápida;
● Hiperemia da pele;
● Calafrios;
● Cefaleia (dor de cabeça).
Primeiros socorros para febre
Aplicar compressas úmidas na testa; cabeça; pescoço; axilas e virilhas (que
são as áreas por onde passam os grandes vasos sanguíneos). Encaminhar a vítima
com febre para atendimento médico.
Devemos salientar que os primeiros socorros, em casos febris, só devem ser
feitos em temperaturas muito altas (acima de 40°C), por dois motivos já vistos. A
febre é defesa orgânica (é o organismo se defendendo de alguma causa) e o
tratamento da febre deve ser de suas causas.
6.3.2 Pulso
A alteração na frequência do pulso, denuncia alteração na quantidade de fluxo
sanguíneo.
As causas fisiológicas que aumentam os batimentos do pulso podem ser:
digestão; exercícios físicos; banho frio; estado de excitação emocional; e qualquer
estado de reatividade do organismo.
No desmaio/síncope, as pulsações diminuem.
Através do pulso ou das pulsações do sangue dentro do corpo, é possível
avaliar se a circulação e o funcionamento do coração estão normais ou não. Pode-
se sentir o pulso com facilidade, tomando-se os seguintes cuidados:
● Procurar acomodar o braço do acidentado em posição relaxada;
● Usar o dedo indicador, médio e anular sobre a artéria escolhida para sentir o
pulso, fazendo uma leve pressão sobre qualquer um dos pontos, onde se
pode verificar mais facilmente o pulso de uma pessoa;
● Não usar o polegar para não correr o risco de sentir suas próprias pulsações;
● Contar no relógio as pulsações, num período de 60 segundos. Neste período,
deve-se procurar observar a regularidade, a tensão, o volume e a frequência
do pulso;
● Existem no corpo, vários locais onde se pode sentir os pulsos da corrente
sanguínea.
A variação de frequência varia de acordo com a idade. A seguir serão
descritas as médias normais:
● Lactentes: 110 a 130 bpm (batimentos por minuto);
● Abaixo de 7 anos: 80 a 120 bpm;
● Acima de 7 anos: 70 a 90 bpm;
● Puberdade: 80 a 85 bpm;
● Homem: 60 a 70 bpm;
● Mulher: 65 a 80 bpm;
● Acima dos 60 anos: 60 a 70 bpm.
6.3.3 Respiração
A respiração é uma das funções essenciais à vida. É através dela que o corpo
promove, permanentemente, o suprimento de oxigênio necessário ao organismo,
vital para a manutenção da vida.
A frequência da respiração é contada pela quantidade de vezes que uma
pessoa realiza os movimentos combinados de inspiração e expiração em um minuto.
Para se verificar a frequência da respiração, conta-se o número de vezes que uma
pessoa realiza os movimentos respiratórios: 01 inspiração + 01 expiração = 01
movimento respiratório.
A contagem pode ser feita, observando-se a elevação do tórax, se o
acidentado for mulher, ou do abdome se for homem ou criança. Pode ser feita ainda,
contando-se as saídas de ar quente pelas narinas.
A frequência média por minuto dos movimentos respiratórios, varia com a
idade, se levarmos em consideração uma pessoa em estado normal de saúde. Por
exemplo: um adulto possui um valor médio respiratório de 14 - 20 respirações por
minuto (no homem); 16 - 22 respirações por minuto (na mulher); enquanto uma
criança, nos primeiros meses de vida, 40 - 50 respirações por minuto.
Fatores fisiopatológicos podem alterar a necessidade de oxigênio ou a
concentração de gás carbônico no sangue. Isto contribui para a diminuição ou o
aumento da frequência dos movimentos respiratórios. A nível fisiológico, os
exercícios físicos; as emoções fortes e banhos frios, tendem a aumentar a
frequência respiratória. Em contrapartida, o banho quente e o sono, a diminuem.
Algumas doenças cardíacas e nervosas, e o coma diabético, aumentam a
frequência respiratória. Como exemplo de fatores patológicos que diminuem a
frequência respiratória, podemos citar o uso de drogas depressoras.
Os procedimentos a serem observados e os primeiros socorros, em casos de
parada respiratória serão estudados a frente.
6.3.4 Pressão Arterial
A pressão arterial é a pressão do sangue, que depende da força de contração
do coração; do grau de distensibilidade do sistema arterial; da quantidade de sangue
e sua viscosidade.
Não é recomendável a instrução a leigos da medição da pressão arterial com
o aparelho, para não induzir a diagnósticos não autorizados após a leitura.
6.4Sinais de Apoio
Além dos sinais vitais do funcionamento do corpo humano, existem outros que
devem ser observados, para obtenção de mais informações sobre o estado de
saúde de uma pessoa. São os sinais de apoio, sinais que o corpo emite em função
do estado de funcionamento dos órgãos vitais.
Os sinais de apoio podem ser alterados em casos de hemorragia; parada
cardíaca; ou uma forte batida na cabeça, por exemplo. Os sinais de apoio tornam-se
cada vez mais evidentes, com o agravamento do estado do acidentado. Os
principais sinais de apoio são:
● Dilatação e reatividade das pupilas;
● Cor e umidade da pele;
● Estado de consciência;
● Motilidade e sensibilidade do corpo.
6.4.1 Dilatação e reatividade das pupilas
A pupila é uma abertura no centro da íris, a parte colorida do olho. A sua
função principal é controlar a entrada de luz no olho. Com pouca ou quase nenhuma
luz, a pupila se dilata, fica aberta. Quando a pupila está totalmente dilatada, é sinal
de que o cérebro não está recebendo oxigênio, exceto no uso de colírios midriáticos
ou certos envenenamentos. A dilatação e reatividade das pupilas são um sinal de
apoio importante.
Muitas alterações do organismo provocam reações nas pupilas, como por
exemplo, iminência de estado de choque; parada cardíaca; intoxicação; abuso de
drogas; colírios midriáticos ou miótico; traumatismo crâneo-encefálico e condições
de stress. Tensão e medo também provocam consideráveis alterações nas pupilas.
Devemos observar as pupilas de uma pessoa contra a luz de uma fonte
lateral, de preferência, com o ambiente escurecido. Se não for possível, deve-se
olhar as pupilas contra a luz ambiente.
6.4.2 Cor e umidade da pele
A cor e a umidade da pele são também sinais de apoio muito útil no
reconhecimento do estado geral de um acidentado. Uma pessoa pode apresentar a
pele pálida, cianosada (azulada) ou hiperemiada (avermelhada e quente).
A cor e a umidade da pele devem ser observadas na face e nas extremidades
dos membros, onde as alterações se manifestam primeiro. A pele pode também ficar
úmida e pegajosa. Pode-se observar melhor estas alterações no antebraço e na
barriga.
A seguir serão apresentadas algumas alterações orgânicas que provocam
modificações na cor e umidade da pele.
COR E UMIDADE DA PELE
Alteração Ocorrência
Cianose (pele azulada) Exposição ao frio, parada cardiorrespiratória,
estado de choque, morte.
Palidez Hemorragia, parada cardiorrespiratória,
exposição ao frio, extrema tensão emocional,
estado de choque.
Hiperemia (pele vermelha e
quente)
Febre, exposição a ambientes quentes,
ingestão de bebidas alcoólicas, queimaduras de
primeiro grau, traumatismo.
Pele fria e viscosa ou úmida e
pegajosa
Estado de choque.
Pele amarela Icterícia, hipercarotenemia.
6.4.3 Estado de consciência
Este é outro sinal de apoio importante. A consciência plena é o estado em que
uma pessoa mantém um nível de lucidez, que lhe permite perceber normalmente o
ambiente que a cerca, com todos os sentidos saudáveis, respondendo aos estímulos
sensoriais.
Quando se encontra um acidentado, capaz de informar com clareza sobre o
seu estado físico, pode-se dizer que esta pessoa está perfeitamente consciente. Há,
no entanto, situações em que uma pessoa pode apresentar sinais de apreensão
excessiva; olhar assustado; face contraída e medo.
Esta pessoa, certamente não estará em seu pleno estado de consciência.
Uma pessoa pode estar inconsciente por desmaio; estado de choque; estado
de coma; convulsão; parada cardíaca; parada respiratória; alcoolismo; intoxicação
por drogas; e uma série de outras circunstâncias de saúde e lesão.
Na síncope e no desmaio, há uma súbita e breve perda de consciência e
diminuição do tônus muscular. Já o estado de coma, é caracterizado por uma perda
de consciência mais prolongada e profunda, podendo o acidentado, deixar de
apresentar, gradativamente, reação aos estímulos dolorosos e perda dos reflexos.
6.4.4 Motilidade e sensibilidade do corpo
Qualquer pessoa consciente, que apresente dificuldade ou incapacidade de
sentir ou movimentar determinadas partes do corpo, está, obviamente, fora de seu
estado normal de saúde. A capacidade de mover e sentir partes do corpo é um sinal
que pode dar muitas informações.
Quando há incapacidade de uma pessoa consciente realizar certos
movimentos, pode-se suspeitar de uma paralisia da área que deveria ser
movimentada.
A incapacidade de mover um membro superior, depois de um
acidente, pode indicar lesão do nervo do membro. A incapacidade de movimento nos
membros inferiores, pode indicar uma lesão da medula espinhal.
O desvio da comissura labial (canto da boca), pode indicar lesão cerebral ou
de nervo periférico (facial). Pede-se à vítima que sorria. Sua boca sorrirá torta, só de
um lado.
Quando um acidentado perde o movimento voluntário de alguma parte do
corpo, geralmente também perde a sensibilidade no local. Muitas vezes, porém, o
movimento existe, mas o acidentado reclama de dormência e formigamento nas
extremidades. É muito importante o reconhecimento destas duas situações, como
um indício de que há lesão na medula espinhal.
É importante, também, nestes casos, tomar muito cuidado com o manuseio e
transporte do acidentado, para evitar o agravamento da lesão.
Convém ainda lembrar, que o acidentado de histeria; alcoolismo agudo ou
intoxicação por drogas, mesmo que sofra acidente traumático, pode não sentir dor
por várias horas.
A verificação rápida e precisa dos sinais vitais e dos sinais de apoio, é uma
chave importante para o desempenho de primeiros socorros. O reconhecimento
destes sinais dá suporte; rapidez e agilidade no atendimento e salvamento de vidas.
7 Asfixia
7.1Introdução
A asfixia pode ser definida como sendo uma parada respiratória, com o
coração ainda funcionando.
É causada por certos tipos de traumatismos, como aqueles que atingem a
cabeça; a boca; o pescoço; o tórax; por fumaça no decurso de um incêndio; por
afogamento; em soterramentos; dentre outros acidentes, ocasionando dificuldade
respiratória, levando à parada respiratória.
A identificação da dificuldade respiratória pela respiração arquejante nas
vítimas inconscientes; pela falta de ar de que se queixam os conscientes; ou ainda,
pela cianose acentuada do rosto, dos lábios e das extremidades (dedos), servirá de
guia para o socorro à vítima.
7.2Causa
● Bloqueio da passagem de ar: pode acontecer nos casos de afogamento,
secreções e espasmos da laringe, estrangulamento, soterramento e bloqueio
do ar causado por ossos, alimentos ou qualquer corpo estranho na garganta;
● Insuficiência de oxigênio no ar: pode ocorrer em altitudes, onde o oxigênio
é insuficiente, em compartimentos não ventilados, nos incêndios em
compartimentos fechados, e por contaminação do ar por gases tóxicos
(principalmente emanações de motores e fumaça densa);
● Impossibilidade do sangue em transportar oxigênio;
● Paralisia do centro respiratório no cérebro: pode ser causada por choque
elétrico, venenos, doenças, (AVC), ferimentos na cabeça ou no aparelho
respiratório, por ingestão de grande quantidade de álcool, ou de substâncias
anestésicas, psicotrópicos e tranquilizantes;
● Compressão do corpo: pode ser causada por forte pressão externa (por
exemplo, traumatismo torácico) nos músculos respiratórios.
ATENÇÃO
➢ O sinal mais importante dessa situação é a dilatação das pupilas.
➢ Se as funções respiratórias não forem restabelecidas dentro de 3 a 4 minutos,
as atividades cerebrais cessarão totalmente, ocasionando a morte. O oxigênio
é vital para o cérebro.
7.3Primeiros Socorros
● A primeira conduta é favorecer a passagem do ar, através da boca e das
narinas;
● Afastar a causa;
● Verificar se o acidentado está consciente;
● Desapertar as roupas do acidentado, principalmente em volta do pescoço,
peito e cintura;
● Retirar qualquer objeto da boca ou da garganta do acidentado, para abrir e
manter desobstruída a passagem de ar;
● Para assegurar que o acidentado inconsciente continue respirando, coloque-o
na posição lateral de segurança;
● Iniciar a respiração de socorro (conforme será relatado a frente), tão logo
tenha sido o acidentado, colocado na posição correta. Lembrar que cada
segundo é importante para a vida do acidentado;
● Repetir a respiração de socorro, tantas vezes quanto necessário, até que o
acidentado dê entrada em local, onde possa receber assistência adequada.
● Manter o acidentado aquecido, para prevenir o choque;
● Não dar líquidos enquanto o acidentado estiver inconsciente;
● Não deixar o acidentado sentar ou levantar. O acidentado deve permanecer
deitado, mesmo depois de ter recuperado a respiração;
● Não dar bebidas alcoólicas ao acidentado. Dar chá ou café para beber, logo
que volte a si;
● Continuar observando cuidadosamente o acidentado, para evitar que a
respiração cesse novamente;
● Não deslocar o acidentado, até que sua respiração volte ao normal;
● Remover o acidentado, somente deitado, mas só em caso de extrema
necessidade;
● Solicitar socorro especializado, mesmo que o acidentado esteja recuperado.
7.4Manobra de Heimlich
A manobra de Heimlich é uma técnica de primeiros socorros para asfixia ou
sufocação, que deve ser realizada quando a vítima estiver engasgada, a fim de
retirar um pedaço de alimento, ou qualquer outro objeto da traqueia, facilitando a
passagem de ar para os pulmões e evitando o sufocamento. A técnica consiste em:
1. Segurar a vítima engasgada por trás (em pé);
2. Fechar uma das mãos, com o punho bem fechado e o polegar de fora;
3. Colocar a outra mão aberta sobre o punho fechado;
4. Empurrar o punho com firmeza e força para dentro e para cima 5
vezes;
5. Avaliar se o alimento ou objeto já saiu e se a vítima respira.
Se a vítima continuar não respirando, fazer a manobra de Heimlich quantas
vezes forem necessárias.
A manobra de Heimlich pode salvar a vida da pessoa que está engasgada,
porque o sufocamento pode ser fatal.
Atenção: Esses procedimentos devem ser executados por pessoas treinadas.
8 Ressuscitação Cardiopulmonar
8.1Introdução
Socorristas leigos sem treinamento, devem fornecer ressuscitação
cardiopulmonar, somente com as mãos, com ou sem orientação de uma atendente,
para adultos, vítimas de parada cardiorrespiratória. O socorrista deve continuar a
ressuscitação cardiopulmonar, somente com compressões, até a chegada de um
Desfibrilador Externo Automático ou de um socorrista com treinamento adicional, ou
até que os profissionais do serviço médico de emergência, assumam o cuidado da
vítima ou que a vítima comece a se mover.
Todos os socorristas leigos devem, no mínimo, aplicar compressões torácicas
em vítimas de parada cardiorrespiratória, numa frequência de no mínimo 100 vezes
por. Além disso, se o socorrista leigo treinado, puder realizar ventilações de resgate,
as compressões e as ventilações, devem ser aplicadas na proporção de 30
compressões para cada 2 ventilações.
9 Estado de Choque
9.1Introdução
O estado de choque se dá, quando há mal funcionamento entre o coração;
vasos sanguíneos (artérias ou veias) e o sangue, instalando-se um desequilíbrio no
organismo.
O choque é uma grave emergência médica. O correto atendimento, exige
ação rápida e imediata. Vários fatores predispõem ao choque. Com a finalidade de
facilitar a análise dos mecanismos, considera-se, especialmente para estudo, o
choque hipovolêmico, por ter a vantagem de apresentar uma sequência bem
definida. Há vários tipos de choque:
Choque hipovolêmico: é o choque que ocorre devido a redução do volume
intravascular, por causa da perda de sangue; de plasma ou de água, perdida em
diarreia e vômito;
Choque cardiogênico: ocorre na incapacidade de o coração bombear um
volume de sangue que seja suficiente para atender às necessidades metabólicas
dos tecidos;
Choque septicêmico: pode ocorrer devido a uma infecção sistêmica;
Choque anafilático: é uma reação de hipersensibilidade sistêmica, que
ocorre quando um indivíduo é exposto a uma substância, a qual é extremamente
alérgico;
Choque neurogênico: decorre da redução do tônus vasomotor normal, por
distúrbio da função nervosa. Este choque pode ser causado, por exemplo, por
transecção da medula espinhal, ou pelo uso de medicamentos, como bloqueadores
ganglionares ou depressores do sistema nervoso central.
O reconhecimento da ameaça de choque, é importante para o salvamento da
vítima, ainda que pouco possamos fazer para reverter a síndrome. Muitas vezes é
difícil este reconhecimento, mas podemos notar algumas situações predisponentes
ao choque e adotar condutas para evitá-lo ou retardá-lo. De uma maneira geral, a
prevenção é consideravelmente mais eficaz do que o tratamento do estado de
choque.
O choque pode ser provocado por várias causas, especialmente as de origem
traumática. Devemos ficar sempre atentos a possibilidade de choques, pois a grande
maioria dos acidentes e afecções abordadas nesta apostila, pode gerar choque,
caso não sejam atendidos corretamente.
9.2Causas
● Hemorragias intensas (internas ou externas);
● Infarto;
● Taquicardias;
● Bradicardias (baixa frequência nos batimentos cardíacos);
● Queimaduras graves;
● Processos inflamatórios do coração;
● Traumatismos do crânio e traumatismos graves de tórax e abdômen;
● Envenenamentos;
● Afogamentos;
● Choque elétrico;
● Picadas de animais peçonhentos;
● Exposição a extremos de calor e frio;
● Septicemia.
No ambiente de trabalho, todas as causas citadas podem ocorrer, merecendo
especial atenção, os acidentes graves com hemorragias extensas, como perda de
substâncias orgânicas em prensas, moinhos, extrusoras; ou por choque elétrico; ou
por envenenamentos por produtos químicos; ou por exposição a temperaturas
extremas.
9.3Sintomas
A vítima de estado de choque ou na iminência de entrar em choque,
apresenta, geralmente, os seguintes sintomas:
● Pele pálida, úmida, pegajosa e fria;
● Cianose (arroxeamento) de extremidades: orelhas, lábios e pontas dos dedos;
● Suor intenso na testa e palmas das mãos;
● Fraqueza geral;
● Pulso rápido e fraco;
● Sensação de frio, pele fria e calafrios;
● Respiração rápida, curta, irregular ou muito difícil;
● Expressão de ansiedade ou olhar indiferente e profundo, com pupilas
dilatadas;
● Agitação;
● Medo (ansiedade);
● Sede intensa;
● Visão nublada;
● Náuseas e vômitos;
● Respostas insatisfatórias a estímulos externos;
● Perda total ou parcial de consciência;
● Taquicardia.
9.4Prevenção do Choque
Algumas providências podem ser tomadas para evitar o estado de choque.
Mas, infelizmente, não há muitos procedimentos de primeiros socorros a serem
tomados para tirar a vítima do choque.
Existem algumas providências que devem ser memorizadas, com a finalidade
permanente de prevenir o agravamento e retardar a instalação do estado de choque.
DEITAR A VÍTIMA: a vítima deve ser deitada de costas. Afrouxar as roupas da
vítima no pescoço; peito e cintura e, em seguida, verificar se há presença de prótese
dentária, objetos ou alimento na boca e os retirar.
Os membros inferiores devem ficar elevados em relação ao corpo. Isto pode
ser feito, colocando-os sobre uma almofada; cobertor dobrado ou qualquer outro
objeto. Este procedimento deve ser feito apenas se não houver fraturas desses
membros, pois serve para melhorar o retorno sanguíneo e levar o máximo de
oxigênio ao cérebro.
Não erguer os membros inferiores da vítima a mais de 30 cm do solo. No
caso de ferimentos no tórax, que dificultem a respiração, ou de ferimento na cabeça,
os membros inferiores não devem ser elevados.
No caso de a vítima estar inconsciente, ou se estiver consciente, mas
sangrando pela boca ou nariz, deitá-la na posição lateral de segurança (PLS), para
evitar asfixia.
RESPIRAÇÃO: verificar, quase que simultaneamente, se a vítima respira.
Deve-se estar preparado para iniciar a respiração boca a boca, caso a vítima pare
de respirar.
PULSO: enquanto as providências já indicadas são executadas, observar o
pulso da vítima. No choque, o pulso da vítima apresenta-se rápido e fraco.
CONFORTO: dependendo do estado geral e da existência ou não de fratura,
a vítima deverá ser deitada, da melhor maneira possível. Isso significa observar se
ela não está sentindo frio e perdendo calor. Se for preciso, a vítima deve ser
agasalhada com cobertor ou algo semelhante, como uma lona ou casacos.
TRANQUILIZAR A VÍTIMA: se o socorro médico estiver demorando,
tranquilizar a vítima, mantendo-a calma, sem demonstrar apreensão quanto ao seu
estado. Permanecer em vigilância junto à vítima, para dar-lhe segurança e para
monitorar alterações em seu estado físico e de consciência.
10 Emergências Clínicas
10.1 Introdução
A importância das emergências clínicas é facilmente reconhecida, na medida
em que se consideram as frequências com que causam óbito ou incapacidade, as
dificuldades que existem para preveni-las e o grande potencial de recuperação,
quando são convenientemente atendidas.
Neste módulo, abordaremos as emergências clínicas mais comuns e que
podem ser atendidas com sucesso, por uma pessoa que venha a prestar os
primeiros socorros.
10.2 Infarto ou Ataque Cardíaco
É um quadro clínico, consequente à deficiência do fluxo sanguíneo na região
do coração.
As principais causas são a arteriosclerose, a embolia coronariana e espasmo
arterial coronário, tendo como complicação, a parada cardíaca por fibrilação
ventricular (parada em fibrilação) e até mesmo o óbito.
10.2.1 Sintomas
● A maioria das vítimas de infarto agudo do miocárdio, apresenta dor torácica.
Esta dor é descrita classicamente com as seguintes características:
a) dor angustiante e insuportável na região precordial (subesternal),
retroesternal e face anterior do tórax;
b) compressão no peito e angústia, constrição;
c) duração maior que 30 minutos;
d) a dor não diminui com repouso;
e) irradiação no sentido da mandíbula e membros superiores,
particularmente do membro superior esquerdo, eventualmente para o
estômago (epigástrio);
● A grande maioria das vítimas apresenta alguma forma de arritmia cardíaca;
● Palpitação, vertigem e desmaio;
● Deve-se atender as vítimas com quadro de desmaio, como prováveis
portadoras de infarto agudo do miocárdio, especialmente se apresentarem dor
ou desconforto torácico antes ou depois do desmaio;
● Sudorese profusa (suor intenso), palidez e náusea. Podem estar presentes
vômitos e diarreia;
● A vítima apresenta-se, muitas vezes, estressada, com sensação de morte
iminente;
● Quando há complicação pulmonar, a vítima apresenta edema pulmonar,
caracterizado por dispneia (alteração nos movimentos respiratórios) e
expectoração rosada;
● Choque cardiogênico.
10.2.2 Primeiros socorros
Muitas vezes, a dor que procede a um ataque cardíaco, pode ser confundida,
por exemplo, com a dor de uma indigestão. É preciso estar atento para este tipo de
falso alarme, sendo os seguintes os primeiros socorros:
● Procurar socorro médico ou um hospital com urgência;
● Não movimentar muito a vítima. O movimento ativa as emoções e faz com
que o coração seja mais solicitado;
● Observar com precisão os sinais vitais;
● Manter a pessoa deitada, em repouso absoluto, na posição mais confortável,
em ambiente calmo e ventilado;
● Obter um breve relato da vítima ou de testemunhas, sobre detalhes dos
acontecimentos;
● Tranquilizar a vítima, procurando inspirar-lhe confiança e segurança;
● Afrouxar as roupas;
● Evitar a ingestão de líquidos ou alimentos;
● No caso de parada cardíaca, aplicar as técnicas de ressuscitação
cardiorrespiratória;
● Ver se a vítima traz nos bolsos, remédios de urgência. Aplicar os
medicamentos segundo as bulas, desde que a vítima esteja consciente, como
vasodilatadores coronarianos e comprimidos sublinguais.
A confirmação da suspeita de quadro clínico de um infarto agudo do
miocárdio, só ocorre com a utilização de exames complementares, do tipo
eletrocardiograma (ECG) e exames sanguíneos (transaminase, etc.), que deverão
ser feitos no local do atendimento especializado.
10.3 Insolação
É causada pela ação direta e prolongada dos raios de sol sobre o indivíduo.
Sintomas
Surgem lentamente:
● Cefaleia (dor de cabeça);
● Tonteira;
● Náusea;
● Pele quente e seca (não há suor);
● Pulso rápido;
● Temperatura elevada;
● Distúrbios visuais;
● Confusão.
Surgem bruscamente:
● Respiração rápida e difícil;
● Palidez (às vezes desmaio);
● Temperatura do corpo elevada;
● Extremidades arroxeadas;
● Eventualmente pode ocorrer coma.
9.4.1 Primeiros Socorros
● O objetivo inicial é baixar a temperatura corporal, lenta e gradativamente;
● Remover o acidentado para um local fresco, à sombra e ventilado;
● Remover o máximo de peças de roupa do acidentado;
● Se estiver consciente, deverá ser mantido em repouso e recostado (cabeça
elevada);
● Pode-se oferecer bastante água fria ou gelada, ou qualquer líquido não
alcoólico para ser bebido;
● Se possível, deve-se borrifar água fria em todo o corpo do acidentado,
delicadamente;
● Podem ser aplicadas compressas de água fria na testa, pescoço, axilas e
virilhas. Tão logo seja possível, o acidentado deverá ser imerso em banho frio
ou envolto em panos ou roupas encharcadas.
Atenção especial deverá ser dada à observação dos sinais vitais. Se ocorrer
parada respiratória, deve-se proceder à respiração artificial, associada à massagem
cardíaca externa, caso necessário.
10.4 Exaustão pelo Calor
A exaustão pelo calor é outro tipo de reação sistêmica à prolongada
exposição do organismo à temperaturas elevadas, que ocorre devido à eliminação
de sódio, desidratação, ou combinação de ambas.
O trabalhador que exerce a sua atividade em ambientes, cuja temperatura é
alta, está sujeito a uma série de alterações em seu organismo, com graves
consequências à sua saúde. Estes ambientes, geralmente são locais onde existem
fornos; autoclaves; forjas; caldeiras; fundições; etc.
10.4.1 Sintomas
Quando a origem dos sintomas for devida, predominantemente à perda de
água, o acidentado reclama de sede intensa; fraqueza e acentuados sintomas
nervosos, que podem incluir falta de coordenação muscular; distúrbios psicológicos;
hipertermia; delírio e coma. Se a falência circulatória sobrevier, a situação pode
progredir rapidamente para golpe de calor.
O acidente pode ocorrer, devido à perda de sódio, em pessoas não
aclimatadas a altas temperaturas, que irão apresentar sintomas sistêmicos de
exaustão pelo calor. Esta situação, ocorre quando a sudorese térmica é resposta por
ingestão adequada de água, mas não de sal. O acidentado, geralmente, reclama de
câimbra muscular, associada à fraqueza; cansaço; náusea; vômito; calafrios;
respiração superficial e irregular. O acidentado não demonstra estar sedento. Pode
se observar palidez; taquicardia e hipotensão.
10.4.2 Primeiros Socorros
● Remover o acidentado para um local fresco e ventilado, longe da fonte de
calor;
● Deve ser colocado em repouso, recostado;
● Afrouxar as roupas do acidentado;
● Oferecer líquido em pequenas quantidades, repetidas vezes, se possível com
uma pitada de sal. Se o acidentado não conseguir tomar líquidos oralmente,
não insistir, para não piorar suas condições;
● Providenciar para que o acidentado, neste caso, tenha atendimento
especializado, pois a ele terá de ser administrado solução salina fisiológica ou
glicose isotônica, por via intravenosa.
Observar os sinais vitais, para a necessidade de ressuscitação
cardiorrespiratória, e remoção para atendimento especializado, se os primeiros
socorros não melhorarem o estado geral do acidentado.
10.5 Cãibras de Calor
As cãibras de calor ocorrem, principalmente, devido à diminuição de sal do
organismo.
10.5.1 Sintomas
Vítimas de cãibras apresentam contrações musculares involuntárias, fortes e
muito dolorosas. Ocorrem nos músculos do abdômen e nas extremidades.
A pele fica úmida e fria. Nestes casos, a temperatura do corpo estará normal
ou ligeiramente baixa. Há hemoconcentração e baixo nível de sódio no organismo.
10.5.2 Primeiros Socorros
● A vítima de cãibras deve ser colocada em repouso, confortavelmente, em
local fresco e arejado;
● Pode-se tentar massagear, suavemente, os músculos atingidos, para
promover alívio localizado;
● Pode-se dar à vítima, água com uma pitada de sal, que muitas vezes faz o
acidentado melhorar quase que imediatamente;
● Pode-se oferecer alimento salgado.
Dependendo da gravidade do ataque, a vítima precisará ser mantida em
repouso por vários dias.
10.6 Desmaio
É a perda súbita, temporária e repentina da consciência, devido à diminuição
de sangue e oxigênio no cérebro. É causada geralmente por hipoglicemia; cansaço
excessivo; fome; nervosismo intenso; emoções súbitas; susto; acidentes,
principalmente os que envolvem perda sanguínea; dor intensa; prolongada
permanência em pé; mudança súbita de posição (de deitado para em pé); ambientes
fechados e quentes; disritmias cardíacas (bradicardia); entre outras.
10.6.1 Sintomas
● Fraqueza;
● Suor frio abundante;
● Náusea ou ânsia de vômito;
● Palidez intensa;
● Pulso fraco;
● Pressão arterial baixa;
● Respiração lenta;
● Extremidades frias;
● Tontura;
● Escurecimento da visão;
● Devido à perda da consciência, o acidentado cai.
10.6.2 Primeiros Socorros
A. Se a pessoa apenas começou a desfalecer:
● Sentá-la em uma cadeira, ou outro local semelhante;
● Curvá-la para frente;
● Baixar a cabeça do acidentado, colocando-a entre as pernas e pressionar a
cabeça para baixo;
● Manter a cabeça mais baixa que os joelhos;
● Fazê-la respirar profundamente, até que passe o mal-estar.
B. Havendo o desmaio:
● Manter o acidentado deitado, colocando sua cabeça e ombros em posição
mais baixa em relação ao resto do corpo;
● Afrouxar a sua roupa;
● Manter o ambiente arejado;
● Se houver vômito, lateralizar-lhe a cabeça, para evitar sufocamento;
● Depois que o acidentado se recuperar, pode ser dado ao mesmo, café, chá ou
mesmo água com açúcar;
● Não se deve dar jamais bebida alcoólica.
10.7 Convulsão
É uma contração violenta, ou uma série de contrações dos músculos
voluntários, com ou sem perda de consciência.
Nos ambientes de trabalho, podemos encontrar esta afecção em indivíduos
com histórico anterior de convulsão ou em qualquer indivíduo de qualquer função.
De modo específico, podemos encontrar trabalhadores com convulsão, quando
expostos a agentes químicos de poder convulsígeno, tais como, os inseticidas
clorados e o óxido de etileno.
As principais causas da convulsão é a febre muito alta, devido a processos
inflamatórios e infecciosos, ou degenerativos; hipoglicemia; alcalose; erro no
metabolismo de aminoácidos; hipocalcemia; traumatismo na cabeça; hemorragia
intracraniana; edema cerebral; tumores; intoxicações por gases, álcool ou drogas
alucinatórias; insulina; dentre outros agentes e devido a epilepsia, ou outras doenças
do Sistema Nervoso Central.
10.7.1 Sintomas
● Inconsciência;
● Queda desamparada, onde a vítima é incapaz de fazer qualquer esforço para
evitar danos físicos a si própria;
● Olhar vago, fixo e/ou revirar dos olhos;
● Suor;
● Midríase (pupila dilatada);
● Lábios cianosados;
● Espumar pela boca;
● Morder a língua e/ou lábios;
● Corpo rígido e contração do rosto;
● Palidez intensa;
● Movimentos involuntários e desordenados;
● Perda de urina e/ou fezes (relaxamento esfincteriano).
Geralmente, os movimentos incontroláveis duram de 2 a 4 minutos, tornando-
se, então, menos violentos e o acidentado vai se recuperando gradativamente. Estes
acessos podem variar na sua gravidade e duração.
Depois da recuperação da convulsão há perda da memória, que se recupera
mais tarde.
10.7.2 Primeiros socorros
● Tentar evitar que a vítima caia desamparadamente, cuidando para que a
cabeça não sofra traumatismo e procurando deitá-la no chão com cuidado,
acomodando-a;
● Retirar da boca: próteses dentárias móveis (pontes, dentaduras) e eventuais
detritos;
● Remover qualquer objeto com que a vítima possa se machucar e afastá-la de
locais e ambientes potencialmente perigosos, como por exemplo: escadas;
portas de vidro; janelas; fogo; eletricidade; máquinas em funcionamento;
● Não interferir nos movimentos convulsivos, mas assegurar-se que a vítima
não está se machucando;
● Afrouxar as roupas da vítima no pescoço e cintura;
● Virar o rosto da vítima para o lado, evitando assim a asfixia por vômitos ou
secreções;
● Não colocar nenhum objeto rígido entre os dentes da vítima;
● Tentar introduzir um pano ou lenço enrolado entre os dentes, para evitar
mordedura da língua;
● Não jogar água fria no rosto da vítima;
● Quando passar a convulsão, manter a vítima deitada, até que ela tenha plena
consciência e autocontrole;
● Se a pessoa demonstrar vontade de dormir, deve-se ajudar a tornar isso
possível;
● Contatar o atendimento especializado do SAMU, pela necessidade de
diagnóstico e tratamentos precisos.
No caso de se propiciar meios para que a vítima durma, mesmo que seja no
chão, no local de trabalho, a melhor posição para mantê-la é deitada na Posição
Lateral de Segurança – PLS.
Devemos fazer uma inspeção no estado geral da vítima, a fim de verificar se
está ferida e sangrando. Conforme o resultado desta inspeção, devemos proceder,
no sentido de tratar as consequências do ataque convulsivo, cuidando dos
ferimentos e contusões.
É conduta de socorro bem prestado, permanecer junto à vítima, até que ela se
recupere totalmente. Devemos conversar com a vítima, demonstrando atenção e
cuidado com o caso, e informá-la onde está e com quem está, para dar-lhe
segurança e tranquilidade. Pode ser muito útil, saber da vítima, se ela é epiléptica.
Em qualquer caso de ataque convulsivo, a vítima deve ser encaminhada ao
centro clínico, mesmo que ela tenha consciência de seu estado e procure
demonstrar a impertinência dessa atitude. A obtenção ou encaminhamento para o
centro clínico, deve ser com a maior rapidez, especialmente se a vítima tiver um
segundo ataque; se as convulsões durarem mais que 5 minutos ou se a vítima for
mulher grávida.
10.8 Choque Elétrico
São abalos musculares causados pela passagem de corrente elétrica pelo
corpo humano. As alterações provocadas no organismo humano pela corrente
elétrica, dependem, principalmente, de sua intensidade, isto é, da amperagem.
Dependendo da intensidade dessa corrente, pode causar um simples
formigamento, uma queimadura de 3° grau ou até mesmo a morte.
Em condições habituais, correntes de 100 a 150 Volts, já são perigosas, e
acima de 500 Volts, são mortais.
De acordo com os valores aproximados, as consequências causadas por um
choque elétrico podem ser:
● 1 mA a 10 mA: sensação de formigamento;
● 10 mA a 20 mA: sensação de formigamento, acompanhada de fortes dores;
● 20 mA a 100 mA: convulsões e parada respiratória;
● 100 mA a 200 mA: fibrilação;
● Acima de 200 mA: queimaduras, parada cardíaca e óbito.
10.8.1 Causas principais
Nos ambientes de trabalho, encontramos este acidente, quando há falta de
segurança nas instalações e equipamentos, como: fios descascados; falta de
aterramento elétrico; parte elétrica de um motor que, por defeito, está em contato
com sua carcaça; etc.
Estas condições, geralmente encontramos por imprudência; indisciplina;
ignorância ou acidentes; etc.
Observação: corrente alternada – tetanização com tempo de exposição;
corrente contínua – contração muscular brusca, com projeção da vítima, podendo
ocorrer traumatismo grave.
10.8.2 Sintomas
● Mal estar geral;
● Sensação de angústia;
● Náusea;
● Cãibras musculares de extremidades;
● Parestesias (dormência, formigamento);
● Ardência ou insensibilidade da pele;
● Escotomas cintilantes (visão de pontos luminosos);
● Cefaleia;
● Vertigem;
● Arritmias (ritmo irregular) cardíacas (alteração do ritmo cardíaco);
● Falta de ar (dispneia).
Principais Complicações:
● Parada cardíaca;
● Parada respiratória;
● Queimaduras;
● Traumatismo (de crânio, ruptura de órgãos internos, etc.);
● Óbito.
10.8.3 Primeiros socorros
Antes de socorrer a vítima, cortar a corrente elétrica, desligando a chave geral
de força, retirando os fusíveis da instalação ou puxando o fio da tomada (desde que
esteja encapado).
Se o item anterior não for possível, tentar afastar a vítima da fonte de energia,
utilizando luvas de borracha grossa ou materiais isolantes, e que estejam secos
(cabo de vassoura, tapete de borracha, jornal dobrado, pano grosso dobrado, corda,
etc.), afastando a vítima do fio ou aparelho elétrico, bem como:
● Não tocar na vítima, até que ela esteja separada da corrente elétrica ou que
esta seja interrompida;
● Se o choque for leve, seguir os itens do capítulo "Estado de Choque";
● Em caso de parada cardiorrespiratória, iniciar imediatamente as manobras de
ressuscitação;
● Insistir nas manobras de ressuscitação, mesmo que a vítima não esteja se
recuperando, até a chegada do atendimento especializado;
● Depois de obtida a ressuscitação cardiorrespiratória, deve ser feito um exame
geral da vítima, para localizar possíveis queimaduras, fraturas ou lesões, que
possam ter ocorrido, no caso de queda durante o acidente;
● Deve-se atender primeiro a hemorragias, fraturas e queimaduras, nesta
ordem.
10.8.4 Eletrocussão
Eletrocussão é o termo designado para caracterizar uma morte provocada por
choque elétrico. Tensão superior a 600 volts já é o suficiente para causar o óbito. A
presença de água, no cenário do choque, aumenta potencialmente a sua
intensidade, devido às propriedades condutoras de eletricidade que a água possui.
A eletrocussão pode provocar a morte imediata; perda prolongada dos
sentidos; convulsões e queimaduras no ponto de contato. É preciso tomar muito
cuidado na hora de tentar socorrer a vítima. Tocá-la é extremamente perigoso.
Mesmo em situações de extrema emergência, o mais seguro é:
● Pegar com um objeto de plástico, pois conduz pouca eletricidade;
● Afastá-lo imediatamente do objeto que está provocando o choque;
● Verificar os sinais vitais da vítima;
● Caso a vítima se encontre em processo de parada cardiorrespiratória, deve-se
retirar os eventuais objetos, como dentaduras, óculos e outros;
● Exponha o tórax da pessoa;
● Se possível, faça o procedimento para a reanimação, colocando sobre o
tórax, as duas mãos sobrepostas, fazendo compressões seguidas com até 5
cm de profundidade, até a chegada do socorro médico.
11 Emergências Traumáticas
11.1 Introdução
Uma emergência traumática é toda a intervenção onde há um trauma, como,
traumatismos; fraturas; mordeduras de animais; queimaduras; e até mesmo,
amputações.
Segundo o manual do SAMU, o trauma é a lesão corporal, resultante da
exposição da energia (mecânica, térmica, elétrica, química ou radiação), que
interagiu com o corpo, em quantidade acima da suportada fisiologicamente. O
trauma pode ser intencional ou não intencional, e varia de leve a grave.
Um trauma pode ser classificado como:
● Trauma fechado: é o trauma em que não ocorre a ruptura da pele;
● Trauma aberto: é caracterizado pela ruptura da pele, devido ao impacto
no local.
11.2 Avaliação da Vítima de Trauma
Avaliar a vítima de trauma, consiste em examinar o paciente, em diferentes
formas, seguindo os critérios: via aérea com controle da coluna cervical;
ventilação/respiração; circulação e estado neurológico.
11.2.1 Via aérea com controle da coluna cervical
Antes do socorrista iniciar a avaliação da permeabilidade da via aérea da
vítima de trauma, ele precisa impedir os movimentos do pescoço.
A via aérea (espaço para respiração = boca) precisa estar livre de coágulos de
sangue; vômitos; restos de alimentos; e outros corpos estranhos, como fragmentos
dentários; próteses; etc. Se estes estiverem presentes, devem ser retirados.
Se a vítima está falando, a via aérea está liberada. Notar que a vítima não
deve ingerir líquidos ou qualquer alimento. Já se a vítima não está respondendo,
verificar novamente a via aérea e ver se há objeto visível que precisa ser removido.
11.2.2 Respiração
Após checar a via aérea, verifique a respiração da vítima e se o tórax ou
abdômen se eleva e retorna a sua posição. Observe a qualidade e a frequência da
respiração, se está muito rápida, lenta ou se não respira.
11.2.3 Circulação
Sempre procure por sinais de hemorragia externa, caso encontre, faça
pressão forte sobre o local que está sangrando e mantenha, até a chegada do
serviço especializado ou transporte até a emergência.
Deve ser estancado qualquer sangramento visível que ameace a vida, sempre
observando a coloração da pele:
● Pele rosada e aquecida = sem grande perda sanguínea;
● Pele pálida, com suor frio = pode significar grande perda sanguínea.
Se o sangramento não for contido apenas com a compressão direta no local
do ferimento, poderá ser elevado o membro afetado, e, se possível, aplicar pressão
no vaso anterior a lesão, mantendo a compressão direta no local.
12 Ferimentos
12.1 Introdução
É muito comum ocorrer ferimentos em acidentes de trabalho. Por este motivo,
é de fundamental importância, a utilização dos Equipamentos de Proteção Individual
e Coletivas, conforme indica as atividades realizadas, sendo de fundamental
importância, o treinamento correto, quanto a utilização dos mesmos.
Ferimentos são lesões que surgem, sempre que existe um traumatismo, seja
de que proporção for, desde pequeno corte ou escoriação, até violentos acidentes,
com politraumatismo e complicações.
Todos os ferimentos, logo que ocorrem:
● Causam dor;
● Originam sangramentos; e
● São vulneráveis.
Os ferimentos são lesões que rompem a continuidade dos tecidos e provocam
o rompimento da pele ou não e, conforme seu tipo e profundidade, rompimento das
camadas de gordura e músculos.
Os ferimentos podem ser classificados como abertos ou fechados.
12.2 Ferimentos Fechados
São os ferimentos onde não existe solução de continuidade da pele. A pele se
mantém íntegra, podendo ser classificados em:
● Contusão: é a lesão por objeto contundente, que danifica o tecido subcutâneo
subjacente, sem romper a pele;
● Hematoma: é o extravasamento de sangue no subcutâneo, com aumento de
volume, pela ruptura de veias e arteríolas, consequência de uma contusão.
Quando localizado no couro cabeludo, é o hematoma subgaleal;
● Equimose: é o extravasamento de sangue no subcutâneo, sem formação de
volume, consequência da ruptura de capilares.
Estas lesões são as mais frequentes e podem ocorrer nos ambientes de
trabalho, pelos mais diversos motivos, entre os quais: batidas em ferramentas;
escadas; mobiliários; equipamentos; quedas; sendo também frequentes as suas
ocorrências no trajeto residência-trabalho-residência.
Logo após a contusão, o acidentado sente dor. Será mais ou menos intensa,
conforme a inervação da região. Se a batida for muito intensa, a parte central da
área afetada pode apresentar-se indolor pela destruição de filetes nervosos.
12.2.1 Primeiros socorros
As lesões contusas podem ser tratadas de maneira simples, desde que não
apresentem gravidade. Normalmente, bolsa de gelo ou compressa de água gelada,
nas primeiras 24 horas e repouso da parte lesada, são suficientes.
Se persistirem sintomas de dor; edema e hiperemia, pode-se aplicar
compressas de calor úmido. Deve ser procurado auxílio especializado.
As contusões simples, de um modo geral, não apresentam complicações,
nem necessitam de cuidados especiais. Todavia, deve-se ficar alerta para contusões
abdominais, mesmo que não apresentem nenhum sintoma ou sinal, pois poderá ter
havido complicações internas mais graves. Mais adiante trataremos de ferimentos
abdominais.
12.3 Ferimentos Abertos
São os ferimentos que rompem a integridade da pele, expondo tecidos
internos, geralmente com sangramentos. Também são denominados feridas.
Os ferimentos podem ser classificados em:
● Incisos: são provocados por objetos cortantes, têm bordas regulares e causam
sangramentos de vários graus, devido ao seccionamento dos vasos
sanguíneos e danos a tendões, músculos e nervos;
● Contusos ou lacerações: são lesões teciduais de bordas irregulares,
provocados por objetos, através de trauma fechado sob superfícies ósseas,
com o esmagamento dos tecidos. O sangramento deve ser controlado por
compressão direta e aplicação de curativo e bandagens;
● Perfurantes: são lesões causadas por perfurações da pele e dos tecidos
subjacentes por um objeto. O orifício de entrada pode não corresponder à
profundidade da lesão;
● Transfixantes: este tipo de lesão constitui uma variedade de ferida que pode
ser perfurante ou penetrante. O objeto vulnerante é capaz de penetrar e
atravessar os tecidos ou determinado órgão, em toda a sua espessura, saindo
na outra superfície. Pode-se utilizar como exemplo, as feridas causadas por
projétil de arma de fogo, que são feridas perfurocontusas, podendo ser
penetrantes e/ou transfixantes. As feridas transfixantes possuem:
➢ Orifício de entrada: ferida circular ou oval, geralmente pequena, com
bordas trituradas e com orla de detritos deixada pelo projétil (pólvora,
fragmentos de roupas);
➢ Orifício de saída: ferida geralmente maior, com bordas irregulares,
voltadas para fora;
● Penetrante: quando o agente vulnerante atinge uma cavidade natural do
organismo, geralmente tórax ou abdômen. Apresenta formato externo variável,
geralmente linear ou puntiforme;
● Avulsões ou amputações: são lesões onde ocorrem descolamentos da pele
em relação ao tecido subjacente, que pode se manter ligado ao tecido sadio ou
não. Apresentam graus variados de sangramento, geralmente de difícil
controle. A localização mais comum ocorre em mãos e pés. Recomenda-se
colocar o retalho em sua posição normal e efetuar a compressão direta da
área, para controlar o sangramento. Caso a avulsão seja completa, transportar
o retalho ao hospital. A preparação do retalho consiste em lavá-lo com solução
salina, evitando o uso de gelo direto sobre o tecido;
● Escoriações ou abrasões: são produzidas pelo atrito de uma superfície
áspera e dura contra a pele, sendo que somente esta é atingida.
Frequentemente contém partículas de corpo estranho (cinza; graxa; terra; etc.);
● Lacerações: quando o mecanismo de ação é uma pressão ou tração, exercida
sobre o tecido, causando lesões irregulares.
12.3.1 Primeiros Socorros
No atendimento à vítima com ferimentos, deve-se seguir os seguintes passos
e cuidados:
1) Controle do ABC é a prioridade, como em qualquer outra vítima de trauma.
Ferimentos com sangramento importante, exigem controle já no passo C;
2) Avaliação do ferimento, informando-se sobre a natureza e a força do
agente causador, de como ocorreu a lesão e do tempo transcorrido até o
atendimento;
3) Inspeção da área lesada, que deve ser cuidadosa. Pode haver
contaminação, por presença de corpo estranho e lesões associadas. O ferimento
deve ser exposto e, para isto, pode ser necessário cortar as roupas da vítima. Evite
movimentos desnecessários com a mesma;
4) Limpeza da superfície do ferimento para a remoção de corpos estranhos
livres e detritos. Utilizar uma gaze estéril para remoção mecânica delicada e,
algumas vezes, instilação de soro fisiológico, sempre com cautela, sem provocar
atrito. Não perder tempo na tentativa de limpeza geral da lesão, isto será feito no
hospital. Objetos empalados não devem ser removidos, mas sim imobilizados, para
que permaneçam fixos durante o transporte;
5) Proteção da lesão com gaze estéril, que deve ser fixada no local, com
bandagem triangular ou, se não estiver disponível, utilizar atadura de crepe.
13 Amputação de Membros
13.1 Introdução
É a separação de um membro ou estrutura do restante do corpo. Pode ser
causada por diversos tipos de acidentes. Entre os mais comuns estão os com
objetos cortantes (serra elétrica); os acidentes de trânsito (principalmente de moto);
a violência; o choque e o esmagamento.
Nesse tipo de emergência, a rapidez na busca pelo atendimento é um fator
determinante, para conter qualquer tipo de infecção e também para o sucesso da
reimplantação do membro.
13.2 Primeiros Socorros
 Se for preciso limpar o local da amputação, faça isso com um pano
bem limpo e não use nenhuma outra substância;
 Faça a compressão do local com força, com um pano limpo, para
conter o sangue;
 Não se esqueça de recolher a parte amputada. Se a distância até o
hospital não for longa, enrole-a com um pano limpo e coloque-a dentro de uma
sacola plástica limpa;
 Se o socorro for demorar mais de 6 horas, enrole a parte amputada em
um pano limpo, coloque-a em um pacote plástico bem fechado e, sem seguida,
ponha o pacote dentro de outra sacola com gelo;
 Não coloque a parte amputada diretamente no gelo, é necessário
apenas refrigerá-la;
 As amputações podem ocasionar hemorragia e infecção, e levar ao
estado de choque e à morte. Por essa razão, é preciso procurar o socorro rápido,
para evitar a falta de vascularização no local, o que pode ocasionar gangrena;
 O sucesso do reimplante vai depender, principalmente, do tipo de corte
e do tempo decorrido do acidente até o recebimento do socorro apropriado.
13.3 Como prevenir
Tome cuidado ao manusear objetos cortantes e jamais use-os sob efeito de
drogas, álcool ou medicamentos que afetam o sistema nervoso central.
Grande parte das amputações, acontece no ambiente de trabalho. Por isso,
adote medidas de segurança para prevenir acidentes.
14 Lesões Traumato-Ortopédicas
14.1 Introdução
Todo acidentado de lesão traumato-ortopédica, necessita, obrigatoriamente,
de atendimento médico especializado. O sofrimento do acidentado e sua cura,
dependem, basicamente, da proteção correta do membro atingido; do transporte
adequado do acidentado e do atendimento especializado imediato.
14.2 Entorse
São lesões dos ligamentos das articulações, onde estes alongam além de sua
amplitude normal, rompendo-se. Quando ocorre entorse, há uma distensão dos
ligamentos, mas não há o deslocamento completo dos ossos da articulação.
As formas graves produzem perda da estabilidade da articulação, às vezes,
acompanhada por luxação.
As causas mais frequentes da entorse são violências, como puxões ou
rotações, que forçam a articulação. No ambiente de trabalho, a entorse pode ocorrer
em qualquer ramo de atividade.
Uma entorse, geralmente é conhecida por torcedura ou mau jeito.
Os locais onde ocorre mais comumente, são as articulações do tornozelo,
ombro; joelho; punho e dedos.
Após sofrer uma entorse, o indivíduo sente dor intensa ao redor da articulação
atingida; dificuldade de movimentação, que poderá ser maior ou menor, conforme a
contração muscular ao redor da lesão. Os movimentos articulares, cujo exagero
provoca a entorse, são extremamente dolorosos e esta dor aumentará em qualquer
tentativa de se movimentar a articulação afetada.
As distensões são lesões aos músculos ou seus tendões, geralmente são
causadas por hiperextensão ou por contrações violentas. Em casos graves pode
haver ruptura do tendão.
14.2.1 Primeiros socorros
Aplicar gelo ou compressas frias durante as primeiras 24 horas.
Após este tempo, aplicar compressas mornas.
Imobilizar o local como nas fraturas. A imobilização deverá ser feita na
posição que for mais cômoda para o acidentado.
14.2.1.1 Fique atento
Antes de enfaixar uma entorse ou distensão, aplicar bolsa de gelo ou
compressa de água gelada na região afetada, para diminuir o edema e a dor. Caso
haja ferida no local da entorse, agir conforme indicado no item referente a
ferimentos; cobrir com curativo seco e limpo, antes de imobilizar e enfaixar. Ao
enfaixar qualquer membro ou região afetada, deve ser deixada uma parte ou
extremidade à mostra, para observação da normalidade circulatória. As bandagens
devem ser aplicadas com firmeza, mas sem apertar, para prevenir insuficiência
circulatória.
14.3 Luxação
São lesões, em que a extremidade de um dos ossos, que compõe uma
articulação é deslocada de seu lugar. O dano a tecidos moles pode ser muito grave,
afetando vasos sanguíneos; nervos e cápsula articular.
Nas luxações, ocorre o deslocamento e perda de contato total ou parcial dos
ossos que compõe a articulação afetada. Os casos de luxação, ocorrem geralmente,
devido a traumatismos, por golpes indiretos ou movimentos articulares violentos,
mas, às vezes, uma contração muscular é suficiente para causar a luxação.
Dependendo da violência do acidente, poderá ocorrer o rompimento do tecido que
cobre a articulação, com exposição do osso.
As articulações mais atingidas são o ombro; cotovelo; articulação dos dedos e
mandíbula. Nos ambientes de trabalho, a luxação pode se dar em qualquer ramo de
atividade, devido a um movimento brusco.
14.3.1 Sinais e sintomas
Para identificar uma luxação deve-se observar as seguintes características:
● Dor intensa no local afetado (a dor é muito maior que na entorse), geralmente
afetando todo o membro, cuja articulação foi atingida;
● Edema;
● Impotência funcional;
● Deformidade visível na articulação, podendo apresentar um encurtamento ou
alongamento do membro afetado.
14.3.2 Primeiros socorros
O tratamento de uma luxação é atividade exclusiva de pessoal especializado
em atendimento a emergências traumato-ortopédicas. Os primeiros socorros
limitam-se à aplicação de bolsa de gelo, ou compressas frias, no local afetado, e à
imobilização da articulação, preparando o acidentado para o transporte.
A imobilização e enfaixamento das partes afetadas por luxação, devem ser
feitas da mesma forma que se faz para os casos de entorse. A manipulação das
articulações, deve ser feita com extremo cuidado e delicadeza, levando-se em
consideração, inclusive, a dor intensa que o acidentado estará sentindo.
Nos casos de luxações repetitivas, o próprio acidentado, por vezes, já sabe
como reduzir a luxação. Neste caso o socorrista deverá auxiliá-lo.
O acidentado deverá ser mantido em repouso, na posição que lhe for mais
confortável, até a chegada de socorro especializado ou até que possa ser realizado
o transporte adequado para atendimento médico.
14.4 Fraturas
É uma interrupção na continuidade do osso.
Uma fratura ocorre, normalmente, devido à queda; impacto ou movimento
violento, com esforço maior que o osso pode suportar.
As fraturas podem ser classificadas como:
● Fratura fechada ou interna: são as fraturas, nas quais os ossos quebrados
permanecem no interior do membro, sem perfurar a pele. Poderá, entretanto,
romper um vaso sanguíneo ou cortar um nervo;
● Fratura aberta ou exposta: são as fraturas em que os ossos quebrados saem
do lugar, rompendo a pele e deixando exposta uma de suas partes, que pode
ser produzida pelos próprios fragmentos ósseos ou por objetos penetrantes.
Este tipo de fratura pode causar infecções;
● Fratura em fissura: são aquelas em que as bordas ósseas ainda estão muito
próximas, como se fosse uma rachadura ou fenda;
● Fratura em galho verde: é a fratura incompleta, que atravessa apenas uma
parte do osso. São fraturas, geralmente, com pequeno desvio e que não
exigem redução. Quando exigem, é feita com o alinhamento do eixo dos ossos.
Sua ocorrência mais comum é em crianças e nos antebraços (punho);
● Fratura completa: é a fratura na qual o osso sofre descontinuidade total;
● Fratura cominutiva: é a fratura que ocorre com a quebra do osso em três ou
mais fragmentos;
● Fratura impactada: é quando as partes quebradas do osso permanecem
comprimidas entre si, interpenetrando-se;
● Fratura espiral: é quando o traço de fratura encontra-se ao redor e através do
osso. Estas fraturas são decorrentes de lesões que ocorrem com uma torção;
● Fratura oblíqua: é quando o traço de fratura lesa o osso diagonalmente;
● Fratura transversa: é quando o traço de fratura atravessa o osso numa linha
mais ou menos reta.
14.4.1 Primeiros socorros
✓ Observar o estado geral do acidentado, procurando lesões mais graves, com
ferimento e hemorragia;
✓ Acalmar o acidentado, pois ele fica apreensivo e entra em pânico;
✓ Ficar atento para prevenir o choque hipovolêmico;
✓ Controlar eventual hemorragia e cuidar de qualquer ferimento, com curativo,
antes de proceder a imobilização do membro afetado;
✓ Imobilizar o membro, procurando colocá-lo na posição que for menos
dolorosa para o acidentado, o mais naturalmente possível. É importante
salientar que imobilizar significa tirar os movimentos das juntas acima e
abaixo da lesão;
✓ Trabalhar com muita delicadeza e cuidado. Toda atenção é pouca, pois os
menores erros podem gerar sequelas irreversíveis;
✓ Usar talas, caso seja necessário. As talas auxiliarão na sustentação do
membro atingido;
✓ As talas têm que ser de tamanho suficiente para ultrapassar as articulações
acima e abaixo da fratura;
✓ Para improvisar uma tala, pode-se usar qualquer material rígido ou semi-
rígido como: tábua, madeira, papelão, revista enrolada ou jornal grosso
dobrado;
✓ O membro atingido deve ser acolchoado com panos limpos, camadas de
algodão ou gaze, procurando sempre localizar os pontos de pressão e
desconforto;
✓ Prender as talas com ataduras ou tiras de pano, apertá-las o suficiente para
imobilizar a área, com o devido cuidado para não provocar insuficiência
circulatória;
✓ Fixar em pelo menos quatro pontos: acima e abaixo das articulações e acima
e abaixo da fratura;
✓ Sob nenhuma justificativa, deve-se tentar recolocar o osso fraturado de volta
no seu eixo. As manobras de redução de qualquer tipo de fratura, só podem
ser feitas por pessoal médico especializado. Ao imobilizar um membro que
não pôde voltar ao seu lugar natural, não forçar seu retorno;
✓ A imobilização deve ser feita dentro dos limites do conforto e da dor do
acidentado;
✓ Não deslocar, remover ou transportar o acidentado de fratura, antes de ter a
parte afetada imobilizada corretamente. A única exceção a ser feita é para os
casos em que o acidentado corre perigo iminente de vida. Mas, mesmo
nestes casos, é necessário manter a calma, promover uma rápida e precisa
análise da situação, e realizar a remoção provisória, com o máximo de
cuidado possível, atentando para as partes do acidentado.
15 Esmagamentos de Membros
15.1 Introdução
O esmagamento de membros é um tipo de acidente em que o corpo é total ou
parcialmente sujeito a uma forte pressão, que resulta na quebra dos ossos e
esmagamento os órgãos.
Os principais sintomas do esmagamento de membros são:
✓ Arroxeado, vermelhidão, bolhas ou inchaço na parte afetada;
✓ Formigamento e insensibilidade;
✓ Inchaço persistente e enrijecimento do tecido atingido;
✓ Ferimentos abertos e fechados.
Choque:
✓ Os sintomas podem incluir: pele pálida, fria e úmida, tontura, desmaios, visão
turva, náusea, vômitos, sede, ansiedade e agitação.
O que fazer:
✓ Se a vítima estiver presa por mais de 10 minutos, não tente libertá-la;
✓ Se a vítima estiver presa por menos de dez minutos, liberte-a rapidamente e
siga os passos para tratamento de lesões e choque;
✓ Se a vítima estiver inconsciente, coloque-a na posição de recuperação,
depois de libertá-la;
✓ Peça ajuda médica o mais rápido possível. Não se esqueça de dizer ao
médico ou à equipe da ambulância, que a vítima pode ter sofrido lesões de
esmagamento;
✓ Informe-lhes sobre o tempo que a vítima ficou presa;
✓ Cuide das feridas graves o máximo que puder, enquanto a vítima ainda se
achar presa.
Esmagamentos de pequeno porte:
✓ Se dedos, mãos ou pés tiverem ficado esmagados por pouco tempo, coloque
a parte atingida sob uma torneira de água fria;
✓ Peça a um médico que examine a área atingida, para ver se houve fratura.
16 Queimaduras
16.1 Introdução
Queimaduras são lesões provocadas pela temperatura extrema, geralmente
calor, que podem atingir graves proporções de perigo para a vida ou para a
integridade da pessoa, dependendo de sua localização, extensão e grau de
profundidade.
O efeito inicial e local, comum em todas as queimaduras é a desnaturação de
proteínas, com consequente lesão ou morte celular. Por este motivo elas têm o
potencial de desfigurar, causar incapacitações temporárias ou permanentes e até
mesmo a morte.
Todo tipo de queimadura é uma lesão que requer atendimento médico
especializado, imediatamente após a prestação de primeiros socorros, seja qual for
a extensão e profundidade.
Afastar o acidentado da origem da queimadura é o passo inicial e tem
prioridade sobre todos os outros tratamentos. Observar sua segurança pessoal, com
máximo cuidado, durante o atendimento a queimados.
16.2 Profundidade da queimadura
Dependendo da profundidade queimada do corpo, as queimaduras
são classificadas em graus, para melhor compreensão e adoção de medidas
terapêuticas adequadas.
16.2.1 Queimaduras de primeiro grau
As queimaduras de primeiro grau, são queimaduras superficiais,
caracterizadas pela vermelhidão, que clareia quando sofre pressão, e normalmente
há bolha.
16.2.2 Segundo grau
São queimaduras de espessura parcial/superficial e profunda, avermelhadas e
dolorosas, com bolhas, edema abaixo da pele e restos de peles queimadas soltas.
São mais profundas; provocam necrose e visível dilatação do leito vascular. As
queimaduras podem ser:
✓ Superficial: a base da bolha é rósea, úmida e dolorosa;
✓ Profunda: a base da bolha é branca, seca, indolor e menos dolorosa.
16.2.3 Terceiro grau
São queimaduras de espessura total, podendo atingir a exposição dos
tecidos, vasos e ossos. Como há destruição das terminações nervosas, o acidentado
só acusa dor inicial da lesão aguda. São queimaduras de extrema gravidade.
16.2.4 Análise do grau da queimadura
Uma pessoa pode apresentar os três graus de queimaduras, porém, a
gravidade não reside no grau da lesão, e sim na extensão da superfície atingida.
Grau Causa Profundidade Cor Enchimento
Sensação de
dor
1º
Grau
Luz Solar ou
chamuscação
pouco intensa
Epiderme Vermelhidão Presente Dolorosa
2º
Grau
Chamuscação
ou líquidos
ferventes
Epiderme e
Derme
Vermelhidão
e Bolhas
Presente Dolorosa
3º
Grau
Chama Direta
Todas as
Camadas
Branca, preta
ou marrom
Ausente
Pouca dor
anestesiada
Quanto maior a extensão da queimadura, maior é o risco que corre o
acidentado. Uma queimadura de primeiro grau, que abrange uma vasta extensão,
será considerada de muita gravidade, visto que a pele possui diversas funções. Ela
isola o organismo de seu ambiente, controla a temperatura, fornece informações
para o cérebro sobre o meio ambiente. Sendo assim, qualquer lesão na pele
interromperá essas funções.
16.3 Estimativa de Extensão
Para melhor entendermos a avaliação da extensão das queimaduras, é
importante conhecermos a chamada "regra dos nove", um método muito útil para o
cálculo aproximado da área de superfície corporal queimada.
O grau de mortalidade das queimaduras está relacionado com a profundidade
e extensão da lesão e com a idade do acidentado. Queimaduras que atinjam 50% da
superfície do corpo, são geralmente fatais, especialmente em crianças e em pessoas
idosas.
A figura a seguir é adotada, comumente, para calcular e avaliar a extensão
das queimaduras, em função da superfície corporal total, segundo a "regra dos
nove".
O pescoço, que está incluído na região da cabeça, representa 1% da
superfície corporal.
Queimaduras nas seguintes áreas são consideradas lesões graves:
 Mãos e pés podem produzir incapacidade permanente após o processo
de cicatrização, devido às retrações;
 Na face, associa-se com queimaduras de vias aéreas, inalação de
fumaça, intoxicação por monóxido de carbono e desfiguração;
 Nos olhos pode causar cegueira;
 O períneo tem alta incidência de infecção, sendo difícil o tratamento;
 Qualquer queimadura circunferencial profunda, pode causar
complicações graves;
 No pescoço, pode causar obstrução de vias áreas;
 No tórax, pode causar restrição à ventilação pulmonar e nas
extremidades, obstrução à circulação.
16.4 Níveis de Gravidade
Além do grau da profundidade, as queimaduras podem ainda ser classificadas
como graves, moderadas e leves.
16.4.1 Graves
É toda a queimadura, de qualquer grau e extensão, se houver complicação
por lesão do trato respiratório.
Queimadura de terceiro grau na face, mão e pé, e queimadura de segundo
grau, que tenha atingido mais de 30% da superfície corporal.
16.4.2 Moderadas
São as queimaduras de primeiro grau, que tenham atingido mais de 50% da
superfície corporal, ou, queimaduras de segundo grau, que tenham atingido mais de
20% da superfície corporal, sem atingir face, mãos e pés, ou, queimaduras de
terceiro grau, que tenham atingido até 10% da superfície corporal, sem atingir face,
mãos e pés.
16.4.3 Leves
Queimaduras de primeiro grau, com menos de 20% da superfície corporal
atingida e/ou queimaduras de segundo grau, com menos de 15% da superfície
corporal atingida, ou queimaduras de terceiro grau, com menos de 2% da superfície
corporal atingida.
16.5 Primeiros Socorros
As queimaduras podem ocorrer de diferentes formas, sendo as principais, as
queimaduras térmicas, queimaduras químicas, queimaduras por eletricidade,
queimaduras por frio ou geladuras.
16.5.1 Primeiros socorros em queimaduras térmicas
Estes tipos de queimaduras são causados pela condução de calor, através de
líquidos, sólidos, gases quentes e do calor de chamas.
Podem ser extremamente dolorosas, e nos casos de queimaduras de
segundo grau profundas ou de terceiro grau, em que a profundidade da lesão tenha
destruído terminais nervosos da pele, a dor aguda é substituída por insensibilidade.
Nas queimaduras térmicas, extensas e/ou profundas, é frequente sobrevir o
estado de choque, causado pela dor e/ou perda de líquidos, após algumas horas.
Em consequência disto, devem ser tomadas as medidas necessárias para a
prevenção.
Nas queimaduras identificadas como sendo de primeiro grau, deve-se limitar à
lavagem com água corrente, na temperatura ambiente, por um máximo de um
minuto. Este tempo é necessário para o resfriamento local, para interromper a
atuação do agente causador da lesão, aliviar a dor e para evitar o aprofundamento
da queimadura. O resfriamento mais prolongado pode induzir hipotermia.
Não aplicar gelo no local, pois causa vasoconstrição e diminuição da irrigação
sanguínea.
Se o acidentado sentir sede, deve ser-lhe dada toda a água que desejar
beber, porém lentamente. Sendo possível, deve-se adicionar à água sal (uma colher
de café, de sal para meio litro de água).
Se o acidentado estiver inconsciente, não lhe dê água, pois pode ocasionar-
lhe a morte.
Em todos os casos de queimaduras, mesmo as de primeiro grau, é
conveniente ficar atento, para a necessidade de manter o local lesado limpo e
protegido contra infecções.
As queimaduras de segundo grau, requerem outros tipos de cuidados para
primeiros socorros. Além do procedimento imediato de lavagem do local lesado,
proteger o mesmo com compressa de gaze ou pano limpo umedecido, ou papel
alumínio. Não furar as bolhas que venham a surgir no local. Não aplicar pomadas,
cremes ou unguentos de qualquer tipo. Especial menção deverá ser feita quanto a
certos hábitos populares prejudiciais como: uso e aplicação de creme dentifrício,
manteiga, margarina ou graxa de máquina. É preciso ficar bem claro que não se
pode usar qualquer espécie de medicamento tópico (pomadas) nestes casos.
Nada deve ser dado à vítima como medicamento. Remover joias e vestes do
acidentado, para evitar constrição, com o desenvolvimento de edema. Não retirar
roupas ou partes de roupa que tenham grudado no corpo do acidentado, nem retirar
corpos estranhos que tenham ficado na queimadura após a lavagem inicial.
O acidentado deverá ser encaminhado imediatamente para atendimento
especializado. Não transportar o acidentado envolvido em panos úmidos ou
molhados.
O atendimento de primeiros socorros para queimaduras de terceiro grau,
também consiste na lavagem do local lesado e na proteção da lesão.
Se for possível, proteger a área com papel alumínio. O papel alumínio separa,
efetivamente, a lesão do meio externo; diminui a perda de calor; é moldável, não
aderente e protege a queimadura contra microrganismos.
Todas as providências tomadas para prevenção do estado de choque,
administração de líquidos e cuidados gerais com vítima, são as mesmas aplicadas
nos casos de queimaduras de segundo grau. As queimaduras de terceiro grau têm a
mesma gravidade que queimaduras de segundo grau profundas.
O acidentado de queimadura térmica na face, cujo acidente ocorreu em
ambiente fechado, deve ficar em observação, para verificação de sinais de lesão no
trato respiratório. Os sintomas e sinais, muitas vezes, podem aparecer algumas
horas depois da ocorrência e representar oclusão dos brônquios e edema pulmonar.
Pode haver expectoração fuliginosa, com fragmentos de tecidos.
16.5.2 Primeiros socorros em queimaduras químicas, ácidos e bases
Os ácidos ou álcalis fortes, podem queimar qualquer área do organismo com
a qual entrem em contato. Este contato é mais frequente com a pele, boca e olhos,
afetando estes órgãos.
Substâncias químicas podem queimar rapidamente; não há tempo a perder,
porém, a pessoa que estiver atendendo o acidentado, deverá, basicamente, saber
que as tentativas de neutralização química da substância, podem gerar reações
como produção de calor e piora da lesão e que pode se contaminar ao fazer este
atendimento.
A área de contato deve ser lavada imediatamente com água, até mesmo sem
esperar para retirar a roupa. Continuar a lavar a área com água, enquanto a roupa é
removida. A melhor lavagem é feita com o acidentado debaixo de um chuveiro. Pode
também ser feita com uma mangueira, mas, neste caso, a força do jato d’água deve
ser levada em consideração. O jato de água muito forte contra um tecido já lesado,
causará maior lesão. O fluxo de água deve ser abundante, mas não pode ser forte.
É impossível determinar exatamente, por quanto tempo uma área queimada
por substância química deve ser lavada com água. Em geral, a água deve correr por
um período de tempo, longo o suficiente para que possamos ter certeza de que toda
a substância foi removida da pele.
Frequentemente, o acidentado será capaz de dizer se a irritação parou ou se
a dor diminui, na medida em que a substância é removida. O tempo mínimo de 15
minutos, têm se mostrado eficaz.
As lesões das queimaduras ocasionadas por agentes químicos, aparecem
quase que imediatamente após o acidente; há dor e visível destruição dos tecidos.
Os cuidados subsequentes às queimaduras produzidas por ácidos e álcalis
são semelhantes: cobrir a queimadura com curativo esterilizado e transportar o
acidentado imediatamente, para atendimento especializado.
O diagnóstico de queimadura do trato respiratório, por inalação de
substâncias de combustão incompleta (potentes irritantes da mucosa respiratória),
será feito através do histórico de exposição a vapores ou gases tóxicos, em
acidentes em ambientes fechados ou não. Alguns gases provocam distúrbios
sensoriais, que só se manifestam algumas horas após o acidente. Há presença de
hiperemia (vermelhidão) da mucosa nasal e faríngea, rouquidão, dispneia e tosse
com expectoração sanguinolenta. A principal complicação deste tipo de queimadura
é o risco de edema pulmonar, até 72 horas após o acidente. Observa-se que
somente a inalação de vapor destas substâncias, causa lesão térmica direta no trato
respiratório.
Cuidados especiais com os olhos:
 Os olhos devem receber tratamento especial;
 Queimaduras dos olhos são mais comuns em acidentes com
substâncias irritantes (ácidos, álcalis), água quente, vapor, cinzas quentes, pó
explosivo, metal fundido ou chama direta;
 As queimaduras químicas dos olhos são emergência prioritária,
podendo haver lesão permanente, resultante de uma pequena exposição destes
tecidos a uma substância química. O olho deve ser lavado com água, conforme o
prescrito para as outras áreas do corpo, usando-se o fluxo contínuo de uma torneira,
ou, de preferência, do próprio chuveiro lava-olhos, existente em muitos laboratórios.
A lavagem deve durar no mínimo 15 minutos. Podemos ser obrigados a manter a
cabeça do acidentado sob a torneira e as pálpebras abertas durante este tratamento,
porque, geralmente, o acidentado será incapaz de cooperar. Provavelmente sentirá
muita dor e estará agitado;
 O cuidado posterior para as queimaduras oculares, deve incluir o
fechamento delicado do olho com a pálpebra, colocação de um curativo macio e
transporte do paciente, o mais rápido possível, para assistência especializada.
16.5.3 Queimaduras por eletricidade
Estas queimaduras são produzidas pelo contato com eletricidade de alta ou
baixa voltagem. Os principais danos à saúde do acidentado são os provocados pelo
choque elétrico. Os danos resultam dos efeitos diretos da corrente e conversão da
eletricidade em calor, durante a passagem da eletricidade pelos tecidos. São difíceis
de avaliar, pois dependem da profundidade da destruição celular, e mesmo as
lesões que parecem superficiais, podem ter danos profundos, alcançando os ossos,
necrosando tecidos, vasos sanguíneos e provocando hemorragias.
A severidade do trauma, depende do tipo de corrente, magnitude da energia
aplicada, resistência, duração do contato e caminho percorrido pela eletricidade. A
corrente de alta tensão, geralmente causa os danos mais graves, porém, lesões
fatais podem ocorrer mesmo com as baixas voltagens das residências.
A pele é o fator mais importante na resistência à passagem da eletricidade,
mas a umidade reduz muito esta resistência, podendo aumentar, em muito, a
gravidade do choque.
A corrente alternada é mais perigosa que a corrente contínua de mesma
intensidade. O contato com a corrente alternada, pode causar contrações tetânicas
da musculatura esquelética, que impedem que o acidentado se libere da fonte de
eletricidade, e prolongam a duração da exposição à corrente. O fluxo de corrente
transtorácico, mão a mão, tem maior risco de ser fatal que a passagem de corrente
mão para pé ou pé a pé.
A complicação mais importante das queimaduras elétricas é a parada
cardíaca. A lesão local nestas queimaduras, raramente necessita de cuidado
imediato, porém, as paradas respiratórias e cardíacas sim. Geralmente, a parada
respiratória ocorre primeiro e, se não for tratada de imediato, é rapidamente seguida
pela parada cardíaca.
As queimaduras elétricas podem ser mais graves do que aparentam na
observação inicial. Em geral, a ferida é pequena, porém a corrente elétrica destrói
caracteristicamente, uma quantidade considerável de tecido, abaixo do que parece
ser uma ferida cutânea sem gravidade.
A parada cardiorrespiratória é a principal causa de óbito após a lesão elétrica.
A parada respiratória pode ser causada na passagem da corrente elétrica pelo
cérebro, causando inibição da função do centro respiratório, contração tetânica do
diafragma e da musculatura torácica e paralisia prolongada dos músculos
respiratórios.
16.5.3.1 Primeiros socorros
A segurança da cena é prioridade. Não se torne também uma vítima.
Desligar a fonte de energia, antes de tocar no acidentado.
Não tente manipular alta voltagem com pedaços de pau, ou mesmo luvas de
borracha. Qualquer substância pode se transformar em condutor.
É prioridade interromper o contato entre o acidentado e a fonte de
eletricidade.
Cubra o local da queimadura com um curativo seco esterilizado ou papel
alumínio e transporte o acidentado para atendimento especializado. Estas
queimaduras da pele, frequentemente existem em duas áreas do corpo, nos sítios
de entrada e saída, geradas pelo arco elétrico.
Procurar sempre uma segunda área queimada e tratá-la como se fez com a
primeira. As roupas do acidentado podem incendiar-se e causar queimaduras de
pele adicionais. A passagem da corrente através dos músculos, pode causar violenta
contração muscular, com fraturas e luxações.
Pode haver lesão muscular e de nervos. A lesão de órgãos internos, como o
fígado e baço é rara.
As queimaduras elétricas, especialmente aquelas de alta voltagem, podem
provocar parada cardíaca e perda de consciência. Abrir as vias áreas dos
acidentados inconscientes, com manobras manuais, instituindo a respiração artificial.
Solicitar, imediatamente, apoio se o acidentado estiver inconsciente.
Observar cuidados com a coluna cervical.
16.5.4 Queimaduras por frio ou geladuras
O frio também pode causar queimaduras e lesões nas partes do corpo,
expostas por muito tempo a baixas temperaturas ou umidade excessiva.
A exposição a temperaturas no ponto de congelamento ou abaixo deste, ou
mesmo ao frio extremo, ainda que por curto período de tempo, pode causar
geladuras.
Podem ocorrer lesão tecidual local delimitada e resfriamento corporal
generalizado, que pode causar morte (hipotermia).
Na improbabilidade de acidentes graves, devido à exposição ao frio intenso
em nosso país, é conveniente apenas lembrar alguns detalhes importantes:
● Lesões pelo frio dependem da temperatura, da umidade relativa do ar, da
velocidade do vento;
● O uso de roupas adequadas para condições ambientais extremas deverá ser
observado por todos que tenham que trabalhar sob estas circunstâncias. Os
equipamentos de proteção individual, que servem para isolar o frio, podem
causar dificuldades na movimentação, quer para segurar objetos, quer porque
a visão fica prejudicada. As luvas e as botas, com a umidade, podem congelar
as mãos e os pés. Isso pode levar a acidentes de trabalho, como quedas,
quedas de materiais, congelamento das mãos e dos pés, desmaios, etc.
Cremes e óleos protetores para nariz, lábios e face também são usados
nestas condições;
● Dependendo do tipo de exposição ao frio, podem ocorrer as seguintes lesões:
✓ úlceras;
✓ pé-de-trincheira;
✓ hipotermia sistêmica;
● As lesões causadas pelo frio são extremamente dolorosas;
● Deve-se ficar atento para a insuficiência cardiorrespiratória em caso de
hipotermia sistêmica;
● Há risco de infecção grave no descongelamento de uma área lesada;
● A hipotermia é uma gravíssima emergência médica. O atendimento médico
especializado deverá ser prioritário.
16.5.4.1 Primeiros socorros
No caso de congelamento dos pés ou das mãos:
● Levar o acidentado a um local aquecido, mantendo-o deitado;
● Tirar imediatamente os equipamentos de segurança;
● Aquecer as partes congeladas com água quente (não fervente) ou panos
molhados com água quente, realizando massagens delicadas para ativar a
circulação nas partes próximas do membro congelado (nunca massagear
diretamente a parte congelada);
● Dar bebidas quentes, como chá ou café (nunca bebidas alcoólicas);
● Pedir ao acidentado para movimentar os pés ou as mãos, para ajudar na
recuperação da circulação.
No caso de desmaio em ambientes frios:
● Retirar imediatamente o acidentado do ambiente de trabalho;
● Retirar todos os equipamentos de segurança, incluindo a roupa (nunca deixar
o acidentado com as mesmas roupas);
● Cobrir com um cobertor quente, ou dar um banho de água quente;
● Fornecer bebidas quentes, como chá ou café, se estiver consciente (nunca
bebidas alcoólicas);
● Levar imediatamente ao atendimento especializado.
Lembre-se:
Os métodos de prestação de primeiros socorros, começam a ser aplicados,
somente depois de termos realizado as manobras de suporte básico à vida,
hemostasia, prevenção de choque e assistência a outras lesões que possam colocar
em risco a vida do acidentado ou piorar seu estado clínico. Queimaduras podem ser
lesões extremamente dolorosas e com sérias consequências psicológicas,
dependendo de sua localização, extensão e profundidade.
Não demonstrar apreensão. Atuar com calma, rapidez, segurança e bastante
compreensão. A tranquilidade do acidentado é fundamental.
Nunca romper as bolhas.
Não retirar as roupas queimadas que estiverem aderidas à pele.
Não submeter à ação da água, uma queimadura com bolhas rompidas.
Separar a causa do acidentado ou o acidentado da causa.
Cobrir cuidadosamente com um pano limpo as partes queimadas, pois estes
ferimentos são vulneráveis à infecção.
Tomar medidas apropriadas para prevenção do choque.
Ajudar o acidentado a obter atendimento qualificado.
17 Hemorragias: Interna e Externas
17.1 Introdução
Acidentes provocados por quedas ou pancadas, podem provocar cortes ou
ferimentos que, em alguns casos, podem evoluir para uma hemorragia externa ou
interna, dependendo da gravidade.
A hemorragia ocorre quando há uma possível perda de sangue, devido a
ruptura dos vasos sanguíneos.
17.2 Tipos de Hemorragias
Existem dois tipos de hemorragias, sendo elas, interna ou externa.
17.2.1 Hemorragia externa
Fonte: http://www.ergoss.com.br
É o tipo de sangramento exterior ao corpo, ou seja, que é facilmente visível.
Pode ocorrer em camadas superficiais da pele, por cortes ou perfurações, ou
mesmo, atingindo áreas mais profundas, através de aberturas ou orifícios gerados
por traumas. Pode ser contida, utilizando técnicas de primeiros socorros.
17.2.2 Hemorragia interna
A hemorragia interna se dá nas camadas mais profundas do organismo, como
músculos ou mesmo órgãos internos. Ela pode ser oculta ou exteriorizar-se, através
de algum hematoma (mancha arroxeada) na região da hemorragia. A hemorragia
interna costuma ser mais grave, pelo fato de que, na maioria dos casos, ser
“invisível”, o que dificulta sabermos a dimensão e a extensão das lesões.
17.3 Sintomas da Hemorragia
Durante uma hemorragia, a pessoa pode apresentar sintomas como
taquicardia e palidez, e se o atendimento médico demorar muito, podem ocorrer
isquemias temporárias dos tecidos (quando ocorre a falta de suprimento sanguíneo
para outros tecidos do corpo).
Os sintomas da hemorragia aumentam, de acordo com o grau de
sangramento. Por exemplo, no caso da hemorragia grau leve, o paciente apresenta
sintomas como leve aumento da frequência cardíaca. Já no caso da hemorragia
intensa, podem ser notados taquicardia extrema, dificuldades para sentir a pulsação
da pessoa, até a perda total da consciência.
17.4 Primeiros Socorros
Como proceder em casos de hemorragia:
● É necessário manter e transmitir calma diante da situação, passando à vítima
confiança;
● Deite a pessoa em posição horizontal, pois facilita a circulação sanguínea
entre o coração e o cérebro;
● Aplique sobre o corte, perfuração ou ferimento, uma compressa com gaze, ou
um pano limpo (se possível, use luvas descartáveis, a fim de evitar possíveis
contaminações), fazendo uma pressão firme sobre o local, com uma ou com
as duas mãos, ou mesmo com um dedo, ou ainda uma ligadura, dependendo
do tamanho e do local do ferimento;
● Se o pano ou gaze ficar encharcado com sangue, este não deve ser trocado,
mas mantido no lugar e colocado outro por cima, para não interromper o
processo de coagulação do sangue que está sendo contido;
● Continuar a compressão até que a hemorragia estanque (no mínimo 10 min.);
● Em seguida, faça uma ligadura compressiva (que é um curativo bem preso e
com certa pressão sobre a região afetada) no local da hemorragia;
● Durante todo esse processo, deve-se manter a vítima calma e acordada. Não
dar nada para comer ou para beber e mantê-la aquecida;
● Mantenha os procedimentos até a chegada do serviço médico especializado.
Hemorragia na palma da mão, por ser um local que contém muitos vasos
sanguíneos, pode provocar hemorragias abundantes. Dependendo do acidente, por
ser uma situação muito grave, que exige cuidados imediatos ou até socorro em
hospital, seguem os cuidados necessários:
● Orientar que o ferido feche fortemente a mão em um rolo de pano ou
compressas esterilizadas;
● Enfaixar a mão com uma ligadura;
● Posicionar e fixar, com ajudar de um lenço ou outro tecido, o braço da mão
acidentada, de modo a manter a mão ferida sempre levantada.
Em hemorragias nasais (sangramentos no nariz), que é causada pela ruptura
dos vasos sanguíneos da mucosa no nariz:
● Deve-se elevar a cabeça da vítima com o tronco inclinado para frente,
para que ela não acabe engolindo sangue;
● Comprimir as narinas que sangram com os dedos;
● Aplicar gelo ou compressas frias;
● Não assoar;
● Caso o sangramento não cesse, deve-se colocar um tampão, de
algodão ou gaze, de maneira a preencher bem a cavidade nasal.
Nunca deite a vítima de hemorragia nasal ou coloque qualquer substância no
local da hemorragia.
18 Picadas e Ferroadas de Animais
Peçonhentos
18.1 Introdução
Os acidentes com animais peçonhentos, são aqueles causados por animais
que produzem veneno e o secretam, através de estruturas inoculadoras
especializadas, como por exemplo, presas, ferrões e espinhos. Dentre os vários
animais peçonhentos, destacamos algumas espécies de serpentes, escorpiões,
aranhas, abelhas, vespas, lagartas, formigas, entre outros.
Devido a grande exposição dos trabalhadores a picadas e ferroadas de
animais peçonhentos, a FUNDACENTRO, em conjunto com o Instituto Butantan,
publicaram o livro “Prevenção de Acidentes com Animais Peçonhentos”, no ano de
2011.
18.2 Acidentes Causados por Serpentes
Entre os animais peçonhentos mais perigosos estão as serpentes, que podem
levar a sérios acidentes.
De acordo com a quantidade de veneno introduzido, uma picada do animal
poderá levar a morte ou incapacitar o acidentado, quando não socorrido em tempo
hábil e tratado de forma correta, com a aplicação dos soros apropriados. As vítimas
mais comuns são trabalhadores rurais.
18.2.1 Tipos de serpentes
No Brasil, existem mais de 392 espécies de serpentes, conforme segue os
tipos abaixo:
Jararacas
São as serpentes responsáveis por cerca de 90% dos acidentes ofídicos
registrados no país. Também são conhecidas por jararacuçu, urutu, jararaca do rabo
branco, cotiara, caiçaca, surucucurana, patrona, jararaca-pintada, preguiçosa e
outros.
As jararacas são de coloração variada, com padrão de desenhos semelhantes
a um V invertido. O corpo é fino, medindo aproximadamente um metro de
comprimento.
Sintomas:
Dor, inchaço e manchas arroxeadas na região da picada. Pode haver
sangramento no local, e em outras partes do corpo, como nas gengivas, ferimentos
recentes e urina. É possível haver complicações, como infecções e morte do tecido
no local picado, nos casos extremos, os rins podem parar de funcionar.
Surucucu
Responsável por cerca de 1,5% dos acidentes ofídicos registrados no país.
Também é conhecida por surucucu pico de jaca, surucutinga, malha-de fogo e
outros.
É caracterizada por ser a maior das serpentes peçonhentas das Américas. As
escamas da parte final da cauda são arrepiadas, com ponta lisa.
Sintomas:
Os principais sintomas da picada de uma surucucu é dor e inchaço no local,
semelhante a picada da jararaca, podendo haver sangramentos, vômitos, diarreia e
queda da pressão arterial.
Cascavel
É responsável por 8% dos acidentes ofídicos registrados no país. Também é
conhecida por maraboia, boicininga, boiquira, maracá e outros.
Caracterizada pela coloração marrom-amarelada e corpo robusto, medindo
aproximadamente um metro.
Possui fosseta loreal e apresenta caracteristicamente chocalho ou guizo na
cauda. Não tem por hábito atacar e, quando ameaçada, começa a balançar a cauda,
emitindo o ruído do chocalho ou guizo.
Sintomas:
No local da picada não há alterações, a vítima apresenta visão borrada ou
dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento.
Pode haver dor muscular e a urina torna-se escura, algumas horas depois do
acidente.
O risco de afetar os rins é maior do que nos acidentes com jararaca.
Coral
É responsável por cerca de 0,5% dos acidentes ofídicos registrados no país.
Também conhecida por coral verdadeira, ibiboboca, boicorá e outros.
São serpentes de pequeno e médio porte. Seu corpo é coberto por anéis
vermelhos, pretos, brancos ou amarelos, podendo variar de acordo com a região
que a mesma habita.
É importante prestar atenção nas cores da coral, pois existem serpentes não
venenosas, com colorações semelhantes às das corais verdadeiras, que são
conhecidas como falsas corais.
Sintomas:
No local da picada não se observa alteração importante, porém, a vítima
apresenta visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento. Pode
haver aumento na salivação e insuficiência respiratória.
18.2.2 Primeiros socorros
Em caso de picadas de serpentes, algumas medidas devem ser tomadas,
para evitar problemas futuros:
✓ Não amarre o braço ou a perna acidentada. O torniquete ou garrote dificulta a
circulação do sangue, podendo produzir necrose ou gangrena e não impede
que o veneno seja absorvido;
✓ Não se deve cortar o local da picada, alguns venenos podem provocar
hemorragias e o corte aumentará a perda de sangue;
✓ Não adianta chupar o local da picada. É impossível retirar o veneno do corpo,
pois ele entra imediatamente na corrente sanguínea. A sucção pode piorar as
condições do local atingido;
✓ Não coloque folhas, querosene, pó de café, terra, fezes e outras substâncias
no local da picada, pois elas não impedem que o veneno vá para o sangue,
ao contrário, podem provocar uma infecção, assim como os cortes;
✓ Evite que o acidentado beba querosene, álcool e outras substâncias tóxicas
que, além de não neutralizar a ação do veneno, podem causar intoxicação;
✓ Mantenha o acidentado deitado, em repouso, com a parte atingida em posição
mais elevada, evitando que ele ande ou corra;
✓ Retire anéis, pulseiras ou qualquer outro objeto que possa impedir a
circulação do sangue;
✓ Leve imediatamente o acidentado ao serviço de saúde, para que ele receba
soro e atendimento adequados;
✓ O soro, quando indicado, deve ser aplicado o mais breve possível e em
quantidade suficiente, por profissional habilitado. Deve ser específico para a
serpente que o picou. Ex.: o soro antibotrópico para picadas de jararaca não é
eficaz para picadas de cascavel (deve ser o soro anticrotálico) ou de coral,
soro antielapídico.
18.3 Acidentes causados por Aranhas e escorpiões
Considerando a variedade de organismos que pertencem à classe Arachnida
(os aracnídeos), entre as quais, poucas são nocivas ao ser humano, ou seja,
causam dano à saúde humana, é necessário um intenso controle desses pequenos
animais, em razão da síntese de venenos potencialmente prejudiciais, em alguns
casos levando à morte.
18.3.1 Tipos de Aranhas e Escorpiões
As aranhas e os escorpiões, são animais peçonhentos e existe uma grande
variedade desses animais, em especial as aranhas, com cerca de 40 mil espécies
identificadas; e os escorpiões, com aproximadamente 1600 espécies e subespécies
catalogadas.
Aranhas armadeiras
Este tipo de arranha se caracteriza por ter o corpo coberto de pelos curtos, de
coloração marrom-acinzentada, com manchas claras, formando pares no dorso do
abdômen e não constroem teias.
Sintomas:
As picadas de aranhas armadeiras, pode, muitas vezes, gerar dor forte
imediata e intensa, sendo acompanhada de inchaço discreto no local da picada. Nos
casos mais graves, que ocorrem principalmente com crianças, pode haver suor
intenso, enjoos, vômitos, agitação, alteração no batimento cardíaco e choque.
Aranha marrom
É caracterizada por um corpo revestidos de pelos curtos e sedosos, de cor
marrom-esverdeada, com desenho claro, em forma de violino ou estrela, não são
aranhas agressivas, picando apenas quando comprimidas contra o corpo.
Sintomas:
Muitas vezes, a picada não é dolorosa e por isso não é percebida. Horas
depois do acidente, aparece vermelhidão, endurecimento e dor no local, que podem
ser acompanhados de bolhas e escurecimento da pele. Pode correr também febre,
mal-estar, dor de cabeça, vermelhidão no corpo todo e escurecimento da urina.
Viúva negra
Este tipo de aranha é geralmente de cor preta, sem pelos evidentes, de
aspecto liso, com ou sem manchas vermelhas no abdômen, que é bastante redondo.
Algumas espécies têm coloração marrom e no ventre há uma mancha avermelhada,
em forma de ampulheta.
Sintomas:
Após a picada deste animal, a dor é de média intensidade no local da picada,
acompanhada de contrações musculares. Também pode ocorrer agitação, sudorese
e alterações circulatórias. Compressas quentes e anestesia local para alívio da dor,
são suficientes na grande maioria dos casos. No caso de acidentes com viúva
negra, não há soro disponível no Brasil. O acidentado deve ser hospitalizado, para
controle das alterações.
Escorpiões
Os escorpiões apresentam tronco e cauda. Possuem mãos na forma de
pinças. No final da cauda encontra-se o télson, contendo uma bolsa de veneno e o
ferrão, são animais carnívoros, alimentam-se principalmente de insetos, como grilos
e baratas.
Os escorpiões podem ser classificados como:
✓ Escorpião Amarelo;
✓ Escorpião Preto ou Marrom.
18.3.2 Primeiros socorros
Compressas quentes e anestesia local para alívio da dor, são suficientes na
grande maioria dos casos.
O soro antiaracnídico e antiescorpiônico, somente são utilizados, se houver
grandes manifestações.
18.4 Acidentes causados por Lagartas Venenosas
São também conhecidas por vários nomes, conforme a região: taturana,
mandarová, oruga, ruga, sauí, lagarta de fogo, chapéu-armado, taturana-gatinho,
taturana-de-flanela, entre outros.
As taturanas ou lagartas, são formas larvais de borboletas e mariposas.
A reação imediata após o contato é de ardência ou queimação, com inchaço
local. Nos acidentes por Lonomia oblíqua, pode ocorrer hemorragia após algumas
horas (gengivas, urina). Também podem haver problemas com o funcionamento dos
rins (insuficiência renal) e sangramento grave.
Já o contato com a lagarta Pararama, apresenta-se, inicialmente, o quadro
inflamatório no local, semelhante ao causado por outras espécies de lagarta. Uma
maior exposição, pode levar a artrites crônicas deformantes. Como atingem
predominantemente as mãos, a deformidade nos dedos pode impossibilitar o
trabalho.
18.4.1 Primeiros socorros
Recomenda-se fazer compressas frias e anestesia local para alívio da dor.
Porém, deve-se, imediatamente, encaminhar a vítima para o atendimento médico.
18.5 Acidentes causados por Abelhas, Vespas e Formigas
As abelhas, vespas, formigas e os marimbondos, são bastantes conhecidos e
úteis na polinização, na produção de mel e de outros produtos. O maior problema
está ligado as ferroadas, ou mordidas, que acontecem quando molestados. Os
acidentes ocorrem devido a presença de um ferrão com a glândula de veneno que,
introduzida na pele, libera substâncias tóxicas.
Abelhas e mamangavas: são insetos sociais de pequeno porte, que vivem
em colmeias. Possuem colorido escuro, e às vezes listrado, com pelos ramificados
ou plumosos, principalmente na região da cabeça e do tórax e o seu ferrão localiza-
se na extremidade do corpo, que fica na pele da pessoa que foi ferroada.
Vespas e marimbondos: se diferenciam das abelhas, principalmente pelo
estreitamento entre o tórax e o abdome. Ao contrário das abelhas, não deixam ferrão
na pele da pessoa ferroada.
Formigas: são insetos agressivos, que atacam em grande número se o
formigueiro for perfurado. As formigas saúva são capazes de produzir cortes na pele
humana.
18.5.1 Sintomas
Na maioria das pessoas ocorre apenas dor, inchaço, vermelhidão e coceira no
local da ferroada. Porém, deve-se levar em conta que algumas pessoas são
alérgicas. Nestes casos podem ocorrer obstrução das vias aéreas e choque
anafilático, levando a pessoa a morte, mesmo com uma única ferroada.
Nos casos de múltiplas ferroadas, em geral acima de cem, desenvolve-se um
quadro tóxico generalizado, denominado síndrome de envenenamento, com
aumento de batidas do coração e da pressão sanguínea, distúrbio de coagulação e
alterações cardíacas.
As formigas tocandira, podem ocasionar dor intensa e, eventualmente,
reações generalizadas (sistêmicas), como calafrios, sudorese e taquicardia. Já a
ferroada pela formiga-correição é menos dolorosa.
18.5.2 Primeiros socorros
Após a picada, devem ser feitas compressas frias no local. Pode ser
necessária a aplicação de outros medicamentos e, nos casos mais graves, cuidados
de terapia intensiva. Por isso, é necessário o rápido encaminhamento a um serviço
médico.
Nas ferroadas de abelhas, a remoção do ferrão deve ser feita com uma
lâmina esterilizada rente a pele, para evitar que haja compressão da glândula de
veneno contida no ferrão. Não utilizar pinças.
19 Intoxicação ou Envenenamento
19.1 Introdução
Numerosas substâncias químicas e partículas sólidas, originadas nas
atividades comercial, agrícola, industrial e laboratorial, são potencialmente tóxicas
para o homem. Intoxicações ou envenenamentos, podem ocorrer por negligência ou
ignorância no manuseio de substâncias tóxicas, especialmente no ambiente de
trabalho. A presença de substâncias tóxicas, estranhas ao organismo, pode levar a
graves alterações de um ou mais sistemas fisiológicos.
19.2 Substâncias comuns nas intoxicações
Devemos conhecer os tipos de substâncias tóxicas manipuladas no nosso
ambiente de trabalho, bem como os antídotos para estas substâncias. Apesar da
extensa variedade de substâncias tóxicas, que provocam diferentes reações, em
diversos sistemas do organismo, o ambiente de trabalho laboratorial é
particularmente propício à existência de alguns agentes tóxicos.
As poeiras são partículas sólidas de tamanhos variados, produzidas pelo
manuseio e impacto mecânico de equipamentos, máquinas e ferramentas, contra
materiais orgânicos e inorgânicos.
As poeiras flutuam no ar e podem ser inaladas ou entrar em contato com as
mucosas. Dependendo de sua origem, podem provocar lesões de diferentes
gravidades, para quem as aspire ou com elas entre em contato.
A fumaça é uma mistura de gases, vapores e partículas, derivadas do
aquecimento e queima de substâncias. A agressão causada pela fumaça, varia de
acordo com a sua composição, com o agente gerador da fumaça, e, muitas vezes,
com sua temperatura.
Os fumos são partículas microscópicas, produzidas pela condensação de
metais fundidos. A respiração se torna também uma via de intoxicação.
As névoas e neblinas, são gotículas que ficam em suspensão, a partir da
condensação de vapores, que podem ser tóxicos ao serem respirados. Podem ser
provocadas pela nebulização, espumejamento ou atomização de substâncias
químicas orgânicas.
Os vapores são formas gasosas de compostos químicos que, na temperatura
e pressão ambiente, apresentam-se em outro estado físico.
Os vapores se formam a partir do aumento da temperatura ou pela diminuição
da pressão de compostos químicos. São formas físicas que se difundem muito
rapidamente e com facilidade em qualquer ambiente.
Os gases são fluídos sem forma própria, que se espalham com muita
facilidade por todo o ambiente que os contém. São geralmente invisíveis e, quase
sempre, inodoros.
O indivíduo também pode ingerir substâncias tóxicas como:
● Produtos de limpeza;
● Remédios - sedativos e hipnóticos;
● Plantas venenosas;
● Alucinógenos e narcóticos;
● Bebidas alcoólicas;
● Inseticidas, raticidas, formicidas;
● Soda cáustica;
● Derivados de petróleo;
● Ácidos, álcalis, fenóis;
● Alimentos estragados ou que sofreram contaminação química.
No ambiente de trabalho, encontraremos muitas destas formas físicas e
químicas que podem, por vezes, provocar intoxicações ou envenenamento.
19.3 Sintomas
Como suspeitar de envenenamento
Deve-se suspeitar da existência de envenenamento na presença dos
seguintes sinais e sintomas:
Sinais evidentes, na boca ou na pele, de que a vítima tenha mastigado, engolido,
aspirado ou estado em contato com substâncias tóxicas, elaboradas pelo homem
ou animais.
Hálito com odor estranho (cheiro do agente causal no hálito).
Modificação na coloração dos lábios e interior da boca, dependendo do agente
causal.
Dor, sensação de queimação na boca, garganta ou estômago.
Sonolência, confusão mental, torpor ou outras alterações de consciência.
Estado de coma alternado com períodos de alucinações e delírio.
Vômitos.
Lesões cutâneas, queimaduras intensas, com limites bem definidos ou bolhas.
Depressão da função respiratória.
Diminuição ou ausência de volume urinário.
Queda de temperatura, que se mantém abaixo do normal.
Evidências de estado de choque eminente.
Paralisia.
Quadro: Suspeitas de envenenamento.
Fonte: Fiocruz, 2015
19.4 Primeiros Socorros
19.4.1 Inalação
● Isolar a área;
● Identificar o tipo de agente que está presente no local onde foi encontrado o
acidentado;
● Quem for realizar o resgate, deverá utilizar equipamentos de proteção
próprios para cada situação, a fim de proteger a si mesmo;
● Remover o acidentado, o mais rapidamente possível, para um local bem
ventilado;
● Solicite atendimento especializado;
● Verificar rapidamente os sinais vitais. Aplicar técnicas de ressuscitação
cardiorrespiratória, se for necessária. Não faça respiração boca-a-boca, caso
o acidentado tenha inalado o produto. Para estes casos, utilize máscara ou
outro sistema de respiração adequada;
● Manter o acidentado imóvel, aquecido e sob observação. Os efeitos podem
não ser imediatos.
Observação:
Estes procedimentos só devem ser aplicados, se houver absoluta certeza, de
que a área onde se encontra, juntamente com o acidentado, está inteiramente
segura.
É importante deixar esclarecido o fato de que a presença de fumaça, gases
ou vapores, ainda que pouco tóxicos, em ambientes fechados, pode ter
consequências fatais, porque estes agentes se expandem muito rapidamente e
tomam o espaço do oxigênio presente, provocando asfixia.
19.4.2 Contato com a pele
Algumas substâncias podem causar irritação ou destruição tecidual, através
do contato com a pele, mucosas ou olhos.
Além de poeiras, fumaça ou vapores, pode ocorrer contato tóxico
com ácidos, álcalis e outros compostos. O contato com estes agentes
pode provocar inflamação ou queimaduras químicas nas áreas afetadas.
A substância irritante ou corrosiva, deverá ser removida o mais
rapidamente possível. O local afetado deverá ser lavado com água corrente, pura,
abundantemente. Se as roupas e calçados do acidentado estiverem contaminados, a
remoção destas deverá ser feita sob o mesmo fluxo de água da lavagem, para
auxiliar na rápida remoção do agente, e estes deverão ser isolados.
Não fazer a neutralização química da substância tóxica. A lavagem da pele e
mucosa afetada, com água corrente, tem demonstrado ser a mais valiosa prevenção
contra lesões.
Em caso de contato com gases liquefeitos, aqueça a parte afetada com água
morna.
19.4.3 Ingestão
Muitas intoxicações ocorrem pela ingestão de agentes tóxicos, líquidos ou
sólidos. O grau de intoxicação varia com a toxicidade da substância e com a dose
ingerida.
Ao confirmar que houve ingestão de substância tóxica ou venenosa, verificar
imediatamente os sinais vitais e assegurar de que a vítima respira. Proceder
segundo a técnica, para os casos de parada cardiorrespiratória.
Como primeiros socorros deve-se:
● Dar prioridade à parada cardiorrespiratória. Não faça respiração boca-a-boca,
caso o acidentado tenha ingerido o produto, para estes casos utilize máscara
ou outro sistema de respiração adequado;
● Identificar o agente, através de frascos próximos do acidentado, para informar
o médico ou procurar ver nos rótulos ou bulas, se existe alguma indicação de
antídotos;
● Observar atentamente o acidentado, pois os efeitos podem não ser imediatos;
● Procurar transportar o acidentado imediatamente a um pronto-socorro, para
diminuir a possibilidade de absorção do veneno pelo organismo, mantendo-o
aquecido.
Não provocar vômito em vítimas inconscientes e nem de envenenamento
pelos seguintes agentes:
• Veneno que provoque queimadura dos lábios, boca e faringe;
• Soda cáustica;
• Alvejantes;
• Tira-ferrugem;
• Água com cal;
• Amônia;
• Desodorante;
• Derivados de petróleo como querosene, gasolina, fluído de isqueiro,
benzina, lustra-móveis;
• Substância corrosiva forte, como: ácidos e lixívia.
O conhecimento dos sinais e sintomas dos envenenamentos mais comuns,
costuma ser de grande valor no diagnóstico. Correlações serão estabelecidas pelo
médico entre o quadro do acidentado e quadros clínicos dos tóxicos suspeitos. Nos
casos duvidosos, a confirmação do agente tóxico tem que se basear na pesquisa
laboratorial.
Em todos os casos de envenenamentos e intoxicações, é importante
investigar toda a área onde o acidentado foi encontrado, na tentativa de identificar,
com a maior precisão possível, o agente causador do envenenamento, ou encontrar
pistas que ajudem nesta identificação.
Muitos indícios são úteis nesta dedução: frascos de remédios, produtos
químicos, materiais de limpeza, bebidas, seringas de injeção, latas de alimentos,
caixas e outros recipientes.
Muitas pessoas supõem que exista um antídoto para a maioria ou a totalidade
dos agentes tóxicos. Infelizmente isto não é verdade. Existem apenas alguns
produtos específicos para certos casos e que, mesmo assim, necessitam de
orientação médica para serem usados.
20 Movimentação e Remoção de Vítima
20.1 Introdução
A remoção ou movimentação de um acidentado, deve ser feita com um
máximo de cuidado, a fim de não agravar as lesões existentes. Antes da remoção da
vítima, devem-se tomar as seguintes providências:
 Se houver suspeita de fraturas no pescoço e nas costas, evite mover a
pessoa;
 Para puxá-la para um local seguro, mova-a de costas, no sentido do
comprimento, com auxílio de um casaco ou cobertor;
 Para erguê-la, você e mais duas pessoas devem apoiar todo o corpo e
colocá-la numa tábua ou maca, lembrando que a maca é o melhor jeito
de se transportar uma vítima. Se precisar improvisar uma maca, use
pedaços de madeira, amarrando cobertores ou paletós;
 Apoie sempre a cabeça, impedindo-a de cair para trás;
 Na presença de hemorragia abundante, a movimentação da vítima
pode levar rapidamente ao estado de choque;
 Se houver parada respiratória, inicie imediatamente a massagem
cardíaca;
 Imobilize todos os pontos suspeitos de fratura;
 Se houver suspeita de fraturas, amarre os pés do acidentado e o erga
em posição horizontal, como um só bloco, levando até a sua maca;
 No caso de pessoa inconsciente, mas sem evidência de fraturas, duas
pessoas bastam para o levantamento e o transporte.
ATENÇÃO
Dê sempre preferência ao atendimento médico especializado.
Movimente o acidentado o menos possível.
O transporte deve ser feito sempre em baixa velocidade, por ser mais seguro
e mais cômodo para a vítima.
21 Telefone Úteis
21.1 Introdução
Há órgãos e departamentos governamentais especializados em atender
situações de emergência, os quais, em toda ocorrência, devem ser acionados, ainda
que os primeiros socorros já estejam sendo realizados. Esse contato explica-se
porque todo caso acidental ou clínico, deve passar por uma avaliação médica, para
excluir possíveis sequelas e também para restabelecer plenamente a vítima.
A seguir, alguns telefones úteis e a atribuição específica de cada instituição,
todos com ligação totalmente gratuita:
21.2 Corpo de bombeiros – 193
Solicitar em casos de emergências, incêndios, acidentes domésticos, de
trânsito, resgate de vítimas, e em situações que não é possível realizar os primeiros
socorros. São encarregados de realizar o transporte das vítimas a uma unidade de
saúde especializada, de acordo com o caso específico.
21.3 Polícia Militar – 190
Responsável por fazer atendimentos prévios, no caso de ser o primeiro
serviço especializado a chegar ao local; manter a ordem do fluxo de trânsito e de
pessoas (curiosos); apurar circunstâncias do acidente e em eventualidades, realizar
o transporte de vítimas.
21.4 SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) –
192
É um serviço específico de atendimentos de urgência, criado por uma portaria
do Ministério da Saúde, e gerido pela Secretaria de Saúde de cada estado ou
município. Realiza um serviço de atendimento às vítimas de acidentes e estados
clínicos que necessitam de acompanhamento, realizando um atendimento prévio no
próprio local ou dentro de ambulâncias, enquanto as vítimas são transportadas a um
hospital ou unidade de saúde mais próximos.
21.5 Polícia Rodoviária Federal – 191
Em casos de acidentes em rodovias mais isoladas de grandes centros, é
recomendável acionar o serviço da PRF, pois é a instituição que, provavelmente,
estará mais próxima da ocorrência, uma vez que é a polícia responsável por zelar
pelo bom fluxo em rodovias nacionais.
21.6 Defesa Civil – 199
É um órgão nacional, responsável por organizar prevenções de acidentes e
desastres naturais ou de grandes proporções e trabalhos de resposta a esses
acontecimentos, como medidas de remoção de famílias em áreas potencialmente de
risco de desmoronamentos, deslizamentos e alagamentos.
21.7 Disque Intoxicação (ANVISA) – 0800-722-6001
É um serviço criado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o
objetivo de esclarecer pessoas e profissionais de saúde quanto às ocorrências,
envolvendo intoxicações dos mais diversos tipos.
22 Referências
22.1 Bibliografia
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. FIOCRUZ. Manual de
primeiros socorros. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2003.
BEGNO, Wanderley. NR11: transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de
materiais: técnicas e aspectos gerais de segurança. Santa Cruz do Rio Pardo. São
Paulo: Viena, 2016.
CHAPLEAU, Will. Manual de emergências. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2011.
Conheça os sistemas. 2016. Disponível em:
<http://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/>. Acesso em: 16 ago. 2016.
Fundação Oswaldo Cruz. Conteúdo da caixa de primeiros socorros. 2016.
Disponível em: <http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/virtual
tour/hipertextos/up2/conteudo_primeiro_socorro.html>. Acesso em: 18 maio 2016.
FUNDACENTRO; BUTANTAN, Instituto. Prevenção de acidentes com animais
peçonhentos. São Paulo: Fundacentro, 2001.
HAFEN, Brent; KARREN, Keith; FRANDSEN, Kathryn. PRIMEIROS SOCORROS PARA
ESTUDANTES. 10.ed. Brasil: Manole, 2014.
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IMAGENS. 2018. Disponível em: <https://pixabay.com/>. Acesso em: 09 abr. 2018.
PORTO ALEGRE - RS. Manual de primeiros socorros para leigos. Porto Alegre:
Núcleo de Educação Permanente. SAMU, 2013.
Sistemas do corpo humano. 2016. Disponível em:
<https://www.todamateria.com.br/sistemas-do-corpo-humano/>. Acesso em: 16 ago.
2016.
SOCIEDADE DE PEDIATRIA DO RS. Rio Grande do Sul. Comitê de Terapia
Intensiva. Orientações para o desenvolvimento saudável de crianças e
adolescentes: Queimaduras, 2017.
Técnica de transporte de vítimas. 2017. Disponível em:
<http://www.inf.furb.br/sias/sos/textos/tecnica_transp_vitima.htm>. Acesso em: 18
out. 2017.
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    Sumário 1. Introdução....................................................................................................................................... 8 2Primeiros Socorros: Importância, Legislação e Conceitos............................................................... 9 2.1 Introdução.............................................................................................................................. 9 2.2 Importância dos Primeiros Socorros ................................................................................. 9 2.3 Conceitos Básicos.............................................................................................................. 10 2.3.1 O que é primeiros socorros? .................................................................................... 10 2.3.2 Socorrista ou socorrista leigo? ................................................................................. 11 2.4 Legislação............................................................................................................................ 11 2.4.1 Lei 2848/40.................................................................................................................. 12 2.4.2 Lei abandono de incapazes...................................................................................... 12 3 Corpo Humano .............................................................................................................................. 13 3.1 Introdução............................................................................................................................ 13 3.2 Constituição do Corpo Humano....................................................................................... 13 3.3 Divisão do Corpo Humano................................................................................................ 14 3.4 Sistemas do Corpo Humano............................................................................................. 15 3.4.1 Cardiovascular ............................................................................................................ 15 3.4.2 Respiratório ................................................................................................................. 16 3.4.3 Digestório..................................................................................................................... 17 3.4.4 Nervoso........................................................................................................................ 18 3.4.5 Sensorial ...................................................................................................................... 19 3.4.6 Endócrino..................................................................................................................... 20 3.4.7 Excretor........................................................................................................................ 20 3.4.8 Urinário......................................................................................................................... 21 3.4.9 Reprodutor................................................................................................................... 21 3.4.10 Esquelético .................................................................................................................. 22 3.4.11 Muscular....................................................................................................................... 23 3.4.12 Imunológico ................................................................................................................. 24 3.4.13 Linfático........................................................................................................................ 25 3.4.14 Tegumentar.................................................................................................................. 26 4 Caixa de Primeiros Socorros...........................................................................................................27
  • 3.
    4.1 Introdução.............................................................................................................................27 5 EtapasBásicas de Primeiros Socorros ........................................................................................... 29 5.1 Introdução............................................................................................................................ 29 5.2 Avaliação da Cena ............................................................................................................. 29 5.2.1 Segurança.................................................................................................................... 30 5.2.2 Cinemática................................................................................................................... 30 5.2.3 Bioproteção.................................................................................................................. 30 5.2.4 Apoio............................................................................................................................. 31 5.3 Avaliação da Vítima............................................................................................................ 31 5.3.1 Cabeça e pescoço...................................................................................................... 32 5.3.2 Coluna Dorsal.............................................................................................................. 32 5.3.3 Tórax e Membros........................................................................................................ 32 5.3.4 Exame do acidentado inconsciente......................................................................... 33 6 Funções, Sinais Vitais e de Apoio.................................................................................................. 34 6.1 Introdução............................................................................................................................ 34 6.2 Funções vitais ..................................................................................................................... 34 6.3 Sinais Vitais ......................................................................................................................... 35 6.3.1 Temperatura corporal................................................................................................. 36 6.3.2 Pulso............................................................................................................................. 38 6.3.3 Respiração................................................................................................................... 39 6.3.4 Pressão Arterial........................................................................................................... 41 6.4 Sinais de Apoio ................................................................................................................... 41 6.4.1 Dilatação e reatividade das pupilas......................................................................... 42 6.4.2 Cor e umidade da pele .............................................................................................. 42 6.4.3 Estado de consciência............................................................................................... 43 6.4.4 Motilidade e sensibilidade do corpo......................................................................... 44 7 Asfixia .............................................................................................................................................47 7.1 Introdução.............................................................................................................................47 7.2 Causa ....................................................................................................................................47 7.3 Primeiros Socorros............................................................................................................. 48 7.4 Manobra de Heimlich......................................................................................................... 49
  • 4.
    8 Ressuscitação Cardiopulmonar..................................................................................................... 51 8.1 Introdução............................................................................................................................ 51 9 Estado de Choque.......................................................................................................................... 52 9.1 Introdução............................................................................................................................ 52 9.2 Causas ................................................................................................................................. 53 9.3 Sintomas.............................................................................................................................. 54 9.4 Prevenção do Choque....................................................................................................... 55 10 Emergências Clínicas ..................................................................................................................57 10.1 Introdução.............................................................................................................................57 10.2 Infarto ou Ataque Cardíaco ................................................................................................57 10.2.1 Sintomas ...................................................................................................................... 58 10.2.2 Primeiros socorros...................................................................................................... 59 10.3 Insolação.............................................................................................................................. 60 10.4 Exaustão pelo Calor........................................................................................................... 62 10.4.1 Sintomas ...................................................................................................................... 62 10.4.2 Primeiros Socorros..................................................................................................... 63 10.5 Cãibras de Calor................................................................................................................. 64 10.5.1 Sintomas ...................................................................................................................... 64 10.5.2 Primeiros Socorros..................................................................................................... 65 10.6 Desmaio............................................................................................................................... 65 10.6.1 Sintomas ...................................................................................................................... 66 10.6.2 Primeiros Socorros..................................................................................................... 66 10.7 Convulsão............................................................................................................................ 67 10.7.1 Sintomas ...................................................................................................................... 68 10.7.2 Primeiros socorros...................................................................................................... 69 10.8 Choque Elétrico .................................................................................................................. 70 10.8.1 Causas principais ....................................................................................................... 71 10.8.2 Sintomas .......................................................................................................................72 10.8.3 Primeiros socorros...................................................................................................... 73 10.8.4 Eletrocussão.................................................................................................................74 11 Emergências Traumáticas...........................................................................................................76
  • 5.
    11.1 Introdução.............................................................................................................................76 11.2 Avaliaçãoda Vítima de Trauma ........................................................................................76 11.2.1 Via aérea com controle da coluna cervical............................................................. 77 11.2.2 Respiração................................................................................................................... 77 11.2.3 Circulação.................................................................................................................... 77 12 Ferimentos ................................................................................................................................ 78 12.1 Introdução............................................................................................................................ 78 12.2 Ferimentos Fechados ........................................................................................................ 79 12.2.1 Primeiros socorros...................................................................................................... 80 12.3 Ferimentos Abertos ............................................................................................................ 80 12.3.1 Primeiros Socorros..................................................................................................... 82 13 Amputação de Membros........................................................................................................... 84 13.1 Introdução............................................................................................................................ 84 13.2 Primeiros Socorros............................................................................................................. 84 13.3 Como prevenir..................................................................................................................... 85 14 Lesões Traumato-Ortopédicas................................................................................................... 86 14.1 Introdução............................................................................................................................ 86 14.2 Entorse................................................................................................................................. 86 14.2.1 Primeiros socorros.......................................................................................................87 14.3 Luxação................................................................................................................................ 88 14.3.1 Sinais e sintomas........................................................................................................ 88 14.3.2 Primeiros socorros...................................................................................................... 89 14.4 Fraturas................................................................................................................................ 89 14.4.1 Primeiros socorros...................................................................................................... 90 15 Esmagamentos de Membros..................................................................................................... 92 15.1 Introdução............................................................................................................................ 92 16 Queimaduras............................................................................................................................. 94 16.1 Introdução............................................................................................................................ 94 16.2 Profundidade da queimadura ........................................................................................... 95 16.2.1 Queimaduras de primeiro grau................................................................................. 95 16.2.2 Segundo grau.............................................................................................................. 95
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    16.2.3 Terceiro grau................................................................................................................95 16.2.4 Análise do grau da queimadura ............................................................................... 96 16.3 Estimativa de Extensão..................................................................................................... 96 16.4 Níveis de Gravidade........................................................................................................... 98 16.4.1 Graves.......................................................................................................................... 98 16.4.2 Moderadas................................................................................................................... 98 16.4.3 Leves ............................................................................................................................ 98 16.5 Primeiros Socorros............................................................................................................. 98 16.5.1 Primeiros socorros em queimaduras térmicas....................................................... 99 16.5.2 Primeiros socorros em queimaduras químicas, ácidos e bases....................... 101 16.5.3 Queimaduras por eletricidade ................................................................................ 103 16.5.4 Queimaduras por frio ou geladuras ....................................................................... 105 17 Hemorragias: Interna e Externas............................................................................................. 108 17.1 Introdução.......................................................................................................................... 108 17.2 Tipos de Hemorragias...................................................................................................... 108 17.2.1 Hemorragia externa.................................................................................................. 108 17.2.2 Hemorragia interna................................................................................................... 109 17.3 Sintomas da Hemorragia................................................................................................. 109 17.4 Primeiros Socorros........................................................................................................... 110 18 Picadas e Ferroadas de Animais Peçonhentos ........................................................................ 112 18.1 Introdução.......................................................................................................................... 112 18.2 Acidentes Causados por Serpentes.............................................................................. 112 18.2.1 Tipos de serpentes................................................................................................... 113 18.2.2 Primeiros socorros.................................................................................................... 117 18.3 Acidentes causados por Aranhas e escorpiões........................................................... 119 18.3.1 Tipos de Aranhas e Escorpiões.............................................................................. 119 18.3.2 Primeiros socorros.................................................................................................... 123 18.4 Acidentes causados por Lagartas Venenosas............................................................. 124 18.4.1 Primeiros socorros.................................................................................................... 124 18.5 Acidentes causados por Abelhas, Vespas e Formigas............................................... 125 18.5.1 Sintomas .................................................................................................................... 126
  • 7.
    18.5.2 Primeiros socorros.....................................................................................................127 19Intoxicação ou Envenenamento.............................................................................................. 129 19.1 Introdução.......................................................................................................................... 129 19.2 Substâncias comuns nas intoxicações ......................................................................... 129 19.3 Sintomas............................................................................................................................ 131 19.4 Primeiros Socorros........................................................................................................... 132 19.4.1 Inalação...................................................................................................................... 132 19.4.2 Contato com a pele .................................................................................................. 133 19.4.3 Ingestão ..................................................................................................................... 134 20 Movimentação e Remoção de Vítima ......................................................................................137 20.1 Introdução...........................................................................................................................137 21 Telefone Úteis.......................................................................................................................... 139 21.1 Introdução.......................................................................................................................... 139 21.2 Corpo de bombeiros – 193.............................................................................................. 139 21.3 Polícia Militar – 190.......................................................................................................... 140 21.4 SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) – 192...................................... 140 21.5 Polícia Rodoviária Federal – 191................................................................................... 140 21.6 Defesa Civil – 199 ............................................................................................................ 141 21.7 Disque Intoxicação (ANVISA) – 0800-722-6001 ......................................................... 141 22 Referências.............................................................................................................................. 143 22.1 Bibliografia......................................................................................................................... 143
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    1. Introdução O cursode primeiros socorros, tem como objetivo, promover a capacitação profissional para a execução dos primeiros socorros básicos. Primeiros socorros é toda a intervenção imediata e provisória, feita ainda no local do fato, às vítimas de acidentes; mal súbito ou enfermidades agudas e imprevistas, antes da chegada de profissionais especializados, ou remoção da vítima para um atendimento especializado. O curso abordará conceitos; importância e legislação dos primeiros socorros, kit de primeiros socorros; anatomia humana; avaliação e procedimentos adequados às situações de emergência. As instrumentações são baseadas em informações de médicos; profissionais e outros, porém, não substituem os aconselhamentos dos mesmos, presentes no momento da execução de qualquer procedimento.
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    2 Primeiros Socorros:Importância, Legislação e Conceitos 2.1Introdução Para iniciar os estudos, se faz necessário conhecer os conceitos; importância e a legislação de primeiros socorros, para que assim, possa-se desenvolver bons atendimentos e de forma adequada. 2.2Importância dos Primeiros Socorros É de essencial importância a prestação de atendimentos emergenciais. É importante ter a consciência de que a prestação dos primeiros socorros, não elimina a importância de uma equipe especializada para o atendimento.
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    É importante mantera calma e verificar se há condições, seguras o bastante, para a prestação do socorro sem riscos para você. Não se esqueça que um atendimento de emergência mal feito, pode comprometer, ainda mais, a saúde da vítima. Entretanto, a pessoa que chama por socorro especializado, por exemplo, já está prestando e providenciando o socorro. Os momentos após um acidente, principalmente as duas primeiras horas, são os mais importantes, para se garantir a recuperação ou a sobrevivência das pessoas feridas. 2.3Conceitos Básicos 2.3.1 O que é primeiros socorros? Segundo Hafen; Karren e Frandsen (2014), primeiros socorros refere-se ao atendimento temporário e imediato de uma pessoa que está ferida ou que adoece repentinamente. Os primeiros socorros incluem: reconhecer condições que põem a vida em risco; e tomar as atitudes necessárias para manter a vítima viva e na melhor condição possível, até que se obtenha atendimento médico. Os principais objetivos dos primeiros socorros são: ● Reconhecer situações que ponham a vida em risco; ● Aplicar respiração e circulação artificiais, quando necessário; ● Controlar sangramentos; ● Tratar de outras condições que ponham a vida em risco; ● Minimizar o risco de outras lesões e complicações; ● Evitar infecções;
  • 11.
    ● Deixar avítima o mais confortável possível; ● Providenciar a assistência médica e transporte. 2.3.2 Socorrista ou socorrista leigo? Socorrista é o profissional que está habilitado a praticar os primeiros socorros, utilizando-se dos conhecimentos básicos e treinamentos técnicos, que o capacitaram para esse desempenho. Portanto, uma pessoa que possui apenas o curso básico de primeiros socorros, se chama socorrista leigo. Atendimento especializado, pode ser solicitado através do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU. 2.4Legislação A legislação é muito clara sobre a prestação e omissão de primeiros socorros, conforme pode ser visto nas leis abaixo:
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    2.4.1 Lei 2848/40 Leide Omissão de Socorro – Artigo 135 do Código Penal Brasileiro – Decreto- Lei 2848/40. Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa. Parágrafo Único – A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte. 2.4.2 Lei abandono de incapazes Lei abandono de incapazes – Artigo 133 do Código Penal Brasileiro. Art. 133. Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono: Pena — detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos. §1º. Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave: Pena — reclusão, de 1(um) a 5 (cinco) anos. § 2º. Se resulta a morte: Pena — reclusão de 4 (quatro) a 12(doze) anos. § 3º. As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço: I — se o abandono ocorre em lugar ermo; II — se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima. III — se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos (inciso introduzido pela Lei n° 10.161, de 1° de outubro de 2003).
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    3 Corpo Humano 3.1Introdução Osprimeiros socorros estão ligados aos nossos sistemas, ou seja, são intercorrências que acontecem por algum motivo, fazendo o nosso organismo funcionar de modo inadequado ou por fatores externos, culminando na mesma reação. 3.2Constituição do Corpo Humano Fonte: http://www.anatomiaresumida.com/o-corpo-humano/ Da menor até a maior dimensão de seus componentes, seis níveis de organização são relevantes, para a compreensão da anatomia e fisiologia: átomos e moléculas; células; tecidos; órgãos; sistemas e organismo.
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    Átomos e moléculas:inclui os átomos (menores unidades de matéria que participam de reações químicas) e as moléculas (dois ou mais átomos ligados entre si). Células: a união das moléculas forma as células. As células são as unidades básicas; estruturais e funcionais do corpo humano. Tecidos: os tecidos são grupos de células e materiais em torno delas, que trabalham juntos, para realizar uma determinada função celular. Existem quatro tipos básicos de tecidos em seu corpo: tecido epitelial; conjuntivo; muscular e nervoso. Órgãos: os órgãos são estruturas compostas por dois ou mais tipos de tecidos diferentes. Eles têm funções específicas e, usualmente, têm formas reconhecíveis. Sistema: um sistema consiste em órgãos relacionados que têm a mesma função. Organismo: é o maior nível organizacional. O organismo é um indivíduo vivo. Todas as partes do corpo, funcionando umas com as outras, constituem o organismo total – uma pessoa viva. 3.3Divisão do Corpo Humano Fonte: http://sanbiomedica.blogspot.com.br Classicamente, o corpo humano é dividido em: cabeça; pescoço; tronco e membros. ● Cabeça: crânio e face; ● Pescoço: pescoço;
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    ● Tronco: tórax,abdome e pelve; ● Membros (membros superiores): ombro; braço; antebraço e mão; ● Membros (membros inferiores): quadril; coxa; perna e pé. 3.4Sistemas do Corpo Humano O corpo humano é formado pelos sistemas: cardiovascular; respiratório; digestório; nervoso; sensorial; endócrino; excretor; urinário; reprodutor; esquelético; muscular; imunológico; linfático e tegumentar. Cada um deles envolve órgãos, que atuam, para a realização das funções vitais do organismo. 3.4.1 Cardiovascular
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    Este sistema éresponsável pelo transporte dos nutrientes e gases pelo corpo, através do sangue. O sistema cardiovascular consiste no sangue; no coração e nos vasos sanguíneos. Para que o sangue possa atingir as células corporais e trocar materiais com elas, ele deve ser, constantemente, propelido ao longo dos vasos sanguíneos. O coração é a bomba que promove a circulação do sangue, por cerca de 100 mil quilômetros de vasos sanguíneos. 3.4.2 Respiratório O sistema respiratório realiza a troca de gases entre o sangue e o ar; absorve oxigênio e elimina gás carbônico. Este sistema é constituído pelos tratos (vias) respiratórios superior e inferior. O trato respiratório superior, é formado por órgãos localizados fora da caixa torácica: nariz externo; cavidade nasal; faringe; laringe e parte superior da traqueia. O trato respiratório inferior, consiste em órgãos localizados na cavidade torácica: parte inferior da traqueia; brônquios; bronquíolos; alvéolos e pulmões. As camadas das pleuras e os músculos que formam a cavidade torácica, também fazem parte do trato respiratório inferior. O intercâmbio dos gases, faz-se ao nível dos pulmões, mas para atingi-los, o ar deve percorrer diversas porções de um tubo irregular, que recebe o nome de conjunto de vias aeríferas.
  • 17.
    3.4.3 Digestório O sistemadigestório envolve ingestão e quebra dos alimentos; absorção dos nutrientes e eliminação dos resíduos. O trato digestório e os órgãos anexos, constituem o sistema digestório. O trato digestório é um tubo oco, que se estende da cavidade bucal ao ânus, sendo também chamado de canal alimentar ou trato gastrointestinal. As estruturas do trato digestório incluem: boca; faringe; esôfago; estômago; intestino delgado; intestino grosso; reto e ânus.
  • 18.
    3.4.4 Nervoso O sistemanervoso estabelece comunicação entre as diversas partes do corpo, elaborando respostas aos estímulos. O sistema nervoso está dividido em duas partes fundamentais: sistema nervoso central e sistema nervoso periférico. O sistema nervoso central é constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal, ambos envolvidos e protegidos por três membranas, denominadas meninges. O sistema nervoso periférico é formado por nervos, que se originam no encéfalo e na medula espinhal. Sua função é conectar o sistema nervoso central ao resto do corpo. Importante destacar que existem dois tipos de nervos: os cranianos e os raquidianos.
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    3.4.5 Sensorial O sistemasensorial é responsável por captar estímulos do ambiente e enviar ao sistema nervoso, que produz resposta imediata. O corpo humano é composto de cinco sentidos, a saber: a visão; o olfato; o paladar; a audição e o tato, que fazem parte do sistema sensorial, responsável por enviar as informações obtidas, para o sistema nervoso central, que por sua vez, analisa e processa a informação recebida. Não obstante, essas capacidades estão relacionadas com órgãos ou partes do corpo humano (olhos; nariz; boca; ouvidos; mãos) e correspondem às percepções dos homens no mundo, realizadas por meio do processo de tradução; análise e processamento das informações sensoriais, o que muitas vezes, determinou a sobrevivência dos seres humanos, bem como dos animais no planeta terra.
  • 20.
    3.4.6 Endócrino O sistemaendócrino produz os hormônios (nas glândulas) que atuam sobre as células do corpo, regulando seu funcionamento. O sistema endócrino coordena todas as funções do nosso corpo. As glândulas endócrinas estão localizadas em diferentes partes do corpo: hipófise; tireoide e paratireoides; timo; supra renais; pâncreas e glândulas sexuais. 3.4.7 Excretor O sistema excretor elimina as excretas – substâncias indesejáveis ao corpo – produzidas no metabolismo.
  • 21.
    3.4.8 Urinário O sistemaurinário participa do processo de excreção, eliminando, principalmente ureia, através da urina. O sistema urinário é composto por dois rins e pelas vias urinárias, formadas por dois ureteres: a bexiga urinária e a uretra. 3.4.9 Reprodutor O sistema reprodutor permite a continuação da espécie, através do processo reprodutivo, que envolve hormônios e sexualidade.
  • 22.
    O sistema reprodutorfeminino é formado pelos seguintes órgãos: ovários; tubas uterinas; útero e vagina. 3.4.10 Esquelético O sistema esquelético é constituído de ossos e cartilagens, além dos ligamentos e tendões. O esqueleto sustenta e dá forma ao corpo, além de proteger os órgãos internos, e atua em conjunto com os sistemas muscular e articular, para permitir o movimento. Outras funções são a produção de células sanguíneas na medula óssea, e armazenamento de sais minerais, como o cálcio. O osso é uma estrutura viva, muito resistente e dinâmica, pois tem a capacidade de se regenerar, quando sofre uma fratura.
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    3.4.11 Muscular O sistemamuscular atua na locomoção do corpo e nos movimentos involuntários de alguns órgãos. São estruturas individualizadas, que cruzam uma ou mais articulações, e pela sua contração, são capazes de transmitir-lhes movimento. Este é efetuado por células especializadas, denominadas fibras musculares, cuja energia latente é, ou pode ser controlada pelo sistema nervoso. Os músculos são capazes de transformar energia química em energia mecânica. O músculo vivo é de cor vermelha. Essa coloração avermelhada das fibras musculares, se deve à mioglobina, proteína semelhante à hemoglobina presente nos
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    glóbulos vermelhos, quecumpre o papel de conservar algum O2, proveniente da circulação, para o metabolismo oxidativo. Os músculos representam cerca de 40-50% do peso corporal total. 3.4.12 Imunológico O sistema imunológico, atua por meio de células de defesa e órgãos imunitários, para proteger o corpo de patógenos. O sistema imunológico é mesmo uma proteção; um escudo ou uma barreira, que nos protege de seres indesejáveis (os chamados patógenos), que tentam invadir o nosso corpo, e assim, esse sistema tem a função, não só de impedir essa invasão, como também exerce a função de combate e destruição destes patógenos. Trata-se de um sistema complexo, composto por diversas partes, entre células e órgãos, cada qual com uma função específica, agindo como um exército.
  • 25.
    3.4.13 Linfático O sistemalinfático defende o organismo de infecções, detectando agentes invasores e toxinas na linfa. O sistema linfático é o principal sistema de defesa do organismo, constituído pelos nódulos linfáticos (linfonodos), ou seja, uma rede complexa de vasos, responsável por transportar a linfa, dos tecidos para o sistema circulatório. Além disso, o sistema linfático possui outras funções, a saber: proteção de células imunes (atua junto ao sistema imunológico); absorção dos ácidos graxos; e, equilíbrio dos fluídos (líquidos) nos tecidos.
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    3.4.14 Tegumentar O sistemategumentar, ou seja, a pele, atua como barreira e proteção; também controla a temperatura corporal, e tem papel sensorial. A pele é o maior órgão do nosso corpo; reveste e assegura grande parte das relações entre o meio interno e o externo. Além disso, atua na defesa e colabora com outros órgãos, para o bom funcionamento do organismo, como no controle da temperatura corporal e na elaboração de metabólitos. É constituída de derme e epiderme, tecidos intimamente unidos, que atuam de forma harmônica e cooperativa.
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    4 Caixa dePrimeiros Socorros 4.1Introdução A caixa de primeiros socorros deve ser de plástico, com uma tampa segura e que feche bem, para poder ser usada em viagens, ou pode ser do tipo necessaire com fecho, devendo ser constituída por: Itens da caixa de primeiros socorros Instrumentos Termômetro Tesoura Pinça Conta-gotas Material para curativo Algodão hidrófilo Gaze esterilizada Esparadrapo Ataduras de crepe Caixa de curativo adesivo Antissépticos Água oxigenada – 10 volumes Álcool Medicamentos Soro fisiológico Equipamento de proteção Luvas cirúrgicas Fonte: Fundação Oswaldo Cruz Fiocruz (2016)
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    Apesar do kitde primeiros socorros ser essencial em casos de emergências, é necessário ir ao hospital, para o médico fazer uma avaliação, diagnóstico e tratamento de qualquer tipo de ferimento.
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    5 Etapas Básicasde Primeiros Socorros 5.1Introdução Inicialmente, deve-se ter em mente, que quem presta socorro, deve avaliar a cena; manter a segurança da área; avaliar o estado da vítima; administrar socorro de emergência e chamar por socorro. 5.2Avaliação da Cena A primeira atitude a ser tomada no local do acidente, é a avaliação dos riscos que possam colocar em perigo a pessoa prestadora dos primeiros socorros. Se
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    houver algum perigoem potencial, deve-se aguardar a chegada do socorro especializado. Neste período, verifica-se também as prováveis causas do acidente; o número de vítimas; a provável gravidade de suas lesões; e outras informações que possam ser úteis para a notificação do acidente. É imprescindível a utilização de equipamentos de proteção individual como: máscaras; luvas; ou óculos, no atendimento da vítima. A fim de se isolar os riscos, e promover um socorro efetivo, até a chegada de profissionais, a avaliação da cena é dividida em quatro fases: ● Segurança – verificar se a cena é segura para ser abordada; ● Cinemática do trauma – verificar como se deu o acidente ou sinistro; ● Bioproteção; ● Triagem/Nr de vítimas. 5.2.1 Segurança É necessário verificar se a cena é segura para ser abordada, e assim, procure tornar o ambiente adequado para o atendimento prévio. Por exemplo, no caso de acidentes de trânsito, deve-se procurar improvisar um espaço para desviar o fluxo de veículos, sinalizando aos carros que vêm no sentido do problema ocorrido. 5.2.2 Cinemática Verificar como se deu o acidente ou mal sofrido pela vítima, perguntando a ela, se estiver plenamente consciente, ou às pessoas próximas, que testemunharam o ocorrido. Na carência das duas hipóteses, deve-se adotar procedimentos que serão abordados mais adiante. 5.2.3 Bioproteção Deve-se procurar maneiras de evitar possíveis infecções, que podem ocorrer, através do contato direto com o sangue das vítimas, usando luvas cirúrgicas, se possível. Em situações adversas, não deve-se abortar os procedimentos por falta de instrumentos.
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    5.2.4 Apoio Procure oauxílio de pessoas próximas da cena para: ajudar a dar o espaço necessário para o atendimento prévio; chamar imediatamente o socorro especializado; desviar o trânsito de veículos; manter a ordem e a calma entre as outras pessoas; etc. No caso de não ter pessoas por perto, isso deve ser feito com o máximo de agilidade e tranquilidade, pela própria pessoa que presta o socorro inicial. 5.3Avaliação da Vítima A avaliação e exame do estado geral de um acidentado de emergência clínica ou traumática, é a segunda etapa básica, na prestação dos primeiros socorros. Ela deve ser realizada ao mesmo tempo, ou rapidamente, logo após a avaliação do acidente e proteção do acidentado. O exame deve ser rápido e sistemático, observando as seguintes prioridades: ● Estado de consciência: avaliação de respostas lógicas (nome, idade, etc.); ● Respiração: movimentos torácicos e abdominais, com entrada e saída de ar, normalmente, pelas narinas ou boca; ● Hemorragia: avaliar a quantidade, o volume e a qualidade do sangue que se perde. Se é arterial ou venoso; ● Pupilas: verificar o estado de dilatação e simetria (igualdade entre as pupilas); ● Temperatura do corpo: observação e sensação de tato na face e extremidades.
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    Deve-se ter sempreuma ideia bem clara do que se vai fazer, para não expor, desnecessariamente, o acidentado, verificando se há ferimento, com o cuidado de não movimentá-lo excessivamente. Em seguida, proceder a um exame rápido das diversas partes do corpo. Se o acidentado está consciente, perguntar por áreas dolorosas no corpo e incapacidades funcionais de mobilização. Pedir para apontar onde é a dor; pedir para movimentar as mãos; braços; etc. 5.3.1 Cabeça e pescoço Sempre verificando o estado de consciência e a respiração do acidentado, apalpar com cuidado o crânio, à procura de fratura; hemorragia ou depressão óssea. Proceder da mesma forma para o pescoço, procurando verificar o pulso na artéria carótida (pescoço), observando frequência; ritmo e amplitude; correr os dedos pela coluna cervical, desde a base do crânio até os ombros, procurando alguma irregularidade. Solicitar que o acidentado movimente lentamente o pescoço; verificar se há dor nessa região. Movimentar lenta e suavemente o pescoço, movendo-o de um lado para o outro. Em caso de dor, pare qualquer mobilização desnecessária. Perguntar a natureza do acidente; sobre a sensibilidade e a capacidade de movimentação dos membros, visando confirmar suspeita de fratura na coluna cervical. 5.3.2 Coluna Dorsal Perguntar ao acidentado se sente dor. Na coluna dorsal, correr a mão pela espinha do acidentado, desde a nuca até o sacro. A presença de dor pode indicar lesão na coluna dorsal. 5.3.3 Tórax e Membros Verificar se há lesão no tórax, se há dor quando respira ou se há dor quando o tórax é levemente comprimido. Solicitar ao acidentado que movimente, de leve, os braços e verificar a existência de dor ou incapacidade funcional. Localizar o local da dor e procurar
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    deformação; edema emarcas de injeções. Verificar se há dor no abdome e procurar todo tipo de ferimento, mesmo pequeno. Apertar cuidadosamente ambos os lados da bacia, para verificar se há lesões. Solicitar à vítima que tente mover as pernas, e verificar se há dor ou incapacidade funcional. Não permitir que o acidentado de choque elétrico ou traumatismo violento, tente levantar-se prontamente, achando que nada sofreu. Ele deve ser mantido imóvel, pelo menos para um rápido exame, nas áreas que sofreram alguma lesão. O acidentado deve ficar deitado de costas, ou na posição que mais conforto lhe ofereça. 5.3.4 Exame do acidentado inconsciente O acidentado inconsciente é uma preocupação, pois além de se ter poucas informações sobre o seu estado, podem surgir complicações, devido à inconsciência. O primeiro cuidado é manter as vias respiratórias superiores desimpedidas, fazendo a extensão da cabeça, ou mantê-la em posição lateral, para evitar aspiração de vômito. Limpar a cavidade bucal. O exame do acidentado inconsciente, deve ser igual ao do acidentado consciente, só que com cuidados redobrados, pois os parâmetros de força e capacidade funcional, não poderão ser verificados. O mesmo ocorrendo com respostas a estímulos dolorosos. As observações das seguintes alterações, deve ter prioridade, acima de qualquer outra iniciativa. Elas podem salvar uma vida: ● Falta de respiração; ● Falta de circulação (pulso ausente); ● Hemorragia abundante; ● Perda dos sentidos (ausência de consciência); ● Envenenamento.
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    6 Funções, SinaisVitais e de Apoio 6.1Introdução A atividade de primeiros socorros, implica no conhecimento dos sinais que o corpo emite, e servem como informação para a determinação do seu estado físico. Alguns detalhes importantes sobre as funções vitais e os sinais vitais do corpo humano, precisam ser compreendidos. 6.2Funções vitais
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    Algumas funções sãovitais, para que o ser humano permaneça vivo. São vitais as funções exercidas pelo cérebro e pelo coração. As funções vitais do corpo humano são controladas pelo Sistema Nervoso Central, que é estruturado por células muito especializadas, organizadas em alto grau de complexidade estrutural e funcional. Estas células são muito sensíveis à falta de oxigênio, cuja ausência provoca alterações funcionais. Conforme será advertido outras vezes nesta apostila, chamamos a atenção para que se perceba que: O prolongamento da hipóxia (falta de ar) cerebral determina a morte do Sistema Nervoso Central, e com isso, a falência generalizada de todos os mecanismos da vida, em um tempo de aproximadamente três minutos. Para poder determinar em nível de primeiro socorro, como leigo, o funcionamento satisfatório dos controles centrais dos mecanismos da vida, é necessário compreender os sinais indicadores, chamados de sinais vitais. 6.3Sinais Vitais Sinais vitais são aqueles que indicam a existência de vida. São reflexos ou indícios, que permitem concluir sobre o estado geral de uma pessoa. Os sinais sobre o funcionamento do corpo humano, que devem ser compreendidos e conhecidos são: ● Temperatura; ● Pulso; ● Respiração; ● Pressão arterial. Os sinais vitais podem ser facilmente percebidos, deduzindo-se assim, que na ausência deles, existem alterações nas funções vitais do corpo.
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    6.3.1 Temperatura corporal Atemperatura corporal é a medida do calor do corpo: é o equilíbrio entre o calor produzido e o calor perdido. Nosso corpo tem uma temperatura média normal, que varia de 35,9 a 37,2 ºC. A avaliação da temperatura é uma das maneiras de identificar o estado de uma pessoa, pois em algumas emergências, a temperatura muda muito. Abaixo será apresentada a variação de temperatura do corpo, de acordo com o estado térmico e a temperatura. ● Subnormal – 34 a 36° C; ● Normal – 36 a 37° C; ● Estado febril – 37 a 38° C; ● Febre – 38 a 39° C; ● Febre alta (pirexia) – 39 a 40° C; ● Febre muito alta (hiperpirexia) – 40 a 41° C. Verificação da temperatura Oral ou bucal – Temperatura média varia de 36,2 a 37º C. O termômetro deve ficar por cerca de três minutos, sob a língua, com o paciente sentado; semi- sentado (reclinado) ou deitado. Não se verifica a temperatura de vítimas inconscientes; crianças depois de ingerirem líquidos (frios ou quentes); após a extração dentária ou inflamação na cavidade oral.
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    Axilar – Temperaturamédia varia de 36 a 36,8º C. A via axilar é a mais sujeita a fatores externos. O termômetro deve ser mantido sob a axila seca, por 3 a 5 minutos, com o acidentado sentado; semi-sentado (reclinado) ou deitado. Não se verifica temperatura em vítimas de queimaduras no tórax; processos inflamatórios na axila ou fratura dos membros superiores. O acidentado com febre muito alta e prolongada, pode ter lesão cerebral irreversível. A temperatura corporal abaixo do normal, pode acontecer após depressão de função circulatória ou choque. Perda de calor O corpo humano perde calor, através de vários processos, que podem ser classificados da seguinte maneira:  Eliminação - fezes, urina, saliva, respiração;  Evaporação - a evaporação pela pele (perda passiva), associada à eliminação, permitirá a perda de calor em elevadas temperaturas;  Condução - é a troca de calor entre o sangue e o ambiente. Quanto maior é a quantidade de sangue que circula sob a pele, maior é a troca de calor com o meio. O aumento da circulação, explica o avermelhamento da pele (hiperemia) quando estamos com febre. Febre A febre é a elevação da temperatura do corpo acima da média normal. Ela ocorre quando a produção de calor do corpo excede a perda. Tumores; infecções; acidentes vasculares ou traumatismos, podem afetar diretamente o hipotálamo, e com isso, perturbar o mecanismo de regulagem de calor do corpo. Portanto, a febre deve ser vista, também, como um sinal que o organismo emite. Um sinal de defesa. Devemos lembrar que pessoas imunodeprimidas podem ter infecções graves e não apresentar febre. A vítima de febre apresenta a seguinte sintomatologia: ● Inapetência (perda de apetite); ● Mal estar; ● Pulso rápido;
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    ● Sudorese; ● Temperaturaacima de 40 graus Celsius; ● Respiração rápida; ● Hiperemia da pele; ● Calafrios; ● Cefaleia (dor de cabeça). Primeiros socorros para febre Aplicar compressas úmidas na testa; cabeça; pescoço; axilas e virilhas (que são as áreas por onde passam os grandes vasos sanguíneos). Encaminhar a vítima com febre para atendimento médico. Devemos salientar que os primeiros socorros, em casos febris, só devem ser feitos em temperaturas muito altas (acima de 40°C), por dois motivos já vistos. A febre é defesa orgânica (é o organismo se defendendo de alguma causa) e o tratamento da febre deve ser de suas causas. 6.3.2 Pulso A alteração na frequência do pulso, denuncia alteração na quantidade de fluxo sanguíneo. As causas fisiológicas que aumentam os batimentos do pulso podem ser: digestão; exercícios físicos; banho frio; estado de excitação emocional; e qualquer estado de reatividade do organismo. No desmaio/síncope, as pulsações diminuem.
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    Através do pulsoou das pulsações do sangue dentro do corpo, é possível avaliar se a circulação e o funcionamento do coração estão normais ou não. Pode- se sentir o pulso com facilidade, tomando-se os seguintes cuidados: ● Procurar acomodar o braço do acidentado em posição relaxada; ● Usar o dedo indicador, médio e anular sobre a artéria escolhida para sentir o pulso, fazendo uma leve pressão sobre qualquer um dos pontos, onde se pode verificar mais facilmente o pulso de uma pessoa; ● Não usar o polegar para não correr o risco de sentir suas próprias pulsações; ● Contar no relógio as pulsações, num período de 60 segundos. Neste período, deve-se procurar observar a regularidade, a tensão, o volume e a frequência do pulso; ● Existem no corpo, vários locais onde se pode sentir os pulsos da corrente sanguínea. A variação de frequência varia de acordo com a idade. A seguir serão descritas as médias normais: ● Lactentes: 110 a 130 bpm (batimentos por minuto); ● Abaixo de 7 anos: 80 a 120 bpm; ● Acima de 7 anos: 70 a 90 bpm; ● Puberdade: 80 a 85 bpm; ● Homem: 60 a 70 bpm; ● Mulher: 65 a 80 bpm; ● Acima dos 60 anos: 60 a 70 bpm. 6.3.3 Respiração
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    A respiração éuma das funções essenciais à vida. É através dela que o corpo promove, permanentemente, o suprimento de oxigênio necessário ao organismo, vital para a manutenção da vida. A frequência da respiração é contada pela quantidade de vezes que uma pessoa realiza os movimentos combinados de inspiração e expiração em um minuto. Para se verificar a frequência da respiração, conta-se o número de vezes que uma pessoa realiza os movimentos respiratórios: 01 inspiração + 01 expiração = 01 movimento respiratório. A contagem pode ser feita, observando-se a elevação do tórax, se o acidentado for mulher, ou do abdome se for homem ou criança. Pode ser feita ainda, contando-se as saídas de ar quente pelas narinas. A frequência média por minuto dos movimentos respiratórios, varia com a idade, se levarmos em consideração uma pessoa em estado normal de saúde. Por exemplo: um adulto possui um valor médio respiratório de 14 - 20 respirações por minuto (no homem); 16 - 22 respirações por minuto (na mulher); enquanto uma criança, nos primeiros meses de vida, 40 - 50 respirações por minuto. Fatores fisiopatológicos podem alterar a necessidade de oxigênio ou a concentração de gás carbônico no sangue. Isto contribui para a diminuição ou o aumento da frequência dos movimentos respiratórios. A nível fisiológico, os exercícios físicos; as emoções fortes e banhos frios, tendem a aumentar a frequência respiratória. Em contrapartida, o banho quente e o sono, a diminuem. Algumas doenças cardíacas e nervosas, e o coma diabético, aumentam a frequência respiratória. Como exemplo de fatores patológicos que diminuem a frequência respiratória, podemos citar o uso de drogas depressoras. Os procedimentos a serem observados e os primeiros socorros, em casos de parada respiratória serão estudados a frente.
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    6.3.4 Pressão Arterial Apressão arterial é a pressão do sangue, que depende da força de contração do coração; do grau de distensibilidade do sistema arterial; da quantidade de sangue e sua viscosidade. Não é recomendável a instrução a leigos da medição da pressão arterial com o aparelho, para não induzir a diagnósticos não autorizados após a leitura. 6.4Sinais de Apoio Além dos sinais vitais do funcionamento do corpo humano, existem outros que devem ser observados, para obtenção de mais informações sobre o estado de saúde de uma pessoa. São os sinais de apoio, sinais que o corpo emite em função do estado de funcionamento dos órgãos vitais. Os sinais de apoio podem ser alterados em casos de hemorragia; parada cardíaca; ou uma forte batida na cabeça, por exemplo. Os sinais de apoio tornam-se
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    cada vez maisevidentes, com o agravamento do estado do acidentado. Os principais sinais de apoio são: ● Dilatação e reatividade das pupilas; ● Cor e umidade da pele; ● Estado de consciência; ● Motilidade e sensibilidade do corpo. 6.4.1 Dilatação e reatividade das pupilas A pupila é uma abertura no centro da íris, a parte colorida do olho. A sua função principal é controlar a entrada de luz no olho. Com pouca ou quase nenhuma luz, a pupila se dilata, fica aberta. Quando a pupila está totalmente dilatada, é sinal de que o cérebro não está recebendo oxigênio, exceto no uso de colírios midriáticos ou certos envenenamentos. A dilatação e reatividade das pupilas são um sinal de apoio importante. Muitas alterações do organismo provocam reações nas pupilas, como por exemplo, iminência de estado de choque; parada cardíaca; intoxicação; abuso de drogas; colírios midriáticos ou miótico; traumatismo crâneo-encefálico e condições de stress. Tensão e medo também provocam consideráveis alterações nas pupilas. Devemos observar as pupilas de uma pessoa contra a luz de uma fonte lateral, de preferência, com o ambiente escurecido. Se não for possível, deve-se olhar as pupilas contra a luz ambiente. 6.4.2 Cor e umidade da pele
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    A cor ea umidade da pele são também sinais de apoio muito útil no reconhecimento do estado geral de um acidentado. Uma pessoa pode apresentar a pele pálida, cianosada (azulada) ou hiperemiada (avermelhada e quente). A cor e a umidade da pele devem ser observadas na face e nas extremidades dos membros, onde as alterações se manifestam primeiro. A pele pode também ficar úmida e pegajosa. Pode-se observar melhor estas alterações no antebraço e na barriga. A seguir serão apresentadas algumas alterações orgânicas que provocam modificações na cor e umidade da pele. COR E UMIDADE DA PELE Alteração Ocorrência Cianose (pele azulada) Exposição ao frio, parada cardiorrespiratória, estado de choque, morte. Palidez Hemorragia, parada cardiorrespiratória, exposição ao frio, extrema tensão emocional, estado de choque. Hiperemia (pele vermelha e quente) Febre, exposição a ambientes quentes, ingestão de bebidas alcoólicas, queimaduras de primeiro grau, traumatismo. Pele fria e viscosa ou úmida e pegajosa Estado de choque. Pele amarela Icterícia, hipercarotenemia. 6.4.3 Estado de consciência
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    Este é outrosinal de apoio importante. A consciência plena é o estado em que uma pessoa mantém um nível de lucidez, que lhe permite perceber normalmente o ambiente que a cerca, com todos os sentidos saudáveis, respondendo aos estímulos sensoriais. Quando se encontra um acidentado, capaz de informar com clareza sobre o seu estado físico, pode-se dizer que esta pessoa está perfeitamente consciente. Há, no entanto, situações em que uma pessoa pode apresentar sinais de apreensão excessiva; olhar assustado; face contraída e medo. Esta pessoa, certamente não estará em seu pleno estado de consciência. Uma pessoa pode estar inconsciente por desmaio; estado de choque; estado de coma; convulsão; parada cardíaca; parada respiratória; alcoolismo; intoxicação por drogas; e uma série de outras circunstâncias de saúde e lesão. Na síncope e no desmaio, há uma súbita e breve perda de consciência e diminuição do tônus muscular. Já o estado de coma, é caracterizado por uma perda de consciência mais prolongada e profunda, podendo o acidentado, deixar de apresentar, gradativamente, reação aos estímulos dolorosos e perda dos reflexos. 6.4.4 Motilidade e sensibilidade do corpo
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    Qualquer pessoa consciente,que apresente dificuldade ou incapacidade de sentir ou movimentar determinadas partes do corpo, está, obviamente, fora de seu estado normal de saúde. A capacidade de mover e sentir partes do corpo é um sinal que pode dar muitas informações. Quando há incapacidade de uma pessoa consciente realizar certos movimentos, pode-se suspeitar de uma paralisia da área que deveria ser movimentada. A incapacidade de mover um membro superior, depois de um acidente, pode indicar lesão do nervo do membro. A incapacidade de movimento nos membros inferiores, pode indicar uma lesão da medula espinhal. O desvio da comissura labial (canto da boca), pode indicar lesão cerebral ou de nervo periférico (facial). Pede-se à vítima que sorria. Sua boca sorrirá torta, só de um lado. Quando um acidentado perde o movimento voluntário de alguma parte do corpo, geralmente também perde a sensibilidade no local. Muitas vezes, porém, o movimento existe, mas o acidentado reclama de dormência e formigamento nas extremidades. É muito importante o reconhecimento destas duas situações, como um indício de que há lesão na medula espinhal. É importante, também, nestes casos, tomar muito cuidado com o manuseio e transporte do acidentado, para evitar o agravamento da lesão. Convém ainda lembrar, que o acidentado de histeria; alcoolismo agudo ou intoxicação por drogas, mesmo que sofra acidente traumático, pode não sentir dor por várias horas.
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    A verificação rápidae precisa dos sinais vitais e dos sinais de apoio, é uma chave importante para o desempenho de primeiros socorros. O reconhecimento destes sinais dá suporte; rapidez e agilidade no atendimento e salvamento de vidas.
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    7 Asfixia 7.1Introdução A asfixiapode ser definida como sendo uma parada respiratória, com o coração ainda funcionando. É causada por certos tipos de traumatismos, como aqueles que atingem a cabeça; a boca; o pescoço; o tórax; por fumaça no decurso de um incêndio; por afogamento; em soterramentos; dentre outros acidentes, ocasionando dificuldade respiratória, levando à parada respiratória. A identificação da dificuldade respiratória pela respiração arquejante nas vítimas inconscientes; pela falta de ar de que se queixam os conscientes; ou ainda, pela cianose acentuada do rosto, dos lábios e das extremidades (dedos), servirá de guia para o socorro à vítima. 7.2Causa
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    ● Bloqueio dapassagem de ar: pode acontecer nos casos de afogamento, secreções e espasmos da laringe, estrangulamento, soterramento e bloqueio do ar causado por ossos, alimentos ou qualquer corpo estranho na garganta; ● Insuficiência de oxigênio no ar: pode ocorrer em altitudes, onde o oxigênio é insuficiente, em compartimentos não ventilados, nos incêndios em compartimentos fechados, e por contaminação do ar por gases tóxicos (principalmente emanações de motores e fumaça densa); ● Impossibilidade do sangue em transportar oxigênio; ● Paralisia do centro respiratório no cérebro: pode ser causada por choque elétrico, venenos, doenças, (AVC), ferimentos na cabeça ou no aparelho respiratório, por ingestão de grande quantidade de álcool, ou de substâncias anestésicas, psicotrópicos e tranquilizantes; ● Compressão do corpo: pode ser causada por forte pressão externa (por exemplo, traumatismo torácico) nos músculos respiratórios. ATENÇÃO ➢ O sinal mais importante dessa situação é a dilatação das pupilas. ➢ Se as funções respiratórias não forem restabelecidas dentro de 3 a 4 minutos, as atividades cerebrais cessarão totalmente, ocasionando a morte. O oxigênio é vital para o cérebro. 7.3Primeiros Socorros
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    ● A primeiraconduta é favorecer a passagem do ar, através da boca e das narinas; ● Afastar a causa; ● Verificar se o acidentado está consciente; ● Desapertar as roupas do acidentado, principalmente em volta do pescoço, peito e cintura; ● Retirar qualquer objeto da boca ou da garganta do acidentado, para abrir e manter desobstruída a passagem de ar; ● Para assegurar que o acidentado inconsciente continue respirando, coloque-o na posição lateral de segurança; ● Iniciar a respiração de socorro (conforme será relatado a frente), tão logo tenha sido o acidentado, colocado na posição correta. Lembrar que cada segundo é importante para a vida do acidentado; ● Repetir a respiração de socorro, tantas vezes quanto necessário, até que o acidentado dê entrada em local, onde possa receber assistência adequada. ● Manter o acidentado aquecido, para prevenir o choque; ● Não dar líquidos enquanto o acidentado estiver inconsciente; ● Não deixar o acidentado sentar ou levantar. O acidentado deve permanecer deitado, mesmo depois de ter recuperado a respiração; ● Não dar bebidas alcoólicas ao acidentado. Dar chá ou café para beber, logo que volte a si; ● Continuar observando cuidadosamente o acidentado, para evitar que a respiração cesse novamente; ● Não deslocar o acidentado, até que sua respiração volte ao normal; ● Remover o acidentado, somente deitado, mas só em caso de extrema necessidade; ● Solicitar socorro especializado, mesmo que o acidentado esteja recuperado. 7.4Manobra de Heimlich
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    A manobra deHeimlich é uma técnica de primeiros socorros para asfixia ou sufocação, que deve ser realizada quando a vítima estiver engasgada, a fim de retirar um pedaço de alimento, ou qualquer outro objeto da traqueia, facilitando a passagem de ar para os pulmões e evitando o sufocamento. A técnica consiste em: 1. Segurar a vítima engasgada por trás (em pé); 2. Fechar uma das mãos, com o punho bem fechado e o polegar de fora; 3. Colocar a outra mão aberta sobre o punho fechado; 4. Empurrar o punho com firmeza e força para dentro e para cima 5 vezes; 5. Avaliar se o alimento ou objeto já saiu e se a vítima respira. Se a vítima continuar não respirando, fazer a manobra de Heimlich quantas vezes forem necessárias. A manobra de Heimlich pode salvar a vida da pessoa que está engasgada, porque o sufocamento pode ser fatal. Atenção: Esses procedimentos devem ser executados por pessoas treinadas.
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    8 Ressuscitação Cardiopulmonar 8.1Introdução Socorristasleigos sem treinamento, devem fornecer ressuscitação cardiopulmonar, somente com as mãos, com ou sem orientação de uma atendente, para adultos, vítimas de parada cardiorrespiratória. O socorrista deve continuar a ressuscitação cardiopulmonar, somente com compressões, até a chegada de um Desfibrilador Externo Automático ou de um socorrista com treinamento adicional, ou até que os profissionais do serviço médico de emergência, assumam o cuidado da vítima ou que a vítima comece a se mover. Todos os socorristas leigos devem, no mínimo, aplicar compressões torácicas em vítimas de parada cardiorrespiratória, numa frequência de no mínimo 100 vezes por. Além disso, se o socorrista leigo treinado, puder realizar ventilações de resgate, as compressões e as ventilações, devem ser aplicadas na proporção de 30 compressões para cada 2 ventilações.
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    9 Estado deChoque 9.1Introdução O estado de choque se dá, quando há mal funcionamento entre o coração; vasos sanguíneos (artérias ou veias) e o sangue, instalando-se um desequilíbrio no organismo. O choque é uma grave emergência médica. O correto atendimento, exige ação rápida e imediata. Vários fatores predispõem ao choque. Com a finalidade de facilitar a análise dos mecanismos, considera-se, especialmente para estudo, o choque hipovolêmico, por ter a vantagem de apresentar uma sequência bem definida. Há vários tipos de choque: Choque hipovolêmico: é o choque que ocorre devido a redução do volume intravascular, por causa da perda de sangue; de plasma ou de água, perdida em diarreia e vômito; Choque cardiogênico: ocorre na incapacidade de o coração bombear um volume de sangue que seja suficiente para atender às necessidades metabólicas dos tecidos; Choque septicêmico: pode ocorrer devido a uma infecção sistêmica; Choque anafilático: é uma reação de hipersensibilidade sistêmica, que ocorre quando um indivíduo é exposto a uma substância, a qual é extremamente alérgico; Choque neurogênico: decorre da redução do tônus vasomotor normal, por distúrbio da função nervosa. Este choque pode ser causado, por exemplo, por
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    transecção da medulaespinhal, ou pelo uso de medicamentos, como bloqueadores ganglionares ou depressores do sistema nervoso central. O reconhecimento da ameaça de choque, é importante para o salvamento da vítima, ainda que pouco possamos fazer para reverter a síndrome. Muitas vezes é difícil este reconhecimento, mas podemos notar algumas situações predisponentes ao choque e adotar condutas para evitá-lo ou retardá-lo. De uma maneira geral, a prevenção é consideravelmente mais eficaz do que o tratamento do estado de choque. O choque pode ser provocado por várias causas, especialmente as de origem traumática. Devemos ficar sempre atentos a possibilidade de choques, pois a grande maioria dos acidentes e afecções abordadas nesta apostila, pode gerar choque, caso não sejam atendidos corretamente. 9.2Causas ● Hemorragias intensas (internas ou externas); ● Infarto; ● Taquicardias; ● Bradicardias (baixa frequência nos batimentos cardíacos); ● Queimaduras graves; ● Processos inflamatórios do coração; ● Traumatismos do crânio e traumatismos graves de tórax e abdômen; ● Envenenamentos;
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    ● Afogamentos; ● Choqueelétrico; ● Picadas de animais peçonhentos; ● Exposição a extremos de calor e frio; ● Septicemia. No ambiente de trabalho, todas as causas citadas podem ocorrer, merecendo especial atenção, os acidentes graves com hemorragias extensas, como perda de substâncias orgânicas em prensas, moinhos, extrusoras; ou por choque elétrico; ou por envenenamentos por produtos químicos; ou por exposição a temperaturas extremas. 9.3Sintomas A vítima de estado de choque ou na iminência de entrar em choque, apresenta, geralmente, os seguintes sintomas: ● Pele pálida, úmida, pegajosa e fria; ● Cianose (arroxeamento) de extremidades: orelhas, lábios e pontas dos dedos; ● Suor intenso na testa e palmas das mãos; ● Fraqueza geral; ● Pulso rápido e fraco; ● Sensação de frio, pele fria e calafrios; ● Respiração rápida, curta, irregular ou muito difícil; ● Expressão de ansiedade ou olhar indiferente e profundo, com pupilas dilatadas; ● Agitação; ● Medo (ansiedade); ● Sede intensa; ● Visão nublada; ● Náuseas e vômitos; ● Respostas insatisfatórias a estímulos externos; ● Perda total ou parcial de consciência; ● Taquicardia.
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    9.4Prevenção do Choque Algumasprovidências podem ser tomadas para evitar o estado de choque. Mas, infelizmente, não há muitos procedimentos de primeiros socorros a serem tomados para tirar a vítima do choque. Existem algumas providências que devem ser memorizadas, com a finalidade permanente de prevenir o agravamento e retardar a instalação do estado de choque. DEITAR A VÍTIMA: a vítima deve ser deitada de costas. Afrouxar as roupas da vítima no pescoço; peito e cintura e, em seguida, verificar se há presença de prótese dentária, objetos ou alimento na boca e os retirar. Os membros inferiores devem ficar elevados em relação ao corpo. Isto pode ser feito, colocando-os sobre uma almofada; cobertor dobrado ou qualquer outro objeto. Este procedimento deve ser feito apenas se não houver fraturas desses membros, pois serve para melhorar o retorno sanguíneo e levar o máximo de oxigênio ao cérebro. Não erguer os membros inferiores da vítima a mais de 30 cm do solo. No caso de ferimentos no tórax, que dificultem a respiração, ou de ferimento na cabeça, os membros inferiores não devem ser elevados. No caso de a vítima estar inconsciente, ou se estiver consciente, mas sangrando pela boca ou nariz, deitá-la na posição lateral de segurança (PLS), para evitar asfixia.
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    RESPIRAÇÃO: verificar, quaseque simultaneamente, se a vítima respira. Deve-se estar preparado para iniciar a respiração boca a boca, caso a vítima pare de respirar. PULSO: enquanto as providências já indicadas são executadas, observar o pulso da vítima. No choque, o pulso da vítima apresenta-se rápido e fraco. CONFORTO: dependendo do estado geral e da existência ou não de fratura, a vítima deverá ser deitada, da melhor maneira possível. Isso significa observar se ela não está sentindo frio e perdendo calor. Se for preciso, a vítima deve ser agasalhada com cobertor ou algo semelhante, como uma lona ou casacos. TRANQUILIZAR A VÍTIMA: se o socorro médico estiver demorando, tranquilizar a vítima, mantendo-a calma, sem demonstrar apreensão quanto ao seu estado. Permanecer em vigilância junto à vítima, para dar-lhe segurança e para monitorar alterações em seu estado físico e de consciência.
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    10 Emergências Clínicas 10.1Introdução A importância das emergências clínicas é facilmente reconhecida, na medida em que se consideram as frequências com que causam óbito ou incapacidade, as dificuldades que existem para preveni-las e o grande potencial de recuperação, quando são convenientemente atendidas. Neste módulo, abordaremos as emergências clínicas mais comuns e que podem ser atendidas com sucesso, por uma pessoa que venha a prestar os primeiros socorros. 10.2 Infarto ou Ataque Cardíaco
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    É um quadroclínico, consequente à deficiência do fluxo sanguíneo na região do coração. As principais causas são a arteriosclerose, a embolia coronariana e espasmo arterial coronário, tendo como complicação, a parada cardíaca por fibrilação ventricular (parada em fibrilação) e até mesmo o óbito. 10.2.1 Sintomas ● A maioria das vítimas de infarto agudo do miocárdio, apresenta dor torácica. Esta dor é descrita classicamente com as seguintes características: a) dor angustiante e insuportável na região precordial (subesternal), retroesternal e face anterior do tórax; b) compressão no peito e angústia, constrição; c) duração maior que 30 minutos; d) a dor não diminui com repouso; e) irradiação no sentido da mandíbula e membros superiores, particularmente do membro superior esquerdo, eventualmente para o estômago (epigástrio); ● A grande maioria das vítimas apresenta alguma forma de arritmia cardíaca; ● Palpitação, vertigem e desmaio; ● Deve-se atender as vítimas com quadro de desmaio, como prováveis portadoras de infarto agudo do miocárdio, especialmente se apresentarem dor ou desconforto torácico antes ou depois do desmaio; ● Sudorese profusa (suor intenso), palidez e náusea. Podem estar presentes vômitos e diarreia; ● A vítima apresenta-se, muitas vezes, estressada, com sensação de morte iminente;
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    ● Quando hácomplicação pulmonar, a vítima apresenta edema pulmonar, caracterizado por dispneia (alteração nos movimentos respiratórios) e expectoração rosada; ● Choque cardiogênico. 10.2.2 Primeiros socorros Muitas vezes, a dor que procede a um ataque cardíaco, pode ser confundida, por exemplo, com a dor de uma indigestão. É preciso estar atento para este tipo de falso alarme, sendo os seguintes os primeiros socorros: ● Procurar socorro médico ou um hospital com urgência; ● Não movimentar muito a vítima. O movimento ativa as emoções e faz com que o coração seja mais solicitado; ● Observar com precisão os sinais vitais; ● Manter a pessoa deitada, em repouso absoluto, na posição mais confortável, em ambiente calmo e ventilado; ● Obter um breve relato da vítima ou de testemunhas, sobre detalhes dos acontecimentos; ● Tranquilizar a vítima, procurando inspirar-lhe confiança e segurança; ● Afrouxar as roupas; ● Evitar a ingestão de líquidos ou alimentos; ● No caso de parada cardíaca, aplicar as técnicas de ressuscitação cardiorrespiratória;
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    ● Ver sea vítima traz nos bolsos, remédios de urgência. Aplicar os medicamentos segundo as bulas, desde que a vítima esteja consciente, como vasodilatadores coronarianos e comprimidos sublinguais. A confirmação da suspeita de quadro clínico de um infarto agudo do miocárdio, só ocorre com a utilização de exames complementares, do tipo eletrocardiograma (ECG) e exames sanguíneos (transaminase, etc.), que deverão ser feitos no local do atendimento especializado. 10.3 Insolação É causada pela ação direta e prolongada dos raios de sol sobre o indivíduo. Sintomas Surgem lentamente:
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    ● Cefaleia (dorde cabeça); ● Tonteira; ● Náusea; ● Pele quente e seca (não há suor); ● Pulso rápido; ● Temperatura elevada; ● Distúrbios visuais; ● Confusão. Surgem bruscamente: ● Respiração rápida e difícil; ● Palidez (às vezes desmaio); ● Temperatura do corpo elevada; ● Extremidades arroxeadas; ● Eventualmente pode ocorrer coma. 9.4.1 Primeiros Socorros ● O objetivo inicial é baixar a temperatura corporal, lenta e gradativamente; ● Remover o acidentado para um local fresco, à sombra e ventilado; ● Remover o máximo de peças de roupa do acidentado; ● Se estiver consciente, deverá ser mantido em repouso e recostado (cabeça elevada);
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    ● Pode-se oferecerbastante água fria ou gelada, ou qualquer líquido não alcoólico para ser bebido; ● Se possível, deve-se borrifar água fria em todo o corpo do acidentado, delicadamente; ● Podem ser aplicadas compressas de água fria na testa, pescoço, axilas e virilhas. Tão logo seja possível, o acidentado deverá ser imerso em banho frio ou envolto em panos ou roupas encharcadas. Atenção especial deverá ser dada à observação dos sinais vitais. Se ocorrer parada respiratória, deve-se proceder à respiração artificial, associada à massagem cardíaca externa, caso necessário. 10.4 Exaustão pelo Calor A exaustão pelo calor é outro tipo de reação sistêmica à prolongada exposição do organismo à temperaturas elevadas, que ocorre devido à eliminação de sódio, desidratação, ou combinação de ambas. O trabalhador que exerce a sua atividade em ambientes, cuja temperatura é alta, está sujeito a uma série de alterações em seu organismo, com graves consequências à sua saúde. Estes ambientes, geralmente são locais onde existem fornos; autoclaves; forjas; caldeiras; fundições; etc. 10.4.1 Sintomas
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    Quando a origemdos sintomas for devida, predominantemente à perda de água, o acidentado reclama de sede intensa; fraqueza e acentuados sintomas nervosos, que podem incluir falta de coordenação muscular; distúrbios psicológicos; hipertermia; delírio e coma. Se a falência circulatória sobrevier, a situação pode progredir rapidamente para golpe de calor. O acidente pode ocorrer, devido à perda de sódio, em pessoas não aclimatadas a altas temperaturas, que irão apresentar sintomas sistêmicos de exaustão pelo calor. Esta situação, ocorre quando a sudorese térmica é resposta por ingestão adequada de água, mas não de sal. O acidentado, geralmente, reclama de câimbra muscular, associada à fraqueza; cansaço; náusea; vômito; calafrios; respiração superficial e irregular. O acidentado não demonstra estar sedento. Pode se observar palidez; taquicardia e hipotensão. 10.4.2 Primeiros Socorros ● Remover o acidentado para um local fresco e ventilado, longe da fonte de calor; ● Deve ser colocado em repouso, recostado; ● Afrouxar as roupas do acidentado;
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    ● Oferecer líquidoem pequenas quantidades, repetidas vezes, se possível com uma pitada de sal. Se o acidentado não conseguir tomar líquidos oralmente, não insistir, para não piorar suas condições; ● Providenciar para que o acidentado, neste caso, tenha atendimento especializado, pois a ele terá de ser administrado solução salina fisiológica ou glicose isotônica, por via intravenosa. Observar os sinais vitais, para a necessidade de ressuscitação cardiorrespiratória, e remoção para atendimento especializado, se os primeiros socorros não melhorarem o estado geral do acidentado. 10.5 Cãibras de Calor As cãibras de calor ocorrem, principalmente, devido à diminuição de sal do organismo. 10.5.1 Sintomas
  • 65.
    Vítimas de cãibrasapresentam contrações musculares involuntárias, fortes e muito dolorosas. Ocorrem nos músculos do abdômen e nas extremidades. A pele fica úmida e fria. Nestes casos, a temperatura do corpo estará normal ou ligeiramente baixa. Há hemoconcentração e baixo nível de sódio no organismo. 10.5.2 Primeiros Socorros ● A vítima de cãibras deve ser colocada em repouso, confortavelmente, em local fresco e arejado; ● Pode-se tentar massagear, suavemente, os músculos atingidos, para promover alívio localizado; ● Pode-se dar à vítima, água com uma pitada de sal, que muitas vezes faz o acidentado melhorar quase que imediatamente; ● Pode-se oferecer alimento salgado. Dependendo da gravidade do ataque, a vítima precisará ser mantida em repouso por vários dias. 10.6 Desmaio
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    É a perdasúbita, temporária e repentina da consciência, devido à diminuição de sangue e oxigênio no cérebro. É causada geralmente por hipoglicemia; cansaço excessivo; fome; nervosismo intenso; emoções súbitas; susto; acidentes, principalmente os que envolvem perda sanguínea; dor intensa; prolongada permanência em pé; mudança súbita de posição (de deitado para em pé); ambientes fechados e quentes; disritmias cardíacas (bradicardia); entre outras. 10.6.1 Sintomas ● Fraqueza; ● Suor frio abundante; ● Náusea ou ânsia de vômito; ● Palidez intensa; ● Pulso fraco; ● Pressão arterial baixa; ● Respiração lenta; ● Extremidades frias; ● Tontura; ● Escurecimento da visão; ● Devido à perda da consciência, o acidentado cai. 10.6.2 Primeiros Socorros
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    A. Se apessoa apenas começou a desfalecer: ● Sentá-la em uma cadeira, ou outro local semelhante; ● Curvá-la para frente; ● Baixar a cabeça do acidentado, colocando-a entre as pernas e pressionar a cabeça para baixo; ● Manter a cabeça mais baixa que os joelhos; ● Fazê-la respirar profundamente, até que passe o mal-estar. B. Havendo o desmaio: ● Manter o acidentado deitado, colocando sua cabeça e ombros em posição mais baixa em relação ao resto do corpo; ● Afrouxar a sua roupa; ● Manter o ambiente arejado; ● Se houver vômito, lateralizar-lhe a cabeça, para evitar sufocamento; ● Depois que o acidentado se recuperar, pode ser dado ao mesmo, café, chá ou mesmo água com açúcar; ● Não se deve dar jamais bebida alcoólica. 10.7 Convulsão
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    É uma contraçãoviolenta, ou uma série de contrações dos músculos voluntários, com ou sem perda de consciência. Nos ambientes de trabalho, podemos encontrar esta afecção em indivíduos com histórico anterior de convulsão ou em qualquer indivíduo de qualquer função. De modo específico, podemos encontrar trabalhadores com convulsão, quando expostos a agentes químicos de poder convulsígeno, tais como, os inseticidas clorados e o óxido de etileno. As principais causas da convulsão é a febre muito alta, devido a processos inflamatórios e infecciosos, ou degenerativos; hipoglicemia; alcalose; erro no metabolismo de aminoácidos; hipocalcemia; traumatismo na cabeça; hemorragia intracraniana; edema cerebral; tumores; intoxicações por gases, álcool ou drogas alucinatórias; insulina; dentre outros agentes e devido a epilepsia, ou outras doenças do Sistema Nervoso Central. 10.7.1 Sintomas ● Inconsciência; ● Queda desamparada, onde a vítima é incapaz de fazer qualquer esforço para evitar danos físicos a si própria; ● Olhar vago, fixo e/ou revirar dos olhos; ● Suor; ● Midríase (pupila dilatada); ● Lábios cianosados; ● Espumar pela boca; ● Morder a língua e/ou lábios; ● Corpo rígido e contração do rosto;
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    ● Palidez intensa; ●Movimentos involuntários e desordenados; ● Perda de urina e/ou fezes (relaxamento esfincteriano). Geralmente, os movimentos incontroláveis duram de 2 a 4 minutos, tornando- se, então, menos violentos e o acidentado vai se recuperando gradativamente. Estes acessos podem variar na sua gravidade e duração. Depois da recuperação da convulsão há perda da memória, que se recupera mais tarde. 10.7.2 Primeiros socorros ● Tentar evitar que a vítima caia desamparadamente, cuidando para que a cabeça não sofra traumatismo e procurando deitá-la no chão com cuidado, acomodando-a; ● Retirar da boca: próteses dentárias móveis (pontes, dentaduras) e eventuais detritos; ● Remover qualquer objeto com que a vítima possa se machucar e afastá-la de locais e ambientes potencialmente perigosos, como por exemplo: escadas; portas de vidro; janelas; fogo; eletricidade; máquinas em funcionamento; ● Não interferir nos movimentos convulsivos, mas assegurar-se que a vítima não está se machucando; ● Afrouxar as roupas da vítima no pescoço e cintura; ● Virar o rosto da vítima para o lado, evitando assim a asfixia por vômitos ou secreções; ● Não colocar nenhum objeto rígido entre os dentes da vítima;
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    ● Tentar introduzirum pano ou lenço enrolado entre os dentes, para evitar mordedura da língua; ● Não jogar água fria no rosto da vítima; ● Quando passar a convulsão, manter a vítima deitada, até que ela tenha plena consciência e autocontrole; ● Se a pessoa demonstrar vontade de dormir, deve-se ajudar a tornar isso possível; ● Contatar o atendimento especializado do SAMU, pela necessidade de diagnóstico e tratamentos precisos. No caso de se propiciar meios para que a vítima durma, mesmo que seja no chão, no local de trabalho, a melhor posição para mantê-la é deitada na Posição Lateral de Segurança – PLS. Devemos fazer uma inspeção no estado geral da vítima, a fim de verificar se está ferida e sangrando. Conforme o resultado desta inspeção, devemos proceder, no sentido de tratar as consequências do ataque convulsivo, cuidando dos ferimentos e contusões. É conduta de socorro bem prestado, permanecer junto à vítima, até que ela se recupere totalmente. Devemos conversar com a vítima, demonstrando atenção e cuidado com o caso, e informá-la onde está e com quem está, para dar-lhe segurança e tranquilidade. Pode ser muito útil, saber da vítima, se ela é epiléptica. Em qualquer caso de ataque convulsivo, a vítima deve ser encaminhada ao centro clínico, mesmo que ela tenha consciência de seu estado e procure demonstrar a impertinência dessa atitude. A obtenção ou encaminhamento para o centro clínico, deve ser com a maior rapidez, especialmente se a vítima tiver um segundo ataque; se as convulsões durarem mais que 5 minutos ou se a vítima for mulher grávida. 10.8 Choque Elétrico
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    São abalos muscularescausados pela passagem de corrente elétrica pelo corpo humano. As alterações provocadas no organismo humano pela corrente elétrica, dependem, principalmente, de sua intensidade, isto é, da amperagem. Dependendo da intensidade dessa corrente, pode causar um simples formigamento, uma queimadura de 3° grau ou até mesmo a morte. Em condições habituais, correntes de 100 a 150 Volts, já são perigosas, e acima de 500 Volts, são mortais. De acordo com os valores aproximados, as consequências causadas por um choque elétrico podem ser: ● 1 mA a 10 mA: sensação de formigamento; ● 10 mA a 20 mA: sensação de formigamento, acompanhada de fortes dores; ● 20 mA a 100 mA: convulsões e parada respiratória; ● 100 mA a 200 mA: fibrilação; ● Acima de 200 mA: queimaduras, parada cardíaca e óbito. 10.8.1 Causas principais
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    Nos ambientes detrabalho, encontramos este acidente, quando há falta de segurança nas instalações e equipamentos, como: fios descascados; falta de aterramento elétrico; parte elétrica de um motor que, por defeito, está em contato com sua carcaça; etc. Estas condições, geralmente encontramos por imprudência; indisciplina; ignorância ou acidentes; etc. Observação: corrente alternada – tetanização com tempo de exposição; corrente contínua – contração muscular brusca, com projeção da vítima, podendo ocorrer traumatismo grave. 10.8.2 Sintomas ● Mal estar geral; ● Sensação de angústia; ● Náusea; ● Cãibras musculares de extremidades; ● Parestesias (dormência, formigamento);
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    ● Ardência ouinsensibilidade da pele; ● Escotomas cintilantes (visão de pontos luminosos); ● Cefaleia; ● Vertigem; ● Arritmias (ritmo irregular) cardíacas (alteração do ritmo cardíaco); ● Falta de ar (dispneia). Principais Complicações: ● Parada cardíaca; ● Parada respiratória; ● Queimaduras; ● Traumatismo (de crânio, ruptura de órgãos internos, etc.); ● Óbito. 10.8.3 Primeiros socorros Antes de socorrer a vítima, cortar a corrente elétrica, desligando a chave geral de força, retirando os fusíveis da instalação ou puxando o fio da tomada (desde que esteja encapado). Se o item anterior não for possível, tentar afastar a vítima da fonte de energia, utilizando luvas de borracha grossa ou materiais isolantes, e que estejam secos (cabo de vassoura, tapete de borracha, jornal dobrado, pano grosso dobrado, corda, etc.), afastando a vítima do fio ou aparelho elétrico, bem como:
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    ● Não tocarna vítima, até que ela esteja separada da corrente elétrica ou que esta seja interrompida; ● Se o choque for leve, seguir os itens do capítulo "Estado de Choque"; ● Em caso de parada cardiorrespiratória, iniciar imediatamente as manobras de ressuscitação; ● Insistir nas manobras de ressuscitação, mesmo que a vítima não esteja se recuperando, até a chegada do atendimento especializado; ● Depois de obtida a ressuscitação cardiorrespiratória, deve ser feito um exame geral da vítima, para localizar possíveis queimaduras, fraturas ou lesões, que possam ter ocorrido, no caso de queda durante o acidente; ● Deve-se atender primeiro a hemorragias, fraturas e queimaduras, nesta ordem. 10.8.4 Eletrocussão Eletrocussão é o termo designado para caracterizar uma morte provocada por choque elétrico. Tensão superior a 600 volts já é o suficiente para causar o óbito. A presença de água, no cenário do choque, aumenta potencialmente a sua intensidade, devido às propriedades condutoras de eletricidade que a água possui. A eletrocussão pode provocar a morte imediata; perda prolongada dos sentidos; convulsões e queimaduras no ponto de contato. É preciso tomar muito cuidado na hora de tentar socorrer a vítima. Tocá-la é extremamente perigoso. Mesmo em situações de extrema emergência, o mais seguro é: ● Pegar com um objeto de plástico, pois conduz pouca eletricidade; ● Afastá-lo imediatamente do objeto que está provocando o choque;
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    ● Verificar ossinais vitais da vítima; ● Caso a vítima se encontre em processo de parada cardiorrespiratória, deve-se retirar os eventuais objetos, como dentaduras, óculos e outros; ● Exponha o tórax da pessoa; ● Se possível, faça o procedimento para a reanimação, colocando sobre o tórax, as duas mãos sobrepostas, fazendo compressões seguidas com até 5 cm de profundidade, até a chegada do socorro médico.
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    11 Emergências Traumáticas 11.1Introdução Uma emergência traumática é toda a intervenção onde há um trauma, como, traumatismos; fraturas; mordeduras de animais; queimaduras; e até mesmo, amputações. Segundo o manual do SAMU, o trauma é a lesão corporal, resultante da exposição da energia (mecânica, térmica, elétrica, química ou radiação), que interagiu com o corpo, em quantidade acima da suportada fisiologicamente. O trauma pode ser intencional ou não intencional, e varia de leve a grave. Um trauma pode ser classificado como: ● Trauma fechado: é o trauma em que não ocorre a ruptura da pele; ● Trauma aberto: é caracterizado pela ruptura da pele, devido ao impacto no local. 11.2 Avaliação da Vítima de Trauma
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    Avaliar a vítimade trauma, consiste em examinar o paciente, em diferentes formas, seguindo os critérios: via aérea com controle da coluna cervical; ventilação/respiração; circulação e estado neurológico. 11.2.1 Via aérea com controle da coluna cervical Antes do socorrista iniciar a avaliação da permeabilidade da via aérea da vítima de trauma, ele precisa impedir os movimentos do pescoço. A via aérea (espaço para respiração = boca) precisa estar livre de coágulos de sangue; vômitos; restos de alimentos; e outros corpos estranhos, como fragmentos dentários; próteses; etc. Se estes estiverem presentes, devem ser retirados. Se a vítima está falando, a via aérea está liberada. Notar que a vítima não deve ingerir líquidos ou qualquer alimento. Já se a vítima não está respondendo, verificar novamente a via aérea e ver se há objeto visível que precisa ser removido. 11.2.2 Respiração Após checar a via aérea, verifique a respiração da vítima e se o tórax ou abdômen se eleva e retorna a sua posição. Observe a qualidade e a frequência da respiração, se está muito rápida, lenta ou se não respira. 11.2.3 Circulação Sempre procure por sinais de hemorragia externa, caso encontre, faça pressão forte sobre o local que está sangrando e mantenha, até a chegada do serviço especializado ou transporte até a emergência. Deve ser estancado qualquer sangramento visível que ameace a vida, sempre observando a coloração da pele: ● Pele rosada e aquecida = sem grande perda sanguínea; ● Pele pálida, com suor frio = pode significar grande perda sanguínea. Se o sangramento não for contido apenas com a compressão direta no local do ferimento, poderá ser elevado o membro afetado, e, se possível, aplicar pressão no vaso anterior a lesão, mantendo a compressão direta no local.
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    12 Ferimentos 12.1 Introdução Émuito comum ocorrer ferimentos em acidentes de trabalho. Por este motivo, é de fundamental importância, a utilização dos Equipamentos de Proteção Individual e Coletivas, conforme indica as atividades realizadas, sendo de fundamental importância, o treinamento correto, quanto a utilização dos mesmos. Ferimentos são lesões que surgem, sempre que existe um traumatismo, seja de que proporção for, desde pequeno corte ou escoriação, até violentos acidentes, com politraumatismo e complicações. Todos os ferimentos, logo que ocorrem: ● Causam dor; ● Originam sangramentos; e ● São vulneráveis. Os ferimentos são lesões que rompem a continuidade dos tecidos e provocam o rompimento da pele ou não e, conforme seu tipo e profundidade, rompimento das camadas de gordura e músculos. Os ferimentos podem ser classificados como abertos ou fechados.
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    12.2 Ferimentos Fechados Sãoos ferimentos onde não existe solução de continuidade da pele. A pele se mantém íntegra, podendo ser classificados em: ● Contusão: é a lesão por objeto contundente, que danifica o tecido subcutâneo subjacente, sem romper a pele; ● Hematoma: é o extravasamento de sangue no subcutâneo, com aumento de volume, pela ruptura de veias e arteríolas, consequência de uma contusão. Quando localizado no couro cabeludo, é o hematoma subgaleal; ● Equimose: é o extravasamento de sangue no subcutâneo, sem formação de volume, consequência da ruptura de capilares. Estas lesões são as mais frequentes e podem ocorrer nos ambientes de trabalho, pelos mais diversos motivos, entre os quais: batidas em ferramentas; escadas; mobiliários; equipamentos; quedas; sendo também frequentes as suas ocorrências no trajeto residência-trabalho-residência. Logo após a contusão, o acidentado sente dor. Será mais ou menos intensa, conforme a inervação da região. Se a batida for muito intensa, a parte central da área afetada pode apresentar-se indolor pela destruição de filetes nervosos.
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    12.2.1 Primeiros socorros Aslesões contusas podem ser tratadas de maneira simples, desde que não apresentem gravidade. Normalmente, bolsa de gelo ou compressa de água gelada, nas primeiras 24 horas e repouso da parte lesada, são suficientes. Se persistirem sintomas de dor; edema e hiperemia, pode-se aplicar compressas de calor úmido. Deve ser procurado auxílio especializado. As contusões simples, de um modo geral, não apresentam complicações, nem necessitam de cuidados especiais. Todavia, deve-se ficar alerta para contusões abdominais, mesmo que não apresentem nenhum sintoma ou sinal, pois poderá ter havido complicações internas mais graves. Mais adiante trataremos de ferimentos abdominais. 12.3 Ferimentos Abertos
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    São os ferimentosque rompem a integridade da pele, expondo tecidos internos, geralmente com sangramentos. Também são denominados feridas. Os ferimentos podem ser classificados em: ● Incisos: são provocados por objetos cortantes, têm bordas regulares e causam sangramentos de vários graus, devido ao seccionamento dos vasos sanguíneos e danos a tendões, músculos e nervos; ● Contusos ou lacerações: são lesões teciduais de bordas irregulares, provocados por objetos, através de trauma fechado sob superfícies ósseas, com o esmagamento dos tecidos. O sangramento deve ser controlado por compressão direta e aplicação de curativo e bandagens; ● Perfurantes: são lesões causadas por perfurações da pele e dos tecidos subjacentes por um objeto. O orifício de entrada pode não corresponder à profundidade da lesão; ● Transfixantes: este tipo de lesão constitui uma variedade de ferida que pode ser perfurante ou penetrante. O objeto vulnerante é capaz de penetrar e atravessar os tecidos ou determinado órgão, em toda a sua espessura, saindo na outra superfície. Pode-se utilizar como exemplo, as feridas causadas por projétil de arma de fogo, que são feridas perfurocontusas, podendo ser penetrantes e/ou transfixantes. As feridas transfixantes possuem: ➢ Orifício de entrada: ferida circular ou oval, geralmente pequena, com bordas trituradas e com orla de detritos deixada pelo projétil (pólvora, fragmentos de roupas); ➢ Orifício de saída: ferida geralmente maior, com bordas irregulares, voltadas para fora; ● Penetrante: quando o agente vulnerante atinge uma cavidade natural do organismo, geralmente tórax ou abdômen. Apresenta formato externo variável, geralmente linear ou puntiforme;
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    ● Avulsões ouamputações: são lesões onde ocorrem descolamentos da pele em relação ao tecido subjacente, que pode se manter ligado ao tecido sadio ou não. Apresentam graus variados de sangramento, geralmente de difícil controle. A localização mais comum ocorre em mãos e pés. Recomenda-se colocar o retalho em sua posição normal e efetuar a compressão direta da área, para controlar o sangramento. Caso a avulsão seja completa, transportar o retalho ao hospital. A preparação do retalho consiste em lavá-lo com solução salina, evitando o uso de gelo direto sobre o tecido; ● Escoriações ou abrasões: são produzidas pelo atrito de uma superfície áspera e dura contra a pele, sendo que somente esta é atingida. Frequentemente contém partículas de corpo estranho (cinza; graxa; terra; etc.); ● Lacerações: quando o mecanismo de ação é uma pressão ou tração, exercida sobre o tecido, causando lesões irregulares. 12.3.1 Primeiros Socorros No atendimento à vítima com ferimentos, deve-se seguir os seguintes passos e cuidados: 1) Controle do ABC é a prioridade, como em qualquer outra vítima de trauma. Ferimentos com sangramento importante, exigem controle já no passo C; 2) Avaliação do ferimento, informando-se sobre a natureza e a força do agente causador, de como ocorreu a lesão e do tempo transcorrido até o atendimento;
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    3) Inspeção daárea lesada, que deve ser cuidadosa. Pode haver contaminação, por presença de corpo estranho e lesões associadas. O ferimento deve ser exposto e, para isto, pode ser necessário cortar as roupas da vítima. Evite movimentos desnecessários com a mesma; 4) Limpeza da superfície do ferimento para a remoção de corpos estranhos livres e detritos. Utilizar uma gaze estéril para remoção mecânica delicada e, algumas vezes, instilação de soro fisiológico, sempre com cautela, sem provocar atrito. Não perder tempo na tentativa de limpeza geral da lesão, isto será feito no hospital. Objetos empalados não devem ser removidos, mas sim imobilizados, para que permaneçam fixos durante o transporte; 5) Proteção da lesão com gaze estéril, que deve ser fixada no local, com bandagem triangular ou, se não estiver disponível, utilizar atadura de crepe.
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    13 Amputação deMembros 13.1 Introdução É a separação de um membro ou estrutura do restante do corpo. Pode ser causada por diversos tipos de acidentes. Entre os mais comuns estão os com objetos cortantes (serra elétrica); os acidentes de trânsito (principalmente de moto); a violência; o choque e o esmagamento. Nesse tipo de emergência, a rapidez na busca pelo atendimento é um fator determinante, para conter qualquer tipo de infecção e também para o sucesso da reimplantação do membro. 13.2 Primeiros Socorros  Se for preciso limpar o local da amputação, faça isso com um pano bem limpo e não use nenhuma outra substância;  Faça a compressão do local com força, com um pano limpo, para conter o sangue;
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     Não seesqueça de recolher a parte amputada. Se a distância até o hospital não for longa, enrole-a com um pano limpo e coloque-a dentro de uma sacola plástica limpa;  Se o socorro for demorar mais de 6 horas, enrole a parte amputada em um pano limpo, coloque-a em um pacote plástico bem fechado e, sem seguida, ponha o pacote dentro de outra sacola com gelo;  Não coloque a parte amputada diretamente no gelo, é necessário apenas refrigerá-la;  As amputações podem ocasionar hemorragia e infecção, e levar ao estado de choque e à morte. Por essa razão, é preciso procurar o socorro rápido, para evitar a falta de vascularização no local, o que pode ocasionar gangrena;  O sucesso do reimplante vai depender, principalmente, do tipo de corte e do tempo decorrido do acidente até o recebimento do socorro apropriado. 13.3 Como prevenir Tome cuidado ao manusear objetos cortantes e jamais use-os sob efeito de drogas, álcool ou medicamentos que afetam o sistema nervoso central. Grande parte das amputações, acontece no ambiente de trabalho. Por isso, adote medidas de segurança para prevenir acidentes.
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    14 Lesões Traumato-Ortopédicas 14.1Introdução Todo acidentado de lesão traumato-ortopédica, necessita, obrigatoriamente, de atendimento médico especializado. O sofrimento do acidentado e sua cura, dependem, basicamente, da proteção correta do membro atingido; do transporte adequado do acidentado e do atendimento especializado imediato. 14.2 Entorse
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    São lesões dosligamentos das articulações, onde estes alongam além de sua amplitude normal, rompendo-se. Quando ocorre entorse, há uma distensão dos ligamentos, mas não há o deslocamento completo dos ossos da articulação. As formas graves produzem perda da estabilidade da articulação, às vezes, acompanhada por luxação. As causas mais frequentes da entorse são violências, como puxões ou rotações, que forçam a articulação. No ambiente de trabalho, a entorse pode ocorrer em qualquer ramo de atividade. Uma entorse, geralmente é conhecida por torcedura ou mau jeito. Os locais onde ocorre mais comumente, são as articulações do tornozelo, ombro; joelho; punho e dedos. Após sofrer uma entorse, o indivíduo sente dor intensa ao redor da articulação atingida; dificuldade de movimentação, que poderá ser maior ou menor, conforme a contração muscular ao redor da lesão. Os movimentos articulares, cujo exagero provoca a entorse, são extremamente dolorosos e esta dor aumentará em qualquer tentativa de se movimentar a articulação afetada. As distensões são lesões aos músculos ou seus tendões, geralmente são causadas por hiperextensão ou por contrações violentas. Em casos graves pode haver ruptura do tendão. 14.2.1 Primeiros socorros Aplicar gelo ou compressas frias durante as primeiras 24 horas. Após este tempo, aplicar compressas mornas. Imobilizar o local como nas fraturas. A imobilização deverá ser feita na posição que for mais cômoda para o acidentado. 14.2.1.1 Fique atento Antes de enfaixar uma entorse ou distensão, aplicar bolsa de gelo ou compressa de água gelada na região afetada, para diminuir o edema e a dor. Caso haja ferida no local da entorse, agir conforme indicado no item referente a ferimentos; cobrir com curativo seco e limpo, antes de imobilizar e enfaixar. Ao enfaixar qualquer membro ou região afetada, deve ser deixada uma parte ou extremidade à mostra, para observação da normalidade circulatória. As bandagens
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    devem ser aplicadascom firmeza, mas sem apertar, para prevenir insuficiência circulatória. 14.3 Luxação São lesões, em que a extremidade de um dos ossos, que compõe uma articulação é deslocada de seu lugar. O dano a tecidos moles pode ser muito grave, afetando vasos sanguíneos; nervos e cápsula articular. Nas luxações, ocorre o deslocamento e perda de contato total ou parcial dos ossos que compõe a articulação afetada. Os casos de luxação, ocorrem geralmente, devido a traumatismos, por golpes indiretos ou movimentos articulares violentos, mas, às vezes, uma contração muscular é suficiente para causar a luxação. Dependendo da violência do acidente, poderá ocorrer o rompimento do tecido que cobre a articulação, com exposição do osso. As articulações mais atingidas são o ombro; cotovelo; articulação dos dedos e mandíbula. Nos ambientes de trabalho, a luxação pode se dar em qualquer ramo de atividade, devido a um movimento brusco. 14.3.1 Sinais e sintomas Para identificar uma luxação deve-se observar as seguintes características: ● Dor intensa no local afetado (a dor é muito maior que na entorse), geralmente afetando todo o membro, cuja articulação foi atingida; ● Edema; ● Impotência funcional;
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    ● Deformidade visívelna articulação, podendo apresentar um encurtamento ou alongamento do membro afetado. 14.3.2 Primeiros socorros O tratamento de uma luxação é atividade exclusiva de pessoal especializado em atendimento a emergências traumato-ortopédicas. Os primeiros socorros limitam-se à aplicação de bolsa de gelo, ou compressas frias, no local afetado, e à imobilização da articulação, preparando o acidentado para o transporte. A imobilização e enfaixamento das partes afetadas por luxação, devem ser feitas da mesma forma que se faz para os casos de entorse. A manipulação das articulações, deve ser feita com extremo cuidado e delicadeza, levando-se em consideração, inclusive, a dor intensa que o acidentado estará sentindo. Nos casos de luxações repetitivas, o próprio acidentado, por vezes, já sabe como reduzir a luxação. Neste caso o socorrista deverá auxiliá-lo. O acidentado deverá ser mantido em repouso, na posição que lhe for mais confortável, até a chegada de socorro especializado ou até que possa ser realizado o transporte adequado para atendimento médico. 14.4 Fraturas É uma interrupção na continuidade do osso. Uma fratura ocorre, normalmente, devido à queda; impacto ou movimento violento, com esforço maior que o osso pode suportar. As fraturas podem ser classificadas como:
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    ● Fratura fechadaou interna: são as fraturas, nas quais os ossos quebrados permanecem no interior do membro, sem perfurar a pele. Poderá, entretanto, romper um vaso sanguíneo ou cortar um nervo; ● Fratura aberta ou exposta: são as fraturas em que os ossos quebrados saem do lugar, rompendo a pele e deixando exposta uma de suas partes, que pode ser produzida pelos próprios fragmentos ósseos ou por objetos penetrantes. Este tipo de fratura pode causar infecções; ● Fratura em fissura: são aquelas em que as bordas ósseas ainda estão muito próximas, como se fosse uma rachadura ou fenda; ● Fratura em galho verde: é a fratura incompleta, que atravessa apenas uma parte do osso. São fraturas, geralmente, com pequeno desvio e que não exigem redução. Quando exigem, é feita com o alinhamento do eixo dos ossos. Sua ocorrência mais comum é em crianças e nos antebraços (punho); ● Fratura completa: é a fratura na qual o osso sofre descontinuidade total; ● Fratura cominutiva: é a fratura que ocorre com a quebra do osso em três ou mais fragmentos; ● Fratura impactada: é quando as partes quebradas do osso permanecem comprimidas entre si, interpenetrando-se; ● Fratura espiral: é quando o traço de fratura encontra-se ao redor e através do osso. Estas fraturas são decorrentes de lesões que ocorrem com uma torção; ● Fratura oblíqua: é quando o traço de fratura lesa o osso diagonalmente; ● Fratura transversa: é quando o traço de fratura atravessa o osso numa linha mais ou menos reta. 14.4.1 Primeiros socorros ✓ Observar o estado geral do acidentado, procurando lesões mais graves, com ferimento e hemorragia; ✓ Acalmar o acidentado, pois ele fica apreensivo e entra em pânico; ✓ Ficar atento para prevenir o choque hipovolêmico; ✓ Controlar eventual hemorragia e cuidar de qualquer ferimento, com curativo, antes de proceder a imobilização do membro afetado; ✓ Imobilizar o membro, procurando colocá-lo na posição que for menos dolorosa para o acidentado, o mais naturalmente possível. É importante salientar que imobilizar significa tirar os movimentos das juntas acima e abaixo da lesão; ✓ Trabalhar com muita delicadeza e cuidado. Toda atenção é pouca, pois os menores erros podem gerar sequelas irreversíveis; ✓ Usar talas, caso seja necessário. As talas auxiliarão na sustentação do membro atingido; ✓ As talas têm que ser de tamanho suficiente para ultrapassar as articulações acima e abaixo da fratura;
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    ✓ Para improvisaruma tala, pode-se usar qualquer material rígido ou semi- rígido como: tábua, madeira, papelão, revista enrolada ou jornal grosso dobrado; ✓ O membro atingido deve ser acolchoado com panos limpos, camadas de algodão ou gaze, procurando sempre localizar os pontos de pressão e desconforto; ✓ Prender as talas com ataduras ou tiras de pano, apertá-las o suficiente para imobilizar a área, com o devido cuidado para não provocar insuficiência circulatória; ✓ Fixar em pelo menos quatro pontos: acima e abaixo das articulações e acima e abaixo da fratura; ✓ Sob nenhuma justificativa, deve-se tentar recolocar o osso fraturado de volta no seu eixo. As manobras de redução de qualquer tipo de fratura, só podem ser feitas por pessoal médico especializado. Ao imobilizar um membro que não pôde voltar ao seu lugar natural, não forçar seu retorno; ✓ A imobilização deve ser feita dentro dos limites do conforto e da dor do acidentado; ✓ Não deslocar, remover ou transportar o acidentado de fratura, antes de ter a parte afetada imobilizada corretamente. A única exceção a ser feita é para os casos em que o acidentado corre perigo iminente de vida. Mas, mesmo nestes casos, é necessário manter a calma, promover uma rápida e precisa análise da situação, e realizar a remoção provisória, com o máximo de cuidado possível, atentando para as partes do acidentado.
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    15 Esmagamentos deMembros 15.1 Introdução O esmagamento de membros é um tipo de acidente em que o corpo é total ou parcialmente sujeito a uma forte pressão, que resulta na quebra dos ossos e esmagamento os órgãos. Os principais sintomas do esmagamento de membros são: ✓ Arroxeado, vermelhidão, bolhas ou inchaço na parte afetada; ✓ Formigamento e insensibilidade; ✓ Inchaço persistente e enrijecimento do tecido atingido; ✓ Ferimentos abertos e fechados. Choque: ✓ Os sintomas podem incluir: pele pálida, fria e úmida, tontura, desmaios, visão turva, náusea, vômitos, sede, ansiedade e agitação. O que fazer: ✓ Se a vítima estiver presa por mais de 10 minutos, não tente libertá-la;
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    ✓ Se avítima estiver presa por menos de dez minutos, liberte-a rapidamente e siga os passos para tratamento de lesões e choque; ✓ Se a vítima estiver inconsciente, coloque-a na posição de recuperação, depois de libertá-la; ✓ Peça ajuda médica o mais rápido possível. Não se esqueça de dizer ao médico ou à equipe da ambulância, que a vítima pode ter sofrido lesões de esmagamento; ✓ Informe-lhes sobre o tempo que a vítima ficou presa; ✓ Cuide das feridas graves o máximo que puder, enquanto a vítima ainda se achar presa. Esmagamentos de pequeno porte: ✓ Se dedos, mãos ou pés tiverem ficado esmagados por pouco tempo, coloque a parte atingida sob uma torneira de água fria; ✓ Peça a um médico que examine a área atingida, para ver se houve fratura.
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    16 Queimaduras 16.1 Introdução Queimadurassão lesões provocadas pela temperatura extrema, geralmente calor, que podem atingir graves proporções de perigo para a vida ou para a integridade da pessoa, dependendo de sua localização, extensão e grau de profundidade. O efeito inicial e local, comum em todas as queimaduras é a desnaturação de proteínas, com consequente lesão ou morte celular. Por este motivo elas têm o potencial de desfigurar, causar incapacitações temporárias ou permanentes e até mesmo a morte. Todo tipo de queimadura é uma lesão que requer atendimento médico especializado, imediatamente após a prestação de primeiros socorros, seja qual for a extensão e profundidade. Afastar o acidentado da origem da queimadura é o passo inicial e tem prioridade sobre todos os outros tratamentos. Observar sua segurança pessoal, com máximo cuidado, durante o atendimento a queimados.
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    16.2 Profundidade daqueimadura Dependendo da profundidade queimada do corpo, as queimaduras são classificadas em graus, para melhor compreensão e adoção de medidas terapêuticas adequadas. 16.2.1 Queimaduras de primeiro grau As queimaduras de primeiro grau, são queimaduras superficiais, caracterizadas pela vermelhidão, que clareia quando sofre pressão, e normalmente há bolha. 16.2.2 Segundo grau São queimaduras de espessura parcial/superficial e profunda, avermelhadas e dolorosas, com bolhas, edema abaixo da pele e restos de peles queimadas soltas. São mais profundas; provocam necrose e visível dilatação do leito vascular. As queimaduras podem ser: ✓ Superficial: a base da bolha é rósea, úmida e dolorosa; ✓ Profunda: a base da bolha é branca, seca, indolor e menos dolorosa. 16.2.3 Terceiro grau São queimaduras de espessura total, podendo atingir a exposição dos tecidos, vasos e ossos. Como há destruição das terminações nervosas, o acidentado só acusa dor inicial da lesão aguda. São queimaduras de extrema gravidade.
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    16.2.4 Análise dograu da queimadura Uma pessoa pode apresentar os três graus de queimaduras, porém, a gravidade não reside no grau da lesão, e sim na extensão da superfície atingida. Grau Causa Profundidade Cor Enchimento Sensação de dor 1º Grau Luz Solar ou chamuscação pouco intensa Epiderme Vermelhidão Presente Dolorosa 2º Grau Chamuscação ou líquidos ferventes Epiderme e Derme Vermelhidão e Bolhas Presente Dolorosa 3º Grau Chama Direta Todas as Camadas Branca, preta ou marrom Ausente Pouca dor anestesiada Quanto maior a extensão da queimadura, maior é o risco que corre o acidentado. Uma queimadura de primeiro grau, que abrange uma vasta extensão, será considerada de muita gravidade, visto que a pele possui diversas funções. Ela isola o organismo de seu ambiente, controla a temperatura, fornece informações para o cérebro sobre o meio ambiente. Sendo assim, qualquer lesão na pele interromperá essas funções. 16.3 Estimativa de Extensão Para melhor entendermos a avaliação da extensão das queimaduras, é importante conhecermos a chamada "regra dos nove", um método muito útil para o cálculo aproximado da área de superfície corporal queimada.
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    O grau demortalidade das queimaduras está relacionado com a profundidade e extensão da lesão e com a idade do acidentado. Queimaduras que atinjam 50% da superfície do corpo, são geralmente fatais, especialmente em crianças e em pessoas idosas. A figura a seguir é adotada, comumente, para calcular e avaliar a extensão das queimaduras, em função da superfície corporal total, segundo a "regra dos nove". O pescoço, que está incluído na região da cabeça, representa 1% da superfície corporal. Queimaduras nas seguintes áreas são consideradas lesões graves:  Mãos e pés podem produzir incapacidade permanente após o processo de cicatrização, devido às retrações;  Na face, associa-se com queimaduras de vias aéreas, inalação de fumaça, intoxicação por monóxido de carbono e desfiguração;  Nos olhos pode causar cegueira;  O períneo tem alta incidência de infecção, sendo difícil o tratamento;  Qualquer queimadura circunferencial profunda, pode causar complicações graves;  No pescoço, pode causar obstrução de vias áreas;
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     No tórax,pode causar restrição à ventilação pulmonar e nas extremidades, obstrução à circulação. 16.4 Níveis de Gravidade Além do grau da profundidade, as queimaduras podem ainda ser classificadas como graves, moderadas e leves. 16.4.1 Graves É toda a queimadura, de qualquer grau e extensão, se houver complicação por lesão do trato respiratório. Queimadura de terceiro grau na face, mão e pé, e queimadura de segundo grau, que tenha atingido mais de 30% da superfície corporal. 16.4.2 Moderadas São as queimaduras de primeiro grau, que tenham atingido mais de 50% da superfície corporal, ou, queimaduras de segundo grau, que tenham atingido mais de 20% da superfície corporal, sem atingir face, mãos e pés, ou, queimaduras de terceiro grau, que tenham atingido até 10% da superfície corporal, sem atingir face, mãos e pés. 16.4.3 Leves Queimaduras de primeiro grau, com menos de 20% da superfície corporal atingida e/ou queimaduras de segundo grau, com menos de 15% da superfície corporal atingida, ou queimaduras de terceiro grau, com menos de 2% da superfície corporal atingida. 16.5 Primeiros Socorros As queimaduras podem ocorrer de diferentes formas, sendo as principais, as queimaduras térmicas, queimaduras químicas, queimaduras por eletricidade, queimaduras por frio ou geladuras.
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    16.5.1 Primeiros socorrosem queimaduras térmicas Estes tipos de queimaduras são causados pela condução de calor, através de líquidos, sólidos, gases quentes e do calor de chamas. Podem ser extremamente dolorosas, e nos casos de queimaduras de segundo grau profundas ou de terceiro grau, em que a profundidade da lesão tenha destruído terminais nervosos da pele, a dor aguda é substituída por insensibilidade. Nas queimaduras térmicas, extensas e/ou profundas, é frequente sobrevir o estado de choque, causado pela dor e/ou perda de líquidos, após algumas horas. Em consequência disto, devem ser tomadas as medidas necessárias para a prevenção. Nas queimaduras identificadas como sendo de primeiro grau, deve-se limitar à lavagem com água corrente, na temperatura ambiente, por um máximo de um minuto. Este tempo é necessário para o resfriamento local, para interromper a atuação do agente causador da lesão, aliviar a dor e para evitar o aprofundamento da queimadura. O resfriamento mais prolongado pode induzir hipotermia. Não aplicar gelo no local, pois causa vasoconstrição e diminuição da irrigação sanguínea. Se o acidentado sentir sede, deve ser-lhe dada toda a água que desejar beber, porém lentamente. Sendo possível, deve-se adicionar à água sal (uma colher de café, de sal para meio litro de água). Se o acidentado estiver inconsciente, não lhe dê água, pois pode ocasionar- lhe a morte.
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    Em todos oscasos de queimaduras, mesmo as de primeiro grau, é conveniente ficar atento, para a necessidade de manter o local lesado limpo e protegido contra infecções. As queimaduras de segundo grau, requerem outros tipos de cuidados para primeiros socorros. Além do procedimento imediato de lavagem do local lesado, proteger o mesmo com compressa de gaze ou pano limpo umedecido, ou papel alumínio. Não furar as bolhas que venham a surgir no local. Não aplicar pomadas, cremes ou unguentos de qualquer tipo. Especial menção deverá ser feita quanto a certos hábitos populares prejudiciais como: uso e aplicação de creme dentifrício, manteiga, margarina ou graxa de máquina. É preciso ficar bem claro que não se pode usar qualquer espécie de medicamento tópico (pomadas) nestes casos. Nada deve ser dado à vítima como medicamento. Remover joias e vestes do acidentado, para evitar constrição, com o desenvolvimento de edema. Não retirar roupas ou partes de roupa que tenham grudado no corpo do acidentado, nem retirar corpos estranhos que tenham ficado na queimadura após a lavagem inicial. O acidentado deverá ser encaminhado imediatamente para atendimento especializado. Não transportar o acidentado envolvido em panos úmidos ou molhados. O atendimento de primeiros socorros para queimaduras de terceiro grau, também consiste na lavagem do local lesado e na proteção da lesão. Se for possível, proteger a área com papel alumínio. O papel alumínio separa, efetivamente, a lesão do meio externo; diminui a perda de calor; é moldável, não aderente e protege a queimadura contra microrganismos. Todas as providências tomadas para prevenção do estado de choque, administração de líquidos e cuidados gerais com vítima, são as mesmas aplicadas nos casos de queimaduras de segundo grau. As queimaduras de terceiro grau têm a mesma gravidade que queimaduras de segundo grau profundas. O acidentado de queimadura térmica na face, cujo acidente ocorreu em ambiente fechado, deve ficar em observação, para verificação de sinais de lesão no trato respiratório. Os sintomas e sinais, muitas vezes, podem aparecer algumas horas depois da ocorrência e representar oclusão dos brônquios e edema pulmonar. Pode haver expectoração fuliginosa, com fragmentos de tecidos.
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    16.5.2 Primeiros socorrosem queimaduras químicas, ácidos e bases Os ácidos ou álcalis fortes, podem queimar qualquer área do organismo com a qual entrem em contato. Este contato é mais frequente com a pele, boca e olhos, afetando estes órgãos. Substâncias químicas podem queimar rapidamente; não há tempo a perder, porém, a pessoa que estiver atendendo o acidentado, deverá, basicamente, saber que as tentativas de neutralização química da substância, podem gerar reações como produção de calor e piora da lesão e que pode se contaminar ao fazer este atendimento. A área de contato deve ser lavada imediatamente com água, até mesmo sem esperar para retirar a roupa. Continuar a lavar a área com água, enquanto a roupa é removida. A melhor lavagem é feita com o acidentado debaixo de um chuveiro. Pode também ser feita com uma mangueira, mas, neste caso, a força do jato d’água deve ser levada em consideração. O jato de água muito forte contra um tecido já lesado, causará maior lesão. O fluxo de água deve ser abundante, mas não pode ser forte. É impossível determinar exatamente, por quanto tempo uma área queimada por substância química deve ser lavada com água. Em geral, a água deve correr por um período de tempo, longo o suficiente para que possamos ter certeza de que toda a substância foi removida da pele. Frequentemente, o acidentado será capaz de dizer se a irritação parou ou se a dor diminui, na medida em que a substância é removida. O tempo mínimo de 15 minutos, têm se mostrado eficaz.
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    As lesões dasqueimaduras ocasionadas por agentes químicos, aparecem quase que imediatamente após o acidente; há dor e visível destruição dos tecidos. Os cuidados subsequentes às queimaduras produzidas por ácidos e álcalis são semelhantes: cobrir a queimadura com curativo esterilizado e transportar o acidentado imediatamente, para atendimento especializado. O diagnóstico de queimadura do trato respiratório, por inalação de substâncias de combustão incompleta (potentes irritantes da mucosa respiratória), será feito através do histórico de exposição a vapores ou gases tóxicos, em acidentes em ambientes fechados ou não. Alguns gases provocam distúrbios sensoriais, que só se manifestam algumas horas após o acidente. Há presença de hiperemia (vermelhidão) da mucosa nasal e faríngea, rouquidão, dispneia e tosse com expectoração sanguinolenta. A principal complicação deste tipo de queimadura é o risco de edema pulmonar, até 72 horas após o acidente. Observa-se que somente a inalação de vapor destas substâncias, causa lesão térmica direta no trato respiratório. Cuidados especiais com os olhos:  Os olhos devem receber tratamento especial;  Queimaduras dos olhos são mais comuns em acidentes com substâncias irritantes (ácidos, álcalis), água quente, vapor, cinzas quentes, pó explosivo, metal fundido ou chama direta;  As queimaduras químicas dos olhos são emergência prioritária, podendo haver lesão permanente, resultante de uma pequena exposição destes tecidos a uma substância química. O olho deve ser lavado com água, conforme o prescrito para as outras áreas do corpo, usando-se o fluxo contínuo de uma torneira, ou, de preferência, do próprio chuveiro lava-olhos, existente em muitos laboratórios. A lavagem deve durar no mínimo 15 minutos. Podemos ser obrigados a manter a cabeça do acidentado sob a torneira e as pálpebras abertas durante este tratamento, porque, geralmente, o acidentado será incapaz de cooperar. Provavelmente sentirá muita dor e estará agitado;  O cuidado posterior para as queimaduras oculares, deve incluir o fechamento delicado do olho com a pálpebra, colocação de um curativo macio e transporte do paciente, o mais rápido possível, para assistência especializada.
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    16.5.3 Queimaduras poreletricidade Estas queimaduras são produzidas pelo contato com eletricidade de alta ou baixa voltagem. Os principais danos à saúde do acidentado são os provocados pelo choque elétrico. Os danos resultam dos efeitos diretos da corrente e conversão da eletricidade em calor, durante a passagem da eletricidade pelos tecidos. São difíceis de avaliar, pois dependem da profundidade da destruição celular, e mesmo as lesões que parecem superficiais, podem ter danos profundos, alcançando os ossos, necrosando tecidos, vasos sanguíneos e provocando hemorragias. A severidade do trauma, depende do tipo de corrente, magnitude da energia aplicada, resistência, duração do contato e caminho percorrido pela eletricidade. A corrente de alta tensão, geralmente causa os danos mais graves, porém, lesões fatais podem ocorrer mesmo com as baixas voltagens das residências. A pele é o fator mais importante na resistência à passagem da eletricidade, mas a umidade reduz muito esta resistência, podendo aumentar, em muito, a gravidade do choque. A corrente alternada é mais perigosa que a corrente contínua de mesma intensidade. O contato com a corrente alternada, pode causar contrações tetânicas da musculatura esquelética, que impedem que o acidentado se libere da fonte de eletricidade, e prolongam a duração da exposição à corrente. O fluxo de corrente transtorácico, mão a mão, tem maior risco de ser fatal que a passagem de corrente mão para pé ou pé a pé. A complicação mais importante das queimaduras elétricas é a parada cardíaca. A lesão local nestas queimaduras, raramente necessita de cuidado imediato, porém, as paradas respiratórias e cardíacas sim. Geralmente, a parada
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    respiratória ocorre primeiroe, se não for tratada de imediato, é rapidamente seguida pela parada cardíaca. As queimaduras elétricas podem ser mais graves do que aparentam na observação inicial. Em geral, a ferida é pequena, porém a corrente elétrica destrói caracteristicamente, uma quantidade considerável de tecido, abaixo do que parece ser uma ferida cutânea sem gravidade. A parada cardiorrespiratória é a principal causa de óbito após a lesão elétrica. A parada respiratória pode ser causada na passagem da corrente elétrica pelo cérebro, causando inibição da função do centro respiratório, contração tetânica do diafragma e da musculatura torácica e paralisia prolongada dos músculos respiratórios. 16.5.3.1 Primeiros socorros A segurança da cena é prioridade. Não se torne também uma vítima. Desligar a fonte de energia, antes de tocar no acidentado. Não tente manipular alta voltagem com pedaços de pau, ou mesmo luvas de borracha. Qualquer substância pode se transformar em condutor. É prioridade interromper o contato entre o acidentado e a fonte de eletricidade. Cubra o local da queimadura com um curativo seco esterilizado ou papel alumínio e transporte o acidentado para atendimento especializado. Estas queimaduras da pele, frequentemente existem em duas áreas do corpo, nos sítios de entrada e saída, geradas pelo arco elétrico.
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    Procurar sempre umasegunda área queimada e tratá-la como se fez com a primeira. As roupas do acidentado podem incendiar-se e causar queimaduras de pele adicionais. A passagem da corrente através dos músculos, pode causar violenta contração muscular, com fraturas e luxações. Pode haver lesão muscular e de nervos. A lesão de órgãos internos, como o fígado e baço é rara. As queimaduras elétricas, especialmente aquelas de alta voltagem, podem provocar parada cardíaca e perda de consciência. Abrir as vias áreas dos acidentados inconscientes, com manobras manuais, instituindo a respiração artificial. Solicitar, imediatamente, apoio se o acidentado estiver inconsciente. Observar cuidados com a coluna cervical. 16.5.4 Queimaduras por frio ou geladuras O frio também pode causar queimaduras e lesões nas partes do corpo, expostas por muito tempo a baixas temperaturas ou umidade excessiva. A exposição a temperaturas no ponto de congelamento ou abaixo deste, ou mesmo ao frio extremo, ainda que por curto período de tempo, pode causar geladuras. Podem ocorrer lesão tecidual local delimitada e resfriamento corporal generalizado, que pode causar morte (hipotermia). Na improbabilidade de acidentes graves, devido à exposição ao frio intenso em nosso país, é conveniente apenas lembrar alguns detalhes importantes: ● Lesões pelo frio dependem da temperatura, da umidade relativa do ar, da velocidade do vento;
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    ● O usode roupas adequadas para condições ambientais extremas deverá ser observado por todos que tenham que trabalhar sob estas circunstâncias. Os equipamentos de proteção individual, que servem para isolar o frio, podem causar dificuldades na movimentação, quer para segurar objetos, quer porque a visão fica prejudicada. As luvas e as botas, com a umidade, podem congelar as mãos e os pés. Isso pode levar a acidentes de trabalho, como quedas, quedas de materiais, congelamento das mãos e dos pés, desmaios, etc. Cremes e óleos protetores para nariz, lábios e face também são usados nestas condições; ● Dependendo do tipo de exposição ao frio, podem ocorrer as seguintes lesões: ✓ úlceras; ✓ pé-de-trincheira; ✓ hipotermia sistêmica; ● As lesões causadas pelo frio são extremamente dolorosas; ● Deve-se ficar atento para a insuficiência cardiorrespiratória em caso de hipotermia sistêmica; ● Há risco de infecção grave no descongelamento de uma área lesada; ● A hipotermia é uma gravíssima emergência médica. O atendimento médico especializado deverá ser prioritário. 16.5.4.1 Primeiros socorros No caso de congelamento dos pés ou das mãos: ● Levar o acidentado a um local aquecido, mantendo-o deitado; ● Tirar imediatamente os equipamentos de segurança; ● Aquecer as partes congeladas com água quente (não fervente) ou panos molhados com água quente, realizando massagens delicadas para ativar a circulação nas partes próximas do membro congelado (nunca massagear diretamente a parte congelada); ● Dar bebidas quentes, como chá ou café (nunca bebidas alcoólicas); ● Pedir ao acidentado para movimentar os pés ou as mãos, para ajudar na recuperação da circulação. No caso de desmaio em ambientes frios:
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    ● Retirar imediatamenteo acidentado do ambiente de trabalho; ● Retirar todos os equipamentos de segurança, incluindo a roupa (nunca deixar o acidentado com as mesmas roupas); ● Cobrir com um cobertor quente, ou dar um banho de água quente; ● Fornecer bebidas quentes, como chá ou café, se estiver consciente (nunca bebidas alcoólicas); ● Levar imediatamente ao atendimento especializado. Lembre-se: Os métodos de prestação de primeiros socorros, começam a ser aplicados, somente depois de termos realizado as manobras de suporte básico à vida, hemostasia, prevenção de choque e assistência a outras lesões que possam colocar em risco a vida do acidentado ou piorar seu estado clínico. Queimaduras podem ser lesões extremamente dolorosas e com sérias consequências psicológicas, dependendo de sua localização, extensão e profundidade. Não demonstrar apreensão. Atuar com calma, rapidez, segurança e bastante compreensão. A tranquilidade do acidentado é fundamental. Nunca romper as bolhas. Não retirar as roupas queimadas que estiverem aderidas à pele. Não submeter à ação da água, uma queimadura com bolhas rompidas. Separar a causa do acidentado ou o acidentado da causa. Cobrir cuidadosamente com um pano limpo as partes queimadas, pois estes ferimentos são vulneráveis à infecção. Tomar medidas apropriadas para prevenção do choque. Ajudar o acidentado a obter atendimento qualificado.
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    17 Hemorragias: Internae Externas 17.1 Introdução Acidentes provocados por quedas ou pancadas, podem provocar cortes ou ferimentos que, em alguns casos, podem evoluir para uma hemorragia externa ou interna, dependendo da gravidade. A hemorragia ocorre quando há uma possível perda de sangue, devido a ruptura dos vasos sanguíneos. 17.2 Tipos de Hemorragias Existem dois tipos de hemorragias, sendo elas, interna ou externa. 17.2.1 Hemorragia externa Fonte: http://www.ergoss.com.br
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    É o tipode sangramento exterior ao corpo, ou seja, que é facilmente visível. Pode ocorrer em camadas superficiais da pele, por cortes ou perfurações, ou mesmo, atingindo áreas mais profundas, através de aberturas ou orifícios gerados por traumas. Pode ser contida, utilizando técnicas de primeiros socorros. 17.2.2 Hemorragia interna A hemorragia interna se dá nas camadas mais profundas do organismo, como músculos ou mesmo órgãos internos. Ela pode ser oculta ou exteriorizar-se, através de algum hematoma (mancha arroxeada) na região da hemorragia. A hemorragia interna costuma ser mais grave, pelo fato de que, na maioria dos casos, ser “invisível”, o que dificulta sabermos a dimensão e a extensão das lesões. 17.3 Sintomas da Hemorragia
  • 110.
    Durante uma hemorragia,a pessoa pode apresentar sintomas como taquicardia e palidez, e se o atendimento médico demorar muito, podem ocorrer isquemias temporárias dos tecidos (quando ocorre a falta de suprimento sanguíneo para outros tecidos do corpo). Os sintomas da hemorragia aumentam, de acordo com o grau de sangramento. Por exemplo, no caso da hemorragia grau leve, o paciente apresenta sintomas como leve aumento da frequência cardíaca. Já no caso da hemorragia intensa, podem ser notados taquicardia extrema, dificuldades para sentir a pulsação da pessoa, até a perda total da consciência. 17.4 Primeiros Socorros Como proceder em casos de hemorragia: ● É necessário manter e transmitir calma diante da situação, passando à vítima confiança; ● Deite a pessoa em posição horizontal, pois facilita a circulação sanguínea entre o coração e o cérebro; ● Aplique sobre o corte, perfuração ou ferimento, uma compressa com gaze, ou um pano limpo (se possível, use luvas descartáveis, a fim de evitar possíveis contaminações), fazendo uma pressão firme sobre o local, com uma ou com as duas mãos, ou mesmo com um dedo, ou ainda uma ligadura, dependendo do tamanho e do local do ferimento;
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    ● Se opano ou gaze ficar encharcado com sangue, este não deve ser trocado, mas mantido no lugar e colocado outro por cima, para não interromper o processo de coagulação do sangue que está sendo contido; ● Continuar a compressão até que a hemorragia estanque (no mínimo 10 min.); ● Em seguida, faça uma ligadura compressiva (que é um curativo bem preso e com certa pressão sobre a região afetada) no local da hemorragia; ● Durante todo esse processo, deve-se manter a vítima calma e acordada. Não dar nada para comer ou para beber e mantê-la aquecida; ● Mantenha os procedimentos até a chegada do serviço médico especializado. Hemorragia na palma da mão, por ser um local que contém muitos vasos sanguíneos, pode provocar hemorragias abundantes. Dependendo do acidente, por ser uma situação muito grave, que exige cuidados imediatos ou até socorro em hospital, seguem os cuidados necessários: ● Orientar que o ferido feche fortemente a mão em um rolo de pano ou compressas esterilizadas; ● Enfaixar a mão com uma ligadura; ● Posicionar e fixar, com ajudar de um lenço ou outro tecido, o braço da mão acidentada, de modo a manter a mão ferida sempre levantada. Em hemorragias nasais (sangramentos no nariz), que é causada pela ruptura dos vasos sanguíneos da mucosa no nariz: ● Deve-se elevar a cabeça da vítima com o tronco inclinado para frente, para que ela não acabe engolindo sangue; ● Comprimir as narinas que sangram com os dedos; ● Aplicar gelo ou compressas frias; ● Não assoar; ● Caso o sangramento não cesse, deve-se colocar um tampão, de algodão ou gaze, de maneira a preencher bem a cavidade nasal. Nunca deite a vítima de hemorragia nasal ou coloque qualquer substância no local da hemorragia.
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    18 Picadas eFerroadas de Animais Peçonhentos 18.1 Introdução Os acidentes com animais peçonhentos, são aqueles causados por animais que produzem veneno e o secretam, através de estruturas inoculadoras especializadas, como por exemplo, presas, ferrões e espinhos. Dentre os vários animais peçonhentos, destacamos algumas espécies de serpentes, escorpiões, aranhas, abelhas, vespas, lagartas, formigas, entre outros. Devido a grande exposição dos trabalhadores a picadas e ferroadas de animais peçonhentos, a FUNDACENTRO, em conjunto com o Instituto Butantan, publicaram o livro “Prevenção de Acidentes com Animais Peçonhentos”, no ano de 2011. 18.2 Acidentes Causados por Serpentes
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    Entre os animaispeçonhentos mais perigosos estão as serpentes, que podem levar a sérios acidentes. De acordo com a quantidade de veneno introduzido, uma picada do animal poderá levar a morte ou incapacitar o acidentado, quando não socorrido em tempo hábil e tratado de forma correta, com a aplicação dos soros apropriados. As vítimas mais comuns são trabalhadores rurais. 18.2.1 Tipos de serpentes No Brasil, existem mais de 392 espécies de serpentes, conforme segue os tipos abaixo: Jararacas São as serpentes responsáveis por cerca de 90% dos acidentes ofídicos registrados no país. Também são conhecidas por jararacuçu, urutu, jararaca do rabo
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    branco, cotiara, caiçaca,surucucurana, patrona, jararaca-pintada, preguiçosa e outros. As jararacas são de coloração variada, com padrão de desenhos semelhantes a um V invertido. O corpo é fino, medindo aproximadamente um metro de comprimento. Sintomas: Dor, inchaço e manchas arroxeadas na região da picada. Pode haver sangramento no local, e em outras partes do corpo, como nas gengivas, ferimentos recentes e urina. É possível haver complicações, como infecções e morte do tecido no local picado, nos casos extremos, os rins podem parar de funcionar. Surucucu
  • 115.
    Responsável por cercade 1,5% dos acidentes ofídicos registrados no país. Também é conhecida por surucucu pico de jaca, surucutinga, malha-de fogo e outros. É caracterizada por ser a maior das serpentes peçonhentas das Américas. As escamas da parte final da cauda são arrepiadas, com ponta lisa. Sintomas: Os principais sintomas da picada de uma surucucu é dor e inchaço no local, semelhante a picada da jararaca, podendo haver sangramentos, vômitos, diarreia e queda da pressão arterial. Cascavel
  • 116.
    É responsável por8% dos acidentes ofídicos registrados no país. Também é conhecida por maraboia, boicininga, boiquira, maracá e outros. Caracterizada pela coloração marrom-amarelada e corpo robusto, medindo aproximadamente um metro. Possui fosseta loreal e apresenta caracteristicamente chocalho ou guizo na cauda. Não tem por hábito atacar e, quando ameaçada, começa a balançar a cauda, emitindo o ruído do chocalho ou guizo. Sintomas: No local da picada não há alterações, a vítima apresenta visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento. Pode haver dor muscular e a urina torna-se escura, algumas horas depois do acidente. O risco de afetar os rins é maior do que nos acidentes com jararaca. Coral
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    É responsável porcerca de 0,5% dos acidentes ofídicos registrados no país. Também conhecida por coral verdadeira, ibiboboca, boicorá e outros. São serpentes de pequeno e médio porte. Seu corpo é coberto por anéis vermelhos, pretos, brancos ou amarelos, podendo variar de acordo com a região que a mesma habita. É importante prestar atenção nas cores da coral, pois existem serpentes não venenosas, com colorações semelhantes às das corais verdadeiras, que são conhecidas como falsas corais. Sintomas: No local da picada não se observa alteração importante, porém, a vítima apresenta visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento. Pode haver aumento na salivação e insuficiência respiratória. 18.2.2 Primeiros socorros
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    Em caso depicadas de serpentes, algumas medidas devem ser tomadas, para evitar problemas futuros: ✓ Não amarre o braço ou a perna acidentada. O torniquete ou garrote dificulta a circulação do sangue, podendo produzir necrose ou gangrena e não impede que o veneno seja absorvido; ✓ Não se deve cortar o local da picada, alguns venenos podem provocar hemorragias e o corte aumentará a perda de sangue; ✓ Não adianta chupar o local da picada. É impossível retirar o veneno do corpo, pois ele entra imediatamente na corrente sanguínea. A sucção pode piorar as condições do local atingido; ✓ Não coloque folhas, querosene, pó de café, terra, fezes e outras substâncias no local da picada, pois elas não impedem que o veneno vá para o sangue, ao contrário, podem provocar uma infecção, assim como os cortes; ✓ Evite que o acidentado beba querosene, álcool e outras substâncias tóxicas que, além de não neutralizar a ação do veneno, podem causar intoxicação; ✓ Mantenha o acidentado deitado, em repouso, com a parte atingida em posição mais elevada, evitando que ele ande ou corra; ✓ Retire anéis, pulseiras ou qualquer outro objeto que possa impedir a circulação do sangue; ✓ Leve imediatamente o acidentado ao serviço de saúde, para que ele receba soro e atendimento adequados; ✓ O soro, quando indicado, deve ser aplicado o mais breve possível e em quantidade suficiente, por profissional habilitado. Deve ser específico para a serpente que o picou. Ex.: o soro antibotrópico para picadas de jararaca não é eficaz para picadas de cascavel (deve ser o soro anticrotálico) ou de coral, soro antielapídico.
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    18.3 Acidentes causadospor Aranhas e escorpiões Considerando a variedade de organismos que pertencem à classe Arachnida (os aracnídeos), entre as quais, poucas são nocivas ao ser humano, ou seja, causam dano à saúde humana, é necessário um intenso controle desses pequenos animais, em razão da síntese de venenos potencialmente prejudiciais, em alguns casos levando à morte. 18.3.1 Tipos de Aranhas e Escorpiões As aranhas e os escorpiões, são animais peçonhentos e existe uma grande variedade desses animais, em especial as aranhas, com cerca de 40 mil espécies identificadas; e os escorpiões, com aproximadamente 1600 espécies e subespécies catalogadas.
  • 120.
    Aranhas armadeiras Este tipode arranha se caracteriza por ter o corpo coberto de pelos curtos, de coloração marrom-acinzentada, com manchas claras, formando pares no dorso do abdômen e não constroem teias. Sintomas: As picadas de aranhas armadeiras, pode, muitas vezes, gerar dor forte imediata e intensa, sendo acompanhada de inchaço discreto no local da picada. Nos casos mais graves, que ocorrem principalmente com crianças, pode haver suor intenso, enjoos, vômitos, agitação, alteração no batimento cardíaco e choque. Aranha marrom
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    É caracterizada porum corpo revestidos de pelos curtos e sedosos, de cor marrom-esverdeada, com desenho claro, em forma de violino ou estrela, não são aranhas agressivas, picando apenas quando comprimidas contra o corpo. Sintomas: Muitas vezes, a picada não é dolorosa e por isso não é percebida. Horas depois do acidente, aparece vermelhidão, endurecimento e dor no local, que podem ser acompanhados de bolhas e escurecimento da pele. Pode correr também febre, mal-estar, dor de cabeça, vermelhidão no corpo todo e escurecimento da urina. Viúva negra
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    Este tipo dearanha é geralmente de cor preta, sem pelos evidentes, de aspecto liso, com ou sem manchas vermelhas no abdômen, que é bastante redondo. Algumas espécies têm coloração marrom e no ventre há uma mancha avermelhada, em forma de ampulheta. Sintomas: Após a picada deste animal, a dor é de média intensidade no local da picada, acompanhada de contrações musculares. Também pode ocorrer agitação, sudorese e alterações circulatórias. Compressas quentes e anestesia local para alívio da dor, são suficientes na grande maioria dos casos. No caso de acidentes com viúva negra, não há soro disponível no Brasil. O acidentado deve ser hospitalizado, para controle das alterações. Escorpiões
  • 123.
    Os escorpiões apresentamtronco e cauda. Possuem mãos na forma de pinças. No final da cauda encontra-se o télson, contendo uma bolsa de veneno e o ferrão, são animais carnívoros, alimentam-se principalmente de insetos, como grilos e baratas. Os escorpiões podem ser classificados como: ✓ Escorpião Amarelo; ✓ Escorpião Preto ou Marrom. 18.3.2 Primeiros socorros Compressas quentes e anestesia local para alívio da dor, são suficientes na grande maioria dos casos. O soro antiaracnídico e antiescorpiônico, somente são utilizados, se houver grandes manifestações.
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    18.4 Acidentes causadospor Lagartas Venenosas São também conhecidas por vários nomes, conforme a região: taturana, mandarová, oruga, ruga, sauí, lagarta de fogo, chapéu-armado, taturana-gatinho, taturana-de-flanela, entre outros. As taturanas ou lagartas, são formas larvais de borboletas e mariposas. A reação imediata após o contato é de ardência ou queimação, com inchaço local. Nos acidentes por Lonomia oblíqua, pode ocorrer hemorragia após algumas horas (gengivas, urina). Também podem haver problemas com o funcionamento dos rins (insuficiência renal) e sangramento grave. Já o contato com a lagarta Pararama, apresenta-se, inicialmente, o quadro inflamatório no local, semelhante ao causado por outras espécies de lagarta. Uma maior exposição, pode levar a artrites crônicas deformantes. Como atingem predominantemente as mãos, a deformidade nos dedos pode impossibilitar o trabalho. 18.4.1 Primeiros socorros Recomenda-se fazer compressas frias e anestesia local para alívio da dor. Porém, deve-se, imediatamente, encaminhar a vítima para o atendimento médico.
  • 125.
    18.5 Acidentes causadospor Abelhas, Vespas e Formigas As abelhas, vespas, formigas e os marimbondos, são bastantes conhecidos e úteis na polinização, na produção de mel e de outros produtos. O maior problema está ligado as ferroadas, ou mordidas, que acontecem quando molestados. Os acidentes ocorrem devido a presença de um ferrão com a glândula de veneno que, introduzida na pele, libera substâncias tóxicas. Abelhas e mamangavas: são insetos sociais de pequeno porte, que vivem em colmeias. Possuem colorido escuro, e às vezes listrado, com pelos ramificados ou plumosos, principalmente na região da cabeça e do tórax e o seu ferrão localiza- se na extremidade do corpo, que fica na pele da pessoa que foi ferroada.
  • 126.
    Vespas e marimbondos:se diferenciam das abelhas, principalmente pelo estreitamento entre o tórax e o abdome. Ao contrário das abelhas, não deixam ferrão na pele da pessoa ferroada. Formigas: são insetos agressivos, que atacam em grande número se o formigueiro for perfurado. As formigas saúva são capazes de produzir cortes na pele humana. 18.5.1 Sintomas
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    Na maioria daspessoas ocorre apenas dor, inchaço, vermelhidão e coceira no local da ferroada. Porém, deve-se levar em conta que algumas pessoas são alérgicas. Nestes casos podem ocorrer obstrução das vias aéreas e choque anafilático, levando a pessoa a morte, mesmo com uma única ferroada. Nos casos de múltiplas ferroadas, em geral acima de cem, desenvolve-se um quadro tóxico generalizado, denominado síndrome de envenenamento, com aumento de batidas do coração e da pressão sanguínea, distúrbio de coagulação e alterações cardíacas. As formigas tocandira, podem ocasionar dor intensa e, eventualmente, reações generalizadas (sistêmicas), como calafrios, sudorese e taquicardia. Já a ferroada pela formiga-correição é menos dolorosa. 18.5.2 Primeiros socorros Após a picada, devem ser feitas compressas frias no local. Pode ser necessária a aplicação de outros medicamentos e, nos casos mais graves, cuidados
  • 128.
    de terapia intensiva.Por isso, é necessário o rápido encaminhamento a um serviço médico. Nas ferroadas de abelhas, a remoção do ferrão deve ser feita com uma lâmina esterilizada rente a pele, para evitar que haja compressão da glândula de veneno contida no ferrão. Não utilizar pinças.
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    19 Intoxicação ouEnvenenamento 19.1 Introdução Numerosas substâncias químicas e partículas sólidas, originadas nas atividades comercial, agrícola, industrial e laboratorial, são potencialmente tóxicas para o homem. Intoxicações ou envenenamentos, podem ocorrer por negligência ou ignorância no manuseio de substâncias tóxicas, especialmente no ambiente de trabalho. A presença de substâncias tóxicas, estranhas ao organismo, pode levar a graves alterações de um ou mais sistemas fisiológicos. 19.2 Substâncias comuns nas intoxicações
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    Devemos conhecer ostipos de substâncias tóxicas manipuladas no nosso ambiente de trabalho, bem como os antídotos para estas substâncias. Apesar da extensa variedade de substâncias tóxicas, que provocam diferentes reações, em diversos sistemas do organismo, o ambiente de trabalho laboratorial é particularmente propício à existência de alguns agentes tóxicos. As poeiras são partículas sólidas de tamanhos variados, produzidas pelo manuseio e impacto mecânico de equipamentos, máquinas e ferramentas, contra materiais orgânicos e inorgânicos. As poeiras flutuam no ar e podem ser inaladas ou entrar em contato com as mucosas. Dependendo de sua origem, podem provocar lesões de diferentes gravidades, para quem as aspire ou com elas entre em contato. A fumaça é uma mistura de gases, vapores e partículas, derivadas do aquecimento e queima de substâncias. A agressão causada pela fumaça, varia de acordo com a sua composição, com o agente gerador da fumaça, e, muitas vezes, com sua temperatura. Os fumos são partículas microscópicas, produzidas pela condensação de metais fundidos. A respiração se torna também uma via de intoxicação. As névoas e neblinas, são gotículas que ficam em suspensão, a partir da condensação de vapores, que podem ser tóxicos ao serem respirados. Podem ser provocadas pela nebulização, espumejamento ou atomização de substâncias químicas orgânicas. Os vapores são formas gasosas de compostos químicos que, na temperatura e pressão ambiente, apresentam-se em outro estado físico. Os vapores se formam a partir do aumento da temperatura ou pela diminuição da pressão de compostos químicos. São formas físicas que se difundem muito rapidamente e com facilidade em qualquer ambiente. Os gases são fluídos sem forma própria, que se espalham com muita facilidade por todo o ambiente que os contém. São geralmente invisíveis e, quase sempre, inodoros.
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    O indivíduo tambémpode ingerir substâncias tóxicas como: ● Produtos de limpeza; ● Remédios - sedativos e hipnóticos; ● Plantas venenosas; ● Alucinógenos e narcóticos; ● Bebidas alcoólicas; ● Inseticidas, raticidas, formicidas; ● Soda cáustica; ● Derivados de petróleo; ● Ácidos, álcalis, fenóis; ● Alimentos estragados ou que sofreram contaminação química. No ambiente de trabalho, encontraremos muitas destas formas físicas e químicas que podem, por vezes, provocar intoxicações ou envenenamento. 19.3 Sintomas Como suspeitar de envenenamento Deve-se suspeitar da existência de envenenamento na presença dos seguintes sinais e sintomas: Sinais evidentes, na boca ou na pele, de que a vítima tenha mastigado, engolido, aspirado ou estado em contato com substâncias tóxicas, elaboradas pelo homem ou animais.
  • 132.
    Hálito com odorestranho (cheiro do agente causal no hálito). Modificação na coloração dos lábios e interior da boca, dependendo do agente causal. Dor, sensação de queimação na boca, garganta ou estômago. Sonolência, confusão mental, torpor ou outras alterações de consciência. Estado de coma alternado com períodos de alucinações e delírio. Vômitos. Lesões cutâneas, queimaduras intensas, com limites bem definidos ou bolhas. Depressão da função respiratória. Diminuição ou ausência de volume urinário. Queda de temperatura, que se mantém abaixo do normal. Evidências de estado de choque eminente. Paralisia. Quadro: Suspeitas de envenenamento. Fonte: Fiocruz, 2015 19.4 Primeiros Socorros 19.4.1 Inalação ● Isolar a área; ● Identificar o tipo de agente que está presente no local onde foi encontrado o acidentado; ● Quem for realizar o resgate, deverá utilizar equipamentos de proteção próprios para cada situação, a fim de proteger a si mesmo;
  • 133.
    ● Remover oacidentado, o mais rapidamente possível, para um local bem ventilado; ● Solicite atendimento especializado; ● Verificar rapidamente os sinais vitais. Aplicar técnicas de ressuscitação cardiorrespiratória, se for necessária. Não faça respiração boca-a-boca, caso o acidentado tenha inalado o produto. Para estes casos, utilize máscara ou outro sistema de respiração adequada; ● Manter o acidentado imóvel, aquecido e sob observação. Os efeitos podem não ser imediatos. Observação: Estes procedimentos só devem ser aplicados, se houver absoluta certeza, de que a área onde se encontra, juntamente com o acidentado, está inteiramente segura. É importante deixar esclarecido o fato de que a presença de fumaça, gases ou vapores, ainda que pouco tóxicos, em ambientes fechados, pode ter consequências fatais, porque estes agentes se expandem muito rapidamente e tomam o espaço do oxigênio presente, provocando asfixia. 19.4.2 Contato com a pele Algumas substâncias podem causar irritação ou destruição tecidual, através do contato com a pele, mucosas ou olhos. Além de poeiras, fumaça ou vapores, pode ocorrer contato tóxico com ácidos, álcalis e outros compostos. O contato com estes agentes pode provocar inflamação ou queimaduras químicas nas áreas afetadas.
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    A substância irritanteou corrosiva, deverá ser removida o mais rapidamente possível. O local afetado deverá ser lavado com água corrente, pura, abundantemente. Se as roupas e calçados do acidentado estiverem contaminados, a remoção destas deverá ser feita sob o mesmo fluxo de água da lavagem, para auxiliar na rápida remoção do agente, e estes deverão ser isolados. Não fazer a neutralização química da substância tóxica. A lavagem da pele e mucosa afetada, com água corrente, tem demonstrado ser a mais valiosa prevenção contra lesões. Em caso de contato com gases liquefeitos, aqueça a parte afetada com água morna. 19.4.3 Ingestão Muitas intoxicações ocorrem pela ingestão de agentes tóxicos, líquidos ou sólidos. O grau de intoxicação varia com a toxicidade da substância e com a dose ingerida. Ao confirmar que houve ingestão de substância tóxica ou venenosa, verificar imediatamente os sinais vitais e assegurar de que a vítima respira. Proceder segundo a técnica, para os casos de parada cardiorrespiratória.
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    Como primeiros socorrosdeve-se: ● Dar prioridade à parada cardiorrespiratória. Não faça respiração boca-a-boca, caso o acidentado tenha ingerido o produto, para estes casos utilize máscara ou outro sistema de respiração adequado; ● Identificar o agente, através de frascos próximos do acidentado, para informar o médico ou procurar ver nos rótulos ou bulas, se existe alguma indicação de antídotos; ● Observar atentamente o acidentado, pois os efeitos podem não ser imediatos; ● Procurar transportar o acidentado imediatamente a um pronto-socorro, para diminuir a possibilidade de absorção do veneno pelo organismo, mantendo-o aquecido. Não provocar vômito em vítimas inconscientes e nem de envenenamento pelos seguintes agentes: • Veneno que provoque queimadura dos lábios, boca e faringe; • Soda cáustica; • Alvejantes; • Tira-ferrugem; • Água com cal; • Amônia; • Desodorante; • Derivados de petróleo como querosene, gasolina, fluído de isqueiro, benzina, lustra-móveis; • Substância corrosiva forte, como: ácidos e lixívia. O conhecimento dos sinais e sintomas dos envenenamentos mais comuns, costuma ser de grande valor no diagnóstico. Correlações serão estabelecidas pelo médico entre o quadro do acidentado e quadros clínicos dos tóxicos suspeitos. Nos casos duvidosos, a confirmação do agente tóxico tem que se basear na pesquisa laboratorial. Em todos os casos de envenenamentos e intoxicações, é importante investigar toda a área onde o acidentado foi encontrado, na tentativa de identificar,
  • 136.
    com a maiorprecisão possível, o agente causador do envenenamento, ou encontrar pistas que ajudem nesta identificação. Muitos indícios são úteis nesta dedução: frascos de remédios, produtos químicos, materiais de limpeza, bebidas, seringas de injeção, latas de alimentos, caixas e outros recipientes. Muitas pessoas supõem que exista um antídoto para a maioria ou a totalidade dos agentes tóxicos. Infelizmente isto não é verdade. Existem apenas alguns produtos específicos para certos casos e que, mesmo assim, necessitam de orientação médica para serem usados.
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    20 Movimentação eRemoção de Vítima 20.1 Introdução A remoção ou movimentação de um acidentado, deve ser feita com um máximo de cuidado, a fim de não agravar as lesões existentes. Antes da remoção da vítima, devem-se tomar as seguintes providências:  Se houver suspeita de fraturas no pescoço e nas costas, evite mover a pessoa;  Para puxá-la para um local seguro, mova-a de costas, no sentido do comprimento, com auxílio de um casaco ou cobertor;  Para erguê-la, você e mais duas pessoas devem apoiar todo o corpo e colocá-la numa tábua ou maca, lembrando que a maca é o melhor jeito de se transportar uma vítima. Se precisar improvisar uma maca, use pedaços de madeira, amarrando cobertores ou paletós;  Apoie sempre a cabeça, impedindo-a de cair para trás;  Na presença de hemorragia abundante, a movimentação da vítima pode levar rapidamente ao estado de choque;  Se houver parada respiratória, inicie imediatamente a massagem cardíaca;  Imobilize todos os pontos suspeitos de fratura;  Se houver suspeita de fraturas, amarre os pés do acidentado e o erga em posição horizontal, como um só bloco, levando até a sua maca;  No caso de pessoa inconsciente, mas sem evidência de fraturas, duas pessoas bastam para o levantamento e o transporte. ATENÇÃO Dê sempre preferência ao atendimento médico especializado.
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    Movimente o acidentadoo menos possível. O transporte deve ser feito sempre em baixa velocidade, por ser mais seguro e mais cômodo para a vítima.
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    21 Telefone Úteis 21.1Introdução Há órgãos e departamentos governamentais especializados em atender situações de emergência, os quais, em toda ocorrência, devem ser acionados, ainda que os primeiros socorros já estejam sendo realizados. Esse contato explica-se porque todo caso acidental ou clínico, deve passar por uma avaliação médica, para excluir possíveis sequelas e também para restabelecer plenamente a vítima. A seguir, alguns telefones úteis e a atribuição específica de cada instituição, todos com ligação totalmente gratuita: 21.2 Corpo de bombeiros – 193 Solicitar em casos de emergências, incêndios, acidentes domésticos, de trânsito, resgate de vítimas, e em situações que não é possível realizar os primeiros socorros. São encarregados de realizar o transporte das vítimas a uma unidade de saúde especializada, de acordo com o caso específico.
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    21.3 Polícia Militar– 190 Responsável por fazer atendimentos prévios, no caso de ser o primeiro serviço especializado a chegar ao local; manter a ordem do fluxo de trânsito e de pessoas (curiosos); apurar circunstâncias do acidente e em eventualidades, realizar o transporte de vítimas. 21.4 SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) – 192 É um serviço específico de atendimentos de urgência, criado por uma portaria do Ministério da Saúde, e gerido pela Secretaria de Saúde de cada estado ou município. Realiza um serviço de atendimento às vítimas de acidentes e estados clínicos que necessitam de acompanhamento, realizando um atendimento prévio no próprio local ou dentro de ambulâncias, enquanto as vítimas são transportadas a um hospital ou unidade de saúde mais próximos. 21.5 Polícia Rodoviária Federal – 191
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    Em casos deacidentes em rodovias mais isoladas de grandes centros, é recomendável acionar o serviço da PRF, pois é a instituição que, provavelmente, estará mais próxima da ocorrência, uma vez que é a polícia responsável por zelar pelo bom fluxo em rodovias nacionais. 21.6 Defesa Civil – 199 É um órgão nacional, responsável por organizar prevenções de acidentes e desastres naturais ou de grandes proporções e trabalhos de resposta a esses acontecimentos, como medidas de remoção de famílias em áreas potencialmente de risco de desmoronamentos, deslizamentos e alagamentos. 21.7 Disque Intoxicação (ANVISA) – 0800-722-6001
  • 142.
    É um serviçocriado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de esclarecer pessoas e profissionais de saúde quanto às ocorrências, envolvendo intoxicações dos mais diversos tipos.
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    22 Referências 22.1 Bibliografia BRASIL.Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. FIOCRUZ. Manual de primeiros socorros. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2003. BEGNO, Wanderley. NR11: transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais: técnicas e aspectos gerais de segurança. Santa Cruz do Rio Pardo. São Paulo: Viena, 2016. CHAPLEAU, Will. Manual de emergências. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2011. Conheça os sistemas. 2016. Disponível em: <http://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/>. Acesso em: 16 ago. 2016. Fundação Oswaldo Cruz. Conteúdo da caixa de primeiros socorros. 2016. Disponível em: <http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/virtual tour/hipertextos/up2/conteudo_primeiro_socorro.html>. Acesso em: 18 maio 2016. FUNDACENTRO; BUTANTAN, Instituto. Prevenção de acidentes com animais peçonhentos. São Paulo: Fundacentro, 2001. HAFEN, Brent; KARREN, Keith; FRANDSEN, Kathryn. PRIMEIROS SOCORROS PARA ESTUDANTES. 10.ed. Brasil: Manole, 2014. IMAGENS. 2018. Disponível em: <https://br.freepik.com/>. Acesso em: 09 abr. 2018. IMAGENS. 2018. Disponível em: <https://pixabay.com/>. Acesso em: 09 abr. 2018. PORTO ALEGRE - RS. Manual de primeiros socorros para leigos. Porto Alegre: Núcleo de Educação Permanente. SAMU, 2013. Sistemas do corpo humano. 2016. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/sistemas-do-corpo-humano/>. Acesso em: 16 ago. 2016. SOCIEDADE DE PEDIATRIA DO RS. Rio Grande do Sul. Comitê de Terapia Intensiva. Orientações para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes: Queimaduras, 2017. Técnica de transporte de vítimas. 2017. Disponível em: <http://www.inf.furb.br/sias/sos/textos/tecnica_transp_vitima.htm>. Acesso em: 18 out. 2017.