Competências Básicas
Presidência da República
Ministério da Educação
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
Módulo de Competências Básicas




   O FNDE e o apoio às políticas públicas para a educação básica.



                             MEC / FNDE
                            Brasília, 2010
                         3a edição atualizada
Colaboradores conteudistas                   Projeto gráfico e diagramação
Adalberto Domingos da Paz                    Virtual Publicidade, CESPE/UnB e UFMT
Delarim Martins Gomes
                                             Revisão Ortográfica
Élida Maria Loureiro Lino
                                             Vinícius Carvalho Pereira
Oreste Preti
Revisão e Atualização 3ª Edição              Ilustrações
UFMT                                         Zubartez e CESPE/UnB
                                             Impressão e acabamento
                                             CESPE/UnB




   B823c Brasil. Ministério da Educação (MEC).
               Módulo Competências Básicas / Fundo Nacional de Desenvolvimento
               da Educação - 3.ed., atual. – Brasília : MEC, FNDE, 2010.
                 106 p. : il. color. – (Formação pela Escola)
                 Acompanhado de caderno de atividades (22 p.)

               1. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). 2.
               Financiamento da educação. 3. Políticas públicas – Educação. 4.
               Programas e ações – FNDE. 5. Formação continuada a distância –
               FNDE. 6. Formação pela Escola – FNDE. I. Brasil. Ministério da
               Educação. II. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.
               III. Título. IV. Série.

                                                               CDU 37.014.543
Sumário
Contextualização do módulo _____________________________________________________________________ 6
Plano de ensino do módulo ______________________________________________________________________ 7
Metodologia e dinâmica do curso __________________________________________________________________ 9
Para começo de conversa _______________________________________________________________________11
Unidade I – Políticas públicas na área social _________________________________________________________17
Unidade II – Políticas para a educação básica ________________________________________________________29
Unidade III – Financiamento da educação básica _____________________________________________________43
Unidade IV – O controle social no âmbito das políticas públicas para a educação __________________________65
Unidade V – Os programas do FNDE _______________________________________________________________77
Retomando a conversa inicial ____________________________________________________________________91
Nossa conversa não se encerra aqui _______________________________________________________________96
     Referências bibliográficas __________________________________________________________________96
     Referências webgráficas / sítios ______________________________________________________________96
Glossário ____________________________________________________________________________________98
Contextualização do módulo

                                   O Programa Nacional de Formação Continuada a Distância nas Ações do FNDE – Formação pela Escola – foi
                                 desenvolvido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério da Educa-
                                 ção (MEC). Ele utiliza a metodologia de educação a distância com o objetivo principal de capacitar os agentes,
                                 parceiros, operadores e conselheiros envolvidos com a execução, acompanhamento, avaliação e prestação de
                                 contas de ações e programas financiados com recursos do orçamento do FNDE.
                                    Nesse contexto, o Formação pela Escola oferece um conjunto de módulos de estudo aos colaboradores da
                                 autarquia, situados em cada recanto do nosso país. O desenho pedagógico do programa prevê que o cursista
                                 tenha acesso a um módulo introdutório, denominado módulo de Competências Básicas, intitulado “O FNDE e
                                 o apoio às políticas públicas para a educação básica”, e a vários módulos temáticos, que tratam dos mais impor-
                                 tantes programas e ações da esfera educacional.
                                    Com o módulo de Competências Básicas, desejamos disponibilizar a você, cursista, informações sobre as
                                 políticas públicas na área da educação executadas pelo governo federal, o financiamento dessas políticas e o
                                 papel do FNDE no apoio a sua efetivação. Há, também, o propósito de identificar como a sociedade pode rea-
                                 lizar o acompanhamento e o controle social dos recursos públicos destinados à educação.
                                    Essas informações são de suma importância para a compreensão das ações e programas do FNDE no alcan-
                                 ce dos objetivos da política educacional brasileira, promovendo a oferta e o acesso de todos à educação públi-
Módulo de Competências Básicas




                                 ca de qualidade. Por essa razão, o módulo de Competências Básicas é obrigatório a todos os alunos que irão
                                 participar dos cursos oferecidos pelo Programa Formação pela Escola.
                                   Você está animado para começar? Então, comece lendo atentamente o plano de ensino do módulo para
                                 conhecer detalhadamente os objetivos de aprendizagem e o conteúdo programático, entre outras informa-
                                 ções.




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Plano de ensino do módulo

O FNDE e o apoio às políticas públicas para a educação básica

Carga horária: 40 horas

Período de duração: Mínimo de 30 dias e máximo de 45 dias




Objetivos do módulo
  Este módulo tem como objetivo possibilitar a você, cursista, conhecimentos e informações que lhe
permitam:
:: compreender o sentido das políticas públicas na área social, no contexto de uma sociedade capitalista;
:: reconhecer as políticas para a educação básica, no contexto da globalização e do pensamento neoli-
   beral;
:: conhecer as fontes de financiamento da educação básica e os mecanismos para que a comunidade
   faça o acompanhamento e o controle social dos recursos destinados à educação;




                                                                                                            Módulo de Competências Básicas
:: conhecer a dinâmica dos conselhos que atuam no controle das ações, programas e projetos educacio-
   nais, e como se dá a participação da comunidade nesses conselhos;
:: reconhecer o papel social do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) no apoio
   às políticas públicas para a educação básica, mediante a implementação de diferentes programas e
   ações.

Conteúdo programático
  O conteúdo deste módulo se divide em cinco temas de estudo, distribuídos da seguinte forma:


                                                                                                                  7
Unidade I – Políticas públicas na área social
                                   Objetivos específicos:
                                 :: definir sociedade, Estado, governo e políticas públicas;
                                 :: compreender o sentido das políticas públicas no campo social.
                                 Unidade II – Políticas para a educação básica
                                   Objetivos específicos:
                                 :: definir globalização e neoliberalismo;
                                 :: reconhecer as atuais políticas educacionais no Brasil.
                                 Unidade III – Financiamento da educação básica
                                   Objetivos específicos:
                                 :: identificar a legislação que garante recursos financeiros para a educação;
                                 :: explicar o que é o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
                                    Profissionais da Educação (Fundeb) e definir a sua função.
                                 Unidade IV – O controle social no âmbito das políticas públicas para a educação
                                   Objetivos específicos:
                                 :: definir controle social;
                                 :: descrever o papel dos conselhos no controle social;
Módulo de Competências Básicas




                                 :: conhecer os diferentes conselhos no âmbito dos programas do FNDE.
                                 Unidade V – Os programas do FNDE
                                   Objetivos específicos:
                                 :: explicar a função principal do FNDE na implementação de políticas públicas para a educação;
                                 :: apontar os principais programas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.




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Metodologia e dinâmica do curso

   Este curso utiliza a metodologia de ensino-aprendizagem a distância, por meio de materiais didáticos
com os quais você realizará seus estudos de forma autônoma; de encontros presenciais, nos quais você
será introduzido aos estudos dos módulos e fará a socialização e avaliação da aprendizagem; e de um
sistema de tutoria, para apoiar você com orientações sobre os estudos e ajudá-lo em suas dificuldades.

1. O material didático se constitui de:
:: Caderno de estudo: dividido em “unidades de estudo”, além de apresentar o plano de ensino do módu-
   lo, introdução, indicações bibliográficas, glossário e conclusão.
:: Caderno de atividades: em que constam as atividades de verificação da aprendizagem relativas às
   unidades de estudo do módulo. Os exercícios do caderno de atividades foram preparados com a fina-
   lidade de estimular a relação entre a prática e as reflexões teóricas e conceituais trazidas pelo caderno
   de estudo.

2. Haverá três encontros presenciais, com duração de 4 horas cada um e com data, hora
   e local de realização a serem informados a você no ato da matrícula no curso:




                                                                                                               Módulo de Competências Básicas
:: Encontro presencial inicial: tem como objetivos apresentar a você o Programa Formação pela Escola,
   orientar sobre seu funcionamento e dinâmica de realização, bem como fazer a introdução ao módulo
   de competências básicas.
:: Encontro presencial intermediário: os objetivos desse encontro são levar você e seus colegas a avalia-
   rem e sociabilizarem a aprendizagem do módulo de Competências Básicas e fazer a introdução aos
   estudos dos módulos temáticos. Também nesse encontro você deverá entregar a atividade final do
   módulo de Competências Básicas.
:: Encontro presencial final: esse encontro tem o propósito de avaliar e socializar a aprendizagem dos
   módulos temáticos, tomando como referência o trabalho final do curso, que você deverá entregar ao
   tutor até três dias antes do encontro.
                                                                                                                     9
Outro objetivo dos encontros presenciais é que os cursistas estabeleçam com o tutor e entre si um elo
                                 de comunicação que seja mantido ao longo dos estudos e pelo qual todos troquem ideias, se ajudem
                                 mutuamente e construam coletivamente a aprendizagem.

                                 3. Sistema de tutoria:
                                    Ao longo do curso, você terá à sua disposição, em seu município, tutores que o orientarão e ajudarão
                                 em suas dificuldades com os estudos dos módulos. Você será instruído sobre os locais, dias e horários de
                                 tutoria presencial no encontro presencial inicial, quando também será informado sobre a possibilidade
                                 de tutoria on-line (via internet), de acordo com as estratégias e as condições de atendimento estabeleci-
                                 das pelo tutor.

                                 4. Sistema de avaliação da aprendizagem:
                                   Você será avaliado pelo grau de dedicação aos estudos dos módulos, pela presença e participação nos
                                 encontros presenciais e pela realização dos trabalhos finais, propostos no caderno de atividades de cada
                                 módulo.
                                    Observação: as atividades relativas às unidades de estudo dos módulos, disponíveis no caderno de ati-
                                 vidades, não serão avaliadas; são exercícios propostos para a fixação e sistematização da aprendizagem e
                                 serão corrigidos pelo próprio cursista, utilizando os gabaritos e as chaves de correção. Isso não significa,
                                 no entanto, que você não possa discutir ou tirar suas dúvidas com o tutor sobre as atividades. Lembre-se:
                                 embora não sejam avaliados, a realização desses exercícios, além de muito importante para a sua apren-
                                 dizagem, é um indicativo do seu grau de empenho nos estudos, um dos itens de avaliação.
Módulo de Competências Básicas




                                    Além de ser avaliado pelo tutor, você deverá realizar uma autoavaliação. Ou seja, você irá verificar a
                                 sua trajetória no curso e o desenvolvimento de sua aprendizagem desde o ingresso até a conclusão no
                                 Formação pela Escola. Para tanto, você deve tomar como base a resolução de suas atividades e as mudan-
                                 ças ocorridas em relação a atitudes e valores, à compreensão do sistema social, político, educacional e
                                 tecnológico que fundamentam a nossa sociedade e ao fortalecimento dos laços de solidariedade e de
                                 uma postura cidadã mais ativa.




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Para começo de conversa




  Prezado cursista,
  Seja bem-vindo ao Programa Formação pela Escola!
  Trata-se de uma iniciativa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do
Ministério da Educação (MEC), para que você e sua comunidade escolar possam conhecer melhor os
programas desenvolvidos pelo FNDE e o papel desses programas na concretização dos objetivos da




                                                                                                          Módulo de Competências Básicas
política educacional brasileira.
   A expectativa é que o Formação pela Escola prepare cidadãos que atuem em parceria com o governo,
de modo a buscar a melhoria da escola, facilitando o acesso, a permanência e o desenvolvimento de
crianças, jovens e adultos matriculados nos diferentes níveis e modalidades de ensino.
   Você está de parabéns por se inscrever neste programa! Isso demonstra seu desejo de participar ainda
mais do cotidiano de sua comunidade. Por intermédio da sua atuação nas ações e programas do gover-
no federal, exercendo o “controle social”, não restam dúvidas de que os recursos de nossos impostos
destinados à educação serão mais bem utilizados. Quem ganha somos todos nós – a comunidade local,
a sociedade e o Brasil –, com escolas de qualidade para formar e desenvolver nosso povo. Essas ações e
programas financiados pelo FNDE, somados ao projeto pedagógico das escolas e ao plano de educação

                                                                                                          11
do seu município, podem transformar a educação de nosso          conhecimento dos principais conselhos gestores de políticas
                                 país.                                                            públicas que dizem respeito aos programas e ações do FNDE.
                                    Boas-vindas também à capacitação referente ao módulo             Finalmente, a quinta unidade, “Os programas do FNDE”,
                                 de Competências Básicas, que proporcionará conhecimen-           proporcionará uma visão dos programas e ações do FNDE
                                 tos sobre políticas públicas educacionais implementadas          e, de maneira particular, daqueles que fazem parte do Pro-
                                 pelo governo federal.                                            grama Formação pela Escola, que são: o Programa Dinheiro
                                   Sua formação continuada, então, tem início com este            Direto na Escola – PDDE –, os Programas de Transporte do
                                 módulo, que tratará das seguintes temáticas:                     Escolar – PTE –, os Programas do Livro – Pli – e o Programa
                                                                                                  Nacional de Alimentação Escolar – PNAE.
                                    Na primeira unidade, “Políticas públicas na área social”,
                                 serão discutidos o conceito e o sentido das políticas públicas      Assim, esperamos que, ao final das atividades deste
                                 no campo social – com que finalidade são executadas, a que        módulo, você seja capaz de:
                                 segmentos da sociedade visam atender prioritariamente e
                                                                                                   :: compreender o sentido das políticas públicas na área
                                 qual o projeto de sociedade que elas procuram concretizar.
                                                                                                      social, no contexto de uma sociedade capitalista;
                                     Na segunda unidade, “Políticas para a educação básica”, o
                                                                                                   :: reconhecer as políticas para a educação básica, no con-
                                 foco da abordagem serão as políticas para a educação imple-
                                                                                                      texto da globalização e do pensamento neoliberal;
                                 mentadas nos últimos anos no Brasil, buscando compreen-
                                 dê-las dentro da atual conjuntura social e econômica, iden-       :: conhecer as fontes de financiamento da educação básica
                                 tificando os aspectos legais em que se sustentam e as ações          e os mecanismos para que a comunidade faça o acompa-
                                 executadas a partir dessas políticas.                                nhamento e o controle social dos recursos destinados à
                                                                                                      educação;
                                    Para implementar e dar suporte a essas políticas, são des-
                                 tinados recursos financeiros em todos os níveis de governo        :: conhecer a dinâmica dos conselhos que atuam no contro-
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                                 (federal, estadual e municipal). Por isso, a terceira unidade,       le das ações, programas e projetos educacionais e como
                                 “Financiamento da educação básica”, tratará do financia-             se dá a participação da comunidade nesses conselhos;
                                 mento da educação, do Fundeb e das obrigações dos gesto-          :: reconhecer o papel social do Fun-                do
                                 res na aplicação adequada dos recursos financeiros e da for-         Nacional de Desenvol-vimento da
                                 ma como a comunidade escolar pode participar no controle             Educação (FNDE) no apoio às polí-
                                 social de todo esse processo.                                        ticas públicas para a educação
                                    Na quarta unidade, “O controle social no âmbito das polí-         básica, mediante a implemen-
                                 ticas públicas para a educação”, o estudo estará direcionado         tação de diferentes programas e
                                 para as questões relacionadas com a democracia participa-            ações.
                                 tiva, com a efetivação do controle social, bem como para o
12
Esses objetivos foram elaborados considerando que a         Problematizando
finalidade principal do Programa Formação pela Escola é
possibilitar a você e à comunidade escolar não somente o                   Por que iniciar sua formação con-
conhecimento das políticas educacionais e seus programas,             tinuada com o módulo de Competên-
mas sensibilizá-los a participarem da construção da cidada-          cias Básicas?
nia de maneira efetiva, para que atuem com consciência e
espírito crítico e colaborativo nos programas do FNDE e nos         Qual a importância em ampliar sua visão
rumos da educação na sua região e no país.                       e compreensão sobre as políticas
                                                                 e ações que um determinado
   Transformar a escola que temos em uma escola de qua-          governo implementa?
lidade não é tarefa somente de um governo. Cabe a todos
nós, na condição de cidadãos, tornarmos isso possível pelo         Qual o papel que você deve
conhecimento mais aprofundado das políticas educacionais,        desempenhar como cidadão
das metas a serem alcançadas e dos programas implementa-         nesse contexto?
dos e pela participação efetiva na implantação e no acompa-
nhamento dessas ações.
   Para aprofundar seus conhecimentos, no tópico “Nossa
conversa não se encerra aqui”, ao final deste módulo, você
encontrará indicações de obras e de sítios na internet rela-
cionados aos temas que aqui serão tratados, pelos quais
poderá pesquisar e navegar.
   No final do módulo, há também um glossário com os con-




                                                                                                                               Módulo de Competências Básicas
ceitos dos principais termos aqui utilizados.
   Você, certamente, dará continuidade à sua formação polí-
tica, à construção de sua cidadania, buscando pessoalmen-
te mais informações, lendo outros textos, conversando com
outras pessoas, participando de discussões e fóruns, promo-
vendo encontros com especialistas etc.
   Então, propomos a você, antes de entrar no conteúdo pro-       Não se preocupe! Não queremos que você responda de
priamente dito, um momento de reflexão. Veja as questões       imediato a essas questões. Temos a certeza de que, ao longo
do “Problematizando”.                                          do curso, as respostas serão construídas e de que, certamen-
                                                               te, outras interrogações surgirão. Mas, para estimulá-lo mais

                                                                                                                               13
ainda, queremos propor-lhe um desafio. Leia a situação críti-
                                 ca descrita a seguir e pense no que você faria para solucioná-       tários de administração e de educação, professores das
                                 la.                                                                  redes municipal e estadual, os tutores, os alunos matricu-
                                                                                                      lados no curso de Pedagogia e algumas pessoas da comu-
                                  Um prefeito assumiu um município recém-emancipado,                  nidade, curiosas por saber o que ali se passava. Ouvimos
                                  na região leste de Mato Grosso, em uma área de recente              calmamente a exposição dos presentes. O prefeito, apoia-
                                  ocupação e com fluxo intenso de imigrantes. Durante seu             do pelo secretário de finanças, afirmava que os recursos
                                  primeiro ano de gestão, o número de matrículas no ensi-             financeiros para a educação eram escassos para atender
                                  no fundamental da rede municipal cresceu de maneira                 as crescentes demandas: de matrículas, de construção de
                                  vertiginosa: de 400 matrículas, efetuadas no ano anterior,          salas de aula e de contratação de professores. Informou
                                  passou para 1.200. O secretário de educação, em um pri-             que o município recebia dinheiro do Fundo de Manuten-
                                  meiro momento, efetuou a contratação de novos profes-               ção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valo-
                                  sores para atender ao número crescente de alunos. Preo-             rização do Magistério (Fundeb)1, que esses recursos eram
                                  cupado com a questão da qualificação, em entendimento               insuficientes e não podiam ser utilizados para custear cur-
                                  com o prefeito e por pressão dos professores, solicitou à           so superior. O secretário de educação, por sua vez, alegava
                                  Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) a abertura               não possuir competência para administrar esses recursos,
                                  de 100 vagas para o curso de Licenciatura em Pedagogia,             ficando a cargo do secretário de administração e do pre-
                                  na modalidade a distância. Foi assinado convênio entre a            feito a decisão de como aplicá-los. Sua preocupação era
                                  UFMT e a prefeitura. Os professores fizeram o vestibular e          com o trabalho pedagógico, mas solicitava, dos presen-
                                  se matricularam, mas o curso não pôde começar. O pre-               tes, sugestões e apoio para encaminhar projetos ao MEC
                                  feito havia recuado, alegando que não poderia mais exe-             com o objetivo de conseguir liberação de mais verbas. Os
                                  cutar o convênio, pois os recursos eram insuficientes para          professores, no entanto, discordavam do prefeito quanto
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                                  tantas necessidades educacionais, como transporte, estra-           ao fato de não haver dinheiro suficiente para a educação,
                                  das, merenda, material didático, ampliação da rede física           mas, ao mesmo tempo, desconheciam o balancete da pre-
                                  das escolas, pagamento de professores etc. Ele não queria           feitura, o montante de dinheiro disponível a ser aplicado
                                  ser acusado, posteriormente, pelo Tribunal de Contas, por           na educação e a existência ou não de mecanismos para
                                  desobedecer à “Lei de Responsabilidade Fiscal”, gastando            controle dos gastos públicos. Simplesmente afirmavam
                                  acima do estabelecido.                                              seu direito de cursar gratuitamente a graduação pretendi-
                                                                                                      da, pois os gestores municipais haviam se comprometido
                                  Nós, representantes do Ministério da Educação, fomos ao
                                                                                                      com a oferta do curso.
                                  município. À noite, em um salão ajeitado com simplicida-
                                  de, para o encontro e iluminado pelas luzes fracas produzi-
                                  das por motores a diesel, encontramos o prefeito, os secre      1
                                                                                                       O Congresso Nacional aprovou o Fundeb, em dezembro de 2006, passando a vigorar a
                                                                                                       partir de janeiro de 2007.
14
Como resolver esse problema?




   Se você estivesse naquela região, que caminhos você encontraria e sugeriria para solucionar o impas-
se?
   Reflita sobre essa situação durante a leitura das unidades deste módulo. Pense
em como os conhecimentos que você está adquirindo poderão
ajudá-lo a solucionar não apenas essa situação exposta por
nós, mas também outras, reais, das quais tenha conheci-
mento.
   Esperamos que o módulo de Competências Básicas
possa motivá-lo a expandir seus conhecimentos e con-
tribua para sua caminhada no Formação pela Escola.
E não esqueça que essa caminhada não pode ser
individual, um compromisso apenas seu. Ela
de se tornar uma caminhada coletiva. Procure
envolver mais pessoas em seu município, em sua
escola, em seu local de trabalho etc.
  Então, vamos começar o estudo da unidade I.




                                                                                                          Módulo de Competências Básicas
  Boa leitura e muita disposição nesse início de
curso!




                                                                                                          15
Unidade I
Políticas públicas
na área social
Unidade I

Políticas públicas na área social2
                          Introdução
                             Nesta unidade, queremos propor-lhe que faça como uma
                          águia voando alto para melhor enxergar o que acontece lá
                          embaixo, no vale; ou como uma gaivota observando o que
                          acontece na praia ou no mar. Certamente, você já deve ter
                          subido um morro, ou ter ido até o terraço de um prédio, ou
                          ter voado de avião. O que acontece? Lá de cima, você tem
                          uma visão panorâmica, enxerga mais longe. Vê estradas, pon-
                          tes, rios, casas, a direção que os veículos tomam, identifica
                          áreas com características comuns, percebe como os bairros
                          estão interligados e separados ao mesmo tempo. Seu olhar
                          se expande e você se surpreende ao ver como é sua cidade,
                          o local em que você mora, não é?
                          Ou seja, olhando do alto você tem uma visão ampla, geral,
                          da estrutura de um todo. Tal perspectiva lhe dá melhores
                          condições para compreender as partes que compõem esse
                          todo.




                                                                                          Políticas públicas na área social
                             Assim, acreditamos ser importante que você amplie sua
                          visão sobre as ações e políticas públicas que determinado
                          governo implementa durante sua gestão, pois isso lhe per-
                          mitirá entender e intervir de maneira efetiva nos programas
                          do FNDE na comunidade em que você está inserido, contri-
                          buindo, então, com sua cidadania.


                          2
                              Unidade elaborada por Oreste Preti.

                                                                                          19
Desse modo, esperamos que, ao final desta uni-
                                  dade, você seja capaz de:                                      Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa.
                                  :: definir sociedade, Estado, governo e políticas públicas;    Passados quinze minutos, ouviu a voz do filho, que o cha-
                                                                                                 mava calmamente:
                                  :: identificar o sentido das políticas públicas no campo
                                     social.                                                     – Papai, papai, já fz tudo. Consegui terminar tudinho.
                                                                                                 A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria
                                    Para começar, reflita um pouco sobre o seu papel como        impossível, na sua idade, ter conseguido recompor um
                                 cidadão participativo lendo a breve anedota que nos che-        mapa que jamais havia visto.
                                 gou pelo correio eletrônico há muito tempo, em fevereiro de     Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações,
                                 1999.                                                           certo de que veria um trabalho digno de uma criança.
                                                                                                 Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os peda-
                                                                                                 ços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como
                                  Um cientista vivia preocupado com os problemas do mun-         seria possível? Como o menino havia sido capaz?
                                  do e estava resolvido a encontrar meios de solucioná-los.      – Você não sabia como era o mundo, meu filho... Como
                                  Passava dias em seu laboratório em busca de respostas          conseguiu?
                                  para suas dúvidas.
                                                                                                 – Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você
                                  Certa feita, seu filho de sete anos invadiu o seu “santuá-     tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro
                                  rio”, decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista, nervoso    lado havia a figura de um homem. Quando você me deu
                                  pela interrupção, insistiu para que o menino fosse brincar     o mundo para consertar, eu até tentei, mas não consegui.
                                  em outro lugar. Vendo que o filho não lhe obedecia, o pai      Foi então que me lembrei do homem. Então, virei os recor-
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                                  procurou algo que pudesse ocupar e distrair o garoto. De       tes e comecei a consertar o homem que eu já conheço
                                  repente, deparou-se com o mapa do mundo e pensou: “É           bem. Quando consegui consertar o homem, virei do outro
                                  isso!”.                                                        lado e vi que dessa forma eu havia também consertado o
                                  Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários        mundo.
                                  pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou-o
                                  ao filho, dizendo:
                                  – Você gosta de quebra-cabeças, não é? Então vou dar-lhe         Essa anedota pode nos dizer uma coisa bem simples: se
                                  o mundo para consertar. Aqui está o mundo, todo quebra-       você quer participar do “conserto” do mundo, comece do seu
                                  do. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho. Faça tudo    local de trabalho, do seu município, da sua escola. Lembre-
                                  sozinho.

20
se de que, para tanto, você precisa se informar, conhecer o         Somente com essa compreensão é que podemos jun-
modo como as coisas funcionam, o porquê e para que elas          tar os pedaços (programas, ações, propostas, projetos etc.),
foram criadas. É o conhecimento que lhe proporcionará os         unindo-os e dando-lhes sentido e direção na construção de
argumentos necessários para defender suas ações.                 uma sociedade humanizada e solidária. Portanto, é funda-
   Por isso:                                                     mental compreender o que está se passando em nosso país,
   É importante que você aprenda a fazer uma leitura das         no mundo, no campo das políticas sociais e, em nosso caso
políticas de um governo. Busque entender qual é o projeto        particular, nas políticas educacionais.
de sociedade que ele deseja construir, quem se beneficia            Nossa expectativa é dar a você, a partir das informações
com essas políticas, quais grupos o estão apoiando etc.          disponíveis neste módulo, os conhecimentos necessários
   Precisamos ter clareza quanto ao mundo que desejamos          para que sua intervenção nos programas e ações do FNDE
para nós e para nossos filhos – qual projeto de sociedade está   seja mais clara, mais objetiva e mais eficiente, possibilitando
sendo implementado pelos governos que se sucedem no              que as mudanças aconteçam.
poder. É importante que possamos nos envolver nessa mis-            Portanto, leia com muita atenção esta unidade I, pois lhe
são, na arrumação do quebra-cabeça desse mundo desarru-          servirá de base para discutir o conteúdo das próximas uni-
mado.                                                            dades.


                                                                        A finalidade dos programas do FNDE não é, tão-somen-
                                                                     te, levar recursos financeiros para serem utilizados ade-
                                                                     quadamente dentro da escola, mas também propiciar for-
                                                                     mação cidadã à comunidade escolar.




                                                                                                                                   Políticas públicas na área social
                                                                   Comecemos, então, buscando compreender a sociedade
                                                                 em que vivemos.

                                                                 1. Sociedade, Estado e governo
                                                                   Você já deve ter lido, ouvido falar ou assistido ao flme que
                                                                 narra as aventuras de Robinson Crusoé³, o único sobrevivente
                                                                 de um naufrágio, que se salvou e foi atirado pelas ondas em
                                                                 uma ilha tropical. Durante muitos anos, esse homem viveu iso-
                                                                 3
                                                                     O filme Robson Crusoé - de Luis Buñuel - 1952, 89 min.


                                                                                                                                   21
lado de outras pessoas, somente na companhia de animais...            Pois é, para que as pessoas pudessem viver juntas, em
                                 Viveu do jeito que bem quis, até ser encontrado por um navio       comunidade, o homem se organizou de diversas maneiras,
                                 e regressar ao seu país de origem. Essa obra, do escritor inglês   produzindo, assim, sua cultura, seus valores e buscando dife-
                                 Daniel Defoe (1660-1731), é um clássico da literatura mundial,     rentes meios para sobreviver.
                                 adaptada ao português por Monteiro Lobato (1882-1948).
                                    Porém, a situação desse náufrago não é algo comum.
                                                                                                                   A sociedade é resultante do “agru-
                                 Não vivemos sozinhos. Vivemos em comunidades, peque-
                                                                                                                pamento” de indivíduos que se orga-
                                 nas ou grandes, cada uma com seus costumes, sua cultura,
                                                                                                                nizam, a partir de objetivos, valores e
                                 suas normas, sua maneira de viver e de se organizar. Nessas
                                                                                                                normas comuns, e que se relacionam
                                 sociedades, existem pessoas com hábitos, gostos, vontades
                                                                                                                para produzir seus meios e condições
                                 e sonhos diferentes.
                                                                                                                de vida, num processo dinâmico, em
                                                                                                                contínua transformação.


                                           Você consegue imaginar como seria o mun-
                                      do se cada um fizesse o que bem desejasse e                     Trata-se, pois, de uma “organização dinâmica”, construí-
                                   impusesse aos outros sua maneira de pensar e viver?              da pelos homens em relações entre si e com a natureza, em
                                                                                                    determinados momentos.
                                                                                                       A ciência da História nos conta um pouco da trajetória
                                                                                                    da humanidade na construção de diferentes tipos e mode-
                                                                                                    los de sociedade (tribal, feudal, capitalista). Nosso objetivo
                                                                                                    aqui não é o de resgatar essa história e, sim, o de abordar
Módulo de Competências Básicas




                                                                                                    os aspectos que estruturam a sociedade brasileira. Ou seja,
                                                                                                    nesta unidade, busca-se compreender o que se passa atual-
                                                                                                    mente em nossa sociedade. A sociedade brasileira se orga-
                                                                                                    niza sob um regime de economia capitalista, um regime de
                                                                                                    governo democrático e presidencialista, estando sob os cui-
                                                                                                    dados de um Estado e de um governo.
                                                                                                      Mas você sabe a diferença entre Estado e governo?
                                                                                                      O Estado é identificado como o conjunto de instituições
                                                                                                    permanentes, como:

22
:: O Poder Legislativo (o Congresso Nacional, que                  Preste atenção, então, a esse exemplo: “A busca perma-
     elabora as leis que regem nossa vida social);                nente da melhora do estado de saúde dos cidadãos residen-
  :: O Poder Executivo (o governo, que coloca em prá-             tes em todos os estados da Federação é uma das obrigações
     tica essas leis e administra os negócios públi-cos);         do Estado”.

  :: O Poder Judiciário (os tribunais, para julgar e apli-          Percebeu as diferenças?
     car as leis a casos particulares, assegurando seu               As instituições que compõem o Estado visam, funda-
     cumprimento);                                                mentalmente, fazer com que as pessoas convivam bem em
  :: As Forças Armadas e a polícia (para impor a exi-             sociedade, isto é, que seja mantida a “ordem social” e haja
     gência do cumprimento das leis etc.).                        certo “bem-estar”. Por isso, a função do Estado não se limita
                                                                  a ser mediador de possíveis confitos entre as instituições e
                                                                  a de atuar na política, no interior da sociedade. Além disso,
    Portanto, quando falamos em Estado, de maneira gené-          estende sua ação para o campo da economia, colocando-
rica, no singular e iniciado com letra maiúscula, estamos         se como protetor da propriedade privada, captando recur-
nos referindo ao conjunto de instituições responsáveis pela       sos, por meio de impostos, por exemplo, e investindo-os no
“ordem” na sociedade e pelo “bem comum” dos cidadãos.             desenvolvimento econômico para garantir a manutenção do
Quando falamos de maneira particular, referimo-nos a uma          sistema social.
região do nosso país, a um dos estados da República brasi-
leira.                                                               O Estado existe nas sociedades que estabelecem a diferen-
                                                                  ça entre governantes e governados, uma diferença institucio-
   Não confunda os vários significados da palavra “estado”.       nalizada, regulamentada por leis. Nas sociedades indígenas
Vejamos as diversas acepções da palavra, encontradas no           brasileiras, por exemplo, em que não existe essa noção de
Dicionário Michaelis, 2000:                                       diferenciação, não há Estado.
:: O primeiro sentido (Estado) é empregado para significar




                                                                                                                                  Políticas públicas na área social
   “nação politicamente organizada por leis próprias”.
                                                                             Mas quem vai viabilizar o funcionamen-
:: O segundo corresponde à Unidade da Federação, à divisão              to das instituições e dos poderes públicos que
   territorial do Brasil, como, por exemplo, o Estado do Piauí,      compõem o Estado? Quem vai dirigir a sociedade?
   ou os Estados do Ceará, de Goiás, do Rio Grande do Sul, do
   Rio de Janeiro.
:: Finalmente, um terceiro sentido diz respeito à ideia de
   determinada situação, como, por exemplo, o “estado em
   que se encontram as rodovias brasileiras”.


                                                                                                                                  23
É o governo, ao desempenhar as funções de dirigente          conduzir a vida econômica, além das ações que precisam ser
                                 do Estado. O governo é o responsável pelo planejamento e        implementadas junto à comunidade.
                                 condução de determinadas políticas e do conjunto de pro-           Os grupos que assumem o governo fazem de tudo para
                                 gramas e ações, durante certo período. Portanto, o gover-       que seu projeto de sociedade não somente seja consolidado
                                 no é transitório e é formado por grupos que se alternam no      e atenda seus interesses, mas também seja aceito pelo con-
                                 poder. Por sua vez, o Estado é permanente e é composto por      junto de cidadãos.
                                 instituições que são estáveis.
                                    Em outras palavras, o Estado, com suas instituições, per-                     Mas como isso acontece?
                                 manece, mas o governo muda constantemente e, com ele,
                                 as formas de conduzir a política e a economia do país. Aquilo
                                 que para um governo era prioritário pode deixar de ser para
                                 outro; o que estava sendo executado pode ser abandonado.           Pelo menos de duas maneiras. Utilizam-se os meios de
                                                                                                 comunicação para divulgar seu projeto, seu programa de
                                                                                                 governo, suas ideias e o que vem sendo realizado. Fazem-se
                                                   Por que isso acontece?                        críticas, muitas vezes, ao projeto do governo anterior e colo-
                                                                                                 cam-se em destaque os aspectos positivos do novo projeto.
                                                                                                 Com isso, espera-se convencer a sociedade a apoiar o novo
                                                                                                 governo.
                                    Porque, numa coletividade, diferentes grupos se orga-
                                                                                                   Outra maneira é propor reformas econômicas, políticas e
                                 nizam e lutam por seus interesses; uns buscam impor aos
                                                                                                 sociais e conceber e implementar novos programas e ações
                                 outros suas vontades, sua maneira de pensar e de viver, acre-
                                                                                                 que beneficiem a sociedade, a fim de promover o bem-estar
                                 ditando ser isso o mais correto ou natural. Um desses grupos,
                                                                                                 comum.
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                                 via processo eleitoral, num sistema democrático, ou pela for-
                                 ça, por meio de golpe político, conquista o posto de coman-       A função principal do Estado é o bem comum e a do gover-
                                 do do país, assumindo o governo.                                no é a direção política, econômica e social desse Estado.
                                    Um governo, ao assumir o controle do Estado, tem um             Portanto, não é somente no campo da economia que o
                                 projeto político de sociedade a implementar, que foi discu-     governo age. Ele busca intervir também no campo das polí-
                                 tido e negociado com diferentes setores (empresários, sin-      ticas sociais, por exemplo, no que diz respeito às desigualda-
                                 dicalistas, associações, produtores, entre outros) e partidos   des, no sentido de fazer uma redistribuição dos benefícios
                                 que o apoiaram, por exemplo, durante a campanha eleitoral.      sociais produzidos coletivamente por meio do trabalho de
                                                                                                 todos os cidadãos.
                                   Esse projeto, portanto, representa os interesses de grupos
                                 particulares, tais como as formas de organizar a sociedade e      É nesse momento que surgem as políticas públicas, sobre-

24
tudo no campo social. Por meio delas, os grupos que estão            Em um sentido mais geral do termo, podemos entender
no governo propõem e implementam programas e ações                 política também como as decisões tomadas por determina-
que beneficiam setores “menos favorecidos”. Com isso, espe-        do grupo para realizar, por exemplo, seu projeto comunitário
ram também levar a sociedade a apoiar seu governo e acei-          ou educacional – como o Projeto Político-Pedagógico.
tar o projeto de sociedade que eles querem implementar.               Daí a necessidade de as políticas públicas serem pensadas
                                                                   não como programas ou ações de determinado governo para
                                                                   um período específico, mas como função e ação do Estado,
           Atividade 1                                             algo a ser implementado e concretizado independentemen-
                                                                   te de quem está no governo, visando ao bem-comum.
 Agora, dê uma pausa na leitura, reflita sobre o que acabou
 de estudar e pegue seu caderno de atividades para realizar
 os exercícios propostos 1a e 1b.                                             Mas por que a denominação públicas?

2. As políticas públicas sociais
                                                                      “Público” é uma palavra também derivada do latim e sig-
        O que vem a ser política pública? E as políticas           nifica “o que é de interesse comum; o que é de todos; o que
     sociais, para que servem?                                     é de propriedade do Estado”. Assim, as políticas são denomi-
                                                                   nadas de públicas porque visam atender a todos os cidadãos
                                                                   e não a esta ou aquela pessoa, ou a interesses particulares.
                                                                   Portanto, esse atendimento do que vem a ser público é de
   Há pouco falamos sobre Estado e governo. Pois bem,              responsabilidade do Estado.
“política” é um termo que tem mais de 2.500 anos, vem da
                                                                      Encontramos em livros e dicionários numerosas defini-




                                                                                                                                  Políticas públicas na área social
língua grega e significa “a arte de governar um Estado, uma
                                                                   ções para “políticas públicas”, mas repetem-se os seguintes
cidade”. Para os gregos, polis significava cidade. Em latim, a
                                                                   fatores comuns:
palavra correspondente é civitas, da qual derivou a palavra
portuguesa cidadão. Assim, político e cidadão significam a         :: as atividades de um governo ao longo do tempo;
mesma coisa. Interessante, não é? Portanto, todo cidadão           :: as medidas tomadas pela sociedade política para realizar
é, por natureza, “um ser político”, e a política seria a arte de      um projeto de sociedade;
governar os cidadãos, ou melhor, a capacidade de a “cidade”
se autogovernar, isto é, de os cidadãos elaborarem suas leis e     :: as intenções que dirigem as ações de um governo na bus-
governarem a si próprios.                                             ca de soluções aos problemas públicos e de atendimento
                                                                      a demandas vindas de grupos específicos da sociedade.

                                                                                                                                  25
Dessa forma, percebe-se que:                                duzidas pelo desenvolvimento socioeconômico. Essa inter-
                                                                                               venção foi consequência das pressões efetuadas pelos movi-
                                                                                               mentos populares que buscavam maior participação na
                                    As políticas são denominadas “públicas” porque devem       política, por meio da eleição de seus representantes, e que
                                 atingir todo o público. O governo tem a responsabilidade de   lutavam pelos seus direitos fundamentais.
                                 garantir que essas políticas beneficiem efetivamente todas
                                 as camadas da população.                                         Nós vivemos numa sociedade chamada capitalista. Ela se
                                                                                               caracteriza pela divisão entre os que são proprietários dos
                                   Porém, outra questão a ser levada em conta não é o que o    meios de produção (terra, fábricas, instalações, equipamen-
                                 governo faz, mas também o que ele não faz. Afinal, quando     tos, máquinas, mão-de-obra), que são, portanto, possuidores
                                 um governo deixa de fazer algo, está sinalizando que aquilo   de “capital”, e os que são proprietários da força de trabalho.
                                 não é tão importante ou prioritário para ele.                 Ou seja, caracteriza-se pela divisão entre patrões e emprega-
                                    Sendo assim, podemos dizer resumidamente que políti-       dos.
                                 cas públicas são:                                                Essa divisão provoca desigualdades sociais, maiores ou
                                                                                               menores, dependendo do processo histórico de lutas de gru-
                                                                                               pos organizados (sindicatos, associações, partidos) em busca
                                   Tudo o que um governo decide fazer, faz ou deixa de fazer
                                                                                               de acesso a bens e serviços fundamentais que asseguram a
                                 em relação às necessidades dos cidadãos.
                                                                                               qualidade de vida. Nos países em que as desigualdades são
                                                                                               maiores, isto é, em que existe um pequeno grupo com gran-
                                                                                               des posses e uma parcela grande da população com pouco
                                             E por que a denominação sociais?                  – ou nenhum – acesso a esses bens e serviços, os governos
                                                                                               bus-cam, geralmente, amenizá-las por meio de políticas
                                                                                               públicas sociais.
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                                                                                                  Nesse sentido, as políticas públicas sociais podem ser
                                    As políticas públicas podem ser ditas sociais porque têm   entendidas como tendo funções redistributivas e compen-
                                 como finalidade desenvolver programas e ações voltadas        satórias.
                                 para setores específicos da sociedade que se encontram em
                                 situação de grande desigualdade e não possuem um padrão          A função redistribuitiva diz respeito à distribuição aos
                                 de vida digno. É dever do Estado dar condições básicas de     menos favorecidos de parte do que é produzido pela
                                 cidadania a esses que vivem em desigualdade.                  sociedade. Em outras palavras, significa retirar dos bens
                                                                                               e serviços, especialmente por meio de impostos, recursos
                                   Houve fases da história em que o Estado interveio de        financeiros para atender ao conjunto dos cidadãos mais
                                 maneira mais decisiva para diminuir as desigualdades pro-     necessitados. O Imposto de Renda, por exemplo, é consi-

26
derado uma forte política redistribuitiva.
   Outro exemplo de política redistributiva é o Programa Ren-          Porém, a finalidade central das políticas públicas é garan-
da Básica de Cidadania no Brasil (Lei de Renda Mínima), apro-      tir aos cidadãos direitos que lhes foram negados anterior-
vado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente          mente, como, por exemplo, o direito à saúde e à educação.
da República em 2004. Esse programa consiste na instituição
de uma renda mínima como direito básico de cidadania. Sua            Atividade 2
implantação foi pensada como estratégia para mudar uma
prática política tradicional que utilizava as políticas públicas    Você entendeu bem o que são as políticas públicas? Então,
em benefício individual ou partidário.                              vá ao caderno de atividades e teste seu conhecimento rea-
   Em outras situações, essas políticas sociais têm caráter         lizando as atividades 2a, 2b e 2c.
compensatório, isto é, promovem programas emergenciais                Depois de ter estudado sobre o que são as políticas públi-
para atender a grupos sociais específicos (desemprega-             cas, você deve estar se perguntando:
dos, negros, índios, analfabetos, excluídos etc), como, por
exemplo, o salário-desemprego e as cotas para negros para
ingresso na universidade. Outro exemplo é o Programa Bol-                      Mas como o governo implementa suass polí-
sa Família, criado em 2004 pelo Governo Federal, destina-                   ticas públicas?
do a unidades familiares que se encontrem em situação de
pobreza (assim entendidas aquelas com renda mensal por                     Como faz a “distribuição” de bens e serviços?
pessoa de R$ 70,00 a R$ 140,00) e de extrema pobreza (com              A partir de que critérios?
renda mensal por pessoa inferior a R$ 70,00).
                                                                       De onde vai tirar recursos para sustentar e viabilizar
                                                                       seus programas e ações?
                                                                       Em que consistem as políticas públicas no campo




                                                                                                                                     Políticas públicas na área social
   Fique atento!
                                                                        social?
   Essas ações são um dever do Estado. Ele não está fazendo
   caridade.
   Está retirando do cofre público recursos produzidos por
   todos os cidadãos e utilizando-os para atender às neces-           Essas são questões que iremos tratar nas próximas unida-
   sidades da maioria da população.                                des. Embora as áreas que fazem parte das políticas públicas
   Trata-se de um direito.                                         sociais sejam, entre outras, a educação, a saúde, a previdên-
                                                                   cia, a habitação e o saneamento, o que nos interessa anali-
                                                                   sar na próxima unidade são as políticas sociais no campo da
                                                                   educação, porque é nesse segmento que o FNDE atua.
                                                                                                                                     27
Unidade I em síntese
                                 Chegamos, assim, ao final da primeira unidade deste módulo. Espera-se que agora tenha ficado mais cla-
                                 ro o seu entendimento sobre políticas públicas, que são ações adotadas por determinado governo para
                                 concretizar seu projeto de sociedade, buscando atender aos interesses e necessidades dos cidadãos. Elas
                                 contribuem para que a sociedade se organize em função de um projeto político, durante determinado
                                 período de tempo.
                                 Relembrando, a organização geral que permanece, com seus poderes, instituições e representações, é
                                 chamada de Estado. A organização temporal, provisória, composta por grupos que se sucedem no poder,
                                 dirigindo e administrando a sociedade durante determinado período de tempo, é chamada de governo.
                                 Esta unidade tratou de temas importantes, mas complexos, que exigem leitura mais aprofundada da rea-
                                 lidade política, social e econômica. Por isso, convidamos-lhe a expandir seus conhecimentos por meio de
                                 leituras da bibliografia sugerida ao final do módulo, no tópico “Nossa conversa não se encerra aqui”.
Módulo de Competências Básicas




28
Unidade II
Políticas para
a educação básica
Unidade II

Políticas para a educação básica4
Introdução
  Vimos na unidade anterior que o Estado, por meio do governo que está no
poder, tem a possibilidade de desenvolver políticas sociais redistributivas e
compensatórias no sentido de suavizar, diminuindo um pouco, as desigual-
dades presentes na nossa sociedade.
   Esse papel do Estado vem se modificando, sobretudo, a partir da década
de 1970, quando o mundo passou por uma crise econômica que acabou
afetando o campo das políticas sociais e, consequentemente, aquelas rela-
cionadas com a área educacional.
   Por isso, nesta unidade, conversaremos um pouco sobre as políticas públi-
cas educacionais, especificamente aquelas voltadas para a educação básica.

              Assim, esperamos que, ao final desta unidade, você
           seja capaz de:
           :: definir globalização e neoliberalismo;
           :: reconhecer as atuais políticas educacionais no




                                                                                                        Políticas para a educação básica
              Brasil.

  Trataremos, inicialmente, de dois termos muito usados e que se referem diretamente ao que discutía-
mos na unidade anterior, com relação às políticas sociais: globalização e neoliberalismo.


                                          Você sabe o que significam esses dois termos?


4
    Unidade elaborada por Oreste Preti.


                                                                                                        31
1. Globalização e neoliberalismo                                 Janeiro, por exemplo.
                                    Nesses últimos anos, vivenciamos situações interessantes
                                 e preocupantes ao mesmo tempo, entre as quais podemos                 A notícia do assassinato do presidente norte-americano Abraham
                                 destacar:                                                         Lincoln, em 1865, levou 13 dias para cruzar o Atlântico e chegar à Euro-
                                                                                                   pa. A queda da Bolsa de Valores de Hong Kong (outubro-novembro
                                 :: crise econômica nos países capitalistas, levando-os a
                                                                                                   de 1997) levou 13 segundos para cair como um raio sobre São Paulo
                                    buscarem uma reestruturação da economia em escala
                                                                                                   e Tóquio, Nova York e Tel-Aviv, Buenos Aires e Frankfurt. Eis, ao vivo e a
                                    planetária;
                                                                                                   cores, a globalização.
                                 :: mudanças nas tecnologias de produção, na informática                                     (Clovis Rossi – do Conselho Editorial da Folha de S. Paulo.
                                                                                                                                                        In: www.iis.com.br/~rbsoares)
                                    e na comunicação, acelerando a produtividade no traba-
                                    lho;
                                 :: integração, nas relações econômicas, comerciais e                A globalização é muito mais do que as tecnologias de infor-
                                    financeiras, entre mercados produtores e mercados             mação e comunicação. Olhe ao seu redor. Compo-nentes de
                                    consumidores de diferentes países.                            sua televisão e geladeira, provavelmente, foram importados,
                                                                                                  e o bolo ou o pão “francês”, que você costuma comer, foram
                                    Esses fatores têm propiciado a globalização da economia,      feitos com farinha vinda da Argentina, por exemplo. Você
                                 da ciência, da tecnologia e da cultura, o que tem vantagens      pode estar usando um relógio fabricado na China e calçando
                                 e desvantagens. Só para pontuar, uma das desvantagens é a        um tênis vindo de Hong-Kong ou do Paraguai. O que você
                                 alarmante elevação das taxas de desemprego.                      encontra nos supermercados ou nas lojas de um shopping
                                                                                                  na sua cidade pode ser encontrado nos supermercados ou
                                                                                                  nas lojas dos shoppings espalhados pelo mundo.
                                               Mas o que significa globalização?
Módulo de Competências Básicas




                                                                                                     Não é só isso. Há uma padronização também dos produ-
                                                                                                  tos e uma estratégia mundialmente unificada de marketing
                                    Globalização vem da palavra globo, isto é, o planeta em que   (propaganda).
                                 vivemos. Dá a ideia de algo que atinge o mundo todo, que che-
                                                                                                    Não é isso o que acontece, por exemplo, com os tênis da
                                 ga a todos os habitantes. Pense um pouco sobre o que acon-
                                 tece hoje no seu dia-a-dia. Você fica sabendo quase imediata-
                                 mente de fatos ocorridos em outra região do Brasil, ou mesmo
                                 em outros países. Acompanha os acontecimentos no Iraque,
                                 no Japão, na Austrália. Assiste, tranquilamente em sua casa,
                                 à novela e ao noticiário transmitidos de São Paulo ou Rio de

32
empresa Nike, ou os hambúrgueres da rede McDonald´s?             crescem economicamente com esse comércio globalizado,
                                                                 enquanto outros empobrecem. O que se tem constatado é
                                                                 que os países ricos ficam mais ricos e os pobres, mais pobres.
 Resumindo:                                                      Indústrias e fábricas estrangeiras, empresas multinacionais e
                                                                 transnacionais instalam-se em diversos países, como acon-
 Globalização é um processo que ocorre nos mais dife-            tece no Brasil, levando, muitas vezes, as empresas nacionais
 rentes campos da nossa vida, fazendo com que os países          à falência e provocando o desemprego de milhões de traba-
 se tornem cada vez mais interligados na economia, no            lhadores.
 comércio, nas finanças e na cultura. Assim, implica unifor-
 mização de padrões econômicos e culturais.
                                                                     Grandes mobilizações, como a greve na Coreia do Sul
                                                                  e as mobilizações dos mineiros alemães e dos trabalha-
                                                                  dores franceses e belgas da Renault, revelam que os tra-
   Isso não significa que esse processo seja algo novo, pois a    balhadores não estão dispostos a arcar com os custos da
dominação política e econômica e a apropriação de riquezas        globalização.
de uns poucos países sobre os demais são características da                               (Luiz R. Lopes – www.iis.com.br/~rbsoares)
modernidade, no mundo ocidental, desde o século XV. Você
se lembra das grandes navegações, das viagens terrestres e
marítimas de países da Europa, como Inglaterra, Espanha e
Portugal, para conquistas comerciais, em busca de especia-          E o que se diz sobre isso? Qual é a explicação que você
rias e de metais preciosos?                                      costuma ouvir? Que as empresas nacionais têm de se moder-
                                                                 nizar, ser competitivas, e que os trabalhadores têm de se
   Esse processo se manteve acanhado até a Revolução             requalificar, desenvolver novas habilidades, não é?
Industrial (séculos XVIII e XIX), quando um conjunto de trans-




                                                                                                                                       Políticas para a educação básica
formações tecnológicas, econômicas e sociais impulsionou
o modo de produção capitalista. Entretanto, foi a partir da
crise econômica da década de 1970 que o processo de glo-
balização ganhou força e se expandiu, graças, também, ao
desenvolvimento tecnológico, dos meios de transporte e de
comunicação.                                                                        O que você pensa sobre
                                                                               isso? Concorda com essas
  Mas preste bem atenção: a globalização atinge os países          Essa novaconsiderações?que está em processo e tem por
                                                                             ordem global
de maneira diferente, pois os intercâmbios, como as rela-        base o poder econômico, em vez do político, desloca a dis-
ções comerciais ou culturais, por exemplo, são desiguais. Há     cussão sobre relações de poder para questões técnicas, de
países que exportam muito mais que outros; há países que         gerenciamento eficaz de recursos humanos e financeiros.
                                                                                                                                       33
É uma discussão baseada no discurso neoliberal, ado-          aquilo que estava em falta, oferecendo o que as pessoas
                                 tado por organismos internacionais – como o Banco Mun-           necessitavam mais. Isso acabou elevando significativamente
                                 dial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização      os gastos públicos.
                                 Mundial do Comércio (OMC) – para defenderem a globaliza-            Porém, a crise econômica que se instaurou na década de
                                 ção econômica, financeira e comercial. É importante, então,      1970 e que atingiu o mundo globalizado trouxe como con-
                                 que você entenda esse pensamento neoliberal, pois ele tem        sequência imediata a redução dos gastos nas áreas sociais
                                 levado o Estado a mudar sua postura em relação às políticas      (particularmente na saúde e na educação), além da diminui-
                                 sociais.                                                         ção de postos no mercado de trabalho.
                                                                                                     É nesse contexto que surge a “onda neoliberal”, defenden-
                                                                                                  do a ideia de Estado mínimo, ou, como muitos autores pre-
                                                                                                  ferem, Estado do mal-estar social. A lógica do pensamento
                                                                                                  neoliberal é reduzir os gastos públicos, ou seja, diminuir a
                                                                                                  participação financeira do Estado no fornecimento de servi-
                                                    O que é o neoliberalismo e                    ços sociais. Isso ajudaria a combater o déficit fiscal do Estado,
                                                  o que ele defende em relação social?            possibilitaria a redução de impostos e a consequente eleva-
                                 1.1.    Estado do bem-estar ou do mal-estar
                                               às políticas públicas?                             ção dos índices de investimento privado. Assim, a economia
                                    Com a recuperação da economia pós-guerra (Segunda             voltaria a crescer, novos empregos seriam gerados, a ren-
                                 Guerra Mundial, 1939-1945), foi criado, inicialmente na Ingla-   da do trabalhador seria elevada e, dessa forma, os serviços
                                 terra, um novo modelo de Estado, chamado de Estado do            públicos de assistência social passariam a ser desnecessários.
                                 bem-estar social ou assistencialista, definido como aque-        (PAULA, 1998, p. 53)
                                 le que garante tipos mínimos de renda, alimentação, saúde,
                                                                                                     Por isso, o neoliberalismo, essa nova (“neo”) versão do libe-
                                 habitação e educação a todo cidadão, não como caridade,
Módulo de Competências Básicas




                                                                                                  ralismo, é a favor da não-intervenção do Estado no campo
                                 mas como direito político.
                                                                                                  da economia, dando liberdade à iniciativa privada para cui-
                                    Essa forma de Estado, que rapidamente se espalhou pela
                                 Europa, passou a criar empresas estatais para intervir direta-
                                 mente na economia e no desenvolvimento do país, atuando,         Resumindo:
                                 sobretudo, em áreas nas quais a iniciativa privada não inves-
                                 tia, mas que o Estado considerava de interesse para a nação.     O neoliberalismo defende a não intervenção do Estado na
                                                                                                  condução da economia, nas relações patrão-empregado
                                    Além disso, assumiu como sua a tarefa de cuidar dos seto-     e na oferta de serviços à sociedade, dentre outros pontos.
                                 res “menos privilegiados”, oferecendo serviços de assistên-
                                 cia e de proteção. Por isso, foi chamado também de Estado
                                 previdenciário, pois buscava “prover”, ou seja, providenciar
34
dar dos serviços sociais. As políticas públicas sociais, então,
passaram a ser formuladas com base em duas palavras de
ordem: redução (dos gastos públicos) e privatização. Você                            E como isso ocorre?
se lembra, por exemplo, dos processos de privatização de
empresas estatais brasileiras que ofereciam serviços de ener-       É o que trataremos a seguir, mas antes...
gia, de saneamento e de comunicação?                               Que tal conferir se entendeu bem o conteúdo? Responda
   A palavra-chave do neoliberalismo, então, é mercado. É          às questões propostas na atividade 3 do seu caderno de
este que deve regular as relações entre os indivíduos (outra       atividades.
palavra-chave), entre compradores e vendedores, e não mais
                                                                    Atividade 3
o Estado.
   Nesse tipo de sociedade, tudo deveria funcionar como em        2. As políticas educacionais
um jogo, em que há regras e cabe aos jogadores respeitá-las.        Você conhece os textos legais que dão suporte ao gover-
Nada mais. O juiz (que seria o Estado) encontra-se presente       no para definir suas políticas para a educação?
para fazer com que essas regras sejam acatadas e punir os
transgressores. Não pode tomar partido de uns, senão dese-          Então, vejamos resumidamente os principais textos legais
quilibra o jogo.                                                  usados para esse fim:
   Você já observou o que acontece quando um juiz de fute-        :: A Constituição Federal (CF – 1988): os artigos de 205 a
bol parece apitar a favor de um dos times? Acaba por atrapa-         214 definem os princípios nos quais se deve basear o ensi-
lhar o espetáculo, não é?                                            no em nosso país e a partir dos quais as políticas educa-
                                                                     cionais devem ser elaboradas em todos os níveis: federal,
   As mudanças efetivas na maneira de o Estado entender              estadual e municipal.
seu papel na mediação dos conflitos de interesses e as trans-
formações no modo de regular a sociedade afetaram tam-            :: A Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional




                                                                                                                                    Políticas para a educação básica
bém o campo das políticas educacionais.                              (LDB – 1996): estabelece os fins, os princípios, os rumos,
                                                                     os objetivos, os direitos etc. da educação (as diretrizes) e
   As políticas são denominadas “públicas” porque devem              diz respeito à organização e ao funcionamento da educa-
atingir todo o público. Elas definem o que fazer, como fazer e       ção (as bases), tratando ainda dos meios utilizados para
quais recursos utilizar. O governo tem a responsabilidade de         alcançar os fins pretendidos. A escola é situada no centro
garantir que essas políticas beneficiem efetivamente todas           das ações pedagógicas, administrativas e financeiras.
as camadas da população.
                                                                  :: O Plano Nacional de Educação (PNE – 2001-2010): pre-
                                                                     visto no art. 87 da LDB, com diretrizes e metas para 10
                                                                     anos, em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educa-
                                                                     ção para Todos, da Organização das Nações Unidas (ONU),
                                                                     o PNE é um instrumento global de orientação das políti-        35
cas educacionais no país.                                                                 criação do Programa Qualidade na Escola.
                                   Baseado nesses textos, o governo define suas políticas no                                 :: O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb): é um
                                 campo da educação. Veja a seguir as principais políticas edu-                                  sistema de avaliação implementado em 1995 e que, desde
                                 cacionais:                                                                                     2005, passou a ser organizado por dois processos de ava-
                                 :: Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs – 1997):                                         liação: a Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb) e
                                    documento produzido por especialistas, a contribuição e                                     a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc). Sua
                                    participação dos diferentes atores do campo educacional.                                    função é mensurar, isto é, medir a “qualidade” da educa-
                                    É considerado pelo governo como referencial de qualida-                                     ção no Brasil, produzindo uma base de informações sobre
                                    de para a educação básica. Esses parâmetros foram elabo-                                    o aprendizado, a gestão e as relações sociais e pedagógi-
                                    rados para orientar e garantir a coerência dos investimen-                                  cas de cada comunidade escolar. O Instituto Nacional de
                                    tos no sistema educacional, oferecendo uma proposta                                         Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/
                                    curricular flexível, a ser implementada de acordo com as                                    MEC) é o responsável por sua aplicação.
                                    realidades regionais e locais.
                                 :: O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educa-
                                    ção Básica e de Valorização dos Profissionais da Educa-
                                    ção (Fundeb)5: destina recursos para o financiamento da
                                    educação básica, com o objetivo de assegurar a universa-
                                    lização de seu atendimento e a remuneração condigna do
                                    magistério.
                                 :: O Plano Plurianual (PPA – 2004-2007): elaborado para
                                    o período de quatro anos, o Plano Plurianual (PPA) é um
Módulo de Competências Básicas




                                    conjunto de programas governamentais com a finalida-
                                    de de concretizar o plano do governo, nas diversas áreas
                                    sociais. Por exemplo, no caso do atual governo, o PPA vem
                                    sendo norteado pela inclusão social e pela desconcentra-
                                    ção da renda. No âmbito educacional, a proposta do PPA
                                    (2008-2011), entre outros aspectos, além de preservar o
                                    propósito de promover o acesso de todos à educação, em
                                    todas as etapas e em todos os níveis, preocupa-se com
                                    a elevação da qualidade do ensino, levando, inclusive, à
                                 5
                                     De 1996 a 2006, o financiamento foi atribuído ao Fundef, exclusivamente para o ensino
                                     fundamental.

36
As escolas do seu município                                  E o que esses programas e ações têm
:: O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE 2007-
              participaram dessa avaliação?                               em comum? Eles apontam para qual direção,
   2022): propõe o enfrentamento dos problemas de ren-
            Você conhece os resultados?                                para que tipo de educação e de sociedade?
   dimento, frequência e permanência do aluno na escola.
   Para que esse fim seja alcançado, o PDE estabeleceu um
   sistema de definição de metas, de avaliação e de cobrança
   de resultados nas escolas de todo o país, conhecido por
   “Com-promisso Todos pela Educação”, aprovado pelo            2.1.     Críticas ao sistema educacional
   Decreto nº 6.094, de 24 de abril de 2007. O PDE propõe a       O neoliberalismo, ao se tornar pensamento condutor da
   mobilização social dos diferentes atores envolvidos com a    economia e da política no Brasil, introduziu na educação
   educação – União, estados, Distrito Federal e municípios,    novo discurso e novas práticas pedagógicas.
   atuando em regime de colaboração com as famílias e a
                                                                   Segundo esse pensamento, o sistema educacional públi-
   comunidade – em torno do desafio de promover a quali-
                                                                co brasileiro é “improdutivo”, isto é, ineficiente em sua função
   dade da educação brasileira. Todas as ações educacionais
                                                                de ensinar, pois apresenta altas taxas de evasão e reprovação.
   preveem o investimento de recursos técnicos e finan-
                                                                Essa ineficiência existe, no entender dos neoliberais, devido
   ceiros com o objetivo de superar os resultados educacio-
                                                                aos seguintes fatores:
   nais negativos dos últimos anos.
                                                                :: a escola é incapaz de se organizar e se adequar aos novos
    Entretanto, não são apenas os programas citados que            tempos. Sua gestão não acompanha os novos métodos
configuram o rumo das políticas educacionais. Ações como           introduzidos na empresa privada, que têm funcionado
o Livro Didático, Dinheiro Direto na Escola, Transporte Esco-      muito bem;
lar, Aceleração da Aprendizagem, Informatização das Escolas     :: o corpo docente é desqualificado e está acomodado,
Públicas, Alimentação Escolar, Escola Aberta, Formação pela        seguro em seu emprego, não sentindo necessidade de




                                                                                                                                   Políticas para a educação básica
Escola, entre outras, são instrumentos fundamentais para a         renovação e inovação em seu trabalho;
promoção da justiça social e da democratização da socieda-      :: as organizações de classe (sindicatos e associações) são
de e da escola.                                                    muito corporativistas, só lutam por questões salariais e
                                                                   não aceitam as mudanças necessárias.
    Os recursos disponíveis no orçamento do FNDE são               Por isso, a escola pública é apontada como ineficiente e
 executados por meio de programas e ações de atividades         incompetente em sua função básica de ensinar e preparar o
 fins, isto é, ações diretamente voltadas para a educação,      aluno para o mercado de trabalho.
 constantes do PPA.

                                                                                      Você, por acaso, já ouviu
                                                                                isso alguma vez?                                   37
das políticas educacionais, tais como:
                                                                                                        Descentralização, autonomia, gestão democrática, par-
                                                                                                    ticipação, qualidade, qualificação, valorização do magis-
                                                                                                    tério, competência, equidade etc.
                                                                                                       Essas palavras não foram criadas pelo pensamento neo-
Banco Mundial
                                                                                                    liberal. Muitas delas são bandeiras de lutas levantadas pela
 Criado em 1944,                     Pois é, o (mau) funcionamento da escola é reduzido a uma       comunidade educativa há muito tempo. Você tem de prestar
após a Segunda-
                                   questão de gerência, de controle da qualidade.                   atenção ao sentido que o pensamento neoliberal dá a essas
Guerra Mundial, é
o maior provedor                                                                                    palavras.
 de créditos para                     A solução, segundo o neoliberalismo, estaria na condução
países em desen-                   de uma reforma administrativa para tornar a escola eficiente,       Um dos aspectos importantes a serem conhecidos, para
volvimento, com
graves problemas                   competitiva e capaz de formar profissionais qualificados para    melhor entendermos o rumo das políticas educacionais em
      sociais.                     o mercado de trabalho. Para isso, o Estado necessita estabele-   nosso país, é o fato de elas caminharem na direção dada pelo
                                   cer mecanismos de controle e avaliação dos serviços educa-       Banco Mundial, que incentiva a privatização da educação
                                   cionais que devem estar articulados e subordinados às neces-     básica (do ensino superior, então, nem se fala!), definindo
                                   sidades desse mercado de trabalho.                               padrões de eficiência nos sistemas de ensino e na gestão dos
                                                                                                    recursos destinados à educação.
                                                                        Atividade 4
                                                                                                    2.3. Avaliando a reforma
                                    Hora da pausa para sistematização de sua aprendizagem!
                                    Faça as atividades 4a e 4b do caderno de atividades.
                                   2.2.   A reforma educacional
  Módulo de Competências Básicas




                                     Surge daí a necessidade de uma reforma no campo da
                                   educação, ou seja, da implementação de políticas educacio-
                                   nais que orientem as escolas na oferta de seus serviços edu-
                                   cacionais, seguindo o modelo das empresas privadas, com
                                   controle e avaliação da qualidade dos serviços prestados.
                                      As reformas educacionais foram iniciadas em diversos paí-
                                   ses da Europa, na década de 1980, e aqui no Brasil, na déca-
                                   da seguinte. Algumas palavras passaram a ser utilizadas com
                                   muita ênfase no discurso dessas reformas e na formulação

  38
matriculadas no ensino fundamental, ou seja, o acesso
                                                                    encontrava-se praticamente universalizado;
                                                                  :: de acordo com o IBGE, a taxa de analfabetismo da popu-
                                                                     lação de 15 anos ou mais sofreu queda nos últimos anos:
                                                                     14,7%, em 1996; 13,6%, em 2000; 11,4%, em 2004; e 9,8%
                                                                     em 2008;
                                                                  :: segundo o Censo Escolar de 2008, em relação ao ano de
                                                                     2005, a matrícula da educação básica decresceu 7%, con-
   É importante que você aprofunde seu estudo sobre a
                                                                     tabilizando 52,3 milhões de matrículas. A diminuição do
reforma educacional proposta e implementada pelo pen-
                                                                     número de matrículas provavelmente deve-se ao aperfei-
samento neoliberal e o redimensionamento provocado nas
                                                                     çoamento da coleta de dados, à diminuição da repetência
políticas educacionais, nesses últimos anos, aqui no Brasil.
                                                                     escolar e à queda da natalidade.
Assim, poderá melhor analisar e avaliar alguns dados e fatos
que iremos expor a seguir.
                                                                    Educação básica                                    /
   No início da década de 1990, as estatísticas educacionais
situavam o Brasil em colocações muito incômodas. Nosso
país ocupava os piores lugares, quando comparado com
países vizinhos da América Latina (Argentina, Chile, Méxi-
co, Colômbia, Costa Rica), em questões como: taxas altas de
analfabetismo, índices alarmantes de evasão, repetência e
crianças fora da escola. Essas estatísticas, apesar do registro                                    NORTE
de uma pequena redução na matrícula da educação bási-                                              292.104
                                                                                                     5%




                                                                                                                                                   Políticas para a educação básica
ca entre 2005 e 2006 (conforme demonstrado no diagrama                                                                                 NORDESTE
                                                                                                                                       2.110.482
“Variações absoluta e percentual de matrícula”), começaram                                                                                12%

a melhorar a partir de meados daquela década, como mos-
tram os dados a seguir:                                                                                 CENTRO-OESTE
                                                                                                           279.930

:: entre 1994-98, o ensino médio expandiu as matrículas em                                                   7%
                                                                                                                            SUDESTE
   37%;                                                                 Censo 2005: 56,4 milhões                           1.088.621
                                                                                                                              5%
                                                                        Censo 2006: 55,9 milhões
:: durante o mesmo período, houve crescimento de 35% de             SSegundo alguns autores, asSULimportantes alterações
                                                                        Censo 2007: 52,1milhões
   alunos que concluíram o ensino fundamental;                    apre-sentadas milhões dados estatísticos educacionais na últi-
                                                                        Censo 2008: 52,3 pelos           378.818
                                                                                                           5%
:: em 2003, 97,2% das crianças entre 7 e 14 anos estavam          ma década Absoluta 2005/2008: percebidas como reflexo da proposta
                                                                        Diferença podem ser

                                                                        Total: - 4.149.955 (-7%)


                                                                                                                                                   39
de descentralização e o consequente processo de munici-            da em 2009 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
                                 palização da educação. Os municípios começaram a ganhar            Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 38% dos professores que
                                 certa autonomia pedagógica e financeira no campo da edu-           trabalham em escola pública não têm licenciatura, a formação
                                 cação.                                                             mínima que, atualmente, se exige ao professor.
                                     Municipalizar significa que prefeitura municipal e comu-
                                                                                                          Formação dos Professores da Educação Básica em Escolas
                                 nidade são corresponsáveis pela prestação de servi-ços,
                                                                                                                       Públicas – EducaCenso 2007
                                 como o da educação. Significa população organizada, par-
                                 ticipando ativamente da ação do poder público local. É um              Ensino Fundamental                             15.982
                                 processo de autogestão competente e eficiente dos serviços                              Normal/Magistério            474.950
                                                                                                        Ensino Médio
                                 sociais básicos.                                                                        Ensino Médio                 103.341
                                                                                                                         Com Licenciatura             1.160.811
                                    A escola sofreu modificações em sua organização peda-               Ensino Médio
                                                                                                                         Sem Licenciatura             127.877
                                 gógica e administrativa, entre as quais poemos citar: a intro-
                                                                                                        Total - Brasil                                1.882.961
                                 dução da gestão democrática e de conselhos escolares
                                 (envolvendo a participação da comunidade), a elaboração               Os recursos destinados à educação básica (com amparo
                                 do próprio projeto político-pedagógico e a adequação do            na Constituição, na LDB e na Emenda Constitucional 14) são
                                 currículo e do calendário escolar às necessidades específicas      aplicados mediante a criação de mecanismos específicos
                                 da localidade.                                                     para chegarem às unidades escolares, como é o caso do Fun-
                                    Além disso, houve atendimento à qualificação dos profissio-     deb e dos programas do FNDE (Dinheiro Direto na Escola,
                                 nais da educação, com projetos como o Programa de Formação         Alimentação Escolar, Transporte Escolar etc.). Assim, a escola
                                 de Professores em Exercício (Proformação), qualificando mais       passou a ser o centro das políticas educacionais e das ações
                                 de 30 mil professores em nível de ensino médio (magistério),       governamentais.
Módulo de Competências Básicas




                                 e o Prolicenciatura (Licenciaturas a distância), qualificando-os      Porém, há dados e fatos que apontam outros aspectos da
                                 em nível superior. A Universidade Aberta do Brasil (UAB) tem       reforma educacional e sobre os quais é bom você refletir um
                                 a meta de, em 2010, completar a abertura de 300 mil vagas          pouco, tais como:
                                 na educação superior, a maior parte em cursos de licenciatura.
                                 Por outro lado, não podemos esquecer a expansão e interiori-       :: O aumento do número de vagas na oferta da educação O
                                 zação das instituições privadas de ensino com a oferta dos cur-       aumento do número de vagas na oferta da educação bási-
                                 sos Normal Superior e Pedagogia, nas modalidades presencial           ca não acompanhou a qualidade nos serviços da educação.
                                 e a distância.                                                        O Saeb apontou, entre 1995 e 2001, queda nos níveis de
                                                                                                       aprendizado, no desempenho dos alunos em Língua Por-
                                   Curiosidade                                                         tuguesa e Matemática, com disparidades entre regiões e
                                   Segundo a Sinopse Estatística do Professor - 2007, divulga-         estados e também entre alunos de origens sociais diferen-

40
tes. Houve ligeira melhoria em 2003. O Índice de Desen-         para que realmente o profissional da educação seja valo-
  volvimento da Educação Básica (Ideb), calculado com base        rizado e possa realizar seu trabalho em melhores condi-
  nos resultados do Censo Escolar, do Saeb e da Prova Brasil      ções, com infraestrutura adequada e salários condizentes
  (2005) e divulgado em 2007, também não aponta melhoria          com sua formação e com a importância social de sua ação
  na qualidade da educação oferecida às camadas populares,        educativa.
  sobretudo nas regiões mais pobres do país.                    :: Os recursos financeiros ainda são insuficientes para aten-
:: A descentralização não se realizou de maneira completa.         der à quantidade e à qualidade de uma educação voltada
   As decisões mais importantes costumam ser tomadas no            para a formação de cidadãos. A qualidade da educação
   âmbito federal, são centralizadas, cabendo aos municí-          está diretamente ligada à distribuição dos recursos mate-
   pios e às unidades escolares apenas a execução de pro-          riais. Os recursos não são a garantia automática de quali-
   postas curriculares, programas e ações. Assim, não houve        dade na educação, mas, sem eles, uma educação de qua-
   municipalização dos serviços educacionais, como preten-         lidade não se viabiliza.
   dido, mas um processo de “prefeiturização”. As ações e as       Você percebeu que o governo não conseguiu implemen-
   responsabilidades sobre o ensino foram descentralizadas,     tar sua “reforma educacional” de maneira homogênea e
   ficaram a cargo da prefeitura, mas os recursos e a defini-   conforme a proposta inicial? E sabe por quê? Você se lem-
   ção de políticas educacionais continuaram centralizados,     bra do que estudou na unidade anterior? A própria estrutu-
   sob o controle do governo federal. No município, muitas      ra do Estado prevê espaços e mecanismos de contradições
   vezes, esse mesmo processo de “prefeiturização” aconte-      e embates de forças e interesses que resultam em políticas
   ce. Há uma centralização administrativa (nas mãos do pre-    que podem representar ou não aquilo que foi proposto ori-
   feito) que impede a participação e o controle social orga-   ginalmente.
   nizado por parte da comunidade.

                                                                                    Como superar isso?
 Fique atento!




                                                                                                                                Políticas para a educação básica
 Democracia e descentralização são duas faces da mesma
 moeda: o processo de construção da cidadania.
 Pois uma democracia é real e efetiva quando os cidadãos
 participam das decisões que dizem respeito à sua vida
 pessoal e coletiva.
  Por isso, uma verdadeira “municipalização” exige gestão
  democrática.
:: A falta de valorização do professor ainda está presente na     Atividade 4c
   sociedade brasileira. Existe um longo caminho a percorrer
                                                                                                                                41
na próxima unidade.
                                  Antes de continuar, realize a atividade 4c, proposta no seu
                                  caderno de atividades.

                                                                                                         Unidade II em síntese
                                   Vimos na unidade anterior que as políticas públicas no                Nesta segunda unidade, fizemos um percurso rápido
                                 campo social revelam o modelo de sociedade que determi-                 sobre alguns temas fundamentais para compreensão
                                 nado governo deseja construir. Porém, sua definição e exe-              da atual política educacional. Estudamos a influência do
                                 cução não podem ser simplesmente deixadas na mão do                     pensamento neoliberal no campo da economia, que pro-
                                 governo e dos políticos, ainda mais hoje, com a forte influ-            porcionou outra direção às políticas sociais nesse mundo
                                 ência do pensamento neoliberal na política e na economia                globalizado. Em seguida, analisamos os reflexos desse
                                 de nosso país.                                                          pensamento na educação, especialmente no que diz res-
                                   Curiosidades                                                          peito aos documentos oficiais que tratam da educação e
                                                                                                         da gestão da escola, apresentando aspectos positivos e
                                    Dados de uma pesquisa de opinião pública realizada pelo              negativos da reforma educacional implementada no Brasil
                                 Ibope, a pedido da ONG Ação Educativa, em novembro de                   pelos governos que se sucedem no poder, sobretudo nes-
                                 2003, mostram que: 44% dos brasileiros dizem crer que de                ses últimos anos.
                                 fato influenciam as políticas públicas e, entre estes, 68%
                                                                                                         Aprofunde seus conhecimentos por meio de leituras da
                                 acham que o fazem apenas ao votarem no dia das eleições.
                                                                                                         bibliografia sugerida ao final do módulo, no tópico “Nossa
                                              (Disponível em <www.patri.com.br>. Acesso em out./2005)    conversa não se encerra aqui”.

                                    Por isso, a intervenção dos cidadãos, individualmente ou
                                 em grupo, é fundamental para a construção de uma socie-
Módulo de Competências Básicas




                                 dade justa, igualitária e solidária. A educação, então, pode
                                 vir a desempenhar papel importante na conscientização dos
                                 cidadãos e na introdução de práticas educativas que levem à
                                 transformação da atual sociedade.
                                    Mas como garantir o direito à educação e propiciar uma
                                 formação escolar que provoque mudanças sociais?


                                    Um dos caminhos é alocar e empregar bem os recursos
                                 financeiros destinados à educação. É disso que iremos tratar

42
Unidade III
Financiamento
da educação básica
Unidade III

Financiamento da educação básica
Introdução
   O Estado, para realizar suas políticas no campo social e, no caso específico, na área da educação, dis-
ponibiliza recursos financeiros para manutenção e desenvolvimento do sistema educacional nos níveis
federal, estadual e municipal.
   Daí a importância de você saber quantos são os recursos e como chegam à sua região e ao seu muni-
cípio, para que crianças, jovens e adultos possam ter acesso à educação.
  Por isso, nesta unidade, trataremos sobre o financiamento da educação, especificamente no âmbito
da educação básica.

            Esperamos que, ao final desta unidade, você seja capaz de:
         :: identificar a legislação que garante recursos financeiros para a educação e o mon-
            tante definido por essas leis;
         :: explicar o que é o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e
            de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e definir a sua função.




                                                                                                             Financiamento da educação básica
                         Você sabe qual é o montante de dinheiro que seu município tem à
                 disposição para aplicar na educação, e o quanto desses recursos é investido?
            Você sabe de onde vêm e como são arrecadados e contabilizados tais valores?
           Será que os investimentos são suficientes para a oferta de uma educação de qua-
           lidade?




                                                                                                             45
Você deve ter ouvido muito, em discursos de políticos e governantes, que a educação é fundamental
IPEA é uma fun-                    para o desenvolvimento do país e que se deve dar prioridade a essa área social. É essencial que os inves-
dação vinculada
ao Ministério do                   timentos sejam ampliados para que melhorem as condições de funcionamento das escolas e de trabalho
  Planejamento                     dos professores.
 do Brasil e tem
  por finalidade
 realizar pesqui-
                                     Como está vendo, há muita coisa importante a ser discutida nesta unidade, ou, pelo menos, a ser
sas, projeções e                   apon-tada para que você procure aprofundar mais ainda seus conhecimentos sobre o financiamento da
estudos macro-
   econômicos.                     educação. Assim, você poderá contribuir para a solução de situações problemáticas, como a vivenciada
                                   por aquela comunidade da região leste de Mato Grosso, mencionada no tópico “Problematizando” deste
                                   módulo, lembra-se?
                                     Vamos, então, sobrevoar essa temática?
     A OCDE se
compõe ainda de                    1. Recursos financeiros para a educação
  Canadá, França,
 Alemanha, Reino                      A Constituição Federal de 1988, que ficou conhecida como Constituição Cidadã, restabeleceu impor-
  Unido, Bélgica,
Itália, Japão, entre               tantes direitos aos cidadãos brasileiros, após o período da ditadura militar, e proclamou a educação como
       outros.                     direito de todos. Para garantir essa prerrogativa, a Constituição determinou que o poder público aplicas-
                                   se uma parcela de impostos na educação.
                                     Essa garantia de recursos contribui para que cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) seja investi-
                                   do na educação pública em nosso país.

                                                             Nos encontros internacionais, convencionou-se apli-
  Módulo de Competências Básicas




                                                          car na educação minimamente 6% do PIB, mas nada foi
                                                          homologado oficialmente. A nossa legislação também
                                                          não determina quanto o poder público deve aplicar do
                                                          seu PIB. No processo de votação do Plano Nacional de
                                                          Educação 2001-2010 (Lei 10.172), havia uma meta, que foi
                                                          VETADA, de alcançar, em quatro anos, o investimento de
                                                          7% do PIB para a educação pública.




  46
Veja o montante do PIB produzido em nosso país nesses           Mas não vamos nos prender à questão da porcentagem
últimos anos:                                                   que é investida, e sim lembrar que, para financiar os gastos
                                                                com a educação, a Constituição garante recursos de 18%
               Ano         Valor em R$ – trilhão                                                                                Produto Interno
                                                                da receita de impostos arrecadados pela União e 25% dos              Bruto - PIB
              2003                    1,556                     impostos e transferências a estado e municípios, conforme o         Representa a
                                                                                                                                 riqueza nacional.
              2004                    1,800                     texto constitucional:                                           Inclui tudo aquilo
                                                                                                                                 que é produzido
              2005                    2,147                        “A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoi-to         no país, durante
                                                                e os estados, o Distrito Federal e os municípios vinte e cin-        um ano, em
              2006                    2,322                                                                                       todos os setores
                                                                co por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos,         econômicos:
              2007                    2,588                     proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvi-       indústria, comér-
                                                                                                                                   cio e serviços e
              2008                    2,889                     mento do ensino”. (art. 212)                                         agricultura.

                     Fonte: IBGE <www.ibge.gov.br>

                                                                             O que isso significa?
                   Você sabia que parte desse PIB deve                  O que a Constituição Federal, complementada
             ser investida na educação?                           pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
                                                                  (LDB), trouxe de novidade?


    Isso mesmo! Por exemplo, os 30 países mais industrializa-
dos do mundo, que compõem a Organização para a Coope-             Vamos destacar três aspectos importantes relacionados
ração e Desenvolvimento Econômico (OCDE), investem, em          ao financiamento da educação:




                                                                                                                                           Financiamento da educação básica
média, 5,9% do PIB, variando de 3,7% (caso da Turquia) a 8%     1. A vinculação dos recursos a impostos – Os recursos arre-
(Islândia).                                                        cadados com determinados impostos (definidos pela
  O governo brasileiro, segundo dados do Instituto de Pes-         legislação) têm destinação específica: o ensino.
quisa Econômica Aplicada (Ipea), investe, em média, 3,8%        2. 2. O repasse dos recursos vinculados aos órgãos da
do PIB em educação. Segundo o Relatório de Desenvolvi-             educação – Antes, os impostos e transferências entravam
mento Humano de 2006, o investimento é de 4,5%, muito              numa “conta única” da União, dos estados ou dos municí-
abaixo da média dos países industrializados.                       pios, o que facilitava o uso do dinheiro da educação para
  O Ministério da Educação tem feito uma campanha defen-           outras atividades. A partir da LDB, o dinheiro destinado à
dendo o aumento dos gastos do Brasil com o setor educacio-         educação deveria ser depositado em uma conta especí-
nal para 6% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano.                fica. Assim, o controle sobre seu uso e destino fica mais
(http://www.abrelivros.org.br/abrelivros/texto.asp?id=1894)
                                                                   fácil.
                                                                                                                                          47
3. A definição de um “mínimo” a ser aplicado diretamente no ensino.



                                   Impostos Federais             Impostos Estaduais            Impostos Municipais
                                                          +                               +
                                          18%                           25%                            25%




                                    Ou seja, de tudo o que as diferentes esferas administrativas recolhem por meio de impostos e trans-
                                 ferências, uma porcentagem deve ser destinada à educação escolar, isto é, às atividades diretamente
                                 relacionadas com o ensino, em todos os níveis e modalidades. O art. 70 da LDB define, com clareza, o que
                                 é considerado como despesa na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE) e o art. 71 delimita em
                                 quê esse recurso destinado ao ensino não pode ser gasto. Leia os dois artigos no glossário – no final do
Módulo de Competências Básicas




                                 módulo – e, se possível, leia também a LDB. É importante para você se inteirar sobre os fundamentos que
                                 amparam a educação no Brasil.
                                    Preste bem atenção! Os percentuais indicados (18% para União e 25% para os estados, o Distrito Fede-
                                 ral e os municípios) constituem um piso, isto é, um mínimo de aplicação de recursos. Isso significa que o
                                 estado, o Distrito Federal ou o município podem elevar esse percentual.
                                   Você sabe qual é o percentual a ser investido na educação, estabelecido pela Constituição do seu estado
                                 ou pela Lei Orgânica do seu município? Sabe se o seu município aplica esse percentual?



48
Atividade 5

    É hora de testar seu aprendizado! Faça as atividades 5a e 5b do caderno de atividades.
   Você, como cidadão, a qualquer momento, tem o direito constitucional de solicitar à prefeitura a pres-
tação de contas e verificar se ela aplica adequadamente, conforme a lei, os recursos alocados para a
educação.
     Mas de quais impostos vêm os recursos destinados à educação?
1.1. Receitas de impostos para a educação
  Vamos tentar, por meio de um quadro, visualizar melhor as fontes dos recursos financeiros disponíveis
para a educação.

                                                  Quadro 1- Recursos financeiros para a educação (CF 1988)
                     Impostos federais
                                                              Impostos e transferências estaduais (25%)*           Impostos e transferências municipais (25%)*
                          (18%)
    IR – Imposto de Renda                                     FPE – Fundo de Participação dos Estados       FPM – Fundo de Participação dos Municípios
    IPI – Imposto sobre Produtos Industrializa-               IPI – Imposto sobre Produtos Industrializa-   IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados proporcional
    dos                                                       dos proporcional às exportações               às Exportações
    ITR – Imposto Territorial Rural                           IOF – Imposto sobre Operações Financeiras     ITR – Imposto Territorial Rural
    IOF – Imposto sobre Operações Financeiras                 sobre o ouro                                  IOF – Imposto sobre Operações Financeiras sobre o ouro
    sobre o ouro                                              ICMS – Imposto sobre Circulação de Merca-     ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Presta-
                                                              dorias e Prestação de Serviços




                                                                                                                                                                         Financiamento da educação básica
    II – Imposto sobre Importação                                                                           ção de Serviços
    IE – Imposto sobre Exportação                             IPVA – Imposto sobre Propriedade de Veí-      IPVA – Imposto sobre Propriedade de
                                                              culos Automotores
                                                                                                                    Veículos Automotores
                                                              ITCMD – Imposto sobre Transmissão Causa
                                                                                                            IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano
                                                              Mortis e Doações
                                                                                                            ITBI – Imposto Transmissão de Bens Imóveis
                                                                                                            ISS – Imposto sobre Serviços
                                                                                                  (Fonte: MONLEVADE, J.; FERREIRA, E. B. 1998, p. 27, com adaptações)




*
     No Distrito Federal são consideradas as receitas devidas aos estados e municípios.

                                                                                                                                                                         49
Contextualizando...                                                Perceba que, na verdade, o dinheiro que foi para o governo
                                                                                                   estadual (R$ 15,47 ) e municipal (R$ 5,16) para ser aplicado na edu-
                                                                                                   cação, no total de R$ 20,63, foi você quem pagou no momento
                                            Quando você entra numa loja de eletro-                 que comprou a TV.
                                       domésticos e compra uma TV, quanto de imposto
                                                                                                      Mas não foi só esse imposto que você pagou quando com-
                                    você paga? E quanto vai para o ensino?
                                                                                                   prou a TV. Existe outro imposto muito importante sobre todos
                                                                                                   os produtos industrializados, chamado IPI. Como ele funciona?
                                                                                                      Quando a fábrica produziu a televisão, ela o fez com o
                                    Suponhamos que você pagou pelo aparelho R$ 500,00,
                                                                                                   intuito de vendê-la para uma loja. Vamos supor que ela ven-
                                 preço à vista, e exigiu a nota fiscal (exija sempre a nota fis-
                                                                                                   deu a TV para a loja por R$ 300,00. No momento dessa ven-
                                 cal!).
                                                                                                   da, a fábrica recolheu determinada porcentagem (12%, por
                                    Vamos calcular a quantia destinada à educação desse            exemplo), conforme a alíquota de imposto devido. Logo, a
                                 valor que você pagou. Para simplificar esse exemplo, vamos        fábrica recolheu R$ 36,00 referentes ao IPI. Mas você pagou
                                 nos referir somente aos dois principais impostos - ICMS e IPI:    R$ 500,00 pela TV (e não se esqueça que neste valor está
                                   Você pagou R$ 500,00 pela TV.                                   embutido o IPI recolhido pela fábrica!).
                                 1. A loja onde você comprou a televisão tem de reco lher ao
                                    governo 16,5% de ICMS, supondo que seja essa a alíquo-
                                                                                                                        E então, como foram distribuídos os
                                    ta em seu estado (valor este que está embutido no preço
                                                                                                                  R$ 36,00 de IPI recolhidos pela fábrica?
                                    que você pagou). Sendo assim, nesse exemplo, a loja reco-
                                    lhe ao estado R$ 82,50 de ICMS.
                                   O estado recebe o imposto (R$ 82,50) e o divide com o
Módulo de Competências Básicas




                                   município onde foi efetuada a venda.                            1. a União fica com 56%; o estado, com 21,5 %; e o município,
                                 2. O estado fica com 75% (R$ 61,87) e o município com 25%            com 22,5%. Ou seja, a União ficou com R$ 20,16 (= 56% de
                                    (R$ 20,63).                                                       R$ 36,00); o estado, com R$ 7,74 (= 21,5% de R$ 36,00); e o
                                                                                                      município, com R$ 8,10 (= 22,5% de R$ 36,00).
                                 3. Tanto o estado quanto o município são obrigados, por
                                    lei, a separar 25% desse valor para a educação. Ou seja, o          Você lembra que a lei obriga a União a gastar 18% e o esta-
                                    estado tem de reservar R$ 15,47; o município, R$ 5,16 para          do e o município 25% do total arrecadado em educa-ção?
                                    a educação.

                                                                                                   0
                                                                                                       Esse exemplo é apenas ilustrativo e não considera as diversas exceções e compensações
                                                                                                       previstas em leis específicas.


50
2. Portanto, do valor do IPI recolhido, a União é obrigada a              Dados da arrecadação do salário-educação
   gastar R$ 3,63; o estado, R$ 1,93; e o município, R$ 2,02                       (em valores correntes)
   em educação.
  Preste bem atenção! Não se esqueça de que você, como                                    Ano                  Arrecadação
consumidor final, foi quem pagou o custo desses impostos.                                 2003                 4,005 bilhões
                                                                                          2004                 4,826 bilhões
 Se somarmos o ICMS (R$ 82,50) e o IPI (R$ 36,00), você                                   2005                 5,906 bilhões
 pagou R$ 118,50 em impostos e, desse total, R$ 28,02                                     2006                 6,965 bilhões
 devem ser destinados à educação (R$ 20,63 de ICMS e R$                                   2007                 7,156 bilhões
 7,58 de IPI).
                                                                                          2008                 8,863 bilhões
                                                                                          2009                 8,863 bilhões*
                                                                                 http://www.fnde.gov.br/index.php/saleduc-arrecadacao.
   Por isso, é importante conhecer como é possível fiscalizar
se esse dinheiro está mesmo indo para a educação e se está      * O montante de 2009 ainda não inclui a receita do salário-educação referente ao mês de
sendo bem aplicado.                                             dezembro de 2009.

   Além das receitas de impostos, há ainda as de contribui-
ções sociais, como o Programa de Integração Social (PIS), o       De 2003 para 2004, houve um crescimento de mais de 20%
Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público          na arrecadação. De 2004 para 2005, a arrecadação aumen-
(Pasep), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade      tou 22,38%, ou seja, o FNDE conseguiu arrecadar 1,08 bilhão
Social (Cofins). Até 31 de dezembro de 2007, havia a Contri-    a mais. No ano de 2006, a autarquia conseguiu ampliar em




                                                                                                                                                          Financiamento da educação básica
buição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de        mais de 15% a arrecadação dessa contribuição social.
Valores e de Créditos de Natureza Financeira (CPMF), que foi       O salário-educação é distribuído da seguinte forma:
extinta. Entre elas, vamos destacar o salário-educação, que é
uma contribuição social de 2,5% destinada à educação bási-      :: 40% compõem a denominada cota federal, mantidos pela
ca, calculada sobre a folha de salário dos empregados das          União para distribuição em programas, projetos e ações
empresas.                                                          voltadas para a educação básica pública;
  Para você ter uma ideia do volume arrecadado com essa         :: 60% compõem a denominada cota estadual, a serem
contribuição, observe a tabela a seguir:                           divididos proporcionalmente ao número de matrículas
                                                                   na educação básica, entre estados, DF e municípios, con-
                                                                   forme informações do censo escolar.


                                                                                                                                                          51
Veja o exemplo para entender como é feita a divisão:


                                                                              Arrecadação
                                                                              R$ 7 bilhões




                                                                 40% União                   60% estados e
                                                                                              municípios




                                                                R$ 2,8 bilhões                R$ 4,2 bilhões


                                    A União, então, recolhe a contribuição do salário-educação e devolve uma parte aos estados. Essa quo-
                                 ta estadual, por sua vez, pela Lei nº 10.832/03, é redistribuída entre o estado e os respectivos municípios,
                                 conforme critérios estabelecidos em lei estadual.
                                    Agora, você sabe que os recursos têm endereço certo e que devem ser aplicados no ensino público,
                                 senão o gestor sofre as sanções da lei: processo por crime de responsabilidade e processo penal, além de
                                 inelegibilidade por oito anos.
Módulo de Competências Básicas




                                                                     Quanto dispõe seu município para
                                                                a educação básica, a partir da receita dos
                                                              impostos mencionados?




52
Atividade 5c

                    Aprendeu bastante com o conteúdo? Gostou do que aprendeu? Esperamos que sim! Antes de passar
                    para o próximo tópico, você está convidado a realizar a atividade 5c do seu caderno de atividades.
                      Agora, vamos nos deter em um aspecto particular da sistemática do Estado para assegurar que os
                   recursos destinados à educação básica pública sejam garantidos e aplicados.

                   2. Fundef e Fundeb
                      A LDB, em seu art. 21, defende a organização do sistema educacional brasileiro em dois grandes níveis
                   escolares: a educação básica e a educação superior. A educação básica é formada pela educação infantil,
                   o ensino fundamental (antigo 1º grau), ambos de responsabilidade dos municípios, e o ensino médio
                   (o antigo 2º grau), de responsabilidade dos estados. Porém, a mesma LDB, em seu art. 10, parágrafo 6º,
                   delega também ao estado a responsabilidade pelo ensino fundamental, compartilhando-a com os muni-
                   cípios (art. 11, parágrafo 5º).



                                              Sistema educacional brasileiro

                               Educação básica                       Educação superior              responsabilidade
                                                                :: cursos seqüênciais               do governo federal
responsabilidade       :: educação infantil




                                                                                                                              Financiamento da educação básica
dos municípios                                                  :: graduação
                       :: ensino fundamental (9 anos)
responsabilidade                                                :: pós-graduação
dos estados            :: ensino médio (3 anos)                 :: extensão




                                                                                                                              53
As políticas públicas no campo da educação vinham defi-            Se os gestores públicos quisessem contribuir para o ensi-
                                 nindo o ensino fundamental como prioridade, canalizando-           no privado (escolas comunitárias, confessionais, filantrópicas,
                                 lhe significativo volume de recursos. Mas, a partir dos últi-      isto é, sem fins-lucrativos), poderiam fazê-lo, mas apenas com
                                 mos anos, passaram a estender sua atenção para as demais           recursos acima dos percentuais vinculados, ou seja, fora dos
                                 etapas da educação básica.                                         25%.
                                 2.1. Fundef                                                          O Fundef teve vigência até dezembro de 2006, quando foi
                                    Para viabilizar essa prioridade, foi criado, em 1996, o Fundo   substituído pelo Fundeb.
                                 de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamen-                2.2. Fundeb
                                 tal e de Valorização do Magistério, pela Emenda Constitucio-          Em 1º de janeiro de 2007, entrou em vigor o Fundo de
                                 nal nº 14/1996, constituído por 15% dos principais impostos        Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de
                                 e transferências (FPE, FPM, ICMS, IPI – em proporção às expor-     Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), cria-
                                 tações e Desoneração de Exportações – Lei Complementar nº          do pela Emenda Constitucional nº 53/2006 e regulamentado,
                                 87/96, conhecida como Lei Kandir), sendo que os recur-sos          inicialmente, pela Medida Provisória no 339, de 28 de dezem-
                                 gerados eram distribuídos aos estados, Distrito Federal e muni-    bro de 2006. Em 20 de junho de 2007, foi sancionada a Lei nº
                                 cípios, com base no número de matrículas no ensino funda-          11.494, que regulamenta o Fundeb.
                                 mental público.
                                                                                                       O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Edu-
                                     Esse era um fundo de natureza contábil, caracterizado          cação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação
                                  pelo crédito e pela movimentação dos recursos em conta            – Fundeb – é um fundo de financiamento da educação bási-
                                  bancária especial, na qual eram creditados exclusivamen-          ca pública, de natureza contábil e de âmbito estadual, com-
                                  te os recursos do fundo, destinados ao financiamento do           posto de recursos dos próprios estados e municípios, com-
                                  ensino fundamental.                                               plementados pela União, quando for o caso.
Módulo de Competências Básicas




                                    Tratava-se de um fundo de âmbito estadual, cujos recur-            O Fundeb tem por objetivo o financiamento de todas as
                                  sos eram distribuídos de maneira automática e equânime            etapas da educação básica: educação infantil (creches para
                                  entre o governo estadual e seus municípios.                       crianças de 0 a 3 anos e pré-escola para crianças de 4 a 6),
                                                                                                    ensino fundamental e ensino médio, além das seguintes
                                                                                                    modalidades: educação de jovens e adultos, educação indí-
                                  É importante lembrar que 60% dos 25% dos impostos e
                                                                                                    gena, educação quilombola, educação profissional, educa-
                                  transferências não vinculados ao Fundef deveriam, obriga-
                                                                                                    ção do campo e educação especial (destinada a portadores
                                  toriamente, ser aplicados também no ensino fundamental
                                                                                                    de deficiências).
                                  público (nos termos da própria Emenda Constitucional nº
                                  14, art. 60, caput, e da Lei 9.424, art. 8, II).                    No Fundeb, parte da receita de impostos estaduais e
                                                                                                    municipais vai para 27 fundos contábeis estaduais. Os recur-
54
sos retornam aos estados e aos municípios conforme o número de matrículas existentes em suas redes
            de ensino.
               Devido às profundas desigualdades econômicas entre estados e regiões do país, a União exerce um
            importante papel redistributivo. Assim, em janeiro de cada ano, a União decreta um valor de investimen-
            to mínimo por aluno, abaixo do qual nenhum estado poderá ficar. Os estados que estiverem abaixo desse
            valor recebem uma complementação para que alcancem o valor mínimo nacional por aluno.
              O fundo é formado com recursos provenientes de impostos e transferências estaduais e municipais,
            em percentuais que evoluem nos três primeiros anos do fundo, além de uma parcela proveniente do
            governo federal, conforme quadro a seguir:

                                                                               Percentual dos impostos, transferências e recursos da
                            Impostos e transferências                          União
                                                                                2007       2008      2009       de 2010 em diante
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços – ICMS
Fundo de Participação dos Estados – FPE
Fundo de Participação dos Municípios – FPM                                     16,66%     18,33%
Imposto sobre Produtos Industrializados proporcional às exportações – IPIexp
                                                                                                      20%              20%
Recursos da Lei Complementar 87/96 (Lei Kandir)
Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores – IPVA
Imposto Territorial Rural – ITR                                                 6,66%     13,33%




                                                                                                                                        Financiamento da educação básica
Imposto sobre Causa Mortis e Doações – ITCMD
                                                                                                              10% do total da contri-
                                                                               R$ 2,0    R$ 3,0     R$ 4,5
Recursos da União (de complementação ao fundo)                                                                buição dos estados, DF
                                                                               bilhões   bilhões    bilhões
                                                                                                              e municípios




              Olhando para o quadro anterior, talvez você tenha ficado curioso ou tenha algumas dúvidas quanto a
            como, na prática, esses recursos são atualmente distribuídos e chegam às escolas públicas. Pode ser ain-
            da que você tenha ficado com algumas dúvidas, comparando o que aprendeu agora com o que já sabia
            sobre o Fundef.
               Então, selecionamos e respondemos a perguntas que frequentemente são feitas sobre o Fundeb.
                                                                                                                                        55
Esperamos, com isso, ajudá-lo a dirimir suas dúvidas também. Esperamos, com isso, ajudá-lo a dirimir suas
                                 dúvidas também.
                                   1. Em que podem ser gastos os recursos do Fundeb?
                                    O Fundeb obriga os estados e municípios a investirem, no mínimo, 20% do valor arrecadado com impostos
                                 e transfe-rências na valorização do profissional da educação e na manutenção e desenvolvimento do ensino.
                                 Por isso, o recurso do Fundeb destina-se a:
                                 :: pagamento dos profissionais do magistério em efetivo exercício (professores, diretores de escolas e profis-
                                    sionais que exercem cargo/função de planejamento, inspeção, supervisão, orientação educacional e coor-
                                    denação peda-gógica), utilizando-se, anualmente, pelo menos 60% dos recursos do fundo;
                                 :: despesas de “manutenção e desenvolvimento da educa-ção básica”, utilizando-se 40% dos recursos do
                                    fundo. Lembra-se do art. 70 da LDB?
                                   2. Como é distribuído o recurso do Fundeb?
                                    A distribuição é proporcional ao número de matrículas na educação básica das respectivas redes do ensino
                                 público. Mas é importante lembrar que, em relação aos municípios, são consideradas as matrículas do ensino
                                 fundamental e infantil e, em relação aos estados, as matrículas do ensino fundamental e médio. Isso porque
                                 é observada a responsa-bilidade de cada governo no atendimento. Assim, a manu-tenção do aluno na escola
                                 assegura um valor per capita anual para o estado ou município que o atende.
Módulo de Competências Básicas




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3. Como é calculado o valor por aluno/ano?
   Como o fundo é de âmbito estadual (não há comunicação entre fundos de estados diferentes), o valor é calculado por estado,
de forma que temos 27 valores diferentes, por aluno. Além disso, é importante esclarecer que são calculados 21 valores per capita
diferentes, sendo que as diferenças são definidas por fatores de ponderação. Na tabela a seguir, estão os 21 desdobramentos da
educação básica e res-pectivos fatores de ponderação aplicáveis:

                                                                                                                    Fatores de ponderação
                                      Segmentos da educação básica considerados
                                                                                                                      aplicáveis em 2009

        Creche pública em tempo integral                                                                                    1,10
        Creche pública em tempo parcial                                                                                     0,80
        Pré-escola publica em tempo integral                                                                                1,20
        Pré-escola pública em tempo parcial                                                                                 1,00
        Anos iniciais do ensino fundamental urbano                                                                          1,00
        Anos iniciais do ensino fundamental no campo                                                                        1,05
        Anos finais do ensino fundamental urbano                                                                            1,10
        Anos finais do ensino fundamental no campo                                                                          1,15
        Ensino fundamental em tempo integral                                                                                1,25
        Ensino médio urbano                                                                                                 1,20
        Ensino médio no campo                                                                                               1,25
        Ensino médio em tempo integral                                                                                      1,30




                                                                                                                                            Financiamento da educação básica
        Ensino médio integrado à educação profissional                                                                      1,30
        Educação especial                                                                                                   1,20
        Educação indígena e quilombola                                                                                      1,20

        Educação de jovens e adultos, com avaliação no processo                                                             0,80


        Educação de jovens e adultos integrados à educação profissional de nível médio, com avaliação no processo           1,00

        Creche conveniada em tempo integral                                                                                 0,95
        Creche conveniada em tempo parcial                                                                                  0,80
        Pré-escola conveniada em tempo integral                                                                             1,20
        Pré-escola conveniada em tempo parcial                                                                              1,00
                                                                                                                                            57
Além de utilizar fatores de ponderação, é importante des-tacar que os alunos da educação básica são
                                 considerados na distribuição dos recursos do Fundeb em proporções diferentes. No primeiro ano (2007),
                                 foram considerados todos os alunos do ensino fundamental (os mesmos que eram con-siderados no
                                 Fundef ) e 1/3 dos alunos da educação infantil, do ensino médio e da educação de jovens e adultos. No
                                 segundo ano (2008), os alunos do ensino fun-damental continuam sendo considerados integralmente, e
                                 estão sendo considerados 2/3 dos alunos da educação infantil, do ensino médio e da educação de jovens
                                 e adultos. Do terceiro ano (2009) em diante, serão considerados todos, integralmente.
                                   O quadro abaixo resume essa regra.


                                                                                                                                        de 2009 em
                                                             Alunos considerados                        2007             2008
                                                                                                                                          diante

                                                      Alunos do ensino fundamental                       3/3               3/3                3/3

                                                      Alunos da educação infantil, do
                                                      ensino médio e da educação de                      1/3               2/3                3/3
                                                      jovens e adultos




                                    Assim, o cálculo é realizado por estado, adotando-se a fórmula específica, conforme exemplo hipoté-
                                 tico no quadro abaixo, para o exercício de 2010.
Módulo de Competências Básicas




                                                       Montante anual da receita (base de cálculo):
                                                       do ICMS, FPM, FPE, IPIexp e LC 87/96 .......................... = R$ 5.300.000.000,00
                                                       do IPVA, ITR e ITCMD .......................................................... = R$ 950.000.000,00
                                                       Total da receita no estado ................................................ = R$ 6.250.000.000,00
                                                       Cálculo dos recursos do Fundeb:
                                                       20% de R$ 6.250.000.000,00................................................ = R$ 1.250.000.000,00
                                                       6,66% de R$ 450.000.000,00 ............................................. = R$ 1.250.000.000,00




58
Tendo-se calculado os recursos, multiplica-se o número de alunos da educação básica do ano anterior pelos fatores de
ponderação aplicáveis. No quadro abaixo, é realizada essa operação para o número de alunos do estado hipotético do
nosso exemplo:
                                                                Fatores de pon-    Número de alunos       Número de alu-
       Segmentos da educação básica considerados                deração (2009)    matriculados no esta-   nos ponderado
                                                                 aplicáveis (a)     do em 2008 (b)            (a) x (b)
Creche públicas em tempo integral                                    1,10                 3.150              3.465,00
Creche pública em tempo parcial                                      0,80                16.528             13.222,40
Pré-escola pública em tempo integral                                 1,20                 4.137              4.964,40
Pré-escola pública em tempo parcial                                  1,00                36.975             36.975,00
Anos iniciais do ensino fundamental urbano                           1,00               186.770             186.770,00
Anos iniciais do ensino fundamental no campo                         1,05                 4.750              4.987,50
Anos finais do ensino fundamental urbano                             1,10               164.031             180.434,10
Anos finais do ensino fundamental no campo                           1,15                 788                 906,20
Ensino fundamental em tempo integral                                 1,25                 738                 922,50
Ensino médio urbano                                                  1,20                98.593             118.311,60
Ensino médio no campo                                                1,25                 444                 555,00
Ensino médio em tempo integral                                       1,30                 407                 529,10
Ensino médio integrado à educação profissional                       1,30                23.507             30.559,10
Educação especial                                                    1,20                 3.203              3.843,60




                                                                                                                           Financiamento da educação básica
Educação indígena e quilombola                                       1,20                 4.338              5.205,60

Educação de jovens e adultos, com avaliação no processo              0,80                40.726             32.580,80
Educação de jovens e adultos integrados à educação profissio-
                                                                     1,00                23.507             23.507,00
nal de nível médio, com avaliação no processo
Creche conveniada em tempo integral                                  0,95                  17                 16,15
Creche conveniada em tempo parcial                                   0,80                  50                 40,00
Pré-escola conveniada em tempo integral                              1,20                  57                 68,40
Pré-escola conveniada em tempo parcial                               1,00                 150                 150,00

Total de alunos no estado hipotético                                                    612.866            648.013,45


                                                                                                                           59
Valor por aluno/ano
                                 :: Os anos iniciais do ensino fundamental urbano são os “anos de referência”, razão pela qual têm fator de
                                    ponderação 1,00. Em relação a eles é que se calcula o valor por aluno/ano, da seguinte maneira:
                                   A receita do FUNDEB, no estado, é dividida pelo número total de alunos ponderado do estado, ou seja:
                                   Valor aluno/ano = R$ R$ 1.250.000.000,00 ÷ 648.013,45 = R$ 1.928,97.
                                    Agora, para determinar o valor aluno/ano para cada desdobramento da educação básica, basta multi-
                                 plicar esse valor referencial pelo fator de ponderação, de acordo com a tabela abaixo:

                                      Creche pública em tempo integral                                1,10         1.928,97          2.121,87
                                      Creche pública em tempo parcial                                 0,80         1.928,97          1.543,18
                                      Pré-escola pública em tempo integral                            1,20         1.928,97          2.314,76
                                      Pré-escola pública em tempo parcial                             1,00         1.928,97          1.928,97
                                      Anos iniciais do ensino fundamental urbano                      1,00         1.928,97          1.928,97
                                      Anos iniciais do ensino fundamental no campo                    1,05         1.928,97          2.025,42
                                      Anos finais do ensino fundamental urbano                        1,10         1.928,97          2.121,87
                                      Anos finais do ensino fundamental no campo                      1,15         1.928,97          2.218,32
                                      Ensino fundamental em tempo integral                            1,25         1.928,97          2.411,21
                                      Ensino médio urbano                                             1,20         1.928,97          2.314,76
                                      Ensino médio no campo                                           1,25         1.928,97          2.411,21
                                      Ensino médio em tempo integral                                  1,30         1.928,97          2.507,66
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                                      Ensino médio integrado à educação profissional                  1,30         1.928,97          2.507,66
                                      Educação especial                                               1,20         1.928,97          2.314,76
                                      Educação indígena e quilombola                                  1,20         1.928,97          2.314,76

                                      Educação de jovens e adultos, com avaliação no processo         0,80         1.928,97          1.543,18
                                      Educação de jovens e adultos integrados à educação profissio-
                                                                                                      1,00         1.928,97          1.928,97
                                      nal de nível médio, com avaliação no processo
                                      Creche conveniada em tempo integral                             0,95         1.928,97          1.832,52
                                      Creche conveniada em tempo parcial                              0,80         1.928,97          1.543,18
                                      Pré-escola conveniada em tempo integral                         1,20         1.928,97          2.314,76
                                      Pré-escola conveniada em tempo parcial                          1,00         1.928,97          1.928,97
60
Censo Escolar                                                    5. Além dos fatores de ponderação e do valor por alu-
   O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais      no/ano diferenciado, há algum outro parâmetro que é
Anísio Teixeira (Inep/MEC), em parceria com as secretarias       considerado nos repasses dos recursos do Fundeb?
estaduais e municipais de educação, coleta anualmente               Sim. No Fundeb continuam garantidos, em relação ao
informações sobre a educação básica: número de matrículas,       ensino fundamental, os valores mínimos nacionais e os
professores, diretores, infraestrutura, atividades na comuni-    valores por aluno/ano em cada estado, praticados no último
dade, entidades representativas (alunos, pais e professores)     ano do Fundef (2006). Vale dizer que, entre o valor calculado
etc. É uma pesquisa declaratória respondida pelo diretor ou      para o Fundeb e o valor praticado no Fundef de 2006, preva-
responsável de cada estabelecimento escolar, público e pri-      lece o maior, tanto para o valor mínimo quanto para o valor
vado do país (mais de 200 mil, no total).                        por aluno de cada estado.
   Os programas do FNDE utilizam-se desses dados para o             Outra regra importante está relacionada à educação de
repasse de recursos.                                             jovens e adultos. Para esse segmento da educação básica,
                                                                 é permitido o comprometimento máximo de 10% do fundo
                                                                 em cada estado. Com isso, caso o número de alunos da EJA
  4. Como é definido o valor mínimo nacional por aluno/          multiplicado pelo respectivo valor por aluno/ano seja supe-
ano?                                                             rior a 10%, os recursos repassados não ultrapassarão esse
  O valor mínimo nacional resulta do inter-relacionamento        limite.
das seguintes variáveis:                                            6. Mas a arrecadação e o número de matrículas são
:: receita total do fundo, proveniente da contribuição do        diferentes de um estado para outro. O tratamento é
   governo estadual e dos governos municipais, em cada           igual?
   estado, e total nacional;                                       Como há arrecadações diferentes devido às diferenças e




                                                                                                                                 Financiamento da educação básica
:: recursos da complementação da União;                          desigualdades regionais, o financiamento por aluno varia
                                                                 entre os estados e entre as regiões. Assim, em 2009, no Mara-
:: número de alunos matriculados no ano anterior (observa-
                                                                 nhão o valor por aluno/ano foi de R$ 1.350,09, enquanto o de
   da a escala);
                                                                 Roraima foi de R$ 2.890,08.
:: fatores de ponderação aplicáveis.
                                                                    Os estados que não alcançam o valor mínimo nacional
   Para 2010, o valor mínimo nacional, calculado para as         recebem, então, uma complementação da União.
séries iniciais do ensino fundamental urbano, foi de R$ R$
1.415,97. A partir desse valor, calculam-se os valores para os
demais segmentos.


                                                                                                                                 61
7. E o que acontece quando o valor por aluno/ano no           de vigência, o objetivo é atender 46 milhões de alunos, com
                                 estado for maior do que o valor mínimo nacional?                investimentos públicos anuais da ordem de R$ 65,2 bilhões,
                                    Se o per capita do estado for maior, prevalece esse valor,   dos quais R$ 6,5 bilhões são provenientes da União, respon-
                                 ou seja, em tal estado, não haverá necessidade de recursos      sável também por complementar os recursos quando o valor
                                 federais para complementação.                                   anual por aluno, nos estados e no Distrito Federal, não alcan-
                                                                                                 çar o mínimo nacional.
                                   8. Você sabe qual é o valor mínimo estabelecido para
                                 este ano? E qual é o “valor” por aluno em seu estado?            Fique atento!
                                 Ademais, sabe se a sua prefeitura recebe mensalmente
                                 esse recurso do Fundeb? Qual é a quantia?                        O dinheiro do Fundeb é significativo. Para 2010, a previsão
                                                                                                  é de que o fundo contará com R$ 91.405.234.380,23, sen-
                                    É importante que você se informe sobre os recursos des-       do R$ 83,095 bilhões da contribuição de estados e municí-
                                 tinados à educação que chegam ao seu município. No sítio         pios e R$ 8,309 bilhões de complementação federal.
                                 do FNDE, www.fnde.gov.br, são disponibilizadas informa-
                                 ções sobre todos os repasses realizados a todos os estados e
                                 municípios brasileiros.
                                   9. Como são aplicados os recursos do Fundeb?
                                    Os recursos do fundo devem ser aplicados nos segmentos                  Atividade 6
                                 da educação básica que competem ao ente governamen-
                                 tal atuar. Ou seja, os municípios devem aplicá-los no ensino     Hora de ir novamente ao caderno de atividades para testar
                                 infantil e fundamental; os estados, no ensino fundamental e      o seu aprendizado! Realize as atividades 6a, 6b, 6c e 6d. Em
                                 médio. No Distrito Federal, por ser o responsável por todos      seguida, retome seu caderno de estudo para concluir esta
                                 os segmentos da educação básica, a aplicação alcança os          unidade e rumar para a próxima.
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                                 três segmentos (infantil, fundamental e médio).
                                    Pelo menos 60% dos recursos do Fundeb, inclusive os de
                                 complementação da União, serão destinados ao pagamen-                          E como ocorre o controle social sobre
                                 to da remuneração dos profissionais do magistério em efe-                 esses recursos?
                                 tivo exercício na educação básica. O restante dos recursos
                                 será utilizado em outras despesas relativas à manutenção e
                                 desenvolvimento do ensino na educação básica.
                                                                                                   É esse o nosso objeto de estudo da unidade IV.
                                   Com duração de 14 anos (2007-2020), o Fundeb será
                                 implantado de forma gradativa. Até chegar ao quarto ano

62
Unidade III em síntese
Nesta unidade, estudamos como a Constituição Federal e as legislações federal, estadual e municipal,
nesses últimos anos, sob pressão da sociedade, dos movimentos organizados e das entidades educa-
tivas, vêm ampliando os recursos financeiros destinados à educação escolar, sobretudo na educação
básica pública. Isso não representa ainda tudo aquilo de que o país necessita, mas não podemos
negar os avanços significativos.
Apontamos as fontes desses recursos e o percentual destinado à educação escolar e a cada esfera
de governo. Finalmente, detivemo-nos um pouco mais sobre o Fundeb, por constituir o mais impor-
tante mecanismo de financiamento da educação pública brasileira e um marco histórico nas políticas
sociais voltadas para a educação. Você sabe que há dinheiro disponibilizado para a educação, mas,
infelizmente, esse nem sempre chega ao destino pretendido, ou não é bem aplicado.
Por isso, o governo federal conta com você: com sua participação, por exemplo, no conselho do Fun-
deb, ou em outros conselhos que têm como função acompanhar e fazer o controle social dos recursos
destinados à educação para que eles realmente produzam o efeito desejado.
A melhoria da qualidade da educação em seu município e no Brasil, possibilitando a milhões de
pessoas a construção de sua cidadania: esse é o objetivo que precisamos alcançar, e sua parti-
cipação é fundamental nesse processo.
Há um lindo poema de João Cabral de Melo Neto, que talvez você conheça, mas que vale a pena ler-




                                                                                                       Financiamento da educação básica
mos para refletirmos um pouco.




                                                                                                       63
Tecendo a manhã
                                    Um galo sozinho não tece uma manhã:
                                    ele precisará sempre de outros galos.
                                    De um que apanhe esse grito que ele
                                    e o lance a outro; de um outro galo
                                    que apanhe o grito de um galo antes
                                    e lance a outro; e de outros galos
                                    que com muitos outros galos se cruzem
                                    os fios de sol de seus gritos de galo,
                                    para que a manhã, desde uma teia tênue,
                                    se vá tecendo, entre todos os galos.
                                    E se encorpando em tela, entre todos,
                                    se erguendo tendo, onde entrem todos,
                                    se entretendo para todos, no toldo
                                    (a manhã) que plana livre de armação.
                                    A manhã, toldo de um tecido aéreo
                                    que, tecido, se eleva por si: luz balcão.

                                 (João Cabral de Melo Neto. Poesias Completas. 4ª edição. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986).
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                                   Solte sua voz, seu grito, dizendo o que você compreendeu do tecido complexo da nossa realidade, da teia das atuais
                                 políticas sociais e educacionais. Certamente, outras vozes irão se juntar, outros gritarão com você e juntos faremos um novo
                                 amanhecer para o seu município, para o nosso país, para milhões de cidadãos que frequentam nossas escolas públicas.
                                    Um dos objetivos das políticas educacionais do governo é atenuar as desigualdades existentes também no âmbito do
                                 sistema educacional, dos serviços oferecidos, da qualidade da educação.
                                   Se desejar aprofundar mais ainda seus conhecimentos, leia a bibliografia sugerida ao final do módulo, no tópico “Nossa
                                 conversa não se encerra aqui”.




64
Unidade IV
O controle social no
âmbito das políticas
públicas para a educação
Unidade IV

O controle social no âmbito das políticas públicas
para a educação
   Nesta quarta unidade, abordaremos o acompanhamento e o controle social em relação às políticas
públicas educacionais. Esse é um tema muito importante, porque trata diretamente de questões
relacionadas com sua atuação como cidadão. Além disso, o FNDE coloca o acompanhamento e controle
social como um dos objetivos a serem alcançados em seus programas, visando à transparência e ao
uso social dos recursos aplicados.
   Você consegue imaginar o quanto o acompanhamento e o controle social estão ligados à participação
política? Qual é a vinculação existente entre controle social e os conselhos formados para acompanhar
a execução dos programas e ações públicas? Como ocorre o controle social dos programas do FNDE?




                                                                                                        O controle social no âmbito das políticas públicas para
  Gostaríamos que você, durante a leitura desta unidade, buscasse respostas a essas perguntas e
socializasse suas refexões com colegas de trabalho e do curso.

             Ao final da leitura desta unidade, esperamos que você seja capaz de:
          :: definir controle social;
          :: descrever o papel dos conselhos no controle social;
          :: conhecer os diferentes conselhos no âmbito dos programas do FNDE.


1. Entendendo controle social
  Então, vamos começar definindo o que é acompanhamento e controle social, expressão que possui um
conceito muito amplo.




                                                                                                        a educação
  Inicialmente, para uma maior compreensão, vamos buscar significados para as palavras acompa-
nhamento, controle e social, separadamente. Acreditamos que, para entender uma palavra, devemos
começar por buscar seu significado em um dicionário. Foi o que fizemos.

                                                                                                                     67
No dicionário Aurélio, com relação à palavra “acompanha-      O sábio escreveu algo num pedaço de papel, colocou dentro
                                 mento”, encontramos a ideia de “observar a marcha, a evolu-      de uma pequena caixa e disse ao granjeiro que três vezes ao dia
                                 ção de”. Quanto a “controle”, deparamo-nos com a seguinte        desse uma volta por toda a granja com a caixa, sem abri-la.
                                 definição: “fiscalização exercida sobre as atividades de pes-    O granjeiro obedeceu. Pela manhã, ao passar pela granja, encon-
                                 soas, órgãos, departamentos, produtos etc., para que tais        trou um empregado ainda dormindo. Após acordá-lo, deu uma
                                 atividades ou produtos não se desviem das normas pré-            bronca. Pela tarde, encontrou as galinhas famintas, sem alimen-
                                 estabelecidas”. Finalmente, a palavra “social” quer dizer:       tação. Chamou a atenção do encarregado pelo serviço. À noite,
                                 “próprio dos sócios de uma sociedade, comunidade ou agre-        ao passar pela cozinha, viu o cozinheiro desperdiçando alimen-
                                 miação”.                                                         tos e o repreendeu.
                                    Para que você entenda melhor a extensão e a importância       Assim, todos os dias, ao dar a volta pela granja, levando consigo
                                 da expressão “acompanhamento e controle social”, vamos           a caixa misteriosa, sempre encontrava algo a ser corrigido.
                                 pensar no seguinte: quando você acompanha alguém, você
                                                                                                  Ao final do ano, constatou uma melhoria na sua granja. Foi
                                 vai junto, ficando em sua companhia, não é mesmo? Ao
                                                                                                  então ao sábio e pediu para ficar com a caixa por mais um ano,
                                 acompanhar alguém, você passa a fazer parte da caminhada,        pois lhe havia trazido sorte.
                                 seguindo com atenção os passos do companheiro.
                                                                                                  O sábio, então, sorriu e disse que ele não precisava mais da cai-
                                    Quando alguém está cantando, os músicos fazem o
                                                                                                  xa, pois não precisava mais daquele amuleto da sorte. Abriu a
                                 “acompanhamento”. Imagine se cada músico resolvesse tocar        caixa e deu o papel para que o granjeiro o lesse. Estava escrito:
                                 com tonalidades ou ritmos diferentes? Seria um desastre!         Se quer que as coisas melhorem, acompanhe-as de perto!
                                 Pois o acompanhamento exige trabalho coletivo “afinado”,
                                 além do envolvimento das pessoas.                                 E agora, você já entendeu a relação entre “acompanha-
                                                                                                 mento” e “controle social”?
                                                                                                   Bem, quando você acompanha a execução das ações e
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                                                                                                 programas do governo, está efetuando o controle social. A
                                                 E qual é a relação entre
                                                                                                 definição técnica para controle social é a seguinte:
                                            “acompanhamento” e “controle social”?
                                                                                                    Trata-se da participação da sociedade no acompanhamento
                                                                                                 e verificação da execução das políticas públicas, avaliando
                                                                                                 objetivos, processos e resultados.
                                                                                                   De maneira simplificada, podemos considerar que é a
                                   Para entender isso, leia esta pequena história.               ação fiscalizadora, exercida pelos sócios (participantes) de
                                  O proprietário de uma pequena granja, diante do seu baixo      uma comunidade.
                                  ren-dimento, procurou um sábio que lhe dissesse o que fazer.

68
Agora que você já entendeu o conceito, que tal buscarmos         pela LDB, em 1996, e pelo Plano Nacional de Educação, em
as origens desse fenômeno social?                                   2001.
   Segundo Bobbio, Mateucci e Pasquino, importantes                    A partir desses marcos, diversos mecanismos de
cientistas políticos italianos, autores do Dicionário de Política   participação têm sido implementados e consolidados
(1991), “acompanhamento e controle social” é um conceito            pela sociedade civil e na administração pública, tais como
que está presente, mesmo que indiretamente, em obras                conselhos, conferências, fóruns, orçamentos participativos,
clássicas da filosofia política, escritas há muitos anos, que       plebiscitos, iniciativas populars de leis e referendos.
abordam os temas de Estado, poder e a relação entre o agir             Pesquisas e estudos realizados no Brasil apontam para o
individual e o coletivo, entre outros.                              fato de o controle social sobre as ações do governo federal
   A História relata inúmeros movimentos sociais que se             ser um caminho trilhado por um número cada vez maior
espalharam pela Europa e América, a partir do final do              de organizações da sociedade civil. É o resultado também
século XVII, defendendo ideias de igualdade, democracia             da implementação de políticas públicas que têm como
participativa e controle do Estado, bases das atuais                objetivo a descentralização do poder de decisão sobre os
democracias contemporâneas.                                         recursos a serem utilizados na prestação de serviços sociais,
  E quanto ao Brasil, você sabe dizer quando a sociedade            principalmente no setor da educação.




                                                                                                                                      O controle social no âmbito das políticas públicas para
passou a participar mais intensamente das decisões?                    Assim, construímos, cada dia mais, uma democracia na qual
   Ao avaliarmos a história de nosso país, percebemos que,          todos se transformam em sujeitos conscientes, que lutam
após a Independência, ocorrida em 1822, passamos por                pelos seus direitos legais, tentam ampliá-los e acompanham
vários momentos políticos, incluindo períodos ditatoriais,          e controlam socialmente a execução de programas, projetos
nos quais aprendemos o valor de lutar pela reconquista e            e ações que concretizam esses direitos.
pela garantia da democracia. Após o regime militar (1964-              Um novo cidadão está surgindo: um ser político, capaz
1984), com a promulgação da Constituição Federal de                 de, como dizia Paulo Freire, questionar, criticar, reivindicar,
1988, adotou-se no país uma perspectiva de democracia               participar, ser militante e engajado, contribuindo para a
representativa e participativa, incorporando a participação         transformação de uma ordem social injusta e excludente.
da comunidade na gestão das políticas públicas.
    CF/1988, art. 1º, parágrafo único: “Todo poder emana
do povo, que o exerce indiretamente, por representantes
eleitos, ou diretamente, nos termos desta Constituição”.




                                                                                                                                      a educação
   A gestão participativa, portanto, é uma experiência
relativamente nova em nosso país, tendo chegado ao ensino
público com a proposta da gestão democrática, confirmada
                                                                                                                                                   69
ou deliberativas, reunindo-se para avaliar, julgar, planejar,
                                  Fique atento!                                                 decidir etc. Ademais, os conselhos são, no caso tratado por
                                  O controle social é um direito do cidadão brasileiro, con-    nós, uma forma de os cidadãos reconquistarem a soberania
                                  quistado na Constituição Federal de 1988. Ou seja, é o        popular na gestão do bem público.
                                  direito da participação da sociedade no acompanhamen-
                                  to e verificação da gestão dos recursos públicos emprega-                       E o que são os conselhos
                                  dos nas políticas públicas.                                                 gestores das políticas públicas?


                                                                     Atividade 7

                                  Reflita um pouco sobre o que acabou de ler e, em seguida,       Conselhos gestores de políticas públicas
                                  realize a atividade 7 proposta no seu caderno de ativida-     São espaços públicos de composição plural e paritária entre
                                  des.                                                          Estado e sociedade civil, de natureza deliberativa e consul-
                                                                                                tiva, cuja função é formular e controlar a execução das po-
                                 2. O papel dos conselhos no controle social                    líticas públicas setoriais. Os conselhos são o principal canal
                                   Agora que você já sabe o que é acompanhamento                constitucional de participação popular encontrado nas três
                                 e controle social, vamos tratar especificamente de um          instâncias de governo (federal, esta-dual e municipal).
                                 dos mecanismos de controle social mais importantes: os
                                 conselhos gestores de políticas públicas.                        O que isso significa?

                                                                                                   Na verdade, esses conselhos são espaços públicos porque
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                                                  Mas o que é um “conselho”?                    constituem uma arena de debate e discussão na construção
                                                                                                de acordos e na elaboração de políticas públicas. É o espaço
                                                                                                no qual ocorrem a explicitação dos diversos interesses, o
                                                                                                reconhecimento da existência de diferenças e da legitimidade
                                    Em qualquer dicionário que você for consultar, encontrará   do confito e a troca de ideias como procedimento de
                                 significados que apontam para uma reunião de cidadãos,         tomada de decisões sobre elaboração, acompanhamento,
                                 sob a presidência de um de seus membros, que deliberam         fiscalização e avaliação das políticas públicas.
                                 sobre questões específicas, relacionadas aos interesses de       Observe as principais características dos conselhos gestores
                                 pessoas ou grupos que eles representam. Em outras palavras,    de políticas públicas:
                                 é um grupo de representantes com funções consultivas e/

70
a. formação plural: permite a participação de pessoas de            conselhos tutelares e de direitos da criança e do adolescente,
   qualquer crença religiosa, etnia, filiação partidária, convic-   conselhos de acompanhamento e controle social do Fundo
   ção filosófica, contando, assim, com a representação dos         de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e
   vários atores que constituem a sociedade brasileira;             de Valorização do Magistério (Fundef ) e conselhos escolares.
b. representação do Estado e da sociedade civil: os conse-             Esses conselhos, instituídos de norte a sul em nosso país,
   lhos devem ser compostos por conselheiros, representan-          apresentam características bem diferenciadas no que tange à
   tes do Estado e da sociedade civil;                              natureza, papel, funções, atribuições, composição, estrutura
c. natureza deliberativa: capacidade própria de decidir             e regimento.
   sobre a formulação, controle, fiscalização, supervisão e           No entanto, vale ressaltar que a constituição e a efetiva
   avaliação das políticas públicas, inclusive nos assuntos         atuação dos conselhos possibilitam a participação da
   referentes à definição e aplicação do orçamento, como            sociedade no interior do próprio Estado.
   instituição máxima de decisão;
d. natureza consultiva: seu caráter de assessoramento é
   exercido por meio de pareceres aprovados pelos mem-                            Afinal, qual é o papel dos conselhos e
   bros, respondendo a consultas do governo e da socieda-                    quais são seus principais desafios?




                                                                                                                                     O controle social no âmbito das políticas públicas para
   de;
e. função fiscalizadora: competência para fiscalizar o cum-
   primento das normas e a legalidade de ações;
                                                                       Esses conselhos devem promover o reordenamento das
f. função mobilizadora: é a que situa o conselho numa ação          políticas públicas adotadas no Brasil, rumo à sua eficácia,
   efetiva de mediação entre o governo e a sociedade.               eficiência e efetividade, podendo realizar diagnósticos,
   Contra o autoritarismo, a corrupção e o corporativismo           construir proposições, fazer denúncias de questões que
dos tradicionais mecanismos de luta popular (partidos,              corrompem o sentido e o significado do caráter público das
sindicatos, associações etc.), os movimentos sociais das            políticas, entre outros.
décadas de 1970 e 1980 reivindicavam espaços de controle              Representam, assim, o rompimento do distanciamento
social das políticas públicas por meio da criação de                entre a participação popular e a esfera em que ocorrem as
conselhos em diversas áreas, configurando-os em espaços             tomadas de decisões. Além disso, contribuem para:
de articulação entre governo e sociedade.
                                                                    :: superar a fragilidade de organização da sociedade civil




                                                                                                                                     a educação
   A década de 1990 presenciou uma verdadeira explosão de              brasileira, uma vez que não se pode negar o passado
criação de conselhos em todo o Brasil, que culminou com a              auto-ritário de nossa história;
obrigatoriedade da implementação dos conselhos de saúde,
                                                                    :: superar a pouca capacitação técnica e política dos agen-

                                                                                                                                                  71
tes sociais para a negociação e proposição de políticas       3.1. Conselho de Acompanhamento e Controle Social
                                   públicas;                                                     (Cacs)
                                 :: buscar a transparência das gestões governamentais;              O art. 24 da lei do Fundeb (Lei nº 11.494, de 20 de junho de
                                 :: estabelecer parcerias com a sociedade;                       2007) estabelece que o acompanhamento e o controle social
                                                                                                 sobre a repartição, a transferência e a aplicação dos recursos
                                 :: lutar pela democratização do Estado e sociedade, buscan-     do fundo serão exercidos, junto aos respectivos governos,
                                    do a co-gestão das políticas públicas.                       no âmbito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos
                                    O governo federal, por intermédio do Ministério da           municípios, por conselhos instituídos especificamente para
                                 Educação e do FNDE, vem estimulando a organização               esse fm. Os conselhos devem ser criados por legislação
                                 da sociedade civil e sua participação no planejamento,          específica, editada no pertinente âmbito governamental.
                                 acompanhamento e avaliação das políticas públicas               Para que esse montante de recursos do fundo realmente
                                 educacionais locais. Em lugares remotos do Brasil, os           chegue ao destino pretendido, são estabelecidos prazos,
                                 programas do FNDE propiciaram o exercício e a experiência       depósitos automáticos em contas específicas e a criação dos
                                 de gestão democrática e participativa para muitos cidadãos      Cacs, a serem instituídos no âmbito da União, do estado e do
                                 brasileiros.                                                    município.
                                                                                                   No município, esse conselho é composto por nove
                                                                     Atividade 8                 membros, no mínimo, sendo:
                                                                                                 :: dois representantes do poder executivo municipal, dos
                                  Ficou claro para você quais são as funções e característi-
                                                                                                    quais pelo menos um da secretaria municipal de educa-
                                  cas dos conselhos? Confira realizando o exercício 8 do seu
                                                                                                    ção ou órgão equivalente;
                                  caderno de atividades.
                                                                                                 :: um representante dos professores e um representante
Módulo de Competências Básicas




                                 3. Controle social das ações e programas do FNDE                   dos diretores das escolas públicas do ensino fundamen-
                                                                                                    tal;
                                   Você sabia que os programas educacionais do FNDE con-         :: um representante dos servidores das escolas públicas do
                                   tam com estruturas que viabilizam a participação social?         ensino fundamental;
                                                                                                 :: dois representantes dos pais de alunos da educação bási-
                                    Pois bem, vamos falar sobre essas estruturas. São elas: os      ca pública;
                                 conselhos do Fundeb, os conselhos de alimentação escolar e
                                                                                                 :: dois representantes dos estudantes da educação básica
                                 as unidades executoras próprias das escolas.
                                                                                                    pública, um dos quais é indicado pela entidade de estu-
                                                                                                    dantes secundaristas;

72
:: um representante do conselho municipal de educação,              somente do Fundeb, mas também dos recursos destinados
   caso ele exista;                                              ao Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar
:: um representante do conselho tutelar, se houver.              (Pnate). Para realizar sua função, ele busca informações e
                                                                 dados junto ao executivo local e outros órgãos competentes,
   Esse conselho não tem estrutura administrativa                analisando a prestação de contas que o ente executor (nesse
própria e seus membros não recebem qualquer espécie              caso, a prefeitura) lhe envia.
de remuneração pela participação no colegiado, seja em
reunião ordinária ou extraordinária. Suas atividades são
consideradas de “relevante interesse social”, e o mandato         Fique atento!
terá a duração de, no máximo, dois anos (lei do Fundeb, nº        Se você é conselheiro, para obter o extrato da prestação
11.494, parágrafos 8o e 11).                                      de contas, basta procurar o gerente da agência do Banco
   Cabe a cada setor ou categoria representada no conselho        do Brasil onde é mantida a conta Fundeb, com documento
indicar, de acordo com suas normas, o representante que           de identificação que comprove sua condição de represen-
atuará nel.                                                       tante.
                                                                  Na internet, também estão disponíveis os dados sobre os
                E qual a principal função                         valores repassados, na página do Fundeb.




                                                                                                                               O controle social no âmbito das políticas públicas para
            desse conselho?


                                                                    SSe você não faz parte do conselho, procure as pessoas
  A função do Cacs é o acompanhamento e o controle social        que participam ativamente dele. Converse com elas para
sobre a repartição, a transferência e a aplicação dos recursos   conhecer melhor o que ele realiza e vá à próxima reunião
do Fundeb.                                                       para acompanhar o que se discute. Certamente, você irá
                                                                 compreender melhor o papel desse conselho na execução
  Por isso, quem compõe esse conselho, representando o           das políticas no campo da educação. No sítio do Fundeb
segmento ou o setor no qual atua, tem responsabilidade           (www.fnde.gov.br), você encontra os nomes de todos os
social importante e papel político fundamental para              conselheiros, em cada município da federação, com endereço
que os recursos destinados à educação sejam aplicados            e telefone, para possíveis contatos.
adequadamente, beneficiando os alunos em sua formação.
                                                                   Agora, mais uma questão merece ser tratada: o que fazer
   Como determina o parágrafo 13 do Art. 24 da lei do            em caso de irregularidades?




                                                                                                                               a educação
Fundeb (Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007), esse conselho
é responsável pelo acompanhamento e controle social não             Se você sabe de alguma irregularidade no cumprimento da
                                                                 legislação do Fundeb, o Ministério da Educação recomenda

                                                                                                                                            73
a seguinte seqüência de providências:                            se faça uma avaliação dos trabalhos. Não fique somente
                                 a. Procure, primeiramente, os membros do Conselho de             reclamando. Tome iniciativa e exerça seu direito de cidadão!
                                    Acompanhamento e Controle Social do Fundeb, bem como          3.2. O Conselho de Alimentação Escolar (CAE)
                                    os governantes do estado ou município, para alertá-los for
                                                                                                    O processo de descentralização dos recursos financeiros
                                    malmente sobre as impropriedades ou irregularidades pra-
                                                                                                  para o Programa Nacional de Alimentação Escolar
                                    ticadas, solicitando correções.
                                                                                                  (PNAE), iniciado em 1994, foi acompanhado da criação
                                 b. Em seguida, se necessário, procure os representantes do       de um mecanismo de controle social que permitisse o
                                    poder legislativo, para que estes, pela via da negociação     aprimoramento da gestão do programa nas secretarias
                                    ou adoção de providências formais, possam buscar a            municipais e estaduais de educação.
                                    solução junto ao governante responsável.
                                                                                                     O Conselho de Alimentação Escolar (CAE) é um órgão
                                 c. Por fim, se necessário, recorra ao Ministério Público, for-   colegiado deliberativo de controle social desse programa. Sua
                                    malizando denúncias sobre as irregularidades praticadas,      principal finalidade é o acompanhamento e assessoramento
                                    para que a promotoria de justiça promova a ação compe-        às entidades executoras do PNAE nas aplicações dos recursos
                                    tente no sentido de obrigar o poder executivo a cumprir as    financeiros transferidos pelo governo federal.
                                    determinações contidas na lei do Fundeb.
                                                                                                     Observação: o ato de criação, a composição, as atribuições,
                                   O MEC recomenda também o encaminhamento dessas                 o regimento interno e a atuação do CAE na execução do
                                 denúncias ao Tribunal de Contas do município ou do estado.       PNAE serão debatidos em módulo específico do Programa
                                    Mas preste atenção: quaisquer formalizações de denúncias,     Formação pela Escola.
                                 inclusive sobre utilização de recursos de forma diversa          3.3. Os conselhos escolares
                                 da prevista na legislação, deverão ser fundamentadas de
                                                                                                    A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no seu art. 15,
                                 maneira objetiva e clara, apontando o problema de forma
Módulo de Competências Básicas




                                                                                                  define que:
                                 direta e específica (evitando colocações genéricas). Deve-se
                                 juntar, ainda, provas disponíveis (como cópias autenticadas         Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares
                                 de documentos, de atos ou medidas administrativas                públicas de educação básica que o integram progressivos
                                 eventualmente praticadas etc.) que possam caracterizar           graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão
                                 a impropriedade ou irregularidade apontada, de forma a           financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro
                                 permitir a ação do Ministério Público, Tribunal de Contas ou     público.
                                 de outro órgão de controle.                                         A inclusão desse artigo na lei que rege a educação
                                    Se você não estiver satisfeito com o trabalho que o Cacs      escolar brasileira não foi simples acaso. Estudos e pesquisas
                                 vem desenvolvendo em seu município, reúna mais pessoas           realizados no Brasil indicam que as escolas que exercem
                                 insatisfeitas e solicite uma reunião do conselho para que        controle direto sobre seus recursos apresentam, em geral,

74
melhores resultados escolares.                                     Unidade Executora (UEx)
   Nesse sentido, o Ministério da Educação e diversas              Trata-se de uma denominação genérica utilizada pelo
secretarias de educação vêm adotando políticas de repasse        MEC para referir-se a diversos órgãos representativos da
direto dos recursos às escolas, partindo da premissa de que      comunidade escolar, encontrados em todo o território
os diretores, professores e a comunidade escolar estão em        nacional.
melhores condições para definir as necessidades de sua             Independentemente da nomenclatura adotada, o
escola. Essa política possibilita agilidade nos processos e      importante é que tanto a autonomia pedagógica quanto a
utilização mais eficiente dos recursos.                          administrativo-financeira sejam asseguradas a todas as escolas
                                                                 públicas de educação básica, por meio desses espaços de
 Fique atento!                                                   participação popular.

 O maior exemplo desse tipo de política pública é o                Portanto, faz parte dos nossos direitos participar de
 Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que repas-           conselhos para exercitar o controle social dos recursos
 sa recursos para manutenção e desenvolvimento do                públicos destinados à comunidade local e escolar. O FNDE,
 ensino para todas as escolas públicas do ensino funda-          por meio de seus programas, tem buscado despertar essa
                                                                 consciência cívica, esperando que a comunidade não




                                                                                                                                   O controle social no âmbito das políticas públicas para
 mental (estaduais e municipais). Lembre-se de que, no
 Formação pela Escola, será oferecido um módulo espe-            somente faça o acompanhamento da prestação de contas,
 cífico sobre o PDDE. Nele você poderá ter informações           mas, sobretudo, participe de todo o processo de tomada de
 detalhadas sobre o acompanhamento que as UEx reali-             decisões e de gestão dos recursos públicos.
 zam no processo de execução.                                       Você pode perceber que, nos três exemplos de conselhos
                                                                 citados, o controle social é possível quando os cidadãos
No sentido de apoiar a progressiva autonomia das escolas,        deixam de ser “espectadores” para assumir a sua participação
as secretarias de educação estaduais, distrital e municipais     social, ou seja, quando os sujeitos se tornam atuantes na
vêm promovendo, em parceria com as escolas, a organização        sociedade, capazes de orientar e fiscalizar as ações do Estado.
de colegiados ou órgãos deliberativos das mais diversas na-
turezas e formas. Em diferentes estados do Brasil, essas or-
ganizações são conhecidas por diversas nomenclaturas, tais
como: caixa escolar, cooperativa escolar, associação de pais e
professores, associação de pais e mestres ou círculo de pais e




                                                                                                                                   a educação
mestres.



                                                                                                                                                75
Atividade 9

                                  Agora vá ao seu caderno de atividades e realize a atividade 9 para concluir o estudo desta unidade.
                                    Pois bem, você já estudou sobre as políticas públicas, especificamente as da área de educação, e o
                                 financiamento e o controle social sobre elas. Falta agora conhecer alguns dos diversos programas que as
                                 concretizam a partir dos recursos oriundos das diferentes fontes citadas no conteúdo de estudo. Então,
                                 para fechar o módulo com chave de ouro, na próxima unidade vamos tratar dos principais programas
                                 desenvolvidos e executados pelo FNDE.



                                  Unidade IV em síntese
                                  Esta unidade assume um significado especial por tratar de um tema importante ao FNDE e por propi-
                                  ciar a refexão sobre nosso papel de cidadãos na definição dos rumos de nosso país, mediante a partici-
                                  pação e envolvimento em programas e ações no campo da educação.
                                  Estudamos que acompanhamento e controle social significam a participação da sociedade no acom-
                                  panhamento e verificação da gestão dos recursos federais empregados nas políticas públicas por meio
                                  de mecanismos que propiciem transparência. Daí a importância dos conselhos, fruto das lutas dos
                                  movimentos sociais, que têm como função principal zelar pela efetividade das políticas públicas sociais.
                                  Entre eles, demos destaque aos conselhos que fazem o acompanhamento e o controle social dos pro-
                                  gramas do FNDE: o Cacs/Fundeb, o CAE e os conselhos escolares.
Módulo de Competências Básicas




76
Unidade V
Os programas
do FNDE
Unidade V

Os programas do FNDE
   As políticas educacionais se concretizam e se tornam visíveis mediante a implementação de programas
e ações específicas e com recursos vindos de diferentes fontes, como vimos na unidade anterior. Daí a
importância de conhecer essas ações para melhor compreender as políticas no campo social e educacional
do governo federal.
  Nesta unidade, trataremos dos mais significativos entre esses programas, cujas execuções estão
sob a responsabilidade do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e que você,
provavelmente, conhece muito bem.
  Será que aquela comunidade descrita no começo do módulo, reunida naquele município, discutindo
sobre como dar conta de tantas necessidades no campo da educação, sabia da existência do FNDE, de
suas ações e para que servem? Se você estivesse lá, participando da reunião, estaria em condição de falar
sobre o FNDE e seus programas?




   Por isso, o objetivo desta unidade é que você seja capaz de:
:: compreender o papel social do FNDE na implementação de políticas públicas para a educação básica;
:: apontar os principais programas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.




                                                                                                            Os programas do FNDE
                                                                                                            79
1. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Edu-                  :: Inclusão social – promoção de ações que possibilitem
                                 cação (FNDE)                                                       a igualdade de condições a todo cidadão para ascender
                                                                                                    educacionalmente, de modo a contribuir para redução da
                                 Em diversos momentos, ao longo do conteúdo deste módulo, o         desigualdade social.
                                 FNDE foi citado. Mas você conhece o FNDE ou algum dos pro-      :: Excelência – buscar a superação constante do desempe-
                                 gramas desenvolvidos e executados por essa instituição? Se         nho organizacional, vislumbrando primazia em todas as
                                 você não os conhece, agora será apresentado a eles; se já tem      etapas (desenvolvimento, execução, controle e manuten-
                                 algumas noções prévias, certamente haverá alguma informa-          ção dos resultados das ações, programas e projetos edu-
                                 ção que esta última unidade de estudo possa lhe acrescentar.       cacionais).
                                 Vamos lá!
                                                                                                 :: Avaliação permanente – adoção de política constante
                                   O FNDE foi criado pela Lei nº 5.537, de 21 de novembro de        de aferição qualitativa e quantitativa das ações, projetos
                                 1968, modificada pelo Decreto-Lei nº 872, de 15 de setembro        e programas educacionais, visando propiciar subsídios à
                                 de 1969. Trata-se de uma autarquia federal vinculada ao            atuação institucional.
                                 Ministério da Educação. Sua missão é:
                                                                                                 :: Empreendedorismo – atuação fundamentada na trilo-
                                   “Prover recursos e executar ações para o desenvolvimento         gia: flexibilidade, inovação e excelência.
                                 da educação”.
                                                                                                    Nesse sentido, o FNDE vem cada vez mais aprimorando
                                   A formulação da visão de futuro do FNDE foi consolidada       sua atuação, com maior eficiência e com resultados sociais
                                 da seguinte forma:                                              significativos.
                                    “Educação de qualidade com acesso garantido a todo               Para dar conta de sua missão, o FNDE canaliza os recursos
                                 cidadão”.                                                       financeiros para projetos educacionais que seguem as dire-
                                                                                                 trizes do MEC, visando garantir educação de qualidade com
Módulo de Competências Básicas




                                   A instituição tem como valores:
                                                                                                 acesso a todos. Tem sob sua responsabilidade atualmen-
                                 :: Transparência – definição e publicidade tempestiva e         te a gestão de inúmeros programas de ações educacionais
                                    clara de critérios de atendimento aos públicos-alvo do       do Plano Plurianual (PPA), conhecido como Plano Brasil de
                                    FNDE, dotando-lhes de informações institucionais que         Todos, que é a peça-chave do planejamento social e econô-
                                    possibilitem a participação cidadã.                          mico do atual governo.
                                 :: Controle social – fortalecimento da atuação participati-
                                    va em todas as esferas administrativas, no que tange ao
                                    acompanhamento dos processos de elaboração, execu-
                                    ção e controle das ações, projetos e programas educacio-
                                    nais de competência da organização, de modo a promo-
                                    ver o exercício da cidadania.
80
O orçamento do FNDE, em 2006, foi de aproximadamente
   Plano Plurianual (PPA)
                                                              R$ 9.975 bilhões, para atender a educação básica pública
 É um plano que indica e organiza todas as ações a serem      (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), com
 desenvolvidas pelo governo durante determinado perí-         seus mais de 55,9 milhões de alunos matriculados em mais de
 odo. Ex.: PPA 2004-2007 ou PPA 2008-2011.                    203,9 mil escolas públicas.
   Programa                                                     Desde 2004, atendendo às prioridades que o governo
 É o instrumento de organização da atuação governa-           vem conferindo à educação, por considerá-la área estratégica
 mental que articula um conjunto de ações concorrentes        para o desenvolvimento do Brasil, o FNDE passou a estender
 para um objetivo comum pré-estabelecido, mensurado           a obrigatoriedade do atendimento a todos os níveis que
                                                              compõem a educação básica. É importante, então, que você
 por indicadores, visando à solução de um problema ou
                                                              conheça um pouco esses programas, não acha?
 atendimento de determinada necessidade ou demanda
 da sociedade. Define o que fazer.
                                                              2. Programas do FNDE
 O programa possibilita maior racionalidade e eficiência
 na administração pública, ampliação da visibilidade dos         Aqui, vamos nos limitar a apresentar, de maneira bem
 resultados e benefícios gerados para a sociedade e ele-      resumida, os principais programas que o FNDE desenvolve
 va a transparência na aplicação dos recursos públicos.       para oferecer assistência à educação básica. Não entraremos
                                                              em detalhes, pois alguns deles serão estudados por você
   Ação                                                       nos módulos específicos deste programa de formação a
 É o instrumento de realização e execução do programa.        distância, o Formação pela Escola.
 Define como fazer e onde fazer determinada atividade,
 projeto ou operação especial.



   O FNDE conta com recursos provenientes do Tesouro




                                                                                                                             Os programas do FNDE
Nacional, sendo sua maior fonte a receita de arrecadação da
contribuição social do salário-educação. Lembra-se quando
falamos dessas contribuições na unidade anterior?




                                                                                                                             81
2.1- Principais programas do FNDE                               a)       R$ 0,30 para os alunos matriculados na pré-esco-
                                 2.1.1. O Programa Nacional de Alimentação Escolar                        la, ensino fundamental, ensino médio e educa-
                                        (PNAE)                                                            ção de jovens e adultos (EJA);

                                     Implantado em 1955, garante atualmente, por meio da         b)       R$ 0,60 para os alunos matriculados em creches;
                                 transferência de recursos financeiros, a alimentação escolar    c)       R$ 0,60 para os alunos matriculados em escolas
                                 dos alunos da educação infantil (creches e pré-escola)                   de educação básica localizadas em áreas indíge-
                                 e do ensino fundamental e médio, inclusive das escolas                   nas e em áreas remanescentes de quilombos;
                                 indígenas e quilombolas, matriculados em escolas públicas       d)       R$ 0,90 para os alunos participantes do Progra-
                                 e filantrópicas.                                                         ma Mais Educação.
                                   Seu objetivo é atender às necessidades nutricionais           2.1.2. Programas do Livro (PLi)
                                 dos alunos durante sua permanência em sala de aula,
                                 contribuindo para o crescimento, o desenvolvimento, a              Desde 1929, quando o governo brasileiro criou o Instituto
                                 aprendizagem e o rendimento escolar dos estudantes, bem         Nacional do Livro (INL), para legislar sobre a política do livro
                                 como para a formação de hábitos alimentares saudáveis.          didático, a ação federal nessa área vem se aperfeiçoando,
                                                                                                 com a finalidade de prover as escolas das redes federal,
                                    O PNAE tem caráter suplementar, isto é, trata-se de uma      estadual, municipal e do Distrito Federal com obras didáticas,
                                 complementação. Cabe aos estados e municípios prover            paradidáticas e dicionários de qualidade. Atualmente, essa
                                 a alimentação escolar para os alunos de educação infantil,      política está consubstanciada em diferentes programas:
                                 ensino fundamental e médio; ao governo federal, somente
                                 oferecer um acréscimo de recursos a essa política pública.           Programa Nacional do Livro Didático (PNLD)
                                    O repasse é feito diretamente aos estados e municípios,         Distribui gratuitamente obras didáticas para todos
                                 com base no censo escolar realizado no ano anterior ao do       os alunos de todas as séries da rede pública de ensino
Módulo de Competências Básicas




                                 atendimento. O programa é acompanhado e fiscalizado por         fundamental. A partir de 2003, as escolas de educação
                                 meio do FNDE, do Tribunal de Contas da União (TCU), da          especial públicas e as instituições privadas definidas pelo
                                 Secretaria Federal de Controle Interno (SFCI) e do Ministério   censo escolar como comunitárias e filantrópicas foram
                                 Público. Além disso, a sociedade também faz a sua parte, por    incluídas no programa.
                                 meio dos Conselhos de Alimentação Escolar (CAEs).                  A definição do quantitativo de exemplares a ser adquirido
                                    Para 2010, o valor por dia letivo, repassado pela União a    é feita pelas próprias escolas, em parceria com as secretarias
                                 Estados e Municípios, de acordo com a Resolução nº 67/09,       estaduais e municipais de educação. Os resultados do
                                 é de:                                                           processo de escolha são publicados no Diário Oficial da
                                                                                                 União, para que os estados, o Distrito Federal e os municípios
                                                                                                 tomem conhecimento. Em caso de desconformidade,

82
estes podem solicitar alterações, desde que devidamente         todo o país. Inicialmente, o programa atendeu, de forma
comprovada a ocorrência de erro.                                experimental, 1,3 milhão de alunos da primeira série de
   Em 2001, o PNLD passou a atender também alunos               5.392 escolas das regiões Norte e Nordeste. Em 2005,
portadores de deficiência visual que cursam o ensino            disponibilizou R$ 56,5 milhões para atender a 1,914 milhão
fundamental em escolas públicas de ensino regular e escolas     de alunos, distribuindo livros de Português e Matemática.
especializadas sem fins lucrativos.                                 Em 2006, O programa universalizou a distribuição de
   Para a transcrição e adaptação dos títulos, o FNDE tem       livros didáticos de Português, Biologia e Matemática para
parcerias com o Instituto Benjamin Constant (IBC), do           o ensino médio, com a aquisição de 7,2 milhões de volumes
Ministério da Educação, e com a Fundação Dorina Nowill para     destinados a 13.253 escolas do país.
Cegos (FDNC). Os títulos adaptados para o sistema Braille          Em 2007, a autarquia começou a expandir o programa, de
são distribuídos, em meio magnético, a todos os Centros de      forma gradativa, com a aquisição de livros de História, Física
Apoio Pedagógicos (CAP) e aos Núcleos de Apoio Pedagógico       e Química para o ensino médio.
e Produção em Braille do país.                                    Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE)
   O FNDE adquiriu, em 2008, 60,5 milhões de livros para os        O Ministério da Educação vem, desde 1997, incentivando
alunos da 1ª série e para a complementação e a reposição de     o hábito da leitura e o acesso à cultura junto aos alunos, aos
todas as disciplinas das demais séries do ensino fundamental.   professores e à comunidade em geral, mediante a execução
Os livros começaram a ser distribuídos em outubro para          do PNBE. O programa consiste na aquisição e na distribuição
utilização em sala de aula em 2009. O valor da compra dessa     de obras de literatura brasileira e estrangeira, infanto-juvenis,
vez foi de R$ 302,6 milhões.                                    de pesquisa, de referência e de outros materiais de apoio a
   Em 2009, a aquisição de livros a serem usados por alunos     professores e alunos, como atlas, globos e mapas.
do 1º ao 5º ano em 2010 custou R$ 427,6 milhões, mais R$           O PNBE distribui obras de literatura às escolas públicas
85,8 milhões referentes à distribuição.                         que oferecem matrículas nas séries iniciais do ensino
  Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino             fundamental, cadastradas no censo escolar.
Médio (PNLEM)




                                                                                                                                    Os programas do FNDE
   A Resolução nº 38, de 15 de outubro de 2003, do Conselho
Deliberativo do FNDE, criou esse programa e definiu como
prioritário o atendimento progressivo aos alunos das três
séries do ensino médio das regiões Norte e Nordeste.
    Implantado em 2004, o PNLEM prevê a distribuição de
livros didáticos para os alunos do ensino médio público de

                                                                                                                                    83
Dados Estatísticos     2006        2008         2009

                                                            Alunos atendidos                      5.065.686



                                       Ensino Infantil
                                                            Escolas beneficiadas                  85.179

                                                            Livros distribuídos                   1.948.140

                                                            Acervos                               97.407

                                                            Alunos atendidos         13.504.906               12.949.350
                                       Ensino Fundamental




                                                            Escolas beneficiadas     46.700       127.661     49.516

                                                            Livros distribuídos      7.233.075    3.216.600 7.361.068

                                                            Acervos                    96.440     160.830       77.214


                                   Programa Nacional Biblioteca da Escola para o Ensino Médio (PNBEM)
                                    No âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), em abril de 2007, o FNDE instituiu o
                                 Programa Nacional Biblioteca da Escola para o Ensino Médio (Pnbem). O programa possui metodologia
                                 inédita: a Secretaria de Educação Básica do MEC firmou parceria com a Sociedade Brasileira para o
Módulo de Competências Básicas




                                 Progresso da Ciência (SBPC) para definir os livros mais importantes direcionados aos alunos de 15 a 18
                                 anos de idade matriculados no ensino médio.
                                   Foram distribuídos livros de Física, Química, Matemática, Biologia, Filosofia, Geografia, História,
                                 Sociologia, Literatura Brasileira e Portuguesa, Artes, Educação Física e Gramática.
                                    Inicialmente, cada escola receberia, no mínimo, 40 títulos entre os mais escolhidos pelos professores
                                 de cada estado. Mas com o aporte de recursos do Plano de Desenvolvimento da Educação, todas as
                                 17.049 escolas públicas de ensino médio receberam pelo menos um acervo composto por 139 títulos. A
                                 distribuição dos acervos ocorreu no primeiro semestre de 2008.



84
Programa Nacional do Livro Didático para a Alfabetização de Jovens e Adultos (PNLA)
   Regulamentado pelo art. 1º da Resolução do Conselho Deliberativo do FNDE nº 18, de 24 de abril de
2007, busca, no âmbito do Programa Brasil Alfabetizado, distribuir, a título de doação, obras didáticas
às entidades parceiras, com vistas à alfabetização e à escolarização de pessoas com 15 anos de idade
ou mais. A partir de 2008, por meio desse novo programa, os alunos da educação de jovens e adultos
de todas as unidades federativas tiveram acesso a livros didáticos específicos como um recurso básico
no processo de ensino e aprendizagem, contemplando assim o direito constitucional dessa parcela da
população a oportunidades educacionais mais equânimes (igualitárias).
   A parte operacional, relativa ao processo de escolha, aquisição e distribuição dos livros didáticos,
segue as diretrizes do PNLD e do PNLEM. Quanto à questão do acesso aos livros, recebem as obras todas
as “entidades parceiras” (estados, Distrito Federal, municípios, entidades da sociedade civil organizada e
instituições de ensino superior) que obedecerem ao critério de cadastramento dos alfabetizandos, das
turmas e, se houver, dos coordenadores de turmas do Programa Brasil Alfabetizado, por meio eletrônico,
no endereço www.mec.gov.br/secads,.



                                  Você sabia que os alunos da rede pública de
                            ensino recebem gratuitamente os livros didáticos?
                           Se você tem filho na escola pública, certamente já
                        sabia! Se você não sabia, converse com pessoas que
                        sejam estudantes ou tenham filho na escola pública
                        para ouvir o que elas têm a dizer sobre essas ações.




                                                                                                             Os programas do FNDE
2.1.3. Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE)
   Criado em 1995, consistia no repasse anual de recursos às escolas públicas do ensino fundamental e
às de ensino especial mantidas por organizações não-governamentais (ONGs), desde que registradas no
Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Em 2009, com a edição da Medida Provisória nº 455, de
28 de janeiro (transformada posteriormente na Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009), foi ampliado para

                                                                                                             85
toda a educação básica, passando a abranger as escolas de      consumo e a despesas com transporte e alimentação dos
                                 ensino médio e da educação infantil.                           responsáveis pelas atividades.
                                   Em 2008, o PDDE investiu R$ 692,7 milhões, beneficiando      Educação integral
                                 26,9 milhões de alunos, matriculados em 117,4 mil escolas.        O PDDE também é destinado à adoção de educação
                                 Com a ampliação do programa, o universo de alunos              integral pelas escolas, com a oferta de, no mínimo, sete horas
                                 beneficiados em 2009 passou para 45,6 milhões, em 164,1        diárias de aula e reforço de atividades de aprendizagem,
                                 mil escolas, com previsão orçamentária de R$ 930,8 milhões.    lazer, arte e cultura, entre outras. São beneficiadas escolas
                                 Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE Escola)                de ensino fundamental ou médio localizadas em regiões
                                    Por meio da ação PDE Escola, o PDDE também concorre         metropolitanas de alta vulnerabilidade social e selecionadas
                                 para a melhoria da gestão nas escolas públicas de ensino       pela Secad. Os recursos servem para transporte e alimentação
                                 fundamental que não tiveram desempenho satisfatório no         dos monitores e para a compra de kits e material de consumo
                                 Ideb. Os recursos são repassados para as unidades de ensino    para as atividades.
                                 das redes estaduais e municipais que aderem ao Plano de        Execução
                                 Metas Compromisso Todos pela Educação e planejaram a              As escolas públicas de educação básica com mais de
                                 implementação do Plano de Desenvolvimento da Escola            50 alunos devem criar unidades executoras para receber
                                 (PDE Escola).                                                  diretamente recursos do PDDE. Nas escolas com até 50
                                    Os repasses para as escolas com baixo desempenho            alunos, é facultada a criação de unidade executora. Caso ela
                                 em 2007 vão de R$ 15 mil (escolas com até 99 alunos) a         não seja formada, a escola pode receber o recurso por meio
                                 R$ 75 mil (mais de 3.999 estudantes). Para aquelas com         da entidade executora (prefeitura ou secretaria de educação
                                 desempenho aquém do estipulado no Ideb de 2005 e que           distrital ou estadual) a que esteja vinculada. No caso das
                                 também ficaram abaixo da média nacional no Ideb de 2007,       escolas privadas da educação especial, os depósitos são
Módulo de Competências Básicas




                                 o repasse vai de R$ 10 mil (para unidades com até 99 alunos)   realizados nas contas de suas entidades mantenedoras.
                                 a R$ 37.500 (mais de 3.999 estudantes).                        2.1.4. Programas de Transporte do Escolar (PTE)
                                 Funcionamento das escolas nos finais de semana                     Instituído em junho de 2004, tem como objetivo, por meio de
                                    Escolas públicas de ensino fundamental ou médio             assistência financeira, em caráter suplementar, aos estados, Dis-
                                 selecionadas por estados, Distrito Federal e municípios,       trito Federal e municípios, garantir o acesso e a permanência dos
                                 segundo critérios da Secretaria de Educação Continuada         alunos do ensino fundamental público que residem em área rural
                                 Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da           e utilizam transporte escolar,
                                 Educação, também recebem recursos para funcionar nos              O Pnate consiste na transferência automática de recursos
                                 finais de semana, oferecendo atividades educativas e           financeiros, sem necessidade de convênio ou outro instrumento
                                 recreativas. O dinheiro destina-se à compra de material de
86
congênere, para custear despesas com a manutenção de veículos        2.1.5. Programa Brasil Alfabetizado (Bralf)
escolares pertencentes às esferas municipal ou estadual e para a        Em 2003, foi criado o Programa Brasil Alfabetizado para
contratação de serviços terceirizados de transporte, tendo como      servir como porta de entrada e de integração à escola a
base o quantitativo de alunos transportados e informados no          todos aqueles que estão fora do sistema de ensino. No Brasil,
censo escolar realizado pelo Inep/MEC, relativo ao ano anterior ao   temos:
do atendimento. Os valores transferidos diretamente aos estados,
ao Distrito Federal e aos municípios são feitos em nove parcelas     :: 65 milhões de pessoas que não completaram o ensino
anuais, de março a novembro. Em 2009, o valor per capita/ano            fundamental.
variou de R$ 88,13 a R$ 125,72.                                        Desse total:
Caminho da Escola                                                    :: 33 milhões são “analfabetos funcionais” (isto é, com menos
    Criado pela Resolução do Conselho Deliberativo do FNDE nº           de quatro anos de estudo e apresentam dificuldades em
3, de 28 de março de 2007, o programa possibilitará a renovação         interpretar textos e não têm muita habilidade na escrita);
e ampliação da frota de veículos de transporte esco-lar, por meio    :: 14, 6 milhões de indivíduos analfabetos, com idade acima
de concessão de financiamento aos estados e municípios brasi-           de 15 anos.
leiros para aquisição de meios de transporte coletivo, que deverá
ser usado para o transporte diário dos alunos que residam na área       Coordenado pelo Ministério da Educação e financiado
rural.                                                               com recursos do FNDE, o Bralf atua por meio de parcerias
    O programa também visa à padronização dos meios de trans-        com estados, municípios, empresas privadas, universidades,
porte escolar, à redução dos preços dos veículos e ao aumento da     organizações não-governamentais e instituições civis, como
transparência nessas aquisições.                                     forma de potencializar o esforço nacional de combate ao
                                                                     analfabetismo.
    Você consegue imaginar a importância desses programas,
especialmente para as famílias residentes nas áreas rurais que têm      O programa tem por objetivo capacitar alfabetizadores
filhos na escola, geralmente distantes de suas casas, e não podem    que atendam pessoas com 15 anos ou mais e que não
levá-los e buscá-los? E para os alunos portadores de necessidades    tiveram oportunidades ou foram excluídas da escola antes
especiais? E para os estudantes carentes das zonas urbanas que       de aprender a ler e escrever.




                                                                                                                                     Os programas do FNDE
precisam de um meio de transporte para se deslocar para as aulas        Os interessados em participar do programa devem procurar
e não têm condições financeiras para pagar o transporte? Quan-       as instituições alfabetizadoras conveniadas com o Ministério
tas crianças puderam passar a frequentar o banco escolar por cau-    da Educação na região onde moram. São órgãos executores
sa desses programas!                                                 do programa: o estado, representado pela secretaria estadual
                                                                     de educação; os municípios, representados pelas prefeituras;
                                                                     e organizações não-governamentais, com experiência

                                                                                                                                     87
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O
                                 comprovada em alfabetização de jovens e adultos.                 programa é gerido pelo Ministério da Educação, por meio do
                                   Por meio do repasse direto efetuado pelo Ministério da         Programa Dinheiro Direto na Escola. O FNDE financia o pro-
                                 Educação, foram atendidas, em 2007, mais de 1,7 milhão de        grama, mas não é o único ente financiador.
                                 pessoas.                                                            Em 2004, o programa apoiou a abertura de 200 escolas
                                    A transferência de recursos do programa é feita em cinco      aos finais de semana, todas localizadas em regiões metro-
                                 parcelas. A quantia relativa à formação de alfabetizadores é     politanas de capitais do país, em áreas onde os índices de
                                 transferida de uma única vez, junto com a primeira parcela       violência são mais altos. Em 2005, o projeto se estendeu a
                                 relativa à bolsa – pagamento pelo trabalho a ser realizado.      outros sete Estados, chegando a mil escolas e atendendo a
                                 Por esse repasse, foram capacitados, em 2007, cerca de 95        um milhão de brasileiros aos sábados e domingos.
                                 mil alfabetizadores. Também foram formados professores,             A previsão de duração do programa é de 40 meses. Ao lon-
                                 encarregados de capacitar os alfabetizadores. No total,          go desse período, serão aplicados R$ 95,4 milhões, em recur-
                                 foram investidos no programa recursos na ordem de R$ 223,        sos do orçamento da União. Em 2004, o investimento foi de
                                 6 milhões e alfabetizados cerca de 4 milhões de alunos.          R$ 6 milhões, sendo metade do MEC e metade do Ministério
                                   Veja aí a possibilidade de reduzir o analfabetismo no          do Trabalho e Emprego. Os valores investidos em 2005 foram
                                 nosso país!                                                      da ordem de R$ 19 milhões e 1.161 escolas foram atendidas
                                 2.2.    Outros programas do FNDE                                 nos estados de Minas Gerais, Pernambuco e Espírito Santo.
                                                                                                  Já em 2006, foram investidos cerca de 20 milhões de reais e
                                 2.2.1. Escola Aberta                                             atendidas 1.558 escolas das regiões metropolitanas de vinte
                                    O programa tem por objetivo promover a melhoria da            e dois estados brasileiros.
                                 qualidade da educação no país, ampliando as oportunida-          2.2.2. Projetos educacionais
                                 des de acesso a atividades educativas, culturais, esportivas,
                                                                                                     O FNDE dá assistência financeira a projetos educacionais
Módulo de Competências Básicas




                                 de lazer e de geração de renda por meio do funcionamento
                                 de escolas públicas do 6º ao 9º anos e de ensino médio nos       com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino brasileiro.
                                 finais de semana. As atividades são abertas a toda a comu-       Seus recursos destinam-se ao ensino fundamental, incluindo
                                 nidade e visam à melhoria do relacionamento entre profes-        a educação infantil (creche e pré-escola), a educação de
                                 sores, alunos e familiares, de maneira a reduzir os índices de   jovens e adultos, a educação espécies, as escolas localizadas
                                 violência entre os jovens, sobretudo aqueles em situação de      em áreas remanescentes de quilombos e a educação
                                 vulnerabilidade social.                                          indígena. Destinam-se também a ações educacionais
                                                                                                  complementares e inovadoras, vinculadas a temas como
                                    Trata-se de um programa do governo federal desenvolvi-        aceleração da aprendizagem, educação ambiental, educação
                                 do em parceria entre os Ministérios da Educação, Trabalho        do campo, educação especial e outros que visem à inclusão
                                 e Emprego, Esporte e Cultura e a Organização das Nações

88
educacional.
   A aplicação dos recursos é direcionada à qualificação de docentes, aquisição e impressão de material
didático-pedagógico de alta qualidade, aquisição de equipamentos e adaptação de escolas com classes
de ensino especial.


                                   Você deve estar surpreso com a existência de
                             tantos programas e ações na área educacional! Sabe
                         dizer quais deles estão implementados em seu município
                         ou estado?




   O governo busca implementá-los para tornar cada vez mais concretas suas políticas públicas e seu pro-
jeto de uma sociedade em que as desigualdades sociais se amenizem.
  O FNDE cumpre seu papel de gerir os recursos do salário-educação e os demais recursos alocados em
seu orçamento de maneira eficiente e transparente, promovendo e incentivando o controle social, para
que as camadas menos privilegiadas
   tenham acesso a uma educação que possa lhes propiciar cidadania e perspectivas de melhoria em suas
vidas.
  Você que é gestor municipal, gestor estadual, técnico ou conselheiro poderá responder com precisão:
todos os envolvidos nos programas do FNDE têm feito a sua parte?




                                                                                                           Os programas do FNDE
  Acreditamos que agora, com as informações que este módulo acrescentou às que você já possuía, você
possa contribuir apontando possíveis caminhos a serem seguidos em sua comunidade perante situações
problemáticas como as vivenciadas por aquela comunidade na região leste de Mato Grosso.
Você se lembra?




                                                                                                           89
Atividades 10 e 11


Então, para concluir o estudo desta unidade, pegue seu caderno de atividades e realize os exercícios
10, 11a e 11b. Em seguida, leia a síntese desta unidade e caminhe para a conclusão do módulo. Lem-
bre-se de realizar a atividade final.



Unidade V em síntese
Nesta última unidade, apresentamos a missão do FNDE e seu campo de atuação para viabilizar as polí-
ticas sociais na educação. Apresentamos o volumoso trabalho dessa autarquia, que tem um significado
social fundamental na construção da cidadania e na democratização da educação escolar. Apresenta-
mos, então, resumidamente, seus principais programas, alguns dos quais serão objeto de estudo em
módulos específicos.
Se quiser conhecer melhor os programas do FNDE, poderá fazê-lo lendo os módulos que o Programa
Formação pela Escola vai colocar à sua disposição e também consultar a bibliografia sugerida ao final
deste módulo, no tópico “Nossa conversa não se encerra aqui”, e no sítio www.fnde.gov.br.
Retomando a
conversa inicial
Retomando a conversa inicial

  Parabéns!
   Você chegou ao final do módulo de Competências Básicas, uma caminhada que realizou trocando
ideias com outras pessoas que atuam no seu município, com seus colegas de curso e com o seu tutor.
  Nós, então, nos perguntamos:
  Será que tudo o que foi exposto neste módulo foi significativo para o nosso interlocutor, que é você?
Será que isso irá contribuir para que sua ação seja mais consciente e efetiva nos programas do FNDE e no
campo da educação?
  Só você poderá responder.
   Confessamos que, para nós, a experiência de escrever este módulo foi significativa. Fomos levados a
refletir mais sobre os caminhos que nosso país está seguindo, sobretudo no que diz respeito à educação
do seu povo. Lemos textos novos, relemos outros antigos, passamos a nos inteirar mais dos programas do
governo e, de maneira especial, os do FNDE. Aprendemos muito.
   Este material é um “começo de conversa” e não um ponto de chegada. Temos certeza de que você
irá ampliar seus conhecimentos e buscar mais informações, para que sua atuação seja efetiva e se sinta
cidadão nesse processo de implementação das políticas educacionais, mediante programas e ações
específicos.




                                                                                                           Retomando a conversa inicial
   Mas você não deve nem pode se sentir sozinho. Sua ação deve ser marcada pelo trabalho colaborativo,
pela solidariedade, pela abertura em querer aprender com o outro, em reconhecer suas limitações e
acreditar em suas qualidades e em seus sonhos.
   Por isso, queremos fechar essa nossa conversa com um trecho da obra “Capitães de Areia”, do saudoso
escritor brasileiro Jorge Amado.




                                                                                                           93
Numa mesa pediram cachaça. Houve um movimento de copos no
                                                balcão. Um velho disse:
                                                   — Ninguém pode mudar o destino. É coisa feita lá em cima – apontava
                                                o céu.
                                                  Mas João de Adão falou de outra mesa:
                                                  — Um dia a gente muda o destino dos pobres...
                                                  Pedro Bala levantou a cabeça. Professor ouviu sorridente. Mas João
                                                Grande e Boa Vida pareciam apoiar as palavras do velho, que repetiu:
                                                  — Ninguém pode mudar, não. Está escrito lá em cima...
                                                  — Um dia a gente muda... – disse Pedro Bala, e todos olharam para o
                                                menino.

                                   Você acredita que é possível mudar a situação em que se encontra nosso país, sobretudo no campo
                                 da educação?
                                   Nós acreditamos que sim. É possível realizar mudanças!
                                   Um dia a gente muda... o número de crianças que abandonam cedo a escola.
                                   Um dia a gente muda... as altas taxas de analfabetismo e de repetência.
                                   Um dia a gente muda... o não acesso a uma escola gratuita e de qualidade para todos os brasileiros.
Módulo de Competências Básicas




                                    Um dia a gente muda... a não adequada aplicação ou o desvio de recursos financeiros que não chegam
                                 à escola, a quem mais necessita.
                                   Um dia a gente muda... a reduzida autonomia financeira, administrativa e pedagógica das escolas.
                                   Um dia a gente muda... os baixos salários dos profissionais da educação.
                                   Um dia a gente muda... as precárias condições de funcionamento da maioria das escolas em nosso
                                 país.
                                   Um dia a gente muda... a pouca participação dos pais nas decisões das políticas locais de educação e
                                 da escola.

94
Um dia a gente muda...
  Um dia... A gente muda!
  Certamente, as mudanças não dependem simplesmente de um governo, de programas, de algumas
pessoas.
  Exigem vontade política, compromisso social e a implantação de novas práticas de gestão, de controle
social, de inovações pedagógicas, oferecendo condições para a melhoria do ensino, entre outras ações.
   O FNDE, o MEC, o atual governo e a escola contam com você, com seu envolvimento, com sua
participação. Vamos, então, à luta! Seja teimoso como o menino Pedro Bala, líder dos Capitães de Areia,
acreditando em seus sonhos, em possíveis mudanças e cantando, junto com Geraldo Vandré:

                              “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

   Obrigado por permanecer conosco nesse início de conversa do Programa Nacional de Formação
Continuada a Distância nas Ações do FNDE – Formação pela Escola. Esperamos ter realizado nossa parte,
a seu contento.
  E se desejar aprofundar seus conhecimentos, leia as obras, legislações, artigos e pesquisas indicados
em “Nossa conversa não se encerra aqui”.
   Não se esqueça de realizar a atividade final do módulo, proposta no seu caderno de atividades. Lembre-se
de que esta atividade deverá ser entregue no próximo encontro presencial. Esse será o segundo encontro
presencial do curso e tem como objetivo socializar a aprendizagem do módulo de competências básicas
e fazer a introdução aos módulos temáticos.




                                                                                                              Retomando a conversa inicial
                                   Bom trabalho, boa continuação de
                                 curso e até o próximo módulo!




                                                                                                              95
Nossa conversa não se encerra aqui

                                   A leitura deste módulo de competências básicas e dos módulos temáticos talvez não seja suficiente
                                 para resolver os problemas da educação em sua comunidade, mas o auxiliará a compreendê-los para que
                                 sua ação se torne mais clara, objetiva e eficiente na busca de soluções.
                                    Portanto, quanto maior clareza tiver sobre as políticas públicas do governo e suas ações para concretizá-
                                 las, mais efetiva se dará sua participação nas mudanças sociais e na construção de uma sociedade mais
                                 justa e solidária.
                                   Daí o nosso convite para que você expanda seu horizonte de compreensão com outras leituras.


                                 Referências bibliográficas
                                 BOBBIO, N.; MATEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de Política. Brasília: UnB/Linha Gráfica, 1991.
                                 MONLEVADE, João. Educação pública no Brasil: contos & descontos. Ceilândia, DF: Idea, 1997.
                                 ______. O FUNDEF e seus pecados capitais. 2 ed. Ceilândia, DF: Idea, 1998.
                                 PAULA, Juarez de. Para além do século XX. Rev. Século XXI. Brasília, Ano I, n. 1, dez. 1998, p. 51-54.
Módulo de Competências Básicas




                                 SANDRONI, Paulo. Dicionário de Economia. São Paulo: Círculo do Livro, 1995.
                                 Referências webgráficas / sítios
                                 :: Legislação:
                                 Constituição Federal. Disponível em: <www.planalto.gov.br/legislação/>.
                                 Plano Nacional de Educação. Disponível em: <www.mec.gov.br/arquivo/pdf/pne.pdf>.
                                 Lei de Diretrizes e Bases. Disponível em: <www.mec.gov.br/legis/default.shtm>.
                                 Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007 (Fundeb). Disponível em: <www.mec.gov.br/seb/>.


96
:: Artigos sobre políticas públicas, políticas educacionais, Fundef, Fundescola, Conselhos Municipais,
   etc., nas revistas:
Cadernos Cedes. Disponível em: <www.cedes.unicamp.br>.
Educação & Sociedade, Cadernos de Pesquisa e outras revistas no campo das Ciências Humanas e Sociais.
Disponível em: <www.scielo.com.br>.
Jornal eletrônico. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br>.
MARTINS, Paulo S. O financiamento da educação. Disponível em: <www.tvebrasil.com.br/salto>. Acesso
em 16/08/2005.
MONLEVADE, João. Financiamento da Educação Básica. Disponível em: <www.tvebrasil.com.br/salto>.
Acesso em 16/08/2005.
Núcleo de Políticas Públicas – Unicamp. Disponível em: <www.unicamp.br>.
SILVA, Tomaz Tadeu da; GENTILI, Pablo. Escola S.A.: quem ganha e quem perde no mercado educacional
do neoliberalismo. Brasília: CNTE, 1996. Disponível em: <www.cnte.org.br>.
Glossários de palavras técnicas de serviços do governo:
http://www.mec.gov.br
http://www.fnde.gov. br
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticia




                                                                                                         Nossa conversa não se encerra aqui
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/servicos/glossario/glossario_c.asp
http://www.inep.gov.br




                                                                                                         97
Glossário

                                   Capital                                                             Contribuições sociais
                                   Um dos fatores de produção, formado pela riqueza e que               O termo “contribuições” é utilizado com vários sentidos
                                 gera renda. Pode ser compreendido também como todos os              e designa arrecadações compulsórias das mais variadas
                                 meios de produção que foram criados pelo trabalho e que             formas. Aqui delimitamos o sentido às contribuições que
                                 são utilizados para a produção de outros bens e serviços            financiam a “seguridade social”, às contribuições sociais
                                 destinados à venda, isto é, as mercadorias. É representado          que têm sua arrecadação vinculada ao financiamento da
                                 em dinheiro.                                                        seguridade social. A maior parte delas está indicada no
                                   Capitalismo                                                       artigo 195 da Constituição Federal.

                                    Surgiu na Europa entre os séculos XI ao XV, quando o centro        Déficit fiscal
                                 da vida econômica, social e política se transferiu para a cidade.      Déficit é uma palavra que vem do latim e significa “que
                                 A sociedade que daí surge, a sociedade capitalista, tem como        falta”. Em linguagem contábil, significa que as despesas e
                                 base o lucro e um sistema econômico e social em que há              os pagamentos são maiores que o faturamento – o que se
                                 separação entre trabalhadores e capitalistas. Os trabalhadores,     ganha, o total do dinheiro que se tem em caixa – resultando
                                 juridicamente livres, dispõem de sua força de trabalho e a          em saldo negativo.
                                 vendem em troca de salário. Os capitalistas são os proprietários
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                                 dos meios de produção e contratam os trabalhadores para
                                 produzir mercadorias visando obter lucro.                             Descentralização
                                   Cidadania                                                            Quando a gestão, execução e fiscalização dos recursos
                                                                                                     públicos são realizadas, não somente pelos governos
                                    Qualidade do cidadão, do sujeito que não somente                 (municipais, estaduais, distritais, federais), mas pelos
                                 tem consciência de seus direitos e deveres, mas que                 variados segmentos da sociedade de maneira organizada
                                 é impulsionado ao respeito ao outro, às diferenças, à               e representativa (organizações não-governamentais,
                                 solidariedade e à participação. Aquele que aprende a viver          conselhos, entidades, instituições, entre outras).
                                 junto, que se envolve com as questões que estão ao seu
                                 redor.

98
Efetividade                                                    culturais em âmbito mundial.
   Diz respeito ao impacto da implementação das políticas,         Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Arti-
à relação causa-efeito entre o procedimento da implantação         gos 70 e 71:
e o resultado social ocasionado.                                    Art. 70 Considerar-se-á como de manutenção e
  Eficácia                                                       desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com
  Fica evidenciada quando os resultados de determinada           vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições
política pública alcançam seu objetivo.                          educacionais de todos os níveis, compreendendo as que se
                                                                 destinam a:
  Eficiência
                                                                    I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente
  Relaciona-se com o gasto racional dos recursos públicos        e demais profissionais da educação;
para obtenção do bem público.
                                                                    II - aquisição, manutenção, construção e conservação de
  Eqüidade                                                       instalações e equipamentos necessários ao ensino;
   Na terminologia neoliberal, costuma se contrapor à              III - uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao
“igualdade”. Significa promover as diferenças produtivas         ensino;
entre os indivíduos.
                                                                    IV - levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas
  Fundo                                                          visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à
   Conjunto de recursos monetários empregados como               expansão do ensino;
reserva ou para cobrir despesas extraordinárias.                    V - realização de atividades-meio       necessárias   ao
   No setor das finanças públicas, o termo refere-se às verbas   funcionamento dos sistemas de ensino;
destinadas ao desenvolvimento de determinados setores.             VI - concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas
(SANDRONI, P. Dicionário de Economia, 1995, p. 144)              públicas e privadas;
  Gestão democrática                                               VII - amortização e custeio de operações de crédito
   Administração com a participação do povo, da sociedade,       destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo;
da comunidade. Quando o governo recorre à opinião pública          VIII - aquisição de material didático-escolar e manutenção
para o planejamento sobre onde e como aplicar os recursos        de programa de transporte escolar.
públicos.
                                                                   Art. 71 Não constituirão despesas de manutenção e
  Globalização                                                   desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com:




                                                                                                                                Glossário
  Interligação dos mercados internacionais com a                   I - pesquisa, quando não vinculada às instituições de
conseqüente uniformização de padrões econômicos e
                                                                                                                                99
ensino, ou, quando efetivada fora dos sistemas de ensino,       acompanhamento da aplicação dos recursos públicos e de
                                 que não vise, precipuamente, ao aprimoramento de sua            avaliação dos seus resultados.
                                 qualidade ou à sua expansão;                                      Lei Kandir
                                    II - subvenção a instituições públicas ou privadas de           Foi assim chamada a Lei Complementar nº 87, de 13 de
                                 caráter assistencial, desportivo ou cultural;                   setembro de 1996, elaborada pelo ex-ministro do Planejamento
                                   III - formação de quadros especiais para a administração      Antônio Kandir. Essa lei dispõe sobre o imposto dos estados
                                 pública, sejam militares ou civis, inclusive diplomáticos;      e do Distrito Federal sobre operações relativas à circulação
                                    IV - programas suplementares de alimentação, assistência     de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte
                                 médico-odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras       interestadual e intermunicipal e de comunicação. A lei prevê o
                                 formas de assistência social;                                   ressarcimento, pela União, em favor dos estados e municípios,
                                                                                                 a título de compensação financeira pela perda de receitas
                                   V - obras de infra-estrutura, ainda que realizadas para       decorrentes da desoneração das exportações de produtos
                                 beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar;              primários.
                                   VI - pessoal docente e demais trabalhadores da educação,        Liberalismo
                                 quando em desvio de função ou em atividade alheia a
                                 manutenção e desenvolvimento do ensino.                             Doutrina que serviu de substrato ideológico às revoluções
                                                                                                 antiabsolutistas que ocorreram na Europa (Inglaterra e Fran-
                                   Lei de Responsabilidade Fiscal                                ça, basicamente) ao longo dos séculos XVII e XVIII e à luta
                                    A Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF (Lei Complementar     pela independência dos Estados Unidos [...]. Defendia: 1) a
                                 nº 101, de 04 de maio de 2000) estabelece normas de finanças    mais ampla liberdade individual; 2) a democracia represen-
                                 públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal,     tativa com separação e independência entre três poderes
                                 mediante ações em que se previnam riscos e corrijam os          (executivo, legislativo e judiciário); 3) o direito inalienável à
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                                 desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas,     propriedade; 4) a livre iniciativa e a concorrência como prin-
                                 destacando-se o planejamento, o controle, a transparência       cípios básicos capazes de harmonizar os interesses individu-
                                 e a responsabilização, como premissas básicas. Estabelece       ais e coletivos e gerar o progresso social [...]. Não há lugar
                                 as normas voltadas para a gestão e para a elaboração            para a ação econômica do Estado, que deve apenas garantir
                                 do orçamento. Define limite com gastos de pessoal,              a livre-concorrência entre as empresas e o direito à proprie-
                                 endividamento público, metas fiscais anuais, entre outros.      dade privada, quando esta for ameaçada por convulsões
                                                                                                 sociais. (SANDRONI, Paulo. Dicionário de Economia, 1995, p.
                                    Essa lei cria condições para a implantação de uma nova
                                                                                                 192-193)
                                 cultura gerencial na gestão dos recursos públicos e incentiva
                                 o exercício pleno da cidadania, especialmente no que diz
                                 respeito à participação do contribuinte no processo de

100
Mercado                                                       às novas condições do capitalismo. Defende o máximo de
     Pode ser entendido como “o local, teórico ou não, do       liberdade às iniciativas individuais e a redução dos controles
encontro regular entre compradores e vendedores de uma          de autoridades centrais sobre as mesmas. Por isso, exalta o
economia determinada [...]. É formado pelo conjunto de          mercado livre, a liberdade individual e o mínimo de presença
instituições em que são realizadas transações comerciais        do Estado.
[...]. Ele se expressa, entretanto, sobretudo na maneira como     Participação
se organizam as trocas realizadas em determinado universo         Não é sinônimo de “fazer parte de”, mas sim de “tomar
por indivíduos, empresa e governos”. (SANDRONI, Paulo.          parte de”, envolver-se, tomar para si o problema do outro, do
Dicionário de Economia, 1995, p. 213)                           grupo, da comunidade, da sociedade.
  Modernidade                                                     PIB
   Uma palavra que vem do latim modernu (séc. V d.C.) com o        O Produto Interno Bruto indica, em unidades monetárias,
sentido de “recentemente, há pouco”, para se opor a “antigo”    o valor reunido por todos os bens e serviços finais produzidos
e, de maneira específica, ao que não era cristão. Os livros     num país, isto é, o que a economia de um país produziu
de História datam o aparecimento da Modernidade com o           durante um ano.
Renascimento, marcando a ruptura com a Idade Média (séc.
XV). Trata-se de um movimento nos mais diferentes campos          Planejamento participativo
(político, econômico, social, cultural e religioso) e que se       Quando os variados segmentos da sociedade, de maneira
consolida ao final do séc. XVIII, com a Revolução Industrial,   representativa, definem prioridades que são respeitadas
na Inglaterra. Muitos autores associam modernidade com o        pelos gestores nos momentos da aplicação dos recursos.
surgimento do capitalismo.                                      Significa a participação da sociedade civil no recebimento,
  Natureza contábil                                             gestão e fiscalização dos recursos públicos.
   Significa que seus recursos são repassados                     Propriedade privada
automaticamente aos estados e municípios, de acordo com            Aquilo que é próprio, exclusivo de uma pessoa (física ou
coeficientes de distribuição estabelecidos e publicados         jurídica). É o direito de alguém sobre determinado bem.
previamente. As receitas e despesas, por sua vez, deverão       Diferente da propriedade pública (bens e serviços pertencentes
estar previstas no orçamento e a execução, contabilizada de     ao Estado) e da propriedade cooperativa.
forma específica.
                                                                  Receita
  Neoliberalismo
                                                                   Em termos contábeis, é a soma de todos os valores




                                                                                                                                 Glossário
  Doutrina político-econômica, surgida na década de             recebidos durante determinado período de tempo (dia, mês,
1930, que adapta os princípios do liberalismo econômico         ano).

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Módulo de Competências Básicas




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Anotações
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Módulo de Competências Básicas




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Programa Nacional de Formação Continuada
      a Distância nas Ações do FNDE

Competencias basicas cb_maio_2011

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    Presidência da República Ministérioda Educação Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
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    Módulo de CompetênciasBásicas O FNDE e o apoio às políticas públicas para a educação básica. MEC / FNDE Brasília, 2010 3a edição atualizada
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    Colaboradores conteudistas Projeto gráfico e diagramação Adalberto Domingos da Paz Virtual Publicidade, CESPE/UnB e UFMT Delarim Martins Gomes Revisão Ortográfica Élida Maria Loureiro Lino Vinícius Carvalho Pereira Oreste Preti Revisão e Atualização 3ª Edição Ilustrações UFMT Zubartez e CESPE/UnB Impressão e acabamento CESPE/UnB B823c Brasil. Ministério da Educação (MEC). Módulo Competências Básicas / Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - 3.ed., atual. – Brasília : MEC, FNDE, 2010. 106 p. : il. color. – (Formação pela Escola) Acompanhado de caderno de atividades (22 p.) 1. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). 2. Financiamento da educação. 3. Políticas públicas – Educação. 4. Programas e ações – FNDE. 5. Formação continuada a distância – FNDE. 6. Formação pela Escola – FNDE. I. Brasil. Ministério da Educação. II. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. III. Título. IV. Série. CDU 37.014.543
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    Sumário Contextualização do módulo_____________________________________________________________________ 6 Plano de ensino do módulo ______________________________________________________________________ 7 Metodologia e dinâmica do curso __________________________________________________________________ 9 Para começo de conversa _______________________________________________________________________11 Unidade I – Políticas públicas na área social _________________________________________________________17 Unidade II – Políticas para a educação básica ________________________________________________________29 Unidade III – Financiamento da educação básica _____________________________________________________43 Unidade IV – O controle social no âmbito das políticas públicas para a educação __________________________65 Unidade V – Os programas do FNDE _______________________________________________________________77 Retomando a conversa inicial ____________________________________________________________________91 Nossa conversa não se encerra aqui _______________________________________________________________96 Referências bibliográficas __________________________________________________________________96 Referências webgráficas / sítios ______________________________________________________________96 Glossário ____________________________________________________________________________________98
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    Contextualização do módulo O Programa Nacional de Formação Continuada a Distância nas Ações do FNDE – Formação pela Escola – foi desenvolvido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério da Educa- ção (MEC). Ele utiliza a metodologia de educação a distância com o objetivo principal de capacitar os agentes, parceiros, operadores e conselheiros envolvidos com a execução, acompanhamento, avaliação e prestação de contas de ações e programas financiados com recursos do orçamento do FNDE. Nesse contexto, o Formação pela Escola oferece um conjunto de módulos de estudo aos colaboradores da autarquia, situados em cada recanto do nosso país. O desenho pedagógico do programa prevê que o cursista tenha acesso a um módulo introdutório, denominado módulo de Competências Básicas, intitulado “O FNDE e o apoio às políticas públicas para a educação básica”, e a vários módulos temáticos, que tratam dos mais impor- tantes programas e ações da esfera educacional. Com o módulo de Competências Básicas, desejamos disponibilizar a você, cursista, informações sobre as políticas públicas na área da educação executadas pelo governo federal, o financiamento dessas políticas e o papel do FNDE no apoio a sua efetivação. Há, também, o propósito de identificar como a sociedade pode rea- lizar o acompanhamento e o controle social dos recursos públicos destinados à educação. Essas informações são de suma importância para a compreensão das ações e programas do FNDE no alcan- ce dos objetivos da política educacional brasileira, promovendo a oferta e o acesso de todos à educação públi- Módulo de Competências Básicas ca de qualidade. Por essa razão, o módulo de Competências Básicas é obrigatório a todos os alunos que irão participar dos cursos oferecidos pelo Programa Formação pela Escola. Você está animado para começar? Então, comece lendo atentamente o plano de ensino do módulo para conhecer detalhadamente os objetivos de aprendizagem e o conteúdo programático, entre outras informa- ções. 6
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    Plano de ensinodo módulo O FNDE e o apoio às políticas públicas para a educação básica Carga horária: 40 horas Período de duração: Mínimo de 30 dias e máximo de 45 dias Objetivos do módulo Este módulo tem como objetivo possibilitar a você, cursista, conhecimentos e informações que lhe permitam: :: compreender o sentido das políticas públicas na área social, no contexto de uma sociedade capitalista; :: reconhecer as políticas para a educação básica, no contexto da globalização e do pensamento neoli- beral; :: conhecer as fontes de financiamento da educação básica e os mecanismos para que a comunidade faça o acompanhamento e o controle social dos recursos destinados à educação; Módulo de Competências Básicas :: conhecer a dinâmica dos conselhos que atuam no controle das ações, programas e projetos educacio- nais, e como se dá a participação da comunidade nesses conselhos; :: reconhecer o papel social do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) no apoio às políticas públicas para a educação básica, mediante a implementação de diferentes programas e ações. Conteúdo programático O conteúdo deste módulo se divide em cinco temas de estudo, distribuídos da seguinte forma: 7
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    Unidade I –Políticas públicas na área social Objetivos específicos: :: definir sociedade, Estado, governo e políticas públicas; :: compreender o sentido das políticas públicas no campo social. Unidade II – Políticas para a educação básica Objetivos específicos: :: definir globalização e neoliberalismo; :: reconhecer as atuais políticas educacionais no Brasil. Unidade III – Financiamento da educação básica Objetivos específicos: :: identificar a legislação que garante recursos financeiros para a educação; :: explicar o que é o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e definir a sua função. Unidade IV – O controle social no âmbito das políticas públicas para a educação Objetivos específicos: :: definir controle social; :: descrever o papel dos conselhos no controle social; Módulo de Competências Básicas :: conhecer os diferentes conselhos no âmbito dos programas do FNDE. Unidade V – Os programas do FNDE Objetivos específicos: :: explicar a função principal do FNDE na implementação de políticas públicas para a educação; :: apontar os principais programas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. 8
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    Metodologia e dinâmicado curso Este curso utiliza a metodologia de ensino-aprendizagem a distância, por meio de materiais didáticos com os quais você realizará seus estudos de forma autônoma; de encontros presenciais, nos quais você será introduzido aos estudos dos módulos e fará a socialização e avaliação da aprendizagem; e de um sistema de tutoria, para apoiar você com orientações sobre os estudos e ajudá-lo em suas dificuldades. 1. O material didático se constitui de: :: Caderno de estudo: dividido em “unidades de estudo”, além de apresentar o plano de ensino do módu- lo, introdução, indicações bibliográficas, glossário e conclusão. :: Caderno de atividades: em que constam as atividades de verificação da aprendizagem relativas às unidades de estudo do módulo. Os exercícios do caderno de atividades foram preparados com a fina- lidade de estimular a relação entre a prática e as reflexões teóricas e conceituais trazidas pelo caderno de estudo. 2. Haverá três encontros presenciais, com duração de 4 horas cada um e com data, hora e local de realização a serem informados a você no ato da matrícula no curso: Módulo de Competências Básicas :: Encontro presencial inicial: tem como objetivos apresentar a você o Programa Formação pela Escola, orientar sobre seu funcionamento e dinâmica de realização, bem como fazer a introdução ao módulo de competências básicas. :: Encontro presencial intermediário: os objetivos desse encontro são levar você e seus colegas a avalia- rem e sociabilizarem a aprendizagem do módulo de Competências Básicas e fazer a introdução aos estudos dos módulos temáticos. Também nesse encontro você deverá entregar a atividade final do módulo de Competências Básicas. :: Encontro presencial final: esse encontro tem o propósito de avaliar e socializar a aprendizagem dos módulos temáticos, tomando como referência o trabalho final do curso, que você deverá entregar ao tutor até três dias antes do encontro. 9
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    Outro objetivo dosencontros presenciais é que os cursistas estabeleçam com o tutor e entre si um elo de comunicação que seja mantido ao longo dos estudos e pelo qual todos troquem ideias, se ajudem mutuamente e construam coletivamente a aprendizagem. 3. Sistema de tutoria: Ao longo do curso, você terá à sua disposição, em seu município, tutores que o orientarão e ajudarão em suas dificuldades com os estudos dos módulos. Você será instruído sobre os locais, dias e horários de tutoria presencial no encontro presencial inicial, quando também será informado sobre a possibilidade de tutoria on-line (via internet), de acordo com as estratégias e as condições de atendimento estabeleci- das pelo tutor. 4. Sistema de avaliação da aprendizagem: Você será avaliado pelo grau de dedicação aos estudos dos módulos, pela presença e participação nos encontros presenciais e pela realização dos trabalhos finais, propostos no caderno de atividades de cada módulo. Observação: as atividades relativas às unidades de estudo dos módulos, disponíveis no caderno de ati- vidades, não serão avaliadas; são exercícios propostos para a fixação e sistematização da aprendizagem e serão corrigidos pelo próprio cursista, utilizando os gabaritos e as chaves de correção. Isso não significa, no entanto, que você não possa discutir ou tirar suas dúvidas com o tutor sobre as atividades. Lembre-se: embora não sejam avaliados, a realização desses exercícios, além de muito importante para a sua apren- dizagem, é um indicativo do seu grau de empenho nos estudos, um dos itens de avaliação. Módulo de Competências Básicas Além de ser avaliado pelo tutor, você deverá realizar uma autoavaliação. Ou seja, você irá verificar a sua trajetória no curso e o desenvolvimento de sua aprendizagem desde o ingresso até a conclusão no Formação pela Escola. Para tanto, você deve tomar como base a resolução de suas atividades e as mudan- ças ocorridas em relação a atitudes e valores, à compreensão do sistema social, político, educacional e tecnológico que fundamentam a nossa sociedade e ao fortalecimento dos laços de solidariedade e de uma postura cidadã mais ativa. 10
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    Para começo deconversa Prezado cursista, Seja bem-vindo ao Programa Formação pela Escola! Trata-se de uma iniciativa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério da Educação (MEC), para que você e sua comunidade escolar possam conhecer melhor os programas desenvolvidos pelo FNDE e o papel desses programas na concretização dos objetivos da Módulo de Competências Básicas política educacional brasileira. A expectativa é que o Formação pela Escola prepare cidadãos que atuem em parceria com o governo, de modo a buscar a melhoria da escola, facilitando o acesso, a permanência e o desenvolvimento de crianças, jovens e adultos matriculados nos diferentes níveis e modalidades de ensino. Você está de parabéns por se inscrever neste programa! Isso demonstra seu desejo de participar ainda mais do cotidiano de sua comunidade. Por intermédio da sua atuação nas ações e programas do gover- no federal, exercendo o “controle social”, não restam dúvidas de que os recursos de nossos impostos destinados à educação serão mais bem utilizados. Quem ganha somos todos nós – a comunidade local, a sociedade e o Brasil –, com escolas de qualidade para formar e desenvolver nosso povo. Essas ações e programas financiados pelo FNDE, somados ao projeto pedagógico das escolas e ao plano de educação 11
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    do seu município,podem transformar a educação de nosso conhecimento dos principais conselhos gestores de políticas país. públicas que dizem respeito aos programas e ações do FNDE. Boas-vindas também à capacitação referente ao módulo Finalmente, a quinta unidade, “Os programas do FNDE”, de Competências Básicas, que proporcionará conhecimen- proporcionará uma visão dos programas e ações do FNDE tos sobre políticas públicas educacionais implementadas e, de maneira particular, daqueles que fazem parte do Pro- pelo governo federal. grama Formação pela Escola, que são: o Programa Dinheiro Sua formação continuada, então, tem início com este Direto na Escola – PDDE –, os Programas de Transporte do módulo, que tratará das seguintes temáticas: Escolar – PTE –, os Programas do Livro – Pli – e o Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE. Na primeira unidade, “Políticas públicas na área social”, serão discutidos o conceito e o sentido das políticas públicas Assim, esperamos que, ao final das atividades deste no campo social – com que finalidade são executadas, a que módulo, você seja capaz de: segmentos da sociedade visam atender prioritariamente e :: compreender o sentido das políticas públicas na área qual o projeto de sociedade que elas procuram concretizar. social, no contexto de uma sociedade capitalista; Na segunda unidade, “Políticas para a educação básica”, o :: reconhecer as políticas para a educação básica, no con- foco da abordagem serão as políticas para a educação imple- texto da globalização e do pensamento neoliberal; mentadas nos últimos anos no Brasil, buscando compreen- dê-las dentro da atual conjuntura social e econômica, iden- :: conhecer as fontes de financiamento da educação básica tificando os aspectos legais em que se sustentam e as ações e os mecanismos para que a comunidade faça o acompa- executadas a partir dessas políticas. nhamento e o controle social dos recursos destinados à educação; Para implementar e dar suporte a essas políticas, são des- tinados recursos financeiros em todos os níveis de governo :: conhecer a dinâmica dos conselhos que atuam no contro- Módulo de Competências Básicas (federal, estadual e municipal). Por isso, a terceira unidade, le das ações, programas e projetos educacionais e como “Financiamento da educação básica”, tratará do financia- se dá a participação da comunidade nesses conselhos; mento da educação, do Fundeb e das obrigações dos gesto- :: reconhecer o papel social do Fun- do res na aplicação adequada dos recursos financeiros e da for- Nacional de Desenvol-vimento da ma como a comunidade escolar pode participar no controle Educação (FNDE) no apoio às polí- social de todo esse processo. ticas públicas para a educação Na quarta unidade, “O controle social no âmbito das polí- básica, mediante a implemen- ticas públicas para a educação”, o estudo estará direcionado tação de diferentes programas e para as questões relacionadas com a democracia participa- ações. tiva, com a efetivação do controle social, bem como para o 12
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    Esses objetivos foramelaborados considerando que a Problematizando finalidade principal do Programa Formação pela Escola é possibilitar a você e à comunidade escolar não somente o Por que iniciar sua formação con- conhecimento das políticas educacionais e seus programas, tinuada com o módulo de Competên- mas sensibilizá-los a participarem da construção da cidada- cias Básicas? nia de maneira efetiva, para que atuem com consciência e espírito crítico e colaborativo nos programas do FNDE e nos Qual a importância em ampliar sua visão rumos da educação na sua região e no país. e compreensão sobre as políticas e ações que um determinado Transformar a escola que temos em uma escola de qua- governo implementa? lidade não é tarefa somente de um governo. Cabe a todos nós, na condição de cidadãos, tornarmos isso possível pelo Qual o papel que você deve conhecimento mais aprofundado das políticas educacionais, desempenhar como cidadão das metas a serem alcançadas e dos programas implementa- nesse contexto? dos e pela participação efetiva na implantação e no acompa- nhamento dessas ações. Para aprofundar seus conhecimentos, no tópico “Nossa conversa não se encerra aqui”, ao final deste módulo, você encontrará indicações de obras e de sítios na internet rela- cionados aos temas que aqui serão tratados, pelos quais poderá pesquisar e navegar. No final do módulo, há também um glossário com os con- Módulo de Competências Básicas ceitos dos principais termos aqui utilizados. Você, certamente, dará continuidade à sua formação polí- tica, à construção de sua cidadania, buscando pessoalmen- te mais informações, lendo outros textos, conversando com outras pessoas, participando de discussões e fóruns, promo- vendo encontros com especialistas etc. Então, propomos a você, antes de entrar no conteúdo pro- Não se preocupe! Não queremos que você responda de priamente dito, um momento de reflexão. Veja as questões imediato a essas questões. Temos a certeza de que, ao longo do “Problematizando”. do curso, as respostas serão construídas e de que, certamen- te, outras interrogações surgirão. Mas, para estimulá-lo mais 13
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    ainda, queremos propor-lheum desafio. Leia a situação críti- ca descrita a seguir e pense no que você faria para solucioná- tários de administração e de educação, professores das la. redes municipal e estadual, os tutores, os alunos matricu- lados no curso de Pedagogia e algumas pessoas da comu- Um prefeito assumiu um município recém-emancipado, nidade, curiosas por saber o que ali se passava. Ouvimos na região leste de Mato Grosso, em uma área de recente calmamente a exposição dos presentes. O prefeito, apoia- ocupação e com fluxo intenso de imigrantes. Durante seu do pelo secretário de finanças, afirmava que os recursos primeiro ano de gestão, o número de matrículas no ensi- financeiros para a educação eram escassos para atender no fundamental da rede municipal cresceu de maneira as crescentes demandas: de matrículas, de construção de vertiginosa: de 400 matrículas, efetuadas no ano anterior, salas de aula e de contratação de professores. Informou passou para 1.200. O secretário de educação, em um pri- que o município recebia dinheiro do Fundo de Manuten- meiro momento, efetuou a contratação de novos profes- ção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valo- sores para atender ao número crescente de alunos. Preo- rização do Magistério (Fundeb)1, que esses recursos eram cupado com a questão da qualificação, em entendimento insuficientes e não podiam ser utilizados para custear cur- com o prefeito e por pressão dos professores, solicitou à so superior. O secretário de educação, por sua vez, alegava Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) a abertura não possuir competência para administrar esses recursos, de 100 vagas para o curso de Licenciatura em Pedagogia, ficando a cargo do secretário de administração e do pre- na modalidade a distância. Foi assinado convênio entre a feito a decisão de como aplicá-los. Sua preocupação era UFMT e a prefeitura. Os professores fizeram o vestibular e com o trabalho pedagógico, mas solicitava, dos presen- se matricularam, mas o curso não pôde começar. O pre- tes, sugestões e apoio para encaminhar projetos ao MEC feito havia recuado, alegando que não poderia mais exe- com o objetivo de conseguir liberação de mais verbas. Os cutar o convênio, pois os recursos eram insuficientes para professores, no entanto, discordavam do prefeito quanto Módulo de Competências Básicas tantas necessidades educacionais, como transporte, estra- ao fato de não haver dinheiro suficiente para a educação, das, merenda, material didático, ampliação da rede física mas, ao mesmo tempo, desconheciam o balancete da pre- das escolas, pagamento de professores etc. Ele não queria feitura, o montante de dinheiro disponível a ser aplicado ser acusado, posteriormente, pelo Tribunal de Contas, por na educação e a existência ou não de mecanismos para desobedecer à “Lei de Responsabilidade Fiscal”, gastando controle dos gastos públicos. Simplesmente afirmavam acima do estabelecido. seu direito de cursar gratuitamente a graduação pretendi- da, pois os gestores municipais haviam se comprometido Nós, representantes do Ministério da Educação, fomos ao com a oferta do curso. município. À noite, em um salão ajeitado com simplicida- de, para o encontro e iluminado pelas luzes fracas produzi- das por motores a diesel, encontramos o prefeito, os secre 1 O Congresso Nacional aprovou o Fundeb, em dezembro de 2006, passando a vigorar a partir de janeiro de 2007. 14
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    Como resolver esseproblema? Se você estivesse naquela região, que caminhos você encontraria e sugeriria para solucionar o impas- se? Reflita sobre essa situação durante a leitura das unidades deste módulo. Pense em como os conhecimentos que você está adquirindo poderão ajudá-lo a solucionar não apenas essa situação exposta por nós, mas também outras, reais, das quais tenha conheci- mento. Esperamos que o módulo de Competências Básicas possa motivá-lo a expandir seus conhecimentos e con- tribua para sua caminhada no Formação pela Escola. E não esqueça que essa caminhada não pode ser individual, um compromisso apenas seu. Ela de se tornar uma caminhada coletiva. Procure envolver mais pessoas em seu município, em sua escola, em seu local de trabalho etc. Então, vamos começar o estudo da unidade I. Módulo de Competências Básicas Boa leitura e muita disposição nesse início de curso! 15
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    Unidade I Políticas públicasna área social2 Introdução Nesta unidade, queremos propor-lhe que faça como uma águia voando alto para melhor enxergar o que acontece lá embaixo, no vale; ou como uma gaivota observando o que acontece na praia ou no mar. Certamente, você já deve ter subido um morro, ou ter ido até o terraço de um prédio, ou ter voado de avião. O que acontece? Lá de cima, você tem uma visão panorâmica, enxerga mais longe. Vê estradas, pon- tes, rios, casas, a direção que os veículos tomam, identifica áreas com características comuns, percebe como os bairros estão interligados e separados ao mesmo tempo. Seu olhar se expande e você se surpreende ao ver como é sua cidade, o local em que você mora, não é? Ou seja, olhando do alto você tem uma visão ampla, geral, da estrutura de um todo. Tal perspectiva lhe dá melhores condições para compreender as partes que compõem esse todo. Políticas públicas na área social Assim, acreditamos ser importante que você amplie sua visão sobre as ações e políticas públicas que determinado governo implementa durante sua gestão, pois isso lhe per- mitirá entender e intervir de maneira efetiva nos programas do FNDE na comunidade em que você está inserido, contri- buindo, então, com sua cidadania. 2 Unidade elaborada por Oreste Preti. 19
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    Desse modo, esperamosque, ao final desta uni- dade, você seja capaz de: Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. :: definir sociedade, Estado, governo e políticas públicas; Passados quinze minutos, ouviu a voz do filho, que o cha- mava calmamente: :: identificar o sentido das políticas públicas no campo social. – Papai, papai, já fz tudo. Consegui terminar tudinho. A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria Para começar, reflita um pouco sobre o seu papel como impossível, na sua idade, ter conseguido recompor um cidadão participativo lendo a breve anedota que nos che- mapa que jamais havia visto. gou pelo correio eletrônico há muito tempo, em fevereiro de Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, 1999. certo de que veria um trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os peda- ços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como Um cientista vivia preocupado com os problemas do mun- seria possível? Como o menino havia sido capaz? do e estava resolvido a encontrar meios de solucioná-los. – Você não sabia como era o mundo, meu filho... Como Passava dias em seu laboratório em busca de respostas conseguiu? para suas dúvidas. – Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você Certa feita, seu filho de sete anos invadiu o seu “santuá- tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro rio”, decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista, nervoso lado havia a figura de um homem. Quando você me deu pela interrupção, insistiu para que o menino fosse brincar o mundo para consertar, eu até tentei, mas não consegui. em outro lugar. Vendo que o filho não lhe obedecia, o pai Foi então que me lembrei do homem. Então, virei os recor- Módulo de Competências Básicas procurou algo que pudesse ocupar e distrair o garoto. De tes e comecei a consertar o homem que eu já conheço repente, deparou-se com o mapa do mundo e pensou: “É bem. Quando consegui consertar o homem, virei do outro isso!”. lado e vi que dessa forma eu havia também consertado o Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários mundo. pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou-o ao filho, dizendo: – Você gosta de quebra-cabeças, não é? Então vou dar-lhe Essa anedota pode nos dizer uma coisa bem simples: se o mundo para consertar. Aqui está o mundo, todo quebra- você quer participar do “conserto” do mundo, comece do seu do. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho. Faça tudo local de trabalho, do seu município, da sua escola. Lembre- sozinho. 20
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    se de que,para tanto, você precisa se informar, conhecer o Somente com essa compreensão é que podemos jun- modo como as coisas funcionam, o porquê e para que elas tar os pedaços (programas, ações, propostas, projetos etc.), foram criadas. É o conhecimento que lhe proporcionará os unindo-os e dando-lhes sentido e direção na construção de argumentos necessários para defender suas ações. uma sociedade humanizada e solidária. Portanto, é funda- Por isso: mental compreender o que está se passando em nosso país, É importante que você aprenda a fazer uma leitura das no mundo, no campo das políticas sociais e, em nosso caso políticas de um governo. Busque entender qual é o projeto particular, nas políticas educacionais. de sociedade que ele deseja construir, quem se beneficia Nossa expectativa é dar a você, a partir das informações com essas políticas, quais grupos o estão apoiando etc. disponíveis neste módulo, os conhecimentos necessários Precisamos ter clareza quanto ao mundo que desejamos para que sua intervenção nos programas e ações do FNDE para nós e para nossos filhos – qual projeto de sociedade está seja mais clara, mais objetiva e mais eficiente, possibilitando sendo implementado pelos governos que se sucedem no que as mudanças aconteçam. poder. É importante que possamos nos envolver nessa mis- Portanto, leia com muita atenção esta unidade I, pois lhe são, na arrumação do quebra-cabeça desse mundo desarru- servirá de base para discutir o conteúdo das próximas uni- mado. dades. A finalidade dos programas do FNDE não é, tão-somen- te, levar recursos financeiros para serem utilizados ade- quadamente dentro da escola, mas também propiciar for- mação cidadã à comunidade escolar. Políticas públicas na área social Comecemos, então, buscando compreender a sociedade em que vivemos. 1. Sociedade, Estado e governo Você já deve ter lido, ouvido falar ou assistido ao flme que narra as aventuras de Robinson Crusoé³, o único sobrevivente de um naufrágio, que se salvou e foi atirado pelas ondas em uma ilha tropical. Durante muitos anos, esse homem viveu iso- 3 O filme Robson Crusoé - de Luis Buñuel - 1952, 89 min. 21
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    lado de outraspessoas, somente na companhia de animais... Pois é, para que as pessoas pudessem viver juntas, em Viveu do jeito que bem quis, até ser encontrado por um navio comunidade, o homem se organizou de diversas maneiras, e regressar ao seu país de origem. Essa obra, do escritor inglês produzindo, assim, sua cultura, seus valores e buscando dife- Daniel Defoe (1660-1731), é um clássico da literatura mundial, rentes meios para sobreviver. adaptada ao português por Monteiro Lobato (1882-1948). Porém, a situação desse náufrago não é algo comum. A sociedade é resultante do “agru- Não vivemos sozinhos. Vivemos em comunidades, peque- pamento” de indivíduos que se orga- nas ou grandes, cada uma com seus costumes, sua cultura, nizam, a partir de objetivos, valores e suas normas, sua maneira de viver e de se organizar. Nessas normas comuns, e que se relacionam sociedades, existem pessoas com hábitos, gostos, vontades para produzir seus meios e condições e sonhos diferentes. de vida, num processo dinâmico, em contínua transformação. Você consegue imaginar como seria o mun- do se cada um fizesse o que bem desejasse e Trata-se, pois, de uma “organização dinâmica”, construí- impusesse aos outros sua maneira de pensar e viver? da pelos homens em relações entre si e com a natureza, em determinados momentos. A ciência da História nos conta um pouco da trajetória da humanidade na construção de diferentes tipos e mode- los de sociedade (tribal, feudal, capitalista). Nosso objetivo aqui não é o de resgatar essa história e, sim, o de abordar Módulo de Competências Básicas os aspectos que estruturam a sociedade brasileira. Ou seja, nesta unidade, busca-se compreender o que se passa atual- mente em nossa sociedade. A sociedade brasileira se orga- niza sob um regime de economia capitalista, um regime de governo democrático e presidencialista, estando sob os cui- dados de um Estado e de um governo. Mas você sabe a diferença entre Estado e governo? O Estado é identificado como o conjunto de instituições permanentes, como: 22
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    :: O PoderLegislativo (o Congresso Nacional, que Preste atenção, então, a esse exemplo: “A busca perma- elabora as leis que regem nossa vida social); nente da melhora do estado de saúde dos cidadãos residen- :: O Poder Executivo (o governo, que coloca em prá- tes em todos os estados da Federação é uma das obrigações tica essas leis e administra os negócios públi-cos); do Estado”. :: O Poder Judiciário (os tribunais, para julgar e apli- Percebeu as diferenças? car as leis a casos particulares, assegurando seu As instituições que compõem o Estado visam, funda- cumprimento); mentalmente, fazer com que as pessoas convivam bem em :: As Forças Armadas e a polícia (para impor a exi- sociedade, isto é, que seja mantida a “ordem social” e haja gência do cumprimento das leis etc.). certo “bem-estar”. Por isso, a função do Estado não se limita a ser mediador de possíveis confitos entre as instituições e a de atuar na política, no interior da sociedade. Além disso, Portanto, quando falamos em Estado, de maneira gené- estende sua ação para o campo da economia, colocando- rica, no singular e iniciado com letra maiúscula, estamos se como protetor da propriedade privada, captando recur- nos referindo ao conjunto de instituições responsáveis pela sos, por meio de impostos, por exemplo, e investindo-os no “ordem” na sociedade e pelo “bem comum” dos cidadãos. desenvolvimento econômico para garantir a manutenção do Quando falamos de maneira particular, referimo-nos a uma sistema social. região do nosso país, a um dos estados da República brasi- leira. O Estado existe nas sociedades que estabelecem a diferen- ça entre governantes e governados, uma diferença institucio- Não confunda os vários significados da palavra “estado”. nalizada, regulamentada por leis. Nas sociedades indígenas Vejamos as diversas acepções da palavra, encontradas no brasileiras, por exemplo, em que não existe essa noção de Dicionário Michaelis, 2000: diferenciação, não há Estado. :: O primeiro sentido (Estado) é empregado para significar Políticas públicas na área social “nação politicamente organizada por leis próprias”. Mas quem vai viabilizar o funcionamen- :: O segundo corresponde à Unidade da Federação, à divisão to das instituições e dos poderes públicos que territorial do Brasil, como, por exemplo, o Estado do Piauí, compõem o Estado? Quem vai dirigir a sociedade? ou os Estados do Ceará, de Goiás, do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro. :: Finalmente, um terceiro sentido diz respeito à ideia de determinada situação, como, por exemplo, o “estado em que se encontram as rodovias brasileiras”. 23
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    É o governo,ao desempenhar as funções de dirigente conduzir a vida econômica, além das ações que precisam ser do Estado. O governo é o responsável pelo planejamento e implementadas junto à comunidade. condução de determinadas políticas e do conjunto de pro- Os grupos que assumem o governo fazem de tudo para gramas e ações, durante certo período. Portanto, o gover- que seu projeto de sociedade não somente seja consolidado no é transitório e é formado por grupos que se alternam no e atenda seus interesses, mas também seja aceito pelo con- poder. Por sua vez, o Estado é permanente e é composto por junto de cidadãos. instituições que são estáveis. Em outras palavras, o Estado, com suas instituições, per- Mas como isso acontece? manece, mas o governo muda constantemente e, com ele, as formas de conduzir a política e a economia do país. Aquilo que para um governo era prioritário pode deixar de ser para outro; o que estava sendo executado pode ser abandonado. Pelo menos de duas maneiras. Utilizam-se os meios de comunicação para divulgar seu projeto, seu programa de governo, suas ideias e o que vem sendo realizado. Fazem-se Por que isso acontece? críticas, muitas vezes, ao projeto do governo anterior e colo- cam-se em destaque os aspectos positivos do novo projeto. Com isso, espera-se convencer a sociedade a apoiar o novo governo. Porque, numa coletividade, diferentes grupos se orga- Outra maneira é propor reformas econômicas, políticas e nizam e lutam por seus interesses; uns buscam impor aos sociais e conceber e implementar novos programas e ações outros suas vontades, sua maneira de pensar e de viver, acre- que beneficiem a sociedade, a fim de promover o bem-estar ditando ser isso o mais correto ou natural. Um desses grupos, comum. Módulo de Competências Básicas via processo eleitoral, num sistema democrático, ou pela for- ça, por meio de golpe político, conquista o posto de coman- A função principal do Estado é o bem comum e a do gover- do do país, assumindo o governo. no é a direção política, econômica e social desse Estado. Um governo, ao assumir o controle do Estado, tem um Portanto, não é somente no campo da economia que o projeto político de sociedade a implementar, que foi discu- governo age. Ele busca intervir também no campo das polí- tido e negociado com diferentes setores (empresários, sin- ticas sociais, por exemplo, no que diz respeito às desigualda- dicalistas, associações, produtores, entre outros) e partidos des, no sentido de fazer uma redistribuição dos benefícios que o apoiaram, por exemplo, durante a campanha eleitoral. sociais produzidos coletivamente por meio do trabalho de todos os cidadãos. Esse projeto, portanto, representa os interesses de grupos particulares, tais como as formas de organizar a sociedade e É nesse momento que surgem as políticas públicas, sobre- 24
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    tudo no camposocial. Por meio delas, os grupos que estão Em um sentido mais geral do termo, podemos entender no governo propõem e implementam programas e ações política também como as decisões tomadas por determina- que beneficiam setores “menos favorecidos”. Com isso, espe- do grupo para realizar, por exemplo, seu projeto comunitário ram também levar a sociedade a apoiar seu governo e acei- ou educacional – como o Projeto Político-Pedagógico. tar o projeto de sociedade que eles querem implementar. Daí a necessidade de as políticas públicas serem pensadas não como programas ou ações de determinado governo para um período específico, mas como função e ação do Estado, Atividade 1 algo a ser implementado e concretizado independentemen- te de quem está no governo, visando ao bem-comum. Agora, dê uma pausa na leitura, reflita sobre o que acabou de estudar e pegue seu caderno de atividades para realizar os exercícios propostos 1a e 1b. Mas por que a denominação públicas? 2. As políticas públicas sociais “Público” é uma palavra também derivada do latim e sig- O que vem a ser política pública? E as políticas nifica “o que é de interesse comum; o que é de todos; o que sociais, para que servem? é de propriedade do Estado”. Assim, as políticas são denomi- nadas de públicas porque visam atender a todos os cidadãos e não a esta ou aquela pessoa, ou a interesses particulares. Portanto, esse atendimento do que vem a ser público é de Há pouco falamos sobre Estado e governo. Pois bem, responsabilidade do Estado. “política” é um termo que tem mais de 2.500 anos, vem da Encontramos em livros e dicionários numerosas defini- Políticas públicas na área social língua grega e significa “a arte de governar um Estado, uma ções para “políticas públicas”, mas repetem-se os seguintes cidade”. Para os gregos, polis significava cidade. Em latim, a fatores comuns: palavra correspondente é civitas, da qual derivou a palavra portuguesa cidadão. Assim, político e cidadão significam a :: as atividades de um governo ao longo do tempo; mesma coisa. Interessante, não é? Portanto, todo cidadão :: as medidas tomadas pela sociedade política para realizar é, por natureza, “um ser político”, e a política seria a arte de um projeto de sociedade; governar os cidadãos, ou melhor, a capacidade de a “cidade” se autogovernar, isto é, de os cidadãos elaborarem suas leis e :: as intenções que dirigem as ações de um governo na bus- governarem a si próprios. ca de soluções aos problemas públicos e de atendimento a demandas vindas de grupos específicos da sociedade. 25
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    Dessa forma, percebe-seque: duzidas pelo desenvolvimento socioeconômico. Essa inter- venção foi consequência das pressões efetuadas pelos movi- mentos populares que buscavam maior participação na As políticas são denominadas “públicas” porque devem política, por meio da eleição de seus representantes, e que atingir todo o público. O governo tem a responsabilidade de lutavam pelos seus direitos fundamentais. garantir que essas políticas beneficiem efetivamente todas as camadas da população. Nós vivemos numa sociedade chamada capitalista. Ela se caracteriza pela divisão entre os que são proprietários dos Porém, outra questão a ser levada em conta não é o que o meios de produção (terra, fábricas, instalações, equipamen- governo faz, mas também o que ele não faz. Afinal, quando tos, máquinas, mão-de-obra), que são, portanto, possuidores um governo deixa de fazer algo, está sinalizando que aquilo de “capital”, e os que são proprietários da força de trabalho. não é tão importante ou prioritário para ele. Ou seja, caracteriza-se pela divisão entre patrões e emprega- Sendo assim, podemos dizer resumidamente que políti- dos. cas públicas são: Essa divisão provoca desigualdades sociais, maiores ou menores, dependendo do processo histórico de lutas de gru- pos organizados (sindicatos, associações, partidos) em busca Tudo o que um governo decide fazer, faz ou deixa de fazer de acesso a bens e serviços fundamentais que asseguram a em relação às necessidades dos cidadãos. qualidade de vida. Nos países em que as desigualdades são maiores, isto é, em que existe um pequeno grupo com gran- des posses e uma parcela grande da população com pouco E por que a denominação sociais? – ou nenhum – acesso a esses bens e serviços, os governos bus-cam, geralmente, amenizá-las por meio de políticas públicas sociais. Módulo de Competências Básicas Nesse sentido, as políticas públicas sociais podem ser As políticas públicas podem ser ditas sociais porque têm entendidas como tendo funções redistributivas e compen- como finalidade desenvolver programas e ações voltadas satórias. para setores específicos da sociedade que se encontram em situação de grande desigualdade e não possuem um padrão A função redistribuitiva diz respeito à distribuição aos de vida digno. É dever do Estado dar condições básicas de menos favorecidos de parte do que é produzido pela cidadania a esses que vivem em desigualdade. sociedade. Em outras palavras, significa retirar dos bens e serviços, especialmente por meio de impostos, recursos Houve fases da história em que o Estado interveio de financeiros para atender ao conjunto dos cidadãos mais maneira mais decisiva para diminuir as desigualdades pro- necessitados. O Imposto de Renda, por exemplo, é consi- 26
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    derado uma fortepolítica redistribuitiva. Outro exemplo de política redistributiva é o Programa Ren- Porém, a finalidade central das políticas públicas é garan- da Básica de Cidadania no Brasil (Lei de Renda Mínima), apro- tir aos cidadãos direitos que lhes foram negados anterior- vado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente mente, como, por exemplo, o direito à saúde e à educação. da República em 2004. Esse programa consiste na instituição de uma renda mínima como direito básico de cidadania. Sua Atividade 2 implantação foi pensada como estratégia para mudar uma prática política tradicional que utilizava as políticas públicas Você entendeu bem o que são as políticas públicas? Então, em benefício individual ou partidário. vá ao caderno de atividades e teste seu conhecimento rea- Em outras situações, essas políticas sociais têm caráter lizando as atividades 2a, 2b e 2c. compensatório, isto é, promovem programas emergenciais Depois de ter estudado sobre o que são as políticas públi- para atender a grupos sociais específicos (desemprega- cas, você deve estar se perguntando: dos, negros, índios, analfabetos, excluídos etc), como, por exemplo, o salário-desemprego e as cotas para negros para ingresso na universidade. Outro exemplo é o Programa Bol- Mas como o governo implementa suass polí- sa Família, criado em 2004 pelo Governo Federal, destina- ticas públicas? do a unidades familiares que se encontrem em situação de pobreza (assim entendidas aquelas com renda mensal por Como faz a “distribuição” de bens e serviços? pessoa de R$ 70,00 a R$ 140,00) e de extrema pobreza (com A partir de que critérios? renda mensal por pessoa inferior a R$ 70,00). De onde vai tirar recursos para sustentar e viabilizar seus programas e ações? Em que consistem as políticas públicas no campo Políticas públicas na área social Fique atento! social? Essas ações são um dever do Estado. Ele não está fazendo caridade. Está retirando do cofre público recursos produzidos por todos os cidadãos e utilizando-os para atender às neces- Essas são questões que iremos tratar nas próximas unida- sidades da maioria da população. des. Embora as áreas que fazem parte das políticas públicas Trata-se de um direito. sociais sejam, entre outras, a educação, a saúde, a previdên- cia, a habitação e o saneamento, o que nos interessa anali- sar na próxima unidade são as políticas sociais no campo da educação, porque é nesse segmento que o FNDE atua. 27
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    Unidade I emsíntese Chegamos, assim, ao final da primeira unidade deste módulo. Espera-se que agora tenha ficado mais cla- ro o seu entendimento sobre políticas públicas, que são ações adotadas por determinado governo para concretizar seu projeto de sociedade, buscando atender aos interesses e necessidades dos cidadãos. Elas contribuem para que a sociedade se organize em função de um projeto político, durante determinado período de tempo. Relembrando, a organização geral que permanece, com seus poderes, instituições e representações, é chamada de Estado. A organização temporal, provisória, composta por grupos que se sucedem no poder, dirigindo e administrando a sociedade durante determinado período de tempo, é chamada de governo. Esta unidade tratou de temas importantes, mas complexos, que exigem leitura mais aprofundada da rea- lidade política, social e econômica. Por isso, convidamos-lhe a expandir seus conhecimentos por meio de leituras da bibliografia sugerida ao final do módulo, no tópico “Nossa conversa não se encerra aqui”. Módulo de Competências Básicas 28
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    Unidade II Políticas para aeducação básica
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    Unidade II Políticas paraa educação básica4 Introdução Vimos na unidade anterior que o Estado, por meio do governo que está no poder, tem a possibilidade de desenvolver políticas sociais redistributivas e compensatórias no sentido de suavizar, diminuindo um pouco, as desigual- dades presentes na nossa sociedade. Esse papel do Estado vem se modificando, sobretudo, a partir da década de 1970, quando o mundo passou por uma crise econômica que acabou afetando o campo das políticas sociais e, consequentemente, aquelas rela- cionadas com a área educacional. Por isso, nesta unidade, conversaremos um pouco sobre as políticas públi- cas educacionais, especificamente aquelas voltadas para a educação básica. Assim, esperamos que, ao final desta unidade, você seja capaz de: :: definir globalização e neoliberalismo; :: reconhecer as atuais políticas educacionais no Políticas para a educação básica Brasil. Trataremos, inicialmente, de dois termos muito usados e que se referem diretamente ao que discutía- mos na unidade anterior, com relação às políticas sociais: globalização e neoliberalismo. Você sabe o que significam esses dois termos? 4 Unidade elaborada por Oreste Preti. 31
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    1. Globalização eneoliberalismo Janeiro, por exemplo. Nesses últimos anos, vivenciamos situações interessantes e preocupantes ao mesmo tempo, entre as quais podemos A notícia do assassinato do presidente norte-americano Abraham destacar: Lincoln, em 1865, levou 13 dias para cruzar o Atlântico e chegar à Euro- pa. A queda da Bolsa de Valores de Hong Kong (outubro-novembro :: crise econômica nos países capitalistas, levando-os a de 1997) levou 13 segundos para cair como um raio sobre São Paulo buscarem uma reestruturação da economia em escala e Tóquio, Nova York e Tel-Aviv, Buenos Aires e Frankfurt. Eis, ao vivo e a planetária; cores, a globalização. :: mudanças nas tecnologias de produção, na informática (Clovis Rossi – do Conselho Editorial da Folha de S. Paulo. In: www.iis.com.br/~rbsoares) e na comunicação, acelerando a produtividade no traba- lho; :: integração, nas relações econômicas, comerciais e A globalização é muito mais do que as tecnologias de infor- financeiras, entre mercados produtores e mercados mação e comunicação. Olhe ao seu redor. Compo-nentes de consumidores de diferentes países. sua televisão e geladeira, provavelmente, foram importados, e o bolo ou o pão “francês”, que você costuma comer, foram Esses fatores têm propiciado a globalização da economia, feitos com farinha vinda da Argentina, por exemplo. Você da ciência, da tecnologia e da cultura, o que tem vantagens pode estar usando um relógio fabricado na China e calçando e desvantagens. Só para pontuar, uma das desvantagens é a um tênis vindo de Hong-Kong ou do Paraguai. O que você alarmante elevação das taxas de desemprego. encontra nos supermercados ou nas lojas de um shopping na sua cidade pode ser encontrado nos supermercados ou nas lojas dos shoppings espalhados pelo mundo. Mas o que significa globalização? Módulo de Competências Básicas Não é só isso. Há uma padronização também dos produ- tos e uma estratégia mundialmente unificada de marketing Globalização vem da palavra globo, isto é, o planeta em que (propaganda). vivemos. Dá a ideia de algo que atinge o mundo todo, que che- Não é isso o que acontece, por exemplo, com os tênis da ga a todos os habitantes. Pense um pouco sobre o que acon- tece hoje no seu dia-a-dia. Você fica sabendo quase imediata- mente de fatos ocorridos em outra região do Brasil, ou mesmo em outros países. Acompanha os acontecimentos no Iraque, no Japão, na Austrália. Assiste, tranquilamente em sua casa, à novela e ao noticiário transmitidos de São Paulo ou Rio de 32
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    empresa Nike, ouos hambúrgueres da rede McDonald´s? crescem economicamente com esse comércio globalizado, enquanto outros empobrecem. O que se tem constatado é que os países ricos ficam mais ricos e os pobres, mais pobres. Resumindo: Indústrias e fábricas estrangeiras, empresas multinacionais e transnacionais instalam-se em diversos países, como acon- Globalização é um processo que ocorre nos mais dife- tece no Brasil, levando, muitas vezes, as empresas nacionais rentes campos da nossa vida, fazendo com que os países à falência e provocando o desemprego de milhões de traba- se tornem cada vez mais interligados na economia, no lhadores. comércio, nas finanças e na cultura. Assim, implica unifor- mização de padrões econômicos e culturais. Grandes mobilizações, como a greve na Coreia do Sul e as mobilizações dos mineiros alemães e dos trabalha- dores franceses e belgas da Renault, revelam que os tra- Isso não significa que esse processo seja algo novo, pois a balhadores não estão dispostos a arcar com os custos da dominação política e econômica e a apropriação de riquezas globalização. de uns poucos países sobre os demais são características da (Luiz R. Lopes – www.iis.com.br/~rbsoares) modernidade, no mundo ocidental, desde o século XV. Você se lembra das grandes navegações, das viagens terrestres e marítimas de países da Europa, como Inglaterra, Espanha e Portugal, para conquistas comerciais, em busca de especia- E o que se diz sobre isso? Qual é a explicação que você rias e de metais preciosos? costuma ouvir? Que as empresas nacionais têm de se moder- nizar, ser competitivas, e que os trabalhadores têm de se Esse processo se manteve acanhado até a Revolução requalificar, desenvolver novas habilidades, não é? Industrial (séculos XVIII e XIX), quando um conjunto de trans- Políticas para a educação básica formações tecnológicas, econômicas e sociais impulsionou o modo de produção capitalista. Entretanto, foi a partir da crise econômica da década de 1970 que o processo de glo- balização ganhou força e se expandiu, graças, também, ao desenvolvimento tecnológico, dos meios de transporte e de comunicação. O que você pensa sobre isso? Concorda com essas Mas preste bem atenção: a globalização atinge os países Essa novaconsiderações?que está em processo e tem por ordem global de maneira diferente, pois os intercâmbios, como as rela- base o poder econômico, em vez do político, desloca a dis- ções comerciais ou culturais, por exemplo, são desiguais. Há cussão sobre relações de poder para questões técnicas, de países que exportam muito mais que outros; há países que gerenciamento eficaz de recursos humanos e financeiros. 33
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    É uma discussãobaseada no discurso neoliberal, ado- aquilo que estava em falta, oferecendo o que as pessoas tado por organismos internacionais – como o Banco Mun- necessitavam mais. Isso acabou elevando significativamente dial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização os gastos públicos. Mundial do Comércio (OMC) – para defenderem a globaliza- Porém, a crise econômica que se instaurou na década de ção econômica, financeira e comercial. É importante, então, 1970 e que atingiu o mundo globalizado trouxe como con- que você entenda esse pensamento neoliberal, pois ele tem sequência imediata a redução dos gastos nas áreas sociais levado o Estado a mudar sua postura em relação às políticas (particularmente na saúde e na educação), além da diminui- sociais. ção de postos no mercado de trabalho. É nesse contexto que surge a “onda neoliberal”, defenden- do a ideia de Estado mínimo, ou, como muitos autores pre- ferem, Estado do mal-estar social. A lógica do pensamento neoliberal é reduzir os gastos públicos, ou seja, diminuir a participação financeira do Estado no fornecimento de servi- O que é o neoliberalismo e ços sociais. Isso ajudaria a combater o déficit fiscal do Estado, o que ele defende em relação social? possibilitaria a redução de impostos e a consequente eleva- 1.1. Estado do bem-estar ou do mal-estar às políticas públicas? ção dos índices de investimento privado. Assim, a economia Com a recuperação da economia pós-guerra (Segunda voltaria a crescer, novos empregos seriam gerados, a ren- Guerra Mundial, 1939-1945), foi criado, inicialmente na Ingla- da do trabalhador seria elevada e, dessa forma, os serviços terra, um novo modelo de Estado, chamado de Estado do públicos de assistência social passariam a ser desnecessários. bem-estar social ou assistencialista, definido como aque- (PAULA, 1998, p. 53) le que garante tipos mínimos de renda, alimentação, saúde, Por isso, o neoliberalismo, essa nova (“neo”) versão do libe- habitação e educação a todo cidadão, não como caridade, Módulo de Competências Básicas ralismo, é a favor da não-intervenção do Estado no campo mas como direito político. da economia, dando liberdade à iniciativa privada para cui- Essa forma de Estado, que rapidamente se espalhou pela Europa, passou a criar empresas estatais para intervir direta- mente na economia e no desenvolvimento do país, atuando, Resumindo: sobretudo, em áreas nas quais a iniciativa privada não inves- tia, mas que o Estado considerava de interesse para a nação. O neoliberalismo defende a não intervenção do Estado na condução da economia, nas relações patrão-empregado Além disso, assumiu como sua a tarefa de cuidar dos seto- e na oferta de serviços à sociedade, dentre outros pontos. res “menos privilegiados”, oferecendo serviços de assistên- cia e de proteção. Por isso, foi chamado também de Estado previdenciário, pois buscava “prover”, ou seja, providenciar 34
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    dar dos serviçossociais. As políticas públicas sociais, então, passaram a ser formuladas com base em duas palavras de ordem: redução (dos gastos públicos) e privatização. Você E como isso ocorre? se lembra, por exemplo, dos processos de privatização de empresas estatais brasileiras que ofereciam serviços de ener- É o que trataremos a seguir, mas antes... gia, de saneamento e de comunicação? Que tal conferir se entendeu bem o conteúdo? Responda A palavra-chave do neoliberalismo, então, é mercado. É às questões propostas na atividade 3 do seu caderno de este que deve regular as relações entre os indivíduos (outra atividades. palavra-chave), entre compradores e vendedores, e não mais Atividade 3 o Estado. Nesse tipo de sociedade, tudo deveria funcionar como em 2. As políticas educacionais um jogo, em que há regras e cabe aos jogadores respeitá-las. Você conhece os textos legais que dão suporte ao gover- Nada mais. O juiz (que seria o Estado) encontra-se presente no para definir suas políticas para a educação? para fazer com que essas regras sejam acatadas e punir os transgressores. Não pode tomar partido de uns, senão dese- Então, vejamos resumidamente os principais textos legais quilibra o jogo. usados para esse fim: Você já observou o que acontece quando um juiz de fute- :: A Constituição Federal (CF – 1988): os artigos de 205 a bol parece apitar a favor de um dos times? Acaba por atrapa- 214 definem os princípios nos quais se deve basear o ensi- lhar o espetáculo, não é? no em nosso país e a partir dos quais as políticas educa- cionais devem ser elaboradas em todos os níveis: federal, As mudanças efetivas na maneira de o Estado entender estadual e municipal. seu papel na mediação dos conflitos de interesses e as trans- formações no modo de regular a sociedade afetaram tam- :: A Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Políticas para a educação básica bém o campo das políticas educacionais. (LDB – 1996): estabelece os fins, os princípios, os rumos, os objetivos, os direitos etc. da educação (as diretrizes) e As políticas são denominadas “públicas” porque devem diz respeito à organização e ao funcionamento da educa- atingir todo o público. Elas definem o que fazer, como fazer e ção (as bases), tratando ainda dos meios utilizados para quais recursos utilizar. O governo tem a responsabilidade de alcançar os fins pretendidos. A escola é situada no centro garantir que essas políticas beneficiem efetivamente todas das ações pedagógicas, administrativas e financeiras. as camadas da população. :: O Plano Nacional de Educação (PNE – 2001-2010): pre- visto no art. 87 da LDB, com diretrizes e metas para 10 anos, em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educa- ção para Todos, da Organização das Nações Unidas (ONU), o PNE é um instrumento global de orientação das políti- 35
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    cas educacionais nopaís. criação do Programa Qualidade na Escola. Baseado nesses textos, o governo define suas políticas no :: O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb): é um campo da educação. Veja a seguir as principais políticas edu- sistema de avaliação implementado em 1995 e que, desde cacionais: 2005, passou a ser organizado por dois processos de ava- :: Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs – 1997): liação: a Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb) e documento produzido por especialistas, a contribuição e a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc). Sua participação dos diferentes atores do campo educacional. função é mensurar, isto é, medir a “qualidade” da educa- É considerado pelo governo como referencial de qualida- ção no Brasil, produzindo uma base de informações sobre de para a educação básica. Esses parâmetros foram elabo- o aprendizado, a gestão e as relações sociais e pedagógi- rados para orientar e garantir a coerência dos investimen- cas de cada comunidade escolar. O Instituto Nacional de tos no sistema educacional, oferecendo uma proposta Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/ curricular flexível, a ser implementada de acordo com as MEC) é o responsável por sua aplicação. realidades regionais e locais. :: O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educa- ção Básica e de Valorização dos Profissionais da Educa- ção (Fundeb)5: destina recursos para o financiamento da educação básica, com o objetivo de assegurar a universa- lização de seu atendimento e a remuneração condigna do magistério. :: O Plano Plurianual (PPA – 2004-2007): elaborado para o período de quatro anos, o Plano Plurianual (PPA) é um Módulo de Competências Básicas conjunto de programas governamentais com a finalida- de de concretizar o plano do governo, nas diversas áreas sociais. Por exemplo, no caso do atual governo, o PPA vem sendo norteado pela inclusão social e pela desconcentra- ção da renda. No âmbito educacional, a proposta do PPA (2008-2011), entre outros aspectos, além de preservar o propósito de promover o acesso de todos à educação, em todas as etapas e em todos os níveis, preocupa-se com a elevação da qualidade do ensino, levando, inclusive, à 5 De 1996 a 2006, o financiamento foi atribuído ao Fundef, exclusivamente para o ensino fundamental. 36
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    As escolas doseu município E o que esses programas e ações têm :: O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE 2007- participaram dessa avaliação? em comum? Eles apontam para qual direção, 2022): propõe o enfrentamento dos problemas de ren- Você conhece os resultados? para que tipo de educação e de sociedade? dimento, frequência e permanência do aluno na escola. Para que esse fim seja alcançado, o PDE estabeleceu um sistema de definição de metas, de avaliação e de cobrança de resultados nas escolas de todo o país, conhecido por “Com-promisso Todos pela Educação”, aprovado pelo 2.1. Críticas ao sistema educacional Decreto nº 6.094, de 24 de abril de 2007. O PDE propõe a O neoliberalismo, ao se tornar pensamento condutor da mobilização social dos diferentes atores envolvidos com a economia e da política no Brasil, introduziu na educação educação – União, estados, Distrito Federal e municípios, novo discurso e novas práticas pedagógicas. atuando em regime de colaboração com as famílias e a Segundo esse pensamento, o sistema educacional públi- comunidade – em torno do desafio de promover a quali- co brasileiro é “improdutivo”, isto é, ineficiente em sua função dade da educação brasileira. Todas as ações educacionais de ensinar, pois apresenta altas taxas de evasão e reprovação. preveem o investimento de recursos técnicos e finan- Essa ineficiência existe, no entender dos neoliberais, devido ceiros com o objetivo de superar os resultados educacio- aos seguintes fatores: nais negativos dos últimos anos. :: a escola é incapaz de se organizar e se adequar aos novos Entretanto, não são apenas os programas citados que tempos. Sua gestão não acompanha os novos métodos configuram o rumo das políticas educacionais. Ações como introduzidos na empresa privada, que têm funcionado o Livro Didático, Dinheiro Direto na Escola, Transporte Esco- muito bem; lar, Aceleração da Aprendizagem, Informatização das Escolas :: o corpo docente é desqualificado e está acomodado, Públicas, Alimentação Escolar, Escola Aberta, Formação pela seguro em seu emprego, não sentindo necessidade de Políticas para a educação básica Escola, entre outras, são instrumentos fundamentais para a renovação e inovação em seu trabalho; promoção da justiça social e da democratização da socieda- :: as organizações de classe (sindicatos e associações) são de e da escola. muito corporativistas, só lutam por questões salariais e não aceitam as mudanças necessárias. Os recursos disponíveis no orçamento do FNDE são Por isso, a escola pública é apontada como ineficiente e executados por meio de programas e ações de atividades incompetente em sua função básica de ensinar e preparar o fins, isto é, ações diretamente voltadas para a educação, aluno para o mercado de trabalho. constantes do PPA. Você, por acaso, já ouviu isso alguma vez? 37
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    das políticas educacionais,tais como: Descentralização, autonomia, gestão democrática, par- ticipação, qualidade, qualificação, valorização do magis- tério, competência, equidade etc. Essas palavras não foram criadas pelo pensamento neo- Banco Mundial liberal. Muitas delas são bandeiras de lutas levantadas pela Criado em 1944, Pois é, o (mau) funcionamento da escola é reduzido a uma comunidade educativa há muito tempo. Você tem de prestar após a Segunda- questão de gerência, de controle da qualidade. atenção ao sentido que o pensamento neoliberal dá a essas Guerra Mundial, é o maior provedor palavras. de créditos para A solução, segundo o neoliberalismo, estaria na condução países em desen- de uma reforma administrativa para tornar a escola eficiente, Um dos aspectos importantes a serem conhecidos, para volvimento, com graves problemas competitiva e capaz de formar profissionais qualificados para melhor entendermos o rumo das políticas educacionais em sociais. o mercado de trabalho. Para isso, o Estado necessita estabele- nosso país, é o fato de elas caminharem na direção dada pelo cer mecanismos de controle e avaliação dos serviços educa- Banco Mundial, que incentiva a privatização da educação cionais que devem estar articulados e subordinados às neces- básica (do ensino superior, então, nem se fala!), definindo sidades desse mercado de trabalho. padrões de eficiência nos sistemas de ensino e na gestão dos recursos destinados à educação. Atividade 4 2.3. Avaliando a reforma Hora da pausa para sistematização de sua aprendizagem! Faça as atividades 4a e 4b do caderno de atividades. 2.2. A reforma educacional Módulo de Competências Básicas Surge daí a necessidade de uma reforma no campo da educação, ou seja, da implementação de políticas educacio- nais que orientem as escolas na oferta de seus serviços edu- cacionais, seguindo o modelo das empresas privadas, com controle e avaliação da qualidade dos serviços prestados. As reformas educacionais foram iniciadas em diversos paí- ses da Europa, na década de 1980, e aqui no Brasil, na déca- da seguinte. Algumas palavras passaram a ser utilizadas com muita ênfase no discurso dessas reformas e na formulação 38
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    matriculadas no ensinofundamental, ou seja, o acesso encontrava-se praticamente universalizado; :: de acordo com o IBGE, a taxa de analfabetismo da popu- lação de 15 anos ou mais sofreu queda nos últimos anos: 14,7%, em 1996; 13,6%, em 2000; 11,4%, em 2004; e 9,8% em 2008; :: segundo o Censo Escolar de 2008, em relação ao ano de 2005, a matrícula da educação básica decresceu 7%, con- É importante que você aprofunde seu estudo sobre a tabilizando 52,3 milhões de matrículas. A diminuição do reforma educacional proposta e implementada pelo pen- número de matrículas provavelmente deve-se ao aperfei- samento neoliberal e o redimensionamento provocado nas çoamento da coleta de dados, à diminuição da repetência políticas educacionais, nesses últimos anos, aqui no Brasil. escolar e à queda da natalidade. Assim, poderá melhor analisar e avaliar alguns dados e fatos que iremos expor a seguir. Educação básica / No início da década de 1990, as estatísticas educacionais situavam o Brasil em colocações muito incômodas. Nosso país ocupava os piores lugares, quando comparado com países vizinhos da América Latina (Argentina, Chile, Méxi- co, Colômbia, Costa Rica), em questões como: taxas altas de analfabetismo, índices alarmantes de evasão, repetência e crianças fora da escola. Essas estatísticas, apesar do registro NORTE de uma pequena redução na matrícula da educação bási- 292.104 5% Políticas para a educação básica ca entre 2005 e 2006 (conforme demonstrado no diagrama NORDESTE 2.110.482 “Variações absoluta e percentual de matrícula”), começaram 12% a melhorar a partir de meados daquela década, como mos- tram os dados a seguir: CENTRO-OESTE 279.930 :: entre 1994-98, o ensino médio expandiu as matrículas em 7% SUDESTE 37%; Censo 2005: 56,4 milhões 1.088.621 5% Censo 2006: 55,9 milhões :: durante o mesmo período, houve crescimento de 35% de SSegundo alguns autores, asSULimportantes alterações Censo 2007: 52,1milhões alunos que concluíram o ensino fundamental; apre-sentadas milhões dados estatísticos educacionais na últi- Censo 2008: 52,3 pelos 378.818 5% :: em 2003, 97,2% das crianças entre 7 e 14 anos estavam ma década Absoluta 2005/2008: percebidas como reflexo da proposta Diferença podem ser Total: - 4.149.955 (-7%) 39
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    de descentralização eo consequente processo de munici- da em 2009 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas palização da educação. Os municípios começaram a ganhar Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 38% dos professores que certa autonomia pedagógica e financeira no campo da edu- trabalham em escola pública não têm licenciatura, a formação cação. mínima que, atualmente, se exige ao professor. Municipalizar significa que prefeitura municipal e comu- Formação dos Professores da Educação Básica em Escolas nidade são corresponsáveis pela prestação de servi-ços, Públicas – EducaCenso 2007 como o da educação. Significa população organizada, par- ticipando ativamente da ação do poder público local. É um Ensino Fundamental 15.982 processo de autogestão competente e eficiente dos serviços Normal/Magistério 474.950 Ensino Médio sociais básicos. Ensino Médio 103.341 Com Licenciatura 1.160.811 A escola sofreu modificações em sua organização peda- Ensino Médio Sem Licenciatura 127.877 gógica e administrativa, entre as quais poemos citar: a intro- Total - Brasil 1.882.961 dução da gestão democrática e de conselhos escolares (envolvendo a participação da comunidade), a elaboração Os recursos destinados à educação básica (com amparo do próprio projeto político-pedagógico e a adequação do na Constituição, na LDB e na Emenda Constitucional 14) são currículo e do calendário escolar às necessidades específicas aplicados mediante a criação de mecanismos específicos da localidade. para chegarem às unidades escolares, como é o caso do Fun- Além disso, houve atendimento à qualificação dos profissio- deb e dos programas do FNDE (Dinheiro Direto na Escola, nais da educação, com projetos como o Programa de Formação Alimentação Escolar, Transporte Escolar etc.). Assim, a escola de Professores em Exercício (Proformação), qualificando mais passou a ser o centro das políticas educacionais e das ações de 30 mil professores em nível de ensino médio (magistério), governamentais. Módulo de Competências Básicas e o Prolicenciatura (Licenciaturas a distância), qualificando-os Porém, há dados e fatos que apontam outros aspectos da em nível superior. A Universidade Aberta do Brasil (UAB) tem reforma educacional e sobre os quais é bom você refletir um a meta de, em 2010, completar a abertura de 300 mil vagas pouco, tais como: na educação superior, a maior parte em cursos de licenciatura. Por outro lado, não podemos esquecer a expansão e interiori- :: O aumento do número de vagas na oferta da educação O zação das instituições privadas de ensino com a oferta dos cur- aumento do número de vagas na oferta da educação bási- sos Normal Superior e Pedagogia, nas modalidades presencial ca não acompanhou a qualidade nos serviços da educação. e a distância. O Saeb apontou, entre 1995 e 2001, queda nos níveis de aprendizado, no desempenho dos alunos em Língua Por- Curiosidade tuguesa e Matemática, com disparidades entre regiões e Segundo a Sinopse Estatística do Professor - 2007, divulga- estados e também entre alunos de origens sociais diferen- 40
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    tes. Houve ligeiramelhoria em 2003. O Índice de Desen- para que realmente o profissional da educação seja valo- volvimento da Educação Básica (Ideb), calculado com base rizado e possa realizar seu trabalho em melhores condi- nos resultados do Censo Escolar, do Saeb e da Prova Brasil ções, com infraestrutura adequada e salários condizentes (2005) e divulgado em 2007, também não aponta melhoria com sua formação e com a importância social de sua ação na qualidade da educação oferecida às camadas populares, educativa. sobretudo nas regiões mais pobres do país. :: Os recursos financeiros ainda são insuficientes para aten- :: A descentralização não se realizou de maneira completa. der à quantidade e à qualidade de uma educação voltada As decisões mais importantes costumam ser tomadas no para a formação de cidadãos. A qualidade da educação âmbito federal, são centralizadas, cabendo aos municí- está diretamente ligada à distribuição dos recursos mate- pios e às unidades escolares apenas a execução de pro- riais. Os recursos não são a garantia automática de quali- postas curriculares, programas e ações. Assim, não houve dade na educação, mas, sem eles, uma educação de qua- municipalização dos serviços educacionais, como preten- lidade não se viabiliza. dido, mas um processo de “prefeiturização”. As ações e as Você percebeu que o governo não conseguiu implemen- responsabilidades sobre o ensino foram descentralizadas, tar sua “reforma educacional” de maneira homogênea e ficaram a cargo da prefeitura, mas os recursos e a defini- conforme a proposta inicial? E sabe por quê? Você se lem- ção de políticas educacionais continuaram centralizados, bra do que estudou na unidade anterior? A própria estrutu- sob o controle do governo federal. No município, muitas ra do Estado prevê espaços e mecanismos de contradições vezes, esse mesmo processo de “prefeiturização” aconte- e embates de forças e interesses que resultam em políticas ce. Há uma centralização administrativa (nas mãos do pre- que podem representar ou não aquilo que foi proposto ori- feito) que impede a participação e o controle social orga- ginalmente. nizado por parte da comunidade. Como superar isso? Fique atento! Políticas para a educação básica Democracia e descentralização são duas faces da mesma moeda: o processo de construção da cidadania. Pois uma democracia é real e efetiva quando os cidadãos participam das decisões que dizem respeito à sua vida pessoal e coletiva. Por isso, uma verdadeira “municipalização” exige gestão democrática. :: A falta de valorização do professor ainda está presente na Atividade 4c sociedade brasileira. Existe um longo caminho a percorrer 41
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    na próxima unidade. Antes de continuar, realize a atividade 4c, proposta no seu caderno de atividades. Unidade II em síntese Vimos na unidade anterior que as políticas públicas no Nesta segunda unidade, fizemos um percurso rápido campo social revelam o modelo de sociedade que determi- sobre alguns temas fundamentais para compreensão nado governo deseja construir. Porém, sua definição e exe- da atual política educacional. Estudamos a influência do cução não podem ser simplesmente deixadas na mão do pensamento neoliberal no campo da economia, que pro- governo e dos políticos, ainda mais hoje, com a forte influ- porcionou outra direção às políticas sociais nesse mundo ência do pensamento neoliberal na política e na economia globalizado. Em seguida, analisamos os reflexos desse de nosso país. pensamento na educação, especialmente no que diz res- Curiosidades peito aos documentos oficiais que tratam da educação e da gestão da escola, apresentando aspectos positivos e Dados de uma pesquisa de opinião pública realizada pelo negativos da reforma educacional implementada no Brasil Ibope, a pedido da ONG Ação Educativa, em novembro de pelos governos que se sucedem no poder, sobretudo nes- 2003, mostram que: 44% dos brasileiros dizem crer que de ses últimos anos. fato influenciam as políticas públicas e, entre estes, 68% Aprofunde seus conhecimentos por meio de leituras da acham que o fazem apenas ao votarem no dia das eleições. bibliografia sugerida ao final do módulo, no tópico “Nossa (Disponível em <www.patri.com.br>. Acesso em out./2005) conversa não se encerra aqui”. Por isso, a intervenção dos cidadãos, individualmente ou em grupo, é fundamental para a construção de uma socie- Módulo de Competências Básicas dade justa, igualitária e solidária. A educação, então, pode vir a desempenhar papel importante na conscientização dos cidadãos e na introdução de práticas educativas que levem à transformação da atual sociedade. Mas como garantir o direito à educação e propiciar uma formação escolar que provoque mudanças sociais? Um dos caminhos é alocar e empregar bem os recursos financeiros destinados à educação. É disso que iremos tratar 42
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    Unidade III Financiamento daeducação básica Introdução O Estado, para realizar suas políticas no campo social e, no caso específico, na área da educação, dis- ponibiliza recursos financeiros para manutenção e desenvolvimento do sistema educacional nos níveis federal, estadual e municipal. Daí a importância de você saber quantos são os recursos e como chegam à sua região e ao seu muni- cípio, para que crianças, jovens e adultos possam ter acesso à educação. Por isso, nesta unidade, trataremos sobre o financiamento da educação, especificamente no âmbito da educação básica. Esperamos que, ao final desta unidade, você seja capaz de: :: identificar a legislação que garante recursos financeiros para a educação e o mon- tante definido por essas leis; :: explicar o que é o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e definir a sua função. Financiamento da educação básica Você sabe qual é o montante de dinheiro que seu município tem à disposição para aplicar na educação, e o quanto desses recursos é investido? Você sabe de onde vêm e como são arrecadados e contabilizados tais valores? Será que os investimentos são suficientes para a oferta de uma educação de qua- lidade? 45
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    Você deve terouvido muito, em discursos de políticos e governantes, que a educação é fundamental IPEA é uma fun- para o desenvolvimento do país e que se deve dar prioridade a essa área social. É essencial que os inves- dação vinculada ao Ministério do timentos sejam ampliados para que melhorem as condições de funcionamento das escolas e de trabalho Planejamento dos professores. do Brasil e tem por finalidade realizar pesqui- Como está vendo, há muita coisa importante a ser discutida nesta unidade, ou, pelo menos, a ser sas, projeções e apon-tada para que você procure aprofundar mais ainda seus conhecimentos sobre o financiamento da estudos macro- econômicos. educação. Assim, você poderá contribuir para a solução de situações problemáticas, como a vivenciada por aquela comunidade da região leste de Mato Grosso, mencionada no tópico “Problematizando” deste módulo, lembra-se? Vamos, então, sobrevoar essa temática? A OCDE se compõe ainda de 1. Recursos financeiros para a educação Canadá, França, Alemanha, Reino A Constituição Federal de 1988, que ficou conhecida como Constituição Cidadã, restabeleceu impor- Unido, Bélgica, Itália, Japão, entre tantes direitos aos cidadãos brasileiros, após o período da ditadura militar, e proclamou a educação como outros. direito de todos. Para garantir essa prerrogativa, a Constituição determinou que o poder público aplicas- se uma parcela de impostos na educação. Essa garantia de recursos contribui para que cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) seja investi- do na educação pública em nosso país. Nos encontros internacionais, convencionou-se apli- Módulo de Competências Básicas car na educação minimamente 6% do PIB, mas nada foi homologado oficialmente. A nossa legislação também não determina quanto o poder público deve aplicar do seu PIB. No processo de votação do Plano Nacional de Educação 2001-2010 (Lei 10.172), havia uma meta, que foi VETADA, de alcançar, em quatro anos, o investimento de 7% do PIB para a educação pública. 46
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    Veja o montantedo PIB produzido em nosso país nesses Mas não vamos nos prender à questão da porcentagem últimos anos: que é investida, e sim lembrar que, para financiar os gastos com a educação, a Constituição garante recursos de 18% Ano Valor em R$ – trilhão Produto Interno da receita de impostos arrecadados pela União e 25% dos Bruto - PIB 2003 1,556 impostos e transferências a estado e municípios, conforme o Representa a riqueza nacional. 2004 1,800 texto constitucional: Inclui tudo aquilo que é produzido 2005 2,147 “A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoi-to no país, durante e os estados, o Distrito Federal e os municípios vinte e cin- um ano, em 2006 2,322 todos os setores co por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, econômicos: 2007 2,588 proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvi- indústria, comér- cio e serviços e 2008 2,889 mento do ensino”. (art. 212) agricultura. Fonte: IBGE <www.ibge.gov.br> O que isso significa? Você sabia que parte desse PIB deve O que a Constituição Federal, complementada ser investida na educação? pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), trouxe de novidade? Isso mesmo! Por exemplo, os 30 países mais industrializa- dos do mundo, que compõem a Organização para a Coope- Vamos destacar três aspectos importantes relacionados ração e Desenvolvimento Econômico (OCDE), investem, em ao financiamento da educação: Financiamento da educação básica média, 5,9% do PIB, variando de 3,7% (caso da Turquia) a 8% 1. A vinculação dos recursos a impostos – Os recursos arre- (Islândia). cadados com determinados impostos (definidos pela O governo brasileiro, segundo dados do Instituto de Pes- legislação) têm destinação específica: o ensino. quisa Econômica Aplicada (Ipea), investe, em média, 3,8% 2. 2. O repasse dos recursos vinculados aos órgãos da do PIB em educação. Segundo o Relatório de Desenvolvi- educação – Antes, os impostos e transferências entravam mento Humano de 2006, o investimento é de 4,5%, muito numa “conta única” da União, dos estados ou dos municí- abaixo da média dos países industrializados. pios, o que facilitava o uso do dinheiro da educação para O Ministério da Educação tem feito uma campanha defen- outras atividades. A partir da LDB, o dinheiro destinado à dendo o aumento dos gastos do Brasil com o setor educacio- educação deveria ser depositado em uma conta especí- nal para 6% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano. fica. Assim, o controle sobre seu uso e destino fica mais (http://www.abrelivros.org.br/abrelivros/texto.asp?id=1894) fácil. 47
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    3. A definiçãode um “mínimo” a ser aplicado diretamente no ensino. Impostos Federais Impostos Estaduais Impostos Municipais + + 18% 25% 25% Ou seja, de tudo o que as diferentes esferas administrativas recolhem por meio de impostos e trans- ferências, uma porcentagem deve ser destinada à educação escolar, isto é, às atividades diretamente relacionadas com o ensino, em todos os níveis e modalidades. O art. 70 da LDB define, com clareza, o que é considerado como despesa na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE) e o art. 71 delimita em quê esse recurso destinado ao ensino não pode ser gasto. Leia os dois artigos no glossário – no final do Módulo de Competências Básicas módulo – e, se possível, leia também a LDB. É importante para você se inteirar sobre os fundamentos que amparam a educação no Brasil. Preste bem atenção! Os percentuais indicados (18% para União e 25% para os estados, o Distrito Fede- ral e os municípios) constituem um piso, isto é, um mínimo de aplicação de recursos. Isso significa que o estado, o Distrito Federal ou o município podem elevar esse percentual. Você sabe qual é o percentual a ser investido na educação, estabelecido pela Constituição do seu estado ou pela Lei Orgânica do seu município? Sabe se o seu município aplica esse percentual? 48
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    Atividade 5 É hora de testar seu aprendizado! Faça as atividades 5a e 5b do caderno de atividades. Você, como cidadão, a qualquer momento, tem o direito constitucional de solicitar à prefeitura a pres- tação de contas e verificar se ela aplica adequadamente, conforme a lei, os recursos alocados para a educação. Mas de quais impostos vêm os recursos destinados à educação? 1.1. Receitas de impostos para a educação Vamos tentar, por meio de um quadro, visualizar melhor as fontes dos recursos financeiros disponíveis para a educação. Quadro 1- Recursos financeiros para a educação (CF 1988) Impostos federais Impostos e transferências estaduais (25%)* Impostos e transferências municipais (25%)* (18%) IR – Imposto de Renda FPE – Fundo de Participação dos Estados FPM – Fundo de Participação dos Municípios IPI – Imposto sobre Produtos Industrializa- IPI – Imposto sobre Produtos Industrializa- IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados proporcional dos dos proporcional às exportações às Exportações ITR – Imposto Territorial Rural IOF – Imposto sobre Operações Financeiras ITR – Imposto Territorial Rural IOF – Imposto sobre Operações Financeiras sobre o ouro IOF – Imposto sobre Operações Financeiras sobre o ouro sobre o ouro ICMS – Imposto sobre Circulação de Merca- ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Presta- dorias e Prestação de Serviços Financiamento da educação básica II – Imposto sobre Importação ção de Serviços IE – Imposto sobre Exportação IPVA – Imposto sobre Propriedade de Veí- IPVA – Imposto sobre Propriedade de culos Automotores Veículos Automotores ITCMD – Imposto sobre Transmissão Causa IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano Mortis e Doações ITBI – Imposto Transmissão de Bens Imóveis ISS – Imposto sobre Serviços (Fonte: MONLEVADE, J.; FERREIRA, E. B. 1998, p. 27, com adaptações) * No Distrito Federal são consideradas as receitas devidas aos estados e municípios. 49
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    Contextualizando... Perceba que, na verdade, o dinheiro que foi para o governo estadual (R$ 15,47 ) e municipal (R$ 5,16) para ser aplicado na edu- cação, no total de R$ 20,63, foi você quem pagou no momento Quando você entra numa loja de eletro- que comprou a TV. domésticos e compra uma TV, quanto de imposto Mas não foi só esse imposto que você pagou quando com- você paga? E quanto vai para o ensino? prou a TV. Existe outro imposto muito importante sobre todos os produtos industrializados, chamado IPI. Como ele funciona? Quando a fábrica produziu a televisão, ela o fez com o Suponhamos que você pagou pelo aparelho R$ 500,00, intuito de vendê-la para uma loja. Vamos supor que ela ven- preço à vista, e exigiu a nota fiscal (exija sempre a nota fis- deu a TV para a loja por R$ 300,00. No momento dessa ven- cal!). da, a fábrica recolheu determinada porcentagem (12%, por Vamos calcular a quantia destinada à educação desse exemplo), conforme a alíquota de imposto devido. Logo, a valor que você pagou. Para simplificar esse exemplo, vamos fábrica recolheu R$ 36,00 referentes ao IPI. Mas você pagou nos referir somente aos dois principais impostos - ICMS e IPI: R$ 500,00 pela TV (e não se esqueça que neste valor está Você pagou R$ 500,00 pela TV. embutido o IPI recolhido pela fábrica!). 1. A loja onde você comprou a televisão tem de reco lher ao governo 16,5% de ICMS, supondo que seja essa a alíquo- E então, como foram distribuídos os ta em seu estado (valor este que está embutido no preço R$ 36,00 de IPI recolhidos pela fábrica? que você pagou). Sendo assim, nesse exemplo, a loja reco- lhe ao estado R$ 82,50 de ICMS. O estado recebe o imposto (R$ 82,50) e o divide com o Módulo de Competências Básicas município onde foi efetuada a venda. 1. a União fica com 56%; o estado, com 21,5 %; e o município, 2. O estado fica com 75% (R$ 61,87) e o município com 25% com 22,5%. Ou seja, a União ficou com R$ 20,16 (= 56% de (R$ 20,63). R$ 36,00); o estado, com R$ 7,74 (= 21,5% de R$ 36,00); e o município, com R$ 8,10 (= 22,5% de R$ 36,00). 3. Tanto o estado quanto o município são obrigados, por lei, a separar 25% desse valor para a educação. Ou seja, o Você lembra que a lei obriga a União a gastar 18% e o esta- estado tem de reservar R$ 15,47; o município, R$ 5,16 para do e o município 25% do total arrecadado em educa-ção? a educação. 0 Esse exemplo é apenas ilustrativo e não considera as diversas exceções e compensações previstas em leis específicas. 50
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    2. Portanto, dovalor do IPI recolhido, a União é obrigada a Dados da arrecadação do salário-educação gastar R$ 3,63; o estado, R$ 1,93; e o município, R$ 2,02 (em valores correntes) em educação. Preste bem atenção! Não se esqueça de que você, como Ano Arrecadação consumidor final, foi quem pagou o custo desses impostos. 2003 4,005 bilhões 2004 4,826 bilhões Se somarmos o ICMS (R$ 82,50) e o IPI (R$ 36,00), você 2005 5,906 bilhões pagou R$ 118,50 em impostos e, desse total, R$ 28,02 2006 6,965 bilhões devem ser destinados à educação (R$ 20,63 de ICMS e R$ 2007 7,156 bilhões 7,58 de IPI). 2008 8,863 bilhões 2009 8,863 bilhões* http://www.fnde.gov.br/index.php/saleduc-arrecadacao. Por isso, é importante conhecer como é possível fiscalizar se esse dinheiro está mesmo indo para a educação e se está * O montante de 2009 ainda não inclui a receita do salário-educação referente ao mês de sendo bem aplicado. dezembro de 2009. Além das receitas de impostos, há ainda as de contribui- ções sociais, como o Programa de Integração Social (PIS), o De 2003 para 2004, houve um crescimento de mais de 20% Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público na arrecadação. De 2004 para 2005, a arrecadação aumen- (Pasep), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade tou 22,38%, ou seja, o FNDE conseguiu arrecadar 1,08 bilhão Social (Cofins). Até 31 de dezembro de 2007, havia a Contri- a mais. No ano de 2006, a autarquia conseguiu ampliar em Financiamento da educação básica buição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de mais de 15% a arrecadação dessa contribuição social. Valores e de Créditos de Natureza Financeira (CPMF), que foi O salário-educação é distribuído da seguinte forma: extinta. Entre elas, vamos destacar o salário-educação, que é uma contribuição social de 2,5% destinada à educação bási- :: 40% compõem a denominada cota federal, mantidos pela ca, calculada sobre a folha de salário dos empregados das União para distribuição em programas, projetos e ações empresas. voltadas para a educação básica pública; Para você ter uma ideia do volume arrecadado com essa :: 60% compõem a denominada cota estadual, a serem contribuição, observe a tabela a seguir: divididos proporcionalmente ao número de matrículas na educação básica, entre estados, DF e municípios, con- forme informações do censo escolar. 51
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    Veja o exemplopara entender como é feita a divisão: Arrecadação R$ 7 bilhões 40% União 60% estados e municípios R$ 2,8 bilhões R$ 4,2 bilhões A União, então, recolhe a contribuição do salário-educação e devolve uma parte aos estados. Essa quo- ta estadual, por sua vez, pela Lei nº 10.832/03, é redistribuída entre o estado e os respectivos municípios, conforme critérios estabelecidos em lei estadual. Agora, você sabe que os recursos têm endereço certo e que devem ser aplicados no ensino público, senão o gestor sofre as sanções da lei: processo por crime de responsabilidade e processo penal, além de inelegibilidade por oito anos. Módulo de Competências Básicas Quanto dispõe seu município para a educação básica, a partir da receita dos impostos mencionados? 52
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    Atividade 5c Aprendeu bastante com o conteúdo? Gostou do que aprendeu? Esperamos que sim! Antes de passar para o próximo tópico, você está convidado a realizar a atividade 5c do seu caderno de atividades. Agora, vamos nos deter em um aspecto particular da sistemática do Estado para assegurar que os recursos destinados à educação básica pública sejam garantidos e aplicados. 2. Fundef e Fundeb A LDB, em seu art. 21, defende a organização do sistema educacional brasileiro em dois grandes níveis escolares: a educação básica e a educação superior. A educação básica é formada pela educação infantil, o ensino fundamental (antigo 1º grau), ambos de responsabilidade dos municípios, e o ensino médio (o antigo 2º grau), de responsabilidade dos estados. Porém, a mesma LDB, em seu art. 10, parágrafo 6º, delega também ao estado a responsabilidade pelo ensino fundamental, compartilhando-a com os muni- cípios (art. 11, parágrafo 5º). Sistema educacional brasileiro Educação básica Educação superior responsabilidade :: cursos seqüênciais do governo federal responsabilidade :: educação infantil Financiamento da educação básica dos municípios :: graduação :: ensino fundamental (9 anos) responsabilidade :: pós-graduação dos estados :: ensino médio (3 anos) :: extensão 53
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    As políticas públicasno campo da educação vinham defi- Se os gestores públicos quisessem contribuir para o ensi- nindo o ensino fundamental como prioridade, canalizando- no privado (escolas comunitárias, confessionais, filantrópicas, lhe significativo volume de recursos. Mas, a partir dos últi- isto é, sem fins-lucrativos), poderiam fazê-lo, mas apenas com mos anos, passaram a estender sua atenção para as demais recursos acima dos percentuais vinculados, ou seja, fora dos etapas da educação básica. 25%. 2.1. Fundef O Fundef teve vigência até dezembro de 2006, quando foi Para viabilizar essa prioridade, foi criado, em 1996, o Fundo substituído pelo Fundeb. de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamen- 2.2. Fundeb tal e de Valorização do Magistério, pela Emenda Constitucio- Em 1º de janeiro de 2007, entrou em vigor o Fundo de nal nº 14/1996, constituído por 15% dos principais impostos Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de e transferências (FPE, FPM, ICMS, IPI – em proporção às expor- Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), cria- tações e Desoneração de Exportações – Lei Complementar nº do pela Emenda Constitucional nº 53/2006 e regulamentado, 87/96, conhecida como Lei Kandir), sendo que os recur-sos inicialmente, pela Medida Provisória no 339, de 28 de dezem- gerados eram distribuídos aos estados, Distrito Federal e muni- bro de 2006. Em 20 de junho de 2007, foi sancionada a Lei nº cípios, com base no número de matrículas no ensino funda- 11.494, que regulamenta o Fundeb. mental público. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Edu- Esse era um fundo de natureza contábil, caracterizado cação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação pelo crédito e pela movimentação dos recursos em conta – Fundeb – é um fundo de financiamento da educação bási- bancária especial, na qual eram creditados exclusivamen- ca pública, de natureza contábil e de âmbito estadual, com- te os recursos do fundo, destinados ao financiamento do posto de recursos dos próprios estados e municípios, com- ensino fundamental. plementados pela União, quando for o caso. Módulo de Competências Básicas Tratava-se de um fundo de âmbito estadual, cujos recur- O Fundeb tem por objetivo o financiamento de todas as sos eram distribuídos de maneira automática e equânime etapas da educação básica: educação infantil (creches para entre o governo estadual e seus municípios. crianças de 0 a 3 anos e pré-escola para crianças de 4 a 6), ensino fundamental e ensino médio, além das seguintes modalidades: educação de jovens e adultos, educação indí- É importante lembrar que 60% dos 25% dos impostos e gena, educação quilombola, educação profissional, educa- transferências não vinculados ao Fundef deveriam, obriga- ção do campo e educação especial (destinada a portadores toriamente, ser aplicados também no ensino fundamental de deficiências). público (nos termos da própria Emenda Constitucional nº 14, art. 60, caput, e da Lei 9.424, art. 8, II). No Fundeb, parte da receita de impostos estaduais e municipais vai para 27 fundos contábeis estaduais. Os recur- 54
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    sos retornam aosestados e aos municípios conforme o número de matrículas existentes em suas redes de ensino. Devido às profundas desigualdades econômicas entre estados e regiões do país, a União exerce um importante papel redistributivo. Assim, em janeiro de cada ano, a União decreta um valor de investimen- to mínimo por aluno, abaixo do qual nenhum estado poderá ficar. Os estados que estiverem abaixo desse valor recebem uma complementação para que alcancem o valor mínimo nacional por aluno. O fundo é formado com recursos provenientes de impostos e transferências estaduais e municipais, em percentuais que evoluem nos três primeiros anos do fundo, além de uma parcela proveniente do governo federal, conforme quadro a seguir: Percentual dos impostos, transferências e recursos da Impostos e transferências União 2007 2008 2009 de 2010 em diante Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços – ICMS Fundo de Participação dos Estados – FPE Fundo de Participação dos Municípios – FPM 16,66% 18,33% Imposto sobre Produtos Industrializados proporcional às exportações – IPIexp 20% 20% Recursos da Lei Complementar 87/96 (Lei Kandir) Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores – IPVA Imposto Territorial Rural – ITR 6,66% 13,33% Financiamento da educação básica Imposto sobre Causa Mortis e Doações – ITCMD 10% do total da contri- R$ 2,0 R$ 3,0 R$ 4,5 Recursos da União (de complementação ao fundo) buição dos estados, DF bilhões bilhões bilhões e municípios Olhando para o quadro anterior, talvez você tenha ficado curioso ou tenha algumas dúvidas quanto a como, na prática, esses recursos são atualmente distribuídos e chegam às escolas públicas. Pode ser ain- da que você tenha ficado com algumas dúvidas, comparando o que aprendeu agora com o que já sabia sobre o Fundef. Então, selecionamos e respondemos a perguntas que frequentemente são feitas sobre o Fundeb. 55
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    Esperamos, com isso,ajudá-lo a dirimir suas dúvidas também. Esperamos, com isso, ajudá-lo a dirimir suas dúvidas também. 1. Em que podem ser gastos os recursos do Fundeb? O Fundeb obriga os estados e municípios a investirem, no mínimo, 20% do valor arrecadado com impostos e transfe-rências na valorização do profissional da educação e na manutenção e desenvolvimento do ensino. Por isso, o recurso do Fundeb destina-se a: :: pagamento dos profissionais do magistério em efetivo exercício (professores, diretores de escolas e profis- sionais que exercem cargo/função de planejamento, inspeção, supervisão, orientação educacional e coor- denação peda-gógica), utilizando-se, anualmente, pelo menos 60% dos recursos do fundo; :: despesas de “manutenção e desenvolvimento da educa-ção básica”, utilizando-se 40% dos recursos do fundo. Lembra-se do art. 70 da LDB? 2. Como é distribuído o recurso do Fundeb? A distribuição é proporcional ao número de matrículas na educação básica das respectivas redes do ensino público. Mas é importante lembrar que, em relação aos municípios, são consideradas as matrículas do ensino fundamental e infantil e, em relação aos estados, as matrículas do ensino fundamental e médio. Isso porque é observada a responsa-bilidade de cada governo no atendimento. Assim, a manu-tenção do aluno na escola assegura um valor per capita anual para o estado ou município que o atende. Módulo de Competências Básicas 56
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    3. Como écalculado o valor por aluno/ano? Como o fundo é de âmbito estadual (não há comunicação entre fundos de estados diferentes), o valor é calculado por estado, de forma que temos 27 valores diferentes, por aluno. Além disso, é importante esclarecer que são calculados 21 valores per capita diferentes, sendo que as diferenças são definidas por fatores de ponderação. Na tabela a seguir, estão os 21 desdobramentos da educação básica e res-pectivos fatores de ponderação aplicáveis: Fatores de ponderação Segmentos da educação básica considerados aplicáveis em 2009 Creche pública em tempo integral 1,10 Creche pública em tempo parcial 0,80 Pré-escola publica em tempo integral 1,20 Pré-escola pública em tempo parcial 1,00 Anos iniciais do ensino fundamental urbano 1,00 Anos iniciais do ensino fundamental no campo 1,05 Anos finais do ensino fundamental urbano 1,10 Anos finais do ensino fundamental no campo 1,15 Ensino fundamental em tempo integral 1,25 Ensino médio urbano 1,20 Ensino médio no campo 1,25 Ensino médio em tempo integral 1,30 Financiamento da educação básica Ensino médio integrado à educação profissional 1,30 Educação especial 1,20 Educação indígena e quilombola 1,20 Educação de jovens e adultos, com avaliação no processo 0,80 Educação de jovens e adultos integrados à educação profissional de nível médio, com avaliação no processo 1,00 Creche conveniada em tempo integral 0,95 Creche conveniada em tempo parcial 0,80 Pré-escola conveniada em tempo integral 1,20 Pré-escola conveniada em tempo parcial 1,00 57
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    Além de utilizarfatores de ponderação, é importante des-tacar que os alunos da educação básica são considerados na distribuição dos recursos do Fundeb em proporções diferentes. No primeiro ano (2007), foram considerados todos os alunos do ensino fundamental (os mesmos que eram con-siderados no Fundef ) e 1/3 dos alunos da educação infantil, do ensino médio e da educação de jovens e adultos. No segundo ano (2008), os alunos do ensino fun-damental continuam sendo considerados integralmente, e estão sendo considerados 2/3 dos alunos da educação infantil, do ensino médio e da educação de jovens e adultos. Do terceiro ano (2009) em diante, serão considerados todos, integralmente. O quadro abaixo resume essa regra. de 2009 em Alunos considerados 2007 2008 diante Alunos do ensino fundamental 3/3 3/3 3/3 Alunos da educação infantil, do ensino médio e da educação de 1/3 2/3 3/3 jovens e adultos Assim, o cálculo é realizado por estado, adotando-se a fórmula específica, conforme exemplo hipoté- tico no quadro abaixo, para o exercício de 2010. Módulo de Competências Básicas Montante anual da receita (base de cálculo): do ICMS, FPM, FPE, IPIexp e LC 87/96 .......................... = R$ 5.300.000.000,00 do IPVA, ITR e ITCMD .......................................................... = R$ 950.000.000,00 Total da receita no estado ................................................ = R$ 6.250.000.000,00 Cálculo dos recursos do Fundeb: 20% de R$ 6.250.000.000,00................................................ = R$ 1.250.000.000,00 6,66% de R$ 450.000.000,00 ............................................. = R$ 1.250.000.000,00 58
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    Tendo-se calculado osrecursos, multiplica-se o número de alunos da educação básica do ano anterior pelos fatores de ponderação aplicáveis. No quadro abaixo, é realizada essa operação para o número de alunos do estado hipotético do nosso exemplo: Fatores de pon- Número de alunos Número de alu- Segmentos da educação básica considerados deração (2009) matriculados no esta- nos ponderado aplicáveis (a) do em 2008 (b) (a) x (b) Creche públicas em tempo integral 1,10 3.150 3.465,00 Creche pública em tempo parcial 0,80 16.528 13.222,40 Pré-escola pública em tempo integral 1,20 4.137 4.964,40 Pré-escola pública em tempo parcial 1,00 36.975 36.975,00 Anos iniciais do ensino fundamental urbano 1,00 186.770 186.770,00 Anos iniciais do ensino fundamental no campo 1,05 4.750 4.987,50 Anos finais do ensino fundamental urbano 1,10 164.031 180.434,10 Anos finais do ensino fundamental no campo 1,15 788 906,20 Ensino fundamental em tempo integral 1,25 738 922,50 Ensino médio urbano 1,20 98.593 118.311,60 Ensino médio no campo 1,25 444 555,00 Ensino médio em tempo integral 1,30 407 529,10 Ensino médio integrado à educação profissional 1,30 23.507 30.559,10 Educação especial 1,20 3.203 3.843,60 Financiamento da educação básica Educação indígena e quilombola 1,20 4.338 5.205,60 Educação de jovens e adultos, com avaliação no processo 0,80 40.726 32.580,80 Educação de jovens e adultos integrados à educação profissio- 1,00 23.507 23.507,00 nal de nível médio, com avaliação no processo Creche conveniada em tempo integral 0,95 17 16,15 Creche conveniada em tempo parcial 0,80 50 40,00 Pré-escola conveniada em tempo integral 1,20 57 68,40 Pré-escola conveniada em tempo parcial 1,00 150 150,00 Total de alunos no estado hipotético 612.866 648.013,45 59
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    Valor por aluno/ano :: Os anos iniciais do ensino fundamental urbano são os “anos de referência”, razão pela qual têm fator de ponderação 1,00. Em relação a eles é que se calcula o valor por aluno/ano, da seguinte maneira: A receita do FUNDEB, no estado, é dividida pelo número total de alunos ponderado do estado, ou seja: Valor aluno/ano = R$ R$ 1.250.000.000,00 ÷ 648.013,45 = R$ 1.928,97. Agora, para determinar o valor aluno/ano para cada desdobramento da educação básica, basta multi- plicar esse valor referencial pelo fator de ponderação, de acordo com a tabela abaixo: Creche pública em tempo integral 1,10 1.928,97 2.121,87 Creche pública em tempo parcial 0,80 1.928,97 1.543,18 Pré-escola pública em tempo integral 1,20 1.928,97 2.314,76 Pré-escola pública em tempo parcial 1,00 1.928,97 1.928,97 Anos iniciais do ensino fundamental urbano 1,00 1.928,97 1.928,97 Anos iniciais do ensino fundamental no campo 1,05 1.928,97 2.025,42 Anos finais do ensino fundamental urbano 1,10 1.928,97 2.121,87 Anos finais do ensino fundamental no campo 1,15 1.928,97 2.218,32 Ensino fundamental em tempo integral 1,25 1.928,97 2.411,21 Ensino médio urbano 1,20 1.928,97 2.314,76 Ensino médio no campo 1,25 1.928,97 2.411,21 Ensino médio em tempo integral 1,30 1.928,97 2.507,66 Módulo de Competências Básicas Ensino médio integrado à educação profissional 1,30 1.928,97 2.507,66 Educação especial 1,20 1.928,97 2.314,76 Educação indígena e quilombola 1,20 1.928,97 2.314,76 Educação de jovens e adultos, com avaliação no processo 0,80 1.928,97 1.543,18 Educação de jovens e adultos integrados à educação profissio- 1,00 1.928,97 1.928,97 nal de nível médio, com avaliação no processo Creche conveniada em tempo integral 0,95 1.928,97 1.832,52 Creche conveniada em tempo parcial 0,80 1.928,97 1.543,18 Pré-escola conveniada em tempo integral 1,20 1.928,97 2.314,76 Pré-escola conveniada em tempo parcial 1,00 1.928,97 1.928,97 60
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    Censo Escolar 5. Além dos fatores de ponderação e do valor por alu- O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais no/ano diferenciado, há algum outro parâmetro que é Anísio Teixeira (Inep/MEC), em parceria com as secretarias considerado nos repasses dos recursos do Fundeb? estaduais e municipais de educação, coleta anualmente Sim. No Fundeb continuam garantidos, em relação ao informações sobre a educação básica: número de matrículas, ensino fundamental, os valores mínimos nacionais e os professores, diretores, infraestrutura, atividades na comuni- valores por aluno/ano em cada estado, praticados no último dade, entidades representativas (alunos, pais e professores) ano do Fundef (2006). Vale dizer que, entre o valor calculado etc. É uma pesquisa declaratória respondida pelo diretor ou para o Fundeb e o valor praticado no Fundef de 2006, preva- responsável de cada estabelecimento escolar, público e pri- lece o maior, tanto para o valor mínimo quanto para o valor vado do país (mais de 200 mil, no total). por aluno de cada estado. Os programas do FNDE utilizam-se desses dados para o Outra regra importante está relacionada à educação de repasse de recursos. jovens e adultos. Para esse segmento da educação básica, é permitido o comprometimento máximo de 10% do fundo em cada estado. Com isso, caso o número de alunos da EJA 4. Como é definido o valor mínimo nacional por aluno/ multiplicado pelo respectivo valor por aluno/ano seja supe- ano? rior a 10%, os recursos repassados não ultrapassarão esse O valor mínimo nacional resulta do inter-relacionamento limite. das seguintes variáveis: 6. Mas a arrecadação e o número de matrículas são :: receita total do fundo, proveniente da contribuição do diferentes de um estado para outro. O tratamento é governo estadual e dos governos municipais, em cada igual? estado, e total nacional; Como há arrecadações diferentes devido às diferenças e Financiamento da educação básica :: recursos da complementação da União; desigualdades regionais, o financiamento por aluno varia entre os estados e entre as regiões. Assim, em 2009, no Mara- :: número de alunos matriculados no ano anterior (observa- nhão o valor por aluno/ano foi de R$ 1.350,09, enquanto o de da a escala); Roraima foi de R$ 2.890,08. :: fatores de ponderação aplicáveis. Os estados que não alcançam o valor mínimo nacional Para 2010, o valor mínimo nacional, calculado para as recebem, então, uma complementação da União. séries iniciais do ensino fundamental urbano, foi de R$ R$ 1.415,97. A partir desse valor, calculam-se os valores para os demais segmentos. 61
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    7. E oque acontece quando o valor por aluno/ano no de vigência, o objetivo é atender 46 milhões de alunos, com estado for maior do que o valor mínimo nacional? investimentos públicos anuais da ordem de R$ 65,2 bilhões, Se o per capita do estado for maior, prevalece esse valor, dos quais R$ 6,5 bilhões são provenientes da União, respon- ou seja, em tal estado, não haverá necessidade de recursos sável também por complementar os recursos quando o valor federais para complementação. anual por aluno, nos estados e no Distrito Federal, não alcan- çar o mínimo nacional. 8. Você sabe qual é o valor mínimo estabelecido para este ano? E qual é o “valor” por aluno em seu estado? Fique atento! Ademais, sabe se a sua prefeitura recebe mensalmente esse recurso do Fundeb? Qual é a quantia? O dinheiro do Fundeb é significativo. Para 2010, a previsão é de que o fundo contará com R$ 91.405.234.380,23, sen- É importante que você se informe sobre os recursos des- do R$ 83,095 bilhões da contribuição de estados e municí- tinados à educação que chegam ao seu município. No sítio pios e R$ 8,309 bilhões de complementação federal. do FNDE, www.fnde.gov.br, são disponibilizadas informa- ções sobre todos os repasses realizados a todos os estados e municípios brasileiros. 9. Como são aplicados os recursos do Fundeb? Os recursos do fundo devem ser aplicados nos segmentos Atividade 6 da educação básica que competem ao ente governamen- tal atuar. Ou seja, os municípios devem aplicá-los no ensino Hora de ir novamente ao caderno de atividades para testar infantil e fundamental; os estados, no ensino fundamental e o seu aprendizado! Realize as atividades 6a, 6b, 6c e 6d. Em médio. No Distrito Federal, por ser o responsável por todos seguida, retome seu caderno de estudo para concluir esta os segmentos da educação básica, a aplicação alcança os unidade e rumar para a próxima. Módulo de Competências Básicas três segmentos (infantil, fundamental e médio). Pelo menos 60% dos recursos do Fundeb, inclusive os de complementação da União, serão destinados ao pagamen- E como ocorre o controle social sobre to da remuneração dos profissionais do magistério em efe- esses recursos? tivo exercício na educação básica. O restante dos recursos será utilizado em outras despesas relativas à manutenção e desenvolvimento do ensino na educação básica. É esse o nosso objeto de estudo da unidade IV. Com duração de 14 anos (2007-2020), o Fundeb será implantado de forma gradativa. Até chegar ao quarto ano 62
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    Unidade III emsíntese Nesta unidade, estudamos como a Constituição Federal e as legislações federal, estadual e municipal, nesses últimos anos, sob pressão da sociedade, dos movimentos organizados e das entidades educa- tivas, vêm ampliando os recursos financeiros destinados à educação escolar, sobretudo na educação básica pública. Isso não representa ainda tudo aquilo de que o país necessita, mas não podemos negar os avanços significativos. Apontamos as fontes desses recursos e o percentual destinado à educação escolar e a cada esfera de governo. Finalmente, detivemo-nos um pouco mais sobre o Fundeb, por constituir o mais impor- tante mecanismo de financiamento da educação pública brasileira e um marco histórico nas políticas sociais voltadas para a educação. Você sabe que há dinheiro disponibilizado para a educação, mas, infelizmente, esse nem sempre chega ao destino pretendido, ou não é bem aplicado. Por isso, o governo federal conta com você: com sua participação, por exemplo, no conselho do Fun- deb, ou em outros conselhos que têm como função acompanhar e fazer o controle social dos recursos destinados à educação para que eles realmente produzam o efeito desejado. A melhoria da qualidade da educação em seu município e no Brasil, possibilitando a milhões de pessoas a construção de sua cidadania: esse é o objetivo que precisamos alcançar, e sua parti- cipação é fundamental nesse processo. Há um lindo poema de João Cabral de Melo Neto, que talvez você conheça, mas que vale a pena ler- Financiamento da educação básica mos para refletirmos um pouco. 63
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    Tecendo a manhã Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tendo, onde entrem todos, se entretendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balcão. (João Cabral de Melo Neto. Poesias Completas. 4ª edição. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986). Módulo de Competências Básicas Solte sua voz, seu grito, dizendo o que você compreendeu do tecido complexo da nossa realidade, da teia das atuais políticas sociais e educacionais. Certamente, outras vozes irão se juntar, outros gritarão com você e juntos faremos um novo amanhecer para o seu município, para o nosso país, para milhões de cidadãos que frequentam nossas escolas públicas. Um dos objetivos das políticas educacionais do governo é atenuar as desigualdades existentes também no âmbito do sistema educacional, dos serviços oferecidos, da qualidade da educação. Se desejar aprofundar mais ainda seus conhecimentos, leia a bibliografia sugerida ao final do módulo, no tópico “Nossa conversa não se encerra aqui”. 64
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    Unidade IV O controlesocial no âmbito das políticas públicas para a educação
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    Unidade IV O controlesocial no âmbito das políticas públicas para a educação Nesta quarta unidade, abordaremos o acompanhamento e o controle social em relação às políticas públicas educacionais. Esse é um tema muito importante, porque trata diretamente de questões relacionadas com sua atuação como cidadão. Além disso, o FNDE coloca o acompanhamento e controle social como um dos objetivos a serem alcançados em seus programas, visando à transparência e ao uso social dos recursos aplicados. Você consegue imaginar o quanto o acompanhamento e o controle social estão ligados à participação política? Qual é a vinculação existente entre controle social e os conselhos formados para acompanhar a execução dos programas e ações públicas? Como ocorre o controle social dos programas do FNDE? O controle social no âmbito das políticas públicas para Gostaríamos que você, durante a leitura desta unidade, buscasse respostas a essas perguntas e socializasse suas refexões com colegas de trabalho e do curso. Ao final da leitura desta unidade, esperamos que você seja capaz de: :: definir controle social; :: descrever o papel dos conselhos no controle social; :: conhecer os diferentes conselhos no âmbito dos programas do FNDE. 1. Entendendo controle social Então, vamos começar definindo o que é acompanhamento e controle social, expressão que possui um conceito muito amplo. a educação Inicialmente, para uma maior compreensão, vamos buscar significados para as palavras acompa- nhamento, controle e social, separadamente. Acreditamos que, para entender uma palavra, devemos começar por buscar seu significado em um dicionário. Foi o que fizemos. 67
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    No dicionário Aurélio,com relação à palavra “acompanha- O sábio escreveu algo num pedaço de papel, colocou dentro mento”, encontramos a ideia de “observar a marcha, a evolu- de uma pequena caixa e disse ao granjeiro que três vezes ao dia ção de”. Quanto a “controle”, deparamo-nos com a seguinte desse uma volta por toda a granja com a caixa, sem abri-la. definição: “fiscalização exercida sobre as atividades de pes- O granjeiro obedeceu. Pela manhã, ao passar pela granja, encon- soas, órgãos, departamentos, produtos etc., para que tais trou um empregado ainda dormindo. Após acordá-lo, deu uma atividades ou produtos não se desviem das normas pré- bronca. Pela tarde, encontrou as galinhas famintas, sem alimen- estabelecidas”. Finalmente, a palavra “social” quer dizer: tação. Chamou a atenção do encarregado pelo serviço. À noite, “próprio dos sócios de uma sociedade, comunidade ou agre- ao passar pela cozinha, viu o cozinheiro desperdiçando alimen- miação”. tos e o repreendeu. Para que você entenda melhor a extensão e a importância Assim, todos os dias, ao dar a volta pela granja, levando consigo da expressão “acompanhamento e controle social”, vamos a caixa misteriosa, sempre encontrava algo a ser corrigido. pensar no seguinte: quando você acompanha alguém, você Ao final do ano, constatou uma melhoria na sua granja. Foi vai junto, ficando em sua companhia, não é mesmo? Ao então ao sábio e pediu para ficar com a caixa por mais um ano, acompanhar alguém, você passa a fazer parte da caminhada, pois lhe havia trazido sorte. seguindo com atenção os passos do companheiro. O sábio, então, sorriu e disse que ele não precisava mais da cai- Quando alguém está cantando, os músicos fazem o xa, pois não precisava mais daquele amuleto da sorte. Abriu a “acompanhamento”. Imagine se cada músico resolvesse tocar caixa e deu o papel para que o granjeiro o lesse. Estava escrito: com tonalidades ou ritmos diferentes? Seria um desastre! Se quer que as coisas melhorem, acompanhe-as de perto! Pois o acompanhamento exige trabalho coletivo “afinado”, além do envolvimento das pessoas. E agora, você já entendeu a relação entre “acompanha- mento” e “controle social”? Bem, quando você acompanha a execução das ações e Módulo de Competências Básicas programas do governo, está efetuando o controle social. A E qual é a relação entre definição técnica para controle social é a seguinte: “acompanhamento” e “controle social”? Trata-se da participação da sociedade no acompanhamento e verificação da execução das políticas públicas, avaliando objetivos, processos e resultados. De maneira simplificada, podemos considerar que é a Para entender isso, leia esta pequena história. ação fiscalizadora, exercida pelos sócios (participantes) de O proprietário de uma pequena granja, diante do seu baixo uma comunidade. ren-dimento, procurou um sábio que lhe dissesse o que fazer. 68
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    Agora que vocêjá entendeu o conceito, que tal buscarmos pela LDB, em 1996, e pelo Plano Nacional de Educação, em as origens desse fenômeno social? 2001. Segundo Bobbio, Mateucci e Pasquino, importantes A partir desses marcos, diversos mecanismos de cientistas políticos italianos, autores do Dicionário de Política participação têm sido implementados e consolidados (1991), “acompanhamento e controle social” é um conceito pela sociedade civil e na administração pública, tais como que está presente, mesmo que indiretamente, em obras conselhos, conferências, fóruns, orçamentos participativos, clássicas da filosofia política, escritas há muitos anos, que plebiscitos, iniciativas populars de leis e referendos. abordam os temas de Estado, poder e a relação entre o agir Pesquisas e estudos realizados no Brasil apontam para o individual e o coletivo, entre outros. fato de o controle social sobre as ações do governo federal A História relata inúmeros movimentos sociais que se ser um caminho trilhado por um número cada vez maior espalharam pela Europa e América, a partir do final do de organizações da sociedade civil. É o resultado também século XVII, defendendo ideias de igualdade, democracia da implementação de políticas públicas que têm como participativa e controle do Estado, bases das atuais objetivo a descentralização do poder de decisão sobre os democracias contemporâneas. recursos a serem utilizados na prestação de serviços sociais, E quanto ao Brasil, você sabe dizer quando a sociedade principalmente no setor da educação. O controle social no âmbito das políticas públicas para passou a participar mais intensamente das decisões? Assim, construímos, cada dia mais, uma democracia na qual Ao avaliarmos a história de nosso país, percebemos que, todos se transformam em sujeitos conscientes, que lutam após a Independência, ocorrida em 1822, passamos por pelos seus direitos legais, tentam ampliá-los e acompanham vários momentos políticos, incluindo períodos ditatoriais, e controlam socialmente a execução de programas, projetos nos quais aprendemos o valor de lutar pela reconquista e e ações que concretizam esses direitos. pela garantia da democracia. Após o regime militar (1964- Um novo cidadão está surgindo: um ser político, capaz 1984), com a promulgação da Constituição Federal de de, como dizia Paulo Freire, questionar, criticar, reivindicar, 1988, adotou-se no país uma perspectiva de democracia participar, ser militante e engajado, contribuindo para a representativa e participativa, incorporando a participação transformação de uma ordem social injusta e excludente. da comunidade na gestão das políticas públicas. CF/1988, art. 1º, parágrafo único: “Todo poder emana do povo, que o exerce indiretamente, por representantes eleitos, ou diretamente, nos termos desta Constituição”. a educação A gestão participativa, portanto, é uma experiência relativamente nova em nosso país, tendo chegado ao ensino público com a proposta da gestão democrática, confirmada 69
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    ou deliberativas, reunindo-separa avaliar, julgar, planejar, Fique atento! decidir etc. Ademais, os conselhos são, no caso tratado por O controle social é um direito do cidadão brasileiro, con- nós, uma forma de os cidadãos reconquistarem a soberania quistado na Constituição Federal de 1988. Ou seja, é o popular na gestão do bem público. direito da participação da sociedade no acompanhamen- to e verificação da gestão dos recursos públicos emprega- E o que são os conselhos dos nas políticas públicas. gestores das políticas públicas? Atividade 7 Reflita um pouco sobre o que acabou de ler e, em seguida, Conselhos gestores de políticas públicas realize a atividade 7 proposta no seu caderno de ativida- São espaços públicos de composição plural e paritária entre des. Estado e sociedade civil, de natureza deliberativa e consul- tiva, cuja função é formular e controlar a execução das po- 2. O papel dos conselhos no controle social líticas públicas setoriais. Os conselhos são o principal canal Agora que você já sabe o que é acompanhamento constitucional de participação popular encontrado nas três e controle social, vamos tratar especificamente de um instâncias de governo (federal, esta-dual e municipal). dos mecanismos de controle social mais importantes: os conselhos gestores de políticas públicas. O que isso significa? Na verdade, esses conselhos são espaços públicos porque Módulo de Competências Básicas Mas o que é um “conselho”? constituem uma arena de debate e discussão na construção de acordos e na elaboração de políticas públicas. É o espaço no qual ocorrem a explicitação dos diversos interesses, o reconhecimento da existência de diferenças e da legitimidade Em qualquer dicionário que você for consultar, encontrará do confito e a troca de ideias como procedimento de significados que apontam para uma reunião de cidadãos, tomada de decisões sobre elaboração, acompanhamento, sob a presidência de um de seus membros, que deliberam fiscalização e avaliação das políticas públicas. sobre questões específicas, relacionadas aos interesses de Observe as principais características dos conselhos gestores pessoas ou grupos que eles representam. Em outras palavras, de políticas públicas: é um grupo de representantes com funções consultivas e/ 70
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    a. formação plural:permite a participação de pessoas de conselhos tutelares e de direitos da criança e do adolescente, qualquer crença religiosa, etnia, filiação partidária, convic- conselhos de acompanhamento e controle social do Fundo ção filosófica, contando, assim, com a representação dos de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e vários atores que constituem a sociedade brasileira; de Valorização do Magistério (Fundef ) e conselhos escolares. b. representação do Estado e da sociedade civil: os conse- Esses conselhos, instituídos de norte a sul em nosso país, lhos devem ser compostos por conselheiros, representan- apresentam características bem diferenciadas no que tange à tes do Estado e da sociedade civil; natureza, papel, funções, atribuições, composição, estrutura c. natureza deliberativa: capacidade própria de decidir e regimento. sobre a formulação, controle, fiscalização, supervisão e No entanto, vale ressaltar que a constituição e a efetiva avaliação das políticas públicas, inclusive nos assuntos atuação dos conselhos possibilitam a participação da referentes à definição e aplicação do orçamento, como sociedade no interior do próprio Estado. instituição máxima de decisão; d. natureza consultiva: seu caráter de assessoramento é exercido por meio de pareceres aprovados pelos mem- Afinal, qual é o papel dos conselhos e bros, respondendo a consultas do governo e da socieda- quais são seus principais desafios? O controle social no âmbito das políticas públicas para de; e. função fiscalizadora: competência para fiscalizar o cum- primento das normas e a legalidade de ações; Esses conselhos devem promover o reordenamento das f. função mobilizadora: é a que situa o conselho numa ação políticas públicas adotadas no Brasil, rumo à sua eficácia, efetiva de mediação entre o governo e a sociedade. eficiência e efetividade, podendo realizar diagnósticos, Contra o autoritarismo, a corrupção e o corporativismo construir proposições, fazer denúncias de questões que dos tradicionais mecanismos de luta popular (partidos, corrompem o sentido e o significado do caráter público das sindicatos, associações etc.), os movimentos sociais das políticas, entre outros. décadas de 1970 e 1980 reivindicavam espaços de controle Representam, assim, o rompimento do distanciamento social das políticas públicas por meio da criação de entre a participação popular e a esfera em que ocorrem as conselhos em diversas áreas, configurando-os em espaços tomadas de decisões. Além disso, contribuem para: de articulação entre governo e sociedade. :: superar a fragilidade de organização da sociedade civil a educação A década de 1990 presenciou uma verdadeira explosão de brasileira, uma vez que não se pode negar o passado criação de conselhos em todo o Brasil, que culminou com a auto-ritário de nossa história; obrigatoriedade da implementação dos conselhos de saúde, :: superar a pouca capacitação técnica e política dos agen- 71
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    tes sociais paraa negociação e proposição de políticas 3.1. Conselho de Acompanhamento e Controle Social públicas; (Cacs) :: buscar a transparência das gestões governamentais; O art. 24 da lei do Fundeb (Lei nº 11.494, de 20 de junho de :: estabelecer parcerias com a sociedade; 2007) estabelece que o acompanhamento e o controle social sobre a repartição, a transferência e a aplicação dos recursos :: lutar pela democratização do Estado e sociedade, buscan- do fundo serão exercidos, junto aos respectivos governos, do a co-gestão das políticas públicas. no âmbito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos O governo federal, por intermédio do Ministério da municípios, por conselhos instituídos especificamente para Educação e do FNDE, vem estimulando a organização esse fm. Os conselhos devem ser criados por legislação da sociedade civil e sua participação no planejamento, específica, editada no pertinente âmbito governamental. acompanhamento e avaliação das políticas públicas Para que esse montante de recursos do fundo realmente educacionais locais. Em lugares remotos do Brasil, os chegue ao destino pretendido, são estabelecidos prazos, programas do FNDE propiciaram o exercício e a experiência depósitos automáticos em contas específicas e a criação dos de gestão democrática e participativa para muitos cidadãos Cacs, a serem instituídos no âmbito da União, do estado e do brasileiros. município. No município, esse conselho é composto por nove Atividade 8 membros, no mínimo, sendo: :: dois representantes do poder executivo municipal, dos Ficou claro para você quais são as funções e característi- quais pelo menos um da secretaria municipal de educa- cas dos conselhos? Confira realizando o exercício 8 do seu ção ou órgão equivalente; caderno de atividades. :: um representante dos professores e um representante Módulo de Competências Básicas 3. Controle social das ações e programas do FNDE dos diretores das escolas públicas do ensino fundamen- tal; Você sabia que os programas educacionais do FNDE con- :: um representante dos servidores das escolas públicas do tam com estruturas que viabilizam a participação social? ensino fundamental; :: dois representantes dos pais de alunos da educação bási- Pois bem, vamos falar sobre essas estruturas. São elas: os ca pública; conselhos do Fundeb, os conselhos de alimentação escolar e :: dois representantes dos estudantes da educação básica as unidades executoras próprias das escolas. pública, um dos quais é indicado pela entidade de estu- dantes secundaristas; 72
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    :: um representantedo conselho municipal de educação, somente do Fundeb, mas também dos recursos destinados caso ele exista; ao Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar :: um representante do conselho tutelar, se houver. (Pnate). Para realizar sua função, ele busca informações e dados junto ao executivo local e outros órgãos competentes, Esse conselho não tem estrutura administrativa analisando a prestação de contas que o ente executor (nesse própria e seus membros não recebem qualquer espécie caso, a prefeitura) lhe envia. de remuneração pela participação no colegiado, seja em reunião ordinária ou extraordinária. Suas atividades são consideradas de “relevante interesse social”, e o mandato Fique atento! terá a duração de, no máximo, dois anos (lei do Fundeb, nº Se você é conselheiro, para obter o extrato da prestação 11.494, parágrafos 8o e 11). de contas, basta procurar o gerente da agência do Banco Cabe a cada setor ou categoria representada no conselho do Brasil onde é mantida a conta Fundeb, com documento indicar, de acordo com suas normas, o representante que de identificação que comprove sua condição de represen- atuará nel. tante. Na internet, também estão disponíveis os dados sobre os E qual a principal função valores repassados, na página do Fundeb. O controle social no âmbito das políticas públicas para desse conselho? SSe você não faz parte do conselho, procure as pessoas A função do Cacs é o acompanhamento e o controle social que participam ativamente dele. Converse com elas para sobre a repartição, a transferência e a aplicação dos recursos conhecer melhor o que ele realiza e vá à próxima reunião do Fundeb. para acompanhar o que se discute. Certamente, você irá compreender melhor o papel desse conselho na execução Por isso, quem compõe esse conselho, representando o das políticas no campo da educação. No sítio do Fundeb segmento ou o setor no qual atua, tem responsabilidade (www.fnde.gov.br), você encontra os nomes de todos os social importante e papel político fundamental para conselheiros, em cada município da federação, com endereço que os recursos destinados à educação sejam aplicados e telefone, para possíveis contatos. adequadamente, beneficiando os alunos em sua formação. Agora, mais uma questão merece ser tratada: o que fazer Como determina o parágrafo 13 do Art. 24 da lei do em caso de irregularidades? a educação Fundeb (Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007), esse conselho é responsável pelo acompanhamento e controle social não Se você sabe de alguma irregularidade no cumprimento da legislação do Fundeb, o Ministério da Educação recomenda 73
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    a seguinte seqüênciade providências: se faça uma avaliação dos trabalhos. Não fique somente a. Procure, primeiramente, os membros do Conselho de reclamando. Tome iniciativa e exerça seu direito de cidadão! Acompanhamento e Controle Social do Fundeb, bem como 3.2. O Conselho de Alimentação Escolar (CAE) os governantes do estado ou município, para alertá-los for O processo de descentralização dos recursos financeiros malmente sobre as impropriedades ou irregularidades pra- para o Programa Nacional de Alimentação Escolar ticadas, solicitando correções. (PNAE), iniciado em 1994, foi acompanhado da criação b. Em seguida, se necessário, procure os representantes do de um mecanismo de controle social que permitisse o poder legislativo, para que estes, pela via da negociação aprimoramento da gestão do programa nas secretarias ou adoção de providências formais, possam buscar a municipais e estaduais de educação. solução junto ao governante responsável. O Conselho de Alimentação Escolar (CAE) é um órgão c. Por fim, se necessário, recorra ao Ministério Público, for- colegiado deliberativo de controle social desse programa. Sua malizando denúncias sobre as irregularidades praticadas, principal finalidade é o acompanhamento e assessoramento para que a promotoria de justiça promova a ação compe- às entidades executoras do PNAE nas aplicações dos recursos tente no sentido de obrigar o poder executivo a cumprir as financeiros transferidos pelo governo federal. determinações contidas na lei do Fundeb. Observação: o ato de criação, a composição, as atribuições, O MEC recomenda também o encaminhamento dessas o regimento interno e a atuação do CAE na execução do denúncias ao Tribunal de Contas do município ou do estado. PNAE serão debatidos em módulo específico do Programa Mas preste atenção: quaisquer formalizações de denúncias, Formação pela Escola. inclusive sobre utilização de recursos de forma diversa 3.3. Os conselhos escolares da prevista na legislação, deverão ser fundamentadas de A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no seu art. 15, maneira objetiva e clara, apontando o problema de forma Módulo de Competências Básicas define que: direta e específica (evitando colocações genéricas). Deve-se juntar, ainda, provas disponíveis (como cópias autenticadas Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares de documentos, de atos ou medidas administrativas públicas de educação básica que o integram progressivos eventualmente praticadas etc.) que possam caracterizar graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão a impropriedade ou irregularidade apontada, de forma a financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro permitir a ação do Ministério Público, Tribunal de Contas ou público. de outro órgão de controle. A inclusão desse artigo na lei que rege a educação Se você não estiver satisfeito com o trabalho que o Cacs escolar brasileira não foi simples acaso. Estudos e pesquisas vem desenvolvendo em seu município, reúna mais pessoas realizados no Brasil indicam que as escolas que exercem insatisfeitas e solicite uma reunião do conselho para que controle direto sobre seus recursos apresentam, em geral, 74
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    melhores resultados escolares. Unidade Executora (UEx) Nesse sentido, o Ministério da Educação e diversas Trata-se de uma denominação genérica utilizada pelo secretarias de educação vêm adotando políticas de repasse MEC para referir-se a diversos órgãos representativos da direto dos recursos às escolas, partindo da premissa de que comunidade escolar, encontrados em todo o território os diretores, professores e a comunidade escolar estão em nacional. melhores condições para definir as necessidades de sua Independentemente da nomenclatura adotada, o escola. Essa política possibilita agilidade nos processos e importante é que tanto a autonomia pedagógica quanto a utilização mais eficiente dos recursos. administrativo-financeira sejam asseguradas a todas as escolas públicas de educação básica, por meio desses espaços de Fique atento! participação popular. O maior exemplo desse tipo de política pública é o Portanto, faz parte dos nossos direitos participar de Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que repas- conselhos para exercitar o controle social dos recursos sa recursos para manutenção e desenvolvimento do públicos destinados à comunidade local e escolar. O FNDE, ensino para todas as escolas públicas do ensino funda- por meio de seus programas, tem buscado despertar essa consciência cívica, esperando que a comunidade não O controle social no âmbito das políticas públicas para mental (estaduais e municipais). Lembre-se de que, no Formação pela Escola, será oferecido um módulo espe- somente faça o acompanhamento da prestação de contas, cífico sobre o PDDE. Nele você poderá ter informações mas, sobretudo, participe de todo o processo de tomada de detalhadas sobre o acompanhamento que as UEx reali- decisões e de gestão dos recursos públicos. zam no processo de execução. Você pode perceber que, nos três exemplos de conselhos citados, o controle social é possível quando os cidadãos No sentido de apoiar a progressiva autonomia das escolas, deixam de ser “espectadores” para assumir a sua participação as secretarias de educação estaduais, distrital e municipais social, ou seja, quando os sujeitos se tornam atuantes na vêm promovendo, em parceria com as escolas, a organização sociedade, capazes de orientar e fiscalizar as ações do Estado. de colegiados ou órgãos deliberativos das mais diversas na- turezas e formas. Em diferentes estados do Brasil, essas or- ganizações são conhecidas por diversas nomenclaturas, tais como: caixa escolar, cooperativa escolar, associação de pais e professores, associação de pais e mestres ou círculo de pais e a educação mestres. 75
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    Atividade 9 Agora vá ao seu caderno de atividades e realize a atividade 9 para concluir o estudo desta unidade. Pois bem, você já estudou sobre as políticas públicas, especificamente as da área de educação, e o financiamento e o controle social sobre elas. Falta agora conhecer alguns dos diversos programas que as concretizam a partir dos recursos oriundos das diferentes fontes citadas no conteúdo de estudo. Então, para fechar o módulo com chave de ouro, na próxima unidade vamos tratar dos principais programas desenvolvidos e executados pelo FNDE. Unidade IV em síntese Esta unidade assume um significado especial por tratar de um tema importante ao FNDE e por propi- ciar a refexão sobre nosso papel de cidadãos na definição dos rumos de nosso país, mediante a partici- pação e envolvimento em programas e ações no campo da educação. Estudamos que acompanhamento e controle social significam a participação da sociedade no acom- panhamento e verificação da gestão dos recursos federais empregados nas políticas públicas por meio de mecanismos que propiciem transparência. Daí a importância dos conselhos, fruto das lutas dos movimentos sociais, que têm como função principal zelar pela efetividade das políticas públicas sociais. Entre eles, demos destaque aos conselhos que fazem o acompanhamento e o controle social dos pro- gramas do FNDE: o Cacs/Fundeb, o CAE e os conselhos escolares. Módulo de Competências Básicas 76
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    Unidade V Os programasdo FNDE As políticas educacionais se concretizam e se tornam visíveis mediante a implementação de programas e ações específicas e com recursos vindos de diferentes fontes, como vimos na unidade anterior. Daí a importância de conhecer essas ações para melhor compreender as políticas no campo social e educacional do governo federal. Nesta unidade, trataremos dos mais significativos entre esses programas, cujas execuções estão sob a responsabilidade do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e que você, provavelmente, conhece muito bem. Será que aquela comunidade descrita no começo do módulo, reunida naquele município, discutindo sobre como dar conta de tantas necessidades no campo da educação, sabia da existência do FNDE, de suas ações e para que servem? Se você estivesse lá, participando da reunião, estaria em condição de falar sobre o FNDE e seus programas? Por isso, o objetivo desta unidade é que você seja capaz de: :: compreender o papel social do FNDE na implementação de políticas públicas para a educação básica; :: apontar os principais programas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Os programas do FNDE 79
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    1. O FundoNacional de Desenvolvimento da Edu- :: Inclusão social – promoção de ações que possibilitem cação (FNDE) a igualdade de condições a todo cidadão para ascender educacionalmente, de modo a contribuir para redução da Em diversos momentos, ao longo do conteúdo deste módulo, o desigualdade social. FNDE foi citado. Mas você conhece o FNDE ou algum dos pro- :: Excelência – buscar a superação constante do desempe- gramas desenvolvidos e executados por essa instituição? Se nho organizacional, vislumbrando primazia em todas as você não os conhece, agora será apresentado a eles; se já tem etapas (desenvolvimento, execução, controle e manuten- algumas noções prévias, certamente haverá alguma informa- ção dos resultados das ações, programas e projetos edu- ção que esta última unidade de estudo possa lhe acrescentar. cacionais). Vamos lá! :: Avaliação permanente – adoção de política constante O FNDE foi criado pela Lei nº 5.537, de 21 de novembro de de aferição qualitativa e quantitativa das ações, projetos 1968, modificada pelo Decreto-Lei nº 872, de 15 de setembro e programas educacionais, visando propiciar subsídios à de 1969. Trata-se de uma autarquia federal vinculada ao atuação institucional. Ministério da Educação. Sua missão é: :: Empreendedorismo – atuação fundamentada na trilo- “Prover recursos e executar ações para o desenvolvimento gia: flexibilidade, inovação e excelência. da educação”. Nesse sentido, o FNDE vem cada vez mais aprimorando A formulação da visão de futuro do FNDE foi consolidada sua atuação, com maior eficiência e com resultados sociais da seguinte forma: significativos. “Educação de qualidade com acesso garantido a todo Para dar conta de sua missão, o FNDE canaliza os recursos cidadão”. financeiros para projetos educacionais que seguem as dire- trizes do MEC, visando garantir educação de qualidade com Módulo de Competências Básicas A instituição tem como valores: acesso a todos. Tem sob sua responsabilidade atualmen- :: Transparência – definição e publicidade tempestiva e te a gestão de inúmeros programas de ações educacionais clara de critérios de atendimento aos públicos-alvo do do Plano Plurianual (PPA), conhecido como Plano Brasil de FNDE, dotando-lhes de informações institucionais que Todos, que é a peça-chave do planejamento social e econô- possibilitem a participação cidadã. mico do atual governo. :: Controle social – fortalecimento da atuação participati- va em todas as esferas administrativas, no que tange ao acompanhamento dos processos de elaboração, execu- ção e controle das ações, projetos e programas educacio- nais de competência da organização, de modo a promo- ver o exercício da cidadania. 80
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    O orçamento doFNDE, em 2006, foi de aproximadamente Plano Plurianual (PPA) R$ 9.975 bilhões, para atender a educação básica pública É um plano que indica e organiza todas as ações a serem (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), com desenvolvidas pelo governo durante determinado perí- seus mais de 55,9 milhões de alunos matriculados em mais de odo. Ex.: PPA 2004-2007 ou PPA 2008-2011. 203,9 mil escolas públicas. Programa Desde 2004, atendendo às prioridades que o governo É o instrumento de organização da atuação governa- vem conferindo à educação, por considerá-la área estratégica mental que articula um conjunto de ações concorrentes para o desenvolvimento do Brasil, o FNDE passou a estender para um objetivo comum pré-estabelecido, mensurado a obrigatoriedade do atendimento a todos os níveis que compõem a educação básica. É importante, então, que você por indicadores, visando à solução de um problema ou conheça um pouco esses programas, não acha? atendimento de determinada necessidade ou demanda da sociedade. Define o que fazer. 2. Programas do FNDE O programa possibilita maior racionalidade e eficiência na administração pública, ampliação da visibilidade dos Aqui, vamos nos limitar a apresentar, de maneira bem resultados e benefícios gerados para a sociedade e ele- resumida, os principais programas que o FNDE desenvolve va a transparência na aplicação dos recursos públicos. para oferecer assistência à educação básica. Não entraremos em detalhes, pois alguns deles serão estudados por você Ação nos módulos específicos deste programa de formação a É o instrumento de realização e execução do programa. distância, o Formação pela Escola. Define como fazer e onde fazer determinada atividade, projeto ou operação especial. O FNDE conta com recursos provenientes do Tesouro Os programas do FNDE Nacional, sendo sua maior fonte a receita de arrecadação da contribuição social do salário-educação. Lembra-se quando falamos dessas contribuições na unidade anterior? 81
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    2.1- Principais programasdo FNDE a) R$ 0,30 para os alunos matriculados na pré-esco- 2.1.1. O Programa Nacional de Alimentação Escolar la, ensino fundamental, ensino médio e educa- (PNAE) ção de jovens e adultos (EJA); Implantado em 1955, garante atualmente, por meio da b) R$ 0,60 para os alunos matriculados em creches; transferência de recursos financeiros, a alimentação escolar c) R$ 0,60 para os alunos matriculados em escolas dos alunos da educação infantil (creches e pré-escola) de educação básica localizadas em áreas indíge- e do ensino fundamental e médio, inclusive das escolas nas e em áreas remanescentes de quilombos; indígenas e quilombolas, matriculados em escolas públicas d) R$ 0,90 para os alunos participantes do Progra- e filantrópicas. ma Mais Educação. Seu objetivo é atender às necessidades nutricionais 2.1.2. Programas do Livro (PLi) dos alunos durante sua permanência em sala de aula, contribuindo para o crescimento, o desenvolvimento, a Desde 1929, quando o governo brasileiro criou o Instituto aprendizagem e o rendimento escolar dos estudantes, bem Nacional do Livro (INL), para legislar sobre a política do livro como para a formação de hábitos alimentares saudáveis. didático, a ação federal nessa área vem se aperfeiçoando, com a finalidade de prover as escolas das redes federal, O PNAE tem caráter suplementar, isto é, trata-se de uma estadual, municipal e do Distrito Federal com obras didáticas, complementação. Cabe aos estados e municípios prover paradidáticas e dicionários de qualidade. Atualmente, essa a alimentação escolar para os alunos de educação infantil, política está consubstanciada em diferentes programas: ensino fundamental e médio; ao governo federal, somente oferecer um acréscimo de recursos a essa política pública. Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) O repasse é feito diretamente aos estados e municípios, Distribui gratuitamente obras didáticas para todos com base no censo escolar realizado no ano anterior ao do os alunos de todas as séries da rede pública de ensino Módulo de Competências Básicas atendimento. O programa é acompanhado e fiscalizado por fundamental. A partir de 2003, as escolas de educação meio do FNDE, do Tribunal de Contas da União (TCU), da especial públicas e as instituições privadas definidas pelo Secretaria Federal de Controle Interno (SFCI) e do Ministério censo escolar como comunitárias e filantrópicas foram Público. Além disso, a sociedade também faz a sua parte, por incluídas no programa. meio dos Conselhos de Alimentação Escolar (CAEs). A definição do quantitativo de exemplares a ser adquirido Para 2010, o valor por dia letivo, repassado pela União a é feita pelas próprias escolas, em parceria com as secretarias Estados e Municípios, de acordo com a Resolução nº 67/09, estaduais e municipais de educação. Os resultados do é de: processo de escolha são publicados no Diário Oficial da União, para que os estados, o Distrito Federal e os municípios tomem conhecimento. Em caso de desconformidade, 82
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    estes podem solicitaralterações, desde que devidamente todo o país. Inicialmente, o programa atendeu, de forma comprovada a ocorrência de erro. experimental, 1,3 milhão de alunos da primeira série de Em 2001, o PNLD passou a atender também alunos 5.392 escolas das regiões Norte e Nordeste. Em 2005, portadores de deficiência visual que cursam o ensino disponibilizou R$ 56,5 milhões para atender a 1,914 milhão fundamental em escolas públicas de ensino regular e escolas de alunos, distribuindo livros de Português e Matemática. especializadas sem fins lucrativos. Em 2006, O programa universalizou a distribuição de Para a transcrição e adaptação dos títulos, o FNDE tem livros didáticos de Português, Biologia e Matemática para parcerias com o Instituto Benjamin Constant (IBC), do o ensino médio, com a aquisição de 7,2 milhões de volumes Ministério da Educação, e com a Fundação Dorina Nowill para destinados a 13.253 escolas do país. Cegos (FDNC). Os títulos adaptados para o sistema Braille Em 2007, a autarquia começou a expandir o programa, de são distribuídos, em meio magnético, a todos os Centros de forma gradativa, com a aquisição de livros de História, Física Apoio Pedagógicos (CAP) e aos Núcleos de Apoio Pedagógico e Química para o ensino médio. e Produção em Braille do país. Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) O FNDE adquiriu, em 2008, 60,5 milhões de livros para os O Ministério da Educação vem, desde 1997, incentivando alunos da 1ª série e para a complementação e a reposição de o hábito da leitura e o acesso à cultura junto aos alunos, aos todas as disciplinas das demais séries do ensino fundamental. professores e à comunidade em geral, mediante a execução Os livros começaram a ser distribuídos em outubro para do PNBE. O programa consiste na aquisição e na distribuição utilização em sala de aula em 2009. O valor da compra dessa de obras de literatura brasileira e estrangeira, infanto-juvenis, vez foi de R$ 302,6 milhões. de pesquisa, de referência e de outros materiais de apoio a Em 2009, a aquisição de livros a serem usados por alunos professores e alunos, como atlas, globos e mapas. do 1º ao 5º ano em 2010 custou R$ 427,6 milhões, mais R$ O PNBE distribui obras de literatura às escolas públicas 85,8 milhões referentes à distribuição. que oferecem matrículas nas séries iniciais do ensino Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino fundamental, cadastradas no censo escolar. Médio (PNLEM) Os programas do FNDE A Resolução nº 38, de 15 de outubro de 2003, do Conselho Deliberativo do FNDE, criou esse programa e definiu como prioritário o atendimento progressivo aos alunos das três séries do ensino médio das regiões Norte e Nordeste. Implantado em 2004, o PNLEM prevê a distribuição de livros didáticos para os alunos do ensino médio público de 83
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    Dados Estatísticos 2006 2008 2009 Alunos atendidos 5.065.686 Ensino Infantil Escolas beneficiadas 85.179 Livros distribuídos 1.948.140 Acervos 97.407 Alunos atendidos 13.504.906 12.949.350 Ensino Fundamental Escolas beneficiadas 46.700 127.661 49.516 Livros distribuídos 7.233.075 3.216.600 7.361.068 Acervos 96.440 160.830 77.214 Programa Nacional Biblioteca da Escola para o Ensino Médio (PNBEM) No âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), em abril de 2007, o FNDE instituiu o Programa Nacional Biblioteca da Escola para o Ensino Médio (Pnbem). O programa possui metodologia inédita: a Secretaria de Educação Básica do MEC firmou parceria com a Sociedade Brasileira para o Módulo de Competências Básicas Progresso da Ciência (SBPC) para definir os livros mais importantes direcionados aos alunos de 15 a 18 anos de idade matriculados no ensino médio. Foram distribuídos livros de Física, Química, Matemática, Biologia, Filosofia, Geografia, História, Sociologia, Literatura Brasileira e Portuguesa, Artes, Educação Física e Gramática. Inicialmente, cada escola receberia, no mínimo, 40 títulos entre os mais escolhidos pelos professores de cada estado. Mas com o aporte de recursos do Plano de Desenvolvimento da Educação, todas as 17.049 escolas públicas de ensino médio receberam pelo menos um acervo composto por 139 títulos. A distribuição dos acervos ocorreu no primeiro semestre de 2008. 84
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    Programa Nacional doLivro Didático para a Alfabetização de Jovens e Adultos (PNLA) Regulamentado pelo art. 1º da Resolução do Conselho Deliberativo do FNDE nº 18, de 24 de abril de 2007, busca, no âmbito do Programa Brasil Alfabetizado, distribuir, a título de doação, obras didáticas às entidades parceiras, com vistas à alfabetização e à escolarização de pessoas com 15 anos de idade ou mais. A partir de 2008, por meio desse novo programa, os alunos da educação de jovens e adultos de todas as unidades federativas tiveram acesso a livros didáticos específicos como um recurso básico no processo de ensino e aprendizagem, contemplando assim o direito constitucional dessa parcela da população a oportunidades educacionais mais equânimes (igualitárias). A parte operacional, relativa ao processo de escolha, aquisição e distribuição dos livros didáticos, segue as diretrizes do PNLD e do PNLEM. Quanto à questão do acesso aos livros, recebem as obras todas as “entidades parceiras” (estados, Distrito Federal, municípios, entidades da sociedade civil organizada e instituições de ensino superior) que obedecerem ao critério de cadastramento dos alfabetizandos, das turmas e, se houver, dos coordenadores de turmas do Programa Brasil Alfabetizado, por meio eletrônico, no endereço www.mec.gov.br/secads,. Você sabia que os alunos da rede pública de ensino recebem gratuitamente os livros didáticos? Se você tem filho na escola pública, certamente já sabia! Se você não sabia, converse com pessoas que sejam estudantes ou tenham filho na escola pública para ouvir o que elas têm a dizer sobre essas ações. Os programas do FNDE 2.1.3. Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) Criado em 1995, consistia no repasse anual de recursos às escolas públicas do ensino fundamental e às de ensino especial mantidas por organizações não-governamentais (ONGs), desde que registradas no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Em 2009, com a edição da Medida Provisória nº 455, de 28 de janeiro (transformada posteriormente na Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009), foi ampliado para 85
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    toda a educaçãobásica, passando a abranger as escolas de consumo e a despesas com transporte e alimentação dos ensino médio e da educação infantil. responsáveis pelas atividades. Em 2008, o PDDE investiu R$ 692,7 milhões, beneficiando Educação integral 26,9 milhões de alunos, matriculados em 117,4 mil escolas. O PDDE também é destinado à adoção de educação Com a ampliação do programa, o universo de alunos integral pelas escolas, com a oferta de, no mínimo, sete horas beneficiados em 2009 passou para 45,6 milhões, em 164,1 diárias de aula e reforço de atividades de aprendizagem, mil escolas, com previsão orçamentária de R$ 930,8 milhões. lazer, arte e cultura, entre outras. São beneficiadas escolas Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE Escola) de ensino fundamental ou médio localizadas em regiões Por meio da ação PDE Escola, o PDDE também concorre metropolitanas de alta vulnerabilidade social e selecionadas para a melhoria da gestão nas escolas públicas de ensino pela Secad. Os recursos servem para transporte e alimentação fundamental que não tiveram desempenho satisfatório no dos monitores e para a compra de kits e material de consumo Ideb. Os recursos são repassados para as unidades de ensino para as atividades. das redes estaduais e municipais que aderem ao Plano de Execução Metas Compromisso Todos pela Educação e planejaram a As escolas públicas de educação básica com mais de implementação do Plano de Desenvolvimento da Escola 50 alunos devem criar unidades executoras para receber (PDE Escola). diretamente recursos do PDDE. Nas escolas com até 50 Os repasses para as escolas com baixo desempenho alunos, é facultada a criação de unidade executora. Caso ela em 2007 vão de R$ 15 mil (escolas com até 99 alunos) a não seja formada, a escola pode receber o recurso por meio R$ 75 mil (mais de 3.999 estudantes). Para aquelas com da entidade executora (prefeitura ou secretaria de educação desempenho aquém do estipulado no Ideb de 2005 e que distrital ou estadual) a que esteja vinculada. No caso das também ficaram abaixo da média nacional no Ideb de 2007, escolas privadas da educação especial, os depósitos são Módulo de Competências Básicas o repasse vai de R$ 10 mil (para unidades com até 99 alunos) realizados nas contas de suas entidades mantenedoras. a R$ 37.500 (mais de 3.999 estudantes). 2.1.4. Programas de Transporte do Escolar (PTE) Funcionamento das escolas nos finais de semana Instituído em junho de 2004, tem como objetivo, por meio de Escolas públicas de ensino fundamental ou médio assistência financeira, em caráter suplementar, aos estados, Dis- selecionadas por estados, Distrito Federal e municípios, trito Federal e municípios, garantir o acesso e a permanência dos segundo critérios da Secretaria de Educação Continuada alunos do ensino fundamental público que residem em área rural Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da e utilizam transporte escolar, Educação, também recebem recursos para funcionar nos O Pnate consiste na transferência automática de recursos finais de semana, oferecendo atividades educativas e financeiros, sem necessidade de convênio ou outro instrumento recreativas. O dinheiro destina-se à compra de material de 86
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    congênere, para custeardespesas com a manutenção de veículos 2.1.5. Programa Brasil Alfabetizado (Bralf) escolares pertencentes às esferas municipal ou estadual e para a Em 2003, foi criado o Programa Brasil Alfabetizado para contratação de serviços terceirizados de transporte, tendo como servir como porta de entrada e de integração à escola a base o quantitativo de alunos transportados e informados no todos aqueles que estão fora do sistema de ensino. No Brasil, censo escolar realizado pelo Inep/MEC, relativo ao ano anterior ao temos: do atendimento. Os valores transferidos diretamente aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios são feitos em nove parcelas :: 65 milhões de pessoas que não completaram o ensino anuais, de março a novembro. Em 2009, o valor per capita/ano fundamental. variou de R$ 88,13 a R$ 125,72. Desse total: Caminho da Escola :: 33 milhões são “analfabetos funcionais” (isto é, com menos Criado pela Resolução do Conselho Deliberativo do FNDE nº de quatro anos de estudo e apresentam dificuldades em 3, de 28 de março de 2007, o programa possibilitará a renovação interpretar textos e não têm muita habilidade na escrita); e ampliação da frota de veículos de transporte esco-lar, por meio :: 14, 6 milhões de indivíduos analfabetos, com idade acima de concessão de financiamento aos estados e municípios brasi- de 15 anos. leiros para aquisição de meios de transporte coletivo, que deverá ser usado para o transporte diário dos alunos que residam na área Coordenado pelo Ministério da Educação e financiado rural. com recursos do FNDE, o Bralf atua por meio de parcerias O programa também visa à padronização dos meios de trans- com estados, municípios, empresas privadas, universidades, porte escolar, à redução dos preços dos veículos e ao aumento da organizações não-governamentais e instituições civis, como transparência nessas aquisições. forma de potencializar o esforço nacional de combate ao analfabetismo. Você consegue imaginar a importância desses programas, especialmente para as famílias residentes nas áreas rurais que têm O programa tem por objetivo capacitar alfabetizadores filhos na escola, geralmente distantes de suas casas, e não podem que atendam pessoas com 15 anos ou mais e que não levá-los e buscá-los? E para os alunos portadores de necessidades tiveram oportunidades ou foram excluídas da escola antes especiais? E para os estudantes carentes das zonas urbanas que de aprender a ler e escrever. Os programas do FNDE precisam de um meio de transporte para se deslocar para as aulas Os interessados em participar do programa devem procurar e não têm condições financeiras para pagar o transporte? Quan- as instituições alfabetizadoras conveniadas com o Ministério tas crianças puderam passar a frequentar o banco escolar por cau- da Educação na região onde moram. São órgãos executores sa desses programas! do programa: o estado, representado pela secretaria estadual de educação; os municípios, representados pelas prefeituras; e organizações não-governamentais, com experiência 87
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    Unidas para aEducação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O comprovada em alfabetização de jovens e adultos. programa é gerido pelo Ministério da Educação, por meio do Por meio do repasse direto efetuado pelo Ministério da Programa Dinheiro Direto na Escola. O FNDE financia o pro- Educação, foram atendidas, em 2007, mais de 1,7 milhão de grama, mas não é o único ente financiador. pessoas. Em 2004, o programa apoiou a abertura de 200 escolas A transferência de recursos do programa é feita em cinco aos finais de semana, todas localizadas em regiões metro- parcelas. A quantia relativa à formação de alfabetizadores é politanas de capitais do país, em áreas onde os índices de transferida de uma única vez, junto com a primeira parcela violência são mais altos. Em 2005, o projeto se estendeu a relativa à bolsa – pagamento pelo trabalho a ser realizado. outros sete Estados, chegando a mil escolas e atendendo a Por esse repasse, foram capacitados, em 2007, cerca de 95 um milhão de brasileiros aos sábados e domingos. mil alfabetizadores. Também foram formados professores, A previsão de duração do programa é de 40 meses. Ao lon- encarregados de capacitar os alfabetizadores. No total, go desse período, serão aplicados R$ 95,4 milhões, em recur- foram investidos no programa recursos na ordem de R$ 223, sos do orçamento da União. Em 2004, o investimento foi de 6 milhões e alfabetizados cerca de 4 milhões de alunos. R$ 6 milhões, sendo metade do MEC e metade do Ministério Veja aí a possibilidade de reduzir o analfabetismo no do Trabalho e Emprego. Os valores investidos em 2005 foram nosso país! da ordem de R$ 19 milhões e 1.161 escolas foram atendidas 2.2. Outros programas do FNDE nos estados de Minas Gerais, Pernambuco e Espírito Santo. Já em 2006, foram investidos cerca de 20 milhões de reais e 2.2.1. Escola Aberta atendidas 1.558 escolas das regiões metropolitanas de vinte O programa tem por objetivo promover a melhoria da e dois estados brasileiros. qualidade da educação no país, ampliando as oportunida- 2.2.2. Projetos educacionais des de acesso a atividades educativas, culturais, esportivas, O FNDE dá assistência financeira a projetos educacionais Módulo de Competências Básicas de lazer e de geração de renda por meio do funcionamento de escolas públicas do 6º ao 9º anos e de ensino médio nos com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino brasileiro. finais de semana. As atividades são abertas a toda a comu- Seus recursos destinam-se ao ensino fundamental, incluindo nidade e visam à melhoria do relacionamento entre profes- a educação infantil (creche e pré-escola), a educação de sores, alunos e familiares, de maneira a reduzir os índices de jovens e adultos, a educação espécies, as escolas localizadas violência entre os jovens, sobretudo aqueles em situação de em áreas remanescentes de quilombos e a educação vulnerabilidade social. indígena. Destinam-se também a ações educacionais complementares e inovadoras, vinculadas a temas como Trata-se de um programa do governo federal desenvolvi- aceleração da aprendizagem, educação ambiental, educação do em parceria entre os Ministérios da Educação, Trabalho do campo, educação especial e outros que visem à inclusão e Emprego, Esporte e Cultura e a Organização das Nações 88
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    educacional. A aplicação dos recursos é direcionada à qualificação de docentes, aquisição e impressão de material didático-pedagógico de alta qualidade, aquisição de equipamentos e adaptação de escolas com classes de ensino especial. Você deve estar surpreso com a existência de tantos programas e ações na área educacional! Sabe dizer quais deles estão implementados em seu município ou estado? O governo busca implementá-los para tornar cada vez mais concretas suas políticas públicas e seu pro- jeto de uma sociedade em que as desigualdades sociais se amenizem. O FNDE cumpre seu papel de gerir os recursos do salário-educação e os demais recursos alocados em seu orçamento de maneira eficiente e transparente, promovendo e incentivando o controle social, para que as camadas menos privilegiadas tenham acesso a uma educação que possa lhes propiciar cidadania e perspectivas de melhoria em suas vidas. Você que é gestor municipal, gestor estadual, técnico ou conselheiro poderá responder com precisão: todos os envolvidos nos programas do FNDE têm feito a sua parte? Os programas do FNDE Acreditamos que agora, com as informações que este módulo acrescentou às que você já possuía, você possa contribuir apontando possíveis caminhos a serem seguidos em sua comunidade perante situações problemáticas como as vivenciadas por aquela comunidade na região leste de Mato Grosso. Você se lembra? 89
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    Atividades 10 e11 Então, para concluir o estudo desta unidade, pegue seu caderno de atividades e realize os exercícios 10, 11a e 11b. Em seguida, leia a síntese desta unidade e caminhe para a conclusão do módulo. Lem- bre-se de realizar a atividade final. Unidade V em síntese Nesta última unidade, apresentamos a missão do FNDE e seu campo de atuação para viabilizar as polí- ticas sociais na educação. Apresentamos o volumoso trabalho dessa autarquia, que tem um significado social fundamental na construção da cidadania e na democratização da educação escolar. Apresenta- mos, então, resumidamente, seus principais programas, alguns dos quais serão objeto de estudo em módulos específicos. Se quiser conhecer melhor os programas do FNDE, poderá fazê-lo lendo os módulos que o Programa Formação pela Escola vai colocar à sua disposição e também consultar a bibliografia sugerida ao final deste módulo, no tópico “Nossa conversa não se encerra aqui”, e no sítio www.fnde.gov.br.
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    Retomando a conversainicial Parabéns! Você chegou ao final do módulo de Competências Básicas, uma caminhada que realizou trocando ideias com outras pessoas que atuam no seu município, com seus colegas de curso e com o seu tutor. Nós, então, nos perguntamos: Será que tudo o que foi exposto neste módulo foi significativo para o nosso interlocutor, que é você? Será que isso irá contribuir para que sua ação seja mais consciente e efetiva nos programas do FNDE e no campo da educação? Só você poderá responder. Confessamos que, para nós, a experiência de escrever este módulo foi significativa. Fomos levados a refletir mais sobre os caminhos que nosso país está seguindo, sobretudo no que diz respeito à educação do seu povo. Lemos textos novos, relemos outros antigos, passamos a nos inteirar mais dos programas do governo e, de maneira especial, os do FNDE. Aprendemos muito. Este material é um “começo de conversa” e não um ponto de chegada. Temos certeza de que você irá ampliar seus conhecimentos e buscar mais informações, para que sua atuação seja efetiva e se sinta cidadão nesse processo de implementação das políticas educacionais, mediante programas e ações específicos. Retomando a conversa inicial Mas você não deve nem pode se sentir sozinho. Sua ação deve ser marcada pelo trabalho colaborativo, pela solidariedade, pela abertura em querer aprender com o outro, em reconhecer suas limitações e acreditar em suas qualidades e em seus sonhos. Por isso, queremos fechar essa nossa conversa com um trecho da obra “Capitães de Areia”, do saudoso escritor brasileiro Jorge Amado. 93
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    Numa mesa pediramcachaça. Houve um movimento de copos no balcão. Um velho disse: — Ninguém pode mudar o destino. É coisa feita lá em cima – apontava o céu. Mas João de Adão falou de outra mesa: — Um dia a gente muda o destino dos pobres... Pedro Bala levantou a cabeça. Professor ouviu sorridente. Mas João Grande e Boa Vida pareciam apoiar as palavras do velho, que repetiu: — Ninguém pode mudar, não. Está escrito lá em cima... — Um dia a gente muda... – disse Pedro Bala, e todos olharam para o menino. Você acredita que é possível mudar a situação em que se encontra nosso país, sobretudo no campo da educação? Nós acreditamos que sim. É possível realizar mudanças! Um dia a gente muda... o número de crianças que abandonam cedo a escola. Um dia a gente muda... as altas taxas de analfabetismo e de repetência. Um dia a gente muda... o não acesso a uma escola gratuita e de qualidade para todos os brasileiros. Módulo de Competências Básicas Um dia a gente muda... a não adequada aplicação ou o desvio de recursos financeiros que não chegam à escola, a quem mais necessita. Um dia a gente muda... a reduzida autonomia financeira, administrativa e pedagógica das escolas. Um dia a gente muda... os baixos salários dos profissionais da educação. Um dia a gente muda... as precárias condições de funcionamento da maioria das escolas em nosso país. Um dia a gente muda... a pouca participação dos pais nas decisões das políticas locais de educação e da escola. 94
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    Um dia agente muda... Um dia... A gente muda! Certamente, as mudanças não dependem simplesmente de um governo, de programas, de algumas pessoas. Exigem vontade política, compromisso social e a implantação de novas práticas de gestão, de controle social, de inovações pedagógicas, oferecendo condições para a melhoria do ensino, entre outras ações. O FNDE, o MEC, o atual governo e a escola contam com você, com seu envolvimento, com sua participação. Vamos, então, à luta! Seja teimoso como o menino Pedro Bala, líder dos Capitães de Areia, acreditando em seus sonhos, em possíveis mudanças e cantando, junto com Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.” Obrigado por permanecer conosco nesse início de conversa do Programa Nacional de Formação Continuada a Distância nas Ações do FNDE – Formação pela Escola. Esperamos ter realizado nossa parte, a seu contento. E se desejar aprofundar seus conhecimentos, leia as obras, legislações, artigos e pesquisas indicados em “Nossa conversa não se encerra aqui”. Não se esqueça de realizar a atividade final do módulo, proposta no seu caderno de atividades. Lembre-se de que esta atividade deverá ser entregue no próximo encontro presencial. Esse será o segundo encontro presencial do curso e tem como objetivo socializar a aprendizagem do módulo de competências básicas e fazer a introdução aos módulos temáticos. Retomando a conversa inicial Bom trabalho, boa continuação de curso e até o próximo módulo! 95
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    Nossa conversa nãose encerra aqui A leitura deste módulo de competências básicas e dos módulos temáticos talvez não seja suficiente para resolver os problemas da educação em sua comunidade, mas o auxiliará a compreendê-los para que sua ação se torne mais clara, objetiva e eficiente na busca de soluções. Portanto, quanto maior clareza tiver sobre as políticas públicas do governo e suas ações para concretizá- las, mais efetiva se dará sua participação nas mudanças sociais e na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Daí o nosso convite para que você expanda seu horizonte de compreensão com outras leituras. Referências bibliográficas BOBBIO, N.; MATEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de Política. Brasília: UnB/Linha Gráfica, 1991. MONLEVADE, João. Educação pública no Brasil: contos & descontos. Ceilândia, DF: Idea, 1997. ______. O FUNDEF e seus pecados capitais. 2 ed. Ceilândia, DF: Idea, 1998. PAULA, Juarez de. Para além do século XX. Rev. Século XXI. Brasília, Ano I, n. 1, dez. 1998, p. 51-54. Módulo de Competências Básicas SANDRONI, Paulo. Dicionário de Economia. São Paulo: Círculo do Livro, 1995. Referências webgráficas / sítios :: Legislação: Constituição Federal. Disponível em: <www.planalto.gov.br/legislação/>. Plano Nacional de Educação. Disponível em: <www.mec.gov.br/arquivo/pdf/pne.pdf>. Lei de Diretrizes e Bases. Disponível em: <www.mec.gov.br/legis/default.shtm>. Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007 (Fundeb). Disponível em: <www.mec.gov.br/seb/>. 96
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    :: Artigos sobrepolíticas públicas, políticas educacionais, Fundef, Fundescola, Conselhos Municipais, etc., nas revistas: Cadernos Cedes. Disponível em: <www.cedes.unicamp.br>. Educação & Sociedade, Cadernos de Pesquisa e outras revistas no campo das Ciências Humanas e Sociais. Disponível em: <www.scielo.com.br>. Jornal eletrônico. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br>. MARTINS, Paulo S. O financiamento da educação. Disponível em: <www.tvebrasil.com.br/salto>. Acesso em 16/08/2005. MONLEVADE, João. Financiamento da Educação Básica. Disponível em: <www.tvebrasil.com.br/salto>. Acesso em 16/08/2005. Núcleo de Políticas Públicas – Unicamp. Disponível em: <www.unicamp.br>. SILVA, Tomaz Tadeu da; GENTILI, Pablo. Escola S.A.: quem ganha e quem perde no mercado educacional do neoliberalismo. Brasília: CNTE, 1996. Disponível em: <www.cnte.org.br>. Glossários de palavras técnicas de serviços do governo: http://www.mec.gov.br http://www.fnde.gov. br http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticia Nossa conversa não se encerra aqui http://www.tesouro.fazenda.gov.br/servicos/glossario/glossario_c.asp http://www.inep.gov.br 97
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    Glossário Capital Contribuições sociais Um dos fatores de produção, formado pela riqueza e que O termo “contribuições” é utilizado com vários sentidos gera renda. Pode ser compreendido também como todos os e designa arrecadações compulsórias das mais variadas meios de produção que foram criados pelo trabalho e que formas. Aqui delimitamos o sentido às contribuições que são utilizados para a produção de outros bens e serviços financiam a “seguridade social”, às contribuições sociais destinados à venda, isto é, as mercadorias. É representado que têm sua arrecadação vinculada ao financiamento da em dinheiro. seguridade social. A maior parte delas está indicada no Capitalismo artigo 195 da Constituição Federal. Surgiu na Europa entre os séculos XI ao XV, quando o centro Déficit fiscal da vida econômica, social e política se transferiu para a cidade. Déficit é uma palavra que vem do latim e significa “que A sociedade que daí surge, a sociedade capitalista, tem como falta”. Em linguagem contábil, significa que as despesas e base o lucro e um sistema econômico e social em que há os pagamentos são maiores que o faturamento – o que se separação entre trabalhadores e capitalistas. Os trabalhadores, ganha, o total do dinheiro que se tem em caixa – resultando juridicamente livres, dispõem de sua força de trabalho e a em saldo negativo. vendem em troca de salário. Os capitalistas são os proprietários Módulo de Competências Básicas dos meios de produção e contratam os trabalhadores para produzir mercadorias visando obter lucro. Descentralização Cidadania Quando a gestão, execução e fiscalização dos recursos públicos são realizadas, não somente pelos governos Qualidade do cidadão, do sujeito que não somente (municipais, estaduais, distritais, federais), mas pelos tem consciência de seus direitos e deveres, mas que variados segmentos da sociedade de maneira organizada é impulsionado ao respeito ao outro, às diferenças, à e representativa (organizações não-governamentais, solidariedade e à participação. Aquele que aprende a viver conselhos, entidades, instituições, entre outras). junto, que se envolve com as questões que estão ao seu redor. 98
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    Efetividade culturais em âmbito mundial. Diz respeito ao impacto da implementação das políticas, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Arti- à relação causa-efeito entre o procedimento da implantação gos 70 e 71: e o resultado social ocasionado. Art. 70 Considerar-se-á como de manutenção e Eficácia desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com Fica evidenciada quando os resultados de determinada vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições política pública alcançam seu objetivo. educacionais de todos os níveis, compreendendo as que se destinam a: Eficiência I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente Relaciona-se com o gasto racional dos recursos públicos e demais profissionais da educação; para obtenção do bem público. II - aquisição, manutenção, construção e conservação de Eqüidade instalações e equipamentos necessários ao ensino; Na terminologia neoliberal, costuma se contrapor à III - uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao “igualdade”. Significa promover as diferenças produtivas ensino; entre os indivíduos. IV - levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas Fundo visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à Conjunto de recursos monetários empregados como expansão do ensino; reserva ou para cobrir despesas extraordinárias. V - realização de atividades-meio necessárias ao No setor das finanças públicas, o termo refere-se às verbas funcionamento dos sistemas de ensino; destinadas ao desenvolvimento de determinados setores. VI - concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas (SANDRONI, P. Dicionário de Economia, 1995, p. 144) públicas e privadas; Gestão democrática VII - amortização e custeio de operações de crédito Administração com a participação do povo, da sociedade, destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo; da comunidade. Quando o governo recorre à opinião pública VIII - aquisição de material didático-escolar e manutenção para o planejamento sobre onde e como aplicar os recursos de programa de transporte escolar. públicos. Art. 71 Não constituirão despesas de manutenção e Globalização desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: Glossário Interligação dos mercados internacionais com a I - pesquisa, quando não vinculada às instituições de conseqüente uniformização de padrões econômicos e 99
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    ensino, ou, quandoefetivada fora dos sistemas de ensino, acompanhamento da aplicação dos recursos públicos e de que não vise, precipuamente, ao aprimoramento de sua avaliação dos seus resultados. qualidade ou à sua expansão; Lei Kandir II - subvenção a instituições públicas ou privadas de Foi assim chamada a Lei Complementar nº 87, de 13 de caráter assistencial, desportivo ou cultural; setembro de 1996, elaborada pelo ex-ministro do Planejamento III - formação de quadros especiais para a administração Antônio Kandir. Essa lei dispõe sobre o imposto dos estados pública, sejam militares ou civis, inclusive diplomáticos; e do Distrito Federal sobre operações relativas à circulação IV - programas suplementares de alimentação, assistência de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte médico-odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras interestadual e intermunicipal e de comunicação. A lei prevê o formas de assistência social; ressarcimento, pela União, em favor dos estados e municípios, a título de compensação financeira pela perda de receitas V - obras de infra-estrutura, ainda que realizadas para decorrentes da desoneração das exportações de produtos beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar; primários. VI - pessoal docente e demais trabalhadores da educação, Liberalismo quando em desvio de função ou em atividade alheia a manutenção e desenvolvimento do ensino. Doutrina que serviu de substrato ideológico às revoluções antiabsolutistas que ocorreram na Europa (Inglaterra e Fran- Lei de Responsabilidade Fiscal ça, basicamente) ao longo dos séculos XVII e XVIII e à luta A Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF (Lei Complementar pela independência dos Estados Unidos [...]. Defendia: 1) a nº 101, de 04 de maio de 2000) estabelece normas de finanças mais ampla liberdade individual; 2) a democracia represen- públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, tativa com separação e independência entre três poderes mediante ações em que se previnam riscos e corrijam os (executivo, legislativo e judiciário); 3) o direito inalienável à Módulo de Competências Básicas desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, propriedade; 4) a livre iniciativa e a concorrência como prin- destacando-se o planejamento, o controle, a transparência cípios básicos capazes de harmonizar os interesses individu- e a responsabilização, como premissas básicas. Estabelece ais e coletivos e gerar o progresso social [...]. Não há lugar as normas voltadas para a gestão e para a elaboração para a ação econômica do Estado, que deve apenas garantir do orçamento. Define limite com gastos de pessoal, a livre-concorrência entre as empresas e o direito à proprie- endividamento público, metas fiscais anuais, entre outros. dade privada, quando esta for ameaçada por convulsões sociais. (SANDRONI, Paulo. Dicionário de Economia, 1995, p. Essa lei cria condições para a implantação de uma nova 192-193) cultura gerencial na gestão dos recursos públicos e incentiva o exercício pleno da cidadania, especialmente no que diz respeito à participação do contribuinte no processo de 100
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    Mercado às novas condições do capitalismo. Defende o máximo de Pode ser entendido como “o local, teórico ou não, do liberdade às iniciativas individuais e a redução dos controles encontro regular entre compradores e vendedores de uma de autoridades centrais sobre as mesmas. Por isso, exalta o economia determinada [...]. É formado pelo conjunto de mercado livre, a liberdade individual e o mínimo de presença instituições em que são realizadas transações comerciais do Estado. [...]. Ele se expressa, entretanto, sobretudo na maneira como Participação se organizam as trocas realizadas em determinado universo Não é sinônimo de “fazer parte de”, mas sim de “tomar por indivíduos, empresa e governos”. (SANDRONI, Paulo. parte de”, envolver-se, tomar para si o problema do outro, do Dicionário de Economia, 1995, p. 213) grupo, da comunidade, da sociedade. Modernidade PIB Uma palavra que vem do latim modernu (séc. V d.C.) com o O Produto Interno Bruto indica, em unidades monetárias, sentido de “recentemente, há pouco”, para se opor a “antigo” o valor reunido por todos os bens e serviços finais produzidos e, de maneira específica, ao que não era cristão. Os livros num país, isto é, o que a economia de um país produziu de História datam o aparecimento da Modernidade com o durante um ano. Renascimento, marcando a ruptura com a Idade Média (séc. XV). Trata-se de um movimento nos mais diferentes campos Planejamento participativo (político, econômico, social, cultural e religioso) e que se Quando os variados segmentos da sociedade, de maneira consolida ao final do séc. XVIII, com a Revolução Industrial, representativa, definem prioridades que são respeitadas na Inglaterra. Muitos autores associam modernidade com o pelos gestores nos momentos da aplicação dos recursos. surgimento do capitalismo. Significa a participação da sociedade civil no recebimento, Natureza contábil gestão e fiscalização dos recursos públicos. Significa que seus recursos são repassados Propriedade privada automaticamente aos estados e municípios, de acordo com Aquilo que é próprio, exclusivo de uma pessoa (física ou coeficientes de distribuição estabelecidos e publicados jurídica). É o direito de alguém sobre determinado bem. previamente. As receitas e despesas, por sua vez, deverão Diferente da propriedade pública (bens e serviços pertencentes estar previstas no orçamento e a execução, contabilizada de ao Estado) e da propriedade cooperativa. forma específica. Receita Neoliberalismo Em termos contábeis, é a soma de todos os valores Glossário Doutrina político-econômica, surgida na década de recebidos durante determinado período de tempo (dia, mês, 1930, que adapta os princípios do liberalismo econômico ano). 101
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    Módulo de CompetênciasBásicas 102 Anotações
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    Programa Nacional deFormação Continuada a Distância nas Ações do FNDE