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Cidadania e Desenvolvimento Social: Guia do Professor - 10.º ano de
escolaridade
Book · January 2012
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Henrique Testa Vicente
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República Democrática de Timor-Leste
Ministério da Educação
Guia do Professor
CIDADANIA E
DESENVOLVIMENTO
SOCIAL
10.o ano de escolaridade
Título
Cidadania e Desenvolvimento Social - Guia do Professor
Ano de escolaridade
10.o
Ano
Autores
Henrique Testa Vicente
Andreia Ruela
Marta Faria Patrão
SofŝĂ Rodrigues
Coordenador de disciplina
Henrique Testa Vicente
Consultora cienƚşĨŝĐĂ
Liliana Sousa
Colaboração das equipas técnicas morenses da disciplina
Este guia foi elaborado com a colaboração de equipas técnicas morenses da disciplina,
sob a supervisão do Ministério da Educação de Timor-Leste.
Design e Paginação
Esfera Crí ca Unipessoal, Lda.
Ana Pe m
Impressão e Acabamento
GrafŝĐĂ Nacional, Lda.
ISBN
978 - 989 - 8547 - 12 - 5
1ª Edição
Conceção e elaboração
Universidade de Aveiro
Coordenação geral do Projeto
Isabel P. Mar ns
Ângelo Ferreira
Ministério da Educação de Timor-Leste
2012
Este guia de professor é propriedade do Ministério da Educação da República Democrática de Timor-Leste, estando proibida a sua
utilização para fins comerciais.
Os sítios da Internet referidos ao longo deste livro encontram-se ativos à data de publicação. Considerando a existência de alguma
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Índice
3
Enquadramento e Orientações Gerais
6
7
8
8
8
10
10
12
16
Introdução
Importância da Educação para a Cidadania
Recursos Didá cos
O Manual do Aluno
O Guia do Professor
Estrutura e Organização do Programa
Gestão do Programa
Metodologias Pedagógicas
Avaliação das Aprendizagens
Unidade Temá ca 1. Direitos, Deveres e Responsabilidade
1.1 Nota Introdutória
1.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 1.1. Introdução à Cidadania
Subtema 1.2. Direitos Humanos
Subtema 1.3. Sociedade Democrá ca
1.3. Recursos Adicionais
22
22
22
25
27
30
1
4
Unidade Temá ca 3. É ca, Valores e Comportamento Social
3.1 Nota Introdutória
3.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 3.1. É ca e Moral na Sociedade Civil
Subtema 3.2. Dilemas e Condutas Morais na Sociedade Civil
Subtema 3.3. Desafios É cos nas Sociedades Contemporâneas
3.3. Recursos Adicionais
48
48
48
51
54
56
3
Unidade Temá ca 4. Comunicação e Relacionamento Interpessoal
4.1 Nota Introdutória
4.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 4.1. Processo de Comunicação
Subtema 4.2. Es los de Comunicação
Subtema 4.3. Comunicação e Gestão de Conflitos
4.3. Recursos Adicionais
60
60
60
62
67
71
4
Unidade Temá ca 2. Desenvolvimento Pessoal e Iden dade
2.1 Nota Introdutória
2.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 2.1. Contextos de Desenvolvimento
Subtema 2.2. Desenvolvimento Social
Subtema 2.3. Indivíduo como Cidadão
2.3. Recursos Adicionais
34
34
34
36
40
44
2
5
Unidade Temá ca 5. Cria vidade e Mudança
5.1 Nota Introdutória
5.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 5.1. Cria vidade e Formas de Expressão
Subtema 5.2. Dinâmica da Mudança
Subtema 5.3. Cria vidade e Resolução de Problemas
5.3. Recursos Adicionais
74
74
74
79
82
85
5
Bibliografia
86
• Problema zar questões sociais e desenvolver o
pensamento crí co na exploração de soluções
inovadorasparaaresoluçãopacíficadeproblemas.
• Aprofundar a literacia polí ca como mecanismo
fundamental para uma efe va par cipação
na vida polí ca e nos processos de tomada de
decisão.
• Consolidar a iden dade pessoal e social,
promovendo uma consciência de si e do outro
que alicerce a construção do bem-estar individual
e cole vo.
• Contribuir para a consolidação da iden dade
nacional democrá ca e para o reforço da coesão
social através da valorização do sen mento de
pertença e respeito pela diversidade étnica e
cultural e pela igualdade de género.
• Enquadrar a par cipação social no domínio da
cidadania global e desenvolvimento sustentável.
• Par cipar na construção de parcerias entre escola
e comunidade com vista à resolução de problemas
familiares, comunitários e globais, contribuindo
para dinamizar a função inovadora e interventora
do meio escolar.
A designação da disciplina, que associa os conceitos de
“cidadania” e “desenvolvimento social”, remete para
o indissociável binómio educação-desenvolvimento,
reconhecendo a educação como consequência,
efeito ou “bene cio” do desenvolvimento das
sociedades e como fator decisivo para esse mesmo
desenvolvimento (Gómez, Freitas, & Callejas, 2007).
Cidadania e Desenvolvimento Social | Enquadramento e Orientações Gerais
6
A educação para a cidadania emerge atualmente
como uma das possíveis vias para preparar cidadãos
responsáveis e a vos, que contribuam para o
desenvolvimento das sociedades e para a promoção
dosvaloresdemocrá cosedosdireitoshumanos.Esse
reconhecimento traduziu-se na inclusão da disciplina
Cidadania e Desenvolvimento Social no currículo do
Ensino Secundário Geral de Timor-Leste, de forma
a fomentar o desenvolvimento do pensamento e
consciência crí cas e a promoção da intervenção e
atuação concretas.
Introdução
O plano curricular do Ensino Secundário Geral de
Timor-Leste está organizado em dois percursos
alterna vos: 1) Ciências e Tecnologias e 2) Ciências
Sociais e Humanidades. Esses percursos apresentam
disciplinasespecíficaseumaComponentedeFormação
Geral comum a ambos, na qual se incluem disciplinas
que aprofundam conhecimentos importantes para
a formação dos alunos, independentemente do
percurso escolhido.
A disciplina Cidadania e Desenvolvimento Social
enquadra-se nesta Componente de Formação Geral,
almejandocontribuirparaaformaçãodecidadãosque
par cipem de forma a va, consciente e responsável
na vida do país, da região e do mundo. Tem por base
o compromisso cívico para com o desenvolvimento
harmonioso e sustentável das sociedades e a defesa
dos direitos humanos. Através desta disciplina
pretende-se promover o exercício de uma cidadania
democrá ca, nomeadamente:
• Par cipar de forma crí ca e responsável na vida
polí ca, económica, social e cultural.
Enquadramento e Orientações Gerais | 7
De facto, a complexidade das sociedades atuais
(industrializadas, mul culturais e, sobretudo,
em permanente transformação) exige dos seus
membros uma constante adaptação às mudanças
(económicas, sociais e culturais) e a capacidade de
tomar decisões de forma autónoma e responsável.
Nos países democrá cos, o desenvolvimento de
comunidades coesas e sustentáveis tem vindo a
reclamar o envolvimento e par cipação a va dos
cidadãos como forma de superar as “fragilidades”
associadas à própria democracia (Osler & Starkey,
2006). Alguns autores sublinham as “perplexidades e
incertezas que persistem e marcam o nosso tempo”,
onde “o terrorismo internacional, as guerras civis, os
conflitos sociais, a violação dos direitos fundamentais
ou a criminalidade urbana, associados, muitas vezes,
a mo vações de racismo, xenofobia e exclusão, são
problemas sociais cuja solução exige uma cidadania
ac va” (Henriques, Reis, & Loia, 2006: 15).
Uma mul plicidade de questões reforça a inclusão da
educação para a cidadania nas matrizes curriculares,
tais como: a supracitada necessidade de proteger
a democracia; a constatação de que a produção
de riqueza não tem solucionado ou minimizado os
múl plos casos de injus ça, exclusão e desigualdade
social ao nível global; o aumento da diversidade nas
comunidades locais que emerge dos processos de
globalização e fenómenos migratórios, e que se traduz
numa ambivalência das sociedades democrá cas
mul culturais (manter e promover a unidade nacional
versus acomodar e apoiar comunidades culturais
dis ntas no seio do mesmo Estado-nação); o baixo
nível de envolvimento cívico, par cularmente dos
jovens (Osler & Starkey, 2006).
A educação para a cidadania “tem sido invocada como
meio eficaz para formar pessoas mais autónomas
e mais dispostas a par lharem tarefas de bem
comum, indispensáveis para a sustentação da vida
democrá ca”(Henriques,Reis&Loia,2006:15).Neste
Importância da Educação para a
Cidadania
Na contemporaneidade a educação para a cidadania
tem sido considerada como parte fundamental do
percurso forma vo dos indivíduos nos diferentes
níveis de ensino (Advisory Group on Ci zenship,
1998; Conselho da Europa, 2002; Fonseca, 2001;
Osler & Starkey, 2006). Isso mesmo é veiculado na
Lei de Bases da Educação da República Democrá ca
de Timor-Leste, de 29 de outubro de 2008, onde se
indica que o sistema de educação deverá promover “o
desenvolvimento do espírito democrá co e pluralista,
respeitador dos outros, das suas personalidades,
ideias e projectos individuais de vida, aberto à livre
troca de opiniões e à concertação” e “a formação de
cidadãos capazes de julgarem, com espírito crí co
e cria vo, a sociedade em que se integram e de se
empenharem ac vamente no seu desenvolvimento,
em termos mais justos e sustentáveis”. Além disso, o
mesmo documento aponta como um dos obje vos
fundamentais da educação “assegurar a formação,
em termos culturais, é cos, cívicos e vocacionais das
crianças e dos jovens, preparando-os para a reflexão
crí ca e reforço da cidadania”.
A relevância da educação para a cidadania já era
expressa alguns anos antes no Relatório “Chega!” da
Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação
(CAVR) de Timor-Leste (2005: 190): “a cidadania
simboliza a nossa unidade enquanto nação (…)
é essencial acarinhar e alimentar o sen do de
cidadania, através da educação permanente do
público sobre a sua importância e o seu significado na
prá ca”. No mesmo relatório recomenda-se que “seja
implementado um programa abrangente de educação
cívica, centrado na estrutura, ins tuições e processos
da democracia e nos direitos e deveres dos cidadãos”
(CAVR, 2005: 190).
sen do, não deve ser perspe vada como “um luxo
pedagógico”, mas como “uma condição de sucesso
de qualquer educador em geral e, em par cular, de
qualquer professor” (Fonseca, 2001: 8).
Recursos DidáƟcos
As atuais conceptualizações da educação para a
cidadania emergiram dos programas tradicionais
de educação e formação cívica, embora tenham
obje vos dis ntos que requerem mudanças nas
prá cas educa vas. A educação para a cidadania
democrá ca pode ser conceptualizada como “o
conjunto de prá cas e ac vidades cuja finalidade
é tornar os jovens e os adultos melhor preparados
para par ciparem ac vamente na vida democrá ca,
através da assunção e do exercício dos seus direitos e
responsabilidadessociais”(Bîrzéa,1996cit.Figueiredo
& Silva, 2000: 77). Dis ngue-se da educação cívica
que se dedica somente à “transmissão/aquisição,
num quadro educa vo formal, do conhecimento,
das capacidades e dos valores que governam o
funcionamento, a todos os níveis, de uma sociedade
democrá ca” (Bîrzéa, 1996 cit. Figueiredo & Silva,
2000: 77). Com efeito, para enfrentar os desafios
sociais contemporâneos há que reconceptualizar o
processo de ensino e aprendizagem, para abranger e
facultar um conjunto de competências que confiram
aos sujeitos a capacidade de aprender para além dos
“portões” da escola.
Neste âmbito, importa referenciar uma das
conclusões do estudo Pan-Europeu sobre Polí cas
para a Educação para a Cidadania Democrá ca do
Conselho da Europa (Bîrzéa, 2003), que revelou um
hiato entre as orientações oficiais, intenções polí cas
e declarações sobre o que deve cons tuir a educação
para a cidadania e a prá ca quo diana nas escolas
e salas de aula. Para que os discursos oficiais e as
prá cas educa vas coincidam, afigura-se necessário:
num primeiro momento, definir e descrever um
currículo adequado; e, num segundo momento,
capacitar o corpo docente, adaptar as estruturas
educa vas e disponibilizar as ferramentas didá cas
necessárias (Salema, 2007). Estas preocupações
es veram presentes em toda a elaboração programa
da disciplina e respe vos recursos didá cos. Neste
âmbito, para cada ano de escolaridade que compõe
o ciclo de estudos, foram desenvolvidos dois recursos
complementares: Manual do Aluno e Guia do
Professor.
O Manual do Aluno
O Manual do Aluno é um instrumento de trabalho, ou
“artefactoeduca vo”(Morgado,2004),parau lização
do aluno e do professor, composto por capítulos que
correspondem às unidades temá cas consagradas
no programa da disciplina. No Manual do Aluno cada
capítulo divide-se em duas componentes:
Componente Teórica: cada unidade apresenta
textos didá cos, documentos, imagens, pequenas
a vidades e sugestões de aprofundamento.
Componente PráƟca: cada unidade temá ca
faculta a vidades e exercícios. São sugeridas
tarefas a realizar com o acompanhamento
do professor, que visam o enriquecimento e
desenvolvimento das competências de cidadania
do aluno.
O Guia do Professor
O Guia do Professor é uma ferramenta de trabalho
desenvolvida como um recurso flexível para auxiliar o
docente a preparar, gerir, desenvolver, operacionalizar
e implementar o currículo delineado no programa
8 | Cidadania e Desenvolvimento Social
Enquadramento e Orientações Gerais | 9
de Cidadania e Desenvolvimento Social. Aborda
orientações metodológicas gerais e a avaliação das
aprendizagens em educação para a cidadania. Porém,
o maior enfoque é colocado na operacionalização do
programa, ou seja, na caracterização das unidades
temá cas e na implementação da componente
prá ca do Manual do Aluno, pois a aprendizagem em
cidadania pretende-se a va. No Guia do Professor
cada unidade é composta por:
Título: Designação da unidade temá ca.
Nota introdutória: Breve descrição dos
conhecimentos a adquirir e das competências
a desenvolver no âmbito da unidade temá ca.
Desenvolvimento da unidade temáƟca:
Apresentação, por subtema, dos conteúdos a
lecionar, metas de aprendizagem (indicam o
conhecimento, competências e compreensão
que os alunos devem desenvolver através
das a vidades de ensino e aprendizagem;
facultam ao professor um indicador para
avaliar o progresso dos alunos e rever o seu
trabalho) e a vidades prá cas. Para cada
a vidade prá ca são enumerados os seguintes
elementos:
• IdenƟficação da a vidade prá ca de
acordo com a numeração constante no
Manual do Aluno (as a vidades que não
estão contempladas no Manual do Aluno
apresentam a designação “a vidade
complementar”).
• ObjeƟvos a serem alcançados com a
realização da a vidade prá ca.
• Metodologia a u lizar.
• Tempo es mado para a realização da
a vidade.
• Material necessário à realização da
a vidade.
• Instruções para que o professor concre ze
cada a vidade prá ca.
• Reflexão onde são apresentadas possíveis
soluçõesderesposta,algumasorientações
e questões para conduzir a reflexão no
final da a vidade.
Recursos adicionais: No final de cada unidade
temá ca é facultado um conjunto de recursos
adicionais para abordar os conteúdos lecionados.
Esta lista de referências não é exaus va, cabendo
aos professores e alunos o seu enriquecimento.
Os recursos estão organizados em quatro
categorias: documentos, livros e ar gos, filmes e
sí os eletrónicos na Internet.
Na atualidade “tem vindo a tornar-se progres-
sivamente consensual a ideia de que a vida no interior
da sala de aula depende muito das estratégias e dos
materiais que os professores u lizam para idealizar,
organizar e concre zar os processos de ensino e de
aprendizagem” (Morgado, 2004: 9). A necessidade, já
sublinhada, de alterar prá cas educa vas centradas
na transmissão de conhecimentos para um enfoque
no desenvolvimento de competências de cidadania,
implicou que se estruturasse este guia como um
recurso que potencie a capacidade e o empenho do
professor em assumir essa tarefa de transformação.
Estrutura e Organização do Programa
A cidadania é um conceito complexo e mul -
dimensional que pode ser compreendido em diversos
níveis. Num primeiro nível, a cidadania pode ser
entendida como o estatuto legal de pertença de
determinado indivíduo a um Estado-nação, que lhe
confere direitos, liberdades e garan as, mas também
deveres e responsabilidades; este estatuto legal difere
com o país; por exemplo, em alguns países o voto
é obrigatório enquanto noutros é voluntário. Num
segundo nível, a cidadania envolve o comportamento
do indivíduo para com o seu semelhante; ou seja, o
assumir de responsabilidades e preocupação com o
bem comum da sua comunidade. Um terceiro nível
relaciona-se com o alcance da cidadania: um primeiro
patamar de envolvimento ocorre na comunidade
imediata (por exemplo, bairro ou vizinhança), ao
qual são acrescentados patamares cada vez mais
complexos e abrangentes, que culminam na noção de
cidadania global; ou seja, na perceção que fazemos
todos parte do mesmo mundo, e que as nossas
ações na nossa sociedade e país influenciam outras
sociedades e países.
Neste contexto, de forma a corresponder à
mul dimensionalidade da cidadania, o ciclo de
estudos da disciplina contempla uma sequência de
três níveis: individual, social e polí co (figura 1). Esta
organização tem por base o modelo ecológico do
desenvolvimento humano (Brofenbrenner, 1979) e
a sequência definida influencia a estrutura dos anos
le vos e a seleção das unidades temá cas de cada
ano le vo.
O Guia do Professor e Manual do Aluno para o 10.º
ano de escolaridade da disciplina de Cidadania e
Desenvolvimento Social foram desenvolvidos com
base na prá ca e inves gação da comunidade
cien fica e pedagógica na área da educação
para a cidadania. Ambos pretendem responder à
estruturação por unidades temá cas e subtemas
10 | Cidadania e Desenvolvimento Social
delineada no programa da disciplina para o ano le vo
em questão (quadro 1).
Onívelindividual,definidoparaoanole vosobreoqual
ambos os recursos didá cos suprac dos se reportam,
centra-se nas dimensões intrapessoal e interpessoal
do indivíduo, na construção e tomada de consciência
da iden dade individual, no desenvolvimento de
competências pessoais associadas à relação consigo
e ao autoconhecimento e no posicionamento cívico
individual em contextos sociais diversos.
Gestão do Programa
A planificação é fundamental para orientar e manter
o “fio condutor” da ação educa va. O primeiro passo
do professor consiste na reflexão sobre os conteúdos
a lecionar e metas de aprendizagem definidas para
a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento Social.
Estes aspetos necessitam ser cuidadosamente consi-
derados quando se traça o caminho para alcançar
as finalidades da disciplina. Importa referir que as
estratégias e planos divisados podem variar consoante
as circunstâncias (por exemplo, caracterís cas dos
alunos ou recursos disponíveis).
A planificação é um processo dinâmico e con nuo,
e não um ato isolado no início do ano le vo,
que se retroalimenta ao longo do processo de
ensino-aprendizagem com vista à sua melhoria e
aperfeiçoamento. Neste sen do, o processo de
planeamento é cíclico e envolve: 1) tomada de
decisões acerca dos meios efe vos para alcançar os
obje vos definidos; 2) monitorização das decisões
para iden ficar os progressos realizados; 3) revisão e
avaliação dos resultados para auxiliar o planeamento
de a vidades futuras (Llewellin, 2010). Uma boa
planificação exige uma reflexão constante ao longo do
ano le vo: “O que está a correr bem? O que poderia
correr melhor? O que se pode fazer de maneira
diferente?” (Brown & Fairbrass, 2009).
Quadro 1. Estrutura e organização das unidades temá cas para o 10º Ano
10.º Ano
Nível Individual: Ser Cidadão
Relação do indivíduo consigo e com os outros
Unidade TemáƟca Subtema
1. Direitos, Deveres e Responsabilidade
Introdução à Cidadania
Direitos Humanos
Sociedade Democrá ca
2. Desenvolvimento Pessoal e IdenƟdade
Contextos de Desenvolvimento
Desenvolvimento Pessoal
Indivíduo como Cidadão
3. ÉƟca, Valores e Comportamento Social
É ca e Moral na Sociedade Civil
Dilemas e Condutas Morais na Sociedade Civil
Desafios É cos nas Sociedades Contemporâneas
4. Comunicação e Relacionamento Interpessoal
Processo de Comunicação
Es los de Comunicação
Comunicação e Gestão de Conflitos
5. CriaƟvidade e Mudança
Cria vidade e Formas de Expressão
Dinâmica da Mudança
Cria vidade e Resolução de Problemas
IdenƟdade
CriaƟvidade
Responsabilidade
Enquadramento e Orientações Gerais | 11
Figura 1. Esquema do programa de Cidadania e Desenvolvimento Social para o ciclo de estudos
A planificação pode dividir-se em três níveis (Llewellin,
2010):
• Planificação a longo prazo: o professor calcula
o número de semanas e de aulas previstas
para o ano le vo e divide/organiza as unidades
temá cas do programa da disciplina de acordo
com os tempos le vos disponíveis.
• Planificação a médio prazo: para cada unidade
temá ca, o professor organiza os conteúdos,
metas de aprendizagem, metodologias
pedagógicas, recursos e instrumentos de
avaliação.
• Planificação a curto prazo: o professor plani-
fica/organiza cada aula: “Que conteúdos
lecionar? De que forma se ar culam/integram
com as aprendizagens anteriores e com as
aulas seguintes? Qual ou quais as metas de
aprendizagem a alcançar? Qual a metodologia
a u lizar? De que recursos precisa? Quanto
tempo deve reservar para cada momento
da aula (início, desenvolvimento, reflexão e
conclusão)?” Estas são algumas questões que
o professor pode considerar na organização de
um plano de aula (quadro 2).
A planificação a longo, médio e curto prazo
determina a forma como a disciplina de Cidadania
e Desenvolvimento Social será lecionada e cons tui
um mecanismo essencial para a ngir as finalidades
definidas. Compe rá ao professor adaptar os
conteúdos e as a vidades prá cas, previstas no
programa da disciplina e contempladas nos recursos
didá cos, às caracterís cas da turma, escola e
comunidade. Por isso, e porque uma efe va educação
para a cidadania democrá ca não se compadece
com o espar lhamento das matérias e a rigidificação
de um currículo predeterminado, não são definidos
tempos le vos para cada unidade ou subtema.
Metodologias Pedagógicas
A educação para a cidadania democrá ca deve
ser a va, intera va, per nente, significa va, cola-
bora va e par cipa va (Huddleston & Kerr, 2006,
cit. Brown & Fairbrass, 2009). Tais exigências não
se coadunam com uma educação tradicional,
baseada exclusivamente no método exposi vo
(desenvolvimento oral de um tema), de transmissão
de conhecimentos a recetores passivos (unilateral,
do professor para o aluno), centrado no “saber-
-saber”. A natureza mul dimensional da educação
para a cidadania, “englobando conhecimentos, a -
tudes, valores e competências desenvolvidos e
compreendidos em várias áreas” (Salema, 2007:
455), implica o reconhecimento e valorização da
diversidade metodológica (O’Shea, 2004). Os métodos
interroga vo e a vo coadunam-se com a aquisição de
conhecimentos e de competências de cidadania pelos
alunos, devendo ser referenciados (figura 2).
No método interroga vo o professor elabora um
conjunto de questões que ajudam a turma a refle r e
a alcançar o conhecimento pretendido. Centra-se no
domínio do “saber-saber” e do “saber-fazer”. O méto-
do a vo foca-se na u lização e/ou desenvolvimento
das capacidades dos alunos, para além da
dimensão cogni va. A sua per nência emerge do
reconhecimento que “nos processos de aprendizagem
de educação para a cidadania democrá ca, a ação
é essencial para o desenvolvimento da cidadania
a va” (O’Shea, 2003: 13). Privilegia-se a autonomia,
cria vidade, mo vação, interesse e inicia va dos
alunos, qualidade das relações interpessoais, trabalho
de grupo e cooperação, reflexão e par cipação. Este
método incide, sobretudo, no domínio do “saber-
-fazer” e do “saber-ser”.
12 | Cidadania e Desenvolvimento Social
Cidadania e Desenvolvimento Social
Ensino Secundário Geral 10º Ano
Plano de Aula
Turma: Data: Aula n.º:
Unidade TemáƟca: 2. Desenvolvimento Pessoal e Iden dade
Subtema: 2.2. Desenvolvimento Pessoal
Conteúdos:
Desenvolvimento Psicossocial | Iden dade
Ligação a aprendizagens anteriores
Relaciona-se com a aula anterior em que se introduziu o conceito de iden dade e se apresentaram os estádios de
desenvolvimento psicossocial de E. Erikson.
Metas de Aprendizagem
Compreende que a iden dade se relaciona com o modo como as pessoas se veem e sentem em relação a si próprias e
como compreendem a sua individualidade de forma consistente ao longo do tempo.
Sumário: 1) Conceito de iden dade; 2) Realização da a vidade 2.5. “Quem Sou?”
Palavras-chave: Desenvolvimento psicossocial; iden dade pessoal.
Recursos: A vidade 2.5. “Quem Sou?”
Metodologia: Simulação de papéis;
diálogo/debate.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Estrutura da Aula
Apresentar o sumário e as metas de aprendizagem; pedir aos alunos que copiem para os seus cadernos.
Início
Rever brevemente conteúdos introduzidos na aula anterior: estádios de desenvolvimento psicossocial e
conceito de iden dade.
Principais Conteúdos/AƟvidades
Explicar aos alunos que vão realizar uma a vidade que pressupõe a simulação de uma entrevista para um
programa de televisão in tulado “Quem Sou?”. Formar grupos de dois e propor que se entrevistem um ao
outro, u lizando as questões descritas no Manual do Aluno. Pedir que, tendo por base as suas respostas à
entrevista, cada um escreva no seu caderno um pequeno texto que o caracteriza.
Reflexão
Explicar aos alunos que as narra vas que fazemos sobre nós próprios variam consoante a situação social.
Propor que pensem em como se apresentariam se es vessem nas seguintes situações sociais: a) numa
entrevista de emprego; b) com uma pessoa que acabaram de conhecer numa festa; c) com uma pessoa
que acabaram de conhecer num país estrangeiro. Refle r se as descrições contemplam sempre os mesmos
elementos, se são introduzidos novos elementos ou re rados outros e quais as razões das diferenças: “Que
aspetos se mantêm de umas descrições para outras? Serão esses os aspetos centrais da sua iden dade?”
Conclusão
Rever e sumariar com os alunos as a vidades desenvolvidas, retomando as metas de aprendizagem.
Introduzir a a vidade 2.6. a realizar na aula seguinte.
Tempo
5 minutos
5 minutos
20 minutos
15 minutos
5 minutos
Avaliação
Par cipação a va na a vidade; cooperação com os colegas; compreensão revelada do conceito de iden dade.
Extensão e Ligação às Aulas Seguintes
Na aula seguinte os alunos realizam uma a vidade com o obje vo de refle rem sobre a sua iden dade e consolidarem o
conhecimento sobre os conteúdos veiculados nesta aula.
Aprendizagem Complementar/Trabalho para Casa
Propor aos alunos que preparem a aula seguinte, reunindo os objetos necessários à realização da a vidade 2.6.
“Representações da Minha Iden dade”.
Quadro 2. Exemplo de um plano de aula (adaptado de Brown & Fairbrass, 2009)
Enquadramento e Orientações Gerais | 13
14 | Cidadania e Desenvolvimento Social
de competências sociais. Um dos princípios da
aprendizagem coopera va consiste em estabelecer
uma “interdependência posi va” entre os alunos,
ou seja, todos trabalharem com a mesma finalidade.
Cada indivíduo tem um papel a desempenhar na
prossecuçãodasmetasdefinidas,quesecomplementa
à ação de outros indivíduos, e cujo resultado tem
efeitos no grupo. Neste contexto, o professor assume
o papel de organizador, dinamizador e mediador que
auxilia os alunos a alcançarem os obje vos. Através da
aprendizagem coopera va os alunos apropriam-se do
conhecimento,tornando-omaissignifica vo.Também
permite que o processo de ensino não se limite ao
acesso a um conjunto de conteúdos transmi dos pelo
professor, mas se estenda a uma aprendizagem efe va
que capacita os alunos a exercerem uma cidadania
mais a va (Freitas & Freitas, 2002; Lopes, Rutherford,
Cruz, Mathur, & Quinn, 2006).
Para promover a aprendizagem a va e coopera va,
capaz de proporcionar aos alunos a oportunidade de
refle r e agir, o professor pode recorrer a diversas
metodologiaspedagógicas,entreasquaissedestacam
(Pureza, 2001; Afonso, 2005; Jardim & Pereira, 2006;
Neves, Garrido & Simões, 2008; Brown & Fairbrass,
2009):
• Clarificação de valores: consiste no reconhe-
cimento do sistema de valores do aluno com
recurso a vários exercícios teóricos e prá cos e à
discussão de problemas morais.
Estes métodos encontram-se in mamente relacio-
nados com duas estratégias de aprendizagem
complementares, referenciadas no programa da
disciplina: aprendizagem a va e aprendizagem
coopera va.
A aprendizagem aƟva consiste no processo de
“aprender fazendo” ou “aprender pra cando”,
baseado no pressuposto que a par cipação a va
dos alunos é favorável ao sucesso escolar. Considera-
-se que os alunos aprendem melhor quando: são
incen vados a refle r, debater e resolver problemas;
têm a oportunidade de colocar em prá ca as suas
ideias e conhecimentos com os colegas; os novos
conhecimentos estão relacionados com experiências
verídicas; executam tarefas que se baseiam nos seus
conhecimentos, permi ndo reforçá-los e alargá-los;
detêm um certo controlo sobre as suas aprendizagens
(Kristensen, Sander-Regier, Merhy, & McColl, 2007). O
aluno deve ser perspe vado como um sujeito a vo no
processo de ensino e aprendizagem, e não como um
recetor passivo de conhecimentos.
A aprendizagem cooperaƟva consiste no processo
de “aprender a par r de e com os outros” (O’Shea,
2003: 14). Trata-se de uma estratégia de ensino
baseada na interação social que privilegia os
processos ou dinâmicas de grupo com o obje vo de
promover aprendizagens significa vas no âmbito dos
conteúdos a lecionar e potencia o desenvolvimento
Figura 2. Métodos pedagógicos e competências a desenvolver
Enquadramento e Orientações Gerais | 15
que envolva todos sujeitos implicados; assume-se
como uma das possíveis vias para a concre zação
da educação para a cidadania no contexto escolar.
• Simulação de papéis: trata-se de uma
drama zação, baseada numa situação real ou
hipoté ca, que é explorada pedagogicamente. Os
alunossãoconfrontadoscomumasituaçãonaqual
têm de assumir diversos papéis. A simulação de
papéis proporciona aos alunos a oportunidade de
analisarem os seus comportamentos, experimen-
tarem colocar-se no lugar do outro, contactarem
com diferentes perspe vas e receberem feedback
sobre os seus comportamentos. Esta metodologia
contemplatrêsetapas:1)“preparação”(momento
para a apresentação da situação, definição dos
obje vos, atribuição dos papéis, esclarecimento
de dúvidas); 2) “representação” (simulação
de papéis); 3) “exploração” (feedback sobre a
experiência, síntese e reflexão sobre as principais
conclusões).
• “Tempestadedeideias”:visaes mularaprodução
de ideias através da diversidade de pensamentos
e opiniões de cada pessoa. Esta metodologia é
u lizada para suscitar ideias cria vas ou para
averiguar o grau de conhecimentos do grupo
acerca de um determinado tema.
• Trabalho criaƟvo: consiste na realização de
trabalhos manuais que servem para es mular a
capacidade de reflexão, imaginação e cria vidade
dos alunos.
• Trabalho de pesquisa / metodologia de
invesƟgação: baseia-se na pesquisa e análise de
informação,discussãodosresultadoseelaboração
de conclusões sobre temas relacionados com a
cidadania. Es mula a autonomia, cria vidade,
capacidade de análise, reflexão e argumentação
• Diálogo/debate: potencia o desenvolvimento
de competências de expressão, comunicação e
argumentação. Os debates devem incidir sobre
assuntos per nentes no âmbito da cidadania
e podem ser propostos pelo professor ou pelos
alunos.
• Discussão de dilemas: incide sobre a discussão
de questões morais através da análise de dilemas,
histórias e problemas hipoté cos ou reais,
suscitando o confronto de opiniões. A discussão
de dilemas visa promover o desenvolvimento
sócio-moral do aluno.
• Discussão em painel: consiste na discussão de
um tema com um especialista na área. O orador
pode ser um inves gador, técnico exterior à
escola, professor ou aluno. Esta metodologia é
frequente em colóquios e conferências, exigindo
uma preparação com antecedência.
• Estudo de caso: um estudo de caso corresponde à
análiseaprofundadadeumasituaçãoouproblema
ancorado na realidade. Enquanto metodologia
pedagógica permite conhecer problemas e
questões de cidadania, gerar discussão em torno
de várias temá cas e desenvolver a capacidade
de análise e reflexão dos alunos.
• NarraƟvas: as narra vas históricas, lendárias,
tradicionais ou épicas, cons tuem meios
privilegiadosparaveicularmensagensmorais,pois
incitam à expressão de sen mentos e à adoção de
um posicionamento perante a narra va.
• ParƟcipação na elaboração de regulamentos
comunitários: a elaboração de um regulamento
implica uma discussão aprofundada dos seus
pressupostos. Deve ser um processo par lhado
16 | Cidadania e Desenvolvimento Social
nomeadamente quanto à conformidade com o
contexto local dos alunos, a fim de concre zar as
metas de aprendizagem definidas.
Avaliação das Aprendizagens
A avaliação cons tui um elemento fundamental do
processo de ensino e aprendizagem, que contempla
a recolha e tratamento de informação colocada
ao serviço da melhoria das aprendizagens dos
alunos. Deve ser entendida como “um instrumento
de regulação con nua do processo de ensino e
aprendizagem, no qual se integra e sobre o qual
recolheinformaçãotendoemvistaorientarqueraação
pedagógica do professor, quer a a vidade pedagógica
do aluno” (Barbosa & Alaiz, 1994). É con nua porque
ocorre ao longo de todo o ciclo de estudos. Tem uma
dimensão de regulação pois permite a “iden ficação
dos pontos fortes e das necessidades dos alunos (…)
cons tuindo o feedback fornecido aos alunos, um
dos seus factores-chave” (Departamento do Ensino
Secundário, 2001).
A explicitação clara dos critérios de avaliação pelo
professor, para si próprio e para os alunos, afigura-
-se crucial em todo o processo. O professor necessita
clarificar, para si, o que vai avaliar, quando e com que
meios, tendo em conta o conjunto de competências
cogni vas, é co-afe vas e sociais definidas no
programa de Cidadania e Desenvolvimento Social
(quadro 3) e as metas de aprendizagem estabelecidas
para cada unidade temá ca. Nesse sen do, a
planificação da avaliação é parte integrante e
crucial da planificação didá ca (Barbosa & Alaiz,
1994). O aluno deve saber o que é esperado do seu
desempenho; por isso necessita de informação clara
sobre as competências a desenvolver, os conteúdos a
abordar e as metas de aprendizagem a alcançar.
do aluno. Quando envolve trabalho de campo,
isto é, a recolha de dados em contextos exteriores
à escola (por exemplo, entrevistas a membros da
comunidade ou ins tuições locais), potencia o
conhecimento da comunidade e a par cipação
social.
• Trabalho de projeto: deve incidir sobre um
tema significa vo para os alunos, capaz de os
mo var e envolver no planeamento, execução e
avaliação; deve potenciar o desenvolvimento de
competências, tais como a recolha e análise da
informação, cooperação, tomada de decisões,
espírito de inicia va e cria vidade. O trabalho
de projeto contempla as seguintes etapas: 1)
“delimitação” do objeto de estudo ou problema a
analisar; 2) “planificação” (recursos necessários,
iden ficação de possíveis constrangimentos,
divisão de tarefas, seleção dos instrumentos de
recolha de dados); 3) “desenvolvimento” que
integraotrabalhodecampo(ondeseprocede,por
exemplo, à consulta bibliográfica e à realização de
entrevistas) e a análise dos dados recolhidos; 4)
“apresentação” do projeto (definindo o público-
-alvo e as formas de apresentação: cartazes,
drama zações, exposições orais, discussões em
painel, entre outras); 5) “avaliação” do projeto.
Esta breve explicação sobre cada metodologia
pedagógica pretende auxiliar o professor a dinamizar
as aulas de Cidadania e Desenvolvimento Social,
sendo por isso referidas nas a vidades prá cas
propostas. Porém, as estratégias pedagógicas não
se esgotam nos exemplos apresentados. Todas as
inicia vas que promovam a par cipação a va dos
alunos no processo de ensino-aprendizagem e o
desenvolvimento de competências sociais podem
ser implementadas. Compete ao professor avaliar a
per nência e adequação das metodologias e, sempre
que necessário, proceder às devidas alterações,
Enquadramento e Orientações Gerais | 17
Quadro 3. Competências específicas da disciplina (Pureza, 2001)
Competências
cogniƟ
vas
Vertente
jurídico-
-políƟ
ca
• Conhecimento das regras da vida cole va e do procedimento democrá co que subjaz à sua
elaboração, aplicação e sedimentação social.
• Conhecimento das diferentes esferas de poder e ins tuições públicas e da sociedade civil
presentes numa sociedade democrá ca.
• Reconhecimento da importância de tais regras e ins tuições na ar culação de direitos e
deveres.
• Conhecimento dos direitos individuais e cole vos e das responsabilidades individuais e sociais.
Vertente
do
mundo
atual
ou
histórico-cultural
• Conhecimento dos problemas e interrogações que se colocam às sociedades contemporâneas,
numa dupla dimensão histórica e cultural.
• Aquisição de saberes que fomentem intervenções devidamente fundamentadas em debates
públicos.
• Capacidade de dosear o conhecimento técnico e especializado com compreensões amplas e
de enquadramento geral.
• Capacidade de analisar cri camente a sociedade, antecipar problemas e formular soluções
estruturais a longo prazo.
Vertente
processual
• Conhecimento sobre como se pode refle r, argumentar, debater, cri car e intervir, à luz de
princípios como o da primazia dos direitos humanos, das possibilidades efe vas e limites de
concre zação e da solução pacífica das controvérsias.
• Saber inerente à conceção, planificação, organização e avaliação de ações ou projetos, assente
na premissa de que é tão importante conhecer os direitos e deveres do cidadão como conhecer
a forma de os assegurar, reivindicar ou exercer.
Vertente
dos
princípios
e
valores
dos
direitos
humanos
e
da
cidadania
democráƟ
ca
• Conceção do ser humano fundamentada na igualdade, liberdade e dignidade de todos os
indivíduos.
• Reconhecimento dos valores da pessoa (independentemente da raça, sexo, etnia, religião,
língua, cultura, entre outros) perante qualquer po de discriminação.
• Compromisso para com o desenvolvimento pleno das qualidades essenciais da pessoa,
independentemente do contexto, situação ou lugar do mundo em que se encontra.
Competências
éƟ
co-afeƟ
vas
• Adesão interior, e não apenas imposta exteriormente de modo racional, legal ou formal, aos
valores da cidadania democrá ca de liberdade, igualdade e solidariedade.
• Construção pessoal de um sistema de valores, de forma racional e crí ca, que inclua uma
dimensão afe va e emocional.
• Reconhecimento da existência do Outro e aceitação posi va da diferença e diversidade, do
respeito e da confiança no Outro, da capacidade dialógica e de reciprocidade, e de aceitação
da combinação entre não discriminação e discriminação posi va como forma de ultrapassar a
indiferença inerente a a tudes de suposta tolerância.
Competências
sociais
• Coexistência e cooperação: capacidade de viver com os outros, de construir e desenvolver
projetos conjuntos, de assumir responsabilidades, e de se relacionar com a diferença económica,
cultural ou polí ca do outro.
• Resolução de conflitos: capacidade de solucionar pacificamente e através do diálogo os
conflitos em que o próprio está envolvido, ou que ocorrem exclusivamente entre outros, de
acordo com os princípios democrá cos.
• Intervenção crí ca: capacidade de tomar parte em debates públicos, de argumentar, ouvir,
contra-argumentar e decidir.
18 | Cidadania e Desenvolvimento Social
A avaliação é um processo complexo, presente ao
longo de todo o ano le vo, que contempla três
modalidades de avaliação:
• Avaliação diagnósƟca: corresponde ao momento
de avaliação inicial e poderá ocorrer, por exemplo,
no início do ano le vo, de um período, ou de uma
unidade temá ca. Tem como finalidade informar
o professor acerca do nível de conhecimentos dos
alunos face às aprendizagens que lhes vão ser
propostas.Tambémpodeserusadaparaiden ficar
conhecimentos dos alunos considerados pré-
-requisitos para uma nova unidade temá ca
ou aprendizagem. Podem ser u lizadas várias
técnicas de avaliação, tais como: provas escritas
de conhecimento/diagnós co, ques onários de
autoavaliação, grelhas de observação. Atendendo
à sua natureza diagnós ca, os dados recolhidos
cons tuem indicadores do nível de conhecimento
dos alunos (função de auscultação) que permitem
ao professor adaptar e adequar a sua ação. Por
este mo vo a avaliação diagnós ca suprime a
atribuição de classificação.
• Avaliação formaƟva: fornece informações acerca
do desenvolvimento do processo de ensino
e aprendizagem. Centra-se no desempenho
dos alunos na realização das a vidades e na
concre zação das metas de aprendizagem e
assume uma função reguladora. Permite que:
1) os professores efetuem ajustamentos nas
suas planificações e metodologias pedagógicas;
2) os alunos analisem situações, reconheçam
progressos e corrijam eventuais erros face às
tarefas que lhes são propostas. Visa assegurar
a adequação do processo de formação às
necessidades e expecta vas de cada aluno.
Considera-se essencial que os alunos compreendam
que, em matéria de cidadania, é necessária a
aquisição de um conjunto de conhecimentos, mas
que o conhecimento, por si mesmo, é insuficiente
para garan r um comportamento cívico responsável.
É imprescindível aliar teoria e prá ca, reflexão e ação.
O seguinte excerto de um livro de Antunes da Silva
(cit. Pureza, 2001: 95) poderá auxiliar os alunos a
entenderem a necessidade de avaliar as competências
de natureza social e é co-afe va, para além das
puramente cogni vas:
Ouvia dizer que a educação de cada um em
casa ou na escola concorria para a formação do
carácter. Que seria o carácter? E a professora
explicava com a sua voz suave e pausada: “Ter
carácter, meus meninos, é ser-se bom e honesto!”
O que era exactamente ser-se bom e honesto? E a
mestra conƟnuava a lição: “Ser-se bom e honesto
é não fazer mal a ninguém e não arrecadar os lápis
dos outros quando temos os nossos…” Eu quase
compreendia, mas depois vinham-me as dúvidas.
Um moço chamado Alcibíades (filho do dono de
uma fábrica e de uma senhora que era suíça, era
um aluno muito aplicado, defensor dos fracos,
considerado o moço mais inteligente da escola, o
queƟnhaosmaislisonjeirosaménsdaprofessora),
no caminho da escola para casa, logo que via
um gato, apedrejava-o, mal via um cão pequeno
(que dos maiores fugia ele), dava-lhe pontapés e,
ainda pior, é que, beiral atrás de beiral, punha-se
a derrubar os ninhos das andorinhas. Ser inimigo
dos animais, maltratar os indefesos… teria o
Alcibíades bom carácter(?), interrogava-me eu.
Eu por mim, procurava cumprir fielmente o que
os livros da classe diziam e o que a professora me
ensinava, julgando poder assim contribuir para
que o universo fosse um paraíso de concórdia.
Antunes da Silva, O Amigo das Tempestades
Enquadramento e Orientações Gerais | 19
• Teste escrito ou trabalho práƟco: averigua
a capacidade de escuta e compreensão oral,
interpretação da leitura e expressão escrita,
através das respostas e dos trabalhos dos alunos.
• Projeto: visão sobre o processo de concre zação
doprojetoesobreasuaqualidade,ondeépossível
avaliaracapacidadede:trabalharindividualmente
e em grupo; recolher, analisar e sistema zar
informação; recorrer a fontes de informação
dis ntas e relacionar os conhecimentos teóricos
com os dados provenientes do contexto.
• Observação do professor: recolha de informações
sobredomíniostãodiversoscomoconhecimentos,
capacidade de expressão, hábitos de trabalho,
cria vidade, a tudes, par cipação, pontualidade
e assiduidade.
• Avaliação sumaƟva: realiza-se em momentos-
-chave do ano le vo (por exemplo, no final do
período ou do ano le vo) e pretende fazer um
balanço global das aprendizagens dos alunos,
anteriormente avaliadas de forma parcial, e
determinar o seu grau de domínio face às metas
de aprendizagem previamente estabelecidas.
Noiníciodoanole vo,osalunosdevemserinformados
acerca dos procedimentos de avaliação (por exemplo,
quando irá decorrer e com que finalidades) e sobre o
peso de cada modalidade de avaliação na nota final.
O processo de avaliação é par cularmente desafiador
na educação para a cidadania, pois centra-se na
formação de jovens cidadãos dotados de um conjunto
de competências nem sempre fáceis de obje var. Por
isso, a mensuração das competências específicas,
principalmente é co-afe vas e sociais, exige um
esforço adicional de reflexão do professor quanto às
técnicas de avaliação a u lizar. Considerando que a
avaliação em cidadania deve abranger um conjunto
variado de competências e pode ocorrer em diversos
contextos/momentos, torna-se relevante diversificar
as a vidades de avaliação (Bhargava, 2010). Seguem-
-se alguns exemplos:
• Apresentação oral: permite analisar as compe-
tências de comunicação/argumentação e o rigor
conceptual do discurso.
• Autoavaliação: concede ao aluno um instrumento
de análise sobre as suas aprendizagens, que
lhe permite iden ficar dificuldades e procurar
soluções.
I N T R O D U Ç Ã O
Ao longo da primeira unidade temáƟca, sem pretensão
de exausƟvidade, são abordadas questões essenciais
para o aluno compreender e problemaƟzar o significado e
significância da cidadania no contexto de uma sociedade
democráƟca que observa e respeita os direitos humanos
fundamentais.
22
22
22
25
27
30
Unidade Temá ca 1. Direitos , Deveres e
Responsabilidade
1.1. Nota Introdutória
1.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 1.1. Introdução à Cidadania
Subtema 1.2. Direitos Humanos
Subtema 1.3. Sociedade DemocráƟca
1.3. Recursos Adicionais
Unidade Temática 1 | Direitos, Deveres e Responsabilidade
22
1.1. Nota Introdutória
Ao longo da primeira unidade temá ca, sem
pretensão de exaus vidade, são abordadas questões
essenciais para o aluno compreender e problema zar
o significado e significância da cidadania no contexto
de uma sociedade democrá ca que observa e respeita
os direitos humanos fundamentais. No primeiro
subtema são afloradas as raízes históricas do conceito
decidadania,assuasdimensõesclássicas(civil,polí ca
e social), a sua atualização na contemporaneidade
como resposta a desafios recentes, e a relação
fundamental entre direitos e deveres que implica. O
segundo subtema centra-se nos direitos humanos,
nos seus princípios básicos e trajeto histórico,
incluindo organizações e instrumentos ins tuídos e
desenvolvidos para a sua promoção e prevenção de
eventuais violações. O mote do terceiro subtema é
a sociedade democrá ca contemporânea, os seus
valores polí cos, as forças e fraquezas que encerra e
a forma como se posiciona face a outras formas de
governação.
1.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 1.1. Introdução à Cidadania
Conteúdos
• Raízes históricas da cidadania
• Conceito de cidadania
• Cidadania na contemporaneidade
Metas de Aprendizagem
• Reconhece que a cidadania é um conceito
que evolui a par do desenvolvimento das
sociedades. Enuncia as principais fases do
seu desenvolvimento, desde a An guidade
Greco-Romana até à Revolução Francesa
e à Declaração dos Direitos do Homem e
do Cidadão, reconhecendo a sua constante
atualização na contemporaneidade.
• Caracteriza a cidadania como um conceito
polissémico, diferenciando a aceção restrita (de
vínculo jurídico ao Estado) da conceptualização
alargada (de vínculo informal a uma comu-
nidade), e iden fica as implicações desta
diferenciação ao nível da par cipação cívica.
• Compreende o significado alargado do conceito
de cidadania e a sua aplicabilidade a vários
contextos sociais (destacando o familiar, escolar
e comunitário), facultando exemplos da sua
vida quo diana.
• Reconhece que a vida em comunidade no
geral, e no meio escolar em par cular, implica
a assunção de direitos e deveres pelos seus
elementos.
• Define bem comum e interesses comuns em
relação a vários níveis de organização social,
como a escola, a família ou a nação.
Componente PráƟca
• Direitos e Deveres (A vidade 1.1.)
• A Ilha Deserta (A vidade 1.2.)
AƟvidade 1.1. Direitos e Deveres
ObjeƟvos: Aumentar o conhecimento sobre a vida na
comunidade, os direitos, deveres e responsabilidades;
consciencializar para a importância dos regulamentos
numacomunidade,atravésdaexplicitaçãodosdireitos
e deveres dos indivíduos que a integram; promover a
reflexão sobre o bem comum em diferentes níveis de
organização social; compreender a associação entre
direitos e responsabilidades; desenvolver o sen do
de responsabilidade na comunidade.
Metodologia: Diálogo/debate; par cipação na elabo-
ração de regulamentos comunitários.
Tempo: 50 minutos.
Material: Regulamento interno da escola, papel,
caneta ou lápis.
Unidade Temática 1 | 23
Instruções: Solicite aos alunos que pensem no que
é o bem comum na família, turma, escola e país, e
quais os direitos, deveres e responsabilidades que
cada um assume nesses diferentes contextos. De
seguida, e após a consulta do regulamento interno
da escola, proponha aos alunos a elaboração de
um regulamento da turma que defina as regras de
comportamento necessárias para uma boa relação
entre todos os elementos da turma e que promovam
o bem comum. As regras devem ser definidas,
aceites e cumpridas por todos. Peça aos alunos para
registarem as regras num contrato que todos deverão
assinar e afixar na sala de aula (sugestões de regras a
estabelecer: regulação do uso da palavra na sala de
aula, movimentos permi dos na sala de aula, normas
de postura na sala de aula, normas de respeito pelos
colegas, funcionários e professores, deveres de
preservação do património escolar).
Reflexão: Frequentemente os alunos pensam que
as aulas de educação para a cidadania pretendem
transformá-los em “bons” cidadãos, que não deitam
lixo para o chão e que diligentemente par cipam
nas eleições. Apesar destes comportamentos serem
importantes, um cidadão “a vo” é mais do que
isso. A cidadania a va envolve o conhecimento das
regras de uma comunidade e do papel que cada um
desempenha, tendo em vista o bem comum. Assim,
a cidadania não se reduz ao usufruto de direitos,
mas implica também a assunção de deveres. A
cidadania a va também pressupõe a par cipação
a va nas diferentes comunidades a que se pertence.
O exercício de elaboração do regulamento da turma
permite a par cipação dos alunos na construção de
um documento regulamentador que os irá afetar
diretamente.
AƟvidade 1.2. A Ilha Deserta
Nota: Esta ficha de trabalho aborda conteúdos
inerentes a todos os três subtemas que compõem a
unidade.
ObjeƟvos: Operacionalização dos conceitos de direi-
tos, deveres e comunidade.
Metodologia: Diálogo/debate; simulação de papéis.
Tempo: 50 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Organize os alunos em pequenos grupos
e descreva um cenário em que cada grupo foi
colocado numa di cil situação de isolamento, como
por exemplo, numa ilha deserta, em que necessitam
cooperar para sobreviver.
Reflexão: As questões que irão ser abordadas são:
a) O que é uma comunidade?
As instruções facultadas aos alunos são as seguintes:
1) Vais criar uma personagem que viajava no barco
naufragado e atribuir-lhe um nome, um sexo, uma
profissão, uma idade, e outras caracterís cas que te
lembres.
2) Apresenta a personagem que criaste aos teus
colegas e coloca um papel à tua frente com as suas
caracterís cas.
Introduza questões sobre as personagens que os
alunoscriaram:“Emquesãosemelhantes?Emquesão
diferentes?”. Enfa ze que uma comunidade assenta,
principalmente, num conjunto de indivíduos com
semelhanças e diferenças que devem ser respeitadas.
b) O que são direitos?
As instruções facultadas aos alunos são as seguintes:
3) Refere três direitos que achas que devem ser
garan dos a todos os elementos do grupo.
4) Depois de os escreveres numa folha de papel,
indica os valores que lhes estão associados, como por
exemplo liberdade ou igualdade.
direitos seja inaceitável? Existem direitos que nunca
devem ser re rados às pessoas?”
4) O que é uma comunidade democráƟca?
As instruções facultadas aos alunos são as seguintes:
10) Reflete sobre como vão tomar decisões e como é
que a autoridade vai ser distribuída.
11) Compara a comunidade que criaste com a
comunidade ou país em que vives.
Coloque a seguinte questão: “Quem tem a autoridade
e como são tomadas decisões?”. Complemente com
a explicitação dos procedimentos democrá cos. Por
exemplo: “Todos os elementos votam em todas as
decisões ou o grupo vota num ou mais elementos
para que liderem e tomem decisões? Quais são
os bene cios e desvantagens de cada uma destas
opções? (democracia direta e representa va)”. Por
úl mo, encoraje os alunos a comparar o cenário que
construíram com a comunidade em que vivem.
O Manual do Aluno contém ainda uma úl ma
instrução, essencialmente como sugestão de
aprofundamento das matérias fora da sala de aula:
12) Existem muitos países com graves problemas
sociais e conflitos, onde os direitos que definiram para
a “Ilha Deserta” não são garan dos nem respeitados.
Recolhe materiais na imprensa que ilustrem essas
violações dos direitos. Com o material que recolheste,
e com aquele que criaste com os teus colegas para
a vossa “Ilha Deserta”, constrói um jornal de parede.
5) Discute as tuas propostas com os teus colegas
de grupo e compara-as com as sugestões que eles
apresentam.
6) Faz uma lista com todas as propostas apresentadas.
Analisa atentamente essa lista, tomando em conta
quais os direitos que se podem contradizer.
Neste momento os alunos refletem sobre a
possibilidade dos direitos de um indivíduo poderem
entrar em conflito com os direitos da comunidade.
Caso os alunos não iden fiquem direitos em conflito,
o professor deverá mencionar essa possibilidade.
Posteriormente, lance o debate com as questões:
“Quem deverá garan r que a lista de direitos é
respeitada? Quem tem deveres e responsabilidades
neste aspeto?”, fazendo a ligação com o ponto
seguinte da a vidade.
c) O que são deveres?
As instruções facultadas aos alunos são as seguintes:
7) Refere deveres ou responsabilidades que achas que
devem ser assumidos pelos elementos do grupo.
8) Depois de os escreveres numa folha de papel,
discute a tua proposta com os restantes elementos e
elabora uma lista.
9) Compara a lista de deveres com a lista de direitos
e procura conflitos entre os dois. Existe algum dever
que ponha em causa um direito?
Aqui os alunos deverão refle r sobre as seguintes
questões: “Existem alguns elementos do grupo que
têm mais responsabilidades do que outros? Existem
elementos do grupo que não aceitam alguns deveres
ou existem deveres que entram em conflito com os
seus direitos?”
O professor deverá mo var o debate, introduzindo
outras questões, como por exemplo: “Quando alguém
negligencia os seus deveres, deve perder os seus
direitos? Existe alguma situação em que re rar os
24 | Direitos, Deveres e Responsabilidade
• Discute assuntos delicados (por exemplo: se a
u lizaçãodecâmarasdevigilânciaparaprevenir/
combater o crime é aceitável; se deve ser
facultado o direito de greve aos trabalhadores
que ocupam cargos imprescindíveis ao normal
funcionamento da sociedade; se o direito
de liberdade religiosa significa que qualquer
prá ca religiosa deverá ser permi da, como
por exemplo os pais negarem uma transfusão
de sangue aos filhos por mo vos de crença
religiosa), facultando argumentos para as suas
ideias e mostrando respeito pelas ideias dos
outros.
• Reflete cri camente sobre os seus valores
pessoais e na forma como se comporta na
relação com os outros em diversos contextos
sociais.
Componente PráƟca
• Desenha um Direito Humano (A vidade 1.3.)
• Os Direitos Humanos São Respeitados no
Mundo? (A vidade 1.4.)
• Direitos Humanos em Debate (A vidade 1.5.)
AƟvidade 1.3. Desenha um Direito Humano
ObjeƟvos: Promover o conhecimento e familiarização
com os direitos contemplados na Declaração Universal
dos Direitos Humanos; desenvolver a colaboração
entre pares e fomentar o pensamento cria vo.
Metodologia: Jogo de equipa.
Tempo: 50 minutos.
Material: Declaração Universal dos Direitos Humanos
(DUDH), papel e caneta ou lápis.
Instruções:
1) Solicite aos alunos que se dividam em grupos de
quatro a cinco elementos e escolham um nome para
a sua equipa.
Subtema 1.2. Direitos Humanos
Conteúdos
• História dos direitos humanos
• Declaração Universal dos Direitos do Humanos
e outras convenções e tratados
• Organização das Nações Unidas e organizações
não-governamentais de defesa dos direitos
humanos
• Violações dos direitos humanos
Metas de Aprendizagem
• Conhece a origem dos princípios e acordos
internacionais de Direitos Humanos e o seu
desenvolvimento ao longo do tempo. Iden fica
as atrocidades ocorridas na II Guerra Mundial
que conduziram à elaboração da Declaração
Universal dos Direitos Humanos.
• Reconhece a universalidade dos Direitos
Humanos, ou seja, a sua aplicação a toda a
humanidade, independentemente da idade,
género ou nacionalidade. Reconhece que os
Direitos Humanos afetam a vida de todas as
pessoas, independentemente do local ou época
em que vivem.
• Compreende que convenções internacionais,
como a Convenção Internacional sobre os
Direitos da Criança ou a Convenção das Nações
Unidas rela va ao Estatuto dos Refugiados,
foram criadas para prevenir que pessoas
em posições de poder (tais como polí cos,
empregadores, pais ou professores) abusem
desse poder.
• Conhece as convenções e tratados
internacionais sobre direitos fundamentais
e manifesta competências de pesquisa na
iden ficação de normas de direitos humanos
em desenvolvimento.
• Recorre ao trabalho de pesquisa para facultar
exemplos de violações dos Direitos Humanos
no passado e/ou no presente, e elencar as
ações levadas a cabo por indivíduos e/ou
organizações, a nível nacional ou internacional,
para combater essas violações.
Unidade Temática 1 | 25
acerca dos direitos humanos? Acham que os direitos
humanos são importantes nas vossas vidas? Que
direitos têm mais importância nas vossas vidas?”
AƟvidade 1.4. Os Direitos Humanos São
Respeitados no Mundo?
ObjeƟvos: Promover a pesquisa, análise e seleção de
informação, assim como a discussão dos resultados e
elaboração de conclusões sobre violações dos direitos
humanos no mundo.
Metodologia: Trabalho de pesquisa.
Tempo: Desenvolve-se num período de tempo a
determinar pelo professor.
Material: Acesso aos meios de comunicação social
e/ou Internet; Declaração Universal dos Direitos
Humanos.
Instruções:Soliciteaosalunosque,individualmenteou
em grupo, pesquisem relatos de violações de direitos
humanos nos meios de comunicação social. Para cada
situação os alunos devem procurar iden ficar: os
acontecimentos relatados; os direitos humanos em
risco; os locais onde as violações ocorrem; as pessoas
e ins tuições envolvidas; as ações desenvolvidas
para tentar solucionar o problema. Com base nestas
informações elaboram um relatório que apresentam
à turma.
Reflexão: Apesar de exis rem declarações, pactos
e tratados internacionais que visam a promoção e
defesa dos direitos humanos, con nuam a subsis r
inúmeras situações em que estes são colocados
em causa ou não são cumpridos. Exemplos de
questões para mo var o debate sobre os trabalhos
apresentados são: “Qual é o papel dos Estados e das
2) Faculte a seguinte explicação: “Nesta a vidade vão
trabalhar em grupo. Irei entregar a um representante
de cada grupo uma pequena folha com um ar go da
DUDH para que o desenhem. Os restantes elementos
do grupo têm de adivinhar qual é o direito através do
desenho. A primeira equipa a acertar ganha 1 ponto;
vamos fazer várias rondas e ganha o jogo a equipa que
acumular mais pontos”.
3) Inicie a primeira ronda convocando um membro
de cada equipa; dê-lhes um direito (por exemplo,
“direito à vida” ou “direito à educação”); todos os
representantes das equipas recebem o mesmo
direito; assegure-se que existe alguma distância entre
os grupos para que não ouçam o que se passa nas
outras equipas.
4) Peça que voltem para os seus grupos e desenhem o
direito (só estão autorizados a desenhar; não podem
escrever palavras ou números, nem podem falar,
exceto para confirmar uma resposta certa).
5) A equipa só pode tentar adivinhar, não pode fazer
perguntas. A ronda termina quando um dos grupos
adivinhar qual o direito desenhado.
6) No final de cada ronda, peça aos alunos que
escrevam o nome do direito nos seus desenhos
(mesmo que não os tenham acabado).
7) Inicie a segunda ronda, chamando um elemento
diferente, procurando assegurar que todos os alunos
têm a oportunidade de serem desenhadores.
8) No final, peça aos alunos para afixarem os seus
desenhos.
Reflexão: Reveja a a vidade com os seus alunos e
introduza as seguintes questões: “Desenhar direitos
humanos foi mais fácil ou di cil do que esperavam?
Que imagens escolheram desenhar para um direito?
Os diferentes desenhos do mesmo direito podem ser
comparados? Houve muitas maneiras de desenhar
o mesmo direito ou todos desenharam de forma
semelhante? Descobriram coisas que não sabiam
26 | Direitos, Deveres e Responsabilidade
Reflexão: Muitos dos tópicos abordados no currículo
da disciplina são controversos e polémicos. Por isso,
afigura-se relevante que os alunos sejam expostos a
estes temas e questões, que são parte integrante da
vida social contemporânea. Nesse sen do, o principal
obje vo desta a vidade não é chegar a conclusões
defini vas, mas desenvolver competências pessoais
de escuta e aceitação das opiniões dos colegas, defesa
e argumentação das ideias próprias e capacidade
para lidar com o conflito. O professor deverá
abster-se de dar a sua opinião pessoal ou revelar as
suas preferências, evitando apresentar-se como a
autoridade que define o que é “certo” ou “errado”.
Subtema 1.3. Sociedade DemocráƟca
Conteúdos:
• Formas de governação e de par cipação dos
cidadãos na vida polí ca
• Regimes democrá cos e regimes an demo-
crá cos
• Vantagens e desvantagens da democracia
• Direitos, deveres e a Cons tuição da RDTL
Metas de Aprendizagem:
• Iden fica países que vivem em democracia e
países que vivem sob várias formas de ditadura,
elencando as diferenças ao nível polí co, social
e económico.
• Iden fica valores democrá cos, competências
cívicas, vícios do Estado e do cidadão e virtudes
sociais.
• Reflete cri camente sobre os regimes
democrá cos no geral, reconhecendo e
iden ficando vantagens e desvantagens da vida
em democracia.
• Dis ngue diferentes pos de democracia,
reconhecendoqueexistemdiferentesformasde
tomar e implementar decisões numa sociedade
democrá ca.
organizações intergovernamentais na salvaguarda
dos direitos humanos? E da sociedade civil? Que
organizações não-governamentais se dedicam à
salvaguarda dos direitos? Como atuam? Como as
podemos contactar? Existe algo que possamos fazer
para contribuir para a resolução do problema (por
exemplo, informar os colegas sobre as descobertas
que emergiram da pesquisa realizada, contactar uma
organização não-governamental ou organizar uma
sessão de sensibilização para a comunidade escolar)?”
AƟvidade 1.5. Direitos Humanos em Debate
ObjeƟvos: Desenvolver competências de reflexão,
compreensão, comunicação e debate que permitam
abordar temas polémicos e/ou controversos.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 40 minutos.
Material: Grandes folhas de papel ou um quadro para
anotar os argumentos de cada grupo.
Instruções: Divida aleatoriamente a turma em
dois grupos com número similar de elementos e
apresente os casos constantes no Manual do Aluno.
Independentemente das opiniões pessoais de cada
aluno, para cada dilema um dos grupos defende
uma posição e o outro grupo defende uma opinião
diferente. Reforce que o obje vo de cada grupo será
tentar convencer os elementos do outro grupo a
assumirem a opinião que defendem. Faculte algum
tempo para os grupos prepararem os seus argumentos
e dê início ao debate. Anote numa tabela com duas
colunas os argumentos de cada grupo. Finalize o
debate, reservando alguns minutos para analisar os
vários argumentos à luz dos princípios dos direitos
humanos: dignidade, igualdade, universalidade, liber-
dade e solidariedade.
Unidade Temática 1 | 27
Esta a vidade de leitura serve de introdução para
duas a vidades ou estudos de caso (o professor pode
optar por ministrar as duas ou apenas uma):
1. Análise de um regime polí co da atualidade;
2. Análise da história recente de Timor-Leste (antes e
depois do 20 de maio de 2002).
Em ambas as situações, é solicitado aos alunos
que recolham informação sobre o regime polí co
e respondam a um conjunto de questões que
visam esclarecer que requisitos da democracia são
assegurados nos casos estudados. As questões são:
1. O Parlamento é eleito?
2. As eleições decorrem de modo justo?
3. Os responsáveis eleitos têm poder efe vo?
4. Existe compe ção entre par dos polí cos?
5. Há alternância democrá ca?
6. A comunidade de cidadãos está livre do domínio
de poderes alheios e rânicos?
7. Existe respeito pelas liberdades das minorias?
8. Existem meios de informação independentes?
9. Existe debate na opinião pública?
10. Existe liberdade de reunião?
11. Existe liberdade de organizar par dos polí cos e
sindicatos?
12. As ins tuições religiosas são livres?
13. As liberdades não fazem exceção de pessoas?
14. Existe combate à corrupção governamental?
A resposta às questões e consequente reflexão
depende da informação disponível. Nesse sen do,
a a vidade poderá desdobrar-se por duas aulas. Na
primeira aula o professor solicita aos alunos que,
individualmente ou em grupo, realizem pesquisas
recorrendo a diversas fontes (por exemplo, consultar
livrosnabibliotecadaescolaouar gosnaInternet).Na
• Reconhece a importância da associação dos
indivíduos em comunidade polí ca e esclarece o
modo pelo qual esta se torna uma comunidade
de cidadãos democrá ca.
• Reconhece a importância da Cons tuição como
fonte máxima de autoridade numa comunidade
de cidadãos, os princípios subjacentes que
lhe estão subjacentes e o papel regulador que
detém na especificação dos direitos e deveres
do cidadão numa sociedade democrá ca.
Componente PráƟca:
• Os Requisitos da Democracia (A vidade 1.6.)
• A Democracia Ameaçada (A vidade 1.7.)
AƟvidade 1.6. Os Requisitos da Democracia
ObjeƟvos: Considerar aspetos inerentes aos regimes
democrá cos e an democrá cos; pesquisar infor-
mação sobre temas relacionados com a educação para
a cidadania; promover a autonomia e capacidade de
análise; promover a cooperação (quando a a vidade
for realizada em grupo).
Metodologia: Diálogo/debate; narra vas; estudo de
caso; trabalho de pesquisa.
Tempo: 50 minutos (+ 50 minutos).
Material: Acesso à Internet ou outras fontes de
informação (como por exemplo, ar gos de jornais ou
capítulos de livros).
Instruções: Solicitar aos alunos que leiam um excerto
do romance “1984” que se encontra no Manual do
Aluno. Este livro retrata um regime totalitário, em que
o Estado controla e escru na todos os aspetos da vida
dos seus cidadãos, não exis ndo privacidade nem
liberdade.
28 | Direitos, Deveres e Responsabilidade
Metodologia: Diálogo/debate; discussão de dilemas.
Tempo: 50 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Apresente um caso em que as liberdades
individuais dos cidadãos foram restringidas por
mo vos de segurança nacional (por exemplo, o “USA
PATRIOTAct”descritonoManualdoAluno).Apresente
outro caso em que, para salvaguardar um dos direitos
fundamentais dos regimes democrá cos (a liberdade
de expressão), foram permi das manifestações de
doutrinas ou ideologias polí cas que promovem a
intolerância (por exemplo, o “Caso Skokie” descrito
no Manual do Aluno). Solicite aos alunos que anotem
as suas opiniões pessoais e, posteriormente, as
par lhem com os restantes colegas.
Reflexão: Pretende-se que os alunos reflitam sobre
os dilemas que se colocam aos regimes democrá cos:
“Acham que há respostas “certas” ou “erradas” para
estes dilemas? É certo que o terrorismo é uma grave
ameaça aos regimes democrá cos que deve ser
comba do; mas será que tal implica que os Estados
democrá cos ou outras organizações possam u lizar
todos os meios para combater o terrorismo, incluindo
a restrição dos direitos individuais? Ou será que
alguns métodos não se devem ou podem u lizar
(por exemplo, a tortura)? Por outro lado, acham que
devemos ser totalmente tolerantes rela vamente
a tudo o que é dito ou feito pelos outros, mesmo
quando promove valores an democrá cos?”.
A democracia contempla algumas contradições que a
tornam um sistema de di cil compreensão e exigem
uma par cipação a va de todos para a proteger.
Os regimes democrá cos permitem e acolhem a
diversidade de opiniões e crenças. Contudo, também
segunda aula, o aluno (ou grupo de alunos) apresenta
os seus resultados, que são posteriormente deba dos
por todos. Para a opção 2 (análise da história recente
de Timor-Leste) podem ser u lizados os materiais
elaborados pela CAVR, nomeadamente o Relatório
“Chega!” e a sua versão popular; ou então podem
ser realizadas entrevistas a cidadãos morenses que
viveram durante o período 1974-1999.
Reflexão: Encoraje os alunos a comparar a vida dos
cidadãos num regime democrá co e num regime
an democrá co. O enfoque deverá ser colocado nos
valores democrá cos e nos princípios de igualdade e
autonomia individual. Ques one como estes valores
e princípios são (des)respeitados pelos regimes
an democrá cos e qual o impacto na vivência das
pessoas: “Como se sen rão as pessoas que vivem
sob regimes an democrá cos?” Ancore a reflexão
nas experiências pessoais dos alunos, colocando
questões como: “Sentem algum po de “posse” em
relação às regras do vosso país? Acham que podem
influenciar a elaboração de regras do vosso país?
Acham possível que numa democracia representa va
as pessoas tenham poder real sobre as decisões que
são tomadas em seu nome?”. Salientar a importância
de eleições livres e justas, como forma de exercer
controlo sobre os governantes. Enfa zar o respeito
pelos direitos humanos, pela liberdade e igualdade,
como elementos fundamentais numa sociedade
democrá ca, que se encontram comprome dos na
generalidade dos regimes an democrá cos.
AƟvidade 1.7. A Democracia Ameaçada
ObjeƟvos: Promover competências para realizar
um debate; explorar os conflitos inerentes aos
direitos e deveres de uma comunidade de cidadãos
democrá ca.
Unidade Temática 1 | 29
Livros e ArƟgos
Advisory Group on Ci zenship (1998). EducaƟon for
ciƟzenship and the teaching of democracy in schools.
London: Qualifica ons and Curriculum Authority. Acedido
em www.teachingci zenship.org.uk
Arthur, J., Davies, I., & Hahn, C. (Eds.) (2008). The SAGE
handbook of educaƟon for ciƟzenship and democracy.
London: SAGE Publica ons Ltd.
ASEAN (2009). Terms of Reference of ASEAN Inter-
governmental Commission on Human Rights. Jakarta:
ASEAN Secretariat. Acedido em www.aseansec.org
Ca ani, A. D., Laville, J.-L., Gaiger, L. I., & Hespanha, P.
(2009). Dicionário Internacional da Outra Economia.
Coimbra: Edições Almedina, SA.
Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR)
de Timor-Leste (2005). Chega! Relatório da Comissão de
Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR) de Timor-
Leste, Resumo ExecuƟvo. Díli: CAVR.
Faria, M. J. (2001). Direitos fundamentais e direitos do
homem (Volume I). Lisboa: Ins tuto Superior de Ciências
Policiais e Segurança Interna.
Gomes, R. (Coord.) (s/d). FAROL: Manual de Educação para
os Direitos Humanos com Jovens. Coimbra: Humana Global.
Henriques, M., Reis, J., & Loia, L. (2006). Educação para a
cidadania: Saber & inovar. Lisboa: Plátano Editora.
Pureza, J. M. (Coord.). (2001). Educação para a cidadania:
Cursos gerais e cursos tecnológicos – 2. Lisboa: Depar-
tamento do Ensino Secundário.
Ribeiro, H. M. (2008). Dicionário de termos e citações de
interesse políƟco e estratégico. Lisboa: Gradiva.
Toldy, T., Ramos, C., Maior, P. V., & Lira, S. (2007).
Cidadania(s): Discursos e práƟcas / CiƟzenship(s): Discourses
and pracƟces. Porto: Edições Universidade Fernando
Pessoa.
requerem que a maioria dos seus membros respeite
e defenda a vamente os valores democrá cos de
liberdade, jus ça, tolerância, verdade e igualdade.
A descrença nos sistemas democrá cos promove
a apa a, inércia e inação dos cidadãos que, por sua
vez, coloca em risco a própria democracia. Por essa
razão, os membros de uma sociedade democrá ca
devem contribuir e par cipar na vida pública, tendo
presentes os princípios e valores dos direitos humanos
e da democracia.
1.3. Recursos Adicionais
Documentos
Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos,
desenvolvida pela Organização da Unidade Africana (atual
União Africana), assinada em junho de1981.
Carta Magna de Liberdades, Direitos, Deveres e GaranƟas
do Povo de Timor-Leste, aprovada na Convenção Nacional
Timorense na Diáspora, em 25 de abril de 1998.
ConsƟtuição da República DemocráƟca de Timor-Leste,
aprovada e decretada pela Assembleia Cons tuinte, em 22
de março de 2002.
Declaração Universal dos Direitos Humanos, procla-mada
pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de abril
de 1948.
Estatutos e Declaração ConsƟtuƟva da CPLP, apro-vados
em Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, em 17 de
julho de 1996.
Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e PolíƟcos,
aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 16
de Dezembro de 1966, entrou em vigor em 23 de março
de 1976.
Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais
e Culturais, aprovado pela Assembleia Geral das Nações
Unidas em 16 dezembro de 1966, entrou em vigor em 3 de
janeiro de 1976.
30 | Direitos, Deveres e Responsabilidade
Human Rights Watch
www.hrw.org
Jornal da República
www.jornal.gov.tl
Missão das Nações Unidas em Timor-Leste
www.un.org/peace/e mor99/e mor.htm
Missão de Apoio das Nações Unidas em Timor-Leste
www.un.org/en/peacekeeping/missions/past/unmiset/
index.html
Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste
www.unmit.org
Movimento dos Países Não Alinhados
www.nam.gov.za
Organização das Nações Unidas
www.un.org
Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência
e Cultura
www.unesco.org
Organização dos Estados Americanos
www.oas.org
Organização Mundial de Saúde
www.who.int
Presidência da República DemocráƟca de Timor-Leste
www.presidencia.tl
União Africana
www.au.int
União LaƟna
www.unilat.org
Filmes
The Great Dictator, 1940, Charlie Chaplin.
Schindler’s List, 1993, Steven Spielberg.
Life is BeauƟful, 1997, Roberto Benigni.
Judgement at Nuremberg, 1961, Stanley Kramer.
Braveheart, 1995, Mel Gibson.
Fahrenheit 451, 1966, François Truffaut.
Nineteen Eighty-Four, 1984, Michael Radford.
The Killing Fields, 1984, Roland Joffé.
Hotel Rwanda, 2004, Terry George.
Internet
Administração Transitória das Nações Unidas em Timor-
Leste
www.un.org/en/peacekeeping/missions/past/etimor/
e mor.htm
Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos
Humanos
www.ohchr.org
AmnisƟa Internacional
www.amnesty.org
Associação de Nações do Sudeste AsiáƟco
www.asean.org
Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos
www.achpr.org
Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação de Timor-
Leste
www.cavr- morleste.org
Comité Internacional da Cruz Vermelha
www.icrc.org
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
www.cplp.org
Conselho da Europa
www.coe.int
Governo de Timor-Leste
www. mor-leste.gov.tl
Unidade Temática 1 | 31
I N T R O D U Ç Ã O
A unidade temáƟca 2 aborda o desenvolvimento pessoal
e idenƟdade, mais precisamente o desenvolvimento
cogniƟvo, sócio-emocional, moral e psicossocial, e as
suas implicações para a parƟcipação cívica e social, em
diferentes meios e contextos de vida. O processo de
desenvolvimento é apresentado na sua interligação com o
meio, para enfaƟzar a relação do desenvolvimento pessoal
e da idenƟdade com a responsabilidade moral e social.
34
34
34
36
40
44
Unidade Temá ca 2. Desenvolvimento
Pessoal e Iden dade
2.1. Nota Introdutória
2.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 2.1. Contextos de Desenvolvimento
Subtema 2.2. Desenvolvimento Pessoal
Subtema 2.3. Indivíduo como Cidadão
2.3. Recursos Adicionais
Unidade Temática 2 | Desenvolvimento Pessoal e Identidade
34
2.1. Nota Introdutória
Ao longo da vida, o desenvolvimento pessoal e a
construção da iden dade influenciam as compe-
tências de par cipação cívica e o papel que cada
indivíduodesempenhanasuasociedadeecomunidade.
Obem-estar,sucessoecapacidadedeadaptaçãosocial
de um indivíduo são significa vamente influenciadas
pelo desenvolvimento do pensamento, capacidade de
regulação e de expressão das emoções, complexidade
do raciocínio e do ajuizamento sobre o que é correto
ou incorreto, e também pela síntese pessoal que
faz sobre si e o seu papel na sociedade e no mundo
(iden dade).
A unidade temá ca 2 aborda o desenvolvimento
pessoal e iden dade, mais precisamente o desen-
volvimento cogni vo, sócio-emocional, moral e
psicossocial, e as suas implicações para a par cipação
cívica e social, em diferentes meios e contextos de
vida. O processo de desenvolvimento é apresentado
nasuainterligaçãocomomeio,paraenfa zararelação
do desenvolvimento pessoal e da iden dade com a
responsabilidade moral e social. Estes conhecimentos
contribuem para aumentar o autoconhecimento dos
alunos, facilitar a sua interação e par cipação social,
assim como para os preparar para lidarem com as
suas experiências e oportunidades de vida.
2.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 2.1. Contextos de Desenvolvimento
Conteúdos
• Processo de desenvolvimento
• Direito ao desenvolvimento
• Contextos de desenvolvimento
Metas de Aprendizagem
• Sabe que o desenvolvimento humano é um
processo con nuo que se estende ao longo da
vida.
• Reconhece o direito ao desenvolvimento e
sabe que ao longo dos tempos, em diferentes
contextos sociais e culturais, as posições sociais
e polí cas perante o desenvolvimento são
diferentes, influenciando as oportunidades de
desenvolvimento.
• Sabe que o ser humano par cipa e desenvolve-
-se em diferentes contextos de vida (como a
família, escola, grupo de amigos e ins tuições
polí cas),ecompreendequeodesenvolvimento
resulta da interação entre fatores individuais
(por exemplo, fatores gené cos, caracterís cas
individuais, ou história pessoal) e ambientais,
sociais e culturais (por exemplo, sistemas de
crenças e valores).
Componente PráƟca
• O Meu Conceito de Desenvolvimento
(A vidade 2.1.)
• A Entrevista (A vidade 2.2.)
AƟvidade 2.1. O Meu Conceito de
Desenvolvimento
ObjeƟvos: Promover o conhecimento e reflexão mais
alargada sobre o conceito de desenvolvimento e seus
múl plos significados.
Metodologia: Diálogo/debate; trabalho cria vo.
Tempo: 50 minutos.
Material: Quadro, papel, caneta ou lápis, cartolina,
cola, recortes para colagem.
Instruções: Para introduzir esta a vidade poderá
realizar um diálogo com os alunos (“tempestade de
Unidade Temática 2 | 35
ideias”) sobre o que sabem e o que significa para eles
“desenvolvimento”, anotando no quadro os tópicos
enunciados.
Em seguida, proponha que cada aluno realize um
trabalho cria vo (ensaio, poema, desenho ou
colagem) onde mostre o significado que atribui ao
desenvolvimento. No final organize-os para que
apresentem e exponham as suas representações aos
colegas de turma.
Reflexão: O conceito de desenvolvimento é u lizado
com muitos significados no quo diano. No final
da a vidade pode ques onar os alunos sobre o
que aprenderam e se as suas conceções acerca do
desenvolvimento se alteraram ou não.
AƟvidade 2.2. A Entrevista
ObjeƟvos: Promover o conhecimento e reflexão sobre
os diferentes meios onde ocorre o desenvolvimento;
analisar a influência desses meios (posi va e nega va)
nas oportunidades de desenvolvimento; es mular
a reflexão crí ca sobre diferentes modos de vida e
consciencializar para o direito ao desenvolvimento.
Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate.
Tempo: 30 minutos (+ 20 minutos para discussão).
Material: Nenhum.
Instruções: Introduza a a vidade relembrando
aos alunos que o meio influencia o processo de
desenvolvimento, podendo promovê-lo ou colocar-
-lhe obstáculos. Exemplifique como situações de
grande pobreza, conflito armado ou catástrofe
natural cons tuem contextos onde é di cil proteger
as necessidades de desenvolvimento.
Proponha aos alunos que formem grupos de quatro
ou cinco elementos e forneça as seguintes instruções:
1) Cada grupo escolhe um contexto de desenvolvi-
mento (por exemplo, conflito armado, catástrofe
natural, grande pobreza, viver nas montanhas ou
viver na cidade); cria uma personagem a viver nesse
contexto, atribuindo-lhe um nome, idade, sexo
ou outras caracterís cas de que se lembrem (por
exemplo, composição da família); elege um elemento
paradesempenharapersonagemcriadaeapresenta-a
aos restantes grupos.
2) Cada grupo designa também um elemento para
desempenhar o papel de repórter. Explique que os
repórteres deverão imaginar que são responsáveis por
fazer uma reportagem sobre estes contextos de vida,
colocando perguntas para elucidar como é o dia a dia
dessa personagem; algumas perguntas possíveis são:
“Descreva um dia normal na sua vida. Como faz para
ir para a escola/trabalhar? Como ocupa os tempos
livres? Quais são as suas maiores necessidades e
esperanças?Quaissãoosseusmaioresmedos?Deque
sente mais falta? Que direitos seus estão ameaçados?
O que não pode fazer e gostaria de fazer?”
Proponha que coloquem as cadeiras em forma
de duplo círculo: um círculo exterior e um círculo
interior, de modo que cada cadeira do círculo interior
esteja emparelhada com uma cadeira do círculo
exterior. No círculo interior sentam-se os alunos que
desempenham o papel das personagens criadas; no
círculo exterior sentam-se os que foram designados
para repórteres e iniciam a entrevista. Depois de 3
minutos de discussão os alunos do círculo interior
mudam para a cadeira seguinte (avançando uma
posição)esãoentrevistadosporoutroalunodocírculo
exterior (todos ganham um novo interlocutor) e as
entrevistas decorrem até todos os alunos do círculo
competências para regular as suas emoções
de forma socialmente aceitável e para
compreender e adaptar-se ao conteúdo
emocional da comunicação dos outros.
• Sabe que o desenvolvimento cogni vo envolve
o processo de complexificação do pensamento
e do raciocínio, e reconhece as suas implicações
na produção de raciocínios e na interpretação
de situações.
• Concebe o desenvolvimento moral como o
processo de complexificação do juízo sobre
o bem/mal, justo/injusto e compreende as
implicações nas relações sociais, pessoais e de
cada indivíduo com a realidade.
• Compreende que o desenvolvimento
psicossocial representa a adaptação e desen-
volvimento progressivo da iden dade do
indivíduo, ao longo da vida e em diferentes
etapas, em resposta a necessidades individuais,
sociais e culturais.
• Sabe que o desenvolvimento da iden dade
ocorre de forma mais marcada na adolescência,
mas que se faz por etapas con nuas, desde
o nascimento à morte, que envolvem a
realização de tarefas de desenvolvimento como
a construção de um sen mento de segurança
básica na primeira infância, uma avaliação
posi va da sua capacidade de realização
escolar e o cuidado das gerações seguintes ou
o enfrentamento da morte na vida adulta e na
velhice.
• Compreende que a iden dade se relaciona
com o modo como as pessoas se vêm e sentem
em relação a si e como compreendem a sua
individualidade de forma consistente ao longo
do tempo.
• Reconhece que a capacidade de inves mento
e exploração das áreas profissional, religiosa,
polí ca e interpessoal / sexual contribuem para
a construção da iden dade.
interior terem mudado de posição. Deste modo todos
os alunos do círculo exterior têm oportunidade de
entrevistar diferentes personagens e cada aluno do
círculointeriorcontactacomdiferentesinterlocutores.
Reflexão: No final da a vidade solicite que cada
aluno comunique à turma como se sen u no papel
desempenhado (entrevistador ou entrevistado).
Proponha aos alunos que comparem os contextos
criados com o meio em que vivem e es mule o
diálogo sobre as oportunidades, riscos e desafios para
o desenvolvimento nos diferentes contextos: “Que
diferenças encontraram nos diferentes contextos
escolhidos? Que aspetos da vida são influenciados
pelos diferentes ambientes/meios de vida? Que
conclusões podem re rar sobre a influência dos
contextos no desenvolvimento?”
Subtema 2.2. Desenvolvimento Pessoal
Conteúdos
• Domínios do desenvolvimento
• Desenvolvimento emocional
• Desenvolvimento cogni vo
• Desenvolvimento moral
• Desenvolvimento psicossocial
Metas de Aprendizagem
• Sabequeodesenvolvimentohumanoocorreem
diferentes domínios: 1) sico (transformações
do corpo e associadas a processos fisiológicos),
2) cogni vo (transformações ao nível do
pensamento) e 3) social (transformações
associadas às relações interpessoais e à
construção da personalidade), e reconhece a
sua ar culação simultânea e integrada.
• Compreende que o desenvolvimento emo-
cional se refere à aquisição progressiva de
competências comunicacionais, bem como de
36 | Desenvolvimento Pessoal e Identidade
“Conservação dos líquidos”, descrita no Manual do
Aluno, junto de duas crianças de idades diferentes
(umacom4ou5anoseoutracom7oumaisanos),que
sejam suas familiares ou amigas. Os alunos deverão
anotar as respostas e apresentar os resultados das
suas inves gações à turma na aula seguinte.
Reflexão: Ajude os alunos a sinte zarem os resultados
ob dos, de forma a encontrarem as principais
caracterís cas dos estádios “pré-operacional” e
“operações concretas”. Reflita com os alunos sobre
o papel a vo atribuído por Piaget à criança no seu
desenvolvimento cogni vo e sobre as condições do
meio (por exemplo, educacionais) que favorecem o
desenvolvimento cogni vo.
AƟvidade 2.4. Dilemas Morais
ObjeƟvos: Compreender a definição de dilema moral
e promover o conhecimento sobre os diferentes níveis
e estádios de desenvolvimento moral; promover
o raciocínio moral e competências de debate,
argumentação e reflexão crí ca sobre situações
sociais complexas.
Metodologia: Discussão de dilemas; clarificação de
valores; diálogo/debate.
Tempo: 50 minutos.
Material: Quadro onde escrever.
Instruções: Apresente o dilema de Heinz, descrito
no Manual do Aluno, e proponha aos alunos que
organizem um debate sobre este dilema. Sugira-lhes
que formem dois grupos: um pensa em soluções para
o dilema; o outro funciona como um júri, colocando
questões reflexivas sobre as soluções encontradas
Componente PráƟca
• As Experiências de Jean Piaget (A vidade 2.3.)
• Dilemas Morais (A vidade 2.4.)
• Quem Sou? (A vidade 2.5.)
• Representações da Minha Iden dade
(A vidade 2.6.)
• A Minha Iden dade no Tempo (A vidade 2.7.)
• As Minhas Necessidades (A vidade 2.8.)
• Quando Posso? (A vidade 2.9.)
AƟvidade 2.3. As Experiências de Jean Piaget
ObjeƟvos: Promover a compreensão do desenvol-
vimento cogni vo como um conjunto de trans-
formações na produção de raciocínios; perceber as
diferenças entre os vários níveis de desenvolvimento
cogni vo.
Metodologia: Experimentação; diálogo/debate.
Tempo: 20 minutos para a apresentação e contex-
tualização da tarefa (+ 30 minutos na aula seguinte
para discussão das experiências).
Material: Papel, caneta ou lápis, materiais necessários
para a realização da experiência “Conservação dos
líquidos” descrita no Manual do Aluno.
Instruções: Apresente esta a vidade explicando aos
alunos que o psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget
u lizou uma metodologia inovadora no estudo
do desenvolvimento cogni vo, que consis a na
realização de jogos e experiências com crianças de
idades diferentes para avaliar os seus raciocínios e o
modo como pensavam/resolviam problemas.
Proponha aos alunos que realizem uma das
experiências idealizadas por este autor, in tulada
Unidade Temática 2 | 37
Reflexão: As nossas narra vas pessoais variam
consoante a nossa situação e interlocutores sociais.
Proponha aos alunos que pensem sobre como se
apresentariam se es vessem nas seguintes situações
sociais: a) numa entrevista de emprego; b) com
uma pessoa que acabaram de conhecer numa festa;
c) com uma pessoa que acabaram de conhecer
num país estrangeiro. Reflita com eles sobre se as
suas descrições contemplam sempre os mesmos
elementos, se são introduzidos novos elementos ou
re rados outros e quais as razões das diferenças. Que
aspetos se mantêm de umas descrições para outras?
Serão esses os aspetos centrais da iden dade?
AƟvidade 2.6. Representações da Minha
IdenƟdade
ObjeƟvos: Compreender a iden dade como um
processo de síntese pessoal; conhecer os diferentes
aspetos inerentes à iden dade; fomentar o espírito
crí co, a cria vidade pessoal e o autoconhecimento.
Metodologia: Reflexão pessoal; trabalho cria vo;
diálogo/debate.
Tempo: 15 minutos para a apresentação e contex-
tualização da tarefa (+ 50 minutos para a realização,
apresentação e discussão das criações ar s cas na
aula seguinte).
Material: Papel, caneta ou lápis, fios, cola, cartolina,
objetosdiversosrecolhidospelosalunos(porexemplo,
plantas, fotografias, frutos).
Instruções: Contextualize esta a vidade explicando
que cada um de nós constrói uma auto-imagem
que representa a nossa unicidade e consistência ao
longo do tempo. Proponha que selecionem e tragam
para a aula plantas, fotografias, frutos ou objetos
que representem a sua iden dade, para poderem
(porexemplo,queconsequênciasposi vasenega vas
têm para as diferentes personagens do dilema de
Heinz). Anote as soluções e os argumentos no quadro.
Reflexão: A par r dos argumentos anotados no
quadro, promova a discussão e analise com os alunos
osimpactosposi vosenega vos(paraaspersonagens
envolvidas e para a sociedade) das diferentes soluções
encontradas para o dilema de Heinz. Proponha aos
alunos que iden fiquem outros exemplos de dilemas
morais no seu quo diano.
AƟvidade 2.5. Quem Sou?
ObjeƟvos: Promover a compreensão do conceito de
iden dade; es mular o autoconhecimento e reflexão
sobre a iden dade pessoal; compreender a influência
das situações e solicitações sociais na forma como
cada um se vê e sente em relação a si próprio.
Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate.
Tempo: 50 minutos.
Material: Guião de entrevista descrito no Manual do
Aluno, papel, caneta ou lápis.
Instruções: Explique aos alunos que vão realizar uma
a vidade que envolve a simulação de uma entrevista
para um programa de televisão in tulado “Quem
sou”. Proponha que formem grupos de dois ou três
e que se entrevistem uns aos outros, u lizando as
questões descritas no Manual do Aluno; salvaguarde
que podem introduzir outras questões ou alterar a
sua ordem. Depois peça que, com base nas respostas
à entrevista, cada um escreva no seu caderno um
pequeno texto que caracterize “quem eu sou”.
Explique aos alunos que o texto é de carácter privado,
des nando-se à reflexão pessoal, e que não será
par lhado com os colegas.
38 | Desenvolvimento Pessoal e Identidade
Reflexão: Proponha aos alunos que analisem os
quadros que construíram e verifiquem o que se
mantém e transformou na forma como se vêem ao
longo do tempo. Explique que a iden dade se constrói
aolongodavida,sugerindoqueentrevistemfamiliares
ou amigos com idades diferentes, ques onando-os
sobre os papéis que desempenham, ocupações,
responsabilidades e aspirações, e que comparem as
respostas ob das com as suas reflexões. Os resultados
poderão ser par lhados com a turma nos primeiros
20 minutos da aula seguinte.
AƟvidade 2.8. As Minhas Necessidades
ObjeƟvos: Compreender o conceito de “necessidade”
e perceber que em todas as fases da vida os seres
humanos têm necessidades dis ntas em diferentes
domínios; normalizar a ideia de necessidade e associá-
-la à construção da iden dade.
Metodologia: Reflexão pessoal; clarificação de valores.
Tempo: 30 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Apresente aos alunos as necessidades
humanas descritas pelo psicólogo norte-americano
Henry Murray, constantes no Manual do Aluno,
e solicite que cada um analise e iden fique as
necessidadesque,nestafasedavida,maisinfluenciam
o seu desenvolvimento Proponha que classifiquem
as necessidades de 1 (nada importante) a 5 (muito
importante), apoiando-se no quadro e na escala
apresentada no Manual do Aluno.
Reflexão: Trata-se de uma a vidade individual, por
isso a in midade e confidencialidade das respostas
construir um móbil, poster ou colagem que retrate as
diversas facetas de quem são. Organize a turma para
que cada aluno apresente a sua criação ar s ca aos
colegas.
O professor poderá propor esta a vidade no final
de uma das aulas dedicadas ao desenvolvimento
psicossocial. Na aula seguinte, os alunos constroem as
suas criações ar s cas, que apresentam aos colegas.
Reflexão:Promovaareflexãoemtornodaimportância
da construção da iden dade na adolescência. Oriente
adiscussãoparaaiden ficaçãodoselementoscomuns
às diferentes criações ar s cas (diversas facetas da
iden dade). Ques one se cada um descobriu algo
novo sobre si e se gostaria de par lhar com a turma,
salvaguardando a in midade e o direito à privacidade.
AƟvidade 2.7. A Minha IdenƟdade no Tempo
ObjeƟvos: Compreender as transformações da iden-
dade pessoal e associar a construção da iden dade
ao longo do tempo à resposta a diferentes solicitações
sociais, culturais e pessoais.
Metodologia: Reflexão pessoal; diálogo/debate.
Tempo: 30 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Proponha que cada aluno pense e anote
como se vê em três momentos da sua vida: 1) no
presente;2)há5anosatrás;3)daquia5anos.Explique
que para realizarem esta a vidade poderão pensar,
por exemplo, que papéis desempenham, quais os
seus desejos, ocupações, direitos e responsabilidades,
e construir no caderno um quadro semelhante ao
apresentado no Manual do Aluno.
Unidade Temática 2 | 39
concorda com a diminuição da idade voto para os 16
anos; 2) outro discorda; e 3) o outro está indeciso. Os
dois primeiros grupos argumentam as suas posições e
tentam convencer o grupo indeciso que vai colocando
questões aos outros dois grupos para esclarecer os
seusargumentose,nofinaldadiscussão,poderdecidir
qual dos outros dois grupos apoia. Anote no quadro
os argumentos de cada grupo e no final reflita como
os diferentes grupos se man veram ou alteraram as
suas posições e que argumentos os fizeram mudar.
Esta a vidade é susce vel de desdobrar-se em duas
aulas, caso o professor o considere conveniente.
Nesse caso, na primeira aula os alunos procedem
à pesquisa da informação e apresentam os seus
resultados à turma. Na segunda aula, procede-se ao
debate para reflexão.
Subtema 2.3. Indivíduo como Cidadão
Conteúdos
• Iden dade pessoal, social, cultural e religiosa
• Cidadania: uma dimensão da iden dade
• Iden dade nacional
Metas de Aprendizagem
• Sabe que cada indivíduo experiencia diferentes
formas de iden dade (tais como a pessoal,
social, cultural ou religiosa), dependendo
de fatores tão diversos como papéis sociais,
valores, raça, género ou nacionalidade, e
compreende o seu impacto no es lo de vida,
comportamento e bem-estar (pessoal e social).
• Reconhece a importância do respeito pelas
diferenças e semelhanças entre indivíduos e
grupos numa sociedade diversa.
• Iden fica a cidadania como um aspeto da
iden dade, relacionando-a com o modo como
o indivíduo se vê e sente enquanto cidadão com
os mesmos direitos e responsabilidades que
qualquer outro cidadão do seu país.
deve ser respeitada. No entanto, os alunos poderão
refle r sobre: “Gostaram ou não de realizar esta
a vidade? Como se sen ram? Descobriram algo de
novo sobre vós? Como se ligam as necessidades à
iden dade?”
AƟvidade 2.9. Quando Posso?
ObjeƟvos: Compreender como o desenvolvimento
se associa à par cipação e responsabilidades sociais;
conhecer direitos e responsabilidades sociais.
Metodologia: Trabalho de pesquisa; diálogo/debate.
Tempo: 50 minutos (+ 50 minutos).
Material: Acesso à Internet, Cons tuição da República
Democrá ca de Timor-Leste, quadro, papel e caneta
ou lápis.
Instruções: Introduza esta a vidade explicando
aos alunos que o desenvolvimento está associado
à aquisição de novos direitos e deveres sociais, por
exemplo, a idade legal de voto ou de habilitação legal
para conduzir. Proponha que se organizem em grupos
de dois ou três e realizem pesquisas (consultando
aInternet, a biblioteca ou a Cons tuição da República
Democrá ca de Timor-Leste) para iden ficar os
direitos que vão adquirindo à medida que a idade
aumenta e alcançam a maioridade.
Reflexão: Explique que a idade de aquisição de
determinados direitos suscita dúvidas e tem sido
deba da na sociedade civil; por exemplo, nalguns
países europeus ques ona-se a diminuição da idade
legal de voto para os 16 anos.
Organize um debate com os alunos para discu r este
tema. Proponha a formação de três grupos: 1) um
40 | Desenvolvimento Pessoal e Identidade
Instruções: Introduza esta a vidade explicando que
todos pertencemos a diferentes grupos com os quais
par lhamos caracterís cas, gostos, necessidades,
laços afe vos, papéis ou tarefas. Proponha que
cada aluno pense nos grupos a que pertence na sua
comunidade (e/ou no seu país) e avalie numa escala
de 0 (nada) a 5 (mui ssimo), apresentada no Manual
do Aluno, o quanto se sente ligado a esses grupos.
Reflexão: Com esta ac vidade pretende-se que os
alunos compreendam o conceito de iden dade social;
que percebam como a ligação e iden ficação de cada
indivíduo aos grupos a que pertence contribui para
a forma como se vê e sente em relação a si próprio,
perante os outros e na sociedade. Enfa ze que os
grupos a que pertencemos, e a nossa ligação a eles,
contribuem para definirmos uma imagem de quem
somos e de qual é o nosso lugar e papel na sociedade.
Poderá introduzir questões como: “Ficaram surpre-
endidos com os grupos que iden ficaram ou o modo
como avaliaram a ligação a esses grupos? Descobriram
algo de novo/diferente sobre vós e sobre as vossas
pertenças?”.
AƟvidade 2.11. Quantos Grupos Existem na
Turma?
ObjeƟvos: Conhecer fatores que estão na base
da cons tuição de diferentes grupos; promover o
espírito crí co; promover a aceitação e compreensão
das diferenças sociais e culturais na sociedade.
Metodologia: Diálogo/debate; clarificação de valores.
Tempo: 50 minutos.
Material: Papel, caneta ou lápis, quadro.
• Discute implicações posi vas e nega vas da
cidadania para o desenvolvimento e bem-estar
sico, psicológico e social dos indivíduos.
• Reconhece a iden dade nacional como
elemento do seu Eu e nela iden fica diferentes
expressões de iden dade (por exemplo,
as pertenças culturais, religiosas, sociais e
polí cas), iden ficando símbolos e outros
elementos definidores dessas expressões (ex.
os símbolos nacionais).
• Define patrio smo e explica a sua ligação com
a iden dade nacional, analisando cri camente
a relação do patrio smo com a tudes como
nacionalismo ou xenofobia.
Componente práƟca
• As Minhas Pertenças (A vidade 2.10.)
• Quantos Grupos Existem na Turma?
(A vidade 2.11.)
• Desafios à Iden dade na Sociedade Civil
(A vidade 2.12.)
• Imagens do Nosso País (A vidade 2.13.)
• Os Significados de “Ser Timorense”
(A vidade 2.14.)
• Trabalho de Projeto (A vidade 2.15.)
AƟvidade 2.10. As Minhas Pertenças
ObjeƟvos: Perceber que cada indivíduo pertence
a diferentes grupos sociais e culturais; promover a
definição do conceito de iden dade social e cultural;
desenvolver a autoreflexão e o autoconhecimento.
Metodologia: Reflexão pessoal; clarificação de valores.
Tempo: 30 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Unidade Temática 2 | 41
ao pertencer a um grupo com muitos elementos? E
a um grupo com menos elementos? Houve grupos
só com um elemento? Como se sen ram?”. Anote as
reflexões da turma no quadro.
AƟvidade 2.12. Desafios à IdenƟdade na
Sociedade Civil
ObjeƟvos: Compreender o conceito de iden dade
de cidadania, relacionando-o com o modo como o
indivíduo se vê a si mesmo, com os mesmos direitos
e deveres que qualquer outro cidadão; promover
reflexão crí ca sobre as implicações (posi vas e
nega vas) da cidadania para o bem-estar pessoal e
social e iden ficar situações sociais que colocam em
risco a cidadania.
Metodologia: Diálogo/debate; simulação de papéis.
Tempo: 50 minutos.
Material: Quadro, papel, caneta ou lápis.
Instruções: Solicite aos alunos que se organizem
em grupos de quatro a cinco elementos; introduza
a a vidade relembrando o conceito de cidadania e
enfa zando que, por se tratar de um estatuto jurídico
e polí co, a cidadania é uma condição de base comum
a todos os cidadãos de um país, independente de
pertenças individuais (tais como, língua, religião, etnia
ou classe socioeconómica).
1) Proponha aos grupos que iden fiquem situações
em que a iden dade de cidadania possa estar em
risco, ou seja, situações em que as pessoas sentem
não ter os mesmos direitos e deveres que os outros
cidadãos (por exemplo, grande pobreza); cada grupo
comunica as suas reflexões à turma; anote no quadro.
2) Depois proponha que cada grupo selecione uma
dessas situações e crie uma personagem que a
vivencia, atribuindo-lhe um nome, idade, sexo, ou
Instruções:
1) Proponha aos alunos que enumerem uma lista
de critérios que permitam cons tuir diferentes
grupos na turma (por exemplo, sexo, idade, crenças
religiosas, profissão desejada, preferências musicais,
clube despor vo); anote-os no quadro e defina com
os alunos quais os grupos a cons tuir, a par r de cada
critério, e as respec vas designações (por exemplo,
o critério “sexo” permite cons tuir os grupos “sexo
masculino” e “sexo feminino”).
2) Na fase seguinte da a vidade, vão experimentar
cons tuir os diferentes grupos iden ficados. Explique
que podem circular livremente na sala e que, à
indicação em voz alta de cada grupo (por exemplo,
“sexo feminino”), os alunos que se iden ficam
com essa designação devem reunir-se e formar o
respec vo grupo num local da sala por eles escolhido.
O procedimento repete-se para todos os critérios e
respec vos grupos iden ficados. Faça notar que os
alunos podem pertencer a mais do que um grupo,
podendo sair de um grupo para se juntar a um outro
recém-formado se a ele pertencerem. No final os
alunos par lham uns com os outros como se sen ram
durante a a vidade.
Reflexão: Esta a vidade pretende es mular a reflexão
sobre a mul plicidade de pertenças e iden ficações
sociais e culturais que cada um estabelece nos seus
diferentes contextos de vida. Apoie a discussão na
experiência e nas perceções dos alunos, introduzindo
questões como: “Quantos grupos se formaram?
Alguém ficou surpreendido com os grupos formados?
Como adquiriram a pertença a estes grupos (passaram
a pertencer a esse grupo a par r do nascimento,
alguém vos influenciou ou foi uma escolha
individual)? Houve quem pertencesse a diferentes
grupos ao mesmo tempo? Como é pertencer a grupos
diferentes ao mesmo tempo? Foi di cil conciliarem as
pertenças? Sen ram-se divididos? Como se sen ram
42 | Desenvolvimento Pessoal e Identidade
3) Com base na informação recolhida proponha
aos grupos que criem: a) um filme promocional da
República Democrá ca de Timor-Leste ou b) um guia
de apoio com informações úteis para turistas ou
outros cidadãos estrangeiros que visitem o país (por
exemplo, língua(s) falada(s), moeda u lizada, hábitos,
tradições, festas ou eventos, locais de interesse a
visitar).
Reflexão: Reveja a a vidade com os alunos e es mule
o diálogo sobre a construção da iden dade nacional,
introduzindo questões como: “Existe uma só imagem
do país ou múl plas? Existem imagens contraditórias?
Há imagens melhores do que outras? O governo deve
promover uma imagem do país e como pode fazê-lo?”
AƟvidade 2.14. Os Significados de “Ser
Timorense”
ObjeƟvos: Promover o conhecimento e a reflexão
pessoal sobre o conceito de iden dade nacional;
conhecer elementos que contribuem para a
iden dade nacional.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 50 minutos.
Material: Quadro, papel, caneta ou lápis.
Instruções: Proponha aos alunos que formem grupos
de quatro ou cinco elementos e discutam o que
caracteriza a iden dade nacional morense. Cada
grupo deverá elaborar uma lista e apresentar à turma.
Anote todas as ideias no quadro. Depois proponha à
turma que, através de um procedimento por votação
(por exemplo, levantando o braço) selecione as 5
principais caracterís cas de “Ser Timorense” de entre
todas as caracterís cas iden ficadas e anotadas no
quadro.
outras caracterís cas. Cada grupo deverá drama zar
uma entrevista que permita explicar a situação e
sen mentos da personagem (por exemplo, como
ficou na situação, quais as maiores dificuldades, de
que apoio necessita, a quem recorre, o que já fez
para resolver a situação). Anote no quadro, criando
colunas para cada uma das personagens.
Reflexão: Depois da entrevista, e a par r das notas
no quadro, fomente um diálogo entre os alunos para
discu r possíveis medidas polí cas do Estado e da
sociedade civil para proteger e apoiar estas pessoas.
AƟvidade 2.13. Imagens do Nosso País
ObjeƟvos: Promover o conhecimento e a reflexão
pessoal sobre o conceito de iden dade nacional;
conhecer elementos que contribuem para a
construção da iden dade nacional.
Metodologia:Trabalhodepesquisa;trabalhoar s co;
diálogo/debate.
Tempo: 50 minutos (+ 50 minutos)
Material: Acesso aos meios de comunicação social e
Internet, papel, caneta ou lápis, cartolina, material de
gravação vídeo (por exemplo, telemóvel).
Instruções:
1) Organize os alunos em grupos de quatro a cinco
elementos e proponha que recolham nos meios de
comunicação social (jornais, revistas, rádio, televisão)
ou na Internet imagens que retratem Timor-Leste.
Esclareçaquepodemselecionarimagensqueretratam
o modo como eles vêem o país e/ou imagens de como
pensam que os outros vêem o seu país.
2) Sugira que exponham as imagens na sala de aula e
apoie na organização da exposição.
Unidade Temática 2 | 43
vida polí ca, questões económicas e sociais,
problemas da juventude, educação, emprego, língua,
infra-estruturas, par cipação cívica, patrio smo); c)
decidir os especialistas que poderão ser convidados.
3)Concre zaraideia,organizandoosaspetosprá cos:
a) decidir a data para a realização do colóquio; b)
convidar os especialistas para par cipar; c) preparar o
programa e divulgar; d) organizar o espaço, materiais
e condições de acolhimento dos par cipantes.
Reflexão: Após a realização do colóquio a turma
deverá avaliar/analisar o que aprenderam com esta
experiência, o impacto que teve em cada um, na
escola e comunidade. Os alunos poderão realizar
entrevistas com os diversos intervenientes, escrever
um ar go sobre a experiência e publicá-lo no jornal
da escola.
2.3. Recursos Adicionais
Documentos
ConsƟtuição da República DemocráƟca de Timor-Leste,
aprovada e decretada pela Assembleia Cons tuinte, em 22
de março de 2002.
Convenção Internacional dos Direitos da Criança, aprovada
pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 20 de
novembro de 1989.
ProtocoloFacultaƟvoàConvençãoInternacionaldosDireitos
da Criança RelaƟvo à Venda de Crianças, ProsƟtuição e
Pornografia InfanƟl, aprovado pela Assembleia Geral das
Nações Unidas, em 25 de maio de 2000.
Princípios das Nações Unidas para o Idoso, aprovados pela
Assembleia Geral das Nações Unidas, em 16 de dezembro
de 1991.
Protocolo FacultaƟvo à Convenção Internacional dos
Direitos da Criança RelaƟvo ao Envolvimento de Crianças
em Conflitos Armados, aprovado pela Assembleia Geral das
Nações Unidas, em 25 de maio de 2000.
Reflexão: Debata com os alunos o significado das
caracterís cas apontadas e, em conjunto, escrevam
um pequeno texto síntese sobre o que significa “Ser
Timorense”.
AƟvidade 2.15. Um Colóquio Sobre IdenƟdade
Nacional
ObjeƟvos:Aprofundarereforçarconhecimentossobre
a iden dade nacional e desenvolver capacidades de
organização e construção de um projeto.
Metodologia: Trabalho de projeto; discussão em
painel.
Tempo: Desenvolve-se ao longo de todo o ano le vo.
Instruções: Proponha à turma a organização de um
colóquio sobre “Iden dade Nacional”, esclarecendo
que se trata de uma a vidade complexa que vai exigir
esforço e empenho durante grande parte do ano
le vo.
A concre zação deste projeto requer várias etapas:
1) Reunir as condições necessárias para o seu
desenvolvimento, tais como: a) cons tuir uma
equipa de trabalho responsável pela coordenação do
colóquio; b) avaliar os recursos humanos e materiais
necessários; c) sensibilizar os restantes professores,
alunos, pais/encarregados de educação, funcionários
e outros elementos da comunidade e mobilizar a sua
par cipação; d) angariar fundos para a concre zação
do colóquio.
2) Organizar sessões preparatórias com os alunos
para explorar e inves gar o tema: a) elencar os
principais tópicos envolvidos e produzir pequenos
ensaios, b) definir os temas que serão abordados
(por exemplo, imagens e caracterís cas nacionais,
acontecimentos e personagens históricos marcantes,
44 | Desenvolvimento Pessoal e Identidade
Filmes
American History X, 1998, Tony Kaye.
Babies, 2010, Thomas Balmès.
Cinema Paradiso, 1988, Giuseppe Tornatore.
Click, 2006, Frank Coraci.
Dead Poets Society, 1989, Peter Weir.
I Am Sam, 2001, Jessie Nelson.
Million Dollar Baby, 2004, Clint Eastwood.
On the Waterfront, 1954, Elia Kazan.
Philadelphia, 1993, Jonathan Demme.
Internet
Arquivo & Museu da Resistência Timorense
www.amr mor.org
Associação Americana de Psicologia
www.apa.org
Fundo das Nações Unidas para a Infância
www.unicef.org
Governo de Timor-Leste
www. mor-leste.gov.tl
Organização das Nações Unidas
www.un.org
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Eco-
nómico
www.oecd.org
Secretaria de Estado da Cultura da República DemocráƟca
de Timor-Leste
www.unilat.org
Turismo de Timor-Leste
www.turismo morleste.com
Livros e ArƟgos
Azmi a, M., Syed, M. & Radmacher (Eds). (2008). The
intersecƟons of personal and social idenƟƟes: New
direcƟons for child and adolescent development. New York:
Jossey-Bass.
Barre , M. (Ed.). (2007). Children´s knowledge, beliefs and
feelings about naƟons and naƟonal groups. New York:
Psychology Press.
Boyd, D. & Bee, H. (2009). Lifespan development (5º Ed).
New York: Pearson
Bronfenbrenner, U. (1979). The ecology of human
development. Cambridge, MA: Harvard University Press.
Côte, J. & Levine, C. (2002). IdenƟty formaƟon, agency
and culture: A social psychological synthesis. New Jersey:
Lawrence Erlbaum Associates.
Erikson, E. (1980). IdenƟty and the life cycle. New York: W.
W. Norton & Company
Gearon, L. (Ed.) (2007). A pracƟcal guide to teaching
ciƟzenship in the secondary school. Oxon: Routledge
Henriques, M., Reis, J. & Loia, L. (2006). Educação para a
cidadania: Saber & Inovar. Lisboa: Plátano Editora.
Huddleston, T. (2004) CiƟzens & society: PoliƟcal literacy
resource pack. London: Ci zenship Founda on / Hodder &
Stoughton.
Huddleston, T. (2007). IdenƟty, diversity and ciƟzenship. A
criƟcal review of educaƟon resources. London: Ci zenship
Founda on.
Marcia,J.,Waterman,S.,Ma eson,D.,Archer,S.,&Orlofsky,
J. (Eds.). (1993). Ego idenƟty: a handbook for psychosocial
research. New York: Springer.
Saarni, C. (1999). The development of emoƟonal
competence. New York: The Guilford Press
Smith, A. (1991). NaƟonal idenƟty. London: Penguin.
Swanson, D., Edwards, M. & Spencer, M. (Eds.) (2010).
Adolescence: Development during a global era. New York:
Elsevier.
Tomaz, L. R. (2002). Babel Loro Sa’e. O problema linguísƟco
de Timor-Leste. Lisboa: Ins tuto Camões.
Unidade Temática 2 | 45
I N T R O D U Ç Ã O
A unidade temáƟca 3 baseia-se numa perspeƟva
contemporânea da cidadania que integra uma análise
críƟca das qualidades e virtudes cívicas que contribuem
para a reflexão, parƟcipação cívica, exercício da jusƟça
social e construção do bem comum, dando especial relevo
aos processos e fatores envolvidos no juízo e na ação moral
na sociedade contemporânea.
48
48
48
51
54
56
Unidade Temá ca 3. É ca, Valores e
Comportamento Social
3.1. Nota Introdutória
3.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 3.1. ÉƟca e Moral na Sociedade Civil
Subtema 3.2. Dilemas e Condutas Morais na Sociedade Civil
Subtema 3.3. Desafios ÉƟcos nas Sociedades Contemporâneas
3.3. Recursos Adicionais
Unidade Temática 3 | Ética, Valores e Comportamento Social
48
3.1. Nota Introdutória
O exercício da cidadania e a par cipação social,
com igualdade de oportunidades, deveres e respon-
sabilidades, requer cidadãos com conhecimentos
polí cos (literacia polí ca), mas também com
capacidade de reflexão crí ca sobre os princípios
é cos e cívicos que governam a vida pública e a
convivência democrá ca (literacia é ca). A unidade
temá ca 3 baseia-se numa perspe va contemporânea
da cidadania que integra uma análise crí ca das
qualidades e virtudes cívicas que contribuem para a
reflexão, par cipação cívica, exercício da jus ça social
e construção do bem comum, dando especial relevo
aos processos e fatores envolvidos no juízo e na ação
moral na sociedade contemporânea. Pretende-se
que os alunos compreendam a complexidade destas
questões, proporcionando oportunidades de debate
e reflexão em torno de dilemas morais. Os alunos
serão incen vados a refle r sobre os seus valores,
qualidadespessoaisecívicas,eaiden ficaráreasonde
essas qualidades podem ser desenvolvidas. Deste
modo, espera-se contribuir para o desenvolvimento
da iden dade moral e das competências de cidadania
dos alunos.
3.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 3.1. ÉƟca e Moral na Sociedade Civil
Conteúdos
• É ca e moral
• É ca e polí ca
• Moral cívica
Metas de Aprendizagem
• Sabe que a moral é o conjunto de normas
seguidas pelos indivíduos de modo a agirem de
acordo com o que é considerado bom ou
correto, e que a é ca cons tui a reflexão sobre
essas normas com vista à sua fundamentação.
• Define consciência moral como um ajuizamento
interior organizador do que deve ou não deve
ser feito, considerando a realização do bem e o
impedimento do mal, e facultando exemplos de
como se manifesta o caráter pessoal da moral.
• Reconhece que existe um conjunto de normas
e regras sociais que configuram a moral
individual, dis nguindo entre normas morais,
jurídicas e usos/hábitos sociais.
• Compreende e define o conceito de valor,
associando-o ao conceito de “bem de valor”.
• Conhece os direitos humanos fundamentais
e reconhece neles os grandes princípios
é cos e cívicos para a comunidade global,
tais como: dignidade versus desumanidade,
desenvolvimento versus pobreza, jus ça versus
assimetria.
• Compreende os conceitos de jus ça social e
equidade e relaciona-os com a construção
do bem comum e a salvaguarda dos direitos
fundamentais.
• Define consciência cívica como a que ordena
ou proíbe determinadas ações, baseando-se
no respeito pelo outro, aperfeiçoamento das
ins tuições, luta pela jus ça e equidade e por
um futuro melhor para a Humanidade.
Componente PráƟca
• O Barómetro Moral (A vidade 3.1.)
• Ques onário para Avaliar a Moral (A vidade 3.2.)
• Escolhas Morais para a Comunidade Global
(A vidade 3.3.)
• O Meu Código Pessoal de É ca (A vidade 3.4.)
Unidade Temática 3 | 49
AƟvidade 3.1. O Barómetro Moral
ObjeƟvos: Promover o conhecimento sobre o
conceito de moral e refle r sobre a sua complexidade;
es mular a reflexão crí ca e consciencializar para
importância da reflexão é ca e do raciocínio moral na
sociedade contemporânea.
Metodologia: Diálogo/debate; reflexão pessoal; clari-
ficação de valores.
Tempo: 50 minutos.
Material: Quadro, papel e caneta ou lápis.
Instruções: Introduza a a vidade propondo aos alunos
que realizem uma a vidade conjunta de reflexão
moral. Explique-lhes que irão debater e analisar
uma questão em torno de três tópicos: “Como está
o barómetro moral da nossa: 1) escola; 2) sociedade;
3) país?”
Para cada tópico, passe entre os alunos uma folha
de papel, contendo no topo uma escala de 1 (muito
baixo) a 5 (muito alto); peça que todos assinalem na
mesma folha (por exemplo com uma cruz) a opção
que melhor traduz a sua opinião; deste modo obtém-
se um registo representa vo das respostas da turma.
Analise as respostas para cada tópico, calculando a
frequência de resposta em cada opção e construa um
gráfico no quadro com as opiniões da turma.
Reflexão: Es mule o diálogo entre os alunos sobre as
razões para os resultados.
AƟvidade 3.2. QuesƟonário para Avaliar a Moral
ObjeƟvos: Promover o conhecimento dos conceitos
de é ca e moral e refle r sobre a sua complexidade.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 50 minutos.
Material: Quadro, papel e caneta ou lápis.
Instruções:
1) Para introduzir esta a vidade modere na turma um
diálogo sobre os conceitos de “é ca” e “moral”. Peça
aos alunos que refiram o significado das expressões:
“alguém tem falta de é ca” ou “alguém não tem
moral”. No quadro crie duas colunas, uma para o
conceito de é ca e outra para o conceito de moral;
anote as ideias sugeridas pelos alunos.
2) Seguidamente, organize os alunos em grupos de
quatro ou cinco elementos e proponha que cada
grupo construa cinco questões para avaliar a moral.
Anote todas as questões sugeridas no quadro. Depois,
estabeleça um diálogo entre os alunos de modo a
chegarem a um consenso e selecionarem apenas
cinco questões.
Reflexão: É frequente associar-se a moral a um
conceito restrito de regulação do comportamento
(por exemplo, sexual). Contudo, trata-se de um
conceito mais vasto e complexo. Esta a vidade
pretende expandir e aprofundar o conceito de moral,
expondo as suas múl plas facetas. Es mule o debate
e a reflexão entre os alunos, introduzindo questões
como: “Que a tudes e comportamentos vão medir?
Haverá outros mais importantes? Que aspetos da
moral avaliam? A que normas e comportamentos
se referem? Porque escolheram estas questões?
São suficientes para avaliar a consciência moral de
alguém?”
Metodologia: Diálogo/debate; reflexão pessoal;
clarificação de valores.
Tempo: 50 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Solicite aos alunos que formem grupos
de três ou quatro elementos para que, em conjunto,
respondam às seguintes questões: 1) Jus fica-se fazer
uma coisa má por uma boa razão? 2) As necessidades
da maioria são mais importantes que as necessidades
de uma minoria ou de um indivíduo? 3) O que é
errado para os outros também é errado para mim? 4)
Somos livres nas nossas escolhas morais? 5) Ser moral
é comportar-se de acordo com regras? 6) Quando
decidimos sobre se um comportamento é moral ou
não, baseamo-nos na razão ou em sen mentos?
7) Devemos ajudar preferencialmente os nossos
familiares em vez de um estranho? 8) Devemos seguir
sempre a nossa consciência?
Esclareça que cada grupo deve anotar as suas
respostas para, no final, par lhar com a turma. À
medida que os grupos forem comunicando os seus
resultados, anote no quadro os tópicos enunciados.
Reflexão: No final da a vidade sugira aos alunos que
individualmentesinte zemasuaposiçãoperanteestas
questões, assinalando numa escala de 1 (discordo
completamente) a 5 (concordo muito), apresentada
no Manual do Aluno, a opção que mais se adequa à
sua opinião. Sugira que cada um reflita sobre o que
define o seu código moral pessoal. Esta reflexão tem
um caráter individual, devendo salvaguardar-se a
in midade e confidencialidade das respostas.
AƟvidade 3.3. Escolhas Morais Para a Comuni-
dade Global
ObjeƟvos: Relembrar os direitos humanos e associá-
-los a princípios é cos, morais e cívicos universais
para as sociedades contemporâneas.
Metodologia: Trabalho de pesquisa; diálogo/debate.
Tempo: 50 minutos.
Material: Declaração Universal dos Direitos Humanos,
papel e caneta ou lápis.
Instruções: Organize os alunos em grupos de três
ou quatro elementos e proponha-lhes que analisem
a Declaração Universal dos Direitos Humanos, iden-
ficando valores e princípios é cos que organizam as
sociedades democrá cas contemporâneas. Esclareça
que cada grupo deverá elencar uma lista dos valores e
comunicá-los à turma.
Reflexão: Centre a reflexão na iden ficação de
grandes princípios é cos e cívicos para a comunidade
global, tais como: dignidade versus desumanidade;
riqueza versus pobreza; jus ça versus assimetria.
Defina-os como escolhas morais das sociedades
contemporâneas. Esta a vidade permi rá aos alunos
associar as três gerações de direitos humanos, a
princípios é cos e morais adotados pelas sociedades
democrá cas.
AƟvidade 3.4. O Meu Código Pessoal de ÉƟca
ObjeƟvos: Compreender o conceito de consciência
moral e relacioná-lo com a noção de consciência
cívica; refle r sobre o caráter pessoal da moral e
contribuir para a iden ficação do sistema de valores
do aluno.
50 | Ética, Valores e Comportamento Social
• Compreende a dis nção entre exigências
morais e competências cívicas e relaciona-as no
exercício da cidadania.
• Define competências cívicas e dá exemplos.
• Define comportamento pró-social como aquele
que se expressa através de ações que têm por
intenção beneficiar os outros.
• Compreende a relação entre competências
ou virtudes cívicas (como a tolerância ou a
solidariedade) e virtudes ou forças de caráter
(como a sabedoria ou a temperança).
Componente PráƟca
• Resolver Dilemas Morais: Quantas São as
Soluções Possíveis? (A vidade 3.5.)
• O Di cil é Escolher: Hierarquizar Princípios de
Conduta (A vidade 3.6.)
• O que Significa Ser um Bom Cidadão?
(A vidade 3.7.)
• O Nosso Código de Cidadania (A vidade 3.8.)
• O Meu Por olio Cívico (A vidade 3.9.)
AƟvidade 3.5. Resolver Dilemas Morais:
Quantas São as Soluções Possíveis?
ObjeƟvos: Aprofundar o conhecimento sobre o
conceito de dilema moral; analisar dilemas morais
u lizando diferentes princípios de tomada de decisão;
es mular a reflexão crí ca e promover a experiência
de resolução de dilemas morais; promover o
desenvolvimento moral e sócio-emocional dos alunos.
Metodologia: Discussão de dilemas; clarificação de
valores.
Tempo: 50 minutos.
Subtema 3.2. Dilemas e Condutas Morais na
Sociedade Civil
Conteúdos
• Caráter intencional e valora vo da ação humana
• Moralidade e juízo moral
• É ca e comportamento cívico
Metas de Aprendizagem
• Sabe que as ações humanas são intencionais
e ocorrem na sequência de processos mentais
que determinam o seu sen do.
• Sabe que cada pessoa orienta a sua conduta
por critérios valora vos que assume como seus
(como o bem comum, valores morais e cívicos,
ou o interesse próprio).
• Compreende a dis nção entre intenção e
norma moral.
• Sabe que o desenvolvimento da moralidade
envolve quatro processos básicos: interpretação
da situação, capacidade para definir a ação
moralmente correta, hierarquização dos valores
morais sobre os valores pessoais e capacidade
para passar da intenção à ação.
• Define o juízo moral como o raciocínio
subjacente ao juízo sobre o bem/mal e justo/
injusto e compreende que representa aquilo
que o sujeito é capaz de fazer e não aquilo que
efe vamente faz.
• Reconhece dilemas morais e analisa-os,
u lizando diferentes princípios na tomada de
decisão (exemplo, colocar-se no lugar do outro
e pensar em como as suas ações o afetam).
• Compreende que a coragem moral marca a
diferença entre raciocínio e passagem à ação,
envolvendo a conjugação de vários elementos,
taiscomo:realizaçãodeumaescolha,efe vação
de uma conduta e presença de medo.
Unidade Temática 3 | 51
Metodologia: Clarificação de valores; diálogo/debate.
Tempo: 50 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis, quadro.
Instruções:
1) Inicie esta a vidade apresentando o conjunto de
princípios de conduta expostos no Manual do Aluno.
Peça aos alunos que os copiem para o caderno e que,
individualmente, analisem a sua importância numa
escala de 1 (nada importante) a 5 (muito importante).
2) De seguida organize os alunos em grupos de três
ou quatro elementos e proponha que ordenem
os princípios de conduta anteriores, segundo a
sua ordem de importância (do menos para o mais
importante) para a vida em sociedade e salvaguarda
do bem comum.
Reflexão: No final cada grupo apresenta os seus
resultados à turma, jus ficando a opção tomada. O
professor modera o diálogo para chegarem a uma
ordenação consensual dos princípios de conduta.
AƟvidade 3.7. O que Significa Ser um Bom
Cidadão?
ObjeƟvos: Operacionalizar competências é cas e
cívicas, compreendendo a dis nção dos conceitos;
promover a reflexão pessoal e o autoconhecimento;
contribuir para a iden ficação do sistema de valores
do aluno.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 50 minutos.
Material: Quadro.
Instruções: Introduza a a vidade apresentando
aos alunos o dilema moral constante no Manual do
Aluno. Proponha à turma que avance soluções para
este dilema. À medida que as soluções surgem anote-
as no quadro e faça circular a informação: “Todos
concordam? Quem não concorda? Haverá outras
soluções possíveis?” Anote as diferentes soluções
no quadro e registe os votos contra e a favor de cada
uma. Averigúe se há elementos indecisos e porquê.
Reflexão: A resolução de dilemas morais cons tui
uma importante estratégia para a promoção do
desenvolvimento moral e sócio-emocional dos
alunos. Es mule o debate e o confronto de opiniões,
introduzindo questões de índole reflexiva.Por
exemplo: “Como é que a solução afeta os diversos
intervenientes? Se es vessem no lugar das pessoas
afetadas pelas decisões até que ponto concordariam
com o que acabaram de decidir? Se es vessem de
fora a observar e vissem outras pessoas a fazer o
que decidiram, considerariam correto?” Para com-
plexificar o debate poderá introduzir a dis nção entre
raciocínio moral e coragem moral. Ou seja: “Sempre
que ajuizamos corretamente uma situação do ponto
de vista moral, isso é garan a de que agimos de acordo
com o nosso raciocínio? Fazemos sempre aquilo que
consideramos correto?”
AƟvidade 3.6. O Diİcil é Escolher: Hierarquizar
Princípios de Conduta
ObjeƟvos: Compreender o caráter intencional e
valora vo da ação humana e reconhecer o papel de
critérios valora vos (interesse próprio, valores cívicos
e morais, promoção do bem comum) nas escolhas
e condutas morais dos indivíduos; consciencializar
para a importância do juízo moral; contribuir para a
iden ficação do sistema de valores do aluno.
52 | Ética, Valores e Comportamento Social
Tempo: 50 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Introduza a a vidade explicando aos
alunos que a vida nas sociedades democrá cas é
governada por um conjunto de princípios é cos e
morais comuns a todos os cidadãos.
1) Peça que, individualmente, comentem no caderno
a seguinte afirmação: “Desde pelo menos Aristóteles
que se debateu se ser «um bom cidadão» é o mesmo
que ser um «cidadão bom». A resposta base indica
diferenças significa vas entre as competências cívicas
e as exigências morais”.
2) Em seguida proponha à turma que construa um
código de cidadania com orientações básicas para
ser um “bom cidadão”. Fomente o diálogo, colocando
questões como: “O que é um bom cidadão? O que
deve fazer um bom cidadão?” Promova a par cipação
e faça circular a informação entre os alunos (quem
concorda e discorda, outras ideias). Anote as ideias
para o código de cidadania no quadro e peça aos
alunos que registem no caderno.
Reflexão: Na fase final da tarefa sugira aos alunos
que individualmente reflitam se as suas condutas se
aproximam da definição de bom cidadão por eles
encontrada e registem as qualidades e virtudes cívicas
que precisam desenvolver.
AƟvidade 3.9. O Meu Porƞolio Cívico
ObjeƟvos: Operacionalizar competências cívicas; pro-
mover a reflexão sobre o comportamento, virtudes
cívicas e de caráter dos alunos; contribuir para o seu
desenvolvimento moral e sócio-emocional.
Material: Papel, caneta ou lápis, quadro.
Instruções:
1) Organize os alunos em grupos de três ou quatro
elementos e proponha que cada grupo reflita sobre
o significado de ser “um bom cidadão”, anotando no
caderno esses significados.
2) Seguidamente, solicite que realizem o mesmo
exercício mas em relação a outros papéis sociais:
vizinho, aluno, amigo e filho.
Todos os grupos comunicam os seus resultados à
turma. Depois, com a orientação do professor, anotam
no quadro diferenças e semelhanças nos diversos
papéis assumidos.
Reflexão: Esta a vidade fomenta o conhecimento e
análise crí ca das competências cívicas necessárias à
adaptação num determinado contexto sociopolí co.
Promova a reflexão, pedindo aos alunos que pensem
como responderiam a estas questões se fossem
membros de outras culturas ou vivessem noutro
tempo histórico (passado ou futuro). Iden fique e
anote no quadro as diferenças e peça que discutam
as causas.
AƟvidade 3.8. O Nosso Código de Cidadania
ObjeƟvos: Conhecer e dis nguir virtudes é cas de
virtudes cívicas; analisar o próprio comportamento
cívico; refle r sobre as suas virtudes cívicas.
Metodologia: Reflexão pessoal; clarificação de
valores; diálogo/debate; par cipação na elaboração
de regulamentos.
Unidade Temática 3 | 53
Metas de Aprendizagem
• Compreende o conceito de é ca aplicada
ou é ca prá ca como a aplicação da é ca a
questões prá cas da vida quo diana.
• Iden fica transformações sociais, demográficas
e tecnológicas da sociedade contemporânea
que suscitam dilemas e controvérsias morais.
• Reconhece que as transformações sociais,
cien ficas e tecnológicas da sociedade contem-
porânea exigem novas reflexões é cas (por
exemplo, a bioé ca).
• Iden fica diferentes escolhas morais perante
temas sociais polémicos, e posiciona-se através
de um julgamento informado.
• Reconhece a exigência de tolerância na conduta
pessoal e demonstra disponibilidade para
aceitar/tolerar diferentes formas de estar.
Componente PráƟca
• Sociedade, Ciência e Religião: Diferentes Pers-
pe vas à Conversa (A vidade 3.10)
• Dilemas da Bioé ca (A vidade 3.11)
• Tolerância na Sala de Aula (A vidade 3.12)
AƟvidade 3.10. Sociedade, Ciência e Religião –
Diferentes PerspeƟvas à Conversa
ObjeƟvos: Reconhecer transformações sociais e
tecnológicas da sociedade contemporânea que
exigem novas reflexões é cas; iden ficar e aceitar
diferentes escolhas morais perante temas sociais
polémicos e posicionar-se através de um julgamento
informado; desenvolver o espírito crí co e clarificar
valores pessoais.
Metodologia: Simulação de papéis; discussão de
dilemas; clarificação de valores.
Metodologia: Reflexão pessoal; registo pessoal;
clarificação de valores.
Tempo: 1 semana (fora do tempo le vo).
Material: Papel, caneta ou lápis, um dossier ou capa,
fotografias, recortes de jornais (ou outros materiais
similares recolhidos pelo aluno).
Instruções: Enquadre a a vidade explicando que
pensadores e filósofos morais, como Aristóteles ou
Confúcio, consideravam que as virtudes é cas podiam
ser desenvolvidas e contribuíam para o bem-estar
pessoal e social dos indivíduos. Proponha aos alunos
que organizem um dossier para registar, durante
pelo menos 1 semana (podendo manter a a vidade
mais tempo se o desejarem), os comportamentos
e virtudes cívicas que demonstraram na família,
escola e comunidade. Explique que poderão ainda
incluir no dossier no cias, fotografias ou registos
de acontecimentos que considerem exemplos de
condutas cívicas. Sublinhe que este dossier representa
o seu por olio cívico.
Reflexão: Esta a vidade pretende reforçar a
consciência pessoal e cons tuir um espaço para
clarificação pessoal de valores e autoconhecimento
do aluno.
Subtema 3.3. Desafios ÉƟcos nas Sociedades
Contemporâneas
Conteúdos
• É ca aplicada, transformações sociais e
tecnológicas
• Novas reflexões é cas
• É ca e tolerância
54 | Ética, Valores e Comportamento Social
Metodologia: Trabalho de pesquisa; diálogo/debate;
clarificação de valores.
Tempo: 50 minutos (+ 50 minutos).
Material: Acesso à Internet e/ou à biblioteca da
escola, quadro.
Instruções: Enquadre a a vidade explicando aos
alunos que eutanásia, aborto e testamento vital
são temas que colocam questões é cas delicadas,
pois ultrapassam os referenciais é cos tradicionais,
exigindo novos pos de reflexão. Proponha à turma
que selecione um destes temas (podem proceder por
votação) para debater. Crie três grupos aleatórios na
turma: 1) um grupo assume uma posição favorável;
2) um grupo assume uma posição contrária; 3) um
grupo cons tui-se como júri que avalia a qualidade
da argumentação dos outros dois grupos. Cada grupo
prepara os seus argumentos (fazendo pesquisas na
biblioteca da escola e/ou na internet). Enfa ze que os
alunos deverão assumir e defender a posição do seu
grupo, mesmo que contrária aos seus valores e ideais
pessoais. Modere o debate e anote no quadro os
argumentos favoráveis e contrários em duas colunas.
Esta a vidade é susce vel de desdobrar-se em duas
aulas, caso o professor considere conveniente. Nesse
caso, na primeira aula os grupos formados procedem
à pesquisa da informação para preparem os seus
argumentos. Na segunda aula, procede-se ao debate
para reflexão.
Reflexão: No final, o júri reúne-se para elaborar um
veredicto sobre quem ganhou o debate e porquê,
enunciando as principais conclusões da turma.
Es mule os alunos a refle r sobre se o debate os fez
alterar as suas posições inicias e porquê. Ques one
Tempo: 50 minutos.
Material: Quadro, papel e caneta ou lápis.
Instruções: Introduza a a vidade solicitando aos
alunos que imaginem uma situação em que uma
família impede o seu filho de ser subme do a uma
cirurgia devido a crenças religiosas, sabendo que sem
essa intervenção não sobreviverá.
Proponhaquedebatamestetema.Formecincogrupos
de trabalho e proceda à distribuição aleatória de
papéis (cada grupo representa um dos protagonistas):
1) um grupo assume o papel da criança; 2) um grupo
assume o papel dos pais da criança; 3) um grupo
assume o papel dos líderes religiosos; 4) um grupo
assume o papel dos médicos; 5) um grupo assume
o papel da opinião pública, colocando questões aos
restantes grupos para compreender as suas posições.
Cada grupo prepara os seus argumentos. Enfa ze que
os alunos deverão assumir e defender a posição do
seu grupo, mesmo que seja contrária aos seus valores
e ideais pessoais. Modere o debate e anote no quadro
os argumentos de cada grupo.
Reflexão: Lance a reflexão explorando como os alunos
se sen ram durante o debate. Explore as dificuldades
sen das ou as estratégias u lizadas para se colocarem
no papel atribuído. Peça que reflitam sobre se o
debate alterou as suas posições iniciais.
AƟvidade 3.11. Dilemas da BioéƟca
ObjeƟvos: Reconhecer e refle r sobre transformações
sociais e tecnológicas da sociedade contemporânea
que exigem novas reflexões é cas; iden ficar e aceitar
diferentes escolhas morais perante temas sociais
polémicos e posicionar-se através do julgamento
informado; desenvolver o espírito crí co e clarificar
valores pessoais.
Unidade Temática 3 | 55
2) Depois, modere um diálogo na turma até chegarem
a uma ordenação consensual dos cartões. Caso não
sejam bem sucedidos, introduza um procedimento
por votação.
3) No final da aula proponha que com base no que
aprenderam e reflec ram sobre a tolerância, os alunos
se organizem para, na aula seguinte, construírem um
cartaz ou um mural de apoio à tolerância na escola.
Oriente-os na escolha de uma imagem e na criação de
um slogan ou uma palavra de ordem.
Reflexão: Enfa ze que a tolerância não significa
ausência de moral ou amoralidade, mas aceitação e
valorização crí ca (refle da) de perspe vas diversas
(pluralismo moral).
3.3. Recursos Adicionais
Documentos
ConsƟtuição da República DemocráƟca de Timor-Leste
aprovada e decretada pela Assembleia Cons tuinte, em 22
de março de 2002.
Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada
pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de abril
de 1948.
Livros e ArƟgos
Bowie, R. (2004). Ethics and tolerance in ciƟzenship. A
guide for ci zenship. Canterbury: Christchurch University
College. Acedido em www.ci zed.info
Cor na, A. (1997). La eƟca de la sociedad civil. Madrid:
Grupo Anaya.
Cor na, A. (2007). ÉƟca de la razón cordial – Educar en la
ciudadania en el siglo XXI. Oviedo: Ediciones Nobel.
Henriques, M., Reis, J. & Loia, L. (2006). Educação para a
cidadania: Saber & inovar. Lisboa: Plátano Editora.
Huddleston, T. & Rowe, D. (2001). Good thinking: EducaƟon
se a informação que de nham era suficiente ou se
necessitavam de mais (e qual) para poderem construir
argumentos e tomar decisões mais informadas.
AƟvidade 3.12. Tolerância na Sala de aula
ObjeƟvos: Operacionalizar o conceito de tolerância e
consciencializar para a sua importância como princípio
é co na sociedade contemporânea; promover
a tudes de tolerância a va; promover a reflexão e o
espírito crí co;
Metodologia: Diálogo /debate; trabalho de equipa;
clarificação de valores.
Tempo: 50 minutos (+50 minutos).
Material: Cartões apresentados no Manual do
Aluno, papel, cartolina, ntas e pincéis, recortes
para colagens, canetas e lápis (outros materiais
selecionados pelos alunos).
Instruções: Introduza esta a vidade relembrando aos
alunos o conceito de tolerância e apresentando os
nove cartões que contêm princípios para o exercício
da tolerância na sala de aula expostos no Manual
do Aluno. Proponha a realização de uma a vidade
que permi rá aos alunos selecionar os princípios de
tolerância vigentes na sua sala de aula.
1) Solicite aos alunos que formem grupos de três ou
quatro elementos, para, com base na sua perspe va
sobre o significado de tolerância, organizarem os
nove cartões por ordem de importância (do menos
para o mais importante). Cada grupo comunica a sua
ordenação à turma.
56 | Ética, Valores e Comportamento Social
for ciƟzenship and moral responsibility. Ci zenship
Founda on/Evans Bros.
Mosham, D. (2005). Adolescent psychological development:
RaƟonality, morality and idenƟty (2º Ed). New Jersey:
Lawrence Erlbaum Associates.
Newberg, N. (2010). Rebirth: Civic engagement from
adolescence to adulthood In D. Swanson, M. Edwards, & M.
Peterson, C. & Seligman, M. (2004). Character strengths
and virtues. A handbook and classificaƟon. Washington:
APA.
Savater, F. (1993). ÉƟca para um jovem. Queluz de Baixo:
Editorial Presença.
Savater, F. (2010). As perguntas da vida. Lisboa: Dom
Quixote.
Singer, P. (2000). Escritos sobre uma vida éƟca. Lisboa:
Publicações D. Quixote.
Singer, P. (2002). ÉƟca práƟca. Lisboa: Gradiva.
Spencer (Eds.) (2010). Adolescence: Development during a
global area. New York: Elsevier.
Filmes
Gentleman’s Agreement, 1947, Elia Kazan
It´s a Wonderful Life, 1946, Frank Capra
Match Point, 2005, Woody Allen
Mr. Deeds Goes to Town, 1936 Frank Capra
Shadow of a Doubt, 1943, Alfred Hitchcock
Sophie’s Choice, 1982, Sidney Pollack
The Wrong Man, 1956, Alfred Hitchcock
To Kill a Mockingbird, 1962, Robert Mulligan
Twelve Angry Men, 1957, Sidney Lumet
Internet
Ethics for Schools
h p://www.ethicsforschools.org/
PromoƟng PosiƟve Tolerance and AcƟve CiƟzenship
h p://www.irespect.net/
Stanford Encyclopedia of Philosophy hosted by Stanford
University
h p://plato.stanford.edu/
Unidade Temática 3 | 57
I N T R O D U Ç Ã O
Esta unidade temáƟca incide em aspetos da comunicação
essenciais para compreender a sua relevância na ação
humana. A comunicação desempenha um papel
fundamental na construção da idenƟdade e no
relacionamento interpessoal, pois através dela ocorre
o processo de parƟlha e aprendizagem, crucial para o
desenvolvimento individual e social.
60
60
60
62
67
71
Unidade Temá ca 4. Comunicação e
Relacionamento Interpessoal
4.1. Nota Introdutória
4.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 4.1. Processo de Comunicação
Subtema 4.2. EsƟlos de Comunicação
Subtema 4.3. Comunicação e Gestão de Conflitos
4.3. Recursos Adicionais
Unidade Temática 4 | Comunicação e Relacionamento Interpessoal
60
4.1. Nota introdutória
Esta unidade temá ca incide em aspetos da
comunicação essenciais para compreender a
sua relevância na ação humana. A comunicação
desempenha um papel fundamental na construção
da iden dade e no relacionamento interpessoal,
pois através dela ocorre o processo de par lha
e aprendizagem, crucial para o desenvolvimento
individual e social. Pela comunicação transmitem-se
valores, adquirem-se regras e aprende-se a viver em
sociedade, tornando o tema per nente na disciplina
de Cidadania e Desenvolvimento Social.
A unidade temá ca Comunicação e Relacionamento
Interpessoal apresenta uma componente prá ca
composta por múl plas a vidades, cujo obje vo é a
promoção de competências sociais e comunicacionais
nos alunos, tais como: asser vidade, capacidade de
escutar e respeitar a opinião do outro, argumentação,
cooperação, trabalho em equipa, negociação e
mediação. Assim, além da diversidade de a vidades
prá cas descritas no Manual do Aluno, o professor
encontra neste guia um conjunto de a vidades
complementares, que pode desenvolver e adaptar,
adequando o processo de ensino e aprendizagem às
necessidades e expecta vas dos seus alunos.
4.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 4.1. Processo de Comunicação
Conteúdos
• Conceito de comunicação
• Processo de comunicação
• Formas de comunicação
• Níveis de comunicação
Metas de Aprendizagem
• Define comunicação como ato de transmi r
e par lhar informações, sen mentos e
experiências entre pessoas.
• Dis ngue comunicação (processo intera vo
que consiste na troca de mensagens entre as
pessoas) de informação (processo unilateral de
transmissão de conteúdos).
• Descreve os elementos do processo de comu-
nicação (emissor, mensagem, recetor, código,
canal, feedback e ruído) e compreende a função
de cada um dos elementos na comunicação.
• Reconhece a existência de fatores que
influenciam a comunicação, ao nível dos
interlocutores (tais como, as habilidades
comunicacionais, o quadro de referência,
o estado emocional e os papéis sociais), da
transmissão (como o canal u lizado, o ruído e
o momento ser inadequado) e da mensagem
(complexidade e consistência da mensagem).
• Iden fica e dis ngue formas de comunicação
digital (conteúdo da comunicação) e analógica
(relação).
• Caracteriza os níveis de comunicação: intra-
pessoal, interpessoal, grupal, organizacional,
em sociedade (comunicação de massas).
Componente PráƟca
• Repete a História (A vidade 4.1.)
• Comunicação Analógica
(A vidade complementar)
• O Corpo é Que Fala (A vidade complementar)
• O Jornal da Escola (A vidade 4.2.)
AƟvidade 4.1. Repete a História
ObjeƟvos: Analisar o processo de comunicação e
iden ficar distorções comunicacionais.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 20 minutos.
Unidade Temática 4 | 61
Material: Compete ao professor escolher a história
que será contada nesta a vidade. A história deve ser
curta (sugere-se um a dois parágrafos), podendo ser o
excerto de uma no cia, livro, revista ou conteúdo da
Internet.
Instruções: Siga os passos descritos no Manual do
Aluno e leia o excerto que escolheu para realizar esta
a vidade.
Reflexão: No final, convide a turma a refle r sobre a
experiência. Seguem-se algumas questões para lançar
o debate: “Por que razão ocorrem distorções no
processo de comunicação? Quais os impactos? Como
evitar que tal aconteça?”
AƟvidade complementar. Comunicação
Analógica
ObjeƟvos: Desenvolver a capacidade de expressão
não-verbal e de reconhecer as expressões dos outros.
Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate.
Tempo: 20 minutos.
Material: Papel e lápis ou caneta.
Instruções: Convide cada aluno a escrever uma
emoção (por exemplo, “alegria” ou “tristeza”) num
papel que irá colocar num recipiente (caixa ou saco)
que o professor tem na secretária. Depois os alunos
colocam as cadeiras em semicírculo e sentam-se.
Cada um re ra do recipiente um papel e representa
a emoção que lá está escrita, apenas através da
expressão facial (sem pronunciar nenhuma palavra).
Os outros alunos devem tentar descobrir a emoção.
Reflexão: Depois da experiência incen ve os alunos
a par lharem o que sen ram durante a a vidade
(por exemplo: “Que dificuldades sen ram na
representação e interpretação?”) e a refle rem sobre
a importância da comunicação analógica nas relações
interpessoais.
AƟvidade complementar. O Corpo é que Fala
ObjeƟvos: Desenvolver a capacidade de expressão
não-verbal.
Metodologia: Simulação de papéis.
Tempo: 10 minutos.
Material: Nenhum.
Instruções: Forme grupos de duas ou três pessoas e
peça-lhes para dizerem frases curtas (por exemplo,
expressões populares ou o refrão de uma música) sem
pronunciaremnenhumsom.Cadagrupovaiimprovisar,
durante 5 minutos, um pequeno diálogo através de
gestos, sinais e expressões faciais. Não é permi do
falar. Para facilitar os alunos podem combinar o tema
da mímica antes de iniciar a simulação de papéis.
Como alterna va pode promover uma a vidade de
leitura dos lábios. Pergunte aos alunos se alguma vez
já experimentaram ver televisão sem som e explique
que a dinâmica que lhes é pedida se assemelha a essa
experiência.
Reflexão: No final da experiência aborde com os
alunos as dificuldades que sen ram na expressão e
interpretação das mensagens.
Subtema 4.2. EsƟlos de Comunicação
Conteúdos
• Es los de comunicação
• Comunicação asser va
• Empa a e escuta a va
• Debate e argumentação
• Negociação e mediação
Metas de Aprendizagem
• Caracteriza os es los de comunicação
(passivo, agressivo, manipulador e asser vo)
e compreende os impactos de cada um no
relacionamento interpessoal.
• Iden fica as caracterís cas da comunicação
asser va, entre as quais a empa a e a escuta
a va, e reconhece a sua importância para
compreender e comunicar com o outro.
• Define empa a como a capacidade psicológica
para reconhecer ou compreender as ideias,
sen mentos e mo vações dos outros.
• Par cipa em debates, argumenta as suas
opiniões e tomadas de decisão, sabe escutar e
respeitar as opiniões dos outros.
• Dis ngue negociação (as partes envolvidas
procuram o consenso) de mediação (existe um
terceiro elemento que intervém para alcançar
um acordo) e reconhece a sua importância na
conciliação e resolução de conflitos.
Componente PráƟca
• Qual o Meu Es lo de Comunicação?
(A vidade 4.3.)
• ExperimentarDiferentesEs losdeComunicação
(A vidade 4.4.)
• O que é a Asser vidade?
(A vidade complementar)
• Testa a Tua Asser vidade (A vidade 4.5.)
• Usar Palavras Asser vas (A vidade 4.6.)
• Aplica a Técnica D.E.S.C. (A vidade 4.7.)
AƟvidade 4.2. O Jornal da Escola
ObjeƟvos: Promover competências de escrita e de
leitura; desenvolver a cooperação entre os alunos e
es mular o pensamento crí co; refle r sobre temas
relevantes de cidadania; promover a aproximação do
contexto escolar e comunidade envolvente.
Metodologia: Trabalho de projeto.
Tempo: Desenvolve-se ao longo do ano le vo.
Material: Papel, caneta ou lápis, computador e
impressora para a edição do jornal.
Instruções: O jornal é um meio de comunicação de
massas muito u lizado atualmente. Para sensibilizar
os alunos para esta a vidade, pode apresentar vários
jornais locais, convidar os alunos a analisarem os
principais elementos de uma no cia (o quê, quem,
quando, onde, como e por quê?) e a comentarem
no cias da atualidade. Na elaboração do jornal pode
ser ú l e enriquecedor envolver outras disciplinas
(por exemplo, Português). Assim, os alunos podem
mobilizar e ar cular conhecimentos de diversas áreas,
um exercício fundamental na sua formação.
As condições necessárias à criação ou manutenção
do jornal escolar e as etapas do trabalho de projeto
encontram-se descritas no Manual do Aluno.
Reflexão: Consoante os temas a abordar no jornal e os
colaboradores a integrar no trabalho, a reflexão pode
estender-se a diversos aspetos. De qualquer forma,
esta a vidade oferece a oportunidade dos alunos
contactarem com todos os níveis de comunicação
(intrapessoal, interpessoal, grupal, organizacional
e de massas) que aprenderam. Assim, para além da
reflexão sobre o processo de criação/manutenção
do jornal (planeamento, ação e avaliação), sugere-se
uma reflexão sobre as potencialidades e dificuldades
de cada nível de comunicação.
62 | Comunicação e Relacionamento Interpessoal
Tempo: 20 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Na sequência da a vidade anterior, e de
forma a consolidar os conhecimentos sobre es los de
comunicação, pode propor à turma uma simulação de
papéis onde os alunos são convidados a desempenhar
um conjunto de ações e expressões caracterís cas de
cada es lo de comunicação. Deve entregar a cada
aluno um papel com um es lo de comunicação escrito
(agressivo, passivo, manipulador, asser vo), para
ser simulado/encenado pelo aluno. Não é permi do
verbalizarem o es lo que vão desempenhar. Devem
apenas simular o máximo de caracterís cas que
facilitem a iden ficação do es lo por parte dos
colegas. À medida que vão reconhecendo os es los,
devem agregar-se por es lo.
Reflexão: Após a simulação de papéis ques one os
alunos sobre a experiência, nomeadamente sobre o
impacto que o es lo de comunicação que estavam
a desempenhar nha na interação com os colegas;
quais as vantagens e desvantagens de cada es lo de
comunicação.
AƟvidade complementar. O que é a
AsserƟvidade?
ObjeƟvos: Compreender em que consiste a noção de
asser vidade.
Metodologia: “Tempestade de ideias”.
Tempo: 10 minutos.
Material: Quadro.
• Debater um Assunto Polémico (A vidade 4.8.)
• Ouvir ou Escutar? (A vidade 4.9.)
• Entrar em Desacordo (A vidade complementar)
• Afirmar um Direito (A vidade complementar)
AƟvidade 4.3. Qual o Meu EsƟlo de
Comunicação?
ObjeƟvos: Iden ficar e compreender diferentes
es los de comunicação.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 30 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Convide os alunos a preencherem no
caderno o ques onário descrito no Manual do
Aluno, que os ajudará a iden ficarem o seu es lo de
comunicação predominante. Após preenchimento
do ques onário e análise dos resultados, suscite
a reflexão sobre as caracterís cas dos es los de
comunicação.
Reflexão: Durante a reflexão pode perguntar aos
alunosquaisoses losdecomunicaçãopredominantes
na turma e qual o impacto de cada es lo nas relações
interpessoais.
AƟvidade 4.4. Experimentar Diferentes EsƟlos
de Comunicação
ObjeƟvos: Iden ficar e compreender diferentes
es los de comunicação.
Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate.
Unidade Temática 4 | 63
Instruções: Convide os alunos a preencherem no
caderno o ques onário constante no Manual do
Aluno para testarem a sua asser vidade.
Reflexão:Concluídoopreenchimentodoques onário,
reflita com os alunos sobre a importância da
asser vidade no relacionamento interpessoal.
AƟvidade 4.6. Usar Palavras AsserƟvas
ObjeƟvos: Treinar competências asser vas.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 15 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Solicite aos alunos que analisem um
conjunto de expressões e avaliem se são “asser vas”
ou “não asser vas”. Nas expressões não asser vas,
peça aos alunos que reformulem e reescrevam
as frases de forma asser va. Seguem-se algumas
propostas de resolução para os exercícios enunciados
no Manual do Aluno:
a) Não asserƟva. Reformulação: “Este trabalho
poderia ser melhorado se pesquisasse mais
informação sobre o tema e aprofundasse mais os
conteúdos.”
b) Não asserƟva. Reformulação: “Penso que o
trabalho que fez poderia estar melhor. O que é que
acha?”
c) AsserƟva.
d) Não asserƟva. Reformulação: “Aqui dentro
esse comportamento não é permi do. Por favor,
importa-se de sair?”
e) AsserƟva.
Instruções: Antes de começar a lecionar os conteúdos
sobre asser vidade, pode solicitar aos alunos que
par lhem o que entendem por asser vidade,
anotando no quadro as ideias. Depois, faça uma
tabela com duas colunas para inserir comportamentos
asser vos e não asser vos.
É asserƟvidade quando a pessoa:
• Assume a responsabilidade dos seus compor-
tamentos e fala na primeira pessoa “Eu”;
• Reconhece as necessidades e sen mentos dos
outros;
• Respeita e escuta a opinião dos outros;
• Demonstra abertura para resolver conflitos;
• Demonstra claramente aquilo que quer.
Não é asserƟvidade quando a pessoa:
• Atribui a culpa aos outros;
• Ignora as necessidades e sen mentos dos
outros;
• Despreza a opinião dos outros;
• Faz exigências e não coopera;
• Não negoceia e é inflexível.
Reflexão: Explore com os alunos como a conceção
que nham de asser vidade se aproxima ou afasta da
noção que acabaram de aprender.
AƟvidade 4.5. Testa a Tua AsserƟvidade
ObjeƟvos: Refle r sobre a capacidade asser va de
cada aluno.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 15 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
64 | Comunicação e Relacionamento Interpessoal
Descrever “A Carla chegou outra vez atrasada!”
Expressar
“Os atrasos da Carla deixam-me
aborrecido e ansioso. Sinto que é uma
perda de tempo estar constantemente
à espera dela. Começo a sen r-me
desmo vado para trabalhar assim…”
Sugerir
“Compreendo se esta não for a melhor
hora para reunirmos. Se preferir,
podemos reunir a outra hora ou noutro
local que para seja mais acessível.”
Conclusão
“Assim, eu poderia organizar o meu
tempo de outra forma e rentabilizar o
momento que estamos a trabalhar em
conjunto. Desta forma conseguiríamos
aumentar a nossa produ vidade e
eficiência.”
Reflexão: Quando todos os alunos verem preenchido
o quadro, convide-os a par lharem algumas das suas
propostas e aproveite para enquadrar o discurso dos
alunos nos conteúdos que têm vindo a ser lecionados
nesta unidade temá ca. Se considerar per nente,
pode ainda aplicar a técnica D.E.S.C. a outras situações
do quo diano e fazer o exercício em conjunto com a
turma.
AƟvidade 4.8. Debater um Assunto Polémico
ObjeƟvos: Desenvolver competências de reflexão,
compreensão, comunicação e debate que permitam
abordar temas polémicos e/ou controversos.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 20 minutos.
Material: Nenhum.
Na segunda parte da a vidade solicite exemplos de
expressões asser vas para cada uma das situações
apresentadas na tabela constante no Manual do
Aluno. Mais uma vez, não existem respostas certas
ou erradas. Porém, deve ter em atenção as palavras
u lizadas pelos alunos, reforçando aquelas que
convidam ao respeito, cooperação e sen mentos
posi vos, em detrimento daquelas que transmitem
sen mentos nega vos, falta de respeito ou
indiferença.
Reflexão: Explorar com os alunos a diferença entre
palavras asser vas e não asser vas e refle r sobre as
vantagens da asser vidade nas relações interpessoais.
AƟvidade 4.7. Aplica a Técnica D.E.S.C.
ObjeƟvos: Treinar capacidades asser vas através da
aplicação da técnica D.E.S.C.
Metodologia: Estudo de caso.
Tempo: 20 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Os alunos preenchem o quadro constante
no Manual do Aluno nos seus cadernos u lizando
a técnica D.E.S.C. As suas propostas devem estar
de acordo com aquilo que pensam ser a melhor
alterna va para resolver a situação descrita. Uma das
alterna vas possíveis encontra-se no quadro que se
segue. Porém, outras também podem ser validadas,
desde que cumpram os princípios da técnica D.E.S.C.
Unidade Temática 4 | 65
Instruções: Convide dois alunos a ausentarem-se
por breves minutos da sala de aula e a prepararem
individualmente um discurso (cerca de um minuto)
sobre um tema à sua escolha (por exemplo, o
passatempo preferido). Enquanto os dois alunos
estão fora da sala, combine com o resto da turma
duas situações: 1ª) quando o primeiro aluno entrar
novamente na sala, a turma deverá simular que não
está a ouvir aquilo que o colega está a comunicar
(por exemplo, podem simular que estão a ler um
livro, a escrever numa folha, a olhar para a janela, a
bocejar, a falar baixo uns com os outros); 2ª) quando
o segundo aluno entrar, a turma deve prestar atenção
ao colega (por exemplo, mantendo o contacto visual
e fazendo perguntas, demonstrando interesse). Como
alterna va,podepromoverumadinâmicasemelhante
em pequenos grupos (três ou quatro alunos). Neste
caso, um dos alunos fala de um tema à sua escolha
e o outro demonstra que não o está a ouvir (por
exemplo, interrompendo o colega que está a falar,
não estabelecendo o contacto visual, começando a
falar com outra pessoa).
Reflexão: Depois da a vidade pergunte aos alunos
como se sen ram quando não estavam a ser
escutados pelos colegas e, seguidamente, ques one-
-os sobre os aspetos que dis nguem um mau de um
bom ouvinte. Seguem-se algumas caracterís cas
de um bom ouvinte: a) demonstra estar atento e
a escutar, mantendo o contacto visual, acenando
com a cabeça ou dizendo “Hum”, “Pois”, “Sim, estou
a escutar”; b) não interrompe a conversa; c) não
procura preencher logo os momentos de silêncio e
dá tempo ao interlocutor para pensar e con nuar
a conversa; d) coloca questões abertas de forma a
incen var a con nuação do diálogo; e) reformula
o que ouviu, verbaliza o sen mento que o outro
exprime e confirma se está a interpretar a mensagem
corretamente.
Instruções: Convide os alunos para debaterem
assuntos polémicos da atualidade. Para facilitar a
eleição do tema a ser deba do, pode solicitar que
consultem jornais, no cias, acontecimentos locais
ou par lhem interesses pessoais. Após escolherem o
tema, divida a turma em dois grupos com o mesmo
número de alunos. Informe-os que um grupo ficará
responsável por apresentar argumentos “a favor” e
o outro facultará argumentos “contra” o assunto em
discussão (independentemente das opiniões pessoais
de cada aluno). Reserve algum tempo para os grupos
discu rem ideias e prepararem argumentos. Em
seguida dê início ao debate. Pode ser o professor a
moderar o debate ou pode convidar um grupo de
alunos a fazê-lo. Durante o debate é importante
registar os argumentos apresentados. Finalize o
debate, faça uma pequena síntese dos argumentos
usados e reserve alguns minutos para refle r com os
alunos sobre a experiência.
Reflexão: Solicite aos alunos uma análise sobre a
experiência. Pode perguntar, por exemplo, se em
algum momento veram de apresentar argumentos
dis ntos das suas opiniões e como se sen ram. Após
escutar os alunos, ar cule a experiência com os
conteúdos que têm vindo a aprender nesta unidade
temá ca, reforçando a importância de saber escutar e
procurar compreender perspe vas diferentes.
AƟvidade 4.9. Ouvir ou Escutar?
ObjeƟvos: Compreender e desenvolver a capacidade
de escuta a va.
Metodologia: Simulação de papéis.
Tempo: 15 minutos.
Material: Nenhum.
66 | Comunicação e Relacionamento Interpessoal
Tempo: 10 minutos.
Material: Nenhum.
Instruções: Apresente várias situações aos alunos,
nas quais os seus direitos são colocados em causa. Por
exemplo: “Estás na fila a aguardar a tua vez para seres
atendido e alguém tenta meter-se à tua frente. Como
reagirias? O que lhe dirias?” Os exemplos devem ser
adaptados à realidade dos alunos.
Reflexão: Demonstre aos alunos que é importante
saber ser autoafirma vo para “não perder a razão”.
Saber afirmar os seus direitos, sem violar os direitos
dos outros, é fundamental na vida em sociedade.
Subtema 4.3. Gestão de Conflitos
Conteúdos
• Noção de conflito
• Tipos de conflito
• Formas de gestão de conflitos
• Es los de gestão de conflitos
Metas de Aprendizagem
• Reconhece que o conflito cons tui uma opor-
tunidade para impulsionar a mudança ainda
que ocorra quando existe um confronto de
ideias ou desacordo entre as pessoas.
• Caracteriza os pos de conflitos: intrapessoais
(conflito consigo mesmo) e interpessoais
(conflito entre duas ou mais pessoas).
• Sabe que a comunicação, enquanto processo
de par lha de opiniões e de sen mentos
entre as pessoas, facilita a compreensão sobre
diferentes perspe vas e auxilia na resolução de
conflitos.
• Iden fica formas de lidar com o conflito, tais
como evitar ou desa var o conflito na esperança
AƟvidade complementar. Entrar em Desacordo
ObjeƟvos:Desenvolveracapacidadedeargumentação.
Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate.
Tempo: 20 minutos.
Material: Nenhum.
Instruções: Simule uma mesa redonda (designação
atribuída ao po de reuniões onde várias pessoas se
encontram para debater um tema e têm o direito de
par cipar de forma democrá ca).
Nesta a vidade, três “especialistas” (três alunos
voluntários) encontram-se para debater um tema
escolhido pelos alunos (por exemplo, a importância
da par cipação cívica dos jovens). Cada “especialista”
deve simular uma das seguintes posições: acordo,
desacordo e passividade. Estas posições podem ser
sorteadas.
O debate é moderado por um quarto aluno, a quem
compete dar início ao debate, dar a palavra a cada
interveniente e finalizar o debate com uma breve
síntese.
Reflexão: No final da a vidade, convide a turma a
analisar a experiência. Seria interessante explorar
os es los de comunicação de cada par cipante
na simulação de papéis (referência ao papel que
desempenhava), a importância da argumentação e o
papel do moderador.
AƟvidade complementar. Afirmar Um Direito
ObjeƟvos: Desenvolver a capacidade de auto-
afirmação.
Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate.
Unidade Temática 4 | 67
A resolução pacífica e posi va de um conflito exige
cooperação entre as partes e pode originar mudanças
saudáveis. Por isso pode traduzir-se numa experiência
de aprendizagem para os indivíduos implicados.
AƟvidade 4.11. Passos para Resolver um Conflito
ObjeƟvos: Desenvolver competências de gestão de
conflitos.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 20 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Divida a turma em grupos de três ou
quatro alunos, apresente o caso da Luísa e da Mariana
(descrito no Manual do Aluno) e solicite aos grupos
que resolvam a situação de acordo com os 6 passos
para resolver o conflito que aprenderam.
Reflexão: Com esta a vidade pretende-se que
os alunos reflitam sobre várias possibilidades de
resolução de problemas e que escolham, entre as
alterna vas, a melhor solução. Quando a tarefa
es ver concluída, demonstre aos alunos como este
exercício pode ser ú l no quo diano, pois promove
a reflexão sobre os conflitos e a tomada de decisões
ponderadas.
AƟvidade 4.12. Recrutamento de Pessoal para
Empresa
ObjeƟvos: Desenvolver a capacidade de estabelecer
consensos no grupo.
Metodologia: Estudo de caso; simulação de papéis.
que este desapareça ou atenue por si, e
enfrentar o conflito procurando resolvê-lo
a vamente.
• Caracteriza os es los de gestão de conflitos
(integração, acomodação, compromisso, do-
mínio e evitamento) e relaciona-os com a
preocupação consigo próprio e com os outros.
Componente PráƟca
• Pode o Conflito Gerar Mudança?
(A vidade 4.10.)
• Passos para Resolver um Conflito
(A vidade 4.11.)
• Recrutamento de Pessoal para Empresa
(A vidade 4.12.)
• Quem Será Promovido? (A vidade 4.13.)
• Quem Fica no Barco? (A vidade 4.14.)
• Ganhar ou Perder (A vidade complementar)
• O Dilema de Mário (A vidade 4.15.)
AƟvidade 4.10. Pode o Conflito Gerar Mudança?
ObjeƟvos: Desenvolver competências de reflexão,
compreensão, comunicação e debate.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 15 minutos.
Material: Papel e lápis ou caneta.
Instruções: Solicite aos alunos que leiam atentamente
o pequeno texto que se encontra no Manual do
Aluno e que reflitam sobre a relação entre conflito,
cooperação e mudança.
Reflexão: O excerto apresenta uma visão posi va
do conflito, que deve ser explorada com os alunos
para promover uma gestão posi va dos conflitos.
68 | Comunicação e Relacionamento Interpessoal
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Relembre os alunos que existem três
estratégias para enfrentar o conflito: a) “ganhar-
-perder” – a solução só beneficia uma das partes; b)
“perder-perder” – a solução não beneficia nenhuma
das partes; c) “ganhar-ganhar” – a solução beneficia
ambas as partes.
Forme grupos de três ou quatro indivíduos. Convide
os alunos a pensarem em diferentes situações de
conflito que presenciam diariamente e a proporem
exemplos para a sua resolução. Devem, sempre que
possível, privilegiar a estratégia que beneficia ambas
as partes. No final deste exercício o debate deve ser
alargadoaorestodaturmaeoporta-vozdecadagrupo
irá apresentar, pelo menos, uma situação de conflito e
a respe va solução, referindo como aconselhariam as
partes em confronto.
Para ilustrar a lógica da a vidade, segue-se o exemplo
de uma situação de conflito: “Dois irmãos estão a
discu r por causa de um livro. Os pais aperceberam-
-se e: a) deram o livro ao filho mais novo que ainda
não nha lido o livro [ganhar-perder]; b) raram-lhes
o livro enquanto não fizerem as pazes [perder-perder];
c) disseram-lhes para lerem o livro em conjunto e
para conversarem sobre o que aprenderam [ganhar-
-ganhar]”.
Reflexão: Geralmente, numa situação de conflito,
existe mais do que uma opção para a sua resolução.
Muitas vezes a solução pode beneficiar ambas as
partes. Aproveite esta a vidade para refle r com os
alunos sobre as vantagens e desvantagens de cada
estratégia para gerir conflitos e reforce os bene cios
da estratégia “ganhar-ganhar” na vida em sociedade.
AƟvidade 4.13. Quem Será Promovido?
ObjeƟvos: Resolver conflitos e cooperar com os
outros.
Tempo: 20 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Forme grupos de três ou quatro alunos
e proponha a análise de um caso hipoté co no
qual têm de escolher a pessoa com melhor perfil
para desempenhar o cargo de diretor de produção.
Os alunos devem apresentar a sua posição e os
argumentos que a jus ficam, e depois tomar uma
decisão de grupo sobre a pessoa que escolheriam
para a oferta de emprego apresentada.
Pode aproveitar esta a vidade para uma simulação
de papéis sobre negociação e mediação de conflitos,
solicitando a um grupo que simule dificuldade no
processo de negociação e a um aluno de outro grupo
que medeie o conflito. O aluno mediador pede a cada
parte que par lhe a sua opinião sem interrupções.
Durante este exercício o aluno mediador deve
demonstrar escuta a va, colocar questões abertas e
sugerir alterna vas para ajudar o grupo a superar a
situação.
Reflexão: Mais do que o resultado (indicação da
pessoa escolhida para o cargo), o que importa nesta
a vidade é o processo. Ou seja, a negociação entre os
elementos do grupo para chegarem a um consenso.
Treinar as competências de reflexão, argumentação e
de escuta a va é essencial para a formação dos jovens
cidadãos.
AƟvidade complementar. Ganhar ou Perder
ObjeƟvos: Treinar competências de resolução de
conflitos e de cooperação.
Metodologia: Estudo de caso.
Tempo: 20 minutos.
Unidade Temática 4 | 69
Tempo: 20 minutos.
Material: Nenhum.
Reflexão: Ques one os alunos sobre a experiência.
Aos tripulantes poderá perguntar: “Como se sen ram
a defenderem a vossa sobrevivência? Em que factos
e valores se basearam? Sen ram alguma dificuldade
na argumentação?” Aos restantes alunos da turma:
“Como se sen ram ao colocarem-se no lugar dos
colegas? Tiveram alguma dificuldade? O que foi mais
di cil na a vidade?”. Posteriormente convide a turma
a refle r sobre a importância de nos colocarmos
no lugar do outro nas relações interpessoais e na
resolução de conflitos, pois este exercício facilita a
compreensão do seu ponto de vista.
AƟvidade 4.15. O Dilema de Mário
ObjeƟvos: Treinar competências de resolução de con-
flitos e de cooperação.
Metodologia: Estudo de caso.
Tempo: 15 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Divida a turma em pequenos grupos (três
ou quatro alunos). Proponha a análise do “Dilema de
Mário” e solicite que explorem diversas alterna vas
de resolução da situação através da aplicação dos seus
conhecimentos sobre es los de gestão de conflitos
(evitamento, domínio, acomodação e integração).
Segue-se uma proposta de resolução do dilema.
Porém, outras podem ser validadas, desde que
cumpram as caracterís cas de cada es lo de gestão
de conflitos.
Metodologia: Estudo de caso; simulação de papéis.
Tempo: 20 minutos.
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Divida a turma em grupos de três ou
quatro alunos e explique-lhes que vão analisar o caso
descrito no Manual do Aluno, debater e simular cada
uma das formas que aprenderam para lidar com os
conflitos (evitar, negar ou enfrentar).
Reflexão: Pretende-se que os alunos analisem as
vantagens e desvantagens de cada uma das formas de
lidar com os conflitos. Embora a a vidade se refira a
um caso concreto, pode apresentar outros exemplos e
convidar os alunos a aplicarem os seus conhecimentos
em situações dis ntas.
AƟvidade 4.14. Quem Fica no Barco?
ObjeƟvo: Desenvolver a empa a e as capacidades de
argumentação e negociação; promover a abertura ao
confronto com perspe vas dis ntas.
Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate.
Instruções: Solicite a colaboração de sete alunos para
simularem a a vidade. Explique a situação descrita
no Manual do Aluno e informe os restantes alunos
que serão eles a decidir quem “permanece no barco”.
Para poderem tomar essa decisão devem escutar os
argumentos de cada “tripulante”, colocar-se no lugar
dele e tentar ver a realidade a par r da sua perspe va.
Antes de iniciar a simulação de papéis, reforce que se
trata apenas de um exercício e que não se pretende
gerar compe vidade nem conflitos entre alunos.
70 | Comunicação e Relacionamento Interpessoal
Manes, S. (2008). 83 Jogos psicológicos para a dinâmica
de grupos. Um manual para psicólogos, professores,
animadores socioculturais (8ª Ed.). Lisboa: Paulus.
Marques, M.; Matos, A.; Ferreira, M. & Coimbra, P. (2009).
A Hora da Controvérsia – Novas PráƟcas EducaƟvas para
a construção de uma Região Solidária. Lousã: Comm
Together, Lda.
Neves, J., Garrido, M. & Simões, E. (2008). Manual de
competências pessoais, interpessoais e instrumentais:
teoria e práƟca. 2ª Edição. Lisboa: Sílabo.
Seifert, L. (2009). Treino em asserƟvidade. Lisboa: Monitor.
Von Thun, F., Ruppel, J. & Stratmann, R. (2007). Saber
comunicar, saber dialogar: como melhorar a capacidade de
comunicar com os outros. Lisboa: Presença.
Filmes
The King’s Speech, 2010, Tom Hopper.
The Social Network, 2010, David Fincher.
Evitamento
O Mário evita cruzar-se com o chefe
para não ter de lhe referir a sua
indisponibilidade para fazer horas
extraordinárias naquele dia.
Dominação
O Mário diz claramente ao chefe que
não vai fazer as horas extraordiná-
rias porque não é obrigado a
trabalhar fora do horário.
Acomodação
O Mário fica contrariado, mas
abstém-se de ir visitar o seu familiar
que está doente e colabora com o
chefe.
Integração
O Mário tenta negociar com o chefe
e pergunta-lhe se pode sair para ir
visitaroseufamiliarqueestádoente,
comprometendo-se a compensar
essas horas extraordinárias no dia
seguinte (começando a trabalhar
maiscedodoqueohoráriohabitual).
4.3. Recursos Adicionais
Livros e ArƟgos
Estanqueiro, A. (2008). Saber lidar com as pessoas:
princípios da comunicação interpessoal (15ª Ed.). Lisboa:
Presença.
Fachada, O. (2010). Psicologia das relações interpessoais.
Lisboa: Sílabo.
Gomes, R. (Coord.) (s/d). FAROL: Manual de Educação para
os Direitos Humanos com Jovens. Coimbra: Humana Global.
Hartley, P. (2001). Interpersonal communicaƟon. (2ª Ed.).
London: Routledge.
Jardim, J. & Pereira, A. (2006). Competências Pessoais
e Sociais. Guia PráƟco para a Mudança PosiƟva. Porto:
Edições Asa.
Lloyd, S. (2006). Desenvolvimento em asserƟvidade: técni-
cas práƟcas para o sucesso pessoal. Lisboa: Monitor, D.L.
Unidade Temática 4 | 71
I N T R O D U Ç Ã O
A unidade temáƟca CriaƟvidade e Mudança procura
sensibilizar os alunos para os conceitos de mudança e
criaƟvidade,reconhecendoasuaforteinterligaçãoeimpacto
no desenvolvimento humano e evolução da sociedade.
Ao longo da unidade abordam-se noções essenciais à
compreensão das transformações e mudanças individuais e
sociais e os processos inerentes à criaƟvidade.
74
74
74
79
82
85
Unidade Temá ca 5. Cria vidade e
Mudança
5.1. Nota Introdutória
5.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 5.1. CriaƟvidade e Formas de Expressão
Subtema 5.2. Dinâmica da Mudança
Subtema 5.3. CriaƟvidade e Resolução de Problemas
5.3. Recursos Adicionais
Unidade Temática 5 | Criatividade e Mudança
74
5.1. Nota Introdutória
A unidade temá ca Cria vidade e Mudança procura
sensibilizar os alunos para os conceitos de mudança
e cria vidade, reconhecendo a sua forte interligação
e impacto no desenvolvimento humano e evolução
da sociedade. Ao longo da unidade abordam-se
noções essenciais à compreensão das transformações
e mudanças individuais e sociais e os processos
inerentes à cria vidade. Procura-se contribuir para
preparar os alunos a lidarem de forma a va e cria va
com as diversidades e adversidades da vida.
O primeiro subtema, Cria vidade e Formas de
Expressão, explora o conceito de cria vidade
humana, os mecanismos e fatores envolvidos no seu
desenvolvimento e as diversas formas de expressão
da cria vidade.
O segundo subtema, Dinâmica da Mudança, incide
na compreensão dos mecanismos subjacentes aos
processos de mudança e transição, considerados
intrínsecos à condição humana e social. Pretende-
se que os alunos compreendam como mudam os
seres humanos e os sistemas sociais, no sen do
de os preparar para lidar mais eficazmente com as
transições individuais, familiares e sociais.
No terceiro subtema, Cria vidade e Resolução de
Problemas, estabelece-se a interligação entre os
fenómenos de mudança e cria vidade, elucidando
como a cria vidade pode cons tuir um recurso
privilegiadonacapacidadederespostaaosproblemas,
situações e desafios do ser humano e das sociedades
contemporâneas. Abordam-se as fases subjacentes
ao processo cria vo e iden ficam-se técnicas de
resolução cria va de problemas.
5.2. Desenvolvimento da Unidade
Subtema 5.1. CriaƟvidade e Formas de
Expressão
Conteúdos
• Conceito de cria vidade
• Fatores de desenvolvimento da cria vidade
• Cria vidade e cultura
• Inteligência e cria vidade
• Mo vação e cria vidade
• Cria vidade e formas de expressão humana:
arte e cultura, ciência e inovação
Metas de Aprendizagem
• Define cria vidade e compreende a sua
importância a nível individual e social em
diversas áreas/domínios de a vidade (em
par cular, ar s ca, cien fica, económica).
• Iden fica diferentes dimensões envolvidas
no desenvolvimento da cria vidade (por
exemplo, processos cogni vos, sociais, emo-
cionais, familiares, educacionais, culturais,
históricos e caracterís cas evolu vas do saber/
conhecimento).
• Reconhece o impacto da cria vidade no
desenvolvimento humano e compreende que
as pessoas são cria vas de diferentes formas, a
vários níveis e por diversas razões.
• Compreende a influência que as diferentes
caracterís cas e valores culturais (por exemplo,
individualismo-coletivismo; conformidade-
-aceitação do desvio) podem desempenhar na
definição e manifestação da cria vidade. Sabe
quecadaculturapodeconter,simultaneamente,
fatores que promovem e limitam a cria vidade.
• Iden fica diversos pos de inteligência (por
exemplo, verbal, lógica, espacial, cinestésica)
e reconhece que cria vidade e inteligência
podem cons tuir processos diferentes, mas
que se inter-relacionam de diferentes formas
em diferentes áreas de a vidade.
Unidade Temática 5 | 75
• Relaciona mo vação e cria vidade e reconhece
que a cria vidade pode resultar de uma
complexa interação entre forças mo vacionais.
• Sabequeamo vaçãoassociadaaoenvolvimento
pessoal dos indivíduos é crucial para elevar os
níveis de cria vidade em qualquer domínio de
a vidade.
• Reconhece que a manifestação cria va de
ideias, experiências e emoções através de
diferentes formas de expressão (incluindo a
música, expressão corporal, literatura e artes
plás cas) cons tui um importante testemunho
da história da humanidade.
• Sabe que a cria vidade desempenha uma
função motriz importante no desenvolvimento
económico e social, através do impulso
concedidoaosavançoscien ficosetecnológicos.
Componente PráƟca
• Cria vidade? (A vidade complementar)
• Invenções que Mudaram o Mundo
(A vidade 5.1.)
• O Dilema das Portas (A vidade 5.2.)
• Cidadania em Timor: Perspe vas Múl plas
(A vidade 5.3.)
AƟvidade complementar. CriaƟvidade?
Nota: Esta a vidade deverá ser realizada logo no
início do subtema 5.1., antes de iniciar a apresentação
de conteúdos.
ObjeƟvos: Refle r sobre o conceito de cria vidade;
es mular o pensamento crí co.
Metodologia: “Tempestade de ideias”; diálogo/debate.
Tempo: 15 minutos (+ 10 minutos no final do subtema
5.1.).
Material: Papel, caneta ou lápis, quadro.
Instruções: Ques one os alunos sobre o que sabem
acerca do tema “cria vidade” e anote as ideias no
quadro. Em seguida, solicite que indiquem o que
caracteriza uma pessoa cria va. Peça ainda que
indiquem áreas de a vidade onde a cria vidade é
essencial. Poderá fazer três colunas no quadro para
organizar as ideias que a turma vai par lhando: 1)
noção de cria vidade; 2) caracterís cas da pessoa
cria va; 3) áreas de a vidade onde a cria vidade é
essencial. Incen ve os alunos a falar sobre o tema. No
final, peça aos alunos que registem a lista que resultou
da a vidade nos respe vos cadernos. Informe que
todos os alunos devem guardar a lista de ideias até ao
final do subtema 5.1.
Reflexão: No final do subtema 5.1., solicite aos alunos
que revejam a lista de ideias e realizem uma análise
compara va, atendendo ao que aprenderam sobre
o tema da cria vidade: “Que ideias mantêm? Que
ideias alteram?”
AƟvidade 5.1. Invenções que Mudaram o Mundo
ObjeƟvos: Compreender o impacto da cria vidade
na evolução da sociedade humana; desenvolver a
colaboração entre pares; fomentar o pensamento
crí co.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 45 minutos.
Material: Papel, caneta ou lápis, quadro.
Instruções: Solicite à turma que forme pequenos
grupos cons tuídos por três ou quatro alunos. Peça
aos grupos para analisarem a lista de invenções/
descobertas mundiais que se encontra no Manual do
Aluno. Cada grupo deverá escolher quatro invenções
da lista e refle r sobre o seu contributo para a
Material: Papel e caneta ou lápis.
Instruções: Poderá solicitar a cada aluno que resolva
individualmente, ou em pequenos grupos de dois a
três elementos, o dilema apresentado no Manual
do Aluno. Esclareça que o dilema é desafiante e
necessitará de todo o empenho para a sua resolução.
Durante a realização da a vidade deverá encorajar os
alunos a persis r na procura da resposta e coibir toda
a tenta va de desistência.
Reflexão: A resposta ao dilema é: “O que dirá a outra
pessoa se eu lhe perguntar qual é a porta correta?”
Imaginemos que o tesouro está escondido atrás da
porta vermelha e o poço escuro atrás da porta azul. Se
a pergunta for feita à pessoa men rosa, ela men rá
e responderá que a outra pessoa indicará a porta
azul, ou seja, a porta errada. Se a pergunta for feita
à pessoa honesta, ela responderá que a outra pessoa
(a men rosa) indicará a porta azul, a porta errada.
Lembre-se que as duas pessoas se conhecem. Em
qualquer caso, a resposta ob da com esta pergunta
será sempre a indicação da porta errada. O que terá
de fazer é escolher a porta contrária à resposta que
lhe for dada; no exemplo, equivale a optar pela porta
vermelha.
Após a apresentação da solução, o professor
deverá ques onar os alunos sobre as dificuldades
sen das na resolução do dilema: “O que pensaram?
Quais as principais dificuldades?” Ao aluno/grupo
que respondeu corretamente deve perguntar-se
como chegou à resposta certa. Em seguida, deverá
ques onar a turma acerca do que se pretende com
a realização do dilema. O enfoque da reflexão deverá
ser colocado na interligação entre os conceitos de
inteligência e cria vidade.
sociedade, preenchendo no seu caderno o quadro
apresentado no Manual do Aluno.
Em seguida, solicite a cada grupo que par lhe as
suas respostas com a turma. No final ques one os
alunos sobre o que aprenderam. Escreva a seguinte
frase num quadro visível para todos e solicite à
turma comentários e reflexões: “As invenções que
valem a pena acabam por transcender os paradigmas
existentes ou as maneiras convencionais de fazer as
coisas” (O’Dell, 2001).
Reflexão: No quadro 5.1. encontra um conjunto
de respostas possíveis e informação adicional (por
exemplo, origem e nome dos criadores) que o auxiliará
a conduzir a a vidade.
Comentários à frase: Encoraje a reflexão em torno
do impacto que algumas invenções desempenharam
no modo de vida das sociedades. Poderá colocar as
seguintes questões: “Conseguiríamos viver hoje sem
televisão ou telefone? Qual o impacto da Internet
no nosso dia a dia? Como teria sido a evolução do
conhecimento cien fico em diversas áreas se não
vesse ocorrido o lançamento do Sputnik?” O enfoque
deve ser colocado no impacto social, económico e
cien fico das invenções e nas diversas alterações que
introduziu na organização e forma de estar e viver das
sociedades.
AƟvidade 5.2. O Dilema das Portas
ObjeƟvos: Refle r sobre a interligação dos conceitos
de cria vidade e inteligência.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 15 minutos.
76 | Criatividade e Mudança
Invenções
O que diz a invenção sobre o
Homem e a sociedade do seu
tempo?
Qual foi o contributo da
descoberta/invenção para a
humanidade?
E, hoje, que outras
descobertas criaƟvas
têm impacto
semelhante?
Automóvel (1769)
(inventor mais consensual:
Nicolas Joseph Cugnot,
França)
Necessidade de viajar,
conhecer o mundo, combater
o inimigo (fins militares)
Facilitar a deslocação do ser humano
e de mercadorias; aumentar o
conhecimento sobre o mundo.
Avião
Propulsão a jato
Câmara Fotográfica (1826)
(primeira fotografia registada:
Joseph Nicéphore Niépce,
França)
Conservar imagens reais.
Captar e gravar imagens reais;
retratar e iden ficar pessoas e
locais; transmi r conhecimento pela
imagem.
Câmara de vídeo
Televisão
Computador (1946)
(criadores: John W. Mauchly
e J. Presper Eckert, EUA)
Necessidade de calcular alvos
à distância (fins militares);
controlar e minimizar falhas
militares.
Tratamento automá co de
informações; armazenamento
e processamento de dados;
tratamento de imagens gráficas;
entretenimento.
Microchip
Internet
Escova de dentes (1498)
(origem: China)
Necessidade de melhorar a
higiene oral; manutenção da
den ção.
Remover a placa bacteriana;
remover resíduos dos alimentos.
Escova de dentes
automa zada
Frigorífico (1805)
(inventor esƟmado: Oliver
Evans, EUA)
Necessidade de criar frio
ar ficial; ter controlo sobre a
temperatura ambiente.
Conservação e armazenamento
de alimentos frescos; facilitar a
produção de novos alimentos (por
exemplo, iogurtes).
Arcas congeladoras
Internet (1983)
(origem: EUA)
Permi r aos cien stas trocar
informações à distância.
Criar redes comerciais, sociais,
profissionais e cien ficas à escala
mundial; disseminação e par lha do
conhecimento; correio eletrónico.
Nanotecnologia
Robó ca
Relógio mecânico (1280)
(origem: Europa)
Necessidade de controlar/
regular a passagem do tempo
Regular e organizar o tempo;
criar horários (por exemplo, das
a vidades profissionais ou de
abertura dos serviços).
Relógios eletrónicos
(mais precisos)
Roda (8000-6400 A.C.)
(origem esƟmada: Ásia)
Facilitar as deslocações
(nomadismo) e o transporte
de alimentos (caça); aliviar a
carga.
Desenvolvimento dos transportes;
moagem de alimentos (cereais).
Automóvel a gasolina
Propulsão a jato
Satélite arƟficial (1957)
(primeiro satélite arƟficial:
“Sputnik”; origem: União
SoviéƟca)
Necessidade de facilitar a
comunicação à distância;
observar o sistema terrestre;
promover o conhecimento
cien fico.
Comunicar por telemóvel;
previsões meteorológicas; mapear
e desenvolver o GPS (Sistema de
Posicionamento Global); aumentar o
conhecimento sobre o espaço.
Estações espaciais
Telefone (1876)
(inventor: Alexander Bell,
Escócia)
Necessidade de comunicar
à distância; par lhar
conhecimento e informar.
Permi r a conversação à distância;
facilitar a comunicação entre povos e
par lha do saber.
Rádio
Internet
Televisão (1925)
(inventor: John Logie Baird,
Escócia)
Inven vidade, criação e lazer;
transmissão do conhecimento
através de imagens.
Entreter e informar; permi r
a disseminação de imagens à
distância; comunicar.
Internet
Quadro 5.1. Possíveis respostas à a vidade 5.1.
Unidade Temática 5 | 77
3. Natureza morta: Apresente aos alunos um
conjunto de folhagem seca, pequenos troncos e
paus, sementes de frutos secas, grãos de areia e
pequenas pedras, cola, fita adesiva, corda de sisal,
tesoura e cartão para colar. Poderá fazer uma
visita de campo ao recinto escolar envolvente e
recolher o material a usar.
4. Desenho a 4 cores: Apresente uma tela branca
ou uma grande folha de papel branca e limite os
alunosaousodelápise ntasde4coresdiferentes
(por exemplo, azul, amarelo, vermelho, preto).
5. Combinações: Poderá criar uma nova palete de
materiais a par r de combinações dos materiais
apresentados anteriormente.
6. Original: Selecione materiais à sua escolha e
apresente aos alunos, seguindo as instruções.
Instruções: Antes de apresentar a a vidade aos
alunos: Escolha diferentes materiais atendendo
aos recursos disponíveis (consulte as sugestões de
material). No entanto, existem três regras a cumprir:
1. O material deverá ser previamente selecionado
pelo professor e deverá ser cedido aos alunos no
momento de apresentação da a vidade;
2. O material deverá ser idên co para todos os
alunos (por exemplo, se o professor escolher
trabalhar com papel de jornal, deverá fornecer
aos alunos o mesmo número de folhas de jornal
e, se possível, de conteúdo idên co);
3. As criações devem ser preparadas para exposição
ver cal (colocadas em exposição nas paredes da
escola).
Será importante assegurar:
1. Cedência de um espaço nas instalações escolares
onde os alunos possam realizar os trabalhos
ar s cos com acompanhamento de um professor
(se possível, em horário extracurricular);
AƟvidade 5.3. Cidadania em Timor: PerspeƟvas
MúlƟplas
ObjeƟvos: Compreender a influência dos fatores
individuais, sociais e culturais de cada indivíduo na
produção cria va; desenvolver a colaboração entre
pares e es mular o pensamento cria vo; refle r
sobre a diversidade cria va; promover a aproximação
do contexto escolar à comunidade envolvente.
Metodologia: Trabalho cria vo; debate/diálogo.
Tempo: 180 minutos (60 minutos para elaborar uma
ideia/projeto e preparar o material + 60 minutos para
concre zar o trabalho ar s co + 60 minutos para
montar a exposição). Preferencialmente, o trabalho
deverá ser realizado em horário extracurricular com
acompanhamentodeumprofessor.Senãoforpossível,
os alunos poderão realizar os trabalhos em casa.
Material: Selecione uma das seguintes opções de
material ou sugira uma proposta à sua escolha:
1. Colagens: apresente um conjunto de jornais ou
papel an go, folhetos informa vos diversos,
papel de embrulho, cartão, cola, fita adesiva e
tesoura; peça para trabalharem apenas a par r
do material cedido.
2. Criação geométrica: Apresente figuras geo-
métricas com medidas iguais; por exemplo,
triângulo, círculo, cilindro, quadrado, retângulo;
providencie cartão, cartolina ou papel colorido e
cola. Peça aos alunos que desenhem e recortem
as figuras geométricas na cartolina, cartão ou
papel colorido, para fazer a sua criação a par r do
material dado. Esclareça que os alunos poderão
reproduzir as figuras geométricas o número de
vezes que considerem necessário (por exemplo,
um aluno poderá usar 14 triângulos e 4 cilindros),
desde que respeitem as dimensões.
78 | Criatividade e Mudança
Subtema 5.2. Dinâmica da Mudança
Conteúdos
• Conceitos de mudança e transição
• Estádios de mudança
• Mudança e resistência
• Estratégias para lidar com a mudança
• Conceito de mudança social
• Tipos de mudança social
• Agentes de mudança social
Metas de Aprendizagem
• Define o conceito de mudança e compreende
a sua importância a nível individual, familiar e
social.
• Reconhece que a transição e a mudança fazem
parte da experiência de vida de todas as
pessoas.
• Sabe que a mudança ocorre por etapas e
mostra-se capaz de iden ficar cada estádio da
mudança (pré-contemplação, contemplação,
preparação/determinação, ação, manutenção e
reincidência/recaída).
• Sabe que alguns momentos de transição
coincidem para a generalidade dos indivíduos
(por exemplo, a idade de entrada na escola é
igual para todas as crianças), enquanto outros
são variáveis (por exemplo, a idade com que
se sai de casa dos pais ou se arranja o primeiro
emprego varia de indivíduo para indivíduo).
• Compreende que a mudança comportamental é
um processo, sendo que as pessoas apresentam
diferentes níveis de mo vação e pron dão para
mudar.
• Sabe que existem mudanças posi vas e
nega vas e compreende que a mudança causa
sempre alguma apreensão.
• Iden fica diferentes momentos de transição e
reconhece que a preparação ajuda os indivíduos
a lidar mais eficazmente com a mudança.
2. Espaço na escola (ou comunidade envolvente)
para efetuar a exposição dos trabalhos;
3. Período de duração para a exposição;
4. A aquisição e garan a de materiais para preparar
a exposição e realizar os trabalhos ar s cos.
Apresentação da aƟvidade aos alunos: Informe os
alunosqueapróximaa vidadeconsis ránarealização
de um trabalho ar s co tendo por base uma ideia
original sobre o tema “Cidadania em Timor”. Para tal
os alunos irão u lizar apenas o material fornecido
pelo professor (esclareça que todos terão acesso
ao mesmo material). Clarifique que os trabalhos
dos alunos irão ser expostos na escola para toda a
comunidade escolar ou, se possível e per nente, na
comunidade envolvente. Os alunos deverão realizar
os seus trabalhos ar s cos no recinto escolar, num
espaçodesignadoparaoefeito.Aexposiçãodeveráser
previamente autorizada e preparada conjuntamente
por alunos e professores.
Para es mular os alunos a ter ideias sobre o que
transmi r através das suas criações ar s cas poderá
colocar as seguintes questões: “O que significa para
ser cidadão? Como é ser cidadão em Timor? Quais
os momentos de cidadania mais significa vos que
presenciaste em Timor? O que achas importante
transmi r a cidadãos não morenses sobre a
cidadania em Timor?”
Reflexão: No final da exposição o professor deverá
incitaraturmaarefle rsobreaa vidade,respondendo
às seguintes questões: “Quais as semelhanças e
diferenças presentes nas criações de cada aluno?
Qual a génese das diferenças na abordagem pessoal
ao tema central? Em que medida a liberdade de
expressão é importante no processo cria vo? Como
pode a conjugação de ideias, proveniente de diversos
intervenientes, ser importante para fortalecer a
expressão de uma mensagem?”
Unidade Temática 5 | 79
No final selecione aleatoriamente cinco a seis
alunos e solicite que par lhem a sua lista de ideias e
significados com a turma, lendo em voz alta. Informe
que todos os alunos devem guardar a lista até ao final
do subtema 5.2.
Reflexão: No final do subtema 5.2. solicite aos alunos
que revejam a lista de tópicos e realizem uma análise
compara va atendendo ao que aprenderam sobre a
mudança: “Quais as ideias e palavras que se mantêm?
Quais as ideias e palavras que devem ser alteradas e
porquê?”
AƟvidade 5.5. Uma Experiência de Mudança
ObjeƟvos: Iden ficar mudanças individuais; tomar
consciência da existência de mudanças ao longo do
ciclo vital; promover a cooperação entre pares.
Metodologia: Diálogo/debate; narra vas.
Tempo: 15/20 minutos.
Material: Papel, lápis ou caneta.
Instruções: Solicite aos alunos que formem pares.
Informe que o obje vo da a vidade consiste na
par lha de experiências de mudança pessoal já
ocorridas, como por exemplo: entrada na escola,
mudança de turma/escola, mudança de casa ou de
localidade. Informe que cada aluno deverá ter tempo
para par lhar a sua experiência de mudança. Dê
aproximadamente 10 minutos ao par para conversar
entre si. Em seguida, solicite três a quatro voluntários
para par lharem a sua experiência na turma.
Reflexão: No final o professor solicita à turma
que responda à questão: “Quais os fatores que
• Sabe que a mudança social é um fenómeno
cole vo que implica alterações estruturais da
sociedade num determinado tempo.
• Reconhece diferentes pos de mudança social
(tais como, geográficos, decretados, impostos e
evolu vos), causados por diversos fatores.
• Iden fica dinamismos e forças que conduzem
à mudança social (por exemplo, grupos de
pressão, movimentos sociais, carisma).
Componente PráƟca
• O que Significa Mudança? (A vidade 5.4.)
• Uma Experiência de Mudança (A vidade 5.5.)
• Pensar sobre a Mudança (A vidade 5.6.)
• O que Preciso…Como vai ser? (A vidade 5.7.)
AƟvidade 5.4. O que Significa Mudança?
Nota: Esta a vidade deverá ser realizada no início
do subtema 5.2., antes de iniciar a apresentação de
conteúdos.
ObjeƟvos: Refle r sobre o conceito de mudança;
es mular o pensamento crí co.
Metodologia: “Tempestade de ideias”; diálogo/
debate.
Tempo: 15 minutos (+10 minutos no final do subtema
5.2.).
Material: Papel, lápis ou caneta.
Instruções: Solicite à turma que pense durante dois
minutos sobre o significado da palavra mudança. Em
seguida, peça aos alunos para anotarem numa folha
todas as ideias e palavras que associam à palavra
mudança. Poderá ques onar os alunos sobre: “O que
é mudar? Como mudam os seres humanos? Quais os
fatores que contribuem para a mudança?”.
80 | Criatividade e Mudança
O professor poderá auscultar se existem alunos que
se voluntariem para par lhar a sua reflexão em voz
alta na turma.
Reflexão: No final da a vidade, o professor deverá
es mular o debate na turma sobre mudanças
a ocorrerem no futuro, procurando iden ficar
aspetos em comum entre os alunos acerca das suas
preocupações, desejos e expecta vas.
AƟvidade 5.7. O que Preciso... Como vai ser?
ObjeƟvos: Compreender a importância de preparar
com antecedência as mudanças; promover o diálogo
entre a escola e a comunidade envolvente; preparar a
transição do contexto escolar para a inserção na vida
a va e/ou prosseguimento de estudos.
Metodologia: Trabalho de pesquisa; debate/diálogo.
Tempo: 60/80 minutos (+ trabalho de campo extra-
curricular extensível a 2 semanas).
Material: Papel, lápis ou caneta.
Instruções: Solicite aos alunos que, durante
duas semanas, pesquisem informações sobre
universidades, cursos disponíveis ou locais de trabalho
de acordo com a escolha vocacional. O trabalho de
pesquisa poderá ser realizado individualmente ou em
pequenosgrupos,casoexistamalunoscomasmesmas
escolhas vocacionais. Os alunos devem procurar
obter o máximo de informações possíveis para
poderem decidir qual a opção mais adequada à sua
escolha. Por exemplo: “Quais os critérios de inclusão
no local de trabalho ou estudo desejado? Quais os
requisitos necessários, localização e acessibilidades?”
O professor deve es mular a recolha de informação
na comunidade envolvente (contacto presencial,
contribuíram para as mudanças ocorridas?” Deverá
ancorar a reflexão nas experiências pessoais dos
alunos, colocando questões como: “Que outras
mudanças esperam vivenciar no futuro (por exemplo,
ter filhos, casar ou arranjar um emprego)? Como
podem preparar-se melhor para as mudanças
futuras?”
AƟvidade 5.6. Pensar sobre a Mudança
ObjeƟvos: Iden ficar possíveis obstáculos e fontes
de suporte para mudanças futuras; es mular o
pensamento crí co; promover a cooperação entre
pares.
Metodologia: Diálogo/debate; narra vas.
Tempo: 20 minutos.
Material: Papel, lápis ou caneta.
Instruções: Solicite a cada aluno para copiar o quadro
apresentado no Manual do Aluno e preenchê-lo no
seu caderno. Esclareça os alunos que esta é uma
a vidade que requer reflexão pessoal e enfoque
no futuro próximo. Peça para iden ficarem as suas
preocupações, desejos e sen mentos em relação
à transição para o ensino superior (no caso de
pretenderem con nuar os estudos) ou inserção na
vida a va (se pretenderem começar a trabalhar no
final do ensino secundário). As seguintes questões
poderãoajudá-losarealizaraa vidade:“Hámudanças
que desejas? Há mudanças que te preocupam? Quais
as tuas expecta vas em relação a essa mudança?”
Cada aluno terá cerca de 10 minutos para preencher
o quadro, na opção rela va à sua escolha: “ir para a
universidade” ou “começar logo a trabalhar”. Para os
alunos que ainda se encontram indecisos, poderá ser
ú lrecomendaropreenchimentodeambasasopções.
Unidade Temática 5 | 81
• Compreende que a cria vidade es mula a
capacidade para ver os problemas, situações
e desafios de novas e diferentes formas, e que
por isso contribui para criar e imaginar futuros
que respondam a esses problemas, situações e
desafios.
• Iden fica as fases do processo cria vo
de resolução de problemas (preparação,
frustração, incubação, estratégia, iluminação e
verificação).
• Sabe que o processo cria vo envolve dois pos
de pensamento: divergente (responsável pela
criação/geração de várias ideias) e convergente
(permite selecionar apenas as ideias mais
promissoras).
• Iden fica técnicas de apoio à resolução cria va
de problemas (por exemplo, tempestade de
ideias [brainstorming], mapa mental [mind
mapping]) e reconhece que novas ideias e
soluções podem emergir com a ajuda destes
instrumentos.
Componente PráƟca
• Ver as Mesmas Coisas com Novos Olhos
(A vidade 5.8.)
• Frases Célebres (A vidade 5.9.)
• Desafios Cria vos (A vidade 5.10.)
• Como Posso Contribuir Para Melhorar a Minha
Escola? (A vidade complementar)
AƟvidade 5.8. Ver as Mesmas Coisas com Novos
Olhos
ObjeƟvos: Refle r sobre a interligação entre
cria vidade e resolução de problemas; reconhecer as
fases do processo cria vo.
Metodologia: Trabalho cria vo; diálogo/debate.
por telefone ou através da Internet, de acordo com
os recursos disponíveis), junto das ins tuições e
empregadores, universidades e/ou comunidade
local (por exemplo, contactar com profissionais de
um determinado ramo profissional, docentes de um
determinado curso superior). Os alunos devem tomar
notas das informações recolhidas e, com a ajuda do
professor, preparar uma apresentação oral de 10
minutos para a turma. O professor poderá compilar
as informações recolhidas pelos alunos num dossier
que ficará disponível para consulta na escola.
Reflexão: No final, o professor deverá ques onar os
alunos acerca das dificuldades e facilidades sen das
durante a concre zação da a vidade (por exemplo, no
estabelecimento de contactos, na procura e obtenção
de informação relevante) e inquirir sobre os principais
ganhos ob dos.
Subtema 5.3. CriaƟvidade e Resolução de
Problemas
Conteúdos
• Mudança e cria vidade
• Cria vidade e resolução de problemas
• Fases do processo cria vo
• Pensamento divergente e convergente
• Técnicas de resolução cria va de problemas
Metas de Aprendizagem
• Compreende a interligação entre cria vidade
e mudança, e reconhece que a cria vidade
cons tui um recurso com impacto no
desenvolvimento humano e na vida em
sociedade.
• Concebe a cria vidade como um processo
(individual e social), que pode cons tuir uma
potencial forma de pensar, ao invés de apenas
um produto.
82 | Criatividade e Mudança
Material: Papel, lápis ou caneta.
Instruções: Solicite aos alunos que se agrupem em
grupos de quatro e, em conjunto, reflitam durante 10
minutos sobre a lista de frases célebres apresentada
no Manual do Aluno. Peça aos alunos para prepararem
uma breve apresentação à turma (5 minutos),
contemplando uma síntese das suas principais
reflexões. Os alunos devem selecionar uma frase
(no máximo duas) para preparar a sua apresentação.
Incen ve os alunos a serem cria vos: “Podem fazer
uma pequena drama zação; escrever um poema!”
Reflexão: No final, o professor deverá inquirir os
alunos acerca do que aprenderam com a realização
da a vidade. Dada a diversidade de frases célebres,
os alunos podem iden ficar-se mais com umas frases
e menos com outras. As seguintes questões podem
ajudar a es mular o debate na turma: “Quais as frases
com que se iden ficaram mais e porquê? Houve
frases com que se iden ficaram menos? Porquê? Se o
diretor da escola pedisse à turma para escolher uma
frase para colocar num local visível a todos alunos na
escola, qual seria?” Incen ve os alunos a expressarem
e respeitarem as diferentes opiniões e a chegar a um
consenso.
AƟvidade 5.10. Desafios CriaƟvos
ObjeƟvos: Refle r sobre a interligação entre cria-
vidade e inteligência; compreender a importância
da mo vação na cria vidade; reconhecer as fases do
processo cria vo; es mular o pensamento cria vo;
promover a cooperação entre pares.
Metodologia: Jogo de equipa; diálogo/debate.
Tempo: 30 minutos.
Material: Papel, lápis ou caneta.
Tempo: 25 minutos.
Material: Papel, lápis ou caneta.
Instruções: Informe que esta a vidade é um desafio
à imaginação de cada aluno. Solicite aos alunos que
observem as imagens apresentadas no Manual do
Aluno e peça-lhes que imaginem outras funções para
cada um dos objetos apresentados. As seguintes
questões podem ajudar os alunos: “Que outras
funções poderiam atribuir a um guarda-chuva? Que
outra serven a poderá ter um sapato?” Es mule os
alunos a serem cria vos e a pensar em alterna vas
úteis para os objetos apresentados. Solicite que
desenhem esboços das suas ideias no caderno,
acompanhados de uma pequena descrição sobre o
novo objeto criado. No final peça que apresentem as
suas ideias à turma e expliquem como chegaram aos
resultados.
Reflexão: O professor poderá ques onar a turma
ou alguns alunos individualmente sobre o processo
cria vo envolvido na concre zação da a vidade:
“Quais as fases do processo cria vo porque passaram?
Como chegaram à solução? Que fatores contribuíram
ou influenciaram as “criações” ob das?” No final a
turma poderá realizar um concurso/votação para
eleger a criação mais original.
AƟvidade 5.9. Frases Célebres
ObjeƟvos: Refle r sobre o impacto da mudança no
indivíduo e na sociedade; es mular o pensamento
crí co; promover o diálogo sobre o impacto da
mudança a nível individual e social; fomentar a
cria vidade.
Metodologia: Diálogo/debate.
Tempo: 40 minutos.
Unidade Temática 5 | 83
algum momento de iluminação na resolução dos
desafios?
3. A decisão sobre a solução foi consensual no
grupo? Se não, como chegaram a um consenso?
AƟvidade complementar. Como Posso
Contribuir Para Melhorar a Nossa Escola?
ObjeƟvos: Desenvolver e implementar um projeto;
reconhecer as fases de execução de um projeto;
promover a cooperação; mo var para a resolução de
problemas.
Metodologia: Trabalho de projeto.
Tempo: Desenvolve-se ao longo do ano le vo.
Material: Papel, lápis ou caneta.
Instruções: Solicite aos alunos que formem grupos
de três ou quatro elementos. Apresente as fases
da metodologia “Trabalho de projeto” na turma
e esclareça cada grupo acerca do obje vo desta
a vidade. Pretende-se que os alunos se debrucem
sobre a comunidade escolar onde estão inseridos (por
exemplo, refle ndo acerca dos pontos fortes e frágeis
da escola) e iden fiquem necessidades e mudanças a
implementar para melhorar a sua escola. O enfoque
da mudança deverá ser colocado no que cada cidadão
(aluno, professor, membros da comunidade) poderá
fazer para melhorar a escola. As etapas do projeto
são:
1. Os alunos iden ficam necessidades da sua
escola que gostariam de ver respondidas (por
exemplo, pode aplicar-se um ques onário para
ser preenchido pelos alunos, professores, e
membros da comunidade local, para a avaliação
de necessidades);
Instruções: Solicite aos alunos que formem grupos de
três a quatro elementos e respondam a um conjunto
de desafios e enigmas cria vos apresentados no
Manual do Aluno. No final peça a cada grupo para
eleger um porta-voz que apresentará as soluções
encontradas à turma.
Soluções:
1. A Letra que se Segue
A resposta certa é a letra “S” de Sábado, pois trata-se
das iniciais dos dias da semana.
2. Dois Quadrados
3. Romeu e Julieta
Romeu e Julieta são dois peixes que estavam dentro
de um aquário em cima da mesa quando, por força do
vento lá fora, a janela se abriu de repente empurrando
o aquário para o chão.
4. Pirâmide InverƟda
A resposta certa é 3 moedas.
Reflexão: No final solicite à turma que responda às
seguintes questões:
1. Qual foi o desafio mais di cil? E qual foi o desafio
mais fácil? Porquê?
2. Como chegaram às soluções propostas? Houve
84 | Criatividade e Mudança
Prochaska, J. O, DiClemente, C. C. & Norcross, J. C. (1992).
In search of how people change: Applica ons to addic ve
behaviors. American Psychologist, 47 (9), 1102-1114.
Santos, M. A. (2006). O arco-íris das ideias – As técnicas e as
práƟcas da criaƟvidade. Porto: Asa Editores.
Sternberg, R. J. (1999) (Ed.). Handbook of creaƟvity.
Cambridge: University Press.
Filmes
A BeauƟful Mind, 2001, Ron Howard
Amadeus, 1984, Milos Forman
ArƟficial Intelligence, 2001, Steven Spielberg
Being John Malkovich, 1999, Spike Jonze
Bicentennial Man, 1999, Chris Columbus
Big Fish, 2003, Tim Burton
Catch Me If You Can, 2002, Steven Spielberg
Internet
Arte Moris – Escola de Arte
www.artemoris.org
Associação EducaƟva para o Desenvolvimento da
CriaƟvidade
www.cria vidade.net
Associação Portuguesa de CriaƟvidade e Inovação
www.apgico.pt
Center for CreaƟve Learning
www.crea velearning.com
Futurelab – innovaƟon in educaƟon
www.futurelab.org.uk
Illumine Training
www.mind-mapping.co.uk
InternaƟonal Center for Studies in CreaƟvity
www.buffalostate.edu/crea vity/
Revista Noesis
www.dgidc.min-edu.pt/revista_noesis/Paginas/default.
aspx
TED: ideas worth spreading
www.ted.com
2. Selecionam uma necessidade e planificam todas
as ações para contribuir para a sua resolução (por
exemplo, o que pretendem desenvolver e como
vão fazer; quem vai ser envolvido);
3. Implementam as ações para melhorar a escola e
a ngir os obje vos delineados;
4. Analisam o impacto do projeto e os resultados que
ob veram (selecionam e aplicam instrumentos
de avaliação).
Reflexão:Paraalémdaespecificidadequecadaprojeto
irá assumir em função das necessidades iden ficadas,
deverá refle r com os alunos sobre o papel de cada
cidadão como agente de mudança e os contributos de
cada um para melhorar a comunidade em que vive.
Deveráaindarefle rsobreasdificuldadesefacilidades
sen das pelos alunos durante a concre zação do
projeto, destacando a u lidade da metodologia para
o desenvolvimento e implementação de ideias.
5.3. Recursos Adicionais
Livros e ArƟgos
Bono, E. (2005). Os seis chapéus do pensamento. Lisboa:
Editora Pergaminho.
Buzan, T. (2001). O Poder da Inteligência CriaƟva. (M. R.
Araújo, Trad.). Lisboa: Oficina do Livro.
Lubart, T. I., & Georgsdo r, A. (2004). Crea vity:
Developmental and cross-cultural issues. In S. Lau, A.
N.,Hui, & G. Y. Ng (Eds.) CreaƟvity: When east meets west
(pp.23-54). Singapore: World Scien fic.
Manes, S. (2008). 83 Jogos psicológicos para a dinâmica
de grupos. Um manual para psicólogos, professores,
animadores socioculturais (8ª Ed.). Lisboa: Paulus.
Mitchell, W., & Kowalik, T. (1989). CreaƟve problem solving
workbook. Binghamton: SUNY-Binghamton Press.
O’Dell, D. (2001). A resolução criaƟva do problema. Guia
para a criaƟvidade e inovação na tomada de decisões. (M.
Pinto, Trad.). Lisboa: Ins tuto Piaget.
Unidade Temática 5 | 85
Departamento do Ensino Secundário (2001). Avaliação
e desempenho. Texto de apoio. Lisboa: Departamento do
Ensino Secundário do Ministério da Educação.
Figueiredo, C. C. & Silva, A. S. (2000). A Educação para a
Cidadania no Sistema EducaƟvo Português (1974-1999)
/ EducaƟon for CiƟzenship in the Portuguese EducaƟon
System (1974-1999). Lisboa: Ministério da Educação.
Fonseca,A.M.(2001).Educarparaacidadania:MoƟvações,
princípios e metodologias. Porto: Porto Editora.
Freitas, L. & Freitas C. (2002). Aprendizagem cooperaƟva.
Guias práƟcos. Porto: Edições Asa.
Gearon, L. (Ed.) (2007). A pracƟcal guide to teaching
ciƟzenship in the secondary school. New York: Routledge.
Gomes, R. (Coord.) (s/d). FAROL: Manual de Educação para
os Direitos Humanos com Jovens. Coimbra: Humana Global.
Gómez,J.A.,Freitas,O.M.,&Callejas,G.V.(2007).Educação
e desenvolvimento comunitário local. Porto: Profedições.
Henriques, M., Reis, J., & Loia, L. (2006). Educação para a
cidadania: Saber & inovar. Lisboa: Plátano Editora.
Jardim, J. & Pereira, A. (2006). Competências pessoais
e sociais. Guia práƟco para a mudança posiƟva. Porto:
Edições Asa.
Kristensen, E., Sander-Regier, R., Merhy, B. & McColl, T.
(2007). Enseigner à l’Université d’OƩawa: Guide pour les
professeurs et les assistants à l’enseignement. Acedido em
www.sante.uo awa.ca
Bibliografia
Advisory Group on Ci zenship (1998). EducaƟon for
ciƟzenship and the teaching of democracy in schools: Final
report of the Advisory Group on CiƟzenship 22 September
1998. London: Qualifica ons and Curriculum Authority.
Barbosa, J. & Alaiz, V. (1994). Explicitação de Critérios -
exigência fundamental de uma avaliação ao service da
aprendizagem. In C. Cardoso (Coord.) Pensar avaliação,
melhorar a aprendizagem. Lisboa: Ins tuto de Inovação
Educacional.
Bhargava, M. (2010). Assessing ci zenship. In L. Gearon
(Ed.) Learning to teach ciƟzenship in the secondary school:
A companion to school experience. London: Routledge.
Bîrzéa, C. (2003). All-European Study on Policies for
EducaƟon for DemocraƟc CiƟzenship (EDC) Synthesis of EDC
Policies in Europe. DGIV/EDU/CIT (2003) 18. Estrasburgo:
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Bronfenbrenner, U. (1979). The ecology of human
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Brown, K. & Fairbrass, S. (2009). The ciƟzenship teacher’s
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Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR)
de Timor-Leste (2005). Chega! Relatório da Comissão de
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Leste, Resumo ExecuƟvo. Díli: CAVR.
Conselho da Europa (2002). RecommendaƟon (2002)12 of
the CommiƩee of Ministers to member states on educaƟon
for democraƟc ciƟzenship. DGIV/EDU/CIT (2002) 38.
Estrasburgo: Conselho da Europa.
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Salema, M. H. (2007). Critérios para uma avaliação da
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em aberto. In T. Toldy, C. Ramos, P. V. Maior, & S. Lira
(Eds.) Cidadania(s): Discursos e práƟcas / CiƟzenship(s):
Discourses and pracƟces. Porto: Edições Universidade
Fernando Pessoa.
Seifert, L. (2009). Treino em asserƟvidade. Lisboa: Monitor.
Llewellin, S. (2010). Planning lessons and schemes of work
in ci zenship. In L. Gearon (Ed.) Learning to teach ciƟzenship
in the secondary school: A companion to school experience.
London: Routledge.
Lopes, J., Rutherford, R., Cruz, M., Mathur, S., & Quinn, M.
(2006). Competências sociais. Aspectos comportamentais,
emocionais e de aprendizagem. Braga: Edições Psiquilíbrios.
Marques, M., Matos, A., Ferreira, M. & Coimbra, P. (2009).
A Hora da Controvérsia – Novas práƟcas educaƟvas para a
construção de uma região solidária. Lousã: Comm Together,
Lda.
Morgado, J. C. (2004). Manuais escolares: Contributo para
uma análise. Porto: Porto Editora.
Neves, J., Garrido, M. & Simões, E. (2008). Manual de
competências pessoais, interpessoais e instrumentais:
Teoria e práƟca (2ª Ed.). Lisboa: Sílabo.
O’Shea, K. (2003). Glossário de termos de Educação para
a Cidadania DemocráƟca. DGIV/EDU/CIT (2003) 29.
Estrasburgo: Conselho da Europa.
Osler, A. & Starkey, H. (2006). Educa on for democra c
ci zenship: a review of research, policy and prac ce 1995-
2005. Research Papers in EducaƟon, 21 (4), 433-466.
Pureza, J. M. (coord.) (2001). Educação para a cidadania:
Cursos gerais e cursos tecnológicos – 2. Lisboa:
Departamento do Ensino Secundário
Bibliogra ia | 87
Cooperação entre o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, a Fundação
Calouste Gulbenkian, a Universidade de Aveiro e o Ministério da Educação de Timor-Leste
View publication stats

Cidadania_GuiaProfessor_10ano.pdf

  • 1.
    See discussions, stats,and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/344545098 Cidadania e Desenvolvimento Social: Guia do Professor - 10.º ano de escolaridade Book · January 2012 CITATIONS 0 READS 578 1 author: Some of the authors of this publication are also working on these related projects: Sono e sonhos durante a guerra na Ucrânia: Estudo numa amostra da população residente em Portugal View project Validação de Medidas de Mentalização para a População Portuguesa View project Henrique Testa Vicente ISMT - Instituto Superior Miguel Torga 52 PUBLICATIONS 111 CITATIONS SEE PROFILE All content following this page was uploaded by Henrique Testa Vicente on 08 October 2020. The user has requested enhancement of the downloaded file.
  • 2.
    República Democrática deTimor-Leste Ministério da Educação Guia do Professor CIDADANIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL 10.o ano de escolaridade
  • 5.
    Título Cidadania e DesenvolvimentoSocial - Guia do Professor Ano de escolaridade 10.o Ano Autores Henrique Testa Vicente Andreia Ruela Marta Faria Patrão SofŝĂ Rodrigues Coordenador de disciplina Henrique Testa Vicente Consultora cienƚşĨŝĐĂ Liliana Sousa Colaboração das equipas técnicas morenses da disciplina Este guia foi elaborado com a colaboração de equipas técnicas morenses da disciplina, sob a supervisão do Ministério da Educação de Timor-Leste. Design e Paginação Esfera Crí ca Unipessoal, Lda. Ana Pe m Impressão e Acabamento GrafŝĐĂ Nacional, Lda. ISBN 978 - 989 - 8547 - 12 - 5 1ª Edição Conceção e elaboração Universidade de Aveiro Coordenação geral do Projeto Isabel P. Mar ns Ângelo Ferreira Ministério da Educação de Timor-Leste 2012 Este guia de professor é propriedade do Ministério da Educação da República Democrática de Timor-Leste, estando proibida a sua utilização para fins comerciais. Os sítios da Internet referidos ao longo deste livro encontram-se ativos à data de publicação. Considerando a existência de alguma volatilidade na Internet, o seu conteúdo e acessibilidade poderão sofrer eventuais alterações.
  • 6.
    Índice 3 Enquadramento e OrientaçõesGerais 6 7 8 8 8 10 10 12 16 Introdução Importância da Educação para a Cidadania Recursos Didá cos O Manual do Aluno O Guia do Professor Estrutura e Organização do Programa Gestão do Programa Metodologias Pedagógicas Avaliação das Aprendizagens Unidade Temá ca 1. Direitos, Deveres e Responsabilidade 1.1 Nota Introdutória 1.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 1.1. Introdução à Cidadania Subtema 1.2. Direitos Humanos Subtema 1.3. Sociedade Democrá ca 1.3. Recursos Adicionais 22 22 22 25 27 30 1
  • 7.
    4 Unidade Temá ca3. É ca, Valores e Comportamento Social 3.1 Nota Introdutória 3.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 3.1. É ca e Moral na Sociedade Civil Subtema 3.2. Dilemas e Condutas Morais na Sociedade Civil Subtema 3.3. Desafios É cos nas Sociedades Contemporâneas 3.3. Recursos Adicionais 48 48 48 51 54 56 3 Unidade Temá ca 4. Comunicação e Relacionamento Interpessoal 4.1 Nota Introdutória 4.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 4.1. Processo de Comunicação Subtema 4.2. Es los de Comunicação Subtema 4.3. Comunicação e Gestão de Conflitos 4.3. Recursos Adicionais 60 60 60 62 67 71 4 Unidade Temá ca 2. Desenvolvimento Pessoal e Iden dade 2.1 Nota Introdutória 2.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 2.1. Contextos de Desenvolvimento Subtema 2.2. Desenvolvimento Social Subtema 2.3. Indivíduo como Cidadão 2.3. Recursos Adicionais 34 34 34 36 40 44 2
  • 8.
    5 Unidade Temá ca5. Cria vidade e Mudança 5.1 Nota Introdutória 5.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 5.1. Cria vidade e Formas de Expressão Subtema 5.2. Dinâmica da Mudança Subtema 5.3. Cria vidade e Resolução de Problemas 5.3. Recursos Adicionais 74 74 74 79 82 85 5 Bibliografia 86
  • 9.
    • Problema zarquestões sociais e desenvolver o pensamento crí co na exploração de soluções inovadorasparaaresoluçãopacíficadeproblemas. • Aprofundar a literacia polí ca como mecanismo fundamental para uma efe va par cipação na vida polí ca e nos processos de tomada de decisão. • Consolidar a iden dade pessoal e social, promovendo uma consciência de si e do outro que alicerce a construção do bem-estar individual e cole vo. • Contribuir para a consolidação da iden dade nacional democrá ca e para o reforço da coesão social através da valorização do sen mento de pertença e respeito pela diversidade étnica e cultural e pela igualdade de género. • Enquadrar a par cipação social no domínio da cidadania global e desenvolvimento sustentável. • Par cipar na construção de parcerias entre escola e comunidade com vista à resolução de problemas familiares, comunitários e globais, contribuindo para dinamizar a função inovadora e interventora do meio escolar. A designação da disciplina, que associa os conceitos de “cidadania” e “desenvolvimento social”, remete para o indissociável binómio educação-desenvolvimento, reconhecendo a educação como consequência, efeito ou “bene cio” do desenvolvimento das sociedades e como fator decisivo para esse mesmo desenvolvimento (Gómez, Freitas, & Callejas, 2007). Cidadania e Desenvolvimento Social | Enquadramento e Orientações Gerais 6 A educação para a cidadania emerge atualmente como uma das possíveis vias para preparar cidadãos responsáveis e a vos, que contribuam para o desenvolvimento das sociedades e para a promoção dosvaloresdemocrá cosedosdireitoshumanos.Esse reconhecimento traduziu-se na inclusão da disciplina Cidadania e Desenvolvimento Social no currículo do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste, de forma a fomentar o desenvolvimento do pensamento e consciência crí cas e a promoção da intervenção e atuação concretas. Introdução O plano curricular do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste está organizado em dois percursos alterna vos: 1) Ciências e Tecnologias e 2) Ciências Sociais e Humanidades. Esses percursos apresentam disciplinasespecíficaseumaComponentedeFormação Geral comum a ambos, na qual se incluem disciplinas que aprofundam conhecimentos importantes para a formação dos alunos, independentemente do percurso escolhido. A disciplina Cidadania e Desenvolvimento Social enquadra-se nesta Componente de Formação Geral, almejandocontribuirparaaformaçãodecidadãosque par cipem de forma a va, consciente e responsável na vida do país, da região e do mundo. Tem por base o compromisso cívico para com o desenvolvimento harmonioso e sustentável das sociedades e a defesa dos direitos humanos. Através desta disciplina pretende-se promover o exercício de uma cidadania democrá ca, nomeadamente: • Par cipar de forma crí ca e responsável na vida polí ca, económica, social e cultural.
  • 10.
    Enquadramento e OrientaçõesGerais | 7 De facto, a complexidade das sociedades atuais (industrializadas, mul culturais e, sobretudo, em permanente transformação) exige dos seus membros uma constante adaptação às mudanças (económicas, sociais e culturais) e a capacidade de tomar decisões de forma autónoma e responsável. Nos países democrá cos, o desenvolvimento de comunidades coesas e sustentáveis tem vindo a reclamar o envolvimento e par cipação a va dos cidadãos como forma de superar as “fragilidades” associadas à própria democracia (Osler & Starkey, 2006). Alguns autores sublinham as “perplexidades e incertezas que persistem e marcam o nosso tempo”, onde “o terrorismo internacional, as guerras civis, os conflitos sociais, a violação dos direitos fundamentais ou a criminalidade urbana, associados, muitas vezes, a mo vações de racismo, xenofobia e exclusão, são problemas sociais cuja solução exige uma cidadania ac va” (Henriques, Reis, & Loia, 2006: 15). Uma mul plicidade de questões reforça a inclusão da educação para a cidadania nas matrizes curriculares, tais como: a supracitada necessidade de proteger a democracia; a constatação de que a produção de riqueza não tem solucionado ou minimizado os múl plos casos de injus ça, exclusão e desigualdade social ao nível global; o aumento da diversidade nas comunidades locais que emerge dos processos de globalização e fenómenos migratórios, e que se traduz numa ambivalência das sociedades democrá cas mul culturais (manter e promover a unidade nacional versus acomodar e apoiar comunidades culturais dis ntas no seio do mesmo Estado-nação); o baixo nível de envolvimento cívico, par cularmente dos jovens (Osler & Starkey, 2006). A educação para a cidadania “tem sido invocada como meio eficaz para formar pessoas mais autónomas e mais dispostas a par lharem tarefas de bem comum, indispensáveis para a sustentação da vida democrá ca”(Henriques,Reis&Loia,2006:15).Neste Importância da Educação para a Cidadania Na contemporaneidade a educação para a cidadania tem sido considerada como parte fundamental do percurso forma vo dos indivíduos nos diferentes níveis de ensino (Advisory Group on Ci zenship, 1998; Conselho da Europa, 2002; Fonseca, 2001; Osler & Starkey, 2006). Isso mesmo é veiculado na Lei de Bases da Educação da República Democrá ca de Timor-Leste, de 29 de outubro de 2008, onde se indica que o sistema de educação deverá promover “o desenvolvimento do espírito democrá co e pluralista, respeitador dos outros, das suas personalidades, ideias e projectos individuais de vida, aberto à livre troca de opiniões e à concertação” e “a formação de cidadãos capazes de julgarem, com espírito crí co e cria vo, a sociedade em que se integram e de se empenharem ac vamente no seu desenvolvimento, em termos mais justos e sustentáveis”. Além disso, o mesmo documento aponta como um dos obje vos fundamentais da educação “assegurar a formação, em termos culturais, é cos, cívicos e vocacionais das crianças e dos jovens, preparando-os para a reflexão crí ca e reforço da cidadania”. A relevância da educação para a cidadania já era expressa alguns anos antes no Relatório “Chega!” da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR) de Timor-Leste (2005: 190): “a cidadania simboliza a nossa unidade enquanto nação (…) é essencial acarinhar e alimentar o sen do de cidadania, através da educação permanente do público sobre a sua importância e o seu significado na prá ca”. No mesmo relatório recomenda-se que “seja implementado um programa abrangente de educação cívica, centrado na estrutura, ins tuições e processos da democracia e nos direitos e deveres dos cidadãos” (CAVR, 2005: 190).
  • 11.
    sen do, nãodeve ser perspe vada como “um luxo pedagógico”, mas como “uma condição de sucesso de qualquer educador em geral e, em par cular, de qualquer professor” (Fonseca, 2001: 8). Recursos DidáƟcos As atuais conceptualizações da educação para a cidadania emergiram dos programas tradicionais de educação e formação cívica, embora tenham obje vos dis ntos que requerem mudanças nas prá cas educa vas. A educação para a cidadania democrá ca pode ser conceptualizada como “o conjunto de prá cas e ac vidades cuja finalidade é tornar os jovens e os adultos melhor preparados para par ciparem ac vamente na vida democrá ca, através da assunção e do exercício dos seus direitos e responsabilidadessociais”(Bîrzéa,1996cit.Figueiredo & Silva, 2000: 77). Dis ngue-se da educação cívica que se dedica somente à “transmissão/aquisição, num quadro educa vo formal, do conhecimento, das capacidades e dos valores que governam o funcionamento, a todos os níveis, de uma sociedade democrá ca” (Bîrzéa, 1996 cit. Figueiredo & Silva, 2000: 77). Com efeito, para enfrentar os desafios sociais contemporâneos há que reconceptualizar o processo de ensino e aprendizagem, para abranger e facultar um conjunto de competências que confiram aos sujeitos a capacidade de aprender para além dos “portões” da escola. Neste âmbito, importa referenciar uma das conclusões do estudo Pan-Europeu sobre Polí cas para a Educação para a Cidadania Democrá ca do Conselho da Europa (Bîrzéa, 2003), que revelou um hiato entre as orientações oficiais, intenções polí cas e declarações sobre o que deve cons tuir a educação para a cidadania e a prá ca quo diana nas escolas e salas de aula. Para que os discursos oficiais e as prá cas educa vas coincidam, afigura-se necessário: num primeiro momento, definir e descrever um currículo adequado; e, num segundo momento, capacitar o corpo docente, adaptar as estruturas educa vas e disponibilizar as ferramentas didá cas necessárias (Salema, 2007). Estas preocupações es veram presentes em toda a elaboração programa da disciplina e respe vos recursos didá cos. Neste âmbito, para cada ano de escolaridade que compõe o ciclo de estudos, foram desenvolvidos dois recursos complementares: Manual do Aluno e Guia do Professor. O Manual do Aluno O Manual do Aluno é um instrumento de trabalho, ou “artefactoeduca vo”(Morgado,2004),parau lização do aluno e do professor, composto por capítulos que correspondem às unidades temá cas consagradas no programa da disciplina. No Manual do Aluno cada capítulo divide-se em duas componentes: Componente Teórica: cada unidade apresenta textos didá cos, documentos, imagens, pequenas a vidades e sugestões de aprofundamento. Componente PráƟca: cada unidade temá ca faculta a vidades e exercícios. São sugeridas tarefas a realizar com o acompanhamento do professor, que visam o enriquecimento e desenvolvimento das competências de cidadania do aluno. O Guia do Professor O Guia do Professor é uma ferramenta de trabalho desenvolvida como um recurso flexível para auxiliar o docente a preparar, gerir, desenvolver, operacionalizar e implementar o currículo delineado no programa 8 | Cidadania e Desenvolvimento Social
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    Enquadramento e OrientaçõesGerais | 9 de Cidadania e Desenvolvimento Social. Aborda orientações metodológicas gerais e a avaliação das aprendizagens em educação para a cidadania. Porém, o maior enfoque é colocado na operacionalização do programa, ou seja, na caracterização das unidades temá cas e na implementação da componente prá ca do Manual do Aluno, pois a aprendizagem em cidadania pretende-se a va. No Guia do Professor cada unidade é composta por: Título: Designação da unidade temá ca. Nota introdutória: Breve descrição dos conhecimentos a adquirir e das competências a desenvolver no âmbito da unidade temá ca. Desenvolvimento da unidade temáƟca: Apresentação, por subtema, dos conteúdos a lecionar, metas de aprendizagem (indicam o conhecimento, competências e compreensão que os alunos devem desenvolver através das a vidades de ensino e aprendizagem; facultam ao professor um indicador para avaliar o progresso dos alunos e rever o seu trabalho) e a vidades prá cas. Para cada a vidade prá ca são enumerados os seguintes elementos: • IdenƟficação da a vidade prá ca de acordo com a numeração constante no Manual do Aluno (as a vidades que não estão contempladas no Manual do Aluno apresentam a designação “a vidade complementar”). • ObjeƟvos a serem alcançados com a realização da a vidade prá ca. • Metodologia a u lizar. • Tempo es mado para a realização da a vidade. • Material necessário à realização da a vidade. • Instruções para que o professor concre ze cada a vidade prá ca. • Reflexão onde são apresentadas possíveis soluçõesderesposta,algumasorientações e questões para conduzir a reflexão no final da a vidade. Recursos adicionais: No final de cada unidade temá ca é facultado um conjunto de recursos adicionais para abordar os conteúdos lecionados. Esta lista de referências não é exaus va, cabendo aos professores e alunos o seu enriquecimento. Os recursos estão organizados em quatro categorias: documentos, livros e ar gos, filmes e sí os eletrónicos na Internet. Na atualidade “tem vindo a tornar-se progres- sivamente consensual a ideia de que a vida no interior da sala de aula depende muito das estratégias e dos materiais que os professores u lizam para idealizar, organizar e concre zar os processos de ensino e de aprendizagem” (Morgado, 2004: 9). A necessidade, já sublinhada, de alterar prá cas educa vas centradas na transmissão de conhecimentos para um enfoque no desenvolvimento de competências de cidadania, implicou que se estruturasse este guia como um recurso que potencie a capacidade e o empenho do professor em assumir essa tarefa de transformação.
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    Estrutura e Organizaçãodo Programa A cidadania é um conceito complexo e mul - dimensional que pode ser compreendido em diversos níveis. Num primeiro nível, a cidadania pode ser entendida como o estatuto legal de pertença de determinado indivíduo a um Estado-nação, que lhe confere direitos, liberdades e garan as, mas também deveres e responsabilidades; este estatuto legal difere com o país; por exemplo, em alguns países o voto é obrigatório enquanto noutros é voluntário. Num segundo nível, a cidadania envolve o comportamento do indivíduo para com o seu semelhante; ou seja, o assumir de responsabilidades e preocupação com o bem comum da sua comunidade. Um terceiro nível relaciona-se com o alcance da cidadania: um primeiro patamar de envolvimento ocorre na comunidade imediata (por exemplo, bairro ou vizinhança), ao qual são acrescentados patamares cada vez mais complexos e abrangentes, que culminam na noção de cidadania global; ou seja, na perceção que fazemos todos parte do mesmo mundo, e que as nossas ações na nossa sociedade e país influenciam outras sociedades e países. Neste contexto, de forma a corresponder à mul dimensionalidade da cidadania, o ciclo de estudos da disciplina contempla uma sequência de três níveis: individual, social e polí co (figura 1). Esta organização tem por base o modelo ecológico do desenvolvimento humano (Brofenbrenner, 1979) e a sequência definida influencia a estrutura dos anos le vos e a seleção das unidades temá cas de cada ano le vo. O Guia do Professor e Manual do Aluno para o 10.º ano de escolaridade da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento Social foram desenvolvidos com base na prá ca e inves gação da comunidade cien fica e pedagógica na área da educação para a cidadania. Ambos pretendem responder à estruturação por unidades temá cas e subtemas 10 | Cidadania e Desenvolvimento Social delineada no programa da disciplina para o ano le vo em questão (quadro 1). Onívelindividual,definidoparaoanole vosobreoqual ambos os recursos didá cos suprac dos se reportam, centra-se nas dimensões intrapessoal e interpessoal do indivíduo, na construção e tomada de consciência da iden dade individual, no desenvolvimento de competências pessoais associadas à relação consigo e ao autoconhecimento e no posicionamento cívico individual em contextos sociais diversos. Gestão do Programa A planificação é fundamental para orientar e manter o “fio condutor” da ação educa va. O primeiro passo do professor consiste na reflexão sobre os conteúdos a lecionar e metas de aprendizagem definidas para a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento Social. Estes aspetos necessitam ser cuidadosamente consi- derados quando se traça o caminho para alcançar as finalidades da disciplina. Importa referir que as estratégias e planos divisados podem variar consoante as circunstâncias (por exemplo, caracterís cas dos alunos ou recursos disponíveis). A planificação é um processo dinâmico e con nuo, e não um ato isolado no início do ano le vo, que se retroalimenta ao longo do processo de ensino-aprendizagem com vista à sua melhoria e aperfeiçoamento. Neste sen do, o processo de planeamento é cíclico e envolve: 1) tomada de decisões acerca dos meios efe vos para alcançar os obje vos definidos; 2) monitorização das decisões para iden ficar os progressos realizados; 3) revisão e avaliação dos resultados para auxiliar o planeamento de a vidades futuras (Llewellin, 2010). Uma boa planificação exige uma reflexão constante ao longo do ano le vo: “O que está a correr bem? O que poderia correr melhor? O que se pode fazer de maneira diferente?” (Brown & Fairbrass, 2009).
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    Quadro 1. Estruturae organização das unidades temá cas para o 10º Ano 10.º Ano Nível Individual: Ser Cidadão Relação do indivíduo consigo e com os outros Unidade TemáƟca Subtema 1. Direitos, Deveres e Responsabilidade Introdução à Cidadania Direitos Humanos Sociedade Democrá ca 2. Desenvolvimento Pessoal e IdenƟdade Contextos de Desenvolvimento Desenvolvimento Pessoal Indivíduo como Cidadão 3. ÉƟca, Valores e Comportamento Social É ca e Moral na Sociedade Civil Dilemas e Condutas Morais na Sociedade Civil Desafios É cos nas Sociedades Contemporâneas 4. Comunicação e Relacionamento Interpessoal Processo de Comunicação Es los de Comunicação Comunicação e Gestão de Conflitos 5. CriaƟvidade e Mudança Cria vidade e Formas de Expressão Dinâmica da Mudança Cria vidade e Resolução de Problemas IdenƟdade CriaƟvidade Responsabilidade Enquadramento e Orientações Gerais | 11 Figura 1. Esquema do programa de Cidadania e Desenvolvimento Social para o ciclo de estudos
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    A planificação podedividir-se em três níveis (Llewellin, 2010): • Planificação a longo prazo: o professor calcula o número de semanas e de aulas previstas para o ano le vo e divide/organiza as unidades temá cas do programa da disciplina de acordo com os tempos le vos disponíveis. • Planificação a médio prazo: para cada unidade temá ca, o professor organiza os conteúdos, metas de aprendizagem, metodologias pedagógicas, recursos e instrumentos de avaliação. • Planificação a curto prazo: o professor plani- fica/organiza cada aula: “Que conteúdos lecionar? De que forma se ar culam/integram com as aprendizagens anteriores e com as aulas seguintes? Qual ou quais as metas de aprendizagem a alcançar? Qual a metodologia a u lizar? De que recursos precisa? Quanto tempo deve reservar para cada momento da aula (início, desenvolvimento, reflexão e conclusão)?” Estas são algumas questões que o professor pode considerar na organização de um plano de aula (quadro 2). A planificação a longo, médio e curto prazo determina a forma como a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento Social será lecionada e cons tui um mecanismo essencial para a ngir as finalidades definidas. Compe rá ao professor adaptar os conteúdos e as a vidades prá cas, previstas no programa da disciplina e contempladas nos recursos didá cos, às caracterís cas da turma, escola e comunidade. Por isso, e porque uma efe va educação para a cidadania democrá ca não se compadece com o espar lhamento das matérias e a rigidificação de um currículo predeterminado, não são definidos tempos le vos para cada unidade ou subtema. Metodologias Pedagógicas A educação para a cidadania democrá ca deve ser a va, intera va, per nente, significa va, cola- bora va e par cipa va (Huddleston & Kerr, 2006, cit. Brown & Fairbrass, 2009). Tais exigências não se coadunam com uma educação tradicional, baseada exclusivamente no método exposi vo (desenvolvimento oral de um tema), de transmissão de conhecimentos a recetores passivos (unilateral, do professor para o aluno), centrado no “saber- -saber”. A natureza mul dimensional da educação para a cidadania, “englobando conhecimentos, a - tudes, valores e competências desenvolvidos e compreendidos em várias áreas” (Salema, 2007: 455), implica o reconhecimento e valorização da diversidade metodológica (O’Shea, 2004). Os métodos interroga vo e a vo coadunam-se com a aquisição de conhecimentos e de competências de cidadania pelos alunos, devendo ser referenciados (figura 2). No método interroga vo o professor elabora um conjunto de questões que ajudam a turma a refle r e a alcançar o conhecimento pretendido. Centra-se no domínio do “saber-saber” e do “saber-fazer”. O méto- do a vo foca-se na u lização e/ou desenvolvimento das capacidades dos alunos, para além da dimensão cogni va. A sua per nência emerge do reconhecimento que “nos processos de aprendizagem de educação para a cidadania democrá ca, a ação é essencial para o desenvolvimento da cidadania a va” (O’Shea, 2003: 13). Privilegia-se a autonomia, cria vidade, mo vação, interesse e inicia va dos alunos, qualidade das relações interpessoais, trabalho de grupo e cooperação, reflexão e par cipação. Este método incide, sobretudo, no domínio do “saber- -fazer” e do “saber-ser”. 12 | Cidadania e Desenvolvimento Social
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    Cidadania e DesenvolvimentoSocial Ensino Secundário Geral 10º Ano Plano de Aula Turma: Data: Aula n.º: Unidade TemáƟca: 2. Desenvolvimento Pessoal e Iden dade Subtema: 2.2. Desenvolvimento Pessoal Conteúdos: Desenvolvimento Psicossocial | Iden dade Ligação a aprendizagens anteriores Relaciona-se com a aula anterior em que se introduziu o conceito de iden dade e se apresentaram os estádios de desenvolvimento psicossocial de E. Erikson. Metas de Aprendizagem Compreende que a iden dade se relaciona com o modo como as pessoas se veem e sentem em relação a si próprias e como compreendem a sua individualidade de forma consistente ao longo do tempo. Sumário: 1) Conceito de iden dade; 2) Realização da a vidade 2.5. “Quem Sou?” Palavras-chave: Desenvolvimento psicossocial; iden dade pessoal. Recursos: A vidade 2.5. “Quem Sou?” Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate. Material: Papel e caneta ou lápis. Estrutura da Aula Apresentar o sumário e as metas de aprendizagem; pedir aos alunos que copiem para os seus cadernos. Início Rever brevemente conteúdos introduzidos na aula anterior: estádios de desenvolvimento psicossocial e conceito de iden dade. Principais Conteúdos/AƟvidades Explicar aos alunos que vão realizar uma a vidade que pressupõe a simulação de uma entrevista para um programa de televisão in tulado “Quem Sou?”. Formar grupos de dois e propor que se entrevistem um ao outro, u lizando as questões descritas no Manual do Aluno. Pedir que, tendo por base as suas respostas à entrevista, cada um escreva no seu caderno um pequeno texto que o caracteriza. Reflexão Explicar aos alunos que as narra vas que fazemos sobre nós próprios variam consoante a situação social. Propor que pensem em como se apresentariam se es vessem nas seguintes situações sociais: a) numa entrevista de emprego; b) com uma pessoa que acabaram de conhecer numa festa; c) com uma pessoa que acabaram de conhecer num país estrangeiro. Refle r se as descrições contemplam sempre os mesmos elementos, se são introduzidos novos elementos ou re rados outros e quais as razões das diferenças: “Que aspetos se mantêm de umas descrições para outras? Serão esses os aspetos centrais da sua iden dade?” Conclusão Rever e sumariar com os alunos as a vidades desenvolvidas, retomando as metas de aprendizagem. Introduzir a a vidade 2.6. a realizar na aula seguinte. Tempo 5 minutos 5 minutos 20 minutos 15 minutos 5 minutos Avaliação Par cipação a va na a vidade; cooperação com os colegas; compreensão revelada do conceito de iden dade. Extensão e Ligação às Aulas Seguintes Na aula seguinte os alunos realizam uma a vidade com o obje vo de refle rem sobre a sua iden dade e consolidarem o conhecimento sobre os conteúdos veiculados nesta aula. Aprendizagem Complementar/Trabalho para Casa Propor aos alunos que preparem a aula seguinte, reunindo os objetos necessários à realização da a vidade 2.6. “Representações da Minha Iden dade”. Quadro 2. Exemplo de um plano de aula (adaptado de Brown & Fairbrass, 2009) Enquadramento e Orientações Gerais | 13
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    14 | Cidadaniae Desenvolvimento Social de competências sociais. Um dos princípios da aprendizagem coopera va consiste em estabelecer uma “interdependência posi va” entre os alunos, ou seja, todos trabalharem com a mesma finalidade. Cada indivíduo tem um papel a desempenhar na prossecuçãodasmetasdefinidas,quesecomplementa à ação de outros indivíduos, e cujo resultado tem efeitos no grupo. Neste contexto, o professor assume o papel de organizador, dinamizador e mediador que auxilia os alunos a alcançarem os obje vos. Através da aprendizagem coopera va os alunos apropriam-se do conhecimento,tornando-omaissignifica vo.Também permite que o processo de ensino não se limite ao acesso a um conjunto de conteúdos transmi dos pelo professor, mas se estenda a uma aprendizagem efe va que capacita os alunos a exercerem uma cidadania mais a va (Freitas & Freitas, 2002; Lopes, Rutherford, Cruz, Mathur, & Quinn, 2006). Para promover a aprendizagem a va e coopera va, capaz de proporcionar aos alunos a oportunidade de refle r e agir, o professor pode recorrer a diversas metodologiaspedagógicas,entreasquaissedestacam (Pureza, 2001; Afonso, 2005; Jardim & Pereira, 2006; Neves, Garrido & Simões, 2008; Brown & Fairbrass, 2009): • Clarificação de valores: consiste no reconhe- cimento do sistema de valores do aluno com recurso a vários exercícios teóricos e prá cos e à discussão de problemas morais. Estes métodos encontram-se in mamente relacio- nados com duas estratégias de aprendizagem complementares, referenciadas no programa da disciplina: aprendizagem a va e aprendizagem coopera va. A aprendizagem aƟva consiste no processo de “aprender fazendo” ou “aprender pra cando”, baseado no pressuposto que a par cipação a va dos alunos é favorável ao sucesso escolar. Considera- -se que os alunos aprendem melhor quando: são incen vados a refle r, debater e resolver problemas; têm a oportunidade de colocar em prá ca as suas ideias e conhecimentos com os colegas; os novos conhecimentos estão relacionados com experiências verídicas; executam tarefas que se baseiam nos seus conhecimentos, permi ndo reforçá-los e alargá-los; detêm um certo controlo sobre as suas aprendizagens (Kristensen, Sander-Regier, Merhy, & McColl, 2007). O aluno deve ser perspe vado como um sujeito a vo no processo de ensino e aprendizagem, e não como um recetor passivo de conhecimentos. A aprendizagem cooperaƟva consiste no processo de “aprender a par r de e com os outros” (O’Shea, 2003: 14). Trata-se de uma estratégia de ensino baseada na interação social que privilegia os processos ou dinâmicas de grupo com o obje vo de promover aprendizagens significa vas no âmbito dos conteúdos a lecionar e potencia o desenvolvimento Figura 2. Métodos pedagógicos e competências a desenvolver
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    Enquadramento e OrientaçõesGerais | 15 que envolva todos sujeitos implicados; assume-se como uma das possíveis vias para a concre zação da educação para a cidadania no contexto escolar. • Simulação de papéis: trata-se de uma drama zação, baseada numa situação real ou hipoté ca, que é explorada pedagogicamente. Os alunossãoconfrontadoscomumasituaçãonaqual têm de assumir diversos papéis. A simulação de papéis proporciona aos alunos a oportunidade de analisarem os seus comportamentos, experimen- tarem colocar-se no lugar do outro, contactarem com diferentes perspe vas e receberem feedback sobre os seus comportamentos. Esta metodologia contemplatrêsetapas:1)“preparação”(momento para a apresentação da situação, definição dos obje vos, atribuição dos papéis, esclarecimento de dúvidas); 2) “representação” (simulação de papéis); 3) “exploração” (feedback sobre a experiência, síntese e reflexão sobre as principais conclusões). • “Tempestadedeideias”:visaes mularaprodução de ideias através da diversidade de pensamentos e opiniões de cada pessoa. Esta metodologia é u lizada para suscitar ideias cria vas ou para averiguar o grau de conhecimentos do grupo acerca de um determinado tema. • Trabalho criaƟvo: consiste na realização de trabalhos manuais que servem para es mular a capacidade de reflexão, imaginação e cria vidade dos alunos. • Trabalho de pesquisa / metodologia de invesƟgação: baseia-se na pesquisa e análise de informação,discussãodosresultadoseelaboração de conclusões sobre temas relacionados com a cidadania. Es mula a autonomia, cria vidade, capacidade de análise, reflexão e argumentação • Diálogo/debate: potencia o desenvolvimento de competências de expressão, comunicação e argumentação. Os debates devem incidir sobre assuntos per nentes no âmbito da cidadania e podem ser propostos pelo professor ou pelos alunos. • Discussão de dilemas: incide sobre a discussão de questões morais através da análise de dilemas, histórias e problemas hipoté cos ou reais, suscitando o confronto de opiniões. A discussão de dilemas visa promover o desenvolvimento sócio-moral do aluno. • Discussão em painel: consiste na discussão de um tema com um especialista na área. O orador pode ser um inves gador, técnico exterior à escola, professor ou aluno. Esta metodologia é frequente em colóquios e conferências, exigindo uma preparação com antecedência. • Estudo de caso: um estudo de caso corresponde à análiseaprofundadadeumasituaçãoouproblema ancorado na realidade. Enquanto metodologia pedagógica permite conhecer problemas e questões de cidadania, gerar discussão em torno de várias temá cas e desenvolver a capacidade de análise e reflexão dos alunos. • NarraƟvas: as narra vas históricas, lendárias, tradicionais ou épicas, cons tuem meios privilegiadosparaveicularmensagensmorais,pois incitam à expressão de sen mentos e à adoção de um posicionamento perante a narra va. • ParƟcipação na elaboração de regulamentos comunitários: a elaboração de um regulamento implica uma discussão aprofundada dos seus pressupostos. Deve ser um processo par lhado
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    16 | Cidadaniae Desenvolvimento Social nomeadamente quanto à conformidade com o contexto local dos alunos, a fim de concre zar as metas de aprendizagem definidas. Avaliação das Aprendizagens A avaliação cons tui um elemento fundamental do processo de ensino e aprendizagem, que contempla a recolha e tratamento de informação colocada ao serviço da melhoria das aprendizagens dos alunos. Deve ser entendida como “um instrumento de regulação con nua do processo de ensino e aprendizagem, no qual se integra e sobre o qual recolheinformaçãotendoemvistaorientarqueraação pedagógica do professor, quer a a vidade pedagógica do aluno” (Barbosa & Alaiz, 1994). É con nua porque ocorre ao longo de todo o ciclo de estudos. Tem uma dimensão de regulação pois permite a “iden ficação dos pontos fortes e das necessidades dos alunos (…) cons tuindo o feedback fornecido aos alunos, um dos seus factores-chave” (Departamento do Ensino Secundário, 2001). A explicitação clara dos critérios de avaliação pelo professor, para si próprio e para os alunos, afigura- -se crucial em todo o processo. O professor necessita clarificar, para si, o que vai avaliar, quando e com que meios, tendo em conta o conjunto de competências cogni vas, é co-afe vas e sociais definidas no programa de Cidadania e Desenvolvimento Social (quadro 3) e as metas de aprendizagem estabelecidas para cada unidade temá ca. Nesse sen do, a planificação da avaliação é parte integrante e crucial da planificação didá ca (Barbosa & Alaiz, 1994). O aluno deve saber o que é esperado do seu desempenho; por isso necessita de informação clara sobre as competências a desenvolver, os conteúdos a abordar e as metas de aprendizagem a alcançar. do aluno. Quando envolve trabalho de campo, isto é, a recolha de dados em contextos exteriores à escola (por exemplo, entrevistas a membros da comunidade ou ins tuições locais), potencia o conhecimento da comunidade e a par cipação social. • Trabalho de projeto: deve incidir sobre um tema significa vo para os alunos, capaz de os mo var e envolver no planeamento, execução e avaliação; deve potenciar o desenvolvimento de competências, tais como a recolha e análise da informação, cooperação, tomada de decisões, espírito de inicia va e cria vidade. O trabalho de projeto contempla as seguintes etapas: 1) “delimitação” do objeto de estudo ou problema a analisar; 2) “planificação” (recursos necessários, iden ficação de possíveis constrangimentos, divisão de tarefas, seleção dos instrumentos de recolha de dados); 3) “desenvolvimento” que integraotrabalhodecampo(ondeseprocede,por exemplo, à consulta bibliográfica e à realização de entrevistas) e a análise dos dados recolhidos; 4) “apresentação” do projeto (definindo o público- -alvo e as formas de apresentação: cartazes, drama zações, exposições orais, discussões em painel, entre outras); 5) “avaliação” do projeto. Esta breve explicação sobre cada metodologia pedagógica pretende auxiliar o professor a dinamizar as aulas de Cidadania e Desenvolvimento Social, sendo por isso referidas nas a vidades prá cas propostas. Porém, as estratégias pedagógicas não se esgotam nos exemplos apresentados. Todas as inicia vas que promovam a par cipação a va dos alunos no processo de ensino-aprendizagem e o desenvolvimento de competências sociais podem ser implementadas. Compete ao professor avaliar a per nência e adequação das metodologias e, sempre que necessário, proceder às devidas alterações,
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    Enquadramento e OrientaçõesGerais | 17 Quadro 3. Competências específicas da disciplina (Pureza, 2001) Competências cogniƟ vas Vertente jurídico- -políƟ ca • Conhecimento das regras da vida cole va e do procedimento democrá co que subjaz à sua elaboração, aplicação e sedimentação social. • Conhecimento das diferentes esferas de poder e ins tuições públicas e da sociedade civil presentes numa sociedade democrá ca. • Reconhecimento da importância de tais regras e ins tuições na ar culação de direitos e deveres. • Conhecimento dos direitos individuais e cole vos e das responsabilidades individuais e sociais. Vertente do mundo atual ou histórico-cultural • Conhecimento dos problemas e interrogações que se colocam às sociedades contemporâneas, numa dupla dimensão histórica e cultural. • Aquisição de saberes que fomentem intervenções devidamente fundamentadas em debates públicos. • Capacidade de dosear o conhecimento técnico e especializado com compreensões amplas e de enquadramento geral. • Capacidade de analisar cri camente a sociedade, antecipar problemas e formular soluções estruturais a longo prazo. Vertente processual • Conhecimento sobre como se pode refle r, argumentar, debater, cri car e intervir, à luz de princípios como o da primazia dos direitos humanos, das possibilidades efe vas e limites de concre zação e da solução pacífica das controvérsias. • Saber inerente à conceção, planificação, organização e avaliação de ações ou projetos, assente na premissa de que é tão importante conhecer os direitos e deveres do cidadão como conhecer a forma de os assegurar, reivindicar ou exercer. Vertente dos princípios e valores dos direitos humanos e da cidadania democráƟ ca • Conceção do ser humano fundamentada na igualdade, liberdade e dignidade de todos os indivíduos. • Reconhecimento dos valores da pessoa (independentemente da raça, sexo, etnia, religião, língua, cultura, entre outros) perante qualquer po de discriminação. • Compromisso para com o desenvolvimento pleno das qualidades essenciais da pessoa, independentemente do contexto, situação ou lugar do mundo em que se encontra. Competências éƟ co-afeƟ vas • Adesão interior, e não apenas imposta exteriormente de modo racional, legal ou formal, aos valores da cidadania democrá ca de liberdade, igualdade e solidariedade. • Construção pessoal de um sistema de valores, de forma racional e crí ca, que inclua uma dimensão afe va e emocional. • Reconhecimento da existência do Outro e aceitação posi va da diferença e diversidade, do respeito e da confiança no Outro, da capacidade dialógica e de reciprocidade, e de aceitação da combinação entre não discriminação e discriminação posi va como forma de ultrapassar a indiferença inerente a a tudes de suposta tolerância. Competências sociais • Coexistência e cooperação: capacidade de viver com os outros, de construir e desenvolver projetos conjuntos, de assumir responsabilidades, e de se relacionar com a diferença económica, cultural ou polí ca do outro. • Resolução de conflitos: capacidade de solucionar pacificamente e através do diálogo os conflitos em que o próprio está envolvido, ou que ocorrem exclusivamente entre outros, de acordo com os princípios democrá cos. • Intervenção crí ca: capacidade de tomar parte em debates públicos, de argumentar, ouvir, contra-argumentar e decidir.
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    18 | Cidadaniae Desenvolvimento Social A avaliação é um processo complexo, presente ao longo de todo o ano le vo, que contempla três modalidades de avaliação: • Avaliação diagnósƟca: corresponde ao momento de avaliação inicial e poderá ocorrer, por exemplo, no início do ano le vo, de um período, ou de uma unidade temá ca. Tem como finalidade informar o professor acerca do nível de conhecimentos dos alunos face às aprendizagens que lhes vão ser propostas.Tambémpodeserusadaparaiden ficar conhecimentos dos alunos considerados pré- -requisitos para uma nova unidade temá ca ou aprendizagem. Podem ser u lizadas várias técnicas de avaliação, tais como: provas escritas de conhecimento/diagnós co, ques onários de autoavaliação, grelhas de observação. Atendendo à sua natureza diagnós ca, os dados recolhidos cons tuem indicadores do nível de conhecimento dos alunos (função de auscultação) que permitem ao professor adaptar e adequar a sua ação. Por este mo vo a avaliação diagnós ca suprime a atribuição de classificação. • Avaliação formaƟva: fornece informações acerca do desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. Centra-se no desempenho dos alunos na realização das a vidades e na concre zação das metas de aprendizagem e assume uma função reguladora. Permite que: 1) os professores efetuem ajustamentos nas suas planificações e metodologias pedagógicas; 2) os alunos analisem situações, reconheçam progressos e corrijam eventuais erros face às tarefas que lhes são propostas. Visa assegurar a adequação do processo de formação às necessidades e expecta vas de cada aluno. Considera-se essencial que os alunos compreendam que, em matéria de cidadania, é necessária a aquisição de um conjunto de conhecimentos, mas que o conhecimento, por si mesmo, é insuficiente para garan r um comportamento cívico responsável. É imprescindível aliar teoria e prá ca, reflexão e ação. O seguinte excerto de um livro de Antunes da Silva (cit. Pureza, 2001: 95) poderá auxiliar os alunos a entenderem a necessidade de avaliar as competências de natureza social e é co-afe va, para além das puramente cogni vas: Ouvia dizer que a educação de cada um em casa ou na escola concorria para a formação do carácter. Que seria o carácter? E a professora explicava com a sua voz suave e pausada: “Ter carácter, meus meninos, é ser-se bom e honesto!” O que era exactamente ser-se bom e honesto? E a mestra conƟnuava a lição: “Ser-se bom e honesto é não fazer mal a ninguém e não arrecadar os lápis dos outros quando temos os nossos…” Eu quase compreendia, mas depois vinham-me as dúvidas. Um moço chamado Alcibíades (filho do dono de uma fábrica e de uma senhora que era suíça, era um aluno muito aplicado, defensor dos fracos, considerado o moço mais inteligente da escola, o queƟnhaosmaislisonjeirosaménsdaprofessora), no caminho da escola para casa, logo que via um gato, apedrejava-o, mal via um cão pequeno (que dos maiores fugia ele), dava-lhe pontapés e, ainda pior, é que, beiral atrás de beiral, punha-se a derrubar os ninhos das andorinhas. Ser inimigo dos animais, maltratar os indefesos… teria o Alcibíades bom carácter(?), interrogava-me eu. Eu por mim, procurava cumprir fielmente o que os livros da classe diziam e o que a professora me ensinava, julgando poder assim contribuir para que o universo fosse um paraíso de concórdia. Antunes da Silva, O Amigo das Tempestades
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    Enquadramento e OrientaçõesGerais | 19 • Teste escrito ou trabalho práƟco: averigua a capacidade de escuta e compreensão oral, interpretação da leitura e expressão escrita, através das respostas e dos trabalhos dos alunos. • Projeto: visão sobre o processo de concre zação doprojetoesobreasuaqualidade,ondeépossível avaliaracapacidadede:trabalharindividualmente e em grupo; recolher, analisar e sistema zar informação; recorrer a fontes de informação dis ntas e relacionar os conhecimentos teóricos com os dados provenientes do contexto. • Observação do professor: recolha de informações sobredomíniostãodiversoscomoconhecimentos, capacidade de expressão, hábitos de trabalho, cria vidade, a tudes, par cipação, pontualidade e assiduidade. • Avaliação sumaƟva: realiza-se em momentos- -chave do ano le vo (por exemplo, no final do período ou do ano le vo) e pretende fazer um balanço global das aprendizagens dos alunos, anteriormente avaliadas de forma parcial, e determinar o seu grau de domínio face às metas de aprendizagem previamente estabelecidas. Noiníciodoanole vo,osalunosdevemserinformados acerca dos procedimentos de avaliação (por exemplo, quando irá decorrer e com que finalidades) e sobre o peso de cada modalidade de avaliação na nota final. O processo de avaliação é par cularmente desafiador na educação para a cidadania, pois centra-se na formação de jovens cidadãos dotados de um conjunto de competências nem sempre fáceis de obje var. Por isso, a mensuração das competências específicas, principalmente é co-afe vas e sociais, exige um esforço adicional de reflexão do professor quanto às técnicas de avaliação a u lizar. Considerando que a avaliação em cidadania deve abranger um conjunto variado de competências e pode ocorrer em diversos contextos/momentos, torna-se relevante diversificar as a vidades de avaliação (Bhargava, 2010). Seguem- -se alguns exemplos: • Apresentação oral: permite analisar as compe- tências de comunicação/argumentação e o rigor conceptual do discurso. • Autoavaliação: concede ao aluno um instrumento de análise sobre as suas aprendizagens, que lhe permite iden ficar dificuldades e procurar soluções.
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    I N TR O D U Ç Ã O Ao longo da primeira unidade temáƟca, sem pretensão de exausƟvidade, são abordadas questões essenciais para o aluno compreender e problemaƟzar o significado e significância da cidadania no contexto de uma sociedade democráƟca que observa e respeita os direitos humanos fundamentais.
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    22 22 22 25 27 30 Unidade Temá ca1. Direitos , Deveres e Responsabilidade 1.1. Nota Introdutória 1.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 1.1. Introdução à Cidadania Subtema 1.2. Direitos Humanos Subtema 1.3. Sociedade DemocráƟca 1.3. Recursos Adicionais
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    Unidade Temática 1| Direitos, Deveres e Responsabilidade 22 1.1. Nota Introdutória Ao longo da primeira unidade temá ca, sem pretensão de exaus vidade, são abordadas questões essenciais para o aluno compreender e problema zar o significado e significância da cidadania no contexto de uma sociedade democrá ca que observa e respeita os direitos humanos fundamentais. No primeiro subtema são afloradas as raízes históricas do conceito decidadania,assuasdimensõesclássicas(civil,polí ca e social), a sua atualização na contemporaneidade como resposta a desafios recentes, e a relação fundamental entre direitos e deveres que implica. O segundo subtema centra-se nos direitos humanos, nos seus princípios básicos e trajeto histórico, incluindo organizações e instrumentos ins tuídos e desenvolvidos para a sua promoção e prevenção de eventuais violações. O mote do terceiro subtema é a sociedade democrá ca contemporânea, os seus valores polí cos, as forças e fraquezas que encerra e a forma como se posiciona face a outras formas de governação. 1.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 1.1. Introdução à Cidadania Conteúdos • Raízes históricas da cidadania • Conceito de cidadania • Cidadania na contemporaneidade Metas de Aprendizagem • Reconhece que a cidadania é um conceito que evolui a par do desenvolvimento das sociedades. Enuncia as principais fases do seu desenvolvimento, desde a An guidade Greco-Romana até à Revolução Francesa e à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, reconhecendo a sua constante atualização na contemporaneidade. • Caracteriza a cidadania como um conceito polissémico, diferenciando a aceção restrita (de vínculo jurídico ao Estado) da conceptualização alargada (de vínculo informal a uma comu- nidade), e iden fica as implicações desta diferenciação ao nível da par cipação cívica. • Compreende o significado alargado do conceito de cidadania e a sua aplicabilidade a vários contextos sociais (destacando o familiar, escolar e comunitário), facultando exemplos da sua vida quo diana. • Reconhece que a vida em comunidade no geral, e no meio escolar em par cular, implica a assunção de direitos e deveres pelos seus elementos. • Define bem comum e interesses comuns em relação a vários níveis de organização social, como a escola, a família ou a nação. Componente PráƟca • Direitos e Deveres (A vidade 1.1.) • A Ilha Deserta (A vidade 1.2.) AƟvidade 1.1. Direitos e Deveres ObjeƟvos: Aumentar o conhecimento sobre a vida na comunidade, os direitos, deveres e responsabilidades; consciencializar para a importância dos regulamentos numacomunidade,atravésdaexplicitaçãodosdireitos e deveres dos indivíduos que a integram; promover a reflexão sobre o bem comum em diferentes níveis de organização social; compreender a associação entre direitos e responsabilidades; desenvolver o sen do de responsabilidade na comunidade. Metodologia: Diálogo/debate; par cipação na elabo- ração de regulamentos comunitários. Tempo: 50 minutos. Material: Regulamento interno da escola, papel, caneta ou lápis.
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    Unidade Temática 1| 23 Instruções: Solicite aos alunos que pensem no que é o bem comum na família, turma, escola e país, e quais os direitos, deveres e responsabilidades que cada um assume nesses diferentes contextos. De seguida, e após a consulta do regulamento interno da escola, proponha aos alunos a elaboração de um regulamento da turma que defina as regras de comportamento necessárias para uma boa relação entre todos os elementos da turma e que promovam o bem comum. As regras devem ser definidas, aceites e cumpridas por todos. Peça aos alunos para registarem as regras num contrato que todos deverão assinar e afixar na sala de aula (sugestões de regras a estabelecer: regulação do uso da palavra na sala de aula, movimentos permi dos na sala de aula, normas de postura na sala de aula, normas de respeito pelos colegas, funcionários e professores, deveres de preservação do património escolar). Reflexão: Frequentemente os alunos pensam que as aulas de educação para a cidadania pretendem transformá-los em “bons” cidadãos, que não deitam lixo para o chão e que diligentemente par cipam nas eleições. Apesar destes comportamentos serem importantes, um cidadão “a vo” é mais do que isso. A cidadania a va envolve o conhecimento das regras de uma comunidade e do papel que cada um desempenha, tendo em vista o bem comum. Assim, a cidadania não se reduz ao usufruto de direitos, mas implica também a assunção de deveres. A cidadania a va também pressupõe a par cipação a va nas diferentes comunidades a que se pertence. O exercício de elaboração do regulamento da turma permite a par cipação dos alunos na construção de um documento regulamentador que os irá afetar diretamente. AƟvidade 1.2. A Ilha Deserta Nota: Esta ficha de trabalho aborda conteúdos inerentes a todos os três subtemas que compõem a unidade. ObjeƟvos: Operacionalização dos conceitos de direi- tos, deveres e comunidade. Metodologia: Diálogo/debate; simulação de papéis. Tempo: 50 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Organize os alunos em pequenos grupos e descreva um cenário em que cada grupo foi colocado numa di cil situação de isolamento, como por exemplo, numa ilha deserta, em que necessitam cooperar para sobreviver. Reflexão: As questões que irão ser abordadas são: a) O que é uma comunidade? As instruções facultadas aos alunos são as seguintes: 1) Vais criar uma personagem que viajava no barco naufragado e atribuir-lhe um nome, um sexo, uma profissão, uma idade, e outras caracterís cas que te lembres. 2) Apresenta a personagem que criaste aos teus colegas e coloca um papel à tua frente com as suas caracterís cas. Introduza questões sobre as personagens que os alunoscriaram:“Emquesãosemelhantes?Emquesão diferentes?”. Enfa ze que uma comunidade assenta, principalmente, num conjunto de indivíduos com semelhanças e diferenças que devem ser respeitadas. b) O que são direitos? As instruções facultadas aos alunos são as seguintes: 3) Refere três direitos que achas que devem ser garan dos a todos os elementos do grupo. 4) Depois de os escreveres numa folha de papel, indica os valores que lhes estão associados, como por exemplo liberdade ou igualdade.
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    direitos seja inaceitável?Existem direitos que nunca devem ser re rados às pessoas?” 4) O que é uma comunidade democráƟca? As instruções facultadas aos alunos são as seguintes: 10) Reflete sobre como vão tomar decisões e como é que a autoridade vai ser distribuída. 11) Compara a comunidade que criaste com a comunidade ou país em que vives. Coloque a seguinte questão: “Quem tem a autoridade e como são tomadas decisões?”. Complemente com a explicitação dos procedimentos democrá cos. Por exemplo: “Todos os elementos votam em todas as decisões ou o grupo vota num ou mais elementos para que liderem e tomem decisões? Quais são os bene cios e desvantagens de cada uma destas opções? (democracia direta e representa va)”. Por úl mo, encoraje os alunos a comparar o cenário que construíram com a comunidade em que vivem. O Manual do Aluno contém ainda uma úl ma instrução, essencialmente como sugestão de aprofundamento das matérias fora da sala de aula: 12) Existem muitos países com graves problemas sociais e conflitos, onde os direitos que definiram para a “Ilha Deserta” não são garan dos nem respeitados. Recolhe materiais na imprensa que ilustrem essas violações dos direitos. Com o material que recolheste, e com aquele que criaste com os teus colegas para a vossa “Ilha Deserta”, constrói um jornal de parede. 5) Discute as tuas propostas com os teus colegas de grupo e compara-as com as sugestões que eles apresentam. 6) Faz uma lista com todas as propostas apresentadas. Analisa atentamente essa lista, tomando em conta quais os direitos que se podem contradizer. Neste momento os alunos refletem sobre a possibilidade dos direitos de um indivíduo poderem entrar em conflito com os direitos da comunidade. Caso os alunos não iden fiquem direitos em conflito, o professor deverá mencionar essa possibilidade. Posteriormente, lance o debate com as questões: “Quem deverá garan r que a lista de direitos é respeitada? Quem tem deveres e responsabilidades neste aspeto?”, fazendo a ligação com o ponto seguinte da a vidade. c) O que são deveres? As instruções facultadas aos alunos são as seguintes: 7) Refere deveres ou responsabilidades que achas que devem ser assumidos pelos elementos do grupo. 8) Depois de os escreveres numa folha de papel, discute a tua proposta com os restantes elementos e elabora uma lista. 9) Compara a lista de deveres com a lista de direitos e procura conflitos entre os dois. Existe algum dever que ponha em causa um direito? Aqui os alunos deverão refle r sobre as seguintes questões: “Existem alguns elementos do grupo que têm mais responsabilidades do que outros? Existem elementos do grupo que não aceitam alguns deveres ou existem deveres que entram em conflito com os seus direitos?” O professor deverá mo var o debate, introduzindo outras questões, como por exemplo: “Quando alguém negligencia os seus deveres, deve perder os seus direitos? Existe alguma situação em que re rar os 24 | Direitos, Deveres e Responsabilidade
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    • Discute assuntosdelicados (por exemplo: se a u lizaçãodecâmarasdevigilânciaparaprevenir/ combater o crime é aceitável; se deve ser facultado o direito de greve aos trabalhadores que ocupam cargos imprescindíveis ao normal funcionamento da sociedade; se o direito de liberdade religiosa significa que qualquer prá ca religiosa deverá ser permi da, como por exemplo os pais negarem uma transfusão de sangue aos filhos por mo vos de crença religiosa), facultando argumentos para as suas ideias e mostrando respeito pelas ideias dos outros. • Reflete cri camente sobre os seus valores pessoais e na forma como se comporta na relação com os outros em diversos contextos sociais. Componente PráƟca • Desenha um Direito Humano (A vidade 1.3.) • Os Direitos Humanos São Respeitados no Mundo? (A vidade 1.4.) • Direitos Humanos em Debate (A vidade 1.5.) AƟvidade 1.3. Desenha um Direito Humano ObjeƟvos: Promover o conhecimento e familiarização com os direitos contemplados na Declaração Universal dos Direitos Humanos; desenvolver a colaboração entre pares e fomentar o pensamento cria vo. Metodologia: Jogo de equipa. Tempo: 50 minutos. Material: Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), papel e caneta ou lápis. Instruções: 1) Solicite aos alunos que se dividam em grupos de quatro a cinco elementos e escolham um nome para a sua equipa. Subtema 1.2. Direitos Humanos Conteúdos • História dos direitos humanos • Declaração Universal dos Direitos do Humanos e outras convenções e tratados • Organização das Nações Unidas e organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos • Violações dos direitos humanos Metas de Aprendizagem • Conhece a origem dos princípios e acordos internacionais de Direitos Humanos e o seu desenvolvimento ao longo do tempo. Iden fica as atrocidades ocorridas na II Guerra Mundial que conduziram à elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos. • Reconhece a universalidade dos Direitos Humanos, ou seja, a sua aplicação a toda a humanidade, independentemente da idade, género ou nacionalidade. Reconhece que os Direitos Humanos afetam a vida de todas as pessoas, independentemente do local ou época em que vivem. • Compreende que convenções internacionais, como a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança ou a Convenção das Nações Unidas rela va ao Estatuto dos Refugiados, foram criadas para prevenir que pessoas em posições de poder (tais como polí cos, empregadores, pais ou professores) abusem desse poder. • Conhece as convenções e tratados internacionais sobre direitos fundamentais e manifesta competências de pesquisa na iden ficação de normas de direitos humanos em desenvolvimento. • Recorre ao trabalho de pesquisa para facultar exemplos de violações dos Direitos Humanos no passado e/ou no presente, e elencar as ações levadas a cabo por indivíduos e/ou organizações, a nível nacional ou internacional, para combater essas violações. Unidade Temática 1 | 25
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    acerca dos direitoshumanos? Acham que os direitos humanos são importantes nas vossas vidas? Que direitos têm mais importância nas vossas vidas?” AƟvidade 1.4. Os Direitos Humanos São Respeitados no Mundo? ObjeƟvos: Promover a pesquisa, análise e seleção de informação, assim como a discussão dos resultados e elaboração de conclusões sobre violações dos direitos humanos no mundo. Metodologia: Trabalho de pesquisa. Tempo: Desenvolve-se num período de tempo a determinar pelo professor. Material: Acesso aos meios de comunicação social e/ou Internet; Declaração Universal dos Direitos Humanos. Instruções:Soliciteaosalunosque,individualmenteou em grupo, pesquisem relatos de violações de direitos humanos nos meios de comunicação social. Para cada situação os alunos devem procurar iden ficar: os acontecimentos relatados; os direitos humanos em risco; os locais onde as violações ocorrem; as pessoas e ins tuições envolvidas; as ações desenvolvidas para tentar solucionar o problema. Com base nestas informações elaboram um relatório que apresentam à turma. Reflexão: Apesar de exis rem declarações, pactos e tratados internacionais que visam a promoção e defesa dos direitos humanos, con nuam a subsis r inúmeras situações em que estes são colocados em causa ou não são cumpridos. Exemplos de questões para mo var o debate sobre os trabalhos apresentados são: “Qual é o papel dos Estados e das 2) Faculte a seguinte explicação: “Nesta a vidade vão trabalhar em grupo. Irei entregar a um representante de cada grupo uma pequena folha com um ar go da DUDH para que o desenhem. Os restantes elementos do grupo têm de adivinhar qual é o direito através do desenho. A primeira equipa a acertar ganha 1 ponto; vamos fazer várias rondas e ganha o jogo a equipa que acumular mais pontos”. 3) Inicie a primeira ronda convocando um membro de cada equipa; dê-lhes um direito (por exemplo, “direito à vida” ou “direito à educação”); todos os representantes das equipas recebem o mesmo direito; assegure-se que existe alguma distância entre os grupos para que não ouçam o que se passa nas outras equipas. 4) Peça que voltem para os seus grupos e desenhem o direito (só estão autorizados a desenhar; não podem escrever palavras ou números, nem podem falar, exceto para confirmar uma resposta certa). 5) A equipa só pode tentar adivinhar, não pode fazer perguntas. A ronda termina quando um dos grupos adivinhar qual o direito desenhado. 6) No final de cada ronda, peça aos alunos que escrevam o nome do direito nos seus desenhos (mesmo que não os tenham acabado). 7) Inicie a segunda ronda, chamando um elemento diferente, procurando assegurar que todos os alunos têm a oportunidade de serem desenhadores. 8) No final, peça aos alunos para afixarem os seus desenhos. Reflexão: Reveja a a vidade com os seus alunos e introduza as seguintes questões: “Desenhar direitos humanos foi mais fácil ou di cil do que esperavam? Que imagens escolheram desenhar para um direito? Os diferentes desenhos do mesmo direito podem ser comparados? Houve muitas maneiras de desenhar o mesmo direito ou todos desenharam de forma semelhante? Descobriram coisas que não sabiam 26 | Direitos, Deveres e Responsabilidade
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    Reflexão: Muitos dostópicos abordados no currículo da disciplina são controversos e polémicos. Por isso, afigura-se relevante que os alunos sejam expostos a estes temas e questões, que são parte integrante da vida social contemporânea. Nesse sen do, o principal obje vo desta a vidade não é chegar a conclusões defini vas, mas desenvolver competências pessoais de escuta e aceitação das opiniões dos colegas, defesa e argumentação das ideias próprias e capacidade para lidar com o conflito. O professor deverá abster-se de dar a sua opinião pessoal ou revelar as suas preferências, evitando apresentar-se como a autoridade que define o que é “certo” ou “errado”. Subtema 1.3. Sociedade DemocráƟca Conteúdos: • Formas de governação e de par cipação dos cidadãos na vida polí ca • Regimes democrá cos e regimes an demo- crá cos • Vantagens e desvantagens da democracia • Direitos, deveres e a Cons tuição da RDTL Metas de Aprendizagem: • Iden fica países que vivem em democracia e países que vivem sob várias formas de ditadura, elencando as diferenças ao nível polí co, social e económico. • Iden fica valores democrá cos, competências cívicas, vícios do Estado e do cidadão e virtudes sociais. • Reflete cri camente sobre os regimes democrá cos no geral, reconhecendo e iden ficando vantagens e desvantagens da vida em democracia. • Dis ngue diferentes pos de democracia, reconhecendoqueexistemdiferentesformasde tomar e implementar decisões numa sociedade democrá ca. organizações intergovernamentais na salvaguarda dos direitos humanos? E da sociedade civil? Que organizações não-governamentais se dedicam à salvaguarda dos direitos? Como atuam? Como as podemos contactar? Existe algo que possamos fazer para contribuir para a resolução do problema (por exemplo, informar os colegas sobre as descobertas que emergiram da pesquisa realizada, contactar uma organização não-governamental ou organizar uma sessão de sensibilização para a comunidade escolar)?” AƟvidade 1.5. Direitos Humanos em Debate ObjeƟvos: Desenvolver competências de reflexão, compreensão, comunicação e debate que permitam abordar temas polémicos e/ou controversos. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 40 minutos. Material: Grandes folhas de papel ou um quadro para anotar os argumentos de cada grupo. Instruções: Divida aleatoriamente a turma em dois grupos com número similar de elementos e apresente os casos constantes no Manual do Aluno. Independentemente das opiniões pessoais de cada aluno, para cada dilema um dos grupos defende uma posição e o outro grupo defende uma opinião diferente. Reforce que o obje vo de cada grupo será tentar convencer os elementos do outro grupo a assumirem a opinião que defendem. Faculte algum tempo para os grupos prepararem os seus argumentos e dê início ao debate. Anote numa tabela com duas colunas os argumentos de cada grupo. Finalize o debate, reservando alguns minutos para analisar os vários argumentos à luz dos princípios dos direitos humanos: dignidade, igualdade, universalidade, liber- dade e solidariedade. Unidade Temática 1 | 27
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    Esta a vidadede leitura serve de introdução para duas a vidades ou estudos de caso (o professor pode optar por ministrar as duas ou apenas uma): 1. Análise de um regime polí co da atualidade; 2. Análise da história recente de Timor-Leste (antes e depois do 20 de maio de 2002). Em ambas as situações, é solicitado aos alunos que recolham informação sobre o regime polí co e respondam a um conjunto de questões que visam esclarecer que requisitos da democracia são assegurados nos casos estudados. As questões são: 1. O Parlamento é eleito? 2. As eleições decorrem de modo justo? 3. Os responsáveis eleitos têm poder efe vo? 4. Existe compe ção entre par dos polí cos? 5. Há alternância democrá ca? 6. A comunidade de cidadãos está livre do domínio de poderes alheios e rânicos? 7. Existe respeito pelas liberdades das minorias? 8. Existem meios de informação independentes? 9. Existe debate na opinião pública? 10. Existe liberdade de reunião? 11. Existe liberdade de organizar par dos polí cos e sindicatos? 12. As ins tuições religiosas são livres? 13. As liberdades não fazem exceção de pessoas? 14. Existe combate à corrupção governamental? A resposta às questões e consequente reflexão depende da informação disponível. Nesse sen do, a a vidade poderá desdobrar-se por duas aulas. Na primeira aula o professor solicita aos alunos que, individualmente ou em grupo, realizem pesquisas recorrendo a diversas fontes (por exemplo, consultar livrosnabibliotecadaescolaouar gosnaInternet).Na • Reconhece a importância da associação dos indivíduos em comunidade polí ca e esclarece o modo pelo qual esta se torna uma comunidade de cidadãos democrá ca. • Reconhece a importância da Cons tuição como fonte máxima de autoridade numa comunidade de cidadãos, os princípios subjacentes que lhe estão subjacentes e o papel regulador que detém na especificação dos direitos e deveres do cidadão numa sociedade democrá ca. Componente PráƟca: • Os Requisitos da Democracia (A vidade 1.6.) • A Democracia Ameaçada (A vidade 1.7.) AƟvidade 1.6. Os Requisitos da Democracia ObjeƟvos: Considerar aspetos inerentes aos regimes democrá cos e an democrá cos; pesquisar infor- mação sobre temas relacionados com a educação para a cidadania; promover a autonomia e capacidade de análise; promover a cooperação (quando a a vidade for realizada em grupo). Metodologia: Diálogo/debate; narra vas; estudo de caso; trabalho de pesquisa. Tempo: 50 minutos (+ 50 minutos). Material: Acesso à Internet ou outras fontes de informação (como por exemplo, ar gos de jornais ou capítulos de livros). Instruções: Solicitar aos alunos que leiam um excerto do romance “1984” que se encontra no Manual do Aluno. Este livro retrata um regime totalitário, em que o Estado controla e escru na todos os aspetos da vida dos seus cidadãos, não exis ndo privacidade nem liberdade. 28 | Direitos, Deveres e Responsabilidade
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    Metodologia: Diálogo/debate; discussãode dilemas. Tempo: 50 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Apresente um caso em que as liberdades individuais dos cidadãos foram restringidas por mo vos de segurança nacional (por exemplo, o “USA PATRIOTAct”descritonoManualdoAluno).Apresente outro caso em que, para salvaguardar um dos direitos fundamentais dos regimes democrá cos (a liberdade de expressão), foram permi das manifestações de doutrinas ou ideologias polí cas que promovem a intolerância (por exemplo, o “Caso Skokie” descrito no Manual do Aluno). Solicite aos alunos que anotem as suas opiniões pessoais e, posteriormente, as par lhem com os restantes colegas. Reflexão: Pretende-se que os alunos reflitam sobre os dilemas que se colocam aos regimes democrá cos: “Acham que há respostas “certas” ou “erradas” para estes dilemas? É certo que o terrorismo é uma grave ameaça aos regimes democrá cos que deve ser comba do; mas será que tal implica que os Estados democrá cos ou outras organizações possam u lizar todos os meios para combater o terrorismo, incluindo a restrição dos direitos individuais? Ou será que alguns métodos não se devem ou podem u lizar (por exemplo, a tortura)? Por outro lado, acham que devemos ser totalmente tolerantes rela vamente a tudo o que é dito ou feito pelos outros, mesmo quando promove valores an democrá cos?”. A democracia contempla algumas contradições que a tornam um sistema de di cil compreensão e exigem uma par cipação a va de todos para a proteger. Os regimes democrá cos permitem e acolhem a diversidade de opiniões e crenças. Contudo, também segunda aula, o aluno (ou grupo de alunos) apresenta os seus resultados, que são posteriormente deba dos por todos. Para a opção 2 (análise da história recente de Timor-Leste) podem ser u lizados os materiais elaborados pela CAVR, nomeadamente o Relatório “Chega!” e a sua versão popular; ou então podem ser realizadas entrevistas a cidadãos morenses que viveram durante o período 1974-1999. Reflexão: Encoraje os alunos a comparar a vida dos cidadãos num regime democrá co e num regime an democrá co. O enfoque deverá ser colocado nos valores democrá cos e nos princípios de igualdade e autonomia individual. Ques one como estes valores e princípios são (des)respeitados pelos regimes an democrá cos e qual o impacto na vivência das pessoas: “Como se sen rão as pessoas que vivem sob regimes an democrá cos?” Ancore a reflexão nas experiências pessoais dos alunos, colocando questões como: “Sentem algum po de “posse” em relação às regras do vosso país? Acham que podem influenciar a elaboração de regras do vosso país? Acham possível que numa democracia representa va as pessoas tenham poder real sobre as decisões que são tomadas em seu nome?”. Salientar a importância de eleições livres e justas, como forma de exercer controlo sobre os governantes. Enfa zar o respeito pelos direitos humanos, pela liberdade e igualdade, como elementos fundamentais numa sociedade democrá ca, que se encontram comprome dos na generalidade dos regimes an democrá cos. AƟvidade 1.7. A Democracia Ameaçada ObjeƟvos: Promover competências para realizar um debate; explorar os conflitos inerentes aos direitos e deveres de uma comunidade de cidadãos democrá ca. Unidade Temática 1 | 29
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    Livros e ArƟgos AdvisoryGroup on Ci zenship (1998). EducaƟon for ciƟzenship and the teaching of democracy in schools. London: Qualifica ons and Curriculum Authority. Acedido em www.teachingci zenship.org.uk Arthur, J., Davies, I., & Hahn, C. (Eds.) (2008). The SAGE handbook of educaƟon for ciƟzenship and democracy. London: SAGE Publica ons Ltd. ASEAN (2009). Terms of Reference of ASEAN Inter- governmental Commission on Human Rights. Jakarta: ASEAN Secretariat. Acedido em www.aseansec.org Ca ani, A. D., Laville, J.-L., Gaiger, L. I., & Hespanha, P. (2009). Dicionário Internacional da Outra Economia. Coimbra: Edições Almedina, SA. Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR) de Timor-Leste (2005). Chega! Relatório da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR) de Timor- Leste, Resumo ExecuƟvo. Díli: CAVR. Faria, M. J. (2001). Direitos fundamentais e direitos do homem (Volume I). Lisboa: Ins tuto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna. Gomes, R. (Coord.) (s/d). FAROL: Manual de Educação para os Direitos Humanos com Jovens. Coimbra: Humana Global. Henriques, M., Reis, J., & Loia, L. (2006). Educação para a cidadania: Saber & inovar. Lisboa: Plátano Editora. Pureza, J. M. (Coord.). (2001). Educação para a cidadania: Cursos gerais e cursos tecnológicos – 2. Lisboa: Depar- tamento do Ensino Secundário. Ribeiro, H. M. (2008). Dicionário de termos e citações de interesse políƟco e estratégico. Lisboa: Gradiva. Toldy, T., Ramos, C., Maior, P. V., & Lira, S. (2007). Cidadania(s): Discursos e práƟcas / CiƟzenship(s): Discourses and pracƟces. Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa. requerem que a maioria dos seus membros respeite e defenda a vamente os valores democrá cos de liberdade, jus ça, tolerância, verdade e igualdade. A descrença nos sistemas democrá cos promove a apa a, inércia e inação dos cidadãos que, por sua vez, coloca em risco a própria democracia. Por essa razão, os membros de uma sociedade democrá ca devem contribuir e par cipar na vida pública, tendo presentes os princípios e valores dos direitos humanos e da democracia. 1.3. Recursos Adicionais Documentos Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos, desenvolvida pela Organização da Unidade Africana (atual União Africana), assinada em junho de1981. Carta Magna de Liberdades, Direitos, Deveres e GaranƟas do Povo de Timor-Leste, aprovada na Convenção Nacional Timorense na Diáspora, em 25 de abril de 1998. ConsƟtuição da República DemocráƟca de Timor-Leste, aprovada e decretada pela Assembleia Cons tuinte, em 22 de março de 2002. Declaração Universal dos Direitos Humanos, procla-mada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de abril de 1948. Estatutos e Declaração ConsƟtuƟva da CPLP, apro-vados em Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, em 17 de julho de 1996. Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e PolíƟcos, aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 16 de Dezembro de 1966, entrou em vigor em 23 de março de 1976. Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 16 dezembro de 1966, entrou em vigor em 3 de janeiro de 1976. 30 | Direitos, Deveres e Responsabilidade
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    Human Rights Watch www.hrw.org Jornalda República www.jornal.gov.tl Missão das Nações Unidas em Timor-Leste www.un.org/peace/e mor99/e mor.htm Missão de Apoio das Nações Unidas em Timor-Leste www.un.org/en/peacekeeping/missions/past/unmiset/ index.html Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste www.unmit.org Movimento dos Países Não Alinhados www.nam.gov.za Organização das Nações Unidas www.un.org Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura www.unesco.org Organização dos Estados Americanos www.oas.org Organização Mundial de Saúde www.who.int Presidência da República DemocráƟca de Timor-Leste www.presidencia.tl União Africana www.au.int União LaƟna www.unilat.org Filmes The Great Dictator, 1940, Charlie Chaplin. Schindler’s List, 1993, Steven Spielberg. Life is BeauƟful, 1997, Roberto Benigni. Judgement at Nuremberg, 1961, Stanley Kramer. Braveheart, 1995, Mel Gibson. Fahrenheit 451, 1966, François Truffaut. Nineteen Eighty-Four, 1984, Michael Radford. The Killing Fields, 1984, Roland Joffé. Hotel Rwanda, 2004, Terry George. Internet Administração Transitória das Nações Unidas em Timor- Leste www.un.org/en/peacekeeping/missions/past/etimor/ e mor.htm Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos www.ohchr.org AmnisƟa Internacional www.amnesty.org Associação de Nações do Sudeste AsiáƟco www.asean.org Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos www.achpr.org Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação de Timor- Leste www.cavr- morleste.org Comité Internacional da Cruz Vermelha www.icrc.org Comunidade dos Países de Língua Portuguesa www.cplp.org Conselho da Europa www.coe.int Governo de Timor-Leste www. mor-leste.gov.tl Unidade Temática 1 | 31
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    I N TR O D U Ç Ã O A unidade temáƟca 2 aborda o desenvolvimento pessoal e idenƟdade, mais precisamente o desenvolvimento cogniƟvo, sócio-emocional, moral e psicossocial, e as suas implicações para a parƟcipação cívica e social, em diferentes meios e contextos de vida. O processo de desenvolvimento é apresentado na sua interligação com o meio, para enfaƟzar a relação do desenvolvimento pessoal e da idenƟdade com a responsabilidade moral e social.
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    34 34 34 36 40 44 Unidade Temá ca2. Desenvolvimento Pessoal e Iden dade 2.1. Nota Introdutória 2.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 2.1. Contextos de Desenvolvimento Subtema 2.2. Desenvolvimento Pessoal Subtema 2.3. Indivíduo como Cidadão 2.3. Recursos Adicionais
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    Unidade Temática 2| Desenvolvimento Pessoal e Identidade 34 2.1. Nota Introdutória Ao longo da vida, o desenvolvimento pessoal e a construção da iden dade influenciam as compe- tências de par cipação cívica e o papel que cada indivíduodesempenhanasuasociedadeecomunidade. Obem-estar,sucessoecapacidadedeadaptaçãosocial de um indivíduo são significa vamente influenciadas pelo desenvolvimento do pensamento, capacidade de regulação e de expressão das emoções, complexidade do raciocínio e do ajuizamento sobre o que é correto ou incorreto, e também pela síntese pessoal que faz sobre si e o seu papel na sociedade e no mundo (iden dade). A unidade temá ca 2 aborda o desenvolvimento pessoal e iden dade, mais precisamente o desen- volvimento cogni vo, sócio-emocional, moral e psicossocial, e as suas implicações para a par cipação cívica e social, em diferentes meios e contextos de vida. O processo de desenvolvimento é apresentado nasuainterligaçãocomomeio,paraenfa zararelação do desenvolvimento pessoal e da iden dade com a responsabilidade moral e social. Estes conhecimentos contribuem para aumentar o autoconhecimento dos alunos, facilitar a sua interação e par cipação social, assim como para os preparar para lidarem com as suas experiências e oportunidades de vida. 2.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 2.1. Contextos de Desenvolvimento Conteúdos • Processo de desenvolvimento • Direito ao desenvolvimento • Contextos de desenvolvimento Metas de Aprendizagem • Sabe que o desenvolvimento humano é um processo con nuo que se estende ao longo da vida. • Reconhece o direito ao desenvolvimento e sabe que ao longo dos tempos, em diferentes contextos sociais e culturais, as posições sociais e polí cas perante o desenvolvimento são diferentes, influenciando as oportunidades de desenvolvimento. • Sabe que o ser humano par cipa e desenvolve- -se em diferentes contextos de vida (como a família, escola, grupo de amigos e ins tuições polí cas),ecompreendequeodesenvolvimento resulta da interação entre fatores individuais (por exemplo, fatores gené cos, caracterís cas individuais, ou história pessoal) e ambientais, sociais e culturais (por exemplo, sistemas de crenças e valores). Componente PráƟca • O Meu Conceito de Desenvolvimento (A vidade 2.1.) • A Entrevista (A vidade 2.2.) AƟvidade 2.1. O Meu Conceito de Desenvolvimento ObjeƟvos: Promover o conhecimento e reflexão mais alargada sobre o conceito de desenvolvimento e seus múl plos significados. Metodologia: Diálogo/debate; trabalho cria vo. Tempo: 50 minutos. Material: Quadro, papel, caneta ou lápis, cartolina, cola, recortes para colagem. Instruções: Para introduzir esta a vidade poderá realizar um diálogo com os alunos (“tempestade de
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    Unidade Temática 2| 35 ideias”) sobre o que sabem e o que significa para eles “desenvolvimento”, anotando no quadro os tópicos enunciados. Em seguida, proponha que cada aluno realize um trabalho cria vo (ensaio, poema, desenho ou colagem) onde mostre o significado que atribui ao desenvolvimento. No final organize-os para que apresentem e exponham as suas representações aos colegas de turma. Reflexão: O conceito de desenvolvimento é u lizado com muitos significados no quo diano. No final da a vidade pode ques onar os alunos sobre o que aprenderam e se as suas conceções acerca do desenvolvimento se alteraram ou não. AƟvidade 2.2. A Entrevista ObjeƟvos: Promover o conhecimento e reflexão sobre os diferentes meios onde ocorre o desenvolvimento; analisar a influência desses meios (posi va e nega va) nas oportunidades de desenvolvimento; es mular a reflexão crí ca sobre diferentes modos de vida e consciencializar para o direito ao desenvolvimento. Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate. Tempo: 30 minutos (+ 20 minutos para discussão). Material: Nenhum. Instruções: Introduza a a vidade relembrando aos alunos que o meio influencia o processo de desenvolvimento, podendo promovê-lo ou colocar- -lhe obstáculos. Exemplifique como situações de grande pobreza, conflito armado ou catástrofe natural cons tuem contextos onde é di cil proteger as necessidades de desenvolvimento. Proponha aos alunos que formem grupos de quatro ou cinco elementos e forneça as seguintes instruções: 1) Cada grupo escolhe um contexto de desenvolvi- mento (por exemplo, conflito armado, catástrofe natural, grande pobreza, viver nas montanhas ou viver na cidade); cria uma personagem a viver nesse contexto, atribuindo-lhe um nome, idade, sexo ou outras caracterís cas de que se lembrem (por exemplo, composição da família); elege um elemento paradesempenharapersonagemcriadaeapresenta-a aos restantes grupos. 2) Cada grupo designa também um elemento para desempenhar o papel de repórter. Explique que os repórteres deverão imaginar que são responsáveis por fazer uma reportagem sobre estes contextos de vida, colocando perguntas para elucidar como é o dia a dia dessa personagem; algumas perguntas possíveis são: “Descreva um dia normal na sua vida. Como faz para ir para a escola/trabalhar? Como ocupa os tempos livres? Quais são as suas maiores necessidades e esperanças?Quaissãoosseusmaioresmedos?Deque sente mais falta? Que direitos seus estão ameaçados? O que não pode fazer e gostaria de fazer?” Proponha que coloquem as cadeiras em forma de duplo círculo: um círculo exterior e um círculo interior, de modo que cada cadeira do círculo interior esteja emparelhada com uma cadeira do círculo exterior. No círculo interior sentam-se os alunos que desempenham o papel das personagens criadas; no círculo exterior sentam-se os que foram designados para repórteres e iniciam a entrevista. Depois de 3 minutos de discussão os alunos do círculo interior mudam para a cadeira seguinte (avançando uma posição)esãoentrevistadosporoutroalunodocírculo exterior (todos ganham um novo interlocutor) e as entrevistas decorrem até todos os alunos do círculo
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    competências para regularas suas emoções de forma socialmente aceitável e para compreender e adaptar-se ao conteúdo emocional da comunicação dos outros. • Sabe que o desenvolvimento cogni vo envolve o processo de complexificação do pensamento e do raciocínio, e reconhece as suas implicações na produção de raciocínios e na interpretação de situações. • Concebe o desenvolvimento moral como o processo de complexificação do juízo sobre o bem/mal, justo/injusto e compreende as implicações nas relações sociais, pessoais e de cada indivíduo com a realidade. • Compreende que o desenvolvimento psicossocial representa a adaptação e desen- volvimento progressivo da iden dade do indivíduo, ao longo da vida e em diferentes etapas, em resposta a necessidades individuais, sociais e culturais. • Sabe que o desenvolvimento da iden dade ocorre de forma mais marcada na adolescência, mas que se faz por etapas con nuas, desde o nascimento à morte, que envolvem a realização de tarefas de desenvolvimento como a construção de um sen mento de segurança básica na primeira infância, uma avaliação posi va da sua capacidade de realização escolar e o cuidado das gerações seguintes ou o enfrentamento da morte na vida adulta e na velhice. • Compreende que a iden dade se relaciona com o modo como as pessoas se vêm e sentem em relação a si e como compreendem a sua individualidade de forma consistente ao longo do tempo. • Reconhece que a capacidade de inves mento e exploração das áreas profissional, religiosa, polí ca e interpessoal / sexual contribuem para a construção da iden dade. interior terem mudado de posição. Deste modo todos os alunos do círculo exterior têm oportunidade de entrevistar diferentes personagens e cada aluno do círculointeriorcontactacomdiferentesinterlocutores. Reflexão: No final da a vidade solicite que cada aluno comunique à turma como se sen u no papel desempenhado (entrevistador ou entrevistado). Proponha aos alunos que comparem os contextos criados com o meio em que vivem e es mule o diálogo sobre as oportunidades, riscos e desafios para o desenvolvimento nos diferentes contextos: “Que diferenças encontraram nos diferentes contextos escolhidos? Que aspetos da vida são influenciados pelos diferentes ambientes/meios de vida? Que conclusões podem re rar sobre a influência dos contextos no desenvolvimento?” Subtema 2.2. Desenvolvimento Pessoal Conteúdos • Domínios do desenvolvimento • Desenvolvimento emocional • Desenvolvimento cogni vo • Desenvolvimento moral • Desenvolvimento psicossocial Metas de Aprendizagem • Sabequeodesenvolvimentohumanoocorreem diferentes domínios: 1) sico (transformações do corpo e associadas a processos fisiológicos), 2) cogni vo (transformações ao nível do pensamento) e 3) social (transformações associadas às relações interpessoais e à construção da personalidade), e reconhece a sua ar culação simultânea e integrada. • Compreende que o desenvolvimento emo- cional se refere à aquisição progressiva de competências comunicacionais, bem como de 36 | Desenvolvimento Pessoal e Identidade
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    “Conservação dos líquidos”,descrita no Manual do Aluno, junto de duas crianças de idades diferentes (umacom4ou5anoseoutracom7oumaisanos),que sejam suas familiares ou amigas. Os alunos deverão anotar as respostas e apresentar os resultados das suas inves gações à turma na aula seguinte. Reflexão: Ajude os alunos a sinte zarem os resultados ob dos, de forma a encontrarem as principais caracterís cas dos estádios “pré-operacional” e “operações concretas”. Reflita com os alunos sobre o papel a vo atribuído por Piaget à criança no seu desenvolvimento cogni vo e sobre as condições do meio (por exemplo, educacionais) que favorecem o desenvolvimento cogni vo. AƟvidade 2.4. Dilemas Morais ObjeƟvos: Compreender a definição de dilema moral e promover o conhecimento sobre os diferentes níveis e estádios de desenvolvimento moral; promover o raciocínio moral e competências de debate, argumentação e reflexão crí ca sobre situações sociais complexas. Metodologia: Discussão de dilemas; clarificação de valores; diálogo/debate. Tempo: 50 minutos. Material: Quadro onde escrever. Instruções: Apresente o dilema de Heinz, descrito no Manual do Aluno, e proponha aos alunos que organizem um debate sobre este dilema. Sugira-lhes que formem dois grupos: um pensa em soluções para o dilema; o outro funciona como um júri, colocando questões reflexivas sobre as soluções encontradas Componente PráƟca • As Experiências de Jean Piaget (A vidade 2.3.) • Dilemas Morais (A vidade 2.4.) • Quem Sou? (A vidade 2.5.) • Representações da Minha Iden dade (A vidade 2.6.) • A Minha Iden dade no Tempo (A vidade 2.7.) • As Minhas Necessidades (A vidade 2.8.) • Quando Posso? (A vidade 2.9.) AƟvidade 2.3. As Experiências de Jean Piaget ObjeƟvos: Promover a compreensão do desenvol- vimento cogni vo como um conjunto de trans- formações na produção de raciocínios; perceber as diferenças entre os vários níveis de desenvolvimento cogni vo. Metodologia: Experimentação; diálogo/debate. Tempo: 20 minutos para a apresentação e contex- tualização da tarefa (+ 30 minutos na aula seguinte para discussão das experiências). Material: Papel, caneta ou lápis, materiais necessários para a realização da experiência “Conservação dos líquidos” descrita no Manual do Aluno. Instruções: Apresente esta a vidade explicando aos alunos que o psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget u lizou uma metodologia inovadora no estudo do desenvolvimento cogni vo, que consis a na realização de jogos e experiências com crianças de idades diferentes para avaliar os seus raciocínios e o modo como pensavam/resolviam problemas. Proponha aos alunos que realizem uma das experiências idealizadas por este autor, in tulada Unidade Temática 2 | 37
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    Reflexão: As nossasnarra vas pessoais variam consoante a nossa situação e interlocutores sociais. Proponha aos alunos que pensem sobre como se apresentariam se es vessem nas seguintes situações sociais: a) numa entrevista de emprego; b) com uma pessoa que acabaram de conhecer numa festa; c) com uma pessoa que acabaram de conhecer num país estrangeiro. Reflita com eles sobre se as suas descrições contemplam sempre os mesmos elementos, se são introduzidos novos elementos ou re rados outros e quais as razões das diferenças. Que aspetos se mantêm de umas descrições para outras? Serão esses os aspetos centrais da iden dade? AƟvidade 2.6. Representações da Minha IdenƟdade ObjeƟvos: Compreender a iden dade como um processo de síntese pessoal; conhecer os diferentes aspetos inerentes à iden dade; fomentar o espírito crí co, a cria vidade pessoal e o autoconhecimento. Metodologia: Reflexão pessoal; trabalho cria vo; diálogo/debate. Tempo: 15 minutos para a apresentação e contex- tualização da tarefa (+ 50 minutos para a realização, apresentação e discussão das criações ar s cas na aula seguinte). Material: Papel, caneta ou lápis, fios, cola, cartolina, objetosdiversosrecolhidospelosalunos(porexemplo, plantas, fotografias, frutos). Instruções: Contextualize esta a vidade explicando que cada um de nós constrói uma auto-imagem que representa a nossa unicidade e consistência ao longo do tempo. Proponha que selecionem e tragam para a aula plantas, fotografias, frutos ou objetos que representem a sua iden dade, para poderem (porexemplo,queconsequênciasposi vasenega vas têm para as diferentes personagens do dilema de Heinz). Anote as soluções e os argumentos no quadro. Reflexão: A par r dos argumentos anotados no quadro, promova a discussão e analise com os alunos osimpactosposi vosenega vos(paraaspersonagens envolvidas e para a sociedade) das diferentes soluções encontradas para o dilema de Heinz. Proponha aos alunos que iden fiquem outros exemplos de dilemas morais no seu quo diano. AƟvidade 2.5. Quem Sou? ObjeƟvos: Promover a compreensão do conceito de iden dade; es mular o autoconhecimento e reflexão sobre a iden dade pessoal; compreender a influência das situações e solicitações sociais na forma como cada um se vê e sente em relação a si próprio. Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate. Tempo: 50 minutos. Material: Guião de entrevista descrito no Manual do Aluno, papel, caneta ou lápis. Instruções: Explique aos alunos que vão realizar uma a vidade que envolve a simulação de uma entrevista para um programa de televisão in tulado “Quem sou”. Proponha que formem grupos de dois ou três e que se entrevistem uns aos outros, u lizando as questões descritas no Manual do Aluno; salvaguarde que podem introduzir outras questões ou alterar a sua ordem. Depois peça que, com base nas respostas à entrevista, cada um escreva no seu caderno um pequeno texto que caracterize “quem eu sou”. Explique aos alunos que o texto é de carácter privado, des nando-se à reflexão pessoal, e que não será par lhado com os colegas. 38 | Desenvolvimento Pessoal e Identidade
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    Reflexão: Proponha aosalunos que analisem os quadros que construíram e verifiquem o que se mantém e transformou na forma como se vêem ao longo do tempo. Explique que a iden dade se constrói aolongodavida,sugerindoqueentrevistemfamiliares ou amigos com idades diferentes, ques onando-os sobre os papéis que desempenham, ocupações, responsabilidades e aspirações, e que comparem as respostas ob das com as suas reflexões. Os resultados poderão ser par lhados com a turma nos primeiros 20 minutos da aula seguinte. AƟvidade 2.8. As Minhas Necessidades ObjeƟvos: Compreender o conceito de “necessidade” e perceber que em todas as fases da vida os seres humanos têm necessidades dis ntas em diferentes domínios; normalizar a ideia de necessidade e associá- -la à construção da iden dade. Metodologia: Reflexão pessoal; clarificação de valores. Tempo: 30 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Apresente aos alunos as necessidades humanas descritas pelo psicólogo norte-americano Henry Murray, constantes no Manual do Aluno, e solicite que cada um analise e iden fique as necessidadesque,nestafasedavida,maisinfluenciam o seu desenvolvimento Proponha que classifiquem as necessidades de 1 (nada importante) a 5 (muito importante), apoiando-se no quadro e na escala apresentada no Manual do Aluno. Reflexão: Trata-se de uma a vidade individual, por isso a in midade e confidencialidade das respostas construir um móbil, poster ou colagem que retrate as diversas facetas de quem são. Organize a turma para que cada aluno apresente a sua criação ar s ca aos colegas. O professor poderá propor esta a vidade no final de uma das aulas dedicadas ao desenvolvimento psicossocial. Na aula seguinte, os alunos constroem as suas criações ar s cas, que apresentam aos colegas. Reflexão:Promovaareflexãoemtornodaimportância da construção da iden dade na adolescência. Oriente adiscussãoparaaiden ficaçãodoselementoscomuns às diferentes criações ar s cas (diversas facetas da iden dade). Ques one se cada um descobriu algo novo sobre si e se gostaria de par lhar com a turma, salvaguardando a in midade e o direito à privacidade. AƟvidade 2.7. A Minha IdenƟdade no Tempo ObjeƟvos: Compreender as transformações da iden- dade pessoal e associar a construção da iden dade ao longo do tempo à resposta a diferentes solicitações sociais, culturais e pessoais. Metodologia: Reflexão pessoal; diálogo/debate. Tempo: 30 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Proponha que cada aluno pense e anote como se vê em três momentos da sua vida: 1) no presente;2)há5anosatrás;3)daquia5anos.Explique que para realizarem esta a vidade poderão pensar, por exemplo, que papéis desempenham, quais os seus desejos, ocupações, direitos e responsabilidades, e construir no caderno um quadro semelhante ao apresentado no Manual do Aluno. Unidade Temática 2 | 39
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    concorda com adiminuição da idade voto para os 16 anos; 2) outro discorda; e 3) o outro está indeciso. Os dois primeiros grupos argumentam as suas posições e tentam convencer o grupo indeciso que vai colocando questões aos outros dois grupos para esclarecer os seusargumentose,nofinaldadiscussão,poderdecidir qual dos outros dois grupos apoia. Anote no quadro os argumentos de cada grupo e no final reflita como os diferentes grupos se man veram ou alteraram as suas posições e que argumentos os fizeram mudar. Esta a vidade é susce vel de desdobrar-se em duas aulas, caso o professor o considere conveniente. Nesse caso, na primeira aula os alunos procedem à pesquisa da informação e apresentam os seus resultados à turma. Na segunda aula, procede-se ao debate para reflexão. Subtema 2.3. Indivíduo como Cidadão Conteúdos • Iden dade pessoal, social, cultural e religiosa • Cidadania: uma dimensão da iden dade • Iden dade nacional Metas de Aprendizagem • Sabe que cada indivíduo experiencia diferentes formas de iden dade (tais como a pessoal, social, cultural ou religiosa), dependendo de fatores tão diversos como papéis sociais, valores, raça, género ou nacionalidade, e compreende o seu impacto no es lo de vida, comportamento e bem-estar (pessoal e social). • Reconhece a importância do respeito pelas diferenças e semelhanças entre indivíduos e grupos numa sociedade diversa. • Iden fica a cidadania como um aspeto da iden dade, relacionando-a com o modo como o indivíduo se vê e sente enquanto cidadão com os mesmos direitos e responsabilidades que qualquer outro cidadão do seu país. deve ser respeitada. No entanto, os alunos poderão refle r sobre: “Gostaram ou não de realizar esta a vidade? Como se sen ram? Descobriram algo de novo sobre vós? Como se ligam as necessidades à iden dade?” AƟvidade 2.9. Quando Posso? ObjeƟvos: Compreender como o desenvolvimento se associa à par cipação e responsabilidades sociais; conhecer direitos e responsabilidades sociais. Metodologia: Trabalho de pesquisa; diálogo/debate. Tempo: 50 minutos (+ 50 minutos). Material: Acesso à Internet, Cons tuição da República Democrá ca de Timor-Leste, quadro, papel e caneta ou lápis. Instruções: Introduza esta a vidade explicando aos alunos que o desenvolvimento está associado à aquisição de novos direitos e deveres sociais, por exemplo, a idade legal de voto ou de habilitação legal para conduzir. Proponha que se organizem em grupos de dois ou três e realizem pesquisas (consultando aInternet, a biblioteca ou a Cons tuição da República Democrá ca de Timor-Leste) para iden ficar os direitos que vão adquirindo à medida que a idade aumenta e alcançam a maioridade. Reflexão: Explique que a idade de aquisição de determinados direitos suscita dúvidas e tem sido deba da na sociedade civil; por exemplo, nalguns países europeus ques ona-se a diminuição da idade legal de voto para os 16 anos. Organize um debate com os alunos para discu r este tema. Proponha a formação de três grupos: 1) um 40 | Desenvolvimento Pessoal e Identidade
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    Instruções: Introduza estaa vidade explicando que todos pertencemos a diferentes grupos com os quais par lhamos caracterís cas, gostos, necessidades, laços afe vos, papéis ou tarefas. Proponha que cada aluno pense nos grupos a que pertence na sua comunidade (e/ou no seu país) e avalie numa escala de 0 (nada) a 5 (mui ssimo), apresentada no Manual do Aluno, o quanto se sente ligado a esses grupos. Reflexão: Com esta ac vidade pretende-se que os alunos compreendam o conceito de iden dade social; que percebam como a ligação e iden ficação de cada indivíduo aos grupos a que pertence contribui para a forma como se vê e sente em relação a si próprio, perante os outros e na sociedade. Enfa ze que os grupos a que pertencemos, e a nossa ligação a eles, contribuem para definirmos uma imagem de quem somos e de qual é o nosso lugar e papel na sociedade. Poderá introduzir questões como: “Ficaram surpre- endidos com os grupos que iden ficaram ou o modo como avaliaram a ligação a esses grupos? Descobriram algo de novo/diferente sobre vós e sobre as vossas pertenças?”. AƟvidade 2.11. Quantos Grupos Existem na Turma? ObjeƟvos: Conhecer fatores que estão na base da cons tuição de diferentes grupos; promover o espírito crí co; promover a aceitação e compreensão das diferenças sociais e culturais na sociedade. Metodologia: Diálogo/debate; clarificação de valores. Tempo: 50 minutos. Material: Papel, caneta ou lápis, quadro. • Discute implicações posi vas e nega vas da cidadania para o desenvolvimento e bem-estar sico, psicológico e social dos indivíduos. • Reconhece a iden dade nacional como elemento do seu Eu e nela iden fica diferentes expressões de iden dade (por exemplo, as pertenças culturais, religiosas, sociais e polí cas), iden ficando símbolos e outros elementos definidores dessas expressões (ex. os símbolos nacionais). • Define patrio smo e explica a sua ligação com a iden dade nacional, analisando cri camente a relação do patrio smo com a tudes como nacionalismo ou xenofobia. Componente práƟca • As Minhas Pertenças (A vidade 2.10.) • Quantos Grupos Existem na Turma? (A vidade 2.11.) • Desafios à Iden dade na Sociedade Civil (A vidade 2.12.) • Imagens do Nosso País (A vidade 2.13.) • Os Significados de “Ser Timorense” (A vidade 2.14.) • Trabalho de Projeto (A vidade 2.15.) AƟvidade 2.10. As Minhas Pertenças ObjeƟvos: Perceber que cada indivíduo pertence a diferentes grupos sociais e culturais; promover a definição do conceito de iden dade social e cultural; desenvolver a autoreflexão e o autoconhecimento. Metodologia: Reflexão pessoal; clarificação de valores. Tempo: 30 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Unidade Temática 2 | 41
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    ao pertencer aum grupo com muitos elementos? E a um grupo com menos elementos? Houve grupos só com um elemento? Como se sen ram?”. Anote as reflexões da turma no quadro. AƟvidade 2.12. Desafios à IdenƟdade na Sociedade Civil ObjeƟvos: Compreender o conceito de iden dade de cidadania, relacionando-o com o modo como o indivíduo se vê a si mesmo, com os mesmos direitos e deveres que qualquer outro cidadão; promover reflexão crí ca sobre as implicações (posi vas e nega vas) da cidadania para o bem-estar pessoal e social e iden ficar situações sociais que colocam em risco a cidadania. Metodologia: Diálogo/debate; simulação de papéis. Tempo: 50 minutos. Material: Quadro, papel, caneta ou lápis. Instruções: Solicite aos alunos que se organizem em grupos de quatro a cinco elementos; introduza a a vidade relembrando o conceito de cidadania e enfa zando que, por se tratar de um estatuto jurídico e polí co, a cidadania é uma condição de base comum a todos os cidadãos de um país, independente de pertenças individuais (tais como, língua, religião, etnia ou classe socioeconómica). 1) Proponha aos grupos que iden fiquem situações em que a iden dade de cidadania possa estar em risco, ou seja, situações em que as pessoas sentem não ter os mesmos direitos e deveres que os outros cidadãos (por exemplo, grande pobreza); cada grupo comunica as suas reflexões à turma; anote no quadro. 2) Depois proponha que cada grupo selecione uma dessas situações e crie uma personagem que a vivencia, atribuindo-lhe um nome, idade, sexo, ou Instruções: 1) Proponha aos alunos que enumerem uma lista de critérios que permitam cons tuir diferentes grupos na turma (por exemplo, sexo, idade, crenças religiosas, profissão desejada, preferências musicais, clube despor vo); anote-os no quadro e defina com os alunos quais os grupos a cons tuir, a par r de cada critério, e as respec vas designações (por exemplo, o critério “sexo” permite cons tuir os grupos “sexo masculino” e “sexo feminino”). 2) Na fase seguinte da a vidade, vão experimentar cons tuir os diferentes grupos iden ficados. Explique que podem circular livremente na sala e que, à indicação em voz alta de cada grupo (por exemplo, “sexo feminino”), os alunos que se iden ficam com essa designação devem reunir-se e formar o respec vo grupo num local da sala por eles escolhido. O procedimento repete-se para todos os critérios e respec vos grupos iden ficados. Faça notar que os alunos podem pertencer a mais do que um grupo, podendo sair de um grupo para se juntar a um outro recém-formado se a ele pertencerem. No final os alunos par lham uns com os outros como se sen ram durante a a vidade. Reflexão: Esta a vidade pretende es mular a reflexão sobre a mul plicidade de pertenças e iden ficações sociais e culturais que cada um estabelece nos seus diferentes contextos de vida. Apoie a discussão na experiência e nas perceções dos alunos, introduzindo questões como: “Quantos grupos se formaram? Alguém ficou surpreendido com os grupos formados? Como adquiriram a pertença a estes grupos (passaram a pertencer a esse grupo a par r do nascimento, alguém vos influenciou ou foi uma escolha individual)? Houve quem pertencesse a diferentes grupos ao mesmo tempo? Como é pertencer a grupos diferentes ao mesmo tempo? Foi di cil conciliarem as pertenças? Sen ram-se divididos? Como se sen ram 42 | Desenvolvimento Pessoal e Identidade
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    3) Com basena informação recolhida proponha aos grupos que criem: a) um filme promocional da República Democrá ca de Timor-Leste ou b) um guia de apoio com informações úteis para turistas ou outros cidadãos estrangeiros que visitem o país (por exemplo, língua(s) falada(s), moeda u lizada, hábitos, tradições, festas ou eventos, locais de interesse a visitar). Reflexão: Reveja a a vidade com os alunos e es mule o diálogo sobre a construção da iden dade nacional, introduzindo questões como: “Existe uma só imagem do país ou múl plas? Existem imagens contraditórias? Há imagens melhores do que outras? O governo deve promover uma imagem do país e como pode fazê-lo?” AƟvidade 2.14. Os Significados de “Ser Timorense” ObjeƟvos: Promover o conhecimento e a reflexão pessoal sobre o conceito de iden dade nacional; conhecer elementos que contribuem para a iden dade nacional. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 50 minutos. Material: Quadro, papel, caneta ou lápis. Instruções: Proponha aos alunos que formem grupos de quatro ou cinco elementos e discutam o que caracteriza a iden dade nacional morense. Cada grupo deverá elaborar uma lista e apresentar à turma. Anote todas as ideias no quadro. Depois proponha à turma que, através de um procedimento por votação (por exemplo, levantando o braço) selecione as 5 principais caracterís cas de “Ser Timorense” de entre todas as caracterís cas iden ficadas e anotadas no quadro. outras caracterís cas. Cada grupo deverá drama zar uma entrevista que permita explicar a situação e sen mentos da personagem (por exemplo, como ficou na situação, quais as maiores dificuldades, de que apoio necessita, a quem recorre, o que já fez para resolver a situação). Anote no quadro, criando colunas para cada uma das personagens. Reflexão: Depois da entrevista, e a par r das notas no quadro, fomente um diálogo entre os alunos para discu r possíveis medidas polí cas do Estado e da sociedade civil para proteger e apoiar estas pessoas. AƟvidade 2.13. Imagens do Nosso País ObjeƟvos: Promover o conhecimento e a reflexão pessoal sobre o conceito de iden dade nacional; conhecer elementos que contribuem para a construção da iden dade nacional. Metodologia:Trabalhodepesquisa;trabalhoar s co; diálogo/debate. Tempo: 50 minutos (+ 50 minutos) Material: Acesso aos meios de comunicação social e Internet, papel, caneta ou lápis, cartolina, material de gravação vídeo (por exemplo, telemóvel). Instruções: 1) Organize os alunos em grupos de quatro a cinco elementos e proponha que recolham nos meios de comunicação social (jornais, revistas, rádio, televisão) ou na Internet imagens que retratem Timor-Leste. Esclareçaquepodemselecionarimagensqueretratam o modo como eles vêem o país e/ou imagens de como pensam que os outros vêem o seu país. 2) Sugira que exponham as imagens na sala de aula e apoie na organização da exposição. Unidade Temática 2 | 43
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    vida polí ca,questões económicas e sociais, problemas da juventude, educação, emprego, língua, infra-estruturas, par cipação cívica, patrio smo); c) decidir os especialistas que poderão ser convidados. 3)Concre zaraideia,organizandoosaspetosprá cos: a) decidir a data para a realização do colóquio; b) convidar os especialistas para par cipar; c) preparar o programa e divulgar; d) organizar o espaço, materiais e condições de acolhimento dos par cipantes. Reflexão: Após a realização do colóquio a turma deverá avaliar/analisar o que aprenderam com esta experiência, o impacto que teve em cada um, na escola e comunidade. Os alunos poderão realizar entrevistas com os diversos intervenientes, escrever um ar go sobre a experiência e publicá-lo no jornal da escola. 2.3. Recursos Adicionais Documentos ConsƟtuição da República DemocráƟca de Timor-Leste, aprovada e decretada pela Assembleia Cons tuinte, em 22 de março de 2002. Convenção Internacional dos Direitos da Criança, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 20 de novembro de 1989. ProtocoloFacultaƟvoàConvençãoInternacionaldosDireitos da Criança RelaƟvo à Venda de Crianças, ProsƟtuição e Pornografia InfanƟl, aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 25 de maio de 2000. Princípios das Nações Unidas para o Idoso, aprovados pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 16 de dezembro de 1991. Protocolo FacultaƟvo à Convenção Internacional dos Direitos da Criança RelaƟvo ao Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados, aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 25 de maio de 2000. Reflexão: Debata com os alunos o significado das caracterís cas apontadas e, em conjunto, escrevam um pequeno texto síntese sobre o que significa “Ser Timorense”. AƟvidade 2.15. Um Colóquio Sobre IdenƟdade Nacional ObjeƟvos:Aprofundarereforçarconhecimentossobre a iden dade nacional e desenvolver capacidades de organização e construção de um projeto. Metodologia: Trabalho de projeto; discussão em painel. Tempo: Desenvolve-se ao longo de todo o ano le vo. Instruções: Proponha à turma a organização de um colóquio sobre “Iden dade Nacional”, esclarecendo que se trata de uma a vidade complexa que vai exigir esforço e empenho durante grande parte do ano le vo. A concre zação deste projeto requer várias etapas: 1) Reunir as condições necessárias para o seu desenvolvimento, tais como: a) cons tuir uma equipa de trabalho responsável pela coordenação do colóquio; b) avaliar os recursos humanos e materiais necessários; c) sensibilizar os restantes professores, alunos, pais/encarregados de educação, funcionários e outros elementos da comunidade e mobilizar a sua par cipação; d) angariar fundos para a concre zação do colóquio. 2) Organizar sessões preparatórias com os alunos para explorar e inves gar o tema: a) elencar os principais tópicos envolvidos e produzir pequenos ensaios, b) definir os temas que serão abordados (por exemplo, imagens e caracterís cas nacionais, acontecimentos e personagens históricos marcantes, 44 | Desenvolvimento Pessoal e Identidade
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    Filmes American History X,1998, Tony Kaye. Babies, 2010, Thomas Balmès. Cinema Paradiso, 1988, Giuseppe Tornatore. Click, 2006, Frank Coraci. Dead Poets Society, 1989, Peter Weir. I Am Sam, 2001, Jessie Nelson. Million Dollar Baby, 2004, Clint Eastwood. On the Waterfront, 1954, Elia Kazan. Philadelphia, 1993, Jonathan Demme. Internet Arquivo & Museu da Resistência Timorense www.amr mor.org Associação Americana de Psicologia www.apa.org Fundo das Nações Unidas para a Infância www.unicef.org Governo de Timor-Leste www. mor-leste.gov.tl Organização das Nações Unidas www.un.org Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Eco- nómico www.oecd.org Secretaria de Estado da Cultura da República DemocráƟca de Timor-Leste www.unilat.org Turismo de Timor-Leste www.turismo morleste.com Livros e ArƟgos Azmi a, M., Syed, M. & Radmacher (Eds). (2008). The intersecƟons of personal and social idenƟƟes: New direcƟons for child and adolescent development. New York: Jossey-Bass. Barre , M. (Ed.). (2007). Children´s knowledge, beliefs and feelings about naƟons and naƟonal groups. New York: Psychology Press. Boyd, D. & Bee, H. (2009). Lifespan development (5º Ed). New York: Pearson Bronfenbrenner, U. (1979). The ecology of human development. Cambridge, MA: Harvard University Press. Côte, J. & Levine, C. (2002). IdenƟty formaƟon, agency and culture: A social psychological synthesis. New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates. Erikson, E. (1980). IdenƟty and the life cycle. New York: W. W. Norton & Company Gearon, L. (Ed.) (2007). A pracƟcal guide to teaching ciƟzenship in the secondary school. Oxon: Routledge Henriques, M., Reis, J. & Loia, L. (2006). Educação para a cidadania: Saber & Inovar. Lisboa: Plátano Editora. Huddleston, T. (2004) CiƟzens & society: PoliƟcal literacy resource pack. London: Ci zenship Founda on / Hodder & Stoughton. Huddleston, T. (2007). IdenƟty, diversity and ciƟzenship. A criƟcal review of educaƟon resources. London: Ci zenship Founda on. Marcia,J.,Waterman,S.,Ma eson,D.,Archer,S.,&Orlofsky, J. (Eds.). (1993). Ego idenƟty: a handbook for psychosocial research. New York: Springer. Saarni, C. (1999). The development of emoƟonal competence. New York: The Guilford Press Smith, A. (1991). NaƟonal idenƟty. London: Penguin. Swanson, D., Edwards, M. & Spencer, M. (Eds.) (2010). Adolescence: Development during a global era. New York: Elsevier. Tomaz, L. R. (2002). Babel Loro Sa’e. O problema linguísƟco de Timor-Leste. Lisboa: Ins tuto Camões. Unidade Temática 2 | 45
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    I N TR O D U Ç Ã O A unidade temáƟca 3 baseia-se numa perspeƟva contemporânea da cidadania que integra uma análise críƟca das qualidades e virtudes cívicas que contribuem para a reflexão, parƟcipação cívica, exercício da jusƟça social e construção do bem comum, dando especial relevo aos processos e fatores envolvidos no juízo e na ação moral na sociedade contemporânea.
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    48 48 48 51 54 56 Unidade Temá ca3. É ca, Valores e Comportamento Social 3.1. Nota Introdutória 3.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 3.1. ÉƟca e Moral na Sociedade Civil Subtema 3.2. Dilemas e Condutas Morais na Sociedade Civil Subtema 3.3. Desafios ÉƟcos nas Sociedades Contemporâneas 3.3. Recursos Adicionais
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    Unidade Temática 3| Ética, Valores e Comportamento Social 48 3.1. Nota Introdutória O exercício da cidadania e a par cipação social, com igualdade de oportunidades, deveres e respon- sabilidades, requer cidadãos com conhecimentos polí cos (literacia polí ca), mas também com capacidade de reflexão crí ca sobre os princípios é cos e cívicos que governam a vida pública e a convivência democrá ca (literacia é ca). A unidade temá ca 3 baseia-se numa perspe va contemporânea da cidadania que integra uma análise crí ca das qualidades e virtudes cívicas que contribuem para a reflexão, par cipação cívica, exercício da jus ça social e construção do bem comum, dando especial relevo aos processos e fatores envolvidos no juízo e na ação moral na sociedade contemporânea. Pretende-se que os alunos compreendam a complexidade destas questões, proporcionando oportunidades de debate e reflexão em torno de dilemas morais. Os alunos serão incen vados a refle r sobre os seus valores, qualidadespessoaisecívicas,eaiden ficaráreasonde essas qualidades podem ser desenvolvidas. Deste modo, espera-se contribuir para o desenvolvimento da iden dade moral e das competências de cidadania dos alunos. 3.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 3.1. ÉƟca e Moral na Sociedade Civil Conteúdos • É ca e moral • É ca e polí ca • Moral cívica Metas de Aprendizagem • Sabe que a moral é o conjunto de normas seguidas pelos indivíduos de modo a agirem de acordo com o que é considerado bom ou correto, e que a é ca cons tui a reflexão sobre essas normas com vista à sua fundamentação. • Define consciência moral como um ajuizamento interior organizador do que deve ou não deve ser feito, considerando a realização do bem e o impedimento do mal, e facultando exemplos de como se manifesta o caráter pessoal da moral. • Reconhece que existe um conjunto de normas e regras sociais que configuram a moral individual, dis nguindo entre normas morais, jurídicas e usos/hábitos sociais. • Compreende e define o conceito de valor, associando-o ao conceito de “bem de valor”. • Conhece os direitos humanos fundamentais e reconhece neles os grandes princípios é cos e cívicos para a comunidade global, tais como: dignidade versus desumanidade, desenvolvimento versus pobreza, jus ça versus assimetria. • Compreende os conceitos de jus ça social e equidade e relaciona-os com a construção do bem comum e a salvaguarda dos direitos fundamentais. • Define consciência cívica como a que ordena ou proíbe determinadas ações, baseando-se no respeito pelo outro, aperfeiçoamento das ins tuições, luta pela jus ça e equidade e por um futuro melhor para a Humanidade. Componente PráƟca • O Barómetro Moral (A vidade 3.1.) • Ques onário para Avaliar a Moral (A vidade 3.2.) • Escolhas Morais para a Comunidade Global (A vidade 3.3.) • O Meu Código Pessoal de É ca (A vidade 3.4.)
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    Unidade Temática 3| 49 AƟvidade 3.1. O Barómetro Moral ObjeƟvos: Promover o conhecimento sobre o conceito de moral e refle r sobre a sua complexidade; es mular a reflexão crí ca e consciencializar para importância da reflexão é ca e do raciocínio moral na sociedade contemporânea. Metodologia: Diálogo/debate; reflexão pessoal; clari- ficação de valores. Tempo: 50 minutos. Material: Quadro, papel e caneta ou lápis. Instruções: Introduza a a vidade propondo aos alunos que realizem uma a vidade conjunta de reflexão moral. Explique-lhes que irão debater e analisar uma questão em torno de três tópicos: “Como está o barómetro moral da nossa: 1) escola; 2) sociedade; 3) país?” Para cada tópico, passe entre os alunos uma folha de papel, contendo no topo uma escala de 1 (muito baixo) a 5 (muito alto); peça que todos assinalem na mesma folha (por exemplo com uma cruz) a opção que melhor traduz a sua opinião; deste modo obtém- se um registo representa vo das respostas da turma. Analise as respostas para cada tópico, calculando a frequência de resposta em cada opção e construa um gráfico no quadro com as opiniões da turma. Reflexão: Es mule o diálogo entre os alunos sobre as razões para os resultados. AƟvidade 3.2. QuesƟonário para Avaliar a Moral ObjeƟvos: Promover o conhecimento dos conceitos de é ca e moral e refle r sobre a sua complexidade. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 50 minutos. Material: Quadro, papel e caneta ou lápis. Instruções: 1) Para introduzir esta a vidade modere na turma um diálogo sobre os conceitos de “é ca” e “moral”. Peça aos alunos que refiram o significado das expressões: “alguém tem falta de é ca” ou “alguém não tem moral”. No quadro crie duas colunas, uma para o conceito de é ca e outra para o conceito de moral; anote as ideias sugeridas pelos alunos. 2) Seguidamente, organize os alunos em grupos de quatro ou cinco elementos e proponha que cada grupo construa cinco questões para avaliar a moral. Anote todas as questões sugeridas no quadro. Depois, estabeleça um diálogo entre os alunos de modo a chegarem a um consenso e selecionarem apenas cinco questões. Reflexão: É frequente associar-se a moral a um conceito restrito de regulação do comportamento (por exemplo, sexual). Contudo, trata-se de um conceito mais vasto e complexo. Esta a vidade pretende expandir e aprofundar o conceito de moral, expondo as suas múl plas facetas. Es mule o debate e a reflexão entre os alunos, introduzindo questões como: “Que a tudes e comportamentos vão medir? Haverá outros mais importantes? Que aspetos da moral avaliam? A que normas e comportamentos se referem? Porque escolheram estas questões? São suficientes para avaliar a consciência moral de alguém?”
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    Metodologia: Diálogo/debate; reflexãopessoal; clarificação de valores. Tempo: 50 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Solicite aos alunos que formem grupos de três ou quatro elementos para que, em conjunto, respondam às seguintes questões: 1) Jus fica-se fazer uma coisa má por uma boa razão? 2) As necessidades da maioria são mais importantes que as necessidades de uma minoria ou de um indivíduo? 3) O que é errado para os outros também é errado para mim? 4) Somos livres nas nossas escolhas morais? 5) Ser moral é comportar-se de acordo com regras? 6) Quando decidimos sobre se um comportamento é moral ou não, baseamo-nos na razão ou em sen mentos? 7) Devemos ajudar preferencialmente os nossos familiares em vez de um estranho? 8) Devemos seguir sempre a nossa consciência? Esclareça que cada grupo deve anotar as suas respostas para, no final, par lhar com a turma. À medida que os grupos forem comunicando os seus resultados, anote no quadro os tópicos enunciados. Reflexão: No final da a vidade sugira aos alunos que individualmentesinte zemasuaposiçãoperanteestas questões, assinalando numa escala de 1 (discordo completamente) a 5 (concordo muito), apresentada no Manual do Aluno, a opção que mais se adequa à sua opinião. Sugira que cada um reflita sobre o que define o seu código moral pessoal. Esta reflexão tem um caráter individual, devendo salvaguardar-se a in midade e confidencialidade das respostas. AƟvidade 3.3. Escolhas Morais Para a Comuni- dade Global ObjeƟvos: Relembrar os direitos humanos e associá- -los a princípios é cos, morais e cívicos universais para as sociedades contemporâneas. Metodologia: Trabalho de pesquisa; diálogo/debate. Tempo: 50 minutos. Material: Declaração Universal dos Direitos Humanos, papel e caneta ou lápis. Instruções: Organize os alunos em grupos de três ou quatro elementos e proponha-lhes que analisem a Declaração Universal dos Direitos Humanos, iden- ficando valores e princípios é cos que organizam as sociedades democrá cas contemporâneas. Esclareça que cada grupo deverá elencar uma lista dos valores e comunicá-los à turma. Reflexão: Centre a reflexão na iden ficação de grandes princípios é cos e cívicos para a comunidade global, tais como: dignidade versus desumanidade; riqueza versus pobreza; jus ça versus assimetria. Defina-os como escolhas morais das sociedades contemporâneas. Esta a vidade permi rá aos alunos associar as três gerações de direitos humanos, a princípios é cos e morais adotados pelas sociedades democrá cas. AƟvidade 3.4. O Meu Código Pessoal de ÉƟca ObjeƟvos: Compreender o conceito de consciência moral e relacioná-lo com a noção de consciência cívica; refle r sobre o caráter pessoal da moral e contribuir para a iden ficação do sistema de valores do aluno. 50 | Ética, Valores e Comportamento Social
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    • Compreende adis nção entre exigências morais e competências cívicas e relaciona-as no exercício da cidadania. • Define competências cívicas e dá exemplos. • Define comportamento pró-social como aquele que se expressa através de ações que têm por intenção beneficiar os outros. • Compreende a relação entre competências ou virtudes cívicas (como a tolerância ou a solidariedade) e virtudes ou forças de caráter (como a sabedoria ou a temperança). Componente PráƟca • Resolver Dilemas Morais: Quantas São as Soluções Possíveis? (A vidade 3.5.) • O Di cil é Escolher: Hierarquizar Princípios de Conduta (A vidade 3.6.) • O que Significa Ser um Bom Cidadão? (A vidade 3.7.) • O Nosso Código de Cidadania (A vidade 3.8.) • O Meu Por olio Cívico (A vidade 3.9.) AƟvidade 3.5. Resolver Dilemas Morais: Quantas São as Soluções Possíveis? ObjeƟvos: Aprofundar o conhecimento sobre o conceito de dilema moral; analisar dilemas morais u lizando diferentes princípios de tomada de decisão; es mular a reflexão crí ca e promover a experiência de resolução de dilemas morais; promover o desenvolvimento moral e sócio-emocional dos alunos. Metodologia: Discussão de dilemas; clarificação de valores. Tempo: 50 minutos. Subtema 3.2. Dilemas e Condutas Morais na Sociedade Civil Conteúdos • Caráter intencional e valora vo da ação humana • Moralidade e juízo moral • É ca e comportamento cívico Metas de Aprendizagem • Sabe que as ações humanas são intencionais e ocorrem na sequência de processos mentais que determinam o seu sen do. • Sabe que cada pessoa orienta a sua conduta por critérios valora vos que assume como seus (como o bem comum, valores morais e cívicos, ou o interesse próprio). • Compreende a dis nção entre intenção e norma moral. • Sabe que o desenvolvimento da moralidade envolve quatro processos básicos: interpretação da situação, capacidade para definir a ação moralmente correta, hierarquização dos valores morais sobre os valores pessoais e capacidade para passar da intenção à ação. • Define o juízo moral como o raciocínio subjacente ao juízo sobre o bem/mal e justo/ injusto e compreende que representa aquilo que o sujeito é capaz de fazer e não aquilo que efe vamente faz. • Reconhece dilemas morais e analisa-os, u lizando diferentes princípios na tomada de decisão (exemplo, colocar-se no lugar do outro e pensar em como as suas ações o afetam). • Compreende que a coragem moral marca a diferença entre raciocínio e passagem à ação, envolvendo a conjugação de vários elementos, taiscomo:realizaçãodeumaescolha,efe vação de uma conduta e presença de medo. Unidade Temática 3 | 51
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    Metodologia: Clarificação devalores; diálogo/debate. Tempo: 50 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis, quadro. Instruções: 1) Inicie esta a vidade apresentando o conjunto de princípios de conduta expostos no Manual do Aluno. Peça aos alunos que os copiem para o caderno e que, individualmente, analisem a sua importância numa escala de 1 (nada importante) a 5 (muito importante). 2) De seguida organize os alunos em grupos de três ou quatro elementos e proponha que ordenem os princípios de conduta anteriores, segundo a sua ordem de importância (do menos para o mais importante) para a vida em sociedade e salvaguarda do bem comum. Reflexão: No final cada grupo apresenta os seus resultados à turma, jus ficando a opção tomada. O professor modera o diálogo para chegarem a uma ordenação consensual dos princípios de conduta. AƟvidade 3.7. O que Significa Ser um Bom Cidadão? ObjeƟvos: Operacionalizar competências é cas e cívicas, compreendendo a dis nção dos conceitos; promover a reflexão pessoal e o autoconhecimento; contribuir para a iden ficação do sistema de valores do aluno. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 50 minutos. Material: Quadro. Instruções: Introduza a a vidade apresentando aos alunos o dilema moral constante no Manual do Aluno. Proponha à turma que avance soluções para este dilema. À medida que as soluções surgem anote- as no quadro e faça circular a informação: “Todos concordam? Quem não concorda? Haverá outras soluções possíveis?” Anote as diferentes soluções no quadro e registe os votos contra e a favor de cada uma. Averigúe se há elementos indecisos e porquê. Reflexão: A resolução de dilemas morais cons tui uma importante estratégia para a promoção do desenvolvimento moral e sócio-emocional dos alunos. Es mule o debate e o confronto de opiniões, introduzindo questões de índole reflexiva.Por exemplo: “Como é que a solução afeta os diversos intervenientes? Se es vessem no lugar das pessoas afetadas pelas decisões até que ponto concordariam com o que acabaram de decidir? Se es vessem de fora a observar e vissem outras pessoas a fazer o que decidiram, considerariam correto?” Para com- plexificar o debate poderá introduzir a dis nção entre raciocínio moral e coragem moral. Ou seja: “Sempre que ajuizamos corretamente uma situação do ponto de vista moral, isso é garan a de que agimos de acordo com o nosso raciocínio? Fazemos sempre aquilo que consideramos correto?” AƟvidade 3.6. O Diİcil é Escolher: Hierarquizar Princípios de Conduta ObjeƟvos: Compreender o caráter intencional e valora vo da ação humana e reconhecer o papel de critérios valora vos (interesse próprio, valores cívicos e morais, promoção do bem comum) nas escolhas e condutas morais dos indivíduos; consciencializar para a importância do juízo moral; contribuir para a iden ficação do sistema de valores do aluno. 52 | Ética, Valores e Comportamento Social
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    Tempo: 50 minutos. Material:Papel e caneta ou lápis. Instruções: Introduza a a vidade explicando aos alunos que a vida nas sociedades democrá cas é governada por um conjunto de princípios é cos e morais comuns a todos os cidadãos. 1) Peça que, individualmente, comentem no caderno a seguinte afirmação: “Desde pelo menos Aristóteles que se debateu se ser «um bom cidadão» é o mesmo que ser um «cidadão bom». A resposta base indica diferenças significa vas entre as competências cívicas e as exigências morais”. 2) Em seguida proponha à turma que construa um código de cidadania com orientações básicas para ser um “bom cidadão”. Fomente o diálogo, colocando questões como: “O que é um bom cidadão? O que deve fazer um bom cidadão?” Promova a par cipação e faça circular a informação entre os alunos (quem concorda e discorda, outras ideias). Anote as ideias para o código de cidadania no quadro e peça aos alunos que registem no caderno. Reflexão: Na fase final da tarefa sugira aos alunos que individualmente reflitam se as suas condutas se aproximam da definição de bom cidadão por eles encontrada e registem as qualidades e virtudes cívicas que precisam desenvolver. AƟvidade 3.9. O Meu Porƞolio Cívico ObjeƟvos: Operacionalizar competências cívicas; pro- mover a reflexão sobre o comportamento, virtudes cívicas e de caráter dos alunos; contribuir para o seu desenvolvimento moral e sócio-emocional. Material: Papel, caneta ou lápis, quadro. Instruções: 1) Organize os alunos em grupos de três ou quatro elementos e proponha que cada grupo reflita sobre o significado de ser “um bom cidadão”, anotando no caderno esses significados. 2) Seguidamente, solicite que realizem o mesmo exercício mas em relação a outros papéis sociais: vizinho, aluno, amigo e filho. Todos os grupos comunicam os seus resultados à turma. Depois, com a orientação do professor, anotam no quadro diferenças e semelhanças nos diversos papéis assumidos. Reflexão: Esta a vidade fomenta o conhecimento e análise crí ca das competências cívicas necessárias à adaptação num determinado contexto sociopolí co. Promova a reflexão, pedindo aos alunos que pensem como responderiam a estas questões se fossem membros de outras culturas ou vivessem noutro tempo histórico (passado ou futuro). Iden fique e anote no quadro as diferenças e peça que discutam as causas. AƟvidade 3.8. O Nosso Código de Cidadania ObjeƟvos: Conhecer e dis nguir virtudes é cas de virtudes cívicas; analisar o próprio comportamento cívico; refle r sobre as suas virtudes cívicas. Metodologia: Reflexão pessoal; clarificação de valores; diálogo/debate; par cipação na elaboração de regulamentos. Unidade Temática 3 | 53
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    Metas de Aprendizagem •Compreende o conceito de é ca aplicada ou é ca prá ca como a aplicação da é ca a questões prá cas da vida quo diana. • Iden fica transformações sociais, demográficas e tecnológicas da sociedade contemporânea que suscitam dilemas e controvérsias morais. • Reconhece que as transformações sociais, cien ficas e tecnológicas da sociedade contem- porânea exigem novas reflexões é cas (por exemplo, a bioé ca). • Iden fica diferentes escolhas morais perante temas sociais polémicos, e posiciona-se através de um julgamento informado. • Reconhece a exigência de tolerância na conduta pessoal e demonstra disponibilidade para aceitar/tolerar diferentes formas de estar. Componente PráƟca • Sociedade, Ciência e Religião: Diferentes Pers- pe vas à Conversa (A vidade 3.10) • Dilemas da Bioé ca (A vidade 3.11) • Tolerância na Sala de Aula (A vidade 3.12) AƟvidade 3.10. Sociedade, Ciência e Religião – Diferentes PerspeƟvas à Conversa ObjeƟvos: Reconhecer transformações sociais e tecnológicas da sociedade contemporânea que exigem novas reflexões é cas; iden ficar e aceitar diferentes escolhas morais perante temas sociais polémicos e posicionar-se através de um julgamento informado; desenvolver o espírito crí co e clarificar valores pessoais. Metodologia: Simulação de papéis; discussão de dilemas; clarificação de valores. Metodologia: Reflexão pessoal; registo pessoal; clarificação de valores. Tempo: 1 semana (fora do tempo le vo). Material: Papel, caneta ou lápis, um dossier ou capa, fotografias, recortes de jornais (ou outros materiais similares recolhidos pelo aluno). Instruções: Enquadre a a vidade explicando que pensadores e filósofos morais, como Aristóteles ou Confúcio, consideravam que as virtudes é cas podiam ser desenvolvidas e contribuíam para o bem-estar pessoal e social dos indivíduos. Proponha aos alunos que organizem um dossier para registar, durante pelo menos 1 semana (podendo manter a a vidade mais tempo se o desejarem), os comportamentos e virtudes cívicas que demonstraram na família, escola e comunidade. Explique que poderão ainda incluir no dossier no cias, fotografias ou registos de acontecimentos que considerem exemplos de condutas cívicas. Sublinhe que este dossier representa o seu por olio cívico. Reflexão: Esta a vidade pretende reforçar a consciência pessoal e cons tuir um espaço para clarificação pessoal de valores e autoconhecimento do aluno. Subtema 3.3. Desafios ÉƟcos nas Sociedades Contemporâneas Conteúdos • É ca aplicada, transformações sociais e tecnológicas • Novas reflexões é cas • É ca e tolerância 54 | Ética, Valores e Comportamento Social
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    Metodologia: Trabalho depesquisa; diálogo/debate; clarificação de valores. Tempo: 50 minutos (+ 50 minutos). Material: Acesso à Internet e/ou à biblioteca da escola, quadro. Instruções: Enquadre a a vidade explicando aos alunos que eutanásia, aborto e testamento vital são temas que colocam questões é cas delicadas, pois ultrapassam os referenciais é cos tradicionais, exigindo novos pos de reflexão. Proponha à turma que selecione um destes temas (podem proceder por votação) para debater. Crie três grupos aleatórios na turma: 1) um grupo assume uma posição favorável; 2) um grupo assume uma posição contrária; 3) um grupo cons tui-se como júri que avalia a qualidade da argumentação dos outros dois grupos. Cada grupo prepara os seus argumentos (fazendo pesquisas na biblioteca da escola e/ou na internet). Enfa ze que os alunos deverão assumir e defender a posição do seu grupo, mesmo que contrária aos seus valores e ideais pessoais. Modere o debate e anote no quadro os argumentos favoráveis e contrários em duas colunas. Esta a vidade é susce vel de desdobrar-se em duas aulas, caso o professor considere conveniente. Nesse caso, na primeira aula os grupos formados procedem à pesquisa da informação para preparem os seus argumentos. Na segunda aula, procede-se ao debate para reflexão. Reflexão: No final, o júri reúne-se para elaborar um veredicto sobre quem ganhou o debate e porquê, enunciando as principais conclusões da turma. Es mule os alunos a refle r sobre se o debate os fez alterar as suas posições inicias e porquê. Ques one Tempo: 50 minutos. Material: Quadro, papel e caneta ou lápis. Instruções: Introduza a a vidade solicitando aos alunos que imaginem uma situação em que uma família impede o seu filho de ser subme do a uma cirurgia devido a crenças religiosas, sabendo que sem essa intervenção não sobreviverá. Proponhaquedebatamestetema.Formecincogrupos de trabalho e proceda à distribuição aleatória de papéis (cada grupo representa um dos protagonistas): 1) um grupo assume o papel da criança; 2) um grupo assume o papel dos pais da criança; 3) um grupo assume o papel dos líderes religiosos; 4) um grupo assume o papel dos médicos; 5) um grupo assume o papel da opinião pública, colocando questões aos restantes grupos para compreender as suas posições. Cada grupo prepara os seus argumentos. Enfa ze que os alunos deverão assumir e defender a posição do seu grupo, mesmo que seja contrária aos seus valores e ideais pessoais. Modere o debate e anote no quadro os argumentos de cada grupo. Reflexão: Lance a reflexão explorando como os alunos se sen ram durante o debate. Explore as dificuldades sen das ou as estratégias u lizadas para se colocarem no papel atribuído. Peça que reflitam sobre se o debate alterou as suas posições iniciais. AƟvidade 3.11. Dilemas da BioéƟca ObjeƟvos: Reconhecer e refle r sobre transformações sociais e tecnológicas da sociedade contemporânea que exigem novas reflexões é cas; iden ficar e aceitar diferentes escolhas morais perante temas sociais polémicos e posicionar-se através do julgamento informado; desenvolver o espírito crí co e clarificar valores pessoais. Unidade Temática 3 | 55
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    2) Depois, modereum diálogo na turma até chegarem a uma ordenação consensual dos cartões. Caso não sejam bem sucedidos, introduza um procedimento por votação. 3) No final da aula proponha que com base no que aprenderam e reflec ram sobre a tolerância, os alunos se organizem para, na aula seguinte, construírem um cartaz ou um mural de apoio à tolerância na escola. Oriente-os na escolha de uma imagem e na criação de um slogan ou uma palavra de ordem. Reflexão: Enfa ze que a tolerância não significa ausência de moral ou amoralidade, mas aceitação e valorização crí ca (refle da) de perspe vas diversas (pluralismo moral). 3.3. Recursos Adicionais Documentos ConsƟtuição da República DemocráƟca de Timor-Leste aprovada e decretada pela Assembleia Cons tuinte, em 22 de março de 2002. Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de abril de 1948. Livros e ArƟgos Bowie, R. (2004). Ethics and tolerance in ciƟzenship. A guide for ci zenship. Canterbury: Christchurch University College. Acedido em www.ci zed.info Cor na, A. (1997). La eƟca de la sociedad civil. Madrid: Grupo Anaya. Cor na, A. (2007). ÉƟca de la razón cordial – Educar en la ciudadania en el siglo XXI. Oviedo: Ediciones Nobel. Henriques, M., Reis, J. & Loia, L. (2006). Educação para a cidadania: Saber & inovar. Lisboa: Plátano Editora. Huddleston, T. & Rowe, D. (2001). Good thinking: EducaƟon se a informação que de nham era suficiente ou se necessitavam de mais (e qual) para poderem construir argumentos e tomar decisões mais informadas. AƟvidade 3.12. Tolerância na Sala de aula ObjeƟvos: Operacionalizar o conceito de tolerância e consciencializar para a sua importância como princípio é co na sociedade contemporânea; promover a tudes de tolerância a va; promover a reflexão e o espírito crí co; Metodologia: Diálogo /debate; trabalho de equipa; clarificação de valores. Tempo: 50 minutos (+50 minutos). Material: Cartões apresentados no Manual do Aluno, papel, cartolina, ntas e pincéis, recortes para colagens, canetas e lápis (outros materiais selecionados pelos alunos). Instruções: Introduza esta a vidade relembrando aos alunos o conceito de tolerância e apresentando os nove cartões que contêm princípios para o exercício da tolerância na sala de aula expostos no Manual do Aluno. Proponha a realização de uma a vidade que permi rá aos alunos selecionar os princípios de tolerância vigentes na sua sala de aula. 1) Solicite aos alunos que formem grupos de três ou quatro elementos, para, com base na sua perspe va sobre o significado de tolerância, organizarem os nove cartões por ordem de importância (do menos para o mais importante). Cada grupo comunica a sua ordenação à turma. 56 | Ética, Valores e Comportamento Social
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    for ciƟzenship andmoral responsibility. Ci zenship Founda on/Evans Bros. Mosham, D. (2005). Adolescent psychological development: RaƟonality, morality and idenƟty (2º Ed). New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates. Newberg, N. (2010). Rebirth: Civic engagement from adolescence to adulthood In D. Swanson, M. Edwards, & M. Peterson, C. & Seligman, M. (2004). Character strengths and virtues. A handbook and classificaƟon. Washington: APA. Savater, F. (1993). ÉƟca para um jovem. Queluz de Baixo: Editorial Presença. Savater, F. (2010). As perguntas da vida. Lisboa: Dom Quixote. Singer, P. (2000). Escritos sobre uma vida éƟca. Lisboa: Publicações D. Quixote. Singer, P. (2002). ÉƟca práƟca. Lisboa: Gradiva. Spencer (Eds.) (2010). Adolescence: Development during a global area. New York: Elsevier. Filmes Gentleman’s Agreement, 1947, Elia Kazan It´s a Wonderful Life, 1946, Frank Capra Match Point, 2005, Woody Allen Mr. Deeds Goes to Town, 1936 Frank Capra Shadow of a Doubt, 1943, Alfred Hitchcock Sophie’s Choice, 1982, Sidney Pollack The Wrong Man, 1956, Alfred Hitchcock To Kill a Mockingbird, 1962, Robert Mulligan Twelve Angry Men, 1957, Sidney Lumet Internet Ethics for Schools h p://www.ethicsforschools.org/ PromoƟng PosiƟve Tolerance and AcƟve CiƟzenship h p://www.irespect.net/ Stanford Encyclopedia of Philosophy hosted by Stanford University h p://plato.stanford.edu/ Unidade Temática 3 | 57
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    I N TR O D U Ç Ã O Esta unidade temáƟca incide em aspetos da comunicação essenciais para compreender a sua relevância na ação humana. A comunicação desempenha um papel fundamental na construção da idenƟdade e no relacionamento interpessoal, pois através dela ocorre o processo de parƟlha e aprendizagem, crucial para o desenvolvimento individual e social.
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    60 60 60 62 67 71 Unidade Temá ca4. Comunicação e Relacionamento Interpessoal 4.1. Nota Introdutória 4.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 4.1. Processo de Comunicação Subtema 4.2. EsƟlos de Comunicação Subtema 4.3. Comunicação e Gestão de Conflitos 4.3. Recursos Adicionais
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    Unidade Temática 4| Comunicação e Relacionamento Interpessoal 60 4.1. Nota introdutória Esta unidade temá ca incide em aspetos da comunicação essenciais para compreender a sua relevância na ação humana. A comunicação desempenha um papel fundamental na construção da iden dade e no relacionamento interpessoal, pois através dela ocorre o processo de par lha e aprendizagem, crucial para o desenvolvimento individual e social. Pela comunicação transmitem-se valores, adquirem-se regras e aprende-se a viver em sociedade, tornando o tema per nente na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento Social. A unidade temá ca Comunicação e Relacionamento Interpessoal apresenta uma componente prá ca composta por múl plas a vidades, cujo obje vo é a promoção de competências sociais e comunicacionais nos alunos, tais como: asser vidade, capacidade de escutar e respeitar a opinião do outro, argumentação, cooperação, trabalho em equipa, negociação e mediação. Assim, além da diversidade de a vidades prá cas descritas no Manual do Aluno, o professor encontra neste guia um conjunto de a vidades complementares, que pode desenvolver e adaptar, adequando o processo de ensino e aprendizagem às necessidades e expecta vas dos seus alunos. 4.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 4.1. Processo de Comunicação Conteúdos • Conceito de comunicação • Processo de comunicação • Formas de comunicação • Níveis de comunicação Metas de Aprendizagem • Define comunicação como ato de transmi r e par lhar informações, sen mentos e experiências entre pessoas. • Dis ngue comunicação (processo intera vo que consiste na troca de mensagens entre as pessoas) de informação (processo unilateral de transmissão de conteúdos). • Descreve os elementos do processo de comu- nicação (emissor, mensagem, recetor, código, canal, feedback e ruído) e compreende a função de cada um dos elementos na comunicação. • Reconhece a existência de fatores que influenciam a comunicação, ao nível dos interlocutores (tais como, as habilidades comunicacionais, o quadro de referência, o estado emocional e os papéis sociais), da transmissão (como o canal u lizado, o ruído e o momento ser inadequado) e da mensagem (complexidade e consistência da mensagem). • Iden fica e dis ngue formas de comunicação digital (conteúdo da comunicação) e analógica (relação). • Caracteriza os níveis de comunicação: intra- pessoal, interpessoal, grupal, organizacional, em sociedade (comunicação de massas). Componente PráƟca • Repete a História (A vidade 4.1.) • Comunicação Analógica (A vidade complementar) • O Corpo é Que Fala (A vidade complementar) • O Jornal da Escola (A vidade 4.2.) AƟvidade 4.1. Repete a História ObjeƟvos: Analisar o processo de comunicação e iden ficar distorções comunicacionais. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 20 minutos.
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    Unidade Temática 4| 61 Material: Compete ao professor escolher a história que será contada nesta a vidade. A história deve ser curta (sugere-se um a dois parágrafos), podendo ser o excerto de uma no cia, livro, revista ou conteúdo da Internet. Instruções: Siga os passos descritos no Manual do Aluno e leia o excerto que escolheu para realizar esta a vidade. Reflexão: No final, convide a turma a refle r sobre a experiência. Seguem-se algumas questões para lançar o debate: “Por que razão ocorrem distorções no processo de comunicação? Quais os impactos? Como evitar que tal aconteça?” AƟvidade complementar. Comunicação Analógica ObjeƟvos: Desenvolver a capacidade de expressão não-verbal e de reconhecer as expressões dos outros. Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate. Tempo: 20 minutos. Material: Papel e lápis ou caneta. Instruções: Convide cada aluno a escrever uma emoção (por exemplo, “alegria” ou “tristeza”) num papel que irá colocar num recipiente (caixa ou saco) que o professor tem na secretária. Depois os alunos colocam as cadeiras em semicírculo e sentam-se. Cada um re ra do recipiente um papel e representa a emoção que lá está escrita, apenas através da expressão facial (sem pronunciar nenhuma palavra). Os outros alunos devem tentar descobrir a emoção. Reflexão: Depois da experiência incen ve os alunos a par lharem o que sen ram durante a a vidade (por exemplo: “Que dificuldades sen ram na representação e interpretação?”) e a refle rem sobre a importância da comunicação analógica nas relações interpessoais. AƟvidade complementar. O Corpo é que Fala ObjeƟvos: Desenvolver a capacidade de expressão não-verbal. Metodologia: Simulação de papéis. Tempo: 10 minutos. Material: Nenhum. Instruções: Forme grupos de duas ou três pessoas e peça-lhes para dizerem frases curtas (por exemplo, expressões populares ou o refrão de uma música) sem pronunciaremnenhumsom.Cadagrupovaiimprovisar, durante 5 minutos, um pequeno diálogo através de gestos, sinais e expressões faciais. Não é permi do falar. Para facilitar os alunos podem combinar o tema da mímica antes de iniciar a simulação de papéis. Como alterna va pode promover uma a vidade de leitura dos lábios. Pergunte aos alunos se alguma vez já experimentaram ver televisão sem som e explique que a dinâmica que lhes é pedida se assemelha a essa experiência. Reflexão: No final da experiência aborde com os alunos as dificuldades que sen ram na expressão e interpretação das mensagens.
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    Subtema 4.2. EsƟlosde Comunicação Conteúdos • Es los de comunicação • Comunicação asser va • Empa a e escuta a va • Debate e argumentação • Negociação e mediação Metas de Aprendizagem • Caracteriza os es los de comunicação (passivo, agressivo, manipulador e asser vo) e compreende os impactos de cada um no relacionamento interpessoal. • Iden fica as caracterís cas da comunicação asser va, entre as quais a empa a e a escuta a va, e reconhece a sua importância para compreender e comunicar com o outro. • Define empa a como a capacidade psicológica para reconhecer ou compreender as ideias, sen mentos e mo vações dos outros. • Par cipa em debates, argumenta as suas opiniões e tomadas de decisão, sabe escutar e respeitar as opiniões dos outros. • Dis ngue negociação (as partes envolvidas procuram o consenso) de mediação (existe um terceiro elemento que intervém para alcançar um acordo) e reconhece a sua importância na conciliação e resolução de conflitos. Componente PráƟca • Qual o Meu Es lo de Comunicação? (A vidade 4.3.) • ExperimentarDiferentesEs losdeComunicação (A vidade 4.4.) • O que é a Asser vidade? (A vidade complementar) • Testa a Tua Asser vidade (A vidade 4.5.) • Usar Palavras Asser vas (A vidade 4.6.) • Aplica a Técnica D.E.S.C. (A vidade 4.7.) AƟvidade 4.2. O Jornal da Escola ObjeƟvos: Promover competências de escrita e de leitura; desenvolver a cooperação entre os alunos e es mular o pensamento crí co; refle r sobre temas relevantes de cidadania; promover a aproximação do contexto escolar e comunidade envolvente. Metodologia: Trabalho de projeto. Tempo: Desenvolve-se ao longo do ano le vo. Material: Papel, caneta ou lápis, computador e impressora para a edição do jornal. Instruções: O jornal é um meio de comunicação de massas muito u lizado atualmente. Para sensibilizar os alunos para esta a vidade, pode apresentar vários jornais locais, convidar os alunos a analisarem os principais elementos de uma no cia (o quê, quem, quando, onde, como e por quê?) e a comentarem no cias da atualidade. Na elaboração do jornal pode ser ú l e enriquecedor envolver outras disciplinas (por exemplo, Português). Assim, os alunos podem mobilizar e ar cular conhecimentos de diversas áreas, um exercício fundamental na sua formação. As condições necessárias à criação ou manutenção do jornal escolar e as etapas do trabalho de projeto encontram-se descritas no Manual do Aluno. Reflexão: Consoante os temas a abordar no jornal e os colaboradores a integrar no trabalho, a reflexão pode estender-se a diversos aspetos. De qualquer forma, esta a vidade oferece a oportunidade dos alunos contactarem com todos os níveis de comunicação (intrapessoal, interpessoal, grupal, organizacional e de massas) que aprenderam. Assim, para além da reflexão sobre o processo de criação/manutenção do jornal (planeamento, ação e avaliação), sugere-se uma reflexão sobre as potencialidades e dificuldades de cada nível de comunicação. 62 | Comunicação e Relacionamento Interpessoal
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    Tempo: 20 minutos. Material:Papel e caneta ou lápis. Instruções: Na sequência da a vidade anterior, e de forma a consolidar os conhecimentos sobre es los de comunicação, pode propor à turma uma simulação de papéis onde os alunos são convidados a desempenhar um conjunto de ações e expressões caracterís cas de cada es lo de comunicação. Deve entregar a cada aluno um papel com um es lo de comunicação escrito (agressivo, passivo, manipulador, asser vo), para ser simulado/encenado pelo aluno. Não é permi do verbalizarem o es lo que vão desempenhar. Devem apenas simular o máximo de caracterís cas que facilitem a iden ficação do es lo por parte dos colegas. À medida que vão reconhecendo os es los, devem agregar-se por es lo. Reflexão: Após a simulação de papéis ques one os alunos sobre a experiência, nomeadamente sobre o impacto que o es lo de comunicação que estavam a desempenhar nha na interação com os colegas; quais as vantagens e desvantagens de cada es lo de comunicação. AƟvidade complementar. O que é a AsserƟvidade? ObjeƟvos: Compreender em que consiste a noção de asser vidade. Metodologia: “Tempestade de ideias”. Tempo: 10 minutos. Material: Quadro. • Debater um Assunto Polémico (A vidade 4.8.) • Ouvir ou Escutar? (A vidade 4.9.) • Entrar em Desacordo (A vidade complementar) • Afirmar um Direito (A vidade complementar) AƟvidade 4.3. Qual o Meu EsƟlo de Comunicação? ObjeƟvos: Iden ficar e compreender diferentes es los de comunicação. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 30 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Convide os alunos a preencherem no caderno o ques onário descrito no Manual do Aluno, que os ajudará a iden ficarem o seu es lo de comunicação predominante. Após preenchimento do ques onário e análise dos resultados, suscite a reflexão sobre as caracterís cas dos es los de comunicação. Reflexão: Durante a reflexão pode perguntar aos alunosquaisoses losdecomunicaçãopredominantes na turma e qual o impacto de cada es lo nas relações interpessoais. AƟvidade 4.4. Experimentar Diferentes EsƟlos de Comunicação ObjeƟvos: Iden ficar e compreender diferentes es los de comunicação. Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate. Unidade Temática 4 | 63
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    Instruções: Convide osalunos a preencherem no caderno o ques onário constante no Manual do Aluno para testarem a sua asser vidade. Reflexão:Concluídoopreenchimentodoques onário, reflita com os alunos sobre a importância da asser vidade no relacionamento interpessoal. AƟvidade 4.6. Usar Palavras AsserƟvas ObjeƟvos: Treinar competências asser vas. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 15 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Solicite aos alunos que analisem um conjunto de expressões e avaliem se são “asser vas” ou “não asser vas”. Nas expressões não asser vas, peça aos alunos que reformulem e reescrevam as frases de forma asser va. Seguem-se algumas propostas de resolução para os exercícios enunciados no Manual do Aluno: a) Não asserƟva. Reformulação: “Este trabalho poderia ser melhorado se pesquisasse mais informação sobre o tema e aprofundasse mais os conteúdos.” b) Não asserƟva. Reformulação: “Penso que o trabalho que fez poderia estar melhor. O que é que acha?” c) AsserƟva. d) Não asserƟva. Reformulação: “Aqui dentro esse comportamento não é permi do. Por favor, importa-se de sair?” e) AsserƟva. Instruções: Antes de começar a lecionar os conteúdos sobre asser vidade, pode solicitar aos alunos que par lhem o que entendem por asser vidade, anotando no quadro as ideias. Depois, faça uma tabela com duas colunas para inserir comportamentos asser vos e não asser vos. É asserƟvidade quando a pessoa: • Assume a responsabilidade dos seus compor- tamentos e fala na primeira pessoa “Eu”; • Reconhece as necessidades e sen mentos dos outros; • Respeita e escuta a opinião dos outros; • Demonstra abertura para resolver conflitos; • Demonstra claramente aquilo que quer. Não é asserƟvidade quando a pessoa: • Atribui a culpa aos outros; • Ignora as necessidades e sen mentos dos outros; • Despreza a opinião dos outros; • Faz exigências e não coopera; • Não negoceia e é inflexível. Reflexão: Explore com os alunos como a conceção que nham de asser vidade se aproxima ou afasta da noção que acabaram de aprender. AƟvidade 4.5. Testa a Tua AsserƟvidade ObjeƟvos: Refle r sobre a capacidade asser va de cada aluno. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 15 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. 64 | Comunicação e Relacionamento Interpessoal
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    Descrever “A Carlachegou outra vez atrasada!” Expressar “Os atrasos da Carla deixam-me aborrecido e ansioso. Sinto que é uma perda de tempo estar constantemente à espera dela. Começo a sen r-me desmo vado para trabalhar assim…” Sugerir “Compreendo se esta não for a melhor hora para reunirmos. Se preferir, podemos reunir a outra hora ou noutro local que para seja mais acessível.” Conclusão “Assim, eu poderia organizar o meu tempo de outra forma e rentabilizar o momento que estamos a trabalhar em conjunto. Desta forma conseguiríamos aumentar a nossa produ vidade e eficiência.” Reflexão: Quando todos os alunos verem preenchido o quadro, convide-os a par lharem algumas das suas propostas e aproveite para enquadrar o discurso dos alunos nos conteúdos que têm vindo a ser lecionados nesta unidade temá ca. Se considerar per nente, pode ainda aplicar a técnica D.E.S.C. a outras situações do quo diano e fazer o exercício em conjunto com a turma. AƟvidade 4.8. Debater um Assunto Polémico ObjeƟvos: Desenvolver competências de reflexão, compreensão, comunicação e debate que permitam abordar temas polémicos e/ou controversos. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 20 minutos. Material: Nenhum. Na segunda parte da a vidade solicite exemplos de expressões asser vas para cada uma das situações apresentadas na tabela constante no Manual do Aluno. Mais uma vez, não existem respostas certas ou erradas. Porém, deve ter em atenção as palavras u lizadas pelos alunos, reforçando aquelas que convidam ao respeito, cooperação e sen mentos posi vos, em detrimento daquelas que transmitem sen mentos nega vos, falta de respeito ou indiferença. Reflexão: Explorar com os alunos a diferença entre palavras asser vas e não asser vas e refle r sobre as vantagens da asser vidade nas relações interpessoais. AƟvidade 4.7. Aplica a Técnica D.E.S.C. ObjeƟvos: Treinar capacidades asser vas através da aplicação da técnica D.E.S.C. Metodologia: Estudo de caso. Tempo: 20 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Os alunos preenchem o quadro constante no Manual do Aluno nos seus cadernos u lizando a técnica D.E.S.C. As suas propostas devem estar de acordo com aquilo que pensam ser a melhor alterna va para resolver a situação descrita. Uma das alterna vas possíveis encontra-se no quadro que se segue. Porém, outras também podem ser validadas, desde que cumpram os princípios da técnica D.E.S.C. Unidade Temática 4 | 65
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    Instruções: Convide doisalunos a ausentarem-se por breves minutos da sala de aula e a prepararem individualmente um discurso (cerca de um minuto) sobre um tema à sua escolha (por exemplo, o passatempo preferido). Enquanto os dois alunos estão fora da sala, combine com o resto da turma duas situações: 1ª) quando o primeiro aluno entrar novamente na sala, a turma deverá simular que não está a ouvir aquilo que o colega está a comunicar (por exemplo, podem simular que estão a ler um livro, a escrever numa folha, a olhar para a janela, a bocejar, a falar baixo uns com os outros); 2ª) quando o segundo aluno entrar, a turma deve prestar atenção ao colega (por exemplo, mantendo o contacto visual e fazendo perguntas, demonstrando interesse). Como alterna va,podepromoverumadinâmicasemelhante em pequenos grupos (três ou quatro alunos). Neste caso, um dos alunos fala de um tema à sua escolha e o outro demonstra que não o está a ouvir (por exemplo, interrompendo o colega que está a falar, não estabelecendo o contacto visual, começando a falar com outra pessoa). Reflexão: Depois da a vidade pergunte aos alunos como se sen ram quando não estavam a ser escutados pelos colegas e, seguidamente, ques one- -os sobre os aspetos que dis nguem um mau de um bom ouvinte. Seguem-se algumas caracterís cas de um bom ouvinte: a) demonstra estar atento e a escutar, mantendo o contacto visual, acenando com a cabeça ou dizendo “Hum”, “Pois”, “Sim, estou a escutar”; b) não interrompe a conversa; c) não procura preencher logo os momentos de silêncio e dá tempo ao interlocutor para pensar e con nuar a conversa; d) coloca questões abertas de forma a incen var a con nuação do diálogo; e) reformula o que ouviu, verbaliza o sen mento que o outro exprime e confirma se está a interpretar a mensagem corretamente. Instruções: Convide os alunos para debaterem assuntos polémicos da atualidade. Para facilitar a eleição do tema a ser deba do, pode solicitar que consultem jornais, no cias, acontecimentos locais ou par lhem interesses pessoais. Após escolherem o tema, divida a turma em dois grupos com o mesmo número de alunos. Informe-os que um grupo ficará responsável por apresentar argumentos “a favor” e o outro facultará argumentos “contra” o assunto em discussão (independentemente das opiniões pessoais de cada aluno). Reserve algum tempo para os grupos discu rem ideias e prepararem argumentos. Em seguida dê início ao debate. Pode ser o professor a moderar o debate ou pode convidar um grupo de alunos a fazê-lo. Durante o debate é importante registar os argumentos apresentados. Finalize o debate, faça uma pequena síntese dos argumentos usados e reserve alguns minutos para refle r com os alunos sobre a experiência. Reflexão: Solicite aos alunos uma análise sobre a experiência. Pode perguntar, por exemplo, se em algum momento veram de apresentar argumentos dis ntos das suas opiniões e como se sen ram. Após escutar os alunos, ar cule a experiência com os conteúdos que têm vindo a aprender nesta unidade temá ca, reforçando a importância de saber escutar e procurar compreender perspe vas diferentes. AƟvidade 4.9. Ouvir ou Escutar? ObjeƟvos: Compreender e desenvolver a capacidade de escuta a va. Metodologia: Simulação de papéis. Tempo: 15 minutos. Material: Nenhum. 66 | Comunicação e Relacionamento Interpessoal
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    Tempo: 10 minutos. Material:Nenhum. Instruções: Apresente várias situações aos alunos, nas quais os seus direitos são colocados em causa. Por exemplo: “Estás na fila a aguardar a tua vez para seres atendido e alguém tenta meter-se à tua frente. Como reagirias? O que lhe dirias?” Os exemplos devem ser adaptados à realidade dos alunos. Reflexão: Demonstre aos alunos que é importante saber ser autoafirma vo para “não perder a razão”. Saber afirmar os seus direitos, sem violar os direitos dos outros, é fundamental na vida em sociedade. Subtema 4.3. Gestão de Conflitos Conteúdos • Noção de conflito • Tipos de conflito • Formas de gestão de conflitos • Es los de gestão de conflitos Metas de Aprendizagem • Reconhece que o conflito cons tui uma opor- tunidade para impulsionar a mudança ainda que ocorra quando existe um confronto de ideias ou desacordo entre as pessoas. • Caracteriza os pos de conflitos: intrapessoais (conflito consigo mesmo) e interpessoais (conflito entre duas ou mais pessoas). • Sabe que a comunicação, enquanto processo de par lha de opiniões e de sen mentos entre as pessoas, facilita a compreensão sobre diferentes perspe vas e auxilia na resolução de conflitos. • Iden fica formas de lidar com o conflito, tais como evitar ou desa var o conflito na esperança AƟvidade complementar. Entrar em Desacordo ObjeƟvos:Desenvolveracapacidadedeargumentação. Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate. Tempo: 20 minutos. Material: Nenhum. Instruções: Simule uma mesa redonda (designação atribuída ao po de reuniões onde várias pessoas se encontram para debater um tema e têm o direito de par cipar de forma democrá ca). Nesta a vidade, três “especialistas” (três alunos voluntários) encontram-se para debater um tema escolhido pelos alunos (por exemplo, a importância da par cipação cívica dos jovens). Cada “especialista” deve simular uma das seguintes posições: acordo, desacordo e passividade. Estas posições podem ser sorteadas. O debate é moderado por um quarto aluno, a quem compete dar início ao debate, dar a palavra a cada interveniente e finalizar o debate com uma breve síntese. Reflexão: No final da a vidade, convide a turma a analisar a experiência. Seria interessante explorar os es los de comunicação de cada par cipante na simulação de papéis (referência ao papel que desempenhava), a importância da argumentação e o papel do moderador. AƟvidade complementar. Afirmar Um Direito ObjeƟvos: Desenvolver a capacidade de auto- afirmação. Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate. Unidade Temática 4 | 67
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    A resolução pacíficae posi va de um conflito exige cooperação entre as partes e pode originar mudanças saudáveis. Por isso pode traduzir-se numa experiência de aprendizagem para os indivíduos implicados. AƟvidade 4.11. Passos para Resolver um Conflito ObjeƟvos: Desenvolver competências de gestão de conflitos. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 20 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Divida a turma em grupos de três ou quatro alunos, apresente o caso da Luísa e da Mariana (descrito no Manual do Aluno) e solicite aos grupos que resolvam a situação de acordo com os 6 passos para resolver o conflito que aprenderam. Reflexão: Com esta a vidade pretende-se que os alunos reflitam sobre várias possibilidades de resolução de problemas e que escolham, entre as alterna vas, a melhor solução. Quando a tarefa es ver concluída, demonstre aos alunos como este exercício pode ser ú l no quo diano, pois promove a reflexão sobre os conflitos e a tomada de decisões ponderadas. AƟvidade 4.12. Recrutamento de Pessoal para Empresa ObjeƟvos: Desenvolver a capacidade de estabelecer consensos no grupo. Metodologia: Estudo de caso; simulação de papéis. que este desapareça ou atenue por si, e enfrentar o conflito procurando resolvê-lo a vamente. • Caracteriza os es los de gestão de conflitos (integração, acomodação, compromisso, do- mínio e evitamento) e relaciona-os com a preocupação consigo próprio e com os outros. Componente PráƟca • Pode o Conflito Gerar Mudança? (A vidade 4.10.) • Passos para Resolver um Conflito (A vidade 4.11.) • Recrutamento de Pessoal para Empresa (A vidade 4.12.) • Quem Será Promovido? (A vidade 4.13.) • Quem Fica no Barco? (A vidade 4.14.) • Ganhar ou Perder (A vidade complementar) • O Dilema de Mário (A vidade 4.15.) AƟvidade 4.10. Pode o Conflito Gerar Mudança? ObjeƟvos: Desenvolver competências de reflexão, compreensão, comunicação e debate. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 15 minutos. Material: Papel e lápis ou caneta. Instruções: Solicite aos alunos que leiam atentamente o pequeno texto que se encontra no Manual do Aluno e que reflitam sobre a relação entre conflito, cooperação e mudança. Reflexão: O excerto apresenta uma visão posi va do conflito, que deve ser explorada com os alunos para promover uma gestão posi va dos conflitos. 68 | Comunicação e Relacionamento Interpessoal
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    Material: Papel ecaneta ou lápis. Instruções: Relembre os alunos que existem três estratégias para enfrentar o conflito: a) “ganhar- -perder” – a solução só beneficia uma das partes; b) “perder-perder” – a solução não beneficia nenhuma das partes; c) “ganhar-ganhar” – a solução beneficia ambas as partes. Forme grupos de três ou quatro indivíduos. Convide os alunos a pensarem em diferentes situações de conflito que presenciam diariamente e a proporem exemplos para a sua resolução. Devem, sempre que possível, privilegiar a estratégia que beneficia ambas as partes. No final deste exercício o debate deve ser alargadoaorestodaturmaeoporta-vozdecadagrupo irá apresentar, pelo menos, uma situação de conflito e a respe va solução, referindo como aconselhariam as partes em confronto. Para ilustrar a lógica da a vidade, segue-se o exemplo de uma situação de conflito: “Dois irmãos estão a discu r por causa de um livro. Os pais aperceberam- -se e: a) deram o livro ao filho mais novo que ainda não nha lido o livro [ganhar-perder]; b) raram-lhes o livro enquanto não fizerem as pazes [perder-perder]; c) disseram-lhes para lerem o livro em conjunto e para conversarem sobre o que aprenderam [ganhar- -ganhar]”. Reflexão: Geralmente, numa situação de conflito, existe mais do que uma opção para a sua resolução. Muitas vezes a solução pode beneficiar ambas as partes. Aproveite esta a vidade para refle r com os alunos sobre as vantagens e desvantagens de cada estratégia para gerir conflitos e reforce os bene cios da estratégia “ganhar-ganhar” na vida em sociedade. AƟvidade 4.13. Quem Será Promovido? ObjeƟvos: Resolver conflitos e cooperar com os outros. Tempo: 20 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Forme grupos de três ou quatro alunos e proponha a análise de um caso hipoté co no qual têm de escolher a pessoa com melhor perfil para desempenhar o cargo de diretor de produção. Os alunos devem apresentar a sua posição e os argumentos que a jus ficam, e depois tomar uma decisão de grupo sobre a pessoa que escolheriam para a oferta de emprego apresentada. Pode aproveitar esta a vidade para uma simulação de papéis sobre negociação e mediação de conflitos, solicitando a um grupo que simule dificuldade no processo de negociação e a um aluno de outro grupo que medeie o conflito. O aluno mediador pede a cada parte que par lhe a sua opinião sem interrupções. Durante este exercício o aluno mediador deve demonstrar escuta a va, colocar questões abertas e sugerir alterna vas para ajudar o grupo a superar a situação. Reflexão: Mais do que o resultado (indicação da pessoa escolhida para o cargo), o que importa nesta a vidade é o processo. Ou seja, a negociação entre os elementos do grupo para chegarem a um consenso. Treinar as competências de reflexão, argumentação e de escuta a va é essencial para a formação dos jovens cidadãos. AƟvidade complementar. Ganhar ou Perder ObjeƟvos: Treinar competências de resolução de conflitos e de cooperação. Metodologia: Estudo de caso. Tempo: 20 minutos. Unidade Temática 4 | 69
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    Tempo: 20 minutos. Material:Nenhum. Reflexão: Ques one os alunos sobre a experiência. Aos tripulantes poderá perguntar: “Como se sen ram a defenderem a vossa sobrevivência? Em que factos e valores se basearam? Sen ram alguma dificuldade na argumentação?” Aos restantes alunos da turma: “Como se sen ram ao colocarem-se no lugar dos colegas? Tiveram alguma dificuldade? O que foi mais di cil na a vidade?”. Posteriormente convide a turma a refle r sobre a importância de nos colocarmos no lugar do outro nas relações interpessoais e na resolução de conflitos, pois este exercício facilita a compreensão do seu ponto de vista. AƟvidade 4.15. O Dilema de Mário ObjeƟvos: Treinar competências de resolução de con- flitos e de cooperação. Metodologia: Estudo de caso. Tempo: 15 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Divida a turma em pequenos grupos (três ou quatro alunos). Proponha a análise do “Dilema de Mário” e solicite que explorem diversas alterna vas de resolução da situação através da aplicação dos seus conhecimentos sobre es los de gestão de conflitos (evitamento, domínio, acomodação e integração). Segue-se uma proposta de resolução do dilema. Porém, outras podem ser validadas, desde que cumpram as caracterís cas de cada es lo de gestão de conflitos. Metodologia: Estudo de caso; simulação de papéis. Tempo: 20 minutos. Material: Papel e caneta ou lápis. Instruções: Divida a turma em grupos de três ou quatro alunos e explique-lhes que vão analisar o caso descrito no Manual do Aluno, debater e simular cada uma das formas que aprenderam para lidar com os conflitos (evitar, negar ou enfrentar). Reflexão: Pretende-se que os alunos analisem as vantagens e desvantagens de cada uma das formas de lidar com os conflitos. Embora a a vidade se refira a um caso concreto, pode apresentar outros exemplos e convidar os alunos a aplicarem os seus conhecimentos em situações dis ntas. AƟvidade 4.14. Quem Fica no Barco? ObjeƟvo: Desenvolver a empa a e as capacidades de argumentação e negociação; promover a abertura ao confronto com perspe vas dis ntas. Metodologia: Simulação de papéis; diálogo/debate. Instruções: Solicite a colaboração de sete alunos para simularem a a vidade. Explique a situação descrita no Manual do Aluno e informe os restantes alunos que serão eles a decidir quem “permanece no barco”. Para poderem tomar essa decisão devem escutar os argumentos de cada “tripulante”, colocar-se no lugar dele e tentar ver a realidade a par r da sua perspe va. Antes de iniciar a simulação de papéis, reforce que se trata apenas de um exercício e que não se pretende gerar compe vidade nem conflitos entre alunos. 70 | Comunicação e Relacionamento Interpessoal
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    Manes, S. (2008).83 Jogos psicológicos para a dinâmica de grupos. Um manual para psicólogos, professores, animadores socioculturais (8ª Ed.). Lisboa: Paulus. Marques, M.; Matos, A.; Ferreira, M. & Coimbra, P. (2009). A Hora da Controvérsia – Novas PráƟcas EducaƟvas para a construção de uma Região Solidária. Lousã: Comm Together, Lda. Neves, J., Garrido, M. & Simões, E. (2008). Manual de competências pessoais, interpessoais e instrumentais: teoria e práƟca. 2ª Edição. Lisboa: Sílabo. Seifert, L. (2009). Treino em asserƟvidade. Lisboa: Monitor. Von Thun, F., Ruppel, J. & Stratmann, R. (2007). Saber comunicar, saber dialogar: como melhorar a capacidade de comunicar com os outros. Lisboa: Presença. Filmes The King’s Speech, 2010, Tom Hopper. The Social Network, 2010, David Fincher. Evitamento O Mário evita cruzar-se com o chefe para não ter de lhe referir a sua indisponibilidade para fazer horas extraordinárias naquele dia. Dominação O Mário diz claramente ao chefe que não vai fazer as horas extraordiná- rias porque não é obrigado a trabalhar fora do horário. Acomodação O Mário fica contrariado, mas abstém-se de ir visitar o seu familiar que está doente e colabora com o chefe. Integração O Mário tenta negociar com o chefe e pergunta-lhe se pode sair para ir visitaroseufamiliarqueestádoente, comprometendo-se a compensar essas horas extraordinárias no dia seguinte (começando a trabalhar maiscedodoqueohoráriohabitual). 4.3. Recursos Adicionais Livros e ArƟgos Estanqueiro, A. (2008). Saber lidar com as pessoas: princípios da comunicação interpessoal (15ª Ed.). Lisboa: Presença. Fachada, O. (2010). Psicologia das relações interpessoais. Lisboa: Sílabo. Gomes, R. (Coord.) (s/d). FAROL: Manual de Educação para os Direitos Humanos com Jovens. Coimbra: Humana Global. Hartley, P. (2001). Interpersonal communicaƟon. (2ª Ed.). London: Routledge. Jardim, J. & Pereira, A. (2006). Competências Pessoais e Sociais. Guia PráƟco para a Mudança PosiƟva. Porto: Edições Asa. Lloyd, S. (2006). Desenvolvimento em asserƟvidade: técni- cas práƟcas para o sucesso pessoal. Lisboa: Monitor, D.L. Unidade Temática 4 | 71
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    I N TR O D U Ç Ã O A unidade temáƟca CriaƟvidade e Mudança procura sensibilizar os alunos para os conceitos de mudança e criaƟvidade,reconhecendoasuaforteinterligaçãoeimpacto no desenvolvimento humano e evolução da sociedade. Ao longo da unidade abordam-se noções essenciais à compreensão das transformações e mudanças individuais e sociais e os processos inerentes à criaƟvidade.
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    74 74 74 79 82 85 Unidade Temá ca5. Cria vidade e Mudança 5.1. Nota Introdutória 5.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 5.1. CriaƟvidade e Formas de Expressão Subtema 5.2. Dinâmica da Mudança Subtema 5.3. CriaƟvidade e Resolução de Problemas 5.3. Recursos Adicionais
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    Unidade Temática 5| Criatividade e Mudança 74 5.1. Nota Introdutória A unidade temá ca Cria vidade e Mudança procura sensibilizar os alunos para os conceitos de mudança e cria vidade, reconhecendo a sua forte interligação e impacto no desenvolvimento humano e evolução da sociedade. Ao longo da unidade abordam-se noções essenciais à compreensão das transformações e mudanças individuais e sociais e os processos inerentes à cria vidade. Procura-se contribuir para preparar os alunos a lidarem de forma a va e cria va com as diversidades e adversidades da vida. O primeiro subtema, Cria vidade e Formas de Expressão, explora o conceito de cria vidade humana, os mecanismos e fatores envolvidos no seu desenvolvimento e as diversas formas de expressão da cria vidade. O segundo subtema, Dinâmica da Mudança, incide na compreensão dos mecanismos subjacentes aos processos de mudança e transição, considerados intrínsecos à condição humana e social. Pretende- se que os alunos compreendam como mudam os seres humanos e os sistemas sociais, no sen do de os preparar para lidar mais eficazmente com as transições individuais, familiares e sociais. No terceiro subtema, Cria vidade e Resolução de Problemas, estabelece-se a interligação entre os fenómenos de mudança e cria vidade, elucidando como a cria vidade pode cons tuir um recurso privilegiadonacapacidadederespostaaosproblemas, situações e desafios do ser humano e das sociedades contemporâneas. Abordam-se as fases subjacentes ao processo cria vo e iden ficam-se técnicas de resolução cria va de problemas. 5.2. Desenvolvimento da Unidade Subtema 5.1. CriaƟvidade e Formas de Expressão Conteúdos • Conceito de cria vidade • Fatores de desenvolvimento da cria vidade • Cria vidade e cultura • Inteligência e cria vidade • Mo vação e cria vidade • Cria vidade e formas de expressão humana: arte e cultura, ciência e inovação Metas de Aprendizagem • Define cria vidade e compreende a sua importância a nível individual e social em diversas áreas/domínios de a vidade (em par cular, ar s ca, cien fica, económica). • Iden fica diferentes dimensões envolvidas no desenvolvimento da cria vidade (por exemplo, processos cogni vos, sociais, emo- cionais, familiares, educacionais, culturais, históricos e caracterís cas evolu vas do saber/ conhecimento). • Reconhece o impacto da cria vidade no desenvolvimento humano e compreende que as pessoas são cria vas de diferentes formas, a vários níveis e por diversas razões. • Compreende a influência que as diferentes caracterís cas e valores culturais (por exemplo, individualismo-coletivismo; conformidade- -aceitação do desvio) podem desempenhar na definição e manifestação da cria vidade. Sabe quecadaculturapodeconter,simultaneamente, fatores que promovem e limitam a cria vidade. • Iden fica diversos pos de inteligência (por exemplo, verbal, lógica, espacial, cinestésica) e reconhece que cria vidade e inteligência podem cons tuir processos diferentes, mas que se inter-relacionam de diferentes formas em diferentes áreas de a vidade.
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    Unidade Temática 5| 75 • Relaciona mo vação e cria vidade e reconhece que a cria vidade pode resultar de uma complexa interação entre forças mo vacionais. • Sabequeamo vaçãoassociadaaoenvolvimento pessoal dos indivíduos é crucial para elevar os níveis de cria vidade em qualquer domínio de a vidade. • Reconhece que a manifestação cria va de ideias, experiências e emoções através de diferentes formas de expressão (incluindo a música, expressão corporal, literatura e artes plás cas) cons tui um importante testemunho da história da humanidade. • Sabe que a cria vidade desempenha uma função motriz importante no desenvolvimento económico e social, através do impulso concedidoaosavançoscien ficosetecnológicos. Componente PráƟca • Cria vidade? (A vidade complementar) • Invenções que Mudaram o Mundo (A vidade 5.1.) • O Dilema das Portas (A vidade 5.2.) • Cidadania em Timor: Perspe vas Múl plas (A vidade 5.3.) AƟvidade complementar. CriaƟvidade? Nota: Esta a vidade deverá ser realizada logo no início do subtema 5.1., antes de iniciar a apresentação de conteúdos. ObjeƟvos: Refle r sobre o conceito de cria vidade; es mular o pensamento crí co. Metodologia: “Tempestade de ideias”; diálogo/debate. Tempo: 15 minutos (+ 10 minutos no final do subtema 5.1.). Material: Papel, caneta ou lápis, quadro. Instruções: Ques one os alunos sobre o que sabem acerca do tema “cria vidade” e anote as ideias no quadro. Em seguida, solicite que indiquem o que caracteriza uma pessoa cria va. Peça ainda que indiquem áreas de a vidade onde a cria vidade é essencial. Poderá fazer três colunas no quadro para organizar as ideias que a turma vai par lhando: 1) noção de cria vidade; 2) caracterís cas da pessoa cria va; 3) áreas de a vidade onde a cria vidade é essencial. Incen ve os alunos a falar sobre o tema. No final, peça aos alunos que registem a lista que resultou da a vidade nos respe vos cadernos. Informe que todos os alunos devem guardar a lista de ideias até ao final do subtema 5.1. Reflexão: No final do subtema 5.1., solicite aos alunos que revejam a lista de ideias e realizem uma análise compara va, atendendo ao que aprenderam sobre o tema da cria vidade: “Que ideias mantêm? Que ideias alteram?” AƟvidade 5.1. Invenções que Mudaram o Mundo ObjeƟvos: Compreender o impacto da cria vidade na evolução da sociedade humana; desenvolver a colaboração entre pares; fomentar o pensamento crí co. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 45 minutos. Material: Papel, caneta ou lápis, quadro. Instruções: Solicite à turma que forme pequenos grupos cons tuídos por três ou quatro alunos. Peça aos grupos para analisarem a lista de invenções/ descobertas mundiais que se encontra no Manual do Aluno. Cada grupo deverá escolher quatro invenções da lista e refle r sobre o seu contributo para a
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    Material: Papel ecaneta ou lápis. Instruções: Poderá solicitar a cada aluno que resolva individualmente, ou em pequenos grupos de dois a três elementos, o dilema apresentado no Manual do Aluno. Esclareça que o dilema é desafiante e necessitará de todo o empenho para a sua resolução. Durante a realização da a vidade deverá encorajar os alunos a persis r na procura da resposta e coibir toda a tenta va de desistência. Reflexão: A resposta ao dilema é: “O que dirá a outra pessoa se eu lhe perguntar qual é a porta correta?” Imaginemos que o tesouro está escondido atrás da porta vermelha e o poço escuro atrás da porta azul. Se a pergunta for feita à pessoa men rosa, ela men rá e responderá que a outra pessoa indicará a porta azul, ou seja, a porta errada. Se a pergunta for feita à pessoa honesta, ela responderá que a outra pessoa (a men rosa) indicará a porta azul, a porta errada. Lembre-se que as duas pessoas se conhecem. Em qualquer caso, a resposta ob da com esta pergunta será sempre a indicação da porta errada. O que terá de fazer é escolher a porta contrária à resposta que lhe for dada; no exemplo, equivale a optar pela porta vermelha. Após a apresentação da solução, o professor deverá ques onar os alunos sobre as dificuldades sen das na resolução do dilema: “O que pensaram? Quais as principais dificuldades?” Ao aluno/grupo que respondeu corretamente deve perguntar-se como chegou à resposta certa. Em seguida, deverá ques onar a turma acerca do que se pretende com a realização do dilema. O enfoque da reflexão deverá ser colocado na interligação entre os conceitos de inteligência e cria vidade. sociedade, preenchendo no seu caderno o quadro apresentado no Manual do Aluno. Em seguida, solicite a cada grupo que par lhe as suas respostas com a turma. No final ques one os alunos sobre o que aprenderam. Escreva a seguinte frase num quadro visível para todos e solicite à turma comentários e reflexões: “As invenções que valem a pena acabam por transcender os paradigmas existentes ou as maneiras convencionais de fazer as coisas” (O’Dell, 2001). Reflexão: No quadro 5.1. encontra um conjunto de respostas possíveis e informação adicional (por exemplo, origem e nome dos criadores) que o auxiliará a conduzir a a vidade. Comentários à frase: Encoraje a reflexão em torno do impacto que algumas invenções desempenharam no modo de vida das sociedades. Poderá colocar as seguintes questões: “Conseguiríamos viver hoje sem televisão ou telefone? Qual o impacto da Internet no nosso dia a dia? Como teria sido a evolução do conhecimento cien fico em diversas áreas se não vesse ocorrido o lançamento do Sputnik?” O enfoque deve ser colocado no impacto social, económico e cien fico das invenções e nas diversas alterações que introduziu na organização e forma de estar e viver das sociedades. AƟvidade 5.2. O Dilema das Portas ObjeƟvos: Refle r sobre a interligação dos conceitos de cria vidade e inteligência. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 15 minutos. 76 | Criatividade e Mudança
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    Invenções O que diza invenção sobre o Homem e a sociedade do seu tempo? Qual foi o contributo da descoberta/invenção para a humanidade? E, hoje, que outras descobertas criaƟvas têm impacto semelhante? Automóvel (1769) (inventor mais consensual: Nicolas Joseph Cugnot, França) Necessidade de viajar, conhecer o mundo, combater o inimigo (fins militares) Facilitar a deslocação do ser humano e de mercadorias; aumentar o conhecimento sobre o mundo. Avião Propulsão a jato Câmara Fotográfica (1826) (primeira fotografia registada: Joseph Nicéphore Niépce, França) Conservar imagens reais. Captar e gravar imagens reais; retratar e iden ficar pessoas e locais; transmi r conhecimento pela imagem. Câmara de vídeo Televisão Computador (1946) (criadores: John W. Mauchly e J. Presper Eckert, EUA) Necessidade de calcular alvos à distância (fins militares); controlar e minimizar falhas militares. Tratamento automá co de informações; armazenamento e processamento de dados; tratamento de imagens gráficas; entretenimento. Microchip Internet Escova de dentes (1498) (origem: China) Necessidade de melhorar a higiene oral; manutenção da den ção. Remover a placa bacteriana; remover resíduos dos alimentos. Escova de dentes automa zada Frigorífico (1805) (inventor esƟmado: Oliver Evans, EUA) Necessidade de criar frio ar ficial; ter controlo sobre a temperatura ambiente. Conservação e armazenamento de alimentos frescos; facilitar a produção de novos alimentos (por exemplo, iogurtes). Arcas congeladoras Internet (1983) (origem: EUA) Permi r aos cien stas trocar informações à distância. Criar redes comerciais, sociais, profissionais e cien ficas à escala mundial; disseminação e par lha do conhecimento; correio eletrónico. Nanotecnologia Robó ca Relógio mecânico (1280) (origem: Europa) Necessidade de controlar/ regular a passagem do tempo Regular e organizar o tempo; criar horários (por exemplo, das a vidades profissionais ou de abertura dos serviços). Relógios eletrónicos (mais precisos) Roda (8000-6400 A.C.) (origem esƟmada: Ásia) Facilitar as deslocações (nomadismo) e o transporte de alimentos (caça); aliviar a carga. Desenvolvimento dos transportes; moagem de alimentos (cereais). Automóvel a gasolina Propulsão a jato Satélite arƟficial (1957) (primeiro satélite arƟficial: “Sputnik”; origem: União SoviéƟca) Necessidade de facilitar a comunicação à distância; observar o sistema terrestre; promover o conhecimento cien fico. Comunicar por telemóvel; previsões meteorológicas; mapear e desenvolver o GPS (Sistema de Posicionamento Global); aumentar o conhecimento sobre o espaço. Estações espaciais Telefone (1876) (inventor: Alexander Bell, Escócia) Necessidade de comunicar à distância; par lhar conhecimento e informar. Permi r a conversação à distância; facilitar a comunicação entre povos e par lha do saber. Rádio Internet Televisão (1925) (inventor: John Logie Baird, Escócia) Inven vidade, criação e lazer; transmissão do conhecimento através de imagens. Entreter e informar; permi r a disseminação de imagens à distância; comunicar. Internet Quadro 5.1. Possíveis respostas à a vidade 5.1. Unidade Temática 5 | 77
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    3. Natureza morta:Apresente aos alunos um conjunto de folhagem seca, pequenos troncos e paus, sementes de frutos secas, grãos de areia e pequenas pedras, cola, fita adesiva, corda de sisal, tesoura e cartão para colar. Poderá fazer uma visita de campo ao recinto escolar envolvente e recolher o material a usar. 4. Desenho a 4 cores: Apresente uma tela branca ou uma grande folha de papel branca e limite os alunosaousodelápise ntasde4coresdiferentes (por exemplo, azul, amarelo, vermelho, preto). 5. Combinações: Poderá criar uma nova palete de materiais a par r de combinações dos materiais apresentados anteriormente. 6. Original: Selecione materiais à sua escolha e apresente aos alunos, seguindo as instruções. Instruções: Antes de apresentar a a vidade aos alunos: Escolha diferentes materiais atendendo aos recursos disponíveis (consulte as sugestões de material). No entanto, existem três regras a cumprir: 1. O material deverá ser previamente selecionado pelo professor e deverá ser cedido aos alunos no momento de apresentação da a vidade; 2. O material deverá ser idên co para todos os alunos (por exemplo, se o professor escolher trabalhar com papel de jornal, deverá fornecer aos alunos o mesmo número de folhas de jornal e, se possível, de conteúdo idên co); 3. As criações devem ser preparadas para exposição ver cal (colocadas em exposição nas paredes da escola). Será importante assegurar: 1. Cedência de um espaço nas instalações escolares onde os alunos possam realizar os trabalhos ar s cos com acompanhamento de um professor (se possível, em horário extracurricular); AƟvidade 5.3. Cidadania em Timor: PerspeƟvas MúlƟplas ObjeƟvos: Compreender a influência dos fatores individuais, sociais e culturais de cada indivíduo na produção cria va; desenvolver a colaboração entre pares e es mular o pensamento cria vo; refle r sobre a diversidade cria va; promover a aproximação do contexto escolar à comunidade envolvente. Metodologia: Trabalho cria vo; debate/diálogo. Tempo: 180 minutos (60 minutos para elaborar uma ideia/projeto e preparar o material + 60 minutos para concre zar o trabalho ar s co + 60 minutos para montar a exposição). Preferencialmente, o trabalho deverá ser realizado em horário extracurricular com acompanhamentodeumprofessor.Senãoforpossível, os alunos poderão realizar os trabalhos em casa. Material: Selecione uma das seguintes opções de material ou sugira uma proposta à sua escolha: 1. Colagens: apresente um conjunto de jornais ou papel an go, folhetos informa vos diversos, papel de embrulho, cartão, cola, fita adesiva e tesoura; peça para trabalharem apenas a par r do material cedido. 2. Criação geométrica: Apresente figuras geo- métricas com medidas iguais; por exemplo, triângulo, círculo, cilindro, quadrado, retângulo; providencie cartão, cartolina ou papel colorido e cola. Peça aos alunos que desenhem e recortem as figuras geométricas na cartolina, cartão ou papel colorido, para fazer a sua criação a par r do material dado. Esclareça que os alunos poderão reproduzir as figuras geométricas o número de vezes que considerem necessário (por exemplo, um aluno poderá usar 14 triângulos e 4 cilindros), desde que respeitem as dimensões. 78 | Criatividade e Mudança
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    Subtema 5.2. Dinâmicada Mudança Conteúdos • Conceitos de mudança e transição • Estádios de mudança • Mudança e resistência • Estratégias para lidar com a mudança • Conceito de mudança social • Tipos de mudança social • Agentes de mudança social Metas de Aprendizagem • Define o conceito de mudança e compreende a sua importância a nível individual, familiar e social. • Reconhece que a transição e a mudança fazem parte da experiência de vida de todas as pessoas. • Sabe que a mudança ocorre por etapas e mostra-se capaz de iden ficar cada estádio da mudança (pré-contemplação, contemplação, preparação/determinação, ação, manutenção e reincidência/recaída). • Sabe que alguns momentos de transição coincidem para a generalidade dos indivíduos (por exemplo, a idade de entrada na escola é igual para todas as crianças), enquanto outros são variáveis (por exemplo, a idade com que se sai de casa dos pais ou se arranja o primeiro emprego varia de indivíduo para indivíduo). • Compreende que a mudança comportamental é um processo, sendo que as pessoas apresentam diferentes níveis de mo vação e pron dão para mudar. • Sabe que existem mudanças posi vas e nega vas e compreende que a mudança causa sempre alguma apreensão. • Iden fica diferentes momentos de transição e reconhece que a preparação ajuda os indivíduos a lidar mais eficazmente com a mudança. 2. Espaço na escola (ou comunidade envolvente) para efetuar a exposição dos trabalhos; 3. Período de duração para a exposição; 4. A aquisição e garan a de materiais para preparar a exposição e realizar os trabalhos ar s cos. Apresentação da aƟvidade aos alunos: Informe os alunosqueapróximaa vidadeconsis ránarealização de um trabalho ar s co tendo por base uma ideia original sobre o tema “Cidadania em Timor”. Para tal os alunos irão u lizar apenas o material fornecido pelo professor (esclareça que todos terão acesso ao mesmo material). Clarifique que os trabalhos dos alunos irão ser expostos na escola para toda a comunidade escolar ou, se possível e per nente, na comunidade envolvente. Os alunos deverão realizar os seus trabalhos ar s cos no recinto escolar, num espaçodesignadoparaoefeito.Aexposiçãodeveráser previamente autorizada e preparada conjuntamente por alunos e professores. Para es mular os alunos a ter ideias sobre o que transmi r através das suas criações ar s cas poderá colocar as seguintes questões: “O que significa para ser cidadão? Como é ser cidadão em Timor? Quais os momentos de cidadania mais significa vos que presenciaste em Timor? O que achas importante transmi r a cidadãos não morenses sobre a cidadania em Timor?” Reflexão: No final da exposição o professor deverá incitaraturmaarefle rsobreaa vidade,respondendo às seguintes questões: “Quais as semelhanças e diferenças presentes nas criações de cada aluno? Qual a génese das diferenças na abordagem pessoal ao tema central? Em que medida a liberdade de expressão é importante no processo cria vo? Como pode a conjugação de ideias, proveniente de diversos intervenientes, ser importante para fortalecer a expressão de uma mensagem?” Unidade Temática 5 | 79
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    No final selecionealeatoriamente cinco a seis alunos e solicite que par lhem a sua lista de ideias e significados com a turma, lendo em voz alta. Informe que todos os alunos devem guardar a lista até ao final do subtema 5.2. Reflexão: No final do subtema 5.2. solicite aos alunos que revejam a lista de tópicos e realizem uma análise compara va atendendo ao que aprenderam sobre a mudança: “Quais as ideias e palavras que se mantêm? Quais as ideias e palavras que devem ser alteradas e porquê?” AƟvidade 5.5. Uma Experiência de Mudança ObjeƟvos: Iden ficar mudanças individuais; tomar consciência da existência de mudanças ao longo do ciclo vital; promover a cooperação entre pares. Metodologia: Diálogo/debate; narra vas. Tempo: 15/20 minutos. Material: Papel, lápis ou caneta. Instruções: Solicite aos alunos que formem pares. Informe que o obje vo da a vidade consiste na par lha de experiências de mudança pessoal já ocorridas, como por exemplo: entrada na escola, mudança de turma/escola, mudança de casa ou de localidade. Informe que cada aluno deverá ter tempo para par lhar a sua experiência de mudança. Dê aproximadamente 10 minutos ao par para conversar entre si. Em seguida, solicite três a quatro voluntários para par lharem a sua experiência na turma. Reflexão: No final o professor solicita à turma que responda à questão: “Quais os fatores que • Sabe que a mudança social é um fenómeno cole vo que implica alterações estruturais da sociedade num determinado tempo. • Reconhece diferentes pos de mudança social (tais como, geográficos, decretados, impostos e evolu vos), causados por diversos fatores. • Iden fica dinamismos e forças que conduzem à mudança social (por exemplo, grupos de pressão, movimentos sociais, carisma). Componente PráƟca • O que Significa Mudança? (A vidade 5.4.) • Uma Experiência de Mudança (A vidade 5.5.) • Pensar sobre a Mudança (A vidade 5.6.) • O que Preciso…Como vai ser? (A vidade 5.7.) AƟvidade 5.4. O que Significa Mudança? Nota: Esta a vidade deverá ser realizada no início do subtema 5.2., antes de iniciar a apresentação de conteúdos. ObjeƟvos: Refle r sobre o conceito de mudança; es mular o pensamento crí co. Metodologia: “Tempestade de ideias”; diálogo/ debate. Tempo: 15 minutos (+10 minutos no final do subtema 5.2.). Material: Papel, lápis ou caneta. Instruções: Solicite à turma que pense durante dois minutos sobre o significado da palavra mudança. Em seguida, peça aos alunos para anotarem numa folha todas as ideias e palavras que associam à palavra mudança. Poderá ques onar os alunos sobre: “O que é mudar? Como mudam os seres humanos? Quais os fatores que contribuem para a mudança?”. 80 | Criatividade e Mudança
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    O professor poderáauscultar se existem alunos que se voluntariem para par lhar a sua reflexão em voz alta na turma. Reflexão: No final da a vidade, o professor deverá es mular o debate na turma sobre mudanças a ocorrerem no futuro, procurando iden ficar aspetos em comum entre os alunos acerca das suas preocupações, desejos e expecta vas. AƟvidade 5.7. O que Preciso... Como vai ser? ObjeƟvos: Compreender a importância de preparar com antecedência as mudanças; promover o diálogo entre a escola e a comunidade envolvente; preparar a transição do contexto escolar para a inserção na vida a va e/ou prosseguimento de estudos. Metodologia: Trabalho de pesquisa; debate/diálogo. Tempo: 60/80 minutos (+ trabalho de campo extra- curricular extensível a 2 semanas). Material: Papel, lápis ou caneta. Instruções: Solicite aos alunos que, durante duas semanas, pesquisem informações sobre universidades, cursos disponíveis ou locais de trabalho de acordo com a escolha vocacional. O trabalho de pesquisa poderá ser realizado individualmente ou em pequenosgrupos,casoexistamalunoscomasmesmas escolhas vocacionais. Os alunos devem procurar obter o máximo de informações possíveis para poderem decidir qual a opção mais adequada à sua escolha. Por exemplo: “Quais os critérios de inclusão no local de trabalho ou estudo desejado? Quais os requisitos necessários, localização e acessibilidades?” O professor deve es mular a recolha de informação na comunidade envolvente (contacto presencial, contribuíram para as mudanças ocorridas?” Deverá ancorar a reflexão nas experiências pessoais dos alunos, colocando questões como: “Que outras mudanças esperam vivenciar no futuro (por exemplo, ter filhos, casar ou arranjar um emprego)? Como podem preparar-se melhor para as mudanças futuras?” AƟvidade 5.6. Pensar sobre a Mudança ObjeƟvos: Iden ficar possíveis obstáculos e fontes de suporte para mudanças futuras; es mular o pensamento crí co; promover a cooperação entre pares. Metodologia: Diálogo/debate; narra vas. Tempo: 20 minutos. Material: Papel, lápis ou caneta. Instruções: Solicite a cada aluno para copiar o quadro apresentado no Manual do Aluno e preenchê-lo no seu caderno. Esclareça os alunos que esta é uma a vidade que requer reflexão pessoal e enfoque no futuro próximo. Peça para iden ficarem as suas preocupações, desejos e sen mentos em relação à transição para o ensino superior (no caso de pretenderem con nuar os estudos) ou inserção na vida a va (se pretenderem começar a trabalhar no final do ensino secundário). As seguintes questões poderãoajudá-losarealizaraa vidade:“Hámudanças que desejas? Há mudanças que te preocupam? Quais as tuas expecta vas em relação a essa mudança?” Cada aluno terá cerca de 10 minutos para preencher o quadro, na opção rela va à sua escolha: “ir para a universidade” ou “começar logo a trabalhar”. Para os alunos que ainda se encontram indecisos, poderá ser ú lrecomendaropreenchimentodeambasasopções. Unidade Temática 5 | 81
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    • Compreende quea cria vidade es mula a capacidade para ver os problemas, situações e desafios de novas e diferentes formas, e que por isso contribui para criar e imaginar futuros que respondam a esses problemas, situações e desafios. • Iden fica as fases do processo cria vo de resolução de problemas (preparação, frustração, incubação, estratégia, iluminação e verificação). • Sabe que o processo cria vo envolve dois pos de pensamento: divergente (responsável pela criação/geração de várias ideias) e convergente (permite selecionar apenas as ideias mais promissoras). • Iden fica técnicas de apoio à resolução cria va de problemas (por exemplo, tempestade de ideias [brainstorming], mapa mental [mind mapping]) e reconhece que novas ideias e soluções podem emergir com a ajuda destes instrumentos. Componente PráƟca • Ver as Mesmas Coisas com Novos Olhos (A vidade 5.8.) • Frases Célebres (A vidade 5.9.) • Desafios Cria vos (A vidade 5.10.) • Como Posso Contribuir Para Melhorar a Minha Escola? (A vidade complementar) AƟvidade 5.8. Ver as Mesmas Coisas com Novos Olhos ObjeƟvos: Refle r sobre a interligação entre cria vidade e resolução de problemas; reconhecer as fases do processo cria vo. Metodologia: Trabalho cria vo; diálogo/debate. por telefone ou através da Internet, de acordo com os recursos disponíveis), junto das ins tuições e empregadores, universidades e/ou comunidade local (por exemplo, contactar com profissionais de um determinado ramo profissional, docentes de um determinado curso superior). Os alunos devem tomar notas das informações recolhidas e, com a ajuda do professor, preparar uma apresentação oral de 10 minutos para a turma. O professor poderá compilar as informações recolhidas pelos alunos num dossier que ficará disponível para consulta na escola. Reflexão: No final, o professor deverá ques onar os alunos acerca das dificuldades e facilidades sen das durante a concre zação da a vidade (por exemplo, no estabelecimento de contactos, na procura e obtenção de informação relevante) e inquirir sobre os principais ganhos ob dos. Subtema 5.3. CriaƟvidade e Resolução de Problemas Conteúdos • Mudança e cria vidade • Cria vidade e resolução de problemas • Fases do processo cria vo • Pensamento divergente e convergente • Técnicas de resolução cria va de problemas Metas de Aprendizagem • Compreende a interligação entre cria vidade e mudança, e reconhece que a cria vidade cons tui um recurso com impacto no desenvolvimento humano e na vida em sociedade. • Concebe a cria vidade como um processo (individual e social), que pode cons tuir uma potencial forma de pensar, ao invés de apenas um produto. 82 | Criatividade e Mudança
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    Material: Papel, lápisou caneta. Instruções: Solicite aos alunos que se agrupem em grupos de quatro e, em conjunto, reflitam durante 10 minutos sobre a lista de frases célebres apresentada no Manual do Aluno. Peça aos alunos para prepararem uma breve apresentação à turma (5 minutos), contemplando uma síntese das suas principais reflexões. Os alunos devem selecionar uma frase (no máximo duas) para preparar a sua apresentação. Incen ve os alunos a serem cria vos: “Podem fazer uma pequena drama zação; escrever um poema!” Reflexão: No final, o professor deverá inquirir os alunos acerca do que aprenderam com a realização da a vidade. Dada a diversidade de frases célebres, os alunos podem iden ficar-se mais com umas frases e menos com outras. As seguintes questões podem ajudar a es mular o debate na turma: “Quais as frases com que se iden ficaram mais e porquê? Houve frases com que se iden ficaram menos? Porquê? Se o diretor da escola pedisse à turma para escolher uma frase para colocar num local visível a todos alunos na escola, qual seria?” Incen ve os alunos a expressarem e respeitarem as diferentes opiniões e a chegar a um consenso. AƟvidade 5.10. Desafios CriaƟvos ObjeƟvos: Refle r sobre a interligação entre cria- vidade e inteligência; compreender a importância da mo vação na cria vidade; reconhecer as fases do processo cria vo; es mular o pensamento cria vo; promover a cooperação entre pares. Metodologia: Jogo de equipa; diálogo/debate. Tempo: 30 minutos. Material: Papel, lápis ou caneta. Tempo: 25 minutos. Material: Papel, lápis ou caneta. Instruções: Informe que esta a vidade é um desafio à imaginação de cada aluno. Solicite aos alunos que observem as imagens apresentadas no Manual do Aluno e peça-lhes que imaginem outras funções para cada um dos objetos apresentados. As seguintes questões podem ajudar os alunos: “Que outras funções poderiam atribuir a um guarda-chuva? Que outra serven a poderá ter um sapato?” Es mule os alunos a serem cria vos e a pensar em alterna vas úteis para os objetos apresentados. Solicite que desenhem esboços das suas ideias no caderno, acompanhados de uma pequena descrição sobre o novo objeto criado. No final peça que apresentem as suas ideias à turma e expliquem como chegaram aos resultados. Reflexão: O professor poderá ques onar a turma ou alguns alunos individualmente sobre o processo cria vo envolvido na concre zação da a vidade: “Quais as fases do processo cria vo porque passaram? Como chegaram à solução? Que fatores contribuíram ou influenciaram as “criações” ob das?” No final a turma poderá realizar um concurso/votação para eleger a criação mais original. AƟvidade 5.9. Frases Célebres ObjeƟvos: Refle r sobre o impacto da mudança no indivíduo e na sociedade; es mular o pensamento crí co; promover o diálogo sobre o impacto da mudança a nível individual e social; fomentar a cria vidade. Metodologia: Diálogo/debate. Tempo: 40 minutos. Unidade Temática 5 | 83
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    algum momento deiluminação na resolução dos desafios? 3. A decisão sobre a solução foi consensual no grupo? Se não, como chegaram a um consenso? AƟvidade complementar. Como Posso Contribuir Para Melhorar a Nossa Escola? ObjeƟvos: Desenvolver e implementar um projeto; reconhecer as fases de execução de um projeto; promover a cooperação; mo var para a resolução de problemas. Metodologia: Trabalho de projeto. Tempo: Desenvolve-se ao longo do ano le vo. Material: Papel, lápis ou caneta. Instruções: Solicite aos alunos que formem grupos de três ou quatro elementos. Apresente as fases da metodologia “Trabalho de projeto” na turma e esclareça cada grupo acerca do obje vo desta a vidade. Pretende-se que os alunos se debrucem sobre a comunidade escolar onde estão inseridos (por exemplo, refle ndo acerca dos pontos fortes e frágeis da escola) e iden fiquem necessidades e mudanças a implementar para melhorar a sua escola. O enfoque da mudança deverá ser colocado no que cada cidadão (aluno, professor, membros da comunidade) poderá fazer para melhorar a escola. As etapas do projeto são: 1. Os alunos iden ficam necessidades da sua escola que gostariam de ver respondidas (por exemplo, pode aplicar-se um ques onário para ser preenchido pelos alunos, professores, e membros da comunidade local, para a avaliação de necessidades); Instruções: Solicite aos alunos que formem grupos de três a quatro elementos e respondam a um conjunto de desafios e enigmas cria vos apresentados no Manual do Aluno. No final peça a cada grupo para eleger um porta-voz que apresentará as soluções encontradas à turma. Soluções: 1. A Letra que se Segue A resposta certa é a letra “S” de Sábado, pois trata-se das iniciais dos dias da semana. 2. Dois Quadrados 3. Romeu e Julieta Romeu e Julieta são dois peixes que estavam dentro de um aquário em cima da mesa quando, por força do vento lá fora, a janela se abriu de repente empurrando o aquário para o chão. 4. Pirâmide InverƟda A resposta certa é 3 moedas. Reflexão: No final solicite à turma que responda às seguintes questões: 1. Qual foi o desafio mais di cil? E qual foi o desafio mais fácil? Porquê? 2. Como chegaram às soluções propostas? Houve 84 | Criatividade e Mudança
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    Prochaska, J. O,DiClemente, C. C. & Norcross, J. C. (1992). In search of how people change: Applica ons to addic ve behaviors. American Psychologist, 47 (9), 1102-1114. Santos, M. A. (2006). O arco-íris das ideias – As técnicas e as práƟcas da criaƟvidade. Porto: Asa Editores. Sternberg, R. J. (1999) (Ed.). Handbook of creaƟvity. Cambridge: University Press. Filmes A BeauƟful Mind, 2001, Ron Howard Amadeus, 1984, Milos Forman ArƟficial Intelligence, 2001, Steven Spielberg Being John Malkovich, 1999, Spike Jonze Bicentennial Man, 1999, Chris Columbus Big Fish, 2003, Tim Burton Catch Me If You Can, 2002, Steven Spielberg Internet Arte Moris – Escola de Arte www.artemoris.org Associação EducaƟva para o Desenvolvimento da CriaƟvidade www.cria vidade.net Associação Portuguesa de CriaƟvidade e Inovação www.apgico.pt Center for CreaƟve Learning www.crea velearning.com Futurelab – innovaƟon in educaƟon www.futurelab.org.uk Illumine Training www.mind-mapping.co.uk InternaƟonal Center for Studies in CreaƟvity www.buffalostate.edu/crea vity/ Revista Noesis www.dgidc.min-edu.pt/revista_noesis/Paginas/default. aspx TED: ideas worth spreading www.ted.com 2. Selecionam uma necessidade e planificam todas as ações para contribuir para a sua resolução (por exemplo, o que pretendem desenvolver e como vão fazer; quem vai ser envolvido); 3. Implementam as ações para melhorar a escola e a ngir os obje vos delineados; 4. Analisam o impacto do projeto e os resultados que ob veram (selecionam e aplicam instrumentos de avaliação). Reflexão:Paraalémdaespecificidadequecadaprojeto irá assumir em função das necessidades iden ficadas, deverá refle r com os alunos sobre o papel de cada cidadão como agente de mudança e os contributos de cada um para melhorar a comunidade em que vive. Deveráaindarefle rsobreasdificuldadesefacilidades sen das pelos alunos durante a concre zação do projeto, destacando a u lidade da metodologia para o desenvolvimento e implementação de ideias. 5.3. Recursos Adicionais Livros e ArƟgos Bono, E. (2005). Os seis chapéus do pensamento. Lisboa: Editora Pergaminho. Buzan, T. (2001). O Poder da Inteligência CriaƟva. (M. R. Araújo, Trad.). Lisboa: Oficina do Livro. Lubart, T. I., & Georgsdo r, A. (2004). Crea vity: Developmental and cross-cultural issues. In S. Lau, A. N.,Hui, & G. Y. Ng (Eds.) CreaƟvity: When east meets west (pp.23-54). Singapore: World Scien fic. Manes, S. (2008). 83 Jogos psicológicos para a dinâmica de grupos. Um manual para psicólogos, professores, animadores socioculturais (8ª Ed.). Lisboa: Paulus. Mitchell, W., & Kowalik, T. (1989). CreaƟve problem solving workbook. Binghamton: SUNY-Binghamton Press. O’Dell, D. (2001). A resolução criaƟva do problema. Guia para a criaƟvidade e inovação na tomada de decisões. (M. Pinto, Trad.). Lisboa: Ins tuto Piaget. Unidade Temática 5 | 85
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    Departamento do EnsinoSecundário (2001). Avaliação e desempenho. Texto de apoio. Lisboa: Departamento do Ensino Secundário do Ministério da Educação. Figueiredo, C. C. & Silva, A. S. (2000). A Educação para a Cidadania no Sistema EducaƟvo Português (1974-1999) / EducaƟon for CiƟzenship in the Portuguese EducaƟon System (1974-1999). Lisboa: Ministério da Educação. Fonseca,A.M.(2001).Educarparaacidadania:MoƟvações, princípios e metodologias. Porto: Porto Editora. Freitas, L. & Freitas C. (2002). Aprendizagem cooperaƟva. Guias práƟcos. Porto: Edições Asa. Gearon, L. (Ed.) (2007). A pracƟcal guide to teaching ciƟzenship in the secondary school. New York: Routledge. Gomes, R. (Coord.) (s/d). FAROL: Manual de Educação para os Direitos Humanos com Jovens. Coimbra: Humana Global. Gómez,J.A.,Freitas,O.M.,&Callejas,G.V.(2007).Educação e desenvolvimento comunitário local. Porto: Profedições. Henriques, M., Reis, J., & Loia, L. (2006). Educação para a cidadania: Saber & inovar. Lisboa: Plátano Editora. Jardim, J. & Pereira, A. (2006). Competências pessoais e sociais. Guia práƟco para a mudança posiƟva. Porto: Edições Asa. Kristensen, E., Sander-Regier, R., Merhy, B. & McColl, T. (2007). Enseigner à l’Université d’OƩawa: Guide pour les professeurs et les assistants à l’enseignement. Acedido em www.sante.uo awa.ca Bibliografia Advisory Group on Ci zenship (1998). EducaƟon for ciƟzenship and the teaching of democracy in schools: Final report of the Advisory Group on CiƟzenship 22 September 1998. London: Qualifica ons and Curriculum Authority. Barbosa, J. & Alaiz, V. (1994). Explicitação de Critérios - exigência fundamental de uma avaliação ao service da aprendizagem. In C. Cardoso (Coord.) Pensar avaliação, melhorar a aprendizagem. Lisboa: Ins tuto de Inovação Educacional. Bhargava, M. (2010). Assessing ci zenship. In L. Gearon (Ed.) Learning to teach ciƟzenship in the secondary school: A companion to school experience. London: Routledge. Bîrzéa, C. (2003). All-European Study on Policies for EducaƟon for DemocraƟc CiƟzenship (EDC) Synthesis of EDC Policies in Europe. DGIV/EDU/CIT (2003) 18. Estrasburgo: Conselho da Europa. Bronfenbrenner, U. (1979). The ecology of human development. Cambridge, MA: Harvard University Press. Brown, K. & Fairbrass, S. (2009). The ciƟzenship teacher’s handbook. London: Con nuum. Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR) de Timor-Leste (2005). Chega! Relatório da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR) de Timor- Leste, Resumo ExecuƟvo. Díli: CAVR. Conselho da Europa (2002). RecommendaƟon (2002)12 of the CommiƩee of Ministers to member states on educaƟon for democraƟc ciƟzenship. DGIV/EDU/CIT (2002) 38. Estrasburgo: Conselho da Europa. 86
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    Cooperação entre oInstituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Universidade de Aveiro e o Ministério da Educação de Timor-Leste View publication stats