O BARROCO
“Pequei, Senhor, mas não
porque hei pecado/Da
Vossa alta clemência me
despido;...”
O BARROCO
 NO SÉCULO XVII, O SER HUMANO
VIVE EM CONFLITO, ATORMENTADO
POR DÚVIDAS EXISTENCIAIS,
DIVIDIDO ENTRE UMA POSTURA
RACIONAL E HUMANISTA E UMA
EXISTÊNCIA ASSOMBRADA PELA
CULPA CRISTÃ.
RENASCIMENTO
SÉCULO XVI
 IDEOLOGIA ANTROPOCÊNTRICA E
RACIONALISTA;
 VALORIZAÇÃO DO SER E DO AGIR
HUMANO;
 IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA
CONCRETA;
 PRAZERES MUNDANOS;
RENASCIMENTO
SÉCULO XVI
 SUPERIORIDADE DA RAZÃO
SOBRE O MITO E A MAGIA
(MENTALIDADE MEDIEVAL);
 DOMÍNIO SOBRE A NATUREZA =
PROGRESSO TECNOLÓGICO &
EXPANSÃO MARÍTIMA (ERA DAS
NAVEGAÇÕES);
 ARTE OBJETIVA E EQUILIBRADA
RENASCIMENTO
SÉCULO XVI
 O HOMEM RENASCENTISTA
 SATISFAÇÃO PESSOAL
 CRENÇA NA SOLIDEZ DO
MUNDO
CRISE DO RENASCIMENTO
 DECADÊNCIA DAS CIDADES
ITALIANAS
 A REFORMA DE LUTERO
 BURGUESIA FORTALECIDA
 NOBREZA AMEAÇADA
 CONTURBAÇÕES SOCIAIS E
RELIGIOSAS
 CONCÍLIO DE TRENTO(1545)
 CONTRA-REFORMA
CRISE DO RENASCIMENTO
 A HARMONIOSA IMAGEM DA VIDA
DO HOMEM RENASCENTISTA
DISSOLVE-SE NA ANGÚSTIA E NO
CAOS.
 A REALIDADE PERDE A SUA
COERÊNCIA, OS FUNDAMENTOS
DO MUNDO SE DESMANCHAM.
CRISE DO RENASCIMENTO
 O INDIVÍDUO = CONTRADIÇÕES =
 ESPIRITUALISMO RELIGIOSO
 X
 VIVÊNCIAS HUMANAS
CRISE DO RENASCIMENTO
 O HOMEM DIVIDIDO:
 ORGULHO X FRAGILIDADE
 TENSÃO ENTRE ELEMENTOS
CONTRÁRIOS = PERDA DAS
CERTEZAS
CRISE DO RENASCIMENTO
 O QUE É CERTO?
 O QUE É JUSTO?
 O QUE É VERDADEIRO?
 QUEM SOU EU?
 “To be or not to be?”
 Hamlet = Shakespeare
RENASCIMENTO X BARROCO
 RENASCIMENTO: Recusa os valores
religiosos e artísticos da Idade
Média.
 BARROCO: Tenta inutilmente
conciliar a visão medieval da vida e
da arte com a visão renascentista.
BARROCO
 DILACERAMENTOS:
 ALMA X CORPO;
 VIDA X MORTE;
 CLARO X ESCURO;
 CÉU X TERRA;
 FÉ X RAZÃO.
BARROCO IBÉRICO
 ARTE DA CONTRA-REFORMA;
 CONOTAÇÃO RELIGIOSA;
 PROPAGAÇÃO DA FÉ CATÓLICA;
 CARÁTER SOLENE;
 ARTE QUE CONQUISTA, CONVENCE,
IMPÕE ADMIRAÇÃO;
 ARQUITETURA EXTRAVAGANTE.
O BARROCO
 CONFLITO: CORPO & ALMA:
 PRAZERES CÓRPÓREOS X
EXIGÊNCIAS DA ALMA
 DILEMA:
 VIDA ETERNA X VIDA TERRENA
O CARPE DIEM
 APROVEITAR A VIDA?
 VIVER INTENSAMENTE?
 CULPA CRISTÃ = O HOMEM NÃO
ALCANÇA A TRANQÜILIDADE
 TENSÃO = ANGÚSTIA
 CULPA & PECADO
TEMÁTICA DO
DESENGANO
 DESVALORIZAÇÃO DA
VIDA HUMANA FRENTE À
MORTE E À ETERNIDADE
TEMÁTICA DO DESENGANO
 “A VIDA É UM SONHO”
 “Que é a vida? Um frenesi.
 Que é a vida? Uma ilusão,
 uma sombra, uma ficção.”
 (Calderón de la Barca = artista
barroco espanhol)
TEMÁTICA DO DESENGANO
 EXISTÊNCIA TERRENA =
 CARÁTER ILUSÓRIO
 REALIDADE APARENTE
 A VIDA VERDADEIRA É A ETERNA
TEMÁTICA DO DESENGANO
 A VIDA É BREVE.
 NADA É ESTÁVEL.
 NADA É PERMANENTE.
 TUDO MUDA.
TEMÁTICA DO DESENGANO
 ALEGRIA DA EXISTÊNCIA X
PREPARAÇÃO PARA A MORTE:
 CONSCIÊNCIA TRÁGICA
(PESSIMISTA) DA PASSAGEM DO
TEMPO, DA EFEMERIDADE DA VIDA.
TEMÁTICA DO DESENGANO
 VIVER É IR MORRENDO AOS
POUCOS = ANGÚSTIA
 A MORTE ONIPRESENTE
CULTISMO & CONCEPTISMO
Concepções Literárias
 CULTISMO = Jogo de palavras =
Estilo excessivo e rebuscado =
Utilização de neologismos = Uso de
figuras de linguagem (Metáforas +
Antíteses + Paradoxos +
Hipérboles, etc.) = Inversões
sintáticas = Predomina na poesia
(Origem = poeta espanhol
Góngora).
CULTISMO & CONCEPTISMO
 CONCEPTISMO = Jogo de raciocínio
(idéias) = Valorização do conteúdo
= Uso de analogias = Duplos
sentidos = Paradoxos e alegorias =
Requinte expressivo = Sutileza das
idéias = Predomina na prosa
(Origem = poeta espanhol
Quevedo).
LINGUAGEM BARROCA
 REBUSCADA + COMPARAÇÕES
INESPERADAS + ANTÍTESES +
PARADOXOS + HIPÉRBOLES +
INVERSÕES NAS FRASES + PALAVRAS
RARAS + ESTILO RETORCIDO =
CONTRADITÓRIO = BRILHANTE =
INCOMPREENSÍVEL OU DE MAU
GOSTO.
O BARROCO NO BRASIL
 ECONOMIA AÇUCAREIRA
 REGIÃO: NORDESTE (BAHIA &
PERNAMBUCO)
 CENTRO ECONÔMICO DO PAÍS =
SALVADOR = BAHIA
 CIVILIZAÇÃO ESCRAVISTA
 CONFLITO = ESPANHA (PORTUGAL)
X HOLANDESES
O BARROCO NO BRASIL
 MARCO INICIAL = “Prosopopéia” -1601
 De BENTO MANUEL TEIXEIRA
 (Inspirada em “Os Lusíadas” = versão
mediana = celebra os feitos do
capitão e governador da Capitania de
Pernambuco = Jorge de Albuquerque
Coelho).
O BARROCO NO
BRASIL
AUTORES
GREGÓRIO DE MATOS
GUERRA
O BOCA DO INFERNO
(1633 - 1695)
GREGÓRIO DE MATOS
 POESIA RELIGIOSA =
 Oscilação da alma barroca entre o
mundo terreno e a perspectiva da
salvação eterna.
 Licenciosidade moral x consciência
da infâmia (arrependimento).
 Postura = o homem ajoelhado
diante de Deus.
GREGÓRIO DE MATOS
 POESIA RELIGIOSA =
 Forte sentimento de culpa por ter
pecado = o poeta promete redimir-
se.
 O homem ajoelhado, implorando
perdão por seus erros.
GREGÓRIO DE MATOS
 POESIA RELIGIOSA =
 “A Jesus Cristo, Nosso Senhor”
 Curiosa dialética = o poeta apela
para a infinita capacidade de Cristo
de redimir os piores pecadores,
alegando que a ausência de perdão
representaria o fim da glória divina.
 Poema humilde & desafiador.
Pequei, Senhor, mas
não porque hei pecado,
Da Vossa alta clemência
me despido;
Porque quanto mais
tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais
empenhado.
Se basta a vos irar tanto
pecado,
A abrandar-vos sobeja
um só gemido:
Que a mesma culpa que
vos há ofendido,
Vos tem para o perdão
lisonjeado.
Se uma ovelha perdida e
já cobrada
Glória tal e prazer tão
repentino
Vos deu, como afirmais
na Sacra História,
Eu sou, Senhor, a ovelha
desgarrada,
Recobrai-a; e não
queirais, Pastor divino,
Perder na Vossa ovelha a
Vossa glória.
GREGÓRIO DE MATOS
 POESIA AMOROSA =
 O AMOR ELEVADO =
 IDEALIZAÇÃO DOS AFETOS EM
LINGUAGEM ELEVADA
GREGÓRIO DE MATOS
 O AMOR ELEVADO = (poema para D.
Ângela = paixão do poeta que o teria
rejeitado):
 “Anjo no nome, Angélica na cara!
 Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
 Ser Angélica flor, e Anjo florente
 Em quem, senão em vós, se
uniformara?
GREGÓRIO DE MATOS
 Quem vira uma tal flor, que a não
cortara,
 De verde pé, da rama florescente?
 A quem um Anjo vira tão luzente
 Que por seu Deus o não idolatrara?
GREGÓRIO DE MATOS
 Se pois como Anjo sois dos meus
altares,
 Fôreis o meu custódio, e minha
guarda,
 Livrara eu de diabólicos azares.
GREGÓRIO DE MATOS
 Mas vejo que tão bela, e tão
galharda,
 Posto que os Anjos nunca dão
pesares,
 Sois Anjo, que me tenta, e não me
guarda.”
GREGÓRIO DE MATOS
 ANÁLISE DO POEMA = (Dona Ãngela)
 Jogo de aproximações entre as
palavras: ANJO & FLOR para designar
a amada.
 Palavras com caráter contraditório =
ANJO = eternidade + FLOR =
brevidade.
GREGÓRIO DE MATOS
 ANÁLISE DO POEMA = (Dona Ãngela)
 TENSÃO & DESESPERO =
 “SOIS ANJO, QUE ME TENTA, E NÃO
ME GUARDA.”
GREGÓRIO DE MATOS
 O AMOR OBSCENO-SATÍRICO =
 EROTISMO = Exaltação da
sensualidade e da beleza dos corpos
(forma velada).
GREGÓRIO DE MATOS
 O AMOR OBSCENO-SATÍRICO =
 PORNOGRAFIA = Sexo proibido e
culpado, por meio de imagens
grosseiras e chocantes (forma
vulgar).
GREGÓRIO DE MATOS
O AMOR OBSCENO-SATÍRICO
 OBSCENIDADE = Espécie de protesto
contra o sistema moral, contra as
concepções dominantes de amor e de
sexo e contra o próprio mundo. Às
vezes, toma o sentido de um culto
rude e subversivo do prazer contra os
tabus que impedem a plena realização
do libido = instinto sexual.
GREGÓRIO DE MATOS
O AMOR OBSCENO-SATÍRICO
 Poesia de Gregório = visão agressiva
e galhofeira do amor físico = Quer
despertar o riso ou o comentário
maldoso da platéia = Revela
desprezo pela concepção cristã do
amor, que envolve a camada
espiritual.
GREGÓRIO DE MATOS
 O AMOR OBSCENO-SATÍRICO NA
POESIA DE GREGÓRIO =
 Nos poemas mais vulgares, se torna
engraçado (palavrões = descrições
desbocadas dos atos e orgãos
sexuais).
 Machismo & Desprezo pelas mulheres
(principalmente = negras e mulatas)
O AMOR OBSCENO-SATÍRICO EM
GREGÓRIO DE MATOS
 “O amor é finalmente/um
embaraço de pernas,/uma união
de barrigas,/um breve tremor de
artérias./Uma confusão de
bocas,/uma batalha de veias,/um
reboliço de ancas,/quem diz outra
coisa é besta.”
Se Pica-flor me chamais,
Pica-flor aceito ser,
mas resta agora saber,
se no nome, que me
dais,
meteis a flor, que
guardais
no passarinho melhor!
se me dais este favor,
sendo só de mim o Pica,
e o mais vosso, claro
fica,
que fico então Pica-flor.
GREGÓRIO DE MATOS
 POESIA SATÍRICA =
 Poesia ferina e contundente que não
perdoa nenhum grupo social (ricos e
pobres) = Ironia cáustica = traço do
barroco ibérico.
GREGÓRIO DE MATOS
POESIA SATÍRICA
 ESTADO DE ESPÍRITO DO POETA AO
RETORNAR AO BRASIL (1682) =
 Filho de senhor-de-engenho = crise.
 Mundo dos nobres usurpado pelo
oportunismo dos negociantes.
 Como bacharel vê a farsa das
instituições jurídicas.
GREGÓRIO DE MATOS
POESIA SATÍRICA
 ESTADO DE ESPÍRITO DO POETA =
 Como poeta culto se vê num mundo
iletrado.
 Na vida concreta vê as idéias
barrocas do “desengaño del mundo”
(o desconcerto do mundo = da vida)
GREGÓRIO DE MATOS
POESIA SATÍRICA
 PROTESTO DO POETA = Contra um
novo mundo que subverteu todos os
princípios e hierarquias, que está
afundando sua classe (nobreza).
 RECURSO UTILIZADO = A linguagem
poética = caricatural = ofensiva =
cínica = sem piedade = acentua
aspectos grotescos dos indivíduos e
do contexto baiano.
GREGÓRIO DE MATOS
POESIA SATÍRICA
 “A cada canto um grande conselheiro,
 Quer nos governar cabana e vinha,
 Não sabem governar sua cozinha,
 E podem governar o mundo inteiro.”
(...)
 (Cabana e vinha = no sentido de negócios
particulares.)
GREGÓRIO DE MATOS
POESIA SATÍRICA
 VISÃO DO POETA = O Mercantilismo
estava acabando com a verdadeira
nobreza luso-baiana (sua família).
 OLHAR DO POETA PARA SALVADOR =
 Só vê = corrupção = negociata =
oportunismo = mentira = desonra =
injustiça = imoralidade = inversão de
valores = quebra das normas
GREGÓRIO DE MATOS
POESIA SATÍRICA
 “Que falta nesta cidade? ... Verdade.
 Que mais por sua desonra? ... Honra.
 Falta mais que se lhe proponha? ...
Vergonha.
 O demo a viver se exponha,
 Por mais que a fama a exalta,
 Numa cidade onde falta
 Verdade, honra, vergonha.” (...)
GREGÓRIO DE MATOS
O BOCA DO INFERNO
 A truculência verbal do poeta gera
muitas inimizades e ódios:
 “Querem-me aqui todos mal,
 Mas eu quero mal a todos...” (...)
 “Se o que fui sempre hei de ser,
 Eu falo, seja o que for.” (...)
GREGÓRIO DE MATOS
POESIA SATÍRICA
 O poeta se identifica com a cidade
vítima de um inimigo maior =
o capitalismo comercial europeu =
 Visão conservadora e reacionária do
poeta.
 A empresa mercantilista (“a máquina
mercante”) é a responsável pelo
declínio da sua classe (nobreza).
GREGÓRIO DE MATOS
À BAHIA
 “Triste Bahia! ó quão dessemelhante
 Estás e estou do nosso antigo estado!
 Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
 Rica te vi eu já, tu a mi abundante.”
 (...)
 A ti trocou-te (modificou-te) a máquina
mercante,” (...)
Padre Antônio Vieira
(1608 - 1697)
 OS SERMÕES (1679 - 1748) =
 Utilização da Bíblia para referir-se a
temas do cotidiano.
 Combate aos hereges e defesa dos
índios.
 Sonho com o “Grande Império”
cristão, a ser localizado no Brasil.
 Linguagem conceptista.
Padre Antônio Vieira
 O VIGOR DA ORATÓRIA =
 Pormenores da vida =
 Ataque aos vícios = corrupção +
violência + pedantismo, etc.
 Elogio às virtudes = religiosidade +
modéstia + caridade, etc.
Padre Antônio Vieira
Sermão do bom ladrão
 “Não são só ladrões - diz o Santo - os
que cortam bolsas ou espreitam os
que vão se banhar, para lhe colher a
roupa; os ladrões que mais própria e
dignamente merecem este título são
aqueles a quem os reis encomendam
os exércitos e legiões, ou o governo
das províncias, ou a administração
das cidades, os quais já com manha,
já com força, roubam e despojam os
pobres. (...)”

BARROCO.pptx

  • 1.
    O BARROCO “Pequei, Senhor,mas não porque hei pecado/Da Vossa alta clemência me despido;...”
  • 2.
    O BARROCO  NOSÉCULO XVII, O SER HUMANO VIVE EM CONFLITO, ATORMENTADO POR DÚVIDAS EXISTENCIAIS, DIVIDIDO ENTRE UMA POSTURA RACIONAL E HUMANISTA E UMA EXISTÊNCIA ASSOMBRADA PELA CULPA CRISTÃ.
  • 3.
    RENASCIMENTO SÉCULO XVI  IDEOLOGIAANTROPOCÊNTRICA E RACIONALISTA;  VALORIZAÇÃO DO SER E DO AGIR HUMANO;  IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA CONCRETA;  PRAZERES MUNDANOS;
  • 4.
    RENASCIMENTO SÉCULO XVI  SUPERIORIDADEDA RAZÃO SOBRE O MITO E A MAGIA (MENTALIDADE MEDIEVAL);  DOMÍNIO SOBRE A NATUREZA = PROGRESSO TECNOLÓGICO & EXPANSÃO MARÍTIMA (ERA DAS NAVEGAÇÕES);  ARTE OBJETIVA E EQUILIBRADA
  • 5.
    RENASCIMENTO SÉCULO XVI  OHOMEM RENASCENTISTA  SATISFAÇÃO PESSOAL  CRENÇA NA SOLIDEZ DO MUNDO
  • 6.
    CRISE DO RENASCIMENTO DECADÊNCIA DAS CIDADES ITALIANAS  A REFORMA DE LUTERO  BURGUESIA FORTALECIDA  NOBREZA AMEAÇADA  CONTURBAÇÕES SOCIAIS E RELIGIOSAS  CONCÍLIO DE TRENTO(1545)  CONTRA-REFORMA
  • 7.
    CRISE DO RENASCIMENTO A HARMONIOSA IMAGEM DA VIDA DO HOMEM RENASCENTISTA DISSOLVE-SE NA ANGÚSTIA E NO CAOS.  A REALIDADE PERDE A SUA COERÊNCIA, OS FUNDAMENTOS DO MUNDO SE DESMANCHAM.
  • 8.
    CRISE DO RENASCIMENTO O INDIVÍDUO = CONTRADIÇÕES =  ESPIRITUALISMO RELIGIOSO  X  VIVÊNCIAS HUMANAS
  • 9.
    CRISE DO RENASCIMENTO O HOMEM DIVIDIDO:  ORGULHO X FRAGILIDADE  TENSÃO ENTRE ELEMENTOS CONTRÁRIOS = PERDA DAS CERTEZAS
  • 10.
    CRISE DO RENASCIMENTO O QUE É CERTO?  O QUE É JUSTO?  O QUE É VERDADEIRO?  QUEM SOU EU?  “To be or not to be?”  Hamlet = Shakespeare
  • 11.
    RENASCIMENTO X BARROCO RENASCIMENTO: Recusa os valores religiosos e artísticos da Idade Média.  BARROCO: Tenta inutilmente conciliar a visão medieval da vida e da arte com a visão renascentista.
  • 12.
    BARROCO  DILACERAMENTOS:  ALMAX CORPO;  VIDA X MORTE;  CLARO X ESCURO;  CÉU X TERRA;  FÉ X RAZÃO.
  • 13.
    BARROCO IBÉRICO  ARTEDA CONTRA-REFORMA;  CONOTAÇÃO RELIGIOSA;  PROPAGAÇÃO DA FÉ CATÓLICA;  CARÁTER SOLENE;  ARTE QUE CONQUISTA, CONVENCE, IMPÕE ADMIRAÇÃO;  ARQUITETURA EXTRAVAGANTE.
  • 14.
    O BARROCO  CONFLITO:CORPO & ALMA:  PRAZERES CÓRPÓREOS X EXIGÊNCIAS DA ALMA  DILEMA:  VIDA ETERNA X VIDA TERRENA
  • 15.
    O CARPE DIEM APROVEITAR A VIDA?  VIVER INTENSAMENTE?  CULPA CRISTÃ = O HOMEM NÃO ALCANÇA A TRANQÜILIDADE  TENSÃO = ANGÚSTIA  CULPA & PECADO
  • 16.
    TEMÁTICA DO DESENGANO  DESVALORIZAÇÃODA VIDA HUMANA FRENTE À MORTE E À ETERNIDADE
  • 17.
    TEMÁTICA DO DESENGANO “A VIDA É UM SONHO”  “Que é a vida? Um frenesi.  Que é a vida? Uma ilusão,  uma sombra, uma ficção.”  (Calderón de la Barca = artista barroco espanhol)
  • 18.
    TEMÁTICA DO DESENGANO EXISTÊNCIA TERRENA =  CARÁTER ILUSÓRIO  REALIDADE APARENTE  A VIDA VERDADEIRA É A ETERNA
  • 19.
    TEMÁTICA DO DESENGANO A VIDA É BREVE.  NADA É ESTÁVEL.  NADA É PERMANENTE.  TUDO MUDA.
  • 20.
    TEMÁTICA DO DESENGANO ALEGRIA DA EXISTÊNCIA X PREPARAÇÃO PARA A MORTE:  CONSCIÊNCIA TRÁGICA (PESSIMISTA) DA PASSAGEM DO TEMPO, DA EFEMERIDADE DA VIDA.
  • 21.
    TEMÁTICA DO DESENGANO VIVER É IR MORRENDO AOS POUCOS = ANGÚSTIA  A MORTE ONIPRESENTE
  • 22.
    CULTISMO & CONCEPTISMO ConcepçõesLiterárias  CULTISMO = Jogo de palavras = Estilo excessivo e rebuscado = Utilização de neologismos = Uso de figuras de linguagem (Metáforas + Antíteses + Paradoxos + Hipérboles, etc.) = Inversões sintáticas = Predomina na poesia (Origem = poeta espanhol Góngora).
  • 23.
    CULTISMO & CONCEPTISMO CONCEPTISMO = Jogo de raciocínio (idéias) = Valorização do conteúdo = Uso de analogias = Duplos sentidos = Paradoxos e alegorias = Requinte expressivo = Sutileza das idéias = Predomina na prosa (Origem = poeta espanhol Quevedo).
  • 24.
    LINGUAGEM BARROCA  REBUSCADA+ COMPARAÇÕES INESPERADAS + ANTÍTESES + PARADOXOS + HIPÉRBOLES + INVERSÕES NAS FRASES + PALAVRAS RARAS + ESTILO RETORCIDO = CONTRADITÓRIO = BRILHANTE = INCOMPREENSÍVEL OU DE MAU GOSTO.
  • 25.
    O BARROCO NOBRASIL  ECONOMIA AÇUCAREIRA  REGIÃO: NORDESTE (BAHIA & PERNAMBUCO)  CENTRO ECONÔMICO DO PAÍS = SALVADOR = BAHIA  CIVILIZAÇÃO ESCRAVISTA  CONFLITO = ESPANHA (PORTUGAL) X HOLANDESES
  • 26.
    O BARROCO NOBRASIL  MARCO INICIAL = “Prosopopéia” -1601  De BENTO MANUEL TEIXEIRA  (Inspirada em “Os Lusíadas” = versão mediana = celebra os feitos do capitão e governador da Capitania de Pernambuco = Jorge de Albuquerque Coelho).
  • 27.
  • 28.
    GREGÓRIO DE MATOS GUERRA OBOCA DO INFERNO (1633 - 1695)
  • 29.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIA RELIGIOSA =  Oscilação da alma barroca entre o mundo terreno e a perspectiva da salvação eterna.  Licenciosidade moral x consciência da infâmia (arrependimento).  Postura = o homem ajoelhado diante de Deus.
  • 30.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIA RELIGIOSA =  Forte sentimento de culpa por ter pecado = o poeta promete redimir- se.  O homem ajoelhado, implorando perdão por seus erros.
  • 31.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIA RELIGIOSA =  “A Jesus Cristo, Nosso Senhor”  Curiosa dialética = o poeta apela para a infinita capacidade de Cristo de redimir os piores pecadores, alegando que a ausência de perdão representaria o fim da glória divina.  Poema humilde & desafiador.
  • 32.
    Pequei, Senhor, mas nãoporque hei pecado, Da Vossa alta clemência me despido; Porque quanto mais tenho delinqüido, Vos tenho a perdoar mais empenhado.
  • 33.
    Se basta avos irar tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado.
  • 34.
    Se uma ovelhaperdida e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na Sacra História,
  • 35.
    Eu sou, Senhor,a ovelha desgarrada, Recobrai-a; e não queirais, Pastor divino, Perder na Vossa ovelha a Vossa glória.
  • 36.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIA AMOROSA =  O AMOR ELEVADO =  IDEALIZAÇÃO DOS AFETOS EM LINGUAGEM ELEVADA
  • 37.
    GREGÓRIO DE MATOS O AMOR ELEVADO = (poema para D. Ângela = paixão do poeta que o teria rejeitado):  “Anjo no nome, Angélica na cara!  Isso é ser flor, e Anjo juntamente:  Ser Angélica flor, e Anjo florente  Em quem, senão em vós, se uniformara?
  • 38.
    GREGÓRIO DE MATOS Quem vira uma tal flor, que a não cortara,  De verde pé, da rama florescente?  A quem um Anjo vira tão luzente  Que por seu Deus o não idolatrara?
  • 39.
    GREGÓRIO DE MATOS Se pois como Anjo sois dos meus altares,  Fôreis o meu custódio, e minha guarda,  Livrara eu de diabólicos azares.
  • 40.
    GREGÓRIO DE MATOS Mas vejo que tão bela, e tão galharda,  Posto que os Anjos nunca dão pesares,  Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.”
  • 41.
    GREGÓRIO DE MATOS ANÁLISE DO POEMA = (Dona Ãngela)  Jogo de aproximações entre as palavras: ANJO & FLOR para designar a amada.  Palavras com caráter contraditório = ANJO = eternidade + FLOR = brevidade.
  • 42.
    GREGÓRIO DE MATOS ANÁLISE DO POEMA = (Dona Ãngela)  TENSÃO & DESESPERO =  “SOIS ANJO, QUE ME TENTA, E NÃO ME GUARDA.”
  • 43.
    GREGÓRIO DE MATOS O AMOR OBSCENO-SATÍRICO =  EROTISMO = Exaltação da sensualidade e da beleza dos corpos (forma velada).
  • 44.
    GREGÓRIO DE MATOS O AMOR OBSCENO-SATÍRICO =  PORNOGRAFIA = Sexo proibido e culpado, por meio de imagens grosseiras e chocantes (forma vulgar).
  • 45.
    GREGÓRIO DE MATOS OAMOR OBSCENO-SATÍRICO  OBSCENIDADE = Espécie de protesto contra o sistema moral, contra as concepções dominantes de amor e de sexo e contra o próprio mundo. Às vezes, toma o sentido de um culto rude e subversivo do prazer contra os tabus que impedem a plena realização do libido = instinto sexual.
  • 46.
    GREGÓRIO DE MATOS OAMOR OBSCENO-SATÍRICO  Poesia de Gregório = visão agressiva e galhofeira do amor físico = Quer despertar o riso ou o comentário maldoso da platéia = Revela desprezo pela concepção cristã do amor, que envolve a camada espiritual.
  • 47.
    GREGÓRIO DE MATOS O AMOR OBSCENO-SATÍRICO NA POESIA DE GREGÓRIO =  Nos poemas mais vulgares, se torna engraçado (palavrões = descrições desbocadas dos atos e orgãos sexuais).  Machismo & Desprezo pelas mulheres (principalmente = negras e mulatas)
  • 48.
    O AMOR OBSCENO-SATÍRICOEM GREGÓRIO DE MATOS  “O amor é finalmente/um embaraço de pernas,/uma união de barrigas,/um breve tremor de artérias./Uma confusão de bocas,/uma batalha de veias,/um reboliço de ancas,/quem diz outra coisa é besta.”
  • 49.
    Se Pica-flor mechamais, Pica-flor aceito ser, mas resta agora saber, se no nome, que me dais, meteis a flor, que guardais no passarinho melhor! se me dais este favor, sendo só de mim o Pica, e o mais vosso, claro fica, que fico então Pica-flor.
  • 50.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIA SATÍRICA =  Poesia ferina e contundente que não perdoa nenhum grupo social (ricos e pobres) = Ironia cáustica = traço do barroco ibérico.
  • 51.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIASATÍRICA  ESTADO DE ESPÍRITO DO POETA AO RETORNAR AO BRASIL (1682) =  Filho de senhor-de-engenho = crise.  Mundo dos nobres usurpado pelo oportunismo dos negociantes.  Como bacharel vê a farsa das instituições jurídicas.
  • 52.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIASATÍRICA  ESTADO DE ESPÍRITO DO POETA =  Como poeta culto se vê num mundo iletrado.  Na vida concreta vê as idéias barrocas do “desengaño del mundo” (o desconcerto do mundo = da vida)
  • 53.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIASATÍRICA  PROTESTO DO POETA = Contra um novo mundo que subverteu todos os princípios e hierarquias, que está afundando sua classe (nobreza).  RECURSO UTILIZADO = A linguagem poética = caricatural = ofensiva = cínica = sem piedade = acentua aspectos grotescos dos indivíduos e do contexto baiano.
  • 54.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIASATÍRICA  “A cada canto um grande conselheiro,  Quer nos governar cabana e vinha,  Não sabem governar sua cozinha,  E podem governar o mundo inteiro.” (...)  (Cabana e vinha = no sentido de negócios particulares.)
  • 55.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIASATÍRICA  VISÃO DO POETA = O Mercantilismo estava acabando com a verdadeira nobreza luso-baiana (sua família).  OLHAR DO POETA PARA SALVADOR =  Só vê = corrupção = negociata = oportunismo = mentira = desonra = injustiça = imoralidade = inversão de valores = quebra das normas
  • 56.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIASATÍRICA  “Que falta nesta cidade? ... Verdade.  Que mais por sua desonra? ... Honra.  Falta mais que se lhe proponha? ... Vergonha.  O demo a viver se exponha,  Por mais que a fama a exalta,  Numa cidade onde falta  Verdade, honra, vergonha.” (...)
  • 57.
    GREGÓRIO DE MATOS OBOCA DO INFERNO  A truculência verbal do poeta gera muitas inimizades e ódios:  “Querem-me aqui todos mal,  Mas eu quero mal a todos...” (...)  “Se o que fui sempre hei de ser,  Eu falo, seja o que for.” (...)
  • 58.
    GREGÓRIO DE MATOS POESIASATÍRICA  O poeta se identifica com a cidade vítima de um inimigo maior = o capitalismo comercial europeu =  Visão conservadora e reacionária do poeta.  A empresa mercantilista (“a máquina mercante”) é a responsável pelo declínio da sua classe (nobreza).
  • 59.
    GREGÓRIO DE MATOS ÀBAHIA  “Triste Bahia! ó quão dessemelhante  Estás e estou do nosso antigo estado!  Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,  Rica te vi eu já, tu a mi abundante.”  (...)  A ti trocou-te (modificou-te) a máquina mercante,” (...)
  • 60.
    Padre Antônio Vieira (1608- 1697)  OS SERMÕES (1679 - 1748) =  Utilização da Bíblia para referir-se a temas do cotidiano.  Combate aos hereges e defesa dos índios.  Sonho com o “Grande Império” cristão, a ser localizado no Brasil.  Linguagem conceptista.
  • 61.
    Padre Antônio Vieira O VIGOR DA ORATÓRIA =  Pormenores da vida =  Ataque aos vícios = corrupção + violência + pedantismo, etc.  Elogio às virtudes = religiosidade + modéstia + caridade, etc.
  • 62.
    Padre Antônio Vieira Sermãodo bom ladrão  “Não são só ladrões - diz o Santo - os que cortam bolsas ou espreitam os que vão se banhar, para lhe colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os pobres. (...)”