SlideShare uma empresa Scribd logo
Existe racismo no Brasil
Eu sou uma pessoa racista
“Pobreza tem cor no Brasil.
E, existem dois Brasis”: ou
para quem ainda acredita em
democracia racial
SILIER ANDRADE CARDOSO BORGES
Universidade Federal do Sul da Bahia
Centro de Formação em Ciências da Saúde
Curso de Psicologia
CC Psicologia e Relações Étnico-Raciais
84% dos brasileiros reconhece que
existe racismo no brasil, mas só 4% se
considera racista.






¹ pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva com 1630 entrevistados
em 72 cidades do país em abril de 2021.
56% dos brasileiros se declaram
negros (pretos ou pardos).
São 119,3 milhões de pessoas
Os negros são maior parte da força de trabalho no Brasil – 54,9%. A
proporção de pretos e pardos entre as pessoas desocupadas e
subocupadas, porém, é muito maior: correspondem a cerca de dois
terços das pessoas que não tinham emprego – 64,2% – e das que
trabalhavam menos horas do que gostariam ou poderiam – 66,1%.


Em 2018, 47,3% das pessoas ocupadas pretas ou pardas estavam em
trabalhos informais, segundo o estudo do IBGE. Entre os brancos, o
percentual de pessoas em ocupações informais era menor: 34,6%.


TRABALHO
O rendimento médio domiciliar per capita de pretos e
pardos era de R$ 934 em 2018. No mesmo ano, os
brancos ganhavam, em média, R$ 1.846 – quase o
dobro.


Entre os 10% da população brasileira que têm os
maiores rendimentos do país, só 27,7% são negros.


72,3 são brancos.
No Brasil, os negros são as vítimas em 75% dos casos de morte em ações
policiais.
Entre os presos, 61,7% são pretos ou pardos. Vale lembrar que 53,63% da
população brasileira é negra. Os brancos, inversamente, são 37,22% dos
presos. 75% dos encarcerados só têm até o ensino fundamental
completo.
A taxa de homicídios de negros cresceu 33,1% no período entre 2007 a
2017, enquanto a de brancos aumentou 3,3%.


SEGURANÇA PÚBLICA E SISTEMA PRISIONAL
O índice de pessoas mortas por policiais da ativa
cresceu 47% na Bahia no ano de 2020, em
comparação a 2019.
Dados da Rede de Observatórios de Segurança
apontaram que 98% das pessoas mortas na Bahia
pela polícia são negras.
No Brasil, 78% das vítimas da letalidade policial são
negras (Fórum Brasileiro de Segurança Pública e
Núcleo de Estudos da Violência da USP).
Em 2019, os negros (soma dos pretos e pardos da
classificação do IBGE) representaram 77% das
vítimas de homicídios, com uma taxa de homicídios
por 100 mil habitantes de 29,2. Comparativamente,
entre os não negros (soma dos amarelos, brancos e
indígenas) a taxa foi de 11,2 para cada 100 mil, o que
significa que a chance de um negro ser assassinado
é 2,6 vezes superior àquela de uma pessoa não
negra.
“Nesse cenário, a Bahia, estado que possui como capital a
cidade mais negra fora do continente africano, e onde não se
encontra esquina, material ou imaterial, que não tenha sido
construída com e pelo povo negro, respira debilitada pela
perpetuação de um projeto de distribuição de morte,
precarização da vida e concentração de riquezas. É o estado
com maior percentual de negros entre os mortos pela polícia:
são 98%. Em Salvador, todos os mortos pela polícia são
negros. Também fica na Bahia a cidade onde a polícia mais
mata pessoas negras no país: Santo Antônio de Jesus.”
(RAMOS, 2021, p. 14).
“Na mesma semana em que Kethlen Romeu
foi morta, com seu bebê na barriga, pela
polícia do Rio de Janeiro, duas outras
mulheres negras também morreram nas
mãos dos agentes do estado da Bahia no
Curuzu, em Salvador: Maria Célia de
Santana, de 73 anos, e Viviane Soares, de 40
anos. Elas conversavam na porta de casa
quando foram atingidas. E como essa lógica
perversa é cotidiana, Viviane era tia do
menino Railan Santos da Silva, de sete anos,
que foi morto por uma bala da polícia
enquanto assistia ao futebol em um campo
do bairro. A Bahia tem a polícia mais letal do
Nordeste.” (RAMOS, 2021, p. 14).¹
¹ Relatório da Rede de Observatórios de Segurança [livro eletrônico].
As taxas de pobreza e de pobreza extrema são maiores entre a
população negra. Em 2018, 15,4% dos brancos viviam com
menos de US$ 5,50 por dia no Brasil – valor adotado pelo
Banco Mundial para indicar a linha de pobreza em economias
médias, como a brasileira. Entre pretos e pardos, o percentual
era maior: chegava a 32,9% da população.
A pobreza extrema – quando a pessoa vive com menos de US$
1,90 por dia – atinge 8,8% da população negra no Brasil e 3,6%
da população branca.
Dentre os 10% mais pobres da população brasileira, 70% são
negros. Já entre os 10% mais ricos, há somente 15% de negros
contra 85% de brancos.
POBREZA
Pardos e pretos são minoria no Poder
Legislativo. Negros são apenas 24,4% dos
deputados federais e 28,9% dos deputados
estaduais eleitos em 2018.
Dados do Conselho Nacional de Justiça,
mostram que havia 14,2% magistrados
pardos e 1,4% magistrados pretos em 2013 –
último ano com informações disponíveis. A
imensa maioria dos magistrados são brancos
(83,8%).
PODER POLÍTICO
A taxa de analfabetismo entre negros de 15 anos ou mais diminuiu nos
últimos anos – de 9,8% em 2016 para 9,1% em 2018. Ainda assim, é maior
do que o dobro da taxa de analfabetismo entre brancos da mesma idade
(3,9%), segundo o IBGE.
O número de pretos e pardos de 18 a 24 que estavam estudando também
aumentou passando de 50,5% em 2016 para 55,6% em 2018. No entanto,
ainda é menor do que o de estudantes brancos da mesma idade, que
chegou a 78,8% em 2018.
De acordo com o Inep, a maioria dos negros que estão no ensino superior
no Brasil estudam em universidades particulares.
EDUCAÇÃO
Segundo o Atlas da Violência, a taxa de
assassinatos das mulheres negras cresceu 29,9%
de 2007 a 2017. No mesmo período, o índice de
homicídio de mulheres não-negras cresceu 4,5%.
Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança
Pública de 2019 mostram que 61% das mulheres
que sofreram feminicídio no Brasil eram negras.
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Enquanto entre os pretos o crescimento no total de mortes foi de 31,1% e
entre os pardos de 31,4%, para os brancos esse índice foi de 9,3%. Para a
população indígena, o aumento foi de 13,2% e para os amarelos, 15,3%.


Os pretos e pardos também estão morrendo mais por doenças cardíacas,
como derrames, infartos e paradas cardiorrespiratórias. Entre março e
junho de 2020, foram registradas 13,7% mortes a mais de pretos por
essas doenças e 8,4% a mais, no caso dos pardos. Mas os brancos tiveram
uma melhora nesse índice, que caiu 0,5% no período.


RAÇA E COVID
Sintomas de depressão foram identificados mais frequentemente em
mulheres negras (52,8%) do que mulheres brancas (42,3%). Os
Transtornos Mentais Comuns (TMC) apresenta uma prevalência maior
entre as pessoas negras (51,6%) do que entre as pessoas brancas (37,0%).


A cada dez suicídios na faixa etária de 10 a 29 anos, aproximadamente
seis ocorreram com negros.
O suicídio é a quarta causa de morte entre adolescentes e jovens no
Brasil.
Entre adolescentes de 10 a 19 anos, o risco de suicídio é 67% maior se
comparado às pessoas brancas da mesma faixa etária.


SAÚDE MENTAL E RACISMO
De modo geral, a maioria dos estudantes não trabalha (90,1%) nem possui
renda formal própria, sendo financiados pela família (79,2%), evidenciando
que, para cursar Medicina, é necessário um investimento financeiro que
muitas famílias não conseguem fazer, legitimando a existência de exclusão
por critérios socioeconômicos. Porém, nesse contexto de desigualdade
estrutural, sustentamos que a situação de estudantes pretos e pardos é
socialmente mais grave que a dos brancos (SOUZA et. al., 2020).


UNIVERSIDADE E RACISMO: DÍVIDA HISTÓRICA
Quando analisam as formas de entrada dos
participantes do censo, a maioria dos ingressantes
pela ampla concorrência são brancos (82%), assim
como nas modalidades de cotas sem o fator cor/raça
associado à procedência de escola pública (76% para
escola pública, independentemente da renda, e 71%
na pública, dependentemente de renda). Pretos e
pardos só são maioria quando a reserva de vagas
considera o critério racial. As cotas exclusivamente
socioeconômicas aparentam ser ineficazes para a
inclusão de negros, negras e indígenas no curso de
Medicina (SOUZA et. al., 2020).


UNIVERSIDADE E RACISMO: DÍVIDA HISTÓRICA
RUBY BRIDGES,
66 ANOS
IBGE, 2019: O número de matrículas de estudantes negros e pardos nas
universidades e faculdades públicas no Brasil ultrapassou, pela primeira vez, o de
brancos. Em 2018, esse grupo passou a representar 50,3% dos estudantes do
ensino superior da rede pública.


Entre a população preta ou parda de 18 a 24 anos que estudava, o percentual
cursando ensino superior aumentou de 50,5%, em 2016, para 55,6% em 2018.
Apesar do avanço, o percentual ficou bem abaixo do alcançado pelos brancos na
mesma faixa etária, que é de 78,8%.
UNIVERSIDADE E RACISMO: DÍVIDA HISTÓRICA
Quanto à escolaridade, as desigualdades se agravam no ensino superior e na pós-
graduação, autores demonstram que, nos cursos de mestrado e doutorado, os
brancos detém 86% das vagas.
Apesar da tendência ao aumento de alunos negros nas universidades, por conta
das políticas de ações afirmativas, há maior acesso de homens negros em
detrimento de mulheres negras. Para além do racismo, o sexismo também atua
como fator de hierarquização social (SOUZA et. al., 2020).
UNIVERSIDADE E RACISMO: DÍVIDA HISTÓRICA
E O QUE A
PSICOLOGIA TEM
A VER COM ISSO?
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da
dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que
embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das
pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
III. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e
historicamente a realidade política, econômica, social e cultural.
E O QUE A PSICOLOGIA TEM A VER COM ISSO?
RESOLUÇÃO CFP Nº 018/2002
PARA SABER MAIS
https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2019/11/20/consciencia-negra-numeros-brasil/
https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-
permanentes/cdhm/noticias/sistema-carcerario-brasileiro-negros-e-pobres-na-prisao
https://www.geledes.org.br/aumento-de-mortes-por-causas-naturais-e-3-vezes-maior-entre-
pretos-e-pardos-do-que-entre-brancos/
https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2021/08/atlas-violencia-2021-v6.pdf
https://www.nupad.medicina.ufmg.br/suicidio-e-maior-entre-adolescentes-e-jovens-negros/
https://www.scielo.br/j/csc/a/RJbPdTCPbgSFcMpMYjbh8Fv/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/rbem/a/y8h6fFZnzSTMxBdzBNNC8nd/?lang=pt
https://static.poder360.com.br/2021/12/relatorio-Rede-Observatorios-Seguranca-violencia-
policial-14-dez-2021.pdf
https://ilocomotiva.com.br/wp-content/uploads/2022/01/as-faces-do-racismo-2020.pdf
https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2002/12/resolucao2002_18.PDF
https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf

Mais conteúdo relacionado

Semelhante a AULA 1 - PSICOLOGIA E RELAÇÕES ETNICO-RACIAIS.pdf

Violência contra crianças e adolescentes
Violência contra crianças e adolescentesViolência contra crianças e adolescentes
Violência contra crianças e adolescentes
Riziely Herrera
 
9º ano B (Grupo 2) - Racismo
9º ano B (Grupo 2) - Racismo9º ano B (Grupo 2) - Racismo
9º ano B (Grupo 2) - Racismo
Saber interáreas SESI 005 - LIMEIRA
 
Violência Urbana 2019.pptx
Violência Urbana 2019.pptxViolência Urbana 2019.pptx
Violência Urbana 2019.pptx
robenilton carneiro
 
Identidade Fragmentada - racismo - sistema de cotas
Identidade Fragmentada - racismo - sistema de cotasIdentidade Fragmentada - racismo - sistema de cotas
Identidade Fragmentada - racismo - sistema de cotas
Paulo Ferreira
 
Teses apresentadas nos congressos nacionais da nsb
Teses apresentadas nos congressos nacionais da nsbTeses apresentadas nos congressos nacionais da nsb
Teses apresentadas nos congressos nacionais da nsb
Sergiana Helmer
 
Juventude em marcha contra a violência dados oficiais
Juventude em marcha contra a violência   dados oficiaisJuventude em marcha contra a violência   dados oficiais
Juventude em marcha contra a violência dados oficiais
Fabio Sexugi
 
Apresentação da nota sobre desigualdade social 2017
Apresentação da nota sobre desigualdade social 2017Apresentação da nota sobre desigualdade social 2017
Apresentação da nota sobre desigualdade social 2017
Valerio Arcary
 
ADOLESCENTE
ADOLESCENTEADOLESCENTE
ADOLESCENTE
christall
 
A D O L E S C E N T E, F A MÍ L I A, S O C I E D A D E
A D O L E S C E N T E,  F A MÍ L I A,  S O C I E D A D EA D O L E S C E N T E,  F A MÍ L I A,  S O C I E D A D E
A D O L E S C E N T E, F A MÍ L I A, S O C I E D A D E
christall
 
Mulher E Homem
Mulher E HomemMulher E Homem
Mulher E Homem
leojusto
 
Campanha Não Matarás
Campanha Não MatarásCampanha Não Matarás
Campanha Não Matarás
Jamildo Melo
 
Ana discute violência contra à mulher na Câmara de Boquim
 Ana discute violência contra à mulher na Câmara de Boquim  Ana discute violência contra à mulher na Câmara de Boquim
Ana discute violência contra à mulher na Câmara de Boquim
Ana Lucia Vieira
 
Livreto sobre violência contra a mulher
Livreto sobre violência contra a mulherLivreto sobre violência contra a mulher
Livreto sobre violência contra a mulher
Paulo Cesar Almeida
 
Livreto sobre violência contra a mulher
Livreto sobre violência contra a mulherLivreto sobre violência contra a mulher
Livreto sobre violência contra a mulher
Gerhard Brêda
 
Adolescente
AdolescenteAdolescente
Desigualdades raciais e morte materna
Desigualdades raciais e morte maternaDesigualdades raciais e morte materna
Desigualdades raciais e morte materna
População Negra e Saúde
 
Racismo e Antirracismo no Brasil em 2020
Racismo e Antirracismo no Brasil em 2020Racismo e Antirracismo no Brasil em 2020
Racismo e Antirracismo no Brasil em 2020
Taís Oliveira
 
Conclusão do Relatório
Conclusão do RelatórioConclusão do Relatório
Conclusão do Relatório
Jamildo Melo
 
Racismo institucional e o direito humano à saúde
Racismo institucional  e o direito humano à saúdeRacismo institucional  e o direito humano à saúde
Racismo institucional e o direito humano à saúde
População Negra e Saúde
 
Preconceito e ações afirmativas
Preconceito e ações afirmativasPreconceito e ações afirmativas
Preconceito e ações afirmativas
Viegas Fernandes da Costa
 

Semelhante a AULA 1 - PSICOLOGIA E RELAÇÕES ETNICO-RACIAIS.pdf (20)

Violência contra crianças e adolescentes
Violência contra crianças e adolescentesViolência contra crianças e adolescentes
Violência contra crianças e adolescentes
 
9º ano B (Grupo 2) - Racismo
9º ano B (Grupo 2) - Racismo9º ano B (Grupo 2) - Racismo
9º ano B (Grupo 2) - Racismo
 
Violência Urbana 2019.pptx
Violência Urbana 2019.pptxViolência Urbana 2019.pptx
Violência Urbana 2019.pptx
 
Identidade Fragmentada - racismo - sistema de cotas
Identidade Fragmentada - racismo - sistema de cotasIdentidade Fragmentada - racismo - sistema de cotas
Identidade Fragmentada - racismo - sistema de cotas
 
Teses apresentadas nos congressos nacionais da nsb
Teses apresentadas nos congressos nacionais da nsbTeses apresentadas nos congressos nacionais da nsb
Teses apresentadas nos congressos nacionais da nsb
 
Juventude em marcha contra a violência dados oficiais
Juventude em marcha contra a violência   dados oficiaisJuventude em marcha contra a violência   dados oficiais
Juventude em marcha contra a violência dados oficiais
 
Apresentação da nota sobre desigualdade social 2017
Apresentação da nota sobre desigualdade social 2017Apresentação da nota sobre desigualdade social 2017
Apresentação da nota sobre desigualdade social 2017
 
ADOLESCENTE
ADOLESCENTEADOLESCENTE
ADOLESCENTE
 
A D O L E S C E N T E, F A MÍ L I A, S O C I E D A D E
A D O L E S C E N T E,  F A MÍ L I A,  S O C I E D A D EA D O L E S C E N T E,  F A MÍ L I A,  S O C I E D A D E
A D O L E S C E N T E, F A MÍ L I A, S O C I E D A D E
 
Mulher E Homem
Mulher E HomemMulher E Homem
Mulher E Homem
 
Campanha Não Matarás
Campanha Não MatarásCampanha Não Matarás
Campanha Não Matarás
 
Ana discute violência contra à mulher na Câmara de Boquim
 Ana discute violência contra à mulher na Câmara de Boquim  Ana discute violência contra à mulher na Câmara de Boquim
Ana discute violência contra à mulher na Câmara de Boquim
 
Livreto sobre violência contra a mulher
Livreto sobre violência contra a mulherLivreto sobre violência contra a mulher
Livreto sobre violência contra a mulher
 
Livreto sobre violência contra a mulher
Livreto sobre violência contra a mulherLivreto sobre violência contra a mulher
Livreto sobre violência contra a mulher
 
Adolescente
AdolescenteAdolescente
Adolescente
 
Desigualdades raciais e morte materna
Desigualdades raciais e morte maternaDesigualdades raciais e morte materna
Desigualdades raciais e morte materna
 
Racismo e Antirracismo no Brasil em 2020
Racismo e Antirracismo no Brasil em 2020Racismo e Antirracismo no Brasil em 2020
Racismo e Antirracismo no Brasil em 2020
 
Conclusão do Relatório
Conclusão do RelatórioConclusão do Relatório
Conclusão do Relatório
 
Racismo institucional e o direito humano à saúde
Racismo institucional  e o direito humano à saúdeRacismo institucional  e o direito humano à saúde
Racismo institucional e o direito humano à saúde
 
Preconceito e ações afirmativas
Preconceito e ações afirmativasPreconceito e ações afirmativas
Preconceito e ações afirmativas
 

AULA 1 - PSICOLOGIA E RELAÇÕES ETNICO-RACIAIS.pdf

  • 2. Eu sou uma pessoa racista
  • 3. “Pobreza tem cor no Brasil. E, existem dois Brasis”: ou para quem ainda acredita em democracia racial SILIER ANDRADE CARDOSO BORGES Universidade Federal do Sul da Bahia Centro de Formação em Ciências da Saúde Curso de Psicologia CC Psicologia e Relações Étnico-Raciais
  • 4. 84% dos brasileiros reconhece que existe racismo no brasil, mas só 4% se considera racista. ¹ pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva com 1630 entrevistados em 72 cidades do país em abril de 2021.
  • 5. 56% dos brasileiros se declaram negros (pretos ou pardos). São 119,3 milhões de pessoas
  • 6. Os negros são maior parte da força de trabalho no Brasil – 54,9%. A proporção de pretos e pardos entre as pessoas desocupadas e subocupadas, porém, é muito maior: correspondem a cerca de dois terços das pessoas que não tinham emprego – 64,2% – e das que trabalhavam menos horas do que gostariam ou poderiam – 66,1%. Em 2018, 47,3% das pessoas ocupadas pretas ou pardas estavam em trabalhos informais, segundo o estudo do IBGE. Entre os brancos, o percentual de pessoas em ocupações informais era menor: 34,6%. TRABALHO
  • 7. O rendimento médio domiciliar per capita de pretos e pardos era de R$ 934 em 2018. No mesmo ano, os brancos ganhavam, em média, R$ 1.846 – quase o dobro. Entre os 10% da população brasileira que têm os maiores rendimentos do país, só 27,7% são negros. 72,3 são brancos.
  • 8. No Brasil, os negros são as vítimas em 75% dos casos de morte em ações policiais. Entre os presos, 61,7% são pretos ou pardos. Vale lembrar que 53,63% da população brasileira é negra. Os brancos, inversamente, são 37,22% dos presos. 75% dos encarcerados só têm até o ensino fundamental completo. A taxa de homicídios de negros cresceu 33,1% no período entre 2007 a 2017, enquanto a de brancos aumentou 3,3%. SEGURANÇA PÚBLICA E SISTEMA PRISIONAL
  • 9. O índice de pessoas mortas por policiais da ativa cresceu 47% na Bahia no ano de 2020, em comparação a 2019. Dados da Rede de Observatórios de Segurança apontaram que 98% das pessoas mortas na Bahia pela polícia são negras. No Brasil, 78% das vítimas da letalidade policial são negras (Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Núcleo de Estudos da Violência da USP).
  • 10. Em 2019, os negros (soma dos pretos e pardos da classificação do IBGE) representaram 77% das vítimas de homicídios, com uma taxa de homicídios por 100 mil habitantes de 29,2. Comparativamente, entre os não negros (soma dos amarelos, brancos e indígenas) a taxa foi de 11,2 para cada 100 mil, o que significa que a chance de um negro ser assassinado é 2,6 vezes superior àquela de uma pessoa não negra.
  • 11. “Nesse cenário, a Bahia, estado que possui como capital a cidade mais negra fora do continente africano, e onde não se encontra esquina, material ou imaterial, que não tenha sido construída com e pelo povo negro, respira debilitada pela perpetuação de um projeto de distribuição de morte, precarização da vida e concentração de riquezas. É o estado com maior percentual de negros entre os mortos pela polícia: são 98%. Em Salvador, todos os mortos pela polícia são negros. Também fica na Bahia a cidade onde a polícia mais mata pessoas negras no país: Santo Antônio de Jesus.” (RAMOS, 2021, p. 14).
  • 12. “Na mesma semana em que Kethlen Romeu foi morta, com seu bebê na barriga, pela polícia do Rio de Janeiro, duas outras mulheres negras também morreram nas mãos dos agentes do estado da Bahia no Curuzu, em Salvador: Maria Célia de Santana, de 73 anos, e Viviane Soares, de 40 anos. Elas conversavam na porta de casa quando foram atingidas. E como essa lógica perversa é cotidiana, Viviane era tia do menino Railan Santos da Silva, de sete anos, que foi morto por uma bala da polícia enquanto assistia ao futebol em um campo do bairro. A Bahia tem a polícia mais letal do Nordeste.” (RAMOS, 2021, p. 14).¹ ¹ Relatório da Rede de Observatórios de Segurança [livro eletrônico].
  • 13. As taxas de pobreza e de pobreza extrema são maiores entre a população negra. Em 2018, 15,4% dos brancos viviam com menos de US$ 5,50 por dia no Brasil – valor adotado pelo Banco Mundial para indicar a linha de pobreza em economias médias, como a brasileira. Entre pretos e pardos, o percentual era maior: chegava a 32,9% da população. A pobreza extrema – quando a pessoa vive com menos de US$ 1,90 por dia – atinge 8,8% da população negra no Brasil e 3,6% da população branca. Dentre os 10% mais pobres da população brasileira, 70% são negros. Já entre os 10% mais ricos, há somente 15% de negros contra 85% de brancos. POBREZA
  • 14. Pardos e pretos são minoria no Poder Legislativo. Negros são apenas 24,4% dos deputados federais e 28,9% dos deputados estaduais eleitos em 2018. Dados do Conselho Nacional de Justiça, mostram que havia 14,2% magistrados pardos e 1,4% magistrados pretos em 2013 – último ano com informações disponíveis. A imensa maioria dos magistrados são brancos (83,8%). PODER POLÍTICO
  • 15. A taxa de analfabetismo entre negros de 15 anos ou mais diminuiu nos últimos anos – de 9,8% em 2016 para 9,1% em 2018. Ainda assim, é maior do que o dobro da taxa de analfabetismo entre brancos da mesma idade (3,9%), segundo o IBGE. O número de pretos e pardos de 18 a 24 que estavam estudando também aumentou passando de 50,5% em 2016 para 55,6% em 2018. No entanto, ainda é menor do que o de estudantes brancos da mesma idade, que chegou a 78,8% em 2018. De acordo com o Inep, a maioria dos negros que estão no ensino superior no Brasil estudam em universidades particulares. EDUCAÇÃO
  • 16. Segundo o Atlas da Violência, a taxa de assassinatos das mulheres negras cresceu 29,9% de 2007 a 2017. No mesmo período, o índice de homicídio de mulheres não-negras cresceu 4,5%. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019 mostram que 61% das mulheres que sofreram feminicídio no Brasil eram negras. VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
  • 17. Enquanto entre os pretos o crescimento no total de mortes foi de 31,1% e entre os pardos de 31,4%, para os brancos esse índice foi de 9,3%. Para a população indígena, o aumento foi de 13,2% e para os amarelos, 15,3%. Os pretos e pardos também estão morrendo mais por doenças cardíacas, como derrames, infartos e paradas cardiorrespiratórias. Entre março e junho de 2020, foram registradas 13,7% mortes a mais de pretos por essas doenças e 8,4% a mais, no caso dos pardos. Mas os brancos tiveram uma melhora nesse índice, que caiu 0,5% no período. RAÇA E COVID
  • 18. Sintomas de depressão foram identificados mais frequentemente em mulheres negras (52,8%) do que mulheres brancas (42,3%). Os Transtornos Mentais Comuns (TMC) apresenta uma prevalência maior entre as pessoas negras (51,6%) do que entre as pessoas brancas (37,0%). A cada dez suicídios na faixa etária de 10 a 29 anos, aproximadamente seis ocorreram com negros. O suicídio é a quarta causa de morte entre adolescentes e jovens no Brasil. Entre adolescentes de 10 a 19 anos, o risco de suicídio é 67% maior se comparado às pessoas brancas da mesma faixa etária. SAÚDE MENTAL E RACISMO
  • 19. De modo geral, a maioria dos estudantes não trabalha (90,1%) nem possui renda formal própria, sendo financiados pela família (79,2%), evidenciando que, para cursar Medicina, é necessário um investimento financeiro que muitas famílias não conseguem fazer, legitimando a existência de exclusão por critérios socioeconômicos. Porém, nesse contexto de desigualdade estrutural, sustentamos que a situação de estudantes pretos e pardos é socialmente mais grave que a dos brancos (SOUZA et. al., 2020). UNIVERSIDADE E RACISMO: DÍVIDA HISTÓRICA
  • 20. Quando analisam as formas de entrada dos participantes do censo, a maioria dos ingressantes pela ampla concorrência são brancos (82%), assim como nas modalidades de cotas sem o fator cor/raça associado à procedência de escola pública (76% para escola pública, independentemente da renda, e 71% na pública, dependentemente de renda). Pretos e pardos só são maioria quando a reserva de vagas considera o critério racial. As cotas exclusivamente socioeconômicas aparentam ser ineficazes para a inclusão de negros, negras e indígenas no curso de Medicina (SOUZA et. al., 2020). UNIVERSIDADE E RACISMO: DÍVIDA HISTÓRICA
  • 21.
  • 23. IBGE, 2019: O número de matrículas de estudantes negros e pardos nas universidades e faculdades públicas no Brasil ultrapassou, pela primeira vez, o de brancos. Em 2018, esse grupo passou a representar 50,3% dos estudantes do ensino superior da rede pública. Entre a população preta ou parda de 18 a 24 anos que estudava, o percentual cursando ensino superior aumentou de 50,5%, em 2016, para 55,6% em 2018. Apesar do avanço, o percentual ficou bem abaixo do alcançado pelos brancos na mesma faixa etária, que é de 78,8%. UNIVERSIDADE E RACISMO: DÍVIDA HISTÓRICA
  • 24. Quanto à escolaridade, as desigualdades se agravam no ensino superior e na pós- graduação, autores demonstram que, nos cursos de mestrado e doutorado, os brancos detém 86% das vagas. Apesar da tendência ao aumento de alunos negros nas universidades, por conta das políticas de ações afirmativas, há maior acesso de homens negros em detrimento de mulheres negras. Para além do racismo, o sexismo também atua como fator de hierarquização social (SOUZA et. al., 2020). UNIVERSIDADE E RACISMO: DÍVIDA HISTÓRICA
  • 25. E O QUE A PSICOLOGIA TEM A VER COM ISSO?
  • 26. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. III. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural. E O QUE A PSICOLOGIA TEM A VER COM ISSO?
  • 28. PARA SABER MAIS https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2019/11/20/consciencia-negra-numeros-brasil/ https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes- permanentes/cdhm/noticias/sistema-carcerario-brasileiro-negros-e-pobres-na-prisao https://www.geledes.org.br/aumento-de-mortes-por-causas-naturais-e-3-vezes-maior-entre- pretos-e-pardos-do-que-entre-brancos/ https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2021/08/atlas-violencia-2021-v6.pdf https://www.nupad.medicina.ufmg.br/suicidio-e-maior-entre-adolescentes-e-jovens-negros/ https://www.scielo.br/j/csc/a/RJbPdTCPbgSFcMpMYjbh8Fv/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rbem/a/y8h6fFZnzSTMxBdzBNNC8nd/?lang=pt https://static.poder360.com.br/2021/12/relatorio-Rede-Observatorios-Seguranca-violencia- policial-14-dez-2021.pdf https://ilocomotiva.com.br/wp-content/uploads/2022/01/as-faces-do-racismo-2020.pdf https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2002/12/resolucao2002_18.PDF https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf