Universidade Federal de Pernambuco
Centro Acadêmico de Vitória
Curso de Bacharelado em Saúde Coletiva
Disciplina:
Comunicação e Saúde
3 de setembro de 2024
Aula 2 - Prof. Dr. José Marcos da Silva
Comunicação e Saúde como campo
Comunicação e Saúde
≠
Comunicação em Saúde
Comunicação para a Saúde
Comunicação na Saúde
Diferença fundamental:
✓Comunicação e Saúde aponta para um campo e não uma relação de
subalternidade entre um campo – a Saúde – e um conjunto de instrumentos
a seu serviço – a comunicação.
“’Comunicação e Saude’ referencia a existência de um campo formado na
interface de outros dois, buscando seus próprios caminhos políticos,
conceituais e práticos. O conectivo ‘e’ expressa esta articulação, delimitando
‘um território de disputas específicas, ainda que atravessado e formado por
elementos característicos de um, de outro e de la formação social mais
ampla que los abriga’ (Cardoso e Araujo, 2009:95)” (Araujo e Cuberli, 2013).
CONCEITO DE CAMPO (Bourdieu)
Não é uma área disciplinar ou institucional, mas um amplo conjunto de
elementos que vão desde a formação histórica até os agentes, passando por
interesses, dispositivos de visibilização, localização institucional, agendas
políticas e técnicas, teorias, metodologias, políticas, discursos, práticas,
tecnologías, capitais, sujeitos individuais e coletivos, negociações, conflitos,
interfaces...;
Campos sociais são historicamente constituídos e são atualizados em
contextos e processos sociais específicos. Campos sociais são sempre
movidos por disputas por posições e capitais materiais e simbólicos. Suas
fronteiras são porosas e por elas transitam agentes, discursos, políticas,
teorias, se expandem ou se contraem relações, capitais, conflitos, enfim,
interesses de diferentes ordens.
Campo é um espaço estruturado de relações, no qual forças de desigual
poder lutam para transformar ou manter suas posições;
✓O campo da Comunicação e Saúde está conformado então por história,
políticas, discursos, teorías e metodologías, práticas, tecnologías, capitais,
sujeitos individuais e coletivos, agendas, intereses, negociações, conflitos,
interfaces e muito mais.
✓Circunscrever o campo é tarefa muito e cada vez mas difícil. Duas palavras-
chaves: historicidade e contexto.
✓Campos da comunicação e da saúde estão em constante movimento. Assim
também os da educação, da ciência & tecnologia, da informação e vários
outros cujos contornos se confundem e se mesclam com os da Comunicação e
Saúde. A palavra-chave é interface.
✓Os primeiros cruzamentos entre os dois campos ocorreram no princípio do
século XX, com o surgimento de estruturas institucionais que especificavam a
tarefa de comunicação no âmbito da saúde.(no Brasil, o Serviço de Educação e
Propaganda, no Departamento Nacional de Saúde Pública foi o pioneiro
(Cardoso, 2001).
✓Anos 90: o campo se afirma como conjunto articulado de elementos
nomeados e reconhecidos, objeto de investimento acadêmico, científico e
político.
Comunicação e Políticas Públicas
Comunicação e Políticas Públicas
❖A relação entre Comunicação e Políticas Públicas ocorre por um conjunto
de posturas – teóricas, metodológicas e políticas – e de práticas que
orientam os processos de elaboração, implementação e gestão de políticas
públicas. Está, portanto, associada aos processos de intervenção social.
Dois níveis nessa relação:
❖Na gestação das políticas: a comunicação é estruturante desse processo.
Políticas resultam de uma luta pela predominância de um ponto de vista e
nessa luta o poder simbólico é um dos elementos centrais.
❖Políticas públicas só se constituem efetivamente quando saem do papel,
circulam (adquirem visibilidade, portanto existência) e são apropriadas pela
população a qual se destinam. A natureza e a qualidade da comunicação
são um dos determinantes da possibilidade de sucesso de uma política.
Comunicação e Políticas Públicas
❖O que é público? O que circula de modo a poder ser apropriado.
Mas...
❖... só é público verdadeiramente aquilo que corresponde aos
múltiplos interesses envolvidos no tema. Para que isto possa
ocorrer...
❖ ... necessitamos de processos democráticos de escuta e
participação. Para isso...
❖ ...precisamos de descentralização da comunicação.
Comunicação e Informação
Comunicação e Informação
❖Os limites entre Informação e Comunicação na Saúde são objeto de
permanentes debates e disputas. São muitas as possibilidades
interpretativas.
❖Pode-se dizer que a informação é da ordem do fechamento, da redução
das incertezas e a comunicação é da ordem da abertura à alteridade,
portanto, de la instabilidade (Oliveira, 2004).
❖Na Saúde, a Informação está associada aos sistemas de informação, que
reunem, processam, produzem e oferecem informações (indicadores, dados
estatísticos, análises etc.) às organizações de saúde. Alguns âmbitos da
Comunicação, assim, dependem da Informação e vice-versa, como os de
pesquisa, ensino, comunicação de risco, entre outros. Neste sentido, são
campos complementares, ainda que que se possa considerar a Información
como um campo autônomo, para o qual convergem as Ciências da
Informação e a Epidemiologia, entre outras áreas do conhecimento.
Comunicação e Saúde é um campo de disputas e em disputa
Modelos de comunicação são parte consistente dessas disputas.
Modelos de comunicação integram as condições de produção das
práticas de comunicação e saúde.
Modelos de comunicação, assim como as terias que lhes
correspondem, filiam-se a matrizes das ciências sociais.
Duas grandes matrizes: positivista e conflitual.
Modelos que se tornam hegemônicos operam como matrizes.
Comunicação e Saúde é um campo de disputas e em disputa
Modelos de comunicação são parte consistente dessas disputas.
Modelos de comunicação integram as condições de produção das
práticas de comunicação e saúde.
Modelos de comunicação, assim como as terias que lhes
correspondem, filiam-se a matrizes das ciências sociais.
Duas grandes matrizes: positivista e conflitual.
Modelos que se tornam hegemônicos operam como matrizes.
Modelo de Shannon & Weaver
Matemático ou Informacional
Modelo de Shannon & Weaver
Matemático ou Informacional
Descrição simplificada do modelo
•A partir de um conjunto de mensagens, a fonte seleciona a mensagem
desejada
•O transmissor opera sobre a mensagem e a codifica, transformando-a em
sinal
•O sinal é transmitido por um canal até o receptor
•O canal é um meio físico que permite a passagem do sinal
•No canal podem incidir ruídos (distorções, erros de transmissão)
•O receptor faz a operação inversa da transmissão: decodifica a mensagem,
ou seja: ao receber o sinal a transforma de novo à sua natureza original
•Medida de sucesso do modelo: a perfeita compatibilização entre o emitido e
o recebido.
•Feed-back (não é do modelo original)
Modelo de Shannon & Weaver
Matemático ou Informacional
Características do modelo
•Linear, unidirecional, bipolar e fechado
•Ocupa-se da transmissão de mensagens
•A cada código corresponde um significado decodificável.
•O significado é imanente aos códigos da mensagem: o receptor apenas os
decodifica
•Os problemas de decodificação são tomados como problemas de ajuste de
códigos
•Função do feed-back: ajustar os códigos até que se atinja a eficácia da
comunicação
Modelo de Shannon & Weaver
Matemático ou Informacional
Conceito de comunicação do modelo
“Conjunto de procedimentos através dos quais um mecanismo pode afetar outro
mecanismo ou uma mente afetar outra mente”
É FUNCIONAL, NÃO É UM PROCESSO SOCIAL
Modelo de Shannon & Weaver
Matemático ou Informacional
Ganho fundamental do modelo informacional
Os códigos utilizados devem ser comuns
ao emissor e ao receptor
Perspectiva da
Comunicação & Desenvolvimento
Pressupostos
❖Segurança nacional como variável dependente do desenvolvimento
❖Subdesenvolvimento como produto da falta de informação e de
atitudes adequadas ao progresso
❖Comunicação como condição necessária e suficiente para prover
informações e atitudes
Perspectiva da
Comunicação & Desenvolvimento
Condições históricas, na Saúde, formaram um ambiente
propício para a assimilação do modelo.
❖Centralização político-administrativa e permeabilidade a teorias e
modelos de intervenção dos países centrais.
❖Ações de comunicação e educação: difundir para a população
concepções médico-científicas hegemônicas e implantar
normas, condutas e valores.
❖Privilegiamento da palavra autorizada e desqualificação de outras
experiências e saberes.
Conceitos subjacentes na perspectiva desenvolvimentista
Características do
emissor
Características do
receptor
Funções da comunicação
Tem conhecimento Vazio de conhecimento Prover conhecimento
Tem atitudes progressistas É apático ao progresso Mostrar vantagens do
progresso e despertar
aspirações
Tem valores corretos Não possui valores
adequados
Mudar valores
Tem condutas ou sabe
quais são as desejáveis
Possui condutas ou hábitos
indesejáveis
Obter condutas e hábitos
desejáveis
Representa o que é
moderno
É tradicionalista, resiste a
mudanças
Quebrar o tradicionalismo
Interpreta cientificamente a
realidade
É acientífico, não sabe
interpretar a realidade
Interpretar a realidade de
acordo com a percepção do
emissor
Conceitos subjacentes na perspectiva desenvolvimentista
Características do
emissor
Características do
receptor
Funções da comunicação
É ator-emitente de
mensagens
É público-receptor de
mensagens
Prover condições para uma
eficiente recepção de
mensagens
É protagonista É espectador Criar expectativas
É sábio É ignorante Ensinar, entregar ciência e
saber
Conhece a verdade Desconhece a verdade Doar a verdade
É superior É inferior Reconhecer a superioridade
do emissor
É sujeito do processo É objeto do processo Transformar o receptor num
objeto mais maleável
Fonte: Odilo Friedrich, 1986
Perspectiva humanista-dialógica
Abordagem contra-hegemônica
❖ Inspiração na filosofia e pedagogia de Paulo Freire
❖ Dificuldade para implantar na prática
❖ Discrepância com tempos institucionais
❖ Não gerou modelos
Discurso forte, permeou o campo das políticas públicas
❖ Originalmente ignorava todas as demais vozes, inclusive a mídia
❖ Novas configurações
Perspectiva humanista-dialógica
F
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8
6
Perspectiva humanista-dialógica
Ganho fundamental da perspectiva dialógica
O outro também possui conhecimentos
Modelo da comunicação em duas etapas
Lazarsfeld e Schramm
❖Cada indivíduo toma parte de muitos grupos: formais ou informais
❖ Ao interagir com eles recebe sua influência
❖As relações interpessoais atuam como:
▪canais de informação
▪fontes de pressão para o indivíduo adaptar-se ao modo de pensar
e atuar do grupo
▪base de apoio social ao indivíduo
❖Nas relações interpessoais há líderes de opinião que
desempenham importante papel na formação das opiniões do grupo –
mediador
Modelo da comunicação em duas etapas
Lazarsfeld e Schramm
Mediadores
Mediadores
Mediadores
Receptores
Receptores
Receptores
Receptores
Emissor
Elementos teóricos para pensar um outro modo
de entender e fazer comunicação
❖ Polifonia
❖ Discursos concorrentes
❖ Rede de sentidos
❖ Contextos
❖ Lugar de interlocução
❖ Produção social dos sentidos
O Modelo da Comunicação como Mercado Simbólico
Bibliografia citada na aula:
Araujo, I.S e Cuberli, M. Comunicación y Salud em America Latina: un
campo en permanente movimiento. Em processo de publicação, como
capítulo de um livro sobre a Comunicação na América Latina. Lançamento
em agosto de 2014.
Cardoso, J.M e Araujo, I.S. Comunicação e Saúde. Em: Pereira, I..S; Lima,
J.C.F. (Org.). Dicionário da educação profissional em saúde. 2.a ed. Rio de
Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2009, p. 94-103.
Cardoso JM. Comunicação, saúde e discurso preventivo: reflexões a
partir de uma leitura das campanhas nacionais de Aids veiculadas pela TV
(1987-1999) [dissertação]. Rio de Janeiro: Ufrj/Ec; 2001. 212 p. Cap. II:
Textos que iluminam
Oliveira, V. C. (2004). Comunicação, Informação e Participação Popular
nos Conselhos de Saúde. Em: Saúde & Sociedade. Faculdade de Saúde
Pública da USP e Associação Paulista de Saúde Pública. Maio-Agosto de
2004, 56-69
Algumas referências bibliográficas de Inesita Araujo
relacionadas ao tema de suas aulas na disciplina:
LIVROS
▪Comunicação e Saúde. Editora Fiocruz, 2007. Com Janine M. Cardoso.
▪A Reconversão do Olhar. prática discursiva e produção dos sentidos na intervenção
social. São Leopoldo: Unisinos; 2000. Esgotado. Versão digitalizada.
ARTIGOS
▪Doenças negligenciadas, comunicação negligenciada. Apontamentos para uma
pauta política e de pesquisa. RECIIS – R. Eletr. de Com. Inf. Inov. Saúde. Rio de Janeiro,
v.6, n.4 – Suplemento, Fev., 2013. e-ISSN 1981-6278. Com Adriano de Lavôr Moreira e
Raquel Aguiar
▪Contextos, mediações e produção de sentidos: uma abordagem conceitual e
metodológica em comunicação e saúde. RECIIS – R. Eletr. de Com. Inf. Inov. Saúde. Rio
de Janeiro, v.3i3. 280pt. DOI: 10.3395
▪Mercado simbólico: um modelo de comunicação para políticas públicas. Interface –
comunicação, saúde, educação, 8(14): 165-178, set.2003-fev.2004.
▪A Comunicação no Sistema Único de Saúde: cenários e tendências. Revista
Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación . Ano 6, n.10 (1.o sem.2009). ALAIC,
São Paulo, p.104-115. Com Janine Cardoso e Rodrigo Murtinho.
Algumas referências bibliográficas de Inesita
Araujo relacionadas ao tema de suas aulas na
disciplina:
CAPÍTULOS DE LIVROS
▪Estratégias discursivas na saúde indígena: outra história para contar. In: Roseni
Pinheiro; Aluisio Gomes Silva Junior. (Org.). Por uma sociedade cuidadora. Rio de
Janeiro: CEPESC:IMS/UERJ:ABRASCO, 2010, p. 231-252.
▪Reflexões inquietas sobre a comunicação, as fronteiras e o cuidado. Em: Pinheiro,
Roseni e outros (Org.). Integralidade Sem Fronteiras: itinerários de justiça, formativos e
de gestão na busca por cuidado. Rio de Janeiro, CEPESC-IMS-UERJ-ABRASCO, 2012,
p.127-140.
▪Os tambores do Olimpo e os tambores da Grécia: por melhores lugares de
interlocução. In: Fausto Neto, A. (Org.). Os mundos das mídias: leituras sobre a produção
de sentidos midiáticos. 1a. ed. João Pessoa: Editora da UFPB, 2006, p. 233-251.
▪Comunicação e Saúde. Em: Pereira, I..S; Lima, J.C.F. (Org.). Dicionário da educação
profissional em saúde. 2.a ed. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2009, p. 94-103. Com
Janine Cardoso.
▪Mobilização comunitária: o que se diz, o que se faz, o que se pode pensar. Em:
Brandão, A.P.; Garcia, D.. (Org.). Comunicação e Transformação Social- a trajetória do
Canal Futura. São Leopoldo - RS: Unisinos, 2008, p. 207-218.
Algumas referências bibliográficas de Inesita Araujo
relacionadas ao tema de suas aulas na disciplina:
CAPÍTULOS DE LIVROS
▪Comunicação e saúde: os princípios do SUS como ponto de vista. In: Pinheiro, R;
Mattos, R.A.. (Org.). Cuidar do Cuidado: responsabilidade com a integralidade das ações
em saúde. Rio de Janeiro: CEPESC-IMS/UERJ-ABRASCO, 2008, p. 61-78. Com Janine
Cardoso
▪Comunicação e saúde. Em: Martins, C.; Stauffer, A.B. (Org.). Educação e Saúde. Rio
de Janeiro: Epsjv/Fiocruz; 2007: 6 ,101-24.
▪Materiais educativos e produção dos sentidos na intervenção social. Em: Monteiro,
S. & Vargas, E. (Orgs.) Educação, Comunicação e Tecnologia Educacional: interfaces
como campo da saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2006.
▪Circulação polifônica. In: PINHEIRO, R.; MATTOS, R. (Orgs.) Construção social da
demanda: direito à saúde, trabalho em equipe, participação e espaços públicos. Rio de
Janeiro: Cepesc-Eerj/Abrasco, 2005. Com Janine Cardoso.
▪Razão polifônica: a negociação dos sentidos na intervenção social. Informare -
Perspectivas em Ciência da Informação, 8: 46-57, jul.-dez., 2003.
Algumas referências bibliográficas de Inesita Araujo
relacionadas ao tema de suas aulas na disciplina:
CAPÍTULOS DE LIVROS
▪Relações interétnicas e negociação simbólica ou Seriam os índios pós-modernos?
Revista Eco, Rio de Janeiro, RJ, v. 4, n. 1, p. 35-46, 1999.
▪A batalha do Alto Rio Negro. In: Rubim, A.; Bentz, Ione M.G.; Pinto, M.J. (Org.).
Comunicação e sociabilidade nas culturas contemporâneas. 1 ed. Petrópolis: Vozes /
Compós, 1999, p. 117-134.
PAPER DE CONGRESSO
Em busca da transcultura e da pós-disciplnaridade.Texto apresentado ao GT Mídia e
Recepção, VIII encontro da COMPÓS, em junho de 1999.

Aula 1 Comunicação e Saúde-convertido - cópia.pptx

  • 1.
    Universidade Federal dePernambuco Centro Acadêmico de Vitória Curso de Bacharelado em Saúde Coletiva Disciplina: Comunicação e Saúde 3 de setembro de 2024 Aula 2 - Prof. Dr. José Marcos da Silva
  • 2.
  • 3.
    Comunicação e Saúde ≠ Comunicaçãoem Saúde Comunicação para a Saúde Comunicação na Saúde Diferença fundamental: ✓Comunicação e Saúde aponta para um campo e não uma relação de subalternidade entre um campo – a Saúde – e um conjunto de instrumentos a seu serviço – a comunicação. “’Comunicação e Saude’ referencia a existência de um campo formado na interface de outros dois, buscando seus próprios caminhos políticos, conceituais e práticos. O conectivo ‘e’ expressa esta articulação, delimitando ‘um território de disputas específicas, ainda que atravessado e formado por elementos característicos de um, de outro e de la formação social mais ampla que los abriga’ (Cardoso e Araujo, 2009:95)” (Araujo e Cuberli, 2013).
  • 4.
    CONCEITO DE CAMPO(Bourdieu) Não é uma área disciplinar ou institucional, mas um amplo conjunto de elementos que vão desde a formação histórica até os agentes, passando por interesses, dispositivos de visibilização, localização institucional, agendas políticas e técnicas, teorias, metodologias, políticas, discursos, práticas, tecnologías, capitais, sujeitos individuais e coletivos, negociações, conflitos, interfaces...; Campos sociais são historicamente constituídos e são atualizados em contextos e processos sociais específicos. Campos sociais são sempre movidos por disputas por posições e capitais materiais e simbólicos. Suas fronteiras são porosas e por elas transitam agentes, discursos, políticas, teorias, se expandem ou se contraem relações, capitais, conflitos, enfim, interesses de diferentes ordens. Campo é um espaço estruturado de relações, no qual forças de desigual poder lutam para transformar ou manter suas posições;
  • 5.
    ✓O campo daComunicação e Saúde está conformado então por história, políticas, discursos, teorías e metodologías, práticas, tecnologías, capitais, sujeitos individuais e coletivos, agendas, intereses, negociações, conflitos, interfaces e muito mais. ✓Circunscrever o campo é tarefa muito e cada vez mas difícil. Duas palavras- chaves: historicidade e contexto. ✓Campos da comunicação e da saúde estão em constante movimento. Assim também os da educação, da ciência & tecnologia, da informação e vários outros cujos contornos se confundem e se mesclam com os da Comunicação e Saúde. A palavra-chave é interface. ✓Os primeiros cruzamentos entre os dois campos ocorreram no princípio do século XX, com o surgimento de estruturas institucionais que especificavam a tarefa de comunicação no âmbito da saúde.(no Brasil, o Serviço de Educação e Propaganda, no Departamento Nacional de Saúde Pública foi o pioneiro (Cardoso, 2001). ✓Anos 90: o campo se afirma como conjunto articulado de elementos nomeados e reconhecidos, objeto de investimento acadêmico, científico e político.
  • 15.
  • 16.
    Comunicação e PolíticasPúblicas ❖A relação entre Comunicação e Políticas Públicas ocorre por um conjunto de posturas – teóricas, metodológicas e políticas – e de práticas que orientam os processos de elaboração, implementação e gestão de políticas públicas. Está, portanto, associada aos processos de intervenção social. Dois níveis nessa relação: ❖Na gestação das políticas: a comunicação é estruturante desse processo. Políticas resultam de uma luta pela predominância de um ponto de vista e nessa luta o poder simbólico é um dos elementos centrais. ❖Políticas públicas só se constituem efetivamente quando saem do papel, circulam (adquirem visibilidade, portanto existência) e são apropriadas pela população a qual se destinam. A natureza e a qualidade da comunicação são um dos determinantes da possibilidade de sucesso de uma política.
  • 17.
    Comunicação e PolíticasPúblicas ❖O que é público? O que circula de modo a poder ser apropriado. Mas... ❖... só é público verdadeiramente aquilo que corresponde aos múltiplos interesses envolvidos no tema. Para que isto possa ocorrer... ❖ ... necessitamos de processos democráticos de escuta e participação. Para isso... ❖ ...precisamos de descentralização da comunicação.
  • 19.
  • 20.
    Comunicação e Informação ❖Oslimites entre Informação e Comunicação na Saúde são objeto de permanentes debates e disputas. São muitas as possibilidades interpretativas. ❖Pode-se dizer que a informação é da ordem do fechamento, da redução das incertezas e a comunicação é da ordem da abertura à alteridade, portanto, de la instabilidade (Oliveira, 2004). ❖Na Saúde, a Informação está associada aos sistemas de informação, que reunem, processam, produzem e oferecem informações (indicadores, dados estatísticos, análises etc.) às organizações de saúde. Alguns âmbitos da Comunicação, assim, dependem da Informação e vice-versa, como os de pesquisa, ensino, comunicação de risco, entre outros. Neste sentido, são campos complementares, ainda que que se possa considerar a Información como um campo autônomo, para o qual convergem as Ciências da Informação e a Epidemiologia, entre outras áreas do conhecimento.
  • 21.
    Comunicação e Saúdeé um campo de disputas e em disputa Modelos de comunicação são parte consistente dessas disputas. Modelos de comunicação integram as condições de produção das práticas de comunicação e saúde. Modelos de comunicação, assim como as terias que lhes correspondem, filiam-se a matrizes das ciências sociais. Duas grandes matrizes: positivista e conflitual. Modelos que se tornam hegemônicos operam como matrizes.
  • 22.
    Comunicação e Saúdeé um campo de disputas e em disputa Modelos de comunicação são parte consistente dessas disputas. Modelos de comunicação integram as condições de produção das práticas de comunicação e saúde. Modelos de comunicação, assim como as terias que lhes correspondem, filiam-se a matrizes das ciências sociais. Duas grandes matrizes: positivista e conflitual. Modelos que se tornam hegemônicos operam como matrizes.
  • 23.
    Modelo de Shannon& Weaver Matemático ou Informacional
  • 24.
    Modelo de Shannon& Weaver Matemático ou Informacional Descrição simplificada do modelo •A partir de um conjunto de mensagens, a fonte seleciona a mensagem desejada •O transmissor opera sobre a mensagem e a codifica, transformando-a em sinal •O sinal é transmitido por um canal até o receptor •O canal é um meio físico que permite a passagem do sinal •No canal podem incidir ruídos (distorções, erros de transmissão) •O receptor faz a operação inversa da transmissão: decodifica a mensagem, ou seja: ao receber o sinal a transforma de novo à sua natureza original •Medida de sucesso do modelo: a perfeita compatibilização entre o emitido e o recebido. •Feed-back (não é do modelo original)
  • 25.
    Modelo de Shannon& Weaver Matemático ou Informacional Características do modelo •Linear, unidirecional, bipolar e fechado •Ocupa-se da transmissão de mensagens •A cada código corresponde um significado decodificável. •O significado é imanente aos códigos da mensagem: o receptor apenas os decodifica •Os problemas de decodificação são tomados como problemas de ajuste de códigos •Função do feed-back: ajustar os códigos até que se atinja a eficácia da comunicação
  • 26.
    Modelo de Shannon& Weaver Matemático ou Informacional Conceito de comunicação do modelo “Conjunto de procedimentos através dos quais um mecanismo pode afetar outro mecanismo ou uma mente afetar outra mente” É FUNCIONAL, NÃO É UM PROCESSO SOCIAL
  • 27.
    Modelo de Shannon& Weaver Matemático ou Informacional Ganho fundamental do modelo informacional Os códigos utilizados devem ser comuns ao emissor e ao receptor
  • 28.
    Perspectiva da Comunicação &Desenvolvimento Pressupostos ❖Segurança nacional como variável dependente do desenvolvimento ❖Subdesenvolvimento como produto da falta de informação e de atitudes adequadas ao progresso ❖Comunicação como condição necessária e suficiente para prover informações e atitudes
  • 29.
    Perspectiva da Comunicação &Desenvolvimento Condições históricas, na Saúde, formaram um ambiente propício para a assimilação do modelo. ❖Centralização político-administrativa e permeabilidade a teorias e modelos de intervenção dos países centrais. ❖Ações de comunicação e educação: difundir para a população concepções médico-científicas hegemônicas e implantar normas, condutas e valores. ❖Privilegiamento da palavra autorizada e desqualificação de outras experiências e saberes.
  • 30.
    Conceitos subjacentes naperspectiva desenvolvimentista Características do emissor Características do receptor Funções da comunicação Tem conhecimento Vazio de conhecimento Prover conhecimento Tem atitudes progressistas É apático ao progresso Mostrar vantagens do progresso e despertar aspirações Tem valores corretos Não possui valores adequados Mudar valores Tem condutas ou sabe quais são as desejáveis Possui condutas ou hábitos indesejáveis Obter condutas e hábitos desejáveis Representa o que é moderno É tradicionalista, resiste a mudanças Quebrar o tradicionalismo Interpreta cientificamente a realidade É acientífico, não sabe interpretar a realidade Interpretar a realidade de acordo com a percepção do emissor
  • 31.
    Conceitos subjacentes naperspectiva desenvolvimentista Características do emissor Características do receptor Funções da comunicação É ator-emitente de mensagens É público-receptor de mensagens Prover condições para uma eficiente recepção de mensagens É protagonista É espectador Criar expectativas É sábio É ignorante Ensinar, entregar ciência e saber Conhece a verdade Desconhece a verdade Doar a verdade É superior É inferior Reconhecer a superioridade do emissor É sujeito do processo É objeto do processo Transformar o receptor num objeto mais maleável Fonte: Odilo Friedrich, 1986
  • 32.
    Perspectiva humanista-dialógica Abordagem contra-hegemônica ❖Inspiração na filosofia e pedagogia de Paulo Freire ❖ Dificuldade para implantar na prática ❖ Discrepância com tempos institucionais ❖ Não gerou modelos Discurso forte, permeou o campo das políticas públicas ❖ Originalmente ignorava todas as demais vozes, inclusive a mídia ❖ Novas configurações
  • 33.
  • 34.
    Perspectiva humanista-dialógica Ganho fundamentalda perspectiva dialógica O outro também possui conhecimentos
  • 35.
    Modelo da comunicaçãoem duas etapas Lazarsfeld e Schramm ❖Cada indivíduo toma parte de muitos grupos: formais ou informais ❖ Ao interagir com eles recebe sua influência ❖As relações interpessoais atuam como: ▪canais de informação ▪fontes de pressão para o indivíduo adaptar-se ao modo de pensar e atuar do grupo ▪base de apoio social ao indivíduo ❖Nas relações interpessoais há líderes de opinião que desempenham importante papel na formação das opiniões do grupo – mediador
  • 36.
    Modelo da comunicaçãoem duas etapas Lazarsfeld e Schramm Mediadores Mediadores Mediadores Receptores Receptores Receptores Receptores Emissor
  • 37.
    Elementos teóricos parapensar um outro modo de entender e fazer comunicação ❖ Polifonia ❖ Discursos concorrentes ❖ Rede de sentidos ❖ Contextos ❖ Lugar de interlocução ❖ Produção social dos sentidos O Modelo da Comunicação como Mercado Simbólico
  • 38.
    Bibliografia citada naaula: Araujo, I.S e Cuberli, M. Comunicación y Salud em America Latina: un campo en permanente movimiento. Em processo de publicação, como capítulo de um livro sobre a Comunicação na América Latina. Lançamento em agosto de 2014. Cardoso, J.M e Araujo, I.S. Comunicação e Saúde. Em: Pereira, I..S; Lima, J.C.F. (Org.). Dicionário da educação profissional em saúde. 2.a ed. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2009, p. 94-103. Cardoso JM. Comunicação, saúde e discurso preventivo: reflexões a partir de uma leitura das campanhas nacionais de Aids veiculadas pela TV (1987-1999) [dissertação]. Rio de Janeiro: Ufrj/Ec; 2001. 212 p. Cap. II: Textos que iluminam Oliveira, V. C. (2004). Comunicação, Informação e Participação Popular nos Conselhos de Saúde. Em: Saúde & Sociedade. Faculdade de Saúde Pública da USP e Associação Paulista de Saúde Pública. Maio-Agosto de 2004, 56-69
  • 39.
    Algumas referências bibliográficasde Inesita Araujo relacionadas ao tema de suas aulas na disciplina: LIVROS ▪Comunicação e Saúde. Editora Fiocruz, 2007. Com Janine M. Cardoso. ▪A Reconversão do Olhar. prática discursiva e produção dos sentidos na intervenção social. São Leopoldo: Unisinos; 2000. Esgotado. Versão digitalizada. ARTIGOS ▪Doenças negligenciadas, comunicação negligenciada. Apontamentos para uma pauta política e de pesquisa. RECIIS – R. Eletr. de Com. Inf. Inov. Saúde. Rio de Janeiro, v.6, n.4 – Suplemento, Fev., 2013. e-ISSN 1981-6278. Com Adriano de Lavôr Moreira e Raquel Aguiar ▪Contextos, mediações e produção de sentidos: uma abordagem conceitual e metodológica em comunicação e saúde. RECIIS – R. Eletr. de Com. Inf. Inov. Saúde. Rio de Janeiro, v.3i3. 280pt. DOI: 10.3395 ▪Mercado simbólico: um modelo de comunicação para políticas públicas. Interface – comunicação, saúde, educação, 8(14): 165-178, set.2003-fev.2004. ▪A Comunicação no Sistema Único de Saúde: cenários e tendências. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación . Ano 6, n.10 (1.o sem.2009). ALAIC, São Paulo, p.104-115. Com Janine Cardoso e Rodrigo Murtinho.
  • 40.
    Algumas referências bibliográficasde Inesita Araujo relacionadas ao tema de suas aulas na disciplina: CAPÍTULOS DE LIVROS ▪Estratégias discursivas na saúde indígena: outra história para contar. In: Roseni Pinheiro; Aluisio Gomes Silva Junior. (Org.). Por uma sociedade cuidadora. Rio de Janeiro: CEPESC:IMS/UERJ:ABRASCO, 2010, p. 231-252. ▪Reflexões inquietas sobre a comunicação, as fronteiras e o cuidado. Em: Pinheiro, Roseni e outros (Org.). Integralidade Sem Fronteiras: itinerários de justiça, formativos e de gestão na busca por cuidado. Rio de Janeiro, CEPESC-IMS-UERJ-ABRASCO, 2012, p.127-140. ▪Os tambores do Olimpo e os tambores da Grécia: por melhores lugares de interlocução. In: Fausto Neto, A. (Org.). Os mundos das mídias: leituras sobre a produção de sentidos midiáticos. 1a. ed. João Pessoa: Editora da UFPB, 2006, p. 233-251. ▪Comunicação e Saúde. Em: Pereira, I..S; Lima, J.C.F. (Org.). Dicionário da educação profissional em saúde. 2.a ed. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2009, p. 94-103. Com Janine Cardoso. ▪Mobilização comunitária: o que se diz, o que se faz, o que se pode pensar. Em: Brandão, A.P.; Garcia, D.. (Org.). Comunicação e Transformação Social- a trajetória do Canal Futura. São Leopoldo - RS: Unisinos, 2008, p. 207-218.
  • 41.
    Algumas referências bibliográficasde Inesita Araujo relacionadas ao tema de suas aulas na disciplina: CAPÍTULOS DE LIVROS ▪Comunicação e saúde: os princípios do SUS como ponto de vista. In: Pinheiro, R; Mattos, R.A.. (Org.). Cuidar do Cuidado: responsabilidade com a integralidade das ações em saúde. Rio de Janeiro: CEPESC-IMS/UERJ-ABRASCO, 2008, p. 61-78. Com Janine Cardoso ▪Comunicação e saúde. Em: Martins, C.; Stauffer, A.B. (Org.). Educação e Saúde. Rio de Janeiro: Epsjv/Fiocruz; 2007: 6 ,101-24. ▪Materiais educativos e produção dos sentidos na intervenção social. Em: Monteiro, S. & Vargas, E. (Orgs.) Educação, Comunicação e Tecnologia Educacional: interfaces como campo da saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2006. ▪Circulação polifônica. In: PINHEIRO, R.; MATTOS, R. (Orgs.) Construção social da demanda: direito à saúde, trabalho em equipe, participação e espaços públicos. Rio de Janeiro: Cepesc-Eerj/Abrasco, 2005. Com Janine Cardoso. ▪Razão polifônica: a negociação dos sentidos na intervenção social. Informare - Perspectivas em Ciência da Informação, 8: 46-57, jul.-dez., 2003.
  • 42.
    Algumas referências bibliográficasde Inesita Araujo relacionadas ao tema de suas aulas na disciplina: CAPÍTULOS DE LIVROS ▪Relações interétnicas e negociação simbólica ou Seriam os índios pós-modernos? Revista Eco, Rio de Janeiro, RJ, v. 4, n. 1, p. 35-46, 1999. ▪A batalha do Alto Rio Negro. In: Rubim, A.; Bentz, Ione M.G.; Pinto, M.J. (Org.). Comunicação e sociabilidade nas culturas contemporâneas. 1 ed. Petrópolis: Vozes / Compós, 1999, p. 117-134. PAPER DE CONGRESSO Em busca da transcultura e da pós-disciplnaridade.Texto apresentado ao GT Mídia e Recepção, VIII encontro da COMPÓS, em junho de 1999.