SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 244
Baixar para ler offline
Prefácio
       Nos anos 70, a excitação em torno dos experimentos com a analgesia por Acupuntura Chinesa lançou
uma inesperada mania por acupuntura no Ocidente. Durante o mesmo período. o interesse demonstrado pela
comunidade médica veio acompanhado por um desejo de integração, a qualquer custo, desta terapia, na
estrutura da medicina contemporânea. Assim, depois de ter sido por longo tempo rejeitada e muito discutida. o
ensino e a prática da acupuntura foi submetido ao impacto da excessiva modernização. Neste processo, a
acupuntura foi separada de suas raízes em uma tentativa de reduzi-Ia a uma .mera forma de reflexologia. O
conjunto de técnicas resultante, simplesmente tomadas por empréstimo de uma ciência chinesa como se esta
fosse pouco mais que uma fonte de inspiração, falhou em levar em conta as regras que norte iam sua aplicação.
Em Última análise, a clínica tornou-se o censor das "terapias com agulha" que foram incapazes de obter os
resultados terapêuticas esperados e que acentuavam os riscos. ou mesmo provocavam um desequilíbrio de
energia nos pacientes. Do mesmo modo. quando confrontadas com sua incapacidade de justificar uma prática
fora dos cuidados com as normas da Medicina Chinesa, os doutores ocidentais foram forçados a mudar sua
abordagem de modo a atacar de frente um pensamento médico originado em uma cultura diferente da_ deles
próprios.                                                                                                 .

       A abertura da China e a publicação, durante a Última década, de vários livrosl in_pirados pelo ensino
oferecido nos institutos chineses de medicina tradicional ajudaram a ocasionar esta mudança. Estas obras
dissiparam a superabundância de interpretações ocidentais, nas quais a acupuntura tinha se perdido, quando
não totalmente separada de sua articulação teórica, ou tornado-se totalmente atolada no esoterismo. A adoção
de um método didático baseado na fisiologia das vísceras (Zang Fu2) assim como nas Oito Regras do
diagnóstico (Ba Gang), facilitou a abordagem global da medicina chinesa, que nos é apresentada atualmente
como um sistema tanto coerente como flexível. Este sistema foi desenvolvido, por séculos, por sucessivos
acréscimos e justaposições baseados em duas teorias inseparáveis, do Yin-Yang e Jing Luo (meridianos3 e
vasos secundários).

ITais COl110 I.c Díagnoslíc cn Médecínc Chínoíse (8. Auteroche - P. Navailh. 1983); Zang Fu. The Organ S:vslems qf Tradítíonal Chínese
Medícíne (J. Ross. 1984). Foundatíons (_l Chinese Medícíne (G. Macioeia. 1989).
2Lang são chamados "Órgãos J'in" ou "Órgãos Compactos". Fu são chamados --Órgãos Yang" ou "Órgàos.Ocos". Na literatura francesa sobrc
acupuntura. Zang é traduzido COl110 "Órgãos" e Fu como "Tripas". .         .

3Jing significa canais. No entanto. por analogia COI11 as linhas traçadas em um mapa do mundo. G. Soulié de Morant. um dos
primeiros pioneiros em acupuntura no Ocidente. traduziu Jing como "meridianos". É esta tradução que deve ser mantida neste livro de
acordo com a nomenclatura padrão adotada no encontro de Hong Kong em 1985.
16 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS

       A nível macro, a mecânica celestial explica a interação e equilíbrio das estrelas e planetas no Universo.
A nível micro, a mecânica quântica situa a interação e equilíbrio das células e elétrons no átomo, do átomo nas
moléculas, etc. Do infinitamente grande ao infinitamente pequeno, tudo é Energia... Por mais de dois milênios,
a argumentação médica chinesa, que é influenciada pela filosofia Taoísta, apóia-se em uma concepção do
Universo, baseada na energia, que tem sido defendida pela física moderna. Para os chineses, a existência e o
equilíbrio de qualquer sistema resulta da constante interação de duas forças antagônicas e complementares, o
Yin e o Yang, que são simplesmente duas expressões de uma energia fundamental. A proporção variável de Yin
e Yang determina a resistência relativa de um sistema e numerosos graus de manifestação da energia. Por este
ponto de vista, a oposição energia/matéria é apenas aparente: matéria só representa um aspecto particular da
energia (condensação), sua forma manifesta (a maioria Yin). Não há energia sem matéria, nem matéria sem
energia. Yin e Yang não podem ser separadas uma da outra, mas podem ser convertidas uma na outra. Quando
uma aumenta, a outra diminui. O equilíbrio que elas formam é sempre dinâmico, e sua oposição, como a fonte
de todo !llovimento, é apenas relativa, já que Yin está na;, Yang e Yang está na Yin. Na linguagem
contemporânea, pode-se dizer que a t:hatéria (Yin) e a energia (Y ang) são apenas variantes de um princípio
unitário que tem um caráter dual, ao mesmo tempo ondulatório (energia) e corpuscular (matéria). .
      Assim como todos os componentes do Universo, o Homem é apenas a expressão da Unidade.
Considerado como um microcosmo em um macrocosmo, ele é em si mesmo a sede da transformação da
energia. De modo a circular por todo o organismo, as energias humanas adotam cursos particulares, que são os
Jing Luo. Eles também mantêm o equilíbrio Yin-Yang por conectar várias partes do corpo, seja entre elas
mesmas ou com o meio ambiente externo. Acupuntura é a arte e a ciência de guiar e regular o fluxo destas
energias. No caso de desequilíbrio, o acupunturista intervém de acordo com regras que são específicas para a
Tradicional Medicina Chinesa, estimulando certos "pontos" em que são beneficiadas áreas onde a Energia e
Sangue dos meridianos estão concentrados. É assim que ele pode restaurar a circulação que estava alterada.
       A doutrina antiga do Yin-Yang contém e expressa, de forma simbólica, as teorias desenvolvidas desde o
início do século 20, por médicos, tais como De Broglie, Heisenberg e Planck. Ela inclui, de fato, os conceitos
de dualidade e unidade que derivam do conceito de relatividade que Einstein aplicou a dupla espaço/tempo. No
entanto, a partir da perspectiva chinesa, esta relatividade não é limitada. É generalizada e estruturada
hierarquicamente. Essa estruturação hierárquica designa uma primazia do Yang sobre o Yin, porque o Yang
fecunda e o Yin produz. ATerra (Yin) é dominada pelo Céu (Y ang), fonte das primeiras energias. Como o Yang
é identificado com o Tempo e o Yin com o Espaço, o primeiro torna-se o organizador do segundo. Assim, em
oposição aos ocidentais, os chineses não têm obsessão pelo mensurável ou pelo quantitativo, que impõe a
fixidez das coisas, porque a visão de mundo subjacente à medicina Chinesa se apóia não no Espaço, mas no
Tempo. O modelo biológico que figura assim neste esquema é dinâmico e processual, mais que mecânico:
PREFÁCIO   - 17
nada é linear, e tudo é cíclico. "O que não pode ser medido é mais importante do que o que pode ser medido, e
o que não é aparente é mais importante do que o que é:' Esta visão de mundo dá origem à percepção do
Homem e da Saúde, que é inevitavelmente diferente daquela que prevalece no Ocidente. Eis porque o
treinamento médico dado no mundo ocidental, embora certamente tenha seu valor, torna-se limitado em sua
pretensão de entender totalmente a acupuntura. A medicina convencional baseia-se na lógica clássica que
origina leis que governam a matéria e que funciona de acordo com o princípio da não contradição. Esta
medicina não pode aplicar seu modo de pensar à Tradicional Medicina Chinesa. que se origina de uma lógica
retalhista baseada no princípio da contradição intrínseca (Yin- Y ung). A medicina chinesa concebe o ser huma-
no como um sistema de energia em equilíbrio dinâmico com o seu meio ambiente, e vê a doença como uma
quebra nesta harmonia. De acordo com esta lógica, a saúde não é apenas o equilíbrio interno do corpo, é
também o equilíbrio do homem em relação ao meio ambiente externo. .
       Embora elas se complementem uma à outra, as medicinas Chinesa e
Ocidental não podem ser usadas para explicar uma à outra. A medicina contemporânea é articulada como um
modo analítico de pensar. Ela se expressa em termos do Sintoma e se baseia em estrutura anatômica,
causalidade e na dicotomia corpo/mente. Em oposição a este sistema, a Medicina Chinesa expressa um modo
sintético de pensar, através do Símbolo; como tal, não analisa. Não se preocupa com a anatomia. Ao contrário,
observa, estabelece correspondências e joga com analogias. Suas bases se apóiam de um lado na função, e no
continuum corpo espírito, de outro. Conseqüentemente, seus subprodutos. tais como a acupuntura,
farmacopéia, dietética, massagens, os exercícios conhecidos como Tuiqi Quem e Qicong devem ser vistos de
uma maneira que é consciente de sua especificidade. Não podem, em verdade, ser considerados como uma
técnica dependente da medicina moderna, com a qual, além do mais, não têm qualquer laço de causalidade.
Isto não exclui a necessidade de buscar a pesquisa científica. Nesta união, resultados promissores já foram
registrados, o que dá origem a várias hipóteses a respeito dos mecanismos de sua ação.
        Embora tenham sua importância, estes resultados são contudo fragmentares para o momento, e lidam
particularmente com o fenômeno analgésico, que a descoberta das endorfinas substanciou parcialmente.
Contudo, eles ainda não autorizam o uso de um modelo neuro-endócrino em lugar do modelo chinês da energia
para explicar todos os efeitos da acupuntura. As aplicações da acupuntura são múltiplas, e não podem ser
limitadas unicamente à analgesia. Apesar dos progressos da moderna ciência médica, estes experimentos ainda
não tornaram obsoleto o princípio fundamental que guia a prática diária do acupunturista contemporâneo. Ao
contrário, eles demonstraram que nenhuma pesquisa séria pode ser empreendida sem estudo preliminar das
teorias tradicionais. Sem dúvida, a raiz da parte mais importante destes experimentos, repousa, precisamente,
no Jing Luo. Estes Jing Luo podem ser considerados como a pedra angular da medicina chinesa que torna
possível desenvolver uma fisiologia muito complexa, baseada em energia e uma acuterapia cujas leis foram
codificadas nos Clássicos.
18   - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS
      A teoria Jing Luo, como é conhecida atualmente, foi estabelecida de forma quase definitiva no
Ling Shu, que é, em si, uma parte constitutiva do Huangdi Nei Jing ("The Y ellowEmperors Inner
Classic" ou "Canon of Medicine"). Esta última obra, que está relacionada ao legendário imperador
Huangdi, é em realidade o somatório das sucessivas contribuições de numerosos doutores anônimos.
Foi desenvolvido durante um período que se estende desde os Reinos em Batalhas (475 a 221 a.C) até
a dinastia Han Oriental (206 a 220), época em que foi terminadal. Em Han, a obra original era
composta por 18 rolos especializados, 9 dos quais constituíam o Su Wen ("Questões Essenciais"),
com os 9 outros sob o nome de Zhen Jing ("Clássico das Agulhas") ou Jiu Juan ("Nove Rolos") .
       O livro primitivo (Zhen Jing ou Jiu Juan) continha 81 Capítulos. Nas dinastias Sui (581 - 618) e Tang
(618 - 907), apareceram várias versões alternativas: Jiu Ling ("Nove Imortais"), Jiu Xu ("Nove Montes") e,
finalmente, Ling Shu ("Eixo Espiritual"2). Após a dinastia Song Setentrional (960 - 1127), o texto original
do período Han Oriental e a maioria das versões correntes nos períodos Sui e Tang desapareceram. Entre
as raras versões existentes atualmente, a mais propagada é aquela de Shi Zong da dinastia Song do Sul (1127 -
1279) que escreveu um Ling Shu em 84 volumes a partir de um texto em 9 rolos que tinham sido
preservados por sua família. O Ling Shu que chegou até nós éÚualmente é em sua maior parte o trabalho de
comentaristas que, durante os séculos seguintes, trabalharam essencialmente sobre o documento de Shi Zong.
Estes Ling Shu não apresentam variações essenciais a respeito do conteúdo geral. No entanto, uma leitura
cuidadosa dos comentários e glossários que os acompanham, evidencia notáveis diferenças quanto à
interpretação dos textos originais.

I"A primeira menção ao Nei .Jing é encontrada nos Anais do Han (Primeiro século a.c.)" (A. Husson. 1973. pág. 13). Enquanto há um
consenso quanto ao período em que Nei .Jing foi mais provavelmente escrito. continuam os debates a respeito da data precisa da obra.
Para A . Husson [1973. pág. 12] "este é um tratado relativamente recente que contém muitos fraginentos antigos e o eco de obras que
desapareceram durante uma queima de livros decidida por Qinshi Huangdi em 213 a.c.". Ming Wong [1987. págs. 3-4] não
compartilha do ponto de vista de Husson a respeito do auto-da-fé. Ele considera que "a essência do sistema médico do Ling
Shu foi concebida por doutores anônimos d_rante o período Qin (cerca de 221 a 206 a.c.) que se ocultaram s6b o prestígio do nome de
Huangdi. O lrnperador Qinshi Huangdi. o instigador do auto-da-fé tel'ia. no princípio. retido os tratados sobre agricultura. anatomia c
medicina. Como parte da sua busca da imortalidade, o imperador exerceu estrito controle sobre as artes da cura." Classificando o Wu
XiYig (traduzido como Cinco Elementos. Cinco Movimentos ou Cinco Fases) e o Zang Fu (vísceras). de acordo com ás eras. Meng
Zhaowei demonstra que a obra não poderia ter sido escrita antes da dinastia Han Oriental. Seu argumento se baseia no fato de que em
Tai Xuan (6 2 a.c.).. a relação Wu Xing/Zang Fu era completamente diferente daquela que f()i estabelecida no Huangdi Nei Jing. À
parte o Rim. que é associado com a Água. todas as outras atribuições são inconsistentes (Pulmão - Fogo. Baço - Madeira. Fígado -
Metal. Coração - Terra). As ligações idênticas ao Nei .Jing (Pulmão - Metal, Fígado - Madeira. Baço - Terra. Coração - Fogo) não
aparecem na literatura até 200 a.c.. na época da morte de Zhen Kangcheng. Além disso. na Primavera e Outono de Lu. uma obra do
início da dinastia Jin (265 - 420 a.c.). foi confirmado que a ligação do Wu Xing/Zang Fu teve lugar durante a primeira parte do reinado
                   -
Zhou Oriental (771 476 a.c.) - isto é. os períodos da Primavera ._ Outono - o mesmo que aquela que é descrita no Tai Xuan. ou durante
os dois séculos que seguiram. a publicação deste último. localizando assim este escrito na era Han Oriental. (A Origem.
Estabelecimento. e Prospectos da Teoria dos Canais. págs.. 257 - 258. Meng Zhaowei. Simpósio Nacional de acupuntura e
moxibustão e anestesia por acupuntura. Beijing. 1979).
"Também chamada "Sustentáculo Milagroso" ou "Centro da Espiritualidade".
PREFÁCIO - 19


           Quando escreviam este atlas, os autores usaram primeiramente um texto do Huangdi Nei Jing Ling Shu
    que foi publicado em 18061, e que eles compararam com a edição comentada e anotada pelo Instituto Hebei de
    Medicina Chinesa (1982).
           O sistema Jing Lua é da maior importância no diagnóstico e terapêutica. Ele permite a compreensão e
    análise de um grande número de sintomas que se encaixam na estrutura teórica clínica (Zheng) e cujas áreas de
    manifestação não podem ser explicados de outro modo senão pelos cursos dos meridianos. Sobretudo, as
    relações que os meridianos mantêm entre si e com as vísceras justificam amplamente as funções atribuídas aos
    pontos, determinando assim quais pontos são selecionados. Por exemplo:
.   XiclRuan (E 7) é indicado para tratar a otalgia incluída na síndrome clínica denominada "Elevação do Fogo na
  Vesícula". A utilização deste ponto para eliminar o Calor patogênico que ataca o ouvido não é mera
  coincidência. Entre os pontos próximos à área da afecção, Xiaguan (E 7) é o único ponto onde o principal
  meridiano da Vesícula Zu Shao Yang faz interseção com o meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming.
         Assim, trabalhar uma combinação de pontos, pressupõe não apenas uma compreensão profunda dos
  meridianos (Jing), mas também de seus canais secundários. Se estes canais secundários forem ignorados, então
  a ação de certos pontos em zonas nas quais o principal meridiano não toca, torna-se incompreensível. Por
  exemplo:
" O meridiano divergente do Estômago Zu Yang Ming , que ao longo do seu curso, faz o trajeto para o Estômago,
  se dispersa no Baço, ascende e penetra o Coração, provendo assim a ligação entre o Estômago e o Coração.
  Esta conexão não pode ser feita nem pelo meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming que.. não passa
  através do Coração, nem pelo meridiano principal do Coração ShOll Shao Yin, que não vai para o Estômago.
. O meridiano principal da BexigaZu Tai Yang, do qual um substancial número de pontos são parte de
    métodos disponíveis para uso no tratamento das hemorróidas, não chega ao ânus. A relação entre este
    último e o meridiano principal da Bexiga Zu Tai Yang só pode ser estabelecida por seu próprio canal
    divergente.
           Traduções completas do Ling Shll foram publicadas no Ocidente, onde o interesse dos
    acupunturistas em obter conhecimento direto dos clássicos fundamentais estão surgindo. Embora
    relativamente poucas em número, estas traduções atestam a necessidade crescente no Ocidente de um
    retorno às fontes básicas, o que coloca a acupuntura dentro da estrutura da Medicina Chinesa da qual
    só pode ser isolada às custas da coerência e da eficácia..
           Atualmente, a Medicina Chinesa é melhor compreendida. A estrutura
      teórica clínica (Zheng) é atualmente bem conhecida entre os acupunturistas .ocidentais. Entretanto, o
                                                    problema terapêutico provavelmente continua intocado

    'Biblioteca pessoal. Este Ling Shu. datado do décimo ano do Nian Hao Rui Huangdi (i.é.. 1806) é uma ,versão Ma Yuan Tai.
20 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS

por aqueles que negligenciam o estudo do Jing Luo e que interpretam celios tratados sobre Medicina
Chinesa, superficialmente. Os sintomas descritos nestes livros são seguidos pelo estabelecimento de um
certo nÚmero de pontos que podem entrar no tratamento das síndromes. Utilizar todos estes pontos
indiscriminadamente, não faria sentido. Poderia de fato. tornar impossível individualizar o
tratamento, sendo assim, uma pseudoforma da prática da acupuntura. É óbvio que nenhum paciente pode
refletir perfeitamente um modelo clínico que, por definição, é teórico. O objetivo dos autores é pura-
mente didático, e não destinado a fornecer receitas e sim, ao contrário, estimular os leitores à reflexão e
prover a base para escolhas terapêuticas informadas. Ao idealizar um atlas dedicado à topografia dos
meridianos e seus colaterais, nosso objetivo era fornecer uma descrição detalhada das vias da energia e desse
modo fazer uma modesta contribuição ao processo de tomada de decisão. Embora este atlas fosse
inicialmente destinado aos estudantes, esperamos que este livro interesse também aos clínicos e pesquisadores.

Gostaríamos de expressar nossos agradecimentos especiais a:
- Dra. Sona Tahan, Diretora de Educação na Fundação de Acupuntura do Instituto Canadá, que fez
substanciais contribuições para este livro em cada passo de sua preparação. Foi ela que se prontificou a revisar,
corrigir e traduzir para o inglês a versão original do francês, deste Atlas, que foi publicado por Maloine
Éditions em 1990.
- Mr Donald Kellough que revisou a tradução deste livro para o inglês.

     Gostaríamos de enviar nossos agradecimentos a todos aqueles que. em vários momentos, ajudaram-nos a
completar este trabalho.

Os autores Québec City, 1998
1. Meridianos e Colaterais (Jing Luo)

       Na Tradicional Medicina Chinesa (daqui em diante citada como TMC), os movimentos da Energia (Qi)
são estruturados de acordo com cursos especiais denominados Jing Mai e LuO Mai (tabela 2).
       Jing e Luo designam dois importantes tipos de vasos (Mai) usados pelo Qi para circularem em todo o
corpo: os meridianos (Jing) e seus vasos secundários (Luo). A expressão Jing Luo é um termo genérico que
define toda a rede de circuitos dos meridianos e seus vasos secundários. O papel do sistema Jing Luo é prover
conexões interviscerais e comunicação entre as vísceras e as extremidades, e regular a função de cada parte do
corpo, isto é, manter o equilíbrio entre o Exterior (Biau) e o Interior (Li), Direita e Esquerda, Em cima e
Embaixo.
       A TMC ensina que a Energia (Qi) e o Sangue (Xue) estão tão estreitamente relacionados que é
fisiologicamente impossível 'separá-Ios. Sem dÚvida, o Sangue só pode circular quando "empurrado" pela
força da Energia contida nos meridianos. Portanto, estes transportam tanto o Sangue quanto a Energia; no
entanto, por causa do papel preponderante do Qi na relação QiXue, a maioria dos autores menciona apenas a
circulação da energia quando se referem ao sistema Jing Luo.
       O caracter Mai significa "vasos"l e "pulso". A interpretação do Mai em cada um destes significados é
fonte de alguma confusão na literatura ocidental. Entretanto, a ambigÜidade é apenas aparente. Ela desaparece
à luz da relação interdependente do Qi, Xue e Mai. Qi é a força dinâmica para Mai, que contém Xue. Mai
encerra Qi para assegurar o movimento do Xue nos vasos. Mantendo este ponto de vista, diz-se que "Mai é
propelido graças ao Qi, e Xue é propelido graças ao Mai Qi". Assim, Mai designa a rede que limita e direciona
os movimentos de Qi e Xue no corpo, bem como "as pulsações rítmicas no movimento das Substâncias nos
vasos"2.

      A teoria Jing Luo interessa para a síntese funcional que é uma característica específica da TMC. Ela
forma as múltiplas estruturas que são parte da síntese indissociável uma da outra. Este conceito ilustra a
singularidade da filosofia médica chinesa, que muito claramente apresenta um quadro da fisiologia e da
patologia que tem vantagens sobre a que é ensinada na medicina ocidental. Portanto, seria, sem dÚvida, um
erro muito sério acreditar que a medicina ocidental possa se sobrepor à Tradicional Medicina Chinesa.

IV_!SOS dc   Encrgia (Qi Mai) ou Vasos SangÜincos (Xue Atai). cont(mlle o contexto. "Ross..I. Zang Fu. 1985. pág. 9.
2. Classificação e funções Do Jing Luo

 2.1 Os meridianos (Jing Mal)

 Os meridianos são divididos em 4 categorias:
 . Os meridianos principal, regular e ordináriol (Jing Zheng)
 . Os meridianos tendinomusculares (Jing Jin)
 . Os meridianos divergentes ou distintos (Jing Bie)
 . Os meridianos irregulares ou extraordinários (Qi Jing Ba Mai)

 2.1.1. Os meridianos principais (Jing Zheng)

       O caracter chinês Zheng, traduzido como "principal", também significa "reto", "direto", o que
 corresponde rigorosamente ao curso destes meridianos primários.
       Os principais meridianos são em nÚmero de 12, e bilaterais; do mesmo modo, apresentam ambos os
 cursos, um superficial e um profundo.
       Sua principal função é distribuir o Qi visceral para todos os tecidos do corpo.
       Eles abrangem um sistema baseado em Yin- Yang e asseguram a comunicação entre os órgãos Zang e os
 órgãos Fu:


.   Meridianos Yin relacionados aos órgãos Zang se conectam com os órgãos Fu.
 Por exemplo, o meridiano Zu Jue Yin pertence ao Fígado (Gan) e se conecta com a Vesícula (Dan).
. Meridianos Yang relacionados aos órgãos Fu se conectam com os órgãos Zang.
 Por exemplo, o meridiano Zu Shao Yang pertence à Vesicula (Dan) e se conecta com o Fígado (Gan).
 O nome dado a cada meridiano é determinado por:
 . A natureza ou polaridade da energia (Yin ou Yang) que flui no           meridiano;
 . A víscera (Zang ou Fu) com a qual o meridiano se comunica;
 1 Também chamados "meridianos primários" ou "canais principais" dependendo do autor.
OBSERV AÇÕES GERAIS         - 27

. A qualidade ou intensidade (Tai, Shao, Jue) da energia Yin ou Yang;
. O membro onde o meridiano começa ou termina [membro superior (Shou: Mão), membro inferior (Zu: Pé)].
      De acordo com a natureza da energia, os 12 meridianos são divididos em 6 Yang e 6 Yin. .
      Os 6 meridianos Yin pertencem aos órgãos Zang (Baço, Pulmão, Rim, Fígado, Coração, Pericárdio) e os
6 meridianos Yang pertencem aos órgãos Fu (Estômago, Intestino Grosso, Bexiga. Vesícula Biliar, Intestino
Delgado, Triplo Aquecedor).
      A íntensidade da energia que f1ui nos meridianos Yin ou Yang é Shao,Tai, Ming ou Jue.
      . Shao significa "recém-começado", recém nascido, pequeno.
        A Energia em Shao Yang e Shao Yin é jovem mas, potencialmente forte. Está em pleno crescimento.
       . Tai significa "grande", "supremo". A Energia se desenvolve e atinge seu máximo de atividade em Tai
Yang e Tai Yin. Ela atinge seu pico e começa a diminuir.
       .Ming significa "claro". "brilhante", "luminoso". Jue significa "absoluto", .'fina!". "exaurido".
. Yang Ming (= Jue Yang) e          Jue Yin representam a fase terminal do Yang       e Yin. respectivamente.
      Os meridianos Yin e Yang que terminam ou começam na mão, levam o nome dos meridianos principais
da Mão (Shou Jing Zheng). Os meridianos Yin e Yang que terminam ou começam no pé. levam o nome de
meridianos     principais do Pé (Zu Jing Zheng).
Os 3 meridianos Yin da Mão, são:
 . Shou Shao Yin do Coração
. Shou Tai Yin do Pulmão
. Shou Jue Yin do Pericárdio

Os 3 meridianos Yin do Pé, são:
. Zu Shao Yin do Rim
.,Zu Tai Yin do Baço
. Zu Jue Yin do Fígado

Os 3 meridianos Yang da Mão, são:
. Shou Shao Yang do Triplo Aquecedor'
. Shou Tai Yang do Intestino Delgado
. Shou Yang Ming do Intestino Grosso
Os 3 meridianos Yang do Pé, são:
. Zu Shao Yang da Vesícula
. Zu Tai Yang da Bexiga
. Zu Yang Ming do Estômago.

1 [Também chamado "Triplo Queimador". "Triplo Energizador". "Três Aquecedores".
28 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS

       A natureza do Yang é ascendente, e a do Yin é descendente. No entanto, o Yang participa do Yin e vice-
versa. Assim, a energia dos 3 meridianos Yang da Mão (Yang do Yang) e os 3 meridianos Yin do Pé (Yang do
Yin) ascendem. A Energia dos 3 meridianos Yin da Mão (Yin do Yin) e os 3 meridianos Yang do Pé (Yin do
Yang), descendem.
Cada meridiano Yang do membro superior (Yang do Yang) se dirige para a cabeça, onde encontra um
meridiano Yang do membro inferior (Yin do Yang). Este último desce em direção ao dedo do pé, onde encontra
um meridiano Yin do membro inferior (Yang do Yin). O meridiano Zu Yin volta para o peito e encontra um
meridiano Yin do membro superior (Yin do Yin).
Portanto:
. Os 3 Yin do membro superior descem do peito para a mão . Os 3 Yang do membro superior sobem da
mão para a cabeça . Os 3 Yang do membro inferior descem da cabeça para o pé . Os 3 Yin do membro
inferior sobem do pé para o peito.

2.1.2. Os meridianos tendinomusculares (Jing Jin)

       Os Jing Jin são em número de 12. e bilaterais. No Ocidente, são chamados "meridianos
tendinomusculares". Embora este nome esteja semanticamente incorreto], ele é comumente aceito. Mais
precisamente, o Jing Jin representa os músculos, tendões e ligamentos pertinentes ao território de cada
meridiano principal.
       Os meridianos tendinomusculares estão relacionados aos meridianos principais dos quais eles
dependem, mas não penetram nos órgãos. Sua função é manter o esqueleto unido, manter a coesão de todo o
corpo e comandar o movimento das articulações.
      Todos os meridianos tendinomusculares começam nas extremidades distais dos membros e seguem um
curso ascendente, envelopando todos os músculos no seu trajeto. Eles correm em espirais consecutivas,
"inundando" os meridianos principais, e ligando ou formando nós (Jie) nas articulações. Em geral, eles
conectam grupos de músculos sinérgicos.
Os 6 meridianos tendinomusculares Yang e os 6 Yin fazem seu trajeto através de áreas musculares comuns:
                             . Os 3 meridianos tendinomusculares Yang da Mão correm para a   escápula e sobem
para a região do ouvido;
                . Os 3 meridianos tendinomusculares Yang do Pé cruzam a fossa supraclavicular                e
sobem para a região do olho;
               . Os 3 meridianos tendinomusculares Yin da Mão penetram no peito e            ligam-se à parede
interna dos músculos torácicos;
              . Os 3 meridianos tendinomusculares Yin do Pé sobem para a parte inferior                    do
abdome. Com exceção do Zu Jue Yin do Fígado. eles se ligam à parede interna dos                      músculos
torácicos e abdominais.

I "Os músculos e tendões I1xados aos meridianos" seria uma tradução melhor.
OBSERV AÇÕES GERAIS - 29


Os meridianos tendinomusculares reúnem-se em:
. Benshen (VB 13) para os 3 Yang da Mão
. Quanliao (ID 18) para os 3 Yang do Pé
. Yuanye (VB 22) para os 3 Yin da Mão
. Zhongji (RM 3) para os 3 Yin do Pé

       Os textos antigos mencionam apenas as áreas onde os meridianos tendinomusculares aglomeram-se. No
entanto, como os pontos que indicamos são encontrados no meio destas áreas em particular, é comumente
aceito que eles atuam também como meridianos tendinomusculares. Esta teoria surgiu na prática.
       A função dos mÚsculos depende do Baço (Pi) e Fígado (Gan) e especificamente o Sangue (Xue) destes
dois órgãos. Graças à sua função nutritiva (Yin) , o Baço (Pi) controla a forma (Xing), ou o volume muscular,
enquanto o Fígado (Gan) é responsável pelo aspecto Yang da função muscular de volume í.é, a contratilidade
dos mÚsculos e tendões. O Baço (Pi) elabora o Qi e o Xue, "nutre e umidifica" os mÚsculos. Na fisiologia
chinesa, ele "governa a carne. os músculos. os tendões e os quatro membros". Estas observações são
importantes porque os autores ocidentais tendem facilmente a referir os mÚsculos e tendões apenas ao
Fígado (Gan).

2.1.3. Os meridianos divergentes (Jing Bie)

      O ideograma chinês Bie significa "divergente". "separado", "distinto", o que indica que o vaso está se
separando ou divergindo do meridiano principal.
       Os meridianos divergentes são em nÚmero de 12 e bilaterais. Eles derivam dos meridianos principais e
dependem destes Últimos. Seu papel é completar as funções dos meridianos regulares. assegurando a conexão
entre os 2 meridianos e as 2 vísceras de polaridades opostas (Yin- Yang).
       Assim como os meridianos principais, os meridianos divergentes apresentam relações Yin- Yang entre
eles. Na literatura chinesa, eles são descritos como "duplas" ou "Uniões" (Hue):
. Primeira União:
meridianos divergentes Zu Tai Yang da Bexiga e Zu      Shao Yin do Rim

. Segunda União:
meridianos divergentes Zu Shao Yang da Vesícula Biliar e Zu Jue Yin do Fígado
. Terceira União:
meridianos divergentes Zu Yang Ming do Estômago e Zu Tai Yin do Baço
. Quarta União:
meridianos divergentes Shou Tai Yang do Intestino Delgado e Shou Shao Yin do Coração
. Quinta União:
meridianos divergentes Shou Shao Yang do Triplo Aquecedor e Shou Jue Yin do Pericárdio
. Sexta União:
meridianos divergentes Shou Yang Ming do Intestino Grosso e Shou Tai Yin do Pulmão
30 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS

      Os meridianos divergentes separam-se de seus meridianos principais em uma área geralmente localizada
nos membros, denominada Li1. Depois de fazer o trajeto em seu curso interno, eles se juntam na parte superior
do corpo (pescoço, cabeça) em uma área de união denominada He2
      Os livros antigos só mencionam as áreas de separação, passagem e união dos meridianos divergentes
sem especificar os pontos de acupuntura.
      Depois de se separar de seu meridiano principal, o meridiano Yang        divergente:
           . Liga-se ao órgão Fu a ele relacionado, e então ao órgão Zang acoplado;
           . Une-se ao seu meridiano principal e meridiano divergente Yin acoplado à parte superior do corpo.
           Depois de se separar de seu meridiano principal, o meridiano Yin                               divergente:

           .    Liga-se ao órgão Zang a ele relacionado, e então ao órgão Fu acoplado;

           . Une-se ao seu meridiano divergente Yang na área em que este último                           encontra      o   meridiano
principal.
       Diferentemente do meridiano divergente Yang, o meridiano divergente Yin não retoma ao meridiano
principal do qual se origina.
       Todos os meridianos divergentes atravessam o Coração (Xin), exceto os meridianos divergentes Shou
Tai Yin do Pulmão, Shou Yang Ming do Intestino Grosso e Zu Shao Yin do Rim.
       Os meridianos divergentes apresentam muitas variantes devido a versões diferentes do Ling Shu e suas
diferentes interpretações. Contudo, estas discrepâncias não lançam dúvida sobre as importantes relações dos
órgãos conectados a estes meridianos, porque as diferenças referem-se apenas a ramificações secundárias.


2.1.4. Os meridianos irregulares (Qi Jing Ba Mai)

Os meridianos irregulares3 são em número de 8, e agrupados em 4 meridianos Yang e 4 meridianos Yin:
     4 meridianos Yang               4 meridianos Yin
           . Du Mai                                 . Ren Mai
           . Dai Mai                                . Chong Mai
           . Yang Qiao Mai                          . Yin Qiao Mai

           . Yang Wei Mai                           .    Yin Wei Mai
Diferentemente dos meridianos principais, os meridianos irregulares não apresentam relações
Exterior-Interior (Biao-Li), e não mantêm qualquer comunicação especial com as vísceras, daí seu
nome "particular" ou "curioso". Eles estão em contato com os meridianos principais, cruzam-nos, e
tomam emprestados seus pontos. Apenas o Du Mai e o Ren Mai têm seus próprios

I Li   significa "séparar". "divergir". "abandonar". "sair".
211e signilica "unir". "juntar".
'Estes meridianos. também designados como "extraordinários". atualmente chamados simplesmente de "meridianos extras".

"curiosos". "maravilhosos". sào
OBSERV AÇÕES GERAIS       - 31

pontos. O principal papel dos meridianos irregulares é reforçar a conexão entre os meridianos regulares, para
regular o Qi e o Xue. Excesso de Qi e Xue nos meridianos principais flui para e se concentra nos 8 meridianos
irregulares, onde é estocado, para ser redistribuído em caso de uma deficiência nos meridianos regulares.

2.2. Os colaterais (Luo Mai)

       Os colaterais são inumeráveis. Os maiores são em número de 16. 12 Luo estão localizados nos membros.
e os 4 Luo restantes estão localizados no tronco.

       Classicamente, existem 15 Luo Mai. mas eles se tornam 16. se o Grande Luo do Estômago (Wei Zhi
Da Luo, também chamado Xu Li) for acrescentado à lista. Este Luo é o único que se origina em um órgão
Fu. Exceto pelo Grande Luo do Estômago, que não faz parte do Luo Mai clássico, os outros 15 vasos
secundários começam em um ponto particular do meridiano ao qual pertencem [13 pontos Luo estão
localizados em um meridiano regular e 2 em um meridiano irregular (Du Mai e Ren Mai)].

2.2.1. Os doze Luo localizados nos membros

      Estes colaterais dependem dos 12 meridianos principais. Na literatura médica chinesa, eles alguma;
vezes recebem o mesmo nome do ponto de acupuntura onde se originam, e são seguidos pela expressão
"Luo Bie. Por exemplo, o Luo Mai do Shou Tai Yin do Pulmão que se separa (Bie) do seu meridiano principal
em Lieque (P 7), é também chamado Lieque Luo Bie.
      O principal papel de cada vaso secundário é conectar 2 meridianos de polaridade oposta. Eis porque os
doze Luo Mai localizados nos membros são geralmente chamados "Luo de ligação".
       Cada um dos 12 colaterais que derivam dos meridianos principais
        divide-se em 2 ramos:
       . um longitudinal];
       . o outro transverso2.

       - O ramo longitudinal geralmente segue ao longo do membro relacionado.
       - O ramo transverso acopla seu meridiano com um outro meridiano de polaridade oposta (Yin- Yang).
      Embora haja apenas um Luo, muitos autores ocidentais descrevem um Luo Longitudinal e um Luo
Transverso. Esta descrição moderna é, por razões práticas, geralmente aceita.
       Várias escolas adotam a hipótese3 proposta pelo acupunturista vietnamita Nguyen Van Nghi, e
ensinam que os 12 vasos secundários (Luo Mai) terminam

ILUllhén} chamado "ramiticação primária" ou "vaso avÔ".
"Também chamado "ramificação secundária" ou "vaso pai".
'Esta hipótese deriva da interpretação de um texto do Zhenjiu Dacheng que descreve o tratamento dos 12 meridianos de acordo com a
técnica "Hospedeiro-Convidado". que associa o Luo c os pontos Yual?
32 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS

no ponto Fonte (Yuan) do meridiano acoplado - uma posição muito discutível, sem dúvida. A propósito, é
importante observar que tanto os modernos quanto os antigos textos chineses não especificam o ponto de
encontro do Luo Transverso com o meridiano acoplado.

2.2.1.1. Sun Luo, Fu Luo e Xue Luo

o Slm Luo, Fu Luo c Xuc Luo são os sub-ramos do Luo Mai.
. O Sun Luo, ramificações terciárias ou "vasos netos", derivam do Luo Mai. Estes diminutos sub-ramos
verticais estão distribuídos por toda a superfície do corpo, mas também nas vísceras.
O Fu Luo e o Xue Luo são as menores ramificações superficiais:
. O Fu Luo, ou "vasos flutuantes", surgem do Sun Luo.
. O Xue Luo, ou "Luo minúsculo", são ramificações horizontais do Fu LuO.
     O Sun Luo, Fu Luo e Xue Luo estão em relação direta com o Grande Luo do Baço (Pi Zh i Da Luo) que
desempenha o papel de uma "vasta rede mantendo juntos os outros 14 Luo Mai" (Ling, Shu, Capítulo 10).

2.2.2. Os quatro Luo particulares localizados no tronco

Entre estes:
. o Du Mai Luo e o Ren Mai Luo, fixados aos meridianos irregulares Du
 Mai (Vasos Governadores) e Ren Mai (Vasos Concepção);
. o Pi Zhi Da Luo ("Grande Luo" do Baço, também chamado Dabao)
 pertence ao meridiano principal Zu Tai Yin do Baço;
. o Wei Zhi Da Luo ("Grande Luo" do Estômago), também chamado Xu        Li, pertence ao órgão Estômago
(Wei).
3.     Organização do Jing Luo

3.1. Os sistemas meridianos

       De acordo com a lei Biao Li. o Exterior (Biao) deve se comunicar com o Interior (Li). O Exterior
corresponde à pele. mÚsculos e cursos superficiais do Jing, Luo. O Interior corresponde às vÍsceras.
       A lei Biao Li implica numa hierarquia especial do Jing Luo estabelecendo circuitos de energia entre a
Superfície e a Profundidade (fig. 1 e tabela 3). Ela tem. no entanto, uma exceçâo: os meridianos irregulares.
Estes vasos, que desempenham um importante papel na coordenação das energias corporais (união e regulação
dos meridianos principais, equilíbrio Esquerda-Direita, etc.), não estão fixados às vÍsceras. e são) incapazes,
como visto antes, de ligar o Exterior ao Interior. Portanto. a ligaçâo e a relação entre a Superfície e a
Profundidade são feitas por outros meridianos organizados como "sistemas".
       Cada meridiano principal forma. com os relativos canais secundários,
uma organização complexa em mÚltiplas camadas. denominada "sistema". Estes sistemas mantêm diversas
relações entre eles mesmos e os meridianos irregulares; estas relações determinam o equilíbrio que é criado
entre diferentes funções corporais. Como um todo, os 12 sistemas harmonizam as relações           Exterior
(Biao) e Interior (Li).
Estes "sistemas meridianos" são os seguintes:
. Shou Tai Yin do Pulmão
. Shou Yang Ming do Intestino Grosso

.     Zu Yang Ming do Estômago

. Zu Tai Yin do Baço
. Shou Shao Yin do Coração
. Shou Tai Yang do Intestino Delgado

.     Zu Tai Yang da Bexiga

. Zu Shao Yin do Rim
. Shou Jue Yin do Pericárdio
. ShOu Shao Yang do Triplo Aquecedor
. Zu Shao Yang, da Vesícula Biliar
. Zu Jue Yin do Fígado
Em geral, cada sistema inclui:
. Um meridiano principal (Jing Zheng)
"   Um meridiano tendinomuscular (Jing Jin)
. Um colateral (Luo Mai)
. Um meridiano divergente (Jing Bie)
As zonas cutàneas (Pi Bu) completam os sistemas meridianos.
38 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS


3.2. As.zonas cutâneas (Pi Bu)

       As zonas cutâneas ou projeções são as partes mais superficiais dos sistemas l. Meridianos _Fig. 2 a.
2b). Estas zonas são aS partes reativas da pele. e estão relacionadas com os 12 meridianos principais. Elas
estabelecem contato direto e contínuo entre cada indivíduo e seu meio ambiente externo. Assim. elas são
sensíveis às alterações do clima, ajustando-se às variações de temperatura para proteger o corpo dos fatores
exógenos que podem, em alguns casos, ser prejudiciais. Estas 12 zonas cutâneas obviamente estão submetidas
aos 12 meridianos regulares (Su Wen, Capítulo 56), mas também estabelecem conexões mais próximas com o
Luo Mai, especialmente com o Xue Luo e Fu Luo.

       Sendo uma extensão do Pulmão (Fei), a pele tem uma relação privilegiada com o mesmo. Ela é
aquecida pela Energia Defensiva (Wei Qi), e nutrida pelos puros Fluidos Corporais (Jin), que são difundidos
pelo Qi do Pulmão (Ling Shu, Capítulo 33). É uma tela protetora contra os fatores patogênicos externos, como
descrito em Su Wen (Capítulo 38): "A pele está associada com o Pulmão ela é a primeira a ser atingida pela
"energia perversa". (Xie Qi).

       A energia perversa externa poderia, portanto, atravessar a pele, agredir o Pulmão e perturbar sua função
de difusão (Fei Qi Bu Xuan). Por outro lado, se o Qi do Pulmão está enfraquecido, ele não será capaz de
disseminar a Energia Defensiva e os puros Fluidos Corporais para a pele. Como um resultado deste
enfraquecimento, a proteção do Xie Qi Externo está deficiente. e os fatores patogênicos tentarão penetrar nos
órgãos através dos meridianos. De acordo com Su Wen (Capítulo 56), a Energia Perversa invade, nesta ordem,
a pele (Pi Bu), os mÚsculos (Jing Jin), os vasos secundários (Luo Mai), os meridianos principais (Jing Zheng)
e, finalmente, os órgãos "ocos" (Fu) e os órgãos "sólidos" (Zang). Seu grau e velocidade de penetração
dependem da resistência oferecida pelo Wei Qi do corpo. Ao penetrar no corpo, os fatores patogênicos
exógenos são capazes de criar as Síndromes Superficiais (Biao), as Doenças Febris Externas denominadas
"Síndromes dos Seis Meridianos" e. se estiverem associados Calor, Frio, e Umidade, as Síndromes de
Obstrução Dolorosa (Bi).

3.3. As vÍsceras

        Os sistemas meridianos ligam-se às partes mais superficiais do corpo (Biao) e às partes mais profundas
(Li), representadas pelas vísceras.

A TMC distingue 2 tipos de vísceras: . as Zang (Yin ou órgãos "sólidos") . as Fu.(Yang ou órgãos "ocos")
OBSERVAÇÕES GERAIS        - 39
       Os órgãos Zang compreendem o Baço (Pi)l, Pulmão (Fei)2, Rim (Shen), Fígado (Gan), Coração (Xin),
mais o Pericárdio (Xin Bao)3. Diz-se que o Xin Bao não tem uma; “forma própria"4. Embora seja classificado
com os Zang 'por razões teóricas, o Xin Bao designa primariamente as funções de certas partes do Coração e
outras formações vasomotoras mais que uma estrutura real.
       Os órgãos Zang são considerados como as vísceras ,mais nobres e mais profundas. O carácter chinês
Zang ("tesouro", "abundância"), realça a preciosidade destas visceras, que essencialmente conservam o Qi.
       As funções dos órgãos Zang são produzir, transformar e armazenar a Energia (Qi), o Sangue, (Xue). os
Fluidos Corporais (Jin Ye) e a Mente (Shen).
       Os órgãos Fu (também chamados Tripas). compreendem o Estômago (Wei). Intestino Grosso
(Dachang). Bexiga (Pangguang), Vesícula Biliar (Dan), Intestino Delgado (Xiaochang). mais o Triplo
Aquecedor (San Jiao). Como o Pericárdio, o Triplo Aquecedor não tem uma "forma própria",5 porque ele
toma a forma que tiver a partir dos tecidos que envelopam as vísceras.6.
       O carácter chinês Fu ("oficina") tem uma raiz idêntica à do Zang. Oposto ao Zang, no entanto, Fu
admiravelmente "não armazena o Qi" mas "o trabalha" .
       O papel dos órgãos Fu é receber, digerir. transformar o alimento e eliminar os resíduos.

       Embora classificado com o Fu, a Vesícula Biliar tem a característica específica de armazenar a bile
("líquido puro"), mas não recebe alimento nem refugos. Sobretudo, está envolvida nas funções mentais, assim
como os órgãos Zang. Tendo estas diferenças. foi classificada por um longo tempo com os "órgãos com um
comportamento particular" (Qi Heng Zhi Fu).
       Todos os. Zang e os Fu têm relações diretas entre si, o que pode ser explicado pelos cursos dos ramos
internos do sistema meridiano.
      Por exemplo, o meridiano principal do Rim, Zu Shao Yin não só estabelece a relação Yin- Yang entre o
órgão Zang (Rim) a que está relacionado e seu órgão Fu acoplado (Bexiga), mas também se liga a outros
órgãos Zang (Fígado, Pulmão, Coração, e Pericárdio).
      As vísceras da teoria Zang Fu Estômago, Baço, etc. levam o mesmo i.é, Pulmão, Intestino Grosso, nome
na China e no Ocidente.

I Baço. inclui Baço e Pâncreas.
"A fisiologia da energia chinesa. considera o Pulmão (Fei) como um órgão ímpar. por isso que se escreve "Pulmão" e não "Pulmões".
3 xin Bao significa "Envelope do Coração". Seu meridiano. o Shou JUe Yin. é também chamado Xin Bao Luo. Na fisiologia da energia.
Xin BaO é considerado como uma "barreira" que protege o Coração contra as agressões externas trazidas pelas Energias
Perversas (Xie' Qi). Por comparação. nos clássicos chineses. atribui-se ao Xin Bao a função do Primeiro Ministro protegendo o Imperador
(Coração) dos invasores.
4`Lanjing. 25a dificuldade: "tem o nome. mas não.a fo)rma". 5Nanjing. 25" e38" dificuldades.
6 É sem dúvida aceito que a "forma" do Triplo Aquecedor (Scm Jiao) provém do envelope mucoso e gorduroso das vísceras. O
texto da placa iconográfica do Zhenjiu Dacheng (edição 1843) a respeito do Triplo Aquecedor. especifica: "O órgão oco San Jiao tem
nome c forma. e tem um meridiano e um Luo." Também é importante mencionar a citação do Lei Jing. escrita em 1624 por Zhang _Jiebin:
"Dizem que o San Jiao não tem forma; é como meter a mão numa bolsa para contar as coisas que estão dentro. Mas eles esquecem que
a bolsa também é um objeto.",
40 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDlANOS E COLATERAIS

Entretanto, é importante saber que sua atividade fisiológica e sua patologia não representam
paradigmas médicos. As funções de uma víscera, seja ela de uma variedade Zang ou Fu, podem
incluir muitos órgãos na medicina ocidental, e inversamente, as atividades de um órgão anatômico
podem ser distribuídas por muitos Zang ou Fu. Isto se deve ao fato de que o conceito chinês baseia-se
mais em uma função fisiológica e patológica global do que em uma morfologia específica. Portanto,
para os chineses, o Coração representa tanto as funções relacionadas ao Coração no Ocidente, como
também, parte do sistema nervoso.


Região Externa
                         .   12 zonas cutâneas (P i Bu)

(pele e músculos)
                         .   Luo superficial (Xue Luo, Fu Luo, Sun Luo)


                         .   12 meridianos tendinomusculares (Jing Jin)



                         .   Cursos superficiais dos 12 meridianos principais (Jing Zheng)


                         .   Cursos superficiais dos 12 meridianos divergentes (Jing Bie)


  Região Intermediária
                         .   15 colaterais (Luo Mai)


                         .   Cursos intermediários dos 12 meridianos principais (Jing Zheng)


                         .   Cursos intermediários dos 12 meridianos divergentes (Jing Bie)

Região Interna
                         .   Cursos profundos dos 12 meridianos principais (Jing Zheng)

(vísceras)
                         .   Cursos profundos dos 12 meridianos divergentes (Jing Bie)


TABELA 3 - Distribuição do Jing Luo.
4. Circulação do Qi

      o   termo Qi compreende a Energia inata ("Qi Pré-Celestial") e a Energia adquirida ("Qi Pós-
Celestial"). A energia inata diminui durante a vida e é insubstituível. A acupuntura não interfere com a
constituição hereditária de um indivíduo, mas ao invés disso influencia a energia adquirida, da pessoa, de modo
a restaurar o equilíbrio e a funcionar melhor dentro de uma dada constituição interna e ambiental. A
acupuntura trabalha primariamente sobre a Zhen Qi (Energia Verdadeira), a última fase da transformação da
Zong Qi, que é a combinação das energias que se originam no ar e alimento. Quando a Zhen Qi funciona
normalmente, é chamada Zheng Qi (Energia Correta).
       Zhen Qi, que resulta da fusão de Zong Qi e Yuan Qi (Energia Original), apresenta 2 aspectos: Wei Qi
(Energia Defensiva) e Ying Qi (Energia Nutritiva). Wei Qi (fig. 3) circula para dentro e para fora dos espaços
meridianos na pele e músculos, enquanto Ying Qi (fig. 4) circula essencialmente no Jing Luo e no Xue Mai.

4.1. Wei Qi

       A Energia Defensiva (Wei Qi) é de natureza Yang, e protege o exterior do corpo. Assim como a Energia
Nutritiva (Ying Qi), a Energia Defensiva (Wei Qi) é uma energia adquirida que vem da essência (Jing) do
alimento Qi. Considerada como "impura" em comparação com a Energia Ying, ela requer um aumento de
qualidade, e desce para o Rim onde é purificada. É emitida pelo Aquecedor Inferior e alcança o olho em
Jingming (B 1).
       A circulação da Energia Defensiva é cíclica, e relacionada com os movimentos solares. Começa no
meridiano principal da Bexiga Zu Tai Yang. De acordo com o Ling Shu, Wei Qi circula 25 vezes no Yang
durante o dia, seguindo os meridianos Yang, e 25 vezes no Yin durante a noite. À noite, Wei Qi entra no
meridiano principal do Rim Zu Shao Yin e circula 25 vezes na parte Yin do corpo, distribuindo-se para os 5
órgãos Yin (Zang) de acordo com o ciclo controlador (Ke). As trocas entre os ciclos Yin e Yang acontecem nas
solas dos pés. Então o Wei Qi sobe para o olho através do Vaso Yang Qiao.

4.2. Ying Qi

     A Energia Nutritiva (Ying Qi) é de natureza Yin. Seu papel consiste em nutrir o corpo inteiro. A
Ying Qi circula com Xue nos vasos e mantém relações muito estreitas com este último. Enquanto a
Energia (Qi) e o Sangue (Xue) podem ser diferenciados, eles não podem, no entanto, ser separados, o
que explica por que a Ying Qi é freqüentemente chamada de Ying Xue. A circulação da Ying Qi é
dupla e contínua.
OBSERVAÇÕES GERAIS      - 45

        A TMC reconhece 2 tipos de circulação da Ying Qi:
        . um primeiro tipo de circulação nos 12 meridianos regulares, começando no Shou Tai Yin do Pulmão e
        terminando no Zu Jue Yin do Fígado.
    .   um segundo tipo de circulação nos meridianos irregulares Du Mai e Ren Mai. De acordo com Ling Shu,
        capítulo 16, proveniente do Pulmão, o Ying Qi segue, em ordem, o caminho dos meridianos Du Mai e Ren Mai
        antes de retomar ao Pulmão.

        4.3. Fluxo do Ying Qi nos 12 meridianos regulares

        Originando-se no Aquecedor Mediano (Zhong Jiao), Qi passa, em ordem,
pelos seguintes meridianos:
        . Shou Tai Yin do Pulmão
        . Shou Yang Ming do Intestino Grosso
        . Zu Yang Ming do Estômago
        . Zu Tai Yin do Baço
        . Shou Shao Yin .do Coração
        . Shou Tai Yang do Intestino Delgado
        . Zu Tai Yang da Bexiga
        . Zu Shao Yin do Rim

        . Shou Jue Yin do Pericárdio
        . Shou Shao Yang do Triplo Aquecedor . Zu Shao Yang daVesícula Biliar
        . Zu Jue Yin do Fígado
        Uma vez que ela tenha chegado ao Fígado (Gan),a Ying Qi retorna ao Pulmão (Fei). Um ramo interno do
        meridiano Zu Jue Yin do Fígado passa através do diafragma,l e se espalha no Pulmão (Fei), onde se liga com o
        Meridiano Principal do Pulmão, Shou' Tai Yin (fig. 4 e 5).


               A distribuição da energia através dos 12 merídianos regulares (fig.6) esclarece como:

        . a polarização dos meridianos ocorre através da Mão e do Pé;
        /




        . o potencial de energia aumenta desde a região Yin até a região Yang, e
        diminui da região Yang para a região Yin.                                                           .



             Além disso, poderia ser observado que a cada 2 horas, os Eixos Terrestres2 favorecem um
        meridiano em particular (tabela 4 e figo 7).

        I Além disso; a partir do figado, um outro ramo do mesmo meridiano. faz um trajeto através do diafragma e corre mais para cima até
        encontrar o vértice da cabeça, onde ele se une ao Du Mai (Vaso Governador).
        2A hora chinesa antiga cOlTesponde a 2 horas ocidentais. Cada hora recebe o nome de um "Eixo Terrestre" .
OBSERVAÇÕES GERAIS        - 47

          A hora alocada em cada meridiano corresponde à sua atividade máxima relacionada com a energia. O Qi
    de um meridiano aumenta durante as duas horas que precedem a chegada do fluxo, e diminui durante as 2
    horas a seguir. Por exemplo, o Qi do meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming começa a aparecer
    quando o Qi do meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming está muito forte. Portanto, seu
    período de "fluxo" vai das 5 a.m. até as 7 a.m. Obviamente, a par deste período de aumento e diminuição, o Qi
    em um meridiano não pode cair abaixo de um certo limiar.

    4.1. Comunicações entre os meridianos principais

               Os meridianos principais mantêm as conexões Yin-Yang, Yang-Yang e Yin- Yin entre eles (fig. 6, 8 e 9).

    4.1.1. Conexões Yin-Yang

    As conexões Yin-Yang entre os meridianos ocorrem na Mão e Pé:
    . Os meridianos Yin da Mão estão relacionados aos meridianos Yang da Mão na ponta dos dedos, através de um ramo
    que vem dos meridianos principais Yin:
    '.   P 7        IG 1
    .C9           IDl
    . Per 8        B1

. Os meridianos Yang do Pé estão relacionados aos meridianos Yin do Pé nas extremidades dos dedos do
    pé, através de um ramo que vem dos meridianos principais Yang:


    .    E42       Bço 1

         . B 67      R 1

    .VB4           Fl

           Estas conexões permitem que o Yin e o Yang sejam transformados um no outro, de modo a manter o
    equilíbrio dinâmico' que facilita a circulação da energia. Qi muda de polaridade. O Yin é transformado em
    Yang e o Yang em Yin.


    Por exemplo:
    . A energia Yin do meridiano principal do Pulmão, Shou Tai Yin atinge a ponta do dedo indicador,
    onde se transforma em Yang e torna-se a energia do meridiano Shou Yang Ming do Intestino Grosso.
.    A energia Yang do meridiano principal do Estômago, Zu Yang Ming, atinge o dedão do pé, onde é
    transformada em Yin e toma-se a energia                         do meridiano Zu Tai Yin do Baço.             .

          As conexões Yin- Yang entre os meridianos respeitam a ordem dos meridianos dentro da
    estrutura do ciclo circadiano (24 horas)
OBSERY AÇÕES GERAIS    - 49

     4.4.2. Conexões Yang- Yang

     As conexões Yang- Yang entre os meridianos ocorrem na cabeça.
     Elas funcionam como um retransmissor entre a parte de baixo e a parte
de cima do corpo.
     As conexões Yang-Yang
     . são superficiais;
     . respeitam a ordem dos meridianos dentro da estrutura do ciclo
              circadiano;

    . ajudam a comunicação, a nível da cabeça, dos meridianos Yang do
     membro superior (Shou) com o membro inferior (Zu), transportando
     uma energia da mesma natureza e da mesma qualidade (Ming, Tai,
     Shao):

     . Shou Yang Ming do Intestino Grosso com o Zu Yang Ming do
         Estômago;
     . Shou Tai Yang do Intestino Delgado com o Zu Tai Yang da Bexiga;
     . Shou Shao Yang do Triplo Aquecedor com o Zu Shao Yang da
          Vesícula.
     As conexões são estabelecidas como se segue: .
     . IG 20 E 1
      . ID 1 8        B1
      . T A23    VB 1


     4.4.3. Conexões Yin- Yin

            As conexões Yin- Yin entre os meridianos ocorrem dentro do peito (fig. 9,
             9a, 9b, 9c).
     Estas conexões são profundas. No entanto:

     . a mais superficial entre elas ajuda, a nível do peito, a retransmitir para os meridianos Yin dos membros
     superior e inferior, e assegura que seja transportada uma energia da mesma qualidade:
     . Zu Tai Yin do Baço com Shou Tai Yin do Pulmão;
     . Zu Jue Yin do Fígado com Shou Jue Yin do Pericárdio;
      . Zu Shao Yin do Rim com Shou Shao Yin do Coração.
            Estas conexões não respeitam a ordem dos meridianos dentro da estrutura
     do ciclo circadiano.
. As conexões Yin- Yin mais profundas ajudam a retransmitir para 2 meridianos Yin na região profunda onde
 os órgãos Zang estão localizados, e são ordenadas de acordo com o ciclo circadiano:
 . Zu Tai Yin do Baço        Shou Shao Yin do Coração;
 . Zu Shao Yin do Rim     Shou Jue Yin do Pericárdio;
 . Zu Jue Yin do Fígado   Shou Tai Yin do Pulmão.
OBSERVAÇÕES GERAIS    - 51

 4.5. Comunicações entre os meridianos e os órgãos
       As conexões Yin- Yang permitem as comunicações entre os meridianos e os órgãos.
       A relação Biao Li é construída como se segue:


 Profundidade     Superfície
 . Cada meridiano Yin da Mão (Shou Yin), as conexões com seus órgãos Zang e o Fu Yang Yin acoplado,
 emergem do peito, então se unem com seu meridiano Yang na ponta de um dedo da mão.
. Cada meridiano Yang do Pé (Zu Yang) penetra na fossa supraclavicular (exceto Zu Tai Yang), conecta-se com
 seu órgão Fu e o Zang Yin Yang acoplado, e então se une com seu meridiano Yin acoplado, na extremidade de
 um dedo do pé.


 Superfície   Profundidade

 . Cada meridiano Yang da Mão (Shou Yang) penetra no peito e se         conecta com seu órgão Fu e com o
 Zang Yin- Yang acoplado.

 . Cada meridiano Yiri do Pé (Zu Yin), penetra no abdome, alcança seu   órgão Zang e une-se ao órgão Fu Yin-
 Yang acoplado.


 4.6. Os seis grandes meridianos

        Em virtude das relações Yang- Yang e Yin- Yin, os meridianos principais da mesma natureza e
 qualidade podem ser classificados em 6 grandes meridianos (Liu Jing) ou unidades de meridianos
 (fig. 10).
      Os 6 meridianos Yang da Mão e do Pé são interconectados, e apresentam 3 grandes meridianos
 Yang: Tai Yang (Grande Yang), Shao Yang (Pequeno Yang) e Yang Ming (Luminoso Yang).
        . Tai Yang associa o meridiano do Intestino Delgado Shou Tai Yang com
         o meridiano da Bexiga Zu Tai Yang.
        . Shao Yang associa o meridiano do Triplo Aquecedor Shou Shao Yang
         com o meridiano da Vesícula Zu Shao Yang.
        . Yang Ming associa o meridiano do Intestino Grosso Shou Yang Ming
        com o meridiano do Estômago Zu Yang Ming.
       Os 6 meridianos Yin da Mão e do Pé são interconectados e apresentam 3 grandes meridianos
 Yin: Tai Yin (Grande Yin), Shao Yin (Pequeno Yin) e Jue Yin (Final do Yin).
        . Tai Yin associa o meridiano do Pulmão Shou Tai Yin com o meridiano do Baço Zu Tai Yin.
 . Shao Yin associa o meridiano do Coração Shou Shao Yin com o          meridiano do Rim Zu Shao Yin.
 . Jue Yin associa o meridiano do Pericárdio Shou Jue Yin com o
   meridiano do Fígado Zu Jue Yin.
OBSERVAÇÕES GERAIS - 53


             A progressão da intensidade da energia no tempo acontece na seguinte ordem: Shao, Tai, Ming e Jue
      (crescimento, máximo, diminuição, final). No entanto, de modo a classificar os meridianos de acordo com o
      espaço, deve-se levar em consideração uma diminuição potencial do exterior para o interior, o que dá então a
      seguinte ordem: Tai, Shao, Ming e Jue.

      4.6.1. Os seis pontos de conexão

    Os meridianos principais Yin unem-se dentro do peito.
    Os meridianos principais Yang unem-se na cabeça.
    A maior parte das escolas de acupuntura aceita que os meridianos da
mesma natureza e qualidade estão ligados através de 6 pontos de conexão:
      . Jingming (B 1)
      . Tongziliao (VB 1)
      . C'hengqi (E 1)
      . Zhongfu (P 1)
      . Tianchi (Per 1)
      . Jiquan (C 1)
      Com referência aos meridianos Yang da mesma natureza e qualidade, os pontos de conexão acima
      mencionados podem ser facilmente observados. Quanto aos meridianos Yin da mesma natureza e
      qualidade, os pontos de conexão são menos óbvios porque as conexões que os meridianos Yin
      mantêm uns com os outros são mais profundas 1 e ocorrem via ramificações internas.

      4.6.2. As seis energias climáticas

             A organização dos meridianos no espaço permite que a energia do Homem responda à ação combinada
      das energias do Céu (Yang) e da Terra (Yin). A união e transformação da Energia do Céu2 e a dos 5 Agentes ou
      Elementos3 (Wu Xing). da Terra cria as 6 energias climáticas (Liu Qi): Vento,   Fogo, Calor, Umidade, Seca,
      Frio (fig. 11).
      Cada energia climática tem uma predileção por um Zang e seu par Fu:
       . Vento: Fígado- Vesícula
      . Fogo: Pericárdio- Triplo Aquecedor
      . Calor: Coração-Intestino Delgado
      . Umidade: Baço-Estômago
      . Seca: Pulmão-Intestino Grosso
      . Frio: Rim-Bexiga
    . J Existe uma conexão superficial entre os meridianos Zu tai Yin do Baço e Shou Tai Yin do Pulmão. Ao atingir o final do seu percurso. o
      meridiano principal Zu Tai Yin do Baço ramifica-se desde o Zhourong (E 20) até o Zhongfu (I' 1).
      2De acordo com sua posição no tempo ou espaço, a Energia do Céu é descrita como Jue Yin. Shao Yin. Shao Yang. Tai Yin, Yang Ming,
      Tai Yang.
      3Madeira, Fogo. Terra, Metal, Água.
OBSERVAÇÕES GERAIS     - 55
        De acordo com as circunstâncias, as 6 energias climáticas podem ser favoráveis ou prejudiciais ao corpo.
      As 6 energias climáticas tornam-se nocivas quando estão em desacordo com o tempo e espaço. Assim
são denominadas as 6 Yin (Liu Yin), os 6 fatores patogênicos exógenos, ou simplesmente energias
perversas (Xie Qi).


4.6.3. Abertura, conexão e fechamento

As energias perversas, quando penetram no corpo, progridem de acordo com esta ordem: "abertura",
"conexão", "fechamento" (fig. 12).
De acordo com o Ling Shu (Capítulo 5):
. Tai Yang e Tai Yin comandam a "abertura";
. Shao Yang e Shao Yin, em uma posição intermediária, são respectivamente o "encaixe", ou
"articulação" do Yang e Yin;
. Yang Ming e Jue Jin representam o "fechamento".
Uma solução de continuidade em um dos eixos da energia que controlam a ,abertura, a conexão ou o
fechamento pode prejudicar ou diminuir a comunicação entre Yin e Yang, Exterior e Interior.
. Tai Yang e Tai Yin "abrem para o Exterior";
. Shao Yang e Shao Yin "abrem-se tanto para o Interior como para o Exterior";

        . Yang Ming e Jue Yin, que respectivamente "fecham" o Yang e Yin,
         "abrem para o Interior"
        A progressão nos grandes Meridianos Yang será do Tai Yang para o Shao Yang, para o Yang
Ming.
      A progressão nos grandes Meridianos Yin (por exemplo, Energia Perversa vindo do Yang Ming)
será do Tai Yin para o Shao Yin, para o Jue Jin.
      Esta é a evolução usual, denominada "transmissão cíclica". No entanto, em muitos casos, a
transmissão pode pular um, dois ou três grandes meridianos. Em caso de severa perda de energia, o
fator patogênico (Xie Qi) pode passar diretamente do Yang para o Yin, por exemplo, do Tai Yang para
o Shao Yin.

4.6.4. RaÍzes e nós
     Em cada eixo, 2 tipos de pontos, denominados "raÍzes" (Gen) e "nós" (Jie), desempenham um
importante papel (fig. 11).
Os pontos raÍzes pertencem aos 3 meridianos Yin do Pé e 3 Yang do Pé.
Os pontos nós dos 3 meridianos Yang do Pé estão todos localizados na cabeça sobre os meridianos
dos quais se originam.
      Os pontos nós dos 3 meridianos Yin do Pé estão todos. localizados no peito e pertencem ao Ren
Mai.
56 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS


Estes pontos são descritos no Ling Shu: . a raiz do Zu Tai Yang é Zhiyin (B 67), seu nó é Jingming (B 1);
. a raiz do Zu Shao Yang é Zuqiaoyin (VB 44),
         seu nó é Tinghui (VB 2);
. a raiz do Zu Yang Ming é Lidui (E 45),
         seu nó é Touwei (E 8)2;
. a raiz do Zu Tai Yin é Yinbai (Bço 1),
         seu nó é Zhongwan (RM 12);
. a raiz do Zu Shao Yin é Yongquan (R 1),
         seu nó é Lianquan (RM 23);
. a raiz do Zu Jue Yin é Dadun (F 1),
        seu nó é Yutang (RM 18).
       As raízes são responsáveis pelas trocas qualitativas entre os 6 grandes meridianos através do controle
das transferências do Frio, Calor, Umidade, etc. Elas estabelecem comunicação entre 2 grandes meridianos que
se protegem mutuamente ainda que relacionem diferentes eixos (Tai Yang-Shao Yin; Yang Ming-Tai Yin; Shao
Yang-Jue Yin). Por exemplo, o meridiano da Bexiga Zu Tai Yang, que forma o eixo Tai Yang com o meridiano
do Intestino Delgado Shou TaiYang, transmite sua energia para o meridiano do Rim Zu Shao Yin, que forma o
eixo Shao Yin com o meridiano do Coração Shou Shao Yin.
       Os nós são áreas onde estão concentradas as energias que emergem das raízes dos meridianos do Pé.
Eles podem ser comparados com ferrolhos que mantêm fora os fatores patogênicos tanto quanto possível de
modo a manter o equilíbrio entre 2 meridianos da mesma polaridade. Por um ponto de vista diagnóstico, eles
tomam possível avaliar quantidades particularmente excessivas de energias perversas, que esvaziam os
meridianos de modo a invadir as vísceras. '

4.6.5. Energia e Sangue nos seis grandes meridianos

      A proporção de Energia e Sangue atribuída aos meridianos (fig. 13) varia em conjunto com o papel
protetor ou nutritivo que devem cumprir.

10 Capítulo 5, que é dedicado aos pontos raízes (Gen) e nós (Jie). afirma também: "O mistério das agulhas é encontrado no início e no
fim dos meridianos. Pode-se aprender como pegar o início, e o fim não admite a posse e o controle dos princípios da acupuntura."
"Na velha nomenclatura. Touwei (E 8) foi dado como primeiro ponto do meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming.
5. Métodos para localizar os meridianos e seus pontos

     Antes de iniciar o estudo dos meridianos e seus pontos, é necessário primeiro considerar os
elementos que tornam possível localizá-los.

5.1 Referências lineares

       A configuração das linhas que aparecem em conexão com marcos fixos de referência anatômica facilita
a localização de pontos de acupuntura no corpo, particularmente no tronco.    .
      As referências lineares básicas são as linhas médias anterior e posterior que seguem o eixo vertical do
corpo, dividindo-o simetricamente.


5.1.1. Aspectos anterior e lateral do corpo (fig. 14 e 15)

. A linha mamilar estende-se da clavícula até o púbis passando pelo       mamilo.
. A linha intramamilar é paralela à linha mamilar a meio caminho entre    esta última e a linha média anterior.
. A linha para-axilar é paralela à linha mamilar e localizada a meio caminho entre esta última e a linha média
axilar.
. A linha média axilar desce verticalmente na parte lateral do tórax,     desde o ápice da fossa axilar até a
crista ilíaca.
A partir da linha média anterior, utilizando unidades de medida chinesa (cun) :
. 2 cun para a linha intramamilar;
. 4 cun para a linha mamilar;
. 6 cun para a linha para-axilar;
. 8 cun para a linha média axilar.

5.1.2. Aspecto posterior do corpo (fig. 16)

     Lateralmente à linha média posterior há três linhas verticais que ajudam na localização do
meridiano principal da Bexiga Zu Tai Yang:
     _ uma linha passa ao longo do bordo medial da escápula, a 3 cun da linha média posterior;

          . uma linha se localiza a meio caminho entre a anterior e a linha média, a      l,5   cun   da    linha
média posterior;
          . uma outra segue o forame sacral.
OBSERVAÇÕES GERAIS      - 61

5.2. Referências Anatômicas

Este método baseia-se em marcos anatômicos superficiais, que podem ser categorizados como fixos e móveis:
                         . os marcos de referência fixos são aqueles que não mudariam com o      movimento
corporal (orifícios dos cinco sentidos, unhas, umbigo, mamilos, linhas dos cabelos, certos caracteres ósseos e
musculares);
                       . os marcos de referência móveis (espaços, depressões, sulcos, etc.) só                  aparecem
quando a pele, articulações, músculos, etc. estão se movendo.
       Com vistas aos marcos de referência fixos, os processos espinhosos e espaços intervertebrais são as
características mais freqüentemente utilizadas para localizar os pontos do peito e das costas. Por exemplo, o
processo espinhoso da 7a vértebra cervical permite-nos localizar o Dazhui (DM 14). Este ponto é localizado na
depressão que aparece abaixo do processo espinhoso. Esta torna-se mais aparente quando o pescoço é
inclinado para a frente e cabeça é abaixada até o nível dos ombros.
       Deve-se recordar que os processos espinhosos não são encontrados no mesmo nível dos corpos
vertebrais aos quais correspondem porque eles se inclinam obliquamente para trás. Como os espaços
intercostais também são oblíquos, os pontos das regiões torácica anterior e posterior não podem ser localizados
em linhas horizontais e devem ser definidos de acordo com a real posição anatômica. Cada processo espinhoso
corresponde ao nível do espaço intercostal localizado abaixo da vértebra. Por exemplo, o ponto Dazhu (B 11),
que é localizado a 1,5 cun lateralmente ao bordo inferior do processo espinhoso T1, corresponde mais ao
segundo espaço intercostal do que ao primeirol.
       Uns poucos elementos, tais como, a escápula, as costelas e as cristas ilíacas, tornam possível determinar
a posição das vértebras. A extremidade da apófise escapular está no nível do processo espinhoso da T 3, e seu
ângulo inferior está no nível do processo espinhoso da T 7. Até onde a região lombar está envolvida, o bordo
inferior da última costela está no nível da L2. A linha que une as 2 cristas ilíacas passa pelos espaços
interespinhosos L3 - L4. Na região sacral, o nível da crista ilíaca póstero-superior corresponde ao do processo
espinhoso S 2.
      No caso de marcos de referência móveis, os sulcos e depressões articulares são muito importantes. Por
exemplo, Shaohai (C 3) é um ponto localizado na extremidade medial do sulco de flexão do cotovelo quando o
antebraço é trazido em direção ao braço. Houxi (ID 3) pode ser localizado no sulco palmar transverso, que
aparece quando a mão é dobrada como punho. Tinggong (ID 19) está localizado anteriormente ao tragus em
uma depressão formada quando a boca é aberta. Fengshi (VB 31) pode ser encontrado pedindo-se à pessoa
para ficar de pé, esticado, com o membro superior mantido            -   junto ao corpo. A ponta do dedo médio indica
assim a localização do ponto na coxa.

1OS Grupos Cooperativos do Shandong Medical College e Shandong College de Medicina Tradicional. 1982. pág. 2.
OBSERV AÇÕES GERAIS          - 63

 5.3. Medidas

        Cada parte do corpo é delimitada por marcos de referência anatômicos que são fáceis de
 identificar, e então divididos em um certo nÚmero de unidades denominadas cun 1. Dois métodos para
 localizar pontos de acupuntura são derivados dos procedimentos usados para determinar o valor destas
 unidades.

 '5.3.1. Primeiro método: medida com os dedos

        Este método consiste em fazer uso sistemático de uma unidade de medida invariável. Neste caso, a
        .


 unidade é determinada com referência ao comprimento e largura dos dedos da pessoa. Seu valor, 1 cun, pode
 ser determinado de. três maneiras tradicionais, tomando como padrão:

. a distância que de flexão das esquerdo para o 1.7 a);
         . a distância que corresponde à largura da articulação interfalangeana do
             polegar do paciente no sulco de flexão (fig. 17 b);
            . a distância que corresponde ao comprimento da Última falange do dedo
             indicador (fig. 17 c).
       As duas Últimas falanges do dedo indicador correspondem a 2 cun (fig. 17 c). com duas larguras do
 dedo sendo equivalentes a 1,5 cun (fig. 17 d), e 4 larguras do dedo equivalente a 3cun (fig. I 7 e).

 separa as duas extremidades mediais dos sulcos . atticulàções interfalangeanas do dedo médio homem e do
 médio esquerdo parÇl a mulher (fig.

 5.3.2. Segundo método: medida proporcional

        o segundo método, também conhecido como "medidas de comprimento do osso", é tanto mais
 simples quanto mais preciso que o método anterior. Atualmente, é amplamente utilizado na prática da
 acupuntura para localizar pontos. Consiste em dividir a região a ser medida em um certo nÚmero de
 unidades iguais de acordo com um método puramente convencional. O vàlor do cun é determinado
 por um nÚmero de unidades atribuídas a cada região. Por exemplo, dado que a distância entre a
 articulação do joelho e a crista do maléolo lateral é avaliada em 16 cun, um cun corresponde a um
 dezesseis avos desta distância. Assim, o valor desta unidade não. é constante, porém ajustada de.
 acordo com a morfologia de cada indivíduo para uma dada região. E; quando aplicada à mesma
 'pessoa, pode variar de uma região para outra. Por exemplo, . unidades utilizadas para o crânio não
 são idênticas àquelas utilizadas para o abdome.

 I Um cun pode ser dividido em dez fen.
OBSERVAÇÕES GERAIS    - 65

     Neste estudo, adotamos as "medidas proporcionais", como ensinadas pelos Institutos de Medicina
Chinesa Tradicional de Beijing e Shangai.

5.3.2.1. Membro superior (fig.18)

. 9 unidades verticais entre o fim da prega axilar e o sulco cubital.
. 7 unidades verticais entre o sulco cubital e o ápice do "V" formado pelo músculo deltóide.
. 12 unidades verticais entre o sulco cubital e o sulco anterior do pulso.
. 12 unidades verticais entre o olecrânio e o sulco posterior do pulso.

5.3.2.2. Membro inferior (fig. 18 e 19)

. 1 unidade vertical entre o bordo superior da. sínfise púbica e a proeminência do trocanter maior.
. 20 unidades verticais entre o bordo superior da sínfise púbica e a articulação do joelho.
. 18 unidades verticais entre o bordo superior da sínfise púbica e o bordo superior do côndilo medial do fêmur.
. 19 unidades verticais entre o trocanter maior e a articulação do joelho.
. 2 unidades verticais entre o bordo superior do côndilo medial do fêmur               e a articulação do joelho.
. 16 unidades verticais entre a articulação do joelho e a crista do maléolo lateral.

. 15 unidades verticais entre a articulação do joelho e a crista do maléolo medial.
. 2 unidades verticais entre o côndilo medial da tíbia e a crista do        maléolo lateral.


5.3.2.3. Peito e abdome (fig. 18 e 19)

. 8 unidades transversais entre a linha média anterior e a extremidade      lateral da clavícula.
. 8 unidades transversais entre os mamilos.

. 8 unidades verticais entre a junção xifo-esternal e o umbigo.
. 5 unidades verticais entre o umbigo e o bordo superior da sínfise púbica.
. 12 unidades verticais entre a prega axilar e as costelas flutuantes.
. 9 unidades verticais entre as costelas flutuantes e o trocânter maior.
OBSERV AÇÕES GERAIS   - 69
5.3.2.4. Costas (fig. 20)

. 6 unidades transversais entre as duas escápulas
. 3 unidades transversais entre as cristas ilíacas póstero-superiores
5.3.2.5. Cabeça (fig. 20 e 21)

. 9 unidades transversais entre os ângulos da linha anterior dos cabelos.
. 9 unidades transversais entre os dois processos mastóideos.
. 18 unidades verticais desde a glabela até o espaço interespinhoso C7- T1

.   3 unidades verticais entre a glabela e a linha anterior dos cabelos.

. 12 unidades verticais entre as linhas anterior e posterior dos cabelos.
. 3 unidades verticais entre a linha. posterior dos cabelos e o espaço interespinhoso C7-Tl.
70. ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS


6. Comentários
       SubseqÜentemente ao estudo das propriedades bioelétricas dos pontos de acupuntura (menor resistência
cutânea do que nas áreas circunvizinhas) surgiu uma gama impressionante de equipamentos de detecção. O uso
racional deste tipo de instrumentos (ohmÍmetros de precisão) pressupõe um completo conhecimento da
localização anatômica dos pontos. já que numerosos fatores (umidade da pele. a pressão exercida sobre o
eletrodo. etc.) podem causar variações nas observações e produzir erros. Entretanto, estes detectores parecem
apresentar mais interesse para a pesquisa fundamental do que para a prática.
       Deveria ser observado que a localização dos pontos pode variar de acordo com a morfologia do
paciente. Dado que entre os indivíduos há uma substancial diferença entre o comprimento das 11" e 12"
costelas. a localização dos pontos Zhangmen (F 13). Jingmen (VB 25). Dabao (Bço 21) e Yuanye (VB 22) é
obviamente variável. Além disso. os pontos bilaterais não são sempre simétricos em relação ao eixo do corpo.
      Geralmente, o ponto de acupuntura está localizado em uma depressão ou oco (cavidade óssea, fenda
intermuscular...). Cabe ao acupunturista definir o local específico pelo toque. uma vez que tenha determinado o
nÚmero de unidades (cun). de acordo com a localização anatômica. etc. Só a prática permitirá que ele
desenvolva e aperfeiçoe sua destreza.
o meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin
         Shou Tai Yin Fei Jing

               o meridiano principal do pulmão Shou Tai Yin começa no Aquecedor
         Médio (Zhong Jiao)l, na região do Estômago (Wei),
         . desce para conectar-se com o Intestino Grosso (Dachang),
         . retoma para cima até o Estômago (Wei),
         . passa pelo cárdia do Estômag02,
         . atravessa o diafragma,
         . entra no Pulmão (Fei),
         . sobe até a traquéia e, passando sob o Tiantu (RM 22) entra na forquilha supra-esternal,
         . alcança a laringe.
         Da laringe, desce interna e obliquamente em direção ao aspecto lateral do peito,
                                  . emerge em ZhongfÚ (P l) na linha paraxilar, no 1º espaço
          intercostal.
                  . sobe a fossa infraclavicular até o Yunmen (P 2), um espaço das costelas
          superior ao Zhongfu (P 1),
                     . faz um trajeto para cima ao longo do aspecto ântero-Iateral do braço,
          lateral ao meridiano principal Shou Jue Yin do Pericárdio e Shou Shao             Yin do Coração,
                     . alcança o cotovelo em Chize (P 5), na fossa cubital, do lado radial do
          tendão do músculo bíceps braquial,
.   posiciona-se ao longo do aspecto anterolateral do antebraço em direção ao processo estilóide do rádio,
alcançando Lieque (P 7) na fenda entre os tendões do abdutor pollicis longus e músculos bráquio-radiais,
                   . segue o sulco radial até Taiyuan (P 9), do lado radial da dobra anterior
          do pulso, onde penetra3,
        . emerge sobre os músculos tenares,
               . passa através do Yuji (P 10), no ponto médio do lado palmar do 1º            osso
          metacarpiano, e

1 Em Zhongwan (RM 12)..
2 De acordo com o Ling Shu (Cap. 10): "faz um trajeto através dos orifícios do Estômago".
 3 "Pcnetra Cunkou (orifício do pulso)" conforme Ling Shu.
74   - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS

          . termina no ângulo radial do polegar1 em Shaoshang (P 11).
        A partir da borda lateral do rádio, acima do processo estilóide, uma pequena ramificação colateral que
sai do meridiano em Lieque (P 7), vai diretamente para o ângulo radial do dedo indicador, onde se liga com
meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming em Shangyang (IG 1).


Observações

                   o meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin está relacionado com os
seguintes meridianos:
                  . o meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming, ao qual ele
          transfere sua energia em uma base acoplada Yang Yin (P 7               IG 1);
                      . o meridiano principal do Baço Zu Tai Yin, do qual recebe um ramo
          superficial (Bço 20         P 1) e com o qual forma o eixo Tai Yin através
          de uma anastomose Yin- Yin;
          .                                                 ele recebe uma parte de sua energia (primeira
              o meridiano principal do Fígado Zu Jue Yin, do qual
          circulação do Ying Qi) e com o qual tem uma profunda ligação Yin- Yin é estabelecida através de um
          ramo interno que começa no Fígado e passa através do diafragma para se espalhar no Pulmão
          (Fei), onde se liga com o meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin;
          . o Ren Mai (segunda circulação do Ying Qi, de acordo com o Capítulo
          16 do Ling Shu).
          O meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin conecta-se com os
          seguintes órgãos Zang Fu:
          . o Estômago (Wei)
          . o Intestino Grosso (Dachang)
          . o Pulmão (Fei)
          Pontos de cruzamento2

        Ao longo do seu curso, o meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin
         faz interseção com os seguintes pontos:
          . Nenhum
1 O final dos meridianos Yin da Mão e o começo dos meridianos Yang da Mão são considerados nos textos chineses antigos como
mediais. enquanto nós o consideramos como laterais. Esta não é uma contradição. Na descrição moderna dos meridianos. a posição
anatõmica considera os braços ao longo do corpo, palmas voltadas anteriormente; o aspecto ulnar dos braços é medial. Nos clássicos
chineses. a posição anatômica do corpo humano é de pé, braços elevados e palmas voltadas para o sol; o aspecto ulnar dos braços é
assim, lateral.
2 Também chamados "Pontos de Encontro - i.é, onde o meridiano em questão faz interseção com outros.
o meridiano tendinomuscular       do Shou Tai
      Yin do Pulmão Shou Tai Yin Fei Jing Jin

      Começa em Shaoshang (P 11), do lado radial da ponta do polegar,
. estende-se ao longo do lado radial do 1º dedo da mão e do 1º osso metacarpiano,
. ascende para ligar-se à eminência tenar inferior,
. circunda os músculos tenares,
. encontra o Taiyuan (P 9) para ligar-se à extremidade radial do sulco anterior do pulso,
. segue o sulco radial,
. acompanha o aspecto anterolateral do antebraço,

.   alcança o cotovelo em Chize (P 5), e liga-se ao tendão bicipital,

. segue o músculo bíceps braquial,
. cobre as fibras anteriores do músculo deltóide,
. liga-se ao aspecto anterior do - ombro, próximo à -articulação acromio clavicular.
Segue então sob a axila,

.   encontra o outro meridiano tendinomuscular Yin da Mão na área do
      Yuanye (VB 22), 3 cun abaixo da axila, onde se liga,
      . penetra a prega axilar,
. faz um trajeto sob o músculo peitoral maior e emerge a partir do
      Quepen (E 12) na fossa supraclavicular,
      . liga-se ao acrômio anteriormente ao Jianyu (IG 15),
      . volta ao Quepen (E 12) e liga-se à clavícula,
. penetra o meio da fossa supraclavicular, para dentro da cavidade
      torácica, onde se ramifica,
      . faz um trajeto através do diafragma, onde se ramifica,
      . espalha-se pelo cárdia do Estômago,
      . termina no aspecto interno das costelas flutuantes.
Os vasos Luo do Shou Tai Yin do Pulmão

      Shou Tai Yin Luo Mai


       Separam-se do seu meridiano principal em Lieque (P7), localizados ao nível lateral
do radio, 1,5 cun proximal ao sulco anterior do pulso.

      Divide-se em 2 ramos: transverso e longitudinal.

     - O ramos transverso conecta-se com o meridiano principal do Intestino Grosso Shou
Yang Ming 1.

       - O ramo longitudinal junto com o meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin, entra
diretamente na palma da mão e dissemina-se através da eminência tênar.




      1 Certas escolas concordam em que o ramo transverso cria uma junção entre o
Lieque (P7) e o ponto yuan da dupla meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang
Ming, Hegu (Ig4), no dorso da mão, entre o 1º e 2º ossos metacarpianos.
o meridiano divergente do Shou Tai Yin do Pulmão
                                         Shou TaiYin Fei Jing Bie

Diverge do seu meridiano principal em torno do Zhongfu (P 1).
. vai para o Yuanye (VB 22) na linha média axilar, 3 cun abaixo da axila,
. corre anteriormente ao meridiano principal do Pericárdio Shou Jue Yin 1 ,
. penetra no peito,
. expande-se no Pulmão (Fei),
. desce para o Intestino Grosso (Dachang),
. ascende para a fossa supraclavicula2, em torno do Quepen (E 12)3,
. segue o aspecto lateral da garganta,
. alcança o Futu (IG 18) no aspecto lateral do pescoço, entre as cabeças esternal e clavicular do
músculo esternoclidomastóideo.

     Em Futu (IG 18), ele se une aos meridianos principal e divergente do Intestino Grosso Shou
Yang Ming, para formar a Sexta União 4 (6ª He).




1 Conforme o Ling Shu. ele faz um trajeto anteriormente ao meridiano principal do Coração Shou Shao Yin.
2 Muitos autores descrevem dois ramos a partir do Pulmão: um ramo descendente que se dispersa no Intestino Grosso. e um ramo
ascendente que emerge na fossa supraclavicular (fig. 25, variante 1).
3 Algumas escolas ensinam que o meridiano divergente emerge em Tiantu (RM 22) na forquilha supra-esternal, ascende para a ponta do
pomo de Adão antes de encontrar o Futu (IG 18) [fig. 25, variante 2].
4 Algumas escolas situam a 6" União em Quepen (E 12), onde o meridiano divergente emerge na fossa supraclavicular.
O meridiano principal Shou Yang Ming do Intestino
                   Grosso Shou Yang Ming Dachang Jing

      o meridiano principal do Intestino Grosso, Shou Yang Ming recebe sua energia do meridiano
principal do Pulmão Shou Tai Yin através de um ramo que une o Lieque (P 7) ao Shangyang (IG 1),
localizado no ângulo radial do        dedo indicador, onde começa o meridiano.
Ele corre ao longo do aspecto radial do 2° dedo da mão,
. alcança o Hegu (IG 4) entre o 1 ° e o 2° ossos metacarpianos,
 . entra na tabaqueira anatõmica em Yangxi (IG 5),
. faz um trajeto ao longo do bordo póstero-lateral do rádio entre os músculos extensor carpi radialis longus
e o extensor carpi radialis brevis, onde estão localizados o Xialian (IG 8), Shanglian (IG 9) e
       Shousanli (IG 10),
. alcança Quchi (IG 11) na extremidade lateral do sulco do cotovelo,
. sobe o bordo lateral do braço,
. corre pelo Binao (IG 14) até o ápice do "V" do músculo deltóide,
. alcança Jianyu (IG 15) no bordo ântero-lateral do acrômio,
. gira em torno do ombro,
. faz um trajeto até o Jugu (IG 16), entre a crista escapular e a
         extremidade lateral da clavícula,
. vai para o Bingfeng (ID 12) no meio da fossa supra-espinhosa da       escápula,
. faz um trajeto até Dazhui (DM 14), entre os processos espinhosos da
         C 7 e T1, onde encontra com outros os 5 meridianos principais Yang,
. retorna anteriormente para Quepen (E 12), na fossa supraclavicular,
  onde se torna profundo,
. penetra no peito até atingir o Pulmão (Fei),
. passa através do diafragma,
. estende ramificações para o Intestino Grosso (Dachang).
Daí, um ramo que não pertence ao meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming
estabelece uma relação entre o Intestino Grosso (Dachang) e Shangjuxu (E 37), o ponto de "coleta"
(Xia He) do Intestino Grosso, localizado na perna.
86 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS


           A partir da fossa supraclavicular. em Quepen (E 12), um ramo superficial ascende para o pescoço entre
     as duas cabeças do músculo esternoclido mastóideo,
     . alcança a mandíbula,
     . faz um trajeto através da bochecha,
     . entra na gengiva e dentes inferiores, onde se ramifica,
     . emerge lateralmente à comissura labial em Dicang (E 4),
     . circunda o lábio superior para encontrar o mesmo ramo que vem do lado oposto e o vaso Governador (DU
     Mai) em RenzhÔng (DM 26) abaixo do nariz,


            .    alcança o KOuheliao (Ig 19). localizado lateralmente ao Renzhong (DM
              26), e
            . termina em Yingxiang (Ig 20) do lado oposto no sulco nasolabial.
           Através de um ramo profundo que se separa em Yingxiang (Ig 20), se une
     ao meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming

     Observações
            o meridiano principal do Intestino Grosso ShOu Yang Ming está
              relacionado com os seguintes meridianos:
            . o meridiano principal do Pulmão ShOu Tai Yin. do qual ele recebe sua
                        energia através de um ramo desde o Lieque (P 7) até o Shangyang (IG
              1), como uma dupla Yin- Yang, o meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming, para o qual ele dá
                                  sua energia (IG 20 B 1 E 1) como a unidade Yang Ming
              (conexão Yang- Yang).
            O meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming se conecta
              com os seguintes órgãos Zang Fu:
            . o Pulmão (Fei)
            . o Intestino Grosso (Dachang)

     Pontos de Cruzamento

     Ao longo do seu curso, o meridiano principal do Intestino Grosso Shou
Yang Ming faz interseção com os seguintes pontos:
     . Bingfeng (ID 12)
     . DazhUi (DM 14)
     . Quepen (E 12)
     . Dicang (E 4)
     . Renzhong (DM 26)
O meridiano tendinomuscular Shou Yang Ming do
                   Intestino Grosso
   Shou Yang Ming Dachang Jing Jin

         Começa na extremidade lateral do dedo indicador em Shangyang (IG 1),
então,
         . vai ao longo do 2° dedo da mão e 2° osso metacarpiano até Yangxi (IG
           5), na tabaqueira anatômica, onde se liga,
         . segue o aspecto póstero-Iateral do antebraço, e atinge o cotovelo,
         . liga-se à extremidade lateral do sulco cubital transverso, onde está o
  Quchi (IG 11),
. corre ao longo das fibras medianas deste músculo,
. liga-se ao aspecto lateral do acrômio em Jianyu (IG 15).
A partir de Jianyu (IG 15), um ramo colateral gira em torno da escápu1a em direção à coluna, liga-se com a C7
a T5, entre Dazhui (DM 14) e Shendao (DM 11).
O ramo principal continua seu curso para cima,
. corre por cima da fossa supraclavicular,
. faz um trajeto ao longo do aspecto lateral do pescoço e liga-se ao ângulo da mandíbula.
DaÍ, ele se divide em 2 ramos:
. um ramo passa sobre o zigoma até o lado do nariz,
. o outro ramo vai pelo aspecto lateral da face, anteriormente ao meridiano tendinomuscular Shou Tai Yang do
Intestino Delgado,
. alcança a área temporofrontal, une-se aos outros meridianos tendinomusculares Yang da Mão em Benshen
(VB 13),


. cruza por cima do crânio,
. termina no ângulo da mandíbula do lado oposto 1.
1 Algumas escolas. confiando em uma interpretação diferente do Ling Shu para apoiá-Los neste ponto de vista. ensinam que o
meridiano termina em Tianding (IG 17). situado na parte lateral do pescoço, 1 cun abaixo de Futu (IG 18), no bordo posterior do
músculo esternoclidomastóideo.
o vaso Luo Shou Yang Ming do Intestino Grosso Shou
                                          Yang Ming Luo Mai

       Separa-se do seu meridiano principal em Pianli (IG 6), localizado 3 cun
         proximal ao sulco do pulso no aspecto lateral do rádio.
       Ele se divide em 2 ramos: transverso e longitudinal.
       - O ramo transverso se une ao meridiano principal Shou Tai Yin do
         Pulmão 1.
       - O ramo longitudinal
       . segue o meridiano principal Shou Yang Ming do Intestino Grosso até o
  ombro em Jianyu (IG 15),
. passa sobre a fossa supraclavicular até Quepen (E 12),
. ascende até o pescoço,
. alcança a mandíbula, onde Se subdivide em 2 pequenos sub-ramos:
. um se espalha nos dentes,
. o outro penetra no ouvido para unir-se ao outro meridiano (Zong Mai)2.




1 Certas escolas concordam que o ramo transverso cria uma junção entre Pianli (IG 6) e Taiyuan (P 9), o ' ponto Yuan do meridiano
principal do Pulmão Shou Tai Yin.
2 Zang Mai significa "o ponto ou área (Zang), onde os meridianos (Jing Mai) se reúnem". Esta expressão vem do Ling Shu Capítulo 10.
O Capítulo 28 deste clássico confirma o sentido do caráter Zang "o olho é onde os vasos sangüíneos (Xue Mai) se reúnem, o ouvído é
onde os meridianos (Jing Mai) se reúnem.
o meridiano divergente do Intestino Grosso Shou
          Yang Ming Shou Yang Ming Dachang Jing Bie

Diverge do seu meridiano principal, na mão 1,
. corre por cima do braço,
. alcança o ombro onde ele sai, em Jianyu (IG 15) abaixo do bordo
    lateral do acrômio.
A partir do Jianyu (IG 15),


.    um ramo vai para o peito e estende ramificações para a mama,

. um outro ramo vai para a coluna em C7,
. volta para o meio da fossa supraclavicular em Quepen (E 12) 2,
. desce até o Intestino Grosso (Dachang),
. volta até o Pulmão (Fei),
. sai em Quepen (E 12)3,
. ascende ao longo do aspecto lateral do pescoço para unir-se aos meridianos principais do Intestino
Grosso Shou Yang Ming e do
Pulmão Shou Tai Yin em Futu (IG 18), onde a Sexta União é formada (6ª He)4.




L No cotovelo ou no ombro, conforme as diferentes interpretações do Ling Shu.
2 De acordo com o Instituto da Tradicional MedicinaChinesa de Shangai. o meridiano vai diretamente da coluna para o Intestino
Grosso (Dachang) sem passar por Quepen (E 12).
3 Sai em Tiantu (RM 22)antes de alcançar Quepen (E 12), conforme algumas escolas.
4 0utros autores indicam que a 6" União é formada em Quepen (E 12).
O meridiano divergente do Intestino Grosso
      Shou Yang Ming
      Shou Yang Ming Dachang Jing Bie


      Diverge do seu meridiano principal, na mão 1.
                                • Corre por cima do braço,
             • Alcança o ombro onde ele sai, em Jianyu (IG 15) abaixo do
                bordo lateral do acrômio.
A partir do Jianyu (IG 15),
   • Um ramo vai para o peito e estende ramificação para a mama,
   • Um outro ramo vai para a coluna em C7,
             Volta para o meio da fossa supraclavicular Quepen (E12) 2,
             Desce até o Intestino Grosso Dachang,
             Volta ate o pulmão (Fei),
             Sai em quepen (E12) 3,
             Ascende ao longo do aspecto lateral do pescoço para unir-se aos
             meridianos principais do Intestino Grosso Shou Yang Ming e do
             Pulmao Shou Tai Yin em fotu (IG 18), onde a 6ª união é formada
             (6ª He) 4.




            1 No cotovelo ou no ombro, conforme as diferentes interpretações no Ling Shu.
            2 De acordo com o Instituto da Tradicional Medicina Chinesa de Shangai o meridiano
            vai diretamente da coluna para o Intestino Grosso (Dachang) sem passar por Quepen
            (E12).
            3 sai em Tiantu (Ren 22) antes de alcançar quepen (E12), conforme algumas escolas.
            4 Outros autores indicam que a 6ª união é formada em quepen (E12).
O meridiano principal
  do Estômago Zu Yang Ming Zu Yang Ming Wei Jing
       o meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming recebe sua energia do meridiano
 principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming através de um ramo profundo que se separa em
 Yingxiang (IG 20) no sulco nasolabial,
 . sobe para o canto interno do olho, onde encontra o Jingming (B 1),
 . desce para o bordo inferior da órbita em Chengqi (E 1), o ponto inicial
 do meridiano.
         De Chengqi (E 1), ele vai para a bochecha,


 . penetra na gengiva superior,
 . sai abaixo do nariz em Renzhong (DM 26), pouco acima do ponto médio do sulco na linha mediana
 do lábio superior, onde encontra sua contrapartida do lado oposto e o Vaso Governador (Du Mai),
. faz uma curva em torno dos lábios até a linha média, onde novamente encontra sua contrapartida do
 outro lado e o Vaso da Concepção (Ren Mai) em Chengjiang (RM 24), na parte mediana do sulco
 mentolabial, . segue a parte horizontal da mandíbula, até Daying (E 5), localizado no bordo anterior
 do mÚsculo masseter.
 Daí, - um ramo ascende anteriormente até o ouvido,
 . alcança Shangguan (VB 3) acima do bordo zigomático,
 superior do arco

 . corre até a área temporal, passando por Xuanli (VB 6), Xuanlu (VB 5),
     e Hanyan (VB 4),
 . une-se a Touwei (E 8) no canto da testa,
 . termina em Shenting (DM 24) logo acima da linha dos cabelos.
 - um outro ramo desce anteriormente ao mÚsculo esternoclidomastóideo, . faz um trajeto
 através do Renying (E 9), localizado no bordo anterior do
    esternoclidomastóideo, nivela-se com a ponta do pomo de Adão,
 . vai para Qishe (E 11 ), no ângulo entre a cabeça esternal do
      esternoclidomastóideo e a parte medial da clavícula,
     . alcança a coluna em Dazhui (DM 14) entre C 7 e T1, onde encontra os
      outros cinco meridianos principais Yang,
 .   . volta para a fossa supraclavicular em Quepen (E 12).
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos
Atlas De Meridianos

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Apostila de zen shiatsu
Apostila de zen shiatsuApostila de zen shiatsu
Apostila de zen shiatsu
Eli Júnior
 
Combinações dos pontos de acupuntura a chave para o êxito clínico - jeremy ...
Combinações dos pontos de acupuntura   a chave para o êxito clínico - jeremy ...Combinações dos pontos de acupuntura   a chave para o êxito clínico - jeremy ...
Combinações dos pontos de acupuntura a chave para o êxito clínico - jeremy ...
Rodrigo Bastos
 
O clássico do pulso uma tradução do mai jin - wang shu-he & yang shou-zhong[1]
O clássico do pulso   uma tradução do mai jin - wang shu-he & yang shou-zhong[1]O clássico do pulso   uma tradução do mai jin - wang shu-he & yang shou-zhong[1]
O clássico do pulso uma tradução do mai jin - wang shu-he & yang shou-zhong[1]
Rodrigo Bastos
 

Mais procurados (20)

Apostila de zen shiatsu
Apostila de zen shiatsuApostila de zen shiatsu
Apostila de zen shiatsu
 
Acupuntura sistêmica(aula)
Acupuntura sistêmica(aula)Acupuntura sistêmica(aula)
Acupuntura sistêmica(aula)
 
Medicina Tradicional Chinesa e a Biomedicina
Medicina Tradicional Chinesa e a BiomedicinaMedicina Tradicional Chinesa e a Biomedicina
Medicina Tradicional Chinesa e a Biomedicina
 
5 elementos - Shu Antigos
5 elementos - Shu Antigos5 elementos - Shu Antigos
5 elementos - Shu Antigos
 
Combinações dos pontos de acupuntura a chave para o êxito clínico - jeremy ...
Combinações dos pontos de acupuntura   a chave para o êxito clínico - jeremy ...Combinações dos pontos de acupuntura   a chave para o êxito clínico - jeremy ...
Combinações dos pontos de acupuntura a chave para o êxito clínico - jeremy ...
 
Qi yin yang apresentação(3)
Qi yin yang apresentação(3)Qi yin yang apresentação(3)
Qi yin yang apresentação(3)
 
Acupuntura + fitoterapia(1)
Acupuntura + fitoterapia(1)Acupuntura + fitoterapia(1)
Acupuntura + fitoterapia(1)
 
SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...
SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...
SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...
 
O clássico do pulso uma tradução do mai jin - wang shu-he & yang shou-zhong[1]
O clássico do pulso   uma tradução do mai jin - wang shu-he & yang shou-zhong[1]O clássico do pulso   uma tradução do mai jin - wang shu-he & yang shou-zhong[1]
O clássico do pulso uma tradução do mai jin - wang shu-he & yang shou-zhong[1]
 
Conceitos Básicos de Recursos Terapêuticos em Acupuntura/MTC
Conceitos Básicos de Recursos Terapêuticos em Acupuntura/MTCConceitos Básicos de Recursos Terapêuticos em Acupuntura/MTC
Conceitos Básicos de Recursos Terapêuticos em Acupuntura/MTC
 
Acupuntura bioenergética
Acupuntura bioenergéticaAcupuntura bioenergética
Acupuntura bioenergética
 
A prática da medicina chinesa tratamento de doenças com acupuntura e ervas ...
A prática da medicina chinesa   tratamento de doenças com acupuntura e ervas ...A prática da medicina chinesa   tratamento de doenças com acupuntura e ervas ...
A prática da medicina chinesa tratamento de doenças com acupuntura e ervas ...
 
Apostila do Curso de Fitoterapia Chinesa
Apostila do Curso de Fitoterapia ChinesaApostila do Curso de Fitoterapia Chinesa
Apostila do Curso de Fitoterapia Chinesa
 
SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...
SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...
SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...
 
Combinação de pontos auriculares na estética
Combinação de pontos auriculares na estéticaCombinação de pontos auriculares na estética
Combinação de pontos auriculares na estética
 
Técnicas em MTC
Técnicas em MTCTécnicas em MTC
Técnicas em MTC
 
Canais unitarios
Canais unitariosCanais unitarios
Canais unitarios
 
Atlas de acupuntura
Atlas de acupunturaAtlas de acupuntura
Atlas de acupuntura
 
SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...
SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...
SÍNDROMES NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E PADRÕES DE DESARMONIA E MANIFESTA...
 
Acupuntura estética modulo 1
Acupuntura estética modulo 1Acupuntura estética modulo 1
Acupuntura estética modulo 1
 

Semelhante a Atlas De Meridianos

Atlasdemeridianos 100411095421-phpapp02 (1)
Atlasdemeridianos 100411095421-phpapp02 (1)Atlasdemeridianos 100411095421-phpapp02 (1)
Atlasdemeridianos 100411095421-phpapp02 (1)
Edson Bispo Palmeira
 
Conceitos Básicos MTC parte 6
Conceitos Básicos MTC parte 6Conceitos Básicos MTC parte 6
Conceitos Básicos MTC parte 6
Andreia Moreira
 
Odiagnsticonamedicinachinesaauterochenavailhcopy 140215215301-phpapp01
Odiagnsticonamedicinachinesaauterochenavailhcopy 140215215301-phpapp01Odiagnsticonamedicinachinesaauterochenavailhcopy 140215215301-phpapp01
Odiagnsticonamedicinachinesaauterochenavailhcopy 140215215301-phpapp01
SPkika Márcia
 
Fundamentos da medicina_tradicional_chinesa
Fundamentos da medicina_tradicional_chinesaFundamentos da medicina_tradicional_chinesa
Fundamentos da medicina_tradicional_chinesa
grasi1977
 
Cristais em-pontos-ashi
Cristais em-pontos-ashiCristais em-pontos-ashi
Cristais em-pontos-ashi
Adriane Cunha
 
Conceitos Básicos MTC parte1
Conceitos Básicos MTC  parte1Conceitos Básicos MTC  parte1
Conceitos Básicos MTC parte1
Andreia Moreira
 

Semelhante a Atlas De Meridianos (20)

Atlasdemeridianos 100411095421-phpapp02 (1)
Atlasdemeridianos 100411095421-phpapp02 (1)Atlasdemeridianos 100411095421-phpapp02 (1)
Atlasdemeridianos 100411095421-phpapp02 (1)
 
Atlas de acupuntura chinesa (meridianos e colaterais)
Atlas de acupuntura chinesa (meridianos e colaterais)Atlas de acupuntura chinesa (meridianos e colaterais)
Atlas de acupuntura chinesa (meridianos e colaterais)
 
Apostiladeauriculoacupunturachinesa
ApostiladeauriculoacupunturachinesaApostiladeauriculoacupunturachinesa
Apostiladeauriculoacupunturachinesa
 
Apostila+de+auriculoacupuntura+chinesa
Apostila+de+auriculoacupuntura+chinesaApostila+de+auriculoacupuntura+chinesa
Apostila+de+auriculoacupuntura+chinesa
 
Auriculoterapia 001
Auriculoterapia   001Auriculoterapia   001
Auriculoterapia 001
 
Auriculoterapia Chinesa.pdf
Auriculoterapia Chinesa.pdfAuriculoterapia Chinesa.pdf
Auriculoterapia Chinesa.pdf
 
Ato Médico
Ato MédicoAto Médico
Ato Médico
 
Meridianos
MeridianosMeridianos
Meridianos
 
Acupuntura aula
Acupuntura aulaAcupuntura aula
Acupuntura aula
 
Apostila+de+auriculoacupuntura+chinesablzdeaco
Apostila+de+auriculoacupuntura+chinesablzdeacoApostila+de+auriculoacupuntura+chinesablzdeaco
Apostila+de+auriculoacupuntura+chinesablzdeaco
 
Conceitos Básicos MTC parte 6
Conceitos Básicos MTC parte 6Conceitos Básicos MTC parte 6
Conceitos Básicos MTC parte 6
 
Odiagnsticonamedicinachinesaauterochenavailhcopy 140215215301-phpapp01
Odiagnsticonamedicinachinesaauterochenavailhcopy 140215215301-phpapp01Odiagnsticonamedicinachinesaauterochenavailhcopy 140215215301-phpapp01
Odiagnsticonamedicinachinesaauterochenavailhcopy 140215215301-phpapp01
 
Fundamentos da medicina_tradicional_chinesa
Fundamentos da medicina_tradicional_chinesaFundamentos da medicina_tradicional_chinesa
Fundamentos da medicina_tradicional_chinesa
 
46265526 6985232-fundamentos-da-medicina-tradicional-chinesa
46265526 6985232-fundamentos-da-medicina-tradicional-chinesa46265526 6985232-fundamentos-da-medicina-tradicional-chinesa
46265526 6985232-fundamentos-da-medicina-tradicional-chinesa
 
Fundamentos da medicina tradiciona chinesa-blzdeaco
Fundamentos da medicina tradiciona chinesa-blzdeacoFundamentos da medicina tradiciona chinesa-blzdeaco
Fundamentos da medicina tradiciona chinesa-blzdeaco
 
medicina-tradicional-chinesa.pdf
medicina-tradicional-chinesa.pdfmedicina-tradicional-chinesa.pdf
medicina-tradicional-chinesa.pdf
 
Cristais em-pontos-ashi
Cristais em-pontos-ashiCristais em-pontos-ashi
Cristais em-pontos-ashi
 
Do in
Do inDo in
Do in
 
Conceitos Básicos MTC parte1
Conceitos Básicos MTC  parte1Conceitos Básicos MTC  parte1
Conceitos Básicos MTC parte1
 
Psicologia e medicina tradicional chinesa
Psicologia e medicina tradicional chinesaPsicologia e medicina tradicional chinesa
Psicologia e medicina tradicional chinesa
 

Mais de Rosa Paollucci

Jornal outubro 2013 f inal
Jornal outubro 2013 f inalJornal outubro 2013 f inal
Jornal outubro 2013 f inal
Rosa Paollucci
 
Korfebol congresso carioca
Korfebol congresso cariocaKorfebol congresso carioca
Korfebol congresso carioca
Rosa Paollucci
 
Samba enredo arrastão cultural 2013
Samba enredo arrastão cultural 2013Samba enredo arrastão cultural 2013
Samba enredo arrastão cultural 2013
Rosa Paollucci
 
Saude pela pratica maio
Saude pela pratica maioSaude pela pratica maio
Saude pela pratica maio
Rosa Paollucci
 
Convite sem fronteiras pr
Convite sem fronteiras prConvite sem fronteiras pr
Convite sem fronteiras pr
Rosa Paollucci
 
Apresentação dos 14 professores + 5 educação especial trofeu jacintho franc...
Apresentação dos 14 professores + 5 educação especial   trofeu jacintho franc...Apresentação dos 14 professores + 5 educação especial   trofeu jacintho franc...
Apresentação dos 14 professores + 5 educação especial trofeu jacintho franc...
Rosa Paollucci
 
Seminario didactica edufisica 2013
Seminario didactica edufisica 2013Seminario didactica edufisica 2013
Seminario didactica edufisica 2013
Rosa Paollucci
 
Saude pela pratica fev mar
Saude pela pratica fev marSaude pela pratica fev mar
Saude pela pratica fev mar
Rosa Paollucci
 
Congreso acapulco 2012 snte fiep
Congreso acapulco 2012 snte fiepCongreso acapulco 2012 snte fiep
Congreso acapulco 2012 snte fiep
Rosa Paollucci
 
Jornal setembro sobr capa (1)
Jornal setembro sobr capa (1)Jornal setembro sobr capa (1)
Jornal setembro sobr capa (1)
Rosa Paollucci
 
Convocatoria expositores acapulco 2012
Convocatoria expositores acapulco 2012Convocatoria expositores acapulco 2012
Convocatoria expositores acapulco 2012
Rosa Paollucci
 

Mais de Rosa Paollucci (20)

Jornal outubro 2013 f inal
Jornal outubro 2013 f inalJornal outubro 2013 f inal
Jornal outubro 2013 f inal
 
Jornal julho 2013
Jornal julho 2013Jornal julho 2013
Jornal julho 2013
 
Korfebol congresso carioca
Korfebol congresso cariocaKorfebol congresso carioca
Korfebol congresso carioca
 
Samba enredo arrastão cultural 2013
Samba enredo arrastão cultural 2013Samba enredo arrastão cultural 2013
Samba enredo arrastão cultural 2013
 
Saude pela pratica maio
Saude pela pratica maioSaude pela pratica maio
Saude pela pratica maio
 
Abril(1)
Abril(1)Abril(1)
Abril(1)
 
Abril(1)
Abril(1)Abril(1)
Abril(1)
 
Convite sem fronteiras pr
Convite sem fronteiras prConvite sem fronteiras pr
Convite sem fronteiras pr
 
Apresentação dos 14 professores + 5 educação especial trofeu jacintho franc...
Apresentação dos 14 professores + 5 educação especial   trofeu jacintho franc...Apresentação dos 14 professores + 5 educação especial   trofeu jacintho franc...
Apresentação dos 14 professores + 5 educação especial trofeu jacintho franc...
 
Seminario didactica edufisica 2013
Seminario didactica edufisica 2013Seminario didactica edufisica 2013
Seminario didactica edufisica 2013
 
Saude pela pratica fev mar
Saude pela pratica fev marSaude pela pratica fev mar
Saude pela pratica fev mar
 
Jornal janeiro 2013
Jornal janeiro 2013Jornal janeiro 2013
Jornal janeiro 2013
 
Clipping 84
Clipping 84Clipping 84
Clipping 84
 
Jornaloutubro 2012
Jornaloutubro 2012Jornaloutubro 2012
Jornaloutubro 2012
 
Congreso acapulco 2012 snte fiep
Congreso acapulco 2012 snte fiepCongreso acapulco 2012 snte fiep
Congreso acapulco 2012 snte fiep
 
Clipping 77 (1)
Clipping 77 (1)Clipping 77 (1)
Clipping 77 (1)
 
Jornal setembro 2012
Jornal setembro 2012Jornal setembro 2012
Jornal setembro 2012
 
Jornal setembro sobr capa (1)
Jornal setembro sobr capa (1)Jornal setembro sobr capa (1)
Jornal setembro sobr capa (1)
 
Convocatoria expositores acapulco 2012
Convocatoria expositores acapulco 2012Convocatoria expositores acapulco 2012
Convocatoria expositores acapulco 2012
 
Jornal agosto 2012
Jornal agosto 2012Jornal agosto 2012
Jornal agosto 2012
 

Atlas De Meridianos

  • 1.
  • 2.
  • 3.
  • 4.
  • 5.
  • 6.
  • 7.
  • 8.
  • 9.
  • 10.
  • 11.
  • 12.
  • 13.
  • 14.
  • 15.
  • 16.
  • 17.
  • 18.
  • 19.
  • 20.
  • 21.
  • 22. Prefácio Nos anos 70, a excitação em torno dos experimentos com a analgesia por Acupuntura Chinesa lançou uma inesperada mania por acupuntura no Ocidente. Durante o mesmo período. o interesse demonstrado pela comunidade médica veio acompanhado por um desejo de integração, a qualquer custo, desta terapia, na estrutura da medicina contemporânea. Assim, depois de ter sido por longo tempo rejeitada e muito discutida. o ensino e a prática da acupuntura foi submetido ao impacto da excessiva modernização. Neste processo, a acupuntura foi separada de suas raízes em uma tentativa de reduzi-Ia a uma .mera forma de reflexologia. O conjunto de técnicas resultante, simplesmente tomadas por empréstimo de uma ciência chinesa como se esta fosse pouco mais que uma fonte de inspiração, falhou em levar em conta as regras que norte iam sua aplicação. Em Última análise, a clínica tornou-se o censor das "terapias com agulha" que foram incapazes de obter os resultados terapêuticas esperados e que acentuavam os riscos. ou mesmo provocavam um desequilíbrio de energia nos pacientes. Do mesmo modo. quando confrontadas com sua incapacidade de justificar uma prática fora dos cuidados com as normas da Medicina Chinesa, os doutores ocidentais foram forçados a mudar sua abordagem de modo a atacar de frente um pensamento médico originado em uma cultura diferente da_ deles próprios. . A abertura da China e a publicação, durante a Última década, de vários livrosl in_pirados pelo ensino oferecido nos institutos chineses de medicina tradicional ajudaram a ocasionar esta mudança. Estas obras dissiparam a superabundância de interpretações ocidentais, nas quais a acupuntura tinha se perdido, quando não totalmente separada de sua articulação teórica, ou tornado-se totalmente atolada no esoterismo. A adoção de um método didático baseado na fisiologia das vísceras (Zang Fu2) assim como nas Oito Regras do diagnóstico (Ba Gang), facilitou a abordagem global da medicina chinesa, que nos é apresentada atualmente como um sistema tanto coerente como flexível. Este sistema foi desenvolvido, por séculos, por sucessivos acréscimos e justaposições baseados em duas teorias inseparáveis, do Yin-Yang e Jing Luo (meridianos3 e vasos secundários). ITais COl110 I.c Díagnoslíc cn Médecínc Chínoíse (8. Auteroche - P. Navailh. 1983); Zang Fu. The Organ S:vslems qf Tradítíonal Chínese Medícíne (J. Ross. 1984). Foundatíons (_l Chinese Medícíne (G. Macioeia. 1989). 2Lang são chamados "Órgãos J'in" ou "Órgãos Compactos". Fu são chamados --Órgãos Yang" ou "Órgàos.Ocos". Na literatura francesa sobrc acupuntura. Zang é traduzido COl110 "Órgãos" e Fu como "Tripas". . . 3Jing significa canais. No entanto. por analogia COI11 as linhas traçadas em um mapa do mundo. G. Soulié de Morant. um dos primeiros pioneiros em acupuntura no Ocidente. traduziu Jing como "meridianos". É esta tradução que deve ser mantida neste livro de acordo com a nomenclatura padrão adotada no encontro de Hong Kong em 1985.
  • 23. 16 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS A nível macro, a mecânica celestial explica a interação e equilíbrio das estrelas e planetas no Universo. A nível micro, a mecânica quântica situa a interação e equilíbrio das células e elétrons no átomo, do átomo nas moléculas, etc. Do infinitamente grande ao infinitamente pequeno, tudo é Energia... Por mais de dois milênios, a argumentação médica chinesa, que é influenciada pela filosofia Taoísta, apóia-se em uma concepção do Universo, baseada na energia, que tem sido defendida pela física moderna. Para os chineses, a existência e o equilíbrio de qualquer sistema resulta da constante interação de duas forças antagônicas e complementares, o Yin e o Yang, que são simplesmente duas expressões de uma energia fundamental. A proporção variável de Yin e Yang determina a resistência relativa de um sistema e numerosos graus de manifestação da energia. Por este ponto de vista, a oposição energia/matéria é apenas aparente: matéria só representa um aspecto particular da energia (condensação), sua forma manifesta (a maioria Yin). Não há energia sem matéria, nem matéria sem energia. Yin e Yang não podem ser separadas uma da outra, mas podem ser convertidas uma na outra. Quando uma aumenta, a outra diminui. O equilíbrio que elas formam é sempre dinâmico, e sua oposição, como a fonte de todo !llovimento, é apenas relativa, já que Yin está na;, Yang e Yang está na Yin. Na linguagem contemporânea, pode-se dizer que a t:hatéria (Yin) e a energia (Y ang) são apenas variantes de um princípio unitário que tem um caráter dual, ao mesmo tempo ondulatório (energia) e corpuscular (matéria). . Assim como todos os componentes do Universo, o Homem é apenas a expressão da Unidade. Considerado como um microcosmo em um macrocosmo, ele é em si mesmo a sede da transformação da energia. De modo a circular por todo o organismo, as energias humanas adotam cursos particulares, que são os Jing Luo. Eles também mantêm o equilíbrio Yin-Yang por conectar várias partes do corpo, seja entre elas mesmas ou com o meio ambiente externo. Acupuntura é a arte e a ciência de guiar e regular o fluxo destas energias. No caso de desequilíbrio, o acupunturista intervém de acordo com regras que são específicas para a Tradicional Medicina Chinesa, estimulando certos "pontos" em que são beneficiadas áreas onde a Energia e Sangue dos meridianos estão concentrados. É assim que ele pode restaurar a circulação que estava alterada. A doutrina antiga do Yin-Yang contém e expressa, de forma simbólica, as teorias desenvolvidas desde o início do século 20, por médicos, tais como De Broglie, Heisenberg e Planck. Ela inclui, de fato, os conceitos de dualidade e unidade que derivam do conceito de relatividade que Einstein aplicou a dupla espaço/tempo. No entanto, a partir da perspectiva chinesa, esta relatividade não é limitada. É generalizada e estruturada hierarquicamente. Essa estruturação hierárquica designa uma primazia do Yang sobre o Yin, porque o Yang fecunda e o Yin produz. ATerra (Yin) é dominada pelo Céu (Y ang), fonte das primeiras energias. Como o Yang é identificado com o Tempo e o Yin com o Espaço, o primeiro torna-se o organizador do segundo. Assim, em oposição aos ocidentais, os chineses não têm obsessão pelo mensurável ou pelo quantitativo, que impõe a fixidez das coisas, porque a visão de mundo subjacente à medicina Chinesa se apóia não no Espaço, mas no Tempo. O modelo biológico que figura assim neste esquema é dinâmico e processual, mais que mecânico:
  • 24. PREFÁCIO - 17 nada é linear, e tudo é cíclico. "O que não pode ser medido é mais importante do que o que pode ser medido, e o que não é aparente é mais importante do que o que é:' Esta visão de mundo dá origem à percepção do Homem e da Saúde, que é inevitavelmente diferente daquela que prevalece no Ocidente. Eis porque o treinamento médico dado no mundo ocidental, embora certamente tenha seu valor, torna-se limitado em sua pretensão de entender totalmente a acupuntura. A medicina convencional baseia-se na lógica clássica que origina leis que governam a matéria e que funciona de acordo com o princípio da não contradição. Esta medicina não pode aplicar seu modo de pensar à Tradicional Medicina Chinesa. que se origina de uma lógica retalhista baseada no princípio da contradição intrínseca (Yin- Y ung). A medicina chinesa concebe o ser huma- no como um sistema de energia em equilíbrio dinâmico com o seu meio ambiente, e vê a doença como uma quebra nesta harmonia. De acordo com esta lógica, a saúde não é apenas o equilíbrio interno do corpo, é também o equilíbrio do homem em relação ao meio ambiente externo. . Embora elas se complementem uma à outra, as medicinas Chinesa e Ocidental não podem ser usadas para explicar uma à outra. A medicina contemporânea é articulada como um modo analítico de pensar. Ela se expressa em termos do Sintoma e se baseia em estrutura anatômica, causalidade e na dicotomia corpo/mente. Em oposição a este sistema, a Medicina Chinesa expressa um modo sintético de pensar, através do Símbolo; como tal, não analisa. Não se preocupa com a anatomia. Ao contrário, observa, estabelece correspondências e joga com analogias. Suas bases se apóiam de um lado na função, e no continuum corpo espírito, de outro. Conseqüentemente, seus subprodutos. tais como a acupuntura, farmacopéia, dietética, massagens, os exercícios conhecidos como Tuiqi Quem e Qicong devem ser vistos de uma maneira que é consciente de sua especificidade. Não podem, em verdade, ser considerados como uma técnica dependente da medicina moderna, com a qual, além do mais, não têm qualquer laço de causalidade. Isto não exclui a necessidade de buscar a pesquisa científica. Nesta união, resultados promissores já foram registrados, o que dá origem a várias hipóteses a respeito dos mecanismos de sua ação. Embora tenham sua importância, estes resultados são contudo fragmentares para o momento, e lidam particularmente com o fenômeno analgésico, que a descoberta das endorfinas substanciou parcialmente. Contudo, eles ainda não autorizam o uso de um modelo neuro-endócrino em lugar do modelo chinês da energia para explicar todos os efeitos da acupuntura. As aplicações da acupuntura são múltiplas, e não podem ser limitadas unicamente à analgesia. Apesar dos progressos da moderna ciência médica, estes experimentos ainda não tornaram obsoleto o princípio fundamental que guia a prática diária do acupunturista contemporâneo. Ao contrário, eles demonstraram que nenhuma pesquisa séria pode ser empreendida sem estudo preliminar das teorias tradicionais. Sem dúvida, a raiz da parte mais importante destes experimentos, repousa, precisamente, no Jing Luo. Estes Jing Luo podem ser considerados como a pedra angular da medicina chinesa que torna possível desenvolver uma fisiologia muito complexa, baseada em energia e uma acuterapia cujas leis foram codificadas nos Clássicos.
  • 25. 18 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS A teoria Jing Luo, como é conhecida atualmente, foi estabelecida de forma quase definitiva no Ling Shu, que é, em si, uma parte constitutiva do Huangdi Nei Jing ("The Y ellowEmperors Inner Classic" ou "Canon of Medicine"). Esta última obra, que está relacionada ao legendário imperador Huangdi, é em realidade o somatório das sucessivas contribuições de numerosos doutores anônimos. Foi desenvolvido durante um período que se estende desde os Reinos em Batalhas (475 a 221 a.C) até a dinastia Han Oriental (206 a 220), época em que foi terminadal. Em Han, a obra original era composta por 18 rolos especializados, 9 dos quais constituíam o Su Wen ("Questões Essenciais"), com os 9 outros sob o nome de Zhen Jing ("Clássico das Agulhas") ou Jiu Juan ("Nove Rolos") . O livro primitivo (Zhen Jing ou Jiu Juan) continha 81 Capítulos. Nas dinastias Sui (581 - 618) e Tang (618 - 907), apareceram várias versões alternativas: Jiu Ling ("Nove Imortais"), Jiu Xu ("Nove Montes") e, finalmente, Ling Shu ("Eixo Espiritual"2). Após a dinastia Song Setentrional (960 - 1127), o texto original do período Han Oriental e a maioria das versões correntes nos períodos Sui e Tang desapareceram. Entre as raras versões existentes atualmente, a mais propagada é aquela de Shi Zong da dinastia Song do Sul (1127 - 1279) que escreveu um Ling Shu em 84 volumes a partir de um texto em 9 rolos que tinham sido preservados por sua família. O Ling Shu que chegou até nós éÚualmente é em sua maior parte o trabalho de comentaristas que, durante os séculos seguintes, trabalharam essencialmente sobre o documento de Shi Zong. Estes Ling Shu não apresentam variações essenciais a respeito do conteúdo geral. No entanto, uma leitura cuidadosa dos comentários e glossários que os acompanham, evidencia notáveis diferenças quanto à interpretação dos textos originais. I"A primeira menção ao Nei .Jing é encontrada nos Anais do Han (Primeiro século a.c.)" (A. Husson. 1973. pág. 13). Enquanto há um consenso quanto ao período em que Nei .Jing foi mais provavelmente escrito. continuam os debates a respeito da data precisa da obra. Para A . Husson [1973. pág. 12] "este é um tratado relativamente recente que contém muitos fraginentos antigos e o eco de obras que desapareceram durante uma queima de livros decidida por Qinshi Huangdi em 213 a.c.". Ming Wong [1987. págs. 3-4] não compartilha do ponto de vista de Husson a respeito do auto-da-fé. Ele considera que "a essência do sistema médico do Ling Shu foi concebida por doutores anônimos d_rante o período Qin (cerca de 221 a 206 a.c.) que se ocultaram s6b o prestígio do nome de Huangdi. O lrnperador Qinshi Huangdi. o instigador do auto-da-fé tel'ia. no princípio. retido os tratados sobre agricultura. anatomia c medicina. Como parte da sua busca da imortalidade, o imperador exerceu estrito controle sobre as artes da cura." Classificando o Wu XiYig (traduzido como Cinco Elementos. Cinco Movimentos ou Cinco Fases) e o Zang Fu (vísceras). de acordo com ás eras. Meng Zhaowei demonstra que a obra não poderia ter sido escrita antes da dinastia Han Oriental. Seu argumento se baseia no fato de que em Tai Xuan (6 2 a.c.).. a relação Wu Xing/Zang Fu era completamente diferente daquela que f()i estabelecida no Huangdi Nei Jing. À parte o Rim. que é associado com a Água. todas as outras atribuições são inconsistentes (Pulmão - Fogo. Baço - Madeira. Fígado - Metal. Coração - Terra). As ligações idênticas ao Nei .Jing (Pulmão - Metal, Fígado - Madeira. Baço - Terra. Coração - Fogo) não aparecem na literatura até 200 a.c.. na época da morte de Zhen Kangcheng. Além disso. na Primavera e Outono de Lu. uma obra do início da dinastia Jin (265 - 420 a.c.). foi confirmado que a ligação do Wu Xing/Zang Fu teve lugar durante a primeira parte do reinado - Zhou Oriental (771 476 a.c.) - isto é. os períodos da Primavera ._ Outono - o mesmo que aquela que é descrita no Tai Xuan. ou durante os dois séculos que seguiram. a publicação deste último. localizando assim este escrito na era Han Oriental. (A Origem. Estabelecimento. e Prospectos da Teoria dos Canais. págs.. 257 - 258. Meng Zhaowei. Simpósio Nacional de acupuntura e moxibustão e anestesia por acupuntura. Beijing. 1979). "Também chamada "Sustentáculo Milagroso" ou "Centro da Espiritualidade".
  • 26. PREFÁCIO - 19 Quando escreviam este atlas, os autores usaram primeiramente um texto do Huangdi Nei Jing Ling Shu que foi publicado em 18061, e que eles compararam com a edição comentada e anotada pelo Instituto Hebei de Medicina Chinesa (1982). O sistema Jing Lua é da maior importância no diagnóstico e terapêutica. Ele permite a compreensão e análise de um grande número de sintomas que se encaixam na estrutura teórica clínica (Zheng) e cujas áreas de manifestação não podem ser explicados de outro modo senão pelos cursos dos meridianos. Sobretudo, as relações que os meridianos mantêm entre si e com as vísceras justificam amplamente as funções atribuídas aos pontos, determinando assim quais pontos são selecionados. Por exemplo: . XiclRuan (E 7) é indicado para tratar a otalgia incluída na síndrome clínica denominada "Elevação do Fogo na Vesícula". A utilização deste ponto para eliminar o Calor patogênico que ataca o ouvido não é mera coincidência. Entre os pontos próximos à área da afecção, Xiaguan (E 7) é o único ponto onde o principal meridiano da Vesícula Zu Shao Yang faz interseção com o meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming. Assim, trabalhar uma combinação de pontos, pressupõe não apenas uma compreensão profunda dos meridianos (Jing), mas também de seus canais secundários. Se estes canais secundários forem ignorados, então a ação de certos pontos em zonas nas quais o principal meridiano não toca, torna-se incompreensível. Por exemplo: " O meridiano divergente do Estômago Zu Yang Ming , que ao longo do seu curso, faz o trajeto para o Estômago, se dispersa no Baço, ascende e penetra o Coração, provendo assim a ligação entre o Estômago e o Coração. Esta conexão não pode ser feita nem pelo meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming que.. não passa através do Coração, nem pelo meridiano principal do Coração ShOll Shao Yin, que não vai para o Estômago. . O meridiano principal da BexigaZu Tai Yang, do qual um substancial número de pontos são parte de métodos disponíveis para uso no tratamento das hemorróidas, não chega ao ânus. A relação entre este último e o meridiano principal da Bexiga Zu Tai Yang só pode ser estabelecida por seu próprio canal divergente. Traduções completas do Ling Shll foram publicadas no Ocidente, onde o interesse dos acupunturistas em obter conhecimento direto dos clássicos fundamentais estão surgindo. Embora relativamente poucas em número, estas traduções atestam a necessidade crescente no Ocidente de um retorno às fontes básicas, o que coloca a acupuntura dentro da estrutura da Medicina Chinesa da qual só pode ser isolada às custas da coerência e da eficácia.. Atualmente, a Medicina Chinesa é melhor compreendida. A estrutura teórica clínica (Zheng) é atualmente bem conhecida entre os acupunturistas .ocidentais. Entretanto, o problema terapêutico provavelmente continua intocado 'Biblioteca pessoal. Este Ling Shu. datado do décimo ano do Nian Hao Rui Huangdi (i.é.. 1806) é uma ,versão Ma Yuan Tai.
  • 27. 20 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS por aqueles que negligenciam o estudo do Jing Luo e que interpretam celios tratados sobre Medicina Chinesa, superficialmente. Os sintomas descritos nestes livros são seguidos pelo estabelecimento de um certo nÚmero de pontos que podem entrar no tratamento das síndromes. Utilizar todos estes pontos indiscriminadamente, não faria sentido. Poderia de fato. tornar impossível individualizar o tratamento, sendo assim, uma pseudoforma da prática da acupuntura. É óbvio que nenhum paciente pode refletir perfeitamente um modelo clínico que, por definição, é teórico. O objetivo dos autores é pura- mente didático, e não destinado a fornecer receitas e sim, ao contrário, estimular os leitores à reflexão e prover a base para escolhas terapêuticas informadas. Ao idealizar um atlas dedicado à topografia dos meridianos e seus colaterais, nosso objetivo era fornecer uma descrição detalhada das vias da energia e desse modo fazer uma modesta contribuição ao processo de tomada de decisão. Embora este atlas fosse inicialmente destinado aos estudantes, esperamos que este livro interesse também aos clínicos e pesquisadores. Gostaríamos de expressar nossos agradecimentos especiais a: - Dra. Sona Tahan, Diretora de Educação na Fundação de Acupuntura do Instituto Canadá, que fez substanciais contribuições para este livro em cada passo de sua preparação. Foi ela que se prontificou a revisar, corrigir e traduzir para o inglês a versão original do francês, deste Atlas, que foi publicado por Maloine Éditions em 1990. - Mr Donald Kellough que revisou a tradução deste livro para o inglês. Gostaríamos de enviar nossos agradecimentos a todos aqueles que. em vários momentos, ajudaram-nos a completar este trabalho. Os autores Québec City, 1998
  • 28.
  • 29.
  • 30.
  • 31.
  • 32.
  • 33.
  • 34.
  • 35.
  • 36.
  • 37.
  • 38.
  • 39.
  • 40.
  • 41.
  • 42.
  • 43.
  • 44.
  • 45.
  • 46.
  • 47.
  • 48.
  • 49. 1. Meridianos e Colaterais (Jing Luo) Na Tradicional Medicina Chinesa (daqui em diante citada como TMC), os movimentos da Energia (Qi) são estruturados de acordo com cursos especiais denominados Jing Mai e LuO Mai (tabela 2). Jing e Luo designam dois importantes tipos de vasos (Mai) usados pelo Qi para circularem em todo o corpo: os meridianos (Jing) e seus vasos secundários (Luo). A expressão Jing Luo é um termo genérico que define toda a rede de circuitos dos meridianos e seus vasos secundários. O papel do sistema Jing Luo é prover conexões interviscerais e comunicação entre as vísceras e as extremidades, e regular a função de cada parte do corpo, isto é, manter o equilíbrio entre o Exterior (Biau) e o Interior (Li), Direita e Esquerda, Em cima e Embaixo. A TMC ensina que a Energia (Qi) e o Sangue (Xue) estão tão estreitamente relacionados que é fisiologicamente impossível 'separá-Ios. Sem dÚvida, o Sangue só pode circular quando "empurrado" pela força da Energia contida nos meridianos. Portanto, estes transportam tanto o Sangue quanto a Energia; no entanto, por causa do papel preponderante do Qi na relação QiXue, a maioria dos autores menciona apenas a circulação da energia quando se referem ao sistema Jing Luo. O caracter Mai significa "vasos"l e "pulso". A interpretação do Mai em cada um destes significados é fonte de alguma confusão na literatura ocidental. Entretanto, a ambigÜidade é apenas aparente. Ela desaparece à luz da relação interdependente do Qi, Xue e Mai. Qi é a força dinâmica para Mai, que contém Xue. Mai encerra Qi para assegurar o movimento do Xue nos vasos. Mantendo este ponto de vista, diz-se que "Mai é propelido graças ao Qi, e Xue é propelido graças ao Mai Qi". Assim, Mai designa a rede que limita e direciona os movimentos de Qi e Xue no corpo, bem como "as pulsações rítmicas no movimento das Substâncias nos vasos"2. A teoria Jing Luo interessa para a síntese funcional que é uma característica específica da TMC. Ela forma as múltiplas estruturas que são parte da síntese indissociável uma da outra. Este conceito ilustra a singularidade da filosofia médica chinesa, que muito claramente apresenta um quadro da fisiologia e da patologia que tem vantagens sobre a que é ensinada na medicina ocidental. Portanto, seria, sem dÚvida, um erro muito sério acreditar que a medicina ocidental possa se sobrepor à Tradicional Medicina Chinesa. IV_!SOS dc Encrgia (Qi Mai) ou Vasos SangÜincos (Xue Atai). cont(mlle o contexto. "Ross..I. Zang Fu. 1985. pág. 9.
  • 50. 2. Classificação e funções Do Jing Luo 2.1 Os meridianos (Jing Mal) Os meridianos são divididos em 4 categorias: . Os meridianos principal, regular e ordináriol (Jing Zheng) . Os meridianos tendinomusculares (Jing Jin) . Os meridianos divergentes ou distintos (Jing Bie) . Os meridianos irregulares ou extraordinários (Qi Jing Ba Mai) 2.1.1. Os meridianos principais (Jing Zheng) O caracter chinês Zheng, traduzido como "principal", também significa "reto", "direto", o que corresponde rigorosamente ao curso destes meridianos primários. Os principais meridianos são em nÚmero de 12, e bilaterais; do mesmo modo, apresentam ambos os cursos, um superficial e um profundo. Sua principal função é distribuir o Qi visceral para todos os tecidos do corpo. Eles abrangem um sistema baseado em Yin- Yang e asseguram a comunicação entre os órgãos Zang e os órgãos Fu: . Meridianos Yin relacionados aos órgãos Zang se conectam com os órgãos Fu. Por exemplo, o meridiano Zu Jue Yin pertence ao Fígado (Gan) e se conecta com a Vesícula (Dan). . Meridianos Yang relacionados aos órgãos Fu se conectam com os órgãos Zang. Por exemplo, o meridiano Zu Shao Yang pertence à Vesicula (Dan) e se conecta com o Fígado (Gan). O nome dado a cada meridiano é determinado por: . A natureza ou polaridade da energia (Yin ou Yang) que flui no meridiano; . A víscera (Zang ou Fu) com a qual o meridiano se comunica; 1 Também chamados "meridianos primários" ou "canais principais" dependendo do autor.
  • 51. OBSERV AÇÕES GERAIS - 27 . A qualidade ou intensidade (Tai, Shao, Jue) da energia Yin ou Yang; . O membro onde o meridiano começa ou termina [membro superior (Shou: Mão), membro inferior (Zu: Pé)]. De acordo com a natureza da energia, os 12 meridianos são divididos em 6 Yang e 6 Yin. . Os 6 meridianos Yin pertencem aos órgãos Zang (Baço, Pulmão, Rim, Fígado, Coração, Pericárdio) e os 6 meridianos Yang pertencem aos órgãos Fu (Estômago, Intestino Grosso, Bexiga. Vesícula Biliar, Intestino Delgado, Triplo Aquecedor). A íntensidade da energia que f1ui nos meridianos Yin ou Yang é Shao,Tai, Ming ou Jue. . Shao significa "recém-começado", recém nascido, pequeno. A Energia em Shao Yang e Shao Yin é jovem mas, potencialmente forte. Está em pleno crescimento. . Tai significa "grande", "supremo". A Energia se desenvolve e atinge seu máximo de atividade em Tai Yang e Tai Yin. Ela atinge seu pico e começa a diminuir. .Ming significa "claro". "brilhante", "luminoso". Jue significa "absoluto", .'fina!". "exaurido". . Yang Ming (= Jue Yang) e Jue Yin representam a fase terminal do Yang e Yin. respectivamente. Os meridianos Yin e Yang que terminam ou começam na mão, levam o nome dos meridianos principais da Mão (Shou Jing Zheng). Os meridianos Yin e Yang que terminam ou começam no pé. levam o nome de meridianos principais do Pé (Zu Jing Zheng). Os 3 meridianos Yin da Mão, são: . Shou Shao Yin do Coração . Shou Tai Yin do Pulmão . Shou Jue Yin do Pericárdio Os 3 meridianos Yin do Pé, são: . Zu Shao Yin do Rim .,Zu Tai Yin do Baço . Zu Jue Yin do Fígado Os 3 meridianos Yang da Mão, são: . Shou Shao Yang do Triplo Aquecedor' . Shou Tai Yang do Intestino Delgado . Shou Yang Ming do Intestino Grosso Os 3 meridianos Yang do Pé, são: . Zu Shao Yang da Vesícula . Zu Tai Yang da Bexiga . Zu Yang Ming do Estômago. 1 [Também chamado "Triplo Queimador". "Triplo Energizador". "Três Aquecedores".
  • 52. 28 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS A natureza do Yang é ascendente, e a do Yin é descendente. No entanto, o Yang participa do Yin e vice- versa. Assim, a energia dos 3 meridianos Yang da Mão (Yang do Yang) e os 3 meridianos Yin do Pé (Yang do Yin) ascendem. A Energia dos 3 meridianos Yin da Mão (Yin do Yin) e os 3 meridianos Yang do Pé (Yin do Yang), descendem. Cada meridiano Yang do membro superior (Yang do Yang) se dirige para a cabeça, onde encontra um meridiano Yang do membro inferior (Yin do Yang). Este último desce em direção ao dedo do pé, onde encontra um meridiano Yin do membro inferior (Yang do Yin). O meridiano Zu Yin volta para o peito e encontra um meridiano Yin do membro superior (Yin do Yin). Portanto: . Os 3 Yin do membro superior descem do peito para a mão . Os 3 Yang do membro superior sobem da mão para a cabeça . Os 3 Yang do membro inferior descem da cabeça para o pé . Os 3 Yin do membro inferior sobem do pé para o peito. 2.1.2. Os meridianos tendinomusculares (Jing Jin) Os Jing Jin são em número de 12. e bilaterais. No Ocidente, são chamados "meridianos tendinomusculares". Embora este nome esteja semanticamente incorreto], ele é comumente aceito. Mais precisamente, o Jing Jin representa os músculos, tendões e ligamentos pertinentes ao território de cada meridiano principal. Os meridianos tendinomusculares estão relacionados aos meridianos principais dos quais eles dependem, mas não penetram nos órgãos. Sua função é manter o esqueleto unido, manter a coesão de todo o corpo e comandar o movimento das articulações. Todos os meridianos tendinomusculares começam nas extremidades distais dos membros e seguem um curso ascendente, envelopando todos os músculos no seu trajeto. Eles correm em espirais consecutivas, "inundando" os meridianos principais, e ligando ou formando nós (Jie) nas articulações. Em geral, eles conectam grupos de músculos sinérgicos. Os 6 meridianos tendinomusculares Yang e os 6 Yin fazem seu trajeto através de áreas musculares comuns: . Os 3 meridianos tendinomusculares Yang da Mão correm para a escápula e sobem para a região do ouvido; . Os 3 meridianos tendinomusculares Yang do Pé cruzam a fossa supraclavicular e sobem para a região do olho; . Os 3 meridianos tendinomusculares Yin da Mão penetram no peito e ligam-se à parede interna dos músculos torácicos; . Os 3 meridianos tendinomusculares Yin do Pé sobem para a parte inferior do abdome. Com exceção do Zu Jue Yin do Fígado. eles se ligam à parede interna dos músculos torácicos e abdominais. I "Os músculos e tendões I1xados aos meridianos" seria uma tradução melhor.
  • 53. OBSERV AÇÕES GERAIS - 29 Os meridianos tendinomusculares reúnem-se em: . Benshen (VB 13) para os 3 Yang da Mão . Quanliao (ID 18) para os 3 Yang do Pé . Yuanye (VB 22) para os 3 Yin da Mão . Zhongji (RM 3) para os 3 Yin do Pé Os textos antigos mencionam apenas as áreas onde os meridianos tendinomusculares aglomeram-se. No entanto, como os pontos que indicamos são encontrados no meio destas áreas em particular, é comumente aceito que eles atuam também como meridianos tendinomusculares. Esta teoria surgiu na prática. A função dos mÚsculos depende do Baço (Pi) e Fígado (Gan) e especificamente o Sangue (Xue) destes dois órgãos. Graças à sua função nutritiva (Yin) , o Baço (Pi) controla a forma (Xing), ou o volume muscular, enquanto o Fígado (Gan) é responsável pelo aspecto Yang da função muscular de volume í.é, a contratilidade dos mÚsculos e tendões. O Baço (Pi) elabora o Qi e o Xue, "nutre e umidifica" os mÚsculos. Na fisiologia chinesa, ele "governa a carne. os músculos. os tendões e os quatro membros". Estas observações são importantes porque os autores ocidentais tendem facilmente a referir os mÚsculos e tendões apenas ao Fígado (Gan). 2.1.3. Os meridianos divergentes (Jing Bie) O ideograma chinês Bie significa "divergente". "separado", "distinto", o que indica que o vaso está se separando ou divergindo do meridiano principal. Os meridianos divergentes são em nÚmero de 12 e bilaterais. Eles derivam dos meridianos principais e dependem destes Últimos. Seu papel é completar as funções dos meridianos regulares. assegurando a conexão entre os 2 meridianos e as 2 vísceras de polaridades opostas (Yin- Yang). Assim como os meridianos principais, os meridianos divergentes apresentam relações Yin- Yang entre eles. Na literatura chinesa, eles são descritos como "duplas" ou "Uniões" (Hue): . Primeira União: meridianos divergentes Zu Tai Yang da Bexiga e Zu Shao Yin do Rim . Segunda União: meridianos divergentes Zu Shao Yang da Vesícula Biliar e Zu Jue Yin do Fígado . Terceira União: meridianos divergentes Zu Yang Ming do Estômago e Zu Tai Yin do Baço . Quarta União: meridianos divergentes Shou Tai Yang do Intestino Delgado e Shou Shao Yin do Coração . Quinta União: meridianos divergentes Shou Shao Yang do Triplo Aquecedor e Shou Jue Yin do Pericárdio . Sexta União: meridianos divergentes Shou Yang Ming do Intestino Grosso e Shou Tai Yin do Pulmão
  • 54. 30 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS Os meridianos divergentes separam-se de seus meridianos principais em uma área geralmente localizada nos membros, denominada Li1. Depois de fazer o trajeto em seu curso interno, eles se juntam na parte superior do corpo (pescoço, cabeça) em uma área de união denominada He2 Os livros antigos só mencionam as áreas de separação, passagem e união dos meridianos divergentes sem especificar os pontos de acupuntura. Depois de se separar de seu meridiano principal, o meridiano Yang divergente: . Liga-se ao órgão Fu a ele relacionado, e então ao órgão Zang acoplado; . Une-se ao seu meridiano principal e meridiano divergente Yin acoplado à parte superior do corpo. Depois de se separar de seu meridiano principal, o meridiano Yin divergente: . Liga-se ao órgão Zang a ele relacionado, e então ao órgão Fu acoplado; . Une-se ao seu meridiano divergente Yang na área em que este último encontra o meridiano principal. Diferentemente do meridiano divergente Yang, o meridiano divergente Yin não retoma ao meridiano principal do qual se origina. Todos os meridianos divergentes atravessam o Coração (Xin), exceto os meridianos divergentes Shou Tai Yin do Pulmão, Shou Yang Ming do Intestino Grosso e Zu Shao Yin do Rim. Os meridianos divergentes apresentam muitas variantes devido a versões diferentes do Ling Shu e suas diferentes interpretações. Contudo, estas discrepâncias não lançam dúvida sobre as importantes relações dos órgãos conectados a estes meridianos, porque as diferenças referem-se apenas a ramificações secundárias. 2.1.4. Os meridianos irregulares (Qi Jing Ba Mai) Os meridianos irregulares3 são em número de 8, e agrupados em 4 meridianos Yang e 4 meridianos Yin: 4 meridianos Yang 4 meridianos Yin . Du Mai . Ren Mai . Dai Mai . Chong Mai . Yang Qiao Mai . Yin Qiao Mai . Yang Wei Mai . Yin Wei Mai Diferentemente dos meridianos principais, os meridianos irregulares não apresentam relações Exterior-Interior (Biao-Li), e não mantêm qualquer comunicação especial com as vísceras, daí seu nome "particular" ou "curioso". Eles estão em contato com os meridianos principais, cruzam-nos, e tomam emprestados seus pontos. Apenas o Du Mai e o Ren Mai têm seus próprios I Li significa "séparar". "divergir". "abandonar". "sair". 211e signilica "unir". "juntar". 'Estes meridianos. também designados como "extraordinários". atualmente chamados simplesmente de "meridianos extras". "curiosos". "maravilhosos". sào
  • 55. OBSERV AÇÕES GERAIS - 31 pontos. O principal papel dos meridianos irregulares é reforçar a conexão entre os meridianos regulares, para regular o Qi e o Xue. Excesso de Qi e Xue nos meridianos principais flui para e se concentra nos 8 meridianos irregulares, onde é estocado, para ser redistribuído em caso de uma deficiência nos meridianos regulares. 2.2. Os colaterais (Luo Mai) Os colaterais são inumeráveis. Os maiores são em número de 16. 12 Luo estão localizados nos membros. e os 4 Luo restantes estão localizados no tronco. Classicamente, existem 15 Luo Mai. mas eles se tornam 16. se o Grande Luo do Estômago (Wei Zhi Da Luo, também chamado Xu Li) for acrescentado à lista. Este Luo é o único que se origina em um órgão Fu. Exceto pelo Grande Luo do Estômago, que não faz parte do Luo Mai clássico, os outros 15 vasos secundários começam em um ponto particular do meridiano ao qual pertencem [13 pontos Luo estão localizados em um meridiano regular e 2 em um meridiano irregular (Du Mai e Ren Mai)]. 2.2.1. Os doze Luo localizados nos membros Estes colaterais dependem dos 12 meridianos principais. Na literatura médica chinesa, eles alguma; vezes recebem o mesmo nome do ponto de acupuntura onde se originam, e são seguidos pela expressão "Luo Bie. Por exemplo, o Luo Mai do Shou Tai Yin do Pulmão que se separa (Bie) do seu meridiano principal em Lieque (P 7), é também chamado Lieque Luo Bie. O principal papel de cada vaso secundário é conectar 2 meridianos de polaridade oposta. Eis porque os doze Luo Mai localizados nos membros são geralmente chamados "Luo de ligação". Cada um dos 12 colaterais que derivam dos meridianos principais divide-se em 2 ramos: . um longitudinal]; . o outro transverso2. - O ramo longitudinal geralmente segue ao longo do membro relacionado. - O ramo transverso acopla seu meridiano com um outro meridiano de polaridade oposta (Yin- Yang). Embora haja apenas um Luo, muitos autores ocidentais descrevem um Luo Longitudinal e um Luo Transverso. Esta descrição moderna é, por razões práticas, geralmente aceita. Várias escolas adotam a hipótese3 proposta pelo acupunturista vietnamita Nguyen Van Nghi, e ensinam que os 12 vasos secundários (Luo Mai) terminam ILUllhén} chamado "ramiticação primária" ou "vaso avÔ". "Também chamado "ramificação secundária" ou "vaso pai". 'Esta hipótese deriva da interpretação de um texto do Zhenjiu Dacheng que descreve o tratamento dos 12 meridianos de acordo com a técnica "Hospedeiro-Convidado". que associa o Luo c os pontos Yual?
  • 56. 32 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS no ponto Fonte (Yuan) do meridiano acoplado - uma posição muito discutível, sem dúvida. A propósito, é importante observar que tanto os modernos quanto os antigos textos chineses não especificam o ponto de encontro do Luo Transverso com o meridiano acoplado. 2.2.1.1. Sun Luo, Fu Luo e Xue Luo o Slm Luo, Fu Luo c Xuc Luo são os sub-ramos do Luo Mai. . O Sun Luo, ramificações terciárias ou "vasos netos", derivam do Luo Mai. Estes diminutos sub-ramos verticais estão distribuídos por toda a superfície do corpo, mas também nas vísceras. O Fu Luo e o Xue Luo são as menores ramificações superficiais: . O Fu Luo, ou "vasos flutuantes", surgem do Sun Luo. . O Xue Luo, ou "Luo minúsculo", são ramificações horizontais do Fu LuO. O Sun Luo, Fu Luo e Xue Luo estão em relação direta com o Grande Luo do Baço (Pi Zh i Da Luo) que desempenha o papel de uma "vasta rede mantendo juntos os outros 14 Luo Mai" (Ling, Shu, Capítulo 10). 2.2.2. Os quatro Luo particulares localizados no tronco Entre estes: . o Du Mai Luo e o Ren Mai Luo, fixados aos meridianos irregulares Du Mai (Vasos Governadores) e Ren Mai (Vasos Concepção); . o Pi Zhi Da Luo ("Grande Luo" do Baço, também chamado Dabao) pertence ao meridiano principal Zu Tai Yin do Baço; . o Wei Zhi Da Luo ("Grande Luo" do Estômago), também chamado Xu Li, pertence ao órgão Estômago (Wei).
  • 57. 3. Organização do Jing Luo 3.1. Os sistemas meridianos De acordo com a lei Biao Li. o Exterior (Biao) deve se comunicar com o Interior (Li). O Exterior corresponde à pele. mÚsculos e cursos superficiais do Jing, Luo. O Interior corresponde às vÍsceras. A lei Biao Li implica numa hierarquia especial do Jing Luo estabelecendo circuitos de energia entre a Superfície e a Profundidade (fig. 1 e tabela 3). Ela tem. no entanto, uma exceçâo: os meridianos irregulares. Estes vasos, que desempenham um importante papel na coordenação das energias corporais (união e regulação dos meridianos principais, equilíbrio Esquerda-Direita, etc.), não estão fixados às vÍsceras. e são) incapazes, como visto antes, de ligar o Exterior ao Interior. Portanto. a ligaçâo e a relação entre a Superfície e a Profundidade são feitas por outros meridianos organizados como "sistemas". Cada meridiano principal forma. com os relativos canais secundários, uma organização complexa em mÚltiplas camadas. denominada "sistema". Estes sistemas mantêm diversas relações entre eles mesmos e os meridianos irregulares; estas relações determinam o equilíbrio que é criado entre diferentes funções corporais. Como um todo, os 12 sistemas harmonizam as relações Exterior (Biao) e Interior (Li). Estes "sistemas meridianos" são os seguintes: . Shou Tai Yin do Pulmão . Shou Yang Ming do Intestino Grosso . Zu Yang Ming do Estômago . Zu Tai Yin do Baço . Shou Shao Yin do Coração . Shou Tai Yang do Intestino Delgado . Zu Tai Yang da Bexiga . Zu Shao Yin do Rim . Shou Jue Yin do Pericárdio . ShOu Shao Yang do Triplo Aquecedor . Zu Shao Yang, da Vesícula Biliar . Zu Jue Yin do Fígado Em geral, cada sistema inclui: . Um meridiano principal (Jing Zheng) " Um meridiano tendinomuscular (Jing Jin) . Um colateral (Luo Mai) . Um meridiano divergente (Jing Bie) As zonas cutàneas (Pi Bu) completam os sistemas meridianos.
  • 58. 38 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS 3.2. As.zonas cutâneas (Pi Bu) As zonas cutâneas ou projeções são as partes mais superficiais dos sistemas l. Meridianos _Fig. 2 a. 2b). Estas zonas são aS partes reativas da pele. e estão relacionadas com os 12 meridianos principais. Elas estabelecem contato direto e contínuo entre cada indivíduo e seu meio ambiente externo. Assim. elas são sensíveis às alterações do clima, ajustando-se às variações de temperatura para proteger o corpo dos fatores exógenos que podem, em alguns casos, ser prejudiciais. Estas 12 zonas cutâneas obviamente estão submetidas aos 12 meridianos regulares (Su Wen, Capítulo 56), mas também estabelecem conexões mais próximas com o Luo Mai, especialmente com o Xue Luo e Fu Luo. Sendo uma extensão do Pulmão (Fei), a pele tem uma relação privilegiada com o mesmo. Ela é aquecida pela Energia Defensiva (Wei Qi), e nutrida pelos puros Fluidos Corporais (Jin), que são difundidos pelo Qi do Pulmão (Ling Shu, Capítulo 33). É uma tela protetora contra os fatores patogênicos externos, como descrito em Su Wen (Capítulo 38): "A pele está associada com o Pulmão ela é a primeira a ser atingida pela "energia perversa". (Xie Qi). A energia perversa externa poderia, portanto, atravessar a pele, agredir o Pulmão e perturbar sua função de difusão (Fei Qi Bu Xuan). Por outro lado, se o Qi do Pulmão está enfraquecido, ele não será capaz de disseminar a Energia Defensiva e os puros Fluidos Corporais para a pele. Como um resultado deste enfraquecimento, a proteção do Xie Qi Externo está deficiente. e os fatores patogênicos tentarão penetrar nos órgãos através dos meridianos. De acordo com Su Wen (Capítulo 56), a Energia Perversa invade, nesta ordem, a pele (Pi Bu), os mÚsculos (Jing Jin), os vasos secundários (Luo Mai), os meridianos principais (Jing Zheng) e, finalmente, os órgãos "ocos" (Fu) e os órgãos "sólidos" (Zang). Seu grau e velocidade de penetração dependem da resistência oferecida pelo Wei Qi do corpo. Ao penetrar no corpo, os fatores patogênicos exógenos são capazes de criar as Síndromes Superficiais (Biao), as Doenças Febris Externas denominadas "Síndromes dos Seis Meridianos" e. se estiverem associados Calor, Frio, e Umidade, as Síndromes de Obstrução Dolorosa (Bi). 3.3. As vÍsceras Os sistemas meridianos ligam-se às partes mais superficiais do corpo (Biao) e às partes mais profundas (Li), representadas pelas vísceras. A TMC distingue 2 tipos de vísceras: . as Zang (Yin ou órgãos "sólidos") . as Fu.(Yang ou órgãos "ocos")
  • 59. OBSERVAÇÕES GERAIS - 39 Os órgãos Zang compreendem o Baço (Pi)l, Pulmão (Fei)2, Rim (Shen), Fígado (Gan), Coração (Xin), mais o Pericárdio (Xin Bao)3. Diz-se que o Xin Bao não tem uma; “forma própria"4. Embora seja classificado com os Zang 'por razões teóricas, o Xin Bao designa primariamente as funções de certas partes do Coração e outras formações vasomotoras mais que uma estrutura real. Os órgãos Zang são considerados como as vísceras ,mais nobres e mais profundas. O carácter chinês Zang ("tesouro", "abundância"), realça a preciosidade destas visceras, que essencialmente conservam o Qi. As funções dos órgãos Zang são produzir, transformar e armazenar a Energia (Qi), o Sangue, (Xue). os Fluidos Corporais (Jin Ye) e a Mente (Shen). Os órgãos Fu (também chamados Tripas). compreendem o Estômago (Wei). Intestino Grosso (Dachang). Bexiga (Pangguang), Vesícula Biliar (Dan), Intestino Delgado (Xiaochang). mais o Triplo Aquecedor (San Jiao). Como o Pericárdio, o Triplo Aquecedor não tem uma "forma própria",5 porque ele toma a forma que tiver a partir dos tecidos que envelopam as vísceras.6. O carácter chinês Fu ("oficina") tem uma raiz idêntica à do Zang. Oposto ao Zang, no entanto, Fu admiravelmente "não armazena o Qi" mas "o trabalha" . O papel dos órgãos Fu é receber, digerir. transformar o alimento e eliminar os resíduos. Embora classificado com o Fu, a Vesícula Biliar tem a característica específica de armazenar a bile ("líquido puro"), mas não recebe alimento nem refugos. Sobretudo, está envolvida nas funções mentais, assim como os órgãos Zang. Tendo estas diferenças. foi classificada por um longo tempo com os "órgãos com um comportamento particular" (Qi Heng Zhi Fu). Todos os. Zang e os Fu têm relações diretas entre si, o que pode ser explicado pelos cursos dos ramos internos do sistema meridiano. Por exemplo, o meridiano principal do Rim, Zu Shao Yin não só estabelece a relação Yin- Yang entre o órgão Zang (Rim) a que está relacionado e seu órgão Fu acoplado (Bexiga), mas também se liga a outros órgãos Zang (Fígado, Pulmão, Coração, e Pericárdio). As vísceras da teoria Zang Fu Estômago, Baço, etc. levam o mesmo i.é, Pulmão, Intestino Grosso, nome na China e no Ocidente. I Baço. inclui Baço e Pâncreas. "A fisiologia da energia chinesa. considera o Pulmão (Fei) como um órgão ímpar. por isso que se escreve "Pulmão" e não "Pulmões". 3 xin Bao significa "Envelope do Coração". Seu meridiano. o Shou JUe Yin. é também chamado Xin Bao Luo. Na fisiologia da energia. Xin BaO é considerado como uma "barreira" que protege o Coração contra as agressões externas trazidas pelas Energias Perversas (Xie' Qi). Por comparação. nos clássicos chineses. atribui-se ao Xin Bao a função do Primeiro Ministro protegendo o Imperador (Coração) dos invasores. 4`Lanjing. 25a dificuldade: "tem o nome. mas não.a fo)rma". 5Nanjing. 25" e38" dificuldades. 6 É sem dúvida aceito que a "forma" do Triplo Aquecedor (Scm Jiao) provém do envelope mucoso e gorduroso das vísceras. O texto da placa iconográfica do Zhenjiu Dacheng (edição 1843) a respeito do Triplo Aquecedor. especifica: "O órgão oco San Jiao tem nome c forma. e tem um meridiano e um Luo." Também é importante mencionar a citação do Lei Jing. escrita em 1624 por Zhang _Jiebin: "Dizem que o San Jiao não tem forma; é como meter a mão numa bolsa para contar as coisas que estão dentro. Mas eles esquecem que a bolsa também é um objeto.",
  • 60. 40 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDlANOS E COLATERAIS Entretanto, é importante saber que sua atividade fisiológica e sua patologia não representam paradigmas médicos. As funções de uma víscera, seja ela de uma variedade Zang ou Fu, podem incluir muitos órgãos na medicina ocidental, e inversamente, as atividades de um órgão anatômico podem ser distribuídas por muitos Zang ou Fu. Isto se deve ao fato de que o conceito chinês baseia-se mais em uma função fisiológica e patológica global do que em uma morfologia específica. Portanto, para os chineses, o Coração representa tanto as funções relacionadas ao Coração no Ocidente, como também, parte do sistema nervoso. Região Externa . 12 zonas cutâneas (P i Bu) (pele e músculos) . Luo superficial (Xue Luo, Fu Luo, Sun Luo) . 12 meridianos tendinomusculares (Jing Jin) . Cursos superficiais dos 12 meridianos principais (Jing Zheng) . Cursos superficiais dos 12 meridianos divergentes (Jing Bie) Região Intermediária . 15 colaterais (Luo Mai) . Cursos intermediários dos 12 meridianos principais (Jing Zheng) . Cursos intermediários dos 12 meridianos divergentes (Jing Bie) Região Interna . Cursos profundos dos 12 meridianos principais (Jing Zheng) (vísceras) . Cursos profundos dos 12 meridianos divergentes (Jing Bie) TABELA 3 - Distribuição do Jing Luo.
  • 61. 4. Circulação do Qi o termo Qi compreende a Energia inata ("Qi Pré-Celestial") e a Energia adquirida ("Qi Pós- Celestial"). A energia inata diminui durante a vida e é insubstituível. A acupuntura não interfere com a constituição hereditária de um indivíduo, mas ao invés disso influencia a energia adquirida, da pessoa, de modo a restaurar o equilíbrio e a funcionar melhor dentro de uma dada constituição interna e ambiental. A acupuntura trabalha primariamente sobre a Zhen Qi (Energia Verdadeira), a última fase da transformação da Zong Qi, que é a combinação das energias que se originam no ar e alimento. Quando a Zhen Qi funciona normalmente, é chamada Zheng Qi (Energia Correta). Zhen Qi, que resulta da fusão de Zong Qi e Yuan Qi (Energia Original), apresenta 2 aspectos: Wei Qi (Energia Defensiva) e Ying Qi (Energia Nutritiva). Wei Qi (fig. 3) circula para dentro e para fora dos espaços meridianos na pele e músculos, enquanto Ying Qi (fig. 4) circula essencialmente no Jing Luo e no Xue Mai. 4.1. Wei Qi A Energia Defensiva (Wei Qi) é de natureza Yang, e protege o exterior do corpo. Assim como a Energia Nutritiva (Ying Qi), a Energia Defensiva (Wei Qi) é uma energia adquirida que vem da essência (Jing) do alimento Qi. Considerada como "impura" em comparação com a Energia Ying, ela requer um aumento de qualidade, e desce para o Rim onde é purificada. É emitida pelo Aquecedor Inferior e alcança o olho em Jingming (B 1). A circulação da Energia Defensiva é cíclica, e relacionada com os movimentos solares. Começa no meridiano principal da Bexiga Zu Tai Yang. De acordo com o Ling Shu, Wei Qi circula 25 vezes no Yang durante o dia, seguindo os meridianos Yang, e 25 vezes no Yin durante a noite. À noite, Wei Qi entra no meridiano principal do Rim Zu Shao Yin e circula 25 vezes na parte Yin do corpo, distribuindo-se para os 5 órgãos Yin (Zang) de acordo com o ciclo controlador (Ke). As trocas entre os ciclos Yin e Yang acontecem nas solas dos pés. Então o Wei Qi sobe para o olho através do Vaso Yang Qiao. 4.2. Ying Qi A Energia Nutritiva (Ying Qi) é de natureza Yin. Seu papel consiste em nutrir o corpo inteiro. A Ying Qi circula com Xue nos vasos e mantém relações muito estreitas com este último. Enquanto a Energia (Qi) e o Sangue (Xue) podem ser diferenciados, eles não podem, no entanto, ser separados, o que explica por que a Ying Qi é freqüentemente chamada de Ying Xue. A circulação da Ying Qi é dupla e contínua.
  • 62. OBSERVAÇÕES GERAIS - 45 A TMC reconhece 2 tipos de circulação da Ying Qi: . um primeiro tipo de circulação nos 12 meridianos regulares, começando no Shou Tai Yin do Pulmão e terminando no Zu Jue Yin do Fígado. . um segundo tipo de circulação nos meridianos irregulares Du Mai e Ren Mai. De acordo com Ling Shu, capítulo 16, proveniente do Pulmão, o Ying Qi segue, em ordem, o caminho dos meridianos Du Mai e Ren Mai antes de retomar ao Pulmão. 4.3. Fluxo do Ying Qi nos 12 meridianos regulares Originando-se no Aquecedor Mediano (Zhong Jiao), Qi passa, em ordem, pelos seguintes meridianos: . Shou Tai Yin do Pulmão . Shou Yang Ming do Intestino Grosso . Zu Yang Ming do Estômago . Zu Tai Yin do Baço . Shou Shao Yin .do Coração . Shou Tai Yang do Intestino Delgado . Zu Tai Yang da Bexiga . Zu Shao Yin do Rim . Shou Jue Yin do Pericárdio . Shou Shao Yang do Triplo Aquecedor . Zu Shao Yang daVesícula Biliar . Zu Jue Yin do Fígado Uma vez que ela tenha chegado ao Fígado (Gan),a Ying Qi retorna ao Pulmão (Fei). Um ramo interno do meridiano Zu Jue Yin do Fígado passa através do diafragma,l e se espalha no Pulmão (Fei), onde se liga com o Meridiano Principal do Pulmão, Shou' Tai Yin (fig. 4 e 5). A distribuição da energia através dos 12 merídianos regulares (fig.6) esclarece como: . a polarização dos meridianos ocorre através da Mão e do Pé; / . o potencial de energia aumenta desde a região Yin até a região Yang, e diminui da região Yang para a região Yin. . Além disso, poderia ser observado que a cada 2 horas, os Eixos Terrestres2 favorecem um meridiano em particular (tabela 4 e figo 7). I Além disso; a partir do figado, um outro ramo do mesmo meridiano. faz um trajeto através do diafragma e corre mais para cima até encontrar o vértice da cabeça, onde ele se une ao Du Mai (Vaso Governador). 2A hora chinesa antiga cOlTesponde a 2 horas ocidentais. Cada hora recebe o nome de um "Eixo Terrestre" .
  • 63.
  • 64. OBSERVAÇÕES GERAIS - 47 A hora alocada em cada meridiano corresponde à sua atividade máxima relacionada com a energia. O Qi de um meridiano aumenta durante as duas horas que precedem a chegada do fluxo, e diminui durante as 2 horas a seguir. Por exemplo, o Qi do meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming começa a aparecer quando o Qi do meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming está muito forte. Portanto, seu período de "fluxo" vai das 5 a.m. até as 7 a.m. Obviamente, a par deste período de aumento e diminuição, o Qi em um meridiano não pode cair abaixo de um certo limiar. 4.1. Comunicações entre os meridianos principais Os meridianos principais mantêm as conexões Yin-Yang, Yang-Yang e Yin- Yin entre eles (fig. 6, 8 e 9). 4.1.1. Conexões Yin-Yang As conexões Yin-Yang entre os meridianos ocorrem na Mão e Pé: . Os meridianos Yin da Mão estão relacionados aos meridianos Yang da Mão na ponta dos dedos, através de um ramo que vem dos meridianos principais Yin: '. P 7 IG 1 .C9 IDl . Per 8 B1 . Os meridianos Yang do Pé estão relacionados aos meridianos Yin do Pé nas extremidades dos dedos do pé, através de um ramo que vem dos meridianos principais Yang: . E42 Bço 1 . B 67 R 1 .VB4 Fl Estas conexões permitem que o Yin e o Yang sejam transformados um no outro, de modo a manter o equilíbrio dinâmico' que facilita a circulação da energia. Qi muda de polaridade. O Yin é transformado em Yang e o Yang em Yin. Por exemplo: . A energia Yin do meridiano principal do Pulmão, Shou Tai Yin atinge a ponta do dedo indicador, onde se transforma em Yang e torna-se a energia do meridiano Shou Yang Ming do Intestino Grosso. . A energia Yang do meridiano principal do Estômago, Zu Yang Ming, atinge o dedão do pé, onde é transformada em Yin e toma-se a energia do meridiano Zu Tai Yin do Baço. . As conexões Yin- Yang entre os meridianos respeitam a ordem dos meridianos dentro da estrutura do ciclo circadiano (24 horas)
  • 65. OBSERY AÇÕES GERAIS - 49 4.4.2. Conexões Yang- Yang As conexões Yang- Yang entre os meridianos ocorrem na cabeça. Elas funcionam como um retransmissor entre a parte de baixo e a parte de cima do corpo. As conexões Yang-Yang . são superficiais; . respeitam a ordem dos meridianos dentro da estrutura do ciclo circadiano; . ajudam a comunicação, a nível da cabeça, dos meridianos Yang do membro superior (Shou) com o membro inferior (Zu), transportando uma energia da mesma natureza e da mesma qualidade (Ming, Tai, Shao): . Shou Yang Ming do Intestino Grosso com o Zu Yang Ming do Estômago; . Shou Tai Yang do Intestino Delgado com o Zu Tai Yang da Bexiga; . Shou Shao Yang do Triplo Aquecedor com o Zu Shao Yang da Vesícula. As conexões são estabelecidas como se segue: . . IG 20 E 1 . ID 1 8 B1 . T A23 VB 1 4.4.3. Conexões Yin- Yin As conexões Yin- Yin entre os meridianos ocorrem dentro do peito (fig. 9, 9a, 9b, 9c). Estas conexões são profundas. No entanto: . a mais superficial entre elas ajuda, a nível do peito, a retransmitir para os meridianos Yin dos membros superior e inferior, e assegura que seja transportada uma energia da mesma qualidade: . Zu Tai Yin do Baço com Shou Tai Yin do Pulmão; . Zu Jue Yin do Fígado com Shou Jue Yin do Pericárdio; . Zu Shao Yin do Rim com Shou Shao Yin do Coração. Estas conexões não respeitam a ordem dos meridianos dentro da estrutura do ciclo circadiano.
  • 66. . As conexões Yin- Yin mais profundas ajudam a retransmitir para 2 meridianos Yin na região profunda onde os órgãos Zang estão localizados, e são ordenadas de acordo com o ciclo circadiano: . Zu Tai Yin do Baço Shou Shao Yin do Coração; . Zu Shao Yin do Rim Shou Jue Yin do Pericárdio; . Zu Jue Yin do Fígado Shou Tai Yin do Pulmão.
  • 67. OBSERVAÇÕES GERAIS - 51 4.5. Comunicações entre os meridianos e os órgãos As conexões Yin- Yang permitem as comunicações entre os meridianos e os órgãos. A relação Biao Li é construída como se segue: Profundidade Superfície . Cada meridiano Yin da Mão (Shou Yin), as conexões com seus órgãos Zang e o Fu Yang Yin acoplado, emergem do peito, então se unem com seu meridiano Yang na ponta de um dedo da mão. . Cada meridiano Yang do Pé (Zu Yang) penetra na fossa supraclavicular (exceto Zu Tai Yang), conecta-se com seu órgão Fu e o Zang Yin Yang acoplado, e então se une com seu meridiano Yin acoplado, na extremidade de um dedo do pé. Superfície Profundidade . Cada meridiano Yang da Mão (Shou Yang) penetra no peito e se conecta com seu órgão Fu e com o Zang Yin- Yang acoplado. . Cada meridiano Yiri do Pé (Zu Yin), penetra no abdome, alcança seu órgão Zang e une-se ao órgão Fu Yin- Yang acoplado. 4.6. Os seis grandes meridianos Em virtude das relações Yang- Yang e Yin- Yin, os meridianos principais da mesma natureza e qualidade podem ser classificados em 6 grandes meridianos (Liu Jing) ou unidades de meridianos (fig. 10). Os 6 meridianos Yang da Mão e do Pé são interconectados, e apresentam 3 grandes meridianos Yang: Tai Yang (Grande Yang), Shao Yang (Pequeno Yang) e Yang Ming (Luminoso Yang). . Tai Yang associa o meridiano do Intestino Delgado Shou Tai Yang com o meridiano da Bexiga Zu Tai Yang. . Shao Yang associa o meridiano do Triplo Aquecedor Shou Shao Yang com o meridiano da Vesícula Zu Shao Yang. . Yang Ming associa o meridiano do Intestino Grosso Shou Yang Ming com o meridiano do Estômago Zu Yang Ming. Os 6 meridianos Yin da Mão e do Pé são interconectados e apresentam 3 grandes meridianos Yin: Tai Yin (Grande Yin), Shao Yin (Pequeno Yin) e Jue Yin (Final do Yin). . Tai Yin associa o meridiano do Pulmão Shou Tai Yin com o meridiano do Baço Zu Tai Yin. . Shao Yin associa o meridiano do Coração Shou Shao Yin com o meridiano do Rim Zu Shao Yin. . Jue Yin associa o meridiano do Pericárdio Shou Jue Yin com o meridiano do Fígado Zu Jue Yin.
  • 68. OBSERVAÇÕES GERAIS - 53 A progressão da intensidade da energia no tempo acontece na seguinte ordem: Shao, Tai, Ming e Jue (crescimento, máximo, diminuição, final). No entanto, de modo a classificar os meridianos de acordo com o espaço, deve-se levar em consideração uma diminuição potencial do exterior para o interior, o que dá então a seguinte ordem: Tai, Shao, Ming e Jue. 4.6.1. Os seis pontos de conexão Os meridianos principais Yin unem-se dentro do peito. Os meridianos principais Yang unem-se na cabeça. A maior parte das escolas de acupuntura aceita que os meridianos da mesma natureza e qualidade estão ligados através de 6 pontos de conexão: . Jingming (B 1) . Tongziliao (VB 1) . C'hengqi (E 1) . Zhongfu (P 1) . Tianchi (Per 1) . Jiquan (C 1) Com referência aos meridianos Yang da mesma natureza e qualidade, os pontos de conexão acima mencionados podem ser facilmente observados. Quanto aos meridianos Yin da mesma natureza e qualidade, os pontos de conexão são menos óbvios porque as conexões que os meridianos Yin mantêm uns com os outros são mais profundas 1 e ocorrem via ramificações internas. 4.6.2. As seis energias climáticas A organização dos meridianos no espaço permite que a energia do Homem responda à ação combinada das energias do Céu (Yang) e da Terra (Yin). A união e transformação da Energia do Céu2 e a dos 5 Agentes ou Elementos3 (Wu Xing). da Terra cria as 6 energias climáticas (Liu Qi): Vento, Fogo, Calor, Umidade, Seca, Frio (fig. 11). Cada energia climática tem uma predileção por um Zang e seu par Fu: . Vento: Fígado- Vesícula . Fogo: Pericárdio- Triplo Aquecedor . Calor: Coração-Intestino Delgado . Umidade: Baço-Estômago . Seca: Pulmão-Intestino Grosso . Frio: Rim-Bexiga . J Existe uma conexão superficial entre os meridianos Zu tai Yin do Baço e Shou Tai Yin do Pulmão. Ao atingir o final do seu percurso. o meridiano principal Zu Tai Yin do Baço ramifica-se desde o Zhourong (E 20) até o Zhongfu (I' 1). 2De acordo com sua posição no tempo ou espaço, a Energia do Céu é descrita como Jue Yin. Shao Yin. Shao Yang. Tai Yin, Yang Ming, Tai Yang. 3Madeira, Fogo. Terra, Metal, Água.
  • 69. OBSERVAÇÕES GERAIS - 55 De acordo com as circunstâncias, as 6 energias climáticas podem ser favoráveis ou prejudiciais ao corpo. As 6 energias climáticas tornam-se nocivas quando estão em desacordo com o tempo e espaço. Assim são denominadas as 6 Yin (Liu Yin), os 6 fatores patogênicos exógenos, ou simplesmente energias perversas (Xie Qi). 4.6.3. Abertura, conexão e fechamento As energias perversas, quando penetram no corpo, progridem de acordo com esta ordem: "abertura", "conexão", "fechamento" (fig. 12). De acordo com o Ling Shu (Capítulo 5): . Tai Yang e Tai Yin comandam a "abertura"; . Shao Yang e Shao Yin, em uma posição intermediária, são respectivamente o "encaixe", ou "articulação" do Yang e Yin; . Yang Ming e Jue Jin representam o "fechamento". Uma solução de continuidade em um dos eixos da energia que controlam a ,abertura, a conexão ou o fechamento pode prejudicar ou diminuir a comunicação entre Yin e Yang, Exterior e Interior. . Tai Yang e Tai Yin "abrem para o Exterior"; . Shao Yang e Shao Yin "abrem-se tanto para o Interior como para o Exterior"; . Yang Ming e Jue Yin, que respectivamente "fecham" o Yang e Yin, "abrem para o Interior" A progressão nos grandes Meridianos Yang será do Tai Yang para o Shao Yang, para o Yang Ming. A progressão nos grandes Meridianos Yin (por exemplo, Energia Perversa vindo do Yang Ming) será do Tai Yin para o Shao Yin, para o Jue Jin. Esta é a evolução usual, denominada "transmissão cíclica". No entanto, em muitos casos, a transmissão pode pular um, dois ou três grandes meridianos. Em caso de severa perda de energia, o fator patogênico (Xie Qi) pode passar diretamente do Yang para o Yin, por exemplo, do Tai Yang para o Shao Yin. 4.6.4. RaÍzes e nós Em cada eixo, 2 tipos de pontos, denominados "raÍzes" (Gen) e "nós" (Jie), desempenham um importante papel (fig. 11). Os pontos raÍzes pertencem aos 3 meridianos Yin do Pé e 3 Yang do Pé. Os pontos nós dos 3 meridianos Yang do Pé estão todos localizados na cabeça sobre os meridianos dos quais se originam. Os pontos nós dos 3 meridianos Yin do Pé estão todos. localizados no peito e pertencem ao Ren Mai.
  • 70. 56 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS Estes pontos são descritos no Ling Shu: . a raiz do Zu Tai Yang é Zhiyin (B 67), seu nó é Jingming (B 1); . a raiz do Zu Shao Yang é Zuqiaoyin (VB 44), seu nó é Tinghui (VB 2); . a raiz do Zu Yang Ming é Lidui (E 45), seu nó é Touwei (E 8)2; . a raiz do Zu Tai Yin é Yinbai (Bço 1), seu nó é Zhongwan (RM 12); . a raiz do Zu Shao Yin é Yongquan (R 1), seu nó é Lianquan (RM 23); . a raiz do Zu Jue Yin é Dadun (F 1), seu nó é Yutang (RM 18). As raízes são responsáveis pelas trocas qualitativas entre os 6 grandes meridianos através do controle das transferências do Frio, Calor, Umidade, etc. Elas estabelecem comunicação entre 2 grandes meridianos que se protegem mutuamente ainda que relacionem diferentes eixos (Tai Yang-Shao Yin; Yang Ming-Tai Yin; Shao Yang-Jue Yin). Por exemplo, o meridiano da Bexiga Zu Tai Yang, que forma o eixo Tai Yang com o meridiano do Intestino Delgado Shou TaiYang, transmite sua energia para o meridiano do Rim Zu Shao Yin, que forma o eixo Shao Yin com o meridiano do Coração Shou Shao Yin. Os nós são áreas onde estão concentradas as energias que emergem das raízes dos meridianos do Pé. Eles podem ser comparados com ferrolhos que mantêm fora os fatores patogênicos tanto quanto possível de modo a manter o equilíbrio entre 2 meridianos da mesma polaridade. Por um ponto de vista diagnóstico, eles tomam possível avaliar quantidades particularmente excessivas de energias perversas, que esvaziam os meridianos de modo a invadir as vísceras. ' 4.6.5. Energia e Sangue nos seis grandes meridianos A proporção de Energia e Sangue atribuída aos meridianos (fig. 13) varia em conjunto com o papel protetor ou nutritivo que devem cumprir. 10 Capítulo 5, que é dedicado aos pontos raízes (Gen) e nós (Jie). afirma também: "O mistério das agulhas é encontrado no início e no fim dos meridianos. Pode-se aprender como pegar o início, e o fim não admite a posse e o controle dos princípios da acupuntura." "Na velha nomenclatura. Touwei (E 8) foi dado como primeiro ponto do meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming.
  • 71. 5. Métodos para localizar os meridianos e seus pontos Antes de iniciar o estudo dos meridianos e seus pontos, é necessário primeiro considerar os elementos que tornam possível localizá-los. 5.1 Referências lineares A configuração das linhas que aparecem em conexão com marcos fixos de referência anatômica facilita a localização de pontos de acupuntura no corpo, particularmente no tronco. . As referências lineares básicas são as linhas médias anterior e posterior que seguem o eixo vertical do corpo, dividindo-o simetricamente. 5.1.1. Aspectos anterior e lateral do corpo (fig. 14 e 15) . A linha mamilar estende-se da clavícula até o púbis passando pelo mamilo. . A linha intramamilar é paralela à linha mamilar a meio caminho entre esta última e a linha média anterior. . A linha para-axilar é paralela à linha mamilar e localizada a meio caminho entre esta última e a linha média axilar. . A linha média axilar desce verticalmente na parte lateral do tórax, desde o ápice da fossa axilar até a crista ilíaca. A partir da linha média anterior, utilizando unidades de medida chinesa (cun) : . 2 cun para a linha intramamilar; . 4 cun para a linha mamilar; . 6 cun para a linha para-axilar; . 8 cun para a linha média axilar. 5.1.2. Aspecto posterior do corpo (fig. 16) Lateralmente à linha média posterior há três linhas verticais que ajudam na localização do meridiano principal da Bexiga Zu Tai Yang: _ uma linha passa ao longo do bordo medial da escápula, a 3 cun da linha média posterior; . uma linha se localiza a meio caminho entre a anterior e a linha média, a l,5 cun da linha média posterior; . uma outra segue o forame sacral.
  • 72. OBSERVAÇÕES GERAIS - 61 5.2. Referências Anatômicas Este método baseia-se em marcos anatômicos superficiais, que podem ser categorizados como fixos e móveis: . os marcos de referência fixos são aqueles que não mudariam com o movimento corporal (orifícios dos cinco sentidos, unhas, umbigo, mamilos, linhas dos cabelos, certos caracteres ósseos e musculares); . os marcos de referência móveis (espaços, depressões, sulcos, etc.) só aparecem quando a pele, articulações, músculos, etc. estão se movendo. Com vistas aos marcos de referência fixos, os processos espinhosos e espaços intervertebrais são as características mais freqüentemente utilizadas para localizar os pontos do peito e das costas. Por exemplo, o processo espinhoso da 7a vértebra cervical permite-nos localizar o Dazhui (DM 14). Este ponto é localizado na depressão que aparece abaixo do processo espinhoso. Esta torna-se mais aparente quando o pescoço é inclinado para a frente e cabeça é abaixada até o nível dos ombros. Deve-se recordar que os processos espinhosos não são encontrados no mesmo nível dos corpos vertebrais aos quais correspondem porque eles se inclinam obliquamente para trás. Como os espaços intercostais também são oblíquos, os pontos das regiões torácica anterior e posterior não podem ser localizados em linhas horizontais e devem ser definidos de acordo com a real posição anatômica. Cada processo espinhoso corresponde ao nível do espaço intercostal localizado abaixo da vértebra. Por exemplo, o ponto Dazhu (B 11), que é localizado a 1,5 cun lateralmente ao bordo inferior do processo espinhoso T1, corresponde mais ao segundo espaço intercostal do que ao primeirol. Uns poucos elementos, tais como, a escápula, as costelas e as cristas ilíacas, tornam possível determinar a posição das vértebras. A extremidade da apófise escapular está no nível do processo espinhoso da T 3, e seu ângulo inferior está no nível do processo espinhoso da T 7. Até onde a região lombar está envolvida, o bordo inferior da última costela está no nível da L2. A linha que une as 2 cristas ilíacas passa pelos espaços interespinhosos L3 - L4. Na região sacral, o nível da crista ilíaca póstero-superior corresponde ao do processo espinhoso S 2. No caso de marcos de referência móveis, os sulcos e depressões articulares são muito importantes. Por exemplo, Shaohai (C 3) é um ponto localizado na extremidade medial do sulco de flexão do cotovelo quando o antebraço é trazido em direção ao braço. Houxi (ID 3) pode ser localizado no sulco palmar transverso, que aparece quando a mão é dobrada como punho. Tinggong (ID 19) está localizado anteriormente ao tragus em uma depressão formada quando a boca é aberta. Fengshi (VB 31) pode ser encontrado pedindo-se à pessoa para ficar de pé, esticado, com o membro superior mantido - junto ao corpo. A ponta do dedo médio indica assim a localização do ponto na coxa. 1OS Grupos Cooperativos do Shandong Medical College e Shandong College de Medicina Tradicional. 1982. pág. 2.
  • 73. OBSERV AÇÕES GERAIS - 63 5.3. Medidas Cada parte do corpo é delimitada por marcos de referência anatômicos que são fáceis de identificar, e então divididos em um certo nÚmero de unidades denominadas cun 1. Dois métodos para localizar pontos de acupuntura são derivados dos procedimentos usados para determinar o valor destas unidades. '5.3.1. Primeiro método: medida com os dedos Este método consiste em fazer uso sistemático de uma unidade de medida invariável. Neste caso, a . unidade é determinada com referência ao comprimento e largura dos dedos da pessoa. Seu valor, 1 cun, pode ser determinado de. três maneiras tradicionais, tomando como padrão: . a distância que de flexão das esquerdo para o 1.7 a); . a distância que corresponde à largura da articulação interfalangeana do polegar do paciente no sulco de flexão (fig. 17 b); . a distância que corresponde ao comprimento da Última falange do dedo indicador (fig. 17 c). As duas Últimas falanges do dedo indicador correspondem a 2 cun (fig. 17 c). com duas larguras do dedo sendo equivalentes a 1,5 cun (fig. 17 d), e 4 larguras do dedo equivalente a 3cun (fig. I 7 e). separa as duas extremidades mediais dos sulcos . atticulàções interfalangeanas do dedo médio homem e do médio esquerdo parÇl a mulher (fig. 5.3.2. Segundo método: medida proporcional o segundo método, também conhecido como "medidas de comprimento do osso", é tanto mais simples quanto mais preciso que o método anterior. Atualmente, é amplamente utilizado na prática da acupuntura para localizar pontos. Consiste em dividir a região a ser medida em um certo nÚmero de unidades iguais de acordo com um método puramente convencional. O vàlor do cun é determinado por um nÚmero de unidades atribuídas a cada região. Por exemplo, dado que a distância entre a articulação do joelho e a crista do maléolo lateral é avaliada em 16 cun, um cun corresponde a um dezesseis avos desta distância. Assim, o valor desta unidade não. é constante, porém ajustada de. acordo com a morfologia de cada indivíduo para uma dada região. E; quando aplicada à mesma 'pessoa, pode variar de uma região para outra. Por exemplo, . unidades utilizadas para o crânio não são idênticas àquelas utilizadas para o abdome. I Um cun pode ser dividido em dez fen.
  • 74. OBSERVAÇÕES GERAIS - 65 Neste estudo, adotamos as "medidas proporcionais", como ensinadas pelos Institutos de Medicina Chinesa Tradicional de Beijing e Shangai. 5.3.2.1. Membro superior (fig.18) . 9 unidades verticais entre o fim da prega axilar e o sulco cubital. . 7 unidades verticais entre o sulco cubital e o ápice do "V" formado pelo músculo deltóide. . 12 unidades verticais entre o sulco cubital e o sulco anterior do pulso. . 12 unidades verticais entre o olecrânio e o sulco posterior do pulso. 5.3.2.2. Membro inferior (fig. 18 e 19) . 1 unidade vertical entre o bordo superior da. sínfise púbica e a proeminência do trocanter maior. . 20 unidades verticais entre o bordo superior da sínfise púbica e a articulação do joelho. . 18 unidades verticais entre o bordo superior da sínfise púbica e o bordo superior do côndilo medial do fêmur. . 19 unidades verticais entre o trocanter maior e a articulação do joelho. . 2 unidades verticais entre o bordo superior do côndilo medial do fêmur e a articulação do joelho. . 16 unidades verticais entre a articulação do joelho e a crista do maléolo lateral. . 15 unidades verticais entre a articulação do joelho e a crista do maléolo medial. . 2 unidades verticais entre o côndilo medial da tíbia e a crista do maléolo lateral. 5.3.2.3. Peito e abdome (fig. 18 e 19) . 8 unidades transversais entre a linha média anterior e a extremidade lateral da clavícula. . 8 unidades transversais entre os mamilos. . 8 unidades verticais entre a junção xifo-esternal e o umbigo. . 5 unidades verticais entre o umbigo e o bordo superior da sínfise púbica. . 12 unidades verticais entre a prega axilar e as costelas flutuantes. . 9 unidades verticais entre as costelas flutuantes e o trocânter maior.
  • 75. OBSERV AÇÕES GERAIS - 69 5.3.2.4. Costas (fig. 20) . 6 unidades transversais entre as duas escápulas . 3 unidades transversais entre as cristas ilíacas póstero-superiores 5.3.2.5. Cabeça (fig. 20 e 21) . 9 unidades transversais entre os ângulos da linha anterior dos cabelos. . 9 unidades transversais entre os dois processos mastóideos. . 18 unidades verticais desde a glabela até o espaço interespinhoso C7- T1 . 3 unidades verticais entre a glabela e a linha anterior dos cabelos. . 12 unidades verticais entre as linhas anterior e posterior dos cabelos. . 3 unidades verticais entre a linha. posterior dos cabelos e o espaço interespinhoso C7-Tl.
  • 76.
  • 77.
  • 78.
  • 79.
  • 80.
  • 81.
  • 82.
  • 83.
  • 84.
  • 85.
  • 86. 70. ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS 6. Comentários SubseqÜentemente ao estudo das propriedades bioelétricas dos pontos de acupuntura (menor resistência cutânea do que nas áreas circunvizinhas) surgiu uma gama impressionante de equipamentos de detecção. O uso racional deste tipo de instrumentos (ohmÍmetros de precisão) pressupõe um completo conhecimento da localização anatômica dos pontos. já que numerosos fatores (umidade da pele. a pressão exercida sobre o eletrodo. etc.) podem causar variações nas observações e produzir erros. Entretanto, estes detectores parecem apresentar mais interesse para a pesquisa fundamental do que para a prática. Deveria ser observado que a localização dos pontos pode variar de acordo com a morfologia do paciente. Dado que entre os indivíduos há uma substancial diferença entre o comprimento das 11" e 12" costelas. a localização dos pontos Zhangmen (F 13). Jingmen (VB 25). Dabao (Bço 21) e Yuanye (VB 22) é obviamente variável. Além disso. os pontos bilaterais não são sempre simétricos em relação ao eixo do corpo. Geralmente, o ponto de acupuntura está localizado em uma depressão ou oco (cavidade óssea, fenda intermuscular...). Cabe ao acupunturista definir o local específico pelo toque. uma vez que tenha determinado o nÚmero de unidades (cun). de acordo com a localização anatômica. etc. Só a prática permitirá que ele desenvolva e aperfeiçoe sua destreza.
  • 87. o meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin Shou Tai Yin Fei Jing o meridiano principal do pulmão Shou Tai Yin começa no Aquecedor Médio (Zhong Jiao)l, na região do Estômago (Wei), . desce para conectar-se com o Intestino Grosso (Dachang), . retoma para cima até o Estômago (Wei), . passa pelo cárdia do Estômag02, . atravessa o diafragma, . entra no Pulmão (Fei), . sobe até a traquéia e, passando sob o Tiantu (RM 22) entra na forquilha supra-esternal, . alcança a laringe. Da laringe, desce interna e obliquamente em direção ao aspecto lateral do peito, . emerge em ZhongfÚ (P l) na linha paraxilar, no 1º espaço intercostal. . sobe a fossa infraclavicular até o Yunmen (P 2), um espaço das costelas superior ao Zhongfu (P 1), . faz um trajeto para cima ao longo do aspecto ântero-Iateral do braço, lateral ao meridiano principal Shou Jue Yin do Pericárdio e Shou Shao Yin do Coração, . alcança o cotovelo em Chize (P 5), na fossa cubital, do lado radial do tendão do músculo bíceps braquial, . posiciona-se ao longo do aspecto anterolateral do antebraço em direção ao processo estilóide do rádio, alcançando Lieque (P 7) na fenda entre os tendões do abdutor pollicis longus e músculos bráquio-radiais, . segue o sulco radial até Taiyuan (P 9), do lado radial da dobra anterior do pulso, onde penetra3, . emerge sobre os músculos tenares, . passa através do Yuji (P 10), no ponto médio do lado palmar do 1º osso metacarpiano, e 1 Em Zhongwan (RM 12).. 2 De acordo com o Ling Shu (Cap. 10): "faz um trajeto através dos orifícios do Estômago". 3 "Pcnetra Cunkou (orifício do pulso)" conforme Ling Shu.
  • 88. 74 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS . termina no ângulo radial do polegar1 em Shaoshang (P 11). A partir da borda lateral do rádio, acima do processo estilóide, uma pequena ramificação colateral que sai do meridiano em Lieque (P 7), vai diretamente para o ângulo radial do dedo indicador, onde se liga com meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming em Shangyang (IG 1). Observações o meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin está relacionado com os seguintes meridianos: . o meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming, ao qual ele transfere sua energia em uma base acoplada Yang Yin (P 7 IG 1); . o meridiano principal do Baço Zu Tai Yin, do qual recebe um ramo superficial (Bço 20 P 1) e com o qual forma o eixo Tai Yin através de uma anastomose Yin- Yin; . ele recebe uma parte de sua energia (primeira o meridiano principal do Fígado Zu Jue Yin, do qual circulação do Ying Qi) e com o qual tem uma profunda ligação Yin- Yin é estabelecida através de um ramo interno que começa no Fígado e passa através do diafragma para se espalhar no Pulmão (Fei), onde se liga com o meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin; . o Ren Mai (segunda circulação do Ying Qi, de acordo com o Capítulo 16 do Ling Shu). O meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin conecta-se com os seguintes órgãos Zang Fu: . o Estômago (Wei) . o Intestino Grosso (Dachang) . o Pulmão (Fei) Pontos de cruzamento2 Ao longo do seu curso, o meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin faz interseção com os seguintes pontos: . Nenhum 1 O final dos meridianos Yin da Mão e o começo dos meridianos Yang da Mão são considerados nos textos chineses antigos como mediais. enquanto nós o consideramos como laterais. Esta não é uma contradição. Na descrição moderna dos meridianos. a posição anatõmica considera os braços ao longo do corpo, palmas voltadas anteriormente; o aspecto ulnar dos braços é medial. Nos clássicos chineses. a posição anatômica do corpo humano é de pé, braços elevados e palmas voltadas para o sol; o aspecto ulnar dos braços é assim, lateral. 2 Também chamados "Pontos de Encontro - i.é, onde o meridiano em questão faz interseção com outros.
  • 89. o meridiano tendinomuscular do Shou Tai Yin do Pulmão Shou Tai Yin Fei Jing Jin Começa em Shaoshang (P 11), do lado radial da ponta do polegar, . estende-se ao longo do lado radial do 1º dedo da mão e do 1º osso metacarpiano, . ascende para ligar-se à eminência tenar inferior, . circunda os músculos tenares, . encontra o Taiyuan (P 9) para ligar-se à extremidade radial do sulco anterior do pulso, . segue o sulco radial, . acompanha o aspecto anterolateral do antebraço, . alcança o cotovelo em Chize (P 5), e liga-se ao tendão bicipital, . segue o músculo bíceps braquial, . cobre as fibras anteriores do músculo deltóide, . liga-se ao aspecto anterior do - ombro, próximo à -articulação acromio clavicular. Segue então sob a axila, . encontra o outro meridiano tendinomuscular Yin da Mão na área do Yuanye (VB 22), 3 cun abaixo da axila, onde se liga, . penetra a prega axilar, . faz um trajeto sob o músculo peitoral maior e emerge a partir do Quepen (E 12) na fossa supraclavicular, . liga-se ao acrômio anteriormente ao Jianyu (IG 15), . volta ao Quepen (E 12) e liga-se à clavícula, . penetra o meio da fossa supraclavicular, para dentro da cavidade torácica, onde se ramifica, . faz um trajeto através do diafragma, onde se ramifica, . espalha-se pelo cárdia do Estômago, . termina no aspecto interno das costelas flutuantes.
  • 90. Os vasos Luo do Shou Tai Yin do Pulmão Shou Tai Yin Luo Mai Separam-se do seu meridiano principal em Lieque (P7), localizados ao nível lateral do radio, 1,5 cun proximal ao sulco anterior do pulso. Divide-se em 2 ramos: transverso e longitudinal. - O ramos transverso conecta-se com o meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming 1. - O ramo longitudinal junto com o meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin, entra diretamente na palma da mão e dissemina-se através da eminência tênar. 1 Certas escolas concordam em que o ramo transverso cria uma junção entre o Lieque (P7) e o ponto yuan da dupla meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming, Hegu (Ig4), no dorso da mão, entre o 1º e 2º ossos metacarpianos.
  • 91. o meridiano divergente do Shou Tai Yin do Pulmão Shou TaiYin Fei Jing Bie Diverge do seu meridiano principal em torno do Zhongfu (P 1). . vai para o Yuanye (VB 22) na linha média axilar, 3 cun abaixo da axila, . corre anteriormente ao meridiano principal do Pericárdio Shou Jue Yin 1 , . penetra no peito, . expande-se no Pulmão (Fei), . desce para o Intestino Grosso (Dachang), . ascende para a fossa supraclavicula2, em torno do Quepen (E 12)3, . segue o aspecto lateral da garganta, . alcança o Futu (IG 18) no aspecto lateral do pescoço, entre as cabeças esternal e clavicular do músculo esternoclidomastóideo. Em Futu (IG 18), ele se une aos meridianos principal e divergente do Intestino Grosso Shou Yang Ming, para formar a Sexta União 4 (6ª He). 1 Conforme o Ling Shu. ele faz um trajeto anteriormente ao meridiano principal do Coração Shou Shao Yin. 2 Muitos autores descrevem dois ramos a partir do Pulmão: um ramo descendente que se dispersa no Intestino Grosso. e um ramo ascendente que emerge na fossa supraclavicular (fig. 25, variante 1). 3 Algumas escolas ensinam que o meridiano divergente emerge em Tiantu (RM 22) na forquilha supra-esternal, ascende para a ponta do pomo de Adão antes de encontrar o Futu (IG 18) [fig. 25, variante 2]. 4 Algumas escolas situam a 6" União em Quepen (E 12), onde o meridiano divergente emerge na fossa supraclavicular.
  • 92. O meridiano principal Shou Yang Ming do Intestino Grosso Shou Yang Ming Dachang Jing o meridiano principal do Intestino Grosso, Shou Yang Ming recebe sua energia do meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin através de um ramo que une o Lieque (P 7) ao Shangyang (IG 1), localizado no ângulo radial do dedo indicador, onde começa o meridiano. Ele corre ao longo do aspecto radial do 2° dedo da mão, . alcança o Hegu (IG 4) entre o 1 ° e o 2° ossos metacarpianos, . entra na tabaqueira anatõmica em Yangxi (IG 5), . faz um trajeto ao longo do bordo póstero-lateral do rádio entre os músculos extensor carpi radialis longus e o extensor carpi radialis brevis, onde estão localizados o Xialian (IG 8), Shanglian (IG 9) e Shousanli (IG 10), . alcança Quchi (IG 11) na extremidade lateral do sulco do cotovelo, . sobe o bordo lateral do braço, . corre pelo Binao (IG 14) até o ápice do "V" do músculo deltóide, . alcança Jianyu (IG 15) no bordo ântero-lateral do acrômio, . gira em torno do ombro, . faz um trajeto até o Jugu (IG 16), entre a crista escapular e a extremidade lateral da clavícula, . vai para o Bingfeng (ID 12) no meio da fossa supra-espinhosa da escápula, . faz um trajeto até Dazhui (DM 14), entre os processos espinhosos da C 7 e T1, onde encontra com outros os 5 meridianos principais Yang, . retorna anteriormente para Quepen (E 12), na fossa supraclavicular, onde se torna profundo, . penetra no peito até atingir o Pulmão (Fei), . passa através do diafragma, . estende ramificações para o Intestino Grosso (Dachang). Daí, um ramo que não pertence ao meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming estabelece uma relação entre o Intestino Grosso (Dachang) e Shangjuxu (E 37), o ponto de "coleta" (Xia He) do Intestino Grosso, localizado na perna.
  • 93. 86 - ATLAS DE ACUPUNTURA CHINESA - MERIDIANOS E COLATERAIS A partir da fossa supraclavicular. em Quepen (E 12), um ramo superficial ascende para o pescoço entre as duas cabeças do músculo esternoclido mastóideo, . alcança a mandíbula, . faz um trajeto através da bochecha, . entra na gengiva e dentes inferiores, onde se ramifica, . emerge lateralmente à comissura labial em Dicang (E 4), . circunda o lábio superior para encontrar o mesmo ramo que vem do lado oposto e o vaso Governador (DU Mai) em RenzhÔng (DM 26) abaixo do nariz, . alcança o KOuheliao (Ig 19). localizado lateralmente ao Renzhong (DM 26), e . termina em Yingxiang (Ig 20) do lado oposto no sulco nasolabial. Através de um ramo profundo que se separa em Yingxiang (Ig 20), se une ao meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming Observações o meridiano principal do Intestino Grosso ShOu Yang Ming está relacionado com os seguintes meridianos: . o meridiano principal do Pulmão ShOu Tai Yin. do qual ele recebe sua energia através de um ramo desde o Lieque (P 7) até o Shangyang (IG 1), como uma dupla Yin- Yang, o meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming, para o qual ele dá sua energia (IG 20 B 1 E 1) como a unidade Yang Ming (conexão Yang- Yang). O meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming se conecta com os seguintes órgãos Zang Fu: . o Pulmão (Fei) . o Intestino Grosso (Dachang) Pontos de Cruzamento Ao longo do seu curso, o meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming faz interseção com os seguintes pontos: . Bingfeng (ID 12) . DazhUi (DM 14) . Quepen (E 12) . Dicang (E 4) . Renzhong (DM 26)
  • 94. O meridiano tendinomuscular Shou Yang Ming do Intestino Grosso Shou Yang Ming Dachang Jing Jin Começa na extremidade lateral do dedo indicador em Shangyang (IG 1), então, . vai ao longo do 2° dedo da mão e 2° osso metacarpiano até Yangxi (IG 5), na tabaqueira anatômica, onde se liga, . segue o aspecto póstero-Iateral do antebraço, e atinge o cotovelo, . liga-se à extremidade lateral do sulco cubital transverso, onde está o Quchi (IG 11), . corre ao longo das fibras medianas deste músculo, . liga-se ao aspecto lateral do acrômio em Jianyu (IG 15). A partir de Jianyu (IG 15), um ramo colateral gira em torno da escápu1a em direção à coluna, liga-se com a C7 a T5, entre Dazhui (DM 14) e Shendao (DM 11). O ramo principal continua seu curso para cima, . corre por cima da fossa supraclavicular, . faz um trajeto ao longo do aspecto lateral do pescoço e liga-se ao ângulo da mandíbula. DaÍ, ele se divide em 2 ramos: . um ramo passa sobre o zigoma até o lado do nariz, . o outro ramo vai pelo aspecto lateral da face, anteriormente ao meridiano tendinomuscular Shou Tai Yang do Intestino Delgado, . alcança a área temporofrontal, une-se aos outros meridianos tendinomusculares Yang da Mão em Benshen (VB 13), . cruza por cima do crânio, . termina no ângulo da mandíbula do lado oposto 1. 1 Algumas escolas. confiando em uma interpretação diferente do Ling Shu para apoiá-Los neste ponto de vista. ensinam que o meridiano termina em Tianding (IG 17). situado na parte lateral do pescoço, 1 cun abaixo de Futu (IG 18), no bordo posterior do músculo esternoclidomastóideo.
  • 95. o vaso Luo Shou Yang Ming do Intestino Grosso Shou Yang Ming Luo Mai Separa-se do seu meridiano principal em Pianli (IG 6), localizado 3 cun proximal ao sulco do pulso no aspecto lateral do rádio. Ele se divide em 2 ramos: transverso e longitudinal. - O ramo transverso se une ao meridiano principal Shou Tai Yin do Pulmão 1. - O ramo longitudinal . segue o meridiano principal Shou Yang Ming do Intestino Grosso até o ombro em Jianyu (IG 15), . passa sobre a fossa supraclavicular até Quepen (E 12), . ascende até o pescoço, . alcança a mandíbula, onde Se subdivide em 2 pequenos sub-ramos: . um se espalha nos dentes, . o outro penetra no ouvido para unir-se ao outro meridiano (Zong Mai)2. 1 Certas escolas concordam que o ramo transverso cria uma junção entre Pianli (IG 6) e Taiyuan (P 9), o ' ponto Yuan do meridiano principal do Pulmão Shou Tai Yin. 2 Zang Mai significa "o ponto ou área (Zang), onde os meridianos (Jing Mai) se reúnem". Esta expressão vem do Ling Shu Capítulo 10. O Capítulo 28 deste clássico confirma o sentido do caráter Zang "o olho é onde os vasos sangüíneos (Xue Mai) se reúnem, o ouvído é onde os meridianos (Jing Mai) se reúnem.
  • 96. o meridiano divergente do Intestino Grosso Shou Yang Ming Shou Yang Ming Dachang Jing Bie Diverge do seu meridiano principal, na mão 1, . corre por cima do braço, . alcança o ombro onde ele sai, em Jianyu (IG 15) abaixo do bordo lateral do acrômio. A partir do Jianyu (IG 15), . um ramo vai para o peito e estende ramificações para a mama, . um outro ramo vai para a coluna em C7, . volta para o meio da fossa supraclavicular em Quepen (E 12) 2, . desce até o Intestino Grosso (Dachang), . volta até o Pulmão (Fei), . sai em Quepen (E 12)3, . ascende ao longo do aspecto lateral do pescoço para unir-se aos meridianos principais do Intestino Grosso Shou Yang Ming e do Pulmão Shou Tai Yin em Futu (IG 18), onde a Sexta União é formada (6ª He)4. L No cotovelo ou no ombro, conforme as diferentes interpretações do Ling Shu. 2 De acordo com o Instituto da Tradicional MedicinaChinesa de Shangai. o meridiano vai diretamente da coluna para o Intestino Grosso (Dachang) sem passar por Quepen (E 12). 3 Sai em Tiantu (RM 22)antes de alcançar Quepen (E 12), conforme algumas escolas. 4 0utros autores indicam que a 6" União é formada em Quepen (E 12).
  • 97. O meridiano divergente do Intestino Grosso Shou Yang Ming Shou Yang Ming Dachang Jing Bie Diverge do seu meridiano principal, na mão 1. • Corre por cima do braço, • Alcança o ombro onde ele sai, em Jianyu (IG 15) abaixo do bordo lateral do acrômio. A partir do Jianyu (IG 15), • Um ramo vai para o peito e estende ramificação para a mama, • Um outro ramo vai para a coluna em C7, Volta para o meio da fossa supraclavicular Quepen (E12) 2, Desce até o Intestino Grosso Dachang, Volta ate o pulmão (Fei), Sai em quepen (E12) 3, Ascende ao longo do aspecto lateral do pescoço para unir-se aos meridianos principais do Intestino Grosso Shou Yang Ming e do Pulmao Shou Tai Yin em fotu (IG 18), onde a 6ª união é formada (6ª He) 4. 1 No cotovelo ou no ombro, conforme as diferentes interpretações no Ling Shu. 2 De acordo com o Instituto da Tradicional Medicina Chinesa de Shangai o meridiano vai diretamente da coluna para o Intestino Grosso (Dachang) sem passar por Quepen (E12). 3 sai em Tiantu (Ren 22) antes de alcançar quepen (E12), conforme algumas escolas. 4 Outros autores indicam que a 6ª união é formada em quepen (E12).
  • 98.
  • 99.
  • 100.
  • 101.
  • 102.
  • 103.
  • 104.
  • 105.
  • 106.
  • 107. O meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming Zu Yang Ming Wei Jing o meridiano principal do Estômago Zu Yang Ming recebe sua energia do meridiano principal do Intestino Grosso Shou Yang Ming através de um ramo profundo que se separa em Yingxiang (IG 20) no sulco nasolabial, . sobe para o canto interno do olho, onde encontra o Jingming (B 1), . desce para o bordo inferior da órbita em Chengqi (E 1), o ponto inicial do meridiano. De Chengqi (E 1), ele vai para a bochecha, . penetra na gengiva superior, . sai abaixo do nariz em Renzhong (DM 26), pouco acima do ponto médio do sulco na linha mediana do lábio superior, onde encontra sua contrapartida do lado oposto e o Vaso Governador (Du Mai), . faz uma curva em torno dos lábios até a linha média, onde novamente encontra sua contrapartida do outro lado e o Vaso da Concepção (Ren Mai) em Chengjiang (RM 24), na parte mediana do sulco mentolabial, . segue a parte horizontal da mandíbula, até Daying (E 5), localizado no bordo anterior do mÚsculo masseter. Daí, - um ramo ascende anteriormente até o ouvido, . alcança Shangguan (VB 3) acima do bordo zigomático, superior do arco . corre até a área temporal, passando por Xuanli (VB 6), Xuanlu (VB 5), e Hanyan (VB 4), . une-se a Touwei (E 8) no canto da testa, . termina em Shenting (DM 24) logo acima da linha dos cabelos. - um outro ramo desce anteriormente ao mÚsculo esternoclidomastóideo, . faz um trajeto através do Renying (E 9), localizado no bordo anterior do esternoclidomastóideo, nivela-se com a ponta do pomo de Adão, . vai para Qishe (E 11 ), no ângulo entre a cabeça esternal do esternoclidomastóideo e a parte medial da clavícula, . alcança a coluna em Dazhui (DM 14) entre C 7 e T1, onde encontra os outros cinco meridianos principais Yang, . . volta para a fossa supraclavicular em Quepen (E 12).