REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228
Volume 21 - Número 1 - 1º Semestre 2021
AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA DE TILÁPIA-DO-NILO (Oreochromis niloticus L.)
PARA A PESCA INDUSTRIAL
Fabrício Lopes dos Santos¹; Juliana Silvares Andrelino¹*; Marielce De Cássia Ribeiro Tosta¹
RESUMO
A Tilápia possui características favoráveis à produção em larga escala, porém, este produto pode
apresentar bactérias patogênicas que representam risco à saúde do consumidor. Dentre essas
bactérias, destacam-se as Coliformes, Staphylococcus aureus, Salmonella e Pseudomonas por
associarem-se à manipulação inadequada nas etapas de processamento industrial. Desta forma, o
objetivo deste trabalho foi fazer uma revisão de literatura da qualidade microbiológica da Tilápia,
verificar a presença dos microrganismos mais encontrados e quais etapas do processo industrial
ocorrem maior contaminação. Para a coleta de dados foram utilizadas bases de pesquisas para
selecionar 21 dos 60 artigos que abordavam aspectos relacionados à avaliação microbiológica de
Tilápia e estavam de acordo com os critérios de inclusão. Os resultados apontaram que mesmo a
indústria da pesca possuir condições higiênicas, contudo, muitas vezes não seguem aos padrões de
forma adequada, apresentando microrganismos, tais como, Coliformes, Staphylococcus aureus,
Salmonella, Pseudomonas e Aeromonas. A qualidade microbiológica das amostras do filé analisadas
de algumas indústrias mostrou-se insatisfatória devido às condições inadequadas de higiene durante
o processamento, principalmente, nas etapas de recepção, lavagem e manuseio. Assim, as medidas
para minimizar essas condições é a implantação de boas práticas para garantir a qualidade do peixe
desde a captura até o consumidor.
Palavras-chave: Pescado, Qualidade, Condições de Higiene.
MICROBIOLOGICAL EVALUATION OF NILE TILAPIA (Oreochromis niloticus L.) FOR
INDUSTRIAL FISHING
ABSTRACT
Tilapia has favorable characteristics for large-scale production, however, this product may present
pathogenic bacteria that represent a risk to the consumer's health. Among these bacteria, Coliforms,
Staphylococcus aureus, Salmonella and Pseudomonas stand out for being associated with inadequate
handling in industrial processing steps. Thus, the objective of this work was to make a literature
review of the microbiological quality of Tilapia, to verify the presence of the most commonly found
microorganisms and which stages of the industrial process are most contaminated. For data collection,
research bases were used to select 21 of the 60 articles that addressed aspects related to the
microbiological evaluation of Tilapia and were in accordance with the inclusion criteria. The results
showed that even the fishing industry has hygienic conditions, however, they often do not follow the
standards properly, presenting microorganisms, such as Coliforms, Staphylococcus aureus,
Salmonella, Pseudomonas and Aeromonas. The microbiological quality of the fillet samples analyzed
in some industries proved to be unsatisfactory due to inadequate hygiene conditions during
processing, mainly in the reception, washing and handling stages. Thus, the measures to minimize
these conditions are the implementation of good practices to guarantee the quality of the fish from
the catch to the consumer.
Keywords: Fish, Quality, Hygiene Conditions. 1
INTRODUÇÃO
A Organização das Nações Unidas
(ONU) estima que a população mundial alcance
9,8 bilhões de pessoas em 2050 ocasionando o
aumento da demanda de proteínas. Dentre a
oferta de carnes no Brasil, a FAO (2010) estimou
crescimento de 104% na produção da pesca e
aquicultura até 2025, devido aos investimentos
feitos no setor. Esta instituição estimou ainda que
o consumo de peixes no país deva sair dos 16,7
quilos por pessoa/ano, em 2006, para 20 quilos
por pessoa/ano em 2025 passando a população
brasileira a cumprir a recomendação da
Organização Mundial de Saúde (OMS) de
consumir 12 quilos por habitante/ano (ONU,
2017).
O Brasil possui 12% de toda água doce do
planeta, 8.500 km de costa marítima e condições
ambientais favoráveis para despontar como um
dos maiores produtores de pescados do mundo
(AQUICULTURA, 2012). Na nutrição humana o
peixe constitui fonte de proteínas de alto valor
biológico, por apresentar alta digestibilidade e
valor nutricional. Nele é possível encontrar
minerais como: sódio, potássio, cálcio,
magnésio, fósforo, cloro, enxofre, ferro, iodo,
cobre, zinco, entre outros. Possui ainda baixo
teor em colesterol e a alta quantidade de ácidos
graxos insaturados. Outra característica dos
peixes é a sua maior estimulação na secreção
sendo ainda rico em vitaminas hidrossolúveis do
complexo B e vitaminas lipossolúveis A e D.
Algumas espécies concentram até 50.000 UI/g de
vitamina A e 45.000 UI/g de vitamina D no
fígado (ARAÚJO et al., 2010).
Pelas características descritas é cada vez
maior o número de pessoas que preferem
consumir a carne de peixe como alternativa de
alimentação saudável. Devido suas qualidades
nutricionais, os profissionais da saúde têm
recomendado sua utilização na alimentação
humana e de óleos de peixes, juntamente,
concentrados de ácidos graxos, como
suplementos. A Tilápia, o Bacalhau, o Cação e o
linguado, apresentam baixo teor de gordura
(FIGUEIREDO et al., 2016). No Brasil a Tilápia
é a espécie mais cultivada, apresentando
crescimento na produção 11,9% de 2017 a 2018,
ano em que foram produzidas 400.280 toneladas
o que representou 55,4% da produção brasileira
de peixes de cultivo (PEIXE BR -
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA
PISCICULTURA, 2019).
A Tilápia (Figura 1) foi inserida no Brasil
em 1970, na região nordeste e difundiu-se por
todo país. A sua expansão de mercado é devido à
boa aceitação pela população por causa do sabor,
valor nutritivo e preços baixos. Essa espécie se
destaca ainda por possuir grande capacidade de
adaptação em cativeiro, resistência a doenças,
desenvolvimento rápido e não requerer muita
energia (IPEA, 2017).
Figura 1: Tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus L)
Apesar da elevada importância
nutricional, a Tilápia, como qualquer outro
pescado, pode perder rapidamente suas
características sensoriais devido às condições de
conservação, por essa razão exige cuidados
especiais na manipulação, conservação,
transporte e distribuição. Para que isso não
ocorra é necessário que ao ser capturado o
pescado deve ser conservado no gelo, ou seja,
mantido em temperaturas entre -0°C e -2°C. O
pescado que se encontra nessa condição
possibilita ao consumidor verificar a qualidade
do alimento através do odor, textura e coloração.
Em peixes é observado se as brânquias estão
úmidas, brilhantes e entre a cor de rosa e
vermelho intenso (EMBRAPA MEIO-NORTE,
2009).
Em seu processo industrial os peixes são
congelados muito rapidamente de forma a
conservar melhor e diminui a perda de qualidade
e umidade sendo submetidos a temperaturas
inferiores a -25°C e depois mantidos em
temperaturas inferiores a -15°C. Os pescados
passam por processos de congelamento de modo
a garantir sua qualidade e segurança por conta de
bactérias psicrófilas capazes de se desenvolver
abaixo de 0°C (EMBRAPA MEIO-NORTE,
2009).
Segundo Gonçalves (2011) há alguns
parâmetros de análise para diminuição do risco
de contaminação dentre eles, pode-se citar: o uso
adequado do gelo, habitat do pescado, operações
de manuseio adequadas, evitar que o pescado
fique muito exposto a temperaturas ambientes e
o respeito às regras de higiene, a fim de,
preservar a microbiota natural sem o
aparecimento de outras bactérias.
No período de 2007 a 2017, o total de
surtos no Brasil de patógenos relacionados a
doenças de origem de pescado, frutos do mar e
seus derivados representaram 0,80%. Sendo
assim, os principais agentes encontrados foram
Escherichia coli, Staphylococcus aureus,
Salmonella spp., Bacillus cereus, Coliformes,
Vibrio parahaemolyticus, Pseudomonas sp.
Salmonella Enteritidis, Histamina e Ficotoxina
(BRASIL apud DIAS, 2018).
Farias (2007) e Almeida et al. (2002)
confirmaram a presença de coliformes ao longo
da cadeia produtiva do pescado o qual observou
precárias condições higiênicas e sanitárias na
manipulação. Em relação às bactérias do gênero
Staphylococcus, são habitantes usuais da pele e
mucosas de manipuladores, e, portanto, sua
presença em baixos níveis sugere adoção de boas
práticas de higiene (GERMANO; GERMANO,
2008). Nora et al. (2012) analisaram filés de
pescado oriundo de diferentes indústrias e não
encontraram Staphylococcus aureus coagulase.
Rall et al. (2011) detectaram S. aureus em 3% das
amostras de pescado coletadas na cidade de
Botucatu.
A RDC 12/2001 da Agência de
Vigilância Sanitária estabelece um limite de
tolerância de S.aureus coagulasse positivo, em
pescado in natura resfriado, sendo o valor de 10
3 UFCg -1. S. aureus é uma bactéria patogênica
que não faz parte da flora microbiana normal dos
peixes. A sua presença relaciona-se à
contaminação, principalmente em etapas de
manipulação, já que este microrganismo pode
está presente nas mãos e mucosas dos
manipuladores (JAY, 2005; GONÇALVES,
2011).
O habitat da Salmonella sp é o trato
intestinal do homem e animais, razão pela qual
sua presença indica uma provável contaminação
fecal. Peixes capturados em águas limpas estão
geralmente isentos deste tipo de bactéria, sendo
sua presença atribuída ao manuseio do pescado
por indivíduos infectados, ao contato com
superfícies mal higienizadas e contaminação
cruzada (MARTINS et al., 2002; RIEDEL,
2005).
A ocorrência de Pseudomonas spp. de
acordo com Tripathy et al. (2007) e Forsythe
(2013) está associada a microbiota natural dos
peixes e foram isolados da pele, brânquias e
intestino. Sua carga é explicada pela qualidade da
água onde foi capturado. Já a bactérias do gênero
Aeromonas spp. são um dos principais patógenos
oportunistas que podem causar perdas
consideráveis em pisciculturas (COSTA, 2003).
Machado et al. (2010) verificaram que falhas na
adoção de medidas higiênicas, desde a captura
até a comercialização do pescado, comprometem
sua qualidade final.
Considerando o potencial de crescimento
do consumo da carne de peixe, em especial a
Tilápia, e a possibilidade de contaminação por
bactérias durante todo o processamento desde a
captura até a mesa dos consumidores torna-se
importante identificar em qual parte do processo
ocorre maior probabilidade de contaminação.
Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi
realizar uma revisão de literatura dos
microrganismos associados ao peixe Tilápia-do-
Nilo (Oreochromis niloticus L.) de modo
verificar os principais microrganismos
infectantes e em quais etapas do processo
ocorreram às contaminações. Esta análise de faz
necessária, pois permite diagnosticar os riscos e
cuidados do processo de produção deste produto
para a segurança alimentar dos consumidores.
MATERIAL E MÉTODOS
O presente artigo constitui-se de uma
revisão bibliográfica que teve por finalidade
reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre
contaminação microbiana em diferentes etapas
do processamento industrial da Tilápia
(Orechromis nitoloticus). Os textos foram
selecionados, por meio de busca eletrônica,
utilizando a base de dados bibliográficos do
Google Acadêmico, Scielo, Wiley Online
Library e outros sites. A partir destes, foram
selecionados livros e artigos escritos em
português e inglês entre 2007 e 2018 durante o
mês de abril a outubro de 2019. Utilizou-se como
palavras chaves: pescado, qualidade, avaliação
microbiológica, tilápia, pesca industrial e
condições de higiene. Foram encontrados 60
artigos dentre eles apenas 21 foram utilizados.
Dos 21 textos selecionados para leitura e
pesquisa, 17 estavam escritos em português e 4
em inglês. Nos anos de 2011, 2014 e 2015
concentraram maior número, sendo 4 para cada
um dos anos citado. Dos textos selecionados 11
eram artigos, 6 dissertações de mestrado, 2 teses,
1 monografia e 1 capítulo de livro (Tabela 1).
Tabela 1: Relação de trabalhos analisados para a escrita
deste artigo
Fonte de dados N° de trabalhos
Artigos científicos 11
Dissertação de mestrado 6
Capítulo de Livro 1
Teses de Doutorado 2
Monografia 1
Fonte: Elaboração própria, 2019.
Para construção deste trabalho
contemplou as seguintes etapas: identificação do
tema e definição da questão de pesquisa,
estabelecimento de critérios para inclusão e
exclusão dos estudos (amostragem), definição
das informações a serem extraídas dos artigos
selecionados, avaliação dos estudos incluídos na
revisão, interpretação dos resultados e
apresentação da revisão.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nas publicações analisadas da análise
microbiológica de Tilápia (Orechromis
nitoloticus L.), pode-se constatar que a indústria
da pesca, dessa espécie, possui boa estrutura de
processamento, como: utensílios, produtos de
higienização e procedimentos padrão de higiene
operacional. No entanto, mesmo assim, foi
possível identificar a presença de alguns
microrganismos. Dentre os 21 artigos analisados,
13 constataram contaminação bacteriana e 8
seguiram o cumprimento de boa higienização dos
procedimentos (Gráfico 01).
Gráfico 1: Quantidade de artigos quanto à observação de
contaminação microbiana em Tilápia entre 2007 e 2018
Fonte: Elaboração própria, 2019.
Existe uma grande variedade de
microrganismos em alimentos, estes podem ter
efeitos deletérios como benéfico, isso porque
podem ser tanto contaminantes quanto
deliberadamente inoculados (usados na produção
dos alimentos). A microbiologia dos alimentos
foca na biologia geral dos microrganismos e
pesquisa: as características de crescimento,
identificação, fisiologia, sobrevivência,
patogêneses. Especificamente, as áreas de
interesse que dizem respeito a estes estudos são
doenças de origem alimentar, deterioração,
preservação e legislação dos alimentos. Os
microrganismos podem causar alterações
químicas prejudiciais nos alimentos, resultando
na deterioração microbiana podendo ser
patogênicos, afetando tanto o homem como
animais, o que representa risco à saúde
(TEIXEIRA, 2014).
Os microrganismos na microbiologia
alimentar podem ser classificados: deteriorantes,
patogênicos e utilizados na produção. Os
microrganismos deteriorantes são aqueles que
alteram os alimentos resultando em alterações de
cor, odor, sabor, textura e aspecto do alimento.
Os microrganismos patogênicos são causadores
de doenças e podem apresentar risco à saúde.
Estes podem afetar tanto o homem como os
13
8
Com contaminação Sem contaminação
animais. Já os microrganismos que são utilizados
na produção de alimentos realizam funções
positivas em alguns ramos da indústria
alimentícia, tais como produção de vinho,
cerveja, produtos de panificadoras, derivados do
leite etc. De acordo com Amagliani et al. (2012)
alguns microrganismos existem naturalmente no
meio aquático, enquanto que outros podem
contaminar o produto durante o processamento.
Alguns exemplos destes podem ser observados
no Quadro 1.
Quadro 1: Microrganismos associados ao pescado
ORIGEM ESPÉCIES
Naturalmente presente
no meio aquático
Aeromonas,
Pseudomonas
Origem animal e
humana
Salmonella, Escherichia
coli, Staphylococcus
Oriundos do ambiente Listeria, C. botulinum,
Staphylococcus
Fonte: Adaptado de Amagliani et al. (2012).
Dos 13 trabalhos em que foi registrada a
contaminação microbiana, os grupos de bactérias
mais encontrados foram Coliformes, sendo
Escherichia coli, citada em 10 trabalhos; 7
citaram Staphylococcus sp; a Salmonella, foi
citada 6 vezes; já o Psicrotróficos 5 vezes cujo
representante é Pseudomonas e 1 Aernomoas sp.
(Gráfico 2).
Gráfico 2: Bactérias encontradas no processo de
produção da Tilápia nos artigos analisados
Fonte: Elaboração própria, 2019.
As principais fontes de contaminação dos
alimentos são: solo e água; plantas; utensílios;
trato intestinal; manipuladores de alimentos;
ração animal; pele de animais; ar e pó. O Quadro
2 apresenta os textos que descreveram
microrganismos contaminantes e as justificativas
de tal contaminação para a espécie analisada. Os
trabalhos que não apresentaram contaminação
foram: Simões et al. (2007); Soares et al. (2012);
Castro (2016); Oliveira et al., (2013); Fonseca et
al. (2013); Soares et al (2014); Silva (2015) e
IPEA (2017).
10
7
1
6
5
Coliformes Staphylococcus sp.
Aeromonas Salmonella
Psicotróficos
Quadro 2: Trabalhos que apresentaram contaminação microbiana no processo de industrialização da Tilápia-do Nilo de
2007 a 2018
Autores Microrganismo Justificativa
Boari et al. (2008) Staphylococcus aureus e
Pseudomonas
Falhas higiênicas durante o
processamento
Onyango et al. (2009)
Shigella spp, Salmonella, E.coli,
Proteus
Manuseio, processamento dos peixes e
qualidade da água de onde foi
capturado
Emire e Gebremariam
(2009)
Coliformes Higiene e manuseio inadequado
Sousa et al. (2011) Staphylococcus, Coliformes
Termotolerantes
Processamento e utensílios industriais
Bartolomeu et al. (2011) Staphylococcus aureus, Salmonella e
Coliformes
Higiene na manipulação durante o
processamento
Lima (2012) Staphylococcus aureus, Salmonella, e
Coliformes
Condições higiênicas nas etapas de
beneficiamento
Gatti júnior (2012) Coliformes Higiene e manuseio inadequado
Castilho e Rall (2012) Aeromonas e Pseudomonas Captura, higiene e manuseio
Teixeira e Garcia (2014) Pseudomonas, Staphylococcus,
Salmonella e Coliformes
Falhas higiênicas durante o
processamento
Gatti Júnior et al. (2011)
Staphylococcus spp e Coliformes
Contaminação durante o manuseio e a
qualidade do gelo usado para
armazenar o peixe
Mataca (2014) Salmonella Falhas higiênicas durante o
processamento
Siqueira (2015) Staphylococcus aureus,
Coliformes
Captura e armazenamento
Soares et al. (2015) Psicrotróficos
Staphylococcus aureus
Captura e tapas de processamento
Araújo (2015) Psicrotróficos, Salmonella,
Coliformes
Falhas higiênicas durante o
processamento
Moura et al. (2018) Staphylococcus, Coliformes e
Salmonella
Condições higiênicas de estocagem e
armazenamento
Fonte: Resultados da pesquisa.
Os coliformes são microrganismos
indicadores de condições higiênico-sanitárias de
produção e contaminação fecal da água nos
ambientes de captura (LIMA, 2012). Assim
sendo, ressalta que a maior parte dos trabalhos
analisados apresentaram estas bactérias
sinalizando as más condições higiênicas
sanitárias dos ambientes dos peixes analisados.
Bartolomeu et al. (2011) observaram à
contaminação da água de recepção e lavagem dos
peixes por coliformes totais e Escherichia coli
demonstrando que a água utilizada no
processamento das Tilápias, na indústria
estudada, não se encontrava de acordo com a
legislação vigente que estabelece ausência de
coliformes totais e de Escherichia coli.
A principal etapa no processo de
industrialização da Tilápia que apresentou
Salmonella sp. foi na manipulação do filé,
mostrando-se um principal ponto crítico de
contaminação. As bactérias do gênero
Salmonella sp. não ocorrem originalmente na
microbiota do pescado sendo introduzidas
durante a manipulação ou pelo contato com
águas contaminadas (GATTI JÚNIOR et al.,
2014; SOARES et al., 2015). Onyango et al.
(2009) verificaram amostras de Tilápia do Nilo
capturadas no Quênia, estavam infectadas com
bactérias Salmonella typhimurium, S. typhi e S.
enteritidis, indicando que as águas onde foram
coletadas as amostras poderiam ter sido
contaminadas por esgoto urbano não tratado e/ou
escoamento de águas pluviais.
Quanto à presença de microrganismos
psicrotróficos, especificamente Pseudomonas sp.
observou-se em três etapas operacionais,
recepção, filetagem e armazenamento. Embora a
legislação não especifique um limite para os
microrganismos psicrotróficos, as contagens
elevadas desse grupo de bactérias contribuem
para reduzir o prazo de validade do peixe. Boari
et al. (2008) e Rodrigues et al. (2010) isolaram
Pseudomonas sp em amostras de Tilápia,
indicando que a captura foi realizada em
ambientes com elevados índices de
contaminação bacteriana e ou poluição fecal.
Em relação à presença do gênero
Aeromonas spp. descritos na pesquisa de Castilho
e Rall (2012) destacaram a ocorrência deste agente
bacteriano normalmente em ambientes
aquáticos, principalmente água doce e na
superfície dos peixes, que podem multiplicar-se
em temperatura ambiente, normalmente em
etapas de estocagem e armazenamento e são
implicadas como agentes deteriorantes.
Diante desse trabalho, é evidente que a
presença de microrganismos nos diferentes
órgãos dos peixes representa um risco potencial
à saúde do consumidor. De uma maneira geral,
sabe-se que as etapas de filetagem e evisceração,
são os principais pontos do processo de obtenção
do pescado que expõem o produto à
contaminação bacteriana. Segundo Boari et al.
(2008) na cadeia de processamento de filés de
Tilápia, encontra-se presente uma grande
variedade de microrganismos associados a
doenças veiculadas por alimentos e à sua
deterioração. Em Tilápia cultivada, a qualidade
da água de cultivo e a manipulação cuidadosa
durante a filetagem são fundamentais na garantia
da segurança microbiológica e no prolongamento
da vida de prateleira dos filés.
CONCLUSÕES
Pelo exposto neste trabalho de revisão
bibliográfica, pode-se concluir que a
conservação, manutenção e o controle de
qualidade do pescado, são aspectos importantes,
pois é desse conjunto que depende da qualidade
do produto final e a minimização de qualquer
tipo de contaminação que poderia ocorrer no
decorrer do caminho até o consumidor final. A
qualidade microbiológica das amostras de filé de
Tilápia analisadas de algumas indústrias
apresentou-se insatisfatória indicando condições
inadequadas de higiene na manipulação durante
o processamento, principalmente nas etapas
recepção e lavagem e manuseio, como filetagem.
As pessoas que trabalham na área de
beneficiamento de produtos pesqueiros, muitas
vezes, são responsáveis pela contaminação
microbiológica, sem que tenham consciência, na
maioria das vezes, do seu papel como veículo de
contaminação. As técnicas de manutenção e de
limpeza são fundamentais para que não haja
contaminação nos peixes e sua qualidade seja
elevada. Galvão (2010) ressalta que os pisos,
paredes e tetos devem ser construídos de material
resistente, impermeável, atóxico e de fácil
lavagem e desinfecção. É aconselhável aos
manipuladores que trabalham nas linhas de
processamento o uso de aventais, toucas e luvas.
A utilização de água clorada na lavagem do
pescado é um cuidado extremamente importante
e deve ser considerado. As mesas, utensílios e
equipamentos devem ser constantemente limpos
e higienizados com cloro antes e depois do
processamento.
O Brasil possui alto potencial para o
desenvolvimento da pesca tanto artesanal como
industrial. Desta forma, torna-se imprescindível
o controle da qualidade rigoroso que garanta à
população a certeza de estar consumindo um
produto de qualidade, livre de contaminantes que
possa levá-lo a desenvolver qualquer distúrbio.
Além disso, é necessário consolidar a
implantação das boas práticas de fabricação na
indústria, como na manutenção de aparelhos e
utensílios que auxiliam na produção de pescado
e treinamento contínuo dos manipuladores,
objetivando a segurança dos produtos ofertados,
bem como a saúde do consumidor.
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______________________________________
Fabrício Lopes dos Santos¹; Juliana Silvares
Andrelino¹*; Marielce De Cássia Ribeiro Tosta¹
*Autor para contato. E-mail:
julianaandrelino@gmail.com
¹Rodovia Governador Mário Covas, Km 60,
Bairro Litorâneo, São Mateus – ES, Brasil:
Universidade Federal do Espírito Santo, Campus
São Mateus, CEP 29932-540, São Mateus – ES,
Brasil.
11

Artigo bioterra v21_n1_01

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    REVISTA DE BIOLOGIAE CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 Volume 21 - Número 1 - 1º Semestre 2021 AVALIAÇÃO MICROBIOLÓGICA DE TILÁPIA-DO-NILO (Oreochromis niloticus L.) PARA A PESCA INDUSTRIAL Fabrício Lopes dos Santos¹; Juliana Silvares Andrelino¹*; Marielce De Cássia Ribeiro Tosta¹ RESUMO A Tilápia possui características favoráveis à produção em larga escala, porém, este produto pode apresentar bactérias patogênicas que representam risco à saúde do consumidor. Dentre essas bactérias, destacam-se as Coliformes, Staphylococcus aureus, Salmonella e Pseudomonas por associarem-se à manipulação inadequada nas etapas de processamento industrial. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi fazer uma revisão de literatura da qualidade microbiológica da Tilápia, verificar a presença dos microrganismos mais encontrados e quais etapas do processo industrial ocorrem maior contaminação. Para a coleta de dados foram utilizadas bases de pesquisas para selecionar 21 dos 60 artigos que abordavam aspectos relacionados à avaliação microbiológica de Tilápia e estavam de acordo com os critérios de inclusão. Os resultados apontaram que mesmo a indústria da pesca possuir condições higiênicas, contudo, muitas vezes não seguem aos padrões de forma adequada, apresentando microrganismos, tais como, Coliformes, Staphylococcus aureus, Salmonella, Pseudomonas e Aeromonas. A qualidade microbiológica das amostras do filé analisadas de algumas indústrias mostrou-se insatisfatória devido às condições inadequadas de higiene durante o processamento, principalmente, nas etapas de recepção, lavagem e manuseio. Assim, as medidas para minimizar essas condições é a implantação de boas práticas para garantir a qualidade do peixe desde a captura até o consumidor. Palavras-chave: Pescado, Qualidade, Condições de Higiene. MICROBIOLOGICAL EVALUATION OF NILE TILAPIA (Oreochromis niloticus L.) FOR INDUSTRIAL FISHING ABSTRACT Tilapia has favorable characteristics for large-scale production, however, this product may present pathogenic bacteria that represent a risk to the consumer's health. Among these bacteria, Coliforms, Staphylococcus aureus, Salmonella and Pseudomonas stand out for being associated with inadequate handling in industrial processing steps. Thus, the objective of this work was to make a literature review of the microbiological quality of Tilapia, to verify the presence of the most commonly found microorganisms and which stages of the industrial process are most contaminated. For data collection, research bases were used to select 21 of the 60 articles that addressed aspects related to the microbiological evaluation of Tilapia and were in accordance with the inclusion criteria. The results showed that even the fishing industry has hygienic conditions, however, they often do not follow the standards properly, presenting microorganisms, such as Coliforms, Staphylococcus aureus, Salmonella, Pseudomonas and Aeromonas. The microbiological quality of the fillet samples analyzed in some industries proved to be unsatisfactory due to inadequate hygiene conditions during processing, mainly in the reception, washing and handling stages. Thus, the measures to minimize these conditions are the implementation of good practices to guarantee the quality of the fish from the catch to the consumer. Keywords: Fish, Quality, Hygiene Conditions. 1
  • 2.
    INTRODUÇÃO A Organização dasNações Unidas (ONU) estima que a população mundial alcance 9,8 bilhões de pessoas em 2050 ocasionando o aumento da demanda de proteínas. Dentre a oferta de carnes no Brasil, a FAO (2010) estimou crescimento de 104% na produção da pesca e aquicultura até 2025, devido aos investimentos feitos no setor. Esta instituição estimou ainda que o consumo de peixes no país deva sair dos 16,7 quilos por pessoa/ano, em 2006, para 20 quilos por pessoa/ano em 2025 passando a população brasileira a cumprir a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de consumir 12 quilos por habitante/ano (ONU, 2017). O Brasil possui 12% de toda água doce do planeta, 8.500 km de costa marítima e condições ambientais favoráveis para despontar como um dos maiores produtores de pescados do mundo (AQUICULTURA, 2012). Na nutrição humana o peixe constitui fonte de proteínas de alto valor biológico, por apresentar alta digestibilidade e valor nutricional. Nele é possível encontrar minerais como: sódio, potássio, cálcio, magnésio, fósforo, cloro, enxofre, ferro, iodo, cobre, zinco, entre outros. Possui ainda baixo teor em colesterol e a alta quantidade de ácidos graxos insaturados. Outra característica dos peixes é a sua maior estimulação na secreção sendo ainda rico em vitaminas hidrossolúveis do complexo B e vitaminas lipossolúveis A e D. Algumas espécies concentram até 50.000 UI/g de vitamina A e 45.000 UI/g de vitamina D no fígado (ARAÚJO et al., 2010). Pelas características descritas é cada vez maior o número de pessoas que preferem consumir a carne de peixe como alternativa de alimentação saudável. Devido suas qualidades nutricionais, os profissionais da saúde têm recomendado sua utilização na alimentação humana e de óleos de peixes, juntamente, concentrados de ácidos graxos, como suplementos. A Tilápia, o Bacalhau, o Cação e o linguado, apresentam baixo teor de gordura (FIGUEIREDO et al., 2016). No Brasil a Tilápia é a espécie mais cultivada, apresentando crescimento na produção 11,9% de 2017 a 2018, ano em que foram produzidas 400.280 toneladas o que representou 55,4% da produção brasileira de peixes de cultivo (PEIXE BR - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA PISCICULTURA, 2019). A Tilápia (Figura 1) foi inserida no Brasil em 1970, na região nordeste e difundiu-se por todo país. A sua expansão de mercado é devido à boa aceitação pela população por causa do sabor, valor nutritivo e preços baixos. Essa espécie se destaca ainda por possuir grande capacidade de adaptação em cativeiro, resistência a doenças, desenvolvimento rápido e não requerer muita energia (IPEA, 2017). Figura 1: Tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus L) Apesar da elevada importância nutricional, a Tilápia, como qualquer outro pescado, pode perder rapidamente suas características sensoriais devido às condições de conservação, por essa razão exige cuidados especiais na manipulação, conservação, transporte e distribuição. Para que isso não ocorra é necessário que ao ser capturado o pescado deve ser conservado no gelo, ou seja, mantido em temperaturas entre -0°C e -2°C. O pescado que se encontra nessa condição possibilita ao consumidor verificar a qualidade do alimento através do odor, textura e coloração. Em peixes é observado se as brânquias estão úmidas, brilhantes e entre a cor de rosa e vermelho intenso (EMBRAPA MEIO-NORTE, 2009). Em seu processo industrial os peixes são congelados muito rapidamente de forma a conservar melhor e diminui a perda de qualidade e umidade sendo submetidos a temperaturas inferiores a -25°C e depois mantidos em temperaturas inferiores a -15°C. Os pescados passam por processos de congelamento de modo a garantir sua qualidade e segurança por conta de
  • 3.
    bactérias psicrófilas capazesde se desenvolver abaixo de 0°C (EMBRAPA MEIO-NORTE, 2009). Segundo Gonçalves (2011) há alguns parâmetros de análise para diminuição do risco de contaminação dentre eles, pode-se citar: o uso adequado do gelo, habitat do pescado, operações de manuseio adequadas, evitar que o pescado fique muito exposto a temperaturas ambientes e o respeito às regras de higiene, a fim de, preservar a microbiota natural sem o aparecimento de outras bactérias. No período de 2007 a 2017, o total de surtos no Brasil de patógenos relacionados a doenças de origem de pescado, frutos do mar e seus derivados representaram 0,80%. Sendo assim, os principais agentes encontrados foram Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Salmonella spp., Bacillus cereus, Coliformes, Vibrio parahaemolyticus, Pseudomonas sp. Salmonella Enteritidis, Histamina e Ficotoxina (BRASIL apud DIAS, 2018). Farias (2007) e Almeida et al. (2002) confirmaram a presença de coliformes ao longo da cadeia produtiva do pescado o qual observou precárias condições higiênicas e sanitárias na manipulação. Em relação às bactérias do gênero Staphylococcus, são habitantes usuais da pele e mucosas de manipuladores, e, portanto, sua presença em baixos níveis sugere adoção de boas práticas de higiene (GERMANO; GERMANO, 2008). Nora et al. (2012) analisaram filés de pescado oriundo de diferentes indústrias e não encontraram Staphylococcus aureus coagulase. Rall et al. (2011) detectaram S. aureus em 3% das amostras de pescado coletadas na cidade de Botucatu. A RDC 12/2001 da Agência de Vigilância Sanitária estabelece um limite de tolerância de S.aureus coagulasse positivo, em pescado in natura resfriado, sendo o valor de 10 3 UFCg -1. S. aureus é uma bactéria patogênica que não faz parte da flora microbiana normal dos peixes. A sua presença relaciona-se à contaminação, principalmente em etapas de manipulação, já que este microrganismo pode está presente nas mãos e mucosas dos manipuladores (JAY, 2005; GONÇALVES, 2011). O habitat da Salmonella sp é o trato intestinal do homem e animais, razão pela qual sua presença indica uma provável contaminação fecal. Peixes capturados em águas limpas estão geralmente isentos deste tipo de bactéria, sendo sua presença atribuída ao manuseio do pescado por indivíduos infectados, ao contato com superfícies mal higienizadas e contaminação cruzada (MARTINS et al., 2002; RIEDEL, 2005). A ocorrência de Pseudomonas spp. de acordo com Tripathy et al. (2007) e Forsythe (2013) está associada a microbiota natural dos peixes e foram isolados da pele, brânquias e intestino. Sua carga é explicada pela qualidade da água onde foi capturado. Já a bactérias do gênero Aeromonas spp. são um dos principais patógenos oportunistas que podem causar perdas consideráveis em pisciculturas (COSTA, 2003). Machado et al. (2010) verificaram que falhas na adoção de medidas higiênicas, desde a captura até a comercialização do pescado, comprometem sua qualidade final. Considerando o potencial de crescimento do consumo da carne de peixe, em especial a Tilápia, e a possibilidade de contaminação por bactérias durante todo o processamento desde a captura até a mesa dos consumidores torna-se importante identificar em qual parte do processo ocorre maior probabilidade de contaminação. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão de literatura dos microrganismos associados ao peixe Tilápia-do- Nilo (Oreochromis niloticus L.) de modo verificar os principais microrganismos infectantes e em quais etapas do processo ocorreram às contaminações. Esta análise de faz necessária, pois permite diagnosticar os riscos e cuidados do processo de produção deste produto para a segurança alimentar dos consumidores. MATERIAL E MÉTODOS O presente artigo constitui-se de uma revisão bibliográfica que teve por finalidade reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre contaminação microbiana em diferentes etapas do processamento industrial da Tilápia (Orechromis nitoloticus). Os textos foram selecionados, por meio de busca eletrônica, utilizando a base de dados bibliográficos do Google Acadêmico, Scielo, Wiley Online Library e outros sites. A partir destes, foram selecionados livros e artigos escritos em
  • 4.
    português e inglêsentre 2007 e 2018 durante o mês de abril a outubro de 2019. Utilizou-se como palavras chaves: pescado, qualidade, avaliação microbiológica, tilápia, pesca industrial e condições de higiene. Foram encontrados 60 artigos dentre eles apenas 21 foram utilizados. Dos 21 textos selecionados para leitura e pesquisa, 17 estavam escritos em português e 4 em inglês. Nos anos de 2011, 2014 e 2015 concentraram maior número, sendo 4 para cada um dos anos citado. Dos textos selecionados 11 eram artigos, 6 dissertações de mestrado, 2 teses, 1 monografia e 1 capítulo de livro (Tabela 1). Tabela 1: Relação de trabalhos analisados para a escrita deste artigo Fonte de dados N° de trabalhos Artigos científicos 11 Dissertação de mestrado 6 Capítulo de Livro 1 Teses de Doutorado 2 Monografia 1 Fonte: Elaboração própria, 2019. Para construção deste trabalho contemplou as seguintes etapas: identificação do tema e definição da questão de pesquisa, estabelecimento de critérios para inclusão e exclusão dos estudos (amostragem), definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados, avaliação dos estudos incluídos na revisão, interpretação dos resultados e apresentação da revisão. RESULTADOS E DISCUSSÃO Nas publicações analisadas da análise microbiológica de Tilápia (Orechromis nitoloticus L.), pode-se constatar que a indústria da pesca, dessa espécie, possui boa estrutura de processamento, como: utensílios, produtos de higienização e procedimentos padrão de higiene operacional. No entanto, mesmo assim, foi possível identificar a presença de alguns microrganismos. Dentre os 21 artigos analisados, 13 constataram contaminação bacteriana e 8 seguiram o cumprimento de boa higienização dos procedimentos (Gráfico 01). Gráfico 1: Quantidade de artigos quanto à observação de contaminação microbiana em Tilápia entre 2007 e 2018 Fonte: Elaboração própria, 2019. Existe uma grande variedade de microrganismos em alimentos, estes podem ter efeitos deletérios como benéfico, isso porque podem ser tanto contaminantes quanto deliberadamente inoculados (usados na produção dos alimentos). A microbiologia dos alimentos foca na biologia geral dos microrganismos e pesquisa: as características de crescimento, identificação, fisiologia, sobrevivência, patogêneses. Especificamente, as áreas de interesse que dizem respeito a estes estudos são doenças de origem alimentar, deterioração, preservação e legislação dos alimentos. Os microrganismos podem causar alterações químicas prejudiciais nos alimentos, resultando na deterioração microbiana podendo ser patogênicos, afetando tanto o homem como animais, o que representa risco à saúde (TEIXEIRA, 2014). Os microrganismos na microbiologia alimentar podem ser classificados: deteriorantes, patogênicos e utilizados na produção. Os microrganismos deteriorantes são aqueles que alteram os alimentos resultando em alterações de cor, odor, sabor, textura e aspecto do alimento. Os microrganismos patogênicos são causadores de doenças e podem apresentar risco à saúde. Estes podem afetar tanto o homem como os 13 8 Com contaminação Sem contaminação
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    animais. Já osmicrorganismos que são utilizados na produção de alimentos realizam funções positivas em alguns ramos da indústria alimentícia, tais como produção de vinho, cerveja, produtos de panificadoras, derivados do leite etc. De acordo com Amagliani et al. (2012) alguns microrganismos existem naturalmente no meio aquático, enquanto que outros podem contaminar o produto durante o processamento. Alguns exemplos destes podem ser observados no Quadro 1. Quadro 1: Microrganismos associados ao pescado ORIGEM ESPÉCIES Naturalmente presente no meio aquático Aeromonas, Pseudomonas Origem animal e humana Salmonella, Escherichia coli, Staphylococcus Oriundos do ambiente Listeria, C. botulinum, Staphylococcus Fonte: Adaptado de Amagliani et al. (2012). Dos 13 trabalhos em que foi registrada a contaminação microbiana, os grupos de bactérias mais encontrados foram Coliformes, sendo Escherichia coli, citada em 10 trabalhos; 7 citaram Staphylococcus sp; a Salmonella, foi citada 6 vezes; já o Psicrotróficos 5 vezes cujo representante é Pseudomonas e 1 Aernomoas sp. (Gráfico 2). Gráfico 2: Bactérias encontradas no processo de produção da Tilápia nos artigos analisados Fonte: Elaboração própria, 2019. As principais fontes de contaminação dos alimentos são: solo e água; plantas; utensílios; trato intestinal; manipuladores de alimentos; ração animal; pele de animais; ar e pó. O Quadro 2 apresenta os textos que descreveram microrganismos contaminantes e as justificativas de tal contaminação para a espécie analisada. Os trabalhos que não apresentaram contaminação foram: Simões et al. (2007); Soares et al. (2012); Castro (2016); Oliveira et al., (2013); Fonseca et al. (2013); Soares et al (2014); Silva (2015) e IPEA (2017). 10 7 1 6 5 Coliformes Staphylococcus sp. Aeromonas Salmonella Psicotróficos
  • 6.
    Quadro 2: Trabalhosque apresentaram contaminação microbiana no processo de industrialização da Tilápia-do Nilo de 2007 a 2018 Autores Microrganismo Justificativa Boari et al. (2008) Staphylococcus aureus e Pseudomonas Falhas higiênicas durante o processamento Onyango et al. (2009) Shigella spp, Salmonella, E.coli, Proteus Manuseio, processamento dos peixes e qualidade da água de onde foi capturado Emire e Gebremariam (2009) Coliformes Higiene e manuseio inadequado Sousa et al. (2011) Staphylococcus, Coliformes Termotolerantes Processamento e utensílios industriais Bartolomeu et al. (2011) Staphylococcus aureus, Salmonella e Coliformes Higiene na manipulação durante o processamento Lima (2012) Staphylococcus aureus, Salmonella, e Coliformes Condições higiênicas nas etapas de beneficiamento Gatti júnior (2012) Coliformes Higiene e manuseio inadequado Castilho e Rall (2012) Aeromonas e Pseudomonas Captura, higiene e manuseio Teixeira e Garcia (2014) Pseudomonas, Staphylococcus, Salmonella e Coliformes Falhas higiênicas durante o processamento Gatti Júnior et al. (2011) Staphylococcus spp e Coliformes Contaminação durante o manuseio e a qualidade do gelo usado para armazenar o peixe Mataca (2014) Salmonella Falhas higiênicas durante o processamento Siqueira (2015) Staphylococcus aureus, Coliformes Captura e armazenamento Soares et al. (2015) Psicrotróficos Staphylococcus aureus Captura e tapas de processamento Araújo (2015) Psicrotróficos, Salmonella, Coliformes Falhas higiênicas durante o processamento Moura et al. (2018) Staphylococcus, Coliformes e Salmonella Condições higiênicas de estocagem e armazenamento Fonte: Resultados da pesquisa.
  • 7.
    Os coliformes sãomicrorganismos indicadores de condições higiênico-sanitárias de produção e contaminação fecal da água nos ambientes de captura (LIMA, 2012). Assim sendo, ressalta que a maior parte dos trabalhos analisados apresentaram estas bactérias sinalizando as más condições higiênicas sanitárias dos ambientes dos peixes analisados. Bartolomeu et al. (2011) observaram à contaminação da água de recepção e lavagem dos peixes por coliformes totais e Escherichia coli demonstrando que a água utilizada no processamento das Tilápias, na indústria estudada, não se encontrava de acordo com a legislação vigente que estabelece ausência de coliformes totais e de Escherichia coli. A principal etapa no processo de industrialização da Tilápia que apresentou Salmonella sp. foi na manipulação do filé, mostrando-se um principal ponto crítico de contaminação. As bactérias do gênero Salmonella sp. não ocorrem originalmente na microbiota do pescado sendo introduzidas durante a manipulação ou pelo contato com águas contaminadas (GATTI JÚNIOR et al., 2014; SOARES et al., 2015). Onyango et al. (2009) verificaram amostras de Tilápia do Nilo capturadas no Quênia, estavam infectadas com bactérias Salmonella typhimurium, S. typhi e S. enteritidis, indicando que as águas onde foram coletadas as amostras poderiam ter sido contaminadas por esgoto urbano não tratado e/ou escoamento de águas pluviais. Quanto à presença de microrganismos psicrotróficos, especificamente Pseudomonas sp. observou-se em três etapas operacionais, recepção, filetagem e armazenamento. Embora a legislação não especifique um limite para os microrganismos psicrotróficos, as contagens elevadas desse grupo de bactérias contribuem para reduzir o prazo de validade do peixe. Boari et al. (2008) e Rodrigues et al. (2010) isolaram Pseudomonas sp em amostras de Tilápia, indicando que a captura foi realizada em ambientes com elevados índices de contaminação bacteriana e ou poluição fecal. Em relação à presença do gênero Aeromonas spp. descritos na pesquisa de Castilho e Rall (2012) destacaram a ocorrência deste agente bacteriano normalmente em ambientes aquáticos, principalmente água doce e na superfície dos peixes, que podem multiplicar-se em temperatura ambiente, normalmente em etapas de estocagem e armazenamento e são implicadas como agentes deteriorantes. Diante desse trabalho, é evidente que a presença de microrganismos nos diferentes órgãos dos peixes representa um risco potencial à saúde do consumidor. De uma maneira geral, sabe-se que as etapas de filetagem e evisceração, são os principais pontos do processo de obtenção do pescado que expõem o produto à contaminação bacteriana. Segundo Boari et al. (2008) na cadeia de processamento de filés de Tilápia, encontra-se presente uma grande variedade de microrganismos associados a doenças veiculadas por alimentos e à sua deterioração. Em Tilápia cultivada, a qualidade da água de cultivo e a manipulação cuidadosa durante a filetagem são fundamentais na garantia da segurança microbiológica e no prolongamento da vida de prateleira dos filés. CONCLUSÕES Pelo exposto neste trabalho de revisão bibliográfica, pode-se concluir que a conservação, manutenção e o controle de qualidade do pescado, são aspectos importantes, pois é desse conjunto que depende da qualidade do produto final e a minimização de qualquer tipo de contaminação que poderia ocorrer no decorrer do caminho até o consumidor final. A qualidade microbiológica das amostras de filé de Tilápia analisadas de algumas indústrias apresentou-se insatisfatória indicando condições inadequadas de higiene na manipulação durante o processamento, principalmente nas etapas recepção e lavagem e manuseio, como filetagem. As pessoas que trabalham na área de beneficiamento de produtos pesqueiros, muitas vezes, são responsáveis pela contaminação microbiológica, sem que tenham consciência, na maioria das vezes, do seu papel como veículo de contaminação. As técnicas de manutenção e de limpeza são fundamentais para que não haja contaminação nos peixes e sua qualidade seja elevada. Galvão (2010) ressalta que os pisos, paredes e tetos devem ser construídos de material resistente, impermeável, atóxico e de fácil lavagem e desinfecção. É aconselhável aos manipuladores que trabalham nas linhas de processamento o uso de aventais, toucas e luvas.
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    A utilização deágua clorada na lavagem do pescado é um cuidado extremamente importante e deve ser considerado. As mesas, utensílios e equipamentos devem ser constantemente limpos e higienizados com cloro antes e depois do processamento. O Brasil possui alto potencial para o desenvolvimento da pesca tanto artesanal como industrial. Desta forma, torna-se imprescindível o controle da qualidade rigoroso que garanta à população a certeza de estar consumindo um produto de qualidade, livre de contaminantes que possa levá-lo a desenvolver qualquer distúrbio. Além disso, é necessário consolidar a implantação das boas práticas de fabricação na indústria, como na manutenção de aparelhos e utensílios que auxiliam na produção de pescado e treinamento contínuo dos manipuladores, objetivando a segurança dos produtos ofertados, bem como a saúde do consumidor. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, E. S. et al. Características microbiológicas de "Pintado" (Pseudoplatystoma fasciatum) comercializado em supermercados e feira livre, no município de Cuiabá - MT. Revista Higiene Alimentar, v. 16, n. 99, p. 84-88, ago. 2002. AMAGLIANI, G.; BRANDI, G.; SCHIAVANO, G. F. Incidence and role of Salmonella in seafood safety. Food Research International, v. 45, p. 780 – 788, 2012. ARAÚJO, Y. F. Avaliação da qualidade da tilápia do nilo (Oreochromis niloticus) fresca e resfriada e do gelo de manutenção comercializados na cidade de Brasília, Distrito Federal. 2015. 92 f. Monografia (Especialização) - Curso de Farmácia, Universidade de Brasília, Brasília, 2015. ARAÚJO, D. A. F. V.; SOARES, K. M. P.; GÓIS, V. A. Características gerais, processos de deterioração e conservação do pescado. PUBVET, Londrina, V. 4, N. 9, Ed. 114, Art. 771, 2010. AQUICULTURA: Incentivos fizeram setor dar saltos expressivos. São Paulo: Usp Esalq A, v. 11, dez. 2012. Disponível em: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/16592 9/mod_resource/content/1/Vis%C3%A3o%20A gr%C3%ADcola%20n%C2%BA%2011.PDF>. Acesso em: 15 out. 2019. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA PISCICULTURA PEIXE BR. Piscicultura brasileira produziu 722.560 toneladas em 2018, segundo levantamento da Peixe BR. 2019. Disponível em: < http://tecnicodeagronegocio.blogspot.com/2019/ 02/piscicultura-brasileira-produziu- 722560.html>. Acesso em: 15 dez. 2019. BARTOLOMEU, D. A. F. S. et al. Contaminação microbiológica durante as etapas de processamento de filé de tilápia (Oreochromis niloticus). Archives of Veterinary Science. Paraná. v.16, n.1, p.21-30, 2011.<https://www.peixebr.com.br/piscicultura- brasileira-produziu-722-560-toneladas-em- 2018-segundo-levantamento-da-peixe-br/>. Acesso em: 16 dez. 2019. BOARI, C.A. et al. Bacterial ecology of tilapia fresh fillets and some factors that can influence their microbial quality. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v.28, n.4, p.863-867, 2008. doi: 10.1590/S0101-20612008000400015. CASTILHO, I. G.; RALL, V. L. M. Qualidade microbiológica do ambiente e da tilápia-do- nilo (Oreochromis niloticus) produzida em sistema de tanques-rede no reservatório de chavantes, sp. 2012. 57 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ciências Biológicas, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Campus de Botucatu, Botucatu, 2012. Disponível em: <https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/1 1449/87790/castilho_ig_me_botib.pdf?sequence =1>. Acesso em: 21 dez. 2019. CASTRO, A. P. P. Avaliação das condições higienicossanitárias e análise de parâmetros microbiológicos e físico-químicos do pescado importado no Porto de Santos/SP. 2016. 73 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Medicina Veterinária e Zootecnia, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, São Paulo, 2016. Disponível em:
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