VOZ DAS CARROCINHAS, CRONISTA DA 
COMUNIDADE OU REI? ANÁLISE 
FOLKCOMUNICACIONAL DO SAMBA-BREGA 
PERIFÉRICO DE JOÃO DO MORRO 
Marcelo Sabbatini 
Universidade Federal de Pernambuco 
Rede Folkcom
Conceitos 
● Líder de opinião / ativismo midiático 
● Mediações culturais 
● Ressignificação 
● Desenvolvimento local
Uma polêmica tem assombrado os portais 
e editorias de conteúdo cultural da cidade 
do Recife. (...) A controvertida bola da vez 
enverga uma tez achocolatada distribuída 
em 1,86 m de altura e atende pela alcunha 
carinhosa de João do Morro, um homem 
que faz questão de não renegar sua 
origens. 
Sambista debochado e 
despretensiosamente pagodeiro de 
comunidade, o artista é egresso de Casa 
Amarela, um dos maiores bairros e 
aglomerados populacionais do Recife, 
cidade que se orgulha da profícua 
produção cultural que enverga desde 
tempos imemoriais
Conceitos 
● Líder de opinião / ativismo midiático 
● Mediações culturais 
● Ressignificação 
● Espaços e fluxos hegemônicos/populares 
● Desenvolvimento local
Relações de consumo 
● Não adianta comprar um celular /que bate foto, filma, 
baixa jogos na internet / com bluetooth, slim, 3G...Pra 
ligar 3 segundos?! / Já virou moda ter um celular / 
você encontra em qualquer lugar / seja um mendigo, 
carroceiro, papeleiro / maloqueiro, maconheiro / tem 
um celular / A moda agora é ter um celular / pra bater 
foto ou então filmar / mas no fim do mês / bota 10 ou 5 
conto / e não gasta 1 centavo na hora de telefonar / 3 
segundos.../ - Alô, amor, tas aonde? / - To saindo de 
casa pra ir pro pagode. Oh, não liga / pra mim pra 
falar 3 segundos, porque celular e mulher / é coisa pra 
quem pode.
Símbolos de identidade 
● Atenção quem dá chapinha, escova, henê, 
hairfly / Babosa, kolene, easy, biocolor, 
frizacolor, megahair / Guarnitina, banho zezé, 
óleo de tingir, anabel, gesebel / Banho de mel, 
escova de chocolate, progressiva, definitiva, / O 
gel de netinho, bobe, biliro, o lencinho dona 
florinda, / Quando chove é um corre, corre, tem 
mulher que levanta a blusa / Mostra o peito 
mas cobre o cabelo,
Sexualidade e GLSBT 
● a galera viajou / no babado dos boyzinho / teve 
caso que acabou / outros tão no sapatinho / se 
encontrando nas boates / em qual delas eu não 
sei / eu não tenho preconceito / se você olhar 
direito / hoje em dia o mundo é gay / é 
boyzinho com boyzinho / e boyzinha com 
boyzinha / é todo mundo se beijando / se 
amando, se abraçando e fazendo / frentinha.
"Dupla Exploração" 
● Papa frango / Ei boyzinho, você é papa 
frango! / Ei boyzinho, olha, deixa do teu caor! 
(sic)/ Ei boyzinho, essa camisa, essa 
bermuda! / Ei boyzinho, foi o seu frango que 
comprou! / Eu boyzinho, olha, não diga que é 
mentira! / Ei boyzinho, porque o frango me 
contou / Ei boyzinho, que você além de papa 
frango / Ei boyzinho, é papa frango e gigolô!
Problemas sociais 
● Chegado, espera mais um pouco pra gente 
ficar noiado, / eu tô esperando chegar o avião, 
que saiu de bike / pra comprar faz um tempão. / 
É sempre assim, seja em santo amaro ou na 
ilha do maruim, / nos coelhos la no coque ou no 
alto do pascoal, / é talco quento brita e sucesso 
na moral,
● Dizem que negão gosta de galega / e que a 
galega adora um negão / quem quiser ficar 
comigo, não tem isso não / Entre um casal tem 
que haver respeito / não importa a raça, não 
importa a cor / pois o que vale na vida é o amor 
/ O que mais se vê é falta de respeito / muito 
preconceito, o povo a falar / escuta essa 
história que eu vou contar / Uma mulher branca 
engravidou de um negro / o povo da rua a se 
perguntar: esse menino, como será? / Pegue 
uma galega e misture com um negão / Não vai 
nascer uma zebra, Você vai ver no que vai dar / 
Vai nascer, vai nascer um sarará / sarará, 
sarará, um menino sarará / (…) / E o nome dele 
é biro-biro / biro-biro, biro-biro, biro, é biro-biro.
Economia da comunicação 
● Deixa os meninos trabalhar com dignidade / 
Deixa que a carroça da galera é o ganha pão / 
Olha se os caras não vendessem meu CD / Se 
os caras não botasse pra moer / Eu não tava 
nessa mídia que eu to hoje não
"Midiologia" 
● A turma passa anos e anos estudando numa 
faculdade / pra ser um jornalista / daquele que 
dá notícia, fala mal ou bem (...) o jornalista tem 
uma vida babada, é muita fechação / nos 
bastidores da mídia, é vida louca, rola groove e 
rola pegação / e a putaria começa quando a 
turma se reúne e sai pra beber a turma fuma 
um charubeck pra tirar o stress e espairecer / 
(...) eu tô tirando essa onda, / só espero que 
ninguém se queixe / jornal ou revista, o destino 
é limpar bunda ou enrolar peixe.

Bora catucar? Análise folkcomunicacional do samba-brega periférico de João do Morro na perspectiva do desenvolvimento local

  • 1.
    VOZ DAS CARROCINHAS,CRONISTA DA COMUNIDADE OU REI? ANÁLISE FOLKCOMUNICACIONAL DO SAMBA-BREGA PERIFÉRICO DE JOÃO DO MORRO Marcelo Sabbatini Universidade Federal de Pernambuco Rede Folkcom
  • 2.
    Conceitos ● Líderde opinião / ativismo midiático ● Mediações culturais ● Ressignificação ● Desenvolvimento local
  • 3.
    Uma polêmica temassombrado os portais e editorias de conteúdo cultural da cidade do Recife. (...) A controvertida bola da vez enverga uma tez achocolatada distribuída em 1,86 m de altura e atende pela alcunha carinhosa de João do Morro, um homem que faz questão de não renegar sua origens. Sambista debochado e despretensiosamente pagodeiro de comunidade, o artista é egresso de Casa Amarela, um dos maiores bairros e aglomerados populacionais do Recife, cidade que se orgulha da profícua produção cultural que enverga desde tempos imemoriais
  • 4.
    Conceitos ● Líderde opinião / ativismo midiático ● Mediações culturais ● Ressignificação ● Espaços e fluxos hegemônicos/populares ● Desenvolvimento local
  • 5.
    Relações de consumo ● Não adianta comprar um celular /que bate foto, filma, baixa jogos na internet / com bluetooth, slim, 3G...Pra ligar 3 segundos?! / Já virou moda ter um celular / você encontra em qualquer lugar / seja um mendigo, carroceiro, papeleiro / maloqueiro, maconheiro / tem um celular / A moda agora é ter um celular / pra bater foto ou então filmar / mas no fim do mês / bota 10 ou 5 conto / e não gasta 1 centavo na hora de telefonar / 3 segundos.../ - Alô, amor, tas aonde? / - To saindo de casa pra ir pro pagode. Oh, não liga / pra mim pra falar 3 segundos, porque celular e mulher / é coisa pra quem pode.
  • 6.
    Símbolos de identidade ● Atenção quem dá chapinha, escova, henê, hairfly / Babosa, kolene, easy, biocolor, frizacolor, megahair / Guarnitina, banho zezé, óleo de tingir, anabel, gesebel / Banho de mel, escova de chocolate, progressiva, definitiva, / O gel de netinho, bobe, biliro, o lencinho dona florinda, / Quando chove é um corre, corre, tem mulher que levanta a blusa / Mostra o peito mas cobre o cabelo,
  • 7.
    Sexualidade e GLSBT ● a galera viajou / no babado dos boyzinho / teve caso que acabou / outros tão no sapatinho / se encontrando nas boates / em qual delas eu não sei / eu não tenho preconceito / se você olhar direito / hoje em dia o mundo é gay / é boyzinho com boyzinho / e boyzinha com boyzinha / é todo mundo se beijando / se amando, se abraçando e fazendo / frentinha.
  • 8.
    "Dupla Exploração" ●Papa frango / Ei boyzinho, você é papa frango! / Ei boyzinho, olha, deixa do teu caor! (sic)/ Ei boyzinho, essa camisa, essa bermuda! / Ei boyzinho, foi o seu frango que comprou! / Eu boyzinho, olha, não diga que é mentira! / Ei boyzinho, porque o frango me contou / Ei boyzinho, que você além de papa frango / Ei boyzinho, é papa frango e gigolô!
  • 9.
    Problemas sociais ●Chegado, espera mais um pouco pra gente ficar noiado, / eu tô esperando chegar o avião, que saiu de bike / pra comprar faz um tempão. / É sempre assim, seja em santo amaro ou na ilha do maruim, / nos coelhos la no coque ou no alto do pascoal, / é talco quento brita e sucesso na moral,
  • 10.
    ● Dizem quenegão gosta de galega / e que a galega adora um negão / quem quiser ficar comigo, não tem isso não / Entre um casal tem que haver respeito / não importa a raça, não importa a cor / pois o que vale na vida é o amor / O que mais se vê é falta de respeito / muito preconceito, o povo a falar / escuta essa história que eu vou contar / Uma mulher branca engravidou de um negro / o povo da rua a se perguntar: esse menino, como será? / Pegue uma galega e misture com um negão / Não vai nascer uma zebra, Você vai ver no que vai dar / Vai nascer, vai nascer um sarará / sarará, sarará, um menino sarará / (…) / E o nome dele é biro-biro / biro-biro, biro-biro, biro, é biro-biro.
  • 11.
    Economia da comunicação ● Deixa os meninos trabalhar com dignidade / Deixa que a carroça da galera é o ganha pão / Olha se os caras não vendessem meu CD / Se os caras não botasse pra moer / Eu não tava nessa mídia que eu to hoje não
  • 12.
    "Midiologia" ● Aturma passa anos e anos estudando numa faculdade / pra ser um jornalista / daquele que dá notícia, fala mal ou bem (...) o jornalista tem uma vida babada, é muita fechação / nos bastidores da mídia, é vida louca, rola groove e rola pegação / e a putaria começa quando a turma se reúne e sai pra beber a turma fuma um charubeck pra tirar o stress e espairecer / (...) eu tô tirando essa onda, / só espero que ninguém se queixe / jornal ou revista, o destino é limpar bunda ou enrolar peixe.