CUIABÁ/2006
Introdução
Essa apostila foi elaborada com o objetivo de fornecer a Enfermeiros e Acadêmicos de
Enfermagem elementos para a aplicação do Processo de Enfermagem a partir da construção
de um referencial teórico embasado em teorias de enfermagem.
Em 2004, a utilizamos por ocasião da oficina realizada pela Escola de Saúde Pública do
Estado de Mato Grosso junto aos enfermeiros dos Hospitais Regionais, onde contei com a
colaboração da Enfª Idevania Geraldini Costa. Para subsidiar as oficinas promovidas pelo
COREN em 07 regiões do Estado fiz algumas adaptações em 2005. Nesta segunda revisão,
dispus novos textos para o estudo das teorias de enfermagem, e atualizei os diagnósticos de
enfermagem.
Esse material está assim organizado: primeira parte - coletânea de textos referente a
teorias de Enfermagem, a construção do marco referencial de Enfermagem e sua relação com
a Sistematização da Assistência de Enfermagem(SAE). Na segunda parte apresentamos os
aspectos éticos e legais relativos a SAE e na terceira parte descrevemos cada passo do
processo de enfermagem e propomos alguns exercícios.
Agradeço a todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para a elaboração
deste material, em especial as Enfas Geralda Lopes e Maria Yolanda e Silva.
As rápidas e contínuas mudanças no ambiente de cuidado de saúde Têm
grandemente aumentado as responsabilidades que a enfermeira de hoje
enfrenta.Para entender as responsabilidades, o planejamento e a
documentação do cuidado são essenciais para a satisfação das
necessidades do paciente e atendimento das obrigações legais. Assim,
conforme as enfermeiras trabalham colaborativamente com outras
disciplinas, para prestar o cuidado do paciente, nós precisamos continuar
a identificar e documentar as necessidades de cuidado de enfermagem
pelos pacientes, por meio do uso do processo de enfermagem e do
diagnóstico de enfermagem…O que está a frente da Enfermagem e do
Planejamento do cuidado?definitivamente um enorme, excitante e
preciso desafio (DOENGES, 2003) .
Sandra Regina Altoé
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PARTE 1
TEORIA DE ENFERMAGEM, MODELO CONCEITUAL E SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE
ENFERMAGEM
CAPÍTULO 1. ENFERMAGEM: DE SUA ESSÊNCIA AOS MODELOS DE ASSISTÊNCIA.
Teima Elisa Carraro
É difícil identificar e descrever
adequadamente as origens da Enfermagem, pois
temos poucos registros sobre as atividades a ela
relacionadas na antiguidade. Contudo, ela aparece
nos descobrimentos arqueológicos e antropológicos
desta época, mostrando cuidados com as crianças e
a importância destas crianças para a sobrevivência
da espécie humana. Logo, demonstram a
importância do cuidado de Enfermagem mantendo
a vida.
Muitas vezes, neste processo evolutivo, torna-
se difícil distinguir a Enfermagem da Medicina, até porque os primórdios das duas profissões
estão intimamente entrelaçados. Em algumas épocas, como a hipocrática, por exemplo, a
Medicina era exercida sem a Enfermagem; já na Idade Média, a Enfermagem era praticada
sem a Medicina. Sem dúvida, a mãe-enfermeira precedeu ao mago-sacerdote ou ao
curandeiro. Inclusive, é possível que estes dois serviços estivessem unidos inicialmente, tendo-se
dividido, com o tempo, dando lugar a duas profissões relacionadas à arte da cura: o
fornecedor da Medicina e o cuidador, ou seja, o médico e a enfermeira (Stewart & Austin
citados por Donahue, 1993).
A Enfermagem tem sido considerada a mais antiga das artes e a mais jovem das
profissões. Atravessou várias fases, sempre participando dos movimentos sociais. A história da
Enfermagem tem sido a história de um grupo profissional, cujo status sempre vem marcado
pelas linhas prevalentes da humanidade. Os momentos decisivos da história também o são
para a Enfermagem. Os acontecimentos que provocam consideração pelos seres humanos
tendem a promover atitudes como as da Enfermagem, atitudes fundamentalmente
humanísticas (Dock & Stewart citados por Donahue, 1993).
Podemos facilmente nos lembrar dos acontecimentos da Guerra da Criméia e
relacioná-los a Florence Nightingale. Então, fica claro outro aspecto marcante na Enfermagem:
sua relação com a história da mulher; pela predominância feminina e pela atuação voltada ao
cuidado, a história da Enfermagem reflete a situação da mulher através dos tempos. De acordo
com Donahue (1993, p. 3), durante os períodos em que a mulher esteve rigorosamente
confinada ao lar por imposições sociais e suas energias se dirigiram exclusivamente à vida
familiar, a Enfermagem adotou um caráter de arte doméstica. Os deveres da mulher, seu grau
de independência econômica, sua liberdade fora da família e outros fatores tiveram uma
influência capital no progresso da Enfermagem.
Esta forte relação entre a Enfermagem e a mulher, mais especificamente a mulher-mãe,
perpetuou a idéia de que a Enfermagem só poderia ser exercida por mulheres, o que até os
dias de hoje gera muitos preconceitos e influencia na escolha da profissão. A Enfermagem, no
entanto, não inclui fronteiras sexuais; tanto homens como mulheres possuem uma tendência
natural de agir frente ao processo saúde-doença, seja se afastando, seja ignorando, seja
agindo junto ao outro. Assim, a Enfermagem é uma profissão que pode ser exercida por ambos
os sexos.
À medida que os cuidados de Enfermagem foram ficando mais complexos, ficou claro
que para realizá-los era necessário mais que a simples motivação, até então suficiente. O amor
e a dedicação não bastavam por si sós para fomentar a saúde e vencer a doença. O
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desenvolvimento da Enfermagem dependia de outros dois fatores: a habilidade/experiência e
o conhecimento. A destreza manual para a execução de determinados procedimentos,
realidade inclusive nas tribos primitivas, seguiu aperfeiçoando-se por meio da experiência. À
medida que se dispunha de mais detalhes sobre o processo saúde-doença, surgia a
necessidade de mais conhecimento (Dock & Stewart, referidos por Donahue, 1993).
A cabeça, o coração e as mãos se uniram firmemente para assentar os alicerces da
Enfermagem moderna. Estes três elementos essenciais corresponderiam à ciência, à alma e à
habilidade da Enfermagem e, inclusive, em outro contexto, seriam sinônimos dos aspectos
teórico, prático e ético-moral da profissão (Stewart, apud Donahue, 1993).
O conhecimento dos fatos e princípios proporcionou o impulso para que a Enfermagem
se convertesse tanto em uma arte quanto em uma ciência (Dock & Stewart, referidos por
Donahue, 1993).
Tratando-se da Enfermagem moderna, percebemos que Nightingale corrobora o acima
exposto, ao salientar que à Enfermagem cabia o cuidado com o doente e que a Medicina
tratava a doença. Ressaltou a importância da Enfermagem ao doente" e da "Enfermagem
saudável" e em ambas incluiu medidas de prevenção e de promoção à saúde. Para ela,
"Enfermagem era 1mbos, uma arte e uma ciência, e requeria uma organização científica, e
educação formal, para cuidar dos sofrimentos das doenças" (Nightingale, 893/1949, apud Reed
e Zurakowski, 1983, p. 13, Carraro, 1994). A princípio Nightingale julgava que “para aliviar o
sofrimento do próximo bastavam a ternura, a simpatia e a paciência”. Mas agora a sua curta
experiência lhe mostrava que só os conhecimentos especializados poderiam trazer o alívio"
(Woodham-Srnith, 1951, p. 143).
Da sua Essência
Japiassu e Marcondes (1991) registram que essência é o ser mesmo das coisas, aquilo
que a coisa é, ou o que faz dela aquilo que ela é. Para Ferreira (1986), essência significa aquilo
que constitui a natureza do ser, o principal, o cerne.
De acordo com Donahue, a essência da Enfermagem "reside na imaginação criativa,
no espírito sensível e na compreensão inteligente, que constituem o fundamento real dos
cuidados de Enfermagem eficazes". Para Florence Nightingale, a Enfermagem "...é uma arte;...
[...]... poder-se-ia dizer a mais bela das artes" (Seymer, [19--], p. 106). Ela salientava que a arte
da Enfermagem deveria incluir condições que, por si mesmas, tomassem possível a assistência
de Enfermagem. Referia-se à enfermagem como a arte de cuidar dos doentes (1859/1989, p.
15). Não explicou o que entendia por arte, porém em todos os momentos deixa esse conceito
transparecer (Carraro, 1994).
Vemos que a arte se expressa na Enfermagem principalmente através da sensibilidade,
da criatividade/imaginação e da habilidade, como instrumentos para a assistência de
Enfermagem. A sensibilidade nos leva a perceber e externar nossos sentimentos e, por outro
lado, é ela que nos possibilita perceber, entender e respeitar os sentimentos do outro. A
criatividade/imaginação se complementam e nos conduzem a pensar, inventar, figurar em
espírito, com bases na sensibilidade. E é nesse lento que a habilidade se configura como
aptidão ou capacidade para desenvolver algo, contemplando também a inteligência e a
perspicácia, (se articulam no conjunto dos componentes já explicitados da arte) um todo
(Carraro. 1994).
A ciência se evidencia através da aplicação de conhecimentos sistematizados
instrumentalizados pela arte.
O Resgate do Modelo Nightingaleano de Assistência
A história da Enfermagem nos mostra a evolução de um fazer
intuitivo - como o é o cuidado da mulher-mãe com o seu recém
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nascido, a um fazer reflexivo. Registra que a prática pré-nightingaleana era desenvolvida sem
um referencial e que as pessoas que a exerciam não eram preparadas para tal.
A questão teórica na profissão nasce em Florence Nightingale, quando ela apresenta
suas reflexões e diz que a Enfermagem é diferente da Medicina e que portanto, é necessário
estudar e estruturar as maneiras de fortalecer nos indivíduos suas potencialidades naturais para
que, por sua própria força, se opere a cura. Com esta proposição, ela afirma a importância de
um trabalho dirigido por conhecimentos gerais e específicos que toda enfermeira deve possuir
(Leopardi. 1999, p. 8).
A própria Florence Nightingale, após buscar conhecer o que se praticava na
Enfermagem, afirmou que só conhecimentos especializados poderiam trazer resultados
satisfatórios e que ela iria fazer um curso de Enfermagem. Essa breve retrospectiva mostra-nos
um crescente do empírico para o científico. A partir da atuação de Florence Nightingale e da
consequente instituição da Enfermagem moderna determinou-se um contraste entre a prática
da Enfermagem exercida por pessoas preparadas para tal e a prática anterior. Nightingale,
embora de forma empírica e sem consciência desse fato, principalmente no que se refere às
visões atuais, atuou embasada num Modelo de Enfermagem. Para Marriner-Tomey (1994), um
modelo é uma idéia que explica por meio de visualização física ou simbólica. Os modelos
simbólicos, para ela, podem ser verbais, esquemáticos ou quantitativos. Os verbais são
enunciados construídos com palavras; os esquemáticos podem ser diagramas, gráficos,
desenhos ou imagens; e os quantitativos se embasam em símbolos matemáticos. Os modelos
servem para facilitar o raciocínio dos conceitos e das relações existentes entre eles ou, ainda,
para delinear o processo de assistência de Enfermagem.
Segundo Selanders (1995), o Modelo de Enfermagem de Nightingale descreve como
uma enfermeira deve implementar as leis naturais, as quais permitem que os conceitos pessoa,
ambiente, saúde-doença e Enfermagem interajam. Seu modelo foi adotado não apenas na
Inglaterra, seu país de origem, mas difundiu-se pelo mundo afora, influenciando diretamente o
desenvolvimento da Ciência da Enfermagem.
Nightingale defendia que, embora o médico e a enfermeira possam lidar com a mesma
população, a Enfermagem não deve ser vista como subserviente à Medicina; ao contrário, a
Enfermagem objetiva descobrir as leis naturais que auxiliarão a colocar o enfermo na melhor
condição possível, a fim de que a natureza possa efetuar a cura (Selanders, 1995).
Antigamente, a Medicina procurava ver o homem integral, respeitando suas crenças e
valores. Hipócrates (460 a 475 a.C.) dizia que "o conhecimento do corpo é impossível sem o
conhecimento do homem como um todo". Naquela época, Hipócrates, pressupondo que
cada doença tinha uma causa natural e que sem causas naturais nada acontecia,
abandonou as explicações sobrenaturais da doença.
Com o desenvolvimento da Medicina, estes princípios foram, aos poucos, sendo
deixados de lado, e o seu enfoque passou a ser "nas noções do corpo como máquina, da
patologia como uma avaria nesta máquina e da tarefa do Médico como o concerto desta
máquina" (Engel apud Capra, 1982, p. 116). Ao mudar seu enfoque, a Medicina passa a centrar
suas atenções na cura, pois se a patologia é considerada um fenômeno orgânico redutível a
processos físicos/químicos, o saber médico tinha o poder de curar.
As atitudes médicas frente ao "corpo máquina" portador de uma doença foram
reforçadas pelos avanços tecnológicos, os quais cada vez mais separam o profissional médico
dos clientes. O avanço dos estudos e a tecnologia vêm reforçando o poder de cura outorgado
à Medicina (Capra, 1982). Este modelo concede ao Médico o poder de decisão, tanto da
assistência prestada, seja ela médica seja de outra categoria profissional, quanto sobre o
destino dos pacientes.
Apesar da posição de Nightingale, os rumos na área da saúde levaram a Enfermagem a
adotar o modelo biomédico (Carraro, 1999), o qual permeia sua prática até os dias atuais,
determinando um distanciamento de suas metas originais, passando a existir centrado na
prescrição médica. No entanto, podemos perceber que atualmente este modelo biomédico
não responde mais às necessidades do ser humano na vivência do processo saúde/doença. Ele
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não quer mais ser visto em pedaços, mas sim como "um ser singular, integral, indivisível,
insubstituível, pleno na sua concepção de interagir com o mundo; interage com o meio
ambiente, onde são expressas crenças e valores que permeiam suas ações" (Carraro, 1997, p.
26).
No momento em que a Enfermagem voltar-se para seus modelos de assistência e
assumir sua essência será uma profissão que responderá às necessidades do ser humano e que
articulará ciência e arte, tendo assim visibilidade.
Do Modelo Nightingaleano à Diversidade de Modelos de Assistência.
O resgate do modelo nightingaleano vem
acontecendo há alguns anos. A primeira Enfermeira a publicar
pós-Nightingale foi Hildegard Peplau, que, em 1952, lançou o
livro Relações Interpessoais em Enfermagem. Peplau tomou-se
um marco histórico para a Enfermagem dos anos 50. Naquela
década iniciaram-se os cursos de Mestrado nos Estados Unidos
da América, dando novo ímpeto à profissão, deflagrando a
época das Teorias de Enfermagem.
Segundo Leddy e Pepper (1993), a ciência da
Enfermagem tem sido derivada principalmente das teorias
sociais, biológicas e médicas. Todavia, depois de 1950, grande
número de enfermeiras teoristas tem desenvolvido modelos de
Enfermagem que oferecem suporte para o desenvolvimento
das teorias de Enfermagem e do conhecimento de Enfermagem.
Este novo conhecimento posto, de algum modo, aponta como principal preocupação
não a patologia, mas o indivíduo, doente ou não, experenciando o processo saúde-doença,
com o enfoque na promoção do bem-estar e da saúde.
Destaca-se no Brasil a atuação de Wanda de Aguiar Horta no que se refere à difusão
das Teorias de Enfermagem. Nascida em 1926, em Belém do Pará, graduou-se em Enfermagem
pela Escola de Enfermagem da USP em 1948 e doutorou-se em 1968, na Escola Ana Néri. Em
1979, publica seu livro baseado na Teoria das Necessidades Humanas Básicas, de Maslow, e, a
partir daí, operacionaliza um Processo de Enfermagem. Existe atualmente uma discussão sobre
se os escritos de Horta configuram uma teoria ou um processo de Enfermagem. Chegar a uma
conclusão a respeito é tarefa muito difícil face à grande diversidade de paradigmas existentes;
porém é inegável o grande avanço que seus escritos trouxeram para o desenvolvimento da
Enfermagem brasileira, até porque a grande maioria dos Cursos de Graduação em
Enfermagem adotou-os como base para a aprendizagem da Metodologia da Assistência de
Enfermagem (Carraro, 1998). Certamente sua proposta nos mostra um Modelo de Assistência.
Atualmente, a influência das Teorias e dos Modelos de Assistência de Enfermagem é
evidente no contexto da Enfermagem brasileira, pois estão cada vez mais difundidos, tanto na
prática da Enfermagem quanto na formação de profissionais enfermeiros.
Modelos de Assistência são representações do mundo vivido expressas verbalmente, ou
por meio de símbolos, esquemas, desenhos, gráficos, diagramas. Seu objetivo é direcionar a
assistência de Enfermagem, oferecendo ao enfermeiro os subsídios necessários para sua
atuação.
Segundo Keck (1989), as teorias são modelos da realidade, em geral realidades não-
observáveis diretamente. Os modelos ajudam a desenvolver as teorias e a explicitar a relação
existente entre os conceitos. Até porque os modelos permitem a manipulação dos conceitos
sobre o papel antes de serem submetidos à verificação no mundo real.
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Um modelo é uma abstração da realidade, um modo de visualizar a realidade,
facilitando o raciocínio. Um modelo conceitual mostra-nos como vários conceitos são inter-
relacionados e aplica teorias que predizem ou avaliam conseqüências de ações alternativas
(Leddy e Pepper, 1993).
Fawcett (1992) salienta a utilidade dos modelos conceituais para a organização do
pensamento, da observação e da interpretação do que se vê. Eles também provêem uma
estrutura sistematizada e racional para o desenvolvimento das atividades.
Modelos de Enfermagem incluem conceitos de ser humano, Enfermagem, saúde-doença e
ambiente (Fitzpatrick e Whall, 1983; Fawcett, 1992).
Na Enfermagem ou mesmo em outra área do conhecimento, agimos de acordo com
um método, seguimos um modelo, mesmo que dinâmica e inconscientemente. Se prestarmos
atenção à nossa rotina, observaremos que na maioria das vezes agimos de maneira
semelhante todos os dias, repetindo ações, desde a mais simples até a mais complexa. E temos
um motivo para isso: realizamos as atividades pautadas em conhecimentos empíricas,
aprendidas no dia-a-dia com rotinas preestabelecidas, ou embasados cientificamente, e as
repetimos cada vez que agimos. Muitas vezes fazemos isto sem refletir a respeito, sem procurar
modos mais eficientes, sem buscar a atualização do conhecimento, sem nos lembrarmos da
velocidade e do dinamismo com que o conhecimento avança na atualidade.
Este método de que lançamos mão visa organizar e direcionar nosso desempenho;
embora num primeiro momento possa parecer complexo após estarmos familiarizados com
este processo, ele passa a facilitar nosso trabalho, assegurando maior qualidade à assistência
prestada.
Segundo Pollit e Hungler (1995), o método científico combina aspectos do raciocínio
lógico com outros, para criar um sistema de solução de problemas que, embora falível, é mais
confiável do que a tradição, a autoridade, a experiência ou a tentativa e erro por si sós.
Assim, um modelo de assistência embasado cientificamente conduz-nos ao fazer
reflexivo, a estar sempre buscando a melhoria da assistência prestada. Leva-nos a refletir: que
Enfermagem é esta que estou desenvolvendo? Quem é o ser humano que estou assistindo? O
que é o processo saúde-doença a que o ser humano está exposto? E o meio ambiente, o que
é?
Os modelos de assistência nos auxiliam a perceber que praticar Enfermagem não é
simplesmente uma ordenação de procedimentos mais ou menos constantes, dependendo da
situação. Ela é um processo dinâmico, mutável e criativo, mas nem por isso deixa de ser um
processo conhecível, objetivo, programável e decifrável. Desta forma, quanto mais claro estiver
o referencial teórico do modelo aplicado, maior será a segurança e a realização profissional do
Enfermeiro, maior será o direcionamento da equipe de Enfermagem, culminando com uma
assistência de Enfermagem adequada às necessidades apresentadas pelo ser humano
assistido.
Por outro lado, a qualidade da Assistência de Enfermagem prestada depende da
equipe, liderada e coordenada pelo Enfermeiro. Os modelos de assistência instrumentalizam o
planejamento científico e sistematizado das ações a serem desenvolvidas pelos integrantes da
Equipe de Enfermagem, oferecendo suporte e direcionando o desempenho das atividades.
Contribuem para a credibilidade e visibilidade da Enfermagem.
O desenvolvimento da profissão de Enfermagem através dos tempos ainda não
alcançou sua maturidade. Continua crescendo e desenvolvendo-se, a fim de ampliar as esferas
de serviços e práticas profissionais, aumentando suas responsabilidades. Sem dúvidas, a cada
dia a Enfermagem se supera, criando, agregando novos conhecimentos e indo além na
certeza de que é uma Ciência e uma e Arte inacabada e crescente...
Refletindo
Para praticar enfermagem necessitamos:
• Conhecer e prosseguir conhecendo os fundamentos e avanços da profissão.
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• Ter clareza sobre a fonte de onde esta prática se origina.
• Reconhecer as premissas e conceitos do modelo eleito para prestar assistência.
• Estar atentos aos aspectos teóricos, práticos e ético-morais da profissão.
• Ser coerentes entre a necessidade e a finalidade da assistência.
• Ser coerentes entre no que pensamos, falamos e fazemos Saber avaliar e retro-alimentar
nossa prática.
• Ter bom senso para usar a cabeça, o coração e as mãos Conciliar ciência, alma e
habilidade.
• Ser artistas e ao mesmo tempo cientistas.
Para praticara arte da enfermagem necessitamos (Buscaglia 1972):
• Tempo.
• Compreensão da arte.
• Sensibilidade para utilizar o material necessário.
• Extrema paciência... enquanto aprendemos as habilidades básicas.
Praticar a arte da Enfermagem inclui o desejo de:
Experimentar, fracassar, arriscar... Conhecer frustração e mesmo o desespero...
Antes de poder abandonar técnicas aprendidas mecanicamente. Projetar-se,
plenamente, na própria criação.
2. TEORIAS E MARCO CONCEITUAL: SUA INFLUÊNCIA NA METODOLOGIA DA ASSISTÊNCIA.
Teima Elisa Carraro
A história registra que a Enfermagem pré-
nightingaleana era desenvolvida sem um referencial,
que as pessoas que a exerciam não eram
preparadas para tal e, ainda, que seu resultado
deixava muito a desejar.
A partir da vivência de Nightingale, a
Enfermagem passa a ser denominada científica,
passando a apresentar um modelo de assistência por
ela desenvolvido e implementado.
As crenças de Nightingale a respeito da
Enfermagem, o que é e o que não é, formam o
fundamento do que escreveu em suas "Notas sobre
Enfermagem”.Sua contribuição ao desenvolvimento
das teorias está em explicar o campo de ação da
Enfermagem, como a relação paciente/meio
ambiente, e em iniciar as análises estatísticas para a
saúde e a Enfermagem profissional (Choi, 1989).
Sua educação meticulosa, vinda de seu pai, um homem culto formado em Cambridge
e Edimburgo, era pouco comum para uma mulher do século XIX. Estudou latim, grego, línguas
modernas, artes, matemática e estatística, filosofia, história e religião. Sua educação e os
acontecimentos da época estimularam seu pensamento crítico, levando-a a interessar-se por
política, economia, governo, liberdade, condições sociais e instituições. Leu e citou em seus
escritos: Platão, Dante, Mill, Bacon, Locke, Newton, Kant, Hegel, Comte e São João. Por outro
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lado era tímida e espiritualista. Acreditava que servindo ao homem estava servindo a Deus, o
que a impulsionava a fazer seu caminho, a ser independente, a buscar uma profissão para
utilizar sua capacidade (Carraro, 1999). Esta educação influenciou seu pensamento e sua
concepção da Enfermagem como ciência e arte, subsidiando e determinando a prática da
profissão.
Nightingale deixou-nos suas concepções registradas em I47 livros e
panfletos. Sua correspondência pessoal também foi volumosa. Em 1859
publicou dois de seus "Best-Known": Notes on Hospitais e Notes um Nursing,
livros que abriram uma nova época na reforma e no cuidado com a
saúde (Schuyler, 1992). No entanto, a Enfermagem tem apresentado
dificuldades em seguir seu exemplo no tocante a teorizar, escrever e
publicar idéias e realizações.
A fundamentação teórica e a vivência de Nightingale influenciaram seus escritos e
ainda estão presentes em muitas teorias de Enfermagem mais recentes. Este é um elo
importante entre a Enfermagem Ciência e Arte de Florence Nightingale e a Enfermagem atual.
Em sua visão e saber, incluem-se insight e valores antigos que se relacionam com a teoria do
cuidado humano atual, teoria que uma vez mais guia a educação de Enfermagem, a prática e
a investigação clínica que se baseia no cuidado como um ideal moral; teoria que permeia o
espiritual, o transcendente, o todo, enquanto atende o ser e fazer, totalmente integrados. A
visão e saber de Nightingale incluem a visão e a imagem de totalidade, beleza e harmonia de
vida, um sentido de união de todos os seres vivos (Watson, 1992).
1. Das Teorias de Enfermagem
O interesse pelo desenvolvimento de Teorias de Enfermagem surgiu por duas razões.
Primeiramente, as enfermeiras perceberam que o desenvolvimento de teorias era um meio de
estabelecer a Enfermagem como profissão, além de ser inerente a um antigo interesse em
definir um corpo de conhecimentos específicos da Enfermagem. Em segundo lugar, os teóricos
estavam motivados pelo valor intrínseco das teorias para a Enfermagem e pela importância do
crescimento e enriquecimento da teoria para a Enfermagem em si mesma (Choi, 1989).
Com o passar dos tempos, na busca de maiores subsídios para a atuação de
Enfermagem, surgiram novas teorias e novos modelos de assistência, inicialmente nos Estados
Unidos, onde esta preocupação tomou força com o surgimento dos cursos de mestrado em
Enfermagem, expandindo-se depois para outros países.
No Brasil, em 1979, Wanda de Aguiar Horta publica sua teoria, baseada na Teoria das
Necessidades Humanas Básicas, de Maslow, e a partir daí operacionaliza um Processo de
Enfermagem. Seus escritos foram adotados por grande parte dos Cursos de Graduação em
Enfermagem, como base para a aprendizagem da Metodologia da Assistência.
Considerando-se teoria como "... um conjunto de princípios fundamentais duma arte ou
duma ciência" (Ferreira, 1993, p. 1664), percebe-se de forma crescente a influência das teorias
no contexto da Enfermagem brasileira, pois sua difusão cada vez mais transparece tanto na sua
prática quanto na formação de profissionais enfermeiros.
Teoria de Enfermagem é definida por Meleis (1985) como uma construção articulada e
comunicada da realidade criada ou descoberta (fenômenos centrais e inter-relações) dentro
da ou pertinente à Enfermagem, para os propósitos de descrição, explicação, predição ou
prescrição do cuidado de Enfermagem. Ainda, segundo a autora, as teorias de Enfermagem
refletem diferentes realidades, pois apontam os interesses da Enfermagem na época, o
ambiente sociocultural e as experiências educacionais e vivenciais da teórica. Espelham
algumas realidades da época em que foram concebidas e ajudam a dar forma às realidades
da época atual.
De acordo com Neves e Trentini (1987), a teoria orientada para a prática é aquela
dirigida para produzir mudanças ou efeitos desejados em determinada condição ou fenômeno.
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Assim, as teorias se apresentam como formas de olhar/compreender os fenômenos da
Enfermagem. Alguns fenômenos são abordados em praticamente todas as teorias de
Enfermagem, porque representam o centro da sua prática, tais como o ser humano, o
ambiente, a saúde/doença e a Enfermagem. Estes fenômenos compõem uma rede de
conceitos que se inter-relacionam e formam uma maneira de ver o mundo da Enfermagem e
desenvolver sua prática (Paim et al., 1998).
As teorias que hoje temos representam os esforços coletivos e individuais das Enfermeiras
para definir e dirigir a profissão e, como tal, proporcionar a base para um desenvolvimento
teórico continuado (Choi, 1989).
Ao representar estes esforços, as teorias mostram diferentes modos de pensar
Enfermagem, algumas apontando apenas um aspecto da realidade, outras apontando todos
os fenômenos de interesse da disciplina. Várias teorias utilizadas por Enfermeiros são cedidas por
outras disciplinas, como as teorias do estresse, do enfrentamento, do risco, da educação
(Fawcett, 1995).
É de fundamental importância que os Enfermeiros, ao fazerem a opção por uma ou
outra teoria, considerem a adequação e a aplicabilidade dela à situação de Enfermagem em
que será utilizada.
2. Marco Conceitual
Fawcett (1995) enfatiza que os marcos conceituais não são uma realidade nova na
Enfermagem; existem desde Nightingale (1859), com suas primeiras idéias avançadas sobre
Enfermagem, mesmo que não tenham sido expressas formalmente como marcos.
A proliferação formal dos marcos conceituais de Enfermagem aconteceu concomitante
à introdução das idéias sobre teorias de Enfermagem, ambas com interesse em conceitualizar a
Enfermagem como uma disciplina distinta. Para Fawcett (1995), o desenvolvimento dos
marcos conceituais de Enfermagem foi um importante avanço para a disciplina.
No entanto, este é um tema que vem gerando discussão e mostrando divergências
conceituais entre os estudiosos, principalmente no que se refere às terminologias de marco e
modelo, teórico e conceitual, conforme podemos ver a seguir:
Newman (1979) registra que Marco Teórico é uma matriz de conceitos que, juntos,
descrevem o foco da investigação.
De acordo com Fawcet (1984 e 1978), Modelo Teórico ou Marco Teórico refere-se a uma
teoria ou grupo de teorias que fornecem fundamentos para as hipóteses, políticas e currículo
de uma ciência.
Para Neves e Gonçalves (1984), Marco Conceitual é uma construção
mentalogicamente organizada, que serve para dirigir o processo da investigação e da ação.
Segundo Fawcet (1992) e Botha (1989), Marco Conceitual é sinônimo de Modelo Conceitual e é
definido como um conjunto de conceitos e proposições abstratas e gerais, intimamente
relacionados.
Em 1993, Silva e Arruda registram que o Marco de Referência apresenta nível de
abstração de menor complexidade do que os Marcos Conceituais/ Teorias, no que se refere a
sua construção teórico-conceitual. Tem a finalidade de demarcar o conhecimento em que se
apóia, servindo de base para as ações de Enfermagem (Silva e Arruda, 1993).
Na compreensão de Wall (2000), o Marco Conceitual é um conjunto de elaborações
mentais sobre aspectos relacionados ao objeto em estudo. Um ponto que serve como força,
como orientação. Uma proposta da qual queremos nos aproximar.
Apesar desta divergência conceitual, é fundamental que os enfermeiros compreendam
que os marcos e/ou modelos (Marco Conceitual, Modelo Conceitual, Marco Teórico, Modelo
Teórico), com suas diferenças e semelhanças, formam um emaranhado de conceitos inter-
relacionados que servem para direcionar as ações de Enfermagem. Podemos dizer que eles
iluminam os caminhos da Enfermagem.
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Em resumo, todos os termos utilizados visam aprofundar formas de dirigir a ação de
Enfermagem, pois buscam, por meio dos conceitos, formalizar uma construção
mentalogicamente organizada, que fundamente a ciência e, consequentemente, as ações de
Enfermagem.
3. Das Funções dos Marcos Conceituais.
Os Marcos/Modelos proporcionam ao profissional a evidência de que ele necessita para
embasar suas ações, apontando e justificando por que selecionar um determinado problema
para estudo. Ajudam na sumarização do conhecimento existente, na explicação dos fatos
observados e das relações entre eles.
De acordo com Neves e Gonçalves (1984), o Marco Conceitual contribui na previsão de
eventos até então não-observados e no estabelecimento de relações entre os eventos com
base nos princípios explicativos englobados nas teorias.
Fawcett (1995) salienta que os marcos direcionam a procura das questões sobre o
fenômeno e sugerem soluções para problemas práticos. Enfatiza que os marcos conceituais de
Enfermagem explicitam orientações filosóficas e pragmáticas para a assistência que somente
os Enfermeiros podem oferecer aos pacientes, por conhecerem a dimensão total do cuidado, o
qual é diferente daquele realizado por qualquer outro profissional de saúde.
O marco conceitual constitui uma construção teórica que sustenta a prática de
Enfermagem e as decisões no processo de assistir o ser humano. Ele reflete também a maneira
de o autor conceber os indicativos assistenciais da Enfermagem (Carraro, 1997).
Assim compreendido, o Marco Conceitual torna-se uma importante ferramenta para
embasar, direcionar e clarificar as ações, não apenas do Enfermeiro, mas de toda a equipe de
Enfermagem. Ele serve de base para a proposta e o desenvolvimento da Metodologia de
Assistência de Enfermagem, a qual deverá estar estruturada de forma coerente com seus
conceitos.
Tem a finalidade de proporcionar o foco que ilumina os caminhos a serem percorridos
pelo profissional para atingir seus objetivos assistenciais, formando um emaranhado, uma teia
dentro da qual a assistência, os aspectos teóricos, técnicos e éticos são examinados, a fim de
tomarem possível explicar as relações propostas e identificar vazios no conhecimento que
necessitam ser revelados, para ampliar continuamente as possibilidades de cuidado.
4. Da sua Construção
Todos nós temos uma imagem pessoal do que seja a prática da Enfermagem. Esta
imagem influencia nossa interpretação dos dados, decisões e ações. Mas pode uma disciplina
continuar desenvolvendo-se quando seus membros se sustentam em diferentes imagens? Os
proponentes dos marcos conceituais para a prática estão procurando fazer uso consciente
destas imagens, sem o que não poderemos começar a identificar semelhanças em nossas
percepções sobre a natureza da prática nem evoluir para conceitos bem ordenados (Reilly's,
citado por Fawcett, 1995).
Segundo King (1988), conceitos são abstrações que provêem conhecimento sobre a
essência das coisas. Um conceito é uma imagem mental de uma coisa, de uma pessoa ou de
um objeto. Para Chinn e Jacobs (1982), os conceitos são formulações mentais complexas de um
objeto, propriedade ou acontecimento, originárias das percepções e experiências individuais.
Os conceitos registram ainda as crenças e valores do autor sobre aquilo que está sendo
conceituado. Quando os conceitos são inter-relacionados, como no caso da Enfermagem, eles
formam uma base para as ações, seja na pesquisa, seja na prática profissional. A esta estrutura
pode-se chamar marco conceitual (Carrão, 19).
A construção de um Marco Conceitual pode partir da prática, da conceituação das
imagens privativas do Enfermeiro sobre a prática da Enfermagem vivenciada pelo autor,
baseada em suas crenças e valores, com a busca de subsídios na teoria. Nesta forma de
construção, primeiramente se elaboram os conceitos eleitos, registrando-se aquilo em que se
11
acredita sobre cada um deles, com leituras releituras e reformulações, até que reflitam os
pensamentos do autor. Pode-se usar a estratégia de discuti-los com a Equipe de Enfermagem
e/ou com outras pessoas. Somente após esta prévia estruturação dos conceitos busca-se uma
teoria que venha ao encontro das idéias ali expressas, potencializando-as. Então, incorporam-se
aos conceitos as idéias contidas na teoria.
Pode-se também partir da teoria. Contudo, antes de optarmos por uma teoria,
primeiramente é necessário estudá-la, procurando compreendê-la, buscando as relações entre
o que ela retrata, aquilo em que se acredita e a aplicação que se pretende fazer. Somente
após essa identificação é que deve ser feita a opção por uma determinada teoria. Então,
alguns dos seus conceitos são escolhidos para embasarem o Marco Conceitual e a prática da
Enfermagem.
Convém lembrar que a teoria escolhida não necessita ser especificamente de
Enfermagem. Existe ainda a possibilidade de se usar mais de uma teoria, porém com muita
cautela, pois as concepções teórico - filosóficas delas podem ser divergentes, comprometendo
assim toda a construção do Marco Conceitual e, consequentemente, a assistência de
Enfermagem a ser prestada.
A construção de um Marco Conceitual, partindo da prática ou partindo da teoria, é um
processo reflexivo que se configura num ir e vir aos conceitos, reformulando-os tantas vezes
quantas forem necessárias para que estes reflitam o pensamento do seu autor. Busca-se, ainda,
a inter-relação entre os conceitos de tal modo que, lendo-se um deles, os demais estejam
implícitos, mostrando forte relação entre si.
É importante ressaltar que, independentemente da forma de construção, o Marco
Conceitual deverá contemplar as especificidades da prática a que será aplicado, uma vez
que ele é um instrumento que subsidia a prática da Enfermagem (portanto, um meio e não um
fim em si mesmo, embasando a construção e o desenvolvimento da Metodologia da
Assistência de Enfermagem).
Após a construção do Marco Conceitual, passa-se a sua aplicação, para que deverão
ser buscados os elementos de cada conceito, as ações a que cada elemento conduz e a
estratégia para desenvolver cada ação. Esta operacionalização pode configurar-se como um
"mapa" da assistência a ser prestada, embasando a metodologia de assistência.
Como exemplo*, vai imaginar que, ao conceituar-se ser humano, esteja registrado que
ele é singular, integral, indivisível e insubstituível. As ações a que este registro conduz são ações
de humanização da assistência, e as estratégias poderão ser: chamar pelo seu nome, envolver
sua família na assistência, ouvir, tocar, entre outras.
Se o registro diz que a Enfermagem é uma ciência e uma arte, as ações deverão ser de
aplicação tanto do conhecimento científico quanto da sensibilidade. Imaginação/criatividade
e habilidade ao prestar cuidados. As estratégias deverão contemplar diálogo, observação e
desenvolvimento de técnicas específicas.
Enfim, o resultado final da Assistência prestada deverá refletir o Marco Conceitual
proposto, além de servir para confirmar / testar os conceitos formulados ou mesmo dar-lhes
novos direcionamentos e / ou reconstruções.
5. Algumas Considerações
A implementação da prática assistencial embasada num Marco Conceitual
proporciona uma perspectiva de assistência sistematizada e singular, um embasamento teórico
para o desenvolvimento da prática e, por meio desta, um enriquecimento da teoria, num
movimento de ir e vir.
No transcorrer da assistência evidenciam-se pontos do Marco Conceitual que a
subsidiam. Quando se inicia a implementação da prática subsidiada por um Marco Conceitual,
pode-se encontrar dificuldades, até por uma questão de hábito: "... O pensamento se
12
configura, mas a ação é tão automática que, quando percebemos, já a executamos, não
como a pensamos, mas como estávamos condicionados a fazer" (Carraro, 1994, p. 119).
Precisamos ter o Marco Conceitual introjetado em nós para conseguirmos vencer os
hábitos anteriores e avançar rumo a uma nova proposta de assistência, estando alertas para
nossas ações, até para não nos desanimarmos com o processo, pois aos poucos podemos
transpor as dificuldades de implementação que se apresentarem.
O Marco Conceitual, quando conscientemente aplicado, pouco a pouco vai
mostrando que o fazer, fazendo, aprendendo e teorizando à luz da prática concretiza-se no
dia-a-dia da assistência de Enfermagem. Enfim, conduz ao fazer reflexivo, proporcionando
satisfação na Prática Assistencial de Enfermagem, tanto para o profissional quanto para o ser
humano que está sob seus cuidados.
BILBIOGRAFIA
CARRARO&WESTPHALEN. Metodologias para a assistência de enfermagem: teorizações,
modelos e subsídios para a prática. Goiânia:AB, 2001. pág. 5-14 .
CARRARO&WESTPHALEN. Metodologias para p Assistência de Enfermagem: teorizações,
modelos e subsídios para a prática. Sobre teorias e marco conceitual: sua influência na
metodologia da assistência.Goiânia:AB, 2001. pág. 29-37.
13
CAPÍTULO 3. TEORIAS E METAPARADGMAS DE ENFERMAGEM.
1. NOÇÕES GERAIS SOBRE TEORIA
1.1. A LINGUAGEM DO PENSAMENTO TEÓRICO
“A unidade básica do pensamento teórico é o CONCEITO.
Os conceitos são palavras que representam a realidade e
facilitam a nossa capacidade de comunicação sobre ela.
(Webester, 1991)”.
Os conceitos podem ser:
EMPÍRICOS = sentidos percebidos, observados, OU
ABSTRATOS = não são observáveis. Ex. esperança, infinito.
“Todos os conceitos tornam-se abstrações na ausência do
objeto”.
TEORIAS
Conjunto de conceitos inter-relacionados, definições e proposições que apresentam
uma forma sistemática de ver fatos/eventos, pela especificação das relações entre as variáveis
com a finalidade de explicar ou prever o fato/evento. (Kerlinger, 1973).
1.2. NATUREZA CÍCLICA DA TEORIA
PRÁTICA  PESQUISA
 
TEORIA E CONCEITOS
1.3. CARACTERÍSTICA DE UMA TEORIA
Características de uma teoria segundo Torres, 1990:
1. as teorias podem inter-relacionar conceitos de tal forma que criem uma nova maneira
de ver determinado fenômeno.
2. as teorias devem ser de natureza lógica
3. as teorias devem ser relativamente simples e ainda generalizáveis
4. as teorias podem ser as bases para as hipóteses serem testadas ou para a teoria ser
expandida.
5. as teorias contribuem para o aumento do corpo de conhecimentos gerais da disciplina
através da pesquisa implementada para validá-las.
6. as teorias podem ser utilizadas por profissionais para orientar e melhorar a sua prática
7. as teorias devem ser consistentes com outras teorias validadas, leia e princípios, mas
devem deixar abertas as questões não-respondidas, que devem ser investigadas.
2. AS TEORIAS DE ENFERMAGEM ENFATIZAM QUATRO CONCEITOS:
• A PESSOA: pode representar um indivíduo, uma família, uma comunidade ou toda
humanidade. É aquele que recebe o cuidado de enfermagem.
• A SAÚDE: representa um estado de bem-estar decidido mutuamente pelo cliente e
enfermeiro.
• O AMBIENTE: pode representar os arredores imediatos, a comunidade ou o universo com
tudo que contém.
14
• A ENFERMAGEM: é a ciência e a arte da disciplina.
3. METAPARADIGMAS DE ENFERMAGEM
Com a finalidade de aprofundar as reflexões que faremos nesta oficina sobre a
Enfermagem, dispus o pensamento de várias teóricas sobre os metaparadigmas de
enfermagem: SER HUMANO, AMBIENTE, SAUDE/DOENÇA, ENFERMAGEM.
Esclareço que para a composição desse material, transcrevi na
íntegra os textos produzidos pelas autoras citadas na referência
bibliográfica.
Descrevemos no quadro 1, o enfoque geral das quatro categorias
de teorias de enfermagem e suas autoras, e no quadro 2, o tema central
de duas autoras de cada categoria de teoria de enfermagem, os
princípios em que se fundamentam, a fim de contextualizá-las no estudo
que faremos.
Quadro 1. Características gerais das teorias de enfermagem
CATEGORIAS DE
TEORIAS
CARACTERÍSTICA
TEÓRICAS DE ENFERMAGEM
1.NECESSIDADES
PROBLEMAS
Enfocam as necessidades e os problemas que os clientes têm, buscando preenchê-los
ou corrigi-los utilizando o Processo de Enfermagem.
 Nightingale, Abdellah, Henderson, Orem, Hall, Watson, Horta*
2.SISTEMAS Sugerem que o homem é composto de muitas partes ou subsistemas que, quando
juntos, são mais e diferentes do que sua soma.
 Johnson, Roy, Beth Newman, Levine, Leininger.
3.INTERAÇÃO Enfocam o processo de comunicação no preenchimento das necessidades do cliente.
 Peplau, Orlando, Wiedenbach, King, Paterson e Zderad, Erickson, Tomlin e Sawai,
Boykin e Schoenhofer.
4.CAMPO DE
ENERGIA
Acreditam que as pessoas são campo de energia em constante interação com o seu
ambiente ou com o universo.
 Rogers, Parse, Margareth Newman.
Fonte: GEORGE, Julia B. e colaboradores. Teorias de Enfermagem -os fundamentos à prática
profissional
15
Paradigma:
modelo ou
conjunto básico
de crenças que
orientam a ação,
a investigação da
disciplinada.
Quadro 2. Tema central das teóricas escolhidas para o estudo.
CATEGORIAS
DE TEORIAS
TEÓRICAS
NOME DA
TEORIA
TEMA CENTRAL
FUNDAMENTAÇÃO
PRINCÍPIOS
1.
NECESSIDADES
PROBLEMAS
DOROTHEA E.
OREM
Autocuidado
1971
A Enfermagem é necessária
sempre que a manutenção
contínua do autocuidado
requer o uso de técnicas
especiais e a aplicação de
conhecimentos científicos para
prover o cuidado ou
administrá-lo.
Teoria de Kortabisnk,
da ação eficiente,
1965.
Teoria da ação
social de Parson,
1968.
WANDA DE
AGUIAR HORTA*
Necessidades
Humanas
Básicas
1979
A Enfermagem como parte
integrante da equipe de saúde
implementa estados de
equilíbrio, previne estados de
desequilíbrio, e reverte
desequilíbrio em equilíbrio pela
assistência do ser humano em
suas necessidades básicas:
procura sempre reconduzi-lo à
situação de equilíbrio dinâmico
no tempo e espaço.
Teoria da
motivação Humana
de Maslow
(necessidades
humanas básicas)
Lei da homeostase
e do holismo.
Fonte: adaptado de ALMEIDA & ROCHA. O saber de enfermagem e sua dimensão prática.
CATEGORIAS
DE TEORIAS
TEÓRICAS
NOME DA
TEORIA
TEMA CENTRAL
FUNDAMENTAÇÃO
PRINCÍPIOS
2.SISTEMAS
MADELEINE M.
LEININGER
Teoria de
enfermagem
transcultural
1985
A Enfermagem é uma profissão
humanística e científica que é
apreendida e focalizada no
fenômeno do cuidado
humano e em atividades que
propiciem assistência, suporte,
facilitação e capacitação a
indivíduos, grupos, para manter
ou reaver o seu bem-estar, de
uma forma culturalmente
significativa e satisfatória.
Sociologia
Antropologia
cultural
MYRA ESTRIN
LEVINE
Holística
1969
A ação da Enfermagem está
baseada no cuidado total da
pessoa e, assim sendo, na
conservação dos princípios de
energia, integridade estrutural,
pessoal e social. Todos têm
como postulado a integridade
e unidade do indivíduo.
Biologia
Psicologia
Sociologia
Fonte: adaptado de ALMEIDA & ROCHA. O saber de enfermagem e sua dimensão prática.
16
CATEGORIAS DE
TEORIAS
TEÓRICAS
NOME DA
TEORIA
TEMA CENTRAL
FUNDAMENTAÇÃO
PRINCÍPIOS
3.INTERAÇÃO
IMOGENE M.
KING
Alcance dos
objetivos
1971
1981
A Enfermagem é um processo
de interação humana entre
enfermeira e cliente através do
qual um percebe o outro e a
situação: e, através da
comunicação, eles fixam os
objetivos, exploram os recursos,
concordam sobre meios para o
alcançarem os objetivos. É um
processo de ação, reação,
interação, transação.
Teoria de Sistemas
Sistemas pessoais,
interpessoais e
sociais
Psicologia
Teorias sociais
HELEN
ERICKSON,
EVELYN TOMLIN,
MARY ANN
SWAIN
Teoria do
Papel
modelagem
Concebem essa teoria para
compreender o modo como
clientes estruturam seu mundo.
A Enfermagem é um modelo
de autocuidado, baseado na
percepção e na adaptação
aos estressores.
Teorias de Erckson,
Maslow, Selyee,
Engel e piaget
Fonte: adaptado de ALMEIDA & ROCHA. O saber de enfermagem e sua dimensão prática
CATEGORIAS DE
TEORIAS
TEÓRICAS
NOME DA
TEORIA
TEMA CENTRAL
FUNDAMENTAÇÃO
PRINCÍPIOS
4.CAMPO DE
ENERGIA
MARTHA E.
ROGERS
Martha Rogers
1970
A ciência da Enfermagem é
dirigida para descrever o
processo vital do homem e
para explanar e predizer a
natureza e direção de seu
desenvolvimento. A
Enfermagem é uma ciência
humanística dedicada a um
interesse compassivo para
manter e promover a máxima
potencialidade de saúde do
homem que é um todo
unificado.
Fisiologia
Biologia
Psicologia
Antropologia
Sociologia
MARGARET
NEWMAN
1989
A Enfermagem não é promover
bem-estar ou prevenir doença,
mas ajudar a pessoa a usar o
próprio poder através de um
alto nível de consciência para
manter o processo vital
Idem
Fonte: adaptado de ALMEIDA & ROCHA. O saber de enfermagem e sua dimensão prática.
17
METAPARADGMAS DE ENFERMAGEM
TEORISTAS ORIENTADAS PARA AS NECESSIDADES/PROBLEMAS
SER HUMANO
♣ DOROTHEA E. OREM
SERES HUMANOS são diferenciados das outras coisas vivas por sua capacidade de:
- refletir sobre si mesmos,
- simbolizar o que experimentam,
- usar criações simbólicas(idéias, palavras para pensar, comunicar-se e orientar os
esforços para fazer coisas que são benéficas para si e para outros”(Oren, 1991).
O funcionamento humano integral inclui os aspectos físicos, psicológicos, interpessoais e sociais.
O indivíduo tem potencial para aprender e desenvolver-se.
A forma como o ser humanos preenche as necessidades de autocuidado não é instintiva, mas
um comportamento aprendido. Os fatores que afetam o aprendizado incluem a idade,
capacidade de mental, a cultura, a sociedade e o estado emocional do indivíduo. Se o
indivíduo não pode aprender as medidas de autocuidado, outros devem aprender e
proporciona-los.
♣ WANDA DE AGUIAR HORTA.
SER HUMANO.
. O ser humano é parte integrante do universo dinâmico, e como ta,l sujeito a todas as leis que o
regem, no tempo e no espaço.
. O ser humano está em constante interação com o universo, dando e recebendo energia.
- A dinâmica do universo provoca mudanças que o levam a estados de equilíbrio e
desequilíbrio no tempo e no espaço.
Resulta, pois:
1. O ser humano como parte integrante do universo está sujeito a estados de equilíbrio e
desequilíbrio no tempo e no espaço.
O ser humano se distingue dos demais seres do universo por sua capacidade de reflexão, por
ser dotado do poder de imaginação e simbolização e poder unir presente, passado e futuro.
-Estas características do ser humano permitem sua unicidade, autenticidade e
individualidade.
-O ser humano, por suas características, é também agente de mudanças no universo
dinâmico, no tempo e no espaço;
consequentemente:
2. O ser humano, como agente de mudança, é também a causa de equilíbrio e desequilíbrio
em seu próprio dinamismo.
- Os desequilíbrios geram no ser humano, necessidades que se caracterizam por estados
de tensão conscientes e inconscientes que o levam a buscar a satisfação de tais
necessidades para manter seu equilíbrio dinâmico no tempo e no espaço.
- As necessidades não-atendidas ou atendidas inadequadamente trazem desconforto,
e se este se prolonga é causa de doença.
- Estar com saúde é estar em equilíbrio dinâmico no tempo e espaço
SAÚDE
♣ DOROTHEA E. OREN
SAUDE. Oren apóia a definição da organização mundial de saúde como estado de bem-estar
físico, mental e social e não apenas a ausência de da doença ou da enfermidade. Ela
constata que os aspectos físico, psicológico, interpessoal e social são inseparáveis no indivíduo.
Oren também apresenta a saúde como base do conceito de cuidado preventivo de saúde.
Esse cuidado inclui a promoção e a manutenção da saúde- prevenção primária, o tratamento
18
da doença ou da lesão- prevenção secundária, prevenção de complicações – prevenção
terciária.
♣ WANDA DE AGUIAR HORTA
SAUDE. 2. O ser humano, como agente de mudança, é também a causa de equilíbrio e
desequilíbrio em seu próprio dinamismo.
- Os desequilíbrios geram no ser humano, necessidades que se caracterizam por estados de
tensão conscientes e inconscientes que o levam a buscar a satisfação de tais necessidades
para manter seu equilíbrio dinâmico no tempo e no espaço.
- As necessidades não-atendidas ou atendidas inadequadamente trazem desconforto, e se
este se prolonga é causa de doença.
- Estar com saúde é estar em equilíbrio dinâmico no tempo e espaço.
AMBIENTE
♣ DOROTHEA E. OREM
São requisitos de autocuidado universais, demandas que a espécie humana possui, seja por sua
condição biológica, seja por sua condição sócio-psicológica, não significando, porém, que
para todos os seres humanos será igual em qualidade e em quantidade. São eles:
- manutenção suficiente de suporte de ar, água, alimentos.
- Provisão de cuidados associados aos processos de eliminação e excreção,
- Manutenção do balanço entre estar só e a interação social,
- Prevenção de risco à vida, ao funcionamento e bem-estar como ser humano
♣ WANDA DE AGUIAR HORTA
AMBIENTE
. O ser humano é parte integrante do universo dinâmico, e como tal, sujeito a todas as leis que o
regem, no tempo e no espaço.
. O ser humano está em constante interação com o universo, dando e recebendo energia.
- A dinâmica do universo provoca mudanças que o levam a estados de equilíbrio e
desequilíbrio no tempo e no espaço.
ENFERMAGEM
♣ DOROTHEA E. OREN
ENFERMAGEM. O sistema de enfermagem, delineado pela enfermeira, é baseado nas
necessidades de autocuidado e nas capacidades do paciente para desempenhar as
atividades de autocuidado. Se houver um déficit de autocuidado, isto é, se houver um déficit
entre o que o indivíduo pode fazer (ação de autocuidado) e o que precisa ser feito para
manter o funcionamento ideal (exigência de autocuidado) a enfermagem é exigida.
♣ WANDA DE AGUIAR HORTA
ENFERMAGEM. A enfermagem é um serviço prestado ao INDIVÍDUO, FAMÍLIA E COMUNIDADE. A
enfermagem é parte integrante da equipe de saúde, do que resulta:
. Como parte integrante da equipe de saúde, a enfermagem mantém o equilíbrio dinâmico,
previne desequilíbrios e reverte desequilíbrios em equilíbrio do ser humano, no tempo e no
espaço.
- O ser humano tem necessidades básicas que precisam ser atendidas para seu completo bem
estar.
- O conhecimento do ser humano a respeito do atendimento de suas necessidades é limitado
por seu próprio saber, exigindo, por isto, o auxílio de profissional habilitado.
- Em estados de desequilíbrio esta assistência se faz mais necessária.
19
- Todos os conhecimentos e técnicas acumuladas sobre a enfermagem dizem respeito ao
cuidado do ser humano, isto é, como atendê-lo em suas necessidades básicas.
- A enfermagem assiste o ser humano no atendimento de suas necessidades básicas, valendo-
se para isto dos conhecimentos e princípios científicos das ciências físico-químicas, biológicas e
psicossociais. A conclusão será:
A enfermagem como parte integrante da equipe de saúde implementa estados de equilíbrio,
previne estados de desequilíbrio e reverte desequilíbrios em equilíbrio pela assistência ao ser
humano no atendimento de suas necessidades básicas; procura sempre reconduzi-lo à
situação de equilíbrio dinâmico no tempo e espaço.
Desta teoria decorrem conceitos, proposições e princípios que fundamentam a ciência de
enfermagem.
Enfermagem é a arte e a ciência de assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades
básicas, de torná-lo independente desta assistência quando possível, pelo ensino do auto-
cuidado; de recuperar, manter e promover a saúde em colaboração com outros profissionais.
Assistir em enfermagem é fazer pelo ser humano aquilo que ele não pode fazer por si mesmo,
ajudar ou auxiliar quando parcialmente impossibilitado de se autocuidar; orientar ou
ensinar, supervisionar e encaminhar a outros profissionais.
As funções da(o) enfermeira(o) podem ser consideradas em três áreas ou campos de ação
distintos.
a ) Área específica: assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades básicas e torná-
lo independente desta assistência, quando possível, pelo ensino do auto- cuidado.
b ) Área de interdependência ou de colaboração: a sua atividade na equipe de saúde nos
aspectos de manutenção, promoção e recuperação da saúde.
c ) Área Social: dentro de sua atuação como um profissional a serviço da sociedade, função
de pesquisa, ensino, administração, responsabilidade legal e de participação na associação de
classe (figura 2) .
• A ciência da enfermagem compreende o estudo das necessidades humanas básicas,
dos fatores que alteram sua manifestação e atendimento, e na assistência a ser
prestada.
Alguns princípios podem também ser deduzidos :
• Enfermagem respeita e mantém a unicidade, autenticidade e individualidade do ser
humano.
• A enfermagem é prestada ao ser humano e não à sua doença ou desequilíbrio.
• Todo o cuidado de enfermagem é preventivo, curativo e de reabilitação.
• A enfermagem reconhece o ser humano como membro de urna família e de uma
comunidade.
A enfermagem reconhece o ser humano como elemento participante ativo de seu
autocuidado.
Para que a enfermagem atue eficientemente, necessita desenvolver sua metodologia de
trabalho que está fundamentada no método científico. Este método de atuação da
enfermagem é denominado processo de enfermagem.
TEÓRICAS ORIENTADAS PARA OS SISTEMAS
SER HUMANO
♣ MADELEINE M. LEININGER
SERES HUMANOS são melhor representados em seus pressupostos. Os homens são considerados
capazes de cuidar e preocupar-se com as necessidades de bem-estar, e a sobrevivência dos
outros. O cuidado humano é universal, ou seja, é visto em todas as culturas. Os homens tem
sobrevivido nas culturas ao longo do lugar e tempo porque são capazes de cuidas dos bebês,
20
das crianças, e dos idosos de maneiras variadas e em muitos ambientes diferentes. Assim, os
homens são universalmente seres cuidadores que sobrevivem numa diversidade de culturas
pela sua capacidade de proporcionar a universalidade do cuidado de várias maneiras e de
acordo com as diferentes culturas, necessidades e situações.
A enfermagem, como ciência do cuidado deve enfocar além da interação tradicional
enfermeira-paciente, incluir famílias, grupos, comunidade, culturas completas e instituições,
assim como as instituições mundiais de saúde, e a forma de desenvolvimento e políticas e
práticas de enfermagem internacionais, pois em muitas culturas as instituições e as famílias
dominam. Há culturas em que as pessoas não são um conceito importante, podendo até não
haver o termo pessoa no idioma.
♣ MYRA ESTRIN LEVINE
SERES HUMANOS – quando a pessoa está sendo estudada o foco deve ser a integridade.
Sustenta que uma pessoa não pode ser compreendida fora do contexto do tempo, lugar no
qual ela interage ou está isolada da influência de tudo que acontece ao seu redor. Os seres
humanos não só apenas são influenciados por suas circunstâncias imediatas, mas também
suportam carga de uma vida inteira de experiências que ficaram registradas nos tecidos do
corpo bem como na mente e no espírito. Os seres humanos estão em contínua adaptação em
sua interação com o ambiente. O processo de adaptação resulta em conservação. Os seres
humanos necessitam da enfermagem quando estão sofrendo e podem pôr a independência
de lado e aceitar os serviços do outro.
SAÚDE
♣ MADELEINE M. LEININGER
SAUDE. Ela fala de sistemas de saúde, práticas de atendimento de saúde, mudança de
padrões de saúde, promoção de saúde e manutenção de saúde. A saúde é um conceito
importante na enfermagem transcultural. Devido à ênfase sobre a necessidade de as
enfermeiras conhecerem a cultura específica na qual a enfermagem está sendo praticada,
presume-se que a saúde seja vista como universal nas culturas, porém definida em cada uma
delas de uma maneira que reflete as crenças, os valores e as práticas daquela determinada
cultura. Assim a saúde é tanto universal como diversificada.
♣ MYRA ESTRIN LEVINE
SAUDE. Sugere que saúde e doença são padrões de mudança adaptativa. Algumas
adaptações têm mais êxito do que outras, Todas as adaptações estão em busca do melhor
ajuste com o ambiente. As adaptações mais bem sucedidas são aquelas que conseguem o
melhor ajuste de maneira mais conservadora. A saúde é o objetivo da conservação. Ela
também discute as palavras SAUDE, INTEGRIDADE, TODO como derivadas da mesma palavra
raiz e que, mesmo com a multiplicidade de definições de saúde, cada indivíduo ainda define
saúde por si mesmo.
AMBIENTE
♣ MADELEINE M. LEININGER
AMBIENTE. NESTA TEORIA O contexto ambiental é definido como sendo a totalidade de um
evento, situação ou experiência. A definição de cultura de Leininger, enfoca um determinado
grupo-sociedade e a padronização de ações, pensamentos e decisões que ocorre como
resultado de valores, crenças e normas aprendidos, compartilhados e transmitidos. Esse
aprendizado, compartilhamento, transmissão e padronização ocorrem dentro de um grupo de
pessoas que funciona como um cenário ou ambiente identificável.
♣ MYRA ESTRIN LEVINE
AMBIENTE. Utiliza a classificação de Bates. Existem três tipos de ambiente:
21
1º ambiente operacional – consiste de forças naturais não detectadas que atingem o indivíduo.
2º ambiente perceptivo - consiste de informações que são registradas pelos órgãos sensoriais.
3º ambiente conceitual - influenciado pela cultura, idéias, e cognição.
Os esforços para compreender o ambiente e o papel que ele desempenha sobre os indivíduos
é vital. “É o sistema social que em todas as gerações e em todos os lugares, determina os
valores que dirigem e define as regras pelas quais seus integrantes são julgados. A integridade
social do indivíduo espelha a comunidade à qual ele pertence.
ENFERMAGEM
♣ MADELEINE M. LEININGER
ENFERMAGEM. Define enfermagem como uma profissão e uma disciplina científica aprendida
e humanista, enfocada em fenômeno e nas atividades do cuidado humano para assistir,
apoiar, facilitar ou capacitar indivíduos ou grupos a manterem ou readiquirirem seu bem-estar
(saúde) em formas culturalmente significativas e benéficas ou para ajudar a pessoa a enfrentar
a deficiência ou morte (Leininger, 1991).
♣ MYRA ESTRIN LEVINE
ENFERMAGEM. Para Levine o propósito da enfermagem é cuidar dos outros quando eles
necessitam de cuidados. A pessoa que fornece serviços de enfermagem tem cargas especiais
de preocupação uma vez que a permissão para entrar nas metas de
vida de outro ser humano carrega dívidas onerosas de responsabilidade e escolha. O
relacionamento enfermeiro-paciente se baseia na participação intencional de ambas as
partes, e nesses relacionamentos não pode haver um substituto para a honestidade,
imparcialidade e respeito mútuo. A teoria da enfermagem é finalmente posta a prova nas
trocas diárias pragmáticas e simples entre enfermeira-paciente... seu sucesso é demonstrado
em sua capacidade de equipar os indivíduos com força renovada para continuarem suas vidas
com independência, realização, esperança e promessa.”
TEÓRICAS ORIENTADAS PARA A INTERAÇÃO
SER HUMANO
♣ IMOGENE M. KING
SERES HUMANOS – São seres sociais, reativos, perceptivos, controladores, intencionais e
orientados no para a ação e o tempo. A partir dessas crenças desenvolveu os seguintes
pressupostos que são específicos para a interação enfermeira-cliente:
- as percepções influenciam o processo de interação.
- as metas, as necessidades e os valores da enfermeira e do cliente influenciam o
processo de interação.
- Os indivíduos têm direito de conhecimento sobre eles mesmos.
- Os indivíduos têm direito de participar das decisões que influenciam a sua vida, a sua
saúde e os serviços comunitários.
- Os profissionais de saúde têm a responsabilidade de compartilhar a informação que
ajudará o indivíduo a tomar decisões sobre o seu atendimento de saúde.
- Os indivíduos têm o direito de aceitar ou de recusar o atendimento de saúde.
- As metas dos profissionais de saúde as metas do receptor do atendimento de saúde
podem ser incongruentes.
Afirma que as enfermeiras estão preocupadas com o ser humano interagindo com o seu
ambiente de maneiras que levam ao auto preenchimento e à manutenção da saúde. Os seres
humanos tem três necessidades fundamentais de saúde:
1ª necessidade de informação de saúde que seja no momento necessária e que possa ser
utilizada.
22
2ª necessidade de atendimento que procura prevenir a doença.
3ª necessidade de atendimento quando os seres humanos são incapazes de cuidar de si
mesmos.
Ela afirma que “as enfermeiras estão em uma posição para investigarem o que as pessoas
sabem sobre a sua saúde, o que elas pensam sobre a sua saúde e como elas agem para
mantê-la.”
♣ HELEN ERICKSON, EVELYN TOMLIN, MARY ANN SWAIN
SERES HUMANOS são pessoas holísticas, com sistemas interagentes – biofísicos, psicológicos,
sociais, cognitivos, e bases genéticas e impulso espiritual inerentes.
O holismo implica o todo ser maior que a soma das partes e é diferente da definição da pessoa
como um agregado de das partes e do todo sendo igual à soma das partes. As teorias de Erik
Erikson, Abraham Maslow, Jean Piaget, e George Engel são básicas na descrição de como as
pessoas são semelhantes, considerando serem seres holísticos que querem desenvolver seu
potencial.Todos os seres humanos tem necessidades básicas que motivam o comportamento,
incluindo o impulso denominado individuação-afiliada. Apesar de os seres humanos
compartilharem esses pontos comuns, cada indivíduo é único. As pessoas diferem umas das
outras como resultado de sua bagagem individual herdada, sua capacidade situacional para
mobilizar recursos para reagir aos estressores da vida e seus modelos de mundo.
SAÚDE
♣ IMOGENE M. KING
SAUDE. É definida como experiência dinâmica de vida do ser humano, que implicam o
ajustamento constante aos estressores no ambiente interno e externo através do uso ideal dos
próprios recursos para atingir o potencial máximo para a vida diária. E como um estado
dinâmico no indivíduo no qual a mudança é constante e permanente e pode ser vista como a
capacidade do indivíduo para funcionar em seus papéis habituais. King afirma que a saúde
não é uma continuidade mais um estado holístico. As características de saúde são genéticas,
subjetivas, relativas, dinâmicas, ambientais, funcionais, culturais e perceptivas. Ela discute a
saúde como um estado funcional e a doença como uma interferência nesse estado. Define a
doença como um desvio do normal, isto é, um desequilíbrio na estrutura biológica da pessoa,
ou em seu esquema psicológico, ou um conflito nos relacionamentos saciais da pessoa.
♣ HELEN ERICKSON, EVELYN TOMLIN, MARY ANN SWAIN
SAUDE. A definição de saúde é consistente com a da OMS - saúde é um estado de bem estar
físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou da enfermidade. Escrevem que
a saúde tem conotação com o equilíbrio dinâmico entre os vários subsistemas. Esse equilíbrio
dinâmico implica um equilíbrio adaptativo pelo qual o indivíduo aprende a enfrentar
construtivamente os estressores da vida, mobilizando os recursos de enfrentamento internos e
externos e não deixando nenhum sistema em risco quando a adaptação ocorrer.
AMBIENTE
♣ IMOGENE M. KING
AMBIENTE. A sociedade pode ser vista como a porção dos sistemas sociais da estrutura de
sistemas abertos. Em sua teoria os três sistemas forma os ambientes que influenciam os
indivíduos:
1º sistemas pessoais – cada indivíduo é um sistema pessoal. Para o sistema pessoal os conceitos
relevantes são: percepção, o ser, o crescimento, o desenvolvimento, a imagem corporal, o
espaço, o aprendizado e o tempo.
2º sistemas interpessoais - são formados pelos seres humanos interagindo.
23
3º sistemas sociais - é definido como sistema de limites organizados de regras sociais,
comportamentos e práticas desenvolvidas para manter os valores e os mecanismos que
regulam as práticas e as regras.
♣ HELEN ERICKSON, EVELYN TOMLIN, MARY ANN SWAIN
AMBIENTE. O ambiente é visto como interno e externo, e inclui tanto os estressores quanto os
recursos para adaptação a eles. Os estressores existem sempre e são necessários para o
crescimento geral e o favorecimento da vida todos os indivíduos tem recursos tanto internos
como externos para lidar com os estressores. Os recursos potenciais existem e os indivíduos
talvez necessitem de auxílio para se conscientizarem sobre eles e assim mobilizá-los
construtivamente.
ENFERMAGEM
♣ IMOGENE M. KING
ENFERMAGEM. Um processo de ação, reação e interação pelo qual a enfermeira e o cliente
compartilham informações sobre as suas percepções na situação de enfermagem e como um
processo de interação humanas entre a enfermeira e o cliente através do qual cada um
percebe o outro e a situação, e através da comunicação estabelecem metas, exploram meios
e concordam com os meios para atingir as metas. A meta da enfermeira é ajudar o indivíduo a
manter a sua saúde de
forma que possam funcionar em seus papéis. O âmbito da enfermagem inclui a promoção,
manutenção e restauração da saúde e o atendimento aos doentes, aos feridos ou aos que
estão morrendo.
♣ HELEN ERICKSON, EVELYN TOMLIN, MARY ANN SWAIN
ENFERMAGEM. A enfermagem é um processo entre a enfermeira e o cliente e exige um
relacionamento interpessoal e interativo. Ela descreve três características da enfermeira nessa
teoria:
1ª Facilitação – implica que a enfermeira ajude o indivíduo a identificar, a mobilizar e a
desenvolver seus próprios pontos fortes.
2ª Nutrimento – é a fusão e a fusão dos processos cognitivos, psicológico e afetivo, visando
auxiliar o cliente a atingir uma saúde holística.
3ª Aceitação incondicional – é a aceitação de cada indivíduo como único valioso e
importante, mesmo sem vínculos.
TEORISTA ORIENTADAS PARA O CAMPO DE ENERGIA
SER HUMANO
♣ MARTHA E. ROGERS
SERES HUMANOS. Ela apresenta cinco pressupostos sobre os seres humanos:
1º cada homem é presumidamente um ser unificado com individualidade.
2º o ser humano está em troca contínuas de energia com o ambiente.
3º os processos de vida de um ser humano evoluem irreversível e imprevisivelmente na
pandimensionalidade.
4º existe um padrão para a vida.
5º o ser humano é capaz de abstração, visualização, linguagem, pensamento, sensibilidade e
emoções.
Os homens são campos de energia irredutíveis, indivisíveis, pandimensionais, identificados
por padrões e manifestam características e comportamentos diferentes dos das suas partes e
que não podem ser previstos pelo conhecimento dessas partes.
24
♣ MARGARET NEWMAN
SERES HUMANOS. Os seres humanos são unitários com o ambiente. Não existem limites. Os seres
humanos são identificados por seus padrões. Os padrões do indivíduo são integrantes dos de
sua família e, por outro lado, estes são integrantes dos padrões da comunidade e da
sociedade. Os homens dirigem-se para uma organização sempre crescente e são capazes de
tomar decisões. O progresso para um nível superior de organização ocorre, com freqüência,
após um período de desorganização ou ponto de escolha, quando as formas antigas não mais
funcionam. O movimento é um ponto de escolha crucial na evolução da consciência e é a
expressão da consciência. A restrição do movimento, força a pessoa além do espaço-tempo.
SAÚDE
♣ MARTHA E. ROGERS
SAÚDE : A SAÚDE NÃO É ABORDADA ESPECIFICAMENTE e em realidade, ser vista como um
estado não é apropriado à teoria de Rogers. Ela considera a saúde um termo de valor. Para ela
a doença, patologia e a saúde são termos de valor. Os termos de valor modificam-se e,
quando discutimos em nível da dinâmica de comportamentos manifestados pelo campo
humano, necessitam ser definidos individualmente.
♣ MARGARET NEWMAN
SAUDE é a expansão da consciência: o padrão do todo em evolução, a explicação do
descobrimento da ordem implicada. Newman propõe que as flutuações no padrão,
identificadas como doenças, podem proporcionar o distúrbio necessário para reorganizar os
relacionamentos de um padrão mais harmoniosamente. A doença pode atingir aquilo que a
pessoa queria mas não tinha sido capaz de reconhecer; pode proporcionar ou representar o
desequilíbrio necessário para manter o intercâmbio vital ativo com o ambiente. Crescemos ou
evoluímos através da experiência do desequilíbrio e aprendendo como atingir um novo sentido
de equilíbrio. Portanto a doença pode ser vista como padrão emergente quanto como
expansão da consciência. É importante lembrar que apesar de o indivíduo apresentar o
padrão emergente denominado doença, esse padrão relaciona-se e afeta os padrões de
outros -família, amigos, comunidade. Como sistemas de energia abertos em interação
constante, os homens influenciam os padrões uns dos outros e evoluem juntos.
AMBIENTE
♣ MARTHA E. ROGERS
AMBIENTE. Consiste da totalidade de padrões externos existentes no indivíduo. Tanto o indivíduo
como o ambiente são considerados sistemas abertos. O ambiente é um campo de energia
irredutível, indivisível, pandimensional identificado por padrões e integrado ao campo humano.
♣ MARGARET NEWMAN
AMBIENTE. – os seres humanos são unitários com o ambiente.
ENFERMAGEM
♣ MARTHA E. ROGERS
ENFERMAGEM. É uma arte e uma ciência humanística e humanitária. É dirigida ao homem
unitário e preocupa-se com a natureza e a direção do desenvolvimento humano. A meta das
enfermeiras é participar do processo de mudança de forma que as pessoas possam se
beneficiar.
♣ MARGARET NEWMAN
25
ENFERMAGEM. Define a enfermagem como o “cuidado na experiência de saúde humana”.
Acredita que cuidar é imperativo moral para a enfermagem. Com base na declaração de
Moss,(1981) para o amor ela diz que cuidar é algo que transforma a nós todos e tudo o que
fazemos mais do que ser algo que fazemos. Cuidar reflete o todo da pessoa. Cuidar exige que
sejamos abertos, e ser aberto é ser vulnerável. Ser vulnerável pode levar ao sofrimento, o que
tendemos a evitar. Evitar o sofrimento pode prejudicar os nossos esforços em direção a níveis
superiores de consciência. “A necessidade é de deixar correr , abraçar a nossa experiência e
permitir a descoberta da expansão da consciência.”(Newman, 1994). Sem o cuidado a
enfermagem não ocorre.
Bibliografia
ALMEIDA, Maria Lúcia Puntel e ROCHA, Juan Stuardo Yaszlle. O saber de enfermagem e sua
dimensão prática. 2ª ed. São Paulo:Cortez, 1999.
CARRARO&WESPHALEN. Metodologias para a assistência de Enfermagem:teorizações, modelos
e subsídios para a prática. Goiânia:AB,2001.
GEORGE, Julia B. e colaboradores. Teorias de Enfermagem -os fundamentos à prática
profissional. 4ª edição. Porto Alegre: Artes Medicas Sul, 2000.
HORTA, Wanda de Aguiar. Processo de Enfermagem. São Paulo: EPU, 1979.
LEOPARDI, Maria Tereza. Teorias em Enfermagem: instrumentos para a prática.Florianópolis:Papa
Livros, 1999.
PARTE 2
ASPECTOS POLÍTICO-ADMINISTRATIVOS LIGADOS A SAE
CAPÍTULO 1. ASPECTOS LEGAIS
Para o estudo da legislação sobre a SAE, exporemos alguns textos na íntegra, outros,
somente as partes que consideramos importante enfatizar.
a) Lei n 7.498/86: Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem e dá outras
providências.
O presidente da República faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono
a seguinte Lei:
Art. 1º - É livre o exercício da Enfermagem em todo o território nacional, observadas as
disposições desta Lei.
Art. 2º - A Enfermagem e suas atividades Auxiliares somente podem ser exercidas por pessoas
legalmente habilitadas e inscritas no Conselho Regional de Enfermagem com jurisdição na área
onde ocorre o exercício.
Parágrafo único - A Enfermagem é exercida privativamente pelo Enfermeiro, pelo Técnico de
Enfermagem, pelo Auxiliar de Enfermagem e pela Parteira, respeitados os respectivos graus de
habilitação.
Art. 3º - O planejamento e a programação das instituições e serviços de saúde incluem
planejamento e programação de Enfermagem.
Art. 6º - São enfermeiros:
I - o titular do diploma de enfermeiro conferido por instituição de ensino, nos termos da lei;
II - o titular do diploma ou certificado de obstetriz ou de enfermeira obstétrica, conferidos nos
termos da lei;
III - o titular do diploma ou certificado de Enfermeira e a titular do diploma ou certificado de
Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz, ou equivalente, conferido por escola estrangeira
26
segundo as leis do país, registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado
no Brasil como diploma de Enfermeiro, de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz;
IV - aqueles que, não abrangidos pelos incisos anteriores, obtiverem título de Enfermeiro
conforme o disposto na alínea "d" do Art. 3º. do Decreto nº 50.387, de 28 de março de 1961.
Art. 11 - O Enfermeiro exerce todas as atividades de Enfermagem, cabendo-lhe:
I - privativamente:
a) direção do órgão de Enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde,
pública ou privada, e chefia de serviço e de unidade de Enfermagem;
b) organização e direção dos serviços de Enfermagem e de suas atividades técnicas e
auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços de
assistência
de Enfermagem;
h) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de Enfermagem;
i) consulta de Enfermagem;
j) prescrição da assistência de Enfermagem;
l) cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
m) cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de
base científica e capacidade de tomar decisões imediatas;
II - como integrante da equipe de saúde:
c) prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina
aprovada pela instituição de saúde;
Art. 12 - O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e
acompanhamento do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar, e participação no
planejamento da assistência de Enfermagem, cabendo-lhe especialmente:
Art. 13 - O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades de nível médio, de natureza repetitiva,
envolvendo serviços auxiliares de Enfermagem sob supervisão, bem como a participação em
nível de execução simples, em processos de tratamento, cabendo-lhe especialmente:
Brasília, em 25 de junho de 1986, 165º da Independência e 98º da República.
José Sarney
Almir Pazzianotto Pinto
Lei nº 7.498, de 25.06.86 publicada no DOU de 26.06.86 Seção I - fls. 9.273 a 9.275
b) Decreto n 94.406/87 : ‘Regulamenta a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, que
dispõe sobre o exercício da Enfermagem, e dá outras providências
O Presidente da República, usando das atribuições que lhe confere o Art.
81, item III, da Constituição, e tendo em vista o disposto no Art. 25 da Lei nº 7.498,
de 25 de junho de 1986,
Decreta:
Art. 1º - O exercício da atividade de Enfermagem, observadas as disposições da Lei nº 7.498, de
25 de junho de 1986, e respeitados os graus de habilitação, é privativo de Enfermeiro, Técnico
de Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e Parteiro e só será permitido ao profissional inscrito no
Conselho Regional de Enfermagem da respectiva região.
27
Art. 2º - As instituições e serviços de saúde incluirão a atividade de Enfermagem no seu
planejamento e programação.
Art. 3º - A prescrição da assistência de Enfermagem é parte integrante do programa de
Enfermagem.
Art. 4º - São Enfermeiros:
I - o titular do diploma de Enfermeiro conferido por instituição de ensino, nos termos da lei;
II - o titular do diploma ou certificado de Obstetriz ou de Enfermeira Obstétrica, conferidos nos
termos da lei;
III - o titular do diploma ou certificado de Enfermeira e a titular do diploma ou certificado de
Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz, ou equivalente, conferido por escola estrangeira
segundo as respectivas leis, registradas em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou
revalidado no Brasil como diploma de Enfermeiro, de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz;
IV - aqueles que, não abrangidos pelos incisos anteriores, obtiveram título de Enfermeira
conforme o disposto na letra "d" do Art. 3º. do Decreto-lei Decreto nº 50.387, de 28 de março de
1961.
Art. 8º - Ao enfermeiro incumbe:
I - privativamente:
b) organização e direção dos serviços de Enfermagem e de suas atividades técnicas e
auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da
assistência de Enfermagem;
d) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de Enfermagem;
e) consulta de Enfermagem;
f) prescrição da assistência de Enfermagem;
q) participação no desenvolvimento de tecnologia apropriada à assistência de saúde;
Art. 10 - O Técnico de Enfermagem exerce as atividades auxiliares, de nível médio técnico,
atribuídas à equipe de Enfermagem, cabendo-lhe:
I - assistir ao Enfermeiro:
Art. 11 - O Auxiliar de Enfermagem executa as atividades auxiliares, de nível médio atribuídas à
equipe de Enfermagem, cabendo-lhe:
III - executar tratamentos especificamente prescritos, ou de rotina, além de outras atividades de
Enfermagem...
Brasília, 08 de junho de 1987;
José Sarney
Eros Antonio de Almeida
Dec. nº 94.406, de 08.06.87 publicado no DOU de 09.06.87 seção I - fls. 8.853 a 8.85
c) CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM
CAPÍTULO I
Dos Princípios Fundamentais
Art. 1º - A Enfermagem é uma profissão comprometida com a saúde do ser humano e da
coletividade. Atua na promoção, proteção, recuperação da saúde e reabilitação das pessoas,
respeitando os preceitos éticos e legais.
Art. 2º - O profissional de Enfermagem participa, como integrante da sociedade, das ações que
visem satisfazer às necessidades de saúde da população.
Art. 3º - O profissional de Enfermagem respeita a vida, a dignidade e os direitos da pessoa
humana, em todo o seu ciclo vital, sem discriminação de qualquer natureza.
28
Art. 4º - O profissional de Enfermagem exerce suas atividades com justiça, competência,
responsabilidade e honestidade.
Art. 5º - O profissional de Enfermagem presta assistência à saúde visando à promoção do ser
humano como um todo.
Art. 6º - O profissional de Enfermagem exerce a profissão com autonomia, respeitando os
preceitos legais da Enfermagem.
CAPÍTULO II
Dos Direitos
Art. 9º - Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem, quando impedido de cumprir o
presente Código e a Lei do Exercício Profissional.
CAPÍTULO III
Das Responsabilidades
Art. 16 - Assegurar ao cliente uma assistência de Enfermagem livre de danos decorrentes de
imperícia, negligência ou imprudência.
Art. 18 - Manter-se atualizado ampliando seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais,
em benefício da clientela, coletividade e do desenvolvimento da profissão.
Art. 20 - Responsabilizar-se por falta cometida em suas atividades profissionais, independente de
ter sido praticada individualmente ou em equipe.
CAPÍTULO IV
Dos Deveres
Art. 24 - Prestar à clientela uma assistência de Enfermagem livre dos riscos decorrentes de
imperícia, negligência e imprudência.
Art. 25 - Garantir a continuidade da assistência de Enfermagem.
Art. 33 - Proteger o cliente contra danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência
por parte de qualquer membro da equipe de saúde.
d) Resolução COFEN-272/2002 : SAE
O Conselho Federal de Enfermagem - COFEN, no uso de suas atribuições legais
e regimentais;
CONSIDERANDO a Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 05 de
outubro de 1998 nos artigos 5º, XII e 197;
CONSIDERANDO a Lei nº 7.498/86 c.c. o Decreto nº 94.406/86, respectivamente no artigo 11,
alíneas "c", "i" e "j" e artigo 8º, alíneas "c", "e" e "f";
CONSIDERANDO o contido no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, aprovado pela
Resolução COFEN 240/2000;
CONSIDERANDO o disposto nas Resoluções-COFEN nºs 195/1997, 267/2001 e 271/2002;
CONSIDERANDO que a Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE, sendo atividade
privativa do enfermeiro, utiliza método e estratégia de trabalho científico para a identificação
das situações de saúde/doença, subsidiando ações de assistência de Enfermagem que possam
contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo,
família e comunidade;
CONSIDERANDO a institucionalização da SAE como prática de um processo de trabalho
adequado às necessidades da comunidade e como modelo assistencial a ser aplicado em
todas as áreas de assistência à saúde pelo enfermeiro;
CONSIDERANDO que a implementação da SAE constitui, efetivamente, melhora na qualidade
da Assistência de Enfermagem;
CONSIDERANDO os estudos elaborados pela CTA/COFEN, nos autos do PAD-COFEN Nº 48/97;
29
RESOLVE:
Art. 1º - Ao Enfermeiro incumbe:
I - Privativamente:
A implantação, planejamento, organização, execução e avaliação do processo de
enfermagem, que compreende as seguintes etapas:
Consulta de Enfermagem
Compreende o histórico (entrevista), exame físico, diagnóstico, prescrição e evolução de
enfermagem.
Para a implementação da assistência de enfermagem, devem ser considerados os aspectos
essenciais em cada uma das etapas, conforme descriminados a seguir:
Histórico: Conhecer hábitos individuais e biopsicossociais visando a adaptação do paciente à
unidade de tratamento, assim como a identificação de problemas.
Exame Físico: O Enfermeiro deverá realizar as seguintes técnicas:
inspeção, ausculta, palpação e percussão, de forma criteriosa, efetuando o levantamento de
dados sobre o estado de saúde do paciente e anotação das anormalidades encontradas para
validar as informações obtidas no histórico.
Diagnóstico de Enfermagem: O Enfermeiro após ter analisado os dados colhidos no histórico e
exame físico, identificará os problemas de enfermagem, as necessidades básicas afetadas e
grau de dependência, fazendo julgamento clínico sobre as respostas do individuo, da família e
comunidade, aos problemas, processos de vida vigentes ou potenciais.
Prescrição de Enfermagem: É o conjunto de medidas decididas pelo Enfermeiro, que direciona
e coordena a assistência de Enfermagem ao paciente de forma individualizada e contínua,
objetivando a prevenção, promoção, proteção, recuperação e manutenção da saúde.
Evolução de Enfermagem: É o registro feito pelo Enfermeiro após a avaliação do estado geral
do paciente. Desse registro constam os problemas novos identificados, um resumo sucinto dos
resultados dos cuidados prescritos e os problemas a serem abordados nas 24 horas
subseqüentes.
Artigo 2º - A implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE - deve
ocorrer em toda instituição da saúde, pública e privada.
Artigo 3º - A Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE deverá ser registrada
formalmente no prontuário do paciente/cliente/usuário, devendo ser composta por:
-Histórico de enfermagem
-Exame Físico
-Diagnóstico de Enfermagem
-Prescrição da Assistência de Enfermagem
-Evolução da Assistência de Enfermagem
-Relatório de Enfermagem
Parágrafo único: Nos casos de Assistência Domiciliar - HOME CARE - este prontuário deverá
permanecer junto ao paciente/cliente/usuário assistido, objetivando otimizar o andamento do
processo, bem como atender o disposto no Código de Defesa do Consumidor.
Artigo 4º - Os CORENS, em suas respectivas jurisdições, deverão promover encontros, seminários,
eventos, para subsidiar técnica e cientificamente os profissionais de Enfermagem, na
implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE;
Artigo 5º - É de responsabilidade dos CORENS, em suas respectivas jurisdições, zelar pelo
cumprimento desta norma.
Artigo 6º - Os casos omissos, serão resolvidos pelo COFEN.
Artigo 7º - A presente resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando
disposições em contrário.
30
Rio de Janeiro, 27 de agosto de 2002.
Gilberto Linhares Teixeira -Coren-RJ Nº 2.380 - Presidente
Carmem de Almeida da Silva- Coren-SP Nº 2.254- Primeira Secretária
d) Decisão COREN-MT 025/2004: SAE
Dispõe sobre a implantação e / ou implementação da Sistematização
da Assistência de Enfermagem – SAE nas instituições de saúde, no
âmbito do Estado de Mato Grosso”.
O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso, no exercício de suas atribuições legais e
regimentais, asseguradas no inciso II, III, VIII e XIV artigo 15 da lei nº 5.905/73, e a deliberação do
Plenário do COREN-MT na 2ª Sessão da 340ª Reunião Ordinária de Plenário.
CONSIDERANDO art.5º, inciso XII e art.197 da Constituição Federativa do Brasil;
CONSIDERANDO as alíneas “c”, “i” e “j”, art.11 da Lei 7.498/86 e as alíneas “c”, “e” e “f”, art.8º
do Decreto 94.406/87;
CONSIDERANDO o contido no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
CONSIDERANDO o disposto nas Resoluções COFEN nº 195/1997, 267/2001, 271/2002 e 272/2003;
CONSIDERANDO que a Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE sendo uma
atividade privativa do Enfermeiro, utiliza método e estratégia de trabalho científico para a
identificação das situações de saúde/doença, subsidiando a prescrição e implementação de
ações de Assistência de Enfermagem que possam contribuir para a promoção, prevenção,
recuperação e reabilitação em saúde do indivíduo, família e comunidade;
CONSIDERANDO a institucionalização da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE
como a prática de um processo de trabalho adequado às necessidades da comunidade e
como modelo assistencial a ser aplicado em todas as áreas de assistência à saúde pelo
Enfermeiro;
CONSIDERANDO que a implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE
constitui, efetivamente, na melhoria da qualidade da Assistência de Enfermagem;
CONSIDERANDO que a Consulta de Enfermagem é o primeiro contato com o cliente para a
identificação de problemas de saúde que conduz ao Diagnóstico de Enfermagem,
características definidoras em relação aos fatores de risco e níveis de prevenção;
CONSIDERANDO que o exercício da Consulta de Enfermagem implica em conhecimento,
competência, capacidade de delegar, criatividade e afetividade, prerrogativas estas que só
serão reforçadas por estudos em profundidade e extensão de modo contínuo, ou seja,
educação continuada;
CONSIDERANDO que a Consulta de Enfermagem beneficiará o Enfermeiro na sua prática
profissional, disponibilizando ao cliente melhor qualificação e resolutividade dos problemas face
à adequada aplicação da metodologia científica no processo assistencial elevando a
qualidade dos serviços da Enfermagem;
CONSIDERANDO que a Consulta de Enfermagem deve ser realizada em nível hospitalar,
ambulatorial, a domicílio, em consultório particular ou em outro local;
31
CONSIDERANDO que a Consulta de Enfermagem é uma das atividades – fim autônoma que
independe da supervisão de outro profissional;
CONSIDERANDO que a Consulta de Enfermagem caracteriza o Enfermeiro como profissional
liberal, pois permite ao cliente expressar seus sentimentos, facilitando a ambos identificar os
problemas de saúde, priorizando sua resolutividade, dentro de um processo participativo,
estabelecendo o vínculo enfermeiro / cliente;
CONSIDERANDO ainda que a Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE é um plano:
sistemático, ordenado, metódico das ações do Enfermeiro e da Enfermagem;
CONSIDERANDO Decisão COFEN N.º 015/2004 que homologa os atos do COREN-MT dispostos na
presente Decisão.
DECIDE:
Artigo 1º - Incumbe ao Enfermeiro:
I – Privativamente:
A implantação, planejamento, organização, execução e avaliação do processo de
Enfermagem, que compreende as seguintes etapas:
Consulta de Enfermagem
Compreendem o histórico (entrevista), exame físico, diagnóstico, prescrição e evolução de
Enfermagem. Para implantação da Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE,
devem ser considerados os aspectos essenciais em cada etapa conforme a seguir:
Histórico
Consiste em escutar atentamente, o cliente encorajando-o a se expressar plenamente para
que se conheçam seus hábitos individuais e biopsicossociais (percepções e expectativas do
cliente e de sua família, condições sócio-econômicas, condições ambientais, composição
familiar, nutrição, hidratação, eliminações, oxigenação, sono e repouso, lazer e recreação,
atividade física, reprodução e vida sexual) a fim de identificar seus problemas.
Exame físico
Visa verificar criteriosamente peso e altura, pressão arterial, exame da cabeça, face, olhos,
ouvidos, nariz, pele e mucosas, extremidades, estado de higiene pessoal e vestimenta, bem
como as características físicas próprias e os sinais e sintomas físicos de seus problemas de saúde.
Diagnóstico de Enfermagem
O Enfermeiro identificará problemas a serem atendidos após colher informações do cliente e
constatação dos achados clínicos ou laboratoriais. Este diagnóstico deve ser modificado
conforme for indicando mudanças das respostas do cliente ao seu estado de saúde.
Prescrição de Enfermagem
Determinação e execução de ações voltadas para o atendimento e solução dos problemas
identificados incluindo-se: processo educativo que estimule o autocuidado; indicação de
medicamentos e tratamentos, vacinas, exames laboratoriais, orientação alimentar, etc
estabelecidos pelo serviço de saúde e encaminhamentos a outros profissionais.
Evolução de Enfermagem
É o acompanhamento e análise da evolução da situação de saúde do cliente em termos de
resolução ou não dos problemas identificados, enfim, é um resumo dos cuidados prescritos e
realizados e as atividades a serem desenvolvidas nas vinte (24) horas subseqüentes.
Relatório de Enfermagem
Consiste no registro das ações de Enfermagem, objetivando dar continuidade à assistência,
para fins éticos e realização de pesquisas, devendo ser redigido dentro de normas com
facilidade de interpretação, com qualidade de informação e legibilidade.
Artigo 2º - A implantação e implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem -
SAE, torna-se obrigatória em toda instituição de saúde, pública e privada (incluindo-se a
Assistência Domiciliar Home Care).
32
Artigo 3º - A Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE, deverá ser registrada
formalmente no prontuário do cliente.
Parágrafo Único – Nos casos de Assistência Domiciliar – Home Care este prontuário deverá
permanecer junto ao cliente assistido, para que se acompanhe o andamento da assistência,
bem como atender ao disposto no Código de Defesa do Consumidor.
Artigo 4º - É responsabilidade da instituição de saúde pública e privada subsidiar técnica e
cientificamente os profissionais de Enfermagem, na implantação e implementação da
Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE, obedecendo-se os seguintes prazos a
seguir:
a) até nove meses à partir da publicação: a todos os pacientes considerados graves /
críticos e de Unidade de Terapia Intensiva (adulto, infantil e neo – natal) e um mínimo
percentual de 10% e 20% a ser determinado pelo Enfermeiro, nos casos de Assistência
Domiciliar – Home Care e Ambulatórios, considerando – se a incidência epidemiológica e /
ou cadastro epidemiológico associado aos níveis de riscos envolvidos;
b) até doze meses à partir da publicação: a todos os pacientes internados ou assistidos
(casos de Ambulatórios, Assistência Domiciliar – Home Care);
c) até nove meses à partir da publicação: a todo paciente portador de Doença Crônico –
degenerativo, Doença Sexualmente Transmissível ou não, Gestantes de alto, médio e baixo
risco e aos enquadrados dentro do programa de imunização em todas as Unidades da
Rede Básica de Saúde.
Artigo 5º - Os casos omissos no presente ato decisório serão resolvidos pelo COREN – MT.
Artigo 6º - A presente decisão entrará em vigor após homologação pelo COFEN e devida
publicação no órgão de Imprensa Oficial do Conselho.
Cuiabá-MT, 26 de março de 2004.
Drª. Geralda Lopes da Silva Dr. Vicente Pereira Guimarães
COREN-MT-1633 COREN-MT-23641
Secretária Presidente
Bibliografia
www.portalcofen.gov.br
www.coren-mt.gov.br
33
PARTE 3
O PROCESSO DE ENFERMAGEM
CAPITULO 1. NOÇÕES GERAIS SOBRE 0 PROCESSO DE ENFERMAGEM
Apresentamos definições e Modelos Esquemáticos do Processo de Enfermagem na visão
de diversas autoras.
Segundo Wanda de Aguiar Horta - 1979, o Processo de Enfermagem (PE), é a dinâmica
das ações sistematizadas e inter-relacionadas, visando à assistência ao ser humano.
Caracteriza-se pelo inter-relacionamento de dinamismo de suas fases ou passos.
1. Histórico de Enfermagem 2. Diagnóstico de Enfermagem
Indivíduo
6. Prognóstico Família 3. Plano Assistencial
Comunidade
5. Evolução 4. Prescrição
Para Atkinson e Murray-1989, a prática de enfermagem requer habilidades de
observação, comunicação, reflexão, aplicação do conhecimento das ciências físicas e do
comportamento, além de se fazer apreciações e tomar decisões. O PE é uma tentativa de
melhorar a qualidade da assistência ao paciente, na medida em que é planejada para
alcançar as necessidades específicas do paciente, sendo então redigida de forma a que todas
as pessoas envolvidas no tratamento possam ter acesso ao plano de assistência. O PE também
contribui para o crescimento profissional de cada enfermeiro.
34
Identificação do Problema
-coleta de dados
-organização dos dados e análise
-elaboração do diagnóstico de
enfermagem
Planejamento
-estabelecer prioridades
-realizar objetivos
-planejar as ações de enfermagem
Conforme Bárbara Krass Timby-2001, PE é uma seqüência organizada de etapas identificadas
como levantamento de dados, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação,
utilizada pelos enfermeiros para solucionar problemas dos pacientes. Quando os enfermeiros
colocam em prática os modelos do processo de enfermagem, os pacientes recebem cuidados
altamente qualificados.
Para as autoras o PE possui sete características distintas: 1ª. encontra-se no âmbito legal
de enfermagem. 2ª baseia-se no conhecimento. 3ªé planejado. 4ª é centrado no paciente. 5ª é
voltado a metas. 6ª tem prioridades. 7ª é dinâmico.
Para Rosalinda Alfaro-Lefevre-2000, o PE é um método sistemático de prestação de
cuidados humanizados, que enfoca a obtenção de resultados desejados.
35
Avaliação
-avaliação das metas alcançadas
-reformulação do plano assistencial
Implementação
-validar plano de assistência
-documentar plano de assistência
Prestar assistência de Enfermagem
Continuar coleta de dados
Levantamento de dados
-coleta de dados
-organização dos dados
Avaliação
-monitoramento do resultado
no paciente
-solução, manutenção e
revisão do plano de
enfermagem.
Planejamento
-priorização de problemas
-identificação de resultados
Diagnóstico
-análise dos dados
-identificação dos diagnósticos e
dos problemas colaborativos
Implementação
-realização das ordens da enfermagem
-documentação dos cuidados
-seleção de intervenções de enfermagem
-documentação do plano de cuidados
Investigação
Diagnóstico
PlanejamentoImplementaçãoAvaliação
1. O QUE É PROCESSO DE ENFERMAGEM?
“Um método sistemático de prestação de cuidados humanizados, que enfoca a obtenção de
resultados desejados...” (Levefre, 2000).
SISTEMÁTICO - por se constituir de 05 fases:
Investigação,
Diagnóstico,
Planejamento,
Implementação,
Avaliação.
HUMANIZADO - porque o planejamento e cuidados consideram exclusivamente interesses,
ideais e desejos da pessoa, família ou comunidade.
2. PASSOS DO PROCESSO DE ENFERMAGEM
1. INVESTIGAÇÃO: coleta e exame da informação sobre a situação de saúde procurando
evidências de fatores anormais ou fatores de risco que possam contribuir para os problemas de
saúde.
2. DIAGNÓSTICO = IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA2. DIAGNÓSTICO = IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA: análise dos dados e identificação dos
problemas reais e potenciais que são a base para o plano de cuidados.
3. PLANEJAMENTO: 04 ETAPAS CHAVE:
3.1. DETERMINAÇÃO DAS PRIORIDADES IMEDIATAS: quais necessitam atenção imediata? Quais
serão encaminhados para outra pessoa? Quais exigem abordagem multidisciplinar?
3.2. ESTABELECIMENTO DOS RESULTADOS ESPERADOS = metas . O que é esperado que o
paciente ou cliente atinja e em quanto tempo.
3.3. DETERMINAÇÃO DAS INTERVENÇÕES: que intervenções serão prescritas para obtenção dos
resultados?
3.4. REGISTRO OU INDIVIDUALIZAÇÃO DO PLANO DE CUIDADOS: redigir o plano ou adaptar um
plano padronizado.
4. IMPLEMENTAÇÃO: coloca o plano em ação
• Investiga a situação atual da pessoa antes de agir
• Realiza as intervenções
• Comunica e registra
5. AVALIAÇÃO: determina
• se os resultados esperados foram atingidos
• se as intervenções foram efetivas
• se necessárias modificações
• existem novas prioridades de cuidados?
36
M u d a n ç a s n a
s it u a ç ã o d e
s a ú d e . A s s e g u r a r
d a d o s c o r r e t o s
I N V E S T I G A Ç Ã O
lis t a c o r r e t a
c o m p le t a
D I A G N Ó S T I C O
v e r if ic a r
r e s u lt a d o s
d a s
in t e r v e n ç õ e s
P L A N E J A M E N T O
id e n t if ic a r
f a t o r e s q u e
p r e ju d ic a m
a u x ilia m
I M P L E M E N T A Ç Ã O
A V A L I A Ç Ã O
CAPÍTULO 2. 1º PASSO DO PROCESSO ENFERMAGEM - INVESTIGAÇÃO.
Características:
 Determinação da situação de saúde através da coleta de dados.
 A Investigação é um processo permanente
Recursos utilizados para coleta de dados:
• cliente, família, comunidade 
•  pessoas significativas
• registros de enfermagem e médicos 
•  consultas verbais ou escritas
• estudos diagnósticos e literatura relevante 
A entrevista e o Exame Físico proporcionam as informações mais significativas, determinarão os
demais passos do Processo de Enfermagem.
“As pessoas que procuram o atendimento de saúde, estejam bem ou gravemente enfermas, se
encontram em uma posição extremamente vulnerável, necessitam saber que estão em boas
mãos e que sua principal preocupação será abordada”.Lefevre, 2000.
ANTES DE IR PARA A ENTREVISTA:
• organize-se,
• não confie na memória,
• planeje tempo suficiente,
• garanta privacidade,
• concentre-se,
• visualize-se como sendo confiante, útil, calorosa.
AO INICIAR A ENTREVISTA:
- informar seu nome e posição
- saber nome da pessoa e como quer ser chamada
DURANTE A ENTREVISTA: total atenção, sem pressa.
COMO OUVIR: com empatia, encorajar a falar, ouvir sentimentos assim como palavras.
COMO SER ACERTIVO AO FAZER PERGUNTAS
1º perguntar sobre o problema principal
2º obtenha informações específicas sobre sinais e sintomas
3º não use perguntas indutoras
4º use declarações exploratórias
5º use técnicas de comunicação que favoreçam sua capacidade de pensar criticamente *
EXAME FÍSICO
COMO SER ACERTIVO:
1º ser tecnicamente profundo
2º ser sistemático
37
3º habilidoso
INSPEÇÃO: observar cuidadosamente com dedos, olhos, ouvidos, olfato.
AUSCULTAÇÃO: ouvir com estetoscópio
PALPAÇÃO: tocar e pressionar para testar dor, sentir estruturas internas.
PERCUSSÃO: golpeara superfície para verificar reflexos ou líquidos (dedos, martelo de
percussão).
AGRUPAMENTO DOS DADOS OBTIDOS
Dados objetivos
Dados subjetivos
Os dados que o enfermeiro coletar serão dispostos conforme modelo conceitual do
serviço de enfermagem, expresso no instrumento elaborado para realização da Investigação.
Apresento a seguir exemplos de taxonomias que poderão orientar a elaboração de
impressos para coleta de dados, lembrando que devem refletir o modelo conceitual elaborado
pelo serviço de enfermagem da instituição.
Organização dos dados pela Teoria das NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS de Maslow.
1. NECESSIDADES FISIOLÓGICAS: alimentação, líquidos, oxigênio, eliminação, calor, conforto
físico.
2. NECESSIDADES DE SEGURANÇA:Coisas necessária para segurança física como bengala, e
para a segurança psicológica como brinquedo favorito da criança
3. NECESSIDADE DE AMAR E PERTENCER:Família e pessoas significativas
NECESSIDADE DE AUTO-ATUALIZAÇÃO:Necessidade de crescer, modificar-se, atingir uma meta
Organização dos dados coletados na investigação, conforme TEORIA DAS
NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS segundo Wanda de Aguiar Horta.
1. PSICOBIOLÓGICAS: oxigenação, hidratação nutrição, eliminação, sono e repouso, exercício e
atividade física, sexualidade, abrigo, mecânica corporal, integridade cutâneo-mucosa,
integridade física, Regulação: térmica, hormonal, neurológica, hidrosalina, eletrolítica,
imunológica, crescimento celular, vascular; percepção: olfativa, gustativa, tátil, visual, dolorosa;
locomoção, ambiente, terapêutica.
2.PSICOSOCIAIS: segurança, amor, liberdade, comunicação, criatividade, aprendizagem,
gregária, recreação, lazer, espaço, orientação no tempo e espaço, aceitação, auto-
realização, auto-estima, auto-imagem, participação, atenção.
3.PSICOESPIRITUAIS: religiosas ou teológica, ética ou de filosofia de vida.
Organização dos dados coletados na investigação, conforme PADRÕES
FUNCIONAIS DE SAÚDE de Gordon.
1. PERCEPÇÃO DE SAÚDE/CONTROLE DE SAÚDE: Percepção do estado geral de saúde, do bem-
estar. Adesão às práticas preventivas de saúde
2. NUTRICIONAL – METABÓLICO: padrões de ingesta de alimentos e de líquidos, Equilíbrio hídrico
e eletrolítico, capacidade geral de cicatrização.
3. ELIMINAÇÃO: padrões da função excretória: intestinal, urinária e da pele, e Percepção do
cliente.
38
4. ATIVIDADE/EXERCÍCIO: padrão de exercício-atividades, lazer, recreação e atividades da vida
diária; fatores que interferem no padrão individual desejado ou esperado.
5. COGNITIVO-PERCEPTIVO: adequação dos modos sensoriais como audição, visão, paladar,
toque, olfato, percepção da dor, as capacidades cognitivas funcionais
6. SONO/REPOUSO: padrões de sono e períodos de repouso/relaxamento durante as 24 h do
dia, assim como a qualidade e a quantidade.
7. AUTOPERCEPÇÃO/AUTOCONCEITO: atitudes sobre sí mesmo, percepção das capacidades,
imagem corporal, sentido geral de valor e padrões emocionais.
8. PAPEL/RELACIONAMENTO: percepção dos principais papéis e responsabilidades na Situação
de vida atual.
9. SEXUALIDADE/REPRODUÇÃO: satisfação ou insatisfação percebidas com a
sexualidade.Padrão e estágio reprodutivo.
10.ENFRENTAMENTO/TOLERÂNCIA AO ESTRESSE: padrões gerais de enfrentamento, tolerância ao
estresse, sistemas de apoio e capacidade percebida para controlar as situações
11.VALOR/CRENÇAS: valores, metas ou crenças que orientam as escolhas ou decisões.
Organização dos dados coletados na investigação conforme PADRÕES DA RESPOSTA
HUMANA-PESSOA UNITÁRIA, NANDA. (taxonomia I)
1. TROCAS: situação nutricional, temperatura, eliminação, oxigenação, circulação, equilíbrio
hídrico, pele e mucosas, risco de traumatismo.
2. COMUNICAÇÃO: capacidade de expressar os pensamentos verbalmente, orientação,
deficiência da fala, barreiras idiomáticas.
3. RELAÇÃO: estabelecimento de vínculos, interação social, sistemas de apoio, desempenho de
papel, paternidade, o papel sexual.
4. VALORIZAÇÃO: preferências e práticas religiosas e culturais, relacionamento com a
divindade, percepção do sofrimento, aceitação da doença.
5. ESCOLHA: capacidade para aceitar ajuda e tomar decisões, adaptações à situação de
saúde, desejo de independência/dependência, negação do problema, adesão às terapias.
6. MOVIMENTO: tolerância à atividade, capacidade de autocuidado, padrões de sono,
atividades de diversão, história de incapacidade, necessidade de segurança, amamentação.
7. PERCEPÇÃO: imagem corporal, auto-estima, capacidade de usar os cinco sentidos,
significado de esperança, percepção da capacidade de controlar a situação atual.
8. CONHECIMENTO: conhecimento sobre a doença atual ou terapias, doenças prévias, fatores
de risco, expectativas sobre a terapia, capacidade cognitiva, prontidão para aprender,
orientação, memória.
9. SENTIMENTO: dor, luto, risco de violência, nível de ansiedade, integridade emocional.
Organização dos dados coletados na investigação conforme NANDA (taxonomia II).
1. PROMOÇÃO DA SAÚDE: consciência da saúde, controle da saúde.
2. NUTRIÇÃO: ingestão, digestão, absorção, metabolismo, hidratação.
3. ELIMINAÇÃO: sistema urinário, sistema gastrintestinal, sistema tegumentar, sistema pulmonar.
4. ATIVIDADE/REPOUSO: sono e repouso, atividade/exercício, equilíbrio de energia, respostas
cardiovasculares e pulmonar.
5.PERCEPÇÃO/COGNIÇÃO:atenção,orientação,sensação/percepção,cognição,comunicação
6. AUTO-PERCEPÇÃO: auto-conceito, auto-estima, imagem corporal.
7. RELACIONAMENTOS DE PAPEL: papéis do cuidador, relações familiares, desempenho de
papel.
8. SEXUALIDADE: identidade sexual, função sexual, reprodução.
9. ENFRENTAMENTO/TOLERÂNCIA AO ESTRESSE: resposta pós-trauma, resposta de enfrentamento,
estresse neuro-comportamental.
10. PRINCÍPIOS DE VIDA: valores, crenças, congruência entre valores/crença/ação.
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11. SEGURANÇA/PROTEÇÃO: infecção, lesão física, violência, riscos ambientais, processos
defensivos, termorregulação.
12. CONFORTO: conforto físico, conforto ambiental, conforto social.
13. CRECIMENTO/DESENVOLVIMENTO: crescimento, desenvolvimento.
ATIVIDADE
1) Agrupar os dados abaixo descritos, conforme teoria que embasa o serviço de enfermagem.
1.Homem de 21 anos
2.Casado, sem filhos*.
3.Ocupação: Bombeiro*
4.Altura: 1,82 m; peso: 80 kg.
5.Temperatura: 36,6°C; Pulso: 60;
Respiração: 16.
6.Pressão sanguínea: 110/60
7.Inconsciente devido a
traumatismo cefálico
8.Respiração espontânea
9.Pulmões limpos
10.História de convulsões
11.Foley drenando urina clara
12.Esposa relata que está sempre constipado
13.Alimentação por sonda nasogástrica a cada 4 horas
14.Extremidades rígidas
15.Áreas avermelhadas nos dois cotovelos
16.Alérgico à penicilina
17.Esposa relata que antes do acidente ele se
orgulhava de estar com bom condicionamento
18Esposa relata que estavam considerando a
conversão para o catolicismo antes do acidente
a) Organização dos dados pelas Necessidades Humanas Básicas (Maslow)
1. Fisiológicas: 1,4...
2. Segurança:
3. Amar e pertencer:
4. Auto-estima:
5. Auto-atua1ização:
b) Organização dos dados pelos padrões funcionais de saúde de Gordon
1. Padrão de percepção/manutenção da saúde:
2. Padrão nutricional/metabólico:
3. Padrão de eliminação:
4. Padrão de atividade-exercício:
5. Padrão cognitivo-perceptivo:
6. Padrão de sono-repouso:
7. Padrão de autopercepção-autoconceito:
8. Padrão de participação-relacionamento:
9. Padrão de sexualidade-reprodução:
10. Padrão de enfrentamento-tolerância ao estresse:
11. Padrão de valor-crença:
c) Organização dos dados pelos sistemas orgânicos para determinar o que deve ser
encaminhado ao médico
1. Sinais vitais (perfil do cliente):
2. Sistema respiratório:
3. Sistema cardiovascular:
4. Sistema nervoso:
5. Sistema músculo-esquelético:
6. Sistema gastrintestinal:
40
7. Sistema geniturinário:
8. Sistema tegumentar:
2. Transformar em perguntas abertas.
1. você está se sentindo melhor?
2. Você gostou do jantar?
3. Você está com dor?
4. Você não vai andar?
3. Transformar em perguntas investigativas.
1. tenho estado meio doente este mês.
2. Nada dá certo para mim.
3. Parece haver uma dor em meu lado direito
que vem e vai
4. Estou tendo uma sensação estranha há
uma semana.
4)Análise de agrupamentos de dados em impressos de diversas instituições de saúde.
5) Elaboração de um impresso dentro de um referencial teórico.
CAPÍTULO 3. 2º PASSO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM – DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM.
1. O QUE É DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM?
“O DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM é uma atividade intelectual do
enfermeiro na qual ele usa suas habilidades críticas para identificar e julgar
problemas de saúde, além de determinar a natureza deles, possibilitando o
planejamento das ações de enfermagem” ( Wilkerson, 1992; Carpenito,
1994; Iyer; Taptich; Bernocchi-Losey, 1993).
“O DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM é um julgamento clínico sobre as
respostas do indivíduo, da família ou da comunidade aos problemas de
saúde/processos vitais reais ou potenciais, que embasa a seleção das
intervenções de enfermagem, visando ao alcance dos resultados pelos
quais a enfermeira é responsável” (definição aprovada pela NANDA,
1990).
IMPORTÂNCIA DE SUA UTILIZAÇÃO PELA ENFERMEIRA
 clarifica a função da enfermeira, distingue seu campo de atuação.
 Favorece a autonomia profissional.
 Requer responsabilidade de avaliar o cliente, determinar e intervir adequadamente.
 Cria linguagem comum que auxilia o desenvolvimento da Metodologia da Assistência de
Enfermagem.
 Aprofundamento permanente do conhecimento do enfermeiro.
IMPORTÂNCIA DE SUA UTILIZAÇÃO PARA A ENFERMAGEM
 Instrumento adequado para expressar a prática da enfermagem.
 Fortalecimento político da enfermagem.
 Respaldo legal para o profissional.
41
 Indica qualidade da assistência.
2. BREVE HISTORICO
1953 – Fry identificou 05 áreas de necessidades dos clientes de domínio da enfermagem.
1950 – McManus, primeira a usar o termo na literatura de enfermagem para escrever as
funções do profissional enfermeiro.
1960 – Abdellah desenvolveu lista de 21 problemas de enfermagem, considerado um dos
primeiros sistemas de classificação para prática enfermagem.
1973 – ANA – Américan Nurses Association, utilizou o termo ao desenvolver os padrões gerais
para a prática de enfermagem (oito padrões), baseados no processo de enfermagem.
1982 – criação da NANDA – Associação Norte Americana de Diagnóstico de Enfermagem
AMERICAN NURSES ASSOCIATION – ANA/1986
⇓
SOLICITA A INSERÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO DE DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM
NAS “OUTRAS CLASSIFICAÇÕES RELACIONADAS À SAÚDE” DO CID-10
⇓
A OMS ACEITOU e “recomendou a formulação de um sistema de classificação internacional
para a enfermagem, que deveria ser conduzido por uma entidade internacional de
enfermagem, para que, dessa forma, fosse representativa da enfermagem mundial. (Lang e
Gebbie, 1989)”.
⇓
EM -1989, no CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM DE SEUL,
Desencadeou-se o processo de FORMULAÇÃO DE UM SISTEMA para descrever a prática de
enfermagem a partir de uma nomenclatura compartilhada por enfermeiros de todo mundo.
⇓
O CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM-CIE verificou que já havia, sistemas de
classificação desenvolvidos na Áustria, Suécia, Bélgica, Dinamarca e Estados Unidos.
⇓
AS CLASSIFICAÇÕES foram analisados pela comissão da CID-10, e, as aceitas publicadas em
1993
Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem – CIPE “·”.
⇓
O CIE identificou direcionamento hospitalar na publicação 1993
⇓
1994 EM TEXCALA/MÉXICO foi criado o SISTEMA INTERNACIONAL PARA ÁREA DE SAÚDE COLETIVA
– CIPESC
BRASIL MATO GROSSO
Os diagnósticos de Enfermagem no Brasil:
1970 – Wanda Aguiar Horta inclui no processo de enfermagem a etapa
Diagnóstico de Enfermagem
1980- os DE aparecem em dissertações de mestrado e são incluídos nos
currículos faculdades.
1995 - ABEN NACIONAL REALIZOU “I Encontro Internacional para países de
língua estrangeira” onde se elaborou um protocolo de organização para
pesquisa nacional de Diagnósticos de Enfermagem.
1996 - “I oficina de trabalho onde foi elaborado o Projeto de Classificação Nacional da
Prática de Enfermagem em Saúde Coletiva”.
42
1998 – ABEN e Grupo de Estudos sobre Metodologia da Assistência (GEMA - Paraná) realizou
primeiro Simpósio Nacional sobre diagnóstico de enfermagem.
“Processo de construção de linguagem compartilhada que expresse o que as enfermeiras
fazem, relacionado a quais necessidades e para alcançar quais objetivos” (CIE, 1996).
2000- Os diagnósticos de enfermagem publicados pela NANDA começam a ser utilizados nos
serviços e no ensino.
2003- Escola de Saúde Pública do Estado de Mato Grosso realiza oficinas para instrumentalizar
enfermeiros dos Hospitais regionais do Estado quanto ao PE, especialmente diagnóstico de
enfermagem.
2004- O COREN-MT realiza oficinas com Responsáveis Técnicos dos Serviços de Enfermagem
de MT sobre SAE enfatizando utilização dos DE.
2005- O COREN-MT mantém oficinas em pólos regionais do estado para estudo da SAE e
revisão/aprendizagem de elaboração dos DE.
3. COMPONENTES DO DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM
TÍTULO: estabelece um nome para um diagnóstico.
DEFINIÇÃO: descrição clara e precisa do título, seu significado.
CARACTERÍSTICAS DEFINIDORAS: sinais e sintomas. É descrita como:
CRÍTICA – se precisa estar presente para se estabelecer o diagnóstico
MENOR – se proporciona evidência de sustentação ao diagnóstico mas não está presente
MAIOR – se está usualmente presente se o diagnóstico existe.
FATORES RELACIONADOS: São condições ou circunstâncias que causam ou contribuem para o
desenvolvimento do diagnóstico.
FATORES DE RISCO: fatores ambientais, elementos fisiológicos, psicológicos, genéticos, químicos,
que aumentam a vulnerabilidade de um indivíduo, de uma família ou de uma comunidade a
um evento insalubre. *
4. REGRAS PARA REDIGIR DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM
1. DIAGNÓSTICO REAL
TÍTULO + FATORES RELACIONADOS + CARACTERÍSTICA
DEFINIDORA
(o que causa ou contribui) (sinais e sintomas)
2. DIAGNÓSTICO DE RISCO
TÍTULO + FATORES DE RISCO (aquilo que aumenta a vulnerabilidade)
3. DIAGNÓSTICO DE BEM ESTAR
TÍTULO + CARACTERÍSTICAS DEFINIDORAS
4. DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME
TÍTULO
• Para ligar o TÍTULO ao FATOR RELACIONADO (CAUSA) usar as palavras:
ANTECEDENTES A
ASSOCIADOS COM
RELACIONADOS A
CONTRIBUINTES PARA
ESTIMULADORES
• Para ligar FATOR RELACIONADO à CARACTERÍSTICA DEFINIDORA (SINAIS E SINTOMAS)
usar as palavras:
43
MANIFESTADO POR,
CARACTERIZADO POR,
EVIDENCIADO POR
EXEMPLOS:
1. DIAGNÓSTICO REAL OU VIGENTE
Eliminação urinária alterada RELACIONADA A infecção do trato urinário MANIFESTADA POR
disúria.
2. DIAGNÓSTICO DE RISCO
Risco para auto mutilação RELACIONADO A sentimento de rejeição, aversão por si mesmo.
3. DIAGNÓSTICO DE BEM ESTAR
Potencial para enfrentamento comunitário EVIDENCIADO POR comunicação positiva
entre membros da comunidade.
4. DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME
Síndrome do estupro, Síndrome do desuso.
ATIVIDADE: EXERCÍCIO DE FORMULAÇÃO DE DIAGNÓSTICOS
EXERCÍCIO 1 -RELATIVOS A IDENTIFICAÇÃO DE DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM.
Utilize a lista de diagnóstico ABAIXO para identificar o Diagnóstico de Enfermagem adequada
às situações descritas.
Título de Diagnósticos:
1.Fadiga.
2.Ansiedade.
3.Integridade da pele prejudicada.
4.Déficit de conhecimento.
5.Desobstrução ineficaz das vias aéreas.
6.Risco para integridade da pele prejudicada.
7.Nutrição alterada: ingestão menor que a
necessidade.
8.Mobilidade no leito prejudicada.
9.Comunicação prejudicada.
1. Sr. José: obeso, apresenta sudorese excessiva, encontra-se confinado ao leito.
2. Jaci: apresenta incapacidade de falar ou compreender o português.
3. Cássia: incontinência urinária, área perineal vermelha e escoriação.
4. Fábio: declara sentir-se um tanto nervoso, mas não consegue detectar a causa. Encontra-se
inquieto, olha em torno, não faz bom contato visual.
5. Carla: refere estar se alimentando muito pouco devido a desconforto na garganta.
6. João: refere não saber como aplicar a injeção de insulina.
7. Adriana: relata estar sem apetite há duas semanas. Está 10 quilos abaixo do peso
recomendado.
8. Daniel: Declara estar resfriado há duas semanas; devido a dor na parte inferior das costas,
evita tossir apesar de ter vontade. Escarra muco branco e espesso.
9. Joana: refere dificuldade para virar-se de um lado para outro e de mover-se da posição
supina para a posição sentada.
44
10. Jafie: refere incapacidade de restaurar energias mesmo após o sono, falta de energia. Seu
hematócrito evidencia anemia severa.
EXERCÍCIO 2 - RELATIVOS A DECLARAÇÃO DE DIAGNÓSTICOS.
Escolha o diagnóstico apropriado e redija uma declaração de diagnóstico
Diagnóstico real ou vigente
(RELACIONADOS A) (MANIFESTADO POR)
TITULO + FATORES RELACIONADOS + característica DEFINIDORA
Diagnóstico + que causa ou contribui + sinais e sintomas
Diagnóstico de risco ou potencial
(RELACIONADOS A)
Título + FATOR DE RISCO
Diagnóstico + aumentam a vulnerabilidade
Os dados apresentados abaixo combinam com um dos seguintes diagnósticos:
• Impotência,
• Nutrição alterada: ingestão menor que as necessidades corporais
• Mucosa oral alterada
• Desobstrução ineficaz das vias aéreas.
• Alto risco para integridade da pele
• Manutenção da saúde alterada
• Angústia espiritual
1. O Sr. Antônio apresentou as seguintes indicações.
Dados subjetivos: solicita ajuda para expelir as secreções, declara que consegue desobstruir as
vias aéreas com ajuda da aspiração.
Dados Objetivos: secreção copiosa do tubo de traqueotomia.
Diagnóstico de Enfermagem:
2. Aline apresenta os seguintes sinais e sintomas:
Dados subjetivos: relata estar sem apetite há duas semanas devido à depressão.
Dados Objetivos: perdeu 3 quilos desde a última consulta, está 5 quilos abaixo do peso
esperado.
Diagnóstico de Enfermagem:
3. Josias apresenta os seguintes sinais e sintomas:
Dados subjetivos: relata estar deprimido e não ter controle sobre as atividades de sua vida
diária. Dados Objetivos: ela é quadriplégica e tem horário rigoroso de fisioterapia diária.
Diagnóstico de Enfermagem:
45
4. Abel apresenta os seguintes sinais e sintomas:
Dados subjetivos: solicita ajuda para higienizar a boca.
Dados Objetivos: respiração pela boca, língua saburrosa, halitose.
Diagnóstico de Enfermagem:
5. Jaime apresenta os seguintes sinais e sintomas
Dados subjetivos: relata incapacidade de abandonar os vícios de fumar e beber.
Dados Objetivos: fez uma aposta e parou de fumar e beber por 5 dias.
Diagnóstico de Enfermagem:
6. Fabrício apresenta os seguintes sinais e sintomas.
Dados subjetivos: refere que tem dificuldade para mover-se.
Dados Objetivos: turgor e elasticidade da pele diminuídos, mantem-se imóvel.
Diagnóstico de Enfermagem:
7. Angela apresenta os seguintes sinais e sintomas.
Dados subjetivos: refere que está sendo castigada por Deus porque há tempos não vai a igreja.
Dados Objetivos: solicitou a presença do padre e encontra-se chorosa.
Diagnóstico de Enfermagem:
CAPÍTULO 4. 3º PASSO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM – PLANEJAMENTO.
1. CONSISTE EM:
 Estabelecer prioridades e resultados
 Determinar prescrições de enfermagem
 Registrar plano de cuidados
OBJETIVOS:
• Promover a comunicação entre cuidadores
• Direcionar o cuidado e a documentação
• Criar registro para avaliações, pesquisa, uso legal
• Documentação das necessidades de atendimento/plano saúde
2. PLANO DE CUIDADOS
Componentes do plano de cuidados:
• DIAGNÓSTICOS OU PROBLEMAS/ESTABELECIMENTO DE PRIORIDADE
Qual problema exige plano de cuidados?
• RESULTADOS ESPERADOS
Quais resultados esperados e a partir de quando espera vê-los?
• DESCRIÇÃO DAS INTERVENÇÕES/PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM
O que será feito para alcançar resultados esperados?
1º ESTABELECIMENTO DE PRIORIDADES
• Escolher método para designar prioridades
46
• Priorizar problemas que são fatores contribuintes para outros problemas
• Determinar os que necessitam atenção imediata
• Identificar problemas de solução simples
• Determinar como cada problema será controlado
Responsabilidade do enfermeiro quanto a PROBLEMAS COLABORATIVOS E MULTIDISCIPLINARES
- DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM: responsável exclusivo para detectar e controlar o problema
- PROBLEMAS COLABORATIVOS: responsável por plano que monitore, detecte sinais e sintomas
de complicações potenciais e implementação de prescrições médicas com segurança.
- PROBLEMAS MULTIDISCIPLINARES: deve refletir o resultado desejado para a alta.
2º ESTABELECEIMENTO DE RESULTADOS
Mede o sucesso do plano
Dirigem as intervenções: “Você deve saber o que alcançar antes de decidir
como(Lefevre,2000).
COMO REGISTRAR OS RESULTADOS ESPERADOS, OU SEJA, COMO FORMULAR AS METAS.
• SUJEITO: a pessoa
• VERBO: ações que a pessoa deve realizar
• CONDIÇÃO: sob quais circunstâncias a pessoa realiza a ação
• CRITÉRIO DE DESEMPENHO: como deve ser o desempenho da pessoa
• TEMPO ESPERADO: quando é esperado que a pessoa desenvolva a ação
EXEMPLO: João andara sem auxilio até o final do corredor ao final de uma semana
3º PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM
São intervenções de enfermagem realizadas para:
• Monitorar o estado de saúde
• Minimizar riscos
• Resolver ou controlar problemas
• Auxiliar nas atividades diárias
• Promover a saúde e a independência
O que deve conter?
• DATA
• VERBO - no infinitivo
• SUJEITO - quem deve fazer
• FRASE DESCRITIVA - como, quando, onde, com que freqüência, por quanto tempo,
quanto.
• ASSINATURA - ser consistente sobre o que assina
ESCOLHA DE VERBOS.
Ao escrever seu plano, ou seja, estabelecer resultados esperados, utilize VERBOS:
MENSURÁVEIS
• Escolher
• Descrever
• Desempenhar
• Relatar
• Afirmar
• Listar
• Verbalizar
• Segurar
• Demonstrar
• Compartilhar
• Expressar
• Perder
• Ganhar
• Ter ausência de
• Exercitar
• Comunicar
• Tossir
• Caminhar
• Ficar de pé
• Sentar
• Discutir
COGNITIVO AFETIVO PSICOMOTOR
47
• Ensinar
• Discutir
• Identificar
• Descrever
• Listar
• Explorar
• Expressar
• Compartilhar
• Ouvir
• Comunicar
• Relacionar
• Demonstrar
• Praticar
• Desempenhar
• Caminhar
• Administrar
• Dar
CAPITULO cinco. 4º PASSO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM - IMPLEMENTAÇÃO
Consiste na colocação do plano em ação.
1. DICAS PARA IMPLEMENTAÇÃO
• Saber sobre problemas dos pacientes e tratamento
• Levar material para anotação na passagem de plantão
• Após passagem plantão priorizar ações
• Elaborar lista pessoal de tarefas
• Delegar ações:
As tarefas devem ser delegadas conforme o previsto na Lei do Exercício Profissional e
regulamentado pelo COFEN, protocolos e procedimentos.
Há quatro facetas certas da “delegação de tarefas” segundo Hansten e Washburn,1992
1. a tarefa certa,
2. para a pessoa certa,
3. usar comunicação correta,
4. realização da avaliação da resposta do paciente certa.
2. DICAS PARA REGISTRO
Registrar:
• Se possível logo após cuidar.
• As variações do normal, o diferente.
• Os fatos, evitar julgamentos.
3. DICAS PARA PASSAGEM PLANTÃO
• Usar guia escrito
• Iniciar: nome, idade, diagnóstico médico, de enfermagem,
• Procedimentos realizados
• Achados anormais com evidências
CAPÍTULO 6. 5º PASSO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM - AVALIAÇÃO
“Consiste na avaliação deliberada, detalhada de vários aspectos do cuidado ao paciente – é
a chave para a excelência no fornecimento do cuidado à saúde”.Levefre, 2000.
1. A AVALIAÇÃO INCLUI:
• Determinação da obtenção dos resultados
• Identificação de fatores que afetam a obtenção de resultados
48
• Decisão de continuar, modificar ou terminar o plano.
2. RESUMO DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DE UM PLANO DE CUIDADOS
INVESTIGAÇÃO: Realizar um a investigação para determinar qualquer mudança na situação de
saúde e assegurar que todos os dados estejam corretos e completos
DIAGNÓSTICO: assegurar que a lista de diagnósticos esteja correta e completa, e que os pontos
fortes e os recursos estejam identificados.
PLANEJAMENTO: verificar a propriedade dos resultados e das intervenções e se os resultados
estão sendo alcançados.
IMPLEMENTAÇÃO: determinar a implementação do plano prescrito e identificar os fatores que
auxiliam ou prejudicam o progresso.
BIBLIOGRAFIA
WESTPHALEN &CARRARO. Metodologias para a assistência de enfermagem.Goiânia.Editora AB,
2001.
LEFEVRE, Rosalinda Alfaro. Aplicação do Processo de Enfermagem: um guia passo a passo. 4ª
ed. Porto Alegre; Artmed, 2000.
GEORGE, B.J. e colaboradores. Teorias de Enfermagem: os fundamentos à prática profissional.
4ª ed.Porto Alegre: Artemed, 2000.
ATKISON, Leslie D.; MURRAY Mary Hellen. Fundamentos de Enfermagem. Rio de
Janeiro:Guanabara Koogan,1989.
49
M u d a n ç a s n a
s it u a ç ã o d e
s a ú d e . A s s e g u r a r
d a d o s c o r r e t o s
I N V E S T I G A Ç Ã O
l is t a c o r r e t a
c o m p l e t a
D I A G N Ó S T I C O
v e r if ic a r
r e s u lt a d o s
d a s
in t e r v e n ç õ e s
P L A N E J A M E N T O
id e n t if i c a r
f a t o r e s q u e
p r e ju d ic a m
a u x ilia m
I M P L E M E N T A Ç Ã O
A V A L I A Ç Ã O
ATIVIDADE: EXERCÍCIOS SOBRE DIAGNÓSTICO e PLANEJAMENTO
A partir do caso descrito, desenvolva as etapas de diagnóstico e planejamento do P E.
LEMBRE-SE A FORMA DE REDIGIR OS DIAGNÓSTICOS:
REAL – Título+Fator relacionado+Característica definidora
RISCO – Título+ fator de Risco
BEM ESTAR – Título+Características definidoras
SÍNDROME – Título
Dados
Fernanda, 4 anos, encontra-se na enfermaria G, no momento folheando uma revista e
solicitando a presença da mãe. A avó lhe faz companhia e diz que a mãe está doente, logo
que sarar virá ficar com ela. Ao realizar a Avaliação de Enfermagem, a enfermeira constatou
roncos e estertores disseminados, T 38ºC, curativo do dreno toráxico adequado, frasco coletor
de drenagem toráxica com secreção espumante esverdeada, região perianal hiperimeada
com fissuras. Acompanhante e equipe referem 05 episódios de fezes líquidas amareladas em 6
horas. Enfermeira percebe que a avó, idosa está exausta.
Diagnóstico
Planejamento
Plano Prescrição
50
ANEXOS
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM AGRUPADOS POR NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS
CONFORME WANDA DE AGUIAR HORTA (agrupamento elaborado por Sandra Regina Altoé
utilizando Diagnósticos da NANDA publicação 2003-2004)
NECESSIDADES PSICOBIOLÓGICAS
Regulação neurológica
CAPACIDADE ADAPTATIVA intracraniana reduzida
CONFUSÃO aguda
CONFUSÃO crônica
DISREFLEXIA autonômica
MEMÓRIA prejudicada
NEGLIGÊNCIA unilateral
Risco para DISREFLEXIA
Percepção dos órgãos do sentido
DOR Aguda
DOR crônica
NÁUSEA
PERCEPÇÃO SENSOCRIAL perturbada
Regulação vascular
DEBITO CARDÍACO diminuído
PERFUSÃO TISSULAR ineficaz
Risco de DISFUNÇÃO NEUROVASCULAR periférica
Regulação Térmica
HIPERTERMIA
HIPOTERMIA
Risco de desequilíbrio na TEMPERATURA CORPORAL
TERMORREGULAÇÃO ineficaz
Oxigenação
DESOBSTRUÇÃO INEFICAZ DAS VIAS AÉREAS
PADRÃO RESPIRATÓRIO ineficaz
RESPOSTA disfuncional do DESMAME VENTILARÓRIO
TROCA DE GASES prejudicada
VENTILAÇÃO ESPONTÃNEA prejudicada
51
Hidratação
Disposição para EQUILÍBRIO de líquidos aumentado
Risco de desequilíbrio no VOLUME DE LÍQUIDOS
Risco de VOLUME DE LÍQUIDOS deficiente
VOLUME DE LÍQUIDOS deficiente
VOLUME DE LÍQUIDOS excessivo
Alimentação
AMAMENTAÇÃO EFICAZ
AMAMENTAÇÃO interrompida
Déficit no AUTOCUIDADO para alimentação
DEGLUTIÇÃO PREJUDICADA
DENTIÇÃO PREJUDICADA
Disposição para NUTRIÇÃO melhorada
NÁUSEA
NUTRIÇÃO desequilibrada: mais do que as necessidades
corporais
NUTRIÇÃO desequilibrada: menos do que as
necessidades corporais
PADRÃO ineficaz de alimentação infantil
Risco de ASPIRAÇÃO
Risco de NUTRIÇÃO desequilibrada: mais do que as
necessidades corporais
Eliminação
CONSTIPAÇÃO
CONSTIPAÇÃO PERCEBIDA
DIARRÉIA
ELIMINAÇÃO URINÁRIA MELHORADA
ELIMINAÇÃO URINÁRIA PREJUDICADA
ELIMINAÇÃO URINÁRIA, DISPOSIÇÃO PARA
INCONTINÊNCIA INTESTINAL
INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO
INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE URGÊNCIA
INCONTINÊNCIA URINÁRIA FUNCIONAL
INCONTINÊNCIA URINÁRIA REFLEXA
INCONTINÊNCIA URINÁRIA TOTAL
RETENÇÃO URINÁRIA
Risco de CONSTIPAÇÃO
Risco para INCONTINÊNCIA URINÁRIA de urgência
Integridade Física
INTEGRIDADE DA PELE prejudicada
INTEGRIDADE TISSULAR prejudicada
MUCOSA ORAL prejudicada
Risco para INTEGRIDADE DA PELE prejudicada
Sono e repouso
Disposição para SONO melhorado
Fadiga
PADRÃO DE SONO perturbado
Privação de SONO
Atividade Física
CAPACIDADE de transferência prejudicada
DEAMBULAÇÃO prejudicado
INTOLERÂNCIA À ATIVIDADE
MOBILIDADE com cadeira de rodas prejudicada
MOBILIDADE no leito prejudicada
MOBILIDADE física prejudicada
PERAMBULAÇÃO
RECUPERAÇÃO CIRÚRGICA retardada*
Risco de INTOLERÂNCIA À ATIVIDADE
Risco de síndrome do DESUSO
Cuidado corporal
Déficit no AUTOCUIDADO para banho e/ou higiene
Déficit no AUTOCUIDADO para higiene intima
Déficit no AUTOCUIDADO para vestir-se/ arrumar-se
Segurança física / meio ambiente
COMPORTAMENTO INFANTIL desorganizado
Disposição para COMPORTAMENTO INFANTIL organizado
aumentado
MANUTENÇÃO DO LAR prejudicada
PROTEÇÃO ineficaz
RESPOSTA ALÉRGICA ao látex
Risco da SINDROME DE MORTE SÚBITA da criança
Risco de COMPORTAMENTO INFANTIL desorganizado
Risco de ENVENENAMENTO
Risco de INFECÇÃO
Risco de LESÃO
Risco de LESÃO PERIOPERATÓRIA por posicionamento
Risco de QUEDAS
Risco de RESPOSTA ALÉRGICA ao látex
Risco de SINDROME DO ESTRESSE por mudança
Risco de Síndrome PÓS TRAUMA
Risco de SUFOCAÇÃO
Risco de TRAUMA
Síndrome da INTERPRETAÇÃO AMBIENTAL prejudicada
Síndrome de ESTRESSE POR MUDANÇA
Síndrome PÓS TRAUMA
Regulação: crescimento celular
Atraso no CRESCIMENTO E DO DESENVOLVIMENTO
Risco de ATRASO NO CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO
Risco de CRESCIMENTO DESPROPORCIONAL
Sexualidade
DISFUNÇÃO SEXUAL
PADRÕES DE SEXUALIDADE ineficazes
Terapêutica
CONTROLE AUMENTADO do regime terapêutico
CONTROLE COMUNITÁRIO eficaz do regime terapêutico
CONTROLE EFICAZ do regime terapêutico
CONTROLE FAMILIAR ineficaz do regime terapêutico
CONTROLE INEFICAZ do regime terapêutico
Disposição para CONTROLE aumentado do regime
terapêutico
NECESSIDADES PSICOSSOCIAIS
Comunicação
COMUNICAÇÃO aumentada
COMUNICAÇÃO VERBAL prejudicada
Disposição para COMUNICAÇÃO aumentada
Gregária
INTERAÇÃO SOCIAL prejudicada
ISOLAMENTO SOCIAL
Risco de SOLIDÃO
Recreação e lazer
Atividade de RECREAÇÃO deficiente
Segurança emocional
ANSIEDADE
ANSIEDADE relacionada à morte
DESEMPENHO DE PAPEL ineficaz
Risco de TENSÃO DO PAPEL de cuidador
TENSÃO DO PAPEL de cuidador
Medo
DESESPERANÇA
IMPOTÊNCIA
NEGAÇÃO ineficaz
Risco de IMPOTÊNCIA
Sentimento de IMPOTÊNCIA
Síndrome do TRAUMA DO ESTUPRO
Síndrome do TRAUMA DO ESTUPRO reação composta
52
Síndrome do TRAUMA DO ESTUPRO reação silenciosa
Amor, aceitação
CONFLITO de decisão
CONFLITO NO DESEMPENHO DE PAPEL de pai ou mãe
Disposição para PATERNIDADE ou MATERNIDADE
melhorada
Disposição para PROCESSOS FAMILIARES disfuncionais
PATERNIDADE ou MATERNIDADE melhorada
PROCESSOS FAMILIARES disfuncionais:alcoolismo
PROCESSOS FAMILIARES interrompidos
PROCESSOS FAMILIARES melhorados
Risco de PATERNIDADE ou MATERNIDADE prejudicada
Risco de VÍNCULO PAIS/FILHOS prejudicado
SENTIMENTO DE PESAR antecipado
SENTIMENTO DE PESAR disfuncional
TRISTEZA crônica
Auto-estima, autoconfiança, auto-respeito
ADAPTAÇÃO prejudicada
AUTOCONCEITO melhorado
AUTO-ESTIMA baixa
Automutilação
Baixa AUTO-ESTIMA crônica
Baixa AUTO-ESTIMA situacional
Disposição para AUTOCONCEITO melhorado
Distúrbio da IDENTIDADE PESSOAL
Distúrbio da IMAGEM CORPORAL
Risco de AUTOMUTILAÇÃO
Risco de baixa AUTO-ESTIMA situacional
Risco de SUICÍDIO
Liberdade e participação
CONFLITO de decisão
Disposição para ENFRENTAMENTO AUMENTADO
Disposição para ENFRENTAMENTO COMUNITÁRIO
aumentado
Disposição para ENFRENTAMENTO FAMILIAR aumentado
ENFRENTAMENTO ineficaz
ENFRENTAMENTO COMUNITÁRIO ineficaz
ENFRENTAMENTO DEFENSIVO
ENFRENTAMENTO FAMILIAR comprometido
ENFRENTAMENTO FAMILIAR incapacitado
Educação para saúde/aprendizagem
COMPORTAMENTO DE busca de saúde
CONHECIMENTO deficiente
Disposição para CONHECIMENTO aumentado
INSUFICIÊNCIA do adulto para MELHORAR o seu estado
de saúde
Auto-realização
CONFLITO NO DESEMPENHO do papel do pai e de mãe
Espaço
Criatividade
NECESSIDADES PSICOESPIRITUAIS
Religiosidade/espiritualidade
ANGÚSTIA ESPIRITUAL
CAMPO DE ENERGIA perturbado
Disposição para BEM-ESTAR ESPIRITUAL aumentado
Risco de ANGÚSTIA ESPIRITUAL
53
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM
NANDA-TAXONOMIA Ii
1.PROMOÇÃO DA SAÚDE
Controle eficaz do regime terapêutico
Controle ineficaz do regime terapêutico
Controle familiar ineficaz do regime terapêutico
Controle comunitário ineficaz do regime terapêutico
Comportamento de busca de saúde(especificar)
Manutenção ineficaz da saúde
Manutenção do lar prejudicada
Disposição para o controle aumentado do regime
terapêutico
Disposição para nutrição melhorada
2. NUTRIÇÃO
Padrão ineficaz da alimentação infantil
Deglutição prejudicada
Nutrição desequilibrada:mais do que as necessidades
corporais
Nutrição desequilibrada:menos do que as
necessidades corporais
Risco para Nutrição desequilibrada:mais que as
necessidades corporais
Volume de líquidos deficiente
Risco de volume de líquidos deficiente
Volume excessivo de líquidos
Risco de desequilíbrio de volume de líquidos
Disposição para equilíbrio de líquidos aumentado
4.ELIMINAÇÃO
Eliminação urinária alterada
Retenção urinária
Incontinência urinária total
Incontinência urinária funcional
Incontinência urinária de esforço
Incontinência urinária de urgência
Incontinência urinária reflexa
Risco de incontinência urinária de urgência
Disposição para eliminação urinária melhorada
Incontinência intestinal
Diarréia
Constipação
Risco de constipação
Constipação percebida
Troca de gases prejudicada
5.ATIVIDADE/REPOUSO
Padrão de sono perturbado
Privação de sono
Disposição para sono melhorado
Risco de síndrome do desuso
Mobilidade física prejudicada
Mobilidade no leito prejudicada
Mobilidade com cadeira de rodas prejudicada
Capacidade de transferência prejudicada
Deambulação prejudicada
Atividades de recreação deficientes
Perambulação
Déficit no auto-cuidado para vestir-se/arrumar-se
Déficit no auto-cuidado para banho/higiene
Déficit no auto-cuidado para alimentação
Déficit no auto-cuidado parahigiene íntima
Recuperação cirúrgica retardada
Campo de energia perturbado
Fadiga
Débito cardíaco diminuído
Ventilação expontãnea prejudicada
Padrão respiratório ineficaz
Intolerância à atividade
Resposta disfuncional ao desmame ventilatório
Perfusão tissular ineficaz(especificar tipo:renal, cerebral,
cardiopulmonar, gastrintestinal, periférica)
5. PERCEPÇÃO/COGNIÇÃO
Negligência unilateral
Síndrome da interpretação ambiental prejudicada
Perambulação
Percepção sensorial perturbada(especificar:visual,
auditiva,olfativa,tátil, cinestésica, gustativa)
Conhecimento deficiente(especificar)
Disposição para conhecimento
aumentado(especificar)
Confusão aguda
Confusão crônica
Memória prejudicada
Processo do pensamento perturbado.
Comunicação verbal prejudicada
Disposição para comunicação aumentada
6.AUTOPERCEPÇÃO
Distúrbio da identidade pessoal
Sentimento de impotência
Risco de sentimento de impotência
Desesperança
Risco de solidão
Disposição para autoconceito melhorado
Baixa auto-estima crônica
Baixa auto-estima situacional
Risco de baixa auto-estima situacional
Distúrbio da imagem corporal
7RELACIONAMENTO DE PAPEL
Tensão do papel do cuidador
Risco de tensão do papel do cuidador
Paternidade ou maternidade prejudicada
Risco Paternidade ou maternidade prejudicada
Disposição para Paternidade ou maternidade
prejudicada
Processos familiares interrompidos
Disposição para processos familiares melhorados
Processos familiares disfuncionais:alcoolismo
Risco de vínculo pais-filho prejudicado
Amamentação eficaz
Amamentação ineficaz
Amamentação interrompida
Desempenho de papel ineficaz
Conflito no desempenho de papel pai/mãe
Interação social prejudicada
8.SEXUALIDADE
Disfunção sexual
Padrões de sexualidade ineficazes
9.ENFRENTAMENTO/TOLERÂNCIA AO ESTRESSE
Síndrome do estresse por mudança
Risco de síndrome do estresse por mudança
Síndrome do trauma por estupro
Síndrome do trauma por estupro:reação silenciosa
Síndrome do trauma por estupro:reação composta
Síndrome pós-trauma
Risco de síndrome pós-trauma
Medo
Ansiedade
Ansiedade relacionada a morte
Tristeza crônica
Negação ineficaz
Sentimento de pesar antecipado
Sentimento de pesar disfuncional
Adaptação prejudicada
Enfrentamento ineficaz
Enfrentamento familiar incapacitado
Enfrentamento familiar comprometido
Enfrentamento defensivo
Enfrentamento comunitário ineficaz
Disposição para enfrentamento aumentado
Disposição para enfrentamento familiar aumentado
Disposição para enfrentamento comunitário
aumentado
Disreflexia autonômica
Risco de disreflexia autonômica
Comportamento infantil desorganizado
Risco de comportamento infantil desorganizado
Disposição para comportamento infantil organizado
aumentado
Capacidade adaptativa intracraniana diminuída
10. PRINCÍPIOS DE VIDA
Disposição para bem estar espiritual aumentado
Angústia espiritual
Risco de angústia espiritual
Conflito de decisão(especificar)
Desobediência(especificar)
11.SEGURANÇA/PROTEÇÃO
Risco de infecção
Mucosa oral prejudicada
Risco de lesão
Risco de lesão perioperatória por posicionamento
Risco de quedas
Risco de trauma
Integridade da pele prejudicada
Risco de integridade da pele prejudicada
Integridade tissular prejudicada
Dentição prejudicada
Risco de sufocação
Risco de aspiração
Desobstrução ineficaz de vias aéreas
Risco de disfunção neurovascular periférica
Proteção ineficaz
Risco de síndrome de morte súbita
Risco de automutilação
Automutilação
Risco de violência direcionada a outros
Risco de violência direcionada a si mesmo
Risco de suicídio
Risco de envenenamento
Resposta alérgica ao látex
Risco de resposta alérgica ao látex
Risco de desequilíbrio na temperatura corporal
Termorregulação ineficaz
Hipotermia
Hipertermia
12.CONFORTO
Dor aguda
Dor crônica
Náusea
Isolamento social
13.CRESCIMENTO/DESENVOLVIMENTO
Risco de crescimento desproporcional
Insuficiência do adulto para melhorar seu estado de
saúde
Atraso no crescimento e desenvolvimento
Risco de atraso no crescimento e desenvolvimento
TAXONOMIA NNN DA PRÁTICA DE
ENFERMAGEM.
Vem sendo desenvolvida uma estrutura
comum para a prática de enfermagem
incluindo dados da NANDA(Diagnósticos de
Enfermagem), NIC(Classificação das
Intervenções de Enfermagem) e
NOC(Classificação dos Resultados de
Enfermagem).
TEORIAS DE ENFERMAGEM DE 1859 a 1990
Data Autores
1859 Florence Nightingale
Teoria ambientalista, assume a Enfermagem como diferente da medicina e propõe a sua
organização e o processo administrativo para as tarefas e pessoal assistente.
1952 Hildegard Peplau
Teoria interpessoal, reflete o modelo psicoanalítico vigente; tensões e frustrações se
opõem a objetivos, dando margem a conflitos, agressão e ansiedade. Baseou.se em
Sullivan.
1955 Virginia Henderson
A função da Enfermagem é assistir ao individuo doente ou sadio no desenho de
atividades que contribuem para a saúde ou para uma morte tranqüila: ajudando para a
independência. Baseou-se em Thomdike e se propôs a desenhar o quadro de funções
autônomas da Enfermagem.
1958 Ernestine Wiedenbach
Concentrou-se na arte (prática), tendo como foco a necessidade do paciente, sendo a
Enfermagem um processo nutridor. Diz que a Enfermagem tem quatro elementos de
assistência: filosofia, propósito e arte. 3aseou-se em Orlando.
1959 Doroty Johnson
Sustentada na etnologia e teoria sistêmica, ela diz que há uma regularidade de forças
externas que atuam para preservar a organização e integração do comportamento do
paciente, sendo este um sistema de comportamento. com subsistemas que requerem
proteção, estimulação e Enfermagem.
1960 Faye Abdellah
Aproximação para uma Enfermagem centrada no paciente. Usa o método de resolução
de problemas para lidar com 21 problemas de Enfermagem relacionados com
necessidades dos pacientes, para sustentação, restauração, prevenção, auto-ajuda,
déficit ou excesso de necessidades. Baseou-se em Maslow. I
1960 Josephine Patterson e Loretta Zderad
Enfermagem humanista, a situação dos indivíduos é experienciada existencialmente pelos
enfermeiros; a pessoa é uma unidade holística intelectual; desenvolve o termo
"nursologia”, sendo Enfermagem um ato inter.humano e um ato do ser humano vivo. A
metodologia é baseada na "nursologia" fenomenológica (experimentando, refletindo e
escrevendo).
1985 Joan Rihel Sisca
Síntese de Mead, Rose e Erickson, usando a interação simbólica como forma de relação
enfermeiro- cliente. Aponta para uma filosofia do significado e a comunicação é o
principal ingrediente da interação.
56
1989 Margaret Newman
Derivada da teoria de Martha Rogers. diz que a Enfermagem é promover bem-estar ou
prevenir doença, mas ajudar a pessoa a usar o poder próprio através de um alto nível de
consciência para manter o processo vital.
1961 Ida Jean Orlando
Propõe a relação dinâmica enfermeiro-paciente, sendo o propósito da Enfermagem suprir
a ajuda requerida pelo individuo, de acordo com suas necessidades, considerando
percepção, pensamento e sentimento através de ações deliberadas.
1964 D. Howland e E. McDowel1
Propõem inicialmente uma aproximação a um sistema de problemas, sendo o hospital um
sistema. A medida do cuidado ao paciente se apresenta como um marco conceptual.
1964 Imogene King
A Enfermagem é um processo de interação em que cada um percebe o outro e a
situação através da comunicação e ambos, cliente e enfermeiro propõem objetivos para
a saúde. A Enfermagem é um processo de interação, reação e transação. Baseou-se na
teoria dos sistemas, apoiando a idéia de que há sistema social, interpessoal e pessoal.
1966 Joyce Travelbee
O foco é a natureza interpessoal das relações e a unicidade da prática profissional. O
homem é provido de unicidade, capaz de enfrentamentos, de dar significado ao
cuidado e ter empatia e simpatia. A Enfermagem ajuda o individuo a encontrar
significado na experiência do sofrimento e doença. Baseou-se em Peplau e Orlando.
1966 Myra Levine
Introdução à Enfermagem clínica, propondo teoria da conservação e da Enfermagem
holística. O ser humano é uma unidade corpo-mente que responde à mudança
interagindo com o meio e adaptando- se. A intervenção de Enfermagem tem como
finalidade a conservação da energia, da integridade estrutural, pessoal e social.
1966 Lydia Hall
Fala em Enfermagem autônoma, com três categorias: uso terapêutico do self, equipe de
saúde para a cura e componente nutridor para o cuidado. Baseou-se em Carl Rogers.
1970 Wanda de A. Horta
Em seu livro "Contribuição a uma teoria de Enfermagem", a autora desenvolve uma
proposta baseada na teoria das necessidades humanas de Maslow, propondo uma
metodologia para o processo de Enfermagem, sustentado na busca da satisfação de
necessidades psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais.
1970 Martha E. Rogers
Enfermagem é ciência e arte de promover a interação sinfônica entre o homem e a
natureza, para manter sua integridade e direcionar sua padronização. A Enfermagem é
meio de diagnosticar, intervir e avaliar o processo vital, através dos princípios da
homeodinâmica que são: complementaridade, helicidade e ressonância.
57
1970 Sister Callista Roy
A Enfermagem é uma disciplina cientifica, com uma prática orientada para a
compreensão dos processos adaptativos e mal-adaptativos no ser humano. Baseou-se
em Helson. Diz que os estimulos podem ser focais, residuais e contextuais e a habilidade
para lidar com eles pode ser aprendida.
1971 Dorothea Orem
Enfermagem é um sistema de ajuda para o autocuidado, quando o indivíduo não tem
condições de suprir seus próprios requerimentos. Há necessidade de autocuidado
universal, de desenvolvimento e de desvios da saúde.
1974 Rosalda Paim
Teoria Sistêmica de Enfermagem, o homem é um sistema biológico aberto que troca
matéria e energia com o ecossistema, com princípios de três ordens: básicos (do universo
sístêmico, necessidades globais, etc.), comuns (relativos à assistência à saúde) e
específicos (que objetivam a facilitação de trocas).
1974 Betty Neuman
A Enfermagem é uma profissão que ajuda indivíduos a buscarem a melhor resposta aos
estressores, que podem ser internos e externos. Cada individuo tem formas de resistência
diversas: linha de resistência (fisiológica), linha normal de defesa (para enfrentar as
doenças) e linha flexível de defesa (uso de recursos mais severos internos e externos).
1978 Madeleine leininger
O cuidado é a essência da prática e do conhecimento. Inclui assistir, dar suporte e
facilitar atos para atender necessidades. O cuidado é cultural, pois cada povo tem seu
próprio jeito de cuidar-se.
1979 Jean Watson
Deriva de Leininger, seguindo a fenomenologia existencial. A Enfermagem assume a
promoção e restauração da saúde através do cuidado humano holístico para uma vida
de qualidade, praticado de forma interpessoal.
1981 Rosemarie Rizzo Parse
Deriva sua teoria dos principias de Mcvtha Rogers, sintetizando com o existencialismo e
fenomenologia de Heidegger, Merlau-Pontye Sartre. Traz o humanismo como oposto ao
positivismo.
1983 Joyce Fitzpatrick
Teoria rítmica baseada em Martha Rogers; diz que o desenvolvimento humano ocorre no
contexto da interação homem-meio, em padrões de tempo, movimento e consciência. A
compreensão da existência humana é central para a Enfermagem.
1983 Helen Erickson, Evelyn Tomlin e Mary Ann Swain
Baseiam-se em Erickson, Maslow, Selyee, Engel e Piaget para conceber a teoria do PaPel-
modelagem, com o objetivo de compreender o modo como os clientes estruturam seu
mundo. A Enfermagem é um modelo de autocuidado, baseado na percepção e na
adaptação aos estressores.
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Apostila sae para_e-mail

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    Introdução Essa apostila foielaborada com o objetivo de fornecer a Enfermeiros e Acadêmicos de Enfermagem elementos para a aplicação do Processo de Enfermagem a partir da construção de um referencial teórico embasado em teorias de enfermagem. Em 2004, a utilizamos por ocasião da oficina realizada pela Escola de Saúde Pública do Estado de Mato Grosso junto aos enfermeiros dos Hospitais Regionais, onde contei com a colaboração da Enfª Idevania Geraldini Costa. Para subsidiar as oficinas promovidas pelo COREN em 07 regiões do Estado fiz algumas adaptações em 2005. Nesta segunda revisão, dispus novos textos para o estudo das teorias de enfermagem, e atualizei os diagnósticos de enfermagem. Esse material está assim organizado: primeira parte - coletânea de textos referente a teorias de Enfermagem, a construção do marco referencial de Enfermagem e sua relação com a Sistematização da Assistência de Enfermagem(SAE). Na segunda parte apresentamos os aspectos éticos e legais relativos a SAE e na terceira parte descrevemos cada passo do processo de enfermagem e propomos alguns exercícios. Agradeço a todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para a elaboração deste material, em especial as Enfas Geralda Lopes e Maria Yolanda e Silva. As rápidas e contínuas mudanças no ambiente de cuidado de saúde Têm grandemente aumentado as responsabilidades que a enfermeira de hoje enfrenta.Para entender as responsabilidades, o planejamento e a documentação do cuidado são essenciais para a satisfação das necessidades do paciente e atendimento das obrigações legais. Assim, conforme as enfermeiras trabalham colaborativamente com outras disciplinas, para prestar o cuidado do paciente, nós precisamos continuar a identificar e documentar as necessidades de cuidado de enfermagem pelos pacientes, por meio do uso do processo de enfermagem e do diagnóstico de enfermagem…O que está a frente da Enfermagem e do Planejamento do cuidado?definitivamente um enorme, excitante e preciso desafio (DOENGES, 2003) . Sandra Regina Altoé 2
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    PARTE 1 TEORIA DEENFERMAGEM, MODELO CONCEITUAL E SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM CAPÍTULO 1. ENFERMAGEM: DE SUA ESSÊNCIA AOS MODELOS DE ASSISTÊNCIA. Teima Elisa Carraro É difícil identificar e descrever adequadamente as origens da Enfermagem, pois temos poucos registros sobre as atividades a ela relacionadas na antiguidade. Contudo, ela aparece nos descobrimentos arqueológicos e antropológicos desta época, mostrando cuidados com as crianças e a importância destas crianças para a sobrevivência da espécie humana. Logo, demonstram a importância do cuidado de Enfermagem mantendo a vida. Muitas vezes, neste processo evolutivo, torna- se difícil distinguir a Enfermagem da Medicina, até porque os primórdios das duas profissões estão intimamente entrelaçados. Em algumas épocas, como a hipocrática, por exemplo, a Medicina era exercida sem a Enfermagem; já na Idade Média, a Enfermagem era praticada sem a Medicina. Sem dúvida, a mãe-enfermeira precedeu ao mago-sacerdote ou ao curandeiro. Inclusive, é possível que estes dois serviços estivessem unidos inicialmente, tendo-se dividido, com o tempo, dando lugar a duas profissões relacionadas à arte da cura: o fornecedor da Medicina e o cuidador, ou seja, o médico e a enfermeira (Stewart & Austin citados por Donahue, 1993). A Enfermagem tem sido considerada a mais antiga das artes e a mais jovem das profissões. Atravessou várias fases, sempre participando dos movimentos sociais. A história da Enfermagem tem sido a história de um grupo profissional, cujo status sempre vem marcado pelas linhas prevalentes da humanidade. Os momentos decisivos da história também o são para a Enfermagem. Os acontecimentos que provocam consideração pelos seres humanos tendem a promover atitudes como as da Enfermagem, atitudes fundamentalmente humanísticas (Dock & Stewart citados por Donahue, 1993). Podemos facilmente nos lembrar dos acontecimentos da Guerra da Criméia e relacioná-los a Florence Nightingale. Então, fica claro outro aspecto marcante na Enfermagem: sua relação com a história da mulher; pela predominância feminina e pela atuação voltada ao cuidado, a história da Enfermagem reflete a situação da mulher através dos tempos. De acordo com Donahue (1993, p. 3), durante os períodos em que a mulher esteve rigorosamente confinada ao lar por imposições sociais e suas energias se dirigiram exclusivamente à vida familiar, a Enfermagem adotou um caráter de arte doméstica. Os deveres da mulher, seu grau de independência econômica, sua liberdade fora da família e outros fatores tiveram uma influência capital no progresso da Enfermagem. Esta forte relação entre a Enfermagem e a mulher, mais especificamente a mulher-mãe, perpetuou a idéia de que a Enfermagem só poderia ser exercida por mulheres, o que até os dias de hoje gera muitos preconceitos e influencia na escolha da profissão. A Enfermagem, no entanto, não inclui fronteiras sexuais; tanto homens como mulheres possuem uma tendência natural de agir frente ao processo saúde-doença, seja se afastando, seja ignorando, seja agindo junto ao outro. Assim, a Enfermagem é uma profissão que pode ser exercida por ambos os sexos. À medida que os cuidados de Enfermagem foram ficando mais complexos, ficou claro que para realizá-los era necessário mais que a simples motivação, até então suficiente. O amor e a dedicação não bastavam por si sós para fomentar a saúde e vencer a doença. O 3
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    desenvolvimento da Enfermagemdependia de outros dois fatores: a habilidade/experiência e o conhecimento. A destreza manual para a execução de determinados procedimentos, realidade inclusive nas tribos primitivas, seguiu aperfeiçoando-se por meio da experiência. À medida que se dispunha de mais detalhes sobre o processo saúde-doença, surgia a necessidade de mais conhecimento (Dock & Stewart, referidos por Donahue, 1993). A cabeça, o coração e as mãos se uniram firmemente para assentar os alicerces da Enfermagem moderna. Estes três elementos essenciais corresponderiam à ciência, à alma e à habilidade da Enfermagem e, inclusive, em outro contexto, seriam sinônimos dos aspectos teórico, prático e ético-moral da profissão (Stewart, apud Donahue, 1993). O conhecimento dos fatos e princípios proporcionou o impulso para que a Enfermagem se convertesse tanto em uma arte quanto em uma ciência (Dock & Stewart, referidos por Donahue, 1993). Tratando-se da Enfermagem moderna, percebemos que Nightingale corrobora o acima exposto, ao salientar que à Enfermagem cabia o cuidado com o doente e que a Medicina tratava a doença. Ressaltou a importância da Enfermagem ao doente" e da "Enfermagem saudável" e em ambas incluiu medidas de prevenção e de promoção à saúde. Para ela, "Enfermagem era 1mbos, uma arte e uma ciência, e requeria uma organização científica, e educação formal, para cuidar dos sofrimentos das doenças" (Nightingale, 893/1949, apud Reed e Zurakowski, 1983, p. 13, Carraro, 1994). A princípio Nightingale julgava que “para aliviar o sofrimento do próximo bastavam a ternura, a simpatia e a paciência”. Mas agora a sua curta experiência lhe mostrava que só os conhecimentos especializados poderiam trazer o alívio" (Woodham-Srnith, 1951, p. 143). Da sua Essência Japiassu e Marcondes (1991) registram que essência é o ser mesmo das coisas, aquilo que a coisa é, ou o que faz dela aquilo que ela é. Para Ferreira (1986), essência significa aquilo que constitui a natureza do ser, o principal, o cerne. De acordo com Donahue, a essência da Enfermagem "reside na imaginação criativa, no espírito sensível e na compreensão inteligente, que constituem o fundamento real dos cuidados de Enfermagem eficazes". Para Florence Nightingale, a Enfermagem "...é uma arte;... [...]... poder-se-ia dizer a mais bela das artes" (Seymer, [19--], p. 106). Ela salientava que a arte da Enfermagem deveria incluir condições que, por si mesmas, tomassem possível a assistência de Enfermagem. Referia-se à enfermagem como a arte de cuidar dos doentes (1859/1989, p. 15). Não explicou o que entendia por arte, porém em todos os momentos deixa esse conceito transparecer (Carraro, 1994). Vemos que a arte se expressa na Enfermagem principalmente através da sensibilidade, da criatividade/imaginação e da habilidade, como instrumentos para a assistência de Enfermagem. A sensibilidade nos leva a perceber e externar nossos sentimentos e, por outro lado, é ela que nos possibilita perceber, entender e respeitar os sentimentos do outro. A criatividade/imaginação se complementam e nos conduzem a pensar, inventar, figurar em espírito, com bases na sensibilidade. E é nesse lento que a habilidade se configura como aptidão ou capacidade para desenvolver algo, contemplando também a inteligência e a perspicácia, (se articulam no conjunto dos componentes já explicitados da arte) um todo (Carraro. 1994). A ciência se evidencia através da aplicação de conhecimentos sistematizados instrumentalizados pela arte. O Resgate do Modelo Nightingaleano de Assistência A história da Enfermagem nos mostra a evolução de um fazer intuitivo - como o é o cuidado da mulher-mãe com o seu recém 4
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    nascido, a umfazer reflexivo. Registra que a prática pré-nightingaleana era desenvolvida sem um referencial e que as pessoas que a exerciam não eram preparadas para tal. A questão teórica na profissão nasce em Florence Nightingale, quando ela apresenta suas reflexões e diz que a Enfermagem é diferente da Medicina e que portanto, é necessário estudar e estruturar as maneiras de fortalecer nos indivíduos suas potencialidades naturais para que, por sua própria força, se opere a cura. Com esta proposição, ela afirma a importância de um trabalho dirigido por conhecimentos gerais e específicos que toda enfermeira deve possuir (Leopardi. 1999, p. 8). A própria Florence Nightingale, após buscar conhecer o que se praticava na Enfermagem, afirmou que só conhecimentos especializados poderiam trazer resultados satisfatórios e que ela iria fazer um curso de Enfermagem. Essa breve retrospectiva mostra-nos um crescente do empírico para o científico. A partir da atuação de Florence Nightingale e da consequente instituição da Enfermagem moderna determinou-se um contraste entre a prática da Enfermagem exercida por pessoas preparadas para tal e a prática anterior. Nightingale, embora de forma empírica e sem consciência desse fato, principalmente no que se refere às visões atuais, atuou embasada num Modelo de Enfermagem. Para Marriner-Tomey (1994), um modelo é uma idéia que explica por meio de visualização física ou simbólica. Os modelos simbólicos, para ela, podem ser verbais, esquemáticos ou quantitativos. Os verbais são enunciados construídos com palavras; os esquemáticos podem ser diagramas, gráficos, desenhos ou imagens; e os quantitativos se embasam em símbolos matemáticos. Os modelos servem para facilitar o raciocínio dos conceitos e das relações existentes entre eles ou, ainda, para delinear o processo de assistência de Enfermagem. Segundo Selanders (1995), o Modelo de Enfermagem de Nightingale descreve como uma enfermeira deve implementar as leis naturais, as quais permitem que os conceitos pessoa, ambiente, saúde-doença e Enfermagem interajam. Seu modelo foi adotado não apenas na Inglaterra, seu país de origem, mas difundiu-se pelo mundo afora, influenciando diretamente o desenvolvimento da Ciência da Enfermagem. Nightingale defendia que, embora o médico e a enfermeira possam lidar com a mesma população, a Enfermagem não deve ser vista como subserviente à Medicina; ao contrário, a Enfermagem objetiva descobrir as leis naturais que auxiliarão a colocar o enfermo na melhor condição possível, a fim de que a natureza possa efetuar a cura (Selanders, 1995). Antigamente, a Medicina procurava ver o homem integral, respeitando suas crenças e valores. Hipócrates (460 a 475 a.C.) dizia que "o conhecimento do corpo é impossível sem o conhecimento do homem como um todo". Naquela época, Hipócrates, pressupondo que cada doença tinha uma causa natural e que sem causas naturais nada acontecia, abandonou as explicações sobrenaturais da doença. Com o desenvolvimento da Medicina, estes princípios foram, aos poucos, sendo deixados de lado, e o seu enfoque passou a ser "nas noções do corpo como máquina, da patologia como uma avaria nesta máquina e da tarefa do Médico como o concerto desta máquina" (Engel apud Capra, 1982, p. 116). Ao mudar seu enfoque, a Medicina passa a centrar suas atenções na cura, pois se a patologia é considerada um fenômeno orgânico redutível a processos físicos/químicos, o saber médico tinha o poder de curar. As atitudes médicas frente ao "corpo máquina" portador de uma doença foram reforçadas pelos avanços tecnológicos, os quais cada vez mais separam o profissional médico dos clientes. O avanço dos estudos e a tecnologia vêm reforçando o poder de cura outorgado à Medicina (Capra, 1982). Este modelo concede ao Médico o poder de decisão, tanto da assistência prestada, seja ela médica seja de outra categoria profissional, quanto sobre o destino dos pacientes. Apesar da posição de Nightingale, os rumos na área da saúde levaram a Enfermagem a adotar o modelo biomédico (Carraro, 1999), o qual permeia sua prática até os dias atuais, determinando um distanciamento de suas metas originais, passando a existir centrado na prescrição médica. No entanto, podemos perceber que atualmente este modelo biomédico não responde mais às necessidades do ser humano na vivência do processo saúde/doença. Ele 5
  • 6.
    não quer maisser visto em pedaços, mas sim como "um ser singular, integral, indivisível, insubstituível, pleno na sua concepção de interagir com o mundo; interage com o meio ambiente, onde são expressas crenças e valores que permeiam suas ações" (Carraro, 1997, p. 26). No momento em que a Enfermagem voltar-se para seus modelos de assistência e assumir sua essência será uma profissão que responderá às necessidades do ser humano e que articulará ciência e arte, tendo assim visibilidade. Do Modelo Nightingaleano à Diversidade de Modelos de Assistência. O resgate do modelo nightingaleano vem acontecendo há alguns anos. A primeira Enfermeira a publicar pós-Nightingale foi Hildegard Peplau, que, em 1952, lançou o livro Relações Interpessoais em Enfermagem. Peplau tomou-se um marco histórico para a Enfermagem dos anos 50. Naquela década iniciaram-se os cursos de Mestrado nos Estados Unidos da América, dando novo ímpeto à profissão, deflagrando a época das Teorias de Enfermagem. Segundo Leddy e Pepper (1993), a ciência da Enfermagem tem sido derivada principalmente das teorias sociais, biológicas e médicas. Todavia, depois de 1950, grande número de enfermeiras teoristas tem desenvolvido modelos de Enfermagem que oferecem suporte para o desenvolvimento das teorias de Enfermagem e do conhecimento de Enfermagem. Este novo conhecimento posto, de algum modo, aponta como principal preocupação não a patologia, mas o indivíduo, doente ou não, experenciando o processo saúde-doença, com o enfoque na promoção do bem-estar e da saúde. Destaca-se no Brasil a atuação de Wanda de Aguiar Horta no que se refere à difusão das Teorias de Enfermagem. Nascida em 1926, em Belém do Pará, graduou-se em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP em 1948 e doutorou-se em 1968, na Escola Ana Néri. Em 1979, publica seu livro baseado na Teoria das Necessidades Humanas Básicas, de Maslow, e, a partir daí, operacionaliza um Processo de Enfermagem. Existe atualmente uma discussão sobre se os escritos de Horta configuram uma teoria ou um processo de Enfermagem. Chegar a uma conclusão a respeito é tarefa muito difícil face à grande diversidade de paradigmas existentes; porém é inegável o grande avanço que seus escritos trouxeram para o desenvolvimento da Enfermagem brasileira, até porque a grande maioria dos Cursos de Graduação em Enfermagem adotou-os como base para a aprendizagem da Metodologia da Assistência de Enfermagem (Carraro, 1998). Certamente sua proposta nos mostra um Modelo de Assistência. Atualmente, a influência das Teorias e dos Modelos de Assistência de Enfermagem é evidente no contexto da Enfermagem brasileira, pois estão cada vez mais difundidos, tanto na prática da Enfermagem quanto na formação de profissionais enfermeiros. Modelos de Assistência são representações do mundo vivido expressas verbalmente, ou por meio de símbolos, esquemas, desenhos, gráficos, diagramas. Seu objetivo é direcionar a assistência de Enfermagem, oferecendo ao enfermeiro os subsídios necessários para sua atuação. Segundo Keck (1989), as teorias são modelos da realidade, em geral realidades não- observáveis diretamente. Os modelos ajudam a desenvolver as teorias e a explicitar a relação existente entre os conceitos. Até porque os modelos permitem a manipulação dos conceitos sobre o papel antes de serem submetidos à verificação no mundo real. 6
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    Um modelo éuma abstração da realidade, um modo de visualizar a realidade, facilitando o raciocínio. Um modelo conceitual mostra-nos como vários conceitos são inter- relacionados e aplica teorias que predizem ou avaliam conseqüências de ações alternativas (Leddy e Pepper, 1993). Fawcett (1992) salienta a utilidade dos modelos conceituais para a organização do pensamento, da observação e da interpretação do que se vê. Eles também provêem uma estrutura sistematizada e racional para o desenvolvimento das atividades. Modelos de Enfermagem incluem conceitos de ser humano, Enfermagem, saúde-doença e ambiente (Fitzpatrick e Whall, 1983; Fawcett, 1992). Na Enfermagem ou mesmo em outra área do conhecimento, agimos de acordo com um método, seguimos um modelo, mesmo que dinâmica e inconscientemente. Se prestarmos atenção à nossa rotina, observaremos que na maioria das vezes agimos de maneira semelhante todos os dias, repetindo ações, desde a mais simples até a mais complexa. E temos um motivo para isso: realizamos as atividades pautadas em conhecimentos empíricas, aprendidas no dia-a-dia com rotinas preestabelecidas, ou embasados cientificamente, e as repetimos cada vez que agimos. Muitas vezes fazemos isto sem refletir a respeito, sem procurar modos mais eficientes, sem buscar a atualização do conhecimento, sem nos lembrarmos da velocidade e do dinamismo com que o conhecimento avança na atualidade. Este método de que lançamos mão visa organizar e direcionar nosso desempenho; embora num primeiro momento possa parecer complexo após estarmos familiarizados com este processo, ele passa a facilitar nosso trabalho, assegurando maior qualidade à assistência prestada. Segundo Pollit e Hungler (1995), o método científico combina aspectos do raciocínio lógico com outros, para criar um sistema de solução de problemas que, embora falível, é mais confiável do que a tradição, a autoridade, a experiência ou a tentativa e erro por si sós. Assim, um modelo de assistência embasado cientificamente conduz-nos ao fazer reflexivo, a estar sempre buscando a melhoria da assistência prestada. Leva-nos a refletir: que Enfermagem é esta que estou desenvolvendo? Quem é o ser humano que estou assistindo? O que é o processo saúde-doença a que o ser humano está exposto? E o meio ambiente, o que é? Os modelos de assistência nos auxiliam a perceber que praticar Enfermagem não é simplesmente uma ordenação de procedimentos mais ou menos constantes, dependendo da situação. Ela é um processo dinâmico, mutável e criativo, mas nem por isso deixa de ser um processo conhecível, objetivo, programável e decifrável. Desta forma, quanto mais claro estiver o referencial teórico do modelo aplicado, maior será a segurança e a realização profissional do Enfermeiro, maior será o direcionamento da equipe de Enfermagem, culminando com uma assistência de Enfermagem adequada às necessidades apresentadas pelo ser humano assistido. Por outro lado, a qualidade da Assistência de Enfermagem prestada depende da equipe, liderada e coordenada pelo Enfermeiro. Os modelos de assistência instrumentalizam o planejamento científico e sistematizado das ações a serem desenvolvidas pelos integrantes da Equipe de Enfermagem, oferecendo suporte e direcionando o desempenho das atividades. Contribuem para a credibilidade e visibilidade da Enfermagem. O desenvolvimento da profissão de Enfermagem através dos tempos ainda não alcançou sua maturidade. Continua crescendo e desenvolvendo-se, a fim de ampliar as esferas de serviços e práticas profissionais, aumentando suas responsabilidades. Sem dúvidas, a cada dia a Enfermagem se supera, criando, agregando novos conhecimentos e indo além na certeza de que é uma Ciência e uma e Arte inacabada e crescente... Refletindo Para praticar enfermagem necessitamos: • Conhecer e prosseguir conhecendo os fundamentos e avanços da profissão. 7
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    • Ter clarezasobre a fonte de onde esta prática se origina. • Reconhecer as premissas e conceitos do modelo eleito para prestar assistência. • Estar atentos aos aspectos teóricos, práticos e ético-morais da profissão. • Ser coerentes entre a necessidade e a finalidade da assistência. • Ser coerentes entre no que pensamos, falamos e fazemos Saber avaliar e retro-alimentar nossa prática. • Ter bom senso para usar a cabeça, o coração e as mãos Conciliar ciência, alma e habilidade. • Ser artistas e ao mesmo tempo cientistas. Para praticara arte da enfermagem necessitamos (Buscaglia 1972): • Tempo. • Compreensão da arte. • Sensibilidade para utilizar o material necessário. • Extrema paciência... enquanto aprendemos as habilidades básicas. Praticar a arte da Enfermagem inclui o desejo de: Experimentar, fracassar, arriscar... Conhecer frustração e mesmo o desespero... Antes de poder abandonar técnicas aprendidas mecanicamente. Projetar-se, plenamente, na própria criação. 2. TEORIAS E MARCO CONCEITUAL: SUA INFLUÊNCIA NA METODOLOGIA DA ASSISTÊNCIA. Teima Elisa Carraro A história registra que a Enfermagem pré- nightingaleana era desenvolvida sem um referencial, que as pessoas que a exerciam não eram preparadas para tal e, ainda, que seu resultado deixava muito a desejar. A partir da vivência de Nightingale, a Enfermagem passa a ser denominada científica, passando a apresentar um modelo de assistência por ela desenvolvido e implementado. As crenças de Nightingale a respeito da Enfermagem, o que é e o que não é, formam o fundamento do que escreveu em suas "Notas sobre Enfermagem”.Sua contribuição ao desenvolvimento das teorias está em explicar o campo de ação da Enfermagem, como a relação paciente/meio ambiente, e em iniciar as análises estatísticas para a saúde e a Enfermagem profissional (Choi, 1989). Sua educação meticulosa, vinda de seu pai, um homem culto formado em Cambridge e Edimburgo, era pouco comum para uma mulher do século XIX. Estudou latim, grego, línguas modernas, artes, matemática e estatística, filosofia, história e religião. Sua educação e os acontecimentos da época estimularam seu pensamento crítico, levando-a a interessar-se por política, economia, governo, liberdade, condições sociais e instituições. Leu e citou em seus escritos: Platão, Dante, Mill, Bacon, Locke, Newton, Kant, Hegel, Comte e São João. Por outro 8
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    lado era tímidae espiritualista. Acreditava que servindo ao homem estava servindo a Deus, o que a impulsionava a fazer seu caminho, a ser independente, a buscar uma profissão para utilizar sua capacidade (Carraro, 1999). Esta educação influenciou seu pensamento e sua concepção da Enfermagem como ciência e arte, subsidiando e determinando a prática da profissão. Nightingale deixou-nos suas concepções registradas em I47 livros e panfletos. Sua correspondência pessoal também foi volumosa. Em 1859 publicou dois de seus "Best-Known": Notes on Hospitais e Notes um Nursing, livros que abriram uma nova época na reforma e no cuidado com a saúde (Schuyler, 1992). No entanto, a Enfermagem tem apresentado dificuldades em seguir seu exemplo no tocante a teorizar, escrever e publicar idéias e realizações. A fundamentação teórica e a vivência de Nightingale influenciaram seus escritos e ainda estão presentes em muitas teorias de Enfermagem mais recentes. Este é um elo importante entre a Enfermagem Ciência e Arte de Florence Nightingale e a Enfermagem atual. Em sua visão e saber, incluem-se insight e valores antigos que se relacionam com a teoria do cuidado humano atual, teoria que uma vez mais guia a educação de Enfermagem, a prática e a investigação clínica que se baseia no cuidado como um ideal moral; teoria que permeia o espiritual, o transcendente, o todo, enquanto atende o ser e fazer, totalmente integrados. A visão e saber de Nightingale incluem a visão e a imagem de totalidade, beleza e harmonia de vida, um sentido de união de todos os seres vivos (Watson, 1992). 1. Das Teorias de Enfermagem O interesse pelo desenvolvimento de Teorias de Enfermagem surgiu por duas razões. Primeiramente, as enfermeiras perceberam que o desenvolvimento de teorias era um meio de estabelecer a Enfermagem como profissão, além de ser inerente a um antigo interesse em definir um corpo de conhecimentos específicos da Enfermagem. Em segundo lugar, os teóricos estavam motivados pelo valor intrínseco das teorias para a Enfermagem e pela importância do crescimento e enriquecimento da teoria para a Enfermagem em si mesma (Choi, 1989). Com o passar dos tempos, na busca de maiores subsídios para a atuação de Enfermagem, surgiram novas teorias e novos modelos de assistência, inicialmente nos Estados Unidos, onde esta preocupação tomou força com o surgimento dos cursos de mestrado em Enfermagem, expandindo-se depois para outros países. No Brasil, em 1979, Wanda de Aguiar Horta publica sua teoria, baseada na Teoria das Necessidades Humanas Básicas, de Maslow, e a partir daí operacionaliza um Processo de Enfermagem. Seus escritos foram adotados por grande parte dos Cursos de Graduação em Enfermagem, como base para a aprendizagem da Metodologia da Assistência. Considerando-se teoria como "... um conjunto de princípios fundamentais duma arte ou duma ciência" (Ferreira, 1993, p. 1664), percebe-se de forma crescente a influência das teorias no contexto da Enfermagem brasileira, pois sua difusão cada vez mais transparece tanto na sua prática quanto na formação de profissionais enfermeiros. Teoria de Enfermagem é definida por Meleis (1985) como uma construção articulada e comunicada da realidade criada ou descoberta (fenômenos centrais e inter-relações) dentro da ou pertinente à Enfermagem, para os propósitos de descrição, explicação, predição ou prescrição do cuidado de Enfermagem. Ainda, segundo a autora, as teorias de Enfermagem refletem diferentes realidades, pois apontam os interesses da Enfermagem na época, o ambiente sociocultural e as experiências educacionais e vivenciais da teórica. Espelham algumas realidades da época em que foram concebidas e ajudam a dar forma às realidades da época atual. De acordo com Neves e Trentini (1987), a teoria orientada para a prática é aquela dirigida para produzir mudanças ou efeitos desejados em determinada condição ou fenômeno. 9
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    Assim, as teoriasse apresentam como formas de olhar/compreender os fenômenos da Enfermagem. Alguns fenômenos são abordados em praticamente todas as teorias de Enfermagem, porque representam o centro da sua prática, tais como o ser humano, o ambiente, a saúde/doença e a Enfermagem. Estes fenômenos compõem uma rede de conceitos que se inter-relacionam e formam uma maneira de ver o mundo da Enfermagem e desenvolver sua prática (Paim et al., 1998). As teorias que hoje temos representam os esforços coletivos e individuais das Enfermeiras para definir e dirigir a profissão e, como tal, proporcionar a base para um desenvolvimento teórico continuado (Choi, 1989). Ao representar estes esforços, as teorias mostram diferentes modos de pensar Enfermagem, algumas apontando apenas um aspecto da realidade, outras apontando todos os fenômenos de interesse da disciplina. Várias teorias utilizadas por Enfermeiros são cedidas por outras disciplinas, como as teorias do estresse, do enfrentamento, do risco, da educação (Fawcett, 1995). É de fundamental importância que os Enfermeiros, ao fazerem a opção por uma ou outra teoria, considerem a adequação e a aplicabilidade dela à situação de Enfermagem em que será utilizada. 2. Marco Conceitual Fawcett (1995) enfatiza que os marcos conceituais não são uma realidade nova na Enfermagem; existem desde Nightingale (1859), com suas primeiras idéias avançadas sobre Enfermagem, mesmo que não tenham sido expressas formalmente como marcos. A proliferação formal dos marcos conceituais de Enfermagem aconteceu concomitante à introdução das idéias sobre teorias de Enfermagem, ambas com interesse em conceitualizar a Enfermagem como uma disciplina distinta. Para Fawcett (1995), o desenvolvimento dos marcos conceituais de Enfermagem foi um importante avanço para a disciplina. No entanto, este é um tema que vem gerando discussão e mostrando divergências conceituais entre os estudiosos, principalmente no que se refere às terminologias de marco e modelo, teórico e conceitual, conforme podemos ver a seguir: Newman (1979) registra que Marco Teórico é uma matriz de conceitos que, juntos, descrevem o foco da investigação. De acordo com Fawcet (1984 e 1978), Modelo Teórico ou Marco Teórico refere-se a uma teoria ou grupo de teorias que fornecem fundamentos para as hipóteses, políticas e currículo de uma ciência. Para Neves e Gonçalves (1984), Marco Conceitual é uma construção mentalogicamente organizada, que serve para dirigir o processo da investigação e da ação. Segundo Fawcet (1992) e Botha (1989), Marco Conceitual é sinônimo de Modelo Conceitual e é definido como um conjunto de conceitos e proposições abstratas e gerais, intimamente relacionados. Em 1993, Silva e Arruda registram que o Marco de Referência apresenta nível de abstração de menor complexidade do que os Marcos Conceituais/ Teorias, no que se refere a sua construção teórico-conceitual. Tem a finalidade de demarcar o conhecimento em que se apóia, servindo de base para as ações de Enfermagem (Silva e Arruda, 1993). Na compreensão de Wall (2000), o Marco Conceitual é um conjunto de elaborações mentais sobre aspectos relacionados ao objeto em estudo. Um ponto que serve como força, como orientação. Uma proposta da qual queremos nos aproximar. Apesar desta divergência conceitual, é fundamental que os enfermeiros compreendam que os marcos e/ou modelos (Marco Conceitual, Modelo Conceitual, Marco Teórico, Modelo Teórico), com suas diferenças e semelhanças, formam um emaranhado de conceitos inter- relacionados que servem para direcionar as ações de Enfermagem. Podemos dizer que eles iluminam os caminhos da Enfermagem. 10
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    Em resumo, todosos termos utilizados visam aprofundar formas de dirigir a ação de Enfermagem, pois buscam, por meio dos conceitos, formalizar uma construção mentalogicamente organizada, que fundamente a ciência e, consequentemente, as ações de Enfermagem. 3. Das Funções dos Marcos Conceituais. Os Marcos/Modelos proporcionam ao profissional a evidência de que ele necessita para embasar suas ações, apontando e justificando por que selecionar um determinado problema para estudo. Ajudam na sumarização do conhecimento existente, na explicação dos fatos observados e das relações entre eles. De acordo com Neves e Gonçalves (1984), o Marco Conceitual contribui na previsão de eventos até então não-observados e no estabelecimento de relações entre os eventos com base nos princípios explicativos englobados nas teorias. Fawcett (1995) salienta que os marcos direcionam a procura das questões sobre o fenômeno e sugerem soluções para problemas práticos. Enfatiza que os marcos conceituais de Enfermagem explicitam orientações filosóficas e pragmáticas para a assistência que somente os Enfermeiros podem oferecer aos pacientes, por conhecerem a dimensão total do cuidado, o qual é diferente daquele realizado por qualquer outro profissional de saúde. O marco conceitual constitui uma construção teórica que sustenta a prática de Enfermagem e as decisões no processo de assistir o ser humano. Ele reflete também a maneira de o autor conceber os indicativos assistenciais da Enfermagem (Carraro, 1997). Assim compreendido, o Marco Conceitual torna-se uma importante ferramenta para embasar, direcionar e clarificar as ações, não apenas do Enfermeiro, mas de toda a equipe de Enfermagem. Ele serve de base para a proposta e o desenvolvimento da Metodologia de Assistência de Enfermagem, a qual deverá estar estruturada de forma coerente com seus conceitos. Tem a finalidade de proporcionar o foco que ilumina os caminhos a serem percorridos pelo profissional para atingir seus objetivos assistenciais, formando um emaranhado, uma teia dentro da qual a assistência, os aspectos teóricos, técnicos e éticos são examinados, a fim de tomarem possível explicar as relações propostas e identificar vazios no conhecimento que necessitam ser revelados, para ampliar continuamente as possibilidades de cuidado. 4. Da sua Construção Todos nós temos uma imagem pessoal do que seja a prática da Enfermagem. Esta imagem influencia nossa interpretação dos dados, decisões e ações. Mas pode uma disciplina continuar desenvolvendo-se quando seus membros se sustentam em diferentes imagens? Os proponentes dos marcos conceituais para a prática estão procurando fazer uso consciente destas imagens, sem o que não poderemos começar a identificar semelhanças em nossas percepções sobre a natureza da prática nem evoluir para conceitos bem ordenados (Reilly's, citado por Fawcett, 1995). Segundo King (1988), conceitos são abstrações que provêem conhecimento sobre a essência das coisas. Um conceito é uma imagem mental de uma coisa, de uma pessoa ou de um objeto. Para Chinn e Jacobs (1982), os conceitos são formulações mentais complexas de um objeto, propriedade ou acontecimento, originárias das percepções e experiências individuais. Os conceitos registram ainda as crenças e valores do autor sobre aquilo que está sendo conceituado. Quando os conceitos são inter-relacionados, como no caso da Enfermagem, eles formam uma base para as ações, seja na pesquisa, seja na prática profissional. A esta estrutura pode-se chamar marco conceitual (Carrão, 19). A construção de um Marco Conceitual pode partir da prática, da conceituação das imagens privativas do Enfermeiro sobre a prática da Enfermagem vivenciada pelo autor, baseada em suas crenças e valores, com a busca de subsídios na teoria. Nesta forma de construção, primeiramente se elaboram os conceitos eleitos, registrando-se aquilo em que se 11
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    acredita sobre cadaum deles, com leituras releituras e reformulações, até que reflitam os pensamentos do autor. Pode-se usar a estratégia de discuti-los com a Equipe de Enfermagem e/ou com outras pessoas. Somente após esta prévia estruturação dos conceitos busca-se uma teoria que venha ao encontro das idéias ali expressas, potencializando-as. Então, incorporam-se aos conceitos as idéias contidas na teoria. Pode-se também partir da teoria. Contudo, antes de optarmos por uma teoria, primeiramente é necessário estudá-la, procurando compreendê-la, buscando as relações entre o que ela retrata, aquilo em que se acredita e a aplicação que se pretende fazer. Somente após essa identificação é que deve ser feita a opção por uma determinada teoria. Então, alguns dos seus conceitos são escolhidos para embasarem o Marco Conceitual e a prática da Enfermagem. Convém lembrar que a teoria escolhida não necessita ser especificamente de Enfermagem. Existe ainda a possibilidade de se usar mais de uma teoria, porém com muita cautela, pois as concepções teórico - filosóficas delas podem ser divergentes, comprometendo assim toda a construção do Marco Conceitual e, consequentemente, a assistência de Enfermagem a ser prestada. A construção de um Marco Conceitual, partindo da prática ou partindo da teoria, é um processo reflexivo que se configura num ir e vir aos conceitos, reformulando-os tantas vezes quantas forem necessárias para que estes reflitam o pensamento do seu autor. Busca-se, ainda, a inter-relação entre os conceitos de tal modo que, lendo-se um deles, os demais estejam implícitos, mostrando forte relação entre si. É importante ressaltar que, independentemente da forma de construção, o Marco Conceitual deverá contemplar as especificidades da prática a que será aplicado, uma vez que ele é um instrumento que subsidia a prática da Enfermagem (portanto, um meio e não um fim em si mesmo, embasando a construção e o desenvolvimento da Metodologia da Assistência de Enfermagem). Após a construção do Marco Conceitual, passa-se a sua aplicação, para que deverão ser buscados os elementos de cada conceito, as ações a que cada elemento conduz e a estratégia para desenvolver cada ação. Esta operacionalização pode configurar-se como um "mapa" da assistência a ser prestada, embasando a metodologia de assistência. Como exemplo*, vai imaginar que, ao conceituar-se ser humano, esteja registrado que ele é singular, integral, indivisível e insubstituível. As ações a que este registro conduz são ações de humanização da assistência, e as estratégias poderão ser: chamar pelo seu nome, envolver sua família na assistência, ouvir, tocar, entre outras. Se o registro diz que a Enfermagem é uma ciência e uma arte, as ações deverão ser de aplicação tanto do conhecimento científico quanto da sensibilidade. Imaginação/criatividade e habilidade ao prestar cuidados. As estratégias deverão contemplar diálogo, observação e desenvolvimento de técnicas específicas. Enfim, o resultado final da Assistência prestada deverá refletir o Marco Conceitual proposto, além de servir para confirmar / testar os conceitos formulados ou mesmo dar-lhes novos direcionamentos e / ou reconstruções. 5. Algumas Considerações A implementação da prática assistencial embasada num Marco Conceitual proporciona uma perspectiva de assistência sistematizada e singular, um embasamento teórico para o desenvolvimento da prática e, por meio desta, um enriquecimento da teoria, num movimento de ir e vir. No transcorrer da assistência evidenciam-se pontos do Marco Conceitual que a subsidiam. Quando se inicia a implementação da prática subsidiada por um Marco Conceitual, pode-se encontrar dificuldades, até por uma questão de hábito: "... O pensamento se 12
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    configura, mas aação é tão automática que, quando percebemos, já a executamos, não como a pensamos, mas como estávamos condicionados a fazer" (Carraro, 1994, p. 119). Precisamos ter o Marco Conceitual introjetado em nós para conseguirmos vencer os hábitos anteriores e avançar rumo a uma nova proposta de assistência, estando alertas para nossas ações, até para não nos desanimarmos com o processo, pois aos poucos podemos transpor as dificuldades de implementação que se apresentarem. O Marco Conceitual, quando conscientemente aplicado, pouco a pouco vai mostrando que o fazer, fazendo, aprendendo e teorizando à luz da prática concretiza-se no dia-a-dia da assistência de Enfermagem. Enfim, conduz ao fazer reflexivo, proporcionando satisfação na Prática Assistencial de Enfermagem, tanto para o profissional quanto para o ser humano que está sob seus cuidados. BILBIOGRAFIA CARRARO&WESTPHALEN. Metodologias para a assistência de enfermagem: teorizações, modelos e subsídios para a prática. Goiânia:AB, 2001. pág. 5-14 . CARRARO&WESTPHALEN. Metodologias para p Assistência de Enfermagem: teorizações, modelos e subsídios para a prática. Sobre teorias e marco conceitual: sua influência na metodologia da assistência.Goiânia:AB, 2001. pág. 29-37. 13
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    CAPÍTULO 3. TEORIASE METAPARADGMAS DE ENFERMAGEM. 1. NOÇÕES GERAIS SOBRE TEORIA 1.1. A LINGUAGEM DO PENSAMENTO TEÓRICO “A unidade básica do pensamento teórico é o CONCEITO. Os conceitos são palavras que representam a realidade e facilitam a nossa capacidade de comunicação sobre ela. (Webester, 1991)”. Os conceitos podem ser: EMPÍRICOS = sentidos percebidos, observados, OU ABSTRATOS = não são observáveis. Ex. esperança, infinito. “Todos os conceitos tornam-se abstrações na ausência do objeto”. TEORIAS Conjunto de conceitos inter-relacionados, definições e proposições que apresentam uma forma sistemática de ver fatos/eventos, pela especificação das relações entre as variáveis com a finalidade de explicar ou prever o fato/evento. (Kerlinger, 1973). 1.2. NATUREZA CÍCLICA DA TEORIA PRÁTICA  PESQUISA   TEORIA E CONCEITOS 1.3. CARACTERÍSTICA DE UMA TEORIA Características de uma teoria segundo Torres, 1990: 1. as teorias podem inter-relacionar conceitos de tal forma que criem uma nova maneira de ver determinado fenômeno. 2. as teorias devem ser de natureza lógica 3. as teorias devem ser relativamente simples e ainda generalizáveis 4. as teorias podem ser as bases para as hipóteses serem testadas ou para a teoria ser expandida. 5. as teorias contribuem para o aumento do corpo de conhecimentos gerais da disciplina através da pesquisa implementada para validá-las. 6. as teorias podem ser utilizadas por profissionais para orientar e melhorar a sua prática 7. as teorias devem ser consistentes com outras teorias validadas, leia e princípios, mas devem deixar abertas as questões não-respondidas, que devem ser investigadas. 2. AS TEORIAS DE ENFERMAGEM ENFATIZAM QUATRO CONCEITOS: • A PESSOA: pode representar um indivíduo, uma família, uma comunidade ou toda humanidade. É aquele que recebe o cuidado de enfermagem. • A SAÚDE: representa um estado de bem-estar decidido mutuamente pelo cliente e enfermeiro. • O AMBIENTE: pode representar os arredores imediatos, a comunidade ou o universo com tudo que contém. 14
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    • A ENFERMAGEM:é a ciência e a arte da disciplina. 3. METAPARADIGMAS DE ENFERMAGEM Com a finalidade de aprofundar as reflexões que faremos nesta oficina sobre a Enfermagem, dispus o pensamento de várias teóricas sobre os metaparadigmas de enfermagem: SER HUMANO, AMBIENTE, SAUDE/DOENÇA, ENFERMAGEM. Esclareço que para a composição desse material, transcrevi na íntegra os textos produzidos pelas autoras citadas na referência bibliográfica. Descrevemos no quadro 1, o enfoque geral das quatro categorias de teorias de enfermagem e suas autoras, e no quadro 2, o tema central de duas autoras de cada categoria de teoria de enfermagem, os princípios em que se fundamentam, a fim de contextualizá-las no estudo que faremos. Quadro 1. Características gerais das teorias de enfermagem CATEGORIAS DE TEORIAS CARACTERÍSTICA TEÓRICAS DE ENFERMAGEM 1.NECESSIDADES PROBLEMAS Enfocam as necessidades e os problemas que os clientes têm, buscando preenchê-los ou corrigi-los utilizando o Processo de Enfermagem.  Nightingale, Abdellah, Henderson, Orem, Hall, Watson, Horta* 2.SISTEMAS Sugerem que o homem é composto de muitas partes ou subsistemas que, quando juntos, são mais e diferentes do que sua soma.  Johnson, Roy, Beth Newman, Levine, Leininger. 3.INTERAÇÃO Enfocam o processo de comunicação no preenchimento das necessidades do cliente.  Peplau, Orlando, Wiedenbach, King, Paterson e Zderad, Erickson, Tomlin e Sawai, Boykin e Schoenhofer. 4.CAMPO DE ENERGIA Acreditam que as pessoas são campo de energia em constante interação com o seu ambiente ou com o universo.  Rogers, Parse, Margareth Newman. Fonte: GEORGE, Julia B. e colaboradores. Teorias de Enfermagem -os fundamentos à prática profissional 15 Paradigma: modelo ou conjunto básico de crenças que orientam a ação, a investigação da disciplinada.
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    Quadro 2. Temacentral das teóricas escolhidas para o estudo. CATEGORIAS DE TEORIAS TEÓRICAS NOME DA TEORIA TEMA CENTRAL FUNDAMENTAÇÃO PRINCÍPIOS 1. NECESSIDADES PROBLEMAS DOROTHEA E. OREM Autocuidado 1971 A Enfermagem é necessária sempre que a manutenção contínua do autocuidado requer o uso de técnicas especiais e a aplicação de conhecimentos científicos para prover o cuidado ou administrá-lo. Teoria de Kortabisnk, da ação eficiente, 1965. Teoria da ação social de Parson, 1968. WANDA DE AGUIAR HORTA* Necessidades Humanas Básicas 1979 A Enfermagem como parte integrante da equipe de saúde implementa estados de equilíbrio, previne estados de desequilíbrio, e reverte desequilíbrio em equilíbrio pela assistência do ser humano em suas necessidades básicas: procura sempre reconduzi-lo à situação de equilíbrio dinâmico no tempo e espaço. Teoria da motivação Humana de Maslow (necessidades humanas básicas) Lei da homeostase e do holismo. Fonte: adaptado de ALMEIDA & ROCHA. O saber de enfermagem e sua dimensão prática. CATEGORIAS DE TEORIAS TEÓRICAS NOME DA TEORIA TEMA CENTRAL FUNDAMENTAÇÃO PRINCÍPIOS 2.SISTEMAS MADELEINE M. LEININGER Teoria de enfermagem transcultural 1985 A Enfermagem é uma profissão humanística e científica que é apreendida e focalizada no fenômeno do cuidado humano e em atividades que propiciem assistência, suporte, facilitação e capacitação a indivíduos, grupos, para manter ou reaver o seu bem-estar, de uma forma culturalmente significativa e satisfatória. Sociologia Antropologia cultural MYRA ESTRIN LEVINE Holística 1969 A ação da Enfermagem está baseada no cuidado total da pessoa e, assim sendo, na conservação dos princípios de energia, integridade estrutural, pessoal e social. Todos têm como postulado a integridade e unidade do indivíduo. Biologia Psicologia Sociologia Fonte: adaptado de ALMEIDA & ROCHA. O saber de enfermagem e sua dimensão prática. 16
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    CATEGORIAS DE TEORIAS TEÓRICAS NOME DA TEORIA TEMACENTRAL FUNDAMENTAÇÃO PRINCÍPIOS 3.INTERAÇÃO IMOGENE M. KING Alcance dos objetivos 1971 1981 A Enfermagem é um processo de interação humana entre enfermeira e cliente através do qual um percebe o outro e a situação: e, através da comunicação, eles fixam os objetivos, exploram os recursos, concordam sobre meios para o alcançarem os objetivos. É um processo de ação, reação, interação, transação. Teoria de Sistemas Sistemas pessoais, interpessoais e sociais Psicologia Teorias sociais HELEN ERICKSON, EVELYN TOMLIN, MARY ANN SWAIN Teoria do Papel modelagem Concebem essa teoria para compreender o modo como clientes estruturam seu mundo. A Enfermagem é um modelo de autocuidado, baseado na percepção e na adaptação aos estressores. Teorias de Erckson, Maslow, Selyee, Engel e piaget Fonte: adaptado de ALMEIDA & ROCHA. O saber de enfermagem e sua dimensão prática CATEGORIAS DE TEORIAS TEÓRICAS NOME DA TEORIA TEMA CENTRAL FUNDAMENTAÇÃO PRINCÍPIOS 4.CAMPO DE ENERGIA MARTHA E. ROGERS Martha Rogers 1970 A ciência da Enfermagem é dirigida para descrever o processo vital do homem e para explanar e predizer a natureza e direção de seu desenvolvimento. A Enfermagem é uma ciência humanística dedicada a um interesse compassivo para manter e promover a máxima potencialidade de saúde do homem que é um todo unificado. Fisiologia Biologia Psicologia Antropologia Sociologia MARGARET NEWMAN 1989 A Enfermagem não é promover bem-estar ou prevenir doença, mas ajudar a pessoa a usar o próprio poder através de um alto nível de consciência para manter o processo vital Idem Fonte: adaptado de ALMEIDA & ROCHA. O saber de enfermagem e sua dimensão prática. 17
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    METAPARADGMAS DE ENFERMAGEM TEORISTASORIENTADAS PARA AS NECESSIDADES/PROBLEMAS SER HUMANO ♣ DOROTHEA E. OREM SERES HUMANOS são diferenciados das outras coisas vivas por sua capacidade de: - refletir sobre si mesmos, - simbolizar o que experimentam, - usar criações simbólicas(idéias, palavras para pensar, comunicar-se e orientar os esforços para fazer coisas que são benéficas para si e para outros”(Oren, 1991). O funcionamento humano integral inclui os aspectos físicos, psicológicos, interpessoais e sociais. O indivíduo tem potencial para aprender e desenvolver-se. A forma como o ser humanos preenche as necessidades de autocuidado não é instintiva, mas um comportamento aprendido. Os fatores que afetam o aprendizado incluem a idade, capacidade de mental, a cultura, a sociedade e o estado emocional do indivíduo. Se o indivíduo não pode aprender as medidas de autocuidado, outros devem aprender e proporciona-los. ♣ WANDA DE AGUIAR HORTA. SER HUMANO. . O ser humano é parte integrante do universo dinâmico, e como ta,l sujeito a todas as leis que o regem, no tempo e no espaço. . O ser humano está em constante interação com o universo, dando e recebendo energia. - A dinâmica do universo provoca mudanças que o levam a estados de equilíbrio e desequilíbrio no tempo e no espaço. Resulta, pois: 1. O ser humano como parte integrante do universo está sujeito a estados de equilíbrio e desequilíbrio no tempo e no espaço. O ser humano se distingue dos demais seres do universo por sua capacidade de reflexão, por ser dotado do poder de imaginação e simbolização e poder unir presente, passado e futuro. -Estas características do ser humano permitem sua unicidade, autenticidade e individualidade. -O ser humano, por suas características, é também agente de mudanças no universo dinâmico, no tempo e no espaço; consequentemente: 2. O ser humano, como agente de mudança, é também a causa de equilíbrio e desequilíbrio em seu próprio dinamismo. - Os desequilíbrios geram no ser humano, necessidades que se caracterizam por estados de tensão conscientes e inconscientes que o levam a buscar a satisfação de tais necessidades para manter seu equilíbrio dinâmico no tempo e no espaço. - As necessidades não-atendidas ou atendidas inadequadamente trazem desconforto, e se este se prolonga é causa de doença. - Estar com saúde é estar em equilíbrio dinâmico no tempo e espaço SAÚDE ♣ DOROTHEA E. OREN SAUDE. Oren apóia a definição da organização mundial de saúde como estado de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de da doença ou da enfermidade. Ela constata que os aspectos físico, psicológico, interpessoal e social são inseparáveis no indivíduo. Oren também apresenta a saúde como base do conceito de cuidado preventivo de saúde. Esse cuidado inclui a promoção e a manutenção da saúde- prevenção primária, o tratamento 18
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    da doença ouda lesão- prevenção secundária, prevenção de complicações – prevenção terciária. ♣ WANDA DE AGUIAR HORTA SAUDE. 2. O ser humano, como agente de mudança, é também a causa de equilíbrio e desequilíbrio em seu próprio dinamismo. - Os desequilíbrios geram no ser humano, necessidades que se caracterizam por estados de tensão conscientes e inconscientes que o levam a buscar a satisfação de tais necessidades para manter seu equilíbrio dinâmico no tempo e no espaço. - As necessidades não-atendidas ou atendidas inadequadamente trazem desconforto, e se este se prolonga é causa de doença. - Estar com saúde é estar em equilíbrio dinâmico no tempo e espaço. AMBIENTE ♣ DOROTHEA E. OREM São requisitos de autocuidado universais, demandas que a espécie humana possui, seja por sua condição biológica, seja por sua condição sócio-psicológica, não significando, porém, que para todos os seres humanos será igual em qualidade e em quantidade. São eles: - manutenção suficiente de suporte de ar, água, alimentos. - Provisão de cuidados associados aos processos de eliminação e excreção, - Manutenção do balanço entre estar só e a interação social, - Prevenção de risco à vida, ao funcionamento e bem-estar como ser humano ♣ WANDA DE AGUIAR HORTA AMBIENTE . O ser humano é parte integrante do universo dinâmico, e como tal, sujeito a todas as leis que o regem, no tempo e no espaço. . O ser humano está em constante interação com o universo, dando e recebendo energia. - A dinâmica do universo provoca mudanças que o levam a estados de equilíbrio e desequilíbrio no tempo e no espaço. ENFERMAGEM ♣ DOROTHEA E. OREN ENFERMAGEM. O sistema de enfermagem, delineado pela enfermeira, é baseado nas necessidades de autocuidado e nas capacidades do paciente para desempenhar as atividades de autocuidado. Se houver um déficit de autocuidado, isto é, se houver um déficit entre o que o indivíduo pode fazer (ação de autocuidado) e o que precisa ser feito para manter o funcionamento ideal (exigência de autocuidado) a enfermagem é exigida. ♣ WANDA DE AGUIAR HORTA ENFERMAGEM. A enfermagem é um serviço prestado ao INDIVÍDUO, FAMÍLIA E COMUNIDADE. A enfermagem é parte integrante da equipe de saúde, do que resulta: . Como parte integrante da equipe de saúde, a enfermagem mantém o equilíbrio dinâmico, previne desequilíbrios e reverte desequilíbrios em equilíbrio do ser humano, no tempo e no espaço. - O ser humano tem necessidades básicas que precisam ser atendidas para seu completo bem estar. - O conhecimento do ser humano a respeito do atendimento de suas necessidades é limitado por seu próprio saber, exigindo, por isto, o auxílio de profissional habilitado. - Em estados de desequilíbrio esta assistência se faz mais necessária. 19
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    - Todos osconhecimentos e técnicas acumuladas sobre a enfermagem dizem respeito ao cuidado do ser humano, isto é, como atendê-lo em suas necessidades básicas. - A enfermagem assiste o ser humano no atendimento de suas necessidades básicas, valendo- se para isto dos conhecimentos e princípios científicos das ciências físico-químicas, biológicas e psicossociais. A conclusão será: A enfermagem como parte integrante da equipe de saúde implementa estados de equilíbrio, previne estados de desequilíbrio e reverte desequilíbrios em equilíbrio pela assistência ao ser humano no atendimento de suas necessidades básicas; procura sempre reconduzi-lo à situação de equilíbrio dinâmico no tempo e espaço. Desta teoria decorrem conceitos, proposições e princípios que fundamentam a ciência de enfermagem. Enfermagem é a arte e a ciência de assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades básicas, de torná-lo independente desta assistência quando possível, pelo ensino do auto- cuidado; de recuperar, manter e promover a saúde em colaboração com outros profissionais. Assistir em enfermagem é fazer pelo ser humano aquilo que ele não pode fazer por si mesmo, ajudar ou auxiliar quando parcialmente impossibilitado de se autocuidar; orientar ou ensinar, supervisionar e encaminhar a outros profissionais. As funções da(o) enfermeira(o) podem ser consideradas em três áreas ou campos de ação distintos. a ) Área específica: assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades básicas e torná- lo independente desta assistência, quando possível, pelo ensino do auto- cuidado. b ) Área de interdependência ou de colaboração: a sua atividade na equipe de saúde nos aspectos de manutenção, promoção e recuperação da saúde. c ) Área Social: dentro de sua atuação como um profissional a serviço da sociedade, função de pesquisa, ensino, administração, responsabilidade legal e de participação na associação de classe (figura 2) . • A ciência da enfermagem compreende o estudo das necessidades humanas básicas, dos fatores que alteram sua manifestação e atendimento, e na assistência a ser prestada. Alguns princípios podem também ser deduzidos : • Enfermagem respeita e mantém a unicidade, autenticidade e individualidade do ser humano. • A enfermagem é prestada ao ser humano e não à sua doença ou desequilíbrio. • Todo o cuidado de enfermagem é preventivo, curativo e de reabilitação. • A enfermagem reconhece o ser humano como membro de urna família e de uma comunidade. A enfermagem reconhece o ser humano como elemento participante ativo de seu autocuidado. Para que a enfermagem atue eficientemente, necessita desenvolver sua metodologia de trabalho que está fundamentada no método científico. Este método de atuação da enfermagem é denominado processo de enfermagem. TEÓRICAS ORIENTADAS PARA OS SISTEMAS SER HUMANO ♣ MADELEINE M. LEININGER SERES HUMANOS são melhor representados em seus pressupostos. Os homens são considerados capazes de cuidar e preocupar-se com as necessidades de bem-estar, e a sobrevivência dos outros. O cuidado humano é universal, ou seja, é visto em todas as culturas. Os homens tem sobrevivido nas culturas ao longo do lugar e tempo porque são capazes de cuidas dos bebês, 20
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    das crianças, edos idosos de maneiras variadas e em muitos ambientes diferentes. Assim, os homens são universalmente seres cuidadores que sobrevivem numa diversidade de culturas pela sua capacidade de proporcionar a universalidade do cuidado de várias maneiras e de acordo com as diferentes culturas, necessidades e situações. A enfermagem, como ciência do cuidado deve enfocar além da interação tradicional enfermeira-paciente, incluir famílias, grupos, comunidade, culturas completas e instituições, assim como as instituições mundiais de saúde, e a forma de desenvolvimento e políticas e práticas de enfermagem internacionais, pois em muitas culturas as instituições e as famílias dominam. Há culturas em que as pessoas não são um conceito importante, podendo até não haver o termo pessoa no idioma. ♣ MYRA ESTRIN LEVINE SERES HUMANOS – quando a pessoa está sendo estudada o foco deve ser a integridade. Sustenta que uma pessoa não pode ser compreendida fora do contexto do tempo, lugar no qual ela interage ou está isolada da influência de tudo que acontece ao seu redor. Os seres humanos não só apenas são influenciados por suas circunstâncias imediatas, mas também suportam carga de uma vida inteira de experiências que ficaram registradas nos tecidos do corpo bem como na mente e no espírito. Os seres humanos estão em contínua adaptação em sua interação com o ambiente. O processo de adaptação resulta em conservação. Os seres humanos necessitam da enfermagem quando estão sofrendo e podem pôr a independência de lado e aceitar os serviços do outro. SAÚDE ♣ MADELEINE M. LEININGER SAUDE. Ela fala de sistemas de saúde, práticas de atendimento de saúde, mudança de padrões de saúde, promoção de saúde e manutenção de saúde. A saúde é um conceito importante na enfermagem transcultural. Devido à ênfase sobre a necessidade de as enfermeiras conhecerem a cultura específica na qual a enfermagem está sendo praticada, presume-se que a saúde seja vista como universal nas culturas, porém definida em cada uma delas de uma maneira que reflete as crenças, os valores e as práticas daquela determinada cultura. Assim a saúde é tanto universal como diversificada. ♣ MYRA ESTRIN LEVINE SAUDE. Sugere que saúde e doença são padrões de mudança adaptativa. Algumas adaptações têm mais êxito do que outras, Todas as adaptações estão em busca do melhor ajuste com o ambiente. As adaptações mais bem sucedidas são aquelas que conseguem o melhor ajuste de maneira mais conservadora. A saúde é o objetivo da conservação. Ela também discute as palavras SAUDE, INTEGRIDADE, TODO como derivadas da mesma palavra raiz e que, mesmo com a multiplicidade de definições de saúde, cada indivíduo ainda define saúde por si mesmo. AMBIENTE ♣ MADELEINE M. LEININGER AMBIENTE. NESTA TEORIA O contexto ambiental é definido como sendo a totalidade de um evento, situação ou experiência. A definição de cultura de Leininger, enfoca um determinado grupo-sociedade e a padronização de ações, pensamentos e decisões que ocorre como resultado de valores, crenças e normas aprendidos, compartilhados e transmitidos. Esse aprendizado, compartilhamento, transmissão e padronização ocorrem dentro de um grupo de pessoas que funciona como um cenário ou ambiente identificável. ♣ MYRA ESTRIN LEVINE AMBIENTE. Utiliza a classificação de Bates. Existem três tipos de ambiente: 21
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    1º ambiente operacional– consiste de forças naturais não detectadas que atingem o indivíduo. 2º ambiente perceptivo - consiste de informações que são registradas pelos órgãos sensoriais. 3º ambiente conceitual - influenciado pela cultura, idéias, e cognição. Os esforços para compreender o ambiente e o papel que ele desempenha sobre os indivíduos é vital. “É o sistema social que em todas as gerações e em todos os lugares, determina os valores que dirigem e define as regras pelas quais seus integrantes são julgados. A integridade social do indivíduo espelha a comunidade à qual ele pertence. ENFERMAGEM ♣ MADELEINE M. LEININGER ENFERMAGEM. Define enfermagem como uma profissão e uma disciplina científica aprendida e humanista, enfocada em fenômeno e nas atividades do cuidado humano para assistir, apoiar, facilitar ou capacitar indivíduos ou grupos a manterem ou readiquirirem seu bem-estar (saúde) em formas culturalmente significativas e benéficas ou para ajudar a pessoa a enfrentar a deficiência ou morte (Leininger, 1991). ♣ MYRA ESTRIN LEVINE ENFERMAGEM. Para Levine o propósito da enfermagem é cuidar dos outros quando eles necessitam de cuidados. A pessoa que fornece serviços de enfermagem tem cargas especiais de preocupação uma vez que a permissão para entrar nas metas de vida de outro ser humano carrega dívidas onerosas de responsabilidade e escolha. O relacionamento enfermeiro-paciente se baseia na participação intencional de ambas as partes, e nesses relacionamentos não pode haver um substituto para a honestidade, imparcialidade e respeito mútuo. A teoria da enfermagem é finalmente posta a prova nas trocas diárias pragmáticas e simples entre enfermeira-paciente... seu sucesso é demonstrado em sua capacidade de equipar os indivíduos com força renovada para continuarem suas vidas com independência, realização, esperança e promessa.” TEÓRICAS ORIENTADAS PARA A INTERAÇÃO SER HUMANO ♣ IMOGENE M. KING SERES HUMANOS – São seres sociais, reativos, perceptivos, controladores, intencionais e orientados no para a ação e o tempo. A partir dessas crenças desenvolveu os seguintes pressupostos que são específicos para a interação enfermeira-cliente: - as percepções influenciam o processo de interação. - as metas, as necessidades e os valores da enfermeira e do cliente influenciam o processo de interação. - Os indivíduos têm direito de conhecimento sobre eles mesmos. - Os indivíduos têm direito de participar das decisões que influenciam a sua vida, a sua saúde e os serviços comunitários. - Os profissionais de saúde têm a responsabilidade de compartilhar a informação que ajudará o indivíduo a tomar decisões sobre o seu atendimento de saúde. - Os indivíduos têm o direito de aceitar ou de recusar o atendimento de saúde. - As metas dos profissionais de saúde as metas do receptor do atendimento de saúde podem ser incongruentes. Afirma que as enfermeiras estão preocupadas com o ser humano interagindo com o seu ambiente de maneiras que levam ao auto preenchimento e à manutenção da saúde. Os seres humanos tem três necessidades fundamentais de saúde: 1ª necessidade de informação de saúde que seja no momento necessária e que possa ser utilizada. 22
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    2ª necessidade deatendimento que procura prevenir a doença. 3ª necessidade de atendimento quando os seres humanos são incapazes de cuidar de si mesmos. Ela afirma que “as enfermeiras estão em uma posição para investigarem o que as pessoas sabem sobre a sua saúde, o que elas pensam sobre a sua saúde e como elas agem para mantê-la.” ♣ HELEN ERICKSON, EVELYN TOMLIN, MARY ANN SWAIN SERES HUMANOS são pessoas holísticas, com sistemas interagentes – biofísicos, psicológicos, sociais, cognitivos, e bases genéticas e impulso espiritual inerentes. O holismo implica o todo ser maior que a soma das partes e é diferente da definição da pessoa como um agregado de das partes e do todo sendo igual à soma das partes. As teorias de Erik Erikson, Abraham Maslow, Jean Piaget, e George Engel são básicas na descrição de como as pessoas são semelhantes, considerando serem seres holísticos que querem desenvolver seu potencial.Todos os seres humanos tem necessidades básicas que motivam o comportamento, incluindo o impulso denominado individuação-afiliada. Apesar de os seres humanos compartilharem esses pontos comuns, cada indivíduo é único. As pessoas diferem umas das outras como resultado de sua bagagem individual herdada, sua capacidade situacional para mobilizar recursos para reagir aos estressores da vida e seus modelos de mundo. SAÚDE ♣ IMOGENE M. KING SAUDE. É definida como experiência dinâmica de vida do ser humano, que implicam o ajustamento constante aos estressores no ambiente interno e externo através do uso ideal dos próprios recursos para atingir o potencial máximo para a vida diária. E como um estado dinâmico no indivíduo no qual a mudança é constante e permanente e pode ser vista como a capacidade do indivíduo para funcionar em seus papéis habituais. King afirma que a saúde não é uma continuidade mais um estado holístico. As características de saúde são genéticas, subjetivas, relativas, dinâmicas, ambientais, funcionais, culturais e perceptivas. Ela discute a saúde como um estado funcional e a doença como uma interferência nesse estado. Define a doença como um desvio do normal, isto é, um desequilíbrio na estrutura biológica da pessoa, ou em seu esquema psicológico, ou um conflito nos relacionamentos saciais da pessoa. ♣ HELEN ERICKSON, EVELYN TOMLIN, MARY ANN SWAIN SAUDE. A definição de saúde é consistente com a da OMS - saúde é um estado de bem estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou da enfermidade. Escrevem que a saúde tem conotação com o equilíbrio dinâmico entre os vários subsistemas. Esse equilíbrio dinâmico implica um equilíbrio adaptativo pelo qual o indivíduo aprende a enfrentar construtivamente os estressores da vida, mobilizando os recursos de enfrentamento internos e externos e não deixando nenhum sistema em risco quando a adaptação ocorrer. AMBIENTE ♣ IMOGENE M. KING AMBIENTE. A sociedade pode ser vista como a porção dos sistemas sociais da estrutura de sistemas abertos. Em sua teoria os três sistemas forma os ambientes que influenciam os indivíduos: 1º sistemas pessoais – cada indivíduo é um sistema pessoal. Para o sistema pessoal os conceitos relevantes são: percepção, o ser, o crescimento, o desenvolvimento, a imagem corporal, o espaço, o aprendizado e o tempo. 2º sistemas interpessoais - são formados pelos seres humanos interagindo. 23
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    3º sistemas sociais- é definido como sistema de limites organizados de regras sociais, comportamentos e práticas desenvolvidas para manter os valores e os mecanismos que regulam as práticas e as regras. ♣ HELEN ERICKSON, EVELYN TOMLIN, MARY ANN SWAIN AMBIENTE. O ambiente é visto como interno e externo, e inclui tanto os estressores quanto os recursos para adaptação a eles. Os estressores existem sempre e são necessários para o crescimento geral e o favorecimento da vida todos os indivíduos tem recursos tanto internos como externos para lidar com os estressores. Os recursos potenciais existem e os indivíduos talvez necessitem de auxílio para se conscientizarem sobre eles e assim mobilizá-los construtivamente. ENFERMAGEM ♣ IMOGENE M. KING ENFERMAGEM. Um processo de ação, reação e interação pelo qual a enfermeira e o cliente compartilham informações sobre as suas percepções na situação de enfermagem e como um processo de interação humanas entre a enfermeira e o cliente através do qual cada um percebe o outro e a situação, e através da comunicação estabelecem metas, exploram meios e concordam com os meios para atingir as metas. A meta da enfermeira é ajudar o indivíduo a manter a sua saúde de forma que possam funcionar em seus papéis. O âmbito da enfermagem inclui a promoção, manutenção e restauração da saúde e o atendimento aos doentes, aos feridos ou aos que estão morrendo. ♣ HELEN ERICKSON, EVELYN TOMLIN, MARY ANN SWAIN ENFERMAGEM. A enfermagem é um processo entre a enfermeira e o cliente e exige um relacionamento interpessoal e interativo. Ela descreve três características da enfermeira nessa teoria: 1ª Facilitação – implica que a enfermeira ajude o indivíduo a identificar, a mobilizar e a desenvolver seus próprios pontos fortes. 2ª Nutrimento – é a fusão e a fusão dos processos cognitivos, psicológico e afetivo, visando auxiliar o cliente a atingir uma saúde holística. 3ª Aceitação incondicional – é a aceitação de cada indivíduo como único valioso e importante, mesmo sem vínculos. TEORISTA ORIENTADAS PARA O CAMPO DE ENERGIA SER HUMANO ♣ MARTHA E. ROGERS SERES HUMANOS. Ela apresenta cinco pressupostos sobre os seres humanos: 1º cada homem é presumidamente um ser unificado com individualidade. 2º o ser humano está em troca contínuas de energia com o ambiente. 3º os processos de vida de um ser humano evoluem irreversível e imprevisivelmente na pandimensionalidade. 4º existe um padrão para a vida. 5º o ser humano é capaz de abstração, visualização, linguagem, pensamento, sensibilidade e emoções. Os homens são campos de energia irredutíveis, indivisíveis, pandimensionais, identificados por padrões e manifestam características e comportamentos diferentes dos das suas partes e que não podem ser previstos pelo conhecimento dessas partes. 24
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    ♣ MARGARET NEWMAN SERESHUMANOS. Os seres humanos são unitários com o ambiente. Não existem limites. Os seres humanos são identificados por seus padrões. Os padrões do indivíduo são integrantes dos de sua família e, por outro lado, estes são integrantes dos padrões da comunidade e da sociedade. Os homens dirigem-se para uma organização sempre crescente e são capazes de tomar decisões. O progresso para um nível superior de organização ocorre, com freqüência, após um período de desorganização ou ponto de escolha, quando as formas antigas não mais funcionam. O movimento é um ponto de escolha crucial na evolução da consciência e é a expressão da consciência. A restrição do movimento, força a pessoa além do espaço-tempo. SAÚDE ♣ MARTHA E. ROGERS SAÚDE : A SAÚDE NÃO É ABORDADA ESPECIFICAMENTE e em realidade, ser vista como um estado não é apropriado à teoria de Rogers. Ela considera a saúde um termo de valor. Para ela a doença, patologia e a saúde são termos de valor. Os termos de valor modificam-se e, quando discutimos em nível da dinâmica de comportamentos manifestados pelo campo humano, necessitam ser definidos individualmente. ♣ MARGARET NEWMAN SAUDE é a expansão da consciência: o padrão do todo em evolução, a explicação do descobrimento da ordem implicada. Newman propõe que as flutuações no padrão, identificadas como doenças, podem proporcionar o distúrbio necessário para reorganizar os relacionamentos de um padrão mais harmoniosamente. A doença pode atingir aquilo que a pessoa queria mas não tinha sido capaz de reconhecer; pode proporcionar ou representar o desequilíbrio necessário para manter o intercâmbio vital ativo com o ambiente. Crescemos ou evoluímos através da experiência do desequilíbrio e aprendendo como atingir um novo sentido de equilíbrio. Portanto a doença pode ser vista como padrão emergente quanto como expansão da consciência. É importante lembrar que apesar de o indivíduo apresentar o padrão emergente denominado doença, esse padrão relaciona-se e afeta os padrões de outros -família, amigos, comunidade. Como sistemas de energia abertos em interação constante, os homens influenciam os padrões uns dos outros e evoluem juntos. AMBIENTE ♣ MARTHA E. ROGERS AMBIENTE. Consiste da totalidade de padrões externos existentes no indivíduo. Tanto o indivíduo como o ambiente são considerados sistemas abertos. O ambiente é um campo de energia irredutível, indivisível, pandimensional identificado por padrões e integrado ao campo humano. ♣ MARGARET NEWMAN AMBIENTE. – os seres humanos são unitários com o ambiente. ENFERMAGEM ♣ MARTHA E. ROGERS ENFERMAGEM. É uma arte e uma ciência humanística e humanitária. É dirigida ao homem unitário e preocupa-se com a natureza e a direção do desenvolvimento humano. A meta das enfermeiras é participar do processo de mudança de forma que as pessoas possam se beneficiar. ♣ MARGARET NEWMAN 25
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    ENFERMAGEM. Define aenfermagem como o “cuidado na experiência de saúde humana”. Acredita que cuidar é imperativo moral para a enfermagem. Com base na declaração de Moss,(1981) para o amor ela diz que cuidar é algo que transforma a nós todos e tudo o que fazemos mais do que ser algo que fazemos. Cuidar reflete o todo da pessoa. Cuidar exige que sejamos abertos, e ser aberto é ser vulnerável. Ser vulnerável pode levar ao sofrimento, o que tendemos a evitar. Evitar o sofrimento pode prejudicar os nossos esforços em direção a níveis superiores de consciência. “A necessidade é de deixar correr , abraçar a nossa experiência e permitir a descoberta da expansão da consciência.”(Newman, 1994). Sem o cuidado a enfermagem não ocorre. Bibliografia ALMEIDA, Maria Lúcia Puntel e ROCHA, Juan Stuardo Yaszlle. O saber de enfermagem e sua dimensão prática. 2ª ed. São Paulo:Cortez, 1999. CARRARO&WESPHALEN. Metodologias para a assistência de Enfermagem:teorizações, modelos e subsídios para a prática. Goiânia:AB,2001. GEORGE, Julia B. e colaboradores. Teorias de Enfermagem -os fundamentos à prática profissional. 4ª edição. Porto Alegre: Artes Medicas Sul, 2000. HORTA, Wanda de Aguiar. Processo de Enfermagem. São Paulo: EPU, 1979. LEOPARDI, Maria Tereza. Teorias em Enfermagem: instrumentos para a prática.Florianópolis:Papa Livros, 1999. PARTE 2 ASPECTOS POLÍTICO-ADMINISTRATIVOS LIGADOS A SAE CAPÍTULO 1. ASPECTOS LEGAIS Para o estudo da legislação sobre a SAE, exporemos alguns textos na íntegra, outros, somente as partes que consideramos importante enfatizar. a) Lei n 7.498/86: Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem e dá outras providências. O presidente da República faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º - É livre o exercício da Enfermagem em todo o território nacional, observadas as disposições desta Lei. Art. 2º - A Enfermagem e suas atividades Auxiliares somente podem ser exercidas por pessoas legalmente habilitadas e inscritas no Conselho Regional de Enfermagem com jurisdição na área onde ocorre o exercício. Parágrafo único - A Enfermagem é exercida privativamente pelo Enfermeiro, pelo Técnico de Enfermagem, pelo Auxiliar de Enfermagem e pela Parteira, respeitados os respectivos graus de habilitação. Art. 3º - O planejamento e a programação das instituições e serviços de saúde incluem planejamento e programação de Enfermagem. Art. 6º - São enfermeiros: I - o titular do diploma de enfermeiro conferido por instituição de ensino, nos termos da lei; II - o titular do diploma ou certificado de obstetriz ou de enfermeira obstétrica, conferidos nos termos da lei; III - o titular do diploma ou certificado de Enfermeira e a titular do diploma ou certificado de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz, ou equivalente, conferido por escola estrangeira 26
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    segundo as leisdo país, registrado em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de Enfermeiro, de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz; IV - aqueles que, não abrangidos pelos incisos anteriores, obtiverem título de Enfermeiro conforme o disposto na alínea "d" do Art. 3º. do Decreto nº 50.387, de 28 de março de 1961. Art. 11 - O Enfermeiro exerce todas as atividades de Enfermagem, cabendo-lhe: I - privativamente: a) direção do órgão de Enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública ou privada, e chefia de serviço e de unidade de Enfermagem; b) organização e direção dos serviços de Enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços; c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços de assistência de Enfermagem; h) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de Enfermagem; i) consulta de Enfermagem; j) prescrição da assistência de Enfermagem; l) cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida; m) cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas; II - como integrante da equipe de saúde: c) prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde; Art. 12 - O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e acompanhamento do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar, e participação no planejamento da assistência de Enfermagem, cabendo-lhe especialmente: Art. 13 - O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades de nível médio, de natureza repetitiva, envolvendo serviços auxiliares de Enfermagem sob supervisão, bem como a participação em nível de execução simples, em processos de tratamento, cabendo-lhe especialmente: Brasília, em 25 de junho de 1986, 165º da Independência e 98º da República. José Sarney Almir Pazzianotto Pinto Lei nº 7.498, de 25.06.86 publicada no DOU de 26.06.86 Seção I - fls. 9.273 a 9.275 b) Decreto n 94.406/87 : ‘Regulamenta a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o exercício da Enfermagem, e dá outras providências O Presidente da República, usando das atribuições que lhe confere o Art. 81, item III, da Constituição, e tendo em vista o disposto no Art. 25 da Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, Decreta: Art. 1º - O exercício da atividade de Enfermagem, observadas as disposições da Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, e respeitados os graus de habilitação, é privativo de Enfermeiro, Técnico de Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e Parteiro e só será permitido ao profissional inscrito no Conselho Regional de Enfermagem da respectiva região. 27
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    Art. 2º -As instituições e serviços de saúde incluirão a atividade de Enfermagem no seu planejamento e programação. Art. 3º - A prescrição da assistência de Enfermagem é parte integrante do programa de Enfermagem. Art. 4º - São Enfermeiros: I - o titular do diploma de Enfermeiro conferido por instituição de ensino, nos termos da lei; II - o titular do diploma ou certificado de Obstetriz ou de Enfermeira Obstétrica, conferidos nos termos da lei; III - o titular do diploma ou certificado de Enfermeira e a titular do diploma ou certificado de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz, ou equivalente, conferido por escola estrangeira segundo as respectivas leis, registradas em virtude de acordo de intercâmbio cultural ou revalidado no Brasil como diploma de Enfermeiro, de Enfermeira Obstétrica ou de Obstetriz; IV - aqueles que, não abrangidos pelos incisos anteriores, obtiveram título de Enfermeira conforme o disposto na letra "d" do Art. 3º. do Decreto-lei Decreto nº 50.387, de 28 de março de 1961. Art. 8º - Ao enfermeiro incumbe: I - privativamente: b) organização e direção dos serviços de Enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços; c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da assistência de Enfermagem; d) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de Enfermagem; e) consulta de Enfermagem; f) prescrição da assistência de Enfermagem; q) participação no desenvolvimento de tecnologia apropriada à assistência de saúde; Art. 10 - O Técnico de Enfermagem exerce as atividades auxiliares, de nível médio técnico, atribuídas à equipe de Enfermagem, cabendo-lhe: I - assistir ao Enfermeiro: Art. 11 - O Auxiliar de Enfermagem executa as atividades auxiliares, de nível médio atribuídas à equipe de Enfermagem, cabendo-lhe: III - executar tratamentos especificamente prescritos, ou de rotina, além de outras atividades de Enfermagem... Brasília, 08 de junho de 1987; José Sarney Eros Antonio de Almeida Dec. nº 94.406, de 08.06.87 publicado no DOU de 09.06.87 seção I - fls. 8.853 a 8.85 c) CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM CAPÍTULO I Dos Princípios Fundamentais Art. 1º - A Enfermagem é uma profissão comprometida com a saúde do ser humano e da coletividade. Atua na promoção, proteção, recuperação da saúde e reabilitação das pessoas, respeitando os preceitos éticos e legais. Art. 2º - O profissional de Enfermagem participa, como integrante da sociedade, das ações que visem satisfazer às necessidades de saúde da população. Art. 3º - O profissional de Enfermagem respeita a vida, a dignidade e os direitos da pessoa humana, em todo o seu ciclo vital, sem discriminação de qualquer natureza. 28
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    Art. 4º -O profissional de Enfermagem exerce suas atividades com justiça, competência, responsabilidade e honestidade. Art. 5º - O profissional de Enfermagem presta assistência à saúde visando à promoção do ser humano como um todo. Art. 6º - O profissional de Enfermagem exerce a profissão com autonomia, respeitando os preceitos legais da Enfermagem. CAPÍTULO II Dos Direitos Art. 9º - Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem, quando impedido de cumprir o presente Código e a Lei do Exercício Profissional. CAPÍTULO III Das Responsabilidades Art. 16 - Assegurar ao cliente uma assistência de Enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência. Art. 18 - Manter-se atualizado ampliando seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais, em benefício da clientela, coletividade e do desenvolvimento da profissão. Art. 20 - Responsabilizar-se por falta cometida em suas atividades profissionais, independente de ter sido praticada individualmente ou em equipe. CAPÍTULO IV Dos Deveres Art. 24 - Prestar à clientela uma assistência de Enfermagem livre dos riscos decorrentes de imperícia, negligência e imprudência. Art. 25 - Garantir a continuidade da assistência de Enfermagem. Art. 33 - Proteger o cliente contra danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência por parte de qualquer membro da equipe de saúde. d) Resolução COFEN-272/2002 : SAE O Conselho Federal de Enfermagem - COFEN, no uso de suas atribuições legais e regimentais; CONSIDERANDO a Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 05 de outubro de 1998 nos artigos 5º, XII e 197; CONSIDERANDO a Lei nº 7.498/86 c.c. o Decreto nº 94.406/86, respectivamente no artigo 11, alíneas "c", "i" e "j" e artigo 8º, alíneas "c", "e" e "f"; CONSIDERANDO o contido no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, aprovado pela Resolução COFEN 240/2000; CONSIDERANDO o disposto nas Resoluções-COFEN nºs 195/1997, 267/2001 e 271/2002; CONSIDERANDO que a Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE, sendo atividade privativa do enfermeiro, utiliza método e estratégia de trabalho científico para a identificação das situações de saúde/doença, subsidiando ações de assistência de Enfermagem que possam contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo, família e comunidade; CONSIDERANDO a institucionalização da SAE como prática de um processo de trabalho adequado às necessidades da comunidade e como modelo assistencial a ser aplicado em todas as áreas de assistência à saúde pelo enfermeiro; CONSIDERANDO que a implementação da SAE constitui, efetivamente, melhora na qualidade da Assistência de Enfermagem; CONSIDERANDO os estudos elaborados pela CTA/COFEN, nos autos do PAD-COFEN Nº 48/97; 29
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    RESOLVE: Art. 1º -Ao Enfermeiro incumbe: I - Privativamente: A implantação, planejamento, organização, execução e avaliação do processo de enfermagem, que compreende as seguintes etapas: Consulta de Enfermagem Compreende o histórico (entrevista), exame físico, diagnóstico, prescrição e evolução de enfermagem. Para a implementação da assistência de enfermagem, devem ser considerados os aspectos essenciais em cada uma das etapas, conforme descriminados a seguir: Histórico: Conhecer hábitos individuais e biopsicossociais visando a adaptação do paciente à unidade de tratamento, assim como a identificação de problemas. Exame Físico: O Enfermeiro deverá realizar as seguintes técnicas: inspeção, ausculta, palpação e percussão, de forma criteriosa, efetuando o levantamento de dados sobre o estado de saúde do paciente e anotação das anormalidades encontradas para validar as informações obtidas no histórico. Diagnóstico de Enfermagem: O Enfermeiro após ter analisado os dados colhidos no histórico e exame físico, identificará os problemas de enfermagem, as necessidades básicas afetadas e grau de dependência, fazendo julgamento clínico sobre as respostas do individuo, da família e comunidade, aos problemas, processos de vida vigentes ou potenciais. Prescrição de Enfermagem: É o conjunto de medidas decididas pelo Enfermeiro, que direciona e coordena a assistência de Enfermagem ao paciente de forma individualizada e contínua, objetivando a prevenção, promoção, proteção, recuperação e manutenção da saúde. Evolução de Enfermagem: É o registro feito pelo Enfermeiro após a avaliação do estado geral do paciente. Desse registro constam os problemas novos identificados, um resumo sucinto dos resultados dos cuidados prescritos e os problemas a serem abordados nas 24 horas subseqüentes. Artigo 2º - A implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE - deve ocorrer em toda instituição da saúde, pública e privada. Artigo 3º - A Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE deverá ser registrada formalmente no prontuário do paciente/cliente/usuário, devendo ser composta por: -Histórico de enfermagem -Exame Físico -Diagnóstico de Enfermagem -Prescrição da Assistência de Enfermagem -Evolução da Assistência de Enfermagem -Relatório de Enfermagem Parágrafo único: Nos casos de Assistência Domiciliar - HOME CARE - este prontuário deverá permanecer junto ao paciente/cliente/usuário assistido, objetivando otimizar o andamento do processo, bem como atender o disposto no Código de Defesa do Consumidor. Artigo 4º - Os CORENS, em suas respectivas jurisdições, deverão promover encontros, seminários, eventos, para subsidiar técnica e cientificamente os profissionais de Enfermagem, na implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE; Artigo 5º - É de responsabilidade dos CORENS, em suas respectivas jurisdições, zelar pelo cumprimento desta norma. Artigo 6º - Os casos omissos, serão resolvidos pelo COFEN. Artigo 7º - A presente resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando disposições em contrário. 30
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    Rio de Janeiro,27 de agosto de 2002. Gilberto Linhares Teixeira -Coren-RJ Nº 2.380 - Presidente Carmem de Almeida da Silva- Coren-SP Nº 2.254- Primeira Secretária d) Decisão COREN-MT 025/2004: SAE Dispõe sobre a implantação e / ou implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE nas instituições de saúde, no âmbito do Estado de Mato Grosso”. O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso, no exercício de suas atribuições legais e regimentais, asseguradas no inciso II, III, VIII e XIV artigo 15 da lei nº 5.905/73, e a deliberação do Plenário do COREN-MT na 2ª Sessão da 340ª Reunião Ordinária de Plenário. CONSIDERANDO art.5º, inciso XII e art.197 da Constituição Federativa do Brasil; CONSIDERANDO as alíneas “c”, “i” e “j”, art.11 da Lei 7.498/86 e as alíneas “c”, “e” e “f”, art.8º do Decreto 94.406/87; CONSIDERANDO o contido no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. CONSIDERANDO o disposto nas Resoluções COFEN nº 195/1997, 267/2001, 271/2002 e 272/2003; CONSIDERANDO que a Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE sendo uma atividade privativa do Enfermeiro, utiliza método e estratégia de trabalho científico para a identificação das situações de saúde/doença, subsidiando a prescrição e implementação de ações de Assistência de Enfermagem que possam contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação em saúde do indivíduo, família e comunidade; CONSIDERANDO a institucionalização da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE como a prática de um processo de trabalho adequado às necessidades da comunidade e como modelo assistencial a ser aplicado em todas as áreas de assistência à saúde pelo Enfermeiro; CONSIDERANDO que a implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE constitui, efetivamente, na melhoria da qualidade da Assistência de Enfermagem; CONSIDERANDO que a Consulta de Enfermagem é o primeiro contato com o cliente para a identificação de problemas de saúde que conduz ao Diagnóstico de Enfermagem, características definidoras em relação aos fatores de risco e níveis de prevenção; CONSIDERANDO que o exercício da Consulta de Enfermagem implica em conhecimento, competência, capacidade de delegar, criatividade e afetividade, prerrogativas estas que só serão reforçadas por estudos em profundidade e extensão de modo contínuo, ou seja, educação continuada; CONSIDERANDO que a Consulta de Enfermagem beneficiará o Enfermeiro na sua prática profissional, disponibilizando ao cliente melhor qualificação e resolutividade dos problemas face à adequada aplicação da metodologia científica no processo assistencial elevando a qualidade dos serviços da Enfermagem; CONSIDERANDO que a Consulta de Enfermagem deve ser realizada em nível hospitalar, ambulatorial, a domicílio, em consultório particular ou em outro local; 31
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    CONSIDERANDO que aConsulta de Enfermagem é uma das atividades – fim autônoma que independe da supervisão de outro profissional; CONSIDERANDO que a Consulta de Enfermagem caracteriza o Enfermeiro como profissional liberal, pois permite ao cliente expressar seus sentimentos, facilitando a ambos identificar os problemas de saúde, priorizando sua resolutividade, dentro de um processo participativo, estabelecendo o vínculo enfermeiro / cliente; CONSIDERANDO ainda que a Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE é um plano: sistemático, ordenado, metódico das ações do Enfermeiro e da Enfermagem; CONSIDERANDO Decisão COFEN N.º 015/2004 que homologa os atos do COREN-MT dispostos na presente Decisão. DECIDE: Artigo 1º - Incumbe ao Enfermeiro: I – Privativamente: A implantação, planejamento, organização, execução e avaliação do processo de Enfermagem, que compreende as seguintes etapas: Consulta de Enfermagem Compreendem o histórico (entrevista), exame físico, diagnóstico, prescrição e evolução de Enfermagem. Para implantação da Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE, devem ser considerados os aspectos essenciais em cada etapa conforme a seguir: Histórico Consiste em escutar atentamente, o cliente encorajando-o a se expressar plenamente para que se conheçam seus hábitos individuais e biopsicossociais (percepções e expectativas do cliente e de sua família, condições sócio-econômicas, condições ambientais, composição familiar, nutrição, hidratação, eliminações, oxigenação, sono e repouso, lazer e recreação, atividade física, reprodução e vida sexual) a fim de identificar seus problemas. Exame físico Visa verificar criteriosamente peso e altura, pressão arterial, exame da cabeça, face, olhos, ouvidos, nariz, pele e mucosas, extremidades, estado de higiene pessoal e vestimenta, bem como as características físicas próprias e os sinais e sintomas físicos de seus problemas de saúde. Diagnóstico de Enfermagem O Enfermeiro identificará problemas a serem atendidos após colher informações do cliente e constatação dos achados clínicos ou laboratoriais. Este diagnóstico deve ser modificado conforme for indicando mudanças das respostas do cliente ao seu estado de saúde. Prescrição de Enfermagem Determinação e execução de ações voltadas para o atendimento e solução dos problemas identificados incluindo-se: processo educativo que estimule o autocuidado; indicação de medicamentos e tratamentos, vacinas, exames laboratoriais, orientação alimentar, etc estabelecidos pelo serviço de saúde e encaminhamentos a outros profissionais. Evolução de Enfermagem É o acompanhamento e análise da evolução da situação de saúde do cliente em termos de resolução ou não dos problemas identificados, enfim, é um resumo dos cuidados prescritos e realizados e as atividades a serem desenvolvidas nas vinte (24) horas subseqüentes. Relatório de Enfermagem Consiste no registro das ações de Enfermagem, objetivando dar continuidade à assistência, para fins éticos e realização de pesquisas, devendo ser redigido dentro de normas com facilidade de interpretação, com qualidade de informação e legibilidade. Artigo 2º - A implantação e implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE, torna-se obrigatória em toda instituição de saúde, pública e privada (incluindo-se a Assistência Domiciliar Home Care). 32
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    Artigo 3º -A Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE, deverá ser registrada formalmente no prontuário do cliente. Parágrafo Único – Nos casos de Assistência Domiciliar – Home Care este prontuário deverá permanecer junto ao cliente assistido, para que se acompanhe o andamento da assistência, bem como atender ao disposto no Código de Defesa do Consumidor. Artigo 4º - É responsabilidade da instituição de saúde pública e privada subsidiar técnica e cientificamente os profissionais de Enfermagem, na implantação e implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE, obedecendo-se os seguintes prazos a seguir: a) até nove meses à partir da publicação: a todos os pacientes considerados graves / críticos e de Unidade de Terapia Intensiva (adulto, infantil e neo – natal) e um mínimo percentual de 10% e 20% a ser determinado pelo Enfermeiro, nos casos de Assistência Domiciliar – Home Care e Ambulatórios, considerando – se a incidência epidemiológica e / ou cadastro epidemiológico associado aos níveis de riscos envolvidos; b) até doze meses à partir da publicação: a todos os pacientes internados ou assistidos (casos de Ambulatórios, Assistência Domiciliar – Home Care); c) até nove meses à partir da publicação: a todo paciente portador de Doença Crônico – degenerativo, Doença Sexualmente Transmissível ou não, Gestantes de alto, médio e baixo risco e aos enquadrados dentro do programa de imunização em todas as Unidades da Rede Básica de Saúde. Artigo 5º - Os casos omissos no presente ato decisório serão resolvidos pelo COREN – MT. Artigo 6º - A presente decisão entrará em vigor após homologação pelo COFEN e devida publicação no órgão de Imprensa Oficial do Conselho. Cuiabá-MT, 26 de março de 2004. Drª. Geralda Lopes da Silva Dr. Vicente Pereira Guimarães COREN-MT-1633 COREN-MT-23641 Secretária Presidente Bibliografia www.portalcofen.gov.br www.coren-mt.gov.br 33
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    PARTE 3 O PROCESSODE ENFERMAGEM CAPITULO 1. NOÇÕES GERAIS SOBRE 0 PROCESSO DE ENFERMAGEM Apresentamos definições e Modelos Esquemáticos do Processo de Enfermagem na visão de diversas autoras. Segundo Wanda de Aguiar Horta - 1979, o Processo de Enfermagem (PE), é a dinâmica das ações sistematizadas e inter-relacionadas, visando à assistência ao ser humano. Caracteriza-se pelo inter-relacionamento de dinamismo de suas fases ou passos. 1. Histórico de Enfermagem 2. Diagnóstico de Enfermagem Indivíduo 6. Prognóstico Família 3. Plano Assistencial Comunidade 5. Evolução 4. Prescrição Para Atkinson e Murray-1989, a prática de enfermagem requer habilidades de observação, comunicação, reflexão, aplicação do conhecimento das ciências físicas e do comportamento, além de se fazer apreciações e tomar decisões. O PE é uma tentativa de melhorar a qualidade da assistência ao paciente, na medida em que é planejada para alcançar as necessidades específicas do paciente, sendo então redigida de forma a que todas as pessoas envolvidas no tratamento possam ter acesso ao plano de assistência. O PE também contribui para o crescimento profissional de cada enfermeiro. 34 Identificação do Problema -coleta de dados -organização dos dados e análise -elaboração do diagnóstico de enfermagem Planejamento -estabelecer prioridades -realizar objetivos -planejar as ações de enfermagem
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    Conforme Bárbara KrassTimby-2001, PE é uma seqüência organizada de etapas identificadas como levantamento de dados, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação, utilizada pelos enfermeiros para solucionar problemas dos pacientes. Quando os enfermeiros colocam em prática os modelos do processo de enfermagem, os pacientes recebem cuidados altamente qualificados. Para as autoras o PE possui sete características distintas: 1ª. encontra-se no âmbito legal de enfermagem. 2ª baseia-se no conhecimento. 3ªé planejado. 4ª é centrado no paciente. 5ª é voltado a metas. 6ª tem prioridades. 7ª é dinâmico. Para Rosalinda Alfaro-Lefevre-2000, o PE é um método sistemático de prestação de cuidados humanizados, que enfoca a obtenção de resultados desejados. 35 Avaliação -avaliação das metas alcançadas -reformulação do plano assistencial Implementação -validar plano de assistência -documentar plano de assistência Prestar assistência de Enfermagem Continuar coleta de dados Levantamento de dados -coleta de dados -organização dos dados Avaliação -monitoramento do resultado no paciente -solução, manutenção e revisão do plano de enfermagem. Planejamento -priorização de problemas -identificação de resultados Diagnóstico -análise dos dados -identificação dos diagnósticos e dos problemas colaborativos Implementação -realização das ordens da enfermagem -documentação dos cuidados -seleção de intervenções de enfermagem -documentação do plano de cuidados Investigação Diagnóstico PlanejamentoImplementaçãoAvaliação
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    1. O QUEÉ PROCESSO DE ENFERMAGEM? “Um método sistemático de prestação de cuidados humanizados, que enfoca a obtenção de resultados desejados...” (Levefre, 2000). SISTEMÁTICO - por se constituir de 05 fases: Investigação, Diagnóstico, Planejamento, Implementação, Avaliação. HUMANIZADO - porque o planejamento e cuidados consideram exclusivamente interesses, ideais e desejos da pessoa, família ou comunidade. 2. PASSOS DO PROCESSO DE ENFERMAGEM 1. INVESTIGAÇÃO: coleta e exame da informação sobre a situação de saúde procurando evidências de fatores anormais ou fatores de risco que possam contribuir para os problemas de saúde. 2. DIAGNÓSTICO = IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA2. DIAGNÓSTICO = IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA: análise dos dados e identificação dos problemas reais e potenciais que são a base para o plano de cuidados. 3. PLANEJAMENTO: 04 ETAPAS CHAVE: 3.1. DETERMINAÇÃO DAS PRIORIDADES IMEDIATAS: quais necessitam atenção imediata? Quais serão encaminhados para outra pessoa? Quais exigem abordagem multidisciplinar? 3.2. ESTABELECIMENTO DOS RESULTADOS ESPERADOS = metas . O que é esperado que o paciente ou cliente atinja e em quanto tempo. 3.3. DETERMINAÇÃO DAS INTERVENÇÕES: que intervenções serão prescritas para obtenção dos resultados? 3.4. REGISTRO OU INDIVIDUALIZAÇÃO DO PLANO DE CUIDADOS: redigir o plano ou adaptar um plano padronizado. 4. IMPLEMENTAÇÃO: coloca o plano em ação • Investiga a situação atual da pessoa antes de agir • Realiza as intervenções • Comunica e registra 5. AVALIAÇÃO: determina • se os resultados esperados foram atingidos • se as intervenções foram efetivas • se necessárias modificações • existem novas prioridades de cuidados? 36 M u d a n ç a s n a s it u a ç ã o d e s a ú d e . A s s e g u r a r d a d o s c o r r e t o s I N V E S T I G A Ç Ã O lis t a c o r r e t a c o m p le t a D I A G N Ó S T I C O v e r if ic a r r e s u lt a d o s d a s in t e r v e n ç õ e s P L A N E J A M E N T O id e n t if ic a r f a t o r e s q u e p r e ju d ic a m a u x ilia m I M P L E M E N T A Ç Ã O A V A L I A Ç Ã O
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    CAPÍTULO 2. 1ºPASSO DO PROCESSO ENFERMAGEM - INVESTIGAÇÃO. Características:  Determinação da situação de saúde através da coleta de dados.  A Investigação é um processo permanente Recursos utilizados para coleta de dados: • cliente, família, comunidade  •  pessoas significativas • registros de enfermagem e médicos  •  consultas verbais ou escritas • estudos diagnósticos e literatura relevante  A entrevista e o Exame Físico proporcionam as informações mais significativas, determinarão os demais passos do Processo de Enfermagem. “As pessoas que procuram o atendimento de saúde, estejam bem ou gravemente enfermas, se encontram em uma posição extremamente vulnerável, necessitam saber que estão em boas mãos e que sua principal preocupação será abordada”.Lefevre, 2000. ANTES DE IR PARA A ENTREVISTA: • organize-se, • não confie na memória, • planeje tempo suficiente, • garanta privacidade, • concentre-se, • visualize-se como sendo confiante, útil, calorosa. AO INICIAR A ENTREVISTA: - informar seu nome e posição - saber nome da pessoa e como quer ser chamada DURANTE A ENTREVISTA: total atenção, sem pressa. COMO OUVIR: com empatia, encorajar a falar, ouvir sentimentos assim como palavras. COMO SER ACERTIVO AO FAZER PERGUNTAS 1º perguntar sobre o problema principal 2º obtenha informações específicas sobre sinais e sintomas 3º não use perguntas indutoras 4º use declarações exploratórias 5º use técnicas de comunicação que favoreçam sua capacidade de pensar criticamente * EXAME FÍSICO COMO SER ACERTIVO: 1º ser tecnicamente profundo 2º ser sistemático 37
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    3º habilidoso INSPEÇÃO: observarcuidadosamente com dedos, olhos, ouvidos, olfato. AUSCULTAÇÃO: ouvir com estetoscópio PALPAÇÃO: tocar e pressionar para testar dor, sentir estruturas internas. PERCUSSÃO: golpeara superfície para verificar reflexos ou líquidos (dedos, martelo de percussão). AGRUPAMENTO DOS DADOS OBTIDOS Dados objetivos Dados subjetivos Os dados que o enfermeiro coletar serão dispostos conforme modelo conceitual do serviço de enfermagem, expresso no instrumento elaborado para realização da Investigação. Apresento a seguir exemplos de taxonomias que poderão orientar a elaboração de impressos para coleta de dados, lembrando que devem refletir o modelo conceitual elaborado pelo serviço de enfermagem da instituição. Organização dos dados pela Teoria das NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS de Maslow. 1. NECESSIDADES FISIOLÓGICAS: alimentação, líquidos, oxigênio, eliminação, calor, conforto físico. 2. NECESSIDADES DE SEGURANÇA:Coisas necessária para segurança física como bengala, e para a segurança psicológica como brinquedo favorito da criança 3. NECESSIDADE DE AMAR E PERTENCER:Família e pessoas significativas NECESSIDADE DE AUTO-ATUALIZAÇÃO:Necessidade de crescer, modificar-se, atingir uma meta Organização dos dados coletados na investigação, conforme TEORIA DAS NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS segundo Wanda de Aguiar Horta. 1. PSICOBIOLÓGICAS: oxigenação, hidratação nutrição, eliminação, sono e repouso, exercício e atividade física, sexualidade, abrigo, mecânica corporal, integridade cutâneo-mucosa, integridade física, Regulação: térmica, hormonal, neurológica, hidrosalina, eletrolítica, imunológica, crescimento celular, vascular; percepção: olfativa, gustativa, tátil, visual, dolorosa; locomoção, ambiente, terapêutica. 2.PSICOSOCIAIS: segurança, amor, liberdade, comunicação, criatividade, aprendizagem, gregária, recreação, lazer, espaço, orientação no tempo e espaço, aceitação, auto- realização, auto-estima, auto-imagem, participação, atenção. 3.PSICOESPIRITUAIS: religiosas ou teológica, ética ou de filosofia de vida. Organização dos dados coletados na investigação, conforme PADRÕES FUNCIONAIS DE SAÚDE de Gordon. 1. PERCEPÇÃO DE SAÚDE/CONTROLE DE SAÚDE: Percepção do estado geral de saúde, do bem- estar. Adesão às práticas preventivas de saúde 2. NUTRICIONAL – METABÓLICO: padrões de ingesta de alimentos e de líquidos, Equilíbrio hídrico e eletrolítico, capacidade geral de cicatrização. 3. ELIMINAÇÃO: padrões da função excretória: intestinal, urinária e da pele, e Percepção do cliente. 38
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    4. ATIVIDADE/EXERCÍCIO: padrãode exercício-atividades, lazer, recreação e atividades da vida diária; fatores que interferem no padrão individual desejado ou esperado. 5. COGNITIVO-PERCEPTIVO: adequação dos modos sensoriais como audição, visão, paladar, toque, olfato, percepção da dor, as capacidades cognitivas funcionais 6. SONO/REPOUSO: padrões de sono e períodos de repouso/relaxamento durante as 24 h do dia, assim como a qualidade e a quantidade. 7. AUTOPERCEPÇÃO/AUTOCONCEITO: atitudes sobre sí mesmo, percepção das capacidades, imagem corporal, sentido geral de valor e padrões emocionais. 8. PAPEL/RELACIONAMENTO: percepção dos principais papéis e responsabilidades na Situação de vida atual. 9. SEXUALIDADE/REPRODUÇÃO: satisfação ou insatisfação percebidas com a sexualidade.Padrão e estágio reprodutivo. 10.ENFRENTAMENTO/TOLERÂNCIA AO ESTRESSE: padrões gerais de enfrentamento, tolerância ao estresse, sistemas de apoio e capacidade percebida para controlar as situações 11.VALOR/CRENÇAS: valores, metas ou crenças que orientam as escolhas ou decisões. Organização dos dados coletados na investigação conforme PADRÕES DA RESPOSTA HUMANA-PESSOA UNITÁRIA, NANDA. (taxonomia I) 1. TROCAS: situação nutricional, temperatura, eliminação, oxigenação, circulação, equilíbrio hídrico, pele e mucosas, risco de traumatismo. 2. COMUNICAÇÃO: capacidade de expressar os pensamentos verbalmente, orientação, deficiência da fala, barreiras idiomáticas. 3. RELAÇÃO: estabelecimento de vínculos, interação social, sistemas de apoio, desempenho de papel, paternidade, o papel sexual. 4. VALORIZAÇÃO: preferências e práticas religiosas e culturais, relacionamento com a divindade, percepção do sofrimento, aceitação da doença. 5. ESCOLHA: capacidade para aceitar ajuda e tomar decisões, adaptações à situação de saúde, desejo de independência/dependência, negação do problema, adesão às terapias. 6. MOVIMENTO: tolerância à atividade, capacidade de autocuidado, padrões de sono, atividades de diversão, história de incapacidade, necessidade de segurança, amamentação. 7. PERCEPÇÃO: imagem corporal, auto-estima, capacidade de usar os cinco sentidos, significado de esperança, percepção da capacidade de controlar a situação atual. 8. CONHECIMENTO: conhecimento sobre a doença atual ou terapias, doenças prévias, fatores de risco, expectativas sobre a terapia, capacidade cognitiva, prontidão para aprender, orientação, memória. 9. SENTIMENTO: dor, luto, risco de violência, nível de ansiedade, integridade emocional. Organização dos dados coletados na investigação conforme NANDA (taxonomia II). 1. PROMOÇÃO DA SAÚDE: consciência da saúde, controle da saúde. 2. NUTRIÇÃO: ingestão, digestão, absorção, metabolismo, hidratação. 3. ELIMINAÇÃO: sistema urinário, sistema gastrintestinal, sistema tegumentar, sistema pulmonar. 4. ATIVIDADE/REPOUSO: sono e repouso, atividade/exercício, equilíbrio de energia, respostas cardiovasculares e pulmonar. 5.PERCEPÇÃO/COGNIÇÃO:atenção,orientação,sensação/percepção,cognição,comunicação 6. AUTO-PERCEPÇÃO: auto-conceito, auto-estima, imagem corporal. 7. RELACIONAMENTOS DE PAPEL: papéis do cuidador, relações familiares, desempenho de papel. 8. SEXUALIDADE: identidade sexual, função sexual, reprodução. 9. ENFRENTAMENTO/TOLERÂNCIA AO ESTRESSE: resposta pós-trauma, resposta de enfrentamento, estresse neuro-comportamental. 10. PRINCÍPIOS DE VIDA: valores, crenças, congruência entre valores/crença/ação. 39
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    11. SEGURANÇA/PROTEÇÃO: infecção,lesão física, violência, riscos ambientais, processos defensivos, termorregulação. 12. CONFORTO: conforto físico, conforto ambiental, conforto social. 13. CRECIMENTO/DESENVOLVIMENTO: crescimento, desenvolvimento. ATIVIDADE 1) Agrupar os dados abaixo descritos, conforme teoria que embasa o serviço de enfermagem. 1.Homem de 21 anos 2.Casado, sem filhos*. 3.Ocupação: Bombeiro* 4.Altura: 1,82 m; peso: 80 kg. 5.Temperatura: 36,6°C; Pulso: 60; Respiração: 16. 6.Pressão sanguínea: 110/60 7.Inconsciente devido a traumatismo cefálico 8.Respiração espontânea 9.Pulmões limpos 10.História de convulsões 11.Foley drenando urina clara 12.Esposa relata que está sempre constipado 13.Alimentação por sonda nasogástrica a cada 4 horas 14.Extremidades rígidas 15.Áreas avermelhadas nos dois cotovelos 16.Alérgico à penicilina 17.Esposa relata que antes do acidente ele se orgulhava de estar com bom condicionamento 18Esposa relata que estavam considerando a conversão para o catolicismo antes do acidente a) Organização dos dados pelas Necessidades Humanas Básicas (Maslow) 1. Fisiológicas: 1,4... 2. Segurança: 3. Amar e pertencer: 4. Auto-estima: 5. Auto-atua1ização: b) Organização dos dados pelos padrões funcionais de saúde de Gordon 1. Padrão de percepção/manutenção da saúde: 2. Padrão nutricional/metabólico: 3. Padrão de eliminação: 4. Padrão de atividade-exercício: 5. Padrão cognitivo-perceptivo: 6. Padrão de sono-repouso: 7. Padrão de autopercepção-autoconceito: 8. Padrão de participação-relacionamento: 9. Padrão de sexualidade-reprodução: 10. Padrão de enfrentamento-tolerância ao estresse: 11. Padrão de valor-crença: c) Organização dos dados pelos sistemas orgânicos para determinar o que deve ser encaminhado ao médico 1. Sinais vitais (perfil do cliente): 2. Sistema respiratório: 3. Sistema cardiovascular: 4. Sistema nervoso: 5. Sistema músculo-esquelético: 6. Sistema gastrintestinal: 40
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    7. Sistema geniturinário: 8.Sistema tegumentar: 2. Transformar em perguntas abertas. 1. você está se sentindo melhor? 2. Você gostou do jantar? 3. Você está com dor? 4. Você não vai andar? 3. Transformar em perguntas investigativas. 1. tenho estado meio doente este mês. 2. Nada dá certo para mim. 3. Parece haver uma dor em meu lado direito que vem e vai 4. Estou tendo uma sensação estranha há uma semana. 4)Análise de agrupamentos de dados em impressos de diversas instituições de saúde. 5) Elaboração de um impresso dentro de um referencial teórico. CAPÍTULO 3. 2º PASSO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM – DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM. 1. O QUE É DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM? “O DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM é uma atividade intelectual do enfermeiro na qual ele usa suas habilidades críticas para identificar e julgar problemas de saúde, além de determinar a natureza deles, possibilitando o planejamento das ações de enfermagem” ( Wilkerson, 1992; Carpenito, 1994; Iyer; Taptich; Bernocchi-Losey, 1993). “O DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM é um julgamento clínico sobre as respostas do indivíduo, da família ou da comunidade aos problemas de saúde/processos vitais reais ou potenciais, que embasa a seleção das intervenções de enfermagem, visando ao alcance dos resultados pelos quais a enfermeira é responsável” (definição aprovada pela NANDA, 1990). IMPORTÂNCIA DE SUA UTILIZAÇÃO PELA ENFERMEIRA  clarifica a função da enfermeira, distingue seu campo de atuação.  Favorece a autonomia profissional.  Requer responsabilidade de avaliar o cliente, determinar e intervir adequadamente.  Cria linguagem comum que auxilia o desenvolvimento da Metodologia da Assistência de Enfermagem.  Aprofundamento permanente do conhecimento do enfermeiro. IMPORTÂNCIA DE SUA UTILIZAÇÃO PARA A ENFERMAGEM  Instrumento adequado para expressar a prática da enfermagem.  Fortalecimento político da enfermagem.  Respaldo legal para o profissional. 41
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     Indica qualidadeda assistência. 2. BREVE HISTORICO 1953 – Fry identificou 05 áreas de necessidades dos clientes de domínio da enfermagem. 1950 – McManus, primeira a usar o termo na literatura de enfermagem para escrever as funções do profissional enfermeiro. 1960 – Abdellah desenvolveu lista de 21 problemas de enfermagem, considerado um dos primeiros sistemas de classificação para prática enfermagem. 1973 – ANA – Américan Nurses Association, utilizou o termo ao desenvolver os padrões gerais para a prática de enfermagem (oito padrões), baseados no processo de enfermagem. 1982 – criação da NANDA – Associação Norte Americana de Diagnóstico de Enfermagem AMERICAN NURSES ASSOCIATION – ANA/1986 ⇓ SOLICITA A INSERÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO DE DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM NAS “OUTRAS CLASSIFICAÇÕES RELACIONADAS À SAÚDE” DO CID-10 ⇓ A OMS ACEITOU e “recomendou a formulação de um sistema de classificação internacional para a enfermagem, que deveria ser conduzido por uma entidade internacional de enfermagem, para que, dessa forma, fosse representativa da enfermagem mundial. (Lang e Gebbie, 1989)”. ⇓ EM -1989, no CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM DE SEUL, Desencadeou-se o processo de FORMULAÇÃO DE UM SISTEMA para descrever a prática de enfermagem a partir de uma nomenclatura compartilhada por enfermeiros de todo mundo. ⇓ O CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM-CIE verificou que já havia, sistemas de classificação desenvolvidos na Áustria, Suécia, Bélgica, Dinamarca e Estados Unidos. ⇓ AS CLASSIFICAÇÕES foram analisados pela comissão da CID-10, e, as aceitas publicadas em 1993 Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem – CIPE “·”. ⇓ O CIE identificou direcionamento hospitalar na publicação 1993 ⇓ 1994 EM TEXCALA/MÉXICO foi criado o SISTEMA INTERNACIONAL PARA ÁREA DE SAÚDE COLETIVA – CIPESC BRASIL MATO GROSSO Os diagnósticos de Enfermagem no Brasil: 1970 – Wanda Aguiar Horta inclui no processo de enfermagem a etapa Diagnóstico de Enfermagem 1980- os DE aparecem em dissertações de mestrado e são incluídos nos currículos faculdades. 1995 - ABEN NACIONAL REALIZOU “I Encontro Internacional para países de língua estrangeira” onde se elaborou um protocolo de organização para pesquisa nacional de Diagnósticos de Enfermagem. 1996 - “I oficina de trabalho onde foi elaborado o Projeto de Classificação Nacional da Prática de Enfermagem em Saúde Coletiva”. 42
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    1998 – ABENe Grupo de Estudos sobre Metodologia da Assistência (GEMA - Paraná) realizou primeiro Simpósio Nacional sobre diagnóstico de enfermagem. “Processo de construção de linguagem compartilhada que expresse o que as enfermeiras fazem, relacionado a quais necessidades e para alcançar quais objetivos” (CIE, 1996). 2000- Os diagnósticos de enfermagem publicados pela NANDA começam a ser utilizados nos serviços e no ensino. 2003- Escola de Saúde Pública do Estado de Mato Grosso realiza oficinas para instrumentalizar enfermeiros dos Hospitais regionais do Estado quanto ao PE, especialmente diagnóstico de enfermagem. 2004- O COREN-MT realiza oficinas com Responsáveis Técnicos dos Serviços de Enfermagem de MT sobre SAE enfatizando utilização dos DE. 2005- O COREN-MT mantém oficinas em pólos regionais do estado para estudo da SAE e revisão/aprendizagem de elaboração dos DE. 3. COMPONENTES DO DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM TÍTULO: estabelece um nome para um diagnóstico. DEFINIÇÃO: descrição clara e precisa do título, seu significado. CARACTERÍSTICAS DEFINIDORAS: sinais e sintomas. É descrita como: CRÍTICA – se precisa estar presente para se estabelecer o diagnóstico MENOR – se proporciona evidência de sustentação ao diagnóstico mas não está presente MAIOR – se está usualmente presente se o diagnóstico existe. FATORES RELACIONADOS: São condições ou circunstâncias que causam ou contribuem para o desenvolvimento do diagnóstico. FATORES DE RISCO: fatores ambientais, elementos fisiológicos, psicológicos, genéticos, químicos, que aumentam a vulnerabilidade de um indivíduo, de uma família ou de uma comunidade a um evento insalubre. * 4. REGRAS PARA REDIGIR DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM 1. DIAGNÓSTICO REAL TÍTULO + FATORES RELACIONADOS + CARACTERÍSTICA DEFINIDORA (o que causa ou contribui) (sinais e sintomas) 2. DIAGNÓSTICO DE RISCO TÍTULO + FATORES DE RISCO (aquilo que aumenta a vulnerabilidade) 3. DIAGNÓSTICO DE BEM ESTAR TÍTULO + CARACTERÍSTICAS DEFINIDORAS 4. DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME TÍTULO • Para ligar o TÍTULO ao FATOR RELACIONADO (CAUSA) usar as palavras: ANTECEDENTES A ASSOCIADOS COM RELACIONADOS A CONTRIBUINTES PARA ESTIMULADORES • Para ligar FATOR RELACIONADO à CARACTERÍSTICA DEFINIDORA (SINAIS E SINTOMAS) usar as palavras: 43
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    MANIFESTADO POR, CARACTERIZADO POR, EVIDENCIADOPOR EXEMPLOS: 1. DIAGNÓSTICO REAL OU VIGENTE Eliminação urinária alterada RELACIONADA A infecção do trato urinário MANIFESTADA POR disúria. 2. DIAGNÓSTICO DE RISCO Risco para auto mutilação RELACIONADO A sentimento de rejeição, aversão por si mesmo. 3. DIAGNÓSTICO DE BEM ESTAR Potencial para enfrentamento comunitário EVIDENCIADO POR comunicação positiva entre membros da comunidade. 4. DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME Síndrome do estupro, Síndrome do desuso. ATIVIDADE: EXERCÍCIO DE FORMULAÇÃO DE DIAGNÓSTICOS EXERCÍCIO 1 -RELATIVOS A IDENTIFICAÇÃO DE DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM. Utilize a lista de diagnóstico ABAIXO para identificar o Diagnóstico de Enfermagem adequada às situações descritas. Título de Diagnósticos: 1.Fadiga. 2.Ansiedade. 3.Integridade da pele prejudicada. 4.Déficit de conhecimento. 5.Desobstrução ineficaz das vias aéreas. 6.Risco para integridade da pele prejudicada. 7.Nutrição alterada: ingestão menor que a necessidade. 8.Mobilidade no leito prejudicada. 9.Comunicação prejudicada. 1. Sr. José: obeso, apresenta sudorese excessiva, encontra-se confinado ao leito. 2. Jaci: apresenta incapacidade de falar ou compreender o português. 3. Cássia: incontinência urinária, área perineal vermelha e escoriação. 4. Fábio: declara sentir-se um tanto nervoso, mas não consegue detectar a causa. Encontra-se inquieto, olha em torno, não faz bom contato visual. 5. Carla: refere estar se alimentando muito pouco devido a desconforto na garganta. 6. João: refere não saber como aplicar a injeção de insulina. 7. Adriana: relata estar sem apetite há duas semanas. Está 10 quilos abaixo do peso recomendado. 8. Daniel: Declara estar resfriado há duas semanas; devido a dor na parte inferior das costas, evita tossir apesar de ter vontade. Escarra muco branco e espesso. 9. Joana: refere dificuldade para virar-se de um lado para outro e de mover-se da posição supina para a posição sentada. 44
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    10. Jafie: refereincapacidade de restaurar energias mesmo após o sono, falta de energia. Seu hematócrito evidencia anemia severa. EXERCÍCIO 2 - RELATIVOS A DECLARAÇÃO DE DIAGNÓSTICOS. Escolha o diagnóstico apropriado e redija uma declaração de diagnóstico Diagnóstico real ou vigente (RELACIONADOS A) (MANIFESTADO POR) TITULO + FATORES RELACIONADOS + característica DEFINIDORA Diagnóstico + que causa ou contribui + sinais e sintomas Diagnóstico de risco ou potencial (RELACIONADOS A) Título + FATOR DE RISCO Diagnóstico + aumentam a vulnerabilidade Os dados apresentados abaixo combinam com um dos seguintes diagnósticos: • Impotência, • Nutrição alterada: ingestão menor que as necessidades corporais • Mucosa oral alterada • Desobstrução ineficaz das vias aéreas. • Alto risco para integridade da pele • Manutenção da saúde alterada • Angústia espiritual 1. O Sr. Antônio apresentou as seguintes indicações. Dados subjetivos: solicita ajuda para expelir as secreções, declara que consegue desobstruir as vias aéreas com ajuda da aspiração. Dados Objetivos: secreção copiosa do tubo de traqueotomia. Diagnóstico de Enfermagem: 2. Aline apresenta os seguintes sinais e sintomas: Dados subjetivos: relata estar sem apetite há duas semanas devido à depressão. Dados Objetivos: perdeu 3 quilos desde a última consulta, está 5 quilos abaixo do peso esperado. Diagnóstico de Enfermagem: 3. Josias apresenta os seguintes sinais e sintomas: Dados subjetivos: relata estar deprimido e não ter controle sobre as atividades de sua vida diária. Dados Objetivos: ela é quadriplégica e tem horário rigoroso de fisioterapia diária. Diagnóstico de Enfermagem: 45
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    4. Abel apresentaos seguintes sinais e sintomas: Dados subjetivos: solicita ajuda para higienizar a boca. Dados Objetivos: respiração pela boca, língua saburrosa, halitose. Diagnóstico de Enfermagem: 5. Jaime apresenta os seguintes sinais e sintomas Dados subjetivos: relata incapacidade de abandonar os vícios de fumar e beber. Dados Objetivos: fez uma aposta e parou de fumar e beber por 5 dias. Diagnóstico de Enfermagem: 6. Fabrício apresenta os seguintes sinais e sintomas. Dados subjetivos: refere que tem dificuldade para mover-se. Dados Objetivos: turgor e elasticidade da pele diminuídos, mantem-se imóvel. Diagnóstico de Enfermagem: 7. Angela apresenta os seguintes sinais e sintomas. Dados subjetivos: refere que está sendo castigada por Deus porque há tempos não vai a igreja. Dados Objetivos: solicitou a presença do padre e encontra-se chorosa. Diagnóstico de Enfermagem: CAPÍTULO 4. 3º PASSO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM – PLANEJAMENTO. 1. CONSISTE EM:  Estabelecer prioridades e resultados  Determinar prescrições de enfermagem  Registrar plano de cuidados OBJETIVOS: • Promover a comunicação entre cuidadores • Direcionar o cuidado e a documentação • Criar registro para avaliações, pesquisa, uso legal • Documentação das necessidades de atendimento/plano saúde 2. PLANO DE CUIDADOS Componentes do plano de cuidados: • DIAGNÓSTICOS OU PROBLEMAS/ESTABELECIMENTO DE PRIORIDADE Qual problema exige plano de cuidados? • RESULTADOS ESPERADOS Quais resultados esperados e a partir de quando espera vê-los? • DESCRIÇÃO DAS INTERVENÇÕES/PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM O que será feito para alcançar resultados esperados? 1º ESTABELECIMENTO DE PRIORIDADES • Escolher método para designar prioridades 46
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    • Priorizar problemasque são fatores contribuintes para outros problemas • Determinar os que necessitam atenção imediata • Identificar problemas de solução simples • Determinar como cada problema será controlado Responsabilidade do enfermeiro quanto a PROBLEMAS COLABORATIVOS E MULTIDISCIPLINARES - DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM: responsável exclusivo para detectar e controlar o problema - PROBLEMAS COLABORATIVOS: responsável por plano que monitore, detecte sinais e sintomas de complicações potenciais e implementação de prescrições médicas com segurança. - PROBLEMAS MULTIDISCIPLINARES: deve refletir o resultado desejado para a alta. 2º ESTABELECEIMENTO DE RESULTADOS Mede o sucesso do plano Dirigem as intervenções: “Você deve saber o que alcançar antes de decidir como(Lefevre,2000). COMO REGISTRAR OS RESULTADOS ESPERADOS, OU SEJA, COMO FORMULAR AS METAS. • SUJEITO: a pessoa • VERBO: ações que a pessoa deve realizar • CONDIÇÃO: sob quais circunstâncias a pessoa realiza a ação • CRITÉRIO DE DESEMPENHO: como deve ser o desempenho da pessoa • TEMPO ESPERADO: quando é esperado que a pessoa desenvolva a ação EXEMPLO: João andara sem auxilio até o final do corredor ao final de uma semana 3º PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM São intervenções de enfermagem realizadas para: • Monitorar o estado de saúde • Minimizar riscos • Resolver ou controlar problemas • Auxiliar nas atividades diárias • Promover a saúde e a independência O que deve conter? • DATA • VERBO - no infinitivo • SUJEITO - quem deve fazer • FRASE DESCRITIVA - como, quando, onde, com que freqüência, por quanto tempo, quanto. • ASSINATURA - ser consistente sobre o que assina ESCOLHA DE VERBOS. Ao escrever seu plano, ou seja, estabelecer resultados esperados, utilize VERBOS: MENSURÁVEIS • Escolher • Descrever • Desempenhar • Relatar • Afirmar • Listar • Verbalizar • Segurar • Demonstrar • Compartilhar • Expressar • Perder • Ganhar • Ter ausência de • Exercitar • Comunicar • Tossir • Caminhar • Ficar de pé • Sentar • Discutir COGNITIVO AFETIVO PSICOMOTOR 47
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    • Ensinar • Discutir •Identificar • Descrever • Listar • Explorar • Expressar • Compartilhar • Ouvir • Comunicar • Relacionar • Demonstrar • Praticar • Desempenhar • Caminhar • Administrar • Dar CAPITULO cinco. 4º PASSO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM - IMPLEMENTAÇÃO Consiste na colocação do plano em ação. 1. DICAS PARA IMPLEMENTAÇÃO • Saber sobre problemas dos pacientes e tratamento • Levar material para anotação na passagem de plantão • Após passagem plantão priorizar ações • Elaborar lista pessoal de tarefas • Delegar ações: As tarefas devem ser delegadas conforme o previsto na Lei do Exercício Profissional e regulamentado pelo COFEN, protocolos e procedimentos. Há quatro facetas certas da “delegação de tarefas” segundo Hansten e Washburn,1992 1. a tarefa certa, 2. para a pessoa certa, 3. usar comunicação correta, 4. realização da avaliação da resposta do paciente certa. 2. DICAS PARA REGISTRO Registrar: • Se possível logo após cuidar. • As variações do normal, o diferente. • Os fatos, evitar julgamentos. 3. DICAS PARA PASSAGEM PLANTÃO • Usar guia escrito • Iniciar: nome, idade, diagnóstico médico, de enfermagem, • Procedimentos realizados • Achados anormais com evidências CAPÍTULO 6. 5º PASSO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM - AVALIAÇÃO “Consiste na avaliação deliberada, detalhada de vários aspectos do cuidado ao paciente – é a chave para a excelência no fornecimento do cuidado à saúde”.Levefre, 2000. 1. A AVALIAÇÃO INCLUI: • Determinação da obtenção dos resultados • Identificação de fatores que afetam a obtenção de resultados 48
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    • Decisão decontinuar, modificar ou terminar o plano. 2. RESUMO DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DE UM PLANO DE CUIDADOS INVESTIGAÇÃO: Realizar um a investigação para determinar qualquer mudança na situação de saúde e assegurar que todos os dados estejam corretos e completos DIAGNÓSTICO: assegurar que a lista de diagnósticos esteja correta e completa, e que os pontos fortes e os recursos estejam identificados. PLANEJAMENTO: verificar a propriedade dos resultados e das intervenções e se os resultados estão sendo alcançados. IMPLEMENTAÇÃO: determinar a implementação do plano prescrito e identificar os fatores que auxiliam ou prejudicam o progresso. BIBLIOGRAFIA WESTPHALEN &CARRARO. Metodologias para a assistência de enfermagem.Goiânia.Editora AB, 2001. LEFEVRE, Rosalinda Alfaro. Aplicação do Processo de Enfermagem: um guia passo a passo. 4ª ed. Porto Alegre; Artmed, 2000. GEORGE, B.J. e colaboradores. Teorias de Enfermagem: os fundamentos à prática profissional. 4ª ed.Porto Alegre: Artemed, 2000. ATKISON, Leslie D.; MURRAY Mary Hellen. Fundamentos de Enfermagem. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan,1989. 49 M u d a n ç a s n a s it u a ç ã o d e s a ú d e . A s s e g u r a r d a d o s c o r r e t o s I N V E S T I G A Ç Ã O l is t a c o r r e t a c o m p l e t a D I A G N Ó S T I C O v e r if ic a r r e s u lt a d o s d a s in t e r v e n ç õ e s P L A N E J A M E N T O id e n t if i c a r f a t o r e s q u e p r e ju d ic a m a u x ilia m I M P L E M E N T A Ç Ã O A V A L I A Ç Ã O
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    ATIVIDADE: EXERCÍCIOS SOBREDIAGNÓSTICO e PLANEJAMENTO A partir do caso descrito, desenvolva as etapas de diagnóstico e planejamento do P E. LEMBRE-SE A FORMA DE REDIGIR OS DIAGNÓSTICOS: REAL – Título+Fator relacionado+Característica definidora RISCO – Título+ fator de Risco BEM ESTAR – Título+Características definidoras SÍNDROME – Título Dados Fernanda, 4 anos, encontra-se na enfermaria G, no momento folheando uma revista e solicitando a presença da mãe. A avó lhe faz companhia e diz que a mãe está doente, logo que sarar virá ficar com ela. Ao realizar a Avaliação de Enfermagem, a enfermeira constatou roncos e estertores disseminados, T 38ºC, curativo do dreno toráxico adequado, frasco coletor de drenagem toráxica com secreção espumante esverdeada, região perianal hiperimeada com fissuras. Acompanhante e equipe referem 05 episódios de fezes líquidas amareladas em 6 horas. Enfermeira percebe que a avó, idosa está exausta. Diagnóstico Planejamento Plano Prescrição 50
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    ANEXOS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEMAGRUPADOS POR NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS CONFORME WANDA DE AGUIAR HORTA (agrupamento elaborado por Sandra Regina Altoé utilizando Diagnósticos da NANDA publicação 2003-2004) NECESSIDADES PSICOBIOLÓGICAS Regulação neurológica CAPACIDADE ADAPTATIVA intracraniana reduzida CONFUSÃO aguda CONFUSÃO crônica DISREFLEXIA autonômica MEMÓRIA prejudicada NEGLIGÊNCIA unilateral Risco para DISREFLEXIA Percepção dos órgãos do sentido DOR Aguda DOR crônica NÁUSEA PERCEPÇÃO SENSOCRIAL perturbada Regulação vascular DEBITO CARDÍACO diminuído PERFUSÃO TISSULAR ineficaz Risco de DISFUNÇÃO NEUROVASCULAR periférica Regulação Térmica HIPERTERMIA HIPOTERMIA Risco de desequilíbrio na TEMPERATURA CORPORAL TERMORREGULAÇÃO ineficaz Oxigenação DESOBSTRUÇÃO INEFICAZ DAS VIAS AÉREAS PADRÃO RESPIRATÓRIO ineficaz RESPOSTA disfuncional do DESMAME VENTILARÓRIO TROCA DE GASES prejudicada VENTILAÇÃO ESPONTÃNEA prejudicada 51
  • 52.
    Hidratação Disposição para EQUILÍBRIOde líquidos aumentado Risco de desequilíbrio no VOLUME DE LÍQUIDOS Risco de VOLUME DE LÍQUIDOS deficiente VOLUME DE LÍQUIDOS deficiente VOLUME DE LÍQUIDOS excessivo Alimentação AMAMENTAÇÃO EFICAZ AMAMENTAÇÃO interrompida Déficit no AUTOCUIDADO para alimentação DEGLUTIÇÃO PREJUDICADA DENTIÇÃO PREJUDICADA Disposição para NUTRIÇÃO melhorada NÁUSEA NUTRIÇÃO desequilibrada: mais do que as necessidades corporais NUTRIÇÃO desequilibrada: menos do que as necessidades corporais PADRÃO ineficaz de alimentação infantil Risco de ASPIRAÇÃO Risco de NUTRIÇÃO desequilibrada: mais do que as necessidades corporais Eliminação CONSTIPAÇÃO CONSTIPAÇÃO PERCEBIDA DIARRÉIA ELIMINAÇÃO URINÁRIA MELHORADA ELIMINAÇÃO URINÁRIA PREJUDICADA ELIMINAÇÃO URINÁRIA, DISPOSIÇÃO PARA INCONTINÊNCIA INTESTINAL INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE URGÊNCIA INCONTINÊNCIA URINÁRIA FUNCIONAL INCONTINÊNCIA URINÁRIA REFLEXA INCONTINÊNCIA URINÁRIA TOTAL RETENÇÃO URINÁRIA Risco de CONSTIPAÇÃO Risco para INCONTINÊNCIA URINÁRIA de urgência Integridade Física INTEGRIDADE DA PELE prejudicada INTEGRIDADE TISSULAR prejudicada MUCOSA ORAL prejudicada Risco para INTEGRIDADE DA PELE prejudicada Sono e repouso Disposição para SONO melhorado Fadiga PADRÃO DE SONO perturbado Privação de SONO Atividade Física CAPACIDADE de transferência prejudicada DEAMBULAÇÃO prejudicado INTOLERÂNCIA À ATIVIDADE MOBILIDADE com cadeira de rodas prejudicada MOBILIDADE no leito prejudicada MOBILIDADE física prejudicada PERAMBULAÇÃO RECUPERAÇÃO CIRÚRGICA retardada* Risco de INTOLERÂNCIA À ATIVIDADE Risco de síndrome do DESUSO Cuidado corporal Déficit no AUTOCUIDADO para banho e/ou higiene Déficit no AUTOCUIDADO para higiene intima Déficit no AUTOCUIDADO para vestir-se/ arrumar-se Segurança física / meio ambiente COMPORTAMENTO INFANTIL desorganizado Disposição para COMPORTAMENTO INFANTIL organizado aumentado MANUTENÇÃO DO LAR prejudicada PROTEÇÃO ineficaz RESPOSTA ALÉRGICA ao látex Risco da SINDROME DE MORTE SÚBITA da criança Risco de COMPORTAMENTO INFANTIL desorganizado Risco de ENVENENAMENTO Risco de INFECÇÃO Risco de LESÃO Risco de LESÃO PERIOPERATÓRIA por posicionamento Risco de QUEDAS Risco de RESPOSTA ALÉRGICA ao látex Risco de SINDROME DO ESTRESSE por mudança Risco de Síndrome PÓS TRAUMA Risco de SUFOCAÇÃO Risco de TRAUMA Síndrome da INTERPRETAÇÃO AMBIENTAL prejudicada Síndrome de ESTRESSE POR MUDANÇA Síndrome PÓS TRAUMA Regulação: crescimento celular Atraso no CRESCIMENTO E DO DESENVOLVIMENTO Risco de ATRASO NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO Risco de CRESCIMENTO DESPROPORCIONAL Sexualidade DISFUNÇÃO SEXUAL PADRÕES DE SEXUALIDADE ineficazes Terapêutica CONTROLE AUMENTADO do regime terapêutico CONTROLE COMUNITÁRIO eficaz do regime terapêutico CONTROLE EFICAZ do regime terapêutico CONTROLE FAMILIAR ineficaz do regime terapêutico CONTROLE INEFICAZ do regime terapêutico Disposição para CONTROLE aumentado do regime terapêutico NECESSIDADES PSICOSSOCIAIS Comunicação COMUNICAÇÃO aumentada COMUNICAÇÃO VERBAL prejudicada Disposição para COMUNICAÇÃO aumentada Gregária INTERAÇÃO SOCIAL prejudicada ISOLAMENTO SOCIAL Risco de SOLIDÃO Recreação e lazer Atividade de RECREAÇÃO deficiente Segurança emocional ANSIEDADE ANSIEDADE relacionada à morte DESEMPENHO DE PAPEL ineficaz Risco de TENSÃO DO PAPEL de cuidador TENSÃO DO PAPEL de cuidador Medo DESESPERANÇA IMPOTÊNCIA NEGAÇÃO ineficaz Risco de IMPOTÊNCIA Sentimento de IMPOTÊNCIA Síndrome do TRAUMA DO ESTUPRO Síndrome do TRAUMA DO ESTUPRO reação composta 52
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    Síndrome do TRAUMADO ESTUPRO reação silenciosa Amor, aceitação CONFLITO de decisão CONFLITO NO DESEMPENHO DE PAPEL de pai ou mãe Disposição para PATERNIDADE ou MATERNIDADE melhorada Disposição para PROCESSOS FAMILIARES disfuncionais PATERNIDADE ou MATERNIDADE melhorada PROCESSOS FAMILIARES disfuncionais:alcoolismo PROCESSOS FAMILIARES interrompidos PROCESSOS FAMILIARES melhorados Risco de PATERNIDADE ou MATERNIDADE prejudicada Risco de VÍNCULO PAIS/FILHOS prejudicado SENTIMENTO DE PESAR antecipado SENTIMENTO DE PESAR disfuncional TRISTEZA crônica Auto-estima, autoconfiança, auto-respeito ADAPTAÇÃO prejudicada AUTOCONCEITO melhorado AUTO-ESTIMA baixa Automutilação Baixa AUTO-ESTIMA crônica Baixa AUTO-ESTIMA situacional Disposição para AUTOCONCEITO melhorado Distúrbio da IDENTIDADE PESSOAL Distúrbio da IMAGEM CORPORAL Risco de AUTOMUTILAÇÃO Risco de baixa AUTO-ESTIMA situacional Risco de SUICÍDIO Liberdade e participação CONFLITO de decisão Disposição para ENFRENTAMENTO AUMENTADO Disposição para ENFRENTAMENTO COMUNITÁRIO aumentado Disposição para ENFRENTAMENTO FAMILIAR aumentado ENFRENTAMENTO ineficaz ENFRENTAMENTO COMUNITÁRIO ineficaz ENFRENTAMENTO DEFENSIVO ENFRENTAMENTO FAMILIAR comprometido ENFRENTAMENTO FAMILIAR incapacitado Educação para saúde/aprendizagem COMPORTAMENTO DE busca de saúde CONHECIMENTO deficiente Disposição para CONHECIMENTO aumentado INSUFICIÊNCIA do adulto para MELHORAR o seu estado de saúde Auto-realização CONFLITO NO DESEMPENHO do papel do pai e de mãe Espaço Criatividade NECESSIDADES PSICOESPIRITUAIS Religiosidade/espiritualidade ANGÚSTIA ESPIRITUAL CAMPO DE ENERGIA perturbado Disposição para BEM-ESTAR ESPIRITUAL aumentado Risco de ANGÚSTIA ESPIRITUAL 53
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    DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM NANDA-TAXONOMIAIi 1.PROMOÇÃO DA SAÚDE Controle eficaz do regime terapêutico Controle ineficaz do regime terapêutico Controle familiar ineficaz do regime terapêutico Controle comunitário ineficaz do regime terapêutico Comportamento de busca de saúde(especificar) Manutenção ineficaz da saúde Manutenção do lar prejudicada Disposição para o controle aumentado do regime terapêutico Disposição para nutrição melhorada 2. NUTRIÇÃO Padrão ineficaz da alimentação infantil Deglutição prejudicada Nutrição desequilibrada:mais do que as necessidades corporais Nutrição desequilibrada:menos do que as necessidades corporais Risco para Nutrição desequilibrada:mais que as necessidades corporais Volume de líquidos deficiente Risco de volume de líquidos deficiente Volume excessivo de líquidos Risco de desequilíbrio de volume de líquidos Disposição para equilíbrio de líquidos aumentado 4.ELIMINAÇÃO Eliminação urinária alterada Retenção urinária Incontinência urinária total Incontinência urinária funcional Incontinência urinária de esforço Incontinência urinária de urgência Incontinência urinária reflexa Risco de incontinência urinária de urgência Disposição para eliminação urinária melhorada Incontinência intestinal Diarréia Constipação Risco de constipação Constipação percebida Troca de gases prejudicada 5.ATIVIDADE/REPOUSO Padrão de sono perturbado Privação de sono Disposição para sono melhorado Risco de síndrome do desuso Mobilidade física prejudicada Mobilidade no leito prejudicada Mobilidade com cadeira de rodas prejudicada Capacidade de transferência prejudicada Deambulação prejudicada Atividades de recreação deficientes Perambulação Déficit no auto-cuidado para vestir-se/arrumar-se Déficit no auto-cuidado para banho/higiene Déficit no auto-cuidado para alimentação Déficit no auto-cuidado parahigiene íntima Recuperação cirúrgica retardada Campo de energia perturbado Fadiga Débito cardíaco diminuído Ventilação expontãnea prejudicada Padrão respiratório ineficaz Intolerância à atividade Resposta disfuncional ao desmame ventilatório Perfusão tissular ineficaz(especificar tipo:renal, cerebral, cardiopulmonar, gastrintestinal, periférica) 5. PERCEPÇÃO/COGNIÇÃO Negligência unilateral Síndrome da interpretação ambiental prejudicada Perambulação Percepção sensorial perturbada(especificar:visual, auditiva,olfativa,tátil, cinestésica, gustativa) Conhecimento deficiente(especificar) Disposição para conhecimento aumentado(especificar) Confusão aguda Confusão crônica Memória prejudicada Processo do pensamento perturbado. Comunicação verbal prejudicada Disposição para comunicação aumentada 6.AUTOPERCEPÇÃO Distúrbio da identidade pessoal Sentimento de impotência Risco de sentimento de impotência Desesperança Risco de solidão Disposição para autoconceito melhorado Baixa auto-estima crônica Baixa auto-estima situacional Risco de baixa auto-estima situacional Distúrbio da imagem corporal 7RELACIONAMENTO DE PAPEL Tensão do papel do cuidador Risco de tensão do papel do cuidador Paternidade ou maternidade prejudicada Risco Paternidade ou maternidade prejudicada Disposição para Paternidade ou maternidade prejudicada Processos familiares interrompidos Disposição para processos familiares melhorados Processos familiares disfuncionais:alcoolismo Risco de vínculo pais-filho prejudicado Amamentação eficaz Amamentação ineficaz Amamentação interrompida Desempenho de papel ineficaz Conflito no desempenho de papel pai/mãe Interação social prejudicada 8.SEXUALIDADE Disfunção sexual Padrões de sexualidade ineficazes 9.ENFRENTAMENTO/TOLERÂNCIA AO ESTRESSE Síndrome do estresse por mudança Risco de síndrome do estresse por mudança Síndrome do trauma por estupro Síndrome do trauma por estupro:reação silenciosa Síndrome do trauma por estupro:reação composta Síndrome pós-trauma Risco de síndrome pós-trauma Medo Ansiedade
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    Ansiedade relacionada amorte Tristeza crônica Negação ineficaz Sentimento de pesar antecipado Sentimento de pesar disfuncional Adaptação prejudicada Enfrentamento ineficaz Enfrentamento familiar incapacitado Enfrentamento familiar comprometido Enfrentamento defensivo Enfrentamento comunitário ineficaz Disposição para enfrentamento aumentado Disposição para enfrentamento familiar aumentado Disposição para enfrentamento comunitário aumentado Disreflexia autonômica Risco de disreflexia autonômica Comportamento infantil desorganizado Risco de comportamento infantil desorganizado Disposição para comportamento infantil organizado aumentado Capacidade adaptativa intracraniana diminuída 10. PRINCÍPIOS DE VIDA Disposição para bem estar espiritual aumentado Angústia espiritual Risco de angústia espiritual Conflito de decisão(especificar) Desobediência(especificar) 11.SEGURANÇA/PROTEÇÃO Risco de infecção Mucosa oral prejudicada Risco de lesão Risco de lesão perioperatória por posicionamento Risco de quedas Risco de trauma Integridade da pele prejudicada Risco de integridade da pele prejudicada Integridade tissular prejudicada Dentição prejudicada Risco de sufocação Risco de aspiração Desobstrução ineficaz de vias aéreas Risco de disfunção neurovascular periférica Proteção ineficaz Risco de síndrome de morte súbita Risco de automutilação Automutilação Risco de violência direcionada a outros Risco de violência direcionada a si mesmo Risco de suicídio Risco de envenenamento Resposta alérgica ao látex Risco de resposta alérgica ao látex Risco de desequilíbrio na temperatura corporal Termorregulação ineficaz Hipotermia Hipertermia 12.CONFORTO Dor aguda Dor crônica Náusea Isolamento social 13.CRESCIMENTO/DESENVOLVIMENTO Risco de crescimento desproporcional Insuficiência do adulto para melhorar seu estado de saúde Atraso no crescimento e desenvolvimento Risco de atraso no crescimento e desenvolvimento TAXONOMIA NNN DA PRÁTICA DE ENFERMAGEM. Vem sendo desenvolvida uma estrutura comum para a prática de enfermagem incluindo dados da NANDA(Diagnósticos de Enfermagem), NIC(Classificação das Intervenções de Enfermagem) e NOC(Classificação dos Resultados de Enfermagem).
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    TEORIAS DE ENFERMAGEMDE 1859 a 1990 Data Autores 1859 Florence Nightingale Teoria ambientalista, assume a Enfermagem como diferente da medicina e propõe a sua organização e o processo administrativo para as tarefas e pessoal assistente. 1952 Hildegard Peplau Teoria interpessoal, reflete o modelo psicoanalítico vigente; tensões e frustrações se opõem a objetivos, dando margem a conflitos, agressão e ansiedade. Baseou.se em Sullivan. 1955 Virginia Henderson A função da Enfermagem é assistir ao individuo doente ou sadio no desenho de atividades que contribuem para a saúde ou para uma morte tranqüila: ajudando para a independência. Baseou-se em Thomdike e se propôs a desenhar o quadro de funções autônomas da Enfermagem. 1958 Ernestine Wiedenbach Concentrou-se na arte (prática), tendo como foco a necessidade do paciente, sendo a Enfermagem um processo nutridor. Diz que a Enfermagem tem quatro elementos de assistência: filosofia, propósito e arte. 3aseou-se em Orlando. 1959 Doroty Johnson Sustentada na etnologia e teoria sistêmica, ela diz que há uma regularidade de forças externas que atuam para preservar a organização e integração do comportamento do paciente, sendo este um sistema de comportamento. com subsistemas que requerem proteção, estimulação e Enfermagem. 1960 Faye Abdellah Aproximação para uma Enfermagem centrada no paciente. Usa o método de resolução de problemas para lidar com 21 problemas de Enfermagem relacionados com necessidades dos pacientes, para sustentação, restauração, prevenção, auto-ajuda, déficit ou excesso de necessidades. Baseou-se em Maslow. I 1960 Josephine Patterson e Loretta Zderad Enfermagem humanista, a situação dos indivíduos é experienciada existencialmente pelos enfermeiros; a pessoa é uma unidade holística intelectual; desenvolve o termo "nursologia”, sendo Enfermagem um ato inter.humano e um ato do ser humano vivo. A metodologia é baseada na "nursologia" fenomenológica (experimentando, refletindo e escrevendo). 1985 Joan Rihel Sisca Síntese de Mead, Rose e Erickson, usando a interação simbólica como forma de relação enfermeiro- cliente. Aponta para uma filosofia do significado e a comunicação é o principal ingrediente da interação. 56
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    1989 Margaret Newman Derivadada teoria de Martha Rogers. diz que a Enfermagem é promover bem-estar ou prevenir doença, mas ajudar a pessoa a usar o poder próprio através de um alto nível de consciência para manter o processo vital. 1961 Ida Jean Orlando Propõe a relação dinâmica enfermeiro-paciente, sendo o propósito da Enfermagem suprir a ajuda requerida pelo individuo, de acordo com suas necessidades, considerando percepção, pensamento e sentimento através de ações deliberadas. 1964 D. Howland e E. McDowel1 Propõem inicialmente uma aproximação a um sistema de problemas, sendo o hospital um sistema. A medida do cuidado ao paciente se apresenta como um marco conceptual. 1964 Imogene King A Enfermagem é um processo de interação em que cada um percebe o outro e a situação através da comunicação e ambos, cliente e enfermeiro propõem objetivos para a saúde. A Enfermagem é um processo de interação, reação e transação. Baseou-se na teoria dos sistemas, apoiando a idéia de que há sistema social, interpessoal e pessoal. 1966 Joyce Travelbee O foco é a natureza interpessoal das relações e a unicidade da prática profissional. O homem é provido de unicidade, capaz de enfrentamentos, de dar significado ao cuidado e ter empatia e simpatia. A Enfermagem ajuda o individuo a encontrar significado na experiência do sofrimento e doença. Baseou-se em Peplau e Orlando. 1966 Myra Levine Introdução à Enfermagem clínica, propondo teoria da conservação e da Enfermagem holística. O ser humano é uma unidade corpo-mente que responde à mudança interagindo com o meio e adaptando- se. A intervenção de Enfermagem tem como finalidade a conservação da energia, da integridade estrutural, pessoal e social. 1966 Lydia Hall Fala em Enfermagem autônoma, com três categorias: uso terapêutico do self, equipe de saúde para a cura e componente nutridor para o cuidado. Baseou-se em Carl Rogers. 1970 Wanda de A. Horta Em seu livro "Contribuição a uma teoria de Enfermagem", a autora desenvolve uma proposta baseada na teoria das necessidades humanas de Maslow, propondo uma metodologia para o processo de Enfermagem, sustentado na busca da satisfação de necessidades psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais. 1970 Martha E. Rogers Enfermagem é ciência e arte de promover a interação sinfônica entre o homem e a natureza, para manter sua integridade e direcionar sua padronização. A Enfermagem é meio de diagnosticar, intervir e avaliar o processo vital, através dos princípios da homeodinâmica que são: complementaridade, helicidade e ressonância. 57
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    1970 Sister CallistaRoy A Enfermagem é uma disciplina cientifica, com uma prática orientada para a compreensão dos processos adaptativos e mal-adaptativos no ser humano. Baseou-se em Helson. Diz que os estimulos podem ser focais, residuais e contextuais e a habilidade para lidar com eles pode ser aprendida. 1971 Dorothea Orem Enfermagem é um sistema de ajuda para o autocuidado, quando o indivíduo não tem condições de suprir seus próprios requerimentos. Há necessidade de autocuidado universal, de desenvolvimento e de desvios da saúde. 1974 Rosalda Paim Teoria Sistêmica de Enfermagem, o homem é um sistema biológico aberto que troca matéria e energia com o ecossistema, com princípios de três ordens: básicos (do universo sístêmico, necessidades globais, etc.), comuns (relativos à assistência à saúde) e específicos (que objetivam a facilitação de trocas). 1974 Betty Neuman A Enfermagem é uma profissão que ajuda indivíduos a buscarem a melhor resposta aos estressores, que podem ser internos e externos. Cada individuo tem formas de resistência diversas: linha de resistência (fisiológica), linha normal de defesa (para enfrentar as doenças) e linha flexível de defesa (uso de recursos mais severos internos e externos). 1978 Madeleine leininger O cuidado é a essência da prática e do conhecimento. Inclui assistir, dar suporte e facilitar atos para atender necessidades. O cuidado é cultural, pois cada povo tem seu próprio jeito de cuidar-se. 1979 Jean Watson Deriva de Leininger, seguindo a fenomenologia existencial. A Enfermagem assume a promoção e restauração da saúde através do cuidado humano holístico para uma vida de qualidade, praticado de forma interpessoal. 1981 Rosemarie Rizzo Parse Deriva sua teoria dos principias de Mcvtha Rogers, sintetizando com o existencialismo e fenomenologia de Heidegger, Merlau-Pontye Sartre. Traz o humanismo como oposto ao positivismo. 1983 Joyce Fitzpatrick Teoria rítmica baseada em Martha Rogers; diz que o desenvolvimento humano ocorre no contexto da interação homem-meio, em padrões de tempo, movimento e consciência. A compreensão da existência humana é central para a Enfermagem. 1983 Helen Erickson, Evelyn Tomlin e Mary Ann Swain Baseiam-se em Erickson, Maslow, Selyee, Engel e Piaget para conceber a teoria do PaPel- modelagem, com o objetivo de compreender o modo como os clientes estruturam seu mundo. A Enfermagem é um modelo de autocuidado, baseado na percepção e na adaptação aos estressores. 58