ABRIL 2014
2ª Edição
GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Luiz Fernando de Souza
SECRETARIA DE ESTADO DO AMBIENTE (SEA)
Carlos Portinho
Superintendência de Educação Ambiental
Paulo Cesar Becker
							
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO (Seeduc)
Wilson Risolia
Coordenação de Educação Ambiental e Saúde
Deise Keller Cavalcante
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (Uerj)
Equipe Programa Nas Ondas do Ambiente
Coordenação Acadêmica
Coodernação Adjunta de Logística
Assessoria Executiva
Assessoria Pedagógica
Assessoria Rádio Escola
Subcoordenação Administrativa
Docentes de Educação Ambiental
Docentes de Educomunicação
Docentes de Rádio e Sonoplastia
Programação Gráfica Visual
Carlos Eduardo Leal
Jadyr Franco
Fernando Esteban
Luiz Savedra
Andrea Cristina Carneiro
Andrea Valente
Alba Valéria
Eduardo D’Avila
Marco Aurélio Moreira
Mylena Passeri
Eleusa Mancini
Marcos Vinícios Souza de Menezes
Vitor Martins Salles
Beatriz Baptista do Couto
Bernardo Cahuê Martins
Fábio ACM
Felipe Castro
Luis Antônio “Ludi Um”
Sandro Machintal
Comunica Seam
Reitor
Centro de Estudos Ambientais e
Desenvolvimento Sustentável (Ceads)
Ricardo Vieiralves de Castro
Marcos Bastos
SUMÁRIO
O PROGRAMA NAS ONDAS DO AMBINTE
Introdução 	 11
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Educomunicação Socioambiental	 15
Características da Educomunicação	 15
Comunicação não é o mesmo que informação	 15
Como praticar a Educomunicação Socioambiental	 16
Educação Ambiental	 19
Caracterização de problemas e conflitos ambientais	 19
Refletindo	20
Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise		 22
Conceito geográfico		 22
A Base Legal dos recursos hídricos no Brasil	 24
Espaço Geográfico	 25
Planejamento: a opção pelo enfoque participativo	 26
Etapas do Planejamento Participativo	 28
Lei da Educação Ambiental (Lei 3.325) 	 31
Aterros sanitários (Lei 2.794)	 31
Mudanças climáticas (Lei 5.690)	 32
Parcelamento do solo urbano (Lei 1.130)	 32
Proteção Ambiental (Lei 2.318)	 32
Lei do Lixo (Lei 3.009)	 32
Resíduos sólidos (Lei 4.191)	 32
Coleta seletiva do lixo (Lei 6.408)	 33
Reciclagem de PET e plásticos (Leis 3.206 e 3.369)	 33
Compensação energética (MCE) (Lei 41.318)	 33
Lixo na Rua ( Lei 3.467)	 34
Politica de recursos hídricos ( Lei 3.239)	 34
Coleta seletiva nas escolas (Lei 1.831)	 34
Código Florestal (Lei Federal 12.651)	 35
Texto para porte e atividades	 35
O que é a natureza?	 35
Para rir e refletir	 37
Caindo a ficha: crise ambiental ou dilema civilizatório?	 39
Virou notícia	 40
Para rodas de reflexão e conversa (distribuindo as frases por grupos)	 45
As cidades e os problemas socioambientais locais e globais	 47
Poluição do ar	 47
Poluição sonora	 47
Poluição luminosa	 48
Poluição visual	 48
Lixo	48
Enchentes	49
Deslizamentos de encostas	 49
Mudanças climáticas	 50
Rompimento da camada de ozônio	 51
Chuva ácida	 51
Destruição dos ecossistemas	 52
Perda da biodiversidade	 52
Desertificação	52
Poluição dos oceanos	 53
Poluição e falta de água doce	 53
A destruição da diversidade étnica do planeta	 54
Como podemos fazer a nossa parte	 56
Roteiro de diagnóstico socioambiental – Local	 58
Roteiro de diagnóstico socioambiental – Resíduos sólidos	 59
Roteiro de diagnóstico socioambiental – Água e esgoto	 61
RADIALISMO
Breve histórico do Rádio	 67
O Rádio no Brasil	 68
Rádio Comunitária	 71
Para que serve a Rádio Comunitária	 72
Legislação sobre a Rádio Comunitária	 73
Para que serve a Rádio Escola	 75
O texto radiofônico	 75
Redação do texto Radiofônico	 76
Lead (ou lide)	 77
Vamos ao exemplos	 77
Alguns exercícios	 79
Preste atenção nas dicas	 80
Linguagens de Rádio (Produtos)	 81
Spot	82
Notas Jornalísticas	 83	
Jingle	83
Radionovela ou Radioteatro	 83
Produção de programas radiofônicos	 84
Locutor/repórter	84
Operador de áudio/sonoplastia	 85
Modelo de Pauta	 85
Entrevista e reportagem	 86
Roteiro	88
Modelo de Roteiro de programa de radiojornalismo	 89
Técnica de leitura	 90
Locução: a voz do rádio	 92
A locução de notícias	 95
Cuidados com a voz	 95
Glossário de termos radiofônicos	 96
Suporte	98
Tocando a Rádio	 98
Bibliografia consultada	 100
RÁDIO E SONOPLASTIA
Introdução	102
Roteiro	102
Sonoplastia	103
O sonoplasta	 103
Princípios da sonoplastia	 104
Caderno da sonoplastia	 105
Manual de operação de áudio	 110
Noções Gerais de áudio	 114
Operação de áudio – resumo pratico	 114
ZARARADIO (operação de áudio)	 134
Radio WEB	 155
10
11
Introdução
O Programa Nas Ondas do Ambiente (PNOA), fruto da parceria entre a Secretaria de Estado do
Ambiente/Superintendência de Educação Ambiental (SEA/Seam) e a Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (Uerj), iniciou suas atividades no Estado do Rio de Janeiro em 2007.
O Programa Nas Ondas do Ambiente é um trabalho pioneiro no país já que, pela primeira vez, uma
Secretaria de Estado adota como política pública a metodologia da Educomunicação como meio de
capacitação de comunidades e unidades escolares para a discussão e o enfrentamento dos problemas
ambientais locais, estimulando-os a criarem suas próprias redes de comunicação social e intervenção
no território. Ao associar processos participativos com educação popular, utilizando as chamadas
TIC´s (tecnologias de informação e comunicação), projetos de Educomunicação como o Nas Ondas do
Ambiente desempenham um relevante papel na capacitação da população para sua participação na vida
pública e no exercício do controle social.
De 2007 a 2009, o PNOA, em parceria com a ONG Viva Rio, desenvolveu atividades de capacitação em
técnicas radiofônicas em comunidades e escolas, tendo como principais projetos: Radio@escola.com;
Rádio Quintal: Comunicação Limpa e Despertar Ecológico; Projeto de Animação de Rede e Projeto
Mulheres da Paz.
No final de 2009, o PNOA iniciou suas atividades no Mosaico da Serra da Bocaina, região da Costa
Verde, compreendendo os municípios de Angra dos Reis e Parati, com o Nas Ondas da Mata Atlântica.
O projeto era voltado para a mobilização comunitária e a implementação de rádios comunitárias em
áreas de quilombolas, caiçaras e indígenas no sul do estado fluminense, com a realização de cursos de
capacitação em técnicas radiofônicas.
Em 2010, o PNOA deu continuidade às atividades do Projeto Nas Ondas da Mata Atlântica na região do
Mosaico Central Fluminense, região central do Estado do Rio de Janeiro, compreendendo, entre outros,
os municípios de Teresópolis, Nova Friburgo, Guapimirim, Magé, Cachoeiras de Macacu, Duque de
Caxias, Petrópolis, Silva Jardim, Itaboraí.
Em 2011, foram realizadas atividades de fortalecimento das capacitações em técnicas radiofônicas e
sensibilização socioambiental nas comunidades das regiões da Serra da Bocainae do Mosaico Central
Fluminense, em particular, na região serrana do Rio de Janeiro fortemente atingida pelo desastre ambiental
de 2010. Paralelamente, foram realizadas atividades de fortalecimento das capacitações e formação em
técnicas radiofônicas e comunicação jornalística com o grupo do Projeto Mulheres da Paz, para instalação e
operação de rádio comunitária (Rádio Mulher) no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. 	
A partir de 2012, o PNOA vem atuando em três segmentos distintos: Rádio Escola, Comunidades
Urbanas e Comunidades Mata Atlântica. No componente Rádio Escolas são realizadas atividades de
capacitação em técnicas radiofônicas para alunos e professores da rede estadual de ensino público.
No componente Rádio Comunidades Urbanas, o PNOA consolidou a atuação da rádio comunitária
Rádio Mulher - Um Ambiente Comunitário (98,7MHz), no Complexo do Alemão. Ainda no segmento
Comunidades Urbanas, o PNOA tem promovido a implementação da Rádio Elos do Asé, no município
de São João de Meriti, como a primeira rádio comunitária produzida e transmitida de um terreiro de
candomblé do estado,no formato rádio web. Em relação ao componente Comunidades Mata Atlântica,o
PNOA tem atuado no fortalecimentoda instalação de uma rádio comunitária na região serrana fluminense,
como forma de contribuir para políticas públicas de apoio à implementação do Mosaico Central Fluminense
e com início de suas atividades na serra da Mantiqueira para o segundo semestre de 2013.
12
14
15
EDUCOMUNICAÇÃO SOCIOAMBIENTAL
Educomunicação é um campo de saberes e práticas relacionadas ao uso pedagógico da comunicação e
à comunicação social educativa. Educomunicação ambiental, ou socioambiental, é um conceito político-
pedagógico que assimila a experiência da Educomunicação em ações de intervenção e educação ambiental.
(Fonte: http://educom-socioambiental.blogspot.com/ consultado em 04/12/2008)
Características da Educomunicação:
•	 Promove o desenvolvimento da cidadania.
•	 Fundamenta sua política de comunicação educativa em princípios da democratização,
promoção, autonomia e emancipação.
•	 Estimula a participação na criação e na gestão dos meios de comunicação, fortalecendo o
protagonismo dos indivíduos que (se) educam para a construção de sociedades sustentáveis.
•	Promove inclusão ampla no direito à comunicação.
•	 Envolve a relação entre comunicação, educação e sustentabilidade.
Comunicação não é o mesmo que informação!
A comunicação de que falamos compreende a arte de dialogar, de conversar, de maneira crítica, de
forma a distinguir o verdadeiro do falso.
As tecnologias de informação/comunicação são alguns dos meios pelos quais podemos nos comunicar. A
finalidade,porém,napráticaEducomunicativa,équeessesmeiossejamportadoresdeconteúdosparaaeducação
para o ambiente e sejam os membros da comunidade os produtores e comunicadores destes conteúdos.
A participação da comunidade, na prática educomunicativa, traz para o grupo uma comunicação para
todas e todos, mais participativa e democrática – em comunhão. Essa prática pode evitar ruídos e
sérios conflitos em comunidades. Portanto, é de extrema importância para o sucesso da implantação
da Agenda 21 Escolar a partir de sua escola e nas demais escolas do Estado do Rio de Janeiro.
16
COMO PRATICAR A EDUCOMUNICAÇÃO SOCIOAMBIENTAL?
Há várias possibilidades de materiais de Educomunicação que podem ser desenvolvidas, como se segue:
•	 Teatro: É um excelente recurso para envolver sua comunidade e mobilizá-la.
•	 Fotografia: A foto é a imagem dos conteúdos na mensagem; portanto, ela ilustra nossa
entrevista. Tire fotos dos entrevistados, do lugar que está o destaque de sua matéria, das
autoridades envolvidas e de tudo o que o grupo considerar mais importante para ilustrar o
conteúdo da matéria.
•	 Cartaz: É considerado, na propaganda, um veículo de apoio. Ele ajuda a mensagem a ser
fixada, mas não se destina a comunicar detalhes sobre a mensagem. Contudo, o cartaz pode
direcionar o público a obter maiores informações, através do veículo principal. A escrita, no
cartaz, deve levar a mensagem resumida, com informação precisa e em poucas palavras.
Quanto menos texto, maior a possibilidade dos “passantes” lerem toda a mensagem. O nome
e a marca devem estar, sempre, em todos os materiais impressos. Os cartazes devem ser
afixados em lugares onde as pessoas que passam pela escola possam ler a mensagem e em
outros espaços da comunidade.
•	Jornal Mural: a elaboração de um jornal mural é excelente meio de comunicação. A escolha
do espaço onde vai ser afixado o Jornal Mural é de extrema importância. Dê preferência
aos lugares onde a comunidade escolar se reúna e permaneça algum tempo. Assim, todos
poderão ter mais tempo para ler as notícias afixadas no Jornal Mural. Depois de escolhido o
local adequado para afixar o Jornal Mural, vamos pensar em seu conteúdo e em como este
será arrumado no espaço do jornal. Uma sugestão para harmonizar o espaço do Jornal Mural:
divida o espaço em três partes. As partes não precisam ser separadas por linhas. Esse jornal
deve ser bem colorido, sugiro o uso de tarjetas de cartolina coloridas. Mas o mais importante
é que toda a comunidade participe da produção do Jornal Mural! Agora, como preencher
esse Jornal com conteúdos? O primeiro passo é a escolha do tema. Uma vez escolhido o tema,
é hora de pensar no recheio! O recheio do jornal poderá ser construído de diversas formas:
•	 Fanzine:Temestiloediagramaçãopróprios,éelaboradopararepresentaraculturaalternativa,
não divulgada pela grande imprensa. Com esse meio de comunicação, você pode colher dados
informativos sobre sua comunidade e fazer um registro de imagens que a represente, textos,
culináriatípicadaregião,gruposculturaisqueexistemnacomunidadeescolarenadoseuentorno.
A linguagem utilizada no fanzine é a mais próxima da comunidade que está representando.
17
O formato do fanzine pode ser qualquer um! Tablóide, revista etc. Entretanto, vamos dar uma
sugestão... Os conteúdos temáticos do Jornal Mural podem ser colocados em um fanzine com
o seguinte formato: folha de papel A4, dobrada ao meio, formando um livretinho de 4 páginas.
A primeira página de um fanzine é a capa. Não se esqueça de colocar nela o logotipo (nome
do jornal) e a logomarca (imagem que representa o nome). É bom sempre apresentar a mesma
marca para que ela seja fixada por todos os leitores. Na contracapa, sugiro que você coloque os
créditos (nomes e funções do grupo, na montagem do fanzine) e o nome da Unidade Escolar.
Assim, em qualquer lugar que seu fanzine estiver circulando, todos saberão quem o
confeccionou. Você pode recortar várias letras e figuras de outros jornais e revistas e
utilizá-las para fazer uma colagem em seu fanzine. Pode também recortar histórias
em quadrinhos, fotografias e outras imagens que achar pertinente ao tema abordado.
Use sua criatividade! Quanto mais colorido, alegre, dinâmico, for o seu jornal, maior chance
de êxito em sua comunicação. Lembre-se: desenhar também é um recurso visual muito bom
e criativo! E se você optar por produzir outro tipo de material educomunicativo escrito, além
do jornal mural e do fanzine, o papel utilizado para sua reprodução deverá ser o Reciclado.
•	 Gravação de áudio: Se alguém possuir um gravador de MP3 ou similar poderá gravar a entrevista.
•	 Entrevistas: Alunos, professores, diretores, funcionários da escola, pais de alunos,
representantesdaassociaçãodemoradoresdeseubairro,radialistascomunitários,representantes
de instituições religiosas, lideranças políticas e religiosas, gestores e funcionários de Unidades
de Conservação da Natureza são exemplos de pessoas que podem ser entrevistadas. Entreviste
pessoas da comunidade que conheçam a história do local. Pergunta a estas pessoas: Como era
a região, no passado? Na sua opinião, qual o maior problema de nosso bairro? Você sabe o que
é uma Unidade de Conservação? Qual é a mais próxima da nossa comunidade? Não se esqueça
de levar um bloquinho para anotar as respostas, ou o seu gravador MP3, ok?
•	 Radiojornalismo: A comunicação que se estabelece pela linguagem escrita é bem
diferente da que se estabelece pala linguagem falada. No rádio, os ouvintes não param
o que estão fazendo para ouvir a notícia. Portanto, é preciso repetir a mesma mensagem
ao longo da programação, pelo menos três vezes, para que o ouvinte possa registrá-la.
A linguagem do rádio deve combinar a fala precisa, clara, direta, com a sonoplastia e a voz
cativante do locutor. A locução tem papel fundamental no rádio. É através da voz do locutor que a
mensagemganhaforçaetransforma-seemimagensparaoouvinte;portanto,olocutorétambém
um ator. Através de sua fala, imprime o ritmo, a clareza, a emoção, a importância da mensagem.  
O rádio é, também, um veiculo caloroso, participativo, envolvente, de respostas imediatas,
que arrasta o ouvinte pelo sugestionamento. Trata do dia-a-dia das pessoas e, por isso, o
planejador de radiojornalismo deve conhecer os seus ouvintes e ouvir todos os representantes
da comunidade: moradores do bairro, donas de casa, autoridades, trabalhadores, associação
de moradores e quem mais for representativo para a matéria.
Seja criativo! Qualquer outra forma que você considere produtiva para
enriquecer o jornal de conteúdos pode e deve ser usada!
18
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALBUQUERQUE, Carlos. LEÃO, Tom: Rio Fanzine: 18 Anos de Cultura Alternativa. Rio de
Janeiro:Record, 2004.
Documentos Técnicos Programa de Educomunicação Socioambiental - Série Documentos Ténicos – 2
- Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental. Brasília, 2005. http://www.mma.gov.br/
estruturas/educamb/_arquivos/dt_02.pdf
Projeto Papo Cabeça/Ponto de Cultura: Viva Rio e Ministério da Educação: curso de Capacitação em
Radiojornalismo para Comunicadores de Rádios Comunitárias: Rio de Janeiro, 2005.
19
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Buscamos no Programa oferecer uma Educação Socioambiental crítica, transformadora, política,
democrática, interdisciplinar, permanente, ética, com respeito à vida, que seja individual e coletiva, que
tenha participação ativa e responsável de todos, com ações locais que reflitam à realidade.
De acordo com a Lei 9.795 de 27/4/99 Educação Ambiental são processos por meio dos quais o indivíduo
e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas
para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida
e sua sustentabilidade.
Já Guimarães diz que “uma Educação Ambiental crítica aponta para transformações radicais nas
relações de produção, nas relações sociais, nas relações homem-natureza, na relação do homem com
sua própria subjetividade, num processo de construção coletiva de uma ética, uma nova cultura, novos
conhecimentos”. (Guimarães, 2000).
Caracterização de Problemas e Conflitos Ambientais
Segundo Quintas (2009) em todo processo de apropriação e uso dos recursos ambientais, estão sempre
em jogo interesses da coletividade, cuja responsabilidade pela defesa é do Poder Público, e interesses
específicos de atores sociais que, mesmo quando legítimos, nem sempre coincidem com os da coletividade.
Estes atores sociais podem possuir grande capacidade para influir (a seu favor) nas decisões dos órgãos
de meio ambiente, sobre a destinação dos recursos ambientais, seja pela via da pressão política direta,
seja por meio da divulgação à sociedade sobre a importância econômica e social do seu empreendimento
(geração de empregos é um dos fortes argumentos), ou pelas duas formas.
Já vimos também que a disputa pelo controle de qualquer recurso escasso é própria da natureza da
sociedade. Portanto, o importante é que o órgão de meio ambiente, no exercício de sua competência
mediadora, proporcione condições para que os diferentes atores sociais envolvidos tenham oportunidade
de expor a outros atores sociais e ao conjunto da sociedade, os argumentos que fundamentam a posição
de cada um quanto à destinação dos recursos ambientais em disputa. As Audiências Públicas das quais
falamos, na Unidade anterior, se bem organizadas, podem proporcionar condições para que este saudável
embate de posicionamentos aconteça.
Entretanto, entre os atores sociais envolvidos, há aqueles que dispõem de conhecimentos e habilidades
sobre a problemática em discussão (os empreendedores, por exemplo), que lhes permitem argumentarem
a seu favor. Ao mesmo tempo, há outros que, apesar de afetados pelas decisões (por exemplo, comunidades
costeiras, no caso da construção de um porto), não têm acesso aos conhecimentos e habilidades necessárias
para poderem defender seus interesses. Em muitas situações, caso tais interesses sejam contrariados, este
fato ameaça a própria sobrevivência da comunidade atingida.
A experiência dos educadores tem mostrado que uma ferramenta importante para compreender a
complexidade da questão ambiental é o “estudo de caso”, no qual o caso pode ser um problema, conflito
ou potencialidade ambiental. Para exemplificar, trabalharemos com a análise de um problema ambiental.
Entretanto, o roteiro adotado para o estudo de problemas e a socialização do seu resultado poderá, com
alguma adaptação, ser utilizado no estudo de conflitos e potencialidades ambientais.
20
REFLETINDO
O que é um problema ou conflito ambiental?
Ou melhor...
O que nós aqui chamaremos de problema ou conflito ambiental?
Há diferença entre os dois?
O termo problema, no nosso dia a dia, assume vários significados. Quando alguém fala de um problema
financeiro, em geral, está se referindo a ideias do tipo falta de dinheiro, dificuldades de pagar contas
etc. Da mesma forma, se uma pessoa fala de um problema de saúde, pode estar querendo transmitir a
ideia de risco ou ameaça (esta doença pode deixar fulano sem poder andar pelo resto da vida), de dano
temporário ou permanente ao organismo (tal enfermidade deixou fulano com o pulmão comprometido
para o resto da vida; a fratura deixou sicrano sem poder usar a mão direita por uns tempos etc.). Há
também casos em que otermo está associado ao desafio de realizar uma tarefa prática (o problema da
construção de uma ponte) e há, ainda, muitos outros sentidos.
Como pessoas envolvidas com o campo da gestão do meio ambiente, quando usamos o termo problema
ambiental, também atribuíram a ele vários sentidos. Ao usar este termo em nossas falas, podemos estar nos
referindoadificuldades(oproblemadafiscalizaçãoemaltomar),àcarência(oproblemadafaltadeembarcações
para fiscalizar em alto mar), a tarefas práticas (o problema da criação de uma Unidade de Conservação) ou a
outros significados. Neste trabalho, estaremos entendendo problema ambiental como “aquelas situações onde
haja risco e/ou dano social/ ambiental e não haja nenhum tipo de reação por parte dos atingidos ou de outros
atores da sociedade civil face ao problema” (Carvalho & Scotto, 1995).
De acordo com esta concepção, podem ser exemplos de problemas ambientais: a ameaça ou extinção de
espécies da fauna e da flora; lixões; desmatamentos; rios e águas subterrâneas contaminadas por metais
pesados, chorume, esgotos domésticos e industriais, agrotóxicos etc.; uso de agrotóxicos; contaminação de
praias; poluição do ar; e outras formas de poluição.
Emtermospráticos,alémdeserumasituaçãoondeseobservadano e/ou risco à qualidade de vida das pessoas
(em decorrência da ação de atores sociais sobre os meios físico-natural e/ou construído), o problema
ambiental caracteriza-se, pela ausência de qualquer tipo de reação dos atingidos ou de atores sociais
da sociedade civil. Segundo Carvalho & Scotto (1995), “são freqüentes os casos onde existe apenas uma
constatação técnico-científica do problema–exames de laboratório concluem que o rio está contaminado
por metais pesados, por exemplo. Outras vezes, há sugestões de solução ou de encaminhamento para
uma ação de governo, ou seja, uma política ambiental.” Evidentemente, condutas do tipo sugerir solução
ao governo não podem ser caracterizadas como uma ação contrária (reação) àquela que está provocando
risco e/ou dano ao meio ambiente.
É como se a existência de um esgoto a céu aberto, que um dia foi rio, se transformasse num fato tão banal
no cotidiano da comunidade, que as pessoas passassem a aceitar o seu mau cheiro, o seu mau aspecto e o
risco de contaminação por doenças transmitidas por vetores diversos, como algo “normal”. O fato de o rio
contaminado “estar lá”, parece que não incomoda, não interessa, ou seja, não “mexe” com as pessoas.
21
Diferente do problema ambiental, o conflito ambiental é aqui entendido como “aquelas situações onde há
confronto de interesses representados por diferentes atores sociais, em torno da utilização e/ou gestão
do meio ambiente” (Carvalho & Scotto, 1995).
De saída, o conflito ambiental ocorre porque atores sociais reagem em defesa dos seus interesses,
pela utilização e/ou gestão dos recursos ambientais. É o caso de moradores que se organizam
para evitar a reativação de um aterro sanitário ou a construção de um incinerador de lixo pela
Prefeitura; de pescadores que se organizam para contestar o período de defeso decretado pelo
Ibama e exigem participar da elaboração de sua Portaria; de grupos ambientalistas que se mobilizam
para contestar a construção de uma hidrelétrica, de uma estrada; de seringueiros do Acre que nos
anos 70 impediram a transformação da floresta em pastagens, em defesa de sua potencialidade,
e conseguiram a criação de Reservas Extrativistas – Resex pelo Governo Federal; de grandes
fazendeiros de soja que lutam pela construção de uma hidrovia, que vai facilitar o escoamento
de sua produção, e de outros atores sociais que se organizam para lutar por seus interesses ou da
coletividade contra a realização do empreendimento.
Estabelecida a diferença entre problema e conflito ambiental, vamos praticar agora o modo de proceder à
sua análise e de envolver o maior número de pessoas na sua discussão. A ideia é que as pessoas, durante o
processo de estudo do problema ambiental, percebam os danos e/ou riscos e se motivem para participar
do encaminhamento de sua solução. Assim, partindo-se do exame de um problema ambiental, espera-se
atingir o estágio de conflito ambiental institucionalizado.
Portanto, podemos dizer que todos os conflitos ambientais envolvem
um problema ambiental ou a disputa em torno da defesa e/ou controle
de determinadapotencialidade ambiental, mas nem todo problema
ambiental envolve um conflito.
ATIVIDADE
Cada grupo deverá propor um problema/conflito
ambiental e a partir dele, relacioná-lo ou não a um
conflito/problema.
Como você pode notar, um conflito ocorre quando atores sociais tomam
consciência de dano e/ou risco ao meio ambiente, se mobilizam e agem no
sentido de interromper ou eliminar o processo de ameaça.
22
BACIA HIDROGRÁFICA
COMO UNIDADE ESPACIAL DE ANÁLISE
A bacia hidrográfica¹ tem uma significativa importância no contexto deste programa. O termo bacia
hidrográfica nos faz lembrar água, que por sua vez nos faz lembrar chuva, rios, nascente, foz, cachoeira,
floresta, mangue..., dentre outros.
É essa água ou esse conjunto de águas de uma bacia que pode apresentar significados diferentes no espaço
geográfico, de acordo com os moradores ou as populações locais. Desse modo, a bacia hidrográfica é
uma das referências espaciais mais consideradas nos estudos do meio físico e, recentemente, dos meios
socioeconômico e ambiental.
Considerar os diferentes usos e a ocupação nas bacias torna-se fundamental, pois permitirá uma visão
conjunta do comportamento das condições naturais e das atividades humanas nelas desenvolvidas. Mas
como será que isso ocorre no Brasil? E no Estado do Rio de Janeiro? Quais são as lacunas na esfera da
gestão e quais são os desafios a serem vencidos? Será que é simples ou tão fácil partir da concepção
de bacia hidrográfica como subsídio ao planejamento? Em que momento ocorre a participação da
comunidade e qual é o papel da educação ambiental?
Numa tentativa de trabalhar esses conceitos, normas, práticas apresentamos um roteiro que norteará a
nossa discussão, oferecendo uma síntese sobre bacia hidrográfica na concepção geográfica.
CONCEITO GEOGRÁFICO
Conceituar bacia hidrográfica implica a definição dos limites espaciais internos e externos onde operam
os diversos e interligados processos desse sistema. Bacia hidrográfica deve passar a idéia de dinamismo,
de movimento, de energia, de entrada, de saída, de conjunto, de todo, o que nos leva a associar com a
idéia sistêmica, processual e de continuidade. Pode ser definida como um sistema que compreende um
volume de materiais (sólidos e líquidos) próximo à superfície terrestre. Desse modo, a idéia de sistema
transcende a idéia de área, que faz referência à bacia hidrográfica como área total (medida em km²) de
captação natural da água de chuva e do escoamento superficial.
A idéia de volume e de sistema contida nessa definição nos leva a entender que existe um conjunto de
terras que direcionam a água das chuvas (precipitações) para um curso d’água (canal principal), que por
sua vez alimenta outros cursos d’água (tributários). Para identificar a bacia é preciso conhecer seus limites
espaciais, que são o limite superior (divisor de águas) ou limite topográfico e o limite inferior (saída das
águas) ou limite da confluência.
É fácil delimitar uma bacia hidrográfica, bastando observar, nas cartas topográficas, os divisores de águas
que as separam de outras bacias adjacentes. Cartas topográficas são: cartas ou mapas, representações ou
desenhos da terra, mantendo uma proporção com a realidade. São mapas que representam a superfície
terrestre em dimensões reduzidas.
1- Material adaptado de Carvalho Jr., R.P. 2009. Bacia Hidrográfica como unidade espacial de análise. In: CADEI, M. (Org.) Educação
Ambiental e Agenda 21 escolar: formando elos de cidadania:livro do estudante, Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2009., p. 55-71.
23
Esse sistema é, portanto, delimitado interna e externamente por todos os processos que interferem no
fluxo de matéria e de energia de um rio ou de uma rede de canais fluviais, sempre a partir do fornecimento
de água pela atmosfera (água da chuva). Inclui todos os espaços de circulação, armazenamento e de saídas
da água e do material por ela transportado, que mantêm relações com esses canais.
Desse modo, os processos de circulação de matéria e energia que operam em bacias hidrográficas envolvem os
canais fluviais, as planícies de inundação e as vertentes (encostas), onde os processos internos são importantes.
A formação da bacia hidrográfica se dá através dos desníveis dos terrenos que direcionam sempre os cursos da
água das áreas mais altas (divisor, nascente) para as mais baixas (confluência, foz). As águas superficiais, originárias
de qualquer ponto da área delimitada pelo divisor, saem da bacia passando pela seção definida (canal), e a água
que precipita fora da área da bacia não contribui para o escoamento na seção considerada. Assim, o conceito de
bacia hidrográfica pode ser entendido por meio dos aspectos de rede (hidrográfica) e de relevo.
De acordo com o escoamento superficial, pode-se classificar as bacias em quatro tipos:
1-	  Quando o escoamento das águas se dá de modo contínuo, ou seja, quando as águas são
drenadas diretamente para o mar;
2-  Quando as águas não possuem escoamento até o mar, ou seja, desembocam em lagos ou
simplesmente se perdem nas baixadas ou depressões (como é o caso nas areias do deserto);
3- Quando as águas acham-se privadas do escoamento superficial, ou seja, não existe
estruturação em bacias (também muito comum de acontecer nas areias de desertos); e
4-  Quando as bacias são subterrâneas, onde o rio se infiltra no solo e desaparece.
Do mesmo modo que as bacias, os cursos d’água podem ser classificados de acordo com o período de
tempo durante o qual o fluxo ocorre, destacando-se três tipos:
•	 Os perenes, que mantêm o fluxo o ano inteiro;
•	 Os intermitentes, que mantêm fluxo na estação chuvosa;
•	 Os efêmeros, que apresentam fluxo somente nas chuvas e não têm canal bem definido.
A bacia hidrográfica deve ser considerada como um ecossistema, aqui denominado de geossistema
ou sistema geomorfológico. Lembrando que o sistema é definido como um conjunto de elementos,
seus atributos e as relações entre si, todo sistema é um organismo autônomo, mas ao mesmo tempo
componente de um sistema maior (bacia unitária, microbacia, macrobacia).
ATIVIDADES
a) Com base no mapa de Regiões Hidrográficas do Rio de Janeiro, identifique a região
hidrográfica de onde você mora.
b) Com base no mesmo mapa, identifique o rio de sua cidade. Se, em virtude da escala do mapa,
o rio de sua cidade não constar no mapa, indique o rio mais próximo dela que consta no mapa.
c) De acordo com o mapa do Estado do Rio de Janeiro, identifique a Região de Governo
onde está localizada a sua cidade.
d) Compare o mapa de Regiões Hidrográficas com o mapa de Regiões de Governo indique
uma diferença existente entre as duas formas de divisão regional.
24
A BASE LEGAL DOS RECURSOS
HÍDRICOS NO BRASIL
Na Nova Constituição de 1988, o Decreto no. 24.643, de 1934 (primeiro Código de Águas do País),
teve seu texto modificado quando foi extinto o domínio privado das águas. Nesse sentido, foram
estabelecidos vários princípios básicos sobre as águas, entre os quais estão a definição dos bens
de domínio da União e Estados e as competências privativas da União, competências comuns e
concorrentes da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, e diversas atribuições ao
poder público destinadas a garantir um meio ambiente sadio e equilibrado a toda a população. Vale
destacar que os lagos, os rios e qualquer outro curso d’água em terras brasileiras ou que passam
por mais de um estado servindo de fronteira com outros países, além das áreas marginais e praias,
passaram a ser de domínio público.
Outras mudanças ocorreram na década seguinte. Em 1995, o Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia
Legal passou a denominar-se Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal e
criou a Secretaria Nacional de Recursos Hídricos, que tinha como atribuição principal gerenciar os recursos
hídricos e coordenar o Plano Nacional de Recursos Hídricos.
A Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos
foram instituídos pela Lei Federal nº 9.433, de 08/01/1997, regulamentando o inciso XIX do artigo 21
da Constituição Federal, que previa a obrigatoriedade da União em instituir o Sistema Nacional de
Gerenciamento dos Recursos Hídricos e definir critérios de outorga de direito de uso. A necessidade e
a importância dessa lei para o Brasil estão na capacidade de reordenamento pela gestão dos recursos
hídricos considerando suas dimensões territoriais, a situação de degradação ambiental das águas em
diversos pontos do país e, principalmente, a desigual distribuição das águas entre as bacias hidrográficas,
visto que a organização política-administrativa não corresponde aos limites das bacias hidrográficas.
Seus princípios são:
•	 A água é bem de domínio público
•	 A água é recurso natural limitado, dotado de valor econômico
•	 Em caso de escassez, o uso prioritário da água é para consumo humano e dessedentação de animais
•	 A gestão deve propiciar o uso múltiplo da água
•	 A bacia hidrográfica é eleita como unidade de planejamento
•	 A gestão deve ser descentralizada e participativa
•	 A lei a estabeleceu como instrumento básico de gestão
•	 Os planos de recursos hídricos (por bacia hidrográfica, Estado, País)
•	 O enquadramento dos Corpos de Água em Classe de Uso
•	 A Outorga de Direito de Uso dos Recursos Hídricos
•	 A Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos
•	 O Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos (Fonte: SRH,1997).
25
Para conhecer as leis que regulamentam a as políticas ambientais
no âmbito federal, você pode   acessar o site do Ministério do Meio
Ambiente (www. mma.gov.br).
No Estado do Rio de Janeiro, destacam-se as Legislações Estaduais e as Resoluções do Conselho Nacional
dos Recursos Hídricos (CNRH), sendo que o órgão responsável pela gestão dos recursos hídricos é a
Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (SERLA).
A bacia hidrográfica é conhecida como unidade de planejamento e é de aceitação universal, porque
constitui um sistema natural bem delimitado no espaço. Santos (2004) assinala que esse espaço ocupado
pela bacia hidrográfica é composto por um conjunto de terras topograficamente drenadas por um curso
d’água e seus afluentes, onde ocorrem interações dos meios físicos e socioeconômico que, quando
interpretadas, servem ao planejamento ambiental. São, portanto, “unidades geográficas onde recursos
naturais se integram e constituem-se em unidade espacial de fácil reconhecimento e caracterização”.
Fica fácil para a ordenação territorial quando reconhecemos os limites de uma bacia, lembrando que
não há qualquer área de terra, por menor que seja, que não se integre a uma bacia hidrográfica.
Espaço geográfico
Resultado da ação humana no espaço herdado, através do trabalho (relação natureza/sociedade/trabalho),
mas não basta entendê-lo sob determinado modo de produção dentro de um contexto histórico definido
porque ele é formado por um conjunto de objetos (materialidade) e um conjunto de relações que envolvem
tanto a dimensão econômica quanto as dimensões do cultural, do político e do ideológico.
A bacia hidrográfica é ainda considerada uma unidade integradora entre os impactos causados ao meio
físico e à apropriação social do espaço. Lima (2005: p.182) apresenta a caracterização da bacia hidrográfica
como um meio para a determinação de controle e estabelecimento do território:
A bacia hidrográfica tem assumido nova dimensão, uma vez que as práticas sociais tendem a
se modificar e a se refletir sobre um espaço bem delimitado. Essas práticas sociais envolvem
o equilíbrio de poder no âmbito do sistema gestor. A bacia caracteriza-se, então, como um
espaço onde a delimitação física antepõe-se à delimitação política, sendo esta, porém, a que
define esse espaço socialmente, dando-lhe a conotação mais apropriada de um território.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LIMA, A.G. A bacia hidrográfica como recorte de estudos em geografia humana. Geografia, 2005. v.14, n.2,
p. 173-183.
SANTOS, Rozely Ferreira dos. Planejamento Ambiental: teoria e prática. São Paulo, Oficina de Textos, 2004. 184p.
LOUREIRO, C.F.B.; LAYRARGUES, P.P.; CASTRO, R.S. (Orgs.). Repensar a Educação Ambiental: um olhar
crítico. São Paulo: Cortez, 2009.
LINKS INSTITUCIONAIS
Secretaria Nacional de Recursos Hídricos http://www.mma.gov.br/
Agência Nacional de Águas (ANA) http://www.ana.gov.br/
Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas – SERLA http://www.serla.rj.gov.br/index/index.asp
26
PLANEJAMENTO: A OPÇÃO PELO ENFOQUE PARTICIPATIVO
“Agendar é preciso”, e urgente, pois a nossa forma de viver não “está de acordo com a capacidade do
planeta de oferecer, renovar seus recursos naturais e absorver os resíduos que geramos” (disponível
em http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/pegada_ecologica/o_que_e_pegada_ecologica/index.cfm,
consultado em 1/07/2008).
Mas para agendar é preciso planejar!
Temos falado muito em planejamento, mas o que se pode entender por isso?
Planejamento
“É um pacote de medidas inovadoras, claramente delimitado em função dos recursos, tempo e local, que
estabelece objetivos e metas a serem alcançados por meio de um processo interativo entre todos os atores
envolvidos e cuja implementação se dá por meio das instituições executoras, organizações ou grupos sociais”
(disponível em http://www.participando.com.br/metodologia/metodologia.asp, consultado em 13/10/2007).
Pode-se entender o planejamento como “uma ferramenta de trabalho utilizada para tomar decisões
e organizar as ações de forma lógica e racional” (BUARQUE, 1999). É pré-condição dessa ferramenta o
exercício coletivo do poder de decisão, isto é, as decisões e a organização das ações são resultado de
escolhas do grupo, de seu consenso.
A construção do planejamento prevê etapas progressivas, que se interligam e se alimentam continuamente:
o conhecimento da realidade, a tomada de decisão, a execução do plano e o acompanhamento, controle
e avaliação das ações.
Logo, existe uma forte afinidade entre planejamento e participação.
Participação
“É o processo pelo qual grupos de interesse influenciam e partilham controle sobre o estabelecimento de
prioridades, políticas, alocação de recursos e/ou implementação de programas” (TIKARE et al., 1995 Apud
CASTRO, LIMA e BORGES-ANDRADE, 2005).
Podemos concluir que participar é a ação de “fazer parte de, tomar parte em” (CUNHA, 2001). Para que
isso ocorra, ou seja, para que haja um enfoque participativo, é necessário levar em conta alguns aspectos
fundamentais, como:
•	 o diálogo ativo;
•	 a problematização, isto é, a técnica de formulação de perguntas, orientadoras do trabalho.
•	 a condução compartilhada do processo.
  Material adaptado de Santiago, A.M.A. & Bastos, G.C. Carvalho Jr., R.P. 2009. Com a mão na massa: construindo agendas 21
escolares. In: CADEI, M. (Org.) Educação Ambiental e Agenda 21 escolar: formando elos de cidadania: livro do professor, Rio de
Janeiro: Fundação CECIERJ, 2009., p. 39-57.
27
Enfoque Participativo
“Pode ser entendido como uma aproximação sistemática a processos de grupos, buscando mobilizar seus
potenciais e fornecer-lhes instrumentos para melhorar as suas ações pelas contribuições dos participantes
e em que se manifesta e incorpora o meio socioeconômico e cultural de cada situação” (CORDIOLLI, 2005)
.
Falar é fácil... difícil é fazer!
Esse é um desafio de toda prática pedagógica: transformar a teoria em prática. Por isso mesmo,
apresentamos, a seguir, alguns instrumentos que podem facilitar a integração das pessoas em um processo
participativo de planejamento.
ENTRE OS DIFERENTES INSTRUMENTOS, MERECEM DESTAQUE:
•	 OFICINA (Workshop) – trata-se de uma metodologia de trabalho, organizada a
partir de atividades práticas, previamente planejadas, com o objetivo de propiciar
condições de reflexão e de aprendizado. Como sugere o nome, a oficina pretende
que o aprendizado se realize no desenvolvimento prático dos trabalhos propostos,
estabelecendo uma relação de causa e efeito entre fazer e aprender. Considerando
seu objetivo prático, pode prever o uso planejado de diversas técnicas e jogos;
Sugerimos consultar a publicação de Honsberger e George, denominada Facilitando oficinas:
da teoria à prática. Trata-se de uma cartilha que ensina a construir oficinas, disponível em
http://www.portaldovoluntario.org.br/site/pagina.php?idmenu=5&bibliotecaPage=9.
•	 MODERAÇÃO – o moderador diferencia-se do especialista, pois “o moderador é mais um
facilitador, um catalisador, um orientador metodológico para o processo, enquanto o especialista
é essencialmente um assessor, um orientador técnico, um agente que irá transferir conhecimentos
para facilitar a análise e a tomada de decisão pelo grupo, sem decidir por ele” (CORDIOLLI, 2005);
•	 VISUALIZAÇÃO – consiste no “registro visual contínuo de todo o processo, mantendo as
idéias sempre acessíveis para todos. Desse modo, as contribuições não se perdem, sendo mais
objetivas e mais transparentes para todo o grupo” (CORDIOLLI, 2005);
•	 TRABALHO EM GRUPO – segundo Cordiolli (2005), “é adotado para aumentar a eficácia da
comunicação e garantir um momento intensivo de criação, gerando idéias que possam ser o
ponto de partida para a discussão em plenária”;
•	 SESSÕES PLENÁRIAS – permitem “o aperfeiçoamento e a lapidação das idéias geradas nos
grupos. São os momentos de socialização dos resultados, das tomadas de decisão e de se
estabelecer a responsabilidade e a cumplicidade pelo resultado alcançado” (CORDIOLLI, 2005).
É o espaço no qual a multiplicidade de vozes poderá ser ouvida de forma organizada e as idéias
poderão ser negociadas e sistematizadas;
•	 TEMPESTADE DE IDEIAS (brainstorming) – trata-se de uma técnica para geração de idéias,
cujo objetivo é a solução de problemas ou tarefas geralmente a cargo de um grupo. Prevê, em
um primeiro momento, a “formulação de idéias de maneira livre”; posteriormente, “as idéias
podem ser criticadas pelos outros membros do grupo”.
Em Cordiolli (2005), encontra-se uma descrição detalhada desses instrumentos. Acesse o texto para
aprofundar sua compreensão. Ele se encontra disponível em http//www.preac.unicamp.br/arquivo/
materiais/txt_apoio_sergio_cordiolli.pdf.
28
ETAPAS DO PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO
1.1. A preparação do processo
Existe uma fase preparatória, na qual ocorre a montagem de uma equipe técnica ou de trabalho,
responsável pela condução e pela articulação do processo. Nesta etapa, a equipe precisa debater
os conceitos básicos que irão nortear teoricamente o planejamento, ou seja, aqueles que a equipe
considerar importantes para o debate com a comunidade.
A equipe deverá, também, nesta fase, organizar e detalhar o plano de trabalho, composto por atividades
a serem desenvolvidas em um cronograma. Nossa! O que quer dizer isso? Quer dizer que o grupo
precisa definir os dias, a pauta e as estratégias de cada encontro, de acordo com os objetivos pensados
para cada evento. Lembre-se de que esse é apenas um planejamento inicial! Pode haver necessidade de
ser alterado no processo com o coletivo.
A última atividade da fase preparatória, a ser realizada pela equipe técnica, é o trabalho de identificação,
motivação, mobilização e sensibilização dos atores sociais. Neste momento, a equipe estará reconhecendo
que grupos sociais (atores sociais) têm ligação com o espaço escolar – alunos, responsáveis, funcionários,
comerciantes do entorno etc. Esse reconhecimento é fundamental para garantir parceiros.
1.2. O conhecimento da realidade socioambiental
Esta etapa corresponde ao conhecimento da realidade, subdividindo-se em três momentos: o da análise
dos envolvidos, o do diagnóstico e o do prognóstico.
1.2.1. Análise dos Envolvidos: a identificação de parcerias
Como já vimos, a identificação dos parceiros, grupos de interesse, foi feita, preliminarmente, pela
equipe técnica, que deveria prever, no cronograma de trabalho, um momento de revalidação dessa
identificação pelo coletivo. Isso significa que, no início do processo de planejamento, outros atores
podem ser identificados. O grau de envolvimento desses atores, entretanto, pode variar muito, isto é,
podem-se ter diferentes graus de compartilhamento do poder na tomada de decisão.
1.2.2. Análise Dos Problemas E Das Potencialidades:
O Diagnóstico Da Realidade Socioambiental
a) O que é um diagnóstico?
Cotidianamente, associamos a palavra diagnóstico à prática médica, o que envolveu a palavra de uma
conotação negativa. Assim, temos a tendência de pensar que o diagnóstico aponta sempre os problemas,
nunca as potencialidades. No entanto, originalmente, a palavra diagnóstico, tanto no grego como no
latim, vem a ser “o conhecimento sobre algo, ao momento do seu exame”; ou “a descrição minuciosa de
algo”; ou, ainda, “o juízo declarado ou proferido sobre a característica, a composição, o comportamento, a
natureza etc. de algo, com base nos dados e/ou informações deste, obtidos por meio de exame”.
Sendo assim, agora você entende por que falamos em diagnóstico da realidade socioambiental, envolvendo
tanto problemas quanto potencialidades.
29
b) Qual a importância do diagnóstico?
Conhecer a realidade socioambiental na qual estamos inseridos é fundamental para se refletir sobre o
futuro (prognóstico) e planejar ações efetivas que encaminhem o coletivo para a realização de metas.
c) Como fazer um diagnóstico da realidade socioambiental?
Sinteticamente, listando os principais problemas e as potencialidades locais, identificando inter-relações,
causas e conseqüências.
Não se trata de identificar todos os problemas ou potencialidades,
mas de apontar alguns considerados centrais e, a partir destes, outros
correlatos, estabelecendo relações de causa e de efeito.
Existem várias metodologias de diagnósticos participativos da realidade. Dentre elas, pode-se destacar
o Diagnóstico Rápido Participativo – DRP. O DRP utiliza, normalmente, as oficinas de trabalho como
estratégias estimuladoras da participação.
Apresentaremos, a seguir, algumas técnicas que podem ser usadas no DRP. Uma delas, usualmente
utilizada nessa etapa, é a da Árvore de Encadeamento Lógico:
O primeiro passo é listar, separadamente, os problemas e as potencialidades. Em um segundo momento,
estabelece-se, coletivamente, a “relação de causa e efeito existente entre os problemas listados”.
O resultado da análise é, portanto, uma representação gráfica. A Árvore de Encadeamento Lógico (Árvore de
Problemas e Potencialidades) “representa, graficamente, a relação da causalidade, portanto, diferenciando
e hierarquizando”. Nessa representação gráfica dos problemas ou potencialidades, encontram-se, na base
da árvore, os fatores que possuem “o maior poder explicativo da situação-problema”.
Vejamos, passo a passo, como construir uma Árvore de Problemas utilizando a técnica de visualização e
o trabalho em plenária.
•	 O problema central é registrado, por cada participante, em fichas de cartolina (tarjetas);
•	 As fichas são afixadas num painel;
•	 O grupo discute e identifica o problema central;
•	 As causas do problema central são registradas, por cada participante, nas tarjetas;
•	 As conseqüências do problema central são registradas, por cada participante, nas fichas;
•	 Os problemas listados são analisados pelo grupo;
•	 Por fim, o grupo constrói um diagrama, em forma de árvore, estabelecendo as relações de
causa e efeito entre os problemas.
Entre outras técnicas comumente usadas, podem-se, ainda, mencionar:
•	 História, retratos, citações
Trata-se do registro das histórias locais, oralmente transmitidas, associadas ou não a fotos e
a dizeres populares.
•	Pesquisa de dados secundários em registros oficiais
Trata-se da busca de informações em órgãos públicos sobre a realidade da comunidade.
Nessas instâncias, é possível termos acesso a dados referentes à coleta de lixo, ao consumo
de água e de energia, ao perfil do consumidor, à demografia etc.
30
•	 Entrevistas
A entrevista é entendida como uma técnica de coleta de dados, na qual o pesquisador tem
contato direto com um indivíduo que disponibiliza informações, a partir de situações de
estímulo geradas pelo entrevistador (GIL, 2006).
•	 Questionários
Os questionários, assim como as entrevistas, possuem vantagens e desvantagens. Entre
as vantagens estão: o grande número de pessoas que pode ser atingido, o anonimato das
respostas e a redução da influência do pesquisador sobre o entrevistado. No campo das
limitações, estão a possibilidade de uma pergunta ser mal compreendida ou das opções de
resposta terem significado diferente para os entrevistados.
•	 Mapas e perfis transversais
Permitem o registro, em papel, de forma esquemática, do entorno da área trabalhada por
intermédio do trabalho de campo. Nesta técnica, os dados considerados relevantes pelo grupo
são registrados, por meio de legenda, comentários, ilustrações e outros mecanismos, no mapa
da área trabalhada. O resultado é uma planificação esquemática da realidade do entorno.
•	 Caminhada fotográfica
A caminhada permite um diagnóstico por meio de trabalho de campo com registro
fotográfico, o que possibilita a identificação dos principais problemas e das potencialidades
do local por imagens.
1.2.3. Análise dos Objetivos: o Prognóstico
Nesta etapa, a preocupação está na projeção para o futuro. Trata-se da construção de cenários, isto é,
da identificação de caminhos possíveis para o futuro que permitam a solução ou o abrandamento dos
problemas, assim como o fortalecimento das potencialidades. Na verdade, é um prognóstico.
Após termos reconhecido e conquistado parceiros, de conhecermos a realidade local – seus problemas e
suas potencialidades – e de termos traçado uma perspectiva de futuro, chegou a hora, finalmente, de pôr a
mão na massa. É hora de tomar decisões, de planejar ações para realizar o futuro desejado coletivamente!
Os produtos produzidos a partir de então, com a colaboração da equipe de radiojornalismo, fornecerão a base
para a construção coletiva dos programas de rádio e da manutenção da mesma com enfoque na realidade local.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BUARQUE, Sérgio C. Metodologia de planejamento do desenvolvimento local e municipal sustentável. Material
para orientação técnica e treinamento de multiplicadores e técnicos em planejamento local e municipal. Projeto
de Cooperação Técnica INCRA/IICA. Brasília: MEPF/INCRA/IICA, 1999. Disponível em http://www.iica.org.br/Docs/
Publicacoes/PublicacoesIICA/SergioBuarque.pdf, consultado em 1/07/2008.
CASTRO, Antônio Maria Gomes de, LIMA, Suzana Maria Valle e BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo. Metodologia de
planejamento estratégico das unidades do Ministério da Ciência e Tecnologia. Brasília: MCT, 2005. Disponível em http://
planejamento.sir.inpe.br/documentos/arquivos/referencias/Metodologia_PE_MCT_2005.pdf, consultado em 7/10/2007.
CORDIOLLI, Sergio. Enfoque participativo no trabalho com grupos. Apostila do Curso de Gestão Estratégica Pública.
Campinas, 2005. Disponível em: http://www.campinas.sp.gov.br/rh/uploads/egds_material/txt_apoio_sergio_
cordiolli.pdf , consultado em 30/06/2008.
CUNHA, Antônio Geral da. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. 2. ed. 14ª impr. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5 ed. 7 reimpressão. São Paulo: Atlas, 2006.
31
PRINCIPAIS LEIS AMBIENTAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Vejamos agora, as principais Leis do nosso estado, algumas acreditamos
que a maior parte da população desconhece.
LEI Nº 3.325 DE 17 DE DEZEMBRO DE 1999
DISPÕE SOBRE A EDUCAÇÃO AMBIENTAL, INSTITUI A POLITICA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL,
CRIA O PROGRAMA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E COMPLEMENTA A LEI FEDERAL Nº 9.795/99
NO ÂMBITO do ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
Art. 1º- Entende-se por educação ambiental os processos através dos quais o indivíduo e a coletividade
constroem valores sociais, conhecimentos, atitudes, habilidades, interesse ativo e competência voltados
para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida
e sua sustentabilidade.
O licenciamento ambiental é o procedimento administrativo por meio do qual o órgão ambiental
autoriza a localização, instalação, ampliação e operação de empreendimentos e atividades utilizadores
de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar
degradação ambiental.
Decreto Estadual nº 42.159, de 2 de dezembro de 2009, institui o Sistema de Licenciamento Ambiental
(SLAM),  define os empreendimentos e atividades que estão sujeitos ao licenciamento ambiental, bem
como os tipos de documentos que são emitidos em cada caso.
A Lei Complementar nº 140, de 8 de dezembro de 2011, fixou normas para a cooperação entre a União,
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas relativas à proteção das paisagens
naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à
preservação das florestas, da fauna e da flora.
A Resolução CONEMA nº 42, publicada em 28 de agosto de 2012, dispôs sobre as atividades que causam
ou possam causar impacto ambiental local e fixou normas gerais de cooperação federativa nas ações
administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais
notáveis, à proteção do meio ambiente e ao combate à poluição em qualquer de suas formas, conforme
previsto na Lei Complementar nº 140/2011.
ATERROS SANITÁRIOS
LEI Nº 2794, DE 17 DE SETEMBRO DE 1997
DISPÕE SOBRE ATERROS SANITÁRIOS NA FORMA QUE MENCIONA
Fica o Poder Executivo autorizado a constituir Grupo de Trabalho com a finalidade de implementar
transferências dos aterros sanitários, atualmente existentes para, áreas situadas à uma distância
de, no mínimo, 15 (quinze) quilômetros da cabeceira das pistas dos aeroportos em todo o
Estado do Rio de Janeiro.
32
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Lei 5.690 de 14 de Setembro de 2010
Esta Lei institui a Política Estadual sobre Mudança do Clima e estabelece princípios, objetivos, diretrizes e
instrumentos aplicáveis para prevenir e mitigar os efeitos e adaptar o Estado às mudanças climáticas, em benefício
das gerações atuais e futuras, bem como facilitar a implantação de uma economia de baixo carbono no Estado.
PARCELAMENTO DO SOLO URBANO
Lei 1.130 de 12 de Fevereiro de 1987
Define as áreas de interesse especial do estado e dispõe sobre os imóveis de área superior a 1.000.000m2 (hum
milhão de metros quadrados) e imóveis localizados em áreas limítrofes de municípios, para efeito do exame e
anuência prévia a projetos de parcelamento de solo para fins urbanos, a que se refere o art. 13 da lei nº 6766/79.
PROTEÇÃO AMBIENTAL
Lei 2.318 de 22 de Setembro de 1994
Fica o Poder Executivo autorizado a criar a reserva ecológica da Ilha Grande, abrangendo toda a sua
superfície, resguardada a faixa da Marinha.
LEI DO LIXO
Lei nº 3.009, de 13 de julho de 1998 do Rio de Janeiro
Art. 1º - Fica proibido o despejo de lixo e detritos em locais públicos.
§ 1º - Considera-se lixo, para o efeito do que determina este artigo, tudo o que não presta e se deita fora.
§ 2º - Incluem-se como locais públicos, para o mesmo objetivo: baías, rios, lagos, estradas, ruas, praças e
logradouros, localizados no Estado do Rio de Janeiro.
Art. 2º- A fiscalização do que estabelece o artigo anterior cabe aos funcionários estaduais e municipais,
qualificados para tal.
Art. 3º - A inobservância desta Lei implica a punição dos seus respectivos transgressores.
§ 1º - Cabe aos órgãos públicos fiscalizadores punir o transgressor com multas que variam de R$10,00 (dez reais)
a R$3.500,00 (três mil e quinhentos reais) de acordo com o grau de infração, do seu autor e a reincidência.
Lei Estadual do Rio de Janeiro nº 4.191, de 30 de Setembro 2003.
Ficam estabelecidos, na forma desta Lei, princípios, procedimentos, normas e critérios referentes à
geração, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final dos
resíduos sólidos no Estado do Rio de Janeiro, visando controle da poluição, da contaminação e a
minimização de seus impactos ambientais.
33
Lei Estadual do Rio de Janeiro de Coleta Seletiva de Lixo,
Lei nº 6408, de 12 de março de 2013
Torna obrigatória todas as edificações residenciais com mais de três andares no Estado do Rio de Janeiro
a disponibilizarem recipientes para a coleta seletiva de lixo.
São objetivos da coleta seletiva de lixo incentivar a coleta seletiva, a reutilização e a reciclagem, proteger a
saúde pública e a qualidade do meio ambiente, preservar e assegurar a utilização sustentável dos recursos
naturais; e reduzir a geração de resíduos sólidos e incentivar o consumo sustentável.
A coleta seletiva deverá proceder à separação dos seguintes materiais:
I – papel					 lll – metal
II – plástico					 IV - vidro.
RECICLAGEM DE PET E PLÁSTICOS
Lei 3206/99 e 3369/00 - A 1ª cria normas e procedimentos para o serviço de coleta, reciclagem e disposição
final de garrafas e embalagens plásticas, que terão orientações ao consumidor sobre os riscos para o meio
ambiente, e veda a expressão “descartável”. A 2ª Lei determina responsabilidade na destinação final dos
comerciantes e fabricantes, que pagarão pelo retorno das embalagens PET e apoiarão as cooperativas de
catadores. Realizamos audiências e manifestações. A regulamentação saiu em 2002, no governo Benedita. Os
fabricantes começaram a instalar postos de recompra, inclusive em supermercados. Alguns setores cumprem,
como o de bebidas, outros ainda não cumprem, como cosméticos, fármacos e plásticos. 28 cooperativas de
catadores de materiais recicláveis obtiveram prensas e equipamentos com esta lei.
DECRETO Lei nº 41.318 DE 26 DE MAIO DE 2008
•	 os propósitos de favorecer o desenvolvimento sustentável e aumentar a participação de
fontes renováveis na matriz energética estadual;
•	 quesegurançaenergéticaéfundamentalparaasustentabilidadeeconômicaesocialdasociedade;
•	 que os resultados do inventario de emissão de gases de efeito estufa do estado do Rio de
Janeiro, com base em 2005, indica que as emissões do setor de geração de energia e do uso
de energia nos processos industriais somados são os que mais emitem gases de efeito estufa
no estado;
•	 que aumentar a eficiência energética contribuirá diretamente para reduzir a demanda por
energia e a necessidade de aplicação das instalações de geração de energia elétrica; e - que o
fato de emissão atmosférica da matriz energética do sudeste cresceu, em média, cerca de 13%
nos últimos três anos.
•	Art. 1° - Fica instituído o mecanismo de compensação energética (MCE), como parte do
plano de abatimento de emissão dos gases de efeito estufa, para combater o aquecimento
global e reforçar a oferta energética no estado do rio de janeiro.
•	Parágrafo único: o mecanismo de compensação energética (MCE) visa ampliar o uso de
fontes de energia renovável, em especial para geração de energia elétrica e promover a
eficiência energética de acordo com as diretrizes de desenvolvimento econômico energia
e indústria e as diretrizes ambientais.
34
LIXO NA RUA
PUNIÇÃO A INFRAÇÕES LESIVAS AO MEIO AMBIENTE
LEI n 3.467, de 14 de setembro de 2000
Considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão dolosa ou culposa que viole as
regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente.
§. 1º - As infrações administrativas ambientais serão apuradas em processo administrativo próprio, assegurados
o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, observadas as disposições desta lei.
Assim através desta lei temos várias sanções que podem ser utilizadas dependendo do tipo de infração, vai de
uma simples advertência, interdição do estabelecimento e restritivas de direitos.
POLITICA DE RECURSOS HIDRICOS
LEI Nº 3239, de 02 de agosto de 1999
Institui a política estadual de Recursos Hídricos; cria o sistema estadual de gerenciamento de recursos hídricos;
regulamenta a Constituição Estadual, em seu artigo 261, parágrafo 1º, inciso VII; e dá outras providências:
A água é um recurso essencial à vida, de disponibilidade limitada, dotada de valores econômico, social e
ecológico, que, como bem de domínio público, terá sua gestão definida através da Política Estadual de Recursos
Hídricos, nos termos desta Lei.
COLETA SELETIVA NAS ESCOLAS
Lei 1831/91 | Lei nº 1831, de 6 de julho de 1991 do Rio de Janeiro.
Art. 1º - Torna obrigatória a coleta seletiva do lixo nas Escolas Públicas do Rio de Janeiro com a seguinte
finalidade:
I - Torna o reaproveitamento dos materiais uma prática constante entre os administradores públicos e os
estudantes;
II - Ser parte de um programa de Educação Ambiental a ser instituído pelas Escolas Públicas, visando à
expansão de uma consciência ecológica na sociedade;
III - Auferir os benefícios sociais da prática da reciclagem, tanto no sentido de economizar energias e
insumos quanto no de preservação do ecossistema.
35
CÓDIGO FLORESTAL (FEDERAL)
LEI Nº 12.651, DE 25 DE MAIO DE 2012
Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393,
de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nos 4.771, de 15 de
setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de
2001; e dá outras providências.
MP Nº 571, DE 25 DE MAIO DE 2012
Altera a Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as
Leis nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro
de 2006; revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida
Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001.
TEXTOS PARA APORTE E ATIVIDADES
Um mundo partido ao meio
Nos últimos quatrocentos anos, as sociedades do mundo ocidental, do qual fazemos parte, foram se
acostumando a pensar a natureza como uma coisa diferente de cultura e exterior ao homem. Ora pensamos
a natureza como um lugar onde estão as florestas, os rios, as montanhas, os animais e as plantas, ora como o
conjunto de tudo isso. Um mundo criado sem interferência humana. Da mesma forma, a cultura é entendida
como algo relativo apenas ao homem, produto dele, criação dele, nada tendo a ver com natureza.
Isso pode ser facilmente comprovado se dermos uma olhada nos conceitos mais comuns de natureza
encontrados em textos, sites ou até mesmo na boca de muita gente. Veja o quadro a seguir, em que estão
citados alguns conceitos de natureza que circulam atualmente em nossa sociedade.
O QUE É NATUREZA
Visão de mundo atual (século XXI)
1. A expressão natureza (do latim natura, naturam) envolve todo o ambiente existente que
não teve intervenção humana.
2. O mundo material, especialmente aquele que cerca o homem e existe ao seu redor,
independentemente das atividades humanas.
3. O mundo natural como ele existe sem os seres humanos e a civilização.
4. Os elementos do mundo natural como montanhas, florestas, animais, rios etc.
5. Todo o meio natural.
6. Mundo exterior ao homem.
7. Sistema das leis que regem e explicam o conjunto do mundo exterior.
36
8. Conjunto de todos os seres, animados ou não, que constituem o Universo.
9. Surge sem ação do homem.
10. Lugar onde a vida se manifesta.
11. É tudo aquilo que cerca o ser vivo e que tem relação direta ou indireta com ele.
12. É tudo que nos rodeia, incluindo o meio físico, biológico e sociocultural.
13. O espaço em que vivem as plantas e os animais, ou o conjunto de condições
físicas,químicas e biológicas que abriga e rege todas as formas de vida do planeta.
Podemos perceber que praticamente todas as definições de natureza expostas no quadro falam de algo
que existe sem a ação do homem: ora ela é vista como um lugar, ora como o conjunto de plantas, animais e
paisagens. Em todas temos a visão separatista do mundo atual se manifestando. Os estudiosos chamam esse
modo de ver de visão disjuntiva, que significa separada, fragmentada. De acordo com esse modo de pensar,
o homem está separado da natureza e a vida está separada do lugar em que ocorre. Duas das respostas
usam até a expressão “mundo exterior” ao homem.
Em algumas respostas, além da visão separatista, vemos a visão reduzida, que se refere à natureza
apenas como um sistema de leis que regem e explicam o mundo. Ou ainda aparece a visão biologizada
de natureza, citando rios, montanhas, florestas, animais, aspectos ligados apenas ao chamado mundo
natural, como se não houvesse o urbano, o cultural, o homem. A cultura aqui também passa longe.
Em outras respostas aparece a visão disjuntiva acrescida da chamada visão antropocêntrica, em que
o homem é o centro do mundo, ao reduzir a natureza àquilo que rodeia o homem e que tem relação
direta ou indireta com ele. Ou seja, entende o homem como parte de algo e o coloca numa posição
de centralidade em relação a todo o resto, no centro de tudo o que existe.
Essa ideia de centralidade, é claro, não é de uma centralidade qualquer, mas significa também uma
superioridade, na qual o homem está hierarquicamente acima da natureza. É com base nessa ideia, de
que nós estamos no centro e acima da Terra e dos outros seres, que nos tornamos o que somos hoje.
Construímos relações de dominação, em que aquilo que está ao nosso redor, seja coisa, animal ou pessoas,
existe para nos servir, ou para servir ao homem.
No fundo, é assim que grande parte da humanidade pensa: os animais, as plantas, os minerais, a água, as
florestas e o que mais existir no mundo está aí para atender às necessidades humanas, para o homem usar,
explorar e dominar. Não é por acaso, então, que a humanidade chegou à primeira década do século XXI com
60% dos ecossistemas seriamente comprometidos e já consumindo 20% de recursos naturais a mais do que
o planeta pode repor. Isso significa que, realmente, vemos a natureza como algo que existe apenas para
servir aos nossos desejos e necessidades, mera fornecedora de matéria-prima para o consumo humano.
As próprias palavras que usamos para falar da natureza – como recursos, valores, bens e patrimônio – já
deixam claro como pensamos nela apenas na medida em que ela possa nos trazer vantagens econômicas.
É bom saber, no entanto, que essa visão de natureza foi construída com o tempo. No nosso processo de
entender e explicar a vida, acostumamos nosso cérebro a pensar de um jeito dividido, a separar as coisas
em caixinhas. Há quatro séculos separamos a realidade em mundo natural e mundo social-cultural. É
por isso que usamos tanto a palavra meio ambiente, porque para nós o ambiente está partido ao meio
mesmo: de um lado vemos a natureza (relativa ao bíos, à vida, estudada pela biologia), do outro lado o
mundo social, do homem e da sua cultura (o socio, estudado pelas ciências humanas).
37
No nosso pensamento, fazemos a equação “meio ambiente = bio + socio”. Ou seja, criamos dois mundos
paralelos: o mundo natural, onde está a chamada biodiversidade, e o mundo social, onde está o homem e sua
diversidade cultural. E isso não se expressa só no nosso pensamento. Aparece também nas nossas ações e na
forma como nossa sociedade se organiza, seja na política, na educação, nas ciências – em tudo.
Um exemplo disso é a organização do nosso governo: temos o Ministério do Meio Ambiente (MMA), que trata
de assuntos referentes à natureza, e o Ministério da Cultura (MinC), que cuida dos assuntos referentes à cultura.
Outro exemplo pode ser buscado na organização dos cursos universitários: há os cursos de ciências biológicas
(biologia, medicina etc) e os de ciências humanas (sociologia, antropologia, comunicação social...).
Então, para nossos avós, nossos pais, nossos professores e nossos governantes, cultura é do homem,
florestas tropicais e onça são da natureza. A cadeira do designer brasileiro premiada na última feira
internacional de móveis de Milão é algo do homem, foi produzida pelo homem. O homem inventou a
cadeira e a feira internacional de móveis de Milão, coisas que vão parar na caixinha do mundo social-
cultural. Já a Floresta Amazônica, bioma do Hemisfério Sul da Terra onde se encontra o mogno, de cuja
madeira se fazem cadeiras premiadas em Milão, pertence ao mundo natural. Portanto, Floresta Amazônica
e mogno vão parar na caixinha do mundo natural.
É isso o que os nossos pais falam, o que a nossa escola ensina, o que os livros de ciências comprovam com
suas teorias, o que dizem os institutos de pesquisa, a televisão, os filmes de Hollywood e os jornais. É assim
que somos ensinados a pensar.
No entanto, só achamos que faz sentido pensar assim porque acostumamos nosso cérebro a pensar e agir
assim, de maneira separada. Os especialistas chamam isso de “paradigma da disjunção”. O tamanho do nome
chega a assustar, mas é bem fácil de entender: quer dizer “visão separada, partida”.
A palavra paradigma significa nada mais do que um modo de pensar a realidade, de entender o mundo. Um
paradigma é formado por verdades que são aceitas por todos e que não são contestadas, por ideias em que
acreditamos e que são como óculos com que olhamos e entendemos a realidade, sem nos perguntarmos por
que pensamos dessa maneira.
Especialistas definem paradigma como uma estrutura do pensamento que de modo inconsciente comanda
nossas ideias, nosso discurso e nossas ações. O que isso quer dizer?
Para ficar mais claro, vamos a uma história. Há um texto que circula nas redes sociais da internet que resume
bem o que é um paradigma, como ele se forma e como, de modo inconsciente – ou seja, sem nos darmos conta
–, ele comanda nossa vida. Chama-se “Como nasce um paradigma”.
Para rir e refletir:
Como nasce um paradigma
Um grupo de cientistas pôs cinco macacos numa jaula. No meio da jaula, colocaram
uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada
para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que
estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os
outros o enchiam de pancadas.
Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das
bananas.Então,oscientistassubstituíramumdoscincomacacos.Aprimeiracoisaqueelefez
foi subir a escada, mas foi rapidamente retirado pelos outros, que o surraram violentamente.
Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.
38
Um segundo macaco foi, então, substituído, e o mesmo ocorreu. O outro macaco
substituto, que nunca tinha levado ducha de água fria nem sabia por que não devia
apanhar as bananas, também participou com entusiasmo da surra no novato. Um
terceiro macaco foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último
dos veteranos foi substituído.
Os cientistas ficaram então com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca
tendo tomado um banho frio, continuavam batendo em qualquer um que tentasse
chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam em
quem tentava subir a escada, com certeza a resposta seria: “Não sei, as coisas sempre
foram assim por aqui.”
Da mesma forma que o macaco, o homem é um animal que aprende por repetição, observando a realidade.
Isso tem um lado bom e outro ruim. O lado bom é que ele se desenvolve rápido. Um bebê, por exemplo,
vai aprendendo a pegar o garfo para comer, bater palminha, virar de lado, comer de boca fechada, dar
tchauzinho, não cuspir etc. O lado ruim é que ele acaba herdando, como os macacos, comportamentos e
crenças já formados, sem conhecer nem questionar sua formação.
Você, por acaso, já parou para se perguntar por que vários homens brasileiros que trabalham em escritórios
usam ternos pesados e quentes mesmo morando em um país tropical? Ou então por que um grande
símbolo do nosso Natal é o pinheiro europeu e não uma árvore brasileira? Do mesmo modo, a visão partida
entre natureza e cultura é um paradigma fortíssimo, que aprendemos com nossos pais, que aprenderam
com os pais deles e assim por diante. Ou seja, nós herdamos dos nossos antepassados comportamentos,
hábitos e óculos que nos fazem ver o mundo dividido em duas partes.
Faça um teste e responda à pergunta: você é parte do meio ambiente ou é meio ambiente? Uns irão dizer
que são parte, outros que são meio ambiente. E enchente é um problema social ou ambiental? Uns dirão
que é ambiental, já que as enchentes são causadas pela chuva e pela atividade climática, e outros que é
social, já que nas enchentes muitas áreas são alagadas e muitas pessoas perdem seus bens e suas casas.
O problema é que até o nosso modo de perguntar (“ou isso ou aquilo”) já aponta para opções separadas.
Isso faz com que em ambos os casos as respostas escolham apenas um dos lados da questão.
Embora tenhamos dificuldade de ver as coisas por inteiro, somos na realidade parte e todo. Somos parte
do ambiente e ambiente. Somos natureza e sociedade e, portanto, problema ambiental é problema social
e problema social é problema ambiental.
Você sabia?
Apesar de estarmos treinados para pensar o mundo de maneira partida e
separada, nosso cérebro percebe as coisas de maneira integral. O cérebro
humano percebe as coisas de maneira sistêmica, analisando o mundo em seu
conjunto, na sua totalidade, e vendo o sistema como um todo único. Faça um
teste. Leia a brincadeira do parágrafo abaixo e comprove essa capacidade que
nosso cérebro tem de perceber as coisas no seu conjunto.
39
De acordo com uma pesquisa de uma universidade inglesa, não importa em qual ordem as letras de
uma palavra estão. A única coisa importante é que a primeira e a última letras estejam no lugar certo,
o resto pode ser uma bagunça total que você pode ainda ler sem problema. Isto ocorre porque nós
não lemos cada letra isolada, mas a palavra como um todo.
Toda visão de mundo, todo paradigma, é uma construção histórica, que muda de acordo com a época.
Por isso, essa forma de ver o mundo de maneira separada e partida é uma construção social, criada e
reforçada ao longo da história do mundo ocidental. Fomos nos condicionando a pensar na natureza como
algo externo ao homem, como algo separado e fora de nós. E as divisões não param por aí: também
pensamos que mente está separada de corpo, religião de ciência, ocidente de oriente e assim por diante.
Dica de filme
Pleasantville – A vida em preto e branco (Gary Ross, 1998) fala do sistema de
crenças e valores que imperam numa cidade fictícia chamada Pleasantville,
onde a vida é toda em preto e branco. Lá todos são felizes, fazem sempre as
mesmas coisas, não há chuva, as ruas são circulares, não há sexo e ninguém
nunca precisa ir ao banheiro. A chegada dos irmãos David e Jennifer, que
passam a interagir com a população local e a mudar algumas regras cotidianas,
produz pequenas alterações no dia a dia dos moradores. Aparecem diferenças
que ficam visíveis (através do jogo de cor), tanto entre a população quanto
nos locais físicos da cidade. O filme é um excelente exemplo de o que é um
paradigma e da força que ele tem na sociedade.
Discussão:
Mas então, quando e como esse paradigma se formou?
Caindo a ficha: crise ambiental ou dilema civilizatório?
Vimos que a base filosófica da visão da natureza como máquina foi a divisão cartesiana entre espírito (que
pensa, res cogitans) e matéria (que não pensa, res extensa). Em consequência dessa divisão, a sociedade passou
a acreditar no mundo como um sistema mecânico, capaz de ser descrito objetivamente pelos olhos da ciência.
Tal descrição objetiva formou o ideal de toda a ciência dos séculos seguintes, XVIII e XIX, que usou a física
newtoniana com enorme sucesso, aplicando seus princípios às ciências da natureza e da sociedade humana,
influenciando o pensamento da época.
Nesse processo, o homem europeu do século XVIII, focado no desenvolvimento, no aumento da riqueza, no
uso e na valorização da técnica e do conhecimento científico, fez a Revolução Industrial, conhecida como a
revolução das máquinas. Inventaram aparelhos e máquinas que substituíram a força de trabalho humana em
até mil vezes, criando o sistema de produção em massa de mercadorias, como roupas e carros.
Então, vendo-se separado da natureza, o homem explodiu sem pudor as entranhas da Terra em busca de
material para abastecer sua produção. Extraiu dela seus elementos, violou seus domínios, dominou suas forças,
tudo em nome do progresso, da ciência e da modernidade.
Este sistema de desenvolvimento econômico, praticado pelos países europeus nos séculos XVIII e XIX, encontra-
se agora mundializado, sendo copiado pela maioria dos países do planeta. Mas com um agravante: a partir da
Revolução Industrial, esse modelo de desenvolvimento se especializou na superexploração e no superconsumo
dos recursos naturais, na superexploração dos trabalhadores e também na superdegradação e superpoluição
de todos os ambientes. Além disso, criou sociedades hierarquizadas e profundamente desiguais.
40
Virou notícia
Estudo revela alto nível de desgaste físico dos cortadores de cana em SP
Um levantamento inédito feito pela Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde de São
Paulo com cortadores de cana de 27 usinas da região de Ribeirão Preto, no norte paulista,
revelou o alto nível de desgaste físico imposto aos trabalhadores do setor.
As condições insalubres de trabalho dessa categoria não são novidade, mas o que
impressiona no estudo é uma radiografia detalhada da rotina extenuante e repetitiva
desses homens. No estado de São Paulo são, aproximadamente, 140 mil cortadores.
Segundooestudo,acadaumminutotrabalhado,sãofeitas17flexõesdetroncopelocortador
e aplicados 54 golpes de facão. O joelho fica todo o tempo semiflexionado e há extensão
da cervical. Não há sombra nos canaviais e o cortador não se hidrata adequadamente.
Ao longo do dia, diz o estudo, o trabalhador perde oito litros de água do corpo.
Pordia,sãocortadasecarregadasemmédia12toneladasdecanaemSãoPaulo.Nessetrabalho,
o cortador percorre um percurso de quase nove quilômetros, em média. Os trabalhadores
levam água de casa para beber na lavoura e depois reabastecem nos reservatórios dos
ônibus, que em maioria não são refrigerados e apresentam péssimas condições de higiene.
Segundo a diretora da Vigilância Sanitária do estado de São Paulo, Maria Cristina Megid, uma
das coordenadoras do estudo, cerca de 40% da água consumida por esses trabalhadores não
era potável. Como comem no canavial, os trabalhadores também não têm local adequado
para guardar as marmitas e a comida estraga. Mas eles são obrigados a comer por causa
do esforço físico. As consequências são dores de estômago, diarreias, entre outras doenças.
O dono da lavoura não oferece condições básicas, como mesa e cadeira para refeição. E não
há sanitário. E estamos falando do estado mais rico do Brasil.
O estudo servirá de base para nova regulamentação para o setor. Segundo Maria Cristina,
durante o primeiro semestre deste ano, o governo do estado deve fazer consultas públicas
para editar normas para melhorar a condição dos cortadores de cana.
Fernando Teixeira, O Globo, 18/01/2011.
Disponível em: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/01/18/estudo-revela-alto-nivel-
de-desgaste-fisico-dos-cortadores-de-cana-em-sp-923529304.asp.
O estrago foi tão grande que, a partir dos anos 1970, o rumo do desenvolvimento começou a ser duramente
criticado, tanto por cientistas quanto por instituições políticas internacionais, como a ONU.
Em 1987, por exemplo, no relatório Nosso futuro comum (Our Common Future), a ONU colocava a
necessidadedeserepensaromodelodedesenvolvimentoeconômicoadotadopelospaísesindustrializados
e reproduzido pelas nações em desenvolvimento. O relatório ressaltava os riscos do uso dos recursos
naturais sem considerar a capacidade dos ecossistemas, e alertava para a incompatibilidade entre os
padrões de produção e consumo vigentes e a integridade dos ecossistemas do planeta.
41
Foi exatamente no final do século XX que surgiu o conceito de ecodesenvolvimento, que depois
evoluiu para o de desenvolvimento sustentável, defendendo um modo de desenvolvimento que fosse
ecologicamente sustentável, economicamente viável e socialmente justo. O objetivo desses conceitos era
reorientar o desenvolvimento de modo a não comprometer a integridade dos ecossistemas e garantir o
uso dos recursos naturais para as gerações futuras.
Outro relatório que nos permite ter uma dimensão dos problemas e desafios a enfrentar é a Avaliação
ecossistêmica do milênio, um documento técnico encomendado pela ONU em 2005, do qual participaram
1.350 especialistas de 95 países, que desvenda a saúde dos ecossistemas do planeta e sua relação com
a manutenção da vida. Segundo a avaliação, 60% dos ecossistemas do planeta já estão destruídos ou
seriamente deteriorados. As conclusões revelam que já ultrapassamos o limite da exploração possível da
natureza, e que dentro de pouco tempo o planeta não terá mais condições de fornecer bens naturais para
o consumo humano. Já estaríamos à beira do esgotamento e de um colapso pela superexploração do
ambiente por este modelo de desenvolvimento da sociedade moderna.
Em outras palavras, se continuarmos a consumir os recursos naturais – água, energia, alimentos, matérias-
primas para a indústria – no ritmo em que consumimos hoje, no futuro não haverá o suficiente para a
sobrevivência dos seres vivos no planeta. Para o bem das espécies, inclusive a humana, avisa o estudo, é
urgentíssimo mudarmos o padrão de produção e consumo atual.
Outro relatório da ONU, intitulado O estado do mundo, publicado em 2005 e republicado em 2010, ratifica as
conclusões da Avaliação ecossistêmica do milênio. Declara que hoje já não temos recursos naturais para suprir o
atual padrão de consumo humano, pois o homem consome 20% a mais do que o planeta pode repor.
Um agravante dessa situação é que o consumo ocorre de maneira muito desigual: apenas uma minoria de
20% da população mundial consome 80% dos recursos naturais, gera 75% da degradação e das emissões
poluentes e 86% do desperdício. É realmente muita desigualdade. E isso não é nada justo, porque se 20%
estão consumindo quase tudo, significa que temos 80% da população mundial que não estão consumindo
nada ou quase nada, ou pelo menos não o suficiente para terem atendidas suas necessidades básicas.
Uma imagem que ilustra bem esses dados da ONU é esta fotomontagem da Nasa, mostrando o planeta
Terra durante a noite (figura 1). A imagem é um exemplo perfeito das desigualdades mundiais atuais.
No caso em questão, mostra as desigualdades no consumo de energia elétrica (luz).
Pela imagem da Nasa, vemos que algumas áreas estão intensamente iluminadas, enquanto outras não, ou
seja, dá para perceber nitidamente o consumo desigual de energia elétrica no mundo.
Figura 1: Imagem da Nasa
do planeta Terra no escuro,
feita em outubro de 2005,
mostrando o consumo de
energia elétrica no mundo.
Fonte: http://www.nasa.gov
42
A África está literalmente no escuro: recebe aproximadamente 90% menos de energia que a Europa, um
continente quase duas vezes menor que ela.
Vemos que os países europeus, como Alemanha, Inglaterra, Itália e França, junto com os Estados Unidos,
o Canadá e o Japão, são os mais iluminados, ou seja, os que consomem mais energia elétrica. Não é por
coincidência que esses são exatamente os países mais ricos, os que emitem mais gás carbônico para a
atmosfera e os que mais intensificam as mudanças climáticas mundiais.
Repare que, no Brasil, algumas áreas surgem bem mais iluminadas que outras. Algumas regiões do
Sudeste, onde estão os grandes centros urbanos e industriais do país, como São Paulo e Rio de Janeiro,
estão totalmente acessas. Também estão acesas partes do litoral do Nordeste, onde encontramos muitas
cidades turísticas – mas a maior parte do país está no escuro.
Vejamos agora o mapa das emissões globais de gás carbônico (CO2) (figura 2). Este gás é produzido na
queima de combustíveis fósseis (carvão, gasolina e diesel) pelas indústrias, siderúrgicas e termoelétricas,
mas também por automóveis, como carros, caminhões e ônibus. É classificado como um gás de efeito
estufa (um GEE), e é considerado atualmente o grande vilão das mudanças climáticas.
Figura 2: Emissões mundiais de CO2, por processos industriais e por uso do solo (agropecuária, queimadas
e desmatamentos).
Na figura 2, vemos os países desenvolvidos do Norte como os grandes emissores de CO2: a América do
Norte, representada pelos Estados Unidos e o Canadá; a Europa; e a Ásia, principalmente o Japão e antiga
União Soviética e, recentemente, a China.
Vemos ainda que as atividades industriais são as maiores responsáveis pelas emissões de
poluentes. As emissões de CO2 por uso do solo dizem respeito às florestas que são queimadas para
disponibilizar solos para formação de lavouras e pastos pela agropecuária. Nesse ponto o Brasil
figura como grande emissor de CO2, devido às queimadas que se concentram na Amazônia e no
Cerrado, principalmente.
Fonte: Relatório do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas do Ministério da Ciência e
Tecnologia (CBPF-MCT), em 2006.
43
Outro dado interessante e que se une a esses dois: pesquisadores norte-americanos do Departamento de
Ecologia Global do Instituto Carnegie analisaram as emissões de CO2 por pessoa em todo o planeta entre
os anos de 2000 e 2004 (figura 3).
Figura 3: Emissões globais de CO2 por pessoa, de acordo com os países.
Fonte: http://www.apolo11.com/meio_ambiente.php?posic=dat_20070522-101542.inc.
Otrabalho,divulgadoem2007pelaAcademiaNacionaldeCiênciasdosEstadosUnidos,dividiaomundoemtrês
blocos: nações ricas (com mais de 10 toneladas de CO2 emitida por pessoa/ano), nações em desenvolvimento
(de 1 a 5 toneladas por pessoa/ano) e nações pobres (com menos de 1 tonelada por pessoa/ano). Os países
ricos do Norte apresentaram os mais altos índices de emissão de CO2 por pessoa/ano.
Pelo estudo, as emissões anuais devido ao uso de combustíveis fósseis são, em toneladas de CO2 per
capita: 19 nos Estados Unidos; 8,8 no Japão; 6,3 na França; 1,4 no Brasil; 0,9 na Índia; 0,1 em Serra Leoa
(África). Logo, a emissão per capita dos Estados Unidos é 13 vezes maior que a do Brasil, 20 vezes maior
que a da Índia e 190 vezes maior que a de Serra Leoa: bem desigual. Os norte-americanos emitem mais
porque consomem muito, muito mais que brasileiros, hindus e africanos.
Vejamos agora o mapa mundial sob a perspectiva da riqueza (figura 4). Ou melhor, do chamado Produto
Interno Bruto, ou PIB, que significa a soma de toda a riqueza produzida por um país, ou uma região, em
um ano. No mapa, temos o PIB por quilômetro quadrado: as áreas mais claras, quase brancas, são as que
apresentam PIB entre 0 e 499 dólares. Já as mais escuras são aquelas em que a riqueza total produzida em
um quilômetro quadrado chega a até 546 milhões de dólares.
Figura 4: Mapa da distribuição da riqueza. As cores mais escuras apontam maior PIB.
Fonte: http://www.visualizingeconomics.com/wp.
44
Pelos dados do mapa, as nações mais ricas – ou seja, que têm o PIB mais alto – estão concentradas no
Norte do planeta: América do Norte (Estados Unidos e Canadá), Europa e Japão, os chamados países ricos
ou desenvolvidos. Na América Latina, África, Caribe e grande parte da Ásia concentram-se os países mais
pobres, os chamados subdesenvolvidos. Brasil, Rússia, Índia e China, entretanto, estão hoje entre os países
que mais crescem economicamente. São chamados de países em desenvolvimento ou emergentes. Esses
países crescem, é claro, mas pagam o preço da poluição e dos danos causados ao ambiente em nome do
desenvolvimento. Muita gente ainda se lembra da imagem da China, sede das Olimpíadas de 2008, sob
uma densa névoa de poluição, e dos chineses.
Dica de livro
Podemos ter uma noção mais clara das desigualdades mundiais no livro
Hungry Planet: What the World Eats (em português, seria mais ou menos
Um planeta faminto: o que o mundo come), do fotógrafo Peter Menzel e
do jornalista Faith D’Alusio. A obra registra em fotos e números o que 30
famílias de 24 países comem durante uma semana.
O resultado é um contraste marcante: enquanto no Chade uma família de
refugiados africanos gasta menos de US$ 2 por semana com alimentação,
uma família alemã de classe média consome US$ 500. Enquanto nos
Estados Unidos uma família de quatro pessoas gasta US$ 341,98, no Butão
uma família de treze pessoas gasta US$ 5,03.
As fotos de Peter Menzel não deixam dúvidas e ilustram muito bem as
desigualdades mundiais. A revista Time publicou as fotos do livro numa
exposição chamada What the World Eats (O que o mundo come), que tem como
base o livro de Menzel. Confira no site:
http://www.time.com/time/photogallery/0,29307,1626519_1373664,00.html.
Pelas quatro figuras apresentadas, podemos ver bem quem são os 20% da população mundial que
consomem 80% dos recursos naturais do planeta: principalmente os Estados Unidos, Canadá, os países
da Europa e o Japão. Esses são os países que consomem 85% do alumínio produzido no mundo, 80% do
papel, do ferro e do aço, 80% da energia comercial, 75% da madeira, 65% da carne, dos pesticidas e do
cimento, 50% dos peixes e grãos e 40% da água doce disponível.
E onde estão os 80% da população mundial que quase não consomem? Espalhados pela África, Índia e
América Latina.
Por isso, quando os relatórios dos cientistas da ONU alertam para o fato de a humanidade já consumir 20%
a mais do que o planeta pode repor, eles escondem nos seus alertas os verdadeiros culpados, diluindo a
responsabilidade entre todos os seres humanos, como se o consumo e as emissões de todos os países e
de todas as pessoas fossem iguais. Mas não se engane: os responsáveis têm nome e endereço.
45
Para rodas de reflexão e conversa
(DISTRIBUIR AS FRASES POR GRUPOS)
Em 2007, as duas pessoas mais ricas do mundo tinham mais dinheiro que a soma do PIB dos 45 países
mais pobres.
•	 3 bilhões de pessoas sobrevivem no mundo com menos de US$ 2 por dia.
•	 1 bilhão de pessoas (o dobro da população da União Europeia) vivem em favelas ao
redor do mundo.
•	 Todos os setores estratégicos da economia mundial estão concentrados em 10 empresas.
•	 As 952 maiores riquezas pessoais equivalem ao rendimento de 3 bilhões de pessoas (US$
3,5 trilhões).
•	 Dos 15 países integrantes do Conselho de Segurança da ONU, 5 são exatamente os
5 maiores produtores de armas.
Conforme temos demonstrado, vemos o mundo de maneira partida e pensamos na natureza como se ela
fosse uma máquina obrigada a nos servir. Além disso, a riqueza do mundo está muito concentrada, assim
como o consumo e as emissões de gases que causam as mudanças no clima do planeta. Vimos que os países
mais ricos são também os que mais consomem energia e os que mais emitem poluentes. Já os países mais
pobres são os que menos consomem energia – os que menos consomem qualquer coisa, aliás –, os que
emitem menos poluentes e os que apresentam os dados de maior desigualdade e exclusão social.
Entretanto, esses países mais pobres estão ameaçados com as consequências das mudanças climáticas
tanto quanto seus irmãos mais ricos. Na verdade, de certa maneira estão até mais ameaçados, já que
os países pobres têm menos infraestrutura para lidar com os problemas relacionados às mudanças
climáticas, como secas e enchentes.
Vivemos, então, em um mundo partido ao meio, onde os países ou são pobres e sujos ou ricos e poluidores,
onde uns poucos ficam com os benefícios do desenvolvimento e a maioria arca com seus malefícios.
Mas vamos voltar ao relatório O estado do mundo 2010. Este documento afirma que, se nada for feito para
mudar o atual padrão de consumo, será preciso mais meio planeta Terra em termos de recursos naturais,
uma vez que consumimos hoje, em pleno século XXI, 20% a mais do que o planeta pode repor. Porém,
se todos no mundo imitarem o modelo de consumo dos norte-americanos e europeus – e o mundo todo
imita ou quer imitar esse padrão, até porque os veículos de comunicação de massa, como a televisão, nos
dizem a toda hora que esse padrão traz felicidade –, então serão precisos de 4 a 5 planetas Terra para
suprir a demanda por água, energia, minerais, madeira e outros recursos da natureza.
Por isso, a humanidade encontra-se hoje num impasse, uma vez que o seu modelo de desenvolvimento
econômico, com sua cultura de superconsumo e superpoluição, está esgotando e degradando os
ambientes em velocidade acelerada.
O número de extinções de espécies animais e vegetais tem aumentado assustadoramente, assim como
a extinção de línguas e culturas tradicionais. Ou seja, estamos observando ao mesmo tempo a perda da
biodiversidade e da sociodiversidade (ou diversidade cultural).
Hoje, espécies são extintas num ritmo mil vezes maior que o natural, comprometendo a estabilidade dos
ecossistemas ao redor do planeta e ameaçando a própria existência humana na terra. Os prejuízos são
avaliados pelos especialistas da ONU em 5 trilhões de dólares anuais. O alerta dramático foi dado pelos
193 países que participaram da 10ª Conferência das Partes sobre Biodiversidade, chamada de COP 10,
promovida pela ONU em Nagoya, no Japão, em outubro de 2010.
46
Segundo os especialistas, a humanidade chegou num ponto limite, depois do qual não se terá mais condições
viáveis de reverter o processo de extinção de espécies. Se nada for feito agora, ultrapassaremos este ponto em
dez anos. Dessa forma, a meta da reunião foi fechar um acordo internacional para, em dez anos, interromper a
destruição das bases da natureza, que sustentam a vida do homem e de todos os seres vivos.
No caso da diversidade cultural, da riqueza cultural do planeta, os números da destruição não ficam
atrás. Das 15 mil línguas fortes existentes quando Colombo navegou para a América em 1492, restam
hoje cerca de 6.500. Sabe-se lá por quanto tempo, pois a diversidade de etnias e culturas humanas ocorre
exatamente na faixa tropical do planeta, onde também se concentra a riqueza de biomas, ecossistemas,
de animais e plantas, ou seja, da biodiversidade.
Uma pesquisa apontou que, dos nove países nos quais 60% das 6.500 línguas
remanescentes do mundo são faladas, seis aparecem também como centros de
megadiversidade: México, Brasil, Indonésia, Índia, Zaire e Austrália.
Além disso, dentre os 25 países com maior número de línguas endêmicas, ou seja,
línguas que só existem ali e em nenhum outro lugar do mundo, 16 deles também
tinham o número mais alto de espécies selvagens endêmicas.
Em termos globais, há 10 mil grupos identificados com base na etnia, língua e religião, espalhados por
mais de 168 países. E, apesar de reduzidas, essas línguas e culturas seguem fazendo resistência e lutando
para não desaparecerem.
Até aqui, falamos sobre nossos paradigmas científicos de separação e superexploração da natureza, como
eles se formaram historicamente e aonde nos trouxeram. Ao mesmo tempo, notamos em que medida os
problemas ambientais estão fortemente ligados aos problemas sociais e como são gerados a partir da
estrutura do próprio sistema de desenvolvimento.
Por isso, é preciso perceber que, mais que uma crise ambiental, o que vivemos agora se configura como
um dilema civilizatório, um impasse da civilização humana, já que os problemas ambientais e sociais
que vivemos hoje são estruturais, vêm de longa data, e derivam de modos de ver e se relacionar com a
natureza e com os outros homens que precisam ser questionados e transformados, pois colocam em risco
a sobrevivência de todos os seres vivos no planeta.
Como continuar a se desenvolver enquanto sociedade humana, sem comprometer os
recursos naturais das gerações futuras? Que cultura precisaremos desenvolver para
continuarmos a existir? Há outros modelos de vida e de desenvolvimento, diferentes
do modelo urbano-industrial, que não esgotam os recursos naturais nem degradam os
ambientes na velocidade assustadora dos dias atuais? Até o final do livro, teremos chance
de retomar essas questões.
Podemos hoje, de modo bem sintético e simplista, dividir e classificar os tipos humanos do mundo em dois
grandes grupos, com base no modo de vida, no modelo econômico e na cultura.
De um lado, temos as conhecidas civilizações urbano-industriais, chamadas por alguns pesquisadores de
povos biosféricos, ou seja, populações humanas que vivem em cidades interligadas por um mercado de
consumo globalizado e homogêneo: consomem refrigerantes da Coca-Cola, sanduíches do McDonald’s,
chocolates Nestlé, iPod da Apple etc.
De outro lado, temos as etnicidades ecológicas, os chamados povos e comunidades tradicionais,
representados pelos pescadores, quilombolas, indígenas, catadores de sementes, marisqueiros, entre
outros grupos e comunidades que vivem nas chamadas culturas de habitats, num mundo rural, em
estreita relação com os elementos naturais.
47
As cidades e os problemas socioambientais locais e globais
A poluição do ar, a poluição das águas, a poluição sonora, a poluição luminosa, a poluição visual, o
lixo, as enchentes e os deslizamentos de encostas são os principais problemas socioambientais urbanos
encontrados em todas as grandes cidades do mundo.
Poluição do ar
A poluição do ar gerada nas cidades de hoje é resultado, principalmente, da queima de combustíveis
fósseis (carvão, gasolina e diesel), usados na geração da energia que alimenta os veículos e os
setores industrial e elétrico de grande parte das economias do mundo. A queima destes produtos
lança diariamente uma grande quantidade de gases poluentes na atmosfera, como o monóxido de
carbono (CO), o dióxido de carbono (CO2) e o dióxido de enxofre (SO2), que podem inclusive causar
chuva ácida e provocar o aquecimento do planeta. São Paulo, Tóquio, Nova York e Cidade do México
estão na lista das cidades mais poluídas do mundo.
O excesso de poluentes no ar das cidades gera vários problemas, especialmente para a saúde humana,
como bronquite, asma, rinite e diversas alergias. Mas pode afetar também os ecossistemas, o patrimônio
histórico e cultural do homem e até o clima, como nos casos da chuva ácida e do aquecimento global.
Poluição sonora
Ocorre quando, num determinado local, o volume dos sons é tão elevado que altera a condição normal
de audição. O grande vilão é o ruído, o barulho excessivo provocado pelo som que vem das indústrias,
dos canteiros de obras, das buzinas dos automóveis, dos motores dos ônibus e caminhões, das áreas de
recreação, dos eventos de música, das igrejas etc.
O excesso de som provoca efeitos negativos para o sistema auditivo das pessoas e também alterações
comportamentais e orgânicas. Os efeitos mais negativos da poluição sonora na saúde do homem são:
insônia, estresse, depressão, perda de audição, agressividade, perda de atenção e concentração, perda de
memória, dores de cabeça, aumento da pressão arterial, cansaço, gastrite e úlcera, queda de rendimento
escolar e no trabalho ou até mesmo surdez, em casos de exposição a níveis altíssimos de ruído.
48
Poluição luminosa
Existem três tipos de poluição luminosa: o brilho no céu, o ofuscamento e a luz intrusa.
O brilho no céu é um brilho alaranjado que pode ser visto acima das cidades, causado pelas luzes que se
direcionam acima da linha do horizonte. Trata-se, portanto, do desperdício de iluminação artificial, que
ilumina tudo, ao invés de focar apenas o chão, ou a fachada de um prédio, um hospital ou uma rua. O brilho
no céu pode ser visto a quilômetros de distância e impede a visualização das estrelas e da via láctea.
O segundo tipo de poluição luminosa é o ofuscamento, provocado pela luz direta nos olhos, que ofusca
momentaneamente a visão. Os faróis dos carros são os grandes vilões do ofuscamento, mas a luz de um
holofote de show de rock na praia, por exemplo, também entra nesta lista.
O terceiro tipo refere-se à luz que brilha de um lugar para outro lugar onde ela não é necessária, como
a luz de uma placa na fachada de um prédio que fica acesa a noite toda e ilumina bem em cima da
cama de uma pessoa. Essa é a chamada luz intrusa, que atravessa portas e janelas, invade o ambiente
e causa desconfortos diversos.
A poluição luminosa pode causar impactos sociais, ambientais, econômicos e científicos. Locais com alta
iluminação noturna podem prejudicar a qualidade do sono das pessoas, provocar insônia, irritabilidade,
cansaço, perda de memória e muito estresse. Também causa impactos na vida de muitos animais,
provocando mudanças na orientação de voo, caça, reprodução, migração e comunicação das espécies.
Além disso, essa forma de poluição dificulta a visualização das estrelas nas cidades. Estima-se que mais
de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo não enxergam mais a via láctea.
Quanto aos impactos econômicos e científicos diretos, calcula-se que são desperdiçados nos Estados
Unidos anualmente US$ 2 bilhões com iluminação ineficiente. Na área científica, um aumento de 25% na
iluminação noturna ocasiona uma perda de quase US$ 20 milhões para a astronomia, diz a Nasa.
Poluição visual
É uma forma de poluição relacionada ao excesso de elementos visuais presentes nas ruas das cidades.
Esse excesso de elementos visuais pode estar ligado à comunicação e à propaganda, como cartazes,
anúncios, banners, totens, placas, letreiros luminosos e outdoors, que aparecem especialmente em centros
comerciais e de serviços. Pichações em muros e prédios, excesso de fios de eletricidade ou telefônicos,
edifícios e casas caindo aos pedaços e sem manutenção, lixo exposto a céu aberto são também elementos
de poluição visual observados nas cidades.
Lixo
Nas sociedades urbano-industriais, o lixo está em toda parte: no solo, na água dos rios, do mar, no ar, no
espaço, e também espalhado pelas ruas das cidades. Esse lixo é proveniente de diversas fontes: indústrias,
residências, escolas, hospitais, prédios públicos, comércio etc.
Calcula-se que cerca de 30% de todo o lixo produzido nas cidades fica nas ruas e acaba por entupir
os bueiros e as galerias de águas pluviais, provocando o alagamento das vias públicas durante as
tempestades e o caos em que se transformam as cidades nessas ocasiões. Se jogado em encostas,
mantém o solo úmido, podendo gerar deslizamentos e escorregamentos de terras. O lixo acumulado
também provoca a disseminação de vetores de doenças, como ratos, baratas, mosquitos, moscas e
outros insetos, ocasionando o aparecimento de doenças como a leptospirose (transmitida pelos ratos)
e a dengue (transmitida por mosquitos).
49
Enchentes
As enchentes, geralmente, são calamidades naturais que ocorrem quando um curso d’água recebe um
volume de água superior ao que pode comportar, resultando em transbordamentos. Podem ocorrer em
lagos, rios, córregos e mares devido a chuvas fortes e contínuas. Mas nas cidades, as enchentes, na maioria
das vezes, ocorrem como consequência da ação humana.
As principais causas são: desmatamentos; assoreamento do leito dos rios; alto grau de impermeabilização
do solo, devido ao calçamento das ruas e calçadas com asfalto e concreto; lixo, que entope os bueiros e
galerias de águas pluviais, impedindo a dispersão das águas; e a retificação dos rios: na natureza, os rios
são curvilíneos, ou seja, caminham como uma serpente. Esse trajeto diminui muito a velocidade da água.
Retificá-lo significa aumentar sua velocidade, podendo ocasionar transbordamentos.
Asconsequênciassãodiversas:mortedepessoas;doenças(comoaleptospirose,porexemplo);engarrafamentos
no trânsito, provocados por alagamentos nas ruas; alagamento de prédios e desmoronamentos.
Deslizamentos de encostas
Ocorrem devido ao desmatamento das encostas e à ocupação humana dos morros. Sem a vegetação,
o solo fica vulnerável à ação das chuvas e acaba escorregando ou deslizando com a força das águas.
O lixo jogado nas encostas dos morros também influencia, pois aumenta a retenção de umidade e
o encharcamento do solo, potencializando o risco de deslizamentos de terra. Os maiores impactos
são sociais: soterramento de casas, vias públicas, danos ao patrimônio individual ou coletivo.
REFLETINDO E DISCUTINDO
Os problemas locais das cidades, no entanto, não são tão isolados quanto
pensamos. O estilo de vida de uma civilização urbano-industrial causa impacto
não só no ambiente onde ela se localiza nem atinge apenas seus moradores.
Muitas vezes, o que se observa é que a poluição produzida num local, numa
região, ou mesmo num país atinge os seus vizinhos também, e, o que é mais
danoso, atinge o planeta como um todo, como é o caso do aquecimento
global, da chuva ácida e do buraco na camada de ozônio. Estes são apenas três
exemplos de problemas socioambientais globais produzidos pelas civilizações
urbano-industriais, mas há uma lista enorme deles.
50
As cidades e os problemas socioambientais globais
Há algumas grandes questões socioambientais que ocupam as atenções dos governantes, políticos,
cientistas, ecologistas e órgãos internacionais como a ONU e a OMS. A seguir estão alguns problemas
que constituem o que se poderia chamar de agenda do dia internacional, aparecendo cada vez mais em
matérias de jornais, televisão e revistas. Vejamos quais são eles.
Mudanças climáticas
Este assunto está nas agendas internacionais desde 1987, quando o Programa de Meio Ambiente da ONU
(Pnuma) criou um grupo de trabalho para estudá-lo. No entanto, ele só ganhou popularidade mundial em
2006, após o lançamento do filme Uma verdade inconveniente, do ex-vice-presidente norte-americano
Al Gore. Hoje, está na pauta de todos os jornais mundiais, dos mais sofisticados aos mais populares.
Os grandes vilões do aquecimento global são: a queima de combustíveis fósseis (carvão, gasolina e óleo
diesel) por veículos, termoelétricas, siderúrgicas e indústrias; as queimadas de vegetação e de lixo. Essas
atividades lançam diariamente grandes quantidades de gases poluentes na atmosfera, muitos deles
capazes de reter calor, que são chamados pelos cientistas de GEE, ou seja, gases de efeito estufa.
Os principais GEEs e suas respectivas participações no aumento da temperatura do
planeta são:
•	dióxido de carbono ou gás carbônico (CO2): 50%;
•	metano (CH4): 15%;
•	óxido nitroso (N2O): 10%;
•	ozônio (O3), hidrocarbonetos halogenados (CFCs e hálons): 25%.
Os países que mais emitem CO2 para a atmosfera e que, portanto, mais
provocamoaquecimentoglobalsão:EstadosUnidos,Canadá,Japão,Alemanha,
Inglaterra, França e outros países da Europa – exatamente as nações mais
ricas. Mais recentemente, a China se juntou ao grupo dos grandes poluidores
mundiais.
Os setores que mais emitem GEEs são a agropecuária (32%), as
termoelétricas e indústrias (38%) e os transportes (14%).
Os gases estufa aprisionam o calor dos raios solares na atmosfera, que passa
a ficar mais quente. Um mundo mais quente provoca o degelo das calotas
polares e o aumento da quantidade de água doce no mar. Isso influencia as
correntes marinhas, que influenciam o clima e a formação ou não de nuvens
de chuva. Resultado: secas e inundações em muitos países, tufões, furacões,
tempestades de raios, fome e miséria em outros. Ou seja, o problema ambiental
se torna, na verdade, um problema social e de impacto global.
51
Rompimento da camada de ozônio
A camada de ozônio é uma região da atmosfera terrestre em torno de 25 a 30 km de altura, onde a
concentração do gás ozônio é maior, e que protege a Terra dos raios ultravioletas do Sol. Produtos
químicos lançados na atmosfera pelo homem estão abrindo um buraco gigantesco nessa camada.
Os produtos químicos mais perigosos, nesse caso, são os clorofluorcarbonos, ou CFCs, gases muito usados
em geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, sprays e na aviação.
Figura 5: Imagens da Nasa mostrando a evolução do buraco da camada de ozônio.
Chuva ácida
Cerca de 120 trilhões de m3 de água descem dos céus todos os anos. Isso é bom, já que a água é
um elemento fundamental à existência da vida. Porém, em certos pontos da Terra, principalmente
naqueles que concentram muitas atividades industriais, a chuva tornou-se envenenada com ácidos.
Assim, a poluição gerada pela nossa sociedade pode também envenenar a chuva, assim como todas
as formas de precipitação: a neve, o granizo e até mesmo a neblina.
Os principais agentes químicos causadores dessa acidez da chuva são alguns gases poluentes:
certos óxidos, como o dióxido de enxofre (SO2) e os óxidos de nitrogênio (NO e N2O). Esses gases
são formados a partir da queima de combustíveis fósseis, como o carvão, a gasolina e o óleo
diesel, provenientes das indústrias, siderúrgicas, termoelétricas e automóveis. A queima de lixo
também lança gases poluentes e acidificantes para a atmosfera.
Uma vez na atmosfera, esses gases poluentes reagem com o vapor d’água presente nas nuvens e formam
três ácidos: o ácido sulfúrico (H2SO4) e os ácidos nítrico e nitroso (HNO3 e HNO2). Uma vez formados,
esses ácidos descem para a superfície da terra acompanhando as chuvas, as nevascas e as neblinas.
Dependendo do nível de concentração desses poluentes, a chuva pode matar peixes e outras
formas de vida aquática, corroer edifícios e monumentos públicos, prejudicar florestas e plantações,
contaminar o solo e ameaçar a saúde humana e animal. Onde o ácido cair, causará dano. O dióxido
de enxofre (SO2), por exemplo, dependendo da sua quantidade, causa danos na vegetação em
apenas oito horas de exposição, além de doenças crônicas do pulmão, como bronquites.
Estima-se hoje que, por ação do homem, sejam lançados à atmosfera de 75 a 100 milhões de toneladas
de enxofre por ano e cerca de 20 milhões de toneladas de nitrogênio, que formam os principais gases
liberados pela queima de combustíveis fósseis. Como os poluentes presentes no ar podem ser carregados
pelos ventos e viajar milhares de quilômetros, as chuvas ácidas podem cair a grandes distâncias das
fontes poluidoras, prejudicando outras cidades, estados e até mesmo outros países.
52
Destruição dos ecossistemas
As florestas e outros ambientes naturais estão sendo destruídos pela ação das civilizações urbano-
industriais. Isso tem ocorrido principalmente nas regiões tropicais do planeta, que são as mais ricas em
diversidade de espécies, e na costa oeste dos Estados Unidos e Canadá.
As principais causas são: desmatamentos para instalação de fábricas, plantações, mineradoras e residências;
chuva ácida; atividade de extração de madeira para construção civil ou movelaria; poluição (da água, do
ar e do solo); mudanças climáticas.
Em Madagascar, na África, a devastação de 93% das florestas tropicais transformou regiões exuberantes
em deserto. Na América, há mais de 3 mil madeireiras atuando diariamente. Para cada árvore retirada,
os madeireiros danificam pelo menos outras 15 árvores. Segundo dados oficiais, até 2050 a cobertura
florestal da Amazônia brasileira deve perder 2,1 milhões de quilômetros, uma área maior que a do México.
As principais consequências são: extinção de muitas espécies animais e vegetais, que poderiam ser úteis
na produção de remédios; degradação das matas ciliares, que ameaça a qualidade e a quantidade da água
doce disponível para consumo; diminuição da produção de alimentos, já que muitas espécies cultivadas
dependem de animais polinizadores, como as abelhas e as vespas, para a geração de frutos e sementes;
aumento de doenças e epidemias; instabilidade social, política e econômica.
Perda da biodiversidade
Entre as principais causas da perda de biodiversidade, podemos citar: destruição e diminuição dos
habitats naturais; introdução de espécies exóticas e invasoras; exploração excessiva de espécies animais e
vegetais pelo mercado; caça e pesca sem critérios; tráfico da fauna e flora silvestres; poluição do solo, água
e atmosfera; ampliação desordenada das fronteiras agropecuárias dentro de áreas nativas; mudanças
climáticas e aquecimento global.
A taxa de extinção de espécies hoje é mil vezes maior que a natural e custa cerca de US$ 5 trilhões por ano.
Estima-se que em torno de 150 espécies sejam extintas diariamente. As espécies de anfíbios (sapos, rãs e
pererecas) são as mais ameaçadas.
Como consequência dessa perda temos: diminuição na variedade de alimentos produzidos; maior
vulnerabilidade dos ecossistemas a desastres naturais; redução e restrição do uso de energia;
diminuição da oferta e distribuição irregular de água potável; aumento de doenças e epidemias;
instabilidade social, política e econômica.
Desertificação
É um fenômeno em que determinado solo é transformado em deserto, através da ação humana ou de
um processo natural. Na desertificação, a vegetação diminui ou acaba totalmente e o solo perde suas
propriedades, tornando-se infértil.
Os desmatamentos, o uso intensivo do solo por atividades agropecuárias predatórias e os projetos de
irrigação mal conduzidos são os principais agentes causadores da desertificação.
A desertificação causa vários problemas e prejuízos para o ser humano: a formação de áreas áridas e secas
prejudica a produção de alimentos, provoca a erosão do solo, aumenta a temperatura local e diminui o
nível de umidade do ar, causando problemas de saúde como dificuldades respiratórias, ressecamento das
mucosas, alergias, desidratação etc.
53
Os ecossistemas também são impactados com este processo, pois a formação de desertos elimina a vida de
milhares de espécies de animais e vegetais, modificando radicalmente o ambiente da região afetada.
As regiões áridas, semiáridas e de terras secas ocupam mais de 37% de toda a superfície do planeta,
abrigando mais de 1 bilhão de pessoas, ou seja, 1/6 da população mundial, cujos indicadores são de baixo
nível de renda, baixo padrão tecnológico, baixo nível de escolaridade e ingestão de proteínas abaixo dos
níveis aceitáveis pela OMS.
A desertificação ocorre em mais de cem países do mundo por isso é considerada um problema global e
vem aumentando significativamente nas últimas décadas.
No Brasil, existem quatro áreas que são chamadas Núcleos de Desertificação, onde é intensa a degradação.
Elas somam 18,7 mil km² e se localizam nos municípios de Gilbués, no Piauí; Seridó, no Rio Grande do
Norte; Irauçuba, no Ceará; e Cabrobó, em Pernambuco.
Poluição dos oceanos
O oceano, berço da vida e um dos principais produtores de oxigênio do planeta, também está sendo
poluído pelas ações humanas. As cidades costeiras poluem os mares lançando nas águas esgoto e
outros resíduos urbanos. Além disso, os oceanos são contaminados por produtos químicos resultantes
da atividade agrícola ou industrial. Objetos de plástico também são lançados em grande quantidade nos
oceanos e permanecem no ambiente por séculos. Uma pesquisa recente em quarenta praias da Inglaterra
mostrou que 1/3 da água era feita de polímeros , ou seja, plástico, que podem matar animais aquáticos
por sufocamento, quando engolidos ou retidos nas brânquias.
Mas, dos agentes poluidores associados com a atividade humana, um dos mais temidos é o petróleo.
Quando derramado no mar, o petróleo dificulta a entrada de luz e compromete a fotossíntese feita pelas
algas. Consequentemente, todo o equilíbrio ecológico do planeta é afetado, já que as algas são as maiores
produtoras do oxigênio que respiramos.
A principal consequência da poluição oceânica é o comprometimento da comunidade aquática, podendo
haver contaminação, sufocamento e morte de animais e até mesmo extinção de espécies.
Acredita-se que mais de 50% dos ecossistemas marinhos já estejam, de alguma forma, afetados
pela presença humana.
Poluição e falta de água doce
É bom lembrar que apenas 2,5% de toda a água existente no planeta Terra são de água doce. Dessa pequena
fração, apenas 0,002 pode ser usado para abastecimento humano. As principais causas da poluição e da
escassez de água doce são: o envenenamento por agrotóxicos, mercúrio de garimpo, lixo, rejeitos industriais
e domésticos, mineração sem controle, aterros de nascentes e retiradas de vegetação ciliar.
Entre os anos de 1990 e 1995, observou-se que a necessidade por água doce havia aumentado cerca de duas
vezes mais que a população mundial. Isso ocorreu devido ao alto consumo de água em atividades industriais e
agropecuárias. Juntos, esses setores da economia consomem hoje 92% de toda a água doce disponível.
Os agrotóxicos e outros produtos químicos causam envenenamentos e doenças como cânceres, problemas
no sistema nervoso e no fígado; o lixo acaba indo parar no mar, prejudicando a vida marinha; o esgoto
doméstico jogado frequentemente nos corpos d’água, muitas vezes sem tratamento algum, espalha
diversas doenças, como diarreia, cólera, esquistossomose, hepatite e febre tifoide, que chegam a matar
mais de 5 milhões de pessoas por ano, principalmente crianças.
54
A poluição das águas doces prejudica a produção de energia, a navegação e a irrigação agrícola, entre outros
problemas. Mas a falta de água para beber, para o banho, para o cozimento de alimentos é diretamente
sentida pelas famílias. Esse problema já é uma realidade para muitos países: em 2000, aproximadamente
2 bilhões de pessoas enfrentavam falta d’água no mundo – mas não devido a causas naturais.
A destruição da diversidade étnica do planeta
Significa a extinção de povos, línguas e culturas. Das 15 mil línguas fortes existentes quando Colombo
navegou para a América em 1492, restam hoje cerca de 6.500. Sabe-se lá por quanto tempo, pois a
diversidade de etnias e culturas humanas ocorre exatamente na faixa tropical do planeta, onde também
se concentra a riqueza de biomas, ecossistemas, de animais e plantas, ou seja, da biodiversidade.
Aprincipalcausaestárelacionadacomaperdadeterritórioedasterrastradicionalmente
ocupadas, seja para a instalação de projetos industriais, de mineração, agropecuários,
madeireiros, de turismo, ou para a demarcação de parques e reservas. Isso acarreta
a desorganização dos modos tradicionais de vida, levando à extinção de povos e
culturas, à perda da diversidade cultural e ao empobrecimento e à homogeneização
cultural do planeta.
Embora causem danos ao ambiente, destruição de patrimônio cultural e natural e ameacem a saúde de
homens e animais, todos os chamados problemas socioambientais locais e globais são causados por
atividades humanas. Entretanto, tais problemas não atingem as pessoas da mesma maneira nem com a
mesma intensidade. Também não é igual a responsabilidade dos países na geração de suas causas.
Mas veja, isso é o esperado, porque a distribuição desigual dos riscos, desvantagens e danos por classe social
é uma consequência normal das economias modernas, que distribuem mercadorias e serviços com base na
riqueza. Com isso, os benefícios econômicos da produção (mais ofertas e oportunidades, os melhores e mais
exclusivos produtos, tecnologias e serviços) tendem a ficar concentrados nos países mais ricos e nas camadas
sociais mais altas. Inversamente, os danos e riscos ambientais gerados pela produção de mercadorias e de
serviços tendem a se concentrar nos países mais pobres e nas camadas inferiores do sistema.
E apesar de haver leis que determinam o controle da poluição, buscando a garantia
da integridade dos ambientes e da saúde das pessoas, as consequências das
mudanças climáticas, da chuva ácida, da poluição química do solo e da água, da
desertificação, das enchentes e deslizamentos, por exemplo, tendem a ser mais
sentidas pelas populações mais vulneráveis (os mais pobres). Esses são os grupos
sociais que estão, normalmente, sob maior risco de serem impactados e de sofrerem
danos, caso alguma coisa séria ocorra no ambiente (local ou global), uma vez que
vivem em ambientes mais próximos das fontes de poluição, em locais onde falta
água encanada, coleta de lixo e tratamento de esgoto, serviços básicos de saúde,
segurança etc.
55
DICA DE FILME
Os olhos fechados da América Latina é um documentário dirigido por Miguel
Mirra que foi a sensação do Festival Internacional de Cinema Ambiental de
2008. Ele é baseado no livro As veias abertas da América Latina, de Eduardo
Galeano, e mostra uma América Latina submetida ao saque e à poluição
provocados por empresas multinacionais e estrangeiras, que exploram sem
controle os recursos naturais do México, Colômbia, Peru, Guatemala, Uruguai,
Argentina e Brasil. Nele, é possível ver a mineração a céu aberto, as grandes
plantações de soja, as monoculturas, a depredação dos solos, florestas e rios,
a devastação dos peixes. E, afinal, a estreita relação entre o saque dos recursos
naturais, a contaminação do ambiente, o modelo de exploração das empresas
multinacionais e a extinção de povos e culturas tradicionais, indígenas e não-
indígenas, na América Latina.
(Atividade de casa para discussão)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÀFICA
Moutinho da Costa, L. Cultura é natureza: tribos urbanas e povos tradicionais. Rio de Janeiro, Garamond,
2011. Cap. 1, 3 e 5
CONSUMO SUSTENTÁVEL: Manual de educação. Brasília: Consumers International/ MMA/ MEC/IDEC, 2005.
160 p.
56
COMO PODEMOS FAZER A NOSSA PARTE?
Todos nós podemos contribuir para minimizar os problemas causados pelo lixo
com pequenas ações no dia-a-dia. Veja algumas dicas:
•	pensar se realmente precisamos de determinados produtos;
•	comprar somente o necessário para o consumo, evitando o 
desperdício;
•	planejar a compra de alimentos para não haver desperdício,
dimensionando a compra de produtos perecíveis com as reais 
necessidades da família e com as possibilidades de uso;
•	comprar produtos duráveis e resistentes, evitando comprar 
produtos descartáveis;
•	reduzir a quantidade de pacotes e embalagens; dar preferência para 
produtos vendidos a granel; levar sacolas ou carrinho de feira 
para carregar as compras, em substituição às sacolas oferecidas 
nas lojas e supermercados; colocar o máximo de produtos numa 
mesma sacola, evitando o uso de duas sacolas sobrepostas; evitar 
a compra de sacos de lixo, utilizando as sacolas plásticas que 
embalam as compras);
•	comprar produtos cujas embalagens são reutilizáveis e/ou 
recicláveis;
•	comprar produtos reciclados e/ou que a embalagem seja feita de 
um material reciclado;
•	escolher produtos de empresas certificadas (ISO 9000 e 14000), que 
desenvolvem programas socioambientais e/ou que sejam responsáveis 
pelos produtos pós-consumo;
•	evitar a compra de produtos que possuem elementos tóxicos ou 
perigosos;
•	emprestar ou alugar equipamentos que não são usados com 
frequência, ao invés de comprá-los;
•	consertar produtos em vez de descartá-los e substituí-los por 
novos;
•	doar produtos que possam servir a outras pessoas;
•	reutilizar materiais e embalagens;
•	separar os materiais recicláveis e encaminhá-los para artesãos,
catadores, entidades ou empresas que reutilizarão ou reciclarão os 
materiais;
•	fazer sua própria compostagem, quando for possível;
57
•	organizar-se em seu trabalho/escola/bairro/comunidade/igreja e 
iniciar um projeto piloto de separação de materiais recicláveis;
•	organizar-se junto a outros consumidores para exigir produtos 
sem embalagens desnecessárias, como também vasilhames reutilizáveis 
ou recicláveis;
•	evitar gastos de papel e outros materiais desnecessários ao 
embrulhar presentes;
•	evitar a queima de qualquer tipo de lixo; se não houver coleta no 
seu bairro, enterre o lixo em vez de queimá-lo;
•	evitar a compra de cadernos e papéis que usam cloro no processo 
de branqueamento;
•	não descartar remédios no lixo; o mesmo vale para material usado em 
injeções e curativos feitos em casa. Procure com o seu farmacêutico ou 
nos postos de saúde uma alternativa de descarte mais adequada;
•	ler os rótulos dos produtos para conhecer as suas recomendações ou 
informações ambientais;
•	usar detergentes e produtos de limpeza biodegradáveis;
•	utilizar pilhas recarregáveis ou alcalinas;
58
Roteiro de diagnóstico socioambiental LOCAL
1. Que tipos de atividades de lazer
estão disponíveis em seu bairro?
( ) Rádio local
( ) Praças
(    ) Cinemas
(    ) Museus
( ) Turismo
(    ) Outros. Quais?
2. Qual a principal atividade econômica
de sua região?
( ) Industrial
( ) Ligada à exploração de petróleo
( ) Artesanal
( ) Piscicultura
( ) Agrícola
( ) Pecuária
(    ) Outras. Identifique
3. Na sua região existem parques ou unidades de Conservação? Identifique.
4. Identifique as principais doenças que atingem sua comunidade:
(    ) Dengue
( ) Verminoses
( ) Gripe
(    ) Cólera
(    ) Outras. Identifique
5. Classifique os serviços disponíveis em sua região (1-ótimo, 2- bom, 3- regular,4- ruim, 5-péssimo):
( ) Transporte
( ) Pavimentação urbana
(    ) Coleta de lixo
( ) Saneamento
(    ) Moradia
(    ) Hospitais e postos de saúde
( ) Escola
59
6. A comunidade local discute seus problemas procurando soluções?
( ) Sim ( ) Não
7. Identifique as instituições que participam na solução de problemas locais:
( ) Escolas		 ( ) Prefeitura
(     ) Igrejas 	 	 (     ) Associação de moradores
(     ) ONGs	 	 (     ) Outros. Identifique.
Roteiro de diagnóstico socioambiental RESÍDUOS SÓLIDOS
1. Você consegue identificar o tipo de lixo mais encontrado na sua área?
Quanto à origem:
Domiciliar 	 SIM (	 ) 	 NÃO (  	  )
Industrial 	 SIM (	 ) 	 NÃO (	   )
Serviços de Saúde	 SIM (	 ) 	 NÃO (	   )
Vias Públicas	 SIM (	 ) 	 NÃO (	   )
Construção Civil	 SIM (	 ) 	 NÃO (	   )
Outros: ___________________________
Quanto ao material:
Papel 	 SIM (	 ) 	 NÃO (	 )
Latas/Metal	 SIM (	 ) 	 NÃO (	 )
Garrafas Pet	 SIM (	 ) 	 NÃO (	 )
Vidros	 SIM (	 ) 	 NÃO (	 )
Plásticos	 SIM (	 ) 	 NÃO (	 )
Sucatas	 SIM (	 ) 	 NÃO (	 )
Matéria orgânica	 SIM (	 ) 	 NÃO (    )
Outros: ___________________________
2. Indentifique o tipo de recolhimento de lixo. E a frequência.
Tipo Sim Não Quem faz Qantas vezes por semana
Coleta Domiciliar
Coleta Seletiva
Varrição de Ruas
Coletores/Catadores
Outros
60
3. Caso não haja coleta de lixo, aonde este é descartado:
( ) Terreno baldio		 ( ) Encosta 		
(   ) Rua		 	 (   ) Outros. Qual? __________________
( ) Quintal	
			
4. Identifique o destino dado ao lixo de sua comunidade após ser coletado:
Aterro Sanitário 	 SIM ( 	 )	 NÃO (    )	
Lixão	 SIM (	 ) 	 NÃO (    ) 	
Incineração	 SIM (	 ) 	 NÃO (    )	
Outros: _________________________________
5. Há lixeiras pelas ruas? ______________________
Estão em quantidade suficiente? _________________
6. Numere em ordem crescente de gravidade, porque o lixo é um problema para você. (use o numeral 1
para o mais grave).
( ) Por causa do mau cheiro.
( ) Porque atrai animais como ratos, baratas e outros insetos.
( ) Porque torna o ambiente feio.
( ) Porque desvaloriza a comunidade.
( ) Porque causa doenças.
(    ) Outros. O que? ____________________________________________
7. Há alguma indústria, empresa ou comércio que seja responsável pela produção de parte deste lixo?
Que empresa / indústria? _____________________________________________
Que tipo de lixo ela produz?____________________________________________
Em que quantidade este lixo é produzido? (   ) Muito (    ) Pouco
8. Há alguma empresa e/ou cooperativa que utilize o lixo produzido para fins de reciclagem ou
reutilização? ___________________________________________
9. Há alguma ação de reciclagem ou reutilização do lixo, individual ou coletiva de pessoas da escola ou
comunidade? __________________ Qual? _______________________
10. Há algum projeto do governo que envolva reciclagem ou reutilização do lixo em sua escola ou
comunidade? Qual? _______________________
61
1. A sua comunidade possui água encanada?
( ) Sim 	 ( ) Não
2. De onde vem a água utilizada na sua comunidade?
(   ) Rio 		 (   ) Cisterna
(   ) Lago 	 (   ) Caminhão-pipa
( ) Poço	 ( ) Outros
3. Onde a água é armazenada em sua casa?
(   ) Caixa d’água 	 (   ) Cisterna
( ) Poço 		 ( ) Outros ___________________________
4. Existem problemas de falta d’água em sua comunidade ?
( ) Não
( ) Sim, semanalmente
( ) Sim, mensalmente
( ) Sim, eventualmente
5. O que acontece na sua rua quando chove?
( ) Nada, a água desce pelos bueiros
( ) Enche, mas não muito
( ) Alaga completamente
( ) A rua é uma ladeira que se transforma em um rio
( ) Outra situação ____________________
Roteiro de diagnóstico socioambiental ÁGUA E ESGOTO
62
6. Você consegue identificar se existe alguma fonte de contaminação da água?
( ) Não existe
( ) Agrotóxicos
( ) Lixo
( ) Esgoto
(  )  Metais pesados
(   ) Resíduos e efluentes industriais
( ) Outros ___________________________
7. A água que sua comunidade bebe recebe algum tipo de tratamento?
( ) Não
(   ) Ela já vem tratada com cloro pela CEDAE
(   ) A água é filtrada em casa
( ) A água é fervida em casa
( ) A água recebe cloro em casa
( ) Outros _________________________
8. Sua comunidade participa de alguma discussão envolvendo o tema qualidade da água?
( ) Sim 	 ( ) Não
9. Quem participa?
( ) Associação de moradores
( ) Todos os moradores
( ) ONGs locais
( ) Lideres da comunidade
(   ) Igreja
( ) Políticos
10. Na região onde você mora existem Comitês de Bacia Hidrográfica organizados?
( ) Sim 	 ( ) Não 	 ( ) Não consegui informação
11. O que acontece na sua comunidade com o esgoto (da privada)?
( ) É coletado
(   ) É jogado em sumidouro no solo
(   ) É jogado diretamente nas ruas
(   ) É jogado diretamente nos rios
(   ) É jogado diretamente no mar
( ) Outros _________________________
63
12. Quem é responsável pela coleta?
13. Recebe algum tipo de tratamento?
( ) Não
( ) Fossa séptica
( ) Sumidouro
( ) Biodigestor
( ) Estação de tratamento de esgotos (ETE)
Outros ___________________________
14- Existe algum rio ou córrego passando próximo à sua comunidade?
( ) Sim
( ) Não, nunca existiu
( ) Já existiu, mas secou com o tempo
( ) Sim, mas se encontra canalizado
15- Qual a situação atual dele?
( ) Ele está muito limpo
(  ) Ele está um pouco contaminado/sujo
(  ) Ele está completamente contaminado/sujo
16- Se estiver contaminado/sujo, você sabe indicar a sua fonte poluidora?
(  ) Não sei identificar, pois ele já chega sujo à comunidade
( ) Esgoto domiciliar
( ) Esgoto industrial
( ) Esgoto hospitalar
( ) Lixo
Outros ___________________________
67
BREVE HISTÓRIA DO RÁDIO
1887
O cientista alemão Rudolf Hertz provou a existência das ondas de rádio criando aparelhos
emissores e detectores de ondas de rádio. Neste mesmo ano o alemão Emil Berliner inventou o
gramofone, que servia para reproduzir som gravado utilizando um disco plano.
1893
Poucos brasileiros sabem mas o padre gaúcho Roberto Landell de Moura inventou diversos
aparelhos importantes para a história do rádio que foram expostos ao público de São Paulo. Padre
Landell foi o precursor da transmissão de vozes e ruídos, o que posteriormente viria a ser o rádio.
1897
Marconi ganhou a patente inglesa para o telégrafo sem fio. Oliver Lodge inventou o circuito elétrico
sintonizado, que possibilitou a mudança de sintonia, selecionando a freqüência desejada. Lee
Forest desenvolveu a válvula Tríodo. Von Lieben, na Alemanha, e Armstrong, nos Estados Unidos,
empregaram o Tríodo para amplificar e produzir ondas eletromagnéticas de forma contínua.
1916
Lee Forest instala a primeira “estação estúdio” de radiodifusão na cidade de Nova York,
transmitindo conferências, música clássica ao vivo e gravações, além de transmitir as apurações
eleitorais para a presidência dos Estados Unidos.
1920
Um engenheiro da companhia Westinghouse montou um transmissor radiofônico em casa,
dando origem ao rádio como o conhecemos hoje.
Surge o microfone a partir da ampliação dos recursos do bocal do telefone por um engenheiro
da Westinghouse. Foi a própria Westinghouse que fez nascer a radiodifusão ao instalar em seu
pátio uma grande antena para transmitir música para os moradores do bairro. Com o término
da primeira guerra mundial, a Westinghouse, que fabricava os aparelhos de transmissão para o
exércitoamericano,ficoucomumgrandeestoquedeaparelhosqueforam,então,  comercializados.
1938
Transmissão por Orson Welles de um programa radiofônico baseado na novela literária “A Guerra
dos Mundos” de H.G.wells, que causou  pânico em Nova York, em razão de os ouvintes acreditarem
que os marcianos estavam invadindo a Terra, como alardeava o programa sem avisar que tratava-
se de ficção. Demonstra-se assim que o rádio além de emissor de informação e entretenimento
é também um agente indutor de comportamentos.
1947
A invenção do transistor revolucionou o rádio, que deixa de ser um móvel da sala e torna-se
nômade como os ouvidos, passando a estar em qualquer espaço.
68
O RÁDIO NO BRASIL
1922
A primeira transmissão radiofônica foi no Rio de Janeiro, durante as comemorações dos cem anos
da independência do Brasil com o discurso do então presidente Epitácio Pessoa para os auto-
falantes instalados no centro da cidade.
1923
Fundação da Rádio sociedade do Rio de Janeiro por Roquete Pinto e Henrique Moritz. Até os
anos 30 o rádio era privilégio das elites.Todas as emissoras chamavam-se clubes e sociedades
porque eram clubes e associações sustentadas pelos sócios. Transmitiam somente 4 horas de
programação, os receptores eram caros e importados.
1932
O rádio entra na era comercial.
Antônio Nássara, cartunista e compositor, improvisa um fado ao vivo para anunciar uma padaria
do Rio do janeiro – está criado o primeiro jingle do rádio brasileiro.
Na década de 30, com Getúlio Vargas no poder, foram criadas as regras oficiais da radiodifusão
no Brasil. A partir de 1934, o governo federal passou a exigir um novo tipo de licença (concessão)
dos interessados em colocar uma rádio no ar. Determinou-se que as concessões seriam renovadas
a cada 15 anos e as emissoras funcionariam segundo leis específicas.
Vargas foi o primeiro político brasileiro a perceber a capacidade de alcance do rádio em um país
com a dimensão do Brasil.
1937
Entra no ar o programa “A Voz do Brasil” (“ Hora do Brasil”), criado para ser o divulgador oficial
das ações do governo.
1940
Getúlio Vargas assume o controle da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que vem a se tornar a
maior emissora do país, influenciando definitivamente a linguagem e o modo de se produzir rádio
no Brasil. Surgem os programas de auditório, os cantores e cantoras que arrastam multidões,
programas humorísticos, jornalísticos e as rádios novelas com apuro técnico e sonoplastia.
1941
O Brasil entra na ll Guerra e a Rádio Nacional do Rio de Janeiro coloca no ar o primeiro “Repórter Esso”,
com informes sobre o desenrolar da guerra. Os  dois bordões principais do noticiário ficaram para
sempre na memória do rádio brasileiro: “O primeiro a dar as últimas”, “testemunha ocular da história.”
A maior contribuição do “Repórter Esso” foi introduzir no rádio brasileiro o noticiário adaptado
para a linguagem radiofônica (até então era somente a leitura das notícias dos jornais) e com
horários regulares.
Lança no Brasil o primeiro guia de radiojornalismo.
69
A forte credibilidade do “Repórter Esso” foi resultado em boa parte da locução de Heron
Domingues: “ O ritmo das frases para valorizar a informação e a interpretação do texto para
conseguir atrair e cativar o ouvinte.”
1948 -
O transistor chega ao Brasil. Os receptores tornam-se portáteis e mais baratos.
O rádio torna-se nômade como os ouvidos.
1974
Surge em Vitória, Espírito Santo, a Paranóica FM, talvez a primeira rádio FM a ir ao ar no Brasil.
A banda FM e o transistor causam forte impacto tanto na linguagem do rádio como também no
modelo de negócio desta mídia.
1981/1984
Surgem as primeiras Rádios Livres, embrião das rádios comunitárias, em Sorocaba, interior de
São Paulo, montada por estudantes secundaristas, com algum conhecimento de eletrônica e sem
pretensões política, da escola técnica da cidade. Eram basicamente musicais, transmitiam em FM,
não tinham horários nem programas fixos, contestavam e parodiavam a programação das FMs
locais. O movimento de rádios livres de Sorocaba teve seu apogeu entre 1981 e 1984.
1982
Surge a Fluminense FM, “A Maldita” . Com uma linguagem original e só com locução feminina
ela revoluciona o dial . Sua programação musical só tocava o que as outras rádios não tocava e
isto incluía gravações demonstrativas de bandas desconhecidas: ela lançou por exemplo Legião
Urbana, Paralamas do sucesso, Lobão, Capital inicial, Kid Abelha e etc. Popularizou pela primeira
vez um programa diário sobre meio ambiente.
1985
Entra no ar a Rádio Xilik, inspirada na experiência das rádios livres italianas e francesas. A Xilik,
produzida por estudantes da PUC de São Paulo, com transmissor instalado clandestinamente no
campus. A Xilik surge principalmente como ato político que contestava a política de concessões
de rádio da ditadura militar.
Esta experiência teve impacto nacional e os manifestos da emissora serviram durante muitos
anos como inspiração para segmentos da sociedade questionarem a política de concessões de
frequências de rádio e tv no Brasil.
1986
Entra no ar a Rádio livre Tam Tam no município de Macaé no Rio de Janeiro. Com uma programação
bem humorada que parodiava a linguagem da publicidade em rádio produzindo anti-propaganda
de produtos e questionando a política de concessões do Estado.
1989
Ocorre o l encontro Nacional de Rádios Livres, na Escola de Comunicações e Artes da USP,
organizado pela UNE e pelo Coletivo Nacional de Rádios Livres (CNRL).
70
1990
Acontece o ll Encontro Nacional de Rádios Livres, em Goiânia, que define: “ Rádio Livre é aquela
que vai ao ar sem pedir autorização a quem quer que seja.” Este encontro também delibera como
tarefa do movimento a construção de um modelo de radiodifusão comunitária no país, ou seja, a
constituição de emissoras sem fins lucrativos, programação plural e gestão participativa.
Entra no ar a Rádio Clube Novos Rumos no município de Queimados no Rio de Janeiro, tida como
a primeira rádio comunitária do Brasil, que colocou em prática os princípios de uma rádiodifusão
sem fins lucrativos, programação plural e dirigida por pessoas eleitas pela própria comunidade.
1991
Fundação do FNDC ( Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação ) que veio a se tornar
a principal instância de formulação de políticas públicas democratizantes da comunicação no
Brasil.
Entra no ar a Rádio comunitária Meia Ponte, em Pirinópolis, estado de Goiás.
1994
Entra no ar a Rádio Reversão em São Paulo, a primeira rádio livre do Brasil autorizada a operar
por força de uma decisão judicial.
1995
Ocorre o l Encontro Nacional de Rádios Livres e Comunitárias, na ABI do Rio de Janeiro, organizado
pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.
Define-se então Rádios Comunitárias como rádios sem fins lucrativos, de programação plural e
gestão participativa.
1996
Fundação da ABRAÇO (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária) em Praia Grande ,São Paulo,
com a presença de mais de 300 rádios e com amplo apoio do movimento social.
1998
É sancionada pelo presidente da república a lei 9612 que regulamenta o funcionamento das
rádios comunitárias no país.
De 1980 para cá
a proliferação de rádios livres e comunitárias é proporcional à insatisfação de segmentos da
sociedade civil com o predomínio do critério político eleitoral adotado pelo governo federal na
concessão de canais de rádio e televisão.
71
RÁDIO COMUNITÁRIA
O QUE É UMA RÁDIO COMUNITÁRIA?
O Serviço de Radiodifusão Comunitária foi criado pela Lei 9.612, de 1998, regulamentada pelo Decreto
2.615 do mesmo ano. Trata-se de radiodifusão sonora, em freqüência modulada (FM), de baixa potência
(25 Watts) e cobertura restrita a um raio de 1km a partir da antena transmissora. Podem explorar esse
serviço somente associações e fundações comunitárias sem fins lucrativos, com sede na localidade e da
prestação do serviço. As estações de rádio comunitárias devem ter uma programação pluralista, sem
qualquer tipo de censura, e devem ser abertas à expressão de todos os habitantes da região atendida.
COMO DEVE SER A PROGRAMAÇÃO DE UMA RÁDIO COMUNITÁRIA?
A programação diária de uma rádio comunitária deve conter informação, lazer, manifestações culturais,
artísticas, folclóricas e tudo aquilo que possa contribuir para o desenvolvimento da comunidade, sem
discriminação de raça, religião, sexo, convicções político-partidárias e condições sociais. A programação
deve respeitar sempre os valores éticos e sociais da pessoa e da família, prestar serviços de utilidade
pública e contribuir para o aperfeiçoamento profissional nas áreas de atuação dos jornalistas e radialistas.
Além disso, qualquer cidadão da comunidade beneficiada terá o direito de emitir opiniões sobre
quaisquer assuntos abordados na programação da emissora, bem como manifestar idéias, propostas,
sugestões, reclamações ou reivindicações.
O QUE NÃO PODE SER TRANSMITIDO POR UMA RÁDIO COMUNITÁRIA?
É proibido a uma rádio comunitária utilizar a programação de qualquer outra emissora simultaneamente,
a não ser quando houver expressa determinação do Governo Federal. Não poderá ela, também, em
hipótese alguma: veicular qualquer tipo de defesa de doutrinas, idéias ou sistemas sectários; e inserir
propaganda comercial, a não ser sob a forma de apoio cultural, de estabelecimentos localizados na
sua área de cobertura.
O QUE É APOIO CULTURAL?
De acordo com a lei nº 9.612/98, uma emissora de rádio comunitária não pode veicular
publicidade comercial. Ela pode veicular apenas apoio cultural de entidades localizadas na área
de cobertura do serviço, entendendo-se apoio cultural como a forma de patrocínio limitada
à divulgação de mensagens institucionais para pagamento dos custos relativos à transmissão
da programação ou de um programa específico, em que não podem ser propagados bens,
produtos, preços, condições de pagamento, ofertas, vantagens e serviços que, por si só,
promovam a pessoa jurídica patrocinadora, sendo permitida a veiculação do nome, endereços
físicos e eletrônicos e telefone do patrocinador situado na área de execução do serviço.
A Rádio Comunitária é obrigada a veicular o programa
'A VOZ DO BRASIL' e o 'O HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO'?
72
O programa oficial de informações dos poderes da República, mais conhecido como “Voz do Brasil”,
deve ser transmitido obrigatoriamente por todas as emissoras de rádio, no horário de 19 às 20 horas,
exceto aos sábados, domingos e feriados. A exigência de veiculação desse programa consta do art.
38 do Código Brasileiro de Telecomunicações. A emissora de rádio comunitária também é obrigada,
nos períodos que antecedem as eleições, a transmitir programas eleitorais e propaganda eleitoral
gratuita. A veiculação desses conteúdos é regulamentada pela Justiça Eleitoral, que estabelece as
regras que devem ser seguidas pelas emissoras.
QUAL DEVE SER O HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DE UMA RÁDIO
COMUNITÁRIA?
A programação diária de uma emissora de rádio comunitária deve ter, no mínimo, 8 horas de duração.
Fonte: Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária – ABRAÇO: www.abraconacional.org
PARA QUE SERVE A RÁDIO COMUNITÁRIA?
1) É um veículo da expressão social da comunidade.
2) Divulgar temas que não têm espaço em outros meios: a cultura, a educação, a saúde, a
segurança, a organização política e o meio ambiente.
3) Foco no interesse do ouvinte. A comunidade pode através da rádio comunitária, fazer
sua própria comunicação, mais concreta e real, mais próxima da sua realidade.
4)Há possibilidade de diálogo no plano público, explicitações e produção de consensos
para a resolução das dificuldades individuais e coletivas.
5) Aumenta a solidariedade social, a segurança coletiva, a cidadania, a democracia e
liberdade de expressão.
6) A Democratização da Mídia prioriza a diversidade cultural no lugar da massificação, o
controle do cidadão no lugar de escolha corporativa, o desenvolvimento cultural e social
no lugar da concentração de lucro e informação.
Eixos relevantes:
1) Educomunicação - utilização da mídia (rádio)comprometida com a informação voltada
para a instrução, orientação, indicação de caminhos e oportunidades, esclarecendo e
tratando dos interesses da comunidade, sem deixar de lado a cultura e o entretenimento;
2) Protesto - contra um sistema de mídia baseado na comercialização e na exclusão;
3) Mudança - mobiliza, forma opinião, cobra direitos e deveres, clama por reformas
que respondam aos interesses públicos, promovam a diversidade e que assegurem a
representação e a responsabilidade comunitária.
73
LEGISLAÇÃO SOBRE AS RÁDIOS COMUNITÁRIAS
Aqui apresentaremos alguns pontos específicos da lei que regulamenta
os serviços de radiodifusão comunitária.
Lei nº 9.612 de 19/02/98
Art. 1º -Denomina-seServiçodeRadiodifusãoComunitáriaaradiodifusãosonora,emfreqüênciamodulada,
operada em baixa potência e cobertura restrita, outorgada a fundações e associações comunitárias, sem
fins lucrativos, com sede na localidade de prestação do serviço.
§ 1º Entende-se por baixa potência o serviço de radiodifusão prestado a comunidade, com potência
limitada a um máximo de 25 watts ERP e altura do sistema irradiante não superior a trinta metros.
Comentário: As rádios comunitárias questionam já este parágrafo primeiro:
a) Porque 25 watts representa muito pouca potência, suficiente para cobrir no máximo 1 km,
dependendo das condições geográficas da localidade. Por exemplo: se esta localidade tiver
morros, como é o caso do estado do Rio de Janeiro, o alcance será ainda mais reduzido.
b) Antena com apenas 30 metros de altura. As rádios questionam a razão de estabelecer
30 metros para todo o território Nacional, sem levar em consideração as especificidades
geográficas de cada região do Brasil, um país de dimensões continentais.
§ 2º Entende-se por cobertura restrita aquela destinada ao atendimento de determinada comunidade de
um bairro e/ou vila.
Comentário: O segundo parágrafo também é questionável já que inúmeras rádios
comerciais, apesar terem veiculadas suas autorizações à determinadas localidades,
não estão situadas em suas cidades de origem, ou seja várias cidades do país não são
cobertas por nenhum tipo de radiodifusão que atenda ao conjunto dos seus interesses,
à sua unidade territorial como um todo.
a) De um lado muitas rádios comercias guiadas exclusivamente por seus interesses
financeiros se mudam de cidade e perdem o seu vínculo com o município de origem da sua
concessão. Muitas vezes acontece destas rádios, além de transmitirem de outro lugar,  não
falarem sequer da sua cidade de origem, não empregarem funcionários da localidade, não
divulgarem sua cultura, seus artistas, ou até mesmo notícias locais.
b) E por outro lado a própria legislação impede que as rádios comunitárias aumentem a
sua potência e possam atender à todo o município, ou seja a Legislação é falha porque não
atende ao seu principal objetivo: proporcionar uma programação de qualidade que atenda aos
interesses públicos.
Art. 3º - O Serviço de Radiodifusão Comunitária tem por finalidade o atendimento à comunidade beneficiada,
com vistas a:
I - dar oportunidade à difusão de idéias, elementos de cultura, tradições e hábitos sociais da comunidade;
II - oferecer mecanismos à formação e integração da comunidade, estimulando o lazer, a cultura e o
convívio social;
74
III - prestar serviços de utilidade pública, integrando-se aos serviços de defesa civil, sempre que necessário;
IV - contribuir para o aperfeiçoamento profissional nas áreas de atuação dos jornalistas e radialistas, de
conformidade com a legislação profissional vigente;
V - permitir a capacitação dos cidadãos no exercício do direito de expressão da forma mais acessível possível.
Comentário: A lei determina muitas finalidades importantes para as rádios comunitárias,
mas não oferece-lhe condições de viabilizar estes princípios. Determina ou prioriza  apenas
restrições de alcance e viabilidade econômica. No artigo Artigo 18, por exemplo, a lei diz :
As prestadoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária poderão admitir patrocínio, sob a
forma de apoio cultural, para os programas a serem transmitidos, desde que restritos aos
estabelecimentos situados na área da comunidade atendida.
Art 4º - As emissoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária atenderão, em sua programação, aos
seguintes princípios:
I-preferênciaafinalidadeseducativas,artísticas,culturaiseinformativasembenefíciododesenvolvimento
geral da comunidade;
II - promoção das atividades artísticas e jornalísticas na comunidade e da integração dos membros da
comunidade atendida;
III - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família, favorecendo a integração dos membros
da comunidade atendida;
IV - não discriminação de raça, religião, sexo, preferências sexuais, convicções político-ideológico-
partidárias e condição social nas relações comunitárias.
§ 1º Á vedado o proselitismo* de qualquer natureza na programação das emissoras de radiodifusão comunitária.
§ 2º As programações opinativa e informativa observarão os princípios da pluralidade de opinião e de
versão simultâneas em matérias polêmicas, divulgando, sempre, as diferentes interpretações relativas
aos fatos noticiados.
§ 3º Qualquer cidadão da comunidade beneficiada terá direito a emitir opiniões sobre quaisquer
assuntos abordados na programação da emissora, bem como manifestar idéias, propostas, sugestões,
reclamações ou reivindicações, devendo observar apenas o momento adequado da programação para
fazê-lo, mediante pedido encaminhado à Direção responsável pela Rádio Comunitária.
De imediato é também  importante você saber que o projeto “Ondas do Ambiente” atende o Art.igo 20
da lei 9.612 que diz :
Art 20º - Compete ao Poder Concedente estimular o desenvolvimento de Serviço de Radiodifusão
Comunitária em   todo o território nacional, podendo, para tanto, elaborar Manual de Legislação,
Conhecimentos e Ética para uso das rádios comunitárias e organizar cursos de treinamento, destinados
aos interessados na operação de emissoras comunitárias, visando o seu aprimoramento e a melhoria
na execução do serviço.
*Proselitismo: empenho ativista de converter uma ou várias pessoas a uma determinada causa, idéia ou religião.
75
PARA QUE SERVE A RÁDIO ESCOLA?
Entre vários benefícios diretos e indiretos, de se fazer uma Rádio Escola, podemos citar:
1- O desenvolvimento da criatividade, do senso de responsabilidade, da liberdade de
expressão;
2- A exploração das potencialidades pedagógicas do rádio para a difusão de conteúdos
escolares;
3- A promoção da educação ambiental na escola de forma interdisciplinar;
4- A contribuição para a formação do jovem e o estímulo ao exercício da cidadania;
5- O combate à violência e o favorecimento à cultura de paz no ambiente escolar;
6- O esclarecimento e a sensibilização de temas que tenham o interesse dos ouvintes;
7- Divulgação das oportunidades de estágios, bolsas de estudo, calendário escolar;
8- Estímulo,descoberta, e promoção de talentos locais;
9- A integração entre os alunos, os professores, os funcionários, a família e a comunidade
no ambiente escola;
10- Prática da educomunicação socioambiental.
O TEXTO RADIOFÔNICO
“Escrever para quem ouve é escrever como quem fala.” (Ivan Tubau)
Antes de conhecermos as especificidades do texto escrito para o rádio, vamos destacar algumas das
principais características desta mídia:
Sensorialidade: o rádio forma imagens. Quem faz textos e comentários para o rádio escolhe as palavras
de modo a criar imagens na mente do ouvinte no sentido de tornar o assunto inteligível e, de certa
forma, “mentalmente visível”.
Abrangência: o rádio fala para milhões de pessoas;
Regionalismo: o regionalismo é uma marca fundamental do rádio, pois dá visibilidade às informações locais.
Este princípio dinamiza as relações entre rádio e comunidade. É importante avaliar corretamente o que é
uma notícia local e distinguir entre o que é local e o que é paroquial; No casa de rádio comunitária existe a
liberdade e até o dever de conceder uma atenção especial para as prioridades do entorno.
Intimidade: o rádio fala para cada indivíduo. As palavras, a forma de falar são pensadas para o ouvinte
com suas particularidades e expectativas. O transistor facilitou este caráter, já que permitiu uma audiência
individual. O tom íntimo das transmissões materializado pelas expressões “amigo ouvinte”, “querido ouvinte”,
proporcionam aproximação e intimidade, fazendo do rádio um veículo companheiro. Por isto o rádio tem
este caráter de “amigo”: você liga e ele está lá.
76
Imediatismo e instantaneidade: O rádio possui um caráter imediato, possibilitando que o ouvinte se intere
dos fatos no momento em que estão acontecendo. O rádio acelera a disseminação de informações em curto
espaço de tempo. Com um celular e uma híbrida o repórter pode entrar no ar de qualquer lugar do mundo e
transmitir uma informação. Nenhum outro veículo tem esta facilidade.
Simplicidade: com uma estrutura mínima trabalha-se no meio, o que abre precedentes para que pessoas
não-especialistas se aventurem na arte de fazer rádio.
Mobilidade: o rádio pode ser levado e ouvido em qualquer lugar, e em todas as circunstâncias: no carro, na
rua, no banho, na cozinha, no campo de futebol, no bar da esquina. O rádio não exige atenção fixa como a
televisão, pode-se ouvi-lo realizando outras atividades.
Acessível: O rádio é muito popular. Praticamente toda residência tem um ou vários aparelhos. Segundo
pesquisas recentes, a proporção é de um rádio por pessoa. O rádio está sempre por perto, ao alcance da mão
ou do ouvido, atingindo toda a população, da criança ao idoso.
Função Social:  O rádio é um meio que influência o cotidiano das pessoas e tem a magia de cativar
e sensibilizar seus ouvintes, conduzindo-os à atitudes e comportamentos. Por causa de todas estas
características anteriormente citadas, concluímos que este veículo possui uma importante função social,
se destacando como importante agente de formação de opinião e mobilização coletiva. Por isto o rádio é
potencialmente um importante aliado de políticas públicas e projetos comunitários que possam promover
o desenvolvimento local e a inclusão social, colaborando para o diálogo entre indivíduos e grupos e
fortalecendo a noção de comunidade.
	
REDAÇÃO DO TEXTO RADIOFÔNICO
A regra geral do texto escrito para o rádio é utilizar-se de linguagem direta, períodos curtos e simples,
poucos adjetivos, objetividade e revisão.
No meio impresso (jornais, revistas, etc.) é possível reler o que não foi entendido, mas no rádio, se isso acontecer,
a informação fica perdida. A mensagem no rádio se “dissolve” no momento em que é levada ao ar.  O ouvinte não
pode perguntar “o quê ele disse?” Devemos ser objetivos e claros.
Escrever como se fala.
É a dica mais importante de todas: leia a sua nota em voz alta, para conferir
se o que você está querendo dizer está fácil de ser entendido.
Veja agora algumas recomendações
para a redação de um texto rádio:
•	 Formar frases sempre em ordem direta, isto é, sujeito-verbo-predicado. A ordem direta é a
forma mais simples de compreender o que é dito.
		 Ao invés de usar: Estava congestionada a rua.
		 Prefira: A rua estava congestionada.
77
•	 O texto começa com as principais informações. Procure a novidade, o fato que atualiza a
notícia e a torna o mais atraente possível. A missão do redator é conquistar o ouvinte na
primeira frase. Se esta não levar à segunda, a comunicação está morta.
•	 Proximidade: quanto mais próximo o ouvinte estiver do local do evento, mais interesse a
notícia gera, porque implica mais diretamente na vida do ouvinte. Este é um fator de muita
importância, principalmente para as rádios comunitárias.
Lead (ou Lide)
O lead (ou, na forma aportuguesada, lide) é uma expressão inglesa que significa “guia” ou “o que vem à
frente”.   Em jornalismo, chamamos de lead a primeira parte de uma notícia, geralmente posta em destaque
relativo, que fornece ao leitor a informação básica sobre o tema e pretende prender-lhe o interesse.
Procure o fato que atualiza a notícia e a torna o mais atraente possível. No “lead”, ou na cabeça da notícia,
o ouvinte já deve ser informado do acontecimento. De uma certa maneira é uma espécie de MANCHETE
que já  informa ao ouvinte uma síntese da notícia.
Na teoria do jornalismo, as seis perguntas básicas do lead devem ser respondidas na elaboração de uma
matéria. São elas:
O quê?	 O assunto
Quem?	 Pessoas ou coisas envolvidas
Onde?		 Local onde acontece o fato
Quando?	 Data, hora
Como?	 Modo como se desenrolou o fato
Por Quê?	 Causas
VAMOS AOS EXEMPLOS
EXEMPLOS 1
ACIDENTE COM ÔNIBUS CAUSA TRAGÉDIA NO RIO/////
UM ÔNIBUS DA LINHA QUATRO-OITO-QUATRO, QUE LIGA OLARIA A COPACABANA, INVADIU A CALÇADA
E MATOU CINCO PESSOAS E DEIXANDO MAIS DE TRINTA FERIDOS NO INÍCIO DA MANHÃ DE HOJE////
O ACIDENTE ACONTECEU NA AVENIDA BRASIL, NA ALTURA DO CAJU, E SEGUNDO TESTEMUNHAS, O
MOTORISTA TRAFEGAVA EM ALTA VELOCIDADE QUANDO PERDEU O CONTROLE DO VEÍCULO E ATROPLEOU
VÁRIAS PESSOAS QUE ESTAVAM NO PONTO////
DE ACORDO COM O CORPO DE BOMBEIROS, AS VÍTIMAS FORAM LEVADAS PARA OS HOSPITAIS GETÚLIO
VARGAS, NA PENHA, E SOUZA AGUIAR, NO CENTRO////
O TRÂNSITO FICOU INTERDITADO POR VÁRIAS HORAS NO LOCAL, MAS JÁ FOI LIBERADO////
78
O quê? 	 Um acidente
Quem?	 Ônibus 484
Quando?	 Na manhã de hoje
Onde?		 Avenida Brasil, na altura do Caju
Como?	 Invadiu a calçada e matou 5 pessoas
Por Quê?	 Trafegava em alta velocidade e perdeu o controle
EXEMPLOS 2
O CORINTHIANS É O NOVO CAMPEÃO DA TAÇA LIBERTADORES DA AMÉRICA ////
O TIME, DIRIGIDO PELO TÉCNICO TITE, VENCEU A EQUIPE ARGENTINA DO BOCA JUNIORS PELO PLACAR DE
DOIS A ZERO , AGORA A POUCO, NO ESTÁDIO DO PACAEMBU, EM SÃO PAULO //////
OS DOIS GOLS DO CORINTHIANS FORAM MARCADOS PELO ATACANTE EMERSON E COROARAM UMA
CAMPANHA PERFEITA NA COMPETIÇÃO COM OITO VITÓRIAS E SEIS EMPATES //////
ESTA É A PRIMEIRA VEZ QUE O TIME PAULISTA CONQUISTA A LIBERTADORES E GANHA A OPORTUNIDADE DE
DISPUTAR O TÍTULO MUNDIAL INTERCLUBES, NO FIM DO ANO, NO JAPÃO /////
O quê?	 Campeão da Taça Libertadores
Quem?	 O Corinthians
Quando?	 Agora a pouco
Onde?		 Estádio do Pacaembu, São Paulo
Como?	 Dois a zero
Por Quê?	 Oportunidade de jogar o Mundial
79
EXERCÍCIOS 1
A ONU LANÇA, ESTE MÊS, PROJETO PARA COMBATER A EXTRAÇÃO ILEGAL DE MADEIRA EM TODO MUNDO
////
O PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE, EM PARCERIA COM A INTERPOL,
DESENVOLVE UM PROJETO QUE TEM COMO OBJETIVO COMBATER TODOS OS ASPECTOS DE CRIMES
FLORESTAIS INCLUINDO O TRÁFICO E A EXTRAÇÃO ILEGAL DE MADEIRA ////
ESSES CRIMES AMBIENTAIS DESTROEM A BIODIVERSIDADE, AFETAM O CLIMA E AMEAÇAM A VIDA
DAQUELES QUE DEPENDEM DAS FLORESTAS //////
SEGUNDO ESTUDOS DA ONU, MAIS DE UM QUARTO DA POPULAÇÃO MUNDIAL DEPENDEM DIRETAMENTE
DA FLORESTA PARA TER ACESSO A COMBUSTÍVEIS, ALIMENTOS E REMÉDIOS ////
O quê? ____________________________________________
Quem? ___________________________________________
Quando? __________________________________________
Onde? ____________________________________________
Como? ____________________________________________	
Por Quê?__________________________________________
EXERCÍCIOS 2
O RIO DE JANEIRO VAI GANHAR A PRIMEIRA COOPERATIVA PARA RECICLAGEM DE LIXO ELETRÔNICO /////
LANÇADO NA RIO MAIS VINTE, O PROJETO, DESENVOLVIDO PELA UFRJ, TEM A PROPOSTA DE COLETAR
ELETRO ELETRÔNICOS FORA DE USO COMO TV’S, COMPUTADORES, CELULARES E APARELHOS DE SOM
////
OS COMPONENTES SERÃO SEPARADOS EM TRÊS SEGMENTOS: PLÁSTICO, METAL E PLACAS QUE SERÃO
VENDIDOS PARA EMPRESAS ESPECIALIZADAS ///
A IDÉIA É, ATÉ O FIM DO ANO, FORMAR UMA REDE DE MAIS DE VINTE COOPERATIVAS NO ESTADO DO
RIO DE JANEIRO ////
SEGUNDO PESQUISAS DA ONU, O BRASIL É HOJE O CAMPEÃO NA PRODUÇÃO DE LIXO ELETRÔNICO POR
HABITANTE /////
O quê? ___________________________________________
Quem? ___________________________________________
Quando? _________________________________________
Onde? ___________________________________________
Como? ___________________________________________
Por Quê?_________________________________________
80
PRESTE ATENÇÃO NAS DICAS:
• Usar frases curtas e sintéticas. Ir direto ao assunto.
• Procurar usar o verbo sempre no presente do indicativo. Isso denota 
instantaneidade e atualidade, características do rádio. É importante 
salientar que o passado não é notícia em rádio.
• A linguagem precisa ser coloquial. Evite, por exemplo, as conjunções 
“pois”, “embora”, “após”. Elas são comuns na linguagem escrita, mas dão 
um ar pretensioso à linguagem falada. É melhor usar  “porque”, “mas” e 
“depois”.
• A pontuação é um dos pontos mais importantes na construção do texto 
radiofônico. Ela serve para associar a idéia expressada à sua unidade 
sonora. A vírgula no texto radiofônico marca uma pausa curta, que 
introduz uma pequena variação na entonação, e dá lugar à renovação 
do ar.
• É bom lembrar que o texto radiofônico - em especial a sonora (entrevista 
/depoimento) precisa ser o mais claro possível, para que facilite a 
compreensão do ouvinte que, na maioria das vezes, terá apenas uma 
oportunidade de escutar a notícia.
• É aconselhável evitar adjetivos, pois eles carregam pouca informação 
e podem induzir o ouvinte a endossar juízos de valor pré-determinados.
Substantivos fortes e verbos na voz ativa reforçam a densidade 
indispensável ao texto escrito para o rádio.
• Evite a gíria. Ela vulgariza o texto. Mas isto não significa usar palavras 
rebuscadas, e, muito menos, menosprezar o ouvinte. Entra aqui o bom 
senso.
• A pontuação merece atenção especial. No rádio a pontuação serve para 
associar a ideia a sua unidade sonora, isto é, marca unidades fônicas e 
não gramaticais.  O uso dos sinais ortográficos facilita a entonação da 
voz e a respiração.
• O “ponto” deve ser substituído por barras “///”, para que o locutor possa 
visualizar com mais facilidade o final dos períodos e assim calcular o 
ar necessário nos pulmões, o suficiente para executar uma locução mais 
confortável e com boa interpretação.
• Evitar a cacofonia, isto é, palavras que, quando juntas, formem uma 
terceira. Ex: boom da soja; por cada; me jogou; buscar alho; uma mão.
• Evite frases longas: elas dificultam a respiração do apresentador/
locutor e são mais difíceis de serem entendidas pelo ouvinte. Cada frase 
deve expressar uma ideia.
81
• O texto precisa ter ritmo. Use frases curtas e evite frases intercaladas,
entre vírgulas. Mas tenha cuidado: as frases devem ser curtas, mas não 
telegráficas . A regra é escrever como se fala.
• Evite o uso do não no lide (lead). Conte o que aconteceu; ninguém liga 
o rádio para saber o que não aconteceu.
• Também deve-se ter cuidado com o uso dos pronomes possessivos como 
seu, sua, seus e suas. O ouvinte pode entender que está se falando dele, ou 
de alguma pessoa ou objeto de suas relações pessoais.
• A revisão do texto em voz alta é a melhor maneira de se evitar erros que 
“derrubam” o apresentador/locutor. Coloque-se no lugar do ouvinte;  ele 
não está lendo. Com a leitura em voz alta é possível identificar problemas 
com a sonoridade das palavras, concordância, cacófatos, frases sem 
sentido, e etc.
LINGUAGENS DE RÁDIO (PRODUTOS)
VINHETA
•	 Um texto curto associado a um efeito sonoro ou música.
•	 É usada para identificar a emissora, programas ou quadros.
•	 Pode também marcar abertura e encerramento de programas, separar os blocos ou
anunciar quadros do programa ou emissora.
•	 Pode ser usada várias vezes durante a programação.
•	 Dá mais dinamismo e torna a programação mais interessante.
			
DICA: QUANTO MAIS VINHETAS MELHOR
Ex: “plim-plim” (sinal sonoro, TV Globo); “O relógio marca” (falado, transmissão
esportiva); “sempre... Coca-Cola” (cantado, publicidade); “Em vinte minutos tudo
pode mudar.” (BandNews).
82
SPOT
•	 É uma produção curta e impactante feita com a intenção de promover uma idéia ouum produto.
•	 Muito utilizado em rádio.
•	 Podem ser institucionais, campanhas educativas, publicitárias, etc.
•	 São utilizados recursos criativos como efeitos sonoros, músicas, e uma locução adequada ao  texto.
•	 Tem começo, meio e fim, estimula a atenção desde o início, mantém o interesse e provoca
algum tipo de reação no ouvinte.			
•	 Geralmente tem duração de até 01 minuto.
EXEMPLO:
Você sabia que a buzina dos carros é uma das principais fontes de poluição sonora na
nossa cidade ?? //////
E, para os desavisados, buzinar sem parar acarreta ao motorista nervosinho uma multa de
50 reais e menos três pontos na carteira de habilitação /////
Respeite o direito do cidadão e use a buzina de seu carro com responsabilidade ////
Uma campanha nas ondas do ambiente ////
Rádio arroba escola ponto com /////
OBS: Conceito + Convite.
No caso da educomunicação, podemos utilizar o spot institucional fazendo
uma comunicação breve onde se passa um conceito ou idéia, estimulando a
participação dos ouvintes.
EXEMPLO:
O papel demora de três a seis meses para se decompor no ambiente/////
Pratique a coleta seletiva /////
A natureza agradece! /////
83
NOTAS JORNALÍSTICAS
•	 Texto pequeno, de cinco a oito linhas, com início, meio e fim, sobre determinado fato ou
acontecimento que atualiza informações de interesse do ouvinte.
EXEMPLO:
TRINTA E QUATRO MILHÕES DE ÁRVORES SERÃO PLANTADAS NO RIO DE JANEIRO ATÉ AS
OLIMPÍADAS DE 2016 ////
ESTA INICIATIVA DA SECRETARIA DE ESTADO DO AMBIENTE BUSCA COMPENSAR A EMISSÃO
DE GASES DO EFEITO ESTUFA DURANTE A REALIZAÇÃO DA COPA DE 2014 E OLIMPÍADAS
DE 2016 /////
PARA COLOCAR O PROJETO EM PRÁTICA, SERÃO CRIADOS CERCA DE CINCO MIL EMPREGOS
VERDES VOLTADOS PARA A PRODUÇÃO, O PLANTIO, E A MANUTENÇÃO 	 DESSAS MUDAS
/////
JINGLE
•	 É uma mensagem publicitária musicada e elaborada com refrão simples e de curta duração,
a fim de ser lembrada com facilidade.	 	
•	 É uma música feita para um produto ou empresa; utilizada por emissoras de rádio ou TV para
identificação da marca, canal, frequência.
•	 Geralmente tem letras e melodias simples para que sejam facilmente memorizadas e 	
recordadas por quem as ouve.
EXEMPLO:
”Dolly, Dolly guaraná Dolly, Dolly guaraná, o sabor brasileiro”
”Já é Natal na Leader já é hora...”
Me dá, me dá. me dá. Me dá Danoninho, Danoninho dá. Cálcio e vitamina pra gente brincar”
RADIONOVELA ou RADIOTEATRO
•	 É uma narrativa sonora, nascida da dramatização do gênero literário novela, produzida e
divulgada em rádio.
•	 Envolve, geralmente, mais de uma voz, efeitos sonoros, músicas, etc.
•	 Temas de interesse público com criatividade e bom humor.
MÚSICA
•	 A música tem fundamental importância na rádio. Como toda a produção da rádio, a programação
musical é definida a partir do seu público alvo.
•	 Através da música uma rádio marca seu estilo, sua tendência, proposta e personalidade.
•	 Portanto, tenha coerência, sensibilidade, inteligência, criatividade.
•	 Uma música pode dar continuidade ao clima de um assunto ou, ao contrário, mudar do triste
para o alegre, do lendo para o rápido, sempre de acordo com um contexto. Tenha feeling!
EXEMPLO:
A última música tocada na saudosa Rádio Fluminense FM, A Maldita, foi: The End, da
banda The Doors.
84
PRODUÇÃO DE PROGRAMAS RADIOFÔNICOS
PRODUÇÃO
Uma coordenação integra diferentes tarefas que precisam ser feitas por diferentes pessoas com funções
específicas, prazos determinados e um objetivo em comum: fazer um programa de rádio. Portanto,
organização, participação, divisão de tarefas e compromisso, estão no início da “brincadeira”. Assim
funciona uma equipe de rádio. Cada um deve ocupar a tarefa que mais curte, mas é importante que
todos estejam capacitados no tripé: Redação, Locução e Operação de Áudio, para um colega poder
substituir o outro garantindo o funcionamento da rádio.
A produção é tudo, pois engloba o antes (reunião de pauta, pesquisa, gravação e edição de sonoras,
agendamento e confirmação dos convidados) o durante (chegada dos convidados, equipamentos,
silêncio no estúdio) e o depois (pesquisa de opinião, sugestões, repercussão, já pensando no
próximo).É importante equilibrar informação e entretenimento.Interatividade é a palavra de ordem.
A Grade de Programação deve ser variada e buscar cativar os ouvintes, por isso é saudável que tenha
o predomínio da música, mas sempre misturadas às diversas informações de interesse dos ouvintes,
como educação e cidadania, cultura e diversão. Cada integrante da rádio vira uma antena sintonizada ao
meio em que circula. Desde o quintal de casa, até o pátio e a sala de aula, as ruas, os bairros, as árvores,
montanhas, os lixos, as águas. Nossa “frequência” é socioambiental e assim podemos produzir diferentes
tipos de programas. Entre os vários gêneros, estão os humorísticos, jornalísticos, entrevistas, musicais...
Algumas funções da equipe:
Produtor(a) ou Coordenador(a):
•	 Cria ou supervisiona a pesquisa que vai alimentar a pauta com as informações fundamentais
sobre o tema abordado
•	 Cria e elabora roteiros, programas, vinhetas e chamadas.
•	 É responsável pela coordenação do programa, organiza a grade de programação, horários,
lidera e supervisiona a equipe.
•	 Desenvolve pesquisa sobre temas, textos e músicas.
•	 Acompanha a execução do roteiro, seja em apresentações ao vivo ou gravações.
•	 Realiza agendamento de entrevistas.
Locutor(a):
Apresenta o programa e deve ter conhecimento prévio do roteiro, dos dados levantados pela pesquisa e das
perguntas que serão feitas aos convidados. Âncora é o principal locutor ou apresentador e pode ter mais de um.
Repórter
É quem faz as entrevistas, reportagens e elabora a pauta juntamente com o produtor.
85
Operador(a) de Áudio/Sonoplasta
Opera os equipamentos de áudio, verifica se os microfones estão bem posicionados, equalizados,
no volume correto, grava, edita e monta diferentes produtos colocados no ar como sonoras e
indicam o início das locuções que utilizam BG, entre outras tarefas mais detalhadas na parte do
Rádio e Sonoplastia da apostila. Por melhor que seja a redação e a locução, sem uma operação de
áudio correta, tudo estará perdido!
MODELO DE PAUTA
Pauta
É uma orientação para o repórter saber com quem vai conversar, sobre quais assuntos, contextos, destaques,
onde, quando, definidos previamente na Reunião de Pauta. Apesar de toda a elaboração, não esqueça que
a pauta está a serviço do repórter. A pauta, na verdade, garante um ponto que devem ser tratados na
reportagem ou entrevista, podendo, no decorrer dos fatos, ser totalmente modificada, desde as perguntas
até os entrevistados, garantindo autonomia para o repórter decidir pela notícia inédita que surge num
momento imprevisível, como um furo.
Tema
O assunto que se pretende abordar. (exemplos: coleta seletiva do lixo, aquecimento global, reciclagem do
óleo de cozinha, etc.)
Sinopse
Dados fundamentais sobre o tema que vai ser abordado. Situação atual, antecedentes.
Encaminhamento
Objetivo da matéria. O foco. O que se deseja destacar entre as questões abordadas.
Fontes
São as pessoas que fornecem as informações da pauta, cabendo à produção ou ao repórter, manter
contato por telefone, e-mail e locais onde possam ser encontradas.
Pesquisa
É fundamental para a realização de um bom programa. Busque fontes seguras e atuais sobre o tema
escolhido em jornais, bibliotecas, revistas, na Internet e com pessoas que conhecem o assunto, gravando
ou anotando seus depoimentos.
86
ENTREVISTA E REPORTAGEM
Produzindo Informação, Promovendo Conhecimento
Reportagem
Éuma“notícia”maisaprofundada,commaiordesenvolvimento.Contemdiferenteslinguagens.Areportagem
pode se desdobrar em entrevistas, depoimentos, comentários, opiniões. Dentro da imparcialidade, é
fundamental ouvir todos os lados envolvidos e por vezes, cabe a avaliação de especialistas.	
Entrevistas
“Técnica de obter matérias de interesse jornalístico por meio de perguntas e respostas”
(Luiz Beltrão - jornalista)
É basicamente uma conversa com perguntas e respostas. As perguntas são feitas pelo repórter para obter
informações do entrevistado. O repórter/entrevistador é o elo de ligação entre os ouvintes da rádio e os
entrevistados, tendo sempre em mente: o que é de interesse de seu ouvinte a respeito do entrevistado?
DICA: NUNCA USE BG NAS ENTREVISTAS.
Alguns tipos de Entrevistas:
Enquete
É basicamente a opinião das pessoas sobre determinado assunto, servindo como uma pesquisa,
sondagem, levantamento.
Ping Pong
Perguntas simples e diretas direcionadas a uma pessoa que deve responder de maneira rápida e objetiva,
já seguida de outra pergunta, num jogo dinâmico e divertido.
Debate
Quando duas ou mais pessoas orientadas por um moderador, falam sobre algum tema que
discordam ou concordam, emitindo suas opiniões pessoais que podem, inclusive, serem alteradas
de acordo com as argumentações.
Mesa Redonda
Quando um tema é levado à opinião de diferentes especialistas por um moderador, levando ao público
informação e conhecimento.
87
Entrevista Coletiva
Quando uma pessoa é entrevistada por deferentes repórteres.
Técnicas de entrevista
1. A equipe da rádio faz a Reunião de Pauta,onde são levantados temas atuais e de interesse dos
ouvintes a serem desenvolvidos em diferentes linguagens, definindo, entre vários produtos, a
entrevista: o tema, o formato, o entrevistado, o repórter, as perguntas, a data e local...
2. A partir da escolha do entrevistado, começa a fase da pesquisa, sempre focada no interesse do
ouvinte (o que vão querer saber sobre o entrevistado), baseada em atualidades e fontes seguras.
3. Dependendo do entrevistado, confirme com o próprio ou com sua assessoria o cargo e a
pronuncia correta do nome - principalmente no caso de nomes estrangeiros. Tenha certeza!
4. A entrevista deve ter começo, meio e fim. Planeje o tempo. Se precisar divida a
entrevista em blocos.
5. Seja claro e objetivo com as perguntas.
6. Ao longo da entrevista repita o tema, o cargo e o nome do entrevistado, já que a
audiência do rádio é rotativa. Ex: Conversamos sobre o surto da dengue no Rio de Janeiro
com o infectologista Fulano de Tal.
7. Não interrompa o entrevistado sem que ele conclua o pensamento, isto irrita o ouvinte
e prejudica a edição.
8. Por outro lado, se o entrevistado fugir da pergunta ou se estender demais, querendo
transformar a entrevista num palanque, no momento oportuno interrompa e retome a pergunta.
Ex: Ok, mas de maneira simples e objetiva, ...? É importante ser gentil, mas não submisso.
Em casos singulares é preciso dizer claramente que ele não respondeu ao que foi perguntado.
9. Fuja do óbvio, como a cretinice de perguntar como se sente uma mãe que acabou
de perder o filho. Daí vem a importância da pesquisa, da busca pelo interessante, pela
informação embasada na criatividade e inteligência.
10. Não tem problema consultar rapidamente as anotações enquanto o entrevistado responde,
mas cuidado para não perguntar o que já foi respondido. Neste caso pule a pergunta, inclusive
com liberdade de improviso diante d’algo curioso e que esteja fora da pauta.
11. Na falta de tempo para formular as perguntas, você pode, em poucos minutos antes da
entrevista, perguntar ao entrevistado os temas mais interessantes, que não devem faltar na
conversa, ou ainda utilizar o roteirinho básico: o quê, quando, onde, como, por quê.
12. Como tudo no rádio, as palavras de ordem para uma boa entrevista são: jogo de cintura,
perspicácia, foco na missão.
88
ROTEIRO
•	 Roteiro é o trilho por onde passa tudo o que se fala e se escuta na rádio.
•	 O roteiro descreve o início, o meio e o fim de um programa radiofônico.
•	 O roteiro é o direcionamento de todas as ações e recursos técnicos necessários para a
realização de um programa.
•	 O roteiro organiza, ordena e orienta toda a estrutura de um programa.
DICA
Assuntos sérios no início e leves no final. Não mude drasticamente de assunto.
Faça ganchos, links entre as pautas e as linguagens do rádio.
ALGUNS ELEMENTOS DO ROTEIRO
Abertura: breve apresentação do nome e proposta do programa.
Encerramento: é praticamente a repetição da abertura com uma despedida.
DICA
Tanto na abertura quanto no encerramento, cuidado com o bom dia, boa tarde
e boa noite. Prefira o: olá, está no ar, começa agora (abertura) e: um abraço,
então valeu, até mais (encerramento) para possibilitar o uso em qualquer período
do dia de um programa gravado.
Giro de manchetes: anuncia as manchetes das notas jornalísticas,
entrevistas e quadros.
89
MODELO DE ROTEIRO DE PROGRAMA DE RADIOJORNALISMO
	
BLOCO 1
<TEC> VINHETA DE ABERTURA
<TEC> BG ABERTURA
<LOC> TEXTODEABERTURA-âncora:apresentação(propostadoprograma+conviteparaaparticipaçãodosouvintes).
<TEC> VINHETA
<TEC> BG GIRO DE MANCHETE
<LOC> GIRO DE MANCHETES - âncora: anúncio das manchetes, quadros e entrevista do programa.
<LOC> MANCHETE 1
<LOC> MANCHETE 2
<LOC> ENTREVISTA - tema, cargo, entrevistado - exemplo: Na entrevista de hoje, conversaremos
sobre a inauguração da Rádio Escola NOA com a coordenadora da rádio, Fulana de Tal.
<LOC> AGENDA CULTURAL
<TEC> VINHETA DE PASSAGEM
<LOC> ANÚNCIO MÚSICA 1 - nome da música, autor e intérprete
<TEC> MÚSICA 1
<LOC> DESANÚNCIO MÚSICA 1 - você escutou a música ..., de ..., com ...
BLOCO 2
<TEC> VINHETA
<TEC> SPOT 1
<TEC> VINHETA NOTA JORNALÍSTICA
<TEC> BG NOTA
<LOC> MANCHETE 1 - âncora
<LOC> NOTA JORNALÍSTICA 1 - locutor
<LOC> MANCHETE 2 – âncora
<LOC> NOTA JORNALÍSTICA 2 - locutor
<TEC> VINHETA
<LOC> ANÚNCIO MÚSICA 2 - nome da música, autor e intérprete
<TEC> MÚSICA 2
<LOC> DESANÚNCIO MÚSICA 2 - você escutou a música ..., de ..., com ...
BLOCO 3
<TEC> VINHETA RÁDIO NOVELA
<TEC> RÁDIO NOVELA
<TEC> VINHETA RÁDIO NOVELA
<TEC> SPOT 2
90
<TEC> VINHETA ENTREVISTA
<LOC> ENTREVISTA – apresentação e início
<LOC> ESTAMOS CONVERSANDO SOBRE (TEMA), COM (CARGO), (ENTREVISTADA) - meio
<LOC> ENTREVISTA –final e desanúncio - exemplo: acabamos de conversar sobre a inauguração da
Rádio Escola NOA, com a coordenadora da rádio Fulana de Tal.
<TEC> VINHETA ENTREVISTA
BLOCO 4
<TEC> VINHETA
<TEC> VINHETA AGENDA CULTURAL
<TEC> BG AGENDA CULTURAL
<LOC> AGENDA CULTURAL
<TEC> SPOT 3
<TEC> BG ENCERRAMENTO
<TEC> VINHETA
<LOC> ENCERRAMENTO
<TEC> VINHETA
<LOC> ANÚNCIO MÚSICA 3
<TEC> MÚSICA 3
TÉCNICA DE LEITURA
ACENTUAÇÃO
Cada vocábulo (palavra) tem a sua tonicidade (acentuação) própria, podendo ser:
•	 oxítonos - acento na última sílaba
•	 paroxítonos - acento na penúltima sílaba
•	 proparoxítonos - acento na antepenúltima sílaba
Além do acento principal, palavras longas ou derivadas apresentam acento secundário.
Acento tônico
a) dinâmico ou de intensidade - reforço na emissão da  sílaba tônica
b) melódico – mudança de frequência ( tom = grave ou agudo )
Os acentos podem ser fechados ou abertos quanto ao timbre e também podem ser acentos de insistência,
quando além dos acentos normais, dão mais emoção a determinadas palavras.
A negligência da acentuação tônica prejudica a clareza da DICÇÃO e também a compreensão da frase.
Uma acentuação errada modifica o significado da palavra.
EXEMPLO:
Pais / país - Baia / baía - Secretária / secretaria
91
Existem palavras com significação plena (ex.: colher/ porta/cadeira), são os substantivos, adjetivos,
verbos, advérbios, etc...
Nestas palavras sempre acontece de terem uma sílaba mais acentuada do que as outras. E existem
as palavras que são inacentuadas ou átonas: artigos, preposições (ex. : a, de, em, com, por, sem, sob,
... ), as conjunções ( que, se, como, e, ou, mas,...), pronomes (me, te, lhe, etc...) e por isso não tem
autonomia fonética. Na fala, estas palavras se incorporar ao vocábulo que é acentuado formando um
vocábulo fonético, chamado de grupo intensivo ou acentual.
FRASE
Para expressarmos uma “ideia” usamos palavras que se unem em diferentes grupos e que se integram uns
aos outros surgindo então as unidades de sentido.
GRUPO INTENSIVO ou ACENTUAL
É a menor unidade rítmico-semântica da frase e é caracterizada pelo acento dominante, que ocorre
geralmente na penúltima sílaba do grupo acentual; pode também acontecer na antepenúltima ou na
última sílaba, mas com pouca frequência.
RITMO e GRUPO RÍTMICO
Cada idioma tem seu ritmo, e na nossa língua alternamos sílabas acentuadas (fortes) com sílabas
inacentuadas (fracas); é o chamado Ritmo Intensivo .
A reunião de palavras que se organizam para uma única significação são pronunciadas também num
único impulso em torno de um acento dominante.
Cada palavra tem sua cadência (seu tempo forte e seu tempo fraco), mas a frase é uma cadeia sonora que
segue um movimento regular e medido, que constitui o RITMO.
GRUPO RÍTMICO
É o grupo formado por palavras que se unem para uma significação unitária.
Na fala além de acentuar sílabas com acréscimo de força expiratória (intensidade = volume) também
elevamos ou baixamos a voz, para realizarmos inflexões de altura (grave e agudo) ou desenhos melódicos.
EXPRESSÃO - ENTONAÇÃO E INFLEXÃO
Além das acentuações comuns, a expressão determina uma ou duas palavras para realçar seu significado.
De que maneira ?
- articulando com maior nitidez;
- retardando a palavra que antecede a principal;
- mudando a frequência da voz;
- mudando o volume, etc...
Mas, claro, sem exageros para não prejudicar o equilíbrio do texto.
92
INFLEXÕES
As inflexões são modulações da voz em torno do tom médio para expressarmos o nosso pensamento.
Numa só palavra e nas frases curtas a voz sobe ou desce; nas frases mais longas descreve curvas.
As inflexões ascendentes mostram interesse, curiosidade, entusiasmo, etc... ; as descendentes, indiferença,
desdém, raiva; e as médias, sentimentos tranquilos ou enunciações.
ENTONAÇÃO
A entonação é ao mesmo tempo, uma expressão da unidade sintática (uma linha tonal completa com início,
desenvolvimento e fim) e um meio pelo qual a voz traduz os estados afetivos e emocionais.
- Frase declarativa
- Frase imperativa
- Frase interrogativa
- Frase optativa
- Frase exclamativa
PONTUAÇÃO e PAUSA
Pontuação: Sistema de sinais gráficos que indica na escrita, a pausa na linguagem oral.
Pausa: Silêncio, breve ou longo, que se produz em uma enunciação.
Na leitura em voz alta, é preciso poupar o sopro respiratório e evitar a exaustão completa. Para isso, temos
a ajuda da pontuação, que nos dá a oportunidade de renovação constante da provisão de ar.
A pontuação oral às vezes despreza uma pontuação gráfica, e em outras supre sua falta em benefício da
expressão.
A pontuação também serve para indicar as modulações de voz, geralmente:
MOVIMENTO
O estilo do texto e o sentimento que ele determina indicam o movimento a ser obedecido, como por
exemplo :
movimento lento : tranquilidade, desânimo, resignação etc...
movimento rápido : entusiasmo, vivacidade, pressa, agitação etc...
LOCUÇÃO: A VOZ NO RÁDIO
O texto usado no rádio é uma fala armazenada. Embora o comunicador/a se prepare antes de apresentar
o programa, ele deve demonstrar espontaneidade e improviso ao falar, imprimindo emoção à sua voz em
relação ao que está sendo noticiado e relatado.
93
A voz “radiofônica” tradicional é uma voz impostada, exercitada para ser emitida com ressonância.
Na atualidade busca-se a voz viva, comunicativa, ou seja, a voz de um  rádio amigo e companheiro.
A voz dos locutores profissionais esteve por muito tempo subordinada a normas de “perfeição” que provocaram
uma frieza comunicativa e distanciadora. As novas formas radiofônicas, principalmente a comunitária, priorizam
uma fala direta e informal que transmita emoção e sentimento.
Não existem “vozes de locutor”, há lugar para todos os timbres e todas as formas de falar. Em uma
emissora comunitária todas as vozes são bem-vindas! Quando conversamos com um amigo não estamos
preocupados com a impostação da sua voz, mas no conteúdo do que está dizendo e no modo com o faz.
No rádio, o comunicador/a é avaliado não só pelo que diz mas como o diz.
Por isso é importante refletir sobre quatro itens, antes de levar ao ar o que tem em mente, são elas:
•	 O que estou dizendo é importante para quem escuta?
•	 O que estou dizendo faz sentido para quem está lá do outro lado do rádio?
•	 Isto que estou dizendo vai trazer benefício ou resultado positivo para o ouvinte?
A forma de falar é tão importante quanto o conteúdo. A ênfase que o locutor dá a determinadas palavras
pode mudar o sentido da frase ou da idéia.
De acordo com pesquisas de neurolinguística, (ciência que estuda a elaboração cerebral da linguagem),
38% da nossa influência sobre os outros acontece por meio do nosso tom de voz. A forma da palavra
corresponde a 7% da influência que exercemos sobre as pessoas . Sobram então 55%  para os argumentos
que usamos para expressar as idéias.
No texto do roteiro radiofônico existem dois sinais de pontuação que são
fundamentais para o ritmo e o sentido da locução:
As vírgulas são como um sinal de trânsito no amarelo representa uma pausa para a respiração e devem
ser entoadas para cima.
Os pontos (Que devem ser representados por barras “///”) representam o sinal vermelho, ou seja, uma
parada e devem ser entoados para baixo.
Agora seguem alguns exercícios e recomendações para a saúde vocal e o bom uso da voz no rádio.
Como um músico, o locutor afina seu instrumento antes de começar a tocar:
1) Para articular melhor as palavras, uma prática recomendada consiste em morder
um lápis e nessa posição ler uma notícia de jornal ou cantar uma música inteira com
voz forte. Este exercício relaxa todos os músculos do rosto, é aconselhável que seja
praticado todas as manhãs.
2) Soletrar é ótimo e ajuda muito! Pegue um livro e leia-o em voz alta lentamente.
Em seguida soletre mais rápido, certificando-se que está pronunciando cada uma das
sílabas de cada palavra.
3) Os tradicionais trava-linguas  não  servem apenas de brincadeiras para as crianças,
mas para melhorar a dicção dos adultos. Procure um com letras incômodas para você.
Se tiver problema com os erres, não hesite em praticar o conhecido: “ O rato roeu a
roupa do rei de Roma”.
94
EXEMPLO: de Trava Línguas (devem ser falados rapidamente sem pausas)
1) Pedro tem o peito preto, O peito de Pedro é preto; Quem disser que o peito
de Pedro é preto, Tem o peito mais preto que o peito de Pedro.
2) A vaca malhada foi molhada por outra vaca molhada e malhada.
3) Um ninho de mafagafos, com cinco mafagafinhos, quem desmafagafizar os
mafagafos, bom desmafagafizador será.
4) Há quatro quadros três e três quadros quatro. Sendo que quatro destes
quadros são quadrados, um dos quadros quatro e três dos quadros três. Os
três quadros que não são quadrados, são dois dos quadros quatro e um dos
quadros três.
5) Chupa cana chupador de cana na cama chupa cana chuta cama cai no chão.
6) Pinga a pipa Dentro do prato Pia o pinto e mia o gato.
7) O rato roeu a roupa do rei de Roma.
8) Pinga a pia apara o prato, pia o pinto e mia o gato.
9) O princípio principal do príncipe principiava principalmente no princípio
principesco da princesa.
10) Quico quer quaqui. Que quaqui que o Quico quer? O Quico quer qualquer
quaqui.
11) Três pratos de trigo para três tigres tristes.
12) Luzia lustrava o lustre listrado, o lustre listrado luzia.
13) Sabendo o que sei e sabendo o que sabes e o que não sabes e o que
não sabemos, ambos saberemos se somos sábios, sabidos ou simplesmente
saberemos se somos sabedores.
14) Fala, arara loura. A arara loura falará.
15) Atrás da pia tem um prato, um pinto e um gato. Pinga a pia, para o prato,
pia o pinto e mia o gato.
16) A vida é uma sucessiva sucessão de sucessões que se sucedem sucessivamente,
sem suceder o sucesso...
17) O Tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem, o Tempo
respondeu pro tempo que o tempo tem o tempo que o tempo tem.
95
A LOCUÇÃO DE NOTÍCIAS
A apresentação de notícias é a base da comunicação no rádio. Quem domina as técnicas de locução de
notícias, sabendo modular a voz, quebras de ritmo e mudanças interpretativas, domina um dos recursos mais
importantes da comunicação radiofônica. O comunicador deve ler previamente o texto e observar o sentido
da notícia antes de interpretá-la.
Procure escutar com atenção programas de notícias transmitidos pelo rádio, observando os seguintes detalhes:
1) Como muda a inflexão de voz do apresentador, de uma notícia para outra?
2) Como soa a colocação da voz nos finais de frase?
3) Qual a modulação de voz do locutor e quais as técnicas utilizadas para despertar
a curiosidade do ouvinte para determinado item, dentro da notícia (números, cifras,
índices, porcentagens, cotações etc)
4) Como age o locutor diante de um erro ou engano quando está falando?
5) Observe os improvisos utilizados para se sair bem nos momentos em que é necessário
ter jogo de cintura.
CUIDADOS COM A VOZ
1) Administrar o cansaço físico e mental. Uma noite bem dormida é fundamental para a
qualidade e a saúde da voz.
2) Evitar falar alto em ambientes ruidosos ou ao ar livre.
3) Procurar manter úmida a mucosa da faringe, de preferência com água sem gelo.
4) Durante o trabalho de locução, ingerir maior quantidade de água.
5) Falar sempre no tom natural de sua voz, sem forçar os graves e agudos.
6) Não pigarrear ou tossir para limpar a garganta, até porque não limpa e ainda irrita as
cordas vocais. Beber água para atenuar os efeitos nocivos do pigarro para as cordas vocais.
7) Disciplinar os horários de trabalho para que haja repouso vocal após cada período.
8) Hidratar-se com sete a oito copos de água por dia.
9) Evitar a ingestão de refrigerantes gelados, bebidas alcoólicas, comidas gordurosas ou
muito temperadas.
10) Evitar dormir ou permanecer muito tempo em recintos com ar condicionado.
11) Manter a postura ereta da cabeça e do corpo durante a locução.
96
GLOSSÁRIO DE TERMOS RADIOFÔNICOS
ACÚSTICA: Estudo do som, sua natureza e característica. Em rádio, é a medida de qualidade
sonora de um ambiente.
AM: Amplitude Modulation ( modulação de amplitude ). Sistema que aplica o sinal do som à freqüência
do transmissor, associado à transmissão de ondas médias.
FM: Abreviação de Freqüência Modulada, sistema de transmissão em que a onda portadora é modulada
em feqüência.As transmissões em FM sofrem menos incidência de ruídos e apresentam maior fidelidade
de resposta. Os carros de reportagem externa freqüentemente transmitem nessa faixa.
BREAK: Expressão inglesa usada em algumas emissoras para designar o intervalo comercial.
BRAINSTORMING: Traduzindo do inglês, tempestade cerebral ou tempestade de ideias. Trata-se
de um método inventado por Alex Osborn que destaca a produção criativa muitas vezes limitada por
julgamentos. Assim, um tema é apresentado e as pessoas vão dizendo palavras que vêm à mente,
escrevendo-as em torno da ideia central. Importante: sem julgamentos ou críticas, para num segundo
momento ocorrer a seleção dentro do objetivo desejado.
BLOCO: Conjunto de notícias , músicas ou matérias situado entre dois intervalos comerciais ou institucionais.
BG: Abreviação de background, músicas ou sons de fundo que servem como suporte para a locução.
O popular fundo musical.
CABEÇA DA MATÉRIA: Abertura de uma notícia ou reportagem. É o fato mais importante, destacado
logo no início da informação, para prender a atenção do ouvinte. Geralmente a cabeça é lida pelo
apresentador no estúdio.
CHAMADA: Flash gravado sobre a matéria ou programa, transmitido várias vezes durante a
programação, para despertar o interesse do ouvinte.
CLIPPING: Conjunto de recortes de jornais e revistas sobre determinado assunto.
COMENTÁRIO: É a opinião de alguém que conhece bem o assunto abordado pelo programa.
O comentarista influencia o ouvinte e nunca é neutro: sempre servirá para emitir um juízo de valor.
DECUPAGEM: Processo de registro da ordem e da duração das diversas seqüências de uma
reportagem gravada, com anotação de frases capazes de identificá-las posteriormente, para fins de
edição.
DEIXA: Palavras finais da matéria que indicam ao apresentador e ao operador de som o momento em
que outro trecho da informação deve ir ao ar.
EDIÇÃO:Montagem de uma matéria radiofônica, seleção, corte e emenda de trechos das entrevistas gravadas.
97
EDITORIAL: Texto opinativo sobre determinado assunto que expressa a posição política da emissora
sobre um fato específico.
FLASH: Rápido informe sobre um fato, dado pelo repórter ou pelo locutor.
FONTE: É a origem da notícia, onde o radialista vai buscar a informação. A fonte pode ser: oficial(
representantes do governo, instituições, escolas, etc.), comunitária ( pessoa da comunidade que tenha
alguma relação com o assunto tratado), documental( quando o produtor do programa consulta arquivos,
livros, documentos, páginas da Internet etc.)
FURO JORNALÍSTICO: Basicamente é uma informação importante que ninguém ainda sabe.
GANCHO: O elemento que justifica a matéria e a torna oportuna. É a relação da matéria radiofônica
com a vida real do ouvinte.
JABÁ: Gíria que designa a veiculação de informações ou músicas mediante pagamento, “por baixo do
pano”. O mesmo que “ jabaculê”.
LIDE: Forma aportuguesada de lead, que é a abertura da notícia. Relato do fato mais importante de uma
notícia, que informa objetivamente: O quê? Quem? Onde? Quando? Como? Por Quê?
MICROFONIA: Defeito de instalação de áudio em que o som dos auto-falantes retorna ao microfone
provocando um forte ruído. Isso ocorre com freqüência em rádio quando o entrevistado, por telefone,
também esta ouvindo a rádio e não reduz o volume.
NOTA: Texto pequeno, de cinco a oito linhas, com informações objetivas sobre determinado fato, para
ser lido em intervalos da programação musical. E uma forma de manter o ouvinte atualizado sobre
assuntos variados.
PAUTA: É o roteiro dos principais assuntos ou temas que merecem cobertura em um programa
de rádio, contém o resumo do que deve ser apurado na reportagem e indicações básicas como:
pessoas a serem ouvidas; meio de contato com elas( tel., email, endereço, etc.)
PÚBLICO-ALVO OU PRIORITÁRIO: Segmento da população que se pretende atingir e sensibilizar com
uma campanha, programa, anúncio, notícia etc.
QUADRO: Temas específicos desenvolvidos dentro de um programa.
RELEASE: Texto informativo distribuído por instituição privada ou governamental para ser
divulgado pelo veículo, com informações básicas sobre determinado acontecimento ou evento.
REPORTAGEM: Conjunto de providências necessárias à elaboração de uma matéria radiofônica.
Inclui pesquisa, entrevista, seleção de dados relacionados ao fato/acontecimento a ser veiculado.
98
ROTEIRO: É o texto que serve de guia para a apresentação do programa. É uma prévia, no papel,
de como o programa irá se desenvolver. Além do texto que será lido pelo locutor, no roteiro está
descrito todo o trabalho técnico que deve ser feito pelo operador de áudio, como: a música que vai
ao ar, o momento da fala do locutor, as vinhetas de apresentação do programa e de passagem de
blocos, os spots publicitários e institucionais, os efeitos sonoros, o BG etc.
SPOT: Comunicação breve em rádio, de mensagem comercial ou institucional.
TEASER: Breve e instigante chamada para promover uma notícia ou um programa que vem a seguir.
VINHETA: Mensagem curta que marca a passagem de blocos do programa, composta com texto e efeitos
sonoros ou só com efeitos sonoros (o“plimplim” que demarca o início e o final de um bloco do programa).
SUPORTE
Na fase do suporte o objetivo é ver as equipes das rádios caminhando sozinhas. A rádio que dá certo
não se sustenta pelo talento ou sorte, mas pela união, a força de vontade, a disciplina da equipe.
E quando se trata de rádio, esse esforço tem uma boa parcela de prazer no que se faz. Simplesmente
distribuindo e assumindo tarefas a serem cumpridas num certo prazo.
O Coordenador da rádio tem o papel fundamental de estimular, instruir, cobrar, interagir e ampliar a
rádio, logicamente em conjunto. Sem equipe não tem rádio. Sem a comunidade (escolar), os ouvintes,
a rádio não existe. A interdependência de cada um e participação de todos é fundamental. Durante o
suporte, os professores do NOA estarão presencialmente ou na internet – e-mail, facebook. Estaremos
na ativa e na torcida!
TOCANDO A RÁDIO
Estrutura: A Rádio precisa de condições básicas para produzir e funcionar, tendo como ideal: um
local e equipamentos específicos para a rádio. A coordenação da rádio precisa combinar com a direção
da escola ou responsáveis locais a liberação para o acesso da equipe ao local e equipamentos da rádio
em determinados dias e horários, sem atrapalhar ou serem atrapalhados por atividades locais.
Equipamentos: Computador, estabilizador (ou, se possível, um nobreak), mesa de som, microfones,
fone de ouvido, gravador digital, cabos, adaptadores – os professores de Rádio e Sonoplastia darão as
especificações técnicas de cada equipamento.
Na falta de algum equipamento, a Coordenação da rádio deve se informar sobre um prazo para a
resolução das pendências. Enquanto isso, uma alternativa é usar o notebook de alguém da equipe
ou os computadores de casa visando cumprir a meta de produção - pelo menos um programa de
10min por semana.
Contatos: Todos da equipe precisam informar os números dos celulares, telefone fixo, e-mails e redes
sociais para se comunicarem. Se possível, verificar o e-mail todos os dias.
No período de capacitação a equipe do NOA também poderá prestar suporte pela internet através de
e-mail ou facebook, interagindo com as equipes de rádio – que devem interagir com seus ouvintes!
99
Reuniões: Definir pelo menos dois dias da semana para reuniões. Uma para produção e outro para
gravações/montagem. Determine horários de início e fim das reuniões. Além dos encontros para produzir,
gravar e montar os programas, a equipe deve definir qual ou quais dias da semana a rádio será veiculada,
seja ao vivo ou gravada – faça uma grade de programação.
1ª Reunião: Reunião de pauta com foco no interesse do ouvinte para definição dos temas, quadros,
entrevistas, roteiro. Para começar a produção, a coordenação da rádio deve distribuir tarefas à equipe e
cada um deve cumpri-las antes da gravação, no segundo encontro.
DICA
Faça brainstorming, pesquise e peça sugestões aos seus ouvintes:
alunos, professores e funcionários da escola. Pode consultar os amigos
e familiares, mas sem perder o foco no interesse dos seus ouvintes.
2 ª Reunião: existem várias maneiras de se fazer rádio, seja ao vivo ou gravado. Abaixo segue um exemplo
de programa gravado.
Gravação
Texto pronto e locução ensaiada.
Dicas de locução e gravação
1) Defina quem será âncora - que fará a locução da abertura, giro de manchetes,
manchetes e encerramento. Pode ser mais de uma pessoa, intercalando fica legal!
2) Atenção com a dicção (pronúncia correta da palavra), o ritmo, entonação
valorizando o texto, entusiasmo na abertura e no encerramento. Alto astral!
3) Treine e sublinhe palavras difíceis. Se informe sobre a pronúncia correta de nomes,
cargos e palavras estrangeiras.
4) Se a locução travar, não perca tempo, bote esta pessoa pra treinar e grave outra.
5) Fica no estúdio só quem vai gravar: técnicos de áudio, âncora, repórteres,
convidados.
6) Enquetes e entrevistas podem ser gravadas fora do estúdio para
entrarem como sonoras.
7) Programe o tempo necessário para as gravações – sempre é pouco, cuidado!
100
Montagem
•	 Depois de tudo gravado, o técnico ainda precisa montar o programa seguindo o roteiro - o
que pode ser feito em casa se o técnico tiver PC.
•	 Salve as gravações em mp3 com qualidade de, pelo menos, 256kbps.
•	 Cada produto numa pasta específica: spots, vinhetas, etc.
•	 Sugestão: Nomeie o programa colocando: o nome do programa e a data, exemplo: Rádio
NOA 020313.
DICA
FAÇA BACKUP DE TUDO! Quando? SEMPRE!
Mantenha o antivírus atualizado e antes de abrir qualquer pendrive no PC,
passe o antivírus.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Vigil, José Ignácio  López. Manual urgente para radialistas apaixonados. São Paulo, Paulinas, 2003.
César, Cyro. Rádio: A mídia da Emoção. São Paulo.IBRASA, 1989.
Prado, Emílio. Estrutura da Informação Radiofônica. São Paulo, summus editorial, 1989.
Lage, Nilson. Linguagem Jornalística. São Paulo, Ed.Ática, 1986.
Porchat, Maria Emília. Manual de Radiojornalismo (Jovem  Pan). São Paulo, Ed. Brasiliense, 1986.
Unicef. Chamada à ação: Manual do radialista que cobre educação. Brasília, 1997.
Sônia, Virgínia Moreira. Rádio Palanque. Rio de Janeiro, Mil Palavras, 1998.
Rádio, a arte de falar e ouvir/ Laboratório. Sepac, São Paulo, 2003.
102
RÁDIO E SONOPLASTIA
INTRODUÇÃO
Ligue o rádio: ouça a voz do locutor preferido, as músicas do momento, as vinhetas que anunciam o nome
da emissora, do programa e também dos comerciais. Nesse universo de sons, de repente, uma batata
pode falar, ondas quebram no mar revolto, os grilos e outros animais da noite invadem a casa. Essa é a
magia do rádio, que estimula a imaginação e a fantasia por meio dos sons, fazendo cada pessoa criar e
sentir o sabor, o cheiro, a cor e a textura das imagens ouvidas.
Criar esse clima, permitir visualizar o que se está ouvindo é a função da sonoplastia, a utilização de
recursos sonoros (musicais, sons e efeitos especiais) que ajudam a criar imagens auditivas, prendendo
a atenção, envolvendo as pessoas, fazendo-as sentir as mais diversas emoções: alegria, tristeza,
solidariedade, paixão e etc.
A sonoplastia é um dos maiores trunfos, um dos motivos da magia do rádio, mas o que seriam dos
grandes truques sem um habilidoso mágico?
Por isso, antes de conhecer mais profundamente os segredos da sonoplastia, conheça o profissional
responsável por toda essa magia: o operador de áudio, o sonoplasta!
Ao contrário dos grandes mágicos e ilusionistas, esse artista quase não aparece. Sua atuação é nos
bastidores, onde comanda com maestria uma equipe do barulho, sendo ele a peça fundamental.
Para ser um bom profissional na área é necessário possuir um amplo conhecimento a
respeito dos equipamentos técnicos, ser curioso e correr atrás das novidades que a moderna
tecnologia proporciona diariamente. Além disso, procurar cultivar as qualidades, as aptidões
e habilidades que nos tornam únicos, especiais, porque as relações são com outras pessoas,
que possuem expectativas, frustrações, sonhos, tristezas e alegrias como qualquer um de nós.
E o que seria um profissional desprovido de sensibilidade e empatia? Talvez um bom operador,
movimentando botões aqui e ali, reproduzindo músicas, colocando vinhetas, comerciais. E só.
Essa é a grande diferença entre o sonoplasta e um simples operador de áudio. O primeiro não se limita
a operar equipamentos, a transmitir sons pelas ondas do rádio: vai muito mais longe. O sonoplasta é
ousado, criativo, persistente e determinado. Não tem medo de tentar, errar, corrigir e tentar novamente,
até encontrar o som, a música, o efeito desejável, que proporcione àquela cena o clima que faltava. É um
profissional incansável na busca de novos equipamentos e conhecimentos que possam melhorar cada vez
mais a qualidade de seu trabalho.
Como se não bastasse, o sonoplasta sabe (e gosta) de trabalhar em equipe, propõe e aceita ideias e
sugestões, vive em eterna pesquisa na busca de novos sons, músicas, efeitos sonoros, usando e abusando
de sua sensibilidade e criatividade.
ROTEIRO
Imagine um espetáculo onde os atores principais não conheçam as deixas de suas entradas e saídas, não
saibam a ordem das falas e nem o enredo da história. Com certeza, seria um verdadeiro desastre.
Agora, imagine isso acontecendo durante a execução de um programa de rádio ao vivo. Acaba de ser
anunciada a entrevistas (gravada) com a médica fulana de tal. De repente, em lugar da entrevista, ouve-se
uma campanha pelo voto aos 16 anos. É claro que dá pra remediar a situação, mas isso pode ser evitado.
103
Basta o operador de áudio conhecer, com antecedência, o roteiro ou script do programa. No roteiro
está descrito todo o trabalho técnico que será realizado durante a execução do programa; indica
a entrada e saída de vinhetas e comerciais, as deixas das matérias gravadas, as cortinas e trechos
musicais, efeitos sonoros, momentos das falas dos apresentadores, que ajuda a se ter uma ideia do
programa antes de sua execução.
SONOPLASTIA
Através da audição, o rádio desperta uma parceira poderosa: a imaginação, utilizando uma
combinação harmoniosa de ingredientes como a voz da razão (as palavras), a voz da emoção
(as músicas) e a voz da natureza (os sons, ruídos e efeitos que reproduzem sons naturais), muita
criatividade e sensibilidade.
Essa combinação recebe o nome de sonoplastia, que pode ser traduzida como a arte e a técnica de
compor e combinar sons, músicas, ruídos e efeitos acústicos para dar asas à imaginação de quem
ouve um programa de rádio, assiste a um filme ou uma peça teatral, por exemplo.
Através da manipulação e composição dos sons, o sonoplasta reconstitui o ambiente, o lugar, o
cenário onde se realiza determinada cena. Se o assunto é relacionado a água são utilizados sons,
ruídos, músicas e efeitos sonoros ajudando a criar o ambiente na imaginação de quem está ouvindo.
A sonoplastia pode ser dividida em quatro áreas: ilustrativa, complementar, tradutora e visualizadora.
E que tal conhecer um pouquinho de cada uma delas?
Ilustrativa: como o nome sugere, essa área da sonoplastia é utilizada para “ilustrar”, exemplificar uma
informação, tornando-a mais atraente aos ouvintes do rádio.
Complementar: atua como complemento à ideia central contida em um texto ou informação. Para
isso, o sonoplasta utiliza uma cortina musical – trecho de uma música que reforça o que foi dito. Quer
um exemplo? Se o assunto é a seca e a necessidade de utilizar racionalmente a água, pode-se usar a
seguinte frase musical: “Traga-me um copo d’água tenho sede. E essa sede pode me matar...”.
Tradutora: procura simplificar a mensagem ou informação, buscando traduzi-la para os ouvintes.
Pode e deve ser utilizada para facilitar a compreensão da ideia central do texto ou informação.
Visualizadora: possui semelhanças com a ilustrativa, porém é mais utilizada quando se quer criar
imagens a respeito do assunto sobre o qual está se tratando, como uma radionovela. Permite que o
ouvinte use a imaginação e fantasie, crie “imagens auditivas” sobre o tema.
SONOPLASTA
O sonoplasta é o profissional que trabalha com a sonoplastia, sendo fundamental em qualquer emissora,
seja rádio ou de televisão e também em produções como espetáculos teatrais e filmes. Faz parte de sua
rotina estudar e pesquisar novas técnicas, equipamentos e recursos para executar com maior qualidade o
seu trabalho e, além dos conhecimentos e habilidades, deve ter o espírito curioso, procurar estar sempre
bom-informado e manter os ouvidos e as “antenas ligadas”.
O bom sonoplasta fica atento ao texto, à fala dos apresentadores e entrevistados, ao mesmo tempo em
que procura encaixar os efeitos sonoros ou musicais de acordo com a mensagem transmitida. Para isso,
usa e abusa da criatividade e sensibilidade.
104
PRINCÍPIOS DO SONOPLASTA
Além de usar e abusar a todo instante de sua imaginação, sensibilidade, criatividade na hora de relacionar
músicas, sons, ruídos e efeitos sonoros ao assunto que está sendo abordado, o sonoplasta leva em conta
os seguintes princípios:
As letras e arranjos
•	 Toda a letra de uma música pode não servir para ilustrar um assunto, mas pequenos trechos ou
frases musicais podem (e devem) ser aproveitados isoladamente para ilustra uma determinada
mensagem ou texto.
•	 Quando estiver selecionando uma música a ser utilizada, deve-se levar em consideração não
somente a letra, mas a qualidade da gravação. O mais importante é a nitidez, a clareza com
que a letra da música se destaca sobre a parte instrumental da canção.
•	 Muitas vezes, por mais que a música tenha uma letra adequada, o ritmo a torna impossível
de ser ouvida.
•	 Deve-se procurar “casar” não só a letra, mas também o ritmo da música combinando-o com
o ritmo da narrativa ou da emoção que o texto pede ou está tentando transmitir aos ouvintes.
Um texto triste não combina com um fundo musical alegre.
A pesquisa e seleção musical
•	 Um bom sonoplasta está sempre disposto a ouvir qualquer estilo de música e, dessa forma,
encontrar novas possibilidades e ideias interessantes para seu trabalho.
•	 Além de pesquisar e ouvir tipos de músicas é interessante classificá-las por estilo, assunto ou
temas, fazendo uma espécie de “catálogo” musical ou banco de dados, o que facilita o trabalho
na hora de selecionar e encontrar as músicas adequadas àquele tema.
Atenção e sensibilidade
•	 De acordo com as possibilidades técnicas dos nossos equipamentos, deve-se procurar dar o
melhor tratamento possível à composição de sons, efeitos, ruídos, músicas e evitar os cortes
bruscos que possam “ferir” o ouvido de quem escuta o programa.
•	 Em programas ao vivo, não pode haver bobeiras ou descuidos. Se for utilizar um determinado
trecho de música para complementar a mensagem ou ideia central do texto, é bom evitar que
a música toque além do trecho previamente selecionado.
Cuidados com os equipamentos
•	 O sonoplasta tem o máximo de cuidado com seus equipamentos, CD’s, gravadores, cabos,
adaptadores, headphone e microfones.
•	 O bom sonoplasta busca reivindicar, sempre que possível melhor condição para executar
suas funções, sugerindo a aquisição de novos equipamentos que possam auxiliar, cada vez
mais, no desenvolvimento e na qualidade do seu trabalho.
105
CADERNO DA SONOPLASTIA
A sonoplastia é um dos maiores trunfos, um dos
motivos da magia do rádio. É a “plástica do som”
- areconstituição dos ruídos que companham a
ação num programa de rádio, numa peça de teatro,
num filme, num espetáculo. A sonoplastia permite
que a música e os efeitos sonoros ampliem os
sentimentos e as emoções, envolvendo o público
com suas vibrações sutis e poderosas. A base de
uma boa sonoplastia é a TÉCNICA, a INFORMAÇÃO
e a SENSIBILIDADE do sonoplasta. A sonoplastia
deve   ser   VISUALIZADORA, COMPLEMENTAR e
ILUSTRATIVA  ao roteiro.
VISUALIZADORA porque...
...cria a imagem e faz o ouvinte visualizar a ação.
COMPLEMENTAR porque...
...complementa com  efeitos  e/ou músicas a idéia
central do texto.
ILUSTRATIVA porque...
...torna a informação dada mais atraente para
o(a) ouvinte.
Atravéz da audição, o rádio desperta uma parceria poderosa: a imaginação, utilizando uma combinação
harmoniosa de ingredientes como a voz da razão (as palavras), a voz da emoção (as músicas) e a voz da
natureza (os sons, ruídos, e efeitos que reproduzem os sons naturais), muita criatividade e sensibilidade.
SONOPLASTA
É quem elabora/seleciona o fundo musical(BG -
background)ouefeitossonorosaovivoougravados,
selecionando músicas, efeitos adequados ao roteiro
e de comum acordo com a equipe de criação; o(a)
sonoplasta pode pesquisar as músicas ou  efeitos  
para  montar  a  trilha  sonora; pode operar a mesa
de som, produzindo os efeitos planejados ou dirigir
o(a) operador de som.
É necessário que o sonoplasta possua um repertório
musical  minimamente  diversificado,  para  que  possa  
fazer de sua atividade um instrumento de ampliação
do sentimento no rádio. Lembrando-se sempre de que
as músicas e sons utilizados devem estar intimamente
ligados ao que o roteiro quer representar.
106
O (A) SONOPLASTA deve...
...exigir um roteiro claro e bem formatado.
...saber ouvir as indicações sonoras dos roteiristas, locutores
e/ou clientes.
...estar sempre atento ao conteúdo do roteiro, durante
a seleção dos BG`s e dos efeitos sonoros.
...ter sensibilidade na escolha dos efeitos sonoros, trechos
ou frases musicais e BG`s.
...criar um catálogo de músicas temáticas e efeitos sonoros.
...saber aproveitar os trechos ou frases musicais, que vão servir
para que o ouvinte visualize melhor a informação do locutor(a).
...nunca ter preconceito com estilos musicais.
CURIOSIDADES DA SONOPLASTIA NO BRASIL
Com o desenvolvimento das radionovelas foi preciso
também que se desenvolvessem outras áreas de criação
a fim de dar complemento ao texto e aos atores. Aqui
é que surge um trabalho especializado: a sonoplastia. E
com ela, o (a) sonoplasta, profissional responsável por
todos os efeitos sonoros pedidos pelo texto. Efeitos que
dariam ao (a) ouvinte a possibilidade de visualizar a cena,
do modo que mais lhe agradasse.
Edno do Valle, um dos melhores sonoplastas que o
rádio conheceu, conta como foi esse processo na Rádio
Nacional do Rio de Janeiro.
“O elenco do radioteatro na Rádio Nacional do Rio de Janeiro chegou a ter mais de 120 ‘elementos’ e
o 1º estúdio, no 22º andar, não foi construído exatamente pra isso, mas com o tempo nós passamos
para o 2º estúdio que ficava no 21º andar. Era um espaço muito grande e muito bem feito, e com isso,
pela quantidade de programas que nós tínhamos, a contra regra tinha que estar permanentemente
capacitada e com script na mão para reproduzir tudo aquilo que se pedia.”
O sonoplasta era conhecido como contra-regra¹; e eram
necessários vários contra- regras para construir, ao
vivo, efeitos que hoje podem ser feitos por apenas 01
profissional, pelo simples fato deles já estarem gravados.
Em 1941 estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro a
1ª radionovela brasileira, mas não era de todo brasileira,
o seu autor, Leandro Blanco era cubano, a novela foi
adaptada no Brasil por Gilberto Martins e deu um novo
colorido a “Em Busca da Felicidade”.
1- Contra-regra é o profissional encarregado de cuidar dos cenários e objetos de cena. Ibdicar a entrada e saída dos atores de
cena, dirigir a movimentação das m;aquinas, distribuir informes e horários.
107
ROTEIRO
O roteiro pode ser definido como uma prévia de como será o programa quando for ao ar. Na formatação do
roteiro, o uso das cores para diferenciar e destacar entrevistado de entrevistador, música e efeitos, facilita
muito o trabalho do sonoplasta. No roteiro está descrito todo o trabalho técnico que deverá ser feitos na
montagem dos programas, como o momento da fala do locutor e do entrevistado, a entrada de efeitos
sonoros, trilhas sonoras e BG`s.
EXEMPLO DE ROTEIRO
(Fonte: Programa Brasil Sustentável e Democrático. Tema: Gênero. Roteiro: Denise Viola.)
TEC: MÚSICA – SEXO FRÁGIL – ERASMO CARLOS
“...DIZEM QUE A MULHER É SÉXO FRÁGIL
MAS QUE MENTIRA ABSURDA
EU QUE FAÇO PARTE DA ROTINA DE UMA DELAS
SEI QUE A FORÇA ESTÁ COM ELA...” 0`20``
(É desta forma que a música ou trecho musical deve ser apresentada. Repare que a roteirista indica
o nome da m’sica, o cantor e só não cita o disco, por que não sabe, mas deixa uma observação para
o sonoplasta. É importante registrar o tempo do trecho musical.)
DENISE: SÓ PRA VOCÊ TER UMA IDÉIA, AS MULHERES SÃO RESPONSÁVEIS POR 70% DAS
HORAS TRABALHADAS NO MUNDO// EMBORA TENHAM EM MÉDIA MUITO MAIS ANOS
DE ESCOLARIDADE, RECEBEM CERCA DA METADE DO SALÁRIO DOS HOMENS PARA
EXERCEREM AS MESMAS FUNÇÕES// SE A MULHER FOR NEGRA, ESSE VALOR AINDA É
MENOR//
(Este é o texto da locutora, escrito em caixa alta(letra maiúscula) e sem separação de sílabas, para
facilitar a leitura. É importante que a roteirista fique atenta ao tempo de narrativa.)
TEC: EFEITO DE ESPANTO (Rápido)
(Descrição de um efeito sonoro indicando inclusive o seu modo de inserção. Neste caso o efeito
deve ser rápido. Mas é possível descrever efeitos sonoros como grito de pavor ou grito de alegria,
dependendo da situação.)
DENISE: EMBORA ESTEJA CRESCENDO O NÚMERO DE MULHERES... TEC: PODE ENTRAR
UMA PARTE INSTRUMENTAL DE MARIA MARIA
(Esta é uma “sugestão” musical.)
DENISE: NENHUM MOVIMENTO CRESCEU TANTO E OBTEVE TANTAS CONQUISTAS NOS
ÚLTIMOS ANOS COMO O MOVIMENTO DE MULHERES// MARIA EMÍLIA LISBOA PACHECO
É DIRETORA DA FASE E CONVERSA CONOSCO SOBRE UM NOVO CONCEITO – O
EMPODERAMENTO DAS MULHERES// O QUE É ESSE EMPODERAMENTO, MARIA EMÍLIA?
108
MARIA  EMÍLIA  -  MD  O2  -  TRACK  01  -  0’23”:  EMPODERAMENTO É  EXATAMENTE  ADQUIRIR  
PODER.  NÓS PARTIMOS  DO... DA CONSTATAÇÃO QUE EXISTE NO BRASIL, UMA ENORME
DESIGUALDADE DE GÊNERO, UMA ENORME DESIGUALDADE ENTRE AS OPORTUNIDADES DE
ACESSO A MEIOS DE PRODUÇÃO, A RECURSOS POR PARTE DAS MULHERES. AS MULHERES
TÊM, EM GERAL, UMA SITUAÇÃO SUBORDINADA EM RELAÇÃO AOS HOMENS, E ISSO ACABA
TENDO CONSEQÜÊNCIAS TAMBÉM NA SUA PRÓPRIA VIDA, NA QUALIDADE DE SUA VIDA, E
TAMBÉM  NA, NAS POLÍTICA PÚBLICAS. 1’03”
(Este é um bom exemplo de como roteirizar uma entrevista ou depoimento, a roteirista previu até
os cortes de edição, indicando também a mídia e o track onde se encontra a fala, além do tempo de
início e término do trecho a ser usado.)
TEC: VINHETA
“O BRASIL QUE QUEREMOS//
REPENSAR O PRESENTE É GARANTIR UM  FUTURO PARA TODOS//
UM PROGRAMA DO PROJETO BRASIL SUSTENTÁVEL E DEMOCRÁTICO// APOIO: FUNDAÇÃO
HEINRICH BÖLL E FUNDAÇÃO FORD//
REALIZAÇÃO: REDEH E CEMINA”
(A roteirista registra o texto da vinheta final, indicando com as barras, o tempo de pausa
na narrativa, facilitando a interpretação a interpretação do texto.)
MÚSICAS TEMÁTICAS: São músicas cujas letras relacionam-
se com o assunto abordado e que podem ser tocadas por
inteiro, servindo ainda de BG ou música de corte.
BG: vem do inglês background e, no rádio, é o som que fica
por trás do texto, da entrevista, ao fundo do que está sendo
dito, debatido. Este é um recurso sonoro muito utilizado para
criar uma “imagem auditiva” reforçando a idéia sobre que se
está comentando. Não é indicado utilizar músicas com letras
quando se estivar fazendo uma entrevista, um comentário ou
mesmo lendo um texto. Mesmo que o BG seja instrumental,
não pode estar mais alto que a voz do locutor, pois isso
também confunde quem está ouvindo.
RÁDIONOVELA: gênero dramático apresentado em capítulos durante um certo período, divididos em
partes, a exemplo da televisão. Exige interpretação teatral e os mais variados recursos e conflitos.
CAMPANHAS: objetiva a divulgação, por um certo tempo, de mensagens educativas atraente, informativas
e esclarecedoras sobre um tema importante e de interesse coletivo: saúde, educação solidariedade,
mobilização popular. Preferencialmente em forma de dramatização, spot e/ou jingle.
Existem várias instituições, empresas e organizações não governamentais (ong`s) que costumam produzir
materiais informativos para ser veiculados no rádio.
São as campanhas, que possuem diversos temas, como a prevenção às – DST`s/AIDS,  Direitos Humanos  
da Mulher e Amamentação.
109
SPOT: palavra inglesa, de difícil tradução,  que  pode  ser  entendida como sinal dinâmico e sensível.
No rádio e na televisão é um texto gravado com uma mensagem falada, mixada com efeitos
sonoros e trilhas musicais.
JINGLE: também do inglês, pode ser traduzida como som vibrante. Ao contrário do spot, é um formato
publicitário gravado, que usa texto e música, ou seja, é uma mensagem cantada.
ENQUETE: são simplesmente as gravações de opiniões de várias pessoas sobre um determinado assunto.
EDIÇÃO: é o mesmo que selecionar e combinar os materiais gravados, cortando os trechos que não
interessam, de forma que o resultado – a edição final – seja simples, informativo e interessante para o
ouvinte. A edição não deve mascarar respostas e sim buscar corrigir alguns defeitos, como ruídos
desagradáveis, espaços de silêncio, acessos de tosse, etc... de modo que estes imprevistos não sejam
ouvidos quando o programa estiver no ar.
BIBLIOGRAFIA GERAL UTILIZADA
1.  Projeto Fala Juventude nas Escolas – Manual das Oficinas de Rádio – Governo do Estado
do Amapá; 2000
2.  Introdução à sonoplastia. SANTOS, Marcelo. Edição do autor, s/d.
3.  O Rádio no Brasil – Acervo: Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Criação: Fábio ACM - fabioacm@gmail.com
110
MANUAL DE OPERAÇÃO DE ÁUDIO
Compreendendo uma mesa de som.
Todo o sistema de som funciona da mesma maneira. Sempre terá uma entrada e uma saída, as vezes
muitas entradas e muitas saídas, todas disposta em um canal, a mesa é um entrelaçado de canais que você
poderá controlar de acordo com as suas necessidades.
No mundo o que vale é a experiência então a melhor maneira de aprendermos é botando a mão na massa!
*MUITO IMPORTANTE!! Consultem a seção “Terminologia Universal do Áudio” (Pg. 15)para compreender
as funções básicas de uma mesa.
**Lembrem que para funções mais específicas de cada mesa SEMPRE CONSULTEM OS MANUAIS!!
*Reparem que os canais são quase idênticos, somente o 9/10 e o 11/12 não possuem
uma entrada balanceada XLR ou Cannon (*Ver seção de Cabos e Conectores)
111
Como ligar o equipamento?
	 Vermelho entrada - Azul Saída
	 Abaixo entradas de uma placa de som onboard:
Cada entrada terá seu volume controlado pelo Fader (figura da página 2), assim como as saídas, se após
você conectar tudo  não ouvir o som, lembre-se sempre de checar os volumes!
OBS: Repare que nesta ligação acima o computador não possui placa de som externa . Se ele tivesse, em
vez de ligarmos a mesa ao computador, ligaríamos a placa de som ao computador e esta ao PC.
DICA
Pense sempre no caminho que o sinal está fazendo assim ficará mais fácil
de entender o seu sistema.
112
Como preparar meu equipamento para gravar:
Os programas de edição têm as mesmas funções, o que parece óbvio em um pode estar “escondido” no
outro, o programa usado como exemplo é o Cubase.
Primeiro é preciso entender a lógica dos programas, o Cubase é um programa Multipista, isto é multicanais,
vários canais trabalhando simultaneamente. Assim como uma mesa de som, é necessário que você diga
para o programa de onde está vindo o som então para gravar você deve “armar” os canais que irão gravar
senão não haverá captura de som, isto é o computador não irá gravar. Ilustrei um quadro para melhor
visualização dos comandos básicos.
113
Estas são as funções básicas do programa.
Façam uso da seção terminologia universal do áudio para poder esclarecer cada função.
Quadro de entradas e saídas de áudio do programa:
Aperte a tecla F4, ou vá no menu Devices, VST Conection. Irá aparecer o seguinte quadro:
114
NOÇÕES GERAIS DO ÁUDIO:
Som Mono:
É um sistema de som onde existe apenas uma fonte sonora.
O que é Stereo?
É a sensação causada pela distância ( defasagem) entre duas fontes sonoras alinhadas, criando assim a
“imagem” estéreo ( em inglês Stereo), onde está imagem é chamada de panorama, ou PAN. Isto também
quer dizer que o som para ser estéreo precisará de dois canais da mesa, ou um canal estéreo tanto para
entrar quanto para sair.
Exemplo
Pelos padrões para se obter uma “imagem” estéreo perfeita precisaremos
de um triângulo perfeito entre as caixas e nossos ouvidos.
Para aproveitar 100% do seu som preste atenção!!
Se tivermos um som estéreo onde as duas fontes estejam juntas se obterá um som Mono.
PAN é um dos parâmetros existentes na mesa de som, o seu knobb (potenciômetro)
marcado com PAN, funciona da seguinte maneira:
Veja Quadros:
Se colocado na posição central teremos a seguinte sensação:
115
Se colocado na posição um pouco para a esquerda, teremos:
CABOS E CONECTORES - INFORMAÇÕES PRÁTICAS
Tipos de cabos mais usados
Todo cabo Tem um “Macho” e uma “Fêmea”:    
Cuidados e precauções: Use sempre o cabo adequado à cada aplicação. Improvisar soluções, ainda que em
situações de emergência, acaba comprometendo o resultado final de todo o trabalho. Comparado com os
demais componentes de um sistema musical, o cabo é uma peça bem mais barata, e por isso economizar
nele não parece ser uma atitude racional. O ideal é ter-se sempre um cabo reserva de cada espécie, para uma
eventual necessidade. Evite deixar o plug sobre tensão isto irá aumentar sua vida útil, não deixe o pendurado.
Evite usar adaptadores quanto menos obstáculos para o sinal melhor qualidade será obtida.
116
Ligação Cabo / Plug desbalanceado da forma correta:
117
Ligação Cabo / Plug balanceado da forma correta.
118
Cabo "y" p2 (stereo)
para p10 (mono)
Existem diversos adaptadores que podemos usar
para fazer possível nosso sistema de som, mas
quanto menos obstáculos o sinal tiver melhor
será o resultado.
Ao lado o cabo adequado para ligar uma mesa de
som ao computador.
Basta ligar o plug dourado na entrada da placa de
som de seu computador ( conector de cor Azul) e
os outros dois em duas saídas da mesa!
OS EQUIPAMENTOS QUE COMPÕE UMA RÁDIO SÃO:
Microfone - É o transdutor, o que converte o som em sinal elétrico.
Mesa de Som - É onde poderemos ligar todos nossos aparelhos, e ter controle independente
de cada sinal entrando ou saindo da mesa, podendo alimentar microfones e equalizar o sinal.
Amplificador - O som que saí de uma mesa não é capaz de fazer mexer um alto falante (no
caso de caixas Passivas), para isso precisamos do amplificador para poder ouvir o som.   
Caixas de Som - Se ativas (Quando ja vem com o amplificador interno) dispensam o uso de
amplificadores. É por onde se monitora os sinais.
Computador - É o que vai possibilitar sua rádio de gravar suas transmissões e ainda ter uma
programação sem interrupções.
Compressor - É um regulador de faixa dinâmica.
Transmissor - É o que emite o sinal para a antena.
Antena - É o que propaga o sinal.
119
TERMINOLOGIA UNIVERSAL DO ÁUDIO
Input: Entrada para um cabo de ligação: microfone, aparelho de cd, etc.
Output: Saída aonde colocamos um cabo direcionando o som para o amplificador ou caixa
de som.
Pan: Panorama (neste “botão” escolhemos se queremos um som indo em stéreo por igual
para as duas caixas, ou se queremos que o som vá mais para direita ou para a esquerda.
Send: Enviar, mais uma saída.
Mute: Mudo . Este comando serve para mutar o canal.
Return: Retorno, mais uma entrada.
REC: Record, quer dizer gravar.
Gain ou Trim: Ganho, é a sensibilidade do microfone e também o volume do pré-amplificador.
Na prática ele serrve para aumentar ou abaixar o volume.
Insert: Inserir, com a ajuda de um *cabo “Y” , Mais uma entrada e uma saída, quer dizer que
o som irá sair para um dispositivo desejado e irá voltar pelo mesmo lugar, colocando este
dispositivo como conrolador. Para mais detalhes veja a seção Efeitos desta apostila.
(*ver quadro de plugs e cabos)
Fader: Peça da mesa de som, controle principal dos volumes.
Fade In: Movimento do Fader do volume mais baixo para o volume desejado.
Fade Out: Movimento do Fader  do volume desejado até volume nenhum.
120
Cross-Fade: Recurso usado para unir dois áudios sem ter “pops*”
(*ver quadro de ruídos)
Ferramentas de Comando: Segure a tecla Ctrl e mais as letras indicadas.
Cut: Cortar  (Ctrl X)
Duplicate: Duplicar  (Ctrl D)
Copy: Copiar (Ctrl C)
Paste: Colar  (Ctrl V)
Channel: Canal por onde passará o sinal
Mute: Mudo, nãi irá sair som.
Solo: Significa que todos os outros canais ficaram mudos exceto o que estiver com
o solo
Signal: Sinal, Audio, sinal de variação de voltagem.
Wet: “Molhado”, irá aparecer em efeitos, quanto mais molhado mais efeito
Dry: Seco, irá aparecer em efeitos, quanto mais seco menos efeito.
Low-Pass: Filtro Passa Alta, quanto mais virar o Knobb para a direita você estará cortando
os graves.
High-Pass: Filtro Passa Baixa, quanto mais virar o Knobb para a esquerda você estará
cortando os agudos.
Main: Principal, saída principal de som, Stereo (L + R)
121
Split: Separar, em alguns programas a função cut pode ser chamada de split.
Knobb: Potenciômetro
Width: Largura, normalmente irá aparecer em uma opção do equalizador paramétrico e irá
determinar a largura da banda de freqüência que você irá operar.
Clip: Significa que o seu sinal está distorcido, normalmente este recurso estará sempre
sinalizado por uma luz vermelha acendendo toda vez que o som distorcer.
DICA
Sempre confie no medidor do computador, se ele acender abaixe o volume!!
DICAS DE GRAVAÇÃO!
a) Sempre verifique os cabos que você irá usar, eles devem estar sempre bem
soldados sem nenhum fiozinho arrebentado, pois senão poderão causar
“hums” um ruído que pode acabar com seu trabalho.
b) Veja se o sinal está chegando em um nível adequado, sinal baixo de mais
significa má qualidade.
c) Sempre nomeie corretamente seus canais,tanto no programa quanto na
mesa (use fita crepe e escreve com um hidrocor o nome de cada item que está
entrando e saindo da mesa),  para não fazer confusão! Sessão desorganizada
é um atraso de produção e incompetência do operador.
d) Esteja sempre atento ao ganho pois ele é a sensibilidade do microfone.
EXEMPLO: se você estiver gravando no meio de uma multidão, você deverá
usar o ganho o mais baixo possível levando o microfone o mais perto da boca
tomando o cuidado com as sílabas com “t” e “p” elas são responsáveis pelo
ruído “pop” que é causado pelo brusco movimento do diafragma causado por
essas sílabas.
122
e) Para uma boa gravação é necessário concentração total por parte dos
participantes, pois é um trabalho em equipe.
f) Sempre use o fone de ouvido para monitorar o que está sendo gravado, pois
se usar as caixas de som pode ocorrer uma microfonia ou então um vazamento
de som na gravação.
g) Se a luz vermelha acender abaixe o volume pois o som está distorcido,
mesmo que você não perceba abaixe o volume do canal que estiver com a luz
acesa.
h) Ao terminar de usar os equipamentos cubra-os e não os deixa exposto á luz
do sol, poeira e maresia, senão eles irão deteriorar muito mais rápido e o custo
para o conserto pode ser bem caro.
i) Se tiver que limpar algum equipamento eletrônico NUNCA use wd-40
ou qualquer produto desengripante. O produto correto para limpeza de
equipamento é chamado LIMPA-CONTATO.
j) NUNCA coma ou beba perto do equipamento, água e outras substâncias
podem ser fatais para seu equipamento. Mas se caso acontecer de cair água
ou algum líquido rapidamente remova o equipamento da tomada e aplique
muito limpa-contato e só os coloque na tomada depois de terem secado por
completo. Se ligar os equipamentos molhados irão queimar.
RELAÇÃO SINAL / RUÍDO
Esta é a relação que irá garantir um bom material para a edição atingir um nível de qualidade bom.
Veja o exemplo abaixo:
	 Sinal com baixo nível de entrada: 	 Sinal com um bom nível de entrada:
O primeiro exemplo está comprometido pois se usarmos o recurso de ganho para aumentarmos seu
volume os ruídos ali gravados irão subir junto.
123
Existem vários recursos na edição para tentar salvar sua gravação, mas para se atingir um resultado
satisfatório na edição é preciso uma boa gravação.
Ruídos são todos os soms não desejáveis em uma gravação. Por exemplo em uma entrevista ao ar-livre o
som dos carros, dos passarinhos, de tudo aquilo que não for a voz do entrevistador / entrevistado pode
ser considerado ruído. Mas por exemplo se você for gravar uma entrevista de fórmula 1, ou uma entrevista
em uma fazenda, óbvio que estes sons de fundo (carro , ou passaros), se não influenciarem negativamente  
na compreensão da mensagem, eles podem até funcionar como um reforço à mensagem.
Ao aumentar o ganho buscando um melhor sinal você também estará sujeito a mais ruídos, mas no
mundo do áudio tudo deve ser feito pela experiência. O sinal não pode estar baixo de mais, e nem
alto de mais, deve estar adequado a situação, e isto requer sensibilidade do operador.
Outros ruídos são as interferências eletromagnéticas que podem ocorrer por equipamento mal conservado,
cabos mal soldados, ou não soldados corretamente. Os equipamentos de áudio tem um padrão que
está mostrado na sessão Cabos e Conectores desta apostila, qualquer alteração nessas conexões podem
acarretar ruídos e interferências. Se chamam “Hums”.
Existem também os ruídos das sílabas fortes com “t” e com “p”, e o corte em um áudio sem o uso de fades,
resultam em ruído chamado “Pop” para amenizar esse ruído basta colocar o microfone a uma distância
adequada em relação a boca do locutor,caso tenha que editar basta atenua-lo com o ganho. Abaixo veja
como se parece um ruído Pop:
Repare que o sinal dá um “pulo” rápido, isto acarretará um puff em suas caixas de som.
EDIÇÃO
Todo programa fará uso da terminologia universal do áudio, que está contida nesta apostila. Se houver
alguma dúvida sugiro que consultem as seções, como preparar meu equipamento para gravar e
terminologia universal do áudio ( pg. 12)
Aediçãoécapazdeconsertarmuitoserrosdegravaçãoeatélimparruídoserestauraráudioscomprometidos.
Não teremos tempo de dar todas as dicas necessárias para se usar 100% que os programas podem lhes
oferecer mas colocaremos aqui as operações básicas.
Farei uso de ilustrações para ser mais preciso, abaixo um corte realizado.
Barra de Ferramentas:
124
Para cortar:
Muitos dos comandos estarão ao click do botão esquerdo do mouse, seja curioso click
nas opções, a barra Edit estará presente em todos os programas.	
Vamos compreender a tabela de freqüência:
• Audição Humana:  de 20 Hz até 20.000Hz ou 20KHz
• 20hz até 300Hz -  Chamamos graves ou Baixas ( em inglês Bass ou Low)
• 300hz até  1.000Hz – Médio Grave
• 1.000Hz até 3.000Hz – Médio (em inglês Médium)
• 3.000Hz até 8.000Hz – Médio Alta
• 8.000Hz até 20.000Hz –Altas ou Agudos em (inglês Treble ou High)
125
Aqui abaixo em um equalizador paramétrico comum nos softwares de áudio.
Muitos ruídos podem ser amenizados apenas com o uso do equalizador. Sem
necessitar de cortes.
126
Abaixo um locução editada, cortando as respirações do locutor.
OBS: para fazer um cross-fade, selecione as duas regiões e aperte a tecla “X”
Abaixo uma referência para servir de guia para uma possível equalização para voz. Lembrem-se que
isto não é regra e que essas freqüências podem não ser exatamente o que está escrito, então procure,
ouça, tente, FAÇA!!
Voz humana:  Pufs abaixo de 80Hz, Profundidade em 120 a 250Hz, Corpo desnecessário 400 a 700Hz
(depende da voz), nitidez 3 a 5KHz, sibilância( é o som produzido pelos “esses”) de 7,5 a 10KHz.
Os ruídos de “Hums” normalmente se localizam na banda de 60Hz, basta colocar o equalizador em cima
de 60Hz e atenuar. Veja exemplo:
127
Abaixo edição de um POP, manualmente: Com a ferramenta Selecionar Região:
Terminei o meu trabalho, como exporto o áudio do programa?
128
Aparecerá o seguinte quadro:
Como importar um som para dentro do programa?
Vá no menu File, import. Aparecerá as seguintes opções:
A opção Áudio File importará todos os arquivos que você quiser, basta seleciona-los. Os áudios irão
aparecer no canal que estiver selecionado, em cima da barra. A segunda opção Áudio CD é para importar
áudios de um CD que estiver dentro do seu drive.
129
EFEITOS
Falarei apenas dos efeitos mais usados em rádio.
Vamos começar pelo efeito mais importante chamado de compressor:
O compressor é um regulador de faixa dinâmica isto é ele regula a variação de volume no áudio gravado.
Existem mil e uma formas de regular um compressor, apenas a experiência atrelada a leitura dos manuais
para adquirir domínio sobre os parâmetros de um compressor. Minha dica use os parâmetros pré prontos
(preset) que vem nos compressores. Irei ilustrar mais adiante.
Primeiro vou ilustrar uma locução sem compressão e outra comprimida:
Repare que a variação de volume foi reduzida e a música irá soar toda com o mesmo volume. Para esse
resultado usei o preset do compressor.
Todo programa irá possuir presets, inclusive outros efeitos. Isso vale para todos os programas de edição de áudio.
Recomendo o programa Sony Soundforge que possui um compressor muito bom com excelentes presets.
A compressão irá garantir também uma melhor qualidade no sinal de saída para o transmissor.
130
Reverb:
Significa reverberação, também é um simulador
de sala, é o efeito que faz parecer que estamos
falando dentro de uma caverna, ou mesmo em um
estádio de futebol. Abaixo parâmetros do reverb
padrão do Cubase.
Os presets funcionam da mesma forma que o
compressor e se localizam na mesma barra. Basta
clickar no default que irá aparecer as opções.
Este efeito é usado para narrar jogos de futebol!!
OBS: Para ouvir o efeito desejado em tempo real
é necessário ativar o modo de Monitoração em
Tempo Real. Veja seção: Como preparar meu
equipamento para gravar.
Equipamentos recomendados
O kit da Behringuer Podcast studio USB é uma ótima opção para quem quer gastar pouco e já começar a
produzir seus programas, pois já vem com mesa, microfone, placa de som e fone de ouvido, tudo o que
você precisa para começar.. Aqui no Brasil está custando na faixa dos 550 R$ podendo ser mais barato, ou
um pouco mais caro dependendo de onde comprar.
Caso não tenha dinheiro para isso uma mesa de som e um microfone já bastam pois os computadores são
equipados com uma placa de som on-board, que significa que a placa de som está junto da placa mãe.
Aí basta ligar, veja quadro de ligação nessa apostila e pronto é só apertar o REC.
Procurem marcas como Behringer, Le Son e Áudio Technica elas lhe darão uma melhor relação custo benefício.
131
OPERAÇÃO DE ÁUDIO
RESUMO DE OPERAÇÃO PRÁTICA
INTRODUÇÃO
Projetos de comunicação passam, necessariamente, por padrões de qualidade que não se diferenciam tanto da
comunicação escrita. O respeito ao formato e ao layout, assim como acontece nos jornais de grande circulação,
também ocorre no radio. Porém, diferente dos jornais – que organizam seus espaços métricos e separa suas
seções por página – o radio organiza seus espaços temporais. Em resumo, o projeto gráfico está para um jornal
assim como o roteiro está para o radio.
A capa do jornal Folha de São Paulo retrata bem essa organização métrica em seu projeto gráfico.
Repare que cada seção ocupa um espaço específico da escalada, e ainda destina seu rodapé para um
anúncio comercial. O sucesso de um projeto de comunicação depende, necessariamente, da forma
como se organiza esse projeto; faz com que o público não fique perdido no meio das informações.
Assim também ocorre no radio. A organização do projeto é realizada através de um roteiro, especificando
graus de importância das notícias, tempo de leitura, fundo musical, vinhetas que anunciam o tema que
está para ser exposto. A partir do roteiro, organiza-se o formato de um programa.
132
A preparação também é um fator importante para cada projeto de comunicação em radio.
Vamos comparar mais uma vez: nas redações de um jornal, a partir do momento em que a notícia chega,
é averiguada, preparada e colocada nos padrões de layout para impressão, respeitando o limite que para
ela foi destinada. Por último, prepara-se a capa e o formato para impressão.
No radio, todo o corpo de notícia também é preparado – previamente e, de acordo com a necessidade, durante
o programa, pela facilidade de comunicação dinâmica em tempo real – e organizado em um roteiro ou em
fichas. Há, também, a possibilidade de receber pessoas previamente convidadas para conceder entrevista.
Tudo, também, respeitando os limites de tempo destinados a cada bloco e, finalmente, ao programa.
Como no radio a comunicação é sonora, existem alguns artifícios que podem ser utilizados, como a
ambientação – também conhecida como sonoplastia. Cada notícia ou momento do programa pode ter
como pano de fundo uma trilha musical de acordo com aquele momento. Exemplos:
•	 Notícias relativas a exposições em museus e centros culturais (exceto musicais) podem ter
como pano de fundo, preferencialmente, música clássica;
•	 Notícias em tom de denúncia, precedidas ou não de crônica ou opinião pessoal do profissional
de radio, podem conter como pano de fundo uma trilha que misture ação e suspense;
•	 Notícias relativas a atrações musicais devem, preferencialmente, utilizar como panos de fundo
músicas de autoria ou interpretação da própria atração.
•	 Cada momento do programa deve ser cuidadosamente preparado para não destoar do objetivo
principal do programa: passar a informação com o devido sentido, causando o sentimento
necessário para assimilação do ouvinte.
PREPARAÇÃO DE UM PROGRAMA
O momento de preparação de um programa a partir de um roteiro ou de fichas também faz parte do
processo de pré-produção.
Algumas ferramentas, hoje em dia, são utilizadas para facilitar a operação de áudio em um programa de
radio. Como hoje praticamente todas as plataformas de radio utilizam o computador – pela facilidade na
busca dos arquivos de áudio e operação – podemos utilizar os famosos players.
O Winamp – famoso software de execução de arquivos
de midia (vídeo/áudio) – é utilizado em várias estações de
rádio, pela facilidade de organização. Normalmente em
rádios FM o operador de áudio é o próprio locutor. Seguir
fielmente o que o roteiro ou as fichas apontam para as
notas preparadas é um parâmetro de respeito ao roteiro.
Para o comunicador-operador é mais fácil, visto que o
mesmo pode sentir liberdade para dar o tom necessário
à notícia. Salvo em rádios do formado allnews ou que
migraram recentemente para a faixa dos Megahertz
(estilo BandNews, CBN, Radio Globo e Tupi), onde existe
a figura do operador de audio: nesse caso, o operador
deve confiar em sua equipe, e estar o tempo todo em
consonância com o pensamento expressado pelo locutor,
de acordo com a importância de cada tópico apresentado.
133
ZARARADIO
Para cumprir com essa etapa de pré-produção, um dos programas mais recomendados atualmente é o
latino ZaraRadio. A possibilidade de realizar um programa de radio controlado, na sua totalidade, através
de um software – sem a necessidade de modificação das configurações padrões da mesa de som da
estação de radio, fora o fato de o programa estar com suas propriedades de licença liberadas (é um
software livre) – fez com que esse programa fosse adotado em várias estações de rádio, comerciais ou
comunitárias. Abaixo no exemplo, o ZaraRadio sendo operado pelo Windows 7.
A versão instalada, no caso, é a 1.6.2, adequada para o Windows 7 Ultimate. Existem outras versões para
Windows anteriores, mas não para outros sistemas operacionais como Mac ou Linux.
Um dos sítios mais recomendados para adquirir o ZaraRadio é o superdownloads.com.br. Através dele,
também, podemos encontrar o pacote de instalação em português do programa.
(Houve supressão de anúncios comerciais publicados no site)
134
INSTALAÇÃO DO PROGRAMA
Estes são o ícone e o nome do aplicativo a ser acionado objetivando a instalação do ZaraRadio 1.6.2 para
Windows 7 Ultimate. Normalmente devemos apontar o mouse e ativar clique duplo a fim de acionar o
programa. Siga os passos a seguir.
(Nesta figura, suprimimos a especificação do arquivo)
Caso o Windows esteja pedindo permissão para execução, dê a devida permissão clicando em “Sim”.
Para fazer o download do programa e do pacote, é
só clicar em cima de ZaraRadio e ZaraRadio Language
Pack, e clicar na figura como no exemplo à direita.
135
Escolha a opção de linguagem para instalação: Espanhol, Espanhol catalão ou inglês.
No nosso caso, escolhemos o inglês.
Como demonstrado na figura, é recomendado fechar todos os outros programas em execução durante a
instalação do ZaraRadio. Após cumprir com essa tarefa, clique em “Next >”.
O acordo de licença confirma as informações do ZaraRadio como software livre: “Este programa é LIVRE
e sua VENDA É PROIBIDA, individualmente e em pacotes de programa”. Ao clicar em “Eu aceito o acordo”,
você estará aceitando todos os tópicos expostos pelo acordo da ZaraSoft®. Para instalar o programa,
necessariamente deve-se entrar em acordo com os tópicos clicando nessa opção, logo depois em “Next >”.
136
Esta caixa de diálogo refere-se ao local onde deseja-se instalar o ZaraRadio. Este caminho é o mais
recomendado no Windows 7 e pelo programa, portanto é bem provável que não seja necessário alterá-lo.
Clique em “Next >”.
Esta caixa de diálogo refere-se à criação dos ícones de atalho no Menu Iniciar (como demonstrado abaixo).
Clique em “Next >”.
137
Depois do programa instalado, seu Menu será criado dessa forma.
Selecionando conteúdos adicionais: o ZaraRadio sempre permite que ícones sejam instalados na Área
de Trabalho. A opção de criação já está marcada por padrão. Para manter a instalação do caminho e
a execução do programa diretamente da tela principal, não desmarque a opção. Clique em “Next >”.
Após a instalação, aparecerá o seguinte ícone na Área de Trabalho.
138
Um duplo clique sobre o ícone será o caminho necessário para executar o programa.
Esta é a última caixa de diálogo, confirmando os dados para a instalação do ZaraRadio. Clique em “Install”.
A instalação continuará. Não cancele enquanto o programa estiver extraindo os arquivos para o seu
computador. A instalação dura, em média, de 4 a 15 segundos.
ZaraRadio
139
Completada a instalação, temos a opção de executar o programa ou não. Caso queira executar o
ZaraRadio, clique diretamente em “Finish”. Caso contrário, desmarque a opção “Launch ZaraRadio”
antes de clicar no botão, e o programa de instalação encerrará o processo.
INSTALANDO O PACOTE DE LINGUAGEM PT-BR
Programa para instalação do pacote de linguagem Português (Brasil).
Como o arquivo está em formato zip (compactado), pode ser necessário utilizar outros programas
descompactadores. O Windows 7 Ultimate já dispõe de um descompactador zip instalado, mas utilizamos
uma plataforma muito comum, o WinRAR (cópia de avaliação), para abrir o pacote.
Clicando na opção “Extrair Para”, abrir-se-á uma outra caixa de diálogo:
Como software livre, os pacotes de instalação também podem ser
feitos com auxílio de programadores independentes. No caso do
pacote de linguagem disponibilizado pelo sítio superdownloads, o
programador provavelmente se chama ou adota alcunha de “Bruno”.
140
Caminho de destino: se a instalação for padrão como já demonstrado (sem alterar as especificações padrões
sugeridas pelo programa de instalação do ZaraRadio), especifique o seguinte caminho na caixa:
C:Program Files (x86)ZaraSoftZaraRadioLang. Depois, clique em OK e feche o WinRAR.
A pasta “Lang” utiliza uma abreviação de language, que significa linguagem. Nela, provavelmente
iremos encontrar outro pacote de instalação em espanhol, seguindo o padrão de instalação sugerido
pelo ZaraRadio. O programa possui padrão de linguagem em inglês, que não pode ser desinstalado
através da pasta Lang.
No Windows Explorer, acessamos a pasta Lang e encontramos outros dois pacotes de linguagem, em
espanhol e português.
141
CONFIGURANDO O ZARARADIO
Se anteriormente seguimos os passos de instalação conforme demonstrado, provavelmente teremos
disposto na nossa Área de Trabalho o ícone do ZaraRadio. Um duplo clique do mouse é o suficiente para
acionar o programa.
Tela de apresentação do ZaraRadio.
Sempre quando o ZaraRadio for acionado, abrir-se-á uma caixa de diálogo intitulada “Dica do Dia”.
Por enquanto, conforme o padrão de instalação, as dicas estão em inglês.
ZaraRadio
142
ZARARADIO EM PORTUGUÊS
Repare também que, inicialmente, o programa está todo em inglês. Para colocar o programa finalmente
em português do Brasil, feche a caixa de diálogo das dicas através do botão “Close” e vá ao menu “Tools”,
depois escolha a opção “Options...”.
Reparem, agora, na caixa de diálogo “Options”. Na guia esquerda, a opção “General” informa as opções gerais
do programa, entre elas a de linguagem (guia “Language”). Ao acionar o menu suspenso, percebemos agora a
opção “Portuguese (Brazilian)”. Acione essa opção e clique em OK.
Aparentemente nada mudou, mas para acionar a opção em Português, feche o programa no botão
direito acima da caixa (o “X” vermelho) e acione novamente com dois cliques no ícone do ZaraRadio.
OPERAÇÃO DE AUDIO NO ZARARADIO
143
Repare que, após configurar a linguagem do programa, todas as opções de menu, caixas de diálogo
na operação, demonstrativos de data e hora e, inclusive, “Dicas do dia” e os botões das caixas de
diálogo estão em português.
Caso o usuário tenha mais curiosidades sobre o programa, pode manter na caixa de diálogo “Dica do dia”
a opção marcada em “Mostrar dicas ao iniciar”. Sempre que quiser novas dicas de como operar e fazer
alterações no ZaraRadio, pode acessá-las pelo botão “Próxima Dica”. Do contrário, desmarque a opção de
mostrar as dicas e feche a caixa de diálogo. Da próxima vez que iniciar o ZaraRadio, as dicas não irão mais
aparecer. Por enquanto, vamos deixar a opção ativada e simplesmente clicar no botão “Fechar”.
A simplicidade do programa como player é parecida com a maioria dos players convencionais, como o
Winamp. Mas existem outras funções que facilitam muito o operador na hora de operar uma estação
de radio. Para acionar essas funções, vamos primeiramente criar uma playlist, ou seja, simularemos um
roteiro para operação de áudio de um programa.
Reparemos, na aba esquerda, uma lista de pastas parecida com as árvores do Windows Explorer. É através
dessa árvore que vamos ter acesso às listas de músicas e vinhetas da rádio. Procure através desta caixa
onde está a pasta de músicas.
Diferente do Windows Explorer, as músicas irão aparecer na própria aba da árvore de pastas. Uma árvore
abaixo de uma pasta, com os arquivos levemente apontados a direita por uma linha, indica que os arquivos
estão dentro dessa pasta.
144
Vamos arrastar um desses arquivos para a lista de músicas à direita dessa aba.
Observamos que o nome do arquivo arrastado aparece na guia “Próximo”, acima desta aba para onde
arrastamos o arquivo. Significa que nesta aba, na verdade, já está sendo montada a playlist, ou seja, a lista
de faixas musicais que serão executadas durante o programa. A guia “Próximo” é a próxima faixa musical
a ser executada. Repare, também, que a aba à esquerda, “NO AR – Reproduzindo agora”, está vazia. Sinal
de que o programa não está executando nenhuma faixa ainda.
O trabalho de pré-produção de um programa de radio engloba, também, organizar o programa de acordo
com o roteiro preparado. Como ainda não temos um roteiro, vamos preparar nossa playlist para operar
um programa inespecífico, mas com as seguintes características:
•	 Vinheta inicial da radio e bloco de locução;
•	 Dois blocos de três músicas cada, separadas por vinhetas;
145
•	 Cada bloco terá um intervalo de locução;
•	 Cada intervalo de locução terá, obrigatoriamente, um teaser de campanha ambiental;
•	 Programa terá uma hora de duração.
Assim, teremos como playlist:
Reparem que, após o playlist montado para a execução do programa de radio, a duração total do
programa está descrita acima da aba (1 hora, 0 minuto, 16 segundos e 8 centésimos), e algumas funções
do ZaraRadio finalmente podem ser ativadas. Vamos conhecê-las?
Barra inferior do ZaraRadio: controles imprescindíveis na hora de operar um programa de radio.
PLAY
Botão que aciona a faixa musical descrita na aba “Próximo”, em verde na playlist. Vamos acionar esse
botão para finalmente começar nosso programa? Ao acionar, repare na mudança da barra inferior: outros
botões estão disponíveis para acionamento, ou seja, quando saem do estágio cinza e ficam coloridos.
Indicações nas guias superiores e botões disponíveis na barra inferior: a radio está no ar!
146
STOP
Interrompe a execução do programa. Repare: se interrompermos o programa, veremos que a aba “NO AR”
ficará vazia e a barra inferior voltará ao estágio de início do programa. Ou seja, o programa está interrompido.
Observação:
Acionar o STOP não significa que a playlist retornará para a primeira faixa musical. Se no
momento em que acionar o botão o programa passar para a próxima faixa, tanto a playlist
quanto a aba “Próximo” irão indicar qual trilha musical estará pronta para execução.
Para retornar para a faixa inicial do programa, dê dois cliques em cima dessa faixa
no topo da lista como o cursor do mouse na própria playlist, e ela voltará a ser
realçada em verde e indicada na aba “Próximo”.
PAUSA
Literalmente pausa o programa. A faixa em execução ficará pausada no momento em que o botão
for acionado, até que o mesmo seja clicado novamente. A aba indicativa “NO AR” indicará que a faixa
está em execução e manterá o tempo restante parado, não significando, entretanto, que o ZaraRadio
está emitindo qualquer som.
PRÓXIMO
Interrompe a execução da faixa “NO AR” e inicia a execução da faixa explícita em “Próximo”. Muito utilizado
no momento em que terminamos de realizar uma locução para executar outra faixa na playlist.
BOTÕES RETROCEDER e AVANÇAR
Controle na própria faixa em execução. Botões não muito utilizados, pela imprecisão do retorno ou avanço da
faixa; não há, no ZaraRadio, qualquer artifício indicativo para sabermos até onde avançamos ou retrocedemos
na faixa musical em execução durante o acionamento dos botões.
PARAR APÓS O ARQUIVO ATUAL
Interromperá o programa após o término da execução da faixa “NO AR”. Botão muito utilizado por locutores
que não costumam utilizar quaisquer músicas de fundo durante suas locuções.
ATENUADOR
Botão que substitui o ato de abaixar o volume do canal de execução do computador na mesa de som. Utilizado para
diminuirosomdafaixaduranteumalocução.AexistênciadesseartifícionoZaraRadiopermitequeasconfigurações
da estação de radio permaneçam num único padrão, independente do programa que estiver no ar, ou seja, sem
interferência ou mudança por diferentes operadores.
147
CONTROLE DE EXECUÇÃO DA FAIXA
No canto direito da barra de ferramentas inferior. Mostra ao operador em que ponto a faixa está sendo
executada. Indicador similar aos de players Windows Media Player e Winamp. Arrastando o indicador, o
operador pode colocar a faixa no ponto em que deseja; assim, pode suprir parcialmente a falha dos botões
RETROCEDER e AVANÇAR.
APAGAR AO REPRODUZIR
Localizado acima da aba de playlist, à direita. Botão utilizado quando o operador aproveita a execução de
uma playlist prévia para inserir seu programa “no meio” de uma programação já preparada, normalmente
quando a radio funciona em esquema automatizado. (pode se tornar um desastre para a estação de radio
caso o operador esqueça o botão ligado, por isso recomendamos não utilizar esse artifício e realizar outro
procedimento permitido pelo ZaraRadio.)
REPETIR
Utilizado para repetir a faixa que está “NO AR”. Normalmente utilizado quando a música de fundo para locução
é muito curta. (esse botão também é digno de muita atenção do operador, uma vez que ele pode esquecer o
botão ligado e acionar outra faixa, cuja repetição também será intermitente até o próximo comando.)
PROCEDIMENTO PARA ACIONAMENTO DE UMA NOVA PLAYLIST
Vimos anteriormente que a opção “APAGAR AO REPRODUZIR” ( ) não é muito recomendada, por no ato de
incorporar uma playlist dentro de outra o operador pode causar alguns acidentes, como por exemplo deixar
o botão acionado e apagar uma playlist inteira caso a rádio não tenha muitos programas – e isso literalmente
deixaria a radio emitindo sinal em silêncio. Existe outro procedimento mais adequado para lidar com a situação,
mais trabalhoso, porém muito mais seguro.
O ZaraRadio permite que o operador abra duas ou mais janelas com playlists diferentes. Nesse caso,
enquanto a suposta playlist automática está em execução, o operador pode tranquilamente ir montando
a outra do seu programa. Também não corre o risco de, no meio da montagem de uma playlist dentro de
outra, as faixas correrem e seu programa iniciar sem que tenha montado o programa a tempo.
Para acionar outra janela além da playlist  em execução, basta que o operador clique duas vezes no ícone
do ZaraRadio na Área de Trabalho. Será acionada uma nova janela.
SALVANDO UMA PLAYLIST
O procedimento de arquivamento de uma playlist é tão simples quanto salvar qualquer arquivo em qualquer
editor de música, texto, desenho… O operador só precisa acionar o menu Arquivo > Salvar Como..., depois
indicar o local de destino do arquivo, nomear e clicar no botão “Guardar”.
148
COPIAR, COLAR E DELETAR
O ato de “cópia-colagem” numa playlist também pode ser realizado com faixas que se repetem, como as
músicas de fundo utilizadas para locução. Para copiar, clicar na faixa e acionar no teclado os botões CRTL
+ C. Para colar, colocar no ponto em que se deseja e acionar no teclado a combinação
CTRL + V. Para retirar uma música da playlist (deletar), selecionar a faixa com o mouse e teclar “Del”. Todos
os comandos podem ser averiguados no menu Editar do ZaraRadio.
Outras funções: Eliminar tudo – limpa toda a playlist; Buscar... – para localizar uma faixa na playlist;
Buscar em pastas... – para localizar um arquivo específico, faz uma varredura nas pastas do computador
para o operador encontrar uma faixa de áudio desejada para cumprimento do roteiro.
Os artifícios de busca no ZaraRadio seguem os padrões de comando do Windows, com utilização de
arterisco (*) para generalizar a continuação do nome de um arquivo, ou buscar a totalidade dos arquivos
que iniciam com uma determinada letra ou expressão desejada.
Janela de busca de arquivo em pastas.
149
LOCUÇÕES DE HORA, TEMPERATURA E UMIDADE RELATIVA DO AR
Vários são os pacotes disponíveis para locução de hora, temperatura e umidade relativa do ar. Normalmente,
o ZaraRadio é instalado hora sem os pacotes, hora com algum tipo de pacote.
Os áudios de locução estão localizados nas pastas Humidity (Umidade), Temperature (Temperatura) e
Time (Hora). Todos os arquivos podem ser editados de acordo com a política editorial padrão de cada
emissora de radio, em qualquer programa de edição de áudio.
Caso o operador opte por utilizar outro padrão de locução pronto, existem vários disponíveis na internet.
Em qualquer site de busca, procurar por “Locução ZaraRadio”, e os links dos pacotes aparecerão na lista.
AGENDANDO EVENTOS
Função muito importante principalmente para rádios comerciais, o agendamento de eventos permite
que possamos inserir na programação, exatamente no horário em que desejamos, anúncios ou teasers de
notícias no meio da programação. Considerado ferramenta primordial na inserção de anúncios pagos, no
horário em que os serviços da radio foram contratados. Também pode ser utilizado para inserir locuções
de hora pontuais no meio da programação. Isso nos permite a possibilidade de ter mais controle sobre os
anúncios sem ficarmos perdidos meio a playlists muito longas.
Esta aba, logo acima da localização de pastas e arquivos à esquerda, organiza e anuncia que eventos de
áudio estão próximos de acontecer. Para programar um evento, basta clicar no relógio.
Para agendar um novo evento, clique no botão “Novo...”
150
Podemos escolher vários momentos para programar um evento sonoro:
•	 Uma vez ao dia, no horário em que for programado à direita;
•	 Reprodução a cada hora, ou seja, de hora em hora, a partir da data configurada e marcada
no  minuto programado;
•	 Reprodução em horas específicas, no minuto programado.
Formas de execução:
•	 Imediato - interrompe a faixa que está em execução e executa o som de qualquer maneira
no horário programado;
•	 Espera máxima - limite de tolerância para a faixa ser executada.
Importante ressaltar que a execução de um determinado evento com espera máxima pode ser cancelada
pelo próprio programa, visto que a prioridade neste caso passa a ser das faixas inclusas na playlist.
Caso o tempo restante da faixa em execução seja maior que o tempo de espera máxima do evento, o evento
será expirado e a execução do áudio cancelada.
Prioridades: um evento com prioridade ALTA tende a ser priorizado no momento em que atingir o horário
de execução, mesmo que existam outros eventos com prioridade BAIXA, que por sua vez ficam para depois.
Maisumcasoemqueumeventopodedeixardeserexecutado,baseadonotempodeesperamáximaconfigurado.
DICA
Um evento também pode ser marcado para alguns dias específicos da semana.
Tipo de evento: o operador tanto pode escolher um arquivo para ser executado, como pode escolher entre
comandos de parada e execução ou outros comandos padrões do ZaraRadio, como locução de hora,
temperatura e humidade relativa do ar.
151
Arquivo aleatório: o operador, caso tenha a possibilidade de utilizar mais de um arquivo para um mesmo
anúncio, pode selecionar nessa opção a pasta onde se encontram os arquivos. O programa destinará uma
delas para ser executada. (essa opção é mais recorrente em rádios comerciais que recebem anúncios ou
preparam teasers diferenciados para um mesmo assunto.)
Radio na internet: utilizado para reproduzir o mesmo conteúdo de uma rádio disponível na internet.
O operador deve utilizar o mesmo link de acesso da rádio (Obs.: não é o mesmo link da página de
acesso; as rádios web utilizam endereço específico para conexão.) Pode ser utilizado, por exemplo,
para as rádios comunitárias retransmitirem o programa obrigatório “Voz do Brasil”.
Conexão e desconexão com satélite: conexão ou desconexão para envio de sinal via placa de som.
Configurado através das opções de satélite. Obs.: utilizado em rádios que optam por horário de
funcionamento limitado, ou que marcam o evento para realizar manutenção marcada dos equipamentos.
Detector de tons DTMF: verificador de tons de discagem. Ainda em fase de teste, utiliza enlaces sem fio por
satélite ou micro-ondas, para controle do ZaraRadio a distância.
Após a configuração do evento clicando no botão OK, o evento aparecerá na lista.
Também, será indicado na página principal do ZaraRadio para ciência do operador.
152
CONFIGURAÇÕES DE EXECUÇÃO
Para configurar algumas funções básicas de operação, é necessário voltar às opções do menu Ferramentas.
Volume gradativo: a guia é relativa ao volume de início e final de cada faixa. Sobreposição significa que
o início de cada faixa de áudio irá se sobrepor nos segundos configurados sobre a faixa anterior – por
padrão, 8 segundos. Esmaecer significa que a faixa irá abaixando o volume quando for chegando ao
final, com a duração dos segundos configurados – por padrão, 4 segundos. Detectar final de arquivo
faz com que o ZaraRadio, por si só, detecte o som esmaecido próximo ao final da faixa de áudio e
passe para a próxima faixa da playlist – por padrão, -26 dB.
Detector de silêncio: caso o volume da faixa de áudio não aumente no tempo configurado – por padrão
do programa, 15 segundos, o ZaraRadio se encarrega de passar para a próxima faixa de áudio. Evita que a
radio se mantenha em silêncio por muito tempo por conta de uma provável falha de arquivo.
153
Atenuador: ajuste do volume da faixa de áudio com o atenuador ativado, ou seja, volume em que a faixa de
áudio estará configurada no momento em que o atenuador for ligado. O tempo de transição é o tempo entre
o volume inicial e o volume final de ativação e desativação do recurso. Como padrão, está em ½ segundo.
OUTRAS FUNÇÕES DO ZARARADIO
O ZaraRadio possui uma infinidade de funções, que vão desde a escolha entre a visualização das
ferramentas pelo operador, passando pela escolha de faixas em dispositivo de samples (menu Vinhetas),
até a configuração de uma estação de web radio.
Falando em web radio, a única desvantagem do ZaraRadio (por enquanto, porque o programa não para de
ser aperfeiçoado) em relação a outros players como o Mixxx é a falta de um sistema de envio e recebimento
de metadados, há algum tempo utilizados por algumas estações FM e acessados em aparelhos de radio
que já utilizam o sistema de radio digital.
156
157
ÍNDICE:
1.	Introdução
2.	 Referência Rápida sobre áudio digital
2.1.	Som
2.2.	Sinal de Áudio
2.3.	Captação e conversão de um sinal de áudio
2.4.	Sinais analógicos e digitais
2.5.	Placa de Som
2.6.	Analógico versus Digital
2.7.	Propriedades de um sinal de áudio digital
2.8.	Áudio comprimido: mp3 e ogg
2.9.	Metadados
3.	 Tipos de transmissão
3.1.	Transmissão Assíncrona
3.2.	Transmissão Síncrona
3.3.	Como funciona uma transmissão
4.	Streaming
5.	Buffer
6.	 Hardware
7.	 Software necessários
8.	Transmitindo
158
159
1.INTRODUÇÃO
Com	o	advento	da	web	2.0	fi	cou	cada	vez	mais	fácil	ter	uma	rádio	na	web	e	encontrar	novos	caminhos	e	
maneiras para a democratização da comunicação.
Esta	apostila	tem	como	objetivo	mostrar	de	maneira	simplifi	cada	as	etapas	de	montagem	e	estruturação	
de uma rádio web.
Uma	rádio	web	consiste	numa	emissora	de	áudio	que	utiliza	a	Internet	para	transmitir	sua	programação,	
similar ao que acontece no rádio que usamos no dia-a-dia, só que, no caso da rádio web, ele é integrado
ao	computador.Sendo	assim	desejo	à	todos	uma	ótima	transmissão.
2. REfERêNCIA RÁPIDA SOBRE ÁUDIO DIGITAL
2.1. SOM
Afi	nal,	o	que	é	o	som?	Simplifi	cando,	o	som	é	uma	vibração	de	um	meio	material.	Por	vibração	podemos	
entender como sendo uma onda, que é um ente que transporta uma perturbação de um meio material.
No ar, por exemplo, uma perturbação da pressão atmosférica provoca uma onda, devido à elasticidade de
suas moléculas chocando-se mutuamente de tal forma que essa perturbação é transportada no espaço.
Quando essa perturbação chega ao nosso ouvido ou num microfone, ela causa a vibração das respectivas
membranas e ambos convertem essa perturbação da pressão do ar numa equivalente elétrica.
Nessa transformação, o meio pelo qual essa onda passou a se propagar bem como sua fenomenologia
mudaram, mas a sua essência, que é a informação contida na perturbação - o sinal -, foi preservada.
2.2 .SINAL DE ÁUDIO
Uma	maneira	de	representar	esse	sinal	de	informação	sonora	é	por	meio	de	gráficos.	Suponha	que	
você está no sofá de sua casa ouvindo alguém tocando sanfona no outro lado da sala.
As vibrações do ar chegam até seus ouvidos. Essas oscilações na pressão atmosférica (que nada mais é do
que a força que as moléculas de ar aplicam numa área) fazem com que a membrana auditiva de cada um
dos seus ouvidos também vibre, e a partir disso um complicado processo de conversão ocorre até que
esse sinal chegue bem dentro da sua cabeça de tal forma que você escute o som da sanfona.
160
Se fizermos um gráfico mostrando como varia no seu ouvido a pressão atmosférica com o tempo, teríamos
algo assim:
Esse gráfico significa que no instante de tempo a a pressão atmosférica no seu ouvido valia d e no instante
b valia d. A linha cheia com o aspecto de onda representa o valor da pressão em cada instante de tempo.
De fato, esse desenho parecido com uma onda pode ser entendido como uma onda sonora que chega até
seu ouvido. Normalmente, a onda sonora não tem um aspecto tão certinha e sim mais bagunçada, assim:
2.3. Captação e conversão de um sinal de áudio
Agora, o que nos interessa é saber como uma onda sonora é sentida pelos equipamentos de áudio (microfone
e placa de som) e como essa informação pode ser manipulada.	
Como já dissemos, um microfone converte a variação da pressão atmosférica com o tempo em variação da
tensão elétrica com o tempo.				
Para cada valor da pressão atmosférica, os fios do microfone apresentam uma tensão elétrica (voltagem)
diferente. Conforme a pressão vai mudando com o tempo, a tensão entre os fios do microfone também varia.
Esse é o princípio básico de funcionamento da captação de áudio por equipamento eletroeletrônico.
O contrário também pode acontecer, isto é, um sinal elétrico de áudio ser convertido em variação da pressão
atmosférica (ondas sonoras). Isso tipicamente é feito com o uso das conhecidas caixas de som.
161
2.4.Sinais analógicos e digitais
Chegou a hora de introduzirmos os conceitos mais importantes da seção. Os gráficos que você viu até
agora mostram que a cada instante de tempo haviam associada alguma grandeza física (no caso, a pressão
atmosférica) associada ao som. Quando o microfone converte essa grandeza física para a tensão elétrica,
essa associação é mantida.
Os sinais de informação que apresentam essa característica de analogia entre cada instante de tempo e o
respectivo valor são chamados de sinais analógicos ou contínuos, pois para todo instante de tempo há um
valor da pressão atmosférica no seu ouvido ou um valor de tensão elétrica entre os fios de um microfone.	
Os sinais que não apresentam essa característica são chamados de sinais digitais. Esses serão
discutidos no próximo tópico.
Vantagens do Analógico
Baixo custo
Vantagens do Digital
Maior imunidade ao ruído e a distorção
Integração do sistema
Mais segurança e privacidade
Percorre mais distância
162
2.5. Placa de Som
Nada melhor do que um exemplo para ilustrar o que é um sinal digital e como um sinal analógico é
convertido em sinal digital (e vice-versa).					
O equipamento que mais estamos acostumados a lidar para esse tipo de tarefa é a placa de som
presente na maioria dos computadores.						
Uma placa de som nada mais é do que um conversor Analógico/Digital e Digital/Analógico otimizada
para sinais sonoros.						
Na Parte Prática você verá como ligar um microfone ou outro dispositivo de áudio na sua placa de
som. Por hora é suficiente sabermos que um placa de som é um equipamento que funciona conforme
o seguinte desenho:
O sinal analógico entra na placa e sai convertido num sinal digital, e os sinais digitais que entram na placa
saem dela convertidos em sinais analógicos.
A conversão de um sinal analógico é feita da seguinte maneira: o sinal que chega até a placa é mostrado em
intervalos de tempo fixos (por exemplo, de 1 em 1 segundo) e o valor de tensão elétrica (voltagem) do sinal
analógico naquele instante é armazenado em números binários.
Aqui aparecem as duas grandes diferenças entre um sinal analógico e um digital: no caso analógico, para
todos os instantes de tempo existem associados valores de tensão elétrica, ou seja, o sinal é contínuo.
Além disso, esses valores de tensão elétrica (isto é, as informações) são grandezas físicas.
Já um sinal digital possui informações apenas para alguns instantes de tempo, ou seja, o sinal é discreto.
E mais, o sinal digital existe num formato que independe das grandezas físicas que o contém, já que
as informações são representadas utilizando números inteiros e finitos (os dígitos) e não a tensão elétrica
ou a pressão atmosférica, por exemplo.				
Nos sistemas digitais atuais, esses números são manipulados utilizando a base numérica binária (0 e 1),
mas essa é outra história...
2.6. Analógico versus Digital
Nesse ponto precisamos de uma pequena reflexão sobre o aparente antagonismo entre os sinais analógicos
e digitais e a atual valorização deste último em detrimento do primeiro.
Você já deve estar acostumado(a) a ouvir sobre as “maravilhas do áudio digital” ou de que tudo que é digital
é superior. Mas será isso verdade? Por que ocorre essa fixação pelo digital?
163
Não sabemos ao certo o motivo. Historicamente, os sinais digitais ganharam hegemonia pois possuem
um controle de erro mais simples para transmissão e recepção de mensagens e as perdas de sinal são
praticamente nulas. Mas é interessante notar que, quando um sinal analógico é digitalizado, ocorrem
perdas de informação inerentes a esse processo.
Esse debate vai longe, principalmente no que diz respeito ao retorno dos computadores analógicos, então
deixaremos este tópico para uma outra oportunidade.
2.7. Propriedades de um sinal de áudio digital
Para o estudo das transmissões de áudio pela rede, basta que saibamos três propriedades de um sinal digital:
•	eu número de canais,
•	sua taxa e
•	razão de amostragem
O número de vezes por segundo em que uma amostra do sinal analógico é colhida é chamado de  taxa
de amostragem (sample rate) e a quantidade de valores numéricos que essa informação pode assumir
é chamada de razão de amostragem (bits per sample). Valores usuais para a taxa de amostragem
(sample rate) são de:
•	11,025KHz (11025 amostras por segundo),
•	2,05KHz ou
•	44.1KHz
A razão de amostragem (bits per sample) costuma ser de:
•	8 bits,
•	16 bits ou
•	32 bits,
164
Lembrando que 1 bit é a menor unidade de informação, que pode assumir apenas dois valores diferentes,
0 ou 1 (verdadeiro ou falso). Pode assumir até 256 valores diferentes, ou seja, pode representar até 256
valores de tensão elétrica (o sinal analógico) diferentes. Já um número de 16 bits pode representar até
cerca de 65 mil valores diferentes, e assim por diante.
Quanto maiores forem a taxa e a razão de amostragem, mais alta será a qualidade do sinal digitalizado
com relação ao sinal analógico original.
Por exemplo, para um sinal digital com taxa de amostragem de 11,025KHz e razão de amostragem de 8
bits possui um 11025 valores de 8 bits por segundo. Já com uma taxa de amostragem de 44100KHz e razão
de 16bits temos, a cada segundo, 44100 amostras podendo cada uma representar 65 mil níveis diferentes
de perturbação sonora, o que é mais do que suficiente para pessoas comuns não perceberem que estão
escutando um sinal não-contínuo.
Quando você grava um áudio no seu computador, o programa de gravação normalmente armazena todas
essas informações num arquivo cujo nome termina com um  .wav, por exemplo audio.wav. Esse tipo de arquivo
é chamado de Wave File (arquivo de onda), em alusão à ondas sonoras.
2.8. Áudio comprimido: mp3 e ogg
Chegou a hora de darmos o pulo do gato. O áudio digitalizado ocupa muita informação. Da discussão
precedente, um áudio com milhares de amostras por segundo tendo cada amostra um tamanho de 8 a 32
bits supera em muito a capacidade de armazenamento dos computadores atuais.
Armazenar arquivos do tipo wav gasta tanto espaço que você não conseguiria ter muitas horas de música
em seu computador. Transmitir essas músicas pela internet, então, nem pensar. Com a velocidade atual
das conexões é inviável transmitir tais arquivos.
A solução tecnológica para driblar esse obstáculo foi o advento da compressão dos arquivos de áudio.
Da mesma forma que você pode compactar um arquivo num outro de tamanho menor (texto ou imagem),
também é possível comprimir arquivos de áudio para tamanhos menores.	
Isso é feito eliminando do áudio frequências inaudíveis ou pouco audíveis por seres humanos e utilizando
métodos de compactação de dados.
Um arquivo de áudio comprimido, dependendo de suas características, pode ser mais de
dez vezes menor do que o arquivo wav original. É esse tamanho reduzido que possibilita
as rádios via internet, que nada mais são do que transferências de arquivos de áudio
comprimido, ao vivo ou não.
Os dois formatos de arquivos de áudio comprimidos mais conhecidos são o  MP3 e o OGG. O MP3 não é um
formato em Copyleft (livre) e já é um pouco antigo, enquanto que o OGG é livre e de maior performance.
Para fazer um arquivo em MP3 ou OGG, é necessário comprimir o áudio original. Para ouvi-lo, é preciso
descompactá-lo, e isso é feito através de alguns programas de áudio.
Assim como para o áudio digital do tipo wav tem suas propriedades de amostragem, o áudio comprimido
tem sua razão de amostragem (bitrate) em kbps (mil bits por segundo) e quando descompactado também
apresenta uma taxa de amostragem de 11,025KHz, 22,05KHz ou 44.1KHz e valores de bits por amostra (bits
per sample) de 8 ou 16.
165
Um áudio comprimido de boa qualidade tem 192kbps de bitrate, sample rate de 44,1KHz e 16 bits per
sample. Para transmitir um arquivo desse tipo em “tempo real” pela internet atual ainda é um pouco
complicado, então os valores ideais para uma rádio via internet são bitratede 16 ou 24kbps, sample rate
de 11,025KHz ou 22,05KHz e 16 bits per sample.
	 Taxa de ‘Bitrate’	 Faixa (Bandwidth)	Qualidade após descompressão
                   32 kbps	 	        7.5 kHz	 	 	     Rádio AM
                   96 kbps	 	         11 kHz	    	 	     Rádio FM
                  128 kbp                              16 kHz	 	         Proximidade com o CD
		
2.9. Metadados
Os arquivos compactados em MP3 e OGG ainda possuem uma grande facilidade, conhecidas como
metadados (ou etiquetas): são ditos metadados por serem informações sobre o áudio como nome da
música,nome do artista, álbum, número da faixa, data da gravação.
Isso é muito útil por possibilitar que esse tipo de  informação não fique restrita apenas ao nome do
arquivo. Você pode ter um arquivo de mp3 como o nome muzik.mp3 e mesmo assim ainda armazenar
todas essas informações, já que os metadados são guardados dentro do arquivo de áudio e não em seu
nome de arquivo. 	
Adiante veremos que os metadados são utilizados na transmissão de áudio pela internet para enviar o
nome da música aos ouvintes.
Agora que você já está com uma boa base sobre áudio digital, vamos focar no funcionamento das
transmissões desse tipo de áudio pela rede.
166
3. Tipos de Transmissão
Há duas formas de transmitir o áudio: Assíncrona e Síncrona. Vamos a elas.
3.1. Transmissão Assíncrona
A primeira é a mais simples e é a melhor opção para quem não tem condições de fazer uma rádio ao vivo,
mas sim utilizando arquivos de áudio (mp3 ou outro formato pré-gravado e armazenado no seu site).
Esse método é conhecido como transmissão assíncrona ou sob demanda.
3.2.Transmissão Síncrona
A segunda opção para web rádio é um pouco mais complicada e é usada para veicular uma rádio ao vivo
pela internet.	
Para começar, é preciso de um computador com acesso à internet e uma placa de som.
Note que “ao vivo” não quer dizer no mesmo instante. É inviável ter uma transmissão/recepção instantânea.
Primeiro porque, no Universo observável, a velocidade máxima da informação é a velocidade da luz.
No caso da transmissão via ondas eletromagnéticas (rádio AM, FM, etc) esse limite é quase atingido, mas
no caso dainternet existem vários fatores que fazer com que hajam até três minutos de diferença entre a
mensagem se enviada e recebida.
167
3.3. Como funciona
4. Streaming
A tecnologia de streaming se utiliza para tornar mais leve e rápido o download e a execução de áudio
e vídeo na web, já que permite escutar e visualizar os arquivos enquanto se faz o download.
Se não utilizamos streaming, para mostrar um conteúdo multimídia na Rede, temos que descarregar
primeiro o arquivo inteiro em nosso computador e mais tarde executá-lo, para finalmente ver e ouvir
o que o arquivo continha.
Entretanto, o streaming permite que esta tarefa se realize de uma maneira mais rápida e que possamos
ver e escutar seu conteúdo durante o download.	 	 	 	
O streaming funciona da seguinte maneira. Primeiro nosso computador (o cliente)
conecta com o servidor e este, começa a lhe mandar o arquivo.
O cliente começa a receber o arquivo e constrói um buffer onde começa a salvar a
informação. Quando se enche o buffer com uma pequena parte do arquivo, o cliente
começa a mostrar e ao mesmo tempo continua o download.			
O sistema está sincronizado para que o arquivo possa ser visto enquanto se baixa o
arquivo, de modo que quando o arquivo acaba de ser baixado, também acaba de ser
visualizado.		
Se em algum momento a conexão sofre decréscimos de velocidade se utiliza a informação
que existe no buffer, de modo que se pode aguentar um pouco esse decréscimo. Se a
comunicação se corta durante muito tempo, o buffer se esvazia e a execução do arquivo
se cortaria também até que se restaurasse o sinal.
168
Programas de Streaming
Na verdade, este processo de streaming já podemos ter visto em muitas ocasiões em nossos
computadores. É o que fazem programas como o Real Player ou o Windows Media Player, programas que
se instalam como plug-ins nos navegadores para receber e mostrar conteúdos multimídia por streaming.
Quando pretendemos incluir áudio ou vídeo nas páginas o melhor então, é utilizar a tecnologia de streaming.
Para isso simplesmente temos que salvar os arquivos multimídia com o formato de um dos programas de
streaming e seguir umas pequenas normas na hora de subi-los à Internet e colocá-los na página.
As normas para seguir são próprias de cada sistema e não as veremos aqui. O melhor para estar por
dentro de como funcionam é visitar as correspondentes páginas web, assinaladas mais abaixo.
Para converter os arquivos de audio e vídeo ao formato de cada programa de
streaming se utilizam uns programas especiais que podem ser baixados das páginas
de cada tecnologia. Por exemplo, o programa para converter ao formato que lê o
Real Player chama-se Real Producer.
Na hora de desenvolver o web com conteúdos multimídia será necessário decidirmos utilizar uma
tecnologia de streaming em concreto e não as utilizamos todas para não obrigar a nossos usuários a baixar
todos os plug-ins do mercado. A seguir vemos as três possíveis tecnologias de streaming do momento.
Real Media é possivelmente a mais popular. Também é a empresa com mais experiência no setor e
desenvolve muitos produtos orientados à distribuição de arquivos multimídia Sua web:
Windows Media é a aposta de Microsoft. Já possui uma cota de usuários muito importante e
certamente aumentará com rapidez já que Microsoft inclui o plug-in na instalação típica dos sistemas
operativos que está fabricando.
Quick Time é a terceira em discórdia. Com menor cota de mercado.
Servidores de Streaming
A princípio não é necessário contar com um servidor especial para colocar arquivos de áudio ou vídeo com
download streaming em nossas webs. Qualquer servidor normal pode mandar a informação e é o cliente
quem se encarrega de processá-la para poder mostrá-la na medida em que for recebendo. 	
Entretanto, existem servidores especiais preparados para transmitir streaming. Embora em muitas ocasiões
não é necessário utilizá-los, podem nos oferecer importantes prestações como mandar um arquivo de
maior ou menor qualidade dependendo da velocidade de nossa linha.
Em determinados casos, como para dar funcionamento a uma rádio ou a transmissão de um evento ao
vivo, sempre será imprescindível contar com um servidor de streaming ao que mandaremos o sinal e com
ele, enviará a todos os clientes à medida em que vai recebendo.
Conclusão
Não cabe dúvida que a transmissão de conteúdo multimídia através da web será
cada vez mais importante. A tecnologia de streaming é um mercado com futuro
e grandes companhias já estão lutando pelo mercado. A velocidade da Internet
aumentará com o tempo e com ela aumentará a qualidade de transmissões,
para tornar possível tanto a rádio como a televisão na Internet.
169
5. Buffer
Astransmissõesdeáudioemtemporealtemasériadesvantagemdeseremsuscetíveisaocongestionamento
da rede, já que o ouvinte precisa receber dados da transmissão o tempo todo.
Para contornar esse problema, os softwares de transmissão e recepção adotaram um sistema de buffer,
um armazenamento que funciona como uma memória contra congestionamento da rede, onde o tocador
de áudio recebe alguns segundos da transmissão antes de começar a tocar.
Dessa forma ele sempre terá armazenado alguns segundos e caso a transmissão interrompa
temporariamente a música não precisa parar.
6. Hardware necessário
•	 Processador 600Mhz
•	 64 Mb  RAM
•	 Kit multimídia com placa de som e speakers
•	 Conexão de Banda larga
7. Softwares necessários
Player de mídia
É um programa de computador que executa arquivos contendo multimídia em geral como: MP3, WMA,
WAV, MPEG, VCDs, DVDs etc. Alguns tocadores (reprodutores) mais conhecidos são: Silverjuke, BSplayer,
Media Player Classic, PowerDVD, MPlayer, Windows Media Player, Winamp, Real Player, iTunes, VLC Media
Player, Gom Player e The KMPlayer.
Encoder (Codificador)
Esta ferramenta realiza a tarefa de possibilita a conversão dos sinais saídos do seu computador para serem
transmitidos ao vivo ou on-demand, sendo assim, ele interliga sua rádio com a distribuidora de streaming.
Automação de rádio
Ferramenta que “conversa” com o codificador.
170
8. Transmitindo
Existem vários servidores de streaming gratuitos e pagos. Os servidores gratuitos tem várias limitações como:
•	 Transmissão com pouco consistência,
•	 Quantidade de ouvintes limitadas,
•	 Quase sempre propagandas vinculadas
Já os servidores pagos um dos seus maiores problemas é de ordem financeira, pois exigem uma mensalidade
não muito baixa mas que apresentam uma ótima relação custo/benefício.
Anotações
Direitos Reservados: Programa Nas Ondas do Ambiente

Apostila Nas Ondas do Ambiente - 2014

  • 3.
  • 5.
    GOVERNO DO ESTADODO RIO DE JANEIRO Luiz Fernando de Souza SECRETARIA DE ESTADO DO AMBIENTE (SEA) Carlos Portinho Superintendência de Educação Ambiental Paulo Cesar Becker SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO (Seeduc) Wilson Risolia Coordenação de Educação Ambiental e Saúde Deise Keller Cavalcante UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (Uerj) Equipe Programa Nas Ondas do Ambiente Coordenação Acadêmica Coodernação Adjunta de Logística Assessoria Executiva Assessoria Pedagógica Assessoria Rádio Escola Subcoordenação Administrativa Docentes de Educação Ambiental Docentes de Educomunicação Docentes de Rádio e Sonoplastia Programação Gráfica Visual Carlos Eduardo Leal Jadyr Franco Fernando Esteban Luiz Savedra Andrea Cristina Carneiro Andrea Valente Alba Valéria Eduardo D’Avila Marco Aurélio Moreira Mylena Passeri Eleusa Mancini Marcos Vinícios Souza de Menezes Vitor Martins Salles Beatriz Baptista do Couto Bernardo Cahuê Martins Fábio ACM Felipe Castro Luis Antônio “Ludi Um” Sandro Machintal Comunica Seam Reitor Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (Ceads) Ricardo Vieiralves de Castro Marcos Bastos
  • 7.
    SUMÁRIO O PROGRAMA NASONDAS DO AMBINTE Introdução 11 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Educomunicação Socioambiental 15 Características da Educomunicação 15 Comunicação não é o mesmo que informação 15 Como praticar a Educomunicação Socioambiental 16 Educação Ambiental 19 Caracterização de problemas e conflitos ambientais 19 Refletindo 20 Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise 22 Conceito geográfico 22 A Base Legal dos recursos hídricos no Brasil 24 Espaço Geográfico 25 Planejamento: a opção pelo enfoque participativo 26 Etapas do Planejamento Participativo 28 Lei da Educação Ambiental (Lei 3.325) 31 Aterros sanitários (Lei 2.794) 31 Mudanças climáticas (Lei 5.690) 32 Parcelamento do solo urbano (Lei 1.130) 32 Proteção Ambiental (Lei 2.318) 32 Lei do Lixo (Lei 3.009) 32 Resíduos sólidos (Lei 4.191) 32 Coleta seletiva do lixo (Lei 6.408) 33 Reciclagem de PET e plásticos (Leis 3.206 e 3.369) 33 Compensação energética (MCE) (Lei 41.318) 33 Lixo na Rua ( Lei 3.467) 34 Politica de recursos hídricos ( Lei 3.239) 34 Coleta seletiva nas escolas (Lei 1.831) 34 Código Florestal (Lei Federal 12.651) 35 Texto para porte e atividades 35 O que é a natureza? 35 Para rir e refletir 37
  • 8.
    Caindo a ficha:crise ambiental ou dilema civilizatório? 39 Virou notícia 40 Para rodas de reflexão e conversa (distribuindo as frases por grupos) 45 As cidades e os problemas socioambientais locais e globais 47 Poluição do ar 47 Poluição sonora 47 Poluição luminosa 48 Poluição visual 48 Lixo 48 Enchentes 49 Deslizamentos de encostas 49 Mudanças climáticas 50 Rompimento da camada de ozônio 51 Chuva ácida 51 Destruição dos ecossistemas 52 Perda da biodiversidade 52 Desertificação 52 Poluição dos oceanos 53 Poluição e falta de água doce 53 A destruição da diversidade étnica do planeta 54 Como podemos fazer a nossa parte 56 Roteiro de diagnóstico socioambiental – Local 58 Roteiro de diagnóstico socioambiental – Resíduos sólidos 59 Roteiro de diagnóstico socioambiental – Água e esgoto 61 RADIALISMO Breve histórico do Rádio 67 O Rádio no Brasil 68 Rádio Comunitária 71 Para que serve a Rádio Comunitária 72 Legislação sobre a Rádio Comunitária 73 Para que serve a Rádio Escola 75 O texto radiofônico 75 Redação do texto Radiofônico 76 Lead (ou lide) 77
  • 9.
    Vamos ao exemplos 77 Alguns exercícios 79 Preste atenção nas dicas 80 Linguagens de Rádio (Produtos) 81 Spot 82 Notas Jornalísticas 83 Jingle 83 Radionovela ou Radioteatro 83 Produção de programas radiofônicos 84 Locutor/repórter 84 Operador de áudio/sonoplastia 85 Modelo de Pauta 85 Entrevista e reportagem 86 Roteiro 88 Modelo de Roteiro de programa de radiojornalismo 89 Técnica de leitura 90 Locução: a voz do rádio 92 A locução de notícias 95 Cuidados com a voz 95 Glossário de termos radiofônicos 96 Suporte 98 Tocando a Rádio 98 Bibliografia consultada 100 RÁDIO E SONOPLASTIA Introdução 102 Roteiro 102 Sonoplastia 103 O sonoplasta 103 Princípios da sonoplastia 104 Caderno da sonoplastia 105 Manual de operação de áudio 110 Noções Gerais de áudio 114 Operação de áudio – resumo pratico 114 ZARARADIO (operação de áudio) 134 Radio WEB 155
  • 10.
  • 11.
    11 Introdução O Programa NasOndas do Ambiente (PNOA), fruto da parceria entre a Secretaria de Estado do Ambiente/Superintendência de Educação Ambiental (SEA/Seam) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), iniciou suas atividades no Estado do Rio de Janeiro em 2007. O Programa Nas Ondas do Ambiente é um trabalho pioneiro no país já que, pela primeira vez, uma Secretaria de Estado adota como política pública a metodologia da Educomunicação como meio de capacitação de comunidades e unidades escolares para a discussão e o enfrentamento dos problemas ambientais locais, estimulando-os a criarem suas próprias redes de comunicação social e intervenção no território. Ao associar processos participativos com educação popular, utilizando as chamadas TIC´s (tecnologias de informação e comunicação), projetos de Educomunicação como o Nas Ondas do Ambiente desempenham um relevante papel na capacitação da população para sua participação na vida pública e no exercício do controle social. De 2007 a 2009, o PNOA, em parceria com a ONG Viva Rio, desenvolveu atividades de capacitação em técnicas radiofônicas em comunidades e escolas, tendo como principais projetos: Radio@escola.com; Rádio Quintal: Comunicação Limpa e Despertar Ecológico; Projeto de Animação de Rede e Projeto Mulheres da Paz. No final de 2009, o PNOA iniciou suas atividades no Mosaico da Serra da Bocaina, região da Costa Verde, compreendendo os municípios de Angra dos Reis e Parati, com o Nas Ondas da Mata Atlântica. O projeto era voltado para a mobilização comunitária e a implementação de rádios comunitárias em áreas de quilombolas, caiçaras e indígenas no sul do estado fluminense, com a realização de cursos de capacitação em técnicas radiofônicas. Em 2010, o PNOA deu continuidade às atividades do Projeto Nas Ondas da Mata Atlântica na região do Mosaico Central Fluminense, região central do Estado do Rio de Janeiro, compreendendo, entre outros, os municípios de Teresópolis, Nova Friburgo, Guapimirim, Magé, Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias, Petrópolis, Silva Jardim, Itaboraí. Em 2011, foram realizadas atividades de fortalecimento das capacitações em técnicas radiofônicas e sensibilização socioambiental nas comunidades das regiões da Serra da Bocainae do Mosaico Central Fluminense, em particular, na região serrana do Rio de Janeiro fortemente atingida pelo desastre ambiental de 2010. Paralelamente, foram realizadas atividades de fortalecimento das capacitações e formação em técnicas radiofônicas e comunicação jornalística com o grupo do Projeto Mulheres da Paz, para instalação e operação de rádio comunitária (Rádio Mulher) no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. A partir de 2012, o PNOA vem atuando em três segmentos distintos: Rádio Escola, Comunidades Urbanas e Comunidades Mata Atlântica. No componente Rádio Escolas são realizadas atividades de capacitação em técnicas radiofônicas para alunos e professores da rede estadual de ensino público. No componente Rádio Comunidades Urbanas, o PNOA consolidou a atuação da rádio comunitária Rádio Mulher - Um Ambiente Comunitário (98,7MHz), no Complexo do Alemão. Ainda no segmento Comunidades Urbanas, o PNOA tem promovido a implementação da Rádio Elos do Asé, no município de São João de Meriti, como a primeira rádio comunitária produzida e transmitida de um terreiro de candomblé do estado,no formato rádio web. Em relação ao componente Comunidades Mata Atlântica,o PNOA tem atuado no fortalecimentoda instalação de uma rádio comunitária na região serrana fluminense, como forma de contribuir para políticas públicas de apoio à implementação do Mosaico Central Fluminense e com início de suas atividades na serra da Mantiqueira para o segundo semestre de 2013.
  • 12.
  • 14.
  • 15.
    15 EDUCOMUNICAÇÃO SOCIOAMBIENTAL Educomunicação éum campo de saberes e práticas relacionadas ao uso pedagógico da comunicação e à comunicação social educativa. Educomunicação ambiental, ou socioambiental, é um conceito político- pedagógico que assimila a experiência da Educomunicação em ações de intervenção e educação ambiental. (Fonte: http://educom-socioambiental.blogspot.com/ consultado em 04/12/2008) Características da Educomunicação: • Promove o desenvolvimento da cidadania. • Fundamenta sua política de comunicação educativa em princípios da democratização, promoção, autonomia e emancipação. • Estimula a participação na criação e na gestão dos meios de comunicação, fortalecendo o protagonismo dos indivíduos que (se) educam para a construção de sociedades sustentáveis. • Promove inclusão ampla no direito à comunicação. • Envolve a relação entre comunicação, educação e sustentabilidade. Comunicação não é o mesmo que informação! A comunicação de que falamos compreende a arte de dialogar, de conversar, de maneira crítica, de forma a distinguir o verdadeiro do falso. As tecnologias de informação/comunicação são alguns dos meios pelos quais podemos nos comunicar. A finalidade,porém,napráticaEducomunicativa,équeessesmeiossejamportadoresdeconteúdosparaaeducação para o ambiente e sejam os membros da comunidade os produtores e comunicadores destes conteúdos. A participação da comunidade, na prática educomunicativa, traz para o grupo uma comunicação para todas e todos, mais participativa e democrática – em comunhão. Essa prática pode evitar ruídos e sérios conflitos em comunidades. Portanto, é de extrema importância para o sucesso da implantação da Agenda 21 Escolar a partir de sua escola e nas demais escolas do Estado do Rio de Janeiro.
  • 16.
    16 COMO PRATICAR AEDUCOMUNICAÇÃO SOCIOAMBIENTAL? Há várias possibilidades de materiais de Educomunicação que podem ser desenvolvidas, como se segue: • Teatro: É um excelente recurso para envolver sua comunidade e mobilizá-la. • Fotografia: A foto é a imagem dos conteúdos na mensagem; portanto, ela ilustra nossa entrevista. Tire fotos dos entrevistados, do lugar que está o destaque de sua matéria, das autoridades envolvidas e de tudo o que o grupo considerar mais importante para ilustrar o conteúdo da matéria. • Cartaz: É considerado, na propaganda, um veículo de apoio. Ele ajuda a mensagem a ser fixada, mas não se destina a comunicar detalhes sobre a mensagem. Contudo, o cartaz pode direcionar o público a obter maiores informações, através do veículo principal. A escrita, no cartaz, deve levar a mensagem resumida, com informação precisa e em poucas palavras. Quanto menos texto, maior a possibilidade dos “passantes” lerem toda a mensagem. O nome e a marca devem estar, sempre, em todos os materiais impressos. Os cartazes devem ser afixados em lugares onde as pessoas que passam pela escola possam ler a mensagem e em outros espaços da comunidade. • Jornal Mural: a elaboração de um jornal mural é excelente meio de comunicação. A escolha do espaço onde vai ser afixado o Jornal Mural é de extrema importância. Dê preferência aos lugares onde a comunidade escolar se reúna e permaneça algum tempo. Assim, todos poderão ter mais tempo para ler as notícias afixadas no Jornal Mural. Depois de escolhido o local adequado para afixar o Jornal Mural, vamos pensar em seu conteúdo e em como este será arrumado no espaço do jornal. Uma sugestão para harmonizar o espaço do Jornal Mural: divida o espaço em três partes. As partes não precisam ser separadas por linhas. Esse jornal deve ser bem colorido, sugiro o uso de tarjetas de cartolina coloridas. Mas o mais importante é que toda a comunidade participe da produção do Jornal Mural! Agora, como preencher esse Jornal com conteúdos? O primeiro passo é a escolha do tema. Uma vez escolhido o tema, é hora de pensar no recheio! O recheio do jornal poderá ser construído de diversas formas: • Fanzine:Temestiloediagramaçãopróprios,éelaboradopararepresentaraculturaalternativa, não divulgada pela grande imprensa. Com esse meio de comunicação, você pode colher dados informativos sobre sua comunidade e fazer um registro de imagens que a represente, textos, culináriatípicadaregião,gruposculturaisqueexistemnacomunidadeescolarenadoseuentorno. A linguagem utilizada no fanzine é a mais próxima da comunidade que está representando.
  • 17.
    17 O formato dofanzine pode ser qualquer um! Tablóide, revista etc. Entretanto, vamos dar uma sugestão... Os conteúdos temáticos do Jornal Mural podem ser colocados em um fanzine com o seguinte formato: folha de papel A4, dobrada ao meio, formando um livretinho de 4 páginas. A primeira página de um fanzine é a capa. Não se esqueça de colocar nela o logotipo (nome do jornal) e a logomarca (imagem que representa o nome). É bom sempre apresentar a mesma marca para que ela seja fixada por todos os leitores. Na contracapa, sugiro que você coloque os créditos (nomes e funções do grupo, na montagem do fanzine) e o nome da Unidade Escolar. Assim, em qualquer lugar que seu fanzine estiver circulando, todos saberão quem o confeccionou. Você pode recortar várias letras e figuras de outros jornais e revistas e utilizá-las para fazer uma colagem em seu fanzine. Pode também recortar histórias em quadrinhos, fotografias e outras imagens que achar pertinente ao tema abordado. Use sua criatividade! Quanto mais colorido, alegre, dinâmico, for o seu jornal, maior chance de êxito em sua comunicação. Lembre-se: desenhar também é um recurso visual muito bom e criativo! E se você optar por produzir outro tipo de material educomunicativo escrito, além do jornal mural e do fanzine, o papel utilizado para sua reprodução deverá ser o Reciclado. • Gravação de áudio: Se alguém possuir um gravador de MP3 ou similar poderá gravar a entrevista. • Entrevistas: Alunos, professores, diretores, funcionários da escola, pais de alunos, representantesdaassociaçãodemoradoresdeseubairro,radialistascomunitários,representantes de instituições religiosas, lideranças políticas e religiosas, gestores e funcionários de Unidades de Conservação da Natureza são exemplos de pessoas que podem ser entrevistadas. Entreviste pessoas da comunidade que conheçam a história do local. Pergunta a estas pessoas: Como era a região, no passado? Na sua opinião, qual o maior problema de nosso bairro? Você sabe o que é uma Unidade de Conservação? Qual é a mais próxima da nossa comunidade? Não se esqueça de levar um bloquinho para anotar as respostas, ou o seu gravador MP3, ok? • Radiojornalismo: A comunicação que se estabelece pela linguagem escrita é bem diferente da que se estabelece pala linguagem falada. No rádio, os ouvintes não param o que estão fazendo para ouvir a notícia. Portanto, é preciso repetir a mesma mensagem ao longo da programação, pelo menos três vezes, para que o ouvinte possa registrá-la. A linguagem do rádio deve combinar a fala precisa, clara, direta, com a sonoplastia e a voz cativante do locutor. A locução tem papel fundamental no rádio. É através da voz do locutor que a mensagemganhaforçaetransforma-seemimagensparaoouvinte;portanto,olocutorétambém um ator. Através de sua fala, imprime o ritmo, a clareza, a emoção, a importância da mensagem. O rádio é, também, um veiculo caloroso, participativo, envolvente, de respostas imediatas, que arrasta o ouvinte pelo sugestionamento. Trata do dia-a-dia das pessoas e, por isso, o planejador de radiojornalismo deve conhecer os seus ouvintes e ouvir todos os representantes da comunidade: moradores do bairro, donas de casa, autoridades, trabalhadores, associação de moradores e quem mais for representativo para a matéria. Seja criativo! Qualquer outra forma que você considere produtiva para enriquecer o jornal de conteúdos pode e deve ser usada!
  • 18.
    18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBUQUERQUE, Carlos.LEÃO, Tom: Rio Fanzine: 18 Anos de Cultura Alternativa. Rio de Janeiro:Record, 2004. Documentos Técnicos Programa de Educomunicação Socioambiental - Série Documentos Ténicos – 2 - Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental. Brasília, 2005. http://www.mma.gov.br/ estruturas/educamb/_arquivos/dt_02.pdf Projeto Papo Cabeça/Ponto de Cultura: Viva Rio e Ministério da Educação: curso de Capacitação em Radiojornalismo para Comunicadores de Rádios Comunitárias: Rio de Janeiro, 2005.
  • 19.
    19 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Buscamos noPrograma oferecer uma Educação Socioambiental crítica, transformadora, política, democrática, interdisciplinar, permanente, ética, com respeito à vida, que seja individual e coletiva, que tenha participação ativa e responsável de todos, com ações locais que reflitam à realidade. De acordo com a Lei 9.795 de 27/4/99 Educação Ambiental são processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Já Guimarães diz que “uma Educação Ambiental crítica aponta para transformações radicais nas relações de produção, nas relações sociais, nas relações homem-natureza, na relação do homem com sua própria subjetividade, num processo de construção coletiva de uma ética, uma nova cultura, novos conhecimentos”. (Guimarães, 2000). Caracterização de Problemas e Conflitos Ambientais Segundo Quintas (2009) em todo processo de apropriação e uso dos recursos ambientais, estão sempre em jogo interesses da coletividade, cuja responsabilidade pela defesa é do Poder Público, e interesses específicos de atores sociais que, mesmo quando legítimos, nem sempre coincidem com os da coletividade. Estes atores sociais podem possuir grande capacidade para influir (a seu favor) nas decisões dos órgãos de meio ambiente, sobre a destinação dos recursos ambientais, seja pela via da pressão política direta, seja por meio da divulgação à sociedade sobre a importância econômica e social do seu empreendimento (geração de empregos é um dos fortes argumentos), ou pelas duas formas. Já vimos também que a disputa pelo controle de qualquer recurso escasso é própria da natureza da sociedade. Portanto, o importante é que o órgão de meio ambiente, no exercício de sua competência mediadora, proporcione condições para que os diferentes atores sociais envolvidos tenham oportunidade de expor a outros atores sociais e ao conjunto da sociedade, os argumentos que fundamentam a posição de cada um quanto à destinação dos recursos ambientais em disputa. As Audiências Públicas das quais falamos, na Unidade anterior, se bem organizadas, podem proporcionar condições para que este saudável embate de posicionamentos aconteça. Entretanto, entre os atores sociais envolvidos, há aqueles que dispõem de conhecimentos e habilidades sobre a problemática em discussão (os empreendedores, por exemplo), que lhes permitem argumentarem a seu favor. Ao mesmo tempo, há outros que, apesar de afetados pelas decisões (por exemplo, comunidades costeiras, no caso da construção de um porto), não têm acesso aos conhecimentos e habilidades necessárias para poderem defender seus interesses. Em muitas situações, caso tais interesses sejam contrariados, este fato ameaça a própria sobrevivência da comunidade atingida. A experiência dos educadores tem mostrado que uma ferramenta importante para compreender a complexidade da questão ambiental é o “estudo de caso”, no qual o caso pode ser um problema, conflito ou potencialidade ambiental. Para exemplificar, trabalharemos com a análise de um problema ambiental. Entretanto, o roteiro adotado para o estudo de problemas e a socialização do seu resultado poderá, com alguma adaptação, ser utilizado no estudo de conflitos e potencialidades ambientais.
  • 20.
    20 REFLETINDO O que éum problema ou conflito ambiental? Ou melhor... O que nós aqui chamaremos de problema ou conflito ambiental? Há diferença entre os dois? O termo problema, no nosso dia a dia, assume vários significados. Quando alguém fala de um problema financeiro, em geral, está se referindo a ideias do tipo falta de dinheiro, dificuldades de pagar contas etc. Da mesma forma, se uma pessoa fala de um problema de saúde, pode estar querendo transmitir a ideia de risco ou ameaça (esta doença pode deixar fulano sem poder andar pelo resto da vida), de dano temporário ou permanente ao organismo (tal enfermidade deixou fulano com o pulmão comprometido para o resto da vida; a fratura deixou sicrano sem poder usar a mão direita por uns tempos etc.). Há também casos em que otermo está associado ao desafio de realizar uma tarefa prática (o problema da construção de uma ponte) e há, ainda, muitos outros sentidos. Como pessoas envolvidas com o campo da gestão do meio ambiente, quando usamos o termo problema ambiental, também atribuíram a ele vários sentidos. Ao usar este termo em nossas falas, podemos estar nos referindoadificuldades(oproblemadafiscalizaçãoemaltomar),àcarência(oproblemadafaltadeembarcações para fiscalizar em alto mar), a tarefas práticas (o problema da criação de uma Unidade de Conservação) ou a outros significados. Neste trabalho, estaremos entendendo problema ambiental como “aquelas situações onde haja risco e/ou dano social/ ambiental e não haja nenhum tipo de reação por parte dos atingidos ou de outros atores da sociedade civil face ao problema” (Carvalho & Scotto, 1995). De acordo com esta concepção, podem ser exemplos de problemas ambientais: a ameaça ou extinção de espécies da fauna e da flora; lixões; desmatamentos; rios e águas subterrâneas contaminadas por metais pesados, chorume, esgotos domésticos e industriais, agrotóxicos etc.; uso de agrotóxicos; contaminação de praias; poluição do ar; e outras formas de poluição. Emtermospráticos,alémdeserumasituaçãoondeseobservadano e/ou risco à qualidade de vida das pessoas (em decorrência da ação de atores sociais sobre os meios físico-natural e/ou construído), o problema ambiental caracteriza-se, pela ausência de qualquer tipo de reação dos atingidos ou de atores sociais da sociedade civil. Segundo Carvalho & Scotto (1995), “são freqüentes os casos onde existe apenas uma constatação técnico-científica do problema–exames de laboratório concluem que o rio está contaminado por metais pesados, por exemplo. Outras vezes, há sugestões de solução ou de encaminhamento para uma ação de governo, ou seja, uma política ambiental.” Evidentemente, condutas do tipo sugerir solução ao governo não podem ser caracterizadas como uma ação contrária (reação) àquela que está provocando risco e/ou dano ao meio ambiente. É como se a existência de um esgoto a céu aberto, que um dia foi rio, se transformasse num fato tão banal no cotidiano da comunidade, que as pessoas passassem a aceitar o seu mau cheiro, o seu mau aspecto e o risco de contaminação por doenças transmitidas por vetores diversos, como algo “normal”. O fato de o rio contaminado “estar lá”, parece que não incomoda, não interessa, ou seja, não “mexe” com as pessoas.
  • 21.
    21 Diferente do problemaambiental, o conflito ambiental é aqui entendido como “aquelas situações onde há confronto de interesses representados por diferentes atores sociais, em torno da utilização e/ou gestão do meio ambiente” (Carvalho & Scotto, 1995). De saída, o conflito ambiental ocorre porque atores sociais reagem em defesa dos seus interesses, pela utilização e/ou gestão dos recursos ambientais. É o caso de moradores que se organizam para evitar a reativação de um aterro sanitário ou a construção de um incinerador de lixo pela Prefeitura; de pescadores que se organizam para contestar o período de defeso decretado pelo Ibama e exigem participar da elaboração de sua Portaria; de grupos ambientalistas que se mobilizam para contestar a construção de uma hidrelétrica, de uma estrada; de seringueiros do Acre que nos anos 70 impediram a transformação da floresta em pastagens, em defesa de sua potencialidade, e conseguiram a criação de Reservas Extrativistas – Resex pelo Governo Federal; de grandes fazendeiros de soja que lutam pela construção de uma hidrovia, que vai facilitar o escoamento de sua produção, e de outros atores sociais que se organizam para lutar por seus interesses ou da coletividade contra a realização do empreendimento. Estabelecida a diferença entre problema e conflito ambiental, vamos praticar agora o modo de proceder à sua análise e de envolver o maior número de pessoas na sua discussão. A ideia é que as pessoas, durante o processo de estudo do problema ambiental, percebam os danos e/ou riscos e se motivem para participar do encaminhamento de sua solução. Assim, partindo-se do exame de um problema ambiental, espera-se atingir o estágio de conflito ambiental institucionalizado. Portanto, podemos dizer que todos os conflitos ambientais envolvem um problema ambiental ou a disputa em torno da defesa e/ou controle de determinadapotencialidade ambiental, mas nem todo problema ambiental envolve um conflito. ATIVIDADE Cada grupo deverá propor um problema/conflito ambiental e a partir dele, relacioná-lo ou não a um conflito/problema. Como você pode notar, um conflito ocorre quando atores sociais tomam consciência de dano e/ou risco ao meio ambiente, se mobilizam e agem no sentido de interromper ou eliminar o processo de ameaça.
  • 22.
    22 BACIA HIDROGRÁFICA COMO UNIDADEESPACIAL DE ANÁLISE A bacia hidrográfica¹ tem uma significativa importância no contexto deste programa. O termo bacia hidrográfica nos faz lembrar água, que por sua vez nos faz lembrar chuva, rios, nascente, foz, cachoeira, floresta, mangue..., dentre outros. É essa água ou esse conjunto de águas de uma bacia que pode apresentar significados diferentes no espaço geográfico, de acordo com os moradores ou as populações locais. Desse modo, a bacia hidrográfica é uma das referências espaciais mais consideradas nos estudos do meio físico e, recentemente, dos meios socioeconômico e ambiental. Considerar os diferentes usos e a ocupação nas bacias torna-se fundamental, pois permitirá uma visão conjunta do comportamento das condições naturais e das atividades humanas nelas desenvolvidas. Mas como será que isso ocorre no Brasil? E no Estado do Rio de Janeiro? Quais são as lacunas na esfera da gestão e quais são os desafios a serem vencidos? Será que é simples ou tão fácil partir da concepção de bacia hidrográfica como subsídio ao planejamento? Em que momento ocorre a participação da comunidade e qual é o papel da educação ambiental? Numa tentativa de trabalhar esses conceitos, normas, práticas apresentamos um roteiro que norteará a nossa discussão, oferecendo uma síntese sobre bacia hidrográfica na concepção geográfica. CONCEITO GEOGRÁFICO Conceituar bacia hidrográfica implica a definição dos limites espaciais internos e externos onde operam os diversos e interligados processos desse sistema. Bacia hidrográfica deve passar a idéia de dinamismo, de movimento, de energia, de entrada, de saída, de conjunto, de todo, o que nos leva a associar com a idéia sistêmica, processual e de continuidade. Pode ser definida como um sistema que compreende um volume de materiais (sólidos e líquidos) próximo à superfície terrestre. Desse modo, a idéia de sistema transcende a idéia de área, que faz referência à bacia hidrográfica como área total (medida em km²) de captação natural da água de chuva e do escoamento superficial. A idéia de volume e de sistema contida nessa definição nos leva a entender que existe um conjunto de terras que direcionam a água das chuvas (precipitações) para um curso d’água (canal principal), que por sua vez alimenta outros cursos d’água (tributários). Para identificar a bacia é preciso conhecer seus limites espaciais, que são o limite superior (divisor de águas) ou limite topográfico e o limite inferior (saída das águas) ou limite da confluência. É fácil delimitar uma bacia hidrográfica, bastando observar, nas cartas topográficas, os divisores de águas que as separam de outras bacias adjacentes. Cartas topográficas são: cartas ou mapas, representações ou desenhos da terra, mantendo uma proporção com a realidade. São mapas que representam a superfície terrestre em dimensões reduzidas. 1- Material adaptado de Carvalho Jr., R.P. 2009. Bacia Hidrográfica como unidade espacial de análise. In: CADEI, M. (Org.) Educação Ambiental e Agenda 21 escolar: formando elos de cidadania:livro do estudante, Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2009., p. 55-71.
  • 23.
    23 Esse sistema é,portanto, delimitado interna e externamente por todos os processos que interferem no fluxo de matéria e de energia de um rio ou de uma rede de canais fluviais, sempre a partir do fornecimento de água pela atmosfera (água da chuva). Inclui todos os espaços de circulação, armazenamento e de saídas da água e do material por ela transportado, que mantêm relações com esses canais. Desse modo, os processos de circulação de matéria e energia que operam em bacias hidrográficas envolvem os canais fluviais, as planícies de inundação e as vertentes (encostas), onde os processos internos são importantes. A formação da bacia hidrográfica se dá através dos desníveis dos terrenos que direcionam sempre os cursos da água das áreas mais altas (divisor, nascente) para as mais baixas (confluência, foz). As águas superficiais, originárias de qualquer ponto da área delimitada pelo divisor, saem da bacia passando pela seção definida (canal), e a água que precipita fora da área da bacia não contribui para o escoamento na seção considerada. Assim, o conceito de bacia hidrográfica pode ser entendido por meio dos aspectos de rede (hidrográfica) e de relevo. De acordo com o escoamento superficial, pode-se classificar as bacias em quatro tipos: 1- Quando o escoamento das águas se dá de modo contínuo, ou seja, quando as águas são drenadas diretamente para o mar; 2- Quando as águas não possuem escoamento até o mar, ou seja, desembocam em lagos ou simplesmente se perdem nas baixadas ou depressões (como é o caso nas areias do deserto); 3- Quando as águas acham-se privadas do escoamento superficial, ou seja, não existe estruturação em bacias (também muito comum de acontecer nas areias de desertos); e 4- Quando as bacias são subterrâneas, onde o rio se infiltra no solo e desaparece. Do mesmo modo que as bacias, os cursos d’água podem ser classificados de acordo com o período de tempo durante o qual o fluxo ocorre, destacando-se três tipos: • Os perenes, que mantêm o fluxo o ano inteiro; • Os intermitentes, que mantêm fluxo na estação chuvosa; • Os efêmeros, que apresentam fluxo somente nas chuvas e não têm canal bem definido. A bacia hidrográfica deve ser considerada como um ecossistema, aqui denominado de geossistema ou sistema geomorfológico. Lembrando que o sistema é definido como um conjunto de elementos, seus atributos e as relações entre si, todo sistema é um organismo autônomo, mas ao mesmo tempo componente de um sistema maior (bacia unitária, microbacia, macrobacia). ATIVIDADES a) Com base no mapa de Regiões Hidrográficas do Rio de Janeiro, identifique a região hidrográfica de onde você mora. b) Com base no mesmo mapa, identifique o rio de sua cidade. Se, em virtude da escala do mapa, o rio de sua cidade não constar no mapa, indique o rio mais próximo dela que consta no mapa. c) De acordo com o mapa do Estado do Rio de Janeiro, identifique a Região de Governo onde está localizada a sua cidade. d) Compare o mapa de Regiões Hidrográficas com o mapa de Regiões de Governo indique uma diferença existente entre as duas formas de divisão regional.
  • 24.
    24 A BASE LEGALDOS RECURSOS HÍDRICOS NO BRASIL Na Nova Constituição de 1988, o Decreto no. 24.643, de 1934 (primeiro Código de Águas do País), teve seu texto modificado quando foi extinto o domínio privado das águas. Nesse sentido, foram estabelecidos vários princípios básicos sobre as águas, entre os quais estão a definição dos bens de domínio da União e Estados e as competências privativas da União, competências comuns e concorrentes da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, e diversas atribuições ao poder público destinadas a garantir um meio ambiente sadio e equilibrado a toda a população. Vale destacar que os lagos, os rios e qualquer outro curso d’água em terras brasileiras ou que passam por mais de um estado servindo de fronteira com outros países, além das áreas marginais e praias, passaram a ser de domínio público. Outras mudanças ocorreram na década seguinte. Em 1995, o Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal passou a denominar-se Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal e criou a Secretaria Nacional de Recursos Hídricos, que tinha como atribuição principal gerenciar os recursos hídricos e coordenar o Plano Nacional de Recursos Hídricos. A Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos foram instituídos pela Lei Federal nº 9.433, de 08/01/1997, regulamentando o inciso XIX do artigo 21 da Constituição Federal, que previa a obrigatoriedade da União em instituir o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos e definir critérios de outorga de direito de uso. A necessidade e a importância dessa lei para o Brasil estão na capacidade de reordenamento pela gestão dos recursos hídricos considerando suas dimensões territoriais, a situação de degradação ambiental das águas em diversos pontos do país e, principalmente, a desigual distribuição das águas entre as bacias hidrográficas, visto que a organização política-administrativa não corresponde aos limites das bacias hidrográficas. Seus princípios são: • A água é bem de domínio público • A água é recurso natural limitado, dotado de valor econômico • Em caso de escassez, o uso prioritário da água é para consumo humano e dessedentação de animais • A gestão deve propiciar o uso múltiplo da água • A bacia hidrográfica é eleita como unidade de planejamento • A gestão deve ser descentralizada e participativa • A lei a estabeleceu como instrumento básico de gestão • Os planos de recursos hídricos (por bacia hidrográfica, Estado, País) • O enquadramento dos Corpos de Água em Classe de Uso • A Outorga de Direito de Uso dos Recursos Hídricos • A Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos • O Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos (Fonte: SRH,1997).
  • 25.
    25 Para conhecer asleis que regulamentam a as políticas ambientais no âmbito federal, você pode acessar o site do Ministério do Meio Ambiente (www. mma.gov.br). No Estado do Rio de Janeiro, destacam-se as Legislações Estaduais e as Resoluções do Conselho Nacional dos Recursos Hídricos (CNRH), sendo que o órgão responsável pela gestão dos recursos hídricos é a Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (SERLA). A bacia hidrográfica é conhecida como unidade de planejamento e é de aceitação universal, porque constitui um sistema natural bem delimitado no espaço. Santos (2004) assinala que esse espaço ocupado pela bacia hidrográfica é composto por um conjunto de terras topograficamente drenadas por um curso d’água e seus afluentes, onde ocorrem interações dos meios físicos e socioeconômico que, quando interpretadas, servem ao planejamento ambiental. São, portanto, “unidades geográficas onde recursos naturais se integram e constituem-se em unidade espacial de fácil reconhecimento e caracterização”. Fica fácil para a ordenação territorial quando reconhecemos os limites de uma bacia, lembrando que não há qualquer área de terra, por menor que seja, que não se integre a uma bacia hidrográfica. Espaço geográfico Resultado da ação humana no espaço herdado, através do trabalho (relação natureza/sociedade/trabalho), mas não basta entendê-lo sob determinado modo de produção dentro de um contexto histórico definido porque ele é formado por um conjunto de objetos (materialidade) e um conjunto de relações que envolvem tanto a dimensão econômica quanto as dimensões do cultural, do político e do ideológico. A bacia hidrográfica é ainda considerada uma unidade integradora entre os impactos causados ao meio físico e à apropriação social do espaço. Lima (2005: p.182) apresenta a caracterização da bacia hidrográfica como um meio para a determinação de controle e estabelecimento do território: A bacia hidrográfica tem assumido nova dimensão, uma vez que as práticas sociais tendem a se modificar e a se refletir sobre um espaço bem delimitado. Essas práticas sociais envolvem o equilíbrio de poder no âmbito do sistema gestor. A bacia caracteriza-se, então, como um espaço onde a delimitação física antepõe-se à delimitação política, sendo esta, porém, a que define esse espaço socialmente, dando-lhe a conotação mais apropriada de um território. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LIMA, A.G. A bacia hidrográfica como recorte de estudos em geografia humana. Geografia, 2005. v.14, n.2, p. 173-183. SANTOS, Rozely Ferreira dos. Planejamento Ambiental: teoria e prática. São Paulo, Oficina de Textos, 2004. 184p. LOUREIRO, C.F.B.; LAYRARGUES, P.P.; CASTRO, R.S. (Orgs.). Repensar a Educação Ambiental: um olhar crítico. São Paulo: Cortez, 2009. LINKS INSTITUCIONAIS Secretaria Nacional de Recursos Hídricos http://www.mma.gov.br/ Agência Nacional de Águas (ANA) http://www.ana.gov.br/ Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas – SERLA http://www.serla.rj.gov.br/index/index.asp
  • 26.
    26 PLANEJAMENTO: A OPÇÃOPELO ENFOQUE PARTICIPATIVO “Agendar é preciso”, e urgente, pois a nossa forma de viver não “está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer, renovar seus recursos naturais e absorver os resíduos que geramos” (disponível em http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/pegada_ecologica/o_que_e_pegada_ecologica/index.cfm, consultado em 1/07/2008). Mas para agendar é preciso planejar! Temos falado muito em planejamento, mas o que se pode entender por isso? Planejamento “É um pacote de medidas inovadoras, claramente delimitado em função dos recursos, tempo e local, que estabelece objetivos e metas a serem alcançados por meio de um processo interativo entre todos os atores envolvidos e cuja implementação se dá por meio das instituições executoras, organizações ou grupos sociais” (disponível em http://www.participando.com.br/metodologia/metodologia.asp, consultado em 13/10/2007). Pode-se entender o planejamento como “uma ferramenta de trabalho utilizada para tomar decisões e organizar as ações de forma lógica e racional” (BUARQUE, 1999). É pré-condição dessa ferramenta o exercício coletivo do poder de decisão, isto é, as decisões e a organização das ações são resultado de escolhas do grupo, de seu consenso. A construção do planejamento prevê etapas progressivas, que se interligam e se alimentam continuamente: o conhecimento da realidade, a tomada de decisão, a execução do plano e o acompanhamento, controle e avaliação das ações. Logo, existe uma forte afinidade entre planejamento e participação. Participação “É o processo pelo qual grupos de interesse influenciam e partilham controle sobre o estabelecimento de prioridades, políticas, alocação de recursos e/ou implementação de programas” (TIKARE et al., 1995 Apud CASTRO, LIMA e BORGES-ANDRADE, 2005). Podemos concluir que participar é a ação de “fazer parte de, tomar parte em” (CUNHA, 2001). Para que isso ocorra, ou seja, para que haja um enfoque participativo, é necessário levar em conta alguns aspectos fundamentais, como: • o diálogo ativo; • a problematização, isto é, a técnica de formulação de perguntas, orientadoras do trabalho. • a condução compartilhada do processo. Material adaptado de Santiago, A.M.A. & Bastos, G.C. Carvalho Jr., R.P. 2009. Com a mão na massa: construindo agendas 21 escolares. In: CADEI, M. (Org.) Educação Ambiental e Agenda 21 escolar: formando elos de cidadania: livro do professor, Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2009., p. 39-57.
  • 27.
    27 Enfoque Participativo “Pode serentendido como uma aproximação sistemática a processos de grupos, buscando mobilizar seus potenciais e fornecer-lhes instrumentos para melhorar as suas ações pelas contribuições dos participantes e em que se manifesta e incorpora o meio socioeconômico e cultural de cada situação” (CORDIOLLI, 2005) . Falar é fácil... difícil é fazer! Esse é um desafio de toda prática pedagógica: transformar a teoria em prática. Por isso mesmo, apresentamos, a seguir, alguns instrumentos que podem facilitar a integração das pessoas em um processo participativo de planejamento. ENTRE OS DIFERENTES INSTRUMENTOS, MERECEM DESTAQUE: • OFICINA (Workshop) – trata-se de uma metodologia de trabalho, organizada a partir de atividades práticas, previamente planejadas, com o objetivo de propiciar condições de reflexão e de aprendizado. Como sugere o nome, a oficina pretende que o aprendizado se realize no desenvolvimento prático dos trabalhos propostos, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre fazer e aprender. Considerando seu objetivo prático, pode prever o uso planejado de diversas técnicas e jogos; Sugerimos consultar a publicação de Honsberger e George, denominada Facilitando oficinas: da teoria à prática. Trata-se de uma cartilha que ensina a construir oficinas, disponível em http://www.portaldovoluntario.org.br/site/pagina.php?idmenu=5&bibliotecaPage=9. • MODERAÇÃO – o moderador diferencia-se do especialista, pois “o moderador é mais um facilitador, um catalisador, um orientador metodológico para o processo, enquanto o especialista é essencialmente um assessor, um orientador técnico, um agente que irá transferir conhecimentos para facilitar a análise e a tomada de decisão pelo grupo, sem decidir por ele” (CORDIOLLI, 2005); • VISUALIZAÇÃO – consiste no “registro visual contínuo de todo o processo, mantendo as idéias sempre acessíveis para todos. Desse modo, as contribuições não se perdem, sendo mais objetivas e mais transparentes para todo o grupo” (CORDIOLLI, 2005); • TRABALHO EM GRUPO – segundo Cordiolli (2005), “é adotado para aumentar a eficácia da comunicação e garantir um momento intensivo de criação, gerando idéias que possam ser o ponto de partida para a discussão em plenária”; • SESSÕES PLENÁRIAS – permitem “o aperfeiçoamento e a lapidação das idéias geradas nos grupos. São os momentos de socialização dos resultados, das tomadas de decisão e de se estabelecer a responsabilidade e a cumplicidade pelo resultado alcançado” (CORDIOLLI, 2005). É o espaço no qual a multiplicidade de vozes poderá ser ouvida de forma organizada e as idéias poderão ser negociadas e sistematizadas; • TEMPESTADE DE IDEIAS (brainstorming) – trata-se de uma técnica para geração de idéias, cujo objetivo é a solução de problemas ou tarefas geralmente a cargo de um grupo. Prevê, em um primeiro momento, a “formulação de idéias de maneira livre”; posteriormente, “as idéias podem ser criticadas pelos outros membros do grupo”. Em Cordiolli (2005), encontra-se uma descrição detalhada desses instrumentos. Acesse o texto para aprofundar sua compreensão. Ele se encontra disponível em http//www.preac.unicamp.br/arquivo/ materiais/txt_apoio_sergio_cordiolli.pdf.
  • 28.
    28 ETAPAS DO PLANEJAMENTOPARTICIPATIVO 1.1. A preparação do processo Existe uma fase preparatória, na qual ocorre a montagem de uma equipe técnica ou de trabalho, responsável pela condução e pela articulação do processo. Nesta etapa, a equipe precisa debater os conceitos básicos que irão nortear teoricamente o planejamento, ou seja, aqueles que a equipe considerar importantes para o debate com a comunidade. A equipe deverá, também, nesta fase, organizar e detalhar o plano de trabalho, composto por atividades a serem desenvolvidas em um cronograma. Nossa! O que quer dizer isso? Quer dizer que o grupo precisa definir os dias, a pauta e as estratégias de cada encontro, de acordo com os objetivos pensados para cada evento. Lembre-se de que esse é apenas um planejamento inicial! Pode haver necessidade de ser alterado no processo com o coletivo. A última atividade da fase preparatória, a ser realizada pela equipe técnica, é o trabalho de identificação, motivação, mobilização e sensibilização dos atores sociais. Neste momento, a equipe estará reconhecendo que grupos sociais (atores sociais) têm ligação com o espaço escolar – alunos, responsáveis, funcionários, comerciantes do entorno etc. Esse reconhecimento é fundamental para garantir parceiros. 1.2. O conhecimento da realidade socioambiental Esta etapa corresponde ao conhecimento da realidade, subdividindo-se em três momentos: o da análise dos envolvidos, o do diagnóstico e o do prognóstico. 1.2.1. Análise dos Envolvidos: a identificação de parcerias Como já vimos, a identificação dos parceiros, grupos de interesse, foi feita, preliminarmente, pela equipe técnica, que deveria prever, no cronograma de trabalho, um momento de revalidação dessa identificação pelo coletivo. Isso significa que, no início do processo de planejamento, outros atores podem ser identificados. O grau de envolvimento desses atores, entretanto, pode variar muito, isto é, podem-se ter diferentes graus de compartilhamento do poder na tomada de decisão. 1.2.2. Análise Dos Problemas E Das Potencialidades: O Diagnóstico Da Realidade Socioambiental a) O que é um diagnóstico? Cotidianamente, associamos a palavra diagnóstico à prática médica, o que envolveu a palavra de uma conotação negativa. Assim, temos a tendência de pensar que o diagnóstico aponta sempre os problemas, nunca as potencialidades. No entanto, originalmente, a palavra diagnóstico, tanto no grego como no latim, vem a ser “o conhecimento sobre algo, ao momento do seu exame”; ou “a descrição minuciosa de algo”; ou, ainda, “o juízo declarado ou proferido sobre a característica, a composição, o comportamento, a natureza etc. de algo, com base nos dados e/ou informações deste, obtidos por meio de exame”. Sendo assim, agora você entende por que falamos em diagnóstico da realidade socioambiental, envolvendo tanto problemas quanto potencialidades.
  • 29.
    29 b) Qual aimportância do diagnóstico? Conhecer a realidade socioambiental na qual estamos inseridos é fundamental para se refletir sobre o futuro (prognóstico) e planejar ações efetivas que encaminhem o coletivo para a realização de metas. c) Como fazer um diagnóstico da realidade socioambiental? Sinteticamente, listando os principais problemas e as potencialidades locais, identificando inter-relações, causas e conseqüências. Não se trata de identificar todos os problemas ou potencialidades, mas de apontar alguns considerados centrais e, a partir destes, outros correlatos, estabelecendo relações de causa e de efeito. Existem várias metodologias de diagnósticos participativos da realidade. Dentre elas, pode-se destacar o Diagnóstico Rápido Participativo – DRP. O DRP utiliza, normalmente, as oficinas de trabalho como estratégias estimuladoras da participação. Apresentaremos, a seguir, algumas técnicas que podem ser usadas no DRP. Uma delas, usualmente utilizada nessa etapa, é a da Árvore de Encadeamento Lógico: O primeiro passo é listar, separadamente, os problemas e as potencialidades. Em um segundo momento, estabelece-se, coletivamente, a “relação de causa e efeito existente entre os problemas listados”. O resultado da análise é, portanto, uma representação gráfica. A Árvore de Encadeamento Lógico (Árvore de Problemas e Potencialidades) “representa, graficamente, a relação da causalidade, portanto, diferenciando e hierarquizando”. Nessa representação gráfica dos problemas ou potencialidades, encontram-se, na base da árvore, os fatores que possuem “o maior poder explicativo da situação-problema”. Vejamos, passo a passo, como construir uma Árvore de Problemas utilizando a técnica de visualização e o trabalho em plenária. • O problema central é registrado, por cada participante, em fichas de cartolina (tarjetas); • As fichas são afixadas num painel; • O grupo discute e identifica o problema central; • As causas do problema central são registradas, por cada participante, nas tarjetas; • As conseqüências do problema central são registradas, por cada participante, nas fichas; • Os problemas listados são analisados pelo grupo; • Por fim, o grupo constrói um diagrama, em forma de árvore, estabelecendo as relações de causa e efeito entre os problemas. Entre outras técnicas comumente usadas, podem-se, ainda, mencionar: • História, retratos, citações Trata-se do registro das histórias locais, oralmente transmitidas, associadas ou não a fotos e a dizeres populares. • Pesquisa de dados secundários em registros oficiais Trata-se da busca de informações em órgãos públicos sobre a realidade da comunidade. Nessas instâncias, é possível termos acesso a dados referentes à coleta de lixo, ao consumo de água e de energia, ao perfil do consumidor, à demografia etc.
  • 30.
    30 • Entrevistas A entrevistaé entendida como uma técnica de coleta de dados, na qual o pesquisador tem contato direto com um indivíduo que disponibiliza informações, a partir de situações de estímulo geradas pelo entrevistador (GIL, 2006). • Questionários Os questionários, assim como as entrevistas, possuem vantagens e desvantagens. Entre as vantagens estão: o grande número de pessoas que pode ser atingido, o anonimato das respostas e a redução da influência do pesquisador sobre o entrevistado. No campo das limitações, estão a possibilidade de uma pergunta ser mal compreendida ou das opções de resposta terem significado diferente para os entrevistados. • Mapas e perfis transversais Permitem o registro, em papel, de forma esquemática, do entorno da área trabalhada por intermédio do trabalho de campo. Nesta técnica, os dados considerados relevantes pelo grupo são registrados, por meio de legenda, comentários, ilustrações e outros mecanismos, no mapa da área trabalhada. O resultado é uma planificação esquemática da realidade do entorno. • Caminhada fotográfica A caminhada permite um diagnóstico por meio de trabalho de campo com registro fotográfico, o que possibilita a identificação dos principais problemas e das potencialidades do local por imagens. 1.2.3. Análise dos Objetivos: o Prognóstico Nesta etapa, a preocupação está na projeção para o futuro. Trata-se da construção de cenários, isto é, da identificação de caminhos possíveis para o futuro que permitam a solução ou o abrandamento dos problemas, assim como o fortalecimento das potencialidades. Na verdade, é um prognóstico. Após termos reconhecido e conquistado parceiros, de conhecermos a realidade local – seus problemas e suas potencialidades – e de termos traçado uma perspectiva de futuro, chegou a hora, finalmente, de pôr a mão na massa. É hora de tomar decisões, de planejar ações para realizar o futuro desejado coletivamente! Os produtos produzidos a partir de então, com a colaboração da equipe de radiojornalismo, fornecerão a base para a construção coletiva dos programas de rádio e da manutenção da mesma com enfoque na realidade local. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BUARQUE, Sérgio C. Metodologia de planejamento do desenvolvimento local e municipal sustentável. Material para orientação técnica e treinamento de multiplicadores e técnicos em planejamento local e municipal. Projeto de Cooperação Técnica INCRA/IICA. Brasília: MEPF/INCRA/IICA, 1999. Disponível em http://www.iica.org.br/Docs/ Publicacoes/PublicacoesIICA/SergioBuarque.pdf, consultado em 1/07/2008. CASTRO, Antônio Maria Gomes de, LIMA, Suzana Maria Valle e BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo. Metodologia de planejamento estratégico das unidades do Ministério da Ciência e Tecnologia. Brasília: MCT, 2005. Disponível em http:// planejamento.sir.inpe.br/documentos/arquivos/referencias/Metodologia_PE_MCT_2005.pdf, consultado em 7/10/2007. CORDIOLLI, Sergio. Enfoque participativo no trabalho com grupos. Apostila do Curso de Gestão Estratégica Pública. Campinas, 2005. Disponível em: http://www.campinas.sp.gov.br/rh/uploads/egds_material/txt_apoio_sergio_ cordiolli.pdf , consultado em 30/06/2008. CUNHA, Antônio Geral da. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. 2. ed. 14ª impr. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5 ed. 7 reimpressão. São Paulo: Atlas, 2006.
  • 31.
    31 PRINCIPAIS LEIS AMBIENTAISDO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Vejamos agora, as principais Leis do nosso estado, algumas acreditamos que a maior parte da população desconhece. LEI Nº 3.325 DE 17 DE DEZEMBRO DE 1999 DISPÕE SOBRE A EDUCAÇÃO AMBIENTAL, INSTITUI A POLITICA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL, CRIA O PROGRAMA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E COMPLEMENTA A LEI FEDERAL Nº 9.795/99 NO ÂMBITO do ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Art. 1º- Entende-se por educação ambiental os processos através dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, atitudes, habilidades, interesse ativo e competência voltados para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. O licenciamento ambiental é o procedimento administrativo por meio do qual o órgão ambiental autoriza a localização, instalação, ampliação e operação de empreendimentos e atividades utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental. Decreto Estadual nº 42.159, de 2 de dezembro de 2009, institui o Sistema de Licenciamento Ambiental (SLAM), define os empreendimentos e atividades que estão sujeitos ao licenciamento ambiental, bem como os tipos de documentos que são emitidos em cada caso. A Lei Complementar nº 140, de 8 de dezembro de 2011, fixou normas para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora. A Resolução CONEMA nº 42, publicada em 28 de agosto de 2012, dispôs sobre as atividades que causam ou possam causar impacto ambiental local e fixou normas gerais de cooperação federativa nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente e ao combate à poluição em qualquer de suas formas, conforme previsto na Lei Complementar nº 140/2011. ATERROS SANITÁRIOS LEI Nº 2794, DE 17 DE SETEMBRO DE 1997 DISPÕE SOBRE ATERROS SANITÁRIOS NA FORMA QUE MENCIONA Fica o Poder Executivo autorizado a constituir Grupo de Trabalho com a finalidade de implementar transferências dos aterros sanitários, atualmente existentes para, áreas situadas à uma distância de, no mínimo, 15 (quinze) quilômetros da cabeceira das pistas dos aeroportos em todo o Estado do Rio de Janeiro.
  • 32.
    32 MUDANÇAS CLIMÁTICAS Lei 5.690de 14 de Setembro de 2010 Esta Lei institui a Política Estadual sobre Mudança do Clima e estabelece princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos aplicáveis para prevenir e mitigar os efeitos e adaptar o Estado às mudanças climáticas, em benefício das gerações atuais e futuras, bem como facilitar a implantação de uma economia de baixo carbono no Estado. PARCELAMENTO DO SOLO URBANO Lei 1.130 de 12 de Fevereiro de 1987 Define as áreas de interesse especial do estado e dispõe sobre os imóveis de área superior a 1.000.000m2 (hum milhão de metros quadrados) e imóveis localizados em áreas limítrofes de municípios, para efeito do exame e anuência prévia a projetos de parcelamento de solo para fins urbanos, a que se refere o art. 13 da lei nº 6766/79. PROTEÇÃO AMBIENTAL Lei 2.318 de 22 de Setembro de 1994 Fica o Poder Executivo autorizado a criar a reserva ecológica da Ilha Grande, abrangendo toda a sua superfície, resguardada a faixa da Marinha. LEI DO LIXO Lei nº 3.009, de 13 de julho de 1998 do Rio de Janeiro Art. 1º - Fica proibido o despejo de lixo e detritos em locais públicos. § 1º - Considera-se lixo, para o efeito do que determina este artigo, tudo o que não presta e se deita fora. § 2º - Incluem-se como locais públicos, para o mesmo objetivo: baías, rios, lagos, estradas, ruas, praças e logradouros, localizados no Estado do Rio de Janeiro. Art. 2º- A fiscalização do que estabelece o artigo anterior cabe aos funcionários estaduais e municipais, qualificados para tal. Art. 3º - A inobservância desta Lei implica a punição dos seus respectivos transgressores. § 1º - Cabe aos órgãos públicos fiscalizadores punir o transgressor com multas que variam de R$10,00 (dez reais) a R$3.500,00 (três mil e quinhentos reais) de acordo com o grau de infração, do seu autor e a reincidência. Lei Estadual do Rio de Janeiro nº 4.191, de 30 de Setembro 2003. Ficam estabelecidos, na forma desta Lei, princípios, procedimentos, normas e critérios referentes à geração, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final dos resíduos sólidos no Estado do Rio de Janeiro, visando controle da poluição, da contaminação e a minimização de seus impactos ambientais.
  • 33.
    33 Lei Estadual doRio de Janeiro de Coleta Seletiva de Lixo, Lei nº 6408, de 12 de março de 2013 Torna obrigatória todas as edificações residenciais com mais de três andares no Estado do Rio de Janeiro a disponibilizarem recipientes para a coleta seletiva de lixo. São objetivos da coleta seletiva de lixo incentivar a coleta seletiva, a reutilização e a reciclagem, proteger a saúde pública e a qualidade do meio ambiente, preservar e assegurar a utilização sustentável dos recursos naturais; e reduzir a geração de resíduos sólidos e incentivar o consumo sustentável. A coleta seletiva deverá proceder à separação dos seguintes materiais: I – papel lll – metal II – plástico IV - vidro. RECICLAGEM DE PET E PLÁSTICOS Lei 3206/99 e 3369/00 - A 1ª cria normas e procedimentos para o serviço de coleta, reciclagem e disposição final de garrafas e embalagens plásticas, que terão orientações ao consumidor sobre os riscos para o meio ambiente, e veda a expressão “descartável”. A 2ª Lei determina responsabilidade na destinação final dos comerciantes e fabricantes, que pagarão pelo retorno das embalagens PET e apoiarão as cooperativas de catadores. Realizamos audiências e manifestações. A regulamentação saiu em 2002, no governo Benedita. Os fabricantes começaram a instalar postos de recompra, inclusive em supermercados. Alguns setores cumprem, como o de bebidas, outros ainda não cumprem, como cosméticos, fármacos e plásticos. 28 cooperativas de catadores de materiais recicláveis obtiveram prensas e equipamentos com esta lei. DECRETO Lei nº 41.318 DE 26 DE MAIO DE 2008 • os propósitos de favorecer o desenvolvimento sustentável e aumentar a participação de fontes renováveis na matriz energética estadual; • quesegurançaenergéticaéfundamentalparaasustentabilidadeeconômicaesocialdasociedade; • que os resultados do inventario de emissão de gases de efeito estufa do estado do Rio de Janeiro, com base em 2005, indica que as emissões do setor de geração de energia e do uso de energia nos processos industriais somados são os que mais emitem gases de efeito estufa no estado; • que aumentar a eficiência energética contribuirá diretamente para reduzir a demanda por energia e a necessidade de aplicação das instalações de geração de energia elétrica; e - que o fato de emissão atmosférica da matriz energética do sudeste cresceu, em média, cerca de 13% nos últimos três anos. • Art. 1° - Fica instituído o mecanismo de compensação energética (MCE), como parte do plano de abatimento de emissão dos gases de efeito estufa, para combater o aquecimento global e reforçar a oferta energética no estado do rio de janeiro. • Parágrafo único: o mecanismo de compensação energética (MCE) visa ampliar o uso de fontes de energia renovável, em especial para geração de energia elétrica e promover a eficiência energética de acordo com as diretrizes de desenvolvimento econômico energia e indústria e as diretrizes ambientais.
  • 34.
    34 LIXO NA RUA PUNIÇÃOA INFRAÇÕES LESIVAS AO MEIO AMBIENTE LEI n 3.467, de 14 de setembro de 2000 Considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão dolosa ou culposa que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente. §. 1º - As infrações administrativas ambientais serão apuradas em processo administrativo próprio, assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, observadas as disposições desta lei. Assim através desta lei temos várias sanções que podem ser utilizadas dependendo do tipo de infração, vai de uma simples advertência, interdição do estabelecimento e restritivas de direitos. POLITICA DE RECURSOS HIDRICOS LEI Nº 3239, de 02 de agosto de 1999 Institui a política estadual de Recursos Hídricos; cria o sistema estadual de gerenciamento de recursos hídricos; regulamenta a Constituição Estadual, em seu artigo 261, parágrafo 1º, inciso VII; e dá outras providências: A água é um recurso essencial à vida, de disponibilidade limitada, dotada de valores econômico, social e ecológico, que, como bem de domínio público, terá sua gestão definida através da Política Estadual de Recursos Hídricos, nos termos desta Lei. COLETA SELETIVA NAS ESCOLAS Lei 1831/91 | Lei nº 1831, de 6 de julho de 1991 do Rio de Janeiro. Art. 1º - Torna obrigatória a coleta seletiva do lixo nas Escolas Públicas do Rio de Janeiro com a seguinte finalidade: I - Torna o reaproveitamento dos materiais uma prática constante entre os administradores públicos e os estudantes; II - Ser parte de um programa de Educação Ambiental a ser instituído pelas Escolas Públicas, visando à expansão de uma consciência ecológica na sociedade; III - Auferir os benefícios sociais da prática da reciclagem, tanto no sentido de economizar energias e insumos quanto no de preservação do ecossistema.
  • 35.
    35 CÓDIGO FLORESTAL (FEDERAL) LEINº 12.651, DE 25 DE MAIO DE 2012 Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. MP Nº 571, DE 25 DE MAIO DE 2012 Altera a Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001. TEXTOS PARA APORTE E ATIVIDADES Um mundo partido ao meio Nos últimos quatrocentos anos, as sociedades do mundo ocidental, do qual fazemos parte, foram se acostumando a pensar a natureza como uma coisa diferente de cultura e exterior ao homem. Ora pensamos a natureza como um lugar onde estão as florestas, os rios, as montanhas, os animais e as plantas, ora como o conjunto de tudo isso. Um mundo criado sem interferência humana. Da mesma forma, a cultura é entendida como algo relativo apenas ao homem, produto dele, criação dele, nada tendo a ver com natureza. Isso pode ser facilmente comprovado se dermos uma olhada nos conceitos mais comuns de natureza encontrados em textos, sites ou até mesmo na boca de muita gente. Veja o quadro a seguir, em que estão citados alguns conceitos de natureza que circulam atualmente em nossa sociedade. O QUE É NATUREZA Visão de mundo atual (século XXI) 1. A expressão natureza (do latim natura, naturam) envolve todo o ambiente existente que não teve intervenção humana. 2. O mundo material, especialmente aquele que cerca o homem e existe ao seu redor, independentemente das atividades humanas. 3. O mundo natural como ele existe sem os seres humanos e a civilização. 4. Os elementos do mundo natural como montanhas, florestas, animais, rios etc. 5. Todo o meio natural. 6. Mundo exterior ao homem. 7. Sistema das leis que regem e explicam o conjunto do mundo exterior.
  • 36.
    36 8. Conjunto detodos os seres, animados ou não, que constituem o Universo. 9. Surge sem ação do homem. 10. Lugar onde a vida se manifesta. 11. É tudo aquilo que cerca o ser vivo e que tem relação direta ou indireta com ele. 12. É tudo que nos rodeia, incluindo o meio físico, biológico e sociocultural. 13. O espaço em que vivem as plantas e os animais, ou o conjunto de condições físicas,químicas e biológicas que abriga e rege todas as formas de vida do planeta. Podemos perceber que praticamente todas as definições de natureza expostas no quadro falam de algo que existe sem a ação do homem: ora ela é vista como um lugar, ora como o conjunto de plantas, animais e paisagens. Em todas temos a visão separatista do mundo atual se manifestando. Os estudiosos chamam esse modo de ver de visão disjuntiva, que significa separada, fragmentada. De acordo com esse modo de pensar, o homem está separado da natureza e a vida está separada do lugar em que ocorre. Duas das respostas usam até a expressão “mundo exterior” ao homem. Em algumas respostas, além da visão separatista, vemos a visão reduzida, que se refere à natureza apenas como um sistema de leis que regem e explicam o mundo. Ou ainda aparece a visão biologizada de natureza, citando rios, montanhas, florestas, animais, aspectos ligados apenas ao chamado mundo natural, como se não houvesse o urbano, o cultural, o homem. A cultura aqui também passa longe. Em outras respostas aparece a visão disjuntiva acrescida da chamada visão antropocêntrica, em que o homem é o centro do mundo, ao reduzir a natureza àquilo que rodeia o homem e que tem relação direta ou indireta com ele. Ou seja, entende o homem como parte de algo e o coloca numa posição de centralidade em relação a todo o resto, no centro de tudo o que existe. Essa ideia de centralidade, é claro, não é de uma centralidade qualquer, mas significa também uma superioridade, na qual o homem está hierarquicamente acima da natureza. É com base nessa ideia, de que nós estamos no centro e acima da Terra e dos outros seres, que nos tornamos o que somos hoje. Construímos relações de dominação, em que aquilo que está ao nosso redor, seja coisa, animal ou pessoas, existe para nos servir, ou para servir ao homem. No fundo, é assim que grande parte da humanidade pensa: os animais, as plantas, os minerais, a água, as florestas e o que mais existir no mundo está aí para atender às necessidades humanas, para o homem usar, explorar e dominar. Não é por acaso, então, que a humanidade chegou à primeira década do século XXI com 60% dos ecossistemas seriamente comprometidos e já consumindo 20% de recursos naturais a mais do que o planeta pode repor. Isso significa que, realmente, vemos a natureza como algo que existe apenas para servir aos nossos desejos e necessidades, mera fornecedora de matéria-prima para o consumo humano. As próprias palavras que usamos para falar da natureza – como recursos, valores, bens e patrimônio – já deixam claro como pensamos nela apenas na medida em que ela possa nos trazer vantagens econômicas. É bom saber, no entanto, que essa visão de natureza foi construída com o tempo. No nosso processo de entender e explicar a vida, acostumamos nosso cérebro a pensar de um jeito dividido, a separar as coisas em caixinhas. Há quatro séculos separamos a realidade em mundo natural e mundo social-cultural. É por isso que usamos tanto a palavra meio ambiente, porque para nós o ambiente está partido ao meio mesmo: de um lado vemos a natureza (relativa ao bíos, à vida, estudada pela biologia), do outro lado o mundo social, do homem e da sua cultura (o socio, estudado pelas ciências humanas).
  • 37.
    37 No nosso pensamento,fazemos a equação “meio ambiente = bio + socio”. Ou seja, criamos dois mundos paralelos: o mundo natural, onde está a chamada biodiversidade, e o mundo social, onde está o homem e sua diversidade cultural. E isso não se expressa só no nosso pensamento. Aparece também nas nossas ações e na forma como nossa sociedade se organiza, seja na política, na educação, nas ciências – em tudo. Um exemplo disso é a organização do nosso governo: temos o Ministério do Meio Ambiente (MMA), que trata de assuntos referentes à natureza, e o Ministério da Cultura (MinC), que cuida dos assuntos referentes à cultura. Outro exemplo pode ser buscado na organização dos cursos universitários: há os cursos de ciências biológicas (biologia, medicina etc) e os de ciências humanas (sociologia, antropologia, comunicação social...). Então, para nossos avós, nossos pais, nossos professores e nossos governantes, cultura é do homem, florestas tropicais e onça são da natureza. A cadeira do designer brasileiro premiada na última feira internacional de móveis de Milão é algo do homem, foi produzida pelo homem. O homem inventou a cadeira e a feira internacional de móveis de Milão, coisas que vão parar na caixinha do mundo social- cultural. Já a Floresta Amazônica, bioma do Hemisfério Sul da Terra onde se encontra o mogno, de cuja madeira se fazem cadeiras premiadas em Milão, pertence ao mundo natural. Portanto, Floresta Amazônica e mogno vão parar na caixinha do mundo natural. É isso o que os nossos pais falam, o que a nossa escola ensina, o que os livros de ciências comprovam com suas teorias, o que dizem os institutos de pesquisa, a televisão, os filmes de Hollywood e os jornais. É assim que somos ensinados a pensar. No entanto, só achamos que faz sentido pensar assim porque acostumamos nosso cérebro a pensar e agir assim, de maneira separada. Os especialistas chamam isso de “paradigma da disjunção”. O tamanho do nome chega a assustar, mas é bem fácil de entender: quer dizer “visão separada, partida”. A palavra paradigma significa nada mais do que um modo de pensar a realidade, de entender o mundo. Um paradigma é formado por verdades que são aceitas por todos e que não são contestadas, por ideias em que acreditamos e que são como óculos com que olhamos e entendemos a realidade, sem nos perguntarmos por que pensamos dessa maneira. Especialistas definem paradigma como uma estrutura do pensamento que de modo inconsciente comanda nossas ideias, nosso discurso e nossas ações. O que isso quer dizer? Para ficar mais claro, vamos a uma história. Há um texto que circula nas redes sociais da internet que resume bem o que é um paradigma, como ele se forma e como, de modo inconsciente – ou seja, sem nos darmos conta –, ele comanda nossa vida. Chama-se “Como nasce um paradigma”. Para rir e refletir: Como nasce um paradigma Um grupo de cientistas pôs cinco macacos numa jaula. No meio da jaula, colocaram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o enchiam de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.Então,oscientistassubstituíramumdoscincomacacos.Aprimeiracoisaqueelefez foi subir a escada, mas foi rapidamente retirado pelos outros, que o surraram violentamente. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.
  • 38.
    38 Um segundo macacofoi, então, substituído, e o mesmo ocorreu. O outro macaco substituto, que nunca tinha levado ducha de água fria nem sabia por que não devia apanhar as bananas, também participou com entusiasmo da surra no novato. Um terceiro macaco foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram então com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo em qualquer um que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam em quem tentava subir a escada, com certeza a resposta seria: “Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui.” Da mesma forma que o macaco, o homem é um animal que aprende por repetição, observando a realidade. Isso tem um lado bom e outro ruim. O lado bom é que ele se desenvolve rápido. Um bebê, por exemplo, vai aprendendo a pegar o garfo para comer, bater palminha, virar de lado, comer de boca fechada, dar tchauzinho, não cuspir etc. O lado ruim é que ele acaba herdando, como os macacos, comportamentos e crenças já formados, sem conhecer nem questionar sua formação. Você, por acaso, já parou para se perguntar por que vários homens brasileiros que trabalham em escritórios usam ternos pesados e quentes mesmo morando em um país tropical? Ou então por que um grande símbolo do nosso Natal é o pinheiro europeu e não uma árvore brasileira? Do mesmo modo, a visão partida entre natureza e cultura é um paradigma fortíssimo, que aprendemos com nossos pais, que aprenderam com os pais deles e assim por diante. Ou seja, nós herdamos dos nossos antepassados comportamentos, hábitos e óculos que nos fazem ver o mundo dividido em duas partes. Faça um teste e responda à pergunta: você é parte do meio ambiente ou é meio ambiente? Uns irão dizer que são parte, outros que são meio ambiente. E enchente é um problema social ou ambiental? Uns dirão que é ambiental, já que as enchentes são causadas pela chuva e pela atividade climática, e outros que é social, já que nas enchentes muitas áreas são alagadas e muitas pessoas perdem seus bens e suas casas. O problema é que até o nosso modo de perguntar (“ou isso ou aquilo”) já aponta para opções separadas. Isso faz com que em ambos os casos as respostas escolham apenas um dos lados da questão. Embora tenhamos dificuldade de ver as coisas por inteiro, somos na realidade parte e todo. Somos parte do ambiente e ambiente. Somos natureza e sociedade e, portanto, problema ambiental é problema social e problema social é problema ambiental. Você sabia? Apesar de estarmos treinados para pensar o mundo de maneira partida e separada, nosso cérebro percebe as coisas de maneira integral. O cérebro humano percebe as coisas de maneira sistêmica, analisando o mundo em seu conjunto, na sua totalidade, e vendo o sistema como um todo único. Faça um teste. Leia a brincadeira do parágrafo abaixo e comprove essa capacidade que nosso cérebro tem de perceber as coisas no seu conjunto.
  • 39.
    39 De acordo comuma pesquisa de uma universidade inglesa, não importa em qual ordem as letras de uma palavra estão. A única coisa importante é que a primeira e a última letras estejam no lugar certo, o resto pode ser uma bagunça total que você pode ainda ler sem problema. Isto ocorre porque nós não lemos cada letra isolada, mas a palavra como um todo. Toda visão de mundo, todo paradigma, é uma construção histórica, que muda de acordo com a época. Por isso, essa forma de ver o mundo de maneira separada e partida é uma construção social, criada e reforçada ao longo da história do mundo ocidental. Fomos nos condicionando a pensar na natureza como algo externo ao homem, como algo separado e fora de nós. E as divisões não param por aí: também pensamos que mente está separada de corpo, religião de ciência, ocidente de oriente e assim por diante. Dica de filme Pleasantville – A vida em preto e branco (Gary Ross, 1998) fala do sistema de crenças e valores que imperam numa cidade fictícia chamada Pleasantville, onde a vida é toda em preto e branco. Lá todos são felizes, fazem sempre as mesmas coisas, não há chuva, as ruas são circulares, não há sexo e ninguém nunca precisa ir ao banheiro. A chegada dos irmãos David e Jennifer, que passam a interagir com a população local e a mudar algumas regras cotidianas, produz pequenas alterações no dia a dia dos moradores. Aparecem diferenças que ficam visíveis (através do jogo de cor), tanto entre a população quanto nos locais físicos da cidade. O filme é um excelente exemplo de o que é um paradigma e da força que ele tem na sociedade. Discussão: Mas então, quando e como esse paradigma se formou? Caindo a ficha: crise ambiental ou dilema civilizatório? Vimos que a base filosófica da visão da natureza como máquina foi a divisão cartesiana entre espírito (que pensa, res cogitans) e matéria (que não pensa, res extensa). Em consequência dessa divisão, a sociedade passou a acreditar no mundo como um sistema mecânico, capaz de ser descrito objetivamente pelos olhos da ciência. Tal descrição objetiva formou o ideal de toda a ciência dos séculos seguintes, XVIII e XIX, que usou a física newtoniana com enorme sucesso, aplicando seus princípios às ciências da natureza e da sociedade humana, influenciando o pensamento da época. Nesse processo, o homem europeu do século XVIII, focado no desenvolvimento, no aumento da riqueza, no uso e na valorização da técnica e do conhecimento científico, fez a Revolução Industrial, conhecida como a revolução das máquinas. Inventaram aparelhos e máquinas que substituíram a força de trabalho humana em até mil vezes, criando o sistema de produção em massa de mercadorias, como roupas e carros. Então, vendo-se separado da natureza, o homem explodiu sem pudor as entranhas da Terra em busca de material para abastecer sua produção. Extraiu dela seus elementos, violou seus domínios, dominou suas forças, tudo em nome do progresso, da ciência e da modernidade. Este sistema de desenvolvimento econômico, praticado pelos países europeus nos séculos XVIII e XIX, encontra- se agora mundializado, sendo copiado pela maioria dos países do planeta. Mas com um agravante: a partir da Revolução Industrial, esse modelo de desenvolvimento se especializou na superexploração e no superconsumo dos recursos naturais, na superexploração dos trabalhadores e também na superdegradação e superpoluição de todos os ambientes. Além disso, criou sociedades hierarquizadas e profundamente desiguais.
  • 40.
    40 Virou notícia Estudo revelaalto nível de desgaste físico dos cortadores de cana em SP Um levantamento inédito feito pela Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde de São Paulo com cortadores de cana de 27 usinas da região de Ribeirão Preto, no norte paulista, revelou o alto nível de desgaste físico imposto aos trabalhadores do setor. As condições insalubres de trabalho dessa categoria não são novidade, mas o que impressiona no estudo é uma radiografia detalhada da rotina extenuante e repetitiva desses homens. No estado de São Paulo são, aproximadamente, 140 mil cortadores. Segundooestudo,acadaumminutotrabalhado,sãofeitas17flexõesdetroncopelocortador e aplicados 54 golpes de facão. O joelho fica todo o tempo semiflexionado e há extensão da cervical. Não há sombra nos canaviais e o cortador não se hidrata adequadamente. Ao longo do dia, diz o estudo, o trabalhador perde oito litros de água do corpo. Pordia,sãocortadasecarregadasemmédia12toneladasdecanaemSãoPaulo.Nessetrabalho, o cortador percorre um percurso de quase nove quilômetros, em média. Os trabalhadores levam água de casa para beber na lavoura e depois reabastecem nos reservatórios dos ônibus, que em maioria não são refrigerados e apresentam péssimas condições de higiene. Segundo a diretora da Vigilância Sanitária do estado de São Paulo, Maria Cristina Megid, uma das coordenadoras do estudo, cerca de 40% da água consumida por esses trabalhadores não era potável. Como comem no canavial, os trabalhadores também não têm local adequado para guardar as marmitas e a comida estraga. Mas eles são obrigados a comer por causa do esforço físico. As consequências são dores de estômago, diarreias, entre outras doenças. O dono da lavoura não oferece condições básicas, como mesa e cadeira para refeição. E não há sanitário. E estamos falando do estado mais rico do Brasil. O estudo servirá de base para nova regulamentação para o setor. Segundo Maria Cristina, durante o primeiro semestre deste ano, o governo do estado deve fazer consultas públicas para editar normas para melhorar a condição dos cortadores de cana. Fernando Teixeira, O Globo, 18/01/2011. Disponível em: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/01/18/estudo-revela-alto-nivel- de-desgaste-fisico-dos-cortadores-de-cana-em-sp-923529304.asp. O estrago foi tão grande que, a partir dos anos 1970, o rumo do desenvolvimento começou a ser duramente criticado, tanto por cientistas quanto por instituições políticas internacionais, como a ONU. Em 1987, por exemplo, no relatório Nosso futuro comum (Our Common Future), a ONU colocava a necessidadedeserepensaromodelodedesenvolvimentoeconômicoadotadopelospaísesindustrializados e reproduzido pelas nações em desenvolvimento. O relatório ressaltava os riscos do uso dos recursos naturais sem considerar a capacidade dos ecossistemas, e alertava para a incompatibilidade entre os padrões de produção e consumo vigentes e a integridade dos ecossistemas do planeta.
  • 41.
    41 Foi exatamente nofinal do século XX que surgiu o conceito de ecodesenvolvimento, que depois evoluiu para o de desenvolvimento sustentável, defendendo um modo de desenvolvimento que fosse ecologicamente sustentável, economicamente viável e socialmente justo. O objetivo desses conceitos era reorientar o desenvolvimento de modo a não comprometer a integridade dos ecossistemas e garantir o uso dos recursos naturais para as gerações futuras. Outro relatório que nos permite ter uma dimensão dos problemas e desafios a enfrentar é a Avaliação ecossistêmica do milênio, um documento técnico encomendado pela ONU em 2005, do qual participaram 1.350 especialistas de 95 países, que desvenda a saúde dos ecossistemas do planeta e sua relação com a manutenção da vida. Segundo a avaliação, 60% dos ecossistemas do planeta já estão destruídos ou seriamente deteriorados. As conclusões revelam que já ultrapassamos o limite da exploração possível da natureza, e que dentro de pouco tempo o planeta não terá mais condições de fornecer bens naturais para o consumo humano. Já estaríamos à beira do esgotamento e de um colapso pela superexploração do ambiente por este modelo de desenvolvimento da sociedade moderna. Em outras palavras, se continuarmos a consumir os recursos naturais – água, energia, alimentos, matérias- primas para a indústria – no ritmo em que consumimos hoje, no futuro não haverá o suficiente para a sobrevivência dos seres vivos no planeta. Para o bem das espécies, inclusive a humana, avisa o estudo, é urgentíssimo mudarmos o padrão de produção e consumo atual. Outro relatório da ONU, intitulado O estado do mundo, publicado em 2005 e republicado em 2010, ratifica as conclusões da Avaliação ecossistêmica do milênio. Declara que hoje já não temos recursos naturais para suprir o atual padrão de consumo humano, pois o homem consome 20% a mais do que o planeta pode repor. Um agravante dessa situação é que o consumo ocorre de maneira muito desigual: apenas uma minoria de 20% da população mundial consome 80% dos recursos naturais, gera 75% da degradação e das emissões poluentes e 86% do desperdício. É realmente muita desigualdade. E isso não é nada justo, porque se 20% estão consumindo quase tudo, significa que temos 80% da população mundial que não estão consumindo nada ou quase nada, ou pelo menos não o suficiente para terem atendidas suas necessidades básicas. Uma imagem que ilustra bem esses dados da ONU é esta fotomontagem da Nasa, mostrando o planeta Terra durante a noite (figura 1). A imagem é um exemplo perfeito das desigualdades mundiais atuais. No caso em questão, mostra as desigualdades no consumo de energia elétrica (luz). Pela imagem da Nasa, vemos que algumas áreas estão intensamente iluminadas, enquanto outras não, ou seja, dá para perceber nitidamente o consumo desigual de energia elétrica no mundo. Figura 1: Imagem da Nasa do planeta Terra no escuro, feita em outubro de 2005, mostrando o consumo de energia elétrica no mundo. Fonte: http://www.nasa.gov
  • 42.
    42 A África estáliteralmente no escuro: recebe aproximadamente 90% menos de energia que a Europa, um continente quase duas vezes menor que ela. Vemos que os países europeus, como Alemanha, Inglaterra, Itália e França, junto com os Estados Unidos, o Canadá e o Japão, são os mais iluminados, ou seja, os que consomem mais energia elétrica. Não é por coincidência que esses são exatamente os países mais ricos, os que emitem mais gás carbônico para a atmosfera e os que mais intensificam as mudanças climáticas mundiais. Repare que, no Brasil, algumas áreas surgem bem mais iluminadas que outras. Algumas regiões do Sudeste, onde estão os grandes centros urbanos e industriais do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, estão totalmente acessas. Também estão acesas partes do litoral do Nordeste, onde encontramos muitas cidades turísticas – mas a maior parte do país está no escuro. Vejamos agora o mapa das emissões globais de gás carbônico (CO2) (figura 2). Este gás é produzido na queima de combustíveis fósseis (carvão, gasolina e diesel) pelas indústrias, siderúrgicas e termoelétricas, mas também por automóveis, como carros, caminhões e ônibus. É classificado como um gás de efeito estufa (um GEE), e é considerado atualmente o grande vilão das mudanças climáticas. Figura 2: Emissões mundiais de CO2, por processos industriais e por uso do solo (agropecuária, queimadas e desmatamentos). Na figura 2, vemos os países desenvolvidos do Norte como os grandes emissores de CO2: a América do Norte, representada pelos Estados Unidos e o Canadá; a Europa; e a Ásia, principalmente o Japão e antiga União Soviética e, recentemente, a China. Vemos ainda que as atividades industriais são as maiores responsáveis pelas emissões de poluentes. As emissões de CO2 por uso do solo dizem respeito às florestas que são queimadas para disponibilizar solos para formação de lavouras e pastos pela agropecuária. Nesse ponto o Brasil figura como grande emissor de CO2, devido às queimadas que se concentram na Amazônia e no Cerrado, principalmente. Fonte: Relatório do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas do Ministério da Ciência e Tecnologia (CBPF-MCT), em 2006.
  • 43.
    43 Outro dado interessantee que se une a esses dois: pesquisadores norte-americanos do Departamento de Ecologia Global do Instituto Carnegie analisaram as emissões de CO2 por pessoa em todo o planeta entre os anos de 2000 e 2004 (figura 3). Figura 3: Emissões globais de CO2 por pessoa, de acordo com os países. Fonte: http://www.apolo11.com/meio_ambiente.php?posic=dat_20070522-101542.inc. Otrabalho,divulgadoem2007pelaAcademiaNacionaldeCiênciasdosEstadosUnidos,dividiaomundoemtrês blocos: nações ricas (com mais de 10 toneladas de CO2 emitida por pessoa/ano), nações em desenvolvimento (de 1 a 5 toneladas por pessoa/ano) e nações pobres (com menos de 1 tonelada por pessoa/ano). Os países ricos do Norte apresentaram os mais altos índices de emissão de CO2 por pessoa/ano. Pelo estudo, as emissões anuais devido ao uso de combustíveis fósseis são, em toneladas de CO2 per capita: 19 nos Estados Unidos; 8,8 no Japão; 6,3 na França; 1,4 no Brasil; 0,9 na Índia; 0,1 em Serra Leoa (África). Logo, a emissão per capita dos Estados Unidos é 13 vezes maior que a do Brasil, 20 vezes maior que a da Índia e 190 vezes maior que a de Serra Leoa: bem desigual. Os norte-americanos emitem mais porque consomem muito, muito mais que brasileiros, hindus e africanos. Vejamos agora o mapa mundial sob a perspectiva da riqueza (figura 4). Ou melhor, do chamado Produto Interno Bruto, ou PIB, que significa a soma de toda a riqueza produzida por um país, ou uma região, em um ano. No mapa, temos o PIB por quilômetro quadrado: as áreas mais claras, quase brancas, são as que apresentam PIB entre 0 e 499 dólares. Já as mais escuras são aquelas em que a riqueza total produzida em um quilômetro quadrado chega a até 546 milhões de dólares. Figura 4: Mapa da distribuição da riqueza. As cores mais escuras apontam maior PIB. Fonte: http://www.visualizingeconomics.com/wp.
  • 44.
    44 Pelos dados domapa, as nações mais ricas – ou seja, que têm o PIB mais alto – estão concentradas no Norte do planeta: América do Norte (Estados Unidos e Canadá), Europa e Japão, os chamados países ricos ou desenvolvidos. Na América Latina, África, Caribe e grande parte da Ásia concentram-se os países mais pobres, os chamados subdesenvolvidos. Brasil, Rússia, Índia e China, entretanto, estão hoje entre os países que mais crescem economicamente. São chamados de países em desenvolvimento ou emergentes. Esses países crescem, é claro, mas pagam o preço da poluição e dos danos causados ao ambiente em nome do desenvolvimento. Muita gente ainda se lembra da imagem da China, sede das Olimpíadas de 2008, sob uma densa névoa de poluição, e dos chineses. Dica de livro Podemos ter uma noção mais clara das desigualdades mundiais no livro Hungry Planet: What the World Eats (em português, seria mais ou menos Um planeta faminto: o que o mundo come), do fotógrafo Peter Menzel e do jornalista Faith D’Alusio. A obra registra em fotos e números o que 30 famílias de 24 países comem durante uma semana. O resultado é um contraste marcante: enquanto no Chade uma família de refugiados africanos gasta menos de US$ 2 por semana com alimentação, uma família alemã de classe média consome US$ 500. Enquanto nos Estados Unidos uma família de quatro pessoas gasta US$ 341,98, no Butão uma família de treze pessoas gasta US$ 5,03. As fotos de Peter Menzel não deixam dúvidas e ilustram muito bem as desigualdades mundiais. A revista Time publicou as fotos do livro numa exposição chamada What the World Eats (O que o mundo come), que tem como base o livro de Menzel. Confira no site: http://www.time.com/time/photogallery/0,29307,1626519_1373664,00.html. Pelas quatro figuras apresentadas, podemos ver bem quem são os 20% da população mundial que consomem 80% dos recursos naturais do planeta: principalmente os Estados Unidos, Canadá, os países da Europa e o Japão. Esses são os países que consomem 85% do alumínio produzido no mundo, 80% do papel, do ferro e do aço, 80% da energia comercial, 75% da madeira, 65% da carne, dos pesticidas e do cimento, 50% dos peixes e grãos e 40% da água doce disponível. E onde estão os 80% da população mundial que quase não consomem? Espalhados pela África, Índia e América Latina. Por isso, quando os relatórios dos cientistas da ONU alertam para o fato de a humanidade já consumir 20% a mais do que o planeta pode repor, eles escondem nos seus alertas os verdadeiros culpados, diluindo a responsabilidade entre todos os seres humanos, como se o consumo e as emissões de todos os países e de todas as pessoas fossem iguais. Mas não se engane: os responsáveis têm nome e endereço.
  • 45.
    45 Para rodas dereflexão e conversa (DISTRIBUIR AS FRASES POR GRUPOS) Em 2007, as duas pessoas mais ricas do mundo tinham mais dinheiro que a soma do PIB dos 45 países mais pobres. • 3 bilhões de pessoas sobrevivem no mundo com menos de US$ 2 por dia. • 1 bilhão de pessoas (o dobro da população da União Europeia) vivem em favelas ao redor do mundo. • Todos os setores estratégicos da economia mundial estão concentrados em 10 empresas. • As 952 maiores riquezas pessoais equivalem ao rendimento de 3 bilhões de pessoas (US$ 3,5 trilhões). • Dos 15 países integrantes do Conselho de Segurança da ONU, 5 são exatamente os 5 maiores produtores de armas. Conforme temos demonstrado, vemos o mundo de maneira partida e pensamos na natureza como se ela fosse uma máquina obrigada a nos servir. Além disso, a riqueza do mundo está muito concentrada, assim como o consumo e as emissões de gases que causam as mudanças no clima do planeta. Vimos que os países mais ricos são também os que mais consomem energia e os que mais emitem poluentes. Já os países mais pobres são os que menos consomem energia – os que menos consomem qualquer coisa, aliás –, os que emitem menos poluentes e os que apresentam os dados de maior desigualdade e exclusão social. Entretanto, esses países mais pobres estão ameaçados com as consequências das mudanças climáticas tanto quanto seus irmãos mais ricos. Na verdade, de certa maneira estão até mais ameaçados, já que os países pobres têm menos infraestrutura para lidar com os problemas relacionados às mudanças climáticas, como secas e enchentes. Vivemos, então, em um mundo partido ao meio, onde os países ou são pobres e sujos ou ricos e poluidores, onde uns poucos ficam com os benefícios do desenvolvimento e a maioria arca com seus malefícios. Mas vamos voltar ao relatório O estado do mundo 2010. Este documento afirma que, se nada for feito para mudar o atual padrão de consumo, será preciso mais meio planeta Terra em termos de recursos naturais, uma vez que consumimos hoje, em pleno século XXI, 20% a mais do que o planeta pode repor. Porém, se todos no mundo imitarem o modelo de consumo dos norte-americanos e europeus – e o mundo todo imita ou quer imitar esse padrão, até porque os veículos de comunicação de massa, como a televisão, nos dizem a toda hora que esse padrão traz felicidade –, então serão precisos de 4 a 5 planetas Terra para suprir a demanda por água, energia, minerais, madeira e outros recursos da natureza. Por isso, a humanidade encontra-se hoje num impasse, uma vez que o seu modelo de desenvolvimento econômico, com sua cultura de superconsumo e superpoluição, está esgotando e degradando os ambientes em velocidade acelerada. O número de extinções de espécies animais e vegetais tem aumentado assustadoramente, assim como a extinção de línguas e culturas tradicionais. Ou seja, estamos observando ao mesmo tempo a perda da biodiversidade e da sociodiversidade (ou diversidade cultural). Hoje, espécies são extintas num ritmo mil vezes maior que o natural, comprometendo a estabilidade dos ecossistemas ao redor do planeta e ameaçando a própria existência humana na terra. Os prejuízos são avaliados pelos especialistas da ONU em 5 trilhões de dólares anuais. O alerta dramático foi dado pelos 193 países que participaram da 10ª Conferência das Partes sobre Biodiversidade, chamada de COP 10, promovida pela ONU em Nagoya, no Japão, em outubro de 2010.
  • 46.
    46 Segundo os especialistas,a humanidade chegou num ponto limite, depois do qual não se terá mais condições viáveis de reverter o processo de extinção de espécies. Se nada for feito agora, ultrapassaremos este ponto em dez anos. Dessa forma, a meta da reunião foi fechar um acordo internacional para, em dez anos, interromper a destruição das bases da natureza, que sustentam a vida do homem e de todos os seres vivos. No caso da diversidade cultural, da riqueza cultural do planeta, os números da destruição não ficam atrás. Das 15 mil línguas fortes existentes quando Colombo navegou para a América em 1492, restam hoje cerca de 6.500. Sabe-se lá por quanto tempo, pois a diversidade de etnias e culturas humanas ocorre exatamente na faixa tropical do planeta, onde também se concentra a riqueza de biomas, ecossistemas, de animais e plantas, ou seja, da biodiversidade. Uma pesquisa apontou que, dos nove países nos quais 60% das 6.500 línguas remanescentes do mundo são faladas, seis aparecem também como centros de megadiversidade: México, Brasil, Indonésia, Índia, Zaire e Austrália. Além disso, dentre os 25 países com maior número de línguas endêmicas, ou seja, línguas que só existem ali e em nenhum outro lugar do mundo, 16 deles também tinham o número mais alto de espécies selvagens endêmicas. Em termos globais, há 10 mil grupos identificados com base na etnia, língua e religião, espalhados por mais de 168 países. E, apesar de reduzidas, essas línguas e culturas seguem fazendo resistência e lutando para não desaparecerem. Até aqui, falamos sobre nossos paradigmas científicos de separação e superexploração da natureza, como eles se formaram historicamente e aonde nos trouxeram. Ao mesmo tempo, notamos em que medida os problemas ambientais estão fortemente ligados aos problemas sociais e como são gerados a partir da estrutura do próprio sistema de desenvolvimento. Por isso, é preciso perceber que, mais que uma crise ambiental, o que vivemos agora se configura como um dilema civilizatório, um impasse da civilização humana, já que os problemas ambientais e sociais que vivemos hoje são estruturais, vêm de longa data, e derivam de modos de ver e se relacionar com a natureza e com os outros homens que precisam ser questionados e transformados, pois colocam em risco a sobrevivência de todos os seres vivos no planeta. Como continuar a se desenvolver enquanto sociedade humana, sem comprometer os recursos naturais das gerações futuras? Que cultura precisaremos desenvolver para continuarmos a existir? Há outros modelos de vida e de desenvolvimento, diferentes do modelo urbano-industrial, que não esgotam os recursos naturais nem degradam os ambientes na velocidade assustadora dos dias atuais? Até o final do livro, teremos chance de retomar essas questões. Podemos hoje, de modo bem sintético e simplista, dividir e classificar os tipos humanos do mundo em dois grandes grupos, com base no modo de vida, no modelo econômico e na cultura. De um lado, temos as conhecidas civilizações urbano-industriais, chamadas por alguns pesquisadores de povos biosféricos, ou seja, populações humanas que vivem em cidades interligadas por um mercado de consumo globalizado e homogêneo: consomem refrigerantes da Coca-Cola, sanduíches do McDonald’s, chocolates Nestlé, iPod da Apple etc. De outro lado, temos as etnicidades ecológicas, os chamados povos e comunidades tradicionais, representados pelos pescadores, quilombolas, indígenas, catadores de sementes, marisqueiros, entre outros grupos e comunidades que vivem nas chamadas culturas de habitats, num mundo rural, em estreita relação com os elementos naturais.
  • 47.
    47 As cidades eos problemas socioambientais locais e globais A poluição do ar, a poluição das águas, a poluição sonora, a poluição luminosa, a poluição visual, o lixo, as enchentes e os deslizamentos de encostas são os principais problemas socioambientais urbanos encontrados em todas as grandes cidades do mundo. Poluição do ar A poluição do ar gerada nas cidades de hoje é resultado, principalmente, da queima de combustíveis fósseis (carvão, gasolina e diesel), usados na geração da energia que alimenta os veículos e os setores industrial e elétrico de grande parte das economias do mundo. A queima destes produtos lança diariamente uma grande quantidade de gases poluentes na atmosfera, como o monóxido de carbono (CO), o dióxido de carbono (CO2) e o dióxido de enxofre (SO2), que podem inclusive causar chuva ácida e provocar o aquecimento do planeta. São Paulo, Tóquio, Nova York e Cidade do México estão na lista das cidades mais poluídas do mundo. O excesso de poluentes no ar das cidades gera vários problemas, especialmente para a saúde humana, como bronquite, asma, rinite e diversas alergias. Mas pode afetar também os ecossistemas, o patrimônio histórico e cultural do homem e até o clima, como nos casos da chuva ácida e do aquecimento global. Poluição sonora Ocorre quando, num determinado local, o volume dos sons é tão elevado que altera a condição normal de audição. O grande vilão é o ruído, o barulho excessivo provocado pelo som que vem das indústrias, dos canteiros de obras, das buzinas dos automóveis, dos motores dos ônibus e caminhões, das áreas de recreação, dos eventos de música, das igrejas etc. O excesso de som provoca efeitos negativos para o sistema auditivo das pessoas e também alterações comportamentais e orgânicas. Os efeitos mais negativos da poluição sonora na saúde do homem são: insônia, estresse, depressão, perda de audição, agressividade, perda de atenção e concentração, perda de memória, dores de cabeça, aumento da pressão arterial, cansaço, gastrite e úlcera, queda de rendimento escolar e no trabalho ou até mesmo surdez, em casos de exposição a níveis altíssimos de ruído.
  • 48.
    48 Poluição luminosa Existem trêstipos de poluição luminosa: o brilho no céu, o ofuscamento e a luz intrusa. O brilho no céu é um brilho alaranjado que pode ser visto acima das cidades, causado pelas luzes que se direcionam acima da linha do horizonte. Trata-se, portanto, do desperdício de iluminação artificial, que ilumina tudo, ao invés de focar apenas o chão, ou a fachada de um prédio, um hospital ou uma rua. O brilho no céu pode ser visto a quilômetros de distância e impede a visualização das estrelas e da via láctea. O segundo tipo de poluição luminosa é o ofuscamento, provocado pela luz direta nos olhos, que ofusca momentaneamente a visão. Os faróis dos carros são os grandes vilões do ofuscamento, mas a luz de um holofote de show de rock na praia, por exemplo, também entra nesta lista. O terceiro tipo refere-se à luz que brilha de um lugar para outro lugar onde ela não é necessária, como a luz de uma placa na fachada de um prédio que fica acesa a noite toda e ilumina bem em cima da cama de uma pessoa. Essa é a chamada luz intrusa, que atravessa portas e janelas, invade o ambiente e causa desconfortos diversos. A poluição luminosa pode causar impactos sociais, ambientais, econômicos e científicos. Locais com alta iluminação noturna podem prejudicar a qualidade do sono das pessoas, provocar insônia, irritabilidade, cansaço, perda de memória e muito estresse. Também causa impactos na vida de muitos animais, provocando mudanças na orientação de voo, caça, reprodução, migração e comunicação das espécies. Além disso, essa forma de poluição dificulta a visualização das estrelas nas cidades. Estima-se que mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo não enxergam mais a via láctea. Quanto aos impactos econômicos e científicos diretos, calcula-se que são desperdiçados nos Estados Unidos anualmente US$ 2 bilhões com iluminação ineficiente. Na área científica, um aumento de 25% na iluminação noturna ocasiona uma perda de quase US$ 20 milhões para a astronomia, diz a Nasa. Poluição visual É uma forma de poluição relacionada ao excesso de elementos visuais presentes nas ruas das cidades. Esse excesso de elementos visuais pode estar ligado à comunicação e à propaganda, como cartazes, anúncios, banners, totens, placas, letreiros luminosos e outdoors, que aparecem especialmente em centros comerciais e de serviços. Pichações em muros e prédios, excesso de fios de eletricidade ou telefônicos, edifícios e casas caindo aos pedaços e sem manutenção, lixo exposto a céu aberto são também elementos de poluição visual observados nas cidades. Lixo Nas sociedades urbano-industriais, o lixo está em toda parte: no solo, na água dos rios, do mar, no ar, no espaço, e também espalhado pelas ruas das cidades. Esse lixo é proveniente de diversas fontes: indústrias, residências, escolas, hospitais, prédios públicos, comércio etc. Calcula-se que cerca de 30% de todo o lixo produzido nas cidades fica nas ruas e acaba por entupir os bueiros e as galerias de águas pluviais, provocando o alagamento das vias públicas durante as tempestades e o caos em que se transformam as cidades nessas ocasiões. Se jogado em encostas, mantém o solo úmido, podendo gerar deslizamentos e escorregamentos de terras. O lixo acumulado também provoca a disseminação de vetores de doenças, como ratos, baratas, mosquitos, moscas e outros insetos, ocasionando o aparecimento de doenças como a leptospirose (transmitida pelos ratos) e a dengue (transmitida por mosquitos).
  • 49.
    49 Enchentes As enchentes, geralmente,são calamidades naturais que ocorrem quando um curso d’água recebe um volume de água superior ao que pode comportar, resultando em transbordamentos. Podem ocorrer em lagos, rios, córregos e mares devido a chuvas fortes e contínuas. Mas nas cidades, as enchentes, na maioria das vezes, ocorrem como consequência da ação humana. As principais causas são: desmatamentos; assoreamento do leito dos rios; alto grau de impermeabilização do solo, devido ao calçamento das ruas e calçadas com asfalto e concreto; lixo, que entope os bueiros e galerias de águas pluviais, impedindo a dispersão das águas; e a retificação dos rios: na natureza, os rios são curvilíneos, ou seja, caminham como uma serpente. Esse trajeto diminui muito a velocidade da água. Retificá-lo significa aumentar sua velocidade, podendo ocasionar transbordamentos. Asconsequênciassãodiversas:mortedepessoas;doenças(comoaleptospirose,porexemplo);engarrafamentos no trânsito, provocados por alagamentos nas ruas; alagamento de prédios e desmoronamentos. Deslizamentos de encostas Ocorrem devido ao desmatamento das encostas e à ocupação humana dos morros. Sem a vegetação, o solo fica vulnerável à ação das chuvas e acaba escorregando ou deslizando com a força das águas. O lixo jogado nas encostas dos morros também influencia, pois aumenta a retenção de umidade e o encharcamento do solo, potencializando o risco de deslizamentos de terra. Os maiores impactos são sociais: soterramento de casas, vias públicas, danos ao patrimônio individual ou coletivo. REFLETINDO E DISCUTINDO Os problemas locais das cidades, no entanto, não são tão isolados quanto pensamos. O estilo de vida de uma civilização urbano-industrial causa impacto não só no ambiente onde ela se localiza nem atinge apenas seus moradores. Muitas vezes, o que se observa é que a poluição produzida num local, numa região, ou mesmo num país atinge os seus vizinhos também, e, o que é mais danoso, atinge o planeta como um todo, como é o caso do aquecimento global, da chuva ácida e do buraco na camada de ozônio. Estes são apenas três exemplos de problemas socioambientais globais produzidos pelas civilizações urbano-industriais, mas há uma lista enorme deles.
  • 50.
    50 As cidades eos problemas socioambientais globais Há algumas grandes questões socioambientais que ocupam as atenções dos governantes, políticos, cientistas, ecologistas e órgãos internacionais como a ONU e a OMS. A seguir estão alguns problemas que constituem o que se poderia chamar de agenda do dia internacional, aparecendo cada vez mais em matérias de jornais, televisão e revistas. Vejamos quais são eles. Mudanças climáticas Este assunto está nas agendas internacionais desde 1987, quando o Programa de Meio Ambiente da ONU (Pnuma) criou um grupo de trabalho para estudá-lo. No entanto, ele só ganhou popularidade mundial em 2006, após o lançamento do filme Uma verdade inconveniente, do ex-vice-presidente norte-americano Al Gore. Hoje, está na pauta de todos os jornais mundiais, dos mais sofisticados aos mais populares. Os grandes vilões do aquecimento global são: a queima de combustíveis fósseis (carvão, gasolina e óleo diesel) por veículos, termoelétricas, siderúrgicas e indústrias; as queimadas de vegetação e de lixo. Essas atividades lançam diariamente grandes quantidades de gases poluentes na atmosfera, muitos deles capazes de reter calor, que são chamados pelos cientistas de GEE, ou seja, gases de efeito estufa. Os principais GEEs e suas respectivas participações no aumento da temperatura do planeta são: • dióxido de carbono ou gás carbônico (CO2): 50%; • metano (CH4): 15%; • óxido nitroso (N2O): 10%; • ozônio (O3), hidrocarbonetos halogenados (CFCs e hálons): 25%. Os países que mais emitem CO2 para a atmosfera e que, portanto, mais provocamoaquecimentoglobalsão:EstadosUnidos,Canadá,Japão,Alemanha, Inglaterra, França e outros países da Europa – exatamente as nações mais ricas. Mais recentemente, a China se juntou ao grupo dos grandes poluidores mundiais. Os setores que mais emitem GEEs são a agropecuária (32%), as termoelétricas e indústrias (38%) e os transportes (14%). Os gases estufa aprisionam o calor dos raios solares na atmosfera, que passa a ficar mais quente. Um mundo mais quente provoca o degelo das calotas polares e o aumento da quantidade de água doce no mar. Isso influencia as correntes marinhas, que influenciam o clima e a formação ou não de nuvens de chuva. Resultado: secas e inundações em muitos países, tufões, furacões, tempestades de raios, fome e miséria em outros. Ou seja, o problema ambiental se torna, na verdade, um problema social e de impacto global.
  • 51.
    51 Rompimento da camadade ozônio A camada de ozônio é uma região da atmosfera terrestre em torno de 25 a 30 km de altura, onde a concentração do gás ozônio é maior, e que protege a Terra dos raios ultravioletas do Sol. Produtos químicos lançados na atmosfera pelo homem estão abrindo um buraco gigantesco nessa camada. Os produtos químicos mais perigosos, nesse caso, são os clorofluorcarbonos, ou CFCs, gases muito usados em geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, sprays e na aviação. Figura 5: Imagens da Nasa mostrando a evolução do buraco da camada de ozônio. Chuva ácida Cerca de 120 trilhões de m3 de água descem dos céus todos os anos. Isso é bom, já que a água é um elemento fundamental à existência da vida. Porém, em certos pontos da Terra, principalmente naqueles que concentram muitas atividades industriais, a chuva tornou-se envenenada com ácidos. Assim, a poluição gerada pela nossa sociedade pode também envenenar a chuva, assim como todas as formas de precipitação: a neve, o granizo e até mesmo a neblina. Os principais agentes químicos causadores dessa acidez da chuva são alguns gases poluentes: certos óxidos, como o dióxido de enxofre (SO2) e os óxidos de nitrogênio (NO e N2O). Esses gases são formados a partir da queima de combustíveis fósseis, como o carvão, a gasolina e o óleo diesel, provenientes das indústrias, siderúrgicas, termoelétricas e automóveis. A queima de lixo também lança gases poluentes e acidificantes para a atmosfera. Uma vez na atmosfera, esses gases poluentes reagem com o vapor d’água presente nas nuvens e formam três ácidos: o ácido sulfúrico (H2SO4) e os ácidos nítrico e nitroso (HNO3 e HNO2). Uma vez formados, esses ácidos descem para a superfície da terra acompanhando as chuvas, as nevascas e as neblinas. Dependendo do nível de concentração desses poluentes, a chuva pode matar peixes e outras formas de vida aquática, corroer edifícios e monumentos públicos, prejudicar florestas e plantações, contaminar o solo e ameaçar a saúde humana e animal. Onde o ácido cair, causará dano. O dióxido de enxofre (SO2), por exemplo, dependendo da sua quantidade, causa danos na vegetação em apenas oito horas de exposição, além de doenças crônicas do pulmão, como bronquites. Estima-se hoje que, por ação do homem, sejam lançados à atmosfera de 75 a 100 milhões de toneladas de enxofre por ano e cerca de 20 milhões de toneladas de nitrogênio, que formam os principais gases liberados pela queima de combustíveis fósseis. Como os poluentes presentes no ar podem ser carregados pelos ventos e viajar milhares de quilômetros, as chuvas ácidas podem cair a grandes distâncias das fontes poluidoras, prejudicando outras cidades, estados e até mesmo outros países.
  • 52.
    52 Destruição dos ecossistemas Asflorestas e outros ambientes naturais estão sendo destruídos pela ação das civilizações urbano- industriais. Isso tem ocorrido principalmente nas regiões tropicais do planeta, que são as mais ricas em diversidade de espécies, e na costa oeste dos Estados Unidos e Canadá. As principais causas são: desmatamentos para instalação de fábricas, plantações, mineradoras e residências; chuva ácida; atividade de extração de madeira para construção civil ou movelaria; poluição (da água, do ar e do solo); mudanças climáticas. Em Madagascar, na África, a devastação de 93% das florestas tropicais transformou regiões exuberantes em deserto. Na América, há mais de 3 mil madeireiras atuando diariamente. Para cada árvore retirada, os madeireiros danificam pelo menos outras 15 árvores. Segundo dados oficiais, até 2050 a cobertura florestal da Amazônia brasileira deve perder 2,1 milhões de quilômetros, uma área maior que a do México. As principais consequências são: extinção de muitas espécies animais e vegetais, que poderiam ser úteis na produção de remédios; degradação das matas ciliares, que ameaça a qualidade e a quantidade da água doce disponível para consumo; diminuição da produção de alimentos, já que muitas espécies cultivadas dependem de animais polinizadores, como as abelhas e as vespas, para a geração de frutos e sementes; aumento de doenças e epidemias; instabilidade social, política e econômica. Perda da biodiversidade Entre as principais causas da perda de biodiversidade, podemos citar: destruição e diminuição dos habitats naturais; introdução de espécies exóticas e invasoras; exploração excessiva de espécies animais e vegetais pelo mercado; caça e pesca sem critérios; tráfico da fauna e flora silvestres; poluição do solo, água e atmosfera; ampliação desordenada das fronteiras agropecuárias dentro de áreas nativas; mudanças climáticas e aquecimento global. A taxa de extinção de espécies hoje é mil vezes maior que a natural e custa cerca de US$ 5 trilhões por ano. Estima-se que em torno de 150 espécies sejam extintas diariamente. As espécies de anfíbios (sapos, rãs e pererecas) são as mais ameaçadas. Como consequência dessa perda temos: diminuição na variedade de alimentos produzidos; maior vulnerabilidade dos ecossistemas a desastres naturais; redução e restrição do uso de energia; diminuição da oferta e distribuição irregular de água potável; aumento de doenças e epidemias; instabilidade social, política e econômica. Desertificação É um fenômeno em que determinado solo é transformado em deserto, através da ação humana ou de um processo natural. Na desertificação, a vegetação diminui ou acaba totalmente e o solo perde suas propriedades, tornando-se infértil. Os desmatamentos, o uso intensivo do solo por atividades agropecuárias predatórias e os projetos de irrigação mal conduzidos são os principais agentes causadores da desertificação. A desertificação causa vários problemas e prejuízos para o ser humano: a formação de áreas áridas e secas prejudica a produção de alimentos, provoca a erosão do solo, aumenta a temperatura local e diminui o nível de umidade do ar, causando problemas de saúde como dificuldades respiratórias, ressecamento das mucosas, alergias, desidratação etc.
  • 53.
    53 Os ecossistemas tambémsão impactados com este processo, pois a formação de desertos elimina a vida de milhares de espécies de animais e vegetais, modificando radicalmente o ambiente da região afetada. As regiões áridas, semiáridas e de terras secas ocupam mais de 37% de toda a superfície do planeta, abrigando mais de 1 bilhão de pessoas, ou seja, 1/6 da população mundial, cujos indicadores são de baixo nível de renda, baixo padrão tecnológico, baixo nível de escolaridade e ingestão de proteínas abaixo dos níveis aceitáveis pela OMS. A desertificação ocorre em mais de cem países do mundo por isso é considerada um problema global e vem aumentando significativamente nas últimas décadas. No Brasil, existem quatro áreas que são chamadas Núcleos de Desertificação, onde é intensa a degradação. Elas somam 18,7 mil km² e se localizam nos municípios de Gilbués, no Piauí; Seridó, no Rio Grande do Norte; Irauçuba, no Ceará; e Cabrobó, em Pernambuco. Poluição dos oceanos O oceano, berço da vida e um dos principais produtores de oxigênio do planeta, também está sendo poluído pelas ações humanas. As cidades costeiras poluem os mares lançando nas águas esgoto e outros resíduos urbanos. Além disso, os oceanos são contaminados por produtos químicos resultantes da atividade agrícola ou industrial. Objetos de plástico também são lançados em grande quantidade nos oceanos e permanecem no ambiente por séculos. Uma pesquisa recente em quarenta praias da Inglaterra mostrou que 1/3 da água era feita de polímeros , ou seja, plástico, que podem matar animais aquáticos por sufocamento, quando engolidos ou retidos nas brânquias. Mas, dos agentes poluidores associados com a atividade humana, um dos mais temidos é o petróleo. Quando derramado no mar, o petróleo dificulta a entrada de luz e compromete a fotossíntese feita pelas algas. Consequentemente, todo o equilíbrio ecológico do planeta é afetado, já que as algas são as maiores produtoras do oxigênio que respiramos. A principal consequência da poluição oceânica é o comprometimento da comunidade aquática, podendo haver contaminação, sufocamento e morte de animais e até mesmo extinção de espécies. Acredita-se que mais de 50% dos ecossistemas marinhos já estejam, de alguma forma, afetados pela presença humana. Poluição e falta de água doce É bom lembrar que apenas 2,5% de toda a água existente no planeta Terra são de água doce. Dessa pequena fração, apenas 0,002 pode ser usado para abastecimento humano. As principais causas da poluição e da escassez de água doce são: o envenenamento por agrotóxicos, mercúrio de garimpo, lixo, rejeitos industriais e domésticos, mineração sem controle, aterros de nascentes e retiradas de vegetação ciliar. Entre os anos de 1990 e 1995, observou-se que a necessidade por água doce havia aumentado cerca de duas vezes mais que a população mundial. Isso ocorreu devido ao alto consumo de água em atividades industriais e agropecuárias. Juntos, esses setores da economia consomem hoje 92% de toda a água doce disponível. Os agrotóxicos e outros produtos químicos causam envenenamentos e doenças como cânceres, problemas no sistema nervoso e no fígado; o lixo acaba indo parar no mar, prejudicando a vida marinha; o esgoto doméstico jogado frequentemente nos corpos d’água, muitas vezes sem tratamento algum, espalha diversas doenças, como diarreia, cólera, esquistossomose, hepatite e febre tifoide, que chegam a matar mais de 5 milhões de pessoas por ano, principalmente crianças.
  • 54.
    54 A poluição daságuas doces prejudica a produção de energia, a navegação e a irrigação agrícola, entre outros problemas. Mas a falta de água para beber, para o banho, para o cozimento de alimentos é diretamente sentida pelas famílias. Esse problema já é uma realidade para muitos países: em 2000, aproximadamente 2 bilhões de pessoas enfrentavam falta d’água no mundo – mas não devido a causas naturais. A destruição da diversidade étnica do planeta Significa a extinção de povos, línguas e culturas. Das 15 mil línguas fortes existentes quando Colombo navegou para a América em 1492, restam hoje cerca de 6.500. Sabe-se lá por quanto tempo, pois a diversidade de etnias e culturas humanas ocorre exatamente na faixa tropical do planeta, onde também se concentra a riqueza de biomas, ecossistemas, de animais e plantas, ou seja, da biodiversidade. Aprincipalcausaestárelacionadacomaperdadeterritórioedasterrastradicionalmente ocupadas, seja para a instalação de projetos industriais, de mineração, agropecuários, madeireiros, de turismo, ou para a demarcação de parques e reservas. Isso acarreta a desorganização dos modos tradicionais de vida, levando à extinção de povos e culturas, à perda da diversidade cultural e ao empobrecimento e à homogeneização cultural do planeta. Embora causem danos ao ambiente, destruição de patrimônio cultural e natural e ameacem a saúde de homens e animais, todos os chamados problemas socioambientais locais e globais são causados por atividades humanas. Entretanto, tais problemas não atingem as pessoas da mesma maneira nem com a mesma intensidade. Também não é igual a responsabilidade dos países na geração de suas causas. Mas veja, isso é o esperado, porque a distribuição desigual dos riscos, desvantagens e danos por classe social é uma consequência normal das economias modernas, que distribuem mercadorias e serviços com base na riqueza. Com isso, os benefícios econômicos da produção (mais ofertas e oportunidades, os melhores e mais exclusivos produtos, tecnologias e serviços) tendem a ficar concentrados nos países mais ricos e nas camadas sociais mais altas. Inversamente, os danos e riscos ambientais gerados pela produção de mercadorias e de serviços tendem a se concentrar nos países mais pobres e nas camadas inferiores do sistema. E apesar de haver leis que determinam o controle da poluição, buscando a garantia da integridade dos ambientes e da saúde das pessoas, as consequências das mudanças climáticas, da chuva ácida, da poluição química do solo e da água, da desertificação, das enchentes e deslizamentos, por exemplo, tendem a ser mais sentidas pelas populações mais vulneráveis (os mais pobres). Esses são os grupos sociais que estão, normalmente, sob maior risco de serem impactados e de sofrerem danos, caso alguma coisa séria ocorra no ambiente (local ou global), uma vez que vivem em ambientes mais próximos das fontes de poluição, em locais onde falta água encanada, coleta de lixo e tratamento de esgoto, serviços básicos de saúde, segurança etc.
  • 55.
    55 DICA DE FILME Osolhos fechados da América Latina é um documentário dirigido por Miguel Mirra que foi a sensação do Festival Internacional de Cinema Ambiental de 2008. Ele é baseado no livro As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, e mostra uma América Latina submetida ao saque e à poluição provocados por empresas multinacionais e estrangeiras, que exploram sem controle os recursos naturais do México, Colômbia, Peru, Guatemala, Uruguai, Argentina e Brasil. Nele, é possível ver a mineração a céu aberto, as grandes plantações de soja, as monoculturas, a depredação dos solos, florestas e rios, a devastação dos peixes. E, afinal, a estreita relação entre o saque dos recursos naturais, a contaminação do ambiente, o modelo de exploração das empresas multinacionais e a extinção de povos e culturas tradicionais, indígenas e não- indígenas, na América Latina. (Atividade de casa para discussão) REFERÊNCIA BIBLIOGRÀFICA Moutinho da Costa, L. Cultura é natureza: tribos urbanas e povos tradicionais. Rio de Janeiro, Garamond, 2011. Cap. 1, 3 e 5 CONSUMO SUSTENTÁVEL: Manual de educação. Brasília: Consumers International/ MMA/ MEC/IDEC, 2005. 160 p.
  • 56.
    56 COMO PODEMOS FAZERA NOSSA PARTE? Todos nós podemos contribuir para minimizar os problemas causados pelo lixo com pequenas ações no dia-a-dia. Veja algumas dicas: • pensar se realmente precisamos de determinados produtos; • comprar somente o necessário para o consumo, evitando o desperdício; • planejar a compra de alimentos para não haver desperdício, dimensionando a compra de produtos perecíveis com as reais necessidades da família e com as possibilidades de uso; • comprar produtos duráveis e resistentes, evitando comprar produtos descartáveis; • reduzir a quantidade de pacotes e embalagens; dar preferência para produtos vendidos a granel; levar sacolas ou carrinho de feira para carregar as compras, em substituição às sacolas oferecidas nas lojas e supermercados; colocar o máximo de produtos numa mesma sacola, evitando o uso de duas sacolas sobrepostas; evitar a compra de sacos de lixo, utilizando as sacolas plásticas que embalam as compras); • comprar produtos cujas embalagens são reutilizáveis e/ou recicláveis; • comprar produtos reciclados e/ou que a embalagem seja feita de um material reciclado; • escolher produtos de empresas certificadas (ISO 9000 e 14000), que desenvolvem programas socioambientais e/ou que sejam responsáveis pelos produtos pós-consumo; • evitar a compra de produtos que possuem elementos tóxicos ou perigosos; • emprestar ou alugar equipamentos que não são usados com frequência, ao invés de comprá-los; • consertar produtos em vez de descartá-los e substituí-los por novos; • doar produtos que possam servir a outras pessoas; • reutilizar materiais e embalagens; • separar os materiais recicláveis e encaminhá-los para artesãos, catadores, entidades ou empresas que reutilizarão ou reciclarão os materiais; • fazer sua própria compostagem, quando for possível;
  • 57.
    57 • organizar-se em seutrabalho/escola/bairro/comunidade/igreja e iniciar um projeto piloto de separação de materiais recicláveis; • organizar-se junto a outros consumidores para exigir produtos sem embalagens desnecessárias, como também vasilhames reutilizáveis ou recicláveis; • evitar gastos de papel e outros materiais desnecessários ao embrulhar presentes; • evitar a queima de qualquer tipo de lixo; se não houver coleta no seu bairro, enterre o lixo em vez de queimá-lo; • evitar a compra de cadernos e papéis que usam cloro no processo de branqueamento; • não descartar remédios no lixo; o mesmo vale para material usado em injeções e curativos feitos em casa. Procure com o seu farmacêutico ou nos postos de saúde uma alternativa de descarte mais adequada; • ler os rótulos dos produtos para conhecer as suas recomendações ou informações ambientais; • usar detergentes e produtos de limpeza biodegradáveis; • utilizar pilhas recarregáveis ou alcalinas;
  • 58.
    58 Roteiro de diagnósticosocioambiental LOCAL 1. Que tipos de atividades de lazer estão disponíveis em seu bairro? ( ) Rádio local ( ) Praças ( ) Cinemas ( ) Museus ( ) Turismo ( ) Outros. Quais? 2. Qual a principal atividade econômica de sua região? ( ) Industrial ( ) Ligada à exploração de petróleo ( ) Artesanal ( ) Piscicultura ( ) Agrícola ( ) Pecuária ( ) Outras. Identifique 3. Na sua região existem parques ou unidades de Conservação? Identifique. 4. Identifique as principais doenças que atingem sua comunidade: ( ) Dengue ( ) Verminoses ( ) Gripe ( ) Cólera ( ) Outras. Identifique 5. Classifique os serviços disponíveis em sua região (1-ótimo, 2- bom, 3- regular,4- ruim, 5-péssimo): ( ) Transporte ( ) Pavimentação urbana ( ) Coleta de lixo ( ) Saneamento ( ) Moradia ( ) Hospitais e postos de saúde ( ) Escola
  • 59.
    59 6. A comunidadelocal discute seus problemas procurando soluções? ( ) Sim ( ) Não 7. Identifique as instituições que participam na solução de problemas locais: ( ) Escolas ( ) Prefeitura ( ) Igrejas ( ) Associação de moradores ( ) ONGs ( ) Outros. Identifique. Roteiro de diagnóstico socioambiental RESÍDUOS SÓLIDOS 1. Você consegue identificar o tipo de lixo mais encontrado na sua área? Quanto à origem: Domiciliar SIM ( ) NÃO ( ) Industrial SIM ( ) NÃO ( ) Serviços de Saúde SIM ( ) NÃO ( ) Vias Públicas SIM ( ) NÃO ( ) Construção Civil SIM ( ) NÃO ( ) Outros: ___________________________ Quanto ao material: Papel SIM ( ) NÃO ( ) Latas/Metal SIM ( ) NÃO ( ) Garrafas Pet SIM ( ) NÃO ( ) Vidros SIM ( ) NÃO ( ) Plásticos SIM ( ) NÃO ( ) Sucatas SIM ( ) NÃO ( ) Matéria orgânica SIM ( ) NÃO ( ) Outros: ___________________________ 2. Indentifique o tipo de recolhimento de lixo. E a frequência. Tipo Sim Não Quem faz Qantas vezes por semana Coleta Domiciliar Coleta Seletiva Varrição de Ruas Coletores/Catadores Outros
  • 60.
    60 3. Caso nãohaja coleta de lixo, aonde este é descartado: ( ) Terreno baldio ( ) Encosta ( ) Rua ( ) Outros. Qual? __________________ ( ) Quintal 4. Identifique o destino dado ao lixo de sua comunidade após ser coletado: Aterro Sanitário SIM ( ) NÃO ( ) Lixão SIM ( ) NÃO ( ) Incineração SIM ( ) NÃO ( ) Outros: _________________________________ 5. Há lixeiras pelas ruas? ______________________ Estão em quantidade suficiente? _________________ 6. Numere em ordem crescente de gravidade, porque o lixo é um problema para você. (use o numeral 1 para o mais grave). ( ) Por causa do mau cheiro. ( ) Porque atrai animais como ratos, baratas e outros insetos. ( ) Porque torna o ambiente feio. ( ) Porque desvaloriza a comunidade. ( ) Porque causa doenças. ( ) Outros. O que? ____________________________________________ 7. Há alguma indústria, empresa ou comércio que seja responsável pela produção de parte deste lixo? Que empresa / indústria? _____________________________________________ Que tipo de lixo ela produz?____________________________________________ Em que quantidade este lixo é produzido? ( ) Muito ( ) Pouco 8. Há alguma empresa e/ou cooperativa que utilize o lixo produzido para fins de reciclagem ou reutilização? ___________________________________________ 9. Há alguma ação de reciclagem ou reutilização do lixo, individual ou coletiva de pessoas da escola ou comunidade? __________________ Qual? _______________________ 10. Há algum projeto do governo que envolva reciclagem ou reutilização do lixo em sua escola ou comunidade? Qual? _______________________
  • 61.
    61 1. A suacomunidade possui água encanada? ( ) Sim ( ) Não 2. De onde vem a água utilizada na sua comunidade? ( ) Rio ( ) Cisterna ( ) Lago ( ) Caminhão-pipa ( ) Poço ( ) Outros 3. Onde a água é armazenada em sua casa? ( ) Caixa d’água ( ) Cisterna ( ) Poço ( ) Outros ___________________________ 4. Existem problemas de falta d’água em sua comunidade ? ( ) Não ( ) Sim, semanalmente ( ) Sim, mensalmente ( ) Sim, eventualmente 5. O que acontece na sua rua quando chove? ( ) Nada, a água desce pelos bueiros ( ) Enche, mas não muito ( ) Alaga completamente ( ) A rua é uma ladeira que se transforma em um rio ( ) Outra situação ____________________ Roteiro de diagnóstico socioambiental ÁGUA E ESGOTO
  • 62.
    62 6. Você consegueidentificar se existe alguma fonte de contaminação da água? ( ) Não existe ( ) Agrotóxicos ( ) Lixo ( ) Esgoto ( ) Metais pesados ( ) Resíduos e efluentes industriais ( ) Outros ___________________________ 7. A água que sua comunidade bebe recebe algum tipo de tratamento? ( ) Não ( ) Ela já vem tratada com cloro pela CEDAE ( ) A água é filtrada em casa ( ) A água é fervida em casa ( ) A água recebe cloro em casa ( ) Outros _________________________ 8. Sua comunidade participa de alguma discussão envolvendo o tema qualidade da água? ( ) Sim ( ) Não 9. Quem participa? ( ) Associação de moradores ( ) Todos os moradores ( ) ONGs locais ( ) Lideres da comunidade ( ) Igreja ( ) Políticos 10. Na região onde você mora existem Comitês de Bacia Hidrográfica organizados? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não consegui informação 11. O que acontece na sua comunidade com o esgoto (da privada)? ( ) É coletado ( ) É jogado em sumidouro no solo ( ) É jogado diretamente nas ruas ( ) É jogado diretamente nos rios ( ) É jogado diretamente no mar ( ) Outros _________________________
  • 63.
    63 12. Quem éresponsável pela coleta? 13. Recebe algum tipo de tratamento? ( ) Não ( ) Fossa séptica ( ) Sumidouro ( ) Biodigestor ( ) Estação de tratamento de esgotos (ETE) Outros ___________________________ 14- Existe algum rio ou córrego passando próximo à sua comunidade? ( ) Sim ( ) Não, nunca existiu ( ) Já existiu, mas secou com o tempo ( ) Sim, mas se encontra canalizado 15- Qual a situação atual dele? ( ) Ele está muito limpo ( ) Ele está um pouco contaminado/sujo ( ) Ele está completamente contaminado/sujo 16- Se estiver contaminado/sujo, você sabe indicar a sua fonte poluidora? ( ) Não sei identificar, pois ele já chega sujo à comunidade ( ) Esgoto domiciliar ( ) Esgoto industrial ( ) Esgoto hospitalar ( ) Lixo Outros ___________________________
  • 67.
    67 BREVE HISTÓRIA DORÁDIO 1887 O cientista alemão Rudolf Hertz provou a existência das ondas de rádio criando aparelhos emissores e detectores de ondas de rádio. Neste mesmo ano o alemão Emil Berliner inventou o gramofone, que servia para reproduzir som gravado utilizando um disco plano. 1893 Poucos brasileiros sabem mas o padre gaúcho Roberto Landell de Moura inventou diversos aparelhos importantes para a história do rádio que foram expostos ao público de São Paulo. Padre Landell foi o precursor da transmissão de vozes e ruídos, o que posteriormente viria a ser o rádio. 1897 Marconi ganhou a patente inglesa para o telégrafo sem fio. Oliver Lodge inventou o circuito elétrico sintonizado, que possibilitou a mudança de sintonia, selecionando a freqüência desejada. Lee Forest desenvolveu a válvula Tríodo. Von Lieben, na Alemanha, e Armstrong, nos Estados Unidos, empregaram o Tríodo para amplificar e produzir ondas eletromagnéticas de forma contínua. 1916 Lee Forest instala a primeira “estação estúdio” de radiodifusão na cidade de Nova York, transmitindo conferências, música clássica ao vivo e gravações, além de transmitir as apurações eleitorais para a presidência dos Estados Unidos. 1920 Um engenheiro da companhia Westinghouse montou um transmissor radiofônico em casa, dando origem ao rádio como o conhecemos hoje. Surge o microfone a partir da ampliação dos recursos do bocal do telefone por um engenheiro da Westinghouse. Foi a própria Westinghouse que fez nascer a radiodifusão ao instalar em seu pátio uma grande antena para transmitir música para os moradores do bairro. Com o término da primeira guerra mundial, a Westinghouse, que fabricava os aparelhos de transmissão para o exércitoamericano,ficoucomumgrandeestoquedeaparelhosqueforam,então, comercializados. 1938 Transmissão por Orson Welles de um programa radiofônico baseado na novela literária “A Guerra dos Mundos” de H.G.wells, que causou pânico em Nova York, em razão de os ouvintes acreditarem que os marcianos estavam invadindo a Terra, como alardeava o programa sem avisar que tratava- se de ficção. Demonstra-se assim que o rádio além de emissor de informação e entretenimento é também um agente indutor de comportamentos. 1947 A invenção do transistor revolucionou o rádio, que deixa de ser um móvel da sala e torna-se nômade como os ouvidos, passando a estar em qualquer espaço.
  • 68.
    68 O RÁDIO NOBRASIL 1922 A primeira transmissão radiofônica foi no Rio de Janeiro, durante as comemorações dos cem anos da independência do Brasil com o discurso do então presidente Epitácio Pessoa para os auto- falantes instalados no centro da cidade. 1923 Fundação da Rádio sociedade do Rio de Janeiro por Roquete Pinto e Henrique Moritz. Até os anos 30 o rádio era privilégio das elites.Todas as emissoras chamavam-se clubes e sociedades porque eram clubes e associações sustentadas pelos sócios. Transmitiam somente 4 horas de programação, os receptores eram caros e importados. 1932 O rádio entra na era comercial. Antônio Nássara, cartunista e compositor, improvisa um fado ao vivo para anunciar uma padaria do Rio do janeiro – está criado o primeiro jingle do rádio brasileiro. Na década de 30, com Getúlio Vargas no poder, foram criadas as regras oficiais da radiodifusão no Brasil. A partir de 1934, o governo federal passou a exigir um novo tipo de licença (concessão) dos interessados em colocar uma rádio no ar. Determinou-se que as concessões seriam renovadas a cada 15 anos e as emissoras funcionariam segundo leis específicas. Vargas foi o primeiro político brasileiro a perceber a capacidade de alcance do rádio em um país com a dimensão do Brasil. 1937 Entra no ar o programa “A Voz do Brasil” (“ Hora do Brasil”), criado para ser o divulgador oficial das ações do governo. 1940 Getúlio Vargas assume o controle da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que vem a se tornar a maior emissora do país, influenciando definitivamente a linguagem e o modo de se produzir rádio no Brasil. Surgem os programas de auditório, os cantores e cantoras que arrastam multidões, programas humorísticos, jornalísticos e as rádios novelas com apuro técnico e sonoplastia. 1941 O Brasil entra na ll Guerra e a Rádio Nacional do Rio de Janeiro coloca no ar o primeiro “Repórter Esso”, com informes sobre o desenrolar da guerra. Os dois bordões principais do noticiário ficaram para sempre na memória do rádio brasileiro: “O primeiro a dar as últimas”, “testemunha ocular da história.” A maior contribuição do “Repórter Esso” foi introduzir no rádio brasileiro o noticiário adaptado para a linguagem radiofônica (até então era somente a leitura das notícias dos jornais) e com horários regulares. Lança no Brasil o primeiro guia de radiojornalismo.
  • 69.
    69 A forte credibilidadedo “Repórter Esso” foi resultado em boa parte da locução de Heron Domingues: “ O ritmo das frases para valorizar a informação e a interpretação do texto para conseguir atrair e cativar o ouvinte.” 1948 - O transistor chega ao Brasil. Os receptores tornam-se portáteis e mais baratos. O rádio torna-se nômade como os ouvidos. 1974 Surge em Vitória, Espírito Santo, a Paranóica FM, talvez a primeira rádio FM a ir ao ar no Brasil. A banda FM e o transistor causam forte impacto tanto na linguagem do rádio como também no modelo de negócio desta mídia. 1981/1984 Surgem as primeiras Rádios Livres, embrião das rádios comunitárias, em Sorocaba, interior de São Paulo, montada por estudantes secundaristas, com algum conhecimento de eletrônica e sem pretensões política, da escola técnica da cidade. Eram basicamente musicais, transmitiam em FM, não tinham horários nem programas fixos, contestavam e parodiavam a programação das FMs locais. O movimento de rádios livres de Sorocaba teve seu apogeu entre 1981 e 1984. 1982 Surge a Fluminense FM, “A Maldita” . Com uma linguagem original e só com locução feminina ela revoluciona o dial . Sua programação musical só tocava o que as outras rádios não tocava e isto incluía gravações demonstrativas de bandas desconhecidas: ela lançou por exemplo Legião Urbana, Paralamas do sucesso, Lobão, Capital inicial, Kid Abelha e etc. Popularizou pela primeira vez um programa diário sobre meio ambiente. 1985 Entra no ar a Rádio Xilik, inspirada na experiência das rádios livres italianas e francesas. A Xilik, produzida por estudantes da PUC de São Paulo, com transmissor instalado clandestinamente no campus. A Xilik surge principalmente como ato político que contestava a política de concessões de rádio da ditadura militar. Esta experiência teve impacto nacional e os manifestos da emissora serviram durante muitos anos como inspiração para segmentos da sociedade questionarem a política de concessões de frequências de rádio e tv no Brasil. 1986 Entra no ar a Rádio livre Tam Tam no município de Macaé no Rio de Janeiro. Com uma programação bem humorada que parodiava a linguagem da publicidade em rádio produzindo anti-propaganda de produtos e questionando a política de concessões do Estado. 1989 Ocorre o l encontro Nacional de Rádios Livres, na Escola de Comunicações e Artes da USP, organizado pela UNE e pelo Coletivo Nacional de Rádios Livres (CNRL).
  • 70.
    70 1990 Acontece o llEncontro Nacional de Rádios Livres, em Goiânia, que define: “ Rádio Livre é aquela que vai ao ar sem pedir autorização a quem quer que seja.” Este encontro também delibera como tarefa do movimento a construção de um modelo de radiodifusão comunitária no país, ou seja, a constituição de emissoras sem fins lucrativos, programação plural e gestão participativa. Entra no ar a Rádio Clube Novos Rumos no município de Queimados no Rio de Janeiro, tida como a primeira rádio comunitária do Brasil, que colocou em prática os princípios de uma rádiodifusão sem fins lucrativos, programação plural e dirigida por pessoas eleitas pela própria comunidade. 1991 Fundação do FNDC ( Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação ) que veio a se tornar a principal instância de formulação de políticas públicas democratizantes da comunicação no Brasil. Entra no ar a Rádio comunitária Meia Ponte, em Pirinópolis, estado de Goiás. 1994 Entra no ar a Rádio Reversão em São Paulo, a primeira rádio livre do Brasil autorizada a operar por força de uma decisão judicial. 1995 Ocorre o l Encontro Nacional de Rádios Livres e Comunitárias, na ABI do Rio de Janeiro, organizado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Define-se então Rádios Comunitárias como rádios sem fins lucrativos, de programação plural e gestão participativa. 1996 Fundação da ABRAÇO (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária) em Praia Grande ,São Paulo, com a presença de mais de 300 rádios e com amplo apoio do movimento social. 1998 É sancionada pelo presidente da república a lei 9612 que regulamenta o funcionamento das rádios comunitárias no país. De 1980 para cá a proliferação de rádios livres e comunitárias é proporcional à insatisfação de segmentos da sociedade civil com o predomínio do critério político eleitoral adotado pelo governo federal na concessão de canais de rádio e televisão.
  • 71.
    71 RÁDIO COMUNITÁRIA O QUEÉ UMA RÁDIO COMUNITÁRIA? O Serviço de Radiodifusão Comunitária foi criado pela Lei 9.612, de 1998, regulamentada pelo Decreto 2.615 do mesmo ano. Trata-se de radiodifusão sonora, em freqüência modulada (FM), de baixa potência (25 Watts) e cobertura restrita a um raio de 1km a partir da antena transmissora. Podem explorar esse serviço somente associações e fundações comunitárias sem fins lucrativos, com sede na localidade e da prestação do serviço. As estações de rádio comunitárias devem ter uma programação pluralista, sem qualquer tipo de censura, e devem ser abertas à expressão de todos os habitantes da região atendida. COMO DEVE SER A PROGRAMAÇÃO DE UMA RÁDIO COMUNITÁRIA? A programação diária de uma rádio comunitária deve conter informação, lazer, manifestações culturais, artísticas, folclóricas e tudo aquilo que possa contribuir para o desenvolvimento da comunidade, sem discriminação de raça, religião, sexo, convicções político-partidárias e condições sociais. A programação deve respeitar sempre os valores éticos e sociais da pessoa e da família, prestar serviços de utilidade pública e contribuir para o aperfeiçoamento profissional nas áreas de atuação dos jornalistas e radialistas. Além disso, qualquer cidadão da comunidade beneficiada terá o direito de emitir opiniões sobre quaisquer assuntos abordados na programação da emissora, bem como manifestar idéias, propostas, sugestões, reclamações ou reivindicações. O QUE NÃO PODE SER TRANSMITIDO POR UMA RÁDIO COMUNITÁRIA? É proibido a uma rádio comunitária utilizar a programação de qualquer outra emissora simultaneamente, a não ser quando houver expressa determinação do Governo Federal. Não poderá ela, também, em hipótese alguma: veicular qualquer tipo de defesa de doutrinas, idéias ou sistemas sectários; e inserir propaganda comercial, a não ser sob a forma de apoio cultural, de estabelecimentos localizados na sua área de cobertura. O QUE É APOIO CULTURAL? De acordo com a lei nº 9.612/98, uma emissora de rádio comunitária não pode veicular publicidade comercial. Ela pode veicular apenas apoio cultural de entidades localizadas na área de cobertura do serviço, entendendo-se apoio cultural como a forma de patrocínio limitada à divulgação de mensagens institucionais para pagamento dos custos relativos à transmissão da programação ou de um programa específico, em que não podem ser propagados bens, produtos, preços, condições de pagamento, ofertas, vantagens e serviços que, por si só, promovam a pessoa jurídica patrocinadora, sendo permitida a veiculação do nome, endereços físicos e eletrônicos e telefone do patrocinador situado na área de execução do serviço. A Rádio Comunitária é obrigada a veicular o programa 'A VOZ DO BRASIL' e o 'O HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO'?
  • 72.
    72 O programa oficialde informações dos poderes da República, mais conhecido como “Voz do Brasil”, deve ser transmitido obrigatoriamente por todas as emissoras de rádio, no horário de 19 às 20 horas, exceto aos sábados, domingos e feriados. A exigência de veiculação desse programa consta do art. 38 do Código Brasileiro de Telecomunicações. A emissora de rádio comunitária também é obrigada, nos períodos que antecedem as eleições, a transmitir programas eleitorais e propaganda eleitoral gratuita. A veiculação desses conteúdos é regulamentada pela Justiça Eleitoral, que estabelece as regras que devem ser seguidas pelas emissoras. QUAL DEVE SER O HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DE UMA RÁDIO COMUNITÁRIA? A programação diária de uma emissora de rádio comunitária deve ter, no mínimo, 8 horas de duração. Fonte: Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária – ABRAÇO: www.abraconacional.org PARA QUE SERVE A RÁDIO COMUNITÁRIA? 1) É um veículo da expressão social da comunidade. 2) Divulgar temas que não têm espaço em outros meios: a cultura, a educação, a saúde, a segurança, a organização política e o meio ambiente. 3) Foco no interesse do ouvinte. A comunidade pode através da rádio comunitária, fazer sua própria comunicação, mais concreta e real, mais próxima da sua realidade. 4)Há possibilidade de diálogo no plano público, explicitações e produção de consensos para a resolução das dificuldades individuais e coletivas. 5) Aumenta a solidariedade social, a segurança coletiva, a cidadania, a democracia e liberdade de expressão. 6) A Democratização da Mídia prioriza a diversidade cultural no lugar da massificação, o controle do cidadão no lugar de escolha corporativa, o desenvolvimento cultural e social no lugar da concentração de lucro e informação. Eixos relevantes: 1) Educomunicação - utilização da mídia (rádio)comprometida com a informação voltada para a instrução, orientação, indicação de caminhos e oportunidades, esclarecendo e tratando dos interesses da comunidade, sem deixar de lado a cultura e o entretenimento; 2) Protesto - contra um sistema de mídia baseado na comercialização e na exclusão; 3) Mudança - mobiliza, forma opinião, cobra direitos e deveres, clama por reformas que respondam aos interesses públicos, promovam a diversidade e que assegurem a representação e a responsabilidade comunitária.
  • 73.
    73 LEGISLAÇÃO SOBRE ASRÁDIOS COMUNITÁRIAS Aqui apresentaremos alguns pontos específicos da lei que regulamenta os serviços de radiodifusão comunitária. Lei nº 9.612 de 19/02/98 Art. 1º -Denomina-seServiçodeRadiodifusãoComunitáriaaradiodifusãosonora,emfreqüênciamodulada, operada em baixa potência e cobertura restrita, outorgada a fundações e associações comunitárias, sem fins lucrativos, com sede na localidade de prestação do serviço. § 1º Entende-se por baixa potência o serviço de radiodifusão prestado a comunidade, com potência limitada a um máximo de 25 watts ERP e altura do sistema irradiante não superior a trinta metros. Comentário: As rádios comunitárias questionam já este parágrafo primeiro: a) Porque 25 watts representa muito pouca potência, suficiente para cobrir no máximo 1 km, dependendo das condições geográficas da localidade. Por exemplo: se esta localidade tiver morros, como é o caso do estado do Rio de Janeiro, o alcance será ainda mais reduzido. b) Antena com apenas 30 metros de altura. As rádios questionam a razão de estabelecer 30 metros para todo o território Nacional, sem levar em consideração as especificidades geográficas de cada região do Brasil, um país de dimensões continentais. § 2º Entende-se por cobertura restrita aquela destinada ao atendimento de determinada comunidade de um bairro e/ou vila. Comentário: O segundo parágrafo também é questionável já que inúmeras rádios comerciais, apesar terem veiculadas suas autorizações à determinadas localidades, não estão situadas em suas cidades de origem, ou seja várias cidades do país não são cobertas por nenhum tipo de radiodifusão que atenda ao conjunto dos seus interesses, à sua unidade territorial como um todo. a) De um lado muitas rádios comercias guiadas exclusivamente por seus interesses financeiros se mudam de cidade e perdem o seu vínculo com o município de origem da sua concessão. Muitas vezes acontece destas rádios, além de transmitirem de outro lugar, não falarem sequer da sua cidade de origem, não empregarem funcionários da localidade, não divulgarem sua cultura, seus artistas, ou até mesmo notícias locais. b) E por outro lado a própria legislação impede que as rádios comunitárias aumentem a sua potência e possam atender à todo o município, ou seja a Legislação é falha porque não atende ao seu principal objetivo: proporcionar uma programação de qualidade que atenda aos interesses públicos. Art. 3º - O Serviço de Radiodifusão Comunitária tem por finalidade o atendimento à comunidade beneficiada, com vistas a: I - dar oportunidade à difusão de idéias, elementos de cultura, tradições e hábitos sociais da comunidade; II - oferecer mecanismos à formação e integração da comunidade, estimulando o lazer, a cultura e o convívio social;
  • 74.
    74 III - prestarserviços de utilidade pública, integrando-se aos serviços de defesa civil, sempre que necessário; IV - contribuir para o aperfeiçoamento profissional nas áreas de atuação dos jornalistas e radialistas, de conformidade com a legislação profissional vigente; V - permitir a capacitação dos cidadãos no exercício do direito de expressão da forma mais acessível possível. Comentário: A lei determina muitas finalidades importantes para as rádios comunitárias, mas não oferece-lhe condições de viabilizar estes princípios. Determina ou prioriza apenas restrições de alcance e viabilidade econômica. No artigo Artigo 18, por exemplo, a lei diz : As prestadoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária poderão admitir patrocínio, sob a forma de apoio cultural, para os programas a serem transmitidos, desde que restritos aos estabelecimentos situados na área da comunidade atendida. Art 4º - As emissoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária atenderão, em sua programação, aos seguintes princípios: I-preferênciaafinalidadeseducativas,artísticas,culturaiseinformativasembenefíciododesenvolvimento geral da comunidade; II - promoção das atividades artísticas e jornalísticas na comunidade e da integração dos membros da comunidade atendida; III - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família, favorecendo a integração dos membros da comunidade atendida; IV - não discriminação de raça, religião, sexo, preferências sexuais, convicções político-ideológico- partidárias e condição social nas relações comunitárias. § 1º Á vedado o proselitismo* de qualquer natureza na programação das emissoras de radiodifusão comunitária. § 2º As programações opinativa e informativa observarão os princípios da pluralidade de opinião e de versão simultâneas em matérias polêmicas, divulgando, sempre, as diferentes interpretações relativas aos fatos noticiados. § 3º Qualquer cidadão da comunidade beneficiada terá direito a emitir opiniões sobre quaisquer assuntos abordados na programação da emissora, bem como manifestar idéias, propostas, sugestões, reclamações ou reivindicações, devendo observar apenas o momento adequado da programação para fazê-lo, mediante pedido encaminhado à Direção responsável pela Rádio Comunitária. De imediato é também importante você saber que o projeto “Ondas do Ambiente” atende o Art.igo 20 da lei 9.612 que diz : Art 20º - Compete ao Poder Concedente estimular o desenvolvimento de Serviço de Radiodifusão Comunitária em todo o território nacional, podendo, para tanto, elaborar Manual de Legislação, Conhecimentos e Ética para uso das rádios comunitárias e organizar cursos de treinamento, destinados aos interessados na operação de emissoras comunitárias, visando o seu aprimoramento e a melhoria na execução do serviço. *Proselitismo: empenho ativista de converter uma ou várias pessoas a uma determinada causa, idéia ou religião.
  • 75.
    75 PARA QUE SERVEA RÁDIO ESCOLA? Entre vários benefícios diretos e indiretos, de se fazer uma Rádio Escola, podemos citar: 1- O desenvolvimento da criatividade, do senso de responsabilidade, da liberdade de expressão; 2- A exploração das potencialidades pedagógicas do rádio para a difusão de conteúdos escolares; 3- A promoção da educação ambiental na escola de forma interdisciplinar; 4- A contribuição para a formação do jovem e o estímulo ao exercício da cidadania; 5- O combate à violência e o favorecimento à cultura de paz no ambiente escolar; 6- O esclarecimento e a sensibilização de temas que tenham o interesse dos ouvintes; 7- Divulgação das oportunidades de estágios, bolsas de estudo, calendário escolar; 8- Estímulo,descoberta, e promoção de talentos locais; 9- A integração entre os alunos, os professores, os funcionários, a família e a comunidade no ambiente escola; 10- Prática da educomunicação socioambiental. O TEXTO RADIOFÔNICO “Escrever para quem ouve é escrever como quem fala.” (Ivan Tubau) Antes de conhecermos as especificidades do texto escrito para o rádio, vamos destacar algumas das principais características desta mídia: Sensorialidade: o rádio forma imagens. Quem faz textos e comentários para o rádio escolhe as palavras de modo a criar imagens na mente do ouvinte no sentido de tornar o assunto inteligível e, de certa forma, “mentalmente visível”. Abrangência: o rádio fala para milhões de pessoas; Regionalismo: o regionalismo é uma marca fundamental do rádio, pois dá visibilidade às informações locais. Este princípio dinamiza as relações entre rádio e comunidade. É importante avaliar corretamente o que é uma notícia local e distinguir entre o que é local e o que é paroquial; No casa de rádio comunitária existe a liberdade e até o dever de conceder uma atenção especial para as prioridades do entorno. Intimidade: o rádio fala para cada indivíduo. As palavras, a forma de falar são pensadas para o ouvinte com suas particularidades e expectativas. O transistor facilitou este caráter, já que permitiu uma audiência individual. O tom íntimo das transmissões materializado pelas expressões “amigo ouvinte”, “querido ouvinte”, proporcionam aproximação e intimidade, fazendo do rádio um veículo companheiro. Por isto o rádio tem este caráter de “amigo”: você liga e ele está lá.
  • 76.
    76 Imediatismo e instantaneidade:O rádio possui um caráter imediato, possibilitando que o ouvinte se intere dos fatos no momento em que estão acontecendo. O rádio acelera a disseminação de informações em curto espaço de tempo. Com um celular e uma híbrida o repórter pode entrar no ar de qualquer lugar do mundo e transmitir uma informação. Nenhum outro veículo tem esta facilidade. Simplicidade: com uma estrutura mínima trabalha-se no meio, o que abre precedentes para que pessoas não-especialistas se aventurem na arte de fazer rádio. Mobilidade: o rádio pode ser levado e ouvido em qualquer lugar, e em todas as circunstâncias: no carro, na rua, no banho, na cozinha, no campo de futebol, no bar da esquina. O rádio não exige atenção fixa como a televisão, pode-se ouvi-lo realizando outras atividades. Acessível: O rádio é muito popular. Praticamente toda residência tem um ou vários aparelhos. Segundo pesquisas recentes, a proporção é de um rádio por pessoa. O rádio está sempre por perto, ao alcance da mão ou do ouvido, atingindo toda a população, da criança ao idoso. Função Social: O rádio é um meio que influência o cotidiano das pessoas e tem a magia de cativar e sensibilizar seus ouvintes, conduzindo-os à atitudes e comportamentos. Por causa de todas estas características anteriormente citadas, concluímos que este veículo possui uma importante função social, se destacando como importante agente de formação de opinião e mobilização coletiva. Por isto o rádio é potencialmente um importante aliado de políticas públicas e projetos comunitários que possam promover o desenvolvimento local e a inclusão social, colaborando para o diálogo entre indivíduos e grupos e fortalecendo a noção de comunidade. REDAÇÃO DO TEXTO RADIOFÔNICO A regra geral do texto escrito para o rádio é utilizar-se de linguagem direta, períodos curtos e simples, poucos adjetivos, objetividade e revisão. No meio impresso (jornais, revistas, etc.) é possível reler o que não foi entendido, mas no rádio, se isso acontecer, a informação fica perdida. A mensagem no rádio se “dissolve” no momento em que é levada ao ar. O ouvinte não pode perguntar “o quê ele disse?” Devemos ser objetivos e claros. Escrever como se fala. É a dica mais importante de todas: leia a sua nota em voz alta, para conferir se o que você está querendo dizer está fácil de ser entendido. Veja agora algumas recomendações para a redação de um texto rádio: • Formar frases sempre em ordem direta, isto é, sujeito-verbo-predicado. A ordem direta é a forma mais simples de compreender o que é dito. Ao invés de usar: Estava congestionada a rua. Prefira: A rua estava congestionada.
  • 77.
    77 • O textocomeça com as principais informações. Procure a novidade, o fato que atualiza a notícia e a torna o mais atraente possível. A missão do redator é conquistar o ouvinte na primeira frase. Se esta não levar à segunda, a comunicação está morta. • Proximidade: quanto mais próximo o ouvinte estiver do local do evento, mais interesse a notícia gera, porque implica mais diretamente na vida do ouvinte. Este é um fator de muita importância, principalmente para as rádios comunitárias. Lead (ou Lide) O lead (ou, na forma aportuguesada, lide) é uma expressão inglesa que significa “guia” ou “o que vem à frente”. Em jornalismo, chamamos de lead a primeira parte de uma notícia, geralmente posta em destaque relativo, que fornece ao leitor a informação básica sobre o tema e pretende prender-lhe o interesse. Procure o fato que atualiza a notícia e a torna o mais atraente possível. No “lead”, ou na cabeça da notícia, o ouvinte já deve ser informado do acontecimento. De uma certa maneira é uma espécie de MANCHETE que já informa ao ouvinte uma síntese da notícia. Na teoria do jornalismo, as seis perguntas básicas do lead devem ser respondidas na elaboração de uma matéria. São elas: O quê? O assunto Quem? Pessoas ou coisas envolvidas Onde? Local onde acontece o fato Quando? Data, hora Como? Modo como se desenrolou o fato Por Quê? Causas VAMOS AOS EXEMPLOS EXEMPLOS 1 ACIDENTE COM ÔNIBUS CAUSA TRAGÉDIA NO RIO///// UM ÔNIBUS DA LINHA QUATRO-OITO-QUATRO, QUE LIGA OLARIA A COPACABANA, INVADIU A CALÇADA E MATOU CINCO PESSOAS E DEIXANDO MAIS DE TRINTA FERIDOS NO INÍCIO DA MANHÃ DE HOJE//// O ACIDENTE ACONTECEU NA AVENIDA BRASIL, NA ALTURA DO CAJU, E SEGUNDO TESTEMUNHAS, O MOTORISTA TRAFEGAVA EM ALTA VELOCIDADE QUANDO PERDEU O CONTROLE DO VEÍCULO E ATROPLEOU VÁRIAS PESSOAS QUE ESTAVAM NO PONTO//// DE ACORDO COM O CORPO DE BOMBEIROS, AS VÍTIMAS FORAM LEVADAS PARA OS HOSPITAIS GETÚLIO VARGAS, NA PENHA, E SOUZA AGUIAR, NO CENTRO//// O TRÂNSITO FICOU INTERDITADO POR VÁRIAS HORAS NO LOCAL, MAS JÁ FOI LIBERADO////
  • 78.
    78 O quê? Um acidente Quem? Ônibus 484 Quando? Na manhã de hoje Onde? Avenida Brasil, na altura do Caju Como? Invadiu a calçada e matou 5 pessoas Por Quê? Trafegava em alta velocidade e perdeu o controle EXEMPLOS 2 O CORINTHIANS É O NOVO CAMPEÃO DA TAÇA LIBERTADORES DA AMÉRICA //// O TIME, DIRIGIDO PELO TÉCNICO TITE, VENCEU A EQUIPE ARGENTINA DO BOCA JUNIORS PELO PLACAR DE DOIS A ZERO , AGORA A POUCO, NO ESTÁDIO DO PACAEMBU, EM SÃO PAULO ////// OS DOIS GOLS DO CORINTHIANS FORAM MARCADOS PELO ATACANTE EMERSON E COROARAM UMA CAMPANHA PERFEITA NA COMPETIÇÃO COM OITO VITÓRIAS E SEIS EMPATES ////// ESTA É A PRIMEIRA VEZ QUE O TIME PAULISTA CONQUISTA A LIBERTADORES E GANHA A OPORTUNIDADE DE DISPUTAR O TÍTULO MUNDIAL INTERCLUBES, NO FIM DO ANO, NO JAPÃO ///// O quê? Campeão da Taça Libertadores Quem? O Corinthians Quando? Agora a pouco Onde? Estádio do Pacaembu, São Paulo Como? Dois a zero Por Quê? Oportunidade de jogar o Mundial
  • 79.
    79 EXERCÍCIOS 1 A ONULANÇA, ESTE MÊS, PROJETO PARA COMBATER A EXTRAÇÃO ILEGAL DE MADEIRA EM TODO MUNDO //// O PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE, EM PARCERIA COM A INTERPOL, DESENVOLVE UM PROJETO QUE TEM COMO OBJETIVO COMBATER TODOS OS ASPECTOS DE CRIMES FLORESTAIS INCLUINDO O TRÁFICO E A EXTRAÇÃO ILEGAL DE MADEIRA //// ESSES CRIMES AMBIENTAIS DESTROEM A BIODIVERSIDADE, AFETAM O CLIMA E AMEAÇAM A VIDA DAQUELES QUE DEPENDEM DAS FLORESTAS ////// SEGUNDO ESTUDOS DA ONU, MAIS DE UM QUARTO DA POPULAÇÃO MUNDIAL DEPENDEM DIRETAMENTE DA FLORESTA PARA TER ACESSO A COMBUSTÍVEIS, ALIMENTOS E REMÉDIOS //// O quê? ____________________________________________ Quem? ___________________________________________ Quando? __________________________________________ Onde? ____________________________________________ Como? ____________________________________________ Por Quê?__________________________________________ EXERCÍCIOS 2 O RIO DE JANEIRO VAI GANHAR A PRIMEIRA COOPERATIVA PARA RECICLAGEM DE LIXO ELETRÔNICO ///// LANÇADO NA RIO MAIS VINTE, O PROJETO, DESENVOLVIDO PELA UFRJ, TEM A PROPOSTA DE COLETAR ELETRO ELETRÔNICOS FORA DE USO COMO TV’S, COMPUTADORES, CELULARES E APARELHOS DE SOM //// OS COMPONENTES SERÃO SEPARADOS EM TRÊS SEGMENTOS: PLÁSTICO, METAL E PLACAS QUE SERÃO VENDIDOS PARA EMPRESAS ESPECIALIZADAS /// A IDÉIA É, ATÉ O FIM DO ANO, FORMAR UMA REDE DE MAIS DE VINTE COOPERATIVAS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO //// SEGUNDO PESQUISAS DA ONU, O BRASIL É HOJE O CAMPEÃO NA PRODUÇÃO DE LIXO ELETRÔNICO POR HABITANTE ///// O quê? ___________________________________________ Quem? ___________________________________________ Quando? _________________________________________ Onde? ___________________________________________ Como? ___________________________________________ Por Quê?_________________________________________
  • 80.
    80 PRESTE ATENÇÃO NASDICAS: • Usar frases curtas e sintéticas. Ir direto ao assunto. • Procurar usar o verbo sempre no presente do indicativo. Isso denota instantaneidade e atualidade, características do rádio. É importante salientar que o passado não é notícia em rádio. • A linguagem precisa ser coloquial. Evite, por exemplo, as conjunções “pois”, “embora”, “após”. Elas são comuns na linguagem escrita, mas dão um ar pretensioso à linguagem falada. É melhor usar “porque”, “mas” e “depois”. • A pontuação é um dos pontos mais importantes na construção do texto radiofônico. Ela serve para associar a idéia expressada à sua unidade sonora. A vírgula no texto radiofônico marca uma pausa curta, que introduz uma pequena variação na entonação, e dá lugar à renovação do ar. • É bom lembrar que o texto radiofônico - em especial a sonora (entrevista /depoimento) precisa ser o mais claro possível, para que facilite a compreensão do ouvinte que, na maioria das vezes, terá apenas uma oportunidade de escutar a notícia. • É aconselhável evitar adjetivos, pois eles carregam pouca informação e podem induzir o ouvinte a endossar juízos de valor pré-determinados. Substantivos fortes e verbos na voz ativa reforçam a densidade indispensável ao texto escrito para o rádio. • Evite a gíria. Ela vulgariza o texto. Mas isto não significa usar palavras rebuscadas, e, muito menos, menosprezar o ouvinte. Entra aqui o bom senso. • A pontuação merece atenção especial. No rádio a pontuação serve para associar a ideia a sua unidade sonora, isto é, marca unidades fônicas e não gramaticais. O uso dos sinais ortográficos facilita a entonação da voz e a respiração. • O “ponto” deve ser substituído por barras “///”, para que o locutor possa visualizar com mais facilidade o final dos períodos e assim calcular o ar necessário nos pulmões, o suficiente para executar uma locução mais confortável e com boa interpretação. • Evitar a cacofonia, isto é, palavras que, quando juntas, formem uma terceira. Ex: boom da soja; por cada; me jogou; buscar alho; uma mão. • Evite frases longas: elas dificultam a respiração do apresentador/ locutor e são mais difíceis de serem entendidas pelo ouvinte. Cada frase deve expressar uma ideia.
  • 81.
    81 • O textoprecisa ter ritmo. Use frases curtas e evite frases intercaladas, entre vírgulas. Mas tenha cuidado: as frases devem ser curtas, mas não telegráficas . A regra é escrever como se fala. • Evite o uso do não no lide (lead). Conte o que aconteceu; ninguém liga o rádio para saber o que não aconteceu. • Também deve-se ter cuidado com o uso dos pronomes possessivos como seu, sua, seus e suas. O ouvinte pode entender que está se falando dele, ou de alguma pessoa ou objeto de suas relações pessoais. • A revisão do texto em voz alta é a melhor maneira de se evitar erros que “derrubam” o apresentador/locutor. Coloque-se no lugar do ouvinte; ele não está lendo. Com a leitura em voz alta é possível identificar problemas com a sonoridade das palavras, concordância, cacófatos, frases sem sentido, e etc. LINGUAGENS DE RÁDIO (PRODUTOS) VINHETA • Um texto curto associado a um efeito sonoro ou música. • É usada para identificar a emissora, programas ou quadros. • Pode também marcar abertura e encerramento de programas, separar os blocos ou anunciar quadros do programa ou emissora. • Pode ser usada várias vezes durante a programação. • Dá mais dinamismo e torna a programação mais interessante. DICA: QUANTO MAIS VINHETAS MELHOR Ex: “plim-plim” (sinal sonoro, TV Globo); “O relógio marca” (falado, transmissão esportiva); “sempre... Coca-Cola” (cantado, publicidade); “Em vinte minutos tudo pode mudar.” (BandNews).
  • 82.
    82 SPOT • É umaprodução curta e impactante feita com a intenção de promover uma idéia ouum produto. • Muito utilizado em rádio. • Podem ser institucionais, campanhas educativas, publicitárias, etc. • São utilizados recursos criativos como efeitos sonoros, músicas, e uma locução adequada ao texto. • Tem começo, meio e fim, estimula a atenção desde o início, mantém o interesse e provoca algum tipo de reação no ouvinte. • Geralmente tem duração de até 01 minuto. EXEMPLO: Você sabia que a buzina dos carros é uma das principais fontes de poluição sonora na nossa cidade ?? ////// E, para os desavisados, buzinar sem parar acarreta ao motorista nervosinho uma multa de 50 reais e menos três pontos na carteira de habilitação ///// Respeite o direito do cidadão e use a buzina de seu carro com responsabilidade //// Uma campanha nas ondas do ambiente //// Rádio arroba escola ponto com ///// OBS: Conceito + Convite. No caso da educomunicação, podemos utilizar o spot institucional fazendo uma comunicação breve onde se passa um conceito ou idéia, estimulando a participação dos ouvintes. EXEMPLO: O papel demora de três a seis meses para se decompor no ambiente///// Pratique a coleta seletiva ///// A natureza agradece! /////
  • 83.
    83 NOTAS JORNALÍSTICAS • Textopequeno, de cinco a oito linhas, com início, meio e fim, sobre determinado fato ou acontecimento que atualiza informações de interesse do ouvinte. EXEMPLO: TRINTA E QUATRO MILHÕES DE ÁRVORES SERÃO PLANTADAS NO RIO DE JANEIRO ATÉ AS OLIMPÍADAS DE 2016 //// ESTA INICIATIVA DA SECRETARIA DE ESTADO DO AMBIENTE BUSCA COMPENSAR A EMISSÃO DE GASES DO EFEITO ESTUFA DURANTE A REALIZAÇÃO DA COPA DE 2014 E OLIMPÍADAS DE 2016 ///// PARA COLOCAR O PROJETO EM PRÁTICA, SERÃO CRIADOS CERCA DE CINCO MIL EMPREGOS VERDES VOLTADOS PARA A PRODUÇÃO, O PLANTIO, E A MANUTENÇÃO DESSAS MUDAS ///// JINGLE • É uma mensagem publicitária musicada e elaborada com refrão simples e de curta duração, a fim de ser lembrada com facilidade. • É uma música feita para um produto ou empresa; utilizada por emissoras de rádio ou TV para identificação da marca, canal, frequência. • Geralmente tem letras e melodias simples para que sejam facilmente memorizadas e recordadas por quem as ouve. EXEMPLO: ”Dolly, Dolly guaraná Dolly, Dolly guaraná, o sabor brasileiro” ”Já é Natal na Leader já é hora...” Me dá, me dá. me dá. Me dá Danoninho, Danoninho dá. Cálcio e vitamina pra gente brincar” RADIONOVELA ou RADIOTEATRO • É uma narrativa sonora, nascida da dramatização do gênero literário novela, produzida e divulgada em rádio. • Envolve, geralmente, mais de uma voz, efeitos sonoros, músicas, etc. • Temas de interesse público com criatividade e bom humor. MÚSICA • A música tem fundamental importância na rádio. Como toda a produção da rádio, a programação musical é definida a partir do seu público alvo. • Através da música uma rádio marca seu estilo, sua tendência, proposta e personalidade. • Portanto, tenha coerência, sensibilidade, inteligência, criatividade. • Uma música pode dar continuidade ao clima de um assunto ou, ao contrário, mudar do triste para o alegre, do lendo para o rápido, sempre de acordo com um contexto. Tenha feeling! EXEMPLO: A última música tocada na saudosa Rádio Fluminense FM, A Maldita, foi: The End, da banda The Doors.
  • 84.
    84 PRODUÇÃO DE PROGRAMASRADIOFÔNICOS PRODUÇÃO Uma coordenação integra diferentes tarefas que precisam ser feitas por diferentes pessoas com funções específicas, prazos determinados e um objetivo em comum: fazer um programa de rádio. Portanto, organização, participação, divisão de tarefas e compromisso, estão no início da “brincadeira”. Assim funciona uma equipe de rádio. Cada um deve ocupar a tarefa que mais curte, mas é importante que todos estejam capacitados no tripé: Redação, Locução e Operação de Áudio, para um colega poder substituir o outro garantindo o funcionamento da rádio. A produção é tudo, pois engloba o antes (reunião de pauta, pesquisa, gravação e edição de sonoras, agendamento e confirmação dos convidados) o durante (chegada dos convidados, equipamentos, silêncio no estúdio) e o depois (pesquisa de opinião, sugestões, repercussão, já pensando no próximo).É importante equilibrar informação e entretenimento.Interatividade é a palavra de ordem. A Grade de Programação deve ser variada e buscar cativar os ouvintes, por isso é saudável que tenha o predomínio da música, mas sempre misturadas às diversas informações de interesse dos ouvintes, como educação e cidadania, cultura e diversão. Cada integrante da rádio vira uma antena sintonizada ao meio em que circula. Desde o quintal de casa, até o pátio e a sala de aula, as ruas, os bairros, as árvores, montanhas, os lixos, as águas. Nossa “frequência” é socioambiental e assim podemos produzir diferentes tipos de programas. Entre os vários gêneros, estão os humorísticos, jornalísticos, entrevistas, musicais... Algumas funções da equipe: Produtor(a) ou Coordenador(a): • Cria ou supervisiona a pesquisa que vai alimentar a pauta com as informações fundamentais sobre o tema abordado • Cria e elabora roteiros, programas, vinhetas e chamadas. • É responsável pela coordenação do programa, organiza a grade de programação, horários, lidera e supervisiona a equipe. • Desenvolve pesquisa sobre temas, textos e músicas. • Acompanha a execução do roteiro, seja em apresentações ao vivo ou gravações. • Realiza agendamento de entrevistas. Locutor(a): Apresenta o programa e deve ter conhecimento prévio do roteiro, dos dados levantados pela pesquisa e das perguntas que serão feitas aos convidados. Âncora é o principal locutor ou apresentador e pode ter mais de um. Repórter É quem faz as entrevistas, reportagens e elabora a pauta juntamente com o produtor.
  • 85.
    85 Operador(a) de Áudio/Sonoplasta Operaos equipamentos de áudio, verifica se os microfones estão bem posicionados, equalizados, no volume correto, grava, edita e monta diferentes produtos colocados no ar como sonoras e indicam o início das locuções que utilizam BG, entre outras tarefas mais detalhadas na parte do Rádio e Sonoplastia da apostila. Por melhor que seja a redação e a locução, sem uma operação de áudio correta, tudo estará perdido! MODELO DE PAUTA Pauta É uma orientação para o repórter saber com quem vai conversar, sobre quais assuntos, contextos, destaques, onde, quando, definidos previamente na Reunião de Pauta. Apesar de toda a elaboração, não esqueça que a pauta está a serviço do repórter. A pauta, na verdade, garante um ponto que devem ser tratados na reportagem ou entrevista, podendo, no decorrer dos fatos, ser totalmente modificada, desde as perguntas até os entrevistados, garantindo autonomia para o repórter decidir pela notícia inédita que surge num momento imprevisível, como um furo. Tema O assunto que se pretende abordar. (exemplos: coleta seletiva do lixo, aquecimento global, reciclagem do óleo de cozinha, etc.) Sinopse Dados fundamentais sobre o tema que vai ser abordado. Situação atual, antecedentes. Encaminhamento Objetivo da matéria. O foco. O que se deseja destacar entre as questões abordadas. Fontes São as pessoas que fornecem as informações da pauta, cabendo à produção ou ao repórter, manter contato por telefone, e-mail e locais onde possam ser encontradas. Pesquisa É fundamental para a realização de um bom programa. Busque fontes seguras e atuais sobre o tema escolhido em jornais, bibliotecas, revistas, na Internet e com pessoas que conhecem o assunto, gravando ou anotando seus depoimentos.
  • 86.
    86 ENTREVISTA E REPORTAGEM ProduzindoInformação, Promovendo Conhecimento Reportagem Éuma“notícia”maisaprofundada,commaiordesenvolvimento.Contemdiferenteslinguagens.Areportagem pode se desdobrar em entrevistas, depoimentos, comentários, opiniões. Dentro da imparcialidade, é fundamental ouvir todos os lados envolvidos e por vezes, cabe a avaliação de especialistas. Entrevistas “Técnica de obter matérias de interesse jornalístico por meio de perguntas e respostas” (Luiz Beltrão - jornalista) É basicamente uma conversa com perguntas e respostas. As perguntas são feitas pelo repórter para obter informações do entrevistado. O repórter/entrevistador é o elo de ligação entre os ouvintes da rádio e os entrevistados, tendo sempre em mente: o que é de interesse de seu ouvinte a respeito do entrevistado? DICA: NUNCA USE BG NAS ENTREVISTAS. Alguns tipos de Entrevistas: Enquete É basicamente a opinião das pessoas sobre determinado assunto, servindo como uma pesquisa, sondagem, levantamento. Ping Pong Perguntas simples e diretas direcionadas a uma pessoa que deve responder de maneira rápida e objetiva, já seguida de outra pergunta, num jogo dinâmico e divertido. Debate Quando duas ou mais pessoas orientadas por um moderador, falam sobre algum tema que discordam ou concordam, emitindo suas opiniões pessoais que podem, inclusive, serem alteradas de acordo com as argumentações. Mesa Redonda Quando um tema é levado à opinião de diferentes especialistas por um moderador, levando ao público informação e conhecimento.
  • 87.
    87 Entrevista Coletiva Quando umapessoa é entrevistada por deferentes repórteres. Técnicas de entrevista 1. A equipe da rádio faz a Reunião de Pauta,onde são levantados temas atuais e de interesse dos ouvintes a serem desenvolvidos em diferentes linguagens, definindo, entre vários produtos, a entrevista: o tema, o formato, o entrevistado, o repórter, as perguntas, a data e local... 2. A partir da escolha do entrevistado, começa a fase da pesquisa, sempre focada no interesse do ouvinte (o que vão querer saber sobre o entrevistado), baseada em atualidades e fontes seguras. 3. Dependendo do entrevistado, confirme com o próprio ou com sua assessoria o cargo e a pronuncia correta do nome - principalmente no caso de nomes estrangeiros. Tenha certeza! 4. A entrevista deve ter começo, meio e fim. Planeje o tempo. Se precisar divida a entrevista em blocos. 5. Seja claro e objetivo com as perguntas. 6. Ao longo da entrevista repita o tema, o cargo e o nome do entrevistado, já que a audiência do rádio é rotativa. Ex: Conversamos sobre o surto da dengue no Rio de Janeiro com o infectologista Fulano de Tal. 7. Não interrompa o entrevistado sem que ele conclua o pensamento, isto irrita o ouvinte e prejudica a edição. 8. Por outro lado, se o entrevistado fugir da pergunta ou se estender demais, querendo transformar a entrevista num palanque, no momento oportuno interrompa e retome a pergunta. Ex: Ok, mas de maneira simples e objetiva, ...? É importante ser gentil, mas não submisso. Em casos singulares é preciso dizer claramente que ele não respondeu ao que foi perguntado. 9. Fuja do óbvio, como a cretinice de perguntar como se sente uma mãe que acabou de perder o filho. Daí vem a importância da pesquisa, da busca pelo interessante, pela informação embasada na criatividade e inteligência. 10. Não tem problema consultar rapidamente as anotações enquanto o entrevistado responde, mas cuidado para não perguntar o que já foi respondido. Neste caso pule a pergunta, inclusive com liberdade de improviso diante d’algo curioso e que esteja fora da pauta. 11. Na falta de tempo para formular as perguntas, você pode, em poucos minutos antes da entrevista, perguntar ao entrevistado os temas mais interessantes, que não devem faltar na conversa, ou ainda utilizar o roteirinho básico: o quê, quando, onde, como, por quê. 12. Como tudo no rádio, as palavras de ordem para uma boa entrevista são: jogo de cintura, perspicácia, foco na missão.
  • 88.
    88 ROTEIRO • Roteiro éo trilho por onde passa tudo o que se fala e se escuta na rádio. • O roteiro descreve o início, o meio e o fim de um programa radiofônico. • O roteiro é o direcionamento de todas as ações e recursos técnicos necessários para a realização de um programa. • O roteiro organiza, ordena e orienta toda a estrutura de um programa. DICA Assuntos sérios no início e leves no final. Não mude drasticamente de assunto. Faça ganchos, links entre as pautas e as linguagens do rádio. ALGUNS ELEMENTOS DO ROTEIRO Abertura: breve apresentação do nome e proposta do programa. Encerramento: é praticamente a repetição da abertura com uma despedida. DICA Tanto na abertura quanto no encerramento, cuidado com o bom dia, boa tarde e boa noite. Prefira o: olá, está no ar, começa agora (abertura) e: um abraço, então valeu, até mais (encerramento) para possibilitar o uso em qualquer período do dia de um programa gravado. Giro de manchetes: anuncia as manchetes das notas jornalísticas, entrevistas e quadros.
  • 89.
    89 MODELO DE ROTEIRODE PROGRAMA DE RADIOJORNALISMO BLOCO 1 <TEC> VINHETA DE ABERTURA <TEC> BG ABERTURA <LOC> TEXTODEABERTURA-âncora:apresentação(propostadoprograma+conviteparaaparticipaçãodosouvintes). <TEC> VINHETA <TEC> BG GIRO DE MANCHETE <LOC> GIRO DE MANCHETES - âncora: anúncio das manchetes, quadros e entrevista do programa. <LOC> MANCHETE 1 <LOC> MANCHETE 2 <LOC> ENTREVISTA - tema, cargo, entrevistado - exemplo: Na entrevista de hoje, conversaremos sobre a inauguração da Rádio Escola NOA com a coordenadora da rádio, Fulana de Tal. <LOC> AGENDA CULTURAL <TEC> VINHETA DE PASSAGEM <LOC> ANÚNCIO MÚSICA 1 - nome da música, autor e intérprete <TEC> MÚSICA 1 <LOC> DESANÚNCIO MÚSICA 1 - você escutou a música ..., de ..., com ... BLOCO 2 <TEC> VINHETA <TEC> SPOT 1 <TEC> VINHETA NOTA JORNALÍSTICA <TEC> BG NOTA <LOC> MANCHETE 1 - âncora <LOC> NOTA JORNALÍSTICA 1 - locutor <LOC> MANCHETE 2 – âncora <LOC> NOTA JORNALÍSTICA 2 - locutor <TEC> VINHETA <LOC> ANÚNCIO MÚSICA 2 - nome da música, autor e intérprete <TEC> MÚSICA 2 <LOC> DESANÚNCIO MÚSICA 2 - você escutou a música ..., de ..., com ... BLOCO 3 <TEC> VINHETA RÁDIO NOVELA <TEC> RÁDIO NOVELA <TEC> VINHETA RÁDIO NOVELA <TEC> SPOT 2
  • 90.
    90 <TEC> VINHETA ENTREVISTA <LOC>ENTREVISTA – apresentação e início <LOC> ESTAMOS CONVERSANDO SOBRE (TEMA), COM (CARGO), (ENTREVISTADA) - meio <LOC> ENTREVISTA –final e desanúncio - exemplo: acabamos de conversar sobre a inauguração da Rádio Escola NOA, com a coordenadora da rádio Fulana de Tal. <TEC> VINHETA ENTREVISTA BLOCO 4 <TEC> VINHETA <TEC> VINHETA AGENDA CULTURAL <TEC> BG AGENDA CULTURAL <LOC> AGENDA CULTURAL <TEC> SPOT 3 <TEC> BG ENCERRAMENTO <TEC> VINHETA <LOC> ENCERRAMENTO <TEC> VINHETA <LOC> ANÚNCIO MÚSICA 3 <TEC> MÚSICA 3 TÉCNICA DE LEITURA ACENTUAÇÃO Cada vocábulo (palavra) tem a sua tonicidade (acentuação) própria, podendo ser: • oxítonos - acento na última sílaba • paroxítonos - acento na penúltima sílaba • proparoxítonos - acento na antepenúltima sílaba Além do acento principal, palavras longas ou derivadas apresentam acento secundário. Acento tônico a) dinâmico ou de intensidade - reforço na emissão da sílaba tônica b) melódico – mudança de frequência ( tom = grave ou agudo ) Os acentos podem ser fechados ou abertos quanto ao timbre e também podem ser acentos de insistência, quando além dos acentos normais, dão mais emoção a determinadas palavras. A negligência da acentuação tônica prejudica a clareza da DICÇÃO e também a compreensão da frase. Uma acentuação errada modifica o significado da palavra. EXEMPLO: Pais / país - Baia / baía - Secretária / secretaria
  • 91.
    91 Existem palavras comsignificação plena (ex.: colher/ porta/cadeira), são os substantivos, adjetivos, verbos, advérbios, etc... Nestas palavras sempre acontece de terem uma sílaba mais acentuada do que as outras. E existem as palavras que são inacentuadas ou átonas: artigos, preposições (ex. : a, de, em, com, por, sem, sob, ... ), as conjunções ( que, se, como, e, ou, mas,...), pronomes (me, te, lhe, etc...) e por isso não tem autonomia fonética. Na fala, estas palavras se incorporar ao vocábulo que é acentuado formando um vocábulo fonético, chamado de grupo intensivo ou acentual. FRASE Para expressarmos uma “ideia” usamos palavras que se unem em diferentes grupos e que se integram uns aos outros surgindo então as unidades de sentido. GRUPO INTENSIVO ou ACENTUAL É a menor unidade rítmico-semântica da frase e é caracterizada pelo acento dominante, que ocorre geralmente na penúltima sílaba do grupo acentual; pode também acontecer na antepenúltima ou na última sílaba, mas com pouca frequência. RITMO e GRUPO RÍTMICO Cada idioma tem seu ritmo, e na nossa língua alternamos sílabas acentuadas (fortes) com sílabas inacentuadas (fracas); é o chamado Ritmo Intensivo . A reunião de palavras que se organizam para uma única significação são pronunciadas também num único impulso em torno de um acento dominante. Cada palavra tem sua cadência (seu tempo forte e seu tempo fraco), mas a frase é uma cadeia sonora que segue um movimento regular e medido, que constitui o RITMO. GRUPO RÍTMICO É o grupo formado por palavras que se unem para uma significação unitária. Na fala além de acentuar sílabas com acréscimo de força expiratória (intensidade = volume) também elevamos ou baixamos a voz, para realizarmos inflexões de altura (grave e agudo) ou desenhos melódicos. EXPRESSÃO - ENTONAÇÃO E INFLEXÃO Além das acentuações comuns, a expressão determina uma ou duas palavras para realçar seu significado. De que maneira ? - articulando com maior nitidez; - retardando a palavra que antecede a principal; - mudando a frequência da voz; - mudando o volume, etc... Mas, claro, sem exageros para não prejudicar o equilíbrio do texto.
  • 92.
    92 INFLEXÕES As inflexões sãomodulações da voz em torno do tom médio para expressarmos o nosso pensamento. Numa só palavra e nas frases curtas a voz sobe ou desce; nas frases mais longas descreve curvas. As inflexões ascendentes mostram interesse, curiosidade, entusiasmo, etc... ; as descendentes, indiferença, desdém, raiva; e as médias, sentimentos tranquilos ou enunciações. ENTONAÇÃO A entonação é ao mesmo tempo, uma expressão da unidade sintática (uma linha tonal completa com início, desenvolvimento e fim) e um meio pelo qual a voz traduz os estados afetivos e emocionais. - Frase declarativa - Frase imperativa - Frase interrogativa - Frase optativa - Frase exclamativa PONTUAÇÃO e PAUSA Pontuação: Sistema de sinais gráficos que indica na escrita, a pausa na linguagem oral. Pausa: Silêncio, breve ou longo, que se produz em uma enunciação. Na leitura em voz alta, é preciso poupar o sopro respiratório e evitar a exaustão completa. Para isso, temos a ajuda da pontuação, que nos dá a oportunidade de renovação constante da provisão de ar. A pontuação oral às vezes despreza uma pontuação gráfica, e em outras supre sua falta em benefício da expressão. A pontuação também serve para indicar as modulações de voz, geralmente: MOVIMENTO O estilo do texto e o sentimento que ele determina indicam o movimento a ser obedecido, como por exemplo : movimento lento : tranquilidade, desânimo, resignação etc... movimento rápido : entusiasmo, vivacidade, pressa, agitação etc... LOCUÇÃO: A VOZ NO RÁDIO O texto usado no rádio é uma fala armazenada. Embora o comunicador/a se prepare antes de apresentar o programa, ele deve demonstrar espontaneidade e improviso ao falar, imprimindo emoção à sua voz em relação ao que está sendo noticiado e relatado.
  • 93.
    93 A voz “radiofônica”tradicional é uma voz impostada, exercitada para ser emitida com ressonância. Na atualidade busca-se a voz viva, comunicativa, ou seja, a voz de um rádio amigo e companheiro. A voz dos locutores profissionais esteve por muito tempo subordinada a normas de “perfeição” que provocaram uma frieza comunicativa e distanciadora. As novas formas radiofônicas, principalmente a comunitária, priorizam uma fala direta e informal que transmita emoção e sentimento. Não existem “vozes de locutor”, há lugar para todos os timbres e todas as formas de falar. Em uma emissora comunitária todas as vozes são bem-vindas! Quando conversamos com um amigo não estamos preocupados com a impostação da sua voz, mas no conteúdo do que está dizendo e no modo com o faz. No rádio, o comunicador/a é avaliado não só pelo que diz mas como o diz. Por isso é importante refletir sobre quatro itens, antes de levar ao ar o que tem em mente, são elas: • O que estou dizendo é importante para quem escuta? • O que estou dizendo faz sentido para quem está lá do outro lado do rádio? • Isto que estou dizendo vai trazer benefício ou resultado positivo para o ouvinte? A forma de falar é tão importante quanto o conteúdo. A ênfase que o locutor dá a determinadas palavras pode mudar o sentido da frase ou da idéia. De acordo com pesquisas de neurolinguística, (ciência que estuda a elaboração cerebral da linguagem), 38% da nossa influência sobre os outros acontece por meio do nosso tom de voz. A forma da palavra corresponde a 7% da influência que exercemos sobre as pessoas . Sobram então 55% para os argumentos que usamos para expressar as idéias. No texto do roteiro radiofônico existem dois sinais de pontuação que são fundamentais para o ritmo e o sentido da locução: As vírgulas são como um sinal de trânsito no amarelo representa uma pausa para a respiração e devem ser entoadas para cima. Os pontos (Que devem ser representados por barras “///”) representam o sinal vermelho, ou seja, uma parada e devem ser entoados para baixo. Agora seguem alguns exercícios e recomendações para a saúde vocal e o bom uso da voz no rádio. Como um músico, o locutor afina seu instrumento antes de começar a tocar: 1) Para articular melhor as palavras, uma prática recomendada consiste em morder um lápis e nessa posição ler uma notícia de jornal ou cantar uma música inteira com voz forte. Este exercício relaxa todos os músculos do rosto, é aconselhável que seja praticado todas as manhãs. 2) Soletrar é ótimo e ajuda muito! Pegue um livro e leia-o em voz alta lentamente. Em seguida soletre mais rápido, certificando-se que está pronunciando cada uma das sílabas de cada palavra. 3) Os tradicionais trava-linguas não servem apenas de brincadeiras para as crianças, mas para melhorar a dicção dos adultos. Procure um com letras incômodas para você. Se tiver problema com os erres, não hesite em praticar o conhecido: “ O rato roeu a roupa do rei de Roma”.
  • 94.
    94 EXEMPLO: de TravaLínguas (devem ser falados rapidamente sem pausas) 1) Pedro tem o peito preto, O peito de Pedro é preto; Quem disser que o peito de Pedro é preto, Tem o peito mais preto que o peito de Pedro. 2) A vaca malhada foi molhada por outra vaca molhada e malhada. 3) Um ninho de mafagafos, com cinco mafagafinhos, quem desmafagafizar os mafagafos, bom desmafagafizador será. 4) Há quatro quadros três e três quadros quatro. Sendo que quatro destes quadros são quadrados, um dos quadros quatro e três dos quadros três. Os três quadros que não são quadrados, são dois dos quadros quatro e um dos quadros três. 5) Chupa cana chupador de cana na cama chupa cana chuta cama cai no chão. 6) Pinga a pipa Dentro do prato Pia o pinto e mia o gato. 7) O rato roeu a roupa do rei de Roma. 8) Pinga a pia apara o prato, pia o pinto e mia o gato. 9) O princípio principal do príncipe principiava principalmente no princípio principesco da princesa. 10) Quico quer quaqui. Que quaqui que o Quico quer? O Quico quer qualquer quaqui. 11) Três pratos de trigo para três tigres tristes. 12) Luzia lustrava o lustre listrado, o lustre listrado luzia. 13) Sabendo o que sei e sabendo o que sabes e o que não sabes e o que não sabemos, ambos saberemos se somos sábios, sabidos ou simplesmente saberemos se somos sabedores. 14) Fala, arara loura. A arara loura falará. 15) Atrás da pia tem um prato, um pinto e um gato. Pinga a pia, para o prato, pia o pinto e mia o gato. 16) A vida é uma sucessiva sucessão de sucessões que se sucedem sucessivamente, sem suceder o sucesso... 17) O Tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem, o Tempo respondeu pro tempo que o tempo tem o tempo que o tempo tem.
  • 95.
    95 A LOCUÇÃO DENOTÍCIAS A apresentação de notícias é a base da comunicação no rádio. Quem domina as técnicas de locução de notícias, sabendo modular a voz, quebras de ritmo e mudanças interpretativas, domina um dos recursos mais importantes da comunicação radiofônica. O comunicador deve ler previamente o texto e observar o sentido da notícia antes de interpretá-la. Procure escutar com atenção programas de notícias transmitidos pelo rádio, observando os seguintes detalhes: 1) Como muda a inflexão de voz do apresentador, de uma notícia para outra? 2) Como soa a colocação da voz nos finais de frase? 3) Qual a modulação de voz do locutor e quais as técnicas utilizadas para despertar a curiosidade do ouvinte para determinado item, dentro da notícia (números, cifras, índices, porcentagens, cotações etc) 4) Como age o locutor diante de um erro ou engano quando está falando? 5) Observe os improvisos utilizados para se sair bem nos momentos em que é necessário ter jogo de cintura. CUIDADOS COM A VOZ 1) Administrar o cansaço físico e mental. Uma noite bem dormida é fundamental para a qualidade e a saúde da voz. 2) Evitar falar alto em ambientes ruidosos ou ao ar livre. 3) Procurar manter úmida a mucosa da faringe, de preferência com água sem gelo. 4) Durante o trabalho de locução, ingerir maior quantidade de água. 5) Falar sempre no tom natural de sua voz, sem forçar os graves e agudos. 6) Não pigarrear ou tossir para limpar a garganta, até porque não limpa e ainda irrita as cordas vocais. Beber água para atenuar os efeitos nocivos do pigarro para as cordas vocais. 7) Disciplinar os horários de trabalho para que haja repouso vocal após cada período. 8) Hidratar-se com sete a oito copos de água por dia. 9) Evitar a ingestão de refrigerantes gelados, bebidas alcoólicas, comidas gordurosas ou muito temperadas. 10) Evitar dormir ou permanecer muito tempo em recintos com ar condicionado. 11) Manter a postura ereta da cabeça e do corpo durante a locução.
  • 96.
    96 GLOSSÁRIO DE TERMOSRADIOFÔNICOS ACÚSTICA: Estudo do som, sua natureza e característica. Em rádio, é a medida de qualidade sonora de um ambiente. AM: Amplitude Modulation ( modulação de amplitude ). Sistema que aplica o sinal do som à freqüência do transmissor, associado à transmissão de ondas médias. FM: Abreviação de Freqüência Modulada, sistema de transmissão em que a onda portadora é modulada em feqüência.As transmissões em FM sofrem menos incidência de ruídos e apresentam maior fidelidade de resposta. Os carros de reportagem externa freqüentemente transmitem nessa faixa. BREAK: Expressão inglesa usada em algumas emissoras para designar o intervalo comercial. BRAINSTORMING: Traduzindo do inglês, tempestade cerebral ou tempestade de ideias. Trata-se de um método inventado por Alex Osborn que destaca a produção criativa muitas vezes limitada por julgamentos. Assim, um tema é apresentado e as pessoas vão dizendo palavras que vêm à mente, escrevendo-as em torno da ideia central. Importante: sem julgamentos ou críticas, para num segundo momento ocorrer a seleção dentro do objetivo desejado. BLOCO: Conjunto de notícias , músicas ou matérias situado entre dois intervalos comerciais ou institucionais. BG: Abreviação de background, músicas ou sons de fundo que servem como suporte para a locução. O popular fundo musical. CABEÇA DA MATÉRIA: Abertura de uma notícia ou reportagem. É o fato mais importante, destacado logo no início da informação, para prender a atenção do ouvinte. Geralmente a cabeça é lida pelo apresentador no estúdio. CHAMADA: Flash gravado sobre a matéria ou programa, transmitido várias vezes durante a programação, para despertar o interesse do ouvinte. CLIPPING: Conjunto de recortes de jornais e revistas sobre determinado assunto. COMENTÁRIO: É a opinião de alguém que conhece bem o assunto abordado pelo programa. O comentarista influencia o ouvinte e nunca é neutro: sempre servirá para emitir um juízo de valor. DECUPAGEM: Processo de registro da ordem e da duração das diversas seqüências de uma reportagem gravada, com anotação de frases capazes de identificá-las posteriormente, para fins de edição. DEIXA: Palavras finais da matéria que indicam ao apresentador e ao operador de som o momento em que outro trecho da informação deve ir ao ar. EDIÇÃO:Montagem de uma matéria radiofônica, seleção, corte e emenda de trechos das entrevistas gravadas.
  • 97.
    97 EDITORIAL: Texto opinativosobre determinado assunto que expressa a posição política da emissora sobre um fato específico. FLASH: Rápido informe sobre um fato, dado pelo repórter ou pelo locutor. FONTE: É a origem da notícia, onde o radialista vai buscar a informação. A fonte pode ser: oficial( representantes do governo, instituições, escolas, etc.), comunitária ( pessoa da comunidade que tenha alguma relação com o assunto tratado), documental( quando o produtor do programa consulta arquivos, livros, documentos, páginas da Internet etc.) FURO JORNALÍSTICO: Basicamente é uma informação importante que ninguém ainda sabe. GANCHO: O elemento que justifica a matéria e a torna oportuna. É a relação da matéria radiofônica com a vida real do ouvinte. JABÁ: Gíria que designa a veiculação de informações ou músicas mediante pagamento, “por baixo do pano”. O mesmo que “ jabaculê”. LIDE: Forma aportuguesada de lead, que é a abertura da notícia. Relato do fato mais importante de uma notícia, que informa objetivamente: O quê? Quem? Onde? Quando? Como? Por Quê? MICROFONIA: Defeito de instalação de áudio em que o som dos auto-falantes retorna ao microfone provocando um forte ruído. Isso ocorre com freqüência em rádio quando o entrevistado, por telefone, também esta ouvindo a rádio e não reduz o volume. NOTA: Texto pequeno, de cinco a oito linhas, com informações objetivas sobre determinado fato, para ser lido em intervalos da programação musical. E uma forma de manter o ouvinte atualizado sobre assuntos variados. PAUTA: É o roteiro dos principais assuntos ou temas que merecem cobertura em um programa de rádio, contém o resumo do que deve ser apurado na reportagem e indicações básicas como: pessoas a serem ouvidas; meio de contato com elas( tel., email, endereço, etc.) PÚBLICO-ALVO OU PRIORITÁRIO: Segmento da população que se pretende atingir e sensibilizar com uma campanha, programa, anúncio, notícia etc. QUADRO: Temas específicos desenvolvidos dentro de um programa. RELEASE: Texto informativo distribuído por instituição privada ou governamental para ser divulgado pelo veículo, com informações básicas sobre determinado acontecimento ou evento. REPORTAGEM: Conjunto de providências necessárias à elaboração de uma matéria radiofônica. Inclui pesquisa, entrevista, seleção de dados relacionados ao fato/acontecimento a ser veiculado.
  • 98.
    98 ROTEIRO: É otexto que serve de guia para a apresentação do programa. É uma prévia, no papel, de como o programa irá se desenvolver. Além do texto que será lido pelo locutor, no roteiro está descrito todo o trabalho técnico que deve ser feito pelo operador de áudio, como: a música que vai ao ar, o momento da fala do locutor, as vinhetas de apresentação do programa e de passagem de blocos, os spots publicitários e institucionais, os efeitos sonoros, o BG etc. SPOT: Comunicação breve em rádio, de mensagem comercial ou institucional. TEASER: Breve e instigante chamada para promover uma notícia ou um programa que vem a seguir. VINHETA: Mensagem curta que marca a passagem de blocos do programa, composta com texto e efeitos sonoros ou só com efeitos sonoros (o“plimplim” que demarca o início e o final de um bloco do programa). SUPORTE Na fase do suporte o objetivo é ver as equipes das rádios caminhando sozinhas. A rádio que dá certo não se sustenta pelo talento ou sorte, mas pela união, a força de vontade, a disciplina da equipe. E quando se trata de rádio, esse esforço tem uma boa parcela de prazer no que se faz. Simplesmente distribuindo e assumindo tarefas a serem cumpridas num certo prazo. O Coordenador da rádio tem o papel fundamental de estimular, instruir, cobrar, interagir e ampliar a rádio, logicamente em conjunto. Sem equipe não tem rádio. Sem a comunidade (escolar), os ouvintes, a rádio não existe. A interdependência de cada um e participação de todos é fundamental. Durante o suporte, os professores do NOA estarão presencialmente ou na internet – e-mail, facebook. Estaremos na ativa e na torcida! TOCANDO A RÁDIO Estrutura: A Rádio precisa de condições básicas para produzir e funcionar, tendo como ideal: um local e equipamentos específicos para a rádio. A coordenação da rádio precisa combinar com a direção da escola ou responsáveis locais a liberação para o acesso da equipe ao local e equipamentos da rádio em determinados dias e horários, sem atrapalhar ou serem atrapalhados por atividades locais. Equipamentos: Computador, estabilizador (ou, se possível, um nobreak), mesa de som, microfones, fone de ouvido, gravador digital, cabos, adaptadores – os professores de Rádio e Sonoplastia darão as especificações técnicas de cada equipamento. Na falta de algum equipamento, a Coordenação da rádio deve se informar sobre um prazo para a resolução das pendências. Enquanto isso, uma alternativa é usar o notebook de alguém da equipe ou os computadores de casa visando cumprir a meta de produção - pelo menos um programa de 10min por semana. Contatos: Todos da equipe precisam informar os números dos celulares, telefone fixo, e-mails e redes sociais para se comunicarem. Se possível, verificar o e-mail todos os dias. No período de capacitação a equipe do NOA também poderá prestar suporte pela internet através de e-mail ou facebook, interagindo com as equipes de rádio – que devem interagir com seus ouvintes!
  • 99.
    99 Reuniões: Definir pelomenos dois dias da semana para reuniões. Uma para produção e outro para gravações/montagem. Determine horários de início e fim das reuniões. Além dos encontros para produzir, gravar e montar os programas, a equipe deve definir qual ou quais dias da semana a rádio será veiculada, seja ao vivo ou gravada – faça uma grade de programação. 1ª Reunião: Reunião de pauta com foco no interesse do ouvinte para definição dos temas, quadros, entrevistas, roteiro. Para começar a produção, a coordenação da rádio deve distribuir tarefas à equipe e cada um deve cumpri-las antes da gravação, no segundo encontro. DICA Faça brainstorming, pesquise e peça sugestões aos seus ouvintes: alunos, professores e funcionários da escola. Pode consultar os amigos e familiares, mas sem perder o foco no interesse dos seus ouvintes. 2 ª Reunião: existem várias maneiras de se fazer rádio, seja ao vivo ou gravado. Abaixo segue um exemplo de programa gravado. Gravação Texto pronto e locução ensaiada. Dicas de locução e gravação 1) Defina quem será âncora - que fará a locução da abertura, giro de manchetes, manchetes e encerramento. Pode ser mais de uma pessoa, intercalando fica legal! 2) Atenção com a dicção (pronúncia correta da palavra), o ritmo, entonação valorizando o texto, entusiasmo na abertura e no encerramento. Alto astral! 3) Treine e sublinhe palavras difíceis. Se informe sobre a pronúncia correta de nomes, cargos e palavras estrangeiras. 4) Se a locução travar, não perca tempo, bote esta pessoa pra treinar e grave outra. 5) Fica no estúdio só quem vai gravar: técnicos de áudio, âncora, repórteres, convidados. 6) Enquetes e entrevistas podem ser gravadas fora do estúdio para entrarem como sonoras. 7) Programe o tempo necessário para as gravações – sempre é pouco, cuidado!
  • 100.
    100 Montagem • Depois detudo gravado, o técnico ainda precisa montar o programa seguindo o roteiro - o que pode ser feito em casa se o técnico tiver PC. • Salve as gravações em mp3 com qualidade de, pelo menos, 256kbps. • Cada produto numa pasta específica: spots, vinhetas, etc. • Sugestão: Nomeie o programa colocando: o nome do programa e a data, exemplo: Rádio NOA 020313. DICA FAÇA BACKUP DE TUDO! Quando? SEMPRE! Mantenha o antivírus atualizado e antes de abrir qualquer pendrive no PC, passe o antivírus. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Vigil, José Ignácio López. Manual urgente para radialistas apaixonados. São Paulo, Paulinas, 2003. César, Cyro. Rádio: A mídia da Emoção. São Paulo.IBRASA, 1989. Prado, Emílio. Estrutura da Informação Radiofônica. São Paulo, summus editorial, 1989. Lage, Nilson. Linguagem Jornalística. São Paulo, Ed.Ática, 1986. Porchat, Maria Emília. Manual de Radiojornalismo (Jovem Pan). São Paulo, Ed. Brasiliense, 1986. Unicef. Chamada à ação: Manual do radialista que cobre educação. Brasília, 1997. Sônia, Virgínia Moreira. Rádio Palanque. Rio de Janeiro, Mil Palavras, 1998. Rádio, a arte de falar e ouvir/ Laboratório. Sepac, São Paulo, 2003.
  • 102.
    102 RÁDIO E SONOPLASTIA INTRODUÇÃO Ligueo rádio: ouça a voz do locutor preferido, as músicas do momento, as vinhetas que anunciam o nome da emissora, do programa e também dos comerciais. Nesse universo de sons, de repente, uma batata pode falar, ondas quebram no mar revolto, os grilos e outros animais da noite invadem a casa. Essa é a magia do rádio, que estimula a imaginação e a fantasia por meio dos sons, fazendo cada pessoa criar e sentir o sabor, o cheiro, a cor e a textura das imagens ouvidas. Criar esse clima, permitir visualizar o que se está ouvindo é a função da sonoplastia, a utilização de recursos sonoros (musicais, sons e efeitos especiais) que ajudam a criar imagens auditivas, prendendo a atenção, envolvendo as pessoas, fazendo-as sentir as mais diversas emoções: alegria, tristeza, solidariedade, paixão e etc. A sonoplastia é um dos maiores trunfos, um dos motivos da magia do rádio, mas o que seriam dos grandes truques sem um habilidoso mágico? Por isso, antes de conhecer mais profundamente os segredos da sonoplastia, conheça o profissional responsável por toda essa magia: o operador de áudio, o sonoplasta! Ao contrário dos grandes mágicos e ilusionistas, esse artista quase não aparece. Sua atuação é nos bastidores, onde comanda com maestria uma equipe do barulho, sendo ele a peça fundamental. Para ser um bom profissional na área é necessário possuir um amplo conhecimento a respeito dos equipamentos técnicos, ser curioso e correr atrás das novidades que a moderna tecnologia proporciona diariamente. Além disso, procurar cultivar as qualidades, as aptidões e habilidades que nos tornam únicos, especiais, porque as relações são com outras pessoas, que possuem expectativas, frustrações, sonhos, tristezas e alegrias como qualquer um de nós. E o que seria um profissional desprovido de sensibilidade e empatia? Talvez um bom operador, movimentando botões aqui e ali, reproduzindo músicas, colocando vinhetas, comerciais. E só. Essa é a grande diferença entre o sonoplasta e um simples operador de áudio. O primeiro não se limita a operar equipamentos, a transmitir sons pelas ondas do rádio: vai muito mais longe. O sonoplasta é ousado, criativo, persistente e determinado. Não tem medo de tentar, errar, corrigir e tentar novamente, até encontrar o som, a música, o efeito desejável, que proporcione àquela cena o clima que faltava. É um profissional incansável na busca de novos equipamentos e conhecimentos que possam melhorar cada vez mais a qualidade de seu trabalho. Como se não bastasse, o sonoplasta sabe (e gosta) de trabalhar em equipe, propõe e aceita ideias e sugestões, vive em eterna pesquisa na busca de novos sons, músicas, efeitos sonoros, usando e abusando de sua sensibilidade e criatividade. ROTEIRO Imagine um espetáculo onde os atores principais não conheçam as deixas de suas entradas e saídas, não saibam a ordem das falas e nem o enredo da história. Com certeza, seria um verdadeiro desastre. Agora, imagine isso acontecendo durante a execução de um programa de rádio ao vivo. Acaba de ser anunciada a entrevistas (gravada) com a médica fulana de tal. De repente, em lugar da entrevista, ouve-se uma campanha pelo voto aos 16 anos. É claro que dá pra remediar a situação, mas isso pode ser evitado.
  • 103.
    103 Basta o operadorde áudio conhecer, com antecedência, o roteiro ou script do programa. No roteiro está descrito todo o trabalho técnico que será realizado durante a execução do programa; indica a entrada e saída de vinhetas e comerciais, as deixas das matérias gravadas, as cortinas e trechos musicais, efeitos sonoros, momentos das falas dos apresentadores, que ajuda a se ter uma ideia do programa antes de sua execução. SONOPLASTIA Através da audição, o rádio desperta uma parceira poderosa: a imaginação, utilizando uma combinação harmoniosa de ingredientes como a voz da razão (as palavras), a voz da emoção (as músicas) e a voz da natureza (os sons, ruídos e efeitos que reproduzem sons naturais), muita criatividade e sensibilidade. Essa combinação recebe o nome de sonoplastia, que pode ser traduzida como a arte e a técnica de compor e combinar sons, músicas, ruídos e efeitos acústicos para dar asas à imaginação de quem ouve um programa de rádio, assiste a um filme ou uma peça teatral, por exemplo. Através da manipulação e composição dos sons, o sonoplasta reconstitui o ambiente, o lugar, o cenário onde se realiza determinada cena. Se o assunto é relacionado a água são utilizados sons, ruídos, músicas e efeitos sonoros ajudando a criar o ambiente na imaginação de quem está ouvindo. A sonoplastia pode ser dividida em quatro áreas: ilustrativa, complementar, tradutora e visualizadora. E que tal conhecer um pouquinho de cada uma delas? Ilustrativa: como o nome sugere, essa área da sonoplastia é utilizada para “ilustrar”, exemplificar uma informação, tornando-a mais atraente aos ouvintes do rádio. Complementar: atua como complemento à ideia central contida em um texto ou informação. Para isso, o sonoplasta utiliza uma cortina musical – trecho de uma música que reforça o que foi dito. Quer um exemplo? Se o assunto é a seca e a necessidade de utilizar racionalmente a água, pode-se usar a seguinte frase musical: “Traga-me um copo d’água tenho sede. E essa sede pode me matar...”. Tradutora: procura simplificar a mensagem ou informação, buscando traduzi-la para os ouvintes. Pode e deve ser utilizada para facilitar a compreensão da ideia central do texto ou informação. Visualizadora: possui semelhanças com a ilustrativa, porém é mais utilizada quando se quer criar imagens a respeito do assunto sobre o qual está se tratando, como uma radionovela. Permite que o ouvinte use a imaginação e fantasie, crie “imagens auditivas” sobre o tema. SONOPLASTA O sonoplasta é o profissional que trabalha com a sonoplastia, sendo fundamental em qualquer emissora, seja rádio ou de televisão e também em produções como espetáculos teatrais e filmes. Faz parte de sua rotina estudar e pesquisar novas técnicas, equipamentos e recursos para executar com maior qualidade o seu trabalho e, além dos conhecimentos e habilidades, deve ter o espírito curioso, procurar estar sempre bom-informado e manter os ouvidos e as “antenas ligadas”. O bom sonoplasta fica atento ao texto, à fala dos apresentadores e entrevistados, ao mesmo tempo em que procura encaixar os efeitos sonoros ou musicais de acordo com a mensagem transmitida. Para isso, usa e abusa da criatividade e sensibilidade.
  • 104.
    104 PRINCÍPIOS DO SONOPLASTA Alémde usar e abusar a todo instante de sua imaginação, sensibilidade, criatividade na hora de relacionar músicas, sons, ruídos e efeitos sonoros ao assunto que está sendo abordado, o sonoplasta leva em conta os seguintes princípios: As letras e arranjos • Toda a letra de uma música pode não servir para ilustrar um assunto, mas pequenos trechos ou frases musicais podem (e devem) ser aproveitados isoladamente para ilustra uma determinada mensagem ou texto. • Quando estiver selecionando uma música a ser utilizada, deve-se levar em consideração não somente a letra, mas a qualidade da gravação. O mais importante é a nitidez, a clareza com que a letra da música se destaca sobre a parte instrumental da canção. • Muitas vezes, por mais que a música tenha uma letra adequada, o ritmo a torna impossível de ser ouvida. • Deve-se procurar “casar” não só a letra, mas também o ritmo da música combinando-o com o ritmo da narrativa ou da emoção que o texto pede ou está tentando transmitir aos ouvintes. Um texto triste não combina com um fundo musical alegre. A pesquisa e seleção musical • Um bom sonoplasta está sempre disposto a ouvir qualquer estilo de música e, dessa forma, encontrar novas possibilidades e ideias interessantes para seu trabalho. • Além de pesquisar e ouvir tipos de músicas é interessante classificá-las por estilo, assunto ou temas, fazendo uma espécie de “catálogo” musical ou banco de dados, o que facilita o trabalho na hora de selecionar e encontrar as músicas adequadas àquele tema. Atenção e sensibilidade • De acordo com as possibilidades técnicas dos nossos equipamentos, deve-se procurar dar o melhor tratamento possível à composição de sons, efeitos, ruídos, músicas e evitar os cortes bruscos que possam “ferir” o ouvido de quem escuta o programa. • Em programas ao vivo, não pode haver bobeiras ou descuidos. Se for utilizar um determinado trecho de música para complementar a mensagem ou ideia central do texto, é bom evitar que a música toque além do trecho previamente selecionado. Cuidados com os equipamentos • O sonoplasta tem o máximo de cuidado com seus equipamentos, CD’s, gravadores, cabos, adaptadores, headphone e microfones. • O bom sonoplasta busca reivindicar, sempre que possível melhor condição para executar suas funções, sugerindo a aquisição de novos equipamentos que possam auxiliar, cada vez mais, no desenvolvimento e na qualidade do seu trabalho.
  • 105.
    105 CADERNO DA SONOPLASTIA Asonoplastia é um dos maiores trunfos, um dos motivos da magia do rádio. É a “plástica do som” - areconstituição dos ruídos que companham a ação num programa de rádio, numa peça de teatro, num filme, num espetáculo. A sonoplastia permite que a música e os efeitos sonoros ampliem os sentimentos e as emoções, envolvendo o público com suas vibrações sutis e poderosas. A base de uma boa sonoplastia é a TÉCNICA, a INFORMAÇÃO e a SENSIBILIDADE do sonoplasta. A sonoplastia deve ser VISUALIZADORA, COMPLEMENTAR e ILUSTRATIVA ao roteiro. VISUALIZADORA porque... ...cria a imagem e faz o ouvinte visualizar a ação. COMPLEMENTAR porque... ...complementa com efeitos e/ou músicas a idéia central do texto. ILUSTRATIVA porque... ...torna a informação dada mais atraente para o(a) ouvinte. Atravéz da audição, o rádio desperta uma parceria poderosa: a imaginação, utilizando uma combinação harmoniosa de ingredientes como a voz da razão (as palavras), a voz da emoção (as músicas) e a voz da natureza (os sons, ruídos, e efeitos que reproduzem os sons naturais), muita criatividade e sensibilidade. SONOPLASTA É quem elabora/seleciona o fundo musical(BG - background)ouefeitossonorosaovivoougravados, selecionando músicas, efeitos adequados ao roteiro e de comum acordo com a equipe de criação; o(a) sonoplasta pode pesquisar as músicas ou efeitos para montar a trilha sonora; pode operar a mesa de som, produzindo os efeitos planejados ou dirigir o(a) operador de som. É necessário que o sonoplasta possua um repertório musical minimamente diversificado, para que possa fazer de sua atividade um instrumento de ampliação do sentimento no rádio. Lembrando-se sempre de que as músicas e sons utilizados devem estar intimamente ligados ao que o roteiro quer representar.
  • 106.
    106 O (A) SONOPLASTAdeve... ...exigir um roteiro claro e bem formatado. ...saber ouvir as indicações sonoras dos roteiristas, locutores e/ou clientes. ...estar sempre atento ao conteúdo do roteiro, durante a seleção dos BG`s e dos efeitos sonoros. ...ter sensibilidade na escolha dos efeitos sonoros, trechos ou frases musicais e BG`s. ...criar um catálogo de músicas temáticas e efeitos sonoros. ...saber aproveitar os trechos ou frases musicais, que vão servir para que o ouvinte visualize melhor a informação do locutor(a). ...nunca ter preconceito com estilos musicais. CURIOSIDADES DA SONOPLASTIA NO BRASIL Com o desenvolvimento das radionovelas foi preciso também que se desenvolvessem outras áreas de criação a fim de dar complemento ao texto e aos atores. Aqui é que surge um trabalho especializado: a sonoplastia. E com ela, o (a) sonoplasta, profissional responsável por todos os efeitos sonoros pedidos pelo texto. Efeitos que dariam ao (a) ouvinte a possibilidade de visualizar a cena, do modo que mais lhe agradasse. Edno do Valle, um dos melhores sonoplastas que o rádio conheceu, conta como foi esse processo na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. “O elenco do radioteatro na Rádio Nacional do Rio de Janeiro chegou a ter mais de 120 ‘elementos’ e o 1º estúdio, no 22º andar, não foi construído exatamente pra isso, mas com o tempo nós passamos para o 2º estúdio que ficava no 21º andar. Era um espaço muito grande e muito bem feito, e com isso, pela quantidade de programas que nós tínhamos, a contra regra tinha que estar permanentemente capacitada e com script na mão para reproduzir tudo aquilo que se pedia.” O sonoplasta era conhecido como contra-regra¹; e eram necessários vários contra- regras para construir, ao vivo, efeitos que hoje podem ser feitos por apenas 01 profissional, pelo simples fato deles já estarem gravados. Em 1941 estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro a 1ª radionovela brasileira, mas não era de todo brasileira, o seu autor, Leandro Blanco era cubano, a novela foi adaptada no Brasil por Gilberto Martins e deu um novo colorido a “Em Busca da Felicidade”. 1- Contra-regra é o profissional encarregado de cuidar dos cenários e objetos de cena. Ibdicar a entrada e saída dos atores de cena, dirigir a movimentação das m;aquinas, distribuir informes e horários.
  • 107.
    107 ROTEIRO O roteiro podeser definido como uma prévia de como será o programa quando for ao ar. Na formatação do roteiro, o uso das cores para diferenciar e destacar entrevistado de entrevistador, música e efeitos, facilita muito o trabalho do sonoplasta. No roteiro está descrito todo o trabalho técnico que deverá ser feitos na montagem dos programas, como o momento da fala do locutor e do entrevistado, a entrada de efeitos sonoros, trilhas sonoras e BG`s. EXEMPLO DE ROTEIRO (Fonte: Programa Brasil Sustentável e Democrático. Tema: Gênero. Roteiro: Denise Viola.) TEC: MÚSICA – SEXO FRÁGIL – ERASMO CARLOS “...DIZEM QUE A MULHER É SÉXO FRÁGIL MAS QUE MENTIRA ABSURDA EU QUE FAÇO PARTE DA ROTINA DE UMA DELAS SEI QUE A FORÇA ESTÁ COM ELA...” 0`20`` (É desta forma que a música ou trecho musical deve ser apresentada. Repare que a roteirista indica o nome da m’sica, o cantor e só não cita o disco, por que não sabe, mas deixa uma observação para o sonoplasta. É importante registrar o tempo do trecho musical.) DENISE: SÓ PRA VOCÊ TER UMA IDÉIA, AS MULHERES SÃO RESPONSÁVEIS POR 70% DAS HORAS TRABALHADAS NO MUNDO// EMBORA TENHAM EM MÉDIA MUITO MAIS ANOS DE ESCOLARIDADE, RECEBEM CERCA DA METADE DO SALÁRIO DOS HOMENS PARA EXERCEREM AS MESMAS FUNÇÕES// SE A MULHER FOR NEGRA, ESSE VALOR AINDA É MENOR// (Este é o texto da locutora, escrito em caixa alta(letra maiúscula) e sem separação de sílabas, para facilitar a leitura. É importante que a roteirista fique atenta ao tempo de narrativa.) TEC: EFEITO DE ESPANTO (Rápido) (Descrição de um efeito sonoro indicando inclusive o seu modo de inserção. Neste caso o efeito deve ser rápido. Mas é possível descrever efeitos sonoros como grito de pavor ou grito de alegria, dependendo da situação.) DENISE: EMBORA ESTEJA CRESCENDO O NÚMERO DE MULHERES... TEC: PODE ENTRAR UMA PARTE INSTRUMENTAL DE MARIA MARIA (Esta é uma “sugestão” musical.) DENISE: NENHUM MOVIMENTO CRESCEU TANTO E OBTEVE TANTAS CONQUISTAS NOS ÚLTIMOS ANOS COMO O MOVIMENTO DE MULHERES// MARIA EMÍLIA LISBOA PACHECO É DIRETORA DA FASE E CONVERSA CONOSCO SOBRE UM NOVO CONCEITO – O EMPODERAMENTO DAS MULHERES// O QUE É ESSE EMPODERAMENTO, MARIA EMÍLIA?
  • 108.
    108 MARIA EMÍLIA - MD O2 - TRACK 01 - 0’23”: EMPODERAMENTO É EXATAMENTE ADQUIRIR PODER. NÓS PARTIMOS DO... DA CONSTATAÇÃO QUE EXISTE NO BRASIL, UMA ENORME DESIGUALDADE DE GÊNERO, UMA ENORME DESIGUALDADE ENTRE AS OPORTUNIDADES DE ACESSO A MEIOS DE PRODUÇÃO, A RECURSOS POR PARTE DAS MULHERES. AS MULHERES TÊM, EM GERAL, UMA SITUAÇÃO SUBORDINADA EM RELAÇÃO AOS HOMENS, E ISSO ACABA TENDO CONSEQÜÊNCIAS TAMBÉM NA SUA PRÓPRIA VIDA, NA QUALIDADE DE SUA VIDA, E TAMBÉM NA, NAS POLÍTICA PÚBLICAS. 1’03” (Este é um bom exemplo de como roteirizar uma entrevista ou depoimento, a roteirista previu até os cortes de edição, indicando também a mídia e o track onde se encontra a fala, além do tempo de início e término do trecho a ser usado.) TEC: VINHETA “O BRASIL QUE QUEREMOS// REPENSAR O PRESENTE É GARANTIR UM FUTURO PARA TODOS// UM PROGRAMA DO PROJETO BRASIL SUSTENTÁVEL E DEMOCRÁTICO// APOIO: FUNDAÇÃO HEINRICH BÖLL E FUNDAÇÃO FORD// REALIZAÇÃO: REDEH E CEMINA” (A roteirista registra o texto da vinheta final, indicando com as barras, o tempo de pausa na narrativa, facilitando a interpretação a interpretação do texto.) MÚSICAS TEMÁTICAS: São músicas cujas letras relacionam- se com o assunto abordado e que podem ser tocadas por inteiro, servindo ainda de BG ou música de corte. BG: vem do inglês background e, no rádio, é o som que fica por trás do texto, da entrevista, ao fundo do que está sendo dito, debatido. Este é um recurso sonoro muito utilizado para criar uma “imagem auditiva” reforçando a idéia sobre que se está comentando. Não é indicado utilizar músicas com letras quando se estivar fazendo uma entrevista, um comentário ou mesmo lendo um texto. Mesmo que o BG seja instrumental, não pode estar mais alto que a voz do locutor, pois isso também confunde quem está ouvindo. RÁDIONOVELA: gênero dramático apresentado em capítulos durante um certo período, divididos em partes, a exemplo da televisão. Exige interpretação teatral e os mais variados recursos e conflitos. CAMPANHAS: objetiva a divulgação, por um certo tempo, de mensagens educativas atraente, informativas e esclarecedoras sobre um tema importante e de interesse coletivo: saúde, educação solidariedade, mobilização popular. Preferencialmente em forma de dramatização, spot e/ou jingle. Existem várias instituições, empresas e organizações não governamentais (ong`s) que costumam produzir materiais informativos para ser veiculados no rádio. São as campanhas, que possuem diversos temas, como a prevenção às – DST`s/AIDS, Direitos Humanos da Mulher e Amamentação.
  • 109.
    109 SPOT: palavra inglesa,de difícil tradução, que pode ser entendida como sinal dinâmico e sensível. No rádio e na televisão é um texto gravado com uma mensagem falada, mixada com efeitos sonoros e trilhas musicais. JINGLE: também do inglês, pode ser traduzida como som vibrante. Ao contrário do spot, é um formato publicitário gravado, que usa texto e música, ou seja, é uma mensagem cantada. ENQUETE: são simplesmente as gravações de opiniões de várias pessoas sobre um determinado assunto. EDIÇÃO: é o mesmo que selecionar e combinar os materiais gravados, cortando os trechos que não interessam, de forma que o resultado – a edição final – seja simples, informativo e interessante para o ouvinte. A edição não deve mascarar respostas e sim buscar corrigir alguns defeitos, como ruídos desagradáveis, espaços de silêncio, acessos de tosse, etc... de modo que estes imprevistos não sejam ouvidos quando o programa estiver no ar. BIBLIOGRAFIA GERAL UTILIZADA 1. Projeto Fala Juventude nas Escolas – Manual das Oficinas de Rádio – Governo do Estado do Amapá; 2000 2. Introdução à sonoplastia. SANTOS, Marcelo. Edição do autor, s/d. 3. O Rádio no Brasil – Acervo: Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Criação: Fábio ACM - fabioacm@gmail.com
  • 110.
    110 MANUAL DE OPERAÇÃODE ÁUDIO Compreendendo uma mesa de som. Todo o sistema de som funciona da mesma maneira. Sempre terá uma entrada e uma saída, as vezes muitas entradas e muitas saídas, todas disposta em um canal, a mesa é um entrelaçado de canais que você poderá controlar de acordo com as suas necessidades. No mundo o que vale é a experiência então a melhor maneira de aprendermos é botando a mão na massa! *MUITO IMPORTANTE!! Consultem a seção “Terminologia Universal do Áudio” (Pg. 15)para compreender as funções básicas de uma mesa. **Lembrem que para funções mais específicas de cada mesa SEMPRE CONSULTEM OS MANUAIS!! *Reparem que os canais são quase idênticos, somente o 9/10 e o 11/12 não possuem uma entrada balanceada XLR ou Cannon (*Ver seção de Cabos e Conectores)
  • 111.
    111 Como ligar oequipamento? Vermelho entrada - Azul Saída Abaixo entradas de uma placa de som onboard: Cada entrada terá seu volume controlado pelo Fader (figura da página 2), assim como as saídas, se após você conectar tudo não ouvir o som, lembre-se sempre de checar os volumes! OBS: Repare que nesta ligação acima o computador não possui placa de som externa . Se ele tivesse, em vez de ligarmos a mesa ao computador, ligaríamos a placa de som ao computador e esta ao PC. DICA Pense sempre no caminho que o sinal está fazendo assim ficará mais fácil de entender o seu sistema.
  • 112.
    112 Como preparar meuequipamento para gravar: Os programas de edição têm as mesmas funções, o que parece óbvio em um pode estar “escondido” no outro, o programa usado como exemplo é o Cubase. Primeiro é preciso entender a lógica dos programas, o Cubase é um programa Multipista, isto é multicanais, vários canais trabalhando simultaneamente. Assim como uma mesa de som, é necessário que você diga para o programa de onde está vindo o som então para gravar você deve “armar” os canais que irão gravar senão não haverá captura de som, isto é o computador não irá gravar. Ilustrei um quadro para melhor visualização dos comandos básicos.
  • 113.
    113 Estas são asfunções básicas do programa. Façam uso da seção terminologia universal do áudio para poder esclarecer cada função. Quadro de entradas e saídas de áudio do programa: Aperte a tecla F4, ou vá no menu Devices, VST Conection. Irá aparecer o seguinte quadro:
  • 114.
    114 NOÇÕES GERAIS DOÁUDIO: Som Mono: É um sistema de som onde existe apenas uma fonte sonora. O que é Stereo? É a sensação causada pela distância ( defasagem) entre duas fontes sonoras alinhadas, criando assim a “imagem” estéreo ( em inglês Stereo), onde está imagem é chamada de panorama, ou PAN. Isto também quer dizer que o som para ser estéreo precisará de dois canais da mesa, ou um canal estéreo tanto para entrar quanto para sair. Exemplo Pelos padrões para se obter uma “imagem” estéreo perfeita precisaremos de um triângulo perfeito entre as caixas e nossos ouvidos. Para aproveitar 100% do seu som preste atenção!! Se tivermos um som estéreo onde as duas fontes estejam juntas se obterá um som Mono. PAN é um dos parâmetros existentes na mesa de som, o seu knobb (potenciômetro) marcado com PAN, funciona da seguinte maneira: Veja Quadros: Se colocado na posição central teremos a seguinte sensação:
  • 115.
    115 Se colocado naposição um pouco para a esquerda, teremos: CABOS E CONECTORES - INFORMAÇÕES PRÁTICAS Tipos de cabos mais usados Todo cabo Tem um “Macho” e uma “Fêmea”: Cuidados e precauções: Use sempre o cabo adequado à cada aplicação. Improvisar soluções, ainda que em situações de emergência, acaba comprometendo o resultado final de todo o trabalho. Comparado com os demais componentes de um sistema musical, o cabo é uma peça bem mais barata, e por isso economizar nele não parece ser uma atitude racional. O ideal é ter-se sempre um cabo reserva de cada espécie, para uma eventual necessidade. Evite deixar o plug sobre tensão isto irá aumentar sua vida útil, não deixe o pendurado. Evite usar adaptadores quanto menos obstáculos para o sinal melhor qualidade será obtida.
  • 116.
    116 Ligação Cabo /Plug desbalanceado da forma correta:
  • 117.
    117 Ligação Cabo /Plug balanceado da forma correta.
  • 118.
    118 Cabo "y" p2(stereo) para p10 (mono) Existem diversos adaptadores que podemos usar para fazer possível nosso sistema de som, mas quanto menos obstáculos o sinal tiver melhor será o resultado. Ao lado o cabo adequado para ligar uma mesa de som ao computador. Basta ligar o plug dourado na entrada da placa de som de seu computador ( conector de cor Azul) e os outros dois em duas saídas da mesa! OS EQUIPAMENTOS QUE COMPÕE UMA RÁDIO SÃO: Microfone - É o transdutor, o que converte o som em sinal elétrico. Mesa de Som - É onde poderemos ligar todos nossos aparelhos, e ter controle independente de cada sinal entrando ou saindo da mesa, podendo alimentar microfones e equalizar o sinal. Amplificador - O som que saí de uma mesa não é capaz de fazer mexer um alto falante (no caso de caixas Passivas), para isso precisamos do amplificador para poder ouvir o som. Caixas de Som - Se ativas (Quando ja vem com o amplificador interno) dispensam o uso de amplificadores. É por onde se monitora os sinais. Computador - É o que vai possibilitar sua rádio de gravar suas transmissões e ainda ter uma programação sem interrupções. Compressor - É um regulador de faixa dinâmica. Transmissor - É o que emite o sinal para a antena. Antena - É o que propaga o sinal.
  • 119.
    119 TERMINOLOGIA UNIVERSAL DOÁUDIO Input: Entrada para um cabo de ligação: microfone, aparelho de cd, etc. Output: Saída aonde colocamos um cabo direcionando o som para o amplificador ou caixa de som. Pan: Panorama (neste “botão” escolhemos se queremos um som indo em stéreo por igual para as duas caixas, ou se queremos que o som vá mais para direita ou para a esquerda. Send: Enviar, mais uma saída. Mute: Mudo . Este comando serve para mutar o canal. Return: Retorno, mais uma entrada. REC: Record, quer dizer gravar. Gain ou Trim: Ganho, é a sensibilidade do microfone e também o volume do pré-amplificador. Na prática ele serrve para aumentar ou abaixar o volume. Insert: Inserir, com a ajuda de um *cabo “Y” , Mais uma entrada e uma saída, quer dizer que o som irá sair para um dispositivo desejado e irá voltar pelo mesmo lugar, colocando este dispositivo como conrolador. Para mais detalhes veja a seção Efeitos desta apostila. (*ver quadro de plugs e cabos) Fader: Peça da mesa de som, controle principal dos volumes. Fade In: Movimento do Fader do volume mais baixo para o volume desejado. Fade Out: Movimento do Fader do volume desejado até volume nenhum.
  • 120.
    120 Cross-Fade: Recurso usadopara unir dois áudios sem ter “pops*” (*ver quadro de ruídos) Ferramentas de Comando: Segure a tecla Ctrl e mais as letras indicadas. Cut: Cortar (Ctrl X) Duplicate: Duplicar (Ctrl D) Copy: Copiar (Ctrl C) Paste: Colar (Ctrl V) Channel: Canal por onde passará o sinal Mute: Mudo, nãi irá sair som. Solo: Significa que todos os outros canais ficaram mudos exceto o que estiver com o solo Signal: Sinal, Audio, sinal de variação de voltagem. Wet: “Molhado”, irá aparecer em efeitos, quanto mais molhado mais efeito Dry: Seco, irá aparecer em efeitos, quanto mais seco menos efeito. Low-Pass: Filtro Passa Alta, quanto mais virar o Knobb para a direita você estará cortando os graves. High-Pass: Filtro Passa Baixa, quanto mais virar o Knobb para a esquerda você estará cortando os agudos. Main: Principal, saída principal de som, Stereo (L + R)
  • 121.
    121 Split: Separar, emalguns programas a função cut pode ser chamada de split. Knobb: Potenciômetro Width: Largura, normalmente irá aparecer em uma opção do equalizador paramétrico e irá determinar a largura da banda de freqüência que você irá operar. Clip: Significa que o seu sinal está distorcido, normalmente este recurso estará sempre sinalizado por uma luz vermelha acendendo toda vez que o som distorcer. DICA Sempre confie no medidor do computador, se ele acender abaixe o volume!! DICAS DE GRAVAÇÃO! a) Sempre verifique os cabos que você irá usar, eles devem estar sempre bem soldados sem nenhum fiozinho arrebentado, pois senão poderão causar “hums” um ruído que pode acabar com seu trabalho. b) Veja se o sinal está chegando em um nível adequado, sinal baixo de mais significa má qualidade. c) Sempre nomeie corretamente seus canais,tanto no programa quanto na mesa (use fita crepe e escreve com um hidrocor o nome de cada item que está entrando e saindo da mesa), para não fazer confusão! Sessão desorganizada é um atraso de produção e incompetência do operador. d) Esteja sempre atento ao ganho pois ele é a sensibilidade do microfone. EXEMPLO: se você estiver gravando no meio de uma multidão, você deverá usar o ganho o mais baixo possível levando o microfone o mais perto da boca tomando o cuidado com as sílabas com “t” e “p” elas são responsáveis pelo ruído “pop” que é causado pelo brusco movimento do diafragma causado por essas sílabas.
  • 122.
    122 e) Para umaboa gravação é necessário concentração total por parte dos participantes, pois é um trabalho em equipe. f) Sempre use o fone de ouvido para monitorar o que está sendo gravado, pois se usar as caixas de som pode ocorrer uma microfonia ou então um vazamento de som na gravação. g) Se a luz vermelha acender abaixe o volume pois o som está distorcido, mesmo que você não perceba abaixe o volume do canal que estiver com a luz acesa. h) Ao terminar de usar os equipamentos cubra-os e não os deixa exposto á luz do sol, poeira e maresia, senão eles irão deteriorar muito mais rápido e o custo para o conserto pode ser bem caro. i) Se tiver que limpar algum equipamento eletrônico NUNCA use wd-40 ou qualquer produto desengripante. O produto correto para limpeza de equipamento é chamado LIMPA-CONTATO. j) NUNCA coma ou beba perto do equipamento, água e outras substâncias podem ser fatais para seu equipamento. Mas se caso acontecer de cair água ou algum líquido rapidamente remova o equipamento da tomada e aplique muito limpa-contato e só os coloque na tomada depois de terem secado por completo. Se ligar os equipamentos molhados irão queimar. RELAÇÃO SINAL / RUÍDO Esta é a relação que irá garantir um bom material para a edição atingir um nível de qualidade bom. Veja o exemplo abaixo: Sinal com baixo nível de entrada: Sinal com um bom nível de entrada: O primeiro exemplo está comprometido pois se usarmos o recurso de ganho para aumentarmos seu volume os ruídos ali gravados irão subir junto.
  • 123.
    123 Existem vários recursosna edição para tentar salvar sua gravação, mas para se atingir um resultado satisfatório na edição é preciso uma boa gravação. Ruídos são todos os soms não desejáveis em uma gravação. Por exemplo em uma entrevista ao ar-livre o som dos carros, dos passarinhos, de tudo aquilo que não for a voz do entrevistador / entrevistado pode ser considerado ruído. Mas por exemplo se você for gravar uma entrevista de fórmula 1, ou uma entrevista em uma fazenda, óbvio que estes sons de fundo (carro , ou passaros), se não influenciarem negativamente na compreensão da mensagem, eles podem até funcionar como um reforço à mensagem. Ao aumentar o ganho buscando um melhor sinal você também estará sujeito a mais ruídos, mas no mundo do áudio tudo deve ser feito pela experiência. O sinal não pode estar baixo de mais, e nem alto de mais, deve estar adequado a situação, e isto requer sensibilidade do operador. Outros ruídos são as interferências eletromagnéticas que podem ocorrer por equipamento mal conservado, cabos mal soldados, ou não soldados corretamente. Os equipamentos de áudio tem um padrão que está mostrado na sessão Cabos e Conectores desta apostila, qualquer alteração nessas conexões podem acarretar ruídos e interferências. Se chamam “Hums”. Existem também os ruídos das sílabas fortes com “t” e com “p”, e o corte em um áudio sem o uso de fades, resultam em ruído chamado “Pop” para amenizar esse ruído basta colocar o microfone a uma distância adequada em relação a boca do locutor,caso tenha que editar basta atenua-lo com o ganho. Abaixo veja como se parece um ruído Pop: Repare que o sinal dá um “pulo” rápido, isto acarretará um puff em suas caixas de som. EDIÇÃO Todo programa fará uso da terminologia universal do áudio, que está contida nesta apostila. Se houver alguma dúvida sugiro que consultem as seções, como preparar meu equipamento para gravar e terminologia universal do áudio ( pg. 12) Aediçãoécapazdeconsertarmuitoserrosdegravaçãoeatélimparruídoserestauraráudioscomprometidos. Não teremos tempo de dar todas as dicas necessárias para se usar 100% que os programas podem lhes oferecer mas colocaremos aqui as operações básicas. Farei uso de ilustrações para ser mais preciso, abaixo um corte realizado. Barra de Ferramentas:
  • 124.
    124 Para cortar: Muitos doscomandos estarão ao click do botão esquerdo do mouse, seja curioso click nas opções, a barra Edit estará presente em todos os programas. Vamos compreender a tabela de freqüência: • Audição Humana: de 20 Hz até 20.000Hz ou 20KHz • 20hz até 300Hz - Chamamos graves ou Baixas ( em inglês Bass ou Low) • 300hz até 1.000Hz – Médio Grave • 1.000Hz até 3.000Hz – Médio (em inglês Médium) • 3.000Hz até 8.000Hz – Médio Alta • 8.000Hz até 20.000Hz –Altas ou Agudos em (inglês Treble ou High)
  • 125.
    125 Aqui abaixo emum equalizador paramétrico comum nos softwares de áudio. Muitos ruídos podem ser amenizados apenas com o uso do equalizador. Sem necessitar de cortes.
  • 126.
    126 Abaixo um locuçãoeditada, cortando as respirações do locutor. OBS: para fazer um cross-fade, selecione as duas regiões e aperte a tecla “X” Abaixo uma referência para servir de guia para uma possível equalização para voz. Lembrem-se que isto não é regra e que essas freqüências podem não ser exatamente o que está escrito, então procure, ouça, tente, FAÇA!! Voz humana: Pufs abaixo de 80Hz, Profundidade em 120 a 250Hz, Corpo desnecessário 400 a 700Hz (depende da voz), nitidez 3 a 5KHz, sibilância( é o som produzido pelos “esses”) de 7,5 a 10KHz. Os ruídos de “Hums” normalmente se localizam na banda de 60Hz, basta colocar o equalizador em cima de 60Hz e atenuar. Veja exemplo:
  • 127.
    127 Abaixo edição deum POP, manualmente: Com a ferramenta Selecionar Região: Terminei o meu trabalho, como exporto o áudio do programa?
  • 128.
    128 Aparecerá o seguintequadro: Como importar um som para dentro do programa? Vá no menu File, import. Aparecerá as seguintes opções: A opção Áudio File importará todos os arquivos que você quiser, basta seleciona-los. Os áudios irão aparecer no canal que estiver selecionado, em cima da barra. A segunda opção Áudio CD é para importar áudios de um CD que estiver dentro do seu drive.
  • 129.
    129 EFEITOS Falarei apenas dosefeitos mais usados em rádio. Vamos começar pelo efeito mais importante chamado de compressor: O compressor é um regulador de faixa dinâmica isto é ele regula a variação de volume no áudio gravado. Existem mil e uma formas de regular um compressor, apenas a experiência atrelada a leitura dos manuais para adquirir domínio sobre os parâmetros de um compressor. Minha dica use os parâmetros pré prontos (preset) que vem nos compressores. Irei ilustrar mais adiante. Primeiro vou ilustrar uma locução sem compressão e outra comprimida: Repare que a variação de volume foi reduzida e a música irá soar toda com o mesmo volume. Para esse resultado usei o preset do compressor. Todo programa irá possuir presets, inclusive outros efeitos. Isso vale para todos os programas de edição de áudio. Recomendo o programa Sony Soundforge que possui um compressor muito bom com excelentes presets. A compressão irá garantir também uma melhor qualidade no sinal de saída para o transmissor.
  • 130.
    130 Reverb: Significa reverberação, tambémé um simulador de sala, é o efeito que faz parecer que estamos falando dentro de uma caverna, ou mesmo em um estádio de futebol. Abaixo parâmetros do reverb padrão do Cubase. Os presets funcionam da mesma forma que o compressor e se localizam na mesma barra. Basta clickar no default que irá aparecer as opções. Este efeito é usado para narrar jogos de futebol!! OBS: Para ouvir o efeito desejado em tempo real é necessário ativar o modo de Monitoração em Tempo Real. Veja seção: Como preparar meu equipamento para gravar. Equipamentos recomendados O kit da Behringuer Podcast studio USB é uma ótima opção para quem quer gastar pouco e já começar a produzir seus programas, pois já vem com mesa, microfone, placa de som e fone de ouvido, tudo o que você precisa para começar.. Aqui no Brasil está custando na faixa dos 550 R$ podendo ser mais barato, ou um pouco mais caro dependendo de onde comprar. Caso não tenha dinheiro para isso uma mesa de som e um microfone já bastam pois os computadores são equipados com uma placa de som on-board, que significa que a placa de som está junto da placa mãe. Aí basta ligar, veja quadro de ligação nessa apostila e pronto é só apertar o REC. Procurem marcas como Behringer, Le Son e Áudio Technica elas lhe darão uma melhor relação custo benefício.
  • 131.
    131 OPERAÇÃO DE ÁUDIO RESUMODE OPERAÇÃO PRÁTICA INTRODUÇÃO Projetos de comunicação passam, necessariamente, por padrões de qualidade que não se diferenciam tanto da comunicação escrita. O respeito ao formato e ao layout, assim como acontece nos jornais de grande circulação, também ocorre no radio. Porém, diferente dos jornais – que organizam seus espaços métricos e separa suas seções por página – o radio organiza seus espaços temporais. Em resumo, o projeto gráfico está para um jornal assim como o roteiro está para o radio. A capa do jornal Folha de São Paulo retrata bem essa organização métrica em seu projeto gráfico. Repare que cada seção ocupa um espaço específico da escalada, e ainda destina seu rodapé para um anúncio comercial. O sucesso de um projeto de comunicação depende, necessariamente, da forma como se organiza esse projeto; faz com que o público não fique perdido no meio das informações. Assim também ocorre no radio. A organização do projeto é realizada através de um roteiro, especificando graus de importância das notícias, tempo de leitura, fundo musical, vinhetas que anunciam o tema que está para ser exposto. A partir do roteiro, organiza-se o formato de um programa.
  • 132.
    132 A preparação tambémé um fator importante para cada projeto de comunicação em radio. Vamos comparar mais uma vez: nas redações de um jornal, a partir do momento em que a notícia chega, é averiguada, preparada e colocada nos padrões de layout para impressão, respeitando o limite que para ela foi destinada. Por último, prepara-se a capa e o formato para impressão. No radio, todo o corpo de notícia também é preparado – previamente e, de acordo com a necessidade, durante o programa, pela facilidade de comunicação dinâmica em tempo real – e organizado em um roteiro ou em fichas. Há, também, a possibilidade de receber pessoas previamente convidadas para conceder entrevista. Tudo, também, respeitando os limites de tempo destinados a cada bloco e, finalmente, ao programa. Como no radio a comunicação é sonora, existem alguns artifícios que podem ser utilizados, como a ambientação – também conhecida como sonoplastia. Cada notícia ou momento do programa pode ter como pano de fundo uma trilha musical de acordo com aquele momento. Exemplos: • Notícias relativas a exposições em museus e centros culturais (exceto musicais) podem ter como pano de fundo, preferencialmente, música clássica; • Notícias em tom de denúncia, precedidas ou não de crônica ou opinião pessoal do profissional de radio, podem conter como pano de fundo uma trilha que misture ação e suspense; • Notícias relativas a atrações musicais devem, preferencialmente, utilizar como panos de fundo músicas de autoria ou interpretação da própria atração. • Cada momento do programa deve ser cuidadosamente preparado para não destoar do objetivo principal do programa: passar a informação com o devido sentido, causando o sentimento necessário para assimilação do ouvinte. PREPARAÇÃO DE UM PROGRAMA O momento de preparação de um programa a partir de um roteiro ou de fichas também faz parte do processo de pré-produção. Algumas ferramentas, hoje em dia, são utilizadas para facilitar a operação de áudio em um programa de radio. Como hoje praticamente todas as plataformas de radio utilizam o computador – pela facilidade na busca dos arquivos de áudio e operação – podemos utilizar os famosos players. O Winamp – famoso software de execução de arquivos de midia (vídeo/áudio) – é utilizado em várias estações de rádio, pela facilidade de organização. Normalmente em rádios FM o operador de áudio é o próprio locutor. Seguir fielmente o que o roteiro ou as fichas apontam para as notas preparadas é um parâmetro de respeito ao roteiro. Para o comunicador-operador é mais fácil, visto que o mesmo pode sentir liberdade para dar o tom necessário à notícia. Salvo em rádios do formado allnews ou que migraram recentemente para a faixa dos Megahertz (estilo BandNews, CBN, Radio Globo e Tupi), onde existe a figura do operador de audio: nesse caso, o operador deve confiar em sua equipe, e estar o tempo todo em consonância com o pensamento expressado pelo locutor, de acordo com a importância de cada tópico apresentado.
  • 133.
    133 ZARARADIO Para cumprir comessa etapa de pré-produção, um dos programas mais recomendados atualmente é o latino ZaraRadio. A possibilidade de realizar um programa de radio controlado, na sua totalidade, através de um software – sem a necessidade de modificação das configurações padrões da mesa de som da estação de radio, fora o fato de o programa estar com suas propriedades de licença liberadas (é um software livre) – fez com que esse programa fosse adotado em várias estações de rádio, comerciais ou comunitárias. Abaixo no exemplo, o ZaraRadio sendo operado pelo Windows 7. A versão instalada, no caso, é a 1.6.2, adequada para o Windows 7 Ultimate. Existem outras versões para Windows anteriores, mas não para outros sistemas operacionais como Mac ou Linux. Um dos sítios mais recomendados para adquirir o ZaraRadio é o superdownloads.com.br. Através dele, também, podemos encontrar o pacote de instalação em português do programa. (Houve supressão de anúncios comerciais publicados no site)
  • 134.
    134 INSTALAÇÃO DO PROGRAMA Estessão o ícone e o nome do aplicativo a ser acionado objetivando a instalação do ZaraRadio 1.6.2 para Windows 7 Ultimate. Normalmente devemos apontar o mouse e ativar clique duplo a fim de acionar o programa. Siga os passos a seguir. (Nesta figura, suprimimos a especificação do arquivo) Caso o Windows esteja pedindo permissão para execução, dê a devida permissão clicando em “Sim”. Para fazer o download do programa e do pacote, é só clicar em cima de ZaraRadio e ZaraRadio Language Pack, e clicar na figura como no exemplo à direita.
  • 135.
    135 Escolha a opçãode linguagem para instalação: Espanhol, Espanhol catalão ou inglês. No nosso caso, escolhemos o inglês. Como demonstrado na figura, é recomendado fechar todos os outros programas em execução durante a instalação do ZaraRadio. Após cumprir com essa tarefa, clique em “Next >”. O acordo de licença confirma as informações do ZaraRadio como software livre: “Este programa é LIVRE e sua VENDA É PROIBIDA, individualmente e em pacotes de programa”. Ao clicar em “Eu aceito o acordo”, você estará aceitando todos os tópicos expostos pelo acordo da ZaraSoft®. Para instalar o programa, necessariamente deve-se entrar em acordo com os tópicos clicando nessa opção, logo depois em “Next >”.
  • 136.
    136 Esta caixa dediálogo refere-se ao local onde deseja-se instalar o ZaraRadio. Este caminho é o mais recomendado no Windows 7 e pelo programa, portanto é bem provável que não seja necessário alterá-lo. Clique em “Next >”. Esta caixa de diálogo refere-se à criação dos ícones de atalho no Menu Iniciar (como demonstrado abaixo). Clique em “Next >”.
  • 137.
    137 Depois do programainstalado, seu Menu será criado dessa forma. Selecionando conteúdos adicionais: o ZaraRadio sempre permite que ícones sejam instalados na Área de Trabalho. A opção de criação já está marcada por padrão. Para manter a instalação do caminho e a execução do programa diretamente da tela principal, não desmarque a opção. Clique em “Next >”. Após a instalação, aparecerá o seguinte ícone na Área de Trabalho.
  • 138.
    138 Um duplo cliquesobre o ícone será o caminho necessário para executar o programa. Esta é a última caixa de diálogo, confirmando os dados para a instalação do ZaraRadio. Clique em “Install”. A instalação continuará. Não cancele enquanto o programa estiver extraindo os arquivos para o seu computador. A instalação dura, em média, de 4 a 15 segundos. ZaraRadio
  • 139.
    139 Completada a instalação,temos a opção de executar o programa ou não. Caso queira executar o ZaraRadio, clique diretamente em “Finish”. Caso contrário, desmarque a opção “Launch ZaraRadio” antes de clicar no botão, e o programa de instalação encerrará o processo. INSTALANDO O PACOTE DE LINGUAGEM PT-BR Programa para instalação do pacote de linguagem Português (Brasil). Como o arquivo está em formato zip (compactado), pode ser necessário utilizar outros programas descompactadores. O Windows 7 Ultimate já dispõe de um descompactador zip instalado, mas utilizamos uma plataforma muito comum, o WinRAR (cópia de avaliação), para abrir o pacote. Clicando na opção “Extrair Para”, abrir-se-á uma outra caixa de diálogo: Como software livre, os pacotes de instalação também podem ser feitos com auxílio de programadores independentes. No caso do pacote de linguagem disponibilizado pelo sítio superdownloads, o programador provavelmente se chama ou adota alcunha de “Bruno”.
  • 140.
    140 Caminho de destino:se a instalação for padrão como já demonstrado (sem alterar as especificações padrões sugeridas pelo programa de instalação do ZaraRadio), especifique o seguinte caminho na caixa: C:Program Files (x86)ZaraSoftZaraRadioLang. Depois, clique em OK e feche o WinRAR. A pasta “Lang” utiliza uma abreviação de language, que significa linguagem. Nela, provavelmente iremos encontrar outro pacote de instalação em espanhol, seguindo o padrão de instalação sugerido pelo ZaraRadio. O programa possui padrão de linguagem em inglês, que não pode ser desinstalado através da pasta Lang. No Windows Explorer, acessamos a pasta Lang e encontramos outros dois pacotes de linguagem, em espanhol e português.
  • 141.
    141 CONFIGURANDO O ZARARADIO Seanteriormente seguimos os passos de instalação conforme demonstrado, provavelmente teremos disposto na nossa Área de Trabalho o ícone do ZaraRadio. Um duplo clique do mouse é o suficiente para acionar o programa. Tela de apresentação do ZaraRadio. Sempre quando o ZaraRadio for acionado, abrir-se-á uma caixa de diálogo intitulada “Dica do Dia”. Por enquanto, conforme o padrão de instalação, as dicas estão em inglês. ZaraRadio
  • 142.
    142 ZARARADIO EM PORTUGUÊS Reparetambém que, inicialmente, o programa está todo em inglês. Para colocar o programa finalmente em português do Brasil, feche a caixa de diálogo das dicas através do botão “Close” e vá ao menu “Tools”, depois escolha a opção “Options...”. Reparem, agora, na caixa de diálogo “Options”. Na guia esquerda, a opção “General” informa as opções gerais do programa, entre elas a de linguagem (guia “Language”). Ao acionar o menu suspenso, percebemos agora a opção “Portuguese (Brazilian)”. Acione essa opção e clique em OK. Aparentemente nada mudou, mas para acionar a opção em Português, feche o programa no botão direito acima da caixa (o “X” vermelho) e acione novamente com dois cliques no ícone do ZaraRadio. OPERAÇÃO DE AUDIO NO ZARARADIO
  • 143.
    143 Repare que, apósconfigurar a linguagem do programa, todas as opções de menu, caixas de diálogo na operação, demonstrativos de data e hora e, inclusive, “Dicas do dia” e os botões das caixas de diálogo estão em português. Caso o usuário tenha mais curiosidades sobre o programa, pode manter na caixa de diálogo “Dica do dia” a opção marcada em “Mostrar dicas ao iniciar”. Sempre que quiser novas dicas de como operar e fazer alterações no ZaraRadio, pode acessá-las pelo botão “Próxima Dica”. Do contrário, desmarque a opção de mostrar as dicas e feche a caixa de diálogo. Da próxima vez que iniciar o ZaraRadio, as dicas não irão mais aparecer. Por enquanto, vamos deixar a opção ativada e simplesmente clicar no botão “Fechar”. A simplicidade do programa como player é parecida com a maioria dos players convencionais, como o Winamp. Mas existem outras funções que facilitam muito o operador na hora de operar uma estação de radio. Para acionar essas funções, vamos primeiramente criar uma playlist, ou seja, simularemos um roteiro para operação de áudio de um programa. Reparemos, na aba esquerda, uma lista de pastas parecida com as árvores do Windows Explorer. É através dessa árvore que vamos ter acesso às listas de músicas e vinhetas da rádio. Procure através desta caixa onde está a pasta de músicas. Diferente do Windows Explorer, as músicas irão aparecer na própria aba da árvore de pastas. Uma árvore abaixo de uma pasta, com os arquivos levemente apontados a direita por uma linha, indica que os arquivos estão dentro dessa pasta.
  • 144.
    144 Vamos arrastar umdesses arquivos para a lista de músicas à direita dessa aba. Observamos que o nome do arquivo arrastado aparece na guia “Próximo”, acima desta aba para onde arrastamos o arquivo. Significa que nesta aba, na verdade, já está sendo montada a playlist, ou seja, a lista de faixas musicais que serão executadas durante o programa. A guia “Próximo” é a próxima faixa musical a ser executada. Repare, também, que a aba à esquerda, “NO AR – Reproduzindo agora”, está vazia. Sinal de que o programa não está executando nenhuma faixa ainda. O trabalho de pré-produção de um programa de radio engloba, também, organizar o programa de acordo com o roteiro preparado. Como ainda não temos um roteiro, vamos preparar nossa playlist para operar um programa inespecífico, mas com as seguintes características: • Vinheta inicial da radio e bloco de locução; • Dois blocos de três músicas cada, separadas por vinhetas;
  • 145.
    145 • Cada blocoterá um intervalo de locução; • Cada intervalo de locução terá, obrigatoriamente, um teaser de campanha ambiental; • Programa terá uma hora de duração. Assim, teremos como playlist: Reparem que, após o playlist montado para a execução do programa de radio, a duração total do programa está descrita acima da aba (1 hora, 0 minuto, 16 segundos e 8 centésimos), e algumas funções do ZaraRadio finalmente podem ser ativadas. Vamos conhecê-las? Barra inferior do ZaraRadio: controles imprescindíveis na hora de operar um programa de radio. PLAY Botão que aciona a faixa musical descrita na aba “Próximo”, em verde na playlist. Vamos acionar esse botão para finalmente começar nosso programa? Ao acionar, repare na mudança da barra inferior: outros botões estão disponíveis para acionamento, ou seja, quando saem do estágio cinza e ficam coloridos. Indicações nas guias superiores e botões disponíveis na barra inferior: a radio está no ar!
  • 146.
    146 STOP Interrompe a execuçãodo programa. Repare: se interrompermos o programa, veremos que a aba “NO AR” ficará vazia e a barra inferior voltará ao estágio de início do programa. Ou seja, o programa está interrompido. Observação: Acionar o STOP não significa que a playlist retornará para a primeira faixa musical. Se no momento em que acionar o botão o programa passar para a próxima faixa, tanto a playlist quanto a aba “Próximo” irão indicar qual trilha musical estará pronta para execução. Para retornar para a faixa inicial do programa, dê dois cliques em cima dessa faixa no topo da lista como o cursor do mouse na própria playlist, e ela voltará a ser realçada em verde e indicada na aba “Próximo”. PAUSA Literalmente pausa o programa. A faixa em execução ficará pausada no momento em que o botão for acionado, até que o mesmo seja clicado novamente. A aba indicativa “NO AR” indicará que a faixa está em execução e manterá o tempo restante parado, não significando, entretanto, que o ZaraRadio está emitindo qualquer som. PRÓXIMO Interrompe a execução da faixa “NO AR” e inicia a execução da faixa explícita em “Próximo”. Muito utilizado no momento em que terminamos de realizar uma locução para executar outra faixa na playlist. BOTÕES RETROCEDER e AVANÇAR Controle na própria faixa em execução. Botões não muito utilizados, pela imprecisão do retorno ou avanço da faixa; não há, no ZaraRadio, qualquer artifício indicativo para sabermos até onde avançamos ou retrocedemos na faixa musical em execução durante o acionamento dos botões. PARAR APÓS O ARQUIVO ATUAL Interromperá o programa após o término da execução da faixa “NO AR”. Botão muito utilizado por locutores que não costumam utilizar quaisquer músicas de fundo durante suas locuções. ATENUADOR Botão que substitui o ato de abaixar o volume do canal de execução do computador na mesa de som. Utilizado para diminuirosomdafaixaduranteumalocução.AexistênciadesseartifícionoZaraRadiopermitequeasconfigurações da estação de radio permaneçam num único padrão, independente do programa que estiver no ar, ou seja, sem interferência ou mudança por diferentes operadores.
  • 147.
    147 CONTROLE DE EXECUÇÃODA FAIXA No canto direito da barra de ferramentas inferior. Mostra ao operador em que ponto a faixa está sendo executada. Indicador similar aos de players Windows Media Player e Winamp. Arrastando o indicador, o operador pode colocar a faixa no ponto em que deseja; assim, pode suprir parcialmente a falha dos botões RETROCEDER e AVANÇAR. APAGAR AO REPRODUZIR Localizado acima da aba de playlist, à direita. Botão utilizado quando o operador aproveita a execução de uma playlist prévia para inserir seu programa “no meio” de uma programação já preparada, normalmente quando a radio funciona em esquema automatizado. (pode se tornar um desastre para a estação de radio caso o operador esqueça o botão ligado, por isso recomendamos não utilizar esse artifício e realizar outro procedimento permitido pelo ZaraRadio.) REPETIR Utilizado para repetir a faixa que está “NO AR”. Normalmente utilizado quando a música de fundo para locução é muito curta. (esse botão também é digno de muita atenção do operador, uma vez que ele pode esquecer o botão ligado e acionar outra faixa, cuja repetição também será intermitente até o próximo comando.) PROCEDIMENTO PARA ACIONAMENTO DE UMA NOVA PLAYLIST Vimos anteriormente que a opção “APAGAR AO REPRODUZIR” ( ) não é muito recomendada, por no ato de incorporar uma playlist dentro de outra o operador pode causar alguns acidentes, como por exemplo deixar o botão acionado e apagar uma playlist inteira caso a rádio não tenha muitos programas – e isso literalmente deixaria a radio emitindo sinal em silêncio. Existe outro procedimento mais adequado para lidar com a situação, mais trabalhoso, porém muito mais seguro. O ZaraRadio permite que o operador abra duas ou mais janelas com playlists diferentes. Nesse caso, enquanto a suposta playlist automática está em execução, o operador pode tranquilamente ir montando a outra do seu programa. Também não corre o risco de, no meio da montagem de uma playlist dentro de outra, as faixas correrem e seu programa iniciar sem que tenha montado o programa a tempo. Para acionar outra janela além da playlist em execução, basta que o operador clique duas vezes no ícone do ZaraRadio na Área de Trabalho. Será acionada uma nova janela. SALVANDO UMA PLAYLIST O procedimento de arquivamento de uma playlist é tão simples quanto salvar qualquer arquivo em qualquer editor de música, texto, desenho… O operador só precisa acionar o menu Arquivo > Salvar Como..., depois indicar o local de destino do arquivo, nomear e clicar no botão “Guardar”.
  • 148.
    148 COPIAR, COLAR EDELETAR O ato de “cópia-colagem” numa playlist também pode ser realizado com faixas que se repetem, como as músicas de fundo utilizadas para locução. Para copiar, clicar na faixa e acionar no teclado os botões CRTL + C. Para colar, colocar no ponto em que se deseja e acionar no teclado a combinação CTRL + V. Para retirar uma música da playlist (deletar), selecionar a faixa com o mouse e teclar “Del”. Todos os comandos podem ser averiguados no menu Editar do ZaraRadio. Outras funções: Eliminar tudo – limpa toda a playlist; Buscar... – para localizar uma faixa na playlist; Buscar em pastas... – para localizar um arquivo específico, faz uma varredura nas pastas do computador para o operador encontrar uma faixa de áudio desejada para cumprimento do roteiro. Os artifícios de busca no ZaraRadio seguem os padrões de comando do Windows, com utilização de arterisco (*) para generalizar a continuação do nome de um arquivo, ou buscar a totalidade dos arquivos que iniciam com uma determinada letra ou expressão desejada. Janela de busca de arquivo em pastas.
  • 149.
    149 LOCUÇÕES DE HORA,TEMPERATURA E UMIDADE RELATIVA DO AR Vários são os pacotes disponíveis para locução de hora, temperatura e umidade relativa do ar. Normalmente, o ZaraRadio é instalado hora sem os pacotes, hora com algum tipo de pacote. Os áudios de locução estão localizados nas pastas Humidity (Umidade), Temperature (Temperatura) e Time (Hora). Todos os arquivos podem ser editados de acordo com a política editorial padrão de cada emissora de radio, em qualquer programa de edição de áudio. Caso o operador opte por utilizar outro padrão de locução pronto, existem vários disponíveis na internet. Em qualquer site de busca, procurar por “Locução ZaraRadio”, e os links dos pacotes aparecerão na lista. AGENDANDO EVENTOS Função muito importante principalmente para rádios comerciais, o agendamento de eventos permite que possamos inserir na programação, exatamente no horário em que desejamos, anúncios ou teasers de notícias no meio da programação. Considerado ferramenta primordial na inserção de anúncios pagos, no horário em que os serviços da radio foram contratados. Também pode ser utilizado para inserir locuções de hora pontuais no meio da programação. Isso nos permite a possibilidade de ter mais controle sobre os anúncios sem ficarmos perdidos meio a playlists muito longas. Esta aba, logo acima da localização de pastas e arquivos à esquerda, organiza e anuncia que eventos de áudio estão próximos de acontecer. Para programar um evento, basta clicar no relógio. Para agendar um novo evento, clique no botão “Novo...”
  • 150.
    150 Podemos escolher váriosmomentos para programar um evento sonoro: • Uma vez ao dia, no horário em que for programado à direita; • Reprodução a cada hora, ou seja, de hora em hora, a partir da data configurada e marcada no minuto programado; • Reprodução em horas específicas, no minuto programado. Formas de execução: • Imediato - interrompe a faixa que está em execução e executa o som de qualquer maneira no horário programado; • Espera máxima - limite de tolerância para a faixa ser executada. Importante ressaltar que a execução de um determinado evento com espera máxima pode ser cancelada pelo próprio programa, visto que a prioridade neste caso passa a ser das faixas inclusas na playlist. Caso o tempo restante da faixa em execução seja maior que o tempo de espera máxima do evento, o evento será expirado e a execução do áudio cancelada. Prioridades: um evento com prioridade ALTA tende a ser priorizado no momento em que atingir o horário de execução, mesmo que existam outros eventos com prioridade BAIXA, que por sua vez ficam para depois. Maisumcasoemqueumeventopodedeixardeserexecutado,baseadonotempodeesperamáximaconfigurado. DICA Um evento também pode ser marcado para alguns dias específicos da semana. Tipo de evento: o operador tanto pode escolher um arquivo para ser executado, como pode escolher entre comandos de parada e execução ou outros comandos padrões do ZaraRadio, como locução de hora, temperatura e humidade relativa do ar.
  • 151.
    151 Arquivo aleatório: ooperador, caso tenha a possibilidade de utilizar mais de um arquivo para um mesmo anúncio, pode selecionar nessa opção a pasta onde se encontram os arquivos. O programa destinará uma delas para ser executada. (essa opção é mais recorrente em rádios comerciais que recebem anúncios ou preparam teasers diferenciados para um mesmo assunto.) Radio na internet: utilizado para reproduzir o mesmo conteúdo de uma rádio disponível na internet. O operador deve utilizar o mesmo link de acesso da rádio (Obs.: não é o mesmo link da página de acesso; as rádios web utilizam endereço específico para conexão.) Pode ser utilizado, por exemplo, para as rádios comunitárias retransmitirem o programa obrigatório “Voz do Brasil”. Conexão e desconexão com satélite: conexão ou desconexão para envio de sinal via placa de som. Configurado através das opções de satélite. Obs.: utilizado em rádios que optam por horário de funcionamento limitado, ou que marcam o evento para realizar manutenção marcada dos equipamentos. Detector de tons DTMF: verificador de tons de discagem. Ainda em fase de teste, utiliza enlaces sem fio por satélite ou micro-ondas, para controle do ZaraRadio a distância. Após a configuração do evento clicando no botão OK, o evento aparecerá na lista. Também, será indicado na página principal do ZaraRadio para ciência do operador.
  • 152.
    152 CONFIGURAÇÕES DE EXECUÇÃO Paraconfigurar algumas funções básicas de operação, é necessário voltar às opções do menu Ferramentas. Volume gradativo: a guia é relativa ao volume de início e final de cada faixa. Sobreposição significa que o início de cada faixa de áudio irá se sobrepor nos segundos configurados sobre a faixa anterior – por padrão, 8 segundos. Esmaecer significa que a faixa irá abaixando o volume quando for chegando ao final, com a duração dos segundos configurados – por padrão, 4 segundos. Detectar final de arquivo faz com que o ZaraRadio, por si só, detecte o som esmaecido próximo ao final da faixa de áudio e passe para a próxima faixa da playlist – por padrão, -26 dB. Detector de silêncio: caso o volume da faixa de áudio não aumente no tempo configurado – por padrão do programa, 15 segundos, o ZaraRadio se encarrega de passar para a próxima faixa de áudio. Evita que a radio se mantenha em silêncio por muito tempo por conta de uma provável falha de arquivo.
  • 153.
    153 Atenuador: ajuste dovolume da faixa de áudio com o atenuador ativado, ou seja, volume em que a faixa de áudio estará configurada no momento em que o atenuador for ligado. O tempo de transição é o tempo entre o volume inicial e o volume final de ativação e desativação do recurso. Como padrão, está em ½ segundo. OUTRAS FUNÇÕES DO ZARARADIO O ZaraRadio possui uma infinidade de funções, que vão desde a escolha entre a visualização das ferramentas pelo operador, passando pela escolha de faixas em dispositivo de samples (menu Vinhetas), até a configuração de uma estação de web radio. Falando em web radio, a única desvantagem do ZaraRadio (por enquanto, porque o programa não para de ser aperfeiçoado) em relação a outros players como o Mixxx é a falta de um sistema de envio e recebimento de metadados, há algum tempo utilizados por algumas estações FM e acessados em aparelhos de radio que já utilizam o sistema de radio digital.
  • 156.
  • 157.
    157 ÍNDICE: 1. Introdução 2. Referência Rápidasobre áudio digital 2.1. Som 2.2. Sinal de Áudio 2.3. Captação e conversão de um sinal de áudio 2.4. Sinais analógicos e digitais 2.5. Placa de Som 2.6. Analógico versus Digital 2.7. Propriedades de um sinal de áudio digital 2.8. Áudio comprimido: mp3 e ogg 2.9. Metadados 3. Tipos de transmissão 3.1. Transmissão Assíncrona 3.2. Transmissão Síncrona 3.3. Como funciona uma transmissão 4. Streaming 5. Buffer 6. Hardware 7. Software necessários 8. Transmitindo
  • 158.
  • 159.
    159 1.INTRODUÇÃO Com o advento da web 2.0 fi cou cada vez mais fácil ter uma rádio na web e encontrar novos caminhos e maneiras para ademocratização da comunicação. Esta apostila tem como objetivo mostrar de maneira simplifi cada as etapas de montagem e estruturação de uma rádio web. Uma rádio web consiste numa emissora de áudio que utiliza a Internet para transmitir sua programação, similar ao que acontece no rádio que usamos no dia-a-dia, só que, no caso da rádio web, ele é integrado ao computador.Sendo assim desejo à todos uma ótima transmissão. 2. REfERêNCIA RÁPIDA SOBRE ÁUDIO DIGITAL 2.1. SOM Afi nal, o que é o som? Simplifi cando, o som é uma vibração de um meio material. Por vibração podemos entender como sendo uma onda, que é um ente que transporta uma perturbação de um meio material. No ar, por exemplo, uma perturbação da pressão atmosférica provoca uma onda, devido à elasticidade de suas moléculas chocando-se mutuamente de tal forma que essa perturbação é transportada no espaço. Quando essa perturbação chega ao nosso ouvido ou num microfone, ela causa a vibração das respectivas membranas e ambos convertem essa perturbação da pressão do ar numa equivalente elétrica. Nessa transformação, o meio pelo qual essa onda passou a se propagar bem como sua fenomenologia mudaram, mas a sua essência, que é a informação contida na perturbação - o sinal -, foi preservada. 2.2 .SINAL DE ÁUDIO Uma maneira de representar esse sinal de informação sonora é por meio de gráficos. Suponha que você está no sofá de sua casa ouvindo alguém tocando sanfona no outro lado da sala. As vibrações do ar chegam até seus ouvidos. Essas oscilações na pressão atmosférica (que nada mais é do que a força que as moléculas de ar aplicam numa área) fazem com que a membrana auditiva de cada um dos seus ouvidos também vibre, e a partir disso um complicado processo de conversão ocorre até que esse sinal chegue bem dentro da sua cabeça de tal forma que você escute o som da sanfona.
  • 160.
    160 Se fizermos umgráfico mostrando como varia no seu ouvido a pressão atmosférica com o tempo, teríamos algo assim: Esse gráfico significa que no instante de tempo a a pressão atmosférica no seu ouvido valia d e no instante b valia d. A linha cheia com o aspecto de onda representa o valor da pressão em cada instante de tempo. De fato, esse desenho parecido com uma onda pode ser entendido como uma onda sonora que chega até seu ouvido. Normalmente, a onda sonora não tem um aspecto tão certinha e sim mais bagunçada, assim: 2.3. Captação e conversão de um sinal de áudio Agora, o que nos interessa é saber como uma onda sonora é sentida pelos equipamentos de áudio (microfone e placa de som) e como essa informação pode ser manipulada. Como já dissemos, um microfone converte a variação da pressão atmosférica com o tempo em variação da tensão elétrica com o tempo. Para cada valor da pressão atmosférica, os fios do microfone apresentam uma tensão elétrica (voltagem) diferente. Conforme a pressão vai mudando com o tempo, a tensão entre os fios do microfone também varia. Esse é o princípio básico de funcionamento da captação de áudio por equipamento eletroeletrônico. O contrário também pode acontecer, isto é, um sinal elétrico de áudio ser convertido em variação da pressão atmosférica (ondas sonoras). Isso tipicamente é feito com o uso das conhecidas caixas de som.
  • 161.
    161 2.4.Sinais analógicos edigitais Chegou a hora de introduzirmos os conceitos mais importantes da seção. Os gráficos que você viu até agora mostram que a cada instante de tempo haviam associada alguma grandeza física (no caso, a pressão atmosférica) associada ao som. Quando o microfone converte essa grandeza física para a tensão elétrica, essa associação é mantida. Os sinais de informação que apresentam essa característica de analogia entre cada instante de tempo e o respectivo valor são chamados de sinais analógicos ou contínuos, pois para todo instante de tempo há um valor da pressão atmosférica no seu ouvido ou um valor de tensão elétrica entre os fios de um microfone. Os sinais que não apresentam essa característica são chamados de sinais digitais. Esses serão discutidos no próximo tópico. Vantagens do Analógico Baixo custo Vantagens do Digital Maior imunidade ao ruído e a distorção Integração do sistema Mais segurança e privacidade Percorre mais distância
  • 162.
    162 2.5. Placa deSom Nada melhor do que um exemplo para ilustrar o que é um sinal digital e como um sinal analógico é convertido em sinal digital (e vice-versa). O equipamento que mais estamos acostumados a lidar para esse tipo de tarefa é a placa de som presente na maioria dos computadores. Uma placa de som nada mais é do que um conversor Analógico/Digital e Digital/Analógico otimizada para sinais sonoros. Na Parte Prática você verá como ligar um microfone ou outro dispositivo de áudio na sua placa de som. Por hora é suficiente sabermos que um placa de som é um equipamento que funciona conforme o seguinte desenho: O sinal analógico entra na placa e sai convertido num sinal digital, e os sinais digitais que entram na placa saem dela convertidos em sinais analógicos. A conversão de um sinal analógico é feita da seguinte maneira: o sinal que chega até a placa é mostrado em intervalos de tempo fixos (por exemplo, de 1 em 1 segundo) e o valor de tensão elétrica (voltagem) do sinal analógico naquele instante é armazenado em números binários. Aqui aparecem as duas grandes diferenças entre um sinal analógico e um digital: no caso analógico, para todos os instantes de tempo existem associados valores de tensão elétrica, ou seja, o sinal é contínuo. Além disso, esses valores de tensão elétrica (isto é, as informações) são grandezas físicas. Já um sinal digital possui informações apenas para alguns instantes de tempo, ou seja, o sinal é discreto. E mais, o sinal digital existe num formato que independe das grandezas físicas que o contém, já que as informações são representadas utilizando números inteiros e finitos (os dígitos) e não a tensão elétrica ou a pressão atmosférica, por exemplo. Nos sistemas digitais atuais, esses números são manipulados utilizando a base numérica binária (0 e 1), mas essa é outra história... 2.6. Analógico versus Digital Nesse ponto precisamos de uma pequena reflexão sobre o aparente antagonismo entre os sinais analógicos e digitais e a atual valorização deste último em detrimento do primeiro. Você já deve estar acostumado(a) a ouvir sobre as “maravilhas do áudio digital” ou de que tudo que é digital é superior. Mas será isso verdade? Por que ocorre essa fixação pelo digital?
  • 163.
    163 Não sabemos aocerto o motivo. Historicamente, os sinais digitais ganharam hegemonia pois possuem um controle de erro mais simples para transmissão e recepção de mensagens e as perdas de sinal são praticamente nulas. Mas é interessante notar que, quando um sinal analógico é digitalizado, ocorrem perdas de informação inerentes a esse processo. Esse debate vai longe, principalmente no que diz respeito ao retorno dos computadores analógicos, então deixaremos este tópico para uma outra oportunidade. 2.7. Propriedades de um sinal de áudio digital Para o estudo das transmissões de áudio pela rede, basta que saibamos três propriedades de um sinal digital: • eu número de canais, • sua taxa e • razão de amostragem O número de vezes por segundo em que uma amostra do sinal analógico é colhida é chamado de taxa de amostragem (sample rate) e a quantidade de valores numéricos que essa informação pode assumir é chamada de razão de amostragem (bits per sample). Valores usuais para a taxa de amostragem (sample rate) são de: • 11,025KHz (11025 amostras por segundo), • 2,05KHz ou • 44.1KHz A razão de amostragem (bits per sample) costuma ser de: • 8 bits, • 16 bits ou • 32 bits,
  • 164.
    164 Lembrando que 1bit é a menor unidade de informação, que pode assumir apenas dois valores diferentes, 0 ou 1 (verdadeiro ou falso). Pode assumir até 256 valores diferentes, ou seja, pode representar até 256 valores de tensão elétrica (o sinal analógico) diferentes. Já um número de 16 bits pode representar até cerca de 65 mil valores diferentes, e assim por diante. Quanto maiores forem a taxa e a razão de amostragem, mais alta será a qualidade do sinal digitalizado com relação ao sinal analógico original. Por exemplo, para um sinal digital com taxa de amostragem de 11,025KHz e razão de amostragem de 8 bits possui um 11025 valores de 8 bits por segundo. Já com uma taxa de amostragem de 44100KHz e razão de 16bits temos, a cada segundo, 44100 amostras podendo cada uma representar 65 mil níveis diferentes de perturbação sonora, o que é mais do que suficiente para pessoas comuns não perceberem que estão escutando um sinal não-contínuo. Quando você grava um áudio no seu computador, o programa de gravação normalmente armazena todas essas informações num arquivo cujo nome termina com um .wav, por exemplo audio.wav. Esse tipo de arquivo é chamado de Wave File (arquivo de onda), em alusão à ondas sonoras. 2.8. Áudio comprimido: mp3 e ogg Chegou a hora de darmos o pulo do gato. O áudio digitalizado ocupa muita informação. Da discussão precedente, um áudio com milhares de amostras por segundo tendo cada amostra um tamanho de 8 a 32 bits supera em muito a capacidade de armazenamento dos computadores atuais. Armazenar arquivos do tipo wav gasta tanto espaço que você não conseguiria ter muitas horas de música em seu computador. Transmitir essas músicas pela internet, então, nem pensar. Com a velocidade atual das conexões é inviável transmitir tais arquivos. A solução tecnológica para driblar esse obstáculo foi o advento da compressão dos arquivos de áudio. Da mesma forma que você pode compactar um arquivo num outro de tamanho menor (texto ou imagem), também é possível comprimir arquivos de áudio para tamanhos menores. Isso é feito eliminando do áudio frequências inaudíveis ou pouco audíveis por seres humanos e utilizando métodos de compactação de dados. Um arquivo de áudio comprimido, dependendo de suas características, pode ser mais de dez vezes menor do que o arquivo wav original. É esse tamanho reduzido que possibilita as rádios via internet, que nada mais são do que transferências de arquivos de áudio comprimido, ao vivo ou não. Os dois formatos de arquivos de áudio comprimidos mais conhecidos são o MP3 e o OGG. O MP3 não é um formato em Copyleft (livre) e já é um pouco antigo, enquanto que o OGG é livre e de maior performance. Para fazer um arquivo em MP3 ou OGG, é necessário comprimir o áudio original. Para ouvi-lo, é preciso descompactá-lo, e isso é feito através de alguns programas de áudio. Assim como para o áudio digital do tipo wav tem suas propriedades de amostragem, o áudio comprimido tem sua razão de amostragem (bitrate) em kbps (mil bits por segundo) e quando descompactado também apresenta uma taxa de amostragem de 11,025KHz, 22,05KHz ou 44.1KHz e valores de bits por amostra (bits per sample) de 8 ou 16.
  • 165.
    165 Um áudio comprimidode boa qualidade tem 192kbps de bitrate, sample rate de 44,1KHz e 16 bits per sample. Para transmitir um arquivo desse tipo em “tempo real” pela internet atual ainda é um pouco complicado, então os valores ideais para uma rádio via internet são bitratede 16 ou 24kbps, sample rate de 11,025KHz ou 22,05KHz e 16 bits per sample. Taxa de ‘Bitrate’ Faixa (Bandwidth) Qualidade após descompressão 32 kbps 7.5 kHz Rádio AM 96 kbps 11 kHz Rádio FM 128 kbp 16 kHz Proximidade com o CD 2.9. Metadados Os arquivos compactados em MP3 e OGG ainda possuem uma grande facilidade, conhecidas como metadados (ou etiquetas): são ditos metadados por serem informações sobre o áudio como nome da música,nome do artista, álbum, número da faixa, data da gravação. Isso é muito útil por possibilitar que esse tipo de informação não fique restrita apenas ao nome do arquivo. Você pode ter um arquivo de mp3 como o nome muzik.mp3 e mesmo assim ainda armazenar todas essas informações, já que os metadados são guardados dentro do arquivo de áudio e não em seu nome de arquivo. Adiante veremos que os metadados são utilizados na transmissão de áudio pela internet para enviar o nome da música aos ouvintes. Agora que você já está com uma boa base sobre áudio digital, vamos focar no funcionamento das transmissões desse tipo de áudio pela rede.
  • 166.
    166 3. Tipos deTransmissão Há duas formas de transmitir o áudio: Assíncrona e Síncrona. Vamos a elas. 3.1. Transmissão Assíncrona A primeira é a mais simples e é a melhor opção para quem não tem condições de fazer uma rádio ao vivo, mas sim utilizando arquivos de áudio (mp3 ou outro formato pré-gravado e armazenado no seu site). Esse método é conhecido como transmissão assíncrona ou sob demanda. 3.2.Transmissão Síncrona A segunda opção para web rádio é um pouco mais complicada e é usada para veicular uma rádio ao vivo pela internet. Para começar, é preciso de um computador com acesso à internet e uma placa de som. Note que “ao vivo” não quer dizer no mesmo instante. É inviável ter uma transmissão/recepção instantânea. Primeiro porque, no Universo observável, a velocidade máxima da informação é a velocidade da luz. No caso da transmissão via ondas eletromagnéticas (rádio AM, FM, etc) esse limite é quase atingido, mas no caso dainternet existem vários fatores que fazer com que hajam até três minutos de diferença entre a mensagem se enviada e recebida.
  • 167.
    167 3.3. Como funciona 4.Streaming A tecnologia de streaming se utiliza para tornar mais leve e rápido o download e a execução de áudio e vídeo na web, já que permite escutar e visualizar os arquivos enquanto se faz o download. Se não utilizamos streaming, para mostrar um conteúdo multimídia na Rede, temos que descarregar primeiro o arquivo inteiro em nosso computador e mais tarde executá-lo, para finalmente ver e ouvir o que o arquivo continha. Entretanto, o streaming permite que esta tarefa se realize de uma maneira mais rápida e que possamos ver e escutar seu conteúdo durante o download. O streaming funciona da seguinte maneira. Primeiro nosso computador (o cliente) conecta com o servidor e este, começa a lhe mandar o arquivo. O cliente começa a receber o arquivo e constrói um buffer onde começa a salvar a informação. Quando se enche o buffer com uma pequena parte do arquivo, o cliente começa a mostrar e ao mesmo tempo continua o download. O sistema está sincronizado para que o arquivo possa ser visto enquanto se baixa o arquivo, de modo que quando o arquivo acaba de ser baixado, também acaba de ser visualizado. Se em algum momento a conexão sofre decréscimos de velocidade se utiliza a informação que existe no buffer, de modo que se pode aguentar um pouco esse decréscimo. Se a comunicação se corta durante muito tempo, o buffer se esvazia e a execução do arquivo se cortaria também até que se restaurasse o sinal.
  • 168.
    168 Programas de Streaming Naverdade, este processo de streaming já podemos ter visto em muitas ocasiões em nossos computadores. É o que fazem programas como o Real Player ou o Windows Media Player, programas que se instalam como plug-ins nos navegadores para receber e mostrar conteúdos multimídia por streaming. Quando pretendemos incluir áudio ou vídeo nas páginas o melhor então, é utilizar a tecnologia de streaming. Para isso simplesmente temos que salvar os arquivos multimídia com o formato de um dos programas de streaming e seguir umas pequenas normas na hora de subi-los à Internet e colocá-los na página. As normas para seguir são próprias de cada sistema e não as veremos aqui. O melhor para estar por dentro de como funcionam é visitar as correspondentes páginas web, assinaladas mais abaixo. Para converter os arquivos de audio e vídeo ao formato de cada programa de streaming se utilizam uns programas especiais que podem ser baixados das páginas de cada tecnologia. Por exemplo, o programa para converter ao formato que lê o Real Player chama-se Real Producer. Na hora de desenvolver o web com conteúdos multimídia será necessário decidirmos utilizar uma tecnologia de streaming em concreto e não as utilizamos todas para não obrigar a nossos usuários a baixar todos os plug-ins do mercado. A seguir vemos as três possíveis tecnologias de streaming do momento. Real Media é possivelmente a mais popular. Também é a empresa com mais experiência no setor e desenvolve muitos produtos orientados à distribuição de arquivos multimídia Sua web: Windows Media é a aposta de Microsoft. Já possui uma cota de usuários muito importante e certamente aumentará com rapidez já que Microsoft inclui o plug-in na instalação típica dos sistemas operativos que está fabricando. Quick Time é a terceira em discórdia. Com menor cota de mercado. Servidores de Streaming A princípio não é necessário contar com um servidor especial para colocar arquivos de áudio ou vídeo com download streaming em nossas webs. Qualquer servidor normal pode mandar a informação e é o cliente quem se encarrega de processá-la para poder mostrá-la na medida em que for recebendo. Entretanto, existem servidores especiais preparados para transmitir streaming. Embora em muitas ocasiões não é necessário utilizá-los, podem nos oferecer importantes prestações como mandar um arquivo de maior ou menor qualidade dependendo da velocidade de nossa linha. Em determinados casos, como para dar funcionamento a uma rádio ou a transmissão de um evento ao vivo, sempre será imprescindível contar com um servidor de streaming ao que mandaremos o sinal e com ele, enviará a todos os clientes à medida em que vai recebendo. Conclusão Não cabe dúvida que a transmissão de conteúdo multimídia através da web será cada vez mais importante. A tecnologia de streaming é um mercado com futuro e grandes companhias já estão lutando pelo mercado. A velocidade da Internet aumentará com o tempo e com ela aumentará a qualidade de transmissões, para tornar possível tanto a rádio como a televisão na Internet.
  • 169.
    169 5. Buffer Astransmissõesdeáudioemtemporealtemasériadesvantagemdeseremsuscetíveisaocongestionamento da rede,já que o ouvinte precisa receber dados da transmissão o tempo todo. Para contornar esse problema, os softwares de transmissão e recepção adotaram um sistema de buffer, um armazenamento que funciona como uma memória contra congestionamento da rede, onde o tocador de áudio recebe alguns segundos da transmissão antes de começar a tocar. Dessa forma ele sempre terá armazenado alguns segundos e caso a transmissão interrompa temporariamente a música não precisa parar. 6. Hardware necessário • Processador 600Mhz • 64 Mb RAM • Kit multimídia com placa de som e speakers • Conexão de Banda larga 7. Softwares necessários Player de mídia É um programa de computador que executa arquivos contendo multimídia em geral como: MP3, WMA, WAV, MPEG, VCDs, DVDs etc. Alguns tocadores (reprodutores) mais conhecidos são: Silverjuke, BSplayer, Media Player Classic, PowerDVD, MPlayer, Windows Media Player, Winamp, Real Player, iTunes, VLC Media Player, Gom Player e The KMPlayer. Encoder (Codificador) Esta ferramenta realiza a tarefa de possibilita a conversão dos sinais saídos do seu computador para serem transmitidos ao vivo ou on-demand, sendo assim, ele interliga sua rádio com a distribuidora de streaming. Automação de rádio Ferramenta que “conversa” com o codificador.
  • 170.
    170 8. Transmitindo Existem váriosservidores de streaming gratuitos e pagos. Os servidores gratuitos tem várias limitações como: • Transmissão com pouco consistência, • Quantidade de ouvintes limitadas, • Quase sempre propagandas vinculadas Já os servidores pagos um dos seus maiores problemas é de ordem financeira, pois exigem uma mensalidade não muito baixa mas que apresentam uma ótima relação custo/benefício.
  • 171.
  • 174.
    Direitos Reservados: ProgramaNas Ondas do Ambiente