ORIGEM, DISTRIBUIÇÃO E CONSUMO DE ALIMENTOS IN NATURA NO ESPÍRITO SANTO   0



       UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
            DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA




        ALIMENTOS NO ESPÍRITO
               SANTO




                                  VITÓRIA
                                    2010
ANTÔNIO OLIVEIRA ARAÚJO
     JAKSON CARLOS SILVA
  LEONARDO NUNES DOMINGOS
    LUCINEI VICENTE DA SILVA




ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO




            Material didático-pedagógico, produzido para
            o Trabalho de Conclusão de Curso em
            Geografia da Universidade Federal do
            Espírito Santo, como requisito parcial para a
            obtenção do título de Licenciatura Plena.
            Orientador: Solange Lins Gonçalves




           VITÓRIA
             2010
APRESENTAÇÃO



       Este trabalho consiste em material de auxílio, produzido sobre o tema:
Alimentos no Espírito Santo, abordando a produção, distribuição e consumo de
alimentos in natura no estado do Espírito Santo.


       Ele foi elaborado com o objetivo de esclarecer o processo pelo qual o
alimento in natura passa para chegar à mesa do consumidor capixaba, desde a
produção até o consumo, passando pelo processo de distribuição.


       Acredita-se que o esclarecimento desta dinâmica levará o leitor à “dar
importância”, tanto às pessoas que participam deste processo quanto ao alimento
em si. Os alimentos in natura em questão são as hortaliças, as frutas, os cereais e
leguminosas, os ovos e as aves, isto é, produtos que não foram transformados
pela indústria.


       A pesquisa foi baseada nos dados adiquiridos na Central de Abastecimento
do Espírito Santo (CEASA-ES), na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e em entrevistas tanto
formais quanto informais dos agentes envolvidos na distribuição dos alimentos. Os
dados referentes à CEASA são do ano de 2007, e foram utilizados para caracterizar
a produção municipal de alimentos, enquanto os dados do POF, que são do ano de
2002 – 2003, foram utilizados para determinar o perfil do consumidor capixaba. As
entrevistas ajudaram na obtenção de pontos de vista sobre o tema, principalmente
quando se trata dos alimentos orgânicos, pois não se tem muitos dados estatísticos
a respeito.


       Este é um material que visa subsidiar o professor ao trabalhar o assunto
alimentos no nível médio, com sentido de enfatizar a questão dos alimentos,
utilizando-se da realidade do Espírito Santo.
SUMÁRIO


1. INTRODUÇÃO --------------------------------------------------------------------------- 4
2. NOTA METODOLÓGICA -------------------------------------------------------------- 5
3. PRODUÇÃO ------------------------------------------------------------------------------ 7
        3.1 Produção de hortaliças ------------------------------------------------------ 10
                3.1.1 Hortaliças folhosas e florais ------------------------------------ 10
                3.1.2 Hortaliças frutosas ------------------------------------------------ 12
                3.1.3 Hortaliças tuberosas --------------------------------------------- 13
        3.2 Produção de frutas ----------------------------------------------------------- 15
        3.3 Produção de cereais e leguminosas ------------------------------------ 16
        3.4 Produção de aves ------------------------------------------------------------ 18
        3.5 Produção de ovos ------------------------------------------------------------ 18
4. DISTRIBUIÇÃO -------------------------------------------------------------------------- 20
         4.1 História da CEASA-ES ----------------------------------------------------- 21
         4.2 A dinâmica da distribuição------------------------------------------------- 22
5. CONSUMO -------------------------------------------------------------------------------- 29
         5.1 Perfil do consumidor -------------------------------------------------------- 31
         5.2 Supermercados e Feiras --------------------------------------------------- 33
                5.2.1 Supermercados ---------------------------------------------------- 34
                5.2.2 Feiras ----------------------------------------------------------------- 36
         5.3 A relação entre a oferta, a procura e o preço ------------------------ 36
         5.4 O desperdício de alimentos ----------------------------------------------- 39
6. ALIMENTOS ORGÂNICOS ----------------------------------------------------------- 42
         6.1 História dos alimentos orgânicos no Brasil --------------------------- 42
         6.2 Funcionamento do mercado dos alimentos orgânicos ----------- 44
7. GLOSSÁRIO ------------------------------------------------------------------------------ 48
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ------------------------------------------------ 49
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                  4



1 INTRODUÇÃO 1


          Os alimentos, junto com a água, o ar e a radiação solar, são os principais
fatores responsáveis pelo funcionamento do corpo humano. O responsável pela
maior parte da produção alimentar que abastece os nossos organismos, é o campo,
sobretudo quando nos referimos aos alimentos in natura. Porém, essa não é a única
função dele. Não podemos nos levar por essa visão predominantemente urbana de
que o campo serve apenas para produzir alimento. Seria como dizer que a cidade só
serve para produzir produtos industrializados (eletrodomésticos, carros...), e nós
sabemos que isso não é verdade. O campo é formado por pessoas que como nós,
gostam de se divertir, têm família, têm filhos, que se casam e que também ficam
doentes, mas que, o trabalho deles consiste, na maioria das vezes, em produzir
alimentos. Sabendo disso, poderemos estudar os alimentos, mas saber que foi um
ser humano, como nós, que os produziu, às vezes, com a ajuda do seu filho ou
esposa.


          Trazendo para a nossa realidade, os alimentos in natura que (objeto de
estudo) são produzidos nas áreas rurais, passam, geralmente, pela CEASA e
chegam até nós, consumidores. Eles são, de forma geral, mais benéficos à saúde
humana do que os alimentos industrializados, e assim, servem melhor à principal
função do alimento: nutrir. Dentro deste assunto, abordar-se-á também assunto dos
alimentos orgânicos, e sua importância diante do crescente número de mortes
associadas aos chamados “venenos agrícolas”.


          Também por outro motivo o estudo foi direcionado aos alimentos in natura,
afinal eles representam a relação produção-consumo mais claramente, pois do
mesmo jeito que o alimento sai do campo, ele chega à cidade para ser consumido.
Isto é, não passam pela indústria, não são manufaturados.




1
    Correção ortográfica feita por Aida Regina Gonçalves da Silva, professora de português
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                           5




2 NOTA METODOLÓGICA


         A nota metodológica é a parte em que se explica como (método) organizou-se
o trabalho, e as nomenclaturas utilizadas nele. Então, isto a torna fundamental para
entender o restante.

                TABELA 1 - HORTALICAS
                                                                   No título do trabalho foi
  HORTALIÇAS FOLHOSAS e         ACELGA,           AGRIAO,
        FLORAIS                 ALCACHOFRA,      ALECRIM,
                                                             mencionado um termo que merece
                                ALFACE, ALMEIRAO, ALHO
                                PORRO, ARRUDA, ASPARGO,      explicação: “alimentos in natura”.
                                BROTO     DE      ALFAFA,
                                BERTALHA,      BROCOLO,      Essa expressão é utilizada para
                                CAMOMILA,     CEBOLINHA,
                                COUVE BRUXELAS, COUVE        descrever os alimentos de origem
                                CHINESA,   CHAPEU      DE
                                COURO,          CHICORIA,
                                COENTRO,     COUVE-FLOR,
                                                             vegetal    e       animal      que       são
                                COGUMELO,        CONFREI,
                                COUVE, CARQUEJA, ENDIVIA,    consumidos em seu estado natural,
                                ESCAROLA,     ESPINAFRE,
                                FUNCHO, HORTELA, LOSMA,      como as frutas, por exemplo. São
                                LOURO,       MANJERICAO,
                                MOSTARDA,       MOYASHI,     sobre esses alimentos que iremos
                                PALMITO, POEJO, RADICHE,
                                REPOLHO, RUCULA, SALSA,
                                SERRALHA, SALSAO, SALVIA,
                                                             estudar.
                                TAIOBA,         TOMILHO,
                                TANSAGEM.

                                                                   Classificaremos os alimentos
   HORTALIÇAS FRUTOSAS          ABOBORA,       ABOBRINHA,
                                BERINJELA,        CHUCHU,    in natura com base nos critérios da
                                ERVILHA,    TORTA,   JILO,
                                MAXIXE,    MILHO   VERDE,
                                MORANGA,           PEPINO,
                                                             CEASA-ES       e    da      Pesquisa     de
                                PIMENTAO,        PIMENTA,
                                QUIABO, TOMATE, VAGEM.       Orçamento           Familiar         (POF),
                                                             realizada em 2002 – 2003 pelo
                                                             IBGE. Assim, os alimentos serão
  HORTALIÇAS TUBEROSAS          ALHO, BATATA, BETERRABA,     divididos em cinco grandes grupos:
                                BATATA   DOCE,     CARA,
                                CEBOLA,         CENOURA,
                                GENGIBRE, GOBO, INHAME,
                                                             hortaliças,     frutas,      cereais         e
                                MANDIOCA, MANDIOQUINHA,
                                NABO, RABANETE               leguminosas,         aves       e    ovos.
                                                             Perceba       que     os       cereais       e
                                                             leguminosas, aqui, pertencerão ao
                                                             mesmo grupo.
Fonte: CEASA-ES
Organização: Leonardo Nunes Domingos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                            6



        A hortaliças, (tabela 1)                                    TABELA 2 - FRUTAS
são      o      que       chamamos
                                                                      ABACATE, ABACAXI, ACEROLA, AMEIXA,
comumente         de     legumes       e                              AMORA,        ATEMOIA,       BANANA,
                                                                      CARAMBOLA, CAJU, CAQUI, CASTANHA,
verduras. Elas são divididas                                          CIDRA, CAJA, CAJAMANGA, COCO, FIGO,
                                                                      FRUTA PAO,      GOIABA,    GRAVIOLA,
em     hortaliças       folhosas       e                              JABUTICABA, JACA, JAMBO, JENIPAPO,
                                                                      KIWI, LARANJA, LIMAO, LIMA DA PERSIA,
                                                                      LICHIA,  MAÇÃ,   MANGA,    MARACUJA,
florais, em hortaliças frutosas,                                      MARMELO,        MAMAO,        MELAO,
                                                                      MANGOSTIN,     MELANCIA,   MORANGO,
e em hortaliças tuberosas. As                                         NECTARINA, NESPERA, PERA, PESSEGO,
                                                                      PHYSALIS, PINHAO, PINHA, POMELO,
hortaliças        folhosas         são                                PITAYA, ROMA, SERIGUELA, TAMARINDO,
                                                                      TANGERINA, UVA.
denominadas assim, pois são
                                            Fonte: CEASA-ES
vegetais em que parte que                   Organização: Leonardo Nunes Domingos

serve de alimento é a folha e/ou a flor, como é o caso da alface e da couve-flor. As
                                              hortaliças frutosas são chamadas assim, pois as
TABELA 3 – CEREAIS e LEGUMINOSAS, AVES        partes comestíveis do vegetal, não são a folha
                e OVOS
                                              nem a flor, mas sim o seu fruto, como o chuchu,
                       GALINHA CAIPIRA,
      AVES             GALINHA DE GRANJA.     e a abóbora. E, por fim, as hortaliças tuberosas,
                                              onde as partes comestíveis do vegetal ficam em
                                              baixo da terra, como a batata e a mandioca.


                                                       O grupo das frutas (tabela 2), das aves,
                                              dos ovos e dos cereais e leguminosas (tabela 3)
      OVOS             OVOS DE CODORNA,
                       OVOS CAIPIRA, OVOS
                       VERMELHOS, OVOS
                                              não são subdivididos. Como exemplo de frutas,
                       BRANCOS.
                                              temos a banana e a goiaba. As aves são
                                              representadas pelas galinhas caipiras e de
                                              granja. Os ovos incluem os tipos brancos,
                                              vermelhos, caipira e de codorna. Por fim, os
    CEREAIS E
  LEGUMINOSAS          AMENDOIM, ARROZ,       cereais e leguminosas, são representados pelo
                       FEIJÃO, MILHO.
                                              amendoim, feijão, arroz e milho. Sendo que, o
                                              feijão e o amendoim são leguminosas, e, o arroz
                                              e o milho são cereais.


                                                       É importante esclarecer que a CEASA não
Fonte: CEASA-ES                                comercializa apenas alimentos in natura. Pode-
Organização: Leonardo Nunes Domingos
                                               se encontrar lá alimentos industrializados ou
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                                                                              7



manufaturados, como doces, e até produtos não-alimentícios, como ferramentas e
adubo. Porém, estudar-se-á apenas os alimentos in natura.




3. PRODUÇÃO


      A produção de todos os grupos de alimentos, mostrados acima, formam a
produção total de alimentos in natura. Isto é, a produção de todas as hortaliças,
frutas, cereais e leguminosas, aves e ovos. Essa produção total é medida em
quilogramas (mapa 1).

                        MAPA 1: PRODUÇÃO DE ALIMENTOS IN-NATURA NO ESPÍRITO SANTO
                                             EM QUILOS - 2007
                        42°
                          0'0"W                                                41°
                                                                                 0'0"W                                                   40°
                                                                                                                                           0'0"W
             18°0'0"S




                                                                                                                                                              18°0'0"S
                                                                                                          MUCURICI



                                                                                                                        MONTANHA
                                                                                                                                    PEDRO CANÁRIO
                          0 1020           40          60         80                                      PONTO BELO
                                                                                     ECOPORANGA
                                                                    km
                                                                                                                               PINHEIROS

                                                                                                                                                C. DA BARRA
                                                                                                                BOA ESPERANÇA
                                                                               Á. D. DO NORTE


                                                                                                   VILA PAVÃO
                                                                                     B. DE S. FRANCISCO

                                                                                                                                    S. MATEUS
                                                                                                      NOVA VENÉCIA


                                                                          MANTENÓPOLIS
             19°0'0"S




                                                                                                                                                              19°0'0"S
                                                                                             S. GABRIEL DA PALHA
                                                                                                                 VILA VALÉRIO            JAGUARÉ
                                                                                           ÁGUIA BRANCA
                                                                               ALTO RIO NOVO
                                                                                                                               SOORETAMA
                                                                                                    S. D. DO NORTE
                                                                                          PANCAS
                                                                                                        G. LINDENBERG
                                                                                                                   RIO BANANAL


                                                                                                                                           LINHARES


                                                                                                          MARILÂNDIA
                                                                                                 COLATINA

                                                                                BAIXO GUANDU



                                                                                                 S. R. DO CANAÃ J. NEIVA
                                                                                      ITAGUAÇU
                                                                                                                               ARACRUZ
                                                                                                                IBIRAÇU
                                                                        LARANJA DA TERRA          ST. TERESA
             20°0'0"S




                                                                                                                                                              20°0'0"S




                                                                                       ITARANA
                                                                                                                     FUNDÃO


                                                                      AFONSO CLÁUDIOST. M. DE JETIBÁ
                                                                BREJETUBA                         ST. LEOPOLDINA           SERRA


                                                IBATIBA
                                                                                                               CARIACICAVITÓRIA
                                                                                   DOMINGOS MARTINS
                                            IRUPI
                                                      IÚNA     C. DO CASTELOV. N.DO IMIGRANTE
                                                                                                               VIANA
                                                       MUNIZ FREIRE                   MARECHAL FLORIANO         VILA VELHA
                                       IBITIRAMA

                                                                     CASTELO         ALFREDO CHAVES
                                  D. DE S. LOURENÇO                                                       GUARAPARI


                             D. DO R. PRETO
                                                                               VARGEM ALTA
                                                                                                                             Porcentagem do total
                                                      ALEGRE                                ANCHIETA
                                       GUAÇUÍ
                                                                C. DE ITAPEMIRIM
                                                        J. MONTEIRO
                                                                                    ICONHA
                                                                                                                                0%
                                                                              RIO NOVO DO SULPIÚMA
                                                                                                                                0% - 2%
             21°0'0"S




                                                                                                                                                              21°0'0"S




                                                               MUQUI
                                                                 ATILIO VIVACQUA ITAPEMIRIM
                                       S. J.DO CALÇADO
                                                                                                                                2% - 6%
                                                 APIACÁ
                                        B. J. DO NORTE
                                                         MIMOSO DO SUL
                                                                                   MARATAÍZES
                                                                          P. KENNEDY                                            9%
                                                                                                                                12%
                                                                                                                                30%
                                                                               41°
                                                                                 0'0"W                                                   40°
                                                                                                                                           0'0"W


                        Fonte: CEASA-ES
                        Autor: Leonardo Nunes Domingos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                           8



       É fácil, ao analisar o mapa, perceber o grande potencial produtivo do
município de Santa Maria de Jetibá. Alguns outros municípios também se destacam,
como, Domingos Martins, Santa Leopoldina, Santa Teresa, Afonso Cláudio, Laranja
da Terra, Venda Nova do Imigrante, Alfredo Chaves, Vianna, Itarana, Aracruz e
Linhares. É importante perceber também que há uma grande quantidade de
municípios que contribuem pouco, o que nos leva a concluir que a produção agrícola
espírito-santense é composta, predominantemente, por pequenas produções
municipais.


       Uma questão a ser levada em consideração é a dos municípios “não-
produtores”. Será que em Jerônimo Monteiro (sul do estado) não se planta sequer
um “pé de alface”? É fundamental dizer que, as informações do mapa referem-se
aos alimentos in natura produzidos de acordo com os dados da CEASA-ES. As
informações da produção agrícola de subsistência, não estão representadas no
mapa. Além disso, quaisquer alimentos que não passam pela CEASA para serem
vendidos, também não estão representados no mapa, por exemplo, os alimentos
vendidos na beira das estradas ou nas feiras locais de cada cidade. Isto acontece
em Jerônimo Monteiro. Lá a produção de alimento não passa sequer pela CEASA
de Cachoeiro de Itapemirim (mais próxima
do município), muito menos pela CEASA de
Cariacica. Toda a produção de alimentos in
natura é vendida nas feiras, restaurantes e
supermercados locais (do município ou
municípios    próximos).    Como      exemplo,
temos o Sr. Ailton de Souza Jorge (figura
1), que, na sua terra, produz hortaliças
folhosas e florais, como taioba e couve;
hortaliças frutosas, como jiló; e frutas, como
                                                                                                          Douglas Bonella




banana da terra, nanica, prata e jaca. Ele
vende sua produção na feira no próprio
município, de um modo todo especial. Ao
invés de usar a tradicional banca de feira,      Figura 1: O Sr. Ailton, produtor de alimentos, que
                                                 os vendem na feira, dentro do próprio município
ele utiliza seu automóvel. Por final, o Sr.      (Jerônimo Monteiro).
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                    9



Ailton nos relevou que não utiliza a
                                                        TABELA 4: PRODUÇÃO DE ALIMENTOS IN
CEASA       para      vender    seus        alimentos     NATURA NO ESPÍRITO SANTO - 2007
                                                                  GRUPOS                QUILOS
porque      os        considera        em      pouca                                      (kg)
                                                            Hortaliças Frutosas       110.279.168
quantidade, mas já tem planos para
                                                                    Frutas            91.136.598
aumentar a produção.                                    Hortaliças Folhosas e Florais 32.804.562
                                                           Hortaliças Tuberosas       29.380.427
                                                                    Ovos              27.647.679
         Outra análise que se deve fazer, é               Cereais e Leguminosas        2.778.055
                                                                     Aves                 185
que o mapa de produção de alimentos in                             TOTAL              294.026.674
natura     não     revela,     por     exemplo,    a    Fonte: CEASA-ES
                                                        Organização: Leonardo Nunes Domingos
quantidade       de     hortaliças      ou     frutas
produzidas no estado. Veja isso à frente.


         Dos produtos in natura estudados, o mais produzido são as hortaliças
frutosas, com um pouco mais de 110 mil toneladas (tabela 4), elas são seguidas
pelas de frutas, cuja produção alcança 91 mil toneladas, e depois, em terceiro lugar,
temos as hortaliças folhosas e florais, com um montante de 32 mil toneladas.


         A produção de hortaliças folhosas e florais é bem representativa, pois mesmo
sendo produtos que possuem pouco peso, por serem folhas e flores, ocupam o
terceiro lugar na produção em quilos.
     Gráfico 1


                 PRODUÇÃO DE ALIMENTOS IN-NATURA NO ESPÍRITO
                                 SANTO - 2007
                      0,0001%
                              9%              11%
                      1%




                 31%
                                                                                      38%

                                            10%
                        Hortaliças Folhosas e Florais   Hortaliças Frutosas
                        Hortaliças Tuberosas            Frutas
                        Cereais e Leguminosas           Aves
                        Ovos

      Fonte: CEASA-ES
      Autor: Leonardo Nunes Domingos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                       10



      Para facilitar o estudo, podemos trabalhar com esses dados em porcentagem
(gráfico 1), assim percebemos que aquela grande produção de hortaliças frutosas
(mais de 110 mil toneladas) representam 38% de toda produção de alimentos in
natura. As frutas representam 31%, as hortaliças folhosas e florais 11%, e as
hortaliças tuberosas 10%. É interessante destacar que, embora a produção de
Cereais e Leguminosas alcance quase 3 mil toneladas, ela representa apenas 1%
da produção.


      A produção capixaba de alimentos já foi vista. Sabe-se também o quanto é
produzido de cada grupo de alimentos. Mas não se tem o conhecimento de quais as
características da produção alimentar de cada município. Veja adiante a produção
de alimentos in natura, desde as hortaliças até os ovos, nos municípios espírito-
santenses.




3.1 Produção de hortaliças


      3.1.1 Hortaliças folhosas e florais
                                                        MAPA 2: PRINCIPAIS PRODUTORES DE HORTALIÇAS
                                                     FOLHOSAS E FLORAIS NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007
      As hortaliças folhosas e florais                    41°
                                                            0'0"W                                40°
                                                                                                   40'0"W


                                                     LARANJA DA TERRA
(mapa 2) são muito produzidas pelo                                                     ST. TERESA
                                                                    ITARANA
                                            0'0"S




                                                                                                                          0'0"S
município de Santa Maria de Jetibá,
                                          20°




                                                                                                                        20°




responsável    por   69%   do    total.                                       ST. M. DE JETIBÁ
                                                     AFONSO CLÁUDIO
Domingos Martins é o segundo maior
                                                                                                  ST. LEOPOLDINA
produtor (11%). E, grande parte dos
municípios contribuem com até 2% da
produção. Pode-se analisar também                                    DOMINGOS MARTINS                       CARIACICA

que, muitos municípios não produzem
                                            20'0"S




                                                                                                                          20'0"S
                                          20°




                                                                                                                        20°




esse tipo de hortaliça.
                                                                              MARECHAL FLORIANO
                                                       VARGEM ALTA                                            VIANA
                                                          ALFREDO CHAVES
                                                                                                 GUARAPARI
                                                          41°
                                                            0'0"W                                40°
                                                                                                   40'0"W

                                                                                            Porcentagem do total
                                                                                                0%
                                                                                                0% - 2%
                                                                                                2% - 6%
                                                                                                11%
                                                         0 2,5 5    10   15   20                69%
                                                                                km
                                                     Fonte: CEASA-ES
                                                     Autor: Leonardo Nunes Domingos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                           11




        A tabela 5 foi feita com base em
                                                   TABELA 5: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS
alguns municípios que mais produzem esse        MAIORES PRODUTORES DE HORTALIÇAS
                                                   FOLHOSAS E FLORAIS DO ESPÍRITO
tipo de hortaliça, são eles: Santa Maria de     SANTO, E SEUS PRINCIPAIS ALIMENTOS -
                                                                   2007
Jetibá e Domingos Martins. Tanto o primeiro       Santa Maria de
                                               Jetibá - porcentagem   Domingos Martins -
quanto o segundo são grandes produtores de               (%)            porcentagem (%)
                                               Repolho híbrido 74,6 Repolho híbrido   55,2
repolho híbrido.                                  Couve-flor            Couve-flor
                                                    branca       8,5     branca       23,5
                                               Couve Chinesa     6,0 Repolho roxo      9,1
                                                    Alface       3,0     Brócolis      3,3
                                                Repolho roxo     2,8      Alface       3,3
                                                    Outros       5,1     Outros        5,6
                                                   TOTAL         100       TOTAL      100,0
                                               Fonte: CEASA-ES
                                               Organização: Leonardo Nunes Domingos




                                              Em Santa Maria, de toda a produção
                                     de hortaliças folhosas e florais, 74,6% é de
                                     repolho híbrido. Enquanto que em Domingos
                                     Martins esse número é de 55,2%.
  Repolho híbrido




                                         Além disso, Santa Maria se destaca na
                                  produção de Couve chinesa, e Domingos
                                  Martins, em repolho roxo.




   Couve chinesa
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                                                12



3.1.2 Hortaliças frutosas                                                                            TABELA 6: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS
                                                                                                  MAIORES PRODUTORES DE HORTALIÇAS
 MAPA 3: PRINCIPAIS PRODUTORES DE HORTALIÇAS FRUTOSAS                                             FRUTOSAS DO ESPÍRITO SANTO, E SEUS
            NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007
                                                                                                         PRINCIPAIS ALIMENTOS - 2007
                        41°
                          0'0"W                    40°
                                                     40'0"W
                                                                                                 Santa Maria de Jetibá   Domingos Martins -
             BAIXO GUANDU                                               J. NEIVA
                                  ITAGUAÇU
                                             S. R. DO CANAÃ                                       - porcentagem (%)       porcentagem (%)
                                                                       IBIRAÇU
                                                                                                    Chuchu        43,6  Tomate Longa    66,8
              LARANJA DA TERRA                   ST. TERESA                                                                 Vida
                                  ITARANA
                                                                        FUNDÃO                   Tomate Longa     13,1    Pimentão      8,1
                                                                                                      Vida
   0'0"S




                                                                                       0'0"S
                                                                                                     Pepino       11,7     Chuchu        5,9
 20°




                                                                                     20°
                                   ST. M. DE JETIBÁ                                                Pimentão       10,7    Abóbora       3,6
             AFONSO CLÁUDIO                                               SERRA                                         Jacaré Verde
                                                       ST. LEOPOLDINA
                                                                                                     Vagem         7,5       Jiló        3,2
                                                                                                     Outros       13,4     Outros       12,5
                                                                                                    TOTAL        100,0     TOTAL       100,0
             C. DO CASTELO                                           CARIACICA
 20°20'0"S




                                                                                     20°20'0"S
                              DOMINGOS MARTINS

             V. N.DO IMIGRANTE                                                                    Santa Leopoldina -          Santa Teresa -
                                                                       VIANA                       porcentagem (%)           porcentagem (%)
                                   MARECHAL FLORIANO
                                                                                                    Chuchu       42,8      Tomate Longa    75,5
                                                                     VILA VELHA
                                                                                                                               Vida
              CASTELOVARGEM ALTA                                                                  Batata Doce      15,3       Chuchu        7,3
                             ALFREDO CHAVES                     GUARAPARI
                                                  ANCHIETA
                                                                                                    Pepino         8,0       Pimentão       4,6
             C. DE ITAPEMIRIM
                        41°
                          0'0"W                    40°
                                                     40'0"W                                        Berinjela       7,6        Pepino        3,7
                                                              Porcentagem do total               Tomate Longa       6,5       Vagem         1,8
                                                                  0%                                 Vida
                                                                  0% - 1%                           Outros         19,7        Outros        7
                                                                  1% - 4%
                                                                  4% - 7%                           TOTAL          100,0       TOTAL       100,0
                                                                  7% - 12%
             0   5 10    20       30   40
                                         km                       25%
                                                                                                   Alfredo Chaves -          Afonso Cláudio -
                                                                                                   porcentagem (%)           porcentagem (%)
             Fonte: CEASA-ES                                                                     Tomate Longa    69,1      Tomate Longa   72,9
             Autor: Leonardo Nunes Domingos
                                                                                                     Vida                      Vida
                                                                                                   Pimentão      16,2         Quiabo       9,5
                                                                                                      Jiló        9,5        Pimentão      4,7
                  Como acontece na produção de                                                   Tomate Santa     1,4         Pepino       4,0
                                                                                                     Cruz
hortaliças folhosas e florais, nas hortaliças                                                       Pepino        0,9       Milho Verde     2,7
frutosas (mapa 3) Santa Maria de Jetibá                                                             Outros        2,8          Outros       6,2
                                                                                                    TOTAL       100,0         TOTAL        100,0
lidera, agora com 25% do total.                                                Os
municípios vizinhos vêm em segundo lugar                                                           Laranja da Terra -         Venda Nova do
                                                                                                   porcentagem (%)              Imigrante -
com 4% a 12% da produção. São eles:                                                                                          porcentagem (%)
                                                                                                 Tomate Longa      54,8    Tomate Longa      91,4
Domingos Martins, Alfredo Chaves, Santa                                                              Vida                       Vida
                                                                                                    Quiabo         27,5      Pimentão        2,2
Teresa, Santa Leopoldina, Afonso Cláudio,                                                           Pepino         5,6        Moranga         2,0
                                                                                                                              Híbrida
Laranja da Terra, Itarana e Venda Nova do                                                          Pimentão         4,3       Abóbora        1,1
                                                                                                                           Jacaré Madura
Imigrante.                   Alguns      destes               estão       sendo                       Jiló          3,2    Tomate Santa      1,0
                                                                                                                                Cruz
representados na tabela 6, que acompanha                                                            Outros         4,5         Outros        2,3
o mapa.                                                                                             TOTAL         100,0       TOTAL         100,0

                                                                                                 Fonte: CEASA-ES
                                                                                                 Organização: Leonardo Nunes Domingos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                   13



        À primeira vista, olhando a tabela dos alimentos
mais produzidos em cada um dos municípios, percebe-
                                                 se o destaque do
                                                 Tomate       Longa
                                                 Vida (aquele muito
                                                 utilizado por nós
                                                 na salada, com o
                                                 peso em torno de
                                                 250g).             As
                                                                         Tomate Longa Vida
                                                 exceções     ficam
                                                 com Santa Maria
                                                 de Jetibá e Santa

Moranga híbrida: pode ser consumida cozida, em   Leopoldina, onde o
sopas ou guisados, assada e em forma de purê.    chuchu     ocupa    o
                                                 primeiro lugar, em
relação à produção total de hortaliças frutosas.


        Entre os cinco alimentos mais produzidos em
cada município estão o pimentão, pepino, quiabo, jiló,
vagem, moranga híbrida, abóbora jacaré madura,                            Tomate Santa Cruz
berinjela, milho verde e abóbora jacaré verde.




3.1.3 Hortaliças tuberosas


        Novamente, o município de Santa Maria de Jetibá é o
maior produtor, agora em hortaliças tuberosas, com 46%
(mapa 4). Pode-se concluir então, que maior parte das
hortaliças em geral que consumimos vêm de Santa Maria de
Jetibá.      Outros       três      municípios      também     contribuem
significativamente para a produção das tuberosas: Domingos
Martins, Santa Leopoldina e Alfredo Chaves. Ambos
responsáveis por uma produção entre 6 e 15%.


                                                                                 Gengibre
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                                          14




               MAPA 4: PRINCIPAIS PRODUTORES DE HORTALIÇAS
               TUBEROSAS NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007
                                                                                              TABELA 7: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS
             41°
               0'0"W                         40°
                                               40'0"W
                                                                                            MAIORES PRODUTORES DE HORTALIÇAS
                            ITAGUAÇU                                IBIRAÇU
                                                                                           TUBEROSAS DO ESPÍRITO SANTO, E SEUS
            LARANJA DA TERRA
                                                                                                  PRINCIPAIS ALIMENTOS - 2007
                                                ST. TERESA          FUNDÃO
                                                                                              Santa Maria de     Domingos Martins -
                         ITARANA
                                                                                           Jetibá - porcentagem   porcentagem (%)
   0'0"S




                                                                                  0'0"S
                                                                                                     (%)
 20°




                                                                                20°
                                                                                             Beterraba      41,2   Inhame      34,9
                             ST. M. DE JETIBÁ                                                Cenoura        19,7      Mandioca       23,6
                                                                SERRA
                                                   ST. LEOPOLDINA                            Cebola         17,1      Cenoura        15,4
                                                                                             Amarela
                                                                                             Inhame         9,8    Batata comum      11,6
                                                                                           Batata doce      4,1       Beterraba       7,0
                                                                 CARIACICA                    Outros        8,1        Outros         7,5
                         DOMINGOS MARTINS                                                     TOTAL        100,0       TOTAL         100,0
   20'0"S




                                                                                  20'0"S
 20°




                                                                                20°
                                                                    VIANA                   Santa Leopoldina -        Alfredo Chaves -
                           MARECHAL FLORIANO                                                 porcentagem (%)          porcentagem (%)
                                                                                              Inhame      45,7         Inhame      68,6
                                                                 VILA VELHA
                   ALFREDO CHAVES
                                                  GUARAPARI
                                                                                             Mandioca       27,5    Mandioquinha     23,3
            CASTELO                                                                            Cará         13,2      Mandioca        6,4
             41°
               0'0"W                         40°
                                               40'0"W
                                                                                             Cenoura        4,7       Cenoura         0,9
                                                        Porcentagem do total
                                                            0%                               Gengibre       4,1      Batata doce      0,5
                                                            0% - 1%                           Outros        4,8        Outros         0,4
                                                            1% - 6%
                                                            6% - 15%                          TOTAL        100,0       TOTAL         100,0
               0 2,5 5   10 15 20
                                 km                         46%
            Fonte: CEASA-ES                                                                Fonte: CEASA-ES
            Autor: Leonardo Nunes Domingos                                                 Organização: Leonardo Nunes Domingos




                                                                                           Os alimentos mais produzidos por
                                                                               estes municípios citados (tabela 7), estão
                                                                               na tabela. Santa Maria de Jetibá, no que
                                                                               diz respeito a hortaliças tuberosas, produz
                                                                               beterraba (41,2%), cenoura (19,7%), e
                                                                               cebola         amarela      (17,1%).       Os       demais
                                                                               municípios              produzem        principalmente
                                                                               Inhame, e em menores quantidades,
                Cará: Consome-se geralmente após cozimento.                    mandioca, cenoura, gengibre, cará, batata
                Pode também ser assado ou frito. O purê de
                carás é muito apreciado.
                                                                               doce, mandioquinha e batata comum.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                                                15



3.2 Produção de Frutas


                 Após observar os mapas da produção de hortaliças e suas sub-divisões,
dedicar-se-á a análise da produção dos demais alimentos in natura. O próximo serão
as frutas (mapa 5).


                                                                                                       TABELA 8: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS
                 MAPA 5: PRINCIPAIS PRODUTORES DE FRUTAS
                    NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007                                                MAIORES PRODUTORES DE FRUTAS DO
                            40°40'0"W                40°
                                                       20'0"W                  40°
                                                                                 0'0"W                 ESPÍRITO SANTO, E SEUS PRINCIPAIS
                 PANCAS
                                                                                                                 ALIMENTOS - 2007
                            G. LINDENBERGRIO BANANAL
                      S. D. DO NORTE                                                                  Domingos Martins -        Linhares -
   20'0"S




                                                                                           20'0"S
                                                                                                       porcentagem (%)      porcentagem (%)
 19°




                                                                                         19°
                                                                                                      Banana da      58,8     Mamão       35,6
            BAIXO GUANDU
                                        MARILÂNDIA              LINHARES                                 terra                haway
                       COLATINA                                                                       Tangerina       17,3    Laranja     25,8
                                                                                                        ponkan                 pêra
                                                                                                     Banana prata     7,9     Banana      13,6
   40'0"S




                                                                                           40'0"S


                                                                                                                               prata
                                                                                                    Banana nanica     5,6     Mamão        8,4
 19°




                                                                                         19°




                       S. R. DO CANAÃ J. NEIVA
            ITAGUAÇU                                                                                                         formosa
                                                                ARACRUZ
                                                                                                     Laranja lima     3,2  Côco Verde      6,2
                                                IBIRAÇU
                        ST. TERESA
                                                                                                        Outros        7,3     Outros      10,4
                                                                                                        TOTAL        100,0    TOTAL      100,0
             ITARANA
 20°0'0"S




                                                                                         20°0'0"S




                                                 FUNDÃO


               ST. M. DE JETIBÁ                                                                       Santa Leopoldina -
                                                       SERRA                                           porcentagem (%)
                             ST. LEOPOLDINA                                                          Banana prata    35,6
                                                                                                    Banana nanica    25,4
            DOMINGOS MARTINS                CARIACICAVITÓRIA
                            40°40'0"W                40°
                                                       20'0"W                  40°
                                                                                 0'0"W                Banana da      19,7
                                                                Porcentagem do total                     terra
                                                                    0%                                Tangerina      10,8
                                                                    0% - 1%
                                                                                                        ponkan
                                                                    1% - 2%
                                                                    2% - 5%                           Tangerina       2,8
                                                                    5% - 7%                              Cravo
             0 5 10    20      30        40                         7% - 11%                            Outros        5,7
                                           km                       17%
                                                                                                        TOTAL          100,0
 Fonte: CEASA-ES
 Autor: Leonardo Nunes Domingos                                                                     Fonte: CEASA-ES
                                                                                                    Organização: Leonardo Nunes Domingos




                 Os grandes produtores de frutas são os municípios de Domingos Martins e
Linhares (17%), e Santa Leopoldina e Aracruz (entre 7% e 11%) da produção total.
É importante perceber que, Santa Maria de Jetibá não se destaca aqui como na
produção de hortaliças. Em relação à produção de frutas, ele está inserido no grupo
que produz entre 1 e 2% da produção.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                 16



       Do outro lado, o município de Linhares,
que até então não se colocava entre os
principais produtores de hortaliças, revela-se
um grande produtor de frutas.


       Na    tabela    8,   tem-se   alguns   dos
principais produtores de frutas do estado.
Quase 60% da produção de frutas de
Domingos Martins, é de banana da terra.
Linhares produz mais mamão do tipo haway,
do que qualquer outra fruta, mas também             Mamão haway

produz laranja pêra (25,8%) e banana prata
(13,6).Santa Leopoldina se destaca como grande produtor de banana: 35,6% de
banana prata, 25,4% de banana nanica e 19,7% de banana da terra.




3.3 Produção de Cereais e Leguminosas


       A produção de cereais e leguminosas no Espírito Santo (mapa 6) não é bem
distribuída, pelo contrário, ela é localizada em apenas 20 dos 78 municípios do
estado. Entre os maiores produtores de cereais estão: Santa Maria de Jetibá, com
28%, e Viana, com 24%. Em uma faixa de produção entre 5 e 15%, temos Domingos
Martins, Vitória, Cachoeiro de Itapemirim e Afonso Cláudio. Vitória entra aí como
produtora de Cereais e Leguminosas, mas na verdade esses dados apenas indicam
que o produto ao chegar na CEASA-ES foi informado que veio de Vitória, mas isso
não significa que foi produzido na capital. Até porque não há espaço agrícola
suficiente para tal.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                                            17


                                                                                            TABELA 9: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS
MAPA 6: PRINCIPAIS PRODUTORES DE CEREAIS E LEGUMINOSAS                                     MAIORES PRODUTORES DE CEREAIS E
            NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007                                             LEGUMINOSAS DO ESPÍRITO SANTO, E
                          40°
                            40'0"W                                 40°
                                                                     20'0"W                 SEUS PRINCIPAIS ALIMENTOS - 2007
                                                               FUNDÃO
                                                                                         Santa Maria de Jetibá      Viana - porcentagem
            ST. M. DE JETIBÁ
                                                                                          - porcentagem (%)                  (%)

                                                               SERRA                      Feijão Preto     45,7         Feijão          31,8
                                     ST. LEOPOLDINA
                                                                                                                      Manteiga
                                                                                             Feijão        45,2      Feijão Preto       24,5
                                                                                           Vermelho
                                                                                             Feijão         7,0        Feijão           24,5
                                                CARIACICA
                                                                                           Manteiga                   Vermelho
                                                                  VITÓRIA
              DOMINGOS MARTINS                                                               Feijão         2,0        Feijão           14,8
   20'0"S




                                                                                20'0"S
                                                                                          Carioquinha                Carioquinha
 20°




                                                                              20°
                                                                                             Feijão        0,04      Milho Seco          4,3
                                                                                            Guandu
                                                  VIANA                                     Outros         0,0            Outros        0,2
            MARECHAL FLORIANO

                                                       VILA VELHA
                                                                                            TOTAL         100,0           TOTAL        100,0


            ALFREDO CHAVES            GUARAPARI                                          Domingos Martins -                 Vitória -
                          ANCHIETA                                                        porcentagem (%)             porcentagem (%)
                          40°
                            40'0"W                                 40°
                                                                     20'0"W              Feijão Preto  52,2           Milho Seco      93,0
                                                                                            Feijão     27,8              Arroz         7,0
                                                      Porcentagem do total                Vermelho
                                                          0%
                                                                                         Milho Seco    14,7                 -             -
                                                          0% - 2%
                                                          2% - 5%                           Feijão      2,7                 -             -
                                                          5% - 15%                       Carioquinha
               0 2,5 5   10    15     20                  24%                               Feijão      2,6                 -             -
                                        km
                                                          28%                             Manteiga
 Fonte: CEASA-ES                                                                           Outros       0,0               Outros        0,0
 Autor: Leonardo Nunes Domingos                                                            TOTAL      100,0               TOTAL        100,0

                                                                                         Fonte: CEASA-ES
                                                                                         Organização: Leonardo Nunes Domingos




                 O principal cereal e leguminosa produzido
                                                                                               1                      2
no estado é o feijão (tabela 9). Santa Maria
produz feijão preto (45,7%), feijão vermelho
(45,2%), feijão manteiga (7,0%), feijão carioquinha
                                                                                               3                      4
(2,0%) e feijão guandu (0,04%). A maior parte da
produção de Viana é de feijão manteiga (31,8%).
Já em Domingos Martins, no quesito cereal e
                                                                                               Feijões: 1 - feijão preto, 2 – Feijão Guandu,
leguminosa, a maior produção é de feijão preto                                                 3 – Feijão Carioquinha, 4 – Feijão Vermelho.

(52,2%). Em Vitória, a “produção” envolve dois
alimentos: o milho seco (97%) e o arroz (3%).
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                               18



3.3 Produção de Aves


                 MAPA 7: PRINCIPAIS PRODUTORES DE AVES
                   NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007
                                  40°
                                    40'0"W

                                                             FUNDÃO                   TABELA 10: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS
                                        ST. TERESA                                PRODUTORES DE AVES DO ESPÍRITO SANTO,
            ITARANA
                                                                                     E SEUS PRINCIPAIS ALIMENTOS - 2007
                                                                                   Santa Maria de Jetibá - Santa Leopoldina -
   0'0"S




                                                                          0'0"S
                                                                                     porcentagem (%)        porcentagem (%)
 20°




                                                                        20°
                                                                                  Galinha Caipira    57,4   Galinha      100,0
                                                                                                             Caipira
                   ST. M. DE JETIBÁ
                                                                                    Galinha de       42,6       -          -
                                                                                      Granja
                                                                                      Outros          0,0    Outros       0,0
                                             ST. LEOPOLDINA
                                                                                      TOTAL         100,0    TOTAL       100,0

                                                                                  Fonte: CEASA-ES
                                                                                  Organização: Leonardo Nunes Domingos


                 DOMINGOS MARTINS
                                                       CARIACICA                            Apenas         dois      municípios
                                                     VIANA                         capixabas são responsáveis pela
                                  40°
                                    40'0"W

                                                                                   produção de aves do estado (mapa
                                                 Porcentagem do total              7): Santa Maria de Jetibá e Santa
                                                     0%
                                                     16%                           Leopoldina, sendo que o primeiro é
            0 2,5 5    10    15       20             84%
                                        km
                                                                                   responsável por 84%, e o segundo,
           Fonte: CEASA-ES
           Autor: Leonardo Nunes Domingos                                          por 16%.




                É importante esclarecer que, o termo “produção de aves”, significa criar
galinhas, visando o seu abate, e a comercialização da sua carne.


                Percebe-se, ao analisar a tabela 10 que, ambos os municípios são grandes
produtores de galinha caipira. Em Santa Maria, a galinha de granja ocupa o segundo
lugar.


3.4 Produção de Ovos


                Por fim, a produção de ovos (mapa 8). Esse alimento in natura é produzido
principalmente por dois municípios: Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina. O
primeiro contribui com 83%, e o segundo, com 11%.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                              19



                  MAPA 8: PRINCIPAIS PRODUTORES DE OVOS
                                                                                   TABELA 11: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS
                    NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007
                                                                                    MAIORES PRODUTORES DE OVOS DO
                              40°
                                40'0"W
                                                                                   ESPÍRITO SANTO, E SEUS PRINCIPAIS
                                                            IBIRAÇU
                                                                                              ALIMENTOS - 2007
                                  ST. TERESA                FUNDÃO                Santa Maria de Jetibá  Santa Leopoldina
           ITARANA
                                                                                   - porcentagem (%)    - porcentagem (%)
                                                                                      Ovos        81,1      Ovos     67,1
                                                                                    Brancos               Brancos
   0'0"S




                                                                          0'0"S
 20°




                                                                        20°
                                                                                      Ovos        17,1      Ovos     31,7
                                                                                   Vermelhos            Vermelhos
                                                                                    Ovos de       1,7       Ovos      0,7
                 ST. M. DE JETIBÁ                                                   Codorna                Caipira
                                                              SERRA               Ovos Caipira    0,1     Ovos de     0,5
                                                                                                          Codorna
                                          ST. LEOPOLDINA
                                                                                    Ovos de       0,03        -        -
                                                                                     Granja
                                                                                     Outras        0,0     Outras     0,0
                                                                                     TOTAL       100,0    TOTAL     100,0
            DOMINGOS MARTINS
                                                       CARIACICA
                                                                                   Domingos Martins -
                              40°
                                40'0"W                                              porcentagem (%)
                                                                                     Ovos       80,4
                                                                                    Brancos
                                                                                     Ovos       18,9
                                                 Porcentagem do total              Vermelhos
                                                     0%
                                                                                    Ovos de      0,7
                                                     0% - 5%
                                                                                     Granja
                                                     11%
              0 2,5 5    10      15      20                                             -         -
                                           km        83%
                                                                                        -         -
                                                                                     Outros      0,0
           Fonte: CEASA-ES
           Autor: Leonardo Nunes Domingos                                            TOTAL        100,0

                                                                                  Fonte: CEASA-ES
                                                                                  Organização: Leonardo Nunes Domingos




                 Todos esses municípios produzem em sua maioria ovos brancos, depois, em
quantidade menor, ovos vermelhos (tabela 11). Outros tipos de ovos também são
produzidos em quantidade menor, são eles: ovos de codorna, ovos caipira e ovos de
granja.


                 Algumas dúvidas podem surgir neste momento, depois de analisar os mapas
da produção de aves e de ovos. Repare, no mapa, que os municípios que produzem
ovos são bem mais numerosos do que os que produzem aves. Mas como isso pode
acontecer? Como se produz ovos sem as galinhas? A questão é que, estamos
levando em consideração o que é comercializado. Esses municípios que
comercializam os ovos, também possuem galinhas, porém não as comercializam. Na
verdade, as vendem só depois que param de colocar ovos, ou seja, quando estão
“velhas”. Mas essa venda é feita na própria região ou nas periferias da Grande
Vitória, de modo que não passa pela CEASA-ES.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                          20



4. DISTRIBUIÇÃO


                 A maior parte da distribuição dos alimentos in natura no Espírito Santo é feita
pela Central de Abastecimento do Espírito
Santo (CEASA-ES). A CEASA recebe os
alimentos dos agricultores e distribui para os
Supermercados, Feiras e Restaurantes, que
vendem aos consumidores. Alguns alimentos
podem chegar até os consumidores, sem o
intermédio desta instituição, como exemplo, os                                        Logotipo da CEASA.

produtores que vendem seus alimentos direto
nas feiras.


                 A Unidade Central da CEASA fica no município de Cariacica, a Unidade Sul,
em Cachoeiro de Itapemirim, a Unidade Noroeste, em Colatina (início em 2008), e a
Unidade Norte, em São Mateus (início em 2009) (mapa 9).

                  MAPA 9: LOCALIZAÇÃO DAS CEASA'S NO
                         ESPÍRITO SANTO EM 2008
                 42°
                   0'0"W              41°
                                        0'0"W   40°
                                                  0'0"W
                                                                                        Sabe-se      a     função,        a
 18°0'0"S




                                                                       18°0'0"S




                                                                                  localização, mas não se sabe por que
                                                                                  a CEASA foi criada, quem inventou, e
                                                                                  quando.    Para   responder   à    tais
   0'0"S




                                                                         0'0"S




                                                                                  perguntas é necessário mergulhar na
 19°




                                                                       19°




                                                                                  história da instituição, e compreender
                                                                                  o contexto histórico do período de sua
   0'0"S




                                                                         0'0"S
 20°




                                                                       20°




                                                                                  criação.
   0'0"S




                                                                         0'0"S
 21°




                                                                       21°




                                      41°
                                        0'0"W   40°
                                                  0'0"W


                                                    Divisa Municipal
                                                    C. de Itapemirim
                                                    Cariacica
             0 20 40       80   120    160          Colatina
                                         km         S. Mateus


            Fonte: CEASA-ES
            Autor: Leonardo Nunes Domingos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                      21



4.1 História da CEASA-ES


      A distribuição de produtos cultivados no campo tornou-se mais difícil e caro,
depois do crescimento dos centros urbanos do país. Isto, junto com a
“desorganização” dos lugares onde eram vendidos, gerou a necessidade de
melhorar as condições de comercialização dos alimentos.


      No final dos anos sessenta, o Governo Federal identificou uma grande falha
no comércio dos produtos agrícolas no país. A comercialização era feita nas ruas,
sem fiscalização, sem higiene, sem a devida transparência dos preços e em
embalagens inadequadas. Havia ainda, o lixo produzido e o engarrafamento no
trânsito nos locais próximos de onde ocorria à distribuição dos alimentos.


      Por causa disso, o Governo Federal buscou ajuda de alguns organismos
internacionais, que possuíam mais experiência no assunto, para achar a solução do
problema, além de outros países que conheciam técnicas de planejamento,
construção e operação de mercados atacadistas.


      Os primeiros planos que foram traçados para tentar resolver o problema,
receberam os nomes de Programa Estratégico de Desenvolvimento em (1970) e o I
Plano de Desenvolvimento em (1972/74), sendo que esses dois planos
estabeleceram como prioridade a construção de Centrais de Abastecimento
(CEASA’s) nas principais cidades do país.


      A partir desta decisão do Governo Federal, foram implantadas Centrais de
Abastecimentos – CEASA’s -, destinadas à comercialização dos alimentos in natura,
e outros produtos agrícolas, em todas as capitais brasileiras e nas principais cidades
de cada Estado, formando o que foi denominado Sistema Nacional de Centrais de
Abastecimento - SINAC, cuja administração ficou sob a responsabilidade do órgão
chamado COBAL, que significa Companhia Brasileira de Alimentos, e hoje é
conhecida como CONAB.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                       22



      No Espírito Santo, a empresa CEASA é controlada pelo próprio Governo do
Estado.




4.2 A Dinâmica da Distribuição


      A distribuição é importante, pois é através deste processo que nós, na cidade,
temos acesso ao alimento. Isto é, a distribuição é que leva o alimento ao
consumidor. As CEASA’s de todo o Brasil fazem este papel. No Espírito Santo não é
diferente. Porém, essa distribuição não é tão simples assim, ela possui uma
dinâmica complexa e interessante. Para ficar por dentro deste processo, é preciso
entender como funciona a instituição.


      A CEASA-ES (mapa 10), é dividida em diversos setores, ou pavilhões. Para
Facilitar a visualização, os pavilhões mais importantes foram coloridos, para facilitar
o estudo. Observando o mapa, pode-se identificar os: PP1, PP2, PP3, PPA, PPB,
PNP Baixo, PNP Alto, CC1 e CC2. Para simplificar, entenda, primeiramente o que
significam essas siglas. Os pavilhões que começam com PP, são os pavilhões
permanentes, enquanto PNP significa pavilhão não permanente. As siglas que
começam com CC, correspondem aos centros comerciais, que são responsáveis
pela venda de máquinas e ferramentas, e por isso, não serão muito estudados, já
que este trabalho se refere aos alimentos.
MAPA 10: CENTRAL DE ABASTECIMENTO DO ESPÍRITO SANTO (CEASA-ES) - UNIDADE DE CARIACICA
                                   40°
                                     24'30"W                                40°
                                                                              24'20"W                                            40°
                                                                                                                                   24'10"W                                                     40°
                                                                                                                                                                                                 24'0"W                           40°
                                                                                                                                                                                                                                    23'50"W
                                                                                                                            T   ÃO
                                                                                                                         POR
                                                                                                                                                                                                                /
     23




                                                                                                           AS
                                                                                                 O   PEÇ
                                                                                             AUT
                                                                     --->
                                                                  RA
                                                                  R
                                                               SE




                                                                                                                                                          PROJ.SOCIAIS
                                                                                                                                                PORT ÃO


                                                                                                      SEM PAVIMENTAÇÃO
                                                                                                                                                                                                    0      50   100       200          300
                                                                                                                                                                                                                                          m
                                                                                  BANHEIRO     TRAILER                                             ESTACIONAMENTO
                                                                                                                                                                                                                                               20°
                                                                                                                                                                                                                                                 19'20"S
 20°
   19'20"S
                                                                                                                                                                    GARAGEM              LEGENDA
                                                                                                            PP3
                                                                                                                                                                                                Pavilhão Permanente 1, 2 e 3
                                                                                                                                                                                                Pavilão não Permanente Alto "pedra alta"
                                                                                                                                                                                                Pavilhão não Permanente baixo "pedra baixa"
                                                                                                                                        POSTO
                                                                                                                                                          POSTO
                                                                                                                                        POLICIAL
                                                                                                                                                           FISCAL                               Pavilhão Permanente A e B
                                                                                              PP2
                                                                                                                                          DEPÓSITO                                              Área da CEASA-ES
                                                     O




                                                                                                                                                                                   PP
                                                  EIR




                                                                                                                                                                                     A
     ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO




                                                    H
                                                BAN




                                                                                             a       lto
 20°
   19'30"S                                                                               PNP                                                                                                                                                   20°
                                                                                                                                                                                                                                                 19'30"S
                                                              aix   o
                                                         PNPb                                                                   ADMINISTRAÇÃO
                                                                                                                                                                                         PPB
                                                                                                                                                                                         CC1
                                                                                  PP1
                                                                                                                                               O DO
                                                                                                                                           BANC IL
                                                                                                                                             BRAS
                                                                                                                                ST ES
                                                                                                                           BANE
                                                                                                                CC2
                                                                                        DE
                                                                                  O VER
                                                                            C AM P
                                                                     PING
                                                               S HO P                                                                                                          2
                                                                                                            Km                                                           BR 26
                                                                                                            6.5
                                    40°
                                      24'30"W                                40°
                                                                               24'20"W                                               40°
                                                                                                                                       24'10"W                                                  40°
                                                                                                                                                                                                  24'0"W                           40°
                                                                                                                                                                                                                                     23'50"W
Autor: Pedro R. Fernandes CREA n° 663-TD
Adaptação: Leonardo Nunes Domingos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                 24



       Os                pavilhões
permanentes                      são
subdivididos em PP1, PP2 e
PP3 (figura 2), onde ficam
as       distribuidoras           de
alimentos, que compram do
produtor rural e vendem na
CEASA,        e/ou      para      os
supermercados, e/ou para os
feirantes,     e/ou      para     os
restaurantes.                             Figura 2: Os pavilhões permanentes 1, 2 e 3. Ocupados por distribuidoras de
                                          alimentos.


                                                                             Os                      pavilhões
                                                                             permanentes PPA e PPB
                                                                             (figura 3) são ocupados
                                                                             pelas             redes           de
                                                                             supermercados                  que,
                                                                             inclusive, compram das
                                                                             distribuidoras (PP1, 2 e
                                                                             3). Esse          transporte, é
                                                                             feito       por      meio         de
                                                                             “carrinhos”,        dentro        da

 Figura 3: Algumas redes de supermercados que ocupam os pavilhões PPA e      CEASA         mesmo.         Esses
 PPB, responsáveis pela distribuição dos alimentos. Além de redes
 supermercadistas, temos algumas empresas que atendem aos supermercados,     supermercados por sua
 como a “extrafruti”.
                                                                             vez,     enchem         os     seus
caminhões, e distribuem para as suas lojas. A rede de supermercado Carone é um
exemplo. Ela possui um local fixo na CEASA, lá abastece seus caminhões e distribui
para as suas 6 lojas na Grande Vitória.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                   25



                                                                                       Esses           pavilhões
                                                                             permanentes           (PP’s)      são
                                                                             chamados                       assim,
                                                                             justamente por que são
                                                                             “lojas”      fixas,      que      não
                                                                             mudam com freqüência. Já
                                                                             os          Pavilhões             não
                                                                             Permanentes (PNP’s), há
                                                                             “lojas” fixas. Isto é, são
                                                                             formados por vendedores
                                                                             que podem estar lá em um
                                                                             dia, mas podem não estar
Figura 4: PNP alto. Mais conhecido como “pedra alta”. Tem esse nome porque
realmente é mais alta do que o PNP baixo
                                                                             no dia seguinte. Os PNP’s
                                                                             são divididos em dois: PNP
alto (figura 4) e PNP baixo (figura 5). Os trabalhadores e freqüentadores da
CEASA-ES           apelidaram
esses lugares de “pedra
alta” e “pedra baixa”,
respectivamente.                A
pedra alta é chamada
assim,            pois           é
literalmente                mais
elevada do que a pedra
baixa (figura 6)


         O mais importante
a se saber, é que existe
uma       diferença        entre       Figura 5: PNP baixo. Mais conhecido como “pedra baixa” pelos utilizadores da
                                       CEASA.
estes lugares. A pedra
alta é ocupada pelos próprios agricultores, dispostos a vender os seus alimentos. Já
na pedra baixa, encontram-se os comerciantes, que estão apenas vendendo os
alimentos dos produtores em troca de uma comissão. Os vendedores são,
geralmente, pessoas que moram ali próximo, em Cariacica, e nas regiões próximas.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                             26



       O      primeiro     olhar
sobre as pessoas que
trabalham nas pedras alta
e    baixa,     já    evidencia
quem são os produtores,
e       quem              apenas
comercializa o alimento.
Os agricultores possuem,
em     geral,        um    “jeito”
próprio.      Além         disso,
possuem as marcas de
um homem do campo: as
                                     Figura 6: A divisão entre a “pedra baixa” e a “pedra alta”.
mãos calejadas, a pêle
“enrugada do sol” e as
vestimentas próprias de um trabalhador rural. Enquanto os comerciantes da pedra
baixa, são pessoas que nós estamos acostumados a conviver na cidade.


       Uma rápida passada de olho nas placas dos caminhões (figura 7) encostados
na pedra alta, já dá uma noção como se reúnem ali, produtores de diversas partes
do estado, e até de fora.




      Figura 7: As placas de caminhões encontrados estacionados e carregados de alimentos em torno na
      pedra alta
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              Em suma, os alimentos in natura chegam às mesas do consumidor capixaba,
    ou     pelos       agricultores        que      vendem         na     CEASA-ES            pra     os     feirantes        e
    supermercadistas, ou pelos distribuidores que vendem principalmente para os
    supermercados (instalados dentro da CEASA-ES), que por sua vez, vendem pra nós
    (Figura 8). Como já foi dito, os alimentos in natura também podem ser comprados
    direto do consumidor, nas feiras e/ ou cooperativas.


                                       ATACADO                                                                VAREJO

                                                                           PPA e PPB
                                                                        (SUPERMERCADO
                                                                              S)



                                          PP1, 2 E 3
                                      (DISTRIBUIDORES)                                                       CONSUMIDOR
  ENTRADA DE                                                                                                    FINAL
  ALIMENTO NA
   CEASA-ES
                                            PNP
                                        (PRODUTORES)



                                                                                  FEIRAS




Figura 8: A dinâmica de distribuição dos alimentos dentro da CEASA, até chegar ao consumidor final. A entrada de alimentos é feita
pelos Pavilhões Permanentes PP1, 2 e 3, e/ou pelos Pavilhões não Permanentes (PNP). Desses pavilhões, os produtos são vendidos
para os Supermercados (PPA e PPB) e/ou para as feiras, de onde nós compramos.

                                                                                      TABELA 12: QUANTIDADE
                                                                                   COMERCIALIZADA NA CEASA-ES
              Quando é colocado lado à lado a quantidade                                POR PAVILHÃO - 2007
                                                                                     Pavilhões     Quantidade em
    de alimentos comercializados em cada setor da                                                   quilos (kg)
    CEASA-ES, e sabendo que grande parte destes,                                        PP1          14.069.637
                                                                                        PP2         120.236.760
    são alimentos in natura, podemos dizer que os                                       PP3          78.956.542
    pavilhões não permanentes (alto e baixo) são os                                     PPA          4.547.085
                                                                                        PPB           677.350
    que mais comercializam (tabela 12). O movimento                                  PNP (alto e    276.651.894
                                                                                       baixo)
    diário de pessoas neste local é intenso, pois ele                                  TOTAL        495.139.268
    concentra quase 60% da comercialização (gráfico                               Fonte: CEASA-ES
                                                                                  Organização: Leonardo Nunes Domingos
    2). É importante dizer que existe uma outra
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                  28



modalidade de venda de alimentos dentro da CEASA-ES: a “venda sobre veículo”.
Este tipo de comércio foi responsável por uma quantidade considerável de produtos
comercializados em 2007: quase 6 mil toneladas.



   Gráfico 2


             Comercialização na CEASA-ES por pavilhão em
                             quilos - 2007




                                                  43%
                                                             PP1, PP2 e PP3
                                                             PPA e PPB
    56%                                                      PNP (alto e baixo)




                                    1%
  Fonte: CEASA-ES
  Autor: Leonardo Nunes Domingos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                    29



5. CONSUMO


      O consumo é o final do ciclo do alimento, ou seja, é o fim para o qual ele foi
produzido. Boa parte da produção capixaba é destinada ao mercado interno. Além
disso, consome-se alimentos de fora do Estado, e até de fora do País. Parte do alho
que tempera a comida do capixaba aqui, vem da Argentina. Em fevereiro de 2007 a
CEASA-ES recebeu 25.000 kg de alho deste país, e o vendeu no estado parte deste
montante.


      A palavra “consumo” será substituída agora pela palavra “alimentação”. A
primeira não tem relação direta com alimentos, pois consumir também pode ser
entendido como comprar. Já a palavra alimentação é o processo pelo qual o corpo
obtêm e assimila os alimentos, para manter o funcionamento das suas funções
vitais, incluindo o crescimento.


      Cada país do mundo têm seu guia alimentar, de acordo com seus hábitos,
disponibilidade de alimentos e necessidade da população. No Brasil, o guia
alimentar é o que conhecemos como “pirâmide alimentar” (figura 9). A pirâmide é
dividida em quatro partes: a dos alimentos energéticos, dos alimentos reguladores, a




     Figura 9: Pirâmide de Alimentos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                     30



dos alimentos construtores e dos energéticos extras.
      Os alimentos energéticos ocupam a base da tabela, e devem ser mais
consumidos do que os outros. Entre esses alimentos temos os pães e as massas, as
raízes e tubérculos (hortaliças tuberosas), e os cereais. Os dois últimos fazem parte
dos alimentos in natura que vimos até agora. Esses alimentos são chamados assim,
pois são responsáveis por fornecer a energia que utilizamos no dia a dia.


      Os alimentos reguladores ocupam uma região um pouco mais estreita na
pirâmide do que os anteriores, então devem ser consumidos em quantidade menor.
Eles são compostos por frutas e legumes (hortaliças folhosas e florais, e hortaliças
frutosas). São chamados de reguladores, pois são necessários ao bom
funcionamento do organismo, auxiliando o crescimento e na prevenção de doenças.


      Logo após, numa faixa ainda mais estreita, temos os alimentos construtores.
Fazem parte deles, os leites e derivados, as leguminosas, as carnes e os ovos. São
chamados de construtores, porque são fundamentais na construção do organismo,
como nossos ossos, pele e músculos. Devem ser consumidos em menor quantidade
do que os alimentos reguladores.


      Chegando ao topo da pirâmide, fica os alimentos que devem ser consumidos
em pouquíssima quantidade: os alimentos energéticos extras. Compõe esse grupo,
os doces, açúcares, óleos e gorduras.


      É importante dizer que, essa pirâmide alimentar não deve ser seguida à risca.
Ela é só uma referência. Cada pessoa possui características biológicas próprias, e
para “entrar numa dieta”, deve-se, antes de tudo, consultar o médico.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                           31




5.1 Perfil do Consumidor


      Para estudar o perfil do consumidor capixaba, no que se trata de alimentos in
natura, utilizou-se os dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada
pelo IBGE no ano de 2002 - 2003. Ela mostra o consumo dos alimentos em quilos,
no Brasil, no Sudeste e no Espírito Santo (tabela 13). Isto permite comparar a
realidade do estado com a da sua região, e com a do seu País.
          TABELA 13: AQUISIÇÃO ALIMENTAR DE ALIMENTOS IN NATURA DOMICILIAR
                       "PER CAPITA" ANUAL (QUILOGRAMAS) - 2003
                 Grupos                Brasil       Sudeste    Espírito Santo
          Hortaliças folhosas e florais            2,5                 2,7     2,8
               Hortaliças frutosas                 13,4               15,2    13,0
         Hortaliças tuberosas e outras             13,1               14,5    13,6
                     Frutas                        23,1               24,1    26,7
            Cereais e leguminosas                  48,4               48,1    40,0
                      Aves                         13,9               13,5    15,3
                      Ovos                         1,7                 0,1     2,2
                    TOTAL                         116,1               118,3   113,7
        Fonte: IBGE - Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002 - 2003
        Organização: Leonardo Nunes Domingos




      Os dados da tabela indicam a aquisição alimentar “per capita”, isto é, por
pessoa. Repare que um capixaba consome, aproximadamente a mesma quantidade
de alimentos in natura do que os outros moradores dos estados da Região Sudeste,
e do que os brasileiros. Há uma variação maior nas frutas (o capixaba consome
mais), nos cereais e leguminosas (o capixaba consome menos) e nos ovos (o
capixaba consome mais).


      Em relação à porcentagem do consumo espírito-santense de alimentos in
natura (gráfico 3), percebe-se uma predominância dos cereais e leguminosas
(36%), depois, as frutas (24%), as hortaliças tuberosas (12%), as aves (13%) e as
hortaliças frutosas (11%). As hortaliças folhosas e florais, além dos ovos,
correspondem apenas a 2% do consumo capixaba.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                    32


  Gráfico 3


              CONSUMO DE ALIMENTOS IN-NATURA "PER-CAPITA" NO
                        ESPÍRITO SANTO - 2002 / 2003



                                                                       13%         2%
                 36%
                                                                                          2%




                                                                                     11%


                                                                       12%
                             24%



          Hortaliças folhosas e florais    Hortaliças frutosas     Hortaliças tuberosas
          Frutas                           Cereais e leguminosas   Aves
          Ovos


  Fonte: IBGE - Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002 – 2003
  Autor: Leonardo Nunes Domingos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                     33




5.2 Supermercados e Feiras


         As feiras e supermercados são os principais pontos em que o consumidor tem
contato com o alimento in natura. Esses locais compram sob forma de atacado e
vendem a varejo. Isto é, compram em grande quantidade (geralmente da CEASA-
ES) e vendem em pequenas quantidades, de acordo com a necessidade do
consumidor. Outros pontos de venda a varejo são os restaurantes.




Venda de alimentos in natura na feira livre e no supermercado.


         Tanto os supermercados como as feiras têm um papel extremamente
importante na distribuição dos alimentos in natura. Os supermercados atraem
principalmente em relação à flexibilidade do horário (abertos nos finais de semana e
feriados, além de fecharem só à noite), pela comodidade, por ser climatizado (na
maioria deles), e possuir estacionamento próprio. Já as feiras livres são vantajosas,
pois oferecem boa oportunidade de negociação do preço e qualidade dos alimentos.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                          34



5.2.1 Supermercados


      Antes    da     “invenção”      do
supermercado, a comercialização
dos   alimentos       era    feita    em
mercearias e armazéns de pequeno
porte. Nesses estabelecimentos, as
pessoas não tinham acesso direto
ao produto que queriam comprar,
elas pediam ao dono do comércio e
ele se encarregava de pegar. O
supermercado vem com a idéia,               Exemplo de mercearia

justamente    de      eliminar       esse
intermediário entre o consumidor e o produto, no sentido de agilizar as vendas.


      Foi com essa idéia que os supermercados surgiram por volta de 1930 nos
Estados Unidos da América. Como o contexto era de crise, e o novo modelo
agilizaria as vendas e baratearia os custos, ele serviu direitinho. A novidade teve boa
aceitação no País e depois no mundo.


      No Brasil, os supermercados surgiram na década de 1950 no estado de São
Paulo. O público-alvo era principalmente a classe alta e média.


      Na     década     de    1970     houve    um      crescimento   do   número   destes
estabelecimentos comerciais. Foi neste período de intensa industrialização e forte
crescimento urbano da Grande Vitória, que foi aberto o primeiro supermercado no
Espírito Santo visando atender a crescente população urbana.


      Antes da década de 1990, não era comum a venda de alimentos in natura nos
supermercados. Estes eram vendidos normalmente em feiras e quitandas. Com a
instalação das redes supermercadistas na área interna da CEASA, isso mudou.
Essa mudança garantiu aos donos de supermercados produtos de melhor qualidade
e preços mais baixos, atraíndo-os para esse ramo.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                     35




      A partir de 1990 o estado foi invadido por um novíssimo modelo de
supermercados: os hipermercados. Maiores, mais modernos e informatizados, eles
alteraram os padrões da concorrência e os hábitos dos consumidores.


      Durante essa década, a tendência geral foi a de criação de um oligopólio das
grandes redes, que se fundiram, arrendaram ou compraram outras redes de
supermercado.


      No final dos anos de 1990, a tendência foi a formação de associações. Elas
proporcionam um maior poder de negociação, pois o aumento do volume da compra
reduz o seu preço, que por sua vez reduzem os custos. Gastando menos na
aquisição do alimento, os supermercadistas podiam baixar mais o seu preço, e
conquistar mais clientes.


      Atualmente        os
supermercados seguem o
modelo    consumista    da
sociedade urbana. O que
atrai mais as pessoas nos
supermercados hoje em
                              ACAPS – Associação Capixaba de Supermercados
dia é o que menos nutri
os seus corpos: alimentos prontos para o consumo e os alimentos industrializados.
Quase nunca as pessoas entram em um supermercado com o objetivo de comprar
hortaliças ou frutas in natura, ou quando acontece isso, elas levam algo supérfluo ao
passar pelas prateleiras.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                   36



5.2.2 Feiras


      As feiras livres são tão antigas quanto a necessidade de comercialização dos
produtos agrícolas. No Brasil as primeiras feiras aconteceram no século XVII na
cidade de São Paulo. Em Vitória – ES, esse tipo de comercio iniciou-se por volta da
década de 1940. O contexto era de crescimento populacional da Grande Vitória,
principalmente de Vitória, e isto gerou a necessidade de se colocar mais pontos de
vendas de alimentos in natura (principalmente), antes concentrado no Mercado da
Vila Rubim.


      Nas áreas rurais do nosso estado, as feiras acontecem no centro de comércio
local, de modo que os produtores da região expõe seus produtos à venda e/ ou troca
direta de um alimento por outro. Nas áreas urbanas, as feiras instalam-se nas ruas,
onde acontecem geralmente pela manhã. Muitas vezes é a única chance de um
consumidor urbano conhecer quem produz o alimento que ele consome. As feiras
são importantes pontos de venda de alimento in natura.




5.3 A Relação entre a Oferta, a Procura e o Preço


      A aquisição dos alimentos in natura acontece, na maioria das vezes, por meio
da compra, pouca das vezes através de troca ou doações. Essa ação envolve um
fator importante: o preço. Este, por sua vez, está diretamente relacionado à oferta
dos alimentos, e à procura por estes mesmos alimentos. Chama-se isto de “lei da
oferta e da procura”. Essa lei diz que quando se tem uma grande oferta de um
determinado produto (muitos alimentos para serem vendidos), e pouca procura por
este, o preço tende a reduzir. De outro modo, uma pequena oferta, e muita procura,
faz o preço a subir.


      Quando aplica-se essa lei nos alimentos, ela deve sofrer uma adaptação. O
fator oferta varia bastante, pois a produção dos alimentos varia de acordo com a
safra. Porém a procura pelo alimento, geralmente não varia tão rapidamente, pois as
pessoas os consomem de forma mais ou menos regular. Exceto em alguns casos,
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                                                              37



por exemplo, nas vésperas do natal, quando há um aumento da procura por
castanhas e nozes. Um outro fator que pode afetar a procura é o crescimento da
população, porém isso acontece tão lentamente, que só afeta o preço a longo prazo.
Então, dedicar-se-á mais à oferta, como fator que influencia o preço.

                                                                         TABELA 14: RELAÇÃO OFERTA E PROCURA DE
           Para                      exemplificar           isso,         ARROZ NO ESPÍRITO SANTO - MESES DE 2007
                                                                             Meses      Oferta (kg) Preço (em reais)
analisar-se-á a evolução da oferta e                                                                    do quilo
                                                                            Fevereiro     3.000           1,15
preço durante o ano de 2007 dos                                               Junho        3.600          1,17
principais ingredientes do prato do                                           Julho       3.600           0,86
                                                                             Agosto        7.500          1,17
dia a dia: o arroz e o feijão.                                               Outubro      6.600           1,27
                                                                           Novembro        5.100           1,2
                                                                           Dezembro       3.600           1,2
           A oferta de arroz no Espírito                                   Total Geral    33.000
                                                                        Fonte: CEASA-ES
Santo (tabela 14) era de 3 mil quilos                                   Organização: Leonardo Nunes Domingos

no mês de Fevereiro, oscilou até 7.500, no mês de Agosto, e fechou o ano em
3.600. O preço iniciou o ano em R$ 1,15, desceu até R$ 0,86 no mês de Agosto e
subiu até R$ 1,2 em Dezembro. Uma observação que deve ser feita é que não são
todos os meses do ano que a CEASA-ES oferta arroz. Esses meses que não estão
na tabela, são períodos em que o arroz que chega às mesas do consumidor
capixaba não passa pela CEASA-ES. Isto é, passa pelal CEASA’s de outros estados
ou não utilizam a CEASA-ES como atravessador.
  Gráfico 4

                         RELAÇÃO ENTRE A OFERTA E O PREÇO DO ARROZ NO
                                     ESPÍRITO SANTO - 2007

          8.000                                                                                                                                    1,4
          7.000                                                                                                                                    1,2
          6.000
                                                                                                                                                   1
                                                                                                                                                         Preço do quilo




          5.000
                                                                                                                                                   0,8
   (kg)




          4.000
                                                                                                                                                   0,6
          3.000
                                                                                                                                                   0,4
          2.000
          1.000                                                                                                                                    0,2

             0                                                                                                                                     0
                                ro               ho             o              to                     o
                                                                                                                     br
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                                          Ju          Ju                go                ut
                                                                                             u
                                                                                                                em                    m
                  Fe
                                                                    A                 O                       ov                   ze
                                                                                                          N                   De

                                                       Oferta (kq)                  Preço (em reais)

 Fonte: CEASA-ES
 Autor: Leonardo Nunes Domingos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                                                       38



              O gráfico 4, representa melhor esta relação oferta-preço. Perceba que no
  início e no final a “lei da oferta e procura” ocorre de forma mais clara: quando há um
  aumento da oferta (linha vermelha), há uma redução do preço (linha azul). Porém,
  no meio do ano esta lei não pode ser aplicada, ou seja, outros fatores atuam no
  preço.

                                                                         TABELA 15: RELAÇÃO OFERTA E O PREÇO DO
              No caso do Feijão não é                                    FEIJÃO NO ESPÍRITO SANTO - MESES DE 2007
  diferente a tabela 15 e o gráfico 5                                      Meses       Oferta (kg)  Preço (em reais)
                                                                                                        do quilo
  revelam isso. Em alguns períodos                                         Janeiro      136.197           1,4
                                                                          Fevereiro     174.070           1,39
  do ano, como, no mês de março,                                            Março       249.820           1,41
  julho, agosto, setembro e dezembro,                                        Abril       77.660           1,34
                                                                             Maio       123.740           1,44
  pode-se ver a atuação da “lei da                                          Junho       199.113           1,63
  oferta e procura”, mas nos demais                                         Julho       215.980           1,42
                                                                           Agosto       235.847           1,43
  meses ela não é aplicável.                                              Setembro      170.870           1,62
                                                                           Outubro      153.370           2,05
                                                                          Novembro      162.818           2,46
                                                                          Dezembro      179.070           3,23
                                                                         Total Geral   2.078.555

                                                                     Fonte: CEASA-ES
                                                                     Organização: Leonardo Nunes Domingos

Gráfico 5

                   RELAÇÃO ENTRE A OFERTA E O PREÇO DO FEIJÃO NO
                               ESPÍRITO SANTO - 2007

         300.000                                                                                                            3,50

         250.000                                                                                                            3,00

                                                                                                                            2,50
                                                                                                                                   Preço do quilo




         200.000
                                                                                                                            2,00
  (kg)




         150.000
                                                                                                                            1,50
         100.000
                                                                                                                            1,00
          50.000                                                                                                            0,50

              0                                                                                                             -
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                                                                                                                o
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                                                                                                                        o
                                                                                           o
                                                                               to
                                                                     lh
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                                                                                                                     br
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                                                                                               ub
                                                                           os
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                                                                    Ju
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                                                                                                            m
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                                                                                                                    m
                                                                                     m
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                                                                                               ut
                                     M




                                                                          Ag
             Ja




                                                                                                         ve

                                                                                                                 ze
                                                                                    te

                                                                                           O
                     Fe




                                                                               Se




                                                                                                    No

                                                                                                                De




                                                   Oferta (kg)            Preço (em reais)

Fonte: CEASA-ES
Autor: Leonardo Nunes Domingos
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                       39



      Pode-se concluir então, que existe a influência da “lei da oferta e procura”,
mas que existem outros fatores que influenciam o preço do alimento. A produção de
alimentos varia de acordo com a safra, isso já se sabe. Mas, as safras acontecem
em lugares diferentes, em períodos do ano diferentes. Isto é, na época do ano em
que o alimento é produzido próximo aos centros consumidores, o custo do transporte
é menor, então o preço tende a reduzir. Agora, quando tem que se buscar o
alimento a longas distâncias, gasta-se muito com transporte, e o preço tende a
aumentar.


      Se voltar a análise novamente à oferta e preço do feijão (tabela 15 e gráfico
5), perceber-se-á que no decorrer do ano de 2007 houve um grande aumento do seu
preço, porém não houve uma redução da oferta nesta mesma proporção que
explique tal fato. Em Janeiro a oferta era de 136 mil quilos de feijão e o preço era de
R$ 1,4. Em dezembro a oferta estava maior (179 mil quilos), porém o preço foi para
R$ 3,23 (três reais e vinte e três centavos), quando deveria ter reduzido.




5.4 O Desperdício dos Alimentos


      A humanidade, há algum tempo, é capaz de produzir alimento para matar a
fome de toda a população do planeta. O desenvolvimento técnico avançado da
atualidade foi o principal fator desta conquista. Porém, nos dias de hoje, a fome
mata uma pessoa a cada 3,5 segundos, em razão de inanição, ou doenças
associadas à má nutrição, de acordo com o Programa Alimentar Mundial (PAM). A
grande questão é que isso tem relação direta com o desperdício, pois de acordo com
o mesmo órgão, morre 1 criança de 5 em 5 segundos ao mesmo tempo que são
desperdiçadas perto de 12 toneladas de comida. As crianças são a grande vítima da
má utilização dos alimentos.


      A CEASA-ES, visando contornar o problema de desperdício interno,
desenvolveu um programa social que realiza coletas diárias de alimentos não
comercializados resultantes de doações, que ainda estejam próprios para o
consumo humano. Esse programa se chama “CEASA Sem Desperdício”.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                      40




      Você também pode colaborar para reduzir o desperdício. Existem algumas
“receitas alternativas” que buscam utilizar parte de vegetais que são desperdiçados
normalmente (figura 10 e 11).


      Pode-se perceber que ainda existe um de pré-conceito em relação a essas
receitas. Principalmente em relação ao seu sabor. Mas como todo tipo de pré-
conceito, não possui ligação com a realidade. Então, deve ser desconsiderado.


      Na verdade as chamadas “receitas alternativas” possuem maior valor
nutricional e sócio-econômico. Nutricional, porque utiliza cascas, caules e folhas que
seriam descartados; sócio-econômico porque ao se desperdiçar menos, reduz-se a
procura, e conseqüentemente inibe a elevação dos preços dos alimentos.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                           41



       SUFLÊ DE FOLHAS DE BETERRABA                                   BOLO DE BANANA COM CASCA




(porção ideal 80 gramas)                                    (porção ideal 100 gramas)

Ingredientes                                                Ingredientes

    • 1 ½ Xícaras de chá de folhas de beterrabas                 •   03 Bananas-prata grandes com casca
bem lavadas e Picadas                                            •   03 ovos
    • 1 Xícara de chá de leite                                   •   01 Xícara de chá de açúcar
    • 2 colheres de sopa de maisena                              •   01 Xícara de cafezinho de óleo
    • 1 colher de sopa de margarina ou óleo                      •   01 Colher de sobremesa de canela em pó
    • 3 ovos (gemas separadas)                                   •   01 Cálice de vinho (opcional)
    • 3 colheres de sopa de queijo parmesão                      •   01 Colher se sopa de fermento em pó
ralado                                                           •   01 Pitada de noz moscada
    • Sal a gosto                                                •   02 Xícaras de chá de farinha de trigo

Preparo                                                     Preparo

      • Misturar as folhas de beterrabas picadas, o              • Limpar a Casca
leite, a maisena, a margarina (ou óleo), gemas, e o              • Bater todos os ingredientes no liquidificador,
queijo parmesão ralado.                                     com exceção das claras e do fermento.
      • Colocar as claras em neve misturando                     • Por fim, levar a massa a farinha de trigo
cuidadosamente                                              misturando bem até formar uma massa homogenia
      • Untar uma forma refratária, colocar a massa              • Ao final envolver na massa às claras em
e levar ao forno pré-aquecido                               neve e o fermento em pó.
                                                                 • Levar ao Forno.
OBS. Esta receita pode ser preparada utilizando
folhas de cenoura, nabo, rabanete, etc.
                                                            Figura      11:      receita    disponível    no      site
                                                            <http://www.unirio.br/gastronomiavancada/preparacaointegr
Figura      10:      receita    disponível    no     site   al.htm> . Acesso em 25 de maio de 2010.
<http://www.unirio.br/gastronomiavancada/preparacaointeg
ral.htm> . Acesso em 25 de maio de 2010.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                         42



6. ALIMENTOS ORGÂNICOS


      O estudo dos alimentos in natura, deve necessariamente passar pelo estudo
dos alimentos orgânicos. Afinal, grande parte dos alimentos orgânicos são
comercializados de forma in natura. Assim, com o objetivo de explicar o processo
pelo qual passa os alimentos in natura, desde a produção até o consumo, deve-se
também considerar os alimentos orgânicos.


      Embora haja uma relação entre a produção
orgânica e a Agroecologia, pode-se encontrar
produtores orgânicos que não adotaram este
modelo. Isto é, os alimentos são orgânicos, mas
não há um manejo adequado e consciente da
natureza. Contudo, para este estudo, é importante
focar no fato de que alimentos orgânicos são        Com o manejo orgânico, o mato protege
                                                    o solo sem prejudicar o crescimento do
aqueles isentos de agrotóxico e/ou adubo químico.   repolho.




6.1 História dos Alimentos Orgânicos no Brasil


      No início da década de 1970, começou-se a repensar o modelo de produção
agrícola tradicional. Os impactos ambientais e a utilização de agrotóxicos
começaram a ser enxergados com “maus olhos” pela sociedade e governo. Nesse
sentido, duas experiências paulistas com o modelo orgânico de produção lançaram
as suas primeiras sementes no Brasil.


      No entanto, até meados da década de 1990 o desenvolvimento da agricultura
orgânica aconteceu de forma muito lenta. Segundo um dos pioneiros do movimento
orgânico do país, o Prof. Adilson Paschoal, “pouco de prático se fez no sentido de
mostrar os propósitos, métodos e práticas e as possibilidades do sistema de
agricultura orgânica no País”. Além disso, o comércio desses alimentos ainda não
possuía uma organização eficaz.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                            43



      Por volta de 1992 tivemos avanços mais significativos. A 9° Conferência
Científica Internacional da Federação Internacional de Movimentos da Agricultura
Orgânica (IFOAM) realizada em São Paulo, colaborou para a instauração de normas
e técnicas, além da certificação dos produtos orgânicos. Em associação com o
Instituto Biodinâmico (IBD), criado em 1984, gerou-se um aumento do interesse pela
prática desse modelo de agricultura, através do impulso dado às exportações dos
produtos orgânicos.


      Dois anos depois, o Brasil foi pressionado por forças internacionais no sentido
de estabelecer normas tanto para o processo de produção quanto para o de
comercialização dos produtos orgânicos. O resultado foi a criação do Comitê
Nacional de Produtos Orgânicos.


      Em 17 de maio de 1999, depois de muita polêmica, foi publicada a Instrução
Normativa n° 007, que fala sobre as normas de produ ção e distribuição dos produtos
orgânicos animais e vegetais. Foi um importante marco para os agricultores
orgânicos. Neste documento há a regulamentação da produção, caracterização,
processamento, processo de embalagem, distribuição, identificação e certificação da
qualidade dos produtos orgânicos.


      Atualmente       há   um
horizonte      bem    agradável
para o Brasil em relação ao
produtos       orgânicos.   Nos
últimos 3 anos o mercado
para esse tipo de alimento
cresceu em media 50 % ano
no   Brasil,    enquanto    nos
países da Europa esse valor
chegou à no máximo 30%.
                                  Localizado em Indaiatuba – SP, esse supermercado traz além de uma longa
                                  seção de produtos orgânicos, uma estação de reciclagem de lixo, carrinhos de
                                  compra produzidos com garrafas pet, bandejas de fécula de mandioca ao
                                  invés de isopor.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                     44



      Neste ano de 2008, o estado de São Paulo inaugurou o primeiro
Supermercado Verde na América Latina. Lógico, com ampla oferta de orgânicos.
Porém, o que tudo indica, o estabelecimento é voltado para as classes médias e
altas, devido o alto valor dos orgânicos ofertados.


      Os produtos orgânicos estão cada vez mais presentes nas prateleiras dos
supermercados, nas bancas de feiras. No Barro Vermelho, bairro da cidade de
Vitória, é realizado todo sábado das 5 às 12 horas uma feira livre de alimentos
orgânicos. Outro modo que se tem comercializado esses alimentos é por meio da
formação de grupos de compras.


      O crescimento deste ramo de alimentos que promovem a saúde humana tem
sido visto com muito bons olhos pelos principais profissionais de saúde do Brasil. Os
dados revelam que ao lucrar 10,4 bilhões de reais, a indústria de “venenos
agrícolas”, causa a intoxicação de 500 mil brasileiros por ano, sendo que destes, 10
mil morrem. No Espírito Santo, esses venenos mataram 1100 pessoas em 2004,
dados do Centro de Atendimento Toxicológico do Espírito Santo – Toxceno.


      No contexto de busca por qualidade de vida, o crescimento do consumo de
alimentos orgânicos no Estado vêm crescendo em torno de 20 a 30% por ano. A
comercialização é feita nas feiras, supermercados ou por meio cooperativas que
fazem entregas em domicílio – geralmente de cestas – mediante formação de
grupos de compra. Nas feiras e nas cooperativas, o preço do orgânico tende a ser
mais atrativo, mas nos supermercados percebe-se uma nítida superioridade do seu
preço em relação aos produtos convencionais (com agrotóxicos e/ ou adubos
químicos.




6.2 Funcionamento do mercado dos alimentos orgânicos


      A produção dos alimentos orgânicos é feita geralmente por meio de
Cooperativas Agrícolas, que se organizam e vendem seus produtos para os
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                          45


                                              Supermercado




      Produtor
         ou                                   Feiras                                               Consumidor
    Cooperativa de
     Produtores



                                              Cooperativas




 Figura 12: O trajeto que o alimento orgânico realiza, desde a sua produção até o consumo, e suas diversas possibilidades
 de distribuição


supermercados, feiras e “cooperativas de distribuidores”, e é por meio destes que
temos acesso à este tipo de alimento (figura 12).


         Os produtos orgânicos, para serem oficialmente reconhecidos como tal,
devem receber um selo de garantia de que estão totalmente isento de agrotóxicos e/
ou adubos químicos. Esse certificado é dado ao produtor, mediante um pagamento
anual, e uma inspeção inicial e rotineira.

                                                                  TABELA 16: NÚMERO DE PRODUTORES
         No Espírito Santo, a Associação                        ORGÂNICOS CERTIFICADOS NO BRASIL - 2000

de Certificação de Produtos Orgânicos                             Estados                 Número de produtores
                                                                                              certificados
“Chão Vivo” é a responsável pela                                  Paraná                         2.400*
                                                              Rio Grande do                       800
emissão dos selos aos produtores                                     Sul
                                                                São Paulo                            800
rurais. O grande problema é que o alto                        Rio de Janeiro                         120
valor      para        obtenção          do       selo,       Espírito Santo                         100
                                                              Santa Catarina                         100
principalmente          para       os     pequenos            Distrito Federal                        50
                                                                  Outros                             130
proprietários        rurais      (que      em       sua
                                                                  TOTAL                             4.500*
maioria não têm alto poder aquisitivo),
                                                             * Cerca de 750 produtores encontravam-se "em processo de
acaba desestimulando a produção de                           certificação".
                                                             Fonte: DAROLT (2000)
                                                             Organização: Leonardo Nunes Domingos
orgânicos. Perceba o pequeno número
de produtores certificados, mesmo a nível de Brasil (tabela 16) Como alternativa,
alguns produtores estão utilizando-se de um “certificado solidário” ou “certificado
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                               46



participativo”, onde a comprovação de que
os alimentos são de fato orgânicos se
fundamenta na responsabilidade e confiança
entre produtor, distribuidor e consumidor. Um
exemplo de cooperativa que utiliza-se deste
tipo de certificado é a Cooperativa Solidária
de Alimentos Orgânicos do Espírito Santo
chamada de “O Broto”. Ela localiza-se na
Rua dos Patos, no bairro Nova Carapina II,
Serra, ES. Essa cooperativa é formada tanto
por consumidores quanto por produtores de
orgânicos.                                                  O Broto. Localizado no município da Serra.
                                                            Telefone de contato: 3318-9762



       O diferencial dessa cooperativa é que
ela visa levar o produto orgânico ao público mais carente, para tal, pratica-se um
preço justo, e as entregas são feitas mediante a formação de grupos de
compradores de um mesmo bairro ou local. Além disso, a cooperativa trabalha com
a conscientização de uma alimentação saudável. Atualmente “O Broto” é
responsável pela execução de um “projeto piloto” de abastecimento de alimentos
orgânicos nas escolas municipais de Vitória. Isso é feito em um número reduzido de
escolas, mas há previsão de expansão do projeto.


       Utilizar-se-á    o
exemplo do “O Broto”
como cooperativa de
alimentos     orgânicos
que promovem a sua
distribuição na grande
vitória, para entender
a dinâmica de uma
cooperativa       (figura
13).    Primeiramente,
ela     realiza        um
                            Foto das cestas de alimentos orgânicos que são vendidas na cooperativa “O Broto”
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                                                    47



         planejamento com o produtor rural, estipula-se quantos quilos de cada alimento a
         cooperativa precisará, e o agricultor se encarrega de produzir. Os agricultores por
         sua vez, se organizam em cooperativas de produtores orgânicos. Ao comprar os
         alimentos, “O Broto”, por exemplo, os comercializa aos consumidores em formato de
         cestas. É importante entender que muitos dos associados ao “O Broto”, são também
         consumidores. Esses alimentos acabam ficando em média 70% mais barato do que
         os orgânicos encontrados nos supermercados, e 30% mais baratos do que os
         convencionais. Atualmente “O Broto” possui quase 30 pontos de entrega de cestas,
         sendo que em cada ponto há no mínimo 5 compradores. As cestas possuem uma
         diversidade de 15 itens diferentes, com 600 gramas de peso cada um, sendo que o
         total de peso da cesta gira em torno de 9 quilos de alimentos, e o seu preço atual é
         de 16 reais para as entregas no município da Serra (onde fica a cooperativa), e 20
         reais para entregas em Vila Velha, Vitória e Cariacica, pois se gasta mais com o
         transporte.



ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES                                            BROTO                                    CONSUMIDORES


 Vero Sapore - Iconha


 GAOI -Iconha                                                                                                ASSOCIADOS

 Garra Ecológica – St
 Maria de Jetibá
                                                                                                             CONSUMIDORES
 Amparo Familiar – St                                   COOPERATIVA
 Maria de Jetibá

                                                        Ex.: “O BROTO”                                       ESCOLAS
 Apsad Vida – St                                                                                             MUNICIPAIS
 Maria de Jetibá


 Grupo Siriema – Laranja
 da Terra                                                                                                    LIDERANÇAS DE
                                                                                                             BAIRROS
 Grupo Cariacica - Cariacica


 Grupo Horizonte
 Organizado - Cariacica


 Koomaya - Jaguaré


Figura 13: A dinâmica da distribuição dos alimentos orgânicos através das Cooperativas, tendo como exemplo “O Broto”.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                   48



7. GLOSSÁRIO



Agroecologia: É a ciência ou a disciplina científica que apresenta uma série de
princípios, conceitos e metodologias para estudar, analisar, dirigir e avaliar
ecossistemas, com o propósito de permitir a implantação e o desenvolvimento de
estilos de agricultura com maiores níveis de sustentabilidade.

Atacado: Venda de mercadoria em grande quantidade, de uma só vez.

Funções vitais: São funções essenciais para a manutenção da espécie humana.
Tais como a reprodução, a respiração e a alimentação.

Inanição: Extrema debilidade ou fraqueza por falta de alimentação. A morte por
inanição é, literalmente, uma morte cuja causa foi a fome.

In natura: No estado natural, sem nenhum processamento.

Manufaturados: Que resulta de trabalho manual ou mecânico. Um alimento
manufaturado é aquele que foi transformado na indústria ou manualmente, ex: geléia
de morango.

Oligopólio: Situação econômica em que um pequeno número de empresas controla
a oferta de produtos para ter domínio sobre o mercado.

“Per capita”: Por pessoa. Se eu digo que o consumo de um determinado alimento é
de 15 quilos “per capita”, quero dizer que cada pessoa consome esta quantidade.

Safra: Quantidade de produção agrícola por um período determinado, geralmente
por ano.

Subsistência: Característica de quem se mantém, de quem realiza atividades
necessárias à própria existência.

Varejo: Atividade comercial que consistem em negociar qualquer variedade de
produto a qualquer quantidade, inclusive pequenas. Relacionado ao consumidor
final.
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                         49



8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


Livros e Artigos:


Preparações      Utilizando    Integralmente     os    Alimentos.    Disponível      em
<www.unirio.br/gastronomiavancada>. Acesso em 11 de novembro de 2008.


Programa         Alimentar        Mundial.        FOME.         Disponível          em:
<http://www.wfp.org/portuguese/?NodeID=5> Acesso em: 11 de novembro de 2008


Programa Alimentar Mundial. VENCER A GUERRA CONTRA A FOME. Disponível
em: <http://www.wfp.org/portuguese/?NodeID=5> Acesso em: 11 de novembro de
2008


CASTRO, Josué. Introdução In____: Geografia da Fome. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2006. 318p.


Banco de Alimentos e Colheita Urbana: Noções básicas sobre alimentação e
nutrição. Rio de Janeiro: SESC/DN, 2003.           20 pág. (Mesa Brasil SESC. –
Segurança Alimentar e Nutricional). Programa Alimentos Seguros. Convênio
CNC/CNI/SENAI/ANVISA/SESI/SEBRA.


COIMBRA,        Ubervalter.      Cresce      o        consumo       de       alimentos
orgânicos      no     ES:     veja    onde       comprar.    Disponível       em:        <
http://www.seculodiario.com.br/arquivo/2006/novembro/10/noticiario/meio_ambiente/
10_11_07.asp> Acesso em 11 de novembro de 2008.


DAROLT, Moacir Roberto. A evolução da agricultura orgânica no contexto
brasileiro. Disponível em: <http://www.planetaorganico.com.br/brasil.htm>. Acesso
em 11 de novembro de 2008
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO                                                 50



Dados:


Pesquisa     de      orçamentos     familiares    (POF).       Disponível    em
<http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/orcfam/default.asp?z=t&o=20&i=P> Acesso em 11
de novembro de 2008.


<http://www.ceasa.gov.br/> Acesso em 11 de novembro de 2008.


<http://www.acaps.org.br/> Acesso em 11de novembro de 2008
ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO   51

Alimentos

  • 1.
    ORIGEM, DISTRIBUIÇÃO ECONSUMO DE ALIMENTOS IN NATURA NO ESPÍRITO SANTO 0 UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO VITÓRIA 2010
  • 2.
    ANTÔNIO OLIVEIRA ARAÚJO JAKSON CARLOS SILVA LEONARDO NUNES DOMINGOS LUCINEI VICENTE DA SILVA ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO Material didático-pedagógico, produzido para o Trabalho de Conclusão de Curso em Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para a obtenção do título de Licenciatura Plena. Orientador: Solange Lins Gonçalves VITÓRIA 2010
  • 3.
    APRESENTAÇÃO Este trabalho consiste em material de auxílio, produzido sobre o tema: Alimentos no Espírito Santo, abordando a produção, distribuição e consumo de alimentos in natura no estado do Espírito Santo. Ele foi elaborado com o objetivo de esclarecer o processo pelo qual o alimento in natura passa para chegar à mesa do consumidor capixaba, desde a produção até o consumo, passando pelo processo de distribuição. Acredita-se que o esclarecimento desta dinâmica levará o leitor à “dar importância”, tanto às pessoas que participam deste processo quanto ao alimento em si. Os alimentos in natura em questão são as hortaliças, as frutas, os cereais e leguminosas, os ovos e as aves, isto é, produtos que não foram transformados pela indústria. A pesquisa foi baseada nos dados adiquiridos na Central de Abastecimento do Espírito Santo (CEASA-ES), na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e em entrevistas tanto formais quanto informais dos agentes envolvidos na distribuição dos alimentos. Os dados referentes à CEASA são do ano de 2007, e foram utilizados para caracterizar a produção municipal de alimentos, enquanto os dados do POF, que são do ano de 2002 – 2003, foram utilizados para determinar o perfil do consumidor capixaba. As entrevistas ajudaram na obtenção de pontos de vista sobre o tema, principalmente quando se trata dos alimentos orgânicos, pois não se tem muitos dados estatísticos a respeito. Este é um material que visa subsidiar o professor ao trabalhar o assunto alimentos no nível médio, com sentido de enfatizar a questão dos alimentos, utilizando-se da realidade do Espírito Santo.
  • 4.
    SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ---------------------------------------------------------------------------4 2. NOTA METODOLÓGICA -------------------------------------------------------------- 5 3. PRODUÇÃO ------------------------------------------------------------------------------ 7 3.1 Produção de hortaliças ------------------------------------------------------ 10 3.1.1 Hortaliças folhosas e florais ------------------------------------ 10 3.1.2 Hortaliças frutosas ------------------------------------------------ 12 3.1.3 Hortaliças tuberosas --------------------------------------------- 13 3.2 Produção de frutas ----------------------------------------------------------- 15 3.3 Produção de cereais e leguminosas ------------------------------------ 16 3.4 Produção de aves ------------------------------------------------------------ 18 3.5 Produção de ovos ------------------------------------------------------------ 18 4. DISTRIBUIÇÃO -------------------------------------------------------------------------- 20 4.1 História da CEASA-ES ----------------------------------------------------- 21 4.2 A dinâmica da distribuição------------------------------------------------- 22 5. CONSUMO -------------------------------------------------------------------------------- 29 5.1 Perfil do consumidor -------------------------------------------------------- 31 5.2 Supermercados e Feiras --------------------------------------------------- 33 5.2.1 Supermercados ---------------------------------------------------- 34 5.2.2 Feiras ----------------------------------------------------------------- 36 5.3 A relação entre a oferta, a procura e o preço ------------------------ 36 5.4 O desperdício de alimentos ----------------------------------------------- 39 6. ALIMENTOS ORGÂNICOS ----------------------------------------------------------- 42 6.1 História dos alimentos orgânicos no Brasil --------------------------- 42 6.2 Funcionamento do mercado dos alimentos orgânicos ----------- 44 7. GLOSSÁRIO ------------------------------------------------------------------------------ 48 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ------------------------------------------------ 49
  • 5.
    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 4 1 INTRODUÇÃO 1 Os alimentos, junto com a água, o ar e a radiação solar, são os principais fatores responsáveis pelo funcionamento do corpo humano. O responsável pela maior parte da produção alimentar que abastece os nossos organismos, é o campo, sobretudo quando nos referimos aos alimentos in natura. Porém, essa não é a única função dele. Não podemos nos levar por essa visão predominantemente urbana de que o campo serve apenas para produzir alimento. Seria como dizer que a cidade só serve para produzir produtos industrializados (eletrodomésticos, carros...), e nós sabemos que isso não é verdade. O campo é formado por pessoas que como nós, gostam de se divertir, têm família, têm filhos, que se casam e que também ficam doentes, mas que, o trabalho deles consiste, na maioria das vezes, em produzir alimentos. Sabendo disso, poderemos estudar os alimentos, mas saber que foi um ser humano, como nós, que os produziu, às vezes, com a ajuda do seu filho ou esposa. Trazendo para a nossa realidade, os alimentos in natura que (objeto de estudo) são produzidos nas áreas rurais, passam, geralmente, pela CEASA e chegam até nós, consumidores. Eles são, de forma geral, mais benéficos à saúde humana do que os alimentos industrializados, e assim, servem melhor à principal função do alimento: nutrir. Dentro deste assunto, abordar-se-á também assunto dos alimentos orgânicos, e sua importância diante do crescente número de mortes associadas aos chamados “venenos agrícolas”. Também por outro motivo o estudo foi direcionado aos alimentos in natura, afinal eles representam a relação produção-consumo mais claramente, pois do mesmo jeito que o alimento sai do campo, ele chega à cidade para ser consumido. Isto é, não passam pela indústria, não são manufaturados. 1 Correção ortográfica feita por Aida Regina Gonçalves da Silva, professora de português
  • 6.
    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 5 2 NOTA METODOLÓGICA A nota metodológica é a parte em que se explica como (método) organizou-se o trabalho, e as nomenclaturas utilizadas nele. Então, isto a torna fundamental para entender o restante. TABELA 1 - HORTALICAS No título do trabalho foi HORTALIÇAS FOLHOSAS e ACELGA, AGRIAO, FLORAIS ALCACHOFRA, ALECRIM, mencionado um termo que merece ALFACE, ALMEIRAO, ALHO PORRO, ARRUDA, ASPARGO, explicação: “alimentos in natura”. BROTO DE ALFAFA, BERTALHA, BROCOLO, Essa expressão é utilizada para CAMOMILA, CEBOLINHA, COUVE BRUXELAS, COUVE descrever os alimentos de origem CHINESA, CHAPEU DE COURO, CHICORIA, COENTRO, COUVE-FLOR, vegetal e animal que são COGUMELO, CONFREI, COUVE, CARQUEJA, ENDIVIA, consumidos em seu estado natural, ESCAROLA, ESPINAFRE, FUNCHO, HORTELA, LOSMA, como as frutas, por exemplo. São LOURO, MANJERICAO, MOSTARDA, MOYASHI, sobre esses alimentos que iremos PALMITO, POEJO, RADICHE, REPOLHO, RUCULA, SALSA, SERRALHA, SALSAO, SALVIA, estudar. TAIOBA, TOMILHO, TANSAGEM. Classificaremos os alimentos HORTALIÇAS FRUTOSAS ABOBORA, ABOBRINHA, BERINJELA, CHUCHU, in natura com base nos critérios da ERVILHA, TORTA, JILO, MAXIXE, MILHO VERDE, MORANGA, PEPINO, CEASA-ES e da Pesquisa de PIMENTAO, PIMENTA, QUIABO, TOMATE, VAGEM. Orçamento Familiar (POF), realizada em 2002 – 2003 pelo IBGE. Assim, os alimentos serão HORTALIÇAS TUBEROSAS ALHO, BATATA, BETERRABA, divididos em cinco grandes grupos: BATATA DOCE, CARA, CEBOLA, CENOURA, GENGIBRE, GOBO, INHAME, hortaliças, frutas, cereais e MANDIOCA, MANDIOQUINHA, NABO, RABANETE leguminosas, aves e ovos. Perceba que os cereais e leguminosas, aqui, pertencerão ao mesmo grupo. Fonte: CEASA-ES Organização: Leonardo Nunes Domingos
  • 7.
    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 6 A hortaliças, (tabela 1) TABELA 2 - FRUTAS são o que chamamos ABACATE, ABACAXI, ACEROLA, AMEIXA, comumente de legumes e AMORA, ATEMOIA, BANANA, CARAMBOLA, CAJU, CAQUI, CASTANHA, verduras. Elas são divididas CIDRA, CAJA, CAJAMANGA, COCO, FIGO, FRUTA PAO, GOIABA, GRAVIOLA, em hortaliças folhosas e JABUTICABA, JACA, JAMBO, JENIPAPO, KIWI, LARANJA, LIMAO, LIMA DA PERSIA, LICHIA, MAÇÃ, MANGA, MARACUJA, florais, em hortaliças frutosas, MARMELO, MAMAO, MELAO, MANGOSTIN, MELANCIA, MORANGO, e em hortaliças tuberosas. As NECTARINA, NESPERA, PERA, PESSEGO, PHYSALIS, PINHAO, PINHA, POMELO, hortaliças folhosas são PITAYA, ROMA, SERIGUELA, TAMARINDO, TANGERINA, UVA. denominadas assim, pois são Fonte: CEASA-ES vegetais em que parte que Organização: Leonardo Nunes Domingos serve de alimento é a folha e/ou a flor, como é o caso da alface e da couve-flor. As hortaliças frutosas são chamadas assim, pois as TABELA 3 – CEREAIS e LEGUMINOSAS, AVES partes comestíveis do vegetal, não são a folha e OVOS nem a flor, mas sim o seu fruto, como o chuchu, GALINHA CAIPIRA, AVES GALINHA DE GRANJA. e a abóbora. E, por fim, as hortaliças tuberosas, onde as partes comestíveis do vegetal ficam em baixo da terra, como a batata e a mandioca. O grupo das frutas (tabela 2), das aves, dos ovos e dos cereais e leguminosas (tabela 3) OVOS OVOS DE CODORNA, OVOS CAIPIRA, OVOS VERMELHOS, OVOS não são subdivididos. Como exemplo de frutas, BRANCOS. temos a banana e a goiaba. As aves são representadas pelas galinhas caipiras e de granja. Os ovos incluem os tipos brancos, vermelhos, caipira e de codorna. Por fim, os CEREAIS E LEGUMINOSAS AMENDOIM, ARROZ, cereais e leguminosas, são representados pelo FEIJÃO, MILHO. amendoim, feijão, arroz e milho. Sendo que, o feijão e o amendoim são leguminosas, e, o arroz e o milho são cereais. É importante esclarecer que a CEASA não Fonte: CEASA-ES comercializa apenas alimentos in natura. Pode- Organização: Leonardo Nunes Domingos se encontrar lá alimentos industrializados ou
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 7 manufaturados, como doces, e até produtos não-alimentícios, como ferramentas e adubo. Porém, estudar-se-á apenas os alimentos in natura. 3. PRODUÇÃO A produção de todos os grupos de alimentos, mostrados acima, formam a produção total de alimentos in natura. Isto é, a produção de todas as hortaliças, frutas, cereais e leguminosas, aves e ovos. Essa produção total é medida em quilogramas (mapa 1). MAPA 1: PRODUÇÃO DE ALIMENTOS IN-NATURA NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007 42° 0'0"W 41° 0'0"W 40° 0'0"W 18°0'0"S 18°0'0"S MUCURICI MONTANHA PEDRO CANÁRIO 0 1020 40 60 80 PONTO BELO ECOPORANGA km PINHEIROS C. DA BARRA BOA ESPERANÇA Á. D. DO NORTE VILA PAVÃO B. DE S. FRANCISCO S. MATEUS NOVA VENÉCIA MANTENÓPOLIS 19°0'0"S 19°0'0"S S. GABRIEL DA PALHA VILA VALÉRIO JAGUARÉ ÁGUIA BRANCA ALTO RIO NOVO SOORETAMA S. D. DO NORTE PANCAS G. LINDENBERG RIO BANANAL LINHARES MARILÂNDIA COLATINA BAIXO GUANDU S. R. DO CANAÃ J. NEIVA ITAGUAÇU ARACRUZ IBIRAÇU LARANJA DA TERRA ST. TERESA 20°0'0"S 20°0'0"S ITARANA FUNDÃO AFONSO CLÁUDIOST. M. DE JETIBÁ BREJETUBA ST. LEOPOLDINA SERRA IBATIBA CARIACICAVITÓRIA DOMINGOS MARTINS IRUPI IÚNA C. DO CASTELOV. N.DO IMIGRANTE VIANA MUNIZ FREIRE MARECHAL FLORIANO VILA VELHA IBITIRAMA CASTELO ALFREDO CHAVES D. DE S. LOURENÇO GUARAPARI D. DO R. PRETO VARGEM ALTA Porcentagem do total ALEGRE ANCHIETA GUAÇUÍ C. DE ITAPEMIRIM J. MONTEIRO ICONHA 0% RIO NOVO DO SULPIÚMA 0% - 2% 21°0'0"S 21°0'0"S MUQUI ATILIO VIVACQUA ITAPEMIRIM S. J.DO CALÇADO 2% - 6% APIACÁ B. J. DO NORTE MIMOSO DO SUL MARATAÍZES P. KENNEDY 9% 12% 30% 41° 0'0"W 40° 0'0"W Fonte: CEASA-ES Autor: Leonardo Nunes Domingos
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 8 É fácil, ao analisar o mapa, perceber o grande potencial produtivo do município de Santa Maria de Jetibá. Alguns outros municípios também se destacam, como, Domingos Martins, Santa Leopoldina, Santa Teresa, Afonso Cláudio, Laranja da Terra, Venda Nova do Imigrante, Alfredo Chaves, Vianna, Itarana, Aracruz e Linhares. É importante perceber também que há uma grande quantidade de municípios que contribuem pouco, o que nos leva a concluir que a produção agrícola espírito-santense é composta, predominantemente, por pequenas produções municipais. Uma questão a ser levada em consideração é a dos municípios “não- produtores”. Será que em Jerônimo Monteiro (sul do estado) não se planta sequer um “pé de alface”? É fundamental dizer que, as informações do mapa referem-se aos alimentos in natura produzidos de acordo com os dados da CEASA-ES. As informações da produção agrícola de subsistência, não estão representadas no mapa. Além disso, quaisquer alimentos que não passam pela CEASA para serem vendidos, também não estão representados no mapa, por exemplo, os alimentos vendidos na beira das estradas ou nas feiras locais de cada cidade. Isto acontece em Jerônimo Monteiro. Lá a produção de alimento não passa sequer pela CEASA de Cachoeiro de Itapemirim (mais próxima do município), muito menos pela CEASA de Cariacica. Toda a produção de alimentos in natura é vendida nas feiras, restaurantes e supermercados locais (do município ou municípios próximos). Como exemplo, temos o Sr. Ailton de Souza Jorge (figura 1), que, na sua terra, produz hortaliças folhosas e florais, como taioba e couve; hortaliças frutosas, como jiló; e frutas, como Douglas Bonella banana da terra, nanica, prata e jaca. Ele vende sua produção na feira no próprio município, de um modo todo especial. Ao invés de usar a tradicional banca de feira, Figura 1: O Sr. Ailton, produtor de alimentos, que os vendem na feira, dentro do próprio município ele utiliza seu automóvel. Por final, o Sr. (Jerônimo Monteiro).
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 9 Ailton nos relevou que não utiliza a TABELA 4: PRODUÇÃO DE ALIMENTOS IN CEASA para vender seus alimentos NATURA NO ESPÍRITO SANTO - 2007 GRUPOS QUILOS porque os considera em pouca (kg) Hortaliças Frutosas 110.279.168 quantidade, mas já tem planos para Frutas 91.136.598 aumentar a produção. Hortaliças Folhosas e Florais 32.804.562 Hortaliças Tuberosas 29.380.427 Ovos 27.647.679 Outra análise que se deve fazer, é Cereais e Leguminosas 2.778.055 Aves 185 que o mapa de produção de alimentos in TOTAL 294.026.674 natura não revela, por exemplo, a Fonte: CEASA-ES Organização: Leonardo Nunes Domingos quantidade de hortaliças ou frutas produzidas no estado. Veja isso à frente. Dos produtos in natura estudados, o mais produzido são as hortaliças frutosas, com um pouco mais de 110 mil toneladas (tabela 4), elas são seguidas pelas de frutas, cuja produção alcança 91 mil toneladas, e depois, em terceiro lugar, temos as hortaliças folhosas e florais, com um montante de 32 mil toneladas. A produção de hortaliças folhosas e florais é bem representativa, pois mesmo sendo produtos que possuem pouco peso, por serem folhas e flores, ocupam o terceiro lugar na produção em quilos. Gráfico 1 PRODUÇÃO DE ALIMENTOS IN-NATURA NO ESPÍRITO SANTO - 2007 0,0001% 9% 11% 1% 31% 38% 10% Hortaliças Folhosas e Florais Hortaliças Frutosas Hortaliças Tuberosas Frutas Cereais e Leguminosas Aves Ovos Fonte: CEASA-ES Autor: Leonardo Nunes Domingos
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 10 Para facilitar o estudo, podemos trabalhar com esses dados em porcentagem (gráfico 1), assim percebemos que aquela grande produção de hortaliças frutosas (mais de 110 mil toneladas) representam 38% de toda produção de alimentos in natura. As frutas representam 31%, as hortaliças folhosas e florais 11%, e as hortaliças tuberosas 10%. É interessante destacar que, embora a produção de Cereais e Leguminosas alcance quase 3 mil toneladas, ela representa apenas 1% da produção. A produção capixaba de alimentos já foi vista. Sabe-se também o quanto é produzido de cada grupo de alimentos. Mas não se tem o conhecimento de quais as características da produção alimentar de cada município. Veja adiante a produção de alimentos in natura, desde as hortaliças até os ovos, nos municípios espírito- santenses. 3.1 Produção de hortaliças 3.1.1 Hortaliças folhosas e florais MAPA 2: PRINCIPAIS PRODUTORES DE HORTALIÇAS FOLHOSAS E FLORAIS NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007 As hortaliças folhosas e florais 41° 0'0"W 40° 40'0"W LARANJA DA TERRA (mapa 2) são muito produzidas pelo ST. TERESA ITARANA 0'0"S 0'0"S município de Santa Maria de Jetibá, 20° 20° responsável por 69% do total. ST. M. DE JETIBÁ AFONSO CLÁUDIO Domingos Martins é o segundo maior ST. LEOPOLDINA produtor (11%). E, grande parte dos municípios contribuem com até 2% da produção. Pode-se analisar também DOMINGOS MARTINS CARIACICA que, muitos municípios não produzem 20'0"S 20'0"S 20° 20° esse tipo de hortaliça. MARECHAL FLORIANO VARGEM ALTA VIANA ALFREDO CHAVES GUARAPARI 41° 0'0"W 40° 40'0"W Porcentagem do total 0% 0% - 2% 2% - 6% 11% 0 2,5 5 10 15 20 69% km Fonte: CEASA-ES Autor: Leonardo Nunes Domingos
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 11 A tabela 5 foi feita com base em TABELA 5: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS alguns municípios que mais produzem esse MAIORES PRODUTORES DE HORTALIÇAS FOLHOSAS E FLORAIS DO ESPÍRITO tipo de hortaliça, são eles: Santa Maria de SANTO, E SEUS PRINCIPAIS ALIMENTOS - 2007 Jetibá e Domingos Martins. Tanto o primeiro Santa Maria de Jetibá - porcentagem Domingos Martins - quanto o segundo são grandes produtores de (%) porcentagem (%) Repolho híbrido 74,6 Repolho híbrido 55,2 repolho híbrido. Couve-flor Couve-flor branca 8,5 branca 23,5 Couve Chinesa 6,0 Repolho roxo 9,1 Alface 3,0 Brócolis 3,3 Repolho roxo 2,8 Alface 3,3 Outros 5,1 Outros 5,6 TOTAL 100 TOTAL 100,0 Fonte: CEASA-ES Organização: Leonardo Nunes Domingos Em Santa Maria, de toda a produção de hortaliças folhosas e florais, 74,6% é de repolho híbrido. Enquanto que em Domingos Martins esse número é de 55,2%. Repolho híbrido Além disso, Santa Maria se destaca na produção de Couve chinesa, e Domingos Martins, em repolho roxo. Couve chinesa
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 12 3.1.2 Hortaliças frutosas TABELA 6: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS MAIORES PRODUTORES DE HORTALIÇAS MAPA 3: PRINCIPAIS PRODUTORES DE HORTALIÇAS FRUTOSAS FRUTOSAS DO ESPÍRITO SANTO, E SEUS NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007 PRINCIPAIS ALIMENTOS - 2007 41° 0'0"W 40° 40'0"W Santa Maria de Jetibá Domingos Martins - BAIXO GUANDU J. NEIVA ITAGUAÇU S. R. DO CANAÃ - porcentagem (%) porcentagem (%) IBIRAÇU Chuchu 43,6 Tomate Longa 66,8 LARANJA DA TERRA ST. TERESA Vida ITARANA FUNDÃO Tomate Longa 13,1 Pimentão 8,1 Vida 0'0"S 0'0"S Pepino 11,7 Chuchu 5,9 20° 20° ST. M. DE JETIBÁ Pimentão 10,7 Abóbora 3,6 AFONSO CLÁUDIO SERRA Jacaré Verde ST. LEOPOLDINA Vagem 7,5 Jiló 3,2 Outros 13,4 Outros 12,5 TOTAL 100,0 TOTAL 100,0 C. DO CASTELO CARIACICA 20°20'0"S 20°20'0"S DOMINGOS MARTINS V. N.DO IMIGRANTE Santa Leopoldina - Santa Teresa - VIANA porcentagem (%) porcentagem (%) MARECHAL FLORIANO Chuchu 42,8 Tomate Longa 75,5 VILA VELHA Vida CASTELOVARGEM ALTA Batata Doce 15,3 Chuchu 7,3 ALFREDO CHAVES GUARAPARI ANCHIETA Pepino 8,0 Pimentão 4,6 C. DE ITAPEMIRIM 41° 0'0"W 40° 40'0"W Berinjela 7,6 Pepino 3,7 Porcentagem do total Tomate Longa 6,5 Vagem 1,8 0% Vida 0% - 1% Outros 19,7 Outros 7 1% - 4% 4% - 7% TOTAL 100,0 TOTAL 100,0 7% - 12% 0 5 10 20 30 40 km 25% Alfredo Chaves - Afonso Cláudio - porcentagem (%) porcentagem (%) Fonte: CEASA-ES Tomate Longa 69,1 Tomate Longa 72,9 Autor: Leonardo Nunes Domingos Vida Vida Pimentão 16,2 Quiabo 9,5 Jiló 9,5 Pimentão 4,7 Como acontece na produção de Tomate Santa 1,4 Pepino 4,0 Cruz hortaliças folhosas e florais, nas hortaliças Pepino 0,9 Milho Verde 2,7 frutosas (mapa 3) Santa Maria de Jetibá Outros 2,8 Outros 6,2 TOTAL 100,0 TOTAL 100,0 lidera, agora com 25% do total. Os municípios vizinhos vêm em segundo lugar Laranja da Terra - Venda Nova do porcentagem (%) Imigrante - com 4% a 12% da produção. São eles: porcentagem (%) Tomate Longa 54,8 Tomate Longa 91,4 Domingos Martins, Alfredo Chaves, Santa Vida Vida Quiabo 27,5 Pimentão 2,2 Teresa, Santa Leopoldina, Afonso Cláudio, Pepino 5,6 Moranga 2,0 Híbrida Laranja da Terra, Itarana e Venda Nova do Pimentão 4,3 Abóbora 1,1 Jacaré Madura Imigrante. Alguns destes estão sendo Jiló 3,2 Tomate Santa 1,0 Cruz representados na tabela 6, que acompanha Outros 4,5 Outros 2,3 o mapa. TOTAL 100,0 TOTAL 100,0 Fonte: CEASA-ES Organização: Leonardo Nunes Domingos
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 13 À primeira vista, olhando a tabela dos alimentos mais produzidos em cada um dos municípios, percebe- se o destaque do Tomate Longa Vida (aquele muito utilizado por nós na salada, com o peso em torno de 250g). As Tomate Longa Vida exceções ficam com Santa Maria de Jetibá e Santa Moranga híbrida: pode ser consumida cozida, em Leopoldina, onde o sopas ou guisados, assada e em forma de purê. chuchu ocupa o primeiro lugar, em relação à produção total de hortaliças frutosas. Entre os cinco alimentos mais produzidos em cada município estão o pimentão, pepino, quiabo, jiló, vagem, moranga híbrida, abóbora jacaré madura, Tomate Santa Cruz berinjela, milho verde e abóbora jacaré verde. 3.1.3 Hortaliças tuberosas Novamente, o município de Santa Maria de Jetibá é o maior produtor, agora em hortaliças tuberosas, com 46% (mapa 4). Pode-se concluir então, que maior parte das hortaliças em geral que consumimos vêm de Santa Maria de Jetibá. Outros três municípios também contribuem significativamente para a produção das tuberosas: Domingos Martins, Santa Leopoldina e Alfredo Chaves. Ambos responsáveis por uma produção entre 6 e 15%. Gengibre
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 14 MAPA 4: PRINCIPAIS PRODUTORES DE HORTALIÇAS TUBEROSAS NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007 TABELA 7: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS 41° 0'0"W 40° 40'0"W MAIORES PRODUTORES DE HORTALIÇAS ITAGUAÇU IBIRAÇU TUBEROSAS DO ESPÍRITO SANTO, E SEUS LARANJA DA TERRA PRINCIPAIS ALIMENTOS - 2007 ST. TERESA FUNDÃO Santa Maria de Domingos Martins - ITARANA Jetibá - porcentagem porcentagem (%) 0'0"S 0'0"S (%) 20° 20° Beterraba 41,2 Inhame 34,9 ST. M. DE JETIBÁ Cenoura 19,7 Mandioca 23,6 SERRA ST. LEOPOLDINA Cebola 17,1 Cenoura 15,4 Amarela Inhame 9,8 Batata comum 11,6 Batata doce 4,1 Beterraba 7,0 CARIACICA Outros 8,1 Outros 7,5 DOMINGOS MARTINS TOTAL 100,0 TOTAL 100,0 20'0"S 20'0"S 20° 20° VIANA Santa Leopoldina - Alfredo Chaves - MARECHAL FLORIANO porcentagem (%) porcentagem (%) Inhame 45,7 Inhame 68,6 VILA VELHA ALFREDO CHAVES GUARAPARI Mandioca 27,5 Mandioquinha 23,3 CASTELO Cará 13,2 Mandioca 6,4 41° 0'0"W 40° 40'0"W Cenoura 4,7 Cenoura 0,9 Porcentagem do total 0% Gengibre 4,1 Batata doce 0,5 0% - 1% Outros 4,8 Outros 0,4 1% - 6% 6% - 15% TOTAL 100,0 TOTAL 100,0 0 2,5 5 10 15 20 km 46% Fonte: CEASA-ES Fonte: CEASA-ES Autor: Leonardo Nunes Domingos Organização: Leonardo Nunes Domingos Os alimentos mais produzidos por estes municípios citados (tabela 7), estão na tabela. Santa Maria de Jetibá, no que diz respeito a hortaliças tuberosas, produz beterraba (41,2%), cenoura (19,7%), e cebola amarela (17,1%). Os demais municípios produzem principalmente Inhame, e em menores quantidades, Cará: Consome-se geralmente após cozimento. mandioca, cenoura, gengibre, cará, batata Pode também ser assado ou frito. O purê de carás é muito apreciado. doce, mandioquinha e batata comum.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 15 3.2 Produção de Frutas Após observar os mapas da produção de hortaliças e suas sub-divisões, dedicar-se-á a análise da produção dos demais alimentos in natura. O próximo serão as frutas (mapa 5). TABELA 8: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS MAPA 5: PRINCIPAIS PRODUTORES DE FRUTAS NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007 MAIORES PRODUTORES DE FRUTAS DO 40°40'0"W 40° 20'0"W 40° 0'0"W ESPÍRITO SANTO, E SEUS PRINCIPAIS PANCAS ALIMENTOS - 2007 G. LINDENBERGRIO BANANAL S. D. DO NORTE Domingos Martins - Linhares - 20'0"S 20'0"S porcentagem (%) porcentagem (%) 19° 19° Banana da 58,8 Mamão 35,6 BAIXO GUANDU MARILÂNDIA LINHARES terra haway COLATINA Tangerina 17,3 Laranja 25,8 ponkan pêra Banana prata 7,9 Banana 13,6 40'0"S 40'0"S prata Banana nanica 5,6 Mamão 8,4 19° 19° S. R. DO CANAÃ J. NEIVA ITAGUAÇU formosa ARACRUZ Laranja lima 3,2 Côco Verde 6,2 IBIRAÇU ST. TERESA Outros 7,3 Outros 10,4 TOTAL 100,0 TOTAL 100,0 ITARANA 20°0'0"S 20°0'0"S FUNDÃO ST. M. DE JETIBÁ Santa Leopoldina - SERRA porcentagem (%) ST. LEOPOLDINA Banana prata 35,6 Banana nanica 25,4 DOMINGOS MARTINS CARIACICAVITÓRIA 40°40'0"W 40° 20'0"W 40° 0'0"W Banana da 19,7 Porcentagem do total terra 0% Tangerina 10,8 0% - 1% ponkan 1% - 2% 2% - 5% Tangerina 2,8 5% - 7% Cravo 0 5 10 20 30 40 7% - 11% Outros 5,7 km 17% TOTAL 100,0 Fonte: CEASA-ES Autor: Leonardo Nunes Domingos Fonte: CEASA-ES Organização: Leonardo Nunes Domingos Os grandes produtores de frutas são os municípios de Domingos Martins e Linhares (17%), e Santa Leopoldina e Aracruz (entre 7% e 11%) da produção total. É importante perceber que, Santa Maria de Jetibá não se destaca aqui como na produção de hortaliças. Em relação à produção de frutas, ele está inserido no grupo que produz entre 1 e 2% da produção.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 16 Do outro lado, o município de Linhares, que até então não se colocava entre os principais produtores de hortaliças, revela-se um grande produtor de frutas. Na tabela 8, tem-se alguns dos principais produtores de frutas do estado. Quase 60% da produção de frutas de Domingos Martins, é de banana da terra. Linhares produz mais mamão do tipo haway, do que qualquer outra fruta, mas também Mamão haway produz laranja pêra (25,8%) e banana prata (13,6).Santa Leopoldina se destaca como grande produtor de banana: 35,6% de banana prata, 25,4% de banana nanica e 19,7% de banana da terra. 3.3 Produção de Cereais e Leguminosas A produção de cereais e leguminosas no Espírito Santo (mapa 6) não é bem distribuída, pelo contrário, ela é localizada em apenas 20 dos 78 municípios do estado. Entre os maiores produtores de cereais estão: Santa Maria de Jetibá, com 28%, e Viana, com 24%. Em uma faixa de produção entre 5 e 15%, temos Domingos Martins, Vitória, Cachoeiro de Itapemirim e Afonso Cláudio. Vitória entra aí como produtora de Cereais e Leguminosas, mas na verdade esses dados apenas indicam que o produto ao chegar na CEASA-ES foi informado que veio de Vitória, mas isso não significa que foi produzido na capital. Até porque não há espaço agrícola suficiente para tal.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 17 TABELA 9: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS MAPA 6: PRINCIPAIS PRODUTORES DE CEREAIS E LEGUMINOSAS MAIORES PRODUTORES DE CEREAIS E NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007 LEGUMINOSAS DO ESPÍRITO SANTO, E 40° 40'0"W 40° 20'0"W SEUS PRINCIPAIS ALIMENTOS - 2007 FUNDÃO Santa Maria de Jetibá Viana - porcentagem ST. M. DE JETIBÁ - porcentagem (%) (%) SERRA Feijão Preto 45,7 Feijão 31,8 ST. LEOPOLDINA Manteiga Feijão 45,2 Feijão Preto 24,5 Vermelho Feijão 7,0 Feijão 24,5 CARIACICA Manteiga Vermelho VITÓRIA DOMINGOS MARTINS Feijão 2,0 Feijão 14,8 20'0"S 20'0"S Carioquinha Carioquinha 20° 20° Feijão 0,04 Milho Seco 4,3 Guandu VIANA Outros 0,0 Outros 0,2 MARECHAL FLORIANO VILA VELHA TOTAL 100,0 TOTAL 100,0 ALFREDO CHAVES GUARAPARI Domingos Martins - Vitória - ANCHIETA porcentagem (%) porcentagem (%) 40° 40'0"W 40° 20'0"W Feijão Preto 52,2 Milho Seco 93,0 Feijão 27,8 Arroz 7,0 Porcentagem do total Vermelho 0% Milho Seco 14,7 - - 0% - 2% 2% - 5% Feijão 2,7 - - 5% - 15% Carioquinha 0 2,5 5 10 15 20 24% Feijão 2,6 - - km 28% Manteiga Fonte: CEASA-ES Outros 0,0 Outros 0,0 Autor: Leonardo Nunes Domingos TOTAL 100,0 TOTAL 100,0 Fonte: CEASA-ES Organização: Leonardo Nunes Domingos O principal cereal e leguminosa produzido 1 2 no estado é o feijão (tabela 9). Santa Maria produz feijão preto (45,7%), feijão vermelho (45,2%), feijão manteiga (7,0%), feijão carioquinha 3 4 (2,0%) e feijão guandu (0,04%). A maior parte da produção de Viana é de feijão manteiga (31,8%). Já em Domingos Martins, no quesito cereal e Feijões: 1 - feijão preto, 2 – Feijão Guandu, leguminosa, a maior produção é de feijão preto 3 – Feijão Carioquinha, 4 – Feijão Vermelho. (52,2%). Em Vitória, a “produção” envolve dois alimentos: o milho seco (97%) e o arroz (3%).
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 18 3.3 Produção de Aves MAPA 7: PRINCIPAIS PRODUTORES DE AVES NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007 40° 40'0"W FUNDÃO TABELA 10: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS ST. TERESA PRODUTORES DE AVES DO ESPÍRITO SANTO, ITARANA E SEUS PRINCIPAIS ALIMENTOS - 2007 Santa Maria de Jetibá - Santa Leopoldina - 0'0"S 0'0"S porcentagem (%) porcentagem (%) 20° 20° Galinha Caipira 57,4 Galinha 100,0 Caipira ST. M. DE JETIBÁ Galinha de 42,6 - - Granja Outros 0,0 Outros 0,0 ST. LEOPOLDINA TOTAL 100,0 TOTAL 100,0 Fonte: CEASA-ES Organização: Leonardo Nunes Domingos DOMINGOS MARTINS CARIACICA Apenas dois municípios VIANA capixabas são responsáveis pela 40° 40'0"W produção de aves do estado (mapa Porcentagem do total 7): Santa Maria de Jetibá e Santa 0% 16% Leopoldina, sendo que o primeiro é 0 2,5 5 10 15 20 84% km responsável por 84%, e o segundo, Fonte: CEASA-ES Autor: Leonardo Nunes Domingos por 16%. É importante esclarecer que, o termo “produção de aves”, significa criar galinhas, visando o seu abate, e a comercialização da sua carne. Percebe-se, ao analisar a tabela 10 que, ambos os municípios são grandes produtores de galinha caipira. Em Santa Maria, a galinha de granja ocupa o segundo lugar. 3.4 Produção de Ovos Por fim, a produção de ovos (mapa 8). Esse alimento in natura é produzido principalmente por dois municípios: Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina. O primeiro contribui com 83%, e o segundo, com 11%.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 19 MAPA 8: PRINCIPAIS PRODUTORES DE OVOS TABELA 11: ALGUNS DOS MUNICÍPIOS NO ESPÍRITO SANTO EM QUILOS - 2007 MAIORES PRODUTORES DE OVOS DO 40° 40'0"W ESPÍRITO SANTO, E SEUS PRINCIPAIS IBIRAÇU ALIMENTOS - 2007 ST. TERESA FUNDÃO Santa Maria de Jetibá Santa Leopoldina ITARANA - porcentagem (%) - porcentagem (%) Ovos 81,1 Ovos 67,1 Brancos Brancos 0'0"S 0'0"S 20° 20° Ovos 17,1 Ovos 31,7 Vermelhos Vermelhos Ovos de 1,7 Ovos 0,7 ST. M. DE JETIBÁ Codorna Caipira SERRA Ovos Caipira 0,1 Ovos de 0,5 Codorna ST. LEOPOLDINA Ovos de 0,03 - - Granja Outras 0,0 Outras 0,0 TOTAL 100,0 TOTAL 100,0 DOMINGOS MARTINS CARIACICA Domingos Martins - 40° 40'0"W porcentagem (%) Ovos 80,4 Brancos Ovos 18,9 Porcentagem do total Vermelhos 0% Ovos de 0,7 0% - 5% Granja 11% 0 2,5 5 10 15 20 - - km 83% - - Outros 0,0 Fonte: CEASA-ES Autor: Leonardo Nunes Domingos TOTAL 100,0 Fonte: CEASA-ES Organização: Leonardo Nunes Domingos Todos esses municípios produzem em sua maioria ovos brancos, depois, em quantidade menor, ovos vermelhos (tabela 11). Outros tipos de ovos também são produzidos em quantidade menor, são eles: ovos de codorna, ovos caipira e ovos de granja. Algumas dúvidas podem surgir neste momento, depois de analisar os mapas da produção de aves e de ovos. Repare, no mapa, que os municípios que produzem ovos são bem mais numerosos do que os que produzem aves. Mas como isso pode acontecer? Como se produz ovos sem as galinhas? A questão é que, estamos levando em consideração o que é comercializado. Esses municípios que comercializam os ovos, também possuem galinhas, porém não as comercializam. Na verdade, as vendem só depois que param de colocar ovos, ou seja, quando estão “velhas”. Mas essa venda é feita na própria região ou nas periferias da Grande Vitória, de modo que não passa pela CEASA-ES.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 20 4. DISTRIBUIÇÃO A maior parte da distribuição dos alimentos in natura no Espírito Santo é feita pela Central de Abastecimento do Espírito Santo (CEASA-ES). A CEASA recebe os alimentos dos agricultores e distribui para os Supermercados, Feiras e Restaurantes, que vendem aos consumidores. Alguns alimentos podem chegar até os consumidores, sem o intermédio desta instituição, como exemplo, os Logotipo da CEASA. produtores que vendem seus alimentos direto nas feiras. A Unidade Central da CEASA fica no município de Cariacica, a Unidade Sul, em Cachoeiro de Itapemirim, a Unidade Noroeste, em Colatina (início em 2008), e a Unidade Norte, em São Mateus (início em 2009) (mapa 9). MAPA 9: LOCALIZAÇÃO DAS CEASA'S NO ESPÍRITO SANTO EM 2008 42° 0'0"W 41° 0'0"W 40° 0'0"W Sabe-se a função, a 18°0'0"S 18°0'0"S localização, mas não se sabe por que a CEASA foi criada, quem inventou, e quando. Para responder à tais 0'0"S 0'0"S perguntas é necessário mergulhar na 19° 19° história da instituição, e compreender o contexto histórico do período de sua 0'0"S 0'0"S 20° 20° criação. 0'0"S 0'0"S 21° 21° 41° 0'0"W 40° 0'0"W Divisa Municipal C. de Itapemirim Cariacica 0 20 40 80 120 160 Colatina km S. Mateus Fonte: CEASA-ES Autor: Leonardo Nunes Domingos
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 21 4.1 História da CEASA-ES A distribuição de produtos cultivados no campo tornou-se mais difícil e caro, depois do crescimento dos centros urbanos do país. Isto, junto com a “desorganização” dos lugares onde eram vendidos, gerou a necessidade de melhorar as condições de comercialização dos alimentos. No final dos anos sessenta, o Governo Federal identificou uma grande falha no comércio dos produtos agrícolas no país. A comercialização era feita nas ruas, sem fiscalização, sem higiene, sem a devida transparência dos preços e em embalagens inadequadas. Havia ainda, o lixo produzido e o engarrafamento no trânsito nos locais próximos de onde ocorria à distribuição dos alimentos. Por causa disso, o Governo Federal buscou ajuda de alguns organismos internacionais, que possuíam mais experiência no assunto, para achar a solução do problema, além de outros países que conheciam técnicas de planejamento, construção e operação de mercados atacadistas. Os primeiros planos que foram traçados para tentar resolver o problema, receberam os nomes de Programa Estratégico de Desenvolvimento em (1970) e o I Plano de Desenvolvimento em (1972/74), sendo que esses dois planos estabeleceram como prioridade a construção de Centrais de Abastecimento (CEASA’s) nas principais cidades do país. A partir desta decisão do Governo Federal, foram implantadas Centrais de Abastecimentos – CEASA’s -, destinadas à comercialização dos alimentos in natura, e outros produtos agrícolas, em todas as capitais brasileiras e nas principais cidades de cada Estado, formando o que foi denominado Sistema Nacional de Centrais de Abastecimento - SINAC, cuja administração ficou sob a responsabilidade do órgão chamado COBAL, que significa Companhia Brasileira de Alimentos, e hoje é conhecida como CONAB.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 22 No Espírito Santo, a empresa CEASA é controlada pelo próprio Governo do Estado. 4.2 A Dinâmica da Distribuição A distribuição é importante, pois é através deste processo que nós, na cidade, temos acesso ao alimento. Isto é, a distribuição é que leva o alimento ao consumidor. As CEASA’s de todo o Brasil fazem este papel. No Espírito Santo não é diferente. Porém, essa distribuição não é tão simples assim, ela possui uma dinâmica complexa e interessante. Para ficar por dentro deste processo, é preciso entender como funciona a instituição. A CEASA-ES (mapa 10), é dividida em diversos setores, ou pavilhões. Para Facilitar a visualização, os pavilhões mais importantes foram coloridos, para facilitar o estudo. Observando o mapa, pode-se identificar os: PP1, PP2, PP3, PPA, PPB, PNP Baixo, PNP Alto, CC1 e CC2. Para simplificar, entenda, primeiramente o que significam essas siglas. Os pavilhões que começam com PP, são os pavilhões permanentes, enquanto PNP significa pavilhão não permanente. As siglas que começam com CC, correspondem aos centros comerciais, que são responsáveis pela venda de máquinas e ferramentas, e por isso, não serão muito estudados, já que este trabalho se refere aos alimentos.
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    MAPA 10: CENTRALDE ABASTECIMENTO DO ESPÍRITO SANTO (CEASA-ES) - UNIDADE DE CARIACICA 40° 24'30"W 40° 24'20"W 40° 24'10"W 40° 24'0"W 40° 23'50"W T ÃO POR / 23 AS O PEÇ AUT ---> RA R SE PROJ.SOCIAIS PORT ÃO SEM PAVIMENTAÇÃO 0 50 100 200 300 m BANHEIRO TRAILER ESTACIONAMENTO 20° 19'20"S 20° 19'20"S GARAGEM LEGENDA PP3 Pavilhão Permanente 1, 2 e 3 Pavilão não Permanente Alto "pedra alta" Pavilhão não Permanente baixo "pedra baixa" POSTO POSTO POLICIAL FISCAL Pavilhão Permanente A e B PP2 DEPÓSITO Área da CEASA-ES O PP EIR A ALIMENTOS NO ESPÍRITO SANTO H BAN a lto 20° 19'30"S PNP 20° 19'30"S aix o PNPb ADMINISTRAÇÃO PPB CC1 PP1 O DO BANC IL BRAS ST ES BANE CC2 DE O VER C AM P PING S HO P 2 Km BR 26 6.5 40° 24'30"W 40° 24'20"W 40° 24'10"W 40° 24'0"W 40° 23'50"W Autor: Pedro R. Fernandes CREA n° 663-TD Adaptação: Leonardo Nunes Domingos
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 24 Os pavilhões permanentes são subdivididos em PP1, PP2 e PP3 (figura 2), onde ficam as distribuidoras de alimentos, que compram do produtor rural e vendem na CEASA, e/ou para os supermercados, e/ou para os feirantes, e/ou para os restaurantes. Figura 2: Os pavilhões permanentes 1, 2 e 3. Ocupados por distribuidoras de alimentos. Os pavilhões permanentes PPA e PPB (figura 3) são ocupados pelas redes de supermercados que, inclusive, compram das distribuidoras (PP1, 2 e 3). Esse transporte, é feito por meio de “carrinhos”, dentro da Figura 3: Algumas redes de supermercados que ocupam os pavilhões PPA e CEASA mesmo. Esses PPB, responsáveis pela distribuição dos alimentos. Além de redes supermercadistas, temos algumas empresas que atendem aos supermercados, supermercados por sua como a “extrafruti”. vez, enchem os seus caminhões, e distribuem para as suas lojas. A rede de supermercado Carone é um exemplo. Ela possui um local fixo na CEASA, lá abastece seus caminhões e distribui para as suas 6 lojas na Grande Vitória.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 25 Esses pavilhões permanentes (PP’s) são chamados assim, justamente por que são “lojas” fixas, que não mudam com freqüência. Já os Pavilhões não Permanentes (PNP’s), há “lojas” fixas. Isto é, são formados por vendedores que podem estar lá em um dia, mas podem não estar Figura 4: PNP alto. Mais conhecido como “pedra alta”. Tem esse nome porque realmente é mais alta do que o PNP baixo no dia seguinte. Os PNP’s são divididos em dois: PNP alto (figura 4) e PNP baixo (figura 5). Os trabalhadores e freqüentadores da CEASA-ES apelidaram esses lugares de “pedra alta” e “pedra baixa”, respectivamente. A pedra alta é chamada assim, pois é literalmente mais elevada do que a pedra baixa (figura 6) O mais importante a se saber, é que existe uma diferença entre Figura 5: PNP baixo. Mais conhecido como “pedra baixa” pelos utilizadores da CEASA. estes lugares. A pedra alta é ocupada pelos próprios agricultores, dispostos a vender os seus alimentos. Já na pedra baixa, encontram-se os comerciantes, que estão apenas vendendo os alimentos dos produtores em troca de uma comissão. Os vendedores são, geralmente, pessoas que moram ali próximo, em Cariacica, e nas regiões próximas.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 26 O primeiro olhar sobre as pessoas que trabalham nas pedras alta e baixa, já evidencia quem são os produtores, e quem apenas comercializa o alimento. Os agricultores possuem, em geral, um “jeito” próprio. Além disso, possuem as marcas de um homem do campo: as Figura 6: A divisão entre a “pedra baixa” e a “pedra alta”. mãos calejadas, a pêle “enrugada do sol” e as vestimentas próprias de um trabalhador rural. Enquanto os comerciantes da pedra baixa, são pessoas que nós estamos acostumados a conviver na cidade. Uma rápida passada de olho nas placas dos caminhões (figura 7) encostados na pedra alta, já dá uma noção como se reúnem ali, produtores de diversas partes do estado, e até de fora. Figura 7: As placas de caminhões encontrados estacionados e carregados de alimentos em torno na pedra alta
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 27 Em suma, os alimentos in natura chegam às mesas do consumidor capixaba, ou pelos agricultores que vendem na CEASA-ES pra os feirantes e supermercadistas, ou pelos distribuidores que vendem principalmente para os supermercados (instalados dentro da CEASA-ES), que por sua vez, vendem pra nós (Figura 8). Como já foi dito, os alimentos in natura também podem ser comprados direto do consumidor, nas feiras e/ ou cooperativas. ATACADO VAREJO PPA e PPB (SUPERMERCADO S) PP1, 2 E 3 (DISTRIBUIDORES) CONSUMIDOR ENTRADA DE FINAL ALIMENTO NA CEASA-ES PNP (PRODUTORES) FEIRAS Figura 8: A dinâmica de distribuição dos alimentos dentro da CEASA, até chegar ao consumidor final. A entrada de alimentos é feita pelos Pavilhões Permanentes PP1, 2 e 3, e/ou pelos Pavilhões não Permanentes (PNP). Desses pavilhões, os produtos são vendidos para os Supermercados (PPA e PPB) e/ou para as feiras, de onde nós compramos. TABELA 12: QUANTIDADE COMERCIALIZADA NA CEASA-ES Quando é colocado lado à lado a quantidade POR PAVILHÃO - 2007 Pavilhões Quantidade em de alimentos comercializados em cada setor da quilos (kg) CEASA-ES, e sabendo que grande parte destes, PP1 14.069.637 PP2 120.236.760 são alimentos in natura, podemos dizer que os PP3 78.956.542 pavilhões não permanentes (alto e baixo) são os PPA 4.547.085 PPB 677.350 que mais comercializam (tabela 12). O movimento PNP (alto e 276.651.894 baixo) diário de pessoas neste local é intenso, pois ele TOTAL 495.139.268 concentra quase 60% da comercialização (gráfico Fonte: CEASA-ES Organização: Leonardo Nunes Domingos 2). É importante dizer que existe uma outra
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 28 modalidade de venda de alimentos dentro da CEASA-ES: a “venda sobre veículo”. Este tipo de comércio foi responsável por uma quantidade considerável de produtos comercializados em 2007: quase 6 mil toneladas. Gráfico 2 Comercialização na CEASA-ES por pavilhão em quilos - 2007 43% PP1, PP2 e PP3 PPA e PPB 56% PNP (alto e baixo) 1% Fonte: CEASA-ES Autor: Leonardo Nunes Domingos
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 29 5. CONSUMO O consumo é o final do ciclo do alimento, ou seja, é o fim para o qual ele foi produzido. Boa parte da produção capixaba é destinada ao mercado interno. Além disso, consome-se alimentos de fora do Estado, e até de fora do País. Parte do alho que tempera a comida do capixaba aqui, vem da Argentina. Em fevereiro de 2007 a CEASA-ES recebeu 25.000 kg de alho deste país, e o vendeu no estado parte deste montante. A palavra “consumo” será substituída agora pela palavra “alimentação”. A primeira não tem relação direta com alimentos, pois consumir também pode ser entendido como comprar. Já a palavra alimentação é o processo pelo qual o corpo obtêm e assimila os alimentos, para manter o funcionamento das suas funções vitais, incluindo o crescimento. Cada país do mundo têm seu guia alimentar, de acordo com seus hábitos, disponibilidade de alimentos e necessidade da população. No Brasil, o guia alimentar é o que conhecemos como “pirâmide alimentar” (figura 9). A pirâmide é dividida em quatro partes: a dos alimentos energéticos, dos alimentos reguladores, a Figura 9: Pirâmide de Alimentos
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 30 dos alimentos construtores e dos energéticos extras. Os alimentos energéticos ocupam a base da tabela, e devem ser mais consumidos do que os outros. Entre esses alimentos temos os pães e as massas, as raízes e tubérculos (hortaliças tuberosas), e os cereais. Os dois últimos fazem parte dos alimentos in natura que vimos até agora. Esses alimentos são chamados assim, pois são responsáveis por fornecer a energia que utilizamos no dia a dia. Os alimentos reguladores ocupam uma região um pouco mais estreita na pirâmide do que os anteriores, então devem ser consumidos em quantidade menor. Eles são compostos por frutas e legumes (hortaliças folhosas e florais, e hortaliças frutosas). São chamados de reguladores, pois são necessários ao bom funcionamento do organismo, auxiliando o crescimento e na prevenção de doenças. Logo após, numa faixa ainda mais estreita, temos os alimentos construtores. Fazem parte deles, os leites e derivados, as leguminosas, as carnes e os ovos. São chamados de construtores, porque são fundamentais na construção do organismo, como nossos ossos, pele e músculos. Devem ser consumidos em menor quantidade do que os alimentos reguladores. Chegando ao topo da pirâmide, fica os alimentos que devem ser consumidos em pouquíssima quantidade: os alimentos energéticos extras. Compõe esse grupo, os doces, açúcares, óleos e gorduras. É importante dizer que, essa pirâmide alimentar não deve ser seguida à risca. Ela é só uma referência. Cada pessoa possui características biológicas próprias, e para “entrar numa dieta”, deve-se, antes de tudo, consultar o médico.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 31 5.1 Perfil do Consumidor Para estudar o perfil do consumidor capixaba, no que se trata de alimentos in natura, utilizou-se os dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo IBGE no ano de 2002 - 2003. Ela mostra o consumo dos alimentos em quilos, no Brasil, no Sudeste e no Espírito Santo (tabela 13). Isto permite comparar a realidade do estado com a da sua região, e com a do seu País. TABELA 13: AQUISIÇÃO ALIMENTAR DE ALIMENTOS IN NATURA DOMICILIAR "PER CAPITA" ANUAL (QUILOGRAMAS) - 2003 Grupos Brasil Sudeste Espírito Santo Hortaliças folhosas e florais 2,5 2,7 2,8 Hortaliças frutosas 13,4 15,2 13,0 Hortaliças tuberosas e outras 13,1 14,5 13,6 Frutas 23,1 24,1 26,7 Cereais e leguminosas 48,4 48,1 40,0 Aves 13,9 13,5 15,3 Ovos 1,7 0,1 2,2 TOTAL 116,1 118,3 113,7 Fonte: IBGE - Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002 - 2003 Organização: Leonardo Nunes Domingos Os dados da tabela indicam a aquisição alimentar “per capita”, isto é, por pessoa. Repare que um capixaba consome, aproximadamente a mesma quantidade de alimentos in natura do que os outros moradores dos estados da Região Sudeste, e do que os brasileiros. Há uma variação maior nas frutas (o capixaba consome mais), nos cereais e leguminosas (o capixaba consome menos) e nos ovos (o capixaba consome mais). Em relação à porcentagem do consumo espírito-santense de alimentos in natura (gráfico 3), percebe-se uma predominância dos cereais e leguminosas (36%), depois, as frutas (24%), as hortaliças tuberosas (12%), as aves (13%) e as hortaliças frutosas (11%). As hortaliças folhosas e florais, além dos ovos, correspondem apenas a 2% do consumo capixaba.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 32 Gráfico 3 CONSUMO DE ALIMENTOS IN-NATURA "PER-CAPITA" NO ESPÍRITO SANTO - 2002 / 2003 13% 2% 36% 2% 11% 12% 24% Hortaliças folhosas e florais Hortaliças frutosas Hortaliças tuberosas Frutas Cereais e leguminosas Aves Ovos Fonte: IBGE - Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002 – 2003 Autor: Leonardo Nunes Domingos
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 33 5.2 Supermercados e Feiras As feiras e supermercados são os principais pontos em que o consumidor tem contato com o alimento in natura. Esses locais compram sob forma de atacado e vendem a varejo. Isto é, compram em grande quantidade (geralmente da CEASA- ES) e vendem em pequenas quantidades, de acordo com a necessidade do consumidor. Outros pontos de venda a varejo são os restaurantes. Venda de alimentos in natura na feira livre e no supermercado. Tanto os supermercados como as feiras têm um papel extremamente importante na distribuição dos alimentos in natura. Os supermercados atraem principalmente em relação à flexibilidade do horário (abertos nos finais de semana e feriados, além de fecharem só à noite), pela comodidade, por ser climatizado (na maioria deles), e possuir estacionamento próprio. Já as feiras livres são vantajosas, pois oferecem boa oportunidade de negociação do preço e qualidade dos alimentos.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 34 5.2.1 Supermercados Antes da “invenção” do supermercado, a comercialização dos alimentos era feita em mercearias e armazéns de pequeno porte. Nesses estabelecimentos, as pessoas não tinham acesso direto ao produto que queriam comprar, elas pediam ao dono do comércio e ele se encarregava de pegar. O supermercado vem com a idéia, Exemplo de mercearia justamente de eliminar esse intermediário entre o consumidor e o produto, no sentido de agilizar as vendas. Foi com essa idéia que os supermercados surgiram por volta de 1930 nos Estados Unidos da América. Como o contexto era de crise, e o novo modelo agilizaria as vendas e baratearia os custos, ele serviu direitinho. A novidade teve boa aceitação no País e depois no mundo. No Brasil, os supermercados surgiram na década de 1950 no estado de São Paulo. O público-alvo era principalmente a classe alta e média. Na década de 1970 houve um crescimento do número destes estabelecimentos comerciais. Foi neste período de intensa industrialização e forte crescimento urbano da Grande Vitória, que foi aberto o primeiro supermercado no Espírito Santo visando atender a crescente população urbana. Antes da década de 1990, não era comum a venda de alimentos in natura nos supermercados. Estes eram vendidos normalmente em feiras e quitandas. Com a instalação das redes supermercadistas na área interna da CEASA, isso mudou. Essa mudança garantiu aos donos de supermercados produtos de melhor qualidade e preços mais baixos, atraíndo-os para esse ramo.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 35 A partir de 1990 o estado foi invadido por um novíssimo modelo de supermercados: os hipermercados. Maiores, mais modernos e informatizados, eles alteraram os padrões da concorrência e os hábitos dos consumidores. Durante essa década, a tendência geral foi a de criação de um oligopólio das grandes redes, que se fundiram, arrendaram ou compraram outras redes de supermercado. No final dos anos de 1990, a tendência foi a formação de associações. Elas proporcionam um maior poder de negociação, pois o aumento do volume da compra reduz o seu preço, que por sua vez reduzem os custos. Gastando menos na aquisição do alimento, os supermercadistas podiam baixar mais o seu preço, e conquistar mais clientes. Atualmente os supermercados seguem o modelo consumista da sociedade urbana. O que atrai mais as pessoas nos supermercados hoje em ACAPS – Associação Capixaba de Supermercados dia é o que menos nutri os seus corpos: alimentos prontos para o consumo e os alimentos industrializados. Quase nunca as pessoas entram em um supermercado com o objetivo de comprar hortaliças ou frutas in natura, ou quando acontece isso, elas levam algo supérfluo ao passar pelas prateleiras.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 36 5.2.2 Feiras As feiras livres são tão antigas quanto a necessidade de comercialização dos produtos agrícolas. No Brasil as primeiras feiras aconteceram no século XVII na cidade de São Paulo. Em Vitória – ES, esse tipo de comercio iniciou-se por volta da década de 1940. O contexto era de crescimento populacional da Grande Vitória, principalmente de Vitória, e isto gerou a necessidade de se colocar mais pontos de vendas de alimentos in natura (principalmente), antes concentrado no Mercado da Vila Rubim. Nas áreas rurais do nosso estado, as feiras acontecem no centro de comércio local, de modo que os produtores da região expõe seus produtos à venda e/ ou troca direta de um alimento por outro. Nas áreas urbanas, as feiras instalam-se nas ruas, onde acontecem geralmente pela manhã. Muitas vezes é a única chance de um consumidor urbano conhecer quem produz o alimento que ele consome. As feiras são importantes pontos de venda de alimento in natura. 5.3 A Relação entre a Oferta, a Procura e o Preço A aquisição dos alimentos in natura acontece, na maioria das vezes, por meio da compra, pouca das vezes através de troca ou doações. Essa ação envolve um fator importante: o preço. Este, por sua vez, está diretamente relacionado à oferta dos alimentos, e à procura por estes mesmos alimentos. Chama-se isto de “lei da oferta e da procura”. Essa lei diz que quando se tem uma grande oferta de um determinado produto (muitos alimentos para serem vendidos), e pouca procura por este, o preço tende a reduzir. De outro modo, uma pequena oferta, e muita procura, faz o preço a subir. Quando aplica-se essa lei nos alimentos, ela deve sofrer uma adaptação. O fator oferta varia bastante, pois a produção dos alimentos varia de acordo com a safra. Porém a procura pelo alimento, geralmente não varia tão rapidamente, pois as pessoas os consomem de forma mais ou menos regular. Exceto em alguns casos,
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 37 por exemplo, nas vésperas do natal, quando há um aumento da procura por castanhas e nozes. Um outro fator que pode afetar a procura é o crescimento da população, porém isso acontece tão lentamente, que só afeta o preço a longo prazo. Então, dedicar-se-á mais à oferta, como fator que influencia o preço. TABELA 14: RELAÇÃO OFERTA E PROCURA DE Para exemplificar isso, ARROZ NO ESPÍRITO SANTO - MESES DE 2007 Meses Oferta (kg) Preço (em reais) analisar-se-á a evolução da oferta e do quilo Fevereiro 3.000 1,15 preço durante o ano de 2007 dos Junho 3.600 1,17 principais ingredientes do prato do Julho 3.600 0,86 Agosto 7.500 1,17 dia a dia: o arroz e o feijão. Outubro 6.600 1,27 Novembro 5.100 1,2 Dezembro 3.600 1,2 A oferta de arroz no Espírito Total Geral 33.000 Fonte: CEASA-ES Santo (tabela 14) era de 3 mil quilos Organização: Leonardo Nunes Domingos no mês de Fevereiro, oscilou até 7.500, no mês de Agosto, e fechou o ano em 3.600. O preço iniciou o ano em R$ 1,15, desceu até R$ 0,86 no mês de Agosto e subiu até R$ 1,2 em Dezembro. Uma observação que deve ser feita é que não são todos os meses do ano que a CEASA-ES oferta arroz. Esses meses que não estão na tabela, são períodos em que o arroz que chega às mesas do consumidor capixaba não passa pela CEASA-ES. Isto é, passa pelal CEASA’s de outros estados ou não utilizam a CEASA-ES como atravessador. Gráfico 4 RELAÇÃO ENTRE A OFERTA E O PREÇO DO ARROZ NO ESPÍRITO SANTO - 2007 8.000 1,4 7.000 1,2 6.000 1 Preço do quilo 5.000 0,8 (kg) 4.000 0,6 3.000 0,4 2.000 1.000 0,2 0 0 ro ho o to o br o o ei n lh s br br ve r Ju Ju go ut u em m Fe A O ov ze N De Oferta (kq) Preço (em reais) Fonte: CEASA-ES Autor: Leonardo Nunes Domingos
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 38 O gráfico 4, representa melhor esta relação oferta-preço. Perceba que no início e no final a “lei da oferta e procura” ocorre de forma mais clara: quando há um aumento da oferta (linha vermelha), há uma redução do preço (linha azul). Porém, no meio do ano esta lei não pode ser aplicada, ou seja, outros fatores atuam no preço. TABELA 15: RELAÇÃO OFERTA E O PREÇO DO No caso do Feijão não é FEIJÃO NO ESPÍRITO SANTO - MESES DE 2007 diferente a tabela 15 e o gráfico 5 Meses Oferta (kg) Preço (em reais) do quilo revelam isso. Em alguns períodos Janeiro 136.197 1,4 Fevereiro 174.070 1,39 do ano, como, no mês de março, Março 249.820 1,41 julho, agosto, setembro e dezembro, Abril 77.660 1,34 Maio 123.740 1,44 pode-se ver a atuação da “lei da Junho 199.113 1,63 oferta e procura”, mas nos demais Julho 215.980 1,42 Agosto 235.847 1,43 meses ela não é aplicável. Setembro 170.870 1,62 Outubro 153.370 2,05 Novembro 162.818 2,46 Dezembro 179.070 3,23 Total Geral 2.078.555 Fonte: CEASA-ES Organização: Leonardo Nunes Domingos Gráfico 5 RELAÇÃO ENTRE A OFERTA E O PREÇO DO FEIJÃO NO ESPÍRITO SANTO - 2007 300.000 3,50 250.000 3,00 2,50 Preço do quilo 200.000 2,00 (kg) 150.000 1,50 100.000 1,00 50.000 0,50 0 - ir o o o o ril ro i ro o ço o o to lh nh br ai br br Ab ub os re ar ne Ju M m Ju m m ve ut M Ag Ja ve ze te O Fe Se No De Oferta (kg) Preço (em reais) Fonte: CEASA-ES Autor: Leonardo Nunes Domingos
  • 40.
    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 39 Pode-se concluir então, que existe a influência da “lei da oferta e procura”, mas que existem outros fatores que influenciam o preço do alimento. A produção de alimentos varia de acordo com a safra, isso já se sabe. Mas, as safras acontecem em lugares diferentes, em períodos do ano diferentes. Isto é, na época do ano em que o alimento é produzido próximo aos centros consumidores, o custo do transporte é menor, então o preço tende a reduzir. Agora, quando tem que se buscar o alimento a longas distâncias, gasta-se muito com transporte, e o preço tende a aumentar. Se voltar a análise novamente à oferta e preço do feijão (tabela 15 e gráfico 5), perceber-se-á que no decorrer do ano de 2007 houve um grande aumento do seu preço, porém não houve uma redução da oferta nesta mesma proporção que explique tal fato. Em Janeiro a oferta era de 136 mil quilos de feijão e o preço era de R$ 1,4. Em dezembro a oferta estava maior (179 mil quilos), porém o preço foi para R$ 3,23 (três reais e vinte e três centavos), quando deveria ter reduzido. 5.4 O Desperdício dos Alimentos A humanidade, há algum tempo, é capaz de produzir alimento para matar a fome de toda a população do planeta. O desenvolvimento técnico avançado da atualidade foi o principal fator desta conquista. Porém, nos dias de hoje, a fome mata uma pessoa a cada 3,5 segundos, em razão de inanição, ou doenças associadas à má nutrição, de acordo com o Programa Alimentar Mundial (PAM). A grande questão é que isso tem relação direta com o desperdício, pois de acordo com o mesmo órgão, morre 1 criança de 5 em 5 segundos ao mesmo tempo que são desperdiçadas perto de 12 toneladas de comida. As crianças são a grande vítima da má utilização dos alimentos. A CEASA-ES, visando contornar o problema de desperdício interno, desenvolveu um programa social que realiza coletas diárias de alimentos não comercializados resultantes de doações, que ainda estejam próprios para o consumo humano. Esse programa se chama “CEASA Sem Desperdício”.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 40 Você também pode colaborar para reduzir o desperdício. Existem algumas “receitas alternativas” que buscam utilizar parte de vegetais que são desperdiçados normalmente (figura 10 e 11). Pode-se perceber que ainda existe um de pré-conceito em relação a essas receitas. Principalmente em relação ao seu sabor. Mas como todo tipo de pré- conceito, não possui ligação com a realidade. Então, deve ser desconsiderado. Na verdade as chamadas “receitas alternativas” possuem maior valor nutricional e sócio-econômico. Nutricional, porque utiliza cascas, caules e folhas que seriam descartados; sócio-econômico porque ao se desperdiçar menos, reduz-se a procura, e conseqüentemente inibe a elevação dos preços dos alimentos.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 41 SUFLÊ DE FOLHAS DE BETERRABA BOLO DE BANANA COM CASCA (porção ideal 80 gramas) (porção ideal 100 gramas) Ingredientes Ingredientes • 1 ½ Xícaras de chá de folhas de beterrabas • 03 Bananas-prata grandes com casca bem lavadas e Picadas • 03 ovos • 1 Xícara de chá de leite • 01 Xícara de chá de açúcar • 2 colheres de sopa de maisena • 01 Xícara de cafezinho de óleo • 1 colher de sopa de margarina ou óleo • 01 Colher de sobremesa de canela em pó • 3 ovos (gemas separadas) • 01 Cálice de vinho (opcional) • 3 colheres de sopa de queijo parmesão • 01 Colher se sopa de fermento em pó ralado • 01 Pitada de noz moscada • Sal a gosto • 02 Xícaras de chá de farinha de trigo Preparo Preparo • Misturar as folhas de beterrabas picadas, o • Limpar a Casca leite, a maisena, a margarina (ou óleo), gemas, e o • Bater todos os ingredientes no liquidificador, queijo parmesão ralado. com exceção das claras e do fermento. • Colocar as claras em neve misturando • Por fim, levar a massa a farinha de trigo cuidadosamente misturando bem até formar uma massa homogenia • Untar uma forma refratária, colocar a massa • Ao final envolver na massa às claras em e levar ao forno pré-aquecido neve e o fermento em pó. • Levar ao Forno. OBS. Esta receita pode ser preparada utilizando folhas de cenoura, nabo, rabanete, etc. Figura 11: receita disponível no site <http://www.unirio.br/gastronomiavancada/preparacaointegr Figura 10: receita disponível no site al.htm> . Acesso em 25 de maio de 2010. <http://www.unirio.br/gastronomiavancada/preparacaointeg ral.htm> . Acesso em 25 de maio de 2010.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 42 6. ALIMENTOS ORGÂNICOS O estudo dos alimentos in natura, deve necessariamente passar pelo estudo dos alimentos orgânicos. Afinal, grande parte dos alimentos orgânicos são comercializados de forma in natura. Assim, com o objetivo de explicar o processo pelo qual passa os alimentos in natura, desde a produção até o consumo, deve-se também considerar os alimentos orgânicos. Embora haja uma relação entre a produção orgânica e a Agroecologia, pode-se encontrar produtores orgânicos que não adotaram este modelo. Isto é, os alimentos são orgânicos, mas não há um manejo adequado e consciente da natureza. Contudo, para este estudo, é importante focar no fato de que alimentos orgânicos são Com o manejo orgânico, o mato protege o solo sem prejudicar o crescimento do aqueles isentos de agrotóxico e/ou adubo químico. repolho. 6.1 História dos Alimentos Orgânicos no Brasil No início da década de 1970, começou-se a repensar o modelo de produção agrícola tradicional. Os impactos ambientais e a utilização de agrotóxicos começaram a ser enxergados com “maus olhos” pela sociedade e governo. Nesse sentido, duas experiências paulistas com o modelo orgânico de produção lançaram as suas primeiras sementes no Brasil. No entanto, até meados da década de 1990 o desenvolvimento da agricultura orgânica aconteceu de forma muito lenta. Segundo um dos pioneiros do movimento orgânico do país, o Prof. Adilson Paschoal, “pouco de prático se fez no sentido de mostrar os propósitos, métodos e práticas e as possibilidades do sistema de agricultura orgânica no País”. Além disso, o comércio desses alimentos ainda não possuía uma organização eficaz.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 43 Por volta de 1992 tivemos avanços mais significativos. A 9° Conferência Científica Internacional da Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica (IFOAM) realizada em São Paulo, colaborou para a instauração de normas e técnicas, além da certificação dos produtos orgânicos. Em associação com o Instituto Biodinâmico (IBD), criado em 1984, gerou-se um aumento do interesse pela prática desse modelo de agricultura, através do impulso dado às exportações dos produtos orgânicos. Dois anos depois, o Brasil foi pressionado por forças internacionais no sentido de estabelecer normas tanto para o processo de produção quanto para o de comercialização dos produtos orgânicos. O resultado foi a criação do Comitê Nacional de Produtos Orgânicos. Em 17 de maio de 1999, depois de muita polêmica, foi publicada a Instrução Normativa n° 007, que fala sobre as normas de produ ção e distribuição dos produtos orgânicos animais e vegetais. Foi um importante marco para os agricultores orgânicos. Neste documento há a regulamentação da produção, caracterização, processamento, processo de embalagem, distribuição, identificação e certificação da qualidade dos produtos orgânicos. Atualmente há um horizonte bem agradável para o Brasil em relação ao produtos orgânicos. Nos últimos 3 anos o mercado para esse tipo de alimento cresceu em media 50 % ano no Brasil, enquanto nos países da Europa esse valor chegou à no máximo 30%. Localizado em Indaiatuba – SP, esse supermercado traz além de uma longa seção de produtos orgânicos, uma estação de reciclagem de lixo, carrinhos de compra produzidos com garrafas pet, bandejas de fécula de mandioca ao invés de isopor.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 44 Neste ano de 2008, o estado de São Paulo inaugurou o primeiro Supermercado Verde na América Latina. Lógico, com ampla oferta de orgânicos. Porém, o que tudo indica, o estabelecimento é voltado para as classes médias e altas, devido o alto valor dos orgânicos ofertados. Os produtos orgânicos estão cada vez mais presentes nas prateleiras dos supermercados, nas bancas de feiras. No Barro Vermelho, bairro da cidade de Vitória, é realizado todo sábado das 5 às 12 horas uma feira livre de alimentos orgânicos. Outro modo que se tem comercializado esses alimentos é por meio da formação de grupos de compras. O crescimento deste ramo de alimentos que promovem a saúde humana tem sido visto com muito bons olhos pelos principais profissionais de saúde do Brasil. Os dados revelam que ao lucrar 10,4 bilhões de reais, a indústria de “venenos agrícolas”, causa a intoxicação de 500 mil brasileiros por ano, sendo que destes, 10 mil morrem. No Espírito Santo, esses venenos mataram 1100 pessoas em 2004, dados do Centro de Atendimento Toxicológico do Espírito Santo – Toxceno. No contexto de busca por qualidade de vida, o crescimento do consumo de alimentos orgânicos no Estado vêm crescendo em torno de 20 a 30% por ano. A comercialização é feita nas feiras, supermercados ou por meio cooperativas que fazem entregas em domicílio – geralmente de cestas – mediante formação de grupos de compra. Nas feiras e nas cooperativas, o preço do orgânico tende a ser mais atrativo, mas nos supermercados percebe-se uma nítida superioridade do seu preço em relação aos produtos convencionais (com agrotóxicos e/ ou adubos químicos. 6.2 Funcionamento do mercado dos alimentos orgânicos A produção dos alimentos orgânicos é feita geralmente por meio de Cooperativas Agrícolas, que se organizam e vendem seus produtos para os
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 45 Supermercado Produtor ou Feiras Consumidor Cooperativa de Produtores Cooperativas Figura 12: O trajeto que o alimento orgânico realiza, desde a sua produção até o consumo, e suas diversas possibilidades de distribuição supermercados, feiras e “cooperativas de distribuidores”, e é por meio destes que temos acesso à este tipo de alimento (figura 12). Os produtos orgânicos, para serem oficialmente reconhecidos como tal, devem receber um selo de garantia de que estão totalmente isento de agrotóxicos e/ ou adubos químicos. Esse certificado é dado ao produtor, mediante um pagamento anual, e uma inspeção inicial e rotineira. TABELA 16: NÚMERO DE PRODUTORES No Espírito Santo, a Associação ORGÂNICOS CERTIFICADOS NO BRASIL - 2000 de Certificação de Produtos Orgânicos Estados Número de produtores certificados “Chão Vivo” é a responsável pela Paraná 2.400* Rio Grande do 800 emissão dos selos aos produtores Sul São Paulo 800 rurais. O grande problema é que o alto Rio de Janeiro 120 valor para obtenção do selo, Espírito Santo 100 Santa Catarina 100 principalmente para os pequenos Distrito Federal 50 Outros 130 proprietários rurais (que em sua TOTAL 4.500* maioria não têm alto poder aquisitivo), * Cerca de 750 produtores encontravam-se "em processo de acaba desestimulando a produção de certificação". Fonte: DAROLT (2000) Organização: Leonardo Nunes Domingos orgânicos. Perceba o pequeno número de produtores certificados, mesmo a nível de Brasil (tabela 16) Como alternativa, alguns produtores estão utilizando-se de um “certificado solidário” ou “certificado
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 46 participativo”, onde a comprovação de que os alimentos são de fato orgânicos se fundamenta na responsabilidade e confiança entre produtor, distribuidor e consumidor. Um exemplo de cooperativa que utiliza-se deste tipo de certificado é a Cooperativa Solidária de Alimentos Orgânicos do Espírito Santo chamada de “O Broto”. Ela localiza-se na Rua dos Patos, no bairro Nova Carapina II, Serra, ES. Essa cooperativa é formada tanto por consumidores quanto por produtores de orgânicos. O Broto. Localizado no município da Serra. Telefone de contato: 3318-9762 O diferencial dessa cooperativa é que ela visa levar o produto orgânico ao público mais carente, para tal, pratica-se um preço justo, e as entregas são feitas mediante a formação de grupos de compradores de um mesmo bairro ou local. Além disso, a cooperativa trabalha com a conscientização de uma alimentação saudável. Atualmente “O Broto” é responsável pela execução de um “projeto piloto” de abastecimento de alimentos orgânicos nas escolas municipais de Vitória. Isso é feito em um número reduzido de escolas, mas há previsão de expansão do projeto. Utilizar-se-á o exemplo do “O Broto” como cooperativa de alimentos orgânicos que promovem a sua distribuição na grande vitória, para entender a dinâmica de uma cooperativa (figura 13). Primeiramente, ela realiza um Foto das cestas de alimentos orgânicos que são vendidas na cooperativa “O Broto”
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 47 planejamento com o produtor rural, estipula-se quantos quilos de cada alimento a cooperativa precisará, e o agricultor se encarrega de produzir. Os agricultores por sua vez, se organizam em cooperativas de produtores orgânicos. Ao comprar os alimentos, “O Broto”, por exemplo, os comercializa aos consumidores em formato de cestas. É importante entender que muitos dos associados ao “O Broto”, são também consumidores. Esses alimentos acabam ficando em média 70% mais barato do que os orgânicos encontrados nos supermercados, e 30% mais baratos do que os convencionais. Atualmente “O Broto” possui quase 30 pontos de entrega de cestas, sendo que em cada ponto há no mínimo 5 compradores. As cestas possuem uma diversidade de 15 itens diferentes, com 600 gramas de peso cada um, sendo que o total de peso da cesta gira em torno de 9 quilos de alimentos, e o seu preço atual é de 16 reais para as entregas no município da Serra (onde fica a cooperativa), e 20 reais para entregas em Vila Velha, Vitória e Cariacica, pois se gasta mais com o transporte. ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES BROTO CONSUMIDORES Vero Sapore - Iconha GAOI -Iconha ASSOCIADOS Garra Ecológica – St Maria de Jetibá CONSUMIDORES Amparo Familiar – St COOPERATIVA Maria de Jetibá Ex.: “O BROTO” ESCOLAS Apsad Vida – St MUNICIPAIS Maria de Jetibá Grupo Siriema – Laranja da Terra LIDERANÇAS DE BAIRROS Grupo Cariacica - Cariacica Grupo Horizonte Organizado - Cariacica Koomaya - Jaguaré Figura 13: A dinâmica da distribuição dos alimentos orgânicos através das Cooperativas, tendo como exemplo “O Broto”.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 48 7. GLOSSÁRIO Agroecologia: É a ciência ou a disciplina científica que apresenta uma série de princípios, conceitos e metodologias para estudar, analisar, dirigir e avaliar ecossistemas, com o propósito de permitir a implantação e o desenvolvimento de estilos de agricultura com maiores níveis de sustentabilidade. Atacado: Venda de mercadoria em grande quantidade, de uma só vez. Funções vitais: São funções essenciais para a manutenção da espécie humana. Tais como a reprodução, a respiração e a alimentação. Inanição: Extrema debilidade ou fraqueza por falta de alimentação. A morte por inanição é, literalmente, uma morte cuja causa foi a fome. In natura: No estado natural, sem nenhum processamento. Manufaturados: Que resulta de trabalho manual ou mecânico. Um alimento manufaturado é aquele que foi transformado na indústria ou manualmente, ex: geléia de morango. Oligopólio: Situação econômica em que um pequeno número de empresas controla a oferta de produtos para ter domínio sobre o mercado. “Per capita”: Por pessoa. Se eu digo que o consumo de um determinado alimento é de 15 quilos “per capita”, quero dizer que cada pessoa consome esta quantidade. Safra: Quantidade de produção agrícola por um período determinado, geralmente por ano. Subsistência: Característica de quem se mantém, de quem realiza atividades necessárias à própria existência. Varejo: Atividade comercial que consistem em negociar qualquer variedade de produto a qualquer quantidade, inclusive pequenas. Relacionado ao consumidor final.
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 49 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Livros e Artigos: Preparações Utilizando Integralmente os Alimentos. Disponível em <www.unirio.br/gastronomiavancada>. Acesso em 11 de novembro de 2008. Programa Alimentar Mundial. FOME. Disponível em: <http://www.wfp.org/portuguese/?NodeID=5> Acesso em: 11 de novembro de 2008 Programa Alimentar Mundial. VENCER A GUERRA CONTRA A FOME. Disponível em: <http://www.wfp.org/portuguese/?NodeID=5> Acesso em: 11 de novembro de 2008 CASTRO, Josué. Introdução In____: Geografia da Fome. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. 318p. Banco de Alimentos e Colheita Urbana: Noções básicas sobre alimentação e nutrição. Rio de Janeiro: SESC/DN, 2003. 20 pág. (Mesa Brasil SESC. – Segurança Alimentar e Nutricional). Programa Alimentos Seguros. Convênio CNC/CNI/SENAI/ANVISA/SESI/SEBRA. COIMBRA, Ubervalter. Cresce o consumo de alimentos orgânicos no ES: veja onde comprar. Disponível em: < http://www.seculodiario.com.br/arquivo/2006/novembro/10/noticiario/meio_ambiente/ 10_11_07.asp> Acesso em 11 de novembro de 2008. DAROLT, Moacir Roberto. A evolução da agricultura orgânica no contexto brasileiro. Disponível em: <http://www.planetaorganico.com.br/brasil.htm>. Acesso em 11 de novembro de 2008
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    ALIMENTOS NO ESPÍRITOSANTO 50 Dados: Pesquisa de orçamentos familiares (POF). Disponível em <http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/orcfam/default.asp?z=t&o=20&i=P> Acesso em 11 de novembro de 2008. <http://www.ceasa.gov.br/> Acesso em 11 de novembro de 2008. <http://www.acaps.org.br/> Acesso em 11de novembro de 2008
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