AGRONEGÓCIO E O GENOCÍDIO
INDÍGENA
Disciplina: Desenvolvimento e Sustentabilidade
Curso: Bacharelado em Ciências e Humanidades
 Isabella Aragão Araújo
 Maria Victoria Cavalcanti
 Mariana Pezzo
 Mayara Lontro
DESENVOLVIMENT
O Processo da evolução das sociedades,
com várias dimensões
 Hegemonia da dimensão econômica
 Campo de poder, utopia, ideologia
 Caracterizado por lutas de poder
 Indústria do desenvolvimento e suas
instituições como burocracias
 “Quanto maiores as iniciativas de
desenvolvimento, maior a burocracia
relacionada a elas e mais forte sua
capacidade de exercer poder,
principalmente sobre instituições e
atores que operam em níveis mais
baixos de integração”. [PODER, REDES E
IDEOLOGIA NO CAMPO DE DESENVOLVIMENTO,
2008]
 Sistema de classificação, com base em
hierarquias
 Projeto de desenvolvimento da
modernidade é ocidentalizado,
universalizado, com foco no crescimento
econômico
 Mercado/economia organiza e controla a
produção social X sociedade determina
as relações econômicas
 Alteração das relações entre homem,
sociedade e ecossistema em nome do
desenvolvimento
 Impasses entre desenvolvimentistas e
povos tradicionais
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
• Utilização adequada da
natureza para satisfazer
as necessidades
• Depende da eficiência
da política, da ação do
Estado
 O agronegócio é visto como a cadeia
produtiva que envolve desde a
fabricação de insumos, passando
pela produção nos estabelecimentos
agropecuários e pela sua
transformação, até o seu consumo.
 Essa cadeia incorpora todos os
serviços de apoio: pesquisa e
assistência técnica, processamento,
transporte, comercialização, crédito,
exportação, serviços portuários,
distribuidores (dealers), bolsas,
industrialização e o consumidor final.
 O valor agregado do complexo
agroindustrial passa,
obrigatoriamente, por cinco
mercados: o de suprimentos; o da
produção propriamente dita; o do
processamento; o de distribuição;
e o do consumidor final (Ipea,
2004).
AGRONEGÓCIO
 Cria aproximadamente 37% de
todos os empregos do país;
 Responde por aproximadamente
39% das exportações;
 Saldo comercial de
aproximadamente 79 bilhões de
dólares em 2012;
 Nos últimos 20 anos, a área
plantada com grãos cresceu 37%
e produção, mais de 176%.
AGRONEGÓCIO E A ECONOMIA
BRASILEIRA
 Durante o primeiro semestre de
2016, o setor representou quase
metade (49,6%) das exportações
totais do Brasil.
 Os produtos de origem vegetal
foram os que mais contribuíram
para o crescimento de US$
448,60 milhões nas exportações
do agronegócio no acumulado do
ano.
BALANÇA COMERCIAL
AGROPECUÁRIA 2016
 O complexo sucroalcooleiro foi o
principal (+US$ 946,46 milhões),
seguido dos cereais, farinhas e
preparações (+US$ 805,46
milhões), do complexo soja (+US$
365,50 milhões) e das fibras e
produtos têxteis (+US$ 122,44
milhões).
 Em relação ao ranking de setores
do agronegócio por valor
exportado destacaram-se:
complexo soja (US$ 20,27
bilhões); carnes (US$ 8,16
bilhões); produtos florestais (US$
5,85 bilhões); complexo
sucroalcooleiro (US$ 5,62
bilhões) e café (US$ 2,72 bilhões)
(MAPA, 2016).
BALANÇA COMERCIAL
AGROPECUÁRIA 2016
 Responsável pelo saldo positivo da
balança comercial e geração de
empregos, além de ser 26% do PIB
 Competição favorece o desenvolvimento
da sociedade
 Possibilidade de construir uma agenda
que vise a sustentabilidade e geração de
riqueza - levando em conta as
particularidades regionais, as
especificidades dos biomas, etc.
 Aumento de produção como
representação do desenvolvimento
 Desenvolvimento sustentável como
modelo de produção ecolucrativo,
atendendo às demandas do mercado
global; é, na verdade, um ajuste
técnico na ordem vigente
 Agricultura com alto impacto
econômico
 Agronegócio passou a ocupar
posição de destaque no processo de
desenvolvimento econômico
 Principal segmento que auxiliará o
Brasil no processo de recuperação
AGRONEGÓCIO
DESENVOLVIMENTISTA
Condições de Trabalho:
Em 2010, 4.340
trabalhadores foram
libertados do trabalho
escravo no país e 65%
deles atuavam no
desmatamento e na
pecuária (Senado,
2010).
EFEITOS DO
AGRONEGÓCIO
 Desmatamento.
 Desequilíbrio na fauna e
flora.
 Descarte incorreto de
resíduos, gerando
contaminação ambiental.
 Degradação do Solo.
 Uso excessivo de água,
acarretando a diminuição do
volume ou até mesmo o
esgotamento de rios e lençóis
freáticos.
EFEITOS DO
AGRONEGÓCIO
EFEITOS DO
AGRONEGÓCIO
• Conflitos com terras
indígenas
• Disseminação de
discursos e ideologias
que enfraquecem as
lutas sociais.
 Censo do IBGE 2010: os povos
indígenas são aproximadamente
0,47% da população nacional -
sendo que 36,2% dessa população
indígena vive em cidades.
 Principais motivos para migração:
invasões de terras e busca por
melhores condições de vida (ONU)
 O maior desafio dessa migração é o
direito à moradia, além de questões
como educação e violência.
 Há 703 terras indígenas no território
brasileiro.
 O processo de regularização de
terras indígenas ainda encontra-se
em andamento.
 Constituição de 1988: direitos
indígenas sobre a terra é anterior a
qualquer outro e independe de
reconhecimento formal.
 As comunidades indígenas, apesar
de afastadas dos centros urbanos,
são significativamente afetadas pelo
crescimento urbano.
INDÍGENAS
 Domínio de técnicas que
envolvem conhecimentos de
calendários baseados na
astrologia, sistemas de seleção e
manejo de solos e diversificação
de culturas.
 Índios Mundurukus (AM, MT e
PA): conhecimento avançado na
seleção de áreas para o plantio,
recorrendo a conhecimentos
empíricos.
 Queima do roçado eficiente e,
diferente da técnica atual, não
promovia maior emissão de gases
poluentes.
 Alterações na estrutura do roçado
feitas ao longo do tempo seguiam
um modelo de sucessão natural dos
tipos de vegetação da região.
 Quase todas as espécies eram
nativas e variadas, plantadas em
condições microclimáticas
específicas.
 Criação de barreiras biológicas.
AGRICULTURA INDÍGENA
 Produção de farinhas pelos índios
para autoconsumo e intercâmbio
comercial.
 Houve tendência à
superespecialização das roças,
devido ao caráter fortemente
comercial da produção.
 A agricultura indígena
diversificada transformou-se em
monocultura de mandioca.
 O nível de produtividade do
cultivo da mandioca na região
pouco evoluiu (em alguns locais,
foi inferior ao obtido nas roças
indígenas).
MUDANÇAS NA AGRICULTURA
INDÍGENA EM FUNÇÃO DO MERCADO
 Constituição Federal ambígua que, ao mesmo tempo,
garante a demarcação de terras indígenas, e estimula o
crescimento econômico do agronegócio.
 Campo dinâmico e de reação rápida a estímulos, visto como
meio de superação da atual crise econômica.
EMBATE ENTRE AGRONEGÓCIO X
DIREITOS INDÍGENAS
 Roberto Simões, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do
Estado de Minas Gerais (FAEMG):
“(...) produzimos uma gama grande de produtos, o que diminui o risco em períodos de
crise, além disso a população precisa de alimentos e a perspectiva é de crescimento
significativo a população mundial nos próximos anos. O Brasil será o grande fornecedor de
alimentos, e precisará aumentar, no mínimo, 40% a produção para ajudar o abastecimento
mundial. A demanda é crescente e temos capacidade instalada e vocação para atender.”
EMBATE ENTRE AGRONEGÓCIO X
DIREITOS INDÍGENAS
PEC 215
 Mudança do Poder Executivo para o Poder Legislativo a tomada de decisão
sobre demarcações indígenas.
 Aprovação na Câmara dos deputados, após 15 anos, por 21 a 0.
 Prevê indenização a proprietários de terras em áreas demarcadas e fixa dia 5
de outubro de 2015 o marco temporal de definição para aquilo que são terras
indígenas.
 Terras acessíveis à exploração hidrelétrica, mineração e agronegócio.
PEC 215
 PL 227/2012: legalização da existência dos latifúndios em terras indígenas.
 PORTARIA 303/2012: Reivindica a revisão de procedimentos de demarcação já
finalizados.
 PL 1610/1996: Possibilidade de recorrer a autorização de mineração em terra
indígena com uma “consulta popular”.
 PL 237/2013: Oficializaria atividades ilegais como a do arrendamento.
 PORTARIA 419/2011: Agilizar liberação de construções de infraestruturas em
terras indígenas.
 DECRETO 7975/2013: Criação de um instrumento estatal para a repressão
militarizada a qualquer ação de povos indígenas que se posicionassem contra
empreendimentos que impactem seus territórios.
ALÉM DA PEC 215
GOVERNO DILMA
 Houve um baixo ritmo de
desapropriações de terras e
manutenção da secular
estrutura agrícola.
 O Brasil possui 103,3 mil
latifúndios que concentram
uma área superior a 244,8
milhões de hectares.
(INCRA, 2014).
 Katia Abreu: Ex-ministra da
agricultura, negou a existência de
latifúndio no país e defende uma
desaceleração no programa de
reforma agrária.
GENOCÍDIO INDÍGENA
 Classificação de genocídio a partir da definição:
LEI Nº 2.889, DE 1º DE OUTUBRO DE 1956. Art. 1º Quem, com a intenção de
destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal: a)
matar membros do grupo; b) causar lesão grave à integridade física ou mental de
membros do grupo; c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência
capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial; d) adotar medidas
destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; e) efetuar a transferência
forçada de crianças do grupo para outro grupo.
GENOCÍDIO INDÍGENA
 1 homicídio a cada 12 dias, 1
suicídio a cada 7 dias.
 A taxa de homicídios na aldeia
Guarani-kaiowá é maior que a
registrada no Iraque.
 Desassistência à saúde,
mortalidade na infância, invasões
possessórias, exploração ilegal
de recursos naturais.
GENOCÍDIO INDÍGENA
3 FATORES CONTRIBUINTES PARA O GENOCÍDIO INDÍGENA
 Processo histórico de colonização e ocupação do Mato Grosso do Sul e modelo
econômico que foi escolhido pelo Estado brasileiro.
 Estímulo ao enfrentamento aos povos indígenas: “Leilão da Resistência”
 Impunidade aos executores de homicídios, de ataques, de espancamentos,
torturadores e estupradores.
 Suicídio:
135 casos (2014)
 Assassinatos:
97 casos (2013)
138 casos (2014)
 Mortalidade infantil:
693 casos (2013)
785 casos (2014)
 Omissão e morosidade na
regulamentação de terras:
51 ocorrências (2013)
118 ocorrências (2014)
 Invasões possessórias,
exploração ilegal de recursos
naturais e danos ao
patrimônio:
36 ocorrências (2013)
84 ocorrências (2014)
DADOS DO GENOCÍDIO INDÍGENA
 Crescimento do etanol no Brasil e a
consequente expansão das
monoculturas de cana-de-açúcar no
Mato Grosso do Sul - mais precisamente
nas regiões das aldeias de Guaranis
Kaiowá.
 Monocultura de cana-de-açúcar colide
com os direitos dos índios sobre suas
terras.
 Índios tornam-se cortadores de cana para
garantir sustento.
 Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2011,
2.600 índios foram libertados de
condições análogas à escravidão no MS.
 Crescimento do trabalho infantil
indígena.
 Nos últimos dois séculos, os Guaranis
Kaiowá ocuparam mais de 8 milhões de
hectares no MS. Hoje, ocupam menos
de 1% desse território.
"À sombra de um delírio verde"
• No Brasil, o principal investidor na
cana-de-açúcar é o governo
federal.
• A monocultura promove derrubada
de florestas, uso intenso de
agrotóxicos e contaminação de
rios.
• Mais de 90% dos Guaranis Kaiowá
dependem de cestas básicas
cedidas pelo governo Federal.
Porém, ainda não cobrem as
necessidades básicas diárias da
comunidade.
• A devolução de terras aos índios
não inviabiliza o agronegócio.
• A principal estratégia para
enfraquecer a resistência indígena
é execução de suas lideranças.
DOCUMENTÁRIO
“Sem terra o índio não vive” – Cacique Carlito
Oliveira
“A terra foi feita para todo mundo viver” –
Cacique Carlito Oliveira
RESISTÊNCIA INDÍGENA
 Manifesto que pede o embargo e o
boicote aos produtos.
 "Há mais pasto para um boi crescer do
que terra para uma família indígena."
VIA CAMPESINA
 Egon Heck (secretariado nacional do Conselho Indigenista Missionário – CIM)
“O poder do latifúndio, agronegócio e seu poderio econômico e político não
conseguirá vencer esse pequeno grupo nativo (...). Eles também não estão
sozinhos. A solidariedade e união na luta como bem tem definido a coordenação
da Via Campesina, na semana passada, é fundamental para enfrentar todo tipo de
monstros, com sua virulência e crueldade. (...) Velhos desafios e novas barreiras
tentam obstaculizar as lutas dos diversos atores sociais no campo. O governo tem
sua opção clara pelo agronegócio, pelas sementes transgênicas, pelos
agrotóxicos, pela acumulação do capital. Ele não vai mudar em nada sua posição.
Resta, portanto, aos movimentos e lutas no campo fortalecer suas bandeiras pela
ruptura desse sistema, construir alianças, lançar as sementes de um novo modelo
de produção, baseado na pequena propriedade, na concepção de territorialidade
e relação respeitosa da mãe terra.”
Seria necessário mudar os parâmetros de desenvolvimento para que
medidas, como a PEC 215 não ocorressem e que esses números
apresentados diminuíssem? De que modo seria viável um desenvolvimento
sem que haja agressão cultural, social e física a comunidades que não se
inserem em tais lógicas capitalistas e exploratórias?
Referências Bibliográficas
BENVENUTTI, Patricia - “A saúde ameaçada pelo agrotóxico” Brasil de fato, 13/06/2012. Disponível em:
http://antigo.brasildefato.com.br/node/9809
IPEA - “DESEMPENHO E CRESCIMENTO DO AGRONEGÓCIO NO BRASIL” Brasília, 2004.
IPEA - “O agronegócio brasileiro e o desenvolvimento sustentável” 2016 . Ano 13 . Edição 87 - 17/06/2016.
Disponível em:
http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=3268&catid=29&Itemid=34
GRUPO ECOAGRO - “O Agronegócio no Brasil“. Disponível em: http://www.ecoagro.agr.br/agronegocio-brasil/
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO - “Agronegócio Brasileiro em números”, 2010.
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO - “Exportações do agronegócio somam US$
52,8 bilhões no acumulado do ano” 08/08/2016. Disponível em:
http://www.agricultura.gov.br/comunicacao/noticias/2016/08/exportacoes-do-agronegocio-somam-uss-52-bilhoes-no-
acumulado-do-ano.
Referências Bibliográficas
OLIVEIRA, Brenda Ferreira Duarte de. - “O Agronegócio e as Terras Indígenas no
Brasil”, 2014. Disponível em: http://www.webartigos.com/artigos/o-agronegocio-e-as-
terras-indigenas-no-brasil/127554/
PESSOA, Vanira Matos. RIGOTTO, Raquel Maria - “Agronegócio: geração de
desigualdades sociais, impactos no modo de vida e novas necessidades de saúde
nos trabalhadores rurais”, Universidade Federal do Ceará, 2010.
SENADO - “Trabalho escravo se concentra na zona rural”, 2010. Disponível em:
https://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/trabalho-escravo/xavier-
plassat/trabalho-escravo-se-concentra-na-zona-rural.aspx
SILVA, Thamires Olimpia. "Impactos ambientais causados pelo agronegócio no
Brasil"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/brasil/impactos-
ambientais-causados-pelo-agronegocio-no-brasil.htm>.

Agronegócio e Genocídio Indígena

  • 1.
    AGRONEGÓCIO E OGENOCÍDIO INDÍGENA
  • 2.
    Disciplina: Desenvolvimento eSustentabilidade Curso: Bacharelado em Ciências e Humanidades  Isabella Aragão Araújo  Maria Victoria Cavalcanti  Mariana Pezzo  Mayara Lontro
  • 3.
    DESENVOLVIMENT O Processo daevolução das sociedades, com várias dimensões  Hegemonia da dimensão econômica  Campo de poder, utopia, ideologia  Caracterizado por lutas de poder  Indústria do desenvolvimento e suas instituições como burocracias  “Quanto maiores as iniciativas de desenvolvimento, maior a burocracia relacionada a elas e mais forte sua capacidade de exercer poder, principalmente sobre instituições e atores que operam em níveis mais baixos de integração”. [PODER, REDES E IDEOLOGIA NO CAMPO DE DESENVOLVIMENTO, 2008]  Sistema de classificação, com base em hierarquias  Projeto de desenvolvimento da modernidade é ocidentalizado, universalizado, com foco no crescimento econômico  Mercado/economia organiza e controla a produção social X sociedade determina as relações econômicas  Alteração das relações entre homem, sociedade e ecossistema em nome do desenvolvimento  Impasses entre desenvolvimentistas e povos tradicionais
  • 4.
    DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL • Utilização adequadada natureza para satisfazer as necessidades • Depende da eficiência da política, da ação do Estado
  • 5.
     O agronegócioé visto como a cadeia produtiva que envolve desde a fabricação de insumos, passando pela produção nos estabelecimentos agropecuários e pela sua transformação, até o seu consumo.  Essa cadeia incorpora todos os serviços de apoio: pesquisa e assistência técnica, processamento, transporte, comercialização, crédito, exportação, serviços portuários, distribuidores (dealers), bolsas, industrialização e o consumidor final.  O valor agregado do complexo agroindustrial passa, obrigatoriamente, por cinco mercados: o de suprimentos; o da produção propriamente dita; o do processamento; o de distribuição; e o do consumidor final (Ipea, 2004). AGRONEGÓCIO
  • 7.
     Cria aproximadamente37% de todos os empregos do país;  Responde por aproximadamente 39% das exportações;  Saldo comercial de aproximadamente 79 bilhões de dólares em 2012;  Nos últimos 20 anos, a área plantada com grãos cresceu 37% e produção, mais de 176%. AGRONEGÓCIO E A ECONOMIA BRASILEIRA
  • 10.
     Durante oprimeiro semestre de 2016, o setor representou quase metade (49,6%) das exportações totais do Brasil.  Os produtos de origem vegetal foram os que mais contribuíram para o crescimento de US$ 448,60 milhões nas exportações do agronegócio no acumulado do ano. BALANÇA COMERCIAL AGROPECUÁRIA 2016
  • 11.
     O complexosucroalcooleiro foi o principal (+US$ 946,46 milhões), seguido dos cereais, farinhas e preparações (+US$ 805,46 milhões), do complexo soja (+US$ 365,50 milhões) e das fibras e produtos têxteis (+US$ 122,44 milhões).  Em relação ao ranking de setores do agronegócio por valor exportado destacaram-se: complexo soja (US$ 20,27 bilhões); carnes (US$ 8,16 bilhões); produtos florestais (US$ 5,85 bilhões); complexo sucroalcooleiro (US$ 5,62 bilhões) e café (US$ 2,72 bilhões) (MAPA, 2016). BALANÇA COMERCIAL AGROPECUÁRIA 2016
  • 12.
     Responsável pelosaldo positivo da balança comercial e geração de empregos, além de ser 26% do PIB  Competição favorece o desenvolvimento da sociedade  Possibilidade de construir uma agenda que vise a sustentabilidade e geração de riqueza - levando em conta as particularidades regionais, as especificidades dos biomas, etc.  Aumento de produção como representação do desenvolvimento  Desenvolvimento sustentável como modelo de produção ecolucrativo, atendendo às demandas do mercado global; é, na verdade, um ajuste técnico na ordem vigente  Agricultura com alto impacto econômico  Agronegócio passou a ocupar posição de destaque no processo de desenvolvimento econômico  Principal segmento que auxiliará o Brasil no processo de recuperação AGRONEGÓCIO DESENVOLVIMENTISTA
  • 13.
    Condições de Trabalho: Em2010, 4.340 trabalhadores foram libertados do trabalho escravo no país e 65% deles atuavam no desmatamento e na pecuária (Senado, 2010). EFEITOS DO AGRONEGÓCIO
  • 14.
     Desmatamento.  Desequilíbriona fauna e flora.  Descarte incorreto de resíduos, gerando contaminação ambiental.  Degradação do Solo.  Uso excessivo de água, acarretando a diminuição do volume ou até mesmo o esgotamento de rios e lençóis freáticos. EFEITOS DO AGRONEGÓCIO
  • 15.
    EFEITOS DO AGRONEGÓCIO • Conflitoscom terras indígenas • Disseminação de discursos e ideologias que enfraquecem as lutas sociais.
  • 16.
     Censo doIBGE 2010: os povos indígenas são aproximadamente 0,47% da população nacional - sendo que 36,2% dessa população indígena vive em cidades.  Principais motivos para migração: invasões de terras e busca por melhores condições de vida (ONU)  O maior desafio dessa migração é o direito à moradia, além de questões como educação e violência.  Há 703 terras indígenas no território brasileiro.  O processo de regularização de terras indígenas ainda encontra-se em andamento.  Constituição de 1988: direitos indígenas sobre a terra é anterior a qualquer outro e independe de reconhecimento formal.  As comunidades indígenas, apesar de afastadas dos centros urbanos, são significativamente afetadas pelo crescimento urbano. INDÍGENAS
  • 17.
     Domínio detécnicas que envolvem conhecimentos de calendários baseados na astrologia, sistemas de seleção e manejo de solos e diversificação de culturas.  Índios Mundurukus (AM, MT e PA): conhecimento avançado na seleção de áreas para o plantio, recorrendo a conhecimentos empíricos.  Queima do roçado eficiente e, diferente da técnica atual, não promovia maior emissão de gases poluentes.  Alterações na estrutura do roçado feitas ao longo do tempo seguiam um modelo de sucessão natural dos tipos de vegetação da região.  Quase todas as espécies eram nativas e variadas, plantadas em condições microclimáticas específicas.  Criação de barreiras biológicas. AGRICULTURA INDÍGENA
  • 18.
     Produção defarinhas pelos índios para autoconsumo e intercâmbio comercial.  Houve tendência à superespecialização das roças, devido ao caráter fortemente comercial da produção.  A agricultura indígena diversificada transformou-se em monocultura de mandioca.  O nível de produtividade do cultivo da mandioca na região pouco evoluiu (em alguns locais, foi inferior ao obtido nas roças indígenas). MUDANÇAS NA AGRICULTURA INDÍGENA EM FUNÇÃO DO MERCADO
  • 19.
     Constituição Federalambígua que, ao mesmo tempo, garante a demarcação de terras indígenas, e estimula o crescimento econômico do agronegócio.  Campo dinâmico e de reação rápida a estímulos, visto como meio de superação da atual crise econômica. EMBATE ENTRE AGRONEGÓCIO X DIREITOS INDÍGENAS
  • 20.
     Roberto Simões,presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG): “(...) produzimos uma gama grande de produtos, o que diminui o risco em períodos de crise, além disso a população precisa de alimentos e a perspectiva é de crescimento significativo a população mundial nos próximos anos. O Brasil será o grande fornecedor de alimentos, e precisará aumentar, no mínimo, 40% a produção para ajudar o abastecimento mundial. A demanda é crescente e temos capacidade instalada e vocação para atender.” EMBATE ENTRE AGRONEGÓCIO X DIREITOS INDÍGENAS
  • 21.
  • 22.
     Mudança doPoder Executivo para o Poder Legislativo a tomada de decisão sobre demarcações indígenas.  Aprovação na Câmara dos deputados, após 15 anos, por 21 a 0.  Prevê indenização a proprietários de terras em áreas demarcadas e fixa dia 5 de outubro de 2015 o marco temporal de definição para aquilo que são terras indígenas.  Terras acessíveis à exploração hidrelétrica, mineração e agronegócio. PEC 215
  • 23.
     PL 227/2012:legalização da existência dos latifúndios em terras indígenas.  PORTARIA 303/2012: Reivindica a revisão de procedimentos de demarcação já finalizados.  PL 1610/1996: Possibilidade de recorrer a autorização de mineração em terra indígena com uma “consulta popular”.  PL 237/2013: Oficializaria atividades ilegais como a do arrendamento.  PORTARIA 419/2011: Agilizar liberação de construções de infraestruturas em terras indígenas.  DECRETO 7975/2013: Criação de um instrumento estatal para a repressão militarizada a qualquer ação de povos indígenas que se posicionassem contra empreendimentos que impactem seus territórios. ALÉM DA PEC 215
  • 24.
    GOVERNO DILMA  Houveum baixo ritmo de desapropriações de terras e manutenção da secular estrutura agrícola.  O Brasil possui 103,3 mil latifúndios que concentram uma área superior a 244,8 milhões de hectares. (INCRA, 2014).  Katia Abreu: Ex-ministra da agricultura, negou a existência de latifúndio no país e defende uma desaceleração no programa de reforma agrária.
  • 25.
    GENOCÍDIO INDÍGENA  Classificaçãode genocídio a partir da definição: LEI Nº 2.889, DE 1º DE OUTUBRO DE 1956. Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal: a) matar membros do grupo; b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo; c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial; d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo.
  • 26.
    GENOCÍDIO INDÍGENA  1homicídio a cada 12 dias, 1 suicídio a cada 7 dias.  A taxa de homicídios na aldeia Guarani-kaiowá é maior que a registrada no Iraque.  Desassistência à saúde, mortalidade na infância, invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais.
  • 27.
    GENOCÍDIO INDÍGENA 3 FATORESCONTRIBUINTES PARA O GENOCÍDIO INDÍGENA  Processo histórico de colonização e ocupação do Mato Grosso do Sul e modelo econômico que foi escolhido pelo Estado brasileiro.  Estímulo ao enfrentamento aos povos indígenas: “Leilão da Resistência”  Impunidade aos executores de homicídios, de ataques, de espancamentos, torturadores e estupradores.
  • 28.
     Suicídio: 135 casos(2014)  Assassinatos: 97 casos (2013) 138 casos (2014)  Mortalidade infantil: 693 casos (2013) 785 casos (2014)  Omissão e morosidade na regulamentação de terras: 51 ocorrências (2013) 118 ocorrências (2014)  Invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos ao patrimônio: 36 ocorrências (2013) 84 ocorrências (2014) DADOS DO GENOCÍDIO INDÍGENA
  • 29.
     Crescimento doetanol no Brasil e a consequente expansão das monoculturas de cana-de-açúcar no Mato Grosso do Sul - mais precisamente nas regiões das aldeias de Guaranis Kaiowá.  Monocultura de cana-de-açúcar colide com os direitos dos índios sobre suas terras.  Índios tornam-se cortadores de cana para garantir sustento.  Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2011, 2.600 índios foram libertados de condições análogas à escravidão no MS.  Crescimento do trabalho infantil indígena.  Nos últimos dois séculos, os Guaranis Kaiowá ocuparam mais de 8 milhões de hectares no MS. Hoje, ocupam menos de 1% desse território. "À sombra de um delírio verde"
  • 30.
    • No Brasil,o principal investidor na cana-de-açúcar é o governo federal. • A monocultura promove derrubada de florestas, uso intenso de agrotóxicos e contaminação de rios. • Mais de 90% dos Guaranis Kaiowá dependem de cestas básicas cedidas pelo governo Federal. Porém, ainda não cobrem as necessidades básicas diárias da comunidade. • A devolução de terras aos índios não inviabiliza o agronegócio. • A principal estratégia para enfraquecer a resistência indígena é execução de suas lideranças. DOCUMENTÁRIO “Sem terra o índio não vive” – Cacique Carlito Oliveira “A terra foi feita para todo mundo viver” – Cacique Carlito Oliveira
  • 31.
    RESISTÊNCIA INDÍGENA  Manifestoque pede o embargo e o boicote aos produtos.  "Há mais pasto para um boi crescer do que terra para uma família indígena."
  • 32.
    VIA CAMPESINA  EgonHeck (secretariado nacional do Conselho Indigenista Missionário – CIM) “O poder do latifúndio, agronegócio e seu poderio econômico e político não conseguirá vencer esse pequeno grupo nativo (...). Eles também não estão sozinhos. A solidariedade e união na luta como bem tem definido a coordenação da Via Campesina, na semana passada, é fundamental para enfrentar todo tipo de monstros, com sua virulência e crueldade. (...) Velhos desafios e novas barreiras tentam obstaculizar as lutas dos diversos atores sociais no campo. O governo tem sua opção clara pelo agronegócio, pelas sementes transgênicas, pelos agrotóxicos, pela acumulação do capital. Ele não vai mudar em nada sua posição. Resta, portanto, aos movimentos e lutas no campo fortalecer suas bandeiras pela ruptura desse sistema, construir alianças, lançar as sementes de um novo modelo de produção, baseado na pequena propriedade, na concepção de territorialidade e relação respeitosa da mãe terra.”
  • 33.
    Seria necessário mudaros parâmetros de desenvolvimento para que medidas, como a PEC 215 não ocorressem e que esses números apresentados diminuíssem? De que modo seria viável um desenvolvimento sem que haja agressão cultural, social e física a comunidades que não se inserem em tais lógicas capitalistas e exploratórias?
  • 34.
    Referências Bibliográficas BENVENUTTI, Patricia- “A saúde ameaçada pelo agrotóxico” Brasil de fato, 13/06/2012. Disponível em: http://antigo.brasildefato.com.br/node/9809 IPEA - “DESEMPENHO E CRESCIMENTO DO AGRONEGÓCIO NO BRASIL” Brasília, 2004. IPEA - “O agronegócio brasileiro e o desenvolvimento sustentável” 2016 . Ano 13 . Edição 87 - 17/06/2016. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=3268&catid=29&Itemid=34 GRUPO ECOAGRO - “O Agronegócio no Brasil“. Disponível em: http://www.ecoagro.agr.br/agronegocio-brasil/ MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO - “Agronegócio Brasileiro em números”, 2010. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO - “Exportações do agronegócio somam US$ 52,8 bilhões no acumulado do ano” 08/08/2016. Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/comunicacao/noticias/2016/08/exportacoes-do-agronegocio-somam-uss-52-bilhoes-no- acumulado-do-ano.
  • 35.
    Referências Bibliográficas OLIVEIRA, BrendaFerreira Duarte de. - “O Agronegócio e as Terras Indígenas no Brasil”, 2014. Disponível em: http://www.webartigos.com/artigos/o-agronegocio-e-as- terras-indigenas-no-brasil/127554/ PESSOA, Vanira Matos. RIGOTTO, Raquel Maria - “Agronegócio: geração de desigualdades sociais, impactos no modo de vida e novas necessidades de saúde nos trabalhadores rurais”, Universidade Federal do Ceará, 2010. SENADO - “Trabalho escravo se concentra na zona rural”, 2010. Disponível em: https://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/trabalho-escravo/xavier- plassat/trabalho-escravo-se-concentra-na-zona-rural.aspx SILVA, Thamires Olimpia. "Impactos ambientais causados pelo agronegócio no Brasil"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/brasil/impactos- ambientais-causados-pelo-agronegocio-no-brasil.htm>.