Informativo Técnico do Sindicato dos
                                                   Trabalhadores em Assistência Técnica e
                                                   Extensão Ruraldo Estado de Minas Gerais




                                                           Ano 4 | Edição nº 19 | Abril de 2012

www.sinter-mg.org.br




 Produção do Agrobio
 Fotografia: Ana Luísa Telles




                                      DESTAQUE



 Utilização do Agrobio no controle e combate
 a pragas                                                                           pág. 03



                                 OUTRAS NOTÍCIAS




               Bio Dicas:
02             Como Fazer o Agrobio
Edição nº 18 | Março de 2012 | Ano 4
                                                                                                                                                                                                      02

 Editorial                                                                         Bio Dicas
   Bio quer dizer vida e fertilizante significa                                      Agrobio
   adubo, ou seja, biofertilizante é um adubo
   vivo, que contém organismos vivos que                                             Modo de Preparo:
   ajudam no controle de doenças e mine-
   rais que irão nutrir as plantas.                                                  Os ingredientes devem ser bem misturados e deixados fermentar por
                                                                                     uma semana. A este caldo nutritivo, nas sete semanas subseqüentes,
   Os biofertilizantes podem ser feitos com                                          são acrescen-tados, semanalmente, os seguintes ingredientes, previa-
   qualquer tipo de matéria orgânica fresca                                          mente dissolvidos em água: 430g de bórax ou ácido bórico, 570g de
   (fonte de organismos fermentadores). Na                                           cinza de lenha, 850g de cloreto de cálcio, 43g de sulfato ferroso, 60g
   maioria das vezes são utilizados estercos,                                        de farinha de osso, 60g de farinha de carne, 143g de termofosfato mag-
   mas também é possível usar somente res-                                           nesiano, 1,5kg de melaço, 30g de molibdato de sódio, 30g de sulfato de
   tos vegetais. O esterco bovino é o que                                            cobalto, 43g de sulfato de cobre, 86g de sulfato de manganês, 143g de
   apresenta mais fácil fermentação e já vem                                         sulfato de magnésio, 57g de sulfato de zinco e 29g de torta de mamona.
   inoculado com bactérias decompositoras
   muito eficientes. Ainda assim, por uma                                            Nas quatro últimas semanas, são adicionados 500 ml de urina de vaca.
   questão de segurança, não deve ser utiliza-                                       A calda deve ser bem misturada duas vezes por dia. Após oito semanas,
   do o esterco de animais que estejam sen-                                          o volume deve ser completado para 500 litros e coado. São indispen-
   do tratados com algum produto como an-                                            sáveis, para a produção do Agrobio em maior escala, os seguintes ma-
   tibióticos, vermífugos, carrapaticidas, etc.                                      teriais: caixa d’água de plástico com tampa e capacidade de 500 litros;
                                                                                     bancada de concreto ou madeira; conexões de 2 polegadas; pá; baldes;
   Em todos os processos de fermentação é                                            tela e peneira para coagem.
   possível utilizar produtos para aumentar a
   velocidade de fermentação, ou seja, pro-                                          O Agrobio pronto apresenta cor bem escura e odor característico de
   dutos que vão alimentar as bactérias que                                          produto fermentado e pH na faixa de 5 a 6. A análise química do biofer-
   farão a decomposição da matéria orgâni-                                           tilizante fornece os seguintes resultados por litro: 34,69g de matéria or-
   ca. Tais produtos são chamados de catali-                                         gânica; 0,8% de carbono; 631mg de N; 170mg de P; 1,2g de K; 1,59g
   sadores (soro deleite, caldo de cana, açú-                                        de Ca e 480mg de Mg, além de traços dos micronutrientes essenciais
   car mascavo, melaço). É possível ainda,                                           às plantas. O seu uso não traz riscos à saúde, uma vez que os testes
   enriquecer o esterco líquido com minerais                                         microbiológicos, até hoje conduzidos, não detectaram coliformes fecais,
   que são importantes para o desenvolvi-                                            bactérias patogênicas e toxinas.
   mento das plantas. Podemos adicionar
   cinzas, fosfato natural, farinha de osso, pó                                      Recomendações de uso:
   de rochas ou alguns microelementos, que
   poderão ser utilizados pelas plantas.                                             Na produção de mudas, hortaliças folhosas, hortaliças de fruto, através
                                                                                     de cultivo orgânico em sistema protegido (estufas) ou cultivo convencio-
   Antônio Domingues                                                                 nal a campo, e culturas perenes.
   Diretor de Comunicação do Sinter-MG



                                                                                                                                                    Manhuaçu | Célio Alexandre de O. Barros Juiz de Fora | Deyler Nelson
                                                                           Diretores de Base                                                        Maia Souto Viçosa | Luciano Saraiva Gonçalves de Souza Alfenas | Sávio
                                                                           Norte | Maria de Lourdes V. Leopoldo Centro | Afrânio Otávio Nogueira    dos Reis Dutra Lavras | Júlio César Silva Pouso Alegre | Sérgio Bras
                                                                           Triângulo | Walter Lúcio de Brito Leste | Adilson Lopes Barros Zona Da   Regina
                                                                           Mata | Margareth do Carmo C. Guimarães Sul | André Martins Ferreira
                                                                           Alto Paranaíba e Noroeste | Paulo César Thompson                         Conselho Fiscal
Rua José de Alencar, 738 | Nova Suíça | Belo Horizonte/MG
                                                                                                                                                    Ilka Alves Santana | Francisco Paiva de Rezende | Marlene da
CEP 30480-500 | Telefax: 31 3334 3080
                                                                           Representantes das Seções Sindicais                                      Conceição A. Pereira | Noé de Oliveira Fernandes Filho | Reinaldo
www.sinter-mg.org.br | conexao@sinter-mg.org.br
                                                                           Janaúba | Raimundo Mendes de Souza Júnior Januária | Renato Alves        Bortone
                                                                           Lopes Montes Claros | Onias Guedes Batista Salinas | José dos Reis
DIRETORIA COLEGIADA DO SINTER-MG                                           Francisco da Rocha Barbacena | Tadeu César Gomes de Azevedo Belo         Conexão sinter
Diretor Geral | Carlos Augusto de Carvalho Diretor Secretário | Ronaldo    Horizonte | Silmara Aparecida C. Campos Curvelo | Marcelino Teixeira     Coordenação | Antônio Domingues Participação | Diretoria Sinter-MG |
Vieira de Aquino Diretor de Administração e Finanças | Darci Roberti       da Silva Divinópolis | Júlio César Maia Uberaba | Oeder Pedro Ferreira   André Henriques Edição | Mauro Morais Diagramação | Somanyideas
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de Agricultura Familiar e Reforma Agrária | Leni Alves de Souza Diretor    Governador Valadares | Maurílio Andrade Dornelas Teófilo Otoni | Luiz    Para sugestões, comentários e críticas sobre o Conexão Sinter-MG
De Assuntos Dos Aposentados | Elizabete Soares de Andrade                  Mário Leite Júnior Cataguases | Janya Aparecida de Paula Costa           conexao@sinter-mg.org.br
Edição nº 18 | Março de 2012 | Ano 4
                                                                                                   03

A utilização do Agrobio no controle e
combate a pragas
A busca por estratégias ecológicas de controle BIOFERTILIZANTES LÍQUIDOS
de pragas requer um processo de transição que
envolve várias etapas que permitam conciliar as Esses produtos, ao serem absorvidos pelas plan-
necessidades de manter a propriedade agrícola tas, funcionam como fonte suplementar de mi-
rentável ao mesmo tempo em que se aumenta cronutrientes e de componentes inespecíficos,
o equilíbrio ecológico. Dessa forma, enquanto acreditando-se que possam influir positivamente
os princípios ecológicos não estiverem comple- na resistência das plantas ao ataque de pragas
tamente incorporados aos sistemas agrícolas, e doenças, regulando e tonificando o metabo-
isto é, ainda estiverem desequilibrados, espe- lismo. Tais produtos tem o potencial para con-
cialmente em casos de conversão do sistema trolar diretamente alguns fitoparasitas através de
convencional, estratégias complementares de- substâncias com ação fungicida, bactericida e/
vem ser utilizadas como medidas auxiliadoras no ou inseticida presentes em sua composição.
controle de pragas e doenças, sendo proibido
o uso dos agrotóxicos convencionais sintéticos, Nos últimos anos, a equipe técnica da Estação
seja para combate ou prevenção, inclusive na ar- Experimental de Seropédica da PESAGRO-RIO
mazenagem. Essas                                                               formulou o biofertili-
estratégias referem-                                                           zante Agrobio, a partir
-se ao uso de pro-         A busca por estratégias ecológi- da receita original de
dutos biológicos ou                                                            outro     biofertilizante
naturais conhecidos cas de controle de pragas requer conhecido por Super
como defensivos al-                                                            Magro.
ternativos, que po- um processo de transição que en-
dem ser divididos
em duas classes: os
                         volve várias etapas que permitam B I O F E R T I LI Z A N T E
fertiprotetores e os conciliar as necessidades de man- AGROBIO
protetores.
                            ter a propriedade agrícola rent- Agrobio é um biofertili-
Os fertiprotetores                                                             zante produzido a par-
são produtos que ável ao mesmo tempo em que se tir de esterco bovino
fornecem nutrientes                                                            fresco, água, melaço e
às plantas, influen-       aumenta o equilíbrio ecológico. sais minerais, submeti-
ciando positivamen-                                                            dos à fermentação em
te no processo metabólico das mesmas, além de temperatura ambiente por aproximadamente 56
contribuírem para o controle de parasitas. Aí se dias em recipientes abertos. Este produto, de-
incluem biofertilizantes líquidos, caldas (sulfocál- senvolvido pela PESAGRO-RIO (EES) tem sido
cica, viçosa e bordalesa), urina de vaca, leites largamente utilizado por agricultores orgânicos e
etc.                                                 convencionais no estado do Rio de Janeiro, ao
                                                     qual atribuem efeito nutricional e de controle de
Os protetores são os produtos que agem dire- doenças em diferentes culturas.
tamente no controle dos fitoparasitas, como os
agentes de biocontrole, os extratos vegetais, os O Agrobio é obtido por meio da transformação
feromônios etc.                                      microbiana, em sistema aberto, de uma mistura
Edição nº 18 | Março de 2012 | Ano 4
                                                                                                     04
de água, esterco bovino fresco, melaço, leite e     ram o efeito do biofertilizante proveniente da di-
sais minerais. Após 56 dias aproximadamente         gestão anaeróbia do esterco bovino causando
dependendo das condições ambientais, o pro-         inibição do crescimento de Colletotrichum gloe-
duto pode ser engarrafado para uso em lavou-        osporioides, agente da antracnose do maracujá,
ras, como fertilizante foliar e também para con-    de Thielaviopsis paradoxa, agente da podridão
trolar algumas doenças em mudas de hortaliças       do abacaxi, de Penicillium digitatum agente do
folhosas, de ornamentais e de fruteiras em geral.   mofo verde dos citrus e de Cladosporium sp.,




                                                    agente da mancha deprimida do maracujá. Tra-
                                                    tch e Bettiol (1997) verificaram em biofertilizan-
                                                    te produzido com a adição de sais e resíduos
                                                    orgânicos, que concentrações acima de 15%
                                                    inibiram completamente o crescimento micelial
                                                    de Alternaria solani,Stemphylium solani, Septo-
                                                    ria lycopersici, Sclerotinia sclerotiorum, Botrytis
                                                    cinerea, Rhizoctonia solani e Fusarium oxyspo-
                                                    rum f. sp. phaseoli e a germinação de esporos
                                                    de B. cinerea, A. solani, Hemileia vastatrix e Co-

                                                     	
  
                                                    leosporium plumierae.

                                                    PARA PRODUZIR 500 LITROS DO AGROBIO

No Agrobio há uma comunidade microbiana             • 200 litros de água
composta por fungos (Fusarium tabacinum),           • 100 litros de esterco fresco bovino
bactérias (Lactobacillusspp. e Bacillus subtilis)   • 20 litros de leite de vaca ou soro
leveduras (Candida spp. e, principalmente os        • 3 kg de melaço
fungos Cryptococcus laurentii e actinomicetos
(Streptomyces spp) e acredita-se que a sua          Fonte:
ação possa estar relacionada ao aumento da          Biofertilizante agrobio: uma alternativa no controle
atividade microbiana propiciada pelas aplica-       da mancha bacteriana em mudas de pimentão (Cap-
ções freqüentes do produto.                         sicum annuum L.)

Não existem informações na literatura do efeito     PESAGRO-RIO
do Agrobio sobre o desenvolvimento de fitopa-
tógenos, porém já existem relatos para outros       Cartilha: Caldas e Biofertilizantes – Embrapa Clima
biofertilizantes. Castro et al. (1991) comprova-    Temperado

Agroecológico Abril 2012

  • 1.
    Informativo Técnico doSindicato dos Trabalhadores em Assistência Técnica e Extensão Ruraldo Estado de Minas Gerais Ano 4 | Edição nº 19 | Abril de 2012 www.sinter-mg.org.br Produção do Agrobio Fotografia: Ana Luísa Telles DESTAQUE Utilização do Agrobio no controle e combate a pragas pág. 03 OUTRAS NOTÍCIAS Bio Dicas: 02 Como Fazer o Agrobio
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    Edição nº 18| Março de 2012 | Ano 4 02 Editorial Bio Dicas Bio quer dizer vida e fertilizante significa Agrobio adubo, ou seja, biofertilizante é um adubo vivo, que contém organismos vivos que Modo de Preparo: ajudam no controle de doenças e mine- rais que irão nutrir as plantas. Os ingredientes devem ser bem misturados e deixados fermentar por uma semana. A este caldo nutritivo, nas sete semanas subseqüentes, Os biofertilizantes podem ser feitos com são acrescen-tados, semanalmente, os seguintes ingredientes, previa- qualquer tipo de matéria orgânica fresca mente dissolvidos em água: 430g de bórax ou ácido bórico, 570g de (fonte de organismos fermentadores). Na cinza de lenha, 850g de cloreto de cálcio, 43g de sulfato ferroso, 60g maioria das vezes são utilizados estercos, de farinha de osso, 60g de farinha de carne, 143g de termofosfato mag- mas também é possível usar somente res- nesiano, 1,5kg de melaço, 30g de molibdato de sódio, 30g de sulfato de tos vegetais. O esterco bovino é o que cobalto, 43g de sulfato de cobre, 86g de sulfato de manganês, 143g de apresenta mais fácil fermentação e já vem sulfato de magnésio, 57g de sulfato de zinco e 29g de torta de mamona. inoculado com bactérias decompositoras muito eficientes. Ainda assim, por uma Nas quatro últimas semanas, são adicionados 500 ml de urina de vaca. questão de segurança, não deve ser utiliza- A calda deve ser bem misturada duas vezes por dia. Após oito semanas, do o esterco de animais que estejam sen- o volume deve ser completado para 500 litros e coado. São indispen- do tratados com algum produto como an- sáveis, para a produção do Agrobio em maior escala, os seguintes ma- tibióticos, vermífugos, carrapaticidas, etc. teriais: caixa d’água de plástico com tampa e capacidade de 500 litros; bancada de concreto ou madeira; conexões de 2 polegadas; pá; baldes; Em todos os processos de fermentação é tela e peneira para coagem. possível utilizar produtos para aumentar a velocidade de fermentação, ou seja, pro- O Agrobio pronto apresenta cor bem escura e odor característico de dutos que vão alimentar as bactérias que produto fermentado e pH na faixa de 5 a 6. A análise química do biofer- farão a decomposição da matéria orgâni- tilizante fornece os seguintes resultados por litro: 34,69g de matéria or- ca. Tais produtos são chamados de catali- gânica; 0,8% de carbono; 631mg de N; 170mg de P; 1,2g de K; 1,59g sadores (soro deleite, caldo de cana, açú- de Ca e 480mg de Mg, além de traços dos micronutrientes essenciais car mascavo, melaço). É possível ainda, às plantas. O seu uso não traz riscos à saúde, uma vez que os testes enriquecer o esterco líquido com minerais microbiológicos, até hoje conduzidos, não detectaram coliformes fecais, que são importantes para o desenvolvi- bactérias patogênicas e toxinas. mento das plantas. Podemos adicionar cinzas, fosfato natural, farinha de osso, pó Recomendações de uso: de rochas ou alguns microelementos, que poderão ser utilizados pelas plantas. Na produção de mudas, hortaliças folhosas, hortaliças de fruto, através de cultivo orgânico em sistema protegido (estufas) ou cultivo convencio- Antônio Domingues nal a campo, e culturas perenes. Diretor de Comunicação do Sinter-MG Manhuaçu | Célio Alexandre de O. Barros Juiz de Fora | Deyler Nelson Diretores de Base Maia Souto Viçosa | Luciano Saraiva Gonçalves de Souza Alfenas | Sávio Norte | Maria de Lourdes V. Leopoldo Centro | Afrânio Otávio Nogueira dos Reis Dutra Lavras | Júlio César Silva Pouso Alegre | Sérgio Bras Triângulo | Walter Lúcio de Brito Leste | Adilson Lopes Barros Zona Da Regina Mata | Margareth do Carmo C. Guimarães Sul | André Martins Ferreira Alto Paranaíba e Noroeste | Paulo César Thompson Conselho Fiscal Rua José de Alencar, 738 | Nova Suíça | Belo Horizonte/MG Ilka Alves Santana | Francisco Paiva de Rezende | Marlene da CEP 30480-500 | Telefax: 31 3334 3080 Representantes das Seções Sindicais Conceição A. Pereira | Noé de Oliveira Fernandes Filho | Reinaldo www.sinter-mg.org.br | conexao@sinter-mg.org.br Janaúba | Raimundo Mendes de Souza Júnior Januária | Renato Alves Bortone Lopes Montes Claros | Onias Guedes Batista Salinas | José dos Reis DIRETORIA COLEGIADA DO SINTER-MG Francisco da Rocha Barbacena | Tadeu César Gomes de Azevedo Belo Conexão sinter Diretor Geral | Carlos Augusto de Carvalho Diretor Secretário | Ronaldo Horizonte | Silmara Aparecida C. Campos Curvelo | Marcelino Teixeira Coordenação | Antônio Domingues Participação | Diretoria Sinter-MG | Vieira de Aquino Diretor de Administração e Finanças | Darci Roberti da Silva Divinópolis | Júlio César Maia Uberaba | Oeder Pedro Ferreira André Henriques Edição | Mauro Morais Diagramação | Somanyideas Diretor de Comunicação e Cultura | Antônio Domingues de Souza Uberlândia | Carlos Miguel Rodrigues Couto Patos De Minas | Dener Projeto Gráfico | Somanyideas Jornalista Responsável | Dante Xavier Diretor De Assuntos Jurídicos | Pascoal Pereira de Almeida Diretor de Henrique de Castro Unaí | Dalila Moreira da Cunha Almenara | MG-13.092 Circulação | Online Formação Política e Sindical | Lúcio Passos Ferreira Diretor de Assuntos Ronilson Martins Nascimento Capelinha | Vilivaldo Alves da Rocha de Agricultura Familiar e Reforma Agrária | Leni Alves de Souza Diretor Governador Valadares | Maurílio Andrade Dornelas Teófilo Otoni | Luiz Para sugestões, comentários e críticas sobre o Conexão Sinter-MG De Assuntos Dos Aposentados | Elizabete Soares de Andrade Mário Leite Júnior Cataguases | Janya Aparecida de Paula Costa conexao@sinter-mg.org.br
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    Edição nº 18| Março de 2012 | Ano 4 03 A utilização do Agrobio no controle e combate a pragas A busca por estratégias ecológicas de controle BIOFERTILIZANTES LÍQUIDOS de pragas requer um processo de transição que envolve várias etapas que permitam conciliar as Esses produtos, ao serem absorvidos pelas plan- necessidades de manter a propriedade agrícola tas, funcionam como fonte suplementar de mi- rentável ao mesmo tempo em que se aumenta cronutrientes e de componentes inespecíficos, o equilíbrio ecológico. Dessa forma, enquanto acreditando-se que possam influir positivamente os princípios ecológicos não estiverem comple- na resistência das plantas ao ataque de pragas tamente incorporados aos sistemas agrícolas, e doenças, regulando e tonificando o metabo- isto é, ainda estiverem desequilibrados, espe- lismo. Tais produtos tem o potencial para con- cialmente em casos de conversão do sistema trolar diretamente alguns fitoparasitas através de convencional, estratégias complementares de- substâncias com ação fungicida, bactericida e/ vem ser utilizadas como medidas auxiliadoras no ou inseticida presentes em sua composição. controle de pragas e doenças, sendo proibido o uso dos agrotóxicos convencionais sintéticos, Nos últimos anos, a equipe técnica da Estação seja para combate ou prevenção, inclusive na ar- Experimental de Seropédica da PESAGRO-RIO mazenagem. Essas formulou o biofertili- estratégias referem- zante Agrobio, a partir -se ao uso de pro- A busca por estratégias ecológi- da receita original de dutos biológicos ou outro biofertilizante naturais conhecidos cas de controle de pragas requer conhecido por Super como defensivos al- Magro. ternativos, que po- um processo de transição que en- dem ser divididos em duas classes: os volve várias etapas que permitam B I O F E R T I LI Z A N T E fertiprotetores e os conciliar as necessidades de man- AGROBIO protetores. ter a propriedade agrícola rent- Agrobio é um biofertili- Os fertiprotetores zante produzido a par- são produtos que ável ao mesmo tempo em que se tir de esterco bovino fornecem nutrientes fresco, água, melaço e às plantas, influen- aumenta o equilíbrio ecológico. sais minerais, submeti- ciando positivamen- dos à fermentação em te no processo metabólico das mesmas, além de temperatura ambiente por aproximadamente 56 contribuírem para o controle de parasitas. Aí se dias em recipientes abertos. Este produto, de- incluem biofertilizantes líquidos, caldas (sulfocál- senvolvido pela PESAGRO-RIO (EES) tem sido cica, viçosa e bordalesa), urina de vaca, leites largamente utilizado por agricultores orgânicos e etc. convencionais no estado do Rio de Janeiro, ao qual atribuem efeito nutricional e de controle de Os protetores são os produtos que agem dire- doenças em diferentes culturas. tamente no controle dos fitoparasitas, como os agentes de biocontrole, os extratos vegetais, os O Agrobio é obtido por meio da transformação feromônios etc. microbiana, em sistema aberto, de uma mistura
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    Edição nº 18| Março de 2012 | Ano 4 04 de água, esterco bovino fresco, melaço, leite e ram o efeito do biofertilizante proveniente da di- sais minerais. Após 56 dias aproximadamente gestão anaeróbia do esterco bovino causando dependendo das condições ambientais, o pro- inibição do crescimento de Colletotrichum gloe- duto pode ser engarrafado para uso em lavou- osporioides, agente da antracnose do maracujá, ras, como fertilizante foliar e também para con- de Thielaviopsis paradoxa, agente da podridão trolar algumas doenças em mudas de hortaliças do abacaxi, de Penicillium digitatum agente do folhosas, de ornamentais e de fruteiras em geral. mofo verde dos citrus e de Cladosporium sp., agente da mancha deprimida do maracujá. Tra- tch e Bettiol (1997) verificaram em biofertilizan- te produzido com a adição de sais e resíduos orgânicos, que concentrações acima de 15% inibiram completamente o crescimento micelial de Alternaria solani,Stemphylium solani, Septo- ria lycopersici, Sclerotinia sclerotiorum, Botrytis cinerea, Rhizoctonia solani e Fusarium oxyspo- rum f. sp. phaseoli e a germinação de esporos de B. cinerea, A. solani, Hemileia vastatrix e Co-   leosporium plumierae. PARA PRODUZIR 500 LITROS DO AGROBIO No Agrobio há uma comunidade microbiana • 200 litros de água composta por fungos (Fusarium tabacinum), • 100 litros de esterco fresco bovino bactérias (Lactobacillusspp. e Bacillus subtilis) • 20 litros de leite de vaca ou soro leveduras (Candida spp. e, principalmente os • 3 kg de melaço fungos Cryptococcus laurentii e actinomicetos (Streptomyces spp) e acredita-se que a sua Fonte: ação possa estar relacionada ao aumento da Biofertilizante agrobio: uma alternativa no controle atividade microbiana propiciada pelas aplica- da mancha bacteriana em mudas de pimentão (Cap- ções freqüentes do produto. sicum annuum L.) Não existem informações na literatura do efeito PESAGRO-RIO do Agrobio sobre o desenvolvimento de fitopa- tógenos, porém já existem relatos para outros Cartilha: Caldas e Biofertilizantes – Embrapa Clima biofertilizantes. Castro et al. (1991) comprova- Temperado