Francisco
João Gabriel
Lucianno
Manuelle Viníciuss
Nossa equipe Gabrielas
Carloss
Íthylas
QUE O PODER ESTEJA COM TODOS NÓS!
Objetivos
Metodologia
Michel
Foucault
(Francisco Oliveira)
Michel Foucault (1926-1984)
Nasceu em Poitiers (Centro Oeste de França);
Filósofo, psicólogo, historiador das idéias,
teórico social, filólogo e crítico literário;
Aluno de pensadores como : Louis Althusser e
Jean Hyppolite;
Conviveu com intelectuais como: Jean-Paul Sartre,
Gilles Deleuze, Lacan;
Lecionou psicologia e filosofia em diversas
universidades na Alemanha, Suécia, Tunísia,
Estados Unidos da América entre outros.
Michel Foucault (1926-1984)
Tratou de abordagens como:
Relação entre poder e conhecimento (poder e saber) e como eles
são usados ​
​
como uma forma de controle social por meio de
instituições sociais;
Embora muitas vezes seja citado como um pós-estruturalista e pós-
modernista, Foucault acabou rejeitando esses rótulos, preferindo
classificar seu pensamento como uma história crítica da
modernidade;
É um dos maiores filósofos da contemporaneidade, foi responsável
por novos caminhos na análise do poder e da história.
Relevância acadêmica fora de série!
Michel Foucault – Algumas Obras
História da loucura na idade clássica (1961);
O Nascimento da clínica (1963);
As palavras e as coisas (1966);
Arqueologia do saber (1969);
Vigiar e punir (1975);
Microfísica do Poder (1979).
Microfísica do Poder
Organizado por Roberto, sob a orientação de
Michel Foucault);
 Contém transcrições dos cursos
ministrados no Collège de France,
conferências, artigos, debates e várias
entrevistas que auxiliam na introdução ao
pensamento de Foucault.
Microfísica do Poder
Explicita como os mecanismos de poder
são exercidos fora, abaixo e ao lado do
aparelho de Estado;
Mostra-nos a relação de poder e saber nas
sociedades modernas com objetivo de
produzir “verdades” cujo interesse essencial
é a dominação do homem através de
praticas políticas e econômicas de uma
sociedade capitalista.
Introdução:
Por uma
genealogia
do poder
(Francisco Oliveira)
Introdução:
Por uma genealogia do poder
O poder não é o mais velho desafio formulado
pelas análises de Foucault;
Surge complementando o exercício de uma
arqueologia do saber pelo projeto de uma
genealogia do poder.
Introdução:
Por uma genealogia do poder
Os estudos de Foucault são divididos em duas fases:
A arqueologia do saber;
A genealogia do poder.
A arqueologia do saber
Um tipo de pesquisa que se dedica a extrair
os acontecimentos discursivos como se eles
estivessem registrados em um arquivo;
A arqueologia será responsável pela detecção
dos discursos e de sua formação histórica
em um determinado campo de saber.
1961 - Historia da Loucura;
1961 – O Nascimento da Clínica;
1966 – As palavras e as coisas;
Três livros que revelam a homogeneidade dos instrumentos
metodológicos utilizados:
Conceito de saber, estabelecimentos das descontinuidades,
interrelações conceituais, articulação dos saberes com a
estrutura social, crítica a ideia de progresso em história das
ciências.
1969 – A Arqueologia do Saber – explica, sistematiza, clarifica e
aperfeiçoa a metodologia.
A arqueologia do saber
Um novo caminho, sem invalidar o passado, parte de
outra questão;
Enquanto a arqueologia respondia como os saberes
apareciam e se transformavam. Agora o importante
é o porquê dos saberes;
Explicar o aparecimento dos saberes a partir de
condições de possibilidade externas aos próprios
saberes.
A genealogia do poder
1975 – Vigiar e Punir;
1976 – A vontade de Saber (primeiro volume
da história da sexualidade);
Introdução nas analises históricas da questão
do poder;
Poder como um instrumento de análise capaz
de explicar a produção dos saberes.
A genealogia do poder
“[...] Poder não é algo que se detém como
uma coisa, como uma propriedade, que se
possui ou não. Não existe de um lado os
que tem o poder e de outro aqueles que se
encontram dele alijados. Rigorosamente
falando, o poder não existe; existem sim
práticas ou relações de poder [...]."
(Foucault, 2005, p. XIV. Grifo nosso)
Introdução:
Por uma genealogia do poder
Toda teoria é provisória;
Nem a arqueologia, nem a genealogia têm por
objetivo fundar uma ciência;
Formulam realizar análises fragmentárias e
transformáveis;
As análises genealógicas produziram um importante
deslocamento com relação à ciência política.
Introdução:
Por uma genealogia do poder
Foucault viu delinear claramente uma não sinonimia
entre Estado (macro) e poder;
Existem formas de exercícios de poder diferentes
do Estado;
Poder atingindo a realidade mais concreta dos
indivíduos (seu corpo) e que situa ao nível do
próprio corpo social, penetrando na vida cotidiana
(micro-poder ou sub-poder).
Introdução:
Por uma genealogia do poder
Controle minucioso do corpo – gestos, atitudes,
comportamentos, hábitos, discursos;
O Estado é um instrumento específico de um sistema
de poderes que não se encontra unicamente nele
localizado;
Nem o controle, nem a destruição do aparelho de Estado,
como muitas vezes se pensa, é suficiente para fazer
desaparecer ou para transformar a rede de poderes que
impera em uma sociedade.
Introdução:
Por uma genealogia do poder
Do ponto de vista metodológico Foucault propõe
uma análise ascendente deste nível molecular de
exercício de poder, inversa, do periférico para o
Centro;
As relações de poder não se passam
fundamentalmente nem ao nível do direito, nem
da violência; nem são basicamente contratuais
(Hobbes, Locke, Rousseau), nem unicamente
representativas.
Introdução:
Por uma genealogia do poder
O aspecto negativo do poder (poder que oprime,
repressivo) não é tudo e talvez não seja o
fundamental. É preciso refletir sobre seu lado positivo;
O poder produz, possui eficácia produtiva;
Por isso tem como alvo o corpo humano, não para
suplicá-lo, mutilá-lo, mas para aprimorá-lo, adestrá-
lo.
Introdução: Por uma genealogia do poder
 O que interessa é
gerir a vida das
pessoas, controlá-
las, utilizá-los ao
máximo.
Aproveitando suas
potencialidades,
utilizando um
sistema de
aperfeiçoamento
gradual e contínuo
de suas
capacidades.
 O objetivo é ao mesmo tempo econômico
e político:
Aumento do efeito de seus trabalho;
Utilidade econômica máxima;
Diminuição de sua capacidade de revolta,
de resistência, de luta;
De Insurreição contra as ordens do poder;
Neutralização dos efeitos de contrapoder;
Tornar homens dóceis politicamente;
Aumentar a força econômica, diminuir a
força política.
Introdução:
Por uma genealogia do poder
Mas sua análise sobre a questão do poder é o
resultado de investigações delimitadas, circunscritas,
com objetvos bem demarcados, embora suas
afirmações tenham uma ambição englobante;
Prisão;
Hospital;
Escola;
Fábrica
Introdução:
Por uma genealogia do poder
Se as ciências humanas têm como condição
de possibilidade política a disciplina, o
momento atual da análise parece sugerir
que o “biopoder”, a “regulação”, os
“dispositivos de segurança” estão na origem
de ciências sociais como a estatística, a
demografia, a economia, a geografia etc.
Introdução:
Por uma genealogia do poder
A questão do Estado também adquire grande
importância para a genealogia. O que se deu através
do projeto de explicar a gênese do Estado a partir
das práticas de governo, da gestão governamental,
ou da “governamentalidade”;
Vamos aprofundar melhor...
Mas já sabem, desde então, que não há saber
neutro. Todo saber é político.
Cap. I –
Verdade e
Poder
(João Gabriel
Melo)
Saber e Poder
Caso Lyssenko
 Trofim Denisovič Lysenko (Karlivka, Ucrânia, 29 de
setembro de 1898 — Kiev, 20 de novembro de 1976);
 Foi diretor da área de biologia da antiga União Soviética
durante o governo de Josef Stalin;
 O escândalo do caso Lysenko foi tão brutal que
ensombreceu discussões mais produtivas sobre as
relações entre as forças sociais, políticas e econômicas e
o papel dos especialistas. As lições mais profundas que o
caso Lysenko nos legaram nada têm a ver com a
genética incoerente que pregava, mas sim com a
necessidade de promover uma ciência que promovesse e
tivesse um teor marxizante.
Marxismo e
a Ideologia
de Foucault
Relação:
Ideologia e
Repressão
COMO UTILIZAR OS TRABALHOS DE FOUCAULT
NA LUTA COTIDIANA?
Qual o
papel
do
intelectual?
Verdade x Poder
Cap. II – Nietzsche, a
genealogia e a história
(João Gabriel Melo)
Quem foi Nietzche?
Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de outubro de 1844 —
Weimar, 25 de agosto de 1900) foi um filólogo, filósofo, crítico
cultural, poeta e compositor alemão do século XIX. Ele escreveu
vários textos críticos sobre a religião, a moral, a cultura
contemporânea, filosofia e ciência, exibindo uma predileção por
metáfora, ironia e aforismo.
Frases Marcantes:
"A fé é querer ignorar tudo aquilo que é verdade.“
"As convicções são cárceres.“
Nessa obra a Genealogia constitui-se de três tratados:
Bom e mau: expõe uma psicologia do cristianismo, onde é
realizada uma análise do surgimento do espírito de
ressentimento contra dos valores naturais e nobres. Tal análise é
um primeiro passo para a transvaloração de todos os valores;
Culpa, má consciência e afins: nele encontra-se uma
psicologia da consciência. O ateísmo consiste em não possuir
dívidas com os deuses: uma segunda inocência. A crueldade
Genealogia da Moral
HISTÓRIA EFETIVA E HISTÓRIA
TRADICIONAL
Três Modalidades Platônicas da
História
Uso Crítico da História
Cap. III – Sobre a justiça popular
(Lucianno Azevedo)
Tribunal x Justiça Popular
 Inimigos externos e internos ;
 Execuções de setembro – Justiça Popular – luta
revolucionária sangrenta;
 Estabelecimento dos Tribunais pela Comuna de Paris;
 Terceira instância;
 O tribunal como sendo a primeira deformação da justiça
popular.
Revolução Burguesa x Revolução
proletária
Primeira etapa: Revolucionarização ideológica das
massas;
Etapa posterior: Formação do exército vermelho;
 Jurisdições x Atos de vingança;
 Tribunal popular como manifestação da justiça
popular e não a sua deformação.
Tribunal Popular – Revolução Francesa
Terceira instância e sua determinação social;
Tribunal mediador e seu funcionamento;
Elo entre o novo e antigo regime.
Abordagem histórica do aparelho de
Estado Judiciário
Idade Média : Substituição de um tribunal
arbitrário por um conjunto de instituições
estáveis, específicas, que intervinha de
maneira autoritária e dependente do poder
político;
Transformação apoiada por dois mecanismos:
Fiscalização da justiça;
O elo crescente entre a justiça e a força das armas.
Disposição espacial do tribunal
e a
disposição das pessoas no tribunal
Caracterização da integração e do
funcionamento da justiça popular;
Suas decisões e comportamentos;
Organização ocidental dos tribunais.
As três características do tribunal
Elemento “terceiro”;
A referência a um ideia, a uma forma, a uma
regra universal de justiça;
Uma decisão com poder executório.
Aparelho de justiça como sendo um
aparelho de Estado
 O aparelho da justiça;
Repressão como tarefa militar – sistema complexo
justiça - polícia - prisão;
 Luta anti-sediciosa e o fator de proletarização
Sistema penal voltado para elementos mais móveis,
mais agitados, os violentos da plebe.
Contradição principal no seio das massas
Contradição entre a plebe não proletarizada e
os proletários;
Três meios de separação de plebes: o exército/
a colonização/a prisão;
Adaptação e aprimoramento desses meios
pela história.
Elementos bases para as
revoluções do século XIX
A primeira forma de revolta do proletariado
moderno: a criminalidade;
Segunda forma: destruição das máquinas;
Terceira forma: a associação, o sindicalismo;
Quando existe esta divisão entre a plebe não há
sedição, e quando se dá o restabelecimento da
fusão há sedição.
Justiça penal
Efeitos ideológicos específicos sobre cada uma das
classes dominadas
Fusão dos métodos de luta e de guerra.
Justiça – a forma como é manifestada
pelos tribunais
Renovação das formas de justiça popular.
Renovação das formas de justiça popular
 Tribunal como instância de normalização x Instância de
elucidação política;
 Fazer justiça pela anti-unidade popular;
 Ato de justiça popular, formas de atingir o máximo de sua
significação;
 Revolta – subversão – revolução;
 O perigo do Estado judiciário assumir o encargo dos atos de
justiça popular.
O Contra-poder
Tribunal de Lens;
Contra-justiça;
Operação de contra-processo.
Cap. IV –
Os
intelectuais
e o poder
(Lucianno Azevedo)
Relação teoria-prática
Relação de aplicação;
Aplicação x Sistema de revezamento em conjunto.
Politização de um intelectual
Posição de intelectual na sociedade burguesa;
Próprio discurso, enquanto revelador de uma
determinada verdade;
Intelectual teórico.
Relação entre sistema de
poder e o discurso do saber
Teoria é prática!
O sistema penal x Demonstração essencial
de poder
Demonstração de poder em diferentes instituições.
Poder e a sua visão global ou total
Reforço dos estruturas de reclusão;
Pressão e repressão .
Reforça x Ação revolucionária
Discurso contra o poder;
Manifestações do poder.
Cap V - O
nascimento da
medicina
Social
(Manuelle Quintela)
Proporcionou a passagem para uma medicina coletiva;
Socializou um primeiro objeto: o corpo enquanto força
de produção, força de trabalho:
“O controle da sociedade sobre os indivíduos não se
opera simplesmente pela consciência ou pela ideologia,
mas começa no corpo, com o corpo. Foi no biológico,
no somático, no corporal que, antes de tudo, investiu a
sociedade capitalista [...].” (Foucault, 2005, p. 80).
O capitalismo em fins do séc. XVIII e início do séc. XIX
Três etapas na formação da medicina
social
Medicina de Estado;
Medicina urbana;
Medicina da força de trabalho.
Medicina de Estado
Desenvolveu-se
na Alemanha
no início do
século XVIII.

Objeto:

Garantir o corpo dos
indivíduos enquanto
uma força do Estado,
em seus conflitos
econômicos e políticos
com seus vizinhos;

Caracterizada pela criação de uma polícia médica:

A organização de um saber médico estatal ;

A normalização da prática e do saber médicos;

Subordinação dos médicos a uma administração central;

Integração de vários médicos em uma organização médica estatal
– Criação de funcionários médicos nomeados pelo governo.
Resentantes do soberano dentro de suas fronteiras políticas.
Medicina de Estado
O que se encontrava antes da grande medicina
clínica do século XIX:
 Medicina funcionarizada, coletivizada, estatizada
ao máximo;
Os outros modelos de medicina social que se
seguiram, dos séculos XVIII e XIX, são
atenuações desse modelo estatal.
Podemos encontrar Medicina de Estado hoje?
É a medicina das coisas,
das condições de vida, do
meio de existência e não
das pessoas;
Objeto: Promoção da saúde
a partir da intervenção no
meio, esse considerado como
lugar produtor de patologias.
Medicina urbana
Desenvolveu-se
na França em
fins do século
XVIII.
Emergiu a noção de salubridade: o estado das coisas, dos
meios e seus elementos constitutivos, que permitem a
melhor saúde possível;
Nascimento da higiene pública: técnica de controle e de
modificação dos elementos materiais do meio;
A cidade passa a ser medicalizada a partir de elementos
físicos ambientais;
Medicalização: permitiu a constituição da medicina
científica ao socializá-la; colocando-a em contato com outras
ciências extra-médicas, como a química e física.
Medicina urbana
Perde para a medicina alemã no quesito “poder forte”, mas
ganha no quesito “cientificidade”!
Lei 8080/90 (conceito ampliado de saúde):
 “ Art. 3º. Os níveis de saúde expressam a
organização social e econômica do País, tendo
a saúde como determinantes e
condicionantes, entre outros, a alimentação, a
moradia, o saneamento básico, o meio
ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a
atividade física, o transporte, o lazer e o acesso
aos bens e serviços essenciais” (grifo nosso).
Podemos encontrar Medicina Urbana hoje?
Medicina da Força
de Trabalho
Acelerado desenvolvimento
industrial;
Surgimento de uma classe
pobre, plebéia e proletária;
O pobre passou a representar
um perigo : População surgiu
como força política capaz de
se revoltar ou pelo menos,
participar de revoltas.
Medicina da Força de Trabalho – O contexto inglês
Surgiu na Inglaterra no
segundo terço do século XIX.
Objeto: Controle da saúde e do corpo das classes mais
pobres, de forma obrigatória, para torná-las mais aptas ao
trabalho, e menos perigosas às classes mais ricas.
Visava o controle da pobreza e dos trabalhadores!
Medicina da Força
de Trabalho
Foi a que mais vingou por possibilitar:
 A ligação de 3 pontos:
Assistência médica ao pobre;
Controle de saúde da força de trabalho;
Esquadrinhamento geral da saúde pública.
Medicina da Força de Trabalho
Medicina da Força
de Trabalho
 A política nacional de saúde do
trabalhador e da trabalhadora (Portaria
1823/2012):
 Art. 9º São estratégias da Política Nacional
de Saúde do Trabalhador e da
Trabalhadora:
I – integração da Vigilância em Saúde do
Trabalhador [...];
IV – fortalecimento e ampliação da
articulação intersetorial, o que
pressupõe:
b) fiscalização conjunta onde houver
trabalho em condições insalubres,
perigosas e degradantes [...].
 CEREST :
 Art. 14. Cabe aos
CEREST, no âmbito da
RENAST:
I – [...] promoção,
vigilância e assistência à
saúde dos trabalhadores,
no âmbito da sua área de
abrangência.
Medicina da Força de Trabalho: Controle da força de trabalho
IBGE:
Oferece uma visão completa e
atual do País, através do
desempenho de suas
principais funções, dentre elas:
 Produção e análise, bem
como coordenação e
consolidação de informações
estatísticas:
Estatísticas na área da
saúde.
Medicina da Força
de Trabalho
Sistema de vigilância
em saúde:
Formação de banco de
dados na área da saúde;
Instituição de notificações
obrigatórias – patologias:
AIDS;
Rubéola;
Hanseníase;
Dengue;
Zika...
Medicina da Força de Trabalho – Esquadrinhamento geral da saúde
pública
Bolsa-família:
 Programa de transferência direta de renda, direcionado às famílias
em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o País, de
modo que consigam superar a situação de vulnerabilidade e pobreza.
 O programa busca garantir aos pobres o direito à alimentação e o
acesso à educação​e à saúde;
Mecanismo de controle da pobreza - Lei 10836/2004;
“Art. 3o
A concessão dos benefícios dependerá do
cumprimento, no que couber, de condicionalidades relativas
ao exame pré-natal, ao acompanhamento nutricional, ao
acompanhamento de saúde, à frequência escolar de 85%
(oitenta e cinco por cento) em estabelecimento de ensino regular,
sem prejuízo de outras previstas em regulamento (grifo nosso).”
Medicina da Força de Trabalho – Assistência médica ao pobre
Controle da saúde do pobre, a partir de sanções quando do
descumprimento das condicionalidades!
Cap. VI – O
nasciment
o do
hospital
(Manuelle Quintela)
 Assistência aos pobres,
de separação e
exclusão;
 O personagem ideal: o
pobre que estava
morrendo;
 Função do hospital:
 Transição entre a vida e a morte;
 Separação dos indivíduos
perigosos para a saúde geral da
população - Depósito de loucos,
devassos, prostitutas e leprosos.
Antes do século XVIII
Médico:
 Não tinha prática hospitalar;
 Prática individualista;
 Prática médica: intuitiva, não racional,
não sistematizada, não científica e
arbitrária;
 A intervenção na crise;
 Cura: Jogo entre a natureza, a doença e
o médico.
Medicina e hospital permaneceram independentes até meados
do século XVIII!
Primeira medida iluminista;
Eliminar os efeitos negativos , as desordens do local:
Doenças;
Desordens econômico-social: prejudicava a qualidade;
Hospital deveria ser purificado e ordenado;
Século XVIII - Medicalização
A reorganização do Hospital não foi por meio da técnica médica, mas da
técnica genuinamente política: a disciplina e a vigilância constante sobre os
indivíduos!
Vigiar os homens no hospital militar para que
não desertassem;
 Curá los
− , evitando que morressem de doença;
Evitar que quando curados eles fingissem ainda
estar doentes e permanecessem de cama;
Disciplina enquanto tecnologia
A introdução dos mecanismos disciplinares, por meio da
Política, vai medicalizar o Hospital, declarando sua
normalidade.
Atrelado a busca pela razão motivada pelos
ideais iluministas;
Em 1780: Hospital como local da promoção
da cura, não mais da caridade, da salvação
espiritual e do descaso.
Modificação do saber médico
Tem-se, então, um duplo nascimento do hospital pelas
técnicas de poder disciplinar e médica de intervenção sobre o
meio.
“É a introdução de mecanismos
disciplinares no espaço confuso do
hospital que vai possibilitar sua
medicalização. [...]. A formação de uma
medicina hospitalar deve-se, por um lado,
à disciplinarização do espaço hospitalar,
e por outro lado, à transformação, nesta
época, do saber e da prática médicas”.
(FOUCAULT, 2005, p.107. grifo nosso).
 Localização no interior da medicina do espaço urbano;
 Critérios para a distribuição interna: Arquitetura como
instrumento de cura;
 Sistema de registro permanente Campo
documental de todo o interior do hospital, acumulando e
sedimentando a autoridade do Hospital;
 Médico Responsável pela organização hospitalar:
 Soberano no Hospital,
 Grande médico de hospital;
Características do hospital no século XVIII
Tomada de poder pelo médico!
Médico e a hierarquia hospitalar
• ..
A soberania do hospital passa a ser responsabilidade de quem sabe mais,
do médico, aquele que detém o poder e o saber!
Entre 1780/1790:
Formação normativa do médico
deve ter passagem hospitalar;
Hospital passou a ser um lugar
de cura e formação de médicos.
Clínica:
Dimensão essencial do hospital;
Organização hospitalar como
lugar de formação e
transmissão de saber.
O indivíduo e a
sociedade: objetos de
saber e alvo de
intervenção da
medicina, graças à
tecnologia hospitalar.
Hospital no século XVIII
A medicina que se formou no século XVIII é tanto uma medicina do
indivíduo quanto da população!
O hospital
atual
O hospital atual
Aprimoramento da medicina anterior ao século XVIII,
juntamente com a medicina do século XVIII;
 Santas Casas de Misericórdia:
Anteriormente voltadas para a
caridade, hoje para a filantropia;
Com auxílio estatal ou não;
Com administração religiosa ou não;
Voltada para os pobres;
Locais de formação do saber;
Ex: Santa Casa de Misericórdia da Bahia;
O hospital atual - Particular
O médico ainda exerce o poder
dentro do Hospital em virtude de seu
saber;
O Hospital é ainda hoje um lugar de
formação do saber médico:
Tanto na graduação quanto na residência;
Os hospitais particulares são hoje o
reflexo de uma medicina voltada para
uma classe “rica”;
 Lugar de formação do saber médico;
 Médico exerce seu poder de forma precária, em
virtude das péssimas condições ofertadas;
 SUS idealizado para abranger a toda a população:
 A realidade hospitalar pública hoje é precária....
 Torna-se seletiva, excludente;
 Voltada para a pobreza, desprovida de outra opção!
 Ex: Hospital da Restauração de Pernambuco.
O hospital público atual
Cap. VII –
A casa dos
loucos
(Manuelle Quintela)
Contexto histórico - Foucault
Em 1948:
Assume sua homossexualidade e é discriminado pela reacionária
sociedade francesa;
Tentativa de homicídio;
Internado como louco pelo próprio pai no Hospital Sainte-Anne:
Experiência norteou a escrita de dois de seus principais livros:
Doença Mental e Psicologia (1954) e História da Loucura na Idade
Clássica (1961).
Antes do século XVIII
Loucura não era sistematicamente internada:
Forma de erro ou de ilusão;
Início da “Idade Clássica”
Loucura:
 Vista como pertencendo às
quimeras do mundo;
 Podia viver no meio dela e só
seria separada no caso de
tomar formas extremas ou
perigosas;
 O hospital não assumia um
lugar privilegiado.
Os lugares terapêuticos:
 A natureza;
 O teatro.
As prescrições:
A viagem, o repouso, o
passeio, o retiro, o corte com o
mundo vão e artificial da
cidade.
Início do século XIX
Loucura:
Desordem na maneira de
agir, de querer, de sentir
paixões, de tomar
decisões e de ser livre;
Surge como doença;
O sujeito que dela sofria:
Desqualificado como
louco.
O louco:
O doente que se difere dos outros
perigosos do internamento;
Não é mais confundido com os
bandidos, assassinos...
É fraco de saúde, desprovido de
sanidade mental – Doente mental;
Despojado de todo poder e
todo saber quanto à sua doença;
Início do século XIX
Psiquiatria "clássica”:
 Jogo de uma relação de poder que origina um
conhecimento responsável por fundar os direitos deste
poder,
 Loucura enquanto doença - objeto de estudo da
psiquiatria:
 Tudo se desdobra na limpidez do conhecimento, entre o
sujeito conhecedor (médico) e o objeto conhecido ( a
loucura).
O Louco deve possuir um lugar especial, um novo
internamento. Tratando-se de uma doença, um
hospital – a casa dos loucos.
Função do hospital psiquiátrico do séc. XIX
Lugar de diagnóstico e de classificação;
Espaço fechado para um confronto, lugar de disputa,
campo institucional onde se trata de VITÓRIA e
SUBMISSÃO.
O grande médico do asilo
 Pode dizer a verdade da doença pelo saber que dela tem e
submetê-la pelo poder que sua vontade exerce sobre o
próprio doente; numa relação de senhor para com seu vassalo.
“Ora, esta exaltação se produz numa época em que
o poder médico encontra suas garantias e
justificações nos privilégios do conhecimento. O
médico é competente, o médico conhece as doenças
e os doentes, detém um saber científico que é do
mesmo tipo que o do químico ou do biólogo; eis o
que permite a sua intervenção e a sua decisão”.
(Foucault, 2005, p. 122. Grifo nosso).
“Como se poder ver tudo é questão
de poder: dominar o poder do
louco, neutralizar os poderes que
de fora possam se exercer sobre
eles, estabelecer um poder
terapêutico e de adestramento [...]”
(FOUCAULT, 2005. p. 126. grifo
nosso).
As relações que se desenrolam são
relações de poder:
Da não loucura sobre a loucura;
De uma competência exercendo se sobre uma
−
ignorância;
De um bom senso no acesso à realidade
corrigindo erros;
Da normalidade se impondo à desordem e ao
desvio.
 As descobertas de Pasteur colocando o médico como
propagador das doenças que deveria curar e o hospital
como lugar de transmissão de doenças provocou grandes
abalos na psiquiatria desde o final do século XIX.
 Basaglia:
“A característica destas instituições (escola, usina, hospital) é
uma separação decidida entre aqueles que têm o poder e
aqueles que não o têm” (grifo nosso);
 Todas as grandes reformas, não só da prática psiquiátrica
mas do pensamento psiquiátrico, se situaram em torno
desta relação de poder.
Mudanças de rumo
Antipsiquiatria
Conjunto da psiquiatria moderna foi atravessado
pela anti psiquiatria
− :
O papel do psiquiatra é colocado em questão;
No cerne:
Uma luta com, dentro e contra a instituição, que
estabelecia o internamento para justificar sua
estratégia de dominação;
É precisamente a instituição como lugar,
forma de distribuição e mecanismo destas
relações de poder, que a antipsiquiatria ataca!
 Impulsionada por Michel Foucault e,
principalmente, por Franco Basaglia, psiquiatra
italiano, precursor da reforma psiquiátrica:
Inicia-se uma radical crítica e transformação do
saber, do tratamento e das instituições
psiquiátricas. Esse movimento iniciado na Itália,
repercutiu em todo o mundo e muito
particularmente no Brasil;
Inicia-se o movimento da Luta Antimanicomial
profundamente marcado pela ideia de defesa dos
direitos humanos e de resgate da cidadania dos
que carregam transtornos mentais.
Segunda metade do século XX
Lema do movimento: "Por uma sociedade sem
manicômios", e o 18 de
maio foi definido como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data
comemorada desde então em
todo o país!
No Brasil
Somente em 2001 surgiu a lei nº 10.216:
Proteção e direitos das pessoas portadoras de
transtornos mentais e redirecionou o modelo
assistencial em saúde mental;
 Reconheceu a responsabilidade do Estado para com a
assistência aos portadores de transtornos mentais;
Dela originou-se a Política de Saúde Mental.
Política de Saúde Mental
Garantir o cuidado ao paciente com
transtorno mental em serviços substitutivos
aos hospitais psiquiátricos;
Superando assim a lógica das internações de
longa permanência.
E como está essa Política de Saúde Mental
hoje no Brasil?
Redução programada de leitos psiquiátricos de longa
permanência;
Internações psiquiátricas Hospitais gerais e de curta
duração;
Rede de dispositivos diferenciados capaz de permitir:
 A atenção ao portador de sofrimento mental;
 A desinstitucionalização de pacientes de longa permanência
em hospitais psiquiátricos e,
 Ações que permitam a reabilitação psicossocial por meio da
inserção pelo trabalho, da cultura e do lazer.
Rede de atenção diária à saúde experimenta uma
importante expansão, alcançando regiões de grande
tradição hospitalar!
Programa “De Volta para Casa”: desinstitucionalização;
Residências terapêuticas : para aqueles
impossibilitados de retornar às suas famílias;
RAPS (rede de atenção psicossocial) em 2011 :
Centros de Atenção Psicossocial (Caps);
Centros de Convivência e Cultura;
Unidades de Acolhimento (Uas);
Leitos de atenção integral em hospitais gerais...
Grandes avanços
.
Tem-se então atualmente uma política de Saúde Mental
que preconiza a redução progressiva dos leitos
psiquiátricos, a qualificação, a expansão e o
fortalecimento da rede extra-hospitalar!
Cap. VIII –
Sobre a prisão
(Íthyla Carvalho)
Processo histórico: Ritual do suplício-
“Dominação pelo terror”
 O ritual do suplício está
historicamente
compreendido onde estão
alojadas as monarquias
absolutistas e o poder era
centralizado e visível na
figura do rei;
 A característica
predominante do suplício
era o poder sobre o corpo,
sendo usado como
principal forma de punição
durante toda a idade média
até o final do século XVIII.
 A participação popular era
crucial para sua legitimidade;
 As pessoas não eram meros
espectadores, mas sim
componentes do ritual,
observando e exigindo a
execução do transgressor e
posteriormente fixando na
memória o acontecimento,
como forma de prolongamento
do suplício, até mesmo depois
da morte do supliciado.
Ritual do Suplício
Sobre a prisão
 Depois de séculos agindo através de práticas de sofrimento
físico e humilhação, as formas de exercício de poder foram
se aperfeiçoando de acordo com perspectivas econômicas,
e percebeu-se que era mais rentável vigiar que punir.
Esse poder então, passa a ser exercido através de uma
vigilância constante a fim de impedir que os delitos
fossem cometidos;
 O poder se torna sutil, mais arrojado e estratégico, ele
está diluído “microfisicamente” em todas as relações,
penetrando nas práticas cotidianas.
“Mas quando penso na mecânica do poder, penso
em sua forma capilar de existir, no ponto em que o
poder encontra o nível dos indivíduos, atinge seus
corpos, vem se inserir em seus gestos, suas
atitudes, seus discursos, sua aprendizagem, sua
vida quotidiana.” (FOUCAULT, 2005, p131) .
Panóptico como origem das prisões-
Fim do Século XVIII
 O pensamento de Foucault sobre o poder tem
como consideração fundamental a passagem da
punição a vigilância;
 A ideia que materializou e deu origem a essa
passagem de poder, nasceu com um projeto de
prisão no fim do século XVIII chamado de
Panóptico, criado por Jeremy Bentham, que
consistia num sistema de “Ver sem ser visto”;
 O panóptico vai funcionar como um
“laboratório de poder” que consegue descobrir
objetos fundamentais para o aumento de saber
sobre as técnicas de poder disciplinar.
Jeremy Bentham (Londres, 15 de fevereiro de 1748 -
Londres, 6 de junho de 1832) foi filósofo, jurista,
tradicionalmente considerado como o difusor do
utilitarismo, teoria ética normativa que se objetiva
a responder todas as questões acerca do fazer,
admirar e viver em termos da maximização da
utilidade e da felicidade e idealizador do
O Panóptico
“VER SEM SER
VISTO”
Sobre a prisão
Para entender a dinâmica do poder, Michael Foucault
estuda as prisões;
A prisão foi construída para que através do poder
disciplinar, fosse possível produzir indivíduos
dóceis, obedientes e úteis;
O poder disciplinar era utilizado para dominar os
indivíduos, para que estes se moldassem a vontade
daqueles que os detinham e sobretudo no contexto da
prisão, para que pudessem posteriormente, ter
utilidade ao voltar ao convívio da sociedade.
Mas o que era a disciplina?
“A disciplina é uma técnica de exercício de poder
que foi, não inteiramente inventada, mas elaborada
em seus princípios fundamentais durante o século
XVIII. Historicamente as disciplinas existiam há muito
tempo, na Idade Média e mesmo na Antiguidade. A
escravidão e as grandes empresas escravistas
existentes nas colônias espanholas, inglesas,
francesas, holandesas, etc., eram modelos de
mecanismos disciplinares (...) Os mecanismos
disciplinares são, portanto, antigos, mas existiam em
estado isolado, fragmentado, até os séculos XVII e
XVIII, quando o poder disciplinar foi aperfeiçoado
como uma nova técnica de gestão dos homens. “
(FOUCAULT, 2005, p. 105. grifo nosso).
“[...] A disciplina é, antes de tudo, a análise do espaço. É a individualização
pelo espaço, a inserção dos corpos em um espaço individualizado,
classificatório, combinatório”. (FOUCAULT, 2005, p. 105 e 106. grifo nosso)”;
“A disciplina é uma técnica de poder que implica uma vigilância perpétua e
constante dos indivíduos. Não basta olhá los às vezes ou ver se o que
−
fizeram é conforme à regra. E preciso vigiá los durante todo o tempo da
−
atividade e submetê los a uma perpétua pirâmide de olhares” (FOUCAULT,
−
2005, p. 106. grifo nosso);
“(...)É o poder de individualização que tem o exame como instrumento
fundamental. O exame é a vigilância permanente, classificatória, que permite
distribuir os indivíduos, julgá los, medi los, localizá los e, por conseguinte,
− − −
A realidade das prisões na ótica de Foucault
“Desde o começo a prisão devia ser um
instrumento tão aperfeiçoado quanto a escola,
a caserna ou o hospital, e agir com precisão
sobre os indivíduos. O fracasso foi imediato e
registrado quase ao mesmo tempo que o
próprio projeto. Desde 1820 se constata que a
prisão, longe de transformar os criminosos
em gente honesta, serve apenas para
fabricar novos criminosos ou para afundá-los
ainda mais na criminalidade.”(FOUCAULT,
2005, p. 131-132. grifo nosso).
Sobre a prisão
“A sociedade sem delinquência foi um sonho do século XVIII
que depois acabou. A delinquência era por demais útil
para que se pudesse sonhar com algo tão tolo e perigoso
como uma sociedade sem delinquência. Sem delinquência
não há polícia. O que torna a presença policial, o controle
policial tolerável pela população se não o medo do
delinquente? (...) Esta instituição tão recente e tão pesada
que é a policia não se justifica senão por isto. Aceitamos
entre nós esta gente de uniforme, armada enquanto nós
não temos o direito de o estar, que nos pede documentos,
que vem rondar nossas portas. Como isso seria aceitável se
não houvesse os delinquentes? Ou se não houvesse, todos
os dias, nos jornais, artigos onde se conta o quão
numerosos e perigosos são os delinquentes?” (FOUCAULT,
2005, p. 138. grifo nosso)
Sobre a prisão
“A prisão não pode deixar de fabricar delinqüentes. Fabrica-os
pelo tipo de existência que faz os detentos levarem: que fiquem
isolados nas celas, ou que lhes seja imposto um trabalho inútil,
para o qual não encontrarão utilidade, é de qualquer maneira
não “pensar no homem em sociedade; é criar uma existência
contra a natureza inútil e perigosa”; queremos que a prisão
eduque os detentos, mas um sistema de educação que se
dirige ao homem pode ter razoavelmente como objetivo agir
contra o desejo da natureza? A prisão fabrica também
delinqüentes impondo aos detentos limitações violentas;
ela se destina a aplicar as leis e a ensinar o respeito por elas;
ora, todo o seu funcionamento se desenrola no sentido do
abuso de poder.” (FOUCAULT, Vigiar e Punir, 1999, pgs. 293 e
294. grifo nosso).
Cap. IX – Poder-corpo
(Íthyla Carvalho)
Poder- Corpo
“(...) O domínio, a consciência de seu próprio corpo só puderam
ser adquiridos pelo efeito do investimento do corpo pelo poder, a
ginástica, os exercícios, o desenvolvimento muscular, a nudez,
a exaltação do belo corpo...tudo isso conduz ao desejo de seu
próprio corpo através de um trabalho insistente, obstinado,
meticuloso, que o poder exerceu sobre o corpo das crianças,
dos soldados, sobre o corpo sadio. Mas a partir do momento em
que o poder produziu esse efeito, com consequência direta de
suas conquistas, emerge inevitavelmente a reivindicação de seu
próprio corpo contra o poder, a saúde conta a economia, o
prazer contra as normas morais da sexualidade, do casamento,
do pudor. E, assim, o que tornava forte o poder, passa a ser
aquilo por que ele é atacado...o poder penetrou no corpo, e
encontra-se exposto no próprio corpo.”(FUCOULT, 2005, p.
146. grifo nosso).
Poder- Corpo
O corpo é o local onde se manifestam os efeitos do poder e
também é território para resisti-lo; o poder se materializa nos
corpos.
Poder- Corpo
 O cultivo da aparência e da saúde recai sobre a
sociedade com um todo, tanto mulheres como homens,
buscam por manipulações físicas, que vão desde a
academia e ingestão de medicamentos muitas vezes
adquiridos sem prescrição médica á cirurgias plásticas,
como a lipoaspiração, próteses de silicone, que
evidenciam a procura por uma aparência física
normalizada, ideal e desejável.
 E o que é mais interessante, transitória....as concepções
de beleza no mundo moderno, variam e se
transformam, o que gera um constante sentimento de
inadequação.
Poder- Corpo
Nicole Bahls (Ex-Panicat) Gabriela Pugliesi (Blogueira Fitness)
Poder- Corpo
 Entretanto de acordo com Foucault, a insistência do
poder sobre o corpo não age somente de forma
repressiva, o poder produz e efeitos de saber e
verdade:
“Se o poder só tivesse a função de reprimir, se agisse
apenas por meio da censura, da exclusão, do impedimento
(...), se apenas se exercesse de um modo negativo, ele
seria muito frágil. Se ele é forte, é porque produz efeitos
positivos, a nível do desejo - como se começa a conhecer
- e também a nível do saber. O poder longe de impedir o
saber, o produz. [...] É a partir de um poder sobre o corpo
que foi possível um saber fisiológico, orgânico”
(FOUCAULT, 2005, p. 148-149. grifo nosso)
Poder- Corpo
“O corpo se tornou aquilo que está em jogo numa luta
entre os filhos e os pais, entre as crianças e as
instâncias de controle. A revolta do corpo sexual é o
contra efeito desta ofensiva. Como é que o poder
responde? Através de uma exploração econômica (e
talvez até ideológica) da erotização, desde os
produtos para bronzear até os filmes
pornográficos...Como resposta à revolta do corpo,
encontramos um novo investimento que não tem
mais a forma de controle-repressão, mas controle
estimulação: “fique nu...mas seja magro, bonito,
bronzeado!” (FOUCAULT, 2005, p.147. grifo nosso).
A profusão de modos
narcisistas para a condução
de vida, torna o corpo palco
de experimentações, que
por sua vez são capazes de
afetar o psicológico e
desencadear anorexia,
obesidade, compulsões....
Poder- Corpo
 Como além dos parâmetros da normalidade o “gordo”, indica o anormal
e revela a difícil tarefa de manter um corpo saudável, sendo na maioria
das vezes estigmatizados pela sociedade, como pessoas incapazes de
manter-se sob um regime alimentar e físico disciplinado.
Poder- Corpo
 Como exemplo de transformação corporal do obeso, pode ser citado o Vigilantes do
peso, que é um empresa que faz parte da Weight Watchers, uma organização mundial
que surgiu nos Estados Unidos, incorporando as mais relevantes pesquisas sobre
obesidade, com o objetivo de desenvolver uma proposta de emagrecimento confiável e
sustentável que operacionaliza mudanças de hábitos e viabilizam estilos de vida
considerados saudáveis;
 Nos Vigilantes do peso é possível ver em jogo as evidências dos micropoderes, que
tem como papel, objetivar a condução para o emagrecimento, e o efeito do poder é
exercido na conformação da aderência ao dispositivo.
Para maiores informações:
http://vigilantesdopeso.com.br/sobre-empresa
Poder- Corpo
 Os cuidados com o corpo estão na ordem do dia a dia, basta observar as revistas, os
comerciais, os blogs de moda, para sentir o discurso de como se deve viver, se comportar, se
apresentar, que por sua vez apropriam-se do homem, impulsionado pelas tecnologias de
poder, que se materializam e se vinculam diretamente com o mundo que nos cerca.
Poder-Corpo
Dentro desta perspectiva do corpo, Michel Foucault nos
auxilia a pensar as práticas do nosso presente que
vinculam efeitos de poder, visíveis nos julgamentos,
nas classificações, bem como nas obrigações diárias
que traçam a maneira certa de vivermos!
Cap. X Sobre a Geografia
(Vinícius Bastos)
Desconstrução da ideia de “poder”
Espaço enquanto instrumento de poder e de
instrumento disciplinar
“[...]Desde o momento em que se pode analisar
o saber em termos de região, de domínio, de
implantação, de deslocamento, de
transferência, pode-se apreender o processo
pelo qual o saber funciona como um poder [...]”
(FOUCAULT, 2005, p.154).
Geografia é sintoma!
MÉTAFORAS ESPACIAIS
Território:
noção jurídico-
política
Campo: noção econômico jurídica
−
Solo: noção histórico geológica
−
Táticas e estratégias de poder
Cap. XI – Genealogia e poder
(Vinícius Bastos)
A Genealogia e o
surgimento dos
saberes
Funcionamento em
rede das relações de poder
Dominação atribuída a disposições,
manobras, táticas, técnicas... ESTRATÉGIA!
SISTEMAS DE ANÁLISE DE
PODER
PODER-CONTRATO (CONTRATO-OPRESSÃO)
GUERRA-REPRESSÃO
Relações de poder nos processos subjacentes
hierárquicos da sociedade
Cap. XII – Soberania e disciplina
(Vinícius Bastos)
“Um direito de soberania e um mecanismo de
disciplina: é dentro destes limites que se dá o
exercício do poder” (FOUCAULT, 2005).
Cap. XIII - A
política de
saúde do
século XVIII
(Carlos Nascimento)
Medicina Privada, individual, regida pela lei de mercado;
Aparelhos do Estado como pólo de iniciativa,
organização e controle da Noso-política;
Grupos religiosos e associações de socorro e
beneficiência;
Traço marcante da noso-política.
Cirurgia Realizada no Século XVIII
Primeiro fenômeno a se destacar durante o século
XVIII: o deslocamento progressivo dos
procedimentos mistos e polivalentes de assistência;
A prática das fundações;
O poder exercia tradicionalmente, desde o início da
Idade Média, duas grandes funções: a da guerra e a
da paz.
O privilégio da infância e da medicalização
da família;
O privilégio da higiene e o funcionamento
da medicina como instância de controle
social.
O Hospital
Três questionamentos básicos a cerca do
hospital no século XVIII:
A emergência da população;
A organização da família;
O emaranhado médico-administrativo em torno
dos controles de higiene coletiva.
Desaparecimento x Reforma dos Hospitais
Utopia do desaparecimento dos hospitais;
Três métodos: Atendimento em domicílio, corpo
médico espalhado pela sociedade e
dispensários;
Reforma dos Hospitais: Ajustá-lo ao espaço
urbano onde se situa.
Cap. XIV - O olho do poder
(Carlos Nascimento)
Panopticon
O Panopitcon de Jeremy Benthan foi editado no final do
século XVIII;
Grandes projetos de reorganização das prisões levavam
em conta o Panopticon;
Características:
Construção periférica em forma de anel, com uma torre central,
com grandes janelas direcionadas para a parte interior do anel.
EXEMPLO DE
PANOPTICON
Características
O panóptico é um instrumento de afirmação
do poder do olhar, da vigilância;
Ele é idealizado também nesta época para
exercer este poder sobre: doentes, loucos,
trabalhadores, estudantes, além dos presos;
A incerteza sobre o momento da observação
reprime a conduta indevida.
Como exemplo de panópticos na atualidade temos o Big
Brother, o Facebook, os Motores de busca, o Google Earth.
Exemplo de panóptico do mundo atual
Cap. XV –
Não ao
sexo rei
(Gabriela
Queiroz)
“Não ao sexo rei”
O poder associado a figura do rei;
O poder é masculino e distante;
De um lado o poder negativo pertencente a um rei que
interdita, que subjuga,e do outro o sujeitado, o
dominado;
Foucault implode esta noção de poder soberano em que
quase nada há para se fazer a não ser submeter-se.
Busca de uma eugenia liberal, que separa
todos os que apresentam alguma ameaça à
pureza da sociedade, a qual não pode
prescindir de práticas de poder em prol da
vida;
Nos dizeres de Foucault uma das rotas de
fuga seria dizer não ao sexo rei.
“O sexo sem lei, o poder
sem rei.”
Cap. XVI – Sobre a história da
sexualidade
(Gabriela Queiroz)
Sobre a História da Sexualidade
Porque Foucault evidencia a história da
Sexualidade?
Em suma , trata-se de determinar, em seu
funcionamento e em suas razões de ser, o
regime do poder-saber-prazer que sustenta,
entre nós, o discurso sobre a sexualidade
humana.
O discurso do sexo por via da repressão
“Em suma, gostaria de desvincular a análise dos
privilégios que se atribuem normalmente à economia
de escassez e aos princípios de rarefação, para, ao
contrário buscar as instâncias de produção discursiva
(que evidentemente, também organizam silêncios), de
produção de poder (que, algumas vezes têm a função
de interditar), das produções de saber (as quais,
frequentemente, fazem circular erros ou
desconhecimentos sistemáticos); gostaria de fazer a
história dessas instâncias e de suas transformações.
“(FOUCAULT, 2001, p. 17).
Sexualidade: Uma construção discursiva
O que Foucault denuncia para seu leitor é que
todo esse arranjo em torno do sexo, para que
dele se fale cada vez mais, é fabricado e
alimentado por essa vontade de saber que além
de ultrajante é intencional e dominadora.
Século XIX é um momento histórico, em que o
discurso científico sobre o sexo ganha fôlego e
impulso;
Não existe um sexo verdadeiro a ser descoberto
ou libertado, mas sim, que o conceito
emergente de sexualidade, enquanto proposta
inovadora de se pensar as formas de prazer,
não escapa dos moldes de uma construção
discursiva resultante das relações de poder com
o saber. Constituindo assim um dispositivo.
O que seria o
“Dispositivo
da
Sexualidade”?
A história do homem ocidental ao longo dos
três últimos séculos é falar tudo sobre seu
sexo e a partir daí ser orientado e modificado
em seu comportamento, diante seu próprio
sexo. O falar gratuitamente e em meio
social sobre o sexo é que era vetado e
censurado pelas “instituições de poder e
saber”, e essas mesmas instituições queriam,
obrigavam, insinuavam que o indivíduo se
desnudasse diante de vossas senhorias.
Foucault nos aponta como exemplo três instâncias que
controlavam as práticas sexuais: o direito canônico, a
pastoral cristã e a lei civil;
 Somos conduzidos a acreditar que junto ao sexo está a
verdade sobre nós mesmos, porque o sexo revelaria a
nossa face mais íntima e, quanto mais íntimo for o
alcance da investigação sobre nosso corpo, mais
produtivo é o controle sobre ele;
A nossa civilização ocidental, foi a única a tratar da
sexualidade pelo viés da ciência, ou seja, a por em prática
uma “scientia sexualis” que ordena e controla o sexo
fundamentalmente pela relação entre poder e saber.
Um dos rituais mais importantes, que segundo
Foucault, contribuiu para a formação da ciência do
sexo foi a confissão;
Quem analisa nossos discursos detém a verdade e
possibilitará, através de um diagnóstico, a cura dos
nossos “males” sexuais;
Entretanto, para Foucault o sexo não revelaria nossa
face mais íntima, mas sim, uma das nossas faces, já
que Foucault não vê o sexo como um ponto fixo que
guarda a chave originária, sobre o que é o homem.
A sexualidade é resultado da estratégica inter-
relação saber, poder e prazer. Foi através dessas
instâncias que a “scientia sexualis” foi instaurada
como um dispositivo que não trata do sexo
tendo em vista o prazer pelo próprio prazer,
como supunha, por exemplo, a “ars erotica”. Mas
sim, o prazer envolto de técnicas disciplinares
e conduzido por discursos científicos
possibilitados por relações de poder
essencialmente estratégicas.
O poder-saber e a sexualidade
O poder também produz e incita, e por isso
não é unicamente repressor;
À medida em que o poder é exercido o saber
é regulamentado.
Cap. XVII – A
governamentabilidade
(Francisco Oliveira)
A GOVERNAMENTALIDADE
 É através da análise de dispositivos de segurança, que
Foucault faz o inventário da relação entre segurança,
população e governo;
 Uma análise genealógica dos tratados sobre a arte de governar
do século XVI ao século XVIII;
 A problemática gira em torno da ideia de governo;
 Foucault debruçou-se em torno dos conceitos e teorias sobre as
formas de governo, principalmente após “O Príncipe”, de
Maquiavel.
A GOVERNAMENTALIDADE
 Esses questionamentos tiveram
palco no século XVI devido a dois
fatores:
O movimento de concentração
estatal;
O movimento de dispersão e
desavença religiosa encabeçado
pelas Reforma e Contra-Reforma.
 Exigiu-se também mudanças no
processo – o ato de governar;
 O sentido da palavra governo
passa a ser questionada;
 Sugem outra literatura que
vai de encontro com o
pensamento de Maquiavel.
A GOVERNAMENTALIDADE
 Não somente com função negativa;
 É um gênero positivo que tem objeto, conceitos estratégias;
 Essa positividade que é analisada;
 “O Príncipe” é essencialmente um tratado de habilidade do
príncipe em conservar seu principado e é isto que a literatura
anti-Maquiavel quer substituir por uma arte governar;
 Ser hábil em conservar seu principado não é de modo algum
possuir a arte de governar.
A GOVERNAMENTALIDADE
O que La Pierrière entende por governar e governante?
Monarca, príncipe, imperador, rei, magistado, juiz e similares;
Governar pode ser uma casa, almas, crianças, uma província,
um convento, uma ordem religiosa, uma uma família;
Práticas múltiplas de governo;
Todos esses governos dentro do Estado ou sociedade
(multiplicidade e imanência).
A GOVERNAMENTALIDADE
La Mothe Le Vayer apresentar três tipos de
governo:
Governar de si mesmo – Moral;
Governar a família – Economia;
Governar o Estado – Política.
A GOVERNAMENTALIDADE
Continuidade;
Ascendente – Aqueles que querem governar o
Estado, devem saber governar a si, sua família, seus
bens seu patrimônio;
Descendente – Quando o Estado é bem governado,
os pais de família sabem como gonvernar suas
famílias, seus bens seu patrimônio e por sua vez os
indivíduos se comportam como devem.
A GOVERNAMENTALIDADE
Pedagogia das crianças – Assendente;
Polícia – Descendente;
O elemento central – governo da família (Economia);
Como introduzir a Economia ao nível de gestão de um
Estado?
Economia começa a adquirir seu sentido moderno.
A GOVERNAMENTALIDADE
Para La Perrière:
 Governar seria exercer o poder sobre as coisas e não
só sobre o território e seus habitantes;
 Estas “coisas” seriam, portanto, a relação dos homens
com suas riquezas, recursos, territórios, costumes,
hábitos, climas, etc;
 Por isso, “governar é governar as coisas”.
A GOVERNAMENTALIDADE
Lei e soberania que estavam
indissoluvelmente ligadas, agora governar não
se trata de impor uma lei aos homens, mas de
dispor das coisas, utilizar mais táticas que leis,
ou utilizar ao máximo as leis como táticas;
Lei não é intrumento principal para atingir
os fins do governo;
A GOVERNAMENTALIDADE
Um bom gonvernante deve ter paciência, soberania e
diligências:
 Paciência – Zangão;
 Sabedoria – Conhecimento das coisas, dos objetivos e da
disposição para atingi-los;
 Diligente – a serviço dos gonvernados;
Doutrina mercantilista e cameralista.
A GOVERNAMENTALIDADE
Porque esta arte de governar ficou cristalizada?
A razão do Estado no sentido positivo e pleno (Séc
XVI a XVIII);
Um mercantilismo com estrutura institucional e
mental de soberania;
Momento de formulação e reatualização da
teoria do contrato.
A GOVERNAMENTALIDADE
Estado e o soberano de um lado;
Pai de família e sua casa do outro;
A arte de governo não podia encontrar dimensão
própria;
Como se deu o desbloqueio da arte de governar?
A GOVERNAMENTALIDADE
Fatores de expansão (demográfica, monetária,
agrícola);
Emergência do problema da população;
Centralização da economia em outra coisas que
não a família;
A família estaria agora no interior da população
e seria seu instrumento fundamental.
A GOVERNAMENTALIDADE
A família passa de modelo econômico da arte
de governar a segmento privilegiado da
população;
O que permite, portanto, o desbloqueio da arte
de governar é a população ter eliminado o
modelo de família de constituição do governo
população como o novo objetivo final do
governo.
A GOVERNAMENTALIDADE
Qual pode ser o objetivo do governo?
 Melhorar a sorte da população, aumentar a
riqueza, sua duração de vida, sua saúde...
Instrumentos: Campanhas, táticas e técnicas
indiretas que permitem aumentar a taxa de
natalidade, direcionar para uma região ou
atividade o fluxos da população...
A GOVERNAMENTALIDADE
A passagem de uma arte de governo para
uma ciência política;
Passagem de um regime dominado pela
estrutura da soberania para um regime
dominado por técnicas de governo, ocorre no
séc. XVII, em torno da população e, por
conseguinte, em torno do nascimento da
economia política.
O Estado deve ser entendido, atualmente, a
partir do seu modelo de governamentalidade
e não de estatização.
Governamentalidade são práticas de governo
com ações distribuídas por todo o tecido
social.
A GOVERNAMENTALIDADE
Conjunto constituído pelas instituições,
procedimentos, análises e reflexões,
cálculos e táticas que permitem
exercer poder numa população,
através da economia política, utilizando
como instrumentos técnicos
essenciais os dispositivos de
segurança.
A GOVERNAMENTALIDADE
Idade média – Estado de justiça;
Séculos XV e XVI – Estado administrativo e pouco
governamentalizado;
Desde o século XVIII – era da governamentalidade;
O que deve ou não competir ao Estado?
O que é público ou privado?
A GOVERNAMENTALIDADE
Considerações
Finais
Considerações finais
Quem somos nós hoje?
Como os saberes produzem o que somos?
Como as relações de poder produzem isso
que somos?
Foucault:
 Questionador, problematizador, com visão
interdisciplinar, é ainda um universo a ser
descoberto.
E porque estudar Foucault no curso
de Direito?
Considerações finais
 O fenômeno jurídico é construído por emanações do poder
e de discursos da verdade;
 O órgão Judiciário é um produtor de verdades jurídicas, que
necessita de controle para não cometer arbitrariedades
capazes de violar ferozmente os direitos fundamentais dos
indivíduos;
 Todo o saber gera poder, e com o saber jurídico não é
diferente;
 O processo é um diálogo e cabe ao juiz, dentro desse
universo dialógico exarar decisão que deve ser vista como
verdade jurídica. O Judiciário, portanto, é um produtor de
verdade.
Considerações finais
Por vezes no século fomos surpreendidos
por emanações do poder dentro da
legalidade que iam radicalmente de
encontro a qualquer direito humano e
fundamental que possa ser reivindicado;
Citar a Alemanha nazista e o Brasil
durante a ditadura militar são exemplos
mais que suficientes.
Considerações finais
O jurista, ao entender o direito a partir de Foucault,
não se limita mais ao mundo institucional oferecido
peças normas estatais. O direito é mais e menos
que isso, mas nunca só isso;
O direito, como vimos, é um saber-poder, que
garante aqueles que têm o conhecimento jurídico
exercer o poder sobre a construção da verdade
jurídica, por meio da sua interpretação do direito.
REFERÊNCIAS
 BRASIL. Lei nº. 10.216, de 6 de abril de 2001. Política Nacional da Saúde Mental. Dispõe
sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o
modelo assistencial em saúde mental. Brasília, 2001. Disponível em:
http://cgj.tjrj.jus.br/documents/1017893/1038413/politica-nac-saude-mental.pdf. Acesso em:
28/04/2016.
 BRASIL. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011(*) . Institui a Rede de Atenção
Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades
decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde
(SUS). Brasília, 2011. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html. Acesso em:
28/04/2016.
 BRASIL. PORTARIA N.° 3.214, 08 DE JUNHO DE 1978. Aprova as Normas
Regulamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho,
relativas a Segurança e Medicina do Trabalho .Brasília, 1978. Disponível em:
http://www.camara.gov.br/sileg/integras/839945.pdf . Acesso em: 28/04/2016.
 BRASIL. Lei nº 10,708, de 31 de julho de 2003.Institui o auxílio-reabilitação psicossocial
para pacientes acometidos de transtornos mentais egressos de internações. Brasília, 2003.
http://www.mtps.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR15/NR15-ANEXO15.pdf . Acesso
em:28/04/2016.
REFERÊNCIAS
 BRASIL. Portaria /GM nº 106 - De 11 de fevereiro de 2000 . Institui os Serviços Residenciais
Terapêuticos. Brasília, 2000. Disponível em:
http://www.saude.sc.gov.br/geral/planos/programas_e_projetos/saude_mental/portaria_106.htm
. Acesso em: 28/04/2016.
 BRASIL. MINSTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. DAPES. Coordenação
Geral de Saúde Mental. Reforma Psiquiátrica e Política de Saúde Mental no Brasil.
Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma os Serviços de Saúde Mental: 15
anos depois de Caracas. OPAS. Brasília, novembro de 2005. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/Relatorio15_anos_Caracas.pdf . Acesso em:
28/04/2016.
• BRASIL. MINSTÉRIO DA SAÚDE. PORTARIA Nº 1.823, DE 23 DE AGOSTO DE 2012.
Institui a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. Brasília: 2012.
Disponível em:
http://www.cerestmacrosul.com.br/legislacao/arquivos/portaria-1823-23-agosto-2012.pdf
Acesso em: 28/04/2016.
 BRASIL. MINSTÉRIO DA SAÚDE. Memória da Loucura. Disponível em:
http://www.ccs.saude.gov.br/memoria%20da%20loucura/mostra/apresenta.html. Acesso em:
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REFERÊNCIAS
 BRASIL. Lei nº. 10836, de 9 de janeiro de 2004. Cria o Programa Bolsa Família e dá outras
providências. Brasília, 2004. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.836.htm . Acesso em:
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 BRASIL. Lei nº. 8080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção,
proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes
e dá outras providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8080.htm .
Acesso em: 28/04/2016.
 FOUCAULT. M. A história da loucura na idade clássica. São Paulo: Perpectiva, 1972. Disponível
em: http://minhateca.com.br/Raquel.Gomes/Documentos/Hist*c3*b3ria/Michel+Foucault+-+A+
hist*c3*b3ria+da+loucura+na+Idade+Cl*c3*a1ssica,4277743.pdf . Acesso em: 28/04/2016.
 FOUCAULT. M. A Microfísica do Poder. 21ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 2005.
 FOUCAULT. M. História da sexualidade I: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1998.
 FOUCAULT. M. Vigiar e Punir. 20ª ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1999. Disponível em:
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df
. Acesso em: 19/04/2016.
 FERREIRINHA. I.R.M., RAITZ. T.R. As relações de poder em Michel Foucault: reflexões
teóricas. In: Revista de administração pública da FGV. Rio de Janeiro: mar/abr 2010.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid
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 SOUZA. L.A.F., SABATINE.T.T., MAGALHÃES. B.R. Michel Foucault: Sexualidade, corpo e direito.
São Paulo: Cultura acadêmica, 2011. Disponível em:
https://www.marilia.unesp.br/Home/Publicacoes/foucault_book.pdf . Acesso em 19/04/2016
.
 <https://www.youtube.com/watch?v=TLA2JC8TnCA&feature=youtu.be> Acesso em 19/04/16;
 <https://www.youtube.com/watch?v=QXPSWWha4fw> Acesso em 19/04/16;
REFERÊNCIAS
 <https://www.youtube.com/watch?v=ob0fdda3ujk&feature=youtu.be > Acesso em
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 <http://www.vigilantesdopeso.com.br/sobre-empresa> Acesso em: 22/04/16;
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 http://www.blog.saude.gov.br/entenda-o-sus/50103-as-condicionalidades-do-bol
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 http://milagres.ce.gov.br/reuniao-para-os-beneficiarios-do-programa-bolsa-famili
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. Acesso em 01/05/2016;
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a-familia/
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 http://www.santacasaba.org.br/index.php/a-instituicao. Acesso em: 01/05/2016;
 http://www.caixa.gov.br/programas-sociais/bolsa-familia/Paginas/default. aspx .
REFERÊNCIAS

A Microfisica do Poder Michel Foucault.pptx

  • 2.
    Francisco João Gabriel Lucianno Manuelle Viníciuss Nossaequipe Gabrielas Carloss Íthylas QUE O PODER ESTEJA COM TODOS NÓS!
  • 3.
  • 4.
  • 6.
  • 7.
    Michel Foucault (1926-1984) Nasceuem Poitiers (Centro Oeste de França); Filósofo, psicólogo, historiador das idéias, teórico social, filólogo e crítico literário; Aluno de pensadores como : Louis Althusser e Jean Hyppolite; Conviveu com intelectuais como: Jean-Paul Sartre, Gilles Deleuze, Lacan; Lecionou psicologia e filosofia em diversas universidades na Alemanha, Suécia, Tunísia, Estados Unidos da América entre outros.
  • 8.
    Michel Foucault (1926-1984) Tratoude abordagens como: Relação entre poder e conhecimento (poder e saber) e como eles são usados ​ ​ como uma forma de controle social por meio de instituições sociais; Embora muitas vezes seja citado como um pós-estruturalista e pós- modernista, Foucault acabou rejeitando esses rótulos, preferindo classificar seu pensamento como uma história crítica da modernidade; É um dos maiores filósofos da contemporaneidade, foi responsável por novos caminhos na análise do poder e da história. Relevância acadêmica fora de série!
  • 9.
    Michel Foucault –Algumas Obras História da loucura na idade clássica (1961); O Nascimento da clínica (1963); As palavras e as coisas (1966); Arqueologia do saber (1969); Vigiar e punir (1975); Microfísica do Poder (1979).
  • 10.
    Microfísica do Poder Organizadopor Roberto, sob a orientação de Michel Foucault);  Contém transcrições dos cursos ministrados no Collège de France, conferências, artigos, debates e várias entrevistas que auxiliam na introdução ao pensamento de Foucault.
  • 11.
    Microfísica do Poder Explicitacomo os mecanismos de poder são exercidos fora, abaixo e ao lado do aparelho de Estado; Mostra-nos a relação de poder e saber nas sociedades modernas com objetivo de produzir “verdades” cujo interesse essencial é a dominação do homem através de praticas políticas e econômicas de uma sociedade capitalista.
  • 12.
  • 13.
    Introdução: Por uma genealogiado poder O poder não é o mais velho desafio formulado pelas análises de Foucault; Surge complementando o exercício de uma arqueologia do saber pelo projeto de uma genealogia do poder.
  • 14.
    Introdução: Por uma genealogiado poder Os estudos de Foucault são divididos em duas fases: A arqueologia do saber; A genealogia do poder.
  • 15.
    A arqueologia dosaber Um tipo de pesquisa que se dedica a extrair os acontecimentos discursivos como se eles estivessem registrados em um arquivo; A arqueologia será responsável pela detecção dos discursos e de sua formação histórica em um determinado campo de saber.
  • 16.
    1961 - Historiada Loucura; 1961 – O Nascimento da Clínica; 1966 – As palavras e as coisas; Três livros que revelam a homogeneidade dos instrumentos metodológicos utilizados: Conceito de saber, estabelecimentos das descontinuidades, interrelações conceituais, articulação dos saberes com a estrutura social, crítica a ideia de progresso em história das ciências. 1969 – A Arqueologia do Saber – explica, sistematiza, clarifica e aperfeiçoa a metodologia. A arqueologia do saber
  • 17.
    Um novo caminho,sem invalidar o passado, parte de outra questão; Enquanto a arqueologia respondia como os saberes apareciam e se transformavam. Agora o importante é o porquê dos saberes; Explicar o aparecimento dos saberes a partir de condições de possibilidade externas aos próprios saberes. A genealogia do poder
  • 18.
    1975 – Vigiare Punir; 1976 – A vontade de Saber (primeiro volume da história da sexualidade); Introdução nas analises históricas da questão do poder; Poder como um instrumento de análise capaz de explicar a produção dos saberes. A genealogia do poder
  • 19.
    “[...] Poder nãoé algo que se detém como uma coisa, como uma propriedade, que se possui ou não. Não existe de um lado os que tem o poder e de outro aqueles que se encontram dele alijados. Rigorosamente falando, o poder não existe; existem sim práticas ou relações de poder [...]." (Foucault, 2005, p. XIV. Grifo nosso)
  • 20.
    Introdução: Por uma genealogiado poder Toda teoria é provisória; Nem a arqueologia, nem a genealogia têm por objetivo fundar uma ciência; Formulam realizar análises fragmentárias e transformáveis; As análises genealógicas produziram um importante deslocamento com relação à ciência política.
  • 21.
    Introdução: Por uma genealogiado poder Foucault viu delinear claramente uma não sinonimia entre Estado (macro) e poder; Existem formas de exercícios de poder diferentes do Estado; Poder atingindo a realidade mais concreta dos indivíduos (seu corpo) e que situa ao nível do próprio corpo social, penetrando na vida cotidiana (micro-poder ou sub-poder).
  • 22.
    Introdução: Por uma genealogiado poder Controle minucioso do corpo – gestos, atitudes, comportamentos, hábitos, discursos; O Estado é um instrumento específico de um sistema de poderes que não se encontra unicamente nele localizado; Nem o controle, nem a destruição do aparelho de Estado, como muitas vezes se pensa, é suficiente para fazer desaparecer ou para transformar a rede de poderes que impera em uma sociedade.
  • 23.
    Introdução: Por uma genealogiado poder Do ponto de vista metodológico Foucault propõe uma análise ascendente deste nível molecular de exercício de poder, inversa, do periférico para o Centro; As relações de poder não se passam fundamentalmente nem ao nível do direito, nem da violência; nem são basicamente contratuais (Hobbes, Locke, Rousseau), nem unicamente representativas.
  • 24.
    Introdução: Por uma genealogiado poder O aspecto negativo do poder (poder que oprime, repressivo) não é tudo e talvez não seja o fundamental. É preciso refletir sobre seu lado positivo; O poder produz, possui eficácia produtiva; Por isso tem como alvo o corpo humano, não para suplicá-lo, mutilá-lo, mas para aprimorá-lo, adestrá- lo.
  • 25.
    Introdução: Por umagenealogia do poder  O que interessa é gerir a vida das pessoas, controlá- las, utilizá-los ao máximo. Aproveitando suas potencialidades, utilizando um sistema de aperfeiçoamento gradual e contínuo de suas capacidades.  O objetivo é ao mesmo tempo econômico e político: Aumento do efeito de seus trabalho; Utilidade econômica máxima; Diminuição de sua capacidade de revolta, de resistência, de luta; De Insurreição contra as ordens do poder; Neutralização dos efeitos de contrapoder; Tornar homens dóceis politicamente; Aumentar a força econômica, diminuir a força política.
  • 26.
    Introdução: Por uma genealogiado poder Mas sua análise sobre a questão do poder é o resultado de investigações delimitadas, circunscritas, com objetvos bem demarcados, embora suas afirmações tenham uma ambição englobante; Prisão; Hospital; Escola; Fábrica
  • 27.
    Introdução: Por uma genealogiado poder Se as ciências humanas têm como condição de possibilidade política a disciplina, o momento atual da análise parece sugerir que o “biopoder”, a “regulação”, os “dispositivos de segurança” estão na origem de ciências sociais como a estatística, a demografia, a economia, a geografia etc.
  • 28.
    Introdução: Por uma genealogiado poder A questão do Estado também adquire grande importância para a genealogia. O que se deu através do projeto de explicar a gênese do Estado a partir das práticas de governo, da gestão governamental, ou da “governamentalidade”; Vamos aprofundar melhor... Mas já sabem, desde então, que não há saber neutro. Todo saber é político.
  • 29.
    Cap. I – Verdadee Poder (João Gabriel Melo)
  • 30.
    Saber e Poder CasoLyssenko  Trofim Denisovič Lysenko (Karlivka, Ucrânia, 29 de setembro de 1898 — Kiev, 20 de novembro de 1976);  Foi diretor da área de biologia da antiga União Soviética durante o governo de Josef Stalin;  O escândalo do caso Lysenko foi tão brutal que ensombreceu discussões mais produtivas sobre as relações entre as forças sociais, políticas e econômicas e o papel dos especialistas. As lições mais profundas que o caso Lysenko nos legaram nada têm a ver com a genética incoerente que pregava, mas sim com a necessidade de promover uma ciência que promovesse e tivesse um teor marxizante.
  • 31.
  • 32.
  • 33.
    COMO UTILIZAR OSTRABALHOS DE FOUCAULT NA LUTA COTIDIANA?
  • 34.
  • 35.
  • 36.
    Cap. II –Nietzsche, a genealogia e a história (João Gabriel Melo)
  • 37.
    Quem foi Nietzche? FriedrichWilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de outubro de 1844 — Weimar, 25 de agosto de 1900) foi um filólogo, filósofo, crítico cultural, poeta e compositor alemão do século XIX. Ele escreveu vários textos críticos sobre a religião, a moral, a cultura contemporânea, filosofia e ciência, exibindo uma predileção por metáfora, ironia e aforismo. Frases Marcantes: "A fé é querer ignorar tudo aquilo que é verdade.“ "As convicções são cárceres.“
  • 38.
    Nessa obra aGenealogia constitui-se de três tratados: Bom e mau: expõe uma psicologia do cristianismo, onde é realizada uma análise do surgimento do espírito de ressentimento contra dos valores naturais e nobres. Tal análise é um primeiro passo para a transvaloração de todos os valores; Culpa, má consciência e afins: nele encontra-se uma psicologia da consciência. O ateísmo consiste em não possuir dívidas com os deuses: uma segunda inocência. A crueldade Genealogia da Moral
  • 39.
    HISTÓRIA EFETIVA EHISTÓRIA TRADICIONAL
  • 40.
  • 41.
    Uso Crítico daHistória
  • 42.
    Cap. III –Sobre a justiça popular (Lucianno Azevedo)
  • 43.
    Tribunal x JustiçaPopular  Inimigos externos e internos ;  Execuções de setembro – Justiça Popular – luta revolucionária sangrenta;  Estabelecimento dos Tribunais pela Comuna de Paris;  Terceira instância;  O tribunal como sendo a primeira deformação da justiça popular.
  • 45.
    Revolução Burguesa xRevolução proletária Primeira etapa: Revolucionarização ideológica das massas; Etapa posterior: Formação do exército vermelho;  Jurisdições x Atos de vingança;  Tribunal popular como manifestação da justiça popular e não a sua deformação.
  • 47.
    Tribunal Popular –Revolução Francesa Terceira instância e sua determinação social; Tribunal mediador e seu funcionamento; Elo entre o novo e antigo regime.
  • 48.
    Abordagem histórica doaparelho de Estado Judiciário Idade Média : Substituição de um tribunal arbitrário por um conjunto de instituições estáveis, específicas, que intervinha de maneira autoritária e dependente do poder político; Transformação apoiada por dois mecanismos: Fiscalização da justiça; O elo crescente entre a justiça e a força das armas.
  • 49.
    Disposição espacial dotribunal e a disposição das pessoas no tribunal Caracterização da integração e do funcionamento da justiça popular; Suas decisões e comportamentos; Organização ocidental dos tribunais.
  • 50.
    As três característicasdo tribunal Elemento “terceiro”; A referência a um ideia, a uma forma, a uma regra universal de justiça; Uma decisão com poder executório.
  • 51.
    Aparelho de justiçacomo sendo um aparelho de Estado  O aparelho da justiça; Repressão como tarefa militar – sistema complexo justiça - polícia - prisão;  Luta anti-sediciosa e o fator de proletarização Sistema penal voltado para elementos mais móveis, mais agitados, os violentos da plebe.
  • 52.
    Contradição principal noseio das massas Contradição entre a plebe não proletarizada e os proletários; Três meios de separação de plebes: o exército/ a colonização/a prisão; Adaptação e aprimoramento desses meios pela história.
  • 54.
    Elementos bases paraas revoluções do século XIX A primeira forma de revolta do proletariado moderno: a criminalidade; Segunda forma: destruição das máquinas; Terceira forma: a associação, o sindicalismo; Quando existe esta divisão entre a plebe não há sedição, e quando se dá o restabelecimento da fusão há sedição.
  • 55.
    Justiça penal Efeitos ideológicosespecíficos sobre cada uma das classes dominadas Fusão dos métodos de luta e de guerra.
  • 56.
    Justiça – aforma como é manifestada pelos tribunais Renovação das formas de justiça popular.
  • 57.
    Renovação das formasde justiça popular  Tribunal como instância de normalização x Instância de elucidação política;  Fazer justiça pela anti-unidade popular;  Ato de justiça popular, formas de atingir o máximo de sua significação;  Revolta – subversão – revolução;  O perigo do Estado judiciário assumir o encargo dos atos de justiça popular.
  • 58.
    O Contra-poder Tribunal deLens; Contra-justiça; Operação de contra-processo.
  • 59.
    Cap. IV – Os intelectuais eo poder (Lucianno Azevedo)
  • 61.
    Relação teoria-prática Relação deaplicação; Aplicação x Sistema de revezamento em conjunto.
  • 62.
    Politização de umintelectual Posição de intelectual na sociedade burguesa; Próprio discurso, enquanto revelador de uma determinada verdade; Intelectual teórico.
  • 63.
    Relação entre sistemade poder e o discurso do saber Teoria é prática!
  • 64.
    O sistema penalx Demonstração essencial de poder Demonstração de poder em diferentes instituições.
  • 66.
    Poder e asua visão global ou total Reforço dos estruturas de reclusão; Pressão e repressão .
  • 67.
    Reforça x Açãorevolucionária Discurso contra o poder; Manifestações do poder.
  • 68.
    Cap V -O nascimento da medicina Social (Manuelle Quintela)
  • 69.
    Proporcionou a passagempara uma medicina coletiva; Socializou um primeiro objeto: o corpo enquanto força de produção, força de trabalho: “O controle da sociedade sobre os indivíduos não se opera simplesmente pela consciência ou pela ideologia, mas começa no corpo, com o corpo. Foi no biológico, no somático, no corporal que, antes de tudo, investiu a sociedade capitalista [...].” (Foucault, 2005, p. 80). O capitalismo em fins do séc. XVIII e início do séc. XIX
  • 70.
    Três etapas naformação da medicina social Medicina de Estado; Medicina urbana; Medicina da força de trabalho.
  • 71.
    Medicina de Estado Desenvolveu-se naAlemanha no início do século XVIII.  Objeto:  Garantir o corpo dos indivíduos enquanto uma força do Estado, em seus conflitos econômicos e políticos com seus vizinhos;
  • 72.
     Caracterizada pela criaçãode uma polícia médica:  A organização de um saber médico estatal ;  A normalização da prática e do saber médicos;  Subordinação dos médicos a uma administração central;  Integração de vários médicos em uma organização médica estatal – Criação de funcionários médicos nomeados pelo governo. Resentantes do soberano dentro de suas fronteiras políticas. Medicina de Estado
  • 73.
    O que seencontrava antes da grande medicina clínica do século XIX:  Medicina funcionarizada, coletivizada, estatizada ao máximo; Os outros modelos de medicina social que se seguiram, dos séculos XVIII e XIX, são atenuações desse modelo estatal.
  • 74.
  • 75.
    É a medicinadas coisas, das condições de vida, do meio de existência e não das pessoas; Objeto: Promoção da saúde a partir da intervenção no meio, esse considerado como lugar produtor de patologias. Medicina urbana Desenvolveu-se na França em fins do século XVIII.
  • 76.
    Emergiu a noçãode salubridade: o estado das coisas, dos meios e seus elementos constitutivos, que permitem a melhor saúde possível; Nascimento da higiene pública: técnica de controle e de modificação dos elementos materiais do meio; A cidade passa a ser medicalizada a partir de elementos físicos ambientais; Medicalização: permitiu a constituição da medicina científica ao socializá-la; colocando-a em contato com outras ciências extra-médicas, como a química e física. Medicina urbana Perde para a medicina alemã no quesito “poder forte”, mas ganha no quesito “cientificidade”!
  • 77.
    Lei 8080/90 (conceitoampliado de saúde):  “ Art. 3º. Os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais” (grifo nosso). Podemos encontrar Medicina Urbana hoje?
  • 78.
    Medicina da Força deTrabalho Acelerado desenvolvimento industrial; Surgimento de uma classe pobre, plebéia e proletária; O pobre passou a representar um perigo : População surgiu como força política capaz de se revoltar ou pelo menos, participar de revoltas. Medicina da Força de Trabalho – O contexto inglês Surgiu na Inglaterra no segundo terço do século XIX. Objeto: Controle da saúde e do corpo das classes mais pobres, de forma obrigatória, para torná-las mais aptas ao trabalho, e menos perigosas às classes mais ricas. Visava o controle da pobreza e dos trabalhadores!
  • 79.
    Medicina da Força deTrabalho Foi a que mais vingou por possibilitar:  A ligação de 3 pontos: Assistência médica ao pobre; Controle de saúde da força de trabalho; Esquadrinhamento geral da saúde pública. Medicina da Força de Trabalho
  • 80.
    Medicina da Força deTrabalho  A política nacional de saúde do trabalhador e da trabalhadora (Portaria 1823/2012):  Art. 9º São estratégias da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora: I – integração da Vigilância em Saúde do Trabalhador [...]; IV – fortalecimento e ampliação da articulação intersetorial, o que pressupõe: b) fiscalização conjunta onde houver trabalho em condições insalubres, perigosas e degradantes [...].  CEREST :  Art. 14. Cabe aos CEREST, no âmbito da RENAST: I – [...] promoção, vigilância e assistência à saúde dos trabalhadores, no âmbito da sua área de abrangência. Medicina da Força de Trabalho: Controle da força de trabalho
  • 81.
    IBGE: Oferece uma visãocompleta e atual do País, através do desempenho de suas principais funções, dentre elas:  Produção e análise, bem como coordenação e consolidação de informações estatísticas: Estatísticas na área da saúde. Medicina da Força de Trabalho Sistema de vigilância em saúde: Formação de banco de dados na área da saúde; Instituição de notificações obrigatórias – patologias: AIDS; Rubéola; Hanseníase; Dengue; Zika... Medicina da Força de Trabalho – Esquadrinhamento geral da saúde pública
  • 82.
    Bolsa-família:  Programa detransferência direta de renda, direcionado às famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o País, de modo que consigam superar a situação de vulnerabilidade e pobreza.  O programa busca garantir aos pobres o direito à alimentação e o acesso à educação​e à saúde; Mecanismo de controle da pobreza - Lei 10836/2004; “Art. 3o A concessão dos benefícios dependerá do cumprimento, no que couber, de condicionalidades relativas ao exame pré-natal, ao acompanhamento nutricional, ao acompanhamento de saúde, à frequência escolar de 85% (oitenta e cinco por cento) em estabelecimento de ensino regular, sem prejuízo de outras previstas em regulamento (grifo nosso).” Medicina da Força de Trabalho – Assistência médica ao pobre Controle da saúde do pobre, a partir de sanções quando do descumprimento das condicionalidades!
  • 86.
    Cap. VI –O nasciment o do hospital (Manuelle Quintela)
  • 87.
     Assistência aospobres, de separação e exclusão;  O personagem ideal: o pobre que estava morrendo;  Função do hospital:  Transição entre a vida e a morte;  Separação dos indivíduos perigosos para a saúde geral da população - Depósito de loucos, devassos, prostitutas e leprosos. Antes do século XVIII Médico:  Não tinha prática hospitalar;  Prática individualista;  Prática médica: intuitiva, não racional, não sistematizada, não científica e arbitrária;  A intervenção na crise;  Cura: Jogo entre a natureza, a doença e o médico. Medicina e hospital permaneceram independentes até meados do século XVIII!
  • 88.
    Primeira medida iluminista; Eliminaros efeitos negativos , as desordens do local: Doenças; Desordens econômico-social: prejudicava a qualidade; Hospital deveria ser purificado e ordenado; Século XVIII - Medicalização A reorganização do Hospital não foi por meio da técnica médica, mas da técnica genuinamente política: a disciplina e a vigilância constante sobre os indivíduos!
  • 89.
    Vigiar os homensno hospital militar para que não desertassem;  Curá los − , evitando que morressem de doença; Evitar que quando curados eles fingissem ainda estar doentes e permanecessem de cama; Disciplina enquanto tecnologia A introdução dos mecanismos disciplinares, por meio da Política, vai medicalizar o Hospital, declarando sua normalidade.
  • 90.
    Atrelado a buscapela razão motivada pelos ideais iluministas; Em 1780: Hospital como local da promoção da cura, não mais da caridade, da salvação espiritual e do descaso. Modificação do saber médico Tem-se, então, um duplo nascimento do hospital pelas técnicas de poder disciplinar e médica de intervenção sobre o meio.
  • 91.
    “É a introduçãode mecanismos disciplinares no espaço confuso do hospital que vai possibilitar sua medicalização. [...]. A formação de uma medicina hospitalar deve-se, por um lado, à disciplinarização do espaço hospitalar, e por outro lado, à transformação, nesta época, do saber e da prática médicas”. (FOUCAULT, 2005, p.107. grifo nosso).
  • 92.
     Localização nointerior da medicina do espaço urbano;  Critérios para a distribuição interna: Arquitetura como instrumento de cura;  Sistema de registro permanente Campo documental de todo o interior do hospital, acumulando e sedimentando a autoridade do Hospital;  Médico Responsável pela organização hospitalar:  Soberano no Hospital,  Grande médico de hospital; Características do hospital no século XVIII Tomada de poder pelo médico!
  • 93.
    Médico e ahierarquia hospitalar • .. A soberania do hospital passa a ser responsabilidade de quem sabe mais, do médico, aquele que detém o poder e o saber!
  • 94.
    Entre 1780/1790: Formação normativado médico deve ter passagem hospitalar; Hospital passou a ser um lugar de cura e formação de médicos. Clínica: Dimensão essencial do hospital; Organização hospitalar como lugar de formação e transmissão de saber. O indivíduo e a sociedade: objetos de saber e alvo de intervenção da medicina, graças à tecnologia hospitalar. Hospital no século XVIII A medicina que se formou no século XVIII é tanto uma medicina do indivíduo quanto da população!
  • 95.
  • 96.
    O hospital atual Aprimoramentoda medicina anterior ao século XVIII, juntamente com a medicina do século XVIII;  Santas Casas de Misericórdia: Anteriormente voltadas para a caridade, hoje para a filantropia; Com auxílio estatal ou não; Com administração religiosa ou não; Voltada para os pobres; Locais de formação do saber; Ex: Santa Casa de Misericórdia da Bahia;
  • 97.
    O hospital atual- Particular O médico ainda exerce o poder dentro do Hospital em virtude de seu saber; O Hospital é ainda hoje um lugar de formação do saber médico: Tanto na graduação quanto na residência; Os hospitais particulares são hoje o reflexo de uma medicina voltada para uma classe “rica”;
  • 98.
     Lugar deformação do saber médico;  Médico exerce seu poder de forma precária, em virtude das péssimas condições ofertadas;  SUS idealizado para abranger a toda a população:  A realidade hospitalar pública hoje é precária....  Torna-se seletiva, excludente;  Voltada para a pobreza, desprovida de outra opção!  Ex: Hospital da Restauração de Pernambuco. O hospital público atual
  • 99.
    Cap. VII – Acasa dos loucos (Manuelle Quintela)
  • 101.
    Contexto histórico -Foucault Em 1948: Assume sua homossexualidade e é discriminado pela reacionária sociedade francesa; Tentativa de homicídio; Internado como louco pelo próprio pai no Hospital Sainte-Anne: Experiência norteou a escrita de dois de seus principais livros: Doença Mental e Psicologia (1954) e História da Loucura na Idade Clássica (1961).
  • 102.
    Antes do séculoXVIII Loucura não era sistematicamente internada: Forma de erro ou de ilusão;
  • 103.
    Início da “IdadeClássica” Loucura:  Vista como pertencendo às quimeras do mundo;  Podia viver no meio dela e só seria separada no caso de tomar formas extremas ou perigosas;  O hospital não assumia um lugar privilegiado. Os lugares terapêuticos:  A natureza;  O teatro. As prescrições: A viagem, o repouso, o passeio, o retiro, o corte com o mundo vão e artificial da cidade.
  • 104.
    Início do séculoXIX Loucura: Desordem na maneira de agir, de querer, de sentir paixões, de tomar decisões e de ser livre; Surge como doença; O sujeito que dela sofria: Desqualificado como louco. O louco: O doente que se difere dos outros perigosos do internamento; Não é mais confundido com os bandidos, assassinos... É fraco de saúde, desprovido de sanidade mental – Doente mental; Despojado de todo poder e todo saber quanto à sua doença;
  • 105.
    Início do séculoXIX Psiquiatria "clássica”:  Jogo de uma relação de poder que origina um conhecimento responsável por fundar os direitos deste poder,  Loucura enquanto doença - objeto de estudo da psiquiatria:  Tudo se desdobra na limpidez do conhecimento, entre o sujeito conhecedor (médico) e o objeto conhecido ( a loucura). O Louco deve possuir um lugar especial, um novo internamento. Tratando-se de uma doença, um hospital – a casa dos loucos.
  • 106.
    Função do hospitalpsiquiátrico do séc. XIX Lugar de diagnóstico e de classificação; Espaço fechado para um confronto, lugar de disputa, campo institucional onde se trata de VITÓRIA e SUBMISSÃO.
  • 107.
    O grande médicodo asilo  Pode dizer a verdade da doença pelo saber que dela tem e submetê-la pelo poder que sua vontade exerce sobre o próprio doente; numa relação de senhor para com seu vassalo. “Ora, esta exaltação se produz numa época em que o poder médico encontra suas garantias e justificações nos privilégios do conhecimento. O médico é competente, o médico conhece as doenças e os doentes, detém um saber científico que é do mesmo tipo que o do químico ou do biólogo; eis o que permite a sua intervenção e a sua decisão”. (Foucault, 2005, p. 122. Grifo nosso).
  • 108.
    “Como se poderver tudo é questão de poder: dominar o poder do louco, neutralizar os poderes que de fora possam se exercer sobre eles, estabelecer um poder terapêutico e de adestramento [...]” (FOUCAULT, 2005. p. 126. grifo nosso).
  • 109.
    As relações quese desenrolam são relações de poder: Da não loucura sobre a loucura; De uma competência exercendo se sobre uma − ignorância; De um bom senso no acesso à realidade corrigindo erros; Da normalidade se impondo à desordem e ao desvio.
  • 110.
     As descobertasde Pasteur colocando o médico como propagador das doenças que deveria curar e o hospital como lugar de transmissão de doenças provocou grandes abalos na psiquiatria desde o final do século XIX.  Basaglia: “A característica destas instituições (escola, usina, hospital) é uma separação decidida entre aqueles que têm o poder e aqueles que não o têm” (grifo nosso);  Todas as grandes reformas, não só da prática psiquiátrica mas do pensamento psiquiátrico, se situaram em torno desta relação de poder. Mudanças de rumo
  • 111.
    Antipsiquiatria Conjunto da psiquiatriamoderna foi atravessado pela anti psiquiatria − : O papel do psiquiatra é colocado em questão; No cerne: Uma luta com, dentro e contra a instituição, que estabelecia o internamento para justificar sua estratégia de dominação; É precisamente a instituição como lugar, forma de distribuição e mecanismo destas relações de poder, que a antipsiquiatria ataca!
  • 112.
     Impulsionada porMichel Foucault e, principalmente, por Franco Basaglia, psiquiatra italiano, precursor da reforma psiquiátrica: Inicia-se uma radical crítica e transformação do saber, do tratamento e das instituições psiquiátricas. Esse movimento iniciado na Itália, repercutiu em todo o mundo e muito particularmente no Brasil; Inicia-se o movimento da Luta Antimanicomial profundamente marcado pela ideia de defesa dos direitos humanos e de resgate da cidadania dos que carregam transtornos mentais. Segunda metade do século XX
  • 113.
    Lema do movimento:"Por uma sociedade sem manicômios", e o 18 de maio foi definido como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data comemorada desde então em todo o país!
  • 114.
    No Brasil Somente em2001 surgiu a lei nº 10.216: Proteção e direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redirecionou o modelo assistencial em saúde mental;  Reconheceu a responsabilidade do Estado para com a assistência aos portadores de transtornos mentais; Dela originou-se a Política de Saúde Mental.
  • 115.
    Política de SaúdeMental Garantir o cuidado ao paciente com transtorno mental em serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos; Superando assim a lógica das internações de longa permanência.
  • 116.
    E como estáessa Política de Saúde Mental hoje no Brasil? Redução programada de leitos psiquiátricos de longa permanência; Internações psiquiátricas Hospitais gerais e de curta duração; Rede de dispositivos diferenciados capaz de permitir:  A atenção ao portador de sofrimento mental;  A desinstitucionalização de pacientes de longa permanência em hospitais psiquiátricos e,  Ações que permitam a reabilitação psicossocial por meio da inserção pelo trabalho, da cultura e do lazer. Rede de atenção diária à saúde experimenta uma importante expansão, alcançando regiões de grande tradição hospitalar!
  • 117.
    Programa “De Voltapara Casa”: desinstitucionalização; Residências terapêuticas : para aqueles impossibilitados de retornar às suas famílias; RAPS (rede de atenção psicossocial) em 2011 : Centros de Atenção Psicossocial (Caps); Centros de Convivência e Cultura; Unidades de Acolhimento (Uas); Leitos de atenção integral em hospitais gerais... Grandes avanços . Tem-se então atualmente uma política de Saúde Mental que preconiza a redução progressiva dos leitos psiquiátricos, a qualificação, a expansão e o fortalecimento da rede extra-hospitalar!
  • 118.
    Cap. VIII – Sobrea prisão (Íthyla Carvalho)
  • 119.
    Processo histórico: Ritualdo suplício- “Dominação pelo terror”  O ritual do suplício está historicamente compreendido onde estão alojadas as monarquias absolutistas e o poder era centralizado e visível na figura do rei;  A característica predominante do suplício era o poder sobre o corpo, sendo usado como principal forma de punição durante toda a idade média até o final do século XVIII.  A participação popular era crucial para sua legitimidade;  As pessoas não eram meros espectadores, mas sim componentes do ritual, observando e exigindo a execução do transgressor e posteriormente fixando na memória o acontecimento, como forma de prolongamento do suplício, até mesmo depois da morte do supliciado.
  • 120.
  • 121.
    Sobre a prisão Depois de séculos agindo através de práticas de sofrimento físico e humilhação, as formas de exercício de poder foram se aperfeiçoando de acordo com perspectivas econômicas, e percebeu-se que era mais rentável vigiar que punir. Esse poder então, passa a ser exercido através de uma vigilância constante a fim de impedir que os delitos fossem cometidos;  O poder se torna sutil, mais arrojado e estratégico, ele está diluído “microfisicamente” em todas as relações, penetrando nas práticas cotidianas.
  • 122.
    “Mas quando pensona mecânica do poder, penso em sua forma capilar de existir, no ponto em que o poder encontra o nível dos indivíduos, atinge seus corpos, vem se inserir em seus gestos, suas atitudes, seus discursos, sua aprendizagem, sua vida quotidiana.” (FOUCAULT, 2005, p131) .
  • 123.
    Panóptico como origemdas prisões- Fim do Século XVIII  O pensamento de Foucault sobre o poder tem como consideração fundamental a passagem da punição a vigilância;  A ideia que materializou e deu origem a essa passagem de poder, nasceu com um projeto de prisão no fim do século XVIII chamado de Panóptico, criado por Jeremy Bentham, que consistia num sistema de “Ver sem ser visto”;  O panóptico vai funcionar como um “laboratório de poder” que consegue descobrir objetos fundamentais para o aumento de saber sobre as técnicas de poder disciplinar. Jeremy Bentham (Londres, 15 de fevereiro de 1748 - Londres, 6 de junho de 1832) foi filósofo, jurista, tradicionalmente considerado como o difusor do utilitarismo, teoria ética normativa que se objetiva a responder todas as questões acerca do fazer, admirar e viver em termos da maximização da utilidade e da felicidade e idealizador do
  • 124.
  • 125.
    Sobre a prisão Paraentender a dinâmica do poder, Michael Foucault estuda as prisões; A prisão foi construída para que através do poder disciplinar, fosse possível produzir indivíduos dóceis, obedientes e úteis; O poder disciplinar era utilizado para dominar os indivíduos, para que estes se moldassem a vontade daqueles que os detinham e sobretudo no contexto da prisão, para que pudessem posteriormente, ter utilidade ao voltar ao convívio da sociedade.
  • 126.
    Mas o queera a disciplina? “A disciplina é uma técnica de exercício de poder que foi, não inteiramente inventada, mas elaborada em seus princípios fundamentais durante o século XVIII. Historicamente as disciplinas existiam há muito tempo, na Idade Média e mesmo na Antiguidade. A escravidão e as grandes empresas escravistas existentes nas colônias espanholas, inglesas, francesas, holandesas, etc., eram modelos de mecanismos disciplinares (...) Os mecanismos disciplinares são, portanto, antigos, mas existiam em estado isolado, fragmentado, até os séculos XVII e XVIII, quando o poder disciplinar foi aperfeiçoado como uma nova técnica de gestão dos homens. “ (FOUCAULT, 2005, p. 105. grifo nosso).
  • 127.
    “[...] A disciplinaé, antes de tudo, a análise do espaço. É a individualização pelo espaço, a inserção dos corpos em um espaço individualizado, classificatório, combinatório”. (FOUCAULT, 2005, p. 105 e 106. grifo nosso)”; “A disciplina é uma técnica de poder que implica uma vigilância perpétua e constante dos indivíduos. Não basta olhá los às vezes ou ver se o que − fizeram é conforme à regra. E preciso vigiá los durante todo o tempo da − atividade e submetê los a uma perpétua pirâmide de olhares” (FOUCAULT, − 2005, p. 106. grifo nosso); “(...)É o poder de individualização que tem o exame como instrumento fundamental. O exame é a vigilância permanente, classificatória, que permite distribuir os indivíduos, julgá los, medi los, localizá los e, por conseguinte, − − −
  • 128.
    A realidade dasprisões na ótica de Foucault “Desde o começo a prisão devia ser um instrumento tão aperfeiçoado quanto a escola, a caserna ou o hospital, e agir com precisão sobre os indivíduos. O fracasso foi imediato e registrado quase ao mesmo tempo que o próprio projeto. Desde 1820 se constata que a prisão, longe de transformar os criminosos em gente honesta, serve apenas para fabricar novos criminosos ou para afundá-los ainda mais na criminalidade.”(FOUCAULT, 2005, p. 131-132. grifo nosso).
  • 129.
    Sobre a prisão “Asociedade sem delinquência foi um sonho do século XVIII que depois acabou. A delinquência era por demais útil para que se pudesse sonhar com algo tão tolo e perigoso como uma sociedade sem delinquência. Sem delinquência não há polícia. O que torna a presença policial, o controle policial tolerável pela população se não o medo do delinquente? (...) Esta instituição tão recente e tão pesada que é a policia não se justifica senão por isto. Aceitamos entre nós esta gente de uniforme, armada enquanto nós não temos o direito de o estar, que nos pede documentos, que vem rondar nossas portas. Como isso seria aceitável se não houvesse os delinquentes? Ou se não houvesse, todos os dias, nos jornais, artigos onde se conta o quão numerosos e perigosos são os delinquentes?” (FOUCAULT, 2005, p. 138. grifo nosso)
  • 130.
    Sobre a prisão “Aprisão não pode deixar de fabricar delinqüentes. Fabrica-os pelo tipo de existência que faz os detentos levarem: que fiquem isolados nas celas, ou que lhes seja imposto um trabalho inútil, para o qual não encontrarão utilidade, é de qualquer maneira não “pensar no homem em sociedade; é criar uma existência contra a natureza inútil e perigosa”; queremos que a prisão eduque os detentos, mas um sistema de educação que se dirige ao homem pode ter razoavelmente como objetivo agir contra o desejo da natureza? A prisão fabrica também delinqüentes impondo aos detentos limitações violentas; ela se destina a aplicar as leis e a ensinar o respeito por elas; ora, todo o seu funcionamento se desenrola no sentido do abuso de poder.” (FOUCAULT, Vigiar e Punir, 1999, pgs. 293 e 294. grifo nosso).
  • 131.
    Cap. IX –Poder-corpo (Íthyla Carvalho)
  • 132.
    Poder- Corpo “(...) Odomínio, a consciência de seu próprio corpo só puderam ser adquiridos pelo efeito do investimento do corpo pelo poder, a ginástica, os exercícios, o desenvolvimento muscular, a nudez, a exaltação do belo corpo...tudo isso conduz ao desejo de seu próprio corpo através de um trabalho insistente, obstinado, meticuloso, que o poder exerceu sobre o corpo das crianças, dos soldados, sobre o corpo sadio. Mas a partir do momento em que o poder produziu esse efeito, com consequência direta de suas conquistas, emerge inevitavelmente a reivindicação de seu próprio corpo contra o poder, a saúde conta a economia, o prazer contra as normas morais da sexualidade, do casamento, do pudor. E, assim, o que tornava forte o poder, passa a ser aquilo por que ele é atacado...o poder penetrou no corpo, e encontra-se exposto no próprio corpo.”(FUCOULT, 2005, p. 146. grifo nosso).
  • 133.
    Poder- Corpo O corpoé o local onde se manifestam os efeitos do poder e também é território para resisti-lo; o poder se materializa nos corpos.
  • 134.
    Poder- Corpo  Ocultivo da aparência e da saúde recai sobre a sociedade com um todo, tanto mulheres como homens, buscam por manipulações físicas, que vão desde a academia e ingestão de medicamentos muitas vezes adquiridos sem prescrição médica á cirurgias plásticas, como a lipoaspiração, próteses de silicone, que evidenciam a procura por uma aparência física normalizada, ideal e desejável.  E o que é mais interessante, transitória....as concepções de beleza no mundo moderno, variam e se transformam, o que gera um constante sentimento de inadequação.
  • 135.
    Poder- Corpo Nicole Bahls(Ex-Panicat) Gabriela Pugliesi (Blogueira Fitness)
  • 136.
    Poder- Corpo  Entretantode acordo com Foucault, a insistência do poder sobre o corpo não age somente de forma repressiva, o poder produz e efeitos de saber e verdade: “Se o poder só tivesse a função de reprimir, se agisse apenas por meio da censura, da exclusão, do impedimento (...), se apenas se exercesse de um modo negativo, ele seria muito frágil. Se ele é forte, é porque produz efeitos positivos, a nível do desejo - como se começa a conhecer - e também a nível do saber. O poder longe de impedir o saber, o produz. [...] É a partir de um poder sobre o corpo que foi possível um saber fisiológico, orgânico” (FOUCAULT, 2005, p. 148-149. grifo nosso)
  • 137.
    Poder- Corpo “O corpose tornou aquilo que está em jogo numa luta entre os filhos e os pais, entre as crianças e as instâncias de controle. A revolta do corpo sexual é o contra efeito desta ofensiva. Como é que o poder responde? Através de uma exploração econômica (e talvez até ideológica) da erotização, desde os produtos para bronzear até os filmes pornográficos...Como resposta à revolta do corpo, encontramos um novo investimento que não tem mais a forma de controle-repressão, mas controle estimulação: “fique nu...mas seja magro, bonito, bronzeado!” (FOUCAULT, 2005, p.147. grifo nosso).
  • 138.
    A profusão demodos narcisistas para a condução de vida, torna o corpo palco de experimentações, que por sua vez são capazes de afetar o psicológico e desencadear anorexia, obesidade, compulsões....
  • 139.
    Poder- Corpo  Comoalém dos parâmetros da normalidade o “gordo”, indica o anormal e revela a difícil tarefa de manter um corpo saudável, sendo na maioria das vezes estigmatizados pela sociedade, como pessoas incapazes de manter-se sob um regime alimentar e físico disciplinado.
  • 140.
    Poder- Corpo  Comoexemplo de transformação corporal do obeso, pode ser citado o Vigilantes do peso, que é um empresa que faz parte da Weight Watchers, uma organização mundial que surgiu nos Estados Unidos, incorporando as mais relevantes pesquisas sobre obesidade, com o objetivo de desenvolver uma proposta de emagrecimento confiável e sustentável que operacionaliza mudanças de hábitos e viabilizam estilos de vida considerados saudáveis;  Nos Vigilantes do peso é possível ver em jogo as evidências dos micropoderes, que tem como papel, objetivar a condução para o emagrecimento, e o efeito do poder é exercido na conformação da aderência ao dispositivo. Para maiores informações: http://vigilantesdopeso.com.br/sobre-empresa
  • 141.
    Poder- Corpo  Oscuidados com o corpo estão na ordem do dia a dia, basta observar as revistas, os comerciais, os blogs de moda, para sentir o discurso de como se deve viver, se comportar, se apresentar, que por sua vez apropriam-se do homem, impulsionado pelas tecnologias de poder, que se materializam e se vinculam diretamente com o mundo que nos cerca.
  • 142.
    Poder-Corpo Dentro desta perspectivado corpo, Michel Foucault nos auxilia a pensar as práticas do nosso presente que vinculam efeitos de poder, visíveis nos julgamentos, nas classificações, bem como nas obrigações diárias que traçam a maneira certa de vivermos!
  • 143.
    Cap. X Sobrea Geografia (Vinícius Bastos)
  • 144.
  • 145.
    Espaço enquanto instrumentode poder e de instrumento disciplinar
  • 147.
    “[...]Desde o momentoem que se pode analisar o saber em termos de região, de domínio, de implantação, de deslocamento, de transferência, pode-se apreender o processo pelo qual o saber funciona como um poder [...]” (FOUCAULT, 2005, p.154). Geografia é sintoma!
  • 148.
  • 149.
  • 150.
  • 151.
  • 152.
  • 153.
    Cap. XI –Genealogia e poder (Vinícius Bastos)
  • 154.
    A Genealogia eo surgimento dos saberes
  • 155.
    Funcionamento em rede dasrelações de poder
  • 156.
    Dominação atribuída adisposições, manobras, táticas, técnicas... ESTRATÉGIA!
  • 157.
  • 158.
  • 159.
  • 160.
    Relações de podernos processos subjacentes hierárquicos da sociedade
  • 161.
    Cap. XII –Soberania e disciplina (Vinícius Bastos)
  • 163.
    “Um direito desoberania e um mecanismo de disciplina: é dentro destes limites que se dá o exercício do poder” (FOUCAULT, 2005).
  • 164.
    Cap. XIII -A política de saúde do século XVIII (Carlos Nascimento)
  • 165.
    Medicina Privada, individual,regida pela lei de mercado; Aparelhos do Estado como pólo de iniciativa, organização e controle da Noso-política; Grupos religiosos e associações de socorro e beneficiência; Traço marcante da noso-política.
  • 166.
    Cirurgia Realizada noSéculo XVIII
  • 167.
    Primeiro fenômeno ase destacar durante o século XVIII: o deslocamento progressivo dos procedimentos mistos e polivalentes de assistência; A prática das fundações; O poder exercia tradicionalmente, desde o início da Idade Média, duas grandes funções: a da guerra e a da paz.
  • 168.
    O privilégio dainfância e da medicalização da família; O privilégio da higiene e o funcionamento da medicina como instância de controle social.
  • 169.
    O Hospital Três questionamentosbásicos a cerca do hospital no século XVIII: A emergência da população; A organização da família; O emaranhado médico-administrativo em torno dos controles de higiene coletiva.
  • 170.
    Desaparecimento x Reformados Hospitais Utopia do desaparecimento dos hospitais; Três métodos: Atendimento em domicílio, corpo médico espalhado pela sociedade e dispensários; Reforma dos Hospitais: Ajustá-lo ao espaço urbano onde se situa.
  • 171.
    Cap. XIV -O olho do poder (Carlos Nascimento)
  • 173.
    Panopticon O Panopitcon deJeremy Benthan foi editado no final do século XVIII; Grandes projetos de reorganização das prisões levavam em conta o Panopticon; Características: Construção periférica em forma de anel, com uma torre central, com grandes janelas direcionadas para a parte interior do anel.
  • 175.
  • 176.
    Características O panóptico éum instrumento de afirmação do poder do olhar, da vigilância; Ele é idealizado também nesta época para exercer este poder sobre: doentes, loucos, trabalhadores, estudantes, além dos presos; A incerteza sobre o momento da observação reprime a conduta indevida.
  • 177.
    Como exemplo depanópticos na atualidade temos o Big Brother, o Facebook, os Motores de busca, o Google Earth.
  • 178.
    Exemplo de panópticodo mundo atual
  • 179.
    Cap. XV – Nãoao sexo rei (Gabriela Queiroz)
  • 180.
    “Não ao sexorei” O poder associado a figura do rei; O poder é masculino e distante; De um lado o poder negativo pertencente a um rei que interdita, que subjuga,e do outro o sujeitado, o dominado; Foucault implode esta noção de poder soberano em que quase nada há para se fazer a não ser submeter-se.
  • 181.
    Busca de umaeugenia liberal, que separa todos os que apresentam alguma ameaça à pureza da sociedade, a qual não pode prescindir de práticas de poder em prol da vida; Nos dizeres de Foucault uma das rotas de fuga seria dizer não ao sexo rei.
  • 182.
    “O sexo semlei, o poder sem rei.”
  • 183.
    Cap. XVI –Sobre a história da sexualidade (Gabriela Queiroz)
  • 184.
    Sobre a Históriada Sexualidade Porque Foucault evidencia a história da Sexualidade? Em suma , trata-se de determinar, em seu funcionamento e em suas razões de ser, o regime do poder-saber-prazer que sustenta, entre nós, o discurso sobre a sexualidade humana.
  • 185.
    O discurso dosexo por via da repressão “Em suma, gostaria de desvincular a análise dos privilégios que se atribuem normalmente à economia de escassez e aos princípios de rarefação, para, ao contrário buscar as instâncias de produção discursiva (que evidentemente, também organizam silêncios), de produção de poder (que, algumas vezes têm a função de interditar), das produções de saber (as quais, frequentemente, fazem circular erros ou desconhecimentos sistemáticos); gostaria de fazer a história dessas instâncias e de suas transformações. “(FOUCAULT, 2001, p. 17).
  • 186.
    Sexualidade: Uma construçãodiscursiva O que Foucault denuncia para seu leitor é que todo esse arranjo em torno do sexo, para que dele se fale cada vez mais, é fabricado e alimentado por essa vontade de saber que além de ultrajante é intencional e dominadora.
  • 187.
    Século XIX éum momento histórico, em que o discurso científico sobre o sexo ganha fôlego e impulso; Não existe um sexo verdadeiro a ser descoberto ou libertado, mas sim, que o conceito emergente de sexualidade, enquanto proposta inovadora de se pensar as formas de prazer, não escapa dos moldes de uma construção discursiva resultante das relações de poder com o saber. Constituindo assim um dispositivo.
  • 188.
    O que seriao “Dispositivo da Sexualidade”?
  • 189.
    A história dohomem ocidental ao longo dos três últimos séculos é falar tudo sobre seu sexo e a partir daí ser orientado e modificado em seu comportamento, diante seu próprio sexo. O falar gratuitamente e em meio social sobre o sexo é que era vetado e censurado pelas “instituições de poder e saber”, e essas mesmas instituições queriam, obrigavam, insinuavam que o indivíduo se desnudasse diante de vossas senhorias.
  • 190.
    Foucault nos apontacomo exemplo três instâncias que controlavam as práticas sexuais: o direito canônico, a pastoral cristã e a lei civil;  Somos conduzidos a acreditar que junto ao sexo está a verdade sobre nós mesmos, porque o sexo revelaria a nossa face mais íntima e, quanto mais íntimo for o alcance da investigação sobre nosso corpo, mais produtivo é o controle sobre ele; A nossa civilização ocidental, foi a única a tratar da sexualidade pelo viés da ciência, ou seja, a por em prática uma “scientia sexualis” que ordena e controla o sexo fundamentalmente pela relação entre poder e saber.
  • 191.
    Um dos rituaismais importantes, que segundo Foucault, contribuiu para a formação da ciência do sexo foi a confissão; Quem analisa nossos discursos detém a verdade e possibilitará, através de um diagnóstico, a cura dos nossos “males” sexuais; Entretanto, para Foucault o sexo não revelaria nossa face mais íntima, mas sim, uma das nossas faces, já que Foucault não vê o sexo como um ponto fixo que guarda a chave originária, sobre o que é o homem.
  • 192.
    A sexualidade éresultado da estratégica inter- relação saber, poder e prazer. Foi através dessas instâncias que a “scientia sexualis” foi instaurada como um dispositivo que não trata do sexo tendo em vista o prazer pelo próprio prazer, como supunha, por exemplo, a “ars erotica”. Mas sim, o prazer envolto de técnicas disciplinares e conduzido por discursos científicos possibilitados por relações de poder essencialmente estratégicas.
  • 193.
    O poder-saber ea sexualidade
  • 194.
    O poder tambémproduz e incita, e por isso não é unicamente repressor; À medida em que o poder é exercido o saber é regulamentado.
  • 195.
    Cap. XVII –A governamentabilidade (Francisco Oliveira)
  • 196.
    A GOVERNAMENTALIDADE  Éatravés da análise de dispositivos de segurança, que Foucault faz o inventário da relação entre segurança, população e governo;  Uma análise genealógica dos tratados sobre a arte de governar do século XVI ao século XVIII;  A problemática gira em torno da ideia de governo;  Foucault debruçou-se em torno dos conceitos e teorias sobre as formas de governo, principalmente após “O Príncipe”, de Maquiavel.
  • 197.
    A GOVERNAMENTALIDADE  Essesquestionamentos tiveram palco no século XVI devido a dois fatores: O movimento de concentração estatal; O movimento de dispersão e desavença religiosa encabeçado pelas Reforma e Contra-Reforma.  Exigiu-se também mudanças no processo – o ato de governar;  O sentido da palavra governo passa a ser questionada;  Sugem outra literatura que vai de encontro com o pensamento de Maquiavel.
  • 198.
    A GOVERNAMENTALIDADE  Nãosomente com função negativa;  É um gênero positivo que tem objeto, conceitos estratégias;  Essa positividade que é analisada;  “O Príncipe” é essencialmente um tratado de habilidade do príncipe em conservar seu principado e é isto que a literatura anti-Maquiavel quer substituir por uma arte governar;  Ser hábil em conservar seu principado não é de modo algum possuir a arte de governar.
  • 199.
    A GOVERNAMENTALIDADE O queLa Pierrière entende por governar e governante? Monarca, príncipe, imperador, rei, magistado, juiz e similares; Governar pode ser uma casa, almas, crianças, uma província, um convento, uma ordem religiosa, uma uma família; Práticas múltiplas de governo; Todos esses governos dentro do Estado ou sociedade (multiplicidade e imanência).
  • 200.
    A GOVERNAMENTALIDADE La MotheLe Vayer apresentar três tipos de governo: Governar de si mesmo – Moral; Governar a família – Economia; Governar o Estado – Política.
  • 201.
    A GOVERNAMENTALIDADE Continuidade; Ascendente –Aqueles que querem governar o Estado, devem saber governar a si, sua família, seus bens seu patrimônio; Descendente – Quando o Estado é bem governado, os pais de família sabem como gonvernar suas famílias, seus bens seu patrimônio e por sua vez os indivíduos se comportam como devem.
  • 202.
    A GOVERNAMENTALIDADE Pedagogia dascrianças – Assendente; Polícia – Descendente; O elemento central – governo da família (Economia); Como introduzir a Economia ao nível de gestão de um Estado? Economia começa a adquirir seu sentido moderno.
  • 203.
    A GOVERNAMENTALIDADE Para LaPerrière:  Governar seria exercer o poder sobre as coisas e não só sobre o território e seus habitantes;  Estas “coisas” seriam, portanto, a relação dos homens com suas riquezas, recursos, territórios, costumes, hábitos, climas, etc;  Por isso, “governar é governar as coisas”.
  • 204.
    A GOVERNAMENTALIDADE Lei esoberania que estavam indissoluvelmente ligadas, agora governar não se trata de impor uma lei aos homens, mas de dispor das coisas, utilizar mais táticas que leis, ou utilizar ao máximo as leis como táticas; Lei não é intrumento principal para atingir os fins do governo;
  • 205.
    A GOVERNAMENTALIDADE Um bomgonvernante deve ter paciência, soberania e diligências:  Paciência – Zangão;  Sabedoria – Conhecimento das coisas, dos objetivos e da disposição para atingi-los;  Diligente – a serviço dos gonvernados; Doutrina mercantilista e cameralista.
  • 206.
    A GOVERNAMENTALIDADE Porque estaarte de governar ficou cristalizada? A razão do Estado no sentido positivo e pleno (Séc XVI a XVIII); Um mercantilismo com estrutura institucional e mental de soberania; Momento de formulação e reatualização da teoria do contrato.
  • 207.
    A GOVERNAMENTALIDADE Estado eo soberano de um lado; Pai de família e sua casa do outro; A arte de governo não podia encontrar dimensão própria; Como se deu o desbloqueio da arte de governar?
  • 208.
    A GOVERNAMENTALIDADE Fatores deexpansão (demográfica, monetária, agrícola); Emergência do problema da população; Centralização da economia em outra coisas que não a família; A família estaria agora no interior da população e seria seu instrumento fundamental.
  • 209.
    A GOVERNAMENTALIDADE A famíliapassa de modelo econômico da arte de governar a segmento privilegiado da população; O que permite, portanto, o desbloqueio da arte de governar é a população ter eliminado o modelo de família de constituição do governo população como o novo objetivo final do governo.
  • 210.
    A GOVERNAMENTALIDADE Qual podeser o objetivo do governo?  Melhorar a sorte da população, aumentar a riqueza, sua duração de vida, sua saúde... Instrumentos: Campanhas, táticas e técnicas indiretas que permitem aumentar a taxa de natalidade, direcionar para uma região ou atividade o fluxos da população...
  • 211.
    A GOVERNAMENTALIDADE A passagemde uma arte de governo para uma ciência política; Passagem de um regime dominado pela estrutura da soberania para um regime dominado por técnicas de governo, ocorre no séc. XVII, em torno da população e, por conseguinte, em torno do nascimento da economia política.
  • 212.
    O Estado deveser entendido, atualmente, a partir do seu modelo de governamentalidade e não de estatização. Governamentalidade são práticas de governo com ações distribuídas por todo o tecido social. A GOVERNAMENTALIDADE
  • 213.
    Conjunto constituído pelasinstituições, procedimentos, análises e reflexões, cálculos e táticas que permitem exercer poder numa população, através da economia política, utilizando como instrumentos técnicos essenciais os dispositivos de segurança. A GOVERNAMENTALIDADE
  • 214.
    Idade média –Estado de justiça; Séculos XV e XVI – Estado administrativo e pouco governamentalizado; Desde o século XVIII – era da governamentalidade; O que deve ou não competir ao Estado? O que é público ou privado? A GOVERNAMENTALIDADE
  • 215.
  • 216.
    Considerações finais Quem somosnós hoje? Como os saberes produzem o que somos? Como as relações de poder produzem isso que somos? Foucault:  Questionador, problematizador, com visão interdisciplinar, é ainda um universo a ser descoberto.
  • 217.
    E porque estudarFoucault no curso de Direito? Considerações finais
  • 218.
     O fenômenojurídico é construído por emanações do poder e de discursos da verdade;  O órgão Judiciário é um produtor de verdades jurídicas, que necessita de controle para não cometer arbitrariedades capazes de violar ferozmente os direitos fundamentais dos indivíduos;  Todo o saber gera poder, e com o saber jurídico não é diferente;  O processo é um diálogo e cabe ao juiz, dentro desse universo dialógico exarar decisão que deve ser vista como verdade jurídica. O Judiciário, portanto, é um produtor de verdade. Considerações finais
  • 219.
    Por vezes noséculo fomos surpreendidos por emanações do poder dentro da legalidade que iam radicalmente de encontro a qualquer direito humano e fundamental que possa ser reivindicado; Citar a Alemanha nazista e o Brasil durante a ditadura militar são exemplos mais que suficientes. Considerações finais
  • 220.
    O jurista, aoentender o direito a partir de Foucault, não se limita mais ao mundo institucional oferecido peças normas estatais. O direito é mais e menos que isso, mas nunca só isso; O direito, como vimos, é um saber-poder, que garante aqueles que têm o conhecimento jurídico exercer o poder sobre a construção da verdade jurídica, por meio da sua interpretação do direito.
  • 221.
    REFERÊNCIAS  BRASIL. Leinº. 10.216, de 6 de abril de 2001. Política Nacional da Saúde Mental. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Brasília, 2001. Disponível em: http://cgj.tjrj.jus.br/documents/1017893/1038413/politica-nac-saude-mental.pdf. Acesso em: 28/04/2016.  BRASIL. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011(*) . Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html. Acesso em: 28/04/2016.  BRASIL. PORTARIA N.° 3.214, 08 DE JUNHO DE 1978. Aprova as Normas Regulamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas a Segurança e Medicina do Trabalho .Brasília, 1978. Disponível em: http://www.camara.gov.br/sileg/integras/839945.pdf . Acesso em: 28/04/2016.  BRASIL. Lei nº 10,708, de 31 de julho de 2003.Institui o auxílio-reabilitação psicossocial para pacientes acometidos de transtornos mentais egressos de internações. Brasília, 2003. http://www.mtps.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR15/NR15-ANEXO15.pdf . Acesso em:28/04/2016.
  • 222.
    REFERÊNCIAS  BRASIL. Portaria/GM nº 106 - De 11 de fevereiro de 2000 . Institui os Serviços Residenciais Terapêuticos. Brasília, 2000. Disponível em: http://www.saude.sc.gov.br/geral/planos/programas_e_projetos/saude_mental/portaria_106.htm . Acesso em: 28/04/2016.  BRASIL. MINSTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. DAPES. Coordenação Geral de Saúde Mental. Reforma Psiquiátrica e Política de Saúde Mental no Brasil. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma os Serviços de Saúde Mental: 15 anos depois de Caracas. OPAS. Brasília, novembro de 2005. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/Relatorio15_anos_Caracas.pdf . Acesso em: 28/04/2016. • BRASIL. MINSTÉRIO DA SAÚDE. PORTARIA Nº 1.823, DE 23 DE AGOSTO DE 2012. Institui a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. Brasília: 2012. Disponível em: http://www.cerestmacrosul.com.br/legislacao/arquivos/portaria-1823-23-agosto-2012.pdf Acesso em: 28/04/2016.  BRASIL. MINSTÉRIO DA SAÚDE. Memória da Loucura. Disponível em: http://www.ccs.saude.gov.br/memoria%20da%20loucura/mostra/apresenta.html. Acesso em: 28/04/2016.
  • 223.
    REFERÊNCIAS  BRASIL. Leinº. 10836, de 9 de janeiro de 2004. Cria o Programa Bolsa Família e dá outras providências. Brasília, 2004. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.836.htm . Acesso em: 28/04/2016.  BRASIL. Lei nº. 8080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8080.htm . Acesso em: 28/04/2016.  FOUCAULT. M. A história da loucura na idade clássica. São Paulo: Perpectiva, 1972. Disponível em: http://minhateca.com.br/Raquel.Gomes/Documentos/Hist*c3*b3ria/Michel+Foucault+-+A+ hist*c3*b3ria+da+loucura+na+Idade+Cl*c3*a1ssica,4277743.pdf . Acesso em: 28/04/2016.  FOUCAULT. M. A Microfísica do Poder. 21ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 2005.  FOUCAULT. M. História da sexualidade I: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1998.  FOUCAULT. M. Vigiar e Punir. 20ª ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1999. Disponível em: https://comunicacaodasartesdocorpo.files.wordpress.com/2013/11/foucault-michel-vigiar-e-punir.p df . Acesso em: 19/04/2016.
  • 224.
     FERREIRINHA. I.R.M.,RAITZ. T.R. As relações de poder em Michel Foucault: reflexões teóricas. In: Revista de administração pública da FGV. Rio de Janeiro: mar/abr 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid =S0034-76122010000200008. Acesso em: 19/04/16;  SOUZA. L.A.F., SABATINE.T.T., MAGALHÃES. B.R. Michel Foucault: Sexualidade, corpo e direito. São Paulo: Cultura acadêmica, 2011. Disponível em: https://www.marilia.unesp.br/Home/Publicacoes/foucault_book.pdf . Acesso em 19/04/2016 .  <https://www.youtube.com/watch?v=TLA2JC8TnCA&feature=youtu.be> Acesso em 19/04/16;  <https://www.youtube.com/watch?v=QXPSWWha4fw> Acesso em 19/04/16; REFERÊNCIAS
  • 225.
     <https://www.youtube.com/watch?v=ob0fdda3ujk&feature=youtu.be >Acesso em 21/04/16;  <http://www.vigilantesdopeso.com.br/sobre-empresa> Acesso em: 22/04/16;  <https://www.youtube.com/watch?v=HOkh4ia4Znk > Acesso em 29/04/16.  http://www.blog.saude.gov.br/entenda-o-sus/50103-as-condicionalidades-do-bol sa-familia-melhoram-a-saude-do-brasileiro.html . Acesso em 01/05/2016.  http://milagres.ce.gov.br/reuniao-para-os-beneficiarios-do-programa-bolsa-famili a/ . Acesso em 01/05/2016;  http://senhordobonfim.ba.gov.br/2015/09/comunicado-aos-beneficiarios-do-bols a-familia/ . Acesso em 01/05/2016;  http://www.santacasaba.org.br/index.php/a-instituicao. Acesso em: 01/05/2016;  http://www.caixa.gov.br/programas-sociais/bolsa-familia/Paginas/default. aspx . REFERÊNCIAS

Notas do Editor

  • #68 O nascimento da medicina social foi uma conferência realizada no instituto médico social da UERJ em outubro de 1974, com o objetivo de mostrar que a medicina moderna, ao contrário do que muitos autores acreditavam, era social e somente individualista em um de seus aspectos que é a valorização das relações médico-doente;
  • #69 Para Foucault:O capitalismo desenvolvendo-se em fins do séc XVIII e início do séc. XIX, proporcionou a passagem para uma medicina coletiva ao socializar um primeiro objeto que foi o corpo enquanto força de produção, força de trabalho. “O controle da sociedade sobre os indivíduos não se opera simplesmente pela consciência ou pela ideologia, mas começa no corpo, com o corpo. Foi no biológico, no somático, no corporal que, antes de tudo, investiu a sociedade capitalista. O corpo é uma realidade bio−política. A medicina é uma estratégia bio−politica.” (Foucault, 2005, p. 80)
  • #70  A medicina social teve como primeiro alvo o Estado, em segundo lugar as cidades e por último os pobres e trabalhadores operários; Nesse sentido, Foucault divide três etapas na formação da medicina social: 1. medicina de estado; 2. medicina urbana; 3. medicina da força de trabalho.
  • #71 Desenvolveu-se na Alemanha no início do século XVIII; Não tinha por objeto garantir uma força de trabalho, mas o corpo dos indivíduos enquanto uma força do Estado, em seus conflitos econômicos e políticos com seus vizinhos; uma vez que a Alemanha à época não se constituía um estado unitário e vivia em constantes conflitos.
  • #72  Caracterizada pela criação de uma polícia médica em meados do século XVIII e início do século XIX, que incluia: A organização de um saber médico estatal ; A normalização da prática e do saber médicos – Medicina e médicos se tornam os primeiros objetos da normalização, antes mesmo do doente, através do controle do Estado, que passa a ter o monopólio da regulamentação e da expedição dos diplomas para o exercício legal da carreira de médico; Subordinação dos médicos a uma administração central; Integração de vários médicos em uma organização médica estatal – Criação de funcionários médicos nomeados para cada região, como administradores da saúde, e que representavam o Soberano dentro de suas fronteiras políticas.
  • #73  Nesse sentido, o que se encontrava antes da grande medicina clínica do século XIX, é uma medicina funcionarizada, coletivizada, estatizada ao máximo – de forma que os outros modelos de medicina social que se seguiram, dos séculos XVIII e XIX, são atenuações desse modelo profundamente estatal e administrativo já apresentado na Alemanha. Será se ainda existe esse modelo de medicina de estado hoje?
  • #74 Sim...O hospital das forças armadas é um exemplo claro dessa medicina de Estado... Em que a preocupação está voltada para o cuidado do corpo enquanto força do Estado, onde a partir dos cursos internos realizados tanto na admissão como ao longo da prática médica, através do ensino e extensão, tem-se uma normalização desse saber médico pelo Estado.
  • #75  A medicina urbana, por sua vez, desenvolveu-se na França em fins do século XVIII. É a Medicina das coisas, das condições de vida, do meio de existência e não das pessoas. É a medicina das coisas, das condições de vida, do meio de existência e não das pessoas; Tinha como Objeto: Promoção da saúde a partir da intervenção no meio, esse considerado como lugar produtor de patologias
  • #76 Emergiu, então, a noção de salubridade na Medicina Urbana, que não é a mesma coisa de saúde; que quer dizer, o estado das coisas, do meio e seus elementos constitutivos, que permitem a melhor saúde possível, E é correlativamente a ela que aparece a noção de higiene pública, técnica de controle e de modificação dos elementos materiais do meio que são suscetíveis de favorecer ou, ao contrário, prejudicar a saúde. A cidade passa, então, a ser medicalizada a partir dos elementos físicos ambientais. Medicalização: permitiu a constituição da medicina científica ao socializá-la; colocando-a em contato com outras ciências extra-médicas, como a química e a física, a partir da análise do ar, da corrente de ar, das condições de vida e da respiração Uma medicina que perde para a medicina alemã no quesito poder forte, mas ganha no quesito cientificidade! E Grande parte da medicina científica do século XIX tem origem na experiência desta medicina urbana do final do século XVIII. Podemos encontrar essa medicina urbana hoje?
  • #77 Sim!! A própria lei 8080/90 que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes, apresentou uma visão ampliada do conceito de saúde, incluindo intervenções ambientais: “Os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais”.    Sendo assim, esse controle ambiental visando a manutenção da saúde, que é o foco da medicina urbana, encontra-se entre os objetivos e atribuições do SUS.
  • #78 Por sua vez, a medicina da força de trabalho surgiu na Inglaterra no segundo terço do século XIX; em decorrência do acelerado desenvolvimento industrial, fazendo aparecer e proliferar uma classe pobre, plebéia e proletária que, até então, não representava um elemento perigoso para a saúde da população, principalmente pelo fato de a população ter surgido como força política capaz de se revoltar ou pelo menos, participar de revoltas. Por trás dessa visão romântica, estava escondido um intuito ambíguo de: Promover uma assistência controlada aos pobres, através de uma intervenção médica, o que os beneficiava por um lado por encontrar a possibilidade de se tratamento gratuitamente ou sem grande despesa; Bem como protegia as classes ricas contra fenômenos epidêmicos originários da classe pobre, sendo a burguesia a principal interessada. Era uma medicina que visava o controle da pobreza enquanto disseminadora de doenças e dos trabalhadores, enquanto braço forte da produção, foram eles os objetos da medicalização na medicina da força de trabalho!
  • #79 Foi a que mais vingou, uma vez que possibilitou: A ligação de 3 pontos: a assistência médica ao pobre, o controle de saúde da força de trabalho; o esquadrinhamento geral da saúde pública. Além de possibilitar a realização de 3 sistemas médicos com faces e formas de poder diferentes: uma medicina assistencial destinada aos mais pobres, uma medicina administrativa encarregada de problemas gerais como a vacinação, as epidemias... Uma medicina privada que beneficiava quem tinha meios para pagar. Setores bem delimitados que permitiram a existência de um esquadrinhamento médico bastante completo , Existe essa medicina da força e trabalho hoje? Simmm
  • #80  Sim...a politica nacional de saúde do trabalhador e da trabalhadora é um exemplo desse controle de saúde da força de trabalho, em seu art 9: Art. 9º São estratégias da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora: I – integração da Vigilância em Saúde do Trabalhador com os demais componentes da Vigilância em Saúde e com a Atenção Primária em Saúde; IV – fortalecimento e ampliação da articulação intersetorial, o que pressupõe: b) fiscalização conjunta onde houver trabalho em condições insalubres, perigosas e degradantes [...]. tem-se hoje o cerest (centro referência em saúde do trabalhador) voltado para a promoção da saúde do trabalhador, enquanto força geradora da economia, desenvolvendo ações de saúde do trabalhador, bem como vigilância na área de saúde do trabalhador, com instrumentos de notificação compulsória que inclui a notificação compulsória de patologias como a AIDS, rubéola, hanseníase, dengue, a própria zika entrou nesse rol... CEREST – Vigilância na área da saúde do trabalhador: Art. 14. Cabe aos CEREST, no âmbito da RENAST: I - desempenhar as funções de suporte técnico, de educação permanente, de coordenação de projetos de promoção, vigilância e assistência à saúde dos trabalhadores, no âmbito da sua área de abrangência; Se mostra presente também através da NR 15 na qual se evidencia a preocupação na identificação de locais de insalubridade através da fiscalização, prevendo a eliminação ou neutralização da insalubridade, além de prever um adicional de insalubridade para as pessoas submetidas à condições insalubres; Não sei se vocês perceberam...mas está faltando um dos itens da função do health service e, talvez o mais polêmico que é a questão da vacinação obrigatória. E que também representa de forma bem clara essa medicina.. Para vocês ainda hoje a vacinação é obrigatória? Existe alguma estratégia voltada para essa obrigatoriedade? Simmmm... E eu espero que vocês consigam perceber isso também...
  • #81  Para vocês ainda hoje a vacinação é obrigatória? Existe alguma estratégia voltada para essa obrigatoriedade? Simmmm... E eu espero que vocês consigam perceber isso também...
  • #82 O que seria o bolsa família se não um exemplo claro dessa medicina da força de trabalho? que foi uma medicina voltada para o controle da pobreza enquanto representação de perigo para as classes ricas, enquanto foco de disseminação de doenças; O bolsa-família foi Criado em cima de uma plataforma voltada para transferência de renda direta para familias em situação de pobreza e extrema pobreza, de modo que consigam superar a situação de vulnerabilidade e pobreza. Com o objetivo romântico de garantir aos pobres o direito à alimentação, acesso à educação e à saúde, o bolsa-família exerce um controle sobre essa pobreza, a partir de sanções que são aplicadas às famílias que não cumprirem as regulamentações acordadas, entre as principais, a frequência escolar das crianças de pelo menos 85% e o respeito a uma série de cuidados com a saúde. O que pode ser verificado no art 3º da lei 10836/2004 que criou o bolsa-família:   Art. 3o A concessão dos benefícios dependerá do cumprimento, no que couber, de condicionalidades relativas ao exame pré-natal, ao acompanhamento nutricional, ao acompanhamento de saúde, através do qual as famílias devem acompanhar o cartão de vacinação e o crescimento e desenvolvimento das crianças menores de 7 anos, e as mulheres na faixa de 14 a 44 anos devem fazer o acompanhamento e, se gestantes ou amamentando, devem realizar o pré-natal e acompanhar o desenvolvimento da sua saúde e do bebê. Tem-se também o acompanhamento à frequência escolar de 85% (oitenta e cinco por cento) em estabelecimento de ensino regular, sem prejuízo de outras previstas em regulamento. De forma que, caso não cumpra o acordo, as condições, corre-se o risco de ter o benefício bloqueado, suspenso ou até mesmo cancelado; E ai vem aquela pergunta que não quer calar: o bolsa-família visa garantir a saúde ou controlar a pobreza, enquanto disseminadora de patologias? O fato é que há um controle e ele é exercido a partir de sanções quando do descumprimento das condicionalidades!! Ademais, há também uma questão econômica a ser colocada no sentido de que: ao passo em que há transferência de renda, tem-se também uma melhoria da qualidade de vida dessas pessoas, que se tornam potenciais consumidores, capazes de mobilizar a economia, representando, assim, uma estratégia de saída de crises em países emergentes, através do fortalecimento do mercado interno. Adiante vou mostrar a vocês que tal prática mostra-se como forma de controle dessa pobreza...vejam só...
  • #83 No blog da saúde do governo federal, tem-se as condicionalidades do bolsa família enquanto compromissos assumidos para receber o benefício;
  • #84 Por sua vez...no site da prefeitura de Milagres tem-se que: ... Na área da saúde, as família beneficiárias assumem o compromisso de acompanhar o cartão de vacinação... Mas, para mim, o mais marcante de todos estar por vir que é o site da prefeitura de...
  • #85 Senhor do Bonfim, através de um comunicado direcionado aos beneficiários do bolsa família, é evidente a obrigatoriedade de se cumprir as ditas condicionalidades para que as famílias possam continuar recebendo o benefício... Enfimm...fica a deixa aí para a formação de um pensamento a cerca da temática: garantia dos direitos ou obrigação mediante sanção? .... Controle da pobreza ou não?
  • #86 Assim como o nascimento da medicina social, o nascimento do hospital foi também uma conferência realizada no instituto médico social da UERJ, voltada para a compreensão do processo do surgimento do hospital na tecnologia médica. Mas afinal, a partir de que momento o hospital foi programado como um instrumento terapêutico, um instrumento de intervenção sobre a doença e o doente, instrumento suscetível, por si mesmo ou por alguns de seus efeitos, de produzir cura? Será se sempre foi assim?
  • #87 Não. O Hospital enquanto instrumento terapêutico é uma invenção relativamente nova, que data do final do século XVIII. Antes do séc XVIII: O hospital era essencialmente uma instituição de assistência aos pobres, bem como de separação e de exclusão; O personagem ideal: não era o doente que precisava de cura, era o pobre que estava morrendo; O hospital tinha como função: realizar a transição entre a vida e a morte, de salvação espiritual, aliada à separação dos indivíduos perigosos para a saúde geral da população. O Hospital também servia como depósito de loucos, devassos, prostitutas e de leprosos. O médico à época não tinha prática hospitalar, tinha uma prática individualista. E, quando ia para o hospital a pedido das comunidades religiosas, era, geralmente, o pior dos médicos e se submetia às ordens religiosas, podendo ser, inclusive, dispensado. O grande médico à época eram restritos aos ricos. Até o advento do Iluminismo, o médico deveria enfrentar a doença e a Natureza sem possuir conhecimentos sistemáticos do caso que tratava. A prática médica era intuitiva, não racional, não sistematizada, não científica e arbitrária. Quanto á intervenção do médico na doença, ela era organizada em torno da noção de crise. A crise era o momento em que se afrontavam, no doente, a natureza sadia do indivíduo e o mal que o atacava. E cabia ao médico observar os sinais, prever a evolução, ver de que lado estaria a vitória e favorecer, na medida do possível, a vitória da saúde e da natureza sobre a doença; A cura, por sua vez, era um jogo entre a natureza, a doença e o médico. Nessa luta o médico desempenhava o papel de prognosticador, prevendo a evolução da doença, mediador e aliado da natureza contra a doença. Ademais nada na organização do hospital permitia intervenção da medicina. Medicina e hospital permaneceram independentes até meados do séc XVIII.
  • #88 No século XVIII, século da luzes, da ciência, a medicalização do Hospital foi, portanto, a primeira medida iluminista visando eliminar os efeitos negativos e as desordens do local. E desordem nesse contexto significa doenças que ele podia suscitar nas pessoas internadas e espalhar na cidade em que estava situado, como também a desordem econômico−social que prejudicava a qualidade do hospital. O hospital deveria ser purificado e ordenado. a reorganização do Hospital não foi por meio da técnica médica, mas da técnica genuinamente política: a disciplina e a vigilância constante sobre os indivíduos.
  • #89 A disciplina, enquanto tecnologia, foi utilizada principalmente nos hospitais militares, onde primeiro se deu a reorganização hospitalar; seu foco era voltado para: Vigiar os homens no hospital militar para que não desertassem, na medida em que tinham sido formados de modo bastante custoso. Curá−los, evitando que morressem de doença. Evitar que quando curados eles fingissem ainda estar doentes e permanecessem de cama, Nesse sentido, a introdução dos mecanismos disciplinares, por meio da Política, vai medicalizar o Hospital, declarando sua normalidade.
  • #90 Somado à essa disciplina, teve-se uma modificação do saber médico, atrelado a busca pela razão motivada pelos ideais iluministas: Somente em 1780 é que a consciência de que o hospital pode e deve ser um instrumento destinado a curar, um local da promoção da cura, não mais da caridade, da salvação espiritual e do descaso. E essa consciência foi marcada pelas viagens-inquérito, caracterizadas pela visita e a observação sistemática e comparada dos hospitais; Dessa forma, tem-se, então, um duplo nascimento do hospital pelas técnicas de poder disciplinar e médica de intervenção sobre o meio. Foucault traz essa ideia de forma bem clara...vejam só...
  • #91  “É a introdução de mecanismos disciplinares no espaço confuso do hospital que vai possibilitar sua medicalização. [...]. A formação de uma medicina hospitalar deve-se, por um lado, à disciplinarização do espaço hospitalar, e por outro lado, à transformação, nesta época, do saber e da prática médicas”. (FOUCAULT, 2005, p.107) E quais serias as características desse hospital do século XVIII?
  • #92 Esse novo hospital que surge é caracterizado: Localização no interior da medicina do espaço urbano, ajustado ao esquadrinhamento sanitário da cidade; Critérios para a distribuição interna do mesmo: visualizando a arquitetura como instrumento de cura...nesse sentido, buscou-se formas de construir um meio individualizado para cada doente, de manipular esse meio possibilitando alterar a temperatura, refrescar o ar. Mostrando que, em sua estrutura espacial, o hospital era um meio de intervenção sobre doente; Organização de um sistema de registro permanente de tudo que acontecia. (Destacam-se técnicas de identificação de doentes com etiquetas nos seus punhos. Em cima do leito encontrava-se a ficha com o nome e a doença do indivíduo. Forma-se um registro de entradas e saídas, registro de cada sala organizado pela enfermeira-chefe, registro da farmácia, registro médico durante as entrevistas.) Formou-se um campo documentar de todo interior do hospital, assim além de lugar de curar era também de registro, acúmulo e formação de saber. Nasce um novo campo de documentação ou arquivologia do poder e do saber registrando, acumulando e sedimentando a autoridade do Hospital. Essa prática deverá ser obrigatória na formação dos novos médicos, agora criaturas soberanas no território do Hospital O responsável pela organização hospitalar passa a ser o médico. Ele é quem orienta como construí-lo e como organizá-lo. O fato de o médico controlar o regime dos doentes o faz assumir, em parte, também o funcionamento econômico hospitalar. Somado a isso, as visitas do médico aumentam cada vez mais a ponto de em torno de 1770 exige-se que um médico resida no hospital. Surge a figura do grande médico de hospital, aquele que será mais sábio quanto maior for sua experiência hospitalar. Essa inversão das relações hierárquicas no hospital, a tomada de poder pelo médico, se manifesta no ritual da visita em que o médico vai na frente seguido por toda hierarquia hospitalar: assistentes, alunos, enfermeiras (responsáveis por anotar). É assim que o saber do médico que até o início do século XVIII era encontrado apenas nos livros, começa a ter lugar no hospital
  • #93 A soberania do Hospital passa a ser responsabilidade de quem sabe mais, o Médico, aquele que detém o poder e o saber
  • #94 Com isso, naturalmente entre 1780/1790 passa-se a afirmar que a formação normativa do médico deve ter passagem hospitalar. Assim, o hospital passou a ser um lugar que além de curar deve formar médicos. A clínica surge como dimensão essencial do hospital e o que seria essa clínica? seria a organização hospitalar como lugar de formação e transmissão de saber. Nesse sentido, a medicina que se formou no século XVIII foi tanto medicina do indivíduo quanto da população. Posteriormente é que ocorre redistribuição destas medicinas, no século XIX.
  • #95 Será se ainda hoje acontece dessa forma? E como é o hospital atual? Ele assumiu tanto características do hospital anterior ao século XVIII, quanto do hospital do século XVIII, mas de uma forma aperfeiçoada...
  • #96 As santas casas de misericórdia são um exemplo atual desse hospital anterior ao século XVIII, porém de forma aprimorada, juntamente com a medicina do século XVIII: Mantidas por instituições sem fins lucrativos, que desempenham atividades paralelas ou em conjunto com o Estado, eram anteriormente de caráter caritativo, hoje se tornaram filantrópicas e com uma política mais humanizada; sendo voltada para os pobres, de forma aprimorada no sentido de não ser excludente, além de serem administradas ou não por instituições religiosas; São também locais de formação do saber;
  • #97 O hospital particular também possui essa mistura de ambos os tipos de hospital, mas com características mais acentuadas do hospital do século XVIII: O médico ainda exerce o poder dentro do Hospital em virtude de seu saber; O Hospital é ainda hoje um lugar de formação do saber médico: Tanto na graduação quanto na residência; Os hospitais particulares são hoje o reflexo de uma medicina voltada para uma classe “rica”, tal qual o conceito do grande médico anterior ao século XVIII, que era restrito aos ricos;
  • #98 É também uma mistura das duas formas de Hospital; Lugar de formação médica, onde o médico exerce seu poder de forma precária, em virtude das péssimas condições de trabalho; Ademais, embora o SUS tenha sido idealizado para abranger a toda a população, de forma igualitária, a realidade hospitalar pública precária não permite que ocorra essa igualdade... e, por ser assim, torna-se seletiva e ao mesmo tempo excludente, tal qual os hospitais anteriores ao século XVIII, por ser voltada para a pobreza, desprovida de outra opção! Somado-se a isso, tem-se ainda o fato de que, embora forneça procedimentos inovadores, os mesmos são ofertados de forma reduzida ou seletiva, por vezes priorizando pacientes com acesso e influência no sistema, ou funcionando sob liminares de justiça. É o caso, por exemplo, das cirurgias e vagas em UTIs ofertadas pelo SUS! Um exemplo disso é o hospital da restauração de pernambuco... Que vocês verão a seguir em uma matéria realizada pela PE no ar, Afiliada Reco em 04/03/2016 Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=qTyPGovdJjU
  • #99 Não há como entrar na temática da casa dos loucos sem antes apresentar a realidade a qual Foucault esteve submetido ao escrever duas obras que de alguma forma nortearam esse capítulo.
  • #101 Foucault era de família médica tradicional burguesa e desde a adolescência nutria um ódio pelo pai. Em 1950, discriminado pela reacionária sociedade francesa, Foucault assume sua homossexualidade. Ano em que é internado como louco pelo próprio pai no Hospital Sainte-Anne, momento em que escreveu dois de seus principais livros: "Doença Mental e Psicologia e História da Loucura. Após internamento, passou a viver solitário e isolado, sempre querendo se suicidar. E são essas duas obras que nortearam o capítulo que agora vos apresentareis.
  • #102 Há que ser dito anteriormente que, para Foucault, o conceito de loucura era um fato cultural e que sofreu transformações ao longo do tempo!! Antes do século XVIII, a loucura não era sistematicamente internada, internava-se os casos dito extremos, e era essencialmente considerada como uma forma de erro ou de ilusão.
  • #103 No início da idade clássica (século XVI e XVII), a loucura era vista como pertencendo às quimeras do mundo – podia viver no meio delas e só seria separada no caso de tomar formas extremas ou perigosas. Nesse contexto, o hospital era impossibilitado de assumir um lugar prilegiado; Os lugares reconhecidos como terapêuticos eram primeiramente a natureza, pois era a forma visível da verdade. Outro lugar terapêutico usual era o teatro, uma espécie de natureza invertida, por trazer a verdade da loucura de forma artificial, de “faz de conta” que era verdadeiro, onde era apresentado ao doente a comédia de sua própria loucura colocando-a em cena– tal técnica não desapareceu totalmente no séc. XIX; As prescrições dadas pelos médicos: eram de preferência a viagem, o repouso, o passeio, o retiro, o corte com o mundo vão e artificial da cidade.
  • #104 Início do séc. XIX: Coincidiu com o momento em que a loucura não é mais percebida como erro, é percebida como desordem na maneira de agir, de querer, de sentir paixões, de tomar decisões e de ser livre, é considerada uma doença, e deveria ser tratada, passando a ser uma questão não mais de exclusão social, mas de exclusão médica; Surge como doença; O sujeito que dela sofria encontrava−se desqualificado como louco; O louco, neste momento, é o doente que se difere dos outros perigosos do internamento.. O louco não é mais confundido com os bandidos, assassinos ... Ele é fraco de saúde, desprovido de sanidade mental, portanto, doente mental e, portanto, deveria ser submetido a um tratamento médico que consistia no retorno à dita normalidade. O louco é então despojado de todo poder e todo saber quanto à sua doença. A loucura continuou silenciosa, agora sob os ‘cuidados' da medicina, que assumiu a repressão da loucura.
  • #105 E é nesse contexto que surge: A psiquiatria "clássica“ é então caracterizada como jogo de uma relação de poder que dá origem a um conhecimento que, por sua vez, funda os direitos (legitima) deste poder . A loucura enquanto doença torna-se objeto de estudo da psiquiatria e, a partir daí, tudo se desdobra na limpidez do conhecimento, entre o sujeito conhecedor (psiquiatra) e o objeto conhecido (loucura). O louco surge como aquele que deve possuir um lugar especial que não é mais o internamento. Procura-se então, a Psiquiatria, um novo internamento para o louco, tratando-se de uma doença, um hospital – a casa dos loucos;
  • #106  Assim, estabelece-se a função do hospital psiquiátrico do séc XIX: Lugar de diagnóstico e de classificação, retângulo botânico onde as espécies de doenças eram divididas em compartimentos cuja disposição lembrava uma horta; Espaço fechado para um confronto, lugar de disputa, campo institucional onde se trata de vitória e submissão. Nesse contexto, ao tratar a loucura enquanto doença, surgiu então a figura do grande médico do asilo!
  • #107 À época surgiu, também, a figura do: grande médico do asilo: Aquele que pode produzir a doença em sua verdade e submetê-la, na realidade, pelo poder que sua vontade exerce sobre o próprio doente. Seu conhecimento e seu saber lhe permitem emitir verdades e manifestar sua verdade sobre o corpo do doente, numa relação de senhor para com seu vassalo. Existe uma exaltação ao poder do médico! “Ora, esta exaltação se produz numa época em que o poder médico encontra suas garantias e justificações nos privilégios do conhecimento.O médico é competente, o médico conhece as doenças e os doentes, detém um saber científico que permite a sua intervenção e a sua decisão. “ (Foucault, 2005). Aquele que pode dizer a verdade da doença pelo saber que dela tem;
  • #108  Foucault dizia que: “Como se poder ver tudo é questão de poder: dominar o poder do louco, neutralizar os poderes que de fora possam se exercer sobre eles, estabelecer um poder terapêutico e de adestramento” (FAUCAULT, 2005).
  • #109  As relações que se desenrolam são relações de poder, do direito absoluto da não−loucura sobre a loucura; do direito transcrito em termos de competência exercendo−se sobre uma ignorância, de bom senso no acesso à realidade corrigindo erros, da normalidade se impondo à desordem e ao desvio. Ademais,
  • #110 Iniciou-se um período de mudança de rumos, em especial com as descobertas de Pasteur, que colocou o médico numa posição de propagador das doenças que deveria curar, o ambiente hospitalar era um lugar da transmissão dessas doenças, o médico de hospital, indo de leito em leito, era um dos agentes mais importantes do contágio. É ai então que a psiquiatria passou por grandes abalos desde final do século XIX, colocando, essencialmente, em questão o poder do médico, questionado-se a maneira pela qual a verdade podia ser fabricada e comprometida por esse poder. O médico passou a ser questionado em seu agir. É aí então que, no final do século XIX, Basaglia, médico e psiquiatra, precursor do movimento de reforma psiquiátrico italiano conhecido como Psiquiatria Democrática, leitor de Foucault, criticava o modelo da psiquiatria clássica e hospitalar, centrada no princípio do isolamento do louco, sendo portanto excludente e repressora, e dizia que: “A característica destas instituições (escola, usina, hospital) é uma separação decidida entre aqueles que têm o poder e aqueles que não o têm”. De forma que, no final do século XIX, Todas as grandes reformas, não só da prática psiquiátrica mas do pensamento psiquiátrico, se situaram em torno desta relação de poder.
  • #111 É nesse sentido que o: Conjunto da psiquiatria moderna foi atravessado pela anti−psiquiatria, que colocou em questão o papel do psiquiatra; No cerne da antipsiquiatria existia a luta com, dentro e contra a instituição que estabelecia o internamento como justificativa de sua estratégia de dominação. É precisamente a instituição como lugar, forma de distribuição e mecanismo destas relações de poder, que a antipsiquiatria ataca.
  • #112 Foi somente a partir da segunda metade do século XX, impulsionada por Michel Foucault, e, principalmente por Franco Basaglia, psiquiatra italiano, precursor da reforma psiquiátrica, inicia-se uma radical crítica e transformação do saber, do tratamento e das instituições psiquiátricas. Esse movimento inicia-se na Itália, mas tem repercussões em todo o mundo e muito particularmente no Brasil. Nesse sentido é que se inicia o movimento da Luta Antimanicomial que nasce profundamente marcado pela idéia de defesa dos direitos humanos e de resgate da cidadania dos que carregam transtornos mentais.
  • #113 Nesse contexto, estabeleceu-se o lema do movimento: "Por uma sociedade sem manicômios", e o 18 de maio foi definido como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data comemorada desde então em todo o país.
  • #114 Ainda que com toda mobilização e luta pelo direitos dos “loucos”, foi somente em 2001 a partir de uma construção árdua de inúmeros profissionais da área da saúde e da sociedade civil organizada, em particular do movimento de luta antimanicomial, surgiu a lei nº 10.216: Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental, assegurando os direitos e a proteção das pessoas com transtorno mental, sem qualquer forma de discriminação além de reconhecer a responsabilidade do Estado para com a assistência aos portadores de transtornos; Dela originou-se a política de saúde mental... Uma política...
  • #115 Voltada para o garantir o cuidado ao paciente com transtorno mental em serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos, superando assim a lógica das internações de longa permanência que tratam o paciente isolando-o do convívio com a família e com a sociedade como um todo.
  • #116 A Política de Saúde Mental no Brasil promove a redução programada de leitos psiquiátricos de longa permanência; incentivando que as internações psiquiátricas, quando necessárias, se deem no âmbito dos hospitais gerais e que sejam de curta duração. Além disso, essa política visa à constituição de uma rede de dispositivos diferenciados capaz de permitir: a atenção ao portador de sofrimento mental no seu território, a desinstitucionalização de pacientes de longa permanência em hospitais psiquiátricos e, ainda, ações que permitam a reabilitação psicossocial por meio da inserção pelo trabalho, da cultura e do lazer. A partir deste momento, a rede de atenção diária à saúde mental experimenta uma importante expansão, passando a alcançar regiões de grande tradição hospitalar e incluiu grandes avanços....
  • #117 .... Tais como: criação do Programa “De Volta para Casa”, voltado para a desinstitucionalização; residências terapêuticas, para aqueles impossibilitados de retornar às suas famílias; E, com a portaria 3088/2011 tem-se a criação da RAPS (rede de atenção psicossocial) com a proposta de garantir a livre circulação das pessoas com problemas mentais pelos serviços de saúde oferecidos e pela comunidade, sendo composta por serviços e equipamentos variados, tais como: Centros de Atenção Psicossocial (Caps); Centros de Convivência e Cultura; Unidades de Acolhimento (Uas) Leitos de atenção integral em hospitais gerais; dentre outros. Tem-se então atualmente uma política de Saúde Mental que preconiza a redução progressiva dos leitos psiquiátricos, a qualificação, a expansão e o fortalecimento da rede extra-hospitalar. Mas, apesar de tantos avanços, o tratamento desumano dispensado ao deficiente mental é, ainda hoje, uma prática corriqueira ... Aqui mesmo em Itaberaba, por não possuir um suporte diferenciado aos casos mais graves, deficientes mentais ainda são mantidos enjaulados em suas próprias casas em uma relação de subordinação, humilhação, em substituição à tão desejada relação de afeto!