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História da Cidade de São Paulo
                                       Período Colonial 1554 a 1822

A história da cidade de São Paulo ocorre paralelamente à história do Brasil, ao longo
de aproximadamente 458 anos de sua existência, que começou nos idos de 1553,
quando os padres jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega subiram a Serra do
Mar, a fim de buscar um local seguro para se instalar e catequizar os índios. Ao atingir o
planalto de Piratininga, encontraram o ponto ideal. Tinha “ares frios e temperados como
os de Espanha” e “uma terra mui sadia, fresca e de boas águas”.

Os religiosos construíram um colégio
numa pequena colina, próxima aos rios
Tamanduateí e Anhangabaú, onde
celebraram uma missa, reunindo em
seus primeiros territórios habitantes de
origem tanto europeia quanto indígena.
Era o dia 25 de janeiro de 1554, data
que marca o aniversário de São Paulo.
                                                        Fundação de São Paulo,. Pintura de Antônio Parreiras. 1913


                                                        Ao redor do colégio formou-se uma
                                                        pequena povoação de índios convertidos,
                                                        jesuítas e colonizadores.
                                                        Em 1560, a população do povoado seria
                                                        expressivamente ampliada, quando, por
                                                        ordem de Mem de Sá, governador-geral da
                                                        colônia, os habitantes da vila de Santo
                                                        André da Borda do Campo são transferidos
                                                        para os arredores do colégio. A vila de
                                                        Santo André é extinta, e o povoado é
                                                        elevado a esta categoria, com o nome de
                                                        "Vila de São Paulo de Piratininga”.
Ilustração - Povoado de Piratininga.

Por ato régio é criada, no mesmo, ano, sua Câmara Municipal, então chamada "Casa do
Conselho". É provavelmente nesse mesmo ano de 1560 que é criada a "Confraria da
Misericórdia de São Paulo" (atual Santa Casa de Misericórdia).

Desde o início, a ocupação das terras da cidade se deu de forma policêntrica, com
diversos aldeamentos, principalmente jesuítas, mas também de outras ordens
eclesiásticas, em torno das quais se iniciavam as aglomerações. A motivação mais
natural para isso, em São Paulo, era o relevo da cidade, com muitos aclives e riachos. A
organização urbana, da mesma forma que em toda a colônia, era centrada,
administrativa e eclesiasticamente, nas paróquias. Cada paróquia era centrada em uma
capela, chamada de Freguesia, nome que tem, em Portugal e no antigo Império
Português, a menor divisão administrativa, correspondente à paróquia civil de outros
países.
A primeira paróquia foi, naturalmente, a Freguesia da Sé, fundada em 1589. Conforme
os demais núcleos foram crescendo, eles desmembraram-se, com novas capelas
ganhando status de paróquia. As paróquias desmembradas do centro foram.

        1796, 26 de março: Paróquias de Nossa Senhora do Ó e Penha de França, ambas
         distantes cerca de 10 km do centro;
        1809, 21 de abril: Paróquia da Santa Ifigênia, mais próxima mas naturalmente
         separada pelo rio Anhangabaú;
        1812, 21 de outubro: Paróquia de São Bernardo, que no ano seguinte (1813, 9 de
         novembro) foi ainda elevado a distrito;
        1818, 8 de junho: Paróquia do Brás, também mais próxima, mas naturalmente
         separada pelo rio Tamanduateí.

Com o tempo, o povoado então chamado de “Piratininga” acabou caracterizando-se
como entreposto comercial e de serviços de relativa importância regional. Esta
característica de cidade comercial e de composição heterogênea vai acompanhar a
cidade em toda a sua história. de São Paulo.

No século XVII, as atividades econômicas da vila limitavam-se quase que
exclusivamente à agricultura de subsistência. A produção e exportação de açúcar não
tinha grande desenvolvimento, embora crescessem outros cultivos nos arredores da vila,
como o de trigo, mandioca e milho, além da criação de gado. Não obstante, São Paulo
permanecia como um núcleo de povoamento pobre e isolado das áreas mais dinâmicas
da colônia. Assim, já nas primeiras décadas do século, os paulistas começaram a
organizar as bandeiras – grandes expedições que partiam em direção aos sertões
inexplorados da colônia, em busca de mão de obra indígena, pedras e metais preciosos.


                                                    Borba Gato (1649-1718) foi um dos mais
                                                    célebres bandeirantes paulista. Descobriu as
                                                    minas de Sabará em Minas Gerais.
                                                    Participou da importante expedição
                                                    chefiada por Fernão Dias Paes, em busca
                                                    das esmeraldas. Homenageado pela Cidade
                                                    em 1963, com a inauguração da estatua do
                                                    escultor Júlio Guerra, localizada à altura
                                                    5700 da Avenida Santo Amaro, a estátua
                                                    integra o Inventário de Obras de Arte em
                                                    Logradouros Públicos da Cidade de São
Estatua de Borba Gato
                                                    Paulo, mantido pelo Departamento do
                                                    Patrimônio Histórico.

Em pouco tempo, os bandeirantes se tornariam os grandes responsáveis pela ampliação dos
limites das fronteiras da colônia, incorporando ao território do Brasil inúmeras áreas que, de
acordo com o Tratado de Tordesilhas, pertenciam à Espanha.

Os bandeirantes se tornariam figuras centrais na história política de São Paulo no século XVII, e
a autoridade local dos exploradores por vezes sobrepujava os interesses da Igreja Católica e da
própria coroa portuguesa. Em 1640, a forte oposição dos jesuítas à captura e comercialização da
mão de obra indígena promovida pelos bandeirantes levou a uma série de conflitos entre os dois
grupos, que culminariam, em 13 de julho daquele ano, com a expulsão dos jesuítas de São
Paulo, medida que teve apoio dos comerciantes da vila. Os jesuítas só obteriam permissão para
retornar a São Paulo em 1653.

É também na vila de São Paulo que se                 entanto, rejeita o título e jura fidelidade à
registra, no mesmo ano de 1640, o primeiro           coroa portuguesa, encerrando o levante.
movimento nativista do Brasil, a chamada
"Aclamação de Amador Bueno". Com o
fim da Guerra da Restauração, em que
Portugal restabeleceu sua independência
política da Espanha, os moradores de São
Paulo, principalmente bandeirantes e
comerciantes, temiam ser prejudicados, já
que haviam se beneficiado economicamente
do contrabando de índios na região do rio
da Prata durante as décadas em que vigorou
a União Ibérica.
Como forma de protesto, declararam São
Paulo reino independente, e Amador
Bueno, capitão-mor, rico morador da vila e           Aclamação de Amador Bueno. – ao fundo o mosteiro
irmão do bandeirante Francisco Bueno, é              de São Bento. - 1909. Pintura de Oscar Pereira da Silva.
aclamado como rei. Amador Bueno, no


Em um primeiro momento, a concentração da atividade bandeirista em São Paulo fomentou,
ainda que de forma tímida, a atividade econômica da vila, que ensaia exercer, pela primeira vez,
a posição de entreposto comercial. Alguns bandeirantes, enriquecidos com o comércio de
escravos indígenas, faziam benfeitorias na vila. Fernão Dias, eleito juiz ordinário e presidente da
Câmara Municipal, por exemplo, doou aos monges beneditinos os recursos necessários para a
reconstrução do Mosteiro de São Bento, Em 1815, a cidade se transformou em capital da
Província.

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A história sp periodo colonial

  • 1. História da Cidade de São Paulo Período Colonial 1554 a 1822 A história da cidade de São Paulo ocorre paralelamente à história do Brasil, ao longo de aproximadamente 458 anos de sua existência, que começou nos idos de 1553, quando os padres jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega subiram a Serra do Mar, a fim de buscar um local seguro para se instalar e catequizar os índios. Ao atingir o planalto de Piratininga, encontraram o ponto ideal. Tinha “ares frios e temperados como os de Espanha” e “uma terra mui sadia, fresca e de boas águas”. Os religiosos construíram um colégio numa pequena colina, próxima aos rios Tamanduateí e Anhangabaú, onde celebraram uma missa, reunindo em seus primeiros territórios habitantes de origem tanto europeia quanto indígena. Era o dia 25 de janeiro de 1554, data que marca o aniversário de São Paulo. Fundação de São Paulo,. Pintura de Antônio Parreiras. 1913 Ao redor do colégio formou-se uma pequena povoação de índios convertidos, jesuítas e colonizadores. Em 1560, a população do povoado seria expressivamente ampliada, quando, por ordem de Mem de Sá, governador-geral da colônia, os habitantes da vila de Santo André da Borda do Campo são transferidos para os arredores do colégio. A vila de Santo André é extinta, e o povoado é elevado a esta categoria, com o nome de "Vila de São Paulo de Piratininga”. Ilustração - Povoado de Piratininga. Por ato régio é criada, no mesmo, ano, sua Câmara Municipal, então chamada "Casa do Conselho". É provavelmente nesse mesmo ano de 1560 que é criada a "Confraria da Misericórdia de São Paulo" (atual Santa Casa de Misericórdia). Desde o início, a ocupação das terras da cidade se deu de forma policêntrica, com diversos aldeamentos, principalmente jesuítas, mas também de outras ordens eclesiásticas, em torno das quais se iniciavam as aglomerações. A motivação mais natural para isso, em São Paulo, era o relevo da cidade, com muitos aclives e riachos. A organização urbana, da mesma forma que em toda a colônia, era centrada, administrativa e eclesiasticamente, nas paróquias. Cada paróquia era centrada em uma capela, chamada de Freguesia, nome que tem, em Portugal e no antigo Império Português, a menor divisão administrativa, correspondente à paróquia civil de outros países.
  • 2. A primeira paróquia foi, naturalmente, a Freguesia da Sé, fundada em 1589. Conforme os demais núcleos foram crescendo, eles desmembraram-se, com novas capelas ganhando status de paróquia. As paróquias desmembradas do centro foram.  1796, 26 de março: Paróquias de Nossa Senhora do Ó e Penha de França, ambas distantes cerca de 10 km do centro;  1809, 21 de abril: Paróquia da Santa Ifigênia, mais próxima mas naturalmente separada pelo rio Anhangabaú;  1812, 21 de outubro: Paróquia de São Bernardo, que no ano seguinte (1813, 9 de novembro) foi ainda elevado a distrito;  1818, 8 de junho: Paróquia do Brás, também mais próxima, mas naturalmente separada pelo rio Tamanduateí. Com o tempo, o povoado então chamado de “Piratininga” acabou caracterizando-se como entreposto comercial e de serviços de relativa importância regional. Esta característica de cidade comercial e de composição heterogênea vai acompanhar a cidade em toda a sua história. de São Paulo. No século XVII, as atividades econômicas da vila limitavam-se quase que exclusivamente à agricultura de subsistência. A produção e exportação de açúcar não tinha grande desenvolvimento, embora crescessem outros cultivos nos arredores da vila, como o de trigo, mandioca e milho, além da criação de gado. Não obstante, São Paulo permanecia como um núcleo de povoamento pobre e isolado das áreas mais dinâmicas da colônia. Assim, já nas primeiras décadas do século, os paulistas começaram a organizar as bandeiras – grandes expedições que partiam em direção aos sertões inexplorados da colônia, em busca de mão de obra indígena, pedras e metais preciosos. Borba Gato (1649-1718) foi um dos mais célebres bandeirantes paulista. Descobriu as minas de Sabará em Minas Gerais. Participou da importante expedição chefiada por Fernão Dias Paes, em busca das esmeraldas. Homenageado pela Cidade em 1963, com a inauguração da estatua do escultor Júlio Guerra, localizada à altura 5700 da Avenida Santo Amaro, a estátua integra o Inventário de Obras de Arte em Logradouros Públicos da Cidade de São Estatua de Borba Gato Paulo, mantido pelo Departamento do Patrimônio Histórico. Em pouco tempo, os bandeirantes se tornariam os grandes responsáveis pela ampliação dos limites das fronteiras da colônia, incorporando ao território do Brasil inúmeras áreas que, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, pertenciam à Espanha. Os bandeirantes se tornariam figuras centrais na história política de São Paulo no século XVII, e a autoridade local dos exploradores por vezes sobrepujava os interesses da Igreja Católica e da própria coroa portuguesa. Em 1640, a forte oposição dos jesuítas à captura e comercialização da mão de obra indígena promovida pelos bandeirantes levou a uma série de conflitos entre os dois grupos, que culminariam, em 13 de julho daquele ano, com a expulsão dos jesuítas de São
  • 3. Paulo, medida que teve apoio dos comerciantes da vila. Os jesuítas só obteriam permissão para retornar a São Paulo em 1653. É também na vila de São Paulo que se entanto, rejeita o título e jura fidelidade à registra, no mesmo ano de 1640, o primeiro coroa portuguesa, encerrando o levante. movimento nativista do Brasil, a chamada "Aclamação de Amador Bueno". Com o fim da Guerra da Restauração, em que Portugal restabeleceu sua independência política da Espanha, os moradores de São Paulo, principalmente bandeirantes e comerciantes, temiam ser prejudicados, já que haviam se beneficiado economicamente do contrabando de índios na região do rio da Prata durante as décadas em que vigorou a União Ibérica. Como forma de protesto, declararam São Paulo reino independente, e Amador Bueno, capitão-mor, rico morador da vila e Aclamação de Amador Bueno. – ao fundo o mosteiro irmão do bandeirante Francisco Bueno, é de São Bento. - 1909. Pintura de Oscar Pereira da Silva. aclamado como rei. Amador Bueno, no Em um primeiro momento, a concentração da atividade bandeirista em São Paulo fomentou, ainda que de forma tímida, a atividade econômica da vila, que ensaia exercer, pela primeira vez, a posição de entreposto comercial. Alguns bandeirantes, enriquecidos com o comércio de escravos indígenas, faziam benfeitorias na vila. Fernão Dias, eleito juiz ordinário e presidente da Câmara Municipal, por exemplo, doou aos monges beneditinos os recursos necessários para a reconstrução do Mosteiro de São Bento, Em 1815, a cidade se transformou em capital da Província.