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A 
Arte 
da 
Resiliência 
(ou 
A 
Arte 
de 
ser 
Uke) 
Guilherme 
A.Witte 
Cruz 
Machado 
AIKIDO 
SEM 
FRONTEIRAS 
Ultimamente, é bastante comum escutar nas conversas do dia-a-dia nos 
ambientes empresariais que a resiliência é a competência da moda. 
Ouvimos que os profissionais devem possuir essa competência, ou seja, 
devem ser resilientes. 
Mas o que é ser um profissional resiliente? 
De forma resumida, pode-se dizer que um profissional resiliente é aquele 
capaz de se adaptar de forma positiva às mudanças e pressões tão 
comuns no ambiente de trabalho. 
No âmbito corporativo, o termo também é utilizado para qualificar a 
capacidade de adaptação de uma empresa ou corporação às mudanças 
no ambiente concorrencial e às consequentes novas exigências do 
mercado em que estão inseridas. 
Expandindo ainda mais a aplicação do termo, uma pessoa resiliente é 
aquela que consegue superar as dificuldades e obstáculos por mais fortes 
e traumáticos que sejam. Pode ser desde um desemprego inesperado, a 
morte de um parente querido, a separação dos pais, a repetência na 
escola, etc. 
Originalmente, o termo resiliência é oriundo da Física, aplicado nas 
Ciências dos Materiais, e se refere à propriedade de um material de 
recuperar a sua forma ou posição original após sofrer um choque ou uma 
deformação. 
No campo da Ecologia, resiliência significa a capacidade de um 
ecossistema retornar à condição original de equilíbrio após suportar 
alterações ou perturbações ambientais. 
A etimologia da palavra resiliência vem do latim, resílio ou resilié, que 
significa saltar para trás, voltar, ser impelido, recuar, retirar-se sobre si 
mesmo, encolher, romper. 
Vale ressaltar que a resiliência não é uma característica inata do 
indivíduo (muito menos das empresas!), ou seja, pode ser compreendida 
e aprendida. Da mesma forma, compreender o conceito não é o bastante. 
A arte da resiliência deve ser praticada no dia-a-dia.
Mas como colocar em prática esse conceito? 
Neste aspecto, o treinamento do Aikido, arte marcial de origem japonesa, 
de característica interativa, fornece um bom caminho para esse 
aprendizado prático. 
O Aikido foi elaborado pelo O´Sensei (Grande Mestre) Morihei Ueshiba, 
a partir de uma série de artes marciais antigas, e disseminado através do 
mundo, com o formato atual, a partir do final da década de 40. 
Uma característica peculiar da arte é que o treinamento do Aikido é, 
essencialmente, feito em dupla. Alguns exercícios para aprimorar os 
movimentos básicos podem ser feitos de maneira solo, porém a receita 
para um bom treino fundamenta-se na interação entre os praticantes. 
Os praticantes são denominados uke e nage (nague) de acordo com o 
papel que desempenham na execução de uma técnica. De um modo 
simples, nage significa “aquele que projeta”, “aquele que executa a 
técnica” e uke significa "aquele que recebe a força", “aquele que recebe a 
técnica”. 
Desenvolver a arte de ser uke, denominada ukemi, é uma oportunidade 
de aprendizagem de maior importância (talvez a maior!) dentro da 
prática dessa arte marcial. Aqueles que se esmeram na prática de ukemi 
são capazes de absorver conhecimentos através de seus corpos e de 
sentir como é uma técnica corretamente executada. Desenvolver um bom 
ukemi é a maneira mais rápida de adquirir habilidade no Aikido. 
Mas qual a relação entre a resiliência e o ukemi? 
Na prática regular do ukemi, os praticantes aprendem que podem receber 
a técnica, sem se machucar, e retornar à posição inicial, criando uma 
postura interativa, flexível e assertiva frente às diversas possibilidades de 
movimentação do nage. 
Treinando-se bem o ukemi, tem-se uma visão verdadeira do fato, baseada 
na observação e sensação, e não em algum pensamento pré-concebido, 
proporcionando ao praticante de Aikido um tipo de resiliência emocional 
aplicável ao seu dia-a-dia. 
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A Arte da Resiliência

  • 1. A Arte da Resiliência (ou A Arte de ser Uke) Guilherme A.Witte Cruz Machado AIKIDO SEM FRONTEIRAS Ultimamente, é bastante comum escutar nas conversas do dia-a-dia nos ambientes empresariais que a resiliência é a competência da moda. Ouvimos que os profissionais devem possuir essa competência, ou seja, devem ser resilientes. Mas o que é ser um profissional resiliente? De forma resumida, pode-se dizer que um profissional resiliente é aquele capaz de se adaptar de forma positiva às mudanças e pressões tão comuns no ambiente de trabalho. No âmbito corporativo, o termo também é utilizado para qualificar a capacidade de adaptação de uma empresa ou corporação às mudanças no ambiente concorrencial e às consequentes novas exigências do mercado em que estão inseridas. Expandindo ainda mais a aplicação do termo, uma pessoa resiliente é aquela que consegue superar as dificuldades e obstáculos por mais fortes e traumáticos que sejam. Pode ser desde um desemprego inesperado, a morte de um parente querido, a separação dos pais, a repetência na escola, etc. Originalmente, o termo resiliência é oriundo da Física, aplicado nas Ciências dos Materiais, e se refere à propriedade de um material de recuperar a sua forma ou posição original após sofrer um choque ou uma deformação. No campo da Ecologia, resiliência significa a capacidade de um ecossistema retornar à condição original de equilíbrio após suportar alterações ou perturbações ambientais. A etimologia da palavra resiliência vem do latim, resílio ou resilié, que significa saltar para trás, voltar, ser impelido, recuar, retirar-se sobre si mesmo, encolher, romper. Vale ressaltar que a resiliência não é uma característica inata do indivíduo (muito menos das empresas!), ou seja, pode ser compreendida e aprendida. Da mesma forma, compreender o conceito não é o bastante. A arte da resiliência deve ser praticada no dia-a-dia.
  • 2. Mas como colocar em prática esse conceito? Neste aspecto, o treinamento do Aikido, arte marcial de origem japonesa, de característica interativa, fornece um bom caminho para esse aprendizado prático. O Aikido foi elaborado pelo O´Sensei (Grande Mestre) Morihei Ueshiba, a partir de uma série de artes marciais antigas, e disseminado através do mundo, com o formato atual, a partir do final da década de 40. Uma característica peculiar da arte é que o treinamento do Aikido é, essencialmente, feito em dupla. Alguns exercícios para aprimorar os movimentos básicos podem ser feitos de maneira solo, porém a receita para um bom treino fundamenta-se na interação entre os praticantes. Os praticantes são denominados uke e nage (nague) de acordo com o papel que desempenham na execução de uma técnica. De um modo simples, nage significa “aquele que projeta”, “aquele que executa a técnica” e uke significa "aquele que recebe a força", “aquele que recebe a técnica”. Desenvolver a arte de ser uke, denominada ukemi, é uma oportunidade de aprendizagem de maior importância (talvez a maior!) dentro da prática dessa arte marcial. Aqueles que se esmeram na prática de ukemi são capazes de absorver conhecimentos através de seus corpos e de sentir como é uma técnica corretamente executada. Desenvolver um bom ukemi é a maneira mais rápida de adquirir habilidade no Aikido. Mas qual a relação entre a resiliência e o ukemi? Na prática regular do ukemi, os praticantes aprendem que podem receber a técnica, sem se machucar, e retornar à posição inicial, criando uma postura interativa, flexível e assertiva frente às diversas possibilidades de movimentação do nage. Treinando-se bem o ukemi, tem-se uma visão verdadeira do fato, baseada na observação e sensação, e não em algum pensamento pré-concebido, proporcionando ao praticante de Aikido um tipo de resiliência emocional aplicável ao seu dia-a-dia. _________________________