Oitava categoria
Aparições de fantasmas de animais identificados
Caso 08 (Visual-sonambúlico)
Passo agora aos casos que não podem ser explicados a partir da
clarividência telepática. Começo por um fato curioso que ocorreu no
estado de sonambulismo magnético e que extraio do livro de Adolphe
d’Assier, L’Humanité Posthume (pág. 83). Este autor escreve:
“Por volta do fim do ano de 1869, eu estava em Bordeaux (França) e
encontrei, numa noite, um amigo que ia a uma sessão de magnetismo.
Ele me convidou a ir com ele. Eu aceitei o convite, feliz por poder ver de
perto os fenômenos magnéticos que só conhecia de ouvir falar. A sessão
não revelou nada de especial; ela foi uma repetição daquilo que acontece
normalmente naquelas circunstâncias. Uma jovem servia de sonâmbula
e, a julgar pela maneira como respondia aos consulentes, ela devia ser
uma boa clarividente. Contudo, o que mais me surpreendeu ao longo
daquela sessão foi um incidente inesperado. Lá pelo meio da noite, uma
das pessoas que assistiam às experiências, ao ver uma aranha no chão,
matou-a com os pés. Imediatamente a sonâmbula exclamou: “Olhe, olhe!
Percebo o espírito de uma aranha que volita!”. Sabemos que, na
linguagem do médium, a palavra “espírito” significa o que chamei de
“fantasma póstumo”. O magnetizador perguntou: “Sob que forma você o
vê?”. A sonâmbula respondeu: “Com a forma de uma aranha”.
Naquele tempo, não sabia o que pensar daquele fato estranho. Não
duvidei da lucidez da sonâmbula, mas como não acreditava em nenhuma
manifestação póstuma humana, era natural que eu não acreditasse nas
manifestações animais. A explicação do misterioso incidente me pareceu
clara muitos anos depois, no momento em que, ao ter certeza do
desdobramento humano, acabei descobrindo fenômenos análogos com
os animais domésticos. Após minhas pesquisas, convenci-me de que a
sonâmbula de Bordeaux não tinha sido vítima de nenhuma alucinação,
como acontece algumas vezes nas sessões magnéticas, e que ela tinha
observado um fenômeno objetivo e verdadeiro.”
O caso exposto é sem dúvida impressionante e a circunstância que se
produziu de maneira inesperada contribui para sustentar a autenticidade
paranormal do fato.
Se conseguíssemos reunir um número suficiente de incidentes desse tipo,
tendo as precauções necessárias para evitar a possibilidade de uma
transmissão telepática do pensamento do experimentador para a
sonâmbula, daríamos, dessa forma, um grande passo para a
demonstração científica da existência de um “corpo espiritual” animal
absolutamente análogo ao do ser humano. É, inclusive, estranho que
ninguém tenha até então tentado repetir uma experiência que é
relativamente fácil, já que qualquer hipnotizador poderia realizá-la. Ao
contrário, o incidente exposto permanece único; lembro-me somente de
que algo semelhante aconteceu, uma vez, ao longo das sessões com o
médium D. D. Home; porém, o livro 27 que contém o relato do incidente é
impossível de ser encontrado, e devo me contentar em reproduzir
algumas linhas que extraio de um artigo da Light (1907, pág. 311):
“Na obra publicada por Lord Dunraven, que não foi comercializada, mas
somente enviada a um pequeno número de amigos, encontramos o
relatório de uma sessão na qual D. D. Home, então em estado de transe,
disse perceber o espírito de um cãozinho bastante conhecido por um de
seus assistentes. Ora, naquele momento, o animal morria, e o médium
tinha visto o espírito no instante em que ele abandonava seu corpo.”
Caso 09 (Visual)
Ele saiu nos Proceedings of the S. P. R. (vol. X, pág. 127). A senhora
Gordon Jones conta:
“Sempre experimentei uma grande aversão por gatos, aversão esta que
imitei de meu pai, que não podia suportar a presença deles. Assim sendo,
nunca os tolerei em minha casa, até o dia em que me vi contrariada por
uma invasão de ratos. A solução foi arranjar um gato comum cuja
pelagem era listrada de preto e cinza, mas nunca lhe dei atenção nem
tampouco permitia que ele subisse ao andar superior da moradia.
Um dia, disseram-me que o gato estava com raiva e pediram-me
permissão para sacrificá-lo com afogamento. Não tive coragem de
certificar-me se a informação era digna de fé e, sem pensar, dei a
autorização. Pouco depois, pela tarde, disseram-me que o cozinheiro
tinha afogado o gato num caldeirão. Como o animal nunca tinha sido de
estimação nem sequer meu companheiro fiel, sua morte me foi
indiferente.
Na noite do mesmo dia em que o animal tinha sido sacrificado,
encontrava-me sozinha na sala de estar, mergulhada na leitura – estou
absolutamente certa de que não pensava nem em gatos nem em
fantasmas –, quando, de repente, senti o impulso de levantar os olhos e
olhar na direção da porta. Eu vi, ou me pareceu ter visto, que a porta se
entreabria lentamente, deixando entrar o gato morto pela manhã! Era ele,
sem sombra de dúvidas, mas parecia mais magro e estava
completamente molhado e pingando. Porém, a expressão do olhar não
era mais a mesma, pois ele me olhava com “olhos humanos” tão tristes
que eu senti muita pena; aquele olhar ficou por muito tempo na minha
memória, como uma obsessão. Estava tão certa do que via que não
duvidei estar na presença tangível do gato, salvo de alguma forma do
afogamento. Chamei a ama; assim que ela chegou, eu lhe disse:
“O gato está aqui; leve-o para lá”. Parecia-me impossível que a doméstica
não conseguisse vê-lo, pois eu o via tão nítido e real quanto a mesa e as
cadeiras; mas a ama me olhou, assustada, respondendo-me: “Minha
senhora, eu estava presente quando William conduziu o gato morto até o
jardim para enterrá-lo”. “Mas ele está aqui – eu disse –, não está vendo
perto da porta?”. A empregada não via nada; pouco depois, o gato
começou a ficar transparente e desapareceu lentamente.”
É óbvio que a hipótese da “clarividência telepática” não poderia se aplicar
ao caso que acabamos de relatar. Em contrapartida, entre as hipóteses às
quais poderíamos recorrer para explica-lo, temos a hipótese de
telemnésia, a qual pareceria muito menos legítima se a ama tivesse
compartilhado a visão da senhora Gordon. No entanto, se lembrarmos
que ela afirmara ter ficado indiferente à morte do gato e que, ao contrário,
tinha por ele um sentimento de aversão – o que descartaria a principal
condição de predisposição para as visões alucinatórias, ou seja, o estado
emotivo –; se considerarmos, por outro lado, que quando o gato
reapareceu, a mulher estava absorvida pela leitura – excluindo o fato de
que ela pensava naquele momento no animal morto –; e, sobretudo, se
levarmos em consideração que ela sentiu um impulso repentino e
imotivado de erguer os olhos e olhar para o canto da porta, onde
exatamente a aparição se produzia – circunstância que caracteriza as
manifestações telepáticas entre vivos e entre vivos e falecidos –, somos
levados a concluir que o fantasma do gato que apareceu para a dama
consistia numa manifestação espiritual-telepática, cujo agente foi o animal
sacrificado poucas horas antes.

65 oitava categoria - caso 08 e caso 09

  • 2.
    Oitava categoria Aparições defantasmas de animais identificados Caso 08 (Visual-sonambúlico) Passo agora aos casos que não podem ser explicados a partir da clarividência telepática. Começo por um fato curioso que ocorreu no estado de sonambulismo magnético e que extraio do livro de Adolphe d’Assier, L’Humanité Posthume (pág. 83). Este autor escreve:
  • 3.
    “Por volta dofim do ano de 1869, eu estava em Bordeaux (França) e encontrei, numa noite, um amigo que ia a uma sessão de magnetismo. Ele me convidou a ir com ele. Eu aceitei o convite, feliz por poder ver de perto os fenômenos magnéticos que só conhecia de ouvir falar. A sessão não revelou nada de especial; ela foi uma repetição daquilo que acontece normalmente naquelas circunstâncias. Uma jovem servia de sonâmbula e, a julgar pela maneira como respondia aos consulentes, ela devia ser uma boa clarividente. Contudo, o que mais me surpreendeu ao longo daquela sessão foi um incidente inesperado. Lá pelo meio da noite, uma das pessoas que assistiam às experiências, ao ver uma aranha no chão, matou-a com os pés. Imediatamente a sonâmbula exclamou: “Olhe, olhe! Percebo o espírito de uma aranha que volita!”. Sabemos que, na linguagem do médium, a palavra “espírito” significa o que chamei de “fantasma póstumo”. O magnetizador perguntou: “Sob que forma você o vê?”. A sonâmbula respondeu: “Com a forma de uma aranha”.
  • 4.
    Naquele tempo, nãosabia o que pensar daquele fato estranho. Não duvidei da lucidez da sonâmbula, mas como não acreditava em nenhuma manifestação póstuma humana, era natural que eu não acreditasse nas manifestações animais. A explicação do misterioso incidente me pareceu clara muitos anos depois, no momento em que, ao ter certeza do desdobramento humano, acabei descobrindo fenômenos análogos com os animais domésticos. Após minhas pesquisas, convenci-me de que a sonâmbula de Bordeaux não tinha sido vítima de nenhuma alucinação, como acontece algumas vezes nas sessões magnéticas, e que ela tinha observado um fenômeno objetivo e verdadeiro.” O caso exposto é sem dúvida impressionante e a circunstância que se produziu de maneira inesperada contribui para sustentar a autenticidade paranormal do fato.
  • 5.
    Se conseguíssemos reunirum número suficiente de incidentes desse tipo, tendo as precauções necessárias para evitar a possibilidade de uma transmissão telepática do pensamento do experimentador para a sonâmbula, daríamos, dessa forma, um grande passo para a demonstração científica da existência de um “corpo espiritual” animal absolutamente análogo ao do ser humano. É, inclusive, estranho que ninguém tenha até então tentado repetir uma experiência que é relativamente fácil, já que qualquer hipnotizador poderia realizá-la. Ao contrário, o incidente exposto permanece único; lembro-me somente de que algo semelhante aconteceu, uma vez, ao longo das sessões com o médium D. D. Home; porém, o livro 27 que contém o relato do incidente é impossível de ser encontrado, e devo me contentar em reproduzir algumas linhas que extraio de um artigo da Light (1907, pág. 311): “Na obra publicada por Lord Dunraven, que não foi comercializada, mas somente enviada a um pequeno número de amigos, encontramos o relatório de uma sessão na qual D. D. Home, então em estado de transe, disse perceber o espírito de um cãozinho bastante conhecido por um de seus assistentes. Ora, naquele momento, o animal morria, e o médium tinha visto o espírito no instante em que ele abandonava seu corpo.”
  • 6.
    Caso 09 (Visual) Elesaiu nos Proceedings of the S. P. R. (vol. X, pág. 127). A senhora Gordon Jones conta: “Sempre experimentei uma grande aversão por gatos, aversão esta que imitei de meu pai, que não podia suportar a presença deles. Assim sendo, nunca os tolerei em minha casa, até o dia em que me vi contrariada por uma invasão de ratos. A solução foi arranjar um gato comum cuja pelagem era listrada de preto e cinza, mas nunca lhe dei atenção nem tampouco permitia que ele subisse ao andar superior da moradia.
  • 7.
    Um dia, disseram-meque o gato estava com raiva e pediram-me permissão para sacrificá-lo com afogamento. Não tive coragem de certificar-me se a informação era digna de fé e, sem pensar, dei a autorização. Pouco depois, pela tarde, disseram-me que o cozinheiro tinha afogado o gato num caldeirão. Como o animal nunca tinha sido de estimação nem sequer meu companheiro fiel, sua morte me foi indiferente. Na noite do mesmo dia em que o animal tinha sido sacrificado, encontrava-me sozinha na sala de estar, mergulhada na leitura – estou absolutamente certa de que não pensava nem em gatos nem em fantasmas –, quando, de repente, senti o impulso de levantar os olhos e olhar na direção da porta. Eu vi, ou me pareceu ter visto, que a porta se entreabria lentamente, deixando entrar o gato morto pela manhã! Era ele, sem sombra de dúvidas, mas parecia mais magro e estava completamente molhado e pingando. Porém, a expressão do olhar não era mais a mesma, pois ele me olhava com “olhos humanos” tão tristes que eu senti muita pena; aquele olhar ficou por muito tempo na minha memória, como uma obsessão. Estava tão certa do que via que não duvidei estar na presença tangível do gato, salvo de alguma forma do afogamento. Chamei a ama; assim que ela chegou, eu lhe disse:
  • 8.
    “O gato estáaqui; leve-o para lá”. Parecia-me impossível que a doméstica não conseguisse vê-lo, pois eu o via tão nítido e real quanto a mesa e as cadeiras; mas a ama me olhou, assustada, respondendo-me: “Minha senhora, eu estava presente quando William conduziu o gato morto até o jardim para enterrá-lo”. “Mas ele está aqui – eu disse –, não está vendo perto da porta?”. A empregada não via nada; pouco depois, o gato começou a ficar transparente e desapareceu lentamente.”
  • 9.
    É óbvio quea hipótese da “clarividência telepática” não poderia se aplicar ao caso que acabamos de relatar. Em contrapartida, entre as hipóteses às quais poderíamos recorrer para explica-lo, temos a hipótese de telemnésia, a qual pareceria muito menos legítima se a ama tivesse compartilhado a visão da senhora Gordon. No entanto, se lembrarmos que ela afirmara ter ficado indiferente à morte do gato e que, ao contrário, tinha por ele um sentimento de aversão – o que descartaria a principal condição de predisposição para as visões alucinatórias, ou seja, o estado emotivo –; se considerarmos, por outro lado, que quando o gato reapareceu, a mulher estava absorvida pela leitura – excluindo o fato de que ela pensava naquele momento no animal morto –; e, sobretudo, se levarmos em consideração que ela sentiu um impulso repentino e imotivado de erguer os olhos e olhar para o canto da porta, onde exatamente a aparição se produzia – circunstância que caracteriza as manifestações telepáticas entre vivos e entre vivos e falecidos –, somos levados a concluir que o fantasma do gato que apareceu para a dama consistia numa manifestação espiritual-telepática, cujo agente foi o animal sacrificado poucas horas antes.