EDUCAÇÃO EM DIRETOS HUMANOS
Aula 1: DIREITOS E CIDADANIA
Cursos de licenciatura em Matemática e Física
O que é cidadania?
O que é cidadania?
• A cidadania é compreendida como o exercício
de direitos e deveres dentro de uma
sociedade.
• A construção da cidadania envolve um longo
processo de lutas e conquistas dos cidadãos
pelos seus direitos (civis, políticos e sociais).
• Falta caminhar bastante para que a cidadania
seja, realmente, expressão dos direitos de
todos e não privilégio dos setores mais
favorecidos da sociedade (DALLARI, 1998).
• A palavra cidadania foi usada na Roma Antiga para
indicar a situação política de uma pessoa e os
direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer
(DALLARI, 1998)
• ROMA: Diferenciação entre romanos/estrangeiros,
livres/escravos e entre patrícios (membros das
famílias que participaram da fundação de Roma) e
plebeus. Classificação das pessoas para efeito de
cidadania.
• Cidadania ligada a participação na esfera pública.
Distinção entre Cidadania X Cidadania Ativa.
• Mulheres não tinham cidadania (porque não
participavam da vida pública).
Direito e cidadania
Direito e cidadania
• Cristianismo: Os cristãos obedeciam ao poder do
Estado, mas resistiam até a morte às tentativas desse
mesmo Estado de invadir suas convicções espirituais
(NOVAES e LOBO, 2003).
Direito e cidadania
• Na Grécia Antiga, já havia o reconhecimento do direito
de participar ativamente da vida da cidade tomando
decisões políticas, embora esse direito ficasse restrito
a um número pequeno de pessoas (DALLARI, 1998).
Direito e cidadania
• A fase de transição do feudalismo para o
capitalismo ensejou ideias simplórias sobre a
cidadania devido à valorização do trabalho,
sendo fundamentais os direitos civis, uma vez
que, defendem a ideia da liberdade de locomoção,
de trabalho, enfim, o direito sobre o próprio corpo,
o que era bem distinto da realidade feudal
(MANZINI-COVRE, 2003).
• O capitalismo, nos seus primeiros movimentos, foi
o grande patrocinador do Estado Moderno e
representou uma grande força libertária para o
mundo da época (NOVAES e LOBO, 2003).
Direito e cidadania
• A cidadania, na sua origem, é um direito
burguês, na medida em que por trás das novas
relações sociais e políticas impostas pelo
capitalismo despontavam os interesses de uma
nova classe mercantil nas cidade (NOVAES e
LOBO, 2003).
• Cidadania ligada a vida na cidade.
• Os primeiros apontamentos que envolvem a
cidadania estão dispostos nas Carta de Direitos
dos Estados Unidos (1776) e da Revolução
Francesa (1789) Declaração de direitos do
homem e do cidadão.
Direito e cidadania
• Nas cartas, todos passam a ser tratados como
iguais perante a lei, sem discriminação de
raça, credo ou cor; cabe a todos o domínio de
seu corpo e sua vida, o direito à educação, à
saúde, à habitação e ao lazer; ainda,
estabelecem que seja direito do homem poder
expressar-se livremente, ter participação em
partidos político, sindicatos e até fomentar
movimentos sociais.
Os linchamentos nos Estados Unidos sulista. As fotos eram geralmente
vendidas como cartão postal. Os linchamentos não eram considerados
crimes hediondos, mas como a justiça divina sendo feita contra os negros.
Mississipi 1912.
Direito e cidadania
• As cartas tratavam ainda dos deveres do
cidadão, tais como ter responsabilidade em
conjunto pela coletividade, cumprir as normas
elaboradas e decididas coletivamente, participar
do governo direta ou indiretamente (MANZINI-
COVRE, 2003).
• Na Revolução Francesa, a burguesia ao tomar
o poder político descentralizou o Estado
monárquico em três poderes: executivo;
legislativo e judiciário (Influencia Iluminista,
Montesquieu).
Direito e cidadania
• Através da ação do parlamento presente no
poder legislativo, com a instauração da
Declaração de direitos do homem e do
cidadão que, os governantes foram impedidos
de atuarem arbitrariamente como na
monarquia. Portanto, o governo passou a ser
limitado pelo conjunto de leis, onde são
assegurados os direitos e deveres dos cidadãos
(MANZINI-COVRE, 2003).
Absolutismo
Leviatã, Hobbes.
Absolutismo
• Segundo Hobbes, em seu estado pré-social os
seres humanos eram todos iguais e tinham os
mesmos direitos (naturais). Desse modo, não
havia limites para a liberdade, e os homens –
lobo dos homens – avançavam uns sobre os
outros em guerras constantes (NOVAES e
LOBO, 2003).
Liberalismo e democracia
• Ideia básica do pensamento liberal – o Estado
somente ganha legitimidade se realizar as
aspirações humanas.
• As ideias de Locke invertem as de Hobbes: o ser
humano não vive para sustentar o Estado e sim o
contrário (NOVAES e LOBO, 2003).
• Rousseau via o Estado como uma “comunidade
geral” que deveria conferir direitos aos indivíduos.
O poder somente faria sentido se atendesse aos
interesses da própria comunidade (NOVAES e
LOBO, 2003).
Direito e cidadania
• Constituição Francesa de 1791 (posterior
Declaração de direitos do homem e do cidadão):
injustiça é legalizada pela discriminação da
cidadania. Volta da ideia de cidadania ativa.
• “Direitos da cidadania”: a cidadania deixou de ser
um símbolo da igualdade de todos e a derrubada
dos privilégios da nobreza deu lugar ao
aparecimento de uma nova classe de privilégios
(DALLARI, 1998).
• Feita depois da Declaração de Direitos de 1789, a
Constituição concedeu privilégios para uma
família, na medida que manteve a Monarquia.
Direito e cidadania
• Durante o século XX.
• Na Revolução Russa, no auge do acirramento
entre capitalistas e trabalhadores, foram
implantados partidos socialistas em vários
países da Europa.
Lenin e a Revolução Russa
Direito e cidadania
• Os trabalhadores passaram a lutar pelos
direitos sociais como: melhores condições de
trabalho, saúde, educação etc..
• A partir de uma melhor organização, tendo como
apoio os partidos políticos, que os operários
começaram a implantar uma nova sociedade,
começaram a exercer e ampliar a cidadania
(MANZINI-COVRE, 2003).
Direito e cidadania
Direito e cidadania
• A partir do século XX, em meados das Guerras
Mundiais, a relação entre trabalho e capital
admitiu formas diferentes das antecedentes e
teve como base a proposta socializante do
Welfare State ou Estado do Bem Estar.
Direito e cidadania
• Portanto, historicamente, o anseio pela “socialização”
está relacionado com as diversas revoluções iniciadas
pela classe operária em face ao capitalismo, que
levaram os governantes a implantarem políticas onde
transformariam o trabalhador em consumidor pleno.
• O New Deal, implementado pelo presidente Roosevelt,
cujo “objetivo” era dar condições de trabalho e vida aos
operários, inserindo-os aos bens do capitalismo,
visava efetivamente a persuadir os trabalhadores através
do poder do consumismo, com fim de afastá-los da
vida política, que ao decorrer do tempo estava se
fortificando por meio de seu desenvolvido durante
décadas (MANZINI-COVRE, 2003).
Direito e cidadania
1. Sonho americano
2. Crise de 1929.
3. New Deal – tentativa de recuperar a economia – sem efetividade ao longo
dos anos 1930.
4. Segunda guerra mundial – avanço da economia.
Direito e cidadania
Direito e cidadania
• Tilly (2000) destaca que a organização da coerção e da
preparação da guerra e a guerra em si, como
importantes para a análise do Estado. O Estado deveria
compreender a concentração do capital, a
concentração da coerção, a preparação da guerra e a
guerra em si, e a posição dentro do sistema
internacional.
• A guerra induz a formação e
transformação dos Estados (Tilly,2000).
Referências
• CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil. O longo Caminho. 3ª ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
• CAPPELLETTI, Mauro, GARTH, Bryant. Acesso a Justiça. Porto Alegre:
Fabris, 1988.
• DALLARI, Dalmo de Abreu. Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo:
Moderna, 1998.
• MELLO, Leonel Itaussu Almeida. John Locke e o individualismo liberal. IN:
WEFFOT, Francisco (Org.). Os clássicos da política. São Paulo: Ática,
2006.
• MARSHALL, T.H. Cidadania, Classe Social e Estado. Rio de Janeiro,
Zahar, 1967. Cap. III.
• MANZINI-COVRE, Maria de Lourdes. O que é cidadania. São Paulo:
Brasiliense, Coleção Primeiros passos, 2003.
• MARTINS, José de Souza. A sociedade vista do abismo: Novos estudos
sobre exclusão, pobreza e classes sociais. Editora Vozes: Petrópolis,
2002.
• NOVAES, Carlos Eduardo; LOBO, César. Cidadania para principiantes: a
história dos direitos do homem. São Paulo: Ática, 2003.
• TILLY, C. Coerção, capital e Estados europeus (990-1992). São Paulo,
EDUSP, 2000.

1. DIREITO E CIDADANIA.ppt

  • 1.
    EDUCAÇÃO EM DIRETOSHUMANOS Aula 1: DIREITOS E CIDADANIA Cursos de licenciatura em Matemática e Física
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    O que écidadania?
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    O que écidadania? • A cidadania é compreendida como o exercício de direitos e deveres dentro de uma sociedade. • A construção da cidadania envolve um longo processo de lutas e conquistas dos cidadãos pelos seus direitos (civis, políticos e sociais). • Falta caminhar bastante para que a cidadania seja, realmente, expressão dos direitos de todos e não privilégio dos setores mais favorecidos da sociedade (DALLARI, 1998).
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    • A palavracidadania foi usada na Roma Antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer (DALLARI, 1998) • ROMA: Diferenciação entre romanos/estrangeiros, livres/escravos e entre patrícios (membros das famílias que participaram da fundação de Roma) e plebeus. Classificação das pessoas para efeito de cidadania. • Cidadania ligada a participação na esfera pública. Distinção entre Cidadania X Cidadania Ativa. • Mulheres não tinham cidadania (porque não participavam da vida pública). Direito e cidadania
  • 5.
    Direito e cidadania •Cristianismo: Os cristãos obedeciam ao poder do Estado, mas resistiam até a morte às tentativas desse mesmo Estado de invadir suas convicções espirituais (NOVAES e LOBO, 2003).
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    Direito e cidadania •Na Grécia Antiga, já havia o reconhecimento do direito de participar ativamente da vida da cidade tomando decisões políticas, embora esse direito ficasse restrito a um número pequeno de pessoas (DALLARI, 1998).
  • 7.
    Direito e cidadania •A fase de transição do feudalismo para o capitalismo ensejou ideias simplórias sobre a cidadania devido à valorização do trabalho, sendo fundamentais os direitos civis, uma vez que, defendem a ideia da liberdade de locomoção, de trabalho, enfim, o direito sobre o próprio corpo, o que era bem distinto da realidade feudal (MANZINI-COVRE, 2003). • O capitalismo, nos seus primeiros movimentos, foi o grande patrocinador do Estado Moderno e representou uma grande força libertária para o mundo da época (NOVAES e LOBO, 2003).
  • 8.
    Direito e cidadania •A cidadania, na sua origem, é um direito burguês, na medida em que por trás das novas relações sociais e políticas impostas pelo capitalismo despontavam os interesses de uma nova classe mercantil nas cidade (NOVAES e LOBO, 2003). • Cidadania ligada a vida na cidade. • Os primeiros apontamentos que envolvem a cidadania estão dispostos nas Carta de Direitos dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa (1789) Declaração de direitos do homem e do cidadão.
  • 9.
    Direito e cidadania •Nas cartas, todos passam a ser tratados como iguais perante a lei, sem discriminação de raça, credo ou cor; cabe a todos o domínio de seu corpo e sua vida, o direito à educação, à saúde, à habitação e ao lazer; ainda, estabelecem que seja direito do homem poder expressar-se livremente, ter participação em partidos político, sindicatos e até fomentar movimentos sociais.
  • 10.
    Os linchamentos nosEstados Unidos sulista. As fotos eram geralmente vendidas como cartão postal. Os linchamentos não eram considerados crimes hediondos, mas como a justiça divina sendo feita contra os negros. Mississipi 1912.
  • 11.
    Direito e cidadania •As cartas tratavam ainda dos deveres do cidadão, tais como ter responsabilidade em conjunto pela coletividade, cumprir as normas elaboradas e decididas coletivamente, participar do governo direta ou indiretamente (MANZINI- COVRE, 2003). • Na Revolução Francesa, a burguesia ao tomar o poder político descentralizou o Estado monárquico em três poderes: executivo; legislativo e judiciário (Influencia Iluminista, Montesquieu).
  • 12.
    Direito e cidadania •Através da ação do parlamento presente no poder legislativo, com a instauração da Declaração de direitos do homem e do cidadão que, os governantes foram impedidos de atuarem arbitrariamente como na monarquia. Portanto, o governo passou a ser limitado pelo conjunto de leis, onde são assegurados os direitos e deveres dos cidadãos (MANZINI-COVRE, 2003).
  • 13.
  • 14.
    Absolutismo • Segundo Hobbes,em seu estado pré-social os seres humanos eram todos iguais e tinham os mesmos direitos (naturais). Desse modo, não havia limites para a liberdade, e os homens – lobo dos homens – avançavam uns sobre os outros em guerras constantes (NOVAES e LOBO, 2003).
  • 15.
    Liberalismo e democracia •Ideia básica do pensamento liberal – o Estado somente ganha legitimidade se realizar as aspirações humanas. • As ideias de Locke invertem as de Hobbes: o ser humano não vive para sustentar o Estado e sim o contrário (NOVAES e LOBO, 2003). • Rousseau via o Estado como uma “comunidade geral” que deveria conferir direitos aos indivíduos. O poder somente faria sentido se atendesse aos interesses da própria comunidade (NOVAES e LOBO, 2003).
  • 16.
    Direito e cidadania •Constituição Francesa de 1791 (posterior Declaração de direitos do homem e do cidadão): injustiça é legalizada pela discriminação da cidadania. Volta da ideia de cidadania ativa. • “Direitos da cidadania”: a cidadania deixou de ser um símbolo da igualdade de todos e a derrubada dos privilégios da nobreza deu lugar ao aparecimento de uma nova classe de privilégios (DALLARI, 1998). • Feita depois da Declaração de Direitos de 1789, a Constituição concedeu privilégios para uma família, na medida que manteve a Monarquia.
  • 17.
    Direito e cidadania •Durante o século XX. • Na Revolução Russa, no auge do acirramento entre capitalistas e trabalhadores, foram implantados partidos socialistas em vários países da Europa. Lenin e a Revolução Russa
  • 18.
    Direito e cidadania •Os trabalhadores passaram a lutar pelos direitos sociais como: melhores condições de trabalho, saúde, educação etc.. • A partir de uma melhor organização, tendo como apoio os partidos políticos, que os operários começaram a implantar uma nova sociedade, começaram a exercer e ampliar a cidadania (MANZINI-COVRE, 2003).
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  • 20.
    Direito e cidadania •A partir do século XX, em meados das Guerras Mundiais, a relação entre trabalho e capital admitiu formas diferentes das antecedentes e teve como base a proposta socializante do Welfare State ou Estado do Bem Estar.
  • 21.
    Direito e cidadania •Portanto, historicamente, o anseio pela “socialização” está relacionado com as diversas revoluções iniciadas pela classe operária em face ao capitalismo, que levaram os governantes a implantarem políticas onde transformariam o trabalhador em consumidor pleno. • O New Deal, implementado pelo presidente Roosevelt, cujo “objetivo” era dar condições de trabalho e vida aos operários, inserindo-os aos bens do capitalismo, visava efetivamente a persuadir os trabalhadores através do poder do consumismo, com fim de afastá-los da vida política, que ao decorrer do tempo estava se fortificando por meio de seu desenvolvido durante décadas (MANZINI-COVRE, 2003).
  • 22.
    Direito e cidadania 1.Sonho americano 2. Crise de 1929. 3. New Deal – tentativa de recuperar a economia – sem efetividade ao longo dos anos 1930. 4. Segunda guerra mundial – avanço da economia.
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  • 24.
    Direito e cidadania •Tilly (2000) destaca que a organização da coerção e da preparação da guerra e a guerra em si, como importantes para a análise do Estado. O Estado deveria compreender a concentração do capital, a concentração da coerção, a preparação da guerra e a guerra em si, e a posição dentro do sistema internacional. • A guerra induz a formação e transformação dos Estados (Tilly,2000).
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    Referências • CARVALHO, JoséMurilo de. Cidadania no Brasil. O longo Caminho. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. • CAPPELLETTI, Mauro, GARTH, Bryant. Acesso a Justiça. Porto Alegre: Fabris, 1988. • DALLARI, Dalmo de Abreu. Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo: Moderna, 1998. • MELLO, Leonel Itaussu Almeida. John Locke e o individualismo liberal. IN: WEFFOT, Francisco (Org.). Os clássicos da política. São Paulo: Ática, 2006. • MARSHALL, T.H. Cidadania, Classe Social e Estado. Rio de Janeiro, Zahar, 1967. Cap. III. • MANZINI-COVRE, Maria de Lourdes. O que é cidadania. São Paulo: Brasiliense, Coleção Primeiros passos, 2003. • MARTINS, José de Souza. A sociedade vista do abismo: Novos estudos sobre exclusão, pobreza e classes sociais. Editora Vozes: Petrópolis, 2002. • NOVAES, Carlos Eduardo; LOBO, César. Cidadania para principiantes: a história dos direitos do homem. São Paulo: Ática, 2003. • TILLY, C. Coerção, capital e Estados europeus (990-1992). São Paulo, EDUSP, 2000.