Edição 105 março 2015 - vitrine de variedades

230 visualizações

Publicada em

Uma vitrine de variedades

Uma das necessidades mais urgentes para o enfrentamento da crise que atinge o setor sucroenergético é conciliar redução de custos com aumento de produtividade. Para isso, a escolha da variedade é um momento importante, já que a cultura da cana é de ciclo longo e qualquer equívoco pode representar uma grande dor de cabeça aos produtores por alguns anos.

Para facilitar a escolha, a Canaoeste realiza experimentos pelos quais observa as variedades que mais se adaptam a diferentes condições de solo e clima, disponibilizando informações atualizadas, com qualidade, aos seus associados. Um deles foi tema de um Dia de Campo realizado em Igarapava-SP, em parceria com a Syngenta, que é tema de reportagem de capa desta edição.

A revista de março mostra também que o sorgo biomassa aponta como alternativa para rotação com a cana-de-açúcar. O cultivar, que é indicado como matéria-prima dedicada para bioenergia, tem alto índice de biomassa e consegue atingir até três ciclos de safra por ano. Ainda tem matéria sobre o crescimento dos fertilizantes especiais e os preparativos para a Agrishow 2015.

Entrevistas com Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do CEISE Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis), e com Mário Ferreira Campos Filho, presidente da Associação das Indústrias de Fabricação do Álcool e do Açúcar no Estado de Minas Gerais, também podem ser conferidas na edição 105. Além da Coluna Caipirinha, assinada pelo professor Marcos Fava Neves opinam no “Ponto de Vista” o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, que dá as perspectivas sobre o mercado de açúcar e de Coriolano Xavier e Bruno Wanderley de Freitas.

As notícias do Sistema Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred, entre elas, a inauguração da loja de ferragem e magazine em Jaboticabal –SP, dicas sobre o CAR, assuntos legais, informações setoriais, classificados e dicas de leitura e de português também podem ser conferidas na revista de março.

Publicada em: Negócios
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
230
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Edição 105 março 2015 - vitrine de variedades

  1. 1. Revista Canavieiros - Março de 2015 1
  2. 2. Revista Canavieiros - Março de 2015 2
  3. 3. Revista Canavieiros - Março de 2015 3 Editorial U ma das necessidades mais urgentes para o enfrentamento da crise que atinge o setor sucroenergético é conciliar redução de custos com aumento de produtivida- de. Para isso, a escolha da variedade é um momento importante, já que a cultura da cana é de ciclo longo e qualquer equívoco pode representar uma grande dor de cabeça aos produtores por alguns anos. Para facilitar a escolha, a Canaoeste realiza experimentos pelos quais observa as va- riedades que mais se adaptam a diferentes condições de solo e clima, disponibilizando informações atualizadas, com qualidade, aos seus associados. Um deles foi tema de um Dia de Campo realizado em Igarapava-SP, em parceria com a Syngenta, que é tema de reportagem de capa desta edição. A revista de março mostra também que o sorgo biomassa aponta como alternativa para rotação com a cana-de-açúcar. O cultivar, que é indicado como matéria-prima dedicada para bioenergia, tem alto índice de biomassa e consegue atingir até três ciclos de safra por ano. Ainda tem matéria sobre o crescimento dos fertilizantes especiais e os preparativos para a Agrishow 2015. Entrevistas com Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do CEISE Br (Centro Na- cional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis), e com Mário Ferreira Campos Filho, presidente da Associação das Indústrias de Fabricação do Álcool e do Açúcar no Estado de Minas Gerais, também podem ser conferidas na edição 105. Além da Coluna Caipirinha, assinada pelo professor Marcos Fava Neves, opinam no “Ponto de Vista” o vice-presidente da CCAS, Coriolano Xavier, e Bruno Wanderley de Freitas. As notícias do Sistema Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred, entre elas, a inaugura- ção da loja de ferragem e magazine em Jaboticabal –SP, dicas sobre o CAR, assuntos le- gais, informações setoriais, classificados e dicas de leitura e de português também podem ser conferidas na revista de março. Uma vitrine de variedades Boa leitura! Conselho Editorial RC Expediente: Conselho Editorial: Antonio Eduardo Tonielo Augusto César Strini Paixão Clóvis Aparecido Vanzella Manoel Carlos de Azevedo Ortolan Manoel Sérgio Sicchieri Oscar Bisson Editora: Carla Rossini - MTb 39.788 Projeto gráfico e Diagramação: Rafael H. Mermejo Equipe de redação e fotos: Andréia Vital, Fernanda Clariano, Igor Saven- hago e Rafael H. Mermejo Comercial e Publicidade: Marília F. Palaveri (16) 3946-3300 - Ramal: 2208 atendimento@revistacanavieiros.com.br Impressão: São Francisco Gráfica e Editora Revisão: Lueli Vedovato Tiragem DESTA EDIçÃO: 21.100 exemplares ISSN: 1982-1530 A Revista Canavieiros é distribuída gratuitamente aos cooperados, associados e fornecedores do Sistema Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred. As matérias assinadas e informes publicitários são de responsabilidade de seus autores. A reprodução parcial desta revista é autorizada, desde que citada a fonte. Endereço da Redação: A/C Revista Canavieiros Rua Augusto Zanini, 1591 Sertãozinho – SP - CEP:- 14.170-550 Fone: (16) 3946.3300 - (ramal 2008) redacao@revistacanavieiros.com.br www.revistacanavieiros.com.br www.twitter.com/canavieiros www.facebook.com/RevistaCanavieiros
  4. 4. Revista Canavieiros - Março de 2015 4 10 - Ponto de Vista Coriolano Xavier Vice-presidente de CCAS, professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM Ano IX - Edição 104 - Março de 2015 - Circulação: Mensal Índice: E mais: Capa - 36 Uma vitrine de variedades Com patrocínio da Syngenta e apoio da Copercana, a Canaoeste organizou um Dia de Campo para apresentar 24 cultivares de cana- -de-açúcar a produtores de Igarapa- va e região 18 - Notícias Copercana - Projeto Amendoim da UNAME participa do 6º Encontro de Produtores e Dia de Campo em Pindorama-SP - Ihara e Bayer apresentam tecnologias para aumentar a produtividade dos canaviais 30 - Notícias Sicoob Cocred - Balancete Mensal Entrevista II Mário Ferreira Campos Filho .....................página 08 Pontos de Vista Bruno Wanderley de Freitas .....................página 13 Coluna Caipirinha .....................página 14 Destaques: Abisolo destaca o crescimento do uso de fertilizantes especiais .....................página 38 Setor precisa no mínimo de 20 anos para se recuperar .....................página 40 Grupo fitotécnico começa 2015 discutindo plantio mecanizado .....................página 42 Colher cana com tecnologia de- senvolvida no Brasil .....................página 43 Sorgo biomassa .....................página 44 Ridesa/UFSCar testa novas varieda- des de cana no Mato Grosso do Sul .....................página 49 Agrishow 2015 .....................página 50 Informações Setoriais .....................página 52 Classificados .....................página 54 Cultura .....................página 57 Agende-se .....................página 58 Foto:RafaelMermejo 36 - Assuntos Legais - Queima Rural - município não pode legislar sobre o assunto 05 - Entrevista Antonio Eduardo Tonielo Filho Presidente do CEISE Br, ““Os efeitos positivos aparecerão de forma gradativa, mas o se- tor está mais otimista”.” - Em reunião na Canaoeste, secretário de Agricultura de SP pede apoio e sugestões do setor sucroenergético para regularização ambiental - CAR ainda gera dúvidas - Diretoria da Orplana participa de seminário internacional 24 - Notícias Canaoeste
  5. 5. Revista Canavieiros - Março de 2015 5 Revista Canavieiros: O aumento de 25% para 27% de etanol anidro na gasolina, anunciado pelo Governo Federal, dará novo fôlego para o se- tor sucroenergético? Tonielo Filho: Os efeitos positi- vos aparecerão de forma gradativa, mas o setor está mais otimista sim. A iniciativa movimentará a econo- mia como um todo, estimulando a retomada de alguns investimentos, o faturamento do comércio, a pres- tação de serviços e o mercado de trabalho, principalmente em Sertão- zinho e região – que representam o principal polo industrial sucroener- gético do País. Revista Canavieiros: O que esse aumento de 2% na mistura vai signi- ficar para a indústria? Tonielo Filho: O aumento de anidro na gasolina pode implicar, diretamente, na escala de produção deste tipo de eta- nol. Com isso, possibilitará a saúde fi- nanceira destas empresas com o aumen- to do faturamento e, consequentemente, poderá incrementar recursos para novos pedidos de serviços, máquinas e equi- pamentos. Revista Canavieiros: Você acredita que com essa medida os produtores de cana tenham motivos para comemorar? Tonielo Filho: Este é um pleito que os produtores de álcool fazem há al- gum tempo. Como haverá um aumento de demanda deste combustível, espera- -se um aumento de preço deste produ- to. Como o preço da cana é calculado Antonio Eduardo Tonielo Filho “Os efeitos positivos aparecerão de forma gradativa, mas o setor está mais otimista”. A afirmação é do diretor da Usina Santa Inês e Viralcool e presidente do CEISE Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético), Antonio Eduardo Tonielo Filho, que falou com exclusividade para a Revista Canavieiros sobre os impactos causados pelo percentual da mistura do etanol anidro na gasolina que aumentarou de 25% para 27%. O incremento foi anunciado no começo de março pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, após acordo entre Governo Federal, fabricantes de veículos e o setor sucroenergético e passou a valer no último dia 16 deste mesmo mês. Fernanda Clariano Foto:AgênciaCâmara/BetoOliveira Entrevista I
  6. 6. Revista Canavieiros - Março de 2015 6 por um método (CONSECANA) que leva em consideração a quantidade e o preço dos produtos finais, açúcar e ál- cool, o produtor de cana pode esperar aumento de faturamento. Revista Canavieiros: A mudança causará algum impacto para o con- sumidor? Tonielo Filho: O aumento do per- centual de álcool na mistura da gasolina contribuirá para a redução deste com- bustível, pois o preço do álcool é mais barato do que o da gasolina, atualmente, e, consequentemente, se você aumenta o percentual do produto mais barato, você reduzirá o custo. Mas, não dá para garantir que isto chegará ao consumidor final, porque existem outros elos nesta cadeia, como distribuição e comerciali- zação, que fogem do controle do produ- tor de álcool. Revista Canavieiros: Essa mistura maior de etanol, que é mais barato, na gasolina, ajuda a segurar mais au- mentos? Tonielo Filho: No preço praticado hoje da gasolina pura, com certeza o álcool contribui para segurar o preço da gasolina misturada. Podemos afir- mar que o aumento do percentual na mistura reduz custo e não cria neces- sidade de aumento, ao contrário, cria condições para redução do preço da gasolina misturada. Revista Canavieiros: De acordo com a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), o aumento da mis- tura do etanol anidro na gasolina deve elevar a demanda por anidro em torno de 1 bilhão de litros. O setor consegui- rá atender à demanda? Há estoques de etanol anidro suficientes para a altera- ção da mistura sem riscos ao abasteci- mento do mercado interno? Tonielo Filho: A UNICA é a repre- sentante das unidades produtoras e tem autoridade para fazer esta afirmação. A informação que temos é de que as usinas possuem estoques suficientes para atender ao aumento da demanda e, caso aconteça uma quebra de safra, ainda existe a alternativa de produzir menos açúcar, se o preço do etanol es- tiver satisfatório. Revista Canavieiros: A medida está de acordo com a política energética do Brasil, “que prevê o estímulo à parti- cipação de fontes renováveis de ener- gia e ainda contribui para melhorar a competitividade do setor do etanol”. Como você vê isso? Tonielo Filho: Achamos importan- tíssima esta visão, pois é a valorização de um combustível limpo, renovável, ambientalmente sustentável e de gran- de potencial energético, além do funda- mental papel social, gerando milhares de empregos. A melhoria da competiti- vidade do etanol possibilita a redução da importação de gasolina, contribuin- do para a melhoria do balanço de paga- mentos do País. Revista Canavieiros: Através dessa medida, você acredita que o Governo está começando a abrir os olhos para a importância do setor sucroenergético? Tonielo Filho: Com certeza sim, mas não é suficiente para a total reto- mada da cadeia sucroenergética. O se- tor carece de investimentos e planos de recuperação, além da inserção de- finitiva do etanol na matriz energética brasileira. O Governo precisa voltar a incentivar a produção de energia gerada pelo setor sucroenergético. Revista Canavieiros: Essa medida e também a volta da CIDE (Contribui- ções de Intervenção no Domínio Eco- nômico) tendem a equilibrar o setor depois de anos ruins? Tonielo Filho: Estas medidas não são suficientes para equilibrar o se- tor, pois os últimos anos foram muito difíceis. A volta da CIDE devolve a competitividade ao etanol hidratado, e isso já é bom, mas precisamos de al- gum tempo de bons faturamentos para vislumbrar o equilíbrio de contas, mesmo porque, hoje, o endividamen- to das unidades representa um custo a ser compensado. Revista Canavieiros: A mudança ocorre em um momento em que co- meçará a moagem da nova safra de cana do Centro-Sul do país, princi- pal região produtora de etanol. Como você vê esse momento? Tonielo Filho: Esta safra já está plantada, o que não provoca no curto prazo nenhum efeito na quantidade de cana moída. Porém, a adição de anidro à gasolina e a volta da CIDE influenciarão, ainda que timidamen- te, no preço da cana. Dessa forma, no fim da safra, a produção total pode gerar uma margem mais satisfatória nos lucros. Revista Canavieiros: Analisando todas as necessidades do setor, o que você espera para este ano? Tonielo Filho: Espero um ano ain- da muito difícil, mas com viés de re- cuperação, porque algumas medidas já foram aplicadas e outras estão em andamento, mostrando que o Governo Federal está sensibilizado em resolver o problema da ausência de políticas pú- blicas, de médio e longo prazo, para a cadeia sucroenergética. Vale ressaltar que os governos de Minas Gerais e de São Paulo também estão adotando me- didas de incentivo ao setor. RC
  7. 7. Revista Canavieiros - Março de 2015 7
  8. 8. Revista Canavieiros - Março de 2015 8 perspectiva é de dobrar o consumo no Estado, passando dos 750 milhões de litros anuais para cerca de 1,5 bilhão de litros, equivalente a nossa produção na safra 2014/15. Com as alterações das alíquotas, a da gasolina C passará de 27 para 29%, o preço do etanol hidratado poderá reduzir em até R$ 0,12 por litro e o da gasolina poderá aumentar cerca de R$ 0,07. Com essas alterações, em algumas regiões do Estado a relação de preço poderá ficar próxima de 66%, uma paridade muito boa e, na minha opinião, suficiente para observarmos a migração do consumidor da gasolina para o etanol. Revista Canavieiros - O senhor acredita que as medidas implantadas pelo Governo Federal, como o retor- no da CIDE, e a retomada do consu- mo de etanol poderão dar fôlego para a agroindústria canavieira melhorar sua situação? MC: Acredito que as medidas adota- das fazem parte e serão muito importan- tes para uma recuperação futura. Junta- mente com as alterações de alíquotas de ICMS adotadas em alguns Estados, são suficientes para destravar o mercado de etanol em 2015. O setor produzirá e comercializará mais etanol neste ano, e Entrevista II Mário Ferreira Campos Filho “Queremos ser o Estado mais eficiente e com maior rentabilidade na venda dos produtos do setor” Andréia Vital A declaração é de Mário Ferreira Campos Filho, presidente da Associação das Indústrias Sucroe- nergéticas de Minas Gerais, a SIAMIG, e dos Sindicatos da Indústria de Fabricação do Álcool e do Açúcar no Estado de Minas Gerais. Campos é o principal representante do setor sucroenergético no Estado mineiro. O executivo, formado em economia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), com MBA pelo IBMEC, ingressou no SIAMIG em 2003, como assessor econômico, e ocupou três cargos antes de chegar à presidência da entidade, em dezembro de 2013. Bem articulado e atuante, ele comemora a conquista de alíquota menor do ICMS (Imposto so- bre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação) para o etanol hidratado no Estado, que passou a vigorar a partir de 18 de março e as externalidades geradas pela mecanização de 97% da área de canaviais, fato que tornou a cana mineira bastante ecológica. Confira a entrevista e veja o que está acontecendo com o setor em Minas Gerais: Revista Canavieiros - A redução do ICMS do etanol, dos 19% para 14%, no Estado mineiro provocará quais efeitos no setor sucroenergético, na sua opi- nião? E qual impacto terá para o consumidor? Mário Campos: O maior impacto previsto é o aumento do consumo do eta- nol hidratado como consequência de uma paridade de preços pró-etanol. Nossa
  9. 9. Revista Canavieiros - Março de 2015 9 esperamos que o preço médio seja bem superior às ultimas safras. O mesmo ocorreu com o mercado de bioeletrici- dade que, devido a crise energética do País, voltou a ser considerada pelo pla- nejamento energético brasileiro. Contu- do, o setor continuará em 2015 em uma situação muito delicada em função do alto endividamento agravado recente- mente pela forte desvalorização do real. Apesar de ser um tema muito polêmico no setor, acredito que o endividamento entrará na pauta de discussão setorial muito em breve. Revista Canavieiros - Qual foi a produção de cana-de-açúcar em MG na última safra e quais são suas expec- tativas em relação ao ciclo 2015/16? MC: A produção de cana mineira situou em 59,3 milhões de toneladas, 3,25 milhões de ton de açúcar e 2,73 bilhões de litros de etanol, somados hi- dratado e anidro. Foi a maior produção de etanol da história do Estado, mesmo não sendo a maior safra de cana já mo- ída. Para 2015/16, não vemos grandes alterações na produção de cana, mas esperamos um mix ainda maior para a produção de etanol e assim mais um re- corde poderá ocorrer. Revista Canavieiros - As intempé- ries climáticas do último ano prejudica- ram os canaviais mineiros? Qual será a consequência para a próxima safra? MC: Até o final do mês de janeiro deste ano, estávamos muito preocu- pados com o efeito da seca no cana- vial. Contudo, as chuvas de fevereiro e março foram muito boas em diversas regiões, o que ajudou a minimizar os efeitos da estiagem de janeiro. Dessa forma, não estamos esperando grandes variações da safra para este ano. As re- duções que poderão existir em algumas regiões deverão ser compensadas pela elevação da disponibilidade de cana de outras regiões. RevistaCanavieiros-Qualéogrande desafio do setor sucroenergético em Mi- nas Gerais atualmente? E no Brasil, qual são as prioridades para o segmento? MC: O grande desafio do setor mi- neiro é justamente ampliar o consumo de etanol hidratado, já que apesar de possuir a segunda maior frota de veículos leves do País, as vendas do combustível limpo e renovável são irrisórias no Estado. Neste sentido, a SIAMIG vai lançar a partir de abril uma campanha de marke- ting, a fim de mostrar a maior compe- titividade do combustível no Estado, além de seu valor ambiental e geração de empregos, renda e impostos no inte- rior do Estado. Será uma campanha de valorização do etanol frente à gasolina. Além disso, de modo geral, as usinas têm que con- tinuar a melhorar sua operação, com a elevação da produtividade agrícola, através da renovação do canavial, me- lhores tratos culturais e melhorias ope- racionais. Os resultados deste trabalho deverão ser suficientes para ocupar a atual capacidade ociosa de moagem, em torno de 10% nos próximos anos. Acreditamos também que haverá uma mobilização maior no desenvol- vimento de novas variedades produti- vas, ampliação da produção de etanol de segunda geração e investimentos em bioeletricidade. Somente após essa
  10. 10. Revista Canavieiros - Março de 2015 10 fase aliada a uma necessária recupera- ção financeira é que acreditamos que o setor poderá contar com um novo ciclo de investimentos. Revista Canavieiros - O que a SIA- MIG tem feito para ajudar a solucio- nar os gargalos da cadeia produtiva canavieira? MC: A SIAMIG tem uma atuação institucional muito forte em Minas Ge- rais com uma boa comunicação com a opinião pública. Nossa mais recente conquista foi a redução do ICMS do etanol hidratado no Estado. Aliás, essa foi a terceira vez que o ICMS foi re- duzido nos últimos cinco anos. Temos um trabalho muito importante nas áreas ambiental, trabalhista e de formação de mão de obra, onde fomos o responsável pela viabilização do PRONATEC (Pro- grama Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) dentro do setor. Participamos de diversos conselhos es- taduais e federais, sempre defendendo os interesses dos produtores. Revista Canavieiros – Atualmente, Minas Gerais é o terceiro maior produ- tor de cana-de-açúcar, mas já ocupou o segundo lugar. Há alguma perspectiva para que o Estado recupere seu posicio- namento no ranking nacional? MC: Não temos mais a pretensão de ocupar um lugar mais alto no ranking de produção, mas queremos ser o Esta- do mais eficiente e com maior rentabi- lidade na venda dos produtos do setor. Para isso, temos o potencial do mercado de nosso Estado, com seus 853 municí- pios e mais de 18 milhões de habitantes. Para a exportação, trabalhamos em melhorias da logística com a finalidade de chegarmos mais fácil, mais rápido e mais barato aos portos. Mas sabemos das nos- sas dificuldades. Infelizmente, hoje reco- nhecemos que o Estado é um dos mais di- fíceis para se empreender no Brasil. Tanto a área trabalhista, quanto a tributária e, principalmente, a ambiental, têm causado diversas dificuldades não observadas em outros Estados concorrentes. Juntamente com outras entidades empresariais, temos debatido essas di- ficuldades com o Governo Estadual e com a sociedade e conseguido algum avanço nos últimos anos. Revista Canavieiros - Conforme estabelecido pelo Protocolo Ambiental, em 2014, terminou o prazo estabelecido para a eliminação da queima na colhei- ta em áreas mecanizáveis. Em Minas Gerais essa meta foi alcançada? Qual é o atual porcentual de mecanização das lavouras em Minas Gerais? MC: Os produtores mineiros cum- priram o Protocolo Agroambiental as- sinado com o Governo em agosto de 2008, com a eliminação da queimada nas áreas com declividade abaixo de 12% e introdução da colheita mecânica. Vão ficar somente cerca de 3% da área total ainda com queima em áreas com declividade acima de 12%. Nos últimos anos houve um forte investimento na compra de máquinas, equipamentos e treinamento da mão de obra para meca- nização do campo. A redução drástica da queima levou a várias externalidades positivas como a não emissão de 6,1 milhões de tone- ladas de CO2 equivalentes na atmosfera durante o período do protocolo (2008- 2014); o solo ficou muito mais protegi- do com a palha que fica no terreno e não é queimada; a eliminação da lavagem de cana gerou uma grande economia de água além da utilização dos circuitos fechados, o que possibilitou uma espe- tacular redução no consumo industrial de cinco metros cúbicos de água por tonelada de cana processada, nos anos 90, para a quantidade atual em torno de 1 m3 / ton de cana. Além do apareci- mento de um grande número de animais no canavial e, nas áreas de preservação permanente, que foram amplamente re- cuperadas nos últimos anos pelo setor. Revista Canavieiros - A demanda por energia elétrica tem aumentado, Isso pode contribuir para a retomada do setor sucroenergético? Qual o po- tencial de cogeração desse setor no Estado mineiro? MC: Há um grande potencial em Mi- nas Gerais para a bioeletricidade, con- forme demonstrado no relatório sobre o assunto divulgado pela SIAMIG no iní- cio deste ano. É uma área que terá inves- timentos por parte das empresas, com a utilização da palha e de outros combus- tíveis, como o cavaco de madeira. A po- tência instalada das usinas mineiras gira em torno de 950 MW. Em 2014, mais de 1,8 milhão de MWh de bioeletricidade foi comercializado no mercado. Com investimentos previstos de R$ 200 milhões nos próximos três anos, há possibilidade de incremento na geração de cerca de 75 MW em 2015, e mais 70 MW em 2016. Revista Canavieiros - Minas Ge- rais lançou recentemente o Pacto de Minas pelas Águas. O que tem a dizer sobre a iniciativa e qual impacto ela poderá ter no setor sucroenergético? MC: O Pacto das Águas foi um compromisso público assumido entre o Governo Estadual e diversas entida- des empresariais em prol da adoção de medidas de uso mais racional dos re- cursos hídricos. Isso ocorreu, pois em algumas regiões do Estado há fortes restrições hoje na disponibilidade de água para o atendimento ao setor pro- dutivo e até à população. Recentemente, o Conselho Estadu- al de Recursos Hídricos aprovou uma deliberação normativa que possibilita o corte das outorgas de até 25% para a irrigação e 30% para a indústria. Nosso setor está muito tranquilo por- que fez o dever de casa nos últimos anos, pois reutilizamos mais de 90% da água captada, além de implantar uma forte re- dução do consumo total nas últimas sa- fras. Assim, acreditamos que temos ar- gumentos suficientes para que estas medidas não atinjam o nosso setor. RC Em meio ao canavial estão sendo formados corredores ecológicos, que permitem também a presença de uma grande quantidade de animais As externalidades geradas pela mecanização de 97% da área de cana tornam a cana mineira bastante ecológica
  11. 11. Revista Canavieiros - Março de 2015 11
  12. 12. Revista Canavieiros - Março de 2015 12 Ponto de Vista I A volta por cima *Coriolano Xavier Coriolano Xavier A vulnerabilidade do setor sucroal- cooleiro foi tema recorrente nos últimos anos, durante a crise que desmoronou sonhos, minou fortalezas e esmoreceu a energia empreendedora em todo o setor. Foi um desgoverno, cujo saldo são mais de 60 usinas fechadas, outras 30 em recuperação judicial e uma dívida de mais de R$ 80 bilhões, pratica- mente no valor de uma safra inteira. Agora, parece que a pressão sobre o setor foi aliviada e já se contabiliza até um ato de justiça fiscal, com a volta da CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico), uma taxação so- bre a gasolina para compensar as exter- nalidades sociais e ambientais do etanol, que tornava este combustível de cana mais competitivo e inclusive estimulou a instalação de inúmeras usinas pelo País. Com as lições aprendidas nos últi- mos anos e a visão estratégica que sem- pre caracterizou a cadeia sucroalcoo- leira, o momento é de olhar para frente e discutir o próprio futuro – em alto e bom som e dialogando com a socieda- de. E isso significa colocar as cartas na mesa e perguntar: qual a matriz energé- tica que o Brasil precisa e quer? Uma discussão que é do País – do cidadão, do setor privado e do governo, mas que bem pode ter a força motriz da própria cadeia produtiva do etanol, como protagonista importante e integra- da a outras forças econômicas do agro- negócio e da indústria, com as quais o setor pode desenvolver sinergias. Definir claramente os contornos de uma matriz energética desejada e, com isso estabelecido, escolher qual o peda- ço que cabe à agroenergia nessa matriz. Então, elaborar estratégias para alcançar esse objetivo, levando em conta tecno- logia, logística, crédito, recursos huma- nos, sustentabilidade, geopolítica e ma- rketing para reposicionar a agroenergia na percepção urbana e também vender know-how brasileiro no mercado tropical. Está certo que poucas vezes o nosso agronegócio foi bom nisso de interagir com a urbanidade e contar para o mun- do seus projetos, sonhos, realizações e desafios, para alinhar com a sociedade as bandeiras importantes do setor. Te- mos agora uma nova chance, pois hoje em dia não só os alimentos, mas tam- bém energia limpa, são direitos da hu- manidade – principalmente agora que o planeta está respondendo às avalanches de CO2 com o aquecimento global. Moral de toda essa história: do lado da governança do País, pisou-se na bola feio com o setor sucroalcooleiro; faltou mais seriedade e respeito com quem plantou, cultivou e fez crescer essa es- tratégica cadeia produtiva no País. Já olhando para o futuro, vemos que será preciso discutir e desenhar novas po- líticas públicas para a agroenergia – e fazer isso envolvendo toda a sociedade. Por outro lado, fala-se de uma en- tressafra de líderes e, se não há lideran- ças com quem dialogar sobre essa que seria uma guinada histórica no setor, o jeito vai ser garimpar e lapidar gente com estatura para o momento – inven- tando até uma pedagogia da superação e da liderança. Em uma entrevista recente, o ex-pre- sidente FHC observou que “a rua, neste momento, não é dos partidos, é do povo”. Espelhados nessa frase, bem que podería- mos arriscar e dizer que, neste momento, o pensamento energético brasileiro tem tudo para ser protagonizado também por quem sonhou e fez acontecer o etanol e a agroenergia como um todo. *Vice-presidente de CCAS (Comunica- ção do Conselho Científico para Agricul- tura Sustentável), professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM.RC
  13. 13. Revista Canavieiros - Março de 2015 13 Ponto de Vista II Índia pode produzir mais açúcar do que o esperado em 2014/15, apesar da crise financeira das usinas *Bruno Wanderley de Freitas A produção de açúcar na Índia to- talizou 16,71 milhões de tone- ladas até o dia 15 de fevereiro, contra 14,53 milhões de toneladas em igual período de 2013/14 (Out-Set), aumento de 15%. Até o momento 518 usinas estiveram em operação, contra 479 unidades em atividade há um ano. Por outro lado, de todo o volume pro- duzido até o momento, somente 64 mil toneladas foram de açúcar bruto, ante 793 mil toneladas em mesmo intervalo da safra anterior. A menor produção de açúcar bruto deve-se ao atraso do governo indiano em aprovar os subsídios às exporta- ções do produto. Assim, a Índia deve exportar menos açúcar em 2014/15 do que o incialmente esperado. Inicial- mente, as usinas indianas esperavam exportar até 2 milhões de toneladas de açúcar bruto. Contudo, estima-se ago- ra que as exportações de bruto não ul- trapassem 600 mil toneladas, uma vez que a indústria terá pouco tempo hábil para usufruir o subsídio antes do início da safra no Centro-Sul do Brasil. O governo in- diano está per- to de aprovar o subsídio de R$ 4.000/ton (US$ 65/ton) para a ex- portação de açúcar bruto. Entretanto, nem todas as usinas poderão desfrutar da subvenção. A Índia estuda conceder o subsídio apenas às usinas que têm ofertado etanol para as companhias de petróleo. A medida visa estimular a produção local, de modo a atender à mistura de 5% na gasolina. A produção de açúcar em Uttar Pra- desh alcançou 4,23 milhões de tonela- das até a primeira quinzena de feve- reiro, aumento de 18,5% sobre mesmo período da temporada passada (3,57 milhões de toneladas). Já em Maha- rashtra foram produzidas 6,50 milhões de toneladas de açúcar, ante 4,98 mi- lhões há um ano. Em Karnataka, ter- ceiro principal Estado produtor da Índia, a produção de açúcar cresceu 3,4% para 2,82 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção de açúcar em Tamil Nadu somou 325 mil toneladas, queda de 37,5%, enquanto em Andhra Pradesh foram produzidas 644 mil toneladas, contra 658 mil to- neladas um ano atrás. Mesmo com a indústria enfrentan- do dificuldades financeiras, a produ- ção total de açúcar, branco mais bru- to, pode ser maior do que se esperava. Em torno de 26 milhões de toneladas, valor branco, poderão ser produzidas em 2014/15, contra 24,27 milhões na safra anterior. O aumento na produção deve-se à expansão da oferta de cana, após o governo ter realizado novos re- ajustes do preço mínimo da matéria- -prima. Apesar do crescente custo de produção, as usinas são requisitadas pelo governo a moer toda a cana que recebe do fornecedor. *Economista sênior DATAGRO RC Bruno Wanderley de Freitas
  14. 14. Revista Canavieiros - Março de 2015 14 Como está o nosso agro? Após resultados decepcionantes em janeiro, em fevereiro o desempenho exportador do agro piorou nossos sen- timentos. As exportações do agro (US$ 4,90 bilhões), se comparadas com o mesmo período de 2014 (US$ 6,39 bi), diminuíram em incríveis 23,2%. O sal- do na balança do agro de fevereiro é de US$ 3,70 bi, uma queda de 26,3%. O valor exportado acumulado no ano (US$ 10,5 bilhões) apresentou uma queda de 13,9% quando comparado (US$ 12,3 bilhões). Este resultado le- vou a um saldo positivo acumulado no ano de US$ 8,1 bilhões (14,0% menor que o mesmo período em 2014). Se continuarmos nesse ritmo, fecharíamos 2015 com um montante de apenas US$ 63 bi, uma cifra bem distante de nossa meta de 100 bi. O saldo da balança comercial brasi- leira teve um desempenho negativo em US$ 0,9 bi. Já a balança acumulada no ano teve um grave deficit de US$ 6,0 bilhões. Mesmo em queda, mais uma vez o agro evitou um desastre ainda maior na economia brasileira. Como está nossa cana? A safra 14/15 (abril/março): 570 mi ton processadas e ATR médio de 137 kg/ton; A cana vem perdendo áreas para a soja, principalmente. A soja em Rio Verde tem receita de R$ 3192/ha e custos de R$ 1961 (mar- gem de 38%) (FNP); O baixo retorno da atividade volta a comprometer a renovação, que deveria ser de 18 a 20% ao ano e foi de 15,2 na safra 14/15 (Datagro); Projeções para a safra 15/16 no Cen- tro-Sul: 570 mi ton eATR ao redor de 135; Safra 15/16 mais alcooleira, sen- do as seguintes projeções para destino da cana: 57,7% etanol (FCStone); Juros elevados (custo de capital) e maiores riscos de refinanciamento (re- baixamento ratings) vai aumentar endi- vidamento e recuperação judicial; Entressafra longa e risco para as descapitalizadas (afeta mercado); Muito desânimo e desconfiança afetando brutalmente o investimento; Estima-se a receita do setor em 14/15 ao redor de R$ 70 bilhões. E a dívida passou de R$ 77 bilhões e deve piorar com a elevação de juros no Bra- sil e nos EUA e com o real mais desva- lorizado, pois parte desta dívida é em US$. Temos uma situação muito preo- cupante aqui. Como está nosso açúcar? Safra mundial 14/15 (termina em setembro de 2015) com uma produção de 178,93 mi ton e consumo de 180,16 mi ton, deficit de 2,11 mi ton (FCStone). Pela OIA (Organização Internacional Agrope- cuária) produção mundial de 182,9 mi ton e consumo de 182,4 mi ton; Produção no Centro-Sul de 15/16 em 29,7 mi ton, 7% menor que as 31,9 mi ton de 14/15 (FCStone). Produção brasileira em 35,48 milhões de tonela- das (Datagro); Organização Mundial da Saúde recomenda que se tribute mais os refri- gerantes e outros produtos que levam açúcar e recomenda queda de 60% no consumo da América Latina; Subsídio sendo dado pela Índia e pela Tailândia faz com que a produção não se reduza; Efeitos do câmbio: preços médios em R$/tonelada (FOB Santos) foram de 864 (2013), 880 (2014) e expectativa para 2015 de R$ 920/ton; As usinas que estão fixadas apresen- tam preço médio de R$ 971/t (Archer); A Russia: importação ao redor de 550 mil toneladas, um pouco acima do ciclo anterior; Aumento do consumo hidratado e efeitos positivos nos preços do açúcar. Como está nosso etanol? 27% de anidro na gasolina co- mum representará um consumo adi- cional de 1 bilhão de litros (em 16/03 começou); CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) – participação do etanol em SP deve subir de 41% (2014) para mais de 50% (5 pontos seriam ao re- dor de 300 mi litros a mais no País); Queda do real e recuperação do petróleo: cai defasagem entre o preço de importação da gasolina e o de venda no mercado interno pela Petrobras para 14%, praticamente eliminando a pres- são para redução de preços da gasolina; Produção 15/16 no Centro-Sul 26 bi/l, mesma da safra 14/15. 14 bi/l de anidro e 12 bi l de hidratado (FCStone); Até o final de março, distribuido- ras precisam comprovar à ANP (Agên- cia Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) a aquisição de 70% do anidro que será usado na adição à gasoli- na. Em 2014, o preço foi o do hi-dratado somado a de 13%, pelo maior custo de produção do anidro. A Bioagência estima o prêmio em 12%, que aplicado a um pre- ço médio de R$ 1,41/l para o hidra-tado, daria ao anidro um preço de R$ 1,58/l; Estoques (final de março) estão mais elevados nas Usinas (2,8 bilhões de litros, contra 1,6 bi l no ciclo anterior); Em 2004, o Brasil exportava 90% e os EUA 10% do mercado mundial. Em 2014 os EUA 70% (3,16 bilhões de li- tros) e o Brasil 30%. As exportações dos EUA foram para 51 países, e existe forte plano de expansão. O Brasil importou 424 mi/l. dos EUA em 2014, e em 2015 devem oscilar de 500 mi/l. a 1 bi/l; Coluna Caipirinha Marcos Fava Neves Caipirinha A Grave Ameaça do Endividamento
  15. 15. Revista Canavieiros - Março de 2015 15 O mercado da Califórnia é o nos- so alvo nas exportações; Redução do ICMS (Imposto So- bre Circulação de Mercadorias E Pres- tação de Serviços) em MG sobre hidra- tado de 19 para 14%: consumo pula de 700 milhões para 1,5 bilhão de litros/ ano – SIAMIG; No Brasil: frota de 34 milhões de veículos e 22 milhões desses são carros com tecnologia flex; Mercado de combustíveis ciclo Otto cresceu 8% em 2014 e deve cres- cer 4% em 2015, mesmo com a crise. Como está nossa cogeração? O setor sucroenergético pode for- necer até 10% a 15% a mais de energia em 2015 que o ofertado em 2014 (20,8 mil GWh), uma participação de quase 5% no consumo do Brasil. Segundo cálculos de Zilmar Souza (UNICA) existe potencial para oferecer 6 vezes mais que isto. Estima-se que em 2014 foi responsável por atender 11 milhões de residências e poupou 14% da água dos reservatórios do país; O PND (preço de liquidação de diferenças) da ANEEL (Agência Na- cional de Energia Elétrica) tem teto de R$ 388,48/MWh em 2015. Em 2014 os preços chegaram a atingir mais de R$ 800/MWh. Portanto, temos pouco estímulo de preços para expansão, o que não faz sentido no Brasil que care- ce de investimentos em energia limpa. Quem é o homenageado do mês? A coluna Caipirinha todo mês home- nageia uma pessoa. Neste mês a home- nagem vai para o Zilmar José de Souza. Um belo quadro formado na FEA-RP, que se especializou no importante mer- cado de energias renováveis, sendo hoje um dos maiores especialistas mundiais no assunto e grande colaborador da ca- deia produtiva da cana no Brasil. Haja Limão: Preparei esta foto final para guardar para meus filhos. 15 de março de 2015, um dia histórico, de resgate da vontade de ser brasileiro. Levei filhos, sobrinhos, esposa, avó e vi muitos alunos, muitos amigos e muitos brasileiros. Fomos às ruas de Ribeirão Preto, onde já estavam mais 40 mil pessoas. Esta cidade que es- colhi para viver mais uma vez me orgu- lha pela sua responsabilidade e brasilida- de. Valeu minha família, valeu amigos, valeu Ribeirão Preto. Fazia tempo que não me sentia… tão brasileiro. Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto. Em 2013 foi Professor Visitante Internacio- nal da Purdue University (EUA)RC
  16. 16. Revista Canavieiros - Março de 2015 16 Coluna Caipirinha O Brasil em um Atoleiro O professor Marcos Fava Ne- ves escreveu o texto abaixo, que é um resumo executivo, em formato de tópicos e utilizado para fins didáticos, da matéria de 12 páginas dedicada pela conceituada revista The Economist, em 28 de fevereiro de 2015, ao Brasil. Confira o texto com alguns comentários do professor ao final. - A economia brasileira está uma ba- gunça, com problemas bem maiores do que o governo irá admitir ou os investi- dores têm registrado; - Uma imagem colorida foi vendi- da pela presidente/candidata antes das eleições – um falso prospecto; - Estagnação da economia nos úl- timos anos (media de 1,3% de cresci- mento, em 4 anos); - Em 2015 uma contração esperada de 0,5% a 2,0% é prevista na economia brasileira com recessão prolongada; - Alta inflação espremendo os salá- rios e o pagamento das dívidas dos con- sumidores e trazendo erosão no poder de compra; - Com inflação ainda acima da meta, o Banco Central não consegue reduzir sua taxa básica de juros do nível atual de 12,25%; - Um aperto fiscal e taxas de juros altas significam mais sofrimento para famílias e empresas brasileiras e um re- torno mais lento ao crescimento; - Forte desvalorização do câmbio, maior que 30% em relação ao dólar em 2014; -As empresas brasileiras possuem dívi- da externa de 40 bilhões de dólares. Essa dívida sofre ainda um crescimento enorme por conta da desvalorização do real; - Os índices de aprova- ção da presidente caíram de 42% para 23% em três meses (dezembro/feverei- ro) e sua base política está desmoronando; - O chamado “capi- talismo estatal tropical” envolveu frouxidão fiscal, contas públicas opacas, política industrial que de- bilitou a competitividade e intromissão presidencial na política monetária; - O deficit fiscal dobrou para 6,75% do PIB; - Erros nos subsídios para eletricidade e com- bustíveis foram grandes e estão sendo pagos; - Grandes empréstimos subsidiados por bancos públicos para beneficiar setores e empresas; - Governo atual com característica semiparlamentarista com o presidente do Congresso não alinhado com o governo; - Recessão e receitas fiscais em queda podem debilitar o ajuste preconizado; - As manifestações em massa contra corrupção e mediocridade dos serviços públicos vistas em 2013 podem se repe- tir em 2015; - Preços de importação aumentando trarão maior inflação; - Riscos de falta de água e de apa- gões, que agora são menores devido ao aumento de 30% no preço da energia; - A produtividade do trabalhador brasileiro não justificou e não justifica mais aumentos reais nos salários; -Adívida das famílias está equivalen- te a cerca de 46% da renda disponível; - 80% das dívidas das famílias refe- rem-se a crédito ao consumidor, cujo custo chega a ser punitivo. Quando se soma o pagamento do principal da dívi- da, o serviço da dívida chega a 21% da renda disponível; - O total dos empréstimos para o se- tor privado saltou de 25% do PIB para 55% nos últimos dez anos; - A confiança do consumidor é a me- nor em 10 anos; - Os investimentos que subiram du- rante 8 dos 10 anos até 2013 despenca- rão em 2015; - A Petrobras está atolada em um es- cândalo de corrupção que paralisou os gastos e deverá custar até 1% do PIB em investimentos estrangeiros perdidos; - Em 2014, o Brasil gastou R$ 314 bilhões (6% do PIB) com o pagamento dos juros, um aumento de 25% em re- lação a 2013; -Adívida pública hoje equivale a 66% do PIB, a mais alta dos países do BRIC; - O BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e So-
  17. 17. Revista Canavieiros - Março de 2015 17 cial) e a Caixa apresentavam 39% de empréstimos em 2009, hoje essa par- cela equivale a 55%; - No ranking “Fortune Global 500” das maiores companhias por fatura- mento em 2014, somente 7 eram brasi- leiras (1,4%). Na lista das 2 mil empre- sas mais valiosas do mundo da Forbes, apenas 25 (1,3%) eram brasileiras; - Empresas no Brasil enfrentam uma diversidade de obstáculos: burocracia, legislação tributária complexa, fraca in- fraestrutura, falta de mão de obra capa- citada e uma economia estagnada; - Brasil ainda enfrenta gestão fraca em diversas empresas de porte médio; - Uma empresa de médio porte brasilei- ragasta2.600horasparadeclararimpostos a cada ano. No México, são 330 horas. - Existem muitas empresas familiares ainda com baixa confiança em executi- vos, relutando em se profissionalizar; - Gestão de curto prazo, devido a dé- cadas de alta inflação; - Os empresários brasileiros continu- am a gastar horas em reuniões com políti- cos que poderiam ser mais bem utilizadas melhorando suas empresas. Protegidas da competição por tarifas, subsídios e regras de conteúdo local, as empresas têm pou- cos motivos para inovar. O que fazer: - Encorajar o comércio internacional e abrir essa economia superprotegida - Simplificar impostos; - Recuperar a responsabilidade fiscal; - Recuperação na confiança nos ne- gócios; - Baixar as taxas de juros assim que possível; - Reformar a generosa previdência pública; - Criar políticas mais favoráveis aos negócios; - Frear os empréstimos financiados por bancos públicos em favor de seto- res e empresas. Comentários: apesar de em alguns momentos apresentar uma análise muito rigorosa, o retrato acaba sendo um bom resumo dos equívocos come- tidos na esfera econômica e política pelo Governo nos últimos anos e tra- ça os caminhos do que deve ser feito, amplamente conhecidos no Brasil, mas com pouca vontade e condições de fa- zer acontecer. Creio que a análise da Economist foi muito dura com as em- presas brasileiras, muito crítica, sem ressaltar as difíceis condições para competir que as mesmas encontram na arena produtiva brasileira. Sem dúvida, ser capa da Economist, com uma matéria absolutamente críti- ca, é algo que denigre mais ainda nos- sa já desgastada imagem internacional, mas mostra, principalmente ao leitor mais informado, seja do ambiente em- presarial como político, os equívocos de nossa gestão. Ressalto que aqui foi feito apenas um resumo da matéria. Prof. Marcos Fava Neves RC
  18. 18. Revista Canavieiros - Março de 2015 18 Projeto Amendoim da UNAME participa do 6º Encontro de Produtores e Dia de Campo em Pindorama-SP Notícias Copercana N o dia 26 de fevereiro, a APTA (Agência Paulista de Tecno- logia dos Agronegócios) por meio do Polo Regional Centro-Norte e do IAC (Instituto Agronômico), rea- lizou o 6º Encontro de Produtores e Dia de Campo de Amendoim, em Pindora- ma, no interior de São Paulo. O evento reuniu cerca de 200 pro- dutores rurais e profissionais ligados à cultura do amendoim, entre eles produ- tores do Projeto Amendoim da UNA- ME (Unidade de Grãos da Copercana). Segundo os organizadores do evento, a adesão dos produtores só não foi maior devido aos os trabalhos com a colheita que já terem começado. Os produtores presentes participaram de palestras sobre temas atuais deman- dados pelo setor produtivo, como o novo vírus que ataca a cultura do amendoim, as escolhas realizadas pelos produtores em todas as safras, a multiplicidade de fertilizantes foliares e fungicidas, o mer- cado nacional e internacional de amen- doim e as atividades da recém-criada Câmara Setorial de Amendoim. Em visita ao campo, tiveram a opor- tunidade de conhecer as atividades e os resultados do programa de melhora- mento genético de amendoim, liderado Fernanda Clariano com informações de assessoria pelo IAC, da Secretaria deAgricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. “Este ano foi possível notar a pre- sença de um grande número de téc- nicos e estudantes. Isto significa que há uma demanda cada vez maior por conhecimento, por informação sobre a cultura. O aumento da procura por eventos de amendoim mostra que a cultura está ganhando mais projeção no cenário agrícola de São Paulo. Ape- sar da situação econômica do País, o mercado de amendoim continua está- vel, a área de plantio aumentou nos úl- timos dois anos e a produção também está com tendência para aumento”, afirmou o pesquisador do IAC, Dr. Ig- nácio José de Godoy. Para o gerente da UNAME, Augusto César Strini Paixão, “esse encontro é muito importante para os técnicos da co- operativa e produtores do ProjetoAmen- doim. Por meio das palestras tivemos várias informações desde a produção de sementes certificadas, produção de no- vas variedades, manejo da cultura e os mercados interno e externo. Todas essas informações nos colocam sempre mais perto de alcançarmos as melhorias ne- cessárias para atingir nosso objetivo, que é o de produzir amendoim com o menor custo, melhor produtividade e vender pelo melhor preço”.RC O encontro é considerado um dos principais eventos da cultura do amendoim no País Evento reuniu cerca de 200 produtores rurais e profissionais ligados à cultura do amendoim
  19. 19. Revista Canavieiros - Março de 2015 19
  20. 20. Revista Canavieiros - Março de 2015 20 Notícias Copercana Copercana abre sua 20ª loja de Ferragem e Magazine J aboticabal está em festa. Além do posto de combustíveis e supermer- cado, no dia 12 de março a Coper- cana abriu as portas da loja de Ferragem e Magazine para receber os cooperados e clientes com uma linha completa em ferramentas, implementos, fertilizantes, adubos, defensivos, insumos, produtos veterinários, ração, além de eletrodo- mésticos, artigos para cama, mesa, ba- nho e presentes. A loja foi construída numa área de 257m², ao lado do supermercado Co- percana, oferecendo aos clientes con- forto, qualidade nos produtos, opor- tunidade de bons negócios, excelente atendimento e a comodidade de um es- tacionamento coberto. O estabeleci- mento conta com cinco colaboradores, prontos para auxiliar os cooperados e clientes em todas as necessidades. “Primamos pelo bom atendimento e qualidade e para isso contamos com colaboradores motivados e comprome- tidos. Estamos apostando nessa loja que veio para somar junto ao supermercado e ao posto de combustíveis e vamos fa- zer de tudo para dar certo”, ressaltou o encarregado da loja de Jaboticabal, Ma- theus Toniello. Fernanda Clariano Jaboticabal, no interior de São Paulo, agora passa a contar com todos os serviços oferecidos pela cooperativa. A nova loja fica na Rua São João, nº 350 - Telefone: (16) 3209-4310 Pedro Esrael Bighetti, diretor da Copercana Matheus Toniello, encarregado da loja de Jaboticabal Presente na abertura, o diretor da Copercana, Pedro Esrael Bighetti, fa- lou sobre a expansão da cooperativa e da gratificação de poder contar com o apoio dos cooperados. “Estamos abrin- do mais uma porta, essa é a vigésima loja de Ferragem e Magazine e nos orgulhamos porque hoje a Copercana está presente nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, dando suporte aos co- operados e clientes. Jaboticabal agora conta com um leque de serviços da coo- perativa porque temos o posto de com- bustível, o supermercado e agora mais
  21. 21. Revista Canavieiros - Março de 2015 21 Endereço da loja: Av. Dr. Oswaldo Scatena, nº 461 - Centro - Batatais/SP Loja de Magazine e Ferragens de Jaboticabal fica localizada ao lado do Supermercado Copercana. Ricardo Meloni, gerente comercial da Copercana União Vet, empresa parceira da Copercana uma opção. Fizemos um levantamento e sabemos que essa loja veio para somar e atender às necessidades dos morado- res dessa cidade. Essa é uma forma de retribuir os cooperados pelo apoio que têm dado à cooperativa e temos certe- za que o nosso sucesso depende muito da aceitação deles”, afirmou o diretor, que tem sua opinião compartilhada com o gerente comercial da Copercana, Ri- cardo Meloni. “Acreditamos muito em Jaboticabal, tanto que estamos com to- dos os nossos serviços disponíveis na cidade e a intenção é continuar com os trabalhos oferecendo o melhor para os cooperados e clientes”. “Tenho parceria estabelecida com a Copercana desde que abri a empre- sa de produtos veterinários, há quatro anos. Sei da idoneidade da cooperativa e creio que juntos iremos obter sucesso dentro desse mercado que vamos co- meçar a explorar na cidade de Jabotica- bal”, destacou o proprietário da União Vet, Evaldo Fernandes Segatto. A Copercana não para por aí. Em breve irá inaugurar sua 21ª loja na cida- de de Guará. Aguardem! RC
  22. 22. Revista Canavieiros - Março de 2015 22 Ihara e Bayer apresentam tecnologias para aumentar a produtividade dos canaviais Notícias Copercana A crise enfrentada pelo se- tor sucroenergético impõe aos produtores de cana-de-açúcar a necessidade de buscar alternati- vas que favoreçam a competiti- vidade. Uma delas é o aumento do rendimento das lavouras, assunto que está entre os mais discutidos em congressos, sim- pósios, dias de campo e outros eventos. Os agricultores apro- veitam essas ocasiões para tirar dúvidas e, as empresas, para divulgar estratégias e produtos que visam satisfazer às deman- das mais urgentes. Nos dias 24 e 25 de fevereiro, o local marcado para dois desses encontros foi o Cred Clube Copercana, em Sertãozinho- -SP. No primeiro deles, representantes da Ihara convidaram consultores, produ- tores, além de colaboradores da Coper- cana e Canaoeste, para discutir os bene- fícios da aplicação de maturadores nos canaviais e apresentar a tecnologia Riper, desenvolvida pela empresa. No dia se- guinte, foi a vez da Bayer, que debateu com o público, de perfil parecido com o da reunião anterior, a inibição do flores- cimento da cana e a utilização de um pro- duto tradicional da companhia, o Ethrel. Nos dois eventos, os convidados foram recepcionados com um café da manhã e, após as palestras, participa- ram de um almoço. Além de ouvirem especialistas, tiveram a oportunidade de trocar informações sobre práticas e experimentos que deram certo. Ihara No dia 24, a Ihara abriu os traba- lhos. Ficou a cargo do agrônomo Rena- to Sanomya, da RMS Assessoria Agrí- cola, uma abordagem sobre a ação dos maturadores na cana. Ele explicou, em detalhes, como esses compostos agem na fisiologia da planta e contribuem para aumentar o teor de sacarose. Em síntese, os maturadores bloqueiam o crescimento vegetativo da cana. Com Agrônomo Renato Sanomya, da RMS Assessoria Agrícola, Agrônomo Rodrigo Naime Salvador, da Ihara Murilo de Falco de Souza, Rodrigo Sicchieri, Manoel Sicchieri Neto e Frederico Dalmaso isso, afirmou Sanomya, a energia que serviria como alimento, para que os col- mos se alonguem, é armazenada sob a forma de sacarose, o que significa mais rendimento na colheita e na indústria. Conforme a sacarose é produzida, ela vai sendo depositada a partir dos colmos inferiores, de baixo para cima. Nas partes mais altas da planta, onde estão os colmos ainda imaturos, parte da sacarose se converte em outros dois açúcares, a glicose e a frutose, das quais a planta se alimenta para crescer. Ha- vendo o bloqueio do crescimento ve- getativo, com o uso de maturadores, a porção que se converteria em glicose e frutose continua sob a forma de sacaro- se, o que eleva o índice de Pol. Ele alertou que, nesse processo, a tendência é que haja uma perda da quantidade de TCH (toneladas por hec- tare), já que os colmos não crescem normalmente, mas, com o maturador aplicado de maneira adequada, geral- mente essa queda é superada pela oferta de mais sacarose. Isso permite ampliar o rendimento da colheita e reduzir cus- tos de transporte, já que é possível des- locar o mesmo volume de cana, mas com maior Pol. Sanomya lembrou, ainda, que além desse tipo de maturador, existem tam- bém aqueles que atuam sobre os promo- Igor Savenhago Durante os encontros, que ocorreram no Cred Clube em Sertãozinho-SP, as empresas debateram inibição de florescimento e ação dos maturadores e explicaram a atuação dos produtos Riper e Ethrel tores de crescimento e os estressantes, que estimulam a produção de um hor- mônio maturador, o etileno. Em todos os casos, é preciso que o produtor esteja atento e avalie se a obtenção maior de Pol compensa a queda de TCH. Há, de acordo com o agrônomo, três opções para aplicação dos maturado- res: como inibidores de florescimento, o que evita a isoporização da cana; no início de safra, para antecipar a colhei- ta; ou no final, para postergar a manu- tenção de Pol na planta. A partir do cenário apresentado, o agrônomo Rodrigo Naime Salvador, da Ihara, expôs como uma tecnolo- gia desenvolvida pela empresa, o Ri- per, contribui para que os produtores
  23. 23. Revista Canavieiros - Março de 2015 23 Michel da Silva Fernandes, da MS Fernandes Consultoria Agrícola consigam o tão desejado aumento na produtividade. Durante a apresentação “Nova tecnologia para cana-de-açúcar aliada à gestão da produtividade”, ele falou sobre os principais benefícios do produto, que está no mercado desde o ano passado. Experimentos feitos pela Ihara demonstraram, segundo Salvador, que com o uso do Riper foi possível anteci- par o corte em 16 dias em média, além de que o incremento médio de Pol foi de 8%. Para aplicação em canas de final de safra, a diferença no teor de sacarose obtida foi de até 9% em relação a teste- munhas – plantas que não receberam o tratamento com a nova tecnologia. Bayer No dia 25, a reunião foi organizada pela Bayer. Em pauta, a preocupação com o florescimento e a isoporização da cana. Os palestrantes, Michel da Silva Fernandes, da MS Fernandes Consulto- ria Agrícola, Dênis Mendes, do Grupo Colorado, e Augusto Monteiro, agrôno- mo de Desenvolvimento de Mercado da própria Bayer, apresentaram técnicas, pesquisas e ações para melhorar o rendi- mento em diferentes tipos de áreas. Fernandes, que trabalha também para a Usina Cerradão, em Frutal-MG, iniciou a discussão questionando possí- veis motivos para que a cana-de-açúcar não tenha, ainda, atingido um patamar de desenvolvimento e produtividade se- melhante ao que já foi conseguido em outros produtos no País, como os grãos. Na sequência, explanou sobre os índices pluviométricos recentes, destacando que o ano 2008 foi o último em que o volume de chuvas foi considerado normal. “Os seguintes foram todos atípicos”. Nos seis anos anteriores a 2014, o volume médio de chuvas na usina ul- trapassou os 200 milímetros/mês. Bem diferente do ano passado, quando a que- da foi bastante acentuada, para 64 mi- límetros/mês. Situação que se refletiu na safra. A produtividade da Cerradão alcançou 131 toneladas por hectare no período 2014/15. Quatro anos antes, em 2010/11, o registro médio havia sido de 146 toneladas por hectare. Diante dessas condições, Fernandes não se mostrou muito otimista para a moagem que começa em abril. Expli- cou que a pouca precipitação, não só durante todo o ano passado como no início de 2015, deve comprometer a cana colhida até julho. Para atravessar a crise, na visão dele, o produtor deve ser incansável na busca por maior produti- vidade agrícola e por oferecer qualida- de na matéria-prima. Para isso, o consultor recomendou a adoção do Ethrel 720 da Bayer no manejo da cana, a fim de evitar o florescimento e a consequente isopo- rização. De acordo com Fernandes, uma área tratada com Ethrel na Cer- radão, quando comparada a uma em que o produto não foi aplicado, apre- sentou ganho de quase seis toneladas por hectare: 101 contra 95,4. “Flo- rescimento significa perda, mas não dá para ‘queimar’ uma variedade só porque ela é florífera. Nesse caso, é perfeitamente possível contar com os benefícios do Ethrel”. O próximo a falar foi Dênis Men- des, que demonstrou resultados da uti- lização da tecnologia da Bayer em áreas de produção do Grupo Colorado, nos Estados de Goiás e São Paulo. Ele afirmou que, por causa das vantagens oferecidas, aplica o Ethrel desde 1993. Para exemplificar o argumento, fez um comparativo, nos dois últimos anos, de canas de meio para final de safra, co- lhidas a partir de julho. Em 2013, con- forme os dados, houve ganho de 7,7 toneladas por hectare com a aplicação, em relação a canas sem tratamento, além de incremento de 1,99 quilos de ATR por tonelada. Já em 2014, mesmo com a severa estiagem, observou-se que o aumento no ATR foi de 1,25 qui- los e o de toneladas de cana por hec- tare, de 3,88. “Mesmo quando houve isoporização, foi menor que a testemu- nha: 26% contra 31%”, concluiu. Apesar de ser um produto já tra- dicional no mercado, a Bayer tem retomado fortemente a recomendação do Ethrel, visando atender às deman- das dos produtores, preocupados com o momento de instabilidades do setor. Esse foi um dos temas tratados por Au- gusto Monteiro, da Bayer, na pales- tra que fechou o evento. Ele explicou que novas descober- tas foram feitas para a tecnologia, que, além de inibir o florescimento e redu- zir a isoporização, pode ser usada para diminuir falhas no plantio. Ela consiste numa molécula que, quando absorvida pela planta, se transforma em etileno. O período mais adequado para aplica- ção, segundo Monteiro, é em abril, por volta do dia 10, quando as chuvas estão cessando, o que contribui para um in- cremento no rendimento na fase final de crescimento da cana. Dênis Mendes, do Grupo Colorado Augusto Monteiro, agrônomo de Desenvolvimento de Mercado da Bayer RC
  24. 24. Revista Canavieiros - Março de 2015 24 Arnaldo Jardim ouviu as reivindicações de entidades representativas canavieiras Notícias Canaoeste Em reunião na Canaoeste, secretário de Agricultura de SP pede apoio e sugestões do setor sucroenergético para regularização ambiental O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim (PPS), visitou Sertãozinho-SP, no úl- timo dia 27 de fevereiro, com duas missões relacionadas ao setor sucro- energético: ouvir, de entidades repre- sentativas de produtores, propostas para a regulamentação do PRA (Pro- grama de Regularização Ambiental), aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em dezem- bro do ano passado, e discutir, com a indústria de base, investimentos para ampliar projetos de cogeração de ener- gia elétrica a partir da biomassa da cana-de-açúcar. O primeiro compromisso da agenda foi na sede da Canaoeste, onde pediu que associações e sindicatos contribu- íssem com sugestões para as próximas etapas de implantação do PRA (Lei nº 15.684), sancionado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no dia 14 de janeiro, mas que ainda aguarda regu- lamentação, processo que está sendo conduzido pelas secretarias estaduais de Agricultura e Meio Ambiente. O encontro, liderado pela Orplana (Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul), reuniu repre- sentantes da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo), da Abag-RP (Associação Brasileira do Agronegó- cio, regional de Ribeirão Preto), da FAESP (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo), da CATI (Co- ordenadoria de Assistência Técnica Integral), de EDRs (Escritórios de Desenvolvimento Regional) e de ou- tros sindicatos e associações regio- nais. Diante das preocupações desses Igor Savenhago Arnaldo Jardim ouviu as reivindicações de entidades representativas canavieiras e disse que não se sente aflito com possíveis entraves enfrentados na regulamentação do PRA órgãos referentes ao preenchimento do CAR (Cadastro Ambiental Rural), documento obrigatório para orientar a adesão ao PRA e a regularização ambiental das propriedades rurais, o secretário cobrou a formalização, à se- cretaria, de todos os pontos que geram dúvidas, bem como as respectivas su- gestões para evitar que os produtores enfrentem problemas. Todos os donos de propriedades ru- rais no país devem preencher o CAR. O prazo limite é 6 de maio. Jardim dis- se que até lá a secretaria vai trabalhar incessantemente junto às entidades para que ele seja cumprido. Quem não fizer o cadastro poderá estar sujeito a multa e outras sanções. O preenchi- mento é fundamental para que os pro- dutores tenham condições de cumprir as prerrogativas do PRA, apesar de não haver ainda uma previsão de quan- do o programa será regulamentado, o que preocupa a cadeia produtiva. As entidades do setor sucroenergé- tico temem que conquistas alcançadas desde a aprovação do Novo Código Florestal Federal sofram retrocessos, em função de posições contrárias den- tro da própria esfera pública estadual. Jardim defendeu que um governo não é único, que as visões e opiniões são di- versas, mas que tanto a pasta da Agri- cultura quanto a do Meio Ambiente vêm trabalhando para chegarem a um consenso. “O Código Florestal e a re- cente aprovação do PRA mostram que Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
  25. 25. Revista Canavieiros - Março de 2015 25 a agricultura venceu, mas temos que continuar lutando. A grande virtude dessa reunião foi diminuir a distância entre o poder público e os produtores de cana. E uma das motivações foi essa discussão da importância do preenchi- mento do CAR, para que o processo de regularização ambiental se consolide”, afirmou Jardim. O secretário disse, também, que justamente por causa do envolvimen- to, nessa questão, das entidades que representam o setor sucroenergético, não se sente aflito com possíveis en- traves a serem enfrentados. Ele agra- deceu o empenho, prometeu ajudar a fazer uma aproximação dos agriculto- res com Patrícia Iglecias, a nova se- cretária de Meio Ambiente, e garantiu que tem percorrido todo o Estado para conhecer programas de recomposição de áreas que deram resultado e que po- dem contribuir nas discussões sobre a regulamentação do PRA. Com a indústria Após a reunião na Canaoeste, ele seguiu para o CEISE Br (Centro Na- cional das Indústrias do Setor Sucro- energético e Biocombustíveis), onde discutiu, com fabricantes de equi- Patrícia Iglecias, a nova secretária de Meio Ambiente Fonte:ambiente.sp.gov.br pamentos, um pacote de estímulos à produção de eletricidade provenien- te da biomassa. Além de aumentar a oferta desse tipo de energia, o objeti- vo é contribuir para uma retomada da indústria de base. Jardim apresentou aos empresários o decreto assinado em 3 de fevereiro pelo governador Geraldo Alckmin, que baixa a alíquota do ICMS (Imposto so- bre Circulação de Mercadorias e Ser- viços), benefício antes restrito à cana, para matérias-primas como milho, sor- go sacarino, eucalipto, palha, cavaco e, ainda, subprodutos da industrialização de açúcar, etanol e eletricidade, como melaço e bagaço. Durante a assinatura do decreto, Alckmin declarou que o incentivo pode ampliar muito a produção de energia a partir da biomassa, pois “facilita e racionaliza a questão tri- butária” e faz o diferimento do ICMS também para insumos.
  26. 26. Revista Canavieiros - Março de 2015 26 P ara fazer o CAR (Cadastro Am- biental Rural), os donos de pro- priedades rurais devem acessar um endereço eletrônico (www.car.gov.br), baixar o módulo de cadastro, preenchê- -lo e enviá-lo com as informações da área, que devem estar acompanhadas de imagens de satélite. Mas o proce- dimento é complexo e, apesar de faltar pouco mais de um mês para o fim do prazo estipulado, as dúvidas permane- cem. Simpósios, congressos e outras iniciativas do gênero estão sendo rea- lizadas pelas entidades representativas para tentar diminuir essas dificuldades. Sindicatos e associações criaram gru- pos de assessoria. A Canaoeste, por exemplo, montou a Estação CAR, uma equipe multidisciplinar composta de agrônomos, topógrafos e especialistas no assunto. Buscando dirimir as dúvidas dos produtores, o advogado da Canaoeste Juliano Bortoloti respondeu aos prin- cipais questionamentos que chegam à associação. 1. A propriedade abaixo de qua- tro módulos fiscais terá obrigação de recompor os 20% de Reserva Legal? Segundo o Novo Código Florestal e o PRA (Programa de Regularização Ambiental), esta pequena proprieda- de somente deverá informar a vegeta- ção nativa que possuir, sem a necessi- dade de que esta atinja 20% da área. 2. O que é Área Rural Consoli- dada? É uma área de imóvel rural que tenha sido explorada antes de 22 de julho de 2008, com edificações, ben- feitorias ou atividades agrossilvipas- toris (que integrem lavouras, pecuá- ria e florestas), sendo admitida, neste último caso, a adoção do regime de pousio (terreno que “repousa” entre um plantio e outro). 3. Tenho a obrigação de indicar a minha área de Reserva Legal no Cadastro Ambiental Rural – CAR? Não, a área de Reserva Legal in- formada no CAR é apenas uma pro- posta. Ela ainda passará por uma aná- lise do órgão ambiental competente. Portanto, ou você pode indicar a área de reserva ou pode aguardar o Progra- ma de Regularização Ambiental para informá-la. Mas, caso sua reserva já esteja averbada na matrícula, você deverá informá-la no CAR. 4. Qual o prazo para adequa- ção ambiental após a inscrição no CAR? Após realizar a inscrição junto ao CAR, você deverá aderir ao PRA (Pro- grama de Regularização Ambiental), e é neste programa que você será infor- mado sobre quais as medidas neces- sárias para a recuperação do imóvel. Para Reserva Legal, a recuperação é de até 20 anos nos casos necessários. 5. Quais as consequências se eu não inscrever meu imóvel junto ao CAR no prazo determinado por lei? A propriedade estará irregular perante a legislação ambiental, não terá os benefícios trazidos pela Lei 12.651/2012 e também multa, confor- me resolução 48/2014, além de poder ser usada como justificativa para a recusa de instituições financeiras em financiamentos. 6. Quais as vantagens de inscre- ver meu imóvel junto ao CAR den- tro do prazo? Por estar a propriedade regulariza- da, você terá vantagens como: Licen- ciamento Ambiental (corte de árvore isolada, intervenção em APP, outorga d’água, etc), créditos bancários faci- litados, facilidade nos procedimentos via cartório, manter ou conquistar certificações. 7. A unidade industrial tem po- deres legais para solicitar o CAR do fornecedor? Por se tratar de uma relação pri- vada, certamente as unidades indus- triais que são certificadas exigirão do fornecedor de cana que a lavoura esteja em propriedade regularmente inscrita no CAR. 8. No caso de represas, futura- mente o proprietário terá que re- compor a APP? Devo consolidar uma construção próxima a uma re- presa construída? No caso de represas, a Lei 12.651/2012 diz que a definição da área de preservação permanente será decidi- da no licenciamento ambiental quando a represa for construída. Caso se tratar de uma represa existente há muito tem- po, o PRA (Programa de Regularização Ambiental) é que definirá qual a faixa da área de preservação permanente. 9. Posso realizar uma compen- sação de Reserva Legal em outro Estado? Há esta possibilidade legal, pois o Novo Código Florestal diz que a compensação deve ser feita por bio- ma e não por Estado. Porém, creio que referida compensação deve ser acordada e regulamentada pelos Es- tados-membros via convênio ou outra forma legal, que ainda não existe. 10. É legal o cartório solicitar memorial descritivo das áreas pro- postas no CAR como Reserva Le- gal, no ato da averbação? Não. Na minha opinião, consta esta obrigação na lei, ou seja, se o cartório está exigindo, está fazendo sem base legal. 11. O CAR é analisado por CCIR (Certificado de Cadastro do Imóvel Rural) ou por matrícula? O CAR é analisado por CCIR. En- tão, se o imóvel rural possuir três ma- trículas ou mais, por exemplo, e tiver apenas um CCIR, deverá ser realiza- do um único CAR. 12. Quando termina o prazo para a inscrição? O prazo se esgota no dia 6 de maio de 2015, podendo ou não ser prorro- gado por até um ano, conforme pre- visto na legislação. CAR ainda gera dúvidas RC
  27. 27. Revista Canavieiros - Março de 2015 27
  28. 28. Revista Canavieiros - Março de 2015 28 Notícias Canaoeste Diretoria da Orplana participa de seminário internacional A diretoria da Orplana partici- pou do seminário Internacional “Negócios com valor agregado em Cana, Etanol, Energia e recuperação da capacidade produtiva do solo”, rea- lizado no dia 26 de fevereiro, no hotel Intercontinental, em Cali, Colômbia. Organizado pela Procaña, a principal associação de produtores de cana-de- -açúcar do País, o evento reuniu espe- cialistas e abordou temas relacionados a vantagens e desvantagens dos novos negócios do setor sucroenergético, como valor da energia do bagaço, coge- ração, etanol de segunda geração, além da importância dos resíduos da cultura para a manutenção da qualidade e da capacidade produtiva dos solos. Manoel Ortolan, presidente da Ca- naoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo) e Orplana (Organização dos Plantado- res de Cana da Região Centro-Sul do Brasil), e Geraldo Magela, assessor da Orplana, na ocasião, explanaram sobre a metodologia de pagamento para os produtores de cana-de-açúcar brasilei- ros: o Consecana (Conselho dos Pro- dutores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Andréia Vital Evento realizado pela Procaña, associação de fornecedores de cana-de-açúcar colombianos, discutiu o potencial econômico dos produtos da cultura Álcool do Estado de São Paulo). Criado em 1999, com a finalidade de zelar pelo relacionamento entre o fornecedor de cana e a indústria, o conselho é formado por representantes da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) e da Orplana e conta ainda com uma Câma- ra Técnica (CANATEC), que assessora a diretoria nas questões técnicas e eco- nômicas. Já o uso da biomassa para fins ener- géticos foi tema da palestra de Marco Ripoli, gerente de Marketing Estraté- gico para Cana-de-Açúcar para toda América Latina na empresa John Dee- re. Ripoli compartilhou dados do setor canavieiro brasileiro, tais como o PIB, exportação, novo mix da gasolina, índi- ce de mecanização do plantio e colhei- ta e distribuição das usinas por Estado no Brasil, destacando quem são os 10 maiores grupos brasileiros e suas moa- gens, entre outros. “Fiz um comparativo do poder calorífico da palha (PC útil de 3607,07 kcal/kg) versus o bagaço (PC útil de 1925,6 kcal/kg), onde a palha se mostra mais vantajosa para geração de energia. Pode-se afirmar que 1 tonelada de palha tem o mesmo em energia que 1.5 barril de petróleo”, afirmou. Além de Ortolan, Ripoli e Magela, o evento contou com palestra do bra- sileiro Maurício Boscolo, professor do Departamento de Química e Ciências Ambientais, do Instituto de Biociên- cias, Letras e Ciências Exatas (IBIL- CE), da UNESP, em São José do Rio Preto (SP). Na oportunidade, Boscolo falou sobre a segunda geração à base de bagaço da cana e avaliação global da biomassa de cana. O seminário foi coordenado por Mar- tha M. Betancourt, diretora executiva da Procaña, de Carlos Hernando Molina, presidente do Conselho Procaña, e do ministro do Meio Ambiente e Desenvol- vimento Sustentável da Colômbia, Ga- briel Lopez Vallejo, entre outros. Palestrantes visitaram fazendas na Colômbia Manoel Ortolan Marco Ripoli, gerente de Marketing Estratégico para Cana-de-Açúcar para toda América Latina na empresa John Deere
  29. 29. Revista Canavieiros - Março de 2015 29 Os participantes visitaram as lavouras e conheceram o controle de matos e plantas daninhas nos carreadores é feito por carneiros Poema escrito por Carlos Hernando Molina Castro, médico veterinário zootecnista - Reserva na- tural de El Hatico, Sociedade Duran Molina Sas - Cali - Colômbia Fez parte da programação ainda a vi- sita a duas fazendas do Valle de Cauca, principal região canavieira da Colômbia. A reserva natural de El Hatico, da famí- lia Duran Molina, utiliza práticas sus- tentáveis, tais como colheita verde - sem queimadas -, aproveitamento de resíduos como palha, uso correto da água e de fer- tilizantes orgânicos e controle de matos e plantas daninhas em carreadores por carneiros. No local, além das lavouras de cana-de açúcar, há criação de cavalos, bois e carneiros. A outra fazenda visitada pertence a Guido Mauricio López, ex- -presidente do Conselho da Procaña, e também utiliza sistemas sustentáveis. “A participação foi positiva, pois tivemos a oportunidade de apresen- tarmos o sistema Consecana bem como aproveitarmos para estreitar o relacionamento entre a Procaña e a Orplana”, disse Ortolan, lembrando que a Colômbia produz, atualmente, 23 milhões de toneladas de cana-de- -açúcar, com produtividade de 130 toneladas por hectares e tem média de cinco cortes. “No país, colhe-se cana o ano todo, praticamente não há pa- radas a não ser para manutenção. Lá chove cerca de 900 mm/ano, sendo mais intensamente entre os meses de abril e novembro”, conta Orlolan, res- saltando que os canaviais são irriga- dos por infiltração e a principal região produtora é o Valle do Cauca, onde ocorreram as visitas dos participantes do seminário. RC Yo soy el cultivo que produce azúcar que produce panela que produce miel que produce alcohol que produce gas que produce energia que produce papel que fija carbono que produce mucho más Mis hojas al respirar fijan abono a la tierra y en ese mismo trabajo carbono fijo al suelo Así con ese trabajo mejora mucho el ambiente pero si tú no me quemas debes tenerlo presente Con el sol de todo el dia que mucho calor nos trajo con el fresco de la noche completo yo mi trabajo esos cambios que se dan en esa temperatura es mucho lo que nos sirven para aumentar la dulzura Cultivadores de caña valoren lo que yo ofrezco y así verán los servicios y todo lo que yo presto Protegiendo el ambiente panela, azúcar y miel mejorando vuestras tierras abono, alcohol y papel Quisiera no me quemaran ni desecantes poner sin químicos yo produzco y cumplo con mi deber La tierra así se protege y el ambiente se mejora sin químicos ni candela como pueden ver ahora
  30. 30. Revista Canavieiros - Março de 2015 30 Notícias Sicoob Cocred Balancete Mensal - (prazos segregados) Cooperativa De Crédito Dos Produtores Rurais e Empresários do Interior Paulista - Balancete Mensal (Prazos Segregados) - Fevereiro/2015 - “valores em milhares de reais” Sertãozinho/SP, 28 de Fevereiro de 2015.
  31. 31. Revista Canavieiros - Março de 2015 31
  32. 32. Revista Canavieiros - Março de 2015 32 Uma vitrine de variedades Com patrocínio da Syngenta e apoio da Copercana, a Canaoeste organizou um Dia de Campo para apresentar 24 cultivares de cana-de-açúcar a produtores de Igarapava e região Igor Savenhago Reportagem de Capa Revista Canavieiros - Março de 2015 32
  33. 33. Revista Canavieiros - Março de 2015 33 Ajudar na escolha A divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais foi o cenário escolhido para a re- alização do Dia de Campo sobre va- riedades de cana-de-açúcar, promovi- do pela Canaoeste com patrocínio da Syngenta e apoio da Copercana. Às margens do Rio Grande, numa área entre três usinas sucroenergéticas, a Fazenda da Mata, em Igarapava-SP, arrendada pelos irmãos João Manoel e Francisco Eduardo Ribeiro Soares, recebeu, no dia 5 de março, cerca de 60 produtores de cana-de-açúcar, que trocaram informações sobre 24 culti- vares plantados em uma área total de pouco mais de um hectare. A fazenda faz parte de uma área tradicional na produção de cana no Estado de São Paulo. Mais de cem anos atrás, foi montado, ali perto, o terceiro engenho central do interior paulista – os outros dois foram o de Piracicaba-SP e o do Pontal-SP. De acordo com o produtor Luiz Antônio Maciel, associado da Canaoeste e um dos presentes no evento, a cana se adaptou muito bem à região. “Aqui é próximo de usina, de rio, uma fai- xa de terra privilegiada, muito fértil. Você tem até alguns problemas fitos- sanitários, mas é questão de manejo. Quando bem manejada, a cana vai”. O manejo foi, aliás, uma das pre- ocupações da Canaoeste no planeja- mento do Dia de Campo, que come- çou a ser pensado em 2013. Naquele ano, foi montado, na própria Fazen- da da Mata, um campo de multipli- cação de mudas. Segundo Gustavo Nogueira, gestor operacional da Ca- naoeste, o objetivo foi uniformizar idade, ambiente de produção e pro- cedência do material. No dia 13 de março do ano passa- do, os cultivares foram plantados. As variedades, IAC, RB, SP e CTC, de- senvolvidas pelos principais institu- tos de pesquisa em cana-de-açúcar do País, foram cultivadas lado a lado, de forma que os produtores, ao percorre- rem apenas um carreador – como uma grande vitrine –, tivessem contato com todas elas. “Temos aqui diversas opções, de acordo com o ambiente de produção, solo, época de safra. Uma gama para facilitar a vida do produtor e auxiliá-lo na escola para o plantio comercial dele”, afirma Nogueira. Durante o crescimento dos cultiva- res, por causa da sanidade das mudas, não houve a necessidade de fazer con- trole aéreo de pragas. E as condições de produção foram as mesmas que já haviam sido adotadas por João Mano- el e Francisco.Além de cederem a área para o experimento, eles ajudaram no plantio e forneceram insumos. Agora, poderão desfrutar dos resultados. “Estávamos em busca de varie- dades para poder melhorar a nossa produtividade e a dos outros pro- dutores. Com isso, ganhar mercado, produzindo mais e melhor. Com esta O sindicato, que tem 120 produ- tores de cana associados, de um total de 250 proprietários da região atendi- da, é um forte parceiro da Canaoeste. O presidente, Gustavo Ribeiro Rocha Chavaglia, explica que, a exemplo de João Manoel e Francisco, muitos são arrendatários. Na visão dele, o Dia de Campo é importante porque promove uma integração entre os diversos elos da cadeia produtiva da cana. “Gera in- formação in loco. Você levanta o que realmente está se adaptando melhor, já que na região existe um núcleo grande de solos mais ou menos parecidos. En- tão, esses experimentos que a Canao- este tem proporcionado trazem infor- mações para investimentos futuros”. parceria, a Canaoeste se propôs a fazer um experimento para analisar quais se sairiam melhor nessa re- gião. Abraçamos a ideia e disponi- bilizamos os recursos necessários. A expectativa, daqui pra frente, é propagar as melhores e passá-las aos produtores”, conta Francisco. Os irmãos produzem cana em 950 hectares na região. A Fazenda da Mata é uma das sete propriedades sob res- ponsabilidade deles, das quais uma é própria e seis são arrendadas. Rodea- da pelas usinas Junqueira, comandada pela Raízen; Buriti, do Grupo Pedra Agroindustrial; e uma das unidades da Delta Sucroenergia, integra um total de 750 unidades produtoras na área de cobertura do Sindicato Rural de Ituve- rava-SP - que se estende de Igarapava a São Joaquim da Barra-SP e de Pe- dregulho a Miguelópolis-SP. Ele acredita, ainda, que a troca de experiência contribui para o enfren- tamento da crise que afeta o setor sucroenergético. “A única forma de passar pela crise é não parar de bus- car pesquisa e investir, porque, des- sa maneira, você vai conseguir sair Revista Canavieiros - Março de 2015 33 Gustavo Nogueira Francisco Eduardo Ribeiro Soares Gustavo Ribeiro Rocha Chavaglia
  34. 34. Revista Canavieiros - Março de 2015 34 na frente. É ir investindo e tentando, toda a cadeia do agronegócio, se juntar para vencer mais essa dificuldade que o Brasil está enfrentando”. Duas tendas foram montadas na Fa- zenda da Mata para o Dia de Campo. Uma da Syngenta e outra da Canaoeste e da Copercana. Os produtores começaram a chegar às 9 h, quando foram recepcio- nados com um café da manhã. A abertura do evento foi feita por Gustavo Nogueira e por João Francisco Maciel, agrônomo da filial da Canaoeste em Ituverava. Eles agradeceram aos parceiros e destacaram, também, a participação de estudantes da Fafram–FaculdadeDr.FranciscoMaeda, mantida pela Fundação Educacional de Ituverava –, que colaborou com o even- to. Os agrônomosAndré Bosch e Daniela Aragão Santa Rosa, respectivamente das filiais da Canaoeste em Bebedouro-SP e Pontal, ajudaram na organização. Os participantes receberam um ma- nual de variedades editado pela Cana- oeste e uma tabela para que pudessem identificar e acompanhar as característi- cas de cada um dos 24 cultivares expos- tos. Após ouvirem as explicações sobre os 12 primeiros, pararam para um des- canso, retomando o percurso logo em se- guida, para a segunda metade das ativi- dades, encerrada por volta do meio-dia. O produtor Rodrigo Moraes gostou do que viu. “Muito importante. Aqui na região, a gente sentia falta desse apoio da Canaoeste. Agora, ela vindo pra vá, trazendo essas variedades, podemos au- mentar a produtividade. É isso que a gen- te precisa, ainda mais se considerar que a variedade de cana é complicada. Você não consegue uma atualização todo ano. A que você planta vai ficar no campo por pelo menos cinco anos. Então, isso tem que ser bem trabalhado”. A região de Ituverava, que contempla Igarapava, é uma área nova de atuação da Canaoeste. A presença da associação nestas localidades está para completar quatro anos. Um dos desafios é reduzir a escassez de variedades de cana-de-açú- car disponíveis aos agricultores. “É um momento em que o fornecedor de cana precisa realmente, já que o cenário de variedades hoje é fraco, principalmente João Francisco Maciel Neder Requi Renato Fidélix Rodrigo Moraes aqui na nossa região. Esse é um grande evento, importantíssimo”, declara Ne- der Requi, líder de fornecedores de cana da Raízen. “Falamos de uma cultura de ciclo longo, que é a cana. Então, se o produtor errar na escolha da variedade, ele sabe que vai ter que conviver com um problema durante os próximos cin- co anos. Por isso, é fundamental que ele coloque, no momento certo, a variedade certa para determinada área”. Para Renato Fidélix, gestor de parce- rias e de fornecedores da Usina Buriti, a participação de representantes de unida- des industriais no evento agrega conheci- mento e amplia o contato com os produ- tores. “ABuriti tem cerca de 30% da cana que é de fornecedores, e prestamos toda a assistência a eles, como colheita 100% mecanizada. Buscamos, ainda, sempre estar atentos às novidades do mercado e indicar as melhores variedades”. Reportagem de Capa
  35. 35. Revista Canavieiros - Março de 2015 35 Nas últimas duas décadas, os prin- cipais institutos de pesquisa em me- lhoramento genético do Brasil lança- ram cerca de 120 novos cultivares de cana-de-açúcar. Alguns ainda estão em fase de testes. Outros, porém, caíram em desuso, por causa de problemas fitossanitários, como facilidade para atrair pragas. Isso faz com que a cana, mesmo sendo cultivada no Brasil des- de o início da colonização portuguesa, na primeira metade do século XVI, es- teja um passo atrás de outras culturas, como soja e milho, no número de va- riedades disponíveis aos agricultores. Por isso, o agrônomo da Canaoeste em Ituverava, João Francisco Maciel, alerta para a importância de os produ- tores se atualizarem sobre as tecnolo- gias mais recentes, o que permitirá a eles aumentar seu leque de opções e o poder de escolha. “Decidimos fazer o Dia de Campo nessa época porque a cana já está num porte adequado e, também, por ser época de plantio. As- sim, podemos atender bem aos asso- ciados na escolha das variedades, para que eles conheçam as melhores opções disponíveis”. O produtor Luiz Antônio Maciel concorda. Ele lembra que, mesmo após o término do evento, será possível vi- sitar a Fazenda da Mata e continuar acompanhando o desenvolvimento de cada variedade. “O cara tem que ver, tem que sentir e adaptar a variedade ao seu local de produção. Doença, praga, crescimento vegetativo, tudo começa na variedade. Esse Dia de Campo foi Luiz Antônio Maciel Tecnologias à mostra muito válido porque trouxe um rol de variedades, algumas já conhecidas, outras não, dando a oportunidade de ver, de estar perto. Não vai funcionar só hoje. O cara vai vir visitar, olhar uma, olhar outra, e vai adaptando, até encontrar a melhor para ele”. Na opinião do engenheiro agrôno- mo de vendas/cana da Syngenta, Caê Alonso Ramos, a carência de varieda- des e de mudas sadias de cana ocor- reu por causa de plantios extensos, nas épocas de grande expansão canavieira. “Isso levou a um plantio, muitas vezes, sem o devido cuidado com a muda. Se aquela muda tinha alguma doença ou praga já instalada, ela se multiplicou”. Segundo ele, para melhorar a sani- dade, o setor sucroenergético parece ter despertado para a necessidade de investimento em pesquisa, que apon- tam para o desenvolvimento de novas tecnologias. “Tanto as multinacionais, como a Syngenta, como os institutos de pesquisa e extensão e associações, entre elas a Canaoeste, estão enxergan- do que não é só uma vontade do setor melhorar, mas uma necessidade para permitir melhor retorno ao produtor e às usinas”. Grande parte dos 24 cultivares plantados pela Canaoeste para o Dia de Campo é oferecida pela Syngen- ta por meio do Plene, tecnologia que consiste na oferta de mudas de extre- ma qualidade, controle fitossanitário e pureza varietal. “Essas variedades que trazemos no Plene, que tem todo esse controle, é para que se possa aprovei- tar o potencial produtivo da cana sem os fatores detratores, principalmente pragas e doenças. E esse evento é uma oportunidade excelente de estarmos mais próximos, conversar direto com o produtor sobre as novas tecnologias e o que ele pode conseguir de melhor”. O experimento em Igarapava foi o primeiro montado pela Canaoeste no Es- tado de São Paulo. Um ensaio no mesmo formato havia sido feito anteriormente em Frutal-MG, onde os resultados mo- tivaram a implantação em outras áreas. “A escolha da variedade certa é um pon- to crucial para determinar a produção. Se tivermos uma produtividade boa, alta, com a escolha de um material que seja pertinente às condições ambientais, isso colabora para o sucesso do produtor”, conclui o gestor operacional da Canao- este, Gustavo Nogueira. Caê Alonso Ramos RC
  36. 36. Revista Canavieiros - Março de 2015 36 Queima Rural - município não pode legislar sobre o assunto P rezados leitores, tem-se visto em grande escala a proliferação de leis municipais que proíbem ime- diatamente, a partir de sua publicação no Diário Oficial Local, o uso controlado do fogo na área rural, seja como méto- do despalhador da cana-de-açúcar para a colheita, seja como medida fitossani- tária eventualmente necessária (elimina- ção de pragas, por exemplo), seja como eventual eliminação de lavouras (citrus). As razões invariavelmente alegadas pelos legisladores municipais sempre são calcadas na sustentabilidade am- biental. Uma falha clara feita pelos legisladores municipais, porém, é que estes ignoram o fato de que o meio am- biente equilibrado não envolve apenas a flora, fauna e o ar, de forma isolada, mas outros aspectos relevantes e inter- ligados, tal como a inserção do homem neste ambiente, notadamente o homem do campo e os trabalhadores. Com uma visão mais ampla, o le- gislador federal e o estadual, quando trataram do assunto, produziram legis- lação que preveem eventualmente e sob certas condições o uso do fogo em al- gumas práticas agrícolas, chegando ao ponto de traçar um cronograma de eli- minação gradativo, no caso da cultura da cana-de-açúcar, pensando, sempre, no impacto socioeconômico-tecnológi- co que a eliminação imediata traria ao meio ambiente, aí incluído o homem do campo, o trabalhador rural, a flora, a fauna e o ar, tudo de forma sistêmica, JAMAIS ISOLADA. Pois bem! No dia 05 de março de 2015, o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), instância máxima de nosso Judiciário, confirmou isso ao decidir, em sede de repercussão geral, ou seja, referida decisão vincula todo o Judiciário, que o município não pode legislar em matéria ambiental de forma a tornar ineficazes leis federais e/ou es- taduais que tratam do mesmo assunto. Juliano Bortoloti Advogado da Canaoeste Assuntos Legais A tese prevalente acampada pelo STF, ao julgar o Recurso Extraordinário n. 586.224, foi que “O município é compe- tente para legislar sobre meio ambiente com a União e o estado no limite do seu interesse local e desde que tal regramen- to seja harmônico com a disciplina esta- belecida pelos demais entes federados”. Para dar subsídios aos ministros do STF, o tema foi objeto de uma audiên- cia pública realizada no STF, em abril de 2013, tendo sido ouvidas 23 enti- dades, tanto do setor público, privado, como do terceiro setor (ONGs). Do que ouviu nesta audiência pú- blica, o ministro-relator Fux destacou como pontos relevantes: 1) Existe a eliminação gradativa de tal prática agrícola, já prevista em lei federal e estadual; 2) A maior parte das áreas nas quais ocorre o cultivo é acidentada, impossi- bilitando o manejo das máquinas pela tecnologia atual; 3) A grande parcela do cultivo da cana se dá em minifúndios; 4) Em geral, os trabalhadores têm bai- xa escolaridade, portanto não foram pre- parados para exercerem outra atividade. Tais aspectos ambientais e sociais foram levados em consideração, assim como o prazo para que os trabalhadores canavieiros sejam recolocados no mer- cado de trabalho, não se justificando ne- nhuma medida que os desempregue de forma abrupta, o que justifica mais uma vez o planejamento para eliminação da queima da cana. Ainda segundo o ministro Fux, a mera proibição da queima da cana e a conse- quente mecanização da colheita não estão de acordo com os valores constitucionais, tendo em vista que “o evidente aumento no índice de desemprego abrupto trará reflexos econômicos no âmbito nacional interno, no sentido de que haverá menor circulação de riquezas”. Já no que diz respeito à poluição do ar, Fux ponderou que a queima traz prejuí- zos, porém, de outro lado, ficou demons- trado na referida audiência pública que somente a utilização de máquinas gera impacto negativo ao meio ambiente, pois a decomposição da cana gera gás metano e contribui para o efeito estufa, além do surgimento de ervas daninhas e o conse- quente uso de pesticidas e fungicidas para controlá-las, o que não ocorre quando há a queima da palha da cana. Em seu voto, Fux baseou-se no que diz o art. 40 do Código Florestal (Lei n. 12.651/2012), que determina a institui- ção de uma política nacional para essa forma de colheita, no Decreto Federal n. 2.661/98, que regula o emprego do fogo em práticas agropecuárias e florestais e estabelece um capítulo específico para disciplinar a forma de mecanização gra- dual do cultivo bem como a legislação estadual existente, concluindo que “op- tar pela constitucionalidade da norma municipal acarretaria a ineficácia do planejamento traçado nacionalmente”. Dessa forma, o ministro entendeu que as normas federais e a Constitui- ção estadual já exaurem a matéria, não havendo competência residual do município. “A solução do município é contrária ao planejamento federal e não passa pelo controle da sua ra- zoabilidade”, avaliou, ao considerar a
  37. 37. Revista Canavieiros - Março de 2015 37 Mecanização em curso inconstitucionalidade material da nor- ma questionada. Segundo a Dra. Ângela Maria da Motta Pacheco, advogada e dileta ami- ga que defendeu a tese na tribuna do STF, da qual comungamos integral- mente, o impacto do precedente esta- belecido pelo STF é enorme, pois se aplica em nível nacional a toda matéria de direito ambiental. “Os municípios devem respeitar a legislação estadual e federal em matéria ambiental, dan- do aos produtores maior segurança jurídica”, destacou a advogada. Por fim, agiu mais uma vez com o costumeiro acerto nossa maior Corte de Justiça, analisando o caso e aplicando a legislação de forma coerente, integrada e equilibrada, ponderando todos os fatores envolvidos nesta seara, o que significou uma vitória do meio ambiente ecologi- camente equilibrado, pois não afastou a atividade humana nele inserida. O Estado de São Paulo fechou a safra 2013/2014 com 83,7% das áreas desti- nadas à cultura da cana colhidas com máquinas, sem o uso do fogo. Com a redução, 26,7 milhões de toneladas de poluentes deixaram de ser emitidos, assim como 4,4 milhões de toneladas de GEEs (gases de efeito estufa), algo equivalente à emissão anual de 77,5 mil ônibus movidos a diesel. Graças ao Programa Etanol Verde, uma vertente do Protocolo Agroam- biental do Setor Sucroenergético, que determina, entre outros aspectos, a antecipação voluntária dos prazos le- gais para o fim da queima controlada nos canaviais paulistas, a cana colhida com o uso do fogo caiu de 27,4% na safra 2012/2013 para 16,3% na safra 2013/2014, o que corresponde a uma área de cerca de 780 mil hectares. “As signatárias do Protocolo são responsáveis, hoje, por 94% da pro- dução paulista e 48% da produção nacional de etanol. Se considerarmos apenas os canaviais controlados por usinas, a colheita da cana-de-açúcar já é realizada de forma mecanizada em praticamente 100% dessas áreas. É importante ressaltar que os resulta- dos do Protocolo Agroambiental não evidenciam apenas o sucesso de um programa de adesão voluntária para mecanização, mas o comprometimen- to do setor sucroenergético com a ado- ção e desenvolvimento das melhores práticas de sustentabilidade para sua cadeia produtiva”, destacou a advoga- da da UNICA - União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Renata Camargo. Juliano Bortoloti Advogado RC
  38. 38. Revista Canavieiros - Março de 2015 38 Destaque I Abisolo destaca o crescimento do uso de fertilizantes especiais A busca por um novo patamar de produtividade agrícola vai fazer com que novas tecno- logias ganhem cada vez mais espaço na agricultura brasileira. Diante desse fato, a Abisolo (Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutri- ção Vegetal) estima que esse mercado cresça de 6 a 8% em 2015. “Mas esse crescimento vai depender muito do cenário, e não só levando em conside- ração as condições macroeconômicas, mas também o cenário ambiental. Se as chuvas ajudarem pode ser que o crescimento seja maior do que isso”, afirmou Gustavo Branco, diretor téc- nico de Fertilizantes Organominerais e Minerais de solo da entidade, lembran- do que, mesmo com as incertezas, os produtores brasileiros vêm investindo fortemente desde 2010. Branco participou de uma coleti- va de imprensa realizada no dia 19 de fevereiro, em Ribeirão Preto – SP, quando foi apresentado um balanço sobre o setor vem sendo usado cada vez mais nas lavouras brasileiras. “A proposta dos fertilizantes especiais é fazer diferente, é oferecer uma tecno- logia com aumento de referência de uso de nutrientes para que o consumo de fertilizantes acompanhe o patamar de produtividade”, disse na ocasião o executivo, explicando que o desenvol- vimento tecnológico em vários fertili- zantes especiais visa não só ao aumen- to de produtividade, mas também itens como resistência das plantas às condi- ções adversas. “O segmento de nutrição vegetal exerce uma função tecnológica muito importante para o aumento da produti- vidade agrícola e os índices de utiliza- ção do insumo pela agricultura moder- na e sustentável vêm crescendo em todo Entidade promove seminário, em abril, sobre segmento de nutrição vegetal, que tem receita anual de R$ 3,5 bi e gera 13 mil empregos diretos Andréia Vital o mundo”, relata Gean Matias, diretor técnico de Fertilizantes Orgânicos, Condicionadores de Solo e Substratos para Plantas da Abisolo. Matias expli- cou que são chamados de fertilizantes especiais os minerais, orgânicos, orga- nominerais, condicionadores de solo e os substratos para plantas, sendo que o uso desses fertilizantes especiais pode proporcionar um ganho de produtivida- de da ordem de 10% a 20%, dependen- do da cultura e da tecnologia envolvida. Embora o Brasil esteja praticamente engatinhando em termos de fertilizan- tes especiais no que se refere a novas tecnologias, o cenário vem mudando, diz Branco, principalmente, depois que a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricul- tura) apontou o País como celeiro do mundo, sendo o principal agente para alimentar os cerca de 9 bilhões de pes- soas, que viverão no planeta, em 2050. “A partir daí o setor apresentou uma taxa de crescimento de 12% ao ano, chamando atenção do mundo, e ga- nhou novas entrantes, principalmente empresas pequenas, com faturamento de R$ 1 milhão e R$ 10 milhões, que representam 70% das empresas do se- tor”, explicou Matias, ressaltando que, de três anos para cá, as multinacionais também aportaram no ramo. O objetivo agora é consolidar um banco de dados sobre o segmento que servirá de base para mostrar como os fertilizantes especiais podem contri- buir para aumentar ou melhorar o pa- tamar de produtividade, como também valorizar a indústria de tecnologia em nutrição vegetal. “Além de promover as novas tecnologias sustentáveis in- tegrando toda a cadeia de valores do setor”, ressaltou o diretor técnico. Uma das iniciativas nesse sentido é o fórum que a Abisolo promove a cada dois anos. A sexta edição do evento acontece nos dias 15 e 16 de abril, no Centro de Eventos Pereira Alvim, em Ribeirão Preto/SP. Com o tema “Ferti- lizantes especiais: um novo patamar de produtividade na agricultura”, o fórum contará com palestras sobre programa de monitoramento e adubação, uso da água, nova lei de fertilizantes, entre outros, e com a 2ª Exposição Nacional e Internacional da Indústria de Tec- nologia em Nutrição Vegetal, com 50 estandes de empresas ligadas à área de nutrição vegetal. A expectativa é que receba 1500 visitantes. RC José Alberto, Gustavo Branco e Gean Matias
  39. 39. Revista Canavieiros - Março de 2015 39

×