Revista Canavieiros - Setembro de 2014
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Roberto Rodrigues
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Entrevista I
Alexandre Andrade Lima
“Uma seca só”
Fernanda Clariano
A produção no...
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Entrevista II
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Revista Canavieiros: O setor su-
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Ponto de Vista I
Governo avança com o projeto para elevar a
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Ponto de Vista II
O Conto da Fazenda Experimental Bolivariana
*Marcos Fava Neves...
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oficina e peça teatral para professor...
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Seguro Auto mobiliza motoristas de Se...
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Cooperativa De Crédito Dos Produtores Rur...
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  3. 3. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 3 Editorial S aber que ao longo dos últimos oito anos leva- mos informações rele- vantes sobre a agroindústria canavieira através de reporta- gens, entrevistas e artigos com especialistas renomados, nos dá muito orgulho, caro leitor, principalmente ao finalizarmos a revista de setembro, a nossa nonagésima-nona edição. Por- tanto estamos muito anima- dos para preparar uma edição número 100 muito especial. Aguardem! Neste mês, a Canavieiros traz uma cobertura especial sobre a Fenasucro 2014, que foi marca- da pela perspectiva de retomada da cadeia canavieira e serviu de palanque para candidatos à presidência da República como Marina Silva (PSB) e Aloysio Nunes (PSDB), vice na chapa de Aécio Neves. A feira - que recebeu mais de 33 mil visitan- tes de mais de 50 países, e deve gerar mais de R$ 2,2 bilhões nos próximos 12 meses, também de serviu de palco para protesto do setor sucroenergético, que pede soluções para estancar a crise que vive devido à falta de polí- ticas públicas. O destaque do mês fica por conta dos benefícios que a Bio- tecnologia vem proporcionan- do, principalmente ao agrone- gócio. A matéria mostra que o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial dos países que cultivam variedades GM (geneticamente modificadas) e que novos eventos devem sur- gir nos próximos meses. O cui- dado na escolha de pneus que podem influenciar na produti- vidade também pode ser con- ferido nesta edição e a Gela- deiroteca, que continua sendo destaque por onde passa, como na XII Feira do Livro de Ser- tãozinho e na Fenasucro. Além da Coluna Caipiri- nha, assinada pelo Professor Marcos Fava Neves, opina no “Ponto de Vista” Plínio Nasta- A caminho da centésima edição Boa leitura! Conselho Editorial RC ri. Já o pesquisador científico do Instituto Biológico APTA/ SAA-SP, José Eduardo Mar- condes de Almeida, assina ar- tigo técnico sobre os fungos entomopatogênicos como fer- ramenta no manejo integrado de pragas da cana-de-açúcar. Também têm entrevistas com Alexandre Andrade Lima, presidente da UNIDA (União Nordestina dos Produtores de Cana), e com o ex-ministro Roberto Rodrigues, presidente do Conselho Deliberativo da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). As notícias do Sistema Co- percana, Canaoeste e Sicoob Cocred, artigos técnicos, as- suntos legais, informações se- toriais, classificados e dicas de leitura e de português também podem ser conferidos na revis- ta de setembro. Até outubro! Nossa centési- ma edição! Boa Leitura. Expediente: Conselho Editorial: Antonio Eduardo Tonielo Augusto César Strini Paixão Clóvis Aparecido Vanzella Manoel Carlos de Azevedo Ortolan Manoel Sérgio Sicchieri Oscar Bisson Editora: Carla Rossini - MTb 39.788 Projeto gráfico e Diagramação: Rafael H. Mermejo Equipe de redação e fotos: Andréia Vital, Carla Rodrigues, Fernanda Clariano e Rafael H. Mermejo Comercial e Publicidade: Marília F. Palaveri (16) 3946-3300 - Ramal: 2208 atendimento@revistacanavieiros.com.br Impressão: São Francisco Gráfica e Editora Revisão: Lueli Vedovato Tiragem DESTA EDIçÃO: 22.000 exemplares ISSN: 1982-1530 A Revista Canavieiros é distribuída gratuitamente aos cooperados, associados e fornecedores do Sistema Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred. As matérias assinadas e informes publicitários são de responsabilidade de seus autores. A reprodução parcial desta revista é autorizada, desde que citada a fonte. Endereço da Redação: A/C Revista Canavieiros Rua Augusto Zanini, 1591 Sertãozinho – SP - CEP:- 14.170-550 Fone: (16) 3946.3300 - (ramal 2008) redacao@revistacanavieiros.com.br www.revistacanavieiros.com.br www.twitter.com/canavieiros www.facebook.com/RevistaCanavieiros
  4. 4. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 4 06 - Entrevista II Roberto Rodrigues Presidente do Conselho Deliberativo da UNICA “Faltam políticas públicas mais consistentes baseadas em tecnologia para que o Brasil possa crescer” - Geladeiroteca marca presença na 12ª Feira do Livro de Sertãozinho - Reuniões Técnicas Canaoeste - Canaoeste realiza reunião técnica na filial de Santa Rita do Passa Quatro - Dia de Campo de plantio de Agmusa no Sistema Meiosi - Canaoeste participa de evento sobre acidentes com queimadas - Consecana 20 - Notícias Canaoeste Ano IV - Edição 99 - Setembro de 2014 - Circulação: Mensal Índice: E mais: Capa - 27 Fenasucro 2014 é marcada pela perspectiva de retomada da ca- deia canavieira Principal feira do setor sucroe- nergético foi palco para o fortale- cimento de negócios e do coopera- tivismo 16 - Notícias Copercana - Parceria entre a Copercana e a FMC oferece oficina e peça teatral para professores e alunos de escolas de Sertãozinho - Unidade de Grãos da Copercana realiza treinamento sobre Controle de Pragas - Parceira entre a Copercana Seguros e Porto Seguro Auto mobiliza motoristas de Sertãozinho 28 - Notícias Sicoob Cocred - Balancete Mensal Pontos de Vista .....................página 08 Coluna Caipirinha .....................página 14 Destaques: Guia de Negócios CEISE Br .....................página 40 Datagro .....................página 42 Agro SAFF DPaschoal .....................página 44 Biotecnologia na produtividade .....................página 46 Informações Setoriais .....................página 48 Artigos Técnicos: Custo de Produção .....................página 50 Plantas Daninhas .....................página 52 Sistema de Meiosi na Cana .....................página 54 Fungos Entomopatogênicos .....................página 56 Acompanhamento da safra .....................página 60 Assuntos Legais .....................página 64 Novas Tecnologias - Atabron .....................página 66 Classificados .....................página 68 Agende-se .....................página 71 Cultura .....................página 72 Etanol “Completão” .....................página 74 Foto:RafaelMermejo 05 - Entrevista Alexandre Andrade Lima Presidente da Unida “Uma seca só”
  5. 5. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 5 Entrevista I Alexandre Andrade Lima “Uma seca só” Fernanda Clariano A produção nordestina de cana-de-açúcar hoje é de 54 milhões de tonenaladas, o que represen- ta 9% da produção do País. Para isso, conta com 25 mil produtores independentes que fornecem para 70 unidades industriais. O Nordeste também é responsável por empregar 35% da mão de obra do setor no Brasil e tem em média 95 mil empregados por safra. A Revista Canavieiros en- trevistou o presidente da Unida (União Nordestina dos Produtores de Cana), Alexandre Andrade Lima, para falar sobre a seca que vem assombrando os produtores, estimativas de safra, eleições, dentre outros assuntos. Confira! Revista Canavieiros: O Nordeste, assim como o Estado de São Paulo, vem enfrentado uma das maiores se- cas dos últimos anos. Como os pro- dutores de cana-de-açúcar têm lidado com essa situação? Alexandre: Tivemos a maior seca dos últimos 50 anos, o Estado mais atin- gido foi o de Pernambuco, onde a pro- dução caiu de 17 milhões de toneladas para 13,2 milhões. Em alguns municí- pios houve perda na produção de 35%. Os produtores de cana irrigam pouco, mas esta prática está aumentando. O problema é o custo para implementação, que é alto, hoje, nosso cus- to de produção é de R$ 85 e estamos recebendo cerca de R$ 70. Algumas usinas mais capitalizadas estão investindo em irrigação, onde alcançam produção de mais de 120 ton/ ha, mas isto em irrigação ple- na. A maioria que irriga é uma irrigação de salvação. Revista Canavieiros: Além do clima que não está favorável, o setor sucroe- nergético tem sofrido um grande descaso por conta do Governo Federal. Como andam as expectativas dos produtores nordestinos em relação às eleições? Alexandre: Houve uma grande frustração com a mor- te de Eduardo Campos, um parceiro e conhecedor pro- fundo do nosso setor, e tinha uma relação afinada com o nosso setor. Achamos que ha- verá mudança na política do Governo em relação ao setor, seja quem for elei- to. Outra questão é que a Petrobras não suporta mais a atual política governa- mental de subsidiar a gasolina, fóssil é insustentável. Não temos dúvidas tam- bém que haverá reajuste nos preços dos combustíveis. Temos que encaminhar nossas propostas para todos os presi- denciáveis, para que se comprometam com a volta da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) na gasolina, sem ela, fica difícil o etanol competir com a gasolina, isto daria um reajuste de R$ 0,35 a R$ 0,38 no preço do combustível fóssil. Revista Canavieiros: Como está a questão da subvenção para os produtores nordestinos de cana-de-açúcar e etanol? Alexandre: A subvenção da cana para os produtores independentes já é o quinto ano consecutivo que conse- guimos. Temos uma boa relação polí- tica com o Governo Federal, além de contarmos com uma excelente relação com o presidente do Senado Renan Ca- lheiros e com o presidente da Câmara dos Deputados Henrique Alves, ambos nordestinos. Na realidade, temos um amplo apoio nas duas casas legislati- vas, até porque temos nove Estados no Nordeste e cada um tem três senadores, o que facilita a nossa articulação. Além de uma união e dedicação de todos que fazem a Unida (União Nordestina dos Produtores de Cana). Revista Canavieiros: Qual é a estimativa da Unida para a safra 2015/2016? Alexandre: Devemos colher aproxi- madamente a mesma safra passada, em torno de 54 milhões de toneladas, que representa 9% da safra nacional. Revista Canavieiros: Quais as ex- pectativas dos produtores nordestinos para a próxima safra, eles irão investir na renovação antecipada do canavial? Alexandre: Na realidade não há no- vos investimentos, só existe uma manu- tenção na área plantada e uma seleção de áreas mais adequada à topografia para o plantio de cana-de-açúcar.RC
  6. 6. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 6 Entrevista II Roberto Rodrigues “Faltam políticas públicas mais consistentes baseadas em tecnologia para que o Brasil possa crescer” Andréia Vital A declaração é de Roberto Rodrigues, que foi ministro da Agricultura e é o atual presidente do Conselho Deliberativo da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), da Academia Nacional da Agricultura e coordenador do Centro do Agronegócio da FGV - Fundação Getúlio Vargas. Ele é enfático ao afirmar a necessidade da criação de uma ampla estratégia articulada para que o avan- ço chegue mais depressa e efetivamente às diversas cadeias produtivas do agronegócio, gerando assim vantagens competitivas ao Brasil. De acordo com Rodrigues, que recentemente participou de seminário sobre biotecnologia, rea- lizado em São Paulo-SP, a agrotecnologia é um tema central no avanço sustentável da agricultura. O ex-ministro também ressaltou a importância do setor sucroenergético para atender à demanda mundial, mas lembrou que a agroenergia foi deixada de lado pelo atual Governo. “Sem meio de campo, que é a política pública, não adianta o setor sucroenergético querer ser artilheiro porque não vai fazer gol”. Confira a entrevista: Revista Canavieiros: Como a agrotecnologia pode ajudar no avan- ço da agricultura? Roberto Rodrigues: Aagrotecnolo- gia é um tema central no avanço susten- tável da agricultura. Novas tecnologias estão surgindo, parcerias com empresas públicas e privadas estão sendo fecha- das e isso pode garantir uma segunda revolução verde no nosso País, ajudando com vigor ao suprimento de alimentos do mundo todo. Isso se faz com os avanços tecnológi- cos que vêm sendo liderados pela Embrapa ao longo das últimas décadas, com a con- tribuição de órgãos estaduais de pesquisa, como o nosso grande Instituto Agronômico de Campinas, o Instituto Bio- lógico, o Instituto de Zootec- nia, o Instituto de Pesca, o Instituto de Economia Agrí- cola, por universidades e por outros institutos em todos os Estados. Mas o que faltam são políticas públicas mais consistentes que permitam o avanço chegar mais depres- sa, para efetivamente gerar vantagens competitivas. Revista Canavieiros: O que é preciso ser feito para que essas medidas sejam criadas? Roberto Rodrigues: Quando fui mi- nistro daAgricultura, no primeiro manda- to do presidente Luís Inácio Lula da Silva, em 2003, a soja transgênica representava somente 12% do que era produzido no Brasil. E existia uma resistência grande à sua produção dentro do próprio Governo, exigindo que cientistas, liderados à época pelo atual presidente da Embrapa, escla- recessem como funcionava a transgenia. A partir deste esclarecimento, foi criada a medida provisória para a comercialização de soja transgênica, que resultou na atual legislação para o cultivo do grão, que hoje atinge 90% do total produzido no País. Portanto, fica claro que as políticas públi- cas precisam ser embasadas pela ciência para serem realistas e efetivas. O Sistema Nacional de Pesquisa ga- rante a retaguarda técnica; as empresas e os produtores são o ataque; agora quem faz a bola chegar lá para os atacantes é o meio de campo, são as políticas pú- blicas. Portanto, regras claras baseadas em tecnologia são necessárias para que o Brasil possa crescer. O mundo espera isso da gente: que cresça o dobro do que o mundo crescerá em produção de ali- mentos em 10 anos, ou seja, que nossa produção seja 40% maior para atender à demanda do mundo. Não podemos esquecer também a importância do setor sucroenergético para atender à necessidade mundial de energia, sobretudo renovável e limpa, mas a agroenergia foi deixada de lado e o meio de campo dela não existe mais. Perdemos a Copa do Mundo porque não tínhamos meio de campo. Sem meio de campo, que é a política pública, não adianta o setor ser artilheiro: não vai fazer gol.
  7. 7. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 7 Revista Canavieiros: O setor su- croenergético brasileiro vive uma cri- se. Na sua opinião, como ficará o seg- mento diante da demanda mundial por alimentos, combustível, energia? Roberto Rodrigues: A agroe- nergia, do meu ponto de vista, pode mudar a geopolítica global porque diferente de comida, que qualquer país pode produzir, a agroenergia só se produz onde há sol o ano inteiro. É fruto de uma relação entre a planta, a terra e o sol o ano inteiro, que se en- contra nos países tropicais, que pode ser geradora da agroenergia, que não é somente o etanol. É etanol, é bio- diesel, bioeletricidade, biorrefinaria, toda a alcoolquímica que vem atrás deste processo gigantesco de mudan- ça que o mundo vive. É renovável, gera empregos, tem muito menor emissão de CO2, há evidências cla- ras de contribuição para a mitigação do aquecimento global, para a me- lhoria da saúde pública, enfim. É tão evidente este processo que empresas internacionais vieram investir no Brasil para aprender as técnicas e depois multiplicar em outros países. Mas o atual Governo brasileiro tirou o pé desse processo, ao contrário do que havia nos Go- vernos anteriores. Revista Canavieiros: Quais as ações necessárias para que o setor volte a ser competitivo? Roberto Rodrigues: Hoje o se- tor vive uma crise sem precedentes, e é preciso resolver essa questão. E essa questão passa por três ou quatro temas centrais: o primeiro é a defini- ção da matriz energética brasileira, afinal o que é que se deseja da matriz energética e que espaço cabe para a agroenergia nesta matriz? Definido isso, devem-se estabelecer as regras de regulamentação do etanol, da ga- solina, para que haja um equilíbrio adequado de preços e a empresa bra- sileira possa continuar trabalhando. O terceiro ponto é investir em tecno- logia agrícola e industrial e também em motor de automóvel, porque hoje motor a álcool não existe, o que temos é um motor de gasolina adap- tado para o álcool. Quem sabe um motor a etanol mais específico, mais completo, possa mudar a relação de 70% do preço do etanol em relação à gasolina para ser viável. Porque não 80%, 90% ou 100%, desde que haja um motor adequado para isso? Então há uma série de temas a serem desenvolvidos tecnicamente e cien- tificamente e que devem ser estimu- lados por políticas públicas. Revista Canavieiros: A altera- ção na participação do etanol na gasolina vai beneficiar o setor ca- navieiro na sua visão? Roberto Rodrigues: O aumento da mistura é um tema técnico em avaliação da qual participam a UNI- CA (União da Indústria de Cana-de- -Açúcar), a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veí- culos Automotores), o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), a Petro- bras, o Ministério de Indústria e Comércio. Há uma ampla discussão técnica para saber até quanto é pos- sível aumentar a mistura. Só vamos fazer isso quando tivermos clare- za dos efeitos que possam ter nos motores dos carros, sobretudo nos carros importados, porque os nacio- nais estão adaptados a receber 25%, então mais 2,5% não representa alto risco. Já para os carros importados é um problema a ser resolvido. Os testes estão avançando e até o final de outubro saberemos quando pode- rá entrar em vigor a nova mistura. De qualquer maneira, isso só terá validade na safra do ano que vem. Revista Canavieiros: Há possi- bilidades de mudança para o setor ainda neste Governo? Roberto Rodrigues: Bem, es- tamos conversando com o ministro Mercadante sobre o setor sucroe- nergético, com um bom diálogo, daí avançou o tema da mistura e da necessidade de fazer os testes, e outros assuntos defendidos há anos pela UNICA foram resolvi- dos, como a entrada do etanol e do açúcar no Reintegra, a utilização de PIS/COFINS, a abertura de créditos para construir armazéns para as usi- nas. A questão agora é econômica, pois ninguém investe em tecnologia se tiver prejuízo. A volta da CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) é o grande tema atual, tenho esperança que a gente consiga avançar nos próximos meses nesta questão.RC
  8. 8. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 8 Ponto de Vista I Governo avança com o projeto para elevar a mistura de etanol na gasolina *Plínio Nastari O Senado Federal aprovou no dia 02 de setembro o Projeto de Lei de Conversão 14/2014 decorrente da MP (Medida Provisó- ria) 647/14, que permite ao Governo elevar para 27,5% o limite de mistu- ra de etanol anidro na gasolina, desde que constatada sua viabilidade técnica. Atualmente, segundo a Lei 8.723/93, o Governo pode elevar o percentual de mistura do etanol anidro até o limite de 25%, ou reduzi-lo até 18%, limite mí- nimo que ainda foi mantido pelo novo projeto. O texto agora aguarda sanção da presidente Dilma Rousseff. A partir de então, ficará ao critério do Governo em permitir o aumento efetivo da mis- tura através de um ato administrativo, como uma portaria interministerial. Antes que a mistura de anidro na ga- solina seja efetivamente elevada para os 27,5%, o Poder Executivo ainda aguarda- rá a avaliação com relação aos impactos dessa medida sobre o desempenho dos veículos. Os testes estão sendo realizados no Cenpes (Centro de Pesquisa da Pe- trobrás) em conjunto com o INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Quali- dade e Tecnologia)e os resultados finais só deverão ser conhecidos no final de de- zembro ou início de janeiro de 2015. A decisão em elevar a mistura tam- bém dependerá do quadro de estoques no mercado interno, uma vez que a safra 2014/15 no Centro-Sul poderá ser encer- rada antecipadamente por conta dos pro- blemas nos canaviais, estendendo, por- tanto, o período de entressafra na região. Um aumento de 2,5 pontos percentuais na mistura provocaria um acréscimo de aproximadamente 1 bilhão de litros da demanda de anidro no País. Hoje, o País consome 10,91 bilhões de litros de etanol anidro, segundo estimativa da DATAGRO, dos quais 8,22 bilhões con- sumidos na região Centro-Sul. Ademanda de combustíveis no Brasil segue em alta. Em julho, a demanda de hidratado avançou 7,3% sobre o mês an- terior para 1,01 bilhão de litros. Compa- rativamente a agosto do ano passado, o crescimento foi de 13,4%. No somatório do ano, foram consumidos 7,05 bilhões de litros de etanol hidratado entre janei- ro e julho, 21,1% a mais que em mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, este foi maior volume consumi- do de hidratado desde 2010, quando 8,17 bilhões de hidratado foram demandados entre janeiro e julho daquele ano, perío- do em que quase 55% de toda a frota flex fuel utilizava o etanol. O expressivo crescimento do consu- mo de hidratado não reflete, necessaria- mente, maior abrangência da competi- tividade do etanol sobre a gasolina no país. De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o etanol esteve mais competitivo que a gasolina na bomba em quatro Estados na última semana de julho: São Paulo (65,71%), Para- ná (68,69%), Goiás (68,41%) e Mato Grosso (65,50%); praticamente a mes- ma cobertura de Estados há um ano. O aumento do consumo de hidratado está mais relacionado com a expansão da frota de veículos flex fuel. Conforme es- timativa da DATAGRO, a frota de veícu- los flex fuel cresceu 16,1% ao término de 2013 com 20,85 milhões de unidades cir- culando nas ruas. Levando em considera- ção as vendas de veículos entre janeiro e julho deste ano, estimamos que a frota de veículos flex fuel tenha alcançado 22,13 milhões de unidades ao final de julho, au- mento de 13,6% sobre o tamanho da frota observada em mesma data do ano passa- do (19,49 milhões de unidades). Já o consumo de gasolina A subiu 5,5% em julho para 2,736 bilhões de li- tros, totalizando 18,88 bilhões de litros acumulado de janeiro a julho, aumen- to de 11,5% sobre idêntico período de 2013, variação proporcionalmente me- nor ao registrado pelo consumo de hi- dratado. Dessa forma, a participação do etanol na matriz de consumo de combus- tíveis do ciclo Otto subiu para 35,8% na média parcial do ano, contra 33,7% em todo o ano de 2013 e 31,8% em 2012. Diante do aquecimento do mercado interno, via expansão da frota, e das perspectivas de uma entressafra mais longa do que o normal no Centro-Sul, o Governo poderá ser levado a decidir sobre o aumento da mistura de anidro na gasolina apenas em 2015. *PresidentedaDatagroConsultoria RC
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  10. 10. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 10 Ponto de Vista II O Conto da Fazenda Experimental Bolivariana *Marcos Fava Neves E ste conto teve uma inspiração interessante. Passando pelos canais da TV num sábado à tar- de para achar algo que captasse minha atenção, eis que encontrei para rever, o filme “A Praia”, que tem Leonardo Di Caprio como ator principal. Para quem não viu, o filme relata as experiências de uma comunidade sonhadora de um novo mundo, que vai para uma praia deserta na Tailândia, e tenta se organi- zar coletivamente. O filme tem um ce- nário maravilhoso, e uma interpretação soberba deste ator. Vale, sem dúvida assistir. Mas o que teria a ver este filme com nosso conto, nossa ideia? Ao perceber no Brasil um crescente movimento ideológico contra a empre- sa, contra o lucro, da demonização do empresário, pois hoje quem quer pro- duzir é quase que um criminoso am- biental, trabalhista, social e, assim por diante, depois de escutar tanta bobagem destes micropartidos na propaganda eleitoral gratuita e também estar cansa- do de gente alienada, pendurada e que só reclama, vendo “A Praia”, tive uma ideia que pode até ser interessante. A ideia seria a de criarmos, nos mes- mos moldes do filme “A Praia”, uma fazenda experimental, servindo a diver- sos propósitos secundários, elencados ao final deste texto, mas com o propó- sito principal de mostrar a importância da agricultura e do trabalho no dia a dia de todas as pessoas, pois até que algo futurista aconteça, nossos organismos são “movidos a alimentos”. Uma área abençoada em termos de solos, incidência de sol, regime hídrico, seria escolhida em fronteiras do Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, enfim, numa destas bênçãos divinas recebidas pelos moradores do Brasil. Cercaríamos e colocaríamos em marcha o projeto. Mas quem iria para a Fazenda? Para lá seriam levadas para um estágio as pessoas críticas à agricultura, ao pro- dutor rural, ao agronegócio e as que têm visão deturpada ou parcial sobre o setor. Iriam desde as que pregam a so- cialização dos meios de produção, as que são ideologicamente contra a em- presa, contra o lucro, contra a ordem e o progresso, as radicais de diversos setores, como também os invasores (ou “ocupadores”), os antiprodução, os que desejam transformar o Brasil numa me- ga-aldeia, ativistas, representantes de algumas ONG’s confinados no sempre refrigerado ambiente Brasília/cidades internacionais, filósofos de gabinete, alguns artistas globais do eixo Ipanema, Leblon, Butantã, Pompeia, que pensam que seu baby beef nasceu na cozinha do restaurante da Vieira Souto e seu chopi- nho foi gerado dentro da chopeira dos maravilhosos bares da Ataulfo de Paiva ou dos arredores de Pompeia. Levaríamos também gente que acredita nos modelos da Coreia do Norte, Cuba e Venezuela, entre outros. Selecionaríamos parte dos 61 milhões de brasileiros em idade de trabalho, mas que não trabalham, não procuram trabalho e não estudam, entre eles os dependentes de bolsas Governamen- tais que têm habilidade, capacidade e ofertas de trabalho e os usuários do auxílio-desemprego que forçaram suas demissões. Ou seja, a geração “nem- -nem” também iria, os jovenzinhos ativistas ainda pendurados nas bolsas paternas e os outros não tão jovens, em idade de trabalho, mas que esticam até os 30, 40 anos sua permanência na universidade pública, normalmente em cursos sem demanda. Para poupar um esforço inicial dos habitantes desta fazenda, já entrega- ríamos a área com todo o cipoal de li- cenças e burocracia necessárias para se trabalhar e produzir. Teríamos uma infraestrutura coletiva de hospedagem na fazenda, com bons banheiros, po- rém, todos coletivos. Haveriam telefo- nes coletivos e uma sala de informática coletiva, com os softwares de domínio social. Produtos de limpeza, cosméti- cos básicos, medicamentos genéricos e outros suprimentos importantes seriam fornecidos gratuitamente até que o fruto do trabalho e da produção na fazenda conseguisse comprá-los. Um telão de TV central, apenas com os canais abertos, no refeitório seria permanentemente gratuito. Sem direito aos filmes de Hollywood, HBO e outros “lixos do império”. Nestes canais terí- amos o noticiário do Brasil e a trans- missão da TV de Cuba, da Venezuela, Coreia, e seriam reprisados todos os programas eleitorais dos micropartidos radicais, além de aulas de produção comunista gravadas e filmes da antiga DDR (Alemanha Oriental). Via assem- bleias e conselhos populares, a FEB criaria suas próprias mídias e poderia adotar até o controle social da mídia, caso esta fosse a opção vitoriosa. Como somos todos a favor do “Fome Zero”, a fazenda teria uma safra de cada produto adequadamente armazena- da para o consumo. Ou seja, teríamos milho, soja, hortícolas, frutícolas, açú- car, carne, cana... suficientes para uma rodada de consumo, portanto, para a segunda, teria que ser imediatamente plantado, cultivado e colhido, ou seja, trabalho pela frente aos habitantes da FEB a partir já do primeiro dia. Deixa- ríamos um rebanho bovino suficiente para um ciclo, bem como frangos, suí- nos e cordeiros e um lago com tilápias e equipamentos de pesca. Para o plantio da safra seguinte, já deixaríamos no armazém as sementes
  11. 11. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 11 padrão e as geneticamente modifica- das. Deixaríamos mudas, fertilizantes, defensivos e máquinas/implementos, desde os mais rústicos usados nos anos 30 e 40, até as máquinas com GPS uti- lizadas hoje. A biblioteca da FEB seria completa: para tudo teríamos livros explicando desde como plantar, adubar, cultivar e colher, como manejar as máquinas, uso de defensivos, equipamentos de proteção, compostagem, doenças dos animais, enfim, em tudo teríamos o “como fazer”. Na parte do processamento agroin- dustrial, forneceríamos também as pe- quenas agroindústrias processadoras já montadas. Um minifrigorífico, uma miniusina de cana, miniprocessado- ra de frutas, laticínio, torrefadora de café, entre outras, todas com manuais de funcionamento. Deixaríamos uma unidade de cogeração de energia, e um ano de suprimento gratuito de energia e diesel para as máquinas, até que a biomassa e o biodiesel fossem gera- dos. Galpões completos de armazena- gem e estrutura para um supermercado estariam prontas para os habitantes da fazenda trabalharem. A comunidade discutiria e escolhe- ria quais insumos utilizaria. Se, por exemplo, as assembleias deliberarem que são contra usar os defensivos na produção da sua comida, se organiza- riam para a catação manual de lagartas e outras pragas e a captura de insetos, ratos com arapucas e outras engenho- cas. Tudo é válido. Caso a assembleia opte pelo vegetarianismo, o rebanho poderia ser transformado em instru- mento de adoração, como em outros países que conhecemos. Uma vez pronta toda esta infra- estrutura, algo que nem de perto se oferece ao produtor rural, chega o momento de levar esta ampla comu- nidade selecionada à FEB (Fazenda Experimental Bolivariana). Na chega- da à fazenda, estas pessoas deixariam na entrada seus pertences pessoais, desde celulares, notebooks, bolsas, automóveis, afinal se são contra o progresso tecnológico, a empresa, o lucro, a multinacional, contra o “im- pério”, tem que ser coerente no com- portamento individual, o que frequen- temente não observo nestes grupos. Não podemos ser intelectualmente contra, mas transgressores na prática do comportamento individual. A comunidade teria que se organi- zar. Imagino que sairiam à frente os “movimentos sociais”, tentando botar ordem na casa, pois têm treinamento prévio, afinal, a comida vai acabar e precisam trabalhar para ter. Poderiam criar um sistema de governo, educa- cional e universitário, com liberdade de conteúdo, bancos, partidos políti- cos, congressos, conselhões, e verifi- car como pagariam estes políticos do grupo e seus assessores com o recurso de sua própria produção, pois assim são pagos no mundo real. Deixaríamos uma gráfica para im- pressão de uma moeda e de uma cons- tituição, se quiserem. Podem também criar Bolsas assistencialistas diversas, mas só depois que tiverem gerado ren- da para pagá-las. Afinal, para distribuir renda, alguém precisa gerar renda. Diferentemente da situação real do produtor brasileiro, garantiríamos à FEB segurança total, sem os frequentes assal- tos que acontecem nas fazendas ou in- vasões de outros “movimentos sociais” e daríamos uma carência de três anos, pelo menos, para aplicar a atual legis- lação trabalhista, ambiental e tributária. Entregaríamos com reserva legal já aver- bada e CAR (Cadastro Ambiental Rural) preenchido. Não precisariam pagar im- postos e nos ajudar a sustentar Brasília por pelo menos 3 anos, algo que os bra- sileiros comuns dedicam mais de quatro meses de trabalho por ano. Como não há petróleo na FEB, seus habitantes estariam livres do loteamen- to de cargos, da corrupção e dos escân- dalos advindos de uma suposta petrolei- ra que seria criada. Também é vetada a entrada de dólares, pois isto é algo que vem do Império, e desta forma não te- ríamos doleiros para trazer mais escân- dalos a FEB. Forneceríamos o SUS (Sistema Único de Saúde) e o “Mais Médicos”, e se a comunidade aceitar (aceitasse), casos mais graves envolvendo líderes e políticos que não quiserem o SUS, cederíamos o Sírio Libanês, via cré- dito, mas para ser pago pela comuni- dade quando esta dispuser de renda.
  12. 12. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 12 Não sou contra deixarmos também estoques de cachaça e uma destila- ria montada, afinal, não dá para exigir abstinência. Forneceremos também es- toques e sementes de Cannabis Sativa e fósforos. Pode inclusive ser que esta cadeia produtiva seja a primeira a se organizar na comunidade, pois é prova- velmente onde os estoques planejados para um ano mais cedo darão os sinais visíveis de escassez. À medida que os excedentes de pro- dução advindos do trabalho e do esfor- ço dos moradores da FEB fossem sendo gerados, estes poderiam ser vendidos para fora da FEB e daríamos outra fa- cilidade: os mercados (compras) seriam por nós garantidos, com preços míni- mos estipulados. Também oferecerí- amos algo que os produtores hoje não têm: seguro sofisticado que protegesse a produção e a renda da comunidade de intempéries climáticas. O transporte dos produtos desde a FEB até os centros de consumo nós ofe- receríamos para evitar que passem pelo descalabro logístico que nossos produto- res enfrentam, acabando com sua renda. Seguro contra os frequentes roubos de cargas, também ofereceríamos, afinal precisamos dar um impulso à FEB. Garantiríamos o máximo esforço para utilizarmos o nosso porto em Cuba. Com a renda criada pela venda da sua produção, fruto do seu trabalho, a comunidade poderia, aos poucos, comprar os bens de consumo essen- ciais para reposição (sabonete, sham- poo e outros) e também os produtos supérfluos hoje existentes fora da FEB. Poderiam importar desde carros Hyundai, BMW, motos Harley Davi- dson, máquinas de Nespresso, toda a parafernália da Apple, equipamentos de som Bang & Olufsen, comprar bol- sas Louis Vuitton, cosméticos MAC, TV HBO por assinatura, entre outros sonhos, e inclusive materiais de cons- trução para futuras casas individuais, que poderiam sim ser construídas em terrenos dentro da fazenda, caso ven- ça na assembleia a individualização das moradias. Podemos sofisticar bem mais o nosso conto, mas parando por aqui para pou- par o tempo dos trabalhadores, a missão da FEB seria esta: “ensinar a parar de reclamar e trabalhar para prosperar”. Além dos habitantes da FEB desco- brirem e reconhecerem que as coisas não caem do céu, e que tem gente suan- do forte para tentar produzir num País que a cada dia cria mais dificuldades, o estágio traria outros aprendizados à comunidade da FEB, evidências que carregariam ao resto das suas vidas: - Não existe distribuição de renda que se sustente, sem geração de renda; - Não existe consumo sem produção; - É difícil e custa ser contra o pro- gresso tecnológico. Se você não gosta da tecnologia e das empresas que geram tecnologia, existem alternativas menos produtivas à disposição e podem ser usadas, mas dará mais trabalho e pode não ser suficiente; - Algumas coisas precisam de escala para serem produzidas eficientemente, então o romantismo da família, do sim- ples, não funciona. - Para que um sistema destes (FEB) funcione coletivamente, é preciso que todos tenham ampla propensão ao tra- balho, o que não se observa em todos os seres humanos. Este é o principal mo- tivo do fracasso de modelos coletivos que não incentivam o trabalho, a pro- dutividade individual e a meritocracia. - Quem não trabalha, ou tem labor- -fobia, está sendo sustentado por quem trabalha e se aproveita do mais produti- vo. Vai ficar evidente para todos na co- munidade literalmente quem “não vale o feijão que come”; - Produtos são plantados, cultiva- dos e colhidos, com muito esforço por quem fez, com muito risco. Precisamos respeitar e valorizar quem produz e agradecer, pois parte do que podemos consumir no País vem da renda da ex- portação gerada por estes empreende- dores. Simplificando, nosso I-Phone 6 foi pago com... exportações de açúcar. Vamos implementar a FEB e aguar- dar cinco anos para ver se funciona. Tenho cá um pouquinho de dúvidas se os perfis que iriam para lá têm em seu DNAa filosofia de “agarrar no batente”, necessária quando não se têm outros fa- zendo por você, ou com a presença de um estado assistencialista, contamina- do pela política da “vitimização e da coitadização” dos seus habitantes. Mas não podemos cometer o equívoco de um pré-julgamento. Vamos aguardar e observar este laboratório a céu aberto. Acho que teremos olheiros do mundo todo observando a FEB. Se após cinco anos a FEB der certo, minha hipótese é que a comunidade se organizou em um modelo capitalista. O sistema capitalista, com todos os seus problemas, é o melhor que a so- ciedade mundial dispõe, basta olhar os 20 países melhor ranqueados nos IDH (indicadores de desenvolvimento humano). É no que acredito, um siste- ma que promova forte inclusão social, pelo trabalho, esforço e geração criati- va de oportunidades. Se FEB der certo e for sustentável no médio prazo num modelo comunista, eu tenho que calar a minha boca e jogar fora boa parte das coisas que escrevi. Voltar a estudar, porém, outras obras. Estou terminando o conto e esqueci de abordar o assunto fugas ou abando- nos. Fugas da FEB serão aceitas após uma entrevista onde fique provado que a pessoa aprendeu valores ligados ao trabalho, à geração da sua própria ren- da, à noção de responsabilidade e de colaboração ativa com a comunidade e o fim do pensamento de que... é vítima, um coitado, um excluído. A última pergunta que abriria a por- teira da fazenda e traria o “febiano” de volta ao mundo externo avaliaria se o entulho intelectual, ou a alucinação bo- livariana ficou para trás, enterrado na fazenda, da mesma forma como o gran- de sonho da comunidade de Leonardo Di Caprio em “A Praia”, fracassou e ficou... na praia tailandesa. * é professor titular de planejamen- to estratégico e cadeias agroalimen- tares da FEA-RP/USP. Autor de 45 livros publicados em oito países. Foi professor visitan-te da Purdue Univer- sity (Indiana, EUA) em 2013. Ponto de Vista II RC
  13. 13. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 13
  14. 14. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 14 Como está o nosso agro? Con- trariando a recuperação dos últimos meses, em agosto o desempenho das exportações do agro sofreu uma que- da considerável. As exportações, (US$ 8,89 bilhões) se comparadas com o mesmo período de 2013 (US$ 10,17 bi), diminuíram 12,5%. O saldo na ba- lança do agro de agosto foi de US$ 7,48 bi, uma queda de 14,0% em relação a agosto de 2013, que foi excelente. O valor exportado acumulado no ano (US$ 67,6 bilhões) teve queda de 2,1% quando comparado com o mesmo perío- do de 2013 (US$ 69,0 bilhões). O saldo positivo acumulado no ano foi de US$ 56,4 bilhões (2,4% menor que o mes- mo período em 2013). Se continuarmos nesse ritmo, fecharemos 2014 com um montante de US$ 101 bi, atingindo a meta dos 100 bi, porém cabe ressaltar que no acumulado de janeiro-agosto de 2013 tivemos uma exportação de US$ 69,0 bi e fechamos 2013 com a cifra de US$ 99,9 bilhões. O ponto negativo das exportações do Brasil é justamente o complexo cana, que no ano passado, de janeiro a agos- to, havia exportado US$ 9,1 bilhões, e neste ano, apenas US$ 6,5 bilhões, 28% a menos. Como está nossa cana? Segue firme o processamento de cana na safra. Até o final de agosto, a produção de açúcar e etanol estava 5% maior que na safra anterior, mas sabe- mos que a atual safra será cerca de 9% menor. Houve, a partir de agosto, grande mudança no mix em direção ao etanol (quase 55% na segunda quinzena do mês), algo que poderia ter acontecido antes se não fossem os erros do Gover- no. Agora, já comprometeu o resultado do ano. Estimativa da JOB é que a safra do Centro Sul será de 552 milhões de to- neladas. Para a Datagro, será de 556 milhões de toneladas. A crise vai deixar rastros fortes. Se- gundo a Orplana (Organização de Plan- tadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil), a taxa de renovação dos cana- viais de produtores em 2014 foi de 12%, quando o ideal seria 17%. A quebra deve ser maior que a observada nos canaviais das usinas, algo ao redor de 15%. Costumo dizer que a crise que o se- tor passa não é uma crise de mercado, como por exemplo se observa no suco de laranja.Acrise da cana é fabricada. O fa- bricante todos conhecem: um ineficiente e caro pessoal que mora em Brasília... Muita gente está investindo em algo que o setor sonha: a semente da cana! Vamos ter esperança. Como estão as empresas do setor? Aempresa americana BioUrja Trading tem projeto para uma usina de etanol de milho em Chapadão do Sul, que a princí- pio processaria 343 mil toneladas do grão por ano, gerando etanol e o farelo de mi- lho de alto valor proteico (DDGS). A Brasken, Amyris e Michelin de- senvolveram parceria para produzir um isopreno renovável, principal material usado na fabricação de pneus e outros produtos de borracha. Para a produção deste isopreno, serão utilizados açúca- res, como o da cana. É mais uma apli- cação futura para a cana. A Odebrecht produziu nesta safra cerca de 65 toneladas por hectare. Deve moer ao redor de 26 milhões de tone- ladas neste ano. 83% da cana vai para etanol, e deve produzir 1,85 bilhão de litros. O foco da empresa agora será na melhoria dos canaviais, buscando 74 toneladas em média daqui dois anos. 80% da cana é própria, produzida em 445 mil hectares. De acordo com a em- presa, busca-se aumento de produtores independentes, visando atingir 40% do suprimento. Ceres, dos EUA, vai colocar ênfase em investimentos de cana transgênica, visando traços de biomassa, tolerância a estresse e conteúdo de açúcar. Como está o açúcar? Usinas estão estocando mais açúcar e etanol com as perspectivas de melho- ria dos preços na entressafra. Diversos grandes grupos estão com estoques 100% maiores. Coluna Caipirinha Marcos Fava Neves Caipirinha Os Rastros de uma Crise Fabricada Revista Canavieiros - Setembro de 2014
  15. 15. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 15 A Job estimou redução nas exporta- ções de açúcar este ano, devido a que- bra de safra, para 22 mi t. O preço do açúcar chegou a 13,75 cents por libra, menor valor desde 2010. Muita gente que previa preços melhores no final do ano, como eu, caiu do cavalo nas análises. O Governo, via Conselho Monetário Nacional, deve incluir o açúcar em li- nhas de financiamento para armazena- gem, a taxas de 4,5% ao ano, com 15 anos para pagamento e carência de 3 anos. Fora esta ação, o açúcar e o etanol foram incluídos no programa Reinte- gra, que permite às empresas recupe- rarem 3% do valor exportado na forma de crédito tributário para PIS e Cofins. Segundo o Governo, já pode ser válido em 2014, em 0,3%. Como está o etanol? Foi aprovado o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 27,5%, provavelmente para valer a partir da sa- fra 2015/16. Falta ainda a aprovação de testes sendo feitos em automóveis, que devem perdurar até outubro. Segundo a Archer, o consumo de combustível no Brasil nos últimos 12 meses foi 4,4 bilhões de litros superior ao período anterior. Foram 11,8 bilhões de litros de hidratado e 43,1 bilhões de gasolina. O consumo de hidratado au- mentou 1,8 bilhão de litros entre os pe- ríodos. O petróleo caiu abaixo de 100 dólares pela primeira vez em 15 meses. Quem é o homenageado do mês? A coluna Caipirinha todo mês ho- menageia uma pessoa. Neste mês a homenagem vai para o Prof. José Gol- demberg. Nosso ex-reitor na USP e exemplo de carreira profissional, em todos os sentidos. Haja Limão: Lógico que gostaria de votar numa Angela Merkel, Margareth Thatcher, Ronald Reagan, Bill Clinton, Gorbachev, Oscar Arias, entre outros estadistas que admiro. Gente que ajuda- ria a acabar com esta política nefasta de vitimização, de coitadização, e chamaria os brasileiros a vencerem pelo trabalho, pelo esforço de todos. Entre as três op- ções colocadas para nós, para mim Aé- cio é de longe a melhor para o Brasil, pela quantidade de gente competente que está com ele e pela sua experiência e capacidade política de aglutinar. Dil- ma, tudo indica que repetiria o desastre que já conhecemos, e Marina, só se ela se transformou por completo, pois seu passado político também não contribui. Foi contra muita coisa que melhorou o Brasil e esteve confortavelmente silen- ciosa contra toda a corrupção.
Conversei com muita gente, que lamentavelmente já jogou a toalha. Faltam ainda longas três semanas para a eleição, vamos, com esforço individual, brotar uma onda a favor do Brasil! Mais do nunca, precisa- mos acreditar. Acomodar jamais! Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto. Em 2013 foi Professor Visitante Internacio- nal da Purdue University (EUA) RC
  16. 16. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 16 Parceria entre a Copercana e a FMC oferece oficina e peça teatral para professores e alunos de escolas de Sertãozinho Notícias Copercana A pós proporcionar oficinas teatrais para aproximadamente 30 pro- fessores da Rede Municipal de Ensino de Sertãozinho-SP, com o intuito de passar orientações vocais e desenvol- ver a habilidade de comunicação e ex- pressão dentro da sala de aula, nos dias 12 e 13 de agosto, por meio de uma parceria entre a Copercana e a FMC Agricultural Solutions, com o apoio da Secretaria Mu- nicipal de Educação da Prefeitura de Ser- tãozinho-SP, cerca de 700 alunos da Rede Municipal de Ensino da cidade, passaram pelo auditório da Escola Municipal Elvira Arruda de Souza, onde assistiram gratui- tamente ao espetáculo “Árvore da Vida”, aprovado pelo Ministério da Agricultura, através da Lei Rouanet (Lei de incentivo à cultura). O espetáculo, de responsabilidade ambiental, foi apresentado pela Com- panhia de Teatro Sia Santa, de Cam- pinas-SP, realizado em seis sessões e teve como objetivo harmonizar entre- tenimento, conhecimento e informação de forma lúdica sobre como é possível inserir boas práticas agrícolas no dia a dia, através de uma linguagem simples visto que o público-alvo (as crianças) são multiplicadoras de conhecimentos dentro de suas casas. Fernanda Clariano Estiveram presentes o gerente finan- ceiro da Copercana e Canaoeste, Gio- vanni Rossanez, o representante técnico comercial da FMC, Vinícius Batista, a diretora da Escola Elvira Arruda de Souza, Luciana Fernandes Ambrósio, a produtora da Companhia de Teatro Sia Santa, Valéria Rachel, a gestora do De- partamento de Marketing da Copercana e Canaoeste, Letícia Pignata, além de professores e alunos da Rede Municipal de Ensino da cidade. “É de grande valor para a Coperca- na ser parceira da FMC num projeto tão importante como esse, que leva co- nhecimento e aprendizagem de forma lúdica às crianças. Há anos a Coper- cana vem contribuindo com algumas instituições e está sempre envolvida em movimentos sociais que auxiliam no desenvolvimento da população serta- nezina e agora com essa parceria com a FMC vem trazer para os alunos da Rede Municipal de Ensino de Sertãozi- nho um momento de descontração, de diversão, mas acima de tudo, de apren- dizagem, pois através dessa peça eles saem daqui sabendo um pouco mais sobre sustentabilidade, produção de ali- mentos e responsabilidade ambiental”, pontuou Giovanni Rossanez. O espetáculo de responsabilidade ambiental reuniu cerca de 700 alunos da Rede Municipal de Ensino de Sertãozinho durante dois dias de apresentações Equipe da Companhia Teatral Sia Santa, com os professores que participaram da oficina Os alunos lotaram o auditório em todas as apresentações
  17. 17. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 17 “Para a FMC, é importante estarmos presentes no dia a dia dos agricultores contribuindo para que eles possam pro- duzir de forma sustentável, pensando num futuro que seja melhor para o País e, consequentemente, para o mundo, pela relevância que o Brasil tem como um celeiro agrícola. Sustentabilidade é o tema central dessa peça que estamos apoiando porque acreditamos que uma agricultura sustentável é a base de tudo. Para isso, estamos contando com a par- ceria da Copercana, pois por meio dessa ação, esperamos trazer um pouco do que é a realidade da agricultura para milha- res de crianças, mostrando que é possí- vel produzir sempre de modo sustentá- vel e correto”, ressaltou Vinícius Batista. A diretora da Escola Elvira Arruda de Souza destacou a importância de po- der receber o espetáculo. “Eu agradeço a Copercana, a FMC e a Sia Santa que foram essenciais para o acontecimento desse evento e nos presentearam com uma bela peça. Trazer o teatro para a escola é essencial, é uma oportunidade para os alunos vivenciarem essa cultu- ra. Achei a apresentação interessante porque abordou assuntos importan- tíssimos principalmente sobre o meio ambiente, educação e leitura de uma forma bem cativante e percebi que as Representantes da Copercana, Canaoeste e FMC entregaram uma placa de homenagem para a Companhia de Teatro Sia Santa pelo trabalho realizado. crianças adoraram. Para nós, foi um prazer acolhê-los e poder proporcionar esse entretenimento para outras escolas que não possuem um espaço como este e, quando somos solicitados, abrimos as portas e os recebemos com muito pra- zer”, afirmou Luciana.RC
  18. 18. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 18 RC Unidade de Grãos da Copercana realiza treinamento sobre Controle de Pragas Notícias Copercana P or meio da parceria entre a Una- me (Unidade de Grãos da Coper- cana) e a empresa Bequisa, foi realizado no dia 26 de agosto, no audi- tório do setor de compras da Copercana, em Sertãozinho-SP, um Treinamento de Controle de Pragas para colaboradores das áreas de Controle de Pragas, Indus- trial, Segurança do Trabalho e Qualida- de, da Uname e da filial de Tupã. Par- ticiparam também colaboradores das empresas parceiras Cap Agroindustrial de Dumont-SP e Cerealista Marani de Herculândia-SP. O treinamento teve o acompanha- mento da coordenadora do Sistema de Segurança do Alimento da Uname, Ma- riana Rosa de Souza, e da responsável pelo Controle de Pragas da Unidade de Grãos da Copercana, Regina Del Gran- de, e contou com palestras importantís- simas sobre Controle de Pragas emAm- bientes de Armazenagem e Controle de Roedores em Ambientes de Armazena- gem, proferidas pelo engenheiro agrô- nomo supervisor da Bequisa, Hamilton Viganó Neto e pela bióloga, consultora da Bequisa, Juliana Pereira. O controle de pragas é essencial para a manutenção de uma boa armazena- gem de grãos e conscientes disso, a Co- percana em parceria com as empresas Cap Agroindustrial e Cerealista Mara- ni, estão atentas neste quesito e garan- tem que os colaboradores envolvidos em diferentes áreas da empresa, como qualidade, armazenamento, produção e segurança do trabalho, tenham informa- ções e conhecimentos necessários para a realização de um bom trabalho. “Organizamos este evento em con- junto com a empresa Bequisa onde o foco foi a importância da capacitação e reciclagem dos conceitos aos funcioná- rios envolvidos com o manejo integrado de pragas. Pudemos sentir um grande envolvimento dos participantes durante as palestras, além de um ótimo domí- nio do assunto pelos palestrantes, que não deixaram de atender prontamente às perguntas e esclarecimentos dos ou- vintes. Esperamos como resultado que, Fernanda Clariano mais conscientes da importância de um bom Controle de Pragas para a qualida- de de nossos grãos armazenados, possa- mos continuar executando um excelen- te trabalho nesta área”, disse Mariana. “A realização deste evento foi de grande importância para os colabo- radores que estão envolvidos com os grãos armazenados na Uname. A cada ano, existem produtos novos e novas técnicas, que precisamos aprender para obtermos controle das pragas em grãos armazenados, com eficiência e sucesso, pois o nosso produto é de qualidade e esse evento foi de grande importân- cia, pois através das palestras teremos maior facilidade para combatermos as pragas que surgirem”, disse Regina. Com o objetivo de instruir e auxiliar a equipe envolvida sobre as melhores formas de controle dentro da realidade do estabelecimento, a bióloga Juliana falou sobre Controle de Roedores em Ambientes de Armazenagem – identifi- cação dos roedores, formulações de ra- ticidas, quando, como e onde utilizá-los e como combater a praga. “Explanei sobre a biologia das pra- gas quando relacionadas ao nosso dia a dia, sobre seus hábitos e comportamen- tos, medidas preventivas e corretivas (para impedir a entrada e permanência destas pragas nos estabelecimentos) e por fim o controle químico. Foi muito importante, pois tive a oportunidade de estar com uma equipe bastante interes- sada e poder auxiliá-los de alguma for- ma foi gratificante”, afirmou Juliana. Na cadeia produtiva de alimentos, desde a produção de sementes e plan- tio, até chegar à mesa do consumidor, são encontrados vários obstáculos. Dentro desta cadeia está o processo de armazenagem, onde encontramos um fator de extrema importância, que é o cuidado com o controle de insetos nos ambientes de armazenagem. O enge- nheiro agrônomo, Hamilton, em sua apresentação sobre o Controle de Pra- gas em Ambientes de Armazenagem, abordou a identificação das principais pragas, profilaxia, expurgo, manuseio de inseticidas, EPI (Equipamento de Proteção Individual) e envelopamento com as lonas. “Sabemos que na produção agríco- la há muito investimento para trazer um produto de boa qualidade até as empresas que irão beneficiá-los. Cabe a nós, responsáveis pelo beneficia- mento e armazenagem desses alimen- tos, não permitir que todo esse esforço se perca, mas sim que essa qualidade seja mantida até o consumidor final. Os insetos causam danos irreversí- veis nos grãos armazenados, tantos nas questões quantitativas quanto nas qualitativas, estes ataques danificam o grão desde a sua aparência até sua capacidade nutricional. Para evitar perdas, que acabam se revertendo em grandes prejuízos econômicos, traze- mos soluções para o controle desses insetos. Para nós da Bequisa e da Bi- zarro Teixeira, ter parceiros como a Copercana é muito importante, por- que é uma cooperativa que leva muito a sério o que faz, está sempre buscan- do conhecimento para melhorar todos os processos que já vêm sendo desen- volvidos com sucesso”, ressaltou o engenheiro agrônomo da Bequisa.
  19. 19. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 19 Parceira entre a Copercana Seguros e Porto Seguro Auto mobiliza motoristas de Sertãozinho A Porto Seguro em parceria com a Copercana corretora de Seguros, realizou no dia 20 de setembro, no auto posto Copercana, em Sertãozi- nho, a campanha Transito + gentil - Ser gentil não custa nada e vale mui- to - com o objetivo de conscientizar os motoristas, sobre a importância de serem mais tolerantes uns com os outros e de manterem o respeito e a harmonia no trânsito. Durante todo o dia de mobiliza- ção, uma equipe fez a abordagem de vários motoristas, adesivaram carros e entregaram panfletos com dicas importantes para contribuir com um transito mais seguro e tranquilo. A entrega foi realizada pela gerente de produção da Porto Seguro, Cristiana Xavier Na ocasião, os motoristas abor- dados foram convidados a preen- cherem um cupom para concor- rerem a um jantar com direito a acompanhante. O ganhador do sorteio foi, Kleber Diniz.
  20. 20. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 20 Geladeiroteca marca presença na 12ª Feira do Livro de Sertãozinho Notícias Canaoeste Fernanda Clariano Com o tema “Família e Educação”, a feira reuniu milhares de famílias que prestigiaram os quatro dias do evento, atraindo um grande número de visitantes P romovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura e do Departamento de Cultura e Turismo, a 12ª edição da Feira do Livro de Ser- tãozinho, aconteceu entre os dias 02 e 05 de setembro na praça XXI de Abril e contou com a participação de um público expressivo durante todos os dias da Feira. Na abertura estiveram presentes: o prefeito, José Alberto Gimenez, o vice-prefeito, Valter Almussa, o pre- sidente da Câmara Municipal, Rogé- rio Magrini, o diretor do Departamen- to de Cultura e Turismo, João André da Rocha, o Secretário municipal de Educação e Cultura e anfitrião da Fei- ra, Alexandre Salomão Bitar, a co- ordenadora do Projeto Sol do Saber, Amália Seron, vereadores, professo- res e a população. Além de muitos livros, palestras, oficinas e bate-papos, um dos desta- ques da Feira foi à participação ilus- tre do patrono dessa edição, Rolando Boldrin, que na oportunidade recebeu o Título de Cidadão Sertanezino. O escritor local homenageado, mem- bro da Academia Sertanezina de Letras, Gilberto Antônio Marques Bellini, tam- bém se fez presente juntamente com 18 famílias da cidade que receberam ho- menagens por terem contribuído com a questão família-escola. Dentre as homenageadas, a família Ortolan, que teve como representante o presidente da Canaoeste, Manoel Ortolan, e sua esposa Sandra Mara Bernardi Ortolan. O patrono da feira, Rolando Boldrin, falou com emoção sobre a sua participa- ção como patrono. “É difícil expressar a alegria que estou sentindo. Trabalho O estudante e auxiliar administrativo, Eliel Ivanildo da Silva, aproveitou para conhecer a Geladeiroteca durante a Feira. “Eu achei muito bacana essa ideia porque ajuda a incentivar a leitura, você vem, escolhe um livro e leva. É muito simples, e devolvendo ou trazendo outro livro, você ainda pode contribuir com o conhecimento de outras pessoas. Escolhi um para levar para casa e com certeza irei espalhar essa ideia”. Foto:AdilsonLopes Após a abertura oficial da feira, o público pôde assistir à apresentação do patrono, Rolando Boldrin que contou “causos” e cantou várias músicas de seu repertório, dentre elas a mais conhecida, “Vide vida marvada”. O bibliotecário, Haroldo Luís Beraldo, recepcionou o público que visitou a Geladeiroteca na Feira
  21. 21. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 21 com a emoção, gosto de trabalhar com o sentimento e me encontrar aqui na frente desse público e ter essa honraria que é ser patrono de uma festa tão bonita, de uma feira tão importante, é realmente motivo de muita alegria e muita emoção. Eu agradeço muito por lembrarem-se do meu nome”, disse o patrono. Manoel Ortolan, ressaltou a satisfa- ção pela homenagem recebida. “É uma alegria poder ter o nome da família homenageado na Feira do Livro, mas o grande mérito é da Sandra, minha es- posa, que sempre trabalhou como edu- cadora, fazendo uma carreira muito bonita por toda a região onde foi pro- fessora, auxiliar de diretora, diretora e trabalhou também como delegada de ensino. Eu acredito que, o que a gen- te tem de mais digno para se deixar, é o nome da família por tudo o que ela proporcionou pela comunidade, enfim, pelas coisas boas que fez pelo próxi- mo”, afirmou Ortolan, que também destacou a participação da Geladeiro- teca, projeto mantido pela biblioteca “General Alvaro Tavares do Carmo”, em mais uma edição da Feira. “Este é o segundo ano em que a Geladeirote- ca se faz presente na Feira do Livro de A família Ortolan foi homenageada pela EMEF Professora Maria Aparecida Ortolan Bellini e recebeu a homenagem pelas mãos de Rosimeire Pedro Bighetti acompanhados pelo prefeito José Alberto Gimenez e o Secretário Municipal de Educação e Cultura e anfitrião da Feira, Alexandre Salomão Bitar Foto:AdilsonLopes Sertãozinho. É uma satisfação ver que esse trabalho vem dando resultados, e que este projeto vem se destacando e se fazendo presente em eventos. A Geladeiroteca esteve na Feira do Livro de Ribeirão Preto, recebeu destaque na imprensa através de vários veículos de comunicação, marcou presença na 22ª edição da Fenasucro e agora volta à Feira do Livro de Sertãozinho, com a parceria do Lions Clube da cidade. É muito interessante que a população tem prestigiado o projeto, levando livros para casa e, na medida do pos- sível, tem doado e essa liberdade de poder escolher um livro e levá-lo para casa sem burocracia, aumenta a satis- fação do pessoal em ler e buscar algo novo. Para nós, é motivo de alegria ver que o trabalho do Haroldo Luís Beral- do, que o bibliotecário da Canaoeste e idealizador do projeto, está dando bons resultados e, com isso, vamos ocupando o nosso espaço e quem sabe possamos espalhar ainda muitas gela- deiras por aí”, destacou Ortolan. Da redação Reuniões Técnicas Canaoeste A Canaoeste, em parceria com a empresa Brasquímica, realizou no dia 21 de agosto, na fazen- da Santa Rita, em Terra Roxa-SP, um treinamento interno para a sua equipe técnica de engenheiros agrônomos. Na ocasião o responsável pela área de Pesquisa e Desenvolvimento da Bras- química, Guilherme Collos Nogueira, abordou assuntos referentes a aplicação de adjuvantes na cultura da cana-de-açú- car e, mais especificamente, a apresenta- ção de resultados do produto Startec. O treinamento foi dividido em duas partes, sendo uma teórica e outra prática, onde todos os participantes puderam interagir e esclarecer dúvidas. Equipes técnicas Canaoeste e Brasquímica RC RC
  22. 22. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 22 Canaoeste realiza reunião técnica na filial de Santa Rita do Passa Quatro Dia de Campo de plantio de Agmusa no Sistema Meiosi N o dia 14 de agosto, foi realiza- da, na recém-inaugurada filial em Santa Rita do Passa Quatro- -SP, uma reunião informativa e técnica conduzida pelo engenheiro agrônomo Breno Henrique de Souza da Canaoes- te. O objetivo principal foi apresentar ao público presente a missão, visão e valores que sustentam a Canaoeste, as- sim como o seu portfólio de serviços. Na oportunidade, o engenheiro agrô- nomo Fábio Franzoti, da empresa Binova, apresentou novas tecnologias e ferramen- tas de manejo para aumentar a produtivi- dade agrícola e a longevidade do canavial. Estavam presentes aproximadamente 50 pessoas as quais puderam interagir com os palestrantes e esclarecer suas dúvidas so- bre os assuntos abordados. Foi uma noite muito produtiva e todos agradeceram a oportunidade e a disponibilização de informações per- tinentes ao desenvolvimento do setor sucroenergético. O avanço tecnológico no setor sucroenergético está trazen- do a oportunidade de alcançar maiores produtividades, qualidade no sistema de produção da cana-de-açúcar e muitos outros benefícios. Desta for- ma, pensando em inovar e maximizar a produção, no dia 03 de setembro, foi realizado um Dia de Campo em Pontal- -SP, na Fazenda Paineiras, do proprie- tário Ronaldo Armando Donati. Foram implantadas novas variedades de cana- -de-açúcar com a inovação tecnológica da Basf, a Agmusa, que são mudas pré-brotadas com alta qualidade fitossa- nitária e vigor. Estavam presentes pro- dutores de cana-de-açúcar da região, re- presentantes do departamento agrícola das Unidades Industriais Bazan e Bela Vista, equipes Canaoeste, Copercana, Basf e New Holland. O Sistema Meiosi consiste em inter- calar a cana-de-açúcar com outra espé- cie como: amendoim, soja, crotalária. Equipes técnicas Canaoeste, Copercana e Binova Associados e futuros associados durante a reunião Em parceira com Basf, New Holland e Copercana, a Canaoeste apresentou inovações tecnológicas aos associados da Filial de Pontal Neste campo, a cada uma linha de cana- -de-açúcar, serão plantadas sete ruas de amendoim. As duas espécies convive- rão no local juntas até meados de abril, quando neste período o amendoim será colhido e a cana das duas ruas serão cor- tadas e plantadas nas ruas ao lado (duas ruas de cana plantadas em setembro de 2014 produzirão mudas para o plantio de 14 ruas de cana em abril de 2015). O plantio foi realizado com um tra- tor de 215 cv da New Holland, com sis- tema de GPS e piloto automático, o que facilita a operação e assegura o alinha- mento da sulcação. A plantadora usada foi da DMB, que necessita de um trator de no mínimo 180 cv para puxá-la. RC RC Notícias Canaoeste
  23. 23. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 23
  24. 24. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 24 Notícias Canaoeste Canaoeste participa de evento sobre acidentes com queimadas Andréia Vital O 1º Encontro Regional sobre Impactos Ambientais e de Se- gurança, Boas Práticas e Ações dos Envolvidos no Setor Sucroenergé- tico, promovido pela Vianorte (Arte- ris), teve como objetivo agregar infor- mações que possam ser relevantes aos envolvidos no segmento, amenizando com isso os acidentes nas rodovias como também na natureza, além de ser- vir para a troca de experiências sobre boas práticas realizadas pelas empresas. O evento ocorreu em agosto no Centro Empresarial Zanini, em Ser- tãozinho, e contou com a participação de representantes de usinas localizadas ao longo do trecho administrado pela concessionária na macrorregião de Ri- beirão Preto-SP, da Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo), Corpo de Bombeiros, Cetesb (Com- panhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), PMRv (Polícia Militar Ro- doviária), Polícia Ambiental, Secretaria do Meio Ambiente de Ribeirão Preto e de Sertãozinho, concessionárias de ro- dovias, além do presidente da Canaoes- te (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo). “O encontro teve o papel de cons- cientização e orientação, que são essen- ciais para a execução do trabalho diário de forma segura e responsável”, afirma o gerente de Operações da Vianorte, Lu- ciano Louzane, explicando que o even- to foi o piloto de uma nova metodologia que a empresa quer implantar, criando assim uma rotina os debates sobre os problemas e práticas saudáveis que o setor tem feito na redução de acidentes. “Um dos focos das ações desenvolvidas pela Vianorte é a prevenção a aciden- tes envolvendo caminhões canavieiros por meio de parceria com as usinas da região e órgãos competentes, buscando minimizar a quantidade de vítimas fa- tais nestas ocorrências”. De acordo com dados do CCO (Cen- tro de Controle de Operações) da Via- norte, em 2009 ocorreram nove mortes em acidentes assim. Em 2010, este nú- mero reduziu para três; em 2011, para um. Em 2012, não houve vítima fatal. “Nossa intenção é estimular debates sobre prevenção de acidentes, queima- das, transporte de cargas pesadas, Ope- ração Corta-Fogo, entre outros assuntos que resultem em medidas práticas para solucionar problemas que envolvam to- dos os setores presentes. Este é um traba- lho que deve ser realizado em conjunto, pois cada um tem o seu papel. Em casos de incêndios nos canaviais que passem para a faixa de domínio das rodovias, por exemplo, a ação das usinas é essen- cial, pois elas ajudam no fornecimento de caminhões-pipa para apagar o fogo”, ressalta o supervisor do Meio Ambiente da Vianorte, Ricardo Gerab. Para o presidente da Canaoeste e Orplana, Manoel Ortolan, a ação incen- tiva a troca de informações relevantes e a união em prol da disseminação de boas práticas na busca de soluções para os problemas. “É importante nos apro- ximarmos mais da questão da queima, da proteção ambiental, pois os incên- dios acidentais ou propositais se pro- pagam muito rápido, principalmente nesta época de estiagem e muito vento, Autoridades debateram sobre problemas e boas práticas Luciano Louzane, gerente de Operações da Vianorte Ricardo Gerab, supervisor do Meio Ambiente da Vianorte
  25. 25. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 25 e isso traz sempre muito tumulto junto a sociedade”, explicou, lembrando que a Canaoeste atua em uma grande área e com o entrosamento melhor com todos os segmentos, consiga trabalhar de uma maneira diferente. “A queima da cana-de-açúcar é um mecanismo usado para a colheita, mas praticamente acaba este ano. Quem poderá continuar queimando são os pe- quenos por um tempo, mas vale lembrar que mais de 90% da cana já é colhida crua, então o trabalho daqui para fren- te é mais no sentido de tentar prevenir, melhorar a prevenção para que ocorram cada vez menos incêndios”, constatou Ortolan. Ele pontuou também a neces- sidade de esclarecimento destes fatos, pois em muitos casos os produtores rurais enfrentam preconceito da popu- lação que credita a eles toda e qualquer queimada. “Não dá para continuar pe- nalizando os produtores de uma forma tão violenta como se faz hoje, com va- lores de multa exorbitantes que repre- sentam muitas vezes a renda do ano, ou perda da propriedade, para pagar uma multa porque houve um acidente na sua área”, explanou lembrando que o fogo acidental pode ocorrer o ano todo e em todo local devido à estiagem. O presidente da Canaoeste ressaltou também que a associação está atuan- do na implantação do CAR (Cadastro Ambiental Rural), que contribuirá para o processo de regularização ambiental de propriedades e posses rurais. Ele informou que neste sentido, a entidade Equipe da Canaoeste prestigiou o evento desenvolveu uma cartilha em parceria com a ABAG RP e a Coplana, voltada para a orientação dos produtores rurais, com resumo do Código Florestal, que foi entregue para os participantes do evento. Segundo o Capitão Luciano Fraga Maciel, da Polícia Militar Ambiental, em 2013 foram estabelecidos critérios para priorizar a fiscalização de queima- das e incêndios florestais no Estado de São Paulo, principalmente no período de abril a outubro, considerado crítico, com o propósito de minimizar os focos de incêndios, que neste ano passaram de 5.200 pontos e impactaram 42,9% dos municípios paulistas. De acordo com Marco Antonio Ar- tuzo, gerente regional da Cetesb (Com- panhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), a maioria dos incêndios de maior proporção e descontrole nos dias atuais está envolvendo a palha da cana Manoel Ortolan, Presidente da Canaoeste e Orplana Capitão Luciano Fraga Maciel, da Polícia Militar Ambiental Marco Antonio Artuzo, gerente regional da Cetesb pós- colheita. “Então, este é um aspecto que merece reflexão e que teremos que trabalhar conjuntamente na busca de uma ação preventiva”, advertiu. Artuzo reforçou o exemplo citado pelo 1º Te- nente Jean Gomes Pinto, do Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto, sobre um incêndio ao lado da Rodovia Anhan- guera, entre Ribeirão Preto e Cravi- nhos, próximo a indústria Ouro Fino, que no início de agosto monopolizou todas as equipes da região e também as brigadas de incêndio das empresas locais, devido a proporção do incêndio. “O local foi foco de incêndio, não nas mesmas proporções, dos últimos dois anos, o que nos leva a crer que preci- samos intensificar ali as condições de prevenção”, contou ele, concluindo que seria interessante analisar seriamente os fatos, inclusive antecipando as questões legais estabelecidas através de acor- do firmado pelo setor produtivo, pelos plantadores de cana e pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente.RC
  26. 26. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 26 ATR A seguir, informamos o preço médio do kg do ATR para efeito de emissão da Nota de Entrada de cana entre- gue durante o mês de SETEMBRO de 2014. O preço médio do kg de ATR para o mês de SETEMBRO, referente à Safra 2014/2015, é de 0,4637. O preço de faturamento do açúcar no mercado interno e externo e os preços do etanol anidro e hidratado, destinados aos mercados interno e externo, levantados pela ESALQ/CEPEA, nos meses de abril a setembro e os acumulados até SETEMBRO, são apresentados a seguir: Os preços do Açúcar de Mercado Interno (ABMI) incluem impostos, enquanto que os preços do açúcar de mer- cado externo (ABME e AVHP) e do etanol anidro e hidratado, carburante (EAC e EHC), destinados à industria (EAI e EHI) e ao mercado externo (EAE e EHE), são líquidos (PVU/PVD). Os preços líquidos médios do kg do ATR, em R$/kg, por produto, obtidos nos meses de abril a setembro e os acumulados até SETEMBRO, calculados com base nas informações contidas na Circular 01/14, são os seguintes: Consecana CIRCULAR Nº 09/14 DATA: 30 de setembro de 2014 Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo
  27. 27. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 27
  28. 28. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 28 Balancete Mensal - (prazos segregados) Cooperativa De Crédito Dos Produtores Rurais e Empresários do Interior Paulista - Balancete Mensal (Prazos Segregados) - Julho/2014 - “valores em milhares de reais” Notícias Sicoob Cocred Sertãozinho/SP, 31 de Julho de 2014.
  29. 29. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 29 Reportagem de Capa D iante de um cenário não muito favorável para o setor sucro- energético, a Fenasucro 2014 (22ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética) se posicionou como um vetor de soluções e plataforma de alternativas e novos negócios. Cerca de 33 mil visitantes de vários Estados bra- sileiros e de mais de 50 países, entre eles Arábia Saudita, Dinamarca, Costa Rica, Inglaterra e Estados Unidos, passaram pela feira, que nesta edição contou com 550 expositores e aconteceu entre os dias 26 e 29 de agosto, em Sertãozinho-SP. De acordo com os realizadores do evento, o CEISE Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis) e a Reed Alcantara Exhibitios Machado, a Fenasucro deve gerar em torno de R$ 2,2 bilhões em negociações. Somente as rodadas inter- nacionais de negócios promovidas pelo Apla (Projeto Brazil Sugarcane Bioe- nergy Solution, através do Arranjo Pro- dutivo Local do Álcool) e Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Principal feira do setor sucroenergético foi palco para o fortalecimento de negócios e do cooperativismo Andréia Vital Fenasucro 2014 é marcada pela perspectiva de retomada da cadeia canavieira Fenasucro 2014 é marcada pela perspectiva de retomada da cadeia canavieira Exportações e Investimentos) registra- ram 562 reuniões comerciais entre 50 empresas brasileiras e 20 compradores de outros países e devem resultar em um volume de negócios de US$ 13,6 milhões nos próximos 12 meses. “Atraímos clientes em potencial vindos da Argentina, África, Belize, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Estados Unidos, Filipinas, Guatemala, Honduras, México, Peru, República Dominicana e Venezuela, o que mostra o interesse global nos produtos, solu- ções, tecnologias e serviços ofertados pelo mercado brasileiro”, avaliou o di- retor executivo do Apla, Flávio Caste- lar, informando que as delegações das Abertura oficial contou com a presença de diversas autoridades
  30. 30. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 30 Filipinas e do Sudão, acompanhados do embaixador do Brasil no Sudão, José Mauro da Fonseca Costa Couto, vieram em busca de eficiência e otimização. “Viemos conhecer os mecanismos bra- sileiros para melhorar a qualidade e o processamento dos produtos e sermos mais eficientes na produção de açúcar”, explicou Regina Martin, do Departa- mento de Agricultura das Filipinas. Além da exposição de inovações e tecnologia de ponta, os visitantes fo- ram atraídos também pelos eventos paralelos, que agregam cada vez mais conteúdo ao principal evento do setor sucroenergético. A Conferência DA- TAGRO CEISE Br abriu oficialmente a feira, com a presença de diversas li- deranças, autoridades e especialistas do setor que debateram a atual conjuntura e os impactos da indústria canavieira no desenvolvimento econômico do Brasil. O presidente da DATAGRO, Plínio Nastari, refletiu sobre o momento ca- ótico enfrentado por um setor tão im- portante como o canavieiro, que repre- senta um projeto de desenvolvimento econômico para o Brasil, ao dar início ao evento, que contou com mais de 500 participantes. “Infelizmente, o setor tem sofrido muito nestes últimos anos, por distorções causadas por um viés que não deveria estar ocorrendo e desconsi- dera a grande oportunidade que o País tem de continuar desenvolvendo de for- ma eficiente e competitiva, energia lim- pa, renovável e sustentável, e que tem trazido tantos resultados positivos para o Brasil”, avaliou o consultor, lembran- do que quase US$ 300 bilhões já foram poupados em gasolina importada desde que o Proálcool foi criado, em 1975. Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do CEISE Br, lembrou que apesar da crise, existe muita tecnolo- gia disponível para ajudar a empresa e a usina a ter mais eficiência, ao dar as boas-vindas aos participantes. Ao fazer a sua explanação, o prefeito de Sertão- zinho, José Alberto Gimenez, destacou que a crise afetou a cidade, que tem muitas indústrias de capital, contando que no período de 2004 a 2008, Ser- tãozinho ocupava o quarto e sexto em um ranking que classificava qualidade de vida, educação, saúde, geração de emprego e renda, caindo para a 200 posição, em 2008, quando se iniciou a queda da agroindústria canavieira. “O setor só vai se desenvolver quando as políticas estiverem definidas, pois só assim voltarão a investir”, afirmou. Para Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da UNICA (União da In- dústria de Cana-de-Açúcar) as demandas do setor se resumem em dois fatos: “não queremos que o Governo nos atrapalhe, é fundamental que nos deixem trabalhar e produzir. O outro fato é que queremos que nos devolva o que tiraram”, disse ele se referindo à CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). Discurso compartilhado com o vice-pre- sidente do CIESP (Centro das Indústrias de São Paulo), José Eduardo Mendes Conferência DATAGRO CEISE Br Plínio Nastari, presidente da DATAGRO Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do CEISE Br Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste e da Orplana Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da UNICA
  31. 31. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 31 RC Camargo, que na ocasião, representou o presidente em exercício da FIESP (Fe- deração das Indústrias do Estado de São Paulo), Benjamim Steinbruch. “A indús- tria vive um momento difícil e espera- mos que tão logo se defina esse quadro político as coisas deslanchem no País”. Já Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste e da Orplana, afirmou que o setor sucroenergético está fazendo a sua parte, buscando mais eficiência e produtividade, através de investimentos em novas tecnologias, mas é necessário um conjunto de regras claras para ga- rantir a retomada do setor. Em defesa do atual Governo, o se- nador Eduardo Suplicy (PT), o vice- -presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT) e o deputado federal Newton Lima (PT), que é pre- sidente da Frente Parlamentar em Defe- sa da Indústria Nacional, alegaram que grande parte da crise do setor é causada pela situação do cenário mundial, que enfrenta recessão e desemprego. “As políticas implementadas aqui não fo- ram suficientes para dar uma resposta àquilo que nós defendemos que é o for- talecimento do setor sucroenergético, que é da maior relevância para o futuro do País”, disse Newton Lima, fazendo coro com Chinaglia, que alegou que as circunstâncias da economia exigi- ram escolhas difíceis com tentativas de redução de juros, dando prioridade ao emprego e a conter a inflação. O deputado usou de uma metáfora para explicar que o setor estava do- ente e que estava sendo tratado pelo Governo Federal, o que gerou uma pronta resposta do anfitrião do evento, Plínio Nastari. “Eu diria que são 389 pacientes e os 70 que o senhor citou já foram a óbito”, disse argumentando que a situação difícil enfrentada pelo setor canavieiro, reflete no índice pífio do PIB para este ano, que deve cres- cer somente 0,6%. “Penso nos 400 municípios do interior de São Paulo, o estado mais desenvolvido do Brasil, maior PIB do Brasil, onde as pessoas estão sendo demitidas, não está sendo gerado emprego e nem renda, e todos perdem junto com a cana” desabafou Nastari completando. “Figuras como o senhor e outros representantes públi- cos que estão em Brasília enxergando essa situação são de grande importân- cia para contribuir com o setor”. O pesquisador Marcos Fava Neves, que está rodando os municípios cana- vieiros com o projeto “Caminhos da Cana”, deu um panorama sobre a si- tuação do setor, na ocasião, e declarou discordar dos deputados da bancada petista. “Nós não enfrentamos um pro- cesso de crise mundial, o mundo está crescendo, os países emergentes estão crescendo e quem está andando de lado é o Brasil”, ressaltou ele, dizendo que por equívocos de política pública e por uma má condução econômica o País está afundando. “É a primeira gestão que eu vejo, desde que sou cientista e
  32. 32. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 32 que estudo, que vai entregar o País eco- nomicamente pior do que pegou”, cons- tatou ele, ao dizer que o Brasil conse- guiu em um intervalo de 10 anos, ficar mais caro do que os EUA para produzir, “foi por água abaixo a ideia de que nós somos competitivos, que temos mão de obra competitiva”, refletindo que para que isso mude é preciso voltar a ter po- líticas competitivas e gerar renda. Participaram do evento também os deputados federais Arnaldo Jardim (PPS), e Duarte Nogueira (PSDB), e os deputados estaduais Baleia Rossi (PMDB), candidato a federal, Welson Gasparini (PSDB) e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi. O presidente de honra da Fenasu- cro e também da Copercana, Sicoob Cocred e Sindicato Rural de Sertão- zinho, Antonio Eduardo Tonielo, des- tacou a importância da Fenasucro e o esforço das unidades industriais e dos produtores rurais para manter o setor em movimento, “este setor que sozinho gera cerca de 1 milhão de em- pregos diretos, número que atinge 3,6 milhões se computarmos os empre- gos indiretos e informais”, elucidou, afirmando que o Governo Federal não tem política de apoio ao setor sucro- energético, que mesmo gerando um PIB superior a R$ 94 bilhões, sucum- be a uma dívida estimada em R$ 60 bilhões. “Esse PIB gerado pelo setor equivale ao PIB de mais de 100 paí- ses, segundo ranking do Fundo Mo- netário Internacional”, disse Tonielo, concluindo que se o setor tiver estra- tégias e planejamentos tende a crescer de forma sustentável se oportunidades de desenvolvimento houver. O presidente da Copercana tam- bém afirmou que não basta ter linhas de crédito atraentes, é preciso que elas sejam viabilizadas para chegar às mãos de quem precisa do dinheiro com agilidade. “Para se ter uma ideia, 80% das usinas e produtores rurais não con- seguem financiamento do Governo”, disse ele perplexo, mas mesmo dian- te do cenário atual, há esperanças de que as coisas melhorem. “Não há bem que sempre dure, nem mal que muito ature”, temos que ter perseverança, trabalhar com dedicação e acreditar que as coisas vão melhorar. E uma boa oportunidade para iniciarmos a mu- dança são as eleições que temos agora em outubro. São nas urnas que deve- mos dizer se estamos ou não satisfeitos com a situação. Essa é a melhor forma de protestar, votando”, disse ele. Programação paralela Outros eventos ocorreram simultanea- menteàfeiracomooPrêmioMasterCana, a reunião do Gerhai (Grupo de Estudos em Recursos Humanos na Agroindús- tria), o Seminário Agroindustrial GEGIS (Grupo de Estudos em Gestão Industrial do Setor Sucroalcooleiro), o II Seminário de Transporte e Logística ESALQ-LOG; o 2º Congresso deAutomação e Inovação Tecnológica Sucroenergética: Rodadas de Negócios Internacionais; a palestra “No- vas tendências da segurança no trabalho e desenvolvimento de lideranças” e a “I Expedição Cana Substantivo Feminino”. ASTAB Nacional (Sociedade dos Téc- nicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil) promoveu o Seminário Agroindustrial STAB, com o objetivo de reciclar e com- partilhar conhecimento com profissionais de usinas das áreas agrícola e industrial. De acordo com José Paulo Stupiello, pre- sidente da entidade, a realização do evento foi fundamental para disseminar conhe- cimento e encontrar soluções vividas nas áreas agrícolas e industriais das usinas. “A feira reúne as principais usinas do Brasil e o seminário apresenta estudos para a troca de experiências e informações”, disse. Uma das palestras muito comentadas abordou o “Manejo da Palhada – Efeitos sobre a ciclagem de nutrientes e produ- tividade do canavial”, apresentada pela pesquisadora da Embrapa de Jaguariúna, Nilza Ramos, que mostrou, sob diferentes pontos, o resultado da utilização da palha na proteção do solo durante o plantio. O seminário focou em um tema muito importante e atual afirma Tercio Marques Dalla Vecchia, CEO da Reunion Enge- nharia. “A mudança da colheita da cana queimada (manual) para a colheita da cana crua (mecânica) é um assunto que deve ser muito estudado e evoluído, pois envolve aspectos agrícolas e aspectos industriais”, analisa o engenheiro químico. Como a pa- lha já está sendo utilizada como combus- tível ou como matéria-prima para a pro- dução de etanol 2G ou outros produtos, as palestras foram esclarecedoras no sentido de mostrar os melhores métodos de manu- sear a palha e seus custos e abrem espaço para novas pesquisas na obtenção dos me- lhores resultados, conclui o executivo. Marcos Fava Neves Antonio Eduardo Tonielo, presidente de honra da Fenasucro e presidente da Copercana, Sicoob Cocred e Sindicato Rural de Sertãozinho
  33. 33. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 33 Como nos outros anos, o estande da Copercana (Cooperativa dos Plantado- res de Cana do Oeste de São Paulo) ficou movimentado nos quatro dias da feira, recebendo além de cooperados, diretores e gerentes do Sistema Copercana, Ca- naoeste e Sicoob Cocred e autoridades, como o prefeito de Sertãozinho, José Alberto Gimenez; o secretário de De- senvolvimento da prefeitura de Sertãozi- nho, Carlos Roberto Liboni; o presidente do CEISE Br, Antonio Eduardo Tonielo Filho; o presidente do Conselho de Ad- ministração da Copersucar, Luís Rober- to Pogetti; o diretor presidente da Coper- sucar, Paulo Souza; o conselheiro fiscal da Coopercitrus, Luiz Joaquim Donega; o diretor técnico da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antonio de Pádua Rodrigues; o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha; o presidente do SIAMIG (Sindi- cato da Indústria de Fabricação do Ál- cool e do Sindicato da Indústria do Açú- car no estado de Minas Gerais), Mário Campos, como também representantes do Banco do Brasil, Bradesco e Porto Seguro, entre outros. Além de atendimento especial ofe- recido pelos agrônomos e técnicos do Sistema, dos produtos vendidos no lo- cal e da network, a tradicional Noite do Carneiro contou com público seleto e foi considerada muito agradável pelo presidente da Canaoeste, Manoel Orto- lan. “É um momento para a confrater- nização, reunindo nossos associados e parceiros que contribuíram com o nosso trabalho ao longo do ano”, afirmou. Cláudia Tonielo, diretora do Grupo Irmãos Tonielo Estande Copercana A noite do carneiro é marcada pelo clima familiar, afirma a diretora do Gru- po Irmãos Tonielo, Cláudia Tonielo. “O evento vem coroar com chave de ouro a Fenasucro, pois reúne todos os coopera- dos e já virou tradição”. Opinião com- partilhada com o presidente da Coper- cana e Sicoob Cocred, Toninho Tonielo. “É gratificante poder trazer por mais um Estande da Copercana na Fenasucro 2014 ano o carneiro no estande da Copercana na Fenasucro, eu acredito que já virou tradição ou virou moda”. O ambiente familiar também foi destacado pelo dire- tor da Copercana, Pedro Esrael Bighetti. “Os convidados fazem parte da família Copercana e quando recebemos a famí- lia sempre oferecemos o que temos de melhor”, afirmou ele, contando que 180 quilos da saborosa carne, mais 70 litros de cuscuz e 60 quilos de polenta foram servidos na ocasião.
  34. 34. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 34 Problemas “O setor tem muitos problemas e mesmoqueoGovernotenhatomadoal- gumas medidas, não foram suficientes, além disso, atendem poucas empresas que estão saudáveis”, disse André Ro- cha, presidente do Fórum Nacional Su- croenergético e dos Sindicatos da Indús- tria de Fabricação de Açúcar e de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), que participou do evento. “É a mesma coisa quando você está resfriado, água e vitamina C resolve, quando está gripa- do, precisa tomar um antigripal, quando está com pneumonia, toma antibiótico, quando está com tuberculose tem que ter mais cuidado ainda. É assim também com o setor”, explicou, dizendo que o Governo, em muitos casos, alega que o estágio que se encontra a indústria canavieira é mais resultado de sua inefi- ciência do que por problemas causados por eles. “Quem cria estatuto do moto- rista, normas regulamentarias trabalhis- tas, ambientais, sobe juro, sobe dólar, são medidas tomadas pelo Governo e não por nós, segurar preço de gasolina, retirar imposto da gasolina, tudo isso é ruim para a nossa competitividade”, de- sabafou ele, afirmando que de fato não há nenhuma medida que permita visu- alizar o crescimento do setor. “Diante desses fatos, enfrentaremos um 2015 difícil e se demorar para alguma coisa ser feita, 2016 também será, porque não estamos dando nenhuma seguran- ça para que as empresas possam voltar a investir no plantio, na renovação”, dis- se ele, lembrando que as empresas que têm condição estão fazendo o seu dever de casa, buscando a eficiência interna. “Mas isso é muito pouco pelo conjun- to, isso não vai resolver o problema da indústria de base, porque não vão ter novas encomendas para suportar este parque”, afirmou. Para o “cozinheiro” Valdemar To- niello, que tem 86 anos e prepara o car- neiro desde a época que era realizado pelo Lions, e seu companheiro na em- preitada, Mário Cunha, a satisfação de preparar a comida é imensurável. A iguaria também é aprovada por Shalin Savegnago, diretor superinten- dente da rede de supermercados Saveg- nago. “A realização da noite do carnei- ro foi uma boa iniciativa da Copercana, pois passou a ser ponto de encontro, além do carneiro ser delicioso”, disse. Valdemar Toniello Shalin Savegnago Reportagem de Capa
  35. 35. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 35 Diversos lançamentos puderam ser vistos na feira, como a Mec Colhe, uma colhedora de cana-de-açúcar de- senvolvida especialmente para suprir a necessidade do pequeno produtor. O equipamento integra um novo sistema de colheita, que inclui cinco elementos, colhedora despalhadora de comuns in- teiros, uma carreta basculante, trator de acionamento do sistema, uma carrega- dora de cana e o veículo de transporte de cana inteira. A colhedora tem capa- cidade de 15 ton/h, e capacidade opera- cional de 70 ton/dia em jornada de 10h, e caçamba recolhedora de cana, com capacidade para 1 ton e trabalha com até 30% de inclinação. De acordo com Leonel Frias Junior, presidente da ME- CMAQ – Máquinas Agrícolas, o equi- pamento custa em torno de R$ 270 mil, e foi vendido durante a Fenasucro para um produtor rural de Sergipe. Também na linha de máquinas agrí- colas, a FCN Tecnologia apresentou seu lançamento, um conjunto que veste um trator TCR e que pode realizar duas fun- ções: uma de corte de cana diretamente, que através da Centracana e substituindo o cabeçote frontal, se transforma em outra máquina, o Cort-I- Cana que é utilizada no adensamento de ruas para colheita mecanizada com colhedoras de tolete. Segundo Felix de Castro Neto, proprietá- rio da empresa, a participação na feira foi melhor do que na edição passada, tendo fechado negócios na ordem de R$ 800 mil, com vendas para São Paulo e Paraí- ba. Um dos interessados em sua nova má- quina foi o produtor de cana-de-açúcar e gado, Custódio Cerezer, de Capivari-SP, que participou do encontro para produto- res da Orplana e Canaoeste. Ele contou que a máquina poderia auxiliá-lo em sua propriedade de 350 hectares, mas que a compra seria feita somente no próximo ano, visto que a estiagem fez protelar seus planos de investimentos. “Ano passado produzi 28 mil toneladas de cana, este ano, devido à seca, vou produzir somente 12 mil toneladas, uma quebra de 60%”, contou afirmando que terminaria a sua safra em setembro. Já a Teston levou para a feira seu carro chefe, o Gigante 22.000, um transbordo com capacidade de 22 tone- ladas de carga e capacidade de agilizar a colheita e diminuir os custos para os produtores. De acordo com o diretor co- Tecnologia de ponta mercial da empresa, Pedro Teston, está sendo preparado um novo equipamento para o próximo ano, que deverá ser lan- çado na Agrishow ou na Fenasucro. Ainda na linha de equipamentos, a Siemens também tinha novidades. “A Fenasucro deste ano atingiu nossas ex- pectativas de público e principalmente de troca de experiências e network com toda a cadeia produtiva do setor. Rece- bemos visitantes das mais diversas re- giões do País e do exterior, o que nos proporcionou debater, nos quatro dias de visita, os rumos e desafios da reto- mada de crescimento do segmento su- croalcooleiro”, contou Ricardo Muniz, gerente para o segmento de Açúcar & Álcool da Siemens no Brasil. Segundo ele, a multinacional levou para a feira, soluções integradas e customizadas em geração, automação e distribuição de energia para atender à todas as neces- sidades deste mercado com eficiência e qualidade. “Destacamos também a venda da maior turbina do setor a ser produzida no Brasil, como forma de im- pulsionar a indústria nacional.”, alegou. De acordo com o engenheiro Tercio Marques Dalla Vecchia, CEO da Reu- nion Engenharia, nesta época de crise a melhor oportunidade vem da agrega- ção de valor ao complexo agroindus- trial, por isso, sua empresa apresentou soluções que podem ajudar a reverter a situação do setor sucroenergético. “A otimização de processos visando à economia de energia e água são assun- tos fundamentais que a Reunion ofere- ce através de um programa específico como diagnósticos e apresentação de soluções apropriadas à falta de recursos financeiros generalizada do setor”. Seu estande foi um dos que receberam a vi- sita monitorada de executivas que parti- ciparam da 1ª Expedição Cana Substan- tivo Feminino. Participando pela décima vez da Fenasucro, a Ubyfol levou para a fei- ra uma linha de produtos altamente qualificados e atestados pelos maiores grupos de usinas do Brasil, das maio- res regiões, Nordeste e Centro-Sul. “São tecnologias usadas no tratamento de toletes e tratamento foliar, que é a base do nosso programa para cana-de- -açúcar para aumento da produtivida- de”, explicou o diretor executivo Fabrí- cio Fonseca Simões. “Essa tecnologia tem sido bastante difundida e apreciada pelos consultores, já está no mercado e é indicada para a soja e cana, asso- ciada ao Kymon, um produto orgânico, que promove enraizamento fantástico da planta e promove ganhos tanto de açúcar como de TCH”. Simões adian- tou que a empresa deverá inaugurar em breve uma nova planta de fertilizantes em Uberaba-MG. Para a Dr. Eloisa Mocheuti Kronka, da Alsukkar a presença na Fenasucro foi muito produtiva. “Esta foi nossa primeira participação na feira onde conversamos com diferentes setores, fizemos networking e novos contatos com outros participantes da feira, inclu- sive com empresas de outros países, em especial o Panamá, o que está nos im- pulsionando a fazer o desenvolvimen- to de novos produtos e serviços, para atender esta demanda, o que propor- cionou uma visão melhor do mercado nacional e internacional”, afirmou ela. As principais novidades que os visitan- tes encontraram em seu estande foram os kits de análises para identificação de bactérias contaminantes no proces- so de produção de etanol, nas análises modernas para controle do processo, com respostas mais rápidas e diagnósti- cos mais precisos e também pesquisa e desenvolvimento que apresentavam os antibióticos naturais.
  36. 36. Revista Canavieiros - Setembro de 2014 36 Cadeia produtiva da cana expõe dificuldades em Encontro da Orplana e Canaoeste Mais de 500 produtores rurais, li- deranças e parlamentares participaram do “XIV Encontro Anual de Produto- res de Cana-de-Açúcar”, organizado pela Canaoeste (Associação dos Plan- tadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo) e Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Cen- tro-Sul do Brasil) no último dia da Fe- nasucro 2014 - Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética. “O evento é de cunho político, pois estamos às vésperas das eleições e é im- portante compartilhar com lideranças e autoridades, além dos nossos produto- res, a situação do setor, e ressaltar que o problema que a cadeia produtiva da cana enfrenta hoje é essencialmente por falta de políticas públicas”, elucidou o presidente da Canaoeste e Orplana, Manoel Ortolan. “Não há uma defini- ção, um plano tanto para o etanol como para energia elétrica, e com isso fica- mos sujeitos à vontade de um a vontade de outro, e o setor parou de investir”, explicou afirmando que os políticos que acompanharam e lutaram pela indústria canavieira nas últimas décadas estavam presentes no evento. “É lamentável as- sistir ao setor se definhando hoje, isso não pode continuar”, disse Ortolan. Ismael Perina Junior, recém-eleito como presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool e do Sindicato Rural de Jaboticabal, também exaltou a importância do uso do voto a favor do setor, apoiando aqueles políticos que trabalham em prol da agroindús- tria canavieira e não àqueles políticos de última hora. “O setor sucroenergé- tico sempre teve pujança, mas perdeu espaço nos últimos tempos. Através da Câmara, que tem a finalidade de pro- por, apoiar e acompanhar ações para o desenvolvimento, queremos auxiliar o Governo Federal nas decisões para o setor voltar a crescer”. Já o presidente da CNA (Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar), Ênio Jaime Fernandes Júnior, reforçou a necessidade de uma união dos envol- vidos no setor. “É preciso ter o mes- mo objetivo para demandar soluções para a crise que enfrentamos”. A CNA congrega produtores de cana-de-açú- car de todo o Brasil, que administram cinco milhões e meio de proprieda- des. “A entidade representa o produ- tor rural a nível nacional, fazendo a interlocução do mercado com o Go- verno. Portanto, é fundamental nossa a participação neste evento para que possamos sentir, participar e entender o que está acontecendo nas bases e sa- ber demandar o que o produtor neces- sita”, explicou Fernandes Júnior, afir- mando que dos 9 milhões de hectares de cana plantadas no País, 25% estão na mão de produtores rurais. “Estamos caminhando para um mun- do cada vez mais competitivo, mais modernizado, o que exige uma trans- formação de nossa classe, não só em questão técnica, mas também nas nos- sas relações nos sindicatos rurais, nas associações, nas cooperativas”, disse ele. “A transformação começa com a gente”, finalizou. Antonio Pádua Rodrigues, diretor técnico da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) reforçou o discur- so da CNA, destacando a importância do encontro, pois “é fundamental a integração entre quem produz e quem processa a cana”. Para o prefeito de Sertãozinho, José Alberto Gimenez, chegou a hora das mudanças acontecerem, pois diversas tentativas de aproximação com o Go- verno foram feitas, inclusive a manifes- Manoel Ortolan faz a abertura do Encontro de Produtores da Orplana e Canaoeste Ismael Perina Junior, recém-eleito como presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool e do Sindicato Rural de Jaboticabal Ênio Jaime Fernandes Júnior, presidente da CNA (Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar) Reportagem de Capa

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