Nota sobre o autor       R. Roney Ressetti é professor de Química do EnsinoMédio, tendo iniciado sua carreira em 1978, qua...
Dedicatória        Dedico esta ob ra à minha mulher Joslaine e aos meusfilhos, Danielle e Rodrigo.                        ...
Prefácio       Atualmente encontramos diversas obras sobreAlquimia.       Algumas são obras antigas, escritas por alquimis...
para iniciar seus estudos desta disciplina, cujos mistériossão tão difíceis de penetrar, mas que fascina, todos aquelesque...
“A ciência alquímica não se ensina; cada qual deve aprendê-la por si mesmo, não de modo especulativo, massim com a ajuda d...
Capítulo IIntrodução       Já se escreveu muito sobre a Alquimia e quase todomundo já ouviu falar sobre ela. Apesar disso,...
O psicólogo Carl Jung dedicou grande parte da suaobra ao estudo e à interpretação psicológica dos símbolos ealegorias alqu...
da energia do átomo e que uma má aplicação dessa energiaas destruiu totalmente.”A Alquimia e a Química       Considera-se ...
energicamente a teoria dos quatro elementos deEmpédocles e Aristóteles e afirma que “elemento é tudoaquilo que não pode se...
Capítulo IIAs transmutações        Sempre que tratamos da Alquimia surge a indagação:Os alquimistas conseguiram realizar t...
nos processos radioativos ocorre uma transmutação doselementos.        Em 1919 Rutherford realizou a primeira transmutação...
Testemunhos históricos de transmutações       Existem vários registros históricos de transmutações,muitos deles realizados...
Impressionado pela segurança do desconhecido, vanHelmont resolveu empreender o experimento. Mandou seusauxiliares colocare...
retornaria no prazo de três semanas e lhe mostraria algo queiria surpreendê-lo.       O desconhecido retornou exatamente n...
Isto foi o suficiente para convencer o céptico Spinoza.Transmutações orgânicas       Existem experiências efetuadas com pl...
Em janeiro de 1958 apresentou suas pesquisas emuma reunião científica na Suíça e em 1959 declarou, emuma entrevista à revi...
Capítulo IIIAs origens da Alquimia       Varias são as abordagens já empreendidas sobreeste tema. As especulações vão de e...
Essa arte passa para os árabes como al-kimiya, el-kimye ou el-kimyâ, e desses à península Ibérica, originandono Espanhol e...
que sistemas mistico-filosófico-religiosos, como o taoismo, oioga e o budismo, desenvolvidos por civilizações antigas tais...
afirmou ser a Terra redonda e calculou com exatidão o seudiâmetro; o astrônomo e geógrafo Ptolomeu; o gênio damecânica, Ar...
Da Alexandria a Alquimia passa para Bizâncio e paraos árabes, difundindo-se pela Europa medieval por três vias:a bizantina...
Separarás a terra do fogo e o sutil do espesso, b randamentee com grande indústria. Ele sob e da terra para o céu e descen...
Capítulo IVO que é Alquimia       O monge franciscano e alquimista inglês Roger Bacon(1211 – 1294) no seu livro Speculum A...
avançada, escondendo em seu simbolismo, descobertas queultrapassam os conhecimentos atuais. Os hiperquímicosdedicam-se a d...
filósofos à pedra filosofal unicamente pertencem,             cada uma, às sub stâncias desconhecidas ob tidas            ...
Capítulo VAlquimistas, Adeptos , assopradores, invejosos,caridosos, etc.       Alquimista é toda pessoa que, ciente dos pr...
tradição alquímica, procuram ser o mais claro possível,evitando as informações enganosas.       O Adepto Irineu Filaleto, ...
A segunda, intitulada As Mansões Filosofais (LesDemeures Philosophales), publicada em 1965. Trata dosimbolismo alquímico c...
Capítulo VIPrincípios Alquímicos       Na Táb ua de Esmeralda, encontramos: “Todas ascoisas são e provem de Um. Assim toda...
dois demais, o que costuma ser representado da seguintemaneira:       Esta teoria foi acatada e difundida por Aristóteles(...
Vou falar aqui dos princípios naturais e da geraçãodos metais. Antes de tudo, toma nota de que os princípiosdos metais são...
terrestre, comb ustível, roxo e sem b rilho. Igual é o seuEnxofre. Falta ao cob re a fixidez, a pureza e o peso. Contemdem...
Além disso, os alquimistas nunca descrevem, em uma únicaobra, todas as operações do trabalho alquímico. Algumasvezes a ord...
Capítulo VIIA Grande Obra        A Grande Ob ra é a elaboração da Pedra Filosofal ouMedicina Universal, sendo este o objet...
executada como as duas primeiras, dá a Pedra filosofal,medicina da terceira ordem, que contém todas as virtudes,qualidades...
todos os metais em puro Sol, ou Lua, segundo a natureza do                                7fermento que lhe foi acrescido....
Cada via possui um modo distinto de operar,empregando substâncias e equipamentos diferentes, sendo,no entanto, ambos os pr...
Capítulo VIIIA Via Seca e a Via Úmida       Conforme já dissemos, existem duas vias ou doismodus operandi para a realizaçã...
no mercúrio filosófico, o qual se coze, seguidamente emmatraz de vidro. Eis o vaso honorável, reservado ao nob redestas su...
vidro no b anho de areia, sob re a lâmpada ou queimador, eque a via seca instala seu ovo no crisol em meio ao forno.      ...
Pedra filosofal, Absoluto ou Medicina universal a última.Cada uma destas três pedras teve de ser sub metida àcocção no Ath...
Capítulo IXA cores da Obra       Durante o decorrer da Obra alquímica temos umasucessão de cores, que podem ser observadas...
negro ao vermelho, passando pelo branco. Mas como anatureza, segundo o velho adágio - Natura non facit saltus- nada faz b ...
aqueles que não têm olhos de lince não notem a mudança,perdendo-se neste lab irinto, do qual é b em difícil sair. Comefeit...
Capítulo XA prática da Alquimia       Todo aquele que deseja aprofundar-se em Alquimia,deve primeiramente se dedicar ao es...
vez que executa uma mesma receita, obtém sempre umresultado diferente.       Limojon de Saint-Didier nos diz em sua Carta:...
Também é importante saber que as operaçõesalquímicas possuem diferenças das operações químicascomuns.        Essa diferenç...
técnico, devemos ter em mente que, sob os nomes que são                                                    16comuns, as da...
Capítulo XIA influência celeste       Segundo Canseliet, em L’Alchimie Expliquée Sur SesTextes Classiques (A Alquimia Expl...
Limojon de Saint-Didier se expressa da seguinteforma:       Disse-vos claramente e sem amb igüidade que o Céue os Astros, ...
A mina corresponde à parte mineral do composto, istoé, ao minério empregado. Marte corresponde ao metal, queprovavelmente ...
Capítulo XIIAs matérias empregadas       Encontramos referências de que a Pedra Filosofal écomposta por uma única substânc...
Para o são julgamento, muitos equívocos poderiamnascer de tais palavras; por isso, para ter a b ase e a idéia daciência qu...
acreditarem que o mesmo fosse realmente utilizado,inclusive muitos espagiristas utilizavam o orvalho, colhidocom panos est...
Filósofos, Orvalho de Maio, Erva saturnina, Pedra             27vegetal, etc.         Mas quais são as substâncias utiliza...
necessário à liquefação da mistura, efetua as reações, o quecorresponde à ação do fogo secreto ou primeiro agentesobre a m...
Esta operação, que os sapientes chamaramreincruação ou retorno ao primitivo estado, temespecialmente por ob jetivo a aquis...
O mesmo ocorre com o nosso ouro: está morto, querdizer, sua força vivificante está selada sob a escóriacorporal; no que se...
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
A alquimia
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

A alquimia

6.642 visualizações

Publicada em

0 comentários
2 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
6.642
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
148
Comentários
0
Gostaram
2
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A alquimia

  1. 1. Nota sobre o autor R. Roney Ressetti é professor de Química do EnsinoMédio, tendo iniciado sua carreira em 1978, quando aindaestudante, em Curitiba. Nasceu em Ponta-Grossa, PR, a 26 de Agosto de1959. Graduou-se como Bacharel em Química e Licenciadoem Química e em Ciências pela PUC do PR. Pós-graduou-se em Especialização em Magistériopela UNIBEM-IBPEX. Começou a escrever artigos em 1990 comocolaborador da Revista “O Rosacruz”, e, em 2000, publicoudois livros didáticos para o Ensino Médio: Química e Física,pela Editora NCT. 1
  2. 2. Dedicatória Dedico esta ob ra à minha mulher Joslaine e aos meusfilhos, Danielle e Rodrigo. 2
  3. 3. Prefácio Atualmente encontramos diversas obras sobreAlquimia. Algumas são obras antigas, escritas por alquimistas,que costumam ser reeditadas. Estas obras sãoindispensáveis para aqueles que pretendem se aprofundarno estudo da Alquimia. Porém, devido à sua linguagem e aoseu simbolismo, são de difícil compreensão. Outras, são obras que abordam o histórico daAlquimia e que procuram esclarecer o que ela é e do que elatrata. Existem ainda algumas obras fantasiosas e de puraficção, que tratam da Alquimia como uma disciplinaestritamente mística e esotérica, dissociada da práticalaboratorial, as quais são responsáveis pelas idéiasequivocadas a seu respeito. A nossa preocupação fundamental ao elaborarmos apresente obra, foi de procurar esclarecer em que consiste oprática da Alquimia, ou seja, o que é que um alquimista fazem seu laboratório. E, neste aspecto, vamos bem mais longedo que os autores que nos antecederam. Apresentamos, de forma clara e simples, o resultadode 28 anos de pesquisa e de trabalho, citando sempre osautores mais idôneos, para demonstrar nossas conclusões. Abordamos todos os pontos essenciais do trabalhoalquímico, a começar pelas matérias iniciais, suapreparação, as principais operações envolvidas notranscorrer de todo o processo, até a conclusão final da obraalquímica. Citamos vários e extensos trechos, de diversosautores célebres, muitos deles inéditos em português, paraque o leitor possa tirar as suas próprias conclusões. Que esta modesta obra possa auxiliar a resgatar aAlquimia das idéias errôneas e sem fundamento quecirculam a seu respeito, e também, que possa orientar osnovos pesquisadores, os quais encontrarão aqui uma base 4
  4. 4. para iniciar seus estudos desta disciplina, cujos mistériossão tão difíceis de penetrar, mas que fascina, todos aquelesque dela se aproximam. O autor. 5
  5. 5. “A ciência alquímica não se ensina; cada qual deve aprendê-la por si mesmo, não de modo especulativo, massim com a ajuda dum perseverante trab alho, multiplicando os ensaios e as tentativas, de maneira a sub meter sempreas produções do pensamento à verificação da experiência.Aquele que teme o lab or manual, o calor dos fornos, a poeirado carvão, o perigo das reações desconhecidas e a insônia das longas vigílias esse nunca sab erá coisa alguma.” Fulcanelli 6
  6. 6. Capítulo IIntrodução Já se escreveu muito sobre a Alquimia e quase todomundo já ouviu falar sobre ela. Apesar disso, poucospossuem uma idéia exata do que ela seja. Os mais bem informados sabem que ela se relacionacom a obtenção da Pedra Filosofal, que transformaria osmetais em ouro (transmutação), e com a elaboração do Elixirda Longa Vida ou Panacéia Universal, que curaria todas asdoenças e prolongaria a vida. A Alquimia é uma ciência antiga e tradicional, degrande repercussão na Idade Média e Renascença, tendochegado até nossos dias. É costume colocá-la junto às denominadas ciênciasocultas ou esotéricas, como a Magia, porém, ao contrário doque comumente se imagina, ela não se baseia em fórmulasmágicas, nem em encantamentos, nem na invocação deespíritos ou de entidades sobrenaturais. A Alquimia é uma ciência baseada no conhecimentoelaborado através da experimentação e do trabalhoacumulado por centenas de anos, por inúmeras gerações depesquisadores. Suas práticas envolvem trabalhos delaboratório e o manuseio de substâncias, empregandotécnicas e equipamentos relativamente sofisticados. Grande parte das substâncias, das técnicas e dosequipamentos empregados atualmente pelos químicos,foram descobertos e desenvolvidos pelos alquimistas. Como toda ciência tradicional e antiga, a Alquimiaapresenta um caráter filosófico-metafísico marcante,presente em suas teorias, em sua simbologia e em seulinguajar, bastante ricos e complexos. Os temas tratados pela Alquimia, a sua linguagemalegórica e o seu simbolismo, têm fascinado diversospesquisadores. 7
  7. 7. O psicólogo Carl Jung dedicou grande parte da suaobra ao estudo e à interpretação psicológica dos símbolos ealegorias alquímicas. Isaac Newton, dava mais importância às suasexperiências alquímicas do que aos seus trabalhos deMatemática e de Física que o tornaram famoso. Seu sobrinho Humphrey Newton escreveu: “Duranteseis semanas na Primavera e seis semanas no Outono, ofogo no lab oratório dificilmente se extinguia... ele costumava,às vezes, examinar um velho livro b olorento que estava noseu lab oratório. Penso que se chamava Agricola deMetallis, sendo o seu principal desígnio a transmutação dosmetais...” Newton acreditava na existência de uma cadeia deiniciados que se alastrava no tempo até uma antigüidademuito remota, os quais conheciam os segredos datransmutação e da síntese do ouro. Encontramos em seus escritos: “A maneira como omercúrio pode ser assim impregnado foi mantida emsegredo por aqueles que sab iam, e constitui provavelmenteum acesso para qualquer coisa de mais nob re que afab ricação do ouro e que não pode ser comunicada sem queo mundo corra um grande perigo, caso os escritos deHermes digam a verdade. Existem outros grandes mistériosalém da transmutação dos metais.” Newton também costumava afirmar: “Se vi mais longedo que os outros, foi porque me apoiei em omb ros degigantes.” Determinados autores acham que tais gigantesseriam os iniciados, que Newton deveria ter conhecidopessoalmente. Alguns pesquisadores consideram que a Alquimiasurgiu dos restos do saber de uma civilização muito antiga ebastante evoluída. Frédéric Soddy, autor da Lei de Soddy sobre adesintegração radioativa, prêmio Nobel de Química,escreveu em seu livro L’interprétation du radium: “Penso queexistiram no passado civilizações que tiveram conhecimento 8
  8. 8. da energia do átomo e que uma má aplicação dessa energiaas destruiu totalmente.”A Alquimia e a Química Considera-se que a Química se originou da evoluçãoda Alquimia. Porém, na verdade, a Química se originou daevolução da Espagíria, a Química Medieval. A Espagíria era uma mistura da Alquimia com osdiversos processos químicos empíricos, desenvolvidosdesde a antigüidade, abrangendo a confecção demedicamentos, tinturas, bebidas, sabão, vidro, técnicasmetalúrgicas, etc. incorporando elementos de magia e deastrologia. Com outras disciplinas, como a Física, ocorreu umaevolução gradativa. Da Física Antiga, de Aristóteles,passamos para a Física Clássica, de Galileu, Kepler eNewton, e finalmente, para a Física Moderna, de Einstein eoutros. Inclusive o próprio nome se manteve; Physica, emlatim, e Physikê, em grego, cuja origem é physis, natureza. A Química é a mais recente das Ciências Naturais. AMatemática e a Física existiam há séculos antes de Cristo,enquanto que a Química, apesar de já ser praticadaempiricamente desde a antigüidade, só se consolida comoCiência no séc. XVII. Os fenômenos físicos são mais evidentes, enquantoque os fenômenos químicos são de mais difícil interpretação,o que certamente teve uma influencia decisiva sobre isso. Vários autores consideram que a consolidação daQuímica como Ciência ocorreu com a publicação de duasobras, que expressam as metas fundamentais norteadorasda moderna pesquisa química: Alchemia, em 1597, doalemão Adreas Libavius (1540?-1616), o qual afirma que aAlquimia deve se preocupar com “a separação de misturasem seus componentes e o estudo das propriedades dessescomponentes” e The sceptical chemist (O químico céptico),em 1661, do irlandês Robert Boyle (1627-1691), o qual ataca 9
  9. 9. energicamente a teoria dos quatro elementos deEmpédocles e Aristóteles e afirma que “elemento é tudoaquilo que não pode ser decomposto por nenhum métodoconhecido”. Observe que Libavius, autor mais antigo, ainda utilizao termo Alquimia, já Robert Boyle, emprega o termo químico. Como uma ciência tradicional e antiga a Alquimiapossuía uma filosofia e uma metafísica, com suas teorias,simbologia e linguajar próprios, incompatíveis com umaciência moderna como a Química, da mesma forma queocorre com a Acupuntura e a Homeopatia em relação àmoderna Medicina Alopática. Este fato inevitável também foi extremamentelamentável, pois a sabedoria acumulada por centenas deanos pelos alquimistas foi simplesmente ignorada. No livro O Despertar dos Mágicos, que possui umCapítulo dedicado à Alquimia, Louis Pauwels e JacquesBergier (o qual era Engenheiro Químico) lamentam que maisde cem mil textos alquímicos, os quais certamente contêmsegredos relativos à matéria e à energia, permaneçamdesprezados. Ressaltam ainda que os textos de Alquimiageralmente são bem modernos em relação à sua época,enquanto as obras de ocultismo estão sempre em atraso, etambém, que a Alquimia trouxe diversas contribuições para aCiência atual. Algumas ciências tradicionais foram reconhecidas poralgumas instituições, sendo ministradas em Universidades.A Medicina Tradicional coexiste com a Medicina Moderna,nas Universidades chinesas, da mesma forma que aMedicina Homeopática coexiste com a Medicina Alopática,em algumas de nossas Universidades. O fato da Alquimia ser uma ciência tradicional e nãoseguir as teorias da ciência moderna não significa que osalquimistas não tenham realizado descobertas importantes,além daquelas já conhecidas. 10
  10. 10. Capítulo IIAs transmutações Sempre que tratamos da Alquimia surge a indagação:Os alquimistas conseguiram realizar transmutações, isto é, atransformação de um elemento químico em outro?Conseguiram transformar metais comuns em ouro? Existem diversos testemunhos históricos, que afirmamque sim! Desde Lavoisier (1743-1794), até o início do séc. XX,a ciência oficial tinha como um dogma a impossibilidade datransmutação dos elementos, a qual era tida como um dossonhos impossíveis dos alquimistas. O preconceito era tãogrande que nenhum cientista considerado sério podia aceitaresta possibilidade. Teoricamente é muito fácil transformar (transmutar)um elemento químico em outro. Atualmente sabemos que a diferença entre umelemento químico e outro é apenas o seu número atômico,que corresponde ao número de prótons dos seus átomos.Portanto, mudando o número de prótons de um átomotransformamos um elemento químico em outro. O número atômico do Urânio é 92. Isto significa queele possui 92 prótons. Ao emitir uma radiação α (alfa) eleperde dois prótons, ficando com 90 prótons, transformando-se então em outro elemento, o Tório, cujo número atômico é90. O grande cientista neozelandês Lord ErnestRutherford (1871-1937), ao estudar os elementosradioativos, teve a idéia de que deveria ocorrer umatransmutação destes elementos, no momento da emissãoradioativa. Inicialmente Rutherford hesitou em mencionarsua descoberta e quando a comunicou aos seus colegas,estes lhe recomendaram muita prudência, pois poderiapassar por louco. Porém, as provas apresentadas eramirrefutáveis e a comunidade científica teve de aceitar que 11
  11. 11. nos processos radioativos ocorre uma transmutação doselementos. Em 1919 Rutherford realizou a primeira transmutaçãoartificial: transformou Nitrogênio em Oxigênio através dobombardeio com radiações α (alfa). Atualmente sabemos que existem dois processos detransmutação denominados fissão nuclear e fusão nuclear. Na fissão nuclear, átomos grandes e instáveis,componentes dos denominados elementos radioativos,como o Urânio, se desintegram naturalmente em átomosmenores e mais estáveis, emitindo radiações. Nas usinasnucleares este processo é realizado lentamente, de formacontrolada, sendo a energia liberada, utilizada na produçãode eletricidade. Nas bombas atômicas este processo ocorrerapidamente, numa reação em cadeia, que acaba numagrande explosão, liberando enormes quantidades de energiana forma de luz, calor e radiações. Na fusão nuclear, átomos menores, como os deHidrogênio, se fundem e se unem, originando átomosmaiores, liberando energia. Este processo necessita detemperaturas muito elevadas e ocorre no interior dasestrelas e nas explosões de bombas de Hidrogênio. Oselementos químicos que formam tudo o que encontramos nanatureza, inclusive nós mesmos, foram produzidos por meiodeste processo, no interior das estrelas. Também existem transmutações artificiais realizadasem grandes aparelhos, denominados aceleradores departículas, onde átomos são bombardeados por partículaselementares, como prótons e neutrons, acelerados agrandes velocidades. Com o impacto destas partículas, osátomos bombardeados sofrem uma transmutação,transformando-se em outros elementos. É um processocaro, que consome enormes quantidades de energia. Porém, nada impede que hajam outros processosmais simples, desconhecidos da ciência atual. 12
  12. 12. Testemunhos históricos de transmutações Existem vários registros históricos de transmutações,muitos deles realizados perante diversas e ilustrestestemunhas. Dentre estes escolhemos dois, nos quais apossibilidade de fraude é praticamente nula, pois foramefetuados longe de qualquer alquimista e por pessoasesclarecidas que eram adversários ferrenhos da Alquimia. O primeiro deles foi realizado pelo grande químico emédico belga, Jean Baptiste van Helmont, ao qual se atribuia criação da palavra gás e a descoberta do dióxido decarbono. Em 1618 van Helmont recebeu a visita de umdesconhecido. Ao saber que o assunto era sobre atransmutação dos metais van Helmont disse que isto nãotinha fundamento científico e que não tinha tempo a perdercom este tipo de coisa. Porém, o desconhecido o interrogouse ele estava disposto a realizar uma experiência, paracomprovar a sua veracidade. Van Helmont respondeu quesim, desde que realizada por ele e nas condições por eledeterminadas. O visitante depositou então, sobre uma folha depapel, alguns grãos de pó, sobre os quais van Helmontescreveria mais tarde: “Vi e manipulei a Pedra Filosofal.Tinha a cor de açafrão em pó e era pesada e b rilhante comovidro em pedaços.” O desconhecido deu então instruções sobre comorealizar o experimento e se despediu. Van Helmontinterrogou se ele retornaria para saber o resultado daexperiência e o visitante respondeu que era desnecessário,pois possuía certeza absoluta quanto ao seu desfecho. Acompanhando-o até a saída van Helmont perguntou-lhe o motivo de havê-lo escolhido para tal experiência e ooutro respondeu que desejava “convencer o ilustre sáb iocujos trab alhos honravam seu país”. 13
  13. 13. Impressionado pela segurança do desconhecido, vanHelmont resolveu empreender o experimento. Mandou seusauxiliares colocarem pouco mais de 200 g de mercúrio emum cadinho e submete-lo ao aquecimento. Embrulhou umacerta quantia da matéria que recebera em um pedaço depapel e jogou no meio do metal líquido, conforme a instruçãorecebida. Colocou uma tampa sobre o cadinho e aguardouum quarto de hora, depois do que, despejou água sobre omesmo para terminar de esfriá-lo. Abrindo o cadinhoencontrou uma massa de ouro de peso equivalente aomercúrio utilizado! Este relato foi escrito e assinado pelo próprio vanHelmont, que reconheceu publicamente seu erro,proclamando que dali em diante acreditava na realidade daAlquimia. Em memória a esta extraordinária experiência deua um de seus filhos o nome de Mercurius, o qual foi umgrande defensor da Alquimia, que viria a convencer o ilustrefilósofo e matemático Leibniz. O segundo foi realizado por Johann FriedrichSchweitzer, conhecido como Helvétius, ilustre médico daépoca e violento adversário da Alquimia. Segundo seu relato, em 27 de dezembro de 1666,chegou à sua casa um desconhecido de aspecto honesto,semblante grave e autoritário, vestido com um traje simples.Após interrogar a Helvétius se ele acreditava na PedraFilosofal, ao que o ilustre médico respondeu negativamente,abriu uma pequena caixa de marfim, “na qual seencontravam três fragmentos de uma sub stância que seassemelhava ao vidro ou ao enxofre pálido”. O donodeclarou tratar-se da Pedra Filosofal e de ser capaz deproduzir vinte toneladas de ouro com aquela porção.Helvétius segurou nas mãos um dos fragmentos e solicitouque lhe fosse cedida uma porção. O visitante recusoubruscamente e acrescentou, em tom mais ameno, que nãopoderia se desfazer de nenhum pedaço, nem por toda afortuna de Helvétius, por uma razão que não podia revelar. Helvétius pediu então que lhe fosse dada uma provarealizando uma transmutação. O desconhecido disse que 14
  14. 14. retornaria no prazo de três semanas e lhe mostraria algo queiria surpreendê-lo. O desconhecido retornou exatamente no dia marcadoe disse a Helvétius que não poderia realizar a transmutação,porém poderia dar-lhe um pequeno pedaço da pedra.Entregou-lhe então um fragmento do tamanho de um grãode mostarda. Helvétius contestou que o pedaço era muitopequeno. O alquimista pegou o pedaço, dividiu-o ao meiocom a unha, jogou uma metade ao fogo e deu a outrametade a Helvétius dizendo: “Esta será mais que suficiente!” Helvétius confessou então ao desconhecido que naprimeira visita havia extraído alguns fragmentos da pedraque observara. Mais tarde, ao lançar estes fragmentos sobrechumbo fundido obtivera apenas uma terra vitrificada, aoinvés de ouro. O visitante riu e falou que era necessárioenvolver a pedra com cera ou papel, para que os vapores dometal derretido não tirassem o seu poder transmutatório.Disse então que tinha de ir, mas retornaria no dia seguinte,caso quisesse esperá-lo para realizar o experimento. Masnão apareceu neste dia, nem no dia seguinte. Finalmente, persuadido por sua mulher, Helvétiusresolveu empreender o experimento, porém, sem esperançade obter algum resultado positivo. Fundiu um pouco de chumbo em um cadinho,envolveu o fragmento da pedra com cera e o lançou no meiodo metal derretido. O metal começou a ferver e ao fim de umquarto de hora estava totalmente transformado em ouro. Para confirmar, o ouro foi levado a um célebre ourivesda época para ser testado, o qual afirmou que o ouro era deexcelente qualidade, oferecendo um bom preço por ele. Outro adversário da Alquimia, o filósofo Spinoza, aosaber do ocorrido foi investigar o assunto. O ourives disse-lhe que ocorrera um fato curioso, poisparte da prata que acrescentara ao ouro em fusão, tambémhavia se convertido em ouro. Helvétius confirmou o ocorrido, mostrando o cadinhoonde realizara a transmutação, dentro do qual ainda haviampartículas de ouro aderidas. 15
  15. 15. Isto foi o suficiente para convencer o céptico Spinoza.Transmutações orgânicas Existem experiências efetuadas com plantas eanimais, que, ao que tudo indica, comprovam que osorganismos vivos são capazes de efetuar transmutações. Citaremos alguns exemplos. No livro A vida secreta das plantas, de PeterTompkins e Christopher Bird, no capítulo Os alquimistasvegetais, temos a descrição das experiências do químico ebiólogo francês Louis Kevran. Após cuidadosas experiências Kevran verificou queas observações do químico Louis Nicolas Vauquelinestavam corretas: “Tendo calculado toda a cal contida naaveia dada a uma galinha, descob ri uma maior quantidadede cal na casca de seus ovos. Há portanto uma criação dematéria.” A hipótese de que o cálcio poderia provir do esqueletoda galinha foi verificada por Kevran. Ele verificou que umagalinha privada de cálcio põe ovos de casca mole. Porém,esta situação logo se normaliza, caso ela receba uma raçãorica em potássio, como a aveia. Portanto, parece evidente que a galinha conseguetransmutar potássio em cálcio. Um fato importante de se notar é que o númeroatômico do potássio é 19 e o do cálcio 20. Portanto, paratransformarmos potássio em cálcio, basta adicionarmos umpróton aos átomos de cálcio. No livro A origem das sub stâncias inorgânicas, deAlbrecht von Herzeele, publicado em 1873, temos diversosexperimentos comprovando transmutações efetuadas porplantas. Pierre Baranger, professor e diretor do laboratório dequímica orgânica da famosa Escola Politécnica de Paris,repetiu por cerca de dez anos as experiências de vonHerzeele, confirmando-as. 16
  16. 16. Em janeiro de 1958 apresentou suas pesquisas emuma reunião científica na Suíça e em 1959 declarou, emuma entrevista à revista Science et Vie: “Meus resultadosparecem impossíveis, mas aí estão eles. Repeti asexperiências várias vezes, fiz milhares de análises duranteanos. Expus meu trab alho à verificação de outros queignoravam minhas intenções exatas. Usei diversos métodose diferentes itens. Mas não há outra alternativa, temos denos sub meter à evidência: as plantas conhecem o velhosegredo dos alquimistas: diariamente, sob nossos olhos,elas transmutam os elementos.” No livro A Ciência Através dos Tempos, AtticoChassot (Professor de Química e Doutor em Educação pelaUFRGS) apresenta a seguinte analogia: Um cofre pode seraberto de duas maneiras: conhecendo-se o segredo ou porarrombamento. Os métodos de transmutação utilizados pelaciência oficial correspondem a um arrombamento. Seestiverem corretas as evidências de que plantas e animaisrealizam transmutações, não seria impossível que osalquimistas conhecessem um método diferente para efetuartransmutações. 17
  17. 17. Capítulo IIIAs origens da Alquimia Varias são as abordagens já empreendidas sobreeste tema. As especulações vão de egípcios e chineses, aantediluvianos e extraterrestres. Mas o que é que realmentesabemos sobre as remotas origens da Alquimia? Segundo a versão etimológica mais em voga, o termoAlquimia provem de khemía, kimya, chemia ou kemeia, oqual designava uma antiga arte egípcia da fabricação doouro e da prata, derivado de khem, khame ou khmi, nomeprimitivo do Egito, significando terra negra, referindo-se àsterras férteis às margem do Nilo, em oposição à areia dodeserto. Sendo também relacionado aos termos gregos:khéein (verter), khymeia (infusão ou mistura líquida) ekhymís (suco). A palavra Química, do latim medieval Chimica, teriaa mesma procedência. Um dos mais antigos alquimistas conhecidos, Zózimo,originário de Panópolis, tendo vivido em Alexandria,provavelmente no início do século IV, afirma que a Alquimiafora ensinada a mulheres por anjos que delas seenamoraram, em épocas antediluvianas, conforme encontra-se no Gênesis, capítulo V: “os anjos viram que as filhas doshomens eram b elas e escolheram mulheres entre elas”,também citado no Livro de Enoch. Segundo seus escritos,que deveriam conter compilações de textos mais antigos,para ensinar às mulheres esses anjos usaram um livrodenominado Chema, escrito por um antigo e misteriososábio chamado Chemes, de onde se originou Chemia, paradesignar esta arte. A primeira referencia histórica encontrada é umDecreto do Imperador romano Diocleciano, de cerca de 300a.C., ordenando a destruição dos velhos escritos egípciossob re a khemia do ouro e da prata. 18
  18. 18. Essa arte passa para os árabes como al-kimiya, el-kimye ou el-kimyâ, e desses à península Ibérica, originandono Espanhol e no Português Alquímia e no Latim Alchemia,espalhando-se pela Europa medieval. A grafia portuguesa moderna Alquimia só aparece noséculo XIX, provavelmente devido a influência estrangeira. Alguns acham que Alquimia (Alchimie) significa “A”Química em distinção à Química comum (Chimie). Napoleão de Landais afirma que o prefixo al não deveser confundido com o artigo árabe, significandosimplesmente uma virtude maravilhosa. O autor anônimo de um manuscrito do século XVIIIdiz que o termo provém do grego als (sal) e chymie (fusão);sendo ambos (sal e fusão), elementos fundamentais notrabalho alquímico. O termo grego chymie designaria o metal fundido, afusão ou a mudança causada pelo fogo, significandoAlquimia, segundo Fulcanelli, a permutação da forma pelaluz, fogo ou espirito. Na China, os mais antigos textos, que remontam aoséculo II a.C., apresentam especulações sobre acomposição da matéria, a transmutação dos metais ereceitas para a imortalidade, mas sempre relacionados como misticismo chinês, taoista. Alguns autores acham que em diversas civilizaçõesantigas houve uma transição de uma metalurgia mágica paraa Alquimia. O domínio do fogo, permitindo ao homem umamelhor manipulação da matéria, principalmente através dacriação de técnicas metalúrgicas, que propiciaram afabricação de armas e utensílios, proporcionando odesabrochar das civilizações, foi de suma importância para ohomem primitivo, o qual a encarava como algo sobrenatural,mágico e sagrado, cercando-a de rituais e de segredosmantidos ciosamente de modo a assegurar a superioridadeque conferiam aos seus detentores. Com o tempo, atravésda evolução desta metalurgia sagrada, por meio dodesenvolvimento místico e filosófico, levaria à formação deuma espécie de alquimia. Mas, é uma conseqüência natural 19
  19. 19. que sistemas mistico-filosófico-religiosos, como o taoismo, oioga e o budismo, desenvolvidos por civilizações antigas taisquais as da China e da Índia, tenham pontos em comumcom uma disciplina tradicional como a Alquimia, uma vezque todos se assentam nos mesmos princípios, nas mesmasverdades universais. Existem autores modernos que pretendem umaorigem extraterrestre, vendo na versão de Zózimo, sobre osanjos, uma alusão a visitantes do espaço, e outros queacham que ela seria constituída pelos resquícios da ciênciaremanescente de uma antiquíssima civilização extinta, aqual teria atingido um elevado grau de desenvolvimento; alegendária Atlântida, talvez. Porém, no parecer de muitos autores, com os quaisconcordamos, a Alquimia, tal e qual a conhecemos hoje,estruturou-se plenamente nos primeiros séculos da nossaEra, na Alexandria, a herdeira da cultura e do saber devárias civilizações antigas, entre as quais a babilônia eprincipalmente a grega. Alexandre, o grande, seu .fundador,discípulo de Aristóteles, incentivou o estudo e odesenvolvimento das artes e das ciências em geral, mandouconstruir sua famosa Biblioteca, um Museu e um Zoológico.Desde a sua fundação, em 332 a.C., até os primeirosséculos da nossa Era, Alexandria foi a capital mundial dacultura e do saber e também um dos maiores centroscomerciais. Sua população, extremamente diversificada,convivia num clima de harmonia e tolerância. Totalmentehelenizada, a maioria de seus sábios era de origem grega,sendo esse o idioma empregado, aparecendo escritos emcopta somente no seu período final. Nas suas instituiçõesestudavam-se de tudo, inclusive Alquimia, tendo havido umintenso florescer do conhecimento, antecipando inúmerasdescobertas. Se a sua biblioteca tivesse sido preservada,certamente o progresso humano teria sido bastanteacelerado. O grande cientista, Carl Sagan, refere-se a elacomo a primeira instituição de pesquisa verdadeira nahistória do mundo. Nesse centro de ebulição do saber,surgiram várias mentes iluminadas, como Eratóstenes, que 20
  20. 20. afirmou ser a Terra redonda e calculou com exatidão o seudiâmetro; o astrônomo e geógrafo Ptolomeu; o gênio damecânica, Arquimedes; o astrônomo Aristarco de Samos,que afirmou ser a Terra um dos planetas a orbitar em tornodo Sol e que as estrelas encontram-se a enormes distâncias;Euclides, o sistematizador da Geometria; Dionísio de Trácia,o primeiro lingüista a definir as partes da oração; Herófilo, ofisiologista que afirmou ser o cérebro a sede da inteligência;Héron de Alexandria, inventor da engrenagem e da máquinaa vapor e autor de Automata, o primeiro texto sobrerobótica; Apolônio de Perga, o matemático que determinouas formas das seções cônicas (elipses, parábolas ehipérboles); e, a grande filósofa, matemática e astrônoma,Hipácia, assassinada em 415 por uma turba de cristãosfanáticos marcando com a sua morte o declino definitivodeste grande centro cultural do mundo antigo. A grande maioria dos autores concorda que o primeiroalquimista egípcio conhecido, Bolo Demócrito, oriundo deMendes, no Delta do Nilo, teria vivido por volta de 200 a.C. eteria escrito, em grego, uma obra intitulada Physica, quetratava da transmutação dos metais em ouro e prata, dafabricação de pedras preciosas e da púrpura. Porém,segundo Holmyard, Bolo Demócrito, teria escrito o primeirotexto sobre Alquimia e teria vivido por volta de 1000 a.C. Nos quatro primeiros séculos da nossa Era, aAlquimia greco-alexandrina passa por um intensodesenvolvimento, surgindo vários alquimistas célebres, entreos quais o já citado Zózimo, que teria escrito umaenciclopédia alquímica de vinte e oito volumes, dos quaisrestam fragmentos; Maria, a judia (séc. IV), também ditairmã de Moisés e profetisa, à qual se atribui a criação dobanho-maria (que alguns atribuem a Zózimo), do kerotakis(vaso fechado em que se expunham lâminas delgadas demetais à ação de vapores) e até do areômetro oudensímetro; Cleópatra, a copta; Teosébia, irmã hermética deZózimo; Sinésio (fim do séc. IV), bispo de Ptolomais (cidadede Cirenaica), discípulo de Hipácia; o historiador e filósofoOlimpiodoro (séc. V); e outros. 21
  21. 21. Da Alexandria a Alquimia passa para Bizâncio e paraos árabes, difundindo-se pela Europa medieval por três vias:a bizantina, a hispânica e a mediterrânea, tendo essa últimapor principais mediadores os cruzados. Os alquimistas medievais, são unânimes em apontaro Egito como o berço da sua arte. A tradição atribui a sua criação a Hermes Trismegisto(o três vezes grande), conhecido no Egito como Tot, ocriador das Artes, das Ciências e da escrita, sendo por issoa Alquimia também designada por Arte ou CiênciaHermética, originando-se dai a expressão "hermeticamentefechado", para designar algo totalmente lacrado, como osrecipientes empregados em certos experimentos. Totdeveria ter sido um sábio eminente ou um rei pré-faraônicodeificado ou identificado com uma divindade, assimiladopelos gregos como Hermes. A ele é atribuída uma infinidadede tratados, entre os quais a famosa Tábua de Esmeralda,que constitui o mais sucinto resumo do trabalho alquímico.Segundo a lenda, Hermes a teria escrito com uma ponta dediamante em uma lâmina de esmeralda, tendo sidoencontrada por soldados de Alexandre na grande pirâmidede Gizé, num fosso recôndito, nas mãos da múmia dopróprio Hermes!...A Tábua de Esmeralda É verdadeiro, completo, claro e certo: O que está em b aixo é como o que está em cima e oque está em cima é como o que está em b aixo; por estascoisas se fazem os milagres duma só coisa. E como todasas coisas são e provêm de UM, pela mediação de UM,assim todas as coisas nasceram desta coisa única, poradaptação. O Sol é o seu pai e a Lua a sua mãe. O vento a trouxeem seu ventre. A Terra é a sua nutriz e receptáculo. O Paide tudo, o Telema do mundo universal, está aqui. A suaforça ou potência está inteira, se ela é convertida em terra. 22
  22. 22. Separarás a terra do fogo e o sutil do espesso, b randamentee com grande indústria. Ele sob e da terra para o céu e descenovamente do céu para a terra e receb e a força das coisassuperiores e das coisas inferiores. Terás, por esse meio aglória do mundo; e toda a ob scuridade fugirá de ti. É a força de toda a força, porque ela venceráqualquer coisa sutil e penetrará qualquer coisa sólida. Assimo mundo foi criado. Disto sairão admiráveis adaptações dasquais o meio aqui, é dado. Por isso fui chamado Hermes Trismegistus, poispossuo as três partes da filosofia universal. O que eu disse da ob ra solar está completo. 23
  23. 23. Capítulo IVO que é Alquimia O monge franciscano e alquimista inglês Roger Bacon(1211 – 1294) no seu livro Speculum Alchemiæ (Espelho daAlquimia) diz o seguinte: A Alquimia é a ciência que ensina a preparar certaMedicina ou elixir, a qual, projetada sob re os metaisimperfeitos torna-os perfeitos no mesmo instante daprojeção. Esta é uma definição extremamente sucinta e exatado que vem a ser a Alquimia. A Medicina ou elixir é aPedra Filosofal, que transmuta os metais em ouro etambém a Panacéia Universal, medicamento que curatodas as doenças e o Elixir da Longa Vida. Esta Medicina ainda possuiria muitas outraspropriedades, que nunca foram bem esclarecidas, sendo seuconhecimento exclusivo daqueles que conseguem obtê-la. A elaboração desta Medicina se denomina GrandeObra ou Magistério e é deste trabalho que tratam todos ostextos alquímicos autênticos. Paralelamente à Alquimia desenvolveram-se algumasdisciplinas, com finalidades específicas, as quais são muitasvezes confundidas com ela. Porém, nenhuma delas jamaisteve a importância da Alquimia, sendo praticamentedesconhecidas. Estas disciplinas derivadas da Alquimia sãoenumeradas por Fulcanelli, na sua obra As MansõesFilosofais. A Espagiria ou química medieval, da qual já falamos. A Arquimia ou Voarchadumia, que buscaunicamente a transmutação dos metais em ouro e prataatravés de procedimentos químicos ou espargiriosdenominados pequenos particulares. A Hiperquímica, segmento mais moderno, o qual sebaseia na hipótese de que a Alquimia é uma Química muito 24
  24. 24. avançada, escondendo em seu simbolismo, descobertas queultrapassam os conhecimentos atuais. Os hiperquímicosdedicam-se a diversas pesquisas, entre as quais, atransmutação. Finalmente, para concluir este assunto, vamos citarFulcanelli: Antes de ir por diante, falemos deste artifício 1desconhecido – que, do ponto de vista alquímico, deviaser classificado de ab surdo, ridículo ou paradoxal, porque asua inexplicável ação desafia qualquer regra científica -, poisele marca a encruzilhada onde a ciência alquímica se apartada ciência química. Aplicado a outros corpos, ele fornece,nas mesmas condições, outros tantos resultadosimprevistos, outras tantas sub stâncias dotadas dequalidades surpreendentes. Esta único e poderoso meiopermite assim um desenvolvimento de insuspeitaenvergadura, pelos múltiplos elementos simples novos e oscompostos derivados destes mesmos elementos, mas cujagênese continua a ser um enigma para a razão química.Isto, evidentemente, não deveria ser ensinado. Sepenetramos neste domínio reservado da hermética; se, maisousado do que os nossos antecessores, o assinalamos,afinal, foi porque desejamos mostrar: 1. que a alquimia é uma ciência verdadeira, susceptível, como a química, de extensão e progresso, e não a aquisição empírica dum segredo de fabricação dos metais preciosos; 2. que a alquimia e a química são duas ciências positivas, exatas e reais, se b em que diferentes uma da outra, tanto na teoria como na prática; 3. que a química não podia, por essas razões, reivindicar uma origem alquímica; 4. enfim, que as inumeráveis propriedades, mais ou menos maravilhosas, atrib uídas em b loco pelos1 Fulcanelli se refere à elaboração do mercúrio filosófico, a qual requer autilização de um artifício especial, do qual trataremos no Capítulo 11, Ainfluência celeste. 25
  25. 25. filósofos à pedra filosofal unicamente pertencem, cada uma, às sub stâncias desconhecidas ob tidas a partir de materiais e de corpos químicos, mas tratados segundo a técnica secreta do nosso 2 Magistério.2 As Mansões Filosofais, Fulcanelli, pág. 234. 26
  26. 26. Capítulo VAlquimistas, Adeptos , assopradores, invejosos,caridosos, etc. Alquimista é toda pessoa que, ciente dos princípiosda ciência hermética, apoiado nos ensinamentos dosmestres consagrados, trabalha em laboratório, buscandorealizar a Grande Ob ra. Os alquimistas também são denominados filósofosquímicos ou simplesmente filósofos e a Alquimia tambémé conhecida como Filosofia, Arte ou Ciência Hermética eAgricultura Celeste. Os Adeptos (sempre com A maiúsculo)correspondem aos alquimistas que realizaram a GrandeOb ra, isto é, obtiveram a Pedra Filosofal. Os assopradores, ou simplesmente sopradores, sãoaqueles que, desconhecendo os princípios alquímicos,buscam a Pedra Filosofal através de procedimentosaleatórios, utilizando materiais diversos. Seu nome provemdos auxiliares dos alquimistas, que acionavam os foles dosfornos, para avivar o fogo. Os amorosos da ciência são pessoas que estudamAlquimia e conhecem os princípios da ciência hermética,porém não trabalhavam em laboratório buscando a PedraFilosofal. A tradição alquímica impõem restrições à suadivulgação, de modo que seus textos são escritos de formavelada e simbólica, a fim de desnortear e confundir osprofanos. Os autores conhecidos como invejosos ou ciosos daciência, são aqueles que escrevem de modo enganoso,descrevendo de modo errado algumas operações, alterandoos dados, procurando confundir e desnortear totalmente osiniciantes. Os autores conhecidos como caridosos, são aquelesque, apesar de manterem as reservas impostas pela 27
  27. 27. tradição alquímica, procuram ser o mais claro possível,evitando as informações enganosas. O Adepto Irineu Filaleto, por exemplo, éextremamente caridoso, em determinadas fases do trabalhoalquímico, porém acrescenta operações falsas entre asverdadeiras. Este procedimento foi criticado pelo Adeptocontemporâneo Fulcanelli: Lendo seu Introitus, não se distingue corte algum;somente, falsas manipulações ocupam a falta dasverdadeiras. Preenchem as lacunas de tal sorte que umas eoutras se encadeiam e ligam sem deixar rasto de artifício.Tal agilidade torna impossível ao profano a tarefa de separaro trigo do joio, o mau do b om, o erro da verdade.Precisamos apenas de afirmar quanto reprovamossemelhantes ab usos, que não são, a despeito da regra,senão mistificações disfarçadas. A cab ala e o simb olismooferecem recursos suficientes para exprimir o que só deveser compreendido por um pequeno número; consideramos,por outro lado, preferível o mutismo à mentira mais 3hab ilmente apresentada. É importante salientar que, na Idade Média, haviamvários mestres, dos quais o iniciante poderia se tornardiscípulo. Porém, atualmente, isto não ocorre. Fulcanelli, o último Adepto conhecido, éextremamente caridoso, não fazendo nenhuma afirmaçãoincorreta em toda a sua obra, o que a torna imprescindívelpara todo estudioso que pretende aprofundar-se naAlquimia. Este Adepto, cujo nome verdadeiro permaneceincógnito, publicou duas obras monumentais sobre Alquimia,nas quais encontramos, basicamente, todos os seusprincípios. A primeira, intitulada O Mistério das catedrais (LeMystère des Cathédrales), publicada em 1964. Trata dosimbolismo alquímico contido nas catedrais góticas,construídas na Idade Média.3 As Mansões Filosofais, Fulcanelli, pág. 231. 28
  28. 28. A segunda, intitulada As Mansões Filosofais (LesDemeures Philosophales), publicada em 1965. Trata dosimbolismo alquímico contido em antigas mansões. Eugéne Canseliet, seu discípulo, afirma: Fulcanelli levou o pormenor da prática b em maislonge que outro qualquer, numa intenção de caridade paracom os trab alhadores, seus irmãos, e para os ajudar avencer essas causas fatigantes de paragens. O seu métodoé diferente do empregado pelos seus predecessores;consiste em descrever minuciosamente todas as operaçõesda Ob ra, depois de a ter dividido em vários fragmentos.Toma assim cada uma das fases do trab alho, começa aexplicá-la num capítulo para a continuar num outro, eterminá-la por fim mais adiante. Essa fragmentação, quetransforma o Magistério num jogo de paciência filosófico,não pode assustar o investigador instruído, mas depressadesencoraja o profano, incapaz de se orientar nesse labirintodoutro gênero e inapto a restab elecer a ordem das 4manipulações.4 Eugène Canseliet: Prefácio da primeira edição à obra de Fulcanelli: AsMansões Filosofais. 29
  29. 29. Capítulo VIPrincípios Alquímicos Na Táb ua de Esmeralda, encontramos: “Todas ascoisas são e provem de Um. Assim todas as coisas provemdesta única coisa por adaptação.” Este constitui o principio fundamental da Alquimia, oqual, de certa forma, é compartilhado pela ciência atual. O universo é constituído de matéria e energia, e amatéria nada mais é do que energia condensada, sendotudo formado por uma essência energética básica. No princípio tudo estava aglomerado num ponto quese expandiu a partir de uma Grande Explosão (Big Bang). Aenergia emitida se condensou em partículas elementares eestas se agruparam originando os átomos dos elementosmais simples, Hidrogênio e Hélio, os quais, pela atraçãogravitacional, se agruparam em nuvens. Á medida que estas nuvens se condensam, a pressãoe a temperatura aumentam em seu interior, até iniciar asreações de fusão, as quais originam os demais elementosquímicos, formadores de todas as substâncias.A Teoria dos Quatro Elementos No séc. V a. C. o filósofo grego Empédocles propõe aTeoria dos Quatro Elementos, segundo a qual oscomponentes básicos do universo são: terra ∇, ar ∆, água ∇e fogo ∆, cada um, com duas, das quatro propriedadesfundamentais: calor, frio, umidade e secura. Assim, temos aterra, que é seca e fria, o ar, que é quente e úmido, a água,que é úmida e fria, e o fogo, que é quente e seco. O fogo(quente e seco) se opõe à água (úmida e fria), porém possuiuma propriedade em comum com a terra (seca e fria) e como ar (quente e úmido). Desta maneira, cada elemento seopõe a um, mas possui uma propriedade em comum com os 30
  30. 30. dois demais, o que costuma ser representado da seguintemaneira: Esta teoria foi acatada e difundida por Aristóteles(384-322 a.C.), sendo também adotada pelos alquimistas. É importante lembrar que os alquimistas nãoempregavam o termo elemento como a química atual oemprega. Atualmente elemento químico significa o conjunto deátomos com o mesmo número atômico (mesmo número deprótons). O termo elemento era utilizado pelos alquimistas demodo figurado e diverso, muitas vezes para se referir aosestados físicos. Assim, no linguajar alquímico, converter a terra emágua, significa uma simples fusão ou passagem do estadosólido para o líquido. Os alquimistas também identificavam dois princípiosbásicos na formação dos metais, um fixo e um volátil,designados por Enxofre e Mercúrio, respectivamente. OEnxofre, composto por Terra e Fogo, e o Mercúrio, por Águae Ar. Vejamos o que Roger Bacon diz, no Capítulo II, doseu Speculum Alchemiæ (Espelho da Alquimia), Dosprincípios naturais e da geração do metais: 31
  31. 31. Vou falar aqui dos princípios naturais e da geraçãodos metais. Antes de tudo, toma nota de que os princípiosdos metais são o Mercúrio e o Enxofre. Estes dois princípiosdão nascimento a todos os metais e a todos os minerais, dosquais existem um grande número de espécies diferentes.Digo ainda, que a natureza teve sempre por fim e se esforçasem cessar, para chegar à perfeição, ao ouro. Mas devido adiversos acidentes que dificultam sua marcha, nascem asvariedades metálicas, como já expuseram claramente váriosfilósofos. Segundo a pureza ou impureza dos dois princípioscomponentes, isto é, do Enxofre e do Mercúrio, se produzemmetais perfeitos ou imperfeitos: ouro, prata, estanho,chumb o, cob re, ferro. Agora, guarda cuidadosamente estes ensinamentossob re a natureza dos metais, sob re sua pureza ou impureza,sua pob reza ou sua riqueza em princípios. Natureza do Ouro: o Ouro é um corpo perfeito,composto por um Mercúrio puro, fixo, b rilhante, roxo e de umEnxofre puro, fixo, roxo e não comb ustível. O Ouro éperfeito. Natureza da Prata: é um corpo puro, quase perfeito,composto por um Mercúrio puro, quase fixo, b rilhante eb ranco. Seu Enxofre tem as mesmas qualidades. Não falta àPrata senão um pouco mais de fixidez, de cor e de peso. Natureza do Estanho: é um corpo puro, imperfeito,composto de um Mercúrio puro, fixo e volátil, b rilhante,b ranco no exterior, roxo no interior. Seu Enxofre tem asmesmas qualidades. Só falta ao estanho ser um pouco maiscozido e digerido. Natureza do Chumb o: é um corpo impuro e imperfeito,composto por um Mercúrio impuro, instável, terrestre,pulverulento, ligeiramente b ranco no exterior, roxo nointerior. Seu Enxofre é semelhante e tamb ém comb ustível.Ao chumb o falta a pureza, a fixidez e a cor; não estáb astante cozido. Natureza do Cob re: o cob re é um metal impuro eimperfeito, composto por um Mercúrio impuro, instável, 32
  32. 32. terrestre, comb ustível, roxo e sem b rilho. Igual é o seuEnxofre. Falta ao cob re a fixidez, a pureza e o peso. Contemdemasiada cor impura e partes terrosas incomb ustíveis. Natureza do Ferro: o ferro é um corpo impuro,imperfeito, composto por um Mercúrio impuro, demasiadofixo, que contem partes terrosas comb ustíveis, b ranco eroxo, porém sem b rilho. Lhe faltam a fusib ilidade, a pureza eo peso; contem demasiado Enxofre fixo impuro e partesterrosas comb ustíveis. Todo alquimista deve ter em conta o que foi dito. Desde a Antigüidade, até a Idade Média, predominavaa Teoria Geocêntrica, desenvolvida e aperfeiçoada no séc. IIpor Claudius Ptolemæus, mais conhecido como Ptolomeu.Segundo ela, a Terra ocupava o centro do universo, comsete planetas girando à sua volta, fixos em esferas de cristal:O Sol, a Lua, Mercúrio, Marte, Vênus, Júpiter e Saturno. Estes sete planetas eram relacionados aos setemetais, da seguinte maneira: Sol – Ouro Lua – Prata Mercúrio – Mercúrio Marte – Ferro Vênus – Cobre Júpiter – Estanho Saturno – ChumboO simbolismo alquímico Conforme já dissemos, a tradição alquímica impõemrestrições à sua divulgação, de modo que os alquimistasescrevem de modo velado e alegórico, empregando umcomplexo simbolismo, para confundir e desnortear osprofanos. Geralmente seus textos são repletos de citações,de comparações, sendo semelhantes a parábolas. Em meioàs suas divagações, os autores vão, pouco a pouco,transmitindo algumas informações realmente importantes. 33
  33. 33. Além disso, os alquimistas nunca descrevem, em uma únicaobra, todas as operações do trabalho alquímico. Algumasvezes a ordem das operações é invertida, em outras, osnomes das substâncias são trocados, etc. Em um autorencontramos referências seguras sobre a matéria prima, emoutro, sobre determinada operação, em um terceiro, sobre oequipamento empregado, e assim por diante. A simbologia alquímica também é muito variada egeralmente cada autor emprega a sua própria simbologia.Por exemplo, os dois princípios básicos que entram na obraalquímica são designados de várias formas: macho e fêmea,enxofre e mercúrio, terra e água, fixo e volátil, dragão semasas e dragão com asas, homem e mulher, rei e rainha, cãoe cadela, etc. Somente quem tem uma idéia dos pontosfundamentais do trabalho alquímico, é capaz de se orientaratravés deste embrenhado labirinto. 34
  34. 34. Capítulo VIIA Grande Obra A Grande Ob ra é a elaboração da Pedra Filosofal ouMedicina Universal, sendo este o objetivo dos alquimistas edo que tratam os textos alquímicos. Na verdade existe a Grande Ob ra ou GrandeMagistério e a Pequena Ob ra ou Pequeno Magistério. A primeira corresponde à consecução plena da Ob raalquímica, levando à obtenção da Pedra Filosofalcompletamente terminada, chamada Pedra ao rub ro, quetransmuta os metais em ouro. A segunda corresponde à consecução intermediáriada Ob ra, levando à obtenção da chamada Pedra ao b ranco,que transmuta os metais em prata. Outro fator importante é que a Grande Ob ra écomposta por etapas distintas, geralmente dividias emPrimeira, Segunda e Terceira Ob ras. A maior parte dos textos alquímicos trata apenas deuma ou de duas destas etapas, como se tratassem da Obracompleta, sem informar que omitem o restante. Fulcanelli se refere a estas etapas da seguintemaneira: 5 Ora, as três granadas ígneas do frontão confirmamesta tripla ação de um único processo e, como representamo fogo corporificado nesse sal vermelho que é o Enxofrefilosofal, compreendemos facilmente que seja necessáriorepetir três vezes a calcinação deste corpo para realizar astrês ob ras filosóficas, segundo a doutrina de Geb er. Aprimeira operação conduz primeiro ao Enxofre, ou medicinada primeira ordem; a segunda operação, ab solutamentesemelhante à primeira, fornece o Elixir ou medicina dasegunda ordem, que só é diferente do Enxofre em qualidadee não em natureza; finalmente, a terceira operação,5 Fulcanelli refere-se a um frontão encontrado na Mansão Lallemant, nacidade de Bourges. 35
  35. 35. executada como as duas primeiras, dá a Pedra filosofal,medicina da terceira ordem, que contém todas as virtudes,qualidades e perfeições do Enxofre e do Elixir multiplicadas 6em poder e extensão. O autor anônimo de A Antiga Guerra dos Cavaleirosdiz o seguinte: Ob servai, pois, que a palavra Pedra é tomada emdiversos sentidos e particularmente em relação aos trêsestados da ob ra; o que faz com que Geb er diga que há trêsPedras, que são as três medicinas, respondendo aos trêsgraus de perfeição da ob ra; de modo que a Pedra deprimeira ordem é a matéria dos Filósofos, perfeitamentepurificada e reduzida a pura sub stância Mercurial; a Pedrade segunda ordem é a mesma matéria, cozida, digerida efixa, em enxofre incomb ustível; a Pedra de terceira ordem éesta mesma matéria, fermentada, multiplicada e levada àperfeição última de tintura fixa, permanente e corante: eessas três Pedras são as três medicinas dos três gêneros. Ob servai, além disto, que há grande diferença entre aPedra dos Filósofos e a Pedra Filosofal. A primeira é osujeito da qual ela é verdadeiramente Pedra, pois que ésólida, dura, pesada, frágil, friável; ela é um corpo (dizFilaleto), “pois escorre ao fogo como um metal”, é todaviaespírito “pois é toda volátil”, ela é o composto, “é a pedraque contém a umidade, que se liqüefaz no fogo” (diz Arnaldode Vilanova em sua carta ao Rei de Nápoles). É nesteestado que ela é “uma sub stância intermediária entre ometal e o mercúrio”, como diz o Ab ade Sinésius; é, enfim,nesse mesmo estado que Geb er a considera, quando diz,em duas passagens da sua Suma “toma nossa pedra, isto é(diz ele) a matéria de nossa pedra”, assim como se diria,toma a Pedra dos Filósofos, que é a matéria da PedraFilosofal. A Pedra Filosofal é então a mesma Pedra dosFilósofos; assim que, pelo Magistério secreto, ela é levada àperfeição de medicina de terceira ordem, transmutando6 O Mistério das Catedrais, Fulcanelli, págs. 218 e 219. 36
  36. 36. todos os metais em puro Sol, ou Lua, segundo a natureza do 7fermento que lhe foi acrescido. Estes dois textos são extremamente esclarecedores edevem ser lidos com muita atenção. Ambos afirmam claramente que a Grande Ob ra dedivide em três etapas principais. Fulcanelli nos informa que estas três etapas sãosemelhantes e que nas três teremos a repetição de umprocesso denominado calcinação. O outro autor nos esclarece sobre as diferentesmaneiras que a palavra Pedra é empregada e sobre asdiferentes operações realizadas em cada etapa. A pedra dosfilósofos é a matéria prima ou a matéria dos filósofos, e nosfornece algumas das suas características, importantes nasua identificação. Segundo ele, esta matéria será purificadae reduzida a pura sub stância mercurial (1ª Obra), para aseguir ser cozida, digerida e fixada em enxofre incombustível(2ª Obra) e finalmente fermentada, multiplicada e levada àperfeição última de tintura fixa, permanente e corante (3ªObra). É importante observar que, apesar de amboschamarem de Pedra Filosofal a Medicina de terceira ordem,o produto final da Grande Ob ra, os modos de se referirem àsPedras ou Medicinas de primeira e de segunda ordens sãobastante diferentes. Esta atribuição de nomes diferentes émuito comum entre os alquimistas e causa muita confusãopara os iniciantes. Além disso, ainda existem dois modus operandi, istoé, dois processos distintos para a elaboração da PedraFilosofal, denominados via úmida ou longa e via seca oub reve. A via seca é a de consecução mais rápida e maisfácil, enquanto que a via úmida é a mais demorada e a maistrabalhosa, sendo porém a mais difundida, pois é dela quetratam a maior parte dos textos alquímicos.7 O Triunfo Hermético, Limojon de Saint-Didier, pág. 77. 37
  37. 37. Cada via possui um modo distinto de operar,empregando substâncias e equipamentos diferentes, sendo,no entanto, ambos os procedimentos análogos. Alguns autores modernos citam uma terceira viadenominada brevíssima, da qual, porém, não encontramosnenhuma referência por parte dos autores tradicionais. Fulcanelli, em As Mansões Filosofais, ao analisar osimbolismo dos labirintos que representam a Ob raalquímica, refere-se às três entradas, correspondentes aostrês pórticos das igrejas góticas; uma que leva diretamenteao centro (via b reve), outra que também aí vai ter, mas apósuma série de desvios (via longa) e outra que termina numbeco sem saída, representado o destino daqueles que, semo devido preparo, pretendem empreender a Ob ra alquímica. 38
  38. 38. Capítulo VIIIA Via Seca e a Via Úmida Conforme já dissemos, existem duas vias ou doismodus operandi para a realização da Grande Ob ra: A viaúmida ou via longa, também denominada via do rico e a viaseca, via b reve ou via antiga, também denominada via dospob res. Vejamos o que diz Fulcanelli ao analisar um dosbaixos-relevos encontrados no Castelo de Dampierre,contendo a figura de um jarro bem trabalhado junto com umavasilha rudimentar, acompanhados da divisa latina: .ALIVD. VAS. IN. HONOREM. .ALIVD. IN. CONTVMELIAM. Uma vasilha para usos de honra, outra paraempregos vis. “Numa casa grande, diz o Apóstolo, não hásó vasilhas de ouro e de prata, tamb ém as há de madeira ede terra, as outras para os usos vis.” Os nossos dois vasos aparecem pois b em definidos,nitidamente distintos, e em ab soluta concordância com ospreceitos da teoria hermética. Um é o vaso da natureza,feito da mesma argila vermelha que serviu a deus paraformar o corpo de Adão; o outro é o vaso da arte, cujamatéria é toda composta de ouro puro, claro, vermelho,incomb ustível, fixo, diáfano e de incomparável b rilho. Eis,pois, as nossas duas vasilhas ou naves, que nãorepresentam verdadeiramente senão dois corpos distintoscontendo os espíritos metálicos, únicos agentes de quenecessitamos. A primeira destas vias, que utiliza o vaso da arte, élonga, lab oriosa, ingrata, acessível às pessoas afortunadas,mas é muito estimada, apesar dos gastos que faz, pois é elaque os autores descrevem de preferência. Serve de suporteà sua argumentação, assim como ao desenvolvimentoteórico da Ob ra, exige um ininterrupto trab alho de doze adezoito meses, e parte do ouro natural preparado, dissolvido 39
  39. 39. no mercúrio filosófico, o qual se coze, seguidamente emmatraz de vidro. Eis o vaso honorável, reservado ao nob redestas sub stâncias preciosas, que são o ouro exaltado e omercúrio dos sapientes. A segunda via só reclama, de princípio a fim, osocorro duma terra vil, ab undantemente espalhada, de tãob aixo preço que, na nossa época, b astam dez francos paraadquirir quantidade superior àquela de que precisamos. É aterra e a via dos pob res, dos simples e dos modestos,daqueles que a natureza maravilha até nas suas maismodestas manifestações. De extrema facilidade, requer,apenas, a presença do artista, porque o misterioso lab or secumpre por si mesmo e se perfaz em sete ou nove meses nomáximo. Esta via, ignorada pela maioria dos alquimistaspraticantes, elab ora-se inteiramente no crisol ou cadinho deterra refratária. É essa via que os grandes mestres nomeiamum trabalho de mulher e uma b rincadeira ou jogo decrianças; é a ela que aplicam o velho axioma hermético:una re, una via, una dispositione. Uma única matéria, umaúnica vasilha, um único forno. Tal é o vaso de terra, vasodesprezado, vulgar e de emprego comum, “que toda a gentetem à frente dos olhos, que nada custa e se encontra emcasa de todos, mas ninguém pode, porém, conhecer sem 8revelação”. Canseliet se refere às duas vias da seguinte maneira: Falamos, desde o início, claramente e sem rodeios,que o vaso da via úmida não é o mesmo que o da via seca.Na primeira o composto é introduzido em um matraz de vidrototalmente estranho a ele; na segunda, do composto muitodiferente, se desprenderá a parede que assegurará a suaproteção. Consequentemente, temos, de uma parte, o ordináriomatraz da química, que se lacrará cuidadosamente, segundoo melhor procedimento; de outra parte, o ovo composto, queaguarda apenas ser colocado no ninho, para ser chocado. Oestudante sab e pois que a via úmida possui o seu matraz de8 As Mansões Filosofais, Fulcanelli, págs. 327 e 328. 40
  40. 40. vidro no b anho de areia, sob re a lâmpada ou queimador, eque a via seca instala seu ovo no crisol em meio ao forno. Exatamente, o primeiro dos compostos é líquido e osegundo, sólido; um é a amalgama expandida do ourometálico e do azougue, o outro, a indissolúvel união do ouro 9verde e do azougue, amb os filosóficos. Fulcanelli também se refere às duas vias em outrasocasiões como, por exemplo, nesta passagem: A dissolução do ouro alquímico pelo dissolventeAlkaest caracteriza a primeira via; a do ouro vulgar pelo 10nosso mercúrio indica a segunda. Neste caso a primeira via a que o Adepto se refere éa breve, e a segunda, é a longa. Estes textos esclarecem muito bem sobre asdiferenças existentes entre as duas vias, fazendo, inclusive,referência às diferentes substâncias empregadas. A via úmida ou longa é dispendiosa, mais demorada,exige mais trabalho e é mais difícil de executar, sendo noentanto a mais conhecida e a mais divulgada. Esta via parte do ouro comum, convenientementepreparado, dissolvido no mercúrio filosófico e cozidoseguidamente em matraz de vidro hermeticamente fechado. Nesta via, as três Pedras ou Medicinas devem sersubmetidas à cocção no Athanor ou forno filosófico que éum forno especial, com banho de areia, para receber o ovofilosófico; o qual é o matraz de vidro com o mercúrio e oenxofre, que correspondem à clara e à gema. Fulcanelli diz o seguinte ao analisar outro baixo-relevodo Castelo de Dampierre: Esta composição marca o termo das três pedras oumedicinas de Geb er, ob tidas sucessivamente, as quais sãodesignadas pelos filósofos com os nomes de Enxofrefilosofal a primeira; Elixir ou Ouro potável a segunda;9 La alquimia explicada sobre sus textos clásicos, Canseliet, pág. 222.10 O Mistério das Catedrais, Fulcanelli, pág. 139. 41
  41. 41. Pedra filosofal, Absoluto ou Medicina universal a última.Cada uma destas três pedras teve de ser sub metida àcocção no Athanor, prisão da Grande Ob ra...11 A via seca ou b reve, que alguns chamam de Regimede Saturno, não é dispendiosa, leva bem menos tempo e éde fácil execução. Ela é totalmente realizada em um cadinhoou crisol de terra refratária, submetido a altas temperaturas,de modo a manter as matérias no maior grau de fluidez,durante o tempo necessário. O final da operação é marcado pelo rompimentoexpontâneo do crisol, deixando à vista, em seu interior, aPedra Filosofal já terminada. Porém, quem desconhece a maneira correta deoperar, corre um sério risco de explosão. Uma forma de se diminuir os riscos consiste emreduzir a mistura empregada a um pó muito fino, em umalmofariz. Depois, ir adicionando esta mistura pouco apouco, por meio de colheradas, ao crisol, aquecido até orubro. Trataremos deste procedimento ao falarmos sobre aprática. Esta via é a menos conhecida, sendo pouco citadapelos mestres.11 As Mansões Filosofais, Fulcanelli, pág. 304. 42
  42. 42. Capítulo IXA cores da Obra Durante o decorrer da Obra alquímica temos umasucessão de cores, que podem ser observadas no interior dovaso alquímico, na via úmida. Existem três cores predominantes: o preto, o branco eo vermelho. A cor negra é a primeira que aparece, no início daObra, sendo atribuída a Saturno. Os alquimistas referem-sea ela como Chumb o dos Filósofos, dragão negro, corvo oucab eça de corvo, sendo associada à terra, à noite, à morte eà putrefação. É o indício de que as matérias iniciaismorreram, isto é, através da reação ocorrida entre elas,deixaram de existir, estão se transformando em algodiferente, perdendo as suas naturezas, as suascaracterísticas. Este negro deve ser lavado ou purificado peloacréscimo de outra substância, até obtermos a cor branca,associada à pureza. Esta operação é denominada decapitaro dragão ou decapitar o corvo e corresponde à purificaçãoda matéria, ao renascimento, à passagem da noite para odia, da morte para a vida, significando que, da união dasmatérias iniciais, mortas na fase de putrefação, obtivemosuma nova substância, mais nobre e mais pura. Finalmente, teremos a cor vermelha, símbolo do fogo,indicando a completa maturação, a consecução final daObra, a obtenção da Pedra Filosofal sob a forma de cristalou pó vermelho, correspondendo à predominância doespírito sobre a matéria, a soberania, o poder, o apostolado. Além destas três colorações principais existem outras,de menor importância, que se manifestam durante a Obraalquímica. Alguns autores se referem ao amarelo ou citrino,à cauda do pavão e às cores do arco-íris. Segundo Fulcanelli: Estas cores, em número de três,desenvolvem-se segundo a ordem invariável que vai do 43
  43. 43. negro ao vermelho, passando pelo branco. Mas como anatureza, segundo o velho adágio - Natura non facit saltus- nada faz b rutalmente, há muitas outras intermédias queaparecem entre essas três principais. O artista faz poucocaso delas porque são superficiais e passageiras. Sãoapenas um testemunho de continuidade e de progressãodas mutações internas. Quanto às cores essenciais, durammais tempo que esses matizes transitórios e afetamprofundamente a própria matéria, marcando uma mudançade estado na sua constituição química. Não se trata de tonsfugazes, mais ou menos b rilhantes, que cintilam nasuperfície do b anho, mas sim de colorações na massa quese manifestam exteriormente e assimilam todas as outras.Será b om, cremos nós, precisar este ponto importante. Estas fases coloridas, especificas da cocção naprática da Grande Ob ra, serviram sempre de protótiposimb ólico; atrib uiu-se a cada uma delas uma significaçãoprecisa e, muitas vezes, b astante extensa para exprimir sob 12o seu véu certas verdades concretas. Esta última observação é muito importante, poisesclarece que as cores são específicas da cocção, sendono entanto empregadas simbolicamente para se referir aoutras fases da Obra. Mais adiante Fulcanelli torna a se referir a este temacitando uma legenda encontrada em um quadro hermético:não vos fieis demasiado na cor, lembrando que algunsautores se referem às cores de modo simbólico, para tratarde outras fases da Obra. Vejamos o que diz Limojon de Sain-Didier na PrimeiraChave da sua Carta aos Verdadeiros Discípulos de HermesContendo as Seis Principais Chaves da Filosofia Secreta:Antes de prosseguir, tenho um conselho a dar-vos, que nãovos será de pequena valia; é fazer reflexões sob re que asoperações de cada uma das três ob ras, tendo muitaanalogia e relação umas com as outras, os Filósofos falamdelas propositadamente em termos equívocos, a fim de que12 O Mistério das Catedrais, Fulcanelli, pág. 114. 44
  44. 44. aqueles que não têm olhos de lince não notem a mudança,perdendo-se neste lab irinto, do qual é b em difícil sair. Comefeito, quando imaginamos que falam de uma ob ra, tratamfreqüentemente de outra, guardai-vos pois de não vosdeixardes aí enganar: pois é fato que em cada ob ra o sáb ioArtista deve dissolver o corpo com o espírito, deve cortar acab eça do corvo, emb ranquecer o negro e avermelhar ob ranco; é todavia propriamente na primeira operação, que oSáb io Artista corta a cab eça ao negro dragão, e ao corvo.Hermes diz que é daí que nossa arte principia, “quod excorvo nascitur, hujus artis est principium”. Considerai que épela separação da fumaça negra, suja e mal cheirosa donegro nigérrimo, que se forma nossa pedra astral, b ranca, eresplandecente, que contém em suas veias o sangue dopelicano; é nesta primeira purificação da pedra, nestab rancura luzente, que termina a primeira Chave da primeira 13ob ra.13 O Triunfo Hermético, Limojon de Saint-Didier, págs.: 143 e 144. 45
  45. 45. Capítulo XA prática da Alquimia Todo aquele que deseja aprofundar-se em Alquimia,deve primeiramente se dedicar ao estudo das obras dosmestres tradicionais. Através da leitura e da meditação irá gradativamentepenetrando o véu que recobre os seus escritos, adquirindouma idéia da Obra completa, dos pormenores de cadaetapa, das substâncias empregadas, etc. Já falamos sobre as dificuldades que aguardam todoo estudioso: A tradição alquímica impõem restrições à suadivulgação de modo que a linguagem é alegórica, há osautores invejosos que procuram desnortear os iniciantescom informações errôneas, o simbolismo empregado pelosdiversos autores para se referir a uma mesma operaçãogeralmente é diferente, jamais encontraremos em um únicotratado todas as indicações necessárias à realizaçãocompleta da Obra, etc. É necessário um bom conhecimento de Química,principalmente de práticas de laboratório, pois o trabalhoalquímico envolve diversas substâncias e equipamentos evárias manipulações, que são comuns a todo químico,porém que podem ser perigosos para os leigos. Alem disso é preciso ter em mente que o trabalhoalquímico assemelha-se muito mais a uma receita decozinha, do que a uma experiência da química atual,conforme afirmam os mestres. Desta forma, existemvariações nos processos, como na preparação de umareceita caseira para a fabricação do pão, do vinho ou dacerveja. As receitas passam de pessoa a pessoa, degeração a geração. O procedimento geral, a receita, ésempre a mesma, mas nunca se obtém o mesmo pão, omesmo vinho ou a mesma cerveja. A mesma pessoa, cada 46
  46. 46. vez que executa uma mesma receita, obtém sempre umresultado diferente. Limojon de Saint-Didier nos diz em sua Carta: Afirmo-vos sinceramente que a prática de nossa arteé a mais difícil cousa do mundo, não quanto às suasoperações, mas quanto às dificuldades que possui, emapreender distintamente, nos livros dos Filósofos: pois, sepor um lado é chamada, com razão, jogo de crianças, poroutro, ela requer, naqueles que procuram a verdade por seutrab alho e estudo, um conhecimento profundo dos Princípiose das operações da natureza, nos três gêneros; masparticularmente, no mineral e metálico. É grande coisaencontrar a verdadeira matéria, que é o sujeito de nossaob ra, para tanto é necessário penetrar mil véus ob scuros,com que ela foi envolvida; deve-se distingui-la por seupróprio nome, dentre um milhão de nomes extraordinários,com que os Filósofos diversamente a exprimiram; deve-secompreender todas as suas propriedades e julgar sob retodos os graus de perfeição, que a arte é capaz de dar-lhe;deve-se conhecer o fogo secreto dos sáb ios, que é o únicoagente que pode ab rir, sub limar, purificar e dispor a matériaa ser reduzida em água; deve-se para isso penetrar até àfonte divina da água celeste, que opera a solução, aanimação e purificação da pedra; deve-se sab er converternossa água metálica em óleo incomb ustível pela inteirasolução do corpo, de onde ela tira sua origem, e para esteefeito, deve-se fazer a conversão dos elementos, aseparação e a reunião dos três princípios; deve-seapreender como dela se deve fazer um Mercúrio b ranco, eum Mercúrio citrino; deve-se fixar este Mercúrio, nutri-lo deseu próprio sangue, a fim de que se converta no enxofre dosFilósofos. Eis quais são os pontos fundamentais de nossaarte; o resto da ob ra se encontra assaz ensinado nos livrosdos Filósofos, para não ter necessidade de mais ampla 14explicação.14 O Triunfo Hermético, Saint-Didier, págs. 140 e 141. 47
  47. 47. Também é importante saber que as operaçõesalquímicas possuem diferenças das operações químicascomuns. Essa diferença pode ser a influência celeste,conforme veremos adiante, ou a presença de um elementocatalisador, como o fogo secreto, na calcinação filosófica. Na calcinação comum temos apenas uma substânciasubmetida à ação do fogo, enquanto que na calcinaçãofilosófica temos a ação conjunta do fogo comum e do fogosecreto. Vejamos como Fulcanelli esclarece esta diferença: Na violência da ação ígnea, as porções comb ustíveisdo corpo são destruídas; só as partes puras, inalteráveis,resistem e, emb ora muito fixas, podem extrair-se porlixiviação. Tal é, pelo menos, a expressão espagírica dacalcinação, semelhança de que os autores se utilizam paraservir de exemplo à idéia geral que se deve ter acerca dotrab alho hermético. No entanto, os nossos mestres na Artetêm o cuidado de chamar a atenção do leitor para adiferença fundamental existente entre a calcinação vulgar,tal como se realiza nos lab oratórios químicos, e a que oIniciado realiza no gab inete dos filósofos. Esta não se efetuapor meio de qualquer fogo vulgar, não necessita do auxíliodo revérb ero mas requer a ajuda de um agente oculto, deum fogo secreto, o qual, para dar uma idéia da sua forma,se assemelha mais a uma chama. Este fogo ou águaardente é a centelha vital comunicada pelo Criador àmatéria inerte; é o espírito encerrado nas coisas, o raioígneo, imorredoiro, encerrado no fundo da sub stância 15ob scura, informe, frígida. São tais diferenças que levam Canseliet a afirmar: Sem negar, de nossa parte, o valor e a exatidão dasoperações da química, ordinariamente b em conhecidas do15 O Mistério das Catedrais, Fulcanelli, pág. 113. 48
  48. 48. técnico, devemos ter em mente que, sob os nomes que são 16comuns, as da alquimia são profundamente diferentes. Além disso, alguns autores costumam dar os maisvariados e extravagantes nomes, para uma determinadaoperação, a qual muitas é vezes é bastante simples. Vejamos o exemplo dado por Flamel sobre osdiferentes nomes atribuídos à fase correspondente à soluçãodo composto, a sua liquefação sob a influência do fogo,provocando a sua desagregação, com o aparecimento dacor negra: Portanto esta negritude e cores ensinam claramenteque neste início a matéria ou o composto começa aapodrecer e dissolver em pó mais miúdo que os átomos doSol, que depois vêm a ser água permanente. E estadissolução é chamada pelos filósofos invejosos morte,dissolução e perdição, porque as naturezas mudam deforma. Daí surgiram tantas alegorias sob re os mortos,tumb as e sepulcros. Outros a chamaram calcinação,desnudação, separação, trituração, assadura, porque asconfecções são mudadas e reduzidas em minúsculospedaços ou partículas. Ainda outros, redução à primeiramatéria, molificação, extração, mistura, liquefação,conversão dos elementos, sutilização, divisão, humação,impastação, e destilação, devido a que as confecções sãoliqüefeitas, reduzidas a semente, ab randadas, e circulampelo matraz. E por outros xir, putrefação, corrupção,somb ras cimerianas, b áratro, inferno, dragão, geração,ingressão, sub mersão, compleição, conjunção, eimpregnação, pelo que a matéria é negra e aquosa, e asnaturezas se misturam perfeitamente, e se conservam umas 17às outras.16 La alquimia explicada sobre sus textos clásicos, Canseliet, pág. 201.17 O Livro das Figuras Hieroglíficas, Flamel, pág. 84. 49
  49. 49. Capítulo XIA influência celeste Segundo Canseliet, em L’Alchimie Expliquée Sur SesTextes Classiques (A Alquimia Explicada Sob re Seus TextosClássicos), devemos atentar primeiramente para osaspectos exteriores como a instalação do laboratório, quedeve ser em um local tranqüilo, o mais afastado possível dosgrandes centros e da poluição. O início dos trabalhos deveser na Primavera, dando-se preferência aos dias límpidos eàs noites estreladas. Muitos autores se referem à influência do céu e dosastros, particularmente, do sol e da lua, na realização daGrande Obra. Porém, tais citações são geralmente vagas eobscuras, pois este, certamente, constitui um dos maioresarcanos da Obra. Jacques Bergier, que era engenheiro químico, foi apessoa com maior conhecimentos da Química atual, quemais se aprofundou na prática da Alquimia, tendo chegadomuito próximo de alguns dos maiores arcanos desta arte. Segundo ele, um alquimista lhe confidenciou quetornar um corpo filosófico, isto é, com determinadascaracterísticas que o tornam próprio ao trabalho alquímico,depende de física e não de química; o que foi interpretadopor Bergier como uma referência à luz da lua cheia. Fulcanelli diz o seguinte: Primeiramente, é indispensável conhecer o que osAntigos designavam pelo termo b astante vago de espíritos.Para os alquimistas, os espíritos são influências reais, seb em que fisicamente quase imateriais ou imponderáveis.Atuam de maneira misteriosa, inexplicável, inconhecível maseficaz, sob re as sub stâncias sujeitas à sua ação epreparadas para os receb er. A radiação lunar é um desses 18espíritos herméticos.18 As Mansões Filosofais, pág. 112, Fulcanelli. 50
  50. 50. Limojon de Saint-Didier se expressa da seguinteforma: Disse-vos claramente e sem amb igüidade que o Céue os Astros, mas particularmente o Sol e a Lua, são ex-princípio desta fonte de água viva que faz operar todas asmaravilhas de que sab eis. É o que faz dizer o Cosmopolita,em seu enigma, que na Ilha deliciosa, de que faz adescrição, não havia água; e toda aquela que se procuravatrazer, por máquinas e por artifícios, “era ou inútil ouenvenenada, exceto aquela que poucas pessoas sab iam 19extrair dos raios do Sol ou da Lua”. Canseliet cita um manuscrito existente no Museu deHistória Natural de Paris, no qual está escrito: Todo mundo sab e hoje em dia que a luz que a lua nosenvia não é senão um reflexo da luz solar, à qual vêmmesclar-se a luz dos outros astros. A lua é portanto umreceptáculo e um lugar comum do qual todos os filósofostêm falado; ela é a fonte da sua água viva. Se vós quereisreduzir em água os raios do sol, escolhei o momento em quea lua no los transmite com ab undância, ou seja, quando estácheia ou se aproxima da sua plenitude; tereis por este meio 20a água ígnea dos raios do sol e da lua em sua maior força. Portanto, determinadas operações devem serefetuadas sob a ação da luz da lua cheia. Porém, estainfluência não se faz notar em uma substância qualquer.Apenas determinadas substâncias, empregadas no trabalhoalquímico, possuem a propriedade de atrair, como um ímã, ecaptar estas influências. Canseliet nos fornece indicações sobre uma reaçãorealizada sob a influência do luar, citando uma frase deJonathan Swift, extraída de As Viagens de Guliver: “Quemina pode unicamente sacar de Marte o leão precipitado?”19 O Triunfo Hermético, Limojon de Saint-Didier, pág. 114.20 La Alquimia explicada sobre sus textos clásicos, Canseliet, pág.107. 51
  51. 51. A mina corresponde à parte mineral do composto, istoé, ao minério empregado. Marte corresponde ao metal, queprovavelmente é o próprio ferro, cujo símbolo é exatamenteMarte. O leão corresponde ao precipitado produzido nareação, efetuada sob a luz da lua cheia. Este precipitado corresponde a um composto de ferro,de coloração verde, o que justifica chamá-lo leão verde,termo empregado por muitos alquimistas para designar oprimeiro dos agentes que entra na elaboração do dissolventeuniversal ou Alkaest, também denominado Vitríolo, vitríoloverde, esmeralda dos filósofos, orvalho de maio, orvalho docéu (flos cœli), erva saturnina, etc. No decorrer das operações, este composto adquire a 21coloração vermelha , tornando-se então o leão vermelho ououro hermético. Sendo esta operação denominada extraçãodo enxofre vermelho e incomb ustível.21 Os compostos de ferro podem adquirir, entre outras, as coloraçõesverde e vermelho-sangüíneo. 52
  52. 52. Capítulo XIIAs matérias empregadas Encontramos referências de que a Pedra Filosofal écomposta por uma única substância, por duas, por três, porquatro e até por cinco substâncias diferentes. Limojon de Saint-Didier esclarece esta aparentecontradição em seu Diálogo de Eudoxo e Pirófilo sob re aAntiga Guerra dos Cavaleiros: Assim como os sucos extraídos de muitas ervas,depurados de seu b agaço e incorporados conjuntamente,compõem a confecção de uma só e mesma espécie, assimos Filósofos chamam, com razão, sua matéria preparada,uma só e mesma coisa; se b em que não se ignore que é umcomposto natural de algumas sub stâncias da mesma raiz ede uma mesma espécie, que perfazem um todo completo ehomogêneo; nesse sentido os Filósofos estão de acordo;mesmo que digam que sua matéria é composta de duascoisas, e outros, de três, uns, de quatro, e outros ainda, de 22cinco, aqueles enfim, que é uma só coisa. Basilio Valentin se refere a este assunto da seguintemaneira: Fiz menção e revelei que todas as coisas são tiradase compostas de três sub stâncias, de mercúrio, enxofre e sal.O que é verdadeiro tamb ém demonstrei. Mas saib as, ademais, que a Pedra é confeccionadade um, de dois, de três, de quatro e de cinco: De cinco, querdizer, da quintessência de sua sub stância; de quatro, peloque se entende pelos quatro elementos; de três, que são ostrês princípios das coisas; de dois, que são certamente adupla sub stância do mercúrio; de um, isto é, o primeiro serde tudo, o qual se originou do verb o da primeira criação oufiat.22 O Triunfo Hermético, Limojon de Saint-Didier, págs. 79 e 80. 53
  53. 53. Para o são julgamento, muitos equívocos poderiamnascer de tais palavras; por isso, para ter a b ase e a idéia daciência que se deve seguir, primeiro falarei b revemente domercúrio; sem segundo lugar, do enxofre; em terceiro, do sal 23– pois são as essências de nossa matéria da Pedra. Vários autores se referem a este assunto dizendo quemuitos b uscam nas mais variadas sub stâncias, dos reinosmineral, vegetal e animal, as matérias da Ob ra; porém, éseguramente no reino mineral que devemos encontrá-las. Vejamos o que diz Roger Bacon em O Espelho daAlquimia: É muito surpreendente ver pessoas háb eis trab alharcom sub stâncias animais, que constituem uma matéria muitodistante, quando têm à mão, nos minerais, uma matériasuficientemente próxima. É possível que alguns filósofostenham relacionado tais matérias com a Ob ra, porém o 24fizeram de modo alegórico. Limojon de Saint-Didier, em sua Carta nos diz oseguinte: Recordai-vos, senhor, que os Filósofos afirmam quese deve apartar tudo o que foge ao fogo, e que nele seconsome, tudo o que não é de uma só natureza, ou aomenos, de origem metálica. Como seria possível aperfeiçoar um metal por outraforma que não por uma sub stância metálica puríssima eexaltada a seu grau último de perfeita tintura e fixidez, poruma longa decocção no licor mercurial que os Filósofos 25descrevem? Limojon de Saint-Didier também esclarece nestaCarta que o orvalho ou rocio não entra na Obra. Os termos orvalho de maio e orvalho do céu (floscœli) empregados por alguns alquimistas, levou muitos a23 As Doze Chaves da Filosofia, Basilio Valentin, págs. 140 e 141.24 Textos Básicos de Alquimia, pág. 50.25 O Triunfo Hermético, Saint-Didier, págs. 164 e 168. 54
  54. 54. acreditarem que o mesmo fosse realmente utilizado,inclusive muitos espagiristas utilizavam o orvalho, colhidocom panos estendidos, em suas manipulações. Fulcanelli é bastante claro a este respeito: Sab e-se, além disso, que o rocio de Maio (orvalho demaio) ou Esmeralda dos filósofos é verde e que o AdeptoCyliani declara, metaforicamente, este veículo indispensávelpara o trab alho. Tamb ém não queremos, com isto, insinuarque é preciso recolher, a exemplo de certos espagiristas edas personagens do Mutus Liber, o orvalho noturno do mêsde Maria, atrib uindo-lhe qualidades que sab emos que elenão possui. O rocio dos sapientes é um sal e não uma água,mas a coloração própria desta água serve para designar a 26nossa matéria. Na verdade estes termos são empregados comosinônimos de Vitríolo, Vitríolo verde, Esmeralda dosFilósofos, Erva Saturnina, Pedra vegetal e Leão verde, todoseles utilizados para designar o primeiro dos componentesempregados na preparação do dissolvente ou Alkaest. O primeiro agente magnético que serve para prepararo dissolvente – que alguns denominam Alkaest – échamado Leão verde, não tanto porque possua coloraçãoverde mas porque não adquiriu os caracteres minerais quedistinguem quimicamente o estado adulto do estado quenasce. É um fruto verde e amargo, comparado com o frutovermelho e maduro. É a juventude metálica sob re a qual aevolução não atuou, mas que contém o germe latente deuma real energia, chamada mais tarde a desenvolver-se.São o arsênico e o chumb o, em relação à prata e ao ouro. Éa imperfeição atual de que sairá a maior perfeição futura; orudimento do nosso emb rião, o emb rião da nossa pedra, apedra do nosso Elixir. Certos Adeptos, Basile Valentin entreeles, chamaram-lhe Vitríolo verde, para expressar a suanatureza cálida, ardente e salina; outros, Esmeralda dos26 As mansões Filosofais, Fulcanelli, pág. 487. 55
  55. 55. Filósofos, Orvalho de Maio, Erva saturnina, Pedra 27vegetal, etc. Mas quais são as substâncias utilizadas? Jacques Bergier chegou muito próximo das matériasempregadas ao descrever o início dos trabalhos alquímicos: O nosso alquimista começa por misturar muito b em,num almofariz de ágata, três constituintes. O primeiro, numaporcentagem de 95 %, é um minério: uma pirita arseniosa,por exemplo, um minério de ferro que contémespecialmente, como impureza, arsênico e antimônio. Osegundo é um metal: ferro, chumb o, prata ou mercúrio. Oterceiro é um ácido de origem orgânica: ácido tartárico oucítrico. Vai moê-los e triturá-los com as mãos, depoisconserva a mistura durante cinco ou seis meses. Emseguida aquece tudo num crisol. Aumenta progressivamentea temperatura e faz com que a operação dure cerca de dezdias. Deverá tomar certas precauções. Há gases tóxicos quese evolam: o vapor de mercúrio e sob retudo o hidrogênioarsenioso que matou mais de um alquimista, logo no início 28dos trab alhos. Segundo Canseliet, e concordamos plenamente comele, as substâncias empregadas são três: um metal, umminério e um sal. O metal e o minério correspondem às duassubstâncias de naturezas opostas. No metal encontramos o princípio masculino, fixo,quente e seco, designado por enxofre. No minério temos o princípio feminino, volátil, frio eúmido, designado por mercúrio. O sal é a substância mediadora, também denominadafogo secreto ou fogo filosófico, o qual, conforme o linguajaralquímico, excitado pelo calor vulgar ou fogo elementar,27 O Mistério das Catedrais, Fulcanelli, pág. 128.28 O Despertar dos Mágicos, Bergier e Pauwels, pág. 124. 56
  56. 56. necessário à liquefação da mistura, efetua as reações, o quecorresponde à ação do fogo secreto ou primeiro agentesobre a matéria prima. O sal atua como fundente, isto é, uma substância quemisturada a outras faz com que elas se fundam a umatemperatura mais baixa. Ao aquecermos a mistura o sal se funde, dissolvendoas demais substâncias, permitindo que as reações entreambas ocorram. A função do minério é realizar a reincruação dometal. Segundo os alquimistas, os metais, ao seremextraídos dos seus minérios, encontram-se mortos,impróprios ao trabalho alquímico, sendo representados poruma árvore seca. Porém, se forem colocados em uma terraque lhes seja própria, podem reviver. Esta terra é o minério eesta operação se denomina reincruação do metal. A árvores seca é um símb olo dos metais usuaisreduzidos dos seus minérios e fundidos, aos quais as altastemperaturas dos fornos metalúrgicos fizeram perder aatividade que possuíam na sua jazida natural. Por isso osfilósofos os qualificam de mortos e os reconhecem comoimpróprios para o trab alho da Ob ra, até que sejamrevivificados, ou reincruados segundo o termo consagrado,por esse fogo interno que nunca os ab andonacompletamente. Porque os metais, fixados sob a formaindustrial que lhes conhecemos, conservam ainda, no maisprofundo da sua sub stância, a alma que o fogo vulgarenclausurou, comprimiu e condensou, mas que não pôdedestruir. Os sáb ios nomearam esta alma fogo ou enxofre,pois ela é verdadeiramente o agente de todas as mutações,de todos os acidentes ob servados na matéria metálica, e éesta semente incomb ustível que nada pode arruinar porcompleto, nem a violência dos ácidos fortes, nem o ardor da 29fornalha.29 As Mansões Filosofais, Fulcanelli, pág. 375. 57
  57. 57. Esta operação, que os sapientes chamaramreincruação ou retorno ao primitivo estado, temespecialmente por ob jetivo a aquisição do enxofre e a sua 30revificação pelo mercúrio inicial. Este dissolvente pouco comum permite a 31"reincruação" do ouro natural, o seu amolecimento e oretorno ao seu primeiro estado sob a forma salina, friável emuito fundível. É este rejuvenescimento do rei que todos osautores assinalam, começo de uma nova fase evolutiva,personificada, no motivo que nos ocupa, por Tristão, 32sob rinho do rei Marc. O fato do ouro entrar ou não na elaboração da PedraFilosofal sempre foi muito controverso, pois alguns autoresafirmam que sim e outros que, absolutamente, não. Estaaparente contradição é facilmente compreensível.Simplesmente que uns falavam sobre a via seca e outrossobre a via úmida. Vários autores são bem esclarecedores a esterespeito. Vejamos algumas citações de Filaleto, acerca doemprego do ouro: Quem quer que deseje possuir este Tosão de ouro,deve sab er que nosso pó aurífico, que chamamos de nossapedra, é o Ouro, simplesmente alçado ao mais alto grau depureza e fixidez sutil a que puder ser levado, tanto por suanatureza, quanto pela arte de háb il operador.30 As Mansões Filosofais, Fulcanelli, pág. 383.31 Termo da técnica hermética que significa tornar cru, ou seja, remeterpara um estado anterior ao que caracteriza a maturidade, retroceder.(Nota de Fulcanelli).32 O mistério das Catedrais, Fulcanelli, pág.195. 58
  58. 58. O mesmo ocorre com o nosso ouro: está morto, querdizer, sua força vivificante está selada sob a escóriacorporal; no que se assemelha ao grão, com diferenças,porém, em proporção à grande distância que separa o grãovegetal do ouro metálico. E assim como este grão quepermanece imutável, enquanto está ao ar seco, é destruídopelo fogo e vivificado somente na água, tamb ém o ouro, queé incorruptível malgrado qualquer ataque e duraeternamente, é redutível apenas em nossa água, e entãovive, e torna-se nosso ouro. Os Filósofos têm então razão dizendo que o ourofilosófico é diferente do ouro vulgar; e esta diferença residena composição. Diz-se, realmente, que um homem estámorto quando ouviu sua sentença de morte; tamb ém se dizque o ouro está vivo quando mistura-se a uma talcomposição, sub metido a um tal fogo, no qual deve recebernecessária e rapidamente a vida germinativa e mostrar, 33alguns dias mais tarde, os efeitos de sua vida nascente. Fulcanelli também faz citações sobre a utilização doouro, e de que o seu emprego só ocorre na via úmida: A dissolução do ouro alquímico pelo dissolventeAlkaest caracteriza a primeira via; a do ouro vulgar pelo 34nosso mercúrio indica a segunda. Um velho refrão espagírico pretende que a sementedo ouro está no próprio ouro; não o contradiremos, com acondição de que se saib a de que ouro se trata, ou como 35convém colher essa semente lib erta do ouro vulgar. Com efeito, sab emos que o mercúrio filosófico resultada ab sorção de uma certa parte de enxofre por uma33 Entrada Aberta ao Palácio Fechado do Rei, Filaleto, págs. 9, 42 e 43.34 O Mistério das Catedrais, Fulcanelli, pág. 139.35 As Mansões Filosofais, pág. 118, Fulcanelli. 59

×